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História do Mundo Contemporâneo

1 - Conceitos básicos par a explicação do mundo contemporâneo: teorias do "imperialismo" e


da circulação de capitais ............................................................................................................... 2
2. A ordem internacional antes da I Guerra Mundial - elementos chave e tendências ............... 4
2.1 Reino Unido: ...................................................................................................................... 4
2.2 França: ............................................................................................................................... 5
2.3 Alemanha: ......................................................................................................................... 6
2.4 Império Austro-húngaro: ................................................................................................. 6
2.5 Império Russo .................................................................................................................... 6
2.6 Japão: ................................................................................................................................. 7
2.7 EUA: .................................................................................................................................... 8
2.8 - Os conflitos imperialistas - cartel ou guerra mundial? Dois argumentos a favor
da evitabilidade da guerra ..................................................................................................... 9
3- Primeira Guerra Mundial ........................................................................................................ 13
3.1 O fracasso dos planos da guerra de curta duração (1914) ........................................ 13
3.2- O alargamento das frentes e os impasses (1915-1916) e a procura da "decisão":
guerra submarina alemã, revoluções russas e intervenção dos EUA (1917) ................. 13
4. A ordem mundial do pós-I Guerra........................................................................................... 15
4.1- Perdas demográficas e destruição material .............................................................. 15
4.2- Os tratados de paz ........................................................................................................ 17
4.3- O endividamento dos países europeus e os investimentos dos EUA na Europa .... 18
5. O período entre as duas Guerras Mundiais ............................................................................ 19
5.1- Os aumentos de produtividade e a fase de “prosperidade” da década de 1920 ... 19
5.2- A recessão da década de 1930: a crise bolsista nos EUA (1929) e a sua
transformação em recessão mundial.................................................................................. 20
5.3 A contradição entre mercado mundial e Estados nacionais - as saídas da recessão
(despesa pública, protecionismo e rearmamento)............................................................ 22
5.4- A recessão e as alterações politicas: regimes antiparlamentares e conquistas
militares ................................................................................................................................. 23
5.5- As crises internacionais e as novas alianças; Políticas de expansão territorial
(invasões) ............................................................................................................................... 25
6. A II Guerra Mundial (1939-1945) ............................................................................................ 27
6.1- A hegemonia alemã até 1942 e as invasões japonesas ............................................ 27
6.2. A guerra na Europa: o recuo alemão depois de Stalingrad e dos desembarques
americanos ............................................................................................................................. 28
6.3. A guerra no Pacifico ...................................................................................................... 30
6.4- Passagem para a Guerra Nuclear ................................................................................ 31
7. A ordem internacional após a II Guerra .................................................................................. 31
7.1. O fim dos impérios coloniais ........................................................................................ 32
7.2. Fatores para as politicas "anticoloniais”. A hegemonia EUA/URSS; a ONU; os
novos organismos multilaterais (Liga Árabe, O.U.A., o movimento dos "Não
alinhados") ............................................................................................................................. 32
7.2.1.. As descolonizações asiáticas - 1947-1953 .............................................................. 36
a) A descolonização da Índia Britânica e o conflito Índia-Paquistão (1947-48) .................. 36
b) A descolonização das Índias Holandesas e a República da Indonésia (1945-1950)........ 38
c) A descolonização da Indochina francesa e a intervenção dos EUA ................................ 39
d) A descolonização da Coreia e o primeiro grande conflito regional do pós-II Guerra ..... 40
7.2.2- As descolonizações do Médio Oriente e da África do Norte ................................. 41
a) Os estados árabes sob tutela britânica e francesa, o mandato da Palestina e a génese
do conflito israelo-árabe ..................................................................................................... 41
b) A evolução do Egito – da independência formal de 1922 à República Árabe Unida
(1958) .................................................................................................................................. 44
c) A guerra colonial na Argélia e o seu impacto em França (1954-1962) ........................... 46
7.2.3- As descolonizações em África – 1957-1990 ............................................................. 47
a) As descolonizações inglesas e francesas na Africa Ocidental e Oriental - 1957-1964 47
b) As descolonização da Africa Central e Austral ................................................................ 48
c) A descolonização portuguesa, o processo rodesiano e sul-africano............................... 48
8- A emergência da China ........................................................................................................... 48
8.1- A implantação da República e a unificação do nacionalismo chinês através do Kuo
Min Tan – 1911 - 1927 .......................................................................................................... 49

1 - Conceitos básicos par a explicação do mundo contemporâneo:


teorias do "imperialismo" e da circulação de capitais
O capitalismo é um modelo de organização socioeconómico baseado na propriedade
privada, na livre iniciativa, de forma a criar uma economia de mercado vocacionada para o
lucro.

Nos finais do século XIX e inícios do século XX, este conceito desenvolveu-se com a
formação de monopólios de capital nos países mais ricos e desenvolvidos, uma vez que nestes
a acumulação de capitais tinha atingido proporções gigantescas, originando um “excedente de
capitais”. Como forma de originar lucro, foi utilizado como fonte de investimento através da
sua exportação para países menos desenvolvidos, que depois retornaria ao país exportador
sob a forma de juros e de outros lucros não financeiros, como a obtenção de matérias primas
mais baratas, com uma taxa de lucro máxima.
A exportação de capital acentuou as desigualdades entre os países, uma vez que os
mais ricos investiam nos mais pobres, impondo sobre eles um modelo de organização
específico, para além de se aproveitarem do facto de este constituir um mercado garantido de
obtenção de matérias primas mais baratas e de escoamento de produtos a um preço mais
baixo, gerando dependência política, económica e social. No entanto, ao contrário dos países
mais ricos que comercializavam entre si, conseguindo estabelecer facilmente relações
comerciais, os mais pobres não tinham o mesmo acesso e ficavam dependentes do comércio
com os mais ricos. Para além disso, com o programa de exportação de capitais, os países
exportadores acabavam por enriquecer às custas dos importadores. O mesmo é comprovado
pelo livro de História Moderna: O Imperialismo que refere que “ (…) Na época do Imperialismo,
os capitalistas (…) tratavam de exportar fundamentalmente o excedente dos seus capitais para
os países pouco desenvolvidos industrialmente, onde o emprego desse capital lhes
proporcionava grandes lucros. Os capitais são também exportados para as colónias, assim
como para os países independentes.”

Este originou um novo tipo de imperialismo, próprio dos inícios do século XX, uma vez
que, ao investirem nesses países, os países exportadores procuravam controlar o seu governo,
impondo um modelo de organização política e social, provocando uma mudança de paradigma
nas relações políticas. Assim, nas vésperas da 1ºGuerra Mundial o mundo encontrava-se sob o
controlo político das potências europeias, que entre os finais do século XX e 1910, tentaram
expandir o seu domínio e administração a vários outros territórios no globo, especialmente em
África e na Ásia, mas também na América e Oceânia, num movimento conhecido por
Imperialismo.

O Imperialismo, tal como é afirmado por Lenine, 1916, é uma “fase superior do
capitalismo” que vigorou entre os finais do século XIX e inícios do século XX. Ao contrário do
que acontecia com o Imperialismo antigo, no qual a metrópole recolhia os recursos da Colónia,
nesta versão mais moderna do conceito era a Metrópole que enviava os seus recursos
financeiros, isto é, o excedente da capital para as colónias como forma de investimento, para
tentar extrair lucro, mas também para satisfazer as suas necessidades económicas. Tal como
foi referido anteriormente, para além da exportação de capitais para as colónias, a metrópole
impôs também a sua vontade e forma de organização política, de forma autoritária e
supranacional. Estas zonas foram ocupadas e transformadas em províncias dependentes da
metrópole a nível político, económico e militar, e serviam de mercado de obtenção de
matérias primas baratas e de exportação de produtos industriais e de capital. O mesmo é
afirmado por Hobson, 1903:

”A raiz económica do imperialismo é o desejo de poderosos interesses financeiros e


industriais de assegurar mercados privados para os seus bens e capitais excedentes, às custas
do dinheiro público e da força pública").

Dessa forma, surgiu também um novo tipo de colonialismo, de carater imperialista,


que se afirmou sob a forma de conquista territorial e colonização, com uma sujeição política
indireta, dando origem aos protetorados, e sob a forma de controlo económico. Este verificou-
se especialmente nos domínios da África e Ásia, beneficiando em 1885 com a Conferencia de
Berlim, que ditou as regras de partilha do continente africano e asiático, para além de ter
consagrado o princípio da ocupação efetiva do território, em detrimento dos direitos históricos
de descoberta. Em 1914, em África só a Etiópia e a Libéria permaneciam independentes, e na
Ásia o Japão e a China.
Deste modo, antes da 1ªG.M., o mundo vivia sob um equilíbrio de forças que conduziu
à sua divisão, em que as sociedades capitalistas exportavam capital para fora da Europa,
submetendo as restantes nações política e militarmente aos seus interesses oportunistas. Nas
vésperas da 1ªG.M., as grandes potências imperialistas eram também grandes metrópoles
coloniais (sobretudo a Inglaterra).

Existem três traços para caracterizar o imperialismo: a concentração da produção cria


o monopólio; a fusão do capital bancário com o capital industrial cria o capital financeiro; e a
estagnação da taxa de lucro origina a exportação do capital.

Os ingleses eram o maior investidor de capitais nos Impérios coloniais. O Reino Unido
concentra grande parte das exportações de capitais nos seus territórios coloniais. Já a França
era o segundo maior exportador de capitais e foi paulatinamente oferecendo bens a outros
países, sem receber a compensação merecida (só exportava 8,9% para as colónias e o resto
para outros países independentes). Verifica-se aqui a distinção entre imperialismo e
colonialismo. As relações internacionais eram dominadas pela tentativa de alguns países
exercerem influência sobre outros e assim exportar o seu capital (no início do século XX eram
consideradas potências aquelas que mais exportavam).

Não era necessário que fosse uma relação colonial (China, Império Otomano e América
Latina pediam empréstimos aos grandes centros financeiros de Londres e Paris, sendo países
independentes). Então, o imperialismo do século XX não está associado à criação de colónias
(países como Portugal têm impérios coloniais mas não são imperialistas; países como os EUA
não têm impérios coloniais mas são imperialistas). Esta relação podia ser feita entre dois
países independentes, ou seja, não está associado à posse de colónias.

No início do séc. XX, a exploração de capitais podia ser feita de duas formas:
investimento direto ou investimento indireto. O investimento direto era feito diretamente por
empresas que se instalam no exterior (as multinacionais). Se os mercados não fossem
fechados seria mais fácil aumentar a produção dentro já do país instalado. O capital em
excesso torna-se produtivo num mercado fechado. Já o investimento indireto (ou de carteira)
é feito normalmente por bancos (acionistas), que aplicam o investimento e compram dívidas
públicas (empréstimos públicos feitos a governos). Essas dívidas condicionam muito a política
dos países importadores, conduzindo, muitas vezes, a situações de ruturas de pagamentos,
expondo um determinado país com menos capacidade de pagamento a um ataque ao seu
orgulho.

2. A ordem internacional antes da I Guerra Mundial - elementos


chave e tendências
2.1 Reino Unido:
A Grã-Bretanha era o país mais industrializado e também possuía o maior nível de exportação
de capitais, pelo que detinha um vasto império colonial, composto por domínios (com governo
próprio), protetorados (white settlements) e colónias (colonial offices).

Por ser o país mais industrializado e com maior nível de exportação de capitais, tinha
uma posição contra a guerra, dependendo do mercado livre e sem barreiras (era contra o
protecionismo). O seu domínio hegemónico assentava em bases navais para que pudesse
exercer um controlo do comércio e das próprias rotas de acesso, evitando, simultaneamente a
concorrência. Até porque “[a]Inglaterra era fortemente rica e possuía um vasto império
ultramarino. (…) [a]s suas indústrias eram responsáveis por uma grande parte do comércio
mundial. A sua posição global era garantida por uma marinha colossal. (…)”, tal como já
afirmava Norman Stone, no livro Primeira Guerra Mundial.

Deste modo, a Inglaterra tinha interesse em ter uma rede marítima mundial e o
controlo das regiões mais populosas, como a da Índia. Desde meados do século XIX que a
Inglaterra controlava grande parte da Índia.

A Índia era a maior fonte de riqueza britânica, tornando-se o centro de gravidade do


império, pois situava-se no centro das comunicações marítimas. Detinha um estatuto
administrativo (o governo inglês controlava diretamente uma parte do território, sendo que a
restante estava nas mãos de príncipes locais), sendo que os ingleses ainda controlavam a
defesa e os transportes para a região. Deste modo, tentaram controlar o canal do Suez, que
ligava o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo e como tal, aproximando a Europa à Ásia. Para
fazer esse controlo, tiveram também que controlar o Egito e todas as regiões à volta do Nilo,
passando a deter o poder político do canal e como tal, controlando também toda a região da
África Oriental, bem como as regiões à volta da India.

“ (…) A marinha de guerra foi sempre a alavanca mais importante da burguesia inglesa para a
conquista colonial. A sua frota tornava possível o transporte de quantas tropas eram
necessárias para as guerras coloniais e as expedições de castigo. A burguesia inglesa
esforçava-se para que a sua marinha de guerra fosse a mais forte do mundo.”, in História
Moderna: O Imperialismo (página 107).

Para além da India e do Egito, bem como as regiões circundantes destas duas áreas, e a África
Oriental exerceram controlo a União Sul Africana. O Reino Unido exportava maioritariamente
para as colónias e para os EUA.

2.2 França:
França era também uma grande potência imperialista e exportadora de capitais, e os
territórios sob a sua administração centravam-se na África Ocidental e na Indochina. Em África,
os territórios dividiam-se entre a África Ocidental Francesa e a África Equatorial Francesa, no
entanto, as suas colónias mais rentáveis era a Indochina, Congo e Costa de Marfim. Detinha
ainda territórios no Mar Vermelho, Madagáscar e Polinésia Francesa.

No entanto, apesar do seu grande território colonial, apenas 4% do capital africano era
exportado para as colónias. Para além disso, como os seus interesses colidiam com os Ingleses,
após a tentativa de expansão para o Nilo e da construção de linhas férreas num ponto de
interseção com o Império Britânico, as suas pretensões imperialistas em África abrandaram,
pois, o seu poderio militar era muito inferior ao Inglês. No entanto, tal não impedia França de
se tornar o 2º maior exportador de capital, dedicando os seus investimentos a territórios
europeus, como Portugal, Espanha, mas sobretudo a Rússia. Esta exportava capitais
maioritariamente para os países europeus, especialmente a Rússia,
2.3 Alemanha:
A Alemanha era a potência colonial mais próxima da Inglaterra, ainda que bastante recente e
sem um grande território colonial. Apesar do seu desenvolvimento tardio, mas rápido,
afirmou-se como um Grande concorrente à Marinha Inglesa. Este seu desenvolvimento foi
fruto da unificação do país, a formação de um mercado interno unificado, a anexação da
alsácia e de uma parte da Lorena, o reforço inegável da exploração da classe operária e a
aplicação das últimas técnicas e das novidades científicas

Na época imperialista, a Alemanha passou a controlar colónias em África, mas não foi
exportadora de capitais, pois queria garantir a proteção dos seus investimentos nas colónias. A
Alemanha constitui, então, um exemplo de uma nação que não era um império colonial, mas
que era uma nação imperialista. O império alemão não tinha qualquer objetivo colonialista.
Aspirava ser uma potência naval e possuir um domínio industrial, colidindo com as pretensões
inglesas,

Enquanto outras potências exportavam capitais, a Alemanha não se podia dar a esse luxo
(devido à necessidade de recuperar esse desfasamento face às potências imperialistas). Ainda
assim, começa a exportar capitais, fazer empréstimos a outros Estados e bancos estrangeiros.

No entanto, tendo conquistado a Alsácia e a Lorena na Guerra Franco-prussiana, tinha uma


enorme rivalidade com França, o que lhe valeu o isolamento político quando a França se uniu
com a Russia, uma vez que o Império francês tinha como objetivo exterminar o Império
Alemão. Como jogada defensiva, a Alemanha uniu-se ao Império Austro-húngaro, constituindo
os Impérios Centrais.

Se este fenómeno acompanha as relações das potências imperialistas, essas potências


vão discutir áreas de influência. Veja-se que a rivalidade com Inglaterra não tinha
forçosamente que levar à guerra por si só: o que a originou foram os sistemas de alianças de
ambos os países.

A Inglaterra tinha uma política de não entrar em alianças, mas França e Alemanha
começavam a criar sistema de alianças defensivas/ofensivas. As potências estavam
organizadas em mercados fechados efetuavam e alianças com estados médios. Mais tarde
(1904), os ingleses resolvem desequilibrar os pratos da balança e aliar-se à França, formando a
Entente Cordiale. Após chocarem, os interesses coloniais tornaram-se num convénio de
interesses contra terceiros. Estavam traçados os dados geopolíticos que causaram a 1ªG.M..

Ao nível das Colónias, a Alemanha tinha territórios na África Ocidental Alemã /camarões e
togo), África Oriental Alemã, Sudoeste Africano Alemão, bases na china e ilhas no Pacífico
Tropical. Tal como a França, exportava capitais para a Europa, o que acentuava as suas
rivalidades.

2.4 Império Austro-húngaro:


2.5 Império Russo
O império russo foi construído a partir do século XVI, com a expansão do principado de
Moscovo e detinha um império colonial continental, onde não era exportador, mas sim
importador de capital, considerando-se uma potência imperialista de 2ªordem (ou seja, pouco
imperialista).
Porém, no início da vaga imperialista de 1890, a Rússia já era uma grande potência
colonial, ascendente a potência imperialista devido à rápida industrialização que fomentou a
exportação de capital.

Para além disso, o grande problema do Império Russo era o facto de não ter acesso a um mar
navegável. Tinha apenas acesso ao Mar Báltico, mas este encontrava-se gelado. De resto,
grande parte do seu território era marcado por uma grande planície gelada, ou seja, não podia
ser uma potência naval por causa do clima. A única hipótese era navegar mais a sul no Pacífico
até chegar à China, especialmente na zona da Manchúria, mas cruzava-se com as pretensões
japonesas de chegar à China. O Mar Báltico estava gelado ou dominado pelos ingleses, o Mar
Cáspio era interior e não tinha benefícios e o Mar Negro estava ocupado pelo Otomano, e mais
a baixo cruzava-se com as pretensões inglesas. A única opção mesmo era chegar à China, o que
originou uma guerra com o Japão (Guerra Russo-Japonesa) nos inícios do século XX, vencida
pelo Japão e a Rúsia saiu economicamente debilitada. No entanto, com receio da Alemanha e
com uma dívida a França graças à importação de capital, estas formaram uma aliança, à qual,
mais tarde, se juntou Inglaterra. A Rússia era muito importante para a política europeia pois,
face a uma guerra contra a Alemanha, esta aliança poderia facilmente vencer pois par além de
uma fronte ocidental, com a Rússia tinha também uma fronte oriental.

Foi criada uma capital, São Petersburgo, a partir da qual se iniciou a expansão para
Ocidente e depois para Oriente. A Rússia detinha já o Mar Negro, a zona do Cáucaso,
Cazaquistão, Turquestão, tendo, depois, conseguido atingir o Oceano Pacífico.

Mas, nesta época imperialista, a Rússia começou a ver-se impedida pela Inglaterra na
sua intenção de se expandir para o sul da Ásia, o que levou a choques entre as duas potências.
As questões relacionadas com o petróleo começam já a ser dominantes (russos e ingleses
tinham interesses no Golfo Pérsico). É importante referir que a Rússia tinha uma aliança com
França, que por sua vez, tinha uma aliança com a Inglaterra.

2.6 Japão:
O Japão cresce nos princípios do século XX e tinha feito uma expansão continental com a
ocupação da China e da Coreia, em busca de minério e de novas áreas de exportação, de modo
a fazer concorrência com a Europa. Não tinha acesso a matérias-primas necessárias à
industrialização, como o carvão, ferro e borracha. Tratava-se, também, de uma potência semi-
imperialista sem império colonial. No século XIX fechou-se ao comércio europeu, evoluindo de
forma autónoma para evitar cair numa espécie de colónia. Assim, tem um papel fulcral nas
guerras e na política mundial do século XX. Esteve quase na órbita do Imperialismo Ocidental,
mas as frotas americanas entraram no Japão na década de 1950, invadindo os seus portos.

Quando os americanos chegam ao Japão em meados do século XIX e obrigam-no a abrir as


portas à economia internacional, os japonenses iniciam um programa de modernização:
começaram a importar tecnologia e capitais (economia centralizada), mediante um controlo
político definido. Assim, o Japão foi o primeiro país asiático a modernizar a sua economia
através de uma industrialização acelerada e surpreendente (recorrendo basicamente ao
capital).

A modernização japonesa foi personificada pelo imperador Mutsu-Hito, que lançou o país
numa era de progresso: o período/dinastia Meiji (era das luzes), que se estendeu de 1868 a
1912. Em poucos anos, o Japão, de país agrícola e atrasado, converteu-se numa potência
imperialista militar e competitiva, com uma enorme base industrial e com interesses na Ásia. O
impulso industrializador ficou a dever-se, sobretudo, ao Estado que promoveu a entrada de
capitais e técnicos estrangeiros, adquiriu no estrangeiro os equipamentos necessários à
modernização, financiou a criação de novas indústrias, às quais concedeu exclusivos e outros
privilégios e promoveu a construção de uma rede ferroviária. Esta abertura ao capitalismo
colidiu com o feudalismo japonês, formando um capitalismo híbrido no qual se alicerçou o seu
desenvolvimento. Houve o aumento da produtividade agrícola que conduziu a um excedente
da produção, que fez aumentar o lucro e riqueza, que foi depois transferido para a industria.

Para o progresso industrial japonês contribuíram também o forte crescimento demográfico


(que proporcionou abundante mão-de-obra barata) e o orgulho nacional, que incutiu nos
japoneses o sentido de superioridade rácica relativamente aos demais povos asiáticos.

