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INTENSIVO I

Fernando Gajardoni
Direito Processual Civil
Aula 07

ROTEIRO DE AULA

INTERVENÇÃO DE TERCEIROS

1. Generalidades

1.1. Efeitos das sentenças e intervenção (CPC, art. 506)

CPC, art. 506: “A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros”.

A regra é que os efeitos de uma decisão proferida em um processo atinjam apenas as partes. Todavia, eventualmente,
alguns terceiros podem ser atingidos reflexamente (efeitos reflexos) e outros terceiros diretamente (efeitos diretos).

A partir do instante em que o terceiro é atingido pelos efeitos de uma decisão proferida em processo alheio
automaticamente será legítimo para intervir naquele processo. O termo “intervenção de terceiros” é exatamente
moldado para cobrir este fenômeno, ou seja, o terceiro, que não era parte, mas a partir do instante em que passa a ser
atingido pelos efeitos diretos ou indiretos de uma decisão proferida em um processo alheio torna-se legitimo para
ingressar no processo.

Observações:

 Define a espécie de intervenção de terceiros cabível na espécie:

 Direito material em debate;


 Intensidade dos efeitos com que o terceiro é atingido. P. ex.: assistência simples (efeitos reflexos);
assistência litisconsorcial (efeitos diretos).

 Se, eventualmente, o terceiro está fora, não é parte. Mas, a partir do momento em que o terceiro ingressa no
processo alheio, torna-se parte. Observação (divergência doutrinária): há autores que sustentam que a
assistência e o “amicus curiae” são formas de intervenção de terceiros em que a pessoa não se torna parte.

1.2. Classificação das formas de intervenção de terceiros

a) Intervenção típica (CPC, arts. 119 a 138) ou atípica (arts. 674, 682, 908, 996, etc.)

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Intervenções típicas: são as modalidades de intervenção de terceiros previstas na Lei como tal (assistência, denunciação
à lide, chamamento ao processo, incidente de desconsideração da personalidade jurídica e “amicus curiae”).

Intervenções atípicas (aquelas não prevista em lei como tal, embora sejam):

Embargos de terceiro (procedimento especial): CPC, art. 674: “Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou
ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá
requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro”.

Oposição (procedimento especial): CPC, art. 682: “Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que
controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos”.

Concurso de credores (concurso de preleções/concurso de preferências): CPC, art. 908: “Havendo pluralidade de
credores ou exequentes, o dinheiro lhes será distribuído e entregue consoante a ordem das respectivas preferências”.

Recurso de terceiro prejudicado: CPC, art. 966: “O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro
prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica”.

b) Intervenção espontânea e provocada

Espontânea: terceiro requer o seu ingresso. P. ex.: assistência e “amicus curiae”.

Provocada: uma das partes provoca o terceiro para que ingresse no processo. P. ex.: denunciação à lide, chamamento
ao processo, incidente de desconsideração da personalidade jurídica e “amicus curiae”.

c) Intervenção por inserção (maior complexidade subjetiva) ou por ação

Classificação controversa. Há autores que sustentam que todas as intervenções de terceiros são por inserção (posição
minoritária)

Intervenção por inserção: maior complexidade subjetiva da mesma relação jurídica processual primitiva.

Intervenção por ação: em virtude da intervenção seria formada uma nova relação jurídica processual. P. ex.:
denunciação à lide (autor x réu e denunciante x denunciado – duas relações jurídicas processuais).

1.3. Prioridade na tramitação (CPC, art. 1.048)

CPC, art. 1.048: “Terão prioridade de tramitação, em qualquer juízo ou tribunal, os procedimentos judiciais:
I - em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos ou portadora de
doença grave, assim compreendida qualquer das enumeradas no art. 6o, inciso XIV, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro
de 1988”.

Se o interveniente for uma das pessoas nas condições do CPC, art. 1.048, inc. I: prioridade de tramitação a todo o
processo, ainda que as partes primitivas não tenham sessenta anos e não sejam portadoras de doença grave.

1.4. Agravo de instrumento (CPC, art. 1.015, inc. IX)

CPC, art. 1.015, inc. IX: “Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: admissão
ou inadmissão de intervenção de terceiros”.

Exceção (não cabimento de agravo de instrumento): CPC, art. 138, caput: “O juiz ou o relator, considerando a relevância
da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão
irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a
participação de pessoa natural ou.jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo
de 15 (quinze) dias de sua intimação”.

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1.5. Novo CPC (mudanças)

a) Oposição como procedimento especial (CPC, art. 682).


b) Substituição da nomeação à autoria pelo procedimento geral de correção da legitimidade passiva (CPC, arts.
338/339).
c) Inserção do incidente de desconsideração da personalidade jurídica (CPC, arts. 133/137) e “amicus curiae” (CPC, art.
138).
d) Alterações pontuais nas demais intervenções típicas.

2. Assistência (CPC, arts. 119/124)

2.1. Hipóteses de cabimento

a) Interesse jurídico (CPC, art. 119)

CPC, art. 119: “Pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente interessado em que a sentença
seja favorável a uma delas poderá intervir no processo para assisti-la”.

Exemplo: ação de despejo entre “A” x “B”. “A” é locador e “B” é locatário. “B” subsolou o imóvel para “b”. “b” possui
interesse jurídico na vitória de “B”. Por quê? Se, eventualmente, “B” perder a ação “b” saíra do imóvel. Portanto, a
legislação autoriza que “b” seja assistente de “B”. A intervenção poderia ser no polo ativo, isto é, que “A” fosse
vitorioso. Exemplo: despejo para uso próprio do locador ou para um de seus familiares. O filho de “A” tem interesse
jurídico na vitória, pois necessitará da casa após o seu casamento.

Problema: definir o que é interesse jurídico - as explicações da doutrina são não didáticas: tem interesse jurídico aquele
que sofre direta ou reflexamente os efeitos da sentença alheia. Auxílio didático: conceito negativo de interesse jurídico
(o que não é interesse jurídico): o interesse jurídico não se confunde com interesse moral, corporativo ou econômico
(não cabimento da assistência).

Exemplo 1: “A” e “B”, vizinhos, discutiam sobre o cachorro de “A”, o qual prejudicava “B”; “B” feriu o cachorro; “A”
ingressou com ação com pedido de ressarcimento em danos morais; pedido de ingresso da UIPA (União Internacional de
Proteção dos Animais); indeferimento do pedido de ingresso da UIPA: ausência de interesse jurídico (não sofre os
efeitos da decisão).

