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caderno do

PROFESSOR

HISTÓRIA
ensino médio
1a SÉRIE
volume 1 - 2009
Coordenação do Desenvolvimento dos Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
Conteúdos Programáticos e dos Cadernos dos Arte: Geraldo de Oliveira Suzigan, Gisa Picosque,
Professores Jéssica Mami Makino, Mirian Celeste Martins e
Ghisleine Trigo Silveira Sayonara Pereira

AUTORES Educação Física: Adalberto dos Santos Souza,


Jocimar Daolio, Luciana Venâncio, Luiz Sanches
Ciências Humanas e suas Tecnologias Neto, Mauro Betti e Sérgio Roberto Silveira
Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges, Alzira
Luís Martins e Renê José Trentin Silveira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Donnini Rodrigues,
Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Priscila Mayumi Hayama e Sueli Salles Fidalgo
Tadeu Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet
Araujo, Regina Célia Bega dos Santos e Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar,
Sérgio Adas José Luís Marques López Landeira e João Henrique
História: Paulo Miceli, Diego López Silva, Nogueira Mateos
Governador Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli e Matemática
José Serra Raquel dos Santos Funari
Matemática: Nílson José Machado, Carlos
Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza Eduardo de Souza Campos Granja, José Luiz Pastore
Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe, Mello, Roberto Perides Moisés, Rogério Ferreira da
Vice-Governador Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina Fonseca, Ruy César Pietropaolo e Walter Spinelli
Alberto Goldman Schrijnemaekers
Caderno do Gestor
Secretária da Educação Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Maria Helena Guimarães de Castro Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de Felice
Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo Murrie
Secretária-Adjunta Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene
Iara Gloria Areias Prado Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta Equipe de Produção
Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Coordenação Executiva: Beatriz Scavazza
Chefe de Gabinete Santana, Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo
Fernando Padula Venturoso Mendes da Silveira e Solange Soares Assessores: Alex Barros, Antonio Carlos Carvalho,
de Camargo Beatriz Blay, Carla de Meira Leite, Eliane Yambanis,
Coordenadora de Estudos e Normas Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina Heloisa Amaral Dias de Oliveira, José Carlos
Pedagógicas Leite, João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto, Augusto, Luiza Christov, Maria Eloisa Pires Tavares,
Valéria de Souza Julio Cézar Foschini Lisbôa, Lucilene Aparecida Paulo Eduardo Mendes, Paulo Roberto da Cunha,
Esperante Limp, Maíra Batistoni e Silva, Maria Pepita Prata, Renata Elsa Stark, Solange Wagner
Coordenador de Ensino da Região Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo Locatelli e Vanessa Dias Moretti
Metropolitana da Grande São Paulo Rogério Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro, Equipe Editorial
José Benedito de Oliveira Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordão,
Coordenação Executiva: Angela Sprenger
Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume
Coordenadora de Ensino do Interior Assessores: Denise Blanes e Luis Márcio Barbosa
Aparecida Edna de Matos Física: Luis Carlos de Menezes, Sonia Salem,
Estevam Rouxinol, Guilherme Brockington, Ivã Projeto Editorial: Zuleika de Felice Murrie
Presidente da Fundação para o Gurgel, Luís Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo de
Edição e Produção Editorial: Conexão Editorial,
Desenvolvimento da Educação – FDE Carvalho Bonetti, Maurício Pietrocola Pinto de
Buscato Informação Corporativa, Verba Editorial e
Fábio Bonini Simões de Lima Oliveira, Maxwell Roger da Purificação Siqueira e
Occy Design (projeto gráfico)
Yassuko Hosoume
Química: Denilse Morais Zambom, Fabio APOIO
Luiz de Souza, Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto, FDE – Fundação para o Desenvolvimento da
Isis Valença de Sousa Santos, Luciane Hiromi Educação
Akahoshi, Maria Eunice Ribeiro Marcondes,
EXECUÇÃO Maria Fernanda Penteado Lamas e Yvone CTP, Impressão e Acabamento
Mussa Esperidião Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Coordenação Geral
Maria Inês Fini
Concepção
Guiomar Namo de Mello A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais
Lino de Macedo secretarias de educação do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegi-
Luis Carlos de Menezes dos* deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei no 9.610/98.
Maria Inês Fini * Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas no material da SEE-SP que não
Ruy Berger estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais.

GESTÃO
Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas
Fundação Carlos Alberto Vanzolini

Presidente do Conselho Curador: São Paulo (Estado) Secretaria da Educação.


Antonio Rafael Namur Muscat S239c Caderno do professor: história, ensino médio - 1a série, volume 1 / Secretaria
da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Diego López Silva,
Presidente da Diretoria Executiva:
Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli, Raquel dos Santos Funari, Paulo
Mauro Zilbovicius
Miceli. – São Paulo : SEE, 2009.
Diretor de Gestão de Tecnologias
aplicadas à Educação: ISBN 978-85-7849-196-3
Guilherme Ary Plonski
1. História 2. Ensino Médio 3. Estudo e ensino I. Fini, Maria Inês. II. Silva,
Coordenadoras Executivas de Projetos:
Diego López. III. Silva, Glaydson José da. IV. Bugelli, Mônica Lungov. V. Funari,
Beatriz Scavazza e Angela Sprenger
Raquel dos Santos. VI. Miceli, Paulo. VII. Título.
COORDENAÇÃO TÉCNICA
CDU: 373.5:93/99
CENP – Coordenadoria de Estudos e Normas
Pedagógicas
Prezado(a) professor(a),

Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2008 para atender a uma das


prioridades da área de Educação neste governo – o ensino de qualidade –, enca-
minhamos a você o material preparado para o ano letivo de 2009.

As orientações aqui contidas incorporaram as sugestões e ajustes sugeridos


pelos professores, advindos da experiência e da implementação da nova pro-
posta em sala de aula no ano passado.

Reafirmamos a importância de seu trabalho. O alcance desta meta é concre-


tizado essencialmente na sala de aula, pelo professor e pelos alunos.

O Caderno do Professor foi elaborado por competentes especialistas na área


de Educação. Com o conteúdo organizado por disciplina, oferece orientação
para o desenvolvimento das Situações de Aprendizagem propostas.

Esperamos que você aproveite e implemente as orientações didático-peda-


gógicas aqui contidas. Estaremos atentos e prontos para esclarecer dúvidas ou
dificuldades, assim como para promover ajustes ou adaptações que aumentem
a eficácia deste trabalho.

Aqui está nosso novo desafio. Com determinação e competência, certamen-


te iremos vencê-lo!

Contamos com você.

Maria Helena Guimarães de Castro


Secretária da Educação do Estado de São Paulo
Sumário
São Paulo faz escola – Uma Proposta Curricular para o Estado 5
Ficha do Caderno 7
Orientação sobre os conteúdos do bimestre 8
Situações de Aprendizagem 11

Situação de Aprendizagem 1 – Problematizando a Pré-história 11

Situação de Aprendizagem 2 – As fontes do conhecimento sobre a Pré-história 18

Situação de Aprendizagem 3 – A Pré-história sul-americana, brasileira e regional. 22

Situação de Aprendizagem 4 – O Oriente Próximo e o surgimento das primeiras


cidades 27

Situação de Aprendizagem 5 – Egito e Mesopotâmia 33

Situação de Aprendizagem 6 – Hebreus, fenícios e persas 40


Considerações finais 44
Bibliografia 45
SãO PAUlO FAz ESCOlA – UMA PrOPOStA
CUrriCUlAr PArA O EStAdO

Prezado(a) professor(a),

É com muita satisfação que apresento a todos a versão revista dos Cadernos
do Professor, parte integrante da Proposta Curricular de 5a a 8a séries do Ensino
Fundamental – Ciclo II e do Ensino Médio do Estado de São Paulo. Esta nova versão
também tem a sua autoria, uma vez que inclui suas sugestões e críticas, apresentadas
durante a primeira fase de implantação da proposta.

Os Cadernos foram lidos, analisados e aplicados, e a nova versão tem agora a


medida das práticas de nossas salas de aula. Sabemos que o material causou excelente
impacto na Rede Estadual de Ensino como um todo. Não houve discriminação.
Críticas e sugestões surgiram, mas em nenhum momento se considerou que os
Cadernos não deveriam ser produzidos. Ao contrário, as indicações vieram no sentido
de aperfeiçoá-los.

A Proposta Curricular não foi comunicada como dogma ou aceite sem restrição.
Foi vivida nos Cadernos do Professor e compreendida como um texto repleto de
significados, mas em construção. Isso provocou ajustes que incorporaram as práticas
e consideraram os problemas da implantação, por meio de um intenso diálogo sobre
o que estava sendo proposto.

Os Cadernos dialogaram com seu público-alvo e geraram indicações preciosas


para o processo de ensino-aprendizagem nas escolas e para a Secretaria, que gerencia
esse processo.

Esta nova versão considera o “tempo de discussão”, fundamental à implantação


da Proposta Curricular. Esse “tempo” foi compreendido como um momento único,
gerador de novos significados e de mudanças de ideias e atitudes.

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Os ajustes nos Cadernos levaram em conta o apoio a movimentos inovadores, no
contexto das escolas, apostando na possibilidade de desenvolvimento da autonomia
escolar, com indicações permanentes sobre a avaliação dos critérios de qualidade da
aprendizagem e de seus resultados.

Sempre é oportuno relembrar que os Cadernos espelharam-se, de forma objetiva, na


Proposta Curricular, referência comum a todas as escolas da Rede Estadual, revelando
uma maneira inédita de relacionar teoria e prática e integrando as disciplinas e as
séries em um projeto interdisciplinar por meio de um enfoque filosófico de Educação
que definiu conteúdos, competências e habilidades, metodologias, avaliação e recursos
didáticos.

Esta nova versão dá continuidade ao projeto político-educacional do Governo de


São Paulo, para cumprir as 10 metas do Plano Estadual de Educação, e faz parte das
ações propostas para a construção de uma escola melhor.

O uso dos Cadernos em sala de aula foi um sucesso! Estão de parabéns todos os que
acreditaram na possibilidade de mudar os rumos da escola pública, transformando-a
em um espaço, por excelência, de aprendizagem. O objetivo dos Cadernos sempre será
apoiar os professores em suas práticas de sala de aula. Posso dizer que esse objetivo
foi alcançado, porque os docentes da Rede Pública do Estado de São Paulo fizeram
dos Cadernos um instrumento pedagógico com vida e resultados.

Conto mais uma vez com o entusiasmo e a dedicação de todos os professores, para
que possamos marcar a História da Educação do Estado de São Paulo como sendo
este um período em que buscamos e conseguimos, com sucesso, reverter o estigma
que pesou sobre a escola pública nos últimos anos e oferecer educação básica de
qualidade a todas as crianças e jovens de nossa Rede. Para nós, da Secretaria, já é
possível antever esse sucesso, que também é de vocês.

Bom ano letivo de trabalho a todos!

Maria inês Fini


Coordenadora Geral
Projeto São Paulo Faz Escola

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FiCHA dO CAdErnO
nome da disciplina: História

área: Ciências Humanas e suas Tecnologias

Etapa da educação básica: Ensino Médio

Série: 1a

Período letivo: 1o bimestre de 2009

temas e conteúdos: Pré-história

Civilizações do Oriente Próximo:


o surgimento do Estado e da escrita

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OriEntAçãO SOBrE OS COntEúdOS dO BiMEStrE
Caro(a) professor(a), relação às temáticas apresentadas. Parte-se do
princípio de que, independentemente do saber
Este Caderno tem por objetivo auxiliá-lo que tenham, esse saber pode ser a premissa a
no desenvolvimento de dois temas que os ma- partir da qual o professor pode se aproximar
teriais didáticos disponíveis, em sua quase to- dos alunos e despertar-lhes o interesse pelas
talidade, tratam de modo bastante superficial: questões tratadas. Para ambos os temas, os
a Pré-história e as civilizações do Oriente Pró- procedimentos e estratégias de avaliação pro-
ximo. Cabe a você decidir sobre a aplicação postos contemplam instâncias de pesquisa,
das sugestões a seus planos de aulas, alteran- participação e produção textual, entendidas
do-as, a partir de suas experiências docentes, como importantes formas de desenvolvimen-
desenvolvidas no contato com os alunos e nos to das competências e habilidades previstas.
ambientes em que exerce suas atividades pro-
fissionais. A forma sugerida para lidar com a grande
distância temporal entre diferentes “pré-his-
Para cada eixo apresentado, é proposto um tórias” e civilizações do Oriente Próximo e a
conjunto de Situações de Aprendizagem, nas vida dos alunos, comumente entendida como
quais foram priorizados os aspectos mais re- obstáculo para o aprendizado desses conteú-
presentativos das discussões historiográficas dos, consiste na tentativa de aproximar co-
que, atualmente, são travadas a respeito dos nhecimentos tradicionalmente separados: os
dois temas. Nessas Situações de Aprendiza- saberes dos alunos (frequentemente estereo-
gem, enfatizamos o desenvolvimento da com- tipados e baseados em referências midiáticas,
petência leitora e escritora dos alunos. Além mas que, pedagogicamente, podem ser úteis)
disso – com base nas orientações para a área de e aqueles que você possui a respeito desses te-
História, estabelecidas pela Lei de Diretrizes e mas. A aproximação permite traçar paralelos
Bases da Educação (Lei no 9.394/96), e nos Pa- entre informações veiculadas pela mídia – nos
râmetros Curriculares Nacionais –, aspectos seus mais diferentes suportes: filmes, jornais
como a heterogeneidade dos grupos sociais e a e séries televisivas, animações etc. – e outros
pluralidade dos modos de vida, em seu contex- conhecimentos de que dispõem os alunos e
to e ao longo do tempo, foram considerados aqueles acumulados por você, com o que se
em relação a ambos os temas, com a finalida- reforçaria a relação ensino-aprendizagem.
de de propiciar uma compreensão mais ampla
e menos generalizante dos fenômenos históri- No que diz respeito à Pré-história, é possível
cos que a eles se referem. Os dois temas desen- começar a Situação de Aprendizagem por uma
volvidos neste Caderno buscam contemplar o crítica ao próprio conceito, geralmente acolhi-
conteúdo previsto pelas três competências e do e utilizado para separar distintos períodos
habilidades para a área de História dos PCN da história humana, delimitados pelo desenvol-
– representação e comunicação; investigação vimento da escrita, e que acabam servindo para
e compreensão; contextualização sociocultu- hierarquizar sociedades, grupos, povos etc.
ral – procurando abranger as especificidades
de suas proposições. As estratégias de ensino- Outro aspecto importante a ser conside-
aprendizagem aqui adotadas procuram con- rado é o viés eurocêntrico que orienta o tra-
templar o conhecimento prévio dos alunos em tamento dado à Pré-história nos materiais de

