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Conheça o processo básico para se formar uma associação e quais as etapas – passo a

passo - que o constituem.

As associações são organizações que têm por finalidade a promoção de assistência social,
cultural, representação política, defesa de interesses de classe, filantropia.
Associações são Pessoas Jurídicas, formadas pela união de grupos que se organizam para
a realização de atividades não econômicas, ou seja, sem fins lucrativos. Nessas entidades,
o fator preponderante são as pessoas que as compõem. São entidades de direito privado.

Em uma associação não existe remuneração para seus dirigentes nem distribuição de
sobras entre seus associados. O que as mantêm são as contribuições dos sócios ou a
cobrança pelos serviços prestados, contratos e acordos firmados, doações etc.

O processo para formar uma associação ocorre com as seguintes etapas:


 Reunir pessoas com objetivos comuns;
 Reunir o grupo para um processo de sensibilização e análise do processo de criação da
associação;
 Elaborar e discutir o projeto de Estatuto Social;
 Fazer a convocação, por edital, da assembleia geral para a criação da associação;
 Realizar a assembleia geral para a criação da associação;
 Antes de iniciar os trabalhos, a mesa diretora da assembleia geral deverá ser eleita; ela
será constituída por membros presentes, tendo um presidente e um secretário;
 Após a abertura da assembleia, ler o projeto de Estatuto Social da empresa e colocá-lo em
discussão entre os presentes para possíveis modificações e aprovação;
 Concluída a assembleia geral, é preciso lavrar a ata, que relata todos os fatos ocorridos,
em livro próprio. O documento deve ser assinado por todos os presentes.

Sustentabilidade Comunitária
Conhecimentos e técnicas para comunidades autossustentáveis.

11 DE ABRIL DE 2011
Como fundar uma associação

Por SEBRAE-MG
1. I N T R O D U Ç Ã O

O presente fascículo faz parte da série Cultura da Cooperação e tem por objetivo
oferecer informações sobre uma das formas mais básicas do processo associativo:
Associações.

Ele foi organizado a partir das sugestões que os técnicos do SEBRAE que lidam
diariamente com essas demandas, nos encaminharam e busca responder as
principais questões apontadas.

Escrito de modo a permitir uma consulta objetiva e respostas simples para as


perguntas mais comuns, trás também, comentários sobre a experiência que o
próprio SEBRAE acumulou sobre o tema.

Este fascículo não tem a pretensão de ser um compêndio sobre o assunto nem de
se aprofundar sobre o mesmo. Ele pretende ser uma ferramenta eficaz para apoiar
o trabalho dos técnicos do SEBRAE no atendimento inicial para esse tipo de
demanda, oferecendo alternativas para que os interessados possam buscar
informações mais detalhadas sobre o tema.

Como ferramenta de trabalho ele não está fechado e essa, esperamos, será uma
de suas principais características. Aguardamos sugestões para aprimorá-lo e
estaremos atentos as constantes alterações que a legislação do setor sofre e aos
avanços do próprio cooperativismo. Sendo assim esteja à vontade para nos
encaminhar seus comentários sobre o mesmo.

A série Cultura da Cooperação abordará as várias formas que a cooperação


organizada assume em nosso país. Você contará com os fascículos sobre
associações, ong’s, cooperativas, centrais de compra, empresa de participação
comunitária, fundações e outros. O objetivo da série é possibilitar a você que
trabalha na ponta de atendimento do Sebrae-MG, um ferramental básico que lhe
permita atender de forma rápida e segura, as várias demandas que recebe sobre
os temas acima.

Agradecemos as contribuições que nos foram enviadas e esperamos que esta


ferramenta possa efetivamente contribuir com o seu trabalho.

Use e abuse! Sucesso no seu dia a dia!


Equipe da prioridade Cultura da Cooperação

2. A S S O C I A Ç Ã O , O Q U E É

Associação, em um sentido amplo, é qualquer iniciativa formal ou informal que


reúne pessoas físicas ou outras sociedades jurídicas com objetivos comuns,
visando superar dificuldades e gerar benefícios para os seus associados.
Formalmente, qualquer que seja o tipo de associação ou seu objetivo podemos
dizer que a associação é uma forma jurídica de legalizar a união de pessoas em
torno de seus interesses e que sua constituição permite a construção de condições
maiores e melhores do que as que os indivíduos teriam isoladamente para a
realização dos seus objetivos. A associação então, é a forma mais básica para se
organizar juridicamente um grupo de pessoas para a realização de objetivos
comuns. Esquematicamente podemos representar as associações como sendo:

As associações assumem os princípios de uma doutrina que se chama


associativismo e que expressa a crença de que juntos, nós podemos encontrar
soluções melhores para os conflitos que a vida em sociedade nos apresenta.
Esses princípios são reconhecidos no mundo todo e embasam as várias formas
que as associações podem assumir: oscips, cooperativas, sindicatos, fundações,
organizações sociais, clubes. O que irá diferenciar a forma jurídica de cada tipo de
associação é basicamente os objetivos que se pretende alcançar. Os princípios
gerais são os seguintes:

1 - PRINCÍPIO DA ADESÃO VOLUNTÁRIA E LIVRE

“As associações são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a


usar seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades de sócio, sem
discriminação social, racial, política, religiosa e de gênero”.

2 – PRINCÍPIO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA PELOS SÓCIOS

“As associações são organizações democráticas, controladas por seus sócios, que
participam ativamente no estabelecimento de suas políticas e na tomada de
decisões. Homens e mulheres, eleitos como representantes, são responsáveis
para com os sócios”.
3 – PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA DOS SÓCIOS

“Os sócios contribuem de forma eqüitativa e controlam democraticamente as suas


associações. Os sócios destinam eventual superávit para os seus objetivos através
de deliberação em assembléia geral”.

4. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA

“As associações são organizações autônomas de ajuda mútua, controladas por


seus membros. Entrando em acordo operacional com outras entidades, inclusive
governamentais, ou recebendo capital de origem externa, devem fazê-lo de forma
a preservar seu controle democrático pelos sócios e manter sua autonomia”.

5 – PRINCÍPIO DA EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO

“As associações devem proporcionar educação e formação aos sócios, dirigentes


eleitos e administradores, de modo a contribuir efetivamente para o seu
desenvolvimento. Eles deverão informar o público em geral, particularmente os
jovens e os líderes formadores de opinião, sobre a natureza e os benefícios da
cooperação”.

6- PRINCÍPIO DA INTERAÇÃO

“As associações atendem a seus sócios mais efetivamente e fortalecem o


movimento associativista trabalhando juntas, através de estruturas locais,
nacionais, regionais e internacionais”.

