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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Escola Politécnica
Departamento de Construção Civil

AS OBRAS DE RETROFIT SOB A VISÃO


DA SUSTENTABILIDADE

Marianna Grosso

Rio de Janeiro

Agosto de 2015
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola Politécnica
Departamento de Construção Civil

AS OBRAS DE RETROFIT SOB A VISÃO


DA SUSTENTABILIDADE

Marianna Grosso

Projeto de Graduação apresentado ao


Curso de Engenharia Civil da Escola
Politécnica, Universidade Federal do
Rio de Janeiro, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do
título de Engenheiro.

Orientador: Jorge dos Santos

Rio de Janeiro

Agosto de 2015
AS OBRAS DE RETROFIT SOB A VISÃO
DA SUSTENTABILIDADE
Marianna Grosso

PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE


ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A
OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRA CIVIL.

Examinado por:

______________________________________

Jorge dos Santos, D. Sc., EP/UFRJ (Orientador)

______________________________________

Ana Catarina Evangelista, D. Sc., EP/UFRJ

______________________________________

Wilson Wanderley da Silva, EP/UFRJ

______________________________________

Isabeth Mello, EP/UFRJ

Rio de Janeiro

Agosto de 2015
Grosso, Marianna

As obras de retrofit sob a visão da sustentabilidade /


Marianna Grosso. - Rio de Janeiro: UFRJ / Escola Politécnica,
2015.

VIII, 84 p.: il.; 29,7 cm.

Orientador: Jorge dos Santos

Projeto de Graduação – UFRJ / Escola Politécnica / Curso


de Engenharia Civil, 2015.

Referências Bibliográficas: p. 81-84.

1. Introdução 2. Ciclo de Vida das Edificações 3.


Contextualização: Retrofit de Edificações 4. Contextualização:
Sustentabilidade na Construção Civil 5. Aplicação dos Conceitos
de Sustentabilidade em obras de Retrofit 6. Estudo de Caso 7.
Conclusões

I. Retrofit. II. Sustentabilidade. III. Resíduos.

III
DEDICATÓRIA

Em memória da minha bisavó Castorina


Torres Brum (1920 – 2010).

IV
AGRADECIMENTOS

Ao meu pai, Claudio e ao meu irmão Giovanni, que me acompanharam, me


apoiaram e me aturaram nesse longo e nem sempre fácil caminho e em todos
os outros.

Aos meus avós pelo carinho e atenção.

Aos meus amigos que souberam entender minhas ausências, me apoiaram,


compartilharam dos meus sofrimentos e desesperos e aproveitaram comigo os
momentos livres. Aos de infância que retomei contato ao longo da faculdade,
aos de colégio, e àqueles que chegaram à minha vida de outras maneiras,
vocês são muito importantes.

Um “obrigada” especial à Tainá, por dividir um pouquinho do seu conhecimento


comigo me ajudando nos ajustes deste trabalho e em tantos outros momentos.

Aos amigos e companheiros dessa faculdade turbulenta que só quem passa


sabe o que significa. Obrigada por todas as ajudas, todos os risos, todos os
almoços divertidos, todos os desesperos compartilhados. Sem vocês, isso não
seria possível e o caminho seria muito mais tortuoso.

Aos professores Ana Catarina e Romildo, por me darem a oportunidade de


fazer iniciação num laboratório do porte do LabEST/NUMATS, por toda
atenção, orientação e conhecimento compartilhado.

Aos técnicos e funcionários do laboratório, por tanto terem me ajudado. Em


especial ao Renan, por toda paciência e amizade.

Ao professor Jorge, por aceitar me orientar neste trabalho, pelo tempo e


dedicação ofertados.

À professora Elaine, que sempre faz de tudo para ajudar os alunos e pelas
melhorias empregadas no bloco D e no CT como um todo.

Ao professor Prodanoff pela atenção de sempre.

Aos professores e funcionários do Colégio Bahiense, de quem sinto enorme


saudade, vocês foram a base para esse momento.

Ao engenheiro Júlio Smiderle, por todo tempo, paciência e conhecimento


dedicados à minha orientação no estudo de caso.

V
À arquiteta Beti Font, pelo material e entrevista cedidos para o estudo de caso.

Meu muito obrigada a cada um de vocês!

VI
Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/UFRJ
como parte dos requisitos necessários para obtenção do grau de Engenheiro
Civil.

AS OBRAS DE RETROFIT SOB A VISÃO DA


SUSTENTABILIDADE
Marianna Grosso

Agosto de 2015

Orientador: Jorge dos Santos

Curso: Engenharia Civil

Resumo:

A construção civil no Brasil vem aderindo cada vez mais ao retrofit, prática que
surgiu e foi desenvolvida na Europa e que visa à preservação do patrimônio
histórico e adequação da edificação ao uso atual, com objetivo de melhorar a
edificação através do uso de novas tecnologias. Essa prática reaproveita
edificações existentes, gerando menos resíduos em comparação a uma obra
convencional. Nessa época em que os recursos estão cada vez mais escassos,
essa menor geração e o reaproveitamento de materiais são muito bem visto e é
uma ótima solução, pois, ao invés de depositar os resíduos num aterro, eles
viram novos materiais ou são reaproveitados na própria obra. Diante desse
“reaproveitamento” da antiga edificação, o ciclo de vida da nova construção
deve ser estudado desde a fase de projetos, para um desempenho mais
sustentável do empreendimento desde a obra até a sua demolição.

Palavras-chave: Retrofit, sustentabilidade, resíduos.

VII
Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial
fulfillment of the requeriments for the degree of Engineer.

THE RETROFIT WORKS UNDER SUSTAINABILITY


VISION
Marianna Grosso

August/2015

Advisor: Jorge dos Santos

Course: Civil Engineering

Abstract:

The construction industry in Brazil has been adopting retrofit, which is a practice
that was developed in Europe. It aims to preserve the heritage and adequate
the building to current use by using new technologies to improve it.This practice
modifies existing buildings, generating less waste than conventional
construction. As nowadays resources are increasingly scarce, this benefit is
highly regarded and a great solution. It is because the construction industry
waste was reused in the construction site itself or it becomes new materials
instead of depositing waste in a landfill. Due to the reuse of the existing
building, the new building life cycle must be studied from the project phase
aiming to improve building sustainable performance from the construction to its
demolition.

Key words: retrofit, sustainability, waste.

VIII
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------------- 1

1.1. Apresentação e importância do tema ----------------------------------------------------- 1

1.2. Objetivo do trabalho --------------------------------------------------------------------------- 1

1.3. Justificativa da escolha do tema ----------------------------------------------------------- 1

1.4. Metodologia -------------------------------------------------------------------------------------- 2

1.5. Estrutura do trabalho -------------------------------------------------------------------------- 2

2. CICLO DE VIDA DAS EDIFICAÇÕES ---------------------------------------------------------- 4

2.1. Avaliação do ciclo de vida-------------------------------------------------------------------- 5

2.2. Breve histórico sobre a avaliação do ciclo de vida ------------------------------------ 7

2.3. Ciclo de vida de uma edificação------------------------------------------------------------ 8

2.4. Avaliação do ciclo de vida na construção civil------------------------------------------ 9

2.5. Fases de uma edificação -------------------------------------------------------------------- 11

2.5.1. Estudo de viabilidade------------------------------------------------------------------- 12

2.5.2. Estudo preliminar ------------------------------------------------------------------------ 12

2.5.3. Anteprojeto -------------------------------------------------------------------------------- 13

2.5.4. Projeto legal------------------------------------------------------------------------------- 13

2.5.5. Projeto executivo ------------------------------------------------------------------------ 13

2.5.6. Implantação ------------------------------------------------------------------------------- 14

2.5.7. Pós – construção ------------------------------------------------------------------------ 14

2.5.8. Demolição --------------------------------------------------------------------------------- 15

2.6. Geração de resíduos ------------------------------------------------------------------------- 15

2.7. Reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil----------------------- 16

3. CONTEXTUALIZAÇÃO – RETROFIT DE EDIFICAÇÕES------------------------------- 19

3.1. Situação do retrofit no Brasil --------------------------------------------------------------- 22

3.2. Breve histórico do retrofit no Rio de Janeiro ------------------------------------------- 23

3.3. Técnicas adotadas ---------------------------------------------------------------------------- 23

3.4. Dificuldades executivas ---------------------------------------------------------------------- 27

3.5. Legislação aplicada --------------------------------------------------------------------------- 28


3.6. Experiências anteriores ---------------------------------------------------------------------- 29

3.7. Vantagens e desvantagens ----------------------------------------------------------------- 30

4. CONTEXTUALIZAÇÃO: SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL -------- 32

4.1. Breve histórico da sustentabilidade ------------------------------------------------------ 34

4.2. Certificação ambiental------------------------------------------------------------------------ 35

4.2.1. Processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental do Empreendimento)-------- 37

4.2.2. Certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) -- 37

4.2.3. Selo Qualiverde -------------------------------------------------------------------------- 38

4.3. Empreendimentos certificados no Brasil ------------------------------------------------ 39

4.4. Boas práticas na construção civil --------------------------------------------------------- 41

4.5. Desafios da sustentabilidade na construção------------------------------------------- 42

4.6. Legislação aplicada --------------------------------------------------------------------------- 43

5. APLICAÇÃO DOS CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE EM OBRAS DE


RETROFIT --------------------------------------------------------------------------------------------------- 45

5.1. Recursos construtivos------------------------------------------------------------------------ 47

5.1.1. Fachadas ventiladas-------------------------------------------------------------------- 47

5.1.2. Shafts --------------------------------------------------------------------------------------- 50

5.1.3. Gesso acartonado ou drywall -------------------------------------------------------- 50

5.1.4. Piso elevado ------------------------------------------------------------------------------ 53

5.1.5. Cabeamento estruturado -------------------------------------------------------------- 53

5.1.6. Forros --------------------------------------------------------------------------------------- 54

5.1.7. Sistema PEX------------------------------------------------------------------------------ 55

5.1.8. Retrofit de fachadas -------------------------------------------------------------------- 56

5.1.9. Análise dos recursos construtivos -------------------------------------------------- 57

5.2. Empreendimentos “retrofitados” ----------------------------------------------------------- 57

5.2.1. Empire State Building ------------------------------------------------------------------ 57

5.2.2. Hotel Glória ------------------------------------------------------------------------------- 61

6. ESTUDO DE CASO -------------------------------------------------------------------------------- 63

6.1. Rio Branco 12 ---------------------------------------------------------------------------------- 63


6.1.1. Apresentação do empreendimento ------------------------------------------------- 63

6.1.2. Fase de estudos e projetos ----------------------------------------------------------- 65

6.1.3. Peculiaridades do empreendimento------------------------------------------------ 65

6.1.4. Dificuldades encontradas ------------------------------------------------------------- 67

6.1.5. Medidas sustentáveis ------------------------------------------------------------------ 69

6.1.6. Imprevistos operacionais -------------------------------------------------------------- 73

6.2. Restaurante Ibérico --------------------------------------------------------------------------- 74

6.3. Selo Qualiverde -------------------------------------------------------------------------------- 76

6.4. Considerações finais do estudo de caso------------------------------------------------ 77

7. CONCLUSÕES -------------------------------------------------------------------------------------- 79

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ------------------------------------------------------------ 81


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Ciclo de vida - Gerenciamento de projetos na construção civil predial - uma


proposta de modelo de gestão integrada ------------------------------------------------------------ 4
Figura 2– Representação esquemática da ACV --------------------------------------------------- 5
Figura 3 – Ciclo de vida das edificações ------------------------------------------------------------- 9
Figura 4 – Loja de departamentos La Samaritaine antes do retrofit------------------------- 20
Figura 5 – Edifício multiuso La Samaritaine após retrofit--------------------------------------- 21
Figura 6 – Tripé da sustentabilidade ----------------------------------------------------------------- 33
Figura 7 – Prédio da Universidade Corporativa da Petrobrás--------------------------------- 39
Figura 8 – Posto da Polícia Civil e Ambiental------------------------------------------------------ 40
Figura 9 – Loja da Leroy Merlin em Niterói --------------------------------------------------------- 40
Figura 10 – Fluxo de ar e calor em fachadas ventiladas --------------------------------------- 48
Figura 11 – Detalhe de uma fachada ventilada --------------------------------------------------- 49
Figura 12 – Prédio na Itália com fachada ventilada ---------------------------------------------- 49
Figura 13 – Shaft de banheiro-------------------------------------------------------------------------- 50
Figura 14 – Detalhe de parede de drywall ---------------------------------------------------------- 51
Figura 15 – Tipos de chapas de drywall------------------------------------------------------------- 52
Figura 16 – Paredes de drywall------------------------------------------------------------------------ 52
Figura 17 – Funcionamento de um piso elevado ------------------------------------------------- 53
Figura 18 – Cabeamento estruturado ---------------------------------------------------------------- 54
Figura 19 – Execução de forro de gesso acartonado ------------------------------------------- 55
Figura 20 – Instalação do sistema PEX ------------------------------------------------------------- 56
Figura 21 – Empire State Building -------------------------------------------------------------------- 58
Figura 22 – Emissão de gás carbônico por setor nos Estados Unidos ao longo dos
anos ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 59
Figura 23 – Janelas instaladas durante o retrofit ------------------------------------------------- 60
Figura 24 – Construção do Hotel Glória em 1919 ------------------------------------------------ 62
Figura 25 – Edificação antes do retrofit ------------------------------------------------------------- 64
Figura 26 – Fachada planejada após retrofit------------------------------------------------------- 64
Figura 27 – Pilar “embarrigado” ----------------------------------------------------------------------- 66
Figura 28 – Planta original ------------------------------------------------------------------------------ 67
Figura 29 – Reforço em estrutura metálica --------------------------------------------------------- 68
Figura 30 – Içamento do chiller ------------------------------------------------------------------------ 68
Figura 31 – Sistema de vigas frias -------------------------------------------------------------------- 70
Figura 32 – Formato em zig-zag da fachada com caixilho de alumínio e vidros--------- 71
Figura 33 – Painéis fotovoltaicos ---------------------------------------------------------------------- 71
Figura 34 – Pisos elevados e shaft ------------------------------------------------------------------- 72
Figura 35 – Cópia do manifesto de resíduos ------------------------------------------------------ 73
Figura 36 – Fachada inicial ----------------------------------------------------------------------------- 75
Figura 37 – Fachada após retrofit --------------------------------------------------------------------- 75
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Processos de construção civil e respectivos tempos de vida útil -------------- 8


Tabela 2 – Comparativo entre obra tradicional e retrofit---------------------------------------- 25
1. INTRODUÇÃO

1.1. Apresentação e importância do tema


O retrofit é, em si mesmo, uma ação sustentável. Evita a construção de novas obras,
aproveitando e atualizando o velho edifício ou residência que, muitas vezes, ganha
uma nova função. Ao adotar conceitos de sustentabilidade, estará reduzindo
significativamente os custos de sua operação. (MIKAI, 2012)

A construção civil é um dos setores que mais consomem recursos naturais, afetando
todas as cadeias conexas desde o setor primário até o terciário. O caminho para um
setor mais sustentável deve prever a diminuição, reversão ou anulação de impactos
gerados em todos os âmbitos de sua atuação, segundo o Conselho Brasileiro de
Construção Sustentável. O retrofit tem função de customizar, adaptar, atualizar,
requalificar, melhorando as condições de conforto e possibilidades de uso dos
espaços trabalhados, aumentando o conforto humano com menor impacto ambiental e
custos. Para isso, técnicas de trabalho multidisciplinares envolvendo especialistas em
diversas áreas, são necessárias. Isto torna o processo mais complexo, porém com
soluções mais eficazes.

1.2. Objetivo do trabalho


No Brasil, a construção civil vem aderindo cada vez mais o retrofit nos seus processos.
Essa prática, que surgiu e foi desenvolvida na Europa, visa à preservação do
patrimônio histórico e adequação do imóvel ao uso atual.

O objetivo deste trabalho é mostrar o que tem sido estudado e implantado para que as
obras de retrofit sejam mais sustentáveis desde o projeto até o uso, passando pela
execução. Será feito um estudo de caso da edificação Rio Branco 12 e do Restaurante
Ibérico, ambos no Rio de Janeiro, para aplicar os conceitos estudados durante o
trabalho e mostrar como a sustentabilidade está presente nesse processo.

1.3. Justificativa da escolha do tema


O retrofit é uma ação sustentável, que visa reaproveitar edificações existentes,
gerando menos resíduos. Sabe-se que o volume de resíduos de construção e
demolição (RCD) equivale a mais da metade dos resíduos sólidos urbanos e a maior
parte é depositada irregularmente sem qualquer forma de segregação. (SANTIAGO,
2008)

1
Diante deste fato, a autora sentiu-se motivada a fazer uma análise deste cenário e
buscar alternativas que tornem o retrofit sustentável além da diminuição da quantidade
de resíduos gerados.

1.4. Metodologia

A metodologia aplicada para elaboração desse trabalho é uma ampla pesquisa em


arquivos digitais, sites, monografias, artigos, além de ser feita uma referência
bibliográfica dos assuntos abordados relacionados ao retrofit.

Posteriormente é feito um estudo de caso envolvendo pesquisa de campo em obra de


retrofit para atingir os objetivos desse trabalho.

1.5. Estrutura do trabalho


O presente trabalho está dividido em sete capítulos. Neste primeiro capítulo está
apresentada uma introdução ao tema, onde é destacada a importância do tema,
seguida do objetivo deste trabalho, além de ter a justificativa da escolha do tema,
metodologia adotada para o desenvolvimento do trabalho e qual é a sua estrutura.

No segundo capítulo é feito um levantamento bibliográfico e explicado o que é ciclo de


vida das edificações. São apresentados e discutidos vários aspectos relacionados a
este ciclo.

O capítulo três oferece uma maior visão do tema estudado. É mostrada uma
contextualização do retrofit de edificações, como ele tem sido utilizado, suas
vantagens e desvantagens, experiências anteriores.

