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INTRODUÇÃO AO CÁLCULO SÍSMICO DE

EDIFÍCIOS DE BETÃO ARMADO DE ACORDO COM


O EUROCÓDIGO 8

Aníbal Costa, Humberto Varum, Hugo Rodrigues

UA / OE – JANEIRO DE 2013
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INDICE
1 Introdução ..................................................................................................................................... 11
1.1 Enquadramento...................................................................................................................... 11
1.2 Objetivos ............................................................................................................................... 11
1.3 Organização do curso ............................................................................................................ 11
2 Causas frequentes de danos e colapsos face à ação sísmica.......................................................... 13
2.1 Comportamento das estruturas face à ação sísmica .............................................................. 13
2.2 Causas frequentes de danos e colapsos em edifícios ............................................................. 13
2.2.1 Confinamento inadequado............................................................................................. 14
2.2.2 Ductilidade inadequada ................................................................................................. 14
2.2.3 Mecanismos de aderência aço-betão ............................................................................. 15
2.2.4 Incorreta amarração e sobreposição da armadura principal .......................................... 15
2.2.5 Inadequada capacidade resistente ao corte de vigas e pilares ....................................... 16
2.2.6 Inadequada capacidade resistente à flexão de vigas e pilares ....................................... 16
2.2.7 Inadequada capacidade resistente dos nós viga-pilar .................................................... 17
2.2.8 Mecanismo tipo viga forte-pilar fraco ........................................................................... 17
2.2.9 Não consideração da influência das paredes de alvenaria na determinação da resposta
sísmica dos edifícios...................................................................................................................... 18
2.2.10 Irregularidades estruturais em planta ou em altura........................................................ 19
2.2.11 Influência dos modos superiores ................................................................................... 20
3 INTRODUÇÃO AO EUROCÓDIGO 8 ....................................................................................... 21
3.1 Aspetos gerais ....................................................................................................................... 21
3.1.1 Simplicidade estrutural .................................................................................................. 22
3.1.2 Uniformidade, simetria e redundância .......................................................................... 22
3.1.3 Resistência e rigidez nas duas direções ......................................................................... 23
3.1.4 Rigidez e resistência à torção ........................................................................................ 23
3.1.5 Ação de diafragma ao nível dos pisos ........................................................................... 24
3.1.6 Fundações adequadas .................................................................................................... 25
3.2 Espectro de resposta .............................................................................................................. 26
3.2.1 Zonamento sísmico ....................................................................................................... 26
3.2.2 Definição do espetro de resposta ................................................................................... 27
3.2.3 Influência do solo .......................................................................................................... 30
3.3 Definição da ação sísmica ..................................................................................................... 31
3.3.1 Fator de importância...................................................................................................... 31

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3.3.2 Ação sísmica combinada com outras ações ................................................................... 32
3.3.3 Combinação das componentes da ação sísmica............................................................. 33
3.3.4 Coeficiente de comportamento ...................................................................................... 33
3.4 Níveis de ductilidade ............................................................................................................. 34
3.5 Conceção sísmica adequada .................................................................................................. 35
3.6 Regularidade estrutural .......................................................................................................... 35
3.6.1 Regularidade em planta ................................................................................................. 36
3.6.2 Regularidade em altura .................................................................................................. 40
3.6.3 Consequências das irregularidades ................................................................................ 41
3.7 Efeitos acidentais de torção ................................................................................................... 42
3.8 Elementos sísmicos primários e secundários......................................................................... 42
3.9 Análise estrutural ................................................................................................................... 42
3.9.1 Forças laterais equivalentes ........................................................................................... 43
3.9.2 Análise modal por espectros de resposta ....................................................................... 44
3.9.3 Combinação dos efeitos das componentes da ação sísmica .......................................... 46
3.10 Cálculo de deslocamentos ..................................................................................................... 47
3.11 Elementos não estruturais ...................................................................................................... 47
3.12 Estados limites últimos .......................................................................................................... 47
3.12.1 Dimensionamento para dissipação de energia e ductilidade ......................................... 48
3.12.2 Dimensionamento para resistência em vez de ductilidade ............................................ 50
3.13 Estados limites de utilização.................................................................................................. 50
4 Dimensionamento e pormenorização de edifícios em betão armado ............................................ 53
4.1 Introdução .............................................................................................................................. 53
4.2 Dissipação de energia e classes de ductilidade ...................................................................... 53
4.3 Redundância estrutural .......................................................................................................... 55
4.4 Dispensa da aplicação da EN 1998........................................................................................ 55
4.5 Dimensionamento segundo os pressupostos da classe de ductilidade média ........................ 55
4.5.1 Requisitos dos materiais ................................................................................................ 56
4.5.2 Conceção dos elementos estruturais .............................................................................. 56
4.5.3 Requisitos regulamentares relativos a vigas de classe de ductilidade média................. 56
4.5.4 Requisitos do Eurocódigo 8 para pilares de classe de ductilidade média ...................... 61
4.5.5 Disposições regulamentares em nós viga-pilar de classe de ductilidade média ............ 67
4.5.6 Disposições regulamentares relativas a paredes de classe de ductilidade média........... 69
5 Exemplo de aplicação .................................................................................................................... 77
5.1 Introdução .............................................................................................................................. 77

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5.2 Características do edifício em análise ................................................................................... 77
5.3 Materiais ................................................................................................................................ 78
5.4 Ações ..................................................................................................................................... 78
5.4.1 Cargas permanentes....................................................................................................... 79
5.4.2 Restantes cargas permanentes ....................................................................................... 79
5.4.3 Sobrecargas ................................................................................................................... 79
5.4.4 Combinações de ações .................................................................................................. 79
5.5 Modelação estrutural ............................................................................................................. 79
5.5.1 Pilares ............................................................................................................................ 80
5.5.2 Paredes .......................................................................................................................... 80
5.5.3 Lajes .............................................................................................................................. 80
5.5.4 Fundações ...................................................................................................................... 81
5.6 Definição da ação sísmica ..................................................................................................... 81
5.6.1 Tipo de terreno e zonamento sísmico ............................................................................ 81
5.6.2 Espectro de resposta elástico ......................................................................................... 81
5.7 Análise de resultados e verificações preliminares ................................................................. 82
5.7.1 Análise Dinâmica .......................................................................................................... 82
5.7.2 Determinação do centro de rigidez................................................................................ 83
5.7.3 Definição da ação sísmica de projeto ............................................................................ 84
5.7.4 Definição da ação sísmica de projeto ............................................................................ 86
5.7.5 Cálculos preliminares .................................................................................................... 87
5.7.6 Distribuição das forças horizontais ............................................................................... 88
5.8 Dimensionamento estrutural ................................................................................................. 92
5.8.1 Dimensionamento das paredes ...................................................................................... 92
5.8.2 Dimensionamento dos pilares ....................................................................................... 97
6 Bibliografia ................................................................................................................................. 101

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INDICE DE FIGURAS
Figura 2.1 - Danos provocados pelo sismo de Izmit, Kocaeli, Turquia, a 17 de Agosto de 1999. ....... 13
Figura 2.2 - Pilares de betão armado com inadequada armadura de esforço transverso [2]. ................ 14
Figura 2.3 - Vigas com comportamento não dúctil. .............................................................................. 14
Figura 2.4 - Pormenorização deficiente da armadura [4]. ..................................................................... 15
Figura 2.5 - Rotura por corte de pilares................................................................................................. 16
Figura 2.6 - Colapso de pilares por insuficiente capacidade em flexão [6]. ......................................... 16
Figura 2.7 - Resistência inadequada dos nós viga-pilar [6]. ................................................................. 17
Figura 2.8 - Mecanismo tipo viga forte-pilar fraco. .............................................................................. 17
Figura 2.9 - Danos em edifícios associados às paredes de alvenaria de enchimento. ........................... 18
Figura 2.10 - Mecanismos tipo pilar curto causados por: aberturas de janela, colapso parcial das
paredes de alvenaria e pela ligação de patamares intermédios de escadas............................................ 19
Figura 2.11 - Edifício com pronunciada irregularidade estrutural em altura (mecanismo tipo soft-storey
ao nível do rés-do-chão). ....................................................................................................................... 19
Figura 2.12 - Influência dos modos superiores durante o sismo de 1985 na cidade do México [3]. .... 20
Figura 3.1 - Adoção de junta num edifício, dividindo-o em dois corpos regulares em planta [15]. ..... 22
Figura 3.2 - Introdução de junta num edifício, separando-o em dois blocos regulares em altura [15]. 23
Figura 3.3 - Exemplos de distribuição dos elementos estruturais verticais [15]. .................................. 24
Figura 3.4 - Zonamento sísmico previsto no EC8-1 para o cenário de sismo afastado/sismo interplacas
(à esquerda) e para o cenário de sismo próximo/sismo intraplaca (à direita) [13]. ............................... 26
Figura 3.5 - Procedimento para obtenção de um espectro de resposta [17]. ......................................... 28
Figura 3.6 - Esquema geral do espectro de resposta elástico, em concordância com o EC8-1 [13]. .... 29
Figura 3.7 - Ilustração das grandezas que definem o centro de rigidez [18]. ........................................ 38
Figura 3.8 - Ilustração das grandezas definidoras da rigidez de torção [18]. ........................................ 39
Figura 3.9 - Diferentes deformadas e diagramas de momentos fletores consoante o sistema estrutural
[18]. ....................................................................................................................................................... 39
Figura 3.10 - Critérios de regularidade em alçado [13]......................................................................... 40
Figura 3.11 - Critérios de regularidade em alçado [13]......................................................................... 41
Figura 4.1 - Determinação do esforço transverso em vigas [13]........................................................... 57
Figura 4.2 - Esquema de cálculo para a determinação, pelo Capacity Design, da força de corte atuante
nas vigas sísmicas primárias [13]. ......................................................................................................... 58
Figura 4.3 - Disposições de armaduras transversais em vigas [13]....................................................... 61
Figura 4.4 - Esquema de cálculo para a determinação, pelo Capacity Design, da força de corte atuante
em pilares [13]....................................................................................................................................... 63
Figura 4.5 - Esquema auxiliar para a determinação dos sentidos das grandezas relevantes para o
cálculo de . [18]. ........................................................................................................................... 64
Figura 4.6 - Grandezas geométricas [18]. ............................................................................................. 67
Figura 4.7 - Determinação dos momentos fletores em paredes [13]. .................................................... 71
Figura 4.8 - Envolvente de dimensionamento para a força de corte que atua na parede [13]. .............. 72
Figura 4.9 - Esquema para o cálculo dos pilares fictícios. .................................................................... 74
Figura 4.10 - Valor da espessura a respeitar nas zonas confinadas de paredes resistentes. .................. 75
Figura 4.11 - Elementos de parede com um banzo transversal alongado que não necessitam de
armadura de confinamento. ................................................................................................................... 75
Figura 5.1 Esquema Estrutural .............................................................................................................. 78
Figura 5.2 - Sistema de um grau de liberdade (1 g.d.l.). ....................................................................... 80
Figura 5.3 - Espectros de resposta elásticos (para ξ = 5%) ................................................................... 82
Figura 5.4 - Referencial usado. ............................................................................................................. 83

7
Figura 5.5 - Centro de rigidez e de massa. ............................................................................................ 84
Figura 5.6 - Espectros de resposta de projeto (para q = 2,00). .............................................................. 87
Figura 5.7 - Método dos pilares fictícios – Par1.................................................................................... 93
Figura 5.8 - Método dos pilares fictícios – Par2.................................................................................... 93
Figura 5.9 – Secção transversal do pilar na zona crítica........................................................................ 99

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INDICE DE QUADROS
Quadro 3.1 - Valores recomendados dos parâmetros S, TB, TC e TD, descrevendo os espectros de
resposta elástica para sismos de tipo 1 recomendados pelo Anexo Nacional [13]. .............................. 29
Quadro 3.2 - Valores recomendados dos parâmetros S, TB, TC e TD, descrevendo os espectros de
resposta elástica para sismos de tipo 2 recomendados pelo Anexo Nacional [13]. .............................. 30
Quadro 3.3 - Aceleração máxima de referência  (cm/s2) para as várias zonas sísmicas definidas no
EC8-1 [13]............................................................................................................................................. 30
Quadro 3.4 - Tipos de solo [13]. ......................................................................................................... 31
Quadro 3.5 - Valores dos parâmetros S e Tc definidores dos espectros de resposta elásticos
recomendados pelo Anexo Nacional para os vários tipos de terreno [13]. ........................................... 31
Quadro 3.6 - Classes de importância [13]. ............................................................................................ 32
Quadro 3.7 - Valores do fator de redução, φ [13]. ................................................................................ 33
Quadro 3.8 - Limite superior dos valores de referência dos coeficientes de comportamento para
sistemas regulares em altura [13]. ......................................................................................................... 34
Quadro 3.9 - Modelo e método a adotar face à regularidade estrutural [13]. ............................. 41
Quadro 4.1 - Valor dos fatores parciais de segurança relativos aos materiais a considerar nos
Estados Limites Últimos [19]............................................................................................................. 56
Quadro 5.1 - Dimensões gerais dos elementos estruturais. .......................................................... 78
Quadro 5.2 - Características gerais dos materiais [20]. ................................................................. 78
Quadro 5.3 - Restantes cargas permanentes (RCP) [19]. ............................................................. 79
Quadro 5.4 - Valores das sobrecargas [19]...................................................................................... 79
Quadro 5.5 - Valores considerados na definição do espectro de resposta horizontal. ............. 81
Quadro 5.6 - Frequências e períodos relevantes. ........................................................................... 82
Quadro 5.7 - Rigidez relativa de cada elemento vertical resistente. ..................................................... 83
Quadro 5.8 - Tipo de sistema estrutural por cada direção ortogonal. .......................................... 86
Quadro 5.9 - Efeito de Translação. ....................................................................................................... 89
Quadro 5.10 - Efeito de Rotação ........................................................................................................... 89
Quadro 5.11 - Forças finais por cada elemento estrutural ..................................................................... 89
Quadro 5.12 - Efeito de Translação ...................................................................................................... 90
Quadro 5.13 - Efeito de Rotação ........................................................................................................... 90
Quadro 5.14 - Forças finais por cada elemento estrutural ..................................................................... 90
Quadro 5.15 - Definição do inter-storey drift. ................................................................................... 91
Quadro 5.16 - Valores de θ para cada direção ortogonal. ............................................................. 91
Quadro 5.17 - Dimensões e definição dos esforços atuantes nas paredes. ............................... 93
Quadro 5.18 - Definição do pilar fictício. ........................................................................................... 93
Quadro 5.19 - Valores calculados segundo o método dos pilares fictícios. ................................ 94
Quadro 5.20 - Armadura calculada para os pilares fictícios. ......................................................... 95
Quadro 5.21 - Armadura adotada para a zona da alma das paredes. ......................................... 95
Quadro 5.22 - Verificação do cumprimento das disposições regulamentares. ........................... 95
Quadro 5.23 - Resumo do dimensionamento da armadura de esforço transverso. .................. 96
Quadro 5.24 - Características geométricas dos pilares da estrutura. ..................................................... 97
Quadro 5.25 - Dimensões e definição dos esforços atuantes nos pilares................................... 97

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1 INTRODUÇÃO
1.1 ENQUADRAMENTO
O Eurocódigo 8 é uma norma de dimensionamento sísmico, que fornece um completo e atualizado
conjunto de regras de projeto, que serão usadas na Europa impulsionando uma harmonização da
regulamentação europeia. Com este curso pretende-se apresentar em traços gerais o Eurocódigo 8, e
introduzir a filosofia da sua aplicação no dimensionamento sísmico de estruturas de edifícios.
Irá ser feita uma introdução ao comportamento de edifícios face à ação dos sismos, comentando a
resposta e desempenho observado em sismos recentes na Europa. Serão analisadas as formas de
definição da ação sísmica segundo o Eurocódigo 8 e realizada uma comparação com a abordagem
seguida no RSA. Serão apresentadas as estratégias de análise sísmica de edifícios e as regras
específicas de dimensionamento para elementos de edifícios de betão armado.
O curso será ministrado numa perspetiva prática, de modo a facilitar a aprendizagem e permitir que
participantes com diferentes níveis de experiência e conhecimento nestas matérias possam facilmente
compreender as novidades introduzidas no dimensionamento sísmico de edifícios com o
Eurocódigo 8.

1.2 OBJETIVOS
Com este curso pretende-se que os formandos:
• Adquiram conhecimento sobre os principais problemas associados ao comportamento dos
edifícios face à ação sísmica.
• Conheçam as diferenças entre as formas de definir a ação sísmica na regulamentação nacional
(RSA) e no Eurocódigo 8.
• Conheçam as prescrições regulamentares com vista ao dimensionamento de edifícios de betão
armado resistentes aos sismos, no âmbito da filosofia do Eurocódigo 8.
Para atingir os objetivos serão comentadas as lições aprendidas em visitas de campo a zonas
recentemente afetadas por sismos, e serão analisados exemplos de cálculo de elementos estruturais de
edifícios seguindo a filosofia do Eurocódigo 8 que acompanharão a exposição dos conceitos.

1.3 ORGANIZAÇÃO DO CURSO


Este documento de apoio ao curso está estruturado em 5 secções, além desta introdução, tal como se
descreve no que se segue:

2. Causas frequentes de danos e colapsos face a ação sísmica


2.1. Comportamento das estruturas face à ação sísmica
2.2. Causas frequentes de danos e colapsos em edifícios
2.3. Lições de sismos recentes
3. Introdução ao Eurocódigo 8

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3.1. Aspetos gerais
3.2. Definição da ação sísmica
3.3. Zonamento sísmico
3.4. Configuração dos espectros de resposta e efeitos do solo
3.5.Representações alternativas da ação sísmica
4. Comparação do Eurocódigo 8 (EN1998-1) com o RSA
5. Análise sísmica
5.1. Características dos edifícios resistentes aos sismos
5.2. Critérios de regularidade estrutural
5.3. Métodos para a análise estrutural
5.4. Verificação da segurança (E.L. Últimos e E.L. de Limitação de danos)
6. Regras específicas para edifícios de betão armado

O capítulo 2 será abordado pelo Prof. Humberto Varum; os capítulos 3 e 4 pelo Prof. Aníbal Costa e
os capítulos 5 e 6 pelo Prof. Hugo Rodrigues.

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2 CAUSAS FREQUENTES DE DANOS E COLAPSOS FACE
À AÇÃO SÍSMICA
2.1 COMPORTAMENTO DAS ESTRUTURAS FACE À AÇÃO SÍSMICA
Os sismos são um fenómeno perfeitamente natural, com um carácter errático e potencialmente
destrutivo. Dadas as características enunciadas, poderemos assumir que um sismo poderá causar
efeitos devastadores, caso as estruturas não estejam preparadas para lhes resistir. O regulamento
existente, ao legislar sobre o projeto sismo-resistente tem como principal objetivo a proteção da vida
humana, não esquecendo que devem ser sempre procurados diminuir as perdas económicas e manter
em funcionamento edifícios que se possam revelar importantes num cenário de catástrofe.

2.2 CAUSAS FREQUENTES DE DANOS E COLAPSOS EM EDIFÍCIOS


A regulamentação para o dimensionamento e verificação da segurança sísmica das estruturas é
fundamental para a redução do risco sísmico das nossas construções, mas não é suficiente. De facto, se
a regulamentação de cálculo estrutural não for devidamente aplicada no desenvolvimento do projeto,
ou se não for desenvolvido um adequado controlo durante a execução da construção, podem-se
produzir-se estruturas vulneráveis, e particularmente face à ação sísmica. Para se garantir o bom
desempenho de uma estrutura face a um sismo é necessário garantir a qualidade quer do projeto, quer
da construção. Sismos recentes têm demonstrado que a qualidade da construção é altamente
condicionante do desempenho sísmico global das estruturas. Nas zonas afetadas pelo sismo de 17 de
agosto de 1999, na Turquia, a maioria dos edifícios recentes em betão armado foram dimensionados
de acordo com a atual regulamentação sísmica em vigor. No entanto, deficiências construtivas ditaram
o colapso de um número significativo de edifícios e a instalação de danos severos em muitos outros
(Figura 2.1).

Figura 2.1 - Danos provocados pelo sismo de Izmit, Kocaeli, Turquia, a 17 de Agosto de 1999.

As causas mais frequentes de dano severo e/ou colapso de edifícios de betão armado quando sujeitos à
ação sísmica surgem associadas aos seguintes efeitos/mecanismos [1]: i) confinamento inadequado; ii)
ductilidade inadequada; iii) mecanismos de aderência aço-betão; iv) incorreta amarração e
sobreposição da armadura principal; v) inadequada capacidade resistente ao corte de vigas e pilares;
vi) inadequada capacidade resistente à flexão de vigas e pilares; vii) inadequada capacidade resistente
dos nós viga-pilar; viii) mecanismo tipo viga forte-pilar fraco; ix) não consideração da influência das
paredes de alvenaria na determinação da resposta sísmica dos edifícios; x) irregularidades estruturais
em planta ou em altura; e xi) influência dos modos superiores.

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2.2.1 CONFINAMENTO INADEQUADO
O betão em compressão apresenta um modo de rotura frágil, perpendicular à direção das tensões
principais de compressão. Confinando os elementos de betão armado nas zonas mais esforçadas com
recurso a estribos, este tipo de rotura pode ser impedida, ou pelo menos retardada, melhorando-se de
forma significativa a resistência e a ductilidade dos elementos estruturais. O confinamento depende do
diâmetro dos estribos, do seu afastamento, da quantidade de armadura longitudinal, do tipo de aço, da
geometria das secções transversais, e, da forma e pormenorização dos próprios estribos. Até há
algumas décadas atrás, o princípio do confinamento e a sua importância na resposta das estruturas de
betão armado não eram claramente entendidos. Consequentemente, a maioria das estruturas existentes
de betão armado apresentam deficiências a este nível, e assim, exibem um mau comportamento
quando submetidas a ações sísmicas (Figura 2.2). Durante a ocorrência de sismos, o colapso de
pilares, vigas e nós viga-pilar está muitas vezes relacionado com a falta ou pormenorização deficiente
de armadura transversal de esforço transverso e de confinamento. Estas exigências de confinamento
devem ser consideradas na pormenorização da armadura transversal dos elementos estruturais,
sobretudo nas zonas propícias à formação de rótulas plásticas.

