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C on du tor

Con t or es de
V eic ulos de
EEmergência
mergência
MÓDULO 3
NOÇÕES DE PRIMEIROS
SOCORROS
APRESENTAÇÃO
Nos módulos anteriores, você estudou a legislação referente à atuação do condutor
de veículo de emergência e também aprendeu como agir defensivamente no trânsito.
“O destino do traumatizado está nas mãos de quem faz o primeiro curativo”.
Nicholas Senn (1844-1908) - Cirurgião Americano
(Fundador da Association of Military Surgeons of the United States)
Com esta frase Nicholas Senn resumiu o papel daquele que primeiro aborda uma
vítima de trauma, pois de nada adianta esperar pelo socorro se a vítima não respirar ou
estiver com uma abundante hemorragia. Em pouco tempo, ela morrerá.
Outro aspecto importante é que as pessoas presentes ao local do sinistro esperam
do agente público uma ação de controle e de coordenação em relação ao cenário de crise,
principalmente no que concerne aos primeiros socorros dos feridos e à segurança.
Neste módulo, você estudará a conduta mais adequada de um agente de segurança
pública, frente a uma situação que exija o socorro de pessoas vítimas de trauma. Estudará
também como prover a segurança do local, preservando a sua vida e a de terceiros.

Nota
Na REDE EAD você encontrará os cursos Emergencista Pré-Hospitalar I e II. Ambos fo-
ram elaborados com o objetivo de criar condições para que os participantes possam desen-
volver conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para a realização de atendimen-
to pré-hospitalar em situações de emergência.Caso queira se aprofundar sobre o assunto,
matricule-se no próximo ciclo.

Objetivos do módulo
Ao final do estudo deste módulo, você deverá ser capaz de:
• Entender a necessidade de sinalizar adequadamente um local de acidente;
• Conhecer os procedimentos para prover a segurança pessoal e de terceiros;
• Identificar a necessidade de solicitação de recursos adequados à situação;
• Conhecer os procedimentos de avaliação inicial e o suporte básico de vida (SBV),
quando necessário, bem como a adoção de medidas para o não agravamento das
lesões;
• Compreender a importância das ações do agente público em um cenário de crise,
que levam à manutenção da vida e à segurança, em consonância com os anseios
da sociedade.

Estrutura do módulo
Este módulo possui as seguintes aulas:
Aula 1 – Primeiras providências
Aula 2 – Cinemática do trauma
Aula 3 – Abordagem ao vitimado
Aula 4 – Controle de hemorragias
AULA 1
Primeiras providências

Você como servidor de segurança pú- • Sinto-me apto a responder aos


blica que conduz veículos de emergência, já anseios da sociedade quando me
refletiu sobre as seguintes perguntas? deparar com uma ocorrência do
gênero?
• Tenho o conhecimento necessário
para dar o suporte e manter a vida
da vítima até a chegada do socorro
especializado, contribuindo para
evitar o agravamento das lesões?
As reflexões realizadas auxiliarão a
percorrer esta aula, na qual você estudará os
elementos que caracterizam a correta abor-
dagem à cena de um acidente, primando
pela segurança pessoal e de terceiros, cor-
Acidente em via pública . Fonte: Polícia Rodoviária Fede-
ral – PRF respondendo ao que a sociedade espera de
você como servidor público.
• Estou preparado para efetuar o pri-
meiro atendimento em vítimas de
acidentes de trânsito? Pronto para começar?
1.1 Gerenciamento de risco: primeiras ações
É muito comum, quando em deslo- 1. Sinalização do local;
camentos, sejam administrativos ou em 2. Vazamento de combustível;
serviço operacional, você se deparar com
acidentes de trânsito, com danos materiais 3. Eletricidade;
ou com vítimas, que podem apresentar as 4. Produtos perigosos;
mais diversas lesões. Nestas situações, você, 5. Incêndios;
como servidor de segurança pública, deverá
6. Veículo em posição instável;
efetuar a primeira assistência às vítimas des-
tes eventos. 7. Perigos do veículo;
Ao se aproximar do local, você deve 8. Acionamento de recursos adicio-
atentar para o gerenciamento dos riscos, nais.
observando sobre os seguintes aspectos: Estude sobre cada um deles.