O quarto capítulo retrata a sustentabilidade na construção civil através da sua


definição, qual a importância dela para o meio ambiente e para o próprio ser humano,
como tem sido aplicada na indústria da construção. São abordadas também as várias
etapas da construção, desde o estudo de viabilidade até uso e disposição da
edificação, passando por legislação aplicada.

No capítulo cinco são aplicados os conceitos de sustentabilidade nas obras de retrofit


através de experiências onde ele foi executado com boas práticas de sustentabilidade,
quais foram os resultados obtidos e as dificuldades observadas.

No capítulo seis são apresentados dois estudos de caso, um de um prédio comercial


que está sofrendo retrofit e o outro de uma ex clínica de fisioterapia que já passou por
esse processo. Esse estudo mostra como era a edificação original, quais as suas
peculiaridades e sua vida útil, entre outras características. Depois é apresentado o
projeto e as técnicas executivas que estão sendo aplicados, os aspectos sustentáveis

2
aplicados nas várias etapas do ciclo construtivo, além de descrever competências
utilizadas, dificuldades encontradas e resultados obtidos.

Finalmente, no sétimo capítulo são feitas considerações finais, conclusões obtidas


nesse estudo e sugestões para futuros trabalhos. Referências bibliográficas vêm em
seguida.

3
2. CICLO DE VIDA DAS EDIFICAÇÕES

Segundo Polito (2013), ciclo de vida na construção civil pode ser classificado como as
fases intermediárias entre o início e o fim de um projeto. É comum dividir um projeto
em viabilidade, desenvolvimento, implantação e operação, como pode ser visto na
Figura 1.

Figura 1 – Ciclo de vida - Gerenciamento de projetos na construção civil predial - uma


proposta de modelo de gestão integrada

(Fonte: Polito, 2013)

De acordo com a NBR 14037 – Manual de operação, uso e manutenção das


edificações, publicada em 2011 pela ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas), vida útil de projeto (VUP) é o período estimado de tempo em que um
sistema é projetado para atender aos requisitos de desempenho, desde que o
programa de manutenção seja cumprido.

A vida útil não pode ser confundida com prazo de garantia legal e certificado, segundo
a publicação Manual de uso, operação e manutenção das edificações do Siduscon-
MG.

Ugaya (2011) diz que há pouco tempo não havia uma preocupação em se planejar o
ciclo de vida de uma edificação. De acordo com ela, apesar de a definição da Agenda
21 ter sido lançada na Eco – 92, conferência sobre o meio ambiente para decidir
medidas a serem tomadas para diminuir a degradação ambiental e garantir a
existência de outras gerações, foi consolidada apenas em 2002. Sustentabilidade e
impacto ambiental passaram a ter grande influência na cadeia produtiva da construção
civil.

4
2.1. Avaliação do ciclo de vida

A avaliação do ciclo de vida (ACV) analisa e compara impactos ambientais causados


por diferentes sistemas que apresentam funções similares, como, por exemplo, optar
entre blocos cerâmicos ou de concreto para a construção de uma parede. Sob a ótica
ambiental, essa avaliação estabelece relatórios mais completos possíveis do possível
fluxo de matéria e energia para cada sistema e possibilita a comparação desses
balanços entre si, sob a forma de impactos ambientais de cada um, como exposto na
Figura 2.

Figura 2– Representação esquemática da ACV

(Fonte: Soares, Souza, Pereira, 2003)

Para a ACV, o local que a obra será feita tem grande importância em função do
terreno, das condições climáticas a que estará exposta e do impacto que causará no
entorno. O empreendimento deve ser projetado para ter um longo tempo de uso,
segundo Ugaya (2011), mais de cinquenta anos. Porém, ao final de sua vida útil, ele
deve possibilitar que seu material seja reciclado ou reutilizado. Por isso a necessidade
de se ter um bom projeto, emprego dos materiais e manutenção da edificação. Esses
itens são relevantes para uma boa ACV. Até o transporte dos materiais influencia no
ciclo de vida da edificação.

No Brasil, inexiste uma base de dados abrangente capaz de caracterizar o


desempenho típico de componentes do ambiente construído em qualquer uma das
três etapas (projeto, construção, uso e operação). Mas, de acordo com Ugaya (2011),
esse panorama está mudando. Há diversas iniciativas pelo país para desenvolver
informações para que possam ser feitas ACV.

5
Para ser executada uma avaliação do ciclo de vida das edificações no Brasil, as
normas ISO 14.044, 14.040 e 14.049 devem ser seguidas. Elas têm como foco
principal a gestão ambiental. Elas avaliam o desempenho ambiental, rotulagem
ambiental, analisam o ciclo de vida dos produtos, entre outros fatores. É importante
ressaltar que a empresa precisa seguir a legislação ambiental do país em que está
inserida.

Já existem softwares que ajudam a definir com mais precisão o ciclo de vida do
empreendimento, como o Bees 1.0 (Building for Environmental and Economic
Sustainability). Ele implementa uma metodologia sistemática para selecionar produtos
de construção que apresentam uma relação entre performance ambiental e econômica
boa. Apesar disso, não é garantido que uma construção irá causar mais ou menos
impacto ambiental, pois é necessário levar em consideração o ambiente em que a
construção está sendo erguida.

Três tipos de análise devem ser considerados numa avaliação de ciclo de vida, ainda
de acordo com Ugaya (2011):

A) Inventário

Dados sobre entradas e saídas de cada um dos processos como de materiais,


consumo de energia, emissões de poluentes no ar, na água e no solo e geração de
resíduos são coletados.

A consistência de dados nessa fase é importantíssima para a obtenção de resultados


mais precisos, que expressem a realidade de forma confiável.

B) Avaliação social

Identifica pontos positivos e negativos ao longo do ciclo de vida do produto referentes


às questões de mão de obra envolvida no empreendimento e no que ele causará à
comunidade local, sociedade civil e trabalhadores.

C) Avaliação de impacto

Conversão dos dados de consumo de materiais, energia e emissões em categorias de


impacto. Considera-se mudanças climáticas, toxicidade humana, perda de
biodiversidade, entre outros fatores.

A ACV pode ser aplicada em qualquer produto, inclusive serviços. A ONU


(Organização das Nações Unidas) através do PNUMA (Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente) tem disseminado a importância desta avaliação. O objetivo é
aplicá-la no tripé da sustentabilidade: ambiental, social, econômico.

6
2.2. Breve histórico sobre a avaliação do ciclo de vida

Os primeiros estudos relacionados à questão ambiental tratavam da quantificação de


energia dos processos industriais (análises de energia – energy analyses), de acordo
com Santos (2010). Mas era necessário calcular o balanço de massa de matérias-
primas e dos recursos empregados nos processos para construir o fluxograma de
consumo de energia, daí esses estudos se tornaram análises de recursos (resource
analyses) ou análises de perfil ambiental (environmental profile analyses).

A partir do início da década de 1960, surgiram pressões ambientalistas nos EUA sobre
a indústria de embalagens, por causa do crescimento do mercado de descartáveis.
Isso levou a estudos específicos de análise de energia e de recursos aplicados ao
processo produtivo das embalagens. A Coca-Cola contratou o Midwest Research
Institute (MRI) para comparar os diferentes tipos de embalagens e selecionar qual era
o mais adequado do ponto de vista ambiental e de melhor desempenho com relação à
preservação dos recursos naturais. Este processo ficou conhecido como Resource
and Environmental Profile Analysis (REPA).

Estas análises se tornaram populares e foram utilizadas em muitos estudos em


diferentes processos produtivos.

Apesar do grande interesse nessas ferramentas de avaliação ambiental, surgiram


novos aspectos que deveriam ser contabilizados nas análises. No meado da década
de 1970, a metodologia REPA foi aprimorada pelo MRI e é considerada como a
precursora do que se conhece hoje como avaliação do ciclo de vida, de acordo com
Mourad et al. (2002).

Na década de 1980, a necessidade de contabilizar, além do consumo de recursos e


energia, as emissões para o ar, água e solo, ganharam força no cenário mundial. Essa
década foi marcada pelo início dos esforços para redução do efeito estufa e proteção à
camada de ozônio, segundo Santos (2010). As análises ambientais passaram a
quantificar esses novos fatores, passando a ser chamadas de ecobalanço
(ecobalance) ou ecoperfil (ecoprofile) ou análise de berço ao túmulo (cradle to grave).

As avaliações de ciclo de vida tornaram-se populares, com isso, inúmeros bancos de


dados foram criados para subsidiar esses estudos.

Os primeiros softwares específicos para os estudos de REPA foram desenvolvidos no


início de 1990.

Diante do potencial da ACV como estratégia de marketing, estudos tendenciosos


foram realizados, tornando público somente os resultados que interessavam. Foram

7
publicados estudos sobre o mesmo produto ou serviço realizados a partir de modelos
distintos, que apresentaram resultados diferentes, ocasionando confusão nas
interpretações. A falta de metodologia padronizada levou a ao comprometimento
dessa ferramenta. Essa época é conhecida como “Guerra das ACVs”.

2.3. Ciclo de vida de uma edificação

O ciclo de vida do empreendimento inicia-se na etapa de planejamento, segundo


Degani (2010). Essa etapa é essencial para a garantia de desempenho mais
sustentável da edificação, já que é nesse momento que são definidos o local de
implantação e os objetivos funcionais, sociais e econômicos a serem atendidos pelo
edifício. Após a concepção, inicia-se o canteiro de obras. Neste momento, é realizado
o empreendimento e é quando os impactos da construção são realmente percebidos.
Apesar de estas etapas serem as menores do ciclo de vida dos edifícios, elas são
fundamentais para o nível de desempenho que ele terá na sua etapa mais longa, a de
uso e ocupação.

Outra etapa extremamente importante é representada pelas atividades de manutenção


e reforma. Elas são determinantes para o aumento da vida útil das edificações e no
aperfeiçoamento dos níveis de desempenho. Nestas atividades estão contida
reposição de componentes, conservação das superfícies, sistemas e equipamentos,
manutenção corretiva e preventiva de equipamentos e sistemas, ações de
modernização e ampliação. A Tabela 1 mostra alguns tempos de vida útil de diferentes
processos e sistemas estruturais relacionados à construção.

Tabela 1 – Processos de construção civil e respectivos tempos de vida útil

(Fonte: European Comission, 1997)

VIDA ÚTIL MÉDIA PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO


(anos) ESPECÍFICOS
Projeto e construção do edifício/obra de
1a3
engenharia civil
3a5 Tempo de manutenção e uso
10 a 15 Tempo médio de uso e renovação parcial
30 a 50 Tempo longo de uso e renovação total
Tempo de vida útil de sistemas
80 a 120
estruturais de edificações
150 ou mais Tempo de vida útil de monumentos

8
O ciclo de vida de uma edificação tem seu fim na demolição ou desconstrução, como
pode ser visto na Figura 3. Essa etapa representa o início do ciclo de vida de outro
empreendimento. É também uma etapa importante, pois deve ser feito um cuidadoso
planejamento de desmonte, para garantir o reaproveitamento e a reciclagem da maior
parte dos materiais e componentes existentes.

Figura 3 – Ciclo de vida das edificações

(Fonte: Tavares, 2006)

2.4. Avaliação do ciclo de vida na construção civil


A construção civil impacta significativamente sobre a economia de um país, portanto,
pequenas alterações nas diversas fases do processo construtivo podem promover
uma diminuição nos gastos operacionais de uma obra, mudanças importantes na
eficiência ambiental e grande incentivo em investimentos no setor. No ambiente de
grande competitividade e submetido a normas e legislações, a escolha de materiais de
construção tem uma importância no campo da engenharia ambientalmente
responsável. Dois materiais, que exercem a mesma função, devem ser avaliados sob
a ótica ambiental. O resultado dessa análise, quando associado aos resultados de

9
avaliação econômica e com a preferência dos interessados, possibilitará a decisão
sobre qual material utilizar, de acordo com Pereira, Soares e Souza (2003).

A aplicação da ACV é frequentemente integrada às tomadas de decisão nos setores


empresarial e industrial. Porém, é de grande valia também para o setor de construção
civil. Essa situação ocorre devido aos expressivos impactos ambientais produzidos em
todas as etapas do processo construtivo, avaliados pelas emissões atmosféricas,
consumo de recursos naturais, demandas energéticas e geração de resíduos sólidos e
líquidos.

Deve ser ressaltado que o desenvolvimento de ACV em edificações necessita de


alterações devido, principalmente, às diferenças apresentadas em relação ao ciclo de
vida de produtos industriais que envolvem um curto espaço de tempo. Obras de
engenharia são caracterizadas por uma vida útil bem longa, de anos a séculos.
Segundo relatório do Diretório Geral para Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento da
Comissão Europeia, 1997, a análise de edificações é complexa e não consiste
somente na adaptação da análise para esse novo contexto, necessita também de
estruturação das informações coletadas em partes, que possam ser utilizadas para
várias ou uma única fase do ciclo de vida da edificação analisada.

O princípio utilizado na escolha de um material, blocos cerâmicos ou de concreto,


pode ser utilizado na concepção de um edifício composto de inúmeros materiais.
Dessa maneira é possível vislumbrar a ideia de que todas as etapas do processo
construtivo e gerencial da obra passem pela ACV para considerar o menor impacto
ambiental associado ao ciclo de vida da edificação (construção, uso e demolição).

Para isso acontecer de fato, os inventários dos diferentes fluxos de materiais utilizados
na construção civil deverão estar disponíveis em um banco de dados. Na elaboração
de um serviço, como a construção de uma parede, a simulação a partir de diferentes
cenários para uma mesma função poderá ser feita. A comparação poderá ser
realizada entre blocos cerâmicos ou de concreto, revestimento de massa corrida ou
cal fina, pintura do tipo 1 ou do tipo 2, etc.

Foram realizados estudos em vários setores da indústria de construção civil e


apontaram a variedade enorme de campos de aplicação da ACV em edificações e
sistemas e elementos construtivos. Dentre vários, pode ser citada a comparação entre
pisos cerâmicos, esmaltados e queimados, e ladrilhos de mármore, realizada por
Nicoletti, Notarnicola e Tassieli, 2002. Peuportier, 2001, fez uma análise comparativa
entre três tipos diferentes de residências: casas de referência, construídas em
concreto, casas estruturadas em madeira e pedras, com sistema integrado de

10
aquecimento solar e casas de madeira. Para identificar e avaliar os parâmetros de
projeto que influenciam no desempenho ambiental de um edifício, Scheuer et al.,
2003, fizeram um estudo aplicando a ACV a um dos edifícios do complexo da
Universidade de Michigan (EUA). A avaliação do ciclo de vida do edifício da
Universidade de Michigan possibilitou uma melhor visualização dos possíveis impactos
ambientais resultantes de cada uma das fases do ciclo de vida da edificação e
possíveis estratégias de melhoria no desempenho do edifício. Itoh e Kitagawa (2003),
analisaram diferentes técnicas construtivas de pontes no Japão, de forma a reduzir
problemas resultantes de deficiências no projeto funcional das pontes e de danos
decorrentes da vida útil limitada das estruturas. Uma análise de impactos ambientais e
de custos mais detalhada pôde ser obtida através da ACV. Em uma análise posterior,
sistemas estruturais de pontes convencionais foram comparados a uma nova proposta
estrutural, a qual utiliza menor número de vigas.

A ACV apresenta certas limitações para a análise de impactos ambientais associados


à construção civil, principalmente se comparada ao meio industrial. É difícil obter
informações e bases de dados confiáveis e completos para os materiais empregados
no setor de construção civil. Scheuer et al. (2003) citam a dificuldade na obtenção de
informações quantitativas a respeito de impactos ambientais gerados, por exemplo,
durante as fases de construção e demolição. Esses empecilhos existem,
principalmente, devido à grande variedade e composição química de materiais
utilizados na construção civil e na própria dinâmica de alteração e renovação, à qual
estão sujeitos os espaços arquitetônicos e o meio ambiente urbano.

Apesar das limitações averiguadas, sua aplicação na avaliação ambiental de sistemas


e elementos construtivos possibilita uma análise mais detalhada e crítica da etapa de
especificação de materiais e a promoção de melhorias ambientais, e muitas vezes
econômicas, nas diversas etapas do ciclo de vida, ainda de acordo com Pereira,
Soares e Souza (2003).

2.5. Fases de uma edificação


Um projeto arquitetônico completo deve conter, de acordo com Vazquez (2012):

A) Levantamento de dados (programa de necessidade e estudo de viabilidade);


B) Estudo preliminar (configuração inicial da edificação);
C) Anteprojeto (projeto concebido);
D) Projeto legal (projeto de legalização);
E) Projetos complementares ( projetos dos subsistemas);
F) Projeto de execução (projetos para a obra);

11
G) Detalhamentos de execução (projeto dos detalhes);
H) Levantamento “as built” (projeto pós obra).

De acordo com o PMI/PMBOK, 2004, projeto é “um empreendimento temporário, com


o objetivo de criar um produto, serviço ou resultado único.”.

2.5.1. Estudo de viabilidade


De acordo com a NBR 13531 – Elaboração de projetos de edificações – Atividades
técnicas, publicada pela ABNT em 1995, estudo de viabilidade é a etapa destinada à
elaboração de análise e avaliações para seleção e recomendação de alternativas para
a concepção de edificação e de seus elementos, instalações e componentes.

Esse estudo oferece a melhor solução entre necessidade e demanda. Ele pode propor
uma mudança na concepção do produto caso sejam detectados nichos mais atraentes
por intermédio de análise conjunta das variáveis ambientais (localização) da demanda
e oferta (concorrência).

O estudo de viabilidade visa reduzir riscos e incertezas, auxiliar o empreendedor a


conceber um projeto, atender as necessidades do público potencial definido.

Ele traz análises e avaliações do ponto de vista técnico, legal e econômico e promove
seleção e recomendação de alternativas para a concepção dos projetos, de acordo
com o Caderno 1 – Estudo de viabilidade, 2012. Além disso, permite a análise do
programa, terreno, legislação, custos e investimentos para saber se são executáveis e
compatíveis com o objetivo. É ainda nesse momento que é realizado uma estimativa
de custos, impactos ambientais do empreendimento, a relação custo benefício, o
prazo para elaboração dos projetos e para execução da obra, origem de recursos e
verificação quanto a previsão de legislações orçamentárias.

