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© 1984 Living Stream Ministry

Edição para Língua Portuguesa


© 1987 Editora Árvore da Vida

Título do Original Inglês:


Life-Study of Revelation

ISBN — 0-87083-161-5

1ª Edição — Janeiro/1988
2ª Edição Revisada-Agosto/1992

Traduzido e publicado com a devida autorização do Living Stream Ministry e todos os


direitos reservados para a língua portuguesa pela Editora Árvore da Vida

Editora Árvore da Vida


Rua Gravi, 71, Saúde — CEP 04143-050
Telefone: (011) 577-5399 — São Paulo-SP — Brasil

Impresso no Brasil
pela Copiadora Árvore da Vida
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 1
UM PREFÁCIO
Pela misericórdia do Senhor, neste estudo-vida
chegamos ao último livro da Bíblia, o livro de
Apocalipse. Devido ao sutil. inimigo de Deus, o livro
de Apocalipse tem ficado fechado e poucos cristãos o
compreendem. Dificilmente alguém vê algo de vida,
da economia de Deus e do testemunho de Jesus neste
livro. Assim, tivemos encargo da parte do Senhor de
termos um estudo-vida deste livro.
Apocalipse é um livro de profecia (1:3; 22:7), pois
a revelação que ele contém está em caráter de
profecia. A maioria das visões referem-se a coisas por
vir. Mesmo as sete epístolas às sete igrejas nos
capítulos dois e três, no sentido de sinais, são
profecias a respeito da igreja na terra até a volta do
Senhor. Embora este seja um livro de profecia, não o
é meramente em palavras, mas em visões reveladas
àquele que vê. Aos olhos de Deus, todas as coisas
profetizadas neste livro já aconteceram e todas foram
mostradas àquele que vê, visão após visão.
No livro de Apocalipse, a maioria dos verbos e
predicados não estão no tempo futuro, mas no
passado, indicando que os eventos relatados neste
livro já ocorreram. Rigorosamente falando,
Apocalipse não é apenas uma profecia, mas também
uma revelação das coisas que já aconteceram.
Enquanto elas, aos nossos olhos, podem não parecer
ter ocorrido, aos olhos de Deus já ocorreram. Aos
olhos de Deus, tudo o que é relatado neste livro
ocorreu há aproximadamente dois mil anos. Todos
nós precisamos crer nisso. Os cristãos, na sua
maioria, consideram Apocalipse um livro de.
predições e têm curiosidade' em compreendê-las.
Muitos deles lêem este livro apenas por causa de sua
curiosidade, mas precisamos dizer ao Senhor: “6
Senhor, salva-nos disto. Não queremos conhecer este
livro por curiosidade”. Digo categoricamente, uma
vez mais, que Apocalipse não é meramente um livro
de profecia, mas um relato de coisas que já
ocorreram.
Em Apocalipse, duas coisas principais já
aconteceram. A primeira é que o testemunho de Jesus
foi cumprido pela eternidade. Você não viu a Nova
Jerusalém? O apóstolo João viu-a há quase dois mil
anos. Você crê que está na Nova Jerusalém? Se
parecemos loucos por dizer isso, somos loucos
segundo a Bíblia. A Nova Jerusalém, a consumação
final e máxima da obra de Deus através dos séculos,
foi completamente edificada e nós estamos nela! De
acordo com os dois últimos capítulos de Apocalipse, a
edificação da Nova Jerusalém foi cumprida. Esse
primeiro item é do lado positivo.
Do lado negativo, a segunda coisa principal
também já aconteceu — Satanás, o inimigo de Deus,
foi tratado. Aos olhos de Deus e até mesmo aos olhos
de nosso irmão João, Satanás foi lançado para dentro
do lago de fogo (20:10). Satanás, a serpente, está no
lago de fogo e nós estamos na Nova Jerusalém. Você
viu isso? Se virmos que Satanás está no lago de fogo,
não suplicaremos a Deus para tratar com ele. Pelo
contrário, louvá-Lo-emos porque o inimigo já foi
tratado. Sempre que Satanás nos perturbar, devemos
dizer-lhe: “Satanás, você está no lugar errado. Você
não devia estar aqui. Você pertence ao lago de fogo.
Volte para lá e não venha mais para cá”. Você alguma
vez já fez isso? Todos devemos fazê-lo.
A Bíblia é sempre consistente, inclusive quanto à
questão de Satanás, o inimigo de Deus. Em Gênesis 3,
Satanás veio até a humanidade de uma maneira
muito sutil, na forma de uma serpente. Em
Apocalipse, Satanás é deliberadamente chamado “a
velha serpente” (12:9; 20:2). No livro de Gênesis, a
serpente não era tão velha, mas no livro de
Apocalipse ela envelheceu; no mínimo está com seis
mil anos. Com uma intenção definida, o livro de
Apocalipse propositadamente chama-a de “a velha
serpente”. Na época do livro de Apocalipse,
entretanto, Satanás não é apenas “a velha serpente”,
mas também tornou-se um dragão (12:9; 20:2). De
acordo com Apocalipse, esse dragão primeiramente é
expulso do céu para a terra (12:7-9). Então, após três
anos e meio, ele é amarrado e lançado dentro do
abismo (20:1-3). Em Apocalipse 20, vemos que, por
ser ainda de alguma forma útil nas mãos de Deus, o
Senhor libertará Satanás do abismo no fim dos mil
anos (20:7). Após sua libertação, Satanás tentará ao
máximo prejudicar a humanidade: “E sairá a enganar
as nações que estão sobre os quatro cantos da terra,
Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do
mar, para as ajuntar em batalha” (20:8 — VRC). Mas,
logo em seguida, conforme 20:10, o diabo será
lançado dentro do lago de fogo, que é o seu destino e
destinação. O livro de Apocalipse tem ficado fechado
porque expõe Satanás, desvendando a sua sorte e
destinação, Mas agora, no fim dos tempos, cremos
que o Senhor abrirá este livro e nosso coração,
espírito e olhos para podermos ver claramente que o
inimigo de Deus está agora no lago de fogo. Aleluia!
Satanás, a velha serpente, está no lago de fogo e nós
estamos na Nova Jerusalém!
A Nova Jerusalém é o testemunho de Jesus. A
igreja de hoje também é o testemunho de Jesus. Hoje,
nós, nas igrejas, somos o testemunho de Jesus. Todos
precisamos ver isso ao máximo, esquecendo de nós
mesmos, de nossas fraquezas, de nossos pecados
habituais e até mesmo do fato de estarmos na terra.
Quando alguém lhe pergunta onde está, você deve
responder: “Estou na Nova Jerusalém”. Na Nova
Jerusalém não há insetos, rãs, escorpiões ou
serpentes. Além do mais, nessa cidade não há pecado,
morte ou mundo. Não há nada, exceto Cristo e o povo
redimido e transformado de Deus. Se virmos isso,
louvaremos o Senhor e gritaremos: “Aleluia!”
Apocalipse 1:1 diz: “Revelação de Jesus Cristo,
que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as
coisas que em breve devem acontecer, e que ele,
enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu
servo João.” A revelação deste livro é composta
principalmente de sinais, isto é, símbolos com
significado espiritual, tais como os sete candelabros
simbolizando as igrejas e as sete estrelas
simbolizando os mensageiros [anjos] das igrejas
(1:20). Até mesmo a Nova Jerusalém é um sinal,
representando a consumação final e máxima da
economia de Deus (caps. 21-22). Este livro, então, é
um livro de símbolos, através dos quais a revelação
torna-se-nos conhecida. O Evangelho de João é um
livro de sinais significando como Cristo veio para ser
nossa vida a fim de produzir a igreja, a Sua noiva. O
Apocalipse de João também é um livro de sinais
mostrando como Cristo está agora cuidando da igreja,
e como Ele está vindo para julgar e possuir a terra, e
introduzir a igreja, Sua Noiva, na economia plena de
Deus.

I. UM LIVRO DE CONCLUSÃO
Apocalipse é um livro de conclusão. Se o livro de
Apocalipse fosse eliminado da Bíblia, haveria uma
grande lacuna, pois haveria um começo, mas nenhum
fim. Embora haja o começo no livro de Gênesis, sem o
livro de Apocalipse não há conclusão ou consumação.
Após ter um bom início e passar por tantos trabalhos,
há a necessidade de Deus ter uma consumação. Sem o
Apocalipse não há conclusão da economia de Deus.
Deus é grande, Ele é um Deus de propósito. Para o
cumprimento do Seu propósito, a Sua economia
precisa ser cumprida. Muitos estudiosos da Bíblia
têm negligenciado a questão da economia de Deus. Se
não tivéssemos Apocalipse, não poderíamos ver a
consumação da economia de Deus. De fato,
acharíamos até mesmo difícil perceber o que é a
economia de Deus, pois não veríamos o resultado, o
desfecho da Sua economia. Mas, nesse livro, a
revelação da economia de Deus fica muito clara
porque ele contém a sua conclusão.
Sem Apocalipse também não teríamos qualquer
conclusão para a redenção de Cristo. Cristo veio em
carne e morreu na cruz para realizar a redenção.
Contudo, que a redenção realiza? Dizer que a
redenção de Cristo apenas salva os pecadores e
leva-os para o céu é uma conclusão muito pobre. Esse
tipo de conclusão não é tão significativa. Em
Apocalipse, entretanto, vemos que Cristo nos
redimiu, comprando-nos com o Seu sangue, para
fazer de nós um reino e sacerdotes. Assim, este livro
desvenda a conclusão da redenção de Cristo.
Apocalipse 1:6 diz que Cristo “nos constituiu
reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai”. Os crentes
redimidos pelo sangue de Cristo não somente
nasceram de Deus para o Seu reino (Jo 3:5), mas
também foram feitos reino para a economia de Deus,
que é a igreja (Mt 16:18-19). João, o escritor desse
livro, estava nesse reino (1:9) e todos os crentes
redimidos e renascidos são parte desse reino (Rm
14:17).
Um dos principais aspectos desse livro é que
Deus está restaurando o Seu direito sobre a terra,
para fazer dela o Seu reino (11:15). Quando Cristo
veio, Ele introduziu o reino de Deus Consigo (Lc
17:21; Mt 12:28). Esse reino foi aumentado até à
igreja (Mt 16:18-19), a qual introduzirá a consumação
do reino de Deus a toda a terra. Por um lado, o reino
de Deus hoje está na igreja, mas por outro, está vindo
por meio dos crentes vencedores (12:10). Então Cristo
e os crentes vencedores reinarão sobre todas as
nações no reino milenar (2:26-27; 12:5; 20:4, 6).
A redenção por meio do sangue de Cristo não
apenas nos fez reino para Deus, mas também
sacerdotes para Ele (1Pe 2:5). O reino é para o
domínio de Deus, ao passo que os sacerdotes, sendo
aqueles que expressam a Sua imagem, são para a Sua
expressão. Esse é o sacerdócio régio, real, (1Pe 2:9)
para o cumprimento do propósito original de Deus
em criar o homem (Gn 1:26-28). Esse sacerdócio real
está sendo exercitado hoje na vida da igreja (5:10).
Ele será praticado intensivamente no reino milenar
(20:6), e se consumará, de maneira final e máxima,
na Nova Jerusalém (22:3, 5).
O livro de Apocalipse também apresenta uma
consumação maravilhosa da igreja. Nesse livro vemos
a economia de Deus, a redenção de Cristo e o
testemunho da igreja. Sem Apocalipse, poderíamos
ler as epístolas repetidas vezes sem perceber que a
igreja é o testemunho de Cristo. Em qual das epístolas
vemos as igrejas resplandecendo como candelabros
na noite escura? Somente no livro de Apocalipse
podemos ver isso. Em Apocalipse, ás igrejas
primeiramente são os candelabros resplandecendo.
Por fim, na eternidade, a igreja será a Nova
Jerusalém, uma montanha de ouro. Essa é a
maravilhosa consumação da igreja. A situação atual é
uma mentira e não devemos crer nela. Não diga
meramente; “Quão maligna é a Igreja Católica e quão
miseráveis são as igrejas protestantes”. Precisamos
olhar para o outro lado, o lado eterno, onde vemos a
Nova Jerusalém. Mesmo hoje, durante a noite escura,
temos os candelabros resplandecendo.
Junto com a economia de Deus, a redenção de
Cristo e o testemunho da igreja, Apocalipse também
desvenda o destino do inimigo. Se não tivéssemos o
livro de Apocalipse, não saberíamos qual é o destino
de Satanás e ninguém seria capaz de compreender
por que Deus tem tolerado e ainda está tolerando o
Satanás sutil, maligno e sujo. Entretanto, se
penetrarmos neste livro e virmos a conclusão do
relato sobre Satanás, ficaremos felizes e riremos da
serpente. Portanto, em Apocalipse temos a conclusão
de quatro itens principais: a economia de Deus, a
redenção de Cristo, o testemunho da igreja e o
destino de Satanás.

A. A Conclusão dos Escritos de João


O livro de Apocalipse é a conclusão dos escritos
de João. Como ressaltamos no Estudo-Vida de João,
os escritos do apóstolo João são de três categorias:
seu Evangelho, suas Epístolas e seu Apocalipse. O
Evangelho de João é para dispensar a vida. Em João
10:10, Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida e a
tenham em abundância”; em João 12:24, Ele disse:
“Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo,
caindo na terra, não' morrer, fica ele só; mas se
morrer, produz muito fruto.” Nesses versículos vemos
o dispensar da vida, que é a idéia central do
Evangelho de João. Nas Epístolas de João está a
comunhão para o crescimento de vida. Embora a vida
tenha sido dispensada a nós, ela precisa crescer. A
vida cresce pela comunhão. Portanto, nas Epístolas
de João vemos a comunhão para o crescimento da
vida. Na última categoria dos escritos de João, em seu
Apocalipse, temos a colheita da vida. Primeiramente,
a vida é dispensada, depois ela cresce e, por fim, é
colhida. Sem Apocalipse, teríamos a dispensação e o
crescimento de vida, mas não a sua colheita.

B. A Conclusão do Novo Testamento


Apocalipse também é a conclusão do Novo
Testamento, o qual é composto dos Evangelhos, Atos,
Epístolas e Apocalipse. Nos Evangelhos vemos o
semear da semente de vida porque neles Jesus veio
para semear a Si mesmo na humanidade como a
semente de vida, semeando a Si mesmo num pequeno
número de pessoas tais como Pedro e João. Em Atos
está a propagação da vida. Nas Epístolas vemos o
crescimento da vida. O conceito central de todas as
Epístolas escritas por Paulo, Pedro, João e os outros é
o crescimento de vida. Todos nós precisamos crescer
em vida. Em Apocalipse vemos mais uma vez a
colheita da vida. No capítulo 14 de Apocalipse temos
um campo maduro e uma colheita. Apocalipse 14:15
diz: “Outro anjo saiu do santuário, gritando em
grande voz para aquele que se achava sentado sobre a
nuvem: Toma a tua foice e ceifa, pois chegou a hora
de ceifar, visto que a seara da terra já secou.” Em
Apocalipse 14, todo o campo está ceifado. Por meio
disso vemos que Apocalipse é a conclusão do Novo
Testamento.

C. A Conclusão de Toda a Bíblia


Como o último livro da Bíblia, Apocalipse é a
conclusão, a completação e a consumação de toda a
revelação divina, de toda a Bíblia. A Bíblia precisa de
tal conclusão. As sementes da maioria das verdades
da revelação divina foram semeadas em Gênesis, o
primeiro livro da Bíblia. O crescimento de todas essas
sementes é progressivamente desenvolvido nos livros
seguintes, especialmente nos livros do Novo
Testamento, e a messe é colhida no livro de
Apocalipse. Por exemplo: em Gênesis está a semente
da serpente e no livro de Apocalipse há a ceifa da
serpente. Assim, a maioria das coisas abordadas neste
livro não são absolutamente novas, mas reportam-se
aos livros anteriores da Bíblia. Em Gênesis está a
semente da revelação divina, nos livros seguintes há o
seu desenvolvimento progressivo e em Apocalipse, a
sua colheita. Portanto, todos nós precisamos penetrar
neste livro e conhecê-lo. Se não conhecermos este
livro, não poderemos ter clareza sobre a revelação de
Deus. Em nossas viagens, freqüentemente não
estamos muito claros sobre o caminho, a rodovia, até
que alcançamos o nosso destino. Após tê-lo alcançado
e olhar para trás, para o caminho que tomamos, esse
nos ficará bem claro. Em Apocalipse chegamos ao
destino de toda a Bíblia. Tendo chegado a esse
destino, poderemos compreender este Livro divino.

II. O CONTEÚDO
Agora chegamos ao conteúdo de Apocalipse. Não
pense que rãs, escorpiões, gafanhotos, chifres,
serpentes e cavalos são o conteúdo deste livro. Até
mesmo não devemos dizer que os sete selos, as sete
trombetas e as sete taças são em si mesmos o
conteúdo deste livro. Não, este livro não tem seu
maior interesse nessas coisas. Apocalipse, em
primeiro lugar, é um livro de Cristo; em segundo, um
livro da igreja; e em terceiro, um livro da economia de
Deus.

A. A Revelação de Cristo — Única, Final e


Máxima
A Bíblia toda revela Cristo. Como a conclusão, a
completação e a consumação da Bíblia, o livro de
Apocalipse é especialmente “a revelação de Jesus
Cristo” (1:1). Embora este livro também revele muitas
outras coisas, o centro de sua revelação é Cristo.
Vários aspectos de Cristo, tais como a visão de Ele
como o Sumo Sacerdote no meio das igrejas,
cuidando delas em amor, ainda que com uma atitude
julgadora (1:13-16); a visão de Ele como o <?
ordeiro-Leão ~o meio do trono de Deus e dos quatro
seres Viventes, e no meio dos vinte e quatro anciãos
do universo, abrindo os sete selos da administração
universal de Deus (5:1-6:1), e a visão de Ele como o
outro Anjo Forte descendo do céu para tomar posse
da terra (10:1-8; 18:1), nunca foram desvendadas
como o são no livro de Apocalipse. Neste livro, a
revelação de Cristo é única, final e máxima. Nos
Evangelhos, Atos e Epístolas, não vemos que Cristo
tem sete olhos, mas isso é revelado no livro de
Apocalipse (5:6). Cristo, nosso Salvador, tem sete
olhos. Que tremendo! Essa revelação de Cristo é
única. Em Lucas 4:22, é-nos dito que “palavras de
graça” procedem da boca de Cristo, mas em
Apocalipse 1:16, uma espada afiada de dois gumes
procede de Sua boca. Além do mais, no seu
Evangelho, João diz: “Eis o Cordeiro de Deus” (1:29),
mas em Apocalipse, um dos anciãos diz: “Eis que o
Leão da tribo de Judá” (5:5). Portanto, a revelação de
Cristo neste livro é única. Em nenhum outro livro
Cristo é desvendado como em Apocalipse. O primeiro
item do conteúdo de Apocalipse é este Cristo peculiar.

B. O Testemunho de Jesus — Único e


Consumado
Por um lado, este livro nos dá a “revelação de
Cristo”, e, por outro, mostra-nos “o testemunho de
Jesus”, que é único e está consumado (1:2, 9; 12:17;
19:10; 20:4). O testemunho de Jesus é a igreja.
Apocalipse apresenta o Cristo revelado e a igreja
testificante. Neste livro temos um relato único e
consumado da igreja. Em nenhum outro livro as
igrejas são reveladas como o são em Apocalipse. Os
candelabros do capítulo um, a grande multidão dos
redimidos no capítulo sete, a mulher resplandecente
com seu filho varão no capítulo doze, a messe com
suas primícias no capítulo quatorze, os vencedores
sobre o mar de vidro no capítulo quinze, a Noiva
pronta para o casamento e o exército combatente de
Cristo que luta no capítulo dezenove e a Nova
Jerusalém nos capítulos vinte e um e vinte e dois, são
todos o testemunho de Jesus. O testemunho de Jesus
é o espírito a substância, a disposição e a
característica — da profecia (19:10). Cristo é a
Testemunha (1:5), o testemunho, a expressão de
Deus; a igreja é o testemunho, a expressão de Cristo.
Como tal, a igreja é a reprodução do testemunho, a
expressão de Deus em Cristo. A revelação única da
igreja neste livro é crucial e todos precisamos vê-la.

C. A Economia de Deus — Universal e Eterna


O conteúdo de Apocalipse também inclui a
economia de Deus. A economia de Deus é Sua
administração universal e eterna. No livro de
Apocalipse vemos a administração de Deus universal
e eterna, que é para levar a cabo a Sua economia.
Quanto ao espaço, Sua administração é universal e
quanto ao tempo, ela é eterna.

1. Os Sete Selos
Na administração de Deus, o primeiro grupo de
itens são os sete selos. Um selo indica que alguma
coisa está fechada, escondida e não aberta ao público.
Os primeiros quatro selos abrangem a história do
mundo, deste a ascensão de Cristo até o final desta
era (6:1-8). Essa história e abordada brevemente,
ainda que de modo completo, nesses quatro selos.
Com a abertura desses selos, vemos quatro cavalos
cada um deles com um cavaleiro. O cavaleiro do
primeiro cavalo é a pregação do evangelho, o do
segundo e a guerra, o do terceiro é a fome e o do
quarto é a morte. Assim, nesses quatro primeiros
selos temos o evangelho, a guerra, a fome e a morte.
Se você conhece a história do mundo, perceberá que
tem Sido exatamente essa a situação durante os vinte
séculos passados. Desde a ascensão de Cristo, o
evangelho tem sido pregado. Por todos os séculos,
junto com a pregação do evangelho, tem havido
guerra. Desde que o Império Romano enviou seus
exércitos para destruir a cidade de Jerusalém em 70
a.D. , a guerra tem sido intensificada século após
século. No início deste século houve a Primeira
Guerra Mundial e, depois dela, uma guerra
grandemente intensificada — a Segunda Guerra
Mundial. A guerra sempre causa a fome a fome
introduz a morte. Esses quatro cavalos são o
conteúdo dos quatro primeiros selos.
O quinto selo abrange o clamor dos santos
martirizados (6:9-11). Isso ocorrerá próximo do final
desta era e perto do começo da grande tribulação:
Devido à pregação do evangelho através dos séculos,
muitos santos foram martirizados. Perto do fim desta
era, esses santos martirizados clamarão a Deus por
vingança.
O sexto selo, que ocorre bem próximo ao tempo
da grande tribulação, abrange o tremor da terra e do
céu (6:1217). A abertura do sexto selo, haverá um
grande terremoto (6:12), que será uma advertência
aos habitantes da terra. Algumas pessoas malignas
dizem: “Quem é Deus? Nós somos Deus!” Embora
possam dizer que são Deus, quando o verdadeiro
Deus vier para sacudir suas habitações, então saberão
quem é Deus. Tenho encontrado algumas pessoas que
argumentam comigo, dizendo: “Sr. Lee, o senhor
prega sobre Deus. Não sabe que nós somos Deus?”
Respondo: “Veremos quem é Deus. Embora Deus
tenha certa dose de tolerância, Sua tolerância é
limitada. Um dia você a esgotará e Seu dedo mínimo
sacudirá a terra. Então você conhecerá quem é Deus”.
Antes de começar a grande tribulação, Deus enviará
uma advertência a todos os habitantes da terra,
lembrando-os de que há um Deus. Na época do sexto
selo, Deus não apenas sacudirá a terra, mas também
os céus. Apocalipse 6:12 e 13 dizem: “Vi quando o
Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande
terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina,
a lua toda como sangue, as estrelas do céu caíram
pela terra, como a figueira quando abalada por vento
forte deixa cair os seus figos verdes”. Naquela época,
a terra não mais será um lugar agradável para os
homens malignos viverem jactanciosamente.
O selo mais difícil de compreender é o sétimo. O
sétimo selo, que perdurará pela eternidade, consiste
em sete trombetas. Não confunda os selos com as
trombetas. Os selos são secretos, mas as trombetas
são públicas. Quando sela alguma coisa, você a torna
secreta e privada, mas quando faz soar uma trombeta,
você torna algo público.

2. As Sete Trombetas — o Conteúdo do Sétimo


Selo
As sete trombetas são o conteúdo do sétimo selo.
As primeiras q. uatro trombetas São os julgamentos
sobre a terra, o mar, os nos, o sol, a lua e as estrelas
(8:7-12). Como resultado dos julgamentos das
primeiras quatro trombetas, a terra não será um lugar
adequado para as pessoas habitarem. A quinta
trombeta, o primeiro ai como julgamento sobre o
homem, será o começo da grande tribulação
(8:13-9:1). Como veremos, a grande tribulação será
terrível. A sexta trombeta, que é o segundo ai como
um julgamento adicional sobre os homens, é uma
parte da grande tribulação (9:12-21). A sétima
trombeta é bem complexa. Consiste no reino eterno
de Cristo, no terceiro ai compreendendo as sete taças,
no julgamento dos mortos, na recompensa dos santos
e das pessoas tementes a Deus, e na destruição dos
destruidores da terra (11:14-18). O terceiro ai, que é o
segundo item da sétima trombeta, será o
encerramento da grande tribulação. Apos isso haverá
a recompensa dos profetas, dos santos e daqueles que
temem o nome de Deus. Por todas a gerações essas
três categorias de pessoas têm sido geradas. A
maioria dos profetas vem do Velho Testamento, a
maioria dos santos vem no Novo Testamento e
aqueles que temem o nome de Deus serão gerados
durante a grande tribulação. A, sétima troo; beta
inclui a recompensa que o Senhor dará a essas três
classes de pessoas. A sétima trombeta também
compreende o julgamento dos mortos e a destruição
dos destruidores da terra. Os destruidores da terra
são Satanás, o anticristo, o falso profeta e todos os
seus seguidores. Assim, a sétima trombeta inclui
tudo, desde o fim da tribulação até a eternidade.

3. As Sete Taças
As sete taças, uma parte do conteúdo negativo da
sétima trombeta como a última das pragas da ira de
Deus sobre os homens será o término da grande
tribulação (15:1, 6-8; 16:1-21). As sete taças, como os
sete selos e as sete trombetas, são compostas de um
grupo das primeiras quatro e depois da quinta, sexta
e sétima. Esse arranjo e significativo. Certamente o
escritor do livro de Apocalipse deve ser Deus. Quem
mais teria a sabedoria exigida para escrevê-lo? Se este
livro foi escrito segundo a imaginação de João, então
João devia ser Deus. O livro de Apocalipse
certamente foi composto de uma maneira
maravilhosa.

III. AS SEÇÕES
O livro de Apocalipse tem cinco seções: a
introdução (1:. 1-8), as coisas vistas (1:9-20), as coisas
atuais (2:1-3:22), as coisas por vir (4:1-22:5) e a
conclusão (22:6-21). Na introdução temos a revelação
de Cristo e o testemunho de Jesus. Embora
Apocalipse inclua a economia de Deus ela não e o
ponto crucial deste livro. Os dois itens cruciais, que
são o ponto central de Apocalipse, são Cristo e a
igreja, isto é, a revelação de Cristo e o testemunho de
Jesus. Após essa introdução, temos as coisas vistas os
sete candelabros e o Filho do homem com as sete
estrelas. Depois, nos capítulos dois e três, temos as
coisas atuais — as sete igrejas locais. A seção seguinte,
que aborda as coisas por vir, tem duas partes. A
primeira (4:1-11:19) consiste em uma visão geral das
coisas por vir, deste a ascensão de Cristo até a
eternidade futura. Na segunda parte (12:1-22:5),
encontramos os detalhes das coisas importantes
abordadas na primeira parte. Essas duas partes
parecem-se com Gênesis capítulos um e dois. Em
Gênesis 1 temos um relato geral da criação de Deus;
em Gênesis 2 temos os detalhes da criação do homem
por Deus. No mesmo princípio, em 4:1 até 11:9, temos
uma visão geral das coisas por vir; em 12:1 até 22:5,
os detalhes das coisas importantes por vir. Não
considere os últimos onze capítulos como uma
continuação dos primeiros onze, pois a visão geral
das coisas por vir conclui-se no final do capítulo onze.
Após todos os detalhes das coisas por vir,
desvendados na segunda parte dessa seção, temos em
22:6-21 a conclusão do livro de Apocalipse.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 2
A REVELAÇÃO ÚNICA, FINAL E MÁXIMA DE CRISTO
Nesta mensagem chegamos à revelação de Cristo.
Ao lermos o livro de Apocalipse, poucos cristãos
prestam plena atenção à revelação de Cristo nele
contida. Este termo “a revelação de Jesus Cristo” é
encontrado em 1:1 e os estudiosos da Bíblia têm tido
opiniões diferentes sobre a sua interpretação. Alguns
dizem que este termo significa que o livro de
Apocalipse é um livro dado por Cristo como uma
revelação. Esta interpretação, que torna a revelação
de Cristo muito objetiva, não é precisa. Se lermos
todo o livro de Apocalipse, veremos que este termo
indica que Apocalipse 1 é o desvendar do próprio
Cristo. É uma figura, um retrato de Cristo, não
meramente uma revelação dada por Cristo.
Precisamos ver que Cristo é o centro, o âmago e a
figura predominante de todo o livro. Assim,
precisamos tomar o termo “a revelação de Jesus
Cristo” de uma maneira subjetiva. Não é
simplesmente uma revelação dada por Cristo, mas
uma revelação que desvenda Cristo para nós.
Cristo é revelado nas profecias, nos tipos e nas
palavras claras do Velho Testamento. Em certo
sentido, não precisamos do Novo Testamento, pois se
lermos o Velho, prestando cuidadosa atenção às
profecias, tipos e palavras claras referentes a Cristo,
teremos uma revelação Dele. Por meio dessas
revelações, podemos visualizar que tipo de Cristo é
1
Apocalipse é uma palavra de origem grega, que significa revelação. (N. do R.)
Jesus Cristo. No entanto, por mais perfeitas que
sejam as revelações de Cristo no Velho Testamento,
elas não são completas. Precisamos, portanto, ir ao
Novo Testamento, o qual é inteiramente uma
revelação de Cristo. Se meramente lermos os
Evangelhos, Atos e as Epístolas, veremos muitos
aspectos de Cristo, mas não veremos os aspectos
abordados no livro de Apocalipse. Nesta mensagem
precisamos ver os aspectos únicos e peculiares da
revelação de Cristo contidos neste livro.

I. CRISTO EM SUA ASCENSÃO


No livro de Apocalipse, Cristo é revelado como
Aquele que ascendeu (5:3-6, 8-14). Nos quatro
Evangelhos vemos Cristo encarnado, vivendo na
terra, crucificado e ressurreto. Entretanto, não vemos
muito a respeito de Cristo em Sua ascensão. Mesmo
nas Epístolas vemos pouco da ascensão de Cristo.
Embora os Evangelhos, Atos e as Epístolas digam
algo a respeito da ascensão de Cristo, em, nenhum
desses livros encontramos uma figura clara do
cenário ou da situação nos céus após a ascensão de
Cristo. Se quisermos ver esta figura, precisamos ir ao
livro de Apocalipse, no qual temos um retrato de
Cristo nos céus após a Sua ascensão. Neste livro,
temos uma figura clara e completa do próprio Cristo
que ascendeu aos céus. Além do mais, nessa figura
vemos. o cenário, a visão, a situação nos céus após a
ascensão de Cristo. Somente quando virmos essa
revelação é que O adoraremos de uma maneira
adequada.

A. O Cordeiro-Leão
Em Sua ascensão, Cristo é o Cordeiro-Leão
(5:5-6). No Evangelho de João, João Batista declarou:
“Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1:29). Mas, na cena nos
céus, após a ascensão de Cristo, Ele é revelado
principalmente como o Leão, não como o Cordeiro.
Enquanto João chorava, porque “ninguém foi achado
digno de abrir o livro” (5:4), um dos anciãos
disse-lhe: “Não chores: eis que o Leão da tribo de
Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os
seus sete selos” (5:5). Antes da crucificação, João
podia ter motivo para chorar, contudo, foi tolice ele
chorar após a ascensão. Você hoje está chorando? Se
ainda estiver, isso significa que não teve a visão do
Cristo ascendido em Apocalipse 5. Você precisa
contemplar o Leão da tribo de Judá. Gênesis 49:8 e 9
profetizam a respeito de Cristo como o Leão de Judá e
somente em Apocalipse é-nos dito que Cristo é o Leão
da tribo de Judá. O Leão da tribo de Judá, a Raiz de
Davi, venceu e é digno de abrir os selos da economia
de Deus. Após João ouvir essa declaração de um dos
anciãos, ele viu “no meio do trono e dos quatro seres
viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro, como
tinha sido morto” (5:6). Ele viu o Leão como o
Cordeiro. Cristo é o Leão ou o Cordeiro? Ele é ambos.
Assim, podemos chamá-Lo de Cordeiro-Leão.
Por que Cristo é tanto o Leão como o Cordeiro?
Porque temos dois problemas principais — o pecado e
Satanás. A maioria dos cristãos apenas se importa
com o problema do pecado e se esquece do problema
de Satanás. Não pense que seu marido seja tão difícil;
não o acuse, mas a Satanás que está atrás dele. Da
mesma forma, toda esposa é boa. As coisas ruins que
surgem de nossa esposa, na verdade, não resultam
dela, mas de Satanás que está atrás dela. O cordeiro
contrapõe-se ao pecado e resolve o problema do
pecado; o Leão trata com Satanás. Como o Cordeiro,
Cristo cumpriu a redenção, tendo nos lavado dos
nossos pecados. Como o Leão, Ele tratou com
Satanás. Ele é adequado para ir ao encontro de nossas
necessidades e resolver os nossos problemas. Agora o
pecado acabou, Satanás foi eliminado e fomos
redimidos e resgatados da mão usurpadora do
inimigo.

B. Aquele que é Digno


Nosso Salvador é tanto o cordeiro como o Leão.
Temos um Salvador Cordeiro-Leão. Este é Aquele que
é digno de abrir o rolo. Afora Ele, ninguém no
universo é digno de abrir o segredo, o mistério da
economia de Deus. Mas o Cordeiro-Leão é digno
porque cumpriu a redenção e obteve a vitória sobre
Satanás. Sempre que nós cristãos dizíamos que Cristo
era digno, nossa idéia era que Ele era digno de nossos
louvores e graças e adoração. Quando dizíamos:
“Senhor Jesus, Tu és digno”, muitos de nós não
percebíamos que Ele era digno de abrir os selos do
segredo da economia de Deus. Tínhamos somente o
conceito de que Cristo era digno de receber adoração,
louvor e graças de nós, Suas pequenas criaturas.
Contudo, esse é um conceito inadequado da
dignidade do Senhor. Assim, a maioria dos hinos
sobre a dignidade de Cristo expressam esse conceito
inadequado da Sua dignidade. Poucos hinos louvam
Cristo por ser Ele digno de abrir o segredo da
economia de Deus. Esse aspecto da dignidade do
Senhor é universal e imensurável. É claro que Cristo é
digno de nossos louvores; Ele é inclusive digno de
nossa vida. Não obstante, precisamos perceber que,
segundo Apocalipse 5, a dignidade de Cristo é uma
questão de Ele ser digno de abrir o segredo da
economia de Deus. O universo é um mistério que os
cientistas não podem elucidar. Eles simplesmente
não conhecem o significado da finalidade do universo
porque é um segredo que lhes é oculto. Mas Cristo é
digno de abrir esse segredo porque Ele é digno de
abrir os selos da economia de Deus.
Apocalipse 5:5 diz que o Leão é digno de abrir o
rolo e os seus sete selos. Um rolo é um rolo de
pergaminho ou outro material. Devido ao fato de um
rolo ser enrolado, é difícil determinar exatamente
qual é o seu comprimento. O rolo de Apocalipse 5 tem
um comprimento eternamente longo. Somente Cristo
é digno de abrir esse rolo de comprimento
eternamente longo. Não pense que você viu tudo o
que está contido nesse rolo. Não, precisaremos da
eternidade para ver tudo o que está nele incluso.
Quando estivermos na Nova Jerusalém, ainda
estaremos lendo o conteúdo do rolo. Pela eternidade
diremos: “Agora vejo alguma coisa a mais”. Deus nos
fará uma eterna surpresa. A surpresa da abertura do
rolo durará pela eternidade. Quando você estiver na
eternidade, poderá dizer: “A surpresa do Senhor é
eterna. Embora agora estejamos na eternidade, ainda
não podemos ver o fim”. Cristo é digno de abrir esse
rolo do mistério de Deus.

C. Adorado pelos Anjos e por Todas as Outras


Criaturas
Por Cristo ser tão digno, aqui nesta cena celestial,
Ele é adorado pelos anjos e por todas as outras
criaturas. Os anjos são representados pelos vinte e
quatro anciãos e todas as outras criaturas pelos
quatro seres viventes. Os anjos têm anciãos: os vinte e
quatro anciãos angelicais que tomam a dianteira para
adorar Cristo. Aqui nesta figura vemos os vinte e
quatro anciãos louvando e todos os anjos louvando;
os quatro seres viventes louvando e todas as outras
criaturas louvando. Juntos, eles rendem adoração
universal a Deus e ao Cordeiro. O Cristo em quem
cremos é esse Cristo universal.

II. CRISTO NA SUA ADMINISTRAÇÃO


Agora chegamos a Cristo em Sua administração.
Há uma administração no universo. O universo não
funciona de uma forma sem sentido, mas segundo a
administração de Deus. Embora não possamos ver
esse Administrador, todavia Ele está levando a cabo a
Sua administração divina. Todos os terremotos, tais
como o que ocorreu recentemente no norte da China,
procedem da Sua administração. Cristo não é apenas
o Salvador, o Leão e o Cordeiro; Ele também é o
Administrador de todo o universo.

A. Entre as Igrejas
Primeiramente, Cristo está administrando o
propósito de Deus entre as igrejas, exercendo um
cuidado sacerdotal pelas igrejas (1:11-18). No capítulo
um, Cristo é revelado como o Filho do homem vestido
numa veste de Sumo Sacerdote. Hoje, na
administração de Deus, Cristo exerce Seu cuidado
sacerdotal entre as igrejas. Entre as igrejas Ele está
vestido com uma veste sacerdotal. Além do mais, Ele
está “cingido á altura do peito com uma cinta de
ouro” (1:13). É interessante notar que Ele não está
cingido nos lombos, mas no peito. Isso indica que
toda a Sua obra foi cumprida e que agora Ele está
exercendo um cuidado amoroso para com as Suas
amadas igrejas. Hoje, Cristo não trabalha mais, mas
cuida de nós. Ele inclusive repreende-nos e
castiga-nos em amor. Hoje, Ele é o Sacerdote amável
que cuida das Suas igrejas.

B. Nos Céus
Apocalipse nos mostra claramente que, por um
lado, Cristo está entre as igrejas e que, por outro, está
nos céus, levando a cabo a economia de Deus. A prova
mais forte disso está em 5:7, que, falando do fato de
Cristo receber o rolo, diz: “Veio, pois, e tomou o livro
da mão direita daquele que estava sentado no trono”.
O rolo da economia de Deus foi colocado nas mãos de
Cristo; Ele agora tem a economia de Deus e a leva a
cabo. Não vemos essa revelação em nenhum outro
livro do Novo Testamento. Enquanto Cristo está nos
céus levando a cabo a economia de Deus, que está
relacionada principalmente com o julgamento da
terra por Deus, Ele cuida do Seu povo (7:1-3; 8:3-5).
Isso está plenamente revelado nos capítulos sete e
oito. Deus tem dois povos — os filhos de Israel e os
santos redimidos. Não importa o quanto esta terra
seja julgada por Cristo em administração de Deus, Ele
cuidará do Israel escolhido e da igreja redimida.
Aleluia, estamos todos sob o cuidado de Cristo na Sua
administração. Creio categoricamente que Cristo está
cuidando da nação de Israel. Não importa o que as
outras nações digam ou façam, pois a nação de Israel
está sob o cuidado da administração universal de
Cristo. As outras nações podem tentar certas coisas,
mas tudo será em vão por causa do cuidado vigilante
do Administrador universal. Todos nós precisamos
adorar Cristo como o Administrador, como Aquele
que está nos céus administrando todas as coisas para
o cumprimento da economia de Deus.

III. CRISTO EM SUA VOLTA

A. Secreta como um Ladrão


Nenhum livro revela a volta de Cristo tão
claramente como o livro de Apocalipse. Este livro
revela que a volta de Cristo tem dois aspectos — um
secreto e um público. Isso é possível porque Cristo é
maravilhoso. Primeiramente, Cristo voltará
secretamente como um ladrão (3:3b; 16:15). Nenhum
ladrão lhe diz de antemão a hora de sua chegada. Em
Sua volta secreta como um ladrão, Cristo virá roubar
as coisas preciosas. Nenhum ladrão rouba coisas que
são sem valor. Os ladrões somente vêm roubar o que
tem valor. Cristo diz-nos para ser vigilantes, dizendo:
“Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não
conhecerás de modo algum em que hora virei contra
ti” (Ap 3:3b). A hora da Sua vinda secreta é
desconhecida. Precisamos todos perguntar a nós
mesmos: “Sou precioso? Sou digno de ser roubado
por Cristo em Sua vinda secreta?”

B. Abertamente sobre a Nuvem


No fim da grande tribulação, Cristo virá
abertamente sobre a nuvem (1:7; 14:14). Entre os
cristãos, há dois conceitos da segunda vinda de
Cristo. De acordo com um dos conceitos, Cristo virá
antes da tribulação e segundo outro, Sua vinda será
após a tribulação. Muitos cristãos, por não terem
visto os dois aspectos da vinda de Cristo — o secreto e
o às claras — contendem entre si. Tanto a vinda antes
da tribulação como após a tribulação têm base nas
Escrituras. Mas, por terem uma visão estreita, muitos
cristãos não têm uma visão completa da volta de
Cristo. Primeiramente, Cristo virá secretamente, e
depois, publicamente. Sua vinda secreta será para os
santos vencedores e Sua vinda pública para toda a
terra. Assim, 1:7 diz: “Eis que vem com as nuvens, e
todo olho o verá”. Quando Cristo vier sobre a nuvem,
a terra vê-Lo-á. Precisamos entender com clareza que
a volta de Cristo primeiramente será oculta, e, por
fim, será manifestada aberta e publicamente.

IV. CRISTO EM SEU JULGAMENTO


Num sentido muito positivo, o livro de
Apocalipse é um livro de juízo. Cristo, o
Administrador de Deus, julgará todas as coisas.
Primeiramente, Ele julga a igreja e depois, julgará o
mundo.

A. Sobre Todo o Mundo


Cristo julgará todo o mundo por intermédio do
sexto selo, das sete trombetas e das sete taças
(6:12-17; 8:1-2, 12; 11:14-15; 15:1, 7-8; 16:1-21). Há
mais de dezenove séculos, desde a ascensão de Cristo,
o mundo tem sido punido por calamidades naturais.
Contudo, a partir da abertura do sexto selo, o mundo
começará a ser punido por calamidades
sobrenaturais. Apocalipse 6:12 e 13 dizem: “Vi
quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio
grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de
crina, a lua toda como sangue, as estrelas do céu
caíram pela terra, como a figueira quando abalada
por vento forte deixa cair os seus figos verdes”. O sol
tornando-se negro como saco de crina, e a lua
tornando-se como sangue e as estrelas caindo na
terra são calamidades sobrenaturais. As sete
trombetas serão também calamidades sobrenaturais.
As quatro primeiras das sete trombetas provocarão o
julgamento sobre a terra, o mar, os rios, o sol, a lua e
as estrelas. A grande tribulação começará com a
quinta trombeta, continuará com a sexta e será
concluída com as sete taças da sétima trombeta.
Todos esses são os julgamentos executados por Cristo
sobre a terra.

B. Sobre a Grande Babilônia


Em Apocalipse 17 e 18, vemos o julgamento sobre
a grande Babilônia, que é o cristianismo apóstata.
Além do Seu julgamento sobre todo o mundo, o
Senhor executará um julgamento especial sobre o
cristianismo, a Grande Babilônia.

C. Sobre o Anticristo, o Falso Profeta, Satanás


e Seus Seguidores
O julgamento de Cristo será também sobre o
anticristo, o falso profeta, Satanás e seus seguidores
(19:11-20:3, 7-10). O anticristo é o homem do pecado
(2Ts 2:3) e o pequeno chifre (Dn 7:8) e o falso profeta
é aquele que trabalha com o anticristo. O anticristo, o
falso profeta e Satanás são diabolicamente triúnos e
constituem uma trindade falsa. Porque o anticristo
será tão sedutor e atraente, terá muitos seguidores.
Mas todos eles serão destruídos juntamente com o
anticristo, o falso profeta e Satanás. Cristo julgará o
anticristo e o falso profeta por meio de calamidades
sobrenaturais: a terra se abrirá e eles cairão
diretamente no lago de fogo. Não morrerão nem
serão enterrados e ressuscitados para depois
enfrentar o julgamento do grande trono branco. No
caso deles, não será necessário esses procedimentos.
Cairão dentro do lago de fogo sobrenaturalmente.

D. Sobre os Mortos
Por fim, como Administrador de Deus, Cristo
julgará os mortos (20:11-15). Não pense que se você
morrer, tudo estará bem. Você pode desejar morrer,
mas o Senhor quer fazê-lo viver. Se não quiser que
Ele o vivifique hoje para a salvação, no final da velha
criação Ele o ressuscitará para julgamento. Naquela
ocasião, Ele não o ressuscitará num sentido positivo,
e, sim, num sentido negativo. João 5:28 e 29 dizem:
“Vem a hora em que todos os que se acham nos
túmulos ouvirão a sua voz e sairão... os que tiverem
praticado o mal, para a ressurreição do juízo”. Os
incrédulos mortos não permanecerão enterrados pela
eternidade; serão ressuscitados, julgados e lançados
no lago de fogo.

V. CRISTO EM SUA POSSE DA TERRA


Na completação de' Seu julgamento sobre o
mundo, Cristo voltará para tomar posse plena da
terra (10:1-7; 18:1). Toda a terra pertencer-Lhe-á,
nenhuma parte dela pertencerá a qualquer outro.
Hoje, muitas nações estão lutando para aumentar
seus territórios, mas estão lutando em vão, pois o que
quer que ganhem, por fim, pertencerá a Cristo.
Em Sua volta para tomar posse da terra, Cristo
será como um outro Anjo. Muitas vezes no livro de
Apocalipse, o título “outro Anjo” é usado com respeito
a Cristo (7:2; 8:3; 10:1; 18:1). Esse título é usado para
designar Cristo porque, como Administrador de
Deus, Ele se conduz como um Anjo. No Velho
Testamento, Cristo foi chamado de o Anjo do Senhor
(Gn 22:11-12; Êx 3:2-6), que foi enviado por Deus
para levar a cabo a Sua comissão. Quando Ele vier
para tomar posse da terra, virá como Aquele que foi
comissionado por Deus para esse propósito. Ele será
o outro Anjo com grande autoridade e virá em Sua
glória (18:1). Em Sua vinda, Cristo porá “o pé direito
sobre o mar e o esquerdo sobre a terra” (10:2). Isso
indica que Ele pisará sobre o mar e sobre a terra, o
que significa que deles tomará posse (Dt 11:24; Js
1:3). Na Bíblia, tudo que seus pés pisarem,
tornar-se-á sua possessão. Uma vez que Cristo pisará
sobre o mar e sobre a terra, tanto o mar como a terra
pertencer-Lhe-ão. Após Cristo possuir a terra, Ele
completará o mistério de Deus (10:7). Naquele
tempo, a economia de Deus será plenamente
manifestada. Não será mais um mistério, porém, um
segredo manifestado.

VI. CRISTO EM SEU REINADO NO REINO


Após Cristo tomar posse da terra, Ele reinará
sobre a terra como o Rei no reino, governando as
nações com Seus crentes vencedores (20:4, 6;
2:26-27). Nenhum de nós está satisfeito com os
governantes desta terra. Como alguém que viajou por
todo o mundo e veio a conhecer a situação deste,
percebi que no que diz respeito a governos, toda a
terra é pobre. Onde estão os governantes
apropriados? Estamos aguardando o dia em que
Cristo virá como Rei para reinar sobre a terra. Cristo
reinará em Seu reino e seremos Seus coreis.
VII. CRISTO EM SUA CENTRALIDADE E
UNIVERSALIDADE NA ETERNIDADE
Enfim, no livro de Apocalipse, vemos Cristo na
Sua central idade e universalidade na eternidade. Na
eternidade Cristo será tudo. Ele será a central idade e
a universalidade na Nova Jerusalém (21:9-10, 23)
como a árvore da vida crescendo no rio da água da
vida (22:1-2). Em Apocalipse 21:23, temos uma figura
clara da centralidade e universalidade de Cristo. Aqui
vemos que Deus é a luz e que Cristo, o Cordeiro, e a
lâmpada. A luz sempre está contida numa lâmpada.
Assim, a luz e a lâmpada nunca devem ficar
separadas; devem permanecer juntas. Deus é a luz,
Cristo é a lâmpada e a Nova Jerusalém é o recipiente
dessa lâmpada. Deus resplandece em e por meio de
Cristo e Cristo resplandece em e por meio da Nova
Jerusalém. Com isso vemos que Cristo será a
centralidade e universalidade da eternidade
vindoura. Deus em C:risto e Cristo nos redimidos
resplandecerão por toda eternidade. Esse será o
cenário na eternidade quando Cristo for o centro, a
circunferência e tudo na Nova Jerusalém. Esse é o
nosso Cristo.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 3
O TESTEMUNHO DE JESUSÚNICO E CONSUMADO
O livro de Apocalipse primeiramente revela
Cristo, e em segundo lugar, o testemunho de Jesus.
Em outras palavras, este livro refere-se a Cristo e à
igreja. Em Apocalipse, Cristo e a igreja são revelados
de uma maneira única e peculiar. Na última
mensagem, ressaltamos que muitos aspectos de
Cristo, que não são encontrados em outros livros da
Bíblia, são desvendados em Apocalipse. O mesmo é
válido em relação à igreja. O livro de Apocalipse
desvenda a igreja de um modo bem específico. Nesta
mensagem, apresentaremos um sumário dos aspectos
da igreja encontrados em Apocalipse, enquanto que
nas posteriores, abordaremos os detalhes.

I. OS CANDELABROS
Primeiramente, em Apocalipse as igrejas são
desvendadas como sendo os candelabros (1:11-20).
Em nenhum outro livro do Novo Testamento esse
termo é usado com respeito à igreja. Em outros livros
é-nos dito que a igreja é a reunião dos escolhidos de
Deus, que ela é o Corpo de Cristo e a casa de Deus.
Mas, com exceção de Apocalipse, não nos é dito que a
igreja é o candelabro. Como os candelabros, as igrejas
resplandecem nas trevas. A palavra candelabro
capacita-nos a compreender muito sobre a igreja e
sua função. A igreja não é a lâmpada, ela é o
candelabro, o suporte que mantém a lâmpada. Sem a
lâmpada, o candelabro é inútil e não significa nada,
mas o candelabro mantém a lâmpada
resplandecendo. Como vimos na mensagem
precedente, Deus é a luz e o Cordeiro é a lâmpada
(21:23). Assim, Cristo é a lâmpada e a igreja é o
candelabro que segura a lâmpada. Deus está em
Cristo e Este, como a lâmpada, é sustentado pelo
suporte para resplandecer a glória de Deus. Esse é o
testemunho da igreja.

A. De Ouro (Divino) em Natureza


Como as igrejas locais, os candelabros são de
ouro em natureza. Em prefiguração, o ouro simboliza
divindade, a natureza divina de Deus. Todas as igrejas
locais são divinas em natureza, são constituídas pela
natureza de Deus. Afirmar isso é absolutamente
bíblico, pois o livro de Apocalipse diz que as igrejas
locais são candelabros de ouro (1:20). Esses suportes
não são construídos de barro, madeira ou qualquer
substância inferior; são construídos de ouro puro.
Isso significa que todas as igrejas locais devem ser
divinas. Sem divindade, não pode haver igreja.
Embora a Igreja seja composta de humanidade com
divindade, a humanidade não deve ser a natureza
básica das igrejas locais. A natureza básica das igrejas
locais deve ser a divindade, a natureza de Deus. Por
meio dessas duas simples palavras — candelabros de
ouro — muito percebemos sobre a igreja, que ela é
algo resplandecendo com Cristo e que é constituída
pela natureza divina.

B. Resplandecendo nas Trevas


Os candelabros resplandecem nas trevas. Se não
houvesse trevas, não haveria qualquer necessidade do
resplandecer da luz da lâmpada. O resplandecer da
lâmpada é bem peculiar. Para a lâmpada
resplandecer, deve haver óleo queimando dentro
dela. Se o óleo dentro da lâmpada queimar, a luz
resplandecerá em toda a treva. Essa é a função da
igreja. A função da igreja não é simplesmente pregar
ou ensinar doutrinas. Na noite tenebrosa desta era, a
igreja deve resplandecer a própria glória de Deus.
Esse é o testemunho da igreja.

C. Idênticos Uns aos Outros


Todos os candelabros são idênticos uns aos
outros. Muitos cristãos, tendo um conceito errôneo,
desejam ser diferentes dos outros cristãos. Quando
vim para este país 2 , há quatorze anos, encontrei
alguns queridos cristãos que estavam incomodados
porque as igrejas locais eram todas iguais.
Disseram-me que iriam se esforçar ao máximo para
serem diferentes. Isso não está certo. Todos têm uma
cabeça, dois ombros, dois braços, duas mãos e dez
dedos e toda cabeça humana tem sete orifícios: dois
ouvidos, dois olhos, duas narinas e uma boca. E
ridículo dizer: “Não quero ter a mesma aparência que
os outros. Para ser diferente, gostaria de ter cinco
orifícios na minha cabeça”. Como isso é ridículo!
Aqueles que afirmam que cada igreja local deve ser
singular, baseiam seu conceito sobre as diferenças
entre as sete Igrejas de Apocalipse 2 e 3. Alguns
dizem: “Olhe! todas as sete igrejas são diferentes”.
Em minha mocidade, quando era bem jovem fui
influenciado por esse conceito e ensinei a mesma
coisa. Mas, um dia, a luz clareou-me e vi que todas as
diferenças das igrejas locais em Apocalipse 2 e 3 são
2
Estados Unidos da América. (N. do R.)
negativas, não positivas. Éfeso perdeu o seu primeiro
amor — negativo; Pérgamo é mundana — negativo;
Tiatira é demoníaca — negativo e Laodicéia tornou-se
morna negativo. Do lado positivo, entretanto, todas
as igrejas locais são idênticas, porque todas elas são
sete candelabros de ouro. Se pudesse colocar todos os
sete candelabros sobre uma mesa diante de você, a
menos que os enumerasse ou os etiquetasse, você
seria incapaz de distingui-los. Todos os sete
candelabros são idênticos.
Contudo, desde 1962, algumas vozes neste país
declaram em alto e bom som que nunca seriam como
a igreja em Los Angeles. Onde estão hoje aquelas
vozes? Apagaram-se e todos os conceitos particulares
que defendiam malograram. Não estou dizendo que
todos devem seguir a igreja em Los Angeles, porém,
se Los Angeles tem sete “orifícios” então seria ridículo
se as outras insistissem em ter cinco. Do lado
positivo, todas as igrejas locais devem ser idênticas.
Do lado negativo, entretanto, elas são diferentes. Se a
igreja em Los Angeles adorasse ídolos, então,
deveríamos nos recusar a segui-la. Em questões como
essa, precisamos ser diferentes, mas é errado dizer
que do lado positivo as igrejas locais não devem ser
iguais. Não devemos tentar fazer-nos peculiares ou
diferentes — isso é orgulho. Um dia o Senhor
mostrou. me que os quatro lados da Nova Jerusalém
são exatamente iguais. Cada lado do muro é edificado
com o mesmo material — jaspe. Não é que um lado
seja edificado com jaspe e os outros com bronze. Não,
todos os quatro lados são idênticos. Da mesma forma,
universalmente, todas as igrejas devem ser iguais.
Não precisam ser iguais na organização, mas
idênticas na aparência. Por exemplo: as igrejas na
Nova Zelândia devem ser iguais às no Japão. Por
sermos todos nós uma única igreja, todas as igrejas
na terra devem ser universalmente iguais.
Localmente, somos as igrejas; universalmente, somos
a igreja. Esse é o testemunho de Jesus.

II. A GRANDE MULTIDÃO


Em 7:9-17 vemos o testemunho de Jesus como a
grande multidão. Segundo o relato do capítulo sete,
essa grande multidão é todo o Corpo dos redimidos
de Deus, que foram redimidos “de todas as nações,
povos e línguas” (7:9). Todos eles passaram pela
tribulação. Isso indica que em nenhuma época, em
nenhum lugar, há uma igreja que não tenha passado
pela tribulação. O mundo sempre persegue as igrejas
(Jo 16:33). Onde quer que a igreja esteja, sempre
haverá alguma perseguição. Que todo o Corpo de
redimidos passará pela tribulação é indicado por 7:14,
que diz: “São estes os que vêm da grande tribulação”.
Essa grande multidão vem da tribulação de uma
maneira vitoriosa, pois todos eles seguram palmas,
que representam sua vitória sobre a tribulação (7:9).
Por fim, na eternidade, serão abrigados por Deus com
o Seu tabernáculo. Como 7:15 diz: “E aquele que se
assenta no trono estenderá sobre eles o seu
tabernáculo”. Esse é o destino dos redimidos de Deus.
Que maravilhoso! Além do mais, eles também serão
pastoreados pelo Cordeiro nas fontes das águas da
vida, pela eternidade (7:17).
Apocalipse 7:9-17 não retrata um grupo
particular de crentes, pelo contrário, apresenta um
relato geral de todo o Corpo de redimidos de Deus e
sua situação na eternidade. Na eternidade, sua
situação será desfrutar o abrigo de Deus e o pastorear
de Cristo. Esse é o nosso destino. Esse trecho da
Palavra revela que, enquanto Cristo está executando o
julgamento de Deus sobre a humanidade, Ele cuidará
dos Seus redimidos. Todos os redimidos de Deus, por
fim, serão arrebatados para o trono de Deus e lá
permanecerão desfrutando o abrigo de Deus e o
pastorear do Cordeiro.

III. A MULHER COM O FILHO VARÃO A. A


Mulher
Em 12:1-17, vemos um outro símbolo da igreja: a
mulher com o filho varão. A igreja não é apenas o
candelabro e a grande multidão redimida; também é
a maior parte da mulher com o filho varão. Nenhuma
mente humana poderia conceber a igreja dessa
forma. A mulher neste capítulo representa todo o
Corpo do povo de Deus, e o filho varão, a sua parte
mais forte. Assim como há o filho varão dentro da
mulher, também entre o povo de Deus há uma parte
mais forte. Essa mulher, que é brilhante, tendo o sol,
a lua e as doze estrelas (12:1), e que é perseguida por
Satanás, o grande dragão vermelho, representa o
povo de Deus por todas as gerações. Em todas as
gerações, uma parte do povo de Deus sempre é
perseguida por Satanás. Entretanto, durante os três
anos e meio da grande tribulação, ela será protegida
por Deus do ataque da serpente.

B. O Filho Varão
Como vimos, o filho varão é a parte mais forte do
povo de Deus. Entre o povo de Deus, mesmo entre
nós na restauração do Senhor hoje, há a parte mais
forte. Essa parte mais forte será arrebatada para o
trono de Deus antes da grande tribulação. Em outras
palavras, a mulher será deixada na terra para passar
pela tribulação, mas a parte mais forte, o filho varão,
será arrebatada para o trono de Deus antes da
tribulação. Por que o filho varão será arrebatado
antes da tribulação? Porque Deus precisa dele para
lutar contra Satanás nos céus e lançá-lo abaixo.
Embora Deus tenha muitos anjos que lutarão contra
Satanás, a vitória final sobre o inimigo não será ganha
pelos anjos, mas pelo filho varão. Deus precisa do
filho varão. Deus envergonhará Satanás usando o
próprio homem que ele corrompeu para derrotá-lo.
Deus pode dizer: “Satanás, você corrompeu o homem
que criei, mas consegui um filho varão, saído desse
homem corrompido, para derrotá-lo. E ele não o
derrotará na terra, mas no céu”. O filho varão sairá
lutando até o trono lá em cima, para lançar abaixo
Satanás dos céus à terra. Essa é uma parte do
testemunho de Jesus. Embora Jesus tenha derrotado
Satanás na cruz, ainda há a necessidade de a igreja
executar Sua vitória sobre o inimigo. Porque tantos
membros do Corpo falharam nessa questão, apenas a
parte mais forte do Corpo — o filho varão — executará
a vitória de Cristo sobre Satanás. O filho varão será
arrebatado aos céus para realizar esse trabalho.
O arrebatamento não é meramente para nossa
bênção. Não devemos dizer apenas: “Que bom, para
mim, ser arrebatado aos céus!” Precisamos perceber
que Deus tem uma necessidade ao sermos
arrebatados — precisamos ser arrebatados ao céu
para que possamos lutar contra o inimigo. Se ao ouvir
isso, você disser: “Não quero ir para lá e estar
envolvido numa guerra”, tal significa que você não
está qualificado para ser arrebatado antes da
tribulação. Se você não for para o céu encontrar-se
com Satanás e lançá-lo abaixo, então ele descerá à
terra para encontrar-se com você e vencê-la.
Precisamos ser o filho varão. Desejo ardentemente
ser uma parte do filho varão. Não estou satisfeito
simplesmente em ser uma parte da mulher. Desejo
estar incluído nesta parte mais forte. Esse também é
um aspecto do testemunho de Jesus.

IV. AS PRIMÍCIAS E A MESSE


Chegamos agora às primícias e à messe (14:1-5,
14-16). A igreja não é apenas o candelabro
resplandecente e o filho varão que luta, mas também
um campo que produz uma messe que precisa crescer
e tornar-se madura. Toda lavoura que ainda está
verde é muito tenra para ser colhida, mas uma vez
que a lavoura tenha amadurecido no campo, será
colhida imediatamente.

A. As Primícias
Aquela parte da lavoura que amadurece primeiro
é chamada primícias. As primícias serão arrebatadas
para Sião, nos céus, antes da grande tribulação. Como
14:4 indica, as primícias são “os que seguem o
Cordeiro para aonde quer que vá”. Sendo as
primícias, são arrebatados para a casa de Deus em
Sião como o desfrute cheio de frescor para Deus. Isso
é para a satisfação de Deus. Segundo a figura do
Velho Testamento, as primícias da colheita
amadurecida não eram levadas para o celeiro, mas
introduzidas no templo de Deus (Êx 23:19). Isso
indica que os primeiros vencedores serão levados até
a casa de Deus no céu para o Seu desfrute. O
arrebatamento não é principalmente para o nosso
desfrute, mas para o de Deus. O arrebatamento é para
derrotar o inimigo e satisfazer a Deus. Precisamos ser
não somente os candelabros de hoje, mas também o
filho varão para lutar contra o inimigo de Deus e as
primícias de hoje para satisfazer o desejo de Deus.

B. A Messe
Após as primícias, no capítulo quatorze, temos a
messe. O versículo 15 diz: “Outro anjo saiu do
santuário, gritando em grande voz para aquele que se
achava sentado sobre a nuvem: Toma a tua foice e
ceifa, pois chegou a hora de ceifar, visto que a seara
da terra' já secou.” A messe estará amadurecida perto
do fim da grande tribulação. Será arrebatada para o
ar, onde Cristo estará sobre a nuvem. Por que a messe
será deixada para passar pela grande tribulação?
Porque campos verdes, não amadurecidos, precisam
da luz forte do sol para amadurecer. Em certo
sentido, a grande tribulação será a luz forte do sol que
amadurecerá todos os santos que não estiverem
prontos antes da tribulação. Simplificando, se hoje
você não desistir do mundo e viver para Cristo, Ele o
deixará na terra para passar pela grande tribulação.
Naquela ocasião, com toda certeza você desistirá do
mundo e perceberá que a melhor maneira de viver é
viver para Cristo. Todos os filhos de Deus devem fazer
isso, caso contrário, nunca poderão amadurecer. Se
você não crê nas minhas palavras, peço-lhe que
aguarde. Talvez sinta que o mundo é tão atraente
para desistir dele. Se for assim o Senhor pode dizer:
“Uma vez que você ama tanto o mundo, deixo-o no
mundo e o deixo descobrir se ele é realmente
atraente”. O Senhor, então, sacudirá o mundo, e, por
fim, você dirá: “Senhor, eu me arrependo”. Tal
arrependimento, entretanto, pode ser muito tardio.
Não espere até que a grande tribulação venha para
arrepender-se. Arrependa-se agora! Mais cedo ou
mais tarde, todo verdadeiro cristão precisa
arrepender-se. Tenho plena convicção de que, por
fim, toda pessoa salva perceberá que o mundo não é
atraente, mas nocivo. Quanto mais você ama o
mundo, mais é envenenado por ele. O mundo está em
inimizade com Deus e todos nós devemos
desprezá-lo. Mais cedo ou mais tarde, o Senhor
levá-lo-á a perceber o quanto Ele odeia este mundo.
Dia virá quando todos nós estaremos amadurecidos.
Mas, não diga: “Não me importo em estar
amadurecido. Uma vez que sou salvo, tudo estará
bem”. Você pode ser capaz de argumentar comigo
com sua vontade forte e obstinada, mas dia virá
quando perceberá que precisa amadurecer. Advirto-o
a não aguardar a ceifa. Pela Sua graça, apresente-se
para ser uma parte das primícias.

V. OS VENCEDORES SOBRE A BESTA


Em 15:2-4, vemos os que venceram sobre a besta.
Deus é soberano. Mesmo durante o tempo da grande
tribulação, haverá alguns vencedores, aqueles a quem
podemos chamar de últimos vencedores. Esses
vencedores passarão pela grande tribulação, na qual o
anticristo, a besta, compelirá as pessoas a
adorarem-no como Deus e a adorarem a sua imagem
no templo de Deus. Esperamos ver a reedificação do
templo em Israel, pois isso será um sinal de que a
volta do Senhor está próxima. A Bíblia profetiza que o
anticristo erigirá sua imagem no templo de Deus e
forçará as pessoas a adorarem-na (Mt 24:15).
Durante essa época, muitos cristãos vencerão a besta
e serão mortos. Exorto-os a ser um vencedor logo no
início e a amar o Senhor hoje. Não espere vencer
sendo morto durante a grande tribulação.
De acordo com o capítulo quinze, os últimos
vencedores serão arrebatados para ficarem sobre o
mar de vidro: “Um mar de vidro, mesclado de fogo”
(15:2) e entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus,
e o cântico do Cordeiro (1-5:3). Aqueles que estão
sobre o mar vítreo são aqueles que saíram vitoriosos
da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do
número do seu nome (15:2 — VRC). Esses são aqueles
que venceram a besta, a sua imagem e a adoração do
ídolo do anticristo. Apocalipse 20:4 e 6 indicam que
alguns dos co-reis de Cristo serão esses últimos
vencedores. Digo novamente que prefiro ser um
vencedor logo de início e não um retardatário. Se você
for negligente, será deixado para passar pela grande
tribulação. Todos nós precisamos confiar no Senhor e
dizer-Lhe: “Senhor, quero ser um vencedor logo de
início”. Abordaremos os detalhes quando chegarmos
a Apocalipse 15 neste Estudo-Vida.

VI. A NOIVA
Em 19:7-9, vemos a igreja como a Noiva. Efésios
5 revela que a igreja é a Noiva de Cristo, mas não
revela a Noiva de uma maneira tão íntima. Em
Apocalipse 19, todavia, vemos quão íntima é a igreja
como a Noiva. Nesse trecho da Palavra vemos que a
Noiva usará veste resplandecente, estando vestida
com justiça resplandecente e pura, e será convidada
para a festa de casamento do Cordeiro (vs. 79). Essa é
uma questão bastante íntima. Para o inimigo de
Deus, precisamos ser o filho varão; para a satisfação
de Deus, precisamos ser as primícias; para Cristo,
precisamos ser a Noiva. Quando estivermos ansiosos
para ser a Noiva, Cristo terá a Sua satisfação. Não
somente Cristo ficará satisfeito, mas nós também
ficaremos contentes. Apocalipse 19:7 diz:
“Alegremo-nos, exultemos”. Em princípio, uma noiva
é a pessoa mais agradável e feliz. Hoje, como a igreja,
o complemento de Cristo, estamos sofrendo e sendo
submetidos a muitos tratamentos. Mas está vindo o
dia quando não haverá mais perseguições,
sofrimentos ou tratamentos. Nunca vi uma noiva que
tivesse sido tratada no dia do seu casamento. Oh!
precisamos ser a Noiva! Quando tivermos nos
tornado a Noiva, todos os difíceis tratamentos terão
acabado.

VII. O EXÉRCITO
A igreja também é o exército (19:14-19; 17:14). A
parte da igreja que será o filho varão para lutar contra
o inimigo, nos céus, também será o exército para lutar
com Cristo contra Satanás na terra. Após todos os
arrebatamentos terem sido completados e os crentes
terem sido julgados no trono do julgamento de Cristo,
todos os vencedores voltarão à terra com Cristo como
o Seu exército para lutarem contra o anticristo e seu
exército. , Tanto Cristo como o anticristo terão um
exército. Embora um exército seja celestial e o outro
terreno, ambos lutarão na terra. Em outras palavras,
o anticristo lutará contra Cristo e Seu exército, e
Cristo, em contrapartida, lutará juntamente com o
Seu exército. O falso Cristo será tão ousado a ponto de
lutar contra o verdadeiro, mas o verdadeiro Cristo
guerreará contra o falso. Em 17:14, vemos que o
exército celestial de Cristo será composto de todos os
vencedores, aqueles que foram chamados e
escolhidos. Por fim, no final dessa guerra, Cristo
derrotará o anticristo.

VIII. A NOVA JERUSALÉM


Por último, o testemunho de Jesus será a Nova
Jerusalém (21:1-22:5). Iniciando-se com o candelabro
e passando pela grande multidão, o filho varão, as
primícias, os últimos vencedores, a Noiva e o exército,
todos os salvos, por fim, serão a Nova Jerusalém, que
será uma composição viva de todos os redimidos de
Deus, a consumação final e máxima da edificação do
povo de Deus. Na eternidade e por toda ela, a Nova
Jerusalém expressará Deus no Cordeiro com o fluir
do Espírito. Quando chegarmos aos capítulos vinte e
um e vinte dois, teremos uma visão clara dessa
consumação final e máxima.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 4
O DEUS TRIÚNO EM APOCALIPSE
A Bíblia toda é a revelação de Deus. No livro de
Apocalipse, temos a revelação final, máxima e
completa de quem Deus é. Deus é triúno. Todos nós
estamos familiarizados com o termo Deus Triúno.
Isso é algo muito grande na revelação de Deus.
Através dos séculos, entretanto, a maioria dos
cristãos não percebeu plenamente o significado do
termo: Deus Triúno. No livro de Apocalipse, o livro
que revela as coisas de uma maneira final e máxima,
vemos algo mais profundo, mais elevado, mais rico e
mais doce em relação ao Deus Triúno. Vimos que em
Apocalipse, a revelação de Cristo e do testemunho de
Jesus são finais e máximos. Nesta mensagem
precisamos ver que a revelação do Deus Triúno aqui
também é final e máxima.
Apocalipse 1:4 e 5 dizem: “Graça e paz a vós
outros, da parte daquele que é, que era e que há de
vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante
do seu trono, e da parte de Jesus Cristo, a fiel
testemunha, o primogênito dos mortos, e o soberano
dos reis da terra.” Ele, “que é, que era e que há de vir”,
é Deus Pai eterno. “Os sete Espíritos” que estão
diante do trono de Deus são o Seu Espírito que opera,
o Deus Espírito. Jesus Cristo, para Deus “a fiel
testemunha”, para a igreja “o primogênito dos
mortos” e para o mundo “o soberano dos reis da
terra”, é Deus Filho. Esse é o Deus Triúno. Como
Deus Pai eterno, Ele era no passado, é no presente e
está vindo no futuro. Como Deus Espírito, Ele é o
Espírito sete vezes intensificado para o operar de
Deus. Como Deus Filho Ele é a Testemunha, o
testemunho, a expressão de Deus; o Primogénito dos
mortos para a igreja, a nova criação; o Soberano dos
reis da terra para o mundo. De tal Deus Triúno, graça
e paz são dispensadas para dentro das igrejas.

I. O DEUS TODO-PODEROSO
O livro de Apocalipse diz-nos que Deus é o Deus
Todo-poderoso (1:8; 19:6, 15). Na língua hebraica, o
título Deus significa o Poderoso, Aquele que é
poderoso. Mas em Apocalipse, vemos que Deus não é
apenas poderoso, mas Todo-poderoso. Ele é poderoso
de todas as maneiras, em todos os aspectos, em tudo
e com todos. O título Deus significa que Ele é o
Todo-poderoso.

A. O Senhor
Esse Todo-poderoso é o Senhor. Ser o Senhor
significa que Ele é o possuidor do universo. Podemos
dizer que Ele é o proprietário de todo o universo. Ele
é o Soberano, a autoridade, neste universo. O que nós
ou os outros dizemos, nada significa. Mas o que Deus
diz significa tudo porque Ele é o Senhor. Quando Ele
diz “Sim”, isto quer dizer sim, e quando diz “Não”,
quer dizer não. Deus não é somente o Senhor, o
possuidor e a autoridade, Ele também é o Amo. Todo
o universo, incluindo os anjos e todos os seres
humanos, está debaixo Dele. Temos um Amo que nos
possui. Antes de ter sido salvo, eu não sabia a quem
pertencia. Contudo, agora posso gritar: “Deus é meu
Amo, Aquele que me possui. Aleluia! Ele é o meu
Senhor!”
B. O Alfa e o Ômega
Apocalipse 1:8 diz que o Senhor Deus é o Alfa e o
Ômega. O Deus eterno e Todo-poderoso é o Alfa, o
começo para a origem e o Ômega, o fim para a
completação de Seu propósito eterno. Ele era o Alfa
~o livro de Gênesis e, agora, no livro de Apocalipse,
Ele é o Ômega. Tudo o que Ele deu origem, Ele
completará. Governamentalmente, Ele continua o
Seu operar universal, o qual Ele deu origem desde a
eternidade e há de levar à completação (21:6).

C. Aquele Que É, Que Era e Que Está Vindo


Deus também é Aquele que é, que era e que está
vindo. Esse é o significado do nome Jeová. Em
hebraico, Jeová significa “Eu Sou o que Sou”. Ele
sendo o Eu Sou significa que é Aquele que existe de
eternidade a eternidade. Seu título — Eu Sou — não
indica apenas que Ele existe mas que, num sentido
positivo, Ele é tudo. Ele é vida, luz e qualquer outra
coisa positiva. Você precisa de vida? Deus é vida.
Você quer luz? Deus é luz. Você deseja santidade?
Deus é santidade. Deus existe de eternidade a
eternidade e é tudo. Esse é o nosso Deus.
Como vimos, nosso Deus é triúno. Ele sendo
triúno significa que é o Pai, o Filho e o Espírito. É-nos
impossível compreender completamente o Deus
Triúno, pois a Trindade divina excede em muito a
nossa capacidade mental. Não exercite tanto a sua
mente, pelo contrário, exercite o seu espírito para
perceber e experienciar o Deus Triúno como o Pai, o
Filho e o Espírito.

II. O PAI
Primeiramente, o próprio Deus Todo-poderoso é
o Pai. O Pai é nada menos que o próprio Deus. Ele
sendo o Pai significa que é a fonte. O Pai também é o
Senhor e, como 1:4 deixa claro, Ele é Aquele que é,
que era e está vindo.

III. O ESPÍRITO
Em Apocalipse, a seqüência do Deus Triúno é
diferente da encontrada em Mateus. Em Mateus
28:19, a seqüência do Deus Triúno é o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. Mas em 1:4 e 5, a seqüência é mudada.
Os sete Espíritos de Deus são relacionados em
segundo lugar em vez de terceiro. Isso revela a
importância da função intensificada do Espírito
setuplicado de Deus. Esse ponto está confirmado pela
repetida ênfase acerca do falar do Espírito em 2:7, 11,
17, 29; 3:6, 13, 22; 14:13; 22:17. Na abertura das
Epístolas, somente o Pai e o Filho são mencionados,
de quem graça e paz são dadas aos recebedores. Aqui,
entretanto, o Espírito também é incluído, de quem
graça e paz são dispensadas às igrejas. Isso também
indica a necessidade crucial do Espírito para o mover
de Deus reagir à degradação da igreja.

A. Os Sete Espíritos de Deus


Vejamos agora por que em Apocalipse o Espírito
ocupa o segundo lugar na seqüência da Trindade
divina. E porque nesse livro a era mudou do Filho
para o Espírito. No livro de Apocalipse, a era é a era
do Espírito e nessa, o Espírito foi intensificado.
Pelo fato de o Espírito em 1:4 ser o Espírito de
Deus intensificado, Ele é chamado de sete Espíritos.
Os sete Espíritos são sem dúvida o Espírito de Deus
porque Eles ocupam o mesmo nível do Deus Triúno
nos versículos 4 e 5. Não podemos compreender a
Bíblia de acordo com a nossa mente natural, limitada.
De acordo com o nosso conceito, as palavras “sete
Espíritos” denotam sete espíritos individuais, mas
esse não é o significado. O número sete aqui não se
refere a sete espíritos diferentes, mas a um único
Espírito setuplicado,
Sete é o número da completação no mover
dispensacional de Deus, enquanto doze é o número
da completação na administração eterna de Deus. Por
exemplo, Deus criou a terra em seis dias, mais o dia
de sábado. Além do mais, há sete dispensações na
Bíblia. Para o mover de Deus hoje, a igreja tem o
número sete. No livro de Apocalipse, os sete selos, as
sete trombetas' e as sete taças, são todos para o mover
dispensacional de Deus. Desse modo, hoje, o Espírito
setuplicado é o Espírito intensificado no mover de
Deus. Ele é os sete Espíritos de Deus para o Seu
mover.
Como sete é o número para a completação no
operar de Deus, assim os sete Espíritos são para o
mover de Deus na terra. Em substância e existência, o
Espírito de Deus é um; na função intensificada e no
trabalho do operar de Deus, o Espírito de Deus é
setuplicado. É como o candelabro em Zacarias 4:2.
Em existência ele é um candelabro, mas em função é
sete lâmpadas. Na época em que o livro de Apocalipse
foi escrito, a igreja havia se tornado degradada e a
época era tenebrosa. Por isso, foi necessário o
Espírito de Deus sete vezes intensificado para o
mover e trabalhar de Deus na terra. Todos nós
estamos familiarizados com as lâmpadas com três
intensidades de luz, lâmpadas que podem ser acesas
em três graus sucessivos de iluminação. Quando não
precisamos de muita luz, acendemos a primeira
lâmpada, mas quando precisamos de mais
iluminação, acendemos a segunda ou terceira. Da
mesma forma, as sete lâmpadas do candelabro eram a
luz intensificada sete vezes. Nos quatro Evangelhos, o
Espírito de Deus era único porque naquela época não
havia a necessidade de tanta luz. Entretanto, após a
Igreja ter-se degradado e a era ter-se tornado
excessivamente tenebrosa, houve a necessidade de o
Espírito Santo ser intensificado sete vezes. Dessa
maneira, o único Espírito de Deus tornou-se o
Espírito setuplicado. Em existência o Espírito Santo,
como o candelabro de Zacarias é um, mas em função
é sete.

B. Os Sete Olhos do Cordeiro


Os sete Espíritos de Deus são os sete olhos do
Cordeiro (5:6; Zc 3:9; 4:10). Nossos olhos são para o
nosso mover. Se somos cegos, é-nos bem difícil
mover. Hoje, no mover de Deus, Cristo como o
Cordeiro de Deus tem sete olhos. Os sete olho~ do
Cordeiro também são para vigiar, observar e
transfundir, Quando olho para alguém, algo de mim é
transfundido nele. Freqüentemente falamos sobre
amar uns aos outros, mas como podemos perceber
que alguém nos ama? O amor é transfundido através
dos olhos. Se olhar para mim de uma maneira
amorosa, seus olhos transfundir-me-ão seu amor.
Quando Cristo nos olha com Seus sete olhos à
primeira vista podemos ficar estarrecidos. Por fim,
entretanto, esses sete olhos transfundir-nos-ão o
elemento de Cristo.
Hoje, o Espírito Santo é os sete olhos de Cristo.
Muitos cristãos argumentam que o. Espírito Santo de
Deus é separado de Cristo, mas a Bíblia diz que o
Espírito Santo é os olhos de Cristo. Acha que seus
olhos estão separados de você? Seria ridículo dizer
isso. Quando olho nos seus olhos, olho para você; e
quando olha para mim com os seus olhos, você olha
para mim. Os olhos de uma pessoa expressam essa
pessoa. Dizer que o Espírito Santo está separado de
Cristo não corresponde à pura revelação da Palavra
Santa. Como podemos dizer que os olhos de uma
pessoa estão separados dela mesma? Não há motivo
para discutir sobre isso. Vimos que a Bíblia diz que o
Espírito de Deus hoje é os olhos de Cristo. Isso
simplesmente significa que o Espírito é Cristo. Meus
olhos são eu mesmo. Quando olho para você, meus
olhos olham para você. Se não tivesse olhos, nunca
poderia olhar para você. Assim, o Espírito, os olhos
de Cristo, não é separado de Cristo. Ele é os olhos de
Cristo olhando para nós. A nossa experiência prova
isso. Dia após dia, sentimos que Alguém está nos
olhando. Esse Alguém é o Espírito, que é o próprio
Cristo. Se o Espírito não fosse Cristo, sentiríamos que
os dois, o Espírito e Cristo, estavam olhando para
nos. Dizer que o Espírito é separado de Cristo é
arrancar os olhos de Cristo e separá-los Dele. Não é
bíblico dizer que o Espírito é separado de Cristo e que
Cristo não é o Espírito. Assim como nós e nossos
olhos são um, assim Cristo e o Espírito são um. Nosso
Cristo não é um Cristo cego. Ele é o Cristo com os sete
olhos. Freqüentemente, Ele transfunde o Seu
elemento dentro de nós. Outras vezes Ele nos observa
como um holofote, dizendo: “Que está fazendo? Você
está brigando com seu marido? Pare!” Você já não
teve esse tipo de experiência? Dia após dia,
experimentamos esse vigiar, observar e transfundir
de Cristo. Esse observar e transfundir ocorrem
através dos Seus olhos. Seus olhos são o Espírito e o
Espírito é simplesmente Ele mesmo. Se você não crer
nisso, perderá a bênção.

C. As Sete Lâmpadas de Fogo diante do Trono


de Deus
Os sete olhos são também as sete lâmpadas de
fogo diante do trono de Deus (4:5; Zc 4:2). Isso é
difícil de compreendermos. Cristo leva a cabo a
administração de Deus pelo resplandecer das sete
lâmpadas de fogo. Hoje isso é verdade nas igrejas.
Quando Cristo olha para nós e através de nós, Ele
resplandece sobre nós e executa a administração de
Deus. Muitas vezes, enquanto os presbíteros das
igrejas estão discutindo os assuntos uns com os
outros, eles têm a sensação de que as sete lâmpadas
de fogo estão resplandecendo sobre eles. Isso é Cristo
levando a cabo a administração de Deus por meio do
resplandecer das sete lâmpadas de fogo.

D. Enviados a Toda a Terra


Os sete Espíritos de Deus foram enviados a toda
a terra (5:6). Aonde formos, os sete olhos
seguir-nos-ão. De fato, eles irão adiante de nós e
estarão nos esperando em nosso destino. Muitos
queridos santos que estavam descontentes com a
igreja de certa localidade mudaram-se para uma
outra, pensando que lhes seria muito melhor estar em
outro lugar. Mas quando chegaram à nova localidade,
descobriram que o Espírito estava aguardando por
eles. Alguns de nós temos ido a lugares aonde não
deveríamos ter ido e, quando chegamos lá, fomos
saudados pelo Espírito que disse: “Volte. Não fique
aqui”. Hoje, o Espírito foi enviado a toda a terra. Ele
agora penetra em todos os cantos da terra. Esse é o
Espírito maravilhoso do Deus Triúno.

IV. O FILHO
Após estudar o livro de Apocalipse várias vezes,
descobri que ele contém vinte e seis itens sobre o que
é o Filho. Uma vez que há vinte e seis letras no
alfabeto3, podemos dizer que Cristo é todas as letras,
de A a Z. Ele é suficiente para formarmos qualquer
palavra. Você quer formar a palavra luz? Ele é o l, o u
e o z. Você quer formar a palavra amor? Ele é o a, o m,
o o e o r. Com Cristo podemos formar qualquer coisa
positiva. Após termos as palavras, temos as
sentenças, os parágrafos e os capítulos e, desde que
tenhamos os capítulos, temos a Bíblia toda. A Bíblia
inteira é formada com Cristo. Consideremos agora
brevemente cada um dos vinte e seis aspectos de
Cristo encontrados em Apocalipse.

A. Jesus Cristo
O Filho é Jesus Cristo, Jesus é Jeová, o Salvador,
e Cristo é o Ungido de Deus para levar a cabo a Sua
economia.

B. A Fiel Testemunha
O Filho é a fiel Testemunha (1:5; 3:14). Ele é a
Testemunha de Deus. Embora Ele seja Deus, Ele
também é a Testemunha de Deus. Sem Ele não

3
Alfabeto inglês. (N. do R.).
podemos conhecer, ver ou ganhar Deus. Deus é
testificado por Ele.

C. O Primogênito dos Mortos


O Filho é o Primogênito dos mortos (1:5). Deus
tem duas criações no universo: a criação por meio de
Sua primeira obra e a criação por meio da Sua
segunda obra. Todos conhecemos a primeira criação
de Deus, mas poucos de nós estamos familiarizados
com a Sua segunda criação. A segunda obra de Deus é
a ressurreição. Primeiramente, Deus criou todas as
coisas existentes; em segundo lugar, Ele ressuscitou
algumas dessas coisas existentes e as introduziu em
uma outra esfera, um outro domínio, que é o domínio
da ressurreição. Estamos na primeira criação de Deus
ou na Sua segunda criação? Enquanto o nosso corpo
permanece na primeira criação de Deus, nosso
espírito está na segunda criação. Nosso espírito foi
regenerado. Isso significa que ele foi recriado. Desse
modo, ele pertence à segunda criação de Deus. Em
ambas as criações de Deus, Cristo é o primeiro.
Colossenses 1:15 diz que Cristo é o Primogênito de
toda a criação, e Apocalipse 1:5 nos diz que Ele é o
Primogênito dos mortos. Ele foi o primeiro a ser
ressuscitado dos mortos e nós o seguiremos. Aqui a
frase “o Primogênito dos mortos” indica a criação de
Deus em ressurreição. Isso significa um novo começo.
Na primeira criação de Deus houve um começo, e na
segunda criação de Deus, em ressurreição, houve um
outro começo. Quando fomos regenerados,
experimentamos um novo começo na segunda criação
de Deus.