Figura 2.2 - Pilares de betão armado com inadequada armadura de esforço transverso [2].

2.2.2 DUCTILIDADE INADEQUADA


A ductilidade pode ser definida como a capacidade que um dado material, elemento estrutural ou
estrutura possui para suportar exigências de deformação em regime inelástico sem colapso [3]. Esta
propriedade tem implicações diretas na capacidade de dissipação de energia de uma estrutura, sendo
fundamental para evitar ou diminuir a probabilidade de colapso face à ocorrência de um sismo de
determinada intensidade. Este conceito não foi devidamente tratado nos primeiros regulamentos de
cálculo sísmico. Assim, a maioria das estruturas de edifícios existentes de betão armado não estão
dotadas de ductilidade adequada, exibindo um comportamento não-dúctil quando solicitadas por ações
cíclicas, o que faz com este tipo de edifícios contribuam para o elevado risco sísmico das nossas
cidades (Figura 2.3).

Figura 2.3 - Vigas com comportamento não dúctil.

14
2.2.3 MECANISMOS DE ADERÊNCIA AÇO-BETÃO
O desempenho das estruturas de betão armado depende, em muito, do comportamento dos
mecanismos de transferência de tensões entre o aço e o betão, sobretudo em situações de carregamento
cíclico. Mesmo para carregamentos monotónicos e estáticos, o bom funcionamento do betão armado
depende principalmente deste mecanismo de transferência de tensões entre o aço e o betão.
A aderência aço-betão é desenvolvida por atrito, mas sobretudo pelo imbricamento entre o betão e a
armadura, que garante a necessária transferência de tensões do betão para a superfície das armaduras.
A análise de estruturas de betão armado é geralmente feita assumindo uma aderência perfeita entre o
betão e a armadura, o que implica uma total compatibilidade de deformações entre os dois materiais.
Esta hipótese normalmente só é válida nos estados iniciais de carregamento e para valores reduzidos
de tensão. Para valores significativos do carregamento, simultaneamente com a formação de eventuais
fendas, ocorrem quebras na ligação aço-betão, dando origem ao escorregamento das armaduras
(Figura 2.4). Este efeito é agravado quando os elementos de betão armado são sujeitos a cargas
cíclicas. No caso de estruturas existentes, este mecanismo de transferência de tensões é ainda mais
frágil, pois para muitas destas estruturas a armadura é constituída por varões lisos.
A degradação da aderência aço-betão assume um papel fundamental na resposta das estruturas
submetidas à ação sísmica, podendo provocar o aumento do seu período fundamental de vibração, a
diminuição da sua capacidade de dissipação de energia e consequentemente a alteração global da
distribuição de esforços internos na estrutura.

2.2.4 INCORRETA AMARRAÇÃO E SOBREPOSIÇÃO DA ARMADURA PRINCIPAL


A incorreta pormenorização em projeto, ou a má execução em obra, das zonas de amarração e de
sobreposição da armadura constituem uma deficiência frequente nas estruturas existentes de betão
armado. Apresentam-se algumas regras básicas para a sua boa realização:
• Evitar a sobreposição e amarração em locais onde o betão tende a fissurar de modo extensivo (por
exemplo: em locais de formação de rótulas plásticas, em zonas de transição de betonagem);
• Dar especial atenção ao confinamento em locais com amarrações embebidas e sobrepostas, de
forma a impedir o arranque das armaduras;
• Sempre que possível, executar a sobreposição na direção perpendicular aos esforços principais de
compressão;
• Para garantir uma melhor amarração, deve-se optar por usar um maior número de varões e com
menor diâmetro. Quando são usados varões de grande diâmetro é muito difícil assegurar o
comprimento de amarração requerido, uma vez que a força nos varões aumenta
proporcionalmente ao quadrado do diâmetro e a força de aderência é linearmente dependente do
diâmetro dos varões.

Figura 2.4 - Pormenorização deficiente da armadura [4].

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2.2.5 INADEQUADA CAPACIDADE RESISTENTE AO CORTE DE VIGAS E PILARES
As ações consideradas no dimensionamento estrutural correspondentes à ação permanente, à
sobrecarga e à ação do vento resultam, normalmente, em esforços de corte nos elementos estruturais
significativamente inferiores àqueles que são desenvolvidos devido à ação sísmica. Muitas estruturas
existentes apresentam uma capacidade resistente ao corte reduzida, por erros de projeto ou de
execução (ver exemplos na Figura 2.5). Para estas estruturas, os esforços atuantes de corte devem ser
limitados ou a capacidade resistente dos pilares deve ser melhorada. Existem várias técnicas que
permitem melhorar a capacidade resistente ao corte dos elementos estruturais, nomeadamente: a)
adotar uma quantidade apropriada de estribos e de cintas para assegurar a integridade do betão,
melhorando o funcionamento conjunto; b) evitar a combinação de esforços de corte com esforços
axiais de tração; c) usar betões de melhor qualidade [3].

Figura 2.5 - Rotura por corte de pilares.

2.2.6 INADEQUADA CAPACIDADE RESISTENTE À FLEXÃO DE VIGAS E PILARES


O tipo de aço adotado, a sua quantidade e os detalhes de pormenorização tem um papel fundamental
na resposta sísmica das estruturas de betão armado [5]. Em regiões de risco sísmico moderado a
elevado é crucial realizar uma pormenorização adequada da armadura de flexão (Figura 2.6). O bom
comportamento sísmico de elementos estruturais de betão armado sujeitos fundamentalmente à flexão
pode ser conseguido:
• Limitando o esforço axial de compressão ou aumentando a área da secção transversal;
• Limitando a quantidade de armadura longitudinal. Quanto maior for a área da armadura
longitudinal e a tensão de cedência do aço, maiores serão as exigências de compressão no
betão;
• A capacidade em flexão pode ser melhorada com um betão de melhor qualidade, com a
adoção de armadura de compressão e, fundamentalmente, com um confinamento adequado.

Figura 2.6 - Colapso de pilares por insuficiente capacidade em flexão [6].

16
2.2.7 INADEQUADA CAPACIDADE RESISTENTE DOS NÓS VIGA-PILAR
Para o bom desempenho das estruturas de betão armado não basta garantir que as vigas e pilares
tenham a resistência, rigidez e ductilidade exigidas pelas ações em causa. É necessário garantir que
estes elementos estruturais estejam devidamente ligados entre si [5]. Os nós viga-pilar podem sofrer
uma perda significativa de rigidez devido à insuficiente resistência ao corte e à inadequada ancoragem
da armadura longitudinal das vigas e pilares que concorrem no próprio nó. Os mecanismos mais
frequentes de rotura dos nós viga-pilar estão relacionados com: i) a ausência ou inadequada adopção
de armadura de confinamento nos nós; e, ii) a inadequada ancoragem da armadura longitudinal dos
elementos estruturais nos nós [7]. O colapso e a instalação de danos severos em edifícios de betão
armado devido a deficiências associadas aos nós viga-pilar são comuns durante a ocorrência de sismos
(Figura 2.7).

Figura 2.7 - Resistência inadequada dos nós viga-pilar [6].

2.2.8 MECANISMO TIPO VIGA FORTE-PILAR FRACO


A regulamentação [8] atual indica claramente que para se obter uma resposta sísmica dúctil das
estruturas, as exigências de deformação em regime não-linear devem concentrar-se ao nível das vigas,
e não nos pilares. Assim, para cada nó viga-pilar devem adotar-se pilares com maior resistência do que
as correspondentes vigas. Muitas estruturas existentes não foram concebidas tendo em conta este
mecanismo/efeito. Em sismos recentes tem-se verificado frequentemente o colapso ou dano severo de
inúmeras estruturas de betão armado devido ao desenvolvimento de mecanismos tipo viga-forte pilar-
fraco (veja-se o exemplo da Figura 2.8).

Figura 2.8 - Mecanismo tipo viga forte-pilar fraco.

17
2.2.9 NÃO CONSIDERAÇÃO DA INFLUÊNCIA DAS PAREDES DE ALVENARIA NA DETERMINAÇÃO DA
RESPOSTA SÍSMICA DOS EDIFÍCIOS

A resposta global dos edifícios face a ações verticais não é afetada significativamente com a
consideração ou não dos painéis de alvenaria de enchimento, no entanto, o mesmo não é verdade
quando se trata de ações horizontais cíclicas, como as induzidas pelos sismos. Tradicionalmente, as
paredes de alvenaria não são consideradas no dimensionamento das estruturas porticadas. Estas
paredes podem ser consideradas como um material composto. A sua resposta a solicitações horizontais
é muito complexa e dependente de inúmeros fatores, tais como: propriedades dos materiais (tipo e
dimensões do tijolo, tipo de argamassa de junta e de reboco), qualidade da mão-de-obra usada na
execução das alvenarias, geometria das paredes, dimensões e posição das aberturas, ligação entre o
painel de alvenaria e o pórtico envolvente, rigidez e resistência relativa entre os pilares e os painéis de
alvenaria, entre outros. Mesmo sendo elementos relativamente frágeis, as paredes de alvenaria de
enchimento podem modificar drasticamente a resposta estrutural, atraindo forças para partes da
estrutura que não foram projetadas para resistir a estas solicitações [9]. É incorreto assumir que os
painéis de alvenaria são sempre benéficos para a resposta global das estruturas de edifícios. A
contribuição das paredes na resposta sísmica dos edifícios pode ser positiva ou negativa, dependendo
de um elevado número de parâmetros, como anteriormente referido. Os painéis de alvenaria de
enchimento podem aumentar substancialmente a rigidez global da estrutura, o que altera as forças
sísmicas a que esta estará sujeita. Assim, no dimensionamento ou verificação da segurança das
estruturas deve ter-se em conta a influência das paredes de alvenaria. A sua não consideração no
dimensionamento poderá alterar a resposta estrutural de forma significativa e, consequentemente,
serão produzidos mecanismos de comportamento imprevistos que poderão provocar o colapso das
estruturas, quando sujeitas aos sismos. As elevadas tensões que se produzem nos painéis de alvenaria
podem resultar no seu colapso. Em muitos casos, os danos observados e colapso de edifícios podem
ser atribuídos à modificação da resposta estrutural induzida pelo efeito dos painéis de alvenaria não
estrutural, tal como tem sido observado em sismos recentes (por exemplo: Izmit, na Turquia, 1999;
Figura 2.9).

Figura 2.9 - Danos em edifícios associados às paredes de alvenaria de enchimento.

Em muitas situações, as paredes de alvenaria desenvolvem-se apenas até certa altura dos andares,
deixando uma parte do pilar exposta, o que tradicionalmente produz um mecanismo de
comportamento tipo pilar-curto. Este tipo de mecanismo não é geralmente considerado no
dimensionamento das estruturas (Figura 2.10).

18
Figura 2.10 - Mecanismos tipo pilar curto causados por: aberturas de janela, colapso parcial das paredes de
alvenaria e pela ligação de patamares intermédios de escadas.

O desenvolvimento de macro-modelos numéricos não-lineares globais e simplificados, como o


proposto em [10], associado ao aumento das capacidades computacionais, torna viável a consideração
da influência dos painéis de alvenaria no dimensionamento e verificação da segurança de estruturas de
edifícios sujeitos a cargas horizontais, como as induzidas pelos sismos.

2.2.10 IRREGULARIDADES ESTRUTURAIS EM PLANTA OU EM ALTURA


A correta conceção de uma estrutura é essencial para o seu bom comportamento face a qualquer tipo
de solicitação, quer seja ela estática ou dinâmica. Edifícios simples, regulares e com sistemas
resistentes redundantes para solicitações horizontais tendem a exibir um melhor comportamento. Por
outro lado, sistemas estruturais complexos, geralmente, resultam em estruturas cujas dimensões e
pormenorização dos seus elementos estruturais apresentam algumas deficiências. As variações bruscas
de rigidez, resistência ou massa da estrutura e/ou propriedades dos elementos de um edifício, quer em
planta, quer em altura (ver exemplo representado na Figura 2.11), podem resultar em distribuições de
forças horizontais e deformações muito diferentes daquelas que surgem em estruturas regulares [10].
Uma irregularidade estrutural muito comum em edifícios existentes surge ao nível dos pisos inferiores,
resultante da ausência de paredes de alvenaria, para instalação de estacionamentos, lojas, ou apenas
por opção arquitetónica. Outra descontinuidade frequente resulta da redução de secção dos pilares e
paredes resistentes em altura, ou até da alteração de dimensões de elementos não estruturais. Estas são
causas frequentes de colapso de edifícios com alvenaria de enchimento, produzindo os chamados
mecanismos tipo soft-storey. Outra irregularidade estrutural frequente surge associada à alteração de
posição, entre pisos consecutivos, dos elementos estruturais verticais, ou até mesmo de elementos não
estruturais.

Figura 2.11 - Edifício com pronunciada irregularidade estrutural em altura (mecanismo tipo soft-storey ao nível do
rés-do-chão).

19
2.2.11 INFLUÊNCIA DOS MODOS SUPERIORES
Muitas estruturas existentes foram dimensionadas com recurso a procedimentos simplificados,
baseados na representação da sua resposta sísmica por um único modo equivalente. Para certas
configurações estruturais tal procedimento não representa adequadamente a resposta sísmica real.
Como exemplo, refere-se o comportamento deficiente de inúmeros edifícios durante a ocorrência do
sismo de 1985 na cidade do México (Figura 2.12).

Figura 2.12 - Influência dos modos superiores durante o sismo de 1985 na cidade do México [3].

20
3 INTRODUÇÃO AO EUROCÓDIGO 8
3.1 ASPETOS GERAIS
A atual regulamentação portuguesa de cálculo de estruturas, nomeadamente o Regulamento de
Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes (Decreto de Lei nº235/83 de 31 de Maio)
[11] e o Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-esforçado (REBAP) [12], serão
substituídos brevemente pelos Eurocódigos, com a finalidade de promover a harmonização da
normalização a nível da Europa. Cada Eurocódigo, em cada país, será acompanhado de um Anexo
Nacional que elucidará sobre a sua aplicabilidade e definirá uma série de parâmetros que foram
deixados em aberto nos Eurocódigos uma vez que dependem de aspectos particulares e de práticas de
cada País. Estes parâmetros procuram ter em conta aspetos relacionados com a segurança, economia e
de natureza geográfica ou climatérica.
O Eurocódigo 8 (EC8) [13] aborda os aspetos relacionados com o projeto sismo-resistente,
evidenciando a importância da ação sísmica no contexto nacional. O EC8 subdivide-se em 6 partes:
• EN 1998-1: Eurocódigo 8: Projeto de estruturas sismo-resistentes – Parte 1: Regras gerais, ações
sísmicas e regras para edifícios.
• EN 1998-2: Eurocódigo 8: Projeto de estruturas sismo-resistentes – Parte 2: Pontes.
• EN 1998-3: Eurocódigo 8: Projeto de estruturas sismo-resistentes – Parte 3: Avaliação e reforço
de edifícios.
• EN 1998-4: Eurocódigo 8: Projeto de estruturas sismo-resistentes – Parte 4: Silos, reservatórios e
condutas enterradas.
• EN 1998-5: Eurocódigo 8: Projeto de estruturas sismo-resistentes – Parte 5: Fundações, estruturas
de contenção e aspectos geotécnicos.
• EN 1998-6: Eurocódigo 8: Projeto de estruturas sismo-resistentes – Parte 6: Torres, mastros e
chaminés.
Neste curso será abordada essencialmente a Parte 1 do EC8, relativa ao projeto de edifícios de betão
armado. Alguma da matéria tratada neste capítulo e no seguinte foi abordada num relatório de uma
disciplina de um curso de mestrado [14].
Os sismos são um fenómeno perfeitamente natural, com um carácter errático e potencialmente
destrutivo. Dada a natureza aleatória dos sismos e a limitação dos recursos disponíveis para fazer face
aos seus efeitos, podemos assumir que um sismo poderá causar efeitos devastadores no parque
edificado. O Eurocódigo 8 (EC8) foi elaborado tendo como principal objetivo a proteção da vida
humana, procurando acautelar as perdas económicas e manter em funcionamento edifícios que se
possam revelar importantes num cenário de catástrofe. Assim, os objetivos referidos anteriormente
encontram-se enunciados, na forma de exigência, no EC8, sendo transcritos de seguida:
• Exigência de não ocorrência de colapso: A estrutura deve ser projetada e construída de forma a
resistir a ação sísmica de cálculo sem colapso local ou global, mantendo assim a sua integridade
estrutural e uma capacidade resistente residual depois do sismo. Esta exigência visa
essencialmente, proteger as vidas humanas do efeito nefasto que um colapso global ou parcial das
estruturas certamente provocaria. Assim, o regulamento exige que os elementos estruturais
mantenham a sua integridade e uma capacidade mínima de suporte das cargas gravíticas durante e
após a ocorrência do sismo.
• Exigência de limitação dos danos: Aquando da ocorrência de um evento sísmico relativamente
frequente, as construções deverão conseguir limitar os danos por ele causados, limitando-se assim

21
ao máximo as perdas económicas. Está-lhe subjacente o objetivo de evitar os danos estruturais e de
limitar os danos não estruturais de situações facilmente e economicamente reparáveis.
De acordo com o regulamento, os projetos de fundações e estruturas deverão, na fase de conceção,
gerar uma estrutura resistente que permita uma otimização do desempenho estrutural, face à ação
sísmica. De entre os critérios consagrados pelo EC8, dever-se-ão destacar os seguintes:
• Simplicidade estrutural;
• Uniformidade, simetria e redundância da estrutura;
• Resistência e rigidez nas duas direções;
• Resistência e rigidez à torção;
• Consideração de uma ação de diafragma ao nível dos pisos;
• Consideração de elementos de fundação adequados ao caso em estudo.
Nos pontos seguintes procurar-se-á descrever as características acima apresentadas.

3.1.1 SIMPLICIDADE ESTRUTURAL


A simplicidade estrutural é caraterizada pela existência de trajetórias claras e diretas de transmissão
das forças sísmicas. Mesmo para estruturas bem projetadas, um sismo de magnitude elevada, será
sempre capaz de levar a estrutura ao colapso e por isso a modelação, a análise, o dimensionamento, a
pormenorização construtiva e a construção de estruturas simples reduz muito as incertezas e portanto é
muito mais fácil prever o comportamento sísmico da estrutura de um modo mais fiável.

3.1.2 UNIFORMIDADE, SIMETRIA E REDUNDÂNCIA


A uniformidade em planta, de acordo com o artigo 4.2.1.2 do EC8, reveste-se numa vantagem no
contexto da ação sísmica, uma vez que uma estrutura uniforme em planta, caracterizada por uma
distribuição equilibrada dos elementos estruturais, assegura trajetos curtos e diretos para as forças de
inércia criadas pelas massas distribuídas através do edifício. Poderá ser necessário, conforme
preconiza o ponto 2.2.4.1 (1) do EC8, para que este princípio seja assegurado, subdividir o corpo de
um edifício em vários blocos regulares em planta, garantindo no entanto que não haja choque entre os
diferentes corpos. Esta possibilidade representa-se esquematicamente na Figura 3.1.

Figura 3.1 - Adoção de junta num edifício, dividindo-o em dois corpos regulares em planta [15].

22
De igual modo, dever-se-á garantir que o edifício é regular em altura, evitando deste modo zonas de
concentração de esforços ou de grandes exigências em termos de ductilidade, as quais poderão
originar um colapso prematuro da estrutura. A adoção de uma junta poderá, mais uma vez, resolver
esta falta de regularidade, como ilustrado na Figura 3.2.

Figura 3.2 - Introdução de junta num edifício, separando-o em dois blocos regulares em altura [15].

A opção pela utilização de um sistema estrutural simétrico permitirá desacoplar os modos de vibração
do edifício em duas direções horizontais independentes, assim como originar uma resposta à ação
sísmica com menores exigências associadas aos efeitos da torção.
Finalmente, a utilização de uma distribuição regular dos vários elementos estruturais aumenta a
redundância, permitindo uma redistribuição dos efeitos das ações mais favorável, assim como uma
dissipação de energia distribuída em todo o conjunto da estrutura.
3.1.3 RESISTÊNCIA E RIGIDEZ NAS DUAS DIREÇÕES
Devido à natureza multidirecional (em especial bidirecional, no plano horizontal) da ação sísmica, o
ponto 4.2.1.3 do EC8, recomenda que a estrutura seja capaz de resistir às ações horizontais em
qualquer direção. Habitualmente procura-se garantir esta resistência dispondo os elementos estruturais
de acordo com um padrão ortogonal no plano, garantindo-se assim que a rigidez e resistência em
ambas as direções principais seja similar. É de referir que será possível aos projetistas, a adoção de
outras formas de distribuição dos diferentes elementos estruturais, desde que seja garantida uma
adequada rigidez e resistência em ambas as direções. No entanto, este procedimento não será
recomendável, uma vez que corresponde, normalmente, a um comportamento sísmico menos
previsível e de difícil análise.
Resta referir que deverão ser adotadas características de rigidez para a estrutura que ao mesmo tempo
que minimizem os efeitos da ação sísmica, limitem igualmente os deslocamentos que sejam
suscetíveis de originar instabilidades (devido a efeitos de segunda ordem).

3.1.4 RIGIDEZ E RESISTÊNCIA À TORÇÃO


A rigidez e resistência torsional deverão estar presentes em todas as estruturas a edificar, de modo a
limitar o aparecimento de movimentos torsionais, que originarão distribuições de tensões não

23
uniformes ao longo da estrutura. Assim, será necessário distribuir adequadamente em planta os
elementos resistentes principais, Figura 3.3.

Figura 3.3 - Exemplos de distribuição dos elementos estruturais verticais [15].