Numa tentativa expansionista, tentou conquistar territórios na China, conduzindo à Guerra


Chino-Japonesa, mas tinha também colónias na Coreia e em antigas ilhas chinesas. Mais tarde,
com a colisão das pretensões russas, gerou-se a guerra Russo-Japonesa, que foi vencida pelo
Japão que era apoiado por Inglaterra, pois as pretensões desta ultima colidia com as da Rússia,
ocorrendo a primeira grande derrota do Imperialismo Europeu. O Japão ocupou a Manchúria.

Após a industrialização e a supracitada vitória, o Japão procurava, através da sua importante


indústria têxtil e pesada (fabrico de armas), crescer em termos de área de expansão, de
influência e de investimento (especialmente no Pacífico tropical). De outro modo, procurava o
investimento externo através de novas áreas de exportação. É que exportar uma considerável
quantidade de capitais obrigava à necessidade de matérias-primas. No entanto, esta expansão
para o resto do Pacífico colidia com os interesses dos europeus que possuíam colónias na Ásia
tropical e com o crescimento imperial dos EUA (potência em ascensão).

2.7 EUA:
Até à Guerra Civil (1865) os EUA eram um país pouco desenvolvido, agrícola e
exportador de matérias primas, dependendo bastante da importação de capitais europeus,
maioritariamente ingleses. Esta Guerra opôs 2 classes nos EUA, o norte que queria
industrializar e exportar os produtos, de acordo com uma pauta protecionista, e o sul que
queria comercializar com a Europa e importar e exportar livremente, sendo a favor do livre
cambismo. Esta Guerra foi vencida pelo Norte, pelo que se tornou um país protecionista por
excelência, e com uma grande industrialização sustentada pelos capitais ingleses, sofreu um
crescimento muito rápido, conseguindo ultrapassar a produção inglesa e alemã em alguns
aspetos.

Procederam à criação de impostos alfandegários e transferiram os excedentes


agrícolas para a industria e protegeram o seu mercado, fomentando uma economia fechada
com poucas influencias externas e importações. No entanto, só no princípio do século XX,
quando já constituíam uma potência industrial e naval, é que os EUA começaram a exportar
capital. Assim, afirmaram-se como uma grande potencia mundial, com grandes monopólios,
como os Rockfeller e grandes corporações e empresas, no entanto, tinham várias dificuldades
por terem um território demasiado grande com um mercado interno que não estava
inteiramente desenvolvido. Para além disso, começou a fazer grandes investimentos
estrangeiros no território americano e no Pacífico de acordo com a doutrina Monroe, de que a
América era para os Americanos e contrariando as pretensões europeias. Assim, começaram a
conquistar zonas no continente americano e a anexar e comprar territórios aos europeus
(Alasca), ao México (Texas) e aos Indios.

Tinham, no entanto, outra dificuldade, que residia no facto de se quererem expandir


para o Pacífico, mas os centros de poder e riqueza estavam no Leste, e como não tinham uma
Marinha de Guerra tinham que dar a volta ao Continente. Assim, começaram a interessar-se
pelo Canal do Panamá, financiando a sua construção. Para além disso, chocaram-se com as
colónias de influencia espanhola, (Cuba, Porto Rico e Filipinas) gerando uma guerra com esta
potencia europeia ao apoiarem os nacionalistas cubanos e ocuparam, depois, as zonas
tropicais da América Central, ficando com o protetorado de Cuba. Para além disso, ao
aproximarem-se da Ásia-Pacífico e da China, chocaram com as pretensões inglesas.

“Os capitalistas norte-americanos (…) tinham um interesse especial em ver [Cuba] ocupada
pelo seu governo. Os EUA começaram a preparar a guerra contra a Espanha. Decidiram
aproveitar-se do movimento de libertação nacional que se propagava a Cuba, e ao mesmo
tempo, a outra colónia espanhola, as Filipinas. (…) Em 1898 o Congresso dos EUA declarou
guerra à Espanha (…) esta guerra revelou a todos a debilidade e o estado de desagregação
interna da monarquia espanhola, que sofreu rápida derrota e teve de se resignar a pedir a
paz.” -História Moderna: O Imperialismo

Até 1914 era importadora de capital, tendo uma balança negativam, mas depois tornou-se
exportadora de capitais e um país imperialista.

2.8 - Os conflitos imperialistas - cartel ou guerra mundial? Dois argumentos a


favor da evitabilidade da guerra
A filosofia do imperialismo sugeria que a exportação contínua de capitais para as colónias
causava a necessidade absoluta de possuir territórios ultramarinos. Como todos os impérios
queriam alargar a sua zona de domínio, aconteceu, no início do século XX, uma feroz
competição entre eles. A Itália lançou-se na conquista da África do Norte, enquanto a
Alemanha reivindicou territórios ultramarinos para si. Logo, a competição económica passou a
ser uma rivalidade política.

Desde a guerra franco-prussiana de 1870-1871 e até 1914, nenhum conflito grave perturbou a
paz na Europa, embora ela tenha estado sempre ameaçada. O fenómeno imperialista foi
acompanhado de graves tensões e rivalidades económicas e políticas. Décadas de
imperialismo e colonialismo originaram acesas disputas territoriais. Havendo interesses de
conflitos, era fundamental que existisse uma guerra. Um dos principais fatores da eclosão do
primeiro grande conflito mundial foi o choque imperialista entre as grandes potências
europeias, ou seja, a disputa por mercados consumidores e fornecedores.

O principal antagonismo era entre os impérios britânico e alemão. O Reino Unido era a
força hegemónica do mundo e a Alemanha era o seu principal desafiador. A poderosa indústria
alemã necessitava de acesso às matérias-primas e do controlo dos novos mercados para
exportação da enorme quantidade dos seus produtos. O caminho da afirmação internacional
alemã passava pela construção de uma marinha mercantil e de uma marinha de guerra. As
duas principais rivais imperialistas travavam uma corrida ao armamento naval. Para contrariar
a Alemanha, a Inglaterra tinha de entrar na futura Aliança entre a França e a Rússia. Mas a
Inglaterra tinha problemas com a Rússia por esta estar a expandir-se para sul na Ásia,
ameaçando invadir a Índia. Para além disto, Rússia e Inglaterra já tinham olhos na Pérsia
devido ao petróleo e ambas estavam em situação territorial estratégica. Para além disso, a
instalação da Alemanha no Sudeste Africano contrariava as pretensões inglesas e acentuava a
rivalidade. No entanto, nenhuma destas potências estava interessada numa guerra,
especialmente o Reino Unido pois apesar de ter uma balança comercial negativa, resultante do
elevado número de importações, esta era anulada pela balança de capitais, uma vez que por
causa da taxa de juros, a Inglaterra recebia mais capitais dos que os que exportava, bem como
os outros serviços, pelo que a sua balança de pagamentos continuava a ser positiva. Se
acontecesse uma guerra, esta situação investia-se, uma vez que se tornava impossível a
recolha dos rendimentos que as outras nações lhe deviam. A Alemanha também não queria
guerra porque não tinha tanto interesse nas colónias. Assim, surgiu a opção da realização de
acordos para resolver os conflitos em África. Entre estes destacam-se dois acordos secretos de
divisão colonial, o Tratado Anglo-Alemão de 1989. Este previa a partilha de Angola,
Moçambique e Timor, já que devido às dificuldades financeiras de Portugal, provavelmente,
este país se veria obrigado a empenhar as colónias para resolver a crise. Ou seja, o empréstimo
era dado a Portugal sob hipoteca. Os alemães pretendiam ligar à África Oriental Alemã à África
Sudoeste Alemã, mas dependia do governo português efetivar este acordo. Este foi sujeito a
revisão em 1912, uma vez que o governo português voltou a pedir um empréstimo. Caso
deixasse de liquidar a dívida, o acordo era ativado. A guerra acabaria por impedir esta divisão
das colónias portuguesas.

A segunda maior rivalidade era entre o império francês e o império alemão. A oposição da
França à Alemanha explica-se, por um lado, pela disputa da Alsácia e Lorena, território perdido
para a Alemanha em 1871, e, por outro, pelo desenvolvimento do novo Império Alemão que
retirou à França parte da preponderância económica que este detinha sobre a Europa. Em
contrapartida, a França contrariou as pretensões germânicas em África e conseguiu dominar
grande parte do Norte do continente. Estes dois impérios (francês e alemão) eram vizinhos,
enfrentaram-se ao longo da história, e, em 1781, a Alemanha destroçara a França. Por isso, a
França só esperava uma boa oportunidade para ripostar. Como não podia fazer isso sozinha,
procurava aliados: qualquer tensão entre a Alemanha e um outro país era favorável às
expectativas da França. Para evitar uma desforra da França, a Alemanha decidiu isolá-la
recorrendo a um sistema de alianças. Começou por afastar dois potenciais aliados da França:
Áustria e Rússia. De facto, em 1882, até se havia assinado um tratado formal de aliança entre a
Alemanha e a Áustria-Hungria. Assim, a França passava a não ter aliados na retaguarda da
Alemanha. Contudo, a França começou a fazer empréstimos à Rússia, o que levou à mudança
de aliança da Rússia. Por outro lado, a Rússia até tinha interesses em derrotar o Império
Austro-Húngaro, formando-se assim a Aliança Franco-Russa.

Aliás, a terceira maior rivalidade decorria entre os impérios austríaco e russo. Os interesses
destes dois gigantes continentais confrontavam-se nos Balcãs. Aqui residia o Império
Otomano, já muito debilitado, e graças à sua proximidade geográfica, o Império Austro-
Hungaro seria um candidato para ficar com os territórios. No entanto, a Russia também estava
interessada, por finalmente conseguiria uma saída para o mar Negro e para o Mediterrâneo.
Para além disso, tinha ainda um pacto de amizade firmado para defender a causa da Sérvia,
apoiada pelo Montenegro, contra a pretensão do Império Austro-Húngaro relativamente ao
território da Bósnia-Herzegovina, também disputado pelos sérvios. Também, a França e o
Reino Unido queriam resolver as suas disputas coloniais em África e na Ásia para que
pudessem conjuntamente enfrentar o perigo alemão e fizeram um pacto com o nome francês
“entente cordiale” (entendimento cordial).
Estas três rivalidades foram cruciais para o desencadear de um conflito europeu generalizado.
As rivalidades políticas entre os impérios provocaram uma corrida ao armamento, a formação
de grandes blocos político-militares e à assinatura de pactos militares secretos, mas também
acordos económicos e políticos. Ficou conhecida como Tríplice Entente a coalizão militar
constituída na primeira década do século XX, onde os Impérios Britânico, Russo e República
Francesa se uniram para fazer frente à política expansionista de outro bloco, a Tríplice Aliança
(constituída pelos Impérios Alemão, Italiano e Austro-Húngaro), formado em 1882.

Estas políticas expansionistas formaram então um grande bloco de países aliados no centro da
Europa. Cada uma das nações garantia apoio às demais no caso de algum ataque de duas ou
mais potências sobre uma das partes. O objetivo principal era construir uma barreira político-
militar que isolasse a França na Europa Ocidental.

Porém, o acordo entre a Alemanha e a Itália neste ponto era bem específico, afirmando que o
seu apoio não se estenderia na defesa contra um ataque vindo do Reino Unido. Por ocasião da
guerra, a Itália seria convencida a unir-se à Entente a partir de um tratado feito com a
Inglaterra.

Quando se formaram estes dois sistemas de aliados, a pressão mundial subiu e intensificou-se.
Cada sistema de alianças tinham tinha elementos que queriam derrotar algum elemento do
outro sistema, e bastava um pequeno conflito entre dois elementos para que se
desencadeasse uma situação perigosa– todas as nações de cada aliança envolver-se-iam. A
Guerra foi desencadeada pelo sistema de alianças como o efeito dominó:

A faísca que incendiou a Europa ocorreu na Bósnia. Tratava-se de uma província do Império
Otomano cedida ao cuidado do Império Austríaco, que, em 1908, decidiu anexar esse
território. Consta que a maioria da população da Bósnia eram Sérvios e a Sérvia considerava a
Bósnia como seu espaço vital. A anexação austríaca da Bósnia criou uma alta tensão com a
Sérvia e também com a Rússia. Em 1912 começa uma Guerra entre os países balcânicos. O
nacionalismo da Sérvia serviu de causa imediata para o início da I Guerra Mundial. O império
austro-húngaro englobava uma diversidade de culturas, sendo que o seu ponto fraco residia
na fronteira como os Balcãs. Em 1914, o arquiduque Francisco Fernando, futuro imperador da
Áustria-Hungria, visitava Sarajevo, a capital da Bósnia. Nesse dia, um jovem nacionalista sérvio
assassinou o arquiduque. Este atentado foi considerado pela Áustria-Hungria como um ato de
Guerra, o que levou o imperador Francisco José da Áustria-Hungria a declarar guerra à Sérvia.
A Rússia, por sua vez, declarou guerra à Áustria-Hungria, invocando a defesa dos povos
eslavos. A Alemanha, ligada por um pacto militar à Áustria-Hungria, declarou guerra à Rússia.
Também declarou guerra à França, que já estava em mobilização. Logo, o Reino Unido
declarou guerra à Alemanha, também por esta violar a neutralidade da Bélgica, etc. Em poucos
dias todas as grandes potências europeias estavam em guerra; a única que se proclamou
formalmente neutral foi a Itália. Mas, um ano depois, a Itália passou para o lado das potências
centrais, britânicos e franceses. A Tríplice Entente foi apoiada pela Sérvia, Bélgica, Japão,
Roménia, Portugal, Grécia, China. A Tripla Aliança recebeu a ajuda do Império Otomano, da
Bulgária. Era o fim da paz armada e o início da 1ª Guerra Mundial.

A IGM era um fenómeno inevitável. Este conflito já se esperava desde a última década do
século XIX, com a escalada armamentista. Só não tinha acontecido antes, porque havia um
interesse em que se contivesse uma guerra que traria a destruição e que impediria a
transferência de capital para as colónias.
Geografia do Petróleo e o Império Otomano

Império Otomano

O Império Otomano englobava toda a bacia do Mediterrâneo até à Argélia e do Danúbio (zona
dos Balcãs) e juntamente com o Império Persa, possuía várias zonas do Médio Oriente, com
povoações muito diferentes a nível étnico e cultural. Começou a decair com a entrada da
concorrência ocidental (Inglaterra e França) no Mediterrâneo. No século XIX, vivia na
eminência de desagregação, mas manteve-se devido à incerteza de países rivais.

A sua estrutura era muito diferente dos outros impérios. A partir do século XIX, houve um
grande fluxo de capitais estrangeiros destinados ao império otomano, nomeadamente
provenientes da Grã-Bretanha e da França - empréstimos para tentar modernizar-se. Em
1830/40, conheceu um grande número de reformas políticas e económicas, mas não tiveram
grande efeito, pois não conseguiu modernizar-se rapidamente e ficou preso numa espiral de
dívidas e empréstimos. Como não os conseguia pagar, foi concedendo as suas zonas. Assim,
com o investimento alemão, houve uma tentativa de uma linha de ferro entre Bagdad e Bahn,
mas foi concedida aos alemães, que construíram uma que ligava Berlim a Bagdad, no golfo
Pérsico, e foi construído com fundos do Deutsch Bank. Este causou um grande
descontentamento e consequente oposição por parte de Inglaterra e França pois a construção
do mesmo só iria aumentar o poderio alemão e, consequentemente, ameaçar a hegemonia
britânica na região. É que o caminho-de-ferro tinha como vantagem a possibilidade de
transportar grandes e várias mercadorias e garantir a influência alemã da Arábia. No fundo,
era uma espécie de autoestrada de comunicações e interesses, como se comprova no livro da
História Moderna: O Imperialismo: “ (…) O caminho-de-ferro de Bagdade devia facilitar as
conquistas que os imperialistas alemães se propunham efetuar para Leste. Depressa a Turquia
se viu submetida à total influência alemã”.

Durante a construção deste caminho-de-ferro, os alemães descobriram na Mesopotâmia (a sul


de Bagdade) um largo de petróleo, que rapidamente suscitou um grande interesse.

O Petróleo era bastante importante, não como material energético por excelência para
alimentar a potência industrial, uma vez que o carvão só foi abandonado na década de 60, mas
porque era fundamental para o funcionamento das marinhas de guerra, a arma por excelência
na primeira metade do século XX, isto porque os navios alimentados a petróleo eram mais
rápidos, disponibilizavam mais espaço livre para carga e artilharia e porque tinha mais
autonomia, o que era uma grande vantagem em caso de guerra. No entanto, das grandes
potências, só os Estados Unidos da América e a Rússia tinham acesso à produção de petróleo,
sendo que este primeiro detinha 60% da produção mundial, o restante sendo dividido pela
Alemanha, com 1/5, e por outros territórios, como o México, India e Roménia com pequenas
quantidades, e sob o domínio inglês e holandês.

No entanto, a extração de petróleo nessa zona pelos alemães suscitou um problema


relacionado com o transporte, uma vez que este teria de ser feito pelo Golfo Pérsico que se
encontrava sob a hegemonia inglesa. Para tal, a Alemanha (e o Deutsh Bank) foi obrigada a
realizar um acordo com a Inglaterra, o que levou à criação da companhia da Turkish Petroleum
Company, em 1913, pelo que o Petróleo ficou dividido entre as duas potências.

Havia ainda petróleo no Império Persa, região dividida pelo Reino Unido, que queria controlar
as regiões próximas à India e ao Egito, e a Rússia, que queria ter acesso a um mar quente em
zonas europeias. Este foi descoberto pela empresa do D’Arcy e foi nacionalizada pelo Governo,
tendo sido criada a companhia Anglo-Persian.

3- Primeira Guerra Mundial


3.1 O fracasso dos planos da guerra de curta duração (1914)
Ao contrário do que seria esperado, a guerra foi muito mais longa do que as expetativas
iniciais, tendo a duração de 4 anos, ainda para mais porque a maioria dos governos não
desejava a Guerra.

De um lado havia os imperialistas da Áustria-Hungria que queriam: afirmar o seu domínio


sobre todas as etnias e culturas que lhes estavam subordinadas e submeter os outros estados
eslavos independentes, como a Sérvia Bulgária e Montenegro, mas também fortalecer o seu
domínio. Já a Rússia queria ganhar a guerra para ficar com Constantinopla e a Arménia. As
restantes potencias participantes, apesar de inicialmente não terem tido interesse em
participar e de desejarem que esta tivesse uma curta duração, não queriam perder o seu
estatuto e autoridade nem sujeitar-se ao domínio dos adversários se estes se sagrasse
vencedores, para além de quererem manter os seus territórios e se possível, recuperar outros
que previamente tinham perdido.

Portugal não estava interessado a entrar na Guerra , mas foi obrigado com receio de perder as
suas colónias, uma vez que se entrasse do lado da Alemanha e perdesse, Inglaterra ficava com
as suas colónias, e se não participasse e a Alemanha vencesse, esta ficava com as colónias,
pelo que acabou por entrar em 1914 no lado do Reino Unido, com a invasão dos Alemães a
esses territórios. A tríplice entente necessitava também do apoio da Grécia e da Itália (que
apesar do seu pacto com a Alemanha, este viu-se anulado pela entrada do Reino Unido) e
guiados pela promessa de novos territórios estes entraram.

A Guerra na Europa desenrolava-se em três frentes distintas: a frente ocidental, a frente


oriental/do leste e a frente Balcânica. Não era suposto que a Guerra tivesse uma duração tão
grande, mas esta foi-se prolongando. Numa fase inicial, por causa de um erro da Alemanha,
cujo primeiro plano era conquistar a frente Ocidental,e assim conquistar o território francês,
que supostamente seria mais fácil, para depois se dedicarem inteiramente a combater as
forças russas, mas não contaram com a presença do exército britânico que travou o avanço
alemão, prolongando-se a Guerra nesta frente até 1915. O mesmo se sucedeu em 1916 após
uma nova tentativa, no entanto, mais próxima da capital parisiense.

3.2- O alargamento das frentes e os impasses (1915-1916) e a procura da


"decisão": guerra submarina alemã, revoluções russas e intervenção dos EUA
(1917)
Em 1917 a situação complicou-se uma vez que a frente ocidental da tríplice entente não
conseguiria aguentar outro ataque alemão em terra, no entanto, conseguiram uma vitória
clara a nível Naval, destruindo rapidamente a frota alemã. No entanto, a Alemanha preparou-
se para uma nova fase da Guerra com o recurso a submarinos, tentando afundar todos os
navios inimigos em águas britânicas de forma a isolar a ilha e não permitir o abastecimento do
país. Isto provocou um desfasamento na economia e industria britânica, pois não conseguiam
nem importar ou exportar os seus produtos, provocando a sua asfixia económica. Apesar das
medidas empreendidas para proteger os navios, os submarinos alemães causaram a perda de
cerca de 6 mil navios da Tríplice Entente.
Na frente oriental os exércitos moviam-se com maior rapidez, e a frente russa conseguiu
atingir a Alemanha e a Áustria-Hungria, no entanto em 1915 tiveram que recuar por atuação
da Alemanha. Mediante a necessidade de reforçar o lado russo, Churchill em 1915 desenha um
plano para chegar à Rússia pelo Mediterrâneo, que não foi bem-sucedido. A Rússia recuava
cada vez mais e o descontentamento do seu povo era cada vez maior. O país foi obrigado a
retirar-se da guerra em 1917 devido às Revoluções Bolcheviques que nasciam no seu Interior.

Já a Frente Balcânica era dominada pelas potências centrais (Alemanha e Áustria-Hungria) pelo
que as forças aliadas não tiveram grande êxito, no entanto, ainda se foram aguentando.

Adicionalmente, a Rússia pretendia uma larga fatia do Império Otomano. Os ingleses tentaram
levar os russos a apoiar um ataque a Constantinopla. De resto, a Inglaterra chegou a efetuar
um ataque à zona dos estreitos, mas não obteve sucesso, pois o Império Otomano estava bem
preparado para poder responder aos ataques. Contudo, conseguem convencer algumas
dinastias árabes a fazerem uma revolta contra os otomanos, sob a promessa de que toda a
área árabe iria ser unificada sob a dinastia Hachemita. Então, em 1916 inicia-se a revolta árabe
no Império Otomano, promovida pela Inglaterra.