D. O Soberano dos Reis da Terra


O Filho é o Soberano dos reis da terra (1:5).
Embora os comunistas sejam contra Cristo, eles usam
o Seu calendário sem perceber o que estão fazendo.
De acordo com a história, o calendário de cuja pessoa
você usa é a pessoa a quem você está sujeito. Se
alguém usou o calendário de certo rei, deve ter estado
sob o domínio daquele rei. Da mesma forma, os
comunistas estão sob Jesus Cristo porque usam o Seu
calendário. Eles o chamam de calendário
internacional, mas, na verdade, é o calendário de
Cristo. Dessa forma, inconscientemente admitem que
Ele é o seu Soberano. No universo há um único
Soberano. Hoje, toda a humanidade usa o calendário
de Cristo e está sob o Seu domínio. Todos os povos da
terra são o Seu povo e Ele é o Soberano de todas as
nações. Jesus pode dizer aos comunistas: “Vocês
estão se opondo a Mim, mas farei com que vocês
sejam o Meu povo. Farei vocês usarem o Meu
calendário e não terão nenhuma escolha estando sob
o Meu domínio. Eu sou o único Soberano da terra”.

E. O Filho de Deus
O Filho é o Filho de Deus (2:18). Como o Filho de
Deus, Ele é o próprio Deus. Ele é o verdadeiro Deus
com divindade.

F. O Filho do Homem
O Filho também é o Filho do homem (1:13).
Como o Filho do homem, Ele é um homem genuíno
com humanidade . Ele é tanto o próprio Deus como o
homem adequado.

G., H. e I. O Primeiro e o Último, o Princípio e


o Fim, O Alfa e o Ômega
O Filho é o primeiro e o último (1:17; 2:8; 22:13),
o princípio e o fim (22:13) e o Alfa e o Ômega (22:13).
Quando jovem, ficava aborrecido com esses termos,
pensando que eram repetitivos, e que o princípio, o
primeiro e o Alfa eram a mesma coisa, e que o fim, o
último e o Ômega também eram a mesma coisa. Mas
isso não é uma questão de repetição, mas de aspectos
diferentes. Ser o primeiro não significa
necessariamente que você é o fim. Ser o primeiro
significa simplesmente que você é o primeiro e que
antes de você não havia nada. Entretanto, ser o
princípio não significa apenas que você é o primeiro,
mas também que você começou algo. Qual, então, é a
diferença entre o Alfa e o princípio? Determinada
coisa pode ser o princípio, mas pode não ter nem
conteúdo, nem continuação. Ser o Alfa e o Ômega
significa que você é o conteúdo e a continuação
completos. Cristo sendo o Alfa e o ômega, a primeira
e a última letras do alfabeto grego, indicam que Ele
também é cada letra do alfabeto. O primeiro e o
último simplesmente indicam o primeiro e o último
sem indicar nem o princípio, nem o final. Para ser o
princípio e o fim, você precisa tomar determinadas
medidas. Cristo não é só o primeiro, mas também o
princípio, o princípio da economia e do operar de
Deus. O operar de Deus começou e terminará com
Cristo. Esse Cristo também é o conteúdo e a
continuação do operar de Deus porque Ele não é
apenas o princípio e o fim, mas também o alfa e o
ômega. Em outras palavras, o Filho, Jesus Cristo, é
tudo. Ele é o primeiro e o último, o princípio e o fim
do operar de Deus, e o conteúdo e a continuação de
tudo o que Deus está fazendo. Pelo fato de as letras
gregas de Alfa a Ômega abrangerem todas as letras do
alfabeto grego, podemos dizer que Cristo é cada letra
para compormos palavras, sentenças, parágrafos,
capítulos e livros. Aleluia! Ele é tudo!

J. Aquele que Vive


O Filho, Aquele todo-inclusivo, é Aquele que vive
(1:18). Ele morreu, reviveu e vive para sempre.

K. O Santo
Aquele que vive é o Santo (3:7), Aquele que tem a
natureza santa de Deus, que santifica.

L. O Verdadeiro
Cristo também é o Verdadeiro (3:7). Alguém que
é genuíno e real de todas as formas.

M. O Fiel
Em 19:11, vemos que Cristo é o Fiel, Aquele que é
digno da nossa confiança.

N. O Amém
O Filho também é o Amém (3:14). O título Amém
tem vários significados: realidade, sim, assim seja.
Ele sendo o Amém' significa mais do que podemos
dizer. Há treze anos fui convidado para uma reunião
em Tyler, Texas. Naquele reunião, eu estava um
pouco cauteloso, não ousando dizer “Amém” em voz
alta. No final de algumas das orações, dizia em voz
baixa: “Amém”. Após algum tempo, alguém veio a
mim dizendo: “Irmão Lee, provavelmente você não
conhece o costume desta terra. Neste tipo de culto,
você deve ficar silencioso”. No íntimo do meu
coração, eu disse: “O lugar mais silencioso é o
cemitério. Vocês estão tentando fazer de seu culto da
igreja um cemitério”. Que está errado com o nosso
“Amém”? é o mesmo que invocar o nome do Senhor.
Quando dizemos “Amém”, queremos dizer “Ó Senhor
Jesus”. Aprendamos todos nós a dizer “Amém”!

O. A Origem da Criação de Deus


Em 3:14, é-nos dito que o Filho é a origem da
criação de Deus. Esse é um conceito importante. Os
tradutores têm tido problema com este versículo.
Alguns têm dito que Cristo é o originado r, não a
origem. Entretanto, o significado aqui não é
originador, mas origem. Cristo é a origem da ação de
Deus para criar o universo.

P. e Q. A Raiz e a Descendência de Davi


O Filho é a Raiz e a Descendência de Davi (5:5;
22:16). Isso significa que Ele é tanto a raiz como o
ramo de Davi. Mais uma vez vemos que Ele é tudo.
Como a raiz, Ele é o primeiro, o princípio e o Alfa;
como o ramo, Ele é o último, o fim e o Ômega.

R. e S. O Leão da Tribo de Judá e o Cordeiro


Como já enfatizamos numa mensagem anterior,
Cristo, o Filho, é o Leão da tribo de Judá (5:5) e o
Cordeiro (5:6; 21:23; 22:1). Ele é o Cordeiro-Leão.
Para o inimigo Ele é o Leão; para nós, os redimidos,
Ele é o querido, precioso Cordeiro.

T. e U. Rei dos Reis e Senhor dos Senhores


O Filho é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores
(19:16). O Rei dos reis refere-se à Sua autoridade e o
Senhor dos senhores ao Seu encabeçamento, Ele é a
autoridade e o cabeça de todo o universo.

V. A Palavra de Deus
O Filho é a Palavra de Deus (19:13), a expressão
de Deus. Por Cristo ser a Palavra, Ele e a Bíblia são
um. Não leia a Bíblia sem lê-Lo e não contate a Bíblia
sem contatá-Lo. Ao chegarmos à Bíblia, precisamos
perceber que Ele próprio é a Palavra de Deus.

W. A Estrela da Manhã
Em 22:16 vemos que o Filho é a estrela da
manhã. Em Malaquias 4:2, Ele é revelado como o Sol,
mas aqui Ele é revelado como a Estrela da manhã.
Sendo o Sol, Ele está relacionado principalmente com
as pessoas da terra, mas sendo a Estrela da manhã,
Ele está relacionado com os Seus crentes vigilantes,
expectantes. Para aqueles que vigiam e esperam a Sua
volta, o Senhor aparecerá como a estrela da manhã.
Embora deseje vê-Lo como o Sol, agora estou
aguardando para vê-Lo como a Estrela da manhã.
Todos nós O amamos nesse Seu aspecto de Estrela da
manhã e Ele aparecerá a nós dessa forma.

X. A Lâmpada
Em 21:23, Cristo é revelado como a Lâmpada que
contém Deus como a luz. A luz é a própria essência da
lâmpada e a lâmpada irradia a luz. Deus é a essência
de Cristo e Cristo irradia Deus.

Y. O Esposo
Em 21:2, vemos que a Nova Jerusalém é a esposa
de Cristo. Isso implica em Cristo ser o Marido que
toma o povo redimido de Deus como a Sua esposa.
Z. O Outro Anjo
Finalmente, Cristo é o outro Anjo (7:2; 8:3; 10:1;
18:1) enviado por Deus para levar a cabo a Sua
comissão. No Velho Testamento, Cristo apareceu
como o anjo do Senhor várias vezes (Êx 3:2-6; Jz
6:11-24; Zc 1:11-12; 2:8-11; 3:1-7), vindo cuidar do
povo de Deus para o cumprimento do Seu plano.
Agora, neste livro, Ele novamente é o Anjo enviado
por Deus para levar a cabo o Seu propósito.
Se colocarmos todos os vinte e seis itens juntos,
teremos uma visão clara do que é o Filho. O Pai e o
Espírito são um com o Filho. Se o Filho não fosse
tantos itens, o Pai não poderia ser expresso
adequadamente e o Espírito não teria tanto para
expressar.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 5
A NOVA VINDA DE CRISTO
A maioria dos cristãos se apegam ao conceito de
que o livro de Apocalipse é um livro sobre a segunda
vinda de Cristo. É absolutamente correto manter esse
conceito porque Apocalipse realmente aborda a
segunda vinda de Cristo. Entretanto, ao longo dos
anos, os cristãos nunca estiveram claros a respeito da
segunda vinda do Senhor. Devido a essa falta de
clareza, tem havido muita disputa e contenda sobre
isso. A revelação a respeito da segunda vinda de
Cristo não é simples, pelo contrário, é bem
complicada e tem vários aspectos. Portanto, para a
maioria dos cristãos, tem sido difícil compreender
totalmente a nova vinda do Senhor.
Durante os últimos cento e cinqüenta anos,
muitos livros foram escritos, especialmente pelos
Irmãos Unidos, sobre a segunda vinda de Cristo.
Alguns dos principais mestres entre os Irmãos
Unidos mantiveram opiniões diferentes sobre a volta
do Senhor, e a primeira divisão entre eles foi o
resultado dessas diferentes opiniões. O testemunho
dos assim chamados Irmãos Unidos foi levantado em
1828 ou 1929 sob a liderança de John Nelson Darby.
Darby ensinava que Cristo voltaria antes da grande
tribulação, enquanto que Benjamin Newton, outro
principal mestre, dizia que Cristo voltaria após a
tribulação. Pelo fato de esses dois grandes mestres
apegarem-se a diferentes opiniões, houve muitos
debates sobre essa questão. Por fim, isso acarretou a
primeira divisão no meio dos assim chamados Irmãos
Unidos, entre aqueles que estavam sob a liderança de
Darby e os que estavam sob a liderança de Newton.
Estive associado ao grupo de Benjamin Newton por
sete anos e meio, durante os quais aprendi todos os
seus ensinamentos. Certamente eles tinham uma
base sólida para dizer que a segunda vinda de Cristo
seria após a grande tribulação. Se você ler os
melhores escritos de todos os grandes mestres
durante os últimos cento e cinqüenta anos,
descobrirá que alguns ensinam que a vinda de Cristo
seria antes da tribulação e outros, que se seguiria à
tribulação.
Durante o século passado, o Senhor levantou
alguns estudiosos meticulosos da Palavra, tais como
G. H. Pember, Robert Govett e D. M. Panton. Esses
homens descobriram que a segunda vinda de Cristo
não é uma questão simples. Eles viram que, por um
lado, Cristo voltará após a tribulação, mas por outro,
também voltará antes da tribulação. Esses estudiosos
da Bíblia proporcionaram uma prova categórica para
comprovar a correção desse ponto de vista. A volta de
Cristo tem pelo menos dois aspectos — um antes da
tribulação e outro após a tribulação. Além do mais,
esses estudiosos da Palavra também descobriram que
o arrebatamento dos santos será de mais de dois
tipos. Isso significa que alguns santos serão
arrebatados antes da tribulação e outros depois dela.
Não reaja tão apressadamente a essas afirmações.
Reagi assim quando jovem, mas por fim fui
persuadido e convencido. A Bíblia não é tão simples
como alguns pensam que ela seja.
Nesta mensagem, ponderaremos sobre o tema da
nova vinda de Cristo. Agradecemos a Deus por todos
os mestres da Palavra que vieram antes de nós.
Somos-lhes gratos e tudo o que vemos, vemos como
aqueles que estão sobre os seus ombros. Se quisermos
compreender a segunda vinda de Cristo, precisamos
estudar a Bíblia e também ler os livros escritos por
esses grandes mestres. Seremos capazes, então, de ter
uma visão clara do assunto. Se fizermos isso, seremos
plenamente convencidos de que a vinda de Cristo tem
dois aspectos: o aspecto secreto, privado e o aspecto
aberto, público.

I. O ASPECTO SECRETO

A. Vem como um Ladrão


Tanto em Mateus como em Apocalipse vemos o
aspecto secreto da nova vinda de Cristo. Tanto
Apocalipse 3:3 como 16:15 nos falam que Cristo virá
como um ladrão e que precisamos ser vigilantes.
Nenhum ladrão vem abertamente ou anuncia a sua
vinda. Como enfatizamos numa mensagem anterior,
quando o Senhor vier como um ladrão, Ele virá
roubar as coisas preciosas. Em Mateus 24:40 e 41, o
Senhor fala da Sua vinda secreta dizendo: “Então dois
estarão no campo, um será tomado, e deixado o
outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma
será tomada, e deixada a outra” O Senhor Jesus foi
muito sábio, usando dois irmãos no campo e duas
irmãs trabalhando no moinho como ilustrações.
Aparentemente os dois irmãos são idênticos e as duas
irmãs também o são. Mas, subitamente um dos
irmãos e uma das irmãs são tomados. Após dar essa
ilustração, o Senhor disse: “Portanto, vigiai, porque
não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas
considera i isto: Se o pai de família soubesse a que
hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse
arrombada a sua casa. Por isso ficai também vós
apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o
filho do homem virá” (vs. 42-44). Enquanto
estivermos trabalhando, não tendo consciência de
que Cristo está vindo, alguns de nós seremos
arrebatados. Uma vez que Ele está vindo como um
ladrão, precisamos ser vigilantes.

B. A Hora — Desconhecida
A hora da vinda secreta do Senhor é
desconhecida (3:3; Mt 24:36, 42; 25:13). Quando
Cristo vier novamente, virá como o Enviado. Por
causa disso, em Apocalipse Ele é chamado de Anjo,
Alguém que é enviado por Deus. Na Sua segunda
vinda, como na primeira, Cristo virá como alguém
que foi enviado por Deus. Por essa razão, somente o
Pai sabe a hora da vinda secreta de Cristo (Mt 24:36;
Mc 13:32). O PaI é o que envia e o Filho é o Enviado.
Somente o que envia nem mesmo o Enviado, sabe a
hora.
Algumas pessoas, que parecem saber mais do
que o Senhor Jesus, predisseram a hora da Sua vinda.
Durante o último século e meio, houve muitas
predições, nenhuma das quais foi cumprida. Alguns
prediziam que o Senhor Jesus viria em certa data e
exortaram as pessoas a se prepararem, tomando
banho e vestindo roupas brancas e limpas. Outros
subiram ao topo de um monte para esperar a volta do
Senhor. Após a Primeira Guerra Mundial, muitos
mestres publicaram livros sobre profecia, referentes
especialmente à volta do Senhor. Alguns desses
escritores também predisseram a hora da volta do
Senhor. Todas essas predições sobre a hora da volta
do Senhor revelaram-se falsas. Seja cuidadoso para
não predizer nada. Segundo a Bíblia, a hora da vinda
secreta do Senhor é desconhecida.

C. O Lugar — na Nuvem aos Ares


O lugar da vinda secreta do Senhor será na
nuvem nos ares (10:1; 1Ts 4:17). A nuvem está
relacionada com a volta do Senhor. Cristo foi para o
céu numa nuvem e voltará à terra da mesma forma
(At 1:9, 11; Mt 26:64; Ap 14:14). Em Mateus 26:64, o
Senhor Jesus disse ao sumo sacerdote: “Desde agora
vereis o Filho do homem assentado à direita do
Todo-poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu.”
Mesmo quanto à vinda do Senhor na nuvem há dois
aspectos. Primeiramente, o Senhor virá na nuvem.
Isso significa que Ele estará oculto pela nuvem.
Depois, Ele virá sobre a nuvem. Quando Ele vier na
nuvem, Ele não virá à terra mas aos ares. Apocalipse
10:1 revela que o Senhor descerá do céu vestido de
uma nuvem, indicando que estará envolto na nuvem.
Não pense que Ele descerá subitamente dos céus para
a terra. Cristo agora está no trono no terceiro céu.
Quando o tempo oportuno chegar, o Pai enviá-Lo-á
do trono nos céus para a nuvem aos ares. Como
veremos em mensagens posteriores, antes de Ele
deixar o trono nos céus alguns vencedores terão sido
arrebatados ao trono. Apocalipse 12 mostra que o
filho varão será arrebatado, não aos ares, mas ao
trono de Deus. Isso indica que alguns vencedores
terão sido arrebatados mesmo antes do tempo da
vinda secreta do Senhor Jesus. Em Apocalipse 14,
vemos as primícias no monte Sião nos céus. O monte
Sião nos céus é onde Deus está no terceiro céu, não é
nos ares. O fato de as primícias estarem no monte
Sião nos céus prova que alguns dos primeiros
vencedores serão arrebatados ao terceiro céu, antes
da vinda secreta de Cristo. Após esses primeiros
vencedores terem sido arrebatados, Cristo descerá do
trono aos ares na nuvem, secretamente.
Enquanto estiver nos ares, o Senhor Jesus fará
muitas coisas. Sobretudo, levará todos os crentes que
ainda não foram arrebatados. Após Cristo vir aos ares
na nuvem, muitos santos ainda não terão sido
arrebatados. Assim, enquanto Ele estiver nos ares,
Ele arrebatará os cristãos que tiveram de passar pela
grande tribulação. Na Primeira Epístola aos
Tessalonicenses 4:17 diz que os que estiverem vivos e
permanecerem, serão levados a se encontrarem com
o Senhor nos ares. Depois, Cristo estabelecerá, nos
ares, Seu trono de Julgamento. Este julgamento não
será para os pecadores, mas para todos os salvos e
não estará relacionado com a salvação e perdição,
mas com a recompensa ou punição. Após este
julgamento ter sido executado, alguns dos santos
serão escolhidos para receber uma recompensa
positiva.
De acordo com a Bíblia, Deus teve duas escolhas
em relação a nós. Primeiramente, Ele nos escolheu
antes da fundação do mundo na eternidade passada
(Ef 1:4); em segundo lugar, após o Senhor vir aos ares
e ter arrebatado todos os santos aos ares, Ele fará
uma segunda escolha. Enquanto a primeira escolha
na eternidade pass. ada foi para a salvação, a
segunda, nos ares, no trono de julgamento de Cristo,
será para recompensa. Todos nos fomos selecionados
para a salvação, mas se recebemos ou não um~
recompensa, dependerá da segunda escolha no trono
de julgamento de Cristo. Aqueles salvos, que não
forem aprovados nesse julgamento, serão colocados
em algum lugar para submeterem-se à disciplina.
Cristo, então, trará os aprovados com ele à terra como
Seu exército. Naquela época Ele não estará mais na
nuvem, mas sobre a nuvem. Desse modo, haverá pelo
menos dois passos para a vinda do Senhor. No
primeiro passo, Cristo deixará o trono nos céus,
descerá aos ares envolto na nuvem e permanecerá lá
por um tempo. Depois, dos ares, Ele dará o segundo
passo da vinda à terra sobre a nuvem. Esse será o
segundo aspecto da Sua volta.

D. Como uma Recompensa para os Crentes


Vigilantes
A vinda secreta de Cristo será uma recompensa
para os crentes vigilantes (2:28; Mt 24:42, 44).
Apocalipse 2:28 diz que Cristo aparecerá como a
estrela da manhã e Malaquias 4:2 revela que Ele
aparecerá como o sol. Há uma grande diferença entre
a aparição da estrela da manhã e a do sol. Se quiser
ver a estrela da manhã, você deve levantar-se bem
cedo de manhã. Se dormir tarde, perdê-la-á.
Entretanto, não importa quão tarde você durma,
jamais perderá o resplandecer do sol. Você espera
encontrar-se com Cristo como a estrela da manhã ou
como o sol? A aparição da estrela da manhã é secreta,
mas a do sol é às claras. O Senhor nos prometeu que
se formos vigilantes e esperarmos a Sua; inda, Ele nos
aparecerá como a estrela da manha. Essa e uma
promessa de recompensa, mas se formos negligentes,
certamente perderemos a estrela da manhã.
Não pense que a volta de Cristo seja uma simples
questão de Ele deixar o trono e vir imediata e
diretamente para a terra. Ele ficará no ar por algum
tempo. Os primeiros vencedores serão arrebatados
antes do sexto selo, o qual será um prefácio, um aviso
da vinda da grande tribulação, que durará três anos e
meio. Ninguém pode dizer quando Cristo deixará o
Seu trono nos céus e descerá aos ares. Entretanto,
será um pouco antes da grande tribulação. Haverá
um intervalo entre a descida de Cristo nos ares e Sua
descida à terra. Durante esse intervalo, Ele
completará o arrebatamento dos santos e exercerá o
Seu julgamento sobre todos para selecionar os
vencedores, que serão o Seu exército para lutar contra
o exército do Anticristo.

II. O ASPECTO ÀS CLARAS

A. Visto por Todas as Tribos da Terra


Como vimos, no aspecto secreto da Sua nova
vinda, Cristo virá como um ladrão, mas, no aspecto às
claras, Ele virá com poder e grande glória para ser
visto por todas as tribos da terra (1:7; Mt 24:27, 30).
Apocalipse 1:7 diz: “Eis que vem com as nuvens, e
todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas
as tribos da terra se lamentarão sobre ele.
Certamente. Amém.” O Senhor aparecerá como
relâmpago que reluz pelo céu, de leste a oeste. Qual a
diferença entre esta e a Sua vinda secreta como um
ladrão? Apocalipse 1:7 menciona “todas as tribos da
terra”. A palavra grega traduzida como terra (um
território) neste versículo também pode ser traduzida
como terra (planeta). Isso tem perturbado os
tradutores deste versículo, pois eles ficaram incertos
se deviam traduzir como uma porção específica de
terra (um território) ou terra no sentido geral
(planeta). Algumas versões dizem terra (geral) e
outras dizem terra (específica). Depois de muito
estudo, concluí que nesse versículo, a palavra grega
deve ser traduzida como terra (específica). Em outros
versículos pode ser, traduzido como terra (geral), mas
aqui deve ser terra (especifica), referindo-se à Terra
Santa. Todas as tribos da Terra Santa vê-Lo-ão. A
base para dizer isso está em Zacarias 12:10-14, que diz
que eles olharão para Ele, a quem traspassaram e que
a terra (específica) lamentá-Lo-á. As tribos
mencionadas em 1:7 são as tribos daqueles que O
traspassaram. Apocalipse 1:7 certamente é uma
referência a Zacarias 12. Segundo o contexto de
Zacarias 12, as tribos não são todas as nações da terra
(geral), mas as doze tribos da Terra Santa. Baseados
nisso, podemos dizer que as tribos em 1:7 são as doze
tribos da Terra Santa. Quando o Senhor aparecer
como relâmpago, vindo com poder e glória para ser
visto por todos na Terra Santa, as doze tribos
contemplá-Lo-ão e chorarão.

B. O Tempo — no Fim da Grande Tribulação


Enquanto o dia e a hora da vinda de Cristo no seu
aspecto secreto são desconhecidos (Mt 24:36), o
tempo da Sua vinda no segundo aspecto está
claramente revelado. E ao soar a última trombeta (a
sétima) no fim da grande tribulação (18:1; Mt 24:15,
21, 27; 1Ts 4:16; 1Co 15:52; 2Ts 2:1-4, 8). Mateus
24:15 diz: “Quando, pois, virdes o abominável da
desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar
santo”. O “abominável da desolação” é um ídolo, a
imagem do anticristo. De acordo com Daniel 9:27, o
anticristo fará uma aliança com a nação de Israel por
sete anos. Na metade desses sete anos, ele quebrará
essa aliança e começará a perseguir os judeus. O
anticristo será totalmente contra Deus e
estabelecer-se-á como Deus, colocando uma imagem
de si mesmo no templo e compelindo as pessoas a
adorarem-na. Aos olhos de Deus, essa será a
abominação que causará grande destruição. Isso
ocorrerá no meio da última das setenta semanas
mencionadas em Daniel 9. Em Daniel 9, uma semana
denota sete anos. em Mateus 24:15, o Senhor Jesus
indicou que os crentes judeus verão isso. Como
Mateus 24:21 revela, isso marcará o início da grande
tribulação: “Porque nesse tempo haverá grande
tribulação, como desde o princípio do mundo até
agora não tem havido e nem haverá jamais”.
Portanto, a grande tribulação começará na época em
que o anticristo erigir sua imagem no templo e forçar
as pessoas a adorarem-na. Por esses versículos,
podemos ver que a vinda às claras do Senhor não
precederá a grande tribulação. Ela deve ocorrer
algum tempo após o início da grande tribulação.
Segundo os versículos de Apocalipse, será bem perto
do fim da grande tribulação. Segundo o Novo
Testamento o Senhor Jesus deixará o Seu trono nos
céus e descerá aos ares antes da grande tribulação. De
lá, perto do fim da grande tribulação, Ele descerá
abertamente à terra.
Quando Cristo vier abertamente dos ares à terra,
será a época em que o anticristo estará tentando
exterminar toda a nação de Israel. Para este
propósito, o anticristo ajuntará o seu exército num
lugar, chamado Armagedom (16:16). Isso será de
acordo com o propósito de Deus, pois o plano de Deus
é reunir todos os exércitos da terra no Armagedom e
lá destruí-los e livrar deles a terra. A intenção do
anticristo será usar o seu exército para exterminar a
nação de Israel. Israel será cercado por seu exército e
não terá como escapar. Nessa conjuntura, quando a
fuga for impossível, o Senhor aparecerá como uma
luz de relâmpago e colocará os Seus pés sobre o
Monte das Oliveiras (Zc 14:4). Antes dessa época, a
nação de Israel não crerá no Senhor Jesus, mas a
ameaça do exército do anticristo forçá-los-á a se
arrependerem. Quando o Senhor Jesus colocar os
Seus pés sobre o Monte das Oliveiras, este se dividirá
ao meio. Isso proverá um caminho de escape para os
judeus perseguidos que irão então se arrepender,
chorar e confessar o que fizeram, crucificando o
Senhor.
Se colocarmos todos esses versículos juntos,
poderemos ver que a vinda às claras do Senhor será
provavelmente no fim da grande tribulação. Uma vez
que o templo em Jerusalém ainda não foi
reconstruído, é impossível ao Senhor Jesus voltar
abertamente. Embora tenhamos alguma idéia sobre a
época da Sua vinda às claras, não sabemos a hora da
Sua vinda secreta. A Bíblia diz que ninguém sabe isso.
Entretanto, o Novo Testamento revela claramente
que a vinda às claras de Cristo não precederá a grande
tribulação, isto é, não precederá a época em que o
anticristo forçará as pessoas a adorar a sua imagem.
Nós todavia, não estamos esperando a vinda às claras
do Senhor, estamos esperando a Sua vinda secreta. O
Senhor é muito sábio nessa questão, sabendo que isso
nos fará vigilantes.

C. O Lugar — sobre a Nuvem, à Terra


O lugar do aspecto às claras da volta do Senhor
está claramente revelado — sobre a nuvem à terra
(1:7; 14:14; Mt 24:30; Zc 14:4; At 1:11-12). De acordo
com Atos 1:11 e 12, o Senhor virá da mesma maneira
que subiu ao céu. Uma vez que Ele ascendeu do
Monte das Oliveiras, isso significa que para lá voltará.
Zacarias 14:4 diz: “Naquele dia estarão os seus pés
sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte
Jerusalém para o oriente; o Monte das Oliveiras será
fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e
haverá um vale muito grande; metade do monte se
apartará para o norte, e a outra metade para o sul”.
Como este versículo deixa claro, o Monte das
Oliveiras está fora do muro de Jerusalém, não longe
da cidade. O Senhor descerá exatamente no ponto de
onde ascendeu. Entretanto, não estamos esperando
para vê-Lo no Monte das Oliveiras. Queremos
encontrá-Lo no trono, no terceiro céu, e, então, voltar
com Ele para o Monte das Oliveiras. Ele ascendeu aos
céus e estamos esperando para sermos arrebatados
aos céus. Não estamos esperando morrer e ir para o
céu. Isso é religioso. Estamos esperando que todo o
nosso ser seja arrebatado ao terceiro céu, ao trono de
Deus, para que possamos voltar com Cristo,
primeiramente aos ares, e depois à terra. Essa é a
maneira pela qual visitaremos Jerusalém. Iremos
para lá via trono, no terceiro céu. Entretanto, se você
for derrotado, perderá essa visita a Jerusalém.

D. Com os Santos Vencedores para Lutar


Contra o Anticristo e o Seu Exército no
Armagedom
Quando o Senhor Jesus vier abertamente, Ele
virá com os santos vencedores para lutar contra o
anticristo e o seu exército no Armagedom (19:11-21;
17:13-14; 16:12-16; Zc 14:3, 5; 2Ts 2:8). Isso será para
pisar o lagar da ira de Deus (19:15; 14:18-20). No
Armagedom, todos os exércitos do mundo estarão
reunidos, alguns vindos do extremo oriente, outros
do norte e ainda outros da Europa. Esse ajuntamento
de todas as forças terrenas será de acordo com a
sabedoria de Deus. Por fim, as riquezas do mundo
estarão concentradas no Oriente Médio e todas as
nações estarão ansiosas para se apoderarem delas.
Enquanto os exércitos da terra estiverem se reunindo
no Armagedom, o Senhor estará sentado nos ares
observando-os, dizendo: “Vocês estão prontos?”
Quando chegarmos ao capítulo catorze, veremos que
o ajuntamento dos exércitos será o ajuntamento das
uvas num grande lagar. Aos olhos' de Deus, os
exércitos da terra são comparados a uvas e o
Armagedom será o grande lagar. Quando os reis,
generais e líderes ajuntarem todos os exércitos no
Armagedom, eles serão como uvas ajuntadas num
grande lagar e o Senhor, então, descerá para pisar
nesse lagar de Deus e um grande rio de sangue dele
fluirá. Um número imenso de pessoas malignas serão
mortas lá naquela ocasião! Isso ocorrerá na época da
vinda às claras do Senhor à terra. O objetivo dela será
exterminar todas as forças do mundo. Depois disso, a
guerra na terra cessará.

III. UMA ADVERTÊNCIA E UMA RESPOSTA


AMOROSA
Em 22:12 e 20, o Senhor Jesus nos faz uma
advertência dizendo: “Eis que venho sem demora”.
Nossa resposta amorosa deve ser “Amém. Vem, ó
Senhor Jesus” (22:20; 2Tm 4:8). Nossa preocupação
nessas mensagens não é apenas ensinamentos e
doutrinas a respeito da assim chamada segunda
vinda. Estamos estudando o desejo do coração do
Senhor, que é ganhar um grupo de vencedores que
estejam vigiando e esperando por Sua volta.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 6
CO-PARTICIPANTE NA TRIBULAÇÃO, NO REINO E NA
PERSEVERANÇA EM JESUS
Nesta mensagem, precisamos considerar 1:9 que
diz: “Eu, João, irmão vosso e companheiro na
tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus,
achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da
palavra de Deus e do testemunho de Jesus.” O livro
de Apocalipse é redigido de uma maneira
maravilhosa. É muito significativo que este versículo
venha logo após a menção da vinda do Senhor em 1:7.
Isso indica que se quisermos ser aqueles que são
vigilantes, aguardando a volta do Senhor, precisamos
ser os que são co-participantes, não na bênção
exterior, mas na tribulação, no reino e na
perseverança em Jesus.

I. CO-PARTICIPANTE NA TRIBULAÇÃO EM
JESUS
A frase “em Jesus” governa as palavras
tribulação, reino e perseverança, e precisamos
dar-lhe muita atenção. Essa frase ocorre muito
raramente no Novo Testamento. A frase “em Cristo”
ou “em Jesus Cristo”, pelo contrário, é usada muitas
vezes. No Novo Testamento, a verdade está
principalmente em Cristo, mas aqui, a frase “em
Jesus” é empregada. Isso nos diz que se quisermos
ser aqueles que aguardam a volta do Senhor,
precisamos ser os que são co-participantes na
tribulação, no reino e na perseverança “em Jesus”.
Quando falamos sobre salvação, graça, desfrute e
todas as outras boas coisas, dizemos que estamos “em
Cristo”, pois essa frase refere-se a todas as coisas do
lado positivo da salvação de Deus. Mas, dizer que
somos co-participantes na tribulação, no reino e na
perseverança em Jesus significa que estamos
sofrendo. Quando Jesus viveu na terra como um
homem, Ele sofria constantemente. De acordo com os
fatos da Sua vida, Seu nome, Jesus, denota uma
pessoa que sofre, um homem de dores (Is 53:3).
Assim, quando dizemos que estamos em Cristo, isso
significa que somos salvos, estamos desfrutando a
graça de Deus, temos paz com Ele e estamos debaixo
da Sua bênção. Mas, quando dizemos que somos
co-participantes na tribulação, no reino e na
perseverança “em Jesus”, isso significa que estamos
sofrendo e estamos sendo perseguidos, enquanto
seguimos Jesus, o Nazareno. No livro de Apocalipse,
a frase “em Cristo” não é usada. Em Efésios, pelo
contrário, o termo “em Cristo” ou “Nele” é usado
repetidamente, sendo encontrado em cada capítulo
dessa epístola. O livro de Apocalipse é para aqueles
que estão sofrendo tribulação “em Jesus”. Isso
significa que aqueles que estão aguardando a vinda
do Senhor Jesus precisam ser pessoas que sofrem
tribulação em Jesus. Em outras palavras, aqueles que
aguardam a volta do Senhor são os que sofrem. Aos
olhos de Deus, somos os seguidores de Cristo, mas
aos olhos das pessoas, especialmente da religião,
somos os seguidores de Jesus.

A. Jesus Sofreu Perseguição Enquanto Estava


na Terra
Enquanto Jesus estava na terra, Ele foi
perseguido pela religião judaica (Jo 5:16; 15:20). Ele
não foi perseguido pela religião pagã gentia, mas pela
religião típica, formada de acordo com os oráculos de
Deus. A religião é bastante utilizada pelo inimigo de
Deus. A religião contrapõe-se a Cristo e Cristo
contrapõe-se à religião. João 5:16 revela que os
judeus perseguiram Jesus porque Ele quebrou o
sábado deles. As pessoas religiosas não podem tolerar
a quebra dos seus regulamentos. Qualquer violação
dos seus regulamentos religiosos provocará
perseguição contra os infratores. A religião judaica foi
estabelecida sobre três colunas, uma das quais era o
sábado. As outras duas são a circuncisão c os
regulamentos alimentares. Quando Jesus quebrou o
sábado, Ele demoliu uma das três colunas da religião
judaica. Assim, eles O perseguiram e até mesmo
procuraram matá-Lo. Por fim, a religião venceu e
realmente matou o Senhor Jesus, sentenciando-O à
morte de acordo com as suas Escrituras. Entretanto,
sob a soberania de Deus, os judeus naquela época não
tinham o direito de matar ninguém. Desse modo, eles
entregaram Jesus ao governo romano, que, usando os
seus métodos de execução de criminosos, crucificou o
Senhor Jesus.
Assim como a religião perseguiu Jesus, ela
também perseguirá os Seus seguidores. Sabemos,
pelo livro de Atos, que os judeus das sinagogas de
todas as cidades suscitavam oposição contra os
apóstolos e Paulo sofreu bastante esse tipo de
perseguição. João, o escritor de Apocalipse, também
sofreu esse tipo de perseguição. Quando João recebeu
a revelação deste livro, ele estava na ilha de Patmos,
tendo sido para lá exilado por causa da “palavra de
Deus e do testemunho de Jesus”. Ao escrever o livro,
ele estava encorajando os santos a esperar a volta do
Senhor, dizendo-lhes que ele era seu irmão e
co-participante, não na graça, vida, paz e luz, mas no
sofrimento, na aflição, com Jesus.
Como vimos, quando Jesus estava na terra, Ele
sofreu nas mãos da religião. O império Romano
prestou muito pouca atenção a Ele. Foi a religião
judaica que pediu ao governo romano para executar o
julgamento sobre Ele. Desse modo, a perseguição
contra Ele não se originou no mundo secular, mas no
religioso. No livro de Atos, vemos que ocorreu o
mesmo com os apóstolos. A oposição não veio
principalmente dos gentios, mas da religião judaica.
Os judeus seguiam Paulo por onde quer que fosse, até
mesmo cercando-o. Da mesma maneira, um grande
número de mártires sofreram perseguição pela assim
chamada Igreja Católica Romana. Como Foxe ressalta
em sua história dos mártires, a Igreja Católica
Romana matou mais santos do que o Império
Romano. Quem aprisionou Madame Guyon? A Igreja
Católica Romana. Quem aprisionou John Bunyan? A
Igreja da Inglaterra. A religião sempre persegue os
genuínos seguidores de Jesus.
Agora é nossa vez de sofrer essa perseguição.
Durante os anos que estive com o irmão Nee na
China, vi o quanto ele foi perseguido pela religião. Os
boatos, a oposição e a condenação vieram não dos
gentios, mas do cristianismo, até mesmo de alguns
missionários. O diabo é sutil. O mundo secular não se
opõe a nós tanto como as pessoas assim chamadas
religiosas. Muitos cristãos pensam que a religião é
uma coisa boa, mas, na verdade, ela é algo usado pelo
diabo. Se você ler o livro de Gálatas, verá quão
intensamente Paulo perseguiu a igreja quando estava
na religião judaica. Gálatas 1 revela que a religião é
contra Cristo e que Cristo é contra a religião. Se
cooperarmos com a religião, haverá um tipo de paz
comprometedora. Mas como poderíamos cooperar
com a religião? Ela é tão sutil e falsa; é uma
falsificação da economia de Deus. Qualquer pessoa
que vir que a religião é uma falsificação da economia
de Deus, condená-la-á,

B. Jesus Sofrendo Perseguição Agora com os


Seus Seguidores
Por não cooperarmos com a religião, ela nos
persegue. A perseguição que estamos sofrendo hoje é
a perseguição em Jesus. Agora Ele está sofrendo
perseguição com os Seus seguidores (At 9:4-5).
Enquanto estamos sofrendo hoje, Ele está sofrendo
em nós e conosco. quando Saulo de Tarso estava
viajando para Damasco com a intenção de prender
todos aqueles que invocavam o nome de Jesus, o
Senhor Jesus derrubou-o por terra, dizendo: “Saulo,
Saulo, por que me persegues?” (At 9:4). Quando
Paulo disse: “Quem és tu, Senhor?” Jesus respondeu:
“eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9:5). Saulo
nunca pensou que estivesse perseguindo Jesus. Ele
pensava que Jesus estava num túmulo e que estava
perseguindo Estevão e outros seguidores de Jesus.
Mas, segundo o Senhor Jesus, Saulo estava
perseguindo-O porque naquele tempo Ele estava em
Estevão, Pedro, João e todos os Seus outros
membros, e era um com eles. O mesmo é verdade
hoje. Quando as pessoas religiosas nos perseguem, na
verdade elas estão perseguindo Jesus porque Jesus
está em nós e é um conosco. Podemos ser consolados
ao perceber que o sofrimento que estamos
experienciando é a perseguição em Jesus. Somos
co-participantes na tribulação em Jesus.

C. Os Seus Seguidores Também São


Perseguidos Nesta Era, Levando o Seu
Vitupério
Os seguidores de Jesus também são perseguidos
nesta era, levando o Seu vitupério (2:10; Jo 16:2, 33;
At 14:22; Hb 13:13). Hebreus 13:13 diz: “Saiamos,
pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério.”
Quando o Senhor Jesus estava na terra, Ele sofreu o
vitupério da religião. Agora, como os Seus seguidores,
precisamos levar o Seu vitupério (injúria), sofrendo o
vitupério da religião. Isso é ser co-participante da
tribulação em Jesus.
Alguns sofrimentos, entretanto, podem não ser
causados por seguirmos a Jesus, mas pela nossa
insensatez. Este sofrimento não pode ser chamado
apropriadamente de sofrimento em Jesus. Nenhum
de nós deve causar problemas por agir
insensatamente, mas precisamos ser honestos e fiéis
ao testemunho do Senhor. Se a nossa honestidade e
fidelidade nos trazem sofrimento e perseguição, isso é
a perseguição em Jesus, o sofrimento de Jesus
conosco.
E impossível evitar a perseguição da religião.
Não podemos escapar dela porque o inimigo está
utilizando a religião mais do que nunca. Nada é mais
frustrante para a economia de Deus do que a religião.
Nada cega, cobre e venda mais as pessoas de verem a
economia de Deus do que a religião. Milhões têm sido
cegados por ela. Por todo o mundo, a religião está
cegando e vedando os olhos das pessoas para que não
vejam a economia de Deus. Por causa disso, uma
batalha está sendo travada. Nesta batalha precisamos
soar a nossa trombeta dizendo: “Saia da religião,
rasgue e jogue fora os véus religiosos de seus olhos e
abandone os seus conceitos religiosos.” Sempre que
fazemos isso, a oposição é levantada. Alguns bons
amigos vieram a mim exortando-me a fazer alguma
concessão, mas nunca faremos qualquer concessão.
Aqueles que aguardam a vinda do Senhor Jesus
devem participar do Seu sofrimento. Não diga
simplesmente: “Senhor Jesus, eu Te amo. Vem sem
demora”. Se você disser isso, o Senhor replicará:
“Quero que você sofra por Mim e Comigo”. Não tente
evitar a perseguição. Se empregarmos a nossa
esperteza para evitar a perseguição, então não somos
bons aguardadores da volta do Senhor. Se você leva a
sério aguardar a Sua volta, a perseguição religiosa
será incitada contra você. Mas não devemos levantar
perseguição agindo insensatamente. Nesta questão,
precisamos ser prudentes como serpentes e símplices
como pombas (Mt 10:16).

II. CO-PARTICIPANTE NO REINO EM JESUS


Se somos co-participantes na tribulação em
Jesus, então somos co-participantes no reino.
Participar da perseguição em Jesus é participar do
reino. Se você não sabe o que é perseguição, então
você não sabe o que é o reino.

A. O Reino Estando com Jesus Quando Ele


Estava na Terra
Muitos cristãos têm um conceito errôneo do
reino. Alguns dizem que o reino já chegou, mas que
foi rejeitado e suspenso. Aqueles que se apegam a
esse conceito dizem que o reino veio, que foi rejeitado
e suspenso e que descerá no futuro. De acordo com
esse ensinamento, quando o Senhor Jesus voltar, Ele
trará esse reino suspenso com Ele. Isso é meramente
vã doutrina. O reino estava com Jesus quando Ele
estava na terra. O Senhor Jesus disse aos fariseus:
“Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem
dirão: Ei-lo aqui! ou: Lá está! porque o reino de Deus
está dentro em vós” (Lc 17:20-21). Neste trecho da
Palavra vemos que o reino estava onde quer que
Jesus estivesse. Em Mateus 12:28 o Senhor disse: “Se,
porém, eu expulso os demônios, pelo Espírito de
Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre
vós.” Isso significa que o reino estava com o Senhor
enquanto Ele estava na terra.

B. Os Seus Crentes Nascem para Dentro do


Reino
Os crentes em Jesus nasceram para dentro do
reino. João 3:5 prova isso. Neste versículo, Jesus
disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo:
Quem não nascer da água e do Espírito, não pode
entrar no reino de Deus.” Fomos regenerados para
dentro do reino. Como poderíamos ter entrado no
reino pela regeneração se o reino tivesse sido
suspenso? Para dentro de que, então, nascemos de
novo? Como João 3 afirma claramente, renascemos
para dentro do reino.

C. A Vida da Igreja Hoje É o Reino


Em Mateus 16:18 e 19, o Senhor disse a Pedro:
“Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as
portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus.” Isso mostra
que, num sentido apropriado, a igreja é o reino.
Romanos 14:17 também indica que nós na igreja
estamos no reino. A vida adequada da igreja
apropriada é a vida do reino.
Que é o reino? É o governo celestial na natureza
divina. Todos nós fomos regenerados com a vida
divina. Nessa vida, há a natureza divina e nessa
natureza divina há um domínio, um reino, um
governo. Esse governo é tanto divino como celestial.
Nós, os regenerados, estamos hoje debaixo desse
reino, estamos debaixo desse governo e controle.
Precisamos exercitar esse governo sobre nós mesmos.
Se ainda precisa de alguém mais para governá-lo, isso
significa que você é caído. Precisamos estar debaixo
desse governo celestial em tudo o que fizermos.
Numa mensagem anterior, falamos sobre sermos o
exército combatente de Cristo. Mas se você não
estiver debaixo desse governo da vida divina, nunca
será selecionado para estar em Seu exército. Ser
escolhido para estar nesse exército depende de
obedecermos ao governo celestial na natureza divina.
A vida divina nos introduz no reino divino. O reino,
para dentro do qual renascemos em João 3:5, é o
próprio reino mencionado por João em Apocalipse
1:9. Como poderíamos algum dia ser co-participantes
no reino se não tivéssemos renascidos para dentro
dele? Após termos renascido para dentro do reino,
devemos permanecer nele. Se você discute com o seu
cônjuge, isso significa que você é um fugitivo do
remo. Se permanecer no reino e viver nele nunca
brigará com o seu cônjuge ou qualquer outra pessoa:
Embora o inimigo possa tentá-lo para brigar, o
governo do remo celestial restringi-lo-á.
D. Os Seus Crentes Sofrem Perseguição pelo
Reino
Estar no reino em Jesus hoje não é uma glória.
Quando o reino em Jesus se tornar o reino em Cristo,
aquela será a época de glória. Hoje, o reino em Jesus
é um reino de sofrimento. Em Mateus 5:10-12, o
Senhor disse que os Seus crentes sofrem perseguição
por amor ao reino. Se estamos sofrendo por amor à
justiça, então, estamos no reino. Há certas coisas que
não podemos fazer porque são injustas. Toda a
humanidade hoje é injusta. Se concordarmos com
essa injustiça, as pessoas nos acolherão. Mas se nos
posicionarmos pela justiça, as pessoas se nos oporão
e perseguirão. Sofrer perseguição pelo reino prova
que estamos no reino de Deus hoje. Não pense que é
uma glória estar no reino hoje. Não, está no reino
agora é suportar vergonha e sofrer perseguição.
Quanto mais estivermos no reino, mais sofreremos e
seremos perseguidos. Mas, louvado seja o Senhor,
esse sofrimento é uma forte indicação de que estamos
no reino.
Estar no reino hoje é uma questão de estar no
sofrimento em Jesus. Embora sejamos
co-participantes no reino em Jesus, ainda não somos
co-reis em Cristo. Quando Ele voltar, seremos os Seus
co-reis no reino de Cristo. Naquela época não
sofreremos mais. Não diga aos outros: “Você precisa
me honrar. Sou participante do reino celestial e um
dia serei um co-rei com Cristo no reino”. Quanto mais
disser isso mais será perseguido. Hoje não é dia para
reinar, mas dia para sofrer. Agora não estamos na
fase de domínio do reino, mas na fase de sofrimento.
Essa é a razão pela qual Paulo disse que precisamos
entrar no reino de Deus por meio de muita tribulação
(At 14:22). O caminho para entrar no reino
governante é pelo sofrimento. A tribulação a que
Paulo se referiu em Atos 14:22 era principalmente a
perseguição pelas mãos da religião judaica. Todos os
crentes em Cristo sofrem esse tipo de perseguição.
Paulo parecia estar dizendo: “Vocês, cristãos, crentes
em Jesus, precisam sofrer perseguição da religião
judaica.” Em princípio, ocorre o mesmo hoje. Se não
houvesse religião no mundo hoje, não sofreríamos
tanta perseguição. Como já ressaltamos, muitos dos
problemas, perseguições, rumores e oposições
provêm de uma fonte — a religião. Enquanto estamos
sofrendo hoje, estamos no reino, onde estamos sendo
exercitados, treinados, preparados e qualificados
para ser o exército de Cristo e reinar em Seu reino
como Seus co-reis.

III. CO-PARTICIPANTE NA PERSEVERANÇA


EM JESUS
Em 1:9 João também disse que ele era
co-participante na perseverança em Jesus. Tanto
para a tribulação como para o reino precisamos de
perseverança. Muitos santos, mesmo entre nós na
restauração do Senhor, carecem de perseverança.
Alguns têm sofrido perseguição de seus parentes,
amigos e vizinhos, mas por fim, exauriram suas
reservas de perseverança. Embora tivessem sido
capazes de resistir à perseguição por certo tempo,
faltou-lhes a perseverança para suportarem-na por
mais tempo. Quando o Senhor Jesus estava na terra,
Ele suportou perseguição (Hb 12:2-3) e ainda está
suportando a oposição e o vitupério dos homens hoje.
Considere o quanto, mesmo hoje, as pessoas se
opõem e escarnecem do Senhor Jesus. Por um lado,
Ele está sentado nos céus; por outro, ainda está sendo
escarnecido, sofrendo oposição e sendo perseguido.
Muitos de nós podem esperar que o Senhor Jesus
diga aos Seus escarnecedores: 'Arrependei-vos ou
enviarei um grande terremoto para destruí-los”. O
Senhor Jesus tem sido escarnecido por
aproximadamente vinte séculos, mas Ele não tem
revidado. Pelo contrário, continuamente tem sofrido
todos esses ataques. Alguns podem dizer: “Jesus, eu
te odeie”, mas não há qualquer reação da parte Dele.
Essa é a perseverança de Jesus.
Poucos de nós ouvimos sobre a perseverança de
Jesus. Temos ouvido a respeito do poder de Jesus, do
amor de Jesus, da santidade de Jesus, da justiça de
Jesus, mas não da perseverança de Jesus. Não
obstante, enquanto vivemos em Cristo, não somos
apenas participantes da Sua vida e santidade, mas
também da Sua perseverança. Quando
permanecemos em Cristo participamos da Sua
perseverança e temos perseverança para suportar
sofrimento e oposição. A palavra do Senhor é até
mesmo chamada de palavra da perseverança (3:10).
Hoje o mundo todo está se opondo a Ele e
rejeitando-O, mas Ele não revida. Simplesmente
suporta tudo isso. Agora, enquanto temos comunhão
com Ele e permanecemos Nele, participamos da Sua
perseverança. Como Seus seguidores, precisamos
segui-Lo, nas mesmas pisadas, com perseverança (Hb
12:1). Dessa maneira também poderemos suportar
perseguição, boataria, rejeição e oposição. Isso é uma
prova categórica de que somos aqueles que estão
aguardando a volta do Senhor. Enquanto aguardamos
a Sua volta sendo co-participantes em Sua tribulação,
no reino e na perseverança, estamos sendo
disciplinados, treinados, preparados e qualificados
para sermos o Seu exército combatente. Você está
aguardando a volta do Senhor Jesus? Se estiver,
então também precisa ser um co-participante na Sua
tribulação, no reino e na perseverança.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 7
AS IGREJAS LOCAIS
O livro de Apocalipse é muito bem redigido.
Aparentemente, os diversos pontos incluídos no
capítulo um não têm relação uns com os outros. Mas,
se os abordarmos do ponto de vista da nossa
experiência, veremos que eles seguem um ao outro
numa seqüência muito boa. Nas últimas duas
mensagens tratamos das questões sobre a volta do
Senhor Jesus e do nosso aguardar por Ele, sendo
co-participantes na Sua tribulação, no Seu reino e na
Sua perseverança. Nesta mensagem chegamos às
igrejas locais. Pode parecer que esta mensagem sobre
as igrejas locais não tenha relação com as duas
mensagens anteriores. Mas, segundo a nossa
experiência, sabemos que estas três mensagens estão
todas inter-relacionadas. A volta do Senhor Jesus
requer que alguns participem da tribulação, do reino
e da perseverança em Jesus. A melhor maneira de
fazer isso é estar nas igrejas nas localidades. Fora da
igreja, é difícil para qualquer pessoa participar dessas
três coisas.

I. O PROGRESSO DA REVELAÇÃO DMNA


NAS ESCRITURAS
Abordaremos as igrejas nas localidades de forma
a considerar o progresso da revelação divina nas
Escrituras. A revelação divina na Bíblia começa com
Deus e consuma-se com as igrejas locais. Os
primeiros dois capítulos de Gênesis, juntamente com
todo o Velho Testamento, são uma revelação do
próprio Deus e os quatro Evangelhos são uma
revelação de Cristo. Esse. fato revela o progresso da
revelação divina, de Deus até Cristo. Depois dos
quatro Evangelhos, temos Atos e as Epístolas, os
quais são sobretudo uma revelação de Cristo como o
Espírito. Assim, a revelação do Espírito é uma
continuação da revelação divina na Bíblia. Depois
disso, a igreja é revelada. Desse modo, há quatro
partes principais da revelação divina na Bíblia: a
parte de Deus, a de Cristo, a do Espírito e a da igreja.
Os judeus têm somente a primeira parte desta
revelação, pois os trinta e nove livros do Velho
Testamento abrangem apenas a revelação
concernente a Deus. A maioria dos cristãos têm mais
do que isso, tendo o Velho Testamento mais os quatro
Evangelhos. Embora tenham toda a Bíblia, na prática
têm pouco mais do que o Velho Testamento e os
Evangelhos. Podem conhecer Deus como Ele é
revelado no Velho Testamento e as histórias nos
Evangelhos sobre Cristo, mas não conhecem nem o
Espírito da vida nem a igreja. No conceito de muitos
cristãos, a igreja é um edifício físico. Nas manhãs de
domingo, muitos pais dizem aos filhos: “Vamos à
igreja”. Segundo o conceito deles, a igreja é uma casa
ou uma catedral com uma torre alta. Dificilmente eles
conhecem algo da igreja como é revelado na Palavra
Sagrada.
Graças a Deus que durante os dois últimos
séculos outros cristãos progrediram em seus
conhecimentos da Bíblia, tendo não apenas o Velho
Testamento e os Evangelhos, mas também as
Epístolas. Esses cristãos conhecem a Deus, Cristo e o
Espírito. É claro que não conhecem muito sobre o
Espírito da vida. Conhecem o Espírito, sobretudo
como o Espírito de poder para o batismo. Conhecem
muito pouco sobre o Espírito que habita
interiormente. Embora esses cristãos possam
conhecer um pouco a respeito da igreja, eles apenas
vêem a igreja universal, não as locais. Entretanto, os
primeiros três capítulos de Apocalipse não estão
relacionados com a igreja universal, mas referem-se
enfaticamente às igrejas locais.
Hoje, nós, na restauração do Senhor, temos a
Bíblia toda: o Velho Testamento, os Evangelhos, Atos,
as Epístolas e Apocalipse. Estive na Assembléia dos
Irmãos Unidos por sete anos e meio. Durante essa
época devotamos considerável atenção aos livros de
Daniel e Apocalipse. No entanto, muito do que ouvi a
respeito de Apocalipse era sobre as bestas e os dez
chifres. Não tive qualquer impressão de que no livro
de Apocalipse havia as igrejas locais. Nem mesmo
ouvi muito sobre a Nova Jerusalém. Apenas me
disseram que ela era uma cidade no céu com mansões
celestiais, que sua rua era pavimentada com ouro e
que suas portas eram feitas de pérolas. Louvado seja
o Senhor porque hoje o nosso livro de Apocalipse não
é assim! Em nosso livro de Apocalipse há as igrejas
com o Filho do homem no meio delas, e há a Nova
Jerusalém com Cristo como a sua centralidade e
universalidade.

A. A Respeito de Deus
Consideremos agora o progresso da revelação
divina nas Escrituras com mais detalhes.
Primeiramente, Deus revela-se a nós (Gn 1:1). Em
Gênesis 1:26 Deus é revelado como Eloim, uma
palavra hebraica que significa o Poderoso. A palavra
portuguesa Deus é a tradução da palavra hebraica
Eloim. Depois disso, em Gênesis 2:7, Deus é revelado
como Jeová, que significa “Eu sou o que sou”. Deus é
o grande Eu Sou, o Eterno. Como o Eterno, Ele é a
realidade de todas as coisas positivas. Este nome,
Jeová, denota Deus em Seu relacionamento com o
homem. A respeito da Sua criação, Deus é revelado
como Eloim; a respeito do Seu relacionamento com o
homem, Ele é revelado como Jeová. Jeová é a forma
do Velho Testamento do nome Jesus, e Jesus é a
forma de Jeová no Novo Testamento. Em outras
palavras, no Velho Testamento Jesus era chamado de
Jeová, e no Novo Testamento Jeová é chamado de
Jesus. Todo o Velho Testamento, que compreende
trinta e nove livros, é sobretudo uma revelação dos
dois títulos divinos: Eloim e Jeová.

B. A Respeito de Cristo
O segundo passo no progresso da revelação
divina é a revelação concernente a Cristo (Mt 1:1). Em
determinada época, Deus se encarnou como um
homem chamado Jesus Cristo. Assim, seguindo o
Velho Testamento, temos os quatro Evangelhos que
revelam uma Pessoa maravilhosa chamada Jesus
Cristo. O nome Jesus significa, sobretudo, o Salvador
(Mt 1:21) e o título Cristo significa, sobretudo, o
Ungido (Mt 16:16). Jesus não é apenas o nosso
Salvador, mas também o Ungido de Deus ou, usando
os termos de hoje, o Designado de Deus. Deus
designou-O para levar a cabo a Sua economia eterna.
Ele não é somente Jesus para salvar-nos, mas
também Cristo para levar a cabo o plano eterno de
Deus.
Para que Cristo leve a cabo o plano eterno de
Deus, Ele precisa da igreja. E para produzir a igreja,
há necessidade de duas coisas: a redenção e o
dispensar da vida. Após redimir o homem criado,
caído, Cristo tinha de dispensar vida para dentro dos
redimidos. Para isso, há necessidade do Espírito da
vida, do Espírito que dá vida. Portanto, após os
quatro Evangelhos, temos a redenção e o dispensar
da vida em Atos e nas Epístolas. Nesses livros, o
sangue de Jesus Cristo é mencionado.
freqüentemente. Juntamente com o sangue, temos o
Espírito. O sangue é para a redenção e o Espírito é
para o dispensar da vida. Após sermos redimidos e
regenerados, tornamo-nos os membros vivos do
Corpo de Cristo, a igreja. Tal como a igreja, o Corpo é
o meio pelo qual Cristo leva a cabo a economia eterna
de Deus. Por meio disso vemos que, na economia de
Deus, a igreja é uma questão crucial. Sem ela, Cristo
não pode realizar nada. Se Ele quiser levar a cabo o
plano eterno de Deus, precisa ter a igreja.

C. A Respeito do Espírito
Deus é revelado como Eloim e como Jeová e
Cristo é revelado como Jesus e Cristo. A revelação
sobre o Espírito, entretanto, não é simples (Mt
28:19), pelo contrário, é um mistério. Poucos cristãos
alguma vez já discutiram por causa da revelação de
Deus, e não muitos discutiram por causa da revelação
de Cristo. Mas, quando chegamos à questão do
Espírito, há muita discussão porque a revelação do
Espírito é um mistério. O Espírito é misterioso
porque está relacionado com a vida. Há muitos
aspectos da revelação do Espírito: o Espírito da
verdade ou realidade (Jo 14:16-17), o Espírito da vida
(Rm 8:2), o Espírito de poder (Lc 24:49), o Espírito
de Deus (Rm 8:9), o Espírito de Cristo (Rm 8:9), o
Espírito de Jesus (At 16:7), o Espírito de Jesus Cristo
(Fp 1:19), o Espírito Santo (At 5:32) e os sete
Espíritos (Ap 1:4; 4:5; 5:6).
Você conhece a diferença entre o Espírito da vida
e o Espírito de poder? As pessoas do assim chamado
movimento pentecostal ou carismático falam sobre o
Espírito de poder. Apenas o Senhor sabe se eles têm
ou não o poder genuíno. Tenho ouvido muito sobre o
assim chamado falar em línguas, mas não tenho visto
poder na obra desses que falam línguas. O batismo do
Espírito Santo dá poder às pessoas. Mas tantos desses
que supostamente falam em línguas, hoje, são tão
sem poder como os que não falam em línguas. Eles
podem ter o poder para balbuciar incorretamente,
mas não têm poder para salvar almas. Embora alguns
nunca tenham falado tais “línguas”, milhares de
pessoas têm sido salvas pela pregação deles. Este é o
verdadeiro poder. Não apenas não há verdadeiro
poder no assim chamado movimento carismático
nem também há qualquer vida. Após falar em línguas,
muitos continuarão discutindo com sua esposa ou
fumando cigarros. Isso é vida? Não! A vida
transforma as pessoas. Precisamos tanto do Espírito
de poder como do Espírito da vida.
Estamos aqui por causa do testemunho de Jesus.
Esse testemunho não é um termo ou uma forma, ele é
uma vida. Como precisamos abrir-nos a Ele para que
possa dispensar mais vida para dentro de nós. Se
realmente temos Cristo como a nossa vida,
andaremos, viveremos e comportar-nos-emos em
Cristo. Agora podemos entender porque as Epístolas
repetidamente falam do Espírito. Como vimos, o livro
de Apocalipse fala dos sete Espíritos de Deus. Para a
vida da igreja, há a necessidade desse Espírito
intensificado. Desse Espírito intensificado, a
verdadeira igreja vem à existência. Embora não me
oponha a nenhum dom pentecostal genuíno, posso
testificar que no passado não vi nenhuma igreja
adequada edificada pelo assim chamado movimento
pentecostal. Considere o movimento carismático
católico de hoje: está saturado com a adoração a
Maria. Se esse movimento é correto, como pode
tolerar a adoração de ídolos? Por tolerar a idolatria,
prova não ser correto. A sujeira pode ser acrescentada
a uma bola de neve, mas não a um diamante. O assim
chamado movimento carismático é como uma bola de
neve na qual coisas sujas podem ser acrescentados.
Os nossos olhos precisam ser abertos para vermos
que hoje Deus deseja as verdadeiras, vivas e práticas
igrejas em cada localidade.

D. A Respeito da Igreja
Agora chegamos à última, parte da revelação
divina, a revelação a respeito da igreja. E difícil
conhecer a igreja porque Satanás, o inimigo sutil, não
quer que os cristãos vejam o que é a verdadeira igreja.

1. A Igreja Universal
A igreja como o Corpo de Cristo (1Co 12:12-13),
universalmente é uma (Ef 1:22-23; 4:4-6). Cristo
como o único Cabeça tem um único Corpo, o qual é
constituído de todos os Seus crentes genuínos.

2. As Igrejas Locais
A igreja universal como o Corpo de Cristo é
expressa pelas igrejas locais. As igrejas locais, como a
expressão do único Corpo de Cristo (Ap 1:12, 20),
localmente são uma (At 8:1; 13:1; Rm 16:1; 1Co 1:2).
Apocalipse 1:4 diz: “João, às sete igrejas que estão na
Ásia”. A Ásia era uma província do antigo Império
Romano, na qual estavam as sete Cidades
mencionadas em 1:11. As sete igrejas estavam
naquelas sete cidades respectivamente, e não todas
em uma única cidade. Este livro não trata da igreja
universal que é única, mas das igrejas locais em
muitas cidades. A igreja é primeiramente revelada
como universal em Mateus 16:18 e, a seguir, como
local em Mateus 18:17. Em Atos, a igreja era praticada
à maneira de igrejas locais, tais como a igreja em
Jerusalém (8:1), a igreja em Antioquia (13:1), a igreja
em Éfeso (20:17) e as igrejas nas províncias da Síria e
Cilícia (15:41). Todas as Epístolas foram escritas para
as igrejas locais, com exceção de poucas que foram
escritas para alguns indivíduos. Nenhuma foi escrita
para a igreja universal. Sem as igrejas locais, não há o
aspecto prático e a realidade da igreja universal. A
igreja universal torna-se real nas igrejas locais.
Conhecer a igreja universalmente deve ser
consumado em conhecer a igreja local. É um grande
avanço conhecermos e praticarmos as igrejas locais.
O livro de Apocalipse, com relação à igreja, está no
estágio avançado, pois é escrito para as igrejas locais.
Se quisermos conhecer esse livro, temos de avançar
da compreensão da igreja universal à percepção e
prática das igrejas locais. Somente aqueles que estão
nas igrejas locais estão posicionados corretamente,
com o ângulo correto e a perspectiva adequada para
ter as visões neste livro.
Em 1:11, a voz disse a João: “O que vos, escreve-o
num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia:
a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a
Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia” (VRC). Este
versículo é redigido de uma forma bem importante.
Neste versículo vemos que enviar este livro “às sete
igrejas” equivale a enviá-lo às sete cidades. Isso
mostra claramente que a prática da vida da igreja nos
primeiros dias era a de uma igreja para uma cidade,
uma cidade com uma igreja. Em nenhuma cidade
havia mais do que uma igreja. Isso é a igreja local,
local no sentido de cidade, não no sentido de rua. A
jurisdição de uma igreja numa localidade deve
abranger a cidade toda na qual a igreja está, não deve
ser maior nem menor do que o limite da cidade.
Todos os crentes dentro daquele limite devem
constituir a igreja única dentro daquela cidade.
Assim, uma igreja equivale a uma cidade e uma
cidade equivale a uma igreja. Isso é o que chamamos
de igrejas locais.
Apocalipse 1:4 fala das “sete igrejas”. Sete é o
número para a completação no operar de Deus, assim
como os sete dias para a criação de Deus (Gn
1:31-2:3), os sete selos (5:5), as sete trombetas (8:2) e
as sete taças (15:7) para o mover de Deus na terra.
Desse modo; as sete igrejas são para o mover de Deus
em completação.
A igreja precisa ter a sua expressão. Se falarmos
sobre a igreja sem ter a sua expressão, o nosso falar é
inteiramente teórico, não é prático. Para a igreja ser
real e prática, há a necessidade das igrejas locais. Se
você não tem as igrejas locais, não tem a igreja. Da
mesma forma, se você não tiver os membros, você
não tem o Corpo. Se não tiver a igreja local, não
poderá ter a igreja universal, pois a igreja universal é
composta de todas as igrejas locais, tal como o corpo
humano é composto dos seus muitos membros. Ter
apenas a igreja universal é estar numa “Feira da
Vaidade”. Mas nós de fato temos as igrejas locais na
prática. Se nos perguntam onde está a igreja,
podemos apontar as igrejas em Anaheim, São
Francisco, Chicago, Nova Iorque e muitos outros
lugares.
Alguns amigos cristãos têm discutido comigo,
dizendo: “Por que você diz que vocês são a igreja e
que nós não somos?” Algumas vezes tenho replicado:
“Se você diz que vocês são a igreja, por favor,
mostre-me que são a igreja. Mostre-me onde está a
igreja”. Alguns têm respondido dizendo que têm
enviado muitos missionários. Bem no fundo, no
interior, eles sabem que não são a igreja. O fato é o
fato. Se você é a igreja, então porque não se chama de
igreja? Você sabe o que você é. Não finja ou tenha a
presunção de ser o que você não é. Uma vez que sou
um homem, tenho de designar-me como um homem.
Que mais posso fazer? Em 1963 pediram-me para
falar em certo lugar no Missouri. Ao final da reunião,
o anfitrião levantou-se e de uma maneira agradável,
humilde, polida, disse: “Irmão Lee, por favor,
diga-nos por que vocês chamam a si mesmos de a
igreja em Los Angeles?” Repliquei: “Irmão, se não
chamarmos a nós mesmos de a igreja, então do que
nos chamaríamos? Simplesmente somos a igreja. Isto
não é apenas a verdade, mas também o fato”. Somos o
que somos. Embora possamos fingir ou ter a
presunção de ser alguma coisa a mais, isto não é o que
realmente somos. Antes da restauração do Senhor
chegar aos Estados Unidos, nenhum cristão disse que
era a igreja em Los Angeles. Por isso, quando
chegamos a Los Angeles, tivemos de chamar a nós
mesmos de a igreja em Los Angeles.
Apocalipse 1:20 diz: “Quanto ao mistério das sete
estrelas que viste na minha mão direita, e os sete
candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das
sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.”
Quando João viu as sete estrelas na mão direita de
Cristo e os sete candeeiros de ouro no meio dos quais
Cristo estava, isto foi um mistério para ele. Ele não
percebeu o significado das sete estrelas celestiais e
dos sete candelabros de ouro. Por isso, o Senhor
desvendou-lhe o mistério, dizendo: “As sete estrelas
são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são
as sete igrejas”. O significado disso não era um
mistério apenas para João, mas também para os
crentes de hoje. Todos os crentes precisam da
revelação desse mistério para verem as igrejas e os
seus mensageiros.
As igrejas, simbolizadas pelos sete candeeiros de
ouro, são “o testemunho de Jesus” (1:2, 9) em
natureza divina, resplandecendo na noite negra
localmente, ainda que coletivamente. As igrejas
devem ser de natureza divina — de ouro. Elas devem
ser os suportes, até mesmo os candeeiros, que sustêm
a lâmpada com o óleo (Cristo como o Espírito que dá
vida), resplandecendo nas trevas local e
coletivamente. Elas são candeeiros individuais
localmente, contudo, ao mesmo tempo são um grupo,
uma coleção de candeeiros universalmente. Elas
estão não somente resplandecendo localmente, mas
também sustentando universalmente o mesmo
testemunho, tanto para as localidades como para o
universo. Elas são da mesma natureza e do mesmo
formato. Elas sustêm a mesma lâmpada para o
mesmo propósito, e estão plenamente identificadas
umas com as outras, não tendo nenhuma distinção
individual. As diferenças das igrejas locais,
registradas nos capítulos dois e três, são todas de
natureza negativa e não positiva. Negativamente, em
suas falhas, elas são diferentes e separadas umas das
outras; mas, positivamente, em sua natureza, formato
e propósito, são absolutamente idênticas e ligadas
umas às outras. É fácil, aos crentes, ver a igreja
universal, mas 'é-lhes difícil ver as igrejas. A
revelação das igrejas locais é o desvendar final e
máximo do Senhor com respeito à igreja. Foi dada
aqui, no último livro da Palavra Divina. Para
conhecerem plenamente a igreja, os crentes devem
seguir o Senhor desde os Evangelhos, por meio das
Epístolas, até o livro de Apocalipse, até que estejam
capacitados a ver as igrejas locais como são
desvendadas aqui. Em Apocalipse, a primeira visão é
acerca das igrejas. As igrejas, com Cristo como seu
centro, são o ponto focal na administração divina
para a realização do propósito eterno de Deus.
Se não houvesse igrejas locais, eu não poderia
suportar continuar vivendo. Preferiria morrer.
Suponha que não haja nenhuma igreja local. Que
faríamos? Não teríamos nenhum objetivo, alvo e
propósito, e a nossa vida cristã não teria significado.
As igrejas locais são o objetivo, o alvo e o significado
da nossa vida cristã. Enquanto está desfrutando a
vida da igreja numa localidade, você pode não
apreciá-la muito, mas se as igrejas fossem removidas,
então você perceberia que tinha sido despojado de
toda bênção. Sem a vida da igreja não podemos viver,
pois perderíamos o objetivo e o significado de ser um
cristão hoje.
Espero que todos nós, especialmente os jovens,
vejamos que a meta final da revelação de Deus é as
igrejas locais. A revelação de Deus continua
progressivamente, apenas parando quando Ele
atingiu as igrejas locais. As igrejas locais são a meta
final de Deus. Deus introduziu a Sua revelação nas
igrejas locais. Essa é a razão pela qual as igrejas estão
cheias de revelação, luz e verdade. Fora delas há falta
de luz, revelação e alimento. Mas as igrejas estão
cheias de revelação porque são a meta final da
revelação de Deus. Assim, todas as riquezas da
revelação divina estão aqui.
Se você vir isso, então perceberá que não somos
demasiadamente zelosos pela igreja. O nosso espírito
testifica isso. Sempre que não testificamos sobre as
igrejas locais, o nosso espírito se abate. Sempre que
tentamos ser sábios e procuramos não levantar
oposição contra nós, evitando discussão sobre a
igreja, imediatamente ficamos mortos. Mas quando
ousadamente falamos da igreja em sua expressão
local, somos estimulados, nosso espírito fica vivo e
ardente, e temos vontade de gritar, clamar e até
mesmo de trovejar. Percebo que é melhor não
ofender as pessoas. Entretanto, quando tento não
ofender as pessoas, ofendo o Senhor. Mas quando
digo categoricamente às pessoas que as igrejas locais
são a meta final do Senhor, sinto que o Senhor está
comigo. Segundo toda a Bíblia, o Filho do homem,
Cristo, está andando no meio das igrejas locais. Se
você estiver buscando Cristo, então deve vir para as
igrejas locais. O Filho do homem está se movendo
entre as igrejas e cuidando delas. Se você quiser
participar desse cuidado, precisa estar nas igrejas
locais. Hoje o nosso encargo é conduzir o povo de
Deus ao Seu objetivo e o nosso propósito é ajudar os
santos a atingir a meta final de Deus.
Antes de virmos às igrejas locais, éramos
errantes. Nunca tivemos a sensação de que havíamos
chegado ao lar ou que havíamos atingido o nosso
destino. Mas no dia em que viemos para as igrejas,
percebemos que chegáramos ao lar. Após vagar por
anos a fio, reconhecemos que finalmente
alcançáramos o nosso destino. Quando chegamos à
vida da igreja pela primeira vez, algo no íntimo do
nosso interior disse: “Este é o lugar”, e reconhecemos
que estávamos em casa. Por termos chegado ao nosso
destino, não precisamos viajar mais. Assim, hoje,
muitos cristãos sequiosos são viajantes, viajam de
uma denominação, ou grupo, para outra. Mas no dia
em que chegamos à vida da igreja, cessou o nosso
vagar. As igrejas locais são o que Deus deseja hoje.
Este é o último estágio da Sua revelação. A nossa
necessidade é simplesmente viver a vida da igreja em
sua expressão local. O nosso testemunho é de que não
somos uma organização somos as expressões locais
do Corpo de Cristo.

II. O PROGRESSO DA MANIFESTAÇÃO DE


DEUS
Deus é corporificado e expresso em Cristo (Jo 1:1,
14; 1Tm 3:16; Cl 2:9) e Cristo é substantificado e
experienciado como o Espírito (Jo 14:16-17; 1Co
15:45b; 2Co 3:17; Rm 8:10; Fp 1:19). O Espírito é o
próprio elemento constituinte da igreja, que é o
Corpo de Cristo, a Sua plenitude (Ef 1:2223; 1Co
12:12). Agora, o Corpo de Cristo é expresso em todas
as igrejas locais, pois elas são a expressão da igreja
universal (1:11-12). As igrejas locais são a expressão
do Corpo, este é a substantificação4 de Cristo como o
Espírito que dá vida e Cristo é a corporificação de
Deus. Assim, nas igrejas locais, temos Deus, Cristo, o
Espírito e a igreja. Por isso as igrejas locais são tão
ricas. Onde você pode encontrar Deus com o Seu
propósito? Nas igrejas locais. Onde você pode ganhar
Cristo com todas as Suas riquezas? Nas igrejas locais.
Onde você pode participar do Espírito que dá vida
intensificado? Nas igrejas locais. Onde você pode ser
uma parte prática do Corpo? Nas igrejas locais. Oh! as
igrejas locais significam tanto para nós! Aleluia!
Amém! Não somos mais errantes — somos pessoas
nas igrejas locais! Atingimos o nosso destino e
chegamos ao lar. Estamos em casa por toda a
eternidade! Aqui nas igrejas temos Deus com o Seu
propósito, temos Cristo com as Suas riquezas, temos
o Espírito que dá vida intensificado e temos a vida
adequada da igreja. Aqui a Bíblia não apenas está
aberta — ela é real. Aleluia pelas igrejas locais!
Realmente temos algo com que nos empolgar!
A revelação de Deus começou com o próprio
Deus e continuou com Cristo e o Espírito, até atingir o
seu objetivo nas igrejas em sua expressão local. Sem
as igrejas locais, não temos o objetivo da revelação
divina. Aqui, a falha existente entre os judeus, entre
tantos cristãos e mesmo entre muitas pessoas assim
chamadas espirituais, torna-se evidente. Os judeus
têm Deus, a maioria dos cristãos têm Deus e Cristo e
os cristãos mais aperfeiçoados também têm o
Espírito, mas muito poucos cristãos têm a vida
adequada da igreja nas igrejas nas localidades. Hoje,
nas igrejas locais, temos Deus, Cristo, o Espírito e a
4
Significa “dar forma concreta a”. (N. do R.)
igreja.
O resultado do progresso da manifestação de
Deus é a igreja. Deus está corporificado em Cristo,
Cristo é substantificado e experienciado como o
Espírito que dispensa vida a nós, e o Espírito resulta
nas igrejas. Quando experienciamos e percebemos
Cristo como o Espírito que dá vida, o resultado é a
vida da igreja. A igreja é o Corpo, a plenitude de
Cristo. O progresso dessa revelação é Deus, Cristo, o
Espírito, a igreja e as igrejas locais. Essa é a revelação
de Deus na Sua Palavra Sagrada. Diante disso,
podemos ver como Deus é percebido por nós e como é
realmente expresso e manifestado.
Primeiramente, Deus deu o passo para ser
encarnado para ser corporificado em Cristo. Se quiser
encontrar-se com Deus, você deve encontrar-se com
Cristo. Você quer chegar-se a Deus? Então, deve
chegar-se a Cristo. Fora de Cristo é impossível tocar
Deus. Deus é corpo ri ficado num homem concreto e
real chamado Jesus Cristo. Quando você O encontra,
encontra-se com Deus. Quando você O toca, toca
Deus. Quando você O ganha, ganha Deus. Quando
você O recebe, recebe Deus, porque Ele é a exata
corporificação do próprio Deus. Esse Cristo é
substantificado e experienciado por nós como o
Espírito que dá vida. Ele não é apenas o nosso
Salvador, o nosso Redentor, o nosso Senhor, a nossa
santidade e a nossa justiça, Ele é o próprio Espírito
que dá vida. O fato de ser o nosso Salvador, Redentor
e Senhor, é para Ele ser o Espírito que dá vida. O que
temos hoje real e praticamente é o Espírito que dá
vida. A maior parte dos cristãos perdeu esse ponto
crucial, pois o inimigo sutil fez o máximo para
esconder essa questão. Nos anos passados, demos
muitas mensagens e imprimimos vários livros
concernentes a Cristo como o Espírito que dá vida,
mas alguns cristãos não vêem isso, pelo contrário,
opõem-se. Essa é a sutileza do inimigo.
Se Cristo fosse apenas o nosso Salvador,
Redentor e Senhor, como a igreja poderia ser
produzida na prática? O Salvador não produz a igreja
diretamente, tampouco o Senhor a produz
diretamente. Para a igreja ser produzida, há a
necessidade de Cristo ser o Espírito que dá vida. Ao
conhecermos Cristo como o Espírito que dá vida,
precisamos não confiar na nossa mente, pois ela é
muita limitada para compreender isso. Embora
possamos não entender esse fato completamente,
podemos experienciá-lo. Confira com sua
experiência. A sua experiência diária testifica que o
Cristo que você desfruta é o Espírito que dá vida em
seu interior. Não somente o próprio Cristo é
maravilhoso, misterioso, ilimitado e insondável, mas
até mesmo o alimento que desfrutamos cada dia está
além da nossa compreensão. Embora não possamos
conhecer o alimento exercitando a nossa mente,
podemos conhecer o seu sabor pela nossa
experiência. Pela nossa experiência, sabemos o que é
o alimento. Não preste atenção à conversa teológica.
Aqueles que se envolvem nessa conversa são
engodados pelo super-exercitar da mente. Nós
apenas nos importamos com a Palavra pura da
revelação divina e com a nossa experiência prática e
pessoal. A nossa experiência testifica que o próprio
Cristo que desfrutamos cada dia é o Espírito que dá
vida. Você não tem a realidade de que o Cristo que
vive está em você? Esse é o próprio Cristo que
estamos desfrutando, experimentando e partilhando
em nosso espírito. Este é o Espírito que dá vida, que é
o próprio Cristo. Assim, Deus é corporificado em
Cristo e Cristo é substantificado e experienciado em
nós como o Espírito que dá vida.
Essa experiência resulta na igreja. Quanto mais
experimentarmos Cristo desta forma, mais
desejaremos a igreja. Essa experiência cria uma fome
e uma sede no profundo do nosso interior.
Anteriormente, quando não estávamos nas igrejas
locais, não podíamos especificar que fome e sede
tínhamos. Mas, após virmos para a igreja,
percebemos que a nossa experiência de Cristo criou
uma fome e sede pela vida da igreja. Quando viemos
para a vida da igreja, a nossa fome e sede foram
satisfeitas. Essa satisfação cria dentro de nós um
apreço mais profundo por Cristo, e isso, por sua vez,
nos leva a desfrutá-Lo mais e mais. Quanto mais
desfrutamos Cristo, mais apreciamos a vida da igreja;
quanto mais desejamos a vida da igreja, mas
penetramos nela e quanto mais penetramos na igreja,
mais apreciamos e desfrutamos Cristo. Esse é um
ciclo glorioso e podemos testificar que estamos nele.
O propósito deste ministério não é proporcionar
conhecimento aos santos; é ajudar os santos a abrir
os olhos, mente, coração e espírito para ver a
revelação de Deus. Tudo o que ministramos
corresponde à nossa experiência. Hoje esta mos aqui
pelo testemunho de Jesus, que resulta da experiência
genuína de Cristo como o Espírito que dá vida. Deste
modo, digo mais uma vez que Deus é corporificado
em Cristo, Cristo é substantificado e experimentado
como o Espírito que dá vida, e a experiência de Cristo
como o Espírito que dá vida resulta na vida da igreja.
A igreja é o Corpo, a expressão e a plenitude de Cristo.
Como tal, ela deve ter as suas expressões locais. A
igreja universal é o Corpo, a plenitude de Cristo e as
igrejas locais são as expressões dessa igreja universal.
Estamos nessas expressões hoje. Aleluia!

III. A MANEIRA DE VERMOS A REVELAÇÃO


DE DEUS E PERCEBER A SUA
MANIFESTAÇÃO

A. Sermos Separados para Deus


Para vermos a revelação de Deus e perceber a
Sua manifestação, precisamos ser separados para Ele.
O apóstolo João foi totalmente separado para Deus
na ilha de Patmos (1:9). Ele também foi levado à
porta aberta do céu (4:1) e a uma grande e alta
montanha (21:10) e, assim, viu a revelação de Deus e
percebeu a Sua manifestação. Hoje, muitos cristãos
que também estão falando sobre a igreja, não vêem as
igrejas locais, sobretudo porque não estão separados
para Deus.

B. Estarmos no Espírito Humano


Apocalipse 1:10 diz: 'Achei-me em espírito, no
dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz,
como de trombeta.” O livro de Apocalipse não só
enfatiza o Espírito de Deus como o Espírito sete vezes
intensificado para o mover intensificado de Deus,
mas também o nosso espírito humano como o órgão
para percebermos o mover de Deus e reagir ao Seu
mover. Somente o espírito (nosso) pode reagir ao
Espírito (de Deus). O livro de Apocalipse é composto
de quatro visões principais: a visão das igrejas (caps.
1-3); a visão do destino do mundo (caps. 4-16); a
visão da grande Babilônia (caps. 17-20); a visão da
Nova Jerusalém (caps. 21-22). Para ter essas quatro
visões, João estava em seu espírito (1:10; 4:2; 17:3;
21:10), como é mencionado em Efésios 3:5 para a
revelação do mistério de Cristo. Nós também
precisamos estar em nosso espírito para termos as
visões deste livro. Não é meramente uma questão de
compreensão em nossa mente, mas uma percepção
espiritual. Na primeira visão deste livro, a visão
concernente às igrejas, tanto Cristo como os
mensageiros das igrejas são desvendados com as
igrejas como nunca o foram, e isso da maneira mais
específica. Por isso, os crentes precisam de uma visão
específica no espírito.
O dia do Senhor nesse versículo deve ser o
primeiro dia da semana, o dia em que o Senhor
ressuscitou (Jo 20:1). A igreja primitiva costumava
reunir-se nesse dia (At 20:7; 1Co 16:2). Foi nesse dia
que João estava em espírito para ter as visões da
economia de Deus. Para ter a revelação das igrejas
locais, precisamos nos voltar da mente que arrazoa
para o espírito que vê. Permanecer na mente que
arrazoa confunde a visão das igrejas.

C. Ouvirmos a Voz do Senhor


Se os cristãos apenas compreendem a doutrina
concernente às igrejas locais, eles podem não ter a
visão. Todos os cristãos precisam ouvir a voz, o falar
presente e vivo do Senhor. A voz do Senhor
conduz-nos à visão das igrejas locais.

