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Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região - 2º Grau

PJe - Processo Judicial Eletrônico


Consulta Processual

15/10/2015

Número: 0011369-10.2014.5.15.0017
Data Autuação: 20/08/2015

Classe: RECURSO ORDINÁRIO


- Relator: LUIZ FELIPE PAIM DA LUZ BRUNO LOBO
Valor da causa (R$): 3.021,00
Partes
Tipo Nome
RECORRENTE MUNICIPIO DE SAO JOSE DO RIO PRETO
ADVOGADO CECILIA CICOTE DE AGUIAR - OAB: SP0237996
RECORRIDO PLANTE AMOR CONFECCOES LTDA
ADVOGADO VALTER DIAS PRADO - OAB: SP0236505
CUSTUS LEGIS Ministério Público do Trabalho - Oficial

Documentos
Id. Data de Juntada Documento Tipo
24f59 08/10/2015 10:46 Acórdão Acórdão
35
PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO
11ª Câmara

PROCESSO TRT/15ª REGIÃO Nº 0011369-10.2014.5.15.0017


RECURSO ORDINÁRIO DA 1ª VARA DO TRABALHO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
RECORRENTE: MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
RECORRIDO: PLANTE AMOR CONFECÇÕES LTDA
JUIZ SENTENCIANTE: LEANDRO RENATO CATELAN ENCINAS

Da r. decisão de Id 9e7b183 que julgou procedente a ação trabalhista,


recorre o reclamado consoante as razões de Id afa1dd8.

Depósito recursal e custas isento.

Contrarrazões da reclamante Id a7da786.

Manifestação do Ministério Público do Trabalho opinando pelo


provimento do recurso consoante Id b066b86.

Regulares as representações.

É o breve relatório.

VOTO

Conheço do recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade.

Tendo o r. decisório anulado o Auto de Infração n.º000076 e Auto de


Infração de Imposição de Penalidade n.º0413 sob o fundamento de que Município de São José do Rio
Preto/SP não poderia invadir a esfera de competência da União com a finalidade de verificar o
descumprimento de normas trabalhistas e, ainda, da Portaria 3214/1978, recorre o reclamado. Alega que
não só a União, mas todos os entes federados, tal como o Município, possuem tal competência, a fim de
garantir a efetiva proteção à saúde dos trabalhadores e a segurança dos mesmos dentro do ambiente de
trabalho. Pontua por meio da Portaria nº 250 de 29/08/2003 foi habilitado o Centro de Referência em
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Saúde do Trabalhador em São José do Rio Preto - CEREST - para realizar os procedimentos previstos na
Portaria nº 1.679/2002, cujo gestor é o Município de São José do Rio Preto. Refere que a Vigilância
Sanitária, através do CEREST (Centro de Referência à Saúde do Trabalhador), tem competência
constitucional e legal para orientar, fiscalizar e punir aqueles que não respeitam as normas de saúde e
segurança dentro do ambiente de trabalho, colocando em risco a vida e saúde dos trabalhadores.

Pugna pela validade dos autos de infração.

Com razão.

Consoante disciplina os artigos 23, II e VI; 24, XII; 30, I e II; 196; 197;
198 e 200, VIII, da CF/88, o Município detém competência para fiscalizar e aplicar sanções quanto ao
descumprimento de preceitos relativos à segurança e saúde do meio ambiente do trabalho, visando à
proteção do trabalhador.

Lado outro, a Lei Federal nº 9.782/99, que define o Sistema Nacional de


Vigilância Sanitária, cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e dá outras providências, assim
dispõe:

Art. 1º O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária compreende o conjunto de ações


definido pelo § 1º do art. 6º e pelos arts. 15 a 18 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de
1990, executado por instituições da Administração Pública direta e indireta da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que exerçam atividades de regulação,
normatização, controle e fiscalização na área de vigilância sanitária.

Ademais, a Lei Federal nº 6514/1977, que disciplina sobre a Segurança e Medicina do


Trabalho, em seus artigos 154 e 159 dispõe que:

"A observância, em todos os locais de trabalho, do disposto neste Capítulo, não desobriga
as empresas do cumprimento de outras disposições que, com relação à matéria, sejam
incluídas em códigos de obras ou regulamentos sanitários dos Estados ou Municípios em
que se situem os respectivos estabelecimentos, bem como daquelas oriundas de
convenções coletivas de trabalho.".