Exemplo 2: “A” ingressa contra “B”, médico, em decorrência de erro médico. Associação de médicos requer o ingresso
no processo, pois caso a ação seja procedente afetará a imagem dos médicos. Indeferimento do pedido: interesse
corporativo.

Exemplo 3: “A” é credor de “B”. “A” ingressa com ação de cobrança contra “B”. “C” é credor de “B”. “C” requer o
ingresso para que “B” não seja desfalcado financeiramente – interesse futuro na sua própria execução. Interesse de “C”
é econômico.

b) Intervenção/assistência anódina (Lei n. 9.469/97, art. 5º) (CPC, arts. 138, § 1º e 565, § 4º)

“Anódina”: sem cheiro/gosto.

Lei n. 9.469/97, art. 5º: “A União poderá intervir nas causas em que figurarem, como autoras ou rés, autarquias,
fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas federais.
Parágrafo único. As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas cuja decisão possa ter reflexos, ainda que
indiretos, de natureza econômica, intervir, independentemente da demonstração de interesse jurídico, para esclarecer
questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados úteis ao exame da matéria e, se for o
caso, recorrer, hipótese em que, para fins de deslocamento de competência, serão consideradas partes”.
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O principal acionista das sociedades de econômica mista e das empresas públicas é a União no âmbito federal. Assim,
quando condenados, por exemplo, o BB, a CEF, os Correios, a Petrobrás, a União sofrerá um prejuízo econômico. O
legislador criou uma intervenção anódina, pois na hipótese de uma ação com reflexos econômicos para a União, tal ente
federativo poderá intervir – não há interesse jurídico.

A ação contra o BB, por exemplo, é postulada na Justiça Estadual. A intervenção da União deslocará o feito para a
Justiça Federal? Não. É pacífica a jurisprudência do STJ que a intervenção anódina não altera a competência, pois não é
aplicado a CF, art. 109, inc. I – possibilidade de violação do princípio do juiz natural. No entanto, se a União intervier
com interesse jurídico (CPC, art. 119): deslocamento de competência.

Cf. o professor (sugestão), as hipóteses do CPC, arts. 138, § 1º e 565, § 4º são novas intervenções anódinas.
CPC, art. 138, § 1º: “A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a
interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3º”.

CPC, art. 565, § 4º: “Os órgãos responsáveis pela política agrária e pela política urbana da União, de Estado ou do
Distrito Federal e de Município onde se situe a área objeto do litígio poderão ser intimados para a audiência, a fim de se
manifestarem sobre seu interesse no processo e sobre a existência de possibilidade de solução para o conflito
possessório”.

2.2. Momento e procedimento (CPC, arts. 119, parágrafo único e 120)

CPC, art. 119, parágrafo único: “A assistência será admitida em qualquer procedimento e em todos os graus de
jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontre”.

CPC, art. 120: “Não havendo impugnação no prazo de 15 (quinze) dias, o pedido do assistente será deferido, salvo se for
caso de rejeição liminar.
Parágrafo único: Se qualquer parte alegar que falta ao requerente interesse jurídico para intervir, o juiz decidirá o
incidente, sem suspensão do processo”.

2.3. Espécies de assistência no CPC

Diferença entre as espécies

Assistência simples (utilização do exemplo do locador x locatário): duas características: 1) manifesto interesse jurídico
do assistente “b” para que o assistido “B” sagre-se vencedor da ação e 2) há relação jurídica do assistente com o
assistido: “b” tem relação “B” – “b” não tem relação jurídica com “A”.

Assistência litisconsorcial (condômino – CC, art. 1.314): “A” x “B”. “A” possui imóvel conjuntamente com seus três
irmãos. “A” mais os seus três irmãos poderão ingressar com ação contra o invasor do imóvel. Somente “A” ingressa
(poderia ter sido hipótese de litisconsórcio facultativo). “A”, no transcorrer do processo, perde o interesse em defender
o imóvel. “a”, irmão de “A”, ao ter conhecimento da negligência de “A”, pede para este que seja seu assistente
litisconsorcial (não é hipótese de litisconsórcio ulterior), pois tem interesse jurídico qualificado – não é mero interesse
jurídico. É qualificado porque é igual a da parte. Diferença para a assistência simples: o assistente, além de ter relação
com o assistido, possui relação jurídica com o adversário do assistido.

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Dica: o assistente litisconsorcial nada mais é do que o indivíduo que poderia ter sido litisconsórcio, mas não foi.

a) Assistência simples (CPC, art. 121)

CPC, art. 121: “O assistente simples atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á
aos mesmos ônus processuais que o assistido”.

b) Assistência litisconsorcial (CPC, art. 124)

CPC, art. 124: “Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença influir na relação
jurídica entre ele e o adversário do assistido”.

2.4. Poderes do assistente simples (CPC, arts. 121 e 122) (subordinação, salvo inércia do assistido)

Assistente simples, cf. arts. 121 e 122, nunca poderá ir contra a vontade do assistido – assistente simples segue o
principal.

Entretanto, há uma hipótese em que o assistente poderá atuar livremente, pois funcionará como substituto processual
do assistido: CPC, art. 121, parágrafo único: “Sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente
será considerado seu substituto processual”. Não é mais gestor de negócios cf. CPC/73.

2.4.1. Justiça da decisão (CPC, art. 123)

Quando o assistente simples participa do processo é atingido pela coisa julgada? Não, pois, a rigor, não foi parte
durante todo o processo. Todavia, o legislador criou uma figura muito parecida com a coisa julgada para o assistente: a
justiça da decisão.

CPC, art. 123: “Transitada em julgado a sentença no processo em que interveio o assistente, este não poderá, em
processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que”.

Diferença entre a coisa julgada e a justiça da decisão: em ambas há a imutabilidade dos efeitos da decisão impedindo
que o terceiro discuta em outro processo o que ficou decidido. No entanto, na justiça da decisão há duas exceções em
que não se aplica a imutabilidade .dos efeitos da decisão (traço característico da coisa julgada):

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 CPC, art. 123, I: “pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e pelos atos do assistido, foi
impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença”.
 CPC, art. 123, II: “desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa,
não se valeu”. Hipótese de má-fé processual.

2.5. Poderes do assistente litisconsorcial (CPC, art. 124) (tratamento de litisconsorte – atuação autônoma)

Diferentemente do assistente simples que é subordinado, o assistente litisconsorcial tem atuação autônoma – inclusive,
ir contra a vontade do assistido.

2.4.1. Coisa julgada (CPC, art. 502)

CPC, art. 502: “Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito
não mais sujeita a recurso”.

