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I- Crise do Estado e governança global

a. O que é crise do Estado?


i. Surgimento de organismos potentes internos (sindicatos e
indústria)
ii. Criação de poderes públicos internacionais instruídos pelos
Estados
iii. Inadequação dos serviços estatais em relação às
expectativas do cidadãos
b. Crise do Estado na contemporaneidade
i. Cortesia positiva entre empresas transnacionais
ii. Acordos internacionais e mercado global de redução de
emissão de carbono: planejamento e controle global em que
a regulamentação fica nas mãos dos próprios organismos
internacionais e não dos Estados.
c. Ordenamentos públicos globais
i. Resposta à exigência de controlar a globalização: problemas
ultrapassam os limites dos Estados
ii. Ausência de uma tradição histórica
iii. Inexistência de supremacia, ordem reticular
iv. Caráter composto: integração de elementos jurídicos
diversos (ordenamentos de diferentes países, normas supra
estatais como as da ONU)
v. Ordem funcional: organizado para atingir determinado fim
de cunho econômico material
II- Poderes independentes, Estados, relações Supra estatais
a. Crise da unidade do Estado e do controle governamental
i. Dificuldade em se delimitar o setor público não estatal e
suas particularidades
ii. Desafios em compreender em que medida funciona a
subordinação a esta gestão internacional
iii. Obstáculos em se determinar quem faz accontability dos
organismos internacionais.
b. Nas últimas décadas o poder do Estado foi a delegado a órgãos
paralelos. É possível notar que uma parte do poder normativo se
manteve com os parlamentos, mas outra, as autoridades
independentes que atuam. O principal problema dessa nova
realidade é a dificuldade existente em estabelecer uma
subordinação dessas autoridades não estatais.
i. Esses poderes independentes desafiam princípios mais
reverenciados dos ordenamentos modernos como:
1. Princípio da unitariedade organizacional
2. Princípio da democraticidade
3. Princípio da tripartição dos poderes (autoridades
independentes dispõem tanto de poderes
normativos quanto administrativos e jurisdicionais)
ii. Defeitos do sistema de autoridades independentes:
1. Fragmentação do executivo: falta de uniformidade
2. Ausência de coordenação
3. Muitas vezes as funções desempenhas são tão
específicas que não podem ser delimitadas por um
juiz já que eles não poderiam sugerir ações eficazes
em matérias extremamente técnicas
c. Cooperação internacional e supranacional
i. Desterritorialização das atividades econômicas e assimetria
entre economia e Estado
ii. Formas dos poderes públicos em resolver tal desequilíbrio
1. Cooperação entre autoridades de diferentes nações,
disposta por leis nacionais: colaboração, cooperação
e troca de informações;
2. Cooperação disposta por acordos bilaterais que
versam sobre tópicos específicos, estabelecendo
homogeneidade no tratamento de determinadas
matérias (ex: acordos entre os EUA e o Canadá
referentes à concorrência);
3. Cessão de tarefas estatais a organismos
supranacionais como a OMC, que trabalha sobre o
projeto de redigir uma lei mundial sobre
concorrência;
4. Organismos supranacionais que absorvem funções
estatais, submetendo os organismos estatais às
próprias decisões
iii. Consequências da cooperação
1. Formação de uma rede muito densa de
relacionamentos internacionais
2. Predominância da interdependência em lugar da
subordinação
III- Fim da soberania econômica do Estado
a. Grandes modificações nas relações Estado e economia.
i. O Estado passou de soberano a subordinado da Economia:
antes os limites do Estado se tornavam os da Economia por
porque o primeiro tinha um poder muito impositivo nos
mercados em que entrava.
ii. O Estado passou de pedagogo a regulador, buscando assim,
satisfazer a supremacia do interesse público
iii. Governo da economia passou a ser fragmentado:
crescimento das autoridades independentes
IV- Erosão do Estado: Um fato irreversível?