Esse estudo tem como objetivo determinar o empreendimento que melhor responda
ao programa de necessidades, sob os aspectos técnico, ambiental e socioeconômico,
daí a necessidade das questões acima citadas serem todas estudadas.

2.5.2. Estudo preliminar


Segundo a NBR 13531 – Elaboração de projetos de edificações – Atividades técnicas,
publicada pela ABNT em 1995, estudo preliminar é destinado à concepção e a
representação do conjunto de informações técnicas iniciais e aproximadas,
necessários à compreensão da configuração da edificação, podendo incluir soluções
alternativas.

12
É um estudo utilizado para viabilizar ou visualizar a edificação antes do projeto
definitivo, de acordo com Melo (2010).

2.5.3. Anteprojeto

Etapa destinada à concepção e à representação das informações técnicas provisórias


de detalhamento da edificação e de seus elementos, instalações e componentes,
necessárias ao inter-relacionamento das atividades técnicas de projeto e suficientes à
elaboração de estimativas aproximadas de custos e de prazos dos serviços de obra
implicados, ainda de acordo com a NBR 13531 – Elaboração de projetos de
edificações – Atividades técnicas, publicada pela ABNT em 1995.

É a fase onde o projeto é concebido de fato. O projeto é iniciado com uma consulta à
Lei de Uso e Ocupação do solo e à Informação Básica fornecida pela prefeitura para
verificar as possibilidades e limitações construtivas do terreno. Essa consulta assegura
que o projeto será redigido sob as leis vigentes e que será possível no futuro a
emissão do habite-se/alvará, de acordo com Melo (2010).

2.5.4. Projeto legal


Segundo a NBR 13531 – Elaboração de projetos de edificações – Atividades técnicas,
publicada pela ABNT em 1995, esta etapa é destinada à representação das
informações técnicas necessárias à análise e aprovação, pelas autoridades
competentes, da concepção da edificação e de seus elementos e instalações, com
base nas exigências legais e à obtenção do alvará ou das licenças e demais
documentos indispensáveis para as atividades de construção.

Segundo Melo (2010), esse projeto cumpre a obrigação legal de aprovação do projeto
na prefeitura local, será formatado segundo legislação vigente e/ou exigida por cada
órgão fiscalizador. Ele deve ser composto por uma documentação técnica com o
mínimo de informações necessárias para a aprovação do projeto.

2.5.5. Projeto executivo


De acordo com a NBR 13531 – Elaboração de projetos de edificações – Atividades
técnicas, publicada pela ABNT em 1995, esse projeto é destinado à concepção e à
apresentação final das informações técnicas da edificação e de seus elementos,
instalações e componentes, completas, definitivas, necessárias e suficientes à
licitação ou contratação e à execução dos serviços de obra correspondentes.

Esse projeto, de acordo com Melo (2010), é o “manual de instruções da obra”. Ele
deve conter todas as informações necessárias para a perfeita execução da obra.

13
2.5.6. Implantação

A fase de implantação do edifício é a construção propriamente dita. Ela acontece


quando o que foi planejado na fase de planejamento é posto em prática, inclusive
práticas sustentáveis, tais como as que visam redução de desperdício de materiais e
economia de energia.

A implantação de uma edificação no terreno necessariamente atende a requisitos


legais, que em geral são estabelecidos por códigos de obra e leis de zoneamento. Tais
instrumentos não contemplam aspectos relativos ao desempenho térmico, acústico,
luminoso, ou mesmo energético da edificação, segundo Alucci (2010).

2.5.7. Pós – construção


A avaliação pós-construção deve ser executada imediatamente após o início da
utilização do empreendimento, segundo o Caderno 7 – Pós ocupação, 2012, para
fazer a verificação de vícios construtivos ou não que não foram observados no
recebimento definitivo, por estarem ocultos ou por terem aparecidos com a utilização
do imóvel e que exijam que a construtora seja acionada para repará-los.

As vistorias nas edificações devem ser anuais de forma que os aspectos acima sejam
analisados, além de outros serem identificados.

A avaliação de desempenho do edifício é importante até mesmo para execução de


outras edificações. Para Ornstein (2012), "avaliação pós-ocupação é um conjunto de
métodos e técnicas aplicados em ambientes construídos e em uso que leva em
consideração tanto o ponto de vista dos especialistas quanto ao dos usuários desse
ambiente. É um procedimento de avaliação que cruza essas duas visões para definir
diagnóstico e fundamentar recomendações em dois níveis: uma para alimentar
intervenções no próprio ambiente objeto de estudo e outra para alimentar as diretrizes
de futuros projetos semelhantes, na linha da qualidade e da gestão do processo de
projeto. A ideia é fechar o ciclo, usando requisitos para a avaliação de desempenho
não só das etapas pré-projeto de construção, mas como também do uso".

A fase de uso e manutenção é a maior na vida útil do edifício. Nesta etapa algumas
mudanças podem ser realizadas de forma que, mesmo que ele não tenha sido
planejado e executado dentro da concepção sustentável, ele poderá adquirir, através
de reformas, práticas sustentáveis.

De acordo com o Andrade (2012), a obra não acaba quando termina. São necessárias
medidas para controlar a operação e manutenção do produto final ao se estabelecer
normas de boa conservação da edificação. Assim, é possível evitar prejuízos com

14
reparos e reformas. Ele defende a criação de uma legislação que obrigue o usuário a
fazer manutenção de acordo com um manual que será oficialmente entregue ao final
da obra.

2.5.8. Demolição

Existe ainda uma última etapa da vida útil do edifício, caracterizada pela fase de
demolição, que marca o final do ciclo de vida de uma edificação e o início de outro.
Esta etapa deverá ser marcada pelo aproveitamento de materiais e, sempre que
possível, pela reciclagem e reutilização deles, segundo Cardoso e Degani (2007). É a
fase de inutilização do edifício através de um processo de desmonte.

A indústria da construção civil é responsável pela produção de bens de maiores


dimensões físicas do planeta e, por conta disso, é bem elevado o volume de recursos
consumidos. Sendo alta a quantidade de recursos aplicados, a quantidade de resíduos
gerados também será, especialmente durante as etapas de execução e demolição.

2.6. Geração de resíduos


Os Resíduos da Construção Civil (RCC), segundo a Política Nacional de Resíduos
Sólidos são: “os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras
de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos
para obras civis”.

A construção civil representa, no Brasil, 14% do PIB (Produto Interno Bruto). O setor
também é um dos maiores consumidores de matérias-primas naturais, segundo a
publicação Análise da geração de resíduos sólidos da construção civil em Teresina,
Piauí, 2012. Do total de recursos naturais consumidos pela sociedade, estima-se que
entre 20% e 50% seja na construção. Essa indústria também gera impactos no meio
ambiente com a geração de resíduos, o que é um problema nas grandes cidades. A
produção de resíduos na construção causa impacto ao meio ambiente em toda a sua
cadeia produtiva. O entulho gerado pode representar 60% dos resíduos sólidos
urbanos produzidos.

O impacto gerado pela ocupação de terras, extração e processamento de matéria


prima, construção e uso de um edifício, afetando o ar, clima, solo, paisagem e
prejudicando o meio ambiente, são mais visíveis em áreas de baixa renda e em áreas
urbanas degradadas.

O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) conceitua na resolução 307/2002,


resíduos da construção civil como “os provenientes de construções, reformas, reparos
e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da

15
escavação de terrenos tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos,
rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa,
gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc.,
comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha”.

Segundo Ângulo (1998), o alto índice de perdas no processo produtivo da construção


civil é responsável pelo entulho gerado.

Pinto (1987) diz que “a quantidade de resíduos liberados pelas atividades construtivas
nas cidades é de tal porte que, se previsto uma reutilização do material gerado, as
necessidades de pavimentação de novas vias ou construção de habitações de
interesse social, seriam totalmente satisfeitas”.

A disposição irregular de entulho é comum na maior parte das cidades do país, por
isso, esses resíduos são considerados um problema de limpeza pública e geram
vários incômodos para a sociedade como, por exemplo, enchentes, assoreamento,
altos custos para a limpeza urbana.

Uma análise global do volume de resíduos sólidos gerados pela construção civil é
impossível, pois não existem estudos precisos que deduzam a exata produção dos
agentes atuantes na construção, segundo Pinto (1999).

A disposição adequada desses resíduos melhora a qualidade de vida e diminui os


impactos ambientais nos centros urbanos. Em alguns munícipios brasileiros foram
adotadas práticas de manejo e impactaram positivamente no saneamento e saúde
locais, de acordo com a publicação Resíduos da construção civil e o estado de São
Paulo, 2012.

A destinação final adequada para esse tipo de resíduo não é o aterro, ela deve incluir
reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação e aproveitamento energético, de
acordo com normas operacionais específicas para evitar danos ou riscos à saúde
pública e à segurança e minimizar os impactos ambientais.

A gestão adequada do RCC reduz os impactos ambientais e melhora a qualidade de


vida da população já que eles geram problemas ambientais devido a grande
quantidade produzida e destinação inadequada, de acordo com Mesquita (2012).

2.7. Reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil


Uma solução para o problema do descarte irregular do resíduo da construção civil é a
criação de aterro de resíduos sólidos. De acordo com a Resolução 307/02 do
CONAMA, este aterro é uma área onde são empregadas técnicas de disposição de
resíduos de construção civil Classe A (resíduos reutilizáveis ou recicláveis como

16
agregados) no solo. Esse tipo de aterro é mais barato que o sanitário e a concentração
dos resíduos em um único local facilitaria a execução de projetos que visem à
reutilização ou a reciclagem.

É necessário caracterizar o volume e a composição dos resíduos no canteiro de obras


antes de estratégias de gerenciamento serem desenvolvidas. Essas informações são
fundamentais para dimensionar os recipientes que acondicionarão esses resíduos.

Etapas a serem seguidas para um gerenciamento dos RCC, segundo o Manual sobre
os resíduos sólidos da construção civil, publicado pelo Siduscon – CE, 2011:

A) Segregação ou Triagem

Para que os resíduos sejam reciclados e reaproveitados, as características do produto


reciclado devem ser compatíveis com o uso a que ele se propõe.

A separação dos diversos tipos de resíduos é fundamental para eles poderem ser
reaproveitados. Os materiais inertes são os que possuem maior potencial de
reciclagem.

A mão-de-obra utilizada para a segregação deve ser previamente treinada e essa


etapa deve acontecer ainda no canteiro de obras logo após o resíduo ter sido gerado.

B) Acondicionamento

Os resíduos já segregados devem estar em recipientes específicos para cada tipo e


finalidade. Seja qual for o acondicionamento, é necessária sinalização do tipo de
resíduo, segundo a Resolução 275 de 2001, do CONAMA.

C) Transporte

O transporte dos resíduos dentro da obra é realizado em carrinhos-de-mão, giricas,


tubos condutores de entulho e até mesmo grua, dependendo do volume de resíduos.

O transporte externo é executado por empresas de coleta de RCC contratadas pela


construtora e devem estar cadastradas e credenciadas pelo órgão municipal
fiscalizador.

O Art. 10 da Resolução 307 do CONAMA indica que os RCC de Classe A devem ser
reutilizados ou reciclados na forma de agregados. Em último caso, podem ser
encaminhados para áreas de aterro de resíduos da construção civil. Quanto aos
resíduos das Classes B (resíduos recicláveis para destinações diferentes da Classe
A), C (resíduos sem tecnologia para reciclagem) e D (resíduos perigosos), a
Resolução não especifica formas de reciclagem ou reutilização para cada tipo de

17
resíduo, apenas indica que devem ser armazenados, transportados e destinados em
conformidade com as normas técnicas específicas.

O Art. 4 da Resolução 307 do CONAMA deixa claro que os geradores devem ter como
objetivo prioritário a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a
reutilização, a reciclagem e a destinação final dos RCC.

Há pouco tempo, o gerenciamento de resíduos era negligenciado. Mas o conceito de


qualidade aplicado na construção civil está provocando uma mudança de cenário. Já
existem empresas focadas na redução de perdas nos canteiros e incentivando a
reciclagem.

Pode-se dizer então que o fechamento do ciclo produtivo, gerando novos produtos, a
partir da incorporação de resíduos, é uma alternativa a ser levada em consideração,
na resolução do problema global do lixo, sendo que o setor da construção civil
apresenta grandes oportunidades em relação a este aspecto. Assim, o
desenvolvimento de tecnologias para reciclagem de resíduos ambientalmente
eficientes e seguras, que resultem em produtos com desempenho técnico adequado e
que sejam economicamente competitivas nos diferentes mercados, é um desafio
técnico importante, inclusive, do ponto de vista metodológico, de acordo com John
(2000).

“A sustentabilidade, tão almejada pela


sociedade atual, certamente só será
atingida se a construção civil, umas das
principais, se não a principal indústria
consumidora de matéria-prima e geradora
de resíduos, tornar-se sustentável. A
correta gestão dos seus resíduos já é um
importante passo para a realização disto.”

Cabral, Moreira, 2011.

18
3. CONTEXTUALIZAÇÃO – RETROFIT DE EDIFICAÇÕES
Campos, 2006, cita que o termo retrofit tem sido amplamente empregado com o
sentido de renovação, atualização, mas mantendo as características intrínsecas do
bem. Com a tradução liberal de “colocar o antigo em boa forma”, percebe- se que não
se trata apenas de uma reconstrução, pois esta implicaria em uma simples
restauração. Ao invés disto, busca-se o renascimento. Esta arte está aliada ao
conceito de preservação da memória e da história.

Segundo o CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) na publicação


Retrofit: Requalificação de edifícios e espaços construídos, retrofit é uma palavra
criada a partir da junção do termo “retro”, do latim, que significa movimentar-se para
trás e do termo “fit”, do inglês, que significa ajustar-se, que resulta no conceito, em
português: “reconversão”. Para a construção civil, retrofit é a intervenção realizada em
um edifício com o objetivo de incorporar melhorias e alterar seu estado de utilidade.
Este conceito de recuperação de um patrimônio que esteja subutilizado ou totalmente
inutilizado, não encerra na escala do edifício, mas se estende ao entorno urbano.

Croitor, 2009, diz que o retrofit não se limita somente a edificações antigas, também é
aplicável quando há interesse na substituição de sistemas prediais ineficientes ou
inadequados, pela mudança de uso do imóvel ou também quando as edificações estão
inacabadas ou abandonadas.

Esta prática surgiu e foi desenvolvida na Europa, no final da década de 1990, devido à
enorme quantidade de edifícios antigos e históricos, mas também é muito utilizada nos
Estados Unidos. Lugares onde a rígida legislação não permitiu que o rico acervo
arquitetônico fosse substituído, abrindo espaço para esta solução, que preserva o
patrimônio histórico ao mesmo tempo em que permite a utilização adequada do
imóvel.

Comum na Europa, esta modalidade construtiva chega a 50% das obras, e em países
como Itália e França, este indicador aumenta para 60%. Estes países têm intensificado
tais práticas em edificações residenciais, comerciais e industriais com o objetivo de
valorizar velhas edificações, aumentando sua vida útil através de avanços
tecnológicos e da utilização de materiais e processos de última geração, além de ser
uma prática mais econômica, sustentável e eficiente que a demolição total e nova
construção.

Em Paris, por exemplo, um marco da arquitetura da cidade acabou de passar por um


completo retrofit para se adaptar às necessidades dos tempos atuais: ser sustentável
e multiuso, como pode ser visto nas figuras 4 e 5.

19
O edifício, estilo art decó, La Samaritaine, de 80 mil metros quadrados, que abrigou
uma loja de departamentos entre 1870 e 2005, abriga atualmente lojas, escritórios e
um hotel com vista para o rio Sena. As escadarias, afrescos e o teto de vidro originais
foram preservados nesse processo.

Figura 4 – Loja de departamentos La Samaritaine antes do retrofit

(Fonte: http://www.portobello.com.br/blog/design-e-inovacao/retrofit-la-samaritaine-
renascera-as-margens-do-sena/) (05/06/15)

20
Figura 5 – Edifício multiuso La Samaritaine após retrofit

(Fonte:http://www.aviewoncities.com/gallery/showpicture.htm?key=svefr0393)
(05/06/15)

A motivação principal de utilizar o retrofit é revitalizar antigos edifícios, aumentando


sua vida útil, usando tecnologias avançadas em sistemas prediais e materiais
modernos, compatibilizando-os com as restrições urbanas e ocupacionais atuais,
diminuindo os gastos energéticos, reforçando as estruturas, preservando o patrimônio
histórico, principalmente o arquitetônico.

É importante ressaltar que, apesar de ser a forma ideal para lidar com patrimônios
históricos, o retrofit também pode ser aplicado em marcos de valor significativo, como
a sede de uma empresa, ou qualquer imóvel, condomínio e até bairros inteiros em que
haja o desejo de preservar a sua estética, promovendo a atualização de amplas áreas
urbanas.

Essa técnica também é considerada quando é mais rápida que uma nova construção
ou quando é necessário continuar utilizando o prédio durante a obra. (EGGER, 2015)

Imóveis desgastados pelo uso ou pelo tempo, recuperados pelo processo de retrofit,
podem chegar a uma valorização de até 100%.

De acordo com Barrientos (2004), os aspectos que devem ser considerados na


escolha pelo retrofit são vários, mas o mais importante é a idade da edificação.
Executar o retrofit num prédio com mais de trinta anos é mais fácil do que em
edificações mais novas, devido aos padrões arquitetônicos utilizados naquela época,

21
com pés direitos mais altos e vãos mais largos, facilitadores na execução de pisos
elevados e forros, por exemplo.

Portanto, as intervenções a serem executadas dependem das características do


imóvel e do seu estado de conservação.

3.1. Situação do retrofit no Brasil


No Brasil, diversos fatores são citados como empecilhos para o retrofit, de acordo com
o CBCS, 2013. O retorno financeiro em comparação com empreendimentos novos; a
ausência de legislação específica, as atuais não fazem distinção entre reforma e
retrofit; escassez de recursos tecnológicos disponíveis, já que a maioria é voltada para
novas edificações; a falta de familiaridade com essa prática por parte dos projetistas e
da indústria.