Assim, a diferença entre assistência simples e assistência litisconsorcial não é apenas uma diferença acadêmica – é uma
diferença prática, pois os poderes do assistente simples e do assistente litisconsorcial são completamente diferentes.

2.6. Casuística

a) Súmulas 150 e 224 STJ (intervenção dos entes da CF, art. 109, I).

S. 150 STJ: “Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no
processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas”. Tal entendimento não se aplica à intervenção anódina.

S. 224 STJ: “Excluído do feito o ente federal, cuja presença levará o Juiz Estadual a declinar da competência, deve o Juiz
Federal restituir os autos e não suscitar conflito”.

b) Assistência provocada (produção antecipada de provas)

Hipótese do CPC, art. 381 quando houver interesse em denunciar à lide seguradora.

A assistência é uma hipótese de intervenção de terceiros espontânea. No entanto, a jurisprudência cita uma hipótese
em que a assistência deve ser provocada: produção antecipada de provas quando a prova for utilizada em processo
principal, no qual haverá denunciação à lide. “A” entra com pedido de produção antecipada de provas contra “B”, pois a
casa construída por “B”, engenheiro, está desmoronando. Fundamento legal: CPC, art. 381, inc. I: “haja fundado receio
de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação”. Se,
eventualmente, comprovar-se que, na perícia, “B” agiu negligentemente, “A”, ao ingressar com ação indenizatória, com
base na prova produzida antecipadamente, denunciará à lide a seguradora. Problema: ao denunciar à lide a seguradora,
a prova produzida antecipadamente foi produzida em um processo, no qual a seguradora não participou. Assim, a
seguradora não aceitará a prova produzida. Assim, a jurisprudência entende que se a parte, ao visualizar a ação principal
de indenização com denunciação à lide, deverá provocar a seguradora a ser assistente – segurado provoca a seguradora
na ação antecipada de provas.

3. Denunciação à lide (CPC, arts. 125/129)

Visualização do fenômeno: a denunciação à lide é uma forma de intervenção de terceiros, cujo principal objetivo é
garantir o direito de regresso no mesmo processo – fundado na ideia de economia processual.

Pelo autor. “A” é adquirente de um imóvel. Ao chegar ao imóvel encontra “B” que é o invasor. “A” ingressa contra “B”.
Adquirente denuncia à lide “C” que é o vendedor. Se, eventualmente, a ação não resultar na retirada do invasor “B”, “A”
deverá ser ressarcido por “C”. Portanto, há uma ação (“A” x “B”) e uma denunciação (“A” x “C) – ocorre no mesmo
processo: 1 processo e 2 relações jurídicas (ações). Por fim, “C” possui interesse em que “A” seja o vitorioso, pois se,
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eventualmente, “A” for vitorioso, não haverá direito de regresso. Em suma, o denunciado vai ter interesse que o
denunciante sagre-se vencedor na ação.
Pelo réu. “B” que é invasor ajuíza ação possessória contra “A” que é o comprador. “A” ajuíza ação regressiva contra “C”
que é o vendedor (denunciação), pois se, eventualmente, perder a ação, terá direito de regresso contra o vendedor. “C”
tem interesse que “A” vença a possessória ajuizada por “B”. Assim, a Lei estabelece que haja um litisconsórcio entre o
denunciante e o denunciado.

A ação é julgada primeira, pois se o denunciante ganhar a ação não haverá direito de regresso – denunciação extinta
sem julgamento de mérito (relação de prejudicialidade entre ação e denunciação).

3.1. Hipóteses de cabimento (CPC, art. 125)

a) Transferência da propriedade (evicção; CC, arts. 447/457)

b) Transferência da posse (não existe mais no CPC)

c) Direito de regresso por lei (p. ex.: CC, art. 934, Lei n. 9.610/98, arts. 29 e 53) ou contrato (p. ex.: seguro)

CC, art. 934: “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem
pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”.

3.2. Momento, procedimento e formação de litisconsórcio entre denunciante e denunciado (CPC, arts. 127/128)

Autor: petição inicial, sob pena de preclusão. Primeiro, processamento da denunciação. Segundo, citação do réu.

CPC, art. 127: “Feita a denunciação pelo autor, o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante
e acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-se em seguida à citação do réu”.

Réu: contestação, sob pena de preclusão. Primeiro, processamento da ação. Segundo, citação do réu, o qual denunciará
à lide. Terceiro, citação do denunciado – apresentação de contestação bifronte (denunciante x denunciado e
denunciado x autor).

3.3. Casuística

a) Evicção e perda do regresso (revogação do CC, art. 456) (fim da obrigatoriedade no Novo CPC – CPC, art. 125, § 1º)

Na vigência do antigo Código de Processo Civil havia o entendimento de que quando se tratava de evicção, a
denunciação à lide era obrigatória. Portanto, a parte não denunciante perdia o direito de regresso. No entanto, o Novo
CPC revogou o CC, art. 456 (CPC, art. 1.072). Assim, não há mais obrigatoriedade de denunciação à lide no Novo Código
de Processo Civil. Em qualquer hipótese, absolutamente nada impede o prejudicado de primeiro demandar (perder) e
depois (se perder) ingressar com ação regressiva. Prova de tal constatação é o CPC, art. 125, § 1º: “O direito regressivo
será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for
permitida”.

b) Denunciações sucessivas – uma única vez (CPC, art. 125, § 2º)

Na vigência do antigo Código de Processo Civil era pacífico o entendimento de que eram possíveis várias denunciações
sucessivas – sem limite numérico.

CPC, art. 125, § 2º: “Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra seu antecessor
imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover
nova denunciação, hipótese em que eventual direito de regresso será exercido por ação autônoma”.
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c) Denunciação “per saltum” (revogação do CC, art. 456) (impossibilidade – CPC, art. 125, inc. I)

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Na vigência do antigo Código de Processo Civil era permitida a denunciação “per saltum”.

CPC, art. 125, inc. I: “ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a
fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam”.

d) Denunciação à lide no CDC (arts. 13 e 88) (STJ: não cabimento – REsp n. 1.165.279/SP j. em 22/05/2012)

CDC, art. 13, parágrafo único: “Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso
contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso”.

Hipótese de direito de regresso em razão da lei (CPC, art. 125).

CDC, art. 88: “Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser ajuizada em processo
autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide”.