Além destas frentes, a guerra travava-se também a nível aéreo e naval, com várias inovações
tecnológicas, numa primeira fase os zepelins, até terem sido criadas armas antiaéreas para os
combater, e os caças e outros aviões de guerra.

Entretanto, na Rússia a situação estava cada vez mais complicada e só em 1917 conheceu duas
revoluções. A primeira, a Revolução de Fevereiro, foi contra o regime czarista, causada pela
insatisfação geral com o esforço de guerra e proclamou a República, mas não alterou a
situação na frente. Dito de outro modo, a Rússia, a partir dessa revolta, praticamente não
combatia, o que se transformou num problema grave para os franceses e britânicos que
tinham, a partir de 1917, de defrontar-se sozinhos com o todo-poderoso exército alemão. A
Revolução Bolchevique de Outubro de 1917 começou com Lenine que, estando na Finlândia e
ao analisar a situação da Rússia, achou que estava na hora de tomar o poder e por isso
regressou e criou um comité revolucionário junto do soviete de Petrogado, presidido por
Trotsky. Na noite de 25 de Outubro, o II Congresso dos Sovietes, dominado pelos bolcheviques,
legalizou a revolução e designou para governar o país um Conselho dos Comissários do Povo,
presidido por Lenine. O partido de Lenine vencia então a luta interna.

Esta revolução levou imediatamente à retirada definitiva tanto da aliança quanto do conflito
mundial, através do Tratado de Brest-Litovsk, assinado a 3 de Março de 1918. Este tratado foi
feito com a Alemanha e forçou a Rússia a abandonar a Polónia e os Países Bálticos e a evacuar
as suas tropas da Ucrânia e da Finlândia, reconhecendo a sua independência. No fundo,
declarava um acordo de paz separada com a Alemanha. Desaparecia, então, a frente oriental.
Logo depois, o país seria tomado por uma onda revolucionária na qual emergirá um novo ente
que herdará as fronteiras do antigo império, a União Soviética.

Para os alemães, era uma questão de tempo até que a guerra estivesse ganha: a Inglaterra
estava sem marinha de guerra, a França estava a perder força; e a Rússia encontrava-se
inativa. O novo tipo de combate (numa única frente) dificultou ainda mais a situação militar
franco-britânica, mas foi também a razão formal para os EUA declararem guerra à Alemanha. A
revolução Russa viria a favorecer os Impérios Centrais e a entrada dos Estados Unidos viria a
favorecer a Entente.
O momento crucial na resolução da Guerra aconteceu em abril de 1917, quando os
EUA entraram na guerra a favor de Triple Entente, mudando substancialmente o rumo dos
conflitos e originando um grande alcance político que alterava até então os dados da guerra.
Os EUA apresentavam um grande crescimento industrial e não tinham necessidades
comerciais externas. A principal razão para a entrada americana na guerra foi o bloqueio
alemão à marinha inglesa, o qual fez com que a economia inglesa estagnasse. As
transferências de capitais ingleses (mas também franceses) para os EUA começaram a dissipar-
se, os países em guerra começaram a depender cada vez mais de terceiros e os interesses
norte-americanos viam-se ameaçados, transformando-se em credores das potências
europeias. A indústria americana passou a depender muito da exportação das matérias-primas
europeias e, com a guerra, não se faziam as transferências de capital de que os EUA
necessitavam, pelo que a indústria americana estava a estagnar

Se antes até lucravam com a guerra, pois conseguiam aumentar as exportações para a Europa
(cereais, petróleo, borracha, aço, medicamentos, etc.), fornecer empréstimos e torná-la
dependente e por isso consideraram-se neutros (1914), a partir de 1917 sentiram que
deveriam intervir e tentar defender os seus interesses. Com a chegada de tropas americanas
houve o fecho de muitos mercados na América do Sul e na Alemanha, o que fez com que a
Alemanha não conseguisse resolver a guerra para o seu lado. A entrada dos EUA ao lado da
Tríplice Entente traz uma nova energia à guerra e conduz os aliados ao sucesso, forçando os
países da Aliança a assinarem a rendição. Fortalecidos, os países da Entente conseguiriam
romper o imobilismo em que se encontrava a disputa.

Chegaram dois milhões de soldados, apoiados por uma enorme capacidade económico-
financeira e pela produção industrial. Essa força foi decisiva. As ofensivas alemãs pararam e,
em novembro de 1918, a Alemanha capitulou. A 1ª Guerra Mundial acabou.

No entanto, venceram a guerra devido a três fatores: Expansão territorial até início do século
XX (constituíam um dos maiores territórios do mundo e o maior império do Mundo, com
especial destaque para o Canal do Panamá); força económica: novas e maiores oportunidades
de crescimento económico (liberalismo económico, território rico em recursos naturais e
mineiros, revolução Industrial ampliada no novo mundo, investimento na ciência e na
tecnologia e culto da inovação prática). Este crescimento teve uma paragem durante a Guerra
Civil, devido a razões económicas (o Norte necessitava dos escravos para as suas fábricas e o
Sul queria-os para trabalhos na agricultura) e reformas no sistema social/progressismo (para
diminuir desigualdades, como investimentos públicos, educação para todos ou igualdade entre
homens e mulheres); e o Isolacionismo: política externa eficaz e útil (Doutrina Monroe –
potências europeias não interferiam no território norte-americano e vice-versa).

4. A ordem mundial do pós-I Guerra


4.1- Perdas demográficas e destruição material
Com o Final da I Guerra Mundial, era necessário agora fazer um balanço da mesma.

“A Grande Guerra e o modo como ela termina anunciam o declínio da Europa. (…) a Europa
(…) foi materialmente devastada e quase toda sangrada e empobrecida pelo conflito militar.
(…) [N]a economia mundial o papel da Europa diminuiu, em proveito (…) dos EUA (…).”, Jacques
Nére, História Universal: O mundo contemporâneo.
Em termos demográficos, a I Guerra Mundial ultrapassou todas as guerras anteriores (em
termos mais destrutivos), sendo catastrófica e destruindo toda ou quase toda a capacidade
militar efetiva, com cerca de 13 milhões de mortes, fome, epidemias a diminuição da mão de
obra.

Houve ainda a queda dos 4 impérios ( Russo, Alemão, Austro-Hungaro e Otomano) e várias
alterações geopolíticas, permitindo a proliferação de estados nação, agora libertos da
opressão imperial e com a tão desejada independência política, mas também sociais, com a
mobilização da mão de obra feminina, por exemplo.

Quanto as perdas materiais, com a destruição de propriedades, industrias e áreas agrícolas,


bem como as dificuldades de reconversão da industria bélica terem provocado a recessão
económica dos países europeus. Isto provocou a dependência e endividamento dos países
europeus face aos Estados Unidos da América. Como forma de resolver a situação, os Estados
recorreram à emissão massiva de notas, no entanto, sem um aumento correspondente na
produção, como havia uma enorme quantidade de notas em circulação, isto provocou a
desvalorização monetária e o aumento dos preços internos. Consequentemente, houve o
aumento da procura em relação à oferta, que continuava baixa.

Isto provocou a inversão da situação até aí vivida, uma vez que as potencias europeias, em vez
de exportadoras e tornaram-se importadoras de alimentos, mercadorias, mas também capital,
o que beneficou especialmente os Estados Unidos da América. No final da Guerra, os
investimentos dos EUA na Europa continuaram, especialmente para a Alemanha. Algumas
multinacionais americanas começavam a expandir-se nesta altura (exemplos da IBM, General
Motors e Ford, que eram os grandes produtores de automóveis e aparelhos mecânicos nos
EUA) e instalaram-se nos países europeus.

Por outro lado, em termos de comércio internacional, a estrutura alterou-se. O dólar passou a
ser a moeda forte, suplantando as moedas europeias, uma vez que com a falta de ouro nos
cofres europeus, as suas moedas tiveram que abandonar o Padrão de ouro. Isto reforçou o
papel dos Estados Unidos da América na política mundial, que começaram a envolver-se cada
vez mais nos assuntos europeus.

Em 1920, deu-se uma crise de recessão devido à adaptação à Paz, que era algo que afetava
toda a Europa.

“A Grande Guerra e o modo como ela termina anunciam o declínio da Europa. (…) a Europa (…)
foi materialmente devastada e quase toda sangrada e empobrecida pelo conflito militar. (…) na
economia mundial o papel da Europa diminuiu, em proveito (…) dos EUA (…) Uma potência
extraeuropeia, os EUA, exerceu a influência decisiva no fim do conflito e, em grande parte,
impôs conceções e métodos novos para a elaboração dos tratados de paz.”

1919 e 192º foram anos de grande agitação a nível político, uma vez que as classes
trabalhadoras queriam ser recompensadas pelo esforço material e humano da guerra. Assim,
inspiradas pelas Revoluções Russas, nas quais, pela primeira vez, as classes operárias
conquistaram o poder, vários países europeus começaram a olhar para a Rússia como o
Modelo a seguir.

Na Rússia, o partido com mais poder era o Partido Social Democrata Russo, constituído por
duas fações, uma mais radical, os Bolcheviques, que defendiam que o Partido não deveria
esperar mas, pelo contrário, conquistar logo o poder, e os mencheviques, que eram menos
radicais e defendiam que se deveria esperar por uma Revolução Burguesa. O primeiro grupo,
como defendia a retirada imediata da Guerra, ganhou importância nos Sovietes e originou a
Revolução de Outubro, que acabou com o Governo Provisório de Kerensky e designou para
governar um Conselho de Comissários do Povo presidido por Lenine e Trotsky. No entanto, em
1918 iniciou-se uma Guerra Civil que opunha os bolcheviques (exército vermelho) aos
mencheviques (exército branco), estes últimos apoiados pelos europeus.

Após a Guerra, também na Alemanha e noutros países europeus começaram a eclodir


revoluções inspiradas pelas Russas. Na Alemanha, entre 1918 e 1919 chegou-se mesmo a viver
uma espécie de socialismo, até ao momento em que os espartaquistas, isto é, uma fação
socialista russa mais radical, fizeram uma mobilização militar que foi impedida pelo Governo.
Foram também criadas Républicas soviéticas noutros países da Europa, como na Hungria e
Baviera.

4.2- Os tratados de paz


Foi nesta base de revoluções que se começaram a negociar os Tratados de Paz entre os
governos dos países, de forma a implementar uma nova ordem internacional. Após a
devastação causada pela I Guerra Mundial, as potências vencedoras impuseram uma série de
rigorosas exigências aos países derrotados, especialmente à Alemanha, apesar da relutância
dos Estados Unidos da América.

Realizou-se ainda uma Conferencia de Paz, em Paris, em 1919, presidida pelos representantes
das potencias vencedoras, mas dirigido pelo Conselho dos 3, isto é, França, com Clemenceau, o
Reino Unido com Lloyd George e os EUA, com o Presidente Wilson, que pretendia estabelecer
uma nova ordem internacional e no qual foram assinados vários acordos com os países
derrotados. Entre os tratados, (Saint-Germain-en-Laye -Austria; Sevres-Otomano; Trianon-
Hungria;Neuilly-sur-Seine-Bulgária) destaca-se o Tratado de Versalhes (Paris), assinado em
1919 com a Alemanha, que continha imposições de carater militar, territorial, económico e
politico. Entre estas destaca-se a perda de alguns territórios, como a Alsácia e a Lorena, bem
como a divisão das suas colónias pelas potencias vencedoras, a desmilitarização de algumas
zonas, a redução do armamento e do exército, e pesadas indemnizações e reparações de
guerra a outros países, e provocou a Diktat (humilhação) da Alemanha.

Quanto aos outros tratados, de uma forma geral, foram impostos o reconhecimento da
independência de alguns dos seus territórios, bem como a cedência de territórios a outros
países, a limitação do exército, a proibição da reunião com o reicht alemão, e o pagamento de
pesadas indemnizações e compensações económicas.

Ainda na Conferencia de Paz foi estabelecida a Mensagem dos 14 Pontos, redigida pelo
Presidente Wilson. Esta estabeleceu uma política de diplomacia transparente entre os estados,
que determinava o fim dos assuntos secretos, o fim das barreiras económicas, o principio de
liberdade e das nacionalidades, bem como o direito de autodeterminação dos povos e a
criação de um organismo internacional, a Sociedade das Nações. Este era um organismo com o
fim de salvaguardar a paz e integridade internacional e nele participavam os Países vencedores
da Guerra e outros estados Neutros, no entanto, não foi bem-sucedido e não conseguiu evitar
a eclosão da 2ºGuerra Mundial. O seu fracasso resultou da não concordância com os Estados
Unidos da América com a política colonial e condenação dos estados derrotados, o que
resultou na sua não adesão, o facto de muitos países se virem insatisfeitos com as resoluções
da Guerra, como a Itália, o facto de várias minorias continuarem subjugadas, a não
participação dos países não vencedores e o não cumprimento das cláusulas, e o facto de os
países derrotados, e da Russia, não poderem participar.

No entanto, as cláusulas aplicadas aos países derrotados mereceram a reprovação dos Estados
Unidos, ao contrário da França que incentivava o cumprimento deste tratado pela Alemanha e,
juntamente com a insatisfação de outros países com as resoluções de Guerra, as divergências
entre os países começaram a aumentar..

4.3- O endividamento dos países europeus e os investimentos dos EUA na Europa


Para além das alterações geopolíticas, a Primeira Guerra Mundial provocou profundas
transformações na situação económica e financeira do Velho Continente. A Europa Ocidental
do pós-guerra, devastada a diversos níveis, entrou numa profunda crise económica e social. As
perdas humanas, a diminuição abrupta da mão-de-obra, o excedente da população feminina,
as infra-estruturas destruídas e os terrenos inutilizados constituíam a imagem da Europa em
ruínas. Também, a produção industrial, orientada para a produção de armamento, sofreu uma
quebra significativa.

Assim, no período do pós-guerra apresentam-se medidas extraordinárias que tentam colmatar


os problemas económicos mais prementes. Estas medidas ou estratégias de recuperação
foram realizadas a nível interno (emissão massiva de notas de modo a multiplicar os meios de
pagamento) e externo (recurso a medidas protecionistas, através do levantamento de taxas
aduaneiras e da instituição de restrições cambiais; recurso ao mercado de bens/serviços e
empréstimos americanos, colocando toda a economia na sua dependência).

Os EUA, não tão afetados pela guerra, graças à sua entrada tardia e ao facto de não ter
acontecido no seu território, sofreu menos as consequências, no entanto, tendo em conta que
a crise financeira da Europa os poderia afetar, intervieram com o empréstimo de quantias
avultadas para incentivar a recuperação económica dos países europeus.

Neste sentido, foi criado em Agosto de 1924 o Plano Dawes, um plano provisório de ajuda
económica direcionado à Alemanha da pós-Primeira Guerra Mundial, com o intuito de que
esta pudesse reerguer a sua economia e pagar as dívidas e reparações a ela impostas. Este
plano tinha como objetivo resolver o problema do não cumprimento por parte dos alemães
das dívidas acordadas em Versalhes. Este plano manteve a quantia a ser paga pelo país, mas
com pagamentos anuais mais reduzidos e espaçados, dando tempo ao país de acumular os
valores devidos.

No entanto, na Europa a situação complicou-se. Graças à elevada procura e à reduzida


produção, os preços dos produtos subiram, provocando a sua inflação. Para resolver a
situação, os países recorreram à emissão massiva de notas, aumentando o dinheiro em
circulação, o que, não acompanhado por um respetivo aumento da produção, havia
demasiado dinheiro em circulação e este acabou por perder o seu valor monetário. A situação
viu-se ainda agravada pois o valor das exportações era quase inexistente, o que tornava muito
difícil equilibrar a balança de pagamentos e como tal, viram-se obrigados a recorrer a novos
empréstimos aos EUA, o que agravava o défice do Estado, entrando numa situação cíclica, em
que a Europa passou de credora a devedora aos EUA. Sem ouro suficiente nos cofres para
manter o valor da moeda, estes viram-se obrigados a abandonar o padrão ouro pelo Golden
Exchange Pattern, na qual se alicerçavam numa moeda forte, o dólar, o que permitiu resolver
o problema da inflação.

Com uma moeda forte e o seu novo papel de credora dos países Europeus, bem como um
valor alto das exportações de alimentos, armas e matérias primas durante o período de
Guerra, os Estados Unidos conseguiram canalizar cerca de metade dos stocks mundiais de
ouro, bem como acumular capital nos cofres do Estado, pelo que estes ultrapassaram a
hegemonia europeia e viram a sua economia reforçada no panorama mundial. A esta alia-se o
seu vasto mercado interno, poder de compra razoável e uma situação industrial produtiva,
cada vez mais estandardizada, assente nos métodos de racionalização do trabalho, como o
Fordismo e o Taylorismo.

5. O período entre as duas Guerras Mundiais


5.1- Os aumentos de produtividade e a fase de “prosperidade” da década de
1920
Apesar da situação imediata de crise no pós-guerra, os países europeus entraram numa fase
de crescimento grande com a entrada na década de 20, resultante da regulação entre a oferta
e a procura. Apesar de numa fase inicial a procura ser muito superior à oferta, graças à
destruição das propriedades de produção, da diminuição da mão de obra e da hegemonia da
indústria bélica, a situação do pós-guerra incentivou a produtividade para responder às
necessidades da procura elevada. Assim, assente nos métodos de produção de massas, isto é,
a estandardização dos produtos e a racionalização do trabalho, conseguiram regular a lei da
oferta e da procura, o que provocou a diminuição dos preços graças a uma maior oferta. A
isto, juntou-se o facto do seu retorno como exportadora de créditos, ainda que atrás dos
Estados Unidos da América. No entanto, o seu elevado défice orçamental continuava, graças
às dívidas que mantinha com os Estados Unidos da América. Para resolver a situação,
dinamizaram a sua produção como forma de evitar a importação de produtos norte-
americanos e diminuir a relação de dependência, mas como continuaram a aumentar a
importação de matérias primas, o seu crescimento económico irradiou também para os
produtores deste tipo de produtos.

Enquanto a Europa se erguia com grande dificuldade dos escombros da guerra e tentava
recuperar do caos, tanto a nível económico como político e social, os EUA arrancavam para um
tempo de intensificação do seu desenvolvimento industrial e viviam um período de grande
prosperidade económica. Esta prosperidade era marcada pelo signo da organização racional
das empresas. Algumas multinacionais americanas começavam a expandir-se nesta altura
(exemplos da IBM, General Motors e Ford) e localizaram-se nos países europeus, o que
fomentou a crescente ligação entre a economia europeia e o capital americano.

Por sua vez, a economia dos Estados Unidos da América no pós guerra ultrapassou a Europeia.

Além disso, os EUA possuíam um vasto mercado interno, com um poder de compra razoável,
que absorve a maior parte da produção e havia uma grande abundância de capitais devido à
especulação bolsista, baseada na crescente produção industrial e na cada vez maior
importância do dólar. A aplicação de novos métodos de racionalização do trabalho como o
taylorismo, o fordismo e a estandardização contribuíram também para a grande prosperidade
e avanço dos Estados Unidos.

A década de 20 do século XX foi, nos EUA, sinónimo de prosperidade. De facto, à medida que a
produção crescia, aumentava o consumo interno. Assim, confiantes no futuro, os EUA
toraram-se numa sociedade de consumo em que, incentivados pela publicidade, os indivíduos
lançaram-se na compra de bens como carros, casas, eletrodomésticos, recorrendo ao crédito
fácil e barato processado pelos bancos, e até na compra de ações de empresas guiados pelo
desejo de enriquecimento fácil. Assim, a Bolsa de Wall Street, antigamente apenas reservada
às elites, generalizou-se à sociedade de massas, o que fazia a especulação crescer, uma vez
que estas que estas se tornaram, supostamente, muito mais valiosas do que eram na verdade.

No entanto, para alguns historiadores, não é claro que os EUA sejam, no período entre as duas
guerras mundiais, a área económica dominante, e que se possa afirmar que Europa é
dependente dos EUA. O que se verifica é uma interdependência, com os capitais americanos a
fluírem para a Europa, e com os juros pagos pelos empréstimos a serem reinvestidos, em
grande parte, no reforço da economia americana, sustentando, ainda, a especulação bolsista
de Wall Street. Confirma-se assim, que na segunda metade da década de 20 viveu-se um clima
de acalmia económica na Europa. Nos EUA, a “era da prosperidade” levava os norte-
americanos a consumir desenfreadamente. Contudo, essa prosperidade era frágil.

5.2- A recessão da década de 1930: a crise bolsista nos EUA (1929) e a sua
transformação em recessão mundial
A perda de poder da Europa para os EUA foi uma das consequências da I Guerra Mundial,
especialmente no mercado de exportação de capitais. Os EUA, no período pós guerra,
tornaram-se credores dos países europeus, investindo o seu dinheiro na recuperação da
economia dos países europeus, especialmente no caso da Alemanha, que com o dinheiro
americano, viu a sua industria crescer.

Assim, os anos 20 foram uma época de grande produtividade e de diferenças


qualitativas no que diz respeito aos produtos: a Alemanha cresceu, bem como a França, ainda
que de forma menos intensa – foi uma época de prosperidade. O crescimento da economia
mundial arrastou outras economias pré-industrializadas. Na segunda metade dessa década, a
Europa, graças à recuperação económica que vinha alcançando, deixou de estar tão
dependente dos bens e serviços americanos, o que se traduziu numa redução das exportações
com destino ao velho continente, uma vez que também aderiram às medidas protecionistas.
Da mesma forma, graças à pauta protecionista americana e às suas elevadas taxas
alfandegárias, para além da redução das importações aos EUA, os europeus também não
conseguiam exportar os seus produtos pelo que, com o aumento da sua produção industrial,
tiveram que encontrar novos mercados.