D. Voltarmo-nos para a Voz do Senhor


Apocalipse 1:12 diz: “Voltei-me para ver quem
falava comigo; e, voltado, vi sete candeeiros de ouro”.
Para ver alguma coisa, requer-se a posição correta
com o ângulo correto. O apóstolo João primeiro ouviu
a voz (v. 10), e quando “voltou-se para ver”, viu os
sete candeeiros de ouro. Ele estava posicionado
corretamente, mas ainda precisava do ângulo certo
para ter a visão a respeito das igrejas; assim, ele se
voltou. Ocorre o mesmo conosco hoje. Muitos cristãos
precisam estar ajustados em suas posições e voltar-se
para que possam ter a visão das igrejas.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 8
OS SETE CANDELABROS
Uma vez que quase tudo do livro de Apocalipse
está baseado no Velho Testamento, a maioria dos
itens mencionados neste livro não são novos. A maior
parte do que este livro revela, remonta-se ao Velho
Testamento. Não obstante, todos os itens
encontrados em Apocalipse têm um significado novo.
Por exemplo, a cidade de Jerusalém, uma cidade com
doze portas, é encontrada em Ezequiel 48, mas no
final de Apocalipse vemos a cidade de Jerusalém de
uma nova maneira. Por ser Apocalipse um livro de
conclusão, o cumprimento das coisas da Bíblia, quase
tudo nele contido é apresentado de uma forma nova.
Isso é verdade quanto aos candelabros do capítulo
um. O candelabro é mencionado em Êxodo 25 e
Zacarias 4, mas em Apocalipse ele é mencionado de
uma maneira nova. Nesta mensagem, precisamos
considerar os sete candelabros de Apocalipse 1.
Os candelabros são o símbolo das igrejas locais.
Embora tenhamos visto que as igrejas locais são o
testemunho de Jesus, pode ser um tanto difícil para
muitos aprenderem o significado disso. Que significa
dizer que as igrejas locais são o testemunho de Jesus?
Significa que as igrejas são os candelabros.
Através dos séculos, poucos cristãos tocaram a
profundidade do significado do candelabro. Nesta
mensagem, precisamos sondar as profundezas dessa
questão dos candelabros. Os símbolos bíblicos são
difíceis de compreender, pois não podemos
compreender um símbolo como o candelabro
segundo o nosso conceito natural. De acordo com o
nosso conceito natural, um candelabro é
simplesmente um objeto que sustém uma lâmpada
que resplandece nas trevas. o candelabro em Êxodo
25 é de ouro puro e os candelabros em Zacarias 4 e
Apocalipse também são de ouro. Em substância, o
candelabro é de ouro. Quanto ao candelabro vemos
três coisas importantes: o ouro, o suporte e as
lâmpadas. O candelabro implica o significado do
Deus Triúno. Deus é a substância com a qual o
candelabro é feito, o suporte é a corporificação do
ouro e as lâmpadas são a expressão do suporte. O
ouro simboliza o Pai como a substância, o suporte
simboliza o Filho como a corporificação do Pai e as
lâmpadas simbolizam o Espírito como a expressão do
Pai no Filho. Assim, o significado do Deus Triúno está
implícito no candelabro.
Nas paredes das sinagogas judaicas há um
símbolo do candelabro. Embora os judeus tenham
usado esse símbolo por séculos, eles não conhecem o
seu verdadeiro significado — o Deus Triúno. Você já
percebeu que o candelabro implica o significado do
Deus Triúno?
Em substância, o candelabro é um, mas, em
expressão, é sete porque é um candelabro com sete
lâmpadas. Na base, o candelabro é um; no topo, é
sete. Devemos arrazoar se ele é um ou sete? Em
substância, o candelabro é uma peça de ouro, mas
sustém sete lâmpadas. Isso indica, misteriosamente,
que em substância o Deus Triúno é um. Em
substância, Ele é um, mas em expressão, Ele é os sete
Espíritos. O Pai como a substância é corporificado no
Filho como a forma, e o Filho é expresso como os sete
Espíritos.
Como podemos provar que os sete candelabros
são o Espírito que expressa Cristo? As sete lâmpadas
são primeiramente mencionadas em' Êxodo.
Contudo, se tivéssemos apenas o relato de Êxodo,
seria difícil perceber que essas sete lâmpadas são o
Espírito. Mas, quando prosseguimos de Êxodo a
Zacarias, vemos que as sete lâmpadas são os sete
olhos de Cristo e os sete olhos de Deus (Zc 3:9; 4:10).
Quando prosseguimos até Apocalipse, vemos que os
sete olhos do Cordeiro são os sete olhos que são o
Espírito intensificado de Deus. Portanto, temos uma
forte base para dizer que as sele lâmpadas são o
Espírito sete vezes intensificado como a expressão de
Cristo.
Vimos que o candelabro implica o significado do
Deus Triúno, ele simboliza o Deus Triúno
corporificado e expressado. Deu Pai, como o ouro
divino é corporificado em Cristo, o Filho, e depois é
totalmente expresso por meio do Espírito. A
expressão difere da corporificação. A corporificação
deve ser só uma porque Deus é unicamente um.
Desse modo, a corporificação precisa ser um único
suporte. A expressão, entretanto, precisa ser
completa, e completa no mover de Deus. Lembre-se
de que sete é o número para a completação no mover
de Deus. Através dos séculos, Deus tem sido expresso
no Seu mover. Por essa razão as sete lâmpadas
simbolizam o Espírito intensificado como a expressão
de Cristo no mover completo de Deus. Essa é a
compreensão prática da Trindade. A Trindade é para
o dispensar de Deus dentro da humanidade. Deus, o
Ser divino, primeiramente é corporificado em Cristo e
depois expresso por meio do Espírito sete vezes
intensificado. Agora não apenas temos o Deus
Triúno; no candelabro temos o Deus Triúno
substancial e solidamente corpo ri ficado e
expressado. O ouro foi modelado num suporte sólido.
Antes era apenas ouro, mas agora é o suporte. O ouro
foi modelado num suporte para o cumprimento do
propósito de Deus. Sem o suporte, não há maneira
nenhuma de o propósito de Deus ser cumprido. Como
vimos, esse suporte, que é um tipo de Cristo, é
expresso por meio de sete lâmpadas simbolizando os
sete Espíritos de Deus. Os sete Espíritos de Deus não
estão separados de Deus, são os sete olhos de Deus e
do Cordeiro, o Redentor. Como veremos, eles
também são os sete olhos da pedra de edificação.
Portanto, eles são os sete olhos com a redenção de
Cristo para a edificação de Deus. Sempre que esses
olhos olham para as pessoas, elas são redimidas e
edificadas em casa de Deus. Isso é a Trindade.
Em Êxodo 25, a ênfase está no suporte; em
Zacarias 4, nas lâmpadas e em Apocalipse 1 na
reprodução. Tanto em Êxodo como em Zacarias, o
candelabro é um, mas em Apocalipse ele foi
reproduzido e tornou-se sete. Primeiramente, em
Êxodo, a ênfase está no suporte — em Cristo. Em
segundo lugar, em Zacarias, a ênfase está nas
lâmpadas — no Espírito. Por fim, em Apocalipse,
tanto o suporte como as lâmpadas, isto é, tanto Cristo
como o Espírito, são reproduzidos como as igrejas.
Em Êxodo e Zacarias, há apenas sete lâmpadas, mas
aqui em Apocalipse há quarenta e nove lâmpadas,
pois cada candelabro tem sete lâmpadas. Assim, o
único candelabro tornou-se sete e as sete lâmpadas
tornaram-se quarenta e nove. Os candelabros com as
suas lâmpadas em Apocalipse são a reprodução de
Cristo e do Espírito. Quando Cristo é substantificado,
Ele é o Espírito, e quando o Espírito é
substantificado, temos as igrejas como a reprodução.
A igreja não é apenas universalmente uma, mas
também expressa localmente em muitas cidades. Em
todo o universo há somente um Cristo, um Espírito e
uma igreja. Por que então há as sete igrejas? Por
causa da necessidade de uma expressão. Para a
existência, uma é suficiente, mas para a expressão,
muitas são necessárias. Se quisermos conhecer a
igreja, precisamos conhecer sua substância,
existência e expressão. Em substância, a igreja, e
inclusive todas as igrejas, são uma. Em expressão, as
muitas igrejas são os muitos candelabros. Que é a
igreja? A igreja é a expressão do Deus Triúno e essa
expressão é vista em muitas localidades na terra. A
igreja é representada não apenas por um candelabro,
mas por sete. Em Apocalipse 1, há sete candelabros
com quarenta e nove lâmpadas resplandecendo no
universo. Esse é o testemunho de Jesus. A igreja é o
testemunho de Jesus. Isso significa que a igreja é a
expressão do Deus Triúno em, substância e em
expressão. Em substância, ela é de uma única
substância em todo o universo; em expressão, ela é os
muitos candelabros com as lâmpadas resplandecendo
nas trevas para expressar o Deus Triúno. O Pai, como
a substância, é corporificado no Filho; o Filho, como a
corporificação é expresso por meio do Espírito e o
Espírito é totalmente substantificado e reproduzido
como as igrejas, e as igrejas são o testemunho de
Jesus. Se tivermos essa visão, ela nos governará e
nunca seremos divisivos. Esta visão nos sustentará e
guardará no testemunho de Jesus.
Vimos que o candelabro é o ouro divino
corporificado numa forma substancial para cumprir o
propósito de Deus em Seu mover. A expressão do
suporte está no resplandecer da luz. Quando a
expressão brilha, o resplandecer cumpre o propósito
eterno de Deus. Assim, o candelabro não simboliza
apenas o Deus Triúno, mas também o mover do Deus
Triúno na Sua corporificação e expressão. Também
vimos que as igrejas locais são a reprodução da
corporificação e expressão do Deus Triúno. Isso não é
uma coisa pequena. Não devemos ficar satisfeitos em
dizer que as igrejas locais são os candelabros
resplandecendo na noite escura. Embora isso seja
correto, é bem superficial. Precisamos ver que as
igrejas locais são a reprodução da corporificação e
expressão do Deus Triúno.
Na Bíblia, o candelabro sempre está relacionado
com a edificação de Deus. A primeira vez que ele foi
mencionado foi em Êxodo 25:31-40, quando o
tabernáculo foi edificado. A segunda vez foi na
edificação do templo em 1 Reis 7:49. A terceira, teve
muito a ver com a reedificação do templo de Deus em
Zacarias 4:2-10. Aqui em Apocalipse ele está
relacionado com a edificação das igrejas. Em Êxodo
25, a ênfase está em Cristo sendo o candelabro como
a luz divina, resplandecendo como as sete lâmpadas
com o Espírito (o óleo). Em Zacarias 4, a ênfase é no
Espírito (v. 6) resplandecendo como as sete
lâmpadas, as quais são os sete olhos de Deus (vs. 2,
10). Os sete olhos de Deus são os Seus sete Espíritos
(Ap 5:6) para o Seu mover intensificado. Isso indica
que o candelabro em Zacarias é a realidade do
candelabro em Êxodo, e os candelabros em
Apocalipse são a reprodução do candelabro de
Zacarias. Cristo é substantificado como o Espírito e o
Espírito é expresso como as igrejas. O Espírito
resplandecente é a realidade do Cristo
resplandecente, e as igrejas resplandecentes são a
reprodução e a expressão do Espírito resplandecente
para cumprir o propósito eterno de Deus, para que a
Nova Jerusalém, como a cidade resplandecente, seja
consumada. Cristo, o Espírito e as igrejas, todos são
da mesma natureza divina.

I. O CANDELABRO PARA A EDIFICAÇÃO DO


TABERNÁCULO (O TEMPLO)
Vimos que o candelabro é para a edificação de
Deus. O candelabro de Êxodo 25 foi para a edificação
do tabernáculo, o candelabro em Zacarias 4 era para a
restauração do edifício de Deus e os candelabros em
Apocalipse 1 são para a edificação da igreja. Isso
indica que o Deus Triúno é para a edificação de Deus.
Enquanto os cristãos falam muito sobre a Trindade,
muito poucos viram que o Deus Triúno é para a
edificação de Deus. O candelabro de Êxodo 25 tipifica
Cristo como a expressão de Deus resplandecendo
com as sete lâmpadas, os sete Espíritos de Deus.
A maneira pela qual a Bíblia apresenta os
candelabros é bastante interessante. Primeiramente,
a Bíblia revela que para a edificação do tabernáculo
houve a necessidade do candelabro. O candelabro
também foi necessário para a função do tabernáculo.
O tabernáculo não tinha janelas e sua entrada estava
completamente coberta por uma cortina. Uma vez
que não havia nenhuma abertura, não havia modo
algum da luz chegar de fora. Sem o candelabro
resplandecendo no tabernáculo, ninguém dentro dele
teria sido capaz de funcionar. Assim, o candelabro
não era apenas para a edificação do tabernáculo, mas
também para a sua função.
Da mesma forma, sem o candelabro, não há a
edificação da igreja e nenhuma função na igreja. A
função da igreja depende do resplandecer do
candelabro. Nós, na igreja, precisamos do
resplandecer do candelabro. Muitas vezes, quando
considera o que fazer ou como fazer, você fica
confuso. Quanto mais pensa, mais densas se tornam
as trevas. Mas quando você chega à reunião da igreja
ou tem comunhão com os santos, imediatamente é
iluminado e diz: “Oh! agora vejo o caminho”.
Ninguém lhe deu uma mensagem dizendo o que
fazer. Você foi esclarecido pelo resplandecer do
candelabro na igreja. O candelabro resplandece sobre
nós na igreja.
O candelabro não é só para a edificação de Deus,
mas também para a função na edificação de Deus.
Para funcionar, precisamos ter luz. A luz do
candelabro resplandecente está na igreja. Por isso
não podemos suportar ficar fora da igreja. Não diga:
“Uma vez que leio a Bíblia e oro em casa, tudo será o
mesmo”. Se tentar isso, correrá de volta para a igreja
após alguns dias. Por essa razão não gostamos de
tirar férias a não ser que possamos ir a um lugar onde
haja uma igreja. A igreja não apenas tem o
candelabro, mas também é o candelabro.

II. O CANDELABRO PARA A EDIFICAÇÃO DO


TEMPLO RESTAURADO
O candelabro é necessário mais ainda para a
restauração do edifício de Deus. Zacarias 4 revela que
o candelabro enfatiza que o Espírito é para a
restauração do edifício de Deus. Hoje, há uma maior
necessidade do candelabro porque não estamos
apenas no edifício de Deus, mas também na
restauração do Seu edifício. Precisamos do
candelabro para que ele resplandeça sobre nós e nos
fortaleça.

A. Simboliza o Espírito para o Mover de Deus


Para a restauração do Seu templo, Deus deu uma
visão a Zacarias, para que por ela ele fosse capaz de
fortalecer Zorobabel. Nesta visão, Zacarias viu um
candelabro com sete lâmpadas, nas quais o óleo
estava fluindo de duas oliveiras. Então o anjo disse a
Zacarias: “Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel:
Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito,
diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6). Isso indica que o
Espírito de Deus é para o Seu mover na terra.

B. Com as Sete Lâmpadas que São os Sete


Olhos
As sete lâmpadas no candelabro de Zacarias são
os sete olhos. Primeiramente, esses sete olhos são os
olhos de Cristo como a pedra para o edifício de Deus
(Zc 4:2, 10; 3:9). Apocalipse 5:6 também fala dos sete
olhos de Cristo o Cordeiro, dizendo que eles são “os
sete Espíritos de Deus, enviados a toda a terra”. Os
sete Espíritos são os sete olhos de Cristo. Em Zacarias
3 e 4, Cristo é a pedra para o edifício de Deus, e em
Apocalipse 5, Ele é o Cordeiro para a nossa redenção.
Isso indica que o Cristo redentor é a pedra de
edificação. Tanto o Cordeiro como a pedra têm sete
olhos que são os sete Espíritos de Deus. Em Zacarias,
os sete olhos são os olhos da pedra, enquanto em
Apocalipse são os olhos do Cordeiro.
As sete lâmpadas, que são os sete olhos de Cristo,
são também os olhos de Deus para o Seu mover (Zc 4:
to). Cristo tem os sete olhos, os sete Espíritos de
Deus, para o mover de Deus. Primeiramente, Cristo é
o Cordeiro redentor, e por fim, Ele é a pedra de
edificação. Isso é absolutamente para o mover de
Deus na terra, por meio da redenção até o objetivo da
edificação. Hoje estamos desfrutando a redenção
para a edificação. Desfrutamos Cristo não apenas
como o Cordeiro redentor, mas também como a
pedra de edificação. A redenção de Cristo é para a
edificação de Deus. Nele somos redimidos e Nele
somos edificados. Ele está realizando isso por
intermédio dos sete Espíritos de Deus que são para o
mover de Deus hoje.

C. As Lâmpadas São para a Iluminação e os


Olhos São para a Transfusão pelo Olhar
As lâmpadas são para a iluminação e os olhos
para a transfusão pelo olhar. Esses olhos não são
apenas para sondar, observar e julgar, mas
especialmente para transfundir. Sempre que Cristo
olha para nós com os Seus sete olhos, somos
espontaneamente infundidos por Ele. Quer estejamos
sendo julgados, iluminados, sondados ou queimados,
Ele transfunde tudo o que Ele é para dentro de nós.
Sempre que Cristo nos ilumina, Ele resplandece para
dentro de nós, transfundindo tudo o que Ele é para
dentro de nós, a fim de que nos tornemos uma pedra
preciosa transformada para a edificação de Deus.

III. OS CANDELABROS SENDO PARA A


EDIFICAÇÃO DAS IGREJAS LOCAIS

A. Simboliza as Igrejas Locais como o


Testemunho de Jesus
Os candelabros de Apocalipse são os símbolos
das igrejas locais. Cada igreja local é um candelabro,
resplandecendo o testemunho de Jesus com o
Espírito de Deus sete vezes intensificado como as
lâmpadas em sua localidade.

B. Divinos em Natureza
Os candelabros são de ouro. Como vimos, o ouro
prefigura a natureza de Deus. Os candelabros aqui
sendo de ouro, significa que as igrejas são
constituídas com a natureza divina de Deus. Temos a
vida e a natureza do Pai (2Pe 1:4), o ouro do Pai,
possuindo a Sua divina natureza de ouro. Que
maravilha termos essa substância divina!

C. Resplandece na Era das Trevas com os Sete


Espíritos de Deus
Podemos atentar apenas para os candelabros e
negligenciar as lâmpadas, mas os candelabros não
são para eles mesmos, e, sim, para as lâmpadas. Se os
candelabros não tivessem nenhuma lâmpada, não
teriam significado. Portanto, precisamos ressaltar o
que são as lâmpadas. Vemos as lâmpadas no capítulo
quatro: elas são os sete Espíritos de Deus ardendo
diante do trono (4:5). Desse modo, os sete Espíritos
de Deus são as sete lâmpadas ardendo. Alguns têm
dito que as lâmpadas são Cristo e que a igreja é o
suporte que sustêm Cristo como a lâmpada. Isso não
é mau, mas Apocalipse não diz que a lâmpada,
primeiramente, é Cristo. É claro que quando
chegamos ao capítulo vinte e um, vemos que Cristo é
a lâmpada na Nova Jerusalém. Entretanto,
Apocalipse não diz que Cristo é as sete lâmpadas
hoje; pelo contrário, diz que os sete Espíritos de Deus
são as sete lâmpadas.
Precisamos ficar profundamente impressionados
com o quanto os sete Espíritos significam para nós.
Se somos as igrejas como os candelabros, que
devemos suster? Dizer que devemos suster Cristo é
muito doutrinário. Quem e que é Cristo hoje? Em
nossas experiências na vida da igreja, Cristo não é
meramente Cristo — Ele é o Espírito (2Co 3:17). Esse
Espírito, que é o Espírito que dá vida, foi
intensificado no livro de Apocalipse em sete Espíritos,
que são os sete Espíritos de Deus. Esses Espíritos são
os sete olhos, não só de Deus, mas também do
Cordeiro. A vida da igreja é inteiramente dependente
desses sete Espíritos. Não é uma questão de Cristo
doutrinariamente, mas dos sete Espíritos
experiencialmente. Precisamos experienciar o
Espírito. Em nosso trabalho, vida cotidiana, reuniões,
serviço e testemunhos, precisamos ter o Espírito. Se
nos falta o Espírito, somos vazios e não somos nada.
Os candelabros precisam suster as lâmpadas que são
os sete Espíritos.
Os sete Espíritos são a expressão de Cristo. Isso
está claramente indicado pelo candelabro em Êxodo
25. Esse candelabro, que era uma peça de ouro
pesando um talento, é expresso por meio das sete
lâmpadas. Essa peça sólida de ouro puro representa
Deus Pai como a nossa própria substância. Mas, se
tivermos apenas Deus Pai, não teremos a forma;
teremos o ouro, mas nenhum suporte. Ter somente o
Pai sem o Filho é ter a substância sem a
corporificação. Só quando o ouro é batido na forma
de um suporte é que temos a corporificação.
Enquanto o suporte é a corporificação da substância,
sem as sete lâmpadas, essa corporificação não pode
ter a sua expressão. Daí, a substância é o Pai; a
corporificação é o Filho e a expressão é o Espírito
expressando Deus Pai no Filho. Uma vez que tudo o
que Deus Pai é no Filho é expresso por meio das sete
lâmpadas, a Bíblia mais tarde nos diz que as sete
lâmpadas são os sete Espíritos. Assim, o Espírito é a
expressão do Deus Triúno. Por fim, no livro de
Apocalipse, vemos que essa expressão é a expressão
de Cristo, porque os sete Espíritos primeiramente
eram os sete olhos de Deus em Zacarias 4:10 e se
tornaram os sete olhos do Cordeiro em Apocalipse
5:6. Os sete olhos do Cordeiro são a expressão de
Cristo. Hoje, o Espírito Santo, que é o Espírito que dá
vida e também os sete Espíritos, é a expressão de
Cristo. Onde está essa expressão hoje? Está nas
igrejas, pois os sete Espíritos são as sete lâmpadas
sustentadas pelas igrejas como os candelabros.
Muitos cristãos hoje não conhecem o Espírito
que dá vida e o Espírito sete vezes intensificado ou os
sete Espíritos como a expressão de Cristo sustentada
pelas igrejas como os candelabros. Se quiser
encontrar esse Espírito, você precisa estar nas igrejas.
Se quiser tocar, desfrutar e experienciar esse Espírito,
você precisa ser uma parte da igreja, pois são as
igrejas como os candelabros que sustêm os sete
Espíritos de Cristo, que são a própria expressão de
Cristo. Esse' Espírito não está mais separado de
Cristo do que os seus olhos estão separados de você.
Uma vez que os olhos de uma pessoa são a sua
expressão, eles não podem ser separados dela. Da
mesma forma, uma vez que os sete Espíritos são a
expressão de Cristo, eles não podem ser separados de
Cristo. As igrejas são os candelabros e as lâmpadas
são o Espírito de Deus sete vezes intensificado como a
expressão de Cristo. Essa luz está resplandecendo de
modo cada vez mais brilhante e a visão está
tornando-se cada dia mais clara.
As igrejas locais, como os candelabros de ouro,
resplandecem com este Espírito na era das trevas de
hoje. Na era das trevas de hoje, a igreja realmente
precisa do Espírito de Deus sete vezes intensificado
para resplandecer o testemunho de Jesus,

D. A Igreja É a Corporificação de Cristo e a


Reprodução do Espírito
A igreja é a corporificação de Cristo e a
reprodução do Espírito. O Espírito é a realidade de
Cristo (Jo 14:17-20; 16:13-15), e a igreja é a
reprodução do Espírito (Ap 22:17a). A igreja com o
Espírito é a corporificação de Cristo, o testemunho de
Jesus (Ap 1:2, 9; 19:10). Portanto, quanto mais
Espírito, mais igreja e mais testemunho de Jesus.

IV. OS DOIS CANDELABROS PARA O


TESTEMUNHO DE DEUS NA GRANDE
TRIBULAÇÃO
Em 11:4 vemos os dois candelabros, as duas
testemunhas, para o testemunho de Deus durante a
grande tribulação. Os vencedores serão arrebatados
antes da grande tribulação, enquanto os mais fracos,
os verdes e tenros, serão deixados na terra para
passar pela tribulação. Devido a isso, será necessário
haver o fortalecimento do testemunho de Deus. Para
ir ao encontro dessa necessidade, Deus enviará Elias
e Moisés de volta à terra. Hoje, o testemunho da
igreja depende principalmente dos mais fortes e
experientes. Quando os experientes forem
arrebatados, os mais fracos precisarão ser
fortalecidos. Embora possa ser muito bom ser
suprido por Moisés e Elias, quero deixar a terra antes
de eles retomarem. Em princípio, as duas
testemunhas do capítulo onze também são
candelabros. A Bíblia descreve-as como as duas
oliveiras que suprem óleo aos mais fracos (Zc 4:3, 12).
De acordo com a parábola das dez virgens em Mateus
25, as cinco virgens néscias precisarão comprar óleo.
Certa vez, o irmão Nee disse que provavelmente essas
virgens néscias iriam às duas oliveiras para ganhar a
porção extra do Espírito a um certo preço. Essas duas
oliveiras também são chamadas de os dois filhos do
óleo, pois estão cheias do Espírito para o testemunho
de Deus (Zc 4:14) e são capazes de suprir os santos
mais fracos. Durante a grande tribulação, muitos dos
não amadurecidos serão fortalecidos e amadurecidos
por meio do ministério deles.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 9
O FILHO DO HOMEM NO MEIO DAS IGREJAS
No capítulo um de Apocalipse, há oito pontos
cruciais: a revelação de Cristo, o testemunho de
Jesus, o Deus Triúno, a segunda vinda de Cristo, os
co-participantes na tribulação, no reino e na
perseverança em Jesus, as igrejas locais, os
candelabros e o Filho do homem. Tendo abordado os
primeiros sete pontos, chegamos, nesta mensagem,
ao oitavo — o Filho do homem no meio das igrejas
(1:12-20). Neste livro, Cristo primeiramente é
revelado como o Filho do homem. Sempre que Ele
está relacionado com a igreja, é revelado em Sua
natureza humana porque a igreja é composta de seres
humanos. O Cabeça da igreja não é apenas o Filho de
Deus, mas também o Filho do homem. O Senhor
ainda sendo o Filho do homem, após a Sua ascensão,
indica que Ele não despiu a Sua natureza humana
após a ressurreição, e que os Seus tratamentos
conosco estão baseados em Sua humanidade. Como
um homem, Ele conseguiu êxito em ser o testemunho
de Deus. Assim, nós, nas igrejas hoje, sendo
humanos, também podemos ser o testemunho de
Deus. O Senhor foi vitorioso como um homem e nós
podemos sê-la também.
Cristo hoje está “no meio das” igrejas. Por um
lado, como o Sumo Sacerdote, Ele está intercedendo
nas igrejas (Hb 9:24; 7:25-26; Rm 8:34) e, por outro
lado, Ele está se movendo nas igrejas para cuidar
delas. Se quisermos participar do Seu mover e
desfrutar o Seu cuidado, devemos estar nas igrejas.
I. EM SUA HUMANIDADE
O versículo 13 diz: “E, no meio dos candeeiros,
um semelhante a Filho de homem, com vestes talares,
e cingido à altura do peito com uma cinta de ouro.”
Cristo não é retratado aqui apenas como o Sumo
Sacerdote, como é mostrado pelas Suas vestes, mas
também desvendado como “semelhante a Filho de
homem”. Ele ainda é tanto divino quanto humano.
Como nosso Sumo Sacerdote, Ele está cuidando das
igrejas em Sua humanidade.
Através dos séculos, muitos assim chamados
cristãos têm ensinado que Cristo não era o Filho de
Deus. Mesmo hoje, há muitos assim chamados
cristãos que não crêem que Cristo é o Filho de Deus.
Negar que Cristo é o Filho de Deus é heresia. Este
ensinamento é demoníaco e vem do Hades, e
precisamos nos opor intransigentemente a ele.
Alguns cristãos, pelo contrário, não crêem que Cristo
hoje ainda é o Filho do homem. Dizem que Cristo se
tornou um homem pela encarnação, mas que em Sua
ressurreição despiu-se da Sua humanidade. Alguns
desses cristãos pensam que hoje Cristo é meramente
o Filho de Deus, não mais sendo o Filho do homem.
Quando há cerca de quinze anos lutei contra esse
conceito, alguns se opuseram, dizendo que é errôneo
ensinar que Cristo ainda é o Filho do homem.
Enquanto alguns cristãos não crêem que Cristo é o
Filho do homem hoje, nós cremos nisso. De acordo
com a Palavra pura, o Senhor Jesus ainda é tanto o
Filho de Deus como o Filho do homem. Não podemos
explicar isso adequadamente porque a nossa mente é
muito limitada. Não obstante, cremos e aceitamos o
fato de que o nosso Cristo é tanto o Filho de Deus com
divindade, como o Filho do homem com
humanidade. Nele temos a verdadeira divindade e a
humanidade adequada.
Durante os dezenove séculos passado,
especialmente durante os primeiros seis séculos, a
cristologia era um assunto de intensa controvérsia
entre os cristãos. A respeito da Pessoa de Cristo, tem
havido diferentes opiniões e os cristãos têm lutado
entre si a respeito delas. Precisamos abandonar todas
essas assim chamadas escolas teológicas. Segundo a
Bíblia, cremos que o nosso Cristo verdadeiramente é
o Filho de Deus e o Filho do homem. Ele tem as duas
naturezas: divindade e humanidade.
Quando Cristo vem tratar conosco nas igrejas,
Ele o faz não apenas em Sua divindade, mas também
em Sua humanidade. Pode desculpar-se, pensando
que o Senhor podia fazer algo porque era o Filho de
Deus, mas uma vez que você é humano, o Senhor
precisa solidarizar-se com você. Como o Filho de
Deus, o Senhor é bastante capaz, mas você, como
simples filho do homem, é digno de pena e o Senhor
não deve condená-la tanto. Mas quando Ele vem a
nós como o Filho do homem, você não tem nenhuma
desculpa. Ele também era um homem e agiu como
um homem, não como o Filho de Deus. Não peça
desculpas para si memo. Se você é derrotado e
fracassado na vida da igreja, não tenha compaixão de
si mesmo, dizendo que é desculpável porque é apenas
um ser humano. Os seres humanos são exatamente o
material certo para a vida da igreja. Assim, no meio
das igrejas, Cristo está andando como o Filho do
homem. Em Daniel 3, é-nos dito que o Filho de Deus
estava andando no fogo, mas em Apocalipse 1 vemos
que é o Filho do homem que está andando no meio
das igrejas. Todos nós precisamos adorá-Lo como o
Filho do homem. Por ser ele tanto humano como
divino, Ele é tão maravilhoso. Por ser Ele tanto divino
como humano, Ele conhece o céu e a terra, Deus e o
homem. Nele temos a divindade e a humanidade.
Nele estamos nos céus e também na terra. Hoje o
Senhor está tanto nos céus como na terra, andando,
em Sua humanidade, no meio das igrejas.

II. COMO O SACERDOTE


O versículo 13 diz que Cristo está “vestido até os
pés de um vestido comprido”. Essa veste é a roupa
sacerdotal (Êx 28:33-35), simbolizando a plenitude
das virtudes divinas e dos atributos humanos de
Cristo (Is 6:1, 3). Embora a palavra sacerdote não seja
mencionada aqui, sabemos pela Sua veste que Cristo
é retratado aqui como o Sumo Sacerdote. Hoje, o
Filho do homem, Jesus Cristo, que está andando no
meio das igrejas, é um Sacerdote; Entre os três ofícios
— sacerdote, profeta e rei-, o mais querido, íntimo,
precioso e amável é este de sacerdote. O sacerdote é
tão querido e amável porque cuida do povo. Quando
Cristo anda entre as igrejas, Ele cuida delas.

III. NÃO TRABALHA PELA FORÇA, MAS


CUIDA DAS IGREJAS COM AMOR
O versículo 13 também diz que Cristo, o Filho do
homem, estava “cingido à altura do peito com uma
cinta de ouro”. Você já viu alguém cingido à altura do
peito com uma cinta? Isso é bem significativo. Os
sacerdotes do Velho Testamento cingiam-se nos
lombos para o seu ministério (Êx 28:4). Em Daniel
10:5, Cristo também está cingido com ouro fino nos
Seus lombos. Mas aqui, Cristo, como o nosso Sumo
Sacerdote, está “cingido à altura do peito”. O peito
simboliza amor. Cingir-se nos lombos é fortalecer-se
para o trabalho, ao passo que estar “cingido à altura
do peito” significa cuidado em amor. A obra de Cristo
em produzir as igrejas já foi realizada. Agora, Ele não
mais necessita cingir-se nos lombos para o trabalho.
O que Ele está fazendo agora no meio das igrejas é
cuidando delas em amor. Isso requer que Ele esteja
“cingido à altura do peito com uma cinta de ouro”.
Esta “cinta de ouro” simboliza a força divina. Cristo
agora está exercitando um cuidado divino pelas
igrejas, movendo-se entre elas em Sua humanidade e
cuidando delas com a Sua força divina. Que cuidado
amoroso Ele exerce sobre as Suas igrejas hoje!

IV. SENDO ANCIÃO


O versículo 14 diz que “Sua cabeça e cabelos eram
brancos como alva lã, como neve”. Cabelos brancos
são sinal de idade avançada (Jó 15:10). Os cabelos
pretos com o qual o Senhor é retratado em Cantares
5:11, exprimem Sua força que é inextinguível e
interminável, mas os cabelos brancos com os quais
Ele é retratado aqui indicam a Sua ancianidade.
Embora Cristo seja ancião, Ele não é velho. Neste
capítulo vemos que Sua cabeça e cabelo são brancos
como a lã e como a neve. A lã branca resulta da
natureza da vida, e a neve branca vem do céu. A lã
não se torna branca; ela nasce branca e sua brancura
advém da sua natureza. A lã branca é a cor da
natureza de Cristo. A Sua ancianidade provém de Sua
natureza. A neve é branca porque vem do céu e não
contém sujeira ou mancha terrenas. Por isso, a lã
branca, aqui e em Daniel 7:9, significa que a
ancianidade de Cristo advém da Sua natureza e não
do Seu envelhecimento, enquanto a neve branca
significa que Sua ancianidade é celestial, não terrena.

V. COM OLHOS QUE VIGIAM, OBSERVAM,


SONDAM, JULGAM E INFUNDEM
No versículo 14, vemos que os Seu olhos são
como uma chama de fogo. Os olhos de Cristo são
como de pombas em Cantares 5:12. Aquilo é para a
expressão do Seu amor. Aqui, “Seus olhos” são “como
chama de fogo”. Isso é para Ele observar e sondar em
Seu julgamento através do iluminar. Neste livro, Seus
olhos não são dois, mas sete (5:6). Sete é o número da
completação no mover de Deus. Por isso, Seus olhos
neste livro são para o operar de Deus. Esses Seus sete
olhos são as sete tachas de fogo que ardem diante do
trono, que são os sete Espíritos de Deus (4:5; cf. Dn
10:6). O fogo ardendo equivale à “chama de fogo”, e é
para observar e sondar. Os sete Espíritos de Deus que
são enviados a toda terra são também para o mover
de Deus na terra. Assim, os olhos de Cristo neste livro
são os sete Espíritos de Deus para o Seu mover e
operar na terra hoje.
Os olhos de Cristo são para vigiar, observar,
sondar, julgar pelo iluminar e infundir. Precisamos
experienciar todos esses diferentes aspectos dos Seus
olhos, especialmente o aspecto do infundir. Os Seus
olhos infundem-nos tudo o que Ele é. Os Seus olhos
que infundem são uma chama de fogo que está
ardendo continuamente. Isso pode ser provado pela
nossa experiência. Não exercite a sua mente para
compreender isso, mas confira com a sua experiência.
Desde o dia que fomos salvos, os olhos de Cristo têm
sido como um fogo ardente, iluminando-nos e
infundindo-nos. Os Seus olhos também
estimulam-nos a sermos quentes. Após Cristo ter-nos
olhado, nunca poderemos ser frios como éramos.
Olhando para nós, Ele nos queima e nos estimula no
Senhor. Muitas vezes o Senhor vem a nós com os Seus
olhos penetrantes. Talvez quando estamos tentando
esconder algo de nossa esposa, o Senhor vem com
sete olhos resplandecentes, penetrando em nosso ser
e expondo a nossa verdadeira condição. Tive esse tipo
de experiência centenas de vezes. Quando estava
discutindo com outros, especialmente com os mais
íntimos, os olhos resplandecentes de Cristo estavam
sobre mim e não pude continuar falando. O Seu
resplandecer fechou a minha boca.
O livro de Apocalipse é um livro com um caráter
de julgamento. O fogo é para o julgamento divino
(1Co 3:13; Hb 6:8; 10:27). “Nosso Deus é fogo
consumidor” (Hb 12:29). Seu trono é chamas de fogo
e as rodas dele, fogo ardente, e um rio de fogo mana e
sai de diante Dele (Dn 7:9-10). Tudo isso é para
julgamento. O significado principal dos olhos do
Senhor sendo como chama de fogo é para o Seu
julgamento (2:18-23; 19:11-12). Quando Ele vier
tomar posse da terra, efetuando julgamento sobre ela,
até mesmo Seus pés serão como colunas de fogo
(10:1).

VI. TEM PÉS PROVADOS E


RESPLANDECENTES
O versículo 15 diz: “Os pés, semelhantes ao
bronze polido, como que refinado numa fornalha”. Os
pés representam o andar. O bronze, em tipologia,
simboliza o julgamento divino (Ê; X 27:1-6). Quando
Cristo estava na terra, o Seu andar terreno e diário foi
provado e testado. Porque o Seu andar foi testado, Ele
saiu resplandecendo. Agora, os pés de Cristo são
semelhantes ao bronze polido, como também são
mencionados em Ezequiel1:7 e DanieI1O:6,
significando que o Seu andar perfeito e
resplandecente O qualifica para efetuar o julgamento
divino. Ser “refinado numa fornalha” é ser provado
sendo queimado. O andar de Cristo foi provado pelos
Seus sofrimentos, até mesmo pela Sua morte na cruz.
Por isso, o Seu andar é resplandecente como o bronze
reluzente, o que O qualifica a julgar os injustos. Como
já ressaltamos, quando Ele vier possuir a terra
julgando-a, os Seus pés serão como colunas de fogo
(10:1).

VII. COM UMA VOZ SÉRIA E SOLENE


O versículo 15 também diz que “a voz” é “como
voz de muitas águas”. “A voz de muitas águas”, um
som tumultuoso, é o som da voz do Deus onipotente
(Ez 1:24; 43:2). Representa a seriedade e solenidade
do Seu falar (cf. 10:3). Algumas vezes a voz do Senhor
é amável e suave, mas outras vezes, Sua voz
choca-nos como trovão. Sempre que somos
descuidados ou estamos sonolentos, a voz do Senhor
vem nos despertar. A Sua voz, que é a do Deus
Todo-poderoso, adverte-nos e desperta-nos.

VIII. SUSTENTA OS MENSAGEIROS DAS


IGREJAS
O versículo 16 diz: “Tinha na sua mão direita sete
estrelas”. Como o versículo 20 deixa claro “as sete
estrelas são os anjos [mensageiros] das sete igrejas”.
Os mensageiros são os espirituais nas igrejas, tendo a
responsabilidade do testemunho de Jesus. Eles
devem ser de natureza celestial e estar numa posição
celestial, como estrelas. Em Atos e nas Epístolas, os
presbíteros eram os líderes no cuidado das igrejas
locais (At 14:23; 20:17; Tt 1:5). O presbiterato é um
tanto oficial, e, como vimos, na época em que este
livro foi escrito, os ofícios nas igrejas tinham se
deteriorado na degradação da igreja. Neste livro, o
Senhor chama a nossa atenção de volta à realidade
espiritual. Por isso, ele enfatiza os mensageiros das
igrejas em vez dos presbíteros. O ofício dos
presbíteros é facilmente percebido, mas os crentes
precisam ver a importância da realidade espiritual e
celestial dos mensageiros para a vida adequada da
igreja, a fim de sustentarem o testemunho de Jesus.
nas trevas da degradação da Igreja.
Tanto candelabros como estrelas são para
resplandecer na noite: Um candelabro,
representando uma igreja local, é uma unidade
coletiva, ao passo que uma estrela, representando um
mensageiro de uma igreja local, é uma entidade
individual. Na noite escura da degradação da igreja,
há a necessidade do brilhar, tanto das igrejas
coletivas como dos mensageiros individuais.
Enquanto Cristo anda entre as igrejas, Ele sustém os
líderes na Sua mão direita. Como isso é encorajador!
Os líderes devem louvá-Lo por estar nas Suas mãos e
Ele os estar sustentando. Uma vez que os líderes
estão nas Suas mãos, não há necessidade de
recuarem, de se enfraquecerem ou de se enganarem.
Cristo verdadeiramente assume a responsabilidade
pelo Seu testemunho.
No livro de Apocalipse não há presbíteros nas
igrejas; pelo contrário, há os mensageiros. No tempo
em que este livro foi escrito, a igreja tinha se tornado
degradada. Portanto, em Apocalipse, o Senhor
repudia todas as formalidades. Ser um presbítero
pode ser algo legal ou formal. Não aspire ser um
presbítero, deseje ser uma estrela resplandecente.
Não seja alguém com uma mera posição — seja uma
estrela resplandecente. Tanto o candelabro como as
estrelas resplandecem à noite. Tanto a igreja como os
líderes nas igrejas precisam resplandecer. Todos os
líderes precisam ser estrelas.

IX. DA SUA BOCA SAINDO A PALAVRA


JULGADORA
No versículo 16, é-nos dito que “da boca saía-lhe
uma afiada espada de dois gumes”. Em Cantares 5:16
“o seu falar é muitíssimo doce”, e nos Evangelhos
“palavras de graça” procediam da Sua boca (Lc 4:22);
mas aqui “da boca saía-lhe uma afiada espada de dois
gumes”. Essa é a Sua palavra que discerne, que julga e
que “mata” (Hb 4:12; Ef 6:16). As “palavras de graça”
são para o Seu suprimento de graça aos Seus
favorecidos, ao passo que “a afiada espada de dois
gumes” é para o Seu tratamento com as pessoas e
coisas negativas. Freqüentemente dizemos que o
Espírito fala às igrejas. Lembre-se de que o Espírito
que fala hoje é exatamente este Cristo que fala com
uma espada de dois gumes. Há julgamento aqui e
todos nós o experimentamos. Por causa da
degradação da igreja, todos precisamos de certa
porção de julgamento. Todos os cristãos hoje
precisam do julgamento do Senhor pela Sua palavra.
Muitas vezes experimentamos esse julgamento por
estarmos enganados e nos desviando do Senhor. Uma
vez que estejamos nos desviando Dele, Ele vem para
julgar-nos. Hoje o Seu falar é sobretudo um tipo de
julgamento. Posso testificar-lhes que se o Senhor
quiser falar-lhes, a maioria das Suas palavras será
palavras de julgamento. Quando Ele fala, Ele julga.
Toda a palavra que sai da Sua boca hoje nas igrejas é
como uma faca afiada que nos julga. As palavras que
saem da boca do Senhor são afiadas, penetrando em
nosso ser, dividindo a nossa alma do nosso espírito e
discernindo as intenções do nosso coração. Esse é o
Cristo que experimentamos hoje na vida da igreja.
No cristianismo há numerosas opiniões e
freqüentes debates e contendas por causa dessas
opiniões. Eu mesmo vi isso. Sei de um caso de alguns
cristãos que estavam servindo como membros do
conselho. Certa vez, enquanto estavam em reunião,
discutiam e debatiam uns com os outros. Por fim o
debate tornou-se numa luta. Em certo ponto, um dos
membros do conselho até mesmo jogou uma Bíblia
em outro membro. Mas na restauração do Senhor,
hoje, temos Aquele que está andando em nosso meio.
Ele nos vigia com os Seus sete olhos ardentes e da Sua
boca sai uma afiada espada de dois gumes. Essa
espada matou todos os conceitos diferentes entre nós.
Por essa razão é que não há quase nenhum debate nas
igrejas.
Recentemente, terminamos a nossa casa de
reunião em Anaheim. Posso testificar que durante os
meses em que se efetuava o trabalho de construção,
nunca contendemos uns com os outros. Um dos
inspetores municipais disse-nos que, de acordo com a
sua experiência, sempre que um edifício de igreja é
construído, a comissão de construção briga entre si.
Pudemos testificar a esse inspetor que, por causa da
palavra que mata, não contendemos uns com os
outros. Isso não significa que não temos opiniões ou
conceitos. Somos humanos e temos muitas opiniões,
mas como todos nós podemos testificar, toda ocasião
em que uma opinião se levanta, a espada a certa em
pedaços. Quanto mais pensa sobre a sua opinião,
mais você é cortado. Isso não é doutrina; essa é a
nossa experiência. Sempre que dois irmãos estão
prestes a contender, o terceiro partido, o partido mais
forte aparece, usando a afiada espada para cortar as
opiniões dos dois irmãos. Enquanto estávamos
edificando a nossa casa de reunião, a espada de dois
gumes reprimiu todo tumulto. Esse terceiro partido é
o próprio Cristo, o Filho do homem, que, como Sumo
Sacerdote, anda entre as igrejas e cuida delas em
amor. No Velho Testamento, havia a necessidade de
os sacerdotes prepararem as lâmpadas. Hoje, o nosso
Sacerdote, o Filho do homem, conhece o tempo certo
de preparar-nos. Por essa razão, há esta calma entre
nós. Esse é um segredo da vida da igreja que os de
fora não entendem, pois não têm o Sacerdote
preparando e tratando as lâmpadas do candelabro.
Agora o Sacerdote está andando entre as igrejas,
cuidando delas pelo preparo de todas as lâmpadas.

X. COM UMA FACE RESPLANDECENTE


No versículo 16, é-nos dito: “O seu rosto brilhava
como o sol na sua força.” Em Cantares 5:10 e 13, Sua
face mostra-se amável para o apreço daquela que O
buscava, e, nas Epístolas, Sua face reflete a glória de
Deus (2Co 4:6) para o dispensar da vida para dentro
dos Seus crentes. Aqui, entretanto, “Seu rosto
brilhava como o sol na sua força”, como em Daniel
10:6, para o iluminar julgador introduzir o reino.
Quando Ele foi transfigurado e Sua face resplandeceu
como o sol, aquilo foi a Sua vinda no reino (Mt
16:28-17:2). Quando Ele vier tomar posse da terra
para o reino, a Sua face será como o sol (10:1).

XI. É O PRINCÍPIO E O FIM, O PRIMEIRO E


O ÚLTIMO
O versículo 17 diz: “Quando o vi, caí a seus pés
como morto; e ele pôs sobre mim a sua mão direita,
dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último.”
Cristo não é somente o Primeiro e o Último, mas
também o princípio e o fim. Isso nos assegura que,
tendo começado a vida da igreja, certamente Ele a
concluirá. Nunca deixará a Sua obra inacabada.
Todas as igrejas locais precisam crer que o Senhor
Jesus é o princípio e o fim. Ele concluirá o que
começou em Sua restauração.

XII. É AQUELE QUE VIVE


No versículo 18, vimos que o Senhor é “Aquele
que vive”, Aquele que “esteve morto” e que está “vi, o
pelos séculos dos séculos.” O próprio Cristo que anda
no meio das igrejas, o qual é o Cabeça das igrejas e a
quem as igrejas pertencem, é Aquele que vive cheio
de vida. Por isso, as igrejas, como o Seu Corpo,
também devem ser vivas e cheias de vida. Aleluia!
temos um Cristo vivo que venceu a morte! O nosso
Cristo, que é o Cristo ressurreto, está vivo em nós e
entre nós. Ele está vivo pelos séculos dos séculos. Que
Cristo vivo temos na restauração! Na restauração,
todas as igrejas devem ser tão vivas como Cristo,
cheias de vida e vencendo a morte.

XIII. TEM AUTORIDADE SOBRE A MORTE E


O HADES
No versículo 18, o Senhor também disse: “Tenho
as chaves da morte e do hades” (IBB — Rev.). Devido
à queda e ao pecado do homem, a morte veio e agora
está trabalhando na terra para reunir todas as
pessoas pecadoras. A morte assemelha-se a uma pá
de lixo usada para coletar a sujeira do chão e o Hades
assemelha-se a uma lata de lixo. Tudo o que a pá
ajunta, e colocado na lata de lixo. Assim, a morte é
um coletor e o Hades é um guardador. Hoje, na vida
da igreja, ainda estamos sujeitos à morte e ao Hades?
Não! Cristo aboliu a morte na cruz e venceu o Hades
em Sua ressurreição. Embora o Hades tenha tentado
ao máximo segurá-Lo, não teve poder para tal (At
2:24). Sobre Ele, a morte não tem nenhum aguilhão e
o Hades nenhum poder. Mas, e sobre nós? Deve ser o
mesmo. Na vida da igreja, as chaves da morte e do
Hades estão nas Suas mãos. É-nos impossível tratar a
morte; simplesmente não temos capacidade para
lidar com ela. Sempre que a morte entra, ela mata a
muitos. Mas à medida que damos terreno,
oportunidade e caminho livre para o Senhor Jesus
mover-se e agir entre nós, tanto a morte como o
Hades estarão debaixo do Seu controle. Por outro
lado, sempre que o Senhor Jesus não tiver terreno na
igreja, imediatamente a morte torna-se prevalecente
e o Hades poderoso para reter os mortos. Louvado
seja o Senhor porque Cristo tem as chaves da morte e
do Hades. A morte é-Lhe sujeita e o Hades está sob o
Seu controle. Aleluia!
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 10
A IGREJA EM ÉFESO — AMOR, VIDA E LUZ
O livro de Apocalipse é muito bem redigido. Após
o capítulo um, os capítulos dois e três dão-nos uma
visão clara das sete igrejas na prática. Essas sete
igrejas são excelentes ilustrações, revelando as igrejas
locais, não segundo a doutrina, mas na verdadeira
prática. Considerando essas sete igrejas, podemos ver
claramente o que é e o que deve ser uma igreja local.
As sete epístolas nos capítulos dois e três são o
registro da situação real existente nas sete igrejas na
época em que foram escritas. Entretanto, visto que
este livro é um livro de sinais com um caráter
profético, as situações das sete igrejas são também
sinais, representando, de maneira profética, o
progresso da igreja em sete estágios. A primeira
epístola, à igreja em Éfeso, dá-nos um quadro da
igreja no fim do primeiro estágio, durante a última
parte do primeiro século. A segunda epístola, à igreja
em Esmirna, prefigura a igreja sofredora sob a
perseguição do Império Romano, desde a última
parte do primeiro século até o início do quarto século,
quando Constantino, o Grande, o César do Império
Romano, introduziu a igreja no favor imperial. A
terceira epístola, à igreja em Pérgamo, pré-simboliza
a igreja mundana, a igreja casada com o mundo,
desde o dia em que Constantino aceitou o
cristianismo até a época em que o sistema papal foi
estabelecido, na última parte do sexto século. A
epístola à igreja em Tiatira retrata de maneira
profética a igreja apóstata, desde a ordenação do
sistema papal na última parte do sexto século, até o
fim desta era, quando Cristo voltar. A quinta epístola,
à igreja em Sardes, prefigura a igreja protestante,
desde a Reforma no início do século dezesseis, até a
volta de Cristo. A sexta epístola, à igreja em Filadélfia,
prediz a igreja do amor fraternal, a restauração da
vida adequada da igreja, desde o início do século
dezenove, quando os irmãos foram levantados na
Inglaterra para praticar a vida da igreja fora de todo
sistema denominacional e divisivo, até a segunda
aparição do Senhor. A sétima epístola, à igreja em
Laodicéia, prefigura a vida da igreja degradada dos
irmãos no século dezenove, desde a última parte do
século dezenove até a volta do Senhor. Nesta
mensagem e nas seis seguintes, abordaremos cada
uma destas igrejas respectivamente.
Nesta mensagem, chegamos à igreja em Éfeso
(2:1-7). As palavras cruciais nesta mensagem são
amor, vida e luz. A exigência básica para termos a
vida da igreja é o nosso amor para com o Senhor. Não
há qualquer problema, é claro, com o amor do Senhor
em relação a nós. Ele nos amou e continua a nos
amar. O problema está no nosso amor para com Ele.
Embora O amássemos no passado e possamos
amá-Lo agora, há o perigo de que o nosso amor pelo
Senhor Jesus possa ir se apagando. A epístola para a
igreja em Éfeso adverte-nos disso. Essa carta também
nos dá uma revelação clara da origem da degradação
da vida da igreja — o desvanecer do primeiro amor.
Como veremos, o amor nos dá a posição, a base, o
direito e o privilégio de comer da árvore da vida. O
amor nos dá o suprimento de vida. Se amarmos o
Senhor, teremos o pleno direito de desfrutá-Lo como
a árvore da vida, como o nosso suprimento de vida. A
luz sempre vem após a vida, resultando no abundante
suprimento de vida. A vida nos dá luz. No
tabernáculo, o candelabro vem logo após a mesa dos
pães da proposição, indicando que quando
desfrutamos Cristo como o nosso suprimento de vida,
temos a luz da vida. É vitalmente importante que
amemos o Senhor. Se tivermos amor, então teremos a
vida simbolizada pela árvore da vida e a luz
representada pelo candelabro.
Em resumo, o problema da igreja em Éfeso era o
desvanecimento do primeiro amor para com o
Senhor. Por causa disso, o Senhor veio tratar
completamente essa igreja, advertindo-a de que se
não se arrependesse, estaria em perigo de ter o seu
candelabro removido. Todo aquele que entre eles se
arrependesse e retomasse ao seu primeiro amor, seria
considerado pelo Senhor um vencedor. O Senhor
prometeu ao vencedor o direito de desfrutá-Lo como
a árvore da vida. É claro que o candelabro sempre
permanecerá entre aqueles que venceram.
Entretanto, se não quisermos nos arrepender do
nosso amor desvanecente para com o Senhor,
perderemos o direito de comer da árvore da vida e o
candelabro será removido de nós. Se esse for o caso,
ficaremos sem amor e luz. Que situação miserável
seria essa!

I. AQUELE QUE FALA


Apocalipse 2:1 diz: “Ao anjo [mensageiro] da
igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que
conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no
meio dos sete candeeiros de ouro”. Antes de o Senhor
dizer qualquer coisa às igrejas, Ele declara quem Ele
é. Na primeira epístola, o Senhor declara que Ele é
Aquele que conserva as sete estrelas na mão direita, e
que anda no meio dos sete candelabros de ouro. Esses
dois itens provam quão normal, genuíno e adequado
o Senhor é. Ele cuida das igrejas sustentando os
líderes na Sua destra e andando entre todas as igrejas.
Os mensageiros das igrejas, aqueles que são
espirituais, simbolizados pelas estrelas brilhantes, os
quais têm a responsabilidade do testemunho de
Jesus, são segurados na destra do Senhor, e o Senhor
está andando no meio das igrejas, simbolizadas pelos
sete candelabros de ouro. Que cena maravilhosa!
Enquanto o Senhor está sentado à destra de Deus
como nosso Sumo Sacerdote, intercedendo por nós,
as igrejas (Hb 7:25), Ele está segurando em Sua mão
os mensageiros das igrejas e está andando no meio
das igrejas para cuidar delas.

II. AS VIRTUDES DA IGREJA


A palavra Éfeso em grego significa desejável. Isso
quer dizer que a primeira igreja, no seu final, ainda
era desejável ao Senhor; o Senhor ainda tinha muita
esperança nela.

A. Obras
Consideremos agora as virtudes da igreja em
Éfeso. Primeiramente, ela fez muitas obras para o
Senhor. A igreja em Éfeso não era nem indolente,
nem descuidada; era muito boa no trabalho para o
Senhor.

B. Labor
Esta igreja não apenas trabalhava para o Senhor,
mas também laborava por Ele (vs, 2-3). Precisamos
distinguir entre obra e labor. O labor é mais elevado
do que a obra. Enquanto a obra é comum, o labor é
especial. Aqueles que trabalham em tempo integral
em nossa casa de reunião em Anaheim não apenas
trabalham, mas laboram. Se tivéssemos contratado
uma empreiteira e usado empregados sindicalizados,
eles teriam trabalhado sem laborarem.

C. Perseverança
A igreja em Éfeso também tinha a virtude da
perseverança. Isso significa que a igreja era afligida e,
em sofrimento, perseverava.

D. Não Suporta os Homens Maus


O Senhor disse à igreja em Éfeso: “Não podes
suportar homens maus” (v. 2). A palavra homens não
é encontrada no grego. Creio que a palavra do Senhor
aqui com relação a mau inclui duas coisas: homens e
questões malignas. A igreja em Éfeso não suportava
qualquer pessoa ou coisa maligna. Certamente era
uma boa igreja.

E. Põe à Prova os Falsos Apóstolos


O Senhor também disse: “Puseste à prova os que
a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os
achaste mentirosos” (v. 2). Esta igreja tinha muito
discernimento, pondo à prova os falsos apóstolos e
rejeitando-os. Ela discernia que os pretensos
apóstolos eram falsos. Através dos séculos, tem
havido os que se dizem apóstolos. Isso também é
válido hoje.

F. Odeia as Obras dos Nicolaítas


Em 2:6 o Senhor disse: “Tens, contudo, a teu
favor, que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu
também odeio.” A igreja em Éfeso odiava o que o
Senhor odiava — as obras dos nicolaítas. No que se
refere a virtudes, esta igreja era boa, pura, correta e
normal.
O Senhor odeia as obras dos nicolaítas. Se quiser
compreender o que são as obras dos nicolaítas, leia o
livro do irmão Nee “A Ortodoxia da Igreja”. As obras
dos nicolaítas referem-se a uma hierarquia entre os
santos, na qual alguns se posicionam para governar
os outros. Isso os leva a ser o assim chamado sistema
de clérigos e leigos. Na igreja em Éfeso, não havia a
doutrina, o ensinamento dos nicolaítas. Isso estava
para desenvolver-se mais tarde, mas havia as obras e
atividades dos nicolaítas, isto é, havia algum tipo de
hierarquia de sistema clérigos-leigos. A palavra
nicolaíta é um equivalente à palavra grega nikolaitai,
cuja raiz é nikolaos, composta de duas palavras
gregas: niko e laos. Niko significa sujeita ou estar
acima de outros. Laos significa povo comum, povo
secular, ou leigos. Assim, nikolaos, significa sujeitar o
povo comum, ascender sobre os leigos. Assim,
nicolaítas deve referir-se a um grupo de pessoas que
se consideram mais elevadas do que os crentes
comuns. Isso foi sem dúvida a hierarquia seguida e
estabelecida pelo catolicismo e protestantismo. O
Senhor odeia as obras, o comportamento desses
nicolaítas, e nós devemos odiar o que o Senhor odeia.
Deus, em Sua economia, tencionava que todo o
Seu povo fosse sacerdote para servi-Lo diretamente.
Em Êxodo 19:6, Deus ordenou aos filhos de Israel que
fossem “reino de sacerdotes”. Isso significa que Deus
queria que todos eles fossem sacerdotes. Entretanto,
por causa da adoração ao bezerro de ouro (Êx 32:1-6),
eles perderam o sacerdócio, e somente a tribo de Levi
foi escolhida, por causa de sua fidelidade a Deus, para
substituir toda a nação de Israel como sacerdotes a
Deus (Êx 32:25-29; Dt 33:8-10). A partir daí, passou
a existir uma classe mediadora entre Deus e os filhos
de Israel. Isso tornou-se um forte sistema no
judaísmo. No Novo Testamento, Deus retomou à Sua
intenção original segundo a Sua economia, visto que
Ele tornou sacerdotes todos os crentes em Cristo (1:6;
5:10; 1Pe 2:5, 9). Mas no final da primeira igreja,
mesmo no primeiro século, os nicolaítas intervieram
como uma classe mediadora para danificar a
economia de Deus. Segundo a história da igreja, isso
tornou-se o sistema adotado pela Igreja Católica
Romana e também mantido pelas igrejas
protestantes. Hoje, na Igreja Católica Romana há o
sistema sacerdotal, nas igrejas estatais há o sistema
clerical e nas igrejas independentes há o sistema
pastoral. Todos esses constituem uma classe
mediadora, danificando o sacerdócio universal de
todos os crentes. Assim, existem duas classes
distintas: o clero e os leigos. Mas na vida adequada da
igreja, não deve haver nem clérigos, nem leigos: todos
os crentes devem ser sacerdotes de Deus. Pelo fato de
a classe mediadora destruir o sacerdócio universal na
economia de Deus, o Senhor a odeia. Em Atos 6:5,
entre os sete que serviam, havia um chamado
Nikolaos (grego). Não há nenhum indício na história
da igreja de que esse Nikolaos tenha sido o primeiro
dos nicolaítas.

III. A ORIGEM DA DEGRADAÇÃO DA


IGREJA
Embora a igreja em Éfeso tivesse tantas virtudes,
ela se degradou porque havia deixado o seu primeiro
amor. No versículo 4, o Senhor disse: “Tenho, porém,
contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.” A
palavra grega para primeiro é a mesma que foi
traduzida como o melhor em Lucas 15:22. Nosso
primeiro amor para com o Senhor deve ser o melhor
amor por Ele. A igreja em Éfeso tinha deixado esse
melhor amor para com o Senhor.
A igreja como o Corpo de Cristo (Ef 1:23) é uma
questão de vida; como o novo homem (Ef 2:15), é
uma questão. da Pessoa de Cristo; e como a noiva de
Cristo (Jo 3:29), é uma questão de amor. A Primeira
Epístola aos Efésios, nos diz que para a vida da igreja
precisamos ser fortalecidos no nosso homem interior,
para que Cristo faça Sua morada em nosso coração, a
fim de que nós, estando arraigados e alicerçados em
amor, sejamos capazes de conhecer o amor de Cristo
que excede todo entendimento, para que sejamos
enchidos de toda a plenitude de Deus (Ef 3:16-19), e
isso é para a vida da igreja, que a graça seja com todos
os que amam o Senhor Jesus (Ef 6:24). Agora, a
segunda epístola aos efésios revela que a degradação
da igreja começa quando abandonamos o primeiro
amor para com o Senhor. Nada, exceto o amor, pode
manter-nos num relacionamento adequado com o
Senhor. A igreja em Éfeso tinha boas obras, laborava
para o Senhor, suportava sofrimento e punha à prova
os falsos apóstolos, mas abandonara o seu primeiro
amor para com o Senhor. Abandonar o primeiro
amor é a origem de toda a degradação nos estágios
seguintes da igreja.
Hoje, nós, nas igrejas locais, precisamos ser
advertidos da possibilidade de perder o nosso
primeiro amor pelo Senhor. Podemos trabalhar e
laborar pelo Senhor e podemos ser puros
doutrinariamente e corretos espiritualmente, e não
obstante não ter o primeiro amor pelo Senhor. Talvez,
nos anos vindouros não O amaremos tanto quanto
amamos agora. Cuidado com isso. É melhor
perdermos algo da nossa obra do que falhar em nosso
amor pelo Senhor. O nosso amor por Ele deve ser o
primeiro amor. Todos nós precisamos dizer: “Senhor,
eu Te amo. Não amo as obras que faço para Ti e não
aprecio o labor que realizo por Ti. Senhor, amo a Ti.
Se o meu labor por Ti estorva em amar-Te, deixarei
de laborar”. Não permita que nada o separe do amor
do Senhor. Precisamos ter cuidado com o primeiro
amor e constantemente amar o Senhor.
Nunca posso me esquecer de um curto trecho
referente a John Nelson Darby. Esse trecho revela
que quando Darby era bem velho, ele estava viajando
e ficou num hotel por uma noite. Quando estava indo
para a cama, ele orou de uma maneira simples,
dizendo: “Senhor Jesus, eu ainda Te amo”. É precioso
para um velho santo dizer isso. John Nelson Darby
começou a amar o Senhor durante a sua juventude.
Passados mais de sessenta anos, ele ainda O amava.
Todos nós precisamos diariamente dizer ao Senhor:
“Senhor Jesus, eu ainda amo a Ti. Posso mudar em
qualquer coisa, Senhor, mas nunca mudaria em
amar-Te; pelo contrário, quero que meu amor por Ti
aumente sempre.” Li esse trecho sobre Darby há mais
de vinte anos e não posso contar-lhes a ajuda que me
tem prestado através dos anos.
Precisamos constantemente dizer: “Senhor
Jesus, eu ainda Te amo.” Uma vez que abandonemos
o nosso primeiro amor, a nossa degradação começa.
Podemos permanecer os mesmos em tudo o mais —
na obra, no labor e em outras coisas, mas estaremos
nos degradando porque deixamos o nosso primeiro
amor. Por fim, a igreja em Éfeso tinha mais obra, mas
menos amor. Hoje, todos nós precisamos dizer que
queremos mais amor e menos obra. Se quisermos
fazer qualquer obra, deve ser por causa do nosso
amor pelo Senhor. O amor deve motivar tudo o que
fazemos pelo Senhor. Se não pudermos fazer certa
coisa porque O amamos, não devemos fazê-la. A
nossa obra simplesmente deve ser uma expressão do
nosso amor por Ele. Precisamos ser assim; caso
contrário, não seremos mantidos na Sua presença.

IV. A CONSEQÜÊNCIA DA DEGRADAÇÃO DA


IGREJA
No versículo 5, vemos a conseqüência da
degradação da igreja. “Lembra-te, pois, de onde
caíste, arrepende-te, volta à prática das primeiras
obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lugar o
teu candeeiro, caso não te arrependas.” A
conseqüência da degradação da igreja é perder o
testemunho. Perder o testemunho simplesmente
significa ter o candelabro removido. Se
abandonarmos o nosso primeiro amor para com o
Senhor e não nos arrependermos, perderemos o
testemunho do Senhor e o candelabro será removido
de nós. Anos atrás, o testemunho dos Irmãos Unidos
era bastante brilhante, mas não é assim hoje. Não há
dúvida de que o candelabro foi removido da maior
parte das assim chamadas assembléias dos Irmãos
Unidos. Quando você entra em suas assembléias, não
sente nada brilhando lá. Não há luz nem testemunho.
Precisamos ser cuidadosos e constantemente estar
alertas para evitar essa conseqüência. Não pense que,
porque somos as igrejas locais como os candelabros e
somos o testemunho de Jesus, não podemos perder o
nosso testemunho. O dia em que perdermos o nosso
primeiro amor para com o Senhor será o dia em que
perderemos o testemunho! Naquele dia, o candelabro
será removido.

V. O FALAR DO ESPÍRITO
A primeira parte de 2:7 diz: “Quem tem ouvidos,
ouça o que o Espírito diz às igrejas.” No começo de
cada uma das sete epístolas nos capítulos dois e três,
é o Senhor quem fala (2:1, 8, 12, 18; 3:1, 7, 14). Mas,
no final de todas as sete epístolas, é o Espírito quem
fala às igrejas (2:7, 11, 17, 29; 3:6, 13, 22). Mais uma
vez isso prova que o Cristo que fala é o Espírito. Tudo
o que Cristo fala é o falar do Espírito. Ninguém pode
argumentar contra isso. Quem estava falando à igreja
em Éfeso? Cristo, o Filho do homem segurando os
mensageiros na Sua destra e andando no meio das
igrejas. Como o versículo 7 indica, o que fala, por fim,
é o Espírito. Isso prova que Cristo é o Espírito que
fala. Isso não somente indica que o Espírito é o
Senhor e o Senhor é o Espírito, mas também enfatiza
a importância vital do Espírito nas trevas da
degradação da igreja, como é indicado pelo Espírito
sete vezes intensificado em 1:4. A mesma ênfase
também é observada em 14:13 e 22:17. É tolice dizer
que Cristo hoje não é o Espírito que fala, e é ridículo
separar o Espírito que fala de Cristo. Os dois são um.
Se o que fala fosse apenas Cristo sem ser o
Espírito que fala, Ele nunca poderia falar algumas.
palavras dentro do nosso espírito e o Seu falar não
seria muito subjetivo e tocante. Mas, como a nossa
experiência testifica, se enquanto temos estas
epístolas estamos abertos a Ele em nosso espírito, o
Espírito imediatamente nos fala algo de Cristo dentro
de nós. Porque o que fala não é o Cristo objetivo, mas
o Espírito subjetivo; Ele fala não apenas nas letras
pretas no papel branco da Bíblia, mas também no
nosso espírito. Uma vez que ouçamos o Seu falar, algo
indelével é trabalhado dentro de nós e nada pode
removê-la. O nosso Cristo hoje é o Espírito que fala.
Regozijo-me com esse fato e ousadamente o
proclamo.

A. Para as Igrejas
Por um lado, cada uma das sete epístolas é a
palavra do Senhor para determinada igreja; mas por
outro, é a palavra do Espírito para todas as igrejas.
Cada igreja deve atentar não somente à epístola
escrita particularmente para ela, mas também às
epístolas escritas às outras igrejas. Isso implica que
todas as igrejas, como o testemunho do Senhor no
Espírito, devem ser iguais. Visto que o Espírito hoje
está falando às igrejas, devemos estar nas igrejas a
fim de estarmos corretamente posicionados para
ouvir o falar do Espírito. De que outra maneira
poderíamos ouvir o que o Espírito está dizendo?
O Espírito está falando às igrejas, não a qualquer
religião, denominação ou grupo de cristãos sequiosos.
Essa é a razão pela qual não muitos cristãos podem
ouvir o falar do Espírito. O Espírito nem mesmo fala
somente a uma igreja, mas às igrejas. Embora
algumas supostas igrejas queiram ser únicas, não
devemos ser uma igreja única ou específica. Se
formos, perderemos o falar do Espírito porque o
Espírito está falando às igrejas. Em nenhuma das sete
epístolas o Espírito fala a uma igreja específica. Todas
as igrejas devem ser comuns, não únicas. Durante os
anos passados, ouvi muitos dizerem que cada igreja
deve ser distinta. Aqueles que se apegam a este
conceito dizem que cada igreja tem a sua
especificidade local. Embora esta idéia pareça
atraente, na verdade é bem aversiva. Tornar única a
sua igreja local é separar-se de todas as outras igrejas.
Se fizer isso, você corta relações com o falar do
Espírito. Que é melhor — ser único ou ser comum?
Embora você possa dizer que é melhor ser comum, o
fato é que todos gostam de ser únicos. Em seu
coração, você quer que a igreja em sua localidade seja
única. Entretanto, não tente ser único nas igrejas
locais. Todos nós precisamos ser comuns porque o
Espírito fala às igrejas, não a nenhuma igreja
específica. Quando estamos na igreja e entre as
igrejas, temos a posição correta e o ângulo certo para
ouvir o falar do Espírito.

B. Exige um Ouvido Adequado para Ouvir


Nas coisas espirituais, o ver depende do ouvir. O
escritor deste livro ouviu primeiramente a voz (1:10),
e depois teve a visão (1:12). Se nossos ouvidos são
pesados e não podem ouvir, então não podemos ver
(Is 6:9-10). Os judeus não queriam ouvir a palavra do
Senhor, por isso, não podiam ver o que Ele estava
fazendo (Mt 13:15; At 28:27). O Senhor sempre deseja
abrir os nossos ouvidos vara ouvirmos a Sua voz (Jó
33:14-16; Is 50:4-5; Êx 21:6) a fim de que vejamos as
coisas segundo a Sua economia. Os ouvidos pesados
necessitam ser circuncidados (Jr 6:10; At 7:51). Os
ouvidos dos pecadores precisam ser purificados com
o sangue redentor, e ungidos com o Espírito (Lv
14:14, 17, 28). Servir ao Senhor como sacerdotes
também requer que nossos ouvidos sejam purificados
com o sangue redentor (Êx 29:20; Lv 8:23-24). Neste
livro, à medida que o Espírito fala às igrejas, todos
precisamos ter ouvidos abertos, circuncidados,
purificados e ungidos para ouvir o falar do Espírito.
Embora o nosso ângulo e posição possam estar
corretos, ainda podemos não ter o ouvido adequado
para ouvir. O capítulo um enfatiza o ver e os capítulos
dois e três, o ouvir. Precisamos tanto ver como ouvir.
Entre os nossos sentidos físicos, qual é o mais
importante — ver ou ouvir? Suponha que tivesse que
escolher entre perder a sua visão ou a sua audição,
qual você escolheria? Podemos dizer que ver é mais
importante do que ouvir, mas ouvir é mais profundo
do que ver. Assim, precisamos dizer ao Senhor:
“Senhor, preciso tanto do ver como do ouvir. Tem
misericórdia de mim, Senhor, e concede-me olhos
para ver e ouvidos para ouvir.” Pode ser que
tenhamos de batalhar com o Senhor, dizendo-Lhe
que precisamos ser capazes tanto de ver como de
ouvir.
Ouvir é mais íntimo do que ver. Nossos amigos
mais chegados falam intimamente conosco. Se você
perder o seu órgão da audição, será incapaz de
desfrutar essa intimidade com os seus amados. No
capítulo um, João viu; nos capítulos dois e três, ele
ouviu. Precisamos ver a vida da igreja e ouvir o seu
conteúdo íntimo. Ver a igreja é uma coisa e ouvir o
conteúdo íntimo da vida da igreja é outra. Embora
muitos de nós tenhamos visto a igreja, poucos
ouviram o conteúdo íntimo da vida da igreja. Por isso,
precisamos de um ouvido para ouvir. “Quem tem
ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”
VI. A PROMESSA AOS VENCEDORES COMER
DA ÁRVORE DA VIDA
Agora chegamos à promessa ao vencedor: “Ao
vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da
vida, que se encontra no paraíso de Deus” (v. 7).
Vencer, nestas sete epístolas, significa vencer a
situação degradada das igrejas. Nesta epístola,
significa restaurar o nosso primeiro amor com o
Senhor e odiar as obras dos nicolaítas, a hierarquia
que o Senhor odeia.
Em 2:7, o Senhor disse que para o que vencer Ele
dará a comer da árvore da vida. A religião só ensina,
mas o Senhor alimenta (Jo 6:35). O apóstolo Paulo
fez a mesma coisa ao alimentar os crentes (1Co 3:2).
Para a vida adequada da igreja e a restauração da vida
da igreja, isto é, para o crescimento adequado na vida
cristã, o que precisamos não é meramente da
apreensão mental de ensinamentos, mas do comer do
Senhor em, nosso espírito como o pão da vida (Jo
6:57, 35). Mesmo as palavras da Escritura não devem
ser consideradas meramente como doutrinas para
ensinar nossa mente, mas como alimento para nutrir
o nosso espírito (Mt 4:4; Hb 5:12-14). Aqui, nesta
epístola, o Senhor promete dar ao vencedor que coma
da árvore da vida. Isso se reporta a Gênesis 2:8-9 e
16, com relação à questão do comer ordenado por
Deus. Na epístola à igreja em Pérgamo, o Senhor
promete ao vencedor comer do “maná escondido”
(2:17), que se refere ao comer do maná pelos filhos de
Israel no deserto (Êx 16:14-16, 31). E na epístola à
igreja em Laodicéia, o Senhor promete cear com
aquele que Lhe abrir a porta (3:20). Cear não é
meramente comer um só tipo de alimento, e, sim,
digerir as riquezas de uma refeição. Isso pode se
referir ao comer do rico produto da boa terra de
Canaã pelos filhos de Israel (Js 5:10-12). Isso indica
que o Senhor deseja restaurar o comer do alimento
adequado pelo povo de Deus, como foi ordenado por
Ele e é tipificado pela árvore da vida, o maná e o
produto da boa terra, todos os quais são tipos dos
vários aspectos de Cristo como nosso alimento. A
degradação da igreja desvia a atenção do povo de
Deus do comer de Cristo como seu alimento para o
ensinamento de doutrinas visando o conhecimento.
Na degradação da igreja, há o ensinamento de Balaão
(2:14), o ensinamento dos nicolaítas (2:15), o
ensinamento de Jezabel (2:20) e o ensinamento das
coisas profundas de Satanás (2:24). Agora, o Senhor
nestas epístolas vem restaurar o comer adequado de
Si próprio como nosso suprimento alimentar.
Devemos comê-Lo não somente como a árvore da
vida e o maná escondido, mas também como uma
refeição cheia das Suas riquezas.
A palavra usada para árvore aqui, como em 1
Pedro 2:24, é madeiro no grego, não a palavra
geralmente usada para árvore. Na Bíblia, “a árvore da
vida” sempre se refere a Cristo como a corporificação
de todas as riquezas de Deus (Cl 2:9) para nosso
alimento (Gn 2:9; 3:22, 24; Ap 22:2, 14, 19). Aqui
refere-se ao Cristo crucificado (implícito na árvore
como um pedaço de madeira — 1Pe 2:24) e ressurreto
(implícito na vida zoé — Jo 11:25), o qual está na
igreja hoje, a consumação da qual será a Nova
Jerusalém, na qual o Cristo crucificado e ressurreto
será a árvore da vida para o desfrute de todo o povo
redimido de Deus pela eternidade (22:2, 14).
Era a intenção original de Deus que o homem
comesse da árvore da vida (Gn 2:9, 16). Devido à
queda, a árvore da vida foi fechada ao homem (Gn
3:22-24). Mediante a redenção de Cristo, o caminho
para tocar a árvore da vida, que é o próprio Deus em
Cristo como vida ao homem, foi aberto novamente
(Hb 10:19-20). Mas na degradação da igreja, a
religião entrou sorrateiramente com o seu
conhecimento para desviar os crentes em Cristo de
comê-Lo como a árvore da vida. Daí, o Senhor
promete conceder aos vencedores comer Dele mesmo
como a árvore da vida, no paraíso de Deus como
galardão. Isso é um incentivo para eles deixarem o
conhecimento da religião e retornarem para o
desfrute Dele mesmo. Essa promessa do Senhor
restaura a igreja à intenção original de Deus segundo
a Sua economia. O que o Senhor quer que os
vencedores façam é o que a igreja toda devia fazer na
economia de Deus. Devido à degradação da igreja, o
Senhor vem chamar os vencedores para substituir a
igreja no cumprimento da economia de Deus.
O comer da árvore da vida não somente era a
intenção original de Deus com relação ao homem,
como também será o resultado eterno da Sua
redenção. Todo o Seu povo redimido desfrutará a
árvore da vida que é Cristo com todas as riquezas
divinas, como sua porção pela eternidade (22:2, 14,
19). Devido à distração causada pela religião e por
causa da degradação da igreja, o Senhor, em Sua
sabedoria, faz do desfrute de Si mesmo no reino
vindouro um galardão, a fim de encorajar os Seus
crentes a vencer o conhecimento distrativo dos
ensinamentos da religião e a voltar ao Seu desfrute
como o suprimento de vida na igreja hoje, para o
cumprimento da economia de Deus.
A. No Paraíso de Deus
Como vimos, a promessa para os vencedores na
igreja em Éfeso era comer da árvore da vida. A árvore
da vida está no paraíso de Deus. Se conhecermos a
Bíblia, perceberemos que o paraíso de Deus em 2:7
não é o jardim do Éden, mas a Nova Jerusalém
vindoura. O paraíso em Lucas 23:43 é o lugar
agradável e repousante onde Abraão e todos os santos
mortos estão (Lc 16:23-26). Mas como já ressaltamos,
“o paraíso de Deus” neste versículo é a Nova
Jerusalém (3:12; 21:2, 10; 22:1-2, 14, 19), da qual a
igreja é o antegozo hoje. Adão estava no jardim do
Éden, e Abraão e todos os santos mortos estão no
paraíso. Estamos esperando entrar num outro
paraíso, o paraíso de Deus na Nova Jerusalém.
Enquanto estamos esperando por isso, temos uma
miniatura da Nova Jerusalém hoje — a vida da igreja.
Na igreja desfrutamos o Senhor Jesus como a árvore
da vida. Estamos desfrutando o Cristo crucificado e
ressurreto como a árvore da vida, o suprimento de
comida em nosso espírito como um antegozo, hoje na
igreja. Esse desfrute do antegozo nos introduzirá no
gozo pleno do Cristo crucificado e ressurreto como a
árvore da vida, o nosso sustento de vida na Nova
Jerusalém pela eternidade. A promessa de comer da
árvore da vida da? a aos vencedores em Éfeso indica
que eles comerão Cristo na vida da Igreja hoje, e,
comê-Lo-ão como a arvore da vida na Nova
Jerusalém pela eternidade. A nossa experiência
confirma isso.
Rigorosamente falando, “que se alimente da
árvore da vida... no paraíso de Deus”, neste versículo,
refere-se ao desfrute especial de Cristo como o nosso
suprimento de vida na Nova Jerusalém no reino
milenar vindouro, porque esta é uma promessa de
galardão feita pelo Senhor aos Seus vencedores. O
desfrute de Cristo como a árvore da vida na Nova
Jerusalém no novo céu e na nova terra será a porção
comum de todo o povo redimido de Deus, enquanto o
desfrute especial Dele como a arvore da vida na Nova
Jerusalém no reino milenar vindouro é um galardão
somente para os crentes vencedores. Se vencermos
todas as distrações causadas pela degradação da
igreja seremos, deste modo, galardoados. Caso
contrário, perderemos esse desfrute especial no reino
vindouro, embora ainda O desfrutemos como a
árvore da vida na Nova Jerusalém no novo céu e na
nova terra pela eternidade. Todas as promessas do
Senhor concernentes ao galardão e todas as Suas
predições concernentes à perda no final de cada uma
das sete epístolas referem-se ao Seu tratamento com
os Seus crentes no reino milenar vindouro. Elas nada
têm a ver com o destino eterno das pessoas — a
salvação eterna ou a perdição eterna.

B. De Volta ao Princípio
Essa questão de comer da árvore da vida leva-nos
de volta ao princípio (Gn 2:9, 16), porque no princípio
havia a árvore da vida. A árvore da vida sempre nos
leva de volta ao princípio onde nada há senão o
próprio Deus. Não há nenhuma obra, labor,
perseverança ou qualquer outra coisa apenas o
próprio Deus. Na vida da igreja, repetidas vezes
precisamos ser levados de volta ao princípio,
esquecendo-nos de todas as outras coisas e
desfrutando o próprio Deus como a árvore da vida.
C. Desfrutar Cristo como o Suprimento de
Vida
Quando voltamos ao princípio com a árvore da
vida, desfrutamos Cristo como o suprimento de vida.
Comer da árvore da vida, isto é, desfrutar Cristo como
nosso suprimento de vida, deve ser a questão
primordial na vida da igreja. O conteúdo da vida da
igreja depende do desfrute de Cristo. Quanto mais O
desfrutamos, mais rico será o conteúdo. Mas
desfrutar Cristo requer que O amemos com o
primeiro amor. Se abandonarmos o nosso primeiro
amor para com o Senhor, perderemos o desfrute de
Cristo e o testemunho de Jesus; daí, o candelabro
será removido de nós. Amar o Senhor, desfrutá-Lo e
ser o Seu testemunho — esses três pontos se
harmonizam.
Se quisermos ser levados de volta ao princípio,
devemos nos esquecer de todas as coisas e
simplesmente desfrutar Cristo como o suprimento de
vida. Para isso, precisamos amá-Lo acima de todas as
coisas, acima da nossa obra por Ele e do que quer que
tenhamos para Ele. Simplesmente O amando,
seremos levados de volta ao princípio, onde não nos
importamos com nada a não ser com o próprio Deus
como o nosso suprimento de vida na árvore da vida.
Essa é a maneira adequada de mantermos a vida da
igreja e sermos guardados nela. Aqui temos o melhor
amor, a árvore da vida como nosso suprimento de
vida e o candelabro com a luz resplandecente. Que
maravilhoso! Quanto mais O amamos, mais temos o
direito de comê-Lo e desfrutá-Lo como a árvore da
vida. Então, como resultado disso, a luz do 'Seu
testemunho resplandecerá brilhantemente.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 11
A IGREJA EM ESMIRNAA VIDA DE RESSURREIÇÃO E
A COROA DA VIDA
O Senhor foi soberano ao escolher as igrejas para
cumprir o Seu propósito. Ele escolheu sete cidades na
Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira,
Sardes, Filadélfia e Laodicéia. De acordo com o grego,
o nome de cada cidade é muito significativo,
combinando exatamente com o seu significado
espiritual. Como já enfatizamos, Éfeso significa
desejável, indicando que a igreja em Éfeso era
preciosa para o Senhor e desejável aos Seus olhos. Em
grego, Esmirna significa mirra. A mirra é uma
especiaria doce, a qual, em figura, denota sofrimento.
Em tipologia, a mirra significa o doce sofrimento de
Cristo. Assim, a igreja em Esmirna era uma igreja
sofredora, prefigurando a igreja sob a perseguição do
Império Romano, desde a última parte do primeiro
século até a primeira parte do quarto século. Essa
igreja perseguida sofreu na doçura e fragrância de
Cristo. Em outras palavras, essa igreja estava na
tribulação de Jesus e na comunhão dos Seus
sofrimentos. A igreja em Esmirna sofreu como o
próprio Cristo, tendo-se tornado uma continuação do
Seu sofrimento. Em Colossenses 1:24, Paulo disse:
“Preencho o que resta das aflições de Cristo, na
minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja.”
Paulo estava completando os sofrimentos de Cristo.
Embora ninguém possa continuar a redenção de
Cristo, Seus sofrimentos precisam ser completados
por todos os Seus seguidores, tanto individual como
coletivamente. Na igreja em Esmirna vemos a
continuação coletiva dos sofrimentos de Jesus. Essa
igreja era verdadeiramente o testemunho de Jesus,
porque era uma continuação dos Seus sofrimentos.

I. AQUELE QUE FALA

A. O Primeiro e o Último
Consideremos agora aquele que fala à igreja em
Esmirna. No versículo 8, o Senhor diz: “Estas coisas
diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a
viver”. O Senhor disse a essa igreja sofredora que Ele
era o Primeiro e o Último. Isso significa que não
importa quão grandes sejam os sofrimentos pelos
quais Ele passou, eles não podiam eliminá-Lo ou
danificá-Lo. Ele era o Primeiro e, por fim, também o
Último. No sofrimento, a igreja deve saber que o
Senhor é o Primeiro e o Último, Aquele que é
sempiterno e imutável. Qualquer que seja o ambiente,
Ele permanece o mesmo; nada pode precedê-Lo, e
nada pode existir após Ele. Todas as coisas estão
dentro do limite do Seu controle.
Quando o Senhor falou à igreja em Esmirna que
Ele era o Primeiro e o Último, estava indicando que a
igreja tinha de ser vitoriosa. A igreja não deveria ser
frustrada por nenhum tipo de sofrimento. Ela precisa
passar por todos os tipos de sofrimentos e chegar ao
fim porque o Senhor, que é a vida e o Cabeça da
igreja, é o Primeiro e o Último.