3.1.5 AÇÃO DE DIAFRAGMA AO NÍVEL DOS PISOS


Nos edifícios, os pavimentos (incluindo a cobertura) têm um papel fundamental no comportamento
sísmico global da estrutura. Em geral, um edifício é modelado como sendo um conjunto de elementos
verticais resistentes às cargas laterais, ligados entre si através de diafragmas horizontais. Assim, em
edifícios, as lajes de pisos revestem-se de uma grande importância para a resistência à ação sísmica,
uma vez que funcionam como diafragmas horizontais que recebem e transmitem as forças de inércia
aos vários elementos estruturais verticais, assegurando que estes funcionam de um modo integrado
para a resistência à ação sísmica horizontal. A importância do funcionamento de um piso como
diafragma será tanto maior quanto mais complexa e não uniforme for a disposição dos elementos
verticais de uma estrutura, ou quando se esteja na presença de sistemas cujos elementos verticais
apresentem diferentes características de rigidez.
No ponto 4.2.1.5 do EC8 preconiza-se que as várias lajes de piso deverão ser consideradas como
integrantes na globalidade da estrutura, sendo necessário assegurar que possuam uma adequada rigidez
e resistência no seu plano, bem como uma ligação correta aos diversos elementos e sistemas verticais
presentes no edifício. De modo a garantirmos esta condição, o regulamento sugere que, para o
diafragma, as verificações de resistência relevantes na ação sísmica sejam majoradas por um fator γd
maior que 1,0.
A atribuição de rigidez ao diafragma deverá ser tal que permita distribuir, de forma adequada, as
forças de inércia horizontais aos elementos estruturais portantes. Na fase de projeto, a consideração da
laje como um diafragma rígido no seu plano, permitirá uma distribuição da deformação mais uniforme
pelos vários elementos verticais. Para que este pressuposto possa ser considerado, a cláusula 4.3.1 (4)
do EC8 aponta para que os deslocamentos horizontais no plano do piso não sejam modificados em
mais de 10% pela deformação do piso em si.
Relativamente a diafragmas em betão o regulamento refere, na continuidade do acima explicitado que,
para que uma laje maciça em betão armado possa ser considerada como um diafragma, terá que

24
apresentar uma espessura maior ou igual a setenta milímetros e possuir a armadura mínima
preconizada pela EN 1992-1 em ambas as direções ortogonais horizontais. De modo a obter os efeitos
da ação sísmica em diagramas de betão armado, dever-se-á efetuar uma modelação do diafragma
assente em apoios elásticos, como uma viga, treliça plana ou como um modelo de escora e tirante
equivalentes.

3.1.6 FUNDAÇÕES ADEQUADAS


A consideração de elementos de fundação apropriados, e que sejam capazes de transmitir as ações
geradas na estrutura ao terreno, assume uma extraordinária importância no bom funcionamento de
uma estrutura em caso de sismo. De facto, o ponto 4.2.1.6 do EC8 recomenda que, em fase de projeto,
as fundações e todas as suas ligações à superestrutura, sejam projetadas de modo a assegurar a
segurança de todos os elementos do edifício quando sujeito a uma solicitação sísmica.
Complementarmente, o regulamento sugere que todos os elementos de fundação estejam ligados entre
si e que a sua rigidez seja a adequada face a rigidez dos elementos verticais que suportam. Deverá, de
acordo com a cláusula 2.2.4.2 (2) da EN1998-1 adotar-se geralmente, com a exceção de pontes, apenas
um tipo de fundação na mesma estrutura.
Segundo o regulamento, caberá ao projetista contemplar no modelo estrutural a deformabilidade do
solo de fundação, inferindo sobre a influência que este parâmetro terá na resposta estrutural. As
normativas gerais relativas a fundações de edifícios são explicitadas na cláusula 4.4.2.6 do EC8,
estando os pormenores específicos de elementos de fundação em betão armado, presentes no ponto 5.8
do EC8. Acrescem a estes conceitos as regras mais detalhadas, presentes na EN 1998-5.

É fundamental tomar devidamente em consideração estes aspetos na fase da conceção estrutural, pois
o inadequado comportamento estrutural dos edifícios após a ocorrência de um sismo, pode estar
relacionada com uma má conceção estrutural e com uma inadequada pormenorização das zonas
críticas da estrutura. Este ponto é também visado nas disposições específicas definidas no EC8 para o
projeto onde refere concretamente que:
• As estruturas deverão ter geometria simples e regular, tanto em planta como em altura;
• Devem ser evitadas roturas frágeis ou a formação prematura de mecanismos instáveis;
• A pormenorização das ligações entre elementos estruturais e das zonas onde seja previsível
um comportamento não linear deverá ser objeto de especial atenção no projeto;
• A análise estrutural deverá basear-se num modelo estrutural adequado;
• A rigidez das fundações deve ser adequada para a transmissão das solicitações ao terreno;
• Em geral, só se deverá utilizar um único tipo de fundação numa mesma estrutura.

O EC8 além de se referir aos aspetos relacionados com o dimensionamento estrutural também faz
referência à forma de determinar as ações de cálculo relativas aos sismos. As ações sísmicas devem
ser tratadas de um modo separado das restantes ações. A primeira razão, e uma das mais importantes,
relaciona-se com o facto de as ações sísmicas assumirem um carácter predominantemente dinâmico,
não envolvendo forças exteriores aplicadas acima das fundações. A segunda razão tem que ver com o
facto de as cargas sísmicas dependerem tanto das características dinâmicas da estrutura e dos materiais
constituintes, como dos movimentos do solo. O dimensionamento estrutural é por sua vez muito
condicionado pelo próprio comportamento estrutural do edifício. Um dos fatores que condicionam em
larga medida a magnitude das solicitações sísmicas é a ductilidade da estrutura em estudo.

25
Entroncamos, assim, numa complexa ligação entre ação e estrutura. Esta ligação assume maior
importância quando é necessário referir-se o conceito de dimensionamento baseado em capacidade,
segundo o qual os esforços de cálculo dos elementos dependem não só das ações externas, mas
também da resistência sísmica dos outros elementos. Por exemplo, a resistência de pilares dúcteis
deverá ser suficiente para se conseguir mobilizar a resistência disponível nas vigas que lhe estão
ligadas.
O movimento sísmico num dado ponto da superfície do terreno pode ser representado por um espectro
de resposta elástica em acelerações à superfície do terreno. Estes espetros de resposta são definidos
para dois tipos de sismos: os do tipo 1, que englobam movimentos longínquos interplacas associados a
sismos de grande magnitude; e, os do tipo 2 onde estão presentes os movimentos próximos,
intraplacas, com magnitudes inferiores a 5,5.

3.2 ESPECTRO DE RESPOSTA

3.2.1 ZONAMENTO SÍSMICO


O EC8 prevê que sejam as autoridades nacionais de cada país a definir o zonamento sísmico do seu
território, dividindo o mesmo em zonas de sismicidade semelhante. Segundo o anexo Português, o
território nacional deverá ser dividido em zonas sísmicas, de acordo com o risco local e para um
período de retorno de 475 anos. Por definição, em cada zona o risco é constante e é determinado a
partir de um único parâmetro: a aceleração máxima de referência ao nível de um solo de classe A,  ,
ao qual corresponde o período de retorno, TNCR, para a exigência de não colapso [16].
No caso de se considerarem períodos diferentes do de referência, o valor da aceleração de projeto, ao
nível de um solo de classe A, deverá ser obtido a partir da expressão seguinte:

  .
(3.1)

Na Figura 3.4 apresenta-se o zonamento sísmico proposto pelo Anexo Nacional português, para os
dois cenários descritos [13].

Figura 3.4 - Zonamento sísmico previsto no EC8-1 para o cenário de sismo afastado/sismo interplacas (à
esquerda) e para o cenário de sismo próximo/sismo intraplaca (à direita) [13].

26
3.2.2 DEFINIÇÃO DO ESPETRO DE RESPOSTA
Em termos regulamentares, o movimento sísmico num dado ponto à superfície é representado por um
espectro de resposta elástico de aceleração à superfície do terreno.
O conceito de espetro de resposta envolve o seguinte raciocínio. Imagine-se que se submete uma
estrutura de massa unitária e uma dada frequência, f, ou período, T, (como se sabe T=1/f) e
amortecimento relativo, ξ, a um dado sinal sísmico representado por um acelerograma, Figura 3.5
[17]. Pode obter-se a resposta exata dessa estrutura a esse sinal, em deslocamentos, velocidades ou
acelerações. Essa resposta é variável no tempo. Pode então selecionar-se o valor máximo dessa
resposta ao longo do tempo, o qual será o valor máximo da aceleração (velocidade ou deslocamento) a
que a estrutura (com período T e amortecimento ξ) é submetida quando atuada pelo acelerograma em
questão. Se para essa mesma estrutura fizermos variar o acelerograma, ou seja o sinal, iremos obter
uma outra resposta. Se fizermos variar o período, mantendo a massa unitária, podemos construir um
gráfico, como o que é representado na Figura 3.5, que nos estabelece uma relação entre a resposta da
estrutura e o período da mesma.
Esta operação repetida várias vezes, para vários registos sísmicos representativos da ação sísmica
regulamentar, permite a obtenção de um espectro de resposta em acelerações, que em cada local pode
ser considerado uma envolvente das acelerações provocadas nas estruturas pelos vários tipos de ações
sísmicas regulamentares, podendo assim ser usado no dimensionamento de estruturas à ação dos
sismos.
A apresentação do espectro de resposta elástico é considerada semelhante para os dois tipos de ação
sísmica considerados. Assim, são dois os tipos de sismo que condicionam os parâmetros do espectro:
• Tipo 1: sismo afastado/sismo interplacas, com magnitude superior a 5,5;
• Tipo 2: sismo próximo/sismo intraplacas, com magnitude inferior a 5,5.
As caraterísticas dos vários espetros que caraterizam os dois tipos de ação sísmica e os solos estão
obrigatoriamente ligadas às características da ação sísmica e às características do solo.

27
Figura 3.5 - Procedimento para obtenção de um espectro de resposta [17].

Para a componente horizontal da ação sísmica, o espectro de resposta elástico Se (T) é obtido através
das expressões que se seguem, retiradas do EC8:

0 ≤  ≤  :    ·  · 1 + ·  · 2,5 − 1! (3.2)


 ≤  ≤ " :    ·  ·  · 2,5 (3.3)



" ≤  ≤ # :    ·  ·  · 2,5 ·  $ ! (3.4)


$ ·'
# ≤  ≤ 4&:    ·  ·  · 2,5 ·  ! (3.5)
(

onde:
• Se (T): é o espectro de resposta elástico;
• T: é o período de vibração dum sistema de um grau de liberdade;
• ag: valor de aceleração à superfície para um terreno do tipo A (
.  ;

28
• TB: é o limite inferior do período no patamar de aceleração espectral constante;
• TC: é o limite superior do período no patamar de aceleração espectral constante;
• TD: é o valor que define no espectro o início do ramo de deslocamento constante;
• S: coeficiente de solo;
• : é dado pela expressão:

*+
 ) / 0,55 (3.6)
,-.

• 0: é o fator de correção do amortecimento (com um valor de referência =1, para 5% de


amortecimento).
O espectro de resposta elástico descrito pelas equações anteriores assume o aspeto genérico que se
apresenta na Figura 3.6 [13]. Os valores de S, TB, TC e TD estão definidos no Anexo Nacional [13] e
apresentam-se no Quadro 3.1 e no Quadro 3.1. No que diz respeito aos valores da aceleração máxima
de referência, estes encontram-se definidos no Anexo Nacional [13], sendo transcritos no Quadro 3.1.

Figura 3.6 - Esquema geral do espectro de resposta elástico, em concordância com o EC8-1 [13].

Quadro 3.1 - Valores recomendados dos parâmetros S, TB, TC e TD, descrevendo os espectros de resposta
elástica para sismos de tipo 1 recomendados pelo Anexo Nacional [13].

Tipo de terreno S TB (s) TC (s) TD (s)

A 1,00 0,15 0,40 2,00

B 1,20 0,15 0,50 2,00

C 1,15 0,20 0,60 2,00

D 1,35 0,20 0,80 2,00

E 1,40 0,15 0,50 2,00

29
Quadro 3.2 - Valores recomendados dos parâmetros S, TB, TC e TD, descrevendo os espectros de resposta
elástica para sismos de tipo 2 recomendados pelo Anexo Nacional [13].

Tipo de terreno S TB (s) TC (s) TD (s)

A 1,00 0,05 0,25 1,20

B 1,35 0,05 0,25 1,20

C 1,50 0,10 0,25 1,20

D 1,80 0,10 0,30 1,20

E 1,60 0,05 0,25 1,20

Quadro 3.3 - Aceleração máxima de referência  (cm/s2) para as várias zonas sísmicas definidas no EC8-1 [13].

Sismo Sismo
Zona
afastado/interplacas próximo/intraplaca
1 250 170

2 200 110

3 150 80

4 100 -

5 50 -

3.2.3 INFLUÊNCIA DO SOLO


A influência do solo de fundação deverá ser tida em conta numa análise sísmica. De acordo com o
EC8 poderão considerar-se cinco tipos de solo (A, B, C, D e E), individualizados pelas suas
características geológicas e por três parâmetros mensuráveis 12,3+ m⁄s, 789 e :; kPa.
De modo a categorizar os referidos solos, são sempre necessários estudos geológico-geotécnicos sendo
que, no caso do solo ? , será necessário ter em conta a possibilidade de rotura do mesmo devido à
ação sísmica. No Quadro 3.4 apresentam-se os cinco tipos de solos, definindo os parâmetros
associados a cada um deles, nomeadamente o valor da velocidade 12,3+ e o valor do NSPT.
O efeito dos terrenos na ação sísmica à superfície está intrinsecamente relacionado com o valor da
própria ação sísmica, visto que a intensidade dessa ação poderá modificar as características mecânicas
dos terrenos atravessados (nomeadamente a deformabilidade e o amortecimento) e assim influenciar a
amplificação que os terrenos podem induzir no movimento à superfície. Assim, será possível, a partir
da diferenciação dos valores dos parâmetros definidores dos espectros (S, TB, TC e TD), introduzir o
efeito dos terrenos na ação sísmica de projeto. Analisando os quadros seguintes, poder-se-á verificar
que são os valores de S e Tc, os que maiores variações apresentam, para os vários tipos de terreno. O
Quadro 3.5 apresenta os valores de S e Tc em função do tipo de solo em questão [13].

30
Quadro 3.4 - Tipos de solo [13].

Parâmetros
@A,BC D/A FGHI JK LHM
Tipo de solo Descrição geológica
Rocha ou outra formação geológica do tipo rochoso,
A que inclua, no máximo, 5m de material mais fraco à > 800 - -
superfície.
Depósitos de areia muito compacta, de seixo
(cascalho) ou de argila muito rija, com uma espessura
B de, pelo menos, várias dezenas de metros, 360-800 > 50 > 250
caracterizados por um aumento gradual das
propriedades mecânicas com a profundidade.
Depósitos profundos de areia compacta ou
medianamente compactam, de seixo (cascalho) ou de
C 180-360 15-50 70-250
argila rija com uma espessura entre várias dezenas e
muitas centenas de metros.
Depósitos de solo não coesivos de compacidade baixa
a média (com ou sem alguns estratos de solos coesivos
D < 180 < 15 < 70
moles), ou de solos predominantemente coesivos de
consistência mole a dura.
Perfil do solo com um estrato aluvionar superficial
com valores de vs do tipo C ou D e uma espessura
E - - -
entre cerca de 5m e 20m, situado sobre um estrato
mais rígido com vs > 800m/s.
Depósitos constituídos ou contendo um estrato com
< 100
pelo menos 10 m de espessura de argilas ou siltes
S1 (valor - 10-20
moles com um elevado índice de plasticidade (PI > 40)
indicativo)
e um elevado teor em água.
Depósitos de solos com potencial de liquefação, de
S2 argilas sensíveis ou qualquer outro perfil de terreno - - -
não incluído nos tipos A – E ou S1.

Quadro 3.5 - Valores dos parâmetros S e Tc definidores dos espectros de resposta elásticos recomendados pelo
Anexo Nacional para os vários tipos de terreno [13].

Espectro Tipo 1 (Sismo interplacas) Espectro Tipo 2 (Sismo intraplaca)


Tipo de Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 e 5 Zona 1 Zona 2 e 3
Terreno (250 cm/s2) (200 cm/s2) (150 cm/s2) (100/50 cm/s2) (170 cm/s2) (110/80 cm/s2)
S Tc (s) S Tc (s) S Tc (s) S Tc (s) S Tc (s) S Tc (s)
A 1,0 0,6 1,0 0,6 1,0 0,6 1,0 0,6 1,0 0,25 1,0 0,25
B 1,2 0,6 1,2 0,6 1,2 0,6 1,3 0,6 1,35 0,25 1,35 0,25
C 1,3 0,6 1,4 0,6 1,5 0,6 1,6 0,6 1,5 0,25 1,6 0,25
D 1,4 0,8 1,6 0,8 1,8 0,8 2,0 0,8 1,8 0,3 2,0 0,3
E 1,4 0,6 1,5 0,6 1,7 0,6 1,8 0,6 1,6 0,25 1,8 0,25

3.3 DEFINIÇÃO DA AÇÃO SÍSMICA


3.3.1 FATOR DE IMPORTÂNCIA
A necessidade de se assegurar que para certos edifícios, pela sua importância, se deve garantir a sua
operacionalidade e funcionamento após a ocorrência de um sismo, para a segurança pública e para a
proteção civil, conduziu à necessidade de se hierarquizarem os mesmos (ver Quadro 3.6). O EC8
categoriza os edifícios segundo quatro níveis de importância, que dependem da dimensão da estrutura,
do seu valor e importância para a segurança pública e da possibilidade de perdas humanas devido ao
seu eventual colapso. O valor de cálculo da aceleração à superfície de um terreno do tipo A,  , é igual
a  , que deve ser multiplicado pelo coeficiente de importância,
:

31

.  (3.7)

Deste modo, temos quatro classes de importância são sugeridas pelo EC8-1, que se apresentam no
Quadro 3.6 [13].

Quadro 3.6 - Classes de importância [13].

Classe Descrição Valores de NO

Edifício de menor importância para a segurança pública, como por


I 0,80
exemplo edifícios agrícolas, etc.

II Edifícios correntes, não pertencentes às outras categorias 1,00

Edifícios cuja resistência sísmica é importante tendo em vista as


III consequências associadas ao colapso, como por exemplo escolas, 1,20
grandes salas de reunião, instituições culturais, etc.

Edifício cuja integridade durante um sismo é de importância vital para


IV a proteção civil, como por exemplo, hospitais, quartéis de bombeiros, 1,40
centrais elétricas, etc.

3.3.2 AÇÃO SÍSMICA COMBINADA COM OUTRAS AÇÕES


A verificação ou o dimensionamento de elementos estruturais deverá ser efetuada através da
combinação da ação sísmica com as outras ações, sendo o valor da ação sísmica de cálculo, Ed,
determinado através da combinação seguinte (a ação variável de cálculo é o sismo):
∑ ∑
PQ VW*RST " + " YQ "+" ZS "+" \W*[?,\ . ]S,\ (3.8)

em que:
• Gkj: Ações permanentes tomadas com os seus valores característicos;
• Aed: Valor de cálculo da ação sísmica;
• Pk: Valor característico do pré-esforço;
• Ψ2,i.QKi: Valores reduzidos (CQP) da sobrecarga característica QKi. Os coeficientes de
combinação serão definidos por cada país no respetivo Anexo Nacional.
As forças de inércia que representam a ação sísmica de cálculo devem ser avaliadas tendo em conta a
presença das massas associadas a todas as forças gravíticas que surgem na seguinte combinação de
ações:

∑RST " + " ∑^_,\. ]S,\ (3.9)

em que:
• ΨEi: é o coeficiente de combinação de ação para ação variável i e é igual a φ.Ψ2,i;
• φ: Fator de redução.

32
No que diz respeito ao valor do fator de redução, φ, compete às autoridades nacionais de cada país
definir, no Anexo Nacional, o seu valor, sendo recomendando no entanto no EC8, a adoção dos
valores presentes no quadro seguinte:

Quadro 3.7 - Valores do fator de redução, φ [13].

Tipo de Ação Variável Ocupação do piso Valores de `

Cobertura 1,00

Categorias A-C Pisos com ocupações correlacionadas 0,80

Pisos com ocupações independentes 0,50

Categorias D-F - 1,00

3.3.3 COMBINAÇÃO DAS COMPONENTES DA AÇÃO SÍSMICA


No dimensionamento sísmico é assumido que as componentes horizontais da ação sísmica atuam
simultaneamente e por isso no ponto 4.3.3.5 do EC8 encontra-se definido um método de análise, que
permite estimar a resposta global da estrutura à ação sísmica, através de uma ponderação análoga das
respostas correspondentes a cada espectro de vibração (vertical e horizontal). Isto significa que se
deverá utilizar uma ponderação quadrática, efetuada por meio da raiz quadrada da soma dos quadrados
(SRSS) da resposta associada a cada um dos espectros a partir dos quais se derivou a ação sísmica.
Deste modo, as componentes da ação sísmica poderão ser combinadas recorrendo a um de dois modos:
1) A raiz quadrada da soma dos quadrados dos efeitos sísmicos Pa , Pb , Pc :

P )Pa? + Pb? + Pc? (3.10)

2) O valor máximo das seguintes combinações:

P_Qa + 0,30 ∙ P_Qb + 0,30 ∙ P_Qc (3.11)

0,30 ∙ P_Qa + P_Qb + 0,30 ∙ P_Qc (3.12)

0,30 ∙ P_Qa + 0,30 ∙ P_Qb + P_Qc (3.13)

É importante referir que, quando a ação vertical não for condicionante, deverá ser desprezada a sua
componente na equação, ficando-se apenas com as duas combinações relativas às duas direções
horizontais consideradas:

P_Qa + 0,30 ∙ P_Qb (3.14)

0,30 ∙ P_Qa + P_Qb (3.15)

3.3.4 COEFICIENTE DE COMPORTAMENTO


O coeficiente de comportamento, q, pretende transformar os esforços que são obtidos numa análise
linear nos resultados que se obteriam se tivesse sido efetuada uma análise não linear da estrutura.