1.1.1 Sinalização do local


A sinalização é a primeira ação a ser - o desvio do trânsito, se necessário,
realizada. para garantir a segurança, já que a
velocidade será menor e o socorro
Um local mal sinalizado está propício
mais rápido.
a gerar outras ocorrências, além de colocar
em risco a vida dos profissionais e curiosos
que estejam no local.
Possíveis formas de sinalização:
• Com cones, se houver no veículo;
• Galhos e arbustos arrancados da
margem da rodovia, sendo esta uma sinali-
zação de fácil visualização e entendimento
pelos outros motoristas;
Sinalização do local. Fonte:WWW.tribunadoceara.com.br
• Se o veículo for caracterizado e pos-
suir sinalizadores de emergência, este deve Você deve colocar a sinalização a uma
ser utilizado para sinalizar o local, após a li- distância que permita aos condutores di-
nha de cones ou sinalização com meios de minuírem a velocidade com segurança. Em
fortuna. região de serra, coloque a sinalização mais
Importante! afastada do local. Havendo curvas, a sinali-
zação deve ficar antes desta, de modo que
A sinalização de acidentes em trechos os condutores sejam alertados que existe
urbanos pode ser feita com: algo de anormal logo à frente.
- o próprio veículo, se este for carac- Veja na tabela 6, as distâncias para co-
terizado; locação de sinalização em casos de acidentes:

Distância para colocação da sinalização. Fonte: DENATRAN (2010)


1.1.2 Vazamento de combustível
Você pode gerenciar o risco determi- • Conter pequenos vazamentos.
nado por vazamentos de combustíveis em
local de acidentes através das seguintes me-
didas:
• Identificar imediatamente a pre-
sença de vazamento de combustí-
vel;
• Isolar o local e afastar fontes de ig-
nição (fumantes, equi¬pamentos
eletrônicos, veículos, etc.);
• Disponibilizar equipamentos de
combate a incêndio (extintores); Acidente com vazamento de combustível. Fonte: PRF

1.1.3 Eletricidade
• Tratar toda fiação elétrica como
energizada;
• Ter cuidado na aproximação, para
que o próprio veículo não toque
os fios;
• Orientar as pessoas no interior do
veículo energizado, ou em conta-
to com fios, para não desembar-
carem.
Acidente com envolvimento de eletricidade.
Não execute nenhuma manobra em
Você pode gerenciar o risco determi- relação à parte elétrica sem a pre¬sença
nado, por envolvimento de eletricidade, no de pessoal e equipamentos especializa-
acidente através de algumas medidas: dos, o que normalmente só é possível com
• Identificar a presença de fios, postes ou a presença da companhia de energia elé-
transformadores atingidos pelo acidente; trica.

1.1.4 Produtos perigosos


Você pode determinar os riscos do somente o suficiente e sempre
envolvimento de produtos perigosos no com o vento soprando pelas suas
acidente através das seguintes medidas: costas;
• Anotar os números constantes
nos rótulos e informar o serviço de • Só adentrar a área quente, quan-
emergên¬cia local; do for considerada segura por um
técnico ou especialista;
• Seguir as orientações da equipe es-
pecializada; • Sempre considerar a possibilida-
• Se for necessário se aproximar de da presença de produtos peri-
para ver os rótulos, aproxime-se gosos.
Nota
Na REDE EAD você encontra o curso
Intervenção em Emergências com Produtos
Perigosos que tem como finalidade criar
condições para que você saiba como agir
quando estiver dentre os primeiros a chegar
em locais de ocorrências envolvendo produ-
Acidente envolvendo produtos perigosos. Fonte: blogs-
tos perigosos em áreas públicas. O escopo pot.com
do CIPP é facilitar e orientar as ações da as-
sistência especializada, minimizar os danos Saiba mais...
ao meio ambiente e os efeitos decorrentes No site da Associação Brasileira das
de vazamentos, explosões e incêndios nas Indústrias Químicas e de Produtos Deriva-
comunidades e o devido gerenciamento do dos http://www.abiquim.org.br/abiquim/
local sinistrado.Caso queira aprofundar seus institucional/quem-somos (ABIQUIM) você
conhecimentos sobre o tema, lembre-se de encontrará mais informações sobre produ-
matricular no próximo ciclo. tos perigosos.

1.1.5 Incêndios
O risco determinado por incêndios
pode ser gerenciado por você através de al-
gumas medidas:
• Combater imediatamente o foco
com extintores de incêndio, sem-
pre tendo como priori¬dade a pró-
pria segurança e a da pessoa a ser
atendida, e como segundo objeti-
vo a preservação do patrimônio;
• Utilizar equipamento de proteção
individual para o combate a incên-
dios em desenvolvimento.

