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08/01/2018 Côa

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LinguagemDicionário critico
Gesto

Tito Cardoso e Cunha

o ge sto é um a acção corpóre a com unicativa que pode te r com a linguage m dife re nte s re laçõe s. Tanto a pode substituir com
com ple m e ntar ou m e sm o com ple tar. O ge sto é tam bé m ce ntral tanto na e x pre ssão artística com o re ligiosa.

Palavras chave: linguagem; mito; mão

A noção de gesto im plica se m pre a acção de um corpo. Acção que é da orde m da com unicação com outros corpos. Mais ou
m e nos prox im am e nte , se ndo que , quando o ge sto toca, o se ntido m ais im e diatam e nte se transm ite e quando o ge sto
ape nas suge re ou e x prim e , porve ntura sim bolicam e nte ape nas, a com unicação se apre se nta m ais dife ridam e nte m e diada.

Um ge sto e x prim e se ntido e significação, im plica um a linguage m , a m ais das ve ze s culturalm e nte codificada. Inse rindo-se
ne ce ssariam e nte num proce sso com unicativo, o ge sto re fe re -se -lhe ne m se m pre da m e sm a m ane ira. Dife re nte s re gim e s
ge stuais são possíve is. O m ais im e diato é se m dúvida aque le que re toricam e nte com ple m e nta a linguage m , pre stando-lhe
o ê nfase a ce rta altura re que rido e porve ntura até com ple tando ou m e sm o e sclare ce ndo o se ntido da asse rção linguística.
Na re tórica antiga, e ssa dim e nsão da ge stualidade que acom panha o discurso do orador, com ple m e ntando-o no proce sso
com unicativo, já tinha sido assinalada pe los te orizadore s prim e iros da disciplina.

Assiste -se aí a um a ve rdade ira inte gração do ge sto no proce sso com unicativo de que a linguage m é a face m ais audíve l. O
ge sto ace ntua o que se ouve atravé s do que se vê . Tal com o a e ntoação pode dar dife re nte s se ntidos à m e sm a e nunciação
linguística, assim tam bé m o ge sto pode pre cisar ou m e sm o de sviar o se ntido da fala.

É claro que e ste tipo de ge stualidade , tal com o a linguage m a que e stá associada, de pe nde de um a codificação cultural
pre cisa cujo conhe cim e nto pré vio é re que rido para a pe rfe ita com pre e nsão da m e nsage m . No m ais e le m e ntar dos
e x e m plos, sabe m os que a agitação da cabe ça, no se ntido ve rtical, acom panha a e nunciação do “sim ” e a m ovim e ntação no
se ntido horizontal a do “não.”

Ne ste e x e m plo, a afirm ação, que noutras culturas se e x prim irá atravé s de ge stos dife re nte s, pode até se r conse guida pe la
ge stualidade ape nas. O m e sm o se passa naturalm e nte com o se u inve rso, a ne gação. Aprox im am o-nos aqui de um outro
tipo de ge sto com unicativo que funciona e le próprio com o linguage m , isto é com o substituto da linguage m ve rbal. A
ge stualidade e nquanto linguage m , não já no com ple m e nto de sta m as m e sm o com o se u substituto. O e x e m plo m ais óbvio
se rá, naturalm e nte , a linguage m ge stual dos surdos-m udos e m que cada ge sto codifica um e le m e nto com unicativo de
base .

Ao substituir-se à linguage m ve rbal, a ge stualidade adquire e de se m pe nha as suas funçõe s com unicativas de m odo a
torná-la dispe nsáve l, indo m ais alé m ainda na sua e x pre ssividade com unicativa. O ge sto afe ctivo, por e x e m plo, o afago,
e x prim e por ve ze s ge stualm e nte aquilo que as palavras não conse gue m dize r totalm e nte ou tão com ple tam e nte . De ste
ponto de vista, o ge sto pode inte nsificar a com unicação até um e stádio de prox im idade que a linguage m ve rbal dificilm e nte
alcançaria.

A linguage m ge stual pe rm ite ainda acom panhar a com unicação daquilo que a fala não alcança a não se r inte rm ite nte m e nte ,
isto é o silê ncio. O ra, o silê ncio, do ponto de vista re tórico, pode se r um conte x to de inte nsificação da m e nsage m sobre tudo
se e la inte ncionar um cariz m ais afe ctivo. Diz-se de alguns silê ncios se re m e le s e loque nte s. Mais ainda quando um ge sto os
com ple m e nta ou m ais com ple tam e nte os e x prim e . Um a linguage m e x clusivam e nte ge stual, com o a dos surdos-m udos,
ope ra e m silê ncio nisso se dife re nciando da fala que o rom pe . Não totalm e nte , no e ntanto, um a ve z que a fala é toda e la
fe ita tam bé m de silê ncios inte rcalare s que é aliás o que lhe pe rm ite se r ouvida.