Vedação à lide é prejudicial ao consumidor. Interpretação literal: impede a denunciação à lide somente na hipótese do
CDC, art. 13 (fato do produto ou do serviço – acidente de consumo). E nas hipóteses de vício do produto ou do serviço?
Não há vedação na Lei. No entanto, o STJ ampliou o alcance do CDC, art. 88: não cabe denunciação à lide em qualquer
relação de consumo (fato do produto ou do serviço ou vício do produto ou do serviço). É cabível o chamamento ao
processo? Sim, da seguradora.

e) Denunciação à lide e ação regressiva contra servidor público (CF, art. 37, § 6º)

CF, art. 37, § 6º: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.

Se o Estado for processado, ele poderá denunciar à lide o servidor público? A questão é controvertida, mas,
majoritariamente, a resposta, conforme o STJ, é não. Portanto, não cabe denunciação à lide do Estado para contra o
servidor. Razão: natureza das responsabilidades. Na ação do particular contra o Estado há responsabilidade objetiva, ou
seja, não há discussão sobre o elemento dolo ou culpa. Se há permissão da denunciação à lide do Estado para contra o
servidor há discussão sobre o elemento dolo ou culpa – tal situação introduzirá um elemento novo na ação. Ao
introduzir o novo elemento: atentado contra o espírito da denunciação à lide (economia processual).

f) Mau deferimento ou indeferimento: inexistência de nulidade (STJ)

g) Condenação/execução direta do denunciado pelo autor da ação principal, nos limites da apólice (CPC, art. 128,
parágrafo único) (S. 537 STJ)

CPC, art. 128, parágrafo único: “Procedente o pedido da ação principal, pode o autor, se for o caso, requerer o
cumprimento da sentença também contra o denunciado, nos limites da condenação deste na ação regressiva”.

S. 537 STJ: “Em ação de reparação de danos, a seguradora denunciada, se aceitar a denunciação ou contestar o pedido
do autor, pode ser condenada, direta e solidariamente junto com o segurado, ao pagamento da indenização devida à
vítima, nos limites contratados na apólice”.

i) Extinção sem mérito da denunciação em caso de vitória do denunciante, sem prejuízo da sucumbência (CPC, art.
129, parágrafo único)

Denunciante vence a ação principal, a denunciação será extinta sem o julgamento do mérito: não há direito de regresso.
Pagamento de sucumbência ao denunciado: facultatividade.

CPC, art. 129, parágrafo único: “Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu pedido
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examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do
denunciado”.

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4. Chamamento ao processo (CPC, arts. 130/132)

Objetivo do chamamento ao processo: formação de título executivo contra o coobrigado. De certa forma, representa o
exercício de um direito de regresso.

Credor demanda contra o devedor. No entanto, há outros codevedores (dívida solidária, p. ex.). O codevedor
verificando que está sendo acionado sozinho chamará ao processo os outros codevedores. Codevedor acionado
adquirirá um título executivo contra os outros codevedores não acionados inicialmente.

É por inserção, pois não há formação de relação jurídica processual.

4.1. Hipóteses de cabimento (CPC, art. 130)

a) Fiador – afiançado (CC, art. 818)

b) Fiador – cofiadores (CC, art. 829)

c) Devedores solidários (CC, art. 275)

4.2. Procedimento (CPC, art. 131)

CPC, art. 131: “A citação daqueles que devam figurar em litisconsórcio passivo será requerida pelo réu na contestação e
deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem efeito o chamamento”.

Observações: chamamento ao processo é uma intervenção de terceiros privativa do réu; o prazo de 30 dias enunciado
no artigo é preclusivo. Portanto, não é possível chamar ao processo depois do prazo da contestação.
4.3. Formação de título executivo contra e entre todos (CPC, art. 132)

CPC, art. 132: “A sentença de procedência valerá como título executivo em favor do réu que satisfizer a dívida, a fim de
que possa exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou, de cada um dos codevedores, a sua quota, na proporção que
lhes tocar”.

“A” entra contra “B” que é devedor solidário. “B” chama “C”, “D” e “E”. Juiz condenará os quatro (litisconsórcio passivo
facultativo e ulterior). A rigor, “B” pagará. No entanto, “C” salda a dívida. Portanto, o título será formado para “C’”.

4.4. Diferença com a denunciação à lide

Semelhança: tanto o chamamento ao processo quanto a denunciação à lide servem para o exercício do direito de
regresso.

Diferenças:

 Denunciação é pelo autor ou pelo réu. Chamamento ao processo somente pelo réu.
 Denunciação à lide: formação de uma nova ação/relação jurídica (intervenção de terceiros por aço).
Chamamento ao processo: não há formação de uma nova ação/relação jurídica (intervenção de terceiros por
inserção).
 Denunciação è lide não há, em regra, relação jurídica entre o adversário do denunciado e o denunciante.
Enquanto que no chamamento ao processo há relação jurídica entre os chamados e os adversários do
chamante.

5. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) (CPC, art. 133 e ss.)


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Não havia no modelo anterior regra processual para a desconsideração da personalidade jurídica – havia previsão nas
leis materiais (CC, art. 50 – teoria maior; CDC, art. 28 – teoria menor). Portanto, os juízes agiam distintamente e não
havia o direito de defesa para o desconsiderado. O Novo CPC cria um procedimento – via intervenção de terceiros –
para trazer o sócio/pessoa jurídica para se defender

5.1. Objetivo: dar suporte procedimental às hipóteses do arts. 50 do CC e 28 do CDC (CPC, arts. 133 e 134, § 4º),
inclusive na forma inversa

CPC, art. 134, § 4º: “O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais específicos para
desconsideração da personalidade jurídica”. Pressupostos legais específicos: lei material.

CPC, art. 133, § 2º: “Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da personalidade
jurídica”. Desconsideração da pessoa física.

5.2. Dois modelos

a) Ação (CPC, art. 134, § 2º) (hipótese de litisconsórcio eventual) (contestação bifronte)

CPC, art. 134, § 2º: “Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for
requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica”.

O desconsiderado, quando a ação é com pedido de desconsideração, é parte - não é incidente, portanto. Da sentença
proferida caberá apelação.

b) Incidente (com suspensão do processo – CPC, art. 134, § 3º)

Diferentemente da assistência que não suspende o processo, o incidente de desconsideração suspende o processo. CPC,
art. 134, § 3º: “A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2º”.

5.3. Cabimento do incidente (CPC, arts. 134 e 1.062) (Lei n. 9.099/95, art. 10)

CPC, art. 134: “O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no
cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial”.

CPC, art. 1.062: “O incidente de desconsideração da personalidade jurídica aplica-se ao processo de competência dos
juizados especiais”.