Incêndio causado pelo acidente. Fonte: PRF

1.1.6 Veículo em posição instável


O risco determinado pela posição ins-
tável do veículo no acidente pode ser geren-
ciado por você através de algumas medidas:
• Sempre estabilizar o veículo antes
de adentrar o mesmo;
• Utilizar procedimentos espe-
ciais de estabilização em veículo
laterali¬zado, capotado ou em ter-
renos inclinados, podendo ser com
pedaços de madeira ou mesmo
cordas;
• Uma estabilização eficiente em ve- ribanceiras, é solicitar a caminho-
ículos sobre a pista é murchar os neiros pedaços de corda e amarrar
pneus para que não andem quan- o veiculo a uma árvore, ou a um
do você estiver em seu interior; caminhão que esteja carregado;
• Sempre que possível acionar o freio • Nunca amarre um automóvel a
de mão; outro automóvel, pois o veícu-
• Outra maneira eficiente quando se lo acidentado poderá arrastar o
tratar de automóveis a margem de outro.

1.1.7 Perigos do veículo


Bateria Cintos de segurança
Risco: descarga elétrica, podendo com pré-tensionadores
produzir incêndio. “Cintos de segurança são dispositivos
Conduta: desconectar o cabo negati- de segurança passiva acionados, em ge-
vo (preto) da bateria. ral, pirotecnicamente (explosão). Reduzem
abruptamente a distância entre o cinto de
Air bag segurança e o usuário durante o momen-
Risco: o acionamento retardado pode to do impacto em acidente com grande
provocar agravamento das lesões dissipação de energia, proporcionando a
em vitimados posicionados próxi- redução das possíveis lesões. Os cilindros
mos ao air bag. Ao se aproximar da acionadores são geralmente interligados ao
vítima, verifique se o veículo possui sistema do air bag.
air bag ou se este foi acionado. ­Risco: geram movimentação abrupta
­onduta: ficar distante do alcance
C adicional ao ocupante vitimado,
do air bag, ou usar um dispositivo podendo agravar as lesões. Ofe-
ou outro meio para neutralizar o recem risco adicional de incêndio
acionamento, como por exemplo, e explosão, pois ao acionar pode
executar uma amarração firme em ocorrer ignição no habitáculo ga-
volta do volante.
sado por substância inflamável.
Importante!
­Conduta: Tratar com as mesmas pre-
No caso de air bag do passageiro, em cauções do air bag. Retirar o mais
alguns modelos de veículos, o equipa- rápido possível do vitimado o cin-
mento pode ser desativado utilizando- to de segurança conectado. O uso
-se a chave de ignição, na lateral do pai- de uma faca, canivete ou tesoura é
nel frontal, próximo à porta do carona.
recomendado. Sempre corte o cin-
to acima da cabeça da vítima, pois
Saiba mais...
com sua retração rápida ele pode
http://pt.wikipedia.org/wiki/Airbag lesioná-lo.

1.1.8 Acionamento de recursos


Após providenciar a segurança do lo- com circunscrição sobre a via, perícia, veícu-
cal, você deve verificar quais recursos serão los de remoção de cadáveres, concessioná-
necessários: ambulância, bombeiros, órgão rios de serviços públicos, etc.
Importante!
Jamais realize o atendimento se o risco
não for aceitável.

Os números de emergência
• 190 – Polícia Militar
• 191 - PRF
• 192 – SAMU
• 193 – Bombeiros
• 198 – PRE
• 0800 11 8270 – ABIQUIM (Associação Brasileira
das Indústrias Químicas)
Informe-se dos telefones das guardas
municipais de sua região.
AULA 2
Cinemática do trauma

Acidente de automóvel . Fonte – PRF

Ao se deparar com uma cena como a da figura acima,você


seria capaz de estimar as possíveis lesões sofridas pelos ocupan-
tes do veiculo?

2.1 Definindo cinemática do trauma


Uma técnica que auxilia na estimati- Cinemática do trauma é ...
va das possíveis lesões é a análise da cine- O processo de avaliar a cena de um
mática do trauma, que nada mais é do que acidente para determinar as prováveis le-
observar o veículo, visualizando onde as sões, com base nas forças e nos movimen-
forças atuaram na colisão. De acordo com a tos envolvidos no trauma.
localização dos danos, você poderá prever A seguir você irá conhecer os principais
onde se encontram as principais lesões nas padrões de colisões, necessários a um bom
vítimas. entendimento da cinemática do trauma.
2.1 Impacto frontal

O veículo colide de frente, podendo A


a trajetória da vítima ser para frente e para
baixo, quando o veiculo sobe um barran-
co, por exemplo, ou para frente e para cima
quando desce à margem da estrada. Nas fi-
guras 39 e 40, os pontos amarelos indicam
os prováveis locais das lesões:
B
A – Para frente e para cima:
Lesões: Principalmente crânio, cervi-
cal, tórax, pelve, e outras.