7 – INTERESSE PELA COMUNIDADE

“As associações trabalham pelo desenvolvimento sustentável de suas


comunidades, municípios, regiões, estados e país através de políticas aprovadas
por seus membros”.

De modo geral as associações caracterizam-se por:

· Reunião de duas ou mais pessoas para a realização de objetivos comuns;

· Seu patrimônio é constituído pela contribuição dos associados, por doações,


subvenções etc;

· Seus fins podem ser alterados pelos associados;

· Os seus associados deliberam livremente;

· São entidades do direito privado e não público.

3. T I P O S D E A S S O C I A Ç Õ E S

O termo associação agrega uma série de modelos de organização (associações,


institutos, clubes...) que possuem objetivos e finalidades diferentes entre si, mas,
que se unem nessa nomenclatura por possuírem características básicas
semelhantes:

· Reunião de duas ou mais pessoas para a realização de objetivos comuns;

· Seu patrimônio é constituído pela contribuição dos associados, por doações,


subvenções etc;

· Seus fins podem ser alterados pelos associados;

· Os seus associados deliberam livremente;

· São entidades do direito privado e não público

De modo geral essas organizações não tem na atividade econômica o seu objetivo
principal, mas a defesa dos interesses de um determinado grupo de pessoas, que
encontrou na união de esforços uma melhor solução para determinados
problemas. São organizações com finalidade de:

- prestar assistência social e cultural;

- atuar na defesa dos direitos das pessoas ou de classes específicas de


trabalhadores e/ou empresários;

- defesa do meio ambiente;


- clubes de serviços;

- entidades filantrópicas;

- religiosas;

- clubes esportivos entre outros.

Alguns tipos mais comuns são:

ASSOCIAÇÕES FILANTRÓPICAS

Reúnem voluntários que prestam assistência social a crianças, idosos, pessoas


carentes. Seu caráter é basicamente o da assistência social.

ASSOCIAÇÕES DE PAIS E MESTRES

Representam a organização da comunidade escolar com vistas à obtenção de


melhores condições de ensino e integração da escola com a comunidade. Em
algumas escolas se responsabilizam por parte da gestão escolar.

ASSOCIAÇÕES EM DEFESA DA VIDA

Normalmente são organizadas para defender pessoas em condições marginais na


sociedade ou que não estão em condições de superar suas próprias limitações.
Associação de meninos de rua, aidéticos, crianças com necessidades especiais...
Ex. APAE, Alcoólicos Anônimos...

ASSOCIAÇÕES CULTURAIS, DESPORTIVAS E SOCIAIS

Organizadas por pessoas ligadas ao meio artístico, tem objetivos educacionais e


de promoção de temas relacionados às artes e questões polêmicas da sociedade
tais como racismo, gênero, violência... Fazem parte desse grupo ainda, os Clubes
esportivos e sociais.

ASSOCIAÇÕES DE CONSUMIDORES
Organizações voltadas para o fortalecimento dos consumidores frente aos
comerciantes, a indústria e o governo.

ASSOCIAÇÕES DE CLASSE

Representam os interesses de determinada classe profissional e/ou empresarial.


Ex. Associações Comerciais, FIEMG.

ASSOCIAÇÕES DE PRODUTORES

Incluem-se as associações de produtores, de pequenos proprietários rurais, de


artesãos, que se organizam para realização de atividades produtivas e ou defesa
de interesses comuns e representação política.

4. P R I N C I P A I S C A R A C T E R Í S T I C A S

1. CONCEITO:

· Entidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que tem por objetivo a
defesa e promoção dos interesses das pessoas (físicas e/ou jurídicas) que a
constituiu.

2. FINALIDADE:

· Defesa e promoção dos interesses das pessoas (físicas e/ou jurídicas) que a
constituiu.

3. GESTÃO:

· Por seus princípios doutrinários as associações se baseiam na autogestão.


Através de Assembléia Geral dos sócios, são definidas as políticas e linhas de
ação da instituição, bem como se elege uma diretoria que será responsável pela
administração da associação.

4. LEGISLAÇÃO:

· Constituição Federal (art. 5o., XVII A XXI, e art. 174, par. 2o.). Código Civil.
5. FORMAÇÃO:

· Mínimo de 2 pessoas

6. PATRIMÔNIO:

· Formado por taxa paga pelos associados, doações, fundos e reservas. Não
possui capital social.

7. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES E RESULTADOS FINANCEIROS:

· Não remuneram seus dirigentes nem distribuem sobras entre seus associados,
conforme princípio das instituições sem fins lucrativos.

· São mantidas através da contribuição dos sócios ou de cobrança pelos serviços


prestados;

. contratos e acordos firmados com empresas e agências nacionais e


internacionais;

. doações, legados e heranças;

. rendimentos de aplicações de seus ativos financeiros e outros, pertinentes ao


patrimônio sob a sua administração;

. recebimento de direitos autorais etc.

8. TRIBUTAÇÃO:

· A tributação das associações é um dos maiores complicadores para esse tipo de


instituição, principalmente por não haver indicações claras sobre todos os tributos
(tributo inclui impostos, taxas e contribuições), principalmente pelas várias
possibilidades de atuação das associações e pelo fato de muitos tributos terem
legislações diferentes nos vários níveis de governo (federal, estadual e municipal).
É importante considerar ainda as várias alterações que a legislação tributária vai
sofrendo ao longo do tempo.
· Existem três tipos de categorias de relações com a obrigação de pagar tributos:

a) Na imunidade a sociedade não é submetida a determinados impostos e taxas


por força constitucional. É o caso das associações filantrópicas e todas as demais
sociedades que não tem “renda”. Ficam imunes ao Imposto de Renda Pessoas
Jurídicas.

b) A não incidência, que é quando o ato realizado não se encaixa no que é previsto
na legislação correspondente. Por exemplo, a transferência de produtos do
associado para a sua cooperativa não é considerada “circulação de mercadorias”.
Por isso, não incide nesta operação o Imposto de Circulação de Mercadorias.

c) A incidência, que é quando, genericamente, deve ser recolhido o tributo. Em


relação à incidência, quatro possibilidades podem ocorrer:

1 – O produto é tributado. O imposto (taxa ou contribuição) deve ser recolhido.

2 – O produto é, especificamente, não tributado, por força de lei. Neste caso, há


incidência, mas uma lei livra o produto de determinado imposto.

3 – O produto é isento. Neste caso, o produto é tributado, mas uma decisão do


poder público libera o recolhimento do imposto correspondente. Dos produtos da
cesta básica, as hortaliças e as frutas são isentas do ICMS por decisão do próprio
poder público.

