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MATEMÁTICA FINANCEIRA (2017)

Professor Helcio Rocha

Módulo 1 - Taxa de juros e regime de capitalização


Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de, dado um contexto abrangendo taxa de
juros (flutuante ou não), um principal aplicado, um montante alcançado, um prazo de aplicação e
juros acumulados, correlacionar tais variáveis de modo a poder calcular aquela que for a variável
desconhecida.

Juro e taxa de juros


Juro. Juro é a remuneração do capital, pelo seu emprego em alguma atividade produtiva ou pelo
seu empréstimo. Em outras palavras, juro é a remuneração pelo investimento do capital.
Em uma atividade produtiva, tudo aquilo que é indispensável à produção e, além disso, é escasso, é
denominado fator de produção. Cada fator de produção é remunerado, como se pode ver a seguir.
Cabe lembrar que, por ser indicador da escassez do fator capital, o juro normalmente é tanto mais
elevado quanto menos capitalizada ou desenvolvida é a economia.

Fator de Produção Remuneração


Trabalho Salário
Capital Juro
Terra Aluguel
Capacidade Empresarial Lucro

Taxa de Juros. A taxa de juros é uma taxa prometida de retorno, e há tantas taxas de juros quantos
vários tipos de empréstimos e tomadores houver. A taxa de juros é o preço pago para tomar
emprestado o capital de terceiros, ao passo que, no caso do capital próprio, os investidores esperam
receber dividendos e ganhos de capital. Diversos fatores afetam o custo do dinheiro, tais como as
oportunidades de investimento em ativos produtivos e suas rentabilidades esperadas; as
preferências das pessoas em consumir hoje ou em poupar; os riscos dos investimentos /
empréstimos; a inflação esperada para o futuro.

Regime de capitalização e período de capitalização


Período de Capitalização. Taxa de juro é o juro auferido pelo investimento de uma unidade de
capital pelo período de uma unidade de tempo. A remuneração (ou juro) do capital se da a cada
unidade de tempo denominadaperíodo de capitalização.
A cada período de capitalização, tem-se: J = P . i , onde P e o capital ou principal aplicado ao
inicio do referido período. Ao somatorio dos juros (J) com o capital inicial (P) damos a
denominação montante (S).
Assim, S = P + J
Por exemplo, se uma aplicação tem o mês como período de capitalização, e se ela rende 10% a
cada período, significa que ao final de cada período mensal o principal P aplicado rende 0,1.P.
Regime de Capitalização. Se um capital inicial ou principal (Po) for aplicado por n períodos de
capitalização de uma operação, os juros auferidos ao final de cada período serão proporcionais ao
capital investido ao início do mesmo:
J = P.i , onde P é o capital ao início do período em questão. Os juros auferidos na operação podem
ser tratados por:
Capitalização simples: o capital inicial permanece constante durante todos os períodos da
operação, rendendo a cada período juros constantes, iguais a J = P.i.

Períodos Principal Juros Juros Montante


Acumulados
Cap. simples
1 P P.i P.i P.(1+i)
P P.i 2.(P.i) P + 2.(P.i) =
2
P.(l+2.i)
n P P.i n.(P.i) P.(l+n.i) 2

Assim, após n períodos,


• O juro total é igual a:
JT = P . i . n
• O montante é igual a:
S = P + JT = P + (P . i . n) >>> S = P . (1 + i . n)
Em resumo, o juro total, assim como o montante, cresce linearmente com o número de períodos.
De todo o montante, apenas o principal rende juros.

Capitalização composta: o capital não permanece constante; ao final de cada período, os juros
auferidos são incorporados ao capital inicialmente nele empregado, resultando em um capital maior
para o período seguinte. Como P é crescente, os juros obtidos a cada período também o são.

Períodos Principal Juros Montante Juros


Cap. composta Acumulados
1 P P.i P.(1+i) P.i
2 P.(1+i) P.(1+i).i P.(1+i) + P.(1+i).i = P.i.(2+i)
[P.(1+i)].(1+i) =
P.(l+i)2
n P.(l+i)n_1 P.i.( l+i)”"1 P.(l+i)n = P.(l+i)n - P
Assim, após n períodos,
• O juro total é calculado subtraindo-se do montante o principal
• O montante é igual a:
S = P . (1 + i) n
Substituindo os termos montante e capital por, respectivamente, valor futuro (FV) e valor presente
(PV), mais utilizados nos trabalhos relacionados à capitalização composta:
FV = PV . (1 + i) n
Em resumo, na capitalização composta, o juro total, assim como o montante, cresce
exponencialmente com o numero de períodos.

Aplicabilidade dos regimês de capitalização:


Em geral, o sistema de juros simples é utilizado em aplicações de curto prazo, como por exemplo
na cobrança antecipada de juros bancários sobre empréstimo a curto prazo, no financiamento de
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vendas a curto prazo, e no desconto bancário sobre ativos financeiros. Na maioria das aplicações
financeiras, assim como na análise de projetos de investimento, emprega-se o sistema de juros
compostos.
No entanto, os juros simples são muito utilizados pela facilidade de cálculo e, também, como
argumento de venda. É preciso tomar determinadas precauções, pois alguns cálculos são feitos com
juros simples (a partir de taxas não efetivas), quando na verdade a realidade se comporta a juros
compostos (segundo suas taxas efetivas). Assim, uma letra com rentabilidade de 24% aa é dita no
mercado como uma letra de 2% am (24% / 12 = 2%) quando, a juros compostos, a sua renda
mensal é de apenas 1,81%.

1. Exercício. Calcular os juros totais Jt e o montante quando um principal de $ 1.000,00 é


aplicado a 2% por período de capitalização, segundo a capitalização simples e a composta,
durante (a) 1 período; (b) 2 períodos e (c) 3 períodos. (Resp.: simples: a: $20,00 e 3
$1.020,00; b: $40,00 e $1.040,00; c: $60,00 e $1.060,00; composta: a: $20,00 e $1.020,00;
b: $40,40 e $1.040,40; c: $61,20 e $1.061,20)
2. Exercício. Determinar a taxa de juros simples que faz com que um capital aumente em 50%
no fim de 5 anos. (Resp.: 10%)
3. Exercício. Foi oferecido a você um investimento que dobrará seu dinheiro em 12 anos. Que
taxa de retorno lhe está sendo oferecida? Considere a capitalização (a) composta; (b)
simples. (Resp.: 5,95% aa. pela cap. composta ou 8,33% aa. pela cap. simples)
4. Exercício. Taxas flutuantes. Uma dada aplicação tem uma taxa de juros "flutuante”, que é
ajustada anualmente. Um investidor depositou $20.000,00 há três anos, quando a taxa de
juros era de 7% (compostos anualmente). No ano passado, a taxa era de apenas 6% e este
ano caiu para 5%. Quanto haverá em sua conta ao final deste ano? (Resp.: $23.818,20)
5. Exercício. Factoring. Uma duplicata de R$100.000 com vencimento a 60 dias foi
negociada comercialmente com uma empresa de factoring. Considerando uma taxa efetiva
exponencial da operação de 5% am, calcular o valor pago liberado pela duplicata.
6. Exercício. Tem-se uma aplicação a juros compostos com remuneração mensal flutuante. O
principal aplicado foi de R$ 50.000,00. Durante 3 mêses a taxa foi de 2,5%. Durante 6
mêses a taxa foi de 2,1% e durante mais 3 mêses a taxa foi de 1,8%. Qual o montante? Qual
foi a taxa média de juros da operação?
7. Exercício. Tenho uma dívida que poderá ser quitada daqui a 6 mêses mediante desembolso
de R$ 10.000,00. A taxa é de 3% am. Quanto devo desembolsar se quiser quitar hoje a
dívida? E se o desembolso fosse daqui a um mês?
8. Exercício. Uma aplicação de $ 100.000,00 rendeu com taxa flutuante conforme: Jan =
2,5%; Fev = 2,0%; Mar = 2,5%; Abr = 3,0%; Mai = 3,0%; Jun = 2,5%; Jul = 4,0%; Ago =
3,0%; Set = 3,0%. Calcule o montante e calcule a taxa média de juros da operação.
9. Exercício. Tem-se uma aplicação a juros compostos com remuneração mensal flutuante. O
principal aplicado foi de R$ 50.000,00. Durante 3 mêses a taxa foi de 2,5%. Durante 6
mêses a taxa foi de 2,1% e durante mais 3 mêses a taxa foi de 1,8%. Qual o montante? Qual
é a taxa média de juros da operação?

Diagrama de Fluxos de Caixa


O diagrama de fluxos de caixa consiste na apreciação das contribuições monetárias (entradas e
saídas de dinheiro) ao longo do tempo. Ele pode ser representado de forma analítica ou gráfica. Na
representação gráfica são adotadas as seguintes convenções: setas para cima: dividendos, receitas,
economias realizadas, etc; setas para baixo: despesas, aplicações de dinheiro, custos de aplicação
ou parcelas que foram deixadas de receber, etc.

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Módulo 2 - O valor do dinheiro no tempo e a equivalência de
capitais
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de, dado um plano de pagamento ou um
plano de poupança, propor alternativas a este plano, variando os desembolsos e/ou as retiradas,
mantidos o regime e o período de capitalização e a taxa de juros.

O valor do dinheiro no tempo


Quando se lida com quantias monetárias, e quando se deseja tomar decisões na escolha entre
alternativas de investimento ou de financiamento, não interessa apenas o valor numérico, mas
também o instante em que tais quantias são pagas ou recebidas, pois, a aplicação de um capital
4
envolve sua remuneração (juro) pelo tempo empregado.
Uma movimentação de caixa, ocorrida em um instante t, pode ser levada (convertida) a uma data
futura ou a uma data anterior qualquer, por meio de um fator multiplicador:

Capitalização Transporte para


Composta Uma data futura Uma data passada
Fator multiplicador Fator de atualização ou
Fator de capitalização:
n
(1 + i ) de desconto:
1 / (1 + i ) n
Capitalização Transporte para
Simples Uma data futura Uma data passada
Fator multiplicador Fator de atualização ou
Fator de capitalização: de desconto:
(1 + i.n) 1 / (1 + i.n )

Para facilidade de cálculo, muitos livros de Matemática Financeira apresentam os fatores


multiplicadores do regime de capitalização composta tabelados para diversos valores de taxa de
juros (i) e de números de períodos de capitalização (n).
Deve-se também ressaltar a importância de que as movimentações de caixa podem ocorrer tanto no
início quanto no fim dos períodos, o que também afeta seu valor no tempo. Entretanto, adota-se,
em geral, a “convenção de fim de período”, ou seja, que as entradas e saídas monetárias que se dão
durante um período estejam concentradas ao fim do mesmo. Verifica-se que esta simplificação não
afeta muito a exatidão do estudo.

Equivalência de capitais
Dois ou mais fluxos de caixa são equivalentes, a uma determinada taxa de juros, se os seus valores
atuais (ou valores futuros), obtidos a essa taxa, forem iguais.
Observação:
Propriedade exclusiva da capitalização composta: “Se dois capitais são equivalentes,
financeiramente, em dado instante e taxa de juros sob o regime de capitalização composta, eles
serão equivalentes em qualquer outro momento, sob este mesmo regime’. O regime de
capitalização simples não apresenta esta propriedade.
A importância desta propriedade está na possibilidade de definirmos diversas formas de pagamento
de um empréstimo, assim como de amortizar saldos devedores através de diferentes sistemas de
amortização.
Exemplo 1: O capital de $ 1.000,00, à epoca 0, é equivalente, no instante 1, ao capital de $
1.050,00, à taxa de 5%, tanto na capitalização simples quanto na composta. Entretanto, estes
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capitais serão equivalentes entre si, no instante 2, por exemplo, somente pelo regime de
capitalização composta. (Obs.: a remuneração pelo risco está embutida na taxa de juros)
Exemplo 2: Considere quatro notas promissórias de R$50.000,00 que vencem em setembro,
outubro, novembro e dezembro. Pede-se calcular o valor de uma nota única equivalente, com
vencimento em novembro. A taxa de juros é de 4% am.
a) o valor encontrado para a nota promissória equivalente depende da data para o qual todos os
fluxos são transportados (data focal), para a capitalização simples;
b) o valor encontrado para a nota promissória equivalente independe da data em que efetuamos a
equivalência, para a capitalização composta.
Vejamos o seguinte caso: Uma instituição financeira possui duas notas promissórias em nome de
uma empresa cliente. A primeira nota (nota 1), de $30.000,00, vence daqui a dois mêses. A
segunda (nota 2), de $10.000,00, vence daqui a cinco mêses. A financeira e a empresa estão
negociando a troca das duas promissórias por uma única (nota 3), com vencimento daqui a três 5
mêses. Sabendo-se que esta troca se dá a uma taxa de juros compostos de 4% am, calcule o valor
desta nota única.
Solução:
Podemos transportar os valores das notas 1 e 2 ao terceiro mês (data de vencimento da nota 3); ou
seja, podemos calcular seus valores equivalentes à data 3. Depois, basta somar os dois valores para
encontrarmos a resposta. Lembre-se que a nota 3 deve substituir a nota 1 + nota 2.
Então:
nota 3 = nota 1 transportada ao terceiro mês + nota 2 transportada ao terceiro mês
Como a nota 1 vence daqui a dois mêses, seu transporte ao terceiro mês se dá capitalizando seu
valor por um período mensal. Assim:
nota 1 transportada ao terceiro mês = valor da nota 1 * (1 + i)1
Por sua vez, a nota 2 está adiante no tempo. Seu transporte ao terceiro mês se dá atualizando seu
valor por dois períodos mensais. Assim:
nota 2 transportada ao terceiro mês = valor da nota 2 / (1 + i)2
E: nota 3 = valor da nota 1 * (1 + i)1 + valor da nota 2 / (1 + i)2
nota 3 = [$30.000,00 * 1,04] + [$10.000,00 / (1,04)2 ] = $40.445,56

Como encaminhamento alternativo de solução, poderíamos calcular os valores atuais das notas 1 e
2, transportando seus valores à data de hoje e somando as duas parcelas. O resultado da soma deve
ser igualado ao valor atual da nota 3. Assim:
Valor Atual da nota 1 = valor da nota 1 /(1 + i)2 (transporte para dois mêses antes)
Valor Atual da nota 2 = valor da nota 2 /(1 + i)5 (transporte para cinco mêses antes)
Valor Atual da nota 3 = valor da nota 3 /(1 + i)3 (transporte para três mêses antes)
Valor Atual da nota 3 =Valor Atual da nota 1 + Valor Atual da nota 2

Então:
valor da nota 3 / (1 + i)3 = valor da nota 1 / (1 + i)2 + valor da nota 2 / (1 + i)5
valor da nota 3 = valor da nota 1 * (1 + i)1 + valor da nota 2 / (1 + i)2
valor da nota 3 = [$30.000,00 * 1,04] + [$10.000,00 / (1,04)2 ] (trata-se da mesma equação logo
acima)
valor da nota 3 = $40.445,56
Comprovamos, assim, que a soma das notas 1 ($30.000,00) e 2 ($10.000,00) equivale à nota 3
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($40.445,56), a uma taxa de 4% am a juros compostos. Seus valores atuais são equivalentes, assim
como o são seus valores ao terceiro mês. Pela capitalização composta, seus valores futuros a
qualquer data, como por exemplo ao quinto mês, também se equivaleriam. Em resumo, podemos
calcular o valor da nota 3 com base em qualquer data de efetuação da equivalência de capitais.