B – Para frente e para baixo:


Lesões: Principalmente pelve, fêmur, Prováveis locais das lesões provocadas pelacolisão fron-
joelho, e outras. tal. Fonte: NAT/UFSC

2.2 Colisão traseira

O veículo é colidido por trás, o que


geralmente ocorre em congestionamentos.
Nestas situações, o veiculo é subitamente
acelerado para frente, provocando uma hi-
perextensão do pescoço, com possível lesão
de cervical devido ao efeito chicote. Se o
motorista não estiver contido pelo cinto de
segurança, poderá bater com a parte frontal
do crânio no parabrisas, sofrendo uma lesão
típica de colisão frontal.
Importante!
Em toda colisão traseira com grandes
estragos no veículo, deve se suspeitar
Colisão traseira . Fonte: Internet de lesão cervical.

2.3 Impacto lateral


Ocorre quando o veículo é atingido podem ocorrer lesões secundárias no lado
em um dos lados, podendo essa colisão ser: oposto. A gravidade das lesões varia de
• No centro de gravidade, ou; acordo com a invasão do habitáculo pela
• Fora do centro de gravidade lataria do veículo. Ocorrem geralmente em
cruzamentos.
Geralmente as lesões ocorrem do
lado em que o veículo foi colidido, mas Veja a figura a seguir.
2.3.1 Impacto no centro de gravidade
Quando o impacto ocorrer no cen-
tro de gravidade do veículo, a energia será
absorvida principalmente pela estrutura do
veículo, causando grandes estragos e lesões
em seus ocupantes.

Impacto no centro de gravidade/Pontos. Fonte: PRF

2.3.2 Impacto fora do centro de gravidade


No impacto fora do centro de gravida-
de o veículo sofre uma rotação, fazendo com
que o ocupante gire no mesmo sentido, e de-
pendendo da velocidade e força envolvida,
pode haver lesão cervical, por rotação.
Importante!
Quando o impacto for fora do centro
de gravidade, a energia é dissipada
pelo movimento de rotação do veículo,
causando menos danos na estrutura do Impacto fora do centro de gravidade. Fonte: folhasdo-
veículo. sulonline.com.br

2.4 Capotamento
serão abordados neste curso. É possível ci-
tar as colisões com motocicletas, que são
responsáveis por um número significativo
de mortes todos os anos. No motociclista, as
lesões são agravadas em virtude da energia,
em sua maior parte, ser dissipada no corpo
do condutor devido a ausência de estrutura
que lhe absorva. O atendimento é o mesmo
prestado aos condutores de automóveis.

O veículo sofre impactos de diferen- Importante!


tes direções e ângulos, sendo difícil prever
Quando solicitar recursos adicionais, é
os tipos de lesões, mas normalmente a víti-
muito importante que você informe a
ma apresenta lesões por todo o corpo.
cinemática do trauma, ou seja, aquilo
que você está vendo, os estragos no
Nota
veículo, tipo de veículo e acidente. As-
Nesta aula, você conheceu os princi- sim o profissional da saúde responsável
pais tipos de colisões com suas prováveis poderá prever o dimensionamento da
lesões, mas existem muitos outros que não cena e alocará os recursos necessários.
AULA 3
Abordagem ao vitimado

Nas aulas anteriores, você estu- Agora você irá estudar como efetuar
dou sobre os perigos presentes na cena a abordagem de um vitimado de forma cor-
de um acidente, gerenciando os riscos. reta, mantendo as funções vitais e evitan-
Também conheceu os tipos de colisões do o agravamento de lesões. Como você já
automobilísticas mais frequentes, com as chamou os recursos adicionais deverá apro-
lesões decorrentes, de acordo com o tipo ximar-se da vítima a fim de verificar quais as
de colisão. suas necessidades.