33
Segundo o EC8 o valor do coeficiente de comportamento deverá ser definido de um modo global, ou
seja, para toda a estrutura, refletindo o seu nível de ductilidade, ou seja, a capacidade que os elementos
estruturais têm de se deformar, antes de se atingir o seu colapso.
No Quadro 3.8 apresentam-se os valores de referência para o coeficiente de comportamento, definidos
no EC8-1, para sistemas regulares em altura.

Quadro 3.8 - Limite superior dos valores de referência dos coeficientes de comportamento para sistemas
regulares em altura [13].

Classe de ductilidade
Tipos de estrutura
DCM DCH

a) Pórticos simples 4 5

b) Pórtico com contraventamentos centrados:

Contraventamentos diagonais 4 4

Contraventamentos em V 2 2,5

c) Pórtico com contraventamentos excêntricos 4 5

d) Pêndulo invertido 2 2

e) Estruturas com núcleos ou paredes de betão Ver a secção 5 do EC8

f) Pórtico simples com contraventamento centrado 4 4

g) Pórtico simples com enchimentos:

Enchimentos de betão ou de alvenaria não ligados, em


2 2
contacto com o pórtico

Enchimentos de betão armado ligados Ver a secção 7 do EC8

Enchimentos isolados de pórticos simples (ver pórticos


4 5
simples)

Para terminar deve-se referir que no caso de o edifício não ser regular em altura, os valores limites
superiores de q, indicados no quadro anterior, deverão ser reduzidos em 20%.

3.4 NÍVEIS DE DUCTILIDADE


Relativamente aos níveis de ductilidade a adotar nas estruturas, a parte 1 do EC8 preconiza a conceção
de estruturas que explorem ao máximo a capacidade plástica de cada material. Com esta prescrição, o
regulamento permite que os edifícios sejam capazes de dissipar a energia proveniente dos sismos,
através da formação de rótulas plásticas. De acordo com este princípio, definiram-se três classes de
ductilidade para edifícios em betão armado: a classe de ductilidade baixa (DCL); a classe de
ductilidade média (DCM) e a classe de ductilidade alta (DCH).
O projetista, ao optar por uma destas classes, assumirá que a estrutura se comporta de uma forma mais
rígida (DCL) ou mais flexível (DCH). Assim, a opção por uma classe de ductilidade baixa, implicará

34
um dimensionamento com base no EC2, adequada a zonas de baixa intensidade sísmica. Pelo
contrário, no caso da estrutura se situar numa zona com maior intensidade sísmica, dever-se-á optar
por uma classe de ductilidade média ou alta sendo, neste caso, aplicáveis as diretivas do EC8.
Em termos concretos, a principal diferença entre a conceção de estruturas sismo-resistentes de média a
alta ductilidade e as de baixa ductilidade, passa pelo tipo de espectro de resposta a utilizar. Para
estruturas de baixa ductilidade, o espectro de resposta a utilizar na quantificação da ação sísmica é
elástico. Nas estruturas concebidas para as classes de ductilidade média e alta é definido um espectro
de cálculo onde se tem em conta a formação de rótulas plásticas nos elementos que resistem à ação
sísmica. A construção deste espectro incorpora o fator de comportamento, q, que reduz mais ou menos
a ação sísmica, conforme a maior ou menor capacidade que a estrutura tem para dissipar energia.
Sendo assim, quanto maior for a ductilidade dos elementos estruturais menor é a ação sísmica de
cálculo e mais flexível será a estrutura.

3.5 CONCEÇÃO SÍSMICA ADEQUADA


Um comportamento sísmico adequado de um edifício é função de uma conceção adequada do mesmo.
Esta conceção pode significar a diferença entre um comportamento estrutural onde o colapso da
estrutura seja evitado e o colapso do edifício. Uma estrutura bem concebida conduz a uma perceção
simples do comportamento estrutural do edifício e a uma identificação rápida das zonas críticas da
estrutura e dos respetivos elementos estruturais onde essas zonas se vão verificar. Cabe ao projetista
incluir no projeto, desde a fase inicial, as características que possibilitem que o edifício se comporte
adequadamente.
Como já foi referido, a regulamentação aponta os seguintes princípios básicos, que devem ser
considerados desde a fase inicial do projeto, de forma a garantir a obtenção de um sistema estrutural
que satisfaça, com custos económicos aceitáveis, as duas exigências fundamentais de desempenho
(Exigência de Não Colapso e Exigência de Limitação de Danos, já referidas no presente documento):
1) Simplicidade estrutural;
2) Uniformidade, simetria e redundância;
3) Rigidez e resistência bidirecionais;
4) Rigidez e resistência torsionais;
5) Comportamento de diafragma rígido ao nível de cada piso;
6) Fundações adequadas.

3.6 REGULARIDADE ESTRUTURAL


Historicamente tem-se observado que os danos em edifícios de betão armado, causados pela ação
sísmica, são mais acentuados em estruturas geometricamente irregulares. Assim, e uma vez que em
geral é possível após um sismo assinalar os motivos que levaram aos danos mais graves ou mesmo ao
colapso da estrutura, é notório que a irregularidade estrutural é um dos principais motivos.
A regularidade estrutural é, por conseguinte, uma característica que deverá estar sempre presente numa
estrutura para que, para além de se assegurar um bom comportamento sísmico, se garanta um maior
aproveitamento das capacidades de todos os seus elementos. Um dos maiores erros efetuados,
relaciona-se com a variação brusca de rigidez numa estrutura, o que implicará a existência de zonas de
aglomeração de esforços e de zonas com alta concentração de deformações, as quais poderão levar ao
esgotamento da capacidade dúctil da região, o que causará, em última analise o colapso da estrutura.
Porém, uma vez que há um grande número de variáveis e características estruturais a ter em conta

35
neste conceito, definir regularidade estrutural torna-se custoso, resultando numa tarefa em grande parte
intuitiva.
A EN 1998-1 preconiza na cláusula 4.2.3.1 (1) que as estruturas, para efeitos de projeto sísmico,
deverão ser categorizadas como sendo regulares ou não regulares. Para permitir esta classificação, a
norma introduz uma série de critérios qualitativos (separando a regularidade em altura da regularidade
em planta), que poderão ser facilmente verificados durante a fase de conceção estrutural, através de
uma simples observação ou de cálculos pouco complexos. É lógico que assim seja, uma vez que a
regularidade estrutural influencia o tipo de coeficiente de comportamento a adotar, que irá ser
preponderante na definição do espectro de resposta de cálculo.

3.6.1 REGULARIDADE EM PLANTA


Um edifício, para ser considerado regular em planta, deverá cumprir as seguintes prescrições:
• Garantir, de uma forma aproximada, que existe uma simetria em relação a dois eixos
ortogonais, no que diz respeito à rigidez lateral e à distribuição de massas;
• Assegurar a materialização de uma forma compacta em planta, isto é, cada piso deve ser
delimitado por uma linha poligonal convexa (desprezando os casos de varandas em consola)
sendo que, caso existam reentrâncias, estas não deverão afetar a rigidez do piso em planta,
devendo a área entre a linha exterior do piso e a linha poligonal convexa ser inferior à área do
piso em 5%;
• Permitir que cada piso se comporte como um diafragma rígido, o que será conseguido se a
rigidez no plano de cada piso for suficientemente grande quando comparada com a rigidez dos
elementos verticais. Deste modo, a deformação do piso no seu próprio plano devido à ação
sísmica, será desprezável face à deriva entre pisos (diferença entre os deslocamento
horizontais de cada piso) e conseguir-se-á que a laje contribua pouco na distribuição das
forças de corte sísmicas pelos diversos elementos verticais;
• Acautelar que a esbelteza do edifício, λ, em planta respeita o seguinte limite:
gháj.
f ≤4 (3.16)
ghkl.

Este ponto tem como objetivo impedir que, apesar da sua rigidez no próprio plano, as
deformações do diafragma devido à ação sísmica, perturbem a distribuição dos esforços de
corte sísmicos nos elementos portantes da estrutura;
• Para cada piso e para cada direção ortogonal de análise, x e y, deverão ser satisfeitas as
seguintes condições relativas à excentricidade estrutural, e0, e ao raio de torção, r:
m+a ≤ 0,30 ∙ na
(3.17)
m+b ≤ 0,30 ∙ nb

na / o2
(3.18)
nb / o2
com:
• e0x – Excentricidade entre o centro de rigidez (CR) e o centro de massa (CM), medida na
direção normal (x)à direção em análise (y);

36
• e0y – Excentricidade entre o centro de rigidez (CR) e o centro de massa (CM), medida na
direção normal (y) à direção em análise (x);
• rx – Raio de torção segundo x, ou seja, a raiz quadrada do quociente entre rigidez de torção e a
rigidez de translação na direção y;
• ry – Raio de torção segundo y, ou seja, a raiz quadrada do quociente entre rigidez de torção e a
rigidez de translação na direção x;
• ls – Raio de giração, em planta, da massa do piso. O raio de giração será igual à raiz quadrada
do rácio entre o momento polar de inércia da massa no plano do piso (relativamente ao centro
de massa do piso) e a massa do piso.
Relativamente a esta última prescrição, importa realçar os seguintes aspetos:
• A condição 4.1b) do EC8 procura garantir que os períodos dos primeiros modos de vibração
de translação, nas duas principais direções ortogonais, são superiores ao período associado ao
primeiro modo de torção evitando, simultaneamente, o aparecimento de modos de translação e
torção acoplados, que serão sempre de acautelar dada a sua perigosidade;
• O centro de rigidez (CR) é definido no número 4.2.3.2 (7) do EC8 como sendo, para edifícios
de um só piso, o centro de rigidez de translação, KT, de todos os elementos sísmicos primários.
Deste modo, para cada uma das direções ortogonais verticais a rigidez de translação será:

(pq a VW*pa\ (3.19)

(pq b VW*pbV (3.20)

com:
• Kxi – Rigidez da substrutura plana i à translação segundo x, isto é, força segundo x que é
necessário aplicar para provocar um deslocamento unitário na mesma direção;
• Kyj – Rigidez da substrutura plana j à translação segundo y, definida de forma idêntica.

• Uma vez que o centro de rigidez de um piso é o ponto de um piso onde deve atuar a resultante
das ações horizontais de modo a que um piso sofra apenas um deslocamento de translação, a
posição do CR (xCR; yCR) poderá ser aferida pelas seguintes expressões [13]:

tuvSst ∙at
r" ∑ (3.21)
tuvSst


tuvSjk ∙bk
w" ∑ (3.22)
tuvSjk

com:
• xj – Distância medida segundo x da substrutura plana j à origem do referencial;
• yi – Distância medida segundo y da substrutura plana i à origem do referencial.
As grandezas acima definidas surgem explicitadas na Figura 3.7.

37
Figura 3.7 - Ilustração das grandezas que definem o centro de rigidez [18].

• No mesmo ponto, o regulamento define o raio de torção, r, para edifícios de um só piso, como
sendo a raiz quadrada da razão entre a rigidez global de torção (relativamente ao centro de
rigidez) e a rigidez global de translação, na direção estudada, tendo em conta todos os
elementos sísmicos primários, isto é:

xy
na ) (3.23)
xz s

xy
nb ) (3.24)
xz j

Relativamente à rigidez de torção, Kθ, esta poderá ser determinada, para o caso de um edifício de um
piso, pela expressão que se segue:
∑ ∑
{| \W*pa\ ∙ Y\? + VW*pbV ∙ XT? (3.25)

com:
• Xj = (xj-xCR)2 – Distância medida segundo x da substrutura plana j ao centro de rigidez;
• Yi = (yi-yCR)2 – Distância medida segundo y da substrutura plana i ao centro de rigidez.
Surgindo as grandezas acima definidas bem ilustradas pela Figura 3.8.

38
Figura 3.8 - Ilustração das grandezas definidoras da rigidez de torção [18].

• A cláusula 4.2.3.2 (8) do EC8 diz que para estruturas de vários pisos, apenas será possível
obter localizações aproximadas do centro de rigidez e do raio de torção. De facto, em edifícios
de mais do que um piso, para que um dado piso não rode, teremos de ter em atenção o ponto
de aplicação da resultante nesse piso e os pontos onde serão aplicadas as resultantes das forças
horizontais nos outros pisos. Por conseguinte, o conceito de centro de rigidez será apenas uma
noção aproximada, que estará mais próxima da verdade, se existir uma regularidade em planta.
A mesma cláusula refere igualmente que as definições aproximadas acima referidas para o
cálculo do CR e do raio de torção poderão ser utilizadas em edifícios de vários pisos desde que
os seus sistemas estruturais sejam compostos por subsistemas (os quais deverão ser contínuos
desde a fundação até à cobertura), que desenvolvam padrões similares de deslocamentos
horizontais nos diversos pisos durante a ação de forças horizontais. Note-se que cada
Autoridade Nacional poderá definir uma metodologia própria para o cálculo do centro de
rigidez e do raio de torção de cada edifício, no respetivo Anexo Nacional, sendo que qualquer
procedimento terá que cumprir o exposto anteriormente. Contudo, se estivermos perante um
edifício misto pórtico/parede, as ideias anteriores não serão válidas, já que os pórticos
apresentam uma deformada sob a ação de forças horizontais significativamente diferente da
deformada das paredes, como se pode verificar na Figura 3.9.

Figura 3.9 - Diferentes deformadas e diagramas de momentos fletores consoante o sistema estrutural [18].

Assim, o emprego dos métodos de cálculo do CR e do raio de torção descritos, em edifícios de


vários pisos, com um sistema estrutural do tipo pórtico ou parede, conduz geralmente a bons

39
resultados. Já no caso de estruturas de vários pisos com um sistema estrutural misto pórtico-
parede, os erros gerados serão maiores conduzindo, na maioria dos casos, a uma sobre
estimação da distância entre o centro de rigidez e o centro de massa do edifício, o que é
conservativo, uma vez que deste modo se sobrestimam os efeitos da torção em alguns
elementos estruturais. Para edifícios com um sistema estrutural misto, o aumento do número
de elementos portantes e de pisos, provocará um aumento no erro cometido no cálculo da
distância do centro de rigidez ao centro de massa;
• De acordo com a cláusula 4.3.2 do EC8, será necessário considerar o centro de massa de cada
piso i como estando deslocado, em cada direção ortogonal, da sua posição original de uma
excentricidade acidental, eai, a qual é determinada pela seguinte expressão:
∑ ∑
m\ \W*pa\ ∙ Y\? + VW*pbV ∙ XT? (3.26)

3.6.2 REGULARIDADE EM ALTURA


O EC8 define uma estrutura como sendo regular em altura, se cumprir os seguintes requisitos:
1) Os elementos resistentes a forças laterais, como o são os núcleos, as paredes e os pórticos,
deverão ter continuidade desde as fundações até ao topo da estrutura;
2) Deverá existir uma constância na massa e na rigidez lateral de cada piso. Se tal não for
possível, deverá existir um decrescimento gradual destas propriedades, sem variações
abruptas, desde a base até ao topo da estrutura;
3) Em edifícios com um sistema estrutural do tipo pórtico, não deverão existir variações abruptas
entre pisos contíguos, relativamente à razão entre a resistência verificada e a resistência
exigida pela análise;
4) No caso de se verificarem recuos no edifício, será necessário verificar as seguintes
disposições:
• Se ocorrerem recuos graduais da fachada em altura, preservando a simetria axial da
estrutura, em qualquer dos pisos considerado, o recuo não deverá exceder em 20% a
dimensão relativa à direção do recuo, do piso anterior, conforme a Figura 3.10.

Figura 3.10 - Critérios de regularidade em alçado [13].

• A estrutura poderá ainda ser regular em altura mesmo que ocorra um recuo maior do que
os supracitados 20%, desde que este seja inferior a 50% da dimensão paralela na base do
edifício e esteja situado nos 15% inferiores da altura total do edifício (acima do nível de
aplicação da ação sísmica). Desta forma será assegurado que a simetria estrutural é

40
mantida. Note-se que neste caso será necessário que a estrutura, na zona de projeção
vertical da parte superior do edifício acima do recuo, seja capaz de resistir a pelo menos
75% da força de corte horizontal que apareceria entre pisos, num edifício idêntico mas sem
o alargamento da base, Figura 3.11.

Figura 3.11 - Critérios de regularidade em alçado [13].

• Caso ocorram recuos que não preservem a simetria, a soma dos recuos em todos os pisos
não deverá superar 30% da dimensão em planta do primeiro piso sendo que, em cada piso,
o recuo que surja não poderá exceder 10% da dimensão do piso.

3.6.3 CONSEQUÊNCIAS DAS IRREGULARIDADES


De acordo com a cláusula 4.2.3.1 (2) do EC8, as consequências de classificar uma estrutura como
regular ou não regular condicionam o modelo estrutural, o método de análise e o coeficiente de
comportamento, q, a adotar. Deste modo, o modelo estrutural a adotar poderá ser um modelo plano
simplificado ou um modelo espacial, ao passo que o método de análise a empregar poderá ser
simplificado (espectro de resposta simplificado, isto é, o procedimento da força lateral) ou modal,
sendo ainda que o coeficiente de comportamento diminuirá 20% (multiplicando-se os valores de
referência por 0,80), no caso de edifícios não regulares em altura, agravando deste modo os esforços
nos edifícios que se encontrem nesta situação. Relativamente ao modelo estrutural a adotar e método
de análise permitido, a Tabela 4.1 do ponto 4.2.3.3 do EC8 preconiza o seguinte (Quadro 3.9):

Quadro 3.9 - Modelo e método a adotar face à regularidade estrutural [13].

Regularidade Simplificação permitida Coeficiente de


comportamento
Plano Altura Modelo de cálculo Análise elástica linear
(para análise elástica)
Sim Sim Plano Estático (Forças laterais) Valor de referência
Sim Não Plano Dinâmico Valor reduzido em 20%
Não Sim Espacial Forças laterais Valor de referência
Não Não Espacial Dinâmico Valor reduzido em 20%

41
3.7 EFEITOS ACIDENTAIS DE TORÇÃO
O regulamento prevê que possa haver alguma incerteza na localização das massas e na variação
espacial do movimento sísmico, e por isso define que o centro de massa calculado em cada piso i deva
ser deslocado, em cada direção, em relação à sua posição nominal de uma excentricidade acidental:

m\ ±0,50 ∙ \ (3.27)

em que:
m\ - excentricidade acidental da massa do piso i em relação à sua localização nominal, aplicada na
mesma direção em todos os pisos;
\ - dimensão do piso na direção perpendicular à direção da ação sísmica.

3.8 ELEMENTOS SÍSMICOS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS


O regulamento permite que o projetista defina um certo número de elementos estruturais, vigas e
pilares, que não considere essenciais para o sistema estrutural sismo-resistente, como elementos
sísmicos secundários. Ao efetuar-se a triagem entre elementos estruturais primários e secundários,
está-se automaticamente a simplificar o cálculo a realizar, uma vez que os elementos secundários não
necessitam de ser considerados no cálculo.
Por conseguinte, o EC8 prescreve que nenhum elemento sísmico secundário participe na resistência à
ação sísmica devendo, no entanto, garantir-se uma adequada capacidade de carga às ações gravíticas
durante a ocorrência dos máximos deslocamentos provocados pela ação sísmica. Deste modo será
garantida a ductilidade necessária para suportar esses mesmos deslocamentos. Na prática, será então
necessário assegurar que os esforços provocados pela ação sísmica serão inferiores aos esforços
resistentes calculados pela norma adequada ao material estrutural (Eurocódigos 2 ao 6, sendo que, no
caso de um edifício em betão armado, deverá utilizar-se a EN 1992-1-1).
É de referir que existem alguns entraves que condicionam a classificação dos diversos elementos
enquanto elementos sísmicos secundários os quais são, em parte, referidos nas cláusulas 4.2.2 (4) e (5)
do EC8:
• A rigidez lateral de todos os elementos secundários não pode exceder, em mais de 15%, a
rigidez dos elementos sísmicos primários;
• A escolha dos elementos secundários não pode alterar a classificação da estrutura quanto à
regularidade estrutural.
Relativamente ao dimensionamento e pormenorização dos elementos secundários em betão armado, o
ponto 5.7 (3) do EC8 realça, em complemento do acima indicado, a necessidade de garantir que os
esforços de corte e flexão, obtidos após a fendilhação, sejam inferiores aos esforços resistentes
determinados de acordo com a EN 1992-1-1:2004.

3.9 ANÁLISE ESTRUTURAL


O regulamento no seu texto permite ao projetista utilizar, na análise de edifícios e respetiva avaliação
do comportamento sísmico, os seguintes métodos:

42
• Análise Estática Linear (Método da Força Lateral ou análise “estática equivalente”);
• Análise Modal por Espectro de Resposta;
• Análise Dinâmica Linear (Integração no tempo);
• Análise Estática Não Linear (Análise Pushover);
• Análise Dinâmica não linear (Análise não linear da resposta temporal).
Ressalta da leitura do texto do EC8, neste ponto, que o método de referência preconizado é a Análise
Modal por Espectro de Resposta, a qual não possui qualquer condição prévia de aplicabilidade.
Realce-se que o método de análise padrão definido no EC8 é idêntico ao preconizado pelo RSA
(Análise Modal por Espectro de Resposta Linear), sendo que há uma correspondência direta entre o
RSA e o EC8 para a Análise Estática Linear (Método da Força Lateral ou análise “estática
equivalente”).