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História – 1a série, 1o bimestre

ensino, o que distancia ainda mais o tema da não atenta para a diversidade e pluralidade
vida dos alunos. Visando a superar esse enfo- das culturas e dos modos de vida da região.
que, questões como o surgimento da huma- No passado ou no presente, a história dos po-
nidade e o povoamento de diferentes espaços vos dessa região carece de maior problemati-
geográficos são apresentadas nesta proposta zação. Neste Caderno você poderá encontrar
em uma perspectiva comparativa de diferentes algumas sugestões de Situações de Aprendiza-
realidades, em um mesmo ou distintos perío- gem que contemplam essas orientações.
dos históricos, abrindo-se com isso um leque
de questões muito importantes para animar os É importante considerar, também, que o
debates com os alunos, como: seres humanos e tratamento desses temas nessa fase do Ensi-
escrita surgiram ao mesmo tempo e em todos no Médio pode ser fortemente auxiliado por
os lugares? Quais as hipóteses aventadas sobre outras disciplinas do currículo, oferecendo
o povoamento do Brasil e da América? Que co- aos alunos possibilidades efetivas de reflexão
nhecimentos se têm acerca da Pré-história bra- interdisciplinar. Cabe ressaltar, ainda, que
sileira? tanto os temas tratados neste Caderno quan-
to as indicações para seu desenvolvimento na
Em relação ao Oriente Próximo, atualmen- escola podem conduzir a reflexões acerca da
te, duas questões preocupam os pesquisado- diversidade dos indivíduos, grupos e povos e
res: Qual o limite de suas fronteiras? Oriente à compreensão de seu desenvolvimento social
Próximo e Oriente Médio são a mesma coisa? e tecnológico – habilidades essas que sempre
No que se refere à Antiguidade, essas impre- podem ser trabalhadas a partir de exemplos
cisões praticamente não se aplicam. Por Anti- extraídos dos próprios ambientes cotidianos
go Oriente Próximo se entende, geralmente, o em que vivem os alunos.
conjunto de civilizações formado pelos povos
egípcios, mesopotâmicos, hebreus, fenícios e Pré-história
persas. A terminologia é utilizada corrente-
mente por estudiosos do mundo antigo e da O conhecimento científico acerca da Pré-
arqueologia oriental, os quais também se refe- história foi objeto de diferentes abordagens
rem a esses povos como civilizações do Cres- ao longo do século XX. A partir da década
cente Fértil ou hidráulicas. de 1970, sobretudo, novos estudos interdisci-
plinares enriqueceram esse campo de análise.
As sociedades do antigo Oriente Próximo, Anteriormente entendida como estudo das
com frequência, são analisadas tendo por base sociedades inferiores, por não terem desen-
estudos generalizantes, assentados em homo- volvido sistemas de escrita, essa concepção
geneizações de experiências históricas caracte- de Pré-história foi duramente criticada com o
rizadas, dentre outros fatores, pela localização avanço das pesquisas na área, principalmen-
geográfica dos povos que o compõem. Sobre te pelo fato de levar à preconceituosa hierar-
isso, é importante lembrar que, embora te- quização de grupos sociais – pré-históricos e
nham experimentado vivências semelhantes, históricos –, a partir do desenvolvimento da
esses povos também apresentaram diferentes escrita. Concebida, tradicionalmente, como
peculiaridades. Esse pressuposto também au- um marco entre sociedades desenvolvidas e
xilia uma melhor compreensão das socieda- não-desenvolvidas, civilizadas e não-civiliza-
des que, atualmente, existem no denominado das, a escrita não mais tem sido percebida des-
Oriente Médio. Representada na grande mí- ta maneira. A crítica a esse modelo analítico,
dia como região violenta e habitada por fa- em benefício de compreensões mais plurais e
náticos fundamentalistas, essa pressuposição inclusivas das experiências humanas, tem his-

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tória. Fazer chegar aos alunos alguns resul- experiência humana. Por exemplo, a análi-
tados desses estudos e contrastá-los com as se interdisciplinar de fósseis, pinturas rupes-
interpretações mais tradicionais – presentes, tres, artefatos e diferentes vestígios materiais,
inclusive, no conhecimento que, de antemão, considerando sua proveniência, datação, con-
dispõem a respeito do tema – consiste em uma texto material em que foram encontrados
etapa importante de sua formação. etc., desempenhou um papel significativo na
renovação dos estudos pré-históricos. E é jus-
A convicção de que a história tem início tamente essa abordagem multidisciplinar que
com a “invenção” da escrita e de que a Pré- pode exercer importante papel no despertar
história corresponderia ao período que a ela da curiosidade e do gosto pelo tema por parte
antecede está baseada na ideia de que só são dos alunos.
documentos históricos os escritos, entendidos
como marcos que assinalariam a passagem do Além disso, você pode desenvolver conteú-
estágio de barbárie para as sociedades civili- dos a partir das experiências dos alunos, pois
zadas. Em outras palavras, isso significa que a a Pré-história não precisa ser vista somente
humanidade teria evoluído em estados suces- pelo viés das grandes distâncias geocronoló-
sórios, de sociedades mais simples (sem escrita) gicas. As relações entre os seres humanos e a
para sociedades mais complexas (com escrita), natureza, suas formas de comunicação e so-
e são essas as referências que ainda aparecem ciabilidade, suas manifestações artísticas etc.
em diferentes produções didáticas. podem ser pensadas em uma perspectiva his-
tórica de diferentes visões espaciais e tempo-
Como aplicar, no ambiente escolar, os rais (antigas e contemporâneas), sem que com
avanços historiográficos a respeito dos estu- isso se estabeleça a criticada dicotomia entre
dos sobre a Pré-história? Inicialmente, você “civilizados” e “não-civilizados”. A Pré-histó-
não deve ignorar as abordagens tradicionais, ria brasileira, por exemplo, por muito tempo
pois é com esse conhecimento que muitos dos negligenciada nas produções didáticas, pode
alunos ingressam na 1a série do Ensino Médio, ser um instrumento útil para uma aproxima-
abraçando convicções que ligam a Pré-histó- ção mais imediata da realidade dos alunos.
ria ao atraso tecnológico e à inexistência de
sistemas de organização social, contraposta às Os frequentes avanços e descobertas a res-
sociedades entendidas como mais desenvolvi- peito da Pré-história, que acabam indo parar
das. É fundamental lembrar, aqui, que ideias nos veículos de comunicação, como notícias
como essas sustentaram, no século XIX, os de novos fósseis e vestígios humanos, novas
discursos império-colonialistas de diferentes datações sobre a origem da vida, povoamento
países, como Inglaterra e França, por exem- do globo etc. podem ser aproveitados como
plo: a ideia de grupamentos humanos supe- pressupostos a partir dos quais é possível de-
riores e inferiores, civilizados e não-civilizados senvolver a temática em sala de aula. Convém
esteve na base das missões imperiais civiliza- proceder da mesma maneira com filmes, de-
doras e conferiu aos “colonizadores” o direito senhos, jogos etc., criando espaços de crítica
de “levar a paz”, “estabelecer a ordem” e fa- e reflexão a respeito dos diversos enunciados
zer imperar aos “colonizados” os ditames do que apresentam.
“progresso”.
Nas Situações de Aprendizagem sugeridas
A crítica a esse modelo de análise abriu a seguir, são mostradas algumas possibilida-
caminho para abordagens mais plurais da des para desenvolvimento do tema.

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História – 1a série, 1o bimestre

SitUAçÕES dE APrEndizAGEM
SITuAçãO DE APRENDIzAGEM 1
PROBLEMATIzANDO A PRÉ-HISTóRIA
Esta Situação de Aprendizagem tem por líticas sobre a origem da vida e o povoamento
objetivos questionar a visão de Pré-história da Terra. As atividades previstas pressupõem
como período da barbárie humana – rompido indicação de pesquisa aos alunos e poderão
com o advento da escrita –, caracterizar os pe- ser desenvolvidas, dialogicamente, por meio
ríodos pré-históricos e discutir vertentes ana- da problematização dos temas.

tempo previsto: 5 aulas.

Conteúdos e temas: ideia de Pré-história, períodos pré-históricos e origem da vida e povoamento da


Terra.

Competências e habilidades: reconhecimento da diversidade dos processos históricos e das experiências


humanas.

Estratégia: aula expositiva, dinâmica de grupos e pesquisa.

recursos: lousa, giz e mapa-múndi.

Avaliação: pesquisa, participação e produção textual.

Sondagem e sensibilização – 1a aula compreende e como podem ser caracterizados?


A partir de qual período se data o aparecimen-
Nas aulas que antecederem o desenvolvi- to do homem? Como complemento, você pode
mento dessa Situação de Aprendizagem, soli- solicitar aos alunos a seleção de duas imagens
cite aos alunos que façam uma pesquisa sobre que representem modos de vida na Pré-histó-
a Pré-história – que orientará o desenvolvi- ria – podem ser gravuras, ilustrações, reprodu-
mento das quatro aulas relacionadas a essa ções de pinturas rupestres etc. Essas imagens
temática –, estimulando-os a começar pelo podem, inclusive, ser feitas pelos próprios
próprio conceito. Essa pesquisa, a ser feita in- alunos. Solicite-lhes que não deixem de citar
dividualmente e em grupo, deverá contemplar a fonte de onde foram retiradas. – atividade
os distintos períodos pré-históricos, a origem individual.
da vida pré-histórica e o povoamento nos di-
ferentes continentes. Propomos a seguir uma Parte ii (pesquisa em grupo): Divida a classe
sugestão de conteúdo a ser solicitado aos alu- em cinco grupos (um para cada continente) e
nos nas distintas pesquisas: solicite que pesquisem e apontem, no Caderno
do Aluno, respostas para a seguinte questão:
Parte i (pesquisa individual): Qual o signi- Qual(is) a(s) hipóteses sobre a origem da vida
ficado do conceito Pré-história? Que períodos no continente X? Como dinâmica, os alunos

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podem se reunir e levar resultados de suas pes- mens/dinossauros) atende a um grande interesse
quisas individuais para ser discutidos em grupo fictício, fantástico, e que não apresenta nenhum
e, a partir daí, produzirem um texto comum, a respaldo científico; veja-se, por exemplo, o filme
ser transcrito no Caderno do Aluno na parte Jurassic Park (direção de Steven Spielberg, 1993).
destinada para esse fim. Seria interessante que Assim, pelo viés da multiplicidade das experiên-
você solicitasse aos alunos que ilustrassem sua cias e de análises respaldadas pela diversidade ge-
pesquisa desenhando ou fixando, no Caderno ocronológica dos vestígios pré-históricos, pode-se
do Aluno, um mapa que auxilie na compreen- chegar à crítica da unidade e homogeneidade do
são da(s) hipótese(s) estudada(s). A divisão tema estudado. A escrita como marco delimita-
dos temas de pesquisa em grupos é um meio dor entre a Pré-história e a História e os distintos
de diversificar as contribuições para as aulas períodos pré-históricos podem ser explorados a
que seguirão e promover uma maior interação, partir desse momento.
pelo debate, entre os alunos, mas que também,
pode resultar na percepção da multiplicidade 2a aula
geocronológica das experiências humanas nos
períodos estudados. Você pode solicitar aos Inicialmente, pergunte aos alunos acerca de
participantes do grupo que fará pesquisas sobre possíveis conhecimentos prévios a respeito do
o povoamento da América que se incumbam, conceito de Pré-história, e se esses conhecimen-
especificamente, da Pré-história brasileira. tos mudaram após a investigação realizada.

A crença de que os humanos conviveram Solicite que expliquem as eventuais mu-


com os dinossauros, grandes répteis pré-históri- danças de compreensão justificando-as com
cos, e outros animais desse período e de que a base nos dados pesquisados. Considerando as
eles sobreviveram, povoa o imaginário de nos- respostas apresentadas, pergunte se os seres
sos alunos. Além de desenhos animados, como humanos e a escrita surgiram ao mesmo tem-
Os Flintstones, a ideia é alimentada por muitas po em todos os lugares. Esse questionamento
e diferentes produções da indústria cinemato- permitirá, sobretudo, o desenvolvimento de
gráfica, o que pode servir como um bom canal reflexões acerca da diversidade das expressões
de entrada aos estudos pré-históricos, pois você ligadas ao surgimento da humanidade e ao po-
sabe – contrariamente às mensagens veiculadas voamento dos diferentes espaços (aspecto que
pelos suportes midiáticos – que homens, dinos- poderá ser aprofundado posteriormente).
sauros e congêneres não coabitaram simultanea-
mente os mesmos espaços, existindo entre eles Demonstre aos alunos a historicidade do
uma diferença de dezenas de milhões de anos. conceito de Pré-história, ligando-o, sobre-
tudo, ao século XIX europeu, consideran-
Proponha aos alunos a seguinte questão – a do – como já foi lembrado – que ele acabou
ser respondida no Caderno do Aluno: Como pode servindo como justificativa para os discursos
ser entendida a convivência entre seres humanos e imperialistas de diferentes países, como Ingla-
animais pré-históricos apresentada em desenhos terra e França.
animados e filmes? Com essa discussão, é possí-
vel estabelecer espaços de reflexão sobre questões Propicie uma reflexão acerca das oposi-
muito presentes na trajetória de experiências dos ções binárias que, historicamente, estiveram
alunos, como a origem da vida na Terra e a curio- ligadas ao conceito e que criaram e estabelece-
sidade acerca dos modos de viver em diferentes ram visões simplistas da Pré-história, as quais,
espaços, no mesmo ou em diferentes períodos. frequentemente, não consideraram, nem valo-
Não deixe de comentar que essa associação (ho- rizaram, a diversidade das expressões culturais.

12
História – 1a série, 1o bimestre

Os seguintes exemplos podem ser reproduzidos – sem constrangimentos, você pode convidá-los
na lousa e explorados, dialogicamente, com os a falar a respeito de suas dúvidas e/ou descober-
alunos: ágrafos × letrados; bárbaros × civiliza- tas em relação ao tema pesquisado.
dos e atrasados × desenvolvidos. Na sequência,
solicite-lhes que respondam à segunda questão É desejável que você interaja com os alu-
do Caderno do Aluno, em cujas respostas po- nos ao longo das exposições, de forma a
derão expressar o conteúdo desenvolvido. instigá-los a refletir em torno dos resultados
apresentados, acrescentando informações e
Faça considerações gerais a respeito dos apresentando visões problematizadas do con-
principais aspectos desenvolvidos ao longo da teúdo tratado, por meio de explanações e sín-
aula e dê aos alunos espaço para que façam teses temáticas (na lousa).
perguntas e/ou observações a respeito do con-
teúdo ministrado. Propicie a compreensão de que as expe-
riências de vida na Pré-história variam muito
Para a próxima aula, solicite aos alunos em relação a tempos e espaços.
que tragam apontamentos da pesquisa refe-
rentes aos períodos da Pré-história e à origem Mediante caracterizações, os períodos pré-
da vida (atividade individual). históricos – referenciais para o conhecimento
do tema – podem ser mais bem explorados nes-
3a e 4a aulas se momento da aula (sugere-se a transcrição,
na lousa, de um quadro simples a esse respeito,
Solicite aos alunos que apresentem, verbal- que contemple os principais períodos – confor-
mente, resultados das pesquisas individuais me segue). As informações midiáticas, que vei-
realizadas sobre os períodos pré-históricos e a culam a convivência de homens, dinossauros e
origem da vida humana na Pré-história. A par- outros animais pré-históricos similares, pode-
ticipação espontânea nem sempre é manifestada rão, também, ser exploradas nesse contexto.