3.1 EPI Básico para socorro as vítimas


Antes de atender, no entanto, você
deverá tomar as precauções universais, que
são medidas de proteção contra agentes
biológicos. O equipamento de proteção in-
dividual (EPI) básico, para efetuar o socorro
a uma vítima que apresente trauma com
sangramentos é a luva de procedimentos.
As luvas de procedimentos são itens
de segurança indispensáveis para o condu-
tor de veículo de emergência, mas para uma
melhor proteção contra fluídos corporais,

Luvas de procedimentos, máscara facial e óculos de se- você deve usar ainda máscara facial e
gurança. Fonte: NAT/UFSC óculos de segurança.
3.2 ABC da vida para Suporte básico de vida (SBV)
Para uma correta e segura aborda- • C - Circulação
gem, você irá efetuar o atendimento em
• D - Desabilitado (avaliação neuro-
uma sequência que tecnicamente chama-
lógica);
-se de protocolo. Esse atendimento inicial
é chamado de exame primário, ou ABC da • E - Exposição.
vida para suporte básico de vida (SBV), e é Além do atendimento envolvendo os
executado na seguinte ordem: aspectos acima, faz-se necessário controlar
• A - Abertura das vias aéreas; a cervical.
• B - Respiração; Estude a seguir, cada um deles!

A – Abertura das vias aéreas


A abertura das vias aéreas é o primeiro
passo essencial na assistência e tratamento
de uma pessoa, pois permite a entrada de ar
nos pulmões, que será levado pelo sangue
até os órgãos vitais.
Uma das técnicas utilizadas para
abertura das vias aéreas em vítimas de trau-
ma é a técnica de tração da mandíbula.
Para execução da técnica de tração
manual da mandíbula siga os seguintes
passos:
1. Deite a pessoa de costas e posicio-
Técnica de tração da mandíbula. Fonte: PRF
ne-se ao lado.
Importante!
2. Estabilize a cabeça e pescoço com
- Use este método sempre que a vítima
uma das mãos.
apresentar suspeita de lesão cervi¬cal;
3. Coloque o polegar e o indicador - Outros passos são inúteis se você não
em forma de pinça no mento (quei- mantiver as vias aéreas permeáveis;
xo) ou dentes inferiores e mento. - Se você for leigo em primeiros socor-
4. Efetue a manobra, puxando a man- ros, trate todas as vítimas de trauma
díbula, como mostra a figura ao como portadoras de lesão cervical.
lado. Saiba mais...
Tal manipulação não deve ser feita Conheça outros métodos de abertura
em vítima consciente, pois ela poderá mor- de vias aéreas, clicando aqui. https://www.
der sua mão. youtube.com/watch?v=SOcy3S73W7Y)

B- Respiração
O segundo passo da avaliação é veri- • Veja a expansão do tórax;
ficar se a vítima está respirando, o que você • Ouça o ar sendo exalado;
deverá fazer através dos seguintes passos:
• Sinta o ar exalado na temperatura cor-
• Verifique a presença de respiração; poral.
Dependendo da intensidade da res-
piração, é possível verificar simplesmente
contando os movimentos respiratórios.
A ausência de respiração requer ma-
nobras de reanimação cardiopulmonar ime-
diatas. As diretrizes para reanimação cardio-
pulmonar foram recentemente alteradas
pela AHA (American Heart Association).

Saiba mais...
Para conhecer as novas diretrizes da
AHA para reanimação cardiopulmonar leia
Avaliação da respiração. atentamente o texto Guidelines AHA 2010 dis-
Fonte: saiba_como.blogs.sapo.pt/ ponibilizado como material complementar.

C – Circulação
Após constatar que a vítima respira, Verifique a presença de hemor-
você deverá verificar a circulação. Nesta eta- ragias externas
pa siga os seguintes passos:
Com suas mãos, apalpe as costas do
1. Verifique o pulso carotídeo; vitimado, olhando as mãos a cada apalpada
2. Verifique a presença de hemorra- a fim de identificar sangramentos. Na parte
gia interna; visível, levante as roupas ou corte se for ne-
3. Verifique evidências de hemorra- cessário.
gia externa.
Estude a seguir sobre cada um deles.

Verifique o pulso carotídeo


Com seus dedos - médio e indicador
-, sinta a artéria carótida no pescoço da ví-
tima. Se não houver pulso inicie a Reanima-
ção Cárdio Pulmonar(RCP) imediatamente.
Se você é leigo e nunca fez RCP, faça
apenas compressões. Comprima forte no
centro do peito, no mínimo 100 compres-
sões por minuto, sem efetuar respiração
boca a boca.