A situação do retrofit no Brasil, notadamente registrado em edifícios culturais de


metrópoles do porte de São Paulo e Rio de Janeiro, é muito diferente de países da
Europa, mas o que é comum é o rigor da lei na aprovação dos projetos já que um
edifício tem um ciclo de vida extenso, tendo um efeito sobre o ambiente. (LISBOA,
2009)

Bernardes (2009) argumenta que é necessário conciliar os custos de reforma com


preços de venda convidativos, já que, em geral, os imóveis encontram-se muito
degradados e apresentam problemas estruturais. Uma solução para o sucesso do
projeto seria o investimento do poder público.

Botelha (2015) cita que finalmente o retrofit tem obtido destaque e crescido no Brasil
devido à escassez e alto custo dos terrenos, principalmente nas cidades de São Paulo
e Rio de Janeiro. Impondo ao mercado esta solução, que revitaliza importantes
edificações já existentes no centro urbano. Existem vários casos de sucesso que
fomentaram grandes investimentos no setor imobiliário e da construção civil.

Ele destaca ainda que alguns cuidados devem ser tomados, como a realização de um
estudo e memorial fiel às condições do imóvel, conjunto de projetos bem coordenados,
estudo rigoroso quanto ao emprego de materiais adequados na edificação.

Com as devidas precauções e cuidados, o retrofit tem um longo e promissor caminho


a percorrer no Brasil, sendo um modelo ideal para o desenvolvimento imobiliário nos
grandes centros urbanos brasileiros.

22
3.2. Breve histórico do retrofit no Rio de Janeiro
Enquanto nas cidades estrangeiras as iniciativas de retrofit surgiram de grupos
alternativos, no Rio de Janeiro elas surgiram do próprio governo.

Os investimentos para reverter a deterioração do centro da cidade, não só de imóveis


antigos, mas também de espaços públicos começaram na década de 1980 quando o
governo detectou que a política de renovação urbana era um excelente negócio.

A política de preservação recebeu o nome de Corredor Cultural, segundo Vale (2006),


e atentou para lugares de importante acervo histórico e arquitetônico, dando início a
um programa de revitalização urbana para o centro da cidade.

Essa requalificação atraiu grandes empresas de volta para o centro da cidade além de
aumentar a procura por imóveis na região. Surgiram novos centros culturais, lojas
sofisticadas, universidades e grandes garagens subterrâneas.

A região central passou a ser um polo atrativo de grandes bancos e negócios,


segundo Barrientos (2004). E fatores como proximidade do bairro com os aeroportos
da cidade, rodoviária, metrô, cartórios e fórum foram determinantes na hora de
escolher.

A cidade do Rio de Janeiro é constituída por uma grande quantidade de edificações,


residenciais e não residenciais, com idade em torno de 50 anos de construção. A
quantidade de imóveis com mais de 20 anos é maior que a de imóveis novos ou
recém-construídos. O que demonstra a necessidade de um mercado para o setor de
reabilitação.

3.3. Técnicas adotadas


Conforme Nunes (2011), a implantação do retrofit envolve sete etapas:

A) Análise mercadológica e financeira, incluindo valores, estudo vocacional e


viabilidade comercial;
B) Definição do conceito do projeto, o que envolve análise das possibilidades de
expansão da área;
C) Legislação – plano jurídico;
D) Critérios de reaproveitamento de materiais e sistemas;
E) Diagnóstico – etapa que considera elementos como a história da edificação;
estudo de arquitetura e eficiência da laje, análise das condições de sistemas e
equipamentos;

23
F) Proposta de implementação, incluindo vários cenários, entre eles, da
arquitetura, elétrica, dados, voz, elevador e fachada;
G) Comercialização.

Conhecer o estágio de degradação da construção na qual se deseja implementar o


retrofit é muito importante para que a requalificação seja capaz de suportar os
acréscimos de carga gerados por futuras mudanças no layout, de acordo com
Barrientos, 2004. Dentre as diversas etapas, o estudo de viabilidade e o diagnóstico
são destaques devido à importância.

É essencial documentar todas as modificações ocorridas, descrever a interligação dos


sistemas antigos aos novos, como segurança e incêndio, por exemplo. Mostrar
modificações e acréscimos, fornecendo dados complementares que auxiliem na
melhor solução possível de ser executada.

Como o número de imprevistos em um retrofit tende a ser maior, comparando com


uma obra convencional, a mão de obra deve ser mais qualificada e necessita de maior
supervisão, já que a estrutura existente não permite a instalação de um canteiro de
obra espaçoso, o que gera redução na produtividade e na quantidade de homens
trabalhando. Por isso é fundamental ter um levantamento fiel das condições do imóvel
além de um conjunto completo de projetos. Na Tabela 2 é possível ver o comparativo
entre o retrofit e a obra convencional mostrando essas dificuldades enfrentadas numa
obra de retrofit.

24
Tabela 2 – Comparativo entre obra tradicional e retrofit

(FONTE: Revista Téchne, Ed. 37, Julho 2011)

OBRA TRADICIONAL SERVIÇO RETROFIT


Ocorre apenas quando há estruturas no terreno É uma atividade muito comum, principalmente
Demolição
que precisam ser removidas. quando há modificação de uso
Necessária para limpar e nivelar o terreno antes
Terraplenagem Raramente acontece.
de iniciar a contrução.
É montado antes do início das obras de acordo É mais limitado em função das construções
Canteiro de obras
com o número de trabalhadores envolvidos. existentes e da eventual ocupação do edíficio.

São executadas a partir do zero, seguindo


Fundações e Pode ser necessário adaptá-las, principalmente
orientações dos projetos de fundações e de
estrutura quando há mudança do uso da edificação.
estrutura.
Pode usar a tradicional alvenaria ou painés pré- Quando necessários, ocorre da mesma forma que
Fechamentos
fabricados de vedação. em uma obra convencional.
O retrofit pode ser um motivo adicional para se
Necessária para assegurar a vida útil da
Impermeabilização refazer a impermeabilização. Assim evitam-se o
construção.
retrabalho e gastos extras com acabamento.

Uma das etapas cruciais. É fundamental para da


Pode utilizar diferentes materiais de acordo com
Acabamentos uma aparência mais atual à construção e valorizar
o padrão e tipo da construção.
o imóvel.
A modernização das instalações prediais é
Instalações (água, esgoto, energia, ar
fundamental para adaptar a construção às novas
condicionado, gás e dados) são executadas para Instalações prediais
exigências dos usuários e às normas técnicas de
garantir o pleno funcionamento do edifício.
segurança.
O retrofit de fachadas é um dos mais usuais.
Varia de acordo com o padrão e tipo da
Fachada Pode prever a troca de evestimentos e a
construção.
substituição de esquadrias, por exemplo.
Pequenas reformas podem ser feitas em poucas
Tempo médio de
Longo, de acordo com a complexidade da obra. semanas, mas retrofits mais complexos tendem a
obra
demorar mais do que construir um edifício novo.
Menos numerosa que em obras tradicionais. Mas
Quantidade e grau de especialização variam de os trabalhadores são mais especializados e
Mão de obra
acordo com o estágio da obra. treinados para trabalhar sob condições adversas,
como em edifícios ocupados.

Geralmente, a obra de retrofit é composta de sete etapas, podendo ser mais ou


menos, de acordo com a especificação e complexidade. São elas: demolição, reforço
estrutural, fechamento, acabamento, instalações prediais, ar condicionado e fachada,
de acordo com Nakamura (2011) na reportagem “Retrofit de edifícios”.

A obra normalmente começa na demolição controlada de paredes da construção


existente para aumento da área útil e adequar a edificação ao seu novo uso.

O reforço estrutural ocorre principalmente quando há aumento da capacidade de


suporte da estrutura devido à alteração de uso. Pode ser executado de diversas
maneiras, como por adição de chapas de aço e de fibras de carbono ou
encamisamento de concreto.

25
Não há diferenças no fechamento realizado no retrofit ou numa obra convencional.
Porém, uma prática comum na modernização de edificações antigas é o uso de
drywall para fechamentos internos. Essas chapas são mais leves e causam um
impacto menor na estrutura existente, além de gerar menos resíduos e ser uma
construção mais limpa.

Na etapa de acabamentos, deve ser estudado o uso de materiais recicláveis, que


exijam menos manutenção, como, por exemplo, a instalação de piso elevado, que
ajuda a esconder e organizar fios e cabos e evita quebradeira em caso de mudanças
de layout. Essa é uma das etapas que pode tornar o empreendimento mais
sustentável.

Muitas vezes, os sistemas prediais são os fatores cruciais para um retrofit ser
implantado. A modernização dessas instalações, que começa pela substituição de
todo cabeamento e vai até a instalação de novas caixas para suportar a maior
quantidade de cabos utilizada atualmente, por exemplo, é fundamental para a
edificação tornar-se moderna e atender as demandas de uso.

A instalação de equipamentos de ar condicionado mais eficientes é fundamental para


o prédio ser mais sustentável, reduzindo em até 40% o gasto com energia, além de
liberar área útil.

A reformulação da fachada pode incluir troca de esquadrias, tratamento de fissuras,


colocação de pingadeiras e de brises para torná-la mais adequada, de acordo com a
insolação local, mantendo a temperatura interna mais agradável e diminuindo o uso de
ar condicionado. Tornando o edifício mais sustentável.

Além dessas etapas, segundo Dorigo e Cari (2014) podem ser incluídas também
soluções como telhado verde, que aumenta o conforto térmico e diminui o gasto com
energia e manutenção de ar condicionado além de reter a água precipitada, que pode
ser tratada e reaproveitada para fins não potáveis como irrigação e descarga; parede
verde, que pode servir como isolante térmico; torneiras dosadoras, que controlam o
desperdício e reduzem o consumo de água; sensores de presença que acionam a luz
somente quando há presença de pessoa e mantém acessa por um intervalo de tempo
pré-determinado, evitando o uso desnecessário e economizando energia; vidros
térmicos, que diminuem a quantidade de raios solares transmitidos para o ambiente
sem influenciar na iluminação natural, diminuindo a necessidade de climatização
artificial; placas fotovoltaicas, que aumenta a eficiência energética da edificação,
podendo ser utilizada desde o aquecimento de água até geração de energia para a

26
própria edificação. Todas essas medidas visam aumentar o conforto da construção,
reduzir o uso de água e energia, aumentando a sustentabilidade.

3.4. Dificuldades executivas

As exigências técnicas e de normatização, estabelecidas por cada prefeitura,


evoluíram com o tempo. Na década de 1920, ao se construir um prédio em estilo art
decó, no centro de São Paulo, por exemplo, não eram projetados rampas e elevadores
largos, prevendo uma demanda futura da sociedade por acessibilidade, tão pouco era
necessário ter sistemas de reaproveitamento de água de chuva. Hoje, qualquer
edificação deve cumprir uma série de normas com o objetivo de organizar e regular o
crescimento urbano, disciplinar o uso do solo, garantir que tais ocupações não
prejudiquem o meio ambiente, a segurança, a acessibilidade nem interfiram no bem
estar da população.

De acordo com Marques (2014), especialista em gerenciamento de projetos


arquitetônicos, é desejável que um estudo para verificar a viabilidade do retrofit seja
feito antes da decisão final, já que a preocupação principal do método é manter as
características originais da edificação e o processo pode sair mais caro que uma
reforma convencional e até mesmo que a construção de um novo prédio.

Os métodos de diagnóstico das condições físicas do edifício a ser “retrofitado” ainda


são precários. É inexistente metodologia de projeto focada nesse tipo de
empreendimento. Na maior parte das intervenções realizadas, as tecnologias
construtivas adotadas são as mesmas utilizadas em obras novas, o que é inadequado,
resultando em longos períodos de intervenção, importantes alterações de projetos e
em grandes alterações no custo inicial, de acordo com a reportagem “Reabilitação de
edifícios: a importância dos sistemas prediais”.

Apesar de um retrofit não gerar a mesma margem de lucro que projetos de construção
iniciados do zero, ele é uma escolha mais segura no atual cenário econômico. Ele é
geralmente menos arriscado por envolver menos despesas com materiais, uma vez
que a estrutura já está disponível.

Segundo Camargos (2013), construtor que atua na recuperação e na transformação


de prédios comerciais em residenciais na capital mineira, além de dificuldades
técnicas como estruturas com pilares e vigas muito grandes, que podem ser
empecilhos para remodelagem do espaço, inexistência de memória de cálculo e
projetos detalhados da edificação, que provocam dificuldades de execução de layout
adequado, existem ainda dificuldades logísticas, como retirada de entulho. Ele diz
ainda que cumprir a norma de desempenho, NBR 15575, principalmente na questão

27
acústica, é uma dificuldade enfrentada em obras de retrofit já que são poucos os
fabricantes que produzem esquadrias fora do padrão, por exemplo.

A burocracia para viabilizar reformas em prédios antigos é incomparável. Desde a


apresentação na prefeitura do projeto e da documentação até as suas aprovações,
pode demorar alguns vários meses, chegando até um ano. Essa situação é
inadmissível sob o ponto de vista empresarial.

Ainda de acordo com Camargos (2013), outro empecilho é a aquisição de


financiamento para execução da obra de retrofit. Os bancos e o programa “Minha
Casa, Minha Vida” não possuem nenhum produto em que esse tipo de obra se
enquadre. Ele defende que esse tipo de construção tenha uma legislação municipal
específica e que sejam concedidos incentivos fiscais, como IPTU progressivo, que já
acontece em Nova York.

Croitor (2009) cita que dificuldades podem ser encontradas no planejamento do


canteiro de obras. Edifícios antigos não apresentam áreas livres suficientes para a
implantação do canteiro, o que dificulta o acesso ao interior da edificação, o
abastecimento, o armazenamento de materiais, podendo gerar retrabalho e perda
excessiva de material. Se o edifício estiver instalado em área central de cidade
grande, outro fator que dificulta o planejamento do canteiro é a restrição de tráfego de
caminhões, comprometendo a entrega de materiais e equipamentos.

O Projeto Reabilita (2007) constatou que os projetistas têm dificuldade em atender


questões de segurança contra incêndio e acessibilidade. Eles encontram dificuldade
em adaptar as condições do edifício às demandas de reserva de água para incêndio
devido ao tipo de fundação e às limitações estruturais; às exigências de acessibilidade
às áreas comuns da edificação.

3.5. Legislação aplicada


O Projeto Reabilita, 2007, alerta para um aspecto importante que deve ser
considerado no projeto: “as edificações foram construídas a partir de legislação
vigente no momento da elaboração do projeto e a execução das obras, sob um
contexto de necessidades e soluções também específicas.”.

De acordo com Camargos (2013), como não há legislação específica para retrofit, a
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) deveria pensar numa norma
específica para o retrofit. “Nesta área, ainda há uma ausência total de especificações”,
alerta.

28
Outro ponto importante, é que reforma ou retrofit não fazem parte do escopo da NBR
15575 – Edificações habitacionais – Desempenho, publicada pela ABNT em 2013.

3.6. Experiências anteriores


O retrofit sofrido pelo Empire State Building é um case importante no mercado
mundial. Esse processo envolveu as empresas Jones Lang LaSalle, Clinton Climate
Initiative, Rocky Mountain Institute e Johnson Controls. As ações realizadas visavam
melhorar a eficiência energética da edificação. Para isso, foi necessária a troca de
quatro chillers, modernização dos sistemas de controle predial existentes, instalação
de sistema de monitoramento contínuo do desempenho do ar condicionado, instalação
de sensores de gás carbônico para controle de demanda da ventilação e acesso
online do usuário ao sistema de monitoramento de consumo de energia, além de
ações para melhorar a temperatura dos ambientes internos e aumentar o
aproveitamento da iluminação natural através do uso de dimmers e dispositivos foto-
sensores para adequação da iluminação ambiente, de acordo com a reportagem “40
Perguntas – Manutenibilidade”.

O histórico prédio localizado na Cinelândia, centro no rio de Janeiro, Amarelinho, que


foi construído nos anos de 1930, tornou-se um centro empresarial. De acordo com
Vale (2006), a construção de linhas clássicas foi reformada e virou um edifício
inteligente, depois de passar uma década desocupada, com rede interna de
computadores além de outros luxos tecnológicos. Além de ter sofrido reparos no
exterior sem prejudicar o estilo arquitetônico característico da edificação.

Manter a fachada original não aconteceu no caso do retrofit do Diamond Hotel, que
segundo o arquiteto responsável, Juan Carlos Belay, a única coisa preservada foi a
vista para a Baía de Guanabara. O Hotel Excelsior, em Copacabana foi totalmente
remodelado.

Já no caso do Hotel Guanabara, no centro do Rio de Janeiro, ainda de acordo com


Vale (2006), é notável a obra de grande importância na parte de reabilitação predial.
Vidros temperados foram colocados na fachada e novas instalações foram aplicadas,
melhorando as condições do hotel e oferecendo maior conforto e comodidade aos
usuários.

O Centro Empresarial RB53, na Avenida Rio Branco, também no centro do Rio de


Janeiro, é um caso bem sucedido de retrofit. A edificação que tinha mais de 40 anos
passou por um retrofit que durou aproximadamente um ano e meio, com ótimos
resultados. A valorização é consequência das ações implantadas durante esse
processo. Além da preocupação com a arquitetura, os serviços básicos como ar

29
condicionado, segurança, infraestrutura de telecomunicações e informática foram
reformulados. Com isso, a locação passou de R$13,00 por metro quadrado em 1993
para R$55,00 em 2005.

Saindo da área Zona Sul – Centro e indo para a Zona Norte, outra obra interessante
foi a adaptação e mudança de uso de uma antiga fábrica de tecidos para instalações
comerciais, o shopping Nova América.

3.7. Vantagens e desvantagens


Segundo Vale (2006), o retrofit tem cada vez mais importância devido à busca por
atualização, requalificação, readaptação e valorização do imóvel. Ele procura melhorar
não só o desempenho das edificações, mas também adequá-las a uma nova
utilização.