4 – O diferimento ocorre quando o imposto é devido, está presente na nota fiscal,


mas o mesmo é assumido temporariamente pelo poder público (o governo
empresta) com a finalidade de incentivar o consumo. É o caso das compras de
adubo.

· A legislação tributária brasileira é muito confusa, em alguns casos há a isenção


em um estado e não há em outro, os Estados e Municípios têm autonomia para
decidir se seus tributos se efetuam ou não a cobrança. Vamos destacar aqui os
mais importantes e que afetam as associações diretamente:

IMPOSTOS FEDERAIS

. Imposto sobre Importação


Caso a associação importe algum produto.

. Imposto sobre Exportação

Caso a associação exporte algum produto.

. Imposto sobre Renda e proventos de qualquer natureza (IRPJ)

No caso das associações, ocorre a imunidade (são liberadas pela constituição)


desde que cumpram alguns requisitos, especialmente no que se refere:

a) à não remuneração de dirigentes;

b) à não distribuição de sobras/ganhos financeiros para os seus associados; e

c) à aplicação de suas rendas e patrimônio na consecução dos objetivos, em


território nacional.

. Cabem também as retenções do imposto na fonte nos pagamentos de salários


(de empregados cuja remuneração ultrapasse a tabela de IRPF), recolhidas
mensalmente, bem como os recolhimentos correspondentes sobre eventuais
ganhos obtidos em aplicações financeiras.

. É obrigatória a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa


Jurídica.

. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)

Ocorre quando a associação compra algum produto industrializado (o imposto vem


imbutido no preço). No caso de a associação industrializar e vender algum dos
seus produtos dependerá do tipo de produto (há produtos que são isentos) para
ocorrer o imposto. A isenção somente poderia ocorrer caso a associação
conseguisse a equiparação com o atual regime jurídico da microempresa.

. Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

Pago nas operações de crédito, câmbio, seguros e outras aplicações bancárias.


. Imposto Territorial Rural (ITR)

Pago sobre eventuais propriedades que a associação tenha em área rural.

CONTRIBUIÇÕES PARA A UNIÃO

. Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de


Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF).

A associação para sobre as movimentações e transmissões de recursos


depositados em instituições financeiras. É uma taxa de 0,38% .

. Encargos trabalhistas e previdenciários – INSS, FGTS e outros

Em relação à folha de pessoal (empregados contratados), a associação recolhe


aproximadamente 52% de encargos (contribuição patronal, FGTS, férias, 13o. etc).

. Contribuição Sobre a Produção Rural

As associações que eventualmente desenvolvem atividades produtivas rurais


(como o devem fazer todos os produtores rurais) pagam 2,5% ao INSS sobre a
receita bruta da comercialização da produção.

. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)

Nem as associações nem as cooperativas estavam submetidas a esta contribuição


nas operações com associados. No entanto, uma Medida Provisória recente retirou
todas as sociedades civis da isenção do Cofins. Agora é obrigatório o pagamento
de 3% sobre a receita bruta proveniente da venda de mercadorias e serviços,
sendo que sobre a mesma podem ser aplicadas algumas deduções. Alguns ramos
do cooperativismo, seguindo orientações de seus departamentos jurídicos, estão
fazendo depósito em juízo dessa contribuição, enquanto aguardam decisão judicial
definitiva sobre o caso.

TAXAS PARA A UNIÃO

. Taxas Portuárias
Para eventual utilização dos portos no caso de exportação

. Taxas de Classificação

Devidas aos Ministérios da Agricultura ou da Saúde para inspeção, fiscalização e


licenciamento de comercialização de produtos animais ou vegetais. No caso de a
associação ter produtos industrializados, com marca própria, deverá registra-los,
conforme o caso, em um dos ministérios acima mencionados.

IMPOSTOS PARA OS ESTADOS

. Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)

. Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI)

. Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS)

De modo geral, o fisco estadual vem cobrando o ICMS para a circulação de


mercadorias (movimentação física de qualquer produto ocasionada por operações
realizadas no exercício do comércio, da indústria ou da produção de bens
econômicos) das associações. Alguns estados estabeleceram percentuais
menores ou mesmo isentaram as operações de associações. Em outros, são
determinados produtos que são isentos.

As associações, ao contrário das cooperativas, não contam com a não-incidência


do ICMS nas operações entre associados e a sua entidade. Mas podem ser
beneficiadas (como também as outras empresas e cooperativas) por políticas
estaduais e locais que desejam incentivar determinada atividade produtiva, como
no caso da comercialização de produtos da cesta básica, da venda de artesanato,
etc.

TAXA PARA OS ESTADOS

. Taxa de registro das associações nos cartórios

IMPOSTOS PARA OS MUNICÍPIOS


. Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)

Pago sobre as propriedades da associação na cidade.

. Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN)

Há toda uma polêmica a respeito do recolhimento do ISSQN. Nos casos em que


profissionais vinculados à associação já recolhem ISSQN, não há por que repetir o
recolhimento. Nos demais casos, enquanto não há uma legislação específica, cabe
uma alíquota (que varia de município para município) sobre os pagamentos de
serviços prestados pela associação. A não ser que consigam negociar com as
prefeituras uma declaração de não incidência. É que os municípios têm autonomia
para cobrar ou isentar as associações deste imposto.

As associações que prestam serviços devem se inscrever nas prefeituras do local


de suas sedes, requerendo a isenção de ISS se for o caso.

. Imposto sobre Vendas a Varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos

Imposto embutido no preço dos combustíveis

. Laudêmio

No caso da utilização de terras públicas

. Imposto sobre transmissão intervivos de bens imóveis por atos onerosos ou


acessão física.

TAXAS PARA O MUNICÍPIO

. Taxa de Limpeza Pública

. Taxa de Iluminação Pública

. Outras inúmeras taxas e contribuições dependendo do serviço prestado pelo


órgão público
5. D I F E R E N Ç A S E N T R E A S S O C IA Ç Õ E S E C O O P E R A T I V A
S

Este é um assunto que sempre gera algum tipo de polêmica. É provável que em
vários momentos do seu trabalho você deve se ver diante das seguintes
perguntas:

É melhor montar uma cooperativa ou uma associação?

Quando montar uma ou outra?

Quais vantagens entre uma e outra?

Essas dúvidas são comuns e pertinentes uma vez que os dois tipos de
organização se baseiam nos mesmos princípios doutrinários e, aparentemente,
buscam os mesmos objetivos.

A diferença essencial está na natureza dos dois processos. Enquanto as


associações são organizações que tem por finalidade a promoção de assistência
social, educacional, cultural, representação política, defesa de interesses de
classe, filantrópicas; as cooperativas têm finalidade essencialmente econômica.
Seu principal objetivo é o de viabilizar o negócio produtivo de seus associados
junto ao mercado.