Surgimento dos hominídeos e tipos humanos


Pedra lascada
Paleolítico Caçadores, pescadores e coletores
Nomadismo
Domínio do fogo
Pedra polida
Domínio de técnicas agrícolas e pastoris (“Revolução neolítica”)
neolítico
Domesticação de animais
Assentamento humano
Metalurgia Elaboração de instrumentos de trabalho e armas

Peça aos alunos que apresentem os qua- sadas. É importante distinguir representações
dros, figuras e gravuras que representem os feitas nos períodos pré-históricos (pinturas
modos de vida na Pré-história (aqueles pes- rupestres, por exemplo) daquelas feitas em
quisados e desenhados ou afixados no Ca- contextos contemporâneos.
derno do Aluno) e proponha uma análise que
envolva a participação de todos solicitando Para a aula seguinte, lembre-se da continui-
que mostrem aos colegas as imagens pesqui- dade do tema, que se dará com a apresentação

13
de algumas das principais teorias sobre o po- Com o suporte do grupo que pesquisou so-
voamento da Terra (pode-se pedir ao grupo bre o continente americano, o povoamento do
que pesquisou sobre o continente americano Brasil poderá ser analisado com mais especifi-
que faça, também, uma exposição específica cidade (esse tema será retomado na Situação
sobre a Pré-história brasileira). de Aprendizagem 3).

5a aula A partir dos conteúdos expostos e anali-


sados, você poderá desenvolver uma reflexão
Recapitule, brevemente, a caracterização acerca das diferenças geocronológicas ligadas à
dos períodos pré-históricos. É importante presença humana nos diferentes continentes.
desenvolver aspectos ligados à sobrevivência
humana – alimentação (caça, pesca, coleta), A aula poderá ser concluída com reiteração
moradia, tecnologias, modos de organiza- da existência de várias hipóteses – algumas
ção social etc. – em sua diversidade geocro- mais aceitas do que outras –, e de que nenhum
nológica. conhecimento pode ser definitivo a esse res-
peito. Essa constatação auxilia, também, a
Solicite aos grupos que organizem, equita- compreender que o conhecimento científico é
tivamente, entre seus participantes, uma breve sempre relativo.
exposição a respeito do povoamento do conti-
nente pesquisado (preferencialmente na ordem Avaliação dos produtos da Situação
África, Europa, Ásia, Oceania e América). de Aprendizagem
Os mapas pesquisados pelos grupos sobre Espera-se que, ao ser indagados a respei-
os possíveis fluxos migratórios no período pré- to de seu conhecimento sobre a Pré-história,
histórico poderão ter suas rotas apresentadas os alunos reproduzam o senso comum acerca
em um mapa-múndi da escola. das informações referentes à área: convivên-
cia de homens e dinossauros, importância da
Ouça os grupos a respeito de suas respec- escrita como marco divisório entre História e
tivas pesquisas, e problematize o conteúdo Pré-história, oposições binárias etc. A partir
apresentado, anotando os apontamentos na desses conhecimentos, hoje criticáveis pelos
lousa para que os alunos possam complemen- estudos de diferentes áreas, você pode pro-
tar, no Caderno do Aluno, dados referentes blematizar os temas abordados. Na segunda
aos grupos não pesquisados. e terceira aulas desta Situação de Aprendiza-
gem, as respostas apresentadas pelos alunos
Você poderá arrolar as principais hipóte- acerca dos períodos pré-históricos tendem a
ses a respeito do surgimento da vida na Ter- ser homogêneas, ao passo que outras, apre-
ra e sintetizá-las para os alunos. É importante sentadas em relação à origem da vida, não.
pensar em como responder às intervenções Problematize essas últimas, considerando as
de cunho religioso a esse respeito e, também, distintas orientações a respeito: as de fundo
acerca do povoamento do planeta, de modo a criacionista e evolucionista. O intuito é asse-
respeitá-las sem, contudo, deixar de apresentar gurar que os alunos tenham ciência das pes-
argumentos científicos sobre a questão. quisas a esse respeito.

14
História – 1a série, 1o bimestre

Propostas de questões para a avaliação procuravam justificar seus objetivos, basi-


camente econômicos, afirmando que suas
1. Ao tratar da emergência da ideia de “raça” ações “civilizavam” e levavam o progresso
no século XIX, Lilia Moritz Schwarcz aos povos que ainda se encontravam nos
afirma: “Civilização e progresso, termos primórdios da evolução humana. A escrita
privilegiados da época, eram entendidos estabeleceria, tanto no século XIX como
não enquanto conceitos específicos de uma para muitos ainda hoje, um domínio sem
determinada sociedade, mas como mode- o qual não existiria cultura. São esses os
los universais. Segundo os evolucionistas principais aspectos que devem aparecer nas
sociais, em todas as partes do mundo a reflexões desenvolvidas pelos alunos.
cultura teria se desenvolvido em estados
sucessivos, caracterizados por organiza- 2. Nomadismo e sedentarismo podem ser
ções econômicas e sociais específicas. Esses entendidos como duas características que
estágios, entendidos como únicos e obriga- marcam, respectivamente, os períodos Pa-
tórios – já que toda a humanidade deve- leolítico e Neolítico. Explique ambas as
ria passar por eles – seguiam determinada características de forma a explicitar as di-
direção, que ia sempre do mais simples ao ferenças entre os dois períodos pré-histó-
mais complexo e diferenciado. Tratava- ricos.
se de entender toda e qualquer diferença
como contingente, como se o conjunto da No Paleolítico, o nomadismo, verificado
humanidade estivesse sujeito a passar pelos principalmente pelo estudo de diferentes
mesmos estágios de progresso evolutivo” vestígios arqueológicos, esteve ligado à
(SCHWARCz, Lilia Moritz. O espetáculo necessidade humana de sobrevivência. Ao
das raças. Cientistas, Instituições e questão terem as atividades de caça, pesca e coleta
racial no Brasil – 1870-1930. São Paulo: como fontes de sua manutenção, os homens
Companhia das Letras, 2001. p. 57-8). do Paleolítico estiveram sujeitos às varia-
ções impostas pelas mudanças climáticas e
À luz deste enunciado e dos conteúdos condições de oferta dessas fontes de subsis-
ministrados, analise o conceito de Pré- tência. O processo de sedentarismo ocorreu
história. no Neolítico, sobretudo com o domínio de
técnicas agropastoris, que possibilitaram
A crença de que a humanidade evoluiu em aos seres humanos um controle maior sobre
estágios sucessórios, iguais e obrigatórios a a natureza e a não-necessidade de se deslo-
todas as sociedades, em seu caminho rumo carem, de tempos em tempos, em busca de
à civilização, é caracterizada por um viés melhores condições.
evolucionista e homogeneizador de práticas
e experiências sociais. Essa convicção levou 3. Os períodos compreendidos pela Pré-his-
a considerar o outro, sobretudo o não-euro- tória podem ser associados à seguinte se-
peu, como bárbaro, atrasado, sem cultura quência:
e não-desenvolvido. Os principais desdo-
bramentos desse pensamento, ao longo do a) Neolítico, Paleolítico e Idade dos Me-
século XIX, levaram à desconsideração e tais.
ao desrespeito de toda cultura que não a
europeia, e deram margem para o desenvol- b) Paleolítico, Neolítico e Idade dos Me-
vimento das empresas colonizadoras, que tais.

15
c) Era primária, secundária, terciária e Europa, contestando a certeza que se insta-
quaternária. lara entre os sábios europeus. De repente, os
ocidentais ‘civilizados’ passaram a se pergun-
d) Paleolítico, Idade dos Metais e Neolíti- tar a respeito dos ‘primitivos’. Seriam eles tão
co. ‘primitivos assim’?” (PINSKY, Jaime. As pri-
meiras civilizações. 23. ed. São Paulo: Con-
Espera-se que o aluno reconheça a sequên- texto, março de 2006. p. 34. <http://www.
cia apresentada de períodos que caracteri- editoracontexto.com.br>). Considerando o
zam a Pré-história. texto, é correto afirmar que:

4. Quanto aos opostos binários, ágrafos e le- a) o século XX reconheceu que a África é
trados, bárbaros e civilizados, e atrasados e mais civilizada que a Europa.
desenvolvidos, é correto afirmar:
b) escavações arqueológicas revelaram que
a) São adjetivos que representam quais o homem surgiu na Ásia.
foram os habitantes da Pré-história e
como são, hoje, os habitantes do mundo c) com os estudos recentes, os europeus
moderno. descobriram que os africanos “não são
tão primitivos assim”.
b) Dizem respeito ao fato de que, na Pré-his-
tória, havia pessoas que não escreviam e d) os estudos que apontam para o surgi-
outras que escreviam, algumas que eram mento dos hominídeos na África têm
bárbaras e outras civilizadas, além daque- contribuído para uma reavaliação da
las que eram atrasadas em relação a ou- dicotomia “primitivos”/“civilizados”.
tras que eram desenvolvidas.
Estudos atuais colocam em dúvida velhos
c) São criações dicotômicas desenvolvidas, conceitos que postulavam a dicotomia, su-
principalmente, a partir do século XIX, postamente existente, entre primitivos e
e que expressam o pensamento científi- civilizados, sugerindo uma mudança de in-
co na Europa nesse período. terpretação, aceita durante muito tempo, a
respeito da origem do homem.
d) Esses termos são designados para fazer
referência a agrupamentos humanos do
Paleolítico e do Neolítico. Proposta de Situação de
recuperação
A visão eurocêntrica de superioridade está
presente no século XIX, inclusive no pensa- Proponha aos alunos a elaboração de um
mento científico. trabalho escrito com as seguintes caracterís-
ticas:
5. “O nosso século, ao questionar um pouco
mais a sabedoria do homem contemporâneo, 1. Peça que retomem as anotações realizadas
passou a se situar mais humildemente diante no decorrer das aulas e, em seguida, elabo-
de nossos ancestrais. Escavações sistemáticas rem respostas aos seguintes problemas: A
e cuidadosas revelaram, inicialmente, que o História começa com o surgimento da es-
hominídeo originava-se da África e não da crita? Pode-se afirmar que o homem surgiu

16
História – 1a série, 1o bimestre

simultaneamente em diferentes lugares? Museu de Arqueologia e Etnologia da Univer-


Lembre-os de que devem justificar as suas sidade de São Paulo (MAE-USP). Disponível
afirmações com argumentos históricos. em: <http://www.mae.usp.br>. Acesso em: 15
Se as anotações realizadas no caderno no set. 2008. O Museu de Arqueologia e Etno-
decorrer do processo não forem suficien- logia da universidade de São Paulo, antigo
tes, oriente-os para realizar novamente a Instituto de Pré-história, oferece diferentes
pesquisa, ajudando-os a focar o assunto a res- formas de acesso aos resultados de suas pes-
peito do qual deverão coletar dados. quisas acerca desse período nos diversos
continentes. um aspecto importante a ser ob-
2. Respondidas as questões-problema, orien- servado em relação ao MAE-uSP está na sua
te-os a elaborar um mapa sobre as possíveis preocupação em produzir material didático e
migrações da Pré-história e expliquem, por criar espaços de visitação para os públicos es-
escrito, as rotas apresentadas. Ajude-os a colares, permitindo uma dimensão comparati-
redigir uma legenda que relacione as rotas va da Pré-história em distintos contextos.
identificadas no mapa e as explicações para
as mesmas. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan). Disponível em: <http://portal.
3. Seria importante conversar com os alunos iphan.gov.br>. Acesso em: 15 set. 2008. Tra-
a respeito do formato de entrega deste tra- ta-se de um órgão do Ministério da Cultura
balho, destacando a necessidade de elaborar que realiza trabalhos de fiscalização, prote-
capa, sumário, inserir bibliografia e número ção, identificação, restauração, preservação e
de páginas, iniciando-os na estética organi- revitalização dos monumentos, sítios arqueo-
zacional dos trabalhos acadêmicos. lógicos e bens móveis do país. Ligado a uma
definição ampla de patrimônio (que contem-
pla formas de expressão, modos de criar, fazer
recursos para ampliar a perspectiva e viver, artes, tecnologias, obras, objetos, sítios
do professor e do aluno para a arqueológicos etc.), o Iphan dispõe, em seus
compreensão do tema bancos de dados, de um cadastro de sítios com
várias informações a respeito dele, que pode
Seguem algumas indicações de grupos aos ser consultado pela internet.
quais você poderá recorrer para buscar orien-
tações de trabalhos sobre o ensino de Pré-his- livros
tória, fontes de pesquisa e demais informações
a respeito do tema. LEROI-GOuRHAN, André. Pré-história.
São Paulo: Edusp, 1981. (Nova Clio). Cole-
Sites tânea de textos organizados pelo historiador,
onde é possível encontrar indicações de pes-
Fundação Museu do Homem Americano (Fu- quisa, bibliografia e estudos relacionados aos
mdham). Disponível em: <http://www.fumdham. diferentes períodos da Pré-história.
org.br>. Acesso em: 15 set. 2008. A Fundação
Museu do Homem Americano é uma das prin- TENóRIO, Maria Cristina. Pré-história da
cipais organizações brasileiras dedicadas ao es- Terra Brasilis. Rio de Janeiro: Editora da
tudo interdisciplinar da Pré-história no Brasil. uFRJ, 1999. O livro traz um conjunto de es-
Situada no Estado do Piauí, em São Raimundo tudos sobre a Pré-história brasileira e suas in-
Nonato, a Fundação oferece diferentes formas terrelações com a Pré-história americana, de
de acesso aos resultados de suas pesquisas. modo geral.

17
SITuAçãO DE APRENDIzAGEM 2
AS FONTES DO CONHECIMENTO SOBRE A PRÉ-HISTóRIA

O objetivo desta Situação de Aprendiza- pré-históricos, investigar quais as fontes de


gem é tratar das fontes de conhecimento so- conhecimento que se têm sobre esse período e
bre a Pré-história. Considerando a grande quais as hipóteses e teorias que poderiam ser
distância temporal entre contemporâneos e elaboradas sobre ele.

tempo previsto: 1 aula.

Conteúdos e temas: fontes históricas e áreas de conhecimento.

Competências e habilidades: compreender as diversidades geocronológicas das produções culturais.

Metodologia: análise de materiais.

recursos: pedras, ossos, reprodução de pintura etc.

Avaliação: pesquisa, participação e produção textual.