A relação entre o retrofit e a valorização do imóvel é direta, a princípio. Acredita-se que


o investimento de cada proprietário representa 10% na valorização total do imóvel. Por
exemplo, se uma reforma custar R$5.000 para cada condômino, o imóvel valorizará
R$50.000. Com isso, é notável que recuperar fachadas, investir em elevadores,
equipamentos e mobiliário valoriza imediatamente o imóvel.

Entre outras razões para realizar um retrofit, cita-se uma maior comodidade para os
usuários, redução de custos operacionais da edificação (gastos necessários para o
funcionamento da mesma) na ordem de 30%.

Nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, a demanda por retrofit é sentida
praticamente nos centros, aonde a infraestrutura de serviços e comércio é pouco
aproveitada por muitos edifícios terem tecnologias obsoletas para as novas
necessidades das empresas.

Vale (2006) aborda ainda que a forma de acabar com a degradação de lugares
abandonados em regiões habitáveis é fixar uma população residencial. A revitalização
de microrregiões centrais é preferível à realização de retrofit em alguns edifícios que
não resgatam a ocupação do entorno.

O retrofit tem vantagem nos edifícios antigos devido também ao tombamento de


alguns edifícios, onde não é possível demolir. E não há motivo para demolição se a
estrutura de concreto está em boa condição e o edifício pode ser reformado. Além de
vantagem de aproveitamento de uma área maior do que uma nova construção.

Um dos principais empecilhos ao investimento na recuperação de empreendimentos


antigos e abandonados é aspecto técnico. Quanto mais antiga a edificação, maior a
necessidade de adaptações para torná-la moderna, o que pode inviabilizar o projeto

30
devido ao alto investimento. Por isso, de acordo com Vale (2006), em alguns lugares
onde há disponibilidade de terrenos disponíveis, a preferência é para novas
construções.

Mas isso ainda divide opiniões. Há quem diga que se a fundação e estrutura estiverem
em bom estado de conservação, a economia ao se realizar o retrofit ao invés de uma
nova construção pode ser superior a 20%. Isso em caso de edifícios comerciais, que
são fáceis de reformar. Já retrofit em hotéis, que possuem muitas divisões internas, é
mais complicado.

Ainda de acordo com Vale (2006), os bons empreendimentos para sofrerem retrofit,
em função das estruturas, são os com até 50 anos, onde pode-se aproveitar fundação,
alvenaria e estrutura. Independente do estado de conservação, instalações prediais,
elevadores e caixilharia sempre têm de ser refeitos totalmente para um bom resultado
final.

Os aspectos técnicos na viabilização do retrofit é a parte mais simples do processo. A


complicação começa na legalização do imóvel, já que não existe legislação específica
para esse tipo de obra e os códigos de obra atuais são muito rígidos em relação ao
que empregado na época da construção do imóvel. A solução é a criação de uma
legislação específica e mais flexível para a aprovação dos projetos de retrofit.

O mercado de retrofit oferece muitas oportunidades variadas, porém a viabilidade


ainda gera polêmica. As instituições acadêmicas e segmentos profissionais devem
criar condições e meios para a discussão de assuntos relacionados ao retrofit para
formar uma consciência crítica e um melhor entendimento dos aspectos técnicos,
legais e financeiros do assunto.

31
4. CONTEXTUALIZAÇÃO: SUSTENTABILIDADE NA
CONSTRUÇÃO CIVIL
Uma edificação, para ser sustentável, deve ter soluções que priorizem o baixo impacto
ambiental, desde a concepção do projeto até a especificação dos materiais,
construção e operação.

Como desafio, pode-se afirmar que o setor da construção civil em todo o mundo é
responsável pelo consumo de 50% dos recursos naturais e 40% dos insumos
energéticos de todas as fontes, considerando o ciclo de vida das edificações, o que
inclui além do consumo de energia na vida útil das edificações, também a energia
gasta na fabricação dos materiais de construção, na obra propriamente dita e na
desconstrução, segundo Tavares (2006).

A Agenda 21 consolida a ideia de que o desenvolvimento e a conservação do meio


ambiente devem constituir um binômio indissolúvel, que promova a ruptura do padrão
tradicional de crescimento econômico, tornando compatíveis duas grandes aspirações
do final do século XX: o direito ao desenvolvimento, sobretudo para os países que
permanecem em patamares insatisfatórios de renda e de riqueza, e o direito ao
usufruto da vida em ambiente saudável pelas futuras gerações, de acordo com
Valente (2009).

Os aspectos sociais da sustentabilidade ligados à edificação devem fazer referência


aos cuidados em relação a todos os envolvidos no processo de construção da nova
edificação, desde o projeto, passando pela obra, vizinhança e usuário final, segundo
Pereira.

Em vários países existem conselhos para o desenvolvimento dos conceitos da


construção sustentável. Eles orientam e discutem padrões a serem seguidos. No
Brasil, foi criado em 2007 o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS),
que é composto de acadêmicos e pessoas ligadas às áreas social e financeira,
construtores e representantes de organizações não governamentais.

Segundo o próprio CBCS, seu objetivo é contribuir para a geração e difusão de


conhecimento e de boas práticas de sustentabilidade na construção civil.

De acordo com a publicação Condutas de Sustentabilidade no Setor Imobiliário


Residencial, publicada pelo CBCS, sustentabilidade em edificações deve ser a
aplicação do conceito do tripé da sustentabilidade (social, ambiental e econômica),
como pode ser visto na Figura 6, às atividades de todo o ciclo de vida do
empreendimento, incluindo a escolha do terreno, decisões de projeto, técnicas

32
construtivas, atividades no uso e operação do espaço construído, hábitos dos
usuários, procedimentos de manutenção e destinação dos materiais no fim da vida útil.

Figura 6 – Tripé da sustentabilidade

(Fonte: Joal Teitelbaum - http://www.teitelbaum.com.br/consultoria/producao-


limpa.php) (20/07/15)

A concepção e todas as atividades relacionadas ao ciclo de vida do empreendimento


devem minimizar os impactos ambientais, maximizar os benefícios sociais e a
viabilidade econômica. As edificações são a unidade de composição das cidades e
devem ser consideradas como parte do espaço urbano desde a obra.

Segundo Antunes (2009), no texto Sustentabilidade na Construção Civil, um projeto


sustentável deve ir além das questões de aproveitamento de água da chuva,
ventilação natural e uso de energia solar. Ele deve ser ecologicamente correto,
economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito.

Uma das grandes dificuldades para implementar a sustentabilidade no setor da


construção no Brasil é a falta de iniciativas públicas de infraestrutura, que eleva o
custo de uma casa ou prédio sustentável, ainda de acordo com Antunes (2009).

33
Segundo Pacetta (2010), ser sustentável no Brasil não é fácil. Os consumidores ainda
duvidam da qualidade e da reputação de produtos e serviços sustentáveis. Eles
confundem sustentabilidade com ecologia, baixa qualidade, rusticidade. Acabam
achando que o que é sustentável é mais caro e que o mercado não oferece oferta,
além de não conhecerem os critérios para tornarem esses produtos e serviços verdes.

Como a construção civil é um setor que consome muito recurso natural, e tem uma
importância grande no PIB, é possível perceber a magnitude dessa atividade na
economia mundial e como o impacto ambiental por ela gerado é significativo, de
acordo com Santos (2010). Uma análise feita de dados obtidos nos Estados Unidos,
mas que são considerados válidos para a construção civil dos demais países
industrializados, segundo Araújo (2002), aponta os seguintes indicadores: utilização de
30% das matérias primas, 42% do consumo de energia, 25% para o de água e 16%
para o de terra. O segmento contribui com 40% da emissão atmosférica, 20% dos
efluentes líquidos, 25% dos sólidos e 13% de outras liberações. Esses indicadores
mostram a importância do tema e a necessidade de elaboração de ações que
reduzam o impacto ao meio ambiente da construção civil.

4.1. Breve histórico da sustentabilidade


A preocupação com a preservação do meio ambiente surgiu na década de 1960, após
décadas de crescimento industrial. Época em que o uso dos recursos naturais era
praticado despreocupadamente. Diante disto, dois fatos foram constatados, é
impossível a renovação dos recursos naturais diante da intensidade da sua exploração
e é necessária a adoção de uma visão sistêmica da natureza, considerando que as
atividades praticadas em um determinado local podem afetar o meio natural de outro
lugar, de acordo com a publicação do CBCS, Condutas de Sustentabilidade no Setor
Imobiliário Residencial.

Estes fatos mostraram a necessidade das chamadas atividades humanas e sua


relação com os ecossistemas e recursos naturais.

Conferências internacionais para tratar da relação entre o ser humano e o meio


ambiente foram organizadas. Destas conferências saíram documentos importantes
como: “Nosso Futuro Comum”, conhecido como Relatório Brundtland, 1987, que
define o desenvolvimento sustentável como “o desenvolvimento que atende às
necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das futuras
gerações terem suas próprias necessidades atendidas”; a ECO – 92, onde a
interdependência entre o ambiente e o desenvolvimento foi colocada como ponto de
debate.

34
A ECO – 92 fez com que os assuntos ganhassem ramificações independentes, com
desenvolvimento de atividades específicas, avanço de conhecimento e acordos entre
nações.

Nas últimas décadas houve uma mobilização de governos e organizações para


conceber, criar, organizar e implantar políticas de direcionamento das ações do
homem sobre os ecossistemas, em prol do equilíbrio natural, preservação da
biodiversidade do planeta, ainda de acordo com a publicação Condutas de
Sustentabilidade no Setor Imobiliário Residencial.

4.2. Certificação ambiental


Para dizer o quão sustentável é um empreendimento, foram criados modelos de
certificação no mundo todo. Especificamente no Brasil, são utilizados os modelos
AQUA (Alta Qualidade Ambiental) e LEED (Leadership in Energy and Environmental
Design). Cada um tem suas características e normas específicas, todas com o objetivo
de tornar o edifício mais eficiente e obedecendo a alguns critérios, como:

A) Relação do edifício com o seu entorno;


B) Escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos;
C) Canteiro de obras com baixo impacto ambiental;
D) Gestão de energia e água;
E) Gestão dos resíduos;
F) Conforto acústico, visual, olfativo e higrotérmico (temperatura e umidade);
G) Qualidade sanitária dos ambientes, do ar e da água.

Segundo Fonseca no texto Sustentabilidade na Construção Civil.

O objetivo desses sistemas de certificação ambiental é a avaliação do desempenho da


edificação e seu funcionamento para fornecer indicações aos especialistas sobre as
diversas áreas analisadas, de acordo com Valente (2009).

Segundo Silva (2003), além de construir sustentavelmente, é importante comprovar


que a edificação segue tais pressupostos, principalmente após a ocupação dos
usuários.

Para minimizar os impactos gerados pelas construções, tem que repensar algumas
atividades. A fase de projetos deve contemplar soluções para os processos usuais da
construção civil. Novos materiais, menos impactantes, com origem em diferentes
matérias primas devem ser desenvolvidos com um custo aceitável para o mercado
poder utilizá-los.

35
As construções certificadas tendem a serem laboratórios de soluções e ideias que
podem ser utilizadas pelas outras construções, onde elas são desenvolvidas, testadas
e aprovadas, levando sustentabilidade para as construções de um modo geral, de
acordo com Jesus (2014). Esse processo tem difundido o conceito de construção
sustentável pelo mercado e a consequência é a aceitação cada vez maior.

A primeira consequência é a redução do consumo de água e energia, reduzindo o


custo operacional das construções. Mesmo tendo um custo de construção inicial mais
caro que o convencional, pois essas soluções são mais caras, o efeito final é
vantajoso. Um aumento no custo inicial gera uma redução no custo em longo prazo,
segundo Leite (2011).

Outras consequências dos processos de certificação são a conservação dos recursos


naturais, redução da poluição, incentivo à reciclagem e reutilização de produtos e
processos mais limpos.

Os empreendimentos com selo verde tendem a ser mais caros que as construções
similares, porém sem certificação. A receptividade desse tipo de construção tem
aumentado, o que eleva ainda mais o seu valor. E a construtora responsável pela
construção também passa a ter reconhecimento no mercado pela adoção de filosofias
sustentáveis, de acordo com Valente (2009).

Na França, os bancos oferecem melhores financiamentos e as prefeituras oferecem


privilégios, como desoneração fiscal, para que esse tipo de construção seja
executado, segundo Serrador (2008). Em Nova Iorque, existe um processo de
aprovação facilitado para os empreendimentos definidos como de alto desempenho,
para aumentar o desenvolvimento de projetos que visam a eficiência do ponto de vista
ambiental. Em outros estados dos Estados Unidos, é necessário que os novos
edifícios públicos tenham certificação LEED, a fim de atestar o aspecto sustentável
das edificações, de acordo com Pinheiro (2006).

Moura e Motta (2013) mostram que um grupo de críticos alega que estes processos de
certificação não têm sido utilizados para a promoção da prática da sustentabilidade a
que eles propõem, mas como uma forma para as construtoras aumentarem seus
ganhos através da mudança de conscientização pela qual o mercado passou. Dessa
forma, eles alegam que as certificações enrijecem o desenvolvimento de soluções
sustentáveis, pois estas seguem apenas o que é previsto pela certificação desejada,
de forma a inibir soluções realmente sustentáveis, já que essas não têm contribuição
para atingir a meta. Além de também deixar em segundo plano soluções
arquitetônicas naturalmente sustentáveis, já que não contribuem para o mesmo fim.

36
Outro questionamento é o fato de que as exigências feitas por alguns métodos de
certificação não possuem adaptações para outras culturas, engessando a concepção
de projetos sustentáveis.

Desse modo, alguns arquitetos têm sido contra os sistemas de certificação, pois os
definem como reducionistas e excessivamente tecnicistas, não considerando aspectos
culturais, sociais e econômicos do desenvolvimento sustentável. Dessa forma, deve
ser feita uma análise detalhada das especificidades do projeto, levando em
consideração o ambiental em que a construção está inserida e todas as suas
variáveis, analisando se a certificação possui apenas objetivos pragmáticos ou se visa
realmente disseminar a sustentabilidade. Isso determinará a real utilidade do
empreendimento para a sociedade.

4.2.1. Processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental do


Empreendimento)
Esse processo foi adaptado do modelo HQE (Haute Qualité Environnementale), que é
um processo que se baseia nos referenciais de desempenho elaborados pelo CSTB
(Centre Scientifique et Technique du Bâtiment) em 1947 na França. Ele foi adaptado
para a versão brasileira em 2007. Foi implantado pela Fundação Vanzoline, instituição
formada e mantida por professores da Escola Politécnica da USP (Universidade de
São Paulo), de acordo com Valente (2009).

Ele atesta se o empreendimento está de acordo com as exigências através de


auditorias independentes. Durante o processo, as normas brasileiras vigentes são
utilizadas, caso não haja norma brasileira específica, podem ser utilizadas normas
internacionais. Ele se adequa ao clima da região em que o empreendimento será
implantado, exigindo desempenho de acordo com a região.

4.2.2. Certificação LEED (Leadership in Energy and


Environmental Design)

É um sistema de certificação reconhecido internacionalmente. Foi desenvolvido pelo


USGBC em 1991 nos Estados Unidos.

O LEED é um sistema voluntário que pode ser aplicado a qualquer tipo de construção
e em qualquer fase da vida do empreendimento. Inclusive durante o retrofit.

Essa certificação baseia-se em alguns critérios de avaliação e é um sistema de


pontuação cumulativa para diversos itens de projeto ou obra, segundo Valente (2009).

37
4.2.3. Selo Qualiverde

Esta certificação entrou em vigor em 2012 e foi criada pela prefeitura da cidade do Rio
de Janeiro, lançada na Rio +20. O desenvolvimento começou em 2010, segundo
Barros e Bastos (2015), o foco era diminuir os impactos do setor da construção civil e
o objetivo era incentivar ações sustentáveis e não torná-las obrigatórias, visando
especificamente o Rio de Janeiro.

Esta certificação é de caráter voluntário e é aplicável a projetos de novas edificações e


às já existentes, de uso comercial, residencial, misto ou institucional.

As exigências estipuladas pelo decreto são variadas e abrangem praticamente todo o


ciclo de vida do empreendimento.

O funcionamento é através de pontuação, com isso, para novas edificações, o


projetista pode optar pelas ações sustentáveis que serão aplicadas ainda na fase de
projeto.

As principais expectativas dessa qualificação são:

A) Aumento do número de construções com certificados verdes;


B) Redução das emissões dos gases de efeito estufa;
C) Diminuição dos resíduos da construção civil;
D) Facilitação da coleta seletiva;
E) Redução do consumo de água e energia;
F) Incentivo ao uso de materiais sustentáveis;
G) Minimização dos impactos das construções no sistema de drenagem e esgoto;
H) Promoção da educação ambiental.

Para pedir a certificação, o formulário disponível no site da Prefeitura deve ser


preenchido com informações sobre a edificação e devem ser apresentados o projeto
de arquitetura e memorial descritivo do empreendimento, que serão analisados pelas
Secretarias Municipais de Urbanismo e Meio Ambiente.

Por ser um selo gratuito e desenvolvido especialmente para o Rio de Janeiro, ainda de
acordo com Barros e Bastos (2015), o acesso é facilitado a investidores de menor
porte e prioriza ações relevantes para o município, como a construção de reservatórios
de retardo e aumento da permeabilidade do solo, para reduzir as enchentes que
ocorrem na cidade.

38
4.3. Empreendimentos certificados no Brasil

Com o custo elevado e tempo de retorno longo, o setor de construção sustentável já


tem grandes iniciativas, segundo Antunes (2009).

O primeiro grande prédio com certificação LEED no Brasil é o prédio da Universidade


Corporativa da Petrobrás, localizado no Rio de Janeiro.

Figura 7 – Prédio da Universidade Corporativa da Petrobrás

(Fonte: Confidere)

O primeiro prédio público sustentável de Santa Catarina foi entregue em 2008 pela
construtora Vez das Árvores. É um posto de Polícia Militar e Ambiental da Praia do
Rosa. O projeto foi focado no design para aproveitar a ventilação natural, captação e
aproveitamento de água de chuva, iluminação natural, telhado verde, painéis solares e
tratamento de esgoto anaeróbico.