3.9.1 FORÇAS LATERAIS EQUIVALENTES


Este método, relativamente simples de aplicar, surge descrito no 4.3.3.2 do EC8. De acordo com esta
cláusula, esta análise deverá apenas ser utilizada em edifícios cuja resposta não seja muito afetada por
contribuições de modos de vibração superiores ao modo fundamental para cada uma das direções
principais.
Para além desta condição, o edifício em análise deverá ser regular em altura, e os períodos
fundamentais de vibração, T1, em cada uma das duas direções principais, deverão respeitar as
seguintes condições, em que TC corresponde ao limite superior do ramo espectral de aceleração
constante, já anteriormente definido:
4 ∙ ƒ
* ≤ ‚
2,0 &
(3.28)

Neste tipo de análise, a estrutura é sujeita à ação de um conjunto de forças horizontais, aplicadas
separadamente nas duas direções ortogonais horizontais, x e y. O principal objetivo deste
procedimento será o de simular, através destas forças, o pico das forças de inércias induzidas pela
componente horizontal da ação sísmica, nas duas direções x e y.
Assim, e para ser possível proceder à aplicação desta metodologia é necessário, numa fase inicial,
calcular a força de corte basal, Fb, a qual é determinada através da seguinte equação:

„… Q *  ∙ † ∙ f (3.29)

com:
• Sd(T1) – Ordenada do espectro de resposta do projeto;
• m – Massa total do edifício, acima da fundação ou acima dos piso térreo, caso existam caves
rígidas;
• f – Fator de correção, com o valor de f 0,85, caso * ≤ 2 ∙ " e o edifício seja composto
por mais de dois andares ou, caso contrário, f 1.
Para determinar o Período Fundamental de Vibração, T1, poderão utilizar-se expressões sustentadas
por métodos de análise dinâmica de edifícios, como o Método de Rayleigh. No entanto, a cláusula
4.3.3.2.2 (3) permite que T1, para estruturas com alturas até quarenta metros, seja estimado pela
seguinte expressão:
‰
* q ∙ ˆ Š (3.30)

43
onde:
• H – Altura do edifício (em metros), desde a fundação, ou desde o topo da cave rígida caso
exista;
• Ct – Coeficiente que tem o valor de 0,075 para edifícios de betão armado.
A cláusula 4.3.3.2.2 (5) do EC8 fornece uma equação alternativa para a estimativa do Período
Fundamental de Vibração, T1, que se baseia nos deslocamentos elásticos do topo da estrutura, d,
derivados da ação das cargas gravíticas aplicadas na direção horizontal, ao nível de cada piso:

* 2 ∙ √Œ (3.31)

Depois de obtida a força de corte basal, Fb, será possível calcular as forças Fi a aplicar nas duas
direções concorrentes de verificação, ao nível de cada piso i. Caso a forma do modo fundamental de
vibração seja aproximada por deslocamentos horizontais que aumentem linearmente em altura, as
forças Fi deverão ser calculadas através da seguinte expressão:
ck ∙k
„\ „… ∙ (3.32)
∑ct ∙t

onde:
• zi e zj – Altura das massas mi e mj correspondentes aos pisos i e j;
• Fb – Força de corte basal.
As forças Fi, assim determinadas, deverão ser distribuídas pelos sistemas resistentes às cargas laterais,
assumindo-se que os pisos são rígidos no seu plano.
Note-se que o ponto 4.3.3.2.4 do EC8 preconiza que caso a rigidez lateral e a massa estiverem
simetricamente distribuídas no plano e a não ser que a excentricidade acidental indicada na equação
(3.25) seja tida em conta por um método mais exato, os efeitos acidentais da torção poderão ser
considerados multiplicando os esforços em cada elemento resistente por um coeficiente δ obtido por:
a
δ 1 + 0,60 ∙ (3.33)

com:
• x – Distância ao centro de massa do edifício, em planta, do elemento em consideração, medida
perpendicularmente à direção da ação sísmica;
• Le – Distância entre os dois elementos resistentes mais afastados, medida na direção
perpendicular à ação sísmica considerada.
Note-se ainda que, caso a análise esteja a ser efetuada através da utilização de dois elementos planos
(um para cada direção horizontal principal), os efeitos da torção deverão ser obtidos através da
consideração do dobro da excentricidade acidental preconizada pela expressão (3.27) referida
anteriormente ou pela aplicação da expressão (3.33) acima indicada, mas substituindo o fator 0,60 por
1,20.

3.9.2 ANÁLISE MODAL POR ESPECTROS DE RESPOSTA


Com já referido anteriormente, este tipo de análise poderá ser utilizada em qualquer edifício,
independentemente da regularidade deste tornando-se, por conseguinte, o método de referência para o
EC8. A sua aplicação poderá ser estendida a modelos planos (2D), ou a modelos espaciais (3D), sendo

44
essa aplicação efetuada no pressuposto de que os materiais apresentam um comportamento elástico
linear.
O método de análise modal por espectro de resposta, pressupõe que os efeitos da ação sísmica sejam
calculados por modo, sendo posteriormente esses mesmos modos combinados entre si. Assim, deverá
ser considerada a contribuição de todos os modos relevantes para a estrutura, circunstância que é
assegurada através do cumprimento das seguintes condições (expressas nas cláusulas 4.3.3.3.1 (2) e
(3) do EC8):
1) Em cada direção de análise os modos, cuja resposta deverá ser tida em conta para a
determinação da resposta global da estrutura, deverão possuir um somatório das suas massas
modais pelo menos igual a 90% da massa total da estrutura;
2) Não deverá ficar excluído nenhum modo cuja massa seja, pelo menos, igual a 5% da massa
total da estrutura.
Quando as condições acima referidas não forem possíveis de ser verificadas (como acontece em
edifícios com uma grande contribuição de modos de vibração de torção), deverá considerar-se um
número de modos para serem introduzidos na análise, calculados através da metodologia referida na
cláusula 4.3.3.3.1 (5) do EC8.
Para que seja possível que dois modos de vibração i e j (incluindo ambos os modos de translação e
torção) sejam independentes entre si, é preciso que, de acordo com a cláusula 4.3.3.3.2 (1) do EC8, os
seus períodos Tj e Ti satisfaçam a seguinte condição, com Tj ≤ Ti:

TV ≤ 0,90 ∙ \ (3.34)

Caso a condição acima referida seja verificada, os valores máximos dos efeitos da ação sísmica
poderão ser obtidos através de uma combinação quadrática, ou seja, da raiz quadrada da soma dos
quadrados, usualmente denominada como SRSS (Square Root of Sum of Squares), tomando esta
expressão, de acordo com o ponto 4.3.3.3.2 do EC8, a forma que se explicita em seguida:

P_ “∑P_
?
(3.35)

com:
• EE – Efeito da ação sísmica em consideração (força, deslocamento, etc.);
• EEi – Valor do efeito da ação sísmica devido ao modo de vibração i.
Porém, e uma vez que esta regra só levará a resultados corretos caso as frequências dos vários modos
estejam suficientemente afastadas, o EC8 preconiza que, nas situações em que a condição (3.34) não
seja verificada, se usem procedimentos mais rigorosos para a combinação do máximo modal, ou seja,
a Combinação Quadrática Completa (CQC). De acordo com esta última metodologia, os valores
máximos dos efeitos da ação sísmica poderão ser determinados utilizando a seguinte expressão:

∑ ∑
P_ ) ” ∙ P_ ∙ P_•
•W* \W* \•
(3.36)

onde:
• EEi – Valor máximo da resposta para o modo de vibração i;
• EEn – Valor máximo da resposta para o modo de vibração n;
• ρ – Coeficiente de correlação modal, que toma o seguinte valor.

45
‰
–∙. ( ∙*-—kl ∙—kl
(
”\• ( ( (3.37)
*˜—kl  -™∙. ( ∙—kl ∙*-—kl (

com:
›
• š\• › k ;
l
• pi – Frequência própria do modo i;
• pn – Frequência própria do modo n;
• 0 – Coeficiente de amortecimento.
Note-se que, para um amortecimento de 5%, se a relação entre frequências for superior a 1,50 (ou
inferior a 0,67, caso se tome a relação inversa), os valores do coeficiente de correlação, ßin, entre
modos diferentes, serão inferiores a 6%, gama de valores que tornará irrelevante o uso da CQC, sendo
suficiente considerar a regra de combinação SRSS.
Por último, importa referir que relativamente aos efeitos de torção, estes poderão ser obtidos em
concordância com a metodologia referida no ponto 4.3.3.3.3 do EC8.

3.9.3 COMBINAÇÃO DOS EFEITOS DAS COMPONENTES DA AÇÃO SÍSMICA


De acordo com o ponto 4.3.3.5 do EC8 poderá estimar-se a resposta global da estrutura, através de
uma ponderação análoga das respostas correspondentes a cada espectro de vibração (vertical e
horizontal), ou seja, utilizando uma ponderação quadrática efetuada por meio da raiz quadrada da
soma dos quadrados, SRSS, da resposta associada a cada um dos espectros, a partir dos quais se
derivou a ação sísmica.
Realce-se que, de acordo com a cláusula 4.3.3.5.2 (1) do EC8, a componente vertical da ação sísmica
apenas terá que ser tida em consideração caso a aceleração de projeto em rocha na direção vertical, avg,
seja superior a 0,25·g (2,5m/s2), devendo a análise sísmica ser realizada neste caso tendo por base um
modelo parcial da estrutura.
Note-se que em alternativa ao método de estimativa da resposta global acima exposto, o EC8 permite
igualmente a utilização de métodos mais adequados sendo que em adição, e de acordo com a cláusula
4.3.3.5.1 (3), poderá utilizar-se, para a direção horizontal, as seguintes equações para definir a ação
sísmica quando combinada com outras ações:

P_Qa "+"0,30 ∙ P_Qb (3.38)

0,30 ∙ P_Qa " + "P_Qb (3.39)

onde:
• “+” – Significa “combinado com”;
• P_Qa – Efeito da ação sísmica segundo a direção x;
• P_Qb – Efeito da ação sísmica segundo a direção y;
• P_Qc – Efeito da ação sísmica segundo a direção vertical.
Se for preciso ter em conta a ação do sismo vertical, e tendo em atenção que a ação sísmica horizontal
é relevante para os elementos em discussão, poderão adotar-se, de acordo com o ponto 4.3.3.5.2 (4), as
seguintes equações:

P_Qa "+"0,30 ∙ P_Qb "+"0,30 ∙ P_Qc (3.40)

46
0,30 ∙ P_Qa "+"P_Qb "+"0,30 ∙ P_Qc (3.41)

0,30 ∙ P_Qa "+"0,30 ∙ P_Qb "+"P_Qc (3.42)

3.10 CÁLCULO DE DESLOCAMENTOS


Caso seja adotada uma análise linear, os deslocamentos induzidos pela ação sísmica, ds, num nó da
estrutura considerada no modelo, deverão ser calculados com base nas deformações elásticas do
sistema estrutural, utilizando para tal efeito a equação prescrita no ponto 4.3.4 (1) do EC8:

Œ2 œQ ∙ Œ (3.43)

com:
• Œ – Deslocamento de um ponto do nó do modelo estrutural, induzido pelo sismo e aferido
pela análise linear baseada no espectro de resposta de projeto;
• œQ – Coeficiente de comportamento de deslocamento que se admite igual a q, salvo indicação
em contrário.

3.11 ELEMENTOS NÃO ESTRUTURAIS


Todos os elementos não estruturais do edifício, como o são parapeitos, guardas, antenas, entre outros e
que sejam suscetíveis de, em caso de colapso, causarem riscos para pessoas e afetarem a estrutura
principal ou os serviços de instalações críticas deverão, juntamente com os seus apoios, ser verificados
à resistência para a ação sísmica de projeto. Deste modo, poderá encontrar-se no ponto 4.3.5 do EC8,
as prescrições a respeitar por este tipo de elementos. Refira-se ainda que, caso este tipo de elemento
influencie o comportamento da estrutura sísmica primária, a cláusula 4.3.1 (2) do EC8 prescreve que
deverão ser tidos em conta na modelação da estrutura.

3.12 ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS


Para se conseguir cumprir a exigência de não colapso global e local dever-se-á efetuar, ao nível de
projeto, um estudo e pormenorização dos diversos elementos estruturais para uma combinação de
resistência e ductilidade, que assegure um coeficiente de segurança entre 1,50 e 2, contra uma grande
perda de resistência relativamente a cargas laterais, estando intimamente ligada às verificações de
projeto relativas aos Estados Limites Últimos. Na análise estrutural deverá ser tida em consideração a
possível influência dos efeitos de segunda ordem, verificada a segurança dos elementos não estruturais
relativamente ao seu possível colapso e afetação de vidas humanas e assegurada a resistência, sem
deformações permanentes do solo e das fundações, para a resposta da superestrutura. Relativamente a
este tipo de estado limite último, poderão ser consideradas duas estratégias de dimensionamento
distintas em edifícios: o dimensionamento em que se procura efetuar a dissipação de energia e
ductilidade ou o dimensionamento que dá prioridade à resistência em vez da ductilidade.

47
3.12.1 DIMENSIONAMENTO PARA DISSIPAÇÃO DE ENERGIA E DUCTILIDADE
Ao preferir-se a estratégia de dimensionamento que prioriza a dissipação máxima de energia e
ductilidade, o respeito pela exigência de não colapso (local e global) para a situação de projeto
sísmico, será obtido desde que se assegurem as seguintes condições:
1) Condição de ductilidade local e global – A verificação da exigência de não colapso (local e
global), não implica que a estrutura permaneça em regime elástico durante a ocorrência de um
sismo. Fazendo fé nas cláusulas 2.2.4.1 (2) e 2.2.4.1 (3) do EC8, nem todas as partes de uma
estrutura são capazes de apresentar um comportamento dúctil e uma dissipação histerética de
energia. Assim, no artigo 4.4.2.3 (2) do EC8 preconiza-se que, através do Capacity Design, se
consiga definir uma hierarquia de resistências dos vários componentes estruturais ou regiões,
assegurando que as deformações inelásticas apenas ocorrerão nos membros ou zonas capazes
de se comportar de uma forma dúctil e realizar uma dissipação histerética de energia,
permanecendo os restantes elementos em regime elástico. Como é evidente, ao nível de
projeto e de acordo com a cláusula 4.4.2.3 (1) da norma, estas regiões de dissipação de energia
deverão estar corretamente detalhadas e dimensionadas para garantir a ductilidade e a
capacidade de dissipação de energia enunciadas.
Para que se garanta esta condição em estruturas de mais que um piso, a cláusula 4.4.2.3 (3) do
EC8 especifica que a formação de um mecanismo plástico de piso flexível deverá ser
acautelado, uma vez que poderá conduzir a exigências de ductilidade local excessivas para os
pilares do piso flexível. Assim, para que este último ponto seja verificado, o EC8 aconselha,
para estruturas de dois ou mais pisos, de sistema estrutural em pórtico ou misto equivalente a
pórtico, a seguinte condição, a qual deverá ser garantida nos nós de ligação das vigas
primárias ou secundárias com pilares primários, para as duas direções ortogonais de análise:

∑ƒ / 1,30 ∙ ∑… (3.44)

onde:
• ∑ƒ – Soma dos momentos resistentes dos pilares que fazem parte do nó em análise;
• ∑… – Soma dos momentos resistentes das vigas que fazem parte do nó em análise.
Através do cumprimento desta condição fica assegurado o princípio de pilar forte/viga fraca,
onde se enuncia que de modo a assegurar que as rótulas plásticas ocorrem nas secções
pretendidas, é necessário que o momento resistente nestas seja inferior ao causado pela ação
sísmica, assim como que os momentos resistentes das vigas sejam inferiores aos dos pilares. O
princípio referido levará a que se formem rótulas plásticas nas vigas e não nos pilares. De
realçar ainda que, segundo a norma, não será necessário verificar esta expressão nos andares
superiores de uma estrutura. No entanto, no corpo de texto da norma, não se encontra definido
ou explicitado o termo “andares superiores”.
Segundo o artigo 5.2.3.3 (2) do EC8 poder-se-á, em edifícios de betão armado, negligenciar o
cumprimento da expressão se:
• Num sistema equivalente a um pórtico plano, composto por no mínimo quatro pilares,
poderá dispensar-se o cumprimento num deles sendo, porém, necessário observar-se
as expressões regulamentares;
• No piso térreo de um edifício de dois pisos o valor do esforço normal reduzido, νd,
seja inferior a 0,30 em todos os pilares.

48
2) Condição de Resistência – De acordo com a cláusula 4.4.2.2 (1) do EC8 as zonas
“dissipativas” (assim como todos os elementos estruturais) deverão igualmente verificar a
seguinte condição de resistência:

PQ ≤ Q (3.45)

em que:
• PQ – Valor de cálculo do efeito da ação devido à situação de projeto sísmica;
• Q – Valor de cálculo da força resistente, de acordo com as regras específicas de cada
material usado e os modelos mecânicos relacionados com o tipo de sistema estrutural.
No que diz respeito aos efeitos de segunda ordem (efeitos P-∆), o artigo 4.4.2.2 (2) do
regulamento prescreve que estes não sejam considerados, caso se verifique em todos os
andares a seguinte condição:
9žŸž ¡ ∙Q¢
 ≤ 0,10 (3.46)
£žŸž ¡ ∙¤

em que:
•  – Coeficiente de sensibilidade da deriva dos pisos;
• Zq¥q¦ – Valor total da carga gravítica acima e no piso considerado na ação sísmica de
projeto;
• Œ§ – Valor de cálculo da deriva entre o topo e a base do piso em análise, definido pela
diferença entre os valores médios laterais nestes pontos;
• ¨q¥q¦ – Força total de corte do piso em análise;
• ℎ – Altura do piso em análise.
Caso 0,10 ≤  ≤ 0,20, a cláusula 4.4.2.1 (3) permite que os efeitos de 2ª ordem sejam tidos em
consideração de uma forma aproximada, afetando os efeitos da ação sísmica relevante pelo
*
fator *˜|, não devendo no entanto o valor de θ, ultrapassar 0,30. Na eventualidade de θ
exceder 0,2, será necessário efetuar-se uma análise de segunda ordem exata.
3) Condição de Equilíbrio – Segundo o regulamento, será necessário assegurar a estabilidade da
estrutura sob a ação do sismo. Dever-se-ão efetuar verificação ao derrubamento e ao
deslizamento.
4) Resistências de diafragmas horizontais – De modo a cumprirem-se os pressupostos desta
condição, deverão verificar-se as ideias expressas no ponto 3.1.5 deste texto.
5) Resistência de Fundações – Para que se observe a condição de resistência de fundações, será
necessário garantir o exposto no ponto 3.1.6 deste documento.
6) Condição de Junta Sísmica – O choque entre edifícios adjacentes é bastante gravoso, podendo
mesmo significar o colapso dos mesmos. Assim, no regulamento preconiza-se que uma
estrutura deverá estar protegida contra colisões com estruturas adjacentes devendo, para tal
efeito, calcular-se uma abertura de junta, ∆, de:

ª “Œ\,*( + Œ\,?( (3.47)

em que:
• Œ\ – Máximo deslocamento horizontal de cada um dos edifícios em análise.

49
Ainda em consonância com a cláusula 4.4.2.7 (3) do EC8, caso os vários pisos das estruturas
adjacentes consideradas, se encontrem alinhados (o que irá reduzir os efeitos do Pounding),
poderá reduzir-se a abertura de junta, afetando a mesma de um fator de 0,70.
Para terminar resta referir, de uma forma muito sucinta, que o dimensionamento prescrito pelo EC8,
envolvendo os conceitos de ductilidade e dissipação de energia, é diferente do previsto na
regulamentação Portuguesa, pois ainda que existissem algumas prescrições para a classe de
ductilidade elevada, que permitiam uma adequada dissipação de energia (através da aplicação de um
Capacity Design implícito e embrionário), efetuava-se um dimensionamento direto, que se
aproximava muito da hipótese de dimensionamento alternativa apresentada pelo EC8, que se apresenta
nos pontos seguintes.

3.12.2 DIMENSIONAMENTO PARA RESISTÊNCIA EM VEZ DE DUCTILIDADE


Segundo os pontos 2.2.1 (3) e 3.2.1 (4) do regulamento, poderá adotar-se em edifícios, uma
metodologia de análise e dimensionamentos simplificados para a ação sísmica. Será assim
privilegiado, um dimensionamento focado na resistência e não tendo em consideração os conceitos de
ductilidade e dissipação de energia. O projetista, ao optar por seguir esta linha de dimensionamento,
seguirá as instruções dos Eurocódigos 2 e 7, em que simplesmente considerará a ação sísmica através
de uma carga lateral (como por exemplo o vento). Neste tipo de estruturas, classificadas como
estruturas de baixa dissipação, o espectro de resposta de projeto deverá ser calculado utilizando um
coeficiente de comportamento, q, com um valor máximo de 1,50 (para edifícios de betão armado),
assim como deverão ser respeitados alguns critérios mínimos de ductilidade relativos aos materiais
estruturais. No regulamento, recomenda-se que este tipo de dimensionamento apenas seja adotado em
zonas com baixo risco sísmico. Ainda segundo o EC8, no Anexo Nacional de cada estado membro,
encontram-se referidas as zonas, os terrenos e os tipos de estruturas a serem classificadas como sendo
de baixa sismicidade, recomendando que esta classificação deverá ser efetuada para um valor de
aceleração de projeto em rocha (terreno de tipo A), ag, menor que 0,08 ∙  (0,78 m/s2) ou, em
alternativa, que o produto  ∙  seja menor que 0,10 ∙  (0,98 m/s2).
Analisando a cláusula 4.4.1 (2) do EC8 verifica-se que, para edifícios cuja classe de importância seja
diferente de IV, o tipo de dimensionamento tratado neste ponto, poderá ser utilizado em casos em que
não se verifique a presença de uma sismicidade baixa. De facto, esta cláusula permite efetuar este
dimensionamento desde que, para a direção horizontal considerada, o valor total da força de corte
basal (ao nível da fundação ou no topo de uma cave rígida) devido à ação sísmica, calculada com um
coeficiente de comportamento menor que 1,50 (em edifícios de betão armado), seja menor que o valor
correspondente ao valor de cálculo para a ação do vento ou outra qualquer ação relevante para a qual o
edifício esteja projetado com base numa análise linear.