B. Aquele que Esteve Morto e' Tornou a Viver


Neste versículo, o Senhor também disse que Ele é
Aquele “que esteve morto e tornou a viver”. Tornar a
viver significa ressurreição. O Senhor sofreu a morte
e viveu novamente. Ele entrou na morte, mas a morte
não O pôde reter (At 2:24), porque Ele é a
ressurreição (Jo 11:25). A igreja sofredora também
precisa conhecê-Lo como tal, a fim de poder resistir a
qualquer tipo de sofrimento. Por mais rigorosa que
seja a perseguição, a igreja ainda permanecerá viva,
pois a vida de ressurreição de Cristo dentro dela pode
resistir à morte. O máximo que o sofrimento ou a
perseguição pode fazer é nos matar. Depois da morte
causada pela perseguição, há a ressurreição.
Portanto, o Senhor parecia estar dizendo à igreja
sofredora: “Você precisa perceber que Eu sou Aquele
que foi perseguido até a morte. Mas aquela morte não
foi o fim — foi a porta de entrada para a ressurreição.
Quando entrei na morte, penetrei no limiar da
ressurreição. Não fique amedrontada com a
perseguição nem se apavore com a perspectiva de ser
morta. Você precisa dar boas vindas à morte e ficar
feliz, pois uma vez que você passou pela morte,
também estará no limiar da ressurreição. Lembre-se
de que Eu sou Aquele que esteve morto e tornou a
viver.” Tudo o que precisamos o Senhor é. As Suas
qualificações combinam exatamente com as nossas
necessidades. Para a igreja sofredora, o Senhor não é
apenas o Primeiro e o princípio, mas também o
Último e o fim. Sempre que você estiver sofrendo
perseguição, deve levantar-se e declarar: “Aleluia,
estou indo para o fim, para o Ultimo. Estou prestes a
entrar pela porta da ressurreição.”

II. OS SOFRIMENTOS DA IGREJA

A. A Tribulação
No versículo 9, o Senhor disse à igreja em
Esmirna: “Conheço a tua tribulação.” O conteúdo
desta epístola não é nada senão a tribulação, o
sofrimento e a perseguição. Para a igreja, a tribulação
é um teste de vida. Até que ponto a igreja experiência
e desfruta a vida de ressurreição de Cristo, só pode
ser testado por meio da tribulação. Além disso, a
tribulação também introduz as riquezas da vida de
ressurreição de Cristo. O propósito do Senhor, ao
permitir que a igreja sofra tribulação, não é apenas
testificar que a Sua vida de ressurreição vence a
morte, mas também capacitar a igreja a entrar nas
riquezas da Sua vida. Portanto, a tribulação é
preciosa para a igreja.

B. A Pobreza (Embora Sendo Rica)


O Senhor disse: “Conheço a tua tribulação, a tua
pobreza, mas tu és rico.” O Senhor avaliou esta igreja
sofredora. A igreja sofredora era pobre em coisas
materiais, mas rica no Senhor com as riquezas da Sua
vida. Assim, o Senhor parecia estar dizendo: “Você
está sofrendo tribulação e pobreza, mas ainda assim é
rica. Você é pobre fisicamente, mas é rica
espiritualmente. Você é pobre em coisas terrenas,
mas é rica nas celestiais.” Sofrer perseguição é o meio
para penetrarmos nas riquezas de Cristo. Quanto
mais formos perseguidos e sofrermos pobreza, mais
ricos seremos em Cristo.

C. A Difamação dos Judeus Incrédulos da


Sinagoga de Satanás
No versículo 9, o Senhor também disse que Ele
conhecia “a difamação dos que se dizem judeus e não
são, mas são sinagoga de Satanás.” De acordo com
esta epístola, a perseguição veio da religião, dos
judeus incrédulos da sinagoga de Satanás. A
difamação dos judaizantes para com a igreja
sofredora era a sua crítica maligna contra ela. Os
judaizantes eram judeus na carne, mas não no
espírito (Rm 2:28-29). Ser simplesmente
descendência de Abraão na carne não os constituía
verdadeiros judeus. Aqueles que são filhos da carne,
não são filhos de Deus (Rm 9:7-8). Por isso, o Senhor
disse que eles “se dizem judeus e não são”. Esses
judaizantes insistiam obstinadamente em manter o
seu sistema judaizante, que consistia no sacerdócio
levítico, nos rituais sacrificiais e no templo material,
todos os quais eram tipos, agora cumpridos e
substituídos por Cristo. Visto que a igreja sob a nova
aliança na economia de Deus não tinha parte em sua
prática religiosa, os judaizantes caluniosamente a
criticavam. Em princípio, ocorre o mesmo hoje, visto
que as pessoas religiosas difamam as igrejas na
restauração do Senhor, as quais buscam o Senhor e O
seguem em espírito e em vida e não se importam com
qualquer sistema ou prática religiosos.
O Senhor disse ser “sinagoga de Satanás” aqueles
que se dizem judeus e não o são. Esse termo
“sinagoga de Satanás” é terrível. Sinagoga era um
lugar onde os judeus adoravam a Deus,
principalmente estudando suas Escrituras, o Velho
Testamento. Contudo, devido à sua obstinação em
apegar-se aos conceitos religiosos, tradicionais,
tornaram-se um com Satanás em se opor à maneira
de vida que Deus usa para cumprir o Seu propósito. A
sinagoga estava sob a manipulação e manobra de
Satanás, pois ele era o poder por detrás das sinagogas
naquela época. As sinagogas perseguiram o Senhor
Jesus (Mt 12:9-14; Lc 4:28-29; Jo 9:22), os apóstolos
(At 6:9; 13:43, 45, 46, 50; 14:1-2, 19; 17:1, 5-6) e as
igrejas (Ap 3:9). Por isso o Senhor os chamou de
“sinagoga de Satanás”. Mesmo quando estava na
terra, Ele considerou as sinagogas como de Satanás,
como está subentendido em Mateus 12:25-29 e João
8:44. Aparentemente, eles estavam adorando a Deus;
na verdade estavam se opondo a Ele. Eles perseguiam
e matavam os verdadeiros adoradores de Deus,
contudo pensavam estar prestando serviço a Deus (Jo
16:2). Quando o Senhor estava na terra, os judeus não
podiam tratar com Ele diretamente porque naquela
época eles não tinham o direito de matá-Lo,
apedrejando-O. Em vez disso, utilizaram o governo
romano para sentenciá-Lo à morte e crucificá-Lo. No
mesmo princípio, as sinagogas judaicas incitaram o
governo romano a perseguir a igreja sofredora. Desde
então, através dos séculos, as pessoas religiosas têm
seguido seus passos, perseguindo os que
genuinamente buscam e seguem o Senhor em espírito
e em vida enquanto ainda pensam estar defendendo
os interesses de Deus. A religião sempre utiliza a
política para prejudicar a igreja. A religião não tem
poder para causar dano físico aos que amam ao
Senhor, mas usa a política e o governo para
prejudicar a igreja. O catolicismo romano e o
protestantismo, bem como o judaísmo, estão todos
nessa categoria, tornando-se uma organização de
Satanás, como seu instrumento para causar danos à
economia de Deus.

D. O Aprisionamento pelo Diabo


No versículo 10, o Senhor diz: “Não temas as
cousas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para
lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes
postos à prova”. O versículo 9 menciona Satanás e o
10, o Diabo. Satanás em grego significa adversário.
Ele não é apenas o inimigo de Deus exteriormente,
como também o Seu adversário interiormente. A
palavra grega diabolos, traduzida para diabo,
significa acusador, difamador (12:9-10). O diabo, que
é Satanás, o adversário de Deus, nos acusa diante de
Deus e nos difama diante dos homens. A perseguição
sofrida pela igreja começou com a sinagoga religiosa
dos judeus instigada por Satanás, o adversário. Foi
consumada pelo governo romano, usado pelo diabo, o
difamador, para colocar os santos na prisão. O
aprisionamento da igreja sofredora foi uma
cooperação da política demoníaca com a religião
satânica.

E. A Tribulação Completa, mas Curta


No versículo 10, o Senhor também disse que eles
teriam tribulação de dez dias. Dez é um número que
indica algo completo, tal como os dez mandamentos,
que expressam por completo a exigência de Deus, e o
dízimo das ofertas, que mostram que dez partes
constituem a oferta completa. Dez dias na Bíblia
significam um espaço de tempo que é completo,
embora curto (Gn 24:55; Jr 42:7; Dn 1:12-13).
Portanto, isso significa que a tribulação da igreja
sofredora era completa, embora curta. Quanto mais
longa a perseguição possa parecer-nos, aos olhos de
Deus ela é curta. Não são mil dias ou mesmo cem
dias, mas apenas dez. Louvado seja o Senhor! Esse
sofrimento é apenas temporário.
Como um sinal, esses dez dias indicam
profeticamente os dez períodos de perseguição que a
igreja sofreu debaixo dos imperadores romanos,
começando com César Nero na segunda metade do
primeiro século, e terminando com Constantino, o
Grande, na primeira metade do século quarto. Ainda
que tenham sido severas as perseguições instigadas
pelo diabo, Satanás por meio dos Césares romanos, os
quais se esforçaram ao máximo para destruir e
eliminar a igreja, elas foram incapazes de subjugá-la e
eliminá-la. A história demonstra que a igreja do
Cristo vivo, aquele que esteve morto e viveu
novamente, resistiu às perseguições vitoriosamente, e
multiplicou-se e floresceu pela vida indestrutível de
ressurreição.

III. A VIDA DE RESSURREIÇÃO — CAPAZ DE


SUPORTAR ATÉ A MORTE
No versículo 10, o Senhor também disse: “Sê fiel
até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” Nesta
epístola vemos alguns indícios de que a vida de
ressurreição está na igreja. Quando o Senhor revelou
as Suas qualificações no versículo 6, dizendo que Ele
esteve morto e tornou a viver, Ele estava indicando
que a Sua vida de ressurreição está na igreja. O
Senhor parecia estar dizendo: “Eu, Aquele que é a
ressurreição, estou vivendo em você. Por ter a vida de
ressurreição em você, não há motivo ou desculpa para
falhar. Você não deve ser derrotado pela perseguição;
antes, precisa sofrer esta perseguição vitoriosamente
pela Minha vida de ressurreição.” Por causa dessa
vida de ressurreição, a igreja é capaz de sofrer
tribulação mesmo até a morte. A igreja sempre está
qualificada para ser um mártir maravilhoso, vitorioso
e glorioso. Todos nós somos qualificados para ser
mártires vitoriosos porque temos a vida de
ressurreição dentro de nós.

IV. O FALAR DO ESPÍRITO


Mesmo a palavra do Senhor nesta epístola a
Igreja sofredora é o falar do Espírito para todas as
igrejas. Isso indica que todas as igrejas podem
experimentar o mesmo sofrimento. Na verdade, em
todas as igrejas tem havido alguns santos que têm
sofrido o mesmo tipo de perseguição. Todos tiveram
de ouvir o 'falar do Espírito a esta igreja sofredora.
Pelo falar do Espírito repetidas vezes, a palavra do
Senhor nesta epístola foi para todos os santos que
sofreram perseguição por causa do Senhor através de
todas as gerações.

V. A PROMESSA PARA O VENCEDOR

A. A Coroa da Vida
No versículo 10, vemos a promessa para o
vencedor — a coroa da vida. Por fim, a vida
tornar-se-á uma coroa. Ela será a glória dos mártires
vitoriosos. Uma coroa no Novo Testamento sempre
denota um prêmio em adição à salvação (3:11; Tg
1:12; 2Tm 4:8; 1Pe 5:4; 1Co 9:25). A coroa da vida,
como um prêmio àqueles que são fiéis até a morte em
vencer a perseguição, denota a força vencedora que é
o poder da vida de ressurreição (Fp 3:10); também
significa que esses vencedores obtiveram “a
extra-ressurreição dentre os mortos”, isto é, a
suprema ressurreição (Fp 3:11 — gr.).

B. Não Sofrer Dano da Segunda Morte


No versículo 11, o Senhor diz: “O vencedor, de
nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.”
Vencer nesta epístola significa vencer a perseguição
sendo fiel até a morte. A promessa para o vencedor
nesta epístola tem tanto um lado positivo — receber a
coroa da vida-, como um negativo não sofrer dano da
segunda morte.
O versículo 11 tem sido um grande problema para
os expositores do livro de Apocalipse. Devido à
queda, e devido à entrada do pecado, todo homem
deve morrer uma vez (Hb 9:27). Essa primeira morte,
contudo, não é a decisão final. Todos os mortos, com
exceção daqueles que, por meio da fé no Senhor
Jesus, foram registrados no livro da vida, serão
ressuscitados e passarão pelo julgamento do grande
trono branco no fim do milênio, isto é, na conclusão
do velho céu e da velha terra. Como resultado desse
julgamento, todos serão lançados para dentro do lago
de fogo, que é a segunda morte, como a decisão final
(Ap 20:11-15). A segunda morte é o tratamento de
Deus com o homem após a morte e ressurreição dele.
Visto que os vencedores venceram a morte por meio
da sua fidelidade até a morte, sob perseguição, e nada
deixaram que requeresse um tratamento adicional de
Deus após a sua ressurreição, eles serão
recompensados com a coroa da vida e não serão mais
tocados ou “feridos” pela morte após a ressurreição,
que é a segunda morte.
Quase todo mestre cristão tem um problema
aqui, pensando que após os crentes serem
ressuscitados, não haverá nenhum ajuste adicional
exigido deles. Deixe-me fazer esta pergunta: Se você
fosse morrer hoje, poderia dizer que não tem nada em
você que requeira o tratamento adicional do Senhor?
Provavelmente você não poderá dizer isso. Isso
significa que se você morresse hoje, ainda teria
alguma coisa que requer o tratamento adicional do
Senhor. Isso não significa que você esteja perdido.
Contudo, esse tratamento adicional não seria algo
positivo; certamente seria negativo. Todas as coisas
negativas advêm da morte. Assim, se você precisa de
um tratamento adicional negativo, isso significa que
você ainda pode ser tocado pela morte. Isso não
significa que perecerá, mas indica que sofrerá algo.
Devemos ouvir a palavra do Senhor. Se vencermos a
perseguição, do lado positivo receberemos a coroa da
vida, e, do negativo, não seremos feridos pela
segunda morte.
Todos nós precisamos ser vencedores. Se você
não for um vencedor, nesta era, sofrerá dano da
segunda morte na próxima era. E difícil para alguém
dizer claramente o que significa ser ferido pela
segunda morte. Todavia, uma coisa é clara: se você
não vencer a perseguição, alguma coisa feri-lo-á. Digo
novamente que isso não significa que esteja perdido,
que sofrerá perdição. Não, todo salvo é salvo. por
toda a eternidade. João 10:28 e 29 mostram que
nenhum salvo jamais pode perecer novamente.
Entretanto, após termos sido ressuscitados, podemos
sofrer algum tratamento da parte do Senhor. Não se
apegue à teologia tradicional que ensina que após ter
sido ressuscitado, tudo estará bem. Após os
incrédulos serem ressuscitados, eles serão tratados
por Deus com relação ao seu destino eterno. No
mesmo princípio, após a nossa ressurreição, haverá
ainda alguns tratamentos da parte do Senhor. Tudo
depende de como vivemos e andamos hoje. Se
vivemos e andamos de uma maneira vencedora, isso
indica que vencemos a morte e que nada permanece
que exija um tratamento adicional do Senhor.
Devemos tomar a palavra clara do Senhor. Não
aceite o ensinamento que diz que se você falhar após
ser salvo, estará perdido novamente e perecerá. Isso
não é verdade. Num outro extremo está o
ensinamento que diz que após você ter sido salvo, não
pode ter mais problemas com o Senhor. Entretanto,
uma pessoa que tenha sido eternamente salva pode
ainda precisar ser tratada por Ele. Esse é o evangelho
completo. O evangelho completo é todo o Novo
Testamento, não apenas João 3:16. Aqui, em
Apocalipse 2:11, está um trecho do evangelho
completo que diz que devemos vencer toda
perseguição. Se você não vencer, não receberá a coroa
da vida; pelo contrário, será ferido pela segunda
morte. Se vencer a perseguição e a tribulação pela
vida de ressurreição no seu interior, receberá a coroa
da vida, positivamente, e não será tocado pela
segunda morte, negativamente. Essa é a promessa
clara do Senhor em Sua palavra clara, e todos nós
devemos recebê-la. Se a compreendemos ou não,
todos devemos aceitar a palavra do Senhor. Se você
crer em João 3:16, então deve crer em Apocalipse
2:11. Ambos são a palavra do Senhor. Digo
novamente que esse é o evangelho completo.
Essa questão ficou oculta por muito tempo e
poucos cristãos ousam tocá-la. Visto que têm sido
incapazes de compreendê-la, a sua prática tem sido
sempre negligenciá-la, ignorá-la. Mas o Senhor nunca
ignorará a Sua palavra; Ele executará tudo o que diz.
Portanto, sejamos advertidos de que devemos vencer
a tribulação, o sofrimento e a perseguição para
podermos receber a coroa da vida e não sermos
feridos pela segunda morte. Se vencermos dessa
maneira, não teremos nada remanescendo que
requeira o tratamento adicional do Senhor no futuro.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 12
A IGREJA EM PÉRGAMOCOMER PARA A
TRANSFORMAÇÃO
Nesta mensagem, chegamos à terceira igreja, a
igreja em Pérgamo (2:12-17). Como já ressaltamos, o
nome de cada uma das sete cidades é muito
significativo. Pérgamo, em grego, significa
“casamento”, implicando união e “torre fortificada”.
Como um sinal, a igreja em Pérgamo prefigura a
igreja que entrou em união matrimonial com o
mundo, e se tornou uma alta torre fortificada,
equivalente à grande árvore profetizada pelo Senhor
na parábola do grão de mostarda (Mt 13:31-32).
Quando Satanás fracassou em destruir a igreja
mediante a perseguição do Império Romano nos
primeiros três séculos, ele mudou a sua estratégia.
Em vez disso, procurou corrompê-la por meio de
Constantino acolhendo-a como a religião estatal na
primeira parte do quarto século. Por intermédio do
encorajamento e da influência política de
Constantino, multidões de incrédulos foram
batizados para dentro da “igreja”, e a “igreja”
tornou-se monstruosamente grande. Uma vez que a
igreja é desposada com Cristo como uma virgem
pura, sua união com o mundo é considerada
fornicação espiritual aos olhos de Deus.

I. O QUE FALA — AQUELE QUE TEM A


ESPADA AFIADA DE DOIS GUMES
O versículo 12 diz: “Estas coisas diz aquele que
tem a espada afiada de dois gumes”. Nesta epístola, o
Senhor, como o Espírito que fala, declara que Ele é
Aquele que tem a espada afiada de dois gumes. Tal
igreja está qualificada para receber o julgamento do
Senhor por meio de Sua palavra afiada.

II. O CASAMENTO DA IGREJA COM O


MUNDO
Na epístola à primeira igreja, o Senhor advertiu a
igreja em Éfeso a arrepender-se e a restaurar o seu
primeiro amor. Devemos crer que a Sua advertência
foi ouvida, pois a segunda igreja, a igreja em Esmirna,
verdadeiramente amou o Senhor, e sofreu
perseguição e tornou-se uma igreja sofredora. De
acordo com os fatos da história, durante os primeiros
três séculos, a igreja sofreu bastante quando o
governo romano tentou ao máximo causar-lhe danos.
Por fim, o inimigo, Satanás, percebeu que a
perseguição não funcionava muito bem. Por isso,
sendo sutil, mudou a sua estratégia de perseguir a
igreja para acolhê-la. Na primeira parte do quarto
século, Constantino, o Grande, aceitou o cristianismo
e fez dele a religião estatal. Desde essa época até
então, o. cristianismo tornou-se um tipo de igreja do
estado romano. Essa boa acolhida da igreja pelo
Império Romano arruinou-a porque levou-a a
tornar-se mundana. Como todos sabemos, a igreja foi
chamada para fora do mundo e separada do mundo
para Deus. Entretanto, sendo bem acolhida pelo
Império Romano, a igreja voltou para o mundo e, aos
olhos de Deus, até casou-se com o mundo. Deus
considera esse tipo de união mundana uma
fornicação espiritual.
Devido a esse casamento, a igreja perdeu a sua
pureza e tornou-se mundana. Muitas coisas
mundanas penetraram na igreja que entrou em união
com o mundo. As coisas mundanas estão
relacionadas com a adoração de ídolos, pois o
mundanismo sempre está associado com a idolatria.
A igreja em Pérgamo primeiramente tornou-se
mundana e depois idólatra. Satanás saturou-a do
mundo e dos ídolos. Como resultado, a igreja
tornou-se absolutamente diferente do que Deus
tencionava que fosse. Deus deseja uma igreja que
esteja fora do mundo e que não tenha nada a ver com
o mundo. A igreja precisa ser um candelabro de ouro,
a pura expressão do Deus Triúno e não deve ter
nenhuma conexão com o mundo. Mas após o Império
Romano ter feito da igreja uma religião mundana, ela
tornou-se totalmente impura, mundana e idólatra.

A. Onde Satanás Habita


No versículo 13, o Senhor disse a respeito da
igreja em Pérgamo: “Conheço o lugar em que habitas
onde está o trono de Satanás.” O lugar de habitação
de Satanás é o mundo. Uma vez que a igreja entrou
em união com o mundo e tornou-se ela própria
mundana, ela agora habita onde Satanás habita — no
mundo.

B. Onde Está o Trono de Satanás


A igreja em Pérgamo também habita onde está o
trono de Satanás. Isso também se refere ao mundo. O
mundo não é apenas o lugar de habitação de Satanás,
mas também a esfera onde ele governa. Agora a igreja
não é somente uma com o mundo, mas inclusive uma
com Satanás. Isso é terrível! O cristianismo mundano
de hoje ainda está em união com o mundo e ainda
está sendo saturado das idéias, conceitos, teorias e até
mesmo das práticas de Satanás. Devemos ver a
seriedade disso.
O inimigo, Satanás, é sutil. A sua boa acolhida é
mais grave que a sua perseguição. Primeiramente,
Satanás incita a perseguição e depois, quando isso
falha, ele muda a sua tática e, ao invés disso, dá-nos
as boas vindas. Vimos exatamente isso no passado.
Primeiramente, a religião perseguiu-nos, e depois
mudou a sua estratégia, tentou seduzir-nos
comprometendo-nos com ela. Essa é a sutileza de
Satanás. Se formos enlaçados por ela, por fim nos
tornaremos mundanos, e não apenas estaremos em
união com Satanás, mas também seremos um com
ele. O Senhor incluiu as sete epístolas no livro de
Apocalipse, para que possamos ver a verdadeira
situação do assim chamado cristianismo e também
vermos onde a igreja deve estar e o que ela deve ser. A
igreja deve ser um candelabro de ouro puro fora do
mundo. Ela não pode ter nada a ver com o mundo
nem ceder nem um centímetro à saturação maligna e
sutil de Satanás. Ela deve constantemente resistir
contra isso.
Os dois significados da palavra Pérgamo —
casamento e torre fortificada — correspondem a duas
dentre as parábolas em Mateus 13: a parábola da
grande árvore (Mt 13:31-32) e a parábola do fermento
(Mt 13:33). Na parábola da grande árvore, uma
pequenina semente de mostarda tornou-se uma
árvore. Isso sem dúvida representa o cristianismo
monstruoso, pois este certamente tornou-se uma
grande árvore. Na parábola do fermento lemos a
respeito de uma mulher que colocou fermento em
três medidas de flor de farinha. O fermento simboliza
todas as coisas pecaminosas, mundanas, malignas,
satânicas, demoníacas e diabólicas. Todas essas
coisas perversas foram colocadas na flor de farinha.
Na Bíblia, a flor de farinha, usada na oferta de
manjares, representa Cristo como alimento para o
povo de Deus. A grande árvore é o equivalente da
grande torre, e a mulher com o fermento é o
equivalente da igreja apóstata que se casou com o
mundo. O significado da Bíblia nesta questão deve
ficar bem claro para todos nós. Aos olhos de Deus, o
cristianismo é uma grande prostituta, uma mulher
má que misturou as coisas mundanas, demoníacas,
satânicas e diabólicas com as boas coisas de Cristo
para produzir uma mistura infernal. Devemos
abandonar de modo absoluto essa grande árvore,
fugir dessa torre alta, sair desse sistema maligno e
estar separado para Deus, retornando à Sua intenção
original de que a igreja deve ser um candelabro de
ouro puro, nada tendo a ver com o mundo, a idolatria
ou a saturação de Satanás. Não estamos no lugar
onde Satanás habita, onde ele se assenta no seu
trono. Não, na igreja não há terreno para Satanás.
Aqui não há nenhum lugar para Satanás fazer coisa
alguma.
Nas primeiras três epístolas vemos três igrejas —
a igreja desejável, a igreja perseguida e a igreja
mundana. Certamente queremos ser uma igreja
desejável e uma igreja perseguida, mas devemos nos
recusar a ser uma igreja mundana. Precisamos
rejeitar qualquer coisa mundana. Seja cuidadoso!
Após o inimigo persegui-lo, a sua estratégia pode
mudar. Em vez de perseguição, pode haver uma boa
acolhida. Não considere essa boa acolhida como uma
coisa boa; pelo contrário, você deve temer ser bem
acolhido mais do que ser picado por um escorpião. É
bom para nós sofrermos perseguição, oposição e
ataque. Mas sempre que as pessoas estendem-nos
calorosas boas-vindas, essa é a época mais perigosa.
Quando você for atacado e estiver sofrendo
perseguição, não fique desencorajado, pois isso é um
forte indício de que você está no caminho certo e de
que não foi distraído em seguir os passos do Senhor.
Mas cuidado com as calorosas boas-vindas. É melhor
sofrer perseguição do que receber calorosas
boas-vindas. A epístola à igreja em Pérgamo
ensina-nos que não devemos estar em união com o
mundo de nenhuma maneira, sentido ou aspecto.
Não podemos ter nada a ver com o mundo. Durante
os cinqüenta anos passados, boas-vindas calorosas
foram-nos estendidas um bom número de vezes de
uma maneira sutil, mas agradeço a Deus porque as
rejeitamos todas as vezes. Como resultado, através
dos anos fomos preservados sendo perseguidos.
Nunca ganhamos um bom nome. Satanás não lhe
permitirá ter um bom nome, a menos que você entre
em união com ele. É por isso que na restauração do
Senhor estamos constantemente envolvidos numa
batalha e somos continuamente atacados. Uma
guerra está sendo travada todo o tempo. A
restauração do Senhor não é levar a cabo uma obra
cristã comum. Não, esse testemunho é uma luta.

III. O TESTEMUNHO DE ANTIPAS


Esse testemunho estava com Antipas. No
versículo 13, o Senhor diz: “Conservas o meu nome, e
não negaste a minha fé, ainda que nos dias de
Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi
morto entre vós, onde Satanás habita.” Antipas, em
grego, significa “contra tudo”. Essa testemunha fiel
do Senhor resistiu a tudo o que a igreja mundana
introduziu e praticava. Portanto, tornou-se um mártir
do Senhor. Mártir, em grego, é a mesma palavra
usada para testemunha. Antipas, como uma
anti-testernunha, sustentou um anti-testemunho, um
testemunho contra qualquer coisa que se desviasse do
testemunho de Jesus. Deve ter sido por meio de seu
anti-testemunho que em seus dias a igreja em
Pérgamo ainda retinha o nome do Senhor e não
negava a fé cristã adequada. Antipas tomou a
liderança para lutar contra a igreja mundana, sendo
pioneiro no caminho que seguimos hoje de lutar
contra a igreja mundana. Antipas lutou contra tudo o
que a igreja mundana era, tinha e fazia.

A. Conservar o Nome do Senhor


No versículo 13, o Senhor diz: “Conservas o meu
nome”. O nome do Senhor denota a Sua Pessoa; a
Palavra é a realidade do nome. A igreja em Pérgamo
ainda retinha o nome do Senhor, a realidade da Sua
Pessoa. A tendência divergente da igreja mundana é
desistir da realidade da Pessoa do Senhor. Mas na
restauração do Senhor, precisamos lutar contra isso
para que a igreja possa conservar o nome do Senhor,
a realidade da Pessoa do Senhor, pela eternidade.

B. Não Negar a Fé do Senhor


O Senhor também disse: “Não negaste a minha
fé”. A fé do Senhor denota tudo aquilo em que
devemos crer com respeito à Sua Pessoa e obra. Não
se trata da fé subjetiva em nosso interior relacionada
com o crer, mas da fé objetiva relacionada com as
coisas nas quais cremos. Visto que a igreja entrou em
união com o mundo, ela começou a desconsiderar o
nome do Senhor e a negar a fé cristã adequada.

C. Fiel até a Morte


Antipas foi fiel no seu anti-testernunho, mesmo
até a morte. Por causa do seu testemunho contra o
mundanismo da igreja, ele foi morto e tornou-se um
mártir. Para testificarmos contra a igreja mundana,
precisamos do espírito de martírio. Precisamos ser
fiéis até a morte para com o testemunho do Senhor
contra o mundanismo da igreja.
Vimos que Antipas foi uma anti-testemunha e
um anti-testemunho. Hoje, nós, na restauração do
Senhor, também somos um anti-testernunho. Desde
que o cristianismo protestante foi para a China em
1830, ele tem sido, com algumas exceções, bastante
mundano. Começando em 1922, o Senhor levantou o
testemunho das igrejas locais. Esse testemunho fez
um excelente trabalho para a restauração do Senhor.
Embora muitos cristãos se opusessem à restauração,
eles, todavia, foram positivamente influenciados por
ela e, como resultado, mudaram de muitas maneiras.
Eles não tomaram o caminho da restauração do
Senhor, mas sentiram a sua influência e tomaram de
nós muitos dos nossos ensinamentos. Se você
verificasse com os missionários que estiveram na
China entre 1922 e 1936, eles lhe diriam que a
restauração do Senhor exerceu uma grande influência
sobre o cristianismo. Nasci e cresci no cristianismo,
mas nunca ouvi a palavra comunhão. Mas devido à
influência da restauração do Senhor, quase toda
denominação começou a usar essa palavra.
Anteriormente, nos seus quadros murais, eles tinham
as palavras “hora de adoração”, mas por causa da
nossa influência, eles mudaram as palavras para
“hora de reunião”. Há uma grande diferença entre
“hora de adoração” e “hora de reunião”. Sob a
influência da restauração do Senhor, durante os
quarenta anos passados, o cristianismo no extremo
oriente tornou-se mais fundamentalista e voltou-se
para a Bíblia. Eles até mesmo usam os nossos livros
como base para muitos dos seus ensinamentos e
pregações. Entretanto, muitos deles não ousam
admitir que aprenderam de nós. Eles tomam os
ensinamentos, mas se opõem ao caminho da
restauração do Senhor e criticam o nosso
testemunho. Contudo, o Senhor ganhou algo.
Disseram-me que em Taipé, os que estão de fora
sempre compram uma boa quantidade de livros de
nossa livraria.
Certo missionário estava fazendo um relatório
sobre Taiwan, quando lhe perguntaram sobre a nossa
obra naquela ilha. Ele disse que, exceto por “uma
mosca na sopa”, era um bom trabalho. Você sabe o
que era essa “mosca”? Era a base da igreja. De acordo
com o seu conceito, se abandonássemos a base da
igreja, a nossa “sopa” ficaria limpa. Mas ele não
percebeu que, para nós, abandonar a base da igreja é
abandonar a nossa vida.
Há três anos, durante uma visita a Taipé,
encontrei um cristão de elevada posição social. Ele
falou que um pregador lhe dissera que eles não
podiam compreender por que há sempre tanta luz
nova nas igrejas. A razão é que o Espírito está falando
às igrejas. A luz não está nem na rua nem no átrio
exterior; ela está no Santo Lugar, isto é, na igreja. Por
isso sempre temos algo novo da parte do Senhor.
Estamos aqui por todos os cristãos. Há trinta
anos tive de falar com os irmãos em Los Angeles
sobre o espírito humano, a prática da igreja e o
amalgamar. Disse: “Irmãos, esperem por algum
tempo e verão que os que estão de fora começarão a
usar esses termos.” Isso é exatamente o que
aconteceu. Algumas das coisas que temos pregado e
ensinado foram tomadas pelos outros. Por um lado,
eles se opõem a nós, mas por outro, secretamente
usam os nossos materiais. Sei de certo pregador que
abertamente se opõe a mim, embora ensine as
pessoas baseado no livro A Economia de Deus.
Durante uma visita a Tyler, Texas, dei uma série
de mensagens sobre a transformação. Um dos
participantes, que tomava notas de todas as
mensagens, era um notável pregador da América do
Sul. No fim da conferência, ele pediu permissão para
usar alguns artigos da nossa revista Stream. Dei-lhe
permissão. Após vários meses, voltei a Tyler e fui
cumprimentado por um irmão que disse: “Aqui está
um livro de Witness Lee”. Olhei para aquele livro e
não vi o nome Witness Lee; pelo contrário, vi o nome
daquele pregador que havia participado da nossa
conferência e tomado nota de todas as mensagens.
Ele havia ido a outro lugar e liberado as mensagens, e
depois as publicou como um livro com o seu nome.
Que diríamos sobre isso? Uma vez que o povo de
Deus seja ajudado, não nos importamos com isso.
Entretanto, não estamos aqui para dar essa ajuda —
estamos aqui por causa do testemunho de Jesus.
Precisamos ser os Antipas de hoje.

N. O ENSINAMENTO DE BALAÃO
No versículo 14, o Senhor diz: “Tenho, todavia,
contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que
sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a
Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel,
para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e
praticarem a prostituição”. Nestas epístolas, o Senhor
deseja, segundo a economia de Deus, que O comamos
como a árvore da vida (2:7), o maná escondido (2:17)
e o rico produto da boa terra (3:20); mas a igreja
mundana afastou-se da vida e voltou-se para meros
ensinamentos, desviando, assim, a atenção dos
crentes do desfrute de Cristo como o seu suprimento
de vida, o qual é para o cumprimento da propósito de
Deus. O desfrute de Cristo edifica a igreja, ao passo
que os ensinamentos resultam numa religião.
Este versículo menciona “a doutrina de Balaão”.
Balaão era um profeta gentio que levou o povo de
Deus a tropeçar. Por causa de uma recompensa (2Pe
2:15; Jd 11), ele levou a fornicação e a idolatria ao
povo de Deus (Nm 25:1-3; 31:16). Na igreja mundana,
alguns começaram a ensinar as mesmas coisas. Hoje,
tanto no protestantismo como no catolicismo, o
mesmo ensinamento prevalece. A idolatria sempre
introduz a fornicação (Nm 25:1-3; At 15:29). Quando
a igreja mundana desconsiderou o nome, a Pessoa do
Senhor, ela se voltou à idolatria, o que resultou em
formicação.
No cristianismo de hoje, muitos dos pregadores
contratados não ensinam as pessoas a tomar Cristo
como o seu suprimento de vida. Pelo contrário,
sutilmente ensinam as pessoas a comer sacrifícios de
ídolos, isto é, a tomar coisas más, diabólicas e
demoníacas. Esses ensinamentos levam as pessoas a
desviar-se da Pessoa de Cristo, conduzindo-as à
fornicação espiritual. Cristo deve ser o único Marido
da igreja, o único Noivo de todos os santos. Mas
tantos ensinamentos no cristianismo de hoje levam as
pessoas a absorver as coisas demoníacas e a estar
relacionadas com outras coisas afora Cristo. Isso, de
fato, é comer sacrifícios a ídolos e cometer
formicação.
Que significa negar o nome e a fé do Senhor?
Como vimos, a fé, aqui, não denota a fé subjetiva, a
capacidade de crer; denota a fé objetiva, os itens nos
quais cremos. A fé do Senhor inclui o que Ele fez por
nós em Sua obra redentora, Sua morte e ressurreição,
e todos os itens nos quais precisamos crer para ser
salvos. Essas coisas constituem a nossa fé. O nome
denota a Pessoa do Senhor. Não devemos negar o
nome, nem a fé do Senhor. Devemos sempre reter o
Seu nome e crer Nele.
Quando jovem, fui batizado numa igreja
presbiteriana chinesa onde havia alguns Balaãos. Em
determinada manhã de domingo, um desses Balaãos
pronunciou uma palestra sobre educação sanitária,
falando especificamente sobre como matar
mosquitos. Mais tarde, alguém propôs que
determinado objeto fosse colocado no edifício da
igreja e que todos da congregação se inclinassem
diante dele. Quando alguns de nós se opuseram a
isso, aquele Balaão disse: “Mesmo que Jesus Cristo
ressuscitasse do túmulo e me dissesse para não me
inclinar diante desse objeto, eu o faria”. Por essa
observação, ele revelou que não cria na ressurreição
do Senhor Jesus. Esse é um exemplo de negar a
Pessoa do Senhor e a nossa fé Nele. Se você ler a
história e estudar o cristianismo de hoje, descobrirá
muitas coisas como essa. Em muitas das assim
chamadas igrejas, o modernismo está prevalecendo.
Os modernistas não crêem que Jesus é Deus, que Ele
nasceu de uma virgem e que morreu na cruz pela
nossa redenção. Eles meramente crêem que Ele foi
crucificado como um mártir e não crêem que Jesus
Cristo ressuscitou. O ensinamento de Balaão sempre
leva as pessoas a entrar em união com as coisas
mundanas. Isso é comer sacrifícios de ídolos e
cometer fornicação espiritual.

V. O ENSINAMENTO DOS NICOLAÍTAS


No versículo 15 o Senhor diz: “Outrossim,
também tu tens os que da mesma forma sustentam a
doutrina dos nicolaítas.” A igreja mundana e
degradada não somente retém o ensinamento de
Balaão, mas também o ensinamento dos nicolaítas. O
ensinamento de Balaão desvia a atenção dos crentes,
da Pessoa de Cristo para a idolatria, e do desfrute de
Cristo para a fornicação espiritual; ao passo que o
ensinamento dos nicolaítas destrói a função dos
crentes como membros do Corpo de Cristo, anulando
assim o Corpo do Senhor em expressá-Lo. O primeiro
ensinamento desconsidera a Cabeça, e o último
destrói o Corpo. Essa é a sutileza do inimigo em todos
os ensinamentos religiosos.
Na igreja em Éfeso, somente se encontravam as
obras dos nicolaítas (2:6), ao passo que na igreja em
Pérgamo, essas obras se desenvolveram, tornando-se
um ensinamento. Primeiramente, eles praticaram a
hierarquia na igreja inicial; agora, eles a ensinam na
igreja degradada. Hoje, tanto no catolicismo quanto
no protestantismo, tal hierarquia nicolaíta prevalece
tanto em prática como em ensinamento. O Senhor
odeia a hierarquia nicolaíta porque ela mata a função
dos membros do Corpo e edifica uma organização no
lugar de um organismo. Considere a situação do
cristianismo de hoje: não há nenhum organismo; pelo
contrário, há uma forte organização. Essa hierarquia
é má e satânica e o Senhor a odeia. Ao distribuir os
serviços da igreja, devemos ser cuidadosos para não
edificarmos uma organização. Se quisermos ter a vida
adequada da igreja, precisamos desenvolver a função
de todos os membros, encorajando-os a funcionar de
acordo com a vida, de uma maneira viva, para que o
Corpo possa ser edificado como um organismo. Essa
visão deve governar a vida da igreja e nunca podemos
nos desviar dela. Entretanto, se formos negligentes
até mesmo um pouco, deixaremos o organismo e
retornaremos à organização. Sempre esteja alerta
contra a formação de qualquer tipo de organização.
Temos de voltar para o organismo, para que todos os
membros do Corpo possam ter oportunidade de
funcionar.

VI. A VINDA E O PELEJAR DO SENHOR


No versículo 16, o Senhor diz: “Portanto,
arrepende-te; e se não, venho a ti sem demora, e
contra eles pelejarei com a espada da minha boca.”
Aqui o Senhor diz que Ele virá depressa e pelejará
com a espada da Sua boca contra alguns nessa igreja
mundana. Isso não deve se referir à volta do Senhor,
mas à Sua vinda para pelejar com os mestres
nicolaítas na igreja degradada com a 'espada
mortífera que procede da Sua boca. A igreja
mundana, simbolizada pela igreja em Pérgamo,
resulta na Igreja Católica Romana, simbolizada pela
igreja em Tiatira, e o mundanismo e o mal
introduzidos por essa igreja degradada continuarão
na Igreja Católica Romana até que o Senhor volte
para exercer o Seu pleno julgamento.

VII. O FALAR DO ESPÍRITO


A igreja mundana degradada tem uma grande
necessidade do falar do Espírito. Ela tem a Bíblia em
letras mortas, mas falta-lhe o falar do Espírito. Mero
conhecimento bíblico sem o falar do Espírito não
pode suprir o que é necessário para um cristianismo
morto. A sua falta de vida em sua degradação deve ser
julgada pela espada afiada que procede da boca do
Senhor. A igreja mundana precisa do falar afiado com
a palavra viva pelo Senhor Espírito.

VIII. A PROMESSA PARA O VENCEDOR


No versículo 17, o Senhor diz: “Ao vencedor,
dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei
uma pedrinha branca e sobre essa pedrinha escrito
um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto
aquele que o recebe.” Vencer aqui significa
especificamente vencer a união da igreja com o
mundo, o ensinamento da idolatria e da fornicação, e
o ensinamento da hierarquia.

A. Comer o Maná Escondido


O Senhor promete dar do maná escondido ao
vencedor. A promessa à primeira igreja referia-se a
comer da árvore da vida, e a esta igreja, a comer do
maná escondido. Quanto mais mundana a igreja se
torna, maior é a necessidade de alguns levantarem-se
e testificar para manter uma comunhão íntima com o
Senhor. Esses serão privilegiados para desfrutar do
Senhor como o maná escondido. O maná é um tipo de
Cristo como a comida celestial capacitando o povo de
Deus a seguir o Seu caminho. Uma porção desse
maná foi preservada num vaso de ouro que estava
oculto na arca (Êx 16:32-34; Hb 9:4). O maná exposto
era para o desfrute do povo de Deus de uma maneira
pública; o maná escondido, simbolizando o Cristo
escondido, é uma porção especial reservada àqueles
que O buscam, os vencedores, os quais vencem a
degradação da igreja mundana. Enquanto a igreja
toma o caminho do mundo, esses vencedores se
aproximam para permanecer na presença de Deus no
Santo dos Santos, onde desfrutam o Cristo escondido
como uma porção especial para o seu suprimento
diário. Essa promessa é cumprida hoje na vida
adequada da igreja, e será cumprida plenamente no
reino vindouro. Se buscarmos o Senhor, vencermos a
degradação da igreja mundana e desfrutarmos uma
porção especial do Senhor hoje, Ele, como o maná
escondido, será um galardão para nós no reino
vindouro. Se O perdermos como a nossa porção
especial hoje na vida da igreja, certamente
perderemos o desfrute Dele como galardão no reino
vindouro.
O maná escondido foi colocado num vaso de
ouro. O ouro significa a natureza de Deus. Assim,
colocar o maná escondido no vaso de ouro significa
que o Cristo escondido está oculto na natureza divina.
O maná exposto é para todo o povo de Deus, mas o
maná escondido é para os que são íntimos do Senhor,
que renunciaram ao mundo e a toda separação entre
eles e Deus. Eles penetraram na própria intimidade
da presença de Deus e, aqui, nessa intimidade divina,
eles desfrutam o maná escondido na natureza divina
de Deus. Isso é profundo. Não é algo exterior, mas
absolutamente interior. E tão interior que aqueles
que comem o maná escondido realmente estão na
natureza divina desfrutando o Cristo escondido.
Como podemos comer o maná escondido? Isso é
algo totalmente fora do mundo. Enquanto a igreja
mundana está decaindo por causa da união com o
mundo, nós estamos subindo do Egito para o deserto,
do deserto para a boa terra, da boa terra para o
tabernáculo, do átrio exterior para o Santo Lugar e do
Santo Lugar para o Santo dos Santos. Após termos
entrado no Santo dós Santos, devemos ainda
mergulhar na arca, tocar o vaso de ouro e desfrutar
Cristo como o maná escondido. Quanto mais a igreja
tornar-se mundana, mais precisamos penetrar no
Santo dos Santos para comer o maná escondido. O
maná está no vaso de ouro, este está na arca e a arca
está no Santo dos Santos. Por isso podemos ver quão
interior ele é. Se quisermos desfrutá-lo, precisamos
permanecer na profunda intimidade da presença de
Deus. Precisamos estar na Sua natureza divina, onde
não há nada mundano ou o que distraia, e onde há a
comunhão íntima entre nós e Deus. Aqui desfrutamos
Cristo como o maná escondido. Alguns de nós têm
tido essa experiência do Cristo escondido. Temos
dito: “Senhor, não me importo com o mundo. Só me
importo Contigo, Senhor, não com nenhum
relacionamento ou amizade humanos. Senhor, estou
disposto a cortar todo vínculo. Senhor, agora estou
totalmente livre e Te amo das profundezas do meu
ser. Amo-te sem nada estorvar-me”. Quando dizemos
isso ao Senhor, imediatamente estamos no vaso de
ouro, na intimidade da natureza divina, partilhando o
Cristo escondido. Oh! precisamos comer este Cristo!
A promessa de comer o maná escondido também
é uma profecia. No milênio, alguns vencedores terão
uma porção especial de Cristo para o seu desfrute.
Essa porção especial é o que está prometido aqui
como o maná escondido. Entretanto, em princípio,
mesmo hoje podemos desfrutar Cristo dessa maneira
íntima e escondida. Desfrutamos Cristo de tal
maneira que aqueles que apenas desfrutam o maná
exposto não conseguem compreender.

B. Receber uma Pedra Branca com um Novo


Nome Escrito Nela
O Senhor também prometeu ao vencedor
dizendo: “... lhe darei uma pedrinha branca e sobre
essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém
conhece, exceto aquele que o recebe.” Desfrutar
Cristo como o maná escondido produz
transformação. Como podemos dizer isso? Porque
após referir-se ao maná escondido, o Senhor fala de
uma pedra branca. Uma pedra na Bíblia significa
material para a edificação de Deus. O homem não foi
feito de pedra, mas de pó (Gn 2:7). Em certo sentido,
o homem é apenas barro, e Romanos 9 revela que o
homem é simplesmente um vaso de barro.
Entretanto, quando o Senhor encontrou Simão Pedro
pela primeira vez, imediatamente mudou o seu nome
de Simão para Cefas, que significa “uma pedra” (Jo
1:42). Veja o sonho de Jacó em Gênesis 28. Quando
acordou do sonho, ele tomou a pedra que havia usado
como travesseiro e chamou-a de a casa de Deus. Em 1
Coríntios 3, Paulo revela que pedras preciosas devem
ser usadas para a edificação da igreja, e em
Apocalipse 21 vemos que pedras preciosas são
materiais na Nova Jerusalém. Quando colocamos
todos esses versículos juntos, vemos que uma pedra
representa uma pessoa transformada. Não podemos
compreender um versículo como 2:17 por si só;
devemos considerá-lo no contexto de toda a Bíblia. O
Senhor promete ao vencedor que ele comeria do
maná escondido e que lhe daria uma pedrinha
branca. Isso quer dizer que se comermos do maná
escondido, seremos transformados em pedras
brancas.
Em nosso ser natural não somos pedras, mas
barro. Por termos recebido a vida divina com a sua
natureza divina por meio da regeneração, podemos
ser transformados em pedras, até mesmo pedras
preciosas, desfrutando Cristo como nosso suprimento
de vida (2Co 3:18). Comendo Jesus como o maná
escondido, seremos transformados em pedras
brancas para a edificação de Deus. Se não seguirmos
a igreja mundana, mas desfrutarmos o Senhor na
vida adequada da igreja, seremos transformados em
pedras para a edificação de Deus. Tais pedras serão
justificadas e aprovadas pelo Senhor, como é indicado
pela cor branca, enquanto a igreja mundana será
condenada e rejeitada por Ele. No livro de Apocalipse,
a cor branca denota aprovação. Quando formos
transformados numa pedra, seremos aprovados pelo
Senhor. Isso O fará muito feliz. A pedra branca é para
a edificação de Deus. A edificação de Deus, a
edificação da igreja, depende da nossa
transformação, e nossa transformação resulta do
desfrute de Cristo como nosso suprimento de vida.
O Senhor disse que sobre essa pedrinha estaria
um nome novo escrito, o qual ninguém conhece
exceto aquele que o recebe. Um nome designa uma
pessoa e um nome novo, aqui, é a designação de uma
pessoa transformada. Todo crente transformado,
como uma “pedrinha branca”, traz um nome novo
que ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.
Esse “nome novo” é a interpretação da experiência
daquele que está sendo transformado. Portanto,
somente ele próprio conhece o significado daquele
nome. Certo irmão ainda pode ser bastante impuro;
todavia, ele ama o Senhor, ele renunciou ao mundo e
desistiu de toda separação. Assim, o Senhor dir-lhe-á:
“Dar-lhe-ei de comer do maná escondido”. Quanto
mais esse irmão comer o maná escondido, mais ele
será transformado numa pedra branca. Quando esse
irmão comer o Senhor Jesus como o maná escondido,
ele terá certas experiências e o Senhor escreverá um
novo nome sobre ele. Esse novo nome simplesmente
é a nova designação do que esse irmão é. Uma vez que
esse novo nome está baseado no que esse irmão é de
acordo com a sua experiência, os outros podem saber
o que ele é.
Apocalipse 2:17 é uma palavra falada a nós pelo
Senhor. Não a tome objetivamente, mas como a sua
biografia. Considere-a como uma palavra para você.
Em certo sentido, estamos vivendo na era de
Pérgamo, pois a assim chamada igreja tornou-se
mundana. Mas sendo uma anti-testemunha, estamos
aqui lutando pela restauração do Senhor. Assim, o
Senhor nos dá essa palavra no versículo 17 e todos
nós precisamos compreendê-la e dizer: “Amém,
Senhor. Graças por essa promessa. Posso comer-Te
como o maná escondido e este comer
transformar-me-á de barro em uma pedra, a qual
agradar-Lhe-á, será aprovada por Ti e usada por Ti
para a edificação da Tua habitação. Senhor, concordo
com a Tua promessa. De agora em diante,
comer-Te-ei de uma maneira oculta e serei
transformado para tornar-me uma pedra branca para
a Tua edificação.” Não é essa uma promessa
maravilhosa do Senhor? Sim, a igreja pode tornar-se
mundana, mas o Senhor prometeu que podemos nos
tornar uma pedra branca para a edificação de Deus.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 13
A IGREJA EM TIATIRA — A AUTORIDADE E A
ESTRELA DA MANHÃ
Nesta mensagem, chegamos à quarta igreja, a
igreja em Tiatira (2:18-19), a igreja em apostasia.
Tiatira em grego significa “sacrifício de perfume” ou
“sacrifício incessante”. Como sinal, a igreja em Tiatira
prefigura a Igreja Católica Romana, que foi
totalmente constituída como a igreja apóstata pelo
estabelecimento do sistema papal universal na última
parte do sexto século. Essa igreja apóstata está cheia
de sacrifícios, fato evidenciado pelas suas missas
incessantes.

I. O QUE FALA

A. O Filho de Deus
O versículo 18 diz: “Estas coisas diz o Filho de
Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés
semelhantes ao bronze polido.” A Igreja Católica
apóstata enfatiza muito Cristo como o Filho de Maria.
Assim, aqui, o Senhor, protestando contra a apostasia
da Igreja Católica, diz que Ele é o Filho de Deus.

B. Aquele que Tem Olhos como Chama de


Fogo, e Cujos Pés São Semelhantes ao Bronze
Polido
Ao tratar a igreja mundana, a igreja em Pérgamo,
o Senhor referiu-se a Si mesmo como Aquele que tem
a espada afiada de dois gumes. Ao tratar esta igreja
apóstata, a igreja em Tiatira, Ele se refere a Si mesmo
como Aquele que tem “olhos como chama de fogo, e
os pés semelhantes ao bronze polido”. A igreja
mundana requer o tratamento da Sua palavra
contundente e aniquiladora, ao passo que a igreja
apóstata precisa do julgamento de Seus olhos
perscrutadores e de Seus pés esmagadores. Os olhos
do Senhor perscrutam as partes interiores e o
coração, e os Seus pés julgam e retribuem a todos
segundo as suas obras (2:23).

II. AS VIRTUDES DA IGREJA


No versículo 19, o Senhor diz: “Conheço as tuas
obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua
perseverança e as tuas últimas obras, mais
numerosas do que as primeiras.” A Igreja Católica
apóstata tem muitas obras e serviços. Mais são as
suas obras nos últimos dias do que no passado.

III. A MULHER JEZABEL


Um dos pontos cruciais da epístola à igreja em
Tiatira refere-se à mulher Jezabel. O Senhor refere-se
a ela no versículo 20, onde Ele diz: “Tenho, porém,
contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si
mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas
ainda seduza os meus servos a praticarem a
prostituição e a comerem cousas sacrificadas aos
ídolos.” Como veremos, a mulher aqui é a mesma
mulher profetizada pelo Senhor em Mateus 13:33,
que adicionou fermento (simbolizando coisas
malignas, heréticas e pagãs) à flor de farinha
(simbolizando Cristo como a oferta de manjares para
a satisfação de Deus e do homem). Essa mulher
também é a grande prostituta de Apocalipse 17, que
mistura abominações com as coisas divinas. A mulher
pagã de Acabe, Jezabel, foi um tipo dessa igreja
apóstata. A igreja apóstata está cheia de todo tipo de
fornicação e idolatria, tanto espiritual como física.

A. Declarando-se Profetisa
Aqui o Senhor mostra que a igreja apóstata é
uma profetisa autodesignada. Um profeta é alguém
que fala por Deus com a autorização de Deus. A Igreja
Católica apóstata pressupõe-se autorizada por Deus a
falar por Ele. Ela exige que as pessoas a ouçam em vez
de ouvirem a Deus.

B. Ensina e Leva os servos do Senhor a


Praticar Fornicação e a Comer Coisas
Sacrificadas aos Ídolos
A igreja em Pérgamo tinha os ensinamentos de
Balaão e dos nicolaítas, os quais continuaram nessa
igreja apóstata. Além disso, a própria Igreja Católica
tem ensinamentos, levando o seu povo a ouvir antes a
ela do que à Santa Palavra de Deus. Seus adeptos
estão todos drogados por seu ensinamento herético e
religioso, não se importando com Cristo como sua
vida e seu suprimento de vida, como é indicado pela
árvore da vida e pelo maná escondido, prometidos
pelo Senhor às igrejas em Éfeso e em Pérgamo (2:7,
17).
Mateus 13:33 diz: “Disse-lhes outra parábola: O
reino dos céus é semelhante ao fermento que uma
mulher tomou e escondeu em três medidas de
farinha, até ficar tudo levedado.” Os bons mestres da
Bíblia concordam que a Jezabel em Apocalipse 2 é,
sem dúvida, a mulher profetizada pelo Senhor em
Mateus 13:33. Essas duas mulheres na verdade são
uma só. A grande prostituta de Apocalipse 17 também
é a mesma mulher. Assim, a mulher em Mateus 13 é
Jezabel em Apocalipse 2, e Jezabel se torna a grande
prostituta que é chamada de a grande Babilônia em
Apocalipse 17. Se ela não é a prostituta, quem então é
ela? A Jezabel no Velho Testamento era uma
prefiguração da “mulher Jezabel” em Apocalipse 2.
Quando o Senhor falou à igreja em Tiatira, Ele disse
que havia uma Jezabel atual. De acordo com a
história, essa Jezabel atual, sem dúvida, é a igreja
apóstata, a Igreja Católica Romana. Ao usar o nome
Jezabel, o Senhor estava nos lembrando do que
Jezabel, a mulher de Acabe, fez: ela veio de um
ambiente pagão e introduziu coisas pagãs na
adoração a Deus por Seu povo. Esse é o ponto crucial
e mais central na epístola a:ria tira. O princípio dos
feitos da igreja apóstata é misturar as coisas impuras,
pagãs, com a adoração a Deus por Seu povo. Ela ajuda
o povo de Deus a adorarem-No, mas não faz isso à
maneira de Deus; ela o faz à sua própria maneira,
pagã, impura. Desde que a igreja apóstata começou,
ela vem absorvendo o paganismo. Aonde quer que vá,
ela assimila as coisas relacionadas com a adoração de
ídolos.
Um dos exemplos mais impressionantes dos
feitos dessa igreja apóstata é o assim chamado Natal.
Nós queremos Cristo mas não precisamos de uma
missa. Originalmente, 25 de dezembro, o assim
chamado dia de Natal, era o dia em que os europeus
antigos adoravam o sol. Eles diziam que 25 de
dezembro era o dia do nascimento do sol. Quando a
igreja apóstata espalhou-se pela Europa, ela
assimilou esse costume antigo porque havia recebido
milhares de incrédulos para dentro de si. Esses
incrédulos ainda queriam celebrar o dia do
nascimento de seu deus. Portanto, para acomodá-los,
a igreja apóstata declarou 25 de dezembro como o dia
do nascimento de Cristo. Essa é a origem do Natal. O
Livro The Two Babylons expõe a origem das coisas
más, demoníacas, pagãs, que foram introduzidas na
igreja apóstata. Se virmos esse quadro do lado
negativo, então saberemos que devemos estar do lado
positivo.
Desde o princípio da Bíblia, a intenção de Deus
foi alimentar o Seu povo com o suprimento de vida.
Assim, no jardim havia a árvore da vida como o
suprimento de vida. Após a queda do homem, Deus,
em Sua redenção, não desistiu desse intento de
alimentar o Seu povo. Quando Ele instituiu a Páscoa,
mandou Seu povo aspergir o sangue do Cordeiro nas
ombreiras da porta e, sob a cobertura do sangue,
comer a carne do cordeiro. Depois de os filhos de
Israel terem sido libertados do Egito e estar viajando
pelo deserto, Deus deu-lhes o maná celestial como
seu suprimento de vida (Êx 16:14-15). Por fim, os
filhos de Israel entraram na boa terra de Canaã. No
dia em que entraram na boa terra, o maná cessou e
começaram a comer o rico produto da terra (Js 5:12).
O Novo Testamento confirma que todos esses são
tipos de Cristo, não apenas como nosso Redentor,
mas também como nosso suprimento de vida. Como
o Cordeiro, Cristo tem dois elementos — o sangue
para a redenção e a carne para alimento. Em João 6, o
Senhor Jesus revelou que Ele é o maná celestial, do
qual o povo de Deus pode se alimentar. Sabemos que
o rico produto da terra representa as riquezas de
Cristo. Cristo não é somente o nosso Cordeiro e o
nosso maná; Ele é também a nossa boa terra. Como o
Cordeiro, Ele tem a carne, e como a boa terra, Ele tem
todas as riquezas para o nosso suprimento de vida.
No Velho Testamento havia também as ofertas, que
vinham do produto da boa terra. Entre as cinco
principais ofertas, a segunda era a oferta de manjares,
que era para alimentar o povo de Deus. Todos os
sacerdotes que serviam, alimentavam-se da oferta de
manjares. Isso significa que Cristo é o suprimento de
vida para os sacerdotes de Deus. Todos os servos de
Deus devem alimentar-se de Cristo.
Embora isso esteja claro na Palavra Santa, a
maioria dos cristãos não se tem dado conta disso.
Quando estava no cristianismo, nunca ouvi uma
mensagem dizendo-me como comer Cristo. No
entanto, o ponto crucial na Palavra Santa é que Cristo
é o nosso suprimento de vida e que nós precisamos
comê-Lo (Jo 6:57). Em Mateus 13:33, o Senhor
mostrou que Ele era a flor de farinha. Sua palavra
referente à comida ou à flor de farinha nesse
versículo, refere-se à oferta de manjares que era
composta basicamente de flor de farinha. Assim, a
flor de farinha é um tipo pleno e completo do Senhor
Jesus como o nosso suprimento de vida. Como a
oferta de manjares, Cristo em Sua humanidade é a
flor de farinha para o nosso alimento. Em Mateus 13,
o Senhor Jesus predisse que uma mulher má
adicionaria fermento a essa flor de farinha. Isso é
exatamente o que faz a igreja apóstata, tomando o
fermento pagão e adicionando-o à flor de farinha de
Cristo para formar uma mistura maligna. Nisso a
igreja apóstata é muito maligna e sutil.
Alguns na igreja apóstata dirão: “Você pensa que
não temos algo real? Você pensa que não temos Deus,
Cristo e a Bíblia?” Sim, eles têm, mas não é puro, é
uma mistura. A igreja apóstata tem a flor de farinha,
mas dentro da farinha há o fermento. Quando estava
em Manila, visitei uma catedral católica. Na entrada
havia uma estátua de Maria. Notando que uma das
mãos da estátua estava quase completamente gasta,
perguntei às pessoas o que havia acontecido. Elas
disseram que todos que entravam na catedral,
primeiramente tocavam a mão da estátua e que, ao
longo dos anos, isso havia gasto a mão. Quando lhes
perguntei porque precisavam de tal estátua,
disseram: “Se as pessoas não têm estátuas não podem
compreender o que você está dizendo quando fala
sobre a Bíblia. Elas precisam de algo sólido para se
agarrarem e terem compreensão”. Essa é a
justificação deles para terem estátuas de Jesus e
Maria. Que sutileza! Aquilo não é Jesus nem Maria, é
um ídolo. Aparentemente eles adoram Jesus; na
verdade adoram uma imagem de pedra. Essa é a
sutileza do inimigo. Agora podemos ver o mal da
igreja apóstata — ela absorve as coisas pagãs e as
adiciona à flor de farinha. Quão maligno é isso!
Devido a essa mistura maligna, há muita
adoração idólatra na igreja apóstata. O Senhor disse
que Jezabel ensina as pessoas a praticar fornicação e
a comer coisas sacrificadas a ídolos. Jezabel ensina o
seu povo a adorar a ídolos. Na Igreja Católica
Romana é ensinada a adoração a ídolos. Em Manila vi
muitas pessoas comprando velas no balcão de velas e
colocando-as diante das imagens e ídolos nas
paredes. Onde quer que haja idolatria, também há
fornicação. Jezabel não introduziu apenas o
paganismo e a idolatria, mas também a fornicação.
Isso é abominável e não podemos tolerá-la. Não é
uma questão de debate doutrinário, é uma questão de
idolatria e fornicação.
Em 1937, quando estava viajando no norte da
China, um caso de possessão demoníaca foi levado ao
meu conhecimento. Certa irmã cristã tornou-se
possuída. Quando me perguntaram sobre a razão
disso, disse que, em princípio, tanto o pecado como
algum ídolo ou imagens na casa dela poderiam dar
uma base para o demônio possuí-la. Foi-me dito que
não havia ídolos ou imagens em sua casa. Contudo, o
demônio voltou várias vezes para perturbá-la.
Disse-lhe que uma vez que ela não estava envolvida
em nada pecaminoso, devia haver algum tipo de ídolo
ou imagem em sua casa e que deveria examiná-la
minuciosamente. Por fim, vim a saber que numa
parede havia uma figura de “Jesus” e disse-lhe para
queimá-la. Desde o momento que ela queimou aquela
figura, o demônio partiu. Nisso vemos a sutileza do
inimigo.

C. Não Disposta a Se Arrepender da sua


Fornicação
No versículo 21, o Senhor Jesus disse: “Dei-lhe
tempo para que se arrependesse; ela, todavia não
quer arrepender-se da sua prostituição.” A história
prova que isso é verdade com respeito à Igreja
Católica apóstata. Mesmo até o dia de hoje, ela não se
arrepende dos seus feitos malignos.

D. Doente no Leito
O Senhor também disse: “Eis que a prostro de
cama”. Uma cama normalmente é usada para dormir
e descansar, e, de maneira anormal, para doença. O
Senhor mostra aqui que a igreja apóstata está doente
de modo incurável e permanecerá assim até o seu
julgamento final. Os atos malignos de Jezabel
fizeram-na adoecer; ela não está nem um pouco
saudável. Toda a igreja apóstata está numa condição
doente. Olhe para a sua situação: algumas coisas são
celestiais e outras são terrenas; algumas coisas são de
Deus e mais coisas são de Satanás; algumas coisas são
santas e outras são seculares, comuns e mundanas.
Esse fermento não está apenas naquela igreja
apóstata, mas espalhou-se para a assim chamada
igreja reformada. Jezabel é demoníaca, satânica,
diabólica e até mesmo infernal. Não é algo
insignificante para nós termos os olhos abertos para
ver as coisas demoníacas e diabólicas na Igreja
Católica. Simplesmente não conseguimos imaginar
quão deplorável é essa igreja apóstata.

E. Os seus Amantes Sofrendo Grande


Tribulação
No versículo 22, o Senhor não apenas disse que
Ele lançaria Jezabel numa cama' mas também “como
em grande tribulação os que com ela adulteram, caso
não se arrependam das obras que ela incita.” A
grande tribulação aqui é diferente da de Apocalipse
7:14 e da grande tribulação em Mateus 24:21. A
grande tribulação em 7:14 é a tribulação que a igreja
sofre ao longo de séculos de perseguição. Aquela de
Mateus 24:21 é a grande tribulação dos últimos três
anos e meio da era, a qual cairá sobre todos os
habitantes da terra. ~as a grande tribulação aqui é a
aflição que o Senhor fará a Igreja apóstata sofrer,
provavelmente mediante os ataques do anticristo
sobre ela, no fim desta era.
F. Os Seus Filhos Sendo Mortos com a Morte
No versículo 23, o Senhor disse: “matarei os seus
filhos”. Isso pode se referir à destruição da Igreja
Católica Romana por Deus por intermédio do
anticristo e seus seguidores no final desta era. Se
lermos Apocalipse cuidadosamente, veremos que no
final desta era o anticristo causará danos à Igreja
Católica. Ele rebelar-se-á contra toda religião,
levantar-se-á como Deus (2Ts 2:4), proibirá os judeus
e os católicos de adorarem o seu Deus e obrigará as
pessoas a adorá-lo. Naquela época, ele perseguirá os
judeus e matará muitos dos que estão na Igreja
Católica.

IV. AS COISAS PROFUNDAS DE SATANÁS


O versículo 24 diz: “Digo, todavia, a vós outros,
os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa
doutrina e que não conheceram, como lhes dizem, as
cousas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei
sobre vós”. “Causas profundas” significam
profundezas, como em Efésios 3:18. Figurativamente,
denota coisas misteriosas. A Igreja Católica Romana
tem muitos mistérios ou doutrinas profundas. Contra
a igreja sofredora havia a sinagoga de Satanás (2:9);
com a igreja mundana havia o trono de Satanás
(2:13); e dentro da Igreja apóstata estão “as cousas
profundas de Satanás”. A religião da sinagoga, o
mundo sob o trono de Satanás e a filosofia dos
mistérios satânicos são todos usados por Satanás
para danificar e corromper a igreja.
Vimos que a igreja sofreu perseguições da
sinagoga de Satanás e que, por fim, ela tornou-se
mundana, habitando no lugar onde Satanás habita e
onde está o seu trono. Tudo isso é a sutileza do
inimigo. Tudo isso origina-se com Satanás. Mas, aqui,
na quarta igreja, há algo mais sério do que isso. Não é
meramente uma questão da sinagoga de Satanás, o
lugar onde Satanás habita ou onde está o seu trono.
Agora Satanás entrou na igreja e saturou-a dele
mesmo. Na igreja apóstata estão as coisas profundas
de Satanás, os seus ensinamentos misteriosos. Essa é
a filosofia satânica. A igreja apóstata realmente
ensina os mistérios satânicos. Isso mostra que o
pensamento profundo de Satanás, o seu conceito,
saturou a igreja apóstata. Por fim, essa igreja torna-se
a corporificação de Satanás. A igreja adequada é o
Carpo de Cristo, mas a igreja apóstata é a
corporificação de Satanás. Cristo habita na igreja,
mas Satanás habita na igreja apóstata de uma
maneira sutil. Satanás sempre age de uma maneira
sutil. Quando ele veio pela primeira vez até o homem,
veio na forma de uma bonita serpente. Mas aquilo
não era meramente uma serpente — era Satanás.
Satanás sempre toma uma boa forma. Ninguém
poderia imaginar que Satanás poderia usar a “igreja”
como a sua forma. Mas na epístola à igreja em Tiatira,
vemos que essa é a verdadeira situação do
cristianismo de hoje. O cristianismo tornou-se um
órgão de Satanás. Embora ele tenha em si o nome de
Cristo, na verdade dentro dele está o próprio Satanás.
Todos nós precisamos ver isso.
As coisas profundas de Satanás, sendo a filosofia
satânica, são sutis. Na igreja apóstata há muitos
assim chamados mistérios. Todos os mistérios
ensinados por essa igreja maligna são filosofias
satânicas. Uma das suas filosofias é que se você não
adicionar coisas às verdades da Bíblia, será difícil
para as pessoas aceitá-las. O Senhor, sendo sábio,
comparou isso ao fermento colocado na flor de
farinha que torna o pão fácil de comer. A igreja
apóstata diz que se as pessoas não tiverem um Natal,
ser-lhes-á difícil aceitar a verdade concernente ao
nascimento de Cristo. A missa é o fermento
adicionado à flor de farinha. Isso é sutil e maligno.
Se você pensa que é muito forte dizer que essa
mulher maligna é a corporificação de Satanás,
gostaria de lhe pedir para ponderar sobre Apocalipse
17:4 e 5. O versículo 4 diz: “Achava-se a mulher
vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro,
de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um
cálice de ouro transbordante de abominações e com
as imundícias da sua prostituição.” Essa mulher
maligna tem uma boa aparência: ela está adornada de
ouro, de pedras preciosas e de pérolas, os mesmos
materiais com os quais a Nova Jerusalém está
edificada. Enquanto a Nova Jerusalém está
solidamente edificada com esses três materiais
preciosos, essa mulher maligna está simplesmente
adornada com eles. Estar adornado significa usar
uma fachada, ser superficialmente atraente, ter uma
aparência agradável ou vistosa que oculta alguma
coisa maligna. A sua aparência é atraente
exteriormente, mas interiormente ela é detestável.
Essa mulher também tem um cálice de ouro cheio de
abominações e imundícias da sua prostituição. Em
tipologia, o ouro representa a natureza divina.
Aparentemente essa mulher maligna sustém alguma
coisa de Deus, mas na verdade, interiormente ela está
cheia de abominações. Na Bíblia, abominação denota
principalmente duas coisas — idolatria e formicação.
Essas duas coisas são abominações aos olhos de
Deus. Aparentemente, essa mulher é bem atraente,
estando adornada de ouro, de pérolas e de pedras
preciosas, e segurando um cálice de ouro. Se você não
tiver discernimento, será enganado por ela. Mas
precisamos ter discernimento para ver o que está por
trás dela. Quando vemos o que é essa mulher
interiormente, percebemos que ela está cheia de
abominações e impurezas.
O versículo 5 diz: “Na sua fronte achava-se
escrito um nome, MISTÉRIO: BABILÔNIA, A
GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS
ABOMINAÇÕES DA TERRA” O Senhor perscruta o
coração das pessoas e conhece o que está dentro
delas. Ele tem discernimento para ver o que há dentro
dessa mulher maligna. O Senhor a chama de “A mãe
das meretrizes”, querendo dizer que ela é a fonte de
toda a fornicação espiritual. Portanto, está certo dizer
que ela é a corporificação de Satanás. Precisamos de
discernimento para ver o que está por trás da sua
aparência exterior. Por isso temos a espada afiada de
dois gumes, a palavra da Bíblia Sagrada.
Agradecemos ao Senhor pela Sua graça soberana.
Por ser a Sua graça soberana, Ele pode nos salvar em
qualquer ambiente. Muitos foram salvos inclusive no
ambiente maligno da Igreja Católica apóstata.
Ninguém pode dizer que a Igreja Católica não prega a
Bíblia. Na China, muitos chineses pagãos conheceram
o nome de Deus, o nome de Jesus e alguns versículos
da Bíblia por meio dos ensinamentos da Igreja
Católica. A coisa maligna, entretanto, é essa: após as
pessoas serem ajudadas por essa igreja apóstata, elas
são embaraçadas em prosseguirem a conhecer o
Senhor de uma maneira genuína. Alguns que, por
meio da graça soberana do Senhor, foram salvos
quando estavam na igreja apóstata, espontaneamente
amaram aquela coisa maligna. Muitos deles diriam:
“Se isso é maligno, então como eu pude ter sido salvo
por intermédio disso?” Assim, embora muitos antigos
católicos tenham vindo para a vida da igreja, no
profundo de seu interior, alguns deles ainda
poderiam solidarizar-se com essa mulher maligna.
Eles não a odeiam como o Senhor a odeia. Leia a
epístola a Tiatira novamente. O Senhor não tem
qualquer condescendência com Jezabel porque
aquela mulher maligna foi totalmente saturada de
Satanás, o maligno. Satanás está em cada fibra
daquela mulher perversa.
Não devemos ter nada a ver com essa igreja
apóstata. Ela não é o Corpo de Cristo. Ela não é a
igreja de Deus, ela é a corporificação de Satanás. É
sutil e maligna. Se você quiser ver ainda mais sobre a
igreja apóstata, leia o livro do irmão Nee A Ortodoxia
da Igreja. Todo aquele que tem um coração pelo
Senhor e pela Sua restauração deve conhecer por
completo essa igreja apóstata. Visto que a
conhecemos, não devemos apreciar nada relacionado
com ela; pelo contrário, devemos declarar que ela é a
grande prostituta, a grande Babilônia e que devemos
fugir dela.
Como veremos, o livro de Apocalipse mostra que
essa grande prostituta tem algumas filhas. Devemos
ser completamente iluminados sobre a igreja
apóstata. Uma vez que sejamos iluminados,
saberemos onde devemos estar no que diz respeito à
igreja. Estamos na restauração do Senhor. Estamos
no Corpo de Cristo, a igreja de Deus, e nada temos a
ver com Jezabel, a mulher maligna, a prostituta, a
grande Babilônia e não temos nada a ver com as suas
filhas.
Nessa epístola, o Senhor mostra que Ele julgará
Jezabel. Em 17:16, é-nos dito que durante a grande
tribulação, o Senhor permitirá que o anticristo mate e
danifique essa igreja apóstata. Naquela época, a
Babilônia religiosa será demolida. Mas, antes dessa
época, essa igreja apóstata continuará de acordo com
a profecia. O versículo 25 indica que a Igreja Católica
apóstata permanecerá até que o Senhor volte.

V. OS VENCEDORES — O RESTANTE DE
TIATIRA
No versículo 26, o Senhor diz: “Ao vencedor, e ao
que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei
autoridade sobre as nações”. Vencer aqui significa
vencer o catolicismo. Os vencedores, o restante de
Tiatira, não têm o ensinamento de Jezabel (v. 24),
não conheceram as coisas profundas de Satanás,
apegaram-se ao testemunho do Senhor até que Ele
volte (v. 25) e guardaram as Suas obras até o fim (v.
26). “Minhas obras” no versículo 26 refere-se às
coisas que o Senhor cumpriu e está fazendo, tais
como a Sua crucificação, ressurreição, intercessão,
etc., em contraste com as obras da igreja apóstata sob
a influência de Satanás.

VI. A PROMESSA PARA O VENCEDOR

A. Receber Autoridade sobre as Nações


No versículo 26, o Senhor diz que, àquele que
vencer, Ele dará autoridade sobre as nações. Isso é
um prêmio para os vencedores: reinar com Cristo
sobre as nações no reino milenar (20:4, 6). Essa
promessa do Senhor categoricamente implica que
aqueles que não responderam ao Seu chamado para
vencer o cristianismo degradado, não participarão no
governo do reino milenar.

B. Para Pastorear as Nações com uma Vara de


Ferro, como o Senhor Recebeu do Pai
Nos versículos 27 e 28b, o Senhor diz, falando ao
vencedor: “E com cetro de ferro as regerá, e as
reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro;
assim como também eu recebi de meu Pai”. No reino
milenar, aquele que reina é um pastor. No Salmo 2:9,
Deus deu a Cristo a autoridade para governar sobre as
nações; aqui, Cristo dá a mesma autoridade aos Seus
vencedores.

C. Ter a Estrela da Manhã


Finalmente, no versículo 28, o Senhor dá uma
promessa para o vencedor, dizendo: “Dar-lhe-ei
ainda a estrela da manhã”. Na primeira aparição de
Cristo, os magos, e não os religiosos judeus, viram a
Sua estrela (Mt 2:2, 9-10). Na Sua segunda aparição,
Ele será a estrela da manhã para os Seus vencedores,
os quais velam pela Sua vinda. Para todos os outros,
Ele aparecerá apenas como o sol (Ml 4:2).

VII. O FALAR DO ESPÍRITO


Outra vez, no versículo 29, o Senhor diz: “Quem
tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”
Todos aqueles na igreja apóstata, a qual exige que as
pessoas ouçam antes a ela do que a Deus, precisam
mais do falar do Espírito. Se alguém ouvir o falar do
Espírito, ouvirá a palavra viva do Senhor para negar
todos os itens apóstatas ensinados pela igreja
apóstata e tornar-se-á um vencedor para a satisfação
do Senhor.
No fim de cada uma das três primeiras epístolas,
ouvidos para ouvir são mencionados primeiro, e
então há o chamamento para vencer. No fim de cada
uma das quatro últimas epístolas, a ordem é
invertida. Isso prova que as três primeiras das sete
igrejas formam um grupo e as quatro últimas formam
outro. O número sete na Bíblia é composto de seis
mais um — tal como seis dias mais um dia equivalem
a uma semana — ou de três mais quatro, como nesses
dois capítulos, onde as sete igrejas são divididas num
grupo de três e noutro de quatro. Seis mais um está
na criação de Deus, ao passo que três mais quatro
está na nova criação de Deus: a igreja. Visto que todas
as coisas foram criadas em seis dias, o número seis
representa a criação, o homem em especial, o qual foi
criado no sexto dia; e visto que o sétimo dia foi a
conclusão dos seis dias como o dia do descanso de
Deus, o número um simboliza o Criador único.
Portanto, seis mais um significa que todas as coisas
foram criadas para Deus para o cumprimento do Seu
propósito. O Criador único, Deus, é triúno, como é
simbolizado pelo número três. Visto que a criação é
representada diante de Deus por quatro seres
viventes (4:6-9), o número quatro representa as
criaturas, principalmente o homem. Portanto, três
mais quatro, significa que Deus é adicionado à Sua
criatura, o homem, e, assim, o Seu propósito está
sendo cumprido. A igreja não é somente a criatura,
mas a criatura com o Criador, o Deus Triúno,
dispensado para dentro dela. Ela é o verdadeiro
número sete: o verdadeiro três, o Deus Triúno,
adicionado ao verdadeiro quatro, o homem criado.
Por isso, o número sete denota a completação no
mover de Deus, primeiramente na velha criação, e,
então, na nova criação, a igreja.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 14
A IGREJA EM SARDES — A VESTE BRANCA E O NOME
CONFESSADO PELO SENHOR
É realmente soberania do Senhor que a situação
e a condição das sete igrejas em Apocalipse 2 e 3
correspondam aos estágios da história da igreja. A
história da igreja, desde o século primeiro até o
presente, está claramente dividida em sete estágios: o
inicial, o sofredor, o mundano, o apóstata, o da
Reforma, o da igreja restaurada e o da degradação da
igreja restaurada. Nesta mensagem vamos considerar
a igreja em Sardes, a igreja da Reforma (3:1-6).
Sardes em grego significa o “restante”, o
“remanescente” ou a “restauração”. Como um sinal, a
igreja em Sardes prefigura a igreja protestante, desde
a época da Reforma até a segunda vinda de Cristo. A
Reforma foi a reação de Deus à igreja Católica
Romana apóstata, representada pela igreja degradada
em Tiatira. Isso se realizou por uma minoria dos
crentes, o remanescente. Portanto, foi a restauração
pelo remanescente.

I. O QUE FALA — AQUELE QUE TEM OS


SETE ESPÍRITOS DE DEUS E AS SETE
ESTRELAS
Em 3:1, o Senhor diz: “Isto diz o que tem os sete
Espíritos de Deus, e as sete estrelas”. Os sete Espíritos
de Deus são para que a igreja seja intensamente viva;
e as sete estrelas, para que ela brilhe intensamente.
Para a igreja em Éfeso, Cristo é Aquele que segura em
Sua mão as sete estrelas e anda no meio dos sete
candelabros. A igreja inicial necessitava do cuidado
de Cristo; e seus líderes, da Sua graça protetora. Para
a igreja em Esmirna, Ele é Aquele que se tornou
morto e viveu novamente. A igreja sofredora
necessitava da vida de ressurreição de Cristo. Para a
igreja em Pérgamo, Cristo é Aquele que tem a espada
afiada de dois gumes. A igreja degradada e mundana
necessitava de Sua palavra que julga e mata. Para a
igreja em Tiatira, Ele é Aquele que tem olhos como
chama de fogo e pés semelhantes ao bronze reluzente.
A igreja apóstata necessitava de Seu sondar e julgar.
Agora para a igreja em Sardes, Ele é Aquele que tem
os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas. A igreja
reformada morta necessitava do Espírito de Deus sete
vezes intensificado e dos líderes que brilham.
Se examinarmos a situação do cristianismo
protestante hoje, veremos que lhe falta os sete
Espíritos. A sua condição de morte é devida à falta
dos sete Espíritos. Por causa da sua organização, eles
também necessitam das estrelas brilhantes. Isso é
tudo que eles necessitam — o Espírito intensificado e
as estrelas brilhantes. Entretanto, eles não prestam
atenção aos sete Espíritos. Os sete Espíritos são a
substantificação 5 plena e intensificada de Cristo
como o Espírito. Isso não é uma questão do assim
chamado movimento pentecostal ou carismático, mas
do Espírito que habita interiormente sete vezes
intensificado. Isso é o que o protestantismo morto
necessita hoje. Ele também precisa das estrelas
brilhantes, não de posições ou de organização. Os
seus líderes precisam ser aqueles que brilham.

5
Substantificar significa “dar forma concreta a” (Novo Dicionário da Língua Portuguesa — Aurélio B.
Holanda Ferreira).
II. A CONDIÇÃO DA IGREJA

A. Viva de Nome, mas Morta em Realidade


Para o mensageiro da igreja em Sardes, o Senhor
diz: “Conheço as tuas obras, que tens nome de que
vives, e estás morto. Sê vigilante, e consolida o resto
que estava para morrer; porque não tenho achado
íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.”
Esses dois versículos apresentam um quadro
completo da assim chamada igreja protestante. A
igreja protestante reformada tem sido considerada
como viva, mas o Senhor diz que ela está morta.
Portanto, em sua condição de morta, ela necessita dos
Espíritos vivos e das estrelas brilhantes.

B. As Coisas Restantes que Estão Prestes a


Morrer
No versículo 2, o Senhor diz: “Consolida o resto
que estava para morrer”. “O resto” são as coisas
perdidas e restauradas pela Reforma, tais como
justificação pela fé e a Bíblia. Embora tenham sido
restauradas, essas coisas estavam prestes a morrer.
Assim, a igreja protestante necessita de reavivamento
para manter as coisas vivas. Essa é a verdadeira
situação das igrejas protestantes.

C. Não Tendo Nenhuma Obra Completada


O Senhor também disse: “Não tenho achado
íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.”
Nada que se tenha iniciado na Reforma foi alguma
vez completado. Portanto, precisa-se da igreja em
Filadélfia para a completação. Aos olhos de Deus não
há obras completadas nas assim chamadas igrejas
reformadas. Não pense que a justificação pela fé está
completada entre eles. Se tiver a visão interior, você
verá que a justificação pela fé restaurada por
Martinho Lutero foi bastante superficial, pois Lutero
não tocou muito na justificação segundo a vida, mas
sobretudo segundo a doutrina, de uma forma
superficial. Agradecemos ao Senhor por esse grande
servo de Deus, mas ele não foi perfeito. Nenhuma
obra feita por suas mãos foi completa. As coisas
restauradas nos dias de Lutero estavam morrendo e
ainda estão prestes a morrer. Por essa razão, muitas
igrejas protestantes têm freqüentes reavivamentos.
O ponto crucial sobre a quinta igreja é que ela
está morta e morrendo. Enquanto ela tem um nome
de que está viva, na verdade, está morta. Muitos de
nós podem testificar de que quando fomos salvos
éramos bastante vivos. Mas após entrarmos numa
igreja denominacional, fomos colocados num
refrigerador e, após alguns meses, esfriamos e
morremos. As igrejas reformadas estão morrendo.
Fui criado numa assim chamada igreja protestante e
sei que absolutamente não há nenhuma vida lá. De
quase todas as maneiras, ela está cheia de morte.

III. A EXORTAÇÃO DO SENHOR


No versículo 3, o Senhor diz: “Lembra-te, pois,
de como tens recebido e ouvido, guarda-o, e
arrepende-te.” Tanto neste versículo como no 2, o
Senhor exorta a igreja em Sardes a ser fiel, a firmar as
coisas restantes e que estão prestes a morrer, a
guardar o que ela recebeu e ouviu e a arrepender-se.

IV. A VINDA DO SENHOR


No versículo 3, o Senhor também diz: “Portanto,
se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás
de modo algum em que hora virei contra ti.” Um
ladrão vem numa hora desconhecida para roubar
coisas preciosas. Visto que estão mortas, as igrejas
protestantes reformadas estarão inconscientes da
vinda do Senhor como ladrão, na Sua aparição secreta
aos que O buscam. Assim, há a necessidade de
vigilância.
A revelação do Novo Testamento relacionada
com a segunda vinda do Senhor não está de acordo
com a nossa compreensão natural. Segundo a nossa
concepção natural, o Senhor descerá subitamente do
trono nos céus para a terra. Essa concepção tem
causado muita dificuldade para os estudiosos da
Bíblia e devemos abandoná-la. Para compreendermos
qualquer coisa encontrada na Bíblia, não devemos ter
nenhuma confiança em nossas próprias concepções, e
não devemos nunca aplicar os nossos conceitos
naturais. Por isso necessitamos de uma mente clara,
renovada, quando vamos à Palavra de Deus.
Precisamos abandonar os óculos coloridos dos nossos
conceitos e ir à Palavra pura. A volta do Senhor é um
processo. Sua volta começará do trono e passará por
um processo até Ele descer para lutar na batalha, em
Armagedom. Como ressaltamos, o Senhor descerá do
trono para o ar, onde realizará muitas coisas: o
arrebatamento da maioria dos santos, o julgamento
no trono de julgamento e as bodas do Cordeiro. Após
tudo isso ter sido realizado nos ares, o Senhor descerá
à terra. O arrebatamento dos primeiros vencedores,
incluindo o filho varão (cap. 12) e as primícias (cap.
14), ocorrerá no início do processo da volta do
Senhor. Em outras palavras, quando eles forem
arrebatados, o processo da volta do Senhor começará.
Em 3:3 e Mateus 24:43, é-nos dito que o Senhor
virá como ladrão. De repente, alguns dos crentes que
são os primeiros vencedores, serão arrebatados.
Ninguém sabe a hora do início do processo da volta
do Senhor e do arrebatamento dos primeiros
vencedores. Quando ela chegar, não haverá tempo
para você se preparar. Você precisa estar totalmente
preparado antes daquela hora. Assim, precisamos
estar preparados, prontos e vigilantes.