A compreensão dessa diferença é o que determina a melhor adequação de um ou


outro modelo. Enquanto a associação é adequada para levar adiante uma
atividade social, a cooperativa é mais adequada para desenvolver uma atividade
comercial, em média ou grande escala de forma coletiva, e retirar dela o próprio
sustento.

Essa diferença de natureza estabelece também o tipo de vínculo e o resultado que


os associados recebem de suas organizações.

Nas cooperativas os associados são os donos do patrimônio e os beneficiários dos


ganhos que o processo por eles organizados propiciará. Uma cooperativa de
trabalho beneficia os próprios cooperantes, o mesmo em uma cooperativa de
produção. As sobras que porventura houverem das relações comerciais
estabelecidas pela cooperativa podem, por decisão de assembléia geral, serem
distribuídas entre os próprios cooperantes, sem contar o repasse dos valores
relacionados ao trabalho prestado pelos cooperantes ou da venda dos produtos
por eles entregues na cooperativa.

Em uma associação, os associados não são propriamente os seus “donos”. O


patrimônio acumulado pela associação em caso da sua dissolução, deverá ser
destinado à outra instituição semelhante conforme determina a lei e os ganhos
eventualmente auferidos pertencem à sociedade e não aos associados que dela
não podem dispor, pois os mesmos, também de acordo com a lei, deverão ser
destinados à atividade fim da associação. Na maioria das vezes os associados não
são nem mesmo os beneficiários da ação do trabalho da associação.

A associação tem uma grande desvantagem em relação à Cooperativa, ela


engessa o capital e o patrimônio, em compensação tem algumas vantagens que
compensam grupos que querem se organizar, mesmo para comercializar seus
produtos: o gerenciamento é mais simples e o custo de registro é menor.

Vamos destacar, no entanto, que se a questão é atividade econômica o modelo


mais adequado é a Cooperativa.

A seguir um quadro organizado pela assistente social Sandra Mayrink Veiga e pelo
advogado Daniel T. Rech e publicado no livro Associações como construir
sociedades civis sem fins lucrativos – editora DP&A., que busca mostrar as
principais diferenças entre os dois modelos:

CRITÉRIO
Conceito
ASSOCIAÇÃO
Sociedade de pessoas sem fins lucrativos
COOPERATIVA
Sociedade de pessoas sem fins lucrativos e com especificidade de atuação na
atividade produtiva/comercial

CRITÉRIO
Finalidade
ASSOCIAÇÃO
Representar e defender os interesses dos associados. Estimular a melhoria
técnica, profissional e social dos associados. Realizar iniciativas de promoção,
educação e assistência social.
COOPERATIVA
Viabilizar e desenvolver atividades de consumo, produção, prestação de serviços,
crédito e comercialização, de acordo com os interesses dos seus associados.
Formar e capacitar seus integrantes para o trabalho e a vida em comunidade.

CRITÉRIO
Legalização
ASSOCIAÇÃO
Aprovação do estatuto em assembléia geral pelos associados. Eleição da diretoria
e do conselho fiscal. Elaboração da ata de constituição. Registro do estatuto e da
ata de constituição no cartório de registro de pessoas jurídicas da comarca. CNPJ
na Receita Federal. Registro no INSS e no Ministério do trabalho.
COOPERATIVA
Aprovação do estatuto em assembléia geral pelos associados. Eleição do conselho
de administração (diretoria) e do conselho fiscal. Elaboração da ata de
constituição. Registro do estatuto e da ata de constituição na junta comercial.
CNPJ na Receita Federal. Inscrição Estadual. Registro no INSS e no Ministério do
trabalho. Alvará na prefeitura.

CRITÉRIO
Constituição
ASSOCIAÇÃO
Mínimo de duas pessoas.
COOPERATIVA
Mínimo de 20 pessoas físicas

CRITÉRIO
Legislação
ASSOCIAÇÃO
Constituição (art. 5o., XVII a XXI, e art 174, par. 2o.). Código Civil
COOPERATIVA
Lei 5.764/71. Constituição (art. 5o. XVII a XXI e art. 174, par 2o.) Código civil.

CRITÉRIO
Patrimônio / Capital
ASSOCIAÇÃO
Seu patrimônio é formado por taxa paga pelos associados, doações, fundos e
reservas. Não possui capital social. A inexistência do mesmo dificulta a obtenção
de financiamento junto às instituições financeiras.
COOPERATIVA
Possui capital social, facilitando, portanto, financiamentos junto às instituições
financeiras. O capital social é formado por quotas-partes podendo receber
doações, empréstimos e processos de capitalização.

CRITÉRIO
Representação
ASSOCIAÇÃO
Pode representar os associados em ações coletivas de seu interesse. É
representada por federações e confederações.
COOPERATIVA
Pode representar os associados em ações coletivas do seu interesse. Pode
constituir federações e confederações para a sua representação.

CRITÉRIO
Forma de Gestão
ASSOCIAÇÃO
Nas decisões em assembléia geral, cada pessoa tem direito a um voto. As
decisões devem sempre ser tomadas com a participação e o envolvimento dos
associados.
COOPERATIVA
Nas decisões em assembléia geral, cada pessoa tem direito a um voto. As
decisões devem sempre ser tomadas com a participação e o envolvimento dos
associados.

CRITÉRIO
Abrangência / Área de Ação
ASSOCIAÇÃO
Área de atuação limita-se aos seus objetivos, podendo ter abrangência nacional.
COOPERATIVA
Área de atuação limita-se aos seus objetivos e possibilidade de reuniões, podendo
ter abrangência nacional.

CRITÉRIO
Operações
ASSOCIAÇÃO
A associação não tem como finalidade realizar atividades de comércio, podendo
realiza-las para a implementação de seus objetivos sociais. Pode realizar
operações financeiras e bancárias usuais.
COOPERATIVA
Realiza plena atividade comercial. Realiza operações financeiras, bancárias e
pode candidatar-se a empréstimos e aquisições do governo federal. As
cooperativas de produtores rurais são beneficiadas do crédito rural de repasse

CRITÉRIO
Responsabilidades
ASSOCIAÇÃO
Os associados não são responsáveis diretamente pelas obrigações contraídas
pela associação. A sua diretoria só pode ser responsabilizada se agir sem o
consentimento dos associados.
COOPERATIVA
Os associados não são responsáveis diretamente pelas obrigações contraídas
pela cooperativa, a não ser no limite de suas quotas-partes e a não ser também
nos casos em que decidem que a sua responsabilidade é ilimitada. A sua diretoria
só pode ser responsabilizada se agir sem o consentimento dos associados.