39
Figura 8 – Posto da Polícia Civil e Ambiental

(Fonte: Diário Catarinense)

A primeira certificação HQE – AQUA no Brasil foi a loja da Leroy Merlin em 2009 em
Niterói. Essa certificação foi a escolhida pela facilidade de adaptação à realidade
brasileira, segundo Valente (2009).

Figura 9 – Loja da Leroy Merlin em Niterói

(Fonte: Leroy Merlin)

De acordo com a publicação “Plano de Gestão da Sustentabilidade dos Jogos Rio


2016”, publicado em 2013 pela organização dos jogos olímpicos, foi estudado o
impacto dos jogos nas cidades sede e há um compromisso de deixar um legado
sustentável para elas. Foram selecionadas nove ações que devem estar presentes
nas obras, entre elas podem ser citadas tratamento e conservação da água, proteção
dos solos e ecossistemas, gestão de lixo sólido. Essas nove ações devem ser

40
seguidas para ser possível a obtenção de certificação nos empreendimentos
construídos para os jogos.

4.4. Boas práticas na construção civil

De acordo com o Guia de Boas Práticas na Construção Civil, publicado em 2011 pelo
Santander, uma obra sustentável estimula iniciativas que apresentam soluções para
as interferências socioambientais da construção civil. Deve-se construir de maneira
responsável, atender às legislações trabalhistas, fiscais e ambientais e estender isso
aos fornecedores, fazer além do que a legislação obriga, reduzir os desperdícios,
reutilizar e reciclar os materiais, buscar sistemas elétricos e hidráulicos que reduzam o
consumo e evitem o desperdício, procurar materiais e processos que reduzam a
utilização de recurso naturais e contribuam para a manutenção da biodiversidade, que
não utilizem produtos tóxicos na fabricação nem liberem gases tóxicos na aplicação e
uso e que tenham uma vida útil maior. Deve-se também implantar técnicas e
equipamentos que permitam medir e monitorar o desempenho ambiental da edificação
durante a obra e na fase de uso. Além de tudo isso, durante o processo de
planejamento e construção, deve haver uma preocupação em melhorar a qualidade de
vida dos funcionários, da comunidade e do entorno do empreendimento.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as prefeituras podem induzir boas práticas


através de legislação urbanística e código de edificações, incentivos tributários e
convênios com concessionárias de água, esgoto e energia. Ele recomenda uma série
de prescrições adequadas à realidade brasileira.

A) Implantação urbana à adaptação à topografia local, reduzindo a


movimentação de terra, preservação de espécies nativas, previsão de ruas e
caminhos que privilegiem o pedestre e o ciclista e contemplem a
acessibilidade, previsão de espaços de uso comum para integração da
comunidade, uso do solo diversificado, minimizando os deslocamentos;
B) Edificação à adequação do projeto ao clima local, minimizando consumo de
energia e otimizando as condições de ventilação, iluminação e aquecimento
naturais, previsão de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida,
atenção para a orientação solar adequada, utilização de coberturas verdes,
suspensão da construção do solo;
C) Materiais de construção à utilização de materiais disponíveis no local, pouco
processados, não tóxicos, potencialmente recicláveis, culturalmente aceitos,
propícios para autoconstrução e para construção em regime de mutirões, com

41
conteúdo reciclado. Deve-se evitar o uso de materiais químicos prejudiciais à
saúde e ao meio ambiente;
D) Resíduos da construção à deve-se atentar para a redução da geração de
resíduos e disposição adequada e promover a reciclagem e reuso dos
materiais;
E) Energia à uso de coletor solar térmico para aquecimento de água, de energia
eólica para bombeamento de água e de energia solar fotovoltaica, com
possibilidade de injetar o excedente na rede pública;
F) Água e esgoto à prever coleta e utilização de águas pluviais, utilização de
dispositivos economizadores de água, reuso de águas, tratamento adequado
de esgoto no local e, quando possível, uso de banheiro seco;
G) Áreas externas à valorização dos elementos naturais no paisagismo e uso de
espécies nativas, destinação de espaços para produção de alimentos e
compostagem de resíduos orgânicos, uso de reciclados da construção na
pavimentação e pavimentação permeável, previsão de passeios sombreados
no verão e ensolarados no inverno.

4.5. Desafios da sustentabilidade na construção


Na época da Rio +20, que aconteceu em 2012 no Rio de Janeiro, a CBIC (Câmara
Brasileira da Indústria da Construção) foi uma das entidades que participou da
elaboração da publicação Desenvolvimento com Sustentabilidade. Este documento
apresenta alguns dos desafios do setor da construção, dentre eles:

A) Valorização e desenvolvimento da mão de obra à a construção civil brasileira


foi desenvolvida utilizando mão de obra pouco qualificada das camadas mais
pobres da sociedade. Atualmente, a capacitação desses profissionais é um
desafio e ocasionará um aumento da produtividade e aumento dos salários.
B) Inovação tecnológica à o desejo de uma construção mais rápida, com menor
geração de resíduos e produtos mais bonitos, confortáveis e seguros, com
maior durabilidade e menor consumo de água e energia será atingido com
essa inovação tecnológica. Ela é capaz de promover processos produtivos e
produtos mais sustentáveis através do desenvolvimento de novos sistemas
construtivos, mudanças no processo de gestão do empreendimento (com maior
ênfase à fase de projeto).
C) Desenvolvimento urbano sustentável à as cidades brasileiras necessitam de
mudanças que contribuam para uma melhor qualidade de vida da população e
mais dinamismo para a economia. O setor da construção civil é importante
nesse processo, que começa no apoio ao planejamento urbano e construção

42
de planos diretores à construção de grandes empreendimentos, utilizando
princípios de sustentabilidade e retrofit de empreendimentos em áreas urbanas
consolidadas.

Para que esses desafios sejam superados, o setor não pode atuar de maneira isolada.
Esses desafios envolvem questões sociais, legais, tributárias e institucionais.

Apesar de impactar negativa e significativamente no meio ambiento, a construção civil


é o setor que mais apresenta possibilidades de incorporação de resíduos em novos
materiais, já que é o maior consumidor de recursos naturais de qualquer economia,
segundo John (2000). Ele tem um grande potencial para minimizar os problemas
devido à disposição incorreta de resíduos por causa da viabilidade oferecida para
incorporação desses rejeitos em novos materiais na construção civil.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os desafios para o setor de construção


são vários, com ênfase em redução e otimização do consumo de materiais e energia,
redução de resíduos, preservação do meio ambiente e melhoria da qualidade do
ambiente construído. Como solução, ele indica:

A) Elaboração de projetos flexíveis, possibilitando uma readequação futura de uso


para atender novas necessidades, reduzindo as demolições;
B) Buscar soluções que potencializem o uso racional de energia ou de energias
renováveis;
C) Gestão ecológica da água;
D) Redução do uso de materiais com alto impacto ambiental;
E) Redução de resíduos adotando a modulação de componentes para diminuir
perdas e especificações que permitam reutilizar os materiais.

Os empresários têm apostado nos empreendimentos verdes, com as certificações.


Porém, várias edificações intituladas verdes apenas reduzem a energia incorporada, e
nos outros aspectos, são convencionais, tanto na aparência quanto no processo
construtivo.

4.6. Legislação aplicada


De acordo com Jesus (2014), as legislações federais e estaduais aplicadas no Rio de
Janeiro são muito amplas.

A legislação federal trata, principalmente, sobre princípios gerais de preservação


ambiental e sustentabilidade que devem ser aplicados no território nacional. Nela são
estabelecidas diretrizes e a busca de promoção de políticas sustentáveis que
contribuam para a preservação ambiental. Ela procura organizar de uma maneira geral

43
as políticas de sustentabilidade e propõe a criação de órgãos responsáveis pelo
planejamento, formulação, aplicação e fiscalização destas políticas, além de
penalização, de acordo com as responsabilidades de cada um.

Essa legislação não é muito específica pelo fato de ser federal em um país de
dimensões continentais. Assim, cada localidade deve aplicar estes princípios a suas
demandas e realidades para atender as exigências locais. Este é o papel da legislação
nacional.

44
5. APLICAÇÃO DOS CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE EM
OBRAS DE RETROFIT
Na busca pela sincronicidade, o retrofit tem sentido de renovação do edifício e sua
adequação às necessidades dos atuais usuários com reestruturação dos sistemas
prediais. Com isso, pode-se implantar soluções como controle do gasto energético,
segurança e conforto, introduzir sistemas de telefonia e cabeamento para informática,
instalação de sprinklers e outros itens de segurança contra incêndio, além de
substituição de todo o sistema hidráulico e elétrico. Deve-se renovar os materiais dos
revestimentos sem alterar a feição original da edificação, em caso de
empreendimentos históricos.

A busca pela reabilitação e requalificação das edificações através do retrofit, deve ser
executada de acordo com os valores ecológicos existentes na sociedade atual,
segundo Vale (2006).

Parâmetros de sustentabilidade alinhados com os processos de retrofit devem


minimizar o impacto ambiental e maximizar a utilização das edificações, aumentando
seus ciclos de vida, revitalizando áreas degradadas, preservando aspectos históricos,
conservando e recuperando o meio ambiente dos centros urbanos.

Segundo dados de 2003 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico), o


Brasil é um país essencialmente urbano, com mais de 80% da população vivendo em
cidades.

A qualidade da vida urbana ruim, a destruição do patrimônio urbano aliados à falta de


sustentabilidade nos processos decorrentes das ações urbanas, geram uma agressão
ambiental crescente na relação entre os espaços construídos e naturais existentes.
Com isso, o retrofit busca a readequação e a reinserção desses elementos à estrutura
da cidade, contribuindo para a melhoria do espaço construído, preservação dos
valores arquitetônicos e paisagístico da cidade.

Deve-se conscientizar os usuários e gestores da construção civil. Segundo Boff


(2011), o problema do tempo atual é a falta de cuidado. Descuidou-se de tudo. Com
isso, a preocupação com a sustentabilidade no retrofit vem contrapondo essa ideia de
descuido.

Braun (2001) diz que se 1% de 1% da população mundial (mais ou menos seis


milhões de pessoas) iniciasse um processo de transformação ou mudança de hábitos
socioculturais, haveria uma grande probabilidade de ocorrer um desencadeamento
geométrico, envolvendo por sintonia todas as outras pessoas restantes, até chegar ao

45
ápice do movimento. Assim, utilizando parâmetros de sustentabilidade no retrofit das
edificações, contribui-se para um desenvolvimento urbano sustentável dentro dos
novos paradigmas ambientais.

De acordo com as sugestões de Adam (2001) e Araújo (2004), algumas posturas


técnicas podem ser adotadas na recuperação, manutenção e restauração de
edificações:

A) O projetista deve otimizar o uso do edifício, flexibilizando e adaptando os


espaços, minimizando a utilização de recursos naturais para racionalizar os
materiais e energia na execução do retrofit;
B) Planejar a destinação adequada dos materiais resultantes das demolições e,
sempre que possível, utilizá-los na própria obra;
C) Utilizar as características climáticas locais integradas aos condicionadores
artificiais, possibilitar a integração dos sistemas naturais aos artificiais,
adequando às funções do edifício;
D) Separar os resíduos seletivamente para poder fazer a destinação correta. São
três as destinações possíveis em uma obra:
a) Utilização na forma de reuso ou reciclagem na própria obra;
b) Envio para reciclagem ou reuso nas usinas de reciclagem, depósitos de
materiais de demolição, cemitério de azulejos;
c) Aterros sanitários legalizados.
E) Agregar valores de sustentabilidade à tecnologia voltada para a construção
civil.

O que torna uma tecnologia sustentável, de acordo com Adam (2001), é a qualificação
que ela possui de ser limpa, ecologicamente fiel e não poluir. Pode ser utilizada em
pequena ou grande escala e deve ser absorvida pela sociedade como um todo. Ainda
segundo ele, os processos de retrofit aliados à “ecotecnologia” devem possuir uns
princípios básicos, como:

A) Aproveitar recursos naturais disponíveis que normalmente não são utilizados


ou são subutilizados na edificação como captação e aproveitamento de águas
pluviais, solatub (duto para iluminação natural de áreas escuras);
B) Tratamento dos efluentes domésticos proporcionando seu reuso;
C) Gerar energia no próprio edifício através de fontes renováveis como eólica,
solar, geotérmica.

Ainda na etapa de projetos, deve ser prevenida a Síndrome do Edifício Enfermo (SEE)
que é a conjunção de poluição atmosférica, sonora e das que ocorrem dentro do

46
próprio edifício para uma melhor salubridade das construções e dos seus habitantes,
segundo Vale (2011).

O processo de retrofit deve avaliar o desempenho do edifício para possibilitar que as


informações sejam sistematizadas e tenha-se um maior conhecimento para uma
interface entre o meio construído e o meio natural mais eficiente, maximizando o ciclo
de vida da edificação, adequando às necessidades dos novos usuários.

5.1. Recursos construtivos


A procura por empreendimentos que satisfaçam as novas exigências do mercado tem
como consequência um maior estudo pelos profissionais envolvidos na área sobre os
métodos construtivos nos processos de retrofit.

Para a viabilização desses métodos, é necessário que a edificação seja flexível, de


acordo com Vale (2006). Com isso, é notável que algumas soluções construtivas
venham sendo empregadas não só nas novas construções, mas também e,
principalmente, nos processos de retrofit. Assim, vários recursos construtivos estão
cada vez mais presentes nos escritórios de projetos e nas construtoras.

5.1.1. Fachadas ventiladas


Esta técnica surgiu na Europa na década de 1980. De acordo com Barrientos (2004),
esse sistema consiste de um espaço entre o revestimento e a parede que é ventilado
permanentemente no sentido vertical por convecção. Essa circulação de ar reduz a
possibilidade de formação de pontos de umidade na estrutura além de proporcionar
uma isotermia na edificação ao longo do ano.

A câmara existente entre a estrutura e o paramento externo varia entre 5 cm e 15 cm.


Há aberturas tanto no topo quanto na base da fachada.

A transferência de calor acontece por convecção e há um fluxo contínuo de


substituição do ar quente por ar frio, aspirado pelas aberturas inferiores, como pode
ser visto na Figura 10. O ar mais quente sobe e, pela diferença de pressão, suga para
dentro da cavidade o ar mais fresco. O ar da cavidade é renovado continuamente e
chega a esquentar a edificação.

Para que esse sistema funcione, é necessário um perfeito nivelamento das paredes de
vedação. É aceitável no máximo um desnível de 5 cm, já que acima desse valor o
processo é inviabilizado devido não só à descontinuidade de nivelamento das placas,
que gera uma estética indesejável, como também pelo comprometimento da
estanqueidade e circulação do ar.

47
Figura 10 – Fluxo de ar e calor em fachadas ventiladas

(Fonte: Revista Téchne, Ed. 144, Março 2009)

Além das vantagens já citadas, esse tipo de fachada protege a estrutura e prolonga a
vida útil da edificação. O sistema controla a entrada de água da chuva e elimina uma
das causas mais frequentes da deterioração de fachadas, as infiltrações. A água que
consegue penetrar no interior da cavidade é extremamente pequena. Estudos
realizados na Alemanha mostraram que menos de 1% da água que penetra atinge o
paramento, e isso pode ser amenizado através de uma camada impermeabilizante, de
acordo com a publicação “Fachadas respirantes” da edição de março de 2009 da
revista Téchne.

Esse tipo de fachada ainda oferece proteção acústica devido às placas e à lâmina de
ar, e à proteção isolante caso possua, agem como uma barreira amenizando os ruídos
oriundos de fora. Esse detalhamento pode ser observado na Figura 11 e Figura 12.

Como desvantagem desse tipo de fachada, pode ser citada a impossibilidade de uso
de painéis muito finos, pois a execução segura de furos ou cortes para as ancoragens
que ligam a placa à subestrutura fica difícil.

Outra desvantagem é a falta de normas brasileiras para esse tipo de fachada. O que
deve ser feito é utilizar normas internacionais ou normas brasileiras de outros tipos de
fachada.

É exigido um reforço de tela de fibra de vidro resistente ao envelhecimento natural.


Desse modo, se houver a quebra eventual de um painel, os fragmentos não cairão e
permanecerão presos até a substituição da peça.

48
Figura 11 – Detalhe de uma fachada ventilada

(Fonte: http://forumdacasa.com/discussion/25614/placas-revestimento-exterior/)
(23/07/15)

Figura 12 – Prédio na Itália com fachada ventilada

(Fonte: http://www.archiproducts.com/pt/produtos/88172/fachada-ventilada-blizzard-
sanmarco-terreal-italia.html) (23/07/15)

49
5.1.2. Shafts

Shafts são passagens onde as tubulações de uma edificação devem passar, como
pode ser observado na Figura 13. O principal objetivo é que sejam de fácil acesso
para manutenção, de acordo com Vale (2006).

Nos processos de retrofit, o shaft tem sido empregado para atender as novas
necessidades de instalações elétricas e hidráulicas.

Ele pode ser instalado em fachadas ou nas laterais das edificações durante o
processo de retrofit caso não haja espaço no interior do prédio, mas deve ser feito um
tratamento arquitetônico para suavizar a aplicação para que não seja notado.

Figura 13 – Shaft de banheiro

(Fonte: http://omniapcp.com.br/site/tag/hidrossanitario/) (23/07/15)

5.1.3. Gesso acartonado ou drywall


O drywall é um sistema construtivo seco de alta tecnologia que utiliza chapas de gesso
acartonado fixadas sobre estruturas metálicas e que compõe as paredes internas das
edificações.

Segundo Barrientos (2004), esta técnica surgiu na década de 1890 nos Estados
Unidos e chegou ao Brasil junto com a abertura econômica.

A placa é composta de três camadas (cartão – gesso – cartão), e a parede é formada


normalmente por duas placas e estrutura (guias), como pode ser visto na Figura 14.