Exemplo 3: Repetir o exemplo anterior, a juros simples.


Solução:
Calculemos os valores equivalentes a data 3 e igualemos conforme:
nota 3 = nota 1 transportada ao terceiro mês + nota 2 transportada ao terceiro mês
nota 3 = valor da nota 1 * (1 + i.1) + valor da nota 2 / (1 + i.2)
nota 3 = [$30.000,00 * 1,04] + [$10.000,00 / (1,08) ] = $40.459,25
6
Como caminho alternativo, calculemos os valores atuais e igualemos conforme:
Valor Atual da nota 3 = Valor Atual da nota 1 + Valor Atual da nota 2

Então:

valor da nota 3 / (1 + i.3) = valor da nota 1 / (1 + i.2) + valor da nota 2 / (1 + i.5)

[valor da nota 3 / 1,12] = [$30.000,00 / 1,08] + [$10.000,00 / 1,20]

valor da nota 3 = $40.444,44


Assim, pelo regime de capitalização simples, a nota 3 tem seu valor alterado cada vez que trocamos
a data de efetuação da equivalencia de capitais.

Exemplo 4: Equivalência de capitais e séries uniformes. Suponha que você tenha obtido hoje um
empréstimo de $20.000,00, a juros compostos de 5% am. Suponha, também, que possa saldar a
dívida através de pagamentos mensais iguais, em 3 parcelas ou em 4 parcelas. Calcule o valor da
parcela para cada uma das duas modalidades de pagamento.
Solução:
Para 3 parcelas: o somatório dos valores atuais das 3 parcelas (X) deve se igualar ao valor atual da
dívida, $20.000,00. Assim:
VA (dívida) = VA (parcela l) + VA (parcela 2) + VA (parcela 3)
$20.000,00 = X / (1 + i)1+ X / (1 + i)2 + X / (1 + i)3 =
= X . [1 / (1 + i)1 + 1 / (1+ i)2 + 1 / (1 + i)3 ]
X = $7.344,17
Para 4 parcelas: o somatório dos valores atuais das 4 parcelas (X) deve se igualar ao valor atual da
dívida, $20.000,00. Assim:
VA (dívida) = VA (parcela 1) + VA (parcela 2) + VA (parcela 3) + VA (parcela 4)
$20.000,00 = X / (1 + i)1+ X / (1 + i)2 + X / (1 + i)3 + X / (1 + i)4 =
= X . [1 / (1 + i)1 + 1 / (1+ i)2 + 1 / (1 + i)3 + 1 / (1 + i)4]
X = $5.640,23
Então, encontramos duas formas equivalentes de pagamentos. Pagar quatro mensalidades de
$5.640,23 equivalerá a pagar 3 parcelas de $7.344,17, e qualquer uma das formas tem equivalência
econômica com o valor atual da dívida.
Verifiquemos, no exemplo seguinte, que pela capitalização composta as duas formas de
parcelamento são equivalentes não apenas em seus valores atuais, mas também em seus valores
futuros.
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Exemplo 5: Equivalência de capitais e séries uniformes. Suponha que você também possa saldar a
dívida do exemplo anterior em um único pagamento, daqui a quatro mêses. Calcule o valor deste
desembolso único. Verifique se os parcelamentos, capitalizados até o quarto mês, equivalem ao
pagamento único futuro.
Solução:
O pagamento único deve ser equivalente a dívida capitalizada por 4 mêses. Assim:
Parcela única = $20.000,00 . (1 + i)4 = $24.310,12
Calculemos, agora, o valor futuro, ao quarto mês, das três parcelas de $7.344,17.
VF (3 parcelas) = VF (parcela 1) + VF (parcela 2) + VF (parcela 3) =
= $7.344,17 . (1 + i)3 + $7.344,17 . (1 + i)2 + $7.344,17 . (1 + i)1 = $24.310,12
Calculemos, por sua vez, o valor futuro, ao quarto mês, das quatro parcelas de $5.640,23. 7
VF (4 parcelas) = VF (parcela 1) + VF (parcela 2) + VF (parcela 3) + VF (parcela 4) =
= $5.640,23. (1 + i)3 + $5.640,23. (1 + i)2 + $5.640,23. (1 + i)1 + $5.640,23 . (1 + i)0 =
VF (4 parcelas) = $24.310,12

Concluindo, vimos que os empréstimos podem ser saldados por diversas formas economicamente
equivalentes entre si e equivalentes à própria dívida.
Aumentando o número de parcelas. Muitas vezes iremos nos deparar com financiamentos (ou com
poupanças) envolvendo um número muito maior de parcelas. Para facilitar e agilizar o cálculo,
foram desenvolvidas fórmulas simplificadoras que substituem o desenvolvimento matemático dos
exemplos anteriores. Tais fórmulas são apresentadas mais adiante, no estudo de séries uniformes.

1. Exercício. Tenho uma dívida que poderá ser quitada daqui a 6 mêses mediante desembolso
de R$ 10.000,00. A taxa é de 3% am. Quanto devo desembolsar se quiser quitar hoje a
dívida? E se o desembolso fosse daqui a um mês?
2. Exercício. Uma aplicação rende 2,0% ao mês. O investidor depositou R$ 50.000,00 no
início de janeiro; retirou R$ 12.000,00 no início de fevereiro; depositou R$ 40.000,00 no
início de agosto; retirou R$ 25.000,00 no início de outubro. Qual terá sido o montante ao
final de dezembro?
3. Exercício. Um devedor está renegociando uma dívida de R$ 20.000,00 que vence hoje, a
3% ao mês. (a) A primeira alternativa é pagar duas parcelas, a 1ª, de R$ 10.000,00
vencendo daqui a 3 mêses e a 2ª. de valor a calcular vencendo daqui a 6 mêses. Calcule o
valor desta parcela. (b) A segunda alternativa é pagar duas parcelas de valor igual, com
vencimentos em 30 e em 60 dias. Calcule o valor da parcela.
4. Exercício. Um distribuidor de materiais de papelaria vende uma modalidade de quadro a
R$ 150,00 (valor nominal). Este valor pode ser pago 30 dias após a compra. Se o cliente
pagar à vista, o fornecedor dá um desconto de 8% sobre o VN. Se o cliente quiser, também
pode pagar em uma única parcela em 60 dias, com acréscimo de 10% sobre o preço
nominal. (a) Qual o custo (taxa de juros mensais) embutido no pagamento em 30 dias? (b)
Idem, para o pagamento em 60 dias? (c) Vale a pena para a empresa cliente captar um
empréstimo bancário de curto prazo à taxa de 6,0% ao mês para comprar e pagar à vista?
5. Exercício. Uma pessoa tinha uma dívida bancária a ser paga da seguinte forma: R$
2.000,00 hoje e mais R$ 3.500,00 daqui a dois mêses. Esta pessoa desconhecia a taxa de
juros. Entretanto, a mesma conseguiu renegociar sua dívida, que passaria a ser quitada da
seguinte forma: R$ 4.000,00 daqui a seis mêses mais R$ 8.000,00 daqui a 12 mêses. Qual é
a taxa de juros?

6. Exercício. Uma amiga me disse que tem uma dívida bancária cuja forma de pagamento foi
renegociada. Ao invés de pagar 12 parcelas de $ 802,00, pagará 22 parcelas de $ 530,00.
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Qual a taxa de juros embutida? Qual o valor presente da dívida?
7. Exercício. Um empréstimo de R$ 250.000,00 será pago da seguinte forma: um pagamento
de R$ 50.000,00 daqui a 3 mêses; um de R$ 60.000,00 daqui a 6 mêses; um de R$
90.000,00 daqui a 12 mêses; um último de R$ 80.000,00 daqui a 18 mêses. Qual é a taxa de
juros da operação?
8. Exercício. O valor à vista de um bem e de R$ 6.000,00,00. A prazo, paga-se uma entrada
mais três parcelas mensais de R$ 2.000,00 cada, sendo a primeira em um mês. Calcular o
valor da entrada, considerando-se que a taxa de juros aplicada é de 7,5% a.m (R$ 798,94)
9. Exercício. Aproveitando a promoção comercial: "Compre hoje e somente comece a pagar
depois de 4 mêses", uma pessoa adquire uma mercadoria mediante 6 prestações mensais e
iguais a $ 1.200,00, vencendo a primeira prestação 30 dias após o vencimento da carência.
Considerando que há no mercado de capitais uma taxa de juros compostos de 4,5% a.m.,
qual o valor máximo que estaríamos dispostos a pagar à vista pela referida mercadoria? (R$
8
5.190,22)
10. Exercício. Uma empresa oferece um desconto de 2% aos clientes que pagam em 10 dias.
Não há desconto para aqueles que pagam em 30 dias; para os que pagam em 60 dias há um
aumento de 10% sobre o preço. Calcule o custo efetivo mensal embutido no pagamento em
30 dias; idem, para o prazo de 60 dias. (3,08%; 7,18%)
11. Exercício. Supor o seguinte plano de financiamento para amortizar certo capital:
pagamento de $ 100.000,00 daqui a dois mêses, $ 200.000,00 daqui a seis mêses e $
400.000,00 daqui a um ano. Caso se queira reformular este plano de maneira que sejam
feitos apenas dois pagamentos iguais, um de hoje a um ano e outro daqui a um ano e meio,
sendo acertado o custo do dinheiro como igual a 4,50% am (juros compostos), qual o valor
destas duas parcelas iguais? (R$ 463.124,36)
12. Exercício. Tem-se uma aplicação em poupança que rende 2,5% am. Um cliente faz três
depósitos mensais consecutivos de $ 18.000,00. Trinta dias após o terceiro depósito ele faz
uma retirada de $ 7.000,00. Calcule o montante 60 dias após a retirada. (R$ 52.263,63)
13. Exercício. Sua empresa captou hoje um empréstimo de R$ 150.000,00 e combinou pagá-lo
da seguinte forma: $ 75.000,00 dentro de seis mêses, $ 55.000,00 três mêses após o
primeiro pagamento e R$ 45.000,00 dois mêses após o segundo pagamento. Qual é o custo
efetivo (am) deste empréstimo? (1,9%)
14. Exercício. Uma duplicata de $ 100.000 com vencimento a 60 dias foi negociada
comercialmente com uma empresa de factoring. Considerando uma taxa efetiva
exponencial da operação de 10% am, calcular o valor pago liberado pela duplicata. (R$
82.644,62)
15. Exercício. Sua empresa precisa pagar $ 150.000,00 a um credor dentro de três mêses, $
185.000,00 dentro de seis mêses e R$ 140.000,00 dentro de nove mêses. No entanto, ela
gostaria de reestruturar o empréstimo, de modo a desembolsar três parcelas iguais com
intervalo de 30 dias entre elas, com a primeira vencendo daqui a doze mêses. Se a taxa de
juros compostos acordada é de 3,8% ao mês, qual seria o valor da parcela? (R$ 206.742,96)
16. Exercício. Determinada companhia obteve financiamento de R$ 220.000,00 para aquisição
de um equipamento. Obrigou-se a efetuar três pagamentos mensais de R$ 85.000,00, com o
primeiro desembolso ocorrendo um mês após a assinatura do contrato. A companhia
também se comprometeu a pagar um valor residual de R$ 40.000,00 dois mêses após a
ultima parcela. Calcule a taxa de juros deste financiamento. (13,6% am)
17. Exercício. Tentando reduzir seus custos de produção, a Empreendimentos Cinco Barras
S.A. está negociando as compras de sua principal matéria-prima junto ao único fornecedor.
Após diversas reuniões, tem sobre a mêsa a seguinte equação: para as 10.000 unidades/mês
de matéria-prima comprada até então por R$ 30,00 a unidade, com pagamento no ato da
compra e recebimento simultâneo, a) acréscimo de 3% para pagamento em 30 dias; b)
desconto de 2% para pagamento no ato da compra e recebimento. Como não dispõe de
capital de giro suficiente, necessita apelar ao seu banco, que cobra taxa de 4,5% ao mês
para empréstimos a 30 dias, pagos no final, ja incluídas todas demais despesas e tributos
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necessários para a compra integral da matéria-prima. Qual deve ser a decisão de compra,
tendo-se como objetivo otimizar a rentabilidade da empresa? (comprar a vista, mediante
empréstimo)
18. Exercício. A empresa Letras S.A. tem como principal fornecedor o fabricante do
Abecedário. Normalmente adquire 6.000 unidades por mês e paga à vista. O gerente
financeiro identificou na projeção de fluxo de caixa dificuldades para os próximos mêses. O
fornecedor apresenta as seguintes alternativas de prazos e preços de venda: preço à vista =
R$ 34,00; preço para 30 dias = R$ 35,70; preço para 60 dias = R$ 38,20. A empresa tem
três alternativas: a) comprar 6.000 peças com prazo de 30 dias; b) comprar 6.000 peças com
prazo de 60 dias; c) comprar 2.000 peças à vista, 2.000 peças com prazo de 30 dias e 2.000
peças com prazo de 60 dias. Calcule o custo financeiro associado a cada alternativa. Se a
empresa conseguir um financiamento bancário ao custo de 5,2% ao mês, qual será a melhor
alternativa de compra, sob o ponto de vista financeiro? (5,0% am; 6,0% am; 5,6% am;
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pagar em 30 dias)
19. Exercício. Supor o seguinte plano de financiamento para amortizar certo capital:
pagamento de $ 130.000,00 daqui a três mêses, $ 220.000,00 daqui a seis mêses e $
500.000,00 daqui a um ano. Caso se queira reformular este plano de maneira que sejam
feitos apenas dois pagamentos iguais, um de hoje a nove mêses e outro daqui a um ano,
sendo acertado o custo do dinheiro como igual a 9,50% am (juros compostos), qual o valor
destas duas parcelas iguais? (Resp.: $507.344,22)
20. Exercício. Três notas promissórias ($ 5.000,00, com vencimento hoje; $ 4.000,00, com
vencimento daqui a 30 dias; $ 8.000,00, com vencimento daqui a 60 dias) foram
substituídas por uma única nota ( de valor X, com vencimento daqui a 90 dias), a juros de
0,80% ao mês. Posteriormente esta nota foi trocada por outra equivalente (de valor Y, com
vencimento daqui a 120 dias). Pergunta-se: (a) a nota com valor de resgate Y é equivalente
ao conjunto das três notas iniciais, segundo o regime de capitalização simples? (b) Idem,
segundo a capitalização composta. (Resp.: não; sim)
21. Exercício. Você pretende fazer uma série de depositos numa conta que rende juros de 9%
ao ano. Depositará $ 1.000,00 hoje, $ 2.000,00 daqui a dois anos e $ 8.000,00 daqui a cinco
anos. Se retirar $ 3.000,00 daqui a três anos e $ 5.000,00 daqui a sete anos, quanto sobrará
ao final de oito anos? (Resp.: $5641,12)
22. Exercício. A venda de um eletrodoméstico pelo preço de $ 600,00 está sendo financiada a
juros simples. O cliente pode pagar a compra (a) em um único desembolso 60 dias após, ou
(b) em dois desembolsos iguais e consecutivos, o primeiro a 60 dias e o segundo a 90 dias
após a compra. Calcule os valores a serem pagos para estas duas formas de financiamento, a
uma taxa de juros de 4% am. Utilize o prazo de 60 dias como data focal.
23. Exercício. Você tem que pagar hoje $ 1.200,00 à sua administradora de cartão de crédito.
Qual será o montante da sua dívida, se você postergar o pagamento para daqui a 3 mêses,
considerando-se que a administradora cobra juros simples de 6% am? E se ela cobrar "juros
sobre juros”? (Resp.: $1.416,00; $1.429,21)
24. Exercício. Tem-se uma aplicação em poupança que rende 2% am. Um cliente faz dois
depósitos mensais consecutivos de $ 8.000,00. Trinta dias após o segundo depósito ele faz
uma retirada de $ 4.000,00. (a) Calcule o montante logo após esta retirada; (b) Calcule o
montante de 30 dias após a retirada; (c) Monte uma planilha com os valores mensais de
depósito, retirada, juros e saldo da conta-poupança. (Resp.: a: $12.483,20; $12.732,86)