CRITÉRIO
Remuneração
ASSOCIAÇÃO
Os dirigentes não têm remuneração pelo exercício de suas funções; recebem
apenas o reembolso das despesas realizadas para o desempenho dos seus
cargos.
COOPERATIVA
Os dirigentes podem ser remunerados por retiradas mensais pró-labore, definidas
pela assembléia, além do reembolso de suas despesas.

CRITÉRIO
Contabilidade
ASSOCIAÇÃO
Escrituração contábil simplificada.
COOPERATIVA
A escrituração contábil é mais complexa em função do volume de negócios e em
função da necessidade de ter contabilidades separadas para as operações com os
sócios e com não-sócios.

CRITÉRIO
Tributação
ASSOCIAÇÃO
Deve fazer anualmente uma declaração de isenção de imposto de renda.
COOPERATIVA
Não paga Imposto de Renda sobre suas operações com seus associados. Deve
recolher o Imposto de Renda Pessoa Jurídica sobre operações com terceiros.
Paga as taxas e os impostos decorrentes das ações comerciais.

CRITÉRIO
Fiscalização
ASSOCIAÇÃO
Pode ser fiscalizada pela prefeitura, pela Fazenda Estadual, pelo INSS, pelo
Ministério do Trabalho e pela Receita Federal.
COOPERATIVA
Pode ser fiscalizada pela prefeitura, pela Fazenda Estadual (nas operações de
comércio), pelo INSS, pelo Ministério do Trabalho e pela Receita Federal.

CRITÉRIO
Dissolução
ASSOCIAÇÃO
Definida em assembléia geral ou mediante intervenção judicial, realizada pelo
Ministério Público.
COOPERATIVA
Definida em assembléia geral e, neste caso ocorre a dissolução. No caso de
intervenção judicial, ocorre a liquidação, não podendo ser proposta a falência.

CRITÉRIO
Resultados Financeiros
ASSOCIAÇÃO
As possíveis sobras obtidas de operações entre os associados serão aplicadas na
própria associação.
COOPERATIVA
Após decisão em assembléia geral, as sobras são divididas de acordo com o
volume de negócios de cada associado. Destinam-se 10% para o fundo de reserva
e 5% para o Fundo Educacional (FATES)
6. C O N S I D E R A Ç Õ E S I M PO R T A N T E S P A R A O S E U T R A B A L
HO

O sentido de se organizar uma Associação é a existência de problemas concretos


para os quais a união das pessoas é a solução mais eficaz para resolve-los.
Somar esforços, dinheiro, equipamentos, vontade e desejo de várias pessoas
torna tudo mais fácil, mais barato e possível de ser realizado. Esse é o fundamento
essencial do processo associativo: a soma de esforços proporcionando soluções
mais eficazes para problemas coletivos.

Nessa perspectiva você já percebe que as principais orientações para organização


de uma Associação são as mesmas que para cooperativas, oscips e,
provavelmente, para quaisquer outras formas de organização de base coletiva: a
formação de um grupo de pessoas conscientes de suas responsabilidades e
direitos para com a instituição e comprometidas com a realização dos objetivos
propostos no estatuto.

Antes de efetivar a organização formal da Associação, é necessário ter o grupo


organizado e mobilizado para dar a efetiva sustentação ao projeto.

Para isso cabem algumas perguntas que poderão orientar o grupo para avançar ou
não, na constituição da Associação:

1. Existe identidade entre os participantes? O que os une?

2. O que querem fazer, é necessários estarem juntos para faze-lo?

3. Todos concordam com a proposta? Estão dispostos a leva-la adiante?

4. Qual o interesse em trabalharem juntos? Esses interesses conseguirão mantê-


los unidos por quanto tempo?

Vejam que as respostas a essas perguntas podem ajudar as pessoas a organizar


seu pensamento e irem caminhando para formar um senso coletivo em torno da
proposta.
O caráter de assistência social, cultural, a defesa de interesses de classe, a defesa
do meio ambiente, temas que compõem o universo dos objetivos das associações
são, por si sós, atraentes e mobilizadores para despertar o desejo de muitas
pessoas em participar de uma associação. A questão é que eles sozinhos não são
suficientes para garantir o sucesso da entidade. Por constituir-se em um processo
eminentemente coletivo é essencial que as pessoas que compõem a associação,
tenham certeza do que querem pessoalmente com o processo e quais benefícios,
à união do grupo pode gerar para si mesmos ou para a comunidade da qual fazem
parte.

Também neste caso, em que pese que o aspecto econômico não seja a principal
finalidade da maioria das associações, ter um estudo de viabilidade econômica é
importante para formular as estratégias que possibilitarão os recursos (humanos,
financeiros, estruturais) que darão sustentabilidade para a entidade.

Neste caso também, sua principal atuação nesse momento é auxiliar o grupo na
tomada de decisão sobre a organização ou não da associação.

Muitas associações acabam porque na fase de organização as pessoas não


tiveram clareza dos seus papéis e responsabilidades para manutenção da
instituição ao longo do tempo.

Ë comum após um tempo às pessoas estarem reclamando que alguns trabalham


mais que outros, que o trabalho era bom, mas que não gerava resultados para
todos.

Em outros casos cria-se uma dependência em relação a pessoas e órgãos de fora


da associação, esse é um risco comum no trabalho de vocês técnicos do Sebrae,
as pessoas passam a vê-los e ao Sebrae, como responsáveis pelo sucesso e/ou
fracasso da associação. Para evitar esse risco é que é importante a sua atuação
para faze-los compreender o processo, elaborarem um planejamento de trabalho e
terem clareza do que querem e da forma como farão para alcançar o resultado
esperado.

Uma associação é um grupo que deverá trabalhar coletivamente para alcançar


determinado resultado, desse modo uma ação importante é possibilitar que o
grupo consiga aprender a trabalhar junto. Participação não se aprende na teoria,
participação se aprende na prática.
7. S U G E S T Ã O D E R O T E I R O P A R A O R G A N I Z A R U M A A S S O
CIAÇÃO

Este roteiro antes de ser uma camisa de forças para o seu trabalho, é um
elemento para sua reflexão e tomada de decisões. Considere os passos sugeridos
e adapte-os as suas necessidades.

FASE DE SENSIBILIZAÇÃO

1 Contato

inicial A partir de busca direta por informação junto ao Escritório Micro-regional ou


por ação do próprio Escritório Micro-regional, o objetivo dessa etapa é identificar
pessoas interessadas na organização da ASSOCIAÇÃO. Nessa etapa é
importante dar as pessoas envolvidas o maior número possível de informações
sobre o tema, tentando já identificar com o grupo o interesse por avançar no
processo. Caso seja positivo o interesse, deixar como tarefa para o grupo mobilizar
um número maior de pessoas (considerando que serão necessárias pelo menos
10 pessoas para organizar uma ASSOCIAÇÃO), para participar de uma palestra
de sensibilização sobre o tema.

