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O A B in foco Agosto/Setembro de 2009 • Ano IV - N° 20 • Uberlândia-MG

OAB Entrevista: DR. lênio luiz streck


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Nesta Edição
Expediente

Palavra do Presidente
O ADVOGADO

Arquivo Pessoal
OAB/MG - 13ª Subseção
Avenida Rondon Pacheco, 980, Copacabana
Por todos os rincões de nosso País, é unís-
Fone: (34) 3234 -5555 sono o discurso de que o Poder Judiciário é len-
Uberlândia - MG – CEP: 38408-343 to. O que diverge são as razões da morosidade
Home-page: www.oabuberlandia.org.br que, para uns, ocorre pelo exacerbado número
Contato: oab.jornal@triang.com.br de processos a que cada juiz é submetido; para
DIRETORIA EXECUTIVA DA OAB/MG outros, a estrutura física dos Fóruns é que deter-
13ª SUBSEÇÃO/Uberlândia mina essa anomalia; e ainda há quem atribua tal
fato ao pequeno número de serventuários à dis-
Diretor Presidente: Eliseu Marques de Oliveira
posição nas secretarias. Na verdade, a razão resi-
Diretora Vice-Presidente: Magda Aparecida dos S. M. Faleiros de com todos, vez que o problema é complexo. ência, desperte do sono e desanuvie seus olhos,
Diretora Secretária-Geral: Iolanda Velasco de Andrade Contudo, a complexidade não pode ser ra- pois o restabelecimento da valorização do advo-
Diretora Secretária-Geral Adjunta: Viviane Espíndula Vieira zão de desânimo, vez que a consequência de- gado é medida que se faz urgente. É preciso de-
Diretor Tesoureiro: José Hamilton de Faria ságua única e exclusivamente no cidadão, que é volver ao advogado toda a credibilidade que o
preterido em seu sagrado direito de acesso à Jus- tempo se encarregou de levar consigo.
Conselho Editorial: Eliseu Marques de Oliveira, Carlos Hen- tiça rápida e eficaz. Aliás, a sociedade deve ser cautelosa ao bus-
rique S. de Carvalho, Adauto Alves Fonseca, Iolanda Velas-
Em meio a essa problematização encontra-se car seus direitos sem a contratação de um advo-
co de Andrade, Fernanda Dayrell de Souza Duarte.
a pessoa do advogado, que sofre diretamente as gado, como às vezes ocorre nas ações propostas
Conselho de Ética: Adelino José de Carvalho Dias, Ângela consequências do caos judicial. na Justiça do Trabalho e no Juizado Especial, por-
Parreira de Oliveira Botelho, Cristiano Gomes Brito, Écio O que me seduziu para escrever estas linhas? que o que parece ser vantagem muitas das vezes
Roza, Sebastião Roberto de Araújo, Fernanda Dayrell de Já respondo: O DIA DO ADVOGADO. se torna prejuízo irreversível, pois lá não estará o
Souza Duarte, Selmo Gonçalves Cabral, Gilson Flávio de E este espaço há de ser ocupado não só para advogado que com antecedência estudou o pro-
Paiva Montes, Magna Carrijo Pereira, Romi Araújo. homenagear todos os advogados e advogadas, cesso para apresentar a melhor tese. Assim, afas-
mas principalmente para conclamar a sociedade tar o cidadão do advogado é afastá-lo de garantias
Assessora de conteúdo:
a uma reflexão e um alerta. constitucionais como a da igualdade das partes e
Carla Aparecida Soares
Talvez, por desconhecimento, o advogado da ampla defesa.
Contato comercial: vem sendo motivo de chacota, piadas e até mes- Mas o que liga a morosidade do Judiciário
(34) 3234-5555 mo desprestígio perante a sociedade, e como não no início destacada com o advogado que hoje
bastasse, não é difícil encontrar juízes, promoto- é celebrado? A resposta é TUDO, pois, seremos
Colaboradores: Cristiano Assunção de Figueiredo, Jadir Vi- res e serventuários que o desrespeitam. nós os responsáveis por encontrar novas soluções
cente Pereira Júnior, Luís Cláudio da Silva Chaves, Márcio E eis onde reside o alerta. Uma sociedade para o problema, seremos nós a quebrar paradig-
Marçal Lopes, Marco Túlio Bosque, Maria Berenice Dias, sem advogado é uma sociedade sem direito. mas em busca de novos procedimentos, enfim,
Odete Batista Dias Almeida.
É o advogado que representa o cidadão pe- seremos nós que não nos cansaremos de clamar
Capa:
rante o Estado, na busca do direito violado. Para por mudanças, gestões públicas eficazes e capa-
Conselho Editorial e Eduardo Ribeiro o advogado não existe rico ou pobre, mas tão zes de propiciar uma Justiça rápida e eficaz.
somente CLIENTE, ao ponto de que, uma vez Enfim, hoje, nós advogados temos muito a co-
Fotos: contratado, assume para si a responsabilidade em memorar, mas temos muito mais para lutar, pois
Gleiner Mendonça Machado busca da liberdade e da defesa dos mais diver- enquanto houver desigualdade social, o advoga-
sos interesses. do não descansará e não se dará por realizado.
Diagramação: Com tão digna função pacificadora, merece o Parabéns a todos nós advogados.
Diagrama Studio • (34)3226-9937 advogado ser respeitado e elevado ao posto de efe-
Impressão: Gráfica Brasil
tivo defensor do Estado Democrático de Direito. Eliseu Marques de Oliveira
Quando se denigre a imagem do advogado, Presidente da 13ª Subseção da OAB/MG
Distribuição: Gratuita o que se denigre é na verdade a imagem do País.

Tiragem: 6 mil exemplares


O que se faz é colocar em risco a própria demo-
cracia, aliás, há que se relembrar de que a de-
Índice
mocracia que hoje usufruímos só foi possível em • Jurista Opina........................................p. 04
OAB IN FOCO: face de ardorosas batalhas judiciais e até mesmo • Artigos.................................................p. 05
As opiniões emitidas em artigos assinados são de inteira
responsabilidade dos seus autores e não refletem, pessoais de valorosos advogados como Evandro • OAB Entrevista ...................................p. 14
necessariamente, a posição deste veículo. Todos os Lins e Silva, Raimundo Cândido, dentre outros. • OAB....................................................p. 20
direitos reservados: proibida a reprodução total ou • Painel de Notícias................................p. 33
parcial, por qualquer meio ou processo. É preciso que a sociedade retome a consci-

AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 03
Jurista Opina
Confira a seguir qual é a opinião da Dra. Maria Precisa obedecer ao art. 4º da Lei de In-
trodução do Código Civil: o juiz decidirá.
Berenice Dias¹ sobre o tema-chave escolhido Mas o preconceito fala mais alto do
para esta edição: Preconceito. que a lei. Por medo de ser rotulado de ho-
mossexual, de ser ridicularizado por seus
pares, de comprometer a estabilidade da

Jurista Opina vida em sociedade, a tendência da grande


maioria dos magistrados é negar reconhe-
cimento às uniões homoafetivas. Socieda-
Preconceito. Não faz mal a ninguém? A estratificação da sociedade, no en- des de afeto são chamadas de sociedades
Pois é, tem uma frase que afirma: pre- tanto, traz reflexos outros, e bem perver- de fato, analogia que esconde a dificul-
conceito, não faz mal a ninguém! Achei sos. A perniciosa influência religiosa im- dade em visualizar o vínculo afetivo que
que era uma música e procurei no Goo- põe padrões de comportamento alinhados une os parceiros. E, sendo esses identifi-
gle. Como não encontrei, talvez não exis- aos seus dogmas, levando à exclusão tudo cados como sócios, são também excluí-
ta. Afinal, o que não está no Google não o que foge de seus preceitos marcada- dos do direito sucessório. Afinal, sócios
está no mundo! Mas encontrei nada me- mente conservadores. Para agradar o elei- não podem ser herdeiros. Assim, fortunas
nos do que cinco milhões de referências torado e garantir a reeleição, o legislador amealhadas ao longo de uma vida a dois
à palavra preconceito. E, ao navegar por produz regras jurídicas que preservam de- acabam em mãos de parentes distantes
alguns sites e blogs, todos os que se mani- terminadas estruturas, na tentativa de per- ou são declaradas como herança vacante.
festam, afirmam não ter preconceito con- petuar o que é aceito como certo pelos É chegada a hora de tomar consciên-
tra nada e nem contra alguém. segmentos majoritários. Com isso se dá a cia de que posturas discriminatórias, sem
Assim, até parece que preconceito não naturalização dos modelos postos. Consa- qualquer comprometimento com o resul-
existe. Ou será que não faz mal a ninguém? gra-se a mesmice do igual. tado ético na aplicação do Direito, geram
Porém, há um dado do qual ninguém A legislação, ao chancelar somente as enormes distorções.
duvida. Todos, absolutamente todos, em instituições abençoadas como sagradas, Tal ocorre toda vez que a venda do
alguma situação de vida já se sentiram gera enorme contingente de excluídos, preconceito encobre os olhos da Justiça. q
alvo de algum tipo de preconceito. Como condenando-os à invisibilidade. E não há
o modelo é o homem branco, bonito, alto nada que deixe alguém mais desprotegi-
e rico, qualquer um que foge do estereó- do do que ficar à margem do sistema ju-
tipo, por ser mais baixo; ter menos cabelo rídico. Tal é o que ocorre, por exemplo,
ou orelhas protuberantes; por ter uns qui- com os vínculos afetivos formados por
los a mais ou a pele com alguma cor; e até pessoas do mesmo sexo. Mesmo com o
só pelo fato de ser do sexo feminino ou ter nome de homoafetivas, as uniões homos-
orientação homossexual - todas essas ca- sexuais, por absoluto preconceito, não es-
racterísticas viram ponto de referência. Só tão expressamente abrigadas no conceito
eu sei a dor de ter ousado sonhar ser juíza de entidade familiar. No entanto, a falta
em uma época – nem tão distante assim, de previsão legal não permite alijá-las do
na década de setenta – em que julgar era âmbito do Direito das Famílias – nova ex-
uma missão exclusivamente masculina, ao pressão cunhada para evidenciar que a fa-
menos aqui no Sul do País. mília é mesmo plural.
Enfim, ninguém escapa. Ainda que a falta de lei não signifi-
Talvez por isso a Constituição Federal que ausência de direito, de forma ain-
seja enfática, e até repetitiva, ao proclamar da muito significativa, a tendência é
o princípio da igualdade como fundamen- reconhecer a impossibilidade jurí-
to de um Estado que se diz Democrático de dica das demandas que buscam
Direito. Nada mais do que um brado contra direitos não elencados expressa-
o preconceito. Afinal, se vivemos – e vive- mente na lei. Até parece que
mos – em um país livre, em que todos são não vigora o sistema inte-
iguais perante a lei, e têm garantido um pu- grativo, que veda o non li-
nhado de direitos e garantias fundamentais, quet. A determinação é de
não há como conviver com o tratamento que deve o juiz julgar, mes-
desigualitário, seja ele qual for. mo na ausência de norma legal.
1
Dra. Maria Berenice Dias hoje atua como advogada especializada em direito homoafetivo, famílias e
sucessões e Vice-Presidente Nacional do IBDFAM. Foi a primeira mulher a chegar ao cargo de Desem-
bargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

04 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
Artigo

O processo como meio de assegurar


os direitos e garantias fundamentais
O s direitos e garantias fundamentais do
cidadão podem ser encontrados ex-
pressamente no ordenamento jurídi-
co brasileiro desde a Constituição Política do Im-
pério, jurada em 25 de março de 1824, que os
É o conjunto ordenado de atos processuais que
visam à restauração da paz em cada caso con-
creto. Cabe distinguir entre processo e procedi-
mento. Este é a dinâmica do processo em ação, a
forma pela qual se desenrola o processo. Da mes-
contemplava em seus artigos 6º a 8º e no art. 179, ma maneira que, na investigação científica, ao se
aparecendo também em todas as outras Constitui- procurar a verdade, emprega-se, inevitavelmen-
ções, ao longo dos anos. Porém, nunca se presen- te, um método e, dentro deste, uma técnica, tam-
ciou uma evolução tão intensa na determinação bém o processo exige uma disposição metódica
dos mesmos quanto a que ocorreu na Constitui- de atos jurisdicionais. Enquanto o método vem a
ção de 1988, contudo, não se limitando tão so- ser o conjunto de etapas ordenadamente dispos-
mente ao texto quando de sua promulgação. tas, tendo-se em vista uma finalidade, o cumpri-
A atual Constituição trouxe, em seu Título II, mento de tais etapas pode ensejar várias técnicas.

Arquivo pessoal
os direitos e garantias fundamentais, subdividin- As etapas do método podem ser cumpridas de vá-
do-os em cinco capítulos. Dessa forma, foram rias formas, e cada uma destas consiste numa téc-
estabelecidas pelo legislador constituinte cinco nica. Pode-se afirmar, portanto, que o processo
espécies ao gênero, a saber, direitos e garantias seria o método e o procedimento, a técnica, vale
fundamentais, quais sejam: direitos e garantias in- dizer, a melhor maneira de se levar a cabo o dis-
dividuais e coletivos; direitos sociais; direitos de posto no processo.
nacionalidade; direitos políticos e direitos rela- Nesse âmbito, necessário se faz tecer uma re-
cionados à existência, organização e participa- lação entre o processo e os direitos fundamen-
ção em partidos políticos. tais, em ambas as suas dimensões, pois trata-se Dr. Cristiano
Assunção de
O conjunto institucionalizado de direitos e de um importante instrumento de concretização
Figueiredo -
garantias do ser humano, que tem por finalida- da Constituição, devendo estar de acordo com
Advogado
de básica o respeito a sua dignidade, por meio os direitos fundamentais em sua dimensão obje-
de sua proteção contra o arbítrio do poder esta- tiva e estar preparado para proteger sua dimen-
tal e o estabelecimento de condições mínimas são subjetiva.
de vida e desenvolvimento da personalidade hu- Na acepção objetiva, o processo deve estar
mana, pode ser definido como direitos humanos em conformidade com as normas de direito fun-
fundamentais. damental, devendo obedecer às normas consti-
Considerando-os um conjunto de faculdades tucionais. As leis processuais têm que observar
e instituições que, em cada momento histórico, as normas de direitos fundamentais. O processo,
concretizam as exigências da dignidade, da liber- consequentemente, tem que observar as regras e
dade e da igualdade humanas, as quais devem ser as obrigações determinadas pelas normas de di-
reconhecidas positivamente pelos ordenamentos reitos fundamentais.
jurídicos em nível nacional e internacional. Já na acepção subjetiva, o processo tem que
Mas o que fazer se um ou mais elementos des- ser adequado à tutela dos direitos fundamentais.
se conjunto forem violados? Há que se recorrer à É preciso que o mesmo proteja os direitos funda-
tutela jurisdicional do Estado, também chamado mentais, servindo bem a esse propósito. É sine
de direito ao processo, princípio unanimemen- qua non que o processo não dificulte, não seja
te adotado pelas Constituições democráticas, a um obstáculo à proteção de um direito funda-
exemplo do art. 5º, XXXV, da nossa Carta Mag- mental.
na: “A lei não excluirá da apreciação do Poder Ju- Assim, deve-se utilizar o processo para que se-
diciário lesão ou ameaça a direito”. jam assegurados os direitos e garantias fundamen-
Na definição de Acquaviva (2008), a forma tais, e, concomitantemente, verificar se o mesmo
pela qual se faz atuar a lei na solução dos confli- está em conformidade com as normas constitu-
tos ou na declaração dos direitos chama-se pro- cionais de direito fundamental, para que, dessa
cesso. O processo é o instrumento da jurisdição. forma, se dê a devida tutela jurisdicional. q
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 05
Artigo

