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Cuiabá, MT

2014
ESCOLA DE PRAGA E A CONTRIBUIÇÃO DE ROMAN JAKOBSON PARA A
LINGUÍSTICA
Roman Jakobson nasceu em 11 de outubro de 1896, em Moscou, Rússia e falece em
Cambridge, Massachussetts, Estados Unidos, em 18 de julho de 1982, aos 85 anos.
De origem judaica, Jakobson era filho de um engenheiro químico e proeminente
industrial, Roman Osipovic. Em 1914, Jakobson se inscreveu no Departamento de
Eslavística da Universidade de Moscou para iniciar seus estudos universitários.
Fundou com amigos grupos de estudos relacionados a linguística e a poética em São
Petersburgo. Este movimento focou conhecido como Formalismo Russo que primava
pelo estudo do significado e do uso das formas linguísticas em atos comunicativos. As
estruturas fonológicas, gramaticais e semânticas das línguas som determinadas polas
funções que exercem nas sociedades em que operam. Entre os principais objetos do
grupo estavam assuntos como literatura, cultura, folclore e linguagem.
A Escola de Praga designa um movimento de estudo da linguagem e da literatura
iniciado 1926. Os primeiros estudos focaram-se no Estruturalismo Checo. Os
membros da Escola de Praga partilham com os formalistas russos a assunção de que
a literatura é um fenómeno específico de linguagem, mas como partes de um sistema
devendo ser estudados contexto temporal, espacial e social mais vasto.
Estes estudos levaram a uma cisão de que a língua é um instrumento de
comunicação, que a impede de ser considerada como autônoma, independente, mas
como uma estrutura submetida às pressões procedentes dos atos comunicativos, que
influenciam a estrutura língua e a inserem na sociedade, não só em relação à
dicotomia fonética e fonologia, mas em outros processos de construção linguística.
A insistência na dependência mútua de todos os elementos da linguagem, ou na ideia
de que nenhum fenómeno numa estrutura de linguagem pode ser devidamente
avaliado se for isolado dessa mesma estrutura de que fazem parte, traça o perfil
estrutural do movimento, e com ele também inevitavelmente um método de
compreensão da literatura não como facto isolado, mas como parte de um todo mais
vasto.
Escola funcionalista que se desenvolveu na cidade de Praga, fundamentalmente entre
os anos 1926 e 1939 atividades principalmente nos âmbitos da Crítica Literária e da
Linguística. Destaca-se como Membros principais da Escola de Praga nomes como
os de: Roman Jakobson, Nikolai Troubetzkoy, Sergei Karcevskiy (russos) e René
Wellek, Jan Mukařovský e Vilém Mathesius (checos).
O primeiro tabalho de Jakobson em Praga foi sobre a literatura tcheca, o verso
comparado e o verso russo. É nesse contexto que surge um dos mais importantes
movimentos linguísticos da primeira metade do século XX, o Circulo Linguístico de
Praga (1926).
Em nuances da Segunda Guerra Mundial, por ser judaico Jakobson teve que fugir
para Escandinávia (Dinamarca e Noruega), propiciando assim sua participação e
contribuição no Círculo Linguístico de Copenhague. Já em Nova Iorque ele como
linguista renomado com um grupo de intelectuais europeus formou o Círculo
Linguístico. É exatamente ai que ele conhece o linguista russo com o linguista
brasileiro Mattoso Câmara Junior, considerado pai da linguística brasileira e cujo
trabalho também traz a marca do pensamento de Jakobson.

Conforme Sater e Temmer ( 2011, p. 74)


No geral não existe uma só linha de trabalho que norteie toda a produção de
Jakobson, que elaborou uma linguística que se aproximava de várias disciplinas
informação como fonologia, patologia da linguagem, antropologia, teoria
da, estilística e folclore. A maioria de seus trabalhos encontra-se disperso em
revistas, anais e volumes de coletâneas, além de muitas vezes serem realizados em
parceria.
Entre os vários ramos de estudo que influenciaram Jakobson, alguns foram
essenciais no desenvolvimento de seu trabalho a cerca do processo
de comunicação: Saussure, com a linguística estrutural; os Formalistas Russo;
a psicologia comportamentalista; a Teoria Informacional da Comunicação, etc.
Neste trabalho, o foco foi dado nas escolas de pensamento que o levaram a formular
o seu famoso modelo de comunicação, que será mostrado adiante.