Isto levou à criação de barreiras proteccionistas: provocou um crescimento na


produção de cada país, que fez com que se chegasse a uma superprodução e que se lançasse
uma sobrevalorização das matérias-primas – os seus custos tornaram-se insuportáveis, aliados
ao facto de não se conseguir encontrar compradores. Esta situação originou uma crise de
superprodução, que apenas foi acelerada com a crise bolsista

Por sua vez, a crise da bolsa resultou da especulação bolsista. As cotações das acções da bolsa,
cada vez mais altas, não correspondiam à situação real das empresas. A facilidade de recurso
ao crédito mantinha os cidadãos na ilusão de uma prosperidade interminável. Os bancos
estimulavam esta especulação bolsita, pois concediam créditos ao consumo privado de forma
pouco criteriosa e a pessoas que não possuíam capacidade de endividamento. Tratava-se do
recurso ao crédito para aplicação na compra de acções. Ora, quanto mais se consumia, mais os
bancos emprestavam, numa espiral que só podia conduzir a um fim – a rutura do sistema
financeiro e, consequentemente, produtivo. Com a concessão de crédito pouco criteriosa, os
bancos começaram a perder muito dinheiro, o que somado ao desemprego crónico que já se
verificava nos Estados Unidos da América, as pessoas, já sem poder económico, não
conseguiam paras as suas dívidas aos bancos e como tal, deixaram de consumir, o que num
sociedade consumista que privilegiava a produção de massas, levou à falência de muitas
empresas, porque havia muita oferta mas pouca procura e numa tentativa desenfreada de
incentivar o consumo, recorram à diminuição abrupta dos preços, isto é, a deflação. Esta
situação, no entanto, diminuía os lucros, acentuava o desemprego, o que por sua vez,levou ao
desemprego e à consequente diminuição do poder de compra, bem como a falência de muitas
empresas que anteriormente tinham o valor das suas ações muito altas, isto é,
sobrevalorizadas. Assim, começaram a surgir, nos mercados bolsistas, grandes quantidades de
ordens de venda dessas ações e, perante a queda contínua dos preços, no dia 24 de outubro
(Quinta Feira negra) não havia compradores para a quantidade de títulos disponíveis. Foi o
crash de Wall Street, que se repercutiu sobre todos os sectores da economia.

Perante esta descrença no sistema financeiro, os grandes banqueiros injetaram capital outrora
investido em território alemão e nos outros países europeus para suprir a desvalorização das
ações, adquirindo ações a um preço mais elevado do que aquele a que estavam a ser vendidas,
propagando-se a crise à Europa-

Porém, no dia 29 de Outubro (terça-feira negra), o mesmo voltou a suceder, mas desta vez os
grandes banqueiros nada podiam fazer para atenuar a queda. A desgraça abateu-se sobre os
EUA: muitas fortunas «virtuais» esfumaram-se em poucas horas, de um momento para o outro
muitos foram os que se viram sem nada. Face a este crash bolsista, rapidamente se revelaram
as consequências provocadas pelo mesmo.

Milhares de bancos foram à falência, as fábricas fechavam e lançavam no desemprego


milhares de trabalhadores, famílias inteiras ficaram na miséria e as empresas diminuíram os
preços e o volume da produção. As empresas faliram, pois com a queda do valor das suas
ações perderam capital e deixaram de poder recorrer ao crédito. O poder de compra caiu em
flecha, devido à subida galopante da taxa de desemprego. Como tal, a procura diminuiu e os
preços caíram (na tentativa de escoar a produção agrícola e industrial em excesso).

Nos campos, os pequenos agricultores, desesperados, destruíam os excedentes agrícolas para


que a lei da oferta e da procura funcionasse, ou seja, para a oferta diminuir, levando assim à
subida dos preços e, intrinsecamente, dos lucros. A fome proliferava e as cidades que, ao longo
dos anos 20, transpiravam prosperidade, agora mergulhavam na desolação. Acumulavam-se as
filas para a sopa dos pobres, amontoavam-se os desempregados que se ofereciam para
trabalhar a troco de remunerações irrisórias e barracas multiplicavam-se nas proximidades dos
centros urbanos.

Os desequilíbrios trazidos pelos tratados de paz e pela instabilidade social agravaram-se


através desta crise bolsista (e consequente recessão). Tendo em conta que os EUA mantinham
relações com todo o mundo capitalista, a falência da economia americana arrastou a falência
da economia mundial, especialmente a Europa que dependiam dos empréstimos feitos pelos
Estados Unidos da América na reconstrução do pós guerra, mas como tentativa de salvar a sua
economia, os bancos americanos levantaram estes créditos, o que prejudicou os países
europeus, mas também os restantes países que dependiam da exportação de matérias primas,
ou seja, os países em desenvolvimento. Apesar de também ter afetado bastante a Europa, os
EUA foram o pais mais prejudicado.

O crescimento per capita entre 1913 e 1929 diminuiu, tanto nos EUA como na Europa, mas
ainda era positivo. Na década de 30, nos países europeus este aumentou, ao contrário do que
aconteceu nos EUA, em que o pib per capita era negativo. Assim, é possível comprovar que
apesar da crise ter afetado a maioria dos países capitalistas, afetou-os de maneira diferente,
tal como se sucedeu no Japão e nos EUA, onde se verificou um forte crescimento económico.
No caso dos japoneses, graças à elevada população agrícola que mascarava o desemprego, e
na URSS por não ser um país capitalista, mas comunista, que se encontrava isolado do
comércio internacional. Pelo contrário, para se recuperar da Guerra, recorreu ao sistema de
planificação e direção económica, que possibilitou o aumento da exportação de capitais.

é, em média, inferior ao crescimento verificado nos anos 30. Os EUA correspondem ao país
que mais ilustra a ideia de recessão. Este é um período de forte crescimento para japonenses e
soviéticos. O facto dos japonenses disporem de uma população agrícola bastante maior
mascarava o desemprego existente. A URSS foi a que melhor escapou à crise, havendo até um
crescimento da sua economia. Isto deveu-se ao facto de ser um país comunista e, assim, estar
arredada do sistema capitalista, e graças à planificação e direção económica promovida pelo
próprio estado soviético (a exportação de capitais aumentou bastante).

5.3 A contradição entre mercado mundial e Estados nacionais - as saídas da


recessão (despesa pública, protecionismo e rearmamento)
Como forma de sobreviver à crise a maior parte dos países procurou tornar-se
autossuficiente, iniciando-se um período de adoção de políticas fortemente protecionistas
(estavam autocentrados e tinha tendência a fechar-se). Outros apostaram em verbas públicas
na economia nacional para incentivar o crescimento económico (os países capitalistas fizeram
isto para acelerar a produção de capital) e ainda outros apostaram nas políticas de
redistribuição de rendimentos. Assim, os Estados começaram a intervir na economia e a
investir, como forma de aumentar o poder de compra e assim incentivar o consumo, sendo
necessário para tal a criação de emprego.

Apesar de numa fase inicial se terem guiado por uma política de retorno ao protecionismo, em
que se tentaram reduzir as despesas do Estado, através de políticas como reduções às
importações e o aumento dos impostos, isto é, medidas deflacionistas que diminuíram a
capacidade de compra da população que continuavam sem poder de compra e portanto, não
surtiram o efeito desejado. Após esta primeira etapa, os Estados Unidos da América guiaram-
se pelo modelo intervencionista de John Keynes, posto em prática pelo presidente americano
Franklin Roosevelt, que se seguiu a Hoover, num modelo de intervenção conhecido como New
Deal. Entre as medidas instituídas destaca-se o investimento em despesas militares e numa
política de obras públicas financiada pelo Estado para criar o emprego, a desvalorização do
dólar para subir os preços e a regulação da produção para evitar uma nova crise deste género
bem como medidas de caráter social. Para além disso, abriu a economia aos mercados
exteriores. Apesar destas medidas, até 1938 os EUA não viram o seu PNB aumentar, e a sua
economia só melhorou com a entrada na 2º guerra Mundial.

5.4- A recessão e as alterações politicas: regimes antiparlamentares e conqui stas


militares
A recessão trouxe consigo o reacender do fervor revolucionário de esquerda e a defesa
de alternativas económicas anticapitalistas, o que provocou alterações políticas em todos os
países. Muitos deles, com estruturas políticas muito frágeis, evoluíram para regimes ditatoriais
(fórmulas autoritárias e conservadoras de direita). O tempo das ditaduras, dos fascismos,
aproximava-se. Uma das características do período que decorre entre as duas guerras
mundiais é a crise das democracias liberais. As dificuldades do primeiro pós-guerra, a reação
bolchevique e a crise de 1929 são algumas das causas de regressão democrática na Europa.

As primeiras democracias a serem atingidas neste processo foram as de mais recente


implantação, ou seja, as da Europa Central e mediterrânica, caracterizadas por uma economia
frágil e dependente de capitais estrangeiros. Nos países em que esta tradição existia, a
democracia resistiu melhor, apesar os inequívocos sintomas de crise. Esta radicalização é
sobretudo notória na Alemanha e Itália, onde regimes autoritários de extrema-direita
formaram governo.

O regime fascista é uma ditadura que anula as instituições democráticas e substitui as


liberdades individuais por um feroz controlo político dos cidadãos. O fascismo também
significa o predomínio absoluto de um partido político. O sistema político do fascismo é
corporativo. A representação do povo através de corporações foi vista como democracia
orgânica, isto é, uma maneira natural de participação política do povo. No entanto, as
corporações fascistas não serviram de representação do povo, pelo contrário, serviram para
controlá-lo através da cúpula política liderada pelo chefe supremo do regime. Para reforçar
esse sistema totalitário, os seus líderes faziam frequentemente uma exaltação nacionalista e
racista. Como a ditadura é cronicamente insegura perante o povo, os movimentos fascistas
transformaram-se em organizações paramilitares armadas. A nível económico, este regime,
preservando a propriedade privada, aproximou-se de uma economia de planeamento,
controlada pelo governo, pelo partido único e pelo seu líder. No plano externo, o fascismo teve
um projeto de expansão territorial.

O fascismo surgiu primeiro em Itália, em 1919. Este país não ficou feliz com a sua
participação na Primeira Guerra Mundial, pois gastou imensos recursos e não obteve
compensações significativas. Nomeadamente a expansão territorial italiana que ficou aquém
do esperado e desejado. A não satisfação das suas reivindicações na Conferência de Paz em
1919, deram à população uma “vitória incompleta”. A Itália atravessava então uma grave crise
moral e económica (posteriormente agravada pela recessão). Nesta situação, a maioria da
população estava recetiva a uma solução radical. Foi Benito Mussolini que tomou o poder em
1922. Foi o primeiro regime fascista a ser implementado definitivamente. Este movimento só
pôde ser implantado, porque encontrou uma ampla base social de apoio e condições propícias
ao seu desenvolvimento.

Também na Alemanha se instala um regime de índole fascista. Com o fim da 1ª Guerra


Mundial, a Alemanha (grande derrotada) foi varrida por uma crise económico-financeira sem
precedentes (foi o país europeu mais devastado economicamente). À crise económica,
marcada pela hiperinflação e pelo desemprego, juntou-se a humilhação do Tratado de
Versalhes (os alemães tinham a seu cargo o pagamento de pesadas indemnizações aos
aliados). Assim, o exacerbado nacionalismo persistia e uma camada de população recordava
com nostalgia os tempos do Império Alemão. Dias após a sua nomeação como Chanceler,
Hitler dissolve o Reichstag e para ascender, recorre à desagregação das instituições
republicanase ao recurso à violência, à propaganda e ao apoio dos descontentes, das classes
médias e dos capitalistas industriais e financeiros. O nazismo reforça o lado protecionista
alemão. A nível da política externa, dedica-se à conquista do Lebensraum, isto é, o “Espaço
Vital”. Esta teoria do Espaço Vital constituiu a fundamentação ideológica de uma série de
ocupações dos territórios vizinhos. Um Estado dinâmico, com um grande crescimento
económico, necessita de espaço. A necessidade básica territorial de sobrevivência é
considerada espaço vital, mas se a economia cresce, esse espaço deve ser alargado. Por outras
palavras, as fronteiras podem ser alteradas em conformidade com o aumento da força de um
Estado. A Alemanha estava em pleno crescimento económico, necessitava de território, de que
os outros Estados não iam desistir sem luta. Em 1935, o território do Sarre que, de acordo com
o Tratado de Versalhes ficava sob o controlo da SDN, passou para a Alemanha. Em 1936, Hitler
remilitariza a Renânia, desobedecendo ao Tratado de Versalhes; celebrou com Mussolini o Eixo
Roma-Berlim; Afirma com o Japão um pacto, com o objectivo de combater o expansionismo do
comunismo soviético. Esta aproximação do Japão à Alemanha deve-se, essencialmente, à
viragem da política japonesa para uma direção mais nacionalista e autoritária; Em 1938, Hitler
anexou a Áustria no mesmo ano, anexou a região checa dos Sudetas; Em 1939, Hitler,
pretendendo evitar complicações a leste, celebra um pacto de não-agressão com a URSS, que
incluía a partilha da Polónia e a integração na URSS dos países bálticos.

Na década de 30, perante as dificuldades económicas derivadas dos efeitos da grande


recessão, numerosos países aderiram aos regimes autoritários. O fascismo irradiou-se pelo
Mundo. Podemos salientar o exemplo da Itália, da Alemanha, de Portugal, o caso de Espanha:
o general Franco, após a vitória na Guerra Civil, em que contou com os apoios da Alemanha,
Itália e Portugal, estabeleceu um regime ditatorial; e o caso do Japão: em 1926, a subida ao
poder do Hirohito marca o fim do processo de democratização e ocidentalização encetado em
meados do século XIX. Mas noutros países como a Bulgária, a Grécia, a Roménia, a Argentina,
o Chile e o Brasil também se fez sentir o avanço dos totalitarismos.

A subida ao poder de Hirohito em 1926 marca o fim do processo de democratização e


ocidentalização encetado em meados do século XIX. Por outro lado, o Japão pôde crescer
industrialmente (através de uma política agressiva) e criou uma burguesia e uma força militar
(através do aumento das despesas militares). De resto, sentiu a recessão de uma forma
intensa, tornando-se num regime dominado pelos militares e elevando a pressão pela procura
de colónias. A crise mundial do capitalismo levou o imperialismo japonês a iniciar, também,
uma política de expansão, com o principal objetivo de dominar a China especialmente a zona
da Manchúria, com muitos recursos, matérias primas, que lhes faziam falta, mas também para
arranjar mercados para exportar. A Guerra do japão com a China iniciou-se em 1937. Para
além disso começou também a atacar as concessões europeias e as ilhas no Pacífico, entrando
em conflito com as potências europeias e os EUA, no que se concluiu ser o inicio da 2ºGuerra
Mundial, na Ásia.

Deste modo, os regimes totalitários afirmavam sem quaisquer reservas o seu carácter
militarista e imperialista. Assim, em particular a Alemanha, a Itália e o Japão marcaram os anos
30 pelas sistemáticas agressões à nova ordem internacional, inviabilizando todas as intenções
de paz e de cooperação entre os estados-membros da Sociedade das Nações.

5.5- As crises internacionais e as novas alianças; Políticas de expansão territorial


(invasões)
A II Guerra Mundial deu-se entre 1939 e 1945. Esta foi uma guerra essencialmente ideológica,
onde se verificou um conflito entre Liberalismo, Comunismo e Fascismo. Pode dizer-se que as
causas (além do surgimento dos regimes totalitários) desta guerra estiveram nas
determinações do Tratado de Versalhes. Este Tratado, assinado em 1919 e que encerrou
oficialmente a Primeira Grande Guerra, determinava que a Alemanha assumisse a
responsabilidade por ter causado a IGM e obrigava o país a pagar uma dívida aos países
prejudicados, além de outras exigências como o impedimento de formar um exército
reforçado e o reconhecimento da independência da Áustria. Isso é claro, trouxe revolta aos
alemães, que consideraram estas obrigações uma verdadeira humilhação.

Para os alemães, as fronteiras definidas pelo Tratado de Versalhes forneciam ainda mais
motivos para a existência de um nacionalismo xenófobo. Alguns alemães encaravam
desfavoravelmente a separação entre os Austríacos de língua alemã e a Alemanha, bem como
o domínio dos checos sobre alemães que se seguiu à queda da monarquia dos Habsburgo e à
criação da Checoslováquia.

A base do capitalismo alemão era uma base nacional. O desejo de Hitler consistia em expandir
os domínios territoriais da Alemanha e ampliar, desta forma, a obtenção de poder e recursos
materiais (principalmente matérias-primas). A primeira condição da agressão hitleriana foi o
renascimento da indústria metalúrgica e química de guerra na Alemanha. Estes objetivos
militaristas e expansionistas também estavam presentes, no final da década de 1930, na Itália
fascista de Mussolini e no Japão.

A Itália entrou num processo de conquistas coloniais na década de 30. Em Outubro de 1935, a
Itália (cujos militares estavam instalados na Somália e na Eritreia) afirmou seu imperialismo
invadindo a Etiópia, país independente situado no nordeste da África e que constituía o único
Estado que ainda não tinha sido dividido. Este é o ponto de viragem na política mundial
estando na base da IIGM. A Inglaterra (que controlava o Nilo) não aceitava que a França
controlasse a Etiópia, pois isso iria pôr em causa o seu próprio controlo, e por isso, a SDN
determinou que seus Estados membros restringissem o comércio com a Itália.

Tal proibição, no entanto, não chegou a afetar a Itália, porque nações fortes como os Estados
Unidos e a Alemanha - que não faziam parte da SDN - continuaram a vender-lhe matérias-
primas essenciais, como petróleo e carvão. A conquista da Etiópia pela Itália, consumada em
1936, provou ao mundo que a SDN era incapaz de assegurar a paz mundial. A Alemanha alia-
se aos transalpinos e celebrava então um pacto com Mussolini (Eixo Roma-Berlim), onde foram
anexadas várias regiões que permitiam regular o comércio e a política externa de países como
a Áustria e a Checoslováquia. O "Eixo Roma-Berlim" tornou-se uma aliança militar em 1939
com o Pacto de Aço. Foi um acordo entre os governos da Itália fascista e da Alemanha nazista,
firmado em 1939, que estabelecia uma aliança em caso de ameaças internacionais, bem como
ajuda imediata e suporte militar em caso de guerra e colaboração na produção bélica e no
campo militar. Além disso, nenhuma das partes poderia firmar paz sem o consentimento da
outra. As anexações territoriais da Áustria e da região checa dos Sudetas foram realizadas pela
Alemanha em 1938. Posteriormente, em 1939 Mussolini anexa a Albânia.

A expansão japonesa interferia também na política europeia. A Alemanha afirma com o Japão
um pacto anticomunista em 1936 (Pacto Anti-Komintern), cujo objetivo era combater o
expansionismo do comunismo soviético. Em caso de ataque da URSS contra a Alemanha ou o
Japão, os dois últimos comprometiam-se a efetuar consultas acerca das medidas a serem
tomadas para proteger os seus interesses comuns. Também concordaram que nenhum dos
dois concluiria tratados políticos com a URSS. Esta aproximação do Japão à Alemanha deve-se,
essencialmente, à viragem da política japonesa para uma direção mais nacionalista e
autoritária. Em 1937, a Itália aderiu a este pacto. Após ter firmado com a Alemanha o Pacto do
Aço, integra os seus objetivos militares em 1940, com o Pacto Tripartite. Através deste,
formalizou a aliança conhecida como Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Foi idealizado por Hitler para
intimidar os EUA e tentar mantê-lo como país neutro durante a guerra. Porém, na prática
acabou legitimando a entrada americana no conflito europeu, quando este declarou guerra ao
Japão, após o ataque japonês a Pearl Harbor.

Perante o desrespeito das normas dos tratados de paz e dos termos do pacto da SDN, as
democracias ocidentais reagiram muito passivamente. A SDN manifestou uma atitude
displicente em relação aos países que violaram as cláusulas do seu pacto. O Reino

Unido e a França não impediram Hitler de atuar logo em 1938 porque ambos não estavam
preparados para a guerra. A nível económico, financeiro e industrial eram muito mais fracos
do que a Alemanha. Também, sem o apoio dos EUA, os exércitos francês e inglês tinham
poucas probabilidades de resistir perante as forças armadas de Hitler.

Outra razão encontrava-se na esfera ideológica. Os regimes liberais consideravam a revolução


bolchevique como o inimigo principal e, por isso, não pensavam, de maneira alguma, que fosse
possível uma aliança militar com a URSS. Acreditando nas promessas feitas por Hitler de que,
resolvido o problema dos Sudetas, não haveria mais problemas na Europa, as democracias
ocidentais cederam na celebração do Pacto de Munique, em 1938, aceitando a integração
daquela região nas fronteiras alemãs. Estes são os principais exemplos da atitude passiva das
democracias, as quais não notavam que, com as suas tentativas de pacificação, estavam a dar
oportunidades à Alemanha e à Itália de testarem as suas armas.

O último obstáculo à guerra foi a posição da URSS. A França já tinha tentado fazer a Guerra e
em 1934 ofereceu um lugar à Rússia na SDN. Esta ao início pensou em aceitar o lugar, mas
depois mudou de opinião por causa da Polónia (um novo país criado na sequência dos tratados
e que ninguém queria), pois achava que tinha sido criada numa área que já tinha influência (só
aceitaria se tivesse livre acesso ao território em questão). A França não quis sacrificar a aliança
com a Polónia e a URSS desistiu do seu possível lugar na SDN e da sua aliança com a França.

Em 23 de agosto de 1939, Hitler, pretendendo evitar complicações a leste, celebra um pacto


de não-agressão com a URSS, que incluía a partilha da Polónia e a integração na URSS dos
países bálticos. Alemanha e URSS (que mudara a sua política externa) comprometeram-se a
não se atacarem uma à outra e a manterem-se neutras se uma delas fosse atacada por uma
terceira potência.