Ativismo judicial: uma moderna

N o atual contexto jurídico, é importante


ressaltar que a nossa Corte maior vem
inovando no sentido de ampliar o po-
der discricionário do julgador, sempre em busca
da necessidade de conferir eficácia às garantias
típicas, lembrando que somente estas são consi-
deradas cláusulas pétreas.
Identificando a função típica, tem-se aquela
originariamente prevista como sendo primazia
do Órgão respectivo. Existem no ordenamento,
sociais previstas na Constituição Federal, valen- entretanto, algumas exceções ao Sistema de Se-
do-se, para tanto, da utilização dos princípios paração dos Poderes, o qual é mitigado pelo cha-
oriundos da hermenêutica constitucional. mado “Sistema de Freios e Contrapesos – Teo-
Fala-se no intitulado “ativismo judicial”, o ria do Check in Balance”, originário da doutrina
qual consiste na aplicação da norma jurisdicio- norte-americana.
nal com desempenho maior do magistrado, des- Neste contexto, tem-se a interferência autori-
Arquivo Pessoal

de que a questão em debate esteja relacionada a zada de um Poder no outro, no exercício de fun-
matérias voltadas às decisões sócio-políticas que ção atípica (subsidiária) de cada Órgão. Como
circundam os direitos e garantias fundamentais exemplos, citem-se os artigos da CF, a saber: 49,
do cidadão. V, onde o Congresso Nacional pode sustar atos
Considerando que o Supremo Tribunal Fede- do Executivo que extrapolem os poderes con-
ral (STF) atua como legislador negativo, ou seja, feridos na Lei delegada; o artigo 50, onde há a
possui como uma das suas funções precípuas convocação de Ministro para prestar depoimen-
Dra. Odete Batista retirar do mundo jurídico as normas considera- to na Câmara; o artigo 52, X, onde pode ocorrer
Dias Almeida das inconstitucionais - o que é feito por via de a suspensão, pelo Senado, da execução de lei
- Advogada julgamento no controle de constitucionalidade considerada inconstitucional; o artigo 56, com
especializada através da ADI (Ação Declaratória de Inconstitu- previsão de permissão para deputados e sena-
em Direito cionalidade), o ativismo judicial configura uma dores exercerem cargos no Executivo; o artigo
Comercial e Direito atuação positiva do STF, na forma de exceção e 62, que permite a edição de Medida Provisória
Processual Civil
devendo ser utilizado de forma regrada. pelo Presidente da República e, por fim, os arti-
pela Universidade
Hoje se pode dizer que os fundamentos da gos 59, IV e 68 (Lei delegada), segundo os quais
Federal de
Uberlândia/MG. nova jurisdição consistem na independência dos o Executivo poderá legislar mediante autoriza-
Professora Poderes, no controle de constitucionalidade e no ção do Legislativo.
universitária da ativismo judicial, não obstante a decisão con- As omissões legislativas, entretanto, podem
disciplina de tida na ADPF nº. 01 (Arguição de Descumpri- culminar no ativismo judicial, ou seja, numa atu-
Processo Civil. mento de Preceito Fundamental – também afe- ação do Judiciário de forma mais incisiva a fim de
Aprovada no 5º ta às ações de controle de constitucionalidade) determinar a eficácia do direito, ainda que referi-
Concurso para Juiz - ter delimitado a impossibilidade de interven- do direito seja dependente de complementação
Substituto do Estado ção do Poder Judiciário em questões meramen- legal, tudo em nome de se operacionalizarem
do Tocantins/2008 te políticas. as garantias fundamentais previstas na Constitui-
A separação dos Poderes constitui cláusula ção Federal.
pétrea em nosso ordenamento, existindo para O ativismo judicial é justificado da seguinte
preservar a desconcentração das atividades do maneira: patente é a vigência da independência
Estado e a função típica de cada Poder institu- dos Poderes, porém, a própria Constituição re-
ído. Assim, é certo que não cabe controle do trata a necessidade de que todos os Poderes se-
Judiciário quanto aos atos discricionários, ques- jam harmônicos entre si (vide artigo 2º da CF).
tões políticas (conforme dito acima) e atos inter- Deste modo e havendo franca omissão do Le-
na-corporis. gislativo, pelo fato de não editar a lei necessária
Como regra, prevalece a independência dos à implementação de determinado direito funda-
Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), mental previsto na Constituição, poderá o Judi-
preservada a harmonia entre estes, no entanto. ciário “interferir” e, ao aplicar o Direito no caso
Como independência entenda-se a autonomia na concreto, “legislar” objetivando o alcance da efe-
investidura e permanência, além da autonomia tividade.
funcional e administrativa que, por sua vez, con- Exemplo recente consistiu no julgamento do
siste na desconcentração das funções do Estado Mandado de Injunção 7.128, o qual dispôs so-
em Órgãos distintos para o exercício de funções bre o direito de greve dos servidores públicos.
06 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
tendência no STF
Entendendo o caso, temos que a Constituição Federal prevê o
direito de greve de todos os trabalhadores. O trabalhador ci-
vil possui a regulação do seu direito de greve descrito na Lei
7.783/89. O servidor público, em tese, NÃO podia fazer gre-
ve, pois o seu direito (estampado na Constituição) necessitava
de lei regulamentadora, a qual nunca foi editada pelo Poder
Executivo desde a promulgação da CF em 1988.
Inúmeros Mandados de Injunção (remédio proposto no STF
para o fim de identificar a falta de norma regulamentadora da
norma constitucional referente aos direitos fundamentais pre-
vistos na CF, inviabilizando a execução de um direito, de uma
liberdade ou de uma prerrogativa) foram propostos ao longo
de 20 anos de vigência da Constituição Federal, limitando-se
o STF a informar ao Legislativo a omissão identificada, qual
seja: a ausência de lei que regulamentasse o direito de gre-
ve do servidor público (adotando a Teoria Não-Concretista).
Entretanto, com a propositura do Mandado de Injunção de
nº. 7.128, insistindo para que o STF resolvesse a questão de
uma vez por todas diante da inércia do Poder Legislativo que
nunca criara a lei respectiva, resolveu o STF concretizar o di-
reito de greve do servidor público, conforme se denota do tre-
cho seguinte, a saber:
MI 7.128 - Decisão: O Tribunal, por maioria, nos termos
do voto do Relator, conheceu do Mandado de Injun-
ção e propôs a solução para a omissão legislativa com
a aplicação da Lei nº 7.783, de 28 de junho de 1989
(lei de greve para os trabalhadores na iniciativa priva-
da), no que couber, vencidos, parcialmente, os Senho-
res Ministros Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa
e Marco Aurélio, que limitavam a decisão à categoria
representada pelo sindicato e estabeleciam condições
específicas para o exercício das paralisações. Votou a
Presidente, Ministra Ellen Gracie. Não votou o Senhor
Ministro Menezes Direito por suceder ao Senhor Minis-
tro Sepúlveda Pertence, que proferiu voto anteriormen-
te. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Cár-
men Lúcia, com voto proferido em assentada anterior.
Plenário, 25.10.2007.
Assim e considerando a inércia do Legislativo - que perdura
por 20 anos, aproximadamente - no referido MI de nº. 7.128,
resolveu o STF “LEGISLAR”, atuando em função atípica (pois a
sua função típica é JULGAR), identificando, no corpo do Acór-
dão respectivo, todas as nuanças que devem reger a greve de
servidor público, por analogia à lei de greve dos servidores
civis - Lei de nº. 7.783/89 - e com as adaptações necessárias.
Desta vez, adotou a Teoria Concretista Geral, concedendo
o direito tanto àqueles que propuseram a ação quanto aos de-
mais na mesma situação (efeito erga-omnes). Referida Teoria,
salvo melhor juízo, é a que prevalece no ordenamento jurídi-
co atual, sendo o que ocorreu no Mandado de Injunção cita-
do. Isto é ATIVISMO JUDICIAL. q
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 07
Artigo

A responsabilidade civil da Anatel


de serviços

N
o passado, de maneira arcaica ou ainda des desenvolvidas para buscar o oferecimento
feudal, vigiava-se o princípio da irres- e funcionamento do serviço público com maior
ponsabilidade do Estado, no qual se en- eficiência.
tendia que, em nenhum caso, sob todo A concessão deve pautar-se nos moldes dos
e qualquer fundamento, o Estado deveria repa- artigos 21, inciso XI, e 175 da Carta Magna, e ain-
rar um prejuízo decorrente do serviço público, da pela lei específica 8.987/95 que, em seu arti-
derivado de ação ou omissão, sofrido por tercei- go 2º, inciso II determina “por sua conta e risco”,
ro. Imaginava-se ser o Estado a personificação da estabelecendo assim também sua responsabilida-
nação e, por isso, non suitability (não demandá- de. Segundo entende Diógenes Gasparini, desta
vel). Tempos mais tarde admite-se a sua respon- condição, decorre que as concessionárias de ser-
sabilidade, sendo adotadas teorias civilistas e na viços públicos respondem pelos compromissos
Arquivo pessoal

ideia da culpa, baseando-se em princípios do Di- assumidos, e pelos danos que vierem a causar a
reito Público. terceiro ou ao Poder Público. Assim, no entendi-
Notadamente, o serviço público, especial- mento de Maria Sylvia Zanella Di Pietro e Ruth
mente o de telecomunicações, mostra-se, des- Helena Pimentel, a própria pessoa jurídica de di-
de sua essência, de relevante e inédita discussão reito privado prestadora do serviço público res-
no mundo jurídico, na medida em que se colo- ponde diretamente por esses danos, nos moldes
cam em pauta, por intermédio dos cidadãos, Pro- da responsabilidade do Estado, conforme previs-
cons, TCU, MPs e MPFs, críticas e questionamen- to no artigo 37, § 6º da Constituição Federal.
tos atuais sobre o verdadeiro papel da Agência Diante da presença de responsabilização ci-
Reguladora da Presidência e os serviços de tele- vil e da necessidade de reparação dos danos, en-
Marco Túlio Bosque, comunicações prestados pelas concessionárias tende Orlando Soares que, ao falarmos juridica-
universitário - 9º de serviços públicos. mente sobre a responsabilidade civil, devemos


período de Direito
Para se configurar o dever de reparação,
seja na esfera moral, material ou ambas,
necessita-se que se configurem alguns requisitos,
quais sejam, ação ou omissão, dano e nexo
de causalidade, tendo em vista que não há

responsabilidade sem prejuízo advindo de dano

Diferentemente dos serviços comuns, presta- ter em mente a ideia de obrigação, encargo, de-
dos pelas empresas privadas ou pelos prestado- ver, compromisso, sanção, imposição. Assim, a
res autônomos, os serviços públicos prestados responsabilidade civil deve ser entendida por re-
pelas concessionárias devem submeter-se à su- paração de ordem econômica, que encontra ar-
premacia do interesse público, estando subordi- rimo no artigo 927 do Código Civil, seguido de
nados ao interesse coletivo; portanto, a um inte- seu parágrafo único.
resse maior que transcende qualquer interesse Para se configurar o dever de reparação, seja
individual. na esfera moral, material ou ambas, necessita-se
A ANATEL tem sua criação por meio da Lei que se configurem alguns requisitos, quais se-
9.472/97 que, dentre outras atribuições, deve jam, ação ou omissão, dano e nexo de causali-
atuar de forma a regular, fiscalizar e controlar o dade, tendo em vista que não há responsabilida-
serviço no regime da concessão, estabelecendo de sem prejuízo advindo de dano.
assim, normas de organização e funcionamen- A ação ou omissão surge quando um agente
to dos serviços de acordo com as necessidades procede voluntariamente e sua conduta impli-
coletivas, fiscalizando e controlando as ativida- ca ofensa ao direito alheio, demonstrada no ar-
08 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
Artigo

e das concessionárias prestadoras


de Telefonia


tigo 186 do atual Código Civil. O dano, Por sua vez, os atos comissivos dar-se-ão
por sua vez, é entendido como toda des- quando ocorrerem danos em decorrência
vantagem que experimentamos em nos-
sos bens jurídicos, como determina o ar-
do planejamento e do fomento,ou seja, quando
a ação contrariar o artigo 174 da Carta Magna.
tigo 5º inciso X da CRFB/88. Já o nexo
de causalidade é o liame lógico que une
a ação ou omissão do agente e o dano
desta conduta, sendo uma relação entre
a antijuridicidade da ação e o mal cau-
Assim, quando a ação causar, por exemplo,
abalo no equilíbrio econômico-financeiro
de terceiro, causa-se dano, incidindo-se a

sado, demonstrando que, sem este fato, necessidade de sua reparação
o dano não ocorreria.
A responsabilidade civil pode se dar te pelos danos causados pelas empresas
por meio de atos omissivos e comissi- concessionárias de serviços públicos,
vos. Dar-se-ão os atos omissivos quan- em razão da falha da Administração na
do, constituindo uma obrigação própria escolha da concessionária ou na fiscali-
do Poder Concedente, este se omite, de- zação de suas atividades. Neste sentido,
monstrando-se a ausência de fiscaliza- Ruth Helena Pimentel acolhe a respon-
Bibliografia citada e consultada:
ção; assim, o Código Civil, em seu arti- sabilidade direta e solidária, pois, tanto CAHALI, Yussef Said. Responsabilidade Civil do
go 43, determina sua responsabilidade. o Poder Concedente quanto o ente con- Estado. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 1995, pág.
151.
Por sua vez, os atos comissivos dar-se- cessionário contribuíram para a ocorrên-
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Parecerias na
ão quando ocorrerem danos em decor- cia do evento danoso. Sendo assim, são Administração Pública: concessão, permissão,
rência do planejamento e do fomento, corresponsáveis, porque são devedores franquia, terceirização e outras formas. 3ª ed. São
Paulo: Atlas, 1999, pág. 88 – 89.
ou seja, quando a ação contrariar o ar- da mesma relação obrigacional perante DIÓGENES, Gasparini. Direito Administrativo. 5ª
tigo 174 da Carta Magna. Assim, quan- os usuários e terceiros. Se não existisse ed. São Paulo: Saraiva, 2000, pág. 302.
do a ação causar, por exemplo, abalo no solidariedade, a presença das obrigações KELSEN, Hans. Teoria Geral do Direito e do Esta-
do. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
equilíbrio econômico-financeiro de ter- de fiscalização para o Poder Concedente OLIVEIRA, Ruth Helena Pimentel. Entidades Pres-
ceiro, causa-se dano, incidindo-se a ne- e o correspondente encargo do conces- tadoras de Serviços Públicos e Responsabilidade
Extracontratual. São Paulo: Atlas, 2003, págs. 205,
cessidade de sua reparação. sionário tornar-se-iam irrelevantes, desti- 213 e 214.
Eis que, para a reparação civil, a dou- tuídos de qualquer valor jurídico. SOARES, Orlando. Responsabilidade Civil no
trina tem discutido se existe responsa- Mostra-se assim, para a doutrina do- Direito Brasileiro: teoria, prática forense e juris-
prudência. 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999,
bilidade solidária do Estado, ou tão so- minante, a presença da responsabilida- pág. 09.
mente subsidiaria da concessionária de civil direta e solidária entre o Poder
do serviço de telefonia em detrimen- Concedente e o ente concessionário na
to de um terceiro prejudicado. Yussef reparação do dano existente, seja ele de-
Said Cahali entende que o Poder Públi- corrente de ato omissivo, comissivo ou
co Concedente responde objetivamen- antijurídico. q

AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 09
Artigo

A Súmula 381 do STJ e o CDC

H
á uma relação de clara repugnância en- qualquer momento, e o próprio ativismo judicial
tre o teor da recente Súmula 381 edita- previsto em várias passagens da lei adjetiva, como
da pelo STJ e a lei consumerista, mais nos arts. 130 e 131 do CPC.
especificamente em relação ao trato da Veja-se, ainda, que o CDC tem como um de
proteção contratual; isso porque uma interpretação seus sustentáculos a manutenção da ordem públi-
apressada da súmula em questão acabaria por con- ca e o interesse social, características que alcançam
cluir pela relativização ou mesmo “revogação” do toda a extensão da norma, incluindo, por óbvio, o
Art. 51, IV do Código de Defesa do Consumidor. capítulo tratante da proteção contratual.
É que, enquanto o texto legal decreta, inconti- O art. 112, parágrafo único, da norma proces-
nenti, a “nulidade de pleno direito de cláusulas re- sual é outro clássico exemplo de reconhecimento
lativas ao fornecimento de produtos e serviços que de nulidade ex oficio pelo juiz de cláusulas inse-
estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abu- ridas em contratos de adesão, tipicamente utiliza-
sivas, que coloquem o consumidor em desvanta- dos nas relações de consumo, mormente pelas ins-
gem exagerada, ou que sejam incompatíveis com tituições financeiras.
a boa-fé ou a equidade”, a Súmula 381 do STJ per- Neste árduo contexto, cumpre salientar que, em
corre mão inversa, afirmando que “nos contratos regra, as decisões judiciais fazem coisa julgada so-
bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofí- mente em relação ao que foi requerido pelo de-
cio, da abusividade das cláusulas”. mandante, nos termos do que bem informam os
Fica a questão: o prestígio à súmula sob comen- arts. 268 e 269 do CPC, não fazendo lei entre as
to afasta a aplicação do texto protetor das relações partes os motivos e a verdade dos fatos sobre os
de consumo? quais se fundaram a sentença.
Arquivo pessoal

