Você está na página 1de 1

Pequim aperta o controlo ao investimento chinês no estrangeiro

As autoridades chinesas vão alargar as regras de controlo do investimento feito pelas empresas do
Continente além fronteiras. Um novo regulamento, publicado na quarta-feira pela Comissão Nacional de
Reforma e de Desenvolvimento, estende o dever de informação às subsidiárias dos grupos económicos
que conduziram grandes investimentos no estrangeiro.

O Governo Central anunciou esta semana uma nova regulamentação que visa controlar ainda mais as
aquisições de activos no estrangeiro por investidores chineses, alargando o dever de informação às
subsidiárias dessas empresas, entre outras medidas.
As novas regras limitam, por exemplo, os investimentos em activos como campos de golfe, estúdios de
cinema ou clubes de futebol e seguem a política seguida desde o ano passado pelas autoridades de
Pequim para conter a saída de investimento chinês do país.
Publicada agora pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (NDRC), organismo máximo
chinês encarregado da planificação económica, a nova regulamentação prevê que todos os
investimentos no exterior por grupos chineses ou pelas suas subsidiárias no exterior devem ser
declarados através de formulários 'online'.
A Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento anulou ainda uma decisão que obrigava os
investidores chineses a comunicar qualquer decisão sobre aquisições superiores a 300 milhões de
dólares, mas acaba por estender a supervisão a investimentos por subsidiárias de grupos chineses no
estrangeiro.
Os novos formulários endereçados ao organismo para aprovação devem conter informações detalhadas
sobre os investidores, a natureza e extensão do projecto e o valor do capital chinês investido, bem como
uma análise do impacto do projecto sobre o interesse e segurança nacionais, sendo que qualquer
projecto contrário a esses dois requisitos será rejeitado.
As medidas, que foram divulgadas na quarta-feira pela agência de notícias France Presse (AFP),
complementam as recomendações publicadas em Agosto e que limitavam o investimento chinês em
sectores como o imobiliário, o desporto e o entretenimento por alguns dos maiores grupos chineses.
Recorde-se que em 19 de Dezembro foi anunciado um código de conduta para empresas privadas
chinesas que investem no exterior, para evitar aquisições de risco que possam representar uma ameaça
para a estabilidade financeira do país.
Este código diz respeito, em particular, a conglomerados privados como a HNA (aeronáutica, turismo,
hotéis), a Fosun (turismo, entretenimento) ou o grupo Dalian Wanda (imobiliário, cinema, parques de
diversões).
Em Portugal, a Fosun é a maior acionista do banco Millennium BCP com 25,1 por cento do capital,
também detém 85 por cento da seguradora Fidelidade (os restantes 15 por cento do capital são da Caixa
Geral de Depósitos) - que por sua vez é 'dona' do Grupo Luz Saúde - e ainda conta com uma participação
de 5,3 por cento na Redes Energéticas Nacionais (REN).