Quando em 1939, a Alemanha anexa toda a Checoslováquia, é que as democracias ocidentais


começaram a perceber que os acordos do Munique tinham sido mais uma cedência à política
de chantagem dos ditadores. A 3 de setembro de 1939, dois dias após a entrada das tropas
alemãs no território polaco (que quebrava o pacto de não-agressão), a França e a Inglaterra
declaram guerra à Alemanha. Iniciaram também um bloqueio naval à Alemanha, que tinha
como objetivo danificar a economia do país e o seu esforço de guerra. Foi o início da II Guerra
Mundial, o conflito mais violento da História. Portanto, uma das causas desta guerra foram os
desejos expansionistas.

“Os Tratados de Versalhes não resolveram as contradições entre concorrentes Capitalistas (…).
Os beneficiários do estatuto de 1919 pretenderam conservá-lo[s], mas a Alemanha, a Itália e o
Japão uniram-se para destruí-lo[s]. Um tratado entre potências capitalistas consagra
simplesmente uma repartição do mundo em função de uma relação de forças e assim traz em
si o germe de uma outra guerra por uma nova repartição do mundo, logo que a relação de
forças de altera.”

“Era imprescindível para o sucesso dos Nazis e para a eventual aceitação de Hitler por parte
dos Alemães, no que diz respeito à política externa, que o povo alemão acreditasse que os seus
infortúnios económicos e políticos eram uma consequência da imposição e da aplicação do
Tratado de Versalhes por parte dos predadores estrangeiros. Poucos alemães sentiam qualquer
«culpabilidade» especial em relação à Primeira Guerra Mundial e não sentiam que as suas
dolorosas consequências, encarnadas no Tratado de Versalhes, representassem um castigo
justificado.” - R.A.C. Parker, História da 2ª Guerra Mundial.

6. A II Guerra Mundial (1939-1945)


6.1- A hegemonia alemã até 1942 e as invasões japonesas
A segunda Guerra Mundial foi um conflito de longa duração, maior do que a 1º Guerra
Mundial, que durou entre 1939 e 1945, e com consequências catastróficas, graças a um
elevado número de perdas humanas e materiais, mas também com consequências que
provocaram alterações de índole profunda. Ao contrário da primeira Guerra, que se
manifestou primariamente na Europa, esta afetou de forma desigual os vários continentes e
regiões do mundo, mas sobretudo a Europa e a zona do Pacífico. sendo que neste último local
se iniciou logo em 1938 com a invasão do Japão à China.

Este desenrolou-se em duas fases, sendo que a primeira durou até 1942 e foi marcada pelo
avanço dos países do Eixo, isto é, a Alemanha, Itália e Japão. O seu avanço resultou do facto de
que estavam mais preparados para a guerra, com o reforço da sua industria militar, mas
também porque já tinham iniciado o seu processo de expansão, pelo que as suas tropas já
estavam preparadas. Foi uma guerra de movimento assente em exércitos motorizados e
dependentes do petróleo.

Nos primeiros meses de guerra, assistiu-se ao avanço imparável dos alemães por quase toda a
Europa. Em menos de um ano, a Europa continental caiu sob o poder alemão, tão rápida e
poderosa foi a sua ofensiva militar. Pela primeira vez é utilizada em larga escala a estratégia da
Guerra Relâmpago (blitzrieg). Durante a II Guerra Mundial, existiam duas grandes frentes. A
frente oriental iniciou-se com bombardeamentos maciços realizados pela aviação (luffwaffle) a
Varsóvia (primeira capital europeia a conhecer as agruras do bombardeio aéreo). Os alemães
tencionavam conquistar o território polaco rapidamente, antes que as chuvas de outono
tornassem os movimentos mais difíceis e que os franceses pudessem atacar a oeste.

Os comandantes polacos esperavam poder resistir aos ataques alemães até que a ofensiva
francesa, com a qual contavam, fizesse recuar as tropas alemãs. Face a esta invasão, a
Inglaterra e a França enviam ultimatos, exigindo a retirada imediata das forças alemãs do
território polaco - dando-lhes um prazo de vinte quatro horas - findo os quais
automaticamente se declarariam em guerra com a Alemanha. A 3 de Setembro, chegam à
Chancelaria alemã as declarações de guerra. Apesar dos esforços, os polacos não têm
condições de deter a poderosa máquina militar germânica. Em apenas três semanas, a Polónia
caiu em poder dos alemães, acabando por se render incondicionalmente.

A Frente Ocidental foi a segunda maior frente e mais importante durante a II Guerra Mundial.
Em abril de 1940, capitulavam a Dinamarca e a Noruega; em maio, deu-se a invasão da
Holanda e da Bélgica, por onde se processou a entrada em França, cuja capital cedeu ao
avanço triunfante dos alemães, em meados de junho. Em pouco mais de um mês,
praticamente todo o território francês estava ocupado pelos nazis.

Dominada a França, Hitler arranca imediatamente com o plano de invasão da Inglaterra. O


grande objectiva era destruir a Royal Air Force (RAF). Para o efeito, submeteu as áreas
estratégicas de Londres a um intensíssimo bombardeamento. Porém, apesar de isolado, o
Reino Unido resistiu, ajudado pela recente invenção do radar e graças ao talento dos pilotos da
RAF. A 15 de setembro de 1940, na que ficou conhecida como a batalha de Inglaterra, os céus
do Canal da Mancha assistiram à derrota da força aérea alemã. Sem conseguir a vitória, o
comando alemão decidiu suspender a invasão da Inglaterra e virar-se para a conquista do
Leste europeu. A frente ocidental permaneceu intacta desde 1940 até a Batalha da
Normandia, em junho de 1944. De toda a Europa Ocidental, só o Reino Unido e a Península
Ibérica (que era neutra) não estavam sob a influência alemã.

6.2. A guerra na Europa: o recuo alemão depois de Stalingrad e dos


desembarques americanos
A frente oriental foi a principal frente europeia durante a II Guerra Mundial, e constituiu o
teatro de guerra entre o Reich Alemão e a União Soviética entre de junho de 1941 e maio de
1945. A frente cobriu a Europa Central e Oriental, foi aberta pela Alemanha nazista ao invadir a
Polónia em 1939 e encerrada pela URSS ao capturar Berlim em 1945, mantendo-se
temporariamente inativa em 1940.

Em junho de 1941, a guerra sofreu, pois, uma mudança radical. Hitler rompe o pacto germano-
soviética e as forças armadas deram início à invasão da URSS. Os alemães não estavam
interessados em conquistar grandes cidades russas, queriam apenas alcançar grandes zonas
petrolíferas dentro do território para assim controlarem o petróleo russo. Era uma região
estratégica, pois dava ligação ao Mar Cáspio e ao Médio Oriente. Se chegassem a esta zona,
teriam praticamente tudo sob controlo.

Face a esta invasão, os russos sabiam que tinham algum tempo até que os alemães
chegassem, e por isso prepararam tudo (transferiram grande parte das suas unidades
industriais para as zonas circundantes, centrando a sua defesa na zona do Mar Cáspio, em
Estalinegrado, onde estavam as reservas petrolíferas..A 17 de Julho de 1942 deu-se a Batalha
de Estalinegrado. O exército alemão promove investidas sobre o Cáucaso para ganhar mais
território. No entanto, vêem-se cercados pelos soviéticos e rendem-se em Estalinegrado. Esta
batalha constitui assim o primeiro ponto de viragem nesta guerra, colocando em causa a
hegemonia alemã consolidada até à altura.

Entretanto, em 1942, a Líbia e o Egito caem em poder dos alemães. A guerra no Mediterrâneo
intensificava-se com a ocupação do Norte de África pelos exércitos nazis, com o objetivo de
defender o Sul da Europa de uma possível invasão por parte da resistência aliada, que acabou
por suceder. Quando os EUA entraram em Guerra, desembarcaram em África e obrigaram a
Alemanha a recuar. Os alemães recuaram tanto que acabar por se dispersar de África,
regressando à Guerra na Europa. Até 1942 não havia praticamente coordenação nenhuma
entre os aliados. A partir deste momento os soviéticos exigiram que os americanos abrissem
frentes na Europa. No final de 1942, a guerra estendia-se a todo o mundo.

Todavia, a partir de 1943, começa a derrocada do Eixo. Os alemães são derrotados no Norte de
África por tropas americanas e inglesas, iniciando-se a invasão aliada da Sicília, que foi
reconquistada em julho desse ano. Em julho de 1944, os aliados entraram em Roma.

No leste, depois da vitória de Estalinegrado, os soviéticos iniciam o avanço para Ocidente e,


nos dois anos seguintes, conquistam a Roménia, a Polónia, a Bulgária, a Checoslováquia e a
Hungria.

No Mediterrâneo, o avanço dos alemães contava com o apoio dos exércitos de Mussolini e
com a ascensão, por toda a Península Balcânica, de regimes conservadores. Muitos deles, sob
pressão de Hitler, integraram também o Eixo Berlim-Roma-Tóquio, entretanto constituído
pelas potências totalitárias. Portanto, sem sólidos apoios no Sul da Europa, a força aérea
inglesa, obrigada a utilizar as bases no Egito e na Líbia, encontrava grandes dificuldades em
suster a iminente entrada dos Alemães no Norte de África.

Outro ponto de viragem, agora no Pacífico foi a orientação do Japão para a conquista dos
territórios do Sudoeste Asiático sob a influencia das potencias europeias ou dos EUA. Com
estas invasões, os EUA deixaram de comercializar petróleo com o Japão e na sequencia disto,
os japoneses destruíram a frota americana no ataque a Pearl Harbour. Este ataque assinala o
momento que provocou o envolvimento imediato dos EUA no conflito, ao lado das
democracias europeias. O Japão invadiu o Havai por forma a estes não se conseguirem
defender; assim, os japoneses poderiam ocupar os territórios asiáticos pertencentes à
Holanda, França, Inglaterra e Portugal.

O Japão entrou na frente ocidental pois interessavam-lhe os mercados fechados do Pacífico e a


zona das Índias Orientais (Indonésia, Malásia e Indochina), uma região produtora de petróleo.
Os japoneses decidiram ocupar as colónias europeias do Pacífico, declarando guerra às
potências ocidentais. Entre 1940 e 1941, começam a desenvolver-se tecnologicamente e a
promover o seu domínio no Sudoeste Asiático, que pertencia aos norte-americanos. Assim,
ocuparam toda a região do Pacífico tropical.

A participação norte-americana na guerra era, até então, indireta já que preparavam os seus
exércitos e armamentos nas suas bases localizadas em pontos estratégicos do planetaO
conflito estendia-se, agora, ao Pacífico e ao continente asiático, onde os japoneses, graças às
suas ofensivas militares, vinham edificando um poderoso império que era governado por um
autoritário imperador e que lhes assegurava o controlo de ricas fontes de matérias-primas
essenciais para a sua indústria e, ao mesmo tempo, o domínio de importantes áreas
estratégicas que se estendiam da Manchúria até à Oceânia. Perante o ataque ao aliado
asiático, Hitler declara guerra aos EUA.

O contra-ataque americano fez-se em duas frentes: contra o Japão, mas também contra as
potências do Eixo-Roma-Berlim, apoiando os europeus. Para tirar os exércitos alemães da
Rússia e distribui-los pela Europa, os EUA foram fazendo desembarques na costa africana,
tendo derrotado os alemães no Norte de África em 1943, e mais tarde, a Itália.

O primeiro dos acordos firmados entre a Rússia (Josef Stalin), os EUA (Franklin Roosevelt) e a
Inglaterra (Winston Churchill) ocorreram no ano de 1943, em Teerão. Além de lançarem bases
quanto às definições de partilhas, decidiu-se que as forças anglo-americanas interviriam
conjuntamente com as forças orientais soviéticas na França, completando o cerco de pressão à
Alemanha (dia D). Deliberou-se ainda sobre a divisão da Alemanha e as fronteiras da Polónia
ao terminar a guerra, além de se formularem propostas de paz com a colaboração de todas as
nações. Os Estados Unidos e o Reino Unido reconheceram, ainda, a fronteira soviética no
Ocidente, com a anexação da Estónia, da Letónia, da Lituânia e do Leste da Polónia.

O dia D aconteceu em 6 de junho de 1944, quando as forças aliadas desembarcaram,


surpreendentemente, na Normandia e teve início a reconquista da Europa Central. As forças
norte-americanas, inglesas e francesas e seus aliados invadiram a França, então ocupada pelos
alemães. Foi uma decisão política para manter a liberdade na Europa, ocorrida depois da
derrota alemã para o Exército Vermelho, na famosa Batalha de Stalingrado (1942/1943). Com
a entrada dos soviéticos em Berlim, em maio de 1945, a derrota de Hitler passa a ser uma
questão de dias. Efetivamente, a rendição total e incondicional da Alemanha veio a ser
assinada pelo alto comando nazi, em 7 de maio, já com Hitler morto. O Dia da Vitória na
Europa constitui então a data formal da derrota da Alemanha Nazi em favor dos Aliados na II
Guerra Mundial.

6.3. A guerra no Pacifico


Faltava resolver uma outra guerra que se arrastava desde 1941: a Guerra do Pacífico. Esta foi
dividida em duas etapas. Entre 1937 e junho de 1942, quando o Japão se manteve na ofensiva
e foi vitorioso na ocupação de grande parte do território chinês e também na destruição da
frota americana em Pearl Harbor, assim como na tomada de outros territórios de influencia
europeia e americana.( Hong Kong e Singapura, na invasão e ocupação da Tailândia, Birmânia,
Malásia, Filipinas, Nova Guiné, Índias Orientais Holandesas, Ilhas Salomão e das bases
americanas de Guam e Wake ).Já em 1942 tem-se a vitória da marinha e da aviação norte-
americana na batalha naval de Midway, o que impediu o desembarque das tropas japonesas
no atol e resultou na destruição dos quatro principais porta-aviões do Japão. A ofensiva
passou, então, para os aliados, que, nos três anos seguintes reconquistariam todos os
territórios tomados, através de grandes batalhas terrestres e navais (Guadalcanal, no Mar de
Coral, Tarawa, Golfo de Leyte, Filipinas, Saipan, Iwo Jima e Okinawa).

Apesar de destruírem as bases americanas, os japoneses acabaram por não destruir as


reservas de petróleo existentes. Com o ressurgimento da sua frota, os americanos acabaram
por superar os seus adversários e começaram a retirar as colónias europeias que o Japão tinha
ocupado.
A guerra no Pacífico inverteu-se para o lado dos Aliados, em junho de 1942. A partir de 1943,
os americanos recuperam o controlo do Pacífico e só uma resistência suicida dos japoneses ia
conseguindo suster um avanço mais rápido das tropas americanas e australianas. Era o tempo
dos kamikazes, pilotos japoneses que lançavam os seus aviões contra os alvos inimigos.

6.4- Passagem para a Guerra Nuclear


Entretanto, alemães e americanos desenvolveram muitos projetos ao longo da IIGM.
Separadamente, desenvolveram armas estratégicas novas, como o míssil e a arma nuclear
(bomba atómica). Em fevereiro de 1945, os aliados desembarcavam no arquipélago japonês.

A Conferência de Potsdam ocorreu na Alemanha em julho de 1945, entre o presidente Harry


Truman dos EUA, o primeiro-ministro Clement Attlee da Grã-Bretanha e o marechal Stalin,
presidente da URSS. Destinou-se a fixar a política a seguir para com a Alemanha (vencida na II
Guerra Mundial), a lançar os fundamentos da paz futura na Europa e no mundo, e a resolver
todas as dificuldades provocadas pela guerra, terminada apenas a 7 de maio desse mesmo
ano.

Numa fase inicial, os americanos queriam que os soviéticos declarassem guerra ao Japão. Para
facilitar a ocupação do terreno nipónico, pretendiam esta intervenção já em 1945., e apesar do
tratado de não agressão que a URSS tinha com o Japão, iniciaram a conquista da Coreia, mas
os EUA não queriam que fosse a URSS a chegar ao Japão e conquistá-lo, No final da
conferência, os americanos tinham completamente preparada a bomba atómica. Por esta
razão recuaram nas suas pretensões para com os soviéticos. Perante a resistência já irracional
dos japoneses, os americanos, numa demonstração da sua força como superpotência, lançam
em agosto de 1945 bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki. Ao Japão nada mais lhe
restava senão render-se. A 17 de agosto de 1945, o Japão (última nação da aliança do Eixo a
render-se) assinou a sua rendição incondicional. As armas nucleares eram usadas na guerra.
Terminava, portanto, a Segunda Guerra Mundial. Os EUA ocuparam o Japão e metade da
Coreia, ficando com o Sul, e a URSS ficou com o Norte da Coreia.

7. A ordem internacional após a II Guerra


Calcula-se que morreram entre 40 a 52 milhões de pessoas. A IIGM causou graves
consequências a todos os níveis. Verificou-se um grande grau de destruição, milhões de baixas
e falta de liquidez para pagar as importações. As cidades estavam destruídas, os campos
arrasados e as vias de transporte e comunicações intransitáveis. Aliás, a evolução científica e
técnica proporcionou aos beligerantes armas muito mais mortíferas do que as existentes
durante a Primeira Guerra Mundial. Pela sua capacidade de destruição destacou-se uma nova
arma: a bomba atómica. Como a força de guerra dependia muito da capacidade económica,
nomeadamente da produção de armas e de comida, as fábricas tornaram-se alvos legítimos
dos bombardeiros. Depois, outros alvos civis foram proclamados legítimos ao considerar-se
que os trabalhadores nas outras fábricas apoiavam também as máquinas de guerra.

O acordo de Ialta pretendia dar ao povo germânico a oportunidade de retomar a sua


vida em bases democráticas e pacíficas, e banir toda a legislação nazi discriminatória quanto a
raça, crença religiosa e opinião política. A nível político foram feitas alterações no mapa
político mundial: o território alemão foi dividido em quatro zonas ocupadas e administradas
pela URSS, Inglaterra, EUA e França (o mesmo aconteceu com a cidade de Berlim). Os
comandantes-chefes das quatro principais nações aliadas passariam a controlar, cada um, uma
zona definida da Alemanha, cabendo à URSS a parte oriental e aos EUA, França e Inglaterra a
parte ocidental. Esta divisão daria origem à formação de dois blocos que disputarão a
hegemonia mundial: Bloco Leste (liderado pela URSS) e Bloco Ocidental (liderado pelos EUA).

7.1. O fim dos impérios coloniais


Uma importante consequência do fim da II Guerra Mundial foi o fim dos impérios coloniais e,
consequente, arranque irreversível dos processos de descolonização. Os dois acontecimentos
que vieram debilitar as relações dos europeus com as suas colónias correspondem às duas
guerras mundiais.

Com o fim da I GM, as potências mundiais aproveitaram para consolidar as suas ocupações e
previa-se que este período de entendimento e Paz estava para durar. O período entre guerras
foi, aliás, uma época de apogeu para as potências coloniais (representavam cerca de 42% do
planeta). Foi nesta altura que a SDN fez mais considerações relativas às colónias: havia
impérios que iam ser dissolvidos e havia que integrar as suas colónias como mandatos noutros
impérios, nos vencedores. Portanto, para as potências com territórios coloniais, a crise colonial
havia terminado.

No final da IGM, a Europa perdeu o estatuto de centro do poder mundial. Portanto, era de
prever que tivessem existido perturbações nos impérios coloniais. As colónias começaram a
obter um maior poder reivindicativo. As colónias foram, de uma certa forma, industrializadas e
começaram a produzir. As potências europeias travaram guerras nas colónias, usando grandes
quantidades de recursos materiais. De resto, as metrópoles fizeram grandes requisições de
tropas coloniais. Estando as condições políticas das colónias mudadas, o carácter nacionalista
das mesmas foi desenvolvido, o que fez com que estas se opusessem ao retorno ao status quo
existente antes da guerra.

Mas a II Guerra Mundial foi muito mais séria - a crise foi definitiva. A correlação de forças
entre a metrópole e as colónias alterou-se profundamente, pois algumas metrópoles e
colónias foram ocupadas pelo inimigo. Com o final da IIGM, origina-se o colapso material dos
países europeus. Como não tinha liquidez para a manutenção dos impérios coloniais,
dependiam das exportações americanas. A perda de importância das outrora potências
mundiais, que agora estavam arruinadas, causou o fim desses impérios coloniais. Isto levou à
reconfiguração dos territórios a nível geográfico. Neste processo decorre o surgimento de
novos países.

7.2. Fatores para as politicas "anticoloniais”. A hegemonia EUA/URSS; a ONU; os


novos organismos multilaterais (Liga Árabe, O.U.A., o movimento dos "Não
alinhados")
A ordem política modificou-se mais na IIGM do que na IGM, significando perda total da
hegemonia europeia para os EUA. Acentuou-se muito mais o panorama do Dollar Gap (falta de
liquidez dos países europeus para pagar as dívidas). Isto levou os países a negociarem com os
EUA, elevando as exportações de capitais para a Europa.

As duas guerras proporcionaram uma recombinação de poderes e a queda das potências


imperialistas, tendo apenas restado os EUA e a URSS. A IIGM funcionou como um acelerador
de crescimento económico e desenvolvimento técnico (sobretudo armamento) para as duas
potências que daí advieram. Os EUA queriam fazer exportações para solo alemão, com o
objetivo de que esta crescesse. Tinham muito dinheiro investido nos mais diversos países
europeus e esses países não tinham como pagar esses empréstimos.

As potências europeias que outrora tinham muito poder no panorama internacional, estavam
agora completamente falidas e decadentes. Por isso, tornou-se difícil manter as áreas de
influência que estes detinham antes da guerra. Todos os países beligerantes acabaram a
guerra destruídos e arruinados, numa escala muito maior que a IGM. O grande problema era
descobrir como é que a recessão do pós-guerra podia ser evitada.

Inglaterra e URSS tentaram negociar o crédito. Nas suas cimeiras com os EUA, discutiram-se a
recuperação europeia e o pós-guerra. Entre 1945 e 1947 verificou-se que a Europa necessitaria
muito mais de créditos a curto prazo e que os americanos não se interessavam com muitos
acordos bilaterais. Recorde-se que os EUA tentavam evitar uma recessão, pois isso teria um
forte impacto sobre a sua economia. Os EUA necessitavam cada vez mais da Europa como
mercado. Mas, com a IGM, aprenderam que uma potência colonial não poderia sobreviver
num espaço económico fechado.