A despeito das inúmeras críticas sofridas pelo De outro norte, há questões que não somente
enunciado do STJ, várias delas no sentido de que a serão conhecidas, como também decididas pelo
Súmula 381 padece de inconstitucionalidade, en- juiz, as quais compõem o objeto do litígio e so-
xerga-se uma possibilidade de convivência pacífica bre as quais incidirão os efeitos reais da coisa jul-
(ou quase) entre as duas prescrições, sem se perder gada, em observação ao princípio da congruência,
de vista a verdade de que a redação da presente sú- consistente no pressuposto de que a sentença deve
mula, de fato, foi pessimamente elaborada. estar estritamente relacionada ao pedido da parte,
Outrossim, antes de passarmos à anunciada so- não podendo haver julgado sem efetiva "ponte"
lução para referida convivência pacífica, observe- com o pedido (arts. 128 e 460 do CPC).
Dr. Márcio Marçal se a literal teratologia criada pelo STJ: na medida A relevância do mencionado princípio, além


Lopes - Advogado
especialista em Ora, a questão acaba passando por institutos consagrados
Direito Processual
tanto em Direito Processual, quanto em Direito Material como,
Civil e em Direito
Público. Professor
universitário
por exemplo, o regime das nulidades absolutas, decretáveis
de ofício e a qualquer momento, e o próprio ativismo judicial
previsto em várias passagens da lei adjetiva, como

nos arts. 130 e 131 do CPC
em que a súmula veda o reconhecimento de ofício de conceder objetividade em relação ao objeto do
pelo juiz da abusividade de cláusulas bancárias, ela processo a ser alcançado, decorre também do es-
própria acaba reconhecendo a existência da mes- treito vínculo havido entre o mesmo e o próprio
ma; trocando em miúdos: não se negam os abusos contraditório. Conforme preleciona José dos San-
reiteradamente cometidos pelos bancos, pelo con- tos Bedaque, “a finalidade de não se poderem obter
trário, admitem-se os mesmos, mas sem declará- pretensões não submetidas ao debate é evitar que a
los judicialmente. parte se encontre surpreendida e veja desrespeita-
Ora, a questão acaba passando por institutos do o seu direito ao contraditório e à ampla defesa”.
consagrados tanto em Direito Processual, quanto Retornando ao tema proposto, e dentro dos
em Direito Material como, por exemplo, o regime conceitos expostos, cumpre anotar que ambos os
das nulidades absolutas, decretáveis de ofício e a dispositivos, Súmula 381 do STJ e normas proteti-
10 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
vas dos contratos de consumo, podem convi-
ver paralelamente na medida em que ao Judi-
ciário vedou-se a decretação de nulidade das
cláusulas abusivas inseridas nos contratos ban-
cários, sem qual tal proibição iniba o magistra-
do de motivar sua decisão justamente na abu-
sividades das mesmas cláusulas.
Entrementes, para fins de coisa julgada,
prevalece a literalidade da súmula, a qual cor-
retamente reprime a equivocada prática de de-
cisão principaliter tantum sobre questões não
efetivamente requeridas pelo demandante; é
o que tão somente reprime a súmula. Dou-
tro lado, entender-se que ao juiz restou veda-
da a possibilidade de ao menos conhecer (e
não definir) acerca da abusividade de cláusu-
las bancárias, as quais estão submetidas a um
regime jurídico tratante de interesse público
e social, seria ir contra um sem número de
normas e princípios esparramados pelos Di-
reitos Consumerista, Civil, Processual e, por
fim, Constitucional.
A presente análise ganha importância con-
forme é aplicado referido raciocínio aos mi-
lhares de casos concretos alcançados pelo teor
da súmula. Ora, o conhecimento de cláusu-
las abusivas ex officio levadas ao magistrado
no bojo de uma lide processual não apenas
permanece autorizado, como também pode
e deve servir em maior ou menor grau de sus-
tentáculo para a boa prestação do serviço ju-
risdicional; in casu, a análise é incidenter tan-
tum.
Na melhor doutrina processual, tal conhe-
cimento não fará coisa julgada, podendo ser
referidas cláusulas amplamente debatidas em
outros processos de mesmas partes ou partes
distintas.
Entretanto, a decisão e a declaração em
dispositivo sentencial da nulidade de cláusu-
las bancárias e a inteira retirada das respecti-
vas eficácias, estas sim, ficam vinculadas ao re-
querimento expresso do consumidor, quem,
como consequência da súmula, deverá ado-
tar conduta bastante mais cuidadosa e pausa-
da ao invocar o Estado-Juiz.
Por fim, permanece nosso pensamento de
que a redação da Súmula 381 do STJ é de
questionável redação, a qual deve ser revisa- Descontos Especiais para advogados
da com urgência, a fim de que a irritante con- CENTER SHOPPING – Loja 16
fusão gerada no meio jurídico seja firmemen- UBERLÂNDIA-MG
te sanada, bem como afastadas a insegurança Fone: (34)3214-0732
jurídica e a incômoda sensação de que a es-
trondosa influência e poderio dos bancos são
inarredáveis. q
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 11
Artigo

Capacidade contributiva
Uma análise do Recurso

O
princípio da capacidade contributi- cionalidade e personalização.
va, consectário da ideia de justiça fis- A instrumentalização do subprincípio da pro-
cal, originou-se da transição do pa- gressividade pode encontrar óbice na classificação
trimonialismo para o capitalismo. dos impostos em: reais e pessoais. Neste sentido,
Segundo Godoi (1999), fundamentou-se nas te- a jurisprudência dos Tribunais brasileiros sustenta
orias do benefício (século XVIII), depois na teo- que os impostos reais não se submetem ao princí-
ria do sacrifício (século XIX) e, por fim, no sécu- pio da capacidade contributiva, sobretudo o sub-
lo XX, firmou-se no princípio da solidariedade. princípio da progressividade. Assim sendo, os
Adam Smith foi quem articulou o princípio da ca- impostos incidentes sobre a propriedade imobili-
pacidade contributiva. ária (IPTU1, ITR), transferências causa mortis, do-
No Brasil, os antecedentes do princípio da ca- ação de quaisquer bens ou direitos (ITCD), e ain-
pacidade contributiva informam que o seu ingres- da, alienações onerosas realizadas inter vivos de
so no ordenamento jurídico ocorreu no início do bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de
século passado com a constituição do “Estado Fis- direitos reais sobre imóveis (ITBI/inter vivos), sal-
Arquivo pessoal

cal [...], cabendo ao Visconde de Cairu captar os vo para cumprir com a extrafiscalidade, não po-
princípios lançados na obra de Adam Smith. Hi- dem estabelecer alíquotas progressivas.
bernou longamente ao depois, pela nossa voca- Esse entendimento poderá ser alterado a partir
ção para o positivismo. Ressurgiu explicitamen- da conclusão do julgamento do Recurso Extraordi-
te na Constituição de 1946.” (TORRES, 2008, p. nário nº RE 562.045 interposto pelo Estado do Rio
93). Foi suprimido das cartas políticas durante o Grande do Sul, onde se alega violação dos artigos
regime da ditadura militar (1967/1969), retornan- 145, § 1º e 155, § 1º, IV, todos da Constituição
do na Constituição Federal de 1988, no seu arti- Federal de 1988, em que se discute a constitucio-
go 145, § 1º. nalidade do art. 18 da Lei Estadual 8.821/89, que


Dr. Jadir Vicente
Pereira Júnior A instrumentalização do subprincípio da progressividade
- Advogado.
Bacharel em pode encontrar óbice na classificação dos impostos em:
Direito pela
PUC Minas.
Especializando em
Direito Tributário
reais e pessoais. Neste sentido,a jurisprudência dos
Tribunais brasileiros sustenta que os impostos reais
não se submetem ao princípio da capacidade contributiva,

pelo Instituto sobretudo o subprincípio da progressividade
de Educação
Continuada
da Pontifícia
Universidade O princípio da capacidade contributiva privi- prevê sistema progressivo de alíquotas do impos-
Católica de Minas legia a aptidão do sujeito passivo da obrigação tri- to sobre a transmissão causa mortis e doação, de
Gerais, campus butária de adimplir os tributos. Cuida-se de aferir quaisquer bens e direitos (ITCD).
Arcos. Membro do qual contribuinte tem condições de adimplir um O Ministro do Supremo do Tribunal Fede-
Instituto de Estudos tributo com alíquotas maiores e identificar o con- ral, Ricardo Lewandowski, relator do processo,
Fiscais tribuinte que não está em condições de custear desproveu o recurso extraordinário por admitir
as atividades estatais pagando um tributo com alí- que o ITCD, não obstante constituir “instrumen-
quotas onerosas. Analisam-se caracteres pessoais to para a obtenção de efeitos extrafiscais” (BRASÍ-
como o volume do patrimônio, rendimentos e ati- LIA, 2008a), é tido como real. Assim sendo, não
vidades econômicas do contribuinte para adequa- é aplicável a progressividade das alíquotas por au-
ção da alíquota do tributo ao seu perfil. sência de previsão constitucional e afronta ao prin-
O princípio da capacidade contributiva tem a cípio da capacidade econômica do sujeito passivo
sua concretização aumentada através dos subprin-
cípios da progressividade, da seletividade, propor- 1 STF. Recurso Extraordinário nº. 153.771/MG.

12 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
Artigo

nos impostos reais:


Extraordinário n° 562.045/RS
da obrigação tributária. Em resumo, sus- É possível notar que os votos dos Mi-
tentou que “a vedação da progressivida- nistros do Supremo Tribunal Federal, Eros
de dos impostos de natureza real, cons- Grau, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e
Referências:
tante do art. 145, § 1º, da CF, ao lado Menezes Direito, proferidos no julgamen-
ALMEIDA, Ricardo. A responsabilidade tributá-
dos princípios da legalidade, da irretro- to do Recurso Extraordinário 562.045/Rio ria de terceiros. Revista Internacional de Direito
atividade, da anterioridade, da isonomia Grande do Sul representam uma revolu- Tributário, Belo Horizonte, v. 8, jul./dez. 2007.
BALEEIRO, Aliomar. Direito tributário. At. Mi-
e da proibição do confisco, configura ga- ção do entendimento sobre a aplicação sabel Abreu Machado Derzi. Rio de Janeiro:
rantia constitucional e direito individual do princípio da capacidade contributiva Forense, 2004.
do contribuinte, que não podem ser afas- (sobretudo o subprincípio da progressivi- BRASIL. Constituição (1988). Constituição da
República Federativa do Brasil. 6. ed. São Pau-
tados por lei ordinária estadual.” (BRASÍ- dade) aos impostos reais, adotado desde lo: Editora Revista dos Tribunais, 2006.
LIA, 2008a). sua introdução na Constituição Federal BRASÍLIA. Informativo do Supremo Tribunal


Federal nº. 510. Brasília, 9-13 jun. 2008 (a).
Tão grande é a relevância deste assunto que os BRASÍLIA. Informativo do Supremo Tribunal
Federal nº. 520. Brasília, 15-19 set. 2008 (b).
próprios Ministros do Supremo Tribunal Federal, CANTO, Gilberto de Ulhôa. Capacidade con-
em 01 de fevereiro de 2008, no Tribunal Pleno, tributiva. Caderno de pesquisas tributárias. São
Paulo, n. 14, p. 01-32, 1989.
pronunciaram a repercussão geral da questão da
possibilidade da fixação de alíquotas progressivas
para o imposto incidente sobre a transmissão
causa mortis e doação, de quaisquer bens e
“ CARRAZZA, Elizabethe Nazar. IPTU e Progres-
sividade, Igualdade e Capacidade Contributiva.
Curitiba: Juruá, 1992.
COÊLHO, Sacha Calon Navarro. Curso de di-
reito tributário brasileiro. Rio de Janeiro, 2006.
CONTI, José Maurício. Princípios tributários da
direitos (ITCD) capacidade contributiva e da progressividade.
São Paulo: Dialética, 1996.
Lado outro, o Ministro Eros Grau sus- de 1988, quiçá, na Constituição de 1946. COSTA, Regina Helena. Princípio da Capacida-
citou divergência, sendo acompanhado Tão grande é a relevância deste assun- de Contributiva. São Paulo: Malheiros, 1993.
GALUPPO, Marcelo Campos. Da ideia à defe-
pelos Ministros Menezes Direito, Cármen to que os próprios Ministros do Supremo sa: monografias e teses jurídicas. Belo Horizon-
Lúcia e Joaquim Barbosa, dando provi- Tribunal Federal, em 01 de fevereiro de te: Mandamentos, 2003. 224p.
mento ao mencionado recurso para de- 2008, no Tribunal Pleno, pronunciaram a GODOI, Marciano Seabra de. Justiça, igual-
dade e direito tributário. São Paulo: Dialética,
clarar a constitucionalidade do artigo 18 repercussão geral da questão da possibili- 1999. p. 173-248.
da Lei 8.821/89, do Estado do Rio Gran- dade da fixação de alíquotas progressivas LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de
Andrade. Metodologia científica. 4. ed. São
de do Sul. Para Eros Grau (2008b), a com- para o imposto incidente sobre a trans- Paulo: Atlas, 2004. p. 253-283.
preensão de inconstitucionalidade da missão causa mortis e doação, de quais- MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao
progressividade do ITCD advém da con- quer bens e direitos (ITCD). código tributário nacional. Vol. II. São Paulo:
Atlas, 2004.
jetura de que a disposição contida no pa- A mudança na compreensão dos prin- MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao
rágrafo 1º do artigo 145 da Constituição cípios afetará o entendimento e a impor- código tributário nacional. Vol. III. São Paulo:
Atlas, 2005.
Federal é aplicada exclusivamente para tância doutrinária da classificação dos
MARTINS, Ives Gandra da Silva. Capacidade
os impostos de caráter pessoal. Enten- impostos e mudará o rumo das decisões econômica e capacidade contributiva. Cader-
de que “todos os impostos estão sujeitos judiciais acerca da (im)possibilidade da no de pesquisas tributárias. São Paulo, n. 14,
p. 33-90, 1989.
ao princípio da capacidade contributiva, progressividade dos impostos reais, além MURPHY, Liam; NAGEL, Thomas. O mito da
mesmo os que não tenham caráter pesso- de “afetar a situação econômica de um propriedade. 1ª ed. São Paulo: Martins Fon-
tes, 2005.
al, e que o que esse dispositivo estabelece contingente incontável de contribuintes e
OLIVEIRA, José Márcio Domingos de. Capaci-
é que os impostos, sempre que possível, estabelecer tese relevante quanto aos as- dade Contributiva: conteúdo e eficácia do prin-
deverão ter caráter pessoal.” (BRASÍLIA, pectos jurídicos do tributos em questão, cípio. Rio de Janeiro: Renovar, 1988.
Padrão PUC Minas de normalização: normas
2008b). Por fim, acrescenta que, quanto inclusive em relação aos demais Estados da ABNT para apresentação de projetos de
ao ITCD, por ser imposto direto, é possí- da Federação [...].” (BRASÍLIA, 2008b). pesquisa. Elaboração Helenice Rêgo dos San-
tos Cunha. Belo Horizonte: PUC Minas, ago.
vel aferir a aptidão contributiva do sujei- 2008. 48 p.
to passivo, pois “a sua incidência pode- OBS: A integralidade deste artigo REALE, Miguel. Lições preliminares de direito.
rá expressar, em diversas circunstâncias, (com 26 páginas) poderá ser solicitada 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
pelos e-mails: jadir.vicente@hotmail.com TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito finan-
progressividade ou regressividade direta.” ceiro e tributário. 15 ed. Rio de Janeiro: Reno-
(BRASÍLIA, 2008b). ou oab.jornal@triang.com.br var, 2008.

AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 13
OAB Entrevista

Doutor Lênio Luiz Streck


Por Claudia Zardo
OAB IN FOCO - No que tange à prias glosas feitas pelo Tribunal de Con-
recente polêmica das passagens áreas tas da União apenas apontam para os
utilizadas por alguns membros do Con- utentes que usufruíram das benesses

D
r. Lênio Luiz Streck é gresso para dar certos privilégios a pa- “fora das autorizações legais” (sic). Isso
mestre e doutor em Di- rentes e afins, o sr. defende que basta- ocorre em diversos setores governamen-
reito pela Universidade ria a boa vontade do Procurador Geral tais, como, por exemplo, o caso de uma
Federal de Santa Catari- da República para que o caso fosse so- empresa estatal que concedeu auxílio a
na e pós-doutor pela Universidade lucionado. Em sua opinião, como po- uma ONG para “organizar festas juni-
de Lisboa. Professor universitário deria tal autoridade, e considerando as nas” em 26 municípios da Bahia no va-
no Brasil e visitante de Universida- opções jurídicas, ter solucionado o pro- lor de um milhão e quatrocentos mil re-
des no exterior; Procurador de Jus- blema? ais, sendo que o dirigente da aludida
tiça do Rio Grande do Sul e Pre- Dr. Lênio L. Streck - Para introdu- organização não governamental longe
sidente de Honra do Instituto de zir essa resposta – e peço sua paciên- está de ser alguém “não governamen-
Hermenêutica Jurídica. Por ocasião cia -, é necessário examinar as virtudes tal” (sic). Ou as generosas doações fei-
do III Congresso Mundial de Direi- soberanas que subjazem ao texto cons- tas por empresas do Estado para desfiles
to Público – Olinda (PE), o jusfiló- titucional e à densa principiologia que de carnaval, ao mesmo tempo em que
sofo concedeu entrevista na qual sustenta nossa Constituição: o Brasil é pessoas, afetadas pela dengue, são sub-
faz reflexões com base na Herme- uma República que visa a erradicar a metidas às mais vis humilhações, como,
nêutica Filosófica e Jurídica, orien- pobreza, garantir a justa distribuição de por exemplo, tomar soro em pé, porque
ta sobre o Diálogo das Fontes do riqueza, diminuir as desigualdades so- não há sequer uma maca para o utente
Direito e analisa alguns problemas ciais e regionais, promover os “valo- do SUS (a banalização dos privilégios
vivenciados na atualidade do Direi- res” éticos por intermédio dos meios de estamentais vai do pagamento de passa-
to, entre outros que suscitam ques- comunicação (concessão pública), evi- gens aéreas aos familiares dos parlamen-
tionamentos frente e junto a outros tar discriminações, etc. Portanto, isso tares até aos amigos dos edis - parentes,
setores da sociedade contemporâ- quer dizer que cada regra ou preceito sogras, artistas, etc). Veja-se: até empre-
nea. Confira a seguir. não pode se colocar na contramão des- gadas domésticas são pagas, “dentro
se objetivo, digamos assim, virtuoso, das regras estatutárias”, pelos gabinetes
constante na Constituição. É fácil con- parlamentares). A questão é saber se as
cluir que não queremos uma República virtudes soberanas previstas na Consti-
em que a “malandragem” seja a regra tuição “suportam” essa “legalidade”. Pa-
e que achemos absolutamente normal rece evidente que todos esses ab-usos
(e por que não, legal - sic) o aproveita- (note a sutileza da partícula ab) não re-
mento das benesses originárias do es- sistem ou não resistiriam a uma análi-
paço público, dando razão assim àqui- se constitucional. Todos sabemos que a
lo que Raimundo Faoro denunciava de Administração só pode fazer o que está
há muito: o Brasil é ainda, em muitos as- previsto na lei. O particular pode se dar
pectos, pré-moderno, isto é, uma socie- ao luxo de fazer o que não está proibi-
dade sustentada nos estamentos e nos do. Mas a autoridade, não. Isso é óbvio.
privilégios daí decorrentes. Nesse sen- Um estudante de primeiro ano da pior
tido, não podem escapar da crítica os faculdade de Direito sabe disso. O que
episódios que envolvem parlamentares quero dizer é que uma análise dessas
(deputados e senadores) que utilizaram questões que se arrastam de há muito no
suas cotas de passagens aéreas para le- Parlamento (os tais ab-usos) não resisti-
var familiares e amigos, a maioria em riam a cinco minutos de efetivo Direi-
caras passagens em classe executiva, a to Constitucional-Administrativo. Mais:
passeios nos Estados Unidos e Europa. mesmo que esses ab-usos venham ago-
Quais foram os argumentos de todos os ra travestidos de legalidade, continuam
utentes desses privilégios? Fizeram tudo inconstitucionais (lembremos, no míni-
de acordo com a legislação (leis, decre- mo, no princípio da moralidade). Como
tos, portarias, etc), foi a resposta. As pró- diz Shakespeare, em Romeu e Julieta:
14 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
OAB Entrevista
“a rosa continua sendo uma rosa, mes- tado coloca à disposição do utente um princípio vale sempre? Ou só “quando
mo que lhe troquem o nome”. Era isso defensor público, que entrará em juízo interessa”? Já outro Tribunal utilizou o
o que queria dizer quando falei da in- requerendo que o Judiciário determine mesmo princípio para soltar um acusa-
tervenção do Ministério Público para re- que o Estado entregue remédios ou con- do. Isso não é Woodstock? E o que di-
solver o problema. Cada leitor poderá ceda o leito hospitalar. Só que democra- zer do princípio da delação impositiva?
refletir sobre isso a partir dessa minha cia não se faz tão somente com acesso à Ou do dedutível? Ou da alteridade? E o
longa resposta. Justiça. No andar da carruagem, haverá princípio (sic) da “reserva do impossí-
um momento em que os juízes determi- vel”? Ou da “continuidade do Estado”?
OAB IN FOCO - O sr. poderia dei- narão e o Poder Executivo não mais obe- Eu nem sabia que o Estado estava por
xar claro para os leitores qual é a de- decerá. E, então, o que faremos? Não acabar... Que tal o “princípio da mode-
finição mais exata e qual é a diferença seria melhor se pensássemos na demo- ração”? Ou da rotatividade? No fundo,
entre judicialização da política e ati- cracia como organização social com po- acabamos por inverter o sentido da de-
vismo judicial; completando, por gen- líticas públicas, prestigiamento do Par- mocracia representativa em nome dela
tileza, ao final de sua explicação, em lamento, discussões orçamentárias, para mesma. Mas, uma observação: a culpa
qual dos dois conceitos se encaixa o evitar que “tudo acabe no Judiciário”? não pode ser debitada aos juristas-pro-
atual momento político e jurídico do É por isso que falo de uma espécie de tagonistas desses fenômenos. Os juízes
Brasil? “Woodstock” tardio no Direito. O Judi- não podem ser “crucificados” por isso.
Dr. Lênio L. Streck - Judicialização é ciário seria esse “lugar” da “nova socie- Penso que o problema é de cunho pa-
contingencial. Num país como o Brasil, dade”, com apostas em ativismos por radigmático. Passados vinte anos, avan-
é até mesmo inexorável que aconteça vezes inconsequentes, como por exem- çamos muito. Mormente no campo da
essa judicialização (e até em demasia). plo, decisões que autorizam alunos de jurisdição constitucional. Mas ainda te-
Mas não se pode confundir aquilo que cursos de Medicina a não dissecarem mos muito a fazer. Mas isso é também
é próprio de um sistema como o nos- animais na disciplina de Anatomia (se assunto para outra entrevista.
so (Constituição analítica, falta de po- a moda pega, logo haverá liminares ga-
líticas públicas e amplo acesso à Justi- rantindo aos alunos da faculdade de Di- OAB IN FOCO - Na mesma pales-
ça) com o que se chama de ativismo. reito a não cursarem Filosofia, Direito tra o sr. pontuou os momentos que re-
O que é ativismo? É quando os juízes Constitucional, etc). Há decisões que volucionaram o Direito. De fato revo-
substituem os juízos do legislador e da determinam o Estado a instalar eletrodo luções são necessárias, quando existe
Constituição por seus juízos próprios, contra calvície, como se existisse um di- uma crise. Em sua opinião, qual é a atu-
subjetivos ou, mais que subjetivos, sub- reito fundamental a não ser calvo, e as- al crise e em termos de projeção futura
jetivistas (solipsistas). No Brasil, esse ati- sim por diante. Por isso me vem a ima- qual seria o próximo “turning point” na
vismo está baseado em um catálogo in- gem do “Woodstock” ou do Cinema história do Direito? Ou seja, se há uma
terminável de “princípios”, em que cada Novo...! Às vezes penso que vivemos crise neste momento, provavelmente,


ativista (intérprete em geral) inventa um
princípio novo. Na verdade, parte con-
siderável de nossa judicialização perde- Cidadania não é simplesmente ter acesso à
se no emaranhado de ativismos. Justiça. Não podemos e não devemos enganar
as pessoas, dizendo-lhes que basta ter um
OAB IN FOCO - Em palestra realiza-
advogado para ingressar em juízo e, assim, seu
da durante o III Congresso Mundial de
Direito Público o sr. lançou uma expres-
são sobre o Direito. Quando o sr. diz que
o “Direito não é um Woodstock”, em que
sentido a frase serve para ilustrar o atual
problema estará resolvido. Isso até se torna
“cômodo”, por assim dizer, principalmente
para o Poder Executivo

momento do Direito nacional?
Dr. Lênio L. Streck - Cidadania não
é simplesmente ter acesso à Justiça. Não isso. Cada juiz acaba virando “execu- haverá, por uma questão de análise da
podemos e não devemos enganar as tor de políticas públicas” ou se trans- Sociologia de Massa, a aglomeração de
pessoas, dizendo-lhes que basta ter um forma no dono da Constituição, inven- um anseio por uma revolução, a qual se
advogado para ingressar em juízo e, as- tando literalmente princípios que nem espera que traga consigo uma solução
sim, seu problema estará resolvido. Isso de longe possuem guarida constitucio- para a crise. Nesse contexto, e em sua
até se torna “cômodo”, por assim dizer, nal. Outro dia li uma decisão fantástica: opinião, o que deveria ser revoluciona-
principalmente para o Poder Executivo. para manter um sujeito preso, um Tribu- do no Direito?
Veja: ao invés de fazer políticas públicas nal inventou na hora um princípio: o da Dr. Lênio L. Streck - Duas revolu-
para dar acesso à saúde para todos, o Es- confiança no juiz da causa. Mas, esse ções, que chamo de copernicanas, atra-
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 15
OAB Entrevista
vessaram o Direito no século XX. A pri- classicamente possui três característi- são e de acordo com a expressão usada
meira foi a do novo constitucionalismo, cas: as fontes sociais, a separação entre pelo sr. em palestra, o que seriam “os
questão que chegou tarde ao Brasil (30, Direito e moral e a discricionariedade predadores externos e internos e que
40 anos depois da Europa). A segunda nas decisões dos casos difíceis. Como hoje fragilizam o Direito”?
foi a da interpretação, isto é, nosso pro- sou um pós-positivista, tenho convic- Dr. Lênio L. Streck - Os predadores
cesso de compreensão passou por aqui- ção de que, primeiro, as fontes sociais externos são a moral, a política e a aná-
lo que denominamos de “giro-linguís- são superadas pelo caráter prospecti- lise econômica do Direito. Veja-se, por
tico-ontológico”. Portanto, não mais vo da Constituição; segundo, a moral exemplo, o equívoco de se pensar que
falamos em subsunções dos fatos à lei, agora está institucionalizada no Direi- a moral pode corrigir o Direito, para fi-
etc. Agora temos os princípios, para di- to (portanto, ela não corrige o Direito) car apenas neste detalhe. Os predado-
zer o mínimo. Penso que surge ou sur- e, terceiro, os juízes não possuem dis- res internos (endógenos) são inúmeros,
girá uma nova revolução – será a tercei- cricionariedade. Discricionariedade e como, por exemplo: a) o panprincipio-
ra – consequência da má compreensão positivismo são irmãos siameses. Para logismo (o que eu chamo de bolha es-
dessas duas primeiras. Ou seja, errone- compreender esse complexo problema, peculativa dos princípios – veja-se: se
amente pensamos que a “era dos princí- permito-me remeter os leitores para o falta uma lei ou se a Constituição “não
pios” fosse a “era da abertura” interpre- meu Verdade e Consenso, especialmen- serve aos propósitos do intérprete”, cria-
tativa. Isso é o que gerou uma espécie te a 3ª edição. se um princípio), b) a discricionarieda-
de “caos no sistema”, quase que um re- de (que acaba quase sempre virando
torno à “escola do Direito livre”. Resul- OAB IN FOCO - Em sua opinião, arbitrariedade e voluntarismo interpre-
tado: o “sistema” deu uma resposta for- quais são os três grandes obstáculos tativo), c) a relativização da coisa julga-
te, dura, através do instituto das súmulas para a construção da Teoria das Fon- da e d) os embargos declaratórios. Cla-
vinculantes e da repercussão geral. Qual tes e que estão levando à ruptura para- ro que estou simplificando aqui. Essa é
é a “terceira revolução”? A que trata de digmática do Sistema? uma questão complexa, que analiso em
uma teoria da decisão, isto é, uma teoria Dr. Lênio L. Streck - Na verdade, seiscentas páginas no meu mais recente
que trate do controle das decisões judi- falo dos três obstáculos ao constitucio- livro. Mas os embargos são predatórios
ciais. Mas esse controle a ser construído nalismo, dos quais a Teoria das Fontes porque fragilizam o Direito. Os embar-


a partir de uma nova teoria da decisão
não deve ser um controle feito por enun-
ciados assertóricos como as súmulas ou Direito não é um conjunto fragmentado de
outras formas de coagulação de sentidos casos isolados. Em resumo: há um direito
prévios do Direito, mas, sim, através da
exigência de uma profunda justificação/
fundamental a uma decisão adequada à
Constituição. E isso só se alcança com respeito
fundamentação das decisões, algo que
venho denominando no meu livro Ver-
dade e Consenso (Lúmen Júris) de ac-
countability hermenêutica (há um direi-
à coerência e à integridade das decisões. Direito
tem DNA. Cada caso possui um DNA, que gera
um princípio, aplicável aos casos posteriores.