Sondagem e sensibilização A constatação da inexistência de docu-


mentação escrita pode contribuir para o
O conhecimento que se tem da Pré-história apontamento de diversos outros suportes de
advém de diferentes áreas que, muitas vezes, se conhecimento acerca da vida na Pré-história,
cruzam na busca de procurar respostas para o que propiciará uma excelente oportunidade
questões a ela relacionadas. Evidenciar a na- de reflexão sobre os conteúdos a ser desenvol-
tureza interdisciplinar das pesquisas a esse vidos ao longo da aula que seguirá. À inda-
respeito pode ser a oportunidade de aguçar gação proposta os alunos tendem a responder
nos alunos o interesse pelo tema e incitá-los a que o conhecimento pré-histórico só é possí-
pensar nos campos de atuação de muitas das vel por meio da Arqueologia e das pinturas
disciplinas que cursam. Material lítico, fósseis, rupestres, visto serem essas as associações
pinturas, vestígios de fogueiras, espaços de cul- mais imediatas feitas em relação ao mundo
tos etc. podem ser associados aos diferentes pré-histórico. Você pode incitá-los à reflexão
campos de investigação e às suas interfaces. indagando acerca da independência/autono-
mia dos conhecimentos advindos de estudos
Como forma de iniciar as discussões desta dessas duas áreas – o que sabemos não se sus-
Situação de Aprendizagem você pode propor tenta, visto a conjunção necessária de conhe-
aos alunos uma questão: Que tipo de conhe- cimentos de diversas áreas na construção das
cimento é possível obter a respeito dos modos informações que dispomos a respeito da Pré-
de vida de povos tão distantes temporalmente história. Esse momento pode ser entendido
de nossa realidade, como os homens e mulheres como uma prévia das discussões sobre inter-
pré-históricos? disciplinaridade que seguirão.

18
História – 1a série, 1o bimestre

Aula por meio de uma situação hipotética. De pos-


se de um osso animal, um fragmento de copo
Como referenciado anteriormente, os co- ou xícara, um pedaço de azulejo e uma lata
nhecimentos sobre a Pré-história só têm sido de refrigerante vazia, os alunos poderão par-
possíveis mediante um esforço conjunto de tir do pressuposto de que o material tem mais
grande número de áreas de estudo. Diferentes de 5 mil anos. Que espécie de conhecimento
contribuições conjugadas têm atuado para o se poderia extrair deste e das pessoas que os
conhecimento de um domínio ao qual só te- utilizaram, à luz das ciências arroladas no
mos acesso por meio de vestígios. quadro? (Os materiais e as ciências são con-
temporâneos, logo, trata-se de uma experiên-
O objetivo deste tópico da proposta consis- cia imaginária.)
tirá em permitir ao aluno condições de identi-
ficar os aportes de diferentes áreas envolvidas uma simulação interessante sobre como
nesse processo. diferentes vestígios podem ser utilizados para
compreensão da vida humana pode ser dada
Você pode começar a aula sobre este tópico por meio de uma ilustração que traga o lixo
com a indagação do que vem a ser conhecimen- como exemplo de artefato arqueológico. Você
to interdisciplinar. À questão colocada, pode se- pode indagar aos alunos, por exemplo, se é pos-
guir-se outra: em que medida esse conhecimento sível conhecer um grupo social pelo lixo que ele
pode auxiliar em uma compreensão da Pré-his- produz. O que contém? O que não contém? Onde
tória? Essas questões podem ser discutidas, e as foi encontrado? Que indícios ou vestígios podem
respostas, anotadas no Caderno do Aluno. nos fornecer informações sobre quem produziu o
lixo? Por quê? O que o lixo pode nos mostrar dos
A partir das respostas dadas às questões, hábitos das pessoas que o produziram? Etc. So-
você pode perguntar aos alunos que disciplinas licite aos alunos que, em casa, observem o lixo
auxiliariam na construção do conhecimento produzido ao longo de um dia e respondam às
pré-histórico. As respostas podem ser reprodu- questões que constam em seus Cadernos a esse
zidas na lousa em um quadro (sem a pretensão respeito. Esta atividade pode, ainda, ser enri-
de esgotá-las) e complementadas com outras quecida, traçando-se paralelos com questões
indicações que forem sendo acrescentadas. atuais sobre ecologia e meio ambiente.

Avaliação dos produtos da Situação


História de Aprendizagem
Arqueologia
Geografia À pergunta o que é conhecimento interdisci-
Física plinar? os alunos podem responder que se trata
Química do conhecimento advindo de diferentes disci-
zoologia plinas, mas caso não estabeleçam uma relação
Paleontologia entre a natureza distinta das diferentes áreas e
Artes sua complementaridade, ou abordem isso de
Biologia maneira superficial, você poderá desenvolver o
assunto. Considere, sobretudo, a especificidade
das diferentes áreas de estudo, não deixando de
Breves considerações sobre as disciplinas e valorizar as distintas contribuições que podem
suas interrelações poderão ser feitas, a partir oferecer para o conhecimento sobre a Pré-histó-
do conhecimento de que dispõem os alunos, ria, principalmente quando conjugadas.

19
Propostas de questões para avaliação no período ao qual foi identificada), do nú-
mero de cores e dos materiais utilizados, das
1. “A Arqueologia é um campo do conhe- representações (de cenas de culto religioso, de
cimento que cada vez mais caminha ao caça, de relações sexuais etc.) são alguns dos
encontro de projeto interdisciplinar, espe- diferentes aspectos passíveis de estudo. Como
cialmente no que se relaciona à realidade todo objeto, a análise de uma pintura pode
escolar. um projeto interdisciplinar é uma envolver várias áreas do conhecimento, como,
tentativa de romper com contextos fragmen- nesse caso específico, a Geografia (locali-
tários e as várias maneiras de ver o mundo zação), a Química (datação, composição),
e conceber o conhecimento” (MACHADO, a Arte (estilo, forma etc.), a Antropologia
Neli T. Arqueólogo por um dia: um projeto (sistemas pictóricos simbólicos), a Arqueo-
para aluno do Ensino Fundamental e Mé- logia (contexto arqueológico da pintura), a
dio. p. 695. In: Anais do IV Encontro Nacio- História (interpretação do documento) etc.,
nal de Pesquisadores do Ensino de História. todas elas auxiliando na compreensão mais
Ijuí, 1999, p. 695-701. Apud BESEGATTO, elaborada da referida pintura, compreensão
Mauri Luiz. O patrimônio em sala de aula. essa que dificilmente poderia ser alcançada
Fragmentos de ações educativas. Porto Ale- por qualquer uma dessas disciplinas isolada-
gre: Avangraf, 2004. p. 32). mente.

Com base na afirmação apresentada sobre 3. O recurso que representa inter-relação de


a Arqueologia, reflita sobre o que se pode conhecimentos de diferentes áreas, na prá-
entender por conhecimento arqueológi- tica de determinado campo de estudos
co interdisciplinar e qual sua importância (Pré-história, por exemplo) é denominado:
para o estudo da Pré-história.
a) multiculturalismo.
Espera-se que o aluno desenvolva, em sua
resposta, uma reflexão sobre a importân- b) interdisciplinaridade.
cia da contribuição de diferentes áreas
para o conhecimento arqueológico e que c) interdiscursividade.
reconheça essa necessidade para o estudo
da Pré-história. d) relatividade.

2. Recorra ao Caderno do Aluno e solicite- Espera-se que os alunos reconheçam no


lhes que simulem uma análise interdiscipli- conceito de interdisciplinaridade a interlo-
nar de uma figura rupestre. cução colaborativa entre diferentes áreas do
conhecimento.
As pinturas rupestres são encontradas no
interior de cavernas e na superfície de ro- 4. “A Arqueologia é uma ciência auxiliar da
chas expostas às intempéries. Representa- História.” Sobre essa afirmação é correto
ções pictóricas do cotidiano na Pré-história considerar que:
podem dar pistas acerca dos modos de vida
pré-históricos. A datação, o estudo do estilo a) está invertida; a História que é uma
(se é comum ou não na região encontrada e ciência auxiliar da Arqueologia.

20
História – 1a série, 1o bimestre

b) a Arqueologia coleta artefatos e a His- recursos para ampliar a perspectiva


tória os interpreta. do professor e do aluno para a
compreensão do tema
c) a Arqueologia e a História são ciências
independentes, mas que se conjugam in- Para alunos que dispõem de acesso à inter-
terdisciplinarmente. net, a pesquisa e visita a diferentes sites acadê-
micos, de vulgarização, de instituições ou de
d) a História já auxiliou a Arqueologia, pesquisadores pode se constituir em um sólido
mas hoje a situação é inversa. recurso didático, principalmente, em virtude
do caráter imagético e de interação que tende
Embora sejam áreas do conhecimento inde- a assumir. Visitas monitoradas a sítios arqueo-
pendentes, a Arqueologia e a História pos- lógicos e museus, quando factíveis à realidade
sibilitam intersecções interdisciplinares que dos alunos e da escola, possibilitam o acesso
assumem caráter complementar. direto a vestígios pré-históricos e à prática dos
trabalhos de campo dos arqueólogos, podendo
funcionar como importantes fatores de instiga-
Propostas de Situações de ção ao conhecimento do assunto. Precedidas de
recuperação aulas a respeito do tema, essas visitas são enri-
quecidas se puderem contar com exposições e
Proposta 1 intervenções feitas por você, considerando, so-
bretudo, o conhecimento dos alunos a respeito
Solicite aos alunos que descrevam, por do sítio e do assunto. O conhecimento da Pré-
meio de análise interdisciplinar (em uma si- história da região assume nesse espaço não só
tuação hipotética), uma ossada humana da- a importância do aprendizado dos alunos, mas,
tada de 3 mil anos e que foi encontrada em também, a dimensão de valorização do patri-
algum sítio arqueológico da região. É impor- mônio e conscientização de sua importância.
tante que observem em sua descrição alguns A ideia-lugar-comum de que patrimônio é so-
aspectos como: local de encontro, integridade mente aquele patrimônio edificado pode, aqui,
física do achado, o sexo, indícios ou vestígios ser colocada para reflexão.
que informem sobre seus hábitos sociais etc.
Trata-se de um exercício imaginativo que re- livros
quer a compreensão de preceitos desenvolvi-
dos ao longo das aulas. FuNARI, Pedro Paulo. Arqueologia. São Pau-
lo: Contexto, 2003. <http://www.editoracontexto.
Proposta 2 com.br>. É um livro introdutório ao assunto
em que o autor apresenta ao leitor o campo de
Peça aos alunos que respondam por escrito trabalho do arqueólogo (inclusive no Brasil), os
ou oralmente à seguinte questão: De que for- métodos de escavações e trato com os vestígios
ma uma análise interdisciplinar pode ajudar no encontrados, que, mais do que classificados, de-
conhecimento sobre a Pré-história? vem ser interpretados pelos pesquisadores.

21
SITuAçãO DE APRENDIzAGEM 3
A PRÉ-HISTóRIA SuL-AMERICANA, BRASILEIRA E REGIONAL

Os estudos sobre a Pré-história sul-ame- ligados ou estabelecidos como parte da his-


ricana, comumente, estiveram preocupados tória indígena no Brasil pode contribuir
com a questão do povoamento do continente para a valorização das diferentes culturas
e, no Brasil, são de tradição recente. O de- indígenas e permitir aos alunos relaciona-
senvolvimento de questões sobre a origem do rem diferentes experiências no tempo. O
homem americano, o povoamento da Amé- reconhecimento de que muitos e diversos
rica, os modos de vida pré-colombianos e grupos habitaram o Brasil e desenvolveram
pré-cabralinos, no contexto imediatamente tecnologias, modos de organização e tradi-
anterior à chegada dos europeus, podem fi- ções culturais peculiares e semelhantes leva
gurar como situações analíticas mais próxi- ao rompimento com a ideia de unidade da
mas dos conhecimentos já adquiridos pelos Pré-história e da história dos índios, em par-
alunos em séries anteriores. ticular. Dessa constatação, pode-se chegar a
reflexões acerca da própria Pré-história re-
Desenvolver os estudos de Pré-história gional.

tempo previsto: 1 aula.

Conteúdos e temas: povoamento da América, história indígena, Pré-história brasileira e regional.

Competências e habilidades: compreender as diversidades geocronológicas das produções culturais e


valorização da cultura indígena.

Estratégia: aula expositiva.

recursos: lousa e giz.

Avaliação: pesquisa e participação.

Sondagem e sensibilização ticos. O objetivo de desenvolver a proposta des-


ta aula centrando-a na temática Arqueologia é
Os conhecimentos acerca da Pré-história o de atentar para essa deficiência, consideran-
são, em grande medida, tributários das pesqui- do, sobretudo, o grande interesse dos alunos
sas arqueológicas. Ainda distantes da realidade pelo tema. Pela atividade anterior pôde-se pro-
escolar, essas pesquisas aparecem de modo piciar uma compreensão da importância do
muito incipiente nos conteúdos dos livros didá- conhecimento arqueológico numa perspectiva

22
História – 1a série, 1o bimestre

interdisciplinar. Aspectos importantes em rela- tura material, convidando-os a refletir acerca


ção ao tema, que serão desenvolvidos ao longo da importância dos diferentes vestígios para
desta Situação de Aprendizagem, poderão ser o conhecimento das sociedades passadas.
introduzidos com o convite aos alunos para a
discussão da seguinte proposição: A Arqueolo- Retome e liste na lousa ao menos duas das
gia pode auxiliar-nos na compreensão de quem principais hipóteses sobre o povoamento da
somos. Peça-lhes que no Caderno do Aluno, América (pelas migrações pelo Estreito de
ofereçam uma análise dessa afirmação. Trans- Bering, ao norte, e pelo Pacífico, ao sul, por
creva esta frase na lousa e pergunte por quê. exemplo) e indague aos alunos sobre como po-
Considerando as discussões sobre interdiscipli- deriam explicá-las por meio da Arqueologia,
naridade já realizadas e as referências feitas ao anotando na lousa aspectos a ser comentados
conhecimento arqueológico, os alunos tende- ao final da atividade. (É muito importante
rão a concordar com a proposição. Nessa opor- a utilização de um mapa nesse momento da
tunidade você poderá desenvolver a ideia de aula.)
que o conhecimento que desenvolvemos sobre
o passado, além de nos auxiliar no conheci- Solicite aos alunos que observem, no
mento de nós mesmos (como chegamos até Caderno do Aluno, duas das principais hi-
aqui? Por quais meios? Etc.) é sempre contem- póteses sobre o povoamento da América e,
porâneo, ou seja, nosso olhar para o passado é hipoteticamente, procurem explicá-las por
sempre contextualizado. meio da Arqueologia. Ouça-os a esse respei-
to e, na sequência, observe que a Arqueolo-
Aula gia tem contribuído significativamente para
a compreensão da origem do homem ameri-
Ao aproximar, progressivamente, os estu- cano e do povoamento da América.
dos da Pré-história da realidade dos alunos
(Pré-história geral, sul-americana, brasileira Achados arqueológicos, como conchas,
e regional) cria-se a oportunidade de incitar- utensílios de pedra, instrumentos de caça, pin-
lhes o interesse pelo tema e, também, pela va- turas rupestres etc. vêm auxiliando no levan-
lorização do patrimônio material e imaterial tamento de diferentes hipóteses. Você pode
de seu entorno. ilustrar citando o conhecido exemplo do fóssil
de uma mulher de cerca de 11 mil anos (a quem
A aula poderá ter início com a indagação, os arqueólogos chamaram de Luzia), cujo es-
aos alunos, sobre seus conhecimentos a respei- tudo da morfologia craniana apontou para se-
to da Arqueologia. A imagem dos arqueólogos, melhanças de seu crânio à dos crânios de povos
ligada às grandes escavações e à descoberta de atuais da Austrália e da África, reforçando a
vestígios monumentais, frequentemente divul- ideia de que correntes migratórias teriam cru-
gada pela mídia, resume o conhecimento que zado o estreito de Bering (durante o período de
se tem a respeito da área. Esse conhecimento glaciação), ao norte.
poderá ser problematizado por meio dos in-
formes já apresentados nas aulas anteriores, Outras interpretações preconizam que a
apontando para a diversidade dos objetos de essas correntes migratórias teriam sido ante-
estudos arqueológicos. cedidas de outras, ao sul, pela Oceania, por
meio de embarcações primitivas, situando aí a
Ao tratar da diversidade referida, você chegada de grupos humanos na América. Há
terá a oportunidade de discutir com os alu- um amplo debate a respeito dessas e de outras
nos a própria noção de patrimônio e/ou cul- hipóteses do povoamento da América.