REFERENCIAL
SANTEE, Nellie Rego. TEMER, Ana Carolina Rocha Pessoa.A Linguística de Roman
Jakobson: Contribuições para o Estudo da Comunicação.UNOPAR Cient., Ciênc.
Human. Educ., Londrina, v. 12, n. 1, p. 73-82, Jun. 2011.

JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 23.ed. São Paulo: Cultrix, 2008.


CÂMARA JUNIOR, J.M. Roman Jakobson e a linguística. In: JAKOBSON, R.
Lingüística. Poética. Cinema: Roman Jakobson no Brasil. São Paulo: Perspectiva,
1970.

CHALHUB, S. Funções da Linguagem. 11.ed. São Paulo: Ática, 2002.


DE CAMPOS, H. O poeta da linguística. In JAKOBSON, R. Lingüística. Poética.
Cinema: Roman Jakobson no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1970. p.183-193
http://temasetomos.blogspot.com.br/2009/10/roman-jakobson-e-linguistica-do-
seculo.html acessado em 06/06/2014
http://www.edtl.com.pt/?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=1035&Itemi
d=2 Acessado em 06/06/2014

Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/escola-de-praga-e-a-


contribuicao-de-roman-jakobson-para-a-linguistica/122532/#ixzz4t86HlSzp

ESTRUTURALISMO CHECO
Descrição:
“Estruturalismo Checo", "Escola de Praga" ou "Círculo (Linguístico) de Praga" designa um
movimento de estudo da linguagem e da literatura que tem (convencionalmente) o seu início
em 1926. Num primeiro momento, os textos dos autores que irão configurar o Estruturalismo
Checo surgem pela dinâmica intelectual criada nos contactos intensos entre investigadores
russos e checos durante os anos Vinte e Trinta, e onde a figura de R. Jakobson desempenhou
um papel extraordinariamente relevante. A insistência do Formalismo Russo* (ou do Círculo
Linguístico de Moscovo) na aliança indissolúvel da linguística e da poética é enriquecida em
Praga pela adopção de uma perspectiva semiótica geral para o estudo científico da literatura.
Os membros da Escola de Praga partilham com os formalistas russos a assunção de que a
literatura é um fenómeno específico de linguagem. Contudo, a sua consideração dos fenómenos
linguísticos não apresenta esses fenómenos como aspectos isolados mas como partes de um
sistema. Este, por sua vez, deveria ser estudado no âmbito de um contexto temporal, espacial e
social mais vasto. A insistência na dependência mútua de todos os elementos da linguagem, ou
na ideia de que nenhum fenómeno numa estrutura de linguagem pode ser devidamente avaliado
se for isolado dessa mesma estrutura de que fazem parte, traça o perfil estrutural do
movimento, e com ele também inevitavelmente um método de compreensão da literatura não
como facto isolado, mas como parte de um todo mais vasto. Esta abordagem estrutural é
complementada por uma abordagem funcional da linguagem e da literatura. Tal como as partes
individuais de uma língua dependem umas das outras, assim cada elemento dessa língua existe
somente em articulação com condições extra-linguísticas específicas, e cumpre determinada
função consoante essas condições. Por exemplo, no Manifesto redigido por Roman Jakobson,
Vilém Mathesius, Bohuslav Havránek, Jan Mukarovský e Bohumil Trnka, apresentado em
1929 ao Primeiro Congresso dos Filólogos Eslavos em Praga, é colocada uma ênfase muito
particular na função dos idiomas individuais da linguagem num contexto social e nas suas
relações com a realidade extra-linguística (cf. Marta K. Johnson (org.): 1-31). Num outro texto
importante publicado em 1935, intitulado Em Jeito de Introdução e da autoria (da quase
totalidade) dos mesmos autores do Manifesto, aquela ênfase é deslocada para as questões
levantadas pela natureza verbal do texto literário: "Queremos expressar a nossa convicção de
que a análise da linguagem sem atenção à poesia é tão incompleta como uma análise da poesia
sem atenção às palavras. (…) Qualquer estudo da linguagem poética e da poesia implica, por
definição, a consideração da sociedade e da sua organização. O signo, pela sua essência, é um