3.13 ESTADOS LIMITES DE UTILIZAÇÃO


O requisito de limitação de danos, associado às verificações de projeto relacionadas com Estados
Limites de Serviço de todos os elementos estruturais e não estruturais, será cumprido desde que as
deformações globais (deslocamentos laterais) sejam mantidas a níveis aceitáveis. Por conseguinte,
para sismos relativamente frequentes, os elementos estruturais deverão estar aptos a resistir ao sismo
sem que haja danos nestes, devendo os danos em elementos não estruturais ser limitados de modo a
que uma intervenção de recuperação seja economicamente acessível. De igual forma, deverá ser
assegurado que os edifícios fundamentais na preservação da ordem pública, estão dotados de

50
suficiente rigidez e resistência, para que a sua permanência em serviço seja garantida após a
ocorrência de um sismo com um período de retorno apropriado.
Assim, a cláusula 4.4.3.1 da EN1998-1 prescreve que o estado limite de utilização associado ao
requisito da limitação de danos estará satisfeito desde que se limite o deslocamento entre pisos, através
da aplicação dos requisitos regulamentares (expressos no artigo 4.3.2), que restringem o deslocamento
entre pisos, através das seguintes expressões:
1) Edifícios que possuem elementos não estruturais construídos com materiais frágeis fixos à
estrutura (paredes de alvenaria):

Œ§ ∙ « ≤ 0,005 ∙ ℎ (3.48)

2) Edifícios que possuem elementos não estruturais erigidos com o recurso a materiais dúcteis:

Œ§ ∙ « ≤ 0,0075 ∙ ℎ (3.49)

3) Edifícios que possuem elementos não estruturais fixos de modo a não interferir com a
deformação da estrutura:

Œ§ ∙ « ≤ 0,010 ∙ ℎ (3.50)

em que:
• Œ§ – Valor de cálculo da deriva entre o topo e a base do pilar em análise, definido pela
diferença entre os valores médios laterais nestes pontos;
• ℎ – Distância entre pisos;
• «– Fator de redução que realiza, de forma simplificada, a conversão da ação sísmica de
projeto ( = 475 ®¯&) para a ação sísmica correspondente à exigência de limitação de
danos, tendo em conta o seu baixo período de retorno. A EN 1998-1 recomenda o valor de
0,4 para edifícios de classe de importância III e IV e de 0,5 para as classes de importância I
e II, podendo no entanto estes valores ser definidos no Anexo Nacional de cada país.

51
52
4 DIMENSIONAMENTO E PORMENORIZAÇÃO DE
EDIFÍCIOS EM BETÃO ARMADO
4.1 INTRODUÇÃO
Segundo as indicações do EC8, esta norma poderá ser aplicada no projeto de edifícios de betão
armado em zonas sísmicas, sendo abrangidos tanto estruturas de edifícios monolíticas betonadas in-
situ, como edifícios pré-fabricados.
Assim, para se efetuar o dimensionamento deste tipo de estruturas, dever-se-ão observar as prescrições
presentes na EN 1992-1-1:2004, sendo que as regras dispostas no EC8 representam instruções
adicionais a estas. Pelo facto de a norma a seguir ser a EN 1992-1-1, quando se opta por uma
estratégia de dimensionamento para resistência em vez de ductilidade, o EC8 apenas refere prescrições
a nível material sendo que, nesse caso, apenas terão de ser observadas em adição as disposições do
EC2 para um dimensionamento elástico.
Ainda segundo este regulamento, os edifícios cujos pisos sejam materializados com recurso a lajes
fungiformes, que atuarão como elementos sísmicos primários elementos que sejam compostos por
lajes fungiformes funcionando como elementos sísmicos primários, não estarão totalmente cobertos
pelo EC8, constituindo uma omissão do Eurocódigo.
Nos pontos seguintes deste documento serão indicados os pormenores relativos ao dimensionamento
de elementos de betão armado, fazendo-se referência aos passos a seguir para se obter os diagramas de
esforços e, na posse desses, proceder ao dimensionamento das armaduras.
Em anexo são apresentadas duas tabelas onde se resumem os principais pormenores relativos à
pormenorização de elementos de betão armado (vigas e pilares) de acordo com a classe de ductilidade.

4.2 DISSIPAÇÃO DE ENERGIA E CLASSES DE DUCTILIDADE


O conceito de dimensionamento presente no EC8 assenta fundamentalmente no princípio do Capacity
Design (dimensionamento para capacidade), que sugere que os elementos estruturais que compõem
uma estrutura deverão possuir capacidade para dissipar energia, sem perda significativa de resistência.
Adicionalmente será exigível que os elementos portantes deverão assumir um comportamento
globalmente dúctil. Por conseguinte, a aplicação dos princípios de dimensionamento para capacidade
implicarão que o dimensionamento, e naturalmente a pormenorização a realizar no projeto de
estabilidade, sejam diferentes para as zonas nas quais se prevê a formação de rótulas plásticas,
salvaguardando-se que as exigências de ductilidade se distribuam o mais possível ao longo da
estrutura, sem induzir a formação de mecanismos de colapso. Será igualmente indispensável garantir,
com suficiente fiabilidade, que os modos de rotura dúctil (flexão) precedam os modos de rotura frágil
(esforço transverso).
Com o intuito de garantir os conceitos enunciados no parágrafo anterior, o EC8 (no ponto 5.1.2 (1))
define uma zona para cada elemento sísmico primário denominada “região crítica”, onde ocorrerão os
maiores esforços provenientes da combinação mais desfavorável, com consequente formação das
rótulas plásticas. Como parece lógico, é expectável que seja nestas zonas que se darão as maiores
dissipações de energia devendo o projetista, na fase de conceção e projeto, pormenorizar ao máximo
estes elementos, de modo a conseguir acomodar a ductilidade prescrita pelos processos de
dimensionamento e modelos de análise. Fora das regiões críticas, o dimensionamento e
pormenorização deverá observar as disposições referidas na EN 1992-1-1.

53
O EC8 permite no seu texto que o projetista, tendo em mente as noções de ductilidade e dissipação de
energia descritos, dimensione o edifício em betão armado com uma maior resistência e menor
ductilidade, ou vice-versa, definindo para este efeito classes de ductilidade, que condicionarão as
regras de dimensionamento e o valor do coeficiente de comportamento a adotar. As classes referidas
são:
• DCL ou classe de ductilidade baixa (Ductility Class Low) – Esta é a classe na qual o
dimensionamento é feito privilegiando a resistência em vez de ductilidade. Assim, esta será a
classe na qual as estruturas de betão armado serão projetadas e dimensionadas praticamente
sem requisitos adicionais à EN 1992-1-1, a qual é válida para zonas não sísmicas. As
estruturas dimensionadas para esta classe de ductilidade, terão grande parte da sua resposta
estrutural dada em regime elástico, sendo a resistência às forças horizontais decorrentes da
ação sísmica assegurada pela resistência dos elementos estruturais e não pela sua ductilidade.
É lícito admitir um coeficiente de comportamento, q, com o valor máximo de 1,50 uma vez
que, numa prática de dimensionamento corrente, é assim assegurada uma sobre resistência;
• DCM ou classe de ductilidade média (Ductility Class Medium) – Nesta classe, ao contrário da
anterior, tentar-se-á efetuar um dimensionamento onde se garantam altos níveis de ductilidade.
No final as peças dimensionadas segundo esta classe, deverão possuir boa ductilidade, à qual
se juntará uma elevada capacidade de suportar ciclos histeréticos (resposta da estrutura em
regime não elástico), sem que ocorram roturas frágeis;
• DCH ou classe de ductilidade alta (Ductility Class High) – Por último resta definir a classe de
ductilidade alta, que corresponde também à filosofia de dimensionamento para dissipação de
energia e ductilidade. Assim, pode-se dizer que esta classe é caracterizada por elevadas
exigências de ductilidade e de elevados níveis de plasticidade, que entroncarão em requisitos
de dimensionamento e pormenorização bastante mais detalhadas.
De modo a assegurar a ductilidade global da estrutura, é prudente que o projetista assegure uma
elevada capacidade de rotação plástica nas zonas em que se preveja a formação de rótulas plásticas. De
acordo com a cláusula 5.2.3.4 (2) do EC8, esta última condição será garantida se se verificarem os
seguintes pressupostos:
1) A encurvadura local, nos locais onde se espere o aparecimento de rótulas plásticas nos
elementos sísmicos primários, seja acautelada;
2) Se assumam os tipos de aço e betão corretos, para que se garantam requisitos de ductilidade
local, nomeadamente que nos elementos sísmicos principais se cumpram as seguintes
condições:
• As armaduras das regiões críticas devem possuir uma elevada capacidade de
alongamento plástico, assim como a razão entre a tensão de resistência à tração e a
tensão de cedência do aço dessas armaduras seja superior a um;
• O betão usado deve ter uma resistência à compressão e uma deformação aquando da
rotura, que supere a deformação associada à máxima resistência à compressão por uma
margem adequada;
• Estas duas condições serão satisfeitas desde que se respeite os valores para cada um dos
materiais estruturais.
3) As regiões críticas dos elementos sísmicos primários, onde se incluem as extremidades dos
pilares, devem ter uma ductilidade em curvatura suficiente. O regulamento autoriza que,
quando não se disponham de dados concretos sobre a ductilidade em curvatura, se considere
esta última condição como cumprida, sempre que o fator de ductilidade em curvatura, µ Φ,
(definida como a relação entre a curvatura correspondente a 85% do momento resistente, na

54
fase pós-última, e a curvatura de cedência desde que as extensões limites do betão e do aço 0ƒ;
e 02;,x não sejam excedidas) seja pelo menos igual a:

μ± 2 ∙ œ+ − 1, se * / " (4.1)
?∙²³ ˜*∙$
μ± 1 + , se * < " (4.2)
v

com:
• * – Período próprio do edifício;
• " – Período limite superior do ramo espectral de aceleração constante;
• œ¥ – Coeficiente de comportamento de referência (quadro 5.1 do EC8).

Sempre que o aço das armaduras longitudinais dos elementos sísmicos primários, presentes
nas regiões críticas, seja de Classe B, o regulamento sugere que o valor do fator de ductilidade
em curvatura seja aumentado de 1,50 vezes relativamente aos valores dados pelas expressões
anteriores. Este aumento do fator de ductilidade em curvatura destina-se a ter em conta a
possível redução da ductilidade em curvatura quando se verifica a utilização de aços com
valores inferiores de ductilidade.

4.3 REDUNDÂNCIA ESTRUTURAL


A cláusula 5.2.3.5 do EC8 refere que se deve procurar um elevado grau de redundância acompanhado
de uma capacidade de redistribuição, que permitam uma dissipação de energia distribuída e um
aumento da energia dissipada total. Por isso refere também que aos sistemas estruturais que tiverem
menor grau de redundância deverá ser atribuído menor coeficiente de comportamento.

4.4 DISPENSA DA APLICAÇÃO DA EN 1998


As cláusulas 2.2.1 (4) e 3.2.1 (5) do Eurocódigo 8 referem que, em locais de sismicidade muito baixa e
para estruturas perfeitamente categorizadas, as prescrições do EC8 não necessitam de ser cumpridas.
Segundo as cláusulas mencionadas a classificação de cada zona, segundo o seu nível de sismicidade,
deverá ter em conta os requisitos definidos pelo Anexo Nacional de cada país aconselhando, porém,
que a mesma seja efetuada para um valor de aceleração de projeto em rocha (terreno de tipo A), ag,
menor que 0,04 ∙  (0,39 m/s2) ou, em alternativa, que o produto  ∙  seja menor que 0,05 ∙  (0,49
m/s2). Uma vez que para se definir corretamente ag, dever-se-á ter em consideração o valor do
coeficiente de importância, é possível ocorrerem na mesma zona, edifícios onde seja necessário
cumprir as prescrições do EC8 e edifícios onde estas não tenham de ser verificadas. Deverá ser
referido que cada Anexo Nacional é livre para, caso assim o entenda, dispensar a observação das
prescrições de todas as partes do EC8.

4.5 DIMENSIONAMENTO SEGUNDO OS PRESSUPOSTOS DA CLASSE DE DUCTILIDADE MÉDIA


Neste documento será efetuada a verificação e o dimensionamento dos elementos estruturais para uma
classe de ductilidade média. Nos pontos seguintes, e como forma de justificar as opções tomadas ao
longo do exemplo prático, serão apresentadas as prescrições indicadas no EC8 para os diversos
elementos estruturais portantes, de forma a conceber uma estrutura sismo-resistente para uma classe de
ductilidade média.

55
4.5.1 REQUISITOS DOS MATERIAIS
De acordo com o regulamento Europeu, é exigido aos materiais utilizados nos elementos estruturais
concebidos para resistirem aos sismos, que possuam características de resistência e durabilidade
superiores aos utilizados noutros elementos estruturais. A justificação para a exigência mencionada
relaciona-se com o facto de estarem sujeitos a tensões superiores aos demais. Por conseguinte, o betão
a utilizar nestes elementos não poderá ser de uma classe inferior à C16/20 e o aço a utilizar nas zonas
críticas desses elementos tem que ser nervurado, excetuando o caso dos estribos. Os varões deverão
ser sempre de média ou alta ductilidade.
Segundo o regulamento, em edifícios em betão armado a degradação de resistência dos materiais
devido às deformações, deverá ser tida em conta nos fatores de segurança parciais para as
propriedades dos materiais (betão, γC; aço, γS). Sempre que a degradação de resistência seja
devidamente tida em conta na avaliação dos materiais, o projetista poderá utilizar os valores dos
fatores de segurança parciais associados a uma situação de acidente. Porém, caso não exista
informação específica que permita ter em conta esta degradação de resistência, deverão utilizar-se os
fatores de segurança parciais associados à situação persistente e transitória.
No que diz respeito aos valores a adotar para os fatores parciais de segurança relativos aos materiais,
estes deverão ser prescritos pelo Anexo Nacional de cada país, sendo que a EN 1992-1-1 prescreve os
valores expressos no Quadro 4.1.

Quadro 4.1 - Valor dos fatores parciais de segurança relativos aos materiais a considerar nos Estados Limites
Últimos [19].

Situação de projeto γC para betão γs para aço

Persistente e transitória 1,50 1,15

Acidental 1,20 1,00

4.5.2 CONCEÇÃO DOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS


O dimensionamento de estruturas sismo-resistentes para uma classe de ductilidade média, leva a que o
projeto de estabilidade cumpra um conjunto de regras descritas no regulamento. Ao cumprir estes
pressupostos, o projetista procura assegurar que o comportamento do edifício ou da estrutura, face a
um sismo, se situe dentro do espectável, para a classe de ductilidade escolhida.
Nos pontos seguintes pretende-se expor as disposições indicadas no EC8, para a classe de ductilidade
média, para os elementos estruturais que controlam o comportamento da estrutura face à ação sísmica.

4.5.3 REQUISITOS REGULAMENTARES RELATIVOS A VIGAS DE CLASSE DE DUCTILIDADE MÉDIA


Para que um elemento estrutural possa ser classificado como viga deverá estar maioritariamente
sujeito a cargas transversais, sendo que o esforço normal reduzido de compressão, υd, não deverá
superar 0,1.
Realce-se igualmente que, de acordo com o ponto 5.4.3.1.1 (2) do EC8, a armadura superior das vigas
deverá ser colocada principalmente na largura do elemento podendo, no entanto, uma parte desta
armadura ser colocada na laje. Existem, no entanto, limitações para o desenvolvimento onde esta pode

56
ser disposta, devido aos efeitos de plasticidade local. Assim sendo, a cláusula 5.4.3.1.1 (3) prescreve
as seguintes larguras a considerar para o banzo tracionado, beff, das vigas sísmicas primárias:
1) Pilares interiores – Caso não exista uma viga transversal, a largura efetiva deverá ser
semelhante à largura do pilar, bc, sendo que, na existência desta, deverá incrementar-se beff , de
quatro vezes o valor da espessura da laje, hf, tal como ilustrado na figura seguinte:

Figura 4.1 - Determinação do esforço transverso em vigas [13].

2) Pilares exteriores – No caso do pilar em estudo ser exterior, os valores referidos anteriormente
para os pilares interiores, deverão ser incrementados de 2 hf, em cada lado da viga.

4.5.3.1 Constrangimentos geométricos


Para se diminuir os efeitos gerados na resistência por erros geométricos, o ponto 5.2.3.7 da EN1998-1
estipula as dimensões mínimas e máximas, que deverão ser observadas nos elementos estruturais, para
que se diminua, respetivamente, a sensibilidade a erros geométricos e o risco de instabilidade lateral.
Tendo isso em conta, no ponto 5.4.1.2.1 da EN1998 incluem-se, para uma viga de classe média de
ductilidade, as seguintes prescrições:
1) A excentricidade do eixo da viga, em relação ao eixo do pilar onde esta entronca, deverá ser
limitada, para que se assegure uma eficaz transmissão dos momentos cíclicos das vigas
sísmicas primárias, para os pilares. Assim, de modo a conseguir-se esse efeito, a distância
entre o eixo da viga e o eixo do pilar, deverá ser limitada a bc/4, em que bc é a maior dimensão
da secção do pilar, perpendicular ao eixo longitudinal da viga;
2) Para que seja possível tirar partido do efeito favorável da compressão do pilar na aderência das
armaduras horizontais que atravessam o nó viga-pilar, a largura, bw, de uma viga sísmica
primária deverá satisfazer a seguinte condição:

µ¶ ≤ min. ¹µƒ  ©¶ ; 2 ∙ µƒ » (4.3)

com:
• µ¶ – Largura da viga;
• µƒ – Largura do pilar;
• ©¶ – Altura da viga.

57
4.5.3.2 Definição de zonas críticas
Segundo a cláusula 5.4.3.1.2 da EN1998-1 EC8, deverá ser considerada como zona crítica das vigas de
classe média de ductilidade, a zona até uma distância de lcr, a partir de cada extremidade da viga junto
ao nó de ligação com o pilar, ou em ambos os lados de qualquer outra secção da viga, capaz de ceder,
sendo que o valor do comprimento lcr será, para estruturas de ductilidade classe de ductilidade média:

oƒ§ ≤ ℎ¶ (4.4)

com:
• ℎ¶ – Altura da viga.
Se a viga em análise servir de apoio a um pilar sem continuidade, deverá ser considerado como região
crítica, o desenvolvimento de 2 ∙ ©¶, a partir da união da viga com o pilar descontínuo.

4.5.3.3 Esforços de dimensionamento e Capacity Design


Em relação aos esforços de cálculo devidos aos momentos fletores e esforços axiais, o Eurocódigo 8
recomenda que os mesmos deverão ser obtidos da análise da estrutura para a combinação sísmica,
tendo em consideração, caso seja necessário, os efeitos de 2ª ordem. Poderá, igualmente, proceder-se a
uma redistribuição de momentos, em concordância com o definido na EN 1992-1-1. Assim, deverá
obter-se a envolvente máxima dos momentos fletores e do esforço axial, dimensionando os elementos
de betão armado para estes esforços, seguindo as instruções da EN 1992-1-1.
Relativamente ao esforço transverso de cálculo em vigas sísmicas primárias, para as regiões críticas e
não críticas, o ponto 5.4.2.2 da EN1998-1 aconselha o seu cálculo em consonância com as noções de
Capacity Design, já apresentadas anteriormente. Deverá ser tido em conta o equilíbrio da viga sobre:
• A carga transversal que solicita a viga, considerando a ação sísmica de projeto;
• A combinação adversa dos momentos resistentes reais, nas zonas junto aos nós de
extremidade, e que corresponderá à formação de rótulas plásticas para as direções positivas e
negativas da ação sísmica, Figura 4.2. Note-se que as rótulas plásticas deverão aparecer
preferencialmente nas extremidades das vigas, na região mais próxima possível do nó viga-
pilar.

Figura 4.2 - Esquema de cálculo para a determinação, pelo Capacity Design, da força de corte atuante nas vigas
sísmicas primárias [13].

58
Assim, para aplicar as noções apresentadas, será preciso cumprir os conselhos indicados na cláusula
5.4.2.2 (2) do EC8, e que passam por:
• Calcular, para cada secção extrema da viga (secção i), dois valores do esforço transverso
atuante: o maior, VEd,max,i, e o menor, VEd,min,i. Estes valores representam, respetivamente, à
ocorrência do máximo momento positivo e máximo momento negativo, Mid, nas rótulas
plásticas localizadas nas extremidades ¼ 1 e ¼ 2 da viga;
• Estes valores de momentos, Mid, deverão considerar as verdadeiras áreas de armadura, assim
como a probabilidade das tensões no aço serem maiores do que os seus valores de cálculo.
Deste modo, o Eurocódigo prescreve a seguinte expressão para o cálculo destes mesmos
momentos:
∑¾¿À
\,Q
Q ⋅ …,\ ⋅ †¼® 1;  (4.5)
∑¾¿Á

Em que γRD é um fator que tem em conta o possível endurecimento do aço (1,00 para a classe
de ductilidade média), MRb,i é o valor de cálculo do momento resistente da viga na
extremidade i e ΣMRc e ΣMRb são a soma dos valores dos momentos resistentes de cálculo dos
pilares e das vigas concorrentes no nó.
Tendo em conta o acima referido, uma forma de obter os esforços de cálculo para o esforço transverso
de uma viga poderá traduzir-se nos dois seguintes passos:
1) Obter o valor do esforço transverso devido às ações verticais, para a combinação sísmica,
alcançando-se este resultado através da inclusão, no modelo de cálculo, de uma combinação
com uma carga gravítica de  + [? ∙ œ.
2) Somar o resultado anterior, com os esforços de corte máximo e mínimo nas extremidades do
elemento. Esta operação será representada, para a extremidade i da viga, pelas equações
seguintes, onde o parâmetro lcl, indica o comprimento livre da viga:

Å ∑Ç¿Ã,À É ∑Ç¿Ã,À
¢à ∙ľ¿Ã,Ák ∙\•.Æ*; È -¾¿Ã,Át ∙\•.Æ*; È Ê
∑Ç¿Ã,Á ∑Ç¿Ã,Á
†ár. ¨\,Q + ¨-^(∙²,\
k t
¦À¡
(4.6)

É ∑Ç¿Ã,À Å ∑Ç¿Ã,À
¢à ∙ľ¿Ã,Ák ∙\•.Æ*; È -¾¿Ã,Át ∙\•.Æ*; È Ê
∑Ç¿Ã,Á ∑Ç¿Ã,Á
†¼®. ¨\,Q + ¨-^(∙²,\
k t
¦À¡
(4.7)

Uma vez que a filosofia de dimensionamento do Eurocódigo 8 aconselha a aplicação do princípio de


“pilar forte/viga fraca”, quando estivermos perante uma estrutura do tipo pórtico, ou mistas
equivalentes a pórtico, deveremos simplificar a equação dada pelo regulamento (visto que em vigas da
classe de ductilidade média, [§Q 1,00, utilizando a seguinte simplificação:
Å É
¾¿Ã,Ák -¾¿Ã,Át
†ár. ¨\,Q + ¨-^(∙²,\ (4.8)
¦À¡

Depois de obtidos os esforços de corte, deveremos proceder ao cálculo das armaduras transversais das
vigas sísmicas primárias.
Nas situações em que o sistema estrutural adotado não seja do tipo pórtico, ou misto equivalente a
pórtico, os momentos fletores resistentes deverão ser calculados tendo por base a envolvente de
esforços para a combinação sísmica, sendo o esforço de corte calculado pela metodologia acima
referida.