to à prestação de contas daquilo que o
juiz decidiu, em mínimos detalhes). Di-
reito não é um conjunto fragmentado de
casos isolados. Em resumo: há um direi- é uma delas. Não conseguimos cons- gos, no modo como são manejados, são
to fundamental a uma decisão adequada truir uma nova Teoria das Fontes nes- um álibi para salvar decisões mal fun-
à Constituição. E isso só se alcança com tes vinte anos, bastando, para tanto, ver damentadas. Ora, se a Constituição exi-
respeito à coerência e à integridade das como ainda acreditamos mais em de- ge que todas as decisões sejam profun-
decisões. Direito tem DNA. Cada caso cretos, portarias, etc, do que na Consti- damente fundamentadas, não é possível
possui um DNA, que gera um princípio, tuição. Também não conseguimos cons- que se aceite que um acórdão com de-
aplicável aos casos posteriores. truir uma nova Teoria da Norma, eis que feito ou carência de justificação ou fun-
ainda continuamos a acreditar que há damentação seja salvo por um “recur-
OAB IN FOCO - O sr. poderia ex- uma cisão estrutural de caráter semân- so” desse quilate.
plicar para os leitores, em breves pala- tico entre regra e princípio; por último,
vras, quais são, em sua opinião, as três não conseguimos superar o terceiro obs- OAB IN FOCO - O sr. foi bastante
características do positivismo que, con- táculo: a construção de uma nova teoria ovacionado durante sua palestra, mas
forme defende, tornaram-se também sobre a interpretação e a decisão. Deci- basicamente um momento foi marcan-
obstáculos para a Constituição brasi- são significa validade do discurso. te e teve bastante adesão de uma pla-
leira? teia com mais de 2 mil pessoas. “A Lei
Dr. Lênio L. Streck – O positivismo OAB IN FOCO - Dentro dessa vi- é mais do que aquilo que o Judiciário
16 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
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OAB Entrevista


causar surpresa (lembro como se fosse
Relativizar a coisa julgada quer dizer hoje a repórter-filósofa na boleia do ca-
enfraquecer a força normativa do Direito. minhão e dentro da caverna, ensinan-
do o “mito da caverna”). Insisto: temos
Mais do que isso, relativizar a coisa julgada que redefinir o papel da doutrina. Nós
significa diminuir o grau de autonomia do podemos mais do que isso que está aí.
Direito, alcançado com tanto sacrifício a
partir do segundo pós-guerra. Coisa julgada
é garantia constitucional. Parece que nos
“ E temos que aprender a criticar as de-
cisões dos Tribunais, principalmen-
te quando se tratar de decisões finais,
daquelas que representam o “dizer fi-
olvidamos disso nal”. E temos que ser veementes. Caso
contrário, podemos fechar os cursos de
pós-graduação, as faculdades, etc. E pa-
diz que é”, disse o sr., naquele momen- a bordo de um caminhão em movimen- rar de escrever sobre o Direito. Afinal,
to em que subliminarmente incentivou to no Triângulo Mineiro e o mundo das se o Direito é aquilo que o Judiciário
o público a questionar a coisa julgada ideias de Platão no interior de uma ca- diz que é, para que estudar? Vamos es-
nos Tribunais Superiores. Dr. Lênio, verna em Tubarão, SC, nada mais pode tudar apenas “case-law”...!
mostre-nos, então, o “caminho das pe-
dras”, ou seja, como, por quais meios,
poderiam os adeptos ao seu posiciona-
mento questionar a autoridade desses Visão Crítica
Tribunais?
Dr. Lênio L. Streck - Na verdade, faz Para encerrar, por gentileza, vamos xões, condensamos verbetes juris-
tempo que venho dizendo – e não sou o abrir uma seção à parte da entrevista e prudenciais. De determinado modo,
único, é óbvio - que a lei não é apenas intitulada como Visão Crítica. Assim, agimos como se estivéssemos na me-
aquilo que os Tribunais dizem que é. ao sr. são apresentadas algumas pa- tafísica clássica, acreditando no “mito
Ora, o Direito não é refém do Judiciário. lavras ou frases-chave. Por gentileza, do dado”, como se as palavras refletis-
Na verdade, uma sociedade democrá- exerça o seu direito à liberdade de ex- sem a essência das coisas. É claro que
tica deve dispor de mecanismos para, pressão e registre para os leitores as crí- isso enfraquece a reflexão jurídica, fra-
digamos assim, “constranger” (no bom ticas que tem a fazer sobre cada uma gilizando, consequentemente, o papel
sentido da palavra) os Tribunais quan- delas. da doutrina.
do decidem fora daquilo que a doutri-
na mais abalizada vem dizendo ou fora Bolha especulativa dos Relativização da coisa julgada
daquilo que eles mesmos, os Tribunais, princípios constitucionais
vêm decidindo. Por isso, insisto: o pa- Dr. Lênio L. Streck – Relativizar a
pel da doutrina é doutrinar a produção Dr. Lênio L. Streck – É o fenôme- coisa julgada quer dizer enfraquecer
jurisprudencial. E não o contrário. Só no que tomou conta da “era dos prin- a força normativa do Direito. Mais do
que, lamentavelmente, a maior parte cípios”. Sem qualquer criteriologia, que isso, relativizar a coisa julgada sig-
da produção doutrinária, com aspas e passamos a colocar princípios no “mer- nifica diminuir o grau de autonomia do
sem aspas, coloca-se como caudatária cado jurídico”, fragilizando com isso Direito, alcançado com tanto sacrifício
das decisões tribunalícias. Parcela con- até mesmo a Constituição. Do mes- a partir do segundo pós-guerra. Coisa
siderável dos livros apenas reproduz o mo modo que a “bolha especulativa julgada é garantia constitucional. Pare-
que o Judiciário diz sobre a lei. Mas, en- da economia”, essa “bolha no Direito” ce que nos olvidamos disso.
tão, por que escrever livros? Piores ain- ainda vai causar muito estrago. Princí-
da que os livros compiladores de prêts- pio não pode ser “qualquer enuncia- Embargos declaratórios
à-porters jurisprudenciais são aqueles do” para além de uma “regra”. Princí-
que pretendem “simplificar” ou “des- pio não é um simples “adereço” que se Dr. Lênio L. Streck – É um recurso
complicar” o Direito. Tenho receio “pendura” na regra. pequeno-gnosiológico que deveria ser
que, em seguida, surjam livros denomi- extirpado do Direito. Urgentemente.
nados, por exemplo, de “Direito Penal Enfraquecimento da doutrina Ao mesmo naquilo que ele vem servin-
(já) mastigado”, inclusive com o char- do para “salvar” decisões que violam,
me dos parênteses...! De todo modo, Dr. Lênio L. Streck – Com a mas- no âmago, o art. 93, IX, da Constitui-
para um país em que o Fantástico da sificação do Direito, construímos uma ção. Na verdade, o “instituto” (sic) dos
Globo tentou “ensinar” a filosofia he- cultura estandardizada, prêt-à-porter. embargos declaratórios é um álibi para
raclitiana (do filósofo grego Heráclito!) Ao invés de construirmos altas refle- convalidar decisões nulas ab ovo.
18 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
Eliseu M. de Oliveira
OAB Eventos
28/06 - DOAÇÃO – Antes de passar o tive reunido com o quadro de diretores INSCRIÇÕES ABERTAS - A OAB Es-
cargo para a Dra. Magda Moura Falei- da 13ª Subseção e advogados da Co- portes informa que as inscrições para
ros, o então Coordenador da ESA/MG marca. A seguir, a Presidência da 13ª o 21º Campeonato de Futsal estão
- Núcleo Uberlândia, Dr. Gilson Flá- Subseção da OAB organizou almoço, sendo realizadas desde o dia 09/09
vio de Paiva Montes, recebeu nova do- por adesão, em que membros da classe e vão até o dia 25/09. O campeona-
ação de obras jurídicas da Editora Del confraternizaram com o líder da OAB/ to terá início no dia 8 de outubro. Os
Rey, totalizando mais de 450 novos tí- MG, no Restaurante Fogão de Minas. jogos acontecerão às terças e quin-
tulos, que correspondem a aproxima- tas-feiras na quadra da Fundação
damente R$ 29 mil. As obras jurídicas 11 e 12/08 – COMEMORAÇÃO - Para Maçônica em Uberlândia. O home-
foram doadas pela Editora e posterior- comemorar o Dia do Advogado (11 de nageado deste campeonato é o ad-
mente entregues por Dr. Gilson aos agosto), a 13ª Subseção da OAB/MG vogado uberlandense Prof. Dr. Re-
representantes das oito instituições de promoveu dois cafés da manhã: uma nato Costa Dias. Mais informações:
ensino superior de Direito locais, bem confraternização foi no Fórum Abelar- (34) 3234-5555.
como à biblioteca da 13ª Subseção da do Penna e na Casa do Advogado, e
OAB/MG. em razão do recesso forense na Justiça OAB INFORMA – A Solenidade de
do Trabalho, a data também foi come- Homenagem aos Advogados - Des-
10/07 - ARRAIAL DA OAB - Com as morada com um café da manhã para taques do Ano e Jantar Dançante
características típicas das festas juni- os advogados no dia 12. em Homenagem ao Dia do Advo-
nas, aconteceu o tradicional Arraial gado - será realizada no dia 23 de
da OAB. O evento é beneficente e or- 30/08 - EXAME DE ORDEM – Na data outubro. Os convites estão sendo
ganizado pela Comissão Social e de foi realizada a primeira fase do Exame vendidos ao valor de R$ 30,00. O
Eventos da 13ª Subseção da OAB/MG. em Uberlândia e demais cidades mi- evento será dividido em duas par-
Como ingresso, foram arrecadados 238 neiras (prova objetiva). Na cidade, as tes, sendo a primeira uma home-
litros de leite longa vida, os quais fo- provas foram aplicadas na Universida- nagem na sede da OAB em Uber-
ram repassados para a instituição Abri- de Federal de Uberlândia. A 2ª etapa lândia, às 19h00 horas, seguida de
go Permanente Fraternidade Assisten- (prova prático-profissional) será realiza- jantar dançante na casa de eventos
cial Missionária Estrela de Davi Centro da no dia 04/10/2009, das 09h às 14h, Apoteose, às 21h00. Para mais in-
Educacional Espírita Alfredo Júlio Cen- local a definir. formações e/ou aquisição de convi-
tro Espírita Fé Esperança e Caridade. tes, ligue: (34) 3234-5555.
10/09 – ENTREGA DE CARTEIRAS - Na
23/07 – PALESTRA - O auditório da 13ª sede da OAB Uberlândia esteve o pa- TRABALHOS CIENTÍFICOS – A Re-
Subseção da OAB/MG recebeu o Ge- raninfo da nova turma de 34 advoga- vista OAB IN FOCO tem recebido
neral João Carlos de Jesus Corrêa – dos e 11 estagiários, Des. José Afrânio excelentes artigos e teses científi-
Comandante da 11ª Região Militar – Vilela, para a eles entregar pessoalmen- cas, mas em virtude de a publicação
que, a convite da ADESG (Associação te as carteiras da Ordem. ser limitada em seu número de pá-
dos Diplomados da Escola Superior de ginas, a Redação não tem como dis-
Guerra), veio a Uberlândia para minis- 17/09 - PLANTIO DE MUDAS - Com o ponibilizá-los na íntegra. Objetivan-
trar palestra sobre a Amazônia. principal objetivo de promover o se- do, contudo, incentivar a divulgação,
questro de carbono, a Diretoria da aos leitores interessados em ter aces-
7 a 24/07 – CAMPANHA DO AGASA- OAB Uberlândia, sua Comissão de so aos trabalhos científicos informa-
LHO – A OAB Uberlândia e a CAA/ Meio Ambiente e a Secretaria Munici- mos que, para tanto, basta requisitar
MG mobilizaram a Comissão Social e pal de Meio Ambiente realizaram no à Redação uma cópia via e-mail. Dis-
Eventos e a OAB Jovem para divulga- dia 17 de setembro o plantio de 320 poníveis para acesso até o momento,
ção de campanha que visou arrecadar mudas de árvores no Parque Linear do em nossos arquivos, temos a tese do
agasalhos e cobertores. As doações fo- Rio Uberabinha. A ação é parte inte- Ministério Público do Estado de Mi-
ram recebidas em pontos específicos grante de projeto criado pela Comis- nas Gerais, de autoria do Promotor
e repassadas para o Abrigo Permanen- são de Meio Ambiente da 13ª Subse- de Justiça da Infância e da Juventude
te Fraternidade Assistencial Missioná- ção em setembro de 2008, no qual, da comarca de Uberlândia-MG, mes-
ria Estrela de Davi Centro Educacional em parceria com a Secretaria Munici- tre em Direito Público, especialista
Espírita Alfredo Júlio Centro Espírita Fé pal de Meio Ambiente, os aprovados em Processo Civil, e professor Dr. Ja-
Esperança e Caridade. nos Exames da Ordem que receberam dir Cirqueira de Souza, na qual o au-
suas carteiras na cidade são convida- tor discorre sobre o tema “Toque de
01/08 – REUNIÃO DE CÚPULA - No pe- dos a participar do plantio de mudas e, Recolher: um Retrocesso Histórico”
ríodo da manhã, o Presidente da OAB/ posteriormente, a cuidar do crescimen- (60 páginas). O endereço eletrônico
MG, Dr. Raimundo Cândido Júnior es- to e manutenção das árvores. da Redação é oabjor@triang.com.br.
20 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
OAB Eventos
Foto: Rossana Souza

Líderes em
Montes Claros
Conforme registrado em foto, entre
outras autoridades do Poder Judiciário
mineiro, líderes das Subseções e da Sec-
cional da OAB/MG, bem como o basto-
nier da Ordem, prestigiaram a cerimô-
nia de inauguração da nova sede da 11ª
Subseção da OAB/MG (Montes Claros),
no dia 25 de agosto. Para comemorar a
ocasião, a 11ª Subseção organizou ain-
da uma série de solenidades e palestras
no evento intitulado como “Semana do
Advogado 2009”.

Via Quinto Constitucional


O Presidente da 13ª Subseção da janeiro de 2003 a fevereiro de 2008. Ain-
OAB/MG, Dr. Eliseu Marques de Oli- da na OAB, integrou a Comissão de Exa-
veira, agradece publicamente ao Presi- me de Ordem, participando da banca das
dente do Tribunal de Justiça de Minas matérias “Estatuto da OAB” e “Código de
Gerais, Exmo. Dr. Sérgio Antônio de Re- Ética e Disciplina”. Atuou como vice-pre-
sende, pelo envio de convite para repre- sidente e corregedor do Tribunal de Justi-
sentar a entidade na solenidade de pos- ça Desportiva do Futebol Mineiro duran-
se do novo desembargador, eleito pelo te quatro mandatos. Foi presidente dos
Quinto Constitucional, Exmo. Dr. Edu- Tribunais Mineiros de Justiça Desporti-
Da esquerda para a direita, Dr. Raimundo Cândido
ardo Machado Costa. va em vários segmentos. Também tem Júnior - Presidente da OAB/MG; Dr. Manoel Francisco
Segundo informa o TJMG, Eduardo passagem pelo Superior Tribunal de Jus- Ribeiro de Andrade – Presidente da 161ª (Salinas);
Machado Costa é natural de Belo Hori- tiça Desportiva do Futebol. Empossado Dr. Lindolfo Moreira Neto – Secretário Geral da 148ª
(Taiobeiras); Dr. Cézar Britto - Presidente da OAB Fe-
zonte, formou-se na Faculdade de Direi- em 27 de julho, o Desembargador Edu- deral; Dr.Antônio Cândido Nazareth – Presidente da
to da Universidade Católica de Minas ardo Machado Costa passa a ocupar a 148ª (Taiobeiras); Dr. Henrique Gomes Pereira – Pre-
Gerais, em 1978. Exerceu a Advocacia vaga do Desembargador Nilson Reis, que sidente da 123ª (Januária); Dr. Eliseu M. de Oliveira
– Presidente da 13ª Subseção (Uberlândia); Dr. Dal-
por 30 anos. Integrou o departamen- se aposentou, e ingressa na 2ª Instância, ton Caldeira Rocha – Presidente da 11ª (Montes Cla-
to jurídico de empresas de grande por- nomeado pelo governador de Minas e ros) e Dr. Walter Augusto de Souza – Presidente da
te e também do Clube Atlético Mineiro. por meio do Quinto Constitucional: re- 66ª (Pedra Azul) durante a inauguração da nova sede

Cumpriu quatro mandatos de conselhei- gra que prevê que um quinto dos mem-
ro da Ordem dos Advogados do Brasil bros dos Tribunais seja proveniente da A construção da nova sede de
em Minas e foi presidente do Tribunal de carreira do Ministério Público e da Ad- Montes Claros teve o apoio da OAB/
Ética e Disciplina deste mesmo órgão, de vocacia, de forma alternada. MG e é dotada de um centro de con-
venções com 650m², com capacidade
Agradecimentos para 650 lugares e palco para apresen-
tações, palestras e shows; o local ofe-
A 13ª Subseção da OAB/MG, por à Prefeitura Municipal de Uberlândia,
rece uma área coberta para stand e fes-
meio do Presidente da Casa, Dr. Eliseu à Polícia Federal em Uberlândia, à As-
tas com 500 m², uma biblioteca com
Marques de Oliveira, agradece ao Co- sembleia de Minas, ao Clube dos Dire-
mando do 36º Batalhão de Infantaria tores Lojistas de Uberlândia, à Confe- 40m²; além de sala de cursos de aper-
Motorizado, ao comando da Polícia Mi- deração da Agricultura e Pecuária do feiçoamento profissional, sala de reu-
litar, ao Secretário Municipal de Agro- Brasil – CNA, bem como aos organiza- niões do Conselho da Subseção, gabi-
pecuária, à Câmara dos Dirigentes Lo- dores do Seminário da Agricultura Fa- nete para atendimento odontológico,
jistas de Araguari, ao Clube Filatélico e miliar e à Comissão Organizadora da biblioteca, secretaria, dentre outros es-
Numismático de Uberlândia e Empre- 21ª Semana da Família Rural pelos con- paços destinados à valorização do ad-
sa Brasileira de Correios e Telégrafos, vites enviados para que a OAB Uber- vogado. A área total construída é de
à Associação dos Peritos Judiciais, Ár- lândia fosse representada em eventos e 1800 m² e todo o terreno, que foi do-
bitros e Mediadores de Minas Gerais, homenagens realizadas por essas enti- ado pela Prefeitura de Montes Claros,
ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, dades nos últimos meses. compreende área de 2500 m².
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 21
Dia do Advogado