Pulso Carotídeo. Fonte: PRF Verificação de hemorragias externas. Fonte: PRF


VERIFIQUE EVIDÊNCIAS DE Pulso radial.
Fonte: Internet
HEMORRAGIA INTERNA Valores normais
de pulso radial
Não há muito que fazer quanto a he- estão entre 60 e
morragias internas fora do ambiente hos- 100 batimentos
pitalar, no entanto sua identificação indica por minuto.
que a vítima deve ser transportada imedia-
tamente a um hospital.
A verificação dos seguintes sinais vi-
Respiração: Verifique e conte a respi-
tais pode dar uma indicação da presença de
ração da vítima. Valores acima de 20 respi-
hemorragia interna: rações por minuto também são um indicio
Pulso radial: Com os dedos indica- de choque;
dor e médio apalpe o pulso radial. Valores Temperatura: Uma pele fria e úmida
acima de 100 batimentos por minuto po- significa que a vítima está perdendo sangue
dem indicar estado de choque; e, consequentemente, calor corporal.

D – Desabilitado (avaliação neurológica)


Após executar o ABC, você pode veri- Saiba mais....
ficar o estado neurológico da vítima através Para conhecer sobre a Escala de Coma
de algumas perguntas num processo cha- Glasgow, acesse http://www.medicinain-
mado Escala de Coma de Glasgow (ECG). tensiva.com.br/glasgow.htm.

E – Exposição
Com cuidado retire as roupas da víti- necessário ao atendimento. Aja com
ma a fim de verificar possíveis lesões, pois ética e discrição.
roupas espessas podem mascarar uma he-
morragia grave. Saiba mais...
Se você quer saber mais sobre a ava-
IMPORTANTE!
liação primária, clique aqui. http://wtisaude.
Ao retirar a roupa de uma pessoa viti- com.br/cirurgia-urgencia/avaliacao-e-atendi-
mada seja discreto e retire somente o mento-inicial-ao-paciente-politraumatizado/

3.3 Controle da cervical


Ao abordar a vítima, mantenha a co-
luna cervical imobilizada. Se estiver só, peça
ajudara outra pessoa. A imobilização manu-
al deve ser mantida até que o socorro che-
gue para substituí-lo.

Controle da cervical .
Fonte: PRF
AULA 4
Controle de hemorragias
Na aula anterior você estudou o exa- controlada. O sistema circulatório é um sis-
me primário em uma vítima e também os tema fechado. Uma hemorragia abundante
passos do atendimento inicial que são: faz com que o sistema entre em colapso em
curto espaço de tempo. A perda de sangue
• Abertura das vias aéreas;
provoca a falta de oxigenação nos órgãos
• Verificação da respiração; vitais, principalmente no cérebro, levando
• Verificação da circulação; a vítima a sofrer um choque hipovolêmico.

• Verificação das hemorragias.


Importante!
Agora você irá aprofundar seus co-
nhecimentos no controle das hemorragias. O choque hipovolêmico é caracteriza-
do pela perda de grandes quantidades
Você estudou que quando o exame
de sangue e líquidos, que pode levar à
primário é executado, o controle das vias
morte em poucos minutos.
aéreas é o primeiro passo na assistência ao
vitimado porque permite a entrada de ar
Saiba mais...
nos pulmões, que será levado pelo sangue
até os órgãos vitais. É o sangue transporta o Para saber mais sobre choque hipo-
oxigênio a todas as partes do corpo huma- volêmico, clique aqui. http://www.tuasau-
no, por isso qualquer hemorragia deve ser de.com/choque-hipovolemico/

4.1 - Hemorragias externas


Uma hemorragia externa pode ser vi- • Venosas: provêm das camadas
sualizada pelo sangue que sai do corpo atra- mais profundas do tecido, e é con-
vés de um ferimento. Os sangramentos são trolada com pressão direta. Em ge-
classificados em: ral não ameaçam a vida, a não ser
que não sejam controladas. O san-
• Capilares: causada por escoria-
gue tem uma coloração escura;
ções. Geralmente cessam rapida-
mente sem interferência externa; • Arteriais: São as mais importan-
tes e difíceis de serem controladas ferimento. Mesmo um pequeno fe-
porque o sangue sai sob pressão. O rimento em uma artéria pode ame-
sangue é vermelho vivo e jorra do açar a vida.