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Módulo 3 - Séries uniformes
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de determinar o montante, o principal ou
a rentabilidade de um ativo financeiro constituído de uma série uniforme de fluxos de caixa, ou
mesmo o valor das parcelas uniformes deste ativo. Também deverá ser capaz de: calcular o
número de parcelas necessárias para se alcançar um dado montante, conhecidas as condições de
aplicação; compor diferentes formas equivalentes de pagamento de um bem.

Os bens negociados nos mercados financeiros são denominados ativos financeiros. É definido
como ativo financeiro todo título que represente dívida (título de dívida) ou participação
patrimonial (ação).
Dentre os títulos de dívida, temos, por exemplo, as letras de câmbio, os certificados de depósitos,
10
as notas promissórias, as obrigações e as debêntures.
Cada produto do mercado financeiro tem suas especificidades, dentre as quais a de expressar a taxa
de juro em determinada unidade de tempo. Quase sempre, está envolvido o regime de capitalização
composta.
Com relação à matemática dos fluxos de caixa envolvidos, as operações financeiras mais simples
correspondem às operações com dois capitais, ou seja, um principal PV e um montante FV. Trata-
se dos CDBs, Letras de Câmbio, Letras do Tesouro, etc.
Entretanto, diversas operações financeiras podem envolver não dois fluxos de caixa, mas diversos
fluxos distribuidos no tempo. Tais fluxos normalmente são uniformes em termos de valores e
periodicidade, sendo assim denominados séries uniformes. Podemos ter séries com valores
uniformemente crescentes ou decrescentes. Porém, as mais comuns são as séries uniformes
constantes, aplicadas aos pagamentos parcelados de dívidas, ao arrendamento mercantil (leasing) e
ao Sistema Francês de Amortização (SFA).

Bonds e outros Títulos de Renda Fixa


Maturidade. Existem no mercado financeiro inúmeros títulos de renda fixa, os quais se diferenciam
essencialmente pela maturidade (prazo de resgate do título) e natureza do emitente. As emissões de
títulos de renda fixa com maturidade inferior a um ano são geralmente identificadas como
instrumentos de curto prazo do mercado monetário, como títulos públicos, commercial papers e
certificados de depositos bancários. Títulos de renda fixa com maturidade superior a um ano são
denominados obrigações ou bonds. \
Formas de remuneração. Os títulos de renda fixa de curto prazo costumam pagar um montante fixo
em seu vencimento. Por sua vez, os títulos de longo prazo, ou bonds, geralmente pagam juros ou
cupons periódicos, além do valor nominal ou valor de face no vencimento. A periodicidade dos
cupons pode ser semestral, mais comum, ou anual, ou mesmo trimestral. O pagamento de juros em
cada período equivale à taxa de juros impressa na obrigação (taxa do cupom) dividido pelo numero
de pagamentos por ano e multiplicado pelo valor nominal da obrigação. Por exemplo, a cada seis
mêses, uma obrigação semestral de $1.000,00 de 14% a.a. de taxa de juros paga $70,00. Por sua
vez, um título de longo prazo que não paga juros periódicos, mas apenas seu valor de face no
vencimento, é denominado zero cupon bond.
Obrigações ou Bonds são títulos de renda fixa representativos de contratações de empréstimos
pelas empresas ou pelos governos, os quais prometem pagar a seus investidores determinado fluxo
futuro de rendimentos. Esses papéis nada mais são do que notas promissórias emitidas sem
garantias reais que pagam juros periódicos a seus proprietários, ou determinado montante fixo ao
final do prazo de emissão. Uma obrigação normalmente é um empréstimo com pagamento de juros,
o que quer dizer que o tomador pagará juros a cada período, mas nenhuma parcela do principal será
paga até o final do empréstimo. Por exemplo, suponha que a TBA Corporation queira tomar $
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1.000 emprestados por 30 anos. A taxa de juros para dívidas semelhantes, contraidas por empresas
comparáveis, é de 12%. A TBA, portanto, pagará 0,12 x $ 1.000 = $ 120 de juros a cada ano
durante 30 anos. Ao final de 30 anos, a empresa devolverá os $ 1.000. Este montante a ser pago é
denominado valor de face ou valor ao par.
Análise dos Bonds. YTM e preço de mercado. À medida que o tempo passa, as taxas de juros de
mercado variam. Porém, os fluxos de caixa de uma obrigação permanecem constantes. Em
consequência, o valor de mercado da mesma tende a oscilar. Quando as taxas de juros se elevam,
por exemplo, o preço de mercado da obrigação diminui, de modo a atender às expectativas de
quem a está adquirindo. Quando as taxas baixam, seu preço de mercado se eleva.
A taxa de retorno de um investimento é aquela taxa que iguala as entradas de caixa às saídas de
caixa do mesmo, transportados esses fluxos a uma determinada data. Por exemplo, a taxa de
retorno de um CDB é aquela taxa i que promove a igualdade entre o principal investido, PV, e o
montante, FV. Ou seja, é a taxa i na fórmula FV = PV (1 + i) n. A taxa de retorno de uma 11
obrigação, da mesma forma, depende de seu preço de mercado e depende da distribuição dos
cupons e do valor de face. Considerando-se que os cupons possuem valor constante, eles fazem
parte de uma série uniforme. O valor presente desta série, adicionado ao valor presente do valor de
face é igualado ao preço de mercado da obrigação, para uma determinada taxa de juros. Assim,
para cada preço de mercado existe uma taxa de retorno do título. Quanto menor o preço, maior a
taxa. Costuma-se usar a expressão yield to maturity (YTM) para a taxa de retorno dos bonds, e as
calculadoras financeiras costumam ser programadas para o calculo tanto do YTM quanto do preço
de mercado dos bonds.
Observação: quando tivermos um bond com cupons semestrais, seu YTM corresponde à sua
rentabilidade semestral multiplicada por dois; ou seja, seu YTM será uma taxa nominal.
Observação: a HP12C trabalha com as funções YTM e PRICE considerando cupons semestrais.
Assim, quando informamos o PRICE (para um valor de face igual a $ 100,00), a HP12C traz como
YTM uma taxa anual com composição semestral.

Ágio / Desconto:
As obrigações, muitas vezes, são vendidas acima (com ágio) ou abaixo (com desconto) do valor
nominal das mesmas, em função do exigido pelo mercado. Como o valor nominal da obrigação e o
valor do cupom são valores fixos, o preço de venda (valor atual) da obrigação é ajustado para se
chegar ao rendimento esperado. Assim, uma obrigação terá um ágio quando a taxa de cupom
exceder o valor do rendimento de mercado, enquanto que a obrigação terá um desconto quando a
taxa do cupom estiver abaixo do rendimento de mercado.

Fórmulas e fatores de conversão para séries uniformes

Conversão de PMT em FV:


Objetivo: Determinar o montante ou Valor Futuro (FV) resultante da aplicação de uma série
uniforme de pagamentos (PMT), à taxa de juros compostos i, durante n períodos de capitalização,
tendo-se que cada pagamento se dá ao final (série postecipada) ou ao início (série antecipada) de
cada período de capitalização. Em outras palavras, calcular o Valor Futuro da série uniforme de
pagamentos PMT.

Conversão de FV em PMT:
Objetivo: Determinar a série uniforme de parcelas (PMT) aplicadas ao final (série postecipada) ou
ao início (série antecipada) de n períodos de capitalização, à taxa de juros compostos i, capaz de
formar um montante ou Valor Futuro (FV) ao final do período n.
Os fatores de conversão entre FV e PMT, para séries postecipadas
(FV/PMT)
Matematica Financeira = [(1 + i)n - 1] / i (PMT/FV) =
Prof. Helcio Rocha i / [(1 + i)n - 1]
Conversão de PMT em PV:
Objetivo: Determinar o Valor Presente (PV) que deve ser aplicado, à taxa de juros compostos i,
para que possa render uma série uniforme de retiradas (PMT), realizadas ao final (série
postecipada) ou ao início (série antecipada) de cada um dos n períodos de capitalização
subsequentes, com ou sem carência.
Outros exemplos: Empréstimos, onde PV seria a capacidade da empresa em tomar o empréstimo;
Hipotecas; Obrigações; Debêntures

Conversão de PV em PMT:
Objetivo: Determinar a série uniforme de parcelas (PMT) que podem ser retiradas (recuperadas)
ao final (série postecipada) ou ao início (série antecipada) de n períodos de capitalização, com ou
sem carência, a partir da aplicação de um principal ou Valor Presente (PV) à taxa de juros 12
compostos i.
Exemplos: Financiamentos; Arrendamento mercantil (leasing).

Os fatores de conversão entre PV e PMT


(PV/PMT) = [(1 + i)n - 1] / [ i . (1 + i)n ] (PMT/PV) = [ i . (1 + i)n ]/ [(1 + i)n - 1]

1. Exercício. Um empréstimo de $ 100.000 pode ser pago em 4 parcelas mensais iguais. A


taxa é de 5% ao mês. Qual o valor da mensalidade? Qual será o valor da parcela se a 1ª for
paga daqui a 3 mêses?
2. Exercício. Um veículo está sendo financiado em 36 parcelas mensais uniformes de R$
1.500,00, onde a 1ª parcela vencerá um mês após a assinatura do contrato. A taxa é de 2,0%
ao mês. O financiado deseja negociar um adiamento do pagamento da série uniforme, de
modo que a 1ª parcela seja adiada em um mês. Qual deverá ser o novo valor da
mensalidade?
3. Exercício. Dado um financiamento de $ 100.000 à taxa de 1,5% ao mês, a ser pago em 120
parcelas mensais, qual o valor da parcela, em uma série (a) postecipada? (b) antecipada.
Calcule o saldo devedor para cada caso após o pagamento de 60 parcelas.
4. Exercício. Uma debênture pagará a seu portador 8 cupons anuais de $ 1.000,00, além do
valor de resgate de $ 10.000,00, que ocorrerá juntamente com o último cupom. O primeiro
dos 8 cupons será pago daqui a um ano. Quanto um investidor deveria pagar hoje por esta
debênture se quisesse alcançar uma rentabilidade de (a) 9,5%? (b) 10,5%? (c) 10,0%?
5. Exercício. Avalie em cada caso abaixo se a debênture deve ser comprada ao par, ou com
ágio, ou com deságio. Os cupons são pagos anualmente.