fenómeno social.(…) Se bem que uma obra de arte seja um mundo em si mesmo (ou talvez
mesmo porque o é tão somente), ela não pode ser entendida e avaliada de qualquer outro modo
que não seja na sua relação com o sistema de valores válido num colectivo específico" (in Marta
K. Johnson (org.): 39-40). Esta relação semiótica que a obra literária estabelece com um sistema
de valores operativo num determinado colectivo vai conduzir tanto Felix Vodicka como Jan
Mukarovský não só a negar que o valor estético tenha uma validade absoluta, mas também a
articular os conceitos de função estética e norma estética com a própria mutabilidade da
recepção do texto literário: "A mutabilidade [da recepção ou «da compreensão estética de uma
obra»] não tem a sua origem unicamente no receptor, mas também na própria natureza da obra
de arte. A obra de arte tem as propriedades de uma estrutura, mas é, ao mesmo tempo, um
conjunto de signos cuja nitidez comunicativa é tão desfeita pela função estética que pode evocar
muitas associações semânticas diferentes. Portanto, a recepção de uma obra conduz a várias
interpretações estéticas e semânticas, sendo, em princípio, cada uma delas válida e convincente,
se bem que, é claro, em certa medida limitada temporalmente, socialmente e mesmo
individualmente"(F. Vodicka, 1941, in Peter Steiner (org.), 1982: 109). Fica claro, portanto,
que um dos aspectos que mais substancialmente distingue o quadro teórico checo da
conceptualização estruturalista dos formalistas russos reside na preocupação exaustiva com os
domínios sociais mais vastos da história literária. Quando comparada com o Formalismo Russo,
a visão estruturalista checa acerca da obra literária decorre de uma noção mais dinâmica de
estrutura, a qual não se resume a uma mera realidade empírica mas é, antes, um modelo
fenomenológico implantado na consciência de uma colectividade. Consequentemente, a
estrutura literária sofre mudanças importantes de todas as vezes que se operam mudanças
significativas na consciência social. Num texto escrito em 1944, este problema é equacionado
lapidarmente por Jan Mukarovský, o mais brilhante continuador do pensamento dos formalistas
russos e um dos patronos incontestados (juntamente com Felix Vodicka) da estética da recepção
alemã –e ainda, como é amplamente reconhecido, mas não muitas vezes divulgado, uma das
figuras tutelares do inconsciente teórico do estruturalismo francês (veja-se J.P.Faye, 1972, e J.
G. Merquior, 1986): "A unidade interna do estruturalismo na teoria literária assenta na sua
concepção de estrutura –isto é, um conjunto de forças equilibrando-se mutuamente em tensões
dialécticas– como sendo não meramente a construção de uma única obra poética, mas também
as relações da obra com tudo aquilo que a rodeia e com que ela entra em contacto, na medida
em que para o estruturalismo uma sequência de obras no tempo surge como sendo uma estrutura
em movimento. Os elos da literatura com as outras artes –e mesmo com os domínios mais
distantes da cultura como a ciência, a religião, a política, etc.– e a relação da literatura com a
sociedade são compreendidos como uma tensão recíproca entre estruturas. A individualidade
de um poeta é uma estrutura; e o grupo de poetas que vivem numa determinada época constitui
também uma estrutura na qual indivíduos representam partes dinâmicas cuja eficácia está
condicionada não só pelas suas disposições individuais (o grau de talento, propensões
especiais), mas também, até certo ponto, pela relação de cada poeta com outros e com o grupo
como um todo. Na verdade, para o estruturalismo não há nenhuma questão de teoria literária
que esteja para além da sua compreensão integral e ao mesmo tempo dialéctica – e é aqui que
reside a sua unidade interna" (J. Mukarovský, in L. Matejka (org.), 1978: 456). Nesta última