Advogado:
compromisso com o jurisdicionado
Dr. Luís Cláudio da Silva Chaves é No dia 11 de agosto comemora-se a ordem jurídica do Estado Democráti-
Vice-Presidente da OAB/MG a criação dos primeiros cursos jurídicos co de Direito, os Direitos Humanos, a
no Brasil. Convencionou-se, também, justiça social, e pugnar pela boa aplica-

C
ompletei em 2009, 45 anos marcar a data como o Dia do Advoga- ção das leis, pela rápida administração
de idade, 22 anos de Advo- do. Importante aproveitar tal momento da Justiça e pelo aperfeiçoamento da cul-
cacia ininterrupta e 17 anos tura e das instituições jurídicas. A Ad-


dedicados à OAB/MG, ten-
do sido Presidente da OAB/Jovem, Con-
selheiro Suplente, Conselheiro Titular,
Presidente da Comissão de Exame de
O advogado não é apenas indispensável
Ordem, Diretor Tesoureiro e Vice-Presi- à administração da Justiça, mas ao
dente. Conheço, pois, de sobra, as difi- progresso da humanidade. O advogado,
culdades dos advogados mineiros e tam-
bém vejo as oportunidades que surgem
na defesa ou na acusação, na conciliação
aos profissionais que são apaixonados ou na prevenção, na intervenção ou
pela profissão. na consultoria, representa a liberdade,
impede a injustiça, reprime o
ilícito, repudia qualquer forma de
discriminação, afasta o ódio e a


prepotência”

para demonstrar a força vocacia, pois, impõe-se, cada vez mais,


da Advocacia, as virtu- como uma atividade fundamental ao Es-
des dos advogados e re- tado Democrático de Direito.
forçar nossas bandeiras O advogado não é apenas indispen-
pela ética, pela defesa sável à administração da Justiça, mas ao
intransigente das prer- progresso da humanidade. O advoga-
rogativas profissionais do, na defesa ou na acusação, na conci-
e nosso compromisso liação ou na prevenção, na intervenção
com a cidadania. ou na consultoria, representa a liberda-
Os advogados, clas- de, impede a injustiça, reprime o ilícito,
se em que me incluo, repudia qualquer forma de discrimina-
prestam, de pé e com ção, afasta o ódio e a prepotência. Ele
o braço direito estendi- acumula, com suas vivências, conheci-
do, como um guerreiro, mento para ajudar o próximo, tornando
um compromisso, antes a Advocacia aprendizado que não finda.
de receberem a carteira O advogado não perde a esperan-
da OAB, que habilita ao ça nunca. Respeita a divergência sem se
exercício profissional. afastar de suas convicções. Nós, os advo-
Juram exercer a Advoca- gados, modéstia à parte, somos os cons-
cia com dignidade e in- trutores do Direito, os primeiros juízes
dependência, observar a das causas e a esperança dos jurisdicio-
ética, os deveres e prer- nados. Somos, por vocação, intransigen-
rogativas profissionais e tes defensores da lei, da Justiça, da paz
defender a Constituição, social e dos Direitos Humanos. Em nos-
22 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
Dia do Advogado


Um dos maiores inimigos que a Advocacia ção. Na seara jurídica não é diferente,
enfrenta é a vaidade de alguns operadores mesmo porque exercemos função públi-
ca relevante. Nesse ambiente, da Justiça
do Direito. A grande virtude do homem, em
e do Direito, o orgulho excessivo frus-
especial destes que citei, é ter a consciência tra expectativas, fere a lógica, cria de-
exata de suas aptidões e qualidades, sem sentendimentos e atrapalha a solução
perder jamais a humildade, bem como ter a das lides.


A vaidade, já dizia Machado de As-
convicção de suas limitações humanas, sem sis, é um princípio de corrupção. No
perder a autoestima promotor, pode transformar o caso em
injustiça, por perseguição ideológica.
No delegado, a vaidade pode levar à
prática do abuso de autoridade. No juiz,
so ministério privado, prestamos servi- tidões e qualidades, sem perder jamais a vaidade pode causar a arrogância, a in-
ço público e exercemos função social. a humildade, bem como ter a convicção justiça e o desrespeito às demais carrei-
Os advogados são figuras indispensáveis de suas limitações humanas, sem perder ras jurídicas. Na Justiça todos são autô-
à administração da Justiça. Odiados ou a autoestima. O segredo está no equilí- nomos e independentes em suas teses,
amados, devemos ser valorizados. brio, atributo de bons juízes, delegados mas dependentes do trabalho alheio. E
A Advocacia por muitas vezes con- e promotores. todos devem suas atenções ao jurisdi-
trapõe-se a interesses. Em uma lide exis- Deus propiciou ao homem exercer cionado, representado em juízo pelo ad-
tirá vencedor e vencido. E nem sempre um ofício, uma habilidade, uma voca- vogado. q
o vencido reconhece o trabalho e a mis-
são do advogado vencedor, confundin-
do-o com a parte adversa. É compreen-
sível, para um leigo, que ele não nutra
admiração pelo advogado do outro lado.
Tal fato justifica a visão equivocada que
muitos têm do advogado. Por esta razão,
a lei prevê que o receio de desagradar,
quem quer que seja, não poderá deter o
advogado no exercício de suas funções.
Incompreensível, todavia, que um co-
lega ex-adverso desrespeite o outro por
conta de divergências judiciais. A obser-
vância, por todos os dias de suas vidas,
dos seus juramentos, assegurará aos ad-
vogados e advogadas a consciência do
dever cumprido e o apoio irrestrito de
seus pares, de sua classe e da OAB.
A união dos advogados em torno da
defesa das prerrogativas, no exato cum-
primento do juramento, garantirá, sem-
pre, a autonomia e a independência,
que fazem de nós gladiadores da Justi-
ça. Com isso, as dificuldades e pedras
colocadas em nosso caminho serão facil-
mente removidas e a arrogância e o des-
respeito de algumas poucas autoridades
não farão calar a forte voz ou estreme-
cer nossas vocações.
Um dos maiores inimigos que a Ad-
vocacia enfrenta é a vaidade de alguns
operadores do Direito. A grande virtude
do homem, em especial destes que ci-
tei, é ter a consciência exata de suas ap-
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 23
OAB Repórter

11 de agosto:
dia de comemorar e também de se conscientizar
OAB propõe reflexão sobre a saúde dos profissionais
Por Claudia Zardo

N
o dia 11 de agosto de 1827,
por decreto do Imperador D.
Pedro I, foram criados os pri-
meiros cursos de Direito no
Brasil. A data transformou-se no Dia do
Advogado e é comemorada em todo o
País. Neste ano, diversos líderes manifes-
taram suas opiniões, algumas das quais
com foco na Advocacia e em seus pro-
fissionais. Já a OAB Uberlândia, na data,
optou por destacar não somente o profis-
sional e a profissão, mas sobretudo por
promover reflexão sobre a “saúde das
pessoas que exercem a Advocacia”.
Anualmente líderes de diversos seg-
mentos fomentam os pensamentos so-
bre o Dia do Advogado. No contexto de
Uberlândia as comemorações do Dia do Advogados (as) comemoram seu dia durante o café

Advogado foram mais recatadas: devi- Reflexões do Presidente e 2009. “No corre-corre da vida atual,
do ao alastramento da gripe A em todo o prazos apertados... muitos são os cole-
mundo, o Comitê Municipal de Enfrenta- Durante os eventos, o líder da OAB gas que não encontram tempo para cui-
mento à Influenza A (H1N1) definiu algu- local, Dr. Eliseu Marques de Oliveira, dar de si mesmos. E quando uns colo-
mas ações preventivas para evitar a proli- proferiu a tradicional mensagem públi- cam o profissional e a profissão à frente
feração da gripe na cidade nos meses de ca aos colegas, mas na data mostrou-se da pessoa que há por trás de ambos, te-
agosto e setembro. mais preocupado com outro foco, ou mos um grave problema: o descaso con-
Seguindo orientações, a 13ª Subseção seja, a saúde daquele que, antes de ser sigo mesmo. Por exemplo, fizemos uma
da OAB/MG procurou então evitar even- um profissional, é um ser humano: o ad- observância dentro da OAB Uberlândia
tos comemorativos em que a saúde dos vogado. “Dentro do atual contexto em em que o falecimento da maioria dos
presentes pudesse ser colocada em risco. que vivemos, além de parabenizar sole- profissionais da Advocacia poderia ter
“Em concordância com a definição, a 13ª nemente os colegas pelo seu dia, parece- sido evitado se anos antes a pessoa tives-
Subseção da OAB/MG decidiu por não me que a saúde do advogado deva tam- se investido na prevenção e em certos
executar a agenda de eventos e palestras bém ser motivo de observações na data cuidados com a sua saúde pessoal. As-
previstas para o Dia do Advogado. Op- de hoje. Em nada me apraz ver que ano sim, creio que o Dia do Advogado com-
tou assim pela realização de confraterni- após ano perdemos excelentes profissio- porta também uma reflexão mais profun-
zações informais”, justifica a Direção da nais, porque colegas colocam a profis- da sobre a salubridade na Advocacia e
Subseção. são em primeiro plano e se esquecem de seus efeitos nos profissionais que atuam
Assim, tomou as devidas providências que para exercer uma profissão é preciso na área”, justifica e ressalta.
de higienização para que pudesse promo- primeiro um profissional, frise-se, saudá- Diante do quadro da saúde pública,
ver dois cafés de confraternização. No dia vel e, preferencialmente, vivo.” e da impossibilidade de executar even-
11 de agosto o café foi oferecido no Fó- A citação do líder sucedeu uma ob- tos presenciais para discutir “a saúde do
rum Abelardo Penna e na Casa do Advo- servação levantada dentro da Ordem em advogado”, a publicação da 13ª Subse-
gado e, em razão do recesso forense na Uberlândia em que se constatou que a ção da OAB/MG promove a reflexão su-
Justiça do Trabalho, a data também foi co- falta de prevenção em casos de câncer gerida pelo líder da Ordem em Uber-
memorada com um café da manhã para levou alguns profissionais da Advoca- lândia, em matéria e entrevista com um
os advogados no dia 12 de agosto. cia ao falecimento nos anos de 2008 médico-administrador. Confira a seguir.
24 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
OAB Repórter

Falta de prevenção na saúde


causa dores aos familiares e “ao bolso”

“ O maior erro que um homem pode cometer é


sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem.

Tendo por gancho de reportagem


(Arthur Schopenhauer)


um ponto incômodo, porém, crucial, ou De forma empírica, justamente no
seja, o quanto o descuido com a saú- período em que se comemorava o Dia processuais e/ou aos seus clientes, en-
de pessoal no dia de hoje pode custar do Advogado, investigava-se se de fato tre outros.
ao bolso do advogado no amanhã, nos a qualidade de vida e a saúde dos que Dos 11 entrevistados, quatro não
dias 11 e 12 de agosto a equipe OAB IN atuam na área andam prejudicadas nos praticam qualquer atividade física, três
FOCO abordou advogados(as) durante dias atuais. Em conversa informal, pro- praticam esporadicamente e outros qua-
o café de confraternização oferecido fissionais confirmaram as primeiras hi- tro praticam com certa constância. No
pela 13ª Subseção da OAB no Fórum póteses, ou seja, que poucos advogados fator prevenção, quatro entrevistados
Abelardo Penna, na Casa do Advogado dedicam tantos cuidados à saúde quan- disseram que só vão ao médico “em úl-
e na Justiça do Trabalho. to dedicam ao cumprimento de prazos timo caso”, dois passaram a fazer check-
up por conta da idade e de “sustos an-
Pratica esportes? Faz exames teriores” e outros cinco fazem exames
Testemunhos
Com que frequência? preventivos? anuais de prevenção.
Denisgoreth
N. de Oliveira
(idade não
Sim,
informada) - Esporadicamente. Pratica esportes? Faz exames
periodicamente. Testemunhos
advoga há 18 Com que frequência? preventivos?
anos.
Adão Alcides
Bernardes
Rogério Luiz (70 anos) - Faz caminhadas 2 Sim,
dos Santos Sim, faz advoga há 36 vezes por semana. periodicamente.
(39 anos) - caminhadas, Sim, anos.
Procurador do musculação e joga periodicamente.
Município. futebol de salão.
Alex Vinicius
Dias
Ernane da (38 anos) - Faz caminhadas,
Silva Atanásio Não.
advoga há esporadicamente.
(32 anos) - Sim, é atleta da nove anos.
Não.
advoga há sete OAB Esportes.
anos.
Geraldo Barbi
Brescia
Cristiane Dias (51 anos) - Sim, faz
G. Dorneles Não.
advoga há 23 caminhadas diárias.
- (idade não Sim, anos.
Não.
informada) - periodicamente.
advoga há oito
anos. Osmar
Rodrigues
Brandão
Wilson de Sim, após dois Pratica corrida Sim,
(32 anos) -
Almeida (72 infartos e três todos os dias. periodicamente.
advoga há
anos) - advoga Não. pontes de safena, cinco anos.
há 33 anos. faz prevenção
periodicamente.
Gislene Silva
Vieira Garzoni
Rogério S. V. (42 anos) - Sim,
Não.
Bernardes (29 advoga há 18 periodicamente.
Não. Não. anos.
anos) - advoga
há seis anos.

AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 25
OAB Repórter

Comportamento
até porque em muitos casos não depen-


de só dos avanços da Ciência, mas tam-
bém das condições materiais da família
Não sabemos avaliar a saúde quando atingida. Acometida de câncer de mama
em 1998, passei por toda a via crucis
a temos, lamentamos a sua falta que o paciente é obrigado a percorrer


quando a perdemos. e que não se resume à mutilação físi-
ca e aos tratamentos agressivos de quí-
(Marquês de Maricá)
mio e radioterapia, mas afeta o paciente
também no aspecto psicológico, emo-
Em termos de comportamento hu- “Câncer – Direito e Cidadania”, no qual cional, moral e financeiro, sendo este
mano, adágios e clichês como “pre- deixa seu testemunho e um importante último um dos problemas de mais di-
venir para não remediar”, “com saúde alerta aos colegas. fícil equacionamento. Não raro paren-
não se brinca”, etc. , estão há séculos a “Um diagnóstico de câncer vem tes e amigos, na esperança da cura e
nos alertar. Expostos aos nossos olhos sempre associado à ideia de morte. No na tentativa de ajudar, se desfazem de
e consciências diariamente estão tam- ano passado, somente no Brasil, cer- parte ou até mesmo de todo o seu pa-
bém testemunhos como o da advogada ca de 500 mil pessoas receberam esta trimônio. Estatísticas revelam que cerca
Dra. Antonieta Barbosa que, por exem- cruel notícia e o que poderá ter aconte- de 25% das famílias brasileiras gastam
plo, enfrentou um câncer de mama e cido com suas vidas, após essa traumá- as economias de toda uma vida com o
em consequência disso elaborou o livro tica experiência, é algo imponderável, tratamento de câncer de um parente”.1

Questione-se


Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro
para recuperar a saúde; por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o
presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro;


vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.
(Buda)

Mas se conselhos e testemunhos fos- gumas delas. são enviadas pela Subseção e que saltam
sem assimiláveis de pronto, certamente Diante das respostas e de forma re- aos olhos por terem aumentado em sua
vários teriam feito fortunas com eles. Lado flexiva é que se questiona na sequên- quantidade nos últimos dois anos. Obser-
outro, com a revolução tecnológica, infor- cia: qual é o sentido, hoje, caros(as) ve-se, ainda, que quando notas de faleci-
mações e orientações sobre a importância advogados(as), de correr tanto, de des- mento avolumam-se, percebe-se também
de se fazer exames periódicos para preve- gastar ao extremo o seu invólucro cor- que a causa disso pode estar nos advo-
nir certas doenças estão espalhadas por poral, de voltar o foco da vida para o gados que tratam com descaso a ques-
todas as partes. Ou seja, no século XXI, acúmulo material ou mesmo o simples tão da prevenção da saúde em suas vi-
longe do tempo das trevas irracionais, in- “honrar as contas”, se anos adiante – tan- das pessoais.
formações não faltam. “Por que então os to em termos emocionais quanto finan- Assim, ao verificar a causa mortis en-
seres humanos não praticam os conselhos ceiros - tais atitudes podem custar o do- tre os advogados, concluiu-se na Sub-
médicos, deixando um dos bens mais pre- bro, quiçá, até mesmo algo tão precioso seção que boa parte tem-se dado pelos
ciosos – a própria saúde e a vida – no fi- como a sua vida? cânceres de mama e de próstata; especifi-
nal da sua lista de prioridades?” camente tais baixas se deram por falta de
Durante o trabalho de campo fei- Efeitos do descuido prevenção e/ou por diagnóstico tardio.
to junto aos advogados em Uberlân- Ou seja, se detectadas fossem as causas
dia, surgiram as mais variadas respostas A resposta e/ou efeitos factuais da in- das doenças no início, certamente, gran-
e desculpas para a indagação. “Não so- dagação e do comportamento contempo- des advogados(as) ainda estariam entre
bra tempo pra mim, não sobra dinhei- râneo talvez estejam implicitamente nas nós e comemorando de fato a magia e a
ro, a vida é corrida, estou perdendo o notas de falecimento de advogados que alegria do Dia do Advogado.
prazo, a concorrência é desleal, preciso
1 BARBOSA, Antonieta – Pacientes de câncer já conquistou benefícios (sic). Disponível em: http://
correr, tenho audiência, só procurarei o www.conjur.com.br/2009-ago-11/pacientes-cancer-estar-cientes-beneficios-conquistados. Acesso em
médico na hora da morte...”, foram al- 31 de agosto de 2009.