V. OS VENCEDORES UNS POUCOS NOMES


EM SARDES

A. Não Tendo Contaminado suas Vestes com a


Morte
No versículo 4, o Senhor diz: “Tens, contudo, em
Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram
as suas vestiduras”. As vestes na Bíblia representam
aquilo que somos em nosso andar e viver.
Contaminar as vestes significa particularmente
manchá-las com a morte. A morte diante de Deus é
mais contaminadora do que o pecado (Lv 11:24-25;
Nm 6:6-7, 9). Nesse versículo, a contaminação denota
algo da natureza da morte. A contaminação em
Sardes não era a contaminação do pecado; era a da
morte. A morte é mais imunda do que o pecado. De
acordo com o Velho Testamento, se alguém pecasse,
ele podia ser perdoado simplesmente oferecendo a
oferta pelo pecado (Lv 4:27-31). Entretanto, qualquer
um que tocasse o corpo morto de um homem tinha de
aguardar sete dias, antes que pudesse estar purificado
(Nm 19:11, 16). Isso mostra que a contaminação da
morte é mais séria do que aquela do pecado. Os
cristãos, hoje, não têm consciência da morte. Se você
for a Las Vegas jogar num cassino, sentirá que pecou.
Mas se for a uma reunião morta, poderá não sentir a
gravidade disso. Mas aos olhos de Deus, essa situação
morta é mais grave do que jogar num cassino de Las
Vegas. Embora os cristãos condenem o pecado, eles
não condenam a morte. As pessoas sentam-se nas
reuniões como cadáveres e não vêem nada de errado
nisso. Não gosto de ficar perto de qualquer coisa
morta. Um dia, minha mãe morreu. Embora todos a
amássemos, nenhum de nós ousou ficar perto do seu
corpo morto noite adentro. Se a sua querida esposa
sujar-se enquanto estiver fazendo-lhe alguma coisa,
você a amará mais do que antes. Mas se ela morrer,
você não vai querer ficar perto do seu corpo morto. O
Senhor odeia a morte. Entretanto, a maioria dos
cristãos nas igrejas reformadas não têm esse conceito
de morte. Podem dizer: “Que há de errado com as
igrejas denominacionais?” Elas não estão apenas
erradas — estão cheias de morte. Embora possa não
haver nada errado com os cadáveres de um
necrotério, eles estão cheios de morte. A morte é o
maior problema. Como ela é feia! Ela tem um mau
cheiro para Deus e Ele não pode tolerá-la.
Todos nós nas igrejas locais precisamos odiar a
morte. Prefiro ver as pessoas nas igrejas procederem
mal do que estar mortas. Muitas vezes perguntei aos
irmãos e irmãs porque eles não funcionam nas
reuniões. Freqüentemente, a resposta deles era:
“Tenho medo de cometer um erro”. A isso, eu
respondia: “Quando mais erros cometer, melhor. As
crianças vivas cometem muitos erros, mas as mortas
nos cemitérios não cometem nenhum”. Se você
simplesmente sentar-se na reunião sem fazer nada,
nunca procederá mal. Embora possa proceder bem,
procederá bem, morto. Prefiro proceder mal, vivo, do
que bem, morto. Posso cometer erros, mas todos
saberão quão vivo estou. Que você prefere proceder
bem, morto ou mal, vivo?

B. Andando de Branco com o Senhor


Falando desses que não contaminaram as suas
vestes, o Senhor diz que “andarão de branco junto
comigo, pois são dignas” (v. 4). Branco não simboliza
apenas pureza, mas também aprovação. As vestes
brancas, aqui, representam um andar e um viver que
não foram manchados pela morte e que serão
aprovados pelo Senhor. E uma qualificação para
andar com o Senhor, especialmente no reino
vindouro.

VI. A PROMESSA PARA O VENCEDOR


Se você ler o contexto de Apocalipse 2 e 3, verá
que toda vez que o Senhor dá uma promessa nessas
sete epístolas, rigorosamente falando, ela se refere ao
reino vindouro. Ela nunca se refere à eternidade, ao
nosso destino eterno; pelo contrário, refere-se ao
nosso futuro no reino vindouro. Esse é o princípio
básico e governante para se compreender todas as
promessas dessas sete epístolas. No versículo 4, o
Senhor promete que os vivos, aqueles que não
contaminaram as suas vestes, andarão de branco com
Ele. Quando será isso? No dia das bodas de Cristo,
que durarão mil anos. Andar de branco com o Senhor
significa andar com Ele durante esses mil anos. Em
princípio, isso deve ser aplicado também ao nosso
andar com o Senhor hoje.
No versículo 5, o Senhor diz: “O vencedor será
vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum
apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário,
confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante
dos seus anjos.” Vencer, aqui, significa vencer a
condição de morte das igrejas protestantes, Isto e,
vencer o protestantismo morto. Todo o versículo 5 é a
promessa do Senhor aos vencedores. Ela se cumprirá
totalmente no reino milenar, após Ele voltar.

A. Vestir-se de Vestes Brancas, Andando com


o Senhor
Primeiramente, o Senhor promete ao vencedor
que ele “será vestido de vestiduras brancas”. Nessa
promessa, vestir-se de vestes brancas será um prêmio
para os vencedores no reino milenar. Aquilo no qual
têm andado nessa era será para eles um prêmio na
era vindoura. Todo cristão precisa de duas vestes. A
primeira é a veste da salvação, denotando,
objetivamente, Cristo como a nossa justiça. Em Lucas
15, quando o filho pródigo retomou para casa, o pai
lhe havia preparado a melhor roupa. A primeira coisa
que o pai fez foi vesti-lo com a melhor roupa. Usando
aquela roupa, o filho pródigo foi justificado na
presença do pai. Ele havia sido um mendigo
miserável, não mais digno de estar com o pai. Mas
uma vez que tinha a veste sobre ele, foi justificado a
aprovado. Isso significa que ele foi justificado em
Cristo e que Cristo tornou-se a Sua cobertura
justificadora. Ele foi coberto com Cristo como a sua
justiça. Assim, a veste de justificação é para a
salvação. Entretanto, além disso, precisamos de outra
veste para nos tornarmos aprovados e agradáveis ao
Senhor. O “linho fino, resplandecente e puro” em 19:8
denota essa segunda veste. De acordo com a tipologia,
a rainha do Salmo 45 tem duas vestes: uma para a
salvação e a outra para ela estar com o rei em Seu
reino. Após sermos salvos, precisamos amadurecer e
vencer os estorvos e distrações. Precisamos correr a
corrida e atingir o alvo. Enquanto estivermos
correndo, haverá muitas coisas que podem nos
embaraçar ao tentarmos atingir o alvo. Precisamos
vencer todos esses embaraços. Sim, fomos salvos e
justificados, e temos a primeira veste para a nossa
salvação. Mas devemos prosseguir até a maturidade e
atingir o nosso destino. Se assim fizermos,
receberemos um galardão. Isso não é uma questão de
Cristo como a nossa justiça objetiva, mas de
experienciarmos Cristo como a nossa justiça
subjetiva. Cristo como a nossa justiça objetiva foi
colocado sobre nós, ao passo que Cristo como a nossa
justiça subjetiva resulta de nós. Precisamos viver —
expressar Cristo como a nossa segunda veste. Essa
veste é para galardão. As vestes brancas mencionadas
no versículo 5 referem-se a essa segunda veste.
Quando temos essa segunda veste, somos agradáveis
ao Senhor e receberemos galardão.

B. O Nome Não é Apagado do Livro da Vida


Àquele que vencer, o Senhor promete que “de
modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida”.
Não podemos entender esse versículo por si mesmo.
É perigoso fazer isso. Para compreendermos um
versículo como esse, precisamos ser respaldados por
toda a Bíblia. O fato de o nome ser “apagado do livro
da vida” indica que tal nome já estava escrito no livro
da vida. “O livro da vida” é um registro divino dos
nomes daqueles que participam das bênçãos que
Deus lhes preparou. Os nomes de todos os santos
escolhidos por Deus e predestinados para participar
dessas bênçãos estão escritos nesse livro (Lc 10:20).
Essas bênçãos têm três estágios: a igreja, o reino
milenar e a eternidade. As bênçãos no estágio da
igreja, tais como o perdão, a redenção, a regeneração,
a vida eterna e a natureza divina são todas as porções
iniciais. Todos os escolhidos de Deus, cujos nomes
estão escritos no livro da vida, têm uma parte nessas
porções iniciais para iniciarem sua vida espiritual. Se
cooperarem com a graça supridora de Deus, eles
amadurecerão em vida na era da igreja, e essa
maturidade precoce em vida constituirá um prêmio
com o qual o Senhor os galardoará na Sua volta. Esse
prêmio será a entrada no reino milenar e a
participação nas bênçãos divinas naquele estágio, tais
como o gozo e o descanso do Senhor (Mt 25:21, 23;
Hb 4:9-11), o reinado sobre as nações (Ap 2:26-27;
20:4, 6), os quais Deus preparou como um incentivo
para os Seus escolhidos prosseguirem com Ele na era
da igreja. Entretanto, muitos dos Seus escolhidos,
após receberem Seu perdão, redenção, vida eterna,
natureza divina, etc. , não cooperarão com a Sua
graça nem prosseguirão com Ele. Dessa forma, serão
incapazes de amadurecer em vida na era da igreja, e,
assim, não estarão prontos na volta do Senhor para
entrar no reino milenar e participar das bênçãos
divinas daquela era como galardão. Portanto, durante
o reino milenar, seus nomes serão apagados do livro
da vida. Após serem disciplinados pelo Senhor e
crescerem em vida até a maturidade durante o reino
milenar, eles partilharão das bênçãos divinas no
estágio da eternidade, tais como o sacerdócio eterno
com a eterna presença de Deus, a realeza eterna
(22:3-5), a Nova Jerusalém, a árvore da vida (22:14) e
a água da vida (22:17). Então seus nomes deverão ser
novamente escritos no livro da vida. Isso significa que
todos os escolhidos de Deus, cujos nomes estão
escritos no livro da vida e que foram introduzidos na
participação das bênçãos divinas no estágio da igreja
“jamais perecerão, eternamente” (Jo 10:28), isto é, de
modo algum perderão as bênçãos divinas da
eternidade; mas alguns, os que não cooperarem com
o Senhor na era da igreja, serão disciplinados
dispensacionalmente pelo Senhor durante o reino
milenar e perderão as bênçãos divinas naquele
estágio.
Defrontamos com o perigo de termos os nossos
nomes apagados do livro da vida durante os mil anos.
Se você é derrotado e recusa-se a ser um vencedor
pela graça do Senhor, o seu nome não estará no livro
da vida quando Ele estiver reinando durante os mil
anos. Isso significa que você foi chamado, mas não foi
escolhido. Em 17:14 podemos ver que na Sua volta,
após todos os santos terem sido arrebatados, o
Senhor fará uma seleção. Essa seleção dependerá de
como tivermos vivido nossa vida cristã. Se tivermos
vivido de uma maneira derrotada, certamente o
Senhor não nos selecionará. Mas se tivermos vivido
de uma maneira vitoriosa, seremos selecionados e os
nossos nomes estarão lá durante os mil anos. Isso é
semelhante a diplomar-se na escola. Embora todos os
nomes dos estudantes possam estar na lista de classe,
somente alguns nomes estarão na lista para receber
uma recompensa. Apagar o nome de um crente do
livro da vida não significa que perecerão pela
eternidade. Apenas significa que durante os mil anos
do reino vindouro, o seu nome não estará lá. Isso
significa que perderão o seu direito de primogenitura
no reino milenar, não tendo nenhum direito de
participar daquilo que Deus originalmente
tencionava dar a todos os Seus escolhidos.
A intenção original de Deus é que todos os Seus
escolhidos desfrutem Cristo ao máximo hoje, para
que possam também ter o direito de desfrutá-Lo na
era vindoura. Visto que muitos não desejam fazer isso
agora, quando o reino vier, perderão seus direitos de
primogenitura. Somente aqueles que cooperam com a
intenção original de Deus estarão no reino,
desfrutando Cristo como sua porção especial.
Naquele tempo, seus nomes estarão no livro da vida,
mas os nomes de muitos outros não estarão lá. Por
não terem tido essa visão, muitos cristãos não podem
compreender esses versículos relativos a essa
questão.
A intenção de Deus é trabalhar Cristo dentro de
nós para o nosso desfrute. A era da igreja é a época
para isso ser realizado. Mas se estamos ou não
dispostos a cooperar com Deus nessa questão,
depende de nós. Pelo fato de muitos não quererem
cooperar com Deus, em Sua sabedoria, Ele decidiu
fazer do desfrute de Cristo na era do reino vindouro
um galardão. Esse galardão é um incentivo
encorajando-nos a cooperar com Deus e a desfrutar
Cristo hoje. Se não cooperarmos, perderemos a era do
reino. O livro da vida é um registro de todos os nomes
que têm uma porção no desfrute de Cristo. Durante a
era da igreja, todos os nossos nomes estão lá. Mas na
era do reino, os nomes dos negligentes serão
apagados desse livro. Após o reino milenar, seus
nomes serão então colocados de volta no livro da
vida. É bom ver que a bênção de Deus em Sua
salvação tem três estágios: a era da igreja, a era do
reino e a era da eternidade. Se estaremos ou não no
reino partilhando o pleno desfrute de Cristo depende
de estarmos ou não dispostos a desfrutar Cristo, hoje,
na vida da igreja. Não perca a oportunidade hoje. Se
desfrutarmos Cristo hoje, seremos galardoados no
reino vindouro. Aqueles que perdem o desfrute
especial de Cristo no reino vindouro receberão
tratamento por parte de Deus, para que possam ser
introduzidos no desfrute pleno de Cristo. Portanto,
finalmente, quando todos nós tivermos passado por
essas duas eras — a era da igreja e a era do reino —
estaremos amadurecidos no desfrute de Cristo e
entraremos na era da eternidade.

C. O Nome a Ser Confessado pelo Senhor


diante do Pai e dos Anjos
Se formos vencedores, o Senhor não apagará o
nosso nome do livro da vida; pelo contrário, o
confessará diante do Pai e dos Seus anjos. Isso mostra
que, uma vez que os nomes daqueles que não estão
dispostos a ser vencedores serão apagados do livro da
vida, seus nomes não serão confessados pelo Senhor
diante do Pai e dos Seus anjos.

VII. O FALAR DO ESPÍRITO


A igreja reformada morta necessita do falar do
Espírito vivo. O conhecimento de letras mortas nunca
pode substituir o falar do Espírito intensificado. A
letra mata (2Co 3:6). É o Espírito que dá vida (Jo
6:63). Todos aqueles no protestantismo morto
precisam ouvir o falar do Espírito.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 15
A IGREJA EM FILADÉLFIA — O ARREBATAMENTO
ANTES DA GRANDE TRIBULAÇÃO E UMA COLUNA
NO TEMPLO DE DEUS
Nesta mensagem chegamos à igreja em
Filadélfia, a igreja da restauração (3:7-13). Filadélfia,
em grego, significa “amor fraternal”. Como um sinal,
a igreja em Filadélfia prefigura a vida da igreja
adequada, restaurada pelos irmãos levantados pelo
Senhor na Inglaterra na primeira parte do século
XIX. Assim como a igreja reformada — prefigurada
pela igreja em Sardes — foi uma reação à Igreja
Católica apóstata — prefigurada pela igreja em
Tiatira-, também a igreja do amor fraternal é uma
reação à igreja reformada morta. Essa reação
continuará como um anti-testemunho, tanto ao
catolicismo apóstata como ao protestantismo
degradado, até que o Senhor volte.

I. O QUE FALA

A. O Santo, o Verdadeiro
O versículo 7 diz: “Estas coisas diz o santo, o
verdadeiro”. Para a igreja do amor fraternal, o Senhor
é o “santo, o verdadeiro”, por meio de quem e com
quem a igreja restaurada pode ser santa, separada do
mundo, e verdadeira, fiel para Deus.

B. Aquele que Tem a Chave de Davi


Para a igreja restaurada, o Senhor também é
Aquele que tem “a chave de Davi” (v. 7), a chave do
reino, com autoridade para abrir e para fechar.
Poucos conhecem o significado do termo “a chave de
Davi”. De acordo com Gênesis 1, quando Deus criou o
homem, Ele deu-lhe domínio sobre todas as criaturas.
Isso mostra que, na intenção de Deus, o homem tem
de ser o poder representativo de Deus na terra.
Devido à queda, entretanto, o homem perdeu esse
poder e nunca o recuperou completamente. O homem
não recuperou o domínio sobre a terra para
representar Deus. Na vida de Adão, Abel, Enos,
Enoque e Noé não vemos esse poder. Nem o vemos na
vida de Abraão, Isaque e Jacó. Não vemos esse poder
até que o povo escolhido de Deus, os filhos de Israel,
entraram na boa terra e edificaram o templo.
Aparentemente, o templo foi edificado por Salomão;
na verdade, foi edificado por Davi, pois ele estava por
detrás da edificação do templo. Lembre-se do que é
revelado em Gênesis 1:26. Deus fez o homem à Sua
própria imagem para ele poder expressá-Lo, e com o
Seu domínio para ele poder representá-Lo. O templo
está relacionado com a imagem de Deus porque,
sendo a casa de Deus, ele é a Sua expressão. O templo
foi edificado na cidade. O templo simboliza a
expressão de Deus e a cidade, o Seu domínio. A
imagem e o domínio revelados em Gênesis 1 são, pelo
menos até certo ponto, cumpridos no templo e na
cidade. No templo temos a presença de Deus para a
Sua expressão e na cidade temos o domínio de Deus.
O rei de Deus está na cidade representando-O,
enquanto governa sobre a terra.
Esses são antecedentes necessários para
compreendermos o que é a chave de Davi. A chave
segurada por Davi é a chave de todo o domínio de
Deus. O domínio de Deus inclui todo o universo,
principalmente a humanidade. Esse domínio tem
uma chave que é possuída pela pessoa que lutou na
batalha pelo reino e que fez os preparativos para o
templo. O nome dessa pessoa é Davi. Davi
representou Deus ao estabelecer o Seu reino sobre a
terra. Portanto, ele tem a chave do domínio de Deus
no universo. Davi, entretanto, era somente um tipo,
não a realidade. O verdadeiro Davi é Cristo, o Davi
maior. Ele é Aquele que edificou o templo de Deus, a
igreja e estabeleceu o reino de Deus. Por isso, hoje, na
igreja, que é tanto uma casa como um reino, temos a
expressão e a representação de Deus. Como Davi
maior, Cristo tem edificado a casa de Deus, o
verdadeiro templo, e tem estabelecido o reino de
Deus, o domínio no qual Ele exerce a plena
autoridade para representar Deus. Assim, Ele segura
a chave de Davi. A chave de Davi é algo que
representa Deus para abrir todo o universo para Ele.
Essa é a chave de Davi segurada por Cristo. Esse
termo significa que Cristo é o centro da economia de
Deus. Ele é Aquele que expressa e representa Deus,
Aquele que segura a chave para abrir todas as coisas
no domínio de Deus.

C. O Que Abre e Fecha


O versículo 7 diz que Cristo é Aquele que “abre e
ninguém fechará, e que fecha e ninguém abre”. Ele
abre e fecha porque a chave universal, a chave da
economia de Deus, está em Suas mãos.
Como já ressaltamos, quase tudo encontrado no
livro de Apocalipse não é novo, mas um cumprimento
das coisas reveladas no Velho Testamento. Isso
também é válido quanto à chave de Davi. Isaías
22:22-24 é uma profecia relativa a Cristo como
Aquele que segura a chave de Davi. A concepção
profunda em relação a Cristo segurar a chave de Davi
é encontrada aqui. Em Isaías 22, foi profetizado que
Cristo não seria somente Aquele que segura a chave
de Davi, mas que Ele também seria um prego ou
estaca. Muito poucos cristãos ouviram dizer que
Cristo é um prego. Se você considerar o texto de
Isaías 22 e ler o contexto da palavra relacionada com
Cristo como Aquele que segura a chave de Davi em
Apocalipse 3, perceberá que Cristo segurar a chave de
Davi é para a casa de Deus, para a Sua edificação. A
questão crucial em Isaías 22 é a casa de Deus. E a
epístola para a igreja em Filadélfia por fim fala da
Nova Jerusalém. Os vencedores em Filadélfia serão
colunas no templo de Deus, e o templo de Deus, por
fim, será expandido até a Nova Jerusalém. De acordo
com Apocalipse 21:22, não há nenhum templo na
Nova Jerusalém, pois, na eternidade, o templo será
expandido até ser uma cidade, a qual, tendo três
dimensões iguais (21:16), será a expansão do Santo
dos Santos. Essa é a consumação final e máxima da
casa de Deus. O fato de Cristo segurar a chave de
Davi, lutar na batalha por Deus, edificar o templo e
estabelecer o reino de Deus, é tudo para a edificação
de Deus.
Cristo segura a chave de Davi e Ele abre e fecha,
não para que possamos ser santos ou espirituais, mas
para que possamos ser edificados. Ele não se importa
com a assim chamada santidade ou espiritualidade.
Durante os dois séculos passados, certas pessoas
proclamaram ser santas e espirituais. Embora
tivessem visto alguma coisa, tinham visão bem curta.
A santidade não é para a santidade e a espiritualidade
não é para a espiritualidade. Tanto a santidade como
a espiritualidade são incapazes de ser colunas no
templo de Deus. Por fim, não levaremos o nome da
santidade ou da espiritualidade, mas da Nova
Jerusalém. Em 3:12, o Senhor não disse: “Escreverei
santidade sobre ti” ou “escreverei espiritualidade
sobre ti”; Ele disse: “gravarei também sobre ele o
nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a
nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do
meu Deus, e o meu novo nome.” O que temos aqui
não é nem santidade, nem espiritualidade, mas Deus
e a Nova Jerusalém. O propósito de Deus não é de nos
fazer santos ou espirituais; é de nos fazer parte da
Nova Jerusalém. Deus já tem toda a santidade que
precisa, mas a Nova Jerusalém Ele ainda não tem. O
desejo de Deus não é de mais espiritual idade. Ele
está buscando a Nova Jerusalém. Deus deseja uma
igreja edificada. Ele quer a Betel de hoje, a casa de
Deus que se consumará na Nova Jerusalém. Você
quer ver isso?
Quando vi essa luz há oito anos, fiz uma
declaração categórica em minha mensagem de que
Deus não quer espiritual idade. Alguns opositores
tomaram essa frase fora do contexto e disseram:
“Ouçam, Witness Lee diz que não precisamos de
espiritualidade e que Deus não quer espiritual idade”.
Naquela mensagem, disse repetidas vezes que
qualquer espiritualidade que não seja para a
edificação de Deus não é genuína. Nossa
espiritualidade precisa ser testada pela vida da igreja.
Se a nossa espiritualidade não se ajusta à vida da
igreja, ela é anormal. Ela não supre o Corpo; pelo
contrário, é um câncer. Muitas pessoas assim
chamadas espirituais são cânceres. O câncer é uma
doença das células do corpo. Diferente dos germes, as
células são os elementos constituintes do corpo e não
há nada de errado com elas, mas se as células não
estão equilibradas de modo adequado e tornam-se
muito concentradas, desenvolverão um câncer. A
assim chamada espiritualidade que não pode ser
testada, ajustada ou equilibrada, e não pode
ajustar-se à edificação da igreja, é um câncer.
Aquele que fala à igreja em Filadélfia segura a
chave de Davi, não para nos fazer santos ou
espirituais, mas para tratar conosco, para que
possamos ser transformados e edificados. Uma vez
que tenhamos sido edificados, Ele se tornará um
prego para nós e seremos os vasos Nele pendurados.
Primeiramente, Cristo segura a chave de Davi e, por
fim, nos segura. Cristo usou a chave para abrir a porta
da nossa prisão. Antes de chegarmos à vida da igreja,
todos nós estávamos presos. Por exemplo, alguns
estavam presos no cárcere do catolicismo. Mas onde
quer que estivéssemos, Cristo, Aquele que segura a
chave de Davi, abriu nossa prisão e libertou-nos. De
acordo com a nossa experiência, todas as portas
abertas para nós por Cristo são portas de prisão.
Embora os opositores estejam se esforçando para
aprisionar-nos e fazer da igreja uma prisão, somos
libertados pela chave segura nas mãos de Cristo.
Como o Davi de hoje, Ele tem a chave para abrir o que
quer que Deus deseje abrir. Uma vez que Ele abra a
porta e sejamos libertados, entramos na casa de Deus,
onde nos tornamos a família com muitos vasos
seguros por Cristo como o prego. Se permanecermos
em nossa mente, não teremos a percepção ou a
sensação de sermos seguros por Cristo dessa forma.
Contudo, Cristo é o prego na casa de Deus e mediante
esse prego somos erguidos da terra.
Primeiramente, Cristo usa a chave para
libertar-nos da prisão. Após termos sido libertados e
termos entrado na casa de Deus, Ele se torna o prego
para manter-nos distantes do chão. O propósito de
Ele fazer isso é para que possamos ser transformados
em colunas na casa de Deus. Por fim, nós, as colunas,
tornar-nos-emos partes da Nova Jerusalém. Como
veremos, a escrita do nome da Nova Jerusalém sobre
nós por parte de Cristo significa que fomos
transformados numa parte da Nova Jerusalém. Se
você vir isso, sua visão será mudada. No passado,
você pode ter buscado santidade ou espiritual idade,
mas buscou-as sem ter um alvo definido. Você não
tinha o objetivo de Deus em vista. Não via que tanto a
santidade como a espiritual idade são para a
edificação de Deus. Hoje, Cristo, o verdadeiro Davi,
usa a chave para libertar-nos da prisão. Ele, então,
nos introduz na casa de Deus para podermos ser
transformados em colunas e partes da Nova
Jerusalém. Essa é a vida da igreja e esse é o templo de
Deus. Dentro desse templo, nosso Cristo é um grande
prego, mantendo-nos distantes do chão para a
edificação de Deus.

II. A CONDIÇÃO DA IGREJA

A. Tendo Pouco Poder


Em 3:8, vemos a condição da igreja em
Filadélfia. Primeiramente essa igreja tinha “pouca
força [pouco poder]”. Muitas vezes reputamos a igreja
em Filadélfia como muito elevada, pensando que essa
igreja era forte e prevalecente. Na verdade, ela não
era assim. Alguns podem pensar que quando o
Senhor levantou os irmãos na Inglaterra há cento e
cinqüenta anos, cada um deles devia ter sido como
Davi. Enquanto reputamos a igreja em Filadélfia
como muito elevada, o Senhor diz que ela tinha
“pouca força [pouco poder]”. O que agrada ao Senhor
não é que sejamos fortes, mas que usemos nosso
pouco poder para fazer o melhor que podemos. Não
tente ser forte. Os fortes podem não agradar ao
Senhor tanto como aqueles que se esforçam por fazer
o melhor com o pouco poder que têm. Você nunca
pode ultrapassar o que o Senhor lhe dá.
Simplesmente gaste o que recebeu Dele. Não usurpe a
graça do Senhor. Nenhum de nós pode dizer que não
recebeu nada do Senhor. Mesmo o menor de nós
recebeu um pouco da Sua graça. Você deve gastar
essa graça, usando-a melhor que pode. Se fizer isso, o
Senhor apreciá-lo-á e dirá: “Bom. Você tem pouco
poder, contudo, guardou a Minha palavra com o
poder que tem”. Não procure ser um gigante. O
Senhor não fica contente com os gigantes; ele fica
contente com os pequenos que têm um pouco de
graça. Embora essa graça possa ser limitada em sua
capacidade, uma vez que a usemos, gastando-a para
fazer tanto quanto podemos para guardarmos a
palavra do Senhor, Ele se agradará.

B. Tendo Guardado a Palavra do Senhor


No versículo 8, o Senhor disse que a igreja em
Filadélfia guardava a Sua palavra. Um aspecto
notável de Filadélfia é que ela guardava a palavra do
Senhor. De acordo com a história, não há outros
cristãos que tenham guardado a palavra do Senhor
tão rigorosamente como esses da igreja em Filadélfia.
Da mesma forma, pela Sua graça, hoje estamos
guardando a Sua palavra. Embora muitos nos
condenem, dizendo que somos heréticos entre os
cristãos de hoje, ninguém observa a palavra do
Senhor mais do que nós. Guardamos a palavra de
Deus não de uma maneira tradicional, mas conforme
a Palavra pura. Isso ofende aqueles que querem
apegar-se às tradições dos seus antepassados. A igreja
em Filadélfia não se importa com tradição; ela se
importa com a Palavra de Deus.

C. Não Tendo Negado o Nome do Senhor


No versículo 8, o Senhor também disse que a
igreja em Filadélfia não negou o Seu nome. Desde que
os irmãos foram levantados na Inglaterra na primeira
parte do século dezoito, eles não tomaram nenhum
outro nome além do nome do Senhor. A palavra é a
expressão do Senhor, e o nome é o próprio Senhor. A
igreja apóstata desviou-se da palavra do Senhor e se
tornou herética. A igreja reformada, embora
restaurada até certo ponto à palavra do Senhor,
negou o Seu nome ao denominar-se a si mesmo com
muitos outros nomes tais como Luterana, Wesleyana,
Anglicana, Presbiteriana e Batista. A igreja
restaurada não somente voltou à palavra do Senhor
de uma maneira plena, mas também abandonou
todos os nomes que não sejam o nome do Senhor
Jesus Cristo. A igreja restaurada pertence totalmente
ao Senhor, não tendo nada a ver com quaisquer
denominações (quaisquer nomes). Desviar-se da
palavra do Senhor é apostasia, e denominar a igreja
com qualquer outro nome além do nome do Senhor é
fornicação espiritual. A igreja, como uma virgem pura
desposada com Cristo (2Co 11:2), não deve ter
qualquer outro nome além do nome do seu marido.
Todos os outros nomes são uma abominação aos
olhos de Deus. Na vida da igreja restaurada, não
temos nenhum ensinamento de Balaão (2:14),
nenhum ensinamento dos nicolaítas (2:15), nenhum
ensinamento de Jezabel (2:20) e nenhuma das
doutrinas misteriosas de Satanás (2:24), mas
somente a pura palavra do Senhor. Amém! A igreja
restaurada não tem denominação (nome), mas o
único nome do Senhor Jesus Cristo. O desvio da
Palavra para as heresias e para a exaltação de tantos
nomes além do de Cristo são os mais evidentes sinais
do cristianismo degradado. A volta à pura Palavra,
deixando todas as heresias. e tradições, e a exaltação
do nome do Senhor, abandonando qualquer outro
nome, são os mais inspiradores testemunhos na
igreja restaurada. Essa é a razão pela qual a igreja na
restauração do Senhor tem a revelação e a presença
do Senhor e O expressa de uma maneira viva, cheia
de luz e com as riquezas da vida.
Porquanto temos um nome todo suficiente, o
nome acima de todo nome, não precisamos dos
nomes Luterana, Metodista, Batista, Episcopal,
Presbiteriana ou qualquer outro. Temos somente um
único nome — o nome do nosso Salvador, o Senhor
Jesus Cristo, o Filho de Deus. É algo sério tomar um
nome. Suponha que você seja a senhora Ferreira. Se
tomar o nome de senhora Silva, isso indica que
cometeu formicação. A igreja deve ter somente um
marido, apenas um nome, o nome de Jesus Cristo. No
passado, alguns amigos das denominações
perguntaram-me: “Por que vocês se chamam de
igreja? Por que dizem que não somos a igreja?”
Respondia-lhes: “Vocês se chamam de
presbiterianos. Não me acuse por isso — vocês se
designaram dessa maneira. Se são a igreja, por que
não se designam assim? Você é a senhora Ferreira?
Por que, então, você chama a si mesma de senhora
Silva? Quando lhe chamo de senhora Silva e digo que
sou a senhora Ferreira, você fica com ciúmes. Não me
acuse por isso, pois você chamou a si própria de
senhora Silva”. Após isso, todas estas bocas ficaram
fechadas. Não pense que um nome seja algo pequeno.
Somos salvos no nome do Senhor. Além do Seu nome,
nunca poderemos tomar nenhum outro nome.
George Whitefield, um contemporâneo de John
Wesley, certa vez declarou que, além do nome de
Jesus Cristo, ele não teria nenhum outro nome.
Embora Whitefield fosse inglês, renunciou ao nome
da igreja da Inglaterra, não pertencendo mais àquele
nome. A igreja em Filadélfia não nega o nome do
Senhor; ela não tem nenhum outro nome além do
Dele.
Às vezes as pessoas discutem conosco dizendo:
“Nunca negamos o nome do Senhor”. Replicamos:
“Sim, você nunca negou o Seu nome, mas tomou
outro nome a mais e até mesmo acima do Seu nome.
Agora você tem dois nomes. Por que você não
abandona o outro nome que tomou? Se abandonar
esse outro nome, então poderemos ser um. Todos os
outros nomes causam divisão. Você se chama
presbiteriano. Odeio esse nome porque tomá-lo faz de
mim um fornicador. Visto que você gosta dele e eu o
odeio, se você ainda se apegar a ele, como podemos
ser um? Se você abandonar esse nome,
imediatamente seremos um no único nome do
Senhor Jesus Cristo”. Alguns têm dito que o nome do
lado de fora do seu assim chamado edifício da igreja é
meramente um sinal exterior e que na verdade não se
importam com ele. Se não se importassem com ele,
então deveriam provar sua honestidade nesse
sentido, removendo aquele sinal. Mas alguns têm dito
que lhes é muito difícil fazer isso porque o conselho
da “igreja” impedi-los-ia. A isso repliquei: “Então,
vocês devem arcar com a responsabilidade da
divisão”.

D. Tendo uma Porta Aberta


No versículo 8, o Senhor disse: “Eis que tenho
posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém
pode fechar”. Como Aquele que tem a chave de Davi e
que abre e ninguém pode fechar, o Senhor deu à
igreja restaurada “uma porta aberta, a qual ninguém
pode fechar”. Desde que começou a restauração da
vida adequada da igreja, na primeira parte do século
XIX, até agora, uma porta tem sempre estado
amplamente aberta para a restauração do Senhor.
Quanto mais o cristianismo organizado tenta fechar a
porta, mais amplamente ela se abre. A despeito de
muita oposição, a porta hoje está aberta por todo o
mundo. A chave está na mão do Cabeça da igreja; não
está na mão dos opositores. Aleluia! temos uma porta
aberta! Durante os últimos cinqüenta anos, as
denominações se empenharam em fechar essa porta.
Mas quanto mais tentaram fechá-la, mais o Senhor a
abriu. Ninguém pode negar que há uma porta aberta
para a restauração do Senhor hoje. O Senhor tem a
chave. Visto que estamos na Sua restauração, a porta
sempre nos estará aberta.

III. O SUBJUGAR DA RELIGIÃO JUDAICA


O versículo 9 diz: “Eis farei que alguns dos que
são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos
se declaram judeus, e não são, mas mentem, eis que
os farei vir e prostrar-se aos teus pés, e conhecer que
eu te amei.” A sinagoga judaica prende-se ao
judaísmo, que compreende os sacerdotes mediadores,
as ordenanças de letras, o templo material e as
promessas terrenas. A igreja restaurada subjugou o
judaísmo expondo o seu erro e teimosia em se
prender àquelas quatro coisas, e fez com que os
judeus soubessem que o Senhor a amou. Como já
ressaltamos na mensagem 11, os judaizantes eram
judeus na carne, mas não no espírito. Devido à sua
teimosia em se apegar aos seus conceitos religiosos
tradicionais, eles se tornaram um com Satanás em.
oporem-se ao caminho da vida de Deus para cumprir
o Seu propósito. Daí, o Senhor os chamar de
“sinagoga de Satanás”. No entanto, isso, de acordo
com a epístola à igreja em Filadélfia, os judeus
opositores são subjugados diante da igreja e o amor
do Senhor com relação à igreja é-lhes tornado
conhecido.
Todas as denominações, na verdade, são as
sinagogas de hoje. Você sabe o que é uma sinagoga?
Como está revelado em Deuteronômio capítulo doze,
quatorze, quinze e dezesseis, a economia de Deus é
ter um único templo na terra. O Senhor exortou o Seu
povo em Deuteronômio a não ter nenhum outro lugar
como seu centro de adoração além daquele que Ele
escolheria. Aquele lugar escolhido era Jerusalém, e
sobre o local selecionado Deus edificou o templo.
Esse único templo não apenas significa que o
testemunho de Deus tem de ser um; ele também
mantém a unidade do povo de Deus. Por fim,
entretanto, o povo de Deus tornou-se degradado e,
devido a essa degradação, a divisão foi introduzida.
Como resultado dessa divisão, o povo de Deus foi
disperso, tendo perdido sua unidade. Mas, visto que
ainda tinham de adorar a Deus e não tinham nenhum
direito de edificar o templo exceto no local designado
em Jerusalém, eles estabeleceram, aonde quer que
foram, centros de adoração chamados de sinagogas.
Uma sinagoga é um centro de adoração degradado.
Só pode haver um templo, mas há muitas sinagogas,
todas elas sendo divisivas. Isso é um tipo da
degradação da igreja. Quando aplicamos esse tipo à
situação da igreja, vemos que na economia de Deus a
igreja é singularmente única. Mas devido a essa
degradação, a igreja foi dividida. Em cada divisão há
um centro de adoração. Esses centros de adoração
tornaram-se as sinagogas de hoje. Assim como o
templo era único, mas as sinagogas eram muitas,
também a igreja é única e as denominações e os
grupos livres são muitos.
Quando as epístolas às sete igrejas foram
escritas, a igreja estava sendo difamada pela sinagoga
judaica (2:9). Mas, por fim, a sinagoga percebeu que o
Senhor amou a igreja em Filadélfia. Em prefiguração,
isso é um sinal da verdadeira igreja em Filadélfia que
o Senhor levantou há cerca de cento e cinqüenta anos.
Em torno de 1820, os Irmãos Unidos foram
levantados na Inglaterra como o cumprimento da
igreja em Filadélfia. Naquela época, eles estavam
cercados não de sinagogas judaicas, mas pelas
sinagogas das denominações que os criticavam e os
difamavam. Durante os cinqüenta anos passados,
também fomos alvo de difamação e boatos, mesmo
hoje muitos boatos e difamações estão circulando a
nosso respeito. A fonte desses boatos e difamações
são as sinagogas de hoje. Contudo, não se pode negar
que o Senhor ama a restauração e, por fim, todos os
difamadores reconhecerão esse fato.
Enquanto alguns nos difamam, podem dizer:
“Não conseguimos explicar por que eles são tão
fortes”; outros testificam: “Realmente eles
compreendem a Bíblia”, e ainda outros confessam:
“Eles sempre têm nova luz”. Toda luz e entendimento
que temos provêm da bênção Daquele que segura a
chave de Davi. Embora não possa gabar de mim
mesmo, posso gabar-me da bênção do Senhor. A
restauração do Senhor neste país não é obra do
homem. Quem poderia fazer tal obra? Eu certamente
que não. Por fim, todas as críticas à restauração do
Senhor serão subjugadas e será percebido que Jesus
Cristo nos ama. Aguarde outro período e verá mais o
quanto o Senhor ama as Suas igrejas. Ele vindicará a
Sua igreja diante de todas as denominações. A nossa
obra não é a obra comum do cristianismo nem uma
obra sob o controle humano. Não, ela é a obra da Sua
restauração. Ela é o desejo do coração de Deus e Ele a
ama. Quando as pessoas tocam nessa questão, tocam
na menina dos Seus olhos. O Senhor ama Filadélfia, e
os judeus opositores da sinagoga de Satanás foram
subjugados diante da igreja porque o amor do Senhor
pela igreja foi-lhes dado a conhecer.

IV. A INCUMBÊNCIA DO SENHOR


No versículo 11, ' vemos a incumbência do
Senhor: “Venho sem demora. Conservas o que tens,
para que ninguém tome a tua coroa.” A igreja
restaurada já ganhou a coroa. No entanto, se ela não
retiver o que possui na restauração do Senhor até a
Sua volta, sua coroa pode ser tomada por alguém.
V. A PROMESSA DO SENHOR PARA O
VENCEDOR
Consideremos agora a promessa para o vencedor
em Filadélfia (vs. 10-12). Vencer, nesta epístola,
significa reter o que temos na igreja restaurada.

A. Guardá-lo da Hora da Provação


. O versículo 10 diz: “Porquanto guardaste a
palavra da minha perseverança também eu te
guardarei da hora da provação que há de vir sobre o
mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre
a terra” (IBB-Rev.). A palavra da “minha
perseverança” é a palavra do sofrimento do Senhor. O
Senhor ainda hoje está sofrendo rejeição e
perseguição com Sua perseverança. Somos os
co-participantes, não somente do Seu reino, mas
também da Sua perseverança (1:9). Portanto, Sua
palavra para nós hoje é a palavra da perseverança.
Para guardar a palavra da sua perseverança, temos de
sofrer Sua rejeição e perseguição.
“Provação”, neste versículo, indubitavelmente
denota a grande tribulação (Mt 24:21) “que há de vir
sobre o mundo inteiro” como é indicado pela quinta,
sexta e sétima trombeta com as sete taças (8:13-9:21;
11:14-15; 15:1; 16:1-21). O Senhor promete à igreja
restaurada que a guardará “da hora da provação”
(não somente da provação, mas da hora da
provação), porque ela guardou a palavra da
perseverança do Senhor. Essa promessa do Senhor,
como a Sua promessa em Lucas 21:36, indica que os
santos que têm guardado a palavra da perseverança
do Senhor serão arrebatados antes da grande
tribulação, implicando que aqueles que não a têm
guardado serão deixados na grande tribulação.

B. O Senhor Vindo Sem Demora


O versículo 11, o Senhor diz à igreja restaurada
que Ele vira sem demora. Nesta epístola, o Senhor
leva a igreja, em Sua restauração, à percepção da Sua
vinda, porque ela O ama. Todas as igrejas da
restauração do Senhor devem amar o Senhor sob a
inspiração da Sua volta. A volta sem demora do
Senhor deve ser-nos preciosa, enquanto estamos
testificando a Seu respeito em Sua restauração.

C. A Coroa
Uma coroa foi dada pelo Senhor a Igreja
restaurada. Sendo um galardão do Senhor, ela deve
ser guardada até Ele voltar.

D. Fazer Dele uma Coluna no Templo de Deus


No versículo 12, o Senhor diz: “Ao vencedor,
fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí
jamais sairá”. Em 2:17, o vencedor se torna uma
pedra transformada para o edifício de Deus. Aqui, o
vencedor será feito uma coluna edificada no templo
de Deus. Por estar edificado no edifício de Deus, ele
“de modo algum jamais sairá”. Essa promessa será
cumprida no reino milenar como um prêmio ao
vencedor. Vencer na igreja em Filadélfia não é obter
alguma coisa ou vencer outras; é guardar o que
recebemos na restauração do Senhor até o fim. Se
fizer isso, o Senhor fá-lo-á uma coluna no templo de
Deus. Isso nos lembra o sonho de Jacó em Gênesis
28. Após Jacó ter sonhado, ele erigiu a pedra que
havia usado como travesseiro para ser uma coluna.
Aquela coluna era para o edifício de Deus. Os
vencedores em Filadélfia serão colunas no templo de
Deus. Hoje, o princípio é exatamente o mesmo. O
Senhor erigiu um bom número de pedras para serem
colunas em Sua restauração. Louvado seja o Senhor
porque há muitas colunas entre nós. Uma vez que
uma pedra seja estabelecida como uma coluna no
edifício, ela jamais poderá ser removida, pois foi
consolidada. Alguns permanecem na igreja por um
curto tempo ou por vários meses, e depois vão
embora. Entretanto, se você está edificado no templo
como uma coluna, não poderá deixá-lo mesmo que o
queira. Se você ainda pode sair da igreja, isso significa
que nunca esteve consolidado.

E. Escrever sobre Ele

1. O Nome de Deus
No versículo 12, o Senhor também promete ao
vencedor, dizendo: “Gravarei também sobre ele o
nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a
nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do
meu Deus, e o meu novo nome.” Primeiramente, o
Senhor diz que escreverá sobre o vencedor o nome de
Deus. Um nome é uma designação. O seu nome
designa o que você é. Para o vencedor levar o nome de
Deus significa que Deus foi trabalhado nele. Somente
quando Deus for trabalhado em nós é que somos
dignos de levar o Seu nome. Isso não significa que nos
tornamos Deus; significa que Deus foi trabalhado em
nós e que somos um com Ele. Portanto, o Senhor nos
dá uma designação-Deus. “Deus” está sobre o
vencedor, indicando que ele foi saturado de Deus.
Quando você o vir, verá Deus.
2. O Nome da Cidade de Deus, a Nova
Jerusalém
Em segundo lugar, o Senhor promete escrever
sobre o vencedor o nome da cidade de Deus, a Nova
Jerusalém. Para o vencedor levar o nome da Nova
Jerusalém significa que ele é uma parte dela. Isso
mostra que a Nova Jerusalém vindoura foi trabalhada
em seu ser. Assim, o vencedor também leva a
designação da Nova Jerusalém. A escrita do Senhor
sempre corresponde aos fatos. Seria ridículo escrever
a palavra “leão” sobre um macaco ou escrever a
palavra “cordeiro” sobre um gato. Quando o Senhor
escreve os nomes de Deus e da Nova Jerusalém sobre
nós, isso revela que somos um com Deus e parte da
Nova Jerusalém.

3. O Novo Nome do Senhor


Por fim, o Senhor promete escrever sobre o
vencedor o Seu novo nome. Esse novo nome será de
acordo com as nossas experiências. Não posso
dizer-lhes qual será o novo nome do Senhor porque
ele será de acordo com as nossas experiências
pessoais com Ele. Em outras palavras, o que
experienciamos do Senhor, tornar-se-á nós.
Experienciamos Deus e Ele se torna nós.
Experienciamos a Nova Jerusalém e esta também se
torna nós. Experienciamos o Senhor de uma maneira
íntima, pessoal e isso se torna nós. Desse modo, o
Senhor designar-nos-á corretamente, escrevendo
sobre nós o nome de Deus, o nome da Nova
Jerusalém e o Seu novo nome. Isso indicará que nos
tornamos uma pessoa que é uma com Deus, que é
uma parte da Nova Jerusalém e que experienciou o
próprio Senhor como Aquele que faz a Si mesmo
nosso.
O nome de Deus, o nome da Nova Jerusalém e o
novo nome do Senhor escritos sobre o vencedor
indicam que este pertence a Deus, à Nova Jerusalém
e ao próprio Senhor; que o próprio Deus, a Sua cidade
— a Nova Jerusalém — e o próprio Senhor, todos
pertencem a ele; e que ele é um com Deus, com a
Nova Jerusalém e com o Senhor. O nome de Deus
significa o próprio Deus; o nome da Nova Jerusalém
significa a própria cidade; o nome do Senhor significa
o próprio Senhor. Escrever o nome de Deus, o nome
da Nova Jerusalém e o nome do Senhor sobre o
vencedor indica que o que Deus é, a natureza da Nova
Jerusalém e a Pessoa do Senhor, foram todos
trabalhados para dentro do vencedor. A menção da
Nova Jerusalém como um prêmio ao vencedor indica
que essa promessa será cumprida no reino milenar. A
Nova Jerusalém no reino milenar será um prêmio
somente para os santos vencedores, ao passo que a
Nova Jerusalém no novo céu e na nova terra será a
porção comum de todos os redimidos, pela
eternidade.

VI. O FALAR DO ESPÍRITO


A igreja restaurada também precisa dar atenção
ao falar do Espírito. Quanto mais amamos o Senhor e
mais estamos em Sua restauração, mais precisamos
do rico falar do Espírito intensificado.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 16
A IGREJA EM LAODICÉIA — CEAR COM O SENHOR E
SENTAR-SE NO SEU TRONO
Agora chegamos à igreja em Laodicéia, a igreja
em degradação (3:14-22). Laodicéia, em grego,
significa a opinião, o julgamento, do povo ou dos
leigos. A igreja em Laodicéia, como um sinal,
prefigura a igreja restaurada degradada. Menos de
um século depois de o Senhor ter restaurado a igreja
adequada na primeira parte do século XIX, algumas
das igrejas restauradas (“assembléias”) se
degradaram. Essa igreja restaurada degradada difere
da igreja reformada, representada pela igreja em
Sardes e também difere da igreja restaurada
adequada, representada pela igreja em Filadélfia. Ela
existirá até que o Senhor volte.
Alguns mestres cristãos consideram a igreja em
Laodicéia como a fria igreja reformada.
Rigorosamente falando, não é bem assim. De acordo
com o contexto e a história, a igreja em Laodicéia
deve ser uma prefiguração da igreja restaurada
degradada. Aproximadamente há cento e cinqüenta
anos, a igreja restaurada começou na Inglaterra. De
acordo com o que lemos, ela era maravilhosa.
Realm~l1te, era uma restauração da vida da igreja.
Entretanto, ela não durou muito. Se ler a história dos
Irmãos Unidos e visitá-los hoje, você verá que muitas
de suas assembléias tornaram-se a igreja em
Laodicéia. Como veremos, embora eles se orgulhem
do seu conhecimento-da Bíblia, são pobres no
desfrute das riquezas de Cristo e cegos nas coisas
espirituais.

I. O QUE FALA

A. o Amém
Em 3:14, o Senhor diz: “Estas coisas diz o Amém,
a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação
de Deus”. A cada uma das sete igrejas, o Senhor se
refere, respectivamente, ao que Ele é e ao que Ele faz,
de acordo com a situação e condição delas. Aqui, para
a igreja em Laodicéia, Ele se refere a Si mesmo como
o Amém. Amém, em grego, significa “firme”,
“inamovível” ou “confiável”. O Senhor é Aquele que é
firme, inamovível e confiável.

B. A Testemunha Fiel e Verdadeira


Porquanto o Senhor é Aquele que é firme,
inamovível e confiável, Ele é a testemunha fiel e
verdadeira. Isso indica que a degradada igreja em
Laodicéia não é firme, inamovível ou confiável nem
fiel e verdadeira como a testemunha do Senhor.

C. O Princípio da Criação de Deus


No versículo 14, o Senhor também se refere a Si
mesmo como “o princípio da criação de Deus”. Isso
refere-se ao Senhor como a origem ou fonte da
criação de Deus, implicando que o Senhor é a fonte
imutável e sempiterna da obra de Deus. Isso indica
que a igreja restaurada degradada está mudando por
deixar o Senhor como a fonte.

II. A CONDIÇÃO DA IGREJA

A. Nem Fria nem Quente — Morna


Nos versículos 15 até 17, vemos a condição da
igreja em Laodicéia. Nos versículos 15 e 16, o Senhor
diz: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem
quente. Quem dera fosses frio, ou quente! Assim,
porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a
ponto de vomitar-te da minha boca”. Visto que a
igreja restaurada tornou-se degradada, ela é morna
nem fria nem quente. Essa é a verdadeira condição de
tantas assembléias dos Irmãos Unidos hoje. Isso deve
ser uma advertência para nós. Uma vez que nos
tornemos mornos, não nos ajustamos mais ao mover
do Senhor e seremos vomitados da Sua boca.

B. Orgulhosos por Serem Ricos


No versículo 17, o Senhor diz: “Pois dizes: Estou
rico e abastado, e não preciso de cousa alguma”. A
igreja restaurada degradada (“assembléia”) gaba-se
das suas riquezas (principalmente no conhecimento
de doutrinas). Não percebe que é pobre em vida, cega
da vista e nua na conduta. Portanto, como veremos,
ela precisa de ouro para a sua pobreza, colírio para a
sua cegueira e vestes brancas para a sua nudez, como
é mencionado no versículo seguinte.
Dentre os aspectos da assembléia degradada, o
mais preponderante é o seu orgulho. Eles pensam que
sabem tudo. Indubitavelmente, eles têm muito
conhecimento doutrinário. Eles conhecem a Bíblia
melhor do que nas denominações. Embora em certo
sentido conheçam a Bíblia, o que têm é mero
conhecimento. Por terem esse conhecimento,
consideram-se ricos. Mas o Senhor diz que, na
verdade, são pobres. Não são pobres em
conhecimentos, mas nas riquezas de Cristo. Tem o
conhecimento a respeito de Cristo, mas são pobres no
desfrute das Suas riquezas. Logo após ter vindo para
este país, fui convidado para falar em três
assembléias de Irmãos Unidos. Após falar e ouvir o
que diziam em resposta, fiquei completamente
convencido sobre a verdade da palavra do Senhor à
igreja em Laodicéia. Se você ficasse com eles por
pouco tempo, sentiria que são orgulhosos de seu
conhecimento. Em sua conversa, eles condenam a
ignorância dos outros, pensando que sabem tudo.
Entretanto, após ter ficado com eles, você perceberia
a pobreza entre eles. Eles simplesmente não
percebem as riquezas de Cristo ou nem mesmo falam
sobre elas.

C. Desventurada
Aos olhos do Senhor, as assembléias são
desventuradas porque estão orgulhosas por ser ricas
no vão conhecimento de doutrina, mas são,
lamentavelmente, pobres de experiência das riquezas
de Cristo.

D. Miserável
A igreja restaurada degradada também é
miserável porque está nua, cega e cheia de vergonha e
trevas.

E. Pobre
A orgulhosa igreja degradada é pobre na
experiência de Cristo e na realidade espiritual da
economia de Deus. Ela se importa sobretudo com
conhecimentos vãos, mas raramente com as
experiências vivas de Cristo. Essa é a verdadeira
pobreza que a faz desventurada e miserável.
F. Cega
Aos olhos do Senhor, a igreja em Laodicéia não é
somente pobre nas riquezas de Cristo, mas também
cega nas coisas espirituais genuínas. Ela não tem o
verdadeiro discernimento espiritual. Embora tenha
um pouco de conhecimento sobre coisas espirituais,
ela não tem discernimento algum.

G. Nua
Nós, cristãos, todos recebemos Cristo como a
nossa justiça objetiva para cobrir-nos como uma
veste. Isto é para a nossa justificação diante de Deus.
Após sermos justificados em Cristo, precisamos viver
por Ele e expressá-Lo para que Ele possa ser a nossa
justiça subjetiva como outra veste esplêndida, para
cobrir o nosso andar diário. Devido à falta da
experiência subjetiva de Cristo, a igreja restaurada
degradada está nua aos olhos do Senhor. O
conhecimento vão de doutrinas desvanece debaixo
dos olhos flamejantes do Senhor, deixando aqueles
que se apegam a elas, nuamente expostos. Somente o
Cristo experienciado pode ser a nossa cobertura
debaixo dos Seus olhos julgadores.

H. Prestes a Ser Vomitada da Boca do Senhor


No versículo 16, o Senhor diz: “Assim, porque és
morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de
vomitar-te da minha boca”. Quando a igreja
restaurada torna-se degradada, ela está em perigo de
ser vomitada da boca do Senhor, a não ser que se
arrependa para ser quente em buscar as ricas
experiências do Senhor. Ser vomitado da boca do
Senhor é perder o desfrute de tudo o que o Senhor é
para a Sua igreja.

I. O Senhor Permanecendo à Porta e Batendo


No versículo 20, o Senhor diz: “Eis que estou à
porta e bato”. “A porta” não é a porta de indivíduos,
mas a da igreja. A igreja em Laodicéia tem
conhecimento, mas não tem a presença do Senhor. O
Senhor, como o Cabeça da igreja, está em pé do lado
de fora da igreja degradada, batendo à sua porta. A
igreja restaurada degradada precisa perceber isso!

III. O CONSELHO DO SENHOR


No versículo 18, vemos o conselho do Senhor
para a igreja em Laodicéia: 'Aconselho-te que de mim
compres ouro refinado pelo fogo para te
enriqueceres; e vestiduras brancas para te vestires, a
fim de que não seja manifesta a vergonha da tua
nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de
que vejas.” “Comprar” requer o pagamento de um
preço. A igreja restaurada degradada precisa pagar
um preço pelo ouro, pelas vestes brancas e pelo
colírio, dos quais precisa desesperadamente. Após ter
contatado as assembléias dos Irmãos Unidos, percebi
que, provavelmente, nenhum deles entende o que
significa pagar o preço. Talvez eles nunca tenham
ouvido dizer que precisam pagar algum preço para
experienciar as riquezas de Cristo. Eles têm o
conhecimento e a doutrina, mas não sabem como
pagar o preço. Sabem como aprender, mas não como
comprar. Conhecem certas “verdades”, mas não o
custo da experiência das riquezas de Cristo.

A. Comprar do Senhor Ouro Refinado pelo


Fogo
Primeiramente, o Senhor aconselha a igreja em
Laodicéia a comprar “ouro refinado pelo fogo”. Na
Bíblia, nossa fé operante (GI5:6) é comparada ao
ouro (1Pe 1:7); e a natureza divina, que é a divindade
de Cristo, é também tipificada pelo ouro (Êx 25:11).
Participamos da natureza divina de Deus pela fé (2Pe
1:1, 4-5). A igreja restaurada degradada tem o
conhecimento das doutrinas com respeito a Cristo,
mas não muita fé viva para participar do elemento
divino de Cristo. Ela precisa pagar o preço para
ganhar a fé de ouro através das provas de fogo, para
que possa participar do “ouro” real, que é o próprio
Cristo como o elemento de vida para o Seu Corpo.
Assim, ela pode se tornar um candelabro de ouro
puro (1:20) para a edificação da Nova Jerusalém de
ouro (21:18).
Se tivermos experiência, perceberemos que todas
as três coisas que o Senhor aconselha a igreja em
Laodicéia a comprar: ouro, vestes brancas e colírio,
são exatamente o próprio Senhor. Como vimos, em
prefiguração o ouro significa duas coisas: a natureza
de Deus e a fé viva pela qual apreciamos e nos
apropriamos da natureza divina. Essas duas coisas
são combinadas entre si. Se não tivermos a fé viva
para apreciarmos e aplicarmos a natureza divina, ela
não poderá ser nossa. A natureza divina somente
pode tornar-se o nosso desfrute por intermédio da
nossa fé viva. Cristo é a corporificação da natureza
divina e também a nossa fé viva. Se tivermos fé, então
poderemos participar da natureza divina. Isso
significa que temos de ter Cristo. Precisamos pagar o
preço e dizer ao Senhor: “Senhor, tenho muito
conhecimento das verdades da Bíblia, mas admito
que não tenho muito de Ti. Senhor, prefiro ter a Ti do
que ter um mero conhecimento ou ensinamentos
vãos. Senhor, Tu és o verdadeiro ouro, a
corporificação da natureza divina. Para apreciar e
aplicar essa natureza divina, preciso da fé viva.
Contudo, Senhor, não tenho essa fé viva, mas confio
em Ti. Senhor, sê a minha fé viva. Quero viver por
meio de Ti como a minha fé, a fé do Filho de Deus”
(Gl 2:20). Se você falar ao Senhor dessa maneira,
imediatamente Ele dirá: “Está bem, se você quer
ganhar-Me, precisa pagar o preço. Há certas coisas
que quero que abandone porque são impedimentos e
embaraços para Eu Me tornar o seu desfrute”.
Abandonar essas coisas é pagar o preço. Muitos de
nós experienciaram o Senhor dessa maneira.
Freqüentemente o Senhor tem dito: “Estou aqui.
Você quer a Mim ou àquilo? Se quiser conservar isso,
então permanecerei longe. Suas mãos estão cheias de
muitas coisas. Você precisa abandoná-las, esvaziar
suas mãos e depois Me agarrar. Então, ter-Me-á como
o seu desfrute”. Somente quando pagamos o preço é
que podemos ganhar Cristo.
Considere as palavras do apóstolo Paulo em
Filipenses 3:8: “Sim, deveras considero tudo como
perda, por causa da sublimidade do conhecimento de
Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual, perdi
todas as coisas e as considero como refugo, para
ganhar a Cristo”. Para Paulo, nada restou além de
Cristo. Ele despendeu tudo por Cristo, pagando o
preço completo. Tudo o que Paulo tinha, ele
despendeu para ganhar Cristo. Hoje, devemos seguir
esse espírito para pagarmos qualquer preço, inclusive
à custa de nossa vida, para ganharmos Cristo.
Nunca podemos separar a fé viva da natureza
divina. Embora isso seja difícil de explicar de modo
doutrinário, sabemos pela experiência que quando
temos a fé viva, desfrutamos a natureza divina. E
quando estamos na natureza divina, certamente
temos essa fé viva. Portanto, essas duas coisas estão
combinadas e ambas são simbolizadas pelo ouro. A
igreja em Laodicéia precisa desse ouro — a natureza
divina aplicada, adequada, pela fé viva que é o
próprio Cristo. Se quisermos ganhar isso, temos de
pagar o preço.

B. Comprar do Senhor Vestes Brancas


Em segundo lugar, o Senhor aconselhou a igreja
em Laodicéia a comprar “vestes brancas”, para “te
vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha
da tua nudez”. Em figura, as vestes representam a
conduta. As “vestes brancas” aqui se referem à
conduta aprovável ao Senhor, que é o próprio Senhor
expresso pelo viver da igreja e que a igreja restaurada
degradada necessita para cobrir a sua nudez.
Ressaltamos na mensagem quatorze que essas vestes
brancas não são Cristo como a nossa justiça objetiva
para a justificação; pelo contrário, as vestes brancas
são Cristo como a nossa justiça subjetiva, Cristo
vivido — expresso pelo nosso ser. O Cristo que é
vivido — expresso por nós — será a nossa segunda
veste para sermos aprovados pelo Senhor. Isso não é
para a nossa salvação mas para sermos escolhidos.
Todos nós precisamos dessa segunda veste. Quando
temos a fé viva e participamos da natureza divina,
esta, por fim, fluirá de nós para ser o nosso viver. Esse
viver é Cristo vivido — expresso pelo nosso ser e essa
é a segunda veste, a qual nos dá a posição e a
qualificação para sermos aprovados por Cristo. Essa
veste cobrirá a nossa nudez. Sim, todos nós fomos
justificados e cobertos pela primeira veste, a melhor
roupa posta no filho pródigo em Lucas 15. Mas, após
sermos justificados, precisamos amar o Senhor, ser
ardentes e ser absolutos por Ele. Se formos esse tipo
de cristão, então teremos a fé viva para participar da
rica natureza divina, a qual se tornará o Cristo vivido
— expresso pelo nosso ser como a segunda veste para
cobrir a nossa nudez.
Se após ser justificado você não amar e viver por,
para e com o Senhor, você está nu. E difícil explicar
isso de modo doutrinário, mas pela experiência todos
nós podemos perceber que um irmão que não ama o
Senhor ou vive por Ele é algo vergonhoso e está nu.
Ele não tem o amável Cristo como Sua cobertura. Ele
crê em Cristo e Lhe pertence, mas uma vez que nem O
ama nem vive por Ele, está nu tanto aos olhos do
Senhor como aos olhos dos outros crentes. Ele não
tem Cristo como a sua maravilhosa cobertura.
Precisamos pagar o preço por essa segunda veste, o
Cristo vivido — expresso pelo nosso ser. Esse é o
Cristo subjetivo, o próprio Cristo experienciado por
nós de uma maneira subjetiva. Não tente
compreender isso pelo exercício da mente. Confronte
essa palavra com a sua experiência. Embora isso seja
estranho a sua mente, é mais do que familiar para o
seu espírito e para a sua experiência. De acordo com a
sua experiência você pode testificar que, por um lado,
você pode ter convicção de que está justificado, mas,
por outro, tem a sensação de que está nu.
Indubitavelmente, como um filho de Deus, você foi
justificado, redimido, salvo e regenerado, e é um
membro de Cristo. Mas, por outro lado, você sente
que está nu, não tendo Cristo vivido, expresso em
você para ser sua maravilhosa cobertura.
Interiormente, você se condena por isso. Se
confrontar essa palavra com a sua experiência, verá
que é verdade. Assim, todos nós precisamos pagar o
preço, dizendo ao Senhor: “Senhor, qualquer que seja
o custo, pagarei o preço para ter-Te vivido e
expressado em meu ser. Senhor, quero ter-Te como o
meu viver. Não quero procurar um bom
procedimento, corrigir-me ou aperfeiçoar-me.
Senhor, quero ter a Ti vivido e expressado em mim.
Dia a dia, quero que Tu sejas vivido e expresso em
meu ser para ser o meu viver exterior. Senhor, não
sejas somente a minha vida interior, mas também o
meu viver exterior”. Se orar dessa maneira ao Senhor,
Ele se tornará sua cobertura exterior, a segunda veste
para você ser aprovado e escolhido por Ele. Não há
nenhuma necessidade de esperar pelo dia vindouro.
Mesmo hoje você pode ter a convicção de que foi
aprovado e escolhido. Portanto, quando chegar
aquele dia, certamente Ele dirá: “Muito bem! Venha
comigo desfrutar a sua porção e lutar Comigo contra
o exército do anticristo”.

C. Comprar Colírio do Senhor


Em terceiro lugar, o Senhor aconselha a igreja
em Laodicéia a comprar Dele colírio para ungir os
olhos para que possam ver. O “colírio” necessário
para “ungir” os olhos deles deve referir-se ao Espírito
que unge (1Jo 2:27), que é também o próprio Senhor
como o Espírito que dá vida (1Co 15:45). Por ela ter
sido distraída pelo conhecimento morto de letras, a
igreja restaurada degradada também precisa desse
tipo de colírio para a sua cegueira. Para todos os três
itens que o Senhor a aconselha comprar, ela tem de
pagar o preço. Ressaltamos que o colírio é o Espírito
da unção. O discernimento espiritual está sempre
relacionado com o Espírito. Precisamos de mais
Espírito, não de mais conhecimento. Não precisamos
de muitas doutrinas — precisamos de mais Espírito
para nos ungir os olhos e as profundezas do nosso ser
interior, para que possamos ter discernimento para
ver as coisas de dentro. Com esse colírio, essa unção,
podemos ter tanto percepção como profundo
discernimento para ver as coisas por completo.
Diremos, então: “Senhor Jesus, porque agora vejo
que tesouro Tu és, estou pronto para pagar qualquer
preço”. Suponha que o preço de certo artigo numa
loja seja trinta mil cruzeiros. Se esse artigo for um
diamante valioso que vale cento e cinqüenta mil
cruzeiros, você não acharia que o preço é muito alto;
pelo contrário, pensaria que está barato. Por que
tantos cristãos não estão dispostos a pagar o preço
por Cristo? Porque eles não vêem que tesouro é
Cristo. Eles não vêem a preciosidade, a excelência e o
valor de Cristo. Mas, uma vez que seus olhos tenham
sido ungidos pelo colírio espiritual divino, diremos:
“Para mim vale a pena pagar qualquer preço por
Cristo. O preço é muito baixo. O meu eu, o meu futuro
e' a minha vida, todos não valem nada. Na verdade,
não pago nada para ganhar Cristo que é tudo”. Se
quisermos ver isso, precisamos de colírio.
Agora percebemos que o ouro, a veste e o colírio,
todos são Cristo. Cristo é tudo. A nossa necessidade
hoje é Cristo. Sim, em Sua restauração, o Senhor nos
deu muita luz. A nossa intenção, entretanto, não é dar
conhecimento às pessoas. A nossa intenção nessas
mensagens é ajudar o povo do Senhor a ser
iluminado, para que possam ver o valor, a excelência
e a preciosidade de Cristo e, tendo esse
discernimento, possam estar dispostos a pagar
qualquer preço para ganhá-Lo. Para mim, vale a pena
pagar o custo da minha família, do meu futuro, do
meu destino e de toda a minha vida por Cristo. Se
pagar tudo isso, o preço ainda é barato demais. Paulo
disse que todas as coisas que ele considerou perda por
causa de Cristo eram apenas refugo, comida para
cachorro (Fp 3:8). Na vida da igreja, na restauração
do Senhor, não somos pela doutrina ou meramente
pelas assim chamadas verdades. Estamos aqui pelo
Cristo rico. Em todas essas mensagens não estamos
dispensando doutrinas vãs. O objetivo delas é
ministrar alguma unção, para que os olhos das
pessoas possam ser ungidos para ver a preciosidade
de Cristo e elas serem atraídas a Ele. A igreja
degradada não precisa de doutrina; ela precisa de
colírio. Ela precisa de revelação, visão e grande graça.

IV. A REPREENSÃO E A DISCIPLINA DO


SENHOR
No versículo 19, o Senhor disse: “Eu repreendo e
disciplino a quantos amo.” Se ela estiver disposta a
receber isso, a repreensão do Senhor em amor
ser-lhe-á um abrir de olhos. Mas o seu orgulho pode
impedi-la de receber isso. Quando ficamos mornos e
nos sentimos repreendidos pelo Senhor, precisamos
buscar Sua misericórdia, para podermos estar
dispostos a ser humildes, para recebermos a Sua
repreensão em amor. Isso pode trazer o remédio
adequado à igreja degradada.
A disciplina é um passo a mais tomado pelo
Senhor para tratar a Sua igreja degradada, após Ele a
ter repreendido. Se ela estiver disposta a receber a
repreensão do Senhor, Ele pode não precisar exercer
a Sua disciplina sobre ela. A disciplina do Senhor é
exercida sobre ela em amor.

V. A EXORTAÇÃO DO SENHOR
No versículo 19, 0 Senhor exortou a igreja em
Laodicéia, dizendo: “Sê, pois, zeloso, e arrepende-te.”
O conhecimento morto tornou morna a igreja
degradada. Ela precisa tornar-se intensamente
ardente, abandonando o conhecimento morto e frio e
até mesmo precisa quebrar o cativeiro de suas formas
doutrinárias. Ela precisa antes estar fervendo do que
estar correta, mas morta de acordo com a doutrina
morta. Ela precisa amar o Senhor e pagar qualquer
preço para ganhá-Lo, mesmo à custa do sacrifício das
“doutrinas”. Uma igreja morna precisa ser quente,
estar ardendo a qualquer custo. Ela precisa se
arrepender de sua mornidão, não ficar mais
orgulhosa do seu conhecimento. Ela tem apreciado
demais o seu conhecimento morto. Precisa depreciar
todo o seu conhecimento e arrepender-se de estar
satisfeita com a vaidade do conhecimento e não com a
realidade de Cristo.

VI. A PROMESSA DO SENHOR PARA O


VENCEDOR
Nos versículos 20 e 21, vemos a promessa do
Senhor para o vencedor: “Eis que estou à porta, e
bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrira porta,
entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo.
Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu
trono, assim como também eu venci, e me sentei com
meu Pai no seu trono.” Vencer nessas sete epístolas
não significa vencer as nossas fraquezas e os pecados
habituais; significa vencer a condição caída das
igrejas que se desviaram. Vencer, na epístola para
Laodicéia, significa vencer a mornidão e o orgulho da
igreja restaurada degradada, comprar os artigos
necessários e abrir a porta para o Senhor entrar.

A. A Vinda do Senhor
No versículo 20, o Senhor disse que se alguém
ouvir a Sua voz e abrir a porta, Ele virá a ele. Como já
ressaltamos, o Senhor está do lado de fora da igreja
degradada, batendo à sua porta. A porta é a porta da
igreja, não de indivíduos, mas a porta é aberta por
crentes individuais. O Senhor está tratando toda a
igreja, mas a aceitação do tratamento do Senhor tem
de ser uma questão pessoal. O tratamento do Senhor
é objetivo, mas a aceitação dos crentes deve ser
subjetiva. Se ouvirmos a voz do Senhor para a igreja e
pessoalmente abrirmos a porta, o Senhor virá a nós e
a Sua presença será a nossa porção.

B. Cear com o Senhor


No versículo 20, o Senhor também disse que
após vir àquele que abre a porta, Ele ceará com ele e
ele com Ele. De acordo com o grego, a palavra “cear”
significa a refeição principal do dia, ao entardecer.
Cear não é meramente comer um item de comida,
mas participar das riquezas de uma refeição. Isso
pode implicar no cumprimento do tipo dos filhos de
Israel comendo o rico produto da boa terra de Canaã
(Js 5:10-12). A promessa de cear, aqui, não é apenas
para o futuro, mas também para. hoje. Se você for um
vencedor quando o Senhor vier no reino, você terá o
privilégio especial de comer com Ele. Antes daquele
dia, entretanto, você pode desfrutar o cear com Ele.
Muitos cristãos tomam emprestado o versículo
20 para pregar o evangelho de uma maneira
inadequada. Eles dizem aos pecadores que Cristo está
batendo à porta do coração deles e que, se abrirem a
porta, Ele entrará. Isso é tudo o que dizem. Você já
ouviu uma mensagem dizendo-lhe que se abrir a
porta, Cristo virá até você e ceará com você?
Se tivermos uma visão global das sete epístolas
em Apocalipse 2 e 3, veremos que o Senhor exalta o
comer de Si mesmo, o receber de Si mesmo como o
nosso suprimento de vida, para que possamos
crescer, ser transformados e ser iguais ao que Ele é.
Isso é totalmente uma questão de comer Jesus como
a árvore da vida, como o maná e como a maior
refeição do dia. Enquanto o Senhor exalta o comer de
Si mesmo, simultaneamente repudia quatro tipos de
ensinamentos: o ensinamento de Balaão (2:14), o
ensinamento dos nicolaítas (2:15), o ensinamento de
Jezabel (2:20) e o ensinamento das coisas profundas
de Satanás (2:24). Se você não tiver a habilidade para
discernir o dinheiro falso do genuíno, é melhor não
aceitar nenhum; em vez disso, aceite somente ouro
genuíno. Da mesma maneira, é melhor não aceitar
ensinamentos, mas apenas tomar o Cristo vivo.
No Velho Testamento, vemos três estágios do
comer Cristo: a árvore da vida no jardim, o maná no
deserto e o rico produto da boa terra. Estivemos
nesses estágios. Fomos criados no jardim. Depois,
devido à queda, encontramo-nos no Egito. Após
termos sido salvos, fizemos nosso êxodo saindo do
mundo e estivemos no caminho para encontrar o
Senhor. Enquanto viajávamos para encontrar o
Senhor, estávamos no deserto onde havia o maná.
Lembre-se de que a promessa do maná escondido é
dada aos vencedores na igreja mundana, indicando
que Pérgamo havia retornado ao Egito. O maná não
estava disponível no Egito, somente no deserto, e o
maná escondido era encontrado somente no Santo
dos Santos. A igreja em Pérgamo tornou-se uma
igreja mundana, uma igreja no Egito onde não havia
maná. Se quisermos comer o maná, quer o público,
quer o escondido, precisamos sair do Egito.
Precisamos fugir do lugar onde Satanás habita e onde
está o seu trono, e sair para o deserto onde podemos,
primeiramente comer o maná público e, depois,
chegar ao Santo dos Santos e mergulhar na arca para
comer o maná escondido. Parece que, por fim, as sete
epístolas introduzir-nos-ão na boa terra, que é Cristo.
Aqui, na boa terra, festejamos Cristo. Durante as
festas anuais, os filhos de Israel festejavam com Deus
e Deus festejava com eles. Isso pode ser um tipo da
promessa para o vencedor em Laodicéia. A promessa
do Senhor de cear com todo aquele que se abrir a Ele
pode implicar na idéia de desfrutar o rico produto da
boa terra de Canaã durante as festas anuais. Por isso,
a epístola à igreja em Éfeso refere-se ao comer da
árvore da vida, a epístola à igreja em Pérgamo indica
o comer o maná escondido fora do mundo e a epístola
à igreja em Laodicéia alude ao desfrute do rico
produto da boa terra de Canaã, na época das festas
anuais. Sempre que os israelitas tinham uma festa,
eles comiam com Deus, oferecendo o que estavam
comendo a Deus e permitindo que Deus comesse com
eles. Da mesma maneira, o Senhor diz que Ele ceará
conosco e nós cearemos com Ele. Se tivermos essa
visão geral, então saberemos o que devemos enfatizar
hoje. Não somos por ensinamentos — somos pelo
desfrute pleno de Cristo como a árvore da vida, como
o maná e como o rico produto da boa terra.

C. Sentar-se com o Senhor no Seu Trono


No versículo 21, o Senhor disse: “Ao vencedor,
dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim
como também eu venci, e me sentei com meu Pai no
seu trono.” Sentar-se com o Senhor no Seu trono será
um prêmio ao vencedor, para que ele participe da
autoridade do Senhor no reino milenar vindouro. Isso
significa que os vencedores serão co-reis com Cristo,
governando sobre toda a terra. Mais uma vez digo
que, rigorosamente falando, todas as promessas
nessas sete epístolas referem-se ao reino vindouro.
Quaisquer palavras negativas referentes à perda ou
sofrimento são concernentes a uma perda durante o
reino vindouro, e quaisquer palavras positivas
referentes ao ganho ou desfrute são concernentes ao
desfrute de Cristo como a nossa porção especial
durante a era do reino. Precisamos ter discernimento
para compreender essas promessas de uma maneira
adequada. Contudo, em princípio, essas promessas
também podem ser aplicadas hoje e podemos
prová-las de antemão agora. Não há qualquer
necessidade de aguardarmos até entrarmos na era do
reino, para desfrutarmos todas essas porções
especiais. Hoje, na vida da igreja, somos privilegiados
para desfrutar o reino. Louvado seja o Senhor pela
vida da igreja!

VII. O FALAR DO ESPÍRITO


A igreja morna está cheia de conhecimento frio,
mas falta-lhe o Espírito ardente. Ela precisa
desesperadamente do falar do Espírito vivo; ela não
precisa mais do conhecimento morto. Se ela esquecer
todo o seu conhecimento morto e ouvir o falar do
Espírito vivo, será libertada da condição degradada.
As sete igrejas não apenas significam, de modo
profético, o progresso da igreja em sete eras, como
temos visto; elas também simbolizam os sete tipos de
igrejas na história da igreja: a igreja inicial, a igreja
sofredora, a igreja mundana, a igreja apóstata, a
igreja reformada, a igreja restaurada e a igreja
restaurada degradada. A igreja inicial teve
continuação na igreja sofredora; a igreja sofredora
converteu-se na igreja mundana; a igreja mundana se
tornou a igreja apóstata. Portanto, as primeiras
quatro igrejas, por fim, resultam em um único tipo de
igreja, que é a igreja apóstata, a Igreja Católica
Romana. Então, a igreja reformada, como uma reação
à igreja apóstata, veio a existir como outro tipo de
igreja, uma igreja não plenamente restaurada. Por
isso, a seguir, a igreja restaurada foi levantada como
uma plena restauração da vida adequada da igreja.
Esse pode ser considerado o terceiro tipo de igreja.
Pela degradação da igreja restaurada, a igreja
restaurada degradada passou a existir. Esta pode ser
contada como o quarto tipo de igreja. Todos esses
quatro tipos de igreja permanecerão até que o Senhor
volte. Indubitavelmente, somente a igreja restaurada
pode cumprir o propósito eterno de Deus, e é
somente ela que o Senhor procura. Precisamos tomar
a escolha do Senhor.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 17
A CENA NO CÉU APÓS A ASCENSÃO DE CRISTO
Todos os cristãos sabem que Cristo ascendeu ao
céu e que está lá hoje. Entretanto, não muitos estão
familiarizados com a cena no céu após a ascensão de
Cristo. Essa cena é bastante especial e precisamos
vê-la bem claramente.
Apocalipse 4:1 diz: “Depois destas cousas olhei, e
eis não somente uma porta aberta no céu, como
também a primeira voz que ouvi, como de trombeta
ao falar comigo dizendo: Sobe para aqui, e te
mostrarei o que deve acontecer depois destas cousas.”
O plano de Deus está oculto no céu. Quando Deus
encontra um homem na terra segundo o Seu coração,
o céu se lhe abre. Ele se abriu para Jacó (Gn 28:1217),
para Ezequiel (Ez 1:1), para Jesus (Mt 3:16), para
Estêvão (At 7:56) e para Pedro (At 10:11). Aqui e em
19:11, abre-se para João, o escritor deste livro, e
estará aberto para todos os crentes no Senhor na
eternidade (Jo 1:51).

I. UM TRONO NO CÉU
O versículo 2 diz: “Imediatamente eu me achei
em espírito, e eis armado no céu um trono.” No céu
há primeiramente um trono, e o livro de Apocalipse
está focalizado nele. Iniciando a partir do capítulo
quatro, este livro desvenda a administração universal
de Deus. O trono de Deus em Apocalipse é o centro da
Sua administração. Enquanto o trono nas epístolas é
o trono da graça, do qual recebemos misericórdia e no
qual achamos graça (Hb 4:16), o trono aqui é o trono
de julgamento, do 'qual o mundo recebe julgamento.
Esse é o trono de Deus no céu. Todo o universo,
especialmente a terra, está debaixo desse trono. O
que quer que Satanás faça no ar e o que quer que o
homem faça na terra esta debaixo do trono de Deus
no céu. Hoje, o homem pode fazer qualquer coisa que
queira, mas o trono de Deus no céu ainda é a
autoridade sobre todos os homens e sobre todas as
coisas. Ninguém pode fazer coisa alguma e nada pode
acontecer fora do governo do trono de Deus.
Aparentemente, esse trono é invisível e não é
percebido pelo homem, mas na verdade ele está atrás
da cena que governa todos e tudo. No tempo de Deus
e para o cumprimento do Seu propósito, o julgamento
adequado sempre procede deste trono, para a
humanidade e sobre as coisas que acontecem na
terra. No livro de Apocalipse, o resultado consumado
provém da completação da execução do julgamento
de Deus. Esse Julgamento procede do trono e aclara a
confusão tanto no céu como na terra, causada pela
rebelião de Satanás e pela queda do homem.

A. Um Arco-irís ao Redor do Trono com


Aparência de uma Esmeralda
No versículo 3, vemos que “ao redor do trono há
um arco-íris semelhante no aspecto a esmeralda.” O
arco-íris é um sinal da aliança de Deus com o homem
e os seres viventes, de que Ele não os destruirá
novamente com dilúvio (Gn 9:8-17). Neste livro, Deus
julgará a terra com todos os seus habitantes. O
arco-íris ao redor do Seu trono significa que Deus e o
Deus da aliança, o Deus fiel, que guardará a Sua
aliança enquanto executar o Seu julgamento sobre a
terra pois que Ele não julgará a humanidade
novamente com dilúvio nem destruirá toda a
humanidade, mas preservará alguns para que sejam
as nações da terra para Sua glória (21:24, 26). Esse
arco-íris indica que Deus é fiel em Sua administração
em relação à humanidade. Neste capítulo, Deu~ está
prestes a julgar a humanidade, mas ao exercer o Seu
Julgamento, Ele se lembrará da Sua aliança com Noé.
Ele é o Deus que julga e também é o Deus que guarda
a aliança.
Esse arco-íris é “semelhante no aspecto a
esmeralda”. A esmeralda é uma pedra preciosa de cor
verde-relva, que simboliza as vidas na terra. Isso
indica que, enquanto Deus executa o Seu julgamento
sobre a terra, Ele ainda se lembrará da Sua aliança e
poupará algumas vidas na terra, como está indicado
em Gênesis 9:11. Uma esmeralda, sendo uma pedra
preciosa, é sólida. A lembrança de Deus para guardar
a Sua aliança é sólida. Há essa sólida lembrança ao
redor do trono.

B. Do Trono Saem Relâmpagos, Vozes e


Trovões
No versículo 5, é-nos dito que “do trono saem
relâmpagos, vozes e trovões”. Tudo isso representa a
ira de Deus no Seu julgamento. Nas epístolas, do
trono da graça provêm a misericórdia e a graça de
Deus para todos que se aproximam Dele por meio do
sangue redentor de Cristo. Mas aqui do trono de
julgamento saem relâmpagos, vozes e trovões como
advertências ao mundo pecador. No livro de
Apocalipse, após todos os julgamentos de Deus terem
sido executados, o trono de Deus será o trono do
suprimento de vida eterna, do qual procederá o rio da
água da vida com a árvore da vida crescendo nele.
Todos os cristãos que estão participando da
misericórdia e da graça de Deus hoje, ao se
aproximarem do trono da graça de Deus, desfrutarão
o rio da vida e a árvore da vida procedente do trono
Dele, como o seu suprimento de vida pela eternidade,
ao passo que os incrédulos, que serão julgados pelo
trono de julgamento de Deus, não terão nenhuma
participação no desfrute eterno proveniente do trono
eterno de Deus.

C. As Sete Lâmpadas de Fogo Ardendo Diante


do Trono
O versículo 5 nos diz que “diante do trono ardiam
sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete Espíritos
de Deus” (VRC). Isso indica que Deus tocará a terra
por meio das sete lâmpadas, por meio dos Seus sete
Espíritos que estão ardendo, brilhando, observando,
sondando e julgando. As sete lâmpadas, aqui,
referem-se às sete lâmpadas do candelabro em Êxodo
25:37 e às sete lâmpadas do candelabro em Zacarias
4:2. As sete lâmpadas de fogo, que são os sete
Espíritos de Deus, representam o iluminar e o sondar
do Espírito de Deus sete vezes intensificado. Em
Êxodo 25 e Zacarias 4, as sete lâmpadas,
simbolizando o iluminar do Espírito de Deus no Seu
mover, são para a Sua edificação do tabernáculo ou
da edificação do templo. Aqui, as sete lâmpadas são
para o julgamento de Deus, que resultará também na
edificação de Deus — a edificação da Nova Jerusalém.
Enquanto Deus executa o Seu julgamento, o Seu
Espírito sete vezes intensificado levará a cabo a
edificação eterna de Deus sondando, iluminando,
julgando e infundindo. Isso é desenvolvido por
completo nos capítulos seguintes. O resultado é a
consumação da cidade santa, a Nova Jerusalém.