23
Mapa das hipóteses relativas ao povoamento da América

Mapa produzido especialmente para este Caderno.

Apresente as principais orientações do de- râneo. Com a colaboração da turma, você


bate atual acerca do povoamento da América pode montar na lousa um quadro-síntese
e as datações envolvidas (presença humana re- que permita listar, paralelamente, essas ca-
gistrada entre 14 ou 15 mil anos – interpreta- racterísticas, destacando elementos como:
ção mais corrente –, entre 15 e 20 mil anos e, alimentação, organização social, tecnologia,
também, a datada de até 50 e 60 mil anos, no religião, saúde, bens materiais, tipo de mora-
caso do Brasil – interpretação mais polêmica). dia, educação etc.

Peça aos alunos que listem, no Caderno Verifique aspectos da Pré-história regional
do Aluno, características da cultura indí- (sendo possível, organize visita a um museu
gena na Pré-história e no mundo contempo- ou sítio arqueológico) e desenvolva-os nesse

24
História – 1a série, 1o bimestre

momento. Seria interessante se esta atividade que o acúmulo de conhecimentos e de téc-


fosse acompanhada de uma preparação pré- nicas de sobrevivência constituísse a base
via por parte dos alunos. cultural dessas sociedades indígenas. uma
densa ocupação humana, culturalmente
Avaliação dos produtos da Situação diversificada, existia em toda a região cos-
de Aprendizagem teira, a primeira a ser colonizada. Registros
deixados por religiosos, militares, funcio-
O conhecimento comum a respeito da Ar- nários e viajantes testemunham, desde os
queologia liga sua área de atuação à escavação primórdios do século XVI, como viviam
e ao estudo de grandes monumentos; é esse o esses grupos aborígenes, cuja tecnologia
conhecimento de que comumente dispõem e costumes tanto diferiam daqueles que
nossos alunos. eram característicos dos europeus” (PESSIS,
Anne-Marie. Imagens da Pré-história. Par-
O erro dessa concepção está em resumir a que Nacional Serra da Capivara. São Pau-
Arqueologia a isso, visto tratar-se de uma dis- lo: Fumdham/Petrobras, 2003).
ciplina que se preocupa com o estudo de dife-
rentes vestígios da cultura material humana. À luz do excerto citado, reflita acerca dos
modos de vida indígenas, antes e depois da
Com a problematização desses referenciais, chegada dos colonizadores europeus.
além de uma compreensão mais ampla da dis-
ciplina, os alunos poderão desenvolver uma Espera-se como resposta que os alunos pos-
noção mais abrangente do que é patrimônio. sam refletir sobre as diferentes bases cul-
Os paralelos entre os modos de vida da Pré- turais envolvidas e observem que, mais do
história e dos índios, hoje, devem esclarecer que um processo de interação, o que houve
práticas culturais similares e distintas, e não quando do “contato” foi um grande choque
hierarquizar valores. cultural que se reverteu em opressão, pelos
europeus, dos grupos indígenas encontrados.
Propostas de questões para avaliação A vida dos índios, antes da chegada dos eu-
ropeus, pode vir associada à Pré-história (e
1. Desenvolva reflexões acerca de hipóteses es- o campo de abordagem dessa área no Brasil
tudadas sobre o povoamento da América. tem nesse fato sua delimitação), o que não
é equivocado, mas é necessário ficar claro
Espera-se, como resposta, que os alunos que se trata de um período de abrangência
possam arrolar as principais hipóteses ar- temporal muito maior.
gumentadas (migrações do Norte e do Sul),
mas que anunciem, também, a multiplicida- 3. Quando da chegada dos primeiros coloni-
de de interpretações a respeito. zadores é correto afirmar que:

2. “Há 500 anos, quando navegantes europeus a) havia uma cultura indígena muito ho-
chegaram às costas do território que mais mogênea em todo território.
tarde receberia o nome de Brasil, encon-
traram-se diante de populações indígenas b) encontraram uma única etnia indígena,
que ali viviam pelo menos há 500 séculos. na região costeira, que posteriormente
Milênios de adaptação tinham permitido difundiu-se para todo o território.

25
c) encontraram diferentes populações indí- Propostas de Situações de
genas de culturas muito diversificadas. recuperação
d) os indígenas aqui encontrados eram Proposta 1
culturalmente inferiores aos europeus.
Sugira uma pesquisa sobre a Pré-história re-
Espera-se que o aluno seja capaz de reco- gional. No caso da existência de museus em sua
nhecer a existência da diversidade cultural cidade, pode-se solicitar aos alunos que bus-
das populações indígenas que viviam em quem neles referenciais para sua pesquisa, es-
território próximo quando da chegada dos colhendo, por exemplo, um objeto ou conjunto
colonizadores. de objetos acerca dos quais poderão responder
às seguintes perguntas: onde foram localizados?
4. Sobre vestígios arqueológicos, deixados A quem são atribuídos? A que serviam? Como
por indígenas antes e depois da chegada integraram o acervo do museu? Etc.
dos europeus, pode-se afirmar que:
Proposta 2
a) tanto os que antecederam quanto
aqueles que sucederam à chegada cons- Solicite o desenvolvimento, por escrito, de
tituem parte do patrimônio cultural uma análise sobre a relação entre as culturas
brasileiro. indígenas e o patrimônio cultural brasileiro.
Pode-se pedir, nesse texto, que se considere o
b) não constituem o patrimônio brasileiro, papel da Arqueologia na relação. Neste exer-
pois não são edificados. cício podem ser contempladas as seguintes
questões: por que a cultura indígena integra o
c) só constituem parte do patrimônio bra- patrimônio cultural brasileiro? Como a Arqueo-
sileiro aqueles que se referem ao perío- logia pode auxiliar no conhecimento dos povos
do posterior ao contato entre os índios indígenas do passado?
e os europeus.
recursos para ampliar a perspectiva
d) só constituem parte do patrimônio bra- do professor e do aluno para a
sileiro aqueles que se referem ao perío- compreensão do tema
do anterior ao contato entre os índios e
os europeus. livros

É importante que os alunos reconheçam que PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. 23.
as culturas indígenas denominadas de pré-ca- ed. São Paulo: Contexto, 2006. <http://www.
bralinas e aquelas posteriores a este período, editoracontexto.com.br>. Livros paradidáti-
integram a nossa cultura e caracterizam-se cos como este poderão ser ferramentas úteis
como patrimônio histórico brasileiro. para trabalho junto aos alunos.

26
História – 1a série, 1o bimestre

GARELLI, Paul; NIKIPROWETzKY, Va- das origens às invasões dos povos do mar. São
lentim. O Oriente próximo asiático: impérios Paulo: Pioneira, 1982.
mesopotâmicos – Israel. Tradução Emanuel
O. Araújo. São Paulo: Pioneira, 1982. Os textos de Garelli são acadêmicos e mais den-
sos, apresentando importantes instrumentos de
GARELLI, Paul. Oriente próximo asiático: pesquisa e conhecimentos a respeito do tema.

SITuAçãO DE APRENDIzAGEM 4
O ORIENTE PRóXIMO E O SuRGIMENTO
DAS PRIMEIRAS CIDADES
A frequente ausência, nos livros didáticos, intelecção de ambos os conteúdos por parte
de conteúdos que liguem/associem a transi- dos alunos. Com o objetivo de auxiliar na su-
ção da Pré-história para os primeiros núcleos pressão desse hiato, propomos a atividade que
urbanos/cidades é um fator de dificuldade da segue.

tempo previsto: 2 aulas.

Conteúdos e temas: conceito de urbanização/transição do Neolítico superior/formação das cidades.

Competências e habilidades: reconhecer a diversidade dos processos históricos e das experiências hu-
manas.

Estratégia: aula expositiva e dinâmica de grupos.

recursos: lousa, giz e mapa-múndi.

Avaliação: pesquisa e participação no desenvolvimento da aula.

Na produção didática acerca das civili- magnitude atribuída pelos contemporâneos


zações do Oriente Próximo, três temas são à civilização egípcia e ao fato de a escrita ter
recorrentes: o desenvolvimento urbano em se desenvolvido, primeiramente, em regiões da
torno de grandes rios e do Mediterrâneo, o Mesopotâmia. Neste Caderno, contemplare-
surgimento do Estado e o surgimento da es- mos atividades voltadas para o ensino da His-
crita. Conjuntamente, esses temas abarcam tória do antigo Egito e da Mesopotâmia, mas
séculos de distintas experiências históricas também para aquele das civilizações hebreia,
que, frequentemente, são analisados somen- fenícia e persa.
te pelo viés das similitudes que apresentam,
não contemplando, em geral, mais do que A Antiguidade oriental, aqui restrita ao
as civilizações egípcia e mesopotâmica. Essa Oriente Próximo, envolve um período cronoló-
prevalência se deve, sobretudo, à abundância gico muito longo e abarca vasto conjunto de re-
de documentos que legaram, mas também à giões, como observa Ciro Flamarion Cardoso

27
(1990, p. 9). Cronologicamente, entende-se que cedentes e o comércio (para povos como os
tenha iniciado com o surgimento dos primeiros fenícios, por exemplo).
documentos escritos e se estendido até as cam-
panhas de Alexandre no Oriente, compreen- Em uma perspectiva generalizante, pode-se
dendo um período aproximado entre 3000 a.C. afirmar que essas características, alinhadas a
e 334 a.C. Já em relação a seus limites geográfi- emergentes Estados teocráticos centralizados
cos, o Oriente Próximo antigo abrangia o equi- e sociedades de servidão coletiva, definiram
valente a nove países atuais da África (o Egito) o modo de organização social das denomina-
e sobretudo da Ásia: Turquia, Síria, Líbano, das civilizações do Crescente Fértil.
Israel, Jordânia, Iraque, Irã e Afeganistão. (A
esse respeito ver: CARDOSO, 1990, p. 9.) O que propomos com o conjunto de ati-
vidades abaixo não consiste em um modelo
um arco geocronológico de tamanha en- fechado para tratamento de um tema tão
vergadura implica, necessariamente, a esco- amplo e tão complexo, mas sim a problema-
lha de alguns pontos e aspectos em relação tização de aspectos comumente entendidos
ao conteúdo temático tratado e, também, em como característicos das sociedades anali-
relação à sua abordagem. sadas, priorizando, sobretudo, a multiplici-
dade das experiências em lugar de promover
um aspecto importante a ser observado, generalizações, quase sempre, precipitadas.
com frequência não desenvolvido nas pro-
postas curriculares, está no negligenciar de Sondagem e sensibilização
análises que contemplem, ainda que minima-
mente, a transição da vida do Neolítico supe- As experiências da trajetória humana no
rior para aquela das primeiras comunidades mundo não deram saltos, devendo ser enten-
e agrupamentos humanos, localizados por didas como frutos de processos históricos de
estudos históricos e arqueológicos na região acumulação de vivências ao longo do tempo.
mesopotâmica.
Apresente aos alunos a atividade, chaman-
A passagem da unidade temática anterior do a atenção para o fato de que não se pode-
(no que concerne à Pré-história europeia) ria ter passado, de modo abrupto, das aldeias
para aquela das chamadas “primeiras civili- de agricultores, caçadores e coletores para ci-
zações” quase nunca é desenvolvida, levan- dades populosas e urbanizadas, dizendo-lhes
do à percepção equivocada de uma mudança que essa transição só é compreensível em uma
imediata, rápida ou geral. perspectiva processual que considere, sobre-
tudo, os enfrentamentos da humanidade para
É necessário, portanto, contextualizar controlar a natureza.
essa transição, marcada por um conjunto
de importantes mudanças de caráter socioe- uma forma de introduzir a temática pode
conômico, que possibilitaram o surgimento ser encontrada numa comparação entre mo-
dos primeiros núcleos urbanos e das cidades, delos organizacionais de cidades antigas e de
que são representativas, sobretudo, da fixa- cidades modernas. A apresentação e discussão
ção humana. Dentre essas mudanças pode-se de algumas questões irão auxiliá-lo nisso. No
citar: o desenvolvimento coletivo de técnicas passado e no presente: qual a relação dos ho-
agropastoris e de grandes sistemas de irriga- mens com a natureza nas cidades? O que se pode
ção – controle da água –, a produção para dizer de sua organização social? O público e o
consumo próprio das comunidades e de ex- privado têm a mesma significação? Com essas e

28
História – 1a série, 1o bimestre

outras questões você poderá construir noções plurais, aos quais não se aplicariam à análise
conceituais a partir das falas dos alunos e es- termos como “melhor” ou “pior”. O resultado
tabelecer paralelos e comparações que os le- dessas interações poderá ser transcrito no Ca-
vem a pensar diferentes concepções de cidade derno do Aluno.
ao longo da História. É de se esperar que as
respostas a essas questões contemplem dimen- Aula
sões comparativas; contudo, é desejável que se
evite hierarquizações não problematizadas en- A compreensão do conteúdo proposto
tre modelos antigos e modernos. Por exemplo: nesta Situação de Aprendizagem requer que
na Antiguidade e hoje os homens tiram sua os alunos estabeleçam associações e relações
subsistência da natureza, que naquela época entre os distintos períodos envolvidos. Solicite
era respeitada e hoje não. É importante pro- aos alunos que tragam para esta aula a respos-
piciar aos alunos uma reflexão da história das ta, à lápis, da questão: onde e como surgiram as
cidades como processos históricos distintos e primeiras cidades?