2 Palestra de sensibilização
Como o nome sugere o objetivo dessa palestra é o de sensibilizar as pessoas para
o tema. Já com o grupo reunido a partir da tarefa da etapa anterior, esse é o
momento de aprofundar a discussão sobre ASSOCIAÇÃO e o Terceiro Setor,
explorando principalmente aspectos relativos à responsabilidade de cada pessoa
no processo e o caráter empresarial e transparente da gestão da ASSOCIAÇÃO.É
fundamental nessa etapa tentar nivelar os anseios das pessoas frente à instituição.
O que elas pensam que é uma ASSOCIAÇÃO? O que elas esperam conseguir
com ela? Estão dispostas a assumir riscos?Caso o grupo concorde em avançar
com o trabalho é importante organizar entre o grupo, pessoas que ficarão
responsáveis por levantar informações sobre a legalização da ASSOCIAÇÃO,
outras que se responsabilizem por estudar a viabilidade econômica do negócio e
as necessidades de infraestrutura e recursos financeiros para viabiliza-lo.A partir
dessa etapa é importante já ter definido que tipo de apoio o Sebrae estará
oferecendo. Ficará restrito ao Escritório Micro-regional? Terá um consultor
especializado para acompanhar o trabalho? Quem financiará?É pouco provável
que o grupo consiga avançar o processo sozinho. Portanto é importante ter
definido essas questões para poder seguir com segurança.

3 Apresentação dos resultados da etapa anterior


Caso o trabalho tenha transcorrido conforme o acordado na fase anterior, o grupo
terá levantado informações importantes para decidir se organiza ou não a
ASSOCIAÇÃO. Terão conseguido informações sobre a documentação e
tramitação legal para constituir a ASSOCIAÇÃO e, principalmente, feito um estudo
da viabilidade econômica do negócio. Cabe ao técnico explorar o grupo sobre as
informações levantadas, ajudando-os a identificar as reais possibilidades de
constituir e manter com sucesso a ASSOCIAÇÃO. Caso as informações colhidas
permitam ao grupo decidir por organizar a ASSOCIAÇÃO, passa-se a medida
prática para fazê-lo.Caso decidam por não organizar a ASSOCIAÇÃO, cabe ao
técnico auxiliar o grupo a encontrar novas perspectivas para sua demanda.

FASE CONSTITUTIVA

4 Realização de Assembléia de Constituição


A Assembléia de Constituição é uma etapa formal do processo de legalização.
Nessa assembléia também elege-se a diretoria da ASSOCIAÇÃO e aprova-se o
seu estatuto. Antes de chegar aqui o grupo já deverá ter discutido o estatuto e
definido as pessoas que formarão a diretoria. Após essa etapa encaminhar a
documentação para registro.

FASE PRE-OPERACIONAL

5 Definição de localização, aquisição de móveis e equipamentos.


Com base no estudo de viabilidade econômica a diretoria eleita passa a tomar as
providências necessárias para começar a operação da ASSOCIAÇÃO. Nessa
etapa o apoio técnico é muito importante para auxiliar a diretoria na tomada de
decisões que serão cruciais para o funcionamento bem sucedido da
ASSOCIAÇÃO.

FASE OPERACIONAL

6 Início das atividades da ASSOCIAÇÃO


A partir daqui começam os desafios reais da ASSOCIAÇÃO. As fases anteriores,
deveram ter servido não apenas como forma de levantar informações para
constituir ou não a ASSOCIAÇÃO, mas também, como laboratório para as
pessoas da sua capacidade de trabalhar juntas em torno de um objetivo comum. A
expectativa é a de que esse senso já tenha sido criado até aqui, o que diminuirá as
tensões no dia a dia do negócio. Caso não tenha sido ainda desenvolvido o técnico
deve estar atento para acompanhar o processo, pois ele provavelmente ainda
estará muito frágil.

8. D O C U M E N T O S N E C E S S Á R I O S

O registro das Associações é feito no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas.


Nas cidades maiores provavelmente existe um cartório específico para essa
finalidade. Nas menores é feito no cartório de registro geral.

Um aspecto dificultador é o fato de alguns cartórios terem exigências especiais


que extrapolam o que determina lei. Abaixo estarão relacionados os documentos
que estão previstos na legislação. De qualquer forma, vale orientar para que as
pessoas que ficarão responsáveis por essa tarefa, tenham bastante paciência e
estejam preparadas para enfrentar um pouco de burocracia.

De acordo com a lei 6.015/73 (arts. 120 e 121), são necessários os seguintes
documentos para se registrar uma associação:

1. ATA DE FUNDAÇÃO, impressa em papel timbrado (se já houver) ou em papel


ofício, transcrita do livro de atas, mas sem a inclusão do estatuto e sem os erros
eventualmente cometidos quando foi manuscrita no livro, desde que os erros
tenham sido devidamente consertados por observação do secretário que a
escreveu. A ata deve ser assinada pelo representante legal da associação
(presidente ou outro membro conforme determinar o estatuto);

2. DUAS VIAS DOS ESTATUTOS, na íntegra, impressos (separados da ata de


constituição) com a assinatura do representante legal da associação em todas as
páginas;

3. A RELAÇÃO DOS ASSOCIADOS FUNDADORES E DOS MEMBROS DA


DIRETORIA ELEITA, com a indicação da nacionalidade, do estado civil e da
profissão de cada um.
4. OFÍCIO ENCAMINHADO AO CARTÓRIO, solicitando o registro, assinado pelo
representante legal da associação, com a apresentação do seu endereço pessoal
e do endereço da sede da entidade.

De acordo com a Lei 9.096/95 os seguintes itens devem constar dos estatutos:

A. A denominação, os fins e a sede da associação, bem como o tempo de sua


duração;

B. O modo como se administra e representa a sociedade, ativa e passivamente,


judicial e extrajudicialmente;

C. Se o estatuto é reformável no tocante à administração, e de que modo.

D. Se os membros respondem ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;

E. As condições de extinção da pessoa jurídica e, nesse caso, o destino do seu


patrimônio.

Com a documentação em ordem o registro será feito. O oficial do cartório fará o


lançamento da certidão de registro e devolverá uma das vias dos estatutos com o
número de ordem, livro e folha onde foi lançado. Esse é o registro inicial da
Associação.

Ao contrário do que exige a maioria dos cartórios, a lei não prevê a necessidade
de assinatura de um advogado nas vias dos estatutos.

O passo seguinte é providenciar o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ,


o que será feita numa Delegacia da Receita Federal. Esse cadastro que permitirá a
associação realizar transações financeiras, contratos, convênios, contratação de
empregados...