59
4.5.3.4 Armadura longitudinal
Para que o requisito de ductilidade local seja satisfeito nas zonas críticas, o valor do fator de
ductilidade em curvatura, µΦ, deverá ser pelo menos igual ao valor dado pelas expressões apresentadas
anteriormente neste documento. De qualquer forma, o ponto 5.4.3.1.2 (4) do EC8 permite evitar o
cálculo deste fator, permitindo que este requerimento seja satisfeito caso se verifiquem, para a classe
de ductilidade média, as seguintes condições nas regiões críticas da viga:
1) Na zona de compressão da viga deverá assegurar-se que a armadura longitudinal presente é
igual ou superior a metade da armadura existente na zona tracionada da mesma viga, em
adição a qualquer armadura presente naquela zona para que sejam verificados os estados
limites últimos associados à ação sísmica. Realce-se que aqui, o EC8 não é totalmente
explícito, visto que, dada a variação de sinal poderá haver uma inversão no sinal do momento,
transformando uma zona comprida numa zona tracionada. No entanto, alguma bibliografia
aponta que esta prescrição pretende que a armadura inferior seja pelo menos 0,5 vezes a
armadura superior, na zona crítica da zona dos apoios, ou seja:

Y2;›§\¥§ / 0,50 ∙ Y\•Ë§\¥§ (4.9)

2) A percentagem máxima de armadura na zona tracionada, ρmáx., deverá tomar o valor


decorrente da expressão seguinte:
+,++*– ËÀÃ
”áa. ”´ + ∙
ÍÎ ËsÃ
(4.10)

com:
• ”´ – Percentagem de armadura de compressão;
• Ï2bQ – Valor de cálculo da extensão de cedência do aço.

Saliente-se que, nos casos em que a zona tracionada da viga inclua a laje, deverá adicionar-se,
à região tracionada, a armadura existente na laje (disposta paralelamente à viga, numa largura
igual à do banzo efetivo).
É importante referir que o ponto 5.4.3.1.2 (5) do regulamento recomenda, para todo o comprimento da
viga, a urgência em contemplar uma percentagem mínima de armadura, que corresponderá ao valor
fornecido pela seguinte expressão:

ËÀžh
”\•. 0,50 ∙ Æ È (4.11)
ËsÐ

com:
• уq – Valor médio da tensão de rotura do betão à tração;
• Ñbx – Valor característico da tensão de cedência do aço.

4.5.3.5 Armadura transversal


Segundo o ponto 5.4.3.1.2 do EC8, para se assegurar um correto confinamento, deverão ser cumpridas
as seguintes disposições para armaduras transversais, em regiões críticas:
1) O diâmetro a considerar para os estribos, dbw, deverá cumprir a seguinte condição:

60
Œ…¶ / 6 †† (4.12)

2) O projetista deverá garantir um espaçamento máximo para os estribos, s, fornecido pela


seguinte expressão:
¤Ò
& †¼®. { ; 24 ∙ Œ…¶ ; 225; 8 ∙ Œ…g } (4.13)
™

com:
• ℎ¶ – Altura da viga;
• Œ…g –Diâmetro mínimo dos varões longitudinais;
• Œ…¶ – Diâmetro mínimo dos varões transversais.

3) O primeiro estribo deverá estar colocado a uma distância máxima de cinquenta milímetros,
contabilizada a partir da extremidade da viga, tal como se indica na Figura 4.3.

Figura 4.3 - Disposições de armaduras transversais em vigas [13].

4.5.4 REQUISITOS DO EUROCÓDIGO 8 PARA PILARES DE CLASSE DE DUCTILIDADE MÉDIA


Segundo os pontos 5.1.2 e 5.4.3.2.1 do EC8, um pilar pode ser definido como sendo um elemento
estrutural, na maioria das vezes vertical que, suportando cargas gravíticas por compressão axial, estará
submetido a um esforço normal reduzido, υd, que deverá estar compreendido entre os seguintes
limites:

0,10 ≤ «Q ≤ 0,65 (4.14)

4.5.4.1 Constrangimentos geométricos


O ponto 5.4.1.2.2 do EC8 refere que, caso os efeitos de segunda ordem tenham que ser tidos em conta
( / 0,10), as dimensões da secção transversal do pilar deverão cumprir a seguinte condição:
¤Ô
µÓ , Õn  / 0,10 (4.15)
*+

onde:
• µÓ – Dimensão considerada da secção do pilar;
• ℎÓ – Distância máxima da extremidade do pilar ao ponto de inflexão da deformada, a qual se
encontra num plano paralelo à dimensão considerada do pilar.

61
4.5.4.2 Definição de zonas críticas
O ponto 5.4.3.2.2 do EC8 indica que, para pilares da classe de ductilidade média, deverão ser
admitidas como regiões críticas aquelas que se encontrarem a uma distância, lcr, contabilizada desde as
secções de extremidade do pilar, isto é, ou imediatamente acima do nível de fundação ou logo após o
início ou fim de um piso. De acordo com a cláusula 5.4.3.2.2 da mesma norma, o comprimento, lcr,
poderá ser calculado de uma forma simplificada, para pilares de classe de ductilidade média, através
da seguinte expressão:
¦À¡
oƒ§ †ár. Öℎƒ ; ; 0,45 †Ø (4.16)
×

com:
• ℎƒ – Maior dimensão da secção do pilar (m);
• oƒ¦ – Desenvolvimento livre em altura do pilar para o piso em análise (m).

Deve-se salientar que, segundo o ponto 5.4.4.2.2 do regulamento, será necessário contabilizar todo o
comprimento do pilar como crítico, caso se verifique a seguinte expressão:
¦À¡
< 3 (4.17)
¤À

4.5.4.3 Esforços de dimensionamento e Capacity Design


No que diz respeito aos esforços de cálculo dos momentos fletores e do esforço axial, deverá seguir-se
um procedimento análogo ao já enunciado neste documento para as vigas. No entanto, de modo a
cumprirem-se os princípios do Capacity Design, dever-se-á assegurar que se garante, em todos os nós
de ligação de vigas primárias ou secundárias com pilares primários, para sistemas em pórtico ou
mistos equivalentes a pórtico, nas duas direções ortogonais de análise, a seguinte expressão:

∑ƒ / 1,3 ∙ ∑… (4.18)

com:
• ∑ƒ – Soma dos momentos resistentes dos pilares que fazem parte do nó em análise;
• ∑… – Soma dos momentos resistentes das vigas que fazem parte do nó em análise.

Do que acima foi exposto, deve concluir-se que quando se efetivar o dimensionamento de um pilar, o
projetista deverá considerar a filosofia de Capacity Design, usando para isso a metodologia indicada
no regulamento. Dever-se-á garantir que a capacidade resistente assim calculada será maior que
decorrente da análise da estrutura para a combinação sísmica considerando, se for necessário, os
efeitos de 2ª ordem.
No que diz respeito aos esforços transversos dos pilares, o ponto 5.4.2.3 do EC8, prescreve que nos
elementos sísmicos primários, o valor de cálculo da força de corte, deverá ser determinado de acordo
com o Capacity Design, tendo por base o equilíbrio do pilar sujeito a momentos de extremidade, Mi,d
(extremidades ¼ 1 e ¼ 2, as quais corresponderão às zonas em que se formam as rótulas plásticas

62
(em primeiro lugar nas extremidades das vigas). Os momentos de extremidade referidos, serão
calculados pela seguinte expressão, Figura 4.4:
∑¾¿Á
\,Q
Q ⋅ ƒ,\ ⋅ †¼® 1;  (4.19)
∑¾¿À

com:

Q – Fator que contabiliza a possível sobre resistência do aço anteriormente referido e o
aumento da resistência devido ao efeito do confinamento do betão. Em vigas com uma classe
de ductilidade média, este fator toma o valor 1,10;
• ƒ,\ – Valor de cálculo do momento resistente na extremidade i do pilar, devido à ação da
força sísmica;
• ∑ƒ m ∑… – Respetivamente, somatório dos valores dos momentos resistentes de cálculo dos
pilares e das vigas, no nó viga-pilar em consideração. O valor de ∑ƒ deverá corresponder ao
esforço axial no pilar para a combinação envolvendo a ação sísmica.

Figura 4.4 - Esquema de cálculo para a determinação, pelo Capacity Design, da força de corte atuante em
pilares [13].

Tendo em conta que ao se aplicar o principio de pilar forte/viga fraca, o projetista calculará a armadura
das vigas antes da dos pilares, já será conhecido o valor de ∑… . Assim, no caso de sistemas em
pórtico ou mistos equivalentes a pórtico, aplicando-se a expressão (4.25) deste texto, será simples
alcançar o valor de ∑" a aplicar devendo-se, no entanto, ressalvar que para o cálculo desta

63
grandeza, em cada direção concorrente, deverá ter-se em consideração a situação mais gravosa,
obtendo-se ∑… através dos momentos resistentes de cada viga confluente no nó viga-pilar,
apresentando estes sinal contrário, tal como se ilustra na Figura 4.5.

Figura 4.5 - Esquema auxiliar para a determinação dos sentidos das grandezas relevantes para o cálculo de " .
[18].

Deve-se realçar que, e visto que para um certo valor da armadura vertical, a resistência à flexão
progride com um incremento do valor do esforço axial de compressão, dever-se-á distribuir a parcela
1,3 ∙ ∑… , fornecendo-se um valor menor para o pilar acima ao nó viga/pilar e uma maior para o
abaixo, sendo que é recomendada uma distribuição de 45% e 55%, respetivamente. Assim, o valor de
cálculo do momento resistente na extremidade do pilar poderá ser calculado com base nas seguintes
expressões, tendo em conta a notação já enunciada neste documento:

ƒ,V,9\¦§ * 1,3 ∙ ∑… ∙ 0,55 (4.20)

ƒ,\,9\¦§ ? 1,3 ∙ ∑… ∙ 0,45 (4.21)

Na posse do valor desta grandeza, dever-se-á simplificar a expressão anterior, tendo em vista um
dimensionamento para a classe de ductilidade média:

\,Q = ∙ ƒ,\
*,*
*,3
(4.22)

Assim, tomando considerações de equilíbrio, será fácil calcular o valor máximo da força cortante no
pilar sendo, lcl, a altura livre do elemento vertical:

¨Q
´ ¾và -¾(Ã
=
¦À¡
(4.23)

Note-se que, por analogia com o que se passa nas vigas, caso o sistema portante considerado não
corresponda a um sistema em pórtico ou misto equivalente a pórtico, os momentos fletores resistentes
deverão ser determinados tendo por base a envolvente de esforços da combinação sísmica, devendo o
esforço de corte ser calculado pela metodologia acima referida.

64
4.5.4.4 Armadura longitudinal
Para que o requisito de ductilidade local seja garantido, deverão ser observadas as seguintes
disposições em todo o desenvolvimento do pilar:
1) De acordo com a cláusula 5.4.3.2.2 (1) do EC8, em secções simétricas a armadura
longitudinal deverá estar disposta de forma simétrica, sendo que em adição a percentagem de
armadura longitudinal, ρl, terá que respeitar os seguintes limites mínimo e máximo:

0,01 ≤ ”¦ ≤ 0,04 (4.24)

2) De modo a que a união entre a viga e o pilar seja garantida, o ponto 5.4.3.2.2 (3) do EC8
prescreve que será prudente introduzir um varão longitudinal intermédio entre varões
longitudinais, situados nas extremidades da secção do pilar.

Para terminar, deve referir-se que no ponto 5.4.3.2.2 (11) do EC8, se aconselha a que nas regiões
críticas de pilares de classe de ductilidade média, a distância entre dois varões longitudinais
consecutivos, e que se encontrem cintados, nunca deverá superar os 200 mm. Deste modo, conseguir-
se-á garantir um valor mínimo de ductilidade que evite a encurvadura lateral dos varões longitudinais
do elemento. É relevante observar que na cláusula 9.5.3 (6) da EN1992-1-1, se prescreve uma
distância máxima para o afastamento entre um varão longitudinal que esteja travado e outro que não
esteja de 150 mm, prescrição esta que deverá ser respeitada em adição à cláusula 5.4.3.2.2 (11) do
EC8.

4.5.4.5 Armadura transversal


A cláusula 5.4.3.2.2 (12) do EC8 permite que nas regiões críticas do elemento, se cumpram apenas as
indicações relativas à armadura transversal, que se enunciam no ponto 9-5 da EN 1992-1-1, se se
verificarem as seguintes situações:
1) O esforço normal reduzido, υd, na situação sísmica, seja inferior a 0,2.
2) O valor do coeficiente de comportamento, q, utilizado não exceda 2.

4.5.4.6 Armadura de confinamento


De modo a verificar-se o requisito de ductilidade local nas regiões críticas, o valor do fator de
ductilidade em curvatura, µΦ, deverá ser superior ao valor fornecido pelas expressões apresentadas no
ponto 4.2 deste documento. Contudo, a cláusula 5.4.3.2.2 (8) da EN1998-1 permite evitar o cálculo
deste fator, autorizando que este requerimento seja satisfeito caso se garanta, para a classe de
ductilidade média, a seguinte condição nas zonas críticas dos pilares da base:
…À
Ù ∙ Ú¶Q / 30 ∙ μÛ ∙ «Q ∙ Ï2b,Q ∙ − 0,035 (4.25)
…³

com:
• Ú¶Q – Percentagem mecânica volumétrica das cintas de confinamento nas zonas críticas do
pilar, obtida através da seguinte expressão:

65
Ó¥¦; Q2 ƒ\•q2 Q ƒ¥•Ë\••q¥ ËsÃ
Ú¶Q ∙ (4.26)
Ó¥¦; Q¥ •;ƒ¦¥ Q …q㥠ƒ¥•Ë\•Q¥ ËÀÃ

Já que o regulamento não apresenta um método de cálculo para obtenção do volume das cintas de
confinamento e do volume do núcleo de betão confinado, sugere-se a utilização das equações que se
apresentam de seguida:
Û(
¨ƒ\•q ∑o§¥,\ ∙ Ý ∙ (4.27)
™

¨•úƒ¦¥ & ∙ ℎ+ ∙ µ+ (4.28)

com:
• o§¥,\ – Desenvolvimento i de cada ramo da cinta;
• o§¥,V – Desenvolvimento j de cada ramo da cinta;

Finalmente, deverá igualmente garantir-se que wàá / 0,08 nas zonas críticas localizadas na base dos
pilares primários de classe de ductilidade média.
Nas expressões anteriores os símbolos possuem o seguinte significado:
• μÛ – Valor requerido para o fator de ductilidade em curvatura;
• «Q – Valor do esforço normal reduzido;
• Ï2b,Q – Valor de cálculo da extensão de cedência do aço;
• ℎƒ – Comprimento da secção do pilar, paralelo à direção considerada para µ ϕ;
• µƒ – Largura da secção do pilar;
• Ù – Fator da eficácia global do confinamento, dado por ٠ٕ ∙ Ù2 , factores estes que, para
secções retangulares são dados por:
∑ …k(
ٕ 1 − (4.29)
• ×∙…³ ∙¤³

2 2
Ù2 Ö1 − Ø ∙ Ö1 − Ø (4.30)
?∙…³ ?∙¤³

com:
• & – Espaçamento adotado para as cintas de confinamento;
• ® – Número total de pontos (no plano da cinta) a que correspondem varões longitudinais
diretamente travados;
• µ\ – Distância entre os pontos (no plano da cinta) a que correspondem varões longitudinais
diretamente cintados.

66
Figura 4.6 - Grandezas geométricas [18].

De acordo com as cláusulas 5.4.3.2.2 (10) e (11) do EC8 deverão ser também consideradas medidas
acessórias, nas regiões críticas dos elementos, para que se garanta uma ductilidade mínima e se evite a
encurvadura dos varões verticais. Assim, apresentam-se nestas cláusulas as seguintes disposições:
1) O diâmetro mínimo dos varões a utilizar na cintagem das zonas críticas deverá ser de 6 mm,
para a classe de ductilidade média;
2) O espaçamento, s, das cintas, em milímetros, deverá respeitar o seguinte limite em zonas
críticas:
…
& ≤ †¼®. â ³ ; 175; 8 ∙ Œ…g ã (4.31)
?

com:
• Œ…g – Diâmetro mínimo dos varões longitudinais do pilar.

4.5.5 DISPOSIÇÕES REGULAMENTARES EM NÓS VIGA-PILAR DE CLASSE DE DUCTILIDADE MÉDIA


O comportamento da zona de ligação viga-pilar é fulcral para a forma como a viga e o pilar interagem,
pois para que seja possível explorar a ductilidade nas vigas e nos pilares, será preciso assegurar que o
encontro da viga com o pilar transmite bem os esforços que se desenvolvem nestes elementos. Posto
que a ductilidade do nó viga-pilar é em geral muito pequena, deverá garantir-se que esta é projetada
para que a capacidade resistente dos elementos que nela afluem possa ser totalmente mobilizada.
Assim sendo, o comportamento desejável do nó viga-pilar para estruturas dúcteis durante a ocorrência
de um sismo deverá seguir os seguintes pressupostos:
1) O reforço para o nó de ligação viga-pilar, não deverá conduzir a excessivas dificuldades
construtivas, de modo a assegurar-se um comportamento adequado para o conjunto;
2) Não se deverá ter uma resistência no nó inferior ao valor máximo requerido para a formação
de um mecanismo de rótulas plásticas nesse mesmo nó, diminuindo-se assim a necessidade de
reforçar e reabilitar o elemento situado, muitas vezes, em zonas de difícil acesso;
3) Dado a degradação de resistência no nó, aquando da ação sísmica, deverá garantir-se que a
localização do comportamento não linear nos elementos adjacentes aos nós, nomeadamente
nas vigas;
4) Quando se estiver perante um decréscimo de resistência no nó de ligação, não deverá ficar
comprometida a capacidade resistente dos elementos verticais, devendo-se considerar o nó
como integrante do pilar;

67
5) Deverá assegura-se que a deformação nos elementos, não causa um incremento do
deslocamento entre pisos;
6) Os nós viga-pilar deverão apresentar um comportamento perfeitamente elástico, aquando da
ocorrência de um sismo de baixa magnitude.
Assim, de forma a assegurar as condições referidas, de acordo com o ponto 5.4.3.3 do EC8, a
armadura de confinamento horizontal da zona do nó viga-pilar, para estruturas da classe de ductilidade
média, deverá ser pelo menos igual à adotada no confinamento do pilar na zona crítica. Note-se ainda
que, de acordo com a cláusula 5.6.2.2 do EC8, a armadura longitudinal da viga que amarra no nó viga-
pilar, deverá estar colocada no interior das respetivas cintas do pilar.
Nos casos em que concorram num dado nó quatro vigas, nas quais a relação altura da viga / lado do
pilar paralelo à viga seja superior a 3/4, poderá incrementar-se o espaçamento das cintas para o dobro
do admitido para o confinamento do pilar na região crítica, sendo que se deve garantir que este não
excede cento e cinquenta milímetros.
Este mesmo ponto do regulamento aconselha ainda, a adoção de um varão longitudinal, que deverá ser
colocado a meio dos varões de canto do pilar e se prolongar ao longo de toda a altura do nó.
Um aspeto importante a ter em conta tem que ver com o facto das forças de corte serem introduzidas
no nó viga-pilar, através das tensões de contacto ao longo da viga e pelos varões longitudinais do pilar
que concorrem no nó. Assim, a força de aderência nos varões da viga deverá assegurar a passagem
força sísmica de corte para o nó viga-pilar. De facto, o mecanismo de deterioração da aderência da
armadura longitudinal do nó representa um papel muito importante no comportamento deste, causando
o destacamento do betão de recobrimento (spalling) e diminuindo a capacidade resistente do pilar.
Mesmo que a perda de aderência não tenha consequências desastrosas globais, deverá evitar-se a
mesma, verificando a aderência ao longo dos varões da viga. Para esse efeito, o ponto 5.6.2.2 do EC8
prescreve que, de modo a evitar a rotura por aderência dos varões longitudinais das vigas que
concorrem nos nós viga-pilar, o diâmetro dos varões longitudinais das vigas que são amarrados no
desenvolvimento do nó viga-pilar, dbL, deverá verificar as seguintes condições:
• Nós viga-pilares interiores:
QÁä å,,∙ËÀžh *-+,–∙æÃ
≤ ∙ ç´
(4.32)
¤À ¿à ∙Ësà *-+,å,∙xà ∙
çháj.

• Nós viga-pilares exteriores:


QÁä å,,∙ËÀžh
≤ ∙ 1 + 0,8 ∙ «Q  (4.33)
¤À ¿à ∙ËsÃ

com:
• ℎƒ – Largura do pilar paralela ao varão longitudinal;
• «Q – Valor do esforço normal reduzido do pilar para a ação sísmica;
• {Q – Fator que reflete a classe de ductilidade, com um valor de 2/3 para a classe de ductilidade
média;
• ” e ”áa. – Grandezas já definidas;

Q – Fator que contabiliza a possível sobre resistência do aço. Para a classe média de
ductilidade, esse valor fator assume o valor 1.
Adicionalmente, a cláusula 5.6.2.2 do EC8 prescreve que os varões que se prolonguem pelos nós viga-
pilar interiores deverão estar amarrados a uma distância superior a lcr, desde a face do nó.