26 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
OAB Entrevista

Entrevista
Como estratégia que objetiva principal- tação de um plano de saúde, pois a doen-
mente mudar padrões de comportamento ça pode se manifestar a qualquer momen-
preconcebidos, bem como tocar a fundo as to e sob as mais variadas circunstâncias. Ser
consciências dos seres advogados, contamos pega despreparada não pode jamais ser usa-
com auxílio pedagógico do médico-adminis- do como justificativa, mesmo porque isso
trador, presidente da Unimed Uberlândia , não mudará o curso, a evolução do proces-
Dr. Pascoal Luiz Lorecchio, que em entrevis- so que a acometeu. Quanto ao custo finan-
ta aduz dados comparativos para especifica- ceiro e tempo de duração dos tratamentos, é ser tomado como uma das causas para
mente ilustrar quanto custa ao advogado, ou claro que inúmeros fatores contribuem para que os homens resistam aos exames de
mesmo a toda a sociedade, o ato de se preve- que eles sejam absolutamente variáveis (lo- prevenção?
nir contra certas doenças e quanto custará a calização, estágio, idade, estado físico ge- Dr. Pascoal L. Lorecchio - Sem dúvida
estes e aos seus familiares o ato de remediar. ral, tipo de tumor, etc, etc, etc.). De forma nenhuma! Essa “ignorância” tem sido res-
No último ano, foram registrados 130 geral, são tratamentos longos, penosos e ca- ponsável por numerosas mortes que pode-
mil óbitos e estimados 470 mil casos no- ros, principalmente devido ao alto custo dos riam ser evitadas de maneira até simples, às
vos de câncer no Brasil. Um volume maior medicamentos. vezes. Mas a conscientização tem aumen-
do que o número de casos de Aids acu- tado bastante e felizmente esses casos são
mulados em 24 anos. Entre 1979 e 2003, OAB IN FOCO - Diante do exposto, cada vez mais raros.
a taxa de mortalidade pela doença cres- o sr. saberia nos dizer qual é o valor gasto
ceu 30% e os gastos do governo federal pela operadora, por paciente? OAB IN FOCO - Neste caso, os homos-
na assistência oncológica de alta comple- Dr. Pascoal L. Lorecchio - Mais uma sexuais têm sido mais maduros - e menos
xidade aumentaram em 103%, de 2000 vez fica evidenciada aqui a importância da preconceituosos - na hora de fazer a pre-
a 2005. De acordo com o INCA, o Bra- prevenção, que é imensamente mais bara- venção contra o câncer de próstata?
sil gasta hoje, entre internação hospitalar, ta que o tratamento e, o que realmente im- Dr. Pascoal L. Lorecchio - Acredito que
quimioterapia e radioterapia, em torno de porta, possibilita uma chance muito maior sim, talvez pelo fato de terem vivenciado
R$ 1,2 bilhão por ano com o tratamento de sobrevida ao paciente. Quanto ao valor já experiências de romper barreiras e pre-
do câncer. A chegada de novas terapias, médio gasto por paciente pelas operadoras, conceitos.
equipamentos e medicamentos mais o en- podemos afirmar que é cada vez mais signi-
velhecimento da população são aponta- ficativo e que vem aumentando muito nos OAB IN FOCO - Diante de sua sapi-
dos como fatores que terão grande impac- últimos anos. ência com relação ao comportamento hu-
to nos custos do tratamento do câncer nos mano, quais são as outras questões cultu-
próximos anos, tanto para o setor público OAB IN FOCO - Se o paciente não pro- rais que impedem os homens de apostar
como para o segmento de saúde privada. curar o médico e deixar a questão “para a na prevenção?
Um estudo baseado em dados de usuários hora da morte”, o descaso pode custar em Dr. Pascoal L. Lorecchio - A “síndrome
de um plano de saúde privado estimou média quanto? do Super-Homem”, que nos faz acreditar er-
que, entre 2008 e 2010, o tratamento do Dr. Pascoal L. Lorecchio - Em média 2 roneamente que tudo pode acontecer com
câncer em estágios avançados será quase ou 3 vezes mais do que ela teria gasto com os outros e não conosco. E também a des-
oito vezes mais caro do que se esses mes- o plano. gastada e ultrapassada mania do brasileiro
mos pacientes tivessem detectado a doen- de deixar tudo para a última hora, o que, no
ça na fase inicial. Fonte: INCA OAB IN FOCO - Além das “dores no caso, pode significar a “hora da morte”!...
OAB IN FOCO - Se uma pessoa for bolso”, o sr., em termos humanísticos, po-
pega desprevenidamente com a notícia deria explicar ao leitor quais são as dores OAB IN FOCO - O sr. poderia des-
de que foi acometida pelo câncer, supo- emocionais e efeitos nas famílias quando crever, para que o leitor possa usar o seu
nhamos, de próstata; o médico ainda aler- uma pessoa trata a sua saúde com descaso? imaginário, como fica em termos físicos
ta que a doença já está em estado avança- Dr. Pascoal L. Lorecchio - Claro que um paciente em fase terminal de câncer
do e o indivíduo em questão se lembra de “quem ama cuida”, não é assim? Toda fa- de próstata e de outros cânceres mais co-
que não possui aquela sonhada cobertura mília quer ver seus membros saudáveis e fe- muns?
do plano de saúde e que o sistema de saú- lizes. Acredito que a dor maior que pode se Dr. Pascoal L. Lorecchio - Normalmen-
de público é caótico. Diante do quadro, e instalar é aquela emanada de uma situação te esquelético, pálido, desconexo, aparelhos
dentro de sua experiência como médico- na qual nenhum plano de saúde ou mesmo e tubos por todos os lados, imobilizado em
administrador, quanto o sr. calcula que po- todo o dinheiro do mundo podem resolver uma cama, sem se alimentar, com dificul-
deria custar ao indivíduo um tratamento de uma questão fatal. dades respiratórias e, comumente, com um
câncer? Quantos anos leva um tratamen- grande sentimento de arrependimento por
to desse porte? OAB IN FOCO - O mito e o problema não ter tido força de vontade suficiente para
Dr. Pascoal L. Lorecchio - Inicialmente cultural do exame proctológico – aquele ter tomado atitudes antes. Tenho a sensação
deve ficar bem evidenciada a necessidade com o qual os homens fazem humor ne- de que em casos assim raramente as pesso-
de a pessoa prevenir-se através da contra- gro e piadas, em pleno século XXI - pode as “morrem em paz”...
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 27
CAA Informa

CAA investe em campanha para valorizar


a saúde do advogado
Por Eduardo Panzi - Jornalista
responsável CAA/MG – MG 10322 JP

T
odos sabem o quanto a rotina
de trabalho do advogado é es-
tressante. Quem advoga está
acostumado a lidar com prazos
exíguos a serem cumpridos, clientes exi-
gentes e que passam por um momento
delicado e ao mesmo tempo de grande
expectativa, compromissos financeiros
permanentes, horários e honorários in-
constantes. Com tanta responsabilidade
e tantos obstáculos, às vezes o profissio-
nal acaba esquecendo-se de um fator fun-
damental para poder cumprir todas essas
tarefas: a saúde.
Pensando nisso, a Caixa de Assistência
dos Advogados de Minas Gerais – CAA/
MG –, sob a coordenação de sua Diretora,
Dra. Fabiana Faquim, criou a Campanha
da Valorização da Saúde do Advogado. O tivos que alertam sobre hipertensão, cân- cido Sousa e Silva, destaca a preocupa-
projeto surgiu há quase cinco anos e pro- cer de próstata, câncer de mama, ginástica ção da Caixa com a saúde do advogado e
move ações preventivas na área da saúde laboral, diabetes, cuidados com a visão, acrescenta ainda que o Dia da Valoriza-
do advogado mineiro e de seus dependen- entre outros. ção é também uma grande ação de cida-
tes, além de informá-los sobre os devidos O Dia da Valorização da Saúde do Ad- dania, pois atende ao advogado e a todos
cuidados a serem tomados com a saúde. vogado já faz parte da agenda do advoga- que passam pelo local no qual a Campa-
Minas Gerais saiu na frente do restante do em Minas Gerais e a cada ano a Cam- nha é realizada.
do País com a Campanha da Valorização panha ganha mais força. No ano de 2007 A realização do Dia da Valorização da
da Saúde do Advogado e já ‘faz escola’. cerca de 15 municípios participaram. No Saúde do Advogado depende do interes-
Em junho de 2008, a Caixa de Assistência ano seguinte esse número saltou para 45 se de cada Subseção. O evento pode ser
dos Advogados do Estado do Maranhão, municípios participantes. Em 2009, até o realizado em um ou dois dias, conforme
observando a importância e alcance do mês de setembro já são mais de 60 cidades o número de advogados inscritos. Basta
projeto, solicitou cópia do mesmo para promovendo o Dia da Valorização. Wal- entrar em contato com o setor de Servi-
implantá-lo naquele Estado. Além disso, a ter Cândido dos Santos, presidente da Cai- ço Social da CAA/MG, em Belo Horizon-
cada ano mais municípios em Minas ade- xa de Assistência de Minas, lembra que te, através do telefone (31) 2125-6339 ou
rem ao projeto e o sucesso é total. este é o verdadeiro objetivo da CAA, “as- do e-mail s.social@caamg.com.br. A Cai-
Quem participa da Campanha da Va- sistir o advogado e sua família com bene- xa de Assistência dos Advogados de Mi-
lorização da Saúde do Advogado possui fícios e total apoio, como os prestados no nas Gerais é o braço assistencial da OAB
inúmeros benefícios gratuitos, como me- Dia da Valorização da Saúde”. Já o dire- de Minas e o porto seguro do advogado
dição de pressão arterial, avaliação da saú- tor tesoureiro da CAA/MG, Lucio Apare- e de seus dependentes em todo o Estado.
de bucal, teste de glicemia, exercícios de
alongamento e postura, tudo com com-
pleto acompanhamento do Serviço Social
da CAA/MG e de profissionais como mé-
dicos, enfermeiros, nutricionistas, fisiote-
rapeutas, dentistas, entre outros. Durante
o evento são distribuídos kits com produ-
tos de higiene bucal e materiais informa-
28 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
OAB em Ação

A OAB na promoção da igualdade racial


Por Claudia Zardo sões. Advogados dos Estados do Rio

R
ecentemente, Minas Gerais e Grande do Sul, Santa Catarina, Pa-
Uberlândia estiveram integra- raná, Amazonas, Tocantins, Acre e
das ao processo municipal e es- Mato Grosso do Sul procuraram nos-
tadual preparatório à realização sos representantes com a intenção de
da II Conferência Nacional de Políticas copiar a boa ideia em suas Seções e
de Promoção da Igualdade Racial (II CO- Subseções.
NAPIR), convocada pela Secretaria Na- Nesse processo de convergência
cional de Políticas de Promoção da Igual- para uma nova postura da OAB re-
dade Racial (SEPPIR), do governo federal. gional, estivemos, pela primeira vez,
Em momentos distintos, a OAB Subseção representados na II Conferência Na-
Uberlândia e Seção Mineira participaram cional de Promoção da Igualdade Ra-
das discussões sobre o fenômeno do ra- cial (II CONAPPIR), em Brasília (ju- No avanço das políticas de igualda-
cismo e da discriminação racial, causado- nho/2009), nas pessoas dos advogados de racial os operadores do Direito veem-
res da exclusão dos negros e afrodescen- Selma Aparecida dos Santos e Gilberto se vez mais diante dos debates sobre as
dentes (metade da população brasileira) Neves, que integram a Comissão da Igual- ações afirmativas, que se fundamentam
dos benefícios do desenvolvimento só- dade Racial da OAB Uberlândia. Além no princípio da ‘isonomia’ (tratar desi-
cio-econômico. Além da questão racial, dos representantes divulgarem a proposta gualmente os desiguais) e do compromis-
estiveram em foco também as exclusões dessa comissão da OAB regional e minei- so firmado pelo Brasil em relação aos Di-
causadoras da discriminação de indíge- ra, tivemos especial participação de des- reitos Humanos (Tratado Internacional da
nas, ciganos, judeus e descendentes ára- taque na Comissão de Justiça e de Segu- Costa Rica, 1968), que avançam na ins-
bes. rança Pública da II CONAPPIR, na pessoa tituição do princípio da chamada ‘discri-
A participação da OAB, por meio de da Dra. Selma Aparecida dos Santos, que minação positiva’ no âmbito das relações
advogados negros e de operadores do Di- participou da mesa diretora dos trabalhos. jurídicas internacionais. Sob a luz destes
reito interessados na luta por igualdade Naquela função, nossa representante con- novos prismas dos Direitos Humanos é
racial, caracteriza uma iniciativa que si- quistou significativo espaço para dar visi- que se discute a implantação de cotas
tua nossa entidade no front da luta demo- bilidade ao nosso compromisso com os raciais, as políticas afirmativas, a defini-
crática, por justiça social e por uma socie- direitos afirmativos, a cidadania e a igual- ção constitucional do racismo como cri-
dade plural em direitos reais. Podemos dade racial. A presença naquele evento me imprescritível e inafiançável, além da
interagir com os diversos segmentos que culminou com a apresentação pessoal nova modalidade jurídico-penal da cha-
sentem na própria pele os efeitos de uma dos representantes da OAB Uberlândia mada ‘injúria racial’. Estes novos concei-
sociedade ainda profundamente marca- ao Ministro da SEPPIR, Edson Santos. tos colocam em xeque o dogmático prin-
da pela discriminação de seres humanos A II CONAPPIR aprovou diversas pro- cípio da ‘igualdade formal’ do liberalismo
unicamente por serem portadores de fe- postas para subsidiar as políticas públicas clássico, ante o qual emerge o princípio
nótipos diferentes do padrão branco do- do governo federal para a promoção da da ‘igualdade material’ do Estado Social
minante. Mais que isso, a nossa OAB in- igualdade racial para os diversos segmen- de Direito.
corporou à sua missão cidadã também o tos colocados em desigualdade, em es- Em parte, assimilados em nossa Carta
compromisso com a promoção da igual- pecial a população negra. Dentre as pro- Magna, na legislação infraconstitucional
dade racial nas fileiras do Direito. postas, o apoio à aprovação do Estatuto e em jurisprudências de ‘controle cons-
Para materializar essa disposição ci- da Igualdade Racial, o projeto de lei que titucional difuso’, estes novos conceitos
dadã, os presidentes da OAB Subseção institui o acesso de negros, indígenas e ainda carecem de maior conhecimen-
Uberlândia e da Seção Mineira criaram pobres às universidades por meio de co- to, domínio e ampla divulgação entre os
duas Comissões de Promoção da Igual- tas; a implantação da Lei 10.639/03, que operadores do Direito. Nessa perspecti-
dade Racial. O compromisso foi firma- obriga o ensino da história da África, dos va, a Comissão de Promoção da Igual-
do no interior das conferências realiza- negros brasileiros e da cultura afro-brasi- dade Racial da OAB Uberlândia preten-
das em Uberlândia (municipal) e em Belo leira nos currículos da educação básica; de promover estudos, debates, críticas e
Horizonte (estadual), ocorridas no mês de o apoio à aplicação do decreto-lei fede- reflexões para fazer avançar a capacida-
maio. O pioneirismo desse compromisso ral que promove a titulação das terras dos de jurídica dos advogados na defesa da
no interior da OAB nacional é concreto, remanescentes quilombolas; e a criação cidadania, da justiça e da igualdade en-
pois apenas mais cinco Seções e Subse- de normas que assegurem isonomia de tre todos os brasileiros. Estamos abertos
ções no País criaram semelhantes comis- direitos às religiões de origem africanas. a receber novas adesões e participações.
AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 29
OAB Solidária