Tipos de hemorragias externas. Fonte: concursosparaenfermagem.blo-


gspot.com

4.1.2 Controle de hemorragias externas


A hemorragia externa pode ser con- Torniquete
trolada através das seguintes técnicas:
Antes considerada como a técnica
• Pressão direta; do “último recurso”, experiências militares
• Torniquete. no Iraque e Afeganistão, somadas ao uso
rotineiro e seguro pelos cirurgiões levou a
Veja cada uma delas! uma reconsideração dessa posição. Os tor-
niquetes são muito eficazes no controle de
Pressão direta hemorragias, e devem ser usados quando
Como o nome já diz, é aplicada uma a pressão direta e curativo de pressão não
pressão sobre o ferimento. Em uma emer- consigam controlar uma hemorragia de ex-
gência a pressão pode ser inicialmente feita tremidade (PHTLS, 2013, p. 115).
com a mão, daí a importância de sempre ter
alguns pares de luvas descartáveis consigo.
A pressão ainda pode ser feita com:
• ­Compressas de gaze;
­• Uma parte da roupa da própria ví-
tima, como uma camiseta, por
exemplo.

Demonstração da técnica de pressão direta. Fonte: Demonstração do uso do torniquet. Fonte: aseguranca-
ebah.com.br dotrabalhador.blogspot.com
Leia a seguir as considerações so- estar relacionados a quantidade de tempo
bre o uso do torniquete publicadas pela que permanecem aplicados e sua eficácia e
AHA (American Heart Association) publi- parcialmente dependente do tipo de torni-
cadas no Guidelines 2010. quete. Em geral, torniquetes especialmente
projetados são melhores do que os improvi-
Devido aos possíveis efeitos adver-
sados. (GUIDELINES, 2010, p. 29)
sos de torniquetes e a dificuldade de sua
correta aplicação, seu uso para controlar Note que tanto o publicado no PHTLS
hemorragias das extremidades é indicado quanto no Guidelines 2010, o uso do torni-
somente se a aplicação de pressão direta quete, apesar de eficaz no controle de he-
não for eficaz ou possível e se o prestador morragias, só é aconselhado nos caso em
de primeiro socorros tiver treinamento no que a pressão direta não seja eficaz para
uso de torniquete. controlar uma hemorragia.
Motivo: São várias as experiências
Importante!
com o uso de torniquetes para controlar
hemorragias em campos de batalha e não Qualquer gota de sangue é importan-
há duvida de que eles funcionam nas cir- te, por isso o controle das hemorragias
cunstâncias corretas e com o treinamento deve ser feito por você o mais breve
adequado. No entanto, não existem dados possível, pois o socorro pode demorar
sobre o uso de torniquetes por prestadores e uma pequena perda de sangue por
de primeiros socorros. Os efeitos adversos muito tempo pode levar a pessoa a
dos torniquetes, que podem incluir isque- morte, ou deixar sequelas irreversíveis
mia e gangrena da extremidade, bem como pela falta de oxigenação em órgãos vi-
choque ou até mesmo a morte, parecem tais.

4.2 Choque
O choque possui muitas definições, células é inadequado para atender o meta-
mas para o primeiro atendimento, é mais im- bolismo. Existem vários tipos de choque, e os
portante saber que é um estado de hipoper- sinais e sintomas são os mesmos. Neste cur-
fusão celular, onde o nível de oxigênio nas so, você irá estudar o choque hemorrágico.

4.2.1 Choque hemorrágico


Quando o organismo perde sangue, • Respiração – Respiração acima de
ele tenta compensar essa perda de alguma 20 rpm – respirações por minuto
maneira, pois precisa manter a oxigenação indica uma situação limite, e acima
de órgãos vitais. Uma perda acentuada de de 30 rpm considere a vítima em
sangue irá desencadear alguns sinais e sin- choque.
tomas (PHTLS, 2013). • Pele fria e úmida – O organismo
diminui a circulação periférica, a
Conforme citado na aula 3, é necessá- fim de compensar a perda de san-
rio a verificação dos sinais vitais para detec- gue.
tar possíveis sinais de hemorragia interna e
O estado de choque é irreversível no
estado de choque, quais sejam:
ambiente pré-hospitalar e pode levar a mor-
• Pulso rápido e fraco – Pulso entre te, por isso o controle das hemorragias ex-
100 e 120 bpm - batimentos por ternas é tão importante.
minuto indica que a vítima está em Após o choque instalado não será
fase inicial de choque. Acima de possível reverter, mas você pode tratá-lo
120, você deve considerar o cho- para que não evolua atuando da seguinte
que como instalado. maneira:
• Mantenha as vias aéreas permeá- Importante!
veis; Caso você identifique uma situação de
• Mantenha o calor corporal; choque e esteja em local que o socorro
demore muito a chegar, avalie a possi-
• Trate as hemorragias externas; bilidade de imobilizar a vítima e trans-
• Avalie a possibilidade de trans- portar indo ao encontro da ambulân-
porte. cia, pois o choque pode matar em curto
espaço de tempo.