Lei n. 9.099/95, art. 10: “Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de terceiro nem de assistência.
Admitir-se-á o litisconsórcio”. Parcialmente prejudicado em razão de expressa previsão do CPC, art. 1.062.

5.4. Legitimação (CPC, art. 133)

CPC, art. 133: “O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do
Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo”.

Observação: não há possibilidade de instauração de ofício.

5.5. Procedimento (citação) e recurso (CPC, arts. 134, §§ 1º, 3º e 4º e 135 e 1.015, inc. IV) (embargos de terceiro –
CPC, art. 674, § 2º)

CPC, art. 134:


§1º A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para as anotações devidas.
§3º A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2º.
.
§4º O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais específicos para desconsideração da
personalidade jurídica.

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Pedido: sem formalidades. Indicação das hipóteses (CC, art. 50/CDC, art. 28).

CPC, art. 135: “Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e requerer as provas
cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias”.

Recurso: agravo de instrumento (CPC, art. 1.015, inc. IV).

Conforme o CPC, art. 674, § 2º, III: se não for observado o IDPJ pode o desconsiderado propor embargos de terceiro.

5.6. Efeitos do julgado (acolhimento: sem sucumbência e ineficácia – CPC, art. 137) (desacolhimento: sucumbência)

CPC, art. 137: “Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida em fraude de
execução, será ineficaz em relação ao requerente”.

6. “Amicus curiae”

Segue abaixo o material complementar do Professor Fernando Gajardoni. No mias, o Professor Marcelo Novelino
ministrará este conteúdo em Direito Constitucional.

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AMICUS CURIAE

(texto de apoio ao conteúdo não ministrado em aula)

Direito Processual Civil – Intensivo I – Prof. Fernando Gajardoni

(Fonte: OLIVEIRA JR. Zulmar Duarte. Teoria Geral do Processo: Comentários ao CPC/2015. Gajardoni, Dellore, Roque e
Oliveira Jr. São Paulo: Método, 2015).

1. Conceito e breve notícia histórica. O amigo da corte só recentemente graneou a simpatia do ordenamento
processual brasileiro, embora seja instituto presente na Inglaterra medieval e, para alguns, derivado de institutos
romanísticos. A figura assumiu o relevo e a dimensão atual com a edição da lei nº 9.868/1998 (artigo 7o), secundada
pela lei nº 9.882/1999 (artigo 6º), entrelaces normativos que estabeleceram os contornos do instituto nos processo
ditos objetivos, de controle abstrato de normas. 1.1 Sem dúvida, inicialmente a cariz do amicus curiae ficou talhada ao
controle de constitucionalidade, objetivando uma abertura procedimental para equalizar o déficit de legitimidade
democrática das Cortes Constitucionais, caucionando sua atuação contra o risco democrático (GRIMM). 1.2 Verdade
seja, já nos estertores da vigência do CPC/1973 não se reconheciam tais confins ao instituto, permitindo-se a
participação do amicus curiae em processos de índole subjetiva, res inter alios, desde que a matéria discutida
transcendesse os limites e meros interesses das partes. O Supremo Tribunal Federal em pelo menos duas oportunidades
admitiu amigos da corte em processo tipicamente subjetivos, no Recurso Extraordinário no 415.454/SC, relator Ministro
Gilmar Mendes, Tribunal Pleno e no Mandado de Segurança no 32.033/DF, também relatado pelo Ministro Gilmar
Mendes e apreciado pelo Pleno. 1.3 Justamente, a admissão do amigo da corte confere maior latitude ao horizonte
decisório, privilegiando o caráter pluralista da novel hermenêutica, permitindo uma ampliada perspectiva decisória. O
professor CASSIO SCARPINELLA BUENO advoga corretamente a necessidade de participação dos amigos da corte a fim
de assegurar substancialidade ao contraditório (BUENO, Cassio Scarpinella. Amicus curiae no processo civil brasileiro:
um terceiro enigmático. 2. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 78/85). 1.4 O Código ecoou tal
entendimento, dando tratamento orgânico ao instituto, absorvendo-o como terceiro ao processo, pelo que incluiu o
amigo da corte no título relativo à intervenção de terceiros. Inegavelmente, o amigo da corte é um terceiro singular,
porquanto não tem interesse direto sobre a pretensão apresentada no processo, não sofre qualquer consequência
jurídica derivada da sucumbência, mas propriamente tem interesse quanto à qualidade e amplitude do debate travado
nos autos. O interesse do amigo é vinculado à correção e ampliação do debate estratificado no processo, o qual será
vitalizado por sua participação. Mais do que a procedência ou improcedência do pedido, o amigo está ligado às boas ou
más razões aviadas.

2. Hipóteses de intervenção. A intervenção do amigo da corte pode ser provocada (requerimento das partes ou de
ofício) ou dar-se de forma espontânea (mediante requerimento do pretendente). Não existe qualquer limitação
subjetiva ao amigo da corte, podendo ser ele pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, desde que
com representatividade adequada. O amigo da corte, guardadas as devidas proporções, no que anima e justifica sua
intervenção (matéria, a especificidade do tema ou a repercussão social), tem que representar o seguimento respectivo.
2.1 Logo, se a intervenção é pela matéria em discussão, o amigo da corte tem que ser um atores representativos da
discussão de tal matéria ou ser dotado de expertise no assunto. Na hipótese da especificidade do tema ser o
fundamento para a participação, o amigo da corte tem que ser dotado dos conhecimentos relativos a tais
singularidades. Finalmente, trazido ao processo pela repercussão social, o amigo da corte tem que expressar o
seguimento da sociedade no seio da qual repercutirá a discussão. 2.2 A nota de corte para a participação do amigo da
corte é a potencialidade deste fornecer subsídios técnicos que aprimorem a prestação jurisdicional, com o consequente
enriquecimento do debate judicial. O amigo da corte participa prioritariamente naqueles feitos que embainham temas
dotados de sincretismo, com perfil eclético e multidisciplinar. Obviamente, tais requisitos deverão ser aferidos em
conjunto com o lócus onde se processa a demanda e os possíveis atingidos pelo resultado desta. A análise da
representatividade para participação de ação civil pública tramitando em determinada Comarca, relativa à assunto local,
não será igual ao cotejo da representatividade para participar de incidente de resolução de demandas repetitivas. 2.3 O
amigo da corte não pode ser obrigado a intervir coativamente no processo. Como deixa claro o artigo, ele é admitido (a
próprio pedido) ou convidado a participar (solicitação). Assim, nenhuma consequência sofrerá o amigo da corte por ter
. do juízo. 2.4 Ainda, a intervenção do amigo da corte, independentemente de suas
se omitido ao chamado (solicitação)
características institucionais, não importa em alteração da competência. O amigo da corte não sofre qualquer

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consequência derivadas do resultado processo, pelo que sua intervenção, como não tem o condão de prejudicá-lo, não
importa em incremento de pedidos ou sanções a serem aplicadas pelo magistrado em potencial extensão de sua
competência.