Para inscrição no CNPJ a associação deverá apresentar:

1. Documento básico de entrada, em duas vias (encontra-se disponível na receita


federal);
2. Ficha cadastral da pessoa jurídica (encontra-se disponível na receita federal);

3. Quadro de associados (o mesmo utilizado para o registro no cartório);

4. Estatutos sociais registrados em cartório.

Concluída esta etapa a Associação estará devidamente registrada e pronta para


entrar em funcionamento. Os demais documentos, livros caixa, registro de
empregados, deverão ser providenciados juntos com o contador que for escolhido
pela associação.

9. E N D E R E Ç O S Ú T EI S

. www.ocemg.org.br

. www.ocb.org.br

. www.abracoop.org.br

. www.rits.org.br

. www.geranegocio.com.br

. www.sebrae.com.br

10. F O N T E S P E S Q U I S A D A S

· VALADARES, José Horta. Cooperativismo e Associativismo no Mundo em


Transformação, SEBRAE-MG.

· VEIGA, Sandra Mayrink e RECH Daniel. Associações como constituir sociedades


civis sem fins lucrativos, DP & A Editora, 2002

Considerando as alterações que o novo código civil traz, a série de


regulamentações que o mesmo exigirá e podem levar algum tempo e,
principalmente, a não pretensão dos Fascículos da Cultura da Cooperação serem
compêndios completos sobre os temas que tratam, optamos por transcrever o
documento abaixo para que você tenha informações iniciais sobre os impactos que
o novo Código gera para as associações.

Seguindo o princípio de manter atualizadas as informações dos Fascículos,


estaremos atentos ao andamento das questões colocadas abaixo e incorporando-
as tão logo tenham amplo respaldo legal.

ESTATUTOS DE ENTIDADES FACE AO NOVO CÓDIGO CIVIL

Prof. Rubem Süffert

Presidente da Comissão Nacional de Gestão Institucional e da Comissão


Estatuinte da Assembléia Nacional

Em decorrência da Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002, entrou em vigor em 10


de janeiro de 2003, o novo Código Civil Brasileiro. Esse texto traz profundas
modificações em muitas áreas, mas desejamos nesse artigo abordar suas
conseqüências para as entidades sem fins lucrativos, como a União dos Escoteiros
do Brasil, e para as Regiões Escoteiras e os Grupos Escoteiros com personalidade
jurídica própria. Inicialmente, devo deixar clara minha posição, de que não julgo o
mais adequado que cada Grupo Escoteiro tenha personalidade jurídica própria, a
não ser aqueles que já tenham atingido uma estabilidade num porte maior. Creio
ser melhor que reunidos em Distritos ou por cidade, ou mesmo em conjuntos de 3,
4 ou 6, as Unidades Escoteiras Locais constituam em conjunto uma entidade
patrocinadora, que lhes conceda o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica,
como filial, reduzindo assim substancialmente os custos operacionais de
manutenção de uma personalidade jurídica própria.

No Título II “Das Pessoas Jurídicas”, define o artigo 44 do novo Código Civil: “São
pessoas jurídicas de direito privado: I – as associações; II – as sociedades; e III –
as fundações. O artigo 981, por sua vez estabelece: “Celebram contrato de
sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou
serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos
resultados. De outro lado, o artigo 53 do novo Código Civil fixa: “Constituem-se as
associações pela união das pessoas que se organizam para fins não econômicos.”
Aqui a primeira grande discussão que se cria, é se essa nova terminologia “fins
não econômicos” pode predominar em relação à denominação constitucional de
“instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos” conforme o
artigo 15, inciso VI alínea “c” e o artigo 213 da Carta Magna: “Os recursos públicos
serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas
comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I – comprovem
finalidade não lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II –
assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica
ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas
atividades.” Nesse sentido, creio que o próprio poder legislativo irá compreender
que a denominação criada pela nova legislação “de associação com fins não
econômicos” não é adequada para as mínimas atividades de manutenção
financeira das associações, em campanhas e parcerias de arrecadação de
recursos, fazendo os necessários ajustes na legislação. Se não, teremos ações
judiciais para definir com mais clareza esse aspecto.

Também a Constituição Brasileira, no Título II – Dos Direitos e Garantias


Fundamentais estabelece em seu artigo 5º incisos: XVII – “é plena a liberdade de
associações para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;” e XVIII – “a criação
de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização,
sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”. Assim, existe
previsão constitucional de normas legais regulamentando as cooperativas, mas
não para a criação de associações, que tem proteção contra a interferência estatal.
Isso dará, certamente, outro embate nos tribunais.

O artigo 46 do novo Código Civil estabelece: “O registro declarará: I – a


denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando
houver; II – o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos
diretores; III – o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente,
judicial e extrajudicialmente; IV – se o ato constitutivo é reformável no tocante à
administração, e de que modo; V – se os membros respondem ou não,
subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI – as condições de extinção da
pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso.” Essas normas já
constavam da Lei nº 6.015/1973, do Registro Público, e em geral já são
consideradas no estatuto das associações, exceto em relação ao inciso IV que
poucos estatutos especificam.

Deixa claro o artigo 47 que: “Obrigam a pessoa jurídica os atos dos


administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato
constitutivo.” Que no caso das associações é o seu estatuto. Assim, o estatuto
deve definir com clareza os limites dos poderes dos administradores, no próprio
resguardo dos direitos das associações, já que hoje muitas vezes são fixados em
regimentos internos ou regulamentos gerais.

Também, pela primeira vez, explicita agora o artigo 48: “Se a pessoa jurídica tiver
administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos
presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso.” Assim, os
quoruns de votação não podem constar de normas menores, regulamentos, etc...,
predominando nesse caso a maioria simples fixada no novo Código Civil. Se
decisões tiverem que ser tomadas por 2/3 (dois terços) dos presentes, ou por
eventual unanimidade, essa regulamentação deve constar do estatuto. E, detalha
o Parágrafo Único: “Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se
refere este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro,
dolo, simulação ou fraude.”

Também inova o Código Civil, ao estabelecer em seu artigo 52: “Aplica-se às


pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade” que
conforme o artigo 11, ‘‘com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da
personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício
sofrer limitação voluntária’’. Assim, passa a caber para as associações a
possibilidade de acionar outras pessoas na justiça por danos materiais e morais. O
artigo 186 do novo Código Civil dispõe: ‘‘Aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda
que exclusivamente moral, comete ato ilícito’’. No novo dispositivo, o Código
incorpora, expressamente, a reparação do dano moral, categorizando-o de ato
ilícito, o que é novidade na legislação brasileira.