D. Um Mar de Vidro Diante do Trono


O versículo 6 diz: “Há diante do trono um como
que mar de vidro semelhante ao cristal”. O mar de
vidro é um coletor e recipiente para todas as coisas
julgadas por Deus. Esse mar não é de água, mas de
fogo (15:2). Desde o dilúvio, Deus, de acordo com a
Sua promessa de não julgar novamente com água a
terra e os seres viventes (Gn 9:15), sempre exerce o
Seu julgamento sobre o homem com fogo (Gn 19:24;
Lv 10:2; Nm 11:1; 16:35; Dn 7:11; Ap 14:10; 18:8;
19:20; 20:9-10; 21:8). O trono de julgamento de Deus
é semelhante à chamas de fogo de onde mana um rio
de fogo (Dn 7:9-10). A chama do fogo julgador de
Deus varre todas as coisas negativas do universo
inteiro para dentro desse mar vítreo, que, por fim,
torna-se o lago de fogo (20:14). O mar vítreo, que é o
conjunto de todo o julgamento abrasado r de Deus, é
“semelhante ao cristal”, significando que toda coisa
negativa, sob o julgamento de Deus, torna-se clara
como cristal. Tudo o que é julgado e mantido no mar
de vidro é totalmente exposto, nada é escondido.
Nesse capítulo, temos um arco-íris ao redor do trono
de Deus, significando que Deus irá manter a Sua
promessa em Gênesis 9:8-17, e temos também o mar
vítreo de fogo, indicando que Deus ainda julgará
todas as coisas negativas com fogo.

II. DEUS SENTADO NO TRONO

A. Na Aparência de uma Pedra de Jaspe e de


Sárdio
Quando João viu o trono no céu, ele viu “um
assentado sobre o trono; e aquele que estava
assentado era, na aparência, semelhante a uma pedra
de jaspe e sárdio; e havia ao redor do trono um
arco-íris semelhante, na aparência, à esmeralda”
(IBB-Rev.). Deus no trono tem a aparência de uma
pedra de jaspe. O jaspe, de acordo com 21:11, é “uma
pedra preciosíssima... brilhante como cristal”. Sua cor
deve ser verde-escuro, que simboliza a vida em suas
riquezas. O jaspe aqui, como 21:11 indica, simboliza a
glória comunicável de Deus em Sua rica vida (Jo
17:22, 2). É a aparência de Deus, que será também a
aparência da cidade santa, a Nova Jerusalém
(21:10-11). A muralha da cidade e seu primeiro
fundamento são constituídos com ele (21:18-19). Na
Bíblia, o verde simboliza a vida. Assim, a cor de jaspe
indica que o Deus que está sentado no trono é o
próprio Deus da vida. A cor de Deus primeiramente é
verde, testificando que Ele é a fonte da vida.
Deus no trono também tem a aparência de uma
pedra de sárdio. O sárdio é uma pedra muito
preciosa, de cor vermelha, que simboliza redenção.
Hoje, Deus não é somente o Deus da vida, mas
também o Deus da redenção. Enquanto o jaspe indica
Deus como o Deus da glória em Sua rica vida, o sárdio
simboliza Deus como o Deus da redenção. Porque
nós, as Suas criaturas, caímos, Ele veio redimir-nos
por meio do sangue de Cristo. Portanto, Ele tem duas
cores — a cor da vida e a da redenção. Ele é o Deus
que dá vida e também o que redime. No peitoral do
sumo sacerdote no Velho Testamento, a primeira
pedra era o sárdio e a última, o jaspe (Êx 28:17, 20).
Isso significa que o povo redimido de Deus tem seu
início na redenção de Deus e sua consumação na
glória da vida de Deus.
B. Na Sua Mão Direita um Livro
De acordo com 5:1, na mão Daquele que estava
sentado no trono, havia um livro. Esse Deus que dá
vida e redime tem um mistério, o qual é guardado em
Suas mãos. Esse mistério refere-se ao destino do
universo e está selado com sete selos. O mistério, o
segredo, do universo é guardado pelo Deus de vida e
redenção.

III. OS VINTE E QUATRO ANCIÁOS


SENTADOS NOS VINTE E QUATRO TRONOS
AO REDOR DO TRONO
O versículo 4 do capítulo 4 diz: 'Ao redor do
trono há também vinte e quatro tronos e assentados
neles vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em
cujas cabeças estão coroas de ouro.” Os anciãos, neste
versículo, não são os anciãos da igreja, mas os anciãos
dos anjos, porque aqui, antes da segunda vinda do
Senhor, eles já estão sentados sobre os tronos (cf. Mt
19:28; Ap 20:4). Na criação de Deus, os anjos são os
mais antigos. Na Bíblia há diferentes tipos de anciãos:
os anciãos dos israelitas, os anciãos das igrejas e,
como aqui, os anciãos dos anjos. Os anciãos dos anjos
são os anciãos de toda a criação de Deus. O fato de
eles estarem sentados sobre os tronos, tendo sobre a
cabeça coroas de ouro, indica que eles devem ser os
governantes do universo até o reino milenar, quando
a autoridade para governar a terra será dada aos
santos vencedores (Hb 2:5-9; Ap 2:26-27; 20:4). As
vestes brancas, com as quais estão vestidos, indicam
que esses anciãos angélicos são sem pecado, não
tendo necessidade alguma do lavar do sangue do
Cordeiro como a têm os santos redimidos (7:14).
Esses vinte e quatro anciãos estão vestidos com
vestes brancas e têm coroas de ouro na cabeça. O fato
de estarem vestidos de vestes brancas e terem “uma
harpa e taças de ouro cheias de incenso” (5:8) indica
que agora eles são também sacerdotes diante de
Deus; ao passo que, no reino milenar, os vencedores
reinantes serão os sacerdotes de Deus e de Cristo
(20:6). Esses vinte e quatro anjos devem ser os
sacerdotes universais. Suas coroas de ouro indicam
que também são os que governam. São sacerdotes
que servem a Deus e reis que reinam sobre a Sua
criação. Antes da criação do homem, Deus tinha os
anjos líderes como Seus sacerdotes e instrumentos de
governo. De acordo com Ezequiel 28, antes da queda
de Satanás, ele era um deles. Ele era sacerdote de
Deus e também um rei. Até mesmo quando o diabo,
Satanás, tentou o Senhor Jesus, mostrando-Lhe
“num momento todos os reinos do mundo”, ele disse:
“Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes
reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu
quiser” (Lc 4:5-6). O mundo lhe foi dado antes da era
adâmica. Portanto, houve uma era durante a qual
Deus deu autoridade a Satanás, fazendo-o um rei
para reinar sobre aquele universo. Da mesma
maneira, esses vinte e quatro anciãos eram sacerdotes
e reis de Deus.
O número dos anciãos angélicos, vinte e quatro, é
composto de duas vezes doze. Doze é o número da
completação da administração de Deus (Mt 19:28).
Davi dividiu tanto os sacerdotes como os levitas em
vinte e quatro grupos (1Cr 24 e 25) para levar a cabo o
serviço administrativo de Deus. O número vinte e
quatro indica que, antes de a igreja ser estabelecida
para substituí-los, os anciãos angélicos são aqueles
que levam a cabo a administração de Deus. Doze
vezes dois representa o fortalecimento pelo dobrar,
indicando que a administração divina levada a cabo
pelos anciãos angélicos é forte.

IV. OS QUATRO SERES VIVENTES NO MEIO


E AO REDOR DO TRONO
Na Bíblia, o número dos seres viventes — quatro
— sempre representa as quatro extremidades que
abrangem todo o universo ou toda a terra. Em
Gênesis 2:10, o único rio torna-se quatro braços para
atingir toda a terra. Em Jeremias 49:36 há os quatro
ângulos do céu, e em Isaías 11:12, Apocalipse 7:1 e
20:8 há os quatro cantos da terra. Assim, o número
dos seres viventes revela que eles representam todos
os seres da terra e do céu, exceto os anjos, que são
representados pelos vinte e quatro anciãos.

A. Cheios de Olhos na Frente, Atrás e Dentro


O versículo 6 diz que “no meio do trono, e à volta
do trono” havia “quatro seres viventes cheios de olhos
por diante e por detrás”. De acordo com o versículo 8,
eles também são “cheios de olhos, ao redor e por
dentro”. O aspecto mais impressionante dos quatro
seres viventes são os seus olhos. Eles estão cheios de
olhos na frente, atrás e dentro; e podem ver em
qualquer direção sem se voltar. Os olhos são para as
coisas vivas receberem luz e visão. O fato de os quatro
seres viventes serem cheios de olhos indica que não
têm, em absoluto, qualquer opacidade, mas são claros
como cristal de todos os lados e sob todos os aspectos.
Os cristãos devem ser assim, cheios de olhos. Quando
somos cheios de olhos, somos transparentes. Se uma
pessoa não tem olhos, ela é completamente opaca. Os
nossos olhos nos fazem transparentes. Se tivéssemos
centenas de olhos sobre o nosso corpo, tanto por
dentro como por fora, todo o nosso ser seria
transparente. Na presença de Deus, nós, o povo
redimido, devemos set assim.

B. Tendo Cada Um Seis Asas


O versículo 8 diz: “E os quatro seres viventes,
tendo cada um deles respectivamente seis asas”. Na
aparência, os quatro seres viventes assemelham-se
aos querubins em Ezequiel 1:5-10 e 10:14-15. De
acordo com as suas seis asas, são semelhantes aos
serafins em Isaías 6:2. (O querubim em Êxodo 25:20
e 1 Reis 6:27 têm duas asas, e os querubins em
Ezequiel 1:6 têm quatro asas). Eles devem ser uma
combinação de querubins e serafins. Como serafins,
eles são para a santidade de Deus (Is 6:3),
referindo-se à natureza de Deus; e como querubins,
eles são para a glória de Deus (Ez 10:1819; Hb 9:5),
referindo-se à expressão de Deus. Portanto, eles
representam a natureza e a expressão de Deus.

C. A Aparência de um Leão, de um Bezerro,


de um Homem e de uma Águia Voando
O versículo 7 diz: “O primeiro ser vivente é
semelhante a leão, o segundo semelhante a novilho, o
terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser
vivente é semelhante a águia quando está voando.”
Ao redor do trono de Deus, os vinte e quatro anciãos
representam todos os anjos, ao passo que os quatro
seres viventes representam todos os outros seres
viventes. O primeiro, semelhante a leão, representa
as feras; o segundo, semelhante a bezerro, representa
o gado; o terceiro, semelhante a homem, representa a
humanidade; e o quarto, semelhante a águia,
representa as aves. Das seis categorias de seres
viventes criados por Deus (Gn 1:20-28), duas não são
representadas aqui — os répteis da terra e os seres
que vivem na água. O cabeça dos répteis é a serpente,
símbolo do inimigo de Deus, Satanás, que, tendo sido
atirado no lago de fogo, não terá lugar no novo céu e
na nova terra; os seres que vivem na água estão na
água do julgamento de Deus, a qual não mais existirá
no novo céu e na nova terra (21:1). Portanto, essas
duas categorias não são representadas diante de Deus
pela eternidade.
Entre os quatro seres viventes, o bezerro é limpo,
mas o leão e a águia são imundos (Lv 11:3-8, 13-19).
Tendo sido redimidos, todos se tornaram limpos (At
10:11-16). Entre eles, o bezerro e o homem são
mansos e dóceis, mas o leão e a águia são selvagens e
ferozes. Por meio da redenção, eles podem habitar
juntos (Is 11:6-9). A redenção de Cristo não é apenas
para o homem, mas para “todas as coisas” (Cl 1:20),
porque Ele morreu a favor de “todas as coisas” (Hb
2:9).

V. A ADORAÇÃO A DEUS
Em 4:8-11, vemos a adoração a Deus. Aqui, ainda
não temos a adoração do Cordeiro, pois o Cordeiro
não aparece até o capítulo seguinte. Este capítulo
apenas representa a cena na qual Cristo ascendeu. A
adoração a Deus aqui é pelos quatro seres viventes
que representam todos os seres (vs. 8-9) e pelos vinte
e quatro anciãos que representam todos os anjos (vs.
10-11). Nessa cena, todos os seres estão adorando a
Deus. No versículo 8, os seres viventes dizem: “Santo,
Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso,
aquele que era, que é e que há de vir.” A menção da
palavra “Santo” três vezes, como em Isaías 6:3,
implica a idéia de Deus ser triúno. A menção da
existência de Deus em três tempos verbais também
implica a idéia de Deus ser triúno. Os louvores dos
quatro seres viventes (v. 9) e dos vinte e quatro
anciãos (v. 11) são compostos de três coisas,
implicando que eles estão louvando o Deus Triúno.
As primeiras duas coisas, “glória e honra”, são as
mesmas em ambos os lugares, mas a última é
diferente. A última coisa nos louvores dos quatro
seres viventes é “graças”, porque eles foram
redimidos e estão gratos pela redenção da graça de
Deus, ao passo que a última coisa nos louvores dos
vinte e quatro anciãos é “poder”, porque, como os
governantes do universo, e não como seres
redimidos, eles valorizam o poder de Deus pelo qual
governam.
No versículo 11, os vinte e quatro anciãos dizem:
“Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a
glória, a honra e o poder, porque todas as cousas tu
criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir
e foram criadas.” Deus é um Deus de propósito, tendo
uma vontade do Seu próprio prazer. Ele criou todas
as coisas para a Sua vontade, a fim de realizar e
cumprir o Seu propósito. Este livro, desvendando a
administração universal de Deus, mostra-nos o Seu
propósito. Assim, no louvor dos vinte e quatro
anciãos com respeito à Sua criação, esta está
relacionada com a Sua vontade.
Como aqueles que levam a cabo a administração
de Deus no universo, os vinte e quatro anciãos
angélicos proferem em seus louvores a vontade da
criação de Deus. As pessoas podem perceber
facilmente a criação de Deus, mas raramente
conhecem a vontade, o propósito de Sua criação. O
louvor dos anciãos angélicos é uma introdução ao
conteúdo deste livro, o qual desvenda a vontade, o
propósito da criação de Deus — ter uma habitação
eterna para a Sua satisfação e expressão. Essa é a
cidade santa, a Nova Jerusalém. Na Nova Jerusalém,
a vontade de Deus na criação será completamente
revelada e cumprida. Deus ficará plenamente
satisfeito e será totalmente expresso na e por meio da
Nova Jerusalém. Essa é a vontade de Deus em Sua
criação e o objetivo do livro de Apocalipse. O louvor
dos anciãos angélicos nos indica essa questão e
Apocalipse prossegue em torno desse ponto e, por
fim, nos leva a isso, à consumação final e máxima da
vontade de Deus em Sua criação.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 18
O DIGNO CORDEIRO-LEÃO
No capítulo 4, vemos a cena nos céus após a
ascensão de Cristo. O trono de Deus é o centro da
cena no capítulo quatro e Deus está assentado no
trono pronto para executar Sua administração
universal para o cumprimento de Seu propósito
eterno. No capítulo cinco existe a mesma cena depois
que Cristo para ali ascendeu. Como veremos nesta
mensagem, o centro dessa cena é o digno
Cordeiro-Leão.

I. O SEGREDO

DA ADMINISTRAÇÃO DE DEUS
Apocalipse 5:1 diz: “Vi na mão direita daquele
que estava sentado no trono um livro escrito por
dentro e por fora, de todo selado com sete selos.” A
administração de Deus é um segredo, um mistério.
Através dos séculos, muitos homens sábios tentaram
diligentemente saber qual é o segredo deste universo.
Falharam, porque não tinham a revelação. No livro de
Apocalipse, o último livro da Bíblia, temos um
desvendar da economia de Deus.
Em 5:1, Aquele que está sentado no trono tem
um livro em Sua mão, selado com sete selos. Esses
sete selos, na verdade, são o conteúdo do livro e o
conteúdo de Apocalipse, pois este livro é a abertura, o
desvendar dos sete selos. O livro por si mesmo tem de
ser a nova aliança, o grande título de escritura
decretado com o sangue do Cordeiro. A nova aliança é
um livro que aborda a redenção da igreja, de Israel,
do mundo e do universo. O livro de Apocalipse é um
registro do pensamento de Deus acerca da igreja, de
Israel, do mundo e do universo. Quando Cristo
morreu na cruz, Ele provou a morte não somente pelo
homem, mas por todas as coisas (Hb 2:9). Aqui,
vemos o segredo da administração de Deus no
universo. O Novo Testamento decretado pela morte
de Cristo tem sido um mistério para a humanidade. A
nova aliança é o segredo do universo e o conteúdo do
livro de Apocalipse. Ao lermos Apocalipse,
precisamos perceber que, em visão após visão,
estamos vendo o que está incluso nessa nova aliança,
o que está contido nesse livro secreto e selado.
Agora, após a ascensão de Cristo, não deve haver
mais um segredo, pois ele foi desselado pela morte,
ressurreição e ascensão de Cristo. Antes da Sua morte
havia um mistério que nenhum homem conhecia
qualquer coisa a respeito. Mas, pela Sua morte,
ressurreição e ascensão, Ele cumpriu todas as
exigências de Deus. Assim, como veremos, Ele abriu o
mistério e revelou-o a João, ordenando-lhe colocá-lo
por escrito. Portanto, esse livro é apenas o segredo
aberto ou o livro, nas mãos de Deus. Não é mais um
segredo — é um mistério aberto. Agora, enquanto
estamos lendo Apocalipse, estamos lendo o conteúdo
do livro que foi desselado pelo Cristo ascendido. Esse
ponto é muito importante e poucos cristãos estão
cientes dele. A maioria dos cristãos tem o livro de
Apocalipse, mas não muitos têm o livro desselado
porque não percebem que Apocalipse é o livro
desselado.

II. NINGUÉM DIGNO


Em 5:2-4, vemos que ninguém nos céus, na terra
ou debaixo da terra era digno de abrir o livro ou olhar
para ele. Quando João viu o livro pela primeira vez,
ele ainda estava selado. Se estivesse lá, nós, como
João, certamente ficaríamos desejosos de ver o que
estava contido naquele livro. Mas João “chorava
muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o
livro, nem mesmo de olhar para ele”. Se, de fato, não
foi achado ninguém digno em todo o universo,
certamente precisaríamos chorar, pois o universo
inteiro seria vaidade, sem ninguém qualificado para
desvendar o seu segredo. Se não houvesse Cristo
neste universo, o universo inteiro choraria. Mas há
Cristo, e nós não precisamos chorar.

III. O DIGNO CORDEIRO-LEÃO

A. O Leão da Tribo de Judá


Enquanto João estava chorando, um dos anciãos
lhe disse: “Não chores: eis que o Leão da tribo de
Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os
seus sete selos.” Isso se refere a Gênesis 49:8-9, onde
Cristo é retratado como um leão, o qual é um símbolo
Seu como um lutador forte contra o inimigo. Já
ressaltamos que quase tudo em Apocalipse é um
cumprimento do que é mencionado no Velho
Testamento. Cristo é o Leão lutador, vitorioso e
vencedor. Ele venceu a batalha. Assim, a Sua vitória O
qualifica para abrir o livro e os seus sete selos.
Embora o anjo tenha dito a João para
contemplar o Leão da tribo de Judá, o versículo 6 diz:
“Então vi, no meio do trono e dos quatro seres
viventes, e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro,
como tinha [tendo] sido morto.” O anjo apresentou
Cristo como Leão, mas João O viu como o Cordeiro.
Como o Leão, Ele é o Lutador contra o inimigo; como
o Cordeiro, Ele é o Redentor para nós. Ele lutou para
nos redimir, venceu a batalha sobre o inimigo e
cumpriu a redenção por nós. Para o inimigo, Ele é um
Leão; para nós, Ele é um Cordeiro. Embora os anjos
não precisem de redenção, precisam de alguém para
derrotar o inimigo de Deus, pois um dentre eles
tornou-se inimigo de Deus. Portanto, os anjos
percebem que há necessidade de alguém derrotar
esse rebelde. Para os anjos, Cristo era o Leão que
derrotou o rebelde, mas para nós, incluindo o
apóstolo João, Cristo é o Cordeiro, o Redentor.
Precisamos da redenção de Cristo. Como já
ressaltamos, no universo há dois problemas
principais — Satanás e o pecado. Como o Leão, Cristo
derrotou e destruiu Satanás; e como o Cordeiro, Ele
tirou o nosso pecado. Ele ganhou a vitória e cumpriu
a redenção. Agora Ele é o Cordeiro-Leão.
O versículo 6 revela que o Cordeiro está no meio
do trono. No que diz respeito à redenção, Cristo
assentou-se à destra de Deus nos céus após a Sua
ascensão (Hb 1:3; 10:12), ao passo que, em se
tratando da execução da administração de Deus, Ele
ainda está em pé em Sua ascensão.

B. A Raiz de Davi
No versículo 5, é dado a Cristo o título de “a Raiz
de Davi”. Esse título (Ele também é a Raiz do pai de
Davi: Jessé; Is 11:1) significa que Cristo é a origem de
Davi. Portanto, Davi, como o Seu antepassado,
chamou-O “Senhor” (Mt 22:42-45). Ele é a raiz de
Davi. Em nosso conceito, Cristo nasceu de Davi,
sendo, desse modo, um descendente de Davi. Mas,
aqui, é dito que Cristo é a raiz de Davi, significando
que Davi é proveniente de Cristo. A Bíblia também diz
que Cristo é o renovo de Davi (Jr 23:5). Portanto, Ele
é tanto a raiz como o renovo. Em Isaías 11:1 e 10,
vemos que Cristo também é um renovo e raiz de
Jessé.
Vimos que Cristo tanto é um descendente como a
raiz de Davi. Aos olhos de Deus, Davi foi a única
pessoa que lutou a batalha e ganhou autoridade,
lutando a batalha por Deus e ganhando Sua plena
autoridade. O fato de Cristo, o Cordeiro-Leão, ser a
raiz dessa pessoa, significa que Ele é maior do que
Davi. Por isso é que Ele segura a chave de Davi (3:7).
Tudo o que Davi foi, teve e fez, foi totalmente oriundo
dessa raiz. Portanto, como a raiz de Davi, Cristo é
mais poderoso e mais vitorioso do que Davi, e tem
mais da autoridade divina de Deus.

C. O Cordeiro Morto
No versículo 6, João disse que ele viu “um
Cordeiro em pé, como tinha [tendo] sido morto.” De
acordo com o grego, “tendo sido morto” indica que o
Cordeiro foi morto bem recentemente. Quando João
viu Cristo como o Cordeiro, Ele havia acabado de ser
morto. Isso também indica que a cena nos céus
descrita neste capítulo é imediatamente após a
ascensão de Cristo ao céu.

D. Tendo Vencido
Como o Leão da tribo de Judá, Cristo venceu
Satanás, o inimigo de Deus. Ele resolveu esse
problema para Deus, e removeu os impedimentos
para o cumprimento do propósito de Deus. Portanto,
Ele é digno de abrir o livro referente à economia de
Deus.

E. Digno de Abrir o Livro e os Seus Sete Selos


O propósito de Deus, para ser levado a cabo,
precisa de alguém que possa resolver todos os Seus
problemas. Os problemas que Deus teve foram a
rebelião de Satanás e a queda do homem. Como o
Leão, Cristo derrotou o rebelde Satanás, e como o
Cordeiro, Ele removeu o pecado do homem caído.
Visto que Ele resolveu esses dois problemas para
Deus, Ele é digno de abrir o livro da economia de
Deus.

F. Tendo Sete Chifres


No versículo 6, João diz que o Cordeiro tem sete
chifres. Os chifres representam a força na luta (Dt
33:17). Cristo é o Cordeiro redentor, contudo, com
chifres para lutar. Ele é o Redentor que luta e a Sua
luta é completa no mover de Deus, conforme é
simbolizado pelo número sete.

G. Tendo Sete Olhos


O versículo 6 diz que o Cordeiro tem “sete olhos,
que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a
terra” (VRC). Os olhos do Cordeiro são para observar
e sondar. Cristo, como o Cordeiro redentor, tem sete
olhos observadores e perscrutantes para executar o
julgamento de Deus sobre o universo a fim de
cumprir o propósito eterno de Deus, o qual
consumar-se-á na edificação da Nova Jerusalém.
Assim, em Zacarias 3:9, Ele é profetizado como a
pedra, que é a pedra de remate (Zc 4:7), com sete
olhos para a edificação de Deus. Esses sete olhos são
os sete Espíritos de Deus, enviados a toda a terra,
“que percorrem toda a terra” (Zc 4:10).
Em seu Evangelho, João disse que Jesus era o
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo
1:29). Mas aqui, em Apocalipse 5, João vê o Cordeiro
como tendo sete olhos. Embora João visse o Cordeiro
que tinha sido morto ele não viu sangue fluindo; pelo
contrário, ele viu sete olhos que são os sete Espíritos
de Deus. Esses sete olhos, certamente não são para a
redenção. O Cordeiro do Evangelho de João
derramou o Seu sangue e do Seu lado fluiu água. Mas
o Cordeiro em Apocalipse tem sete olhos flamejantes
que brilham e vão longe para tocar as pessoas. De
acordo com as letras pretas no papel branco, isso é
para julgamento, mas, na verdade, é para a edificação
de Deus. Você pode perguntar a si mesmo qual é
minha base para dizer que os sete olhos que sondam,
iluminam, são para a edificação de Deus. A Bíblia nos
diz claramente que esses sete olhos são as sete
lâmpadas (~c 3:9; 4:2, 1AO). As sete lâmpadas são
primeiramente mencionadas em Êxodo 25. Ali, as
lâmpadas não são nem para sondar, nem para julgar,
mas para a edificação de Deus. As sete lâmpadas lá
mencionadas são para a edificação do tabernáculo, o
lugar de habitação de Deus entre os homens na terra.
Aparentemente, os sete olhos flamejantes do
Cordeiro são para sondar e julgar. Entretanto, este
sondar e julgar é um procedimento para atingir o
objetivo consumado da edificação. Por fim, o livro de
Apocalipse não é somente para julgamento, mas para
edificação. A maioria dos comentários sobre
Apocalipse diz que ele é um livro de julgamento. Mas
esse julgamento é um procedimento que se
consumará na Nova, Jerusalém. Que aparece após o
julgamento ter sido executado? A Nova Jerusalém. A
Nova Jerusalém resulta do julgamento de Deus que é
levado a cabo pelos sete olhos.
Como já ressaltamos, os olhos de uma pessoa não
podem ser separados dela, pois são a sua expressão. O
nosso ser interior é expresso principalmente pelos
olhos. Da mesma maneira, os sete Espíritos são os
sete olhos de Cristo, pelos quais Cristo se expressa. Se
alguém diz que o Espírito está separado de Cristo,
então deve faltar-lhe conhecimento e ele deve ter
visão curta. Como alguém pode dizer que os olhos de
uma pessoa estão separados dela? Isso é ridículo! Os
sete Espíritos não são o Espírito Santo e os sete
Espíritos não são os olhos de Cristo? Como, então,
alguém pode dizer que o Espírito Santo, que é os sete
Espíritos, está separado de Cristo? O Filho é a
corporificação do Pai e o Espírito é a expressão do
Filho. Os sete olhos de Cristo, os sete Espíritos de
Deus, são a expressão de Cristo concernente a
julgamento no mover de Deus para a Sua edificação.
Mesmo agora, os olhos ardentes de Cristo estão
flamejando sobre nós para iluminar-nos, sondar-nos,
refinar-nos e julgar-nos, não para que sejamos
condenados, mas para sermos purificados,
transformados e conformados à Sua imagem para a
edificação de Deus. O julgamento do Senhor é
motivado pelo amor. Porquanto Ele ama a igreja, Ele
vem sondar-nos, iluminar-nos, julgar-nos,
refinar-nos e purificar-nos para transformar-nos em
pedras preciosas. Por fim, este livro consuma-se na
Nova Jerusalém, a qual é construída com materiais
preciosos. De onde vêm esses materiais? Eles vêm dos
sete olhos de Cristo, isto é, do Espírito que dá vida e
que transforma.
No livro de Apocalipse, o Espírito não é chamado
de Espírito que dá vida ou Espírito transformador,
mas de os sete Espíritos que são as sete lâmpadas que
ardem, que sondam, que julgam. Para a igreja
degradada, o Espírito que dá vida precisa ser o
Espírito que arde sete vezes intensificado. Hoje, o
Espírito que dá vida precisa ser o Espírito que arde, e
o Espírito transformador precisa ser o Espírito que
sonda e julga. O Seu sondar e julgar são para o Seu
purificar e transformar. Ninguém pode ser
transformado numa pedra preciosa sem ser sondado
por Ele. Como confio no Senhor que Ele há de sondar
todos nós! Não estamos aqui pela doutrina e pelo
ensinamento; estamos aqui debaixo do iluminar da
Palavra pura e do sondar dos sete Espíritos. Todos
nós precisamos ser completamente sondados,
purificados e refinados. Se isso ocorrer, nunca mais
seremos os mesmos.
Em Êxodo 25, as sete lâmpadas são para a
edificação da habitação de Deus na terra, e em
Zacarias 3, os sete olhos são os sete olhos da pedra.
Em Apocalipse temos o Cordeiro-Leão, e em Zacarias,
a pedra. Visto que em Apocalipse os
sete olhos estão no Cordeiro, e em Zacarias, na
pedra, podemos dizer que o Cordeiro é o
Cordeiro-pedra. O Cordeiro-pedra é para a edificação
de Deus. O fato de Cristo, o Cordeiro de Deus, ser a
pedra de edificação com os sete olhos prova que os
sete olhos de Cristo são para a edificação de Deus. Na
restauração do Senhor, todos estão debaixo do
sondar, julgar e purificar do Espírito de Cristo, e hoje
o Espírito de Cristo é o Espírito que arde sete vezes
intensificado. Embora Ele seja o Espírito que dá vida
e que transforma, para a igreja degradada Ele é os
sete Espíritos ardentes. Não estamos apenas
pregando o Cordeiro de João 1, mas também
ministrando o Cordeiro de Apocalipse 5. Estamos
ministrando esse Cordeiro como a pedra de
edificação com os sete Espíritos. O nosso Salvador é
essa Pessoa, que tem os sete Espíritos para
propagar-se, expressar-se e infundir-se em todos os
Seus membros, a fim de transformar-nos em
materiais preciosos para a edificação de Deus.

IV. A ADORAÇÃO E O LOUVOR DOS QUATRO


SERES VIVENTES E DOS VINTE E QUATRO
ANCIÃOS AO CORDEIRO

A. Tendo Harpas e Taças de Ouro Cheias de


Incenso
Nos versículos de 8 a 10, vemos a adoração e
louvor dos quatro seres viventes e dos vinte e quatro
anciãos para o Cordeiro. Os quatro seres viventes e os
vinte e quatro anciãos têm harpas e taças de ouro
cheias de incenso. No versículo 8, a palavra “as quais”
refere-se às taças, não ao incenso. As taças são “as
orações dos santos” levadas a Deus pelos anciãos
angélicos (cf. 8:3-4), ao passo que o incenso é Cristo
adicionado às orações dos santos. O fato de esses
adoradores estarem segurando as taças significa que
eles, como sacerdotes, estão ministrando a Deus ao
levarem-Lhe a oração dos santos. Isso revela que
antes dos cristãos tornarem-se sacerdotes no reino
milenar, os vinte e quatro anciãos são sacerdotes
'atualmente. Por fim, nós os substituiremos. Isso é
provado por 4:10, onde nos é dito que os vinte e
quatro anciãos “depositarão as suas coroas diante do
trono”, indicando que renunciarão às suas posições.
Quando os santos redimidos forem aperfeiçoados e
glorificados para serem os reis-sacerdotes adequados,
os sacerdotes temporários — os anciãos angélicos —
renunciarão. Na época do milênio, os santos
vencedores serão aperfeiçoados e completados e
serão sacerdotes e reis adequados para Deus. Quando
chegar essa época, os sacerdotes e governantes
temporários renunciarão. Mas, aqui, no capítulo
cinco, eles ainda são sacerdotes que oferecem as
orações dos santos com Cristo como incenso a Deus.

B. Cantando um Novo Cântico, Louvando o


Cordeiro
Nos versículos 9 e 10, vemos os anciãos cantando
um novo cântico de louvor para o Cordeiro. O
versículo 9 diz: “E entoavam novo cântico, dizendo:
Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos,
porque foste morto e com o teu sangue compraste
para Deus os que procedem de toda tribo, língua,
povo e nação”. O cântico, aqui, é novo porque o
Cordeiro a quem ele louva havia sido morto
recentemente. Esse novo cântico louva a dignidade do
Cordeiro. Como vimos, em todo o universo, ninguém
é digno de abrir o mistério da economia de Deus
exceto Cristo, o Leão vencedor e o Cordeiro redentor.
Como o Leão vencedor, Ele derrotou Satanás por
Deus, e como o Cordeiro redentor, Ele tirou o pecado
por nós. Ele é o Único qualificado para desvendar o
mistério da economia de Deus e levá-la a cabo.
Falando daqueles que foram comprados para
Deus pelo sangue do Cordeiro, os vinte e quatro
anciãos cantam no versículo 10: “E para o nosso Deus
os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a
terra.” A palavra “os” neste versículo prova que os
anciãos que louvam não fazem parte da igreja, mas
dos anjos. O reino é para a realeza, para o exercício da
autoridade de Deus; os sacerdotes são para o
sacerdócio, para o cumprimento do ministério divino.

V. O LOUVOR UNIVERSAL A DEUS E AO


CORDEIRO
Nos versículos de 11 a 14, vemos o louvor
universal a Deus e ao Cordeiro pelos anjos sob a
liderança dos vinte e quatro anciãos (vs. 11-12) e por
todos os seres sob a liderança dos quatro seres
viventes (vs. 13-14). Os muitos anjos, representados
pelos vinte e quatro anciãos, rendem o louvor
angélico ao Cordeiro. Toda criatura, representada
pelos quatro seres viventes, segue a estes a fim de dar
ao Cordeiro o louvor universal de todos os outros
seres afora os anjos.
A economia de Deus com a Sua redenção é para a
execução do Seu lugar de habitação eterna, a Nova
Jerusalém. O Ungido de Deus, Cristo, é o Leão, o
Cordeiro e a pedra. Ele destruiu o inimigo, nos
redimiu e tornou-se a pedra. Em Mateus 21:42, o
Senhor disse aos fariseus que estavam se opondo a
Ele: “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os
construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal
pedra, angular; isto procede do Senhor, e é
maravilhoso aos nossos olhos?” Aqui, o Senhor
mostra que a Sua redenção foi para Ele ser a pedra
angular. Encontramos a mesma idéia em Atos 4:11 e
12. Atos 4:12 diz que “não há salvação em nenhum
outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro
nome, dado entre os homens, pelo qual importa que
sejamos salvos.” O fato de esse nome ser o nome de
Cristo, a pedra angular, é revelado no versículo
anterior, o qual diz que “a pedra que foi desprezada
por vós”, pelos “edificadores”, tornou-se “a pedra
angular”. Assim, o nome da pedra angular é o nome
pelo qual somos salvos. Para que fomos salvos? Para
ir para o céu? Não, fomos salvos para nos tornar uma
pedra para a edificação de Deus. O conceito em
Apocalipse é que Cristo é o Leão para derrotar e
destruir o inimigo, o Cordeiro para nos redimir e a
pedra para edificar a habitação eterna de Deus. De
que maneira Cristo edifica a habitação de Deus? Por
meio dos sete Espíritos como os sete olhos que
ardem, iluminam, sondam, julgam e infundem. Por
meio desses sete Espíritos, Ele nos transforma em
pedras preciosas para sermos edificados como a Nova
Jerusalém.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 19
A HISTÓRIA DO MUNDO DESDE A ASCENSÃO DE
CRISTO ATÉ O FIM DESTA ERA

SELOS DE UM A QUATRO
Nesta mensagem chegamos aos primeiros quatro
selos com os quatro cavalos e os quatro cavaleiros
(6:1-8).

I. A ABERTURA

DO SEGREDO DA ADMINISTRAÇÃO DE
DEUS PELO CORDEIRO
Apocalipse 6:1 diz: “Vi quando o Cordeiro abriu
um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres
viventes, dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem.”
A abertura dos sete selos pelo Cordeiro aconteceu
imediatamente após a ascensão de Cristo aos céus.
Por meio da Sua encarnação, crucificação e
ressurreição, Cristo é plenamente qualificado em Sua
ascensão, para abrir o mistério da economia de Deus
que está contido nos sete selos. Pelo fato de a
economia de Deus com respeito às criaturas estar
contida nos sete selos, os quatro seres viventes estão
interessados em anunciar, respectivamente, a
abertura dos primeiros quatro selos.

II. UMA CORRIDA DE QUATRO CAVALOS


CONSTITUINDO A HISTÓRIA DO MUNDO
Os primeiros quatro selos consistem em quatro
cavalos com seus cavaleiros numa corrida de quatro
participantes. Todos os quatro cavaleiros não são
pessoas reais, mas coisas personificadas. E evidente
que o cavaleiro do segundo cavalo, o cavalo vermelho,
é a guerra (v. 4); o cavaleiro do terceiro cavalo, o
cavalo preto, é a fome (v. 5); e o cavaleiro do quarto
cavalo, o cavalo pálido, é a morte (v. 8). De acordo
com os fatos históricos, o cavaleiro do primeiro
cavalo, o cavalo branco, deve ser o evangelho, e não
Cristo nem o anticristo, como alguns interpretam.
Imediatamente após a ascensão de Cristo, estas
quatro coisas — o evangelho, a guerra, a fome e a
morte — começaram a correr como cavaleiros em
quatro cavalos e continuarão até Cristo voltar. A
começar do primeiro século, o evangelho tem estado a
se espalhar ao longo de todos esses vinte séculos. A
guerra tem também ocorrido simultaneamente. A
guerra sempre causa a fome e a fome resulta em
morte. Todas essas coisas continuarão até o fim desta
era.

A. O Cavaleiro do Cavalo Branco


O cavaleiro do cavalo branco é a pregação do
evangelho. Branco significa limpo, puro, justo e
aprovável. O cavalo branco é um símbolo da pregação
do evangelho, o qual é limpo, puro, justo e aprovável
tanto ao homem como a Deus.
Alguns têm dito que o cavaleiro do cavalo branco
é Cristo, e outros têm proclamado que o cavaleiro é o
anticristo, Após muito estudo, aprendemos que
nenhum desses conceitos é correto. Ao
interpretarmos a Bíblia, precisamos seguir o
princípio. O princípio aqui é que os cavaleiros nos
quatro cavalos não são pessoas, mas coisas
personificadas. O cavaleiro do segundo cavalo é a
guerra, o do terceiro é a fome e o do quarto é a morte.
Nenhum desses é uma pessoa, mas, pelo contrário,
eles são coisas personificadas. Segundo esse
princípio, o cavaleiro do primeiro cavalo também
deve ser uma coisa personificada. Por isso, o cavaleiro
não pode ser nem Cristo nem o anticristo. De acordo
com o princípio, esse cavaleiro também deve ser uma
personificação. Após muita consideração, vimos que
esse cavaleiro tem de ser a pregação do evangelho.

1. Tendo um Arco, Significando que a


Batalha Foi Travada
O versículo 2 diz: “Vi então, e eis um cavalo
branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada
uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.” Um
arco é para se combater com uma flecha. Mas aqui há
um arco sem uma flecha. Isso indica que a flecha já
foi atirada para destruir o inimigo e a vitória já foi
ganha para a constituição do evangelho da paz. Agora
a luta terminou e o evangelho da paz é proclamado de
maneira pacífica. Na cruz, a seta foi atirada ao
coração do inimigo, a batalha foi travada e a vitória
foi ganha. Portanto, o arco sem uma flecha é uma
declaração de que a guerra terminou e a vitória foi
ganha.

2. Dada uma Coroa, Significando a Glória do


Evangelho
O versículo 2 diz que “foi-lhe dada uma coroa”.
Uma coroa é um sinal de glória. O evangelho foi
coroado com a “glória de Cristo” (2Co 4:4) e é
chamado de o evangelho da glória de Cristo. O
evangelho que pregamos é o evangelho coroado com a
glória de Cristo. Não pregamos somente o evangelho
da graça, mas também o evangelho da glória.

3. Saiu Vencendo e para Vencer


O versículo 2 diz que o cavaleiro no cavalo
branco “saiu vencendo e para vencer”. Ao longo de
todos os séculos, onde quer que o evangelho tenha
sido proclamado, ele tem vencido e sobrepujado toda
e qualquer oposição e ataque, e ainda hoje está
vencendo. Não nos é dito que os cavaleiros no
segundo, terceiro e quarto cavalos saíram vencendo.
Somente o cavaleiro no primeiro cavalo, a pregação
do evangelho, tem continuamente vencido. Aonde
quer que a pregação do evangelho vá, há este vencer.

B. o Cavaleiro do Cavalo Vermelho


Os versículos 3 e 4 dizem: “Quando abriu o
segundo selo, ouvi o segundo ser vivente, dizendo:
Vem. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu
cavaleiro foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os
homens se matassem uns aos outros; também lhe foi
dada uma grande espada.” Vermelho, aqui, simboliza
o derramamento de sangue. Portanto, o cavalo
vermelho é um símbolo do furor da guerra, que é
inteiramente uma questão de derramamento de
sangue. “Tirar a paz da terra”, “se matassem uns aos
outros” e “foi-lhe dada uma grande espada”, tudo isso
indica claramente a guerra. Desde a ascensão de
Cristo, a pregação do evangelho foi seguida pela
guerra.

C. O Cavaleiro do Cavalo Preto


Os versículos 5 e 6 dizem: “Quando abriu o
terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente, dizendo:
Vem. Então vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro
com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz
no meio dos quatro seres viventes, dizendo: Uma
medida de trigo por um denário; três medidas de
cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o
vinho.” Preto, aqui, indicando a escassez (Jr 14:1-4),
representa a cor do semblante das pessoas famintas
(Lm 4:8-9; 5:9-10). O cavalo preto é um símbolo do
alastramento da fome que causa um semblante
escuro. Uma balança é um instrumento usado para
pesar coisas preciosas. Mas aqui ela é usada para
pesar alimento, como é mencionado no versículo 6,
mostrando, assim, a escassez deste (Lv 26:26; Ez
4:16). O azeite e o vinho são para o prazer do homem
(Sl 104:15). Em épocas de fome, eles se tornam
preciosos por ficarem escassos. Durante a fome, o
azeite e o vinho devem ser preservados e não
danificados. A fome sempre segue a guerra, pois a
guerra faz com que o alimento fique escasso. Se
houvesse hoje outra guerra, o mundo teria falta de
alimento.

D. O Cavaleiro do Cavalo Pálido


Os versículos 7 e 8 dizem: “Quando abriu o
quarto selo, ouvi a voz do quarto Ser vivo que dizia:
'Vem!' Vi aparecer um cavalo esverdeado [pálido].
Seu montador chamava-se 'a Morte' e o Hades o
acompanhava. Foi-lhe dado podei sobre a quarta
parte da terra, para que exterminasse pela espada,
pela fome, pela peste e pelas feras da terra” (BJ). O
cavaleiro do quarto cavalo está claramente
identificado como a morte. A palavra traduzida por
pálido também pode ser traduzida como o verde
pálido, representando a cor da aparência dos que
foram atingidos pela praga. Portanto, o cavalo pálido
é um símbolo do aniquilar da morte, que produz uma
aparência pálida. O Hades é o lugar sob a terra onde a
alma dos mortos não-salvos são mantidas antes de
serem ressuscitadas para o julgamento do trono
branco (20:11-15). Depois desse julgamento, os
não-salvos, serão lançados para dentro do lago de
fogo pela eternidade. O Hades pode ser comparado a
uma prisão temporária, e o lago de fogo, a uma.
prisão permanente. Aqui, o Hades segue a Morte para
receber aqueles a quem esta mata. A morte por meio
de feras, mencionada no versículo 8, é o julgamento
de Deus (2Rs 2:24; 17:25; Nm 21:6; Êx 23:28; Js
24:12).
Nesses quatro selos vemos a pregação do
evangelho, a guerra, a fome e a morte. Durante os
vinte séculos passados, essas quatro coisas têm
marcado a história da humanidade. Tudo o que
aconteceu durante esse tempo pode ser incluído
nessas quatro coisas. Imediatamente após Cristo
ascender aos céus, começou a pregação do evangelho.
O cavalo branco começou a correr a corrida e o
cavaleiro desse cavalo era o evangelho da glória de
Cristo. Em 70 a.D., Tito, príncipe de Roma destruiu
Jerusalém com os seus exércitos. Desde então, ao
longo dos séculos, tem havido uma guerra após a
outra. Seguindo a guerra, tem havido fome e a fome
causa doença e morte. Assim, na história dos últimos
dois mil anos não tem havido nada a não ser a
pregação do evangelho, a guerra, a fome e a morte.
Essa é a maneira de se estudar a' história do mundo.
Apocalipse, que foi escrito no fim do primeiro
século, é uma profecia de coisas por vir. Se, como
alguns dizem, o cavaleiro no cavalo branco for Cristo
ou o anticristo, então todos os quatro selos devem
referir-se ao futuro. Se for esse o caso, então não há
profecia para abranger os últimos vinte séculos. Isso
indica que a profecia deste livro não é completa,
porque não mostraria nada da história durante os
últimos dois mil anos, isto é, desde o primeiro século
até a aparição do anticristo ou à volta de Cristo. Em
princípio, não deveria haver essa grande lacuna na
profecia deste livro. Portanto, baseado nesse
princípio, esses quatro selos devem ser uma história
do mundo, desde a ascensão de Cristo até o fim desta
era.
Não devemos nos importar com simples
doutrina; precisamos nos importar com a história e a
experiência. A história é a experiência. Precisamos
aplicar a profecia à história. Se fizermos isso,
imediatamente perceberemos que, desde a ascensão
de Cristo, tem havido uma corrida de quatro cavalos,
entre a pregação do evangelho, a guerra, a fome e a
morte. Hoje, o mundo todo está se preparando para a
guerra. Inclusive os diplomatas das Nações Unidas
estão se preparando para ela. Enquanto eles estão
lutando entre si, nós estamos pregando o evangelho,
pois o evangelho está no cavalo que está na dianteira.
Por exemplo, nos dois séculos passados, não foi a
guerra que chegou primeiro à China; foi o evangelho.
A pregação do evangelho foi, então, seguida pela
guerra, fome e morte. Esse tem sido o curso da
história do mundo ao longo dos últimos vinte séculos.
Cristo abriu esses quatro selos e a corrida de
quatro cavalos foi revelada. Não tente compreender a
profecia da Bíblia simplesmente de acordo com a sua
mente. Precisamos nos importar com a experiência.
Para compreendermos a profecia da Bíblia,
precisamos nos importar com a história, porque as
profecias são predições de coisas por vir. Que tem
ocorrido durante os últimos vinte séculos? Quatro
coisas: a pregação do evangelho, a guerra, a fome e a
morte.
Após a Sua encarnação, Cristo cumpriu a
redenção por meio da crucificação, entrou na
ressurreição e depois ascendeu aos céus. Nenhuma
história humana nos dá tal registro. Mas essa é a
genuína história do mundo. Em meu estudo de
história, descobri que a história do mundo que
aprendera tinha uma grande falha — não tinha
nenhuma encarnação, crucificação, ressurreição e
ascensão. Se você tirar essas quatro coisas da história
do mundo, que tipo de mundo teríamos? No registro
da história de Deus, essas quatro coisas são cruciais.
Após a ascensão de Cristo, todo o curso da história do
mundo foi mudado. Abrindo a economia de Deus,
Cristo tem escrito a história da humanidade durante
os últimos vinte séculos.
Vemos a história humana adequada na Palavra
pura. Esse registro da história na Palavra leva a cabo
a economia de Deus. Após a ascensão de Cristo e
antes da Sua volta, há uma história do mundo. Essa
história está resumida numa corrida de quatro
cavalos. Como vimos, o cavaleiro do primeiro cavalo é
a pregação do evangelho. A economia de Deus não é
para nada mais a não ser para a pregação do
evangelho que cumprirá o Seu propósito eterno. De
onde vem a pregação do evangelho? Vem da
encarnação, crucificação, ressurreição e ascensão de
Cristo. Esses quatro itens são a fonte do evangelho. A
história dos últimos vinte séculos tem sido para a
pregação do evangelho. Isso é sabedoria de Deus. A
pregação do evangelho toma a dianteira na sorrida de
quatro cavalos. Para que é a nossa geração? E para a
pregação do evangelho. E a pregação do evangelho é
para levar a cabo a economia de Deus. Como a igreja
pode ser produzida? Somente por meio da pregação
do evangelho. Como a Nova Jerusalém pode vir à
existência? Somente por meio da pregação do
evangelho.
Três coisas negativas — guerra, fome e morte —
ajudam o avanço da pregação do evangelho. Um
corredor numa corrida, sozinho, não corre tão
depressa como quando outros estão correndo com
ele. A guerra, a fome e a morte são coisas terríveis,
mas elas aceleram a pregação do evangelho. Durante
os primeiros dias, na China, era difícil abrir-se a porta
do evangelho. Você 'Sabe o que abriu a porta? Foi a
guerra. A porta foi aberta não apenas pela guerra
civil, mas também pela internacional, iniciada por
ocasião da invasão da China pelo Japão. Após a
última guerra entre a China e o Japão, milhares de
chineses foram salvos. Além disso, por meio da
guerra civil nos anos quarenta, muitos chineses foram
da China continental para Formosa e milhares deles
foram salvos. Se tivessem permanecido no
continente, nunca teriam crido no Senhor Jesus. Mas
tendo sido forçados a migrar para a ilha de Formosa,
milhares de pessoas encheram a igreja para salvação
nos anos 1949 e 1950. Durante aqueles anos,
pregávamos o evangelho no parque todo domingo à
tarde. Todo domingo, aproximadamente três mil
pessoas ouviam a pregação do evangelho. Muitos
foram salvos e alguns deles, por fim, tornaram-se
presbíteros e diáconos nas igrejas em Formosa e
coopera dores na obra do Senhor. A guerra os levou
ao evangelho. Assim, a guerra foi e ainda é uma boa
auxiliar da pregação do evangelho.
A sabedoria de Deus é fazer desta era, a era que
vai desde a ascensão de Cristo até a Sua volta, uma
era da pregação do evangelho. Hoje, tudo na terra é
para a pregação do evangelho. As fábricas, a
imprensa, os aviões, o rádio, a televisão e até mesmo
as armas nucleares são para a pregação do evangelho.
Esta é a era da pregação do evangelho. A história do
mundo, desde a ascensão de Cristo, é uma história de
pregação do evangelho. Que estamos fazendo hoje?
Estamos pregando o evangelho. E não estamos
pregando um evangelho parcial, mas total, completo,
pleno. Você percebe que o evangelho pleno inclui a
vida da igreja, o reino e até a Nova Jerusalém? O
evangelho pleno engloba tudo desde Mateus até
Apocalipse. Nestes dias estamos pregando o
evangelho pleno, o evangelho que inclui a igreja hoje,
o reino na era vindoura e a Nova Jerusalém na
eternidade. Tudo o que acontece hoje, inclusive a
oposição contra nós, é uma ajuda para a pregação do
evangelho. Essa é a visão dos primeiros quatro selos.
Não devemos ser como um sapo num poço estreito
que tem uma visão bem limitada do céu; pelo
contrário, precisamos ter uma visão panorâmica para
vermos o significado dos quatro primeiros selos. Em
vez de ver como um sapo num poço, devemos ver
como um pássaro. O cavaleiro do primeiro cavalo não
é Cristo nem o anticristo; é a pregação do evangelho
da glória de Cristo. Esse é o fator crucial desta era, e
os três outros cavalos estão ajudando esse cavalo a
correr a corrida. Não estamos com os cavaleiros dos
três últimos cavalos; estamos com o do primeiro
cavalo. Temos um arco sem uma flecha, pois estamos
pregando o evangelho da paz, um evangelho no qual a
vitória já foi ganha de uma maneira pacífica. Aleluia!
essa pregação gloriosa do evangelho está cavalgando
por toda a terra. Louvado seja o Senhor porque
estamos no primeiro cavalo!
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 20
O CLAMOR DOS SANTOS MARTIRIZADOS E A
RESPOSTA DE DEUS

SELOS CINCO E SEIS


Nesta mensagem consideraremos o quinto e o
sexto selos. De acordo com o relato de Apocalipse, os
primeiros quatro selos não são consecutivos. Pelo
contrário, são simultâneos. Todos eles começam a
ocorrer quase que ao mesmo tempo, e concluir-se-ão
ao mesmo tempo. E bem semelhante à corrida de
quatro cavalos, onde os cavalos começam e terminam
quase ao mesmo tempo. Os sete selos podem ser
divididos em dois grupos, consistindo nos quatro
primeiros selos e nos três últimos. Enquanto os
quatro primeiros selos não são consecutivos, os
últimos três são.
Como vimos, os quatro primeiros selos
desvendam a era do Novo Testamento, que é uma era
de pregação do evangelho. Entre a ascensão de Cristo
e a Sua volta, a pregação do evangelho continuará. As
outras principais coisas — a guerra, fome e morte —
trabalham juntas para o avanço da pregação do
evangelho. Deus tem um único propósito nesta era —
ter o evangelho pregado para que a igreja possa ser
produzida e edificada para o cumprimento do Seu
plano eterno. Precisamos ter essa visão geral. Mas os
grandes homens da terra não têm essa visão. Nem
mesmo os reis e os presidentes das nações sabem o
que estão fazendo. Mas nós sabemos. Tudo o que
esses governantes fazem, ajuda a pregação do
evangelho. Deus é soberano nessa questão.
O livro de Apocalipse começa com as igrejas
locais com Cristo no meio delas e termina com a Nova
Jerusalém com Cristo como a sua central idade e
universalidade. Entre esses dois extremos de
Apocalipse, temos a era da igreja e a era do reino. Na
era da igreja, a era do Novo Testamento, Deus está
fazendo uma coisa: está produzindo as igrejas por
meio da pregação do evangelho completo. Todos os
vinte e sete livros do Novo Testamento estão
incluídos no evangelho completo. O propósito de
Deus não é meramente salvar um grupo de pecadores
miseráveis. Esse conceito é muito baixo e muitas
pessoas filosóficas recusam-se a aceitá-lo. Elas
precisam ver que a pregação do evangelho tem um
propósito mais elevado e que está no plano mais
elevado — produzir as igrejas para a formação da
Nova Jerusalém. Após a era da igreja, a era do reino
virá. Na era do reino, Deus cumprirá o que não foi
completado e aperfeiçoado na era da igreja. Após a
era do reino, o propósito de Deus será total e
absolutamente completado. Então, haverá a
eternidade com o novo céu e a nova terra e a Nova
Jerusalém formada de todos os santos redimidos.
Essa é a visão geral de todo o universo.
Como já ressaltamos, por intermédio dos quatro
primeiros selos temos uma visão do que está
ocorrendo entre a ascensão de Cristo e a Sua volta.
Estão acontecendo quatro coisas: a pregação do
evangelho, a guerra, a fome e a morte. O segundo, o
terceiro e o quarto cavalos ajudam a acelerar a
pregação do evangelho. Se não tivesse havido guerra,
eu não estaria neste país. No passado, nenhum de nós
da restauração do Senhor na China pretendíamos vir
para o mundo ocidental. Pensávamos que
provavelmente, após termos terminado um pouco do
trabalho de restauração, o Senhor usaria então
algumas outras pessoas ou meios, talvez missionários
ou traduções de livros, para levar a restauração ao
mundo ocidental. Mas repentinamente, em 1949, a
China continental foi perdida. Como resultado, a
restauração do Senhor foi trazida para este país.
Tendo sido enviado a Formosa pela obra, fiquei
profundamente perturbado pela perda da restauração
do Senhor na China continental. Dia e noite eu
perguntava ao Senhor: “Que é isso? Por que a obra foi
perdida?” Por fim, o Senhor soberano trouxe a Sua
restauração para este país. Isso revela que, na
soberana mão do Senhor, há apenas uma coisa nesta
era — a pregação do evangelho completo para
produzir as igrejas locais para a edificação da
habitação eterna de Deus, a Nova Jerusalém. Quando
temos essa visão geral, podemos olhar para o livro de
Apocalipse e compreendê-lo adequada e
corretamente.

I. O CLAMOR DOS SANTOS MARTIRIZADOS


O QUINTO SELO
Os sete selos são divididos primeiramente em
quatro e três, e em segundo lugar, em seis e um. O
número quatro denota as criaturas, como é
simbolizado pelos quatro seres viventes e o número
seis representa a criação, uma vez que a criação foi
terminada em seis dias. O número três simboliza o
Deus Triúno e o número um, o Deus único. Assim,
tanto quatro mais três, como seis mais um indicam
que os sete selos, mediante o julgamento de Deus,
levam a criação de Deus com todas as criaturas a Ele.
O quinto selo desvenda o martírio cristão desde o
primeiro século até a época próxima ao fim desta era.
(Pode incluir o martírio dos santos do Velho
Testamento — Mt 23:34-36). Enquanto o evangelho
está sendo pregado, como é indicado pelo primeiro
selo, sempre há o martírio dos santos fiéis.

A. O Martírio
Durante a era da pregação do evangelho, muitos
santos foram martirizados por causa da palavra de
Deus e do testemunho de Jesus. Estêvão, Pedro e
quase todos os outros apóstolos foram martirizados.
O apóstolo João foi exilado e Paulo foi aprisionado
sendo mais tarde sentenciado à morte. Ao longo dos
séculos, aonde quer que a pregação do evangelho
tenha ido, houve martírio. Milhares daqueles que
foram fiéis ao testemunho do Senhor foram
martirizados. Em certo sentido, inclusive o irmão Nee
foi martirizado. Quase todos os meus antigos
cooperadores sofreram martírio durante os últimos
vinte e seis anos, sendo mantidos em prisão até
morrerem.
O martírio dos santos não é por causa da
oposição deles a qualquer regra humana, mas por
causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. A
palavra de Deus é as boas novas, o evangelho, que
proclamam às pessoas. O testemunho de Jesus é a
vida que vivem. A sociedade humana com a cultura
humana está inteiramente sob a influência maligna
de Satanás, como diz em 1 João 5:19: “O mundo
inteiro jaz no maligno”. Tanto a pregação da palavra
de Deus como a vida do testemunho de Jesus são
contra a tendência satânica do mundo. Certamente
Satanás odeia isso. Assim, sempre e onde quer que os
santos preguem a palavra de Deus e vivam o
testemunho de Jesus, Satanás instiga as pessoas a
perseguirem-nos inclusive até a morte. Isso é uma
luta, não entre homens e os santos, mas entre Satanás
e Deus. Tempo virá quando Deus vingará os santos
executando o Seu justo julgamento sobre a terra, a
qual está sob a influência maligna de Satanás.

B. O Clamor
Apocalipse 6:1 O, falando das “almas dos que
tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e
por causa do testemunho que sustentavam” (v. 9),
diz: “Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando,
ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas
nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a
terra?” Em 6:9, vemos que as almas estão debaixo do
altar. Isso assinala os sacrifícios mortos sobre o altar.
Quando um sacrifício era morto sobre o altar, o seu
sangue escorria, descendo até debaixo da base do
altar. A alma (vida) da carne está no sangue (Lv
17:11). O fato de as almas dos santos martirizados
estarem debaixo do altar indica que, aos olhos de
Deus, eles todos foram oferecidos a Deus como
sacrifícios sobre o altar e que o sangue, a vida deles,
foi derramado lá. Agora, a posição deles é debaixo do
altar. Em figura, o altar está no átrio exterior do
tabernáculo e do templo, e o átrio exterior simboliza a
terra. Portanto, “debaixo do altar” é debaixo da terra,
onde está a alma dos santos martirizados. É o paraíso,
para onde foi o Senhor Jesus após a Sua morte (Lc
23:43). É no coração da terra (Mt 12:40), e deve ser a
seção confortável do Hades, onde está Abraão (At
2:27; Lc 16:22-26).
Hoje, os santos martirizados estão no paraíso
debaixo do altar, isto é, debaixo da terra. É
totalmente errôneo dizer que esses santos estão no
céu. A original Scofield Reference Bible tem uma nota
sobre Lucas 16:23, que in9ica que o paraíso era
debaixo da terra antes da ressurreição (de Cristo, mas
que pela e com a ressurreição de Cristo, ele foi
transferido de debaixo da terra para o terceiro céu.
Entretanto, no dia de Pentecoste, cinqüenta dias após
a ressurreição do Senhor, Pedro disse: “Davi não
subiu aos céus” (At 2:34). Mesmo no dia de
Pentecoste, Davi ainda não estava no céu. Em seu
livro As Primícias e a Colheira, na página 54, G. H.
Lang, um mestre posterior entre os Irmãos Unidos,
diz que “a Escritura em parte alguma declara” que
após a ascensão de Cristo, o paraíso foi transferido de
debaixo da terra para o terceiro céu, “mas que é
totalmente contra isso”. Ele também enfatiza o
versículo em Atos 2, onde Pedro diz que Davi não
estava no céu. Menciono isso para que possamos
perceber que todos os santos martirizados ainda
estão no paraíso debaixo do altar.
Muitos cristãos não sabem que o paraíso é no
Hades. A prova mais forte de que o paraíso é no
Hades é a palavra do Senhor para o ladrão salvo em
Lucas 23:43: “Em verdade te digo que hoje estarás
comigo no paraíso.” Atos 2:27 e 31 revelam que após o
Senhor Jesus morrer, Ele foi para o Hades. Mateus
12:40 indica que o Hades fica no “coração da terra”,
para onde o Senhor Jesus foi por três dias e três
noites após a Sua morte. No Hades, há uma seção
agradável comparada ao seio de Abraão, para onde foi
Lázaro (Lc 16:23). Esse não é o paraíso nos céus, mas
o paraíso no Hades. Usando 2 Coríntios 12:2-4,
alguns têm argumentado que quando Paulo foi
“arrebatado ao paraíso” ele foi “arrebatado até ao
terceiro céu”. Mas 2 Coríntios 12:2-4 não prova que o
paraíso é no terceiro céu; pelo contrário, prova o
oposto. A palavra “e” no início do versículo 3, prova
que Paulo sendo “arrebatado até ao terceiro céu” e ele
ser “arrebatado ao paraíso”, mencionado nos
versículos 3 e 4, são duas coisas diferentes. A palavra
grega traduzida como “arrebatado” nos versículos 2 e
4 deveria ser simplesmente “tomado”. Por um lado,
Paulo estava vivendo na terra, mas por outro, ele foi
“tomado” para os céus e para “o paraíso”. Dessa
forma, Paulo recebeu uma visão completa de todo o
universo. No que se refere à humanidade, o universo
tem três seções: os céus, a terra e debaixo da terra (cf.
Fp 2:10). Paulo veio a conhecer as coisas na terra, as
coisas nos céus e as coisas no paraíso. Ele teve a
maior revelação do universo no que se refere ao
homem.
Quando os santos salvos morrem, todos eles se
tornam nus, não tendo mais um corpo. Um ser
humano não ter um corpo, significa que está nu, que
não está numa condição normal. Ninguém pode ficar
na presença de Deus no terceiro céu nessa condição
nua, anormal. Assim, os santos mortos precisam ser
mantidos num lugar agradável até a época da sua
ressurreição, quando Deus os vestirá com um corpo
ressurreto e eles serão uma pessoa completa numa
condição normal.
Alguns podem querer saber sobre Filipenses
1:23, onde Paulo disse que tinha um desejo de “partir
e estar com Cristo”. Paulo parecia estar dizendo: “Se
eu morrer, estarei com Cristo”. Estar com Cristo não é
uma questão absoluta, é relativa. Mesmo agora
estamos com Cristo. Aonde quer que formos,
estaremos com Ele. É claro que enquanto estivermos
neste corpo físico, não estaremos tão perto de Cristo
como estaremos quando morrermos” passando deste
mundo e entrando em outro reino. Mas isso não
significa que quando os crentes morrerem' serão
levados aos céus. Isso não ocorrerá até o dia da
ressurreição e arrebatamento.
Outros podem usar 1 Tessalonicenses 4 para
argumentar que os santos mortos estão com Cristo no
céu. Eles dizem que quando voltar, Ele trará os
crentes mortos com Ele e isso prova que eles devem
estar com Ele agora no céu. Mas leia este capítulo
cuidadosamente. Ele diz que “os mortos em Cristo
ressuscitarão primeiro” e que aqueles, “os vivos, os
que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com
eles, entre nuvens” (1Ts 4:16-17). De acordo com 1
Tessalonicenses 4, os santos mortos serão
ressuscitados e, juntamente com os vivos, serão
arrebatados para o ar para encontrar-se com Cristo.
Precisamos ler a Bíblia cuidadosamente e não seguir
os ensinamentos tradicionais, superficiais, de hoje.
Precisamos estar claros de que os santos salvos não
estão nos céus, mas num lugar agradável que a Bíblia
chama de paraíso, o lugar que o Senhor Jesus visitou
após ter morrido.
Após aguardarem por um longo tempo, próximo
ao fim desta era, os santos martirizados clamarão por
vingança, urgindo com o Senhor para julgar e vingar
seu sangue “dos que habitam sobre a terra”.

C. A Aprovação do Senhor
O versículo 11 do capítulo 6 diz: “Então, a cada
um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes
disseram que repousassem ainda por pouco tempo,
até que também se completasse o número de seus
conservos e seus irmãos, que iam ser mortos como
igualmente eles foram.” A veste branca aqui significa
que o martírio deles foi aprovado por Deus. Aqueles
“que iam ser mortos” refere-se àqueles que serão
martirizados durante a grande tribulação (20:4).
Segundo a palavra “ainda por pouco tempo, até
que também se completasse o número”, esse clamor
dos santos martirizados deve ocorrer próximo ao fim
desta era. Ainda estamos nos primeiros quatro selos.
O quinto selo ainda não veio. Entretanto, creio que
estamos perto do tempo do quinto selo.

II. A RESPOSTA DE DEUS O SEXTO SELO

A. O Princípio das Calamidades


Sobrenaturais
O sexto selo (6:12-17), o qual marca o princípio
das calamidades sobrenaturais, é a resposta de Deus
ao clamor dos santos martirizados no quinto selo.
Após a abertura do sexto selo, o Senhor vem para
sacudir a terra e os exércitos dos céus. A terra tremerá
fortemente, o sol tornar-se-á negro como saco de
crina, a lua tornar-se-á como sangue, as estrelas do
céu cairão na terra como uma figueira que lança seus
figos verdes quando sacudida por forte vento, o céu
recolher-se-á como um rolo sendo enrolado, e todo
monte e ilha será removido de seu lugar (6:12-14).
Esse forte abalo será uma advertência aos habitantes
da terra. Adverti-los-á para que se arrependam e se
voltem a Deus. Deus parece estar dizendo-lhes:
“Vocês, habitantes da terra, só se importam consigo
mesmos; não se importam Comigo. Agora é a Minha
hora de sacudir a terra como uma advertência a
vocês”. Enquanto algumas pessoas estiverem
dizendo, de modo blasfemo, que elas são Deus, o
Senhor sacudirá a terra e o céu como uma lembrança
a elas de que Ele é Deus. Que abalo terrível será esse!
A terra, o sol, a lua e as estrelas, todos serão afetados.

B. A Reação dos Habitantes da Terra


Nos versículos 15 até 17, vemos a reação dos
habitantes da terra. Eles se esconderão nas cavernas e
nos penhascos dos montes e pedirão aos montes e
rochedos para escondê-los da face de Deus e da ira do
Cordeiro. O versículo 15 revela o sentimento de suas
consciências, pois eles temem a vinda do julgamento
de Deus, considerando que o grande dia da ira de
Deus e do Cordeiro chegou. Entretanto, o sexto selo
não é a proclamação de Deus com relação à vinda do
Seu julgamento. Pelo contrário, é uma advertência
aos habitantes da terra. Os reis e todos os grandes
homens, ricos e nobres da terra serão sacudidos por
esse terremoto e pensarão que o dia da ira de Deus e
do Cordeiro chegou. Na verdade, esse não será ainda
aquele dia; ser-lhes-á apenas uma antecipação e uma
advertência para se arrependerem. Nessa
advertência, Deus parece estar dizendo: “Voltem-se
para Mim. Não digam que vocês são Deus. Vocês são
pobres habitantes da terra criada por Mim. Eu criei o
sol, a lua e as estrelas para o seu viver. Mas vocês se
esqueceram de Mim, e se opõem e blasfemam contra
Mim. Agora é a hora para vocês serem advertidos, a
fim de que possam se arrepender”.

C. O Significado dessa Calamidade


O significado dessa calamidade é que ela é uma
advertência aos habitantes da terra. Ela não é ainda a
verdadeira ira do Senhor. Ela é a resposta de Deus ao
clamor dos santos martirizados no quinto selo e
revela que Deus está prestes a vir para vingá-los e
vindicar a Si mesmo. Deus está vindo para vingar o
sangue dos Seus queridos santos.

III. A ADVERTÊNCIA SENDO ANTES DO DIA


DO SENHOR
O sexto selo, sendo uma introdução à grande
Tribulação, é uma advertência antes do dia do
Senhor. Segundo Joel 2:30-31, não haverá muita
diferença de tempo entre o sexto selo e as primeiras
cinco trombetas (cap. 8:6 até cap. 11). Joel 2:30-31
primeiramente tem o sangue da primeira e segunda
trombetas, o fogo da primeira, segunda e terceira
trombetas (Ap 8:7-10), e a fumaça da quinta trombeta
(9:1-3), e depois o sol e a lua do sexto selo. O capítulo
9:4 comparado com 7:3 indica que a quinta trombeta
é bem próxima do sexto selo.
Haverá duas calamidades nos abalos e mudanças
da terra e dos exércitos do céu. A primeira ocorrerá
antes do dia do Senhor, antes da grande tribulação
(JI3:11-16; 2:30-31; Lc 21:11). E a segunda ocorrerá
após o dia do Senhor, após a grande tribulação (Mt
24:29-30; Lc 21:25-26). O que é abordado no sexto
selo é a primeira calamidade. Ela pode ser
considerada não apenas como uma advertência, mas
também como uma introdução à grande tribulação
vindoura. Seguindo o sexto selo, na abertura do
sétimo selo, estão as primeiras quatro trombetas
como indicadores de que a grande tribulação está
vindo (8:1-2, 6-13). Então, a grande tribulação
sobrevirá nas últimas três trombetas (9:1-21;
11:14-19).
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 21
DEUS PRESERVA O SEU POVO
No livro de Apocalipse há várias inserções e o
capítulo sete é a primeira delas. Este capítulo não é a
continuação do capítulo seis. É uma inserção entre o
sexto e o sétimo selos, mostrando como Deus cuida
do Seu povo enquanto está para executar o Seu
julgamento sobre a terra. O capítulo oito é a
continuação do capítulo seis. No fim do capítulo seis,
temos o sexto selo, e no início do capítulo oito, o
sétimo. A abertura do sétimo selo introduzirá as sete
trombetas, das quais as três últimas constituem a
grande tribulação (8:1-2). Mas antes disso ocorrer,
Deus selará os israelitas, os quais Ele tenciona
preservar (7:3).
Deus preservará Seus dois povos — os israelitas e
os santos redimidos. Por que essa inserção,
relacionada com a preservação de Deus do Seu povo,
vem aqui? Porque no sexto selo vemos a advertência
da tribulação vindoura. Como vimos, o quinto selo é o
clamor dos santos martirizados para vingança, e o
sexto selei é a resposta de Deus a esse clamor, o qual
também é uma advertência aos habitantes da terra de
que a tribulação virá logo. Desde a ascensão de Cristo,
houve um grande número de terremotos e outras
calamidades. Todas elas foram calamidades naturais.
Entretanto, começando na abertura do sexto selo, as
calamidades não serão mais naturais, mas
sobrenaturais. Tanto as calamidades naturais como
as sobrenaturais são a punição de Deus sobre a terra.
Esta terra rebelde merece a punição de Deus e a Sua
mão punidora nunca foi removida dela. Até certo
ponto, Deus pune a terra para o Seu propósito. Desde
a ascensão de Cristo, Deus tem punido a terra.
Um aspecto da punição de Deus é visto na
destruição da cidade de Jerusalém por Tito e seus
exércitos. Aquela destruição foi profetizada pelo
Senhor Jesus em Mateus 24:2 onde, falando do
templo, Ele disse aos Seus discípulos: “Não vedes
tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui
pedra sobre pedra, que não seja derrubada.”
Jerusalém foi destruída por Tito por duas razões:
porque a religião judaica era rebelde contra a
economia de Deus e porque esta religião era uma
influência negativa sobre a igreja em Jerusalém. Em
Atos 21, vemos o quanto a velha religião judaica
influenciou a igreja. Em 70 a. D. , o Senhor não pôde
mais tolerar a rebelião da religião judaica e sua
influência sobre a igreja, e assim, Ele enviou o
exército romano para destruir Jerusalém e o templo.
Essa destruição foi uma punição terrível, que foi
acompanhada por fome, peste e morte. Depois disso,
por todos os séculos, foram e serão usadas por Deus
calamidades naturais para punir a terra até o sexto
selo.
No tempo do sexto selo, as calamidades serão
mudadas de naturais para sobrenaturais. A terra será
abalada, e o sol, a lua e as estrelas serão danificados.
Essas calamidades serão um prefácio para o sétimo
selo. Quando o sétimo selo for executado, a situação
será terrível e ninguém será capaz de suportá-la. Logo
após a abertura do sétimo selo, a primeira trombeta
soará e “a terça parte da terra” será queimada (8:7).
Ao soar da segunda trombeta, a terça parte do mar
tornar-se-á sangue (8:8). Ao soar da terceira
trombeta, uma grande estrela cairá sobre “a terça
parte dos rios e sobre as fontes das águas” e “a terça
parte das águas” tornar-se-á amarga (8:10-11). Ao
soar da quarta trombeta, “a terça parte do sol, da lua e
das estrelas” serão feridos “para que a terça parte
deles se escurecesse” (8:12). Deus fez a terra para o
homem viver nela. O sol, a lua e as estrelas, todos
ajudam a manter a vida na terra. Mas porque os
habitantes da terra há séculos têm sido tão insolentes
para com Ele, chegará o tempo em que Deus não mais
suportará isso. Ele virá para julgar a terra, o mar, os
rios, o sol, a lua e as estrelas. A terra é para a
existência humana e toda forma de vida na terra é
para o benefício do homem. Os animais, vegetais e
minerais, são todos para a existência da humanidade.
Eles não vieram a existir por acaso, mas foram
planejados e criados por Deus. Por exemplo, não há
ar na lua, mas há na terra. Em volta do globo há uma
camada de ar que a Bíblia chama de firmamento (Gn
1:7). A terra é o planeta com firmamento. Deus a
criou de forma tal que ela produz os suprimentos para
manter a vida humana. O ar, a luz solar e a água,
todos são necessários para a existência humana. Mas
após Deus julgar a terra e o céu, a terra não será mais
um lugar agradável para o homem viver.
Em Mateus 24:6 e 7, o Senhor profetizou
queriam dois tipos de guerra — guerras de povos
contra povos e guerras de nações contra nações, isto
é, guerras civis e internacionais. Após a ascensão de
Cristo, essas guerras começaram a ocorrer. O Senhor
também profetizou em Mateus 24 que haveria
“terremotos em vários lugares” (v. 7). Um artigo
recente disse que cada ano haverá aproximadamente
cinco a seis mil terremotos, atingindo de dois a oito
pontos na escala Richter. Isso é o cumprimento da
profecia do Senhor. Em Sua profecia, o Senhor
parecia estar dizendo: “Não viva nesta terra tão
complacentemente, não se importando com o
propósito de Deus. Você precisa perceber que Deus
tem um propósito nesta terra e que precisa voltar-se a
Ele para o cumprimento do Seu propósito”. Deus
advertirá as pessoas várias vezes com guerras e
terremotos, até o tempo do quinto selo, quando as
almas dos mártires não poderão tolerar mais a
situação. Os santos martirizados então clamarão
dizendo: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e
verdadeiro, não julgas nem vingas o nosso sangue dos
que habitam sobre a terra?” (6:10). A resposta de
Deus vem no sexto selo, quando a terra será abalada e
os exércitos celestiais serão feridos como uma
introdução e advertência da vinda da tribulação. O
sexto selo e as primeiras cinco trombetas estão
intimamente relacionados no tempo.
Nesse ponto precisamos considerar o segundo
capítulo de Joel. Joel2 diz que certas coisas ocorrerão
antes do dia do Senhor. Se você ler a profecia do Novo
Testamento, junto com as profecias do Velho
Testamento, verá que há um tempo chamado de o dia
do Senhor. Isso é a grande tribulação. O dia do
Senhor significa o dia da ira do Senhor, o dia da Sua
vinda para interferir no mundo por meio de
calamidades sobrenaturais. O dia do Senhor será
terrível. Vários profetas do Velho Testamento
mencionam o dia do Senhor, e todos eles mostram
que será um dia pavoroso (Jl 1:15; 2:1, 11, 31; 3:14; Zc
14:1; Ml 4:5). O sexto selo será antes do dia do
Senhor, o que quer dizer que será antes da grande
tribulação. A grande tribulação começará ao soar da
quinta trombeta. As primeiras quatro trombetas são
os fatos preliminares para a grande tribulação. É
semelhante a dar partida num automóvel. Primeiro é
acionada a ignição, depois o motor é ligado e por fim
o carro se move. Da mesma forma, após a advertência
do sexto selo, as primeiras quatro trombetas serão os
fatos preliminares para a grande tribulação. Mas,
como um automóvel que está esquentando mas ainda
não se moveu, as quatro trombetas são a preparação
para a grande tribulação. Mas mesmo essas
trombetas causarão severo sofrimento. O dano à
terra, às águas e aos exércitos do céu será maior do
que aquele causado pelo terremoto do sexto selo.
Desde o tempo do sexto selo, não haverá nada bom
para o homem na terra.
O Novo Testamento indica que os primeiros
vencedores, tais como o filho varão e as primícias,
serão arrebatados da terra um pouco antes do sexto
selo. Entretanto, não podemos calcular o tempo
exato. Mas segundo Apocalipse, Mateus e outras
passagens da Palavra, podemos dizer que o primeiro
tipo de arrebatamento, o arrebatamento do filho
varão e das primícias ocorrerá antes do sexto selo.
Lembre-se que o Senhor prometeu à igreja em
Filadélfia guardá-la da hora da provação que viria
sobre toda a terra habitada (3:10). Os que amam e
buscam o Senhor serão levados antes do sexto selo.
Imediatamente após a abertura do sexto selo, temos o
capítulo sete, uma inserção que revela que antes da
grande tribulação, Deus fará duas coisas para
preservar o Seu povo: Ele selará os remanescentes
escolhidos de Israel e começará o arrebatamento dos
redimidos da igreja.
I. O SELAR DOS REMANESCENTES
ESCOLHIDOS DE ISRAEL
Apocalipse 7:1 diz: “Depois disto vi quatro anjos
em pé nos quatro cantos da terra, conservando
seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum
vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem
sobre árvore alguma.” Essa é a inserção entre o sexto
e o sétimo selos, mostrando como Deus cuida do Seu
povo enquanto está para executar os Seus
julgamentos sobre a terra. Os ventos aqui são para os
julgamentos de Deus (Jn 1:4; Is 11:15; Êx 15:10;
49:36; 51:1). O versículo seguinte diz: “E vi outro Anjo
que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus
vivo, e clamou com grande voz aos quatro anjos,
àqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao
mar”. O “outro Anjo” aqui refere-se a Cristo, como
também em 8:3; 10:1 e 18:1. No Velho Testamento,
Cristo era chamado de “o Anjo do Senhor”, o qual era
o próprio Deus (Gn 22:11-12, 15-16; Êx 3:2-6; Jz
6:11-24; Zc 1:11-12; 2:3-5, 8-11; 3:1-7). Aqui no Novo
Testamento, Ele é chamado novamente de o Anjo.
Embora eu ame Israel, sinto-me bem triste por
eles porque segundo a profecia e a sua situação
presente, eles retomaram à terra dos seus pais em
incredulidade. Eles ainda se apegam à sua velha
religião e não crêem em Deus de acordo com a Sua
economia do Novo Testamento. Eles na verdade estão
em rebelião contra Ele. Quando o Senhor Jesus veio,
Deus mudou a dispensação de guardar a lei para crer
no Senhor Jesus. Mas os judeus não quiseram aceitar
essa mudança e se recusaram a voltar-se do guardar a
lei para crer no Senhor Jesus. Essa foi a sua rebelião,
teimosia e desobediência. Deus os tem tolerado há
séculos e, de acordo com a Sua soberania, eles
retomaram e foram restaurados novamente como
uma nação, mas ainda são incrédulos. Eles não crêem
no Senhor Jesus. De acordo com algumas
informações confiáveis que recebi, o governo de
Israel está fazendo todo o possível para excluir
qualquer tipo de atividade cristã. Eles não querem
nenhum missionário cristão executando qualquer
obra missionária. As profecias relacionadas com
Israel indicam que eles permanecerão incrédulos até
o último dia. Deus, entretanto, é soberano e Ele
sempre cuidará da nação de Israel, não por causa
deles, mas por causa da Sua economia. Ele sabe que
entre os judeus incrédulos há alguns fiéis, e antes de
julgar de fato a terra com calamidades sobrenaturais,
Ele os selará.

A. Antes das Primeiras Quatro Trombetas


A primeira trombeta é para danificar a terra e as
árvores (8:7), a segunda para danificar o mar (8:8-9),
a terceira para danificar os rios (8:10-11) e a quarta
para danificar as hostes celestiais (8:12). Antes de
fazer soar as primeiras quatro trombetas, Deus selará
os Seus israelitas escolhidos para preservá-los das
calamidades sobrenaturais que serão acarretadas por
essas trombetas.

B. Preservados na Terra, Principalmente do


Tormento da Quinta Trombeta
As primeiras quatro trombetas danificarão
apenas a terra, o mar, os rios e as hostes celestiais. A
quinta trombeta é que atormentará diretamente os
homens. Deus selar os Seus israelitas escolhidos tem
como objetivo principal preservá-los do tormento da
quinta trombeta (9:4).

C. Selados Doze Mil de Cada Uma das Doze


Tribos
Em 7:4-8, vemos que Deus selará cento e
quarenta e quatro mil “de toda tribo dos filhos de
Israel”, selando doze mil de cada uma das doze tribos.
Esses são os israelitas que guardarão os
mandamentos de Deus durante a grande tribulação
(12:17; 14:12). Ao todo, cento e quarenta e quatro mil
israelitas fiéis serão selados em suas frontes. Não sei
que tipo de selo será esse, mas será uma marca
reconhecível para os anjos enviados a julgar a terra.
Essa é a maneira de Deus de preservar os Seus
israelitas escolhidos enquanto estiver executando o
Seu julgamento sobre a terra.

D. José Ganhando Porções Duplas


Nos versículos 6 e 8, vemos que José ganha
porções duplas (cf. 1Cr 5:1-2; Ez 48:4-5). Uma vez
que Manassés, um dos dois filhos de José (Gn 48:5), e
José (v. 8) são contados como duas tribos, José ainda
terá a porção dobrada do direito de primogenitura
(1Cr 5:1-2) durante o milênio (Ez 48:4-5).
Rúben era o primogênito de Israel, mas devido à
sua pecaminosidade perdeu o seu direito de
primogenitura e Judá prevaleceu sobre seus irmãos
(1Cr 5); 2-). Assim, a tribo de Judá é mencionada aqui
primeiro.

E. Dá Sendo Omitido
Em Apocalipse 7, Dã é omitido. No relato aqui,
como em Crônicas capítulos dois até nove, a tribo de
Dã é omitida por causa da sua idolatria (Jz 18:30-31;
1Rs 12:29-30; 2Rs 10:29; cf. Gn 49:17). Entretanto,
Dã ainda será contada durante o milênio (Ez 48:1)
por causa da bênção de Jacó sobre ele para que, pela
salvação do Senhor, Dã ainda possa ser uma das
tribos (Gn 49:16-18).

II. O ARREBATAMENTO DOS REDIMIDOS


DA IGREJA
Além dos remanescentes escolhidos de Israel,
Deus tem outro povo — os santos redimidos da igreja
(7:9-17). Nessa inserção, temos uma visão revelando
como Deus preserva os Seus santos redimidos
durante todas as tribulações. A maneira de Deus
preservar os remanescentes escolhidos dos filhos de
Israel é selá-los e deixá-los na terra. Enquanto os
israelitas são o povo terreno de Deus, os cristãos são o
povo celestial de Deus. Deus prometeu dar a Abraão
povo como as estrelas dos céus e a areia na praia do
mar (Gn 22:17). O povo celestial, os cristãos, são as
estrelas; o terreno, os israelitas, são a areia da praia.
Para preservar o Seu povo terreno, Deus os selou e 'os
mantém na terra. Ele não os levará da terra para os
céus. Entretanto, a forma de Deus preservar os Seus
santos redimidos não é mantê-los na terra, mas
levá-los por meio do arrebatamento. O
arrebatamento não ocorrerá somente uma vez ou será
apenas de um tipo. Haverá pelo menos dois ou três
tipos de arrebatamento. Por fim, todos os santos
redimidos da igreja serão arrebatados da terra ao céu.
A inserção dessa visão a respeito da igreja nos dá um
panorama geral, desde o tempo do arrebatamento até
a eternidade. Em outras palavras, Apocalipse 7
termina na eternidade. Pela eternidade, toda a igreja
estará debaixo do cuidado de Deus e do pastorear do
Cordeiro.