3. Poderes e recurso. O amigo da corte poderá apresentar manifestação por escrito, no prazo de 15 (quinze) dias,
exercendo ainda os poderes processuais franqueados pelo magistrado. Obviamente, na fixação de tais poderes, o
magistrado observará a natureza da intervenção, a fim de não manietar o amigo da corte e esvaziar a própria razão de
sua intervenção. Acertadamente, o Código permitiu o manejo dos embargos declaratórios pelo amigo da corte. Não
basta ouvir, necessário ponderar. Essa novel refinamento processual, de mediação da intervenção pública e pluralista
no plano do processo, não se compraz com a mera possibilidade de apresentar aportes materiais que não sejam
efetivamente considerados. Assim, absolutamente correta a permissão para utilização pelo amigo da corte dos
embargos declaratórios, no que este recurso viabiliza a suscitação de omissões, contradições e obscuridades do julgado,
notadamente quanto à matéria por si articulada. 3.1 Infelizmente, excepcionada a intervenção no caso do incidente de
resolução de demandas repetitivas e os embargos declaratórios, o Código vetou linearmente a utilização de recursos
pelo amigo da corte. Deveria ter possibilitado a interposição de recurso nas situações relativas ao indeferimento do
pedido de participação do amigo da corte, como vinha sendo reconhecido pela jurisprudência pátria.

JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA:
a) Sobre a importância na intervenção do amicus curiae ampliando o debate democrático: “AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE - RESOLUÇÃO EMANADA DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL - MERA DECLARAÇÃO DE
"ACCERTAMENTO", QUE NÃO IMPORTOU EM AUMENTO DE REMUNERAÇÃO NEM IMPLICOU CONCESSÃO DE
VANTAGEM PECUNIÁRIA NOVA - INOCORRÊNCIA DE LESÃO AO POSTULADO DA RESERVA DE LEI FORMAL -
RECONHECIMENTO DO DIREITO DOS SERVIDORES (ATIVOS E INATIVOS) DA SECRETARIA DESSA ALTA CORTE ELEITORAL À
DIFERENÇA DE 11,98% (CONVERSÃO, EM URV, DOS VALORES EXPRESSOS EM CRUZEIROS REAIS) - INCORPORAÇÃO DESSA
PARCELA AO PATRIMÔNIO JURÍDICO DOS AGENTES ESTATAIS - IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DE TAL PARCELA
(PERCENTUAL DE 11,98%), SOB PENA DE INDEVIDA DIMINUIÇÃO DO ESTIPÊNDIO FUNCIONAL - GARANTIA
CONSTITUCIONAL DA IRREDUTIBILIDADE DE VENCIMENTOS - MEDIDA CAUTELAR INDEFERIDA. FISCALIZAÇÃO
NORMATIVA ABSTRATA - PROCESSO DE CARÁTER OBJETIVO - INAPLICABILIDADE DOS INSTITUTOS DO IMPEDIMENTO E
DA SUSPEIÇÃO - CONSEQÜENTE POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DE MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (QUE
ATUOU NO TSE) NO JULGAMENTO DE AÇÃO DIRETA AJUIZADA EM FACE DE ATO EMANADO DAQUELA ALTA CORTE
ELEITORAL. - O Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, embora prestando informações no processo, não está impedido
de participar do julgamento de ação direta na qual tenha sido questionada a constitucionalidade, "in abstracto", de atos
ou de resoluções emanados daquela Egrégia Corte judiciária. Também não incidem nessa situação de incompatibilidade
processual, considerado o perfil objetivo que tipifica o controle normativo abstrato, os Ministros do Supremo Tribunal
Federal que hajam participado, como integrantes do Tribunal Superior Eleitoral, da formulação e edição, por este, de
atos ou resoluções que tenham sido contestados, quanto à sua validade jurídica, em sede de fiscalização concentrada de
constitucionalidade, instaurada perante a Suprema Corte. Precedentes do STF. - Os institutos do impedimento e da
suspeição restringem-se ao plano exclusivo dos processos subjetivos (em cujo âmbito discutem-se situações individuais e
interesses concretos), não se estendendo nem se aplicando, em conseqüência, ao processo de fiscalização concentrada
de constitucionalidade, que se define como típico processo de caráter objetivo destinado a viabilizar o julgamento, em
tese, não de uma situação concreta, mas da validade jurídico-constitucional, a ser apreciada em abstrato, de
determinado ato normativo editado pelo Poder Público. PROCESSO OBJETIVO DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO -
POSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO DO "AMICUS CURIAE": UM FATOR DE PLURALIZAÇÃO E DE LEGITIMAÇÃO DO DEBATE
CONSTITUCIONAL. - O ordenamento positivo brasileiro processualizou, na regra inscrita no art. 7º, § 2º, da Lei nº
9.868/99, a figura do "amicus curiae", permitindo, em conseqüência, que terceiros, desde que investidos de
representatividade adequada, sejam admitidos na relação processual, para efeito de manifestação sobre a questão de
direito subjacente à própria controvérsia constitucional. A intervenção do "amicus curiae", para legitimar-se, deve
apoiar-se em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que
viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional. - A idéia nuclear que anima os propósitos teleológicos que
motivaram a formulação da norma legal em causa, viabilizadora da intervenção do "amicus curiae" no processo de
fiscalização normativa abstrata, tem por objetivo essencial pluralizar o debate constitucional, permitindo, desse modo,
que o Supremo Tribunal Federal venha a dispor de todos os elementos informativos possíveis e necessários à resolução
da controvérsia, visando-se, ainda, com tal abertura procedimental, superar a grave questão pertinente à legitimidade
democrática das decisões emanadas . desta Suprema Corte, quando no desempenho de seu extraordinário poder de
efetuar, em abstrato, o controle concentrado de constitucionalidade. O PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA, QUANDO