Taxa de cupom Rentabilidade anual desejada

10% 11%

10% 10%

10% 9%

6- Exercício. Uma debênture pagará a seu portador 8 cupons anuais de $ 1.000,00, além do
valor de resgate de $ 10.000,00, que ocorrerá juntamente com o último cupom. O primeiro
dos 8 cupons será pago daqui a um ano. Calcule a rentabilidade do debenturista se ele
comprar o papel por $ 10.000,00 (valor de resgate). Recalcule se o comprar com ágio de $
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200,00. Recalcule se o comprar com deságio de $ 200,00.
7- Exercício. Um investidor está avaliando se compra uma debênture com prazo de 10 anos,
valor de face de R$ 10.000,00 e que paga cupons anuais à taxa de 8%. Papéis de mesmo
nível de risco estão rendendo 9,0% ao ano. Qual deverá ser o preço oferecido pelo
investidor para a compra do papel?
8- Exercício. Um televisor comprado hoje pode ser pago em 8 parcelas mensais $ 1.000,00
onde a 1ª vence daqui a um mês. A taxa de juros é de 4% am. (a) Calcule o valor à vista
para a compra do bem. (b) Repita, supondo que o pagamento em uma única parcela ocorra
daqui a um mês. Ou seja, ao invés de pagar daqui a um mês a 1ª parcela, quita-se de
imédiato a dívida. (c) Uma loja oferece o mesmo televisor, com a mesma forma de
parcelamento acima ou pagamento à vista de $ 6.500,00. Calcule a taxa de juros embutida
no parcelamento.
9- Exercício. Uma pessoa está negociando perante um banco o financiamento para a compra
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de um imóvel. Esta pessoa mostra capacidade de pagar durante 60 mêses a mensalidade de
$ 4.000,00. A taxa de juros é de 2,0% ao mês. Calcule a capacidade de financiamento dessa
pessoa. Repetir, considerando um financiamento por 120 mêses.
10- Exercício. Um automóvel de valor $ 80.000 será financiado por leasing, mediante 36
parcelas mensais e um valor residual de $ 20.000. A taxa é de 3% am. (a) Calcule o valor da
mensalidade. (b) Recalcule supondo parcelas mensais antecipadas.
11- Exercício. Uma dívida de R$ 20.000,00 custa a taxa de 3% ao mês. Esta dívida vende hoje,
mas está sendo renegociada para ser paga em uma série uniforme de seis parcelas mensais
iguais. Calcule o valor da mensalidade, supondo-se que ela comece a ser paga (a) hoje; (b)
daqui a um mês; (c) daqui a dois mêses.
12- Exercício. Um poupador está depositando 36 parcelas mensais de R$ 10.000,00 em uma
aplicação que rende a taxa de 2,5% ao mês. Calcule o montante à data do último depósito;
(b) recalcule o montante para um mês após a última parcela.
13- Exercício. Se fizermos atualmente um depósito de $ 100.000,00 em uma poupança que
fornece uma taxa de juros compostos de 1,0 % a.m., pergunta-se: durante quanto tempo
poderemos fazer retiradas mensais de $ 9.000,00? Qual será o saldo final na conta após
essas retiradas?
14- Exercício. Um investidor tem R$ 100.000 em uma aplicação que rende 2% ao mês. Calcule
o valor das retiradas perpétuas possíveis.
15- Exercício. Um poupador planeja depositar mensalmente R$ 100,00, dos 20 anos de idade
até os 60 anos, em uma aplicação que rende 0,5% ao mês. Doze mêses após o último
depósito o poupador iniciará retiradas mensais. Calcule o valor das retiradas supondo-se
que (a) elas ocorrerão durante 20 anos (b) elas serão perpétuas.
16- Exercício. Um plano de previdência permite que seu cliente realize depósitos mensais
uniformes de R$ 200,00 ao longo de 30 anos sucessivos (dos 30 anos de idade aos 60 anos).
O fundo é remunerado a 1,5% am. O contrato prevê que ao final dos depósitos o cliente
possa iniciar a retirada perpétua de uma mensalidade. Calcule o valor dessa mensalidade.
17- Exercício. Um equipamento de preço igual a R$ 150.000 está sendo financiado em 6
parcelas mensais uniformes, à taxa de 2,0% am. Calcule o valor da parcela, considerando-se
que o primeiro pagamento será realizado (a) à vista; (b) em um mês; (c) em três mêses. (R$
26.253,79; R$ 26.778,87; R$ 27.860,74)
18- Exercício. Um imóvel de valor igual a R$ 200.000,00 será pago em 60 parcelas
mensais uniformes postecipadas, à taxa de 1,5% am. (a) Calcule o valor da parcela.
(b) Considere que o valor da parcela possa ser reduzido se o financiado pagar uma
intermediária de R$ 30.000,00 ao final do segundo ano. Calcule nestas condições o
valor da parcela. (R$ 5.078,69; R$ 4.545,77)
19- Exercício. Determinada companhia obteve financiamento de R$ 220.000,00 a juros
de 14% aa para aquisição de um equipamento. Obrigou-se a efetuar três pagamentos
anuais de R$ 85.000,00, com o primeiro desembolso ocorrendo um ano após a
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assinatura do contrato. A companhia também se comprometeu a pagar um valor
residual à data da última parcela. Calcule este valor residual. (a receber R$ 46.726,00)
20- Exercício. Uma pessoa depositou R$ 100.000,00 em uma aplicação que rende 2,0%
a.m. a juros compostos e pretende fazer retiradas mensais de R$ 4.000,00, a primeira
ocorrendo três mêses após o depósito. Quantas retiradas deste valor conseguirá efetuar
e qual será o saldo final na conta logo após a ultima retirada? (37 retiradas; R$
337,46)
21- Exercício. Um investidor está comprando com ágio de R$ 250,00 uma debênture com
valor de resgate (valor de face) igual a R$ 5.000,00. O título renderá juros ou cupons
anuais de R$ 500,00 durante 10 anos. (a) Calcule a TIR do investimento. (b) Sabendo-
se que os cupons serão tributados na fonte à alíquota do IR de 20%, calcule também a
TIR líquida. (9,21% aa; 7,28% aa)
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22- Exercício. Uma debênture que vence daqui a dez anos tem valor de face de R$
1.000,00 e paga cupons anuais a 7,0%. O próximo cupom será pago daqui a um ano.
Calcule a rentabilidade efetiva para o investidor que comprar o papel (a) ao par; (b)
com ágio de R$ 100,00; (c) com deságio de R$ 100,00. (7,0% aa; 5,66% aa; 8,53%
aa)
23- Exercício. Uma obrigação resgatável daqui a seis anos pelo valor nominal de R$
20.000,00 e que paga cupons semestrais a 5% foi comprada hoje por um investidor
para render um YTM de 12%. Calcule o preço de aquisição pago pelo investidor. (R$
14.131,31)
24- Exercício. Determinada companhia obteve financiamento de R$ 220.000,00 para
aquisição de um equipamento. Obrigou-se a efetuar 4 pagamentos semestrais de R$
55.000,00, com o primeiro desembolso ocorrendo seis mêses após a assinatura do
contrato. A companhia também se comprometeu a pagar um valor residual de R$
40.000 seis mêses após a ultima parcela. Calcule a taxa nominal anual deste
financiamento. (12,16%)
25- Exercício. Sua empresa precisa pagar $ 55.000,00 a um credor dentro de um ano e
$45.000,00 dentro de um ano e meio. No entanto, ela gostaria de reestruturar o
empréstimo, de modo a desembolsar quatro pagamentos iguais semestrais, com o
primeiro vencendo daqui a um ano e meio. Se a taxa de juros acordada é de 2,5% ao
mês, qual seria o valor deste pagamento semestral? (R$ 33.502,82)
26- Exercício. Se depositarmos $ 100.000,00 em uma poupança que fornece uma taxa de
juros compostos de 2% a.m., quantas retiradas mensais de $ 9.000,00 poderemos
fazer? Qual será o saldo final na conta após a última retirada? Considere que a
primeira retirada ocorreria um mês após o depósito. (12 retiradas; R$ 6.115,37)
27- Exercício. Você obteve um empréstimo de $ 80.000,00 a uma taxa contratual de 8%
ao ano e está saldando a dívida em pagamentos iguais ao final de cada mês, durante 5
anos. Imediatamente após o pagamento de No. 36, você decide liquidar a dívida.
Quanto deverá então desembolsar? (R$ 35.865,76)
28- Exercício. Uma obrigação resgatavel daqui a 10 anos pelo valor nominal de
R$10.000,00 paga cupons semestrais de R$ 500,00. Sabendo-se que os investidores
esperam um YTM de 12,5%, calcule o preço de negociação (a) hoje; (b) daqui a 90
dias. (R$ 8.594,91; R$ 10.309,27)
29- Exercício. Um equipamento no valor de $ 500.000,00 seria financiado por leasing em
24 mensalidades postecipadas, a uma taxa de 2,0% am. Um valor residual de
$50.000,00 deveria ser pago junto com a última mensalidade. Calcule o valor da
mensalidade. (R$ 24.791,99)

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30- Exercício. Uma obrigação resgatável daqui a dez anos pelo valor nominal de R$
10.000,00 e que paga cupons semestrais a 5% foi comprada hoje por um investidor
por R$ 10.450,00. Sabendo-se que este investidor receberá seu primeiro cupom
somente daqui a seis mêses, calcule o YTM do título. (4,44%)
31- Exercício. Uma empresa obteve há alguns anos atras um financiamento no valor de $
1.000.000,00 para aquisição de um imóvel. Este empréstimo está sendo pago em 120
parcelas mensais segundo o Sistema Francês de Amortização, a uma taxa de juros
nominal de 18% aa., tendo vencido a primeira parcela um mês após a assinatura do
contrato. Hoje foi paga a parcela No. 72. Entretanto, a empresa financiada gostaria de
um prazo maior para o pagamento de sua dívida. Deste modo, o saldo devedor atual
está sendo renegociado, de modo a ser pago em 60 parcelas iguais. Calcule o valor
destas parcelas. (R$ 15.576,23)
32- Exercício. Um financiamento de R$100.000 será liquidado em 10 prestações mensais, 15
iguais e sucessivas. Considerando a 1a. prestação para 180 dias após a liberação do
financiamento, qual será o valor da prestação a uma taxa nominal de 24% aa? (R$
12.291,34)
33- Exercício. Uma empresa que está planejando uma reforma no parque industrial, prevê
dispêndios mensais da ordem de R$ 600.000,00, nos mêses de agosto, setembro,
outubro e novembro. Quanto deve ser depositado, mensalmente, de janeiro a julho, do
mesmo ano, para que seja possível efetuar tais retiradas? Considerar a taxa de juros de
2,0% ao mês. (R$ 254.399,06)
34- Exercício. Uma ponte tem um custo de construção de $ 3.000.000,00. A mesma
deverá deve ser reformada a cada dez anos indefinidamente, a um custo de $
150.000,00. Calcular seu custo capitalizado a uma taxa efetiva de 1,0 % ao mês.
35- Exercício. Você esta assinando um empréstimo hipotecário de $ 100.000,00 para ser pago
em 25 anos em 300 prestações mensais. (a) Se a taxa de juros contratual for de 16% aa, qual
será o valor de cada prestação? (b) Se você pode pagar apenas $ 1.000,00 por mês, qual será
o máximo que poderá tomar emprestado? (c) Se você só pode pagar $ 1.500,00 por mês e
precisa tomar emprestado $ 100.000,00, quantos mêses seriam necessários para pagar o
empréstimo hipotecário? (d) Se você só pode pagar $ 1.500,00 por mês, precisa de $
100.000,00 e deseja um plano hipotecário de 25 anos, qual é a maior taxa de juros que pode
pagar? (Resp.: obs: 16%/12 am, a: $1.358,88; b: $73.589,53; c: 165 mêses, com um
resíduo de $1.315,49 junto com a ultima parcela; d: 1,482% am = 17,78% APR). Obs: no
item c, a calculadora financeira arredonda o número de períodos para cima, ou seja, para
166 mêses; ela não considera valores residuais.
36- Exercício. Uma debênture pagará a seu portador 8 cupons semestrais de $ 1.000,00, além
do valor de resgate de $10.000,00, que ocorrerá juntamente com o último cupom. O
primeiro dos 8 cupons será pago daqui a seis mêses. (a) Quanto um investidor deveria pagar
hoje por esta debênture, se quisesse alcançar uma rentabilidade YTM de 12,0 %? (b)
Quanto deveria pagar hoje por esta debênture, se quisesse alcançar uma rentabilidade
efetiva de 12,0 % ao ano?
37- Exercício. Um equipamento no valor de $350.000,00 será financiado em 36 mensalidades
postecipadas, a uma taxa de 2,5% am. (a) Calcule o valor de cada mensalidade; (b) Uma
forma equivalente de financiamento, por leasing, envolveria um outro valor de mensalidade
e o pagamento de um valor residual de $70.000,00 junto com a última mensalidade. Calcule
esse outro valor de mensalidade, para o leasing. (Resp.: a: $14.858,05; b: $13.636,44)
38- Exercício. Você efetuará 15 depósitos mensais de $ 2.000,00 em uma aplicação que
remunera a 3% am. (a) Calcule o montante alcançado à data do ultimo depósito; (b) Calcule
o montante obtido se você efetuar o resgate somente três mêses após o ultimo deposito.
(Resp.: a: $37.197,82; b: $40.647,07)
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39- Exercício. Suponha que você esteja pensando em tomar emprestado $ 120.000,00 para
financiar a compra de uma casa. A taxa contratual anual de juros é de 9% e os pagamentos
são feitos mensalmente. (a) Se a hipoteca tiver uma programação de amortização em 30
anos, de quanto serão os pagamentos mensais? (b) Que taxa anual efetiva você estaria
pagando? (c) Como suas respostas aos itens a e b mudariam, se o empréstimo se
amortizasse em 15 anos em vez de 30? (d) Suponha que, no ano passado, você tenha tirado
o empréstimo descrito no item "a”. Agora as taxas de juros baixaram para 8% aa. Qual seria
o saldo de sua hipoteca atual depois de 12 pagamentos? E qual seria seu pagamento, se você
refinanciasse sua hipoteca à taxa mais baixa por 29 anos? 2 (Resp.: obs: taxa = 9%/12; a:
$965,54; b: 9,38%; c: $1.217,12, a mesma taxa; d: saldo = $119.180,25 e PMT = $881,86)
Obs.: as amortizações e, por consequência, os saldos devedores após sucessivos pagamentos,
podem ser encontrados através da função AMORT na calculadora financeira HP12C.
40- Exercício. Você planeja aplicar em um fundo de poupança que rende 4% ao ano, 16
depositando $ 1.000,00 ao final de cada ano, durante os proximos 35 anos. Após estes 35
anos, você pretende fazer retiradas de $ 4.000,00 ao final de cada ano. Em quantos anos
este fundo será exaurido? (Resp.: em 34 anos, com reslduo de $28,18 junto com a ultima
retirada)
41- Exercício. Você obteve um empréstimo de $ 10.000,00 a uma taxa contratual de 6% ao ano
e está saldando a dívida em pagamentos iguais ao final de cada mês, durante 10 anos.
Imediatamente após o pagamento de No. 72, você decide liquidar a dívida. Quanto deverá
então desembolsar? (Resp.: $ 4.727,33)
42- Exercício. Uma obrigação da Cowles Industries tem taxa nominal (taxa de cupom) de 10%
e valor de face igual a $ 1.000,00. Os juros são pagos semestralmente, e a obrigação tem
prazo de 20 anos ate seu vencimento. Se os investidores exigirem um retorno de 12%
compostos semestralmente (trata-se de seu YTM desejado!!!), qual será o valor atual da
obrigação? Qual e o retorno anual efetivo dessa obrigação? 8 (Resp.: $849,53; 12,36%)
Obs.: a HP12C calcula o valor atual para um FV de $ 100,00 atraves da função PRICE. Para tal,
precisamos langar datas hipoteticas de acordo com o prazo dado de 20 anos. Importante: a HP12C
assume que os cupons são semestrais. Exemplo:
12 i
10 PMT
1.042003 ENTER
1.042023 f PRICE
Como resultado, encontramos um PV de $ 84,95.