Ge stualidade s outras são as dos rituais, nom e adam e nte re ligiosos. O sinal da cruz, por e x e m plo, no cristianism o. Trata-se
de um ge sto ritual que e x prim e sim bolicam e nte um a convicção re ligiosa m as com o qual se procuram tam bé m e fe itos
pre cisos de prote cção ou outros. Manife stam -se atravé s de ssas substancialidade s rituais se ntim e ntos de re spe ito ou de
im ploração re lativam e nte à e ntidade divina. A ge stualidade ritual é toda e la fe ita de re pe tição com o quando se com e m ora
um acto prim e vo. R e pe ti-lo ge stualm e nte é re actualizá-lo, re tom ar a sua força pe rform ativa. No e x e m plo da horda prim itiva
de que Fre ud fala e m Totem e Tabu, o ritual im põe toda um a ge stualidade apaziguadora do se ntim e nto de culpa pe lo crim e
com e tido.

O rito e os ge stos que o m anife stam , dize m os antropólogos, re fe re m -se se m pre a um m ito cuja narrativa e le e nce na. Essa
e nce nação do m ito pe lo ritual faz de le um a e spé cie de re pre se ntação, com o no te atro. O obje ctivo se rá, por um lado,
catártico, com o na tragé dia gre ga m as, por outro lado, a ge stualidade do rito não se e sgotará ape nas ne ssa função. Ele
e fe ctua, com o já vim os, não ape nas um a re pe tição com e m orativa m as, m ais do que isso, um a actualização do unive rso
m ítico assim posto e m ce na.

O que se passa no te atro, com a sua ge stualidade e sfuziante , e na arte e m ge ral, re que r ainda algum a re fle x ão. É claro
que a dança configura um puro ge sto sile ncioso e m bora m im ando inte nsam e nte o unive rso m usical e m que se inse re e do
qual se não pode se parar. Mas é no de se nho ou na pintura que o ge sto se m ate rializa de ix ando se m pre as m arcas m ais

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inde lé ve is de um a singularidade . Estas arte s visuais são com o ge stos m ate rializados. Por ve ze s e ssa ge stualidade
m ate rializada no pape l te m a caligrafia por inte nção com o consabidam e nte aconte ce e m algum as das culturas orie ntais. O
ge sto aí pode te r um a significação dupla: a da m e nsage m que e le concre tiza no suporte dado e a que se e x prim e pe la arte
do ge sto que assim se m anife sta.

O ge sto é se m pre um a acção que e m ana ne ce ssariam e nte de um corpo que atravé s de le se dá a ve r e se torna pre se nte .
Há ge stos que são históricos, com o o de C é sar atrave ssando o R ubicão, ou m íticos, com o Ale x andre cortando o nó górdio.
O utros são inde finidos no que a e ssa distinção se re fe re , e m bora ce rtam e nte de cariz re ligioso com o é para os cristão o
ge sto de re partir o pão e dar a be be r o vinho, faze ndo isso e m m e m ória de um prim e iro ge sto que não se que r pe rdido no
te m po. Essa corpore idade do ge sto é , e m todo o caso, o se u traço m ais salie nte , talve z com o silê ncio que re pre se nta com o
m e io de com unicação. Ele contrasta com a m ate rialidade do som na linguage m . Tam bé m a sua dim e nsão concre ta e visíve l
o opõe à invisibilidade da linguage m e nquanto m e io privile giado de ve icular significaçõe s até ao pe nsam e nto m ais
abstracto.

Tam bé m o ge sto, tal com o a linguage m , te m a sua ve rte nte de calão ou gíria m anife stando as suas m e nsage ns de
conotação m ais ne gativa. Não e sque ce r com e fe ito que , se o ge sto configura um m odo de com unicação, e sta não é
ne ce ssariam e nte positiva ou afe ctuosa com o no afago. Tam bé m o ódio se pode e x prim ir ge stualm e nte e porve ntura com
conse quê ncias be m m ais gravosas do que a sim ple s fala. É claro que sabe m os, pe lo m e nos de sde Austin, se r a linguage m
tam bé m capaz de faze r coisas e portanto agir. É no e ntanto a um outro níve l de visibilidade que o ge sto actua. Por isso
m e sm o se distinguindo na clare za das suas inte nçõe s. E no e ntanto te re m os talve z de conce be r am bos, ge sto e fala, com o
as duas ve rte nte s dum a m e sm a m oe da com unicativa.

Bibliografia

Barrie r, G., La communication non verbale: Comprendre les gestes, perception et signification. ESF, 2007.

Jousse , M., L'Anthropologie du geste. Gallim ard, 1974.

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