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AJUIZAR AÇÃO DIRETA, DEVE ASSUMIR TODOS OS ENCARGOS INERENTES À POSIÇÃO DE QUEM FAZ INSTAURAR O
PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO NORMATIVA ABSTRATA, DEDUZINDO PEDIDO DE DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DO ATO IMPUGNADO. - Incumbe, ao Procurador-Geral da República, quando ajuizar a ação
direta, o dever de assumir todos os encargos inerentes à posição de quem faz instaurar o processo de fiscalização
normativa abstrata, inclusive aquele que se refere à obrigação de pedir a declaração de inconstitucionalidade do ato
impugnado. Encargo processual atendido, na espécie, pelo Chefe do Ministério Público da União. - O Procurador-Geral
da República não mais pode, ante a pluralização dos sujeitos processuais ativamente legitimados ao exercício da ação
direta (CF, art. 103), limitar-se ao mero encaminhamento formal de representações que lhe venham a ser dirigidas,
incumbindo-lhe assumir - como se impõe, de ordinário, a qualquer autor - a posição de órgão impugnante da espécie
normativa por ele questionada, deduzindo, sem qualquer ambigüidade, pretensão ao reconhecimento da
inconstitucionalidade das leis e atos estatais cuja validade jurídica conteste em sede de controle concentrado. - Desde
que se ampliou, nas ações diretas de inconstitucionalidade, a pertinência subjetiva da lide, com o estabelecimento de um
regime de legitimidade ativa "ad causam" concorrente (CF, art.103) não mais subsiste a "ratio" que justificava, sob a
égide das Cartas Políticas anteriores, o comportamento processual adotado, em muitos processos, pelo Procurador-
Geral da República, a quem incumbia, então, enquanto "dominus litis", o monopólio da titularidade do poder de agir em
sede de fiscalização normativa abstrata. ALEGAÇÃO DE INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL: INOCORRÊNCIA. - Não se revela
inepta a petição inicial, que, ao impugnar a validade constitucional de ato emanado do Tribunal Superior Eleitoral, (a)
indica, de forma adequada, as normas de parâmetro, cuja autoridade teria sido desrespeitada, (b) estabelece, de
maneira clara, a relação de antagonismo entre esse ato estatal de menor positividade jurídica e o texto da Constituição
da República, (c) fundamenta, de modo inteligível, as razões consubstanciadoras da pretensão de inconstitucionalidade
deduzida pelo autor e (d) postula, com objetividade, o reconhecimento da procedência do pedido, com a conseqüente
declaração de ilegitimidade constitucional da resolução questionada em sede de controle normativo abstrato,
delimitando, assim, o âmbito material do julgamento a ser proferido pelo Supremo Tribunal Federal. CONTEÚDO
NORMATIVO DA RESOLUÇÃO EMANADA DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL - RELATIVA INDETERMINAÇÃO SUBJETIVA
DE SEUS DESTINATÁRIOS - QUESTÃO PRELIMINAR REJEITADA. - A noção de ato normativo, para efeito de controle
concentrado de constitucionalidade, pressupõe, além da autonomia jurídica da deliberação estatal, a constatação de seu
coeficiente de generalidade abstrata, bem assim de sua impessoalidade. Esses elementos - abstração, generalidade,
autonomia e impessoalidade - qualificam-se como requisitos essenciais que conferem, ao ato estatal, a necessária
aptidão para atuar, no plano do direito positivo, como norma revestida de eficácia subordinante de comportamentos
estatais ou de condutas individuais. - Resolução do Tribunal Superior Eleitoral, impugnada na presente ação direta, que
se reveste de conteúdo normativo, eis que traduz deliberação caracterizada pela nota da relativa indeterminação
subjetiva de seus beneficiários, estipulando regras gerais aplicáveis à universalidade dos agentes públicos vinculados aos
serviços administrativos dessa Alta Corte judiciária. SUPOSTA TRANSGRESSÃO AO PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL, POR
ALEGADA NECESSIDADE DE LEI FORMAL PARA A CONCESSÃO DE AUMENTO DE VENCIMENTOS DOS AGENTES PÚBLICOS
INTEGRANTES DOS SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS DOS TRIBUNAIS - OFENSA INOCORRENTE - MERA DECLARAÇÃO DE
"ACCERTAMENTO" - DELIBERAÇÃO QUE NÃO IMPORTOU EM AUMENTO DE REMUNERAÇÃO NEM IMPLICOU
CONCESSÃO DE VANTAGEM PECUNIÁRIA NOVA. - O Tribunal Superior Eleitoral, longe de dispor sobre tema resguardado
pelo princípio constitucional da reserva absoluta de lei em sentido formal, limitou-se a proceder, em sede administrativa,
a uma simples recomposição estipendiária, que não se identifica com aumento de remuneração, que não veicula o
deferimento de vantagem pecuniária indevida nem traduz, ainda, outorga, em caráter inovador, de qualquer das
situações financeiras de vantagem a que se refere o art. 169, § 1º, da Constituição. - A resolução do TSE destinou-se a
neutralizar e a corrigir distorções, que, provocadas por inconstitucional aplicação do critério de conversão pela URV,
impuseram, aos servidores administrativos do Poder Judiciário, em decorrência da não-utilização do critério da URV
pertinente ao dia do efetivo pagamento (CF, art. 168), a injusta supressão de parcela (11,98%) que ordinariamente
deveria compor a remuneração funcional de tais agentes públicos. - A decisão administrativa emanada do Tribunal
Superior Eleitoral, precisamente por não se revestir de índole constitutiva, traduziu, em essência, mera declaração de
"accertamento" de um direito à recomposição estipendiária injustamente lesado por erro do Estado, que, ao promover a
incorreta conversão, em URV, dos vencimentos/proventos expressos em cruzeiros reais devidos aos servidores do Poder
Judiciário, transgrediu a cláusula de garantia inscrita no art. 168 da Constituição da República. O TRIBUNAL SUPERIOR
ELEITORAL, AO EDITAR O ATO QUESTIONADO NESTA SEDE DE CONTROLE ABSTRATO, ADSTRINGIU-SE AOS LIMITES DE
SUA COMPETÊNCIA INSTITUCIONAL E CONFERIU EFETIVIDADE À GARANTIA CONSTITUCIONAL DA IRREDUTIBILIDADE DE
VENCIMENTOS. - A deliberação do TSE - ao determinar a correção de erro cometido pelo Poder Público no cálculo de
conversão, em URV, de valores expressos em cruzeiros reais correspondentes à remuneração funcional então devida aos
.
servidores administrativos da Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral e ao autorizar, ainda, a incorporação do índice
percentual de 11,98% ao estipêndio a que tais agentes públicos fazem jus - nada mais refletiu senão a estrita