50
Figura 14 – Detalhe de parede de drywall

(Fonte: http://blog.loccivi.com.br/page/9/) (23/07/15)

As placas verdes podem ser aplicadas em áreas úmidas, as rosas são mais
resistentes ao fogo e podem ser aplicadas ao redor de lareiras e bancadas de cooktop,
e as brancas são as mais básicas e são amplamente aplicadas em forros e paredes de
ambientes secos, de acordo com a reportagem “Drywall: entenda como funciona esse
sistema de construção". Esses tipos de placa podem ser vistos na Figura 15.

As chapas podem receber pintura, revestimentos e papéis de parede, por exemplo, e


podem ser utilizadas em áreas molhadas desde que sejam as específicas para esse
fim e recebam revestimento.

Por si só, o sistema oferece proteção contra barulho e calor, já que forma um colchão
de ar e, se necessário, é possível incrementar seu desempenho com enchimento de lã
mineral.

51
Figura 15 – Tipos de chapas de drywall

(Fonte: http://casa.abril.com.br/materia/drywall-entenda-como-funciona-esse-sistema-
de-construcao) (24/07/15)

Outras vantagens do drywall são: otimização do ambiente, paredes mais leves sem
desperdício de materiais, facilidade na hora da montagem, não necessita de reboco ou
massa corrida, facilidade nas instalações prediais, como pode ser visto na Figura 16.

Como desvantagens do sistema, podem ser citados a necessidade de uso de peças


específicas para fixação de objetos, não sustenta cargas superiores a 18 kg e não
pode ser utilizado em áreas externas, segundo a reportagem “Drywall: o que é,
vantagens e desvantagens”.

Figura 16 – Paredes de drywall

(Fonte: www.hotfrog.com.br) (24/07/15)

52
5.1.4. Piso elevado

Os pisos elevados surgiram na década de 1970, tendo sido desenvolvidos para


interligação dos equipamentos e dar vazão ao ar condicionado insuflada pelo piso em
centros de processamentos de dados (CPDs).

Seu uso foi aumentando por ser possível implantar instalações não previstas no
projeto original e hoje é indispensável no setor corporativo, por permitir mudanças de
layout, flexibilidade no acesso ao cabeamento e outras soluções arquitetônicas e
funcionais, segundo Vale (2006).

Esse sistema deve ser previsto ainda na fase de projetos para permitir a
compatibilização das saídas de elevadores e escadas e altura de janelas com o nível
do piso acabado.

A maior vantagem desse sistema é comportar o cabeamento das linhas de


comunicação, rede e dados, ar condicionado e até mesmo tubulações hidráulicas.
Esse tipo de piso pode ser observado na Figura 17.

Figura 17 – Funcionamento de um piso elevado

(Fonte: http://www.amazonoffice.com.br/category/piso-elevado/)(24/07/15)

5.1.5. Cabeamento estruturado

O cabeamento estruturado é usado para interligar sinais elétricos de baixa intensidade


como telefonia, imagens (vídeo conferências), dados e sistema de automação. Ele é

53
composto por um conjunto de conectores e cabos, conforme Figura 18, reunidos de
maneira modular e baseado na padronização, tornando o cabeamento independente
da aplicação e do layout.

A maior vantagem desse tipo de cabeamento, segundo Vale (2006), é a facilidade nas
modificações de layout dos postos de trabalho, dando total flexibilidade à construção.
A desvantagem é o elevado custo de implantação. Mas antes da escolha, deve ser
pensado não só o investimento inicial, mas também a vida útil e a manutenção.

Figura 18 – Cabeamento estruturado

(Fonte: http://www.irs.com.br/empresa.html) (24/07/15)

5.1.6. Forros
Os forros são barreiras entre a estrutura e o ambiente interno, que pode ser visto na
Figura 19, com funções diversas como:

A) Conforto térmico;
B) Absorção e isolamento acústico;
C) Abrigo de instalações prediais;
D) Acabamento estético.

Deve-se analisar as exigências de projeto, propriedades dos materiais disponíveis


para a escolha do forro mais adequado para determinada atividade.

No setor comercial e industrial, de acordo com Vale (2006), os forros modulares são
os mais utilizados. Eles permitem acesso para manutenção de cabos e tubulações, de
forma rápida e limpa.

54
No retrofit, o forro desempenha importante papel auxiliando o acabamento das
instalações.

Figura 19 – Execução de forro de gesso acartonado

(Fonte: http://www.sulmodulos.com.br/produto-forro-em-gesso-acartonado-drywall)
(24/07/15)

5.1.7. Sistema PEX


Sistema PEX é um sistema hidráulico flexível, formado por tubos reticulados, que pode
ser utilizado em alvenarias convencionais ou em inovações construtivas, tipo drywall,
de acordo com Vale (2006).

Seu conceito é igual ao de uma instalação elétrica (tubo guia). Os tubos são
conectados a uma prumada através de uma válvula esférica e tem um ponto central de
distribuição de ramais. O mesmo tubo pode ser utilizado para água quente, vermelho,
e água fria, azul. Essa identificação por cores fica clara na Figura 20.

A principal vantagem desse sistema é a rapidez e simplicidade das instalações. Dentre


as outras vantagens, podem ser citadas:

A) Não tóxico, livre de ferrugem e de crescimento de micro-organismos, evitando


a contaminação da água;
B) Por ser maleável, evita várias conexões reduzindo a perda de carga do
sistema;
C) Permite a inspeção, troca e manutenção sem quebras de revestimentos e
paredes;

55
D) Possui baixa condutibilidade térmica e menor nível de ruído, além de grande
durabilidade.

Portanto, o sistema PEX é um importante instrumento para os processos de


reabilitação das edificações. Apesar disso, esse sistema enfrenta preconceitos na sua
utilização como falta de conhecimento, preferência por sistemas tradicionais, alto custo
inicial.

Figura 20 – Instalação do sistema PEX

(Fonte: http://plumbingcircle.com/blog/pex-tubing-bag-chips/) (30/07/15)

5.1.8. Retrofit de fachadas


As fachadas passam por várias mudanças ao longo da vida útil da edificação devido a
diversos motivos. Uma intervenção na fachada pode agregar valor às suas unidades,
mesmo que elas não sejam “retrofitadas”, segundo Vale (2006).

Além das questões estéticas, outros fatores devem ser analisados como conforto e
características climáticas, que devem ter grande peso na decisão sobre a reabilitação
ou não da fachada já que pode proporcionar maior eficiência à edificação.

Os maiores erros na fase de projeto acontecem nas especificações das fachadas.


Como exemplo pode ser citado o uso de fachadas envidraçadas no Brasil, propícias
para climas temperados, cuja característica principal é aumentar o aquecimento
interno do ambiente. Uma solução para esse problema pode ser o uso de brises ou
protetores solares. Esse sistema pode reduzir até 30% da carga térmica que incide
nos vidros, se for locado corretamente, ainda segundo Vale (2006).

56
5.1.9. Análise dos recursos construtivos

Com todos esses recursos construtivos expostos, percebe-se que eles podem
contribuir para os processos de retrofit das edificações nacional e internacionalmente.

A diversificação e evolução das atividades executadas pelos habitantes têm


aumentado a complexidade e a interação dos sistemas prediais. Desse modo,
desempenho, custo e prazo tendem a determinar a otimização dos sistemas.

Assim, os sistemas prediais passam a ser sistemas físicos e independentes do edifício


que devem otimizar o aproveitamento dos recursos e atender às necessidades do
usuários.

A evolução tecnológica vai sendo incorporada gradativamente às práticas


profissionais, mas é necessário ter divulgação dos seus pontos positivos e negativos
para que o profissional seja capaz de escolher as técnicas que sejam mais
apropriadas para cada caso. Por isso, as universidades apresentam fundamental
papel na pesquisa, desenvolvimento e divulgação das novas tecnologias, recursos e
processos para o mercado da construção civil.

O mercado de retrofit é um grande setor para investimentos tecnológicos, científicos e


financeiros já que a cada dia aumenta o número de imóveis que necessitam de
reabilitação e atualização por motivos de segurança, atendimento a novas normas ou
até mesmo para satisfazer o desejo dos usuários.

5.2. Empreendimentos “retrofitados”

5.2.1. Empire State Building

Quando foi inaugurado, em 1931, esse edifício (Figura 21) não era só o maior prédio
do mundo, era também o prédio com os elevadores já criados que atingiam a maior
altura. Mas essa construção, como qualquer outra, começou a apresentar problemas
decorrentes da sua idade. Com isso, a família proprietária e responsável pelas
operações desse marco da cidade de Nova Iorque teve que decidir se venderia o
empreendimento ou se faria melhorias que poderiam custar mais de 500 milhões de
dólares. Eles decidiram arriscar na segunda alternativa e torná-lo um edifício
autossuficiente em energia. Mas eles queriam mais, queriam criar um processo que
pudesse ser repetido no mundo inteiro e em outros grandes edifícios como hospitais e
universidades para tornar o mundo um lugar melhor.

57
Figura 21 – Empire State Building

(Fonte: http://www.miamibeach411.com/news/promotional-video) (11/08/15)

As pessoas tendem a achar que a principal fonte de emissão de gás carbônico é o


carro. Mas atualmente as operações envolvidas na construção correspondem a cerca
de 40% dessa emissão, como pode ser visto na Figura 22 e, em grandes cidades,
esse número pode ser maior. Tony Malkin, membro da família proprietária do edifício,
diz que 80% dos prédios existentes em Nova Iorque, ainda estarão lá daqui a três
décadas. Por conta disso, é importante cuidar dos edifícios existentes se quiserem que
a emissão de gás carbônico diminua.

58
Figura 22 – Emissão de gás carbônico por setor nos Estados Unidos ao longo dos
anos

(Fonte: http://www.esbnyc.com/sites/default/files/ESBOverviewDeck.pdf) (03/08/15)

De acordo com o estudo de caso Empire State Building Case Study, produzido e
divulgado pela própria associação do Empire State, o retrofit foi motivado pela vontade
de reduzir as emissões de gases do efeito estufa e demonstrar que o retrofit aplicado
em grandes prédios comerciais pode ser viável economicamente e um bom negócio,
além de criar um modelo replicável pelo mundo.

O desenvolvimento do projeto aconteceu de forma integrada, a equipe responsável


queria desenvolver uma solução ótima para o retrofit que integrasse experiência,
energia, modelagem financeira e avaliações além de debates.

Depois de um longo estudo com quase 70 alternativas de redução de consumo de


energia apresentadas, oito foram escolhidas para reduzirem em cerca de 38% o
consumo de energia, tornando esse edifício o edifício “retrofitado” mais eficiente em
energia do mundo, além de não gerar 105.000 toneladas de gás carbônico durante 15
anos. Essas soluções são apresentadas a seguir.

A) Janelas à as janelas antigas foram substituídas por janelas duplamente


suspensas capaz de incluir um filme protetor e gás;

59
Figura 23 – Janelas instaladas durante o retrofit

(Fonte: http://www.esbnyc.com/sites/default/files/ESBOverviewDeck.pdf) (03/08/15)

B) Barreira radiativa à foram instaladas mais de seis mil barreiras reflexivas no


perímetro do edifício;
C) Iluminação e tomadas à cada estação de trabalho passou a contar com uma
tomada com sensor de ocupação de carga e foram instalados foto sensores e
dimers para controlar a quantidade de iluminação emitida;
D) Chiller à quatro chillers elétricos industriais foram modernizados;
E) Unidades aéreas à foi elaborado um novo layout de manejo aéreo variável,
dois pelo piso e dois pelo teto, ao invés de manter o volume constante como
era;
F) Sistema de controle à foi feito um upgrade no sistema de controle existente no
edifício;
G) Controle de ventilação à projeto de instalação de sensores de gás carbônico,
controle de introdução de água no chiller;
H) Gestão de energia à projeto que permite aos usuários do prédio acesso online
sobre o desempenho energético da edificação e dicas e atualizações sobre
sustentabilidade.

Uma das medidas de Malkin durante a etapa de projetos foi manter os locatários de
andares inteiros e tirar os de pequenos escritórios, com isso ganharia áreas que não
eram aproveitadas, como espaços de corredor e perto de escadas e elevadores. Ao
mesmo tempo em que anteriormente nesses espaços não existiam sistemas de
aquecimento e resfriamento. Com isso, foi necessária a compra e instalação de um
novo chiller, além da substituição das 6.514 janelas já programada.

Os desafios encontrados em cada etapa do retrofit impediram a elaboração de metas


de longo prazo.

60
As conclusões ao final do processo que durou cinco anos foram que é necessário ter
estratégias para maximizar economias rentáveis, equilibrar a emissão de gás
carbônico e modernizar o desenvolvimento dos projetos. Devem existir projetos com
ciclo de substituição de equipamentos, os sistemas devem ser dinâmicos e os
processos podem e devem ser modernizados.

Depois de a edificação passar pelo processo de retrofit, o pé quadrado (unidade de


área utilizada nos Estados Unidos equivalente a 0,093 metros quadrado) que era
alugado a US$26,50 passou a ser alugado entre US$40,00 e US$60,00.

A edificação ganhou o selo gold de edifícios existentes do sistema de certificação


LEED ao final do processo de retrofit.

Malkin, que sempre foi ligado a causas ambientais, diz que o retrofit além reduzir os
custos no uso da edificação, gera empregos locais e diminui os gastos com geração
de energia. Diz ainda que criar estacionamento de bicicleta é bonito, mas que o que
vai modificar o mundo é a eficiência energética.

O processo empregado no Empire State vem sendo utilizado também em várias


cidades, de Los Angeles a Melbourne.

5.2.2. Hotel Glória


A construção desse hotel teve como principal motivação a comemoração do
Centenário da Independência do Brasil, em 1922, de acordo com Rosalini (2005), já
que o Rio de Janeiro era capital da república. Situado na Rua do Russel, 632, no
bairro da Glória, próximo da sede do governo federal na época, o Palácio do Catete e
a poucos metros do mar, possuía uma bela vista da Baía de Guanabara.

O projeto foi do arquiteto francês Joseph Gire em estilo neoclássico francês e levou
em consideração fatores importantes como iluminação e ventilação natural, áreas de
circulação, tamanho de elevadores, localização de restaurantes, cozinhas, entre
outros.

61
Figura 24 – Construção do Hotel Glória em 1919

(Fonte: Decourt, 2006)

De acordo com Tapajós (2009), na época da inauguração, esse era o único hotel cinco
estrelas do país e também é reconhecido como o primeiro prédio construído em
concreto armado no Brasil.

No processo de retofit, todo o interior do hotel foi demolido, ficando apenas fachada,
pilares e lajes. Internamente não há vestígios da arquitetura neoclássica, dando lugar
às novas divisões estabelecidas, segundo Brisolla (2012).

Brisolla (2013) diz que o grande desafio do retrofit nesse hotel era preservar a
fachada, que é preservada pelo patrimônio histórico municipal, enquanto o resto da
edificação não é tombado por nenhum órgão de patrimônio histórico.

Além de incluir o retrofit do prédio principal e do anexo, fazia parte do projeto a


construção de um segundo anexo, e os três prédios seriam interligados.

A ideia era resgatar a sofisticação e tradição do Rio de Janeiro em um hotel luxuoso,


devolvendo todo charme e pioneirismo tecnológico ao hotel através de um projeto
sustentável e inteligente. (EBX, 2013).

As obras, antes de serem paralisadas, seguiam modelo de certificação LEED,


utilizavam materiais sustentáveis e com certificação ambiental, além de projetos que
estabeleciam eficiência do uso da água, energia e cuidados com emissão de resíduos
na atmosfera, além de práticas sustentáveis em áreas externas próximas.

62
6. ESTUDO DE CASO

São apresentados dois estudos de caso, de um prédio comercial que está passando
pelo processo de retrofit e continuará sendo um prédio comercial e de uma clínica de
fisioterapia que após o retrofit se tornou um restaurante.

Os dados apresentados foram coletados em entrevistas e materiais cedidos pelos


engenheiros e arquitetos responsáveis pelo processo de retrofit nas respectivas
edificações.

6.1. Rio Branco 12

6.1.1. Apresentação do empreendimento


Esse prédio, localizado na Av. Rio Branco, 12, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro
está sofrendo retrofit a fim de modernizar suas instalações e continuar suas
operações.

Essa construção era originalmente um prédio comercial, de um único dono, com duas
salas alugáveis por pavimento, composto por 25 pavimentos, como pode ser visto na

Figura 25. Depois de terminado o retrofit, a edificação contará com 26 pavimentos


(Figura 26), sendo o 22º pavimento de área de vivência e continuará sendo um prédio
comercial com andares alugáveis de aproximadamente 170 m² e com área total
construída de aproximadamente 4.800m².

63
Figura 25 – Edificação antes do retrofit

(Fonte: Eng. Júlio Smiderle)

Figura 26 – Fachada planejada após retrofit

(Fonte: http://rb12.com.br/pt/)

64
O empreendimento tem cerca de 35 anos, foi construído entre os anos de 1979 e
1980, tendo seu habite-se concedido em 28/01/1981.

A edificação foi toda comprada pela empresa Challenger Consultoria Financeira e


Imobiliária Ltda., na qual faz parte em sua composição societária a Natekko, grupo
francês especializado em obras de retrofit, que tem à frente o arquiteto e urbanista
Marc Celaries.

Esse projeto alia modernidade, luxo e sustentabilidade e foi pensado para otimizar o
conforto dos usuários utilizando soluções tecnológicas avançadas do ponto de vista
ambiental, como produção própria de energia, otimização da luz natural e utilização de
um sistema de ar condicionado baseado em vigas frias. Esse é o primeiro prédio
comercial do país a utilizar painéis fotovoltaicos para a produção de energia elétrica,
de acordo com o site do empreendimento.

O prédio será inscrito para obtenção do selo Qualiverde.

6.1.2. Fase de estudos e projetos


A fase de projetos foi muito importante para esse empreendimento. Foram feitos vários
estudos para conseguir chegar a melhor solução possível para implementação de
medidas sustentáveis e que diminuíssem os gastos durante a operação do mesmo.
Essa fase durou aproximadamente um ano e meio, mesmo tempo previsto para a
execução da obra.