A. Começando antes do Sexto Selo


O arrebatamento de Deus dos Seus santos
redimidos começará com os primeiros vencedores,
compreendendo o filho varão em 12:5 e as primícias
em 14:1-6. Isso deve ser antes do sexto selo, pois o
sexto selo marcará o princípio das calamidades
sobrenaturais executadas por Deus, por ocasião da
“provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para
experimentar os que habitam sobre a terra” (3:10). O
arrebatamento de Deus dos Seus santos redimidos
continuará com as duas testemunhas em 11:12, os
vencedores tardios em 15:2 e a ceifa em 14:14-16 (a
maioria dos crentes que passarão pela maior parte da
grande tribulação), até todos os santos serem
arrebatados para participar do cuidado de Deus e do
pastorear do Cordeiro pela eternidade.

B. Uma Grande, Inumerável Multidão


O versículo 9 do capítulo 7 diz: “Depois destas
coisas vi, e eis grande multidão que ninguém podia
enumerar”. A grande multidão consiste nos
redimidos das nações através de todas as gerações,
que são inumeráveis e que constituem a igreja (5:9;
Rm 11:25; At 15:14, 19).

C. De Nações, Tribos, Povos e Línguas


Essa grande multidão consiste naqueles que
foram comprados com o sangue do Cordeiro de toda
nação, tribo, povo e língua (7:9; 5:9) para serem os
elementos constituintes da igreja.

D. Tendo Vindo da Grande Tribulação com


Ramos de Palmeiras em suas Mãos
Falando da grande multidão mencionada no
versículo 9, um dos anciãos disse: “São estes os que
vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e
as alvejaram no sangue do Cordeiro” (v. 14). A grande
tribulação aqui é diferente da grande tribulação
mencionada em Mateus 24:21. A grande tribulação
aqui é a tribulação num sentido geral. Todas as
pessoas redimidas de Deus passaram por certas
tribulações, sofrimentos, perseguições e aflições.
Nenhum cristão pode evitar essas coisas. Em nosso
espírito, nós, cristãos, somos um povo de alegria.
Mas, do lado físico, somos um povo que sofre. Mas
um dia sairemos triunfantemente da grande
tribulação e permaneceremos diante do trono e do
Cordeiro. Nesse capítulo, todos aqueles da grande
multidão têm ramos de palmeiras em suas mãos,
representando sua vitória sobre a tribulação (cf. Jo
12:13), que suportaram pelo nome do Senhor (v. 14).
As palmeiras também são o sinal de satisfação
mediante o regar (Ex 15:27). Ramos de palmeiras
eram usados para a festa dos tabernáculos, na qual o
povo de Deus regozijava-se pela satisfação do seu
desfrute (Lv 23:40; Ne 8:15). A festa dos tabernáculos
era um tipo que será cumprido por essa grande
multidão dos redimidos de Deus desfrutando a eterna
festa dos tabernáculos. Essa multidão “florescerá
como a palmeira” no templo de Deus (Sl 92:12-13).

E. Permanecendo diante do Trono e diante do


Cordeiro
“Em pé diante do trono” indica que a grande
multidão dos redimidos deve ter sido arrebatada para
a presença de Deus. “Diante do Cordeiro”
corresponde a “estar em pé diante do Filho do
homem” (Lc 21:36), que indica clara-
mente o arrebatamento. Visto isso ser
mencionado logo após a abertura do sexto selo,
também implica que o arrebatamento dos crentes
deve começar a ocorrer antes do sexto selo. O relato.
dos versículos 9 a 17 compõe, de modo geral, um
cenário que vai desde o arrebatamento dos crentes
até o gozo deles na eternidade.

F. Vestida com Vestes Brancas Lavadas no


Sangue
No versículo 9 vemos que essa grande multidão
está vestida “de vestiduras brancas”, pois eles
“lavaram suas vestiduras, e as alvejaram no sangue
do Cordeiro” (v. 14). “Vestiduras” estando no plural,
representam a justiça de sua conduta. O “branco”
indica que sua conduta é pura e aprovada por Deus
mediante o lavar no sangue do Cordeiro.

G. Louvando a Deus e ao Cordeiro


O versículo 10 diz: “E clamaram em grande voz,
dizendo: Ao nosso Deus que se assenta no trono, e ao
Cordeiro”. O alto louvor mencionando apenas a
salvação indica que os que louvam são os salvos. A
grande multidão, aqueles que são salvos, esta grata
pela salvação de Deus.

H. Servindo a Deus Dia e Noite no Seu


Templo
O versículo 15 diz: “Razão por que se acham
diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite
no seu santuário”. Esta grande multitude saiu da
grande tribulação para um estado celestial, para o
templo de Deus onde eles O servem de dia e de noite.

I. Deus Estendendo o Seu Tabernáculo sobre


Eles
O versículo 15 diz que “Aquele que se assenta no
trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo”. A
grande multidão desfrutará Deus e o Seu cuidado. Ele
estenderá o Seu tabernáculo sobre eles, o que quer
dizer que Ele fará da Sua habitação a habitação deles.
Deus levará todos os Seus redimidos a habitarem
junto com Ele. Num sentido bem positivo, Deus até
mesmo será a nossa própria habitação, o nosso
tabernáculo. Enquanto Ele se estende sobre nós como
um tabernáculo, nós O desfrutamos ao máximo.
Cristo é o tabernáculo de Deus (Jo 1:14, gr.), e a Nova
Jerusalém, como a expansão final e máxima de
Cristo, será o tabernáculo eterno de Deus (21:2-3),
onde todos os redimidos habitarão com Ele para
sempre. Deus os envolverá. Consigo mesmo estando
corporificado em Cristo. Cristo, como a
corporificação de Deus, será o tabernáculo deles. O
quadro nos versículos 15 a 17, semelhantemente ao
que é retratado em 21:3-4 e 22:3-5, é o da eternidade.

J. O Cordeiro Pastoreando-os e Guiando-os às


Fontes das Águas Vivas
Os versículos 16 e 17 dizem: “Nunca mais terão
fome, nunca mais terão sede; nem cairá sobre eles o
sol, nem calor algum; porque o Cordeiro que está no
meio, diante do trono, os apascentará e os conduzirá
às fontes das águas da vida” (IBB-Rev.). Aqui vemos
que o Cordeiro os pastoreará e os guiará às fontes das
águas da vida. Pastorear inclui alimentar. Debaixo do
pastorear de Cristo, “nada me faltará” (Sl 23:1). O
Cordeiro também nos conduzirá às fontes das águas
da vida. Na eternidade, beberemos de muitas fontes e
desfrutaremos muitas águas diferentes. Quão bom é
isso!

L. Deus Enxugando Toda Lágrima dos Seus


Olhos
O versículo 17 também diz que “Deus lhes
enxugará dos olhos toda lágrima.” Lágrimas são um
sinal de insatisfação. As águas da vida são para
satisfação. Visto o Cordeiro supri-los com águas de
vida para a sua satisfação, eles não terão lágrimas de
insatisfação. Águas de vida ser-lhes-ão supridas e a
água das lágrimas ser-lhes-ão enxugadas. Não haverá
nenhuma lágrima, fome ou sede — apenas desfrute.

M. Os Anjos, os Anciãos e os Quatro Seres


Viventes Adorando a Deus
Os versículos 11 e 12 dizem: “Todos os anjos
estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os
quatro seres viventes, e, ante o trono se prostraram
sobre os seus rostos e adoraram a Deus, dizendo:
Amém. O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações
de graça, e a honra, e o poder, e a força sejam ao
nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém.” Isso é
semelhante à palavra em Lucas 15:7, onde há gozo no
céu sobre um pecador que se arrepende. Aqui os
anjos dizem “Amém” ao louvor de salvação dos
redimidos.
Neste capítulo, vemos como Deus cuida do Seu
povo. Quando estiver prestes para julgar a terra, Ele
selará o Seu povo terreno e arrebatará o Seu povo
celestial. Enquanto o remanescente escolhido de
Israel é selado, os crentes são regenerados, pois Deus
colocou a Si mesmo como vida dentro de nós. Ele não
colocou simplesmente uma marca na nossa testa; Ele
colocou a Si mesmo como vida dentro de nós.
Portanto, não somos o Seu povo terreno, mas o
celestial. Você prefere ser um cristão regenerado ou
um israelita selado? Nós, cristãos, não temos esse
selo — temos Deus em nós, o que é muito melhor.
Diferentemente do remanescente escolhido de Israel,
não permaneceremos na terra. Pelo contrário,
seremos preservados sendo arrebatados à presença
de Deus. Estaremos naquele estado eterno
desfrutando o cuidado divino e eterno de Deus e
também desfrutando o pastorear eterno do Cordeiro.
Que agradável será isso! O remanescente selado de
Israel será um povo melhor, mas nós seremos o
melhor povo.
Entretanto, se quisermos ser arrebatados à
presença de Deus, precisamos estar maduros. Se
estivermos ainda tenros e verdes, Deus não nos
arrebatará; pelo contrário, deixar-nos-á no campo
para sofrermos até amadurecermos. Para todas as
pessoas da igreja serem arrebatadas, há, contudo,
uma condição: a condição do amadurecimento e do
sazonamento. Todos nós precisamos amadurecer e
sazonar. Essa é a condição do nosso arrebatamento
desta terra por Deus. Isso está plena e
adequadamente revelado no livro de Apocalipse. No
capítulo quatorze, por exemplo, vemos claramente as
primícias e a ceifa. Nesse trecho da Palavra, é-nos
dito categoricamente que após o campo amadurecer,
vem a ceifa. Assim, todos nós precisamos crescer. É
impossível as pessoas crescerem na religião, porque
lá não há alimento ou nutrição. Em certo sentido nem
mesmo há um campo lá. Hoje, o único lugar onde os
cristãos podem crescer é a igreja, pois na igreja está o
pasto =-Cristo — para o rebanho alimentar-se e
receber nutrição para crescimento. Pela graça
soberana do Senhor, estamos desfrutando esse pasto.
Todos podemos testificar que desde que entramos na
vida da igreja estamos nessa verde pastagem com um
tenro capim. Dia após dia estamos nos alimentando
do capim tenro que é o próprio Cristo. Aqui, na vida
da igreja, alimentamo-nos de Cristo e crescemos.
Aqui recebemos toda a tenra nutrição para dentro do
nosso ser. Graças ao Senhor, pois estamos crescendo
dia após dia. Louvado seja o Senhor por estarmos
crescendo e por Ele estar nos preparando para o
arrebatamento. Não esperamos enfrentar a
tribulação. Estamos crescendo até a maturidade, até
ao arrebatamento, até a Sua presença. Um dia
estaremos lá.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 22
OS SETE OLHOS DO CORDEIRO PARA A EDIFICAÇÃO
DE DEUS
Muitos cristãos percebem claramente que, de
acordo com Apocalipse 5, Cristo, o Cordeiro imolado,
é digno, e vários hinos cristãos louvam o Senhor por
Sua dignidade. Entretanto, a maior parte dos hinos
sobre a dignidade do Cordeiro louvam Cristo por Ele
ser digno devido à Sua redenção. É difícil encontrar
um hino sobre a dignidade do Senhor que vá além da
redenção. É totalmente bíblico dizer que o Cordeiro é
digno por ter-nos redimido e comprado. Contudo, de
acordo com Apocalipse 5, a dignidade do Cordeiro
não é principalmente por causa de Sua redenção, mas
por ser Ele apto para abrir o mistério da economia de
Deus. Cristo é digno de abrir os selos da economia de
Deus, porque Ele derrotou o inimigo e nos redimiu.
Como Aquele que trouxe a autoridade de Deus à
terra, Ele é o Leão da tribo de Judá, vitorioso e
vencedor, e o Cordeiro que cumpriu uma plena
redenção para o povo escolhido de Deus. Ele está,
portanto, completamente qualificado e posicionado
para abrir o mistério da economia de Deus. Esse é um
dos pontos cruciais em Apocalipse, capítulo 5.

OS SETE OLHOS, AS SETE LÂMPADAS E OS


SETE ESPÍRITOS
Outro ponto principal em Apocalipse 5 é que
Cristo, como o Cordeiro-Leão, tem “sete olhos, que
são os sete Espíritos de Deus” (v. 6, VRC). Esses sete
olhos são também as sete lâmpadas ardendo diante
do trono de Deus (4:5). Conseqüentemente, nesses
capítulos temos as sete lâmpadas, os sete olhos e os
sete Espíritos. Apocalipse é o único livro da Bíblia que
menciona os sete Espíritos. Mas aqui vemos que esses
sete Espíritos são os sete olhos de Cristo, e que os sete
olhos de Cristo são as sete lâmpadas diante do trono
de Deus.
A primeira menção das sete lâmpadas estão em
Êxodo 25, onde vemos sete lâmpadas no único
candelabro. Entretanto, se tivéssemos somente
Êxodo 25, não saberíamos o significado do
candelabro e de suas sete lâmpadas. Segundo nossa
compreensão, diríamos simplesmente que as sete
lâmpadas são para a intensificação da luz. Embora
isso seja tanto correto como lógico, o significado das
sete lâmpadas é muito mais profundo. Por que o
candelabro não tinha seis ou oito lâmpadas? Em
Zacarias vemos algo a mais a respeito das sete
lâmpadas, pois em Zacarias 3 e 4 vemos que as sete
lâmpadas são os sete olhos (Zc 3:9; 4:2, 10). Apesar
de Zacarias 4:10 falar dos sete olhos do Senhor, a
conexão entre os olhos, as lâmpadas e o Espírito não é
esclarecida. Dessa maneira, precisamos prosseguir
até o livro de Apocalipse, onde vemos as sete
lâmpadas, os sete olhos e os sete Espíritos.
Precisamos ver a progressão de Êxodo a Zacarias até
Apocalipse. Em Êxodo temos as sete lâmpadas; em
Zacarias, os sete olhos; em Apocalipse, os sete
Espíritos. Em Êxodo as sete lâmpadas são
mencionadas, mas nada é dito sobre os olhos ou
sobre os Espíritos. Em Zacarias temos as sete
lâmpadas e os sete olhos, havendo uma menção
obscura do Espírito. Mas em Apocalipse temos as sete
lâmpadas, os sete olhos e os sete Espíritos.
Como já enfatizamos na mensagem oito, o
candelabro é um símbolo do Deus Triúno. O ouro
simboliza a substância divina do Pai; o suporte, que é
a corporificação do ouro, simboliza Cristo como a
corporificação do Pai; as sete lâmpadas simbolizam o
Espírito como a expressão de Cristo, que é a
corporificação do Pai. Temos, portanto, o Pai (o ouro)
como a substância, o Filho (o suporte) como a
corporificação e o Espírito (as lâmpadas) como a
expressão. Temos a substância, a corporificação e a
expressão. Em Êxodo não podemos ver que as sete
lâmpadas são os sete Espíritos de Deus. Precisamos ir
adiante, até Zacarias e, por fim, até Apocalipse, antes
de podermos ver isso. Como uma restauração da
revelação divina, isso é absolutamente novo.

A EDIFICAÇÃO DE DEUS
As lâmpadas em Êxodo 25 são para a edificação
do tabernáculo, especialmente para mover-se dentro
do tabernáculo. Sem a luz, é impossível se mover. A
luz é para o mover, e o mover é para a edificação de
Deus. As sete lâmpadas, portanto, são para a
edificação do tabernáculo, a habitação de Deus na
terra.
As sete lâmpadas em Zacarias 3 e 4 são para a
restauração da edificação de Deus. O princípio é o
mesmo na reconstrução do templo, como o foi na
edificação do tabernáculo. O mesmo é verdade com
respeito ao livro de Apocalipse. Se abordarmos esse
livro com visão curta, seremos incapazes de ver que
os sete Espíritos, que são os sete olhos do Cordeiro e
as sete lâmpadas diante do trono de Deus, são para a
edificação de Deus. Mas se tivermos uma visão global,
veremos que os sete Espíritos são absolutamente para
a edificação de Deus. Apocalipse começa com as sete
igrejas locais e termina com a Nova Jerusalém.
Apesar de esse livro abranger o julgamento de Deus,
esse não é o alvo. O julgamento não é para o
julgamento em si, mas é para a edificação de Deus. A
Nova Jerusalém, a habitação eterna de Deus procede
desse julgamento. Desse modo, as sete lâmpadas, os
sete olhos e os sete Espíritos são todos para a
edificação de Deus. Estamos aqui para a
substantificação do eterno propósito de Deus em Sua
edificação divina.

OS SETE OLHOS PARA A EDIFICAÇÃO DE


DEUS
Zacarias 3:9 diz: “Porque eis aqui a pedra que
pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete
olhos; eis que eu lavrarei a sua escultura, diz o Senhor
dos Exércitos, e tirarei a iniqüidade desta terra num
só dia.” Este versículo revela que os sete olhos não são
somente os sete olhos do Senhor, mas também os sete
olhos da pedra. Essa pedra foi lavrada em um dia por
causa da iniqüidade do povo de Deus. O lavrar da
pedra foi Seu tratamento pela justiça de Deus na cruz
para nossa redenção. Cristo, o Cordeiro que redime, é
também a pedra na qual estão os sete olhos. Esses
sete olhos são as sete lâmpadas para a edificação de
Deus. Quando chegamos ao livro de Apocalipse,
vemos muito claramente que as sete lâmpadas são os
sete olhos do Redentor e que os sete olhos do
Redentor são os sete Espíritos de Deus para a Sua
edificação.
De acordo com o livro de Apocalipse, o Senhor
Jesus tem sete olhos ardentes. Embora esses olhos
sejam para sondar, julgar, refinar e iluminar, são, de
modo final e máximo, para transfundir-nos com Sua
essência, Seu elemento divino. Como pode a essência
divina do Senhor ser trabalhada dentro do nosso ser?
Pelo transfundir de Seus sete olhos. Sempre que
somos sondados, purgados, purificados, refinados e
julgados pelos olhos flamejantes de Cristo, Dele
ganhamos alguma coisa. Não somente algum
elemento nosso é purificado, mas algum elemento
Dele é transfundido para dentro de nós. As coisas
naturais são purgadas e as coisas divinas são
transfundidas para dentro de nós. Por meio desse
processo, o Senhor edifica-nos juntos e leva a cabo a
edificação de Deus. O livro de Apocalipse não é,
essencialmente, para o sondar e o julgar; é para
produzir e edificar a Nova Jerusalém, o resultado
final e máximo deste livro. Como resultado do
transfundir dos sete olhos de Cristo, a Nova
Jerusalém será edificada. Os sete olhos de Cristo
olham para o povo escolhido de Deus, iluminando-o,
sondando-o, julgando-o, purificando-o e refinando-o
e, de modo final e máximo, infundindo-o com tudo o
que Ele é. Infundindo-nos com Sua essência, Ele nos
faz o mesmo que Ele é e, assim fazendo, transforma
nosso ser natural para ser o mesmo que Ele é. Nós
nos tornamos, então, material transformado para a
edificação da Nova Jerusalém. Todos precisamos ver
que os sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus e
do Cordeiro, são absolutamente para a edificação de
Deus.

O ESPÍRITO SENDO OS OLHOS DE CRISTO


Esses sete Espíritos são o Espírito Santo. Por
serem o Espírito Santo, Eles não estão separados de
Cristo. Segundo a doutrina, o Espírito e Cristo são
duas pessoas separadas, mas segundo a experiência,
Eles são um só. Exatamente como uma pessoa e seus
olhos são um, também Cristo e o Espírito são um.
Quando alguém olha para você, olha com os olhos
dele, e quando os olhos dele olham para você, ele olha
para você. É ridículo dizer que os olhos estão
separados da pessoa em si. Em nossa experiência, o
Espírito é os olhos de Cristo. Aqueles que tentam
discutir sobre isso podem sustentar doutrinas
intelectuais, mas falta-lhes experiência. Se eles
puserem todas as suas doutrinas em prática,
descobrirão que é errado separar Cristo do Espírito. O
Deus Triúno não é experienciado de modo
doutrinário. Enquanto alguns tentam defini-Lo ou
explicá-Lo, quando experienciamos o Deus Triúno
percebemos que o Filho é a corporificação do Pai e
que o Espírito é a expressão do Filho. Eles são um. O
Pai é corporificado no Filho e o Filho é
substantificado, expresso e experienciado como o
Espírito.

A EXPERIÊNCIA DO DEUS TRIÚNO PARA A


EDIFICAÇÃO DE DEUS
O Deus Triúno é para a edificação de Deus. O
Deus Triúno tem de ser dispensado para dentro de
nós, para que Deus tenha a edificação. Isso é
plenamente revelado no livro de Apocalipse. A visão
controladora da Bíblia é a edificação de Deus. Se você
não viu a edificação de Deus, ser-lhe-á difícil
entender a Bíblia corretamente. A Bíblia toda está
relacionada com a edificação de Deus e esta é
realizada por meio do Deus Triúno sendo dispensado
para dentro de nós. Ao chegarmos ao livro de
Apocalipse, precisamos agarrar essa visão. Se assim
fizermos, seremos capazes de entender este livro e ver
que não é; essencialmente, um livro sobre julgamento
mas sobre a edificação de Deus.

O JULGAMENTO DE DEUS PARA SUA


EDIFICAÇÃO
O cumprimento da edificação de Deus exige o
Seu julgamento. O julgamento de Deus é levado a
cabo pelo fato de Cristo ser Aquele que tem olhos
flamejantes para queimar-nos, iluminar-nos,
sondar-nos, purificar-nos e refinar-nos. Por fim,
esses olhos flamejantes nos infundem com tudo o que
Ele é, transformando-nos, metabolicamente, naquilo
que Ele é. A cidade toda da Nova Jerusalém terá a
mesma essência e aparência que Deus. Como já
enfatizamos várias vezes, a aparência de Deus
sentado sobre o trono, no capítulo quatro, é de jaspe
(4:3), e a aparência da Nova Jerusalém,
especialmente suas muralhas, no capítulo vinte e um,
é também de jaspe (21:11, 18-19). Assim, a essência e
a aparência de Deus e da cidade são as mesmas.
Como pode ser isso? Somente tendo o próprio Deus
trabalhado dentro de nós. A essência de Deus é
trabalhada dentro de nós por meio de transfusão.
Não desconsidere os sete olhos, os sete Espíritos.
Apocalipse não é um livro de um Espírito; é um livro
dos sete Espíritos, os sete olhos de Cristo, por meio
dos quais o Cristo redentor, vencedor e edificador
transfunde Ele próprio para dentro de todos os Seus
membros. Enquanto está transfundindo a Si mesmo
para dentro de nós, Ele está nos sondando, nos
iluminando, nos julgando, nos purificando e nos
refinando. Dessa forma Ele nos transforma. Como
precisamos ter essa visão! Essa é hoje a restauração
de Deus.

A VISÃO GOVERNANTE NA BÍBLIA


Embora a Bíblia não possa ser aperfeiçoada, a
verdade na Bíblia é progressiva e a restauração das
verdades divinas na Bíblia é ainda mais progressiva.
Há quatrocentos anos, muito pouco das verdades da
Palavra de Deus havia sido restaurada, mas tal não
acontece hoje. A restauração das verdades é mais rica
agora que há apenas vinte anos. Isso não significa que
a Bíblia muda ou que nós a mudamos, pois ninguém
tem o direito de fazer isso. Significa que o Senhor está
prosseguindo na restauração de Suas verdades.
A restauração das verdades por Deus na Bíblia é
absolutamente para Sua edificação. O primeiro ano
no qual sofri oposição foi 1958, o ano exato em que
tive, pela primeira vez, encargo para ministrar sobre a
edificação de Deus. Essa foi a causa de toda a
oposição e crítica. Não obstante, eu só me importo
com a edificação de Deus. Agradeço ao Senhor por
Ele ter vindicado a restauração. A palavra do homem
nada significa, somente conta o que Deus diz. Deus
disse que Ele é pela Sua edificação. A Bíblia inteira é
por isso. Bem no início, no livro de Gênesis, temos a
árvore da vida e o rio que flui produzindo ouro, bdélio
(pérola) e pedras preciosas (Gn 2:9-12). No fim da
Bíblia, em Apocalipse, temos uma cidade construída
com esses materiais preciosos, com ouro, pérola e
pedras preciosas (Ap 21). Em conseqüência, toda a
Bíblia é para o eterno propósito de Deus de assegurar
Sua habitação eterna dispensando a Si mesmo como
vida para dentro de Seus escolhidos. Essa é a visão
governante.
O DESEJO DE DEUS
Se tivermos qualquer outra visão, isso significa
que somos espiritualmente míopes. Deus não está
buscando santidade ou espiritualidade. Ele está
buscando a edificação. Em 1958 eu disse que nossa
espiritualidade deve ser testada pela edificação de
Deus, isto é, pela vida da igreja. Quando disse que
Deus não se importa com nossa espiritualidade, os
opositores tiraram essa frase fora do contexto e me
condenaram, dizendo: “Ouçam! O irmão Lee diz que
Deus não se importa com espiritualidade. Isso não é
herético?” Se você mantiver essa afirmação em seu
contexto, ela não é de modo algum herética. Deus não
se importa com nossa espiritualidade; Ele se importa
com o quanto fomos edificados para dentro de Sua
igreja. A espiritualidade individualista é cancerosa.
Qualquer membro individualista da igreja é um
câncer no Corpo de Cristo. Você pode dizer que é
espiritual ou santo, mas 'sua espiritualidade e
santidade devem ser testadas pela vida da igreja.
Talvez sua santidade seja individualista. Se assim for,
então ela não é saudável, pois a verdadeira santidade
é para a edificação de Deus.
Deus não quer um grupo de pessoas espirituais
individualistas; Ele quer a edificação. Ele não deseja
um monte de pedras preciosas para exibição. Deus,
naturalmente, precisa de indivíduos, mas precisa
deles como o material para a edificação. Todas as
pedras individuais devem ser postas na edificação.
Isso não é uma mera doutrina, mas um fato muito
sério. Você está sendo edificado na edificação de
Deus? Ou você é alguém salvo, que teme a Deus, ama
o Senhor e ora, mas diz: “Eu não me importo com a
igreja”? ou você diz: “Não é bom falar tanto sobre a
igreja; é melhor estar só com o Senhor e ler a Bíblia”?
Você pode desfrutar, mas Deus não gosta disso como
você. Ele quer que você perca a si mesmo. Você
precisa ser iluminado, sondado, purificado, refinado
e, depois, infundido com tudo o que Ele é, para que
possa ser transformado em uma pedra preciosa para
a edificação de Deus. Esse é o desejo de Deus hoje.
Por que Deus chamou os israelitas para fora do
Egito? Foi para a edificação da Sua habitação na
terra. Por fim, o tabernáculo, como a habitação de
Deus, na terra, tornou-se o centro do povo de Israel.
Sempre que falhavam para com o tabernáculo,
perdiam todas as guerras. Entretanto, sempre que
estavam corretos com relação ao tabernáculo, eles
eram vitoriosos. Depois que os israelitas entraram na
boa terra, eles edificaram o templo por ser o centro da
vida deles como o povo de Deus. Quando estavam
corretos com relação ao templo, estavam corretos
para com Deus, e quando estavam incorretos com
relação ao templo, eram falhos para com Deus. Esse é
um breve sumário do Velho Testamento. Que temos
no Novo Testamento? Temos a igreja hoje e a Nova
Jerusalém no futuro. Por isso, um breve sumário de
toda Bíblia é a edificação de Deus.

A NECESSIDADE DE UMA INFUSÃO


INTENSIFICADA
Deus foi obrigado a exercitar a Si mesmo como o
Espírito sete vezes intensificado para nos iluminar,
por causa das trevas e da degradação desta era.
Precisamos do sondar e do iluminar dos sete
Espíritos. Talvez você tenha se apegado a doutrinas
por anos a fio. Que bem elas fizeram a você? A igreja
restaurada degradada tem tanta doutrina, mas que o
Senhor disse a respeito dela? Ele disse que não eram
nem quentes, nem frios, mas, antes, eram mornos e,
portanto, somente qualificados para serem vomitados
de Sua boca (3:16). Essa é a condição da igreja em
Laodicéia.
Agradecemos ao Senhor que a luz referente à Sua
edificação está hoje mais brilhante do que nunca. A
luz esta resplandecendo sobre nós. Não é uma
questão de ser um vencedor individualista em
algumas coisas secundárias, mas de ser um vencedor
nas coisas principais para a edificação de Deus.
Muitos cristãos não entendem o significado de vencer
em Apocalipse. Vencer neste livro significa vencer o
cristianismo degradado. Devemos vencer a situação
degradada da assim chamada igreja no interesse da
edificação de Deus. Leia o livro de Apocalipse várias
vezes e verá que sua visão governante é a edificação
de Deus. Devemos enxergar isso diante de nós. Todas
as coisas são para a edificação de Deus. A revelação
de Cristo no capítulo 1 é para a edificação; as sete
epístolas às sete igrejas nos capítulos 2 e 3 são para a
edificação de Deus; a cena no céu após a ascensão de
Cristo e a visão de Cristo como o Cordeiro-Leão no
capítulo 5 são também para a edificação de Deus. O
fato de Cristo ter sete olhos que são as sete lâmpadas
e os sete Espíritos de Deus não é para que possamos
ser santos individualmente, mas é totalmente para a
edificação de Deus. Que o Senhor tenha misericórdia
de nós. Nesta era, estamos numa noite escura e
precisamos do Espírito sete vezes intensificado como
as sete lâmpadas resplandecentes para nos iluminar,
sondar, purgar e refinar. O que precisamos é da
infusão intensificada do Senhor de modo final e
máximo. Precisamos ser infundidos com tudo o que
Ele é, de modo que possamos nos tornar pedras
transformadas para a edificação de Deus.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 23
A CENA NO CÉU APÓS A ABERTURA DO SÉTIMO
SELO E O JULGAMENTO SOBRE A TERRA, O MAR, OS
RIOS, O SOL, A LUA E AS ESTRELAS — AS PRIMEIRAS
QUATRO TROMBETAS
Chegamos nesta mensagem a 8:1-12. Neste
capítulo temos a abertura do sétimo selo (vs. 1-2), a
cena no céu após a abertura do sétimo selo (vs. 3-5) e
o trombetear das primeiras quatro trombetas (vs.
6-12).

I. O SÉTIMO SELO
O sétimo selo, que começará antes da grande
tribulação, consiste em sete trombetas, pois as sete
trombetas são o conteúdo do sétimo selo. Se
quisermos entender a profecia deste livro, devemos
perceber claramente que o mistério da economia de
Deus está selado com sete selos. Como já
enfatizamos, o livro no capítulo cinco é o novo
testamento decretado por Cristo com o Seu precioso
sangue. Esse novo testamento é o livro da economia
de Deus selado com sete selos, que são o conteúdo do
livro. Vimos que os primeiros quatro selos não são
consecutivos, mas simultâneos, e que o quinto e sexto
selos são consecutivos. O sétimo selo inclui todas as
coisas, desde depois do sexto selo até a eternidade
futura. Desta maneira, o sétimo selo, consistindo em
sete trombetas, é todo-inclusivo: Como veremos, as
setes taças são parte da sétima trombeta. O sétimo
selo consiste em sete trombetas e a sétima trombeta
consiste, parcialmente, em sete taças. Tanto o sétimo
selo como as sete trombetas estendem-se até a
eternidade. A sétima trombeta encerrará esta era e
introduzirá o reino, o novo céu e a nova terra.
Alguns podem ter o conceito de que as sete
trombetas seguem os sete selos, e de que as sete taças
sucedem as sete trombetas. Esse conceito é natural.
Ao compreendermos a Palavra, não devemos ter
nenhuma confiança em nossos conceitos naturais,
antes devemos abandoná-los e vir ao Senhor,
dizendo: “Senhor, mostra-nos o Teu caminho”. Desde
1933, fui ajudado pelo estudo do irmão Nee sobre o
livro de Apocalipse. Por causa do conceito natural que
estava profundamente embutido em meu
pensamento, eu cria que as sete trombetas eram a
continuação dos sete selos e que as sete taças seguiam
as sete trombetas. Esse conceito perturbava-me
constantemente. Estudava e estudava até que um dia
a luz veio e vi que o sétimo selo contém as sete
trombetas. As sete trombetas são o equivalente ao
sétimo selo. Elas são, na realidade, o sétimo selo. O
conteúdo dos primeiros quatro selos é os quatro
cavalos; o conteúdo do quinto selo é o clamor dos
santos martirizados; o conteúdo do sexto selo é a
resposta de Deus ao clamor dos santos martirizados e
uma advertência aos habitantes da terra, e o conteúdo
do sétimo selo é as sete trombetas.
Do mesmo modo que os primeiros quatro selos,
as primeiras quatro trombetas, que não são ainda um
julgamento direto sobre os homens, formam um
grupo. A primeira trombeta consiste num julgamento
sobre a terra incluindo as árvores e toda relva, como
ocorreu no Egito (Êx 9:18-25; 10:15); a segunda, num
julgamento sobre o mar incluindo os seres vivos e os
navios; a terceira, um julgamento sobre os rios e
fontes das águas, como ocorreu no Egito (Êx 7:17-21);
a quarta, num julgamento sobre o sol, a lua e as
estrelas para escurecê-los, como também ocorreu no
Egito (Êx 10:21-23). Por meio dos julgamentos dessas
quatro trombetas, a terça parte da terra, do mar, dos
rios e das hostes dos céus foi danificada, fazendo
assim com que não fossem mais bons para o homem
viver. Antes das sete trombetas, já terá havido um
julgamento na terra e nas hostes dos céus relativo ao
sexto selo. A extensão do dano daquele julgamento
não será tão definitivo como o dano das primeiras
quatro trombetas. Na quinta trombeta, Satanás e o
anticristo colaborarão para atormentar os homens;
na sexta trombeta haverá um julgamento adicional
sobre os homens quando os duzentos milhões de
cavaleiros matarem a terça parte dos homens; na
sétima trombeta haverá muitas coisas — o reino
eterno de Cristo, o terceiro ai compreendendo as sete
taças, o julgamento dos mortos, o galardão sendo
dado aos profetas, aos santos e às pessoas tementes a
Deus, e a destruição dos destruidores da terra. Na
sétima trombeta, haverá julgamentos adicionais
sobre a terra, o mar, os rios e o sol por meio das sete
taças (16:1-21). Esses serão os mais severos
julgamentos de Deus sobre a terra e o céu.
Devemos abandonar o conceito de que os sete
selos, as sete trombetas e as sete taças são
consecutivos. Não. Repetindo, as sete trombetas são o
conteúdo do sétimo selo e as sete taças são uma parte
da sétima trombeta. Essa é a chave para
compreendermos a profecia deste livro. Somente
Deus poderia ter escrito o livro de Apocalipse, porque
só Ele tem a sabedoria para compô-lo de tal maneira
maravilhosa. Quem mais tem a sabedoria para
escrever um livro com tais sinais e símbolos, como os
dos quatro cavalos que abrangem plenamente toda a
história dos últimos vinte séculos? O fato de os sete
selos, as sete trombetas e as sete taças não serem
consecutivos revela a sabedoria de Deus ao escrever
este livro. Se não tivermos luz para ver esse arranjo,
mesmo que possamos ler Apocalipse repetidas vezes
ainda assim ficaremos confusos.

II. A CENA NO CÉU APÓS A ABERTURA DO


SÉTIMO SELO
Em 8:1-2 vemos as sete trombetas introduzidas
como a resposta à oração dos santos no quinto selo.
Os selos são abertos secretamente, ao passo que as
trombetas são soadas abertamente.

A. Silêncio no Céu Cerca de Meia Hora


Quando o Cordeiro “abriu o sétimo selo, houve
silêncio no céu cerca de meia hora” (v. 1). Esse
silêncio indica solenidade. Na abertura do último
selo, todo o céu se torna silencioso porque a era está
para ser mudada. O período anterior à abertura do
sétimo selo foi a era da tolerância de Deus. Deus tem
tolerado a situação pecaminosa da terra por causa de
Seu propósito de pregar o evangelho para produzir as
igrejas com vistas a cumprir o Seu plano eterno. Mas,
com a abertura do sétimo selo, a era da tolerância é
terminada e outra era é introduzida. Essa é a era da
ira de Deus. Deus agora está vindo para intervir na
situação rebelde e pecaminosa da terra. Por ser essa
ocasião tão solene, o céu se torna silencioso, uma
indicação de que algo grave está prestes a acontecer.

B. Cristo Ministrando no Céu como Sumo


Sacerdote

1. Como o “Outro Anjo”


No meio dessa cena solene, outro Anjo aparece
(v. 3). Esse anjo é Cristo. Quando Cristo foi revelado
como Aquele que andava no meio das igrejas, Ele foi
revelado como o Filho do homem, e quando falou às
igrejas, declarou todas as suas qualificações. Mas na
administração do julgamento de Deus sobre a terra,
Cristo é o Anjo colocando-se na posição Daquele que
foi enviado por Deus. Num sentido muito positivo,
Cristo é tudo; Ele é tudo o que a economia de Deus
precisa. Apocalipse descreve, especificamente, Cristo
como o “outro Anjo”, indicando que Ele não é um
anjo regular ou comum, mas um Anjo especial. Como
já enfatizamos na mensagem vinte e um, no Velho
Testamento Cristo era chamado ~e 'Anjo do Senhor”,
que era o próprio Deus (Gn 22:11-12; Ex 3:2-6; Jz
6:11-24; Zc 1:11-12; 2:3-5, 8-11; 3:1-7). Em Gênesis 22,
o Anjo do Senhor falou a Abraão e em Êxodo 3
apareceu a Moisés. Cristo é o outro Anjo; Ele é o Anjo
especial, único.

2. Oferecendo as Orações dos Santos a Deus


O versículo 3 diz: “Veio outro anjo e ficou de pé
junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe
dado muito incenso para oferecê-la com as orações de
todos os santos sobre o altar de ouro que se acha
diante do trono”. O primeiro altar neste versículo
refere-se ao altar da oferta queimada (holocausto) (cf.
Êx 27:1-8) e o altar de ouro diante do trono refere-se
ao altar de incenso (cf. Êx 30:1-9). O incensário de
ouro representa as orações dos santos, que são
levadas a Deus por Cristo como o outro Anjo. O
incenso representa Cristo com todo o Seu mérito a ser
acrescentado às orações dos santos para que estas
sejam aceitáveis a Deus sobre o altar de ouro. Na
abertura do sétimo selo ainda haverá “santos” orando
na terra.
Nessa cena no céu após a abertura do sétimo
selo, Cristo aparece como o outro Anjo para executar
a administração de Deus sobre a terra ministrando a
Deus como Sumo Sacerdote com as orações de Seus
santos. Quando Ele oferece as orações de Seus santos
a Deus, acrescenta-lhes Seu incenso. O versículo 4
diz: “E da mão do anjo subiu à presença de Deus o
fumo do incenso, com as orações dos santos.” O
“fumo do incenso” indica que o incenso é queimado
para Deus com as orações dos santos. Isso implica
que pelo incenso que lhes é acrescentado, as orações
dos santos tornam-se eficazes e aceitáveis a Deus.

3. Lançando Fogo à Terra para Executar o


Julgamento de Deus sobre a Terra
O versículo 5 diz: “E o anjo tomou o incensário,
encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve
trovões, vozes, relâmpagos e terremoto.” Isso implica
a resposta às orações dos santos, especialmente à
oração no quinto selo, mencionada em 6:9-11 e à
oração mencionada em Lucas 18:7-8. As orações dos
santos neste capítulo devem ser para o julgamento da
terra, a qual se opõe à economia de Deus. A resposta
às orações dos santos é a execução do julgamento de
Deus sobre a terra pelas sete trombetas que se
seguem. Lançar o fogo à terra é executar o julgamento
de Deus sobre ela. Portanto, os trovões, as vozes, os
relâmpagos e o terremoto vêm como sinais do
julgamento de Deus.
O julgamento de Deus sobre a terra é a resposta
às orações dos santos com Cristo como incenso.
Embora o sexto selo tenha sido aberto e as sete
trombetas estejam prontas para tocar, nada acontece
até que Cristo venha para oferecer as orações dos
santos a Deus com Ele mesmo como incenso. Naquela
hora, há trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto.
Isso indica que enquanto Deus tem a intenção de
executar Seu julgamento sobre a terra, ainda há
necessidade de os santos cooperarem com Ele por
meio de suas orações. Deus precisa que Seus santos
orem para que Ele possa executar Seu julgamento. Se
você ler Lucas 18, verá que o Senhor Jesus diz que em
determinado tempo os santos na terra clamarão a
Deus para que venha tratar a situação e vindicar a Si
mesmo. No fim desta era, as pessoas serão tão
rebeldes contra Deus a ponto de até mesmo
declararem a todo universo que elas são Deus.
Enquanto Deus estiver tolerando isso, alguns dos
santos fiéis não mais suportarão e orarão: “Ó
soberano Senhor, até quando suportarás isso?
Tolerarás essa rebelião para sempre? Quanto tempo
durará, antes que venhas vindicar a Ti mesmo e
vingar-nos? Quanto tempo levará, até que toda a terra
conheça que Tu és o Senhor?” Por fim, haverá
necessidade desse tipo de oração. Creio que a hora
está chegando, quando seremos todos compelidos a
orar dessa maneira. Não posso instar com vocês a que
orem desse modo hoje, porque vocês não estão sob
esse tipo de pressão. Mas, um dia, a pressão estará
sobre nós e teremos o encargo de orar dessa maneira.
Isso indicará que o fim está próximo porque o nosso
espírito não tolerará por mais tempo a situação. Nós,
então, oraremos ao Senhor para Ele vindicar a Si
mesmo e fazer com que todos os rebeldes saibam que
Ele é Deus. Quando orarmos dessa maneira, o Anjo
enviado por Deus ministrará a Deus com nossa
oração, acrescentando-lhe a Si mesmo como incenso.
Deus certamente responderá essa oração e haverá
trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto. Tal será,
simplesmente, o início do julgamento de Deus sobre
essa terra rebelde. Isso ocorrerá na abertura do
sétimo selo, quando Cristo, o outro Anjo, ministrará
como nosso Sumo Sacerdote para levar a Deus nossas
orações misturadas com Seu incenso, e será Aquele
enviado para executar o julgamento de Deus na terra.
O versículo 6 diz: “Então os sete anjos que
tinham as sete trombetas prepararam-se para tocar.”
As sete trombetas foram dadas aos sete anjos (v. 2).
Mas é depois de as orações dos santos, nos versículos
3 a 5, serem respondidas que os sete anjos se
prepararam para trombetear. A vontade de Deus no
céu requer a oração dos santos para levá-la a cabo na
terra. A oferta das orações dos santos a Deus por
intermédio de Cristo introduz as sete trombetas.

III. A PRIMEIRA TROMBETA: O


JULGAMENTO SOBRE A TERRA
O versículo 7 diz: “O primeiro anjo tocou a
trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com
sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada
a terça parte da terra, e das árvores, e também toda
erva verde.” Quando os anjos começam a trombetear,
todas as coisas no universo serão viradas de cabeça
para baixo. A primeira trombeta danificará “a terça
parte da terra”. Note que esse versículo não diz “um
terço”, mas “a terça parte”. Isso significa que
determinada parte da terra, “a terça parte”, será
danificada. Embora toda terra seja pecaminosa,
algumas partes dela são, especificamente, infernais,
diabólicas, satânicas, demoníacas e malignas. Não
creio que a terça parte da terra incluirá os Estados
Unidos. Os Estados Unidos são pecaminosos, mas,
diferente de outras partes da terra, não é
diabolicamente pecaminoso. Aquelas regiões da terra
que são muito pecaminosas serão “a terça parte”.
Muitos precisam ouvir essa palavra e ser advertidos
por ela, para que não sejam tão perversos contra
Deus, a ponto de sua região tornar-se “a terça parte”
da terra, a região que será totalmente atingida pelo
julgamento de Deus. De acordo com Apocalipse 9, o
julgamento de Deus da “terça parte” será ainda usado
para advertir o mundo rebelde a arrepender-se.

IV. A SEGUNDA TROMBETA: O


JULGAMENTO SOBRE O MAR
Nos versículos 8 e 9 vemos a segunda trombeta.
“O segundo anjo tocou a trombeta, e uma como que
grande montanha ardendo em chamas foi atirada ao
mar, cuja terça parte se tornou em sangue, e morreu a
terça parte da criação que tinha vida, existente no
mar, e foi destruída a terça parte das embarcações.”
Vemos aqui que a segunda trombeta danificará “a
terça parte do mar”. Algumas nações poderosas estão
desenvolvendo suas marinhas para expandir seu
território oceânico. Seu objetivo ao fazer isso é
praticar o mal contra Deus. No mesmo princípio do
julgamento sobre a terra na primeira trombeta, Deus
julgará a terça parte do mar. O versículo 9 menciona,
especificamente, a destruição da terça parte dos
navios. Aquela parte do mar que é contaminada pelo
mal contra Deus será danificada pelo julgamento de
Deus.

V. A TERCEIRA TROMBETA: O
JULGAMENTO SOBRE OS RIOS E AS
FONTES DAS ÁGUAS
Os versículos 10 e 11 descrevem a terceira
trombeta: “O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do
céu sobre a terça parte dos rios e sobre as 'fontes das
águas uma grande estrela ardendo como tocha. O
nome da estrela é Absinto; e a terça parte das águas se
tornou em absinto, e muitos dos homens morreram
por causa dessas águas, porque se tornaram
amargosas.” Vemos novamente que a terça parte dos
rios e das fontes das águas serão danificados. A água é
crucial para a vida humana. Os opositores de Deus e
aqueles que praticam o mal contra Ele ainda
desfrutam a criação de Deus. Embora eles bebam a
água da criação de Deus, continuam a se opor a Ele.
Um dia, Deus dará a impressão de dizer: 'Agora farei
cair do céu absinto para dentro de sua água e ela
tornar-se-á amarga”. O julgamento de Deus, aqui,
ainda tem uma limitação, pois Ele se restringe à terça
parte dos rios e fontes.

VI. A QUARTA TROMBETA: O JULGAMENTO


DAS HOSTES CELESTES
No versículo 12 lemos a respeito da quarta
trombeta, o julgamento sobre as hastes celestes: “O
quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça parte
do sol, da lua e das estrelas, para que a terça parte
deles escurecesse e, na sua terça parte, não brilhasse
assim o dia como também a noite.” Após o
julgamento da terra, do mar e dos rios, o julgamento
de Deus ferirá a terça parte das hastes celestes,
danificando a terça parte do sol, da lua e das estrelas.
A parte do sol que será danificada será aquela que
brilha sobre as nações perversas. Deus conhece essa
parte e ela será obscurecida.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 24
O JULGAMENTO SOBRE OS HOMENS: A QUINTA
TROMBETA
O meu encargo nesta mensagem refere-se à
grande tribulação. Apocalipse 8:13 diz: “Então vi, e
ouvi uma águia que, voando pelo meio do céu, dizia
em grande voz: Ai, ai, ai dos que moram na terra, por
causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos
que ainda têm de tocar.” Os três ais das três últimas
trombetas (9:12; 11:14) serão os ais da grande
tribulação (Mt 24:21). Como veremos, ocorrerá na
última metade da septuagésima semana (Dn 9:27),
um período de três anos e meio (Dn 7:25; 12:7; Ap
12:14), ou quarenta e dois meses (Ap 11:2; 13:5), ou
mil duzentos e sessenta dias (Ap 11:3; 12:6).

I. O INÍCIO DA GRANDE TRIBULAÇÃO


Muitos cristãos pensam que a grande tribulação
durará sete anos. Alguns crêem nisso porque
entendem a Bíblia de uma maneira descuidada e
tradicional. Mas a palavra da Bíblia é muito exata e
precisamos entendê-la sendo iluminados. Nenhuma
palavra na Bíblia é desperdiçada; cada palavra é
significativa e exata.
Vamos agora considerar Daniel 9:24-27. O
versículo 24 diz: “Setenta semanas estão
determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa
cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim
aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a
justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para
ungir o Santo dos Santos.” O povo aqui mencionado é
o povo de Daniel e a cidade santa refere-se a
Jerusalém. De acordo com a Bíblia, uma semana,
aqui, não significa sete dias, mas sete anos. Se você
disser que as setenta semanas relacionam-se a
setenta períodos de sete dias, nunca terá a
interpretação correta desta passagem.
O versículo 25 diz: “Sabe, e entende: desde a
saída da ordem para restaurar e para edificar
Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e
sessenta e duas semanas: as praças e as
circunvalações se reedificarão, mas em tempos
angustiosos.” Vemos aqui “sete semanas”, e depois,
“sessenta e duas semanas”. O versículo 26 continua:
“Depois das sessenta e duas semanas será morto o
Ungido, e já não estará; e o povo de um príncipe, que
há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim
será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra;
desolações são determinadas.” A referência de o
Ungido ser morto alude a Cristo ser crucificado na
cruz. A destruição da cidade e do santuário refere-se à
destruição do templo e da cidade de Jerusalém sob
Tito em 70 a. D.
O versículo 27 conclui, dizendo: “Ele fará firme
aliança com muitos por uma semana; na metade da
semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares;
sobre a asa das abominações virá o assolador, até que
a destruição, que está determinada, se derrame sobre
ele.” Vemos aqui que o príncipe confirmará a aliança
por uma semana e que na metade desta, isto é, após
três anos e meio, ele fará cessar o sacrifício e a oferta
de manjares. Isso significa que ele interromperá a
adoração a Deus.
Essas setenta semanas constituem quatrocentos
e noventa anos, começando do vigésimo ano de
Artaxerxes, que publicou um decreto para a
reconstrução do muro de Jerusalém (Ne 1:1; 2:1). As
primeiras sete semanas, quarenta e nove anos, foram
para o término da reconstrução da rua e do muro de
Jerusalém. A partir de então, até Cristo “ser morto”,
passaram-se sessenta e duas semanas, quatrocentos e
trinta e quatro anos. Desde o fim das sessenta e nove
semanas, houve um longo período suspenso. Por fim,
o tempo da última semana, os últimos sete anos, virá.
Essa é a origem da idéia de que a grande tribulação
durará sete anos.
Como veremos agora, esse conceito não é exato.
Os últimos sete anos, a última semana, será a época
na qual o anticristo fará um acordo com o povo judeu.
Durante a primeira metade desses sete anos, o
anticristo será amigável com os judeus. Mas após três
anos e meio, ele mudará de idéia. Embora
anteriormente ele tenha concordado que os judeus
podiam adorar a Deus no templo oferecendo os
sacrifícios, ele depois mudará de idéia,
estabelecendo-se como Deus, erigindo uma imagem
de si mesmo no templo e obrigando o povo a adorá-lo
e à sua imagem. Ele, então, começará a maltratar os
judeus. Desse modo, a primeira metade dos sete anos
não será uma época de tribulação porque durante
aquele tempo o anticristo será amigável com os
judeus. De acordo com Daniel 9:27, “na metade da
semana” o anticristo “fará cessar o sacrifício e a oferta
de manjares”, ordenando aos judeus que cessem de
adorar a Deus e de oferecer-Lhe sacrifícios. O
anticristo também erigirá o abominável da desolação
no Lugar Santo. De acordo com Apocalipse, o
abominável da desolação será a imagem do anticristo
estabelecida como um ídolo no templo.
Vamos agora nos voltar para Mateus 24, um
capítulo que aborda essa questão da grande
tribulação. No versículo 15, o Senhor Jesus disse:
“Quando, pois, virdes o abominável da desolação de
que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê,
entenda)”. Quando será isso? Não será no início dos
sete anos, mas no meio dos sete anos, na época em
que o anticristo interromperá a adoração a Deus,
estabe1ecer-se-á como Deus e colocará sua imagem
no templo, o que, aos olhos de Deus, é abominação.
Então, no versículo 21, o Senhor predisse: “Porque
nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o
princípio do mundo até agora não tem havido, e nem
haverá jamais.” Por meio disso vemos que a grande
tribulação, que começa no meio dos últimos sete
anos, durará apenas três anos e meio. O ensinamento
tradicional de que durará sete anos é inexato e não
devemos segui-lo. Ele não proporciona os detalhes
adequados para o estudo da profecia. Aqueles que
mantêm os ensinamentos tradicionais falam de sete
anos, negligenciando o fato de que, na metade dos
sete anos, o anticristo mudará de idéia e isso
introduzirá a grande tribulação, que durará três anos
e meio, a segunda metade da semana final.
Precisamos considerar também alguns versículos
de Apocalipse 12. Os versículos 5 e 6 dizem:
“Nasceu-lhe, pois, um filho varão que há de reger
todas as nações, com cetro de ferro. E o seu filho foi
arrebatado para Deus até ao seu trono. A mulher,
porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus
preparado lugar para que nele a sustentem durante
mil duzentos e sessenta dias.” Os mil duzentos e
sessenta dias são o equivalente de três anos e meio.
Depois que o filho varão for arrebatado, haverá um
período de três anos e meio, a última metade da
septuagésima semana, época durante a qual a
imagem do anticristo será estabelecida no templo. Os
versículos 7 até 13 então revelam que haverá uma
guerra no céu, que o dragão e seus anjos serão
lançados do céu para a terra e que o dragão
perseguirá a mulher que deu à luz ao filho varão. O
versículo 14 diz: “E foram dadas à mulher as duas
asas da grande águia, para que voasse até o deserto,
ao seu lugar, aí onde é sustentada durante um tempo,
tempos, e metade de um tempo, fora da vista da
serpente.” Esse “tempo, tempos, e metade de um
tempo” refere-se aos três anos e meio finais. Nesse
trecho da Palavra vemos que Satanás será atirado do
céu para a terra no início da última metade dos sete
anos. Isso prova também que, rigorosamente falando,
a grande tribulação durará três anos e meio, e não
sete anos.
Uma prova adicional disso está em Apocalipse
11:2 que diz: “Mas deixa de parte o átrio exterior do
santuário, e não o meças, porque foi ele dado aos
gentios; estes por quarenta e dois meses calcarão aos
pés a cidade santa.” Nesse versículo é-nos dito que a
cidade de Jerusalém será pisada pelos gentios por
quarenta e dois meses. Os gentios, que calcarão aos
pés a cidade santa, serão o anticristo e seus exércitos.
Isso corresponde à profecia em Daniel 9, onde o
anticristo quebra a aliança, estabelece a si próprio
como Deus e ordena o povo a adorá-lo. Esse será
também o tempo em que ele calcará aos pés a cidade
santa. Isso será durante a grande tribulação. A grande
tribulação começará, portanto, no início dos últimos
três anos e meio, quando Satanás é atirado do céu
para a terra. Como vimos, isso é claramente
mencionado no capítulo doze.

II. SATANÁS CAÍDO DO CÉU PARA A TERRA


Com isso como pano de fundo, chegamos à
quinta trombeta. Apocalipse 9:1 diz: “O quinto anjo
tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na
terra. E foi-lhe dada a chave do poço do abismo.” A
estrela aqui se refere a Satanás, que será lançado do
céu à terra. Os anjos são comparados a estrelas (Jó
38:7; Ap 12:4). Satanás, como o arcanjo, era a estrela
da manhã (Is 14:12). Em Lucas 10:18 vemos o
julgamento sobre ele. Aqui, e em 12:9, 10, vemos a
execução daquele julgamento. O abismo é o lugar de
habitação dos demônios (Lc 8:31, ou “profundezas”,
conforme nota na BJ).
Quando Satanás cairá do céu para a terra? A
resposta a essa pergunta está no capítulo doze.
Aquele capítulo revela que após o filho varão ser
arrebatado ao céu, ele lutará contra Satanás e dará a
impressão de dizer-lhe: “Satanás, agora que estamos
aqui, não há lugar para você. Você precisa ser lançado
abaixo”. De acordo com aquele capítulo, Satanás cairá
do céu no início dos últimos três anos e meio. Já
enfatizamos que essa é uma prova categórica de que a
grande tribulação não começará antes disso, porque
Satanás ainda estará no céu.
Quando Satanás cai do céu para a terra, a chave
do abismo ser-lhe-á dada, para que ele possa abri-lo e
soltar os gafanhotos endemoninhados, a fim de
atormentarem o homem por cinco meses.

III. OS GAFANHOTOS
A grande tribulação não inclui nem o sexto selo,
nem as primeiras quatro trombetas, porque ela
começa com o primeiro ai ao soar da quinta trombeta.
O sexto selo será uma calamidade sobrenatural e as
primeiras quatro trombetas serão julgamentos sobre
a terra, o mar, os rios e as hostes celestiais. Mas esses
julgamentos não são uma parte da grande tribulação.
As primeiras quatro trombetas são muito severas,
mas não causam dano ao homem diretamente. Após
elas vem a grande tribulação, que atormentará o
homem diretamente. Antes da quinta trombeta, o
homem não será tocado diretamente; somente a
terra, o mar, os rios e as hostes celestiais serão
danificados diretamente. Isso pode ser considerado
como um preâmbulo para a grande tribulação
vindoura. O julgamento de Deus sobre a terra, o mar,
as águas e os céus é uma advertência para o homem.
No tempo da quinta trombeta, o próprio homem será
diretamente atormentado.
Os versículos de 3 a 5 dizem: “Também da
fumaça saíram gafanhotos para a terra; e foi-lhes
dado poder como o que têm os escorpiões da terra, e
foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra,
nem a qualquer cousa verde, nem a árvore alguma, e
tão-somente aos homens que não têm o selo de Deus
sobre as suas frontes. Foi-lhes também dado, não que
os matassem, e, sim, que os atormentassem durante
cinco meses. E o seu tormento era como tormento de
escorpião quando fere alguém.” Os gafanhotos aqui
não são como os gafanhotos em Êxodo 10:12-15,
porque têm caudas semelhantes a escorpiões, e
ferrões, e causam dano aos homens (v. 10). Eles
devem ser endemoninhados, porque saem da fumaça
que sobe do lugar de habitação dos demônios (v. 2).
As pragas das quatro primeiras trombetas não são
diretamente sobre o homem, ao passo que os ais das
três últimas trombetas o são. Aqueles que não serão
feridos pelos gafanhotos endemoninhados são os
israelitas que têm o selo de Deus em suas frontes
(7:3-8).
Nos versículos de 7 a 10 temos as características
desses gafanhotos. Os versículos 7 e 9 são muito
semelhantes a Joel 2:4, 5, 25, e 1:6, palavras ditas
acerca de Israel. Isso, juntamente com o fato de os
israelitas precisarem ser selados por Deus para
escaparem ao dano causado pelos gafanhotos, pode
indicar que o ai da quinta trombeta diz respeito,
principalmente, aos israelitas. O versículo 7 diz: “O
aspecto dos gafanhotos era semelhante a cavalos
preparados para peleja; nas suas cabeças havia como
que coroas parecendo de ouro; e os seus rostos eram
como rostos de homens”. Esses gafanhotos são como
um exército, semelhante aos mencionados no livro de
Joel, no qual nos é dito que Deus enviará um exército
de gafanhotos. Embora os gafanhotos em Apocalipse
9 não devam ser identificados com os de Joel, eles
estão relacionados. A aparência dos gafanhotos é de
cavalos preparados para a guerra, e eles têm coroas
semelhantes a ouro na cabeça. Seus cabelos são como
cabelos de mulher, e seus dentes como dentes de
leões (v. 8). Eles têm couraças como couraças de
ferro, e o som das suas asas é como o som de carros
de muitos cavalos que correm para a batalha (v. 9).
O versículo 10 diz que: “Tinham ainda caudas
como escorpiões”. Na Bíblia, escorpiões simbolizam
demônios, os espíritos malignos que seguem Satanás.
Em Lucas 10:19, o Senhor disse: “Eis aí vos dei a
autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e
sobre todo o poder do inimigo.” Nós, os que cremos
em Cristo, vencemos os escorpiões, os servidores
demoníacos de Satanás. O versículo 10 de Apocalipse
9 também diz que “nas suas caudas tinham poder
para causar dano aos homens, por cinco meses”.
Embora o tormento do primeiro ai causará danos
diretamente ao homem, o tempo ainda será limitado
por Deus a um período de cinco meses. O tormento
será tão torturante que “naqueles dias os homens
buscarão a morte, e não a acharão; também terão
ardente desejo de morrer, mas a morte foge deles” (v.
6). Durante esses cinco meses, aqueles que são
atormentados por esses terríveis gafanhotos
endemoninhados preferirão morrer do que viver.
Certamente o abalo da terra e o escurecimento do sol
não são nada comparados a isso. Esse é o primeiro
dos três ais anunciados pela águia no meio do céu em
8:13.

IV. O ANTICRISTO
Ao falar dos gafanhotos, o versículo 11 diz: “E
tinham sobre si rei, o anjo do abismo; em hebreu era
o seu nome Abadom, e em grego Apoliom” (VRC). O
anjo do abismo é a besta, o anticristo que sairá do
poço do abismo (11:7; 17:8). Em hebraico o anjo do
abismo é chamado de Abadom, que significa
destruição, como em Jó 26:6; 28:22; e Provérbios
15:11. Em grego, terá o nome de Apoliom, que
significa destruidor.
O anticristo é uma pessoa especial, sendo a
composição de duas pessoas: o espírito de César Nero
e o corpo de um outro César do Império Romano.
Nero iniciou a perseguição dos cristãos no primeiro
século e seu é o espírito que é guardado no abismo até
o dia em que será solto para entrar no corpo de um
outro César. O César para dentro de quem esse
espírito entrará será morto e será ressuscitado com o
espírito de César Nero. Esse será o anticristo. Satanás
soltará então, os gafanhotos, que serão organizados
como um exército sob o governo da besta, o
anticristo, que será seu rei. Os gafanhotos passarão a
atormentar por cinco meses aqueles que não têm a
marca de Deus na fronte.
De acordo com a Bíblia, o universo é composto
de três seções: os céus, a terra e a região debaixo da
terra (Fp 2:10). No início da grande tribulação, isto é,
após a primeira metade dos últimos sete anos,
Satanás será lançado do céu para a terra e,
simultaneamente, o anticristo, o rei dos gafanhotos
endemoninhados e diabólicos, será solto do abismo e
subirá para encontrar-se com Satanás. Desse modo,
um espírito diabólico encontrar-se-á com um homem
diabólico. Embora eles venham de duas direções,
Satanás de cima e o anticristo de baixo, terão um
único objetivo: atormentar a humanidade criada por
Deus. Esses dois personagens virão juntos e
colaborarão para atormentar a humanidade tanto
quanto possível. Consideraremos o anticristo com
mais detalhes quando chegarmos aos capítulos treze e
dezessete.
Como vimos, a grande tribulação durará três
anos e meio. Antes daquela época, ocorrerão as
calamidades sobrenaturais do sexto selo e das quatro
primeiras trombetas. Mas de acordo com Mateus
24:22, a grande tribulação será limitada a um tempo
curto, que se iniciará somente depois que o anticristo
erigir o abominável da desolação no Santo Lugar.
Onde você estará quando ocorrer a grande
tribulação? Não diga: “Desde que eu esteja entre o
povo celestial, estarei bem”. Como povo celestial de
Deus, nós não temos a marca que está sobre o
remanescente escolhido dos israelitas. O povo
celestial não deveria estar lá, pois Deus não tem
nenhuma intenção de deixar-nos na terra com o
remanescente de Israel. A intenção de Deus é
arrebatar-nos para os céus. Entretanto, se você quiser
ser arrebatado aos céus, há uma condição a ser
cumprida: você tem de estar maduro. A maneira de
Deus tratar com os israelitas difere de Sua maneira de
tratar com os crentes. Se eu fosse um israelita,
poderia clamar a Deus, e Ele poderia ter misericórdia
de mim e colocar uma marca sobre minha fronte. Eu
seria, então, preservado durante a tribulação. Mas
Deus não sela os crentes; em vez disso, Ele os
arrebata aos céus. Porém, para isso eles precisam
estar maduros.
Meu encargo nesta mensagem é enfatizar quando
começará a grande tribulação e o que ela causará.
Como vimos, Satanás cairá do céu para a terra e terá a
chave para abrir o abismo e soltar os gafanhotos
endemoninhados. Ao mesmo tempo, a besta, o
anticristo, o rei dos gafanhotos, será solta do abismo.
O exército de gafanhotos atormentará, então, as
pessoas por cinco meses. O tormento será tão severo
que as pessoas quererão morrer, mas a morte fugirá
delas. Hoje, as pessoas procuram evitar a morte,
ainda que ela os persiga. Naquele tempo, eles
desejarão morrer, mas ela se esquivará deles. Que
sofrimento isso será! Que grande tribulação! No
entanto, isso é apenas o primeiro ai, o início da
grande tribulação. Dois outros ais ainda estão por vir.
Os três ais das três últimas trombetas constituem
a grande tribulação. O primeiro ai será a quinta
trombeta, o segundo ai será a sexta trombeta e o
último ai será as sete taças da sétima trombeta. Os
três ais são introduzidos muito solenemente. Como
vimos, 8:13 diz: “Ai, ai, ai dos que moram na terra,
por causa das restantes vozes da trombeta dos três
anjos que ainda têm de tocar”. Apocalipse 9:12 diz: “O
primeiro ai passou. Eis quê depois destas cousas vêm
ainda dois ais”. Finalmente, ao introduzir o último ai,
11:14 diz: “Passou o segundo ai. Eis que sem demora,
vem o terceiro ai.” O sexto selo e as quatro trombetas
são simplesmente um preâmbulo ao sofrimento da
grande tribulação.
Provavelmente, essa grande tribulação,
juntamente com as calamidades sobrenaturais do
sexto selo e das quatro primeiras trombetas, é a “hora
da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para
experimentar os que habitam sobre, a terra” (3:10). O
Senhor prometeu à igreja em Filadélfia que as
guardaria dessa hora. Se você quiser ser guardado da
hora da provação, precisa estar pronto para ser
arrebatado desta terra. Não devemos falar
levianamente a respeito da vinda do Senhor ou do
arrebatamento dos santos. De acordo com a Palavra
pura, se quisermos ser arrebatados antes da
tribulação, precisamos estar maduros e prontos para
Ele nos tomar desta terra. Se estivermos maduros e
prontos, então tudo quanto ocorrer na terra não nos
afetará. Louvado seja o Senhor por termos um modo
de escapar.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 25
O JULGAMENTO ADICIONAL SOBRE OS HOMENS: A
SEXTA TROMBETA
Além da introdução (1:1-8) e da conclusão
(22:6-21), o livro de Apocalipse tem três seções
principais. Em 1:19, o Senhor disse a João: “Escreve,
pois, as cousas que viste, e as que são, e as que hão de
acontecer depois destas.” Deste modo, as três
principais seções são “as coisas que viste” (1:9-20),
“as coisas que são” (2:1-3:22) e “as que hão de
acontecer” (4:1-22:5). No capítulo um, há os sete
candelabros de ouro com Cristo em seu meio, os
quais são “as coisas que viste”, e nos capítulos dois e
três há as sete igrejas que são “as coisas que são”. A
seção sobre “as que hão de acontecer” começa com a
cena no céu, no capítulo quatro. Como revela o
capítulo cinco, Cristo entra nesta cena como o Único
que é digno de abrir o mistério da economia de Deus.
Como já enfatizamos, os primeiros quatro selos
apresentam uma história breve do mundo desde a
ascensão de Cristo até Sua volta, retratando como
uma corrida de quatro cavalos. Próximo ao fim desta
era, na época do sexto selo, os santos martirizados
clamarão a Deus. O sexto selo será a resposta de Deus
ao seu clamor. Ele abalará o universo como uma
advertência àqueles que habitam na terra e como uma
introdução à grande tribulação vindoura. Em seguida,
as sete trombetas aparecerão como o conteúdo do
sétimo selo. As quatro primeiras trombetas serão o
julgamento de Deus sobre a terra, o mar, os rios e as
hostes celestiais. A terra não será mais um lugar
adequado para o homem habitar, por causa desse
julgamento. Porque as calamidades do sexto selo e
das quatro primeiras trombetas não causam dano ao
homem diretamente, mas somente danificam a terra,
fazendo com que não mais seja adequada para o
homem nela viver, elas não fazem parte da grande
tribulação. Como já salientamos na última
mensagem, a quinta trombeta marca o início da
grande tribulação. A grande tribulação mencionada
em Mateus 24:21 é composta dos três ais da quinta,
sexta e sétima trombeta.
Na quinta trombeta, a humanidade será
atormentada diretamente. Ao soar da quinta
trombeta, Satanás descerá do céu para a terra, e o
anticristo subirá do abismo, e juntos eles farão com
que os homens sejam atormentados por cinco meses.
Ao contrário das calamidades anteriores, o tormento
dos gafanhotos endemoninhados tocará diretamente
o ser do homem. Como vimos, no início dos últimos
três anos e meio, o anticristo mudará de idéia a
respeito dos israelitas, interromperá a adoração a
Deus e atormentará o homem criado por Deus para Si
mesmo. Esse será o início da grande tribulação. Esse
tormento, como o primeiro ai, será tão severo que
ninguém será capaz de suportá-lo. Depois dele,
haverá o segundo ai, que é a sexta trombeta.

I. OS QUATRO ANJOS SENDO SOLTOS


O segundo ai é mais complicado que o primeiro.
Ele não é tão bem definido como o ai da quinta
trombeta, que acontece pela colaboração de Satanás
com o anticristo. Apocalipse 9:13 e 14 dizem: “O sexto
anjo tocou a trombeta, e ouvi uma voz procedente dos
quatro ângulos do altar de ouro que se encontra na
presença de Deus, dizendo ao sexto anjo, o mesmo
que tem a trombeta: Solta os quatro anjos que se
encontram atados junto ao grande rio Eufrates.” O
sangue da expiação era colocado sobre os quatro
chifres do altar de ouro, o altar de incenso, para
expiação, isto é, para redenção (Lv 16:18). A voz que é
“procedente dos quatro ângulos do altar de ouro”
indica que o julgamento de Deus sobre o homem é
baseado na redenção de Cristo; é porque os homens
não crêem na redenção de Cristo que Deus manda o
Seu julgamento •
O versículo 12 diz: “O primeiro ai passou. Eis que
depois destas coisas vêm ainda dois ais.” Visto que é
na quinta trombeta que Satanás cai do céu para a
terra a fim de danificá-la e perseguir o povo de Deus
por três anos e meio (12:10, 12-17, 6), e que o
anticristo sobe do abismo para colaborar com Satanás
para atormentar as pessoas, perseguir os santos e
blasfemar a Deus ao mesmo tempo (os últimos três
anos e meio — 13:5-7; 11:7), e visto que é também nos
mesmos últimos três anos e meio que a cidade santa,
Jerusalém, é dada aos gentios para destruição (11:2),
o ai da quinta trombeta deve ser o início da grande
tribulação (Mt 24:21). O segundo ai da sexta
trombeta, e o terceiro ai da sétima trombeta (8:13;
9:12; 11:14) devem também ser partes da grande
tribulação, que, provavelmente, com os danos do
sexto selo e das primeiras quatro trombetas, serão a
provação sobre todos os habitantes da terra (3:10). Os
dois ais falados no versículo 12 são os da sexta e
sétima trombetas (9:13-20; 11:14-15).
Sem dúvida, os quatro anjos “que se encontram
atados junto ao grande rio Eufrates” são quatro anjos
maus, caídos e rebeldes, que seguiram Satanás. A
Bíblia não mostra quanto tempo eles ficaram lá
atados. O versículo 15 diz: “Foram, então, soltos os
quatro anjos que se achavam preparados para a hora,
o dia, o mês e o ano, para que matassem a terça parte
dos homens.” Muitos entendem essa palavra segundo
o seu conceito natural, pensando que “a hora, o dia, o
mês e o ano” referem-se a um ano, mês, dia e hora
específicos, quando ocorrerá a matança da terça parte
dos homens. “Para a hora, o dia, o mês e o ano”
significa que os quatro anjos foram preparados para a
hora, mais o dia, mais o mês e mais o ano — ao todo,
treze meses, um dia e uma hora para a matança dos
homens. A matança durará primeiramente uma hora,
depois um dia, depois um mês, e por último um ano.
Será tão severa e terrificante que, primeiramente, as
pessoas não esperarão que dure mais que uma hora.
Quando, após uma hora, ela não houver terminado,
as pessoas esperarão que dure apenas um dia. Depois
disso, elas esperarão que certamente a matança não
se prolongará por mais de um mês. Após haver
passado um mês, as pessoas, então, pensarão que a
matança poderia continuar somente por um ano. Ao
todo, o tempo dessa matança horrível será de treze
meses, um dia e uma hora.
Durante a Segunda Guerra Mundial muitos de
nós sofreram. Quando aquela guerra irrompeu em 7
de julho de 1937, eu estava viajando pela China. Na
manhã seguinte li uma edição extra do jornal que
dizia que a guerra irrompera na noite anterior.
Daquela hora em diante, começamos a sofrer a
guerra, primeiramente por quatro anos. Veio então o
bombardeio de Pearl Harbor e os Estados Unidos
entraram na guerra. Como nosso sofrimento
continuasse, esperávamos que a guerra terminasse a
qualquer momento. As notícias vinham repetidas
vezes e após um determinado período, a guerra
provavelmente terminaria, mas ela ainda se arrastava
e continuamos a contar os dias. Durante a guerra, por
trinta dias, fui aprisionado pelo exército invasor.
Enquanto sofria lá na prisão, não só contava os dias
mas também as horas, esperando que certamente na
hora seguinte eu seria libertado. Depois de trinta dias
fui libertado, mas ainda não tinha nenhuma liberdade
e continuamos a contar os dias. A partir dessa
experiência podemos entender o significado de “a
hora, o dia, o mês e o ano” em 9:15. Quando a
matança horrível mencionada no capítulo nove cair
sobre o homem, as pessoas esperarão que a chacina
cesse em uma hora, então em um dia, depois em um
mês e por fim em um ano. Os quatro anjos que estão
atados junto ao rio Eufrates estão preparados para
matar o homem por tal período longo — por uma
hora, um dia, um mês e um ano.

II. DUZENTOS MILHÓES DE TROPAS DE


CAVALARIA
O versículo 16 diz: “E o número dos exércitos dos
cavaleiros era de duzentos milhões; e ouvi o número
deles” (VRC). Os quatro anjos usarão duzentos
milhões de tropas de cavalaria para matar a terça
parte dos homens. O número desses cavaleiros é
aproximadamente o do total da população dos
Estados Unidos. Os duzentos milhões de cavaleiros
virão do nascente do sol (16:12), isto é, do oriente. O
lugar na terra que produz a maior quantidade de
cavalos é a Mongólia. O mundo ocidental inventou
tantos métodos modernos de transporte, mas essa
cavalaria do oriente não os usará. Em vez desses,
usarão cavalos. Viajar a cavalo não requer estradas ou
ferrovias modernas. Talvez cada cavaleiro traga um
cavalo a mais para garantir comida e bebida. Seria
fácil para essas tropas de cavalaria esconderem-se ou
dispersarem-se quando fossem atacadas por bombas,
e seria bem difícil encontrá-las. Essas tropas
mover-se-ão para o ocidente, matando por onde quer
que vão. Os cavaleiros montados nesses cavalos terão
“couraças de fogo, e de jacinto, e de enxofre”, e as
cabeças dos cavalos eram como cabeças de leões; e de
suas bocas saía fogo e fumo e enxofre” (v. 17VRC). O
versículo 19 diz: “Porque o poder dos cavalos está na
sua boca e nas suas caudas. Porquanto as suas caudas
são semelhantes a serpentes, e têm cabeças, e com
elas danificam” (VRC). As caudas dos cavalos, aqui,
como serpentes, são mais venenosas do que as caudas
dos gafanhotos, que são como escorpiões (v. 10). Os
gafanhotos atormentarão os homens por apenas
cinco meses (vs, 5, 10), ao passo que os cavalos
matarão a terça parte dos homens (vs. 15, 18). Isso
significa que o ai da sexta trombeta será mais severo
do que o da quinta.
Como vimos, os quatro anjos serão soltos para
instigar os duzentos milhões de tropas de cavalaria.
Essas tropas mover-se-ão do oriente para o ocidente
e, passando através do Eufrates, virão para a região
mais rica da terra: o Oriente Médio. Apocalipse 9:14
diz que os quatro anjos estavam atados junto ao
grande rio Eufrates e 16:12 diz: “Derramou o sexto a
sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas
secaram para que se preparasse o caminho dos reis
que vêm do lado do nascimento do sol.” Esses
duzentos milhões de tropas de cavalaria do
“nascimento do sol” unir-se-ão à guerra em
Armagedom (16:10-16; 19:17-18).
Apocalipse 16:13 e 14 dizem: “Então vi sair da
boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso
profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs;
porque eles são espíritos de demônios, operadores de
sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o
fim de ajuntá-los para a peleja do grande dia do Deus
Todo-poderoso.” Igualmente, o versículo 16 do
mesmo capítulo diz: “Então os ajuntaram no lugar
que em hebraico se chama Armagedom.” O fato de o
Eufrates secar-se será o resultado do derramar da
sexta taça. Pela menção do rio Eufrates nos capítulos
9 e 16, vemos que os duzentos milhões de tropas de
cavalaria da sexta trombeta estão relacionadas com a
sexta taça da sétima trombeta para o ajuntamento
dos exércitos da terra em direção ao Armagedom.
Esses duzentos milhões de tropas de cavalaria
provenientes do oriente e os exércitos do norte e do
ocidente lá serão ajuntados. Deus reunirá todos os
exércitos da terra em um único lugar. Isso será Sua
sabedoria. Tal fato ocorrerá na sexta taça, a qual é
uma parte do ai da sétima trombeta. Ao mesmo
tempo, Satanás estará fazendo o máximo para causar
dano às pessoas, e o anticristo estará perseguindo o
povo de Deus e até mesmo lutando contra Deus,
fazendo todo o possível para corromper a terra. Desse
modo, Deus enviará Seus julgamentos sobre a terra.
Durante os últimos três anos e meio, Satanás e o
anticristo farão o máximo para causar dano às
pessoas, e Deus julgará a terra. Que lugar horrível
será o mundo naquele tempo!
Após o Eufrates ter-se secado, os reis do oriente e
seus exércitos o atravessarão a caminho do
Armagedom. O Armagedom é bem próximo a
Jerusalém. Como vimos, todos os exércitos do mundo
serão ajuntados lá para apoderarem-se das riquezas
que estão naquela região. Muitas nações nessa área
são ricas por causa dos recursos petrolíferos. Mas
esse é o divino arranjo de Deus, e será Seu modo de
vindimar as uvas e colocá-las no lagar (14:17-20;
19:15). Como Apocalipse 19:15 diz, Cristo pisará “o
lagar do vinho do furor da ira do Deus
Todo-poderoso”. No capítulo quatorze temos,
primeiramente, as primícias (vs. 1, 4), em segundo
lugar, a ceifa (vs. 15, 16) e, em terceiro lugar, o pisar
do lagar (vs. 18, 19). O versículo 20 diz: “E o lagar foi
pisado fora da cidade, e correu sangue do lagar até
aos freios dos cavalos, numa extensão de mil e
seiscentos estádios” (Um estádio equivale
aproximadamente a 200 metros). A reunião dos
exércitos do mundo no lugar chamado Armagedom é
comparado ao vindimar das uvas em um lagar. Todas
as uvas serão vindimadas e postas no grande lagar da
ira de Deus. Quando Cristo voltar para a terra, Ele
destruirá esses guerreiros perversos, pisando o lagar
da cólera de Deus. O resultado será um rio de sangue,
elevado ao nível do freio de um cavalo, e com
aproximadamente trezentos e vinte quilômetros de
comprimento.
Vimos que os treze meses, o um dia e a uma hora
serão provavelmente o tempo de viagem dos duzentos
milhões de cavaleiros que partirão do “nascimento do
sol” para o Oriente Médio. Enquanto viajam, matarão
a terça parte dos homens. Essa matança será terrível.
Quando essas tropas de cavalaria atingirem o
Eufrates, um pouco antes da batalha no Armagedom,
~ sexta taça será derramada. Esse registro é muito
grave. E um relato de história escrito antes de
acontecer. Os escritores deste mundo são míopes,
superficiais e ignorantes. O próprio Senhor escreveu
esse relato da história humana. Não digo isso de
maneira leviana.
Fui salvo há mais de cinqüenta anos. Ao longo
dos anos, a partir de 1918 gastei muito tempo
observando a situação mundial e estudando as
profecias na Bíblia. Posso testificar que nenhum
tempo esteve tão próximo ao cumprimento da
profecia do Novo Testamento que o de hoje. As
notícias do mundo de hoje estão focalizadas no
Oriente Médio. Muitas das notícias diárias a respeito
do Oriente Médio correspondem ao que é falado na
Bíblia. Isso significa que o Senhor está mantendo Sua
palavra e aquelas profecias estão sendo cumpridas
agora. Sem dúvida, estamos bem próximos do tempo
do sexto selo, cujo principal aspecto é o grande
terremoto. Neste estudo-vida, entretanto, não
estamos interessados simplesmente em satisfazer
nossa curiosidade de conhecer profecias. O Senhor
nos está abrindo os olhos por amor à Sua restauração.
Não estamos cegos, vendados ou cobertos. Se houver
cristãos que conheçam a vontade de Deus e Sua
economia, nós devemos ser estes. Que então devemos
fazer? Devemos, simplesmente, dizer: 'Amém,
Senhor. Amém pela Tua Palavra, pelos Teus feitos,
pela Tua economia e pelo Teu mover. Senhor, amém
pelo ministério que nos mostraste”.
Como um irmão mais idoso, deixem-me dizer
uma palavra aos jovens: Vocês são muito
bem-aventurados por terem entrado na restauração
do Senhor em sua juventude. Durante sua existência,
certamente muitas coisas profetizadas na Bíblia se
sucederão. Uma vez que tenhamos considerado todos
os assuntos abordados nestas mensagens de
estudo-vida, nenhum de nós pode dizer que não viu
algo ou que nada sabe sobre os dias vindouros.
Jovens, embora cinqüenta anos atrás eu tenha gasto
muito tempo para estudar livros sobre profecias, não
tinha a visão clara que vocês têm hoje. Louvado seja o
Senhor porque os véus foram removidos, porque a
economia de Deus foi manifestada a nós e agora
temos uma visão clara do que virá. Nestes dias, a
visão e a luz são tão claras. Sabemos o que acontecerá
no quinto selo, o que ocorrerá no sexto selo e o que
serão as quatro primeiras trombetas. Sabemos que a
quinta trombeta, como o primeiro ai, marcará o início
da grande tribulação; e que a sexta trombeta, como o
segundo ai, será a continuação da tribulação. Vimos
que a sexta trombeta estará relacionada com a sexta
taça. Em resumo, foi-nos dada uma visão clara do
futuro. Após o tempo do sexto selo, não haverá nada
de bom para nós na terra. Esteja preparado! A terra
será abalada, o mar será danificado, os rios terão suas
águas amargas e as hostes celestiais serão
escurecidas. Por fim, Satanás e o anticristo
colaborarão para atormentar as pessoas por cinco
meses. Em seguida, ao soar da sexta trombeta, os
duzentos milhões de cavaleiros começarão a cavalgar
por uma grande parte da terra, matando a terça parte
da humanidade enquanto galopam ao longo de seu
caminho. Por fim, todos os exércitos do mundo serão
ajuntados em um lugar chamado Armagedom. Então
as uvas — os exércitos do mundo serão pisadas por
Cristo no lagar da ira de Deus.