Os EUA verificaram que já não lhes interessavam acordos bilaterais devido ao que aconteceu
depois da I GM. Preocupados com a recessão e com as necessidades de reconstrução da
Europa, os EUA fizeram uma grande pressão para que os acordos fossem feitos multinacional e
não bilateralmente, Isso implicaria naturalmente uma abertura da Europa e dos mercados
coloniais (um prolongamento dos espaços económicos nacionais). Portanto, era necessário
levar os países europeus a encontrarem empresas para gerir estes fluxos de capitais
americanos.

Com a derrota do Eixo, vieram ao de cima os antagonismos ideológicos que tinham sido
esquecidos durante a IIGM. Designou-se por Guerra Fria o ambiente de tensão que
caracterizou as relações entre os governos americanos e soviéticos, desde o final da IIGM em
1945 até à dissolução da URSS em 1991. Diz-se guerra fria porque os países se abstiveram de
recorrer diretamente às armas. Utilizavam formas de propaganda ideológica, faziam corridas
ao armamento, organizavam ações de espionagem, etc…

Os EUA, fazendo uso da sua posição de força, obrigaram os estados europeus a organizarem-se
de uma forma multinacional (ou multilateral). Defendiam um regime político democrático-
liberal e uma economia inspirada no modelo capitalista. Por seu turno, a URSS estava numa
posição de força político-militar. Defendia um regime socialista do centralismo democrático e
uma economia coletivizada e planificada. Além disso, tinha uma força político-militar muito
forte. Devido ao facto de os Estados Unidos não quererem acordos bilaterais e como sabia que
lhe iriam pedir contrapartidas político-militares enormes e que se fosse originado um grande
investimento nos países ocupados por eles, isso iria acarretar problemas, a URSS não estava
disposta a negociar com os EUA e criou uma enorme barreira entre os estados soviético e
americano.

É importante referir que ainda o fim da guerra estava longe de todas as previsões, já as forças
democráticas ocidentais representadas pela Inglaterra e EUA revelavam as suas preocupações
relativamente à definição do novo quadro geopolítico do mundo pós-guerra, perante os sinais
expansionistas evidenciados por Estaline.
As sucessivas conferências realizadas à medida que a derrota do Eixo se ia confirmando como
uma questão de tempo, apesar dos acordos conseguidos, não conseguiam esconder a divisão
do mundo em áreas de influência antagónicas, tanto quanto o eram os interesses
geoestratégicos e políticos das novas potências aliadas.

Em 1947 entram em vigor os Tratados de Paz elaborados ainda durante a IIGM. O novo
traçado da Europa não conseguiu esconder a divisão do velho continente em duas áreas
perfeitamente delimitadas, dois blocos (ideológicos, políticos e económicos) antagónicos: a
ocidente, uma Europa atlântica destruída, incapaz de rivalizar com as duas novas
superpotências, e reconstruída graças às ajudas económicas dos EUA (que abandonam a sua
política isolacionista e reforçam o seu papel no cenário político mundial) em cuja esfera de
influência acabará por cair; a leste uma Europa também destruída, liberta da ocupação nazi
graças à ação do Exército Vermelho e onde governos comunistas ascendem ao poder.

Em relação aos EUA e à URSS, o confronto ideológico entre as duas superpotências


materializou-se na organização de alianças entre os países de cada um dos blocos. A ruína
económica da Europa ocidental e o perigo de os países resvalarem para o campo comunista,
levou o presidente Truman a conceber um plano de recuperação económica europeia. O Plano
Marshall. anunciado em junho de 1947, foi proposto no sentido relançar imediatamente a
economia europeia, para permitir a posterior autonomia nacional de cada país. Mas era
necessário decidir quais os países que deveriam receber os empréstimos. Era preciso criar
mecanismos que permitissem o pagamento posterior desses capitais emprestados.

Para coordenar os fundos do Plano Marshall, organizou-se uma conferência em Paris, tentando
organizar os fundos americanos para a reconstrução europeia. O Plano Marshall não só
contribuiu para a recuperação dos países da Europa ocidental, como também reforçou os laços
entre os mesmos. Os EUA também beneficiaram da sua implementação: contiveram o avanço
comunista e conseguiram incluir na sua área de influência uma Europa dependente e em
recuperação, consumidora dos excedentes da sua próspera indústria.

Estaline enviou uma grande delegação a Paris para discutir a participação soviética. Depois
retirou-a e proibiu os países sob sua alçada de aceitar a ajuda, que era oferecida a qualquer
país que a solicitasse, Estaline reagiu ao Plano Marshall reforçando o seu domínio onde quer
que fosse possível. Criou o Kominform (Secretariado de Informação Comunista, 1947: tinha
como objetivos promover a troca de informações e dirigir a ação dos partidos comunistas sob
orientação soviética, assim como exercer um maior controlo sobre os países de Leste,
reforçando a hegemonia soviética nessa parte da Europa), bloqueou a zona ocidental da
cidade de Berlim e formou o COMECON (Conselho para Assistência Económica Mútua, 1949.
Decorrente do Plano Molotov, procurava constituir uma resposta direta ao Plano Marshall:
procurava promover a cooperação económica do Leste europeu e exercer um controlo
económico mais apertado sobre os países satélites).

Entre 1945 e 1949, os EUA apareceram como uma potência “super imperialista” numa época
de necessidade e de carência económica e produtiva. Por outro lado, viam agora nascer um
novo rival económico e ideológico, capaz de contaminar a Europa que se encontrava em
ruínas, e, por isso, havia uma grande preocupação em conter o avanço da esfera soviética.

Com o Plano Marshall, os EUA conseguiriam ver quais os países que poderiam servir de aliados
e também encontrar destinos de exportação de capital. Os americanos não podiam abdicar da
economia japonesa e foi, então, criado o Plano Dodge, com as mesmas características do
Marshall, para desenvolver o Japão e para exportar o capital americano.
Entretanto, a Conferência de Ialta permitiu decidir o que iria acontecer aos impérios coloniais.
É aqui que vemos a hegemonia dos Estados Unidos e da URSS. As directrizes afirmadas nesta
reunião determinaram boa parte da ordem durante a Guerra Fria, precisando as zonas de
influência e ação dos blocos antagónicos, capitalista e socialista. O anticolonialismo foi a
política adotada pelas potências após a IIGM, em 1945, porque era inadmissível que países
como França e Inglaterra, oprimissem colónias africanas e asiáticas, quando juntas lutaram
contra o nazi-fascismo. Essa prática foi amplamente apoiada pelos EUA e pela URSS
(interessados em áreas de influência), movidos pela Guerra Fria.

Os Estados Unidos eram a potência mais anticolonial, pois desejavam abrir os mercados
coloniais e conquistar novos mercados, quebrando a barreira protecionista imposta pelas
metrópoles. Eram contra a colonização, favoreciam a autodeterminação dos povos.
Concederam a independência às Filipinas, Porto Rico e Cuba, fruto da sua política anticolonial.
Os Governos de Nixon e Roosevelt praticaram e fizeram cumprir medidas descolonizadoras. No
entanto, na prática também esta posição não foi permanente, havendo mesmo situações em
que punham o anticolonialismo de lado. Em situações de países que eram seus aliados e não
tinha problemas com a abertura do seu mercado colonial (Inglaterra, França e Portugal), foi
permitida a manutenção dos seus impérios coloniais, pois estes não estavam fechados aos
capitais americanos e alinhavam-se com a política americana. Tornavam-se, portanto,
favoráveis à existência de impérios coloniais. Mas esta posição americana não foi permanente
nem intransigente.

A URSS ocupava também uma política anticolonial, mas ao mesmo tempo não queria estragar
as relações que tinha com os outros países. Nos anos 20 tinha discutido a questão colonial, e
uma maneira de dar resposta às guerras civis dentro do seu território era levar a corrente
comunista a esses governos, pelo que a URSS apoiou também partidos comunistas aquando
das eleições em países asiáticos. No entanto, caso houvesse outros movimentos com maior
hipótese de sucesso, era esses que a URSS apoiava. Os soviéticos tinham o facto de outros
países não terem a situação política definida para não fazerem muita pressão anticolonial.
Eram países com colónias, mas que hesitavam sobre o que fazer em termos de blocos. Um dos
exemplos é a Itália. Neste contexto, os soviéticos não queriam tomar uma postura anticolonial,
para não empurrar os países para fora da sua área de influência.

Em suma, as potências (EUA e URSS) não eram sistematicamente nem simultaneamente


colonialistas ou anticolonialistas. É neste sentido que a ONU, formada em 1945, apoiou a
autodeterminação dos povos. Nos termos da sua carta, mantinha a ideia de que certos
territórios poderiam ser anexados. A França e a Inglaterra tinham acesso direto ao Conselho de
Segurança. Era uma organização anticolonialista e esta orientação levou-a a defender a
descolonização de todos os territórios. No entanto, como não pode intervir nos Estados e
nunca poderia impor políticas em territórios no poder de metrópoles, teve um papel muito
limitado no processo de descolonização, isto é, uma intervenção praticamente nula, pois
quando foi criada, a ONU tinha 45 membros, quase todos defensores do status quo existente.
Só depois, com a entrada de novos membros e o alcance de algumas independências, isto
mudou, passando a tomar posições anti coloniais.

Tanto os americanos como os soviéticos não atuaram constantemente para forçar as


descolonizações. Mas não era por causa destas pressões que os impérios iriam deixar de ter
colónias. Existiram três fases de descolonizações: na Ásia, no Médio Oriente e, por fim, em
África. Só na fase final do processo de descolonização africano é que a ONU teve alguma
influência, estando por detrás do caso da Rodésia.

Outras organizações anticolonialistas passam pela Liga Árabe. Alguns territórios árabes que
estavam entregues a potências europeias sob forma de mandatos, passaram a ter
independências fictícias – a maioria sob o poder de Inglaterra. A Inglaterra teve a ideia de
formar uma organização para integrar esses estados “livres”

Em terceiro lugar, há o caso da OUA (Organização da Unidade Africana) criada em 1963, mas
não foi um acelerador da descolonização. Os novos estados africanos, quando foram
declarados independentes, decidiram manter as fronteiras que haviam sido definidas pelas
potências que as exploraram até aí. Isto aconteceu, porque caso mudassem as fronteiras, iriam
desencadear um conjunto de conflitos entre os países africanos. Alguns deles acederam à
independência com maiores territórios, mas, para evitar esses conflitos, a OUA declarou que
as fronteiras coloniais seriam respeitadas e mantidas.

Por fim, o Movimento dos Não Alinhados. Foi um fenómeno acentuado nos anos 50 e
desenvolveu encontros regulares para servir de contrapesa às mais poderosas metrópoles. A
sua criação remonta à Revolução Russa: muitas das populações asiáticas que tinham sido
conquistadas pelos bolcheviques decidiram organizar uma assembleia – Congresso do Médio
Oriente – em 1920. Isto deu origem a outras reuniões e congressos que viriam a motivar o
MNA. Este era formado por estados asiáticos e africanos, por países recém-emancipados da
dominação colonial e que tinham em vista a denúncia e condenação do colonialismo. Mas
muitos dos Estados ainda não eram independentes. Quando se deu a independência de muitos
desses, criou-se um esboço para a primeira conferência: Asian Relations Conference, na Nova
Deli, mesmo antes da independência da Índia. Importa ressalvar que aquele dito Movimento
dos Não Alinhados surgiu em 1955, na Conferência de Bandung, com estados, como já referi,
independentes.

Em suma, no pós-guerra, as potências europeias tinham imensas dificuldades materiais.


Muitas delas seriam obrigadas a desfazer-se dos seus impérios coloniais. Mas os EUA, a URSS e
as próprias organizações internacionais não faziam muita pressão sobre as metrópoles nem
foram determinantes para este processo de descolonização. Contava mais a correlação de
forças entre as colónias e a metrópole, bem como as dificuldades sentidas por estas.

Como uma das consequências da II Guerra Mundial foram o fim dos Impérios

Coloniais, iniciou-se assim a época das descolonizações. Estas descolonizações formais foram
constituídas por 3 vagas:

1ª vaga: 1947-53 (descolonizações asiáticas) + fim do Império Otomano

2ª vaga: 1957-64 (descolonizações africanas)

3ª vaga: 1975-80/94 (descolonizações africanas [portuguesas])

7.2.1.. As descolonizações asiáticas - 1947-1953


a) A descolonização da Índia Britânica e o conflito Índia-Paquistão (1947-48)

A Índia era um território complexo, com muita diversidade cultural, política e económica.
Em meados do século XIX, praticamente todo o território indiano estava sob administração
inglesa, uns sob administração direta e outros através do Rajput (os Rajás governavam mas
atendiam à Inglaterra). Era uma manta de retalhos fiscalizada pelos ingleses, pois estes
controlavam a política externa e o essencial da política interna. Quase metade do rendimento
líquido indiano era canalizado para a Inglaterra. O mercado estava protegido por ela.

Mas nada impediu que os Rajputs se começassem a agrupar e formassem um Partido do


Congresso, que se considerava com um dos grandes partidos das elites indianos, e em que
faziam reivindicações comerciais, principalmente. Nesse congresso, formaram-se duas
correntes principais, uma de defendia a tradição indiana, e outra a evolução.

Antes da I Guerra Mundial, o governo Inglês até chegou a fazer algumas concessões às regiões
indianas, como a participação de conselheiros locais nos conselhos governativos. Mas isto era
compensado com o aumento de impostos sobre a população. Como não houve uma grande
abertura política, o partido reorganizou-se e passou a ter uma implantação popular enorme.

Depois da Guerra, apareceu uma terceira corrente, a de Ghandi, que consistia em usar a
tradição indiana para se conseguir alcançar a modernidade. Ghandi começou a lançou famosas
campanhas de dinamização popular que eram uma tentativa do partido ganhar apoio popular
e pressionar os ingleses para obter concessões políticas. O seu objetivo era tornar a Índia
numa nação independente. Para tal, efectuou campanhas de rebeldia, em que deixaria de
pagar impostos, sendo esta a principal fonte de rendimento dos ingleses. As elites locais iam
criando uma burguesia nacional. Mas isto era insuficiente para que as metrópoles fizessem
concessões políticas.

No decurso da IIGM, os ingleses foram acumulando dívidas em relação à Índia. No final da


mesma, os créditos obrigavam os ingleses a negociarem com os indianos. Estavam, portanto,
numa posição de força perante a Inglaterra. Os ingleses estavam completamente impotentes
face a estes confrontos e não tinham capacidade militar para intervir. Acabaram a guerra
totalmente destroçados e nem apresentavam capacidade para responder à pressão política na
Índia. Começava então a ponderar-se a hipótese da retirada total da Índia e, consequente,
atribuição da independência a este país.

O Partido do Congresso reorganizou-se e passou a ter uma orientação popular muito maior,
começando a fazer pressão sob a administração inglesa para lhes concederem poderes
políticos.

Com a invasão do Japão às colónias europeias no Pacífico, verificou-se uma alteração no


regime de muitas colónias, bem como o caráter nacionalista, influenciando as populações
locais a lutar pela independência. O Japão não conseguiu chegar à India, mas ainda assim
conseguiu influenciá-los. O Reino unido tentou acalmar a tensão propondo um governo
autónomo ou a divisão do partido, estimulando as divisões religiosas, línguas e etnias, uma vez
que as elites que o compunham pertenciam a 2 grandes comunidades distintas, os hindus e os
muçulmanos.

O Partido do Congresso, após a promessa inglesa de conceder um autogoverno aos indianos,


recusou e indicou que queria a independência total, e os elementos do partido organizaram
um pequeno exército e pediram ajuda ao Japão. Os ingleses começaram as negociações para a
independência em 1945 com o governo trabalhista britânico, mas o processo foi atrasado
devido aos antagonismos religiosos e políticos que separavam as duas principais comunidades
indianas: a hindu e a muçulmana, tal como foi referido antigamente, criada artificialmente
pelos ingleses no Partido do Congresso. Para alimentar a revolta, os ingleses criaram um
partido muçulmano: a Liga Muçulmana: Território dos Puros (Pakistan). Mais tarde, a
Inglaterra resolveu realizar a Conferencia dos Himalaias com o Congresso Indiano e a Liga
Muçulmana, para reforçar as tensões entre as duas organizações. Enquanto que o Partido do
Congresso, liderado por Gandhi, mostrava-se favorável à manutenção da União Indiana, com
as 2 culturas distintas, a Liga Muçulmana opôs-se, propondo a divisão do território em duas
partes, que foi a proposta escolhida. No entanto, não foi uma divisão literal do território, mas
pelo contrário, derivou da escolha dos Rajás relativamente ao território a que estes queriam
pertencer. Em 1947 foram criados os dois Estados Independentes: a Índia, de maioria hindu, e
o Paquistão, de maioria muçulmana. Esta opção de divisão do território resultou em fronteiras
pouco convencionais, uma vez que o Paquistão estava dividido pela India, que o atravessava,
existindo assim um Paquistão Ocidental e outro Oriental que não comunicavam entre si, e
mais tarde, este último deu origem ao Blangladesh. No entanto, como continuavam a existir
rivalidades entre as duas culturas que em alguns casos continuavam a partilhar o mesmo
território, houve a transferência de populações entre eles, num clima de violência que originou
uma Guerra Civil.

O conflito entre estes dois Estados persiste na atualidade, sobretudo, motivado pela disputa
do território de Caxemira, pois a Índia queria anexar esta região, mas o Paquistão não
concordava (o Rajá escolheu a Índia, mas 75% da população do Estado era muçulmana,
querendo, portanto, integrar o Paquistão). Este conflito vai estar na origem de 4 Guerras Indo
Paquistanesas entre a Índia e o Paquistão, que só foram apaziguados pela ONU. Uma das
razões que levaram a estas guerras foi o facto de se encontrarem em jogo potências nucleares,
que criaram conflitos que se estendem até ao século XXI.

Graças ao fenómeno de arrastamento, em que os territórios circundantes, influenciados pelo


movimento independentista, Inglaterra concedeu a independencia a outros territórios, como o
Ceilão e a Birmânia.

b) A descolonização das Índias Holandesas e a República da Indonésia (1945-1950)

Ao lado da Índia, desenvolveu-se uma descolonização com algumas características


semelhantes. A evolução desta descolonização foi semelhante às colónias francesas – que
também haviam sido ocupadas pelo Japão. Eram ricas em especiarias, borracha, petróleo e em
plantação.

Colónia holandesa desde o século XVII, o vasto arquipélago indonésio foi ocupado pelos
japoneses durante a II GM, dada a sua riqueza em matérias-primas. O Japão teve um grande
efeito dissolvente na Ásia colonial e queria estimular o nacionalismo local, de modo a que a
região indiana se pudesse desligar das antigas metrópoles. Para tal, conseguiu o apoio de
homens importantes (pertencentes a algumas elites) com a promessa de independência –
1945. Aparecia como libertador do colonialismo ocidental, embora tenha feito recrutamento
de capital humano para força de trabalho e de guerra.

Os holandeses haviam criado uma burguesia nas ilhas, composta maioritariamente por
muçulmanos. Também formou um movimento – Sarekat Islam; o nacionalismo foi influenciado
pela URSS – Partido Comunista Indonésio, que evoluiu para o Partido Nacional, fundado por
homens influentes: Hattar e Sukarno.
Os laços de união entre a Holanda e a Insulíndia encontravam-se num ponto tal por esta altura
que, dois dias depois da capitulação do Japão, os nipónicos não cumpriram a promessa, pelo
que a Indonésia alcançou a independência sozinha e instaurou a república em agosto de 1945.
Depois, os japoneses tentaram recuperar algumas ilhas, mas já que eram independentes, os
indonésios não o permitiram. No entanto, acabaram por ceder-lhe algumas ilhas para que
tivessem acesso a matérias-primas.

Claro que a potência colonial não aceitava de bom grado esta situação. Argumentando que a
ocupação japonesa não lhe fizera perder os direitos na região, a Holanda protestou e
empreendeu uma série de negociações que conduziram, em julho de 1946, à conferência de
Malino, onde foram lançadas as bases de uma Indonésia federal e aliada da Holanda. Mais
tarde, a Holanda reconheceu a independência dos povos indonésios, aceitou a criação de um
Estado federal soberano, sob a direção de um soberano holandês. Em 1947 a Holanda realiza o
policiamento do território e o objetivo dos ataques holandeses, que resultam no controlo de
dois terços de Java, era o controlo das zonas petrolíferas de Sumatra, reocupando o território,
em 1950.

O governo americano apoiava a independência da Indonésia, tomando uma posição


anticolonial para favorecer um processo que não colidia com os seus interesses. Em 1948, deu-
se a segunda insurreição do Partido Comunista Indonésio, que conquistou a simpatia dos EUA
(contra a República da Indonésia). Viram aí que a luta da Indonésia era credível e convenceram
a Holanda a estabelecer uma data definitiva para a independência.

c) A descolonização da Indochina francesa e a intervenção dos EUA

A descolonização da Indochina foi um processo parecido com o da Indonésia. A França,


tal como a Holanda, foi afastada da sua colónia asiática pelos japoneses, que ocuparam a
Indochina durante a II Guerra (1942), quando houve o processo de grande expansão japonesa
no Pacífico.

A Indochina já tinha, antes da guerra, um movimento nacionalista, como na Índia. Era


uma zona onde se podia desenvolver uma burguesia comercial, e formou-se o Movimento
Nacionalista VNKD, que se inspirava no partido político chinês de Kuo-Min-Tang – depois de
não conseguir nada do que reivindicava, organizou-se militarmente.

A Indochina tinha um conjunto de territórios – a Cochinchina, Tankin, Annan (estes


três formam o Vietname), Laos e Cambodja.

Entre estes territórios e a Birmânia, estava um outro que nenhuma das potências havia
ocupado: o Sião (actual Tailândia), que serviu de “tampão” entre uma zona e outra.