4.3 O que não fazer durante um atendimento


Ao abordar uma vítima, você deverá • Ao iniciar o atendimento não aban-
efetuar o exame primário e atender a víti- done a vítima, a não ser para pedir
ma com ética e profissionalismo, mas deve auxílio;
atentar para o seguinte:
• Não exponha a vítima em sua inti-
• Não retire a vítima do automóvel ou
midade, pois em qualquer ocorrên-
da posição que se encontra se você
não tiver equipamentos. A não ser cia poderá haver registro através
que seja necessário para o atendi- de fotos ou filmagens;
mento ou o local ofereça riscos; • Caso seja extremamente necessá-
• Não se aproxime se o local não ofe- rio retirar a vítima do veículo, devi-
recer segurança; do ao risco de incêndio, veículo ins-
• Quando atender motociclistas, só tável ou Parada Cardio Respiratória,
retire o capacete caso a vítima não utilize a técnica conhecida como
esteja respirando; Chave de Rauteck.

4.3.1 Passos para execução da Chave de Rauteck:


• Liberar o cinto de segurança e os • Segurar, com sua mão direita, a vítima
pés da vítima; pela roupa (cinto da calça, por exem-
plo) junto com seu braço direito;
• Com o rosto voltado para a frente
do carro, passar o braço direito por • Girar a vítima 90º graus para a direi-
trás do ombro direito da vítima e, ta e removê-la vagarosamente.
em seguida, sob sua axila;
• Pressionar a face da vítima contra a Saiba mais...
do socorrista com a mão esquerda, Assista ao vídeo http://www.youtube.
para garantir estabilidade ao pes- com/watch?v=uXq7h7hyrq8 para visualizar
coço; os passos da Chave de Rauteck.
FINALIZANDO
Neste módulo, você estudou que:
• Ao se aproximar do local do acidente, você deve atentar para o gerenciamento dos
riscos, observando sobre os seguintes aspectos: sinalização do local; vazamento
de combustível; eletricidade; produtos perigosos; incêndios; veículo em posição
instável; perigos do veículo e acionamento de recursos adicionais.
• Cinemática do trauma é o processo de avaliar a cena de um acidente para deter-
minar as prováveis lesões, com base nas forças e nos movimentos envolvidos no
trauma.
• O equipamento de proteção individual (EPI) básico, para efetuar o socorro a uma
vítima que apresente trauma com sangramentos é a luva de procedimentos.
• Para uma correta e segura abordagem, você irá efetuar o atendimento em uma
sequência que tecnicamente chama-se de protocolo. Esse atendimento inicial é
chamado de exame primário, ou ABC da vida para suporte básico de vida (SBV),
e é executado na seguinte ordem: A - Abertura das vias aéreas; B- Respiração; C –
Circulação; D – Desabilitado (avaliação neurológica); E – Exposição. Além disso, é
necessário realizar o controle da cervical.
• Uma hemorragia abundante faz com que o sistema entre em colapso em curto
espaço de tempo. A perda de sangue provoca a falta de oxigenação nos órgãos
vitais, principalmente no cérebro, levando a vítima a sofrer um choque hipovolê-
mico.
GABARITO

MÓDULO 1 MÓDULO 3
1) c. ( X ) veículo automotor com capa- 1. V / V / F / F
cidade para até 9 ocupantes e PBT
2. Marque a alternativa correta nos
até 3500 kg.
itens que seguem:
2) d. ( X ) dispositivo luminoso verme-
a. ( x ) Abertura das vias aéreas.
lho e alarme sonoro.
b. ( x ) 60 a 100 bpm.
3) A - ( X ) o condutor de veículo de
emergência deverá apresentar, c. ( x ) Sinalizar o local.
além da carteira de habilitação 3 - ( x ) O torniquete é uma técnica em
original, o certificado do curso es- desuso na contenção de hemorra-
pecializado correspondente a este gias.
curso.

MÓDULO 2 MÓDULO 4
1) V / F / V / V
1- F/V/V/F
2) b) Seus sintomas básicos estão
2 - d) Para defender-se das condições associados às manifestações de ir-
adversas de veículo é importante ritação e agressividade numa espé-
fazer revisões periódicas e provi- cie de exaustão emocional.
denciar o reparo de peças danifica-
das. 3) b) 2 – 3 – 1 – 2 – 3
3 - a) Tirar o pé do acelerador e segu- 4) ( X ) O agente de Segurança Pública
rar firme o volante, até que a ade- é alvo de observação constante e
rência se restabeleça. deve ser exemplo de postura ética.