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Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Fertile_Crescent_map.png.


Acesso em 10 dez. 2008.

29
Solicite aos alunos que apresentem, verbal- compreensão desse fenômeno como um
mente, as respostas dadas à questão proposta processo de longa duração.
e arrole, no quadro, as principais respostas
oferecidas. (Essas anotações serão retomadas 2. Os agrupamentos humanos puderam se fi-
ao longo da aula.) xar e desenvolver núcleos urbanos e cidades,
sobretudo, por conta do desenvolvimento
Provavelmente, as respostas obtidas con- da agricultura de subsistência, o que só foi
templarão duas expressões: Oriente Próximo possível pelo controle da água, por meio das
e Crescente Fértil. Com base nas informações grandes irrigações. Nessa oportunidade, os
anteriores e de posse de um mapa-múndi, você alunos poderão corrigir ou adequar as res-
poderá fazer comentários a respeito da pri- postas ofertadas à questão inicial, feita em
meira, insistindo, sobretudo, na delimitação casa, e, para isso, você poderá recorrer às
do tema, no que diz respeito aos povos da An- anotações feitas no quadro. Ofereça aos alu-
tiguidade – egípcios, mesopotâmicos, hebreus, nos uma caracterização dessas sociedades,
fenícios e persas, principalmente. um paralelo que pode contemplar os seguintes aspectos:
entre os países aos quais correspondem essas
áreas na atualidade e os povos que ocuparam f surgimento no Oriente Próximo (particu-
esses espaços na Antiguidade pode ser feito larmente na região do Crescente Fértil).
na lousa: Egito: Egito; Mesopotâmia: Iraque; f desenvolvimento, principalmente, em
Palestina (hebreus): Israel, Cisjordânia e Fai- virtude das condições geográficas e cli-
xa de Gaza; Pérsia: Irã. máticas. Exemplos: Síria e Palestina –
onde a terra fértil e as chuvas de inver-
Em relação à expressão Crescente Fértil, no favoreciam o plantio; sul do Egito e
solicite aos alunos que observem no mapa do da Mesopotâmia – com poucas chuvas,
Caderno do Aluno, inicialmente, o porquê da mas muita fertilidade da terra após as
denominação. (Chame a atenção para o for- enchentes do Nilo, do Tigre e do Eufra-
mato de lua crescente que se pode observar, tes (controláveis com a construção de di-
para o Mediterrâneo e para os rios da região.) ques e reservatórios). “No caso da Me-
sopotâmia, por causa da irregularidade
Feitas essas delimitações, você pode apon- do degelo nas vertentes, as cheias eram
tar duas características em relação ao tema: surpreendentes e destruidoras. A extre-
ma fertilidade das terras às suas margens
1. O surgimento das cidades só foi possível (pelo menos ao sul de Bagdá) requeria
com a fixação humana. É essa a oportu- uma defesa contra a imprevisibilidade
nidade de revisar, brevemente, o conteúdo dos rios, o que era obtido através da
tratado sobre o sedentarismo no Neolíti- construção de valas que conduziam as
co e estabelecer sua ligação com o domí- águas para onde fosse necessário, graças
nio de técnicas agropastoris, reiterando a à topografia plana e aos canais e braços
não-necessidade do nomadismo por con- naturais”. (PINSKY, Jaime. As primeiras
tingências impostas pela necessidade de civilizações. São Paulo: Contexto, 23a edi-
sobrevivência, como ocorria no Paleolí- ção, março de 2006. p. 60 <http://www.
tico. É necessário que se estabeleça uma editoracontexto.com.br>).

30
História – 1a série, 1o bimestre

f condições favoráveis à agricultura re- arrolados como determinantes para o surgi-


queriam uma necessidade constante mento dos núcleos urbanos e das cidades.
de controle da água, situando-se aí um
dos principais fatores do início das ur- 2. Que relação se pode estabelecer entre o
banizações. Crescente Fértil e o desenvolvimento/cons-
trução das primeiras cidades?
Avaliação dos produtos da Situação
de Aprendizagem A necessidade de controlar a água das en-
chentes dos grandes rios e utilizá-la em be-
Com a questão para a qual se solicitou nefício da agricultura levou à construção de
resposta e a análise do mapa nesta Situ- grandes obras hidráulicas. A essas obras se
ação de Aprendizagem, espera-se que os associa o desenvolvimento urbano das regiões
alunos possam obter uma compreensão da nas quais foram construídas.
transição das primeiras comunidades hu-
manas para as cidades como um fenômeno 3. A qual dos grupos abaixo se pode atribuir
processual. Os saberes geográfico e concei- o caráter de sociedades hidráulicas?
tual (Oriente, Oriente Próximo e Crescen-
te Fértil) também integram os objetivos de a) Árabes e japoneses.
aprendizagem almejados. É possível que as
respostas contextualizem o surgimento das b) Europeus e japoneses.
primeiras cidades, em virtude do conteúdo
já desenvolvido, associando-o ao sedenta- c) Africanos e europeus.
rismo humano e ao controle das forças da
natureza, principalmente da água, mas os d) Egípcios e mesopotâmicos.
alunos talvez encontrem dificuldades na lo-
calização geográfica. É importante que, de Espera-se que os alunos reconheçam as so-
posse do mapa, se insista na apresentação ciedades que se organizaram em função das
dos rios e na sua localização. possibilidades hidráulicas da região.

Propostas de questões para avaliação 4. As cidades que se desenvolveram na Bai-


xa Mesopotâmia enfrentaram um grande
1. Considerando o conteúdo ministrado, ex- número de dificuldades – não puderam
plique o processo de transição das primei- praticar a agricultura de chuva e seu po-
ras comunidades para os primeiros núcleos voamento dependia de rios que entravam
urbanos e cidades. em vazantes nas épocas do ano propícias
à semeadura. As cheias fertilizavam, mas
Espera-se que os alunos possam estabelecer ocorriam em épocas do ano em que os
uma relação entre nomadismo e sedentaris- cereais já estavam desenvolvidos, apresen-
mo e que, na sequência, apresentem os fato- tando grande risco de levar à perda total
res geográficos e climáticos anteriormente da cultura. Em relação à urbanização das

31
cidades da Baixa Mesopotâmia, com base Proposta de Situação de
nesse excerto pode-se deduzir que: recuperação
a) as cheias traziam períodos de dificul- Solicite aos alunos que realizem um traba-
dades consideráveis para os ambientes lho que contemple os seguintes aspectos:
urbanos, mas que eram atenuadas no
período de estiagem. 1. Caracterização dos conceitos de Oriente
Próximo e Crescente Fértil.
b) nos períodos de cheia, a agricultura de
chuva não era praticável na região, cujo 2. Localização geográfica de ambos os terri-
povoamento dependia dos rios. tórios por meio da reprodução de mapas.

c) diante da necessidade de reservas de 3. Comparação entre o binômio homem-


água para os períodos de seca, para ir- natureza nas cidades antigas e atuais do
rigação e de barragens, diques e drena- Oriente Próximo. Para tal, será neces-
gens para os períodos de cheia, muitas sário orientar o trabalho de pesquisa,
cidades se desenvolveram. destacando aos alunos alguns aspectos
norteadores: controle e domínio das for-
d) as cheias e as secas eram muito impor- ças naturais, desenvolvimento tecnológico,
tantes para o desenvolvimento urbano. acesso a recursos naturais, subsistência,
sobrevivência etc.
O controle do fluxo das águas foi essencial
para o desenvolvimento da urbanização das Dependendo do número de alunos e da cir-
cidades da Baixa Mesopotâmia. cunstância em que o trabalho irá ocorrer, você
poderá organizar um ou mais grupos de alu-
5. Acerca do surgimento da agricultura pode- nos que trabalhem juntos no próprio horário
se afirmar que: da recuperação, vivenciando o processo suge-
rido e construindo coletivamente o produto a
a) desenvolveu-se, principalmente, em re- ser entregue para avaliação. Investir em par-
giões do Oriente Próximo. cerias colaborativas pode ajudar alunos com
maiores dificuldades a superá-las.
b) sucedeu o aparecimento da escrita.
recursos para ampliar a perspectiva
c) ocorreu, sobretudo, durante o Paleolí- do professor e do aluno para
tico. compreensão do tema
d) era uma atividade desenvolvida junta- Site
mente com a caça e a pesca durante o
Mesolítico. Historianet. Disponível em: <http://www.
historianet.com.br/conteudo/default.
Espera-se que o aluno reconheça a locali- aspx?codigo=82>. Acesso em: 15 nov. 2008.
zação geográfica das regiões em que surge Neste endereço podem ser encontrados ma-
a agricultura, possibilitando a sedentariza- pas e textos introdutórios sobre as primeiras
ção de populações. civilizações.

32
História – 1a série, 1o bimestre

SITuAçãO DE APRENDIzAGEM 5
EGITO E MESOPOTÂMIA

A prática corrente nos livros didáticos de referia-se ao regime de cheias do rio que dei-
apresentar os estudos sobre Egito e Mesopo- xavam, após sua passagem, os solos irrigados
tâmia conjuntamente demonstra a preocupa- e férteis para a agricultura, acrescentando que
ção em aproximar características similares de “Em todo mundo, ninguém obtém os frutos
experiências de povos de ambas as civiliza- da terra com tão pouco trabalho. Não se can-
ções. Neste Caderno, procedemos de modo se- sam a sulcar a terra com o arado ou a enxada,
melhante, mas procuramos oferecer, também, nem têm nenhum dos trabalhos que todos os
a compreensão de algumas variantes, diversi- outros homens têm para garantir as colheitas.
dades no espaço e no tempo, que tangenciam O rio sobe, irriga os campos e, depois de os
esse paralelo. ter irrigado, torna a baixar. Então, cada um
semeia o seu campo e nele introduz os porcos
Às sociedades egípcia e mesopotâmica para que as sementes penetrem na terra; de-
atribui-se a criação do Estado e a vivência de pois, só tem de aguardar o período da colheita.
experiências semelhantes em suas formas de or- Os porcos também lhes servem para debulhar
ganização social, nas quais política, religião o trigo, que é depois transportado para o ce-
e economia podiam ser entendidas como in- leiro”. (CAMINOS, Ricardo A. O camponês.
dissociáveis. O grande número de variações In: DONADONI, Sérgio. O homem egípcio.
– impostas por determinantes de ordem geocro- Tradução Maria Jorge Vilar de Figueiredo.
nológica – não inviabiliza, contudo, essa apro- Lisboa: Editorial Presença, 1994. p. 17-18.)
ximação. Variações étnicas, desenvolvimento
e organização socioeconômicos diferenciados, Para Caminos (1994, p. 18), essa visão de
em distintas regiões etc. não suprimem a inser- Heródoto se explica pelo fato de seu autor ser
ção dessas sociedades em um modelo maior de originário de regiões nas quais “era necessário
organização social. Dessa forma, práticas agrí- trabalhar muito para conseguir uma magra
colas, hidráulicas, governamentais, de gestão colheita de um solo hostil rochoso”. A frase
do trabalho e o desenvolvimento de sistemas de de Heródoto e o excerto citado negligenciam
escrita caracterizam os povos do Oriente Próxi- o fato de que as cheias e a descida das águas
mo, sobretudo egípcios e mesopotâmicos. implicavam construção, desobstrução e mui-
tas vezes reconstrução de diques, regos, canais
No que se refere ao Egito, em seus pri- de irrigação e drenagem, sempre suscetíveis ao
mórdios, a imagem inicial que se tem associa- volume das cheias. Tanto para esses trabalhos
da é aquela que se refere a sua organização como para aqueles do preparo da terra e do
econômica agrícola. Os livros didáticos re- cultivo eram necessários inúmeros trabalha-
produziram à exaustão um bordão que, de dores – que nem sempre aparecem nas abor-
tão repetido ao longo da História, tornou-se dagens didáticas sobre o Egito, muitas vezes
clássico, segundo o qual o Egito seria uma preocupadas em mostrar a beleza de suas pi-
“dádiva do Nilo”. Com essa frase, Heródoto râmides e obras faraônicas, sem explicitar os

33
meios pelos quais foi possível sua construção. do literal de seu nome: “entre rios” (Tigre e
Ao trabalhar os conhecimentos de que dis- Eufrates). Contrariamente ao lugar que ocu-
põem os alunos, a problematização desse as- param e ocupam no pensamento ocidental as
pecto é de substantiva importância. civilizações clássicas, a Mesopotâmia, menos
que o Egito, não logrou ter o mesmo reconhe-
uma outra importante representação à cimento – e isso se deve, sobretudo, ao desejo
qual, comumente, é associado o conhecimento de países europeus do século XIX de buscarem
acerca do Egito antigo, é o sistema de hierógli- suas origens nas civilizações grega e romana.
fos. Desde os primeiros estudos a seu respeito, Parte do Crescente Fértil, a Mesopotâmia ex-
no século XIX, os conhecimentos acerca do perimentou condições similares de desenvolvi-
Egito mudaram muito. Pela decifração de sua mento em relação ao Egito, principalmente no
escrita, todo um sistema de linguagem, estru- que se refere ao controle do curso das águas
tura e organização social abriu-se a novas for- por meio de canais e diques e seus benefícios
mas de compreensão. em relação à agricultura, desenvolvida em
regiões planas. Na sua região, dezenas de ci-
Rio Nilo, pirâmides, esfinges, grandes dades se desenvolveram, acompanhadas de
construções e escrita hieroglífica podem ser inúmeras trocas comerciais, possibilitadas pelo
entendidos como referências basilares dos co- cultivo da agricultura além das necessidades
nhecimentos de que dispõem nossos alunos de subsistência. Lembrada como referência de
(advindos dos mais diferentes suportes), e é Estado centralizado e controlador de grandes
a partir deles que propomos a sequência de extensões de terra, foi a partir de meados do
aulas concernentes ao primeiro módulo desta século XIX que escavações revelaram a rique-
Situação de Aprendizagem. za da civilização mesopotâmica. Plaquetas
cuneiformes traduzidas, ruínas e artefatos es-
À Mesopotâmia creditamos, historicamen- cavados revelaram a enormidade das contri-
te, o surgimento do urbanismo e da escrita. buições mesopotâmicas para a História, como
O conhecimento difundido a seu respeito, se verá em algumas das atividades aqui suge-
frequentemente, não ultrapassa o significa- ridas.

tempo previsto: 6 aulas.

Conteúdos e temas: Egito e Mesopotâmia.

Competências e habilidades: capacidade de interpretação, associação e identificação.

Estratégia: aula expositiva e dinâmica de grupos.

recursos: lousa, giz e mapa-múndi.

Avaliação: pesquisa, participação e produção de quadro comparativo.