Comissão social e OAB Jovem doam


arrecadações angariadas

R
ecentemente, aconteceu o Arraial da
OAB: um evento beneficente e or-
ganizado pela Comissão Social e de
Eventos da 13ª Subseção da OAB/
MG. Como ingresso dos participantes foram ar-
recadados 238 litros de leite longa vida. Jun-
tas também, a OAB Uberlândia, a CAA/MG, a
Comissão Social e de Eventos e a OAB Jovem
trabalharam em uma campanha para arrecadar
agasalhos e cobertores.
As doações dos leites longa vida e dos aga-
salhos foram recebidas em pontos específicos
e repassadas para o Abrigo Permanente Frater-
nidade Assistencial Missionária Estrela de Davi
Centro Educacional Espírita Alfredo Júlio Cen-
tro Espírita Fé Esperança e Caridade. Confira
também as fotos dos presentes ao evento Ar-
raial da OAB na página ao lado.

OAB participa do Ação Cidadã


C
Politécnica
om o apoio da 13ª Subse-
ção da OAB/MG, entre ou-
tras entidades, a Faculdade
Politécnica de Uberlândia,
por meio da Coordenação, Corpo Do-
cente e Discente do Curso de Direi-
to, realizou o Projeto “Ação Cidadã”
no dia 06 de junho. O evento contou
com mais de 2 mil presentes e teve
como principal objetivo ofertar à po-
pulação de baixa renda de Uberlân-
dia informações relevantes e conheci-
mentos básicos de direitos e garantias
fundamentais para o exercício pleno
da cidadania.
O “Ação Cidadã” é um projeto de
responsabilidade social, por isso, além
dos estudantes e professores de Direi-
to, contou com a participação de vá-
rios profissionais de Uberlândia, que
dispuseram parte do seu tempo para Subseção – Uberlândia (OAB), Caixa (ABO), Ministério do Trabalho, Polícia
promover um trabalho voluntário; e de Assistência dos Advogados, Tribunal Militar e Civil, Corpo de Bombeiros,
com inúmeras parcerias, entre elas: a de Justiça de Minas Gerais, Associação entre outros. Com informações da As-
Ordem dos Advogados do Brasil, 13ª Brasileira de Odontologia de Uberlândia com da Politécnica.
30 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
OAB Solidária

Arraial da OAB Fotos: Gleiner Mendonça

AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 31
OAB Jovem
II Encontro Nacional sobre Ciclo de palestras
“O sucesso na
Legislação Esportivo-Trabalhista Advocacia”
Divulgação
A Comissão OAB Jovem, em reu-
nião no dia 5/8/2009, recebeu a visita
do ilustre Dr. Paulo Paiva, consultor e
palestrante na área de Motivação Pro-
fissional e de Saúde, marcando a aber-
tura do projeto “O Sucesso na Advo-
cacia” que consiste em um ciclo de
pequenas palestras para os jovens ad-
vogados com o intuito de promover
o encontro com profissionais renoma-
dos a fim de possibilitar a troca de ex-
periência.
No dia 26/08/2009 foi a vez do Dr.
Carlos Alberto Miro da Silva, advoga-
do renomado e membro da Comissão
de Ética e Disciplina da 13ª Subseção
Sentados, autografando o livro do evento, o Ministro do TST, Guilherme Augusto Caputo Bastos, o Dr. Luiz Felipe Guimarães da OAB/MG, falar para os jovens ad-
Santoro, assessor jurídico do Sport Club Corinthians e o Dr. Leonardo Serafin dos Anjos, assessor jurídico e membro do vogados sobre o início da carreira, as
Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube

A
dificuldades superadas e os desafios
conteceu em Brasília, nos dias presente ao evento. conquistados. A experiência dividida
20 e 21 de agosto, o II Encon- Pelo Encontro passaram mais de 1.500 serviu de motivação para os jovens ad-
tro Nacional sobre Legislação profissionais e diversas autoridades, dentre vogados.
Esportivo-Trabalhista realiza- eles, o Ministro do Esporte, Orlando Silva de A OAB Jovem, uma comissão par-
do pelo Tribunal Superior do Trabalho. A Jesus Júnior; o Presidente da CBF, Ricardo ticipativa e que sempre busca novida-
advogada Dra. Márcia Cristina Nunes do Terra Teixeira; Ministros do TST, Dirigentes des para enriquecer os eventos da 13ª
Nascimento, membro da Comissão OAB e advogados que atuam com o Direito Des- Subseção da OAB/MG, já tem projeto
Jovem e patrona do Uberlândia Esporte portivo e que puderam discutir tópicos vin- em andamento para a extensão desta
Clube, associação desportiva de destaque culados à legislação esportivo-trabalhista, sa- palestra e várias outras aos seus inscri-
na região do Triângulo Mineiro, esteve nar dúvidas e trocar experiências. tos. As reuniões da Comissão OAB Jo-
vem acontecem todas as quartas-feiras,

Membros da OAB Jovem são a partir das 18 horas, na sede da 13ª


Subseção. Participe!
Divulgação

designados para o CMJ


O Decreto 11.784 foi publicado no pação do jovem no processo político-so-
Diário Oficial do Município em 05 de cial de Uberlândia; visa ainda assegurar
agosto de 2009 e designou os membros os direitos e os interesses dos jovens já
do Conselho Municipal de Juventude delimitados no Estatuto da Criança e do
para o mandado 2009/2011. Entre ou- Adolescente e na legislação civil regula-
tros membros indicados para compor o mentadora da cidadania.
quadro do CMJ estão os doutores Hecy A cada mandato, o CMJ é constituído
Braga de Oliveira, Presidente da OAB Jo- por três representantes do Poder Público
vem da 13ª Subseção da OAB/MG, e o Municipal, indicados pelo prefeito, três
Conselheiro Marcelo Alves Faria. representantes de cada um dos movimen-
O projeto de lei que criou o Conse- tos organizados, escolhido em suas res-
lho Municipal da Juventude foi enviado pectivas assembleias: estudantil, cultural,
pelo prefeito Zaire Rezende à Câmara desportivo, religioso e político.
Municipal em 14/05/2004, tendo a pri- A OAB Jovem, a exemplo de outras
meira nomeação ocorrida somente ago- comissões desta Subseção, tem espaço
ra, na gestão do atual prefeito. O Conse- garantido neste Conselho, no intuito de
lho tem por atribuições estudar, analisar, expandir a representatividade do jovem
elaborar, discutir, aprovar e propor políti- advogado, além da aproximação da OAB O palestrante (no centro) ladeado pelos membros da
OAB JOVEM
cas que garantam a integração e a partici- com a sociedade.
32 • AGOSTO/SETEMBRO 2009
Painel de Notícias
EM DESTAQUE
Fotos: Divulgação
01 O paraninfo e Vice-Presidente da OAB/MG, Dr.
01 02 Luís Cláudio da Silva Chaves juntamente com o
Presidente da OAB Uberlândia, Dr. Eliseu Marques de
Oliveira, durante solenidade de entrega de carteiras
aos novos estagiários e advogados em Uberlândia

02 Lideranças locais comemoram os 90 anos do ex-


Governador de Minas Gerais, Sr. Rondon Pacheco,
em sessão solene realizada no dia 2/07 no Plenário
Homero Santos

03 O Presidente da 13ª Subseção da OAB/MG


representa a entidade em solene de posse da
Diretoria Executiva e Diretorias Regionais do
03 04 Conselho de Entidades Comunitárias de Uberlândia
-CEC – no auditório Cícero Diniz, em 30 de julho

04 Dr. Eliseu M. de Oliveira representa a OAB


Uberlândia na Feijoada de Santa Vitória-157ª
Subseção da OAB/MG, no dia 11 de julho

05 Membros e parte do quadro diretor da 13ª


Subseção representam a entidade no lançamento
da pedra fundamental da nova sede da OAB de
Patos de Minas - 45ª Subseção da OAB/MG, no dia
07 de julho
05 06
06 Presidente da OAB de Uberlândia e Vice-Presidente
da OAB/MG visitam diretores da 47ª Subseção da
OAB/MG - Araguari, no dia 01 de agosto

07 No dia 14 de agosto, os representantes da 13ª


Subseção da OAB/MG estiveram na cidade de
Passos/MG para a reinauguração da sede da
OAB local. A viagem contou com a presença do
Presidente da OAB Uberlândia, Dr. Eliseu Marques
de Oliveira, juntamente com sua esposa Ana Maria,
além da presença de membros da Comissão OAB
Jovem. O evento desenvolveu-se em três etapas,
iniciando a primeira com a reinauguração da sede
07 08 da OAB de Passos, a qual foi prestigiada por nobres
personalidades. Logo após aconteceu solenidade
de entrega de carteiras aos novos advogados
e estagiários da 51ª Subseção da OAB/MG, na
Câmara Municipal, e na sequência um jantar
dançante

08 Os advogados Egmar Sousa Ferraz, Joel Rezende


Júnior, Antônio Fabrício de Matos Gonçalves, Eliseu
Marques de Oliveira, Luís Cláudio da Silva Chaves
e Marcos Magno de Mello registram participação
durante o XXXI CONAT - Congresso Nacional de
Advogados Trabalhistas, realizado em setembro, na
09 10 capital mineira

09 Da esquerda para a direita: no dia 14/08, os


doutores Rodrigo Pacheco, Walter Cândido dos
Santos, Raimundo Cândido Júnior, Adilson Soares
de Mendes Peixoto, Paulo Lemos (dentista),
Maurício de Oliveira Campos Júnior e Eliseu
Marques de Oliveira se reuniram durante
reinauguração da Sede e Consultório Odontológico
da 51ª Subseção da OAB/MG

10 Em Uberlândia, o desembargador José Afrânio


Vilela (no centro) recebe do Dr. Eliseu e do Diretor
11 12 da 3ª Vara Cível – Dr. Fernando – lembrança de
Uberlândia.

11 Equipe de advogados aplica e fiscaliza o Exame


de Ordem em Uberlândia. À esquerda, Adauto
Alves Fonseca. À direita, Luciomar Alves de
Oliveira, Sulamita Evangelista e Larissa Lira
Cabral Arantes

12 Dr. Valdecir Barbosa de Medeiros, Dra. Eunice


Brasiliense, Dr. Leonardo Parreira, o Presidente da
OAB Uberlândia e Dr. Rodrigo Vilela Oliveira

AGOSTO/SETEMBRO 2009 • 33
Painel de Notícias

Desembargador e oradora falam aos novos advogados

O
Fotos: Gleiner Mendonça
desembargador do TJMG,
Dr. José Afrânio Vilela, de-
sembarcou em Uberlândia
no dia 10 de setembro exclu-
sivamente para paraninfar uma turma de
34 advogados e 11 estagiários que rece-
beram as carteiras profissionais da Or-
dem em solenidade realizada pela 13ª
Subseção da OAB/MG.
Na data, destacou-se também a ora-
dora da turma, Dra. Zilda Vicentina Ben-
to Arantes , que após tentar dois outros sado na magistratura em 1989. “Tenho bém é cidadão honorário da cidade. A
cursos superiores, na Advocacia encon- grande carinho por esta cidade que me Uberlândia o desembargador veio para
trou sua verdadeira vocação. acolheu em tempos de estudante, bem falar aos que recém ingressam na carrei-
Já o paraninfo é natural de Ibiá ( MG) como devo muito aos grandes mestres ra da Advocacia e na ocasião concedeu
e formado em Direito pela Universida- de vida e de formação que aqui encon- ainda entrevista à OAB IN FOCO, que
de Federal de Uberlândia, tendo ingres- trei”, frisou o Desembargador, que tam- será publicada na próxima edição.

Justiça em Números
De acordo com dados do Conselho Justiça em Números, que data de 2003, é tancialmente. Se R$ 79 milhões foram em-
Nacional de Justiça (CNJ), divulgados no a primeira vez que o CNJ fecha uma série penhados no setor em 2004, apenas R$ 55
dia 31 de julho, o custo da Justiça Federal histórica de dados ampliada. Conforme o milhões foram utilizados em 2008. Uma
brasileira passou de R$ 3,5 bilhões para trabalho, realizado pelo Departamento de redução de 29,5%. As taxas de congestio-
R$ 5,2 bilhões, representando um aumen- Pesquisas Judiciárias (DPJ) da entidade, o namento - o número de decisões, dividi-
to de 47,6%, entre 2004 e 2008. No en- grande responsável pelo aumento das des- do pelo total de processos antigos e novos
tanto, apesar do aumento de despesas, o pesas da Justiça Federal foi o gasto com pes- – passaram por altos e baixos no período,
número de casos pendentes de julgamen- soal, que cresceu 54,3% no período. No pe- mas nunca caíram significativamente. Os
to também cresceu: de 3,1 milhões em ríodo analisado, o número de magistrados menores valores aferidos foram em 2006,
2004, chegaram a 3,3 milhões no final do aumentou de 1.185 para 1.478, ao passo com 58,2%, e 2007, com 57,6%. No ano
ano passado. Desde o início do projeto que os gastos com informática caíram subs- passado, ficou em 58,9%. FONTE: OAB FEDERAL

Minas no CNJ
O juiz mineiro Paulo de Tarso Tam- agosto, no cargo de conselheiro do Con- ca Democrática do Congo. O magistrado
burini Souza foi empossado em 03 de selho Nacional de Justiça (CNJ). O magis- também foi delegado de polícia de Mi-
Foto: Gláucio Dettmar
trado foi indicado pelo Supremo Tribu- nas Gerais, atuando na assessoria jurídi-
nal Federal (STF), na vaga da magistratura ca da Secretaria de Estado da Seguran-
estadual de primeiro grau. O Juiz Pau- ça Pública. Ingressou na magistratura em
lo Tamburini formou-se em Direito em 1992, atuando como juiz nas comarcas
1986, pela Faculdade de Direito da Pon- de Ponte Nova, Piumhi, Guaxupé, Para-
tifícia Universidade Católica do Rio de guaçu, Boa Esperança, Três Corações e
Janeiro, e é doutorando em Direito In- Belo Horizonte. Foi juiz corregedor e di-
ternacional pela Universidade Federal de retor executivo da Escola Judiciária Elei-
Minas Gerais. Foi juiz observador inter- toral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-
nacional das eleições nacionais de Porto MG). Também já atuou por duas vezes
Rico, das eleições para a presidência da como juiz auxiliar da Corregedoria Na-
Autoridade Nacional Palestina, chefe da cional de Justiça, do CNJ. É diretor de Re-
missão diplomática do Ministério das Re- lações Institucionais da Associação dos
lações Exteriores e representante do Tri- Magistrados Mineiros (Amagis). Com in-
bunal Superior Eleitoral (TSE) na Repúbli- formações do TJMG.
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