"Mediante convênio autorizado pelo Ministro do Trabalho, poderão ser delegadas a


outros órgãos federais, estaduais ou municipais atribuições de fiscalização ou orientação
às empresas quanto ao cumprimento das disposições constantes deste Capítulo.".

Nesse sentido:

"SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR. INFRAÇÃO. MUNICÍPIO.


SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. CEREST. FISCALIZAÇÃO. AUTUAÇÃO.
COBRANÇA DE MULTA. COMPETÊNCIA. Não viola a competência privativa da
União lei municipal que atribui poder de fiscalização, no âmbito do trabalho, a ente
municipal integrante do Sistema Único de Saúde. Trata-se de competência concorrente
dos entes federados. É dever do Poder Público e da coletividade defender e preservar e
proteger o meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. A saúde do trabalhador não
é monopólio da União, mas é tratada juridicamente por Estados e Municípios. O meio
ambiente em condições dignas e salubres dá suporte ao mais fundamental direito do
homem: o direito à vida. É legítima a fiscalização e autuação realizada por órgão
municipal, que integra o Sistema Único de Saúde, visto que todos os entes federados têm
competência concorrente para legislar sobre saúde. Aplicação dos artigos21, XXIV, 22,I,
23, II e VI, 24, XII, 30, 196, 197, 198, 200 e 225 da Constituição Federal. (TRT15,
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Processo nº 0118100-91.2008.5.15.0097, Rel. Des. Flávio Nunes Campos, 11ª Câmara, 6ª
Turma)

Assim, a lavratura do auto de infração e imposição de penalidade à


recorrida se deu em razão da inobservância da norma sanitária, a qual ensejou o acidente de trabalho.

Conforme pontuou o Ministério Público do Trabalho, "o auto de infração


lavrado pela Vigilância Sanitária Municipal (órgão pertencente ao SUS) está de acordo com a
competência fiscalizatória conferida pela Lei Federal nº 8.080/90 a qual, em seu art. 6º, prevê
expressamente que está incluída no campo de atuação do SUS a execução de ações de vigilância sanitária
relativas à saúde do trabalhador.

Assim, visando à efetiva proteção da saúde do trabalhador e de um meio


ambiente do trabalho equilibrado, é de se reconhecer a competência da autoridade municipal para a
fiscalização e imposição de penalidades por infração a tais preceitos.

Dessa forma, reforma-se o r. decisório para reconhecer a competência do


órgão municipal da vigilância sanitária (CEREST) para proceder à fiscalização, lavrar auto de infração e
impor penalidade em relação a ambiente de trabalho, declarando-se a validade do auto de infração 000076
e do auto de imposição de penalidade 0413, julgando-se, por consequência, improcedente a ação
anulatória.

mgm

DIANTE DO EXPOSTO, DECIDO: CONHECER DO RECURSO DE


MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO E O PROVER para reconhecer a competência do
órgão municipal da vigilância sanitária (CEREST) para proceder à fiscalização, lavrar auto de infração e
impor penalidade em relação ao ambiente de trabalho, declarando-se a validade do auto de infração
000076 e do auto de imposição de penalidade 0413, na forma da fundamentação, cujas conclusões
integram este dispositivo.

Custas, em reversão, pela reclamante, no importe de R$ 60,42, calculadas


sobre o valor dado a causa, das quais fica isento, nos termos do art. 790-A da CLT.

A C O R D A M os Magistrados da 11° Câmara (Sexta Turma) do


Tribunal Regional do Trabalho da Décima Quinta Região em julgar o processo nos termos do voto
proposto pelo Exmo. Sr. Relator.
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Votação Unânime.

Sessão realizada em 06 de outubro de 2015.


Composição: Exmos. Srs. Desembargadores LUIZ FELIPE BRUNO LOBO(Relator), ANTONIO
FRANCISCO MONTANAGNA (Presidente) e Juiz ÁLVARO DOS SANTOS, nos termos do art. 52
parágrafo 6º do regimento interno deste E. TRT

Ministério Público do Trabalho: Exmo(a) Sr (a). Procurador (a)


Ciente.

LUIZ FELIPE PAIM DA LUZ BRUNO LOBO


Desembargador Relator

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