Custo capitalizado. Existem diversas atividades cujos ativos devem ser mantidos
permanentemente, reformados ou substituidos periodicamente a cada certo numero de anos. Essa
reforma ou substituição origina desembolsos que constituem uma perpetuidade, tal como ocorre
com a manutenção de estradas e pontes. O custo capitalizado de um ativo esta constituido pelo seu
custo inicial mais o valor presente das infinitas substituições ou reformas a serem feitas de modo
que ele seja mantido em operação indeterminadamente. (Samanez)

Exercício. Custo capitalizado. Um canal de irrigação teve um custo inicial de $ 500.000. O


engenheiro projetista da obra estima que, para manter-se permanentemente em condições
operacionais, a cada três anos deve ser realizada uma reforma do canal a um custo aproximado de $
150.000. Pede-se calcular o custo capitalizado do canal, admitindo-se um custo do capital de 15%
ao ano. (Resp.: $787.977)

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Módulo 4 - Sistemas de amortização
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de calcular os pagamentos, os juros
e amortizações periódicos relativos ao financiamento de um bem de acordo com o sistema de
amortização desejado (francês, de amortização constante, misto ou americano) e de acordo
com prazo e taxa de juros estabelecidos. Por último, deverá ser capaz de recalcular os
pagamentos, os juros e as amortizações em função de projeções de atualizações monetárias.

Pagamento parcelado de empréstimos ou dívidas


O pagamento de um empréstimo ou de uma dívida consiste na devolução parcelada ou não do
principal (amortização ou redução do saldo devedor) e no pagamento de juros, calculados
sobre o saldo devedor. 17
Existem vários modos de se saldar uma dívida (restituir o capital ou principal e pagar os
juros). Exemplos:
- Pagamento dos juros no ato da liberação do capital e devolução do principal no final da
operação (ex.: empréstimos bancários com juros antecipados);
- Pagamento parcelado dos juros e devolução do principal no final da operação (ex.: Sistema
Americano de Amortização);
- Pagamento parcelado dos juros e do principal (ex.: Sistema de Amortização Constante,
Sistema Francês de Amortização). Neste caso, cada parcela é composta de amortização da
dívida e de pagamento de juros: Prestação = Amortização + Juros. O modelo clássico
consiste no pagamento em parcelas constantes (série uniforme).
A discriminação entre amortização e juros, dentro das prestações, tem sua motivação pela
necessidade de identificação dos juros, que são dedutíveis para efeitos de taxação do Imposto
de Renda da Pessoa Jurídica.

Sistemas de amortização
Normalmente, o mercado trabalha com o termo pagamento parcelado para operações de curto
prazo, como, por exemplo, um empréstimo de capital de giro, com 120 dias de prazo, para ser
pago em quatro parcelas. Para empréstimos mais longos, existem diversas modalidades de
restituição do capital e de pagamento dos juros, chamadas de sistemas de amortização,
empregadas principalmente em operações de arrendamento mercantil e de financiamento de
imóveis, instalações, equipamentos, etc.
Os sistemas de amortização estabelecem uma sistematica de restituição parcelada do capital e
de pagamento de juros sobre o saldo devedor. Embora possa ser montado qualquer sistema de
amortização, existem alguns modelos já consagrados pelo uso, como o Sistema Francês de
Amortização, para o capital de giro, arrendamento mercantil, crédito direto ao consumidor,
etc., e o Sistema de Amortização Constante ou o Sistema de Amortização Misto para
financiamento de imóveis.

Características gerais dos Sistemas de Amortização


Para qualquer que seja o Sistema de Amortização empregado, o saldo devedor corresponde
inicialmente ao valor do empréstimo captado. Este saldo devedor é diminuído gradativamente
com os pagamentos das chamadas amortizações. A qualquer momento, o saldo devedor
corresponderá ao empréstimo captado diminuído do somatório das amortizações realizadas. O
saldo devedor após o pagamento de todas as parcelas deverá ser teoricamente nulo, podendo
diferir de zero em função de arredondamentos. Além disso, o saldo devedor, logo após a
realização de um pagamento, equivalerá ao valor presente de todos os pagamentos ainda por
efetuar. Finalmente, para qualquer Sistema de Amortização, os juros são calculados
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multiplicando-se a taxa de juros pelo saldo devedor imediatamente anterior e cada parcela
paga é o somatório dos juros com a amortização realizada.
Os sistemas de amortização mais conhecidos são os seguintes:
• Sistema Francês de Amortização - SFA ou Sistema de Pagamentos Constantes -SPC;
• Sistema de Amortização Constante - SAC;
• Sistema de Amortização Misto - SAM;
• Sistema Americano de Amortização - SAA ou Sistema de Amortização Única Final

Particularidades de cada Sistema de Amortização

No SFA, as parcelas possuem valor constante, correspondendo a uma série uniforme. A 18


primeira parcela costuma ter uma fatia elevada de juros e uma amortização diminuta.
Gradativamente, nas parcelas subsequentes, o valor dos juros decai em decorrência da redução
do saldo devedor. Em contrapartida, o valor da amortização aumenta.

No SAC, o valor da amortização é constante. Como consequência, as parcelas possuem valor


decrescente, em função da redução gradativa dos juros.

O SAM corresponde a uma combinação do SFA com o SAC. Embora nesta combinação possa
prevalecer ora as características do SFA, ora as do SAC, o mais comum é o uso do Sistema
Misto correspondente à média aritmética entre o SFA e o SAC.

Finalmente, no SAA, em todas as parcelas – exceto na última – não há amortização, apenas


pagamento de juros. Na última parcela, além dos juros há a amortização integral da dívida.
Como consequência da amortização somente ao final, o valor dos juros é constante ao longo
do financiamento.

TABELA PRICE
A Tabela Price consiste no reembolso de empréstimos por meio de prestações mensais, o que é
mais comum para o Brasil. Por ela, a taxa anual contratual é nominal, e a taxa efetiva mensal é
calculada dividindo-se a taxa anual por 12. Geralmente, a Tabela Price é associada a pagamentos
constantes, ou seja, ao SFA.

TABELA DE AMORTIZAÇÃO: Para fins contábeis, é desejável preparer-se uma tabela que
indique para cada pagamento realizado qual é o valor da amortização e qual é o valor dos juros
pagos.
PLANILHA GERAL PARA SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO:
Data Saldo Devedor Amortização Juros Pagamento
K SD A J P
0
1
2

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Observar que se pagarmos exatamente o valor dos juros não teremos mudança no
saldo devedor. O que pagarmos acima do valor dos juros deverá ser a amortização.
Aquele valor de juros que não pagarmos deverá ser adicionado ao saldo devedor, de
acordo com a capitalização composta.

COMPARAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO


A vantagem da adoção de qualquer um dos sistemas, quando houver liberdade de escolha, irá
depender do custo de oportunidade do capital do financiado, bem como do efeito dos juros sobre o
Imposto de Renda, mesmo que a taxa de juros seja constante. Sem levar em conta este efeito,
quanto maior for o custo do capital do devedor (em comparação à taxa de juros do financiamento a
amortizar), menor será seu interesse em empatar capital na amortização da dívida, ou seja, maior
será seu interesse pelo SAA, depois pelo SFA, e, por fim, pelo SAC. 19

Explicando-se de outra forma, se o financiamento captado por uma pessoa for aplicado em um
empreendimento cuja taxa de retorno é superior à taxa de juros, poderemos julgar que este
financiamento é comparativamente barato e por isto será vantajoso o amortizar mais lentamente;
valerá então a pena optar pelo SFA em comparação ao SAC.

AMORTIZAÇÃO COM CORREÇÃO MONETÁRIA


Quando os contratos de financiamento incluem cláusulas de correção monetária, os valores das
planilhas devem sofrer reajustes periódicos, conforme tais cláusulas. A partir do conhecimento do
índice e da periodicidade de reajuste, podemos seguir dois caminhos:
1. Preenchimento da planilha em moeda corrente: Reajustamos periodicamente todos os valores
da planilha segundo o índice de correção, não considerando, obviamente, prestações já pagas e
parcelas já amortizadas do saldo devedor. Em geral, quando um financiamento é pago em
parcelas mensais, as parcelas são reajustadas a cada 12 meses.
2. Preenchimento da planilha em unidade padrão de poder aquisitivo constante: elabora-se a
planilha em valores fixos de uma unidade padrão de poder aquisitivo, que periodicamente são
convertidos em valores de moeda corrente.

Efeito da correção monetária sobre o saldo devedor. Quando o número de parcelas mensais de um
financiamento é grande, um alto índice de correção monetária pode fazer com que o saldo
devedor aumente nos primeiros anos de pagamento. Se, por exemplo, um financiamento de $
100.000,00 for pago em 120 parcelas mensais à taxa de 2% ao mês, o saldo devedor poderá cair
em 2,7% após as 12 primeiras parcelas, caso não haja correção monetária. Entretanto, se o índice
de correção monetária do primeio ano for de por exemplo 5%, o saldo devedor se elevará para $
102.115,73.

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Exercício. Uma dívida atual no valor de $ 100.000,00 deve ser saldada em cinco pagamentos
anuais postecipados, a 8% ao ano. Calcular os pagamentos realizados, os juros pagos e as
amortizações efetuadas a cada ano, para o Sistema de Amortização (a) Francês; (b) Constante;
e (c) Americano.

Resposta:
Financiamento R$100.000,00
Taxa de juros 8,00%
Prazo 5
SFA Saldo Devedor
Data Inicial Amortização Juros Pagamento
20
1 100.000,00 17.045,65 8.000,00 25.045,65
2 82.954,35 18.409,30 6.636,35 25.045,65
3 64.545,06 19.882,04 5.163,60 25.045,65
4 44.663,02 21.472,60 3.573,04 25.045,65
5 23.190,41 23.190,41 1.855,23 25.045,65
SAC Saldo Devedor
Data Inicial Amortização Juros Pagamento
1 100.000,00 20.000,00 8.000,00 28.000,00
2 80.000,00 20.000,00 6.400,00 26.400,00
3 60.000,00 20.000,00 4.800,00 24.800,00
4 40.000,00 20.000,00 3.200,00 23.200,00
5 20.000,00 20.000,00 1.600,00 21.600,00
SAA Saldo Devedor
Data Inicial Amortização Juros Pagamento
1 100.000,00 0,00 8.000,00 8.000,00
2 100.000,00 0,00 8.000,00 8.000,00
3 100.000,00 0,00 8.000,00 8.000,00
4 100.000,00 0,00 8.000,00 8.000,00
5 100.000,00 100.000,00 8.000,00 108.000,00

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1- Exercício. Uma empresa obteve financiamento de $ 6.000.000,00 junto ao BNDES,
que foi pago em cinco parcelas anuais postecipadas segundo o SFA. Este
financiamento esteve sujeito à atualização monetária com base na variação anual
absoluta da Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP) e a juros de 7,8% ao ano. Calcular os
pagamentos realizados, os juros pagos e as amortizações efetuadas a cada ano,
sabendo-se que a TJLP alcançou os seguintes valores: (a) 9% aa na data da assinatura
do contrato; (b) 10,2% aa, 12 mêses após; (c) 11% aa, 24 mêses após; (d) 11% aa, 36
mêses após; (e) 12,5% aa, 48 mêses após; (f) e 13% aa, 60 mêses após.
Resposta:
Financiamento 6.000.000,00 Corr. Monetaria
Taxa de juros 7,80% Ano 1 1,20%
Prazo 5 Ano 2 0,80% 21
Sistema: SFA Ano 3 0,00%
Ano 4 1,50%
Ano 5 0,50%
Base:
SFA Saldo Devedor
Data Inicial Amortização Juros Pagamento
1 6.000.000,00 1.026.825,86 468.000,00 1.494.825,86
2 4.973.174,14 1.106.918,28 387.907,58 1.494.825,86
3 3.866.255,85 1.193.257,91 301.567,96 1.494.825,86
4 2.672.997,95 1.286.332,02 208.493,84 1.494.825,86
5 1.386.665,92 1.386.665,92 108.159,94 1.494.825,86

Realizado:
SFA Saldo Devedor
Data Inicial Amortização Juros Pagamento
1 6.072.000,00 1.039.147,77 473.616,00 1.512.763,77
2 5.073.115,04 1.129.162,91 395.702,97 1.524.865,88
3 3.943.952,13 1.217.237,62 307.628,27 1.524.865,88
4 2.767.615,23 1.331.864,89 215.873,99 1.547.738,87
5 1.442.929,10 1.442.929,10 112.548,47 1.555.477,57

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2- Exercício. Um empréstimo de $ 100.000,00 será amortizado em 4 parcelas anuais pelo
SAC. A taxa é de 8% ao ano. Construa a tabela de financiamento.
Desdobramento: refaça, supondo que na 1ª parcela o financiado pague apenas $ 8.000,00.
Desdobramento: refaça, supondo que a 1ª parcela seja paga dois anos após a obtenção do
empréstimo.
3- Exercício. Um empréstimo de $ 100.000,00 será amortizado em 4 parcelas anuais pelo SFA.
A taxa é de 8% ao ano. Construa a tabela de financiamento.
Desdobramento. Uso da função AMORT. Calcule os juros embutidos nas duas primeiras parcelas;
calcule os juros embutidos nas três primeiras parcelas.
4- Exercício. Um empréstimo de $ 100.000,00 será amortizado em 4 parcelas anuais pelo SAM 22
(Sistema de Amortização Misto). A taxa é de 8% ao ano. Construa a tabela de
financiamento.
5- Exercício. Um financiamento de $ 200.000,00 à taxa de 24% ao ano será pago em 60
parcelas mensais. Calcule os juros e amortização das duas primeiras parcelas, supondo-se
tratar do (a) SFA; (b) SAC; (c) SAM.
Obs: taxa mensal = taxa anual / 12
6- Exercício. Uma empresa está obtendo um financiamento no valor de $ 3.000.000,00 para
aquisição de equipamentos. Este empréstimo será pago em 60 parcelas mensais segundo o
Sistema Francês de Amortização, vencendo a primeira parcela um mês após a assinatura do
contrato. Sabendo-se que a taxa de juros nominal deste financiamento é de 20,0% ao ano e
que a capitalização é mensal, calcule o valor de cada parcela e o saldo devedor após o
pagamento da 36a. parcela.
7- Exercício. Correção monetária.Um empréstimo de R$ 100.000,00 está sendo pago em 120
mensalidades uniformes, à taxa de 2,0% ao mês. Após as primeiras 12 parcelas, será
aplicado o índice de CM de 5,0%. Qual será o saldo devedor após a correção monetária?
8- Exercício. Uma empresa deverá tomar um financiamento de R$ 500.000,00 a uma taxa de
60% a.a., compostos mensalmente. Durante os 4 primeiros mêses serão pagos apenas os
juros correspondentes. A partir do quinto mês será iniciada uma série de quatro prestações
mensais, pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Qual será a parcela de juros
embutida na quarta prestação?
9- Exercício. Uma empresa está obtendo um financiamento no valor de $ 14.000.000,00 para
um de seus projetos. Este empréstimo será pago em 18 parcelas anuais segundo o Sistema
Francês de Amortização, vencendo a primeira parcela um ano após a assinatura do contrato.
Sabendo-se que a taxa de juros deste financiamento é de 17,0% ao ano, calcule (a) os juros
totais pagos nas duas primeiras parcelas; (b) o saldo devedor após o pagamento da 14a.
parcela.
10- Exercício. Um financiamento imobiliário, a juros de 2,4% am e no valor de R$ 200.000,00
será pago em 60 parcelas mensais uniformes, de acordo com o SFA. O financiado deseja que
o valor de cada uma das parcelas de No. 31 a 60 seja igual a metade do valor das parcelas 01
a 30. Para isso, solicita que por contrato possa pagar uma “intermédiaria” juntamente com a
parcela de No. 30, de modo a reduzir de modo substancial seu saldo devedor. Calcule o
valor desta intermédiaria.
11- Exercício. Um financiamento de R$100.000,00 a juros de 2% am será pago em 60 parcelas
mensais de acordo com o Sistema Misto de Amortização. Calcule os juros e a amortização
embutidos na primeira parcela de pagamento.

