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TJ-PE

2 Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nº 201/2015. ..................................................... 1


3 Lei nº 8.666/1993 e suas alterações. 3.1 Artigo 3º. ......................................................................... 14
4 Decreto nº 7.746/2012. ................................................................................................................... 18
5 Política Nacional sobre Mudanças do Clima (Lei nº 12.187/2009.................................................... 24
6 Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010). .......................................................... 30
7 Conceito de Desenvolvimento Sustentável. .................................................................................... 50
8 Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P). ....................................................................... 63

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2 Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nº 201/2015.

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RESOLUÇÃO 201, DE 3 DE MARÇO DE 2015

Dispõe sobre a criação e competências das unidades ou núcleos socioambientais nos órgãos e
conselhos do Poder Judiciário e implantação do respectivo Plano de Logística Sustentável (PLS-PJ)

O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ), no uso de suas atribuições legais


e regimentais,

CONSIDERANDO o disposto no artigo 170, VI, da Constituição da República Federativa do Brasil, que
trata da defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto
ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; bem como artigo 225
que estabelece que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado;
CONSIDERANDO o disposto no artigo 3º da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, que cuida das normas
para licitações e contratos da Administração Pública e Decreto 7.746, de 5 de junho de 2012, que
regulamenta o artigo 3º da citada Lei, estabelecendo critérios, práticas e diretrizes para a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável nas contratações realizadas pela Administração Pública Federal;
CONSIDERANDO a Lei 12.187, de 29 de dezembro de 2009, que instituiu a Política Nacional de
Mudança de Clima, com diretrizes ao estímulo e apoio à manutenção e promoções de padrões
sustentáveis de produção e consumo e como um de seus instrumentos à adoção de critérios de
preferência nas licitações e concorrências públicas para as propostas que propiciem maior economia de
energia, água e outros recursos naturais e a redução da emissão de gases de efeito estufa e de resíduos;
e o disposto na Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos
e Decreto 7.407, que regulamenta a supracitada Lei;
CONSIDERANDO as diretrizes contidas na Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que dispõe sobre
a informatização do processo judicial e a Resolução CNJ 185/2013, a qual institui o Processo Judicial
Eletrônico (PJe), que destaca a necessidade de estabelecimento de diretrizes e critérios para a
racionalização dos recursos orçamentários, pautados na eficiência do gasto público e melhoria contínua
da gestão de processos de trabalho;
CONSIDERANDO a Resolução CNJ 114/2010, que dispõe sobre o planejamento, a execução e o
monitoramento de obras, bem como os parâmetros e orientações para precificação, elaboração de editais,
composição de Benefícios e Despesas Indiretas (BDI), critérios mínimos para habilitação técnica e
cláusulas essenciais nos novos contratos de reforma e construção de imóveis no Poder Judiciário; e a
Resolução CNJ 198/2014, que dispõe sobre o Planejamento e a Gestão Estratégica no âmbito do Poder
Judiciário, classificando como atributo de valor judiciário a Responsabilidade Socioambiental;
CONSIDERANDO as Recomendações CNJ 11/2007 e 27/2009, que tratam da inclusão de práticas de
socioambientais nas atividades rotineiras dos tribunais e a necessidade de atualizá-la no PJe;
CONSIDERANDO os modelos de boas práticas de gestão sustentável do Poder Executivo, constantes
das Instruções Normativas CNJ 1/2010; 10/2012, que estabelecem regras para elaboração dos Planos
de Gestão de Logística Sustentável de que trata o art. 16 do Decreto 7.746, de 5 de junho de 2012; e 2,
de 4 de junho de 2014, o qual dispõe sobre a economia de energia nas edificações públicas;
CONSIDERANDO as recomendações do Tribunal de Contas da União, dispostas no Acórdão 1752,
de 5 de julho de 2011, que trata das medidas de eficiência e sustentabilidade por meio do uso racional
de energia, água e papel adotadas pela Administração Pública;
CONSIDERANDO a efetiva influência do Poder Público na atividade econômica nacional,
especialmente por meio das contratações necessárias para o bom desenvolvimento de suas atividades e
efetiva prestação de serviços ao público em geral e a importância de ações planejadas e continuadas
ligadas à mobilização e sensibilização para questões socioambientais no âmbito do Poder Judiciário;
CONSIDERANDO a decisão plenária tomada no julgamento do Ato Normativo 0005176-
96.2014.2.0000 na 203ª Sessão Ordinária, realizada em 3 de março de 2015;

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RESOLVE:

CAPÍTULO I
DA CRIAÇÃO DAS UNIDADES OU NÚCLEOS SOCIOAMBIENTAIS NO PODER JUDICIÁRIO E
SUAS COMPETÊNCIAS

Art. 1º Os órgãos do Poder Judiciário relacionados nos incisos I-A a VII do art. 92 da Constituição
Federal de 1988 bem como nos demais conselhos, devem criar unidades ou núcleos socioambientais,
estabelecer suas competências e implantar o respectivo Plano de Logística Sustentável (PLS-PJ).

Art. 2º Os órgãos e conselhos do Poder Judiciário deverão adotar modelos de gestão organizacional
e de processos estruturados na promoção da sustentabilidade ambiental, econômica e social.

Art. 3º Para os fins desta Resolução, consideram-se:


I – visão sistêmica: identificação, entendimento e gerenciamento de processos interrelacionados como
um sistema que contribui para a eficiência da organização no sentido de atingir os seus objetivos;
II – logística sustentável: processo de coordenação do fluxo de materiais, de serviços e de informações,
do fornecimento ao desfazimento, que considerando o ambientalmente correto, o socialmente justo e o
desenvolvimento econômico equilibrado;
III – critérios de sustentabilidade: métodos utilizados para avaliação e comparação de bens, materiais
ou serviços em função do seu impacto ambiental, social e econômico;
IV - práticas de sustentabilidade: ações que tenham como objetivo a construção de um novo modelo
de cultura institucional visando à inserção de critérios de sustentabilidade nas atividades do Poder
Judiciário;
V – práticas de racionalização: ações que tenham como objetivo a melhoria da qualidade do gasto
público e o aperfeiçoamento contínuo na gestão dos processos de trabalho;
VI – coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente separados conforme sua constituição ou
composição com destinação ambientalmente adequada;
VII – coleta seletiva solidária: coleta dos resíduos recicláveis descartados, separados na fonte
geradora, para destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis;
VIII – resíduos recicláveis descartados: materiais passíveis de retorno ao seu ciclo produtivo, rejeitados
pelos órgãos do Poder Judiciário;
IX – material de consumo: todo material que, em razão de sua utilização, perde normalmente sua
identidade física e/ou tem sua utilização limitada a dois anos;
X - gestão documental: conjunto de procedimentos e operações técnicas para produção, tramitação,
uso e avaliação de documentos, com vistas à sua guarda permanente ou eliminação, mediante o uso
razoável de critérios de responsabilidade ambiental;
XI – inventário físico financeiro: relação de materiais que compõem o estoque onde figuram a
quantidade física e financeira, a descrição, e o valor do bem;
XII – compra compartilhada: contratação para um grupo de participantes previamente estabelecidos,
na qual a responsabilidade de condução do processo licitatório e gerenciamento da ata de registro de
preços serão de um órgão ou entidade da Administração Pública Federal com o objetivo de gerar
benefícios econômicos e socioambientais;
XIII – ponto de equilíbrio: quantidade ideal de recursos materiais necessários para execução das
atividades desempenhadas por uma unidade de trabalho, sem prejuízo de sua eficiência;
XIV – corpo funcional: magistrados, servidores e estagiários;
XV – força de trabalho auxiliar: funcionários terceirizados.

Art. 4º As unidades ou núcleos socioambientais deverão ter caráter permanente para o planejamento,
implementação, monitoramento de metas anuais e avaliação de indicadores de desempenho para o
cumprimento desta Resolução, devendo ser criadas no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias, a partir
da publicação da presente.

Art. 5º As unidades ou núcleos socioambientais deverão estimular a reflexão e a mudança dos padrões
de compra, consumo e gestão documental dos órgãos do Poder Judiciário, bem como do corpo funcional
e força de trabalho auxiliar de cada instituição.

Art. 6º As unidades ou núcleos socioambientais deverão fomentar ações que estimulem:


I - o aperfeiçoamento contínuo da qualidade do gasto público;

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II -o uso sustentável de recursos naturais e bens públicos;
III - a redução do impacto negativo das atividades do órgão no meio ambiente com a adequada gestão
dos resíduos gerados;
IV - a promoção das contratações sustentáveis;
V - a gestão sustentável de documentos, em conjunto com a unidade responsável;
VI - a sensibilização e capacitação do corpo funcional, força de trabalho auxiliar e de outras partes
interessadas; e
VII - a qualidade de vida no ambiente de trabalho, em conjunto com a unidade responsável.
§ 1º A adequada gestão dos resíduos gerados deverá promover a coleta seletiva, com estímulo a sua
redução, ao reuso e à reciclagem de materiais, e à inclusão socioeconômica dos catadores de resíduos,
em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e as limitações de cada município.
§ 2º O uso sustentável de recursos naturais e bens públicos deverá ter como objetivos o combate ao
desperdício e o consumo consciente de materiais, com destaque para a gestão sustentável de
documentos como a implementação de processo judicial eletrônico e a informatização dos processos e
procedimentos administrativos.
§ 3º A promoção das contratações sustentáveis deverá observar a integração dos aspectos
ambientais, econômicos e sociais do desenvolvimento sustentável.
§ 4º As unidades ou núcleos socioambientais, em interatividade com as áreas envolvidas direta ou
indiretamente com as contratações, deverão fomentar a inclusão de práticas de sustentabilidade,
racionalização e consumo consciente, que compreende as seguintes etapas:
I – estudo e levantamento das alternativas à aquisição de produtos e serviços solicitados,
considerando:
a) verificação da real necessidade de aquisição do produto e/ou serviço;
b) existência no mercado de alternativas sustentáveis considerando o ciclo de vida do produto;
c) a legislação vigente e as normas técnicas, elaboradas pela ABNT, para aferição e garantia da
aplicação dos requisitos mínimos de qualidade, utilidade, resistência e segurança dos materiais utilizados;
d) conformidade dos produtos, insumos e serviços com os regulamentos técnicos pertinentes em vigor
expedidos pelo Inmetro de forma a assegurar aspectos relativos à saúde, à segurança, ao meio ambiente,
ou à proteção do consumidor e da concorrência justa;
e) normas da Anvisa quanto à especificação e classificação, quando for o caso;
f) as Resoluções do CONAMA, no que couber;
g) descarte adequado do produto ao fim de sua vida útil, em observância à Política Nacional de
Resíduos Sólidos;
II – especificação ou alteração de especificação já existente do material ou serviço solicitado,
observando os critérios e práticas de sustentabilidade, em conjunto com a unidade solicitante;
III – lançamento ou atualização das especificações no sistema de compras e administração de material
da instituição;
IV - dentre os critérios de consumo consciente, o pedido de material e/ou planejamento anual de
aquisições deverão ser baseados na real necessidade de consumo até que a unidade possa atingir o
ponto de equilíbrio.
§ 5º. O histórico de consumo da unidade deverá ser considerado para monitoramento de dados e
poderá ser um dos critérios utilizados no levantamento da real necessidade de consumo.
§ 6º A sensibilização e capacitação do corpo funcional, força de trabalho auxiliar e, quando for o caso,
de outras partes interessadas deverão estimular de forma contínua o consumo consciente e a
responsabilidade socioambiental no âmbito da instituição.
§ 7º A qualidade de vida no ambiente de trabalho deve compreender a valorização, satisfação e
inclusão do capital humano das instituições, em ações que estimulem o seu desenvolvimento pessoal e
profissional, assim como a melhoria das condições das instalações físicas.
Art. 7º As unidades ou núcleos socioambientais deverão, preferencialmente, ser subordinados à alta
administração dos órgãos tendo em vista as suas atribuições estratégicas e as mudanças de paradigma
que suas ações compreendem.

Art. 8º Os órgãos e conselhos do Poder Judiciário deverão implementar o Plano de Logística


Sustentável do Poder Judiciário (PLS-PJ), de acordo com o Capítulo II desta Resolução.

Art. 9º O CNJ deverá publicar anualmente, por intermédio do Departamento de Pesquisas Judiciárias
(DPJ), o Balanço Socioambiental do Poder Judiciário, fomentado por informações consolidadas nos
relatórios de acompanhamento do PLS-PJ de todos os órgãos e conselhos do Poder Judiciário.

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CAPÍTULO II
DO PLANO DE LOGÍSTICA SUSTENTÁVEL DO PODER JUDICIÁRIO (PLS-PJ)

Art. 10. O PLS-PJ é instrumento vinculado ao planejamento estratégico do Poder Judiciário, com
objetivos e responsabilidades definidas, ações, metas, prazos de execução, mecanismos de
monitoramento e avaliação de resultados, que permite estabelecer e acompanhar práticas de
sustentabilidade, racionalização e qualidade que objetivem uma melhor eficiência do gasto público e da
gestão dos processos de trabalho, considerando a visão sistêmica do órgão.

Art. 11. Ficam instituídos os indicadores mínimos para avaliação do desempenho ambiental e
econômico do Plano de Logística Sustentável do Poder Judiciário (PLS-PJ), conforme Anexo I, que devem
ser aplicados nos órgãos e conselhos do Poder Judiciário.

Art. 12. Os órgãos e conselhos do Poder Judiciário deverão constituir comissão gestora do PLS-PJ
composta por no mínimo 5 (cinco) servidores, que serão designados pela alta administração no prazo de
30 dias a partir da constituição das unidades ou núcleos socioambientais.
§ 1º A comissão gestora do PLS-PJ será composta, obrigatoriamente, por um servidor da unidade ou
núcleo socioambiental, da unidade de planejamento estratégico e da área de compras ou aquisições do
órgão ou conselho do Poder Judiciário.
§ 2º A comissão gestora do PLS-PJ terá a atribuição de elaborar, monitorar, avaliar e revisar o PLS-
PJ do seu órgão.

Art. 13. O PLS-PJ será aprovado pela alta administração do órgão.


§ 1º O PLS-PJ poderá ser subdividido, a critério de cada órgão, em razão da complexidade de sua
estrutura.
§ 2º Os PLS-PJ dos órgãos seccionais da Justiça Federal deverão estar em conformidade com o PLS-
PJ do órgão a que é subordinado.

Art. 14. O PLS-PJ deverá conter, no mínimo:


I – relatório consolidado do inventário de bens e materiais do órgão, com a identificação dos itens nos
quais foram inseridos critérios de sustentabilidade quando de sua aquisição;
II – práticas de sustentabilidade, racionalização e consumo consciente de materiais e serviços;
III – responsabilidades, metodologia de implementação, avaliação do plano e monitoramento dos
dados;
IV – ações de divulgação, sensibilização e capacitação.

Art. 15. A elaboração e atualização do inventário de bens e materiais, adquiridos pelo órgão no período
de um ano, deverão ser feitas em conformidade com a normatização interna de cada órgão do Poder
Judiciário conforme definição no art. 3º, XII.

Art. 16. As práticas de sustentabilidade, racionalização e consumo consciente de materiais e serviços


deverão abranger, no mínimo, os seguintes temas:
I – uso eficiente de insumos e materiais considerando, inclusive, a implantação do PJe e a
informatização dos processos e procedimentos administrativos;
II – energia elétrica;
III – água e esgoto;
IV – gestão de resíduos;
V – qualidade de vida no ambiente de trabalho;
VI – sensibilização e capacitação contínua do corpo funcional, força de trabalho auxiliar e, quando for
o caso, de outras partes interessadas;
VII – contratações sustentáveis, compreendendo, pelo menos, obras, equipamentos, combustível,
serviços de vigilância, de limpeza, de telefonia, de processamento de dados, de apoio administrativo e de
manutenção predial, conforme artigo 15;
VIII – deslocamento de pessoal, bens e materiais considerando todos os meios de transporte, com
foco na redução de gastos e de emissões de substâncias poluentes.
Parágrafo único: As práticas de sustentabilidade, racionalização e consumo consciente de materiais e
serviços constantes no Anexo II desta Resolução poderão ser utilizadas como referência na elaboração
dos planos de ação dos PLS-PJ dos conselhos e órgãos do Poder Judiciário.

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Art. 17. As contratações efetuadas pelo órgão ou conselho deverão observar:
I – critérios de sustentabilidade na aquisição de bens, tais como:
a) rastreabilidade e origem dos insumos de madeira como itens de papelaria e mobiliário, a partir de
fontes de manejo sustentável;
b) eficiência energética e nível de emissão de poluentes de máquinas e aparelhos consumidores de
energia, veículos e prédios públicos;
c) eficácia e segurança dos produtos usados na limpeza e conservação de ambientes;
d) gêneros alimentícios.
II - práticas de sustentabilidade na execução dos serviços;
III – critérios e práticas de sustentabilidade no projeto e execução de obras e serviços de engenharia,
em consonância com a Resolução CNJ 114/2010;
IV – emprego da logística reversa na destinação final de suprimentos de impressão, pilhas e baterias,
pneus, lâmpadas, óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens, bem como produtos eletroeletrônicos
e seus componentes, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, observadas as limitações
de cada município.

Art. 18. O PLS-PJ deverá ser formalizado em processo administrativo e, para cada tema citado no art.
16, deverão ser criados planos de ação com os seguintes tópicos:
I – objetivo do plano de ação;
II – detalhamento de implementação das ações;
III - unidades e áreas envolvidas na implementação de cada ação e respectivos responsáveis;
IV – metas a serem alcançadas para cada ação;
V – cronograma de implementação das ações;
VI - previsão de recursos financeiros, humanos, instrumentais, entre outros, necessários para a
implementação das ações.
§ 1º Para os temas listados no art. 16, os resultados alcançados serão avaliados semestralmente e/ou
anualmente pela comissão gestora do PLS-PJ, utilizando os indicadores constantes no Anexo I e banco
de boas práticas.
§ 2º Caso o órgão ou conselho inclua outros temas no PLS-PJ, deverão ser definidos os respectivos
indicadores, contendo: nome, fórmula de cálculo, fonte de dados, metodologia e periodicidade de
apuração.

Art. 19. As iniciativas de capacitação afetas ao tema sustentabilidade deverão ser incluídas no plano
de treinamento de cada órgão do Poder Judiciário.
Parágrafo único. As atividades de ambientação de novos servidores e colaboradores deverão difundir
as ações sustentáveis praticadas, de modo a consolidar os novos padrões de consumo consciente do
órgão.

Art. 20. As seguintes iniciativas da Administração Pública Federal poderão ser observadas na
elaboração dos PLS-PJ:
I – Programa de Eficiência do Gasto Público (PEG), desenvolvido no âmbito da Secretaria de
Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SOF/MP);
II – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), coordenado pela Secretaria de
Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (SPE/MME);
III – Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), coordenada pela Secretaria de Articulação
Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (SAIC/MMA);
IV – Coleta Seletiva Solidária, desenvolvida no âmbito da Secretaria-Executiva do Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome (SE/MDS);
V – Projeto Esplanada Sustentável (PES), coordenado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão, por meio da SOF/MP, em articulação com o Ministério do Meio Ambiente, Ministério de Minas e
Energia e Ministério do Desenvolvimento Social;
VI – Contratações Públicas Sustentáveis (CPS), coordenada pelo órgão central do Sistema de Serviços
Gerais (SISG), na forma da Instrução Normativa 1, de 19 de janeiro de 2010, da Secretaria da Logística
e Tecnologia da Informação (SLTI/MP).
§ 1º Os planos de ação, ou instrumentos similares, das iniciativas elencadas neste artigo, poderão ser
incorporados aos PLS-PJ dos órgãos e conselhos do Poder Judiciário.
§ 2º Os guias de contratações sustentáveis poderão ser utilizados com o objetivo de orientar a inclusão
de critérios e práticas de sustentabilidade a serem observados na aquisição de bens e na contratação de
obras e serviços.

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§ 3º O banco de boas práticas estará disponível no sítio do CNJ, no qual serão elencadas as iniciativas
e ações que resultaram em impacto positivo quanto aos aspectos ambientais, econômicos e sociais na
gestão dos órgãos e conselhos do Poder Judiciário.

CAPÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 21. O PLS-PJ deverá ser elaborado e publicado no sítio dos respectivos órgãos e conselhos do
Poder Judiciário no prazo de cento e oitenta dias, contados a partir da publicação desta resolução.

Art. 22. Os resultados obtidos a partir da implantação das ações definidas no PLS-PJ deverão ser
publicados ao final de cada semestre do ano no sítio dos respectivos conselhos e órgãos do Poder
Judiciário, apresentando as metas alcançadas e os resultados medidos pelos indicadores.

Art. 23. Ao final de cada ano deverá ser elaborado por cada órgão e conselho do Poder Judiciário
relatório de desempenho do PLS-PJ, contendo:
I – consolidação dos resultados alcançados;
II – a evolução do desempenho dos indicadores estratégicos do Poder Judiciário com foco
socioambiental e econômico, de acordo com o previsto no Anexo I;
III – identificação das ações a serem desenvolvidas ou modificadas para o ano subsequente.
§ 1º Os relatórios deverão ser publicados no sítio dos respectivos órgãos e conselhos do Poder
Judiciário e encaminhados, em forma eletrônica, ao CNJ até o dia 20 de dezembro do ano corrente pela
autoridade competente do órgão ou conselho.
§ 2º O DPJ disponibilizará aos órgãos e conselhos do Poder Judiciário acesso ao sistema informatizado
para compilação das informações quanto ao PLS-PJ com o objetivo de padronizar o envio e recebimento
de dados e facilitar a análise dos indicadores que avaliarão o índice de sustentabilidade das instituições.

Art. 24. O PLS-PJ irá subsidiar, anualmente, o Balanço Socioambiental do Poder Judiciário, a ser
publicado pelo CNJ por intermédio do DPJ, no prazo de 180 dias a contar do recebimento do relatório de
desempenho dos órgãos.

Art. 25. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Ministro Ricardo Lewandowski

Anexos
(Disponíveis em: http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=2795)

ANEXO I DA RESOLUÇÃO 201, DE 3 DE MARÇO DE 2015

Indicadores mínimos para avaliação do desempenho ambiental e econômico do PLS-PJ

I – Materiais de Consumo
Papel
Nome do Indicador/Índice Descrição
Apuração

Quantidade (resmas) de papel branco Mensal e


Consumo de papel branco
utilizadas anual
Valor (R$) gasto com a compra de papel Mensal e
Gasto com aquisição de papel branco
branco anual
Quantidade (resmas) de papel reciclado Mensal e
Consumo de papel reciclado
utilizadas anual
Valor (R$) gasto com a compra de papel Mensal e
Gasto com aquisição de papel reciclado
reciclado anual
Consumo total de papel branco e Quantidade total de resmas de papel branco e Mensal e
reciclado reciclado utilizadas anual

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Copos Descartáveis e água engarrafada
Nome do Indicador/Índice Descrição Apuração
Consumo de copos de 200ml Quantidade (centos) de copos de 200 ml/total Semestral e
descartáveis corpo funcional + força de trabalho auxiliar anual
Valor (R$) gasto com a compra de copos de Semestral e
Gasto com aquisição de copos de 200 ml
200 ml anual
Quantidade (centos) de copos de 50 ml/total Semestral e
Consumo de copos de 50ml descartáveis
corpo funcional + força de trabalho auxiliar anual
Valor (R$) gasto com a compra de copos de 50 Semestral e
Gasto com aquisição de copos de 50 ml
ml anual
Gasto total com aquisição de copos Valor (R$) gasto com a compra de copos Semestral e
descartáveis descartáveis (200ml + 50ml) anual
Consumo de água envasada em
Quantidade (unidades) de garrafas Semestral e
embalagens plásticas (com e sem gás –
descartáveis consumidas anual
explicitar o volume em ml ou litro)
Consumo de garrafões de água de 20 Semestral e
Consumo de garrafões de água de 20 litros
litros anual
Gasto com aquisição de água envasada Valor (R$) gasto com a compra de garrafinhas
Semestral e
em embalagens plásticas (com e sem gás plásticas
anual
– explicitar o volume em ml ou litro) (com e sem gás)
Gasto com aquisição de garrafões de 20 Valor (R$) gasto com a compra de garrafões 20 Semestral e
litros litros anual
II - Impressão de documentos e equipamentos instalados
Nome do Indicador/Índice Descrição Apuração
Quantidade total de impressões/corpo funcional Semestral e
Impressões de documentos totais
+ força de trabalho auxiliar anual
Quantidade de equipamentos instalados por Semestral e
Equipamentos instalados
unidade de trabalho anual
Performance dos equipamentos
Quantidade de impressões/equipamentos
instalados (índice de ociosidade baseada Semestral
instalados por unidade de trabalho
na capacidade máxima de impressão)
Gasto com aquisições de suprimentos Valor (R$) gasto com a compra de suprimentos Anual
Valor gasto com a compra de equipamentos de
Gasto com aquisição de impressoras Anual
impressão
Gasto com contratos de outsourcing de
impressão (equipamento + manutenção + Valor (R$) gasto com o posto de impressão Anual
impressão por folha + suprimento)
III - Energia Elétrica
Nome do Indicador Descrição Apuração
Consumo de energia elétrica Mensal e
Quantidade de Kwh consumidos
anual
Consumo de energia elétrica por área Quantidade de Kwh consumidos/total da área Mensal e
construída construída anual
Mensal e
Gasto com energia elétrica Valor (R$) da fatura
anual
Mensal e
Gasto com energia elétrica Valor (R$) da fatura/total área construída
anual
Adequação do contrato de demanda (fora Demanda registrada fora de ponta/demanda
Mensal
de ponta) contratada fora de ponta (%)
Adequação do contrato de demanda Demanda registrada ponta/Demanda
Mensal
(ponta) contratada ponta (5)

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IV - Água e esgoto
Nome do Indicador Descrição Apuração
Mensal e
Volume de água consumido Quantidade de m³ de água
anual
Quantidade de m³ de água/total área Mensal e
Volume de água por área construída
construída anual
Mensal e
Gasto com água Valor (R$) da fatura
anual
Mensal e
Gasto com água por área construída Valor (R$) da fatura/área total construída
anual
V – Gestão de resíduos
Nome do Indicador Descrição Apuração
Quantidade (kg) de papel destinado à Mensal e
Destinação de papel para reciclagem
reciclagem semestral
Destinação de suprimentos de impressão Quantidade (kg) de suprimentos de impressão Mensal e
para reciclagem destinados à reciclagem semestral
Quantidade (kg) de plástico destinado à Mensal e
Destinação de plástico para reciclagem
reciclagem semestral
Destinação de lâmpadas encaminhadas Quantidade (unidades) de lâmpadas Mensal e
para descontaminação encaminhadas para descontaminação semestral
Destinação de pilhas e baterias Quantidade (kg) de pilhas e baterias Mensal e
encaminhadas para descontaminação encaminhadas para descontaminação semestral
Destinação de madeiras para Quantidade (kg) de madeira destinada à Mensal e
reaproveitamento reciclagem semestral
Quantidade (kg) de vidros destinados à Mensal e
Destinação de vidros para reciclagem
reciclagem semestral
Quantidade (kg) de metais destinados à Mensal e
Destinação de metais para a reciclagem
reciclagem semestral
Destinação de resíduos de saúde para Quantidade (kg) de resíduos de saúde Mensal e
descontaminação destinados à descontaminação semestral
Destinação de resíduos de obras à Quantidade (kg) de resíduos de obras
Anual
reciclagem destinados à reciclagem
Destinação de resíduos de informática Quantidade (kg) de resíduos de informática
(fitas, cabos, mídias, dentre outros) à (fitas, cabos, mídias, dentre outros) destinados Anual
reciclagem à reciclagem
Total de material reciclável destinado às Quantidade (kg) de resíduos recicláveis Mensal e
cooperativas destinados às cooperativas semestral
VI – Qualidade de vida no ambiente de trabalho
Nome do Indicador Descrição Apuração
Participação dos servidores e/ou ações (Quantidade de servidores que participaram de
voltadas para a qualidade de vida no ações de qualidade de vida/total de servidores Anual
trabalho da instituição) x 100
Participação de servidores em ações (Quantidade de servidores que participaram de
solidárias (ex: inclusão digital, ações solidárias/total de servidores da Anual
alfabetização, campanhas voluntárias) instituição) x 100
Ações de inclusão para servidores com
Quantidade de ações de inclusão Anual
deficiência

. 8
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VII – Telefonia
Nome do Indicador Descrição Apuração
Gasto médio do contrato de Mensal e
Valor (R$) da fatura/quantidade linhas
telefonia fixa Anual
Gasto médio do contrato de Mensal e
Valor (R$) da fatura/quantidade de linhas
telefonia móvel Anual
Gasto total do contrato de telefonia Mensal e
Valor (R$) da fatura de telefonia fixa
fixa anual
Gasto total do contrato de telefonia Mensal e
Valor (R$) da fatura de telefonia móvel
móvel anual
VII - Vigilância
Nome do Indicador Descrição Apuração
Anual
Valor inicial do posto Valor total anual do contrato/quantidade de postos

Valor total anual de repactuação/valor total anual de


Valor atual do posto
assinatura do contrato Anual

IX - Limpeza
Nome do Indicador Descrição Apuração
Gasto de limpeza pela área
Valor (R$) anual do contrato/área construída Anual
construída
Valor total anual de repactuação/valor total anual da
Grau de repactuação Anual
assinatura do contrato
Gasto com material de limpeza Valor (R$) gasto com aquisição de material de limpeza Anual
X - Combustível
Nome do Indicador Descrição Apuração
Quantidade de litros de gasolina
Consumo de gasolina da frota Mensal e
consumidos/quantidade
oficial de veículos Anual
de km rodados
Consumo de etanol da frota oficial Quantidade de litros de etanol consumidos/quantidade Mensal e
de veículos de km rodados anual
Consumo de diesel da frota oficial Quantidade de litros de diesel consumidos/quantidade Mensal e
de veículos de km rodados anual
XI - Veículos
Nome do Indicador Descrição Apuração
Veículos para transporte de
Quantidade de veículos utilizados no transporte de
servidores, tramitação de
servidores, tramitação de documentos e demais Anual
documentos e demais atividades
atividades funcionais/total de servidores
funcionais
Veículos para transporte de Quantidade de veículos utilizados no transporte de
Anual
magistrados magistrados /total de magistrados
Gasto com manutenção dos Valor (R$) da fatura do total de contratos de
Anual
veículos da frota manutenção/ quantidade de veículos
XII - Layout
Nome do Indicador Descrição Apuração
Valor gasto com reformas nas Valor gasto com reformas nas unidades no ano
Anual
unidades vigente/ Valor gasto com reformas no ano anterior

. 9
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XIII – Capacitação de servidores em educação socioambiental
Nome do Indicador Descrição Apuração
Sensibilização e capacitação do corpo funcional e Quantidade de ações de sensibilização
Anual
força de trabalho auxiliar e capacitação

ANEXO II DA RESOLUÇÃO 201, DE 3 DE MARÇO DE 2015

Sugestões de práticas de sustentabilidade, racionalização e consumo consciente quanto à aquisição


de materiais e à contratação de serviços

Papel e suprimentos de impressão


1. Dar preferência ao uso de mensagens eletrônicas (e-mail) na comunicação evitando o uso do papel.
2. Evitar a impressão de documentos.
3. Fazer a revisão dos documentos antes de imprimi-los.
4. Sempre que possível, imprimir em fonte econômica (eco fonte) e frente e verso.
5. Configurar ou substituir os equipamentos de impressão e cópia para modo frente e verso automático.
6. Somente disponibilizar um cartucho/tonner novo ao receber o velho completamente vazio.
7. Reaproveitar as folhas impressas de um lado para nova impressão ou confecção de blocos de
rascunho.
8. Dar preferência ao uso do papel reciclado ou não clorado;
9. Realizar campanhas de sensibilização e consumo consciente quanto ao uso do papel, e
10. Monitorar os dados de consumo e informá-los ao corpo funcional.

Sistemas informatizados
1. Promover o desenvolvimento de sistemas informatizados de documentos em substituição aos
documentos impressos.
2. Interagir de forma eficiente com os sistemas eletrônicos de processos administrativos e/ou judiciais
com o objetivo de evitar a impressão.
3. Digitalizar os documentos impressos.
4. Promover o uso de ferramentas virtuais na gestão administrativa para melhor controle,
gerenciamento e atendimento de demandas.

Copos Descartáveis e águas engarrafadas


1. Substituir o uso de copos descartáveis por dispositivos retornáveis duráveis ou biodegradáveis.
2. Dar preferência para aquisição de copos produzidos com materiais que minimizem os impactos
ambientais de seu descarte;
3. Incentivar o uso do copo retornável com campanhas de sensibilização e consumo consciente.
4. Monitorar os dados de consumo e informá-los ao corpo funcional.
5. Substituir o consumo de água engarrafada em copinhos plásticos de 200 ml e garrafas plásticas por
garrafões de 20 litros, sistemas de filtragem ou bebedouros tendo em vista as questões econômico-
financeiras e impactos ambientais negativos gerados pelos resíduos plásticos.
6. Os equipamentos como garrafões de 20 litros, bebedouros e sistemas de filtragem devem ser
higienizados periodicamente de acordo com os normativos legais ou instruções do fabricante.

Material de limpeza
1. Usar preferencialmente produtos biodegradáveis de limpeza.
2. Incluir nos contratos de limpeza a capacitação e sensibilização periódica das equipes de limpeza.
3. Rever as rotinas de trabalho quanto à limpeza das instalações de modo a otimizar os serviços
realizados.

Energia Elétrica
1. Fazer diagnóstico da situação das instalações elétricas e propor as alterações necessárias para
redução de consumo.
2. Monitorar os dados de consumo e informá-los ao corpo funcional.
3. Desligar luzes e equipamentos ao se ausentar do ambiente.
4. Fechar as portas e janelas quando o ar condicionado estiver ligado para não diminuir sua eficiência.
5. Aproveitar as condições naturais do ambiente de trabalho – ventilação, iluminação natural.

. 10
1347368 E-book gerado especialmente para FRANCISCO HENRIQUE DE MACEDO
6. Desligar alguns elevadores nos horários de menor movimento e promover campanhas de incentivo
ao uso das escadas.
7. Revisar o contrato de energia visando à racionalização em razão da real demanda de energia
elétrica.
8. Dar preferência, quando da substituição, a aparelhos de ar condicionado e outros equipamentos
eletroeletrônicos mais modernos e eficientes, respeitadas as normas técnicas vigentes.
9. Buscar implementar soluções que tragam eficiência energética à edificação, como a substituição de
lâmpadas fluorescentes por dispositivos em led, placas fotovoltaicas para captação de energia solar e
outras tecnologias limpas para geração de energia.
10. Utilizar, sempre que possível, sensores de presença em locais de trânsito de pessoas.
11. Reduzir a quantidade de lâmpadas, estabelecendo um padrão por m² e estudando a viabilidade de
se trocar as calhas embutidas por calhas “invertidas”.
12. Realizar campanhas de sensibilização e consumo consciente quanto ao uso da energia.

Água e Esgoto
1. Realizar levantamento e monitorar, periodicamente, a situação das instalações hidráulicas e propor
alterações necessárias para redução do consumo.
2. Monitorar os dados de consumo e informá-los ao corpo funcional.
3. Adotar medidas para evitar o desperdício de água como a instalação de descargas e torneiras mais
eficientes e com dispositivos economizadores.
4. Não utilizar água nobre para fins não nobres (ex: lavagem de veículos, manutenção de jardins,
lavagem de brises).
5. Criar rotinas periódicas para lavagem de grandes áreas e irrigação de jardins.
6. Dar preferência a sistemas de reuso de água e tratamento dos efluentes gerados.
7. Dar preferência a sistemas de medição individualizados de consumo de água.
8. Analisar a viabilidade de aproveitamento da água da chuva e poços artesianos, com a devida
outorga, e
9. Realizar campanhas de sensibilização e consumo consciente quanto ao uso da água.

Gestão de resíduos
1. Promover a implantação da coleta seletiva em consonância com a Resolução CONAMA 275/2001,
o Decreto 5.940/2006, a Lei 12.305/2010 e demais legislação pertinente, quanto ao estabelecimento de
parcerias com cooperativas de catadores (sempre que possível, respeitadas as limitações dos municípios)
e tabela de cores.
2. Promover a destinação ecologicamente correta dos resíduos gerados (desde material de expediente
até óleos lubrificantes, pneus, pilhas, baterias, lixo eletrônico, quando houver).
3. Realizar campanhas de sensibilização e consumo consciente quanto ao descarte correto de
resíduos.
4. Monitorar os dados de consumo e informá-los ao corpo funcional.
5. Implantar planos de gestão de resíduos de saúde nos casos cabíveis, conforme previsto na RDC
ANVISA 306/2004.
6. Incluir nos contratos para cessão de espaço público que tenham como objetos restaurantes ou
lanchonetes, previsão para que a contratada dê destino ecologicamente correto ao óleo de cozinha,
apresentando relatório mensal dos resíduos gerados, e
7. Incluir nos contratos de manutenção predial a descontaminação e descarte ecologicamente correto
de lâmpadas.

Qualidade de vida no ambiente de trabalho


1. Adotar medidas para promover um ambiente físico de trabalho seguro e saudável.
2. Adotar medidas para avaliação e controle da qualidade do ar nos ambientes climatizados.
3. Realizar manutenção ou substituição de aparelhos que provocam ruídos no ambiente de trabalho.
4. Promover atividades de integração e de qualidade de vida no trabalho.
5. Realizar campanhas, oficinas, palestras e exposições de sensibilização das práticas sustentáveis
para os servidores, funcionários terceirizados e magistrados com divulgação por meio da intranet,
cartazes eletrônicos e informativos.
6. Incentivar a adoção de práticas sustentáveis e colaborativas reconhecendo e premiando as unidades
que possuem bons índices de consumo.
7. Incentivar a realização de cursos à distância com a temática da sustentabilidade reforçando as
práticas realizadas no tribunal.

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8. Buscar parcerias com a comunidade e órgãos da administração local no sentido de implementar
possíveis inovações e serviços (ex: coleta de óleo pela concessionária local, recolhimento de lixo
eletrônico, etc.), e
9. Trocar experiências com outros órgãos no sentido de buscar novas práticas.

Veículos e transporte
1. Dar preferência a contratos de aquisição de veículos com dação em pagamento.
2. Estabelecer rotas preferenciais entre os destinos mais utilizados considerando a redução no
consumo de combustíveis e emissão de gases poluentes.
3. Utilizar preferencialmente combustíveis menos poluentes e de fontes renováveis como o etanol.
4. Estabelecer rotinas de manutenção preventiva nos veículos.
5. Dar preferência à lavagem ecológica de veículos oficiais, e
6. Estabelecer intervalos sustentáveis entre as lavagens de veículos oficiais.

Telefonia
1. Implantação de tecnologia VoIP (Voice over Interne Protocol) – substituição de linhas analógicas por
rede de dados e voz (ramais).

Mobiliário
1. Adquirir mobiliário observando as normas de ergonomia.
2. No caso dos itens em madeira, observar a origem legal do produto.

Desfazimento de documentos, materiais e bens móveis


1. Recomendar que o desfazimento de bens móveis e materiais tenha o apoio das unidades ou núcleos
socioambientais, para identificação da melhor destinação, considerando o que estabelece Lei
12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e Decreto 7.404/2010, que regulamenta
a mencionada Lei.
2. Descartar de forma ecologicamente correta os documentos e processos judiciais de acordo com a
tabela de temporalidade e Recomendação CNJ 37/2011.
3. Incentivar ações de reutilização de materiais.

Contratações sustentáveis
1. Estimular contratações sustentáveis, ou seja, com a inserção de critérios de sustentabilidade na
especificação do objeto.
2. Realizar análise de consumo antes da contratação para avaliação da real necessidade de aquisição.

Material de consumo – planejamento e uso


1. A unidade responsável pela administração de material do órgão deve controlar e monitorar os dados
de consumo e informá-los às unidades de trabalho.
2. Os gestores devem informar ao corpo funcional os índices de consumo da unidade estimulando o
consumo consciente em busca do ponto de equilíbrio.

Questões

01. De acordo com a Resolução CNJ 201/2015, analise o item abaixo e julgue certo ou errado:
Os órgãos e conselhos do Poder Judiciário deverão adotar modelos de gestão organizacional e de
processos estruturados na promoção da sustentabilidade ambiental, econômica e social.
(....) Certo (....) Errado

02. De acordo com a Resolução CNJ 201/2015, analise o item abaixo e julgue certo ou errado:
O PLS-PJ deverá ser elaborado e publicado no sítio dos respectivos órgãos e conselhos do Poder
Judiciário no prazo de cento e vinte dias, contados a partir da publicação desta resolução.
(....) Certo (....) Errado

03. Segundo o que dispõe a Resolução CNJ nº 201/2015, analise a afirmativa a seguir:

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As unidades ou núcleos socioambientais deverão estimular a reflexão e a mudança dos padrões de
compra, consumo e gestão documental dos órgãos do Poder Judiciário, bem como do corpo funcional e
força de trabalho auxiliar de cada instituição.
(A) CERTA
(B) ERRADA

04. O Plano de Logística Sustentável do Poder Judiciário (PLS-PJ), nos termos da Resolução CNJ nº
201/2015, deverá conter, no mínimo:
I – relatório consolidado do inventário de bens e materiais do órgão, com a identificação dos itens nos
quais foram inseridos critérios de sustentabilidade quando de sua aquisição;
II – práticas de sustentabilidade, racionalização e consumo consciente de materiais e serviços;
III – responsabilidades, metodologia de implementação, avaliação do plano e monitoramento dos
dados;
IV – ações de divulgação, sensibilização e capacitação.

Está INCORRETO o que se afirma apenas em


(A) I, III e IV
(B) I, II e III
(C) II e III
(D) todas as assertivas.
(E) nenhuma das assertivas.

05. É INCORRETO afirmar que as unidades ou núcleos socioambientais deverão fomentar ações que
estimulem:
(A) o aperfeiçoamento contínuo do gasto público;
(B) a redução do impacto negativo das atividades do órgão no meio ambiente com a adequada gestão
dos resíduos gerados;
(C) a promoção das contratações sustentáveis;
(D) a gestão sustentável de documentos, em conjunto com a unidade responsável;
(E) a sensibilização e capacitação do corpo funcional, força de trabalho auxiliar e de outras partes
interessadas.

06. Consoante o disposto na Resolução CNJ nº 201/2015, julgue o item a seguir:


Os órgãos e conselhos do Poder Judiciário deverão constituir comissão gestora do PLS-PJ composta
por no mínimo 10 (dez) servidores, que serão designados pela alta administração no prazo de 5 (cinco)
dias a partir da constituição das unidades ou núcleos socioambientais.
(A) CERTO
(B) ERRADO

07. Considerando que prevê a Resolução CNJ nº 201/2015, analise a assertiva subsequente:
As iniciativas de capacitação afetas ao tema sustentabilidade deverão ser incluídas no plano de
treinamento de cada órgão do Poder Judiciário. As atividades de ambientação de novos servidores e
colaboradores deverão difundir as ações sustentáveis praticadas, de modo a consolidar os novos padrões
de consumo consciente do órgão.
(A) CERTA
(B) ERRADA

Respostas

01. Resposta: Certo.


Art. 2º Os órgãos e conselhos do Poder Judiciário deverão adotar modelos de gestão organizacional
e de processos estruturados na promoção da sustentabilidade ambiental, econômica e social.

02. Resposta: Errado.


Art. 21. O PLS-PJ deverá ser elaborado e publicado no sítio dos respectivos órgãos e conselhos do
Poder Judiciário no prazo de cento e oitenta dias, contados a partir da publicação desta resolução.

03. Resposta: A
A alternativa está certa. Tendo em vista que traz o texto do que prevê o art. 5º da Resolução.

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04.Resposta: E
Considerando que todas as assertivas estão corretas a resposta a ser assinalada é a alternativa “E”,
tendo em vista que nenhuma das assertivas está incorreta. Muita atenção na leitura do enunciado das
questões para não se confundir com o que exige o examinador.

05. Resposta: A
Dispõe o artigo 6º, I, da Resolução: “As unidades ou núcleos socioambientais deverão fomentar ações
que estimulem: o aperfeiçoamento contínuo da qualidade do gasto público”. Ou seja, muitos tipos de
despesas passaram a ser definidas como públicas, lançando dúvidas sobre que tipos de controle são
adequados à garantia de sua qualidade. Desta forma, não basta gastar o dinheiro público, o gasto deve
ser realizado com qualidade para evitar desperdícios, e assim, onerar excessivamente as unidades ou
núcleos socioambientais.

06. Resposta: B
De acordo com o previsto no artigo 12 da Resolução, “os órgãos e conselhos do Poder Judiciário
deverão constituir comissão gestora do PLS-PJ composta por no mínimo 5 (cinco) servidores, que serão
designados pela alta administração no prazo de 30 dias a partir da constituição das unidades ou núcleos
socioambientais”.

07. Resposta: A
A alternativa certa é a “A”, haja vista que traz o texto do artigo 19 e seu parágrafo único.

3 Lei nº 8.666/1993 e suas alterações. 3.1 Artigo 3º.

Prezado candidato, aqui traremos o artigo 3º, Lei 8.666/1993, em obediência aos termos do
edital.

Artigo 3º da Lei nº 8.666/1993.

O art. 3.º da Lei n. 8.666/93 estabelece os princípios da licitação:

Art. 3º. A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção
da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável
e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação
ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.

Observe que a redação termina com a expressão “... e dos que lhes são correlatos”. Dessa maneira,
verifica-se que o rol de princípios previstos nesse artigo não é exaustivo.

1. Princípio da Legalidade, Impessoalidade, Publicidade e Moralidade: O art. 3.º, caput, da Lei


8.666/93 faz referência aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade. O princípio da
eficiência não está relacionado. Isso porque, quando a Lei n. 8.666 surgiu, em 1993, ainda não existia o
caput do art. 37 da Constituição Federal com sua redação atual (“...obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”).
Legalidade: O administrador está obrigado a fazer tão somente o que a lei determina.
Impessoalidade: Significa que a Administração Pública não poderá atuar discriminando pessoas, a
Administração Pública deve permanecer numa posição de neutralidade em relação às pessoas privadas.
Publicidade: É o dever atribuído à Administração, de dar total transparência a todos os atos que
praticar, ou seja, como regra geral, nenhum ato administrativo pode ser sigiloso.
Moralidade: A atividade da Administração Pública deve obedecer não só à lei, mas também à moral.

2. Princípio da Isonomia (Igualdade Formal, ou Igualdade): Está previsto no caput do art. 5.º da
Constituição Federal. Esse princípio não se limita a máxima: “os iguais devem ser tratados igualmente;
os desiguais devem ser tratados desigualmente, na medida de suas desigualdades”.
Para o Prof. Celso Antônio Bandeira de Melo, é errado imaginar que o princípio da isonomia veda todas
as discriminações. Discriminar (retirando seu sentido pejorativo) é separar um grupo de pessoas para

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lhes atribuir tratamento diferenciado do restante. Nesse sentido, toda a norma jurídica discrimina, porque
incide sobre algumas pessoas e sobre outras não.
Exemplos:
Abertura de concurso público para o preenchimento de vagas no quadro feminino da polícia militar.
Qual é o fato discriminado pela norma? É o sexo feminino. Qual é a razão jurídica pela qual a
discriminação é feita? A razão jurídica da discriminação é o fato de que, em determinadas circunstâncias,
algumas atividades policiais são exercidas de forma mais adequada por mulheres. Há, portanto,
correspondência lógica entre o fato discriminado e a razão pela qual a discriminação é feita, tornando a
norma compatível com o princípio da isonomia.
Uma licitação é aberta, exigindo de seus participantes uma determinada máquina. Qual é o fato
discriminado pela norma? É a determinada máquina. Qual é a razão jurídica pela qual a discriminação é
feita? Essa pergunta pode ser respondida por meio de outra indagação: A máquina é indispensável para
o exercício do contrato? Se for, a discriminação é compatível com o princípio da isonomia.

3. Princípio da Probidade: Ser probo, nas licitações, é escolher objetivamente a melhor alternativa
para os interesses públicos, nos termos do edital.

4. Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório: O instrumento convocatório é o ato


administrativo que convoca a licitação, ou seja, é o ato que chama os interessados a participarem da
licitação; é o ato que fixa os requisitos da licitação. É chamado, por alguns autores, de “lei daquela
licitação”, ou de “diploma legal que rege aquela licitação”. Geralmente vem sob a forma de edital, contudo,
há uma exceção: O convite (uma modalidade diferente de licitação). O processamento de uma licitação
deve estar rigorosamente de acordo com o que está estabelecido no instrumento convocatório. Os
participantes da licitação têm a obrigação de respeitar o instrumento convocatório, assim como o órgão
público responsável.

5. Princípio do Julgamento Objetivo: Esse princípio afirma que as licitações não podem ser julgadas
por meio de critérios subjetivos ou discricionários. Os critérios de julgamento da licitação devem ser
objetivos, ou seja, uniformes para as pessoas em geral. Exemplo: Em uma licitação foi estabelecido o
critério do menor preço. Esse é um critério objetivo, ou seja, é um critério que não varia para ninguém.
Todas as pessoas têm condições de avaliar e de decidir.

6. Outros Princípios:
a) Princípio do procedimento formal: Estabelece que as formalidades prescritas para os atos que
integram as licitações devem ser rigorosamente obedecidas.
b) Princípio da adjudicação compulsória: Esse princípio tem uma denominação inadequada. Ele
afirma que, se em uma licitação houver a adjudicação, esta deverá ser realizada em favor do vencedor
do procedimento. Essa afirmação não é absoluta, uma vez que várias licitações terminam sem
adjudicação.
c) Princípio do sigilo das propostas: É aquele que estabelece que as propostas de uma licitação
devem ser apresentadas de modo sigiloso, sem que se dê acesso público aos seus conteúdos.

A realização do procedimento de licitação serve a três finalidades fundamentais, de acordo com o art.
3º da Lei 8666/93:
a) garantir a observância do princípio constitucional da isonomia: oferecer igualdade de
condições aos interessados em contratar com a Administração Pública, com a possibilidade de
participação na licitação de quaisquer interessados que preencham as condições previamente fixadas no
instrumento convocatório.
b) seleção da proposta mais vantajosa: através da estimulação da competitividade entre os
potenciais contratados, com o objetivo de conseguir um negócio que traga vantagem a Administração
Pública.
c) promoção do desenvolvimento nacional sustentável: busca-se o desenvolvimento econômico e
social do país, sem prejuízo do meio ambiente.

PARÁGRAFOS DO ARTIGO 3º

§ 1º É vedado aos agentes públicos:


I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou condições que
comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter competitivo, inclusive nos casos de sociedades

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cooperativas, e estabeleçam preferências ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio
dos licitantes ou de qualquer outra circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do
contrato, ressalvado o disposto nos §§ 5º a 12 deste artigo e no art. 3º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro
de 1991;
II - estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista, previdenciária ou
qualquer outra, entre empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive no que se refere a moeda, modalidade
e local de pagamentos, mesmo quando envolvidos financiamentos de agências internacionais, ressalvado
o disposto no parágrafo seguinte e no art. 3º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991.
§ 2º Em igualdade de condições, como critério de desempate, será assegurada preferência,
sucessivamente, aos bens e serviços:
I - (Revogado pela Lei nº 12.349, de 2010)
II - produzidos no País;
III - produzidos ou prestados por empresas brasileiras.
IV - produzidos ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de
tecnologia no País.
V- (Vide Lei nº 13.146, de 2015)
§ 3º A licitação não será sigilosa, sendo públicos e acessíveis ao público os atos de seu procedimento,
salvo quanto ao conteúdo das propostas, até a respectiva abertura.
§ 4º (Vetado).
§ 5º Nos processos de licitação, poderá ser estabelecida margem de preferência para: (Redação dada
pela Lei nº 13.146, de 2015)
I - produtos manufaturados e para serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras; e
II - bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva
de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que
atendam às regras de acessibilidade previstas na legislação. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015)

§ 6º A margem de preferência de que trata o § 5º será estabelecida com base em estudos revistos
periodicamente, em prazo não superior a 5 (cinco) anos, que levem em consideração: (Vide Decreto nº
7.756, de 2012)
I - geração de emprego e renda;
II - efeito na arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais
III - desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País;
IV - custo adicional dos produtos e serviços; e
V - em suas revisões, análise retrospectiva de resultados.
§ 7º Para os produtos manufaturados e serviços nacionais resultantes de desenvolvimento e inovação
tecnológica realizados no País, poderá ser estabelecido margem de preferência adicional àquela prevista
no § 5º.
§ 8º As margens de preferência por produto, serviço, grupo de produtos ou grupo de serviços, a que
se referem os §§ 5º e 7º, serão definidas pelo Poder Executivo federal, não podendo a soma delas
ultrapassar o montante de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o preço dos produtos manufaturados e
serviços estrangeiros.
§ 9º As disposições contidas nos §§ 5º e 7º deste artigo não se aplicam aos bens e aos serviços cuja
capacidade de produção ou prestação no País seja inferior:
I - à quantidade a ser adquirida ou contratada; ou
II - ao quantitativo fixado com fundamento no § 7º do art. 23 desta Lei, quando for o caso.
§ 10. A margem de preferência a que se refere o § 5º poderá ser estendida, total ou parcialmente, aos
bens e serviços originários dos Estados Partes do Mercado Comum do Sul - Mercosul.
§ 11. Os editais de licitação para a contratação de bens, serviços e obras poderão, mediante prévia
justificativa da autoridade competente, exigir que o contratado promova, em favor de órgão ou entidade
integrante da administração pública ou daqueles por ela indicados a partir de processo isonômico,
medidas de compensação comercial, industrial, tecnológica ou acesso a condições vantajosas de
financiamento, cumulativamente ou não, na forma estabelecida pelo Poder Executivo federal.
§ 12. Nas contratações destinadas à implantação, manutenção e ao aperfeiçoamento dos sistemas
de tecnologia de informação e comunicação, considerados estratégicos em ato do Poder Executivo
federal, a licitação poderá ser restrita a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e produzidos
de acordo com o processo produtivo básico de que trata a Lei nº 10.176, de 11 de janeiro de 2001.
§ 13. Será divulgada na internet, a cada exercício financeiro, a relação de empresas favorecidas em
decorrência do disposto nos §§ 5º, 7º, 10, 11 e 12 deste artigo, com indicação do volume de recursos
destinados a cada uma delas.

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§ 14. As preferências definidas neste artigo e nas demais normas de licitação e contratos devem
privilegiar o tratamento diferenciado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte na
forma da lei. (Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
§ 15. As preferências dispostas neste artigo prevalecem sobre as demais preferências previstas na
legislação quando estas forem aplicadas sobre produtos ou serviços estrangeiros. (Incluído pela Lei
Complementar nº 147, de 2014)

QUESTÕES

01. (STJ - Conhecimentos Básicos para o Cargo 17 - CESPE/2015) Com relação ao


desenvolvimento sustentável no âmbito das licitações e contratações da administração pública, julgue o
item que se segue.
Embora vise garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, o processo licitatório
poderá, excepcionalmente, priorizar a proposta que promova em maior grau o desenvolvimento
sustentável, em detrimento da proposta mais vantajosa.
(A) Certo
(B) Errado

02. (TJ/RO - Oficial de Justiça - FGV/2015) A Lei nº 8.666/93 estabelece que a licitação destina-se a
garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para
a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em
estrita conformidade com alguns princípios específicos. Dentre tais princípios, aquele que informa ser o
edital ou a carta convite a lei interna da licitação que deve ser respeitada pelo poder público e pelos
licitantes, sob pena de invalidade do certame, é o princípio da:
(A) competitividade;
(B) impessoalidade;
(C) autotutela;
(D) vinculação ao instrumento convocatório;
(E) supremacia do interesse público.

03. (Sergipe Gás S.A. - Assistente Técnico – Administrativo – FCC/2013) A Licitação é o meio pelo
qual a Administração seleciona a proposta mais vantajosa e assegura isonomia entre os interessados em
contratar com o poder público, de acordo com as normas legais que disciplinam a matéria e os princípios
aplicáveis à Administração Pública. Com base nas disposições constantes da Lei nº 8.666/1993, as
condutas vedadas aos agentes públicos em processos licitatórios são:
I. Manter o sigilo dos atos e procedimentos da licitação, para evitar conluio dos licitantes.
II. Estabelecer tratamento diferenciado em razão do domicílio do licitante, com vistas a assegurar o
menor custo para a Administração.
III. Estabelecer tratamento diferenciado entre empresas brasileiras e estrangeiras.

Está correto o que consta em


(A) II, apenas.
(B) III, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I, II e III.
(E) I e III, apenas.

RESPOSTAS

01. Resposta: B
Nos termos do artigo 3º da Lei nº 8.666/93: “A licitação destina-se a garantir a observância do princípio
constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os
princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da
probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que
lhes são correlatos”.
A priorização da proposta que promova maior grau o desenvolvimento sustentável se daria, como
critério de desempate, entre as propostas mais vantajosas. E não, priorizando o critério de
sustentabilidade em detrimento da proposta mais vantajosa, sob pena de ferir o princípio da igualdade.

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02. Resposta: D
O princípio da vinculação ao instrumento convocatório da licitação (que dentre outros meios pode ser
por edital ou pela carta-convite) foi mencionado pelo art. 3.º da Lei nº 8.666/93, mas seu sentido encontra-
se esclarecido pelo art. 41 do mesmo diploma legal, segundo o qual “a Administração não pode
descumprir as normas e condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada”. Com efeito, o
julgamento e a classificação das propostas deverão observar os critérios de avaliação constantes do
edital, sendo vedadas estipulações negociais a esse respeito. Segundo ensinamento do ilustre
doutrinador Hely Lopes Meirelles, o instrumento convocatório “é a lei interna da licitação, e, como tal,
vincula aos seus termos tanto os licitantes como a Administração que o expediu”. Se a Administração
descumpre as regras contidas no instrumento convocatório, ao qual se encontra vinculada, o fato ensejará
a nulidade do certame.

03. Resposta: D
O item I está correto, uma vez que são vedados quaisquer atos que visem frustrar o caráter competitivo
nas licitações. E os itens II e III, também estão corretos, haja vista que, em regra, é vedado a
Administração estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista,
previdenciária ou qualquer outra, entre empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive no que se refere a
moeda, modalidade e local de pagamentos, mesmo quando envolvidos financiamentos de agências
internacionais, ressalvado o disposto nos parágrafos do artigo 3º da Lei nº 8.666/93 e no art. 3º da Lei nº
8.248, de 23 de outubro de 1991. Desta forma, a alternativa correta é a “D”.

4 Decreto nº 7.746/2012.

De acordo com o contexto de valorização das compras governamentais como meio de promover
gradualmente mudanças no mercado de bens e serviços, ao mesmo tempo em que estimula as empresas
a buscar incorporar ações de sustentabilidade no desempenho de suas atividades, foi editado o Decreto
nº 7.746, de 5 de junho de 2012, o qual “regulamenta o art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993,
para estabelecer critérios, práticas e diretrizes para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável
nas contratações realizadas pela Administração Pública Federal.
Ainda, foi por meio deste Decreto que se instituiu uma nova figura na Administração Pública, conhecida
como CISAP (Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública). A comissão terá
natureza consultiva, de caráter permanente, sendo que é vinculada à Secretaria de Logística e Tecnologia
da Informação, com o objetivo de propor a implementação de critérios, práticas e ações de logística
sustentável no âmbito da administração pública federal direta, autárquica e fundacional e das empresas
estatais dependentes.
Assim, a CISAP busca regulamentar o desenvolvimento nacional sustentável no âmbito das licitações
e contratações, estabelecendo a obrigação de elaboração de Planos de Gestão Sustentável pelos órgãos
e entidades que compõem a Administração Pública Federal, visando à regulamentação e
acompanhamento das iniciativas de sustentabilidade socioeconômicas e relativas ao meio ambiente, por
meio de um diagnóstico organizacional e da previsão de um cenário futuro com melhorias contínuas para
a organização.
Essa iniciativa nasceu da necessidade de criação de uma política unificada na esfera federal para o
uso racional e sustentável de recursos naturais nas instalações públicas.

Vejamos o que dispõe a norma:

DECRETO Nº 7.746, DE 5 DE JUNHO DE 2012

Regulamenta o art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para estabelecer critérios, práticas e
diretrizes para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável nas contratações realizadas pela
administração pública federal, e institui a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração
Pública – CISAP.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, incisos IV e
VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de
1993,

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DECRETA:

Art. 1º Este Decreto regulamenta o art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para estabelecer
critérios, práticas e diretrizes gerais para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável por meio
das contratações realizadas pela administração pública federal direta, autárquica e fundacional e pelas
empresas estatais dependentes, e institui a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na
Administração Pública – CISAP.

Art. 2º A administração pública federal direta, autárquica e fundacional e as empresas estatais


dependentes poderão adquirir bens e contratar serviços e obras considerando critérios e práticas de
sustentabilidade objetivamente definidos no instrumento convocatório, conforme o disposto neste
Decreto.
Parágrafo Único. A adoção de critérios e práticas de sustentabilidade deverá ser justificada nos autos
e preservar o caráter competitivo do certame.

Art. 3º Os critérios e práticas de sustentabilidade de que trata o art. 2º serão veiculados como
especificação técnica do objeto ou como obrigação da contratada.
Parágrafo único. A CISAP poderá propor à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão o estabelecimento de outras formas de veiculação dos
critérios e práticas de sustentabilidade nas contratações.

Art. 4º São diretrizes de sustentabilidade, entre outras:


I – menor impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água;
II – preferência para materiais, tecnologias e matérias-primas de origem local;
III – maior eficiência na utilização de recursos naturais como água e energia;
IV – maior geração de empregos, preferencialmente com mão de obra local;
V – maior vida útil e menor custo de manutenção do bem e da obra;
VI – uso de inovações que reduzam a pressão sobre recursos naturais; e
VII – origem ambientalmente regular dos recursos naturais utilizados nos bens, serviços e obras.

Art. 5º A administração pública federal direta, autárquica e fundacional e as empresas estatais


dependentes poderão exigir no instrumento convocatório para a aquisição de bens que estes sejam
constituídos por material reciclado, atóxico ou biodegradável, entre outros critérios de sustentabilidade.

Art. 6º As especificações e demais exigências do projeto básico ou executivo para contratação de


obras e serviços de engenharia devem ser elaboradas, nos termos do art. 12 da Lei nº 8.666, de 1993,
de modo a proporcionar a economia da manutenção e operacionalização da edificação e a redução do
consumo de energia e água, por meio de tecnologias, práticas e materiais que reduzam o impacto
ambiental.

Art. 7º O instrumento convocatório poderá prever que o contratado adote práticas de sustentabilidade
na execução dos serviços contratados e critérios de sustentabilidade no fornecimento dos bens.

Art. 8º A comprovação das exigências contidas no instrumento convocatório poderá ser feita mediante
certificação emitida por instituição pública oficial ou instituição credenciada, ou por qualquer outro meio
definido no instrumento convocatório.
§ 1º Em caso de inexistência da certificação referida no caput, o instrumento convocatório estabelecerá
que, após a seleção da proposta e antes da adjudicação do objeto, o contratante poderá realizar
diligências para verificar a adequação do bem ou serviço às exigências do instrumento convocatório.
§ 2º Caso o bem ou serviço seja considerado inadequado em relação às exigências do instrumento
convocatório, o contratante deverá apresentar razões técnicas, assegurado o direito de manifestação do
licitante vencedor.

Art. 9º Fica instituída a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública –


CISAP, de natureza consultiva e caráter permanente, vinculada à Secretaria de Logística e Tecnologia
da Informação, com a finalidade de propor a implementação de critérios, práticas e ações de logística
sustentável no âmbito da administração pública federal direta, autárquica e fundacional e das empresas
estatais dependentes.

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Art. 10. A CISAP será composta por:
I – dois representantes do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, sendo:
a) um representante da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, que a presidirá;
b) um representante da Secretaria de Orçamento Federal;
II – um representante do Ministério do Meio Ambiente, que exercerá a vice-presidência;
III – um representante da Casa Civil da Presidência da República;
IV – um representante do Ministério de Minas e Energia;
V – um representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
VI – um representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação;
VII – um representante do Ministério da Fazenda; e
VIII – um representante da Controladoria-Geral da União.
§ 1º Os membros titulares da CISAP deverão ocupar cargo de Secretário, Diretor ou cargos
equivalentes no órgão que representam, possuindo cada um deles um suplente.
§ 2º Os representantes, titulares e suplentes, dos órgãos referidos nos incisos II a VIII do caput serão
designados, no prazo de trinta dias contado da data de publicação deste Decreto, por ato do Ministro de
Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Art. 11. Compete à CISAP:


I – propor à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação:
a) normas para elaboração de ações de logística sustentável;
b) regras para a elaboração dos Planos de Gestão de Logística Sustentável, de que trata o art. 16, no
prazo de noventa dias a partir da instituição da CISAP;
c) planos de incentivos para órgãos e entidades que se destacarem na execução de seus Planos de
Gestão de Logística Sustentável;
d) critérios e práticas de sustentabilidade nas aquisições, contratações, utilização dos recursos
públicos, desfazimento e descarte;
e) estratégias de sensibilização e capacitação de servidores para a correta utilização dos recursos
públicos e para a execução da gestão logística de forma sustentável;
f) cronograma para a implantação de sistema integrado de informações para acompanhar a execução
das ações de sustentabilidade; e
g) ações para a divulgação das práticas de sustentabilidade; e
II – elaborar seu regimento interno.

Art. 12. A CISAP poderá constituir Grupo de Apoio Técnico, formado por técnicos indicados pelos
órgãos referidos no art. 10, com o objetivo de assessorá-la no desempenho de suas funções, nos termos
do seu regimento interno.

Art. 13. Poderão ser convidados a participar das reuniões da CISAP especialistas, pesquisadores e
representantes de órgãos e entidades públicas ou privadas.

Art. 14. A participação na CISAP é considerada prestação de serviço público relevante, não
remunerada.

Art. 15. Compete à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, como órgão central do Sistema
de Serviços Gerais – SISG, expedir normas complementares sobre critérios e práticas de
sustentabilidade, a partir das proposições da CISAP.
§ 1º As proposições da CISAP serão avaliadas com base nas diretrizes gerais de logística e compras
da administração pública federal.
§ 2º A Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação exercerá a função de Secretaria-Executiva
da CISAP.

Art. 16. A administração pública federal direta, autárquica e fundacional e as empresas estatais
dependentes deverão elaborar e implementar Planos de Gestão de Logística Sustentável, no prazo
estipulado pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, prevendo, no mínimo:
I – atualização do inventário de bens e materiais do órgão e identificação de similares de menor impacto
ambiental para substituição;
II – práticas de sustentabilidade e de racionalização do uso de materiais e serviços;
III – responsabilidades, metodologia de implementação e avaliação do plano; e
IV – ações de divulgação, conscientização e capacitação.

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Art. 17. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 5 de junho de 2012; 191º da Independência e 124º da República.

DILMA ROUSSEFF

Questões

01. (TRF - 2ª REGIÃO - Técnico Judiciário - CONSULPLAN/2017) Nos termos do Decreto Federal
nº 7.746/2012, é considerada uma diretriz de sustentabilidade nas contrações públicas:
(A) Maior geração de empregos, preferencialmente com mão de obra local.
(B) Maior impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água.
(C) Exclusividade para materiais, tecnologias e matérias-primas de origem local.
(D) Maior vida útil, a despeito do maior custo de manutenção do bem e da obra.

02. (TRF - 2ª REGIÃO - Analista Judiciário - CONSULPLAN/2017) Nos termos do Decreto Federal
nº 7.746/2012, quanto às contratações sustentáveis é correto afirmar que:
(A) A comprovação das exigências contidas no instrumento convocatório deverá ser feita mediante
certificação emitida por instituição pública oficial.
(B) A adoção de critérios e práticas de sustentabilidade deverá ser justificada nos autos, explicitando
as razões para a suspensão do caráter competitivo do certame.
(C) É vedado à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação cumular a função de Secretaria-
Executiva da Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública.
(D) O instrumento convocatório poderá prever que o contratado adote práticas de sustentabilidade na
execução dos serviços contratados e critérios de sustentabilidade no fornecimento dos bens.

03. (TRF - 2ª REGIÃO - Técnico Judiciário - CONSULPLAN/2017) Nos termos do Decreto Federal
nº 7.746/2012, são membros da Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública
(CISAP), EXCETO um representante da:
(A) Controladoria-Geral da União.
(B) Advocacia Geral da União.
(C) Casa Civil da Presidência da República.
(D) Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação.

04. (IF Sertão/PE - Administrador - IF Sertão/PE/2016) Analise a alternativa INCORRETA sobre as


diretrizes da sustentabilidade apresentadas no artigo 4º do Decreto nº 7.746, de 05 de junho de 2012.
(A) Menor impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água
(B) Menor vida útil e menor custo de manutenção do bem e da obra
(C) Maior eficiência na utilização de recursos naturais como água e energia
(D) Maior geração de empregos, preferencialmente com mão de obra local
(E) Origem ambientalmente regular dos recursos naturais utilizados nos bens, serviços e obras.

05. (TRT/23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - FCC/2016). De acordo com o Decreto n°
7.746/2012, a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública − CISAP é
composta por
(A) um representante do Ministério do Trabalho e Emprego, que exercerá a Vice-Presidência.
(B) dois representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
(C) dois representantes do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
(D) um representante do Ministério do Meio Ambiente, que exercerá a Presidência.
(E) dois representantes da Casa Civil da Presidência da República.

06. (TRT/23ª REGIÃO (MT) - Técnico Judiciário - FCC/2016). De acordo com o Decreto
n°7.746/2012, a função de Secretaria-Executiva da Comissão Interministerial de Sustentabilidade na
Administração Pública − CISAP será exercida pela Secretaria
(A) de Logística e Tecnologia da Informação.
(B) do Patrimônio da União.
(C) da Fazenda.
(D) da Assistência Social.
(E) do Meio-Ambiente e Desenvolvimento Ambiental.

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07. (UFPA - Administrador – CEPS-UFPA/2015). O art. 9º. do decreto nº 7.746, de 5 de junho de
2012, instituiu a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública – CISAP. Essa
comissão é composta de representantes de diversos órgãos. O órgão a que pertence o representante
que presidirá a comissão, de acordo com o decreto, é o.
(A) Ministério do Meio Ambiente.
(B) Ministério do Planejamento.
(C) Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
(D) Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
(E) Ministério da Fazenda.

08. (IBGE - Analista - Planejamento e Gestão - CESGRANRIO) Com base nas regras contidas no
Decreto nº 7.746, de 5 de junho de 2012, compete à Comissão Interministerial de Sustentabilidade na
Administração Pública – CISAP:
(A) propor à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação normas para elaboração de ações de
logística sustentável.
(B) propor projeto de lei ao Congresso Nacional, tendo como escopo diversas desonerações tributárias
para órgãos e entidades que se destacarem na execução de seus Planos de Gestão de Logística
Sustentável.
(C) vetar as práticas de sustentabilidade nas aquisições, contratações, utilização dos recursos
públicos, desfazimento e descarte.
(D) vetar as estratégias de sensibilização e capacitação de servidores para a correta utilização dos
recursos públicos.
(E) elaborar cronograma para a implantação de sistema não integrado de informações para
acompanhar a execução das ações de sustentabilidade.

09. (IBGE - Analista - Planejamento e Gestão - CESGRANRIO) O Artigo 13 do Decreto nº 7.746, de


5 de junho de 2012 amplia a participação nas reuniões da Comissão Interministerial de Sustentabilidade
na Administração Pública – CISAP. O texto do citado artigo é:
(A) Poderão ser convidados a participar das reuniões da CISAP especialistas de órgãos e entidades
públicas e privadas.
(B) Poderão ser convidados a participar das reuniões da CISAP pesquisadores de órgãos e entidades
públicas e privadas.
(C) Poderão ser convidados a participar das reuniões da CISAP especialistas e pesquisadores de
órgãos e entidades públicas.
(D) Poderão ser convidados a participar das reuniões da CISAP ocupantes de cargos comissionados
de elevada categoria funcional de órgãos e entidades públicas.
(E) Poderão ser convidados a participar das reuniões da CISAP especialistas, pesquisadores e
representantes de órgãos e entidades públicas e privadas.

10. (IBGE - Analista - Planejamento e Gestão - CESGRANRIO) O Decreto nº 7.746/2012 que


regulamentou o art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, estabeleceu critérios, práticas e diretrizes
gerais para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável por meio das contratações realizadas
pela administração pública federal direta, autárquica e fundacional e pelas empresas estatais
dependentes, bem como instituiu a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração
Pública – CISAP. Nessa linha, considera-se como diretriz, dentre as medidas de sustentabilidade
previstas no respectivo Decreto a(o)
(A) preferência para materiais, tecnologias e matérias-primas oriundos do exterior.
(B) menor eficiência na utilização de recursos naturais como água e energia.
(C) menor geração de empregos, preferencialmente com mão de obra local.
(D) menor vida útil e menor custo de manutenção do bem e da obra.
(E) menor impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água.

Respostas

01. Resposta: “A”


É o que dispõe o art. 4º, inciso IV, do Decreto nº 7.746/2012.

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02. Resposta: “D”
Prevê o art. 7º do Decreto: “O instrumento convocatório poderá prever que o contratado adote práticas
de sustentabilidade na execução dos serviços contratados e critérios de sustentabilidade no fornecimento
dos bens”.

03. Resposta: “B”


Nos termos do art. 10 do Decreto nº 7.746/2012, a CISAP será composta por:
I – dois representantes do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, sendo:
a) um representante da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, que a presidirá;
b) um representante da Secretaria de Orçamento Federal;
II – um representante do Ministério do Meio Ambiente, que exercerá a vice-presidência;
III – um representante da Casa Civil da Presidência da República;
IV – um representante do Ministério de Minas e Energia;
V – um representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
VI – um representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação;
VII – um representante do Ministério da Fazenda; e
VIII – um representante da Controladoria-Geral da União.

04. Resposta: “B”


Art. 4º São diretrizes de sustentabilidade, entre outras:
I – menor impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água;
II – preferência para materiais, tecnologias e matérias-primas de origem local;
III – maior eficiência na utilização de recursos naturais como água e energia;
IV – maior geração de empregos, preferencialmente com mão de obra local;
V – maior vida útil e menor custo de manutenção do bem e da obra;
VI – uso de inovações que reduzam a pressão sobre recursos naturais; e
VII – origem ambientalmente regular dos recursos naturais utilizados nos bens, serviços e obras.

05. Resposta: “C”


Decreto 7.746/2012.
Art. 10. A CISAP será composta por:
I – dois representantes do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (...).

06. Resposta: “A”


Art. 15. Compete à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, como órgão central do Sistema
de Serviços Gerais – SISG, expedir normas complementares sobre critérios e práticas de
sustentabilidade, a partir das proposições da CISAP.
( );
§ 2º A Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação exercerá a função de Secretaria-Executiva
da CISAP.

07. Resposta: “B”


Art. 10, Decreto 7.746/2012. A CISAP será composta por:
I – dois representantes do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, sendo: ( ).

08. Resposta: “A”


Art. 11. Compete à CISAP:
I – propor à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação:
a) normas para elaboração de ações de logística sustentável.

09. Resposta: “E”


É o texto do artigo 13 do Decreto: “Poderão ser convidados a participar das reuniões da CISAP
especialistas, pesquisadores e representantes de órgãos e entidades públicas ou privadas”.

10. Resposta: “E”


Art. 4º São diretrizes de sustentabilidade, entre outras:
I – menor impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água.

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5 Política Nacional sobre Mudanças do Clima (Lei nº 12.187/2009.

A Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) oficializa o compromisso voluntário do Brasil
junto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de redução de emissões de
gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas até 2020. Ela foi instituída em 2009
pela Lei nº 12.187, buscando garantir que o desenvolvimento econômico e social contribuam para a
proteção do sistema climático global.
Os objetivos alcançados pela PNMC devem se harmonizar com o desenvolvimento sustentável
buscando o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais.
Para viabilizar o alcance destes objetivos, o texto institui algumas diretrizes, como fomento a práticas que
efetivamente reduzam as emissões de gases de efeito estufa e o estímulo a adoção de atividades e
tecnologias de baixas emissões desses gases, além de padrões sustentáveis de produção e consumo.
O Poder Executivo, seguindo as diretrizes da PNMC, estabelece os Planos setoriais de mitigação e
adaptação à mudança do clima para a consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono. Os
Planos visam a atender metas gradativas de redução de emissões antrópicas quantificáveis e verificáveis,
considerando diversos setores, como geração e distribuição de energia elétrica, transporte público
urbano, indústria, serviços de saúde e agropecuária, considerando as especificidades de cada setor,
inclusive por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e das Ações de Mitigação
Nacionalmente Apropriadas (NAMAS).
Os instrumentos para sua execução são, entre outros: o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, o
Fundo Nacional sobre Mudança do Clima e a Comunicação do Brasil à Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima1.

Vejamos em seguida o que dispõe a norma:

LEI Nº 12.187, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2009.

Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a


seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e estabelece seus
princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos.

Art 2º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:


I - adaptação: iniciativas e medidas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos
frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima;
II - efeitos adversos da mudança do clima: mudanças no meio físico ou biota resultantes da mudança
do clima que tenham efeitos deletérios significativos sobre a composição, resiliência ou produtividade de
ecossistemas naturais e manejados, sobre o funcionamento de sistemas socioeconômicos ou sobre a
saúde e o bem-estar humanos;
III - emissões: liberação de gases de efeito estufa ou seus precursores na atmosfera numa área
específica e num período determinado;
IV - fonte: processo ou atividade que libere na atmosfera gás de efeito estufa, aerossol ou precursor
de gás de efeito estufa;
V - gases de efeito estufa: constituintes gasosos, naturais ou antrópicos, que, na atmosfera, absorvem
e reemitem radiação infravermelha;
VI - impacto: os efeitos da mudança do clima nos sistemas humanos e naturais;
VII - mitigação: mudanças e substituições tecnológicas que reduzam o uso de recursos e as emissões
por unidade de produção, bem como a implementação de medidas que reduzam as emissões de gases
de efeito estufa e aumentem os sumidouros;
VIII - mudança do clima: mudança de clima que possa ser direta ou indiretamente atribuída à atividade
humana que altere a composição da atmosfera mundial e que se some àquela provocada pela
variabilidade climática natural observada ao longo de períodos comparáveis;

1
http://www.mma.gov.br/clima/politica-nacional-sobre-mudanca-do-clima

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IX - sumidouro: processo, atividade ou mecanismo que remova da atmosfera gás de efeito estufa,
aerossol ou precursor de gás de efeito estufa; e
X - vulnerabilidade: grau de suscetibilidade e incapacidade de um sistema, em função de sua
sensibilidade, capacidade de adaptação, e do caráter, magnitude e taxa de mudança e variação do clima
a que está exposto, de lidar com os efeitos adversos da mudança do clima, entre os quais a variabilidade
climática e os eventos extremos.

Art. 3º A PNMC e as ações dela decorrentes, executadas sob a responsabilidade dos entes políticos
e dos órgãos da administração pública, observarão os princípios da precaução, da prevenção, da
participação cidadã, do desenvolvimento sustentável e o das responsabilidades comuns, porém
diferenciadas, este último no âmbito internacional, e, quanto às medidas a serem adotadas na sua
execução, será considerado o seguinte:
I - todos têm o dever de atuar, em benefício das presentes e futuras gerações, para a redução dos
impactos decorrentes das interferências antrópicas sobre o sistema climático;
II - serão tomadas medidas para prever, evitar ou minimizar as causas identificadas da mudança
climática com origem antrópica no território nacional, sobre as quais haja razoável consenso por parte
dos meios científicos e técnicos ocupados no estudo dos fenômenos envolvidos;
III - as medidas tomadas devem levar em consideração os diferentes contextos socioeconômicos de
sua aplicação, distribuir os ônus e encargos decorrentes entre os setores econômicos e as populações e
comunidades interessadas de modo equitativo e equilibrado e sopesar as responsabilidades individuais
quanto à origem das fontes emissoras e dos efeitos ocasionados sobre o clima;
IV - o desenvolvimento sustentável é a condição para enfrentar as alterações climáticas e conciliar o
atendimento às necessidades comuns e particulares das populações e comunidades que vivem no
território nacional;
V - as ações de âmbito nacional para o enfrentamento das alterações climáticas, atuais, presentes e
futuras, devem considerar e integrar as ações promovidas no âmbito estadual e municipal por entidades
públicas e privadas;
VI – (VETADO)

Art. 4º A Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC visará:


I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a proteção do sistema climático;
II - à redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa em relação às suas diferentes fontes;
III – (VETADO);
IV - ao fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa no território
nacional;
V - à implementação de medidas para promover a adaptação à mudança do clima pelas 3 (três) esferas
da Federação, com a participação e a colaboração dos agentes econômicos e sociais interessados ou
beneficiários, em particular aqueles especialmente vulneráveis aos seus efeitos adversos;
VI - à preservação, à conservação e à recuperação dos recursos ambientais, com particular atenção
aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional;
VII - à consolidação e à expansão das áreas legalmente protegidas e ao incentivo aos reflorestamentos
e à recomposição da cobertura vegetal em áreas degradadas;
VIII - ao estímulo ao desenvolvimento do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões - MBRE.
Parágrafo único. Os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima deverão estar em
consonância com o desenvolvimento sustentável a fim de buscar o crescimento econômico, a erradicação
da pobreza e a redução das desigualdades sociais.

Art. 5º São diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima:


I - os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima, no Protocolo de Quioto e nos demais documentos sobre mudança do clima dos quais vier a ser
signatário;
II - as ações de mitigação da mudança do clima em consonância com o desenvolvimento sustentável,
que sejam, sempre que possível, mensuráveis para sua adequada quantificação e verificação a posteriori;
III - as medidas de adaptação para reduzir os efeitos adversos da mudança do clima e a vulnerabilidade
dos sistemas ambiental, social e econômico;
IV - as estratégias integradas de mitigação e adaptação à mudança do clima nos âmbitos local, regional
e nacional;

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V - o estímulo e o apoio à participação dos governos federal, estadual, distrital e municipal, assim como
do setor produtivo, do meio acadêmico e da sociedade civil organizada, no desenvolvimento e na
execução de políticas, planos, programas e ações relacionados à mudança do clima;
VI - a promoção e o desenvolvimento de pesquisas científico-tecnológicas, e a difusão de tecnologias,
processos e práticas orientados a:
a) mitigar a mudança do clima por meio da redução de emissões antrópicas por fontes e do
fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa;
b) reduzir as incertezas nas projeções nacionais e regionais futuras da mudança do clima;
c) identificar vulnerabilidades e adotar medidas de adaptação adequadas;
VII - a utilização de instrumentos financeiros e econômicos para promover ações de mitigação e
adaptação à mudança do clima, observado o disposto no art. 6o;
VIII - a identificação, e sua articulação com a Política prevista nesta Lei, de instrumentos de ação
governamental já estabelecidos aptos a contribuir para proteger o sistema climático;
IX - o apoio e o fomento às atividades que efetivamente reduzam as emissões ou promovam as
remoções por sumidouros de gases de efeito estufa;
X - a promoção da cooperação internacional no âmbito bilateral, regional e multilateral para o
financiamento, a capacitação, o desenvolvimento, a transferência e a difusão de tecnologias e processos
para a implementação de ações de mitigação e adaptação, incluindo a pesquisa científica, a observação
sistemática e o intercâmbio de informações;
XI - o aperfeiçoamento da observação sistemática e precisa do clima e suas manifestações no território
nacional e nas áreas oceânicas contíguas;
XII - a promoção da disseminação de informações, a educação, a capacitação e a conscientização
pública sobre mudança do clima;
XIII - o estímulo e o apoio à manutenção e à promoção:
a) de práticas, atividades e tecnologias de baixas emissões de gases de efeito estufa;
b) de padrões sustentáveis de produção e consumo.

Art. 6º São instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima:


I - o Plano Nacional sobre Mudança do Clima;
II - o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima;
III - os Planos de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento nos biomas;
IV - a Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do
Clima, de acordo com os critérios estabelecidos por essa Convenção e por suas Conferências das Partes;
V - as resoluções da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima;
VI - as medidas fiscais e tributárias destinadas a estimular a redução das emissões e remoção de
gases de efeito estufa, incluindo alíquotas diferenciadas, isenções, compensações e incentivos, a serem
estabelecidos em lei específica;
VII - as linhas de crédito e financiamento específicas de agentes financeiros públicos e privados;
VIII - o desenvolvimento de linhas de pesquisa por agências de fomento;
IX - as dotações específicas para ações em mudança do clima no orçamento da União;
X - os mecanismos financeiros e econômicos referentes à mitigação da mudança do clima e à
adaptação aos efeitos da mudança do clima que existam no âmbito da Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima e do Protocolo de Quioto;
XI - os mecanismos financeiros e econômicos, no âmbito nacional, referentes à mitigação e à
adaptação à mudança do clima;
XII - as medidas existentes, ou a serem criadas, que estimulem o desenvolvimento de processos e
tecnologias, que contribuam para a redução de emissões e remoções de gases de efeito estufa, bem
como para a adaptação, dentre as quais o estabelecimento de critérios de preferência nas licitações e
concorrências públicas, compreendidas aí as parcerias público-privadas e a autorização, permissão,
outorga e concessão para exploração de serviços públicos e recursos naturais, para as propostas que
propiciem maior economia de energia, água e outros recursos naturais e redução da emissão de gases
de efeito estufa e de resíduos;
XIII - os registros, inventários, estimativas, avaliações e quaisquer outros estudos de emissões de
gases de efeito estufa e de suas fontes, elaborados com base em informações e dados fornecidos por
entidades públicas e privadas;
XIV - as medidas de divulgação, educação e conscientização;
XV - o monitoramento climático nacional;
XVI - os indicadores de sustentabilidade;

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XVII - o estabelecimento de padrões ambientais e de metas, quantificáveis e verificáveis, para a
redução de emissões antrópicas por fontes e para as remoções antrópicas por sumidouros de gases de
efeito estufa;
XVIII - a avaliação de impactos ambientais sobre o microclima e o macroclima.

Art. 7º Os instrumentos institucionais para a atuação da Política Nacional de Mudança do Clima


incluem:
I - o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima;
II - a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima;
III - o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima;
IV - a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais - Rede Clima;
V - a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia, Climatologia e Hidrologia.

Art. 8º As instituições financeiras oficiais disponibilizarão linhas de crédito e financiamento específicas


para desenvolver ações e atividades que atendam aos objetivos desta Lei e voltadas para induzir a
conduta dos agentes privados à observância e execução da PNMC, no âmbito de suas ações e
responsabilidades sociais.

Art. 9º O Mercado Brasileiro de Redução de Emissões - MBRE será operacionalizado em bolsas de


mercadorias e futuros, bolsas de valores e entidades de balcão organizado, autorizadas pela Comissão
de Valores Mobiliários - CVM, onde se dará a negociação de títulos mobiliários representativos de
emissões de gases de efeito estufa evitadas certificadas.

Art. 10. (VETADO)


Art. 11. Os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos das políticas públicas e programas
governamentais deverão compatibilizar-se com os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos desta
Política Nacional sobre Mudança do Clima.
Parágrafo único. Decreto do Poder Executivo estabelecerá, em consonância com a Política Nacional
sobre Mudança do Clima, os Planos setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas
visando à consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono, na geração e distribuição de
energia elétrica, no transporte público urbano e nos sistemas modais de transporte interestadual de
cargas e passageiros, na indústria de transformação e na de bens de consumo duráveis, nas indústrias
químicas fina e de base, na indústria de papel e celulose, na mineração, na indústria da construção civil,
nos serviços de saúde e na agropecuária, com vistas em atender metas gradativas de redução de
emissões antrópicas quantificáveis e verificáveis, considerando as especificidades de cada setor,
inclusive por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e das Ações de Mitigação
Nacionalmente Apropriadas - NAMAs.

Art. 12. Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará, como compromisso nacional voluntário,
ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir entre 36,1% (trinta e
seis inteiros e um décimo por cento) e 38,9% (trinta e oito inteiros e nove décimos por cento) suas
emissões projetadas até 2020.
Parágrafo único. A projeção das emissões para 2020 assim como o detalhamento das ações para
alcançar o objetivo expresso no caput serão dispostos por decreto, tendo por base o segundo Inventário
Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo
de Montreal, a ser concluído em 2010.

Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Questões

01. (TRF - 2ª REGIÃO - Analista Judiciário - CONSULPLAN/2017) Conforme os conceitos legais,


entende-se por:
I. Mitigação: as mudanças e substituições tecnológicas que reduzam o uso de recursos e as emissões
por unidade de produção, bem como a implementação de medidas que reduzam as emissões de gases
de efeito estufa e aumentem os sumidouros.
II. Adaptação: as iniciativas e medidas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos
frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima.

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III. Mudança do clima: as alterações que independem da atividade humana e que alterem a
composição da atmosfera mundial, provocadas pela variabilidade climática natural observada ao longo
de períodos comparáveis.

Nos termos da Lei nº 12.187/2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC,
está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.

02. (TRF - 2ª REGIÃO - Analista Judiciário - CONSULPLAN/2017) Nos termos da Lei nº


12.187/2009, são diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima, EXCETO:
(A) A promoção da disseminação de informações, a educação, a capacitação e a conscientização
pública sobre mudança do clima.
(B) As ações de mitigação da mudança do clima em consonância com o desenvolvimento sustentável,
que sejam, sempre que possível, mensuráveis para sua adequada quantificação e verificação a posteriori.
(C) Os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudança do Clima, no Protocolo de Quioto e nos demais documentos sobre mudança do clima dos quais
vier a ser signatário.
(D) A transferência de responsabilidade para o setor produtivo, meio acadêmico e sociedade civil
organizada, para o desenvolvimento e execução de políticas, planos, programas e ações relacionados à
mudança do clima.

03. (TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto - TRF - 2ª Região/2017) Em relação à Política
Nacional sobre Mudança do Clima, instituída pela Lei n° 12.187/09, é correto afirmar que:
(A) O conceito de “adaptação” se refere às medidas necessárias para adaptar o sistema produtivo aos
objetivos da política climática, reduzindo o volume de emissões de gases de efeito estufa, e o conceito
de “mitigação” se refere às iniciativas para reduzir a vulnerabilidade das populações mais afetadas pelas
mudanças climáticas.
(B) A implementação da Política Nacional sobre Mudança do Clima é de competência privativa da
União.
(C) Com a aprovação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, qualquer pessoa, física ou jurídica,
responsável, direta ou indiretamente, por emissões de gases de efeito estufa, pode ser obrigada, inclusive
judicialmente, a compensar integralmente suas emissões, até por força do princípio do poluidor pagador.
(D) Qualquer instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima só pode ser utilizado mediante
prévia aprovação pela conferência das partes à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas (as denominadas “COPs”).
(E) Os registros, inventários, estimativas, avaliações e outros estudos de emissões de gases de efeito
estufa e de suas fontes, elaborados com base em informações e dados fornecidos por entidades públicas
e privadas, são instrumentos da Política Nacional Sobre Mudança do Clima.

04. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC/2016) A Lei nº 12.187/2009, que trata da Política
Nacional sobre Mudança do Clima − PNMC, propõe que o Brasil adotará, como compromisso nacional
voluntário, a redução, até 2020, de suas emissões projetadas de gases de efeito estufa, em porcentagem,
entre
(A) 25,5 e 30,3.
(B) 36,1 e 38,9.
(C) 15,9 e 25,0.
(D) 42,3 e 52,0.
(E) 32,6 e 39,1.

05. (Petrobras - Advogado Júnior - CESGRANRIO) Nos termos da Lei Federal n° 12.187/2009, o
processo, atividade ou mecanismo que remova da atmosfera gás de efeito estufa, aerossol ou precursor
de gás de efeito estufa denomina-se
(A) impacto
(B) vulnerabilidade
(C) adversidade
(D) mitigação

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(E) sumidouro

06. (PGE/AC - Procurador do Estado - FMP-RS) Tendo por base os preceitos que regem a Política
Nacional sobre Mudança do Clima instituída pela Lei Federal n.º 12.187/2009, assinale a alternativa
correta.
(A) Mudança climática é toda a mudança do clima direta ou indiretamente atribuível à ação humana
que altere a composição da atmosfera mundial, excluídas, portanto, as mudanças advindas da
variabilidade climática natural observada ao longo de períodos compatíveis.
(B) Entende-se por impacto os efeitos da mudança do clima produzidos sobre os sistemas naturais e,
por vulnerabilidade, aqueles produzidos sobre os sistemas humanos.
(C) Gases de efeito estufa são todos os constituintes gasosos que tenham natureza exclusivamente
antrópica e que, na atmosfera, absorvam e reemitam radiação infravermelha.
(D) Por sumidouro entende-se o processo, atividade ou mecanismo que remova da atmosfera gás de
efeito estufa, aerossol ou precursor de gás de efeito estufa.

07. (PGE/RN - Procurador do Estado de Terceira Classe - FCC) São objetivos da Política Nacional
sobre Mudança do Clima - PNMC:
(A) a interação do mercado de carbono com o mercado de compensação de áreas de preservação
permanente.
(B) a redução das emissões de gases expelidos naturalmente em relação às suas diferentes fontes.
(C) o estímulo ao mercado de compensação de reserva legal e ao mercado de compensação de áreas
de preservação permanente.
(D) a preservação, a conservação e a recuperação dos recursos ambientais, com particular atenção
aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional.
(E) a união do mercado de carbono com o mercado de compensação de reserva legal.

08. (Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - CESPE) A respeito das políticas nacionais
relativas a recursos hídricos, mudanças climáticas e gestão dos resíduos sólidos, julgue o seguinte item.

A Política Nacional de Mudança do Clima exige as mesmas obrigações a todos os setores econômicos,
tendo em vista a vedação constitucional de discriminação entre diferentes atividades econômicas.
( ) CERTO
( ) ERRADO

09. (Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - CESPE) A respeito das políticas nacionais
relativas a recursos hídricos, mudanças climáticas e gestão dos resíduos sólidos, julgue o seguinte item.

O Brasil, em cumprimento às obrigações decorrentes do Protocolo de Quioto, editou a Política Nacional


de Mudança do Clima para cumprir o seu compromisso de redução de 2% das emissões de gases de
efeito estufa no país.
( ) CERTO
( ) ERRADO

10. (IBAMA - Analista Ambiental - CESPE) Julgue os itens seguintes, no que se refere a proteção da
atmosfera e mudança do clima.

No âmbito das diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima, as atividades de sumidouro
que removem gás de efeito estufa, aerosol ou precursor de gás de efeito estufa devem ser apoiadas e
fomentadas, como também devem ser utilizados instrumentos financeiros e econômicos para promover
ações de mitigação com esse fim.
( ) CERTO
( ) ERRADO
Respostas

01. Resposta: “D”


Considerando os conceitos legais apresentados no art. 2º da Lei nº 12.187/2009, somente a afirmativa
III está incorreta, tendo em vista que o conceito de mudança do clima corresponde as alterações que
possam ser direta ou indiretamente atribuída à atividade humana que altere a composição da atmosfera
mundial.

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02. Resposta: “D”
Dentre as diretrizes previstas no art. 5º da Lei nº 12.187/2009, não está inserido somente a afirmativa
contida na alternativa “D”. A alternativa “A” corresponde ao inciso XII, do mencionado artigo; a alternativa
“B” ao inciso II, a alternativa “C” ao inciso I.

03. Resposta: “E”


Prevê o art. 6º, da Lei nº 12.187/2009: São instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima:
XIII - os registros, inventários, estimativas, avaliações e quaisquer outros estudos de emissões de
gases de efeito estufa e de suas fontes, elaborados com base em informações e dados fornecidos por
entidades públicas e privadas;

04. Resposta: “B”


Disciplina o art. 12, da Lei: Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará, como compromisso
nacional voluntário, ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir
entre 36,1% (trinta e seis inteiros e um décimo por cento) e 38,9% (trinta e oito inteiros e nove décimos
por cento) suas emissões projetadas até 2020.

05. Resposta: “E”


Art. 2º, IX, da Lei nº 12.187/09: sumidouro - processo, atividade ou mecanismo que remova da
atmosfera gás de efeito estufa, aerossol ou precursor de gás de efeito estufa.

06. Resposta: “D”


É o que dispõe o art. 2º, IX, da Lei.

07. Resposta: “D”


Art. 4º A Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC visará:
(...)
VI - à preservação, à conservação e à recuperação dos recursos ambientais, com particular atenção
aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional;

08. Resposta: “ERRADO”


Art. 3º, III, da Lei de Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC: “as medidas tomadas devem
levar em consideração os diferentes contextos socioeconômicos de sua aplicação, distribuir os ônus e
encargos decorrentes entre os setores econômicos e as populações e comunidades interessadas de
modo equitativo e equilibrado e sopesar as responsabilidades individuais quanto à origem das fontes
emissoras e dos efeitos ocasionados sobre o clima”.

09. Resposta: “ERRADO”


O item está errado, pois o País adotou, como compromisso nacional VOLUNTÁRIO, ações de
mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir entre 36,1% (trinta e seis inteiros
e um décimo por cento) e 38,9% (trinta e oito inteiros e nove décimos por cento) suas emissões projetadas
até 2020. É o que dispõe o art. 12 da Lei nº 12.187/09.

10. Resposta: “CERTO”


Art. 5º São diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima:
(...)
VI - a promoção e o desenvolvimento de pesquisas científico-tecnológicas, e a difusão de tecnologias,
processos e práticas orientados a:
a) mitigar a mudança do clima por meio da redução de emissões antrópicas por fontes e do
fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa.

6 Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010).

A Lei nº 12.305/10 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (“PNRS”), esta possui uma
abordagem atual e importantes instrumentos constituídos com o intuito de viabilizar os avanços que o
país necessita para enfrentar diversos problemas ambientais, sociais e econômicos derivados do manejo
inadequado dos resíduos sólidos.

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A PNRS prevê programas de prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como principal
proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos que visam propiciar
o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que se considera possuir valor
econômico e que pode ser reciclado ou reaproveitado) e, ainda, a destinação ambientalmente adequada
dos “rejeitos” (o que não pode ser reciclado ou mesmo reutilizado).
Instituiu a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos, dos importadores,
distribuidores, comerciantes, fabricantes, o cidadão e aqueles que possuem serviços de manejo de
resíduos sólidos urbanos dos resíduos e embalagens, na logística reversa, pré e pós-consumo.
A PNRS acaba por criar metas importantes que visam contribuir à eficaz eliminação dos chamados
“lixões” e institui ferramentas de planejamento nos níveis nacional, estadual, microrregional,
intermunicipal e metropolitano e municipal, além de determinar que Planos de Gerenciamento de
Resíduos Sólidos sejam criados pelos particulares.
A Política também coloca o Brasil em situação de igualdade aos principais países desenvolvidos, no
que se refere ao marco legal e inova com a inclusão dos catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis,
tanto na logística reversa assim como na coleta seletiva.
Sem prejuízo, vamos acompanhar em seguida a integra do que prevê a norma:

LEI Nº 12.305, DE 2 DE AGOSTO DE 2010.

Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá
outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a
seguinte Lei:

TÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
CAPÍTULO I
DO OBJETO E DO CAMPO DE APLICAÇÃO

Art. 1o Esta Lei institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus princípios,
objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento
de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos
instrumentos econômicos aplicáveis.
§ 1o Estão sujeitas à observância desta Lei as pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou
privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos sólidos e as que desenvolvam
ações relacionadas à gestão integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos.
§ 2o Esta Lei não se aplica aos rejeitos radioativos, que são regulados por legislação específica.

Art. 2o Aplicam-se aos resíduos sólidos, além do disposto nesta Lei, nas Leis nos 11.445, de 5 de
janeiro de 2007, 9.974, de 6 de junho de 2000, e 9.966, de 28 de abril de 2000, as normas estabelecidas
pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), do Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária (SNVS), do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) e do Sistema
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro).

CAPÍTULO II
DEFINIÇÕES

Art. 3o Para os efeitos desta Lei, entende-se por:


I - acordo setorial: ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores,
distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo
ciclo de vida do produto;
II - área contaminada: local onde há contaminação causada pela disposição, regular ou irregular, de
quaisquer substâncias ou resíduos;
III - área órfã contaminada: área contaminada cujos responsáveis pela disposição não sejam
identificáveis ou individualizáveis;
IV - ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção
de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final;
V - coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou
composição;

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VI - controle social: conjunto de mecanismos e procedimentos que garantam à sociedade informações
e participação nos processos de formulação, implementação e avaliação das políticas públicas
relacionadas aos resíduos sólidos;
VII - destinação final ambientalmente adequada: destinação de resíduos que inclui a reutilização, a
reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações
admitidas pelos órgãos competentes do Sisnama, do SNVS e do Suasa, entre elas a disposição final,
observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à
segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos;
VIII - disposição final ambientalmente adequada: distribuição ordenada de rejeitos em aterros,
observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à
segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos;
IX - geradores de resíduos sólidos: pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que
geram resíduos sólidos por meio de suas atividades, nelas incluído o consumo;
X - gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas
etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos
resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal
de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na
forma desta Lei;
XI - gestão integrada de resíduos sólidos: conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para
os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social,
com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável;
XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um
conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos
sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra
destinação final ambientalmente adequada;
XIII - padrões sustentáveis de produção e consumo: produção e consumo de bens e serviços de forma
a atender as necessidades das atuais gerações e permitir melhores condições de vida, sem comprometer
a qualidade ambiental e o atendimento das necessidades das gerações futuras;
XIV - reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas
propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos
produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama
e, se couber, do SNVS e do Suasa;
XV - rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e
recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra
possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada;
XVI - resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades
humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a
proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas
particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou
exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível;
XVII - responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições
individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos
consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos,
para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos
causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos
desta Lei;
XVIII - reutilização: processo de aproveitamento dos resíduos sólidos sem sua transformação biológica,
física ou físico-química, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes
do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa;
XIX - serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades
previstas no art. 7º da Lei nº 11.445, de 2007.

TÍTULO II
DA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 4o A Política Nacional de Resíduos Sólidos reúne o conjunto de princípios, objetivos, instrumentos,
diretrizes, metas e ações adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação

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com Estados, Distrito Federal, Municípios ou particulares, com vistas à gestão integrada e ao
gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos.

Art. 5o A Política Nacional de Resíduos Sólidos integra a Política Nacional do Meio Ambiente e articula-
se com a Política Nacional de Educação Ambiental, regulada pela Lei no 9.795, de 27 de abril de 1999,
com a Política Federal de Saneamento Básico, regulada pela Lei nº 11.445, de 2007, e com a Lei
no 11.107, de 6 de abril de 2005.

CAPÍTULO II
DOS PRINCÍPIOS E OBJETIVOS

Art. 6o São princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos:


I - a prevenção e a precaução;
II - o poluidor-pagador e o protetor-recebedor;
III - a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social,
cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública;
IV - o desenvolvimento sustentável;
V - a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens
e serviços qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a redução
do impacto ambiental e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade
de sustentação estimada do planeta;
VI - a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais
segmentos da sociedade;
VII - a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
VIII - o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor
social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania;
IX - o respeito às diversidades locais e regionais;
X - o direito da sociedade à informação e ao controle social;
XI - a razoabilidade e a proporcionalidade.

Art. 7o São objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos:


I - proteção da saúde pública e da qualidade ambiental;
II - não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos;
III - estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços;
IV - adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar
impactos ambientais;
V - redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos;
VI - incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos
derivados de materiais recicláveis e reciclados;
VII - gestão integrada de resíduos sólidos;
VIII - articulação entre as diferentes esferas do poder público, e destas com o setor empresarial, com
vistas à cooperação técnica e financeira para a gestão integrada de resíduos sólidos;
IX - capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos;
X - regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da prestação dos serviços públicos
de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, com adoção de mecanismos gerenciais e
econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados, como forma de garantir
sua sustentabilidade operacional e financeira, observada a Lei nº 11.445, de 2007;
XI - prioridade, nas aquisições e contratações governamentais, para:
a) produtos reciclados e recicláveis;
b) bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo social e
ambientalmente sustentáveis;
XII - integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a
responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
XIII - estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto;
XIV - incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados para a
melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos sólidos, incluídos a recuperação
e o aproveitamento energético;
XV - estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável.

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CAPÍTULO III
DOS INSTRUMENTOS

Art. 8o São instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros:


I - os planos de resíduos sólidos;
II - os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos;
III - a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à
implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
IV - o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de
catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;
V - o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária;
VI - a cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desenvolvimento de
pesquisas de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização,
tratamento de resíduos e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos;
VII - a pesquisa científica e tecnológica;
VIII - a educação ambiental;
IX - os incentivos fiscais, financeiros e creditícios;
X - o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico;
XI - o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir);
XII - o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa);
XIII - os conselhos de meio ambiente e, no que couber, os de saúde;
XIV - os órgãos colegiados municipais destinados ao controle social dos serviços de resíduos sólidos
urbanos;
XV - o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos;
XVI - os acordos setoriais;
XVII - no que couber, os instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, entre eles: a) os padrões
de qualidade ambiental;
b) o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos
Ambientais;
c) o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental;
d) a avaliação de impactos ambientais;
e) o Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima);
f) o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras;
XVIII - os termos de compromisso e os termos de ajustamento de conduta; XIX - o incentivo à adoção
de consórcios ou de outras formas de cooperação entre os entes federados, com vistas à elevação das
escalas de aproveitamento e à redução dos custos envolvidos.

TÍTULO III
DAS DIRETRIZES APLICÁVEIS AOS RESÍDUOS SÓLIDOS
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 9o Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de
prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição
final ambientalmente adequada dos rejeitos.
§ 1o Poderão ser utilizadas tecnologias visando à recuperação energética dos resíduos sólidos
urbanos, desde que tenha sido comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e com a implantação de
programa de monitoramento de emissão de gases tóxicos aprovado pelo órgão ambiental.
§ 2o A Política Nacional de Resíduos Sólidos e as Políticas de Resíduos Sólidos dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios serão compatíveis com o disposto no caput e no § 1o deste artigo e com
as demais diretrizes estabelecidas nesta Lei.

Art. 10. Incumbe ao Distrito Federal e aos Municípios a gestão integrada dos resíduos sólidos gerados
nos respectivos territórios, sem prejuízo das competências de controle e fiscalização dos órgãos federais
e estaduais do Sisnama, do SNVS e do Suasa, bem como da responsabilidade do gerador pelo
gerenciamento de resíduos, consoante o estabelecido nesta Lei.

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Art. 11. Observadas as diretrizes e demais determinações estabelecidas nesta Lei e em seu
regulamento, incumbe aos Estados:
I - promover a integração da organização, do planejamento e da execução das funções públicas de
interesse comum relacionadas à gestão dos resíduos sólidos nas regiões metropolitanas, aglomerações
urbanas e microrregiões, nos termos da lei complementar estadual prevista no § 3º do art. 25 da
Constituição Federal;
II - controlar e fiscalizar as atividades dos geradores sujeitas a licenciamento ambiental pelo órgão
estadual do Sisnama.
Parágrafo único. A atuação do Estado na forma do caput deve apoiar e priorizar as iniciativas do
Município de soluções consorciadas ou compartilhadas entre 2 (dois) ou mais Municípios.

Art. 12. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão e manterão, de forma
conjunta, o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), articulado
com o Sinisa e o Sinima.
Parágrafo único. Incumbe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios fornecer ao órgão federal
responsável pela coordenação do Sinir todas as informações necessárias sobre os resíduos sob sua
esfera de competência, na forma e na periodicidade estabelecidas em regulamento.

Art. 13. Para os efeitos desta Lei, os resíduos sólidos têm a seguinte classificação:
I - quanto à origem:
a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas;
b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e
outros serviços de limpeza urbana;
c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”;
d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: os gerados nessas atividades,
excetuados os referidos nas alíneas “b”, “e”, “g”, “h” e “j”;
e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados nessas atividades, excetuados
os referidos na alínea “c”;
f) resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações industriais;
g) resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em
regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS;
h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras
de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis;
i) resíduos agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os
relacionados a insumos utilizados nessas atividades;
j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários,
rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira;
k) resíduos de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de
minérios;
II - quanto à periculosidade:
a) resíduos perigosos: aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade,
corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e
mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com
lei, regulamento ou norma técnica;
b) resíduos não perigosos: aqueles não enquadrados na alínea “a”.
Parágrafo único. Respeitado o disposto no art. 20, os resíduos referidos na alínea “d” do inciso I
do caput, se caracterizados como não perigosos, podem, em razão de sua natureza, composição ou
volume, ser equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal.

CAPÍTULO II
DOS PLANOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS
Seção I
Disposições Gerais

Art. 14. São planos de resíduos sólidos:


I - o Plano Nacional de Resíduos Sólidos;
II - os planos estaduais de resíduos sólidos;
III - os planos microrregionais de resíduos sólidos e os planos de resíduos sólidos de regiões
metropolitanas ou aglomerações urbanas;

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IV - os planos intermunicipais de resíduos sólidos;
V - os planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos;
VI - os planos de gerenciamento de resíduos sólidos.
Parágrafo único. É assegurada ampla publicidade ao conteúdo dos planos de resíduos sólidos, bem
como controle social em sua formulação, implementação e operacionalização, observado o disposto
na Lei no 10.650, de 16 de abril de 2003, e no art. 47 da Lei nº 11.445, de 2007.

Seção II
Do Plano Nacional de Resíduos Sólidos

Art. 15. A União elaborará, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente, o Plano Nacional de
Resíduos Sólidos, com vigência por prazo indeterminado e horizonte de 20 (vinte) anos, a ser atualizado
a cada 4 (quatro) anos, tendo como conteúdo mínimo:
I - diagnóstico da situação atual dos resíduos sólidos;
II - proposição de cenários, incluindo tendências internacionais e macroeconômicas;
III - metas de redução, reutilização, reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a quantidade de
resíduos e rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada;
IV - metas para o aproveitamento energético dos gases gerados nas unidades de disposição final de
resíduos sólidos;
V - metas para a eliminação e recuperação de lixões, associadas à inclusão social e à emancipação
econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;
VI - programas, projetos e ações para o atendimento das metas previstas;
VII - normas e condicionantes técnicas para o acesso a recursos da União, para a obtenção de seu
aval ou para o acesso a recursos administrados, direta ou indiretamente, por entidade federal, quando
destinados a ações e programas de interesse dos resíduos sólidos;
VIII - medidas para incentivar e viabilizar a gestão regionalizada dos resíduos sólidos;
IX - diretrizes para o planejamento e demais atividades de gestão de resíduos sólidos das regiões
integradas de desenvolvimento instituídas por lei complementar, bem como para as áreas de especial
interesse turístico;
X - normas e diretrizes para a disposição final de rejeitos e, quando couber, de resíduos;
XI - meios a serem utilizados para o controle e a fiscalização, no âmbito nacional, de sua
implementação e operacionalização, assegurado o controle social.
Parágrafo único. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos será elaborado mediante processo de
mobilização e participação social, incluindo a realização de audiências e consultas públicas.

Seção III
Dos Planos Estaduais de Resíduos Sólidos

Art. 16. A elaboração de plano estadual de resíduos sólidos, nos termos previstos por esta Lei, é
condição para os Estados terem acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados a
empreendimentos e serviços relacionados à gestão de resíduos sólidos, ou para serem beneficiados por
incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade.
§ 1o Serão priorizados no acesso aos recursos da União referidos no caput os Estados que instituírem
microrregiões, consoante o § 3o do art. 25 da Constituição Federal, para integrar a organização, o
planejamento e a execução das ações a cargo de Municípios limítrofes na gestão dos resíduos sólidos.
§ 2o Serão estabelecidas em regulamento normas complementares sobre o acesso aos recursos da
União na forma deste artigo.
§ 3o Respeitada a responsabilidade dos geradores nos termos desta Lei, as microrregiões instituídas
conforme previsto no § 1o abrangem atividades de coleta seletiva, recuperação e reciclagem, tratamento
e destinação final dos resíduos sólidos urbanos, a gestão de resíduos de construção civil, de serviços de
transporte, de serviços de saúde, agrossilvopastoris ou outros resíduos, de acordo com as peculiaridades
microrregionais.

Art. 17. O plano estadual de resíduos sólidos será elaborado para vigência por prazo indeterminado,
abrangendo todo o território do Estado, com horizonte de atuação de 20 (vinte) anos e revisões a cada 4
(quatro) anos, e tendo como conteúdo mínimo:
I - diagnóstico, incluída a identificação dos principais fluxos de resíduos no Estado e seus impactos
socioeconômicos e ambientais;
II - proposição de cenários;

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III - metas de redução, reutilização, reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a quantidade de
resíduos e rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada;
IV - metas para o aproveitamento energético dos gases gerados nas unidades de disposição final de
resíduos sólidos;
V - metas para a eliminação e recuperação de lixões, associadas à inclusão social e à emancipação
econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;
VI - programas, projetos e ações para o atendimento das metas previstas;
VII - normas e condicionantes técnicas para o acesso a recursos do Estado, para a obtenção de seu
aval ou para o acesso de recursos administrados, direta ou indiretamente, por entidade estadual, quando
destinados às ações e programas de interesse dos resíduos sólidos;
VIII - medidas para incentivar e viabilizar a gestão consorciada ou compartilhada dos resíduos sólidos;
IX - diretrizes para o planejamento e demais atividades de gestão de resíduos sólidos de regiões
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões;
X - normas e diretrizes para a disposição final de rejeitos e, quando couber, de resíduos, respeitadas
as disposições estabelecidas em âmbito nacional;
XI - previsão, em conformidade com os demais instrumentos de planejamento territorial, especialmente
o zoneamento ecológico-econômico e o zoneamento costeiro, de:
a) zonas favoráveis para a localização de unidades de tratamento de resíduos sólidos ou de disposição
final de rejeitos;
b) áreas degradadas em razão de disposição inadequada de resíduos sólidos ou rejeitos a serem
objeto de recuperação ambiental;
XII - meios a serem utilizados para o controle e a fiscalização, no âmbito estadual, de sua
implementação e operacionalização, assegurado o controle social.
§ 1o Além do plano estadual de resíduos sólidos, os Estados poderão elaborar planos microrregionais
de resíduos sólidos, bem como planos específicos direcionados às regiões metropolitanas ou às
aglomerações urbanas.
§ 2o A elaboração e a implementação pelos Estados de planos microrregionais de resíduos sólidos,
ou de planos de regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas, em consonância com o previsto no §
1o, dar-se-ão obrigatoriamente com a participação dos Municípios envolvidos e não excluem nem
substituem qualquer das prerrogativas a cargo dos Municípios previstas por esta Lei.
§ 3o Respeitada a responsabilidade dos geradores nos termos desta Lei, o plano microrregional de
resíduos sólidos deve atender ao previsto para o plano estadual e estabelecer soluções integradas para
a coleta seletiva, a recuperação e a reciclagem, o tratamento e a destinação final dos resíduos sólidos
urbanos e, consideradas as peculiaridades microrregionais, outros tipos de resíduos.

Seção IV
Dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos

Art. 18. A elaboração de plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, nos termos previstos
por esta Lei, é condição para o Distrito Federal e os Municípios terem acesso a recursos da União, ou por
ela controlados, destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo
de resíduos sólidos, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais
de crédito ou fomento para tal finalidade.
§ 1o Serão priorizados no acesso aos recursos da União referidos no caput os Municípios que:
I - optarem por soluções consorciadas intermunicipais para a gestão dos resíduos sólidos, incluída a
elaboração e implementação de plano intermunicipal, ou que se inserirem de forma voluntária nos planos
microrregionais de resíduos sólidos referidos no § 1o do art. 16;
II - implantarem a coleta seletiva com a participação de cooperativas ou outras formas de associação
de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda.
§ 2o Serão estabelecidas em regulamento normas complementares sobre o acesso aos recursos da
União na forma deste artigo.

Art. 19. O plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos tem o seguinte conteúdo mínimo:
I - diagnóstico da situação dos resíduos sólidos gerados no respectivo território, contendo a origem, o
volume, a caracterização dos resíduos e as formas de destinação e disposição final adotadas;
II - identificação de áreas favoráveis para disposição final ambientalmente adequada de rejeitos,
observado o plano diretor de que trata o § 1o do art. 182 da Constituição Federal e o zoneamento
ambiental, se houver;

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III - identificação das possibilidades de implantação de soluções consorciadas ou compartilhadas com
outros Municípios, considerando, nos critérios de economia de escala, a proximidade dos locais
estabelecidos e as formas de prevenção dos riscos ambientais;
IV - identificação dos resíduos sólidos e dos geradores sujeitos a plano de gerenciamento específico
nos termos do art. 20 ou a sistema de logística reversa na forma do art. 33, observadas as disposições
desta Lei e de seu regulamento, bem como as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do
SNVS;
V - procedimentos operacionais e especificações mínimas a serem adotados nos serviços públicos de
limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, incluída a disposição final ambientalmente adequada
dos rejeitos e observada a Lei nº 11.445, de 2007;
VI - indicadores de desempenho operacional e ambiental dos serviços públicos de limpeza urbana e
de manejo de resíduos sólidos;
VII - regras para o transporte e outras etapas do gerenciamento de resíduos sólidos de que trata o art.
20, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS e demais disposições
pertinentes da legislação federal e estadual;
VIII - definição das responsabilidades quanto à sua implementação e operacionalização, incluídas as
etapas do plano de gerenciamento de resíduos sólidos a que se refere o art. 20 a cargo do poder público;
IX - programas e ações de capacitação técnica voltados para sua implementação e operacionalização;
X - programas e ações de educação ambiental que promovam a não geração, a redução, a reutilização
e a reciclagem de resíduos sólidos;
XI - programas e ações para a participação dos grupos interessados, em especial das cooperativas ou
outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas
físicas de baixa renda, se houver;
XII - mecanismos para a criação de fontes de negócios, emprego e renda, mediante a valorização dos
resíduos sólidos;
XIII - sistema de cálculo dos custos da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo
de resíduos sólidos, bem como a forma de cobrança desses serviços, observada a Lei nº 11.445, de
2007;
XIV - metas de redução, reutilização, coleta seletiva e reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a
quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada;
XV - descrição das formas e dos limites da participação do poder público local na coleta seletiva e na
logística reversa, respeitado o disposto no art. 33, e de outras ações relativas à responsabilidade
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
XVI - meios a serem utilizados para o controle e a fiscalização, no âmbito local, da implementação e
operacionalização dos planos de gerenciamento de resíduos sólidos de que trata o art. 20 e dos sistemas
de logística reversa previstos no art. 33;
XVII - ações preventivas e corretivas a serem praticadas, incluindo programa de monitoramento;
XVIII - identificação dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos, incluindo áreas
contaminadas, e respectivas medidas saneadoras;
XIX - periodicidade de sua revisão, observado prioritariamente o período de vigência do plano
plurianual municipal.
§ 1o O plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos pode estar inserido no plano de
saneamento básico previsto no art. 19 da Lei nº 11.445, de 2007, respeitado o conteúdo mínimo previsto
nos incisos do caput e observado o disposto no § 2o, todos deste artigo.
§ 2o Para Municípios com menos de 20.000 (vinte mil) habitantes, o plano municipal de gestão
integrada de resíduos sólidos terá conteúdo simplificado, na forma do regulamento.
§ 3o O disposto no § 2o não se aplica a Municípios:
I - integrantes de áreas de especial interesse turístico;
II - inseridos na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto
ambiental de âmbito regional ou nacional;
III - cujo território abranja, total ou parcialmente, Unidades de Conservação.
§ 4o A existência de plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos não exime o Município
ou o Distrito Federal do licenciamento ambiental de aterros sanitários e de outras infraestruturas e
instalações operacionais integrantes do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos
sólidos pelo órgão competente do Sisnama.
§ 5o Na definição de responsabilidades na forma do inciso VIII do caput deste artigo, é vedado atribuir
ao serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos a realização de etapas do
gerenciamento dos resíduos a que se refere o art. 20 em desacordo com a respectiva licença ambiental
ou com normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e, se couber, do SNVS.

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§ 6o Além do disposto nos incisos I a XIX do caput deste artigo, o plano municipal de gestão integrada
de resíduos sólidos contemplará ações específicas a serem desenvolvidas no âmbito dos órgãos da
administração pública, com vistas à utilização racional dos recursos ambientais, ao combate a todas as
formas de desperdício e à minimização da geração de resíduos sólidos.
§ 7o O conteúdo do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos será disponibilizado para
o Sinir, na forma do regulamento.
§ 8o A inexistência do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos não pode ser utilizada
para impedir a instalação ou a operação de empreendimentos ou atividades devidamente licenciados
pelos órgãos competentes.
§ 9o Nos termos do regulamento, o Município que optar por soluções consorciadas intermunicipais
para a gestão dos resíduos sólidos, assegurado que o plano intermunicipal preencha os requisitos
estabelecidos nos incisos I a XIX do caput deste artigo, pode ser dispensado da elaboração de plano
municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.

Seção V
Do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos

Art. 20. Estão sujeitos à elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos:


I - os geradores de resíduos sólidos previstos nas alíneas “e”, “f”, “g” e “k” do inciso I do art. 13;
II - os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços que:
a) gerem resíduos perigosos;
b) gerem resíduos que, mesmo caracterizados como não perigosos, por sua natureza, composição ou
volume, não sejam equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal;
III - as empresas de construção civil, nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas pelos
órgãos do Sisnama;
IV - os responsáveis pelos terminais e outras instalações referidas na alínea “j” do inciso I do art. 13 e,
nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e, se couber, do SNVS,
as empresas de transporte;
V - os responsáveis por atividades agrossilvopastoris, se exigido pelo órgão competente do Sisnama,
do SNVS ou do Suasa.
Parágrafo único. Observado o disposto no Capítulo IV deste Título, serão estabelecidas por
regulamento exigências específicas relativas ao plano de gerenciamento de resíduos perigosos.

Art. 21. O plano de gerenciamento de resíduos sólidos tem o seguinte conteúdo mínimo:
I - descrição do empreendimento ou atividade;
II - diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados, contendo a origem, o volume e a
caracterização dos resíduos, incluindo os passivos ambientais a eles relacionados;
III - observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa e, se houver,
o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos:
a) explicitação dos responsáveis por cada etapa do gerenciamento de resíduos sólidos;
b) definição dos procedimentos operacionais relativos às etapas do gerenciamento de resíduos sólidos
sob responsabilidade do gerador;
IV - identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com outros geradores;
V - ações preventivas e corretivas a serem executadas em situações de gerenciamento incorreto ou
acidentes;
VI - metas e procedimentos relacionados à minimização da geração de resíduos sólidos e, observadas
as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, à reutilização e reciclagem;
VII - se couber, ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, na
forma do art. 31;
VIII - medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos;
IX - periodicidade de sua revisão, observado, se couber, o prazo de vigência da respectiva licença de
operação a cargo dos órgãos do Sisnama.
§ 1o O plano de gerenciamento de resíduos sólidos atenderá ao disposto no plano municipal de gestão
integrada de resíduos sólidos do respectivo Município, sem prejuízo das normas estabelecidas pelos
órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa.
§ 2o A inexistência do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos não obsta a elaboração,
a implementação ou a operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos sólidos.
§ 3o Serão estabelecidos em regulamento:

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I - normas sobre a exigibilidade e o conteúdo do plano de gerenciamento de resíduos sólidos relativo
à atuação de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e
recicláveis;
II - critérios e procedimentos simplificados para apresentação dos planos de gerenciamento de
resíduos sólidos para microempresas e empresas de pequeno porte, assim consideradas as definidas
nos incisos I e II do art. 3o da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, desde que as
atividades por elas desenvolvidas não gerem resíduos perigosos.

Art. 22. Para a elaboração, implementação, operacionalização e monitoramento de todas as etapas


do plano de gerenciamento de resíduos sólidos, nelas incluído o controle da disposição final
ambientalmente adequada dos rejeitos, será designado responsável técnico devidamente habilitado.
Art. 23. Os responsáveis por plano de gerenciamento de resíduos sólidos manterão atualizadas e
disponíveis ao órgão municipal competente, ao órgão licenciador do Sisnama e a outras autoridades,
informações completas sobre a implementação e a operacionalização do plano sob sua responsabilidade.
§ 1o Para a consecução do disposto no caput, sem prejuízo de outras exigências cabíveis por parte
das autoridades, será implementado sistema declaratório com periodicidade, no mínimo, anual, na forma
do regulamento.
§ 2o As informações referidas no caput serão repassadas pelos órgãos públicos ao Sinir, na forma do
regulamento.

Art. 24. O plano de gerenciamento de resíduos sólidos é parte integrante do processo de licenciamento
ambiental do empreendimento ou atividade pelo órgão competente do Sisnama.
§ 1o Nos empreendimentos e atividades não sujeitos a licenciamento ambiental, a aprovação do plano
de gerenciamento de resíduos sólidos cabe à autoridade municipal competente.
§ 2o No processo de licenciamento ambiental referido no § 1o a cargo de órgão federal ou estadual do
Sisnama, será assegurada oitiva do órgão municipal competente, em especial quanto à disposição final
ambientalmente adequada de rejeitos.

CAPÍTULO III
DAS RESPONSABILIDADES DOS GERADORES E DO PODER PÚBLICO
Seção I
Disposições Gerais

Art. 25. O poder público, o setor empresarial e a coletividade são responsáveis pela efetividade das
ações voltadas para assegurar a observância da Política Nacional de Resíduos Sólidos e das diretrizes e
demais determinações estabelecidas nesta Lei e em seu regulamento.

Art. 26. O titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos é
responsável pela organização e prestação direta ou indireta desses serviços, observados o respectivo
plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, a Lei nº 11.445, de 2007, e as disposições desta
Lei e seu regulamento.

Art. 27. As pessoas físicas ou jurídicas referidas no art. 20 são responsáveis pela implementação e
operacionalização integral do plano de gerenciamento de resíduos sólidos aprovado pelo órgão
competente na forma do art. 24.
§ 1o A contratação de serviços de coleta, armazenamento, transporte, transbordo, tratamento ou
destinação final de resíduos sólidos, ou de disposição final de rejeitos, não isenta as pessoas físicas ou
jurídicas referidas no art. 20 da responsabilidade por danos que vierem a ser provocados pelo
gerenciamento inadequado dos respectivos resíduos ou rejeitos.
§ 2o Nos casos abrangidos pelo art. 20, as etapas sob responsabilidade do gerador que forem
realizadas pelo poder público serão devidamente remuneradas pelas pessoas físicas ou jurídicas
responsáveis, observado o disposto no § 5o do art. 19.

Art. 28. O gerador de resíduos sólidos domiciliares tem cessada sua responsabilidade pelos resíduos
com a disponibilização adequada para a coleta ou, nos casos abrangidos pelo art. 33, com a devolução.

Art. 29. Cabe ao poder público atuar, subsidiariamente, com vistas a minimizar ou cessar o dano, logo
que tome conhecimento de evento lesivo ao meio ambiente ou à saúde pública relacionado ao
gerenciamento de resíduos sólidos.

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Parágrafo único. Os responsáveis pelo dano ressarcirão integralmente o poder público pelos gastos
decorrentes das ações empreendidas na forma do caput.

Seção II
Da Responsabilidade Compartilhada

Art. 30. É instituída a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a ser
implementada de forma individualizada e encadeada, abrangendo os fabricantes, importadores,
distribuidores e comerciantes, os consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e
de manejo de resíduos sólidos, consoante as atribuições e procedimentos previstos nesta Seção.
Parágrafo único. A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos tem por objetivo:
I - compatibilizar interesses entre os agentes econômicos e sociais e os processos de gestão
empresarial e mercadológica com os de gestão ambiental, desenvolvendo estratégias sustentáveis;
II - promover o aproveitamento de resíduos sólidos, direcionando-os para a sua cadeia produtiva ou
para outras cadeias produtivas;
III - reduzir a geração de resíduos sólidos, o desperdício de materiais, a poluição e os danos
ambientais;
IV - incentivar a utilização de insumos de menor agressividade ao meio ambiente e de maior
sustentabilidade;
V - estimular o desenvolvimento de mercado, a produção e o consumo de produtos derivados de
materiais reciclados e recicláveis;
VI - propiciar que as atividades produtivas alcancem eficiência e sustentabilidade;
VII - incentivar as boas práticas de responsabilidade socioambiental.

Art. 31. Sem prejuízo das obrigações estabelecidas no plano de gerenciamento de resíduos sólidos e
com vistas a fortalecer a responsabilidade compartilhada e seus objetivos, os fabricantes, importadores,
distribuidores e comerciantes têm responsabilidade que abrange:
I - investimento no desenvolvimento, na fabricação e na colocação no mercado de produtos:
a) que sejam aptos, após o uso pelo consumidor, à reutilização, à reciclagem ou a outra forma de
destinação ambientalmente adequada;
b) cuja fabricação e uso gerem a menor quantidade de resíduos sólidos possível;
II - divulgação de informações relativas às formas de evitar, reciclar e eliminar os resíduos sólidos
associados a seus respectivos produtos;
III - recolhimento dos produtos e dos resíduos remanescentes após o uso, assim como sua
subsequente destinação final ambientalmente adequada, no caso de produtos objeto de sistema de
logística reversa na forma do art. 33;
IV - compromisso de, quando firmados acordos ou termos de compromisso com o Município, participar
das ações previstas no plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, no caso de produtos
ainda não inclusos no sistema de logística reversa.

Art. 32. As embalagens devem ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização ou a
reciclagem.
§ 1o Cabe aos respectivos responsáveis assegurar que as embalagens sejam:
I - restritas em volume e peso às dimensões requeridas à proteção do conteúdo e à comercialização
do produto;
II - projetadas de forma a serem reutilizadas de maneira tecnicamente viável e compatível com as
exigências aplicáveis ao produto que contêm;
III - recicladas, se a reutilização não for possível.
§ 2o O regulamento disporá sobre os casos em que, por razões de ordem técnica ou econômica, não
seja viável a aplicação do disposto no caput.
§ 3o É responsável pelo atendimento do disposto neste artigo todo aquele que:
I - manufatura embalagens ou fornece materiais para a fabricação de embalagens;
II - coloca em circulação embalagens, materiais para a fabricação de embalagens ou produtos
embalados, em qualquer fase da cadeia de comércio.

Art. 33. São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos
produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de
manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:

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I - agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o
uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas
em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em
normas técnicas;
II - pilhas e baterias;
III - pneus;
IV - óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;
V - lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;
VI - produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
§ 1o Na forma do disposto em regulamento ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados
entre o poder público e o setor empresarial, os sistemas previstos no caput serão estendidos a produtos
comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, e aos demais produtos e embalagens,
considerando, prioritariamente, o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos
resíduos gerados.
§ 2o A definição dos produtos e embalagens a que se refere o § 1o considerará a viabilidade técnica e
econômica da logística reversa, bem como o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio
ambiente dos resíduos gerados.
§ 3o Sem prejuízo de exigências específicas fixadas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas
pelos órgãos do Sisnama e do SNVS, ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados entre
o poder público e o setor empresarial, cabe aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes
dos produtos a que se referem os incisos II, III, V e VI ou dos produtos e embalagens a que se referem
os incisos I e IV do caput e o § 1o tomar todas as medidas necessárias para assegurar a implementação
e operacionalização do sistema de logística reversa sob seu encargo, consoante o estabelecido neste
artigo, podendo, entre outras medidas:
I - implantar procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados;
II - disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis;
III - atuar em parceria com cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais
reutilizáveis e recicláveis, nos casos de que trata o § 1o.
§ 4o Os consumidores deverão efetuar a devolução após o uso, aos comerciantes ou distribuidores,
dos produtos e das embalagens a que se referem os incisos I a VI do caput, e de outros produtos ou
embalagens objeto de logística reversa, na forma do § 1o.
§ 5o Os comerciantes e distribuidores deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos
importadores dos produtos e embalagens reunidos ou devolvidos na forma dos §§ 3o e 4o.
§ 6o Os fabricantes e os importadores darão destinação ambientalmente adequada aos produtos e às
embalagens reunidos ou devolvidos, sendo o rejeito encaminhado para a disposição final ambientalmente
adequada, na forma estabelecida pelo órgão competente do Sisnama e, se houver, pelo plano municipal
de gestão integrada de resíduos sólidos.
§ 7o Se o titular do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, por acordo
setorial ou termo de compromisso firmado com o setor empresarial, encarregar-se de atividades de
responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes nos sistemas de logística
reversa dos produtos e embalagens a que se refere este artigo, as ações do poder público serão
devidamente remuneradas, na forma previamente acordada entre as partes.
§ 8o Com exceção dos consumidores, todos os participantes dos sistemas de logística reversa
manterão atualizadas e disponíveis ao órgão municipal competente e a outras autoridades informações
completas sobre a realização das ações sob sua responsabilidade.

Art. 34. Os acordos setoriais ou termos de compromisso referidos no inciso IV do caput do art. 31 e
no § 1o do art. 33 podem ter abrangência nacional, regional, estadual ou municipal.
§ 1o Os acordos setoriais e termos de compromisso firmados em âmbito nacional têm prevalência
sobre os firmados em âmbito regional ou estadual, e estes sobre os firmados em âmbito municipal.
§ 2o Na aplicação de regras concorrentes consoante o § 1o, os acordos firmados com menor
abrangência geográfica podem ampliar, mas não abrandar, as medidas de proteção ambiental constantes
nos acordos setoriais e termos de compromisso firmados com maior abrangência geográfica.

Art. 35. Sempre que estabelecido sistema de coleta seletiva pelo plano municipal de gestão integrada
de resíduos sólidos e na aplicação do art. 33, os consumidores são obrigados a:
I - acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados;
II - disponibilizar adequadamente os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis para coleta ou
devolução.

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Parágrafo único. O poder público municipal pode instituir incentivos econômicos aos consumidores
que participam do sistema de coleta seletiva referido no caput, na forma de lei municipal.

Art. 36. No âmbito da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, cabe ao titular
dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, observado, se houver, o plano
municipal de gestão integrada de resíduos sólidos:
I - adotar procedimentos para reaproveitar os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos
serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos;
II - estabelecer sistema de coleta seletiva;
III - articular com os agentes econômicos e sociais medidas para viabilizar o retorno ao ciclo produtivo
dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis oriundos dos serviços de limpeza urbana e de manejo de
resíduos sólidos;
IV - realizar as atividades definidas por acordo setorial ou termo de compromisso na forma do § 7 o do
art. 33, mediante a devida remuneração pelo setor empresarial;
V - implantar sistema de compostagem para resíduos sólidos orgânicos e articular com os agentes
econômicos e sociais formas de utilização do composto produzido;
VI - dar disposição final ambientalmente adequada aos resíduos e rejeitos oriundos dos serviços
públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos.
§ 1o Para o cumprimento do disposto nos incisos I a IV do caput, o titular dos serviços públicos de
limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos priorizará a organização e o funcionamento de
cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis
formadas por pessoas físicas de baixa renda, bem como sua contratação.
§ 2o A contratação prevista no § 1o é dispensável de licitação, nos termos do inciso XXVII do art. 24
da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993.

CAPÍTULO IV
DOS RESÍDUOS PERIGOSOS

Art. 37. A instalação e o funcionamento de empreendimento ou atividade que gere ou opere com
resíduos perigosos somente podem ser autorizados ou licenciados pelas autoridades competentes se o
responsável comprovar, no mínimo, capacidade técnica e econômica, além de condições para prover os
cuidados necessários ao gerenciamento desses resíduos.

Art. 38. As pessoas jurídicas que operam com resíduos perigosos, em qualquer fase do seu
gerenciamento, são obrigadas a se cadastrar no Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos
Perigosos.
§ 1o O cadastro previsto no caput será coordenado pelo órgão federal competente do Sisnama e
implantado de forma conjunta pelas autoridades federais, estaduais e municipais.
§ 2o Para o cadastramento, as pessoas jurídicas referidas no caput necessitam contar com
responsável técnico pelo gerenciamento dos resíduos perigosos, de seu próprio quadro de funcionários
ou contratado, devidamente habilitado, cujos dados serão mantidos atualizados no cadastro.
§ 3o O cadastro a que se refere o caput é parte integrante do Cadastro Técnico Federal de Atividades
Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais e do Sistema de Informações previsto
no art. 12.

Art. 39. As pessoas jurídicas referidas no art. 38 são obrigadas a elaborar plano de gerenciamento de
resíduos perigosos e submetê-lo ao órgão competente do Sisnama e, se couber, do SNVS, observado o
conteúdo mínimo estabelecido no art. 21 e demais exigências previstas em regulamento ou em normas
técnicas.
§ 1o O plano de gerenciamento de resíduos perigosos a que se refere o caput poderá estar inserido
no plano de gerenciamento de resíduos a que se refere o art. 20.
§ 2o Cabe às pessoas jurídicas referidas no art. 38:
I - manter registro atualizado e facilmente acessível de todos os procedimentos relacionados à
implementação e à operacionalização do plano previsto no caput;
II - informar anualmente ao órgão competente do Sisnama e, se couber, do SNVS, sobre a quantidade,
a natureza e a destinação temporária ou final dos resíduos sob sua responsabilidade;
III - adotar medidas destinadas a reduzir o volume e a periculosidade dos resíduos sob sua
responsabilidade, bem como a aperfeiçoar seu gerenciamento;

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IV - informar imediatamente aos órgãos competentes sobre a ocorrência de acidentes ou outros
sinistros relacionados aos resíduos perigosos.
§ 3o Sempre que solicitado pelos órgãos competentes do Sisnama e do SNVS, será assegurado
acesso para inspeção das instalações e dos procedimentos relacionados à implementação e à
operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos perigosos.
§ 4o No caso de controle a cargo de órgão federal ou estadual do Sisnama e do SNVS, as informações
sobre o conteúdo, a implementação e a operacionalização do plano previsto no caput serão repassadas
ao poder público municipal, na forma do regulamento.

Art. 40. No licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades que operem com resíduos
perigosos, o órgão licenciador do Sisnama pode exigir a contratação de seguro de responsabilidade civil
por danos causados ao meio ambiente ou à saúde pública, observadas as regras sobre cobertura e os
limites máximos de contratação fixados em regulamento.
Parágrafo único. O disposto no caput considerará o porte da empresa, conforme regulamento.

Art. 41. Sem prejuízo das iniciativas de outras esferas governamentais, o Governo Federal deve
estruturar e manter instrumentos e atividades voltados para promover a descontaminação de áreas órfãs.
Parágrafo único. Se, após descontaminação de sítio órfão realizada com recursos do Governo Federal
ou de outro ente da Federação, forem identificados os responsáveis pela contaminação, estes ressarcirão
integralmente o valor empregado ao poder público.

CAPÍTULO V
DOS INSTRUMENTOS ECONÔMICOS

Art. 42. O poder público poderá instituir medidas indutoras e linhas de financiamento para atender,
prioritariamente, às iniciativas de:
I - prevenção e redução da geração de resíduos sólidos no processo produtivo;
II - desenvolvimento de produtos com menores impactos à saúde humana e à qualidade ambiental em
seu ciclo de vida;
III - implantação de infraestrutura física e aquisição de equipamentos para cooperativas ou outras
formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas
de baixa renda;
IV - desenvolvimento de projetos de gestão dos resíduos sólidos de caráter intermunicipal ou, nos
termos do inciso I do caput do art. 11, regional;
V - estruturação de sistemas de coleta seletiva e de logística reversa;
VI - descontaminação de áreas contaminadas, incluindo as áreas órfãs;
VII - desenvolvimento de pesquisas voltadas para tecnologias limpas aplicáveis aos resíduos sólidos;
VIII - desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados para a melhoria dos
processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos.

Art. 43. No fomento ou na concessão de incentivos creditícios destinados a atender diretrizes desta
Lei, as instituições oficiais de crédito podem estabelecer critérios diferenciados de acesso dos
beneficiários aos créditos do Sistema Financeiro Nacional para investimentos produtivos.

Art. 44. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no âmbito de suas competências,
poderão instituir normas com o objetivo de conceder incentivos fiscais, financeiros ou creditícios,
respeitadas as limitações da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade
Fiscal), a:
I - indústrias e entidades dedicadas à reutilização, ao tratamento e à reciclagem de resíduos sólidos
produzidos no território nacional;
II - projetos relacionados à responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos, prioritariamente em
parceria com cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e
recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda;
III - empresas dedicadas à limpeza urbana e a atividades a ela relacionadas.

Art. 45. Os consórcios públicos constituídos, nos termos da Lei no 11.107, de 2005, com o objetivo de
viabilizar a descentralização e a prestação de serviços públicos que envolvam resíduos sólidos, têm
prioridade na obtenção dos incentivos instituídos pelo Governo Federal.

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Art. 46. O atendimento ao disposto neste Capítulo será efetivado em consonância com a Lei
Complementar nº 101, de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), bem como com as diretrizes e objetivos
do respectivo plano plurianual, as metas e as prioridades fixadas pelas leis de diretrizes orçamentárias e
no limite das disponibilidades propiciadas pelas leis orçamentárias anuais.

CAPÍTULO VI
DAS PROIBIÇÕES

Art. 47. São proibidas as seguintes formas de destinação ou disposição final de resíduos sólidos ou
rejeitos:
I - lançamento em praias, no mar ou em quaisquer corpos hídricos;
II - lançamento in natura a céu aberto, excetuados os resíduos de mineração;
III - queima a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos não licenciados para essa
finalidade;
IV - outras formas vedadas pelo poder público.
§ 1o Quando decretada emergência sanitária, a queima de resíduos a céu aberto pode ser realizada,
desde que autorizada e acompanhada pelos órgãos competentes do Sisnama, do SNVS e, quando
couber, do Suasa.
§ 2o Assegurada a devida impermeabilização, as bacias de decantação de resíduos ou rejeitos
industriais ou de mineração, devidamente licenciadas pelo órgão competente do Sisnama, não são
consideradas corpos hídricos para efeitos do disposto no inciso I do caput.
Art. 48. São proibidas, nas áreas de disposição final de resíduos ou rejeitos, as seguintes atividades:
I - utilização dos rejeitos dispostos como alimentação;
II - catação, observado o disposto no inciso V do art. 17;
III - criação de animais domésticos;
IV - fixação de habitações temporárias ou permanentes;
V - outras atividades vedadas pelo poder público.

Art. 49. É proibida a importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos, bem como de resíduos
sólidos cujas características causem dano ao meio ambiente, à saúde pública e animal e à sanidade
vegetal, ainda que para tratamento, reforma, reúso, reutilização ou recuperação.

TÍTULO IV
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS E FINAIS

Art. 50. A inexistência do regulamento previsto no § 3o do art. 21 não obsta a atuação, nos termos
desta Lei, das cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e
recicláveis.

Art. 51. Sem prejuízo da obrigação de, independentemente da existência de culpa, reparar os danos
causados, a ação ou omissão das pessoas físicas ou jurídicas que importe inobservância aos preceitos
desta Lei ou de seu regulamento sujeita os infratores às sanções previstas em lei, em especial às fixadas
na Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que “dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências”, e em seu
regulamento.

Art. 52. A observância do disposto no caput do art. 23 e no § 2o do art. 39 desta Lei é considerada
obrigação de relevante interesse ambiental para efeitos do art. 68 da Lei nº 9.605, de 1998, sem prejuízo
da aplicação de outras sanções cabíveis nas esferas penal e administrativa.

Art. 53. O § 1o do art. 56 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar com a seguinte
redação:
“Art. 56. .................................................................................
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
I - abandona os produtos ou substâncias referidos no caput ou os utiliza em desacordo com as normas
ambientais ou de segurança;
II - manipula, acondiciona, armazena, coleta, transporta, reutiliza, recicla ou dá destinação final a
resíduos perigosos de forma diversa da estabelecida em lei ou regulamento.
.............................................................................................” (NR)

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Art. 54. A disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, observado o disposto no § 1o do art.
9o, deverá ser implantada em até 4 (quatro) anos após a data de publicação desta Lei.

Art. 55. O disposto nos arts. 16 e 18 entra em vigor 2 (dois) anos após a data de publicação desta
Lei.

Art. 56. A logística reversa relativa aos produtos de que tratam os incisos V e VI do caput do art. 33
será implementada progressivamente segundo cronograma estabelecido em regulamento.

Art. 57. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

QUESTÕES

01. (TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - FCC/2016) Para efeitos da Lei n° 12.305/2010 a
gestão integrada de resíduos sólidos é
(A) conjunto de mecanismos e procedimentos que garantam à sociedade informações e participação
nos processos de formulação, implementação e avaliação das políticas públicas relacionadas aos
resíduos sólidos.
(B) distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo
a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos.
(C) o ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores,
distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo
ciclo de vida do produto.
(D) o conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a
considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a
premissa do desenvolvimento sustentável.
(E) o conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte,
tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final, de
acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.

02. (Prefeitura de Teresina/PI - Analista Ambiental - FCC/2016) A Lei n° 12.305, de 02/08/2010


instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos que define rejeitos como resíduos
(A) de atividades em pesquisas com fauna que não apresentem possibilidade técnica de ser lançados
em aterros; Lixo como resíduo que não pode ser reaproveitado.
(B) sólidos que apresentem possibilidade ambiental de ser usados para uso em outros produtos; Lixo
é resíduo que não deve ser reaproveitado de forma alguma.
(C) descartados que apresentem possibilidade técnica de ser lançados em aterros sanitários
adequados; Lixo como resíduo que não deve ser reaproveitado.
(D) sólidos que não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente
adequada; Lixo como resíduo que pode ser reaproveitado.
(E) sólidos que apresentem impossibilidade ambiental de ser usados para uso em outros produtos;
Lixo como resíduo que não inspira cuidados adequados

03. (TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - FCC/2016) É um princípio da Política Nacional
de Resíduos Sólidos, expressamente previsto na Lei n° 12.305/2010:
(A) O estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços.
(B) A proteção da saúde pública e da qualidade ambiental.
(C) A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.
(D) A redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos.
(E) A adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar
impactos ambientais.

04. (Câmara Municipal de Poá/SP - Procurador Jurídico - VUNESP/2016) Sobre a classificação de


resíduos sólidos prevista na Lei nº 12.305/10, é correto afirmar que resíduos
(A) de limpeza urbana são os originários de atividades domésticas em residências urbanas.
(B) domiciliares são os originários de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços.
(C) dos serviços públicos de saneamento básico são os originários da varrição, limpeza de logradouros
e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana.

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(D) da construção civil são os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de
construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis.
(E) de serviços de saúde são os gerados nos processos produtivos e instalações industriais.

05. (TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Técnico Judiciário - FCC/2016) De acordo com a Lei n° 12.305/2010,
o plano estadual de resíduos sólidos que abrangerá todo o território de um Estado, será elaborado para
vigência
(A) pelo prazo de dez anos, com revisões a cada dois anos.
(B) por prazo indeterminado, com horizonte de vinte anos, a ser atualizado a cada 4 anos.
(C) por prazo indeterminado, com horizonte de quinze anos e revisões a cada cinco anos.
(D) pelo prazo de quinze anos, com revisões a cada três anos.
(E) por prazo indeterminado, com horizonte de doze anos e revisões a cada três anos.

06. (Caixa - Engenheiro Civil - CESGRANRIO/2015) A Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, institui
a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa Lei NÃO se aplica a
(A) reciclagem de produtos
(B) rejeitos radioativos
(C) pessoas físicas
(D) pessoas jurídicas de direito público
(E) pessoas jurídicas de direito privado, responsáveis indiretamente pela geração de resíduos sólidos

07. (Prefeitura de Caieiras – SP - Assessor Jurídico/Procurador Geral - VUNESP/2015) Nos


termos da Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, entende-se por
(A) área órfã contaminada: local onde há contaminação causada pela disposição, regular ou irregular,
de quaisquer substâncias ou resíduos.
(B) destinação final ambientalmente adequada: distribuição ordenada de rejeitos em aterros,
observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à
segurança e a minimizar os impactos ambientais diversos.
(C) gerenciamento de resíduos sólidos: pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que
geram resíduos sólidos por meio de suas atividades, nelas incluído o consumo.
(D) logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizado por um
conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos
sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra
destinação final ambientalmente adequada
(E) rejeitos: processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas
propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos
produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama,
Do SNVS e do Suasa.

08. (Petrobras - Técnico(a) Ambiental Júnior - CESGRANRIO) Conscientes de seu papel no


desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras, as empresas vêm realizando ações para aumentar
a gestão sustentável dos resíduos sólidos no país. Com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos,
uma dessas ações é a implantação de sistemas de logística reversa, que apresenta a seguinte definição:
(A) O processo de encerramento, recuperação e monitoramento da área degradada por antigos lixões
e a proposição de uso futuro da área.
(B) O plano de encerramento, recuperação, monitoramento e uso futuro previsto para a área do aterro
sanitário a ser licenciado.
(C)Um conjunto de ações que somente os fabricantes são obrigados a estruturar e a implementar nos
sistemas de logística.
(D) Um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos
resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos,
ou para outra destinação final ambientalmente adequada.
(E) Uma técnica para avaliar aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto.

09. (MPE-PR – Promotor - MPE-PR) Um dos grandes desafios sanitários e ambientais da atualidade
é a destinação adequada dos resíduos sólidos urbanos, cujo aumento decorre, dentre outros fatores, do
processo de expansão e urbanização dos municípios. Neste contexto, entrou em vigor, em 02 de agosto
de 2010, a Lei nº 12.305, instituindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus
princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao

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gerenciamento de resíduos sólidos, às responsabilidades e os instrumentos econômicos aplicáveis. Em
relação ao tema, assinale a alternativa INCORRETA:
(A) Protetor-recebedor é um dos princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos;
(B) São instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros: os planos de resíduos
sólidos; a educação ambiental; e os conselhos de meio ambiente e, no que couber, os de saúde;
(C) Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos deve ser observada a seguinte ordem de
prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição
final ambientalmente adequada dos rejeitos;
(D) Para os efeitos da lei, os resíduos sólidos urbanos englobam os resíduos domiciliares, os de
limpeza urbana e os industriais;
(E) O poder público, o setor empresarial e a coletividade são responsáveis pela efetividade das ações
voltadas para assegurar a observância da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

10. (TJ-RJ - Juiz Substituto - VUNESP) Quanto à responsabilidade decorrente dos resíduos sólidos
pós-consumo, é correto afirmar que
(A) o compromisso dos fabricantes e importadores, comerciantes e distribuidores é de, quando
firmados acordos ou termos de compromisso com o Município, participar das ações previstas no plano
municipal de gestão integrada de resíduos sólidos no caso de produtos incluídos no sistema de logística
reversa.
(B) as embalagens devem ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização ou a reciclagem,
sendo responsável todo aquele que manufatura embalagens ou fornece materiais para a fabricação de
embalagens, coloca em circulação embalagens, materiais para a fabricação de embalagens ou produtos
embalados, em qualquer fase da cadeia de comércio.
(C) para fortalecer a responsabilidade compartilhada e seus objetivos, a responsabilidade dos
fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes abrange o compromisso de recolhimento
somente dos resíduos e das embalagens remanescentes após o uso, bem como a sua destinação
ambientalmente adequada, no caso dos produtos sujeitos à logística reversa.
(D) a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a ser implementada de forma
individualizada e encadeada, abrange distribuidores e comerciantes, consumidores e titulares de serviços
públicos de limpeza urbana, bem como fabricantes e importadores, cabendo a todos o desenvolvimento
de produtos que gerem, gradativamente, nos termos da lei, menos resíduos.

RESPOSTAS

01. Resposta: “D”


Dispõe o art. 3º, inciso XI, da Lei nº 12.305/2010: (...) XI - gestão integrada de resíduos sólidos:
conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as
dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do
desenvolvimento sustentável.

02. Resposta: “D”


De acordo com o art. 3º, inciso XV, da Lei nº 12.305/2010, entende-se por rejeitos: resíduos sólidos
que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos
tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a
disposição final ambientalmente adequada.

03. Resposta: “C”


Dentre outros, prevê o art. 6º, inciso VII, da Lei nº 12.305/2010, como um dos princípios da Política
Nacional de Resíduos Sólidos, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

04. Resposta: “D”


Assim disciplina o art. 13 da Lei nº 12.305/2010: Para os efeitos desta Lei, os resíduos sólidos têm a
seguinte classificação:
I - quanto à origem: (...)
h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras
de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis.

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05. Resposta: “B”
Prevê o art. 17, da Lei nº 12.305/2010: O plano estadual de resíduos sólidos será elaborado para
vigência por prazo indeterminado, abrangendo todo o território do Estado, com horizonte de atuação de
20 (vinte) anos e revisões a cada 4 (quatro) anos.

06. Resposta: “B”


De acordo com o artigo 1º da Lei nº 12.305/2010, estão sujeitas à observância desta Lei as pessoas
físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de
resíduos sólidos e as que desenvolvam ações relacionadas à gestão integrada ou ao gerenciamento de
resíduos sólidos. Contudo, ela não se aplica aos rejeitos radioativos, que são regulados por legislação
específica.

07. Resposta: “D”


As demais alternativas apresentadas não estão corretas. São os conceitos exatos apresentados pelo
art. 3° da Lei 12.305/2010:
- Área órfã contaminada: área contaminada cujos responsáveis pela disposição não sejam
identificáveis ou individualizáveis;
- Destinação final ambientalmente adequada: destinação de resíduos que inclui a reutilização, a
reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações
admitidas pelos órgãos competentes do Sisnama, do SNVS e do Suasa, entre elas a disposição final,
observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à
segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos;
- Gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas
de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos
sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de
gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na
forma desta Lei;
Rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e
recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra
possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada.

08. Resposta: “D”


Art. 3º, XII, Lei 12.305/10 - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social
caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a
restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros
ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

09. Resposta: “D”


O art. 13 da Lei nº 12.3005/2010 disciplinar que para os efeitos desta Lei, os resíduos sólidos têm a
seguinte classificação:
I - quanto à origem:
a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas;
b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e
outros serviços de limpeza urbana;
c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”.
Ou seja, não fazem parte dos resíduos sólidos urbanos os resíduos industriais.

10. Resposta: “B”


Art. 32. As embalagens devem ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização ou a
reciclagem. (...)
§ 3º É responsável pelo atendimento do disposto neste artigo todo aquele que:
I - manufatura embalagens ou fornece materiais para a fabricação de embalagens;
II - coloca em circulação embalagens, materiais para a fabricação de embalagens ou produtos
embalados, em qualquer fase da cadeia de comércio.

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7 Conceito de Desenvolvimento Sustentável.

O conceito de desenvolvimento sustentável foi oficialmente declarado na Conferência das Nações


Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, e, por isso,
também chamada de Conferência de Estocolmo. A importância da elaboração do conceito, nessa época,
foi a de unir as noções de crescimento e desenvolvimento econômico com a preservação da natureza,
questões que, até então, eram vistas de forma separada.
Em 1987, foi elaborado o Relatório “Nosso Futuro Comum”, mais conhecido como Relatório
Brundtland, que formalizou o termo desenvolvimento sustentável e o tornou de conhecimento público
mundial. Em 1992, durante a ECO-92, o conceito “satisfazer as necessidades presentes, sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” tornou-se o eixo
principal da conferência, concentrando os esforços internacionais para o atendimento dessa premissa.
Com esse objetivo, foi elaborada a Agenda 21, com vistas a diminuir os impactos gerados pelo aumento
do consumo e do crescimento da economia pelo mundo.

Conceito e aplicação do desenvolvimento sustentável

O termo desenvolvimento sustentável propõe uma forma de desenvolvimento que tem como princípio
atender as necessidades das gerações do presente sem que haja comprometimento das gerações futuras
atenderem suas próprias necessidades.
O desenvolvimento sustentável pode ser dividido em três componentes: sustentabilidade social,
sustentabilidade ambiental e sustentabilidade econômica, conforme pode ser observado na figura
abaixo:

1. A Sustentabilidade Social: é orientada para o desenvolvimento humano, a estabilidade das


instituições públicas e culturais, bem como a redução de conflitos sociais. É um veículo de humanização
da economia, e, ao mesmo tempo, pretende desenvolver o tecido social nos seus componentes humanos
e culturais.

1. A Sustentabilidade Ambiental: Consiste na manutenção das funções e componentes dos


ecossistemas de modo sustentável capazes de se adaptar a alterações, para manter a sua variedade
biológica. É também a capacidade que o ambiente natural tem de manter as condições dignas para as
pessoas e para os outros seres vivos

2. Sustentabilidade Econômica: Consiste em um conjunto de medidas e políticas que visam à


incorporação de preocupações e conceitos ambientais e sociais.

Como Atingir o Desenvolvimento Sustentável?

Parta alcançar o desenvolvimento sustentável é necessário reconhecer que os recursos naturais não
são infinitos e a partir disso utiliza-los de maneira consciente e planejada. Isso significa optar pelo
consumo de bens produzidos com tecnologia e materiais menos ofensivos ao meio ambiente, utilização
racional dos bens de consumo, evitando que haja o desperdício e evitar o excesso e ainda, após o
consumo, cuidar para que os resíduos, se houver, não provoquem degradação ao meio ambiente.

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1347368 E-book gerado especialmente para FRANCISCO HENRIQUE DE MACEDO
Para tal se faz necessária a prática dos três “erres”, como exemplificado a seguir:
Adotar a prática dos três 'erres':
1. REDUÇÃO: que se recomenda evitar adquirir produtos desnecessários;
2. REUTILIZAÇÃO: que sugere que se reaproveite embalagens, plásticos e vidros;
3. RECICLAGEM: que orienta separar o que pode ser transformado em outro produto ou, então, em
produto semelhante.

Além da adoção dos três erres, uma série de outras medidas devem ser tomadas pelos Estados
nacionais:
a) limitação do crescimento populacional;
b) garantia de alimentação a longo prazo;
c) preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
d) diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias que admitem o uso de fontes
energéticas renováveis;
e) aumento da produção industrial nos países não-industrializados à base de tecnologias
ecologicamente adaptadas;
f) controle da urbanização selvagem e integração entre campo e cidades menores;
g) as necessidades básicas devem ser satisfeitas. No nível internacional, as metas propostas pelo
Relatório são as seguintes:
h) as organizações do desenvolvimento devem adotar a estratégia de desenvolvimento sustentável;
i) a comunidade internacional deve proteger os ecossistemas supranacionais como a Antártica, os
oceanos, o espaço;
j) guerras devem ser banidas;
k) a ONU deve implantar um programa de desenvolvimento sustentável.

Conservação e Recuperação Ambiental

Entre as atribuições do Fundo Amazônia, estabelecidas em Decreto Presidencial (Decreto n° 6.527,


de 01.08.2008), constam, entre outras, o apoio à
(I) gestão de florestas públicas e áreas protegidas;
(II) recuperação de áreas desmatadas; e
(III) a conservação e uso sustentável da biodiversidade.

Portanto, a questão da conservação e recuperação dos ecossistemas naturais, da biodiversidade e


dos serviços ambientais é central à própria existência do Fundo Amazônia. Nessa linha, tem-se que na
construção do Quadro Lógico do Fundo Amazônia, ferramenta de planejamento, gestão e monitoramento
de impactos, foram destacadas como integrantes de sua lógica de intervenção:
- Ampliação de áreas protegidas;
- Consolidação da gestão de florestas públicas e áreas protegidas; e
- Apoio à recuperação de áreas desmatadas e degradadas, tornando-as aptas a serem utilizadas para
fins econômicos e de conservação ecológica. Por sua vez, as “Diretrizes” do Fundo Amazônia
estabelecem como temas prioritários a:
- Consolidação de áreas protegidas, em especial as Unidades de Conservação de Usos Sustentável e
Terras Indígenas;
- Desenvolvimento e implantação de modelos de recuperação de APPs e Reserva Legal, com ênfase
no uso econômico.

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O termo biodiversidade - ou diversidade biológica - descreve a riqueza e a variedade do mundo natural.

Biodiversidade ou diversidade biológica é a diversidade da natureza viva. Desde 1986, o termo e


conceito têm adquirido largo uso entre biólogos, ambientalistas, líderes políticos e cidadãos
conscientizados no mundo todo. Este uso coincidiu com o aumento da preocupação com a extinção,
observado nas últimas décadas do Século XX. Refere-se à variedade de vida no planeta Terra, incluindo
a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna, de
fungos macroscópicos e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos
organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos
organismos.

Quantas espécies existem no mundo?

Não se sabe quantas espécies vegetais e animais existem no mundo. As estimativas variam entre 10
e 50 milhões, mas até agora os cientistas classificaram e deram nome a somente 2 milhões de espécies.
Entre os especialistas, o Brasil é considerado o país da "megadiversidade": aproximadamente 20% das
espécies conhecidas no mundo estão aqui. É bastante divulgado, por exemplo, o potencial terapêutico
das plantas da Amazônia. Para entender o que é a biodiversidade, devemos considerar o termo em dois
níveis diferentes: todas as formas de vida, assim como os genes contidos em cada indivíduo, e as inter-
relações, ou ecossistemas, na qual a existência de uma espécie afeta diretamente muitas outras. A
diversidade biológica está presente em todo lugar: no meio dos desertos, nas tundras congeladas ou nas
fontes de água sulfurosas. A diversidade genética possibilitou a adaptação da vida nos mais diversos
pontos do planeta. As plantas, por exemplo, estão na base dos ecossistemas. Como elas florescem com
mais intensidade nas áreas úmidas e quentes, a maior diversidade é detectada nos trópicos, como é o
caso da Amazônia e sua excepcional vegetação.

Principais ameaças à biodiversidade

A poluição, o uso excessivo dos recursos naturais, a expansão da fronteira agrícola em detrimento dos
habitats naturais, a expansão urbana e industrial, tudo isso está levando muitas espécies vegetais e
animais à extinção. A cada ano, aproximadamente 17 milhões de hectares de floresta tropical são
desmatados. As estimativas sugerem que, se isso continuar, entre 5% e 10% das espécies que habitam
as florestas tropicais poderão estar extintas dentro dos próximos 30 anos. A sociedade moderna -
particularmente os países ricos - desperdiça grande quantidade de recursos naturais. A elevada produção
e uso de papel, por exemplo, é uma ameaça constante às florestas. A exploração excessiva de algumas
espécies também pode causar a sua completa extinção.
Por causa do uso medicinal de chifres de rinocerontes em Sumatra e em Java, por exemplo, o animal
foi caçado até o limiar da extinção. A poluição é outra grave ameaça à biodiversidade do planeta. Na
Suécia, a poluição e a acidez das águas impede a sobrevivência de peixes e plantas em quatro mil lagos
do país. A introdução de espécies animais e vegetais em diferentes ecossistemas também pode ser
prejudicial, pois acaba colocando em risco a biodiversidade de toda uma área, região ou país. Um caso
bem conhecido é o da importação do sapo cururu pelo governo da Austrália, com objetivo de controlar
uma peste nas plantações de cana-de-açúcar no nordeste do país. O animal revelou-se um predador
voraz dos répteis e anfíbios da região, tornando-se um problema a mais para os produtores, e não uma
solução.

Convenção da Biodiversidade

A Convenção da Diversidade Biológica é o primeiro instrumento legal para assegurar a conservação e


o uso sustentável dos recursos naturais. Mais de 160 países assinaram o acordo, que entrou em vigor
em dezembro de 1993. O pontapé inicial para a criação da Convenção ocorreu em junho de 1992, quando
o Brasil organizou e sediou uma Conferência das Nações Unidas, a Rio-92, para conciliar os esforços
mundiais de proteção do meio ambiente com o desenvolvimento socioeconômico.
Contudo, ainda não está claro como a Convenção sobre a Diversidade deverá ser implementada. A
destruição de florestas, por exemplo, cresce em níveis alarmantes. Os países que assinaram o acordo
não mostram disposição política para adotar o programa de trabalho estabelecido pela Convenção, cuja
meta é assegurar o uso adequado e proteção dos recursos naturais existentes nas florestas, na zona
costeira e nos rios e lagos.O WWF-Brasil e sua rede internacional acompanham os desdobramentos
dessa Convenção desde sua origem. Além de participar das negociações da Conferência, a organização

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desenvolve ações paralelas como debates, publicações ou exposições. Em 2006, a reunião ocorreu em
Curitiba, PR.

Legislação Ambiental

A legislação ambiental fornece os parâmetros que balizam o empreendimento, assim como permite a
identificação das ações de manejo ambiental que deverão ser realizadas pelo empreendedor, beneficiário
e demais agentes envolvidos, para estar em conformidade com a legislação. A Constituição de 1988
orienta a cooperação entre a União, os Estados e os Municípios, em relação ao meio ambiente e ao
aproveitamento dos recursos hídricos, destacando-se os artigos 23 e 24.

O Art. 23 trata da competência comum na proteção do meio ambiente e do combate à poluição em


qualquer de suas formas:
- preservação das florestas, da fauna e da flora;
- proteção dos documentos, das obras e outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;
- fomento à produção agropecuária e organização do abastecimento alimentar;
- promoção de programas referentes à construção de moradias, bem como a melhoria destas
habitações no tocante ao saneamento básico;
- registro, acompanhamento e fiscalização das concessões de direitos de pesquisa e exploração de
recursos hídricos e minerais.

A cooperação entre a União, o Estado e os Municípios, em relação a esses assuntos, deve ser
normalizada por lei complementar, visando o equilíbrio do desenvolvimento e do bem estar nacional. O
Art. 24 trata da competência concorrente do domínio das leis por parte dos referidos entes da Federação,
exceto o Município. Conforme esse dispositivo, a estrutura das normas gerais pertence ao poder
legiferante da União, sem entrar em detalhes ou minúcias, sendo estas de competência dos Estados e
do Distrito Federal. Não existe, porém, Lei Federal sobre normas gerais. Os Estados exercerão
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. No elenco de matérias mencionadas
no Art. 24, tem-se, entre outras, aquelas pertinentes a:
- florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais,
proteção ao meio ambiente e controle da poluição;
- responsabilidade por dano ao meio ambiente, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico,
turístico e paisagístico.
A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, se refere à Política Nacional do Meio ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação, tendo criado o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA),
cuja estrutura é composta por órgãos e entidades da União, Estados, Distrito Federal e Municípios,
responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. Desta lei destaca-se o seu Art. 8º, que,
fazendo referência às áreas que são consideradas Patrimônio Nacional, estabelece que o Conama,
quando julgar necessário, poderá determinar a realização de estudos alternativos e das possíveis
consequências ambientais de projetos públicos ou privados, requisitando aos órgãos federais, estaduais
e municipais, bem como a entidades privadas, as informações indispensáveis para a apreciação dos
estudos de impacto ambiental e respectivos relatórios, nos casos de obras ou atividades de significativo
potencial de degradação ambiental.
Dentre os instrumentos listados na Lei Nº 6.938/81, destacam-se do art. 9º, os incisos III e IV (a
avaliação de impactos ambientais, o licenciamento e a revisão de atividades efetivas ou potencialmente
poluidoras). Tais instrumentos possibilitam ao órgão ambiental permitir, induzir, modificar ou mesmo
rejeitar a implantação de empreendimentos e atividades públicas ou privadas que visem a utilização de
recursos ambientais. Segundo o Art. 10 da citada Lei “A construção, instalação, ampliação e
funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou
potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental dependerão
de prévio licenciamento ambiental”.
Para obtenção de uma das licenças, a Lei Nº 6.938/81, em seu Art. 9º, inciso III, estabelece como pré-
requisito a "Avaliação de Impactos Ambientais". A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) é um instrumento
de política ambiental formado por um conjunto de procedimentos, que tem como objetivo assegurar a
realização do exame sistemático dos impactos ambientais de uma determinada ação proposta (projeto,
programa, plano ou política), e de suas alternativas, onde os resultados sejam apresentados de forma
adequada ao público e aos responsáveis pela tomada de decisão, sendo, desta forma, por eles
devidamente considerados antes que as decisões sejam tomadas. Visando proporcionar a avaliação do
impacto ambiental, foram criadas as figuras do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de

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1347368 E-book gerado especialmente para FRANCISCO HENRIQUE DE MACEDO
Impacto Ambiental (RIMA), pelo Decreto Nº 88.351/83, em seu Art. 18°. Como este decreto foi revogado
pela edição do Decreto 99.274/90, o EIA e o RIMA passaram a ser regidos por este último.
Ao regulamentar a Lei Nº 6.938/81, o Decreto Federal Nº 99.274/90, em seu Art. 7º, inciso III, delegou
ao Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama a competência para estabelecer normas e critérios
gerais para o licenciamento das atividades potencialmente poluidoras. Assim, o Conama, baixou a
Resolução Nº 001, de 23 de janeiro de 1986, definindo impacto ambiental como "qualquer alteração das
propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou
energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam
(I) a saúde, a segurança e o bem estar da população;
(II) as atividades sociais e econômicas;
(III) a biota;
(IV) as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e
(V) a qualidade dos recursos ambientais", criando a obrigatoriedade de realização de EIA/RIMA para
o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente.

Em 1987, "considerando a necessidade de que sejam editadas regras gerais para o licenciamento
ambiental de obras de grande porte, especialmente aquelas em que a união tenha interesse relevante,
como a geração de energia elétrica", o Conama editou a Resolução Nº 006, de 16 de setembro daquele
ano, a qual, complementando a Resolução Nº 001, define os aspectos processuais do licenciamento.
“Considerando a necessidade de revisão dos procedimentos e critérios utilizados no licenciamento
ambiental, de forma a efetivar a utilização do sistema de licenciamento como instrumento de gestão
ambiental, instituído pela Política Nacional de Meio Ambiente; a necessidade de regulamentação de
aspectos do licenciamento ambiental estabelecidos na PNMA, que ainda não foram definidos; a
necessidade de ser estabelecido critério para exercício da competência para o licenciamento a que se
refere o Art. 10 da Lei Nº 6.938/81; e a necessidade de se integrar à atuação dos órgãos competentes do
SISNAMA na execução do PNMA, em conformidade com as respectivas competências”, o Conama
deliberou a Resolução Nº 237, de 19 de dezembro de 1997, que regulamenta o sistema nacional de
licenciamento ambiental e define, em seu Art. 8º, a Licença Prévia (LP), a Licença de Instalação (LI) e a
Licença de Operação (LO).
Esta resolução continuou por detalhar os critérios básicos para a elaboração do Estudo de Impacto
Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), como instrumentos da Política
Nacional do Meio Ambiente, e obrigatórios para o licenciamento de obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente.

A Resolução Conama Nº 237/97 fixou os seguintes conceitos:

Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente


licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadores
de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob
qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e
regulamentares e as normas técnicas aplicadas ao caso. Licença Ambiental: ato administrativo pelo qual
o órgão ambiental competente estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que
deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e
operar empreendimentos ou atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou
potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.
Os empreendimentos e atividades são licenciados por um único nível de competência.

Estudos Ambientais: são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados
à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento, apresentado como
subsídio para a análise da licença requerida, tais como: relatórios ambientais, planos e projetos de
controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de
recuperação de área degradada e análise preliminar de risco.
O EIA deverá obedecer a uma série de requisitos, definidos pela Resolução Conama Nº 001/86:
- contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização do projeto, confrontando-as com a
hipótese de não execução do mesmo;
- identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de implantação e
operação da atividade, definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos
impactos, denominada área de influência do projeto, considerando-se, em todos os casos, a bacia
hidrográfica na qual se localiza;

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- considerar os planos e programas governamentais, propostos e em implantação na área de influência
do projeto, em suas compatibilidades.

O RIMA, por sua vez, deverá ser apresentado "de forma objetiva e adequada à sua compreensão". A
publicidade a ser dada ao RIMA é requisito fundamental, de forma que os órgãos públicos e a população
possam manifestar-se (Resolução Conama Nº 001/86). Os pedidos de licenciamento, sua renovação e a
respectiva concessão devem ser publicados no jornal oficial do Estado, bem como em um periódico
regional ou local de grande circulação. Compete ao Conama fixar os prazos para a concessão das
licenças, observada a natureza técnica da atividade.
A Resolução Conama Nº 237/97, em seu anexo 1, estabelece também as atividades ou
empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental.

ÓRGÃO COMPETÊNCIA
Licenciar empreendimento ou atividade:
- o Localizado(a) ou desenvolvido(a) conjuntamente no Brasil ou país limítrofe, no mar
territorial, na plataforma continental, na zona econômica exclusiva, em terras
indígenas ou em Unidades de Conservação Ambiental;
- o Localizado(a) ou for desenvolvida em dois ou mais Estados;
- o Cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do país ou de
Ibama
um ou mais Estados;
- o Pesquisa, lavra, produção, beneficiamento, transporte, armazenagem e disposição
de material radioativo ou que utilize energia nuclear, em conjunto com a CNEN;
- o Bases ou empreendimentos militares, quando couber;
- o Ibama faz o licenciamento considerando o exame técnico procedido pelos Estados,
e pode, eventualmente, delegar-lhes o licenciamento.
Licenciar empreendimento ou atividade:
- o Localizada ou desenvolvida em mais de um município ou em Unidade de
Conservação de domínio estadual ou do Distrito Federal;
- o Localizado(a) ou desenvolvido(a) nas florestas e demais formas de vegetação
Órgão
natural de preservação permanente (Lei Nº 4771/65);
Ambiental
- o Cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais
Estadual
Municípios.
- o Órgão Ambiental Estadual faz o licenciamento considerando o exame técnico
procedido pelos órgãos ambientais dos Municípios, e quando couber, o parecer de
órgãos federais.
Compete ao Órgão Ambiental Municipal, ouvidos os órgãos competentes da União,
Órgão
dos Estados e do Distrito Federal, quando couber, o licenciamento ambiental de
Ambiental
empreendimentos e atividades de impacto ambiental local e daqueles que lhe forem
Municipal
delegadas pelo Estado, por instrumento legal ou convênio.

Legislação Ambiental Brasileira

Segundo a Constituição Federal, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A Justiça tem o
dever de acompanhar e julgar as transformações econômicas, políticas e sociais para defender o bem
público, principalmente, os crimes contra o patrimônio natural, urbano e cultural.
A partir da Lei 12.011, de 2009, editada pelo Congresso Nacional sob iniciativa do STJ (Superior
Tribunal de Justiça), foi estabelecido a criação de 230 novas Varas Federais de 2010 a 2014, uma média
de 46 novas varas a cada ano. Essas novas varas são especializadas em crimes ambientais, com
autoridade para julgar processos que envolvam a União, empresas públicas, fundação ou autarquia
federal. No outro lado, no banco do réus, o processo pode envolver pessoas físicas, jurídicas e o próprio
poder público em casos de crimes ambientais, danos e omissões. No ano de 2010, a Vara Federal
Ambiental e Agrária de Belém iniciou suas atividades com cerca de 3.500 processos que antes tramitavam
em outras Varas Federais do estado.

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A legislação ambiental brasileira é considerada uma das mais avançadas do mundo, sua estrutura
começou a ser composta em 1981, a partir da Lei 6.938 da Política Nacional de Meio Ambiente que infere
sobre questões relacionadas ao planejamento, gestão e fiscalização. Atualmente, o Brasil conta com
normas específicas e com a Lei de Crimes Ambientais. A Constituição Federal estabelece as questões
ambientais como missão reservada à União, estados, Distrito Federal e municípios. Leia a seguir a
evolução da legislação ambiental brasileira:
- 1934: Criação do Código de Águas e do Código Florestal, passo inicial para a legislação ambiental
brasileira;
- 1965: Código Florestal, Lei 4.771: Lei que visou estabelecer proteção das áreas de preservação
permanente;
- 1967: Lei da Fauna Silvestre, Lei 5.197: Lei que classificou como crimes a utilização, perseguição,
caça de animais silvestres, caça profissional, comércio de espécies da fauna silvestre e produtos
derivados da caça;
- 1975: Decreto-Lei 1.413 que iniciou o estabelecimento do controle da poluição provocada por
atividades industriais;
- 1979: Lei 6.766, referente ao Parcelamento do Solo Urbano, com regras para loteamentos em áreas
urbanas;
- 1980: Lei 6.803, lei do Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição, concedeu aos estados
e municípios a autoridade de impor padrões e limites ambientais para licenciamento industrial;
- 1981: Lei 6.938, lei da Política Nacional do Meio Ambiente que estabeleceu a Politica Nacional de
Meio Ambiente;
- 1985: Lei 7.347, conhecida como a Lei da Ação Civil Pública referente à ação civil pública de
responsabilidades por danos ao meio ambiente;
- 1988: Lei 9.605, conhecida como a Lei de Crimes Ambientais que reordenou a legislação ambiental
brasileira;
- 2000: Lei 9.985, a lei SNUC, Sistema Nacional de Unidades de Conservação;
- 2001: Lei 10.257, é criado o Estatuto das Cidades para conceder às autoridades municipais estruturas
para o desenvolvimento equilibrado das cidades sem comprometimento do meio ambiente.

Estocolmo 1972

Os sérios problemas ambientais que afetavam o mundo foram a causa da convocação pela Assembleia
Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1968, da Conferência das Nações Unidas sobre o
Meio Ambiente Humano, que veio a se realizar em junho de 1972 em Estocolmo. Essa Conferência
chamou a atenção das nações para o fato de que a ação humana estava causando séria degradação da
natureza e criando severos riscos para o bem estar e para a própria sobrevivência da humanidade. Foi
marcada por uma visão antropocêntrica de mundo, em que o homem era tido como o centro de toda a
atividade realizada no planeta, desconsiderando o fato de a espécie humana ser parte da grande cadeia
ecológica que rege a vida na Terra.
A Conferência foi marcada pelo confronto entre as perspectivas dos países desenvolvidos e dos países
em desenvolvimento. Os países desenvolvidos estavam preocupados com os efeitos da devastação
ambiental sobre a Terra, propondo um programa internacional voltado para a Conservação dos recursos
naturais e genéticos do planeta, pregando que medidas preventivas teriam que ser encontradas
imediatamente, para que se evitasse um grande desastre. Por outro lado, os países em desenvolvimento
argumentavam que se encontravam assolados pela miséria, com graves problemas de moradia,
saneamento básico, atacados por doenças infecciosas e que necessitavam desenvolver-se
economicamente, e rapidamente. Questionavam a legitimidade das recomendações dos países ricos que
já haviam atingido o poderio industrial com o uso predatório de recursos naturais e que queriam impor a
eles complexas exigências de controle ambiental, que poderiam encarecer e retardar a industrialização
dos países em desenvolvimento.
A Conferência contou com representantes de 113 países, 250 organizações não governamentais e
dos organismos da ONU. A Conferência produziu a Declaração sobre o Meio Ambiente Humano, uma
declaração de princípios de comportamento e responsabilidade que deveriam governar as decisões
concernentes a questões ambientais. Outro resultado formal foi um Plano de Ação que convocava todos
os países, os organismos das Nações Unidas, bem como todas as organizações internacionais a
cooperarem na busca de soluções para uma série de problemas ambientais.

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Rio de Janeiro 1992

Em 1988 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma Resolução determinando à realização,
até 1992, de uma Conferência sobre o meio ambiente e desenvolvimento que pudesse avaliar como os
países haviam promovido a Proteção ambiental desde a Conferência de Estocolmo de 1972. Na sessão
que aprovou essa resolução o Brasil ofereceu-se para sediar o encontro em 1992. Em 1989 a Assembleia
Geral da ONU convocou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento
(CNUMAD), que ficou conhecida como "Cúpula da Terra", e marcou sua realização para o mês de junho
de 1992, de maneira a coincidir com o Dia do Meio Ambiente. Dentre os objetivos principais dessa
conferência, destacaram-se os seguintes:
- examinar a situação ambiental mundial desde 1972 e suas relações com o estilo de desenvolvimento
vigente;
- estabelecer mecanismos de transferência de tecnologias não poluentes aos países
subdesenvolvidos;
- examinar estratégias nacionais e internacionais para incorporação de critérios ambientais ao
processo de desenvolvimento;
- estabelecer um sistema de cooperação internacional para prever ameaças ambientais e prestar
socorro em casos emergenciais;
- reavaliar o sistema de organismos da ONU, eventualmente criando novas instituições para
implementar as decisões da conferência.

Essa Conferência foi organizada pelo Comitê Preparatório da Conferência (PREPCOM), que foi
formado em 1990 e tornou-se responsável pela preparação dos aspectos técnicos do encontro. Durante
as quatro reuniões do PREPCOM antecedentes à Conferência, foram preparados e discutidos os termos
dos documentos que foram assinados em junho de 1992 no Rio de Janeiro. O PREPCOM foi também
importante na medida em que inovou os procedimentos preparatórios de Conferências internacionais,
permitindo um amplo debate político e intercâmbio de ideias entre as delegações oficiais e os
representantes dos v rios setores da sociedade civil, por meio de entidades e cientistas. A participação
ativa de atores não governamentais nesse processo é um indício do papel cada vez mais importante
desses atores em negociações internacionais.
Em geral, pode-se dizer que representantes de ONGs e do setor privado têm tido um papel significativo
nos anos recentes na elaboração de importantes acordos internacionais, assistindo delegações oficiais,
ou até sendo incluídos como parte das mesmas. A Conferência da ONU propiciou um debate e
mobilização da comunidade internacional em torno da necessidade de uma urgente mudança de
comportamento visando a preservação da vida na Terra. A Conferência ficou conhecida como "Cúpula
da Terra" (Earth Summit), e realizou-se no Rio de Janeiro entre 3 e 14 de junho de 1992, contando com
a presença de 172 países (apenas seis membros das Nações Unidas não estiveram presentes),
representados por aproximadamente 10.000 participantes, incluindo 116 chefes de Estado. Além disso,
receberam credenciais para acompanhar as reuniões cerca de 1.400 organizações não governamentais
e 9.000 jornalistas. Como produto dessa Conferência foram assinados 05 documentos. São eles:
1. Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
2. Agenda 21
3. Princípios para a Administração Sustentável das Florestas
4. Convenção da Biodiversidade
5. Convenção sobre Mudança do Clima

A relação a seguir contém dados sobre os principais tratados internacionais em matéria ambiental,
alguns de alcance internacional, outros de alcance regional, sem contudo esgotar a matéria.

Convenção sobre Pesca no Atlântico Norte Conservação e uso racional dos estoques de peixes.
1959 Convenção sobre Pesca no Atlântico NE Conservação e uso racional dos estoques de peixes.
(Protocolo 91) Tratado Antártico Utilização da Antártica para fins pacíficos.
Convênio sobre Proteção dos Trabalhadores contra Radiações Ionizantes Proteção da saúde e
segurança dos trabalhadores.
1960
Convenção sobre Responsabilidade de Terceiros no Uso da Energia Nuclear Compensação
sobre danos causados e garantia do uso pacífico da energia nuclear.
Convenção sobre Proteção de Novas Qualidades de Plantas Reconhecimento e proteção dos
1961
cultivadores de novas variedades de plantas.

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Acordo de Cooperação em Pesca Marítima Promover a cooperação na pesca e pesquisa sobre
1962
recursos do mar.
Convenção de Viena sobre Responsabilidade Civil por Danos Nucleares Provisão de recursos
contra danos resultantes do uso pacífico da energia nuclear.
Acordo sobre Poluição do Rio Reno contra Poluição Cooperação entre países para prevenir a
1963
poluição e manter qualidade da água.
Tratado proibindo ensaios nucleares na atmosfera, espaço ultraterrestre (Lua, etc.)
Desincentivar a produção e testes de armas nucleares.
Convenção sobre Conselho Internacional para Exploração do Mar Nova constituição para
1964
conselho criado em 1902.
Convenção sobre Conservação do Atum do Atlântico Manter populações e promover uso
1966
racional.
1967 Convenção Fitossanitária Africana Controle e eliminação de pragas das plantas.
Convenção Africana sobre Conservação da Natureza e Recursos Naturais Conservação e
1968
utilização do solo, água, flora e fauna para as futuras gerações.
Convenção sobre Conservação dos Recursos Vivos do Atlântico SE Cooperação e uso racional
de recursos.
Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil por Danos Causados por Poluição por
1969
Óleo Visa compensação de danos causados por derramamento de óleo.
Convênio Relativo à Intervenção em Alto Mar em caso de acidentes com Óleo Para tomada de
providências em acidentes que afetem o mar e a costa.
(emendada em 1982) Convenção Relativa às Áreas Úmidas de Importância Internacional
(RAMSAR) Proteção das áreas úmidas, reconhecendo seu valor econômico, cultural, científico
e recreativo.
Convênio sobre Proteção contra Riscos de Contaminação por Benzeno Proteção de
1971
trabalhadores na produção, manuseio e uso do benzeno.
Convênio sobre Responsabilidade Civil na Esfera do Transporte Marítimo de Materiais
Nucleares Responsabiliza o operador da instalação nuclear por danos causados em incidente
nuclear no transporte marítimo de material nuclear.
Convenção sobre Prevenção da Poluição Marítima por Navios e Aeronaves Controle de
despejos de substâncias nocivas.
Convenção para Conservação dos Leões Marinhos da Antártica Proteção, Estudo, Uso
1972
Racional.
Convenção das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano Declaração de Princípios sobre
Proteção do Meio Ambiente.
Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies de Flora e Fauna Selvagens em Perigo
de Extinção (CITES) Evitar a exploração através do comércio internacional. Seus anexos
relacionam diferentes categorias de espécies ameaçadas.
Convenção para Prevenção da Poluição do Mar por Navios Preservação do meio ambiente
1973
marinho contra poluição por óleo e outras substâncias, visando a diminuição do despejo
incidental.
Convenção para Proteção do Urso Polar Medidas conservacionistas para proteção do urso,
importante recurso do Ártico.
Convenção sobre Proteção Ambiental - países escandinavos (Dinamarca, Finlândia, Suécia e
Noruega) Proteção e melhoria do meio ambiente e cooperação para esse fim.
1974
Convenção para Prevenção da Poluição Marinha por Fontes Terrestres Conjunto de medidas
para proteção do meio ambiente marinho.
Convenção para Proteção dos Trabalhadores contra Problemas Ambientais Proteção contra
1977
problemas devidos à poluição do ar, som, vibração.
Convenção Regional do Kuwait sobre Proteção do Ambiente Marinho Prevenir, combater a
poluição do meio ambiente marinho.
1978
Tratado de Cooperação Amazônica Promover o desenvolvimento harmonioso e distribuição
equitativa dos benefícios do desenvolvimento entre as partes.
Convenção para Proteção de Espécies Migratórias de Animais Selvagens Proteção de animais
que migram além das fronteiras nacionais.
1979
Convenção sobre Poluição Transfronteiriça Proteção contra os efeitos nocivos da Poluição do
Ar, visando sua redução.

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Convenção sobre Direito do Mar Estabelece o regime jurídico para os mares e oceanos, bem
1982
como padrões de proteção e sanções contra a poluição.
Tratado de Zona Livre de Elementos Nucleares do Pacífico Sul. Estabelece zona livre de
utilização de materiais nucleares.
Protocolo sobre Áreas Protegidas e Fauna e Flora - Região Oriental da África Proteção de
1985
espécies ameaçadas de extinção e de áreas de habitats naturais.
Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio Proteção da saúde humana e do
meio ambiente contra os efeitos nocivos das alterações da camada de ozônio.
Convenção sobre Breve Notificação a respeito de Acidentes Nucleares Fornecimento de
1986
informações sobre acidentes de forma rápida para minimização das consequências da radiação.
(Emendas em 1990 e 1992) Protocolo de Montreal sobre as Substâncias que Esgotam a
1987 Camada de Ozônio Estabelece etapas para a redução e proibição da manufatura e uso de
substâncias degradadoras da camada de ozônio.
Convenção sobre Controle de Movimentos Transfronteiços de Resíduos Perigosos (Convenção
da Basiléia) Comercialização internacional e depósitos de substâncias tóxicas.
1989
Convenção Internacional sobre Poluição por Óleo Propugna a tomada de medidas conjuntas ou
isoladas para se preparar ou responder a incidentes de poluição por derramamento de óleo.
Convenção Africana sobre o Banimento da Importação e Controle do Movimento e
Gerenciamento de Resíduos Perigosos Transfronteiriços (Bamako) Proibição da importação
para a África de Resíduos Perigosos.
Convenção s/ Cooperação Pesqueira entre Países Africanos beirando o Oceano Atlântico
Cooperação nas atividades pesqueiras visando autossuficiência alimentícia através do uso
racional e integrado dos recursos pesqueiros.
1991
Protocolo ao Tratado Antártico sobre Proteção Ambiental Designa a Antártica como Reserva
Natural, destinada à paz e à ciência; determina princípios de proteção ambiental da região;
estabelece a cooperação no planejamento e condução das atividades na região.
Convenção sobre Avaliação de Impacto Ambiental em Contextos Transfronteiriços Assegurar a
execução de AIA antes da tomada de decisão sobre uma dada atividade que pode causar
significativo impacto ambiental.
Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Carta de Princípios para
um novo estilo de vida na terra, proteção dos recursos naturais e busca do desenvolvimento
sustentável.
Agenda 21 Diretrizes para o desenvolvimento sustentável em longo prazo, a partir de temas
prioritários, tais como: desmatamento, lixo, clima, solo, desertos, água, biotecnologia, etc.
Princípios para a Administração Sustentável das Florestas Busca um consenso global sobre o
manejo, conservação e desenvolvimento sustentável das florestas.
Convenção da Biodiversidade Conservação da Biodiversidade, mantendo a maior variedade de
organismos vivos, comunidades e ecossistemas, para atender às presentes e futuras gerações
1992 Convenção sobre Mudança do Clima Estabilizar as emissões de gases efeito estufa num
nível que evite graves intervenções com o sistema climático global e que permita o
desenvolvimento sustentável.
Resolução da Assembleia Geral da ONU criando a Comissão de Desenvolvimento Sustentável
1992
Conjunto de medidas para proteção do meio ambiente marinho. Acompanhar a implementação
da Agenda 21 e continuar os trabalhos após a ECO92.
Convenção para Proteção do Meio Ambiente do Atlântico Nordeste Prevenção e eliminação de
poluição por fontes terrestres; eliminação e prevenção de poluição por despejo ou incineração;
proibição de despejos por fontes extra costeiras. Incluir os princípios da precaução do poluidor-
pagador.
Convenção para Proteção do Mar Negro contra Poluição Prevenir, reduzir e controlar a poluição
para proteção e preservação do meio ambiente do Mar Negro.
Convenção para Proteção do Mar Báltico Prevenção e eliminação de poluição; inclui os
princípios do poluidor-pagador e da precaução e exige o uso da melhor tecnologia e prática
disponível.
Convenção sobre os Efeitos Transfronteiriços de Acidentes Industriais Prevenção de acidentes
industriais e mitigação de seus efeitos.
Convenção sobre Responsabilidade Civil por Danos Resultantes de Atividades Perigosas ao
1993
Meio Ambiente (Conselho da Europa, CEE, outros países) Assegurar compensação adequada

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por danos resultantes de atividades perigosas ao meio ambiente e meios de prevenção e
recuperação.
Convenção de Londres sobre Banimento de Despejo de Resíduos de Baixo Índice de Radiação
nos Oceanos Impõe banimento permanente do despejo de resíduos de baixo índice de radiação
nos oceanos.
Convenção s/ Proibição de Desenvolvimento, Produção, Armazenamento e Uso de Armas
Químicas e sobre sua Destruição Proíbe o desenvolvimento e produção de armas químicas e
os países contratantes se submetem a inspeções para esse fim.
Convenção Internacional de Combate à Desertificação nos Países afetados por Desertificação
e/ou Seca Reconhece a importância do combate à pobreza, da melhor distribuição dos
1994
benefícios do desenvolvimento e do atendimento às necessidades de saúde e bem-estar das
populações afetadas pela desertificação.

A Rio + 10 e o Protocolo de Kyoto:


A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em 2002, em Johannesburgo, na
África do Sul, também denominada Rio + 10, contou com a participação de representantes de 189 países.
Nessa cúpula, poucos compromissos significativos voltados para questões ambientais e sociais foram
assumidos pelos governos dos países participantes. Realizada dez anos depois da Rio-92, a Cúpula
Mundial avaliou os avanços e as dificuldades em torno da questão ambiental no planeta, bem como
estabeleceu novas metas e compromissos da Agenda 21.
Um desses compromissos previa, até 2015, a redução, em pelo menos 50%, do número de pessoas
sem acesso ao saneamento básico.
A proposta de mudanças, por exemplo, na matriz energética, atualmente baseada nos combustíveis
fósseis (não-renováveis e altamente poluentes), apoiada pelo Brasil e pelos países da União Europeia,
que previa, até 2010, o patamar mínimo de 10% para uso de fontes energéticas renováveis em relação
ao total de energia gerada nos países, não foi aprovada pelos Estados Unidos e pelos Países da Opep
(Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Os Estados Unidos, inclusive, negaram-se a ratificar
os termos do Protocolo de Kyoto, que faz parte da Convenção do Clima de 1992 (Tratado da ONU) e
entrou em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005.

Rio + 20 e a Agenda 2030

A Agenda de Desenvolvimento Sustentável Pós-2015, agora chamada Agenda 2030, corresponde a


um conjunto de programas, ações e diretrizes que orientarão os trabalhos das Nações Unidas e de seus
países membros rumo ao desenvolvimento sustentável.

Concluídas em agosto de 2015, as negociações da Agenda 2030 culminaram em documento


ambicioso que propõe 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas
correspondentes, fruto do consenso obtido pelos delegados dos Estados-membros da ONU. Os ODS são
o cerne da Agenda 2030 e sua implementação se iniciou em 2016 e perdurará até 2030. Eles se
constroem sobre o legado dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e concluirão o que estes não
conseguiram alcançar. Eles buscam concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de
gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. Eles são integrados e indivisíveis, e equilibram as
três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

A Conferência Rio+20, realizada em 2012 no Brasil, estabeleceu claro mandato para que os Estados-
membros da ONU construíssem coletivamente esse conjunto de objetivos e metas, ampliando a
experiência de êxito dos Objetivos do Milênio (ODM). Uma das novidades dos ODS e de suas metas é o
fato de se aplicarem a todos os Estados-membros das Nações Unidas. Isso reflete o reconhecimento de
que todos os países – desenvolvidos e em desenvolvimento – têm desafios a superar quando o assunto
é promoção do desenvolvimento sustentável em suas três dimensões: social, econômica e ambiental.
Além disso, o Brasil tem destacado a imensa oportunidade de que a pobreza do mundo seja erradicada
dentro do período de vigência da nova Agenda.

A Agenda 2030 não se limita a propor os ODS, mas trata igualmente dos meios de implementação que
permitirão a concretização desses objetivos e de suas metas. Esse debate engloba questões de alcance
sistêmico, como financiamento para o desenvolvimento, transferência de tecnologia, capacitação técnica
e comércio internacional. Além disso, deverá ser posto em funcionamento mecanismo de
acompanhamento dos ODS e de suas metas. Esse mecanismo deverá auxiliar os países a comunicar

. 60
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seus êxitos e identificar seus desafios, ajudando-os a traçar estratégias e avançar em seus compromissos
com o desenvolvimento sustentável.
Esta Agenda é um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também
busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. Reconhecemos que a erradicação da pobreza em
todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito
indispensável para o desenvolvimento sustentável.
Todos os países e todas as partes interessadas, atuando em parceria colaborativa, implementarão
este plano. Estamos decididos a libertar a raça humana da tirania da pobreza e da penúria e a curar e
proteger o nosso planeta. Estamos determinados a tomar as medidas ousadas e transformadoras que
são urgentemente necessárias para direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente. Ao
embarcarmos nesta jornada coletiva, comprometemo-nos que ninguém seja deixado para trás.

São os objetivos globais da Agenda 2030:


- Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
- Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a
agricultura sustentável
- Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
- Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades
de aprendizagem ao longo da vida para todos
- Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
- Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos
- Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para
todos
- Objetivo 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno
e produtivo e trabalho decente para todos
- Objetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e
fomentar a inovação
- Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
- Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e
sustentáveis
- Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
- Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos
- Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para
o desenvolvimento sustentável
- Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de
forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter
a perda de biodiversidade
- Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável,
proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em
todos os níveis
- Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o
desenvolvimento sustentável
Questões

01. (CODEBA - Técnico Portuário - Meio Ambiente - FGV/2016) O Relatório Brundtland, intitulado
Nosso Futuro Comum (Our Common Future), publicado em 1987, foi o primeiro documento a conceber e
definir um conceito muito importante para a área ambiental.
Leia o fragmento a seguir que trata do conceito definido nesse relatório.
“_____ é aquele que satisfaz as necessidades _____, sem comprometer a capacidade das gerações
_____ de suprir suas próprias necessidades”.

Assinale a opção que completa corretamente as lacunas do fragmento acima


(A) Desenvolvimento sustentável – presentes – futuras
(B) Desenvolvimento sustentável – futuras– presentes
(C) Ecodesenvolvimento – presentes – passadas
(D) Ecodesenvolvimento – passadas – futuras
(E) Ecodesenvolvimento – futuras – presentes

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02. (Prefeitura de Teresina/PI - Técnico de Nível Superior - FCC/2016) Satisfazer as necessidades
presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades é
o cerne do conceito de desenvolvimento sustentável.
Esse conceito foi proposto e publicado em
(A) 1997 no Protocolo de Kyoto.
(B) 1972 na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano.
(C) 1992 na Rio-92.
(D) 2012 na Rio + 20.
(E) 1987 pelo Relatório Brundtland.

03. (SAMAE de Jaguariaíva/PR – Advogado - OBJETIVA/2016) Sobre o desenvolvimento


sustentável, assinalar a alternativa que apresenta uma informação INCORRETA:
(A) É um tipo de desenvolvimento que visa à quantidade em vez da qualidade.
(B) Significa obter crescimento econômico necessário, garantindo a preservação do meio ambiente e
o desenvolvimento social para o presente e as gerações futuras.
(C) Para que ocorra o desenvolvimento sustentável, é necessário que haja uma harmonização entre o
desenvolvimento econômico, a preservação do meio ambiente, a justiça social, a qualidade de vida e o
uso racional dos recursos da natureza.
(D) Dentre as sugestões para o desenvolvimento sustentável, está a prática da reciclagem de diversos
tipos de materiais.

04. (SEGEP/MA - Analista Ambiental – FCC/2016) Na última Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável − Rio+20, foi firmada uma nova agenda através do documento
Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que definiu 17
objetivos para os próximos 15 anos.
São objetivos ligados à sustentabilidade ambiental expressos no documento, EXCETO:
(A) Estimular medidas para combater agentes nocivos à camada de ozônio.
(B) Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
(C) Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável.
(D) Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável.
(E) Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e os seus impactos.

05. (Prefeitura de Maturéia/PB - Analista Ambiental - EDUCA/2016) Desenvolvimento sustentável


é o grande desafio do século XXI e todos podem colaborar para que possamos atingir este importante
objetivo. Para que o ser humano consiga estabelecer o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e
a manutenção do meio ambiente é preciso tomar algumas providências como, EXCETO:
(A) Reciclagem de diversos tipos de materiais: reciclagem de papel, alumínio, plástico, vidro, ferro,
borracha.
(B) Tratamento de esgotos industriais e domésticos para que não sejam jogados em rios, lagos,
córregos e mares.
(C) O desmatamento de florestas e uso de combustíveis fósseis, a reciclagem do lixo e a construção
de depósitos para armazenamento do lixo.
(D) Descarte de baterias de celulares e outros equipamentos eletrônicos em locais especializados.
Estas baterias nunca devem ser jogadas em lixo comum.
(E) Diminuição na utilização de combustíveis fósseis (gasolina, diesel), substituindo-os por
biocombustíveis.

Respostas

01. Resposta: A
A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é trazida pelo Relatório Brundtland,
publicado em 1987, que diz: “o desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades
presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras”. É o desenvolvimento que não esgota
os recursos para o futuro.

02. Resposta: E
Em 1987, foi elaborado o Relatório “Nosso Futuro Comum”, mais conhecido como Relatório
Brundtland, que formalizou o termo desenvolvimento sustentável e o tornou de conhecimento público
mundial. Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada

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pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento
econômico e a conservação ambiental.

03. Resposta: A
O desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quantidade, com a redução do
uso de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem.

04. Resposta: A
Dentre outros são objetivos expressos na Agenda 2030:
- Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
- Objetivo 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno
e produtivo e trabalho decente para todos
- Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos
- Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável,
proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em
todos os níveis

05. Resposta: C.
Em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração
dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança
institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades
e aspirações humanas.

8 Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P).

Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P)2.

A administração pública tem a responsabilidade de contribuir no enfrentamento das questões


ambientais, buscando estratégias inovadoras que repensem os atuais padrões de produção e consumo,
os objetivos econômicos, inserindo componentes sociais e ambientais. Diante dessa necessidade as
instituições públicas têm sido motivadas a implementar iniciativas específicas e desenvolver programas
e projetos que promovam a discussão sobre desenvolvimento e a adoção de uma política de
Responsabilidade Socioambiental do setor público.
Nesse sentido, a Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P se tornou o principal programa
da administração pública de gestão socioambiental. O programa tem sido implementado por diversos
órgãos e instituições públicas das três esferas de governo, no âmbito dos três poderes e pode ser usado
como modelo de gestão socioambiental por outros segmentos da sociedade.
É importante que as instituições públicas tenham participação efetiva no processo de inserção da RSA
e o Estado é o principal interlocutor junto à sociedade, possuindo uma ampla capilaridade e papel indutor
fundamental para tornar as iniciativas atuais, e também as futuras, mais transparentes, estimulando a
inserção de critérios de sustentabilidade em suas atividades e integrando as ações sociais e ambientais
com o interesse público.
Além da capacidade de indução, há o poder de mobilização de importantes setores da economia
exercido pelas compras governamentais, que movimentam de 10 a 15% do Produto Interno Bruto (PIB),
podendo ser usado para garantir a mudança e adoção de novos padrões de produção e consumo,
buscando a redução dos impactos socioambientais negativos gerados pela atividade pública. Dessa
forma, o setor público pode contribuir com o crescimento sustentável, promovendo a responsabilidade
socioambiental e respondendo às expectativas sociais.

Histórico

A A3P surgiu em 1999 e em 2001 foi criado o Programa Agenda Ambiental na Administração Pública.
Em 2002, a A3P foi reconhecida pela Unesco devido à relevância do trabalho desempenhado e dos
resultados positivos obtidos ao longo do seu desenvolvimento, ganhando o prêmio “O melhor dos
exemplos” na categoria Meio Ambiente.

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http://www.mma.gov.br/destaques/item/8852

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Diante da sua importância, a A3P foi incluída no PPA 2004/2007 como ação integrante do programa
de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis, tendo continuidade no PPA 2008/2011. Essa
medida garantiu recursos que viabilizaram a implantação efetiva da A3P, tornando-a um referencial de
sustentabilidade nas atividades públicas.
A partir de 2007, com a reestruturação do Ministério do Meio Ambiente, a A3P passou a integrar o
Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental - DCRS, da Secretaria de Articulação
Institucional e Cidadania Ambiental - SAIC.
Nesse novo arranjo institucional, a A3P foi fortalecida enquanto Agenda de Responsabilidade
Socioambiental do Governo e passou a ser uma das principais ações para proposição e estabelecimento
de um novo compromisso governamental ante as atividades da gestão pública, englobando critérios
ambientais, sociais e econômicos a tais atividades.
Atualmente, o principal desafio da A3P é promover a Responsabilidade Socioambiental como política
governamental, auxiliando na integração da agenda de crescimento econômico concomitantemente ao
desenvolvimento sustentável.

Fundamentação Legal

Criada em 1981, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938) é considerada um marco
histórico no desenvolvimento do direito ambiental, estabelecendo definições legais sobre os temas: meio
ambiente, degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e recursos ambientais. Esta lei instituiu,
entre outros, um importante mecanismo de proteção ambiental – o estudo prévio de impacto ambiental
(EIA) e seu respectivo relatório (Rima), instrumentos modernos em termos ambientais mundiais.
Em 1988, nossa Constituição Federal dedicou, em seu título VIII - Da Ordem Social - Capítulo VI, Artigo
225, normas direcionais da problemática ambiental, definindo meio ambiente como bem de uso comum
do povo.
Já a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que trata dos crimes é considerada um marco na proteção
efetiva do meio ambiente. Por sua vez, a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento,
realizada no Rio de Janeiro e conhecida como ECO-92, sacramentou, em termos mundiais, a
preocupação com as questões ambientais, reforçando os princípios e as regras para o combate à
degradação ambiental. Uma das principais conquistas da conferência foi a elaboração da Agenda 21,
instrumento diretriz do desenvolvimento sustentável que concilia métodos de proteção ambiental, justiça
social e eficiência econômica.
A Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P, se fundamenta nas recomendações do Capítulo
IV da Agenda 21, que indica aos países o “estabelecimento de programas voltados ao exame dos padrões
insustentáveis de produção e consumo e o desenvolvimento de políticas e estratégias nacionais de
estímulo a mudanças nos padrões insustentáveis de consumo”, no Princípio 8 da Declaração do Rio/92,
que afirma que “os Estados devem reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e consumo e
promover políticas demográficas adequadas” e, ainda, na Declaração de Joanesburgo, que institui a
“adoção do consumo sustentável como princípio basilar do desenvolvimento sustentável”.
Como exemplo de importantes formulações de legislações relacionadas aos princípios e diretrizes da
A3P, destacam-se:
- Decreto nº 5.940/2006 – instituiu a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e
entidades da administração pública federal direta e indireta, bem como sua destinação às associações e
cooperativas dos catadores de materiais recicláveis;
- Lei nº 12.349/2010 – que altera o Art. 3º Lei nº 8.666/1993 com a inclusão da Promoção do
Desenvolvimento Nacional Sustentável como objetivo das licitações;
- Lei 12.187/2009 – Política Nacional de Mudanças Climáticas;
- Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos;
- Instrução Normativa nº 1/2010 do MPOG – estabelece critérios de sustentabilidade ambiental na
aquisição de bens, contratação de serviços ou obras na Administração Pública Federal;
- ISO 2600 – Diretrizes sobre responsabilidade social.
- Lei 12.462/2011 – Regime Diferenciado de Contratações Públicas;
- Recomendação CONAMA Nº 12/2011 – indica aos órgãos e entidades do Sistema Nacional do Meio
Ambiente – SISNAMA a adoção de normas e padrões de sustentabilidade;
- Projeto Esplanada Sustentável em 2012 – composto pela A3P do MMA, PEG/MPOG, do
PROCEL/MME e da Coleta Seletiva Solidária da Secretaria Geral da Presidência da República, com
metas de redução nos gastos e consumos pela administração pública federal;
- Decreto nº 7.746/2012 – determina a adoção de iniciativas, dentre elas a A3P, referentes ao tema
da sustentabilidade pelos órgãos e entidades federais bem como suas vinculadas;

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- Instrução Normativa Nº 10/2012: MPOG – estabelece as regras para elaboração dos Planos de
Gestão de Logística Sustentável pela administração pública federal bem como suas vinculadas.

Vamos acompanhar em seguida os principais aspectos da Agenda Ambiental na Administração


Pública – A3P. Cabe destacar que no estudo direcionado pela apostila é impossível abordar todo o
conteúdo do documento, no entanto, caso haja disponibilidade de tempo este pode ser consultado na
integra no link: http://www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_arquivos/cartilha_a3p_36.pdf

RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

O processo econômico decorrente da globalização, as transformações políticas e sociais mundiais, a


inovação tecnológica e científica e, mais recentemente, os impactos das mudanças climáticas, têm
evidenciado a importância e a fragilidade da agenda socioambiental global e, ao mesmo tempo,
destacado a preocupação de governos e sociedade, principalmente no que diz respeito à necessidade de
revisão dos atuais padrões insustentáveis de produção e consumo e modelos econômicos adotados pelos
países desenvolvidos e economias emergentes, como é o caso do Brasil.
Nos últimos anos, o modelo econômico globalizado tem sofrido críticas severas, principalmente no que
diz respeito ao acirramento das desigualdades regionais. O movimento “anti-globalização”, por exemplo,
tem atuado em resposta à globalização dos mercados pelas grandes corporações transnacionais,
colocando-se em oposição ao “abuso da globalização e das instituições internacionais que promovem o
neoliberalismo sem consideração aos padrões éticos”. O movimento tem realizado protestos
internacionais forçando a inclusão de tópicos globais e dos impactos sociais e ambientais nas agendas
das corporações e dos órgãos públicos, com vistas a mudar os atuais padrões de crescimento e políticas
econômicas desenvolvidas.
Desde a Declaração de Estocolmo, vários são os tratados, convenções internacionais, discursos e
argumentos em favor do desenvolvimento sustentável e da conservação ambiental. É evidente que muitos
reconhecem a sua importância e não se pode negar que muitas ações importantes foram executadas e
outras estão em execução, entretanto, a efetividade de todas as iniciativas deve ser melhor avaliada, com
vistas ao seu aperfeiçoamento e efetividade.
No Brasil, a extensão territorial é um dos fatores a ser considerado para a avaliação das limitações e
fragilidades de programas e projetos de caráter socioambiental que buscam trazer a sustentabilidade
ambiental do discurso para a prática. A riqueza ambiental do território brasileiro somada à diversidade de
biomas e as possibilidades e forma de exploração de seus recursos, geram a urgente necessidade de
mudança não apenas na postura, mas nos resultados obtidos a partir da implementação das diversas
iniciativas denominadas socioambientais, mas que não englobam de uma forma sistêmica todas as suas
dimensões (econômica, social, ambiental, política e cultural).
As questões que remetem à Responsabilidade Socioambiental (RSA) são globais e sua compreensão
é diferente por parte das empresas e instituições (governamentais ou não), dependendo dos impactos e
da influência dos desafios econômicos, sociais e ambientais a serem enfrentados, bem como dos padrões
internacionais e nacionais adotados como referência para o desenvolvimento em cada um dos diferentes
países. Entretanto, a importância da criação e adoção de políticas e programas de RSA aumentou e pode
ser considerada, em grande medida, como resultado do processo desigual e desequilibrado de
globalização das economias bem como da pressão exercida por organizações e movimentos sociais.
Apesar da crescente importância do tema observada nos últimos anos, a noção de responsabilidade
social não é nova e, desde os anos 80, faz parte de uma agenda voluntária do setor empresarial
relacionada ao desenvolvimento de projetos e ações de cunho social. A partir de 1990, o número de
iniciativas e as discussões relacionadas ao tema se expandiram e atualmente – como mencionado
anteriormente – o assunto faz parte da agenda internacional, não apenas restrita ao setor empresarial,
mas também no âmbito das instituições governamentais que, cada vez mais, têm participado como ator
do processo, inclusive criando estruturas de governo específicas para tratar do tema.
No âmbito do setor empresarial, a responsabilidade social das empresas é, essencialmente, um
conceito que expressa a decisão de contribuir voluntariamente em prol de uma sociedade melhor e um
meio ambiente mais equilibrado e sadio. Os compromissos assumidos de forma voluntária pelas
empresas vão além das obrigações legais, regulamentares e convencionais que devem obrigatoriamente
ser cumpridas. As empresas que optam por investir em práticas de responsabilidade social elevam os
níveis de desenvolvimento social, proteção ao meio ambiente e respeito aos direitos humanos e passam
a adotar um modo de governança aberto e transparente que concilia interesses de diversos agentes em
um enfoque global de qualidade e viabilidade.

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Muitas empresas têm desenvolvido os seus programas de responsabilidade social segundo a
abordagem do “triple bottom line”, que se constitui na principal ferramenta do Índice de Sustentabilidade
da Dow Jones (Dow Jones Sustainability Index) da Bolsa de Valores de Nova Iorque e do Índice de
Sustentabilidade Social (ISE) da Bovespa.
O conceito se refere a um conjunto de indicadores utilizado para a avaliação do desempenho
econômico das empresas e das suas ações de responsabilidade social e ambiental.
No cenário atual, a RSA deixou de ser um conceito restrito aos projetos sociais de cunho filantrópico
de algumas empresas e passou a envolver um espectro mais amplo, com temas que integram acordos
internacionais, como é o caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), Agenda 21, Declaração de Copenhague para o
Desenvolvimento Social e as Metas do Milênio. Os princípios constantes desses acordos constituem o
amplo escopo do conceito de RSA que ganhou expressão mundial no ano de 1999, durante o Fórum
Econômico Mundial, realizado em Davos (Suíça), quando o então Secretário Geral das Nações Unidas,
Kofi Annan, propôs aos líderes empresariais mundiais a adoção do Pacto Global (“Global Compact”).
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada em 1948, é um dos documentos básicos das
Nações Unidas e nela estão enunciados os direitos que todos os seres humanos possuem.
A declaração tem sido usada como princípio e guia das atividades empresariais consideradas
socialmente responsáveis.

Meio Ambiente, Direitos Humanos e Democracia Participativa – Pilares de uma Sociedade


Sustentável

A Declaração da Organização Internacional do Trabalho – OIT sobre os princípios e direitos


fundamentais no trabalho foi adotada em junho de 1998, e se trata de uma reafirmação universal do
compromisso dos Estados Membros e da comunidade internacional em geral de respeitar, promover e
aplicar um patamar mínimo de princípios e direitos no trabalho, que são reconhecidamente fundamentais
para os trabalhadores.
Os princípios e direitos fundamentais incluem oito Convenções relacionadas a quatro áreas básicas:
liberdade sindical e direito à negociação coletiva, erradicação do trabalho infantil, eliminação do trabalho
escravo e não discriminação no emprego ou ocupação.
Durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social, realizada em 1995 em Copenhague,
Dinamarca, os líderes mundiais assumiram o compromisso de erradicar a pobreza do mundo e
estabeleceram um plano de ação. A Declaração de Copenhague reafirmou o compromisso da
Organização das Nações Unidas com o conceito de desenvolvimento sustentável (no qual as dimensões
social, econômica e ambiental estão intimamente entrelaçadas), assumindo a erradicação da pobreza
“como um imperativo ético, social, político e econômico”. Em 2000, foi aprovada a Declaração do Milênio,
um compromisso político que sintetizou várias das importantes conferências mundiais da década de 90,
articulou as prioridades globais de desenvolvimento e definiu metas a serem alcançadas até 2015. O
documento incluiu na pauta internacional de prioridades temas fundamentais de direitos humanos sob a
perspectiva do desenvolvimento, especialmente direitos econômicos, sociais e culturais. Os Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODM) privilegiaram uma perspectiva de acompanhamento dos avanços, de
metas e prioridades a alcançar, enquanto a perspectiva de direitos humanos tem uma visão mais ampla
– aborda tanto metas intermediárias como metas integrais de fortalecimento de direitos, abarcando assim
a amplitude da dignidade humana.

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Em relação ao Pacto Global, o mesmo foi formalmente lançado como uma iniciativa voluntária, em 20
de julho de 2000, na Sede das Nações Unidas, objetivando promover valores universais junto ao setor
privado, contribuindo para a geração de um mercado global mais inclusivo e sustentável por meio da
implementação de princípios universais nas áreas de direitos humanos, direitos do trabalho, proteção
ambiental e combate à corrupção. Participam da iniciativa mais de 5.000 instituições signatárias
articuladas por 150 redes ao redor do mundo, envolvendo agências das Nações Unidas, empresas,
sindicatos, organizações não-governamentais, entre outros parceiros.
Além das iniciativas internacionais, outras nacionais e intersetoriais relacionadas ao tema e ao amplo
escopo da RSA surgiram no mundo inteiro e têm envolvido e despertado o interesse não apenas do setor
empresarial, mas também dos governos, em diversos países, que cada vez mais tem incluído o tema em
suas agendas.
Da mesma forma que o conceito, as práticas relacionadas à responsabilidade socioambiental estão
em contínuo processo de construção e aperfeiçoamento. Atualmente, existe um grande número de
ferramentas que estão sendo oferecidas como alternativas para os setores empresarial e governamental
com vistas a promover avanços em seus projetos, tornando-os mais transparentes e incluindo a
participação social.
Em 2000, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou as
“Diretrizes de Responsabilidade Social para Empresas Multinacionais” que estabeleceram princípios e
padrões de cumprimento voluntário, com vistas a uma conduta empresarial responsável das empresas
multinacionais e que têm sido utilizadas como instrumento para desenvolvimento de programas de
responsabilidade social das empresas. As Diretrizes representam recomendações voluntárias e não
vinculam governos às empresas.
No Brasil, a Portaria do Ministério da Fazenda nº 92/MF, de 12 de maio de 2003, instituiu, no âmbito
do MF, o Ponto de Contato Nacional para a Implementação das Diretrizes da OCDE para as Empresas
Multinacionais – PCN, que possui, dentre outras atribuições, participar de conversações entre as partes
interessadas em todas as matérias abrangidas pelas Diretrizes, a fim de contribuir para a resolução de
questões que possam surgir no seu âmbito; cooperar com os Pontos de Contatos Nacionais dos demais
países em relação às matérias abrangidas nas Diretrizes; e acompanhar e implementar, no que couber,
as Decisões do Conselho da OCDE sobre as Diretrizes.
Além das iniciativas mencionadas neste texto, é importante destacar ainda o atual processo de
construção da ISO 26000, prevista para ser concluída em 2010, que buscará estabelecer um padrão
internacional de diretrizes de Responsabilidade Social e, diferentemente da ISO 9001 e da ISO 14001,
não será uma norma para certificação. O processo atual de desenvolvimento da norma se diferencia dos

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anteriores e está sendo realizado por meio da criação de grupos de trabalho multissetoriais que envolvem
a participação de representações dos trabalhadores; consumidores; indústria; governo; e organizações
não governamentais (ONGs).

Iso 26000 – Norma Internacional de Responsabilidade Social


A ISO 26000 abordará como temas centrais: governança organizacional; direitos humanos; práticas
do trabalho; meio ambiente; práticas leais (justas) de operação; questões relativas ao consumidor e,
envolvimento e desenvolvimento da comunidade.
Todas essas iniciativas internacionais têm sido traduzidas como novos padrões, acordos,
recomendações e/ou códigos de condutas adotados em diferentes países, inclusive no Brasil, e fazem
parte da agenda de responsabilidade socioambiental do setor empresarial e de instituições
governamentais, principalmente das empresas públicas e sociedades de economia mista.

RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NO SETOR PÚBLICO

Os novos desafios globais e a necessidade de promover uma Agenda de Desenvolvimento “que atenda
às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem às suas
próprias necessidades”, tendo como princípio a necessidade de mudar comportamentos e adotar novas
práticas éticas e responsáveis – tanto no setor empresarial como público – destaca a importância da
criação de políticas e programas de Responsabilidade Socioambiental (RSA).
Promover a RSA é um dos elementos essenciais para o desenvolvimento sustentável e demanda a
integração das mais diversas instituições que podem e devem ser mais envolvidas nas discussões atuais.
Sustentabilidade não pode ser um assunto somente para seminários ou produção de relatórios, mas sim
um critério a ser inserido em todas as atividades governamentais, sejam elas atividades meio ou
finalísticas.
O Plano de Governo (2007 a 2010) apresentou o Programa Setorial de Meio Ambiente e
Desenvolvimento – “Cuidando do Brasil” – que tem como compromisso central a distribuição de renda,
educação de qualidade e sustentabilidade ambiental, em observância aos princípios da Agenda 21
Brasileira.
Foi estabelecida como prioridade a promoção do desenvolvimento com inclusão social e educação de
qualidade. Para alcançar esse objetivo, o governo tem elevado os investimentos em áreas consideradas
estratégicas para o crescimento econômico e espera que a iniciativa possa atrair, da mesma forma, o
investimento privado para o desenvolvimento dos setores estratégicos. Para promoção do crescimento
econômico em bases sustentáveis, o governo estabeleceu quatro princípios que têm orientado a política
ambiental: desenvolvimento sustentável, transversalidade, participação e controle social, os quais devem,
também, orientar todas as políticas implementadas pelo governo brasileiro.
Essa nova orientação é fundamental, tendo em vista que apenas os instrumentos de regulação e
comando e controle não são suficientes para o enfrentamento dos novos desafios ambientais globais,
que cada vez mais demandam novas estratégias que respondam e garantam, ao mesmo tempo e de
forma sustentável, o crescimento econômico coerente com as políticas para o desenvolvimento
sustentável.
Há que se considerar ainda o papel que o governo desempenha na economia enquanto grande
consumidor de recursos naturais, bens e serviços nas suas atividades meio e finalísticas, o que, muitas
vezes, provoca impactos socioambientais negativos.
A adoção de critérios ambientais nas atividades administrativas e operacionais da Administração
Pública constitui-se um processo de melhoramento contínuo que consiste em adequar os efeitos
ambientais das condutas do poder público à política de prevenção de impactos negativos ao meio
ambiente.
Em outras palavras, a conservação racional dos recursos naturais e a proteção contra a degradação
ambiental devem contar fortemente com a participação do poder público.
A participação das instituições públicas no processo de RSA é necessária e o Estado é o principal
interlocutor junto à sociedade, possuindo uma ampla responsabilidade e papel indutor fundamental para
tornar as iniciativas atuais, e também as futuras, mais transparentes, incitando a inserção de critérios de
sustentabilidade em suas atividades e integrando as ações sociais e ambientais com o interesse público.
Além da capacidade de indução, o poder de mobilização de importantes setores da economia exercido
pelas compras governamentais, que movimentam de 10 a 15% do Produto Interno Bruto (PIB), é
inquestionável e deve ser usado para garantir a mudança e adoção de novos padrões de produção e de
consumo que reduzam os impactos socioambientais negativos gerados pela atividade pública,

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contribuindo para o crescimento sustentável e promovendo a responsabilidade socioambiental no âmbito
do setor e, por sua vez, respondendo às expectativas sociais.
A decisão de implantação de um sistema de compras verdes, por exemplo, é uma das formas das
instituições públicas proverem as indústrias e fornecedores com incentivos reais para o desenvolvimento
de tecnologias sustentáveis e compatíveis com uma política para o desenvolvimento sustentável.
A necessidade de enfrentar os desafios ambientais de uma maneira mais inovadora, harmonizando os
atuais padrões de produção e consumo com objetivos econômicos, prioridades sociais e ambientais, tem
motivado as mais diversas instituições públicas a implementar iniciativas específicas e desenvolver
programas e projetos para promover a discussão sobre desenvolvimento e a adoção de uma política de
Responsabilidade Socioambiental do setor público.

A responsabilidade socioambiental é um processo contínuo e progressivo de desenvolvimento de


competências cidadãs, com a assunção de responsabilidades sobre questões sociais e ambientais
relacionadas a todos os públicos com os quais a entidade interage: trabalhadores, consumidores,
governo, empresas, investidores e acionistas, organizações da sociedade civil, mercado e
concorrentes, comunidade e o próprio meio ambiente.

A RSA busca integrar o crescimento econômico com o desenvolvimento sustentável, atuando na


dinamização de práticas socioambientais e no avanço em direção à sustentabilidade no âmbito da
administração pública e das atividades do setor produtivo e empresarial. No âmbito do setor público, até
o momento não existe um entendimento único ou uma definição universal para a Responsabilidade
Socioambiental.
O conceito pode divergir entre os diferentes órgãos e entidades, e também dos utilizados por diferentes
organizações da sociedade civil e setor empresarial.
Além de implantar uma política coerente de RSA, o governo possui um papel importante na
disponibilização das condições necessárias para que outros setores da economia possam responder
melhor às expectativas sociais e necessidades de preservação ambiental.
A estrutura para a implantação de uma política de RSA demanda a construção de novas, bem como o
aperfeiçoamento das atuais ferramentas públicas, leis e regulamentações, infraestrutura, serviços e
incentivos que possam promover e/ou garantir as mudanças necessárias para que as atividades públicas
sejam sustentáveis.
O governo possui ainda um papel estratégico no processo de RSA por meio da promoção do diálogo
entre os setores sociais, da conscientização da sociedade sobre a importância de uma política de
responsabilidade socioambiental, da ampla publicidade e transparência das iniciativas de RSA,
promovendo a sensibilização e capacitação em parceria com as entidades do setor empresarial e da
sociedade civil. As instituições governamentais devem buscar a mudança de hábitos e atitudes internas,
promovendo uma nova cultura institucional de combate ao desperdício.
Ao mesmo tempo, devem promover a revisão e adoção de novos procedimentos para as compras
públicas que levem em consideração critérios sustentáveis de consumo que podem incluir, por exemplo:
a obrigatoriedade de se respeitar a sustentabilidade ambiental como um princípio geral da compra a ser
realizada; a inclusão da necessidade de proteção ambiental como um critério para a seleção dos produtos
e serviços; e a conformidade às leis ambientais como condição prévia para participação nos processos
licitatórios.
É importante ressaltar ainda que a adoção de uma política de RSA pelas instituições públicas gera
economia dos recursos públicos, na medida em que esses serão gastos com maior eficiência, além de
beneficiar o meio ambiente com menores emissões de CO2, contribuindo para que o país possa cumprir
seus compromissos internacionais e ao mesmo tempo dando o exemplo para outros países que ainda
não implantaram agendas equivalentes.
A definição de uma estrutura básica e viável para a implantação da RSA no âmbito da administração
pública demanda o estabelecimento de um ponto de coordenação para o processo, assim como a
designação das responsabilidades dentro do governo.
O monitoramento das iniciativas é outro componente importante e um desafio a ser enfrentado e requer
uma definição clara dos critérios obrigatórios a serem adotados e um nível elevado de comprometimento
das instituições públicas, bem como de uma estrutura de apoio e especialmente de um sistema
independente de verificação dos impactos das iniciativas implantadas.
Atualmente, muitas iniciativas já estão sendo implementadas e são uma tentativa das instituições
governamentais de dar o exemplo.

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O Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, lançou e tem implementado, desde 1999, a Agenda
Ambiental para a Administração Pública (A3P), que tem sido reforçada desde então. A A3P é uma ação
voluntária que busca a adoção de novos padrões de produção e consumo, sustentáveis, dentro do
governo.

O que é a A3P?
A A3P é um programa que busca incorporar os princípios da responsabilidade socioambiental nas
atividades da Administração Pública, através do estímulo a determinadas ações que vão, desde uma
mudança nos investimentos, compras e contratações de serviços pelo governo, passando pela
sensibilização e capacitação dos servidores, pela gestão adequada dos recursos naturais utilizados e
resíduos gerados, até a promoção da melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho. Essas
ações embasam e estruturam os eixos temáticos da A3P, tratados no capítulo seguinte.
A Agenda se encontra em harmonia com o princípio da economicidade, que se traduz na relação custo-
benefício e, ao mesmo tempo, atende ao princípio constitucional da eficiência, incluído no texto da Carta
Magna (art. 37) por meio da Emenda Constitucional 19/1998, e que se trata de um dever da administração.

Objetivos da A3P
A A3P tem como principal objetivo estimular a reflexão e a mudança de atitude dos servidores para
que os mesmos incorporem os critérios de gestão socioambiental em suas atividades rotineiras. A A3P
também busca:
- Sensibilizar os gestores públicos para as questões socioambientais;
- Promover o uso racional dos recursos naturais e a redução de gastos institucionais;
- Contribuir para revisão dos padrões de produção e consumo e para a adoção de novos referenciais
de sustentabilidade no âmbito da administração pública;
- Reduzir o impacto socioambiental negativo direto e indireto causado pela execução das atividades
de caráter administrativo e operacional;
- Contribuir para a melhoria da qualidade de vida.

EIXOS TEMÁTICOS DA A3P

Em suas ações, a agenda ambiental tem priorizado como um de seus princípios a política dos 5 R’s:
Repensar, Reduzir, Reaproveitar, Reciclar e Recusar consumir produtos que gerem impactos
socioambientais significativos. Esse último R, em grande medida, irá definir o sucesso de qualquer
iniciativa para a introdução de critérios ambientais no local de trabalho.

Nesse contexto, diante da importância que as instituições públicas possuem em “dar o exemplo” para
redução de impactos socioambientais negativos, a A3P foi estruturada em cinco eixos temáticos
prioritários – uso racional dos recursos naturais e bens públicos, gestão adequada dos resíduos gerados,
qualidade de vida no ambiente de trabalho, sensibilização e capacitação dos servidores e licitações
sustentáveis - descritos a seguir:

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1. Uso racional dos recursos naturais e bens públicos
Usar racionalmente os recursos naturais e bens públicos implica em usá-los de forma econômica e
racional evitando o seu desperdício. Este eixo engloba o uso racional de energia, água e madeira além
do consumo de papel, copos plásticos e outros materiais de expediente.
Estudos apontam que o consumo dos recursos naturais já excede em 30% a capacidade do planeta
se regenerar, se mantivermos o ritmo atual, somado ao crescimento populacional, em torno de 2030
precisaríamos de mais dois planetas para nos manter.
O acúmulo de riqueza e o consumo cada vez maior de bens e serviços fazem parte das sociedades e
economias modernas. Infelizmente, a cultura do desperdício é a marca do nosso tempo, fruto de um
modelo econômico apoiado em padrões de consumo e produção insustentáveis, que ultrapassa as
camadas de alta renda e paradoxalmente atinge as camadas menos favorecidas. Cabe-nos refletir sobre
a origem e a hegemonia de uma cultura pautada pelo desperdício.
A economia brasileira caracteriza-se por elevado nível de desperdício de recursos naturais. A redução
desses constitui verdadeira reserva de desenvolvimento para o Brasil, bem como fonte de bons negócios
para empresas decididas a enfrentar o problema.
Quando se fala em meio ambiente, passam despercebidas oportunidades de negócios ou de redução
de custos. Sendo o meio ambiente um potencial provedor de recursos mal aproveitados, sua inclusão no
horizonte de negócios pode gerar atividades que proporcionem lucro ou pelo menos se paguem com a
poupança de energia, de água, ou de outros recursos naturais. Reciclar resíduos, por exemplo, é
transformá-los em produtos com valor agregado. Conservar energia, água e outros recursos naturais é
reduzir custos de produção.
Tanto a proteção ambiental, em face da crescente demanda, como a potencialização de novas
possibilidades de oferta ambiental adquiriram importância extraordinária, cuja influência sobre o
desenvolvimento se torna cada vez mais relevante. Uma abordagem básica relacionada às preocupações
ambientais se constitui na utilização positiva do meio ambiente no processo de desenvolvimento.
Trata-se da valorização de recursos que ainda não haviam sido incorporados à atividade econômica.
É recurso hoje o que não foi recurso ontem. Poderá ser recurso amanhã o que não foi percebido hoje
como recurso.

2. Gestão adequada dos resíduos gerados


A gestão adequada dos resíduos passa pela adoção da política dos 5R´s: Repensar, Reduzir,
Reutilizar, Reciclar e Recusar. Dessa forma deve-se primeiramente pensar em reduzir o consumo e
combater o desperdício para só então destinar o resíduo gerado corretamente.
A situação do manejo de resíduos sólidos no país é um assunto que tem recebido cada vez mais
atenção por parte das instituições públicas, em todos os níveis de governo.
Os governos federal e estaduais têm aplicado mais recursos e criado programas e linhas de crédito
específicas voltadas para a gestão adequada dos resíduos. Segundo a Pesquisa Nacional de
Saneamento Básico (PNSB, 2000), são coletados, diariamente, cerca de 228.413 toneladas de resíduos
sólidos, sendo mais de 50% referente aos resíduos domiciliares.
Uma outra parte significativa desses resíduos é gerada pela administração pública na realização de
suas atividades.

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Entre os resíduos produzidos em maiores quantidades encontram-se: papéis, plásticos, cartuchos e
tonners, lâmpadas fluorescentes, lixo eletrônico e, em menor quantidade, vidros e metais, além de pilhas
e baterias. No que diz respeito à destinação dos resíduos no Brasil, nos últimos anos, também houve uma
significativa melhoria da situação, mas ainda há muito a ser feito.
Nesse sentido, é muito importante que os órgãos públicos definam e adotem mecanismos para
destinação adequada dos resíduos gerados, aproveitando para promover a internalização do conceito
dos 5Rs (Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar) nos mais diversos órgãos e instituições da
administração pública.

O Princípio dos 5 R’s


A política dos 5R´s tem sido abordada em projetos de Educação Ambiental (EA) que trabalham a
questão dos resíduos sólidos como tema gerador.
Em relação à política dos 3R´s, amplamente difundida e anterior a essa última, a política dos 5R’s
apresenta a vantagem de permitir aos administradores uma reflexão crítica do consumismo, ao invés de
focar na reciclagem.

Repensar Repensar a necessidade de consumo e os padrões de produção e descarte adotados.


Recusar possibilidades de consumo desnecessário e produtos que gerem impactos
Recusar
ambientais significativos.
Reduzir significa evitar os desperdícios, consumir menos produtos, preferindo aqueles que
Reduzir
ofereçam menor potencial de geração de resíduos e tenham maior durabilidade.
Reutilizar é uma forma e evitar que vá para o lixo aquilo que não é lixo reaproveitando tudo
Reutilizar o que estiver em bom estado. É ser criativo, inovador usando um produto de diferentes
maneiras.
Reciclar significa transformar materiais usados em matérias-primas para outros produtos
Reciclar
por meio de processos industriais ou artesanais.

Segundo o Manual de Educação para o Consumo Sustentável, “a reciclagem é uma das alternativas
de tratamento de resíduos sólidos mais vantajosas, tanto do ponto de vista ambiental como do social. Ela
reduz o consumo de recursos naturais, poupa energia e água e ainda diminui o volume de lixo e a
poluição. Além disso, quando há um sistema de coleta seletiva bem estruturado, a reciclagem pode ser
uma atividade econômica rentável. Pode gerar emprego e renda para as famílias de catadores de
materiais recicláveis, que devem ser os parceiros prioritários na coleta seletiva”.

É importante destacar a diferença entre Reutilizar e Reciclar.


- Reutilizar significa usar novamente um material antes de descartá-lo.
- Reciclar é transformar os produtos em matéria prima para se iniciar um novo ciclo de produção
consumo-descarte.
Qualquer cidadão pode auxiliar no processo de reciclagem.

Ainda segundo esse Manual, a reciclagem começa com a coleta seletiva, que é a separação e o
recolhimento, desde a origem dos resíduos sólidos potencialmente recicláveis. Para tanto, é preciso a
parceria entre governos, empresas e sociedade civil, para se “desenvolver políticas adequadas e desfazer
preconceitos em torno dos aspectos econômicos e da confiabilidade dos produtos reciclados”. Padrão de
cores A coleta é efetuada por diferentes tipologias dos resíduos sólidos, segundo a Resolução CONAMA
nº275 de 25 de abril de 2001, que estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a
ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para
a coleta seletiva.

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Código de Cores

O Decreto nº 5.940/06, publicado em 26 de outubro de 2006, instituiu a separação dos resíduos


recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta na
fonte geradora e sua destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis e
constituiu a Comissão da Coleta Seletiva Solidária, criada no âmbito de cada órgão e entidade da
administração pública federal direta e indireta com o objetivo de implantar e supervisionar a separação
dos resíduos recicláveis descartados na fonte geradora e a sua destinação às associações e cooperativas
dos catadores de materiais recicláveis.
A implementação do Decreto nº 5.940/06, somada às ações da Agenda da Administração Pública
Federal, constitui-se numa estratégia que busca a construção de uma nova cultura institucional para um
novo modelo de gestão dos resíduos no âmbito da administração pública federal direta e indireta.
A coleta seletiva é também uma maneira de sensibilizar as pessoas para questão do tratamento
dispensado aos resíduos sólidos produzidos no dia-a-dia, quer seja nos ambientes públicos quanto nos
privados. Exemplo disso é a campanha nacional “SACO É UM SACO” de conscientização do consumidor,
promovida pelo Ministério do Meio Ambiente, com vistas a alertar para a importância de reduzir o consumo
de sacolas plásticas, utilizando alternativas para o transporte das compras e acondicionamento de lixo, e
recusando sacos e sacolinhas sempre que possível.

3. Qualidade de Vida no Ambiente de Trabalho


A qualidade de vida no ambiente de trabalho visa facilitar e satisfazer as necessidades do trabalhador
ao desenvolver suas atividades na organização através de ações para o desenvolvimento pessoal e
profissional.
A administração pública deve buscar permanentemente uma melhor Qualidade de Vida no Trabalho
promovendo ações para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus servidores. Para tanto, as
instituições públicas devem desenvolver e implantar programas específicos que envolvam o grau de
satisfação da pessoa com o ambiente de trabalho, melhoramento das condições ambientais gerais,
promoção da saúde e segurança, integração social e desenvolvimento das capacidades humanas, entre
outros fatores.
Tal qualidade de vida visa facilitar e satisfazer as necessidades do trabalhador ao desenvolver suas
atividades na organização tendo como ideia básica o fato de que as pessoas são mais produtivas quanto
mais satisfeitas e envolvidas com o próprio trabalho. Portanto, a ideia principal é a conciliação dos
interesses dos indivíduos e das organizações, ou seja, ao melhorar a satisfação do trabalhador dentro de
seu contexto laboral, melhora-se consequentemente a produtividade.
Também faz-se necessário avaliar, de forma sistemática, a satisfação dos servidores, pois, nesse
processo de autoconhecimento, as sondagens de opinião interna são uma importante ferramenta para

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detectar a percepção dos funcionários sobre os fatores intervenientes na qualidade de vida e na
organização do trabalho.
Entre os muitos fatores que implicam a melhoria na qualidade de vida no trabalho, segue abaixo
algumas ações que podem ser implantadas:
Uso e desenvolvimento de capacidades
Aproveitamento das habilidades;
Autonomia na atividade desenvolvida;
Percepção do significado do trabalho.
Integração social e interna
Ausência de preconceitos;
Criação de áreas comuns para integração dos servidores;
Promoção dos relacionamentos interpessoais;
Senso comunitário.
Respeito à legislação
Liberdade de expressão;
Privacidade pessoal;
Tratamento imparcial.
Condições de segurança e saúde no trabalho
Acesso para portadores de deficiência física;
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA;
Controle da jornada de trabalho; Ergonomia: equipamentos e mobiliário;
Ginástica laboral e outras atividades;
Grupos de apoio antitabagismo, alcoolismo, drogas e neuroses diversas;
Orientação nutricional;
Salubridade dos ambientes;
Saúde Ocupacional.

4. Sensibilização e Capacitação
A sensibilização busca criar e consolidar a consciência cidadã da responsabilidade socioambiental nos
servidores. O processo de capacitação contribui para o desenvolvimento de competências institucionais
e individuais fornecendo oportunidade para os servidores desenvolverem atitudes para um melhor
desempenho de suas atividades.
As mudanças de hábitos, comportamento e padrões de consumo de todos os servidores impacta
diretamente na preservação dos recursos naturais. A maioria das pessoas não têm consciência dos
impactos que produzem sobre o meio ambiente, tanto negativos quanto positivos, em decorrência de suas
atividades rotineiras. Para contornar esse problema a A3P apoia as ações de sensibilização e
conscientização dos servidores com o intuito de explanar a importância da adoção de uma postura
socioambientalmente responsável.
Conscientizar os gestores e servidores públicos quanto à responsabilidade socioambiental é um
grande desafio para a implantação da A3P e ao mesmo tempo fundamental para o seu sucesso. As
mudanças de hábito, comportamento e padrões de consumo de todos os servidores impacta diretamente
na preservação dos recursos naturais. Para que essas mudanças sejam possíveis é necessário o
engajamento individual e coletivo, pois apenas dessa forma será possível a criação de uma nova cultura
institucional de sustentabilidade das atividades do setor público, sejam essas relacionadas à área meio
ou à área finalística.
O processo de sensibilização dos servidores envolve a realização de campanhas que busquem chamar
a atenção para temas socioambientais relevantes, esclarecendo a importância da adoção de medidas
socioambientais e os impactos positivos da adoção dessas medidas para a sociedade. As campanhas
podem ser realizadas de modo presencial através de palestras, minicursos, fóruns, apresentações teatrais
ou ainda por meio da mídia seja ela digital ou impressa. As campanhas têm que, além de sensibilizar os
servidores, proporcionar uma maior interatividade.
Como estratégia de sensibilização recomenda-se:
- Criar formas interessantes de envolvimento das pessoas em uma ação voltada para o bem comum e
para a melhoria da qualidade de vida de todos;
- Orientar para a redução no consumo e para as possibilidades de reaproveitamento do material
descartado no local de trabalho e em casa;
- Incentivar o protagonismo e a reflexão crítica dos servidores sobre as questões socioambientais,
promovendo a mudança de atitudes e hábitos de consumo da instituição.

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A sensibilização deve ser acompanhada de iniciativas para capacitação dos servidores tendo em vista
tratar-se de um instrumento essencial para construção de uma nova cultura de gerenciamento dos
recursos públicos, provendo orientação, informação e qualificação aos gestores públicos e permitindo um
melhor desempenho das atividades implantadas.
A formação dos gestores pode ser considerada como uma das condicionantes para efetividade da
ação de gestão socioambiental no âmbito da administração pública.
A capacitação é uma ação que contribui para o desenvolvimento de competências institucionais e
individuais nas questões relativas à gestão socioambiental e, ao mesmo tempo, fornece aos servidores
oportunidade para desenvolver habilidades e atitudes para um melhor desempenho das suas atividades,
valorizando aqueles que participam de iniciativas inovadoras e que buscam a sustentabilidade.
Os processos de capacitação promovem ainda um acesso democrático a informações, novas
tecnologias e troca de experiências, contribuindo para a formação de redes no setor público.
Dessa forma, é importante os órgãos desenvolverem um Plano de Capacitação que, além de promover
o desenvolvimento das competências individuais, deve capacitar os servidores para trabalharem como
multiplicadores.
A formação de multiplicadores é fundamental principalmente para os órgãos que possuem várias filiais.
Esses multiplicadores têm como papel principal levar o conhecimento, trocar experiências e identificar
oportunidades para todas as áreas do órgão contribuindo assim para a eficácia na implantação da A3P.
Programas e projetos de sensibilização e capacitação são instrumentos essenciais para construção de
uma nova cultura de gerenciamento dos recursos públicos, provendo orientação, informação e
qualificação aos gestores públicos e permitindo um melhor desempenho das atividades implantadas.
A formação dos gestores pode ser considerada como uma das condicionantes para a efetividade da
ação de gestão socioambiental no âmbito da administração pública e deve ser estimulada. A mobilização
deve ser permanente e contínua, pois a mudança de atitudes e hábitos depende da reflexão sobre as
questões ambientais e sociais e do envolvimento e cada pessoa com a temática.

5 Licitações Sustentáveis
A administração pública deve promover a responsabilidade socioambiental das suas compras.
Licitações que levem à aquisição de produtos e serviços sustentáveis são importantes não só para a
conservação do meio ambiente mas também apresentam uma melhor relação custo/benefício a médio ou
longo prazo quando comparadas às que se valem do critério de menor preço.
Em todo o mundo, o poder de compra e contratação do Governo tem um papel de destaque na
orientação dos agentes econômicos quanto aos padrões do sistema produtivo e do consumo de produtos
e serviços ambientalmente sustentáveis. No Brasil estima-se que as compras governamentais
movimentem cerca de 10% a 15% do PIB nacional.
A utilização de recursos públicos para aquisição de produtos ou contratação de serviços gera impactos
significativos na economia. Nesse contexto, o agente tomador de decisão deve dispor de instrumentos
que lhe permitam tomar decisões fundamentadas nas melhores práticas que envolvam não só os
aspectos econômicos, mas também os ambientais e sociais.
As compras e contratações públicas são feitas por meio de um procedimento administrativo – as
licitações – visando selecionar a proposta mais vantajosa ao interesse público: o melhor produto pelo
menor preço. A Lei 8.666/93 que regulamente as licitações, embora leve em consideração o impacto
ambiental do projeto básico de obras e serviços, não se refere ao fator ambiental com relação a compras.
Assim, as exigências de produtos que contemplem o conceito de sustentabilidade ambiental é possível
na discriminação do produto a ser adquirido, porém não é regulamentada nem obrigatória, o que seria
um importante passo em direção às licitações sustentáveis.
As denominadas licitações sustentáveis são aquelas que levam em consideração a sustentabilidade
ambiental, social e econômica dos produtos e processos a ela relativos. Licitações que levem à aquisição
de produtos e serviços sustentáveis são importantes para a conservação do meio ambiente, abrangendo
a própria sociedade nele inserida, como também apresentam no aspecto econômico uma melhor relação
custo/benefício a médio ou longo prazo quando comparadas às que se valem do critério de menor preço.

Compras públicas sustentáveis


Compras sustentáveis consistem naquelas em que se tomam atitudes para que o uso dos recursos
materiais seja o mais eficiente possível. Isso envolve integrar os aspectos ambientais em todos os
estágios do processo de compra, de evitar compras desnecessárias a identificar produtos mais
sustentáveis que cumpram as especificações de uso requeridas.
Logo, não se trata de priorizar produtos apenas devido a seu aspecto ambiental, mas sim considerar
seriamente tal aspecto juntamente com os tradicionais critérios de especificações técnicas e preço. Em

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muitos países, como o Canadá, Estados Unidos, Japão e países da União Europeia, as iniciativas de
compras sustentáveis foram introduzidas inicialmente como programas de adoção de boas práticas
ambientais, entre elas o acesso às informações sobre produtos e serviços sustentáveis, mecanismos
legais para garantir a preferência aos produtos sustentáveis e a capacitação dos agentes públicos.
O Estado precisa incentivar o mercado nacional a ajustar-se à nova realidade da sustentabilidade,
permitindo às instituições públicas assumir a liderança pelo exemplo. Nesse sentido, o governo federal
regulamentou a utilização de critérios sustentáveis na aquisição de bens e na contratação de obras e
serviços, através da Instrução Normativa Nº1 de 19/01/10. As regras abrangem os processos de extração
ou fabricação, utilização e o descarte de produtos e matérias-primas. A IN abrange os órgãos da
Administração Federal Direta, Autarquias e Fundações.

Obras Públicas
As obras públicas devem ser elaboradas visando a economia da manutenção e operacionalização da
edificação, redução do consumo de energia e água, bem como a utilização de tecnologias e materiais
que reduzam o impacto ambiental, tais como:
• uso de equipamentos de climatização mecânica, ou de novas tecnologias de resfriamento do ar, que
utilizem energia elétrica, apenas nos ambientes aonde for indispensável;
• automação da iluminação do prédio, projeto de iluminação, interruptores, iluminação ambiental,
iluminação tarefa, uso de sensores de presença;
• uso exclusivo de lâmpadas fluorescentes compactas ou tubulares de alto rendimento e de luminárias
eficientes;
• energia solar, ou outra energia limpa para aquecimento de água;
• sistema de medição individualizado de consumo de água e energia;
• sistema de reuso de água e de tratamento de efluentes gerados;
• aproveitamento da água da chuva, agregando ao sistema hidráulico elementos que possibilitem a
captação, transporte, armazenamento e seu aproveitamento;
• utilização de materiais que sejam reciclados, reutilizados e biodegradáveis, e que reduzam a
necessidade de manutenção; e
• comprovação da origem da madeira a ser utilizada na execução da obra ou serviço.

Aquisição dos Bens


O governo federal poderá exigir os seguintes critérios de sustentabilidade na aquisição dos bens:
• que os bens sejam constituídos, no todo ou em parte, por material reciclado, atóxico, biodegradável,
conforme ABNT NBR - 15448-1 e 15448-2;
• que sejam observados os requisitos ambientais para a obtenção de certificação do Instituto Nacional
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO como produtos sustentáveis ou de menor
impacto ambiental em relação aos seus similares;
• que os bens devam ser, preferencialmente, acondicionados em embalagem individual adequada,
com o menor volume possível, que utilize materiais recicláveis, de forma a garantir a máxima proteção
durante o transporte e o armazenamento; e
• que os bens não contenham substâncias perigosas em concentração acima da recomendada na
diretiva RoHS (Restriction of Certain Hazardous Substances), tais como mercúrio (Hg), chumbo (Pb),
cromo hexavalente (Cr(VI)), cádmio (Cd), bifenil-polibromados (PBBs), éteres difenil-polibromados
(PBDEs).

Contratação de Serviços
As regras da Instrução Normativa para a contratação de serviços exige das empresas contratadas as
seguintes práticas de sustentabilidade na execução dos serviços:
• use produtos de limpeza e conservação de superfícies e objetos inanimados que obedeçam às
classificações e especificações determinadas pela ANVISA;
• adote medidas para evitar o desperdício de água tratada, conforme instituído no Decreto nº 48.138,
de 8 de outubro de 2003;
• observe a Resolução CONAMA nº 20, de 7 de dezembro de 1994, quanto aos equipamentos de
limpeza que gerem ruído no seu funcionamento;
• forneça aos empregados os equipamentos de segurança que se fizerem necessários, para a
execução de serviços;
• realize um programa interno de treinamento de seus empregados, nos três primeiros meses de
execução contratual, para redução de consumo de energia elétrica, de consumo de água e redução de
produção de resíduos sólidos, observadas as normas ambientais vigentes;

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• realize a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da Administração
Pública Federal direta, autárquica e fundacional, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e
cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, que será procedida pela coleta seletiva do papel
para reciclagem, quando couber, nos termos da IN/MARE nº 6, de 3 de novembro de 1995 e do Decreto
nº 5.940, de 25 de outubro de 2006;
• respeite as Normas Brasileiras - NBR publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
sobre resíduos sólidos; e
• preveja a destinação ambiental adequada das pilhas e baterias usadas ou inservíveis, segundo
disposto na Resolução CONAMA nº 257, de 30 de junho de 1999.

Portal Comprasnet
O Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão disponibilizará um espaço específico no Portal
Comprasnet para realizar a divulgação das listas dos bens, serviços e obras que tenham requisitos de
sustentabilidade ambiental, exemplos de boas práticas adotadas nessa área, ações de capacitação, bem
como um banco com editais de aquisições sustentáveis já realizadas pelo governo.

PRINCIPAIS TEMAS RELACIONADOS AOS EIXOS TEMÁTICOS DA A3P

1.Coleta Seletiva e Reciclagem


Em várias instituições públicas, o processo de implantação da A3P tem se iniciado com a coleta
seletiva e é decorrente, em grande medida, da edição do Decreto nº 5.940 de 25 de outubro de 2006, que
instituiu a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e instituições da administração
pública federal direta e indireta na fonte geradora e a sua destinação às associações e cooperativas dos
catadores de materiais recicláveis.
Uma grande parte dos resíduos gerados na administração pública pode ser destinada para a
reciclagem, mas, para que isso seja possível, é imprescindível a implantação de um sistema de coleta
seletiva eficiente. Nesse processo, a separação dos materiais recicláveis daqueles que não são, é a
primeira preocupação a ser observada.
O acondicionamento e a coleta, quando realizados sem a segregação dos resíduos na fonte, resultam
na deterioração, parcial ou total, de várias das suas frações recicláveis. O papelão se desfaz com a
umidade, tornando-se inaproveitável; o papel, assim como o plástico em filme (sacos e outras
embalagens) se suja em contato com a matéria orgânica, perdendo valor; os recipientes de vidro e lata
enchem-se com outros materiais, dificultando sua seleção e causando risco de acidentes aos
trabalhadores da coleta de resíduos; também a mistura de determinados materiais, como pilhas, cacos,
tampinhas e restos de equipamentos eletrônicos pode contribuir para o risco de acidentes e piorar
significativamente a qualidade dos recicláveis.

A coleta seletiva é uma importante atividade na gestão dos resíduos sólidos. Trata-se do processo
de seleção do lixo, que envolve duas etapas distintas: Separação do Lixo na Fonte (ou Segregação) e
Coleta.

Essa seleção poderá ser classificada em três categorias: resíduos orgânicos e inorgânicos ou secos e
úmidos ou recicláveis e não recicláveis. Materiais não recicláveis são aqueles compostos por matéria
orgânica e/ou que não possuam, atualmente, condições favoráveis para serem reciclados. É uma pré-
seleção do material nos locais de origem: papel, papelão, plástico, vidro, metal, dentre outros. Isto requer
sensibilização, conscientização e a participação de todos.
Trata-se de recolhimento especial, que permite que os materiais pré-selecionados possam ser
recuperados, separados e recebam uma destinação adequada, quer seja, reutilização, reciclagem,
compostagem ou aterro sanitário. No caso de resíduos orgânicos, eles necessariamente passam por um
processo de triagem antes de serem encaminhados para reciclagem.
Portanto, a implantação da coleta seletiva deve prever a separação dos materiais na própria fonte
geradora, evitando o surgimento desses inconvenientes. Para a implantação deste sistema, os resíduos
gerados podem ser separados em dois grupos:
• Materiais recicláveis: compostos por papel, papelão, vidro, metal e plástico, entre outros.
• Materiais não recicláveis: também chamados de lixo úmido ou simplesmente lixo: compostos pela
matéria orgânica e pelos materiais que não apresentam, atualmente, condições favoráveis à reciclagem.

Para que a coleta seletiva seja eficaz tem que haver a garantia da correta destinação dos resíduos
para empresas que trabalham com reciclagem. Para introduzir um sistema de coleta seletiva é necessário

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o envolvimento de prefeituras, comunidades, catadores, carroceiros/sucateiros, entidades sociais e,
principalmente, empresas privadas que atuem com coleta e reciclagem.

Triagem de Resíduos Sólidos


Os resíduos sólidos separados podem ser prensados em fardos ou não, no local de origem, recolhidos
e repassados para associações, cooperativas e/ou empresas, que se encarregarão de vendê-los para
outras empresas que trabalham com reciclagem.
Os diversos tipos de papéis usados e separados em coleta seletiva denominam-se aparas e são
prensados em fardos. Quanto mais limpa e selecionada for a apara, maior será seu valor comercial.

Exemplificação dos Resíduos


• Resíduos líquidos ou efluentes: rejeitos industriais, águas utilizadas (servidas) e chorumes.
• Resíduos orgânicos: restos de alimentos, galhos e folhas, papel higiênico
• Resíduos inorgânicos: plásticos, papéis, vidros e metais.
• Resíduos secos: plásticos, papéis, vidros, metais, embalagens “longa vida”.
• Resíduos úmidos: restos de alimentos, cascas de frutas, podas de jardim.
• Outros Resíduos (rejeitos): todos aqueles que não se enquadram nas outras classificações.

2. Consumo da madeira
O Brasil é um dos maiores produtores e o maior consumidor mundial de madeiras tropicais. Setores
estratégicos da economia brasileira, como a siderurgia, a indústria de papéis e embalagens e a construção
civil são altamente dependentes do setor florestal. Nos últimos anos, observou-se um grande aumento na
demanda por madeira que não tem sido acompanhado por um aumento sensível do reflorestamento.
A madeira é empregada de diversas formas nas atividades humanas desde matéria prima para
utensílios até estruturas de construções. A administração pública também é grande consumidora desse
recurso principalmente na forma de mobiliário e divisórias de escritórios.
A madeira é o material que apresenta maior sustentabilidade em sua produção. Por ser um recurso
natural renovável, a madeira é totalmente assimilável pelo ambiente e possui um vantajoso e significativo
potencial socioeconômico. No entanto, essa sustentabilidade depende profundamente de um manejo
adequado das florestas produtoras que garanta sua exploração ordenada. Portanto, embora haja
impactos importantes gerados pela cadeia produtiva da madeira, estes podem ser minimizados de modo
que esse recurso seja utilizado de maneira sustentável, sendo necessário, para isso, que sua origem seja
de áreas de manejo adequado, o que deve ser uma exigência real de seus consumidores. Além de
desempenhar seu papel ambiental, as florestas podem e devem ser utilizadas como fonte de renda. O
desenvolvimento das técnicas de extrativismo e o aumento do conhecimento e da oferta de novos
produtos florestais permitem uma maior valorização das florestas e, assim, um maior potencial econômico

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e social de seu manejo sustentável. Todavia, apesar desse potencial inexplorado, os gestores públicos
ainda não perceberam que eles podem contribuir para a sustentabilidade do manejo florestal.
A administração pública pode exercer influência em prol do manejo florestal sustentável exigindo que
a madeira comprada por si tenha origem legal. A madeira em tora explorada em florestas naturais na
Amazônia pode ser legalmente adquirida por meio de duas fontes: Autorizações de Desmatamento (AD)
e Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) (LENTINI et al. 2005).
A administração pública pode estimular a adoção de práticas florestais benéficas por meio das compras
sustentáveis, promovendo o manejo florestal correto e o uso mais eficiente e responsável da madeira. O
exemplo do governo é um importante indutor para a mudança de atitude dos outros setores da sociedade
e é uma importante ferramenta para iniciar a implantação dessa ação tão urgente que é o manejo
sustentável das florestas.

3. O papel nosso de cada dia


Dentre os subprodutos da madeira um merece atenção especial: o papel. Nas atividades
desenvolvidas na administração pública o papel é um dos principais recursos naturais consumidos. O
papel A4 - 75 g/m2 ocupa posição de destaque quanto ao uso nas ações rotineiras. Entretanto, também
fazem parte do uso diário das instituições públicas os envelopes, cartões de visita, agendas, papéis de
recado, entre outros, todos envolvendo grandes quantidades de papel. Os problemas ambientais
relacionados à produção e consumo de papéis são de grande escala, estando os principais impactos
relacionados ao alto consumo de matéria prima – especialmente madeira, água e energia. Além de usar
intensivamente recursos florestais, o processo de produção do papel demanda grandes quantidades de
água e gera altos volumes de efluentes líquidos, resíduos sólidos e emissões atmosféricas.
O processo de produção de papel engloba o seu branqueamento cujas técnicas mais usadas pela
indústria nacional são o branqueamento a cloro ou peróxido de hidrogênio. O branqueamento por cloro é
mais nocivo ao meio ambiente. Entretanto as indústrias vem desenvolvendo o processo de
branqueamento livre de cloro essencial, cuja nocividade é menor. O processo utilizando o peróxido de
hidrogênio ainda não é comum no Brasil, mas, por ser totalmente livre de cloro, é o melhor no respeito ao
meio ambiente.
Uma opção menos nociva ao meio ambiente é o papel reciclado. Apesar de não ser necessariamente
livre de cloro, utilizam matéria prima já usada, poupando matéria prima que vem diretamente da natureza
evitando reiniciar o processo de uso do recurso natural. Embora ainda implique em consumo de água e
energia, a produção do papel reciclado utiliza tais recursos em quantidade muito menores do que as da
produção tradicional e lança no ambiente volumes menores de poluentes. Em adição ao menor consumo
de recursos na produção, é importante salientar que com a reciclagem do papel há redução sensível do
volume de resíduos destinados aos aterros sanitários, aumentando sua vida útil e facilitando a coleta de
lixo. Além dos impactos ambientais do papel reciclado serem menores, seus impactos sociais podem ser
muito mais benéficos devido à possível geração de emprego e renda se implantado um sistema de coleta
seletiva que o supra.

Um aspecto importante a ser ressaltado diz respeito às iniciativas do setor público para substituição e/
ou redução do uso do papel. Os avanços nas tecnologias de informação, principalmente por meio do uso
das tecnologias de desmaterialização de processos e documentos, têm possibilitado ao setor público a
adoção de novas ferramentas mais eficientes. Atualmente com as tecnologias disponíveis é possível
implantar processos informatizados e desmaterializados para grande parte dos procedimentos
administrativos com o intuito de reduzir ou mesmo eliminar o uso do papel. Em alguns casos o processo
poderá envolver a transferência, a transmissão de dados em rede ou a sua inserção em suportes como
fita magnética, disquete, etc, visando a substituição da versão em papel por um equivalente eletrônico
(fotografia digital do conteúdo ou conteúdo em formato digital).

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A otimização do uso do papel também pode ser exercida por meio do reaproveitamento de papéis
tornados inúteis para rascunhos, lembretes, anotações, entre outros usos e ainda por meio de impressões
de frente e verso, que reduzem o uso de papel pela metade. Com medidas como essas, pode-se realizar
o mesmo trabalho com uma utilização muito menor de papel, o que reduz os custos decorrentes de sua
aquisição e os resíduos gerados. O poder de compra do poder público orienta os agentes econômicos
quanto aos padrões do sistema produtivo de produtos ambientalmente sustentáveis e, por sua grande
escala de consumo, pode incentivar o aumento da produção e tornar tais produtos economicamente
acessíveis, ou seja, mais baratos.

Recriando o uso do papel


Sempre que possível, use papéis que não utilizam cloro em seu processo de fabricação e, portanto,
não são tão poluentes. Outra opção ambientalmente correta é a utilização de papéis reciclados. No
mercado brasileiro já existem papéis 100% reciclados, diferentes e de excelente qualidade, produzidos
em escala industrial. Tendo o poder de compra do poder público um papel de destaque na orientação dos
agentes econômicos, quanto aos padrões do sistema produtivo e do consumo de produtos
ambientalmente sustentáveis, este pode viabilizar a produção em larga escala.

4. Eficiência energética
A energia elétrica se tornou um dos bens de consumo fundamentais para as sociedades modernas.
Ela é utilizada para gerar iluminação, movimentar máquinas e equipamentos, controlar a temperatura
produzindo calor ou frio, agilizar as comunicações, etc. Da eletricidade dependem a produção, locomoção,
eficiência, segurança, conforto e vários outros fatores associados à qualidade de vida.
A contrapartida dos benefícios proporcionados pelo desenvolvimento tecnológico é o crescimento
constante do consumo de energia. Para enfrentar o aumento da demanda no futuro é preciso encarar o
uso da energia sob a ótica do consumo sustentável, ou seja, aquele que atende às necessidades da
geração atual sem prejuízo para as gerações futuras. Isso significa eliminar desperdícios e buscar fontes
alternativas mais eficientes e seguras para o homem e o meio ambiente.
No Brasil já existem diferentes leis e programas voltados à promoção da eficiência energética, entre
eles destacam-se:
• Lei Nº 10.295 que versa sobre a eficiência energética dos equipamentos comercializados no país que
devem atender aos índices mínimos de eficiência ou níveis máximos de consumo de energia definidos;
• Decreto nº 4.131 que dispõe sobre medidas emergenciais de redução do consumo de energia elétrica
no âmbito da Administração Pública Federal.
• Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) que tem como objetivo promover a
racionalização da produção e do consumo de energia elétrica, para que se eliminem os desperdícios e
se reduzam os custos e ainda os investimentos setoriais;
• Programa Brasileiro de Etiquetagem (PEB) que efetua a certificação de equipamentos quanto ao
consumo de energia em parceria com o Procel.
A administração pública é grande consumidora de energia elétrica. Apesar da maioria das edificações
públicas não terem sido projetadas de maneira sustentável de um modo geral elas apresentam
oportunidades significativas de redução de custos no consumo de energia.
A economia nos edifícios públicos pode se dar através de medidas como o gerenciamento das
instalações, adoção de equipamentos tecnologicamente mais avançados e eficientes, alterações de
algumas características arquitetônicas, utilização de técnicas modernas de projeto e construção,
alterações dos hábitos dos usuários, entre outras. Essas oportunidades de redução devem ser
identificadas em um estudo específico, com recomendação das ações a serem empreendidas e análise
de viabilidade técnico-econômica.

5. A água e seus usos múltiplos


A água é elemento essencial à vida e é básica para as atividades sociais e produtivas do ser humano:
abastecimento público, geração de energia, agropecuária, recreação, transporte fluvial e marítimo,
indústria, aquicultura, comércio e serviços, ou seja, a água é geradora de todos os sistemas necessários
e formadores da sociedade.
Porém, o aumento da demanda por água, somado ao crescimento das cidades, à impermeabilização
dos solos, à degradação da capacidade produtiva dos mananciais, à contaminação das águas e ao
desperdício estão conduzindo a um quadro preocupante em relação à sustentabilidade do abastecimento
público.
A Constituição Federal de 1988 define que “os bens componentes do meio ambiente, como a
atmosfera, a água, o solo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora, são bens ambientais”. Assim sendo,

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a água é um bem ambiental por ser um dos elementos formadores do meio ambiente e um bem de uso
comum do povo.
Visando a equidade na utilização dos corpos hídricos e a manutenção de sua qualidade, ações para o
uso sustentável da água estão sendo difundidas no mundo inteiro. No âmbito da administração pública já
foram documentados várias medidas adotadas para conter o desperdício no consumo de água. Entre
essas medidas destacam-se o uso de aparelhos economizadores como por exemplo vasos sanitários
com caixa acoplada, registro com sensor, acionamentos temporizados, vasos a vácuo, entre outros
aparelhos.
A adoção dessas medidas tem como intuito a maximização da eficiência do uso da água dentro dos
edifícios que compõem a administração pública e podem ser facilmente adotadas seja em edifí- cios em
construção como naqueles já construídos.
Também podem ser adotadas medidas como a instalação de um sistema de reaproveitamento das
águas pluviais e do sistema de reuso das águas cinzas. O reaproveitamento das águas pluviais
compreende a coleta, filtragem e armazenamento das águas das chuvas que podem ser usadas em vários
pontos como por exemplo o vaso sanitário, irrigação, lavanderia e na lavagem de automóveis e calçadas.
O sistema de reuso das águas cinzas consiste na utilização da água provenientes das lavagens de
roupas, chuveiro, ralos e pia do banheiro, que compõem o chamado esgoto secundário. Neste sistema o
esgoto secundário é tratado em equipamento específico de modo a garantir a qualidade mínima requerida
pelos padrões e normas sanitárias e é encaminhado para o reuso nos vasos sanitários, lavagens de pátio
que não tenham contato humano como calçadas internas, playground, dormitórios, cozinhas e refeitórios,
dando preferência para as lavagens de garagens e acesso de automóveis.

Como parte da nova cultura de gestão da água, mudar hábitos cotidianos é responsabilidade de cada
um. Medidas simples de serem adotadas no ambiente de trabalho que remetem à mudança de postura
devem ser estimuladas como, por exemplo, comunicar os responsáveis se houver vazamentos em
torneiras, descargas e bebedouros; sugerir a adoção de equipamentos de alta pressão de água que
permitam uma limpeza efetiva e com grande economia; ou ainda sugerir a colocação de adesivos com
mensagens educativas, lembrando a todos, da necessidade do bom uso da água no ambiente de trabalho.

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6.Manutenção da frota oficial de veículos
As revisões preventivas e periódicas sugeridas pelos fabricantes, o uso do combustível recomendado
e a calibragem de pneus são itens imprescindíveis para a manutenção adequada de veículos. Isso
contribui para o prolongamento da vida útil do veículo, representa uma economia financeira e minimiza o
lançamento de poluentes no ar, no solo e nas águas.
Sempre que um veículo oficial em sua área de trabalho estiver transitando de forma irregular – soltando
fumaça, vazando óleo do motor, combustível ou graxas, emitindo ruídos acima do suportável, tendo
dificuldade de frear, com suspensão desalinhada ou pneus carecas - comunique ao encarregado da frota
e peça providências.
Os governos federal, estaduais e municipais, inclusive as fundações, autarquias e empresas de
economia mista têm por obrigação dar bom exemplo quanto à manutenção das respectivas frotas de
veículos.
O exemplo pode ser dado comprando automóveis econômicos, eficientes e que utilizem combustível
de fonte renovável, como álcool ou biodiesel. A tecnologia acessível hoje e que já representa um grande
avanço é a flex-fuel, que permite o abastecimento dos automóveis com álcool ou gasolina. Com a frota
formada por carros flex o órgão ou instituição pode avaliar com o combustível que traz melhor benefício
econômico-ambiental de acordo com as especificidades locais.

7. Principais Resíduos Gerados na Administração Pública


A administração pública gera grandes quantidades de resíduos decorrentes de suas atividades
regimentais. Entre os resíduos produzidos em maior quantidade podemos citar a geração de papéis,
plásticos, cartuchos e tonners, lâmpadas fluorescentes, lixo eletrônico e, em menor quantidade, vidros e
metais além de pilhas e baterias. A seguir fazemos uma breve descrição desses resíduos e o que fazer
com eles.
Papel
O papel é o resíduo gerado em maior quantidade pela administração pública e o que possui maior
valor para aproveitamento por meio da reciclagem se bem separado por meio da coleta seletiva.
Uma das maneiras de promover a correta separação do papel é a disposição de recipientes adequados
para o seu descarte. Na maioria dos órgãos públicos são utilizadas caixas de papelão, individuais ou
coletivas. Essas caixas também devem ser separadas de acordo com a destinação dos papéis, ou seja,
se serão reutilizados (rascunhos) ou destinados à reciclagem. É muito importante que o papel não seja
amassado nem seja misturado com outros tipos de materiais para que não sujem, o que reduz o valor do
material para reciclagem.

Plástico
Ao lado do papel, o plástico se constitui em um dos principais resíduos gerados pela administração
pública na forma, principalmente, de copos plásticos utilizados para o consumo de água e café.
Diferentemente dos papéis, que podem ser reaproveitados para rascunho, os copos plásticos não são
reaproveitados por outras pessoas e tem curtíssima duração de vida, podendo, apenas, serem destinados
à reciclagem. Uma medida simples que otimiza a separação dos copos plásticos para reciclagem é a
disponibilização nos órgãos públicos de coletores de copos plásticos e a conscientização dos usuários
para sua correta utilização.
Além da implantação de formas de destinação menos poluentes, é importante que sejam adotadas
medidas que promovam a redução na geração desse resíduo, como por exemplo, a realização de
campanhas para uso racional dos copos plásticos ou substituição de copos descartáveis por copos
duráveis.

Metal
A administração pública não é, em sua grande maioria, grande produtora de metais nas atividades
regimentais. Os mais comuns são os metais ferrosos encontrados nos utensílios domésticos, ferramentas,
peças de automóveis, estruturas de edifícios e em latas de alimentos e bebidas. A maioria dos metais
pode ser encaminhado para a reciclagem. O processo de reciclagem gera vários benefícios entre eles o
que mais se destaca é a redução no consumo de energia quando comparada à produção do metal.

Vidro
A quantidade de vidro gerado pela administração pública varia entre os órgãos e instituições,
entretanto, de uma forma geral, esse material é gerado em quantidade muito inferior ao papel e plástico.
O vidro pode ser reaproveitado ou destinado à reciclagem para tanto deve-se observar a sua correta
separação.

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Lixo orgânico
A quantidade de lixo orgânico gerada depende das especificidades de cada instituição. A sua
destinação final pode ser os aterros sanitários da região ou ainda um sistema de compostagem que pode
ser realizado por qualquer instituição e servir de adubo para as áreas verdes.

O material de expediente
Nem sempre prestamos atenção se o material de expediente é de fato necessário e em caso positivo,
se é usado de forma racional. E mais, sequer sabemos se esses materiais são produzidos a partir de
fontes naturais não renováveis, como minerais, carvão e petróleo. Seja qual for a função que exerçamos
na administração pública, o resultado do nosso comprometimento com o uso racional de todo o tipo de
bem público será bem visto e com certeza influenciará, em pouco tempo, outros servidores a procederem
da mesma forma. Combater o desperdício é poupar os recursos naturais e valorizar os bens públicos.
Combater o desperdício é conviver de forma equilibrada com a natureza e fazer economia para os cofres
públicos.

Outros Resíduos gerados nas Atividades de Governo

Lâmpada fluorescente
As lâmpadas fluorescentes, apesar de serem mais econômicas do que as incandescentes, contêm
mercúrio, um metal pesado altamente prejudicial ao meio ambiente e à saúde. Os resíduos de lâmpadas
fluorescentes são considerados resíduos perigosos (Classe I) pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT) porque apresentam concentrações de mercúrio e chumbo que excedem os limites
regulatórios, o que exige a adoção de medidas adequadas para o seu descarte que não deve, jamais, ser
feito diretamente nas lixeiras.
Como forma de minimizar os impactos provocados pelo descarte inadequado de lâmpadas os órgãos
da administração pública devem buscar soluções internas e possuir um gerenciamento específico que
permita a correta descontaminação e descarte dessas lâmpadas.

Pilhas e Baterias
A Legislação Brasileira (Resolução CONAMA nº 401/2008) estabelece que pilhas e baterias que
tenham elevados teores de chumbo, mercúrio e cádmio, devem ser recolhidas pelos estabelecimentos
comerciais. Caberá ao comércio varejista encaminhar o material recolhido aos fabricantes e importadores
que, por sua vez, serão responsáveis pela reciclagem, ou, quando não for possível, pelo descarte
definitivo em aterros sanitários licenciados.
A resolução prevê ainda que nos materiais publicitários e nas embalagens de pilhas e baterias,
fabricadas no País ou importadas, deverão constar de forma clara, visível e em língua portuguesa, a
simbologia indicativa da destinação adequada, as advertências sobre os riscos à saúde humana e ao
meio ambiente, bem como a necessidade de, após seu uso, serem encaminhadas aos revendedores ou
à rede de assistência técnica autorizada.

Cartuchos e tonners
Os cartuchos e tonners - assim como pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes - são resíduos
considerados perigosos e devem ter uma destinação apropriada. Caso esses resíduos sejam manejados
de forma inadequada, podem contaminar o solo, a água, os animais e os seres humanos causando sérios
problemas ao meio ambiente e ao homem. A melhor opção é encaminhá-los para empresas
especializadas que possam proceder sua recarga para posterior reutilização, prolongando sua vida útil.
Não sendo possível o encaminhamento, é preciso buscar uma forma de encapsulá-los ou destruí-los.

Pneus
A Resolução CONAMA nº 416/09, que “Dispõe sobre a prevenção à degradação ambiental causada
por pneus inservíveis e sua destinação ambientalmente adequada, e dá outras providências”, disciplina
o gerenciamento dos pneus considerados inservíveis que, dispostos inadequadamente, constituem
passivo ambiental, com riscos ao meio ambiente e à saúde pública.
Um sistema de logística reversa será aplicado para destinação correta de pneus inservíveis,
estabelecendo que o resíduo é de responsabilidade de fabricantes e importadores. Eles serão obrigados
a coletar e dar destinação ambientalmente adequada aos pneus na proporção de um para um. Isso
significa que a cada pneu novo comercializado, um inservível deverá ser recolhido.

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Carcaças de computadores e ar condicionados
Podem ser comprados para desmonte. Em cidades como Curitiba e São Paulo existem empresas que
recebem esses materiais para o reaproveitamento ou reciclagem.

Óleos lubrificantes
Óleos não re-refinados ou não reciclados, depois de usados, deverão ser acondicionados em tambores
para disposição em aterros industriais próprios para resíduos perigosos. Em sua composição há metais
e compostos altamente tóxicos e por isso são classificados como resíduos perigosos à saúde humana,
animal e ao meio ambiente. Leia a Resolução CONAMA nº 9, de 31 de agosto de 1993, para saber mais
a esse respeito.

Carcaças de veículos
Podem ser encaminhadas aos ferros-velhos ou sucateiros. Móveis Podem ser levados para aterros
sanitários ou doados às entidades sociais. Canos de cobre, ferro e alumínio Podem ser vendidos a
sucateiros.

Peças mecânicas e baterias de veículos


Peças mecânicas de metal devem ser encaminhadas aos ferros-velhos ou sucateiros e as baterias de
veículos descarregadas, enviadas ao revendedor. As resoluções nos 257 e 263/99 do CONAMA tratam
do tema baterias.

Medicamentos com data vencida e resíduos de serviços de saúde


Podem ser encaminhados aos serviços de saúde. Leia a Resolução CONAMA nº 358/2005 para saber
mais a esse respeito.

Produtos químicos em geral


Podem ser levados para aterros industriais ou dispostos em aterros de resíduos perigosos.

Entulhos de construção civil e canos de PVC


Leia a Resolução CONAMA nº 307/2002 para saber mais a esse respeito.

Divisórias e cortinas
Quando verificado a impossibilidade de reaproveitamento, devem ser encaminhadas aos aterros
sanitários3.

Questões

01. (TRE/PE - Conhecimentos Gerais - CESPE/2017) A respeito da Agenda Ambiental da


Administração Pública (A3P) e das políticas relacionadas ao clima e aos resíduos sólidos, assinale a
opção correta.
(A) Visando alcançar os objetivos traçados na Política Nacional sobre Mudança do Clima, o Brasil
adotou voluntariamente o compromisso de promover ações de mitigação das emissões de gases de efeito
estufa.
(B) A lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos não alcança as pessoas de direito privado,
mas aplica-se a todas as pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela geração de resíduos
sólidos.
(C) A utilização de tecnologias para a recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos independe
de comprovação de viabilidade técnica e ambiental.
(D) A gestão e o gerenciamento de resíduos sólidos compreendem a não geração e a redução, mas
não a reutilização, dadas a natureza e a composição desses resíduos.
(E) A A3P deve ser obrigatoriamente observada na elaboração do Plano de Logística Sustentável da
Justiça Eleitoral.

02. (Prefeitura de Teresina/PI - Analista Ambiental - FCC/2016) O passo-a-passo sequencial para


implantar o Programa A3P (Agenda Ambiental na Administração Pública) em uma dada instituição da
Administração pública consiste em

3
Texto adaptado de: http://www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_arquivos/cartilha_a3p_36.pdf. Acessado em: 06/07/2016.

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(a) criar legalmente uma comissão gestora, diagnosticar ambientalmente a instituição, desenvolver
projetos e atividades, mobilizar e sensibilizar os servidores, avaliar e monitorar as ações.
(b) desenvolver os projetos e atividades propostas pelos servidores, divulgar os resultados exitosos,
corrigir os resultados de pouco impacto e propor ações de educação ambiental para a comunidade.
(c) controlar o uso de papéis e copos plásticos, recusar compra de materiais e serviços não certificados,
controlar o consumo de água e implantar coleta seletiva.
(d) destinar corretamente resíduos perigosos como lâmpadas e seringas descartáveis, promover
ginástica laboral e integração entre os servidores e implantar a coleta seletiva.
(e) implantar a coleta seletiva, adotar o programa Procel em edifícios públicos, controlar o desperdício
de materiais e recursos.

03. (Prefeitura de Teresina/PI - Analista Ambiental - FCC/2016) Segundo o Ministério do Meio


Ambiente, os principais fundamentos da Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P, são:
(a) estabelecimento de programas voltados ao exame dos padrões insustentáveis de produção e
consumo e o desenvolvimento de políticas e estratégias nacionais de estímulo a mudanças nos padrões
insustentáveis de consumo; os Estados devem reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e
consumo e promover políticas demográficas adequadas e, ainda, adoção do consumo sustentável como
princípio basilar do desenvolvimento sustentável.
(b) estabelecimento de coleta e avaliação de dados mais pertinente e eficaz em relação aos custos
por meio de melhor identificação dos usuários, tanto no setor público quanto no privado, e de suas
necessidades de informação nos planos local, nacional, regional e internacional; os Estados devem
cooperar no fortalecimento da capacitação endógena para o desenvolvimento sustentável, mediante o
aprimoramento da compreensão científica por meio do intercâmbio de conhecimentos científicos e
tecnológicos, e mediante a intensificação do desenvolvimento, da adaptação, da difusão e da
transferência de tecnologias, incluindo as tecnologias novas e inovadoras.
(c) adoção do consumo sustentável como princípio basilar do desenvolvimento sustentável estão
vinculados virtualmente a todas as áreas de programa da Agenda 21 e ainda mais próximas das que se
referem à satisfação das necessidades básicas, fortalecimento institucional e técnica, dados e
informação, ciência e papel dos principais grupos.
(d) integração entre meio ambiente e desenvolvimento nos planos político, de planejamento e de
manejo; criação de uma estrutura legal e regulamentadora eficaz; utilização eficaz de instrumentos
econômicos e de incentivos do mercado e outros; estabelecimento de sistemas de contabilidade
ambiental e econômica integrada.
(e) estabelecimento de sistemas de contabilidade ambiental e econômica integrada. As normas
aplicadas por alguns países poderão ser inadequadas para outros, em particular para os países em
desenvolvimento, acarretando custos econômicos e sociais injustificados.

04. Sobre a história da Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P, julgue o item a seguir:

Em 2002, a A3P foi reconhecida pela Unesco devido à relevância do trabalho desempenhado e dos
resultados positivos obtidos ao longo do seu desenvolvimento, ganhando o prêmio “O melhor dos
exemplos” na categoria Meio Ambiente.
(A) CERTO
(B) ERRADO

05. Não se enquadra dentre os importantes exemplos de formulações de legislações relacionadas aos
princípios e diretrizes da A3P:
(A) Decreto nº 5.940/2006 – instituiu a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos
e entidades da administração pública federal direta e indireta, bem como sua destinação às associações
e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis;
(B) Lei 12.187/2009 – Política Nacional de Mudanças Climáticas;
(C) Lei 8.171/1991 – Dispõe sobre a Política Agrícola.
(D) ISO 2600 – Diretrizes sobre responsabilidade social.

06. Muitas empresas têm desenvolvido os seus programas de responsabilidade social segundo a
abordagem do “triple bottom line”, que se constitui na principal ferramenta do Índice de Sustentabilidade
da Dow Jones (Dow Jones Sustainability Index) da Bolsa de Valores de Nova Iorque e do Índice de
Sustentabilidade Social (ISE) da Bovespa.

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Sobre o conceito do “Triple bottom line” é correto afirmar que:
(A) se refere a um conjunto de indicadores utilizado para a avaliação do desempenho econômico das
empresas e das suas ações de responsabilidade social e ambiental.
(B) resposta à globalização dos mercados pelas grandes corporações transnacionais, colocando-se
em oposição ao abuso da globalização e das instituições internacionais que promovem o neoliberalismo
sem consideração aos padrões éticos.
(C) se refere a riqueza ambiental do território brasileiro somada à diversidade de biomas e as
possibilidades e forma de exploração de seus recursos.
(D) é um dos documentos básicos das Nações Unidas e nela estão enunciados os direitos que todos
os seres humanos possuem.

07. São objetivos da Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P; EXCETO:


(A) Sensibilizar os gestores públicos para as questões socioambientais;
(B) Reduzir apenas o impacto socioambiental negativo direto causado pela execução das atividades
de caráter administrativo e operacional;
(C) Promover o uso racional dos recursos naturais e a redução de gastos institucionais;
(D) Contribuir para revisão dos padrões de produção e consumo e para a adoção de novos referenciais
de sustentabilidade no âmbito da administração pública.

08. Considerando o que prevê a Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P, sobre os eixos
temáticos, é incorreto afirmar:
(A) Usar racionalmente os recursos naturais e bens públicos implica em usá-los de forma econômica
e racional evitando o seu desperdício.
(B) A gestão adequada dos resíduos passa pela adoção da política dos 5R´s: Repensar, Reduzir,
Reutilizar, Reciclar e Recusar.
(C) A qualidade de vida no ambiente de trabalho visa facilitar e satisfazer as necessidades do
trabalhador ao desenvolver suas atividades na organização através de ações para o desenvolvimento
pessoal e profissional.
(D) A gestão adequada dos resíduos busca criar e consolidar a consciência cidadã da responsabilidade
socioambiental nos servidores.

09. Nos termos da Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P, julgue o item a seguir:

O processo de capacitação contribui para o desenvolvimento de competências institucionais e


individuais fornecendo oportunidade para os servidores desenvolverem atitudes para um melhor
desempenho de suas atividades.
(A) CERTO
(B) ERRADO

10. (Prefeitura de Teresina/PI - Analista Ambiental - FCC/2016) Dentro da proposta de ações a


serem desenvolvidas pelas instituições da Administração pública para implantação da A3P (Agenda
Sustentável na Administração Pública) encontra-se a gestão de resíduos, que inclui
(A) doação de materiais de construção reciclados para cooperativa de catadores.
(B) coleta seletiva conforme as cores definidas na Resolução CONAMA 275 de 2001: branco para
resíduos ambulatoriais, vermelho para plásticos, laranja para resíduos radioativos, roxo para resíduos
perigosos.
(C) realizar a manutenção ou substituição dos equipamentos que provocam ruídos no ambiente de
trabalho.
(D) doação de alimentos orgânicos para instituições de assistência social.
(E) repensar e reduzir o consumo, reaproveitar materiais, reciclar materiais, recusar-se a consumir
produtos impactantes do meio ambiente.

Respostas

01. Resposta: “A”


Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará, como compromisso nacional voluntário, ações
de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir entre 36,1% (trinta e seis
inteiros e um décimo por cento) e 38,9% (trinta e oito inteiros e nove décimos por cento) suas emissões
projetadas até 2020.

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02. Resposta: “A”
O passo-a-passo sequencial para implantar o Programa A3P é composto por cinco itens, na respectiva
ordem:
1º) Criar e regulamentar a Comissão Gestora da A3P;
2º) Realizar diagnóstico ambiental;
3º) Desenvolver projetos e atividades;
4º) Mobilização e Sensibilização;
5º) Avaliação e Monitoramento.

03. Resposta: “A”


As diretrizes da A3P se fundamentam nas recomendações do Capítulo IV da Agenda 21, que indica
aos países o “estabelecimento de programas voltados ao exame dos padrões insustentáveis de produção
e consumo e o desenvolvimento de políticas e estratégias nacionais de estímulo a mudanças nos padrões
insustentáveis de consumo”, no Princípio 8 da Declaração do Rio/92, que afirma que “os Estados devem
reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e consumo e promover políticas demográficas
adequadas” e, ainda, na Declaração de Joanesburgo, que institui a “adoção do consumo sustentável
como princípio basilar do desenvolvimento sustentável”.

04. Resposta: “A”


Diante de sua importância, no ano de 2002 a A3P foi reconhecida pela Unesco, ganhando o prêmio
“O melhor dos exemplos” na categoria Meio Ambiente, ganhando ainda maior repercussão e relevância
no cenário ambiental do país.
05. Resposta: “C”
A Lei nº 8.171/1991, que versa sobre a Política Agrícola, não é um exemplo das normas relacionadas
aos princípios e diretrizes da A3P.

06. Resposta: “A”


A alternativa “A” traz a definição exata do conceito de Triple bottom line.

07. Resposta: “B”


Um dos objetivos da Agenda Ambiental na Administração Pública é reduzir o impacto socioambiental
negativo direto e indireto causado pela execução das atividades de caráter administrativo e operacional.
Desta forma, é incorreto afirmar que o objetivo da A3P é reduzir “apenas” o impacto direto.

08. Resposta: “D”


A sensibilização busca criar e consolidar a consciência cidadã da responsabilidade socioambiental nos
servidores.

09. Resposta: “A”


O intuito do processo de capacitação contribui para o desenvolvimento de competências institucionais
e individuais fornecendo oportunidade para os servidores desenvolverem atitudes para um melhor
desempenho de suas atividades.

10. Resposta: “E”


Nos termos da proposta de ações contidas no A3P, a gestão de resíduos inclui repensar e reduzir o
consumo, reaproveitar materiais, reciclar materiais e recusar-se a consumir produtos impactantes do meio
ambiente.

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