a. Distinções entre o Estado contemporâneo e o burguês
i. Estado não mais governado por burgueses, mas por todos
ii. Estado passou a ser um dos poderes públicos existentes,
não o único
b. Recuo da soberania
i. Força militar nacional perde relativamente a importância
 segurança passa a ser compreendida como tarefa
supranacional (OTAN)
ii. Tecnologia deixa de ser instrumento do Estado: imprensa,
estradas, telecomunicações e outros nas mãos de
particulares
iii. Estado capturado por rede de poderes públicos
supraestatais como Corte Penal Internacional, OMC,
Tribunal sobre Direito ao Mar  ampliação de produtores
do direito na modalidade soft law.
c. Mudanças internas
i. Ao Estado é atribuída a imagem de gestor ineficiente,
muitos passam a defender a diminuição da sua área de
atuação por meio privatizações e externalizações de
serviços públicos
ii. Declínio de instituições típicas do Estado como empresas
públicas e institutos de proteção social
d. Reações do Estado
i. Como visto até então, o autor expõe um panorama que
mostra o declínio da força do Estado, no entanto isso não
significa que a estrutura estatal tende a sucumbir, por outro
lado, o Estado passou a redirecionar a suas atividades,
como por exemplo identificando setores em que sua
presença é necessária para desenvolver o setor econômico
(tecnologia avançada e defesa) e outros em que apenas sua
regulação essencial.
V- Os Estados na rede internacional dos poderes públicos
a. Perda da exclusividade do Estado no tocante ao ordenamento
presente no território nacional, esse modelos começou a ser
questionado a partir da consolidação de:
i. Poderes públicos internacionais: nasceram como
ordenamentos setoriais e passaram a ser um instrumento
essencialmente pactual que tem tarefas próprias aos do
Estado e que possuem representantes de Estados.
ii. Poderes públicos internacionais: em princípio apresentam
caráter econômico e é firmada entre Estados vizinhos. É
possível abstrair algumas características desse poder a
partir do estudos sobre a União Europeia, que apresenta
1. Tarefas próprias não exclusivas (competências
concorrentes com os Estados);
2. Direito da União é um higher law sobre os direitos
nacionais (busca de uma convergência recíproca);
3. Possui organismo guardião dos interesses
comunitários, é um órgão disciplinar
iii. Poderes públicos supranacionais e os Estados, cujas
consequências são:
1. Estados condicionados por instituições superiores
no exercício de sua soberania
2. Estados perdem exclusividade de funções:
autolimitação
3. Órgãos estatais executando decisões provenientes
de outros organismos
b. Conclusão: nova ordem dos poderes públicos
i. Ao longo dos séculos XV até o XIX os Estados foram
progressivamente concentrando direitos, mas esse caminho
se reverteu e nos dias hoje os direitos estão se dispersando;
ii. Organização em rede ao invés da hierarquia tradicional;
iii. Os poderes públicos se sobrepõem e se comunicam, mas
não há uma ordem concisa de poderes.
VI- A União Europeia como organização pública composta
a. Ordenamentos estatais gerais e sua crise
i. Tradicionalmente se associou ao ordenamento estatal, o
monopólio do emprego legítimo da força que era exercido
através de uma estrutura piramidal de comandos
ii. Existência de um direito único aplicado uniformemente
iii. O apogeu desse sistema veio com os nacionalismos do
entreguerras, e após esse período começou a declinar
iv. Declínio interno: fragmentações em organismos nacionais e
regiões
v. Declínio externo: Estados seguem sua soberania a
organizações internacionais gerais e especializadas
b. Organizações compostas se desenvolveram do bilateralismo ao
multilateralismo até finalmente atingir o regionalismo, atualmente
é possível classificar em seis os tipos de regionalismos:
i. Associações de Estados (fórum de cooperação)
ii. Acordos de preferência não recíprocos (concessões
unilaterais de vantagens)
iii. Zonas de livre comércio (reciprocidade de redução de
barreiras aduaneiras)
iv. União aduaneira: além de ser uma zona de livre comércio,
adicionalmente apresentam tarifa externa comum
v. Mercado Comum: inclui na união aduaneira fatores de
produção como pessoas e capitais
vi. União: adicionalmente integração de políticas econômicas e
monetárias
c. União Europeia como organização composta: morfologia e
implicações
i. UE detém poderes em um nível superior aos próprios
Estados