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 22


12- Exercício. Uma empresa está obtendo um financiamento no valor de $ 3.000.000,00 para
aquisição de equipamentos. Este empréstimo será pago em 60 parcelas mensais segundo o
Sistema Francês de Amortização, vencendo a primeira parcela um mês após a assinatura do
contrato. Sabendo-se que a taxa de juros nominal deste financiamento é de 20,0% ao ano,
calcule o valor de cada parcela e o saldo devedor após o pagamento da 36a. parcela.
13- Exercício. Uma empresa obteve financiamento de $ 2.000.000,00 junto a um banco de
desenvolvimento e que foi pago em quatro parcelas anuais postecipadas segundo o Sistema
Francês de Amortização. Este financiamento esteve sujeito à atualização monetária anual
com base em um determinado índice estabelecido em contrato. Calcular os pagamentos
realizados, sabendo-se que o indice de correção monetaria alcançou os seguintes valores:
2,4% no primeiro ano, 2,0% no segundo, 1,8% no terceiro e 1,6% no quarto ano.
14- Exercício. Uma empresa está obtendo um financiamento no valor de $ 3.000.000,00 para 23
aquisição de equipamentos. Este empréstimo será pago em 60 parcelas mensais segundo o
Sistema Francês de Amortização, vencendo a primeira parcela um mês após a assinatura do
contrato. Sabendo-se que a taxa de juros nominal deste financiamento é de 24% ao ano,
calcule o saldo devedor após o pagamento da 36a. parcela.
15- Exercício. Uma empresa deverá tomar um financiamento de R$ 500.000,00, a uma taxa de
8,0% a.a. Durante os dois primeiros anos serão pagos apenas os juros correspondentes. A
partir do terceiro ano será iniciada uma serie de quatro prestações anuais postecipadas, pelo
Sistema de Amortização Constante (SAC). Qual será a parcela de juros embutida em cada
uma das quatro prestações?
16- Exercício. Uma empresa está obtendo financiamento de $ 2.000.000,00 junto a um banco de
desenvolvimento à taxa de 10% ao ano e que será pago em oito parcelas anuais postecipadas
segundo o Sistema Francês de Amortização. Supondo não haver atualização monetária,
calcule o total de juros embutidos nas seis primeiras parcelas e o saldo devedor após o
pagamento da sexta parcela.
17- Exercício. Uma empresa obteve financiamento de $ 2.000.000,00 junto a um banco de
desenvolvimento, e que foi pago em quatro parcelas anuais postecipadas segundo o Sistema
Francês de Amortização. Este financiamento esteve sujeito à atualização monetária anual
com base em um determinado índice estabelecido em contrato. Calcular os pagamentos
realizados, sabendo-se que o índice de correção monetária alcançou os seguintes valores:
2,4% no primeiro ano, 2,0% no segundo, 1,8% no terceiro e 1,6% no quarto ano.

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 23


Módulo 5 - Equivalência de taxas de juros
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de converter uma dada taxa de juros em
outra equivalente, variando-se o período de capitalização. Como consequência, deverá ser capaz:
de comparar, por exemplo, uma taxa de juros mensal com outra taxa, anual, com o intuito de tomar
decisões de investimento; de comparar os custos de captação com os de remuneração de uma
instituição financeira e calcular seu spread.

Taxas de juro equivalentes entre si são aquelas que produzem o mesmo valor futuro (ou montante) a
partir de um mesmo valor presente (ou capital), durante um mesmo prazo.
I. Taxas de juro simples equivalentes:
S = P . (1 + i1 . n1 ) = P . (1 + i2 . n2 ) 24
► i . n = constante onde:
i = taxa de juro
n = número de períodos contidos no prazo em questão.
A conversão entre duas taxas de juros simples envolve operações de
multiplicação e divisão.
Exemplos.: Para convertermos uma taxa mensal simples em uma taxa anual
equivalente multiplicamos aquela taxa por 12. Para convertermos uma taxa
trimestral em uma taxa mensal, dividimos aquela por três.

II. Taxas de juro compostas equivalentes:


FV = PV.(1 + i1) n1 = PV.(1 + i2) n2
► (1 + i) n = constante
onde:
i = taxa de juro
n = número de períodos contido no maior prazo em questão.
A conversão entre duas taxas de juros compostos envolve operações de
exponenciação. Exemplos:
Para convertermos uma taxa mensal “im” em uma taxa anual “ia” equivalente
resolvemos a equação ( 1 + im )12 = ( 1 + ia )1
Para convertermos uma taxa mensal “im” em uma taxa trimestral “it”
equivalente resolvemos a equação ( 1 + im )4 = ( 1 + it )1

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 24


Observar que:
Por envolver apenas operações de multiplicação ou divisão, nas conversões entre taxas de juros
simples estas podem ser mantidas em valores percentuais. Porém, as taxas de juros compostos
devem ser transformadas de valores percentuais para valores unitários, antes de sua interconversão.

1- Exercício. Um CDB no valor de $ 2.000,00 renderá, daqui a 90 dias, o montante bruto de $


2.300,00. Calcule sua rentabilidade bruta em bases mensal, trimestral e anual. (Resp.: 4,77%
am; 15,0% at; 74,9% aa)
25
2- Exercício. Calcule a taxa mensal, a trimestral e a semestral equivalentes à taxa efetiva de
24% aa, para o regime de capitalização composta. (Resp.: 1,81% am; 5,53%; 11,36% as)
3- Exercício. A taxa de juros para compras a prazo em uma loja está em 32% aa. Sabendo-se
que este financiamento se dá a juros simples, calcule a taxa de juros em bases mensais.
(Resp.: 2,67% am)
4- Exercício. Spread bancário. Um banco capta recursos atraves de CDB para sua linha de
crédito de capital de giro. Se, por um lado, o banco remunera seus CDBs pré-fixados para 30
dias a 16,40% aa, efetivos, por outro, cobra 2,5% am para financiamento de capital de giro
das empresas. Calcule o spread bancário em bases anuais. (Resp.: 18,09%)

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Módulo 6 - Taxa contratual e taxa efetiva. Taxa over
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de converter uma taxa de juros anual
contratual ou nominal em uma taxa efetiva, e vice-versa. Também deverá ser capaz de
correlacionar entre si as taxas over ao dia, ao mês e ao ano de uma aplicação financeira.

Taxa efetiva é a que corresponde efetivamente ao custo do dinheiro empregado ou emprestado em


uma determinada operação, a partir da qual calculamos os juros a cada período de capitalização ( J =
P.i ). Taxa anual declarada ou contratual é aquela nominalmente declarada ou registrada nos
contratos de uma operação financeira, podendo corresponder (cap. simples) ou não (cap. composta)
ao seu custo efetivo.
Muitas vezes, o prazo da taxa de juro que figura em um contrato ou taxa contratual não coincide 26
com o período de capitalização da operação financeira, cuja taxa efetiva é omitida. É comum o uso
de uma taxa anual declarada, quando a capitalização é semestral, trimestral, mensal ou mesmo
diária. Nestes casos, a título de facilidade de cálculo, a taxa efetiva é uma fração da taxa contratual,
sendo esta também denominada taxa proporcional. O que fazer, então, para se poder calcular tanto
os juros como o montante da operação? Quando isso ocorre, são possíveis dois cenários:
O regime é o de capitalização simples:
Como a taxa contratual e a taxa efetiva guardam proporcionalidade entre si, elas são taxas
equivalentes. Assim, podemos calcular os juros e o montante simplesmente a partir da taxa
contratual, independentemente de conhecermos ou não qual é o período de capitalização da
operação.
O regime é o de capitalização composta:
Como a taxa contratual e a taxa efetiva guardam proporcionalidade entre si, mas não são taxas
equivalentes, precisamos obrigatoriamente conhecer o período de capitalização para linearmente
determinarmos a taxa efetiva, como uma fração da taxa contratual.
Exemplo: Quando é mencionada uma taxa anual de juros e se informa, por exemplo, que a
capitalização é mensal (ou, em outras palavras, que o dinheiro vale X% compostos
mensalmente), a taxa mencionada é declarada, devendo ser convertida para a efetiva, mensal,
dividindo-a por 12. Quando a capitalização é trimestral, divide-se a taxa mencionada por 4, para
se encontrar a taxa efetiva, trimestral.

Observação: Podemos encontrar a sigla APR (Annual Percentage Rate) para a taxa anual
percentual ou contratual e a sigla EFF (de Effective Annual Rate) para a taxa anual efetiva.

Taxa over: As operações overnight são aquelas com capitalização diaria. Entretanto, esta
capitalização se restringe aos dias úteis. Sua remuneração costuma ser apresentada em bases
mensais, sob a denominação de taxa over. Esta taxa over e nominal e e calculada multiplicando-
se a taxa diaria efetiva por 30. Caso se queira realizar uma operação de overnight, divide-se a
taxa over por 30 e capitaliza-se o principal aplicando-se a taxa diaria encontrada e considerando-
se o numero de dias uteis envolvidos na operação.

Eventualmente, algumas fontes informam a taxa over em bases anuais. Neste caso, a taxa over anual
é efetiva. A interconversão entre a taxa over anual e a diária se dá com base no número de dias úteis
do ano, igual a 252.

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 26


1- Exercício. Uma financeira cobra uma taxa de juros compostos de 12% ao mês nos
empréstimos a seus clientes. Entretanto, divulga aos mesmos a respectiva taxa anual
proporcional. (a) Qual é esta taxa? (b) Qual é o custo anual efetivo deste financiamento?
(Resp.: 144% aa; 289,6% aa)
2- Exercício. Taxa over. Um capital de R$ 100.000 está sendo remunerado à taxa over de 2,0%
ao mês. Calcule o montante resultante de um período mensal contendo 21 dias uteis.
Recalcule para um mês com 19 dias uteis.
3- Exercício. Uma aplicação financeira está rendendo a taxa over diária de 0,1%. (a) Calcule
sua rentabilidade mensal efetiva para um mês com 20 dias úteis; (b) Calcule sua
rentabilidade anual para um ano com 252 dias úteis. (Resp.: a: 2,02%; b: 28,6%)
4- Exercício. Em uma aplicação a curto prazo, a juros de 36% aa over, qual será o montante
27
obtido a partir de uma aplicação de $ 10.000,00 por 10 dias úteis? (Resp.: $10.122,76)
5- Exercício. A taxa over de uma aplicação mensal está em 2,4%. Considerando-se que no
referido mês hajam 22 dias úteis, calcule a taxa efetiva (a) diária; (b) mensal. (Resp.: a:
0,08%; b: 1,77%)
6- Exercício. Converta a taxa over anual de 44% em (a) taxa efetiva diária; (b) taxa over
mensal; (c) taxa efetiva mensal. Considere 21 dias úteis e 30 dias corridos ao mês. (Resp.: a:
0,145%; b: 4,34%; c: 3,08%)
7- Exercício. Uma aplicação em CDI rendeu efetivamente 16,5% aa, segundo os dias úteis.
Sabendo-se que, comparativamente, a poupança remunerou 0,5691% por um mês com 19
dias úteis, identifique o melhor investimento. (Resp.: CDI, com 1,16% am)
8- Exercício. Em uma aplicação por 30 dias corridos, a taxa over flutuou segundo os valores:
2,77% am por 10 dias úteis; 2,89% am por 3 dias úteis; e 3,16% am por 6 dias úteis. Qual foi
a taxa over média mensal? Qual foi a taxa exponencial mensal?
9- Exercício. De uma aplicação de R$120.000,00 pelo prazo de 30 dias corridos,
correspondentes a 19 dias úteis, foram resgatados R$128.000,00. Pede-se determinar a taxa
over mensal obtida. (10,21%)
10- Exercício. Uma empresa aplicou $ 150.000,00 de seu saldo de caixa em um investimento de
renda fixa, a uma taxa over de 2,8% am. O prazo de aplicação foi de 12 dias úteis, sendo
tributados na fonte 46% de IOF e 20% de IR. Calcule o montante liquido. (R$ 150.729,50)
11- Exercício. Uma empresa aplicou $ 50.000,00 de seu saldo de caixa em um investimento de
renda fixa, a uma taxa over de 2,8% am. O prazo de aplicação foi de 12 dias úteis, sendo
tributados na fonte 46% de IOF e 20% de IR. Calcule (a) o montante liquido; (b) a
rentabilidade liquida da aplicação. (R$ 50.243,16; faltam dados do prazo)
12- Exercício. A taxa over de uma aplicação mensal esta em 2,8%. Considere que no referido
mês haja 19 dias úteis. (a) Calcule a taxa efetiva mensal. (b) Qual será o montante obtido a
partir de uma aplicação de $ 100.000,00 por 10 dias úteis? (1,79%; R$ 100.937,26)
13- Exercício. Um investidor aplicou R$ 25.000,00 durante um determinado mês em uma
aplicação financeira que rendeu de acordo com a taxa over. Após os 30 dias o montante
bruto foi de R$25.850,00. Sabendo-se que o referido mês teve 20 dias úteis, calcule a taxa
over do investimento. (5,02% am)
14- Exercício. Uma empresa investiu R$ 225.000,00 durante 11 dias úteis numa aplicação
financeira que rendeu de acordo com a taxa over. Ao final, teve retidos na fonte 50% de IOF
sobre os rendimentos, alem do I.R. de 20%. Sabendo-se que durante o referido período a

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 27


taxa over mensal esteve em 3,8%, calcule o montante disponivel para resgate. (R$
226.261,98)
15- Exercício. Uma grande loja de eletrodomêsticos costumava vender seus produtos, recebendo
o valor da venda após 60 dias. Nesta operação, cobrava do cliente a taxa de juros compostos
de 4,6% am. Por força da lei, teve que passar a financiar suas vendas a juros simples. Qual
taxa passou então a cobrar, de modo a não diminuir seus desempenho financeiro? (4,71%
am)
16- Exercício. Um bem de consumo esta sendo financiado a uma taxa anual contratual de 17%.
O período de capitalização e mensal. Calcule as respectivas taxas efetivas (a) mensal e (b)
anual. (1,42%; 18,39%)

28

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 28


Módulo 7 - Desconto Simples
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de, dada a operação de desconto de um
título (desconto racional ou desconto comercial) abrangendo taxa de desconto, valor oferecido pelo
título, valor nominal do título, prazo e valor descontado, correlacionar tais variáveis de modo a
poder calcular aquela que for a variável desconhecida. O aluno também deverá ser capaz de
calcular a rentabilidade ou o custo desta operação com o intuito de poder tomar decisões. De modo
similar, o aluno deverá ser capaz de analisar as condições de uma operação de empréstimo
bancário com pagamento antecipado de juros.

