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O Estado paralelo

A soberania é o exercício da autoridade que reside num povo e que se exerce por intermédio dos seus órgãos
constitucionais representativos. Também se define o conceito como sendo a autoridade suprema do poder público
eleito para tal. Emmanuel-Joseph Sieyès fala que a soberania está radicada na nação e não no povo, já que também
se deve ter em conta o legado histórico e cultural e os valores sob os quais foi fundada a dita nação.

O conceito de propriedade está ligado ao de soberania, mas no nível da autoridade pessoal sobre a propriedade. Sob
o ponto de vista jurídico, é o direito de usar, gozar e possuir bens e dispor deles da maneira como quiser. O direito de
propriedade não se restringe somente a bens imóveis como casas, terrenos, pois não se refere somente a bens
materiais, mas também aos bens imateriais como o autoral.

Para que exerçamos nosso direito de soberania no nível da segurança, necessitamos de alguns aparatos tais como:
leis estabelecidas, gestão pública eficiente, justiça eficaz e força policial preparada. Em vista das contínuas notícias,
parece que o Rio de Janeiro não possui nenhuma delas ou ao menos uma parcela delas não funciona como deveria.

A falta da presença do Estado e da eficiência na área da segurança pública propicia oportunidades a um estado
paralelo efetivadas por milícias e pelo narcotráfico. Espremida no meio fica a população desamparada e abandonada
pelo mesmo Estado que deveria garantir a soberania e seus direitos constitucionais.

Além das já tradicionais cobranças de gás, internet, TV, transporte alternativo e tomada de residências do programa
minha casa minha vida agora o negócio está se expandindo além das delimitações do bairro ou comunidade. É o caso
da venda de acentos em ônibus, ou seja, se você pagar uma taxa de R$ 10,00 mensais você garante o seu lugar
durante o trajeto do coletivo. Caso você não pague, deverá levantar-se e ceder ao beneficiado. As milícias tem se
aprimorado a tal ponto que já assumem a segurança, ainda no canteiro de obras dos programas de residências
sociais para, posteriormente, utilizá-las como escritório ou comercializá-las, cobrando aluguéis.

Outro agravante são os métodos praticados e aperfeiçoados no RJ, os quais estão servindo de exemplo e até
"exportados" para outras cidades e estados da federação. Os que ainda resistem são os que mantém sua soberania,
mesmo atacada constantemente por políticas partidárias ineficazes e corruptas, deixando um rastro de insegurança à
população ordeira.

As CPIs das milícias do Rio e do Pará apontaram os problemas, no entanto, não deram continuidade ao processo de
investigação e indiciamento dos envolvidos. A consequência é encontrada até nas criações de grupos para defesa de
suas propriedades como alguns fazendeiros no Mato Grosso, tendo em vista, a ausência ou ineficiência do governo e
constantes ameaças de invasão. Portanto, milícias podem ser formadas pela necessidade de proteção ou como forma
de negócio, a exemplo das ocorrências em alguns estados, operando como a máfia que cobrava por proteção além
de explorar certos produtos (muitos ilegais).

Segundo o ministério público, além de crescer no Rio, a milícia formada por ex agentes da segurança pública e alguns
da ativa começou a se expandir para outros estados. “O Rio de Janeiro é pioneiro em tudo no crime. A milícia é uma
“invenção” nossa, que está sendo exportada para outros estados, cada um com as suas peculiaridades, mas já
identificamos milicianos agindo em outros estados. Já foram identificados grupos no Pará, São Paulo, Bahia, Ceará,
Mato Grosso do Sul”, garantiu um dos Deputados da CPI.

Nossas informações mostram que aqui no RS não é diferente apenas o grupo mandante é, já que ainda possuímos
uma corporação com valores e ética muito fortes. Em nosso caso, as áreas dominadas por grupos de narcotraficantes
estão se envolvendo cada vez mais nesta prática. Se você pode extorquir da sociedade, você terá uma fonte de renda
constante para alimentar seus negócios.

Qualquer similaridade com nossas políticas e intervenções do governo não é mera coincidência. A única diferença é à
força da caneta ou da arma.

Mauro Nadruz - Gestor em Segurança da Activeguard, pós-graduado em gestão estratégica da segurança, analista e professor.