A ocupação japonesa podia também ter impedido o Movimento Nacional VNKD que,
como não conseguiu o apoio do Japão para alcançar as suas reivindicações, juntou-se à URSS
que apoiou os “rebeldes”. A URSS, que já tinha expandido a sua política soviética por parte da
Ásia na Mongólia (1924), na Coreia do Norte (1948) e na China (1949, onde arranjou um
agradável parceria com Mao Tsé-Tung), vê agora a possibilidade de estender o comunismo
aliando-se a Ho Chi Minh na conquista da independência neste território do Sudeste Asiático.

Após o Japão ter reconhecido a derrota na guerra em 1945, a França retoma a soberania do
território, mas defronta-se com uma forte oposição liderada pelo comunista Ho Chi Minh, que
declara o território vietnamita independente no mesmo ano. De resto, os EUA, juntamente
com as forças francesas, apoiaram o Movimento que, em 1945, declarou a independência e a
República do Vietname.

No entanto, este partido era instável, uma vez que provocada a unificação indesejada de
outros territórios circundantes, que continuavam a ser colónias francesas, no entanto, a
França não aceitou. . Os EUA, que sempre se declararam anticolonialistas, não queriam que o
Movimento Nacionalista invadisse a área colonial francesa, e tudo fizeram para que isso não
acontecesse. Mas tal não aconteceu. Houve uma violenta guerra civil entre 1946 e 1954 (a
Guerra da Indochina). Aliás, as políticas dos franceses e dos vietnamitas eram inconciliáveis, já
que a França queria restabelecer o regime colonial. Os EUA intervieram e envolveram-se na
Guerra, pelo lado da França, não querendo igualmente a independência do Vietname. Já os
vietnamitas eram representados pelos nacionalistas (apoiados por chineses e soviéticos). A
guerra foi perdida pelos franceses e mais tarde realizou-se uma conferencia que originou 4
países distintos: o Vietname do Norte, que seria independente e com o apoio da China e dos
Soviéticos, e o do Sul, dirigido pelos EUA e pelo antigo imperador; e ainda Laos e Camboja

Esta guerra terminou quando os EUA uma conferência internacional em Genebra em 1954. O
território do Vietname, marcado pelas elevadas divergências ideológicas, dividiu-se
oficialmente em duas zonas distintas: Vietname do Sul, que seria regido pelos EUA e liderado
pelo antigo imperador Bao Dai; e Vietname do Norte, que seria independente, controlado
pelos nacionalistas e chefiado até 1969 pelo comunista Ho Chi Minh. A Indochina via assim
nascer três novas nações: o Vietname, o Laos e o Camboja (estes dois últimos ficaram
neutros). Após a Conferencia a guerra continuou, mas agora sem os franceses, ou seja, o
Vietname contra os EUA, no entanto estes últimos não conseguiam sustentar o Vietname do
Sul e abandonaram o território, que depois se uniu com o Vietname do Norte.

A descolonização da Ásia durou de 1947 até 1954, e foi a partir destes conflitos houve
uma crescente preocupação da ONU em intervir nas seguintes descolonizações.

d) A descolonização da Coreia e o primeiro grande conflito regional do pós-II Guerra

A partir do séc. XVI, a Coreia foi alvo de incursões estrangeiras: China, Japão, Rússia e
potências ocidentais. A partir do séc. XX, o Japão tornou-se dono da península da Coreia,
anexando-a definitivamente em 1910. Como resposta a este ato, formou-se, em seguida, uma
resistência nacionalista contra a ocupação japonesa.

Durante a 2ªG.M., essa resistência foi liderada por comunistas, com o apoio da URSS.
Isso fez com que os aliados aprovassem e apoiassem a Independência da Coreia. Quando o
Japão abandonou a Coreia, em 1945, os americanos pretendiam que os soviéticos declarassem
guerra à China, o que levou à sua instalação na Manchúria. Os dois grandes vencedores, os
EUA e a URSS, optaram por ocupar e dividir a Coreia até que fossem realizadas eleições e o
povo decidisse livremente o seu destino. Cada parte da Coreia realizou eleições. No território
controlado pelos soviéticos venceu o partido comunista, enquanto no Sul, controlado pelos
norte-americanos, venceram os liberais. O pretexto era garantir a liberdade da Coreia,
eliminando-se por completo a presença japonesa.

Porém, ainda antes disto foi oficializada internacionalmente a divisão da Coreia: à


semelhança da resolução da questão alemã, os EUA incentivaram a proclamação da
independência do território do sul, o que aconteceu em Agosto de 1948. Nasceu, assim, a
República da Coreia (o único governo que foi reconhecido pela ONU). Um mês depois foi
proclamada no norte, com o apoio dos soviéticos, a República Democrática e Popular da
Coreia. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul eram Estados soberanos e independentes e
podiam assinar todo o tipo de pactos, inclusive pactos militares, e iniciar a preparação para
uma guerra.

O acordo era que, depois das eleições, as tropas soviéticas e americanas retirar-se-iam.
As forças de ocupação da URSS saíram em janeiro de 1949, deixando ao governo do norte um
significativo arsenal de armas. No entanto, os americanos permaneceram no território, pelo
que os norte-coreanos exigiram a retirada dos norte-americanos do território sul. Como estes
não o fizeram, iniciou-se uma campanha militar. Três dias depois, os norte-coreanos
conseguiram ocupar Seul, capital do sul.

Foi convocada uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, que


considerou a ação militar da Coreia do Norte como uma agressão e pediu aos Estados-
membros para preparar um exército multinacional e obrigar o agressor a retirar-se.. Os EUA
rapidamente prepararam e lideraram o exército. No fim dos anos 50, já os norte-americanos
estavam perto da fronteira com a China.

O governo comunista de Mao Tse-tung, na China, entendeu o avanço dos capacetes


azuis norte-americanos pelo território da Coreia como uma ameaça direta à sua independência
e soberania, enviando, em Novembro de 1950, as suas tropas para a Coreia do Norte. A massa
militar chinesa fez recuar o exército da ONU. O resultado desta guerra foi, então, um empate.

Os comunistas chineses atacaram e derrotaram, numa grande batalha, o exército da


maior potência mundial. Os EUA não podiam tolerar essa situação. O comandante do exército
norte-americano, formalmente o exército da ONU, propunha ao presidente Truman atacar a
China com bombas atómicas. No entanto, a China era apoiada pela URSS que por sua vez já
possuía armas nucleares

A URSS pensou que os EUA não iam defender a Coreia do Sul, porque o secretário de
Estado da administração Truman tinha definido, no início de janeiro de 1950, as zonas de
defesa da política da contenção, ou seja, Estaline concluiu que os norte-americanos iriam
deixar essas zonas ao domínio soviético. Mas, contrariamente ao que o líder soviético tinha
pensado, Truman autorizou as suas tropas a apoiar a Coreia do Sul. Apesar disso, a ação militar
teve limites. O presidente norte-americano estava preparado para conter o avanço comunista,
mas não estava pronto para uma guerra atómica.

A Guerra da Coreia foi devastadora e acabou oficialmente a 27 de julho de 1953 com a


assinatura do armistício que dividiu até hoje o povo coreano em dois Estados. No fundo,
acabou como tinha começado: uma divisão através de um paralelo. Os responsáveis do bloco
de leste compreenderam que os capitalistas seriam um osso duro de roer. Por sua vez, os
ocidentais aperceberam-se que derrotar o comunismo não seria fácil. Ambos chegaram à
conclusão que, daí em diante, qualquer conflito interno seria rapidamente internacionalizado
pelos dois blocos.

7.2.2- As descolonizações do Médio Oriente e da África do Norte


a) Os estados árabes sob tutela britânica e francesa, o mandato da Palestina e a génese
do conflito israelo-árabe

Até à I Guerra Mundial, grande parte do Médio Oriente estava sob o poder do Império
Otomano. Era uma divisão administrativa do Império Otomano, sendo gerida por governantes
locais e organizada em províncias cujas delimitações físicas eram mutáveis. Para os europeus é
uma expressão que representa a zona intermediária entre o Próximo Oriente (península
balcânica) e o Extremo Oriente (Coreias, Japão e China). Ao longo dos anos, o Império
Otomano perdeu alguns territórios e dividiu-se devido às potências imperialistas,
nomeadamente a França e a Inglaterra. Nas vésperas da IGM, este império englobava uma
parte maioritariamente de língua turca e compreendia todas as regiões árabes. A Alemanha
era a potência com mais influência na política otomana. Portanto, era inevitável que o Império
Otomano entrasse na IGM ao lado da Alemanha. Isso acabou por trazer várias complicações.
Os ingleses também estavam interessados em zonas do Império Otomano uma vez que este
tinha petróleo e estava perto do canal do Suez.

Os ingleses (instalados no Egito desde o século XIX), para abrir uma frente militar na guerra,
pensaram nas elites árabes que se manifestavam contra a independência do Império
Otomano. Os aliados exploraram esta situação e, em 1916, é organizada a Revolta Árabe
contra o Império Otomano. Os ingleses convenceram o xerife Sharif Hussein e os Hashemitas
para organizar, fomentar e dirigir uma revolta dentro do próprio Império Otomano, com a
promessa de que no final da guerra toda aquela zona seria um califado árabe. Era a primeira
promessa inglesa para levar os árabes a lutar contra os otomanos. Os otomanos acabaram por
ser expulsos.

No mesmo ano, os franceses estavam interessados em garantir alguns territórios no Médio


Oriente. Perceberam que se a guerra acabasse e o Império Otomano se tornasse num estado
independente, os ingleses aumentariam o seu potencial. Apesar de serem aliados, os franceses
forçaram os ingleses a partilhar algumas zonas de influência. Assim, ambas as nações fizeram
uma espécie de acordo secreto para dividir a zona árabe do Império Otomano em duas áreas
de influência. Era o Acordo de Sykes-Picot. A linha que separava essas zonas passava mesmo
no meio do território árabe do IO. A França ocupou as zonas da actual Síria e do Líbano
enquanto os ingleses as zonas atuais do Iraque, Jordânia e Palestina (saíram a ganha, pois as
zonas petrolíferas estavam sob seu domínio).

No entanto, era necessário cumprir a promessa feita aos árabes: a criação de um


grande Império Árabe. Esta promessa não era compatível com o acordo de Sykes-Picot. Uma
outra promessa dos ingleses foi feita ao Movimento Sionista e foi a criação de um destino de
emigração da população para a zona da Palestina. O Sionismo era um movimento de cariz
religioso e político que defendia a fundação de um Estado judeu na Palestina, uma região com
população maioritariamente árabe. Nasceu no final do século XIX na Europa Central e Oriental
como um movimento de revitalização nacional. Os sionistas queriam, então, um território
autónomo na Palestina. O movimento defende a manutenção da identidade judaica, opondo-
se à assimilação dos judeus pelas sociedades dos países em que viviam.

O movimento sionista ganhou novo alento, em 1917, com a Declaração de Balfour, mediante a
qual o governo britânico apoiava o estabelecimento de um território judeu autónomo na
Palestina. Com isto, a Inglaterra procurava ganhar mais apoio para a IGM. No entanto, nenhum
destes acordos era compatível com os outros.

A solução foi cumprir o que era possível (com base no Tratado de Versalhes), por
forma a manter todos os envolvidos satisfeitos. No final da IGM, do acordo Sykes-Picot, surgiu
a criação de pequenos estados, ao invés de duas grandes zonas: a Inglaterra ficava com o
Iraque (englobava duas grandes reservas de petróleo, uma a norte [curda] e outra a sul [xiita],
o que levou ao estabelecimento de uma fronteira com a Turquia) e com a Transjordânia.
Dentro da zona francesa, os ingleses tinham prometido o reino árabe. A Síria ficou sob
administração francesa, tal como o Líbano (novo Estado criado e que mesclava bastantes
religiões).

A região entre a Península do Sinai, o Líbano, a Síria e a Transjordânia era uma zona
bastante problemática. Entre 1919 e 1920, criou-se a Palestina, que ficou com o estatuto de
mandato da SDN, confiado aos ingleses. Na Arábia Saudita, os saudis derrubaram os axumitas
no final dos anos 20.

Com isto, a criação de um grande Império Árabe foi anulada. Para manter todos
contentes, os Ingleses cederam o reino da Transjordânia e o Iraque aos filhos do Xerife de
Meca, família Hussein. A Inglaterra esperava que estas dinastias ficassem pró-inglesas,
juntamente com as dinastias da Arábia, que foram mais tarde substituídas pela família Saud.

Ao abrigo da Declaração de Balfour, intensificavam-se as emigrações para a Palestina.


De resto, a Palestina constituía a região problemática. As famílias sionistas compravam cada
vez mais terras aos árabes palestinianos. Os árabes verificaram que as terras compradas eram
irreversíveis, não podendo trabalhar nelas nem usufruir de qualquer relação com as mesmas.
Ao excluir sistematicamente a população árabe dessas terras, favorecia igualmente a
emigração dos europeus para a Palestina. Isto levantou cada vez mais a tensão social, e o
dirigente religioso Al-Hussein começou a centrar à sua volta os colonos sionistas, que
compravam terras tendo em vista o seu plano de instaurar um Estado Judaico na Palestina,
como já foi referido. Foi desta forma que, nos anos 20, foram criadas organizações
palestinianas que tinham como objectivo criar um referendo, e assim acabar com o mandato,
ou seja, teriam que arranjar outra solução política para a Palestina. Criou-se assim o Conselho
Nacional Palestiniano.

Perante o agravamento das tensões entre Judeus e Árabes, a Inglaterra começa a


recuar no que diz respeito à Declaração de Balfour. A política britânica para a região
direcionou-se cada vez mais para o apaziguamento árabe especialmente após a intensificação
da fuga de judeus perseguidos pelo regime nazista na Europa, que encontravam na Palestina o
único destino viável (algo que dificultava a paragem da emigração judaica para este território).
Os judaicos estavam a prejudicar os árabes e os ingleses não queriam que nada acontecesse às
suas dinastias pró-inglesas.

Ao chegar a II Guerra Mundial, os ingleses já viam que só havia uma hipótese de


contornar estes conflitos e parar as guerras: ou criar dois estados na Palestina ou parar as
emigrações sionistas para a Palestina. Assim, em 1936, os britânicos nomearam a Comissão
Peel, destinado a unir esforços diante da liderança judaica

Optaram, então, por criar dois Estados, um para os árabes e outros para os sionistas, o
que pôs fim ao mandato britânico. Esta solução política foi muito difícil de pôr em prática: a
zona árabe ficava separada em dois territórios no meio de todo o território judaico. Esta
solução não era aceite por ninguém – os árabes não queriam a divisão da Palestina e judeus
não queriam a coexistência com um Estado árabe. (Zona Árabe – actual Cisjordânia + território
conhecido Faixa de Gaza).

Depois da guerra, a Inglaterra não era já capaz de desempenhar o papel de potência


mundial e entregou as suas colónias às Nações Unidas. A Inglaterra administrava a Palestina e
foi votado em Assembleia (NU) a divisão do território palestiniano – 1947. Nessa votação,
participaram os EUA e a URSS, favoravelmente e as Nações Unidas aprovaram a divisão e o
reconhecimento destes dois Estados.

Os árabes palestinianos não aceitaram esta votação, dado que não estavam lá representados e
dado que uma grande parte do território iria ficar sob domínio dos emigrantes. O clima de
tensão política multiplicou-se e os Estados árabes, que entretanto foram criados, declararam
guerra ao futuro Estado de Israel. Isto originou a primeira guerra israelo-árabe, em 1948.

A guerra não foi justa para ambas as partes, já que os sionistas tinham o apoio dos EUA
e possuíam treino militar profissional, enquanto as tropas árabes eram muito mais fracas em
armamento e inteligência militar.

Desta guerra resultou um fenómeno irreversível e que é algo em vigor ainda hoje:
expulsão da população árabe do território da Palestina. Cerca de 700 mil palestinianos árabes
foram recambiados para campos de refugiados.

Segue-se uma série de guerras de curta duração, a Guerra do Suez, em 1957; a Guerra
dos Seis Dias, em 1967; a Guerra do Yon Kipur, em 1973, em que os exércitos israelitas
impõem pesadas derrotas aos desorganizados e mal preparados exércitos árabes e
acrescentam novas áreas ao Estado de Israel.

Entretanto, incapazes de afrontar Israel em campo aberto, os palestinianos enveredam


por ataques terroristas perpetrados pela organização guerrilheira Al-Fatah, fundada por Yasser
Arafat, em 1959, enquanto a OLP – Organização para a Libertação da Palestina, funda em
1964, dá forma institucional ao processo de recuperação dos territórios perdidos para a Israel.

b) A evolução do Egito – da independência formal de 1922 à República Árabe Unida (1958)

Os países da África do Norte alcançaram a independência entre 1952 e 1962, todos


eles. Distingue-se pela existência, em todos os seus países, de Muçulmanos Sunitas. Outro
ponto em comum em todos os países da África do Norte é o facto de estarem ocupados na
zona do litoral e zonas altas – nesses locais, havia uma grande densidade demográfica, sendo o
resto dos territórios apenas desertos.

No caso do Egito, este era um estado independente com estatuto de condomínio


anglo-egípcio. É um país que inclui também a península do Sinai, na Ásia, o que o torna um
Estado transcontinental.

Os ingleses ocuparam o Egito em 1882, como estratégia para chegar à Índia. Depois da
Guerra, e dada a situação inglesa, a Inglaterra teve de fazer concessões aos egípcios, a nível
político. O movimento nacionalista egípcio ganhou a maioria da assembleia legislativa local.
Perante o exílio do líder do partido, o país levantou-se na primeira revolta da sua história
moderna. As constantes rebeliões por todo o país levaram a Grã-Bretanha a proclamar,
unilateralmente, a independência do Egipto, em 1922. Declarou-se terminado o protectorado
e deu a independência nominal ao país. Foi criado um reino, governado pelo Rei Fuad I.

No entanto, o controlo da administração, do exército e do Canal do Suez mantinham-


se sob o poder inglês – o Egito era gerido pela política externa inglesa e não podia fugir muito
dela. Formalmente, o Egito fazia ainda parte do IO no século XIX (aquando da ocupação
inglesa, que levou à formação do condomínio. Isto fez com que a burguesia egípcia fizesse
muitas reivindicações entre 1920 e 1930. Foi, então, que surgiu o Movimento WAFD. Quando
mais tarde, viria a haver uma invasão alemã no Egipto, os egípcios esperavam ver as suas
reivindicações satisfeitas, uma vez que eram pró-alemães.

Depois de o Movimento WAFD sofrer uma derrota na guerra da Palestina, em 1948, os


militares convenceram-se de que era necessário mudar a política do Movimento. De resto, a
questão da derrota dos países árabes no médio oriente teve ondas de choque nos restantes
países. As burguesias nacionais de alguns destes países começaram a adotar uma atitude mais
antiocidental. Assim, muitos dos oficiais que participaram na guerra de 1948 contra Israel
fizeram um golpe militar no Egito em julho de 1952 (Golpe dos Oficiais Livres) Um grupo de
oficiais destronou o Rei da época, Faruk, e colocou no poder uma junta militar composta por
Nasser e Neguib. Nasser era um homem muito forte e acabou por assumir o comando. Este
golpe viria a representar o ponto de viragem na vida do Egito, já que o novo regime instalado
permitiu iniciar um processo de emancipação do Egito da tutela inglesa.

Em 1952, a Inglaterra já não tinha a Índia, mas o controlo do Canal do Suez continuava a ser
importante, já que era por lá que passava o petróleo vindo do Médio Oriente. Os Ingleses já
não tinham possibilidades para manter o Canal, mas fizeram uma proposta ao Egito para
continuar a controlá-lo. Em 1956 os ingleses deram a independência ao Sudão, e criaram um
governo controlado por eles, pois além do Sudão ser muito importante por causa do Nilo que
percorre o Sudão até aos Grandes Lagos, foi uma forma de pressionar e de prejudicar o Egipto.

Nasser aumentou muito a sua base de apoio, porque tinha uma visão de
desenvolvimento do país. Levou a cabo uma reforma agrária, projecto que fez com que a junta
militar ganhasse muita popularidade entre os nacionais e, até mesmo, estrangeiros. Em 1957,
dá-se a Crise do Suez e isto foi o que deu mais visão a Nasser para o projecto de
desenvolvimento do país. Nasser queria melhorar a agricultura e desenvolver a Indústria. A
agricultura egípcia estava muito dependente das cheias do Nilo e também a Indústria poderia
vir a depender muito do rio, através da criação de electricidade gerada por uma barragem. Era
para essa infraestrutura que Nasser precisava de adquirir recursos e empréstimos – podia
pedir ajuda à Inglaterra, mas isso não seria fácil de obter dignamente. Os ingleses estavam de
saída, mas não queriam perder as suas posições no Médio Oriente. Influenciaram os
americanos a não emprestarem capital aos egípcios.

Então, Nasser nacionalizou, sem indemnizações, o Canal do Suez. O recurso que


apresentava para gerar dinheiro era o Canal do Suez, companhia privada do século XIX e que
constituía o principal ativo do Egito. No fundo, esta ação de Nasser tratava-se de uma
declaração de guerra a ingleses e franceses.
Isto, como seria de esperar, desagradou aos ingleses e foi daí que surgiu uma crise entre a
Inglaterra e o Egito. Isto convenceu os ingleses de que não havia condições para manter o
Canal, e decidiram dedicar-se a derrubar Nasser.

Além disso, também a França queria ver o Egito derrotado, já que o país dava apoio
aos Movimentos pela independência da Argélia. Havia também um grupo de irmãos
muçulmanos que queriam derrubar Nasser, e a Inglaterra sabia que o apoio destes dois seria
indispensável.

A solução encontrada seria provocar uma guerra Israelo-Egípcia. O primeiro-ministro


britânico Anthony Eden temia que Nasser ameaçasse as remessas de petróleo do Golfo da
Pérsia e o seu comércio com o Extremo Oriente, com a perda da preponderância no Médio
Oriente. Já a França sentia-se ainda mais ameaçada do que Inglaterra, porque os egípcios
participavam ativamente no movimento de independência da Argélia. Os EUA foram os únicos
a rejeitar a ideia de um conflito armado. Portanto, ingleses e franceses convenceram Israel
(um inimigo conhecido do Egipto) a participar na guerra.