III. A CONTINUAÇÃO DA GRANDE


TRIBULAÇÃO
Ficou esclarecido que o segundo ai da sexta
trombeta é uma continuação da grande tribulação
(11:14). Em 9:20 e 21 se diz: “Os outros homens,
aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não
se arrependeram das obras das suas mãos, deixando
de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata,
de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem
ouvir, nem andar, nem ainda se arrependeram dos
seus assassínios, nem das suas feitiçarias, nem da sua
prostituição, nem dos seus furtos.” (Note que o
versículo 20 não diz que os ídolos, aqui, não podem
falar, como em Salmos 115:5 e 135:16, porque, de
acordo com Apocalipse 13:15, a imagem do anticristo
falará). Esses versículos indicam que a intenção do
julgamento de Deus é que os homens se arrependam.
Embora Deus tencione que, por meio do Seu
julgamento, os homens se arrependam, esses
versículos mostram que eles não se arrependerão.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 26
CRISTO VINDO PARA TOMAR POSSE DA TERRA
Nas várias mensagens anteriores temos
considerado o conteúdo dos sete selos. No livro de
Apocalipse, o número sete é composto de duas
maneiras: quatro mais três e seis mais um. Tanto os
sete selos como as sete trombetas são compostos
dessa maneira. Quanto ao número sete há adição,
mas nenhuma multiplicação. O número doze,
entretanto, é o produto de três vezes quatro. Os sete
selos significam que, no mover completo de Deus,
Suas criaturas serão trazidas ao Deus Triúno. A
criatura de Deus — o homem — será também trazido
para o único Deus. Desse modo, os sete selos indicam
o mover completo de Deus. Os sete selos, que são o
mover completo de Deus na terra e no universo, são o
conteúdo da economia de Deus. O propósito do
mover de Deus é trazer Suas criaturas, simbolizadas
pelo número quatro, para o Deus Triúno, e trazer o
homem, simbolizado pelo número seis (o homem foi
criado no sexto dia), para o único Deus. Os sete selos,
na realidade, traz a criação de Deus para Ele mesmo.
A queda do homem, a qual foi provocada por Satanás,
afastou o homem de Deus. Enquanto a queda foi uma
subtração, a economia de Deus hoje é uma adição. A
queda fez com que o homem se afastasse do único
Deus, mas a economia de Deus e Seu mover
trouxeram o homem de volta para Ele mesmo.
Muitos cristãos não entendem as questões
pertinentes ao sexto selo e às quatro primeiras
trombetas. O sexto selo e as quatro primeiras
trombetas do sétimo selo tratam, principalmente, a
respeito do abalo e do julgamento da terra e das
hostes celestiais. Como resultado desse abalo e do
julgamento, a terra não será mais um lugar adequado
para o homem viver pacificamente. O sexto selo e as
cinco primeiras trombetas estão intimamente
relacionados quanto ao tempo, pois não há um
intervalo significativo entre eles. Algumas pessoas
dizem que a grande tribulação durará sete anos
porque contam a partir do tempo do primeiro cavalo.
São aqueles que não viram que Apocalipse abrange
toda a história da humanidade desde a ascensão de
Cristo. Sua interpretação deixa uma grande lacuna
entre a ascensão de Cristo e o tempo final. Ter tal
lacuna, de aproximadamente dois mil anos, é
totalmente ilógico de acordo com a profecia do
Senhor, porque foi no primeiro século que Ele
profetizou as coisas que estão prestes a ocorrer (1:19).
Além disso, o livro, no capítulo cinco, é uma revelação
plena da economia de Deus. Sendo assim, ele deve
incluir a pregação do evangelho. A pregação do
evangelho para a produção da igreja é um grande
item na economia de Deus. Porquanto é ilógico haver
tão grande lacuna neste livro, cremos que os quatro
cavalos dos quatro primeiros selos são um esboço da
história humana desde a ascensão de Cristo até o final
desta era.
Por meio de um estudo cuidadoso também vimos
que os sete últimos anos não começarão
provavelmente no tempo do sexto selo, porque o
período do sexto selo até a quinta trombeta, que é o
início da grande tribulação, será um período muito
curto. Ele não será de três anos e meio. A grande
tribulação durará três anos e meio, a segunda metade
dos sete últimos anos. Se você contar os sete últimos
anos a partir do sexto selo, então o tempo do sexto
selo até a quinta trombeta deve ser de pele) menos
três anos e meio. Para falar de uma maneira lógica,
isto é muito longo. Entre o sexto selo e a quinta
trombeta haverá quatro trombetas, os julgamentos
sobre a terra, o mar, os rios e as hastes celestiais.
Embora seja menos severo, o sexto selo, que será o
abalo da terra e o dano às hastes celestiais, é o mesmo
em princípio que as quatro primeiras trombetas.
O sexto selo e as quatro primeiras trombetas são
uma introdução, um preâmbulo, à grande tribulação.
Em nenhuma dessas calamidades Deus tocará o
homem diretamente. Isso não ocorrerá até o
tormento do ai da quinta trombeta e da matança feita
pelos duzentos milhões de tropas de cavalaria do ai
da sexta trombeta. Após o ai da sexta trombeta,
haverá as sete taças como o último ai e como uma
parte do conteúdo da sétima trombeta. A sexta taça,
que está relacionada com a sexta trombeta, será um
ajuntamento para a guerra no Armagedom. Aquela
guerra será o grande lagar da cólera de Deus pisado
pelo Senhor (14:19-20; 19:15), quando Ele descer à
terra a fim de lutar contra o anticristo e para lançá-la
para dentro do lago de fogo (19:11-21). A sétima taça
será derramada sobre o ar para introduzir o maior
terremoto, ao mesmo tempo que ocorre a maior
saraiva, que será a última praga e o fim da grande
tribulação.
Nesta mensagem chegamos a 10:1-11, uma
inserção entre a sexta e a sétima trombetas. Se
quisermos entender o livro de Apocalipse, precisamos
saber quais seções são continuações e quais são
inserções. Quando estávamos no capítulo sétimo,
enfatizamos que ele é uma inserção entre o sexto e o
sétimo selos, mostrando Deus preservando o Seu
povo. Aquele capítulo mostra a visão do
remanescente de Israel sendo marcado e a visão do
arrebatamento dos redimidos de Deus. O capítulo dez
é parte de uma inserção entre a sexta e sétima
trombetas. Essa inserção é composta de três visões: a
visão de Cristo vindo para possuir a terra (10:1-7), a
visão do anticristo e seus exércitos calcando aos pés a
Jerusalém terrena (11:1-2) e a visão das duas
testemunhas (11:3-12).
Precisamos ler e estudar o livro de Apocalipse até
sermos capazes de saber repetir todos os fatos
principais. Devemos ser capazes de resumir cada
capítulo. No capítulo um há os sete candelabros com
Cristo andando entre eles; nos capítulos dois e três, as
sete igrejas; no capítulo quatro, a cena celestial; no
capítulo cinco, Cristo como Aquele que é digno de
abrir o livro; no capítulo seis há os seis selos; no
capítulo sete há uma inserção mostrando duas visões
referentes a Deus preservando o Seu povo; no
capítulo oito há as quatro primeiras trombetas; no
capítulo nove, a quinta e sexta trombetas; no capítulo
dez, Cristo vindo possuir a terra; no capítulo onze, as
duas testemunhas; no capítulo doze, o filho varão; no
capítulo treze, a besta; no capítulo quatorze, as
primícias, a adoração da besta, a ceifa e o lagar; no
capítulo quinze, os vencedores sobre o mar vítreo; no
capítulo dezesseis, as sete taças; no capítulo
dezessete, a Babilônia religiosa; no capítulo dezoito, a
Babilônia política e material; no capítulo dezenove, as
bodas do Cordeiro e a guerra no Armagedom; no
capítulo vinte, o aprisionamento de Satanás, o reino
milenar, a última rebelião da humanidade e o
julgamento do grande trono branco; nos capítulos
vinte e um e vinte e dois, o novo céu e a nova terra
com a Nova Jerusalém.

I. CRISTO COMO O OUTRO ANJO


Vamos agora considerar os detalhes de 10:1-11.
Neste trecho da Palavra temos uma visão clara de
Cristo vindo para possuir a terra. Neste capítulo,
Cristo é o “outro Anjo forte”, como Aquele em 7:2; 8:3
e 18:1.

A. Descendo do Céu
O versículo um diz que João viu outro Anjo
“descendo do céu”. Cristo está agora descendo do céu.
Esta visão é um indício de que, antes da sétima
trombeta, Cristo estará ainda a caminho da terra.

B. Vestido de uma Nuvem


O versículo um também diz que Cristo está
“envolto em nuvem”. Ele ainda não está “sobre a
nuvem”, como em 14:14 e em Mateus 24:30; 26:64.
Estar “sobre a nuvem” é vir abertamente, ao passo
que estar “envolto em nuvem” é vir secretamente.
Isso indica que, mesmo depois da sexta trombeta, que
será na metade da grande tribulação, Cristo ainda
estará vindo secretamente, e não abertamente, até
que Ele seja visto por todas as tribos da terra, como é
mencionado em 1:7 e em Mateus 24:30. Na ocasião
do capítulo dez, a vinda de Cristo ainda é secreta.
Mesmo no tempo da sexta taça, durante o
ajuntamento no Armagedom, Cristo dará o aviso de
que está vindo como um ladrão (16:15). Ele estará
envolto na nuvem até o capítulo quatorze, quando
sentar-se-á sobre a nuvem e Sua vinda tornar-se-á
pública. Por meio disso vemos que o ensinamento
comum de que Cristo virá antes da grande tribulação
é inexato.

C. O Arco-Íris sobre Sua Cabeça


Nesta visão, Cristo tem um “arco-íris” sobre “sua
cabeça”. O arco-íris, aqui, indica que Cristo, em Seu
julgamento sobre a terra e em Sua vinda para
possuí-la, guardará a aliança que Deus fez com Noé
com relação à terra (Gn 9:8-17). Isso também indica
que Ele é Aquele que executa o julgamento de acordo
com Aquele sentado sobre o trono com o arco-íris ao
seu redor.

D. Seu Rosto como o Sol


O versículo um também diz que Seu rosto era
como o sol. Certamente, aqui, perto da Sua vinda à
terra abertamente, Ele não será como a estrela da
manhã que aparece antes da hora mais escura,
anterior à aurora.

E. Seus Pés como Colunas de Fogo


Quando Cristo vier para possuir a terra, Seus pés
serão “como colunas de fogo”. As colunas, aqui,
indicam firmeza (Jr 1:18; Gl 2:9). O fogo indica a
santidade de Deus (Êx 19:18; Hb 12:29), segundo a
qual Cristo executará Seu julgamento sobre a terra.

F. Tendo na Mão um Livrinho Aberto


Neste capítulo, Cristo tem “na mão um livrinho
aberto” (vs. 2, 8). Esse “livrinho aberto” é o livro em
5:1, o qual somente Cristo é digno de abrir e o qual
Ele tomou da mão de Deus (5:5, 7). Agora ele está na
Sua mão. Em 5:1, estava selado; em 10:2 e 8 está
aberto. O livro foi aberto porque todos os selos foram
abertos. Aqui, sendo apenas uma parte do livro, é
chamado livrinho. Porquanto a parte principal do
livro foi revelada, a última parte é considerada
livrinho.

G. Seu Pé Direito Posto sobre o Mar e o


Esquerdo sobre a Terra
O versículo 2 também diz que “pôs o pé direito
sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra”. Colocar os
Seus pés sobre o mar e sobre a terra é pisar sobre eles,
e isso significa tomar posse deles (Dt 11:24; Js 1:3; Sl
8:6). Isso indica que Cristo está descendo para tomar
posse da terra. Somente Ele é digno de abrir o livro da
economia de Deus, e somente Ele é qualificado para
possuir a terra. Em Josué, Deus disse ao povo que
possuiriam qualquer parte da terra sobre a qual a
planta de seus pés pisasse. Eles tinham de andar
através da boa terra, e onde quer que colocassem os
pés, aí seria sua possessão. Com base nesse mesmo
princípio, Cristo, como o outro Anjo enviado por
Deus, virá para pisar sobre o mar e a terra, pois a
terra e o mar foram-Lhe ambos dados como Sua
herança (Sl 2:8). Embora a terra e o mar tenham sido
usurpados por Seu inimigo, e embora Ele venha
tolerando isso por séculos, um dia Ele não o tolerará
mais. Ele virá para reclamar a Sua herança legítima.

H. Bradando com Grande Voz como um Leão


O versículo 3 diz que Cristo “bradou com grande
voz, como ruge um leão”. O rugido de um leão é como
a ira de um rei (Pv 19:12; 20:2). Isso indica que
Cristo, como o Rei da terra, é provocado à ira. Nos
Evangelhos, Cristo falou como um cordeiro, mas aqui
Ele ruge como um leão. O capítulo três menciona a
palavra da perseverança do Senhor. A perseverança
significa tolerância. Mas, no tempo do capítulo dez, o
Senhor não mais exercita a perseverança; pelo
contrário, Ele ruge como um leão em Sua vinda para
tomar posse da terra.

I. Sete Trovões Selados


Quando Cristo bradou com grande voz,
“desferiram os sete trovões as suas próprias vozes”.
Os sete trovões devem ser as expressões finais e
máximas da ira de Deus em plenitude. O versículo 4
diz: “Logo que falaram os sete trovões, eu ia escrever,
mas ouvi uma voz do céu, dizendo: Guarda em
segredo as cousas que os sete trovões falaram, e não
as escrevas.” Não sabemos hoje o que os sete trovões
disseram, mas um dia saberemos.

J. Não Mais Demora de Tempo


Os versículos 5 e 6 dizem: “Então o anjo que vi
em pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão
direita para o céu, e jurou por aquele que vive pelos
séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra
e o mar e tudo o quanto neles existe: já não haverá
demora.” O principal item das coisas no céu são os
anjos; o principal item das coisas na terra são os
homens; e o principal item das coisas no mar são os
demônios. Depois da sexta trombeta, não haverá mais
tempo de tolerância no julgamento de Deus sobre a
terra. Por isso, a sétima trombeta é o mais sério dos
julgamentos de Deus. É a resposta de Deus em
plenitude à oração dos santos martirizados em 6:10.

II. A COMPLETAÇÃO DO MISTÉRIO DE


DEUS

A. Ao Trombetear da Sétima Trombeta


O versículo 7 diz: “Mas, nos dias da voz do sétimo
anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta,
cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele
anunciou aos seus servos, os profetas”. Vemos, aqui,
que a completação do mistério de Deus será ao
trombetear da sétima trombeta.

B. o Trombetear da Sétima Trombeta


Durando um Período de Dias
A menção de “dias” no versículo 7 indica que o
trombetear da sétima trombeta durará um período de
dias.

C. O Fim dos Mistérios


Quando o sétimo anjo estiver prestes a
trombetear, o mistério de Deus completar-se-á, Nas
dispensações de Adão a Moisés, e de Moisés a Cristo,
tudo foi desvendado, manifestado, e não houve
mistério algum. Será assim também na dispensação
do reino milenar e no novo céu e nova terra tudo será
desvendado e não haverá mais mistério. Mas na
dispensação a partir de Cristo até o reino milenar,
tudo é um mistério. A encarnação de Cristo, como o
início dessa dispensação de mistério, é um mistério
(1Tm 3:16). O próprio Cristo (Cl 2:2), a igreja (Ef
3:4-6), o reino dos céus (Mt 13:11), o evangelho (Ef
6:19), o habitar interior de Cristo (Cl 1:26-27) e a
ressurreição e transfiguração vindouras dos santos
como o fim dessa dispensação de mistério (1Co
15:51-52), são todos mistérios que estiveram ocultos
nos tempos eternos (Rm 16:25; Ef 3:5; Cl 1:26). Todos
esses mistérios estarão completados, terminados e
acabados ao trombetear da sétima trombeta. Ao soar
a sétima trombeta, não apenas o julgamento da ira de
Deus sobre a terra terá sido completado, mas
“também o mistério de Deus”.
Hoje, o habitar interior de Cristo e a igreja são
um mistério. Os de fora não conseguem
compreender-nos porque nós somos misteriosos para
eles. Quando dizemos: “Louvado seja o Senhor!
Temos Cristo em nós”, as pessoas dizem:
“Mostrem-nos”. Podemos apenas responder: “Não
posso mostrar-lhe, mas sei que Cristo está em mim”.
O habitar de Cristo em nós é um mistério. Quando os
não cristãos recebem dinheiro a mais de troco do
caixa em um restaurante, eles ficam satisfeitos e
consideram isso uma barganha, mas quando nós
recebemos um troco a mais, nós o devolvemos. Isso é
um mistério para o caixa. Os incrédulos não
conseguem compreender que tipo de povo nós somos.
Não tente investigar-me porque sou um homem de
mistério. Embora hoje seja uma época de mistério,
quando a sétima trombeta tiver soado, o mistério
acabará. Ao soar a sétima trombeta, Cristo será
manifestado e toda terra O reconhecerá. Então os
caixas saberão por que nós, os misteriosos,
devolvemos o troco a mais. Talvez eles dirão:
“Pensamos que eles eram tolos, mas agora
entendemos”. Embora eles não consigam
compreender esse mistério hoje, um dia o
entenderão.
Enquanto os selos são privados e ocultos, as
trombetas por sua vez são uma declaração pública,
aberta. Na abertura dos selos, Cristo está em silêncio,
mas ao soar das trombetas, Ele não mais está em
silêncio.

D. Como as Boas Novas Anunciadas aos


Profetas
Na sétima trombeta, as “boas novas” que Deus
“anunciou aos Seus próprios escravos, os profetas”,
como em Isaías 2:4; 11:1-10; 65:17-20; 66:22, serão
cumpridas, isto é, virá o reino em sua manifestação
(11:15), e o novo céu e a nova terra com a Nova
Jerusalém seguir-se-ão (21:1-3).

III. JOÃO PROFETIZANDO OUTRA VEZ

A. Tomando e Devorando o Livrinho Aberto


Os versículos 8 e 9 dizem: ':. \ voz que ouvi, vinda
do céu, estava de novo falando comigo e dizendo: Vai,
e toma o livro que se acha aberto na mão do anjo em
pé sobre o mar e sobre a terra. Fui, pois, ao anjo,
dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele então me
fala: Toma-o, e devora-o; certamente ele será amargo
ao teu estômago, mas na tua boca, doce como o mel.”
O escritor deste livro não apenas recebeu mas
também devorou o livro. Devorar alguma coisa é
recebê-la para dentro de todo o nosso ser. Precisamos
receber a revelação divina, principalmente o livro de
Apocalipse, dessa maneira. Tanto Jeremias como
Ezequiel fizeram isso (Jr 15:16; Ez 2:8-9; 3:1-3).

B. Doce em Sua Boca, mas Amargo em Seu


Estômago
O versículo 10 diz: “Tomei o livrinho da mão do
anjo e o devorei, e na minha boca era doce como mel:
quando porém o comi, o meu estômago ficou
amargo.” Quando recebemos a revelação divina
devorando-a, ela é “doce” ao nosso paladar, mas
torna-se “amarga” na nossa digestão, em nossa
experiência. Quando lemos estas mensagens de
estudo-vida, elas são doces ao nosso paladar, mas
tornar-se-ão todas amargas em nossa experiência.
Entretanto, por fim, não haverá nenhuma lágrima em
nossos olhos, porque somente desfrutaremos as
águas das “fontes das águas da vida” (7:17). Hoje,
conhecemos a água das lágrimas, mas por fim não
haverá mais nenhuma lágrima. Em vez disso,
beberemos as águas de fontes maravilhosas. Louvado
seja o Senhor porque, por fim, não haverá nenhuma
amargura, somente a doçura eterna.

C. A Profecia Sobre Cristo Possuindo a Terra


O versículo 11 diz: “Então me disseram: É
necessário que ainda profetizes a respeito de muitos
povos, nações, línguas e reis”. Depois que João viu o
livrinho, a última parte da economia de Deus, e
comeu, achando-o doce em sua boca mas amargo em
seu estômago, ele foi incumbido de profetizar outra
vez. A profecia deste livro é composta de duas seções.
Do primeiro selo à sexta trombeta é a primeira seção,
que é secreta. Da sétima trombeta ao novo céu e nova
terra é a segunda seção, que é abertamente
manifestada. João profetizou na primeira seção.
Agora é necessário que ainda profetizes, isto é, ele
precisa profetizar na segunda seção da profecia deste
livro. A segunda profecia de João refere-se a Cristo
tomando posse da terra (11:15; 12:5). Essa profecia é
simplesmente a sétima trombeta, a qual inclui as
taças; o arrebatamento de todos os santos; o
julgamento do trono de Cristo; as bodas do Cordeiro;
a volta de Cristo com Seu exército escolhido para
derrotar o anticristo e o falso profeta; o
aprisionamento de Satanás; o reino milenar; a última
rebelião da humanidade sob a instigação de Satanás;
o julgamento dos mortos diante do grande trono
branco com vistas ao seu destino eterno; e o novo céu
e a nova terra com a Nova Jerusalém. Essa é a sétima
trombeta e a segunda profecia de João. Também é o
conteúdo do livrinho, a última parte da economia de
Deus.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 27
JERUSALÉM SENDO PISADA E O TESTEMUNHO DAS
DUAS TESTEMUNHAS
O capítulo dez e a primeira parte do capítulo
onze são uma inserção entre a sexta e sétima
trombetas. No capítulo dez temos uma visão clara de
Cristo voltando para tomar posse da terra. No
capítulo onze temos uma visão crucial para a profecia
deste livro. Ao ponderarmos sobre essa visão, três
pontos principais têm de ser lembrados: o tempo, o
lugar e as pessoas. O espaço de tempo abrangido por
essa visão é de quarenta e dois meses (v. 2). Esses
quarenta e dois meses são mil duzentos e sessenta
dias (v. 3). Sem dúvida, isso é uma referência aos
versículos do livro de Daniel, nos quais são
mencionados os três anos e meio, a segunda metade
das setenta últimas semanas (Dn 12:7; 7:25; 9:27).
Em Apocalipse temos o cumprimento do que é
mencionado em Daniel. Nessa visão, o lugar é a
cidade de Jerusalém, a qual, de acordo com o livro de
Daniel, será entregue aos gentios, principalmente ao
anticristo. Quando o anticristo romper o acordo feito
com Israel por sete anos (Dn 9:27), perseguirá os
judeus e os forçará a interromper a adoração a Deus
(Ap 13:7; Dn 7:21; 8:11-12). Do lado do anticristo, ele
apoderar-se-á de Jerusalém, mas do lado de Deus,
Ele entregar-lhe-á Jerusalém. Isso significa que Deus
permitirá que o anticristo faça tudo quanto desejar à
cidade de Jerusalém.
Durante esses quarenta e dois meses, na cidade
de Jerusalém haverá duas testemunhas, que são as
duas oliveiras e os dois candelabros, e que, vestidas
de pano de saco (vs. 34), profetizarão. Como veremos,
essas duas testemunhas não serão pessoas novas,
mas. duas que foram apresentadas na época do
Antigo Testamento: Moisés e Elias. Em Apocalipse 11,
essas duas testemunhas estão “em pé diante do
Senhor da terra” (v. 4). Quando chegamos a esse
trecho da Palavra, precisamos lembrar-nos de três
coisas: o tempo, o lugar e as testemunhas.

I. DURANTE A GRANDE TRIBULAÇÃO


O versículo 2 do capítulo 11 diz que as nações
calcarão aos pés a cidade santa por quarenta e dois
meses. No final desta era, o anticristo fará uma firme
aliança com os judeus por uma semana (sete anos)
que será a última semana das setenta semanas que
Deus designou para a nação judaica em Daniel
9:24-27. Na metade da última semana (isto é, depois
da primeira metade dos sete anos), o anticristo
quebrará a aliança e destruirá a adoração a Deus (Dn
9:27). Então ele blasfemará contra Deus e perseguirá
o Seu povo por três anos e meio (13:5-7; Dn 7:25;
12:7), que serão os quarenta e dois meses, os mil
duzentos e sessenta dias mencionados aqui, e a
última metade da última semana em Daniel 9:27,
quando o anticristo também destruirá a cidade santa,
Jerusalém. De acordo com Mateus 24:15 e 21, esses
últimos três anos e meio têm de ser a época da grande
tribulação.

II. JERUSALÉM SENDO PISADA


Nos versículos 1 e 2 lemos a respeito de
Jerusalém sendo pisada: “E foi-me dada uma cana
semelhante a uma vara: e chegou o anjo, e disse:
levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os
que nele adoram. E deixa o átrio que está fora do
templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e
pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses”
(VRC). Uma cana é para medição (21:15; Ez 40:3;
42:16-19), ao passo que uma vara implica punição (Pv
10:13; Is 10:5; 11:4). Por isso, “uma cana semelhante a
uma vara”, aqui, indica medição com punição. Medir
é santificar, preservar e possuir (Nm 35:2, 5; Ez
45:1-3; 42:15, 20; 48:8, 12, 15). 0 altar no versículo 1
refere-se ao altar de ouro do incenso, porque está
junto ao templo, e não ao altar de bronze do sacrifício
no “átrio que está fora do templo” (v. 2). O átrio no
versículo 2 está na terra. A cidade santa aqui refere-se
à Jerusalém terrena (Is 52:1; Mt 27:53).
Foi dito ao apóstolo João para medir o templo de
Deus e o altar. Sem dúvida, esse é o templo e o altar
nos céus. Essa medição indica que os céus serão
preservados para não serem danificados. Durante
esses três anos e meio, o céu será preservado porque
Satanás será expulso do céu e para a terra. Lá não
haverá mais qualquer lugar para Satanás, porque o
filho varão será arrebatado para o céu. Onde quer que
os vencedores estejam, não há lugar para Satanás. Os
vencedores lutarão rumo acima, para o céu e, uma vez
lá, a guerra será travada entre eles e Satanás. Satanás
será derrotado e atirado para a terra. Então Cristo e
os vencedores lutarão rumo abaixo, para a terra, até
atingirem o Armagedom e destruir o exército do
anticristo. Nos últimos três anos e meio não haverá
nenhum traço de Satanás no céu, e este será
totalmente preservado. Naquele tempo, Satanás, o
anticristo e o falso profeta, um grupo diabólico,
estarão na terra fazendo todo o possível para
corrompê-la.
Enquanto o templo de Deus será medido, “o átrio
que está fora do templo” será “lançado fora” e não
medido (v. 2) “porque foi dado às nações; e pisarão a
cidade santa por quarenta e dois meses”. Vemos aqui
que o templo terreno, a Jerusalém na terra, será
entregue para destruição pelo anti cristo e pelas
nações.

III. O TESTEMUNHO DAS DUAS


TESTEMUNHAS

A. As Duas Testemunhas
Chegamos agora ao testemunho das duas
testemunhas (vs. 3-12). Todos os estudiosos da Bíblia
concordam que uma das duas testemunhas é Elias.
Mas há algum desacordo sobre a identidade da outra,
se é Enoque ou Moisés. Alguns argumentam a favor
de Enoque porque, além de Elias, ele é o único que
nunca morreu. De acordo com Hebreus 9:27, está
ordenado ao homem morrer uma vez. Os que
sustentam esse ponto de vista dizem que, visto que
Enoque e Elias nunca morreram, eles devem ser as
duas testemunhas que morrerão uma vez durante a
grande tribulação. Por Moisés já haver morrido, ele
não pode morrer pela segunda vez. Mas que dizer
sobre Lázaro? Contrariamente a esse modo de
pensar, ele morreu, foi ressuscitado e então morreu
outra vez. Por que dizemos que as duas testemunhas
são Moisés e Elias? Dizemos isso porque essa
afirmativa está firmemente baseada nos fatos da
Bíblia. A Bíblia revela que Moisés e Elias são as duas
testemunhas de Deus. O que eles fazem em 11:5 e 6
são os mesmos feitos de Moisés e Elias (Êx 7:17, 19;
9:14; 11:1; 2Rs 1:10-12; 1Rs 17:1). Moisés transformou
a água em sangue e Elias fez descer fogo do céu.
Conseqüentemente, de acordo com seu ministério, as
duas testemunhas têm de ser Moisés e Elias. Além
disso, eles apareceram diante do Senhor no monte da
transfiguração (Mt 17:1-3). Moisés, representando a
lei, e Elias, representando os profetas (Lc 16:16),
testificam ambos por Deus. O Velho Testamento é
composto de escritos representativos desses dois
homens, a lei e os profetas. A lei foi dada por
intermédio de Moisés, e Elias foi o principal profeta.
Daí, o Velho Testamento ser chamado de “a lei e os
profetas” (Lc 16:16). Esses dois ministérios já foram o
testemunho de Deus. Durante séculos, a lei
representada por Moisés e os profetas representados
por Elias foram as testemunhas de Deus na terra. A
missão de Elias foi predita (MI4:5; Mt 17:11).

1. As Duas Oliveiras, os Dois Candelabros e


os Dois Filhos do Óleo Estando em Pé diante
do Senhor da Terra
Essas duas testemunhas são as duas oliveiras, os
dois candelabros e os dois filhos do óleo que estão em
pé diante do Senhor da terra (v. 4; Zc 4:3, 11-12, 14).
O versículo 4 diz: “São estas as duas oliveiras e os dois
candeeiros [candelabros] que se acham em pé diante
do Senhor da terra.” As oliveiras, que são
mencionadas no versículo 4, produzem óleo para as
lâmpadas e os candelabros dão luz com óleo das
oliveiras. Zacarias 4:14 diz que elas são os “dois filhos
do óleo, que estão de pé ao lado do Senhor de toda
terra” (hb.). São chamadas os filhos do óleo porque
estão cheias de óleo; estão cheias de Espírito. Por
isso, elas têm vários nomes: as duas testemunhas, os
dois candelabros, as duas oliveiras e os dois filhos do
óleo. Na era da igreja, as igrejas são os candelabros
para o testemunho de Deus (1:20), mas nos últimos
três anos e meio desta era, as duas testemunhas serão
os candelabros para o testemunho de Deus.
Os mil duzentos e sessenta dias no versículo 3
são os quarenta e dois meses mencionados no
versículo 2, o período em que o anticristo blasfema
contra Deus (13:5-6) e persegue o Seu povo (12:6, 14).
Sob seu poder e perseguição malignos, as duas
testemunhas profetizam, falam por Deus e testificam
contra as obras malignas do anticristo. Durante a
grande tribulação, a perseguição será severa e feroz.
Por causa disso, Deus enviará Moisés e Elias de volta
e eles, sendo cheios do Espírito, fortalecerão os
judeus que serão obrigados pelo anticristo a
abandonar sua religião. Eles também fortalecerão os
santos deixados na grande tribulação. De acordo com
Apocalipse 14, logo após o arrebatamento das
primícias, o anticristo perseguirá o povo de Deus e os
compelirá a adorá10 e à sua imagem (14:9-12).
Naquele tempo, as duas testemunhas fortalecerão o
povo de Deus. Simultaneamente, um anjo “voando
pelo meio do céu” pregará “um evangelho eterno”
(14:6). Esse evangelho, que difere do evangelho da
vida ou do evangelho do reino, exortará as pessoas a
temerem a Deus, indicando que não devem perseguir
Seu povo, e, sim, a adorá-Lo, implicando que não
devem adorar o anticristo. Desse modo, durante a
grande tribulação, haverá dois tipos de
fortalecimento: o das duas testemunhas e o da
pregação do evangelho eterno.
2. Vestidas de Sacos
O versículo 3 diz: “E darei poder às minhas duas
testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e
sessenta dias, vestidas de saco” (v. 3). Sacos são um
símbolo de pesar (2Sm 3:31). Essas duas testemunhas
usarão vestes fúnebres como uma advertência ao
povo. Elas não pregarão o evangelho da alegria, mas
advertirão o povo a permanecer afastado do
julgamento de Deus e da adoração ao anticristo.

3. Queimando e Matando Seus Inimigos


O versículo 5 diz: “E, se alguém lhes quiser fazer
mal, fogo sairá da sua boca, e devorará os seus
inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa
que assim seja morto” (VRC). Diferentemente delas,
não temos esse poder, e em nossa pregação não
matamos nem queimamos as pessoas, mas essas duas
testemunhas poderão dizer: “Se vocês tentarem nos
causar dano, serão queimados e mortos”.

4. Tendo Autoridade para Fechar o Céu, para


Converter as Águas em Sangue e para Ferir a
Terra com Toda Praga
O versículo 6 diz: “Estes têm poder para fechar o
céu, para que não chova, nos dias da sua profecia; e
têm poder sobre as águas para convertê-las em
sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de praga,
todas quantas vezes quiserem” (VRC). Fechar o céu
para que nenhuma chuva caia, assemelha-se ao que
Elias fez (1Rs 17:1; Lc 4:25). Converter as águas em
sangue e Aferir a terra com pragas assemelha-se ao
que Moisés fez (Ex 7:17, 19; 9:14; 11:1).
5. Mortas pelo Anticristo
Em Sua sabedoria, Deus permitirá que essas
duas testemunhas sejam temporariamente
derrotadas. O versículo 7 diz: “Quando tiverem,
então, concluído o testemunho que devem dar, a
besta que surge do abismo pelejará contra elas e as
vencerá e matará”. A besta aqui é o anticristo, que
subirá do abismo (17:8) e do mar (13:1), e que fará
guerra às duas testemunhas e aos santos (13:7). Por
fim, até mesmo essas duas testemunhas mais fortes
serão mortas pela perseguição do anticristo. Naquele
tempo, o anticristo não estará lutando apenas contra
o homem, mas também contra Deus. Ele continuará a
lutar contra Deus até que Cristo venha com os Seus
vencedores para lutar diretamente contra ele. Haverá,
na verdade, uma pessoa na terra que lutará
diretamente contra Deus. Cristo, a corporificação de
Deus, descerá com um exército de vencedores para
lutar contra o anticristo, “o homem da iniqüidade” (2
'Is 2:3). Os últimos três anos e meio serão uma guerra
entre a humanidade rebelde sob a liderança da besta,
“o homem da iniqüidade”, e o Criador. Isso obrigará
Deus a vir e lutar diretamente, fisicamente, em Cristo
com todos os Seus vencedores.

6. Seus Cadáveres Sendo Deixados na Rua de


Jerusalém por Três Dias e Meio
Os versículos 9 e 10 dizem: “Então muitos dentre
os povos, as tribos, as línguas e as nações.
contemplam ~s cadáveres das duas testemunhas, por
três dias e meio, e não permitem que esses cadáveres
sejam sepultados. Os que habitam sobre a terra se
alegram por causa deles, realizarão festas e enviarão
presentes uns aos outros, porquanto esses dois
profetas atormentaram aos que moram sobre a terra.”
Seus cadáveres não serão enterrados, mas serão
deixados na rua da grande cidade, onde seu Senhor
foi crucificado, como uma mostra de vergonha. A
“grande cidade” se refere a “cidade santa” no
versículo 2, que é a Jerusalém terrena e que
espiritualmente tornar-se-á Sodoma e Egito, onde
seu Senhor foi crucificado. Na restauração da nação
de Israel, que começou em 1948, os judeus
retomaram à terra de seus pais em incredulidade.
Eles se tornarão tão pecaminosos como Sodoma (cf.
Is 1:9-10; 3:9; Jr 23:14) e tão mundanos como o Egito
(cf. Ez 23:3, 8, 19, 27), até o retorno de Cristo, seu
Messias, quando “todo o Israel será salvo” (Rm
11:26). As pessoas mais mundanas encontram-se na
pequena nação de Israel. No fim desta era, aos olhos
de Deus, Jerusalém será tão pecaminosa quanto
Sodoma e tão mundana como o Egito. Por causa disso
Deus abandonará essa cidade nos últimos três anos e
meio. Deus parecerá dizer: “Deixem-na ir.
Entregá-la-ei nas mãos do anticristo para que ele faça
tudo o que lhe agradar a essa Jerusalém pecaminosa e
mundana”.
Em 70 cf. e. , Tito, o príncipe de Roma, destruiu a
cidade de Jerusalém. Tanto em Daniel como no Novo
Testamento aquele príncipe era um tipo do anticristo.
Daniel 9:26-27 considera os dois como sendo um. Se
você ler Daniel 9 cuidadosamente, verá que haverá
duas destruições de Jerusalém. A primeira será por
Tito e a segunda será pelo anticristo. Na profecia de
Daniel, as duas são mencionadas aparentemente
como uma só, mas, na realidade, não são uma única.
O anticristo destruirá Jerusalém de modo semelhante
ao de Tito. De acordo com o princípio, o
cumprimento de um tipo é sempre mais completo que
o tipo. Por isso, o Senhor disse que a grande
tribulação será mais severa que qualquer coisa que a
tenha precedido ou que se seguirá após ela. Mesmo
em Mateus 24 e Lucas 21, a profecia do Senhor não
distingue claramente a destruição de Jerusalém sob
Tito daquela sob o anticristo. As duas são
combinadas. Por essa razão, as setenta semanas têm
um longo intervalo entre a sexagésima nona e a
septuagésima semana. Há um longo período
suspenso até chegar o tempo da septuagésima
semana. Após a sexagésima nona semana, houve uma
destruição sob Tito, mas após o intervalo entre a
sexagésima nona e a septuagésima semana, haverá a
destruição sob o anticristo. Mas, na Bíblia, essas duas
destruições são mencionadas quase como uma. Na
época de Tito, Jerusalém era pecaminosa, e na época
do anticristo, ela será ainda mais pecaminosa.
Apocalipse capítulo onze nem mesmo chama a cidade
de Jerusalém, mas de “a grande cidade”, referindo-se
a ela como o lugar onde o Senhor foi crucificado (v.
8). Naturalmente, o Senhor não foi crucificado nem
em Sodoma nem no Egito; Ele foi crucificado em
Jerusalém. Na época da perseguição e destruição pelo
anticristo, Jerusalém tornar-se-á tão pecaminosa
quanto Sodoma e tão mundana como o Egito. Como
precisamos orar pelos judeus para que eles se
arrependam. No meio deles haverá os fiéis: os cento e
quarenta e quatro mil. Após o arrebatamento das
duas testemunhas, o tempo estará próximo da vinda
do Senhor com Seu exército para derrotar o anticristo
na guerra no Armagedom.
7. Ressuscitadas
O versículo 11 diz: “Mas, depois dos três dias e
meio, um espírito de vida, vindo da parte de Deus,
neles penetrou e eles se ergueram sobre seus pés, e
àqueles que os viram sobreveio grande medo”.
“Ergueram-se sobre seus pés” indica que eles foram
ressuscitados. A sua ressurreição é diferente daquela
mencionada em 1 Tessalonicenses 4:16. O Senhor
Jesus foi ressuscitado após três dias, e Lázaro foi
ressuscitado após quatro dias, mas essas duas
testemunhas serão ressuscitadas após três dias e
meio.

8. Arrebatados para o Céu


O versículo 12 continua: “E as duas testemunhas
ouviram grande voz vinda do céu, dizendo-lhes: Subi
para aqui. E subiram ao céu na nuvem, e os seus
inimigos as contemplaram.” “Subiram ao céu” indica
que foram arrebatados. Seu arrebatamento é também
diferente daquele predito em 1 Tessalonicenses 4:17.

B. Seu Testemunho
O versículo 7 diz que as duas testemunhas
tinham “concluído o testemunho”. Seu testemunho
será por Deus como o Senhor da terra (v. 4) e contra o
anticristo. Durante a grande tribulação, as duas
testemunhas darão um testemunho adequado por
Deus e contra o anticristo (Dt 17:6; 19:15; Mt 18:16).
Embora muitos haverão de ver a ressurreição e o
arrebatamento das duas testemunhas, eles não se
arrependerão. Isso indica que não devemos confiar
em milagres. Muitos mantêm o conceito: errado de
que os outros serão convencidos por milagres, mas
essas duas testemunhas, que serão mortas
fisicamente, serão repentina e miraculosamente
ressuscitadas e arrebatadas aos céus. Não obstante,
as pessoas não se arrependerão.

IV. UM GRANDE TERREMOTO


O versículo 13 diz: “E naquela mesma hora houve
um grande terremoto, e caiu a décima parte da
cidade, e no terremoto foram mortos sete mil [nomes
de] homens; e os demais ficaram muito
atemorizados, e deram glória ao Deus do céu. A
cidade aqui refere-se à grande cidade no versículo 8,
que é Jerusalém. Um décimo da cidade de Jerusalém
cairá por causa do terremoto e o resto dela será
dividido em três partes no último terremoto em 16:19.
O versículo 13 diz que “foram mortos sete mil
[nomes de] homens”. A frase “nomes de homens”
indica pessoas de renome. Serão sete mil pessoas
famosas. Naquele tempo, muitos dentre a nação de
Israel serão pessoas de renome. Sete mil delas serão
mortas por esse terremoto, porque tomaram a
dianteira em não crer no Senhor Jesus. Hoje, muitos
filósofos, doutores, cientistas políticos e financistas
Judeus são pecaminosos e mundanos, não crendo no
Senhor Jesus. Hoje a nação de Israel está totalmente
sob o controle dessas pessoas de renome. Quase
nenhum dos israelitas que tem renome crera no
Senhor. Recentemente, ouvi falar que o governo de
Israel decidiu desencorajar todo trabalho missionário
cristão em Israel. Essa decisão foi tomada por pessoas
de renome. Quando esse terremoto ocorrer,
principalmente as pessoas famosas serão mortas por
ele.
Esse trecho da Palavra é uma janela através da
qual podemos ver a situação deplorável entre os
judeus no fim desta era. Por isso uma grande
perseguição acontecerá. Por mais que as nações
árabes tentem destruir a nação de Israel hoje, não
serão bem sucedidas, porque o Senhor cuida de
Israel. Mas isso não significa que os judeus são
verdadeiramente pelo Senhor. Não, eles continuarão
a ser pecaminosos e mundanos até o dia que Deus
dirá: “Eu abandonarei vocês. O céu será medido, mas
deixarei Jerusalém nas mãos do anticristo. Ele
causará mais dano a essa cidade do que Tito”. De
acordo com Zacarias 12, essa perseguição levará os
judeus perseguidos ao ponto de olharem para Aquele
a quem traspassaram. Nesse momento crítico, Cristo
voltará e todas as tribos da Terra Santa verão o
próprio Redentor que traspassaram dois mil anos
atrás. Quando olharem para Ele, lamentar-se-ão por
Ele e arrepender-se-ão (Zc 12:10-14). Mas esse
lamento será um tanto tardio, pois, antes disso,
muitos terão sido massacrados pelo anticristo. Essa é
a palavra de profecia. Que podemos fazer a não ser
orar por eles e estar preparados para aquela hora
quando o Senhor nos tomar?
Depois que os sete mil homens de renome forem
mortos por esse terremoto, o restante das pessoas
ficarão atemorizadas e darão glória a Deus. Muitas
delas, senão todas, se arrependerão e, na Sua volta a
eles, receberão o Senhor a quem traspassaram.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 28
A SÉTIMA TROMBETA
Em Apocalipse 11:14-18 há a sétima trombeta.
Sem a sétima trombeta, a economia de Deus e Seu
mover não podem ser completados. Lendo os
capítulos de oito a onze, vemos que as sete trombetas
são verdadeiramente uma grande coisa. Quando a
sétima trombeta soar, muitas coisas acontecerão.
Essa trombeta soará por um período, e este durará
pela eternidade, declarando, anunciando e
proclamando o plano eterno de Deus. Em cada uma
das seis primeiras trombetas, somente um item
ocorrerá, mas na sétima, muitas coisas acontecerão.
A sétima trombeta, sendo a última (1Co 15:52),
compreende tanto as coisas negativas como as
positivas. As coisas negativas são: a ira de Deus, que
consiste nas últimas pragas das sete taças (15:1;
16:1-21), como o último ai para os moradores da terra
(8:13; 9:12; 11:14) e a destruição dos destruidores da
terra, que ocorre na volta do Senhor à terra (17:14;
18:1-2; 19:19-20; 20:3). As coisas positivas são: o
reino eterno de Cristo, que é o reino na sua
manifestação (11:15, 17); o julgamento dos mortos,
que ocorre antes da ressurreição dos santos (v. 18); e
o galardão dado aos profetas e aos santos, o que
ocorre no trono do julgamento de Cristo (2Co 5:10),
após a ressurreição e o arrebatamento dos santos
(1Co 15:23, 52; 1Ts 4:16-17) e sendo dado àqueles que
temem o nome de Deus (14:6-7), no trono da glória de
Cristo (Mt 25:31-34). Por isso, a sétima trombeta
compreende todas as coisas desde o fim da grande
tribulação até a eternidade futura: as últimas pragas
das sete taças (cap. 16); a ressurreição e o
arrebatamento dos santos; o galardoar dos santos; a
volta de Cristo à terra; a destruição da grande
Babilônia (17:1-19:6); as bodas do Cordeiro (19:7-9); a
destruição do anticristo, do falso profeta, de Satanás e
de seus seguidores (19:11-20:3); o reino milenar
(20:4-6); o julgamento sobre a terra e Satanás
(20:7-10); o julgamento final dos mortos (20:11-15); e
o novo céu e nova terra com a Nova Jerusalém pela
eternidade (21:1-22:5).

I. O TÉRMINO DA GRANDE TRIBULAÇÃO


Apocalipse 11:14 diz: “Passou o segundo ai. Eis
que sem demora, vem o terceiro ai.” O terceiro ai,
consistindo nas sete taças da ira de Deus (cap. 16), é
uma parte do conteúdo negativo da sétima trombeta.
Visto que o soar da sétima trombeta é registrado
depois da visão concernente à destruição de
Jerusalém durante os últimos três anos e meio (11:2),
e visto que as sete taças serão as últimas pragas da
consumação da ira de Deus (15:1; 16:1), o ai da sétima
trombeta tem de ser o fim da grande tribulação (Mt
24:21).

II. O ENCERRAMENTO DA ERA


Ao soar a sétima trombeta, não só a grande
tribulação será terminada, mas esta era também será
encerrada. O mistério de Deus será completado (10:7)
e o reino do mundo tornar-se-á o reino de nosso
Senhor e de Seu Cristo (11:15). Uma outra era então, a
era do reino, o milênio, começará.

III. INTRODUZINDO O REINO PELA


ETERNIDADE
A sétima trombeta introduzirá o reino pela
eternidade. O versículo 15 diz: “E o sétimo anjo
tocava trombeta, e houve no céu grandes vozes,
dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso
Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos
séculos.” A frase “ele reinará pelos séculos dos
séculos” se refere ao reino do Senhor pela eternidade
no novo céu e nova terra (22:5). Isso indica que a
sétima trombeta abrange o novo céu e a nova terra
com a Nova Jerusalém.

IV. CONSISTINDO EM:

A. As Sete Taças da Ira de Deus como o


Terceiro Ai
A sétima trombeta incluirá as sete taças da ira de
Deus como o terceiro ai (11:14, 18; 15:1, 7-8; 16:1-21).
O versículo 18 diz: “Iraram-se as nações; veio a Tua
ira” (IBB-Rev.). A “ira” aqui se refere à ira das sete
taças no capítulo dezesseis, que são uma parte do
conteúdo negativo ~~ sétima trombeta. O último ai
consiste nas sete taças da sétima trombeta. As sete
taças serão a intensificação da ira de Deus. Sua ira se!
á exaurida com o derramamento dessas taças. As
taças serão derramadas não sobre a terra ou céu, mas
sobre o homem, especialmente sobre o anticristo e
seu reino. Na época. do último ai o anticristo estará
lutando contra Deus, e Cristo descerá à terra para
lutar contra ele com Seu exército vencedor. As sete
taças do terceiro ai serão como sete bombas caídas do
céu e usadas por Deus para demolir o anticristo e o
seu reino. Provavelmente, todas as sete taças serão
derramadas num curto período. A grande tribulação e
a era serão encerradas com o derramamento dessas
sete taças.

B. O Reino Eterno de Cristo


A sétima trombeta também consiste no reino
eterno de Cristo (11:15, 17). O versículo 15 diz que o
reino do mundo se tornou o reino de nosso Senhor e
de Seu Cristo, e que Ele reinará pelos séculos dos
séculos. O reino do mundo se tornou o reino de Cristo
na Sua volta apos o Seu Julgamento sobre as nações
(Dn 7:13-14; 2:44-45). Nesse tempo, os vinte e quatro
anciãos prostrar-se-ão sobre os seus rostos e
adorarão a Deus, dizendo: “Graças te damos, Senhor
Deus Todo-poderoso, que és e que eras, porque
assumiste o teu grande poder e passaste a reinar” (v.
17).

C. O Julgamento dos Mortos


Durante o andamento 'da sétima trombeta,
Cristo julgará os mortos. O versículo 18 diz: “Veio... o
tempo de serem julgados os mortos” (IBB-Rev.). O
julgamento dos mortos mencionado neste versículo
não se refere ao julgamento do grande trono branco.
Visto que “de serem julgados os mortos” é
mencionado antes de “de se dar o galardão aos teus
servos”, isso não se refere ao julgamento dos mortos
no grande trono branco depois do milênio (20:11-15).
Significa que no fim dessa era, antes do milênio, de
acordo com João 5:27-29, os mortos serão julgados
quanto a quem deve ter parte na ressurreição da vida
antes do milênio (1Co 15:23; Ap 20:4-6), em quem
deve ser deixado para a ressurreição da condenação
após o milênio (20:11-12). Antes de Cristo ressuscitar
os santos, Ele primeiramente fará um julgamento
entre os mortos com respeito à primeira ressurreição
da vida e à segunda ressurreição da condenação. Após
Ele tomar essa decisão, ocorrerá a ressurreição dos
santos.
Logo que os santos forem ressuscitados, eles
serão arrebatados. Em 1 Tessalonicenses 4 indica que
os santos mortos subirão, não descerão. Muitos
cristãos conservam um conceito errado de que os
santos mortos estão no céu e que quando o Senhor
Jesus vier, descerão com Ele. Leia sua Bíblia outra
vez. Os santos não descerão; eles subirão e, com os
vivos, serão arrebatados para encontrarem-se com o
Senhor no ar. Não está de acordo com as Escrituras
dizer que os santos mortos estão agora no céu.

D. Dando Galardão

1. Aos Profetas e aos Santos


O versículo 18 também diz que veio o tempo “de
se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos
santos e aos que temem o teu nome, assim os
pequenos como aos grandes”. O galardão será dado
pelo Senhor aos Seus fiéis no Seu retorno (22:12; Mt
16:27). O julgamento dos profetas e dos santos
ocorrerá no trono do julgamento de Cristo (2Co 5:10).
Seu propósito será o de determinar quem, entre as
pessoas salvas, será digno de um galardão e quem
necessitará de uma disciplina adicional. O galardoar
dos profetas e dos santos ocorrerá após a ressurreição
e o arrebatamento dos santos (1Co 15:23, 52; 1Ts
4:16-17).
A sétima trombeta de Apocalipse 11 é a última
trombeta de 1 Coríntios 15. Na última trombeta, os
santos mortos serão ressuscitados e, com os vivos,
serão arrebatados ao ar. Não está de acordo com as
Escrituras dizer que o arrebatamento da maioria dos
santos acontecerá antes da tribulação. Como pode
alguém dizer que Cristo voltará abertamente antes da
tribulação? A Bíblia é muito clara a esse respeito.
Paulo diz que os santos vivos não precederão os
mortos, e que na última trombeta os santos mortos
serão ressuscitados. Todos precisam admitir que a
última trombeta é a sétima trombeta. Após a sétima
trombeta, não haverá nenhuma outra. Antes da
sétima trombeta, há a quinta e sexta trombetas como
as partes principais da grande tribulação. Visto que
tantos santos serão arrebatados na sétima trombeta,
que soará no fim da grande tribulação, como alguém
pode dizer que o arrebatamento da maioria dos
santos será antes da tribulação? Não siga os
ensinamentos tradicionais de hoje, os quais são
superficiais e imprecisos. Precisamos tomar a palavra
exata da Bíblia. Na época da sétima trombeta, os
santos mortos serão ressuscitados e os santos vivos
serão arrebatados com eles para o ar. Desse modo,
mesmo naquele tempo, Cristo não terá vindo. No
início do soar da sétima trombeta, Ele ainda estará no
ar. Após esse arrebatamento, Cristo estabelecerá Seu
trono de julgamento para decidir quem receberá, o
galardão e será uma parte de Seu exército vencedor, e
quem necessitará de mais disciplina e punição.

2. Para o Povo que Teme a Deus


Cristo também galardoará o povo que teme a
Deus. Apocalipse 11:18 também menciona
especificamente que um galardão será dado “aos que
temem o teu nome”. Esses que temem a Deus são
aqueles que estão atentos ao evangelho eterno para
temer a Deus e adorá-Lo, e não adorar a besta ou sua
imagem (14:6-7), e para cuidar do povo necessitado
do Senhor (Mt 25:32-40). Então, após Cristo voltar à
terra e estabelecer o trono de Sua glória em
Jerusalém, o centro de Seu reino, Ele julgará as
nações, todos os incrédulos vivos. O Novo
Testamento diz que Cristo foi designado para julgar
vivos e mortos (At 10:42; 2Tm 4:1). Quando Ele
julgará os vivos? Será após Ele lutar na guerra em
Armagedom e destruir o anticristo, o falso profeta e
seus seguidores (Ap 19:11-21). Naquele tempo, haverá
um grande número de incrédulos ainda vivos na
terra. De acordo com Mateus 25:31-46, Cristo reunirá
todas as nações ao Seu trono em Jerusalém e
julgá-las-á.
Muitos pensam que esse julgamento se refere ao
julgamento exercido sobre os cristãos para
determinar quem é real e quem é falso. Mas leve em
consideração o que Mateus 25:31 e 32 dizem:
“Quando vier o Filho do homem na sua majestade e
todos os anjos com ele, então se assentará no trono da
sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua
presença”. No Novo Testamento, a palavra “nações”
se refere aos gentios. Mateus 25:32 também diz: “Ele
separará uns dos outros, como o pastor separa dos
cabritos as ovelhas”. Esse julgamento não será nem
de acordo com a lei nem com o evangelho da graça;
será de acordo com o evangelho eterno pregado pelo
anjo em Apocalipse 14:6-7. Durante os três anos e
meio, o anticristo obrigará as pessoas a adorar sua
imagem e um anjo no meio do céu proclamará o
evangelho eterno, dizendo às pessoas da terra a não
adorarem a imagem, mas a temerem a Deus e a
adorá-Lo. Alguns dos habitantes da terra atentarão a
esse evangelho eterno e temerão a Deus e
adorá-Lo-ão, não adorarão a imagem da besta e
também cuidarão dos judeus e cristãos necessitados
que estarão sofrendo sob a perseguição do anticristo.
Portanto, em Mateus 25:34-36, o Rei dirá “aos que
estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai!
entrai na posse do reino que vos está preparado desde
a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes
de comer; tive sede e me destes de beber; era
forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes;
enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me.”
Quando esses justos perguntarem ao Senhor como
poderiam ter-Lhe feito isso, Ele responderá: “Em
verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um
destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”
(Mt 25:40). Essas “ovelhas” serão então transferidas
para o reino, a fim de tornarem-se as nações durante
o milênio (2:26; 12:5). Durante esses mil anos, os
cristãos vencedores serão os co-reis de Cristo, os
judeus salvos serão os sacerdotes e esses justos serão
o povo sobre quem os vencedores governarão. Os
“cabritos”, os maus, que seguiram o anticristo e
recusaram-se a observar o evangelho eterno, serão
lançados para dentro do lago de fogo “preparado para
o diabo e seus anjos” (Mt 25:41). Isso acontecerá
durante a sétima trombeta, após toda a terra se tornar
o reino de Cristo.

E. Destruindo os Destruidores da Terra


A sétima trombeta inclui a destruição dos
destruidores da terra. O versículo 18 diz que Cristo
vai “destruir os que destroem a terra”. Os
destruidores da terra incluem a grande Babilônia
(17:2; 18:3), o anticristo (13:3), o falso profeta (13:14),
Satanás (20:7-9) e aqueles que os seguem (17:12-18;
19:19; 20:8-9). Todos eles serão destruídos na sétima
trombeta.
A grande Babilônia, a religião falsa, a Igreja
Católica Romana, também tem de ser considerada
como uma destruidora da terra. Apocalipse 17:2 diz
que se prostituíram os reis da terra com ela e os que
habitam a terra se embriagaram com o vinho da sua
prostituição. Visto que ela é uma destruidora da terra
e toda terra foi corrompida por ela, o Senhor a
destruirá.
Após destruir a grande Babilônia, o Senhor
destruirá o anticristo, o falso profeta e seus
seguidores na guerra do Armagedom. O anticristo e o
falso profeta serão lançados para dentro do lago de
fogo, e Satanás será destruído. Na verdade, o Senhor
tratará duas vezes com Satanás: primeiramente
amarrando-o e lançando-o para dentro do abismo
antes do milênio, e em segundo lugar lançando-o
para dentro do lago de fogo após o milênio. O
anticristo será o primeiro a ser colocado dentro do
lago de fogo. O anticristo, o falso profeta e seus
seguidores, uma parte dos quais serão os “cabritos”
em Mateus 25, serão atirados para dentro do lago de
fogo antes de Satanás (Ap 19:20; Mt 25:41), que será
guardado no abismo por mil anos e que, de modo
final e máximo, será lançado para dentro do lago de
fogo. No fim do milênio, todas as pessoas mortas não
salvas também serão atiradas para dentro do lago de
fogo (20:15). Naquele tempo, cada coisa negativa no
universo terá sido removida.
V. A CENA NO CÉU APÓS O TROMBETEAR
DA SÉTIMA TROMBETA
Se quisermos compreender profecias,
precisamos ficar familiarizados com todo o conteúdo
do sétimo selo. Esse é o segredo para conhecermos a
profecia deste livro. Quando jovem, eu pensava que a
sétima trombeta consistia apenas nas sete taças e que
as sete trombetas eram o único conteúdo do sétimo
selo. Mantendo aquele conceito, achava difícil
aprender o livro todo de Apocalipse. Entretanto, após
alguns anos, vi que as sete trombetas são o único
conteúdo do sétimo selo, mas que as sete taças são
simplesmente uma parte do conteúdo da sétima
trombeta. A sétima trombeta inclui muito mais que
simplesmente as sete taças. Como já enfatizamos, a
sétima trombeta inclui tanto coisas negativas como
positivas.
O versículo 19 desvenda a cena no céu depois do
trombetear da sétima trombeta. Esse versículo diz: “E
abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca do seu
concerto foi vista no seu templo: e houve relâmpagos,
e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva”
(VRC). Quatro terremotos são preditos neste livro. O
primeiro (6:12) no sexto selo; o segundo (8:5), antes
das sete trombetas; o terceiro (11:13), entre a sexta e a
sétima trombeta; e o quarto (v. 19), tanto aqui, na
sétima trombeta, como na sétima taça (16:18-20), que
constitui o fim do conteúdo negativo da sétima
trombeta.
Aqui nesse versículo, que é continuado em 15:5,
vemos que o templo de Deus foi aberto. O trono com
o arco-íris em 4:2-3 é o centro de todos os
julgamentos executados sobre a terra nos capítulos 6
a 11, do lado negativo; ao passo que o templo com a
arca é o centro de todas as realizações de Deus no
universo, levadas a cabo nos capítulos doze a vinte e
dois, do lado positivo. O trono com o arco-íris, o
centro da primeira seção, é para o julgamento de
Deus. O templo com a arca, o centro da segunda
seção, é para a edificação de Deus. Em primeiro lugar,
do lado negativo, temos o julgamento de Deus, e, em
segundo lugar, do lado positivo, temos a edificação de
Deus. Para o julgamento de Deus, o trono com o
arco-íris é o centro; e para a edificação de Deus, Seu
templo com Sua arca é o centro.
O julgamento de Deus é plenamente executado
na primeira seção do livro. A idéia principal da
segunda seção é a edificação de Deus. Quem será o
templo? O povo de Deus, principalmente a igreja.
Quem é a arca? Cristo. Portanto, o centro da
edificação de Deus na eternidade será Cristo e a
igreja. Não estamos sob o trono com o arco-íris —
estamos no templo com Deus. Não estamos sob o
julgamento de Deus — estamos na edificação de Deus.
O anticristo e os incrédulos estarão sob o trono de
Deus com o arco-íris, mas estamos aqui, no templo
com a arca, na edificação de Deus com Cristo.
Que luz o Senhor nos tem mostrado! Depois do
soar das sete trombetas na primeira seção, todos os
mistérios estarão terminados, todos os julgamentos
serão levados a cabo e todo o exercício da
administração de Deus será completado. Somente
uma coisa permanecerá para ser continuada — a
edificação de Deus. Por causa disso, a visão, a cena, a
vista no céu é mudada do trono com o arco-íris para o
templo com a arca. Que você vê hoje: o trono com o
arco-íris ou o templo com a arca? Vemos o templo
com a arca. Vemos Cristo e a igreja. Essa visão não é
para sermos santos ou espirituais; antes, é para
sermos edificados. Todos precisamos ver o templo
com a arca para a edificação de Deus.
Quando o templo de Deus no céu é aberto e a
arca da Sua aliança é vista no Seu templo, há
relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e grande
saraiva (v. 19). Isso é o mesmo que ocorrerá após o
derramamento da sétima taça (16:17-21).
Relâmpagos, vozes e trovões são declarações solenes
da ira de Deus em Seu julgamento. O terremoto e a
grande saraiva são o julgamento real. Por meio do
terremoto, que será o maior da história, as cidades,
incluindo a Jerusalém terrena e Roma, a Babilônia, a
grande, serão abaladas e cairão (16:19). Por meio da
grande saraiva, os homens sofrerão a praga
sobremodo grande (16:21). Esse será o fim da grande
tribulação.
O livro de Apocalipse é dividido em duas seções.
A primeira, consistindo nos capítulos de um a onze,
proporciona-nos um breve esboço, uma visão geral
das coisas. Visto ser esta meramente um esboço, não
contém os detalhes. Conseqüentemente, a seção
seguinte, consistindo nos capítulos doze a vinte e
dois, nos dá os detalhes dos itens principais contidos
na primeira seção. Cada capítulo contém alguns
detalhes. Por exemplo, sem os capítulos vinte e um e
vinte e dois, jamais conheceríamos os detalhes da
Nova Jerusalém, que são mencionados em 3:12. As
duas seções de Apocalipse assemelham-se ao
primeiro e segundo capítulo de Gênesis. Gênesis 1 dá
um registro geral da criação de Deus, especialmente
da criação do homem. Gênesis 2 supre os detalhes
com respeito à criação do homem por Deus. Assim
como precisamos de Gênesis 2 para suplementar o
quadro geral de Gênesis 1, precisamos da segunda
seção de Apocalipse para suprir os detalhes dos itens
cruciais que são mencionados de um modo geral na
primeira seção.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 29
O ARREBATAMENTO DOS CRENTES (1)
No último século e meio, o arrebatamento dos
santos tem sido uma questão difícil para muitos
cristãos sequiosos. Há principalmente três escolas
quanto à compreensão referente ao arrebatamento: a
escola da pré-tribulação, a escola da pós-tribulação e
a escola do assim chamado arrebatamento parcial. Os
da escola do arrebatamento parcial dizem que os
vencedores serão arrebatados antes da maioria dos
crentes. Em cada uma dessas escolas houve alguns
santos muito espirituais que conheciam muito bem a
Bíblia. Por causa de opiniões conflitantes, houve
muito debate sobre o arrebatamento. Logo depois que
fui salvo, comecei a estudar profecias e, como
conseqüência, familiarizei-me bastante com todas
essas escolas. Como fruto de muitos anos de estudo,
observação e consideração, quero apresentar nesta
mensagem e na seguinte uma palavra clara e simples
sobre o arrebatamento de acordo com a pura palavra
da Bíblia. Vamos esquecer todas as escolas e nos
importar somente com a pura Palavra.

I. O ARREBATAMENTO DOS VENCEDORES


Na Bíblia vemos dois aspectos do arrebatamento:
o arrebatamento dos vencedores e o arrebatamento
da maioria dos santos. O fato de haver dois aspectos
do arrebatamento não significa que há somente dois
arrebatamentos. Quanto ao arrebatamento dos
vencedores há pelo menos três categorias. Por
exemplo, o arrebatamento das primícias difere do
arrebatamento do filho varão. O filho varão (12:5) é
composto pelos vencedores mortos em ressurreição, e
as primícias (14:1-5) são os vencedores vivos, aqueles
que nunca passaram pela morte. Quando chegarmos
ao capítulo doze, veremos que o filho varão, assim
como a mulher vestida com o sol, é um, símbolo. O
filho varão em Apocalipse é gerado, produzido por
nascimento. Considere o Senhor Jesus. Ele foi gerado
de Deus para ser o Filho primogênito em ressurreição
(Hb 1:5; At 13:33). O filho varão também será gerado
em ressurreição. A ressurreição do filho varão será o
seu nascimento. Apocalipse 12:11 diz que os
vencedores que são uma parte do filho varão são fiéis
até a morte, vencendo o inimigo por causa do sangue
e por causa da palavra do seu testemunho, e não
amando a vida da alma até a morte. Isso indica que
todos aqueles que estão incluídos no filho varão são
fiéis até a morte. Muitos deles foram martirizados.
Por isso, o filho varão, que inclui todos os vencedores
mortos, difere das primícias, que são os vencedores
vivos. Além do filho varão e das primícias, há um
outro grupo de vencedores no capítulo quinze: os
vencedores tardios, que vencem o anticristo, sua
marca, o número do seu nome e a sua imagem, e que
serão arrebatados para ficar em pé no mar vítreo, a
fim de louvar o Senhor. Portanto, com respeito aos
vencedores, há pelo menos três diferentes
arrebatamentos. Além disso, há o arrebatamento
individual das duas testemunhas no capítulo onze.
O arrebatamento dos vencedores é a primeira
categoria de arrebatamento, e o da maioria dos
santos, considerada em Apocalipse como a messe
(14:15), é a segunda. Em Levítico 23:10 vemos um
tipo do 'arrebatamento: o tipo das colheitas
amadurecendo no campo. Algumas colheitas
amadurecem mais cedo e outras amadurecem mais
tarde. Aquelas que amadurecem primeiro são
consideradas as primícias. Na época do Velho
Testamento, as primícias eram sempre trazidas, não
para o celeiro, mas para dentro do templo de Deus.
Êxodo 23:19 diz claramente: “As primícias dos frutos
da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus.” As
primícias eram trazidas do campo para dentro do
templo de Deus, para o desfrute e satisfação de. Deus.
Quando o campo ficava completamente maduro, era
o tempo da ceifa. Depois que a messe era ceifada, era
trazida para dentro do celeiro. Isso é um tipo. A
colheita é o povo de Deus (1Co 3:9), e a primeira
colheita a amadurecer é as primícias, que serão
trazidas diretamente ao templo de Deus nos céus.
Depois que isso acontecer, os raios do sol
tornar-se-ão mais brilhantes e as colheitas não
amadurecidas, que ainda estão verdes, começarão a
amadurecer. Quando toda a colheita tiver
amadurecido, a maioria dos santos será ceifada e
tomada para o ar. O ar corresponde ao celeiro. Na
maioria das fazendas o celeiro fica entre o campo e a
casa da fazenda. A messe é estocada no celeiro, mas
as primícias são trazidas para dentro da casa da
fazenda para serem provadas pela primeira vez pelo
fazendeiro. Enquanto muitos mestres escreveram
sobre o arrebatamento, a maioria deles não tomou
cuidado com essa questão da colheita de Deus. Em
Mateus 13, o Senhor Jesus revelou que Ele viera para
semear sementes no campo. Em 1 Coríntios 3 Paulo
diz aos coríntios: “Lavoura de Deus... sois vós”.
Finalmente, em Apocalipse 14, temos as primícias e a
messe. Isso nos dá o conceito básico com respeito ao
arrebatamento.
Muitos cristãos são muito superficiais e míopes.
Eles não lêem ou estudam a Bíblia de uma maneira
completa; pelo contrário, selecionando alguns
versículos como base, ensinam que todos os cristãos
serão arrebatados antes da tribulação. Eles dizem que
éramos pecadores que foram lavados pelo sangue do
Senhor, que foram regenerados pelo Espírito, que
foram salvos e que agora estão aguardando a volta do
Senhor Jesus, quando seremos todos arrebatados.
Falando de uma maneira geral, isso é correto, e não
há nada de errado nisso. Entretanto, essa é uma
apreciação rápida, descuidada e superficial do
assunto. Como uma ilustração da imprecisão e
generalidade dos ensinamentos tradicionais
referentes ao arrebatamento, deixem-me usar o
exemplo de um apartamento superior em Arden
Place, Anaheim. Todos os que não estavam
familiarizados com a área, tinham dificuldade em
localizar Arden Place. Alguns que sabiam que ficava
na vizinhança de Ball e Euclid, gastavam o
equivalente a uma hora procurando Arden Place. Eles
sabiam como chegar à esquina de Ball e Euclid, mas
não tinham informações detalhadas sobre para onde
ir de lá, em meio a muitas ruas pequenas, a fim de
chegar ao apartamento. Embora fosse correto dizer
que se morava perto de Ball e Euc1id, o ponto preciso,
Arden Place em Juno, era de certo modo escondido.
Para chegar lá, tinha-se de percorrer um labirinto de
pequenas ruas.
Compreender a questão do arrebatamento no
Novo Testamento é também como dirigir através de
um labirinto. É muito difícil conhecer precisamente
esse assunto. Talvez o Senhor quisesse que fosse
dessa maneira para suscitar a nossa vigilância. Não
esteja confiante de que você sabe tudo a respeito do
arrebatamento, pois você pode ser como aqueles que
pensavam que sabiam onde eu morava, mas apenas
conheciam a vizinhança geral de Ball e Euclid. Talvez
você conheça o arrebatamento de uma maneira geral,
mas não está familiarizado com os detalhes. O que
precisamos não é de um mapa geral, mas de um mapa
detalhado. A maior parte das conversas entre os
cristãos sobre o arrebatamento é geral demais. É
como conhecer a esquina de Ball e Euclid sem
conhecer a localização exata do meu apartamento.
Durante os últimos cinqüenta anos, gastei muito
tempo estudando o arrebatamento. Desde 1925,
sempre que podia ler ou ouvir sobre esse assunto, eu
aproveitava a oportunidade. Quanto à questão do
arrebatamento, tenho certeza em afirmar que o
Senhor mostrou-nos detalhes precisos, e nessas duas
mensagens precisamos examinar alguns desses
detalhes.
O Senhor Jesus voltará definitivamente antes do
milênio. Outrora havia uma escola de teologia que
ensinava que a volta do Senhor seria após o milênio.
Embora essa escola ainda existisse há cinqüenta anos,
ela provavelmente está agora obsoleta. Quando
jovem, estudei tanto a escola que dizia que o Senhor
viria antes do milênio como a escola que dizia que Ele
viria após o milênio. Durante os cinqüenta anos
passados, essa segunda escola desvaneceu-se, e
dificilmente alguém parece importar-se com ela.
Talvez você nem mesmo tenha ouvido falar dela.
Dizer que Cristo voltará após o milênio
absolutamente não tem base bíblica. Desse modo,
somente uma escola permanece: que Cristo virá antes
do milênio. Entretanto, isso é muito geral.
Precisamos ser muito mais exatos e específicos. É
absolutamente correto dizer que o Senhor Jesus
voltará antes do milênio e que todos os cristãos serão
arrebatados, mas precisamos ainda nos familiarizar
com os detalhes.
Estou preocupado com alguns dos leitores desta
mensagem. Tudo o que entra em primeiro lugar na
nossa mente é difícil de se extrair. Uma vez que
alguém tenha assimilado a idéia de que todos os
crentes serão arrebatados antes da tribulação, é-lhe
difícil libertar-se dela. Assim, todos os conceitos
velhos e imprecisos devem ser removidos.

A. A Necessidade

1. A Grande Tribulação Virá


Primeiramente, vamos considerar a necessidade
do arrebatamento dos vencedores. Mateus 24:21
revela que a grande tribulação virá. Mateus 24:22 diz:
“Não tivessem aqueles dias sido abreviados, e
ninguém seria salvo; mas por causa dos escolhidos
tais dias serão abreviados.” A grande tribulação será
tão severa que seus dias têm de ser abreviados se
alguns tiverem de ser salvos.

2. Virá um Laço sobre Todos os Habitantes


da Terra
Outra necessidade do arrebatamento é que virá
um laço sobre todos os habitantes da terra (Lc
21:34-35). Assim como um pescador estende uma
rede para apanhar peixes, Satanás também está
estendendo sua rede para nos apanhar. Em Lucas
21:34, o Senhor menciona três coisas relacionadas
com o laço que é mencionado no versículo 34:
“Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos
suceda que os vossos corações fiquem
sobrecarregados com as conseqüências da orgia, da
embriaguez e das preocupações deste mundo, e para
que aquele dia não venha sobre vós repentinamente,
como um laço.” Neste versículo o Senhor menciona
dissipação (comer), bebedice (beber) e as ansiedades
da vida. Desde a II Guerra Mundial, quase todo
mundo na terra se tem ocupado com essas três coisas.
A indústria, por exemplo, é inteiramente para os
cuidados desta vida. O mesmo é verdade em relação
às finanças. Todas as universidades são para a
indústria, a indústria é para o dinheiro e o dinheiro é
para os cuidados desta vida. Considere os bilhões de
pessoas na terra hoje: sua única preocupação é com
os cuidados desta vida. Todas as coisas nas quais
estão envolvidas — educação, indústria, política,
guerra — giram em torno dos cuidados desta vida.
Comer, beber e os cuidados desta vida são os três
principais elementos do laço diabólico, a rede usada
por Satanás para capturar a todos na terra. Nesses
versículos de Lucas, o Senhor Jesus está dizendo que
chegará o tempo no qual todos os habitantes da terra
cairão no laço. Tenho vivido por mais de setenta anos
e venho observando a situação do mundo por quase
sessenta anos. Sei o que é a vida humana. Estudei a
história humana, li os jornais e observei a situação do
mundo. Descobri que, especialmente desde a II
Guerra Mundial, as pessoas não se importam com
mais nada exceto com sua vida física. Deus não criou
a terra de uma maneira casual. Não, Sua criação é
maravilhosa e contém muitas coisas boas. Entretanto,
se somos enlaçados por qualquer uma dessas coisas,
seremos apanhados por elas. Por exemplo, é
necessário e apropriado manter uma habitação
adequada para nós, mas devemos estar alertas para
não sermos enlaçados com isso.
Embora haja o sério risco de sermos enlaçados
pelo comer, beber e pelos cuidados desta vida, ainda
precisamos viver uma vida humana normal. Os
jovens precisam obter uma boa educação, pois isso é
necessário para ganhar a vida. Não se desculpe
dizendo: “Não me importo com esta vida. Visto que só
amo o Senhor, eu desistirei de estudar e
simplesmente louvarei ao Senhor o dia inteiro”. Se
você fizer isso, será um fardo para os outros. Você
pode estar bem, mas os outros não estarão. Você pode
alegar que tem fé, mas a sua assim chamada fé
obrigará os outros a trabalhar para você. Não, você
precisa estudar diligentemente e ir bem na escola.
Entretanto, não faça isso com o propósito de
conseguir uma boa reputação para você ou tornar-se
uma pessoa de renome. Embora precise estudar, não
permita que a educação seja o seu laço. Alguns ainda
podem dizer: “Não irei à escola porque não quero ser
enlaçado. E melhor gastar todo o meu tempo lendo a
Bíblia e tendo comunhão com todos os meus jovens
colegas. Isso não seria maravilhoso?” Muitos jovens
têm esse conceito errôneo, dizendo: “O Senhor Jesus
poderá vir amanhã. Por que então devemos estudar
tanto? Isso é um desperdício de tempo”. Embora o
Senhor possa vir amanhã, por causa de sua preguiça
Ele pode demorar-se até que você aprenda a estudar e
se tenha formado na escola.
Como pessoas caídas, somos desequilibrados.
Mateus 24:40 fala de dois que estão no campo. Não
diz que os dois estão dormindo, tendo comunhão ou
vivendo totalmente para o Senhor sem se ocupar com
qualquer trabalho. Alguns podem dizer: “Visto que o
Senhor poderá voltar amanhã, por que precisamos
trabalhar no campo? Se necessário, podemos até
mesmo jejuar nas três refeições até que Ele venha”.
Certa vez ouvi uma mensagem na qual o orador dizia:
“Quão maravilhoso seria se, quando o Senhor vier,
minha esposa e eu estivéssemos louvando e orando”.
Mas a Bíblia não indica que estaremos fazendo essas
coisas quando Ele aparecer; pelo contrário, Mateus
24:41 fala de duas mulheres trabalhando num
moinho. Nos tempos antigos, o trabalho mais difícil
para mulheres era moer trigo. Se eu fosse uma das
mulheres naqueles dias, diria: “Os irmãos jovens
ajudaram-nos a saber que o Senhor Jesus pode voltar
esta noite. Por que então labutar moendo trigo? E um
desperdício de tempo. Porque devemos ainda moer
farinha se o Senhor está vindo esta noite? Vamos
simplesmente sentar aqui e aguardar Sua vinda”.
Essa é uma ilustração de um extremo.
No outro extremo estão aqueles cristãos que não
se importam com nada a não ser ganhar e gastar
dinheiro. Eles dizem: “Oh! não devemos ser tão
espirituais. Devemos ser práticos e cuidar de nossas
esposas e filhos. Eu preciso sustentar a minha família
e cuidar de muitas outras coisas. Não tenho tempo
para ir às reuniões da igreja. Não podemos adorar a
Deus em casa?” Àqueles nesse extremo, o Senhor
pode dizer: “Virei como um ladrão. Eu virei na hora
em que você menos Me espera. Talvez Eu venha
quando você estiver absorvido em ganhar dinheiro”.
Mas àqueles no outro extrema, Ele pode dizer: “Por
causa de vocês, retardarei Minha vinda. Vocês estão
ansiosos demais pela Minha volta, estão tão ansiosos
que não fazem nada. Vocês nem mesmo se
preocupam em cozinhar. Eu retardarei Minha vinda
até que aprendam a cozinhar, ganhar dinheiro e a
cuidar de si próprios e dos outros”. Não estou
brincando e levo isso a sério. Essa é a situação pobre
entre os cristãos de hoje.
Todos nós precisamos cumprir o nosso dever de
ganhar a vida, mas devemos fazê-lo sem sermos
enlaçados por isso. Podemos ter muitas coisas, mas
nunca devemos permitir que elas nos governem.
Aprenda a ser equilibrado, nunca caindo no extremo
da ociosidade nem no extremo de estar ocupado com
os negócios desta vida. Quanto a essa questão, como
em tantas outras coisas, há dois lados. Considere o
exemplo do apóstolo Paulo. Ele não estava
aguardando a volta do Senhor? Se você examinar seus
escritos, verá que todos foram a longo prazo. Ele
nunca disse: “Amados santos, vocês não precisam
fazer muitas coisas, porque o Senhor Jesus poderá vir
amanhã. Vocês devem apenas sentar-se e orar”. Não,
em suas epístolas Paulo parece estar dizendo:
“Enquanto aguardamos a volta do Senhor,
precisamos ainda viver de uma maneira normal”.
Embora não saibamos quando o Senhor virá, bem
sabemos que enquanto estivermos na terra,
precisamos ter um viver normal para sermos o
testemunho adequado do Senhor Jesus. Precisamos
obter a melhor educação e ter um viver diário
equilibrado. Também precisamos manter nossas
casas e, em todos os aspectos, ser pessoas normais.
Como aqueles que estão aguardando a volta do
Senhor, precisamos ter um viver adequado sem
sermos enlaçados por nada. Nosso coração não está
em nada mais senão no Senhor Jesus. Entretanto,
isso não significa que não estudamos, não
administramos os negócios e não cuidamos dos
afazeres domésticos, tal como limpeza. Não diga: “Por
que tenho de manter minhas roupas em ordem e
limpas? É um desperdício de tempo e dinheiro
lavá-las. O Senhor não se importa com a carne; Ele só
se importa com o meu espírito. Uma vez que o meu
espírito esteja limpo, tudo está bem”. Tenho certeza
que muitos jovens ainda têm essa atitude. Eles nem
mesmo arrumam sua cama pela manhã,
considerando isso como um desperdício de seu
tempo. Desde que tenham um lugar para deitar-se,
estão satisfeitos, pensando que podem gastar seu
tempo lendo a Bíblia ou livros espirituais. Não sabem
por que precisam trabalhar para manter seu quarto
em ordem, limpo e arrumado. Seu desleixo pode
retardar a volta do Senhor. O Senhor pode dizer-lhes:
“Vocês precisam aprender a arrumar a cama de
manhã cedo, pentear os cabelos e lustrar os sapatos.
Então, precisam arrumar todos os seus livros em boa
ordem. Não coloque o Novo Testamento antes do
Velho Testamento”. Nenhum presbítero que seja
descuidado pode ser útil na edificação da igreja.
Precisamos aprender a ser diligentes, mantendo tudo
em boa ordem. Entretanto, não devemos sonhar com
aquelas coisas à noite. Antes, quando o Senhor diz:
“Eis que venho sem demora”, devemos ser capazes de
nos esquecer de tudo. Alguns mantêm suas coisas em
boa ordem, mas isso torna-se um laço para eles. E um
teste para determinar onde estamos. Estamos aqui
como o testemunho de Jesus. Somos pessoas normais
vivendo uma vida normal, mas nada desta vida pode
nos tocar. Não somos desleixados, ociosos,
preguiçosos ou descuidados; todavia, nada neste
mundo tem qualquer controle sobre nós. Esses dois
lados da questão nos obrigarão a ser um com o
Senhor.
Qual é o significado do arrebatamento? É ser
levado à presença do Senhor. Se você quiser ser
levado à Sua presença, precisa estar em Sua presença
hoje. Muito do seu louvor e comunhão podem não ser
na Sua presença, mas simplesmente ser de acorda
com a sua própria escolha. Você não está na presença
do Senhor, mas em sua própria preferência e seu
próprio gosto. Quando deseja ter comunhão, o
Senhor pode dizer: “Vá trabalhar ou estudar”.

3. A Provação a Vir sobre Toda Terra


Habitada
Outro aspecto da necessidade do arrebatamento
dos vencedores é que a provação está prestes a vir
sobre toda a terra habitada (Ap 3:10). Essa provação
será a grande tribulação, consistindo nos três ais das
três últimas trombetas, provavelmente com as
calamidades sobrenaturais do sexto selo e das quatro
primeiras trombetas. Aqueles ais e calamidades serão
a mais severa provação para os habitantes da terra.
Para sermos salvos dessa provação, precisamos ser
arrebatados antes que ela venha.

4. Destruição como Dor de Parto Sobrevirá


sobre os que Falam de Paz e Segurança
Em 1 Tessalonicenses 5:3 diz-se: “Quando
andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes
sobrevirá repentina destruição, como vem a dor do
parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo
escaparão.” Este versículo indica que a destruição
virá como dores de parto sobre todos que falam de
paz e segurança. Os que estão nas Nações Unidas
tornam as palavras paz e segurança como um lema.
Enquanto as pessoas estiverem falando de paz e
segurança, a destruição repentina sobrevir-lhes-á.

5. O Diabo Descendo para a Terra com


Grande Ira como um Ai Para a Terra e o Mar
Outro aspecto da necessidade do arrebatamento
dos vencedores é que o diabo descerá à terra com
grande ira como um ai para a terra e o mar (Ap 12:12).
Nessa época, ele saberá que seu tempo é curto e assim
fará todo o possível para atormentar o homem ao
máximo. Certamente precisamos de um
arrebatamento para nos manter afastados desse
tormento maligno.

6. O Grande Dragão — Satanás — Irando-se


contra a Mulher e Saindo para Fazer Guerra
com os Restantes da Sua Descendência
Depois que o grande dragão, Satanás, descer à
terra, ele irar-se-á contra a mulher e sairá para fazer
guerra com os restantes da sua descendência (12:17).
A mulher no capítulo doze é a totalidade do povo de
Deus, incluindo tanto a igreja como os filhos de
Israel. Seus filhos são de duas categorias: os que
guardam a lei e os que têm o testemunho de Jesus. Os
cento e quarenta e quatro mil, remanescente
escolhido de Israel, serão certamente os fiéis à lei, e
os redimidos, os crentes, serão fiéis ao testemunho de
Jesus. O grande dragão, que irar-se-á contra essa
mulher, guerreará com os restantes da sua
descendência, com os judeus que guardam a lei de
Moisés e com os cristãos que têm o testemunho de
Jesus. Um arrebatamento inicial é necessário antes
disso.

7. A Besta — o Anticristo — Guerreando com


os Santos e Vencendo-os
Falando do anticristo, Apocalipse 13:7 diz:
“Foi-lhe dado também que pelejasse contra os santos
e os vencesse.” Os santos são o povo de Deus como é
simbolizado pela mulher no capítulo doze. Isso indica
que na grande tribulação muitos crentes, contra
quem o anticristo guerreará e aos quais ele vencerá,
ainda estarão lá. Isso significa que ele perseguirá os
crentes durante a grande tribulação. Como
precisamos de um arrebatamento antes daquele
tempo!
Há a necessidade de sermos arrebatados, porque
todas essas coisas terríveis e horríveis estão vindo.
Não estamos aguardando o acontecimento desses
eventos pavorosos. Estamos esperando que o Senhor
nos arrebate antes que qualquer urna dessas coisas
venha a ocorrer. Desse modo, há definitivamente a
necessidade do arrebatamento dos vencedores.

B. As Promessas

1. Prevalecer para Escapar de Todas essas


Coisas e Permanecer de Pé diante do Filho do
Homem
Agora chegamos às promessas com respeito ao
arrebatamento dos vencedores. Lucas 21:36 diz: “Mas
sede vigilantes, em todo tempo suplicando a fim de
prevalecerdes para escapar de todas estas coisas que
estão para acontecer, e permanecerdes de pé diante
do Filho do homem” (lit.). De acordo com o grego, a
palavra “prevalecerdes” pode ser traduzida para
“plenamente fortalecidos”. Em grego, essa frase tem
ambos os significados. Quando estamos plenamente
fortalecidos, nós prevalecemos. Precisamos estar
plenamente fortalecidos a fim de escapar do laço e
permanecer de pé diante do Filho do homem. Antes
de o Senhor voltar, Ele, o Filho do homem, estará no
terceiro céu. Lucas 21:36 revela que os vencedores
estarão de pé diante do Filho do homem. Isso
significa que eles serão arrebatados para a presença
do Senhor nos céus. Enquanto o laço está prestes a
vir, precisamos estar plenamente fortalecidos para
escaparmos dele. Se você está familiarizado com a
pesca, percebe claramente que alguns peixes mais
fortes são capazes de escapar da rede. Do mesmo
modo, os vencedores estarão plenamente fortalecidos
para escapar do laço e permanecer de pé na presença
do Senhor nos céus. Essa é uma promessa de ser
arrebatado antes da grande tribulação.

2. Ser Guardado da Hora da Provação


Outra promessa referente ao arrebatamento é
encontrada em Apocalipse 3:10: “Porque guardaste a
palavra da minha perseverança, também eu te
guardarei da hora da provação que há de vir sobre o
mundo inteiro, para experimentar os que habitam
sobre a terra.” Alguns dizem que todos os cristãos
serão arrebatados após a tribulação. Esse conceito é
encontrado entre os assim chamados grupo Newton
dos Irmãos Unidos, que se separou do grupo de
Darby. O grupo Newton ensina que todos os cristãos
passarão pela tribulação. Certa vez perguntei a um
dos principais mestres do grupo Newton sobre
Apocalipse 3:10 e ele admitiu que esse versículo era
um problema para eles. De acordo com esse versículo,
os vencedores não serão apenas guardados da
provação, mas também da hora da provação,
significando que serão arrebatados antes da grande
tribulação. Por isso, o arrebatamento dos vencedores
precederá a grande tribulação.
ESTUDO-VIDA DE APOCALIPSE
MENSAGEM 30
O ARREBATAMENTO DOS CRENTES (2)

I. O ARREBATAMENTO DOS VENCEDORES

C. Os Fatos

1. Um Sendo, Tomado e Outro Sendo Deixado


Em Mateus 24:39-42 vemos o fato do
arrebatamento. Os versículos 40 e 41 dizem: “Então
dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o
outro; duas estarão trabalhando num moinho, urna
será tomada, e deixada a outra.” Aqui vemos dois
irmãos no campo e duas irmãs no moinho. Um dos
irmãos e uma das irmãs são tomados e os outros
deixados. Alguns entre nós, especialmente os jovens,
amam o Senhor e pensam que não precisam se
importar com seu viver humano. Mas nesses
versículos vemos dois irmãos trabalhando no campo
e duas irmãs trabalhando no moinho. Isso é para
comer. Uma vez que vivemos na terra, não podemos
ignorar a necessidade de comer. Precisamos trabalhar
para comer. Portanto, se você verdadeiramente ama o
Senhor, precisa perceber que enquanto você O ama,
ainda tem de ganhar a vida para si. Enquanto dois
estão trabalhando no campo para seu sustento, um
será tomado e o outro deixado. Exteriormente, eles
são o mesmo, mas interiormente são diferentes. Se
você ler o contexto, verá que um é vigilante e está
preparado, e o outro não. Ao mesmo tempo que um
está preparando-se, o outro não é vigilante.
2. O Filho Varão Sendo Arrebatado para
Deus
O fato do arrebatamento dos vencedores é
também encontrado em Apocalipse 12:5. Esse
vers