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observância, por essa Egrégia Corte judiciária, dos limites de sua própria competência, o que lhe permitiu preservar a
integridade da garantia constitucional da irredutibilidade de vencimentos/proventos instituída em favor dos agentes
públicos (CF, art. 37, XV). Com tal decisão, ainda que adotada em sede administrativa, o Tribunal Superior Eleitoral
conferiu efetividade à garantia constitucional da irredutibilidade de vencimentos, pois impediu que os valores constantes
do Anexo II (que contém a tabela de vencimentos das carreiras judiciárias) e do Anexo VI (que se refere aos valores-base
das funções comissionadas), relativos a agosto de 1995 e mencionados na Lei nº 9.421/96, continuassem desfalcados da
parcela de 11,98%, que havia sido excluída, sem qualquer razão legítima, do cálculo de conversão em URV erroneamente
formulado pelo Poder Público.” (STF, ADI 2321 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em
25/10/2000, DJ 10-06-2005 PP-00004 EMENT VOL-02195-1 PP-00046 RTJ VOL-00195-03 PP-00812).
b) Impossibilidade de apresentação, em geral, de recurso pelo amigo da corte: “Agravo regimental no recurso
extraordinário. Insurgência oposta pelos amici curiae admitidos nos autos. Inadmissibilidade. Posição processual que não
lhes permite interpor recursos contra as decisões proferidas nos processos em que admitidos. 1. Não se conhece de
recurso interposto por amici curiae regularmente admitidos nos autos, pois sua posição processual não lhes confere
legitimidade para a interposição desse tipo de insurgência. 2. Decisão atacada, ademais, que se limitou a reproduzir a
posição pacificada nesta Suprema Corte sobre o tema, o que foi feito por meio de decisão monocrática, por expressa
autorização do Plenário deste Tribunal. 3. Agravo regimental do qual não se conhece.” (STF, RE 632238 AgR, Relator(a):
Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-155 DIVULG 08-08-2013 PUBLIC
09-08-2013).
c) Decisão vedando o manejo de embargos de declaração pelo amigo da corte: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
PROPÓSITO MODIFICATIVO. MODULAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DE DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE.
ACOLHIMENTO PARCIAL. AGRAVO REGIMENTAL. EFICÁCIA DAS DECISÕES PROFERIDAS EM CONTROLE CONCENTRADO
DE CONSTITUCIONALIDADE QUE FOREM OBJETO DE RECURSO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PERDA DE OBJETO. PISO
NACIONAL DO MAGISTÉRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA. 1. A Lei 11.738/2008 passou a ser aplicável a partir de 27.04.2011,
data do julgamento de mérito desta ação direta de inconstitucionalidade e em que declarada a constitucionalidade do
piso dos professores da educação básica. Aplicação do art. 27 da Lei 9.868/2001. 2. Não cabe estender o prazo de
adaptação fixado pela lei, nem fixar regras específicas de reforço do custeio devido pela União. Matéria que deve ser
apresentada a tempo e modo próprios aos órgãos competentes. 3. Correções de erros materiais. 4. O amicus curie não
tem legitimidade para interpor recurso de embargos de declaração. Embargos de declaração opostos pelo Sindifort não
conhecidos. 5. Com o julgamento dos recursos de embargos de declaração, o agravo regimental interposto da parte
declaratória do despacho que abriu vista dos autos à União e ao Congresso Nacional perdeu seu objeto. Recursos de
embargos de declaração interpostos pelos Estados do Rio Grande do Sul, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso
parcialmente acolhidos para (1) correção do erro material constante na ementa, para que a expressão “ensino médio”
seja substituída por “educação básica”, e que a ata de julgamento seja modificada, para registrar que a “ação direta de
inconstitucionalidade não foi conhecida quanto aos arts. 3º e 8º da Lei 11.738/2008, por perda superveniente de seu
objeto, e, na parte conhecida, ela foi julgada improcedente”, (2) bem como para estabelecer que a Lei 11.738/2008
passou a ser aplicável a partir de 27.04.2011. Agravo regimental interposto pelo Estado do Rio Grande do Sul que se
julga prejudicado, por perda superveniente de seu objeto.” (STF, ADI 4167 ED, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA,
Tribunal Pleno, julgado em 27/02/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-199 DIVULG 08-10-2013 PUBLIC 09-10-2013).
d) Acórdão que veda a utilização de recurso pelo amigo da corte, mas ressalva tal possibilidade contra a decisão relativa
a sua inadmissão: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS POR AMICUS
CURIAE. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE. INTERPRETAÇÃO DO § 2º DA LEI N. 9.868/99. 1. A jurisprudência deste Supremo
Tribunal é assente quanto ao não-cabimento de recursos interpostos por terceiros estranhos à relação processual nos
processos objetivos de controle de constitucionalidade. 2. Exceção apenas para impugnar decisão de não-admissibilidade
de sua intervenção nos autos. 3. Precedentes. 4. Embargos de declaração não conhecidos.” (STF, ADI 3615 ED,
Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 17/03/2008, DJe-074 DIVULG 24-04-2008 PUBLIC 25-04-
2008 EMENT VOL-02316-03 PP-00463 RTJ VOL-00205-02 PP-00680 LEXSTF v. 30, n. 355, 2008, p. 93-102).
e) Pronunciamento que limite a intervenção do amigo da corte até o momento em que o processo é pautado para
julgamento: “Agravo regimental. Ação direta de inconstitucionalidade manifestamente improcedente. Indeferimento da
petição inicial pelo Relator. Art. 4º da Lei nº 9.868/99. 1. É manifestamente improcedente a ação direta de
inconstitucionalidade que verse sobre norma (art. 56 da Lei nº 9.430/96) cuja constitucionalidade foi expressamente
declarada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, mesmo que em recurso extraordinário. 2. Aplicação do art. 4º da
Lei nº 9.868/99, segundo o qual "a petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improcedente serão
liminarmente indeferidas pelo relator". 3. A alteração da jurisprudência pressupõe a ocorrência de significativas
.
modificações de ordem jurídica, social ou econômica, ou, quando muito, a superveniência de argumentos nitidamente
mais relevantes do que aqueles antes prevalecentes, o que não se verifica no caso. 4. O amicus curiae somente pode

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demandar a sua intervenção até a data em que o Relator liberar o processo para pauta. 5. Agravo regimental a que se
nega provimento.” (STF, ADI 4071 AgR, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Tribunal Pleno, julgado em 22/04/2009, DJe-
195 DIVULG 15-10-2009 PUBLIC 16-10-2009 EMENT VOL-02378-01 PP-00085 RTJ VOL-00210-01 PP-00207).

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