Quando o portador de títulos de crédito, tais como letras de câmbio, notas promissórias, etc.,
com vencimentos certos e líquidos, necessita de numerário, pode, mediante a transferência da
29
propriedade desses títulos, por meio do endosso, levantar os fundos de que necessita junto a
um banco ou a um capitalista qualquer.
O banco desconta-lhe esses títulos, pagando, naturalmente, pelo empate de capital, até o dia do
vencimento, uma quantia menor do que o valor nele inscrito, dito nominal. Essa diferença,
entre o valor nominal e o líquido pago ao portador, dito valor atual, a qual deve corresponder
ao juro do capital empregado pelo banco, e o que se chama desconto.
O desconto pode ser simples ou composto. Também pode ser: comercial, ou bancário, ou por
fora, quando o juro é calculado sobre o valor nominal do título, e racional, ou verdadeiro, ou
por dentro, quando calculado sobre o valor atual do título. O desconto comercial simples, por
sua maior simplicidade de cálculo, é o mais utilizado.
Em toda operação de desconto, deve-se considerar os seguintes elementos:
1. O valor nominal (VN), ou seja, o valor inscrito no título;
2. O desconto (D), ou seja, o juro cobrado pelo banco, proporcional ao numero (n’) de períodos de
capitalização que restam até o vencimento;
3. O valor atual (VA), ou seja, o valor do título no dia da operação, e
4. A taxa de juros (i), para o desconto racional, ou a taxa de desconto (d), para o desconto
comercial.
O desconto simples sobre o valor nominal (VN) de um título pode ser calculado, conhecendo-
se ou a taxa de juro (i) ou a taxa de desconto (d). Para qualquer uma das situações, teremos: D
= VN - VA.

Títulos públicos e desconto. De acordo com Samanez, as operações com títulos públicos
seguem a mecânica do desconto comercial.

Juros antecipados. As operações de empréstimos com pagamentos antecipados de juros


também seguem a mecanica do desconto comercial.

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 29


QUADRO-RESUMO:
Desconto racional ou verdadeiro ou por dentro
Desconto comercial ou bancário ou por fora
Dados: Dados:
• Valor nominal do título (VN) • Valor nominal do título (VN)
• Taxa de juro (i) (*) • Taxa de desconto (d) ( *)
• Períodos que restam ate o vencimento (n’) • Períodos restantes ate o vencimento (n’)
( )
* incide sobre o valor atual (VA), a calcular (*) incide sobre o VN
Calculo do Desconto: Calculo do Desconto:
VA = VN / (1 + i . n’) (***) D = (VN . d . n’)
D = (VA . i . n’)
30
Obs.: pouco usado Obs.: mais comumente usado
(***) lembrete: 1 / ( 1 + i . n ) é o fator
de atualização, ou fator de desconto, do regime de
capitalização simples; para a capitalização
composta, utilizaríamos 1/ (1 + i)n .

1- Exercício. Um título no valor de $ 20.000,00 foi descontado “por fora” (desconto bancário),
a dois mêses de seu vencimento, a uma taxa de desconto de 14% aa. Calcule o valor pago
pelo banco que adquiriu o título nesta operação. Calcule a rentabilidade bruta do banco
proporcionada pela compra e posterior resgate do título. (R$ 19.533,33; 1,18% am)
2- Exercício. Um título de $ 15.000,00 que vence daqui a 20 dias e negociado a uma taxa de
desconto de 24% ao ano, por fora. Calcule o valor desembolsado pelo comprador e sua taxa
de retorno (% aa), caso fique com o título ate sua data de resgate. (R$ 14.800,00; 27,33%)
3- Exercício. Sua empresa possui um borderô de duplicatas a receber, no valor total de R$
140.000,00. O prazo médio de recebimento destas duplicatas e de 35 dias. Uma empresa de
factoring aceita comprar estas duplicatas por 97% de seu valor total. Qual seria o custo
efetivo (% am) de sua empresa nesta operação? (2,64%)
4- Exercício. Um banco realiza suas operações de desconto aplicando uma taxa de desconto de
2,8% am por fora. Uma empresa descontará nesse banco uma nota promissória de R$
80.000,00, 45 dias antes de seu vencimento. (a) Calcule o custo efetivo (%) exponencial da
operação, em bases mensais. (b) Considere agora que o banco exigirá a manutenção de um
saldo médio de 20% do valor da operação a título de reciprocidade bancária. Não haverá
remuneração sobre o saldo médio depositado, e seu valor será resgatado pela empresa ao
final da operação. Calcule o novo custo efetivo da operação. (2,90%; 3,66%)
5- Exercício. Um dado banco costuma comprar duplicatas de empresas que necessitam de
capital de giro. Sabendo-se que este banco deseja obter uma rentabilidade efetiva de 2,8%
am nesta modalidade de operação, calcule a taxa “por fora” que deverá oferecer aos clientes
para o desconto de duplicatas que vencem em 60 dias. (2,68% am)
6- Exercício. Uma operação com LTN que tem 119 dias a decorrer até o seu vencimento está
sendo negociada a uma taxa de desconto de 18,9% aa. Calcular o PU do título. (R$ 93,75)
7- Exercício. Uma operação com LTN que tem 39 dias a decorrer ate o seu vencimento esta
sendo negociada a uma rentabilidade efetiva exponencial de 24% aa. Calcular a taxa de
desconto contratada. (21,23% aa)

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 30


8- Exercício. Considerando que determinado banco deseja uma rentabilidade efetiva
exponencial de 36% aa em operações de compra de LTN com prazo de 60 dias, determinar o
fator PU sobre o qual deve negociar em termos de desconto comercial. (R$ 95,00)
9- Exercício. Uma empresa pretende captar capital de giro por meio de uma operação de
lançamento de commercial papers no valor de $ 10.000.000. O prazo é de 60 dias e a taxa de
desconto oferecida é de 2% no bimestre. Considerando que o custo da emissão representa
1% do valor de captação, determinar o custo efetivo da operação. (1,53% am)
10- Exercício. Um determinado banco tem conseguido em suas operações uma remuneração
média de 18% ao ano, a juros compostos, antes dos impostos. O mesmo banco pretende
alcançar esta rentabilidade em suas operações de desconto de duplicatas “por fora”. Calcule,
então, a taxa de desconto que deve cobrar para duplicatas que vencem em 45 dias. (16,4%
aa) 31
11- Exercício. Commercial papers. Admita que uma empresa tenha decidido captar $ 9,0
milhoes por meio da emissão e colocação de commercial papers por 90 dias. A empresa
oferece aos investidores uma taxa de desconto de 2,4% no trimestre, além de incorrer em
despesas de emissão, lançamento, registro, etc., em percentual equivalente a 0,5% do valor
de captação. Apurar o valor de negociação total do título, o valor liquido recebido pela
empresa e o custo efetivo da operação. (Resp.: $ 8.784.000; $ 8.739.000; 0,986 % am)
12- Exercício. Uma empresa tem duplicatas totalizadas em R$ 80.000,00 que vencem daqui a 3
meses. A empresa necessita hoje de capital e pode vender as duplicatas a uma empresa de
factoring que opera com a taxa de desconto comercial (ou por fora) de 3,0% ao mês. Por
qual valor as duplicatas serão vendidas? Qual a taxa de juros que expressa o custo efetivo da
operação? Um empréstimo bancário a juros compostos de 3,1% ao mês seria mais caro do
que a operação de desconto?
13- Exercício. Um título de $ 1.000,00 que vence daqui a 25 dias é negociado a uma taxa de
desconto de 30% ao ano, por fora. Calcule o valor desembolsado pelo comprador e sua taxa
de retorno, caso fique com o título até sua data de resgate. (Resp.: $979,17; 35,41%aa)
14- Exercício. Um banco tem como uma de suas linhas de crédito o desconto de duplicatas.
Sabendo-se que o banco consegue remunerar desta forma o seu capital em 3,10% am,
calcule por quanto uma duplicata de $5.000,00 com vencimento a um mês seria negociada.
(Resp.: $4.849,66)
15- Exercício. Custo de factoring. Sua empresa tem prazo médio de recebimento de 48 dias. A
prática atual é vender todas suas duplicatas a receber a uma companhia de factoring
imediatamente, recebendo pelas mesmas o equivalente a 97% de seu valor nominal. Qual é o
custo efetivo desta captação? Qual seria o custo efetivo se o prazo médio de recebimento
fosse de 60 dias? (Resp.: 1,92% am; 1,53% am)
16- Exercício. Commercial papers. Uma empresa pretende captar capital de giro por meio de
uma operação de lançamento de commercial papers no valor de R$10.000.000. O prazo é de
60 dias e a taxa de desconto oferecida é de 2% ao mês. Considerando que o custo da emissão
representa 1% do valor de captação, determinar o custo efetivo da operação.
17- Exercício. Títulos públicos. Uma operação com LTN que tem 119 dias a decorrer até o seu
vencimento está sendo negociada a uma taxa de desconto de 18,9% aa. Calcular o PU do
tftulo. (Resp.: 0,9375)
18- Exercício. Títulos públicos. Uma operação com LTN que tem 39 dias a decorrer ate o seu
vencimento esta sendo negociada a uma rentabilidade efetiva exponencial de 24% aa.

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 31


Calcular a taxa de desconto contratada.
19- Exercício. Títulos públicos. Considerando que determinado banco deseja uma rentabilidade
efetiva exponencial de 36% aa em operações de compra de LTN com prazo de 60 dias,
determinar o fator PU sobre o qual deve negociar em termos de desconto comercial.
20- Exercício. Juros antecipados. Deseja-se um empréstimo bancário a curto prazo de $
5.000,00 por dois meses. O banco cobra antecipadamente juros a 4% am. Calcular os juros,
o empréstimo realmente obtido e a taxa de juros efetiva cobrada pelo banco (custo efetivo da
operação), calculada sobre o empréstimo efetivo. (Resp.: $400,00; $4.600,00; 4,26% am)
21- Exercício. Você precisa de um empréstimo de R$ 100.000,00. O banco oferece empréstimo
com juros antecipados à taxa de 2% ao mês. Se o empréstimo for por 6 meses, quais serão os
fluxos de caixa da operação? Qual será o custo efetivo deste empréstimo? E se o banco
32
exigir a manutenção de um saldo médio de R$ 5.000 ao longo da operação? E se além disso
o banco cobrasse uma TAC de $ 400,00?

Credito Pessoal (site da CEF, ano 2004)


Se você está precisando de crédito rápido e fácil, veio ao lugar certo. A CAIXA dispõe de
diversas linhas de crédito pessoal que podem atender suas necessidades.

Crédito Pessoal/Pré - Amortização Única - Juros Antecipados:


Os juros são prefixados, conforme taxa em vigor na data da contratação, deduzidos do
empréstimo no ato da contratação. O prazo varia de 1 a 60 dias. A amortização é única, ao
final do contrato.

Penhor (site da CEF, ano 2004)


Nossos avós ja sabiam que penhorar jóias e bens valiosos na Caixa Econômica Federal (CEF),
ou "botar no prego", a expressão popular para penhor, era uma forma rapida e barata de obter
um empréstimo pessoal. E continua sendo assim. Esse tipo de operação não exige avalista
nem burocracia e é feito exclusivamente pela CEF em cerca de 260 agências em todo o país.
Os juros são dos mais baixos do mercado. Quem não paga o empréstimo no vencimento,
naturalmente perde o bem, que vai a leilão.

O que pode ser penhorado:


Qualquer pessoa fisica, maior de 21 anos, ou emancipada, pode obter o empréstimo,
oferecendo em garantia jóias, pedras preciosas e objetos de metais nobres, como a prata. O
empréstimo podera ser recusado se as jóias e valores não tiverem um nível mínimo de
qualidade.
Aparelhos eletrônicos (filmadoras, guitarras, máquinas fotográficas, videocassete etc.) não são
mais aceitos em garantia do empréstimo. A Caixa considerou que, por se desvalorizarem
rapidamente, eles dão prejuizo na hora do leilão, além de ocuparem muito espaço nos cofres
das agências.