O detalhamento desses direitos estão no Capítulo II – “Dos Direitos da


Personalidade”, que começa com o artigo 11: “ Com exceção dos casos previstos
em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não
podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.”

A partir daqui, convêm destacar que o novo Código Civil estabelece normas
imperativas para as Associações, a exemplo de algumas que veremos a seguir, e
acho que devem constar do estatuto da entidade. Outras, como o quorum especial
para alterar o estatuto ou para destituir os administradores de 1/3 (um terço) dos
associados presentes à 2ª convocação e seguintes da Assembléia Geral, e a
destinação do patrimônio a que as associações estão sujeitas, valem enquanto
essas normas estiverem em vigor, mesmo que não incluídas no estatuto. Nesse
caso, os dirigentes e membros das associações devem julgar se convêm incluir
essas normas no estatuto ou simplesmente cumpri-las enquanto não alteradas ou
revogadas.

O artigo 54 do novo Código Civil define: “Sob pena de nulidade, o estatuto das
associações conterá: I – a denominação, os fins e a sede da associação (já
constante do artigo 46 inciso I); II – os requisitos para a admissão, demissão e
exclusão dos associados; III – os direitos e deveres dos associados; IV – as fontes
de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e funcionamento
dos órgãos deliberativos e administrativos; VI – as condições para a alteração das
disposições estatutárias e para a dissolução.” Algumas entidades tem em seu
estatuto definido os requisitos de admissão, mas raramente para o caso de
demissão e de exclusão de associados, que normalmente se encontravam em
normas secundárias. Também passa a ser obrigatória a explicitação, no estatuto,
dos direitos e deveres dos associados, assim como as condições para a alteração
do próprio estatuto. Ou seja, quem encaminha as propostas de modificação e que
a decisão deve ter 2/3 (dois terços) dos presentes favoráveis à alteração, conforme
estabelece o novo Código Civil. Aqui também cabe a discussão sobre a
possibilidade de uso de procurações, quantas cada associado pode receber e a
eventual votação por correspondência, o que às vezes se tornará necessário, para
se alcançar o quorum mínimo de 1/3 dos associados, necessário para as
Assembléias de alteração estatutária. O que sugiro nesse sentido é a abertura no
estatuto da possibilidade de procurações e suas condições básicas, da mesma
forma que a votação por correspondência, remetendo-se seu detalhamento ao
Regimento Interno ou ao Regulamento Geral, que as regulamentará.

O artigo 55 abre a possibilidade para a categorização de membros das


associações ao afirmar que: “Os associados devem ter iguais direitos, mas o
estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais.” No caso do
Movimento Escoteiro, nossos membros juvenis, por exemplo, ao invés de sócios
beneficiários, poderão ser denominados futuramente de “beneficiários” ou mesmo
de “membros juvenis”, para não serem incluídos no quorum de associados
presentes exigido para algumas decisões das Assembléias Gerais, nos quais a
maioria desses membros juvenis não tem sequer direito ao voto.

Por sua vez, o artigo 59 do novo Código Civil fixa que: “Compete privativamente à
assembléia geral: I – eleger os administradores; II – destituir os administradores; III
– aprovar as contas; e IV – alterar o estatuto.” A essas quatro atribuições
exclusivas, deve-se acrescentar a de “apreciar, em grau de recurso, os casos de
exclusão de associados” conforme previsto no artigo 57 e seu Parágrafo Único. E
continua o Parágrafo Único do artigo 59: “Para as deliberações a que se referem
os incisos II e IV é exigido o voto concorde de dois terços dos presentes à
assembléia especialmente convocada para esse fim, não podendo ela deliberar,
em primeira convocação, sem a maioria absoluta dos associados, ou com menos
de um terço nas convocações seguintes.” Esse elevado quorum só pode ser
alcançado com bastante dificuldade. Imagine o esforço para reunir 1/2 dos pais e
mães, dirigentes e escotistas de um Grupo Escoteiro, contando nesse quorum
também os membros juvenis como sócios, em uma assembléia de grupo, para
alterar seu estatuto ou destituir um administrador. E amplie essa dificuldade para
toda a Região ou a UEB em nível nacional.

A solução aqui, é prever no Estatuto que para as Assembléias Gerais em que


sejam discutidas alterações estatutárias ou destituição de administradores, podem
ser utilizadas procurações. É conveniente restringir em 5 ou no máximo 10
procurações que podem ser recebidas por cada associado, bem como sua
validade máxima em um ano. Outro caminho, que pode ser simultâneo, e prever
para esses dois temas da Assembléia Geral a votação por correspondência, hoje
amplamente usada em entidades de classe, atendendo a critérios regulamentados
pela Diretoria de Grupo.

A discussão inicia ao se definir quem são os administradores. Normalmente,


poderíamos considerar que fossem todos os integrantes da Diretoria, sendo que
nesse caso não teríamos mais os Diretores nomeados. A questão se torna mais
relevante ao se definir como se substituem os administradores em casos de vaga,
até a próxima Assembléia Geral. Pessoas não integrantes da Diretoria podem ser
previstos como substitutos eventuais daqueles que a integram? Se admitiria
eleições pela própria Diretoria, de forma interina? Aqui, a análise passa a ser quem
são os administradores da associação, que devam ser eleitos pela Assembléia
Geral. Naturalmente, não se pode exigir que todo e qualquer estabelecimento
mantido, no nosso caso os Grupos Escoteiros e Direções Regionais, tenham seus
administradores escolhidos dessa forma. Entendo, assim, que aqui se trata dos
administradores nacionais da UEB, incluindo os regionais e de Grupo somente
quando esses níveis tem personalidade jurídica própria, devendo então toda a
Diretoria ser eleita pela Assembléia Geral. O preenchimento provisório não pode,
nesse caso, dispensar que na próxima Assembléia Geral sejam os cargos vagos
adequadamente preenchidos.

Surgirão, assim, para contribuir com as Diretorias, os Superintendentes e


Secretários como funções voluntárias, e os Executivos e Gerentes como cargos de
profissionais contratados. Esses não tem direito de voto nas reuniões de Diretoria,
mas podem ter o de voz, que já é importante.

Especial atenção também deve-se dar ao artigo 61 da Lei nº 10.406/2001, que


trata da destinação do patrimônio em caso de dissolução da associação. No caso
de órgãos escoteiros com personalidade jurídica própria entendo que devem ser
destinados a outras entidades que pratiquem o Escotismo, a fim de assegurar a
adequada destinação pela qual foram constituídos.

Fonte:
http://www.sebraemg.com.br/culturadacooperacao/associacoes/associacoes_codig
ocivil.htm

Postado por Adrian Ruppàs 10:37

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