Para tentar derrubar Nasser, Inglaterra planeou uma ofensiva militar coordenada. O plano era
Israel fazer um ataque preventivo ao Sinal (Estado Egípcio) e formar um corpo expedicionário
franco-britânico; depois, com o pretexto de proteger o Canal, os franceses e ingleses
ocupariam o Suez. Israel invadiu, então, o Estado egípcio do Sinai e, três dias depois, os
franceses e os ingleses invadiram e ocuparam o controlo do Canal do Suez – 1956. Isto gerou
uma guerra política sem precedentes, a Crise do Suez.

Em 1957, dá-se a Crise do Suez e isto foi o que deu mais visão a Nasser para o projecto de
desenvolvimento do país. A tentativa de forçar o Egito a assinar um ultimato fracassou. Como
tal, os britânicos resolveram bombardear os campos aéreos egípcios. Os EUA viriam a entrar
nestes conflitos como aliados do Egito, já que não lhes convinha ser contra os árabes devido à
sua posição relativamente ao Médio Oriente. Confrontados com a possibilidade de os
soviéticos apoiarem os egípcios, os EUA patrocinaram o debate de uma resolução pacífica. Por
outro lado, aos ingleses não convinha entrar numa guerra nuclear com os EUA. O cessar-fogo
tornara-se inevitável pelo desgaste das forças britânicas. A 5 de Novembro os combates
cessaram, e no ano seguinte (1957) o primeiro-ministro inglês abandonava as suas funções,
perante uma derrota inequívoca. A Inglaterra e França perderam a sua influência, sendo
humilhados com a expulsão do Egito. Foi o fim da influência europeia no Médio Oriente,
consolidando a influência de Nasser. Israel ficou totalmente associado ao bloco ocidental,
havendo um aumento da influência dos EUA e da URSS.

Depois desta crise, Nasser saiu como herói dos árabes. Isto deu-lhes a esperança novamente
da criação de um grande Império Árabe no Médio Oriente, englobando agora o Egito (principal
país árabe).

Nasser era pan-arabista = contra o Ocidente. Era ideal do pan-arabismo a criação da


RAU – República Árabe Unida – como imposição ao Ocidente- nascendo a ideologia
antiocidental e anti-imperialista. Nasser tinha a intenção de alterar as fronteiras do Médio
Oriente árabe, outrora impostas pelas potências ocidentais. O projeto pan-arabista só se
conseguiu afirmar em países onde não houvesse burguesias prósperas e ligadas à política

A luta dos egípcios foi determinante para a descolonização do mundo africano, uma vez que
serviu de exemplo para países como o Sudão, que rapidamente se empenhou na conquista da
independência (1956).

c) A guerra colonial na Argélia e o seu impacto em França (1954-1962)

A região da África do Norte vai desde Marrocos ao Egito. O Magrebe corresponde à parte
ocidental da África do Norte enquanto o Mashrek é o oriente. Marrocos e Tunísia eram
protetorados, o Egito era um condomínio e a Argélia era uma colónia.

A Argélia era a única colónia francesa – o resto eram protectorados. A França dizia que o
território argelino era uma extensão mediterrânica do território francês, tendo em conta o
clima e as condições idênticas.

Entre as duas guerras, esta região foi administrada sem grandes problemas (com a exceção do
Egito). Nos anos de 1930 havia já uma burguesia argelina, um Partido Popular Argelino
(apoiado pela URSS) e movimentos independentes (liderados por Messali Hadj e Ferhat
Abbas).

Em Marrocos, na Tunísia e na Líbia e na Argélia 10% da população eram emigrantes com


direitos políticos e os restantes 90% eram nativos sem direitos. Para resolver a situação, foram
surgindo movimentos e em 1954 surgiu o FNL, que fazia guerrilha com os colonos. E atacava
explorações agrícolas francesas na Argélia – FLN começou a ser apoiada, não publicamente,
pelo Egito. Criou-se no Cairo um grande Movimento pan-arabista anticolonial: o Comité de
Mobilização do Magrebe.

Com a colonização, a Argélia criou duas grandes cidades que baseavam a sua economia no
comércio de exportação: Argel e Oran. A FLN começou a tentar fechar as fronteiras ao exército
francês – começou a guerrilhar em finais de 1954: nesta altura, já a Tunísia e Marrocos
estavam em ambiente de guerrilha e os franceses resolveram escolher apenas um território.
Dado que a Argélia era a mais importante, a França decidiu desistir de Marrocos e da Tunísia,
concedendo-lhes a independência em 1956. É que os Franceses não podiam aguentar três
frentes militares.

. Os franceses tinham um grande interesse pelo facto de terem sido descobertas grandes
reservas de petróleo e gás natural na zona saariana da Argélia. Portanto, não estavam
dispostos a abdicar da Argélia sem as devidas contrapartidas.

A partir de 1954 (até 1962), os franceses começam uma guerra anticolonial na Argélia
(primeira grande guerra colonial em África, uma das mais violentas). A Argélia é, deste modo,
obrigada a enfrentar uma guerra prolongada de libertação em virtude da resistência dos
colonos franceses, que dominam as suas melhores terras.

A FLN tinha o apoio do Nasser e resolveu levar a guerra para as duas principais cidades: Argel e
Oran. Fizeram isto estrategicamente, para que os colonos (os franceses) não se pudessem
esconder nas cidades.

De Gaulle achava que a França tinha um problema com a imposição de poder. Foi à Argélia,
onde achavam também que ele era melhor hipótese para a satisfação dos interesses tantos
franceses quanto argelinos.. Nesta altura, a situação era caótica, tanto na Argélia como na
França. De Gaulle teve que ceder a algumas reivindicações da FLN, chegando a dar-lhes a
independência. O partido FLN venceu o MNA e, depois de muitos conflitos, a França teve que
reconhecer a independência da Argélia.

A independência foi negociada e concedida em 1962, sob algumas condições impostas por De
Gaulle: a França manteria as bases militares na Argélia – maioritariamente no Sahara e, sendo
a Argélia rica em gás natural, a França manteria o acesso aos depósitos. A Argélia tornou-se
independente e 10 anos depois nacionalizou o petróleo.

7.2.3- As descolonizações em África – 1957-1990


a) As descolonizações inglesas e francesas na Africa Ocidental e Oriental - 1957-1964

O continente africano possuía um grande peso nos impérios coloniais, pois praticamente todo
o território estava sob domínio colonial, especialmente a África Subsariana, que nos anos 60
continuava com territórios coloniais, ao contrário da África Ocidental que já tinha tido a sua
independência.
Entre os anos 60 e 70 sobrava apenas a África Austral por causa dos investimentos mineiros e
de uma comunidade europeia grande, como é o caso do Congo, Angola e África do Sul.

Nesta zona as descolonizações (transições controladas pelas metrópoles) foram feitas de


forma predominantemente pacífica, com exceção do Congo Belga. Este teve uma
descolonização falhada que levou a uma guerra civil. Nas colónias portuguesas deu-se também
uma guerra colonial. A independencia de Moçambique dificultou o Governo Branco da
Rodésia,que se tornou independente e deu origem ao Zimbabué.

De resto, todas as colónias que se tornaram independentes pertenciam a três metrópoles:


Inglaterra, França e Bélgica. Face ao insucesso nas descolonizações do pós-guerra, ingleses e
franceses tinham motivos suplementares para adotarem outro tipo de método na realização
das mesmas nos territórios da África Subsariana. A experiência indiana predispôs os ingleses
para um outro tipo de atitude. Já os franceses começaram a descolonização de maneira tão
remitente que isso acabou por originar duas guerras coloniais, ambas perdidas para Indochina
e Argélia - esta em termos políticos -, e grandes custos.

Durante a época colonial, o nível de investimento dos impérios coloniais era relativamente
baixo. Mas as áreas mineiras poderiam dar uma taxa de lucro superior a uma renda.

b) As descolonização da Africa Central e Austral

Em 1971, a situação de África era semelhante à de 1964. Ainda assim, foi na África Austral que
se deu a terceira fase das descolonizações. A situação não estava normalizada nas colónias
portugueses, na Rodésia e na África do Sul. Os territórios da África Austral são considerados
mais desenvolvidos. Eram zonas onde havia zonas mineiras, grandes investimentos externos,
população europeia e industrialização. Como suscitavam mais interesses e as metrópoles não
estavam dispostas a abdicar deles, existiram grandes obstáculos a um processo de
independência pacífico. Este foi, portanto, mais complexo e mais tardio do que os restantes
países de África.

c) A descolonização portuguesa, o processo rodesiano e sul-africano

À medida que era atribuída a independência a outros territórios africanos, na África Austral a
internacionalização de outros conflitos levou ao combate das presenças coloniais. A guerra
colonial dos portugueses com Angola, Moçambique e Guiné durou vários anos. Igualmente
surgiram conflitos desta índole na Rodésia e movimentos de guerrilha na África do Sul. De
resto, nos regimes brancos (português e sul-africano) havia uma maior dificuldade política em
os dissolverem. A superioridade militar dos governos coloniais manifestava-se, apesar de as
colónias não terem capacidade para alterar o status quo.

8- A emergência da China
A China localiza-se no Extremo Oriente e já no século XX era um território independente, mas
com dependência económica de outros países. Tinha uma elevada densidade populacional
baseada numa agricultura intensa, pelo que era maioritariamente um país agrícola, ainda que
a sua agricultura fosse de alto rendimento, e exportável para os países do Ocidente.

Até ao século XVI a China era um país fechado, com maioria camponesa mas uma pequena
elite nas cidades. O inicio do contacto com os povos europeus deu-se no século XVI,
destacando-se, por exemplo, o seu contacto com os portugueses. Numa fase inicial, a sua
abertura ao comércio europeu não trouxe grandes alterações ao quotidiano chinês, no
entanto, com a chegada dos ingleses o seu equilíbrio alterou-se, uma vez que estes tentaram
introduzir o comércio em massa do ópio, no qual os chineses não estavam interessados. Por
razões comerciais e para proteger a sua balança comercial relativamente excedentária, a China
impôs barreiras à importação de produtos europeus, mas os ingleses forçaram militarmente a
China a abrir os seus portos à importação de mercadorias, gerando assim as duas Guerras do
Ópio. No entanto, face à obrigação inglesa, deu-se uma revolta camponesa em 1850, a de
Taiping, que debilitou a China face aos países ocidentais. Estes eram bastante tradicionais, face
às dificuldades na modernização, começaram a pedir empréstimos aos ocidentais, até caírem
em dependência.

No século XX, continuavam predominantemente agrícolas, sendo uma sociedade camponesa,


com elevada densidade populacional que provocou periodicamente o aumento das pressões
agrárias, o que conduziu a revoltas camponesas.

Ao mesmo tempo, a China não podia cobrar impostos, necessitando de pedir empréstimos aos
europeus. Ficava então com uma dívida, entrando num ciclo. Ao mesmo tempo, a Rússia e o
Japão foram entrando em áreas nortenhas da China e começaram a ganhar poder, o que
provocou um grande descontentamento, levando à guerra russo-japonesa em disputa do
território. A China atuava, portanto, como sujeito passivo. Embora a China não tivesse sido
uma colónia, ela esteve sob a influência do exterior durante parte do século XIX e XX.

8.1- A implantação da República e a unificação do nacionalismo chinês através


do Kuo Min Tan – 1911 - 1927
No entanto, esta política imperial que permitia interferência estrangeira começou a ser
contestada. No sul, a presença europeia criou um desenvolvimento urbano. Assim, no século
XX, sectores significativos da população chinesa começaram a defender a consolidação de um
movimento de natureza nacionalista. Em 1900, o médico Sun Yat-sen capitaneou a fundação
do Kuo-Min-Tan, também conhecido como Partido Nacionalista, que tinha como objetivo a
modernização da China.

A agitação provocada por tais movimentos acabou na proclamação da República, em 1911, No


entanto, era uma república muito local, com um governo imperial em Nanquim e sem poder
central. No fundo, era mais uma forma de querer alterar a política chinesa e incentivar à sua
autonomia, algo que não teve grande sucesso. O movimento Kuo-MinTan tentou modernizar a
China, através da aplicação da reforma agrária e da modernização da educação, mas tinha uma
base de apoio maioritariamente urbana mais ocidentalizada e não teve força para se espalhar
para o resto do território. Esta coexistia com a dinastia apoiada mais a Norte-

Mesmo com esta “conquista” e com o enfraquecimento dos imperialistas após a IGM, a China
continuava a não resistir ao interesse dos estrangeiros, principalmente dos japoneses (cuja
posição imperialista saiu favorecida da guerra) e britânicos. Quase toda a interferência exterior
ainda se mantinha. Com isso, os membros do Kuo-Min-Tan tiveram de enfrentar a insatisfação
dos chefes militares e do Partido Comunista Chinês, então criado sob a influência da Revolução
Russa..

Foi neste contexto que se deu o Protesto Estudantil em Pequim, em 1919, onde estudantes
universitários chineses protestaram contra as resoluções do Tratado de Versalhes, que atribuía
terras chinesas ao Japão e concedia antigos territórios alemães na região aos japoneses. Esta
manifestação iniciou a revolução cultural na China, ou seja, a modernidade.

Destacou-se Chen Tu-hsiu que tentou modernizar e democratizar e se converteu na voz dos
movimentos reformistas chineses. Este era um membro do PC Chinês, que era mais aberto a
acontecimentos fora da China. Este pediu apoio ao Governo Soviético, que enviou conselheiros
militares e tentou reorganizar a República Chinesa do Sul, apoiando o Kuo Min Tang. Até 1927,
unificou toda a China do Sul e Centro e eliminou a maior parte do PC chinês. Destacou-se
Tchang Kai Chek, que se seguiu a Sun Yat Sem na liderança do partido nacionalista. Pelo
contrário, os dirigentes do PC Chines optaram pela adoção de uma nova estratégia e em vez de
se apoiarem na classe urbana, apoiaram-se nos camponeses, a verdadeira força trabalhadora
da China. Este foi liderado por Mao Tse Tung, que criou ma República nas regiões rurais.

Na década de 30, o Kuo Min Tang procedeu a um conjunto de medidas para incentivar a
modernização e democratização, tais como a abertura a capitais estrangeiros, a criação de
industrias no litoral, sem mexer na agricultura nem nos camponeses. Esta modernização não
incidiu na agricultura, e por essa razão não obteve o apoio da grande messa: os camponeses, o
que poderá ter sido uma das razões para o fracasso desta tentativa de modernização. Nesta
altura, limpou as bases do PC, que foram obrigados a entrar na clandestinidade e a procurar
refúgio nas montanhas do Sul da China onde organizaram diversas células de intervenção local.
Ao longo dos anos, a população chinesa foi aumentando cada vez mais, mas a maioria era
composta por camponeses. A população camponesa era a que sustentava todo o país, toda a
superestrutura política chinesa, através de altos impostos. Aproveitando-se do plano falhado
do Kuo Min Tang e do facto de se ter afastado das cidades, aproximando-se do plano rural.

Entre 1931 e 1937 deu-se a Invasão Japonesa, e neste período de Guerra, o Governo de
Nankim fez tréguas com o PC Chines para combater a invasão japonesa. Juntos, com o apoio
dos EUA e da URSS combateram com os japoneses. Neste período de tréguas, o PC Chines
começou a expandir-se no território Chines e no fim da Guerra, estava implantado em toda a
China, beneficiando do Governo de Nankim. No entanto, o Kuo Min Tang tinha o apoio dos
EUA e da URSS e deu-se uma nova guerra civil entre os dois, mas que foi vencida pelo PC, que
em 1949 unificou toda a China e iniciou uma segunda fase de modernização do país, agora
com o apoio soviético

Em 1949, a China continental foi unificada sob a República Popular da China, sendo dominada
pelo PCC. Mao Tsé-Tung tornou-se presidente em 1954. Já a Ilha Formosa formou a República
da China, sob o controlo do Kuo-Min-Tan.. A China possuía, então, um regime misto.

Apesar das influencias no modelo da URSS, o socialismo chinês tina algumas diferenças, que
dificultavam a modernização chinesa. Entre estes destaca-se o facto da base de apoio do PCC
ser o campo, enquanto no Partido Comunista Soviético a base da modernização são as cidades.
Deste modo era necessário um investimento nos campos, na agricultura e não propriamente
nas cidades, pois não era aí que a grande massa se concentrava. Portanto, existiam diferenças
na base de apoio e a China dispunha de uma margem de manobra mais pequena que os
russos. Ainda assim, na maioria dos aspetos, tentou seguir o modelo soviético, mas com os
condicionalismos chineses que acabam por caracterizar o maoísmo.

Como forma de modernizar a República Popular da China e a tornar socialmente igualitária,


acelerou a coletivização dos campos e a industrialização urbana. Para além disso,
considerando que a estrutura tradicional da sociedade provocava um elevado nível de pobreza
e desigualdade social, interviu na cultura, sociedade e no Partido comunista.

A nível económico, recorreu à planificação a economia, tendo criado o 1ºPlano Quinquenal


que durou de 1953 a 1957. Neste plano, a maioria dos investimentos dirigiu-se à industria, e
apenas uma pequena parte à agricultura que graças à sua grande rentabilidade, era esperada
conseguir sustentar o investimento da industria, uma vez que uma das bases do Maoísmo é
que a as bases da industrialização deveriam partir da industria.

Para além disso, procedeu a uma reforma agrária, pautada pela justa distribuição das terras,
em vez da coletivização, tal como se sucedeu no socialismo soviético. Para continuar o
processo de modernização era necessário capital, no entanto os chineses não queriam ficar
dependentes dos créditos soviéticos, mas também não podiam arrecadar capital através da
asfixia da base camponesa, que constitua o sistema de suporte do partido. O partido dividiu-se
entre os que apoiavam a asfixia económica dos camponeses, defendido por Mao, e os que
defendiam a necessidade de pedir empréstimos à URSS, guiado por Deng Xiao Ping. Optou-se
por seguir a linha de Mao, em que se deu o afastamento entre o modelo socialista chines e a
URSS.

A partir de 1958 (até 1962), a China revolucionária começou a seguir um caminho próprio,
reforçando a justificativa da "origem camponesa" da revolução. Também conhecido como
"Grande Salto em Frente", um programa nacional de coletivização económica que procurava
tornar a China numa das potências mundiais, estipulando grandes objetivos de produção e
investindo no fabrico de aço. Era o lançamento de uma nova política, tendo em vista o
redobrar de esforços, para que a China alcançasse grandes níveis de produtividade.

A agricultura foi coletivizada e os excedentes foram extraídos dos camponeses. Houve assim
uma alteração da direção dos caminhos da revolução, que deslocou o centro dos
investimentos do Estado para o campo e não mais para as indústrias de base localizadas nas
cidades. Um dos objetivos era unir a produção agrícola e industrial, ao instalar equipamentos
industriais em áreas rurais. Dessa forma, o Grande Salto pretendia superar a divisão entre
campo e cidade.

No entanto, não surtiu o efeito esperado. A agricultura não suficientemente moderna, as


colheitas estavam fracas e não conseguiam suportar o peso da industria, o que provocou a
fome e a insatisfação.

Como forma de conquistar o apoio e de se redimir do fracasso do Grande Salto em Frente,


Mao Tse Tung lançou em 1966 uma Revolução Cultural, em que tentou eliminar tudo o que se
relacionasse com a China Antiga, apoiando-se numa população jovem, eliminando a burocracia
não maoísta no PCC (perseguindo a fação de Deng Xiaoping) e dando a iniciativa às massas de
trabalhadores do campo e da cidade. Com isso, pretendia-se intensificar a produção
económica, estimulando os anseios revolucionários dos trabalhadores chineses para que fosse
revertido em aumento de produtividade. As alas mais radicais da Revolução Cultural
pretenderam ainda realizar uma profunda reforma educacional, abrindo espaço no ensino,
principalmente superior, aos trabalhadores. Com essas ações das alas radicais, os
trabalhadores passaram a ultrapassar os objetivos iniciais pretendidos por Mao Tsé-Tung, que
decidiu pela militarização da Revolução Cultural, com um rígido controlo social.

Entre 1975 e 1978, após a morte de Mao, a sua fação mais radical perdeu o poder e pelo
contrário, em 1978, Deng Xiaoping tomou as rédeas do PCC. A partir daí, iniciou-se uma
política de internacionalização. É Deng Xiaoping que põe em prática as reformas económicas
que fariam da China o país com maior crescimento económico do planeta. Dentro dessas
reformas destacam-se as quatro modernizações (nos sectores da agricultura, indústria e
comércio, ciência e tecnologia e na área militar), e deu continuidade ao Governo de Nankin,
isto é, ao Kuo Min Tang, que se tinha instalado na Ilha Formosa.

Durante o seu governo, a China passou por uma grande abertura diplomática. Em 1979,
procurou atrair investimentos estrangeiros. Deng criou diversas Zonas Económicas Especiais,
onde empresas estrangeiras se podiam instalar, desde que tenham parceria com empresas
chinesas. Vários setores da economia chinesa abriram-se ao exterior,

A China encetava um processo de entendimento pacífico com o Ocidente, no quadro da sua


afirmação como alternativa ao modelo socialista soviético, que saía fragilizado. No entanto,
este processo foi facilitado pelo restabelecimento de relações diplomáticas com o Japão e com
a URSS e pela integração da China nos circuitos económicos mundiais como o FMI, Banco
Mundial (fonte de importantes fundos de auxílio económico) e o GATT.

Em suma, as reformas económicas de Xiaoping foram feitas de baixo para cima: primeiro as
mudanças foram testadas nos municípios e nas províncias; só depois a reforma foi implantada,
gradualmente, em todo o país. Apesar da abertura aos capitais estrangeiros, havendo uma
ligeira abertura ao capitalismo, mantiveram-se algumas das linhas ideológicas do socialismo,
pelo se manteve o controlo político do PC Chinês.Assim, permitiu modernizar a China mas sem
perder o poder político.