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Referência: KANT. I, Crítica da razão pura. Doutrina transcendental dos elementos. Lógica transcendental.

Analítica
transcendental. Analítica dos princípios. Cap II. Sistemas e todos os princípios do entendimento puro.
Resumo Levando em consideração a condição restritiva que os esquemas transcendentais impõe para o uso objetivo
dos conceitos puros intelectuais, descreve em ligação sistemática todos os precipícios do entendimento
puro segundo a tábua de categorias.
Citações SISTEMA DE TODOS OS PRINCÍPIOS
DO ENTENDIMENTO PURO

A nossa tarefa agora é descrever, em ligação sistemática, os juízos que o entendimento, submetido a esta
precaução crítica <esquemas>, produz realmente a priori, para o que sem dúvida nos deverá dar natural e
segura orientação a nossa tábua das categorias. (B187)

Os princípios a priori têm este nome, não só porque contêm em si os fundamentos de outros juízos, mas
também porque não assentam em conhecimentos mais elevados e de maior generalidade. (B188)

cingir-nos-emos apenas àqueles princípios que se referem às categorias. (B188)

Teremos também de nos referir ao princípio dos juízos analíticos.(B189)

Primeira Secção
DO PRINCÍPIO SUPREMO DE TODOS OS JUÍZOS ANALÍTICOS

A condição universal, embora apenas negativa, de todos os nossos juízos em geral, é que se não
contradigam a si mesmos; caso contrário, tais juízos (mesmo sem não se considerar o objeto) não são nada.
(B189)

um juízo, apesar de livre de qualquer contradição interna, pode ser falso ou infundado. (B190)

A proposição: A coisa alguma convém um predicado que a contradiga, denomina-se princípio de


contradição e é um critério universal, embora apenas negativo, de toda a verdade; mas pertence unicamente
à lógica, porque vale só para conhecimentos considerados simplesmente como conhecimentos em geral,
independentemente do seu conteúdo, e afirma que a contradição os destrói totalmente. (B190)

Contudo, este critério pode também servir para um uso positivo,(...). Porque, se o juízo é analítico, quer
seja negativo ou afirmativo, a sua verdade deverá sempre poder ser suficientemente reconhecida pelo
princípio de contradição.(B190)

o princípio de contradição é o princípio universal e plenamente suficiente de todo o conhecimento


analítico; mas a sua autoridade e utilidade não vão mais longe como critério suficiente de verdade.
Efetivamente, este princípio é uma conditio sine qua non, porque nenhum conhecimento pode contrariá-lo,
sem se aniquilar a si mesmo, mas não é um fundamento determinante da verdade do nosso conhecimento
(B191)

Segunda Secção
DO PRINCIPIO SUPREMO DE TODOS OS JUIZOS SINTÉTICOS

A explicação da possibilidade de juízos sintéticos é (...) o mais importante de todos os assuntos de uma
lógica transcendental, e até o único, quando se trata da possibilidade de juízos sintéticos a priori (B193)

Nos juízos sintéticos, (…), tenho de sair do conceito dado para considerar, em relação com ele, algo
completamente diferente do que nele já estava pensado; relação que nunca é, por conseguinte, nem uma
relação de identidade, nem de contradição, e pela qual, portanto, não se pode conhecer, no juízo em si
mesmo, nem a verdade nem o erro. (B193-4)

se tem de partir de um conceito dado para o comparar sinteticamente com um outro; é então necessário um
terceiro termo (…) Qual é, pois, este terceiro termo, senão o medium de todos os juízos sintéticos? Só pode
ser um conjunto em que todas as nossas representações estejam contidas, ou seja, o sentido interno, e a sua
forma a priori, o tempo. (B194)

A síntese das representações assenta sobre a imaginação; porém, a unidade sintética das mesmas (requerida
para o juízo), descansa sobre a unidade da apercepção. É, pois, aí, que se deverá procurar a possibilidade
de juízos sintéticos e como os três termos contêm as fontes de representações a priori, também neles se
deverá procurar a possibilidade de juízos sintéticos puros; estes juízos serão mesmo necessários, em
virtude desses princípios, para alcançar um conhecimento dos objetos que assente apenas na síntese das
representações. (B194)

Para que um conhecimento possua realidade objetiva, (…) deverá o objeto poder, de qualquer maneira, ser
dado.

Dar um objeto, (...), não é mais do que referir a sua representação à experiência (real ou possível).

Os próprios espaço e tempo, (...) seriam destituídos de validade objetiva, privados de sentido e de
significado se não fosse mostrado o seu uso necessário para objetos da experiência.

A possibilidade da experiência é, pois, o que confere realidade objetiva a todos os nossos conhecimentos a
priori.

Sem esta referência, porém, proposições sintéticas a priori são totalmente impossíveis, por não possuírem
um terceiro termo, ou seja, nenhum objeto, pelo qual a unidade sintética dos seus conceitos pudesse
mostrar a sua realidade objetiva.

juízos sintéticos puros referem-se, embora mediatamente, a uma experiência possível, ou antes, à
possibilidade mesma dessa experiência e sobre ela assentam a validade objetiva da sua síntese.

Como pois a experiência, enquanto síntese empírica, é, na sua possibilidade, a única espécie de
conhecimento que confere realidade a toda a outra síntese, esta última, como conhecimento a priori,
também só tem verdade (concordância com o objeto pelo fato de nada mais conter senão o necessário à
unidade sintética da experiência em geral.

Como pois a experiência, enquanto síntese empírica, é, na sua possibilidade, a única espécie de
conhecimento que confere realidade a toda a outra síntese, esta última, como conhecimento a priori,
também só tem verdade (concordância com o objeto pelo fato de nada mais conter senão o necessário à
unidade sintética da experiência em geral.

as condições da possibilidade da experiência em geral são, ao mesmo tempo, condições da possibilidade


dos objetos da experiência e têm, por isso, validade objetiva num juízo sintético a priori.
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