68
4.5.6 DISPOSIÇÕES REGULAMENTARES RELATIVAS A PAREDES DE CLASSE DE DUCTILIDADE
MÉDIA

Segundo o ponto 5.1.2 do EC8, uma parede será um elemento portante, na maioria dos casos vertical,
que suporta outros elementos e apresenta uma secção alongada com a seguinte razão:

/ 4
¦Ò
…Ò
(4.34)

com:
• o¶– Comprimento da parede;
• µ¶ – Espessura da parede.

Note-se que de acordo a cláusula 5.4.3.4.1 (2) o valor do esforço normal reduzido, υd, em elementos de
parede primários deverá ser limitado (para que seja garantida uma ductilidade adequada e diminuídos
os efeitos da encurvadura local da parede) ao seguinte valor:
éÃ
«Q ≤ 0,4 (4.35)
êÀ ∙ËÀÃ

Uma outra disposição importante surge na cláusula 5.4.3.4.1 (3), a qual indica que toda a armadura
longitudinal da parede deverá ser considerada na obtenção da resistência à flexão, pois caso assim não
seja, poderá verificar-se uma subestimação do valor do momento de cálculo resistente, o que
acarretaria problemas no processo de implementação de Capacity Design.

4.5.6.1 Constrangimentos geométricos


Relativamente a constrangimentos geométricos, o regulamento indica, no seu ponto 5.4.1.2.3, que a
espessura da alma das paredes, bwo, terá de cumprir a expressão que se apresenta de seguida:

}
¤ë
µ¶+ / †ár. {0,15†; (4.36)
?+

com:
• ℎ2 – Altura livre do piso (em metros).

4.5.6.2 Definição de zonas críticas


A cláusula 5.4.3.4.2 do Eurocódigo indica que, para paredes dúcteis da classe de ductilidade média,
sejam consideradas como regiões críticas aquelas que se encontram numa distância de hcr, desde as
extremidades da parede, o qual poderá ser obtido através da seguinte expressão:
¤Ò
ℎƒ§ †ár. {o¶ ; } (4.37)
×

com:
• o¶– Comprimento da parede;
• ℎ¶ – Desenvolvimento vertical da parede.

69
Contudo, o regulamento no mesmo ponto, indica que se deverão considerar os seguintes limites no
valor da altura crítica, hcr:

2o¶
ℎƒ§ ≤ ì ℎ2 → Õn ® < 6 Õ¼&¯&
‚
(4.38)
2 ∙ ℎ2 → Õn ® / 7 Õ¼&¯&

com:
• ℎ2 – Altura livre do piso (em metros), sendo a base definida como o nível da fundação ou do
topo de caves compostas por paredes de contenção e diafragmas rígidos.
Deve-se referir que nos casos em que existam pisos enterrados na estrutura, cumprindo as condições
indicadas anteriormente, dever-se-á calcular a altura crítica desde o topo da cave e não da cota de
fundação, já que se considera a cave como encastrada no solo de fundação, dada a sua alta rigidez.

4.5.6.3 Esforços de dimensionamento e Capacity Design


De modo a aplicarem-se as noções de Capacity Design, será preciso cumprir as noções expressas no
ponto 5.4.2.4 do regulamento, onde se indica o método a adotar para a definição dos esforços de
cálculo atuantes em estruturas de classe média de ductilidade.
A cláusula 5.4.2.3 (1) do Eurocódigo 8 informa sobre a urgência em considerar as incertezas na
análise e nos efeitos dinâmicos pós elásticos. Porém, esta mesma cláusula permite a utilização de um
método simplificado para a contabilização das incertezas, o qual é referido nas restantes cláusulas do
mesmo capítulo do Eurocódigo 8. Este mesmo método define assim a forma que a envolvente de
momentos e a amplificação que as forças de corte deverão possuir, para que se possa quantificar esta
mesma incerteza, e se aplique a filosofia do Capacity Design.
A cláusula 5.4.2.3 (2) da mesma norma permite, desde que não se alterem as exigências de resistência,
que se efetue uma redistribuição de esforços resultantes da ação sísmica entre paredes dúcteis
primárias estando, no entanto, esta redistribuição limitada a 30%. Note-se que a redistribuição de
momentos deverá ser acompanhada de uma redistribuição de forças de corte, para que em cada parede
o rácio entre o momento fletor e as forças de corte não seja significativamente afetado. Em paredes
sujeitas a grandes flutuações de esforço axial, como por exemplo no caso da acoplação de paredes, os
momentos e os esforços de corte deverão ser redistribuídos das paredes que estejam sujeitas a uma
menor compressão axial, para as em que esta seja mais significativa.
Tendo em mente a filosofia do Capacity Design, que prescreve a formação de uma rótula plástica na
base da parede, bem como a manutenção das restantes secções em regime elástico, a cláusula 5.4.2.4
indica a seguinte metodologia que, sobredimensionado a parede, permite a aplicação deste conceito,
¤
assim como, para paredes primárias esbeltas (isto é, com uma relação altura/largura, Ò , maior que
¦Ò
dois) ter em conta as incertezas da distribuição de momentos fletores ao longo da altura da parede.
Indicam-se, de seguida, os passos a aplicar:
1) Obter, ao longo de toda a altura da parede, a envolvente do diagrama de momentos atuantes
provenientes da análise elástica, representada pelo diagrama a, da figura seguinte;
2) Considerar a envolvente como sendo linear, nos casos em que o edifício não apresente
grandes descontinuidades de massa, rigidez e resistência no seu desenvolvimento, obtendo-se
a reta c, visível na figura abaixo;

70
3) Aplicar uma translação vertical (tension shift) ao diagrama de momentos linear, que deverá ser
consistente com a inclinação adotada para as bielas do modelo escora-tirante utilizado na
verificação do estado limite último de esforço transverso. Deste modo será obtido o diagrama
de momentos fletores de cálculo, MEd, representado pela linha b, da figura que se segue. Será
possível quantificar a translação al, bastando para isso aplicar a expressão seguinte.

¦ î ∙ :¯ï (4.39)

com:
• î – Braço interior da peça;
•  – Valor admitido para o ângulo das bielas inclinadas.

Figura 4.7 - Determinação dos momentos fletores em paredes [13].

onde α, é o diagrama de momentos fletores determinado a partir da análise estrutural, b, é o diagrama


de momentos fletores envolvente e al é a translação da linearização do diagrama de momentos fletores
obtido na análise estrutural.
No que concerne ao esforço transverso, o regulamento preconiza que as forças de corte atuantes em
paredes, deverão ser tomadas a partir de uma envolvente, que será determinada, no caso de sistemas
mistos pórtico-parede compostos por paredes resistentes esbeltas, tendo por base o diagrama expresso
na figura abaixo, o qual permite ter em conta as incertezas dos efeitos de modos superiores.
Note-se que, de acordo com a cláusula 5.4.2.4 (6) do EC8 deverá ser tido em conta o possível aumento
das forças de corte na base de paredes sísmicas primárias após a cedência, o que se observará desde
que, de acordo com o ponto 5.4.2.4 (7) da mesma norma, se amplifique as forças de corte na base
oriundas da análise elástica de 50%, ou seja:

¨Q 1,5 ∙ ¨Q


´
(4.40)

com:
• ¨Q
´
– Valor da força de corte na base da parede proveniente da análise elástica;
• ¨Q – Valor de cálculo da força de corte na base da parede.

71
Figura 4.8 - Envolvente de dimensionamento para a força de corte que atua na parede [13].

em que α é o diagrama de esforço transverso proveniente da análise estrutural, b é o digrama de


esforço transverso majorado, c é o diagrama de esforço transverso envolvente, A é o esforço transverso
na base da parede e B é o esforço transverso no topo da parede, que tem que se maior que metade do
esforço transverso na base.
A construção dos diagramas só é necessária na direção de maior inércia, uma vez que a sua rigidez na
outra direção é muito baixa.

4.5.6.4 Armadura longitudinal


Relativamente à região crítica de paredes dúcteis, a cláusula 5.4.3.4.2 (8) da EN1998-1 prescreve que
a percentagem de armadura longitudinal na secção da parede confinada, ρl, deverá cumprir, para
estruturas com uma classe de ductilidade média, o limite mínimo, ρl,min, dado pela expressão:

”¦ / ”¦,í•. 0,005 (4.41)

Uma outra disposição importante, e que trata sobre a armadura longitudinal a aplicar na zona crítica de
paredes, passa por limitar a distância entre dois varões longitudinais seguidos que estejam confinados
por armadura transversal, não devendo essa distância ultrapassar os 200 mm. Assim, será assegurada
uma ductilidade mínima e evitar-se-á a encurvadura lateral dos varões longitudinais da zona confinada
da parede, tal como preconizado na cláusula 5.4.3.4.2 (9) do EC8 - Parte 1.

4.5.6.5 Armadura transversal


Para a armadura transversal das paredes, fora da zona crítica, apenas serão necessárias observar as
prescrições da EN 1992-1-1. Assim, relativamente à zona crítica da parede, a cláusula 4.3.4.2 (12) do
EC8 permite que sejam apenas seguidas as prescrições relativas à armadura transversal referidas no
ponto 9-6 da EN 1992-1-1, caso se verifique uma das seguintes situações:
1) O valor do esforço normal reduzido, υd, na situação sísmica, seja inferior a 0,15;
2) O valor do esforço normal reduzido, na situação sísmica, seja inferior a 0,20 e se reduza em
15% o valor do coeficiente de comportamento, q, a utilizar.
Contudo, se estas indicações não forem cumpridas, deverá respeitar-se, em adição às prescrições da
EN 1992-1-1 relativas a paredes, o disposto nos pontos seguintes.

72
4.5.6.6 Armadura de confinamento
De modo a respeitar o requisito de ductilidade local nas regiões críticas, o valor do fator de ductilidade
em curvatura, µ F, deverá ser superior ao fornecido pelas equações (4.1) e (4.2) do corrente capítulo,
estando o coeficiente de comportamento de referência, q0, empregue nessas expressões, modificado de
¾
œ+∙ Ã , onde MEd e MRd representam, respetivamente, os valores de cálculo e resistente da base da parede
¾¢Ã

para a ação do sismo.


No entanto, a cláusula 5.4.3.4.2 (3) da EN1998-1 permite evitar o cálculo deste fator, caso se
verifique, nas regiões críticas de paredes de secção retangular da classe de ductilidade média, a
seguinte condição relativa à armadura transversal de confinamento de cada uma das zonas extremas da
parede, as quais são definidas por um desenvolvimento lc, obtido a partir de cada uma das
extremidades da parede:
…À
Ù ∙ Ú¶Q / 30 ∙ μÛ ∙ «Q + ÚÓ  ∙ Ï2bQ ∙ − 0,035 (4.42)
…³

com:
• ÚÓ – Percentagem mecânica da armadura vertical na zona da alma da parede, isto é, o espaço
entre os dois comprimentos lc, determinada pela seguinte expressão:
ñÔ ∙ËsÃ,Ô
ÚÓ − 0,035 (4.43)
ËÀÃ

• ”Ó – Percentagem de armadura vertical na zona da alma da parede;


A comparação de resultados de ensaios a paredes, dotadas de armadura longitudinal aplicada ao longo
da sua largura e armadura parcialmente concentrada nas zonas extremas sujeitas a maior compressão e
tração, demonstrou a existência de uma maior ductilidade no segundo caso, sendo também verificado
o efeito positivo que a cintagem desta mesma armadura, disposta nos extremos da parede, provoca.
Por conseguinte, o valor de lc, a considerar na zona do pilar fictício, deverá ser obtido em
concordância com a seguinte expressão:

ôÀõ(
oƒ ò; ∙ Æ1 − ó öÈ (4.44)
ôÀõ,(,À

com:
• σ;? 0,0035
• σ;?,ƒ 0,0035 + 0,1 ∙ Ù ∙ Ú¶Q
¦Ò ∙…À
• ò; «Q + ÚÓ  ∙
…³

73
Figura 4.9 - Esquema para o cálculo dos pilares fictícios.

Note-se que segundo esta cláusula do EC8, será preciso respeitar um valor mínimo para o
desenvolvimento lc, o qual, para uma parede de largura lw, e espessura bw, terá de cumprir a seguinte
condição:

oƒ / †ár. 0,15 ∙ o¶ ; 1,5 ∙ µ¶  (4.45)

De acordo com a cláusula 5.4.3.4.2 (9) do EC8 deverão, por analogia com os pilares, adotar-se
medidas adicionais nas regiões confinadas que pertencem à zona crítica da parede. Deste modo será
conseguida uma ductilidade mínima e evitar-se-á a encurvadura dos varões verticais do elemento. Por
conseguinte, indicam-se de seguida, as disposições regulamentares sobre este assunto:
1) O diâmetro mínimo dos varões a empregar na cintagem das zonas confinadas das zonas
críticas, deverá ser de seis milímetros, para a classe de ductilidade média;
2) O espaçamento, s, das cintas, deverá cumprir o limite seguinte, para a zona confinada das
regiões críticas:

& ≤ †¼®. â ³ ; 175; 8 ∙ Œ…g ã


…
?
(4.46)

com:
• Œ…g – Diâmetro mínimo dos varões longitudinais do “pilar fictício” da parede (em milímetros).

Existem igualmente limitações à espessura da parede na zona confinada (pilar fictício), bw, devendo
esta, de acordo com a cláusula 5.4.3.4.2 (6) do EC8, possuir uma dimensão superior a duzentos
milímetros e cumprir, consoante o valor de lc, as dimensões expressas na Figura 4.10.

74
Figura 4.10 - Valor da espessura a respeitar nas zonas confinadas de paredes resistentes.

A cláusula 5.4.3.4.2 (7) do regulamento autoriza a dispensa do confinamento em banzos transversais


alongados de paredes, se a espessura do banzo, bf, e o seu desenvolvimento, lf, respeitarem os limites
para a altura livre do piso, hs, indicados na imagem seguinte.

Figura 4.11 - Elementos de parede com um banzo transversal alongado que não necessitam de armadura de
confinamento.

Finalmente, relativamente à análise e pormenorização de paredes compostas por secções em L, T, U, I


ou similar existem algumas prescrições adicionais na EN 1998-1, as quais poderão ser consultadas,
respetivamente, nas cláusulas 5.4.3.4.1 (4) e 5.4.3.4.2 (5) da norma.

4.5.6.7 Empalme de armaduras


Cumulativamente ao referido no ponto 8 da EN 1992-1-1, apresentam-se no artigo 5.6.3 do EC8,
disposições relativas ao empalme de armaduras, as quais se referem em seguida:
1) Não deverá haver empalme por soldadura em zonas críticas de elementos estruturais, sendo
que o empalme através de dispositivos mecânicos apenas será autorizado em elementos
verticais resistentes, caso estes aparelhos tenham sido sujeitos a testes que atestem a sua
compatibilidade com a classe de ductilidade definida;

75
2) A armadura de reforço, a empregar na região de empalme, deverá estar de acordo com a
norma, sendo que deverão também, ser respeitadas as disposições seguintes:
• Se a amarração e respetiva continuação das zonas de emendas, esteja colocada
paralelamente à armadura de reforço de empalme, deverá admitir-se o somatório das
anteriores, ∑AsL, para obter a da armadura transversal de reforço;
• Se a amarração e respetiva continuação das zonas de empalme esteja disposta na
perpendicular à armadura de reforço, deverá considerar-se a área da maior armadura
emendada, AsL, para se obter aa armadura transversal de reforço;
• Na região de empalme, o espaçamento da armadura transversal de reforço, não deverá
superar a relação que se apresenta de seguida, em que h representa a maior dimensão da
secção:
¤
& ≤ †¼®. â ; 100 ††ã (4.47)
™

4.5.6.8 Efeitos locais devido às paredes de enchimento


De acordo com o artigo 5.9 do EC8, existem considerações que precisarão de ser observadas, dados os
efeitos locais das paredes de enchimento:
1) Devido a grande vulnerabilidade das paredes de enchimento dos pisos térreos, deverá esperar-
se que nessa região apareça uma irregularidade sísmica provocada, devendo ser tomadas
resoluções especiais. Caso não se adote um método mais preciso, deverá prever-se que todo o
comprimento do pelar, seja considerado zona crítica.
2) No caso de paneis preenchidos com paredes de alvenaria com altura inferior à altura do piso,
toda a altura do pilar deverá ser considerada como crítica. Deverão ser igualmente tomadas as
seguintes prescrições caso seja verificada esta situação:
• O projetista deverá ter conta, a diminuição do valor da razão de corte nos pilares, devendo
o valor do comprimento livre do elemento, lcl, ser definido como sendo a altura do
mesmo, que não esteja em contacto com a parede de enchimento. A armadura resistente à
força corte deverá, então, ser colocada no comprimento tomado para lcl, sendo prolongada
de um desenvolvimento, hc, para a zona do pilar em contacto com os preenchimentos, em
que hc, é a dimensão da secção do pilar, no plano do preenchimento;
• Se o desenvolvimento do pilar, que não está em contacto com o preenchimento de
alvenaria, for inferior a 1,5 ∙ ℎƒ , dever-se-á considerar a aplicação de varões diagonais,
para resistir à força de corte.
3) Se a parede de enchimento se prolongar por todo o desenvolvimento do elemento vertical
adjacente, e este mesmo enchimento estiver apenas presente num dos lados do pilar (pilar de
canto), deverá adotar-se como crítico todo o comprimento do pilar.

76
5 EXEMPLO DE APLICAÇÃO
5.1 INTRODUÇÃO
A intenção do presente capítulo passa por aplicar as disposições da Parte 1 do EC8, já descritas
sucintamente nos capítulos anteriores, sobrepondo-as com as prescrições da EN 1992-1-1, a edifícios
em betão armado. Para o efeito utilizou-se um edifício de habitação de um piso, que será resolvido
durante o curso e que proporcionará ao formando a aplicação prática dos conhecimentos transmitidos.
Ao efetuar a análise da estrutura, e de modo a não tornar o documento demasiado extenso, foram
selecionados elementos estruturais representativos, correspondendo a um pilar e uma parede resistente,
os quais serão dimensionados e pormenorizados, para a classe de ductilidade média, de acordo com as
normativas acima referidas.

5.2 CARACTERÍSTICAS DO EDIFÍCIO EM ANÁLISE


O edifício alvo de análise no presente capítulo possui uma estrutura em betão armado perfeitamente
regular, admitindo-se situando na cidade de Lisboa, e cuja ocupação é considerada ser uma cobertura
acessível da Categoria I, com utilização definida na Categoria A do Quadro 6.2 do EC1. A área de
implantação do edifício em análise é de 11,25 por 10,25 m2.
A solução estrutural do edifício em questão é em betão armado, caracterizada por uma estrutura
porticada de contorno definido por pilares exteriores e interiores (com as dimensões indicadas no
Quadro 5.1) e pelas vigas de bordadura e interiores (com as dimensões indicadas também no Quadro
5.1). A laje será considerada infinitamente rígida para efeitos do cálculo à ação sísmica.
Para as paredes estruturais e para os pilares (representados na Figura 5.1) as dimensões das seções
transversais apresentam-se no Quadro 5.1 (a primeira dimensão refere-se à dimensão na direção
longitudinal do edifício - ver na Figura 5.1 a indicação da direção transversal).
No que diz respeito às fundações do edifício considerou-se, por simplificação, que a estrutura estaria
encastrada no terreno, com exceção dos pilares P2 que foram considerados como simplesmente
apoiados. A simplificação, ou melhor a idealização, referida para as fundações pode influenciar
significativamente a distribuição de esforços na estrutura e, concomitantemente, o seu comportamento.
De acordo com bibliografia especializada, para se conseguir uma representação fiel da interação solo-
estrutura deveriam ser tidos em conta tanto a deformabilidade do terreno como o modo de
materialização da fundação do edifício. Principalmente aquando da existência de pisos enterrados, o
modelo de cálculo deverá reproduzir cuidadosamente a realidade, uma vez que os elementos
enterrados desempenharão um efeito preponderante na deformabilidade global da estrutura e na
distribuição dos esforços, sobretudo perante ações horizontais. Este facto é especialmente importante,
no caso de existirem elementos verticais com rigidez bastante diferentes.

77
Figura 5.1 Esquema Estrutural

Quadro 5.1 - Dimensões gerais dos elementos estruturais.

Piso Pilares (bxh) Vigas (bxh) Paredes (bxh) Laje (e)


P1- 0,20x0,250m2
Par1- 0,20x1,20m2
1 P2- 0,25x0,25m2 0,20x0,60m2 0,20m
Par2- 1,00x0,20m2
P3- 0,30x0,30m2

5.3 MATERIAIS
No edifício em análise no presente capítulo, escolheram-se para os elementos estruturais em betão
armado um betão do tipo C20/25, e um aço A500 NR. No Quadro 5.2 resumem-se as principais
características dos materiais considerados:

Quadro 5.2 - Características gerais dos materiais [20].

Betão C20/25 Aço A400 NR


fcd = 13,3 MPa fsyk = 500 MPa
fck = 20,0 MPa fsyd = 465 MPa
fctm = 2,2 MPa Es = 200 GPa
-5
Ec,28 = 29 MPa εsyd = 237 x 10
ν = 0,20
ζ = 5%

5.4 AÇÕES
De modo a definir as ações e as combinações de ações a utilizar no projeto estrutural, recorreu-se ao
disposto nos Eurocódigos 0 e 1, assim como a tabelas técnicas adequadas. Por conseguinte, nos pontos
seguintes efetua-se o apanhado geral dos valores considerados para as ações na estrutura, consoante o
tipo de carga.

78
5.4.1 CARGAS PERMANENTES
No conjunto das cargas permanentes insere-se o peso próprio dos elementos estruturais, sendo que
regulamentarmente é proposto, para o betão armado, o valor de 25kN/m3 como peso volúmico.

5.4.2 RESTANTES CARGAS PERMANENTES


No Quadro 5.3 resumