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Avaliação Psicológica, 2010, 9(2), pp.

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OS MÉTODOS PROJETIVOS NA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA


Marlene Alves da Silva1, Universidade São Francisco, Itatiba, Brasil

Villemor-Amaral, A. E., & Werlang, B. S. G. (Orgs.). (2008). Atualizações em Métodos Projetivos para
Avaliação Psicológica. São Paulo: Casa do Psicólogo.
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A avaliação psicológica é um processo que Rorschach e Zulliger, subdivide-se em seis capítulos.
tem como objetivo fornecer informações para a No primeiro capítulo, Atualização em Pesquisas com
tomada de decisão a respeito de uma pessoa ou de o Sistema Compreensivo do Rorschach no Brasil,
um grupo ou de um programa. Assim sendo, é Regina Sônia Gattas Fernandes do Nascimento
resultante de três aspectos, a medida, o instrumento e apresenta uma evolução dos estudos após a morte
o processo de avaliação. Cada um deles é baseado em prematura de Hermann Rorschach, as contribuições
uma fundamentação teórica e metodologia própria da avaliação de John Exner Jr. e o sistema
que permite a compreensão do fenômeno psicológico compreensivo (SC). Apresenta as pesquisas
ou objeto de investigação. estrangeiras realizadas desde 1993, no sistema
Esse campo de conhecimento e intervenção compreensivo e o estudo brasileiro com participantes
surge de uma série de pesquisas por meio de diagnosticados com transtorno bipolar.
instrumentos psicológicos e técnicas projetivas que No segundo capítulo, A Abordagem
assegurem a sua eficácia e eficiência na tentativa de Fenômeno-Estrutural e o Método de Rorschach,
responder as demandas sociais e as possibilidades de Deise Matos do Amparo e Andrés Eduardo Aguirre
avaliação e previsão do comportamento humano. Antúnez iniciam com a trajetória das origens da
Com o intuito de auxiliar os profissionais quanto aos psicopatologia fenômeno-estrutural e os estudos de
métodos projetivos, uniram-se as professoras Minkowska, Helman e Wallon. Após, descrevem os
doutoras Anna Elisa de Villemor-Amaral e Blanca avanços dessa abordagem no Brasil, seus alcances e
Susana Guevara Werlang na organização do livro suas limitações.
Atualizações em Métodos Projetivos para a Latife Yazigi, no terceiro capítulo,
Avaliação Psicológica. O livro trata de conceitos, Rorschach e Assimetria Cerebral: Experimentação
aplicações e estudos psicométricos de métodos com o Rorschach Bissimétrico destaca o tema sobre a
projetivos como fonte de informação da emoção e sua relação com o hemisfério direito
personalidade e suas possibilidades de uso. Ainda, o cerebral na visão da neuropsicologia, assim como
uso desses instrumentos em diversos campos de estudos correlacionais de algumas variáveis do
atuação do psicólogo. Rorschach com a lateralidade da função psicológica.
A obra está dividida em quatro partes, no Ainda, a construção do Rorschach bissimétrico, no
total de vinte e quatro capítulos, escritos por 33 qual utilizou outros instrumentos como o teste das
profissionais e pesquisadores. Liza Fensterseifer e faces quiméricas e o questionário de dominância
Blanca Susana Guevara Werlang iniciam com manual.
Apontamentos sobre o Status Científico das Técnicas Já no quarto capítulo intitulado A Utilização
Projetivas, nesse item relatam os atributos positivos e do Rorschach em Crianças e Adolescentes, Norma
limitações das dessas técnicas projetivas, assim como Lottenberg Semer descreve a utilização do
a suas utilizações. Oferecem uma definição de instrumento para o conhecimento da personalidade
projeção e apercepção, as contribuições da individual como diagnóstico e prognóstico na visão
psicanálise, gestalt, da psicologia do indivíduo, da de vários autores estrangeiros. Nas pesquisas
personalogia de Murray e as abordagens clínica e brasileiras, ressalta o estudo realizado para a criação
estatística. Ressaltam ainda, o protocolo não- de normas com crianças paulistanas na faixa etária de
quantitativo e a fidedignidade pela concordância quatro a dez anos, para tanto, utilizou-se como
entre juízes e baseada na consistência interna do método o sistema Aníbal Silveira.
instrumento. No capítulo seguinte O Rorschach e as
A primeira parte, intitulada Técnica de Técnicas Projetivas no Contexto Forense, Sonia
Percepção de Estímulos Não Estruturados - Liane Reichert Rovinski discute as contingências
específicas dessa área, enfatiza os fatores importantes
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Contato: nessa avaliação e por fim, as considerações sobre a
Email: alvesmarlene2002@yahoo.com.br validade aparente. Descreve ainda, a avaliação no
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sistema compreensivo e estudos atuais nos contextos ponte entre a avaliação individual e familiar de