34
História – 1a série, 1o bimestre

Sondagem e sensibilização – Egito adotado. No entanto, enfatize a importância


de o texto ser escrito a partir da compreensão
O grande número de referências midiáticas do material pesquisado, devendo ser autoral.
(filmes, desenhos animados, séries televisivas, Lembre-os de citar as fontes de pesquisa uti-
publicações para o grande público etc.) a res- lizadas. Em sala, ouça as caracterizações (a
peito do Egito antigo é representativo do per- ser feitas no Caderno do Aluno) e adapte,
manente interesse pelo tema. Pirâmides, faraós, corrija e elenque-as na lousa. Nessa oportu-
Cleópatra, deuses, múmias etc. habitam o ima- nidade os alunos poderão rever as próprias
ginário coletivo a esse respeito. Como em Situ- anotações de pesquisa e mudá-las, caso seja
ações de Aprendizagem anteriores, a sugestão necessário.
é sempre partir do conhecimento de que dis-
põem os alunos (afirmando-os, criticando-os, Indague aos alunos a respeito de seus co-
analisando-os), tornando-os partícipes do pro- nhecimentos sobre o Egito antigo. Com base
cesso de aprendizagem. uma forma de intro- nas respostas oferecidas (muitas delas relacio-
dução ao tema poderá consistir em indagar nadas a questões referenciadas na sensibili-
aos alunos a respeito da apropriação e reinter- zação sobre o Egito), você pode anotar uma
pretação de elementos da cultura egípcia an- sequência na lousa e comentá-las após as ex-
tiga na atualidade; lembramos, por exemplo, posições.
aspectos ligados à arquitetura (construções
que se inspiram em modelos egípcios antigos), Para que os alunos possam dispor de apon-
elementos decorativos, ritualísticos, de adorno tamentos a respeito do tema, sugerimos a se-
pessoal, temas de músicas e festas carnavales- guir um conjunto de aspectos característicos e
cas etc. Essa atividade poderá ser feita median- definidores da sociedade egípcia que poderão
te exercício a esse respeito que está no Caderno ser desenvolvidos por você.
do Aluno. É importante ressaltar, contudo,
nas intervenções dos alunos, que essas diferen- f Localização: solicite aos alunos que loca-
tes manifestações são representações da cultu- lizem o Egito no mapa que possuem no
ra egípcia antiga no mundo contemporâneo, Caderno do Aluno (relativo à Situação
nem sempre estabelecendo uma relação de de Aprendizagem O Oriente Próximo e o
compromisso histórico com referências daque- surgimento das primeiras cidades) e que
la sociedade. observem a extensão do rio Nilo. Nessa
oportunidade, com base nas informações
1a e 2a aulas anteriores, você poderá tratar do regime
das cheias, solicitando-lhes que estabele-
Tratar de três milênios de história em três çam, no Caderno, uma crítica à frase de
aulas é um desafio que requer algumas esco- Heródoto – “O Egito é uma dádiva do
lhas. Pensando nisso, priorizamos aspectos Nilo.”
capitais referentes a conhecimentos de caráter f Características da organização social: nes-
geral a respeito do tema. Antes da aula, soli- te item você pode observar (e desenvolver)
cite aos alunos que produzam um texto sobre que:
características definidoras do Baixo Império, – a vida urbana e a organização do Es-
do Médio Império e do Alto Império. Esti- tado só foram possíveis em virtude da
mule-os a pesquisar no próprio livro didático agricultura;

35
– a servidão esteve na base dos empreen- É possível tratar da justificativa religiosa do
dimentos hidráulicos, agrícolas e demais poder político de faraós e sacerdotes. O trecho
fatores ligados à urbanização; seguinte – disponível no Caderno do Aluno –
– política, religião e economia são, a prio- pela sua representatividade, pode ser lido pe-
ri, instâncias não dissociadas; los alunos e trabalhado em sala por você:

“Sou vosso filho que vossos dois braços produziram. Fizeste-me soberano Vida, Saúde Força de toda a
terra. Fizeste para mim a perfeição sobre a terra. Cumpro minha função em paz. Não deixo repousar meu
coração, buscando o que é útil e eficaz para vossos santuários. Por meio de grandes decretos estabelecidos
em cada seção de escritura, doto-os de homens, terrenos, reses, barcos. Suas barcaças estão no Nilo. Restituí
a prosperidade a vossos santuários, que estavam anteriormente em decadência. Instituí para vós oferendas
divinas, além das que existiam diante de vós. Trabalhei para vós em vossas casas de ouro, com ouro, prata,
lápis-lazúli, turquesa. Controlei vossos tesouros. Completei-os com coisas numerosas. Enchi vossos celeiros
com grandes quantidades de cevada e de espelta. Construí para vós castelos, santuários, cidades. Vossos no-
mes lá estão gravados para a eternidade. Guarneci vossas equipes, completando-as com um grande número
de homens. Não levei dos santuários dos deuses os homens nem os chefes de distrito, desde que existem
reis para construí-los, a fim de inscrevê-los no exército e nas equipagens. Fiz decretos para estabelecê-los
na terra para o uso dos reis que virão depois de mim na terra. Consagrei-vos oferendas de todas as boas
coisas. Fiz para vós armazéns de festas cheios de alimentos. Fiz vasos esmaltados em ouro, prata e cobres
aos milhões. Construí vossas barcas, que estão no rio com sua grande morada revestidas de ouro.”

Papiro Harris, I, 57, 3. MONTET, Pierre. O Egito no tempo de Ramsés (1300 a.C. a 1100 a.C.). São Paulo: Companhia das
Letras, 1989.

f Cronologia: solicite aos alunos que expo- f Práticas culturais: aqui você pode trabalhar
nham as principais características dos pe- com alguns aspectos de caráter geral como
ríodos que pesquisaram (Antigo Império, a análise das culturas escrita e não-escrita
Médio Império e Novo Império) e proble- (trate, sobretudo, das formas de diferencia-
matize os conteúdos apresentados. ção social que seu domínio estabelecia) e
f Diversidade das fontes de conhecimento a conhecimentos artísticos e literários.
respeito do Egito antigo: escritas, imagé-
ticas, estatuárias, arquitetônicas etc. Você Conclua a aula apresentando a ligação en-
pode mostrar fontes em diferentes suportes tre as principais temáticas tratadas.
e indagar aos alunos que tipo de conheci-
mento a respeito dos egípcios elas podem Sondagem e sensibilização –
oferecer. Mesopotâmia
f Pensamento religioso: neste tópico, você
pode desenvolver alguns aspectos como o Tratar do desenvolvimento das cidades
papel dos faraós como intermediários entre e da escrita, da Matemática, do Direito e da
homens e deuses e sua representação como Astrologia (práticas e conhecimentos tam-
garantia de equilíbrio e prosperidade no bém desenvolvidos, mais cedo ou mais tarde,
mundo; mumificação e crença na imortali- entre outros povos) pode se constituir em al-
dade; túmulos e templos; mitologias etc. guns aspectos interessantes de sensibilização/

36
História – 1a série, 1o bimestre

motivação referentes à importância do tema uma sequência similar de aspectos característi-


Mesopotâmia. Para esta e outras sociedades cos e definidores da sociedade mesopotâmica,
hidráulicas, a reflexão em torno da importân- que poderão ser desenvolvidos por você.
cia do controle da água pode consistir num
exemplo de paralelo a ser estabelecido com as f Localização: solicite aos alunos que loca-
sociedades contemporâneas. Na Antiguidade lizem a Mesopotâmia no mapa do Orien-
e hoje: qual o papel da água na vida social das te Próximo presente no Caderno do Alu-
pessoas? Seu controle atende a iguais necessi- no. Você pode aproveitar a oportunidade
dades? Com essas e outras questões propostas para falar sobre o clima e a geografia da
por você pode-se iniciar uma reflexão acer- região, particularmente de suas diferenças
ca dos temas que serão desenvolvidos. Nesta em relação ao Egito (ao passo que este se
Sondagem e sensibilização como em outras encontra em uma região isolada geogra-
que propõem reflexões comparativas entre ficamente e de difícil acesso, a Mesopo-
situações antigas e modernas, é desejável que tâmia se situava em uma planície, o que
se propiciem aos alunos análises não hierár- propiciou o contato e a interação, inclu-
quicas de eventos, fatos, modos de vida etc. sive comercial, com povos de diferentes
antigos e modernos em termos de “melhor” e regiões). Além disso, retome aspectos acer-
“pior”. Centre-se na importância vital da água ca da agricultura, do sistema hidráulico
para todas as sociedades e procure considerar e do desenvolvimento urbano da região
como diferentes grupos humanos lidaram (é importante considerar a irregularidade
com isso ao longo da História e hoje. Você das cheias do rio Tigre e do Eufrates em
pode explicar, por exemplo, que o controle relação às do Nilo). Solicite aos alunos que
da água dos rios feito pelos povos do Oriente observem não só a região entre rios, mas
Próximo visava, principalmente, ao exercício também suas margens externas.
da agricultura, e que hoje, além desse mesmo f Diversidade étnica: considere o fato de que,
interesse, a construção de grandes barragens ao longo de sua história, a Mesopotâmia foi
(que também exercem controle da água) visa à ocupada por diferentes povos – sumérios,
obtenção de energia elétrica e coloca constan- acádios, amoritas, assírios e caldeus, prin-
temente em questão problemas relacionados à cipalmente. uma possibilidade de trabalhar
preservação ambiental. essa questão está na elaboração de um qua-
dro, na lousa, com as principais caracteri-
3a à 5a aula zações de cada um desses povos – algo que
pode ser feito ao ouvir e discutir as carac-
Em aulas anteriores, solicite aos alunos que terizações trazidas pelos alunos. Nesse mo-
façam uma pesquisa individual para breves ob- mento, eles poderão complementar, em seus
tenções de características definidoras dos povos Cadernos, as informações pesquisadas.
sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus. f Características da organização social: nes-
Essas informações comporão uma das ativida- te item você pode observar que:
des das aulas a respeito do tema. Em virtude 1. a vida urbana – contrariamente à uni-
da extensão do conteúdo, optamos por deixar cidade do Estado no Egito – desenvol-
livre seu desenvolvimento entre as aulas. ve-se em torno de um grande grupo de
cidades-Estado, com ausência de unida-
Para que os alunos possam dispor de apon- de política (procure contemplar, nesse
tamentos a respeito da Mesopotâmia e inclusi- momento, alguns aspectos dessas cida-
ve compará-los com os conteúdos tratados nas des: reis, nobres, sacerdotes, militares,
aulas sobre o Egito, sugerimos a reprodução de camponeses e escravos);

37
2. a servidão esteve na base dos empreen- daí ser previsível que os alunos apresentem
dimentos hidráulicos, agrícolas e demais mais informes a respeito de uma civilização
fatores ligados à urbanização; que de outra, ou somente informações a res-
3. política, religião e economia são, a prio- peito do Egito. Esse déficit de informação pode
ri, instâncias não dissociadas (trate da ser superado, principalmente, pelo fato de se
justificação religiosa do poder político ter abordado primeiro o Egito, o que lhe per-
de reis e sacerdotes). mitirá, para o estabelecimento de diferenças e
f Pensamento religioso: o papel dos reis semelhanças, a apresentação de alguns aspec-
como intermediários entre homens e deu- tos referenciais: empreendimentos hidráulicos,
ses e sua representação, como garantia de vida urbana, servidão, relação entre política e
equilíbrio e prosperidade no mundo; tem- religião etc.
plos (zigurates) e palácios.
f Práticas culturais (vide mesmo tópico das Propostas de questões para avaliação
aulas sobre Egito).
1. Em relação aos egípcios e mesopotâmicos,
Conclua a aula apresentando a ligação é comum afirmar que não dissociavam po-
entre as principais temáticas tratadas. Para a lítica, economia e religião. Por quê?
próxima aula, solicite aos alunos que elaborem
um quadro comparativo entre as civilizações Espera-se que os alunos possam reconhe-
egípcia e mesopotâmica, o que poderá ser feito cer a relação de interdependência entre es-
no Caderno do Aluno. Peça que considerem as sas três esferas nas sociedades analisadas,
semelhanças e diferenças de cada uma das ca- considerando que faraós ou reis, entendidos
racterísticas definidoras (economia, sociedade, como deuses ou seus representantes na Ter-
religião e forma de governo). ra, simbolizavam a prosperidade do povo.
Templos e palácios eram parte integrante da
6a aula estrutura e da vida econômica das cidades.

Divida a classe em três ou quatro grupos, 2. Estabeleça relações de semelhança e dife-


para discussão dos quadros produzidos e ela- rença entre os povos egípcios e mesopotâ-
boração de um quadro geral na lousa, por micos.
meio do qual os alunos poderão fazer altera-
ções nos quadros que produziram. Dentre os principais fatores de semelhança
espera-se que os alunos citem o surgimen-
Avaliação da Situação de to das primeiras cidades, o desenvolvimento
Aprendizagem coletivo de técnicas agropastoris, de grandes
sistemas de irrigação e o aparecimento dos
O objetivo do estudo conjunto das civiliza- primeiros sistemas de escrita. Já em relação
ções egípcia e mesopotâmica é o de propiciar às diferenças, é importante que se ressaltem
aos alunos a compreensão de suas similitudes os distintos regimes de cheias e a localização
e, também, das suas respectivas especificidades. geográfica dessas civilizações: Egito – difícil
Espera-se que com esta atividade os alunos acesso; Mesopotâmia – planície.
possam estabelecer relações a esse respeito. A
grande difusão midiática de conhecimentos re- 3. Das realizações abaixo, quais podem ser
ferentes ao Egito antigo contrasta com a pouca atribuídas, conjuntamente, às civilizações
presença da Mesopotâmia na grande mídia, egípcia e mesopotâmica?

38
História – 1a série, 1o bimestre

a) Criação de pirâmides, esfinges e desen- br/ANPuHRS>. Acesso em: 16 set. 2008. No


volvimento do Estado. Brasil, existem poucos grupos e pesquisado-
res que se dedicam ao estudo da Antiguidade
b) Atividades hidráulicas, criação de siste- Oriental. uma forma de você estabelecer con-
mas de escrita e urbanização. tato com eles, para esclarecimento de dúvidas
ou solicitar informações atualizadas sobre o
c) Criação de templos e desenvolvimento desenvolvimento de suas pesquisas, é associar-
da linguagem hieroglífica. se a uma lista de discussão eletrônica. Na atua-
lidade, a mais completa lista de estudiosos do
d) Monoteísmo, nomadismo e servidão mundo antigo no Brasil é a do Gtha. Para as-
coletiva. sociar-se a essa lista, você deve acessar o site:
<http://br.groups.yahoo.com/group/gtha>.
Espera-se que os alunos identifiquem as
principais características das civilizações livros
egípcias e mesopotâmicas.
BAKOS, Margarete Marchiori. Fatos e mitos
do Egito antigo. 2. ed. Porto Alegre: Edipucrs,
Proposta de Situação de 2001. É um livro interessante e introdutório
recuperação que trata dos modos de vida no Antigo Egito,
seus hábitos e valores, valorizando, sobretu-
Solicite aos alunos que fixem uma cópia do do, a vida cotidiana, a vivência nas cidades, as
mapa do Oriente Próximo antigo em uma fo- relações dos homens com a natureza, o papel
lha e respondam às seguintes questões: feminino naquela sociedade etc.

1. Qual a relação entre os rios Nilo, Tigre e FuNARI, Raquel dos Santos. Imagens do Egi-
Eufrates e o desenvolvimento do Egito e da to Antigo. São Paulo: Annablume, 2006. Este
Mesopotâmia? livro estuda representações e reconstruções do
Egito Antigo em contextos contemporâneos,
2. Faça uma pesquisa comparativa acerca da sobretudo, no Brasil. Trata, mais particular-
ideia de organização do Estado entre os mente, de sua percepção por crianças brasilei-
egípcios e os mesopotâmicos que contem- ras do Ensino fundamental.
ple considerações em relação aos seguintes
aspectos: empreendimentos hidráulicos, vida FuNARI, Raquel dos Santos. O Egito dos
urbana, servidão, relação entre política e Faraós e Sacerdotes. São Paulo: Atual, 2007.
religião. Este livro trata da vida política, econômica
e religiosa dos egípcios antigos, abordando
temas ligados ao poder dos faraós mas, tam-
recursos para ampliar a perspectiva bém, à vida e à cultura cotidiana de campone-
do professor e do aluno para ses, coletores de impostos etc.
compreensão do tema
REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo:
Site Saraiva, 1997. Escrito para um público jovem
e não especializado no tema, esse livro aborda,
Grupo de Trabalho em História Antiga pelo viés de análises histórico-arqueológicas,
(Gtha) da Associação Nacional de História aspectos políticos, sociais e econômicos da an-
(Anpuh). Disponível em: <http://www.ufrgs. tiga Mesopotâmia.

39
SITuAçãO DE APRENDIzAGEM 6
HEBREuS, FENÍCIOS E PERSAS

Ao lado das grandes civilizações de povos encontradas, principalmente, na Bíblia e em


pré-clássicos (como Egito e Mesopotâmia), obras de autores greco-romanos. Contudo, a
hebreus, fenícios e persas ocupam um espaço Arqueologia tem contribuído de modo signifi-
menor nos currículos escolares e na prática cativo para a ampliação desse conhecimento.
da sala de aula. Muitas vezes não chegam a A atividade que propomos a seguir tem por
ser tratados, passando-se do estudo dos po- objetivo auxiliar no suprimento dessa lacuna,
vos hidráulicos para aquele do mundo clás- considerando, sobretudo, que os alunos, fre-
sico (Grécia e Roma). As fontes escritas de quentemente, têm conhecimentos e muito in-
conhecimento a respeito desses três povos são teresse pelo tema.

tempo previsto: 2 aulas.

Conteúdos e temas: hebreus, fenícios e persas.

Competências e habilidades: capacidade de interpretação, associação e identificação.

Estratégia: aula expositiva e dinâmica de grupos.

recursos: lousa e giz.

Avaliação: pesquisa, participação e produção textual.

Sondagem e sensibilização vos em questão. Nas aulas que antecederem o


desenvolvimento do tema, divida a turma em
Hebreus, fenícios e persas são povos que, três grupos, incumbindo cada um de analisar,
em diferentes proporções, aparecem referen- respectivamente, o(s) documento(s) referentes
ciados na Bíblia. Sendo considerável o núme- ao povo a ser estudado (a divisão é feita em
ro de alunos com conhecimentos bíblicos nas grupos, mas sugere-se que a análise seja indi-
escolas, você pode, a partir desse referencial e vidual). Essa análise deverá subsidiar/orientar
de outros, advindos de filmes e demais referên- a pesquisa que será solicitada e sobre a qual
cias midiáticas, despertar neles o interesse pelo se embasa essa Situação de Aprendizagem.
tema. É de grande importância que se consi- Abaixo reproduzimos os excertos, mas você
derem e respeitem, contudo, as diferentes for- pode substituí-los por imagens (de mapas,
mações religiosas e, também, a ausência dessa pinturas, esculturas, tábuas de escrita cunei-
formação. Indague os alunos acerca do conhe- forme etc.) ou intercalar essas fontes distintas.
cimento que dispõem a respeito desses povos. A orientação é de que esses documentos sejam
representativos dos conteúdos principais a ser
1a e 2a aulas ministrados. Indique aos alunos alguns tópicos
a ser pesquisados em relação a cada um dos
Para essa Situação de Aprendizagem ofere- temas, por exemplo, hebreus: patriarcas, pro-
cemos excertos textuais referentes aos três po- fetas, terra prometida, monoteísmo, diáspora,

40
História – 1a série, 1o bimestre

povo judeu etc.; fenícios: questão geográfica, Persas


desenvolvimento de técnicas de navegação,
comércio e artesanato, rotas marítimas etc.; “Isso feito na Pérsia, ele a dividiu em vin-
persas: Império persa, divisão do Império em te províncias – as chamadas satrapias. Esta-
satrapias (cidades-Estado), servidão coletiva, belecidas essas províncias e designados os
dualismo religioso etc. Solicite aos alunos que respectivos governadores, Dareios ordenou a
apresentem os resultados de suas pesquisas na cada povo que lhe pagasse tributo; para isso
parte destinada para esse fim, no Caderno do ele uniu a cada povo os povos limítrofes, ou
Aluno. ainda, sem levar em consideração a proximi-
dade, agrupou certos povos com outros mais
afastados. Os governos e os tributos anuais fo-
Hebreus ram estabelecidos da seguinte maneira: para
os povos que pagavam em prata foi estipulado
“Sai-te da tua terra, da tua parentela e o tributo na base do peso do talento babilô-
da casa de teu pai, para a terra que eu te nio; para os povos que pagavam em ouro, do
mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e talento euboico (o talento babilônico equivale
abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; a setenta e oito minas euboicas). No reinado
e tu serás uma bênção. (...) E passou Abrão de Ciros, e posteriormente no de Cambises,
por aquela terra até ao lugar de Siquém, até não havia um tributo fixo, sendo o pagamen-
ao carvalho de Moré; e estavam então os ca- to feito em presentes. Por causa da fixação dos
naneus na terra. E apareceu o SENHOR a tributos e de outras medidas análogas, os per-
Abrão, e disse: À tua descendência darei esta sas chamara Dareios de mascate, Cambises de
terra.” déspota e Ciros de pai, pois Dareios negocia-
va com tudo, Cambises era duro e insensível
Gênesis, 12, 1-2 e 6. e Ciros era generoso e se preocupava sempre
com o bem-estar de seus súditos.”
“Quanto a mim, eis a minha aliança con-
tigo: serás o pai de muitas nações; E não Heródoto, III, 89. In: Heródotos. História. Tradução do
se chamará mais o teu nome Abrão, mas grego, introdução e notas de Mário da Gama Kury. Bra-
Abraão será o teu nome; porque por pai de sília: Editora da universidade de Brasília, 1985, p. 179.
muitas nações te tenho posto; E te farei fru-
tificar grandissimamente, e de ti farei nações,
e reis sairão de ti; E estabelecerei a minha
Fenícios
aliança entre mim e ti e a tua descendência
depois de ti em suas gerações, por aliança “Os fenícios, segundo afirmam os persas,
perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua chegaram ao nosso mar vindos do chamado
descendência depois de ti.” mar Erítraios e, estabelecendo-se no territó-
rio que até agora ocupam, começaram ime-
Gênesis, 17, 4-7. diatamente a empreender longas viagens.
Entre outros lugares até onde levaram mer-
ALMEIDA, João Ferreira de. A Bíblia sagrada. Versão cadorias egípcias e assírias eles chegaram a
corrigida e revisada fiel (1994). Disponível em: <http:// Argos; naquela época Argos se destacava em
www.bibliaonline.com.br>. Acesso em: 17 set. 2008. tudo na região atualmente chamada Hélade.

41
Então os fenícios vieram até Argos e lá des- Com essa frase se estabelece entre Iahweh
carregaram suas mercadorias.” e Abraão uma aliança. Por essa aliança,
Iahweh protegeria todos os hebreus (dos
Heródoto, I, 1. In: Heródotos. História. Tradução do quais os judeus descenderiam). Após a
grego, introdução e notas de Mário da Gama Kury. destruição de Israel pelos assírios (722
Brasília: Editora da universidade de Brasília, 1985. p. 19. a.C.), os judeus foram deportados. Já os
judeus do reino de Judá foram escravi-
zados na Babilônia (586 a.C.). No exílio,
Apresente, um a um, os documentos e inda- fatores como o ato da circuncisão eram
gue aos grupos os conhecimentos que pesquisa- entendidos como próprios da cultura ju-
ram em relação a cada povo; problematize-os. daica. No mundo antigo, assim como hoje,
Anote os apontamentos na lousa, para que os quais outros fatores podem ser entendidos
alunos dos outros grupos possam anotá-los e com a mesma conotação?
para que os responsáveis pela pesquisa possam
complementá-la, com dados não-observados. Considere fatores como a devoção à
Torá, o monoteísmo, a crença na Terra
Avaliação dos produtos da Situação Prometida.
de Aprendizagem
2. Eram navegantes e comerciantes – co-
Espera-se que com a Situação de Aprendiza- mercializavam perfumes, incenso, vidros
gem desenvolvida os alunos possam averiguar – transportavam e negociavam vinhos, ma-
informações a respeito dos povos estudados e deiras etc. Essas características podem ser
trocá-las com os demais colegas. As informa- associadas a qual dos povos orientais estu-
ções dos alunos a respeito desses povos, pouco dado?
ou nunca estudados, podem resumir-se a co-
nhecimentos bíblicos, como já indicado; julga- a) Fenícios.
mos importante que se ressaltem seus aspectos
essenciais e definidores, como os que arrolamos b) Egípcios.
no início do roteiro para aplicação desta Situa-
ção de Aprendizagem. c) Mesopotâmicos.

Propostas de questões para avaliação d) Persas.

1. Leia o texto a seguir: Espera-se que o aluno reconheça a impor-


tância da atividade comercial para os fení-
cios.
“E circuncidareis a carne do vosso pre-
púcio; e isto será por sinal da aliança entre 3. Seu império era dividido em satrapias (ci-
mim e vós.”
dades-Estado) e destaca-se dentre os povos
Gênesis, 17, 11. do Oriente Próximo, principalmente, por
ALMEIDA, João Ferreira de. A Bíblia sagrada. Versão
sua política expansionista. Essas caracte-
corrigida e revisada fiel (1994). Disponível em: <http://
rísticas podem ser associadas a qual dos
www.bibliaonline.com.br>. Acesso em: 17 set. 2008. povos orientais estudado?

42
História – 1a série, 1o bimestre

a) Mesopotâmicos. Propostas de Situações de


recuperação
b) Egípcios.
Proposta 1
c) Persas.
Solicite aos alunos uma dissertação a res-
d) Fenícios. peito dos dois excertos não analisados, visto
que desenvolveram trabalho individual em
Espera-se que o aluno reconheça as carac- seus cadernos sobre um dos grupos (hebreus,
terísticas políticas e expansionistas do povo fenícios ou persas).
persa.
Proposta 2
4. Data de 1948 a criação do Estado de Israel,
pela Organização das Nações unidas, aten- Solicite aos alunos que façam uma pes-
dendo a reivindicações históricas ligadas à quisa sobre valores referenciais da cultura
Diáspora judia. Essa consideração pode ser judaica.
associada a qual povo da Antiguidade?
recursos para ampliar a perspectiva
a) Persas do professor e do aluno para a
compreensão do tema
b) Fenícios
Site
c) Hebreus
Bíblia on-line. Disponível em: <http://www.
d) Egípcios bibliaonline.com.br>. Acesso em: 17 set.
2008. Permite acessar versões digitalizadas da
Espera-se que o aluno reconheça a origem Bíblia e, inclusive, proceder a buscas por pala-
do povo judeu aos antigos hebreus. vras-chave.

43
COnSidErAçÕES FinAiS
Ao desenvolvermos os temas tratados dizagem sugeridas foram propostas de modos
neste Caderno, duas orientações principais de abordar temas difíceis, pouco tratados e,
guiaram nossas preocupações: fazer que este em princípio, aparentemente distantes da rea-
material apresentasse discussões historiográfi- lidade dos alunos, cabendo a você verificar sua
cas recentes em relação ao conteúdo arrolado aplicabilidade. Para todos os conteúdos procu-
e fornecesse a você propostas detalhadas para ramos valorizar a diversidade, a pluralidade e a
desenvolvê-lo – algo que facilitasse a elabora- heterogeneidade de suas manifestações.
ção de suas aulas ou mesmo a substituísse, caso
opte por seguir os roteiros que sugerimos. Esperamos que este Caderno possa se cons-
tituir em um instrumental útil para o exercício
O que apresentamos nas Situações de Apren- de suas atividades.

44
História – 1a série, 1o bimestre

BiBliOGrAFiA
BAKOS, Margaret Marchiori. Fatos e mitos do gião na Antiguidade Oriental. Rio de Janeiro:
antigo Egito. Porto Alegre: Edipucrs, 1994. Senai, 2000.

BESSEGATTO, Mauri Luiz. O patrimônio MACHADO, Neli T. Arqueólogo por um dia:


em sala de aula: fragmentos de ações educati- um projeto para aluno do Ensino Fundamen-
vas. Porto Alegre: Editora Avangraf, 2004. tal e Médio. In: Anais do IV Encontro Nacio-
nal de Pesquisadores do Ensino de História.
BÍBLIA DE JERuSALÉM. São Paulo: Edi- Ijuí, 1999, p. 695-701.
ções Paulinas, 1973.
MONTET, Pierre. O Egito no tempo de Ramsés
CAMINOS, Ricardo A. O camponês. In: DO- (1300 a.C. a 1100 a.C). São Paulo: Compa-
NADONI, Sergio. O homem egípcio. Tradu- nhia das Letras, 1989.
ção Maria Jorge Vilar de Figueiredo. Lisboa:
Editorial Presença, 1994. PESSIS, Anne-Marie. Imagens da Pré-histó-
ria. Parque Nacional Serra da Capivara. São
CARDOSO, Ciro Flamarion. O Egito Anti- Paulo: Fumdham/Petrobras, 2003.
go. São Paulo: Brasiliense, 1982. (Primeiros
Passos). PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. São
Paulo: Contexto, 1987.
CARDOSO, Ciro Flamarion. O Egito Antigo
e o Oriente Próximo na segunda metade do se- REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo:
gundo milênio a. C. Hélade, 1 (1), 2000. p. 17- Saraiva, 1997.
37. Disponível em: http://www.heladeweb.net/
N1%202000/ciro_flamarion_cardoso.htm. SCHWARCz, Lilia. O espetáculo das raças.
Acesso em: 15 nov. 2008. Cientistas, Instituições e questão racial no
Brasil – 1870-1930. São Paulo: Companhia
CHEVITARESE, André. Sociedade e reli- das Letras, 2001.

45