passagem encontramos os embriões do que, por exemplo, irá ser a «descoberta» das posturas
metodológicas goldmannianas dos anos Sessenta respeitantes ao seu «estruturalismo genético»,
ao seu conceito de «sujeito transindividual» e ao seu entendimento do carácter «estruturado»
de todo o comportamento intelectual, afectivo ou prático desse sujeito –tal como também, aliás,
os termos do conhecido debate entre R. Barthes e R. Picard no quadro da chamada «New
Criticism». Mas é num texto de 1946 que Mukarovský particulariza a sua concepção de
estrutura. Este autor começa por reconhecer que a teoria estruturalista está vinculada à
linguística, designadamente através da fonologia. Terá sido o desenvolvimento desta disciplina
que permitiu investigar os aspectos fónicos da obra literária, bem como o estudo das funções
linguísticas. Este facto não só ofereceu novas possibilidades ao estudo da estilística da
linguagem poética, mas também tornou manifesto o carácter semiológico da língua,
possibilitando, ao mesmo tempo, a concepção da obra artística como signo. Seguidamente,
Mukarovský expande ao longo do seu texto o conceito de estrutura nos estudos literários de um
modo tão importante e produtivo que merecia uma longa transcrição integral. Na
impossibilidade dessa transcrição apresento alguns remates mais significativos: "No conceito
de estrutura artística destacamos um traço mais especial do que a mera correlação do conjunto
e das partes.(…) Segundo a nossa concepção, só pode ser considerado como estrutura aquele
conjunto de componentes cujo equilíbrio interno se altera e se remodela continuamente, e cuja
unidade se manifesta como um conjunto de contradições dialécticas. (…) Tem um carácter de
estrutura não só a obra artística particular e a evolução de cada arte como conjunto, mas também
as relações mútuas entre as artes. Ao julgar tudo isto como estruturas (isto é, como um equilíbrio
instável de relações) não estamos em contradição com a realidade nem tão pouco limitamos a
variedade de possibilidades de investigação, mas ao contrário indicamos a sua variedade
possível" (J. Mukarovský, 1977: 157-161). As posições teóricas do Estruturalismo Checo, e
muito particularmente as de Felix Vodicka e Jan Mukarovský, constituem ainda hoje
instrumentos úteis para uma compreensão dinâmica do processo literário. Contudo, os textos
mais relevantes de J. Mukarovský são os que datam das décadas de Trinta e Quarenta ou,
conforme assinala René Wellek (R. Wellek, 1970), um outro ilustre teórico emergente do
Estruturalismo Checo, os textos verdadeiramente produtivos são aqueles que foram escritos até
1948-1950, que é a data da cega "conversão" de Mukarovský a um Marxismo e a uma ortodoxia
comunista que, infelizmente, a partir daí o tolheram e o paralisaram
intelectualmente.{bibliografia} J.G.Merquior, From Prague to Paris, London, 1986. Jan
Mukarovský, Escritos de Estética e Semiótica del Arte; Jordi Lovet (org.), Barcelona, 1977.
Jean-Pierre Faye (org.), Prague, Poésie, Front Gauche, Change 10, Paris, 1972. Josef Vachek,
(a) A Prague School Reader in Linguistics, Bloomington, 1964; (b) The Linguistic School of
Prague: An Introduction to its Theory and Practice, Bloomington, 1966. Ladislav Matejka
(org.), Sound, Sign and Meaning. Quinquagenary of the Prague Linguistic Circle, Ann Arbor,
1978. Ladislav Matejka & Irwin Titunik (orgs.), Semiotics of Art. Prague School Contributions,
Cambridge (Mass.), 1977. Marta K. Johnson (org.), Recycling the Prague Linguistic Circle,
Ann Arbor, 1978. Paul Garvin, A Prague School Reader on Esthetics, Literary Structure, and
Style, Washington, 1964. Peter Steiner (org.), The Prague School. Selected Writings, 1929-
1946, Austin, 1982. René Wellek: "The Literary Theory and Aesthetics of the Prague School",
in Discriminations: Further Concepts of Criticism, New Haven, 1970.

Tags: ESTRUTURA, ESTRUTURALISMO, FORMALISMO RUSSO