de avaliação de guarda de filhos, dano psíquico e determinado indivíduo. Seu público alvo são crianças
área penal. e adolescentes que identificam o sistema familiar dos
Para concluir a primeira parte, no sexto mesmos, mostrando o processo de funcionamento e a
capítulo, O Teste Zulliger no Sistema Compreensivo, estrutura familiar subjacentes. As autoras descrevem
as autoras Anna Elisa de Villemor-Amaral e Renata ainda, a administração e a forma de correção do
da Rocha Campos Franco descrevem um breve instrumento. Concluem com as propriedades
histórico do teste, após a utilização brasileira e os psicométricas do instrumento.
seus vários estudos, como meio de acessar o Finalizando esse bloco, O Teste dos Contos
funcionamento psíquico das pessoas ou grupos de de Fadas, título do décimo primeiro capítulo, Blanca
pessoas, ou para analisar as qualidades psicométricas Susana Guevara Werlang e Mônica Medeiros Kother
do teste. Relatam, ainda, o sistema compreensivo Macedo fazem um resgate histórico dos contos de
como forma de avaliação do teste. fadas desde a sua origem céltica até os estudos mais
A segunda parte, Técnicas Temáticas atuais. Esse teste projetivo temático é composto de
encontra-se distribuída em cinco capítulos. Inicia 21 cartões com imagens de cenas vinculadas a contos
com as pesquisadoras Maria Cecília de Vilhena de fadas e destina-se a crianças com idades entre 06 e
Moraes Silva e Maria Elisabeth Montagna com O 12 anos. Após, descrevem o instrumento e a sua
Teste de Apercepção Temática. As autoras administração, ainda, a interpretação e a informação
descrevem a fundamentação teórica, a descrição do de que esse instrumento encontra-se em processo de
material e apresentação dos cartões estímulos, ainda, adaptação para a realidade brasileira.
as estratégias de interpretação fundamentadas no A terceira parte do livro, Técnicas Gráficas,
esquema necessidade-pressão de Murray, sistema composta de dez capítulos que descrevem
psicodinâmico de Leopold Bellak, na análise da instrumentos gráficos de estímulos predeterminados,
estruturação dinâmica de Viça Shentoub e no sistema inicia com as Técnicas Projetivas Gráficas e o
de esquemas de Teglasi. Concluem o capítulo com Desenho Infantil. A autora Maria Cecília de Vilhena
relato de pesquisas brasileiras. Moraes Silva descreve a utilização do desenho na
Leila Salomão de La Plata Cury Tardivo e prática clínica, tanto para investigação da
Maria de Fátima Xavier, no oitavo capítulo, O Teste personalidade como para a prática terapêutica e
de Apercepção Temática Infantil com Figuras de chama a atenção para o preparo do profissional que a
Animais (CAT-A), descrevem as características e utiliza. Ainda, faz algumas considerações sobre a
fundamentação teórica, o sentido de cada prancha, criança e o desenho, envolvendo tanto os aspectos
forma e instrução para aplicação e alguns estudos cognitivos quanto afetivos, e ressalta que o desenho
sobre o teste desde 1954 até a atualidade. Finalizam o reflete a personalidade da criança.
capítulo com a pesquisa com crianças paulistas de Já no décimo terceiro capítulo, Desenho da
cinco a oito anos, na qual utilizaram uma ficha de Figura Humana (DFH), Denise Ruschel Bandeira e
análise criada por Tardivo e o referencial teórico Adriane Xavier Arteche iniciam pelo histórico e
utilizado para a avaliação foi o psicanalítico. interesse científico do desenho da figura humana
Já Maria Lucia Tiellet Nunes, no nono desde 1900 até a atualidade. Descrevem a análise e
capítulo, intitulado Teste das Fábulas, descreve o interpretação do desenho como medida do
histórico do teste desde a divulgação de seus desenvolvimento cognitivo e como expressão de
primeiros estudos em 1940, na França. Após, a aspectos inconscientes da personalidade. Já no DFH
versão brasileira com adaptação lingüística e a forma como medida psicopatológica, os aspectos
pictórica, ainda a descrição das dez lâminas que emocionais são vistos à luz do sistema Koppitz e do
apresentam um conjunto de histórias de final aberto sistema Naglieri.
semelhante à história em quadrinho. Ressalta as No capítulo seguinte, Adriana Martins Saur e
indicações de uso, administração e interpretação do Sonia Regina Pasian, estudaram O Desenho da
instrumento e as pesquisas realizadas com o teste na Figura Humana na Investigação da Imagem
versão verbal e pictórica. Corporal: Alcances e Limites, fruto da dissertação de
No capítulo seguinte, Teste de Apercepção mestrado de Saur, defendida em 2007 pela
Familiar - FAT, Blanca Susana Guevara Werlang, Universidade de Ribeirão Preto - São Paulo. As
Liza Fensterseifer e Gabriel Quadros de Lima, autoras descrevem os aspectos iniciais do desenho,
relatam sobre o histórico desse teste projetivo criado após, fazem uma ligação com a imagem corporal e
nos Estados Unidos, com o objetivo de criar uma do autoconceito, relatam várias pesquisas e com

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diversos públicos. Encerram o capítulo com o relato pesquisadores e apresentam pesquisas sobre as
dos resultados encontrados na pesquisa desenvolvida formas de avaliação no Brasil. A seguir, demonstram
por Saur. o sistema de pontuação global construído pelos
No décimo quinto capítulo, A Técnica da autores e as pesquisas publicadas sobre o tema.
Casa-Árvore-Pessoa (HTP) de John Buck, Maria Ainda, mostram as qualidades psicométricas dessa
Cecílica de Vilhena Moraes Silva relata as origens e forma de pontuação.
fundamentações teóricas, os princípios de No vigésimo capítulo, Maria Cecília de
interpretação nas perspectivas adaptativa, expressiva Vilhena Moraes Silva com O Teste de Complemento
e projetiva, os aspectos simbólicos da tríade casa- de Desenhos de Wartegg (WZT), descreve os
árvore-pessoa, assim como os aspectos simbólicos do fundamentos teóricos e suas bases para interpretação.
espaço e o uso das defesas nas técnicas gráficas. Mostra as contribuições de Marian Kinget sobre a
Finaliza com pesquisas associadas à obesidade, flexibilidade e integração em relação à interpretação
autoestima, identificação de abuso sexual e cirurgias do instrumento. Conclui com as recomendações para
invasivas e mutiladoras. o uso do instrumento, assim como o contexto da
No capítulo intitulado Desenhos e Aspectos aplicação e fontes de informação. Ressalta, ainda, as
Transculturais, Sonia Grubits e Ivan Darraut-Harris limitações do instrumento.
relatam a experiência com a clínica infantil em No capítulo seguinte, Pesquisas com o Teste
comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. O de Wartegg no Brasil, Irai Cristina Boccato Alves
instrumento utilizado foi o desenho da Casa – Árvore apresenta um levantamento das pesquisas realizadas.
– Pessoa e Família (HTPF) para a avaliação da Descreve a introdução do teste no Brasil foi em 1952,
personalidade, na visão semiótica e etossemiótica, na área de seleção de pessoal e na orientação
que adota as produções verbais, não verbais e profissional. O referido teste já recebeu o status de
espontâneas do comportamento humano normal e quinto colocado em testes mais usados pelos
patológico. Esse modelo foi escolhido devido às psicólogos, assim como o teste projetivo mais
peculiaridades culturais, familiares e sociais. ensinado nos cursos de psicologia.
No décimo sétimo capítulo, O Procedimento Na quarta e última parte do livro, apresenta-
de Desenhos-Estórias (D-E) e seus Derivados: se as Técnicas com Estímulos Diversos, dentre todos
Fundamentação Teórica, Aplicações em Clínica e os instrumentos disponíveis no Brasil destacam-se
Pesquisa, Leila Salomão de La Plata Cury Tardivo, um teste usado na orientação profissional e de
descreve o histórico, as pesquisas, a forma de carreira, o Teste de Fotos de Profissões (BBT), um
aplicação e a avaliação do instrumento. Enfatiza o instrumento clínico, o Questionário Desiderativo e
estudo normativo desenvolvido por Tardivo e ilustra um instrumento projetivo que avalia uma
com um caso clínico. Esse procedimento técnico compreensão dinâmica da personalidade, Teste das
avalia a personalidade dentro de um processo Pirâmides Coloridas de Pfister.
diagnóstico compreensivo, portanto deverá ser usado Mariana Araújo Noce, Erika Tiemi Kato
juntamente com outras técnicas; como exemplo, hora Okino, Renata de Fátima Assoni e Sonia Regina
do jogo diagnóstico e jogo dos rabiscos. Pasian, no vigésimo segundo capítulo, intitulado BBT
Já Eda Marconi Custódio, no capítulo cujo – Teste de Fotos de Profissões: Teoria,
tema é O Teste de Bender como Instrumento de Possibilidades de Uso e Adaptação Brasileira,
Avaliação de Personalidade, aborda a história na descrevem sobre a fundamentação teórica, aplicação,
visão de vários autores e em diversas correntes interpretação e pesquisas do instrumento criado pelo
teóricas como a gestalt e psicanálise, entre outros. A pesquisador suíço Martin Achtnich. Após, relatam as
autora relata, ainda, diversas pesquisas realizadas pesquisas sobre o teste no Brasil para sua adaptação,
com crianças visando às características de esses estudos resultaram em duas versões, a
personalidade, comparação com outros instrumentos, masculina e a feminina. Por fim, as autoras
com adultos de ambos os sexos e em diversos apresentam um estudo de caso de um adolescente de
contextos. 16 anos com o objetivo de ilustrar o processo
Os autores, Ana Paula Porto Noronha, avaliativo e interpretativo da técnica.
Fermino Fernandes Sisto e Acácia Aparecida Angeli No capítulo seguinte, O Questionário
dos Santos em Avaliação da Maturidade Percepto- Desiderativo: Possibilidades Teóricas e Empíricas
Motora: Contribuições do Bender Sistema de na Atualidade, Nicole Medeiros Guimarães, Sônia
Pontuação Gradual (B-SPG), descrevem os Regina Pasian e Sônia Regina Loureiro mostram os
elementos históricos sobre o teste na visão de vários aspectos conceituais desse instrumento criado por

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psiquiatras espanhóis em 1946, e as suas comercialização e uso de instrumentos psicológicos
modificações ao longo do tempo, destacando os no Brasil.
trabalhos realizados nos últimos vinte anos. A seguir, De modo estruturado, claro e didático, o livro
os aspectos relativos à aplicação, codificação e oferece subsídios para a avaliação de forma
interpretação do instrumento. Finalizam quantitativa e qualitativa dos métodos projetivos
apresentando os parâmetros de fidedignidade e utilizados pelos pesquisadores e profissionais. Vale
normativos para o Questionário Desiderativo para ressaltar que dentre as técnicas expostas no livro,
uma amostra de adolescentes. 40% dos testes apresentados não estão incluídos na
No último capítulo, Anna Elisa de Villemor- lista de instrumentos recomendados pelo Conselho
Amaral e Renata Rocha Campos Franco expõem as Federal de Psicologia.
Novas Contribuições para o Teste das Pirâmides Assim, o livro cumpre seu objetivo em
Coloridas de Pfister, instrumento que permite uma auxiliar os profissionais em sua prática de
compreensão dinâmica e integrada do funcionamento investigação da personalidade por meio de métodos
psíquico do indivíduo. Nesse capítulo constam a projetivos, possibilitando um planejamento de
origem, material e modo de aplicação, interpretação intervenção adequado. Ressalta-se, ainda, que a obra
dos dados e estudo de validade e normatização. As é recomendada a todos os estudantes de psicologia,
várias pesquisas e estudos psicométricos atendem as pois em um único volume encontram-se a descrição e
exigências das resoluções editadas pelo CFP para atualização de uma gama de técnicas projetivas.

SOBRE A AUTORA:
Marlene Alves da Silva: Psicóloga e Doutoranda em Psicologia pelo Programa de Pós-graduação Sticto Sensu
em Psicologia da Universidade São Francisco.

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