Condições do empréstimo:
O procedimento para obter o empréstimo é simples: o interessado vai à agência munido da
carteira de identidade e do bem que deseja penhorar. A avaliação é feita no local, e o
empréstimo, logo concedido, é limitado a 80% do valor de avaliação do bem. Os prazos para
pagar o empréstimo são de 28, 56 ou 84 dias. Os empréstimos se dividem em duas faixas: até
R$ 300,00 e acima de R$ 300,00.
No ato de assinatura do contrato, o consumidor paga juros antecipados, seguro de vida e

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 32


contra sinistros, tarifa de abertura e renovação de credito (TARC) e IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras). Em dezembro de 1999, a Caixa cobrava juros de 2,95% ao mês para
os empréstimos até R$ 300,00 e de até 3,5% ao mês para os acima de R$ 300,00.
A amortização do empréstimo é feita de uma só vez, mediante o pagamento integral da dívida
e o resgate do bem penhorado. Se o cliente desejar, poderá antecipar o resgate, com direito a
um desconto proporcional dos juros. O devedor pode renovar o contrato, pagando juros
antecipados, prêmio do seguro, TARC e IOF. É possível também abater uma parte da dívida
ou aumentar o valor do empréstimo.

33

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 33


Módulo 8 - Tributação, taxa bruta e taxa líquida
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de avaliar os efeitos do imposto de
renda e do IOF sobre uma dada aplicação financeira, convertendo sua rentabilidade bruta em
rentabilidade líquida. Também deverá ser capaz de calcular o montante líquido e os
desembolsos com impostos, dadas as condições da aplicação.

Taxa (efetiva) bruta e taxa (efetiva) líquida são aquelas referentes à remuneração efetiva antes
e depois de impostos e comissões incidentes, respectivamente. O IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras), por exemplo, além de incidir sobre operações de empréstimos ao
consumidor, incide também sobre os rendimentos dos investimentos de renda fixa, como
fundos de investimento, CDBs, títulos públicos, debêntures, etc, com saques com prazos 34
inferiores a 30 dias. Por sua vez, a maioria das aplicações financeiras sofre a taxação do I.R.,
que é retido na fonte.
A conversão da taxa liquida (L) em taxa bruta (B) é simples:
L = B . (1 - aliq. IR)
Observação: Para um cálculo exato, a unidade de tempo das taxas deve estar em consonância
com a frequência de tributação. Por exemplo, para um ativo que é tributado mensalmente,
temos que trabalhar com taxas mensais; se a tributação é trimestral, as taxas devem estar ao
trimestre. Caso contrário, obteremos um resultado aproximado.

Renda Fixa (fonte: Infomoney)


■ IOF
Os investimentos em poupanca estão isentos desta tributação. Para CDBs e fundos de
renda fixa, a tributação ocorre sobre a rentabilidade, para saques com menos de 30
dias de aplicação. A alíquota é regressiva, ou seja, diminui à medida que aumenta o
prazo de aplicação; varia de 96%, para aplicações por 1 dia, até 3% para aplicações
por 29 dias.

■ IR
A poupança está isenta do pagamento de Imposto de Renda, no caso de investimentos
feitos por pessoa fisica. Para os demais investimentos, a alíquota do IR depende do
tempo de aplicação. As alíquotas abaixo são válidas para aplicações a partir de 1° de
janeiro de 2005.
Alíquota
Prazo
(%)
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%

De 361 a 720 dias 17,5%


Acima de 721 dias 15%

Mercado de ações
Para vendas mensais acima de R$ 20 mil, a alíquota adotada no cálculo do imposto de
renda sobre o ganho de capital obtido nas operações com renda variavel é de 15% (nas
operações de day trade, a alíquota aplicada é de 20%). As despesas com corretagem, taxas
ou outros custos necessários à realização da compra/venda das ações podem ser somados
Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 34
ao custo de aquisição das ações, de forma a reduzir o valor do ganho de capital.

Valores inferiores a R$ 20 mil estão isentos do imposto de renda. A exceção está, mais
uma vez, nas transações de day trade, nas quais não existe isenção, independente do valor
da alienação.
Atenção: mesmo com a isenção, todas as operações realizadas em bolsas de valores, de
mercadorias, de futuros e assemelhadas sujeitam-se ao imposto de renda na fonte, à
alíquota de 0,005%, como antecipação, podendo ser compensado com o imposto de renda
mensal na apuração do ganho líquido. No caso de day trade, a alíquota é de 1%.

IOF sobre empréstimos: Até o início de 2008 o IOF sobre operações de financiamento era 35
calculado aplicando-se por cada dia a alíquota de 0,0041% sobre o valor financiado, tendo-se
como valor máximo (para períodos de um ano ou mais) a alíquota total de 1,5%. A partir de
janeiro de 2008, a alíquota diária foi elevada para 0,0082%. Além disso, foi criado um
adicional de 0,38%, tanto para operações com duração inferior a um ano como para aquelas de
prazos iguais ou superiores a um ano. Este aumento teve como objetivo repor as perdas do
Governo com o fim da CPMF.

Deste modo, no caso de financiamentos com prazos iguais ou superiores a um ano, a alíquota
máxima subiu de 1,5% para 3,38%. Para financiamento por prazo inferior a um ano, agora
aplica-se a alíquota de 0,082% pelo número de dias e adiciona-se 0,38%.

1- Exercício. Um banco anuncia pagar 24% de remuneração bruta para um título de renda fixa
de sua emissão com capitalização anual. A alíquota do I.R. para aplicação em renda fixa é de
20%. Calcular a rentabilidade líquida do título. (Resp.: 19,2%)
2- Exercício. Um investimento de R$ 50.000,00 em CDB proporcionará a seu dono o montante
de R$ 62.000,00 após 3 mêses de aplicação. Sabendo-se que a operação sofrerá tributação
pelo Imposto de Renda à alíquota de 20%, calcule a taxa (% am) líquida a ser alcançada na
operação. (6,03%)
3- Exercício. Um CDB de R$ 50.000,00 com prazo de 60 dias tem capitalização mensal. Sua
rentabilidade bruta é igual a 2,2% am. O I.R. a 20% é tributado na fonte após os 60 dias.
Calcule o montante líquido, assim como a rentabilidade líquida deste CDB. (R$ 51.779,36;
1,76% am)
4- Exercício. Um CDB de $20.000,00 com prazo de 90 dias tem capitalização a 2,4% am. O
I.R. a 20% é tributado na fonte após os 90 dias. (a) Calcule o montante liquido; (b) calcule a
rentabilidade líquida em bases mensais. (R$ 21.179,87; 1,93%)
5- Exercício. Um CDB de $50.000,00 com prazo de 90 dias tem capitalização mensal. Sua
rentabilidade bruta é igual a 2,2% am. O I.R., a 20%, é tributado na fonte após os 90 dias.
Calcule a rentabilidade líquida deste CDB e compare com a rentabilidade de uma aplicação
em caderneta de poupança que no primeiro mês rende 0,65%, no segundo rende 0,68% e no
terceiro rende 0,70%. (1,77% am; poupança = 0,67% am)
6- Exercício. Uma aplicação rende juros de 5% am e e tributada mensalmente a 20% pelo I.R.
Qual e sua rentabilidade liquida? (Resp.: 4,0% am)
7- Exercício. Um CDB de R$ 2.000,00 com prazo de 90 dias tem capitalização mensal a 1,8%
am. O I.R., a 20%, é tributado na fonte após os 90 dias. (a) Calcule o montante liquido; (b)
calcule a rentabilidade líquida em bases mensais; (c) recalcule esta rentabilidade
multiplicando-se 1,8% por (1 - aliq. I.R.) e compare. (Resp.: a: $2.087,96; b: 1,445%; c:
1,440%)
8- Exercício. Um banco oferece a seus clientes uma aplicação em renda fixa com liquidez
diária e rentabilidade bruta de 21% ao ano, calculada por 252 dias úteis. Há incidência de
Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 35
IOF sobre os rendimentos brutos para resgates com prazos inferiores a 30 dias e a tributação
do I.R. na fonte é de 20% para aplicação em renda fixa. Supondo que um cliente faça uma
aplicação de R$ 1.000,00 por duas semanas, e que para este prazo de aplicação o IOF seja de
53%, calcule (a) o rendimento bruto, (b) os impostos retidos na fonte e (c) o rendimento
líquido. Lembrete: O I.R. é calculado sobre o rendimento bruto, deduzido o IOF. (Resp.: a:
$7,56; b: IOF: $4,00; IR: $0,71; c: $2,85)
9- Exercício. Desconto de duplicatas. Um título de R$ 70.000,00 é descontado junto a um
banco 46 dias antes de seu vencimento. A taxa de desconto cobrada é de 2,7% am, sendo de
0,0082% ao dia mais 0,38% o IOF incidente sobre a operação. O banco cobra ainda uma
taxa de abertura de crédito (TAC) de 0,6% sobre o valor nominal do título no ato da
liberação dos recursos. Calcular os diversos valores do desconto e o custo efetivo mensal do
empréstimo. (Resp.: desconto = $ 2.898,00; IOF = ?; TAC = $ 420,00; custo efetivo = ? %
am) 36

Matematica Financeira Prof. Helcio Rocha pag. 36


Módulo 9 - Inflação, taxa efetiva e taxa real
Objetivo: Ao final deste módulo o aluno deverá ser capaz de avaliar os efeitos da inflação
sobre uma dada aplicação fnanceira, calculando sua rentabilidade real dadas a remuneração
bruta, a tributação e a inflação projetada ou passada. Também deverá ser capaz de converter
uma remuneração pré-fixada em uma pós-fixada equivalente (e vice- versa), dadas as
condições de correção monetaria.

A taxa efetiva (bruta ou líquida) até aqui calculada é aquela simplesmente expressa em termos
de valores medidos em moeda corrente, sem levar em conta os efeitos da inflação. Pode ser,
por algumas vezes, mencionada como taxa nominal, em confronto a uma taxa real,
devidamente expurgada da inflação. Para o cálculo da taxa real, os valores são medidos em 37
termos de moeda de poder aquisitivo constante.
Para cada período de capitalização, a correlação entre a taxa efetiva (EFE), a taxa real (R ) e a
taxa de inflação ( INF ) é dada por:
( 1 + EFE ) = ( 1 + R ) x ( 1 + INF )

Cabe ressaltar, aqui, que o cálculo costumeiro da taxa real pela simples subtração da inflação
sobre a taxa efetiva se trata de uma mera aproximação.
Exercício. Um banco anuncia pagar 24% de remuneração bruta para um título de renda fixa de sua
emissão com capitalização anual. A alíquota do I.R. para aplicação em renda fixa é de 20%. É
projetada uma inflação de 8% ao ano. Calcular a rentabilidade líquida do título. Calcular a
rentabilidade real projetada, a partir da líquida. (Resp.: 19,20%; 10,37%)
Operação pré-fixada
Operação pré-fixada é aquela cuja taxa de juro embute a remuneração do capital e a inflação
estimada para o período da operação. Em épocas de inflação elevada, as operações pré-fixadas
geram apreensão e desconfiança no investidor, pois:
I. a taxa de juro negociada pode não pagar a inflação esperada para o período, ou seja,
pode não proporcionar ganho real;
II. existe a possibilidade de choque econômico com redutor (tablita) das taxas de juro das
operações em andamento.

Operação pós-fixada
A operação pós-fixada separa a correção monetária da remuneração do capital. Logo, corrige
monetariamente o capital e, em seguida, aplica a taxa de juro sobre o capital corrigido. Pode-se
dizer que o coeficiente da taxa pré (PRE) é igual ao coeficiente da taxa pós (POS) multiplicado
pelo coeficiente da correção monetaria (CM):

1 + PRE = (1 + POS ) . (1 + CM)


Exercício. Um banco oferece a seus clientes um dado título de renda fixa com prazo de um ano.
Para o próximo ano a rentabilidade anual a ser oferecida ao cliente será de 13% (taxa pré-fixada).
Como alternativa, o banco oferece a rentabilidade real de 7% (taxa pós-fixada) e promete corrigir
monetariamente a aplicação de acordo com o índice de correção monetária utilizado no mercado
financeiro. Calcule o índice de correção monetária que está sendo projetado para o próximo ano.

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Inflação, indexação e tributação
Como vimos anteriormente, a tributação do I.R. incide sobre o rendimento líquido ou ganho de
capital do investimento. Por exemplo, para um CDB com aplicação por 30 dias (não há IOF),
o ganho de capital corresponde à diferença entre o montante (FV) e o principal (PV).
Entretanto, em épocas de inflação elevada, em que há indexação das aplicações financeiras, o
ganho de capital é calculado subtraindo-se do montante o principal corrigido monetariamente.
Ou seja, os juros passam a ser desmembrados da correção monetária.

1- Exercício. Um CDB pagou uma taxa bruta pré-fixada de 12% por 90 dias. (a)
Sabendo-se que a inflação do período atingiu 2%, qual foi a rentabilidade bruta real
alcançada?; (b) Calcule a rentabilidade líquida real, considerando-se a tributação do
I.R. em 20% após os 90 dias. (Resp.: a: 9,8%; b: 7,45%) 38
2- Exercício. Um CDB de $ 2.000,00 com prazo de 90 dias teve capitalização mensal a 1,8%
am. O I.R., a 20%, foi tributado na fonte após os 90 dias. A inflação foi de 0,4% para o
primeiro mês, 0,5% para o segundo e 0,55% para o terceiro. Calcule a rentabilidade líquida
real alcançada pelo investidor. (Resp.: 2,9% at = 0,96% am)
3- Exercício. O rendimento do CDB pré-fixado para 30 dias de aplicação está em 1,7% am.
Sabendo-se que o banco que oferece esta aplicação trabalha com a TR como índice de
correção monetária e que a TR está em 0,16% ao mês, calcule a remuneração mensal real
deste CDB. Qual teria sido a taxa de juros de um CDB pós-fixado equivalente? (Resp.:
1,54%; também 1,54%)
4- Exercício. Um jornal informou no dia 04/10/2000, no quadro de taxa referencial e
poupança, os valores que seguem, relativos ao período de 02/09 a 02/10: TR = 0,0688% e
rendimento de poupança = 0,5691%. Considerando-se que neste rendimento estão embutidas
a correção monetaria pela TR e a remuneração real, calcule o valor desta remuneração real
para o período em questão. (Resp.: 0,50%)
5- Exercício. Uma determinada aplicação financeira rendeu aos investidores 10,0% em 2000;
9,4% em 2001 e 11,2% em 2002. Supondo-se que a inflação tenha sido de 4,2% em 2000;
3,8% em 2001 e 3,4% em 2002, calcule a rentabilidade anual real alcançada pelos
investidores desta aplicação.
6- Exercício. Um CDB pagara uma taxa pre-fixada de 2,5% ao mês para uma aplicação por 3
mêses. Sabendo-se que a inflação projetada e de 0,8% no primeiro mês, 0,6% no segundo e
0,5% no terceiro, qual deve ser a taxa mensal pos-fixada equivalente? Não considerar o I.R.

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