A obra de retrofit começou efetivamente em janeiro de 2014, porém o prédio só foi


totalmente esvaziado pelas empresas locatárias em junho do mesmo ano, e
encontrava-se em bom estado de conservação.

6.1.3. Peculiaridades do empreendimento

Como peculiaridade encontrada durante a obra pode ser citada a própria estrutura da
edificação, principalmente os pilares e as lajes. Foi constatado que a construção não
foi executada com boas técnicas de engenharia e não houve um controle de
qualidade. Diversos pilares apresentavam “barrigas”, característica de abertura das
formas durante as concretagens (Figura 27). Algumas lajes, que os projetos indicavam
ter espessuras de 10 cm, tinham na verdade entre 5 cm e 7 cm, com recobrimentos de
apenas 1 cm. Havia pilares e vigas fora de prumo, inclusive a fachada estava fora de
prumo. Para compensar esses defeitos, havia emboços com mais de 10 cm de
espessura. Foi constatado que a armação das lajes era feita com aços CA-25 e CA-
50.

65
Figura 27 – Pilar “embarrigado”

(Fonte: Eng. Júlio Smiderle)

Um fato curioso que ocorreu foi o fornecimento das plantas originais da edificação que
estavam guardadas em ótimo estado de conservação com o porteiro chefe do prédio
(Figura 28).

66
Figura 28 – Planta original

(Fonte: Acervo da autora)

6.1.4. Dificuldades encontradas


A principal dificuldade enfrentada na obra foi o içamento dos novos chillers até o 24º
pavimento. O planejamento inicial para essa operação era a locação de um guindaste
que ficaria em frente ao prédio, na Avenida Rio Branco, que teria o tráfego
interrompido durante o processo em um domingo, e executaria o içamento. Porém, por
causa das obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na região, duas faixas da
avenida foram fechadas e a prefeitura não autorizou a interrupção do trânsito na via
para execução do planejado.

Como solução para esse problema inesperado, foi necessário fazer um reforço em
estrutura metálica nas lajes dos 22º e 24º pavimentos (Figura 29) para que fosse
possível içar os chillers (Figura 30) pela fachada principal até o 24º andar.

67
Figura 29 – Reforço em estrutura metálica

(Fonte: Eng. Júlio Smiderle)

Figura 30 – Içamento do chiller

(Fonte: Eng. Júlio Smiderle)

68
Outra dificuldade foi o recebimento de materiais e retirada de entulho, já que o local só
permitia que esses serviços fossem realizados a noite. Ainda por causa das obras do
VLT, depois de um tempo ficou ainda mais complicado o recebimento de materiais
para a obra, pois nem durante o período noturno era permitido estacionar na frente da
obra para a descarga desses produtos. Os veículos de carga tinham que ficar
estacionados em ruas próximas e os materiais serem transportados até a obra por
outros meios.

Por se tratar de uma obra de retrofit, o canteiro de obras é reduzido, não havendo
muito espaço para o armazenamento de materiais na obra. Com isso, a areia e a brita
tinham que ser entregues ensacadas além de serem recebidas a noite, junto com o
cimento, para o uso no dia seguinte.

Para o transporte vertical de tubos, perfis metálicos, madeiras em geral e outros


materiais com dimensão acima de dois metros de comprimento, foi necessário abrir
um alçapão no teto dos elevadores.

Também não havia local para construção de refeitórios, vestiários e banheiros. Foi
necessário montar estruturas para essas instalações nos próprios pavimentos.

6.1.5. Medidas sustentáveis


Nesse empreendimento foram adotadas várias medidas sustentáveis, que podem ser
vistas a seguir.

O resfriamento de cada pavimento é feito através de 14 vigas frias (Figura 31),


equipamento instalado na altura dos forros de gesso acartonado e alimentado por
água gelada proveniente do trocador de calor no qual o ar quente é resfriado e depois
insuflado de volta no ambiente, criando um efeito de pressão negativa que induzirá o
ar ambiente a passar pela serpentina de resfriamento, permitindo conforto térmico e
acústico.

Para complementar a capacidade das vigas frias e para o suprimento de ar exterior de


renovação, haverá um condicionador primário, montado na casa de máquinas de cada
um dos pavimentos que será responsável pelo transporte do ar tratado para cada uma
das vigas frias através de uma rede de dutos, de acordo com manual fornecido pela
empresa Thermoplan, responsável pelo projeto de ar condicionado, ventilação
mecânica e pressurização da edificação.

O ar exterior é suprimido por recuperador de calor, sendo um recuperador em cada


pavimento. Esse ar é captado pela fachada de cada um dos pavimentos e é resfriado

69
e desumidificado no recuperador de calor, trocando o calor com o excesso de ar
ambiente, sendo levado para o compartimento do condicionador.

O excesso do ar ambiente é captado no teto dos sanitários e, após trocar calor com o
ar novo, é descarregado para o exterior.

Deve haver também um sistema de controle de umidade da sala para que não haja
condensação nas vigas frias.

Os sanitários e as copas são ventilados mecanicamente.

Figura 31 – Sistema de vigas frias

(Fonte: acervo da autora)

Além da instalação de vasos sanitários e torneiras de baixo consumo, também há


captação de água cinza. Essa água, após receber tratamento, é reutilizada para
irrigação dos jardins e descarga dos vasos sanitários.

A iluminação natural foi otimizada através de um cuidadoso desenho de fachada. Além


de utilizar vidros especiais que permitem a entrada de luz mas que não deixam o calor
entrar, as fachadas receberam brises de diferentes dimensões e posições (zig-zag)
para a redução da incidência de raios solares indesejados (Figura 37). Essa estratégia
de sombreamento é completada com vegetação na fachada.

70
Figura 32 – Formato em zig-zag da fachada com caixilho de alumínio e vidros

(Fonte: Eng. Júlio Smiderle)

Além desse sistema empregado na fachada, foi utilizado também acabamento em aço
inox escovado, que não absorve calor.

Além de diminuir o consumo de energia através de estratégias ambientais, o edifício


irá produzir energia através de painéis fotovoltaicos (Figura 33). Foi feito um cuidadoso
estudo para saber a melhor localização para esses painéis de acordo com a radiação
solar incidente no local. Eles estão localizados na fachada norte da edificação e no 24º
pavimento.

Figura 33 – Painéis fotovoltaicos

(Fonte: Eng. Júlio Smiderle)

71
Esse edifício conta ainda com piso elevado, para facilitar as instalações das
tubulações elétricas, de telefonia, de dados e de CFTV, e aumentar as possibilidades
de layouts do pavimento; uso de shafts, para passagem das tubulações (Figura 34);
sistema de irrigação automático.

Figura 34 – Pisos elevados e shaft

(Fonte: Acervo da autora)

Em todas as divisões de compartimentos criadas para o novo layout, foram utilizadas


placas de drywall.

A iluminação artificial da fachada e das áreas comuns é feita através de LEDs, que
têm um consumo de energia menor e possuem uma vida útil muito maior. Nos
sanitário e na escada, existem sensores de presença.

A automação está presente nos sistemas de ar condicionado, prevenção e combate a


incêndio, abastecimento e consumo de energia de cada pavimento, controle de
acesso. Tudo isso visando o menor gasto durante o uso e operação da edificação.

Durante a obra, foi feita uma gestão de resíduos. Estes eram separados na própria
obra e colocados em caçambas, localizadas na frente do prédio, para a transportadora
poder retirar com mais facilidade. A cada retirada era emitido um manifesto para
assegurar a destinação legal dos mesmos (Figura 35).

72
Figura 35 – Cópia do manifesto de resíduos

(Fonte: Eng. Júlio Smiderle)

6.1.6. Imprevistos operacionais


Como em toda obra, os imprevistos apareceram e tiveram de ser solucionados da
melhor maneira possível para que não houvesse prejuízo à edificação nem aos
envolvidos nos processos.

73
A primeira previsão era para a instalação de 100 painéis fotovoltaicos na fachada
norte, porém foram instalados 88, sendo 72 na fachada norte de 16 no 24º pavimento.

Houve problema na compatibilização e detalhamento das esquadrias de alumínio. O


projeto previa um detalhamento que não teria como ser instalado. Com isso, teve de
ser feita uma melhor compatibilização a fim de poder ser executado.

Existe uma caixa d’água para a água de reuso, porém, em projeto, essa caixa
somente seria abastecida com esse tipo de água. Os vasos sanitários e torneira de
irrigação só são ligados a essa caixa. Durante a execução do projeto, notou-se a
necessidade dessa caixa ter que receber também água da CEDAE, para no caso de
falta de água de reuso não haver interrupção de fornecimento de água para esses fins.

Durante a fase de projetos, foi estudada a implantação de células de energia


combustíveis, para a incorporação do conceito “energia positiva” ao edifício. Toda a
energia utilizada seria produzida no próprio prédio. Mas por conta da impossibilidade
de recebimento por parte da Light, na localização onde se encontra o prédio, da
energia excedente produzida, o alto investimento não valeria a pena e essa hipótese
foi descartada.

6.2. Restaurante Ibérico


Essa construção era inicialmente uma clínica de fisioterapia, com cerca de 300 m²,
como poder ser visto na Figura 36, localizada na Rua Saturnino de Brito, Jardim
Botânico, bairro nobre do Rio de Janeiro. Além da mudança de uso e adequações
espaciais, o objetivo principal do novo projeto era obter o selo Qualiverde que, como já
dito anteriormente, é um selo da Prefeitura do Rio de Janeiro que atesta construções
sustentáveis. Com isso, esse seria o primeiro restaurante da cidade maravilhosa a
obter essa certificação.

74
Figura 36 – Fachada inicial

(Fonte: Arquiteta Beti Font)

A construção necessitava de várias mudanças, e a primeira era melhorar o


aproveitamento de luz natural (Figura 37). Como a construção não tinha um passado
histórico com características marcantes, foram feitas grandes aberturas no volume
existente e parte da fachada foi demolida, de acordo com a Arquiteta Beti Font,
responsável pelo projeto. O resultado foi um terraço com mais espaço e dois grandes
salões que trazem transparência e vivacidade.

Figura 37 – Fachada após retrofit

(Fonte: Arquiteta Beti Font)

75
Foi construído também um terceiro pavimento em steelframe pré-fabricado e um
telhado verde, resultando em um maior conforto térmico e minimizando o impacto
deste pavimento extra no entorno.

Como “ingredientes” sustentáveis na construção, podem ser citados alguns como


água, telhado verde, materiais ecológicos.

A água ganhou atenção especial por ser um bem cada dia mais precioso. Foi criado
um sistema de captação de água pluvial nas áreas externas. Depois de filtrada, essa
água é utilizada para irrigação do jardim vertical, feito com plantas nativas, e do
telhado verde. Essa mesma água pode ser reutilizada para lavagem de pisos e áreas
externas. Foram instaladas também torneiras com dispositivos de economia e vasos
sanitários com sistema ecoflush. Além de piso drenante, para melhorar a qualidade da
terra e alívio ao sistema de esgoto da área.

O telhado verde fornece um isolamento térmico natural ao edifício além de enriquecer


visualmente a vizinhança.

Aquecimento solar de água, grandes aberturas na fachada para facilitar a entrada de


luz natural, iluminação artificial toda em LEDS, circuitos independentes e sensores de
presença, aumentam os fatores de alta eficiência energética.

Para a decoração, foram escolhidos materiais de acabamento natural e ecológico. As


tintas utilizadas são à base de terra, o isolamento acústico é feito a partir de PETs
recicladas e fibras de madeira mineralizada, as madeiras são reaproveitadas de
demolição ou certificadas.

Há também medidas sociais aplicadas no dia-a-dia da operação do restaurante. Os


ingredientes da cozinha vêm, preferencialmente, de fornecedores certificados da
região metropolitana. Há horta local para cultivo de temperos e especiarias e coleta
seletiva de sobras e resíduos.

Como diferencial, pode ser citado um inovador tratamento de água por osmose
inversa, que garante água mineral com e sem gás. A água é engarrafada no próprio
restaurante e vendida para quem quiser integrar-se a um projeto sócio-sustentável, já
que parte da arrecadação com a venda de cada garrafa é destinada a uma ONG
dedicada à formação de novos chefes.

6.3. Selo Qualiverde


Como o RB12 irá solicitar o Selo Qualiverde ao final da obra e o objetivo do Ibérico,
ainda na fase de projetos, era a obtenção desse selo, todas as medidas sustentáveis
empregadas nas edificações, agregam pontos para a obtenção da certificação.

76
Ainda não há incentivos fiscais para empreendimentos com esse tipo de selo no Rio
de Janeiro.

Só pelo fato dessas obras serem de retrofit, o empreendimento já começa a contagem


com 15 pontos. Essa é a pontuação oferecida para obras desse tipo, que visam
aproveitar um imóvel antigo ao invés de construir um novo, reduzindo a quantidade de
resíduos gerados.

O Decreto número 35.745 lista todas as medidas passíveis de pontuação e seu valor
correspondente, deixando ainda um espaço para “Inovações Tecnológicas”, e cada
inovação aplicada, soma 1 ponto.

Como exemplo, pode ser citado o uso de descargas com duplo acionamento, presente
nos dois empreendimentos – 2 pontos; reuso de água – 1 ponto; aproveitamento de
águas pluviais – 1 ponto; pavimentação permeável, presente no restaurante – 2
pontos; aquecimento solar de água, também presente no Ibérico – mínimo 5 pontos;
iluminação artificial por LED – mínimo 2 pontos.

Além desses, muitos outros itens são pontuáveis nas áreas de gestão da água,
eficiência energética e projeto.

Para obter o selo, é necessário que as medidas atinjam 70 pontos, caso essa
pontuação seja 100 ou maior, a certificação passa a ser “Qualiverde Total”, conforme
informa o mesmo decreto.

6.4. Considerações finais do estudo de caso


Ao analisar os dois casos, observa-se que as soluções adotadas em cada um foram
distintas, porém todas com o mesmo intuito de tornar a construção mais sustentável,
diminuindo o consumo elétrico e de água. Até mesmo pelo fato de cada obra ter uma
finalidade diferente.

Na obra do restaurante, houve reaproveitamento de parte dos resíduos provenientes


das demolições necessárias para confecção de contra pisos e algumas outras funções
não estruturais, depois de passarem por todo o processamento necessário para
adequação para este fim. Utilizou-se também, sempre que possível, materiais
certificados e algumas vezes materiais reciclados.

No edifício comercial, essas medidas não foram implantadas. Uma das justificativas foi
o fato de ser um prédio comercial com o intuito de locação, e a utilização de materiais
reciclados poderia causar certa desconfiança quanto à qualidade destes nos
locatários.

77
No edifício, a maior parte dos sistemas é automatizado, enquanto no restaurante, até
mesmo por ser um empreendimento menor, a solução aplicada foi a execução de
vários circuitos, para evitar o acendimento de luminárias desnecessariamente.

No restaurante há telhado verde para auxiliar na redução da temperatura interna e no


edifício, as soluções apresentadas para este fim foram os vidros especiais e
vegetação vertical.

Por ser uma construção própria, todas as luminárias do Ibérico são com lâmpadas
LEDs. No RB12, apenas as lâmpadas das áreas comuns são com essa mesma
tecnologia, as das salas particulares ficarão a cargo de cada empresa locatária a
decisão de qual tecnologia será utilizada. Cada uma será responsável por seu projeto
luminotécnico.

Pelo fato de não haver uma legislação específica para esse tipo de obra, foram
utilizadas normas que tratam de cada etapa de obra convencional.

Como dito anteriormente, as soluções são diferentes, mas todas com a mesma
finalidade de tornar o empreendimento mais sustentável. Além de cada uma ser mais
adequada para a edificação onde foi empregada, como foi exemplificado.

78
7. CONCLUSÕES

O objetivo deste trabalho era mostrar o que está sendo estudado e empregado em
obras de retrofit para que estas sejam mais sustentáveis em todas as suas etapas,
desde o projeto até a sua demolição.

Por conta disso, este trabalho apresentou um embasamento teórico sobre as medidas
de sustentabilidade aplicadas em obras de retrofit, visando sempre uma redução do
gasto energético e economia de água, mas sem esquecer do bem estar do usuário.

Para isso, foram apresentados métodos construtivos utilizados em retrofit que visam
sempre esse resultado final além de mostrar dois casos em que foram implementados
retrofit, um nacional, que não foi concluído, e outro internacional, que é um
considerado um exemplo a ser seguido.

Ficou claro que, através das medidas apresentadas e muitas outras que estão sendo e
serão desenvolvidas, é possível sim atrelar economia, qualidade, sofisticação e bem
estar em um único projeto.

Passando pelo ciclo de vida da edificação antes e depois do retrofit, deve ser feita uma
análise do que era o edifício, se ele pode ser utilizado para o uso pretendido antes de
optar pelo retrofit, para não ser feito um alto investimento e depois concluir que não foi
uma boa ideia. Por isso as etapas de estudo e projeto são tão importantes. Se o
retrofit for bem empregado, a edificação sofrerá uma valorização altíssima além de o
investidor ter o lucro pretendido.

As empresas devem identificar e atender às necessidades do mercado, oferecendo


um produto com a qualidade desejada.

Pela análise teórica do retrofit de edificações, constatou-se a necessidade de ter uma


legislação específica para esse tipo de obra, uma vez que nas grandes cidades esse é
o futuro do mercado da construção, onde já não existem bons terrenos disponíveis
para novas construções ou estes são muito caros e as edificações estão ficando
obsoletas e subutilizadas devido à ação do tempo.

Através dos estudos de caso foi possível entender que, com um projeto bem
elaborado e estudos adequados, é possível adequar uma edificação antiga com
investimento em técnicas e materiais sustentáveis para a sua nova vida, sendo ela
similar ao antigo uso ou não, podendo até mesmo ter certificação sustentável.

Como sugestão para trabalhos futuros fica uma ação de conscientização da população
que ainda tem certo preconceito com esse tipo de empreendimento por acreditar que
este não possui qualidade se comparado a uma nova edificação, ajudar no

79
desenvolvimento de uma legislação específica para retrofit, busca e análise de novos
materiais e técnicas compatíveis com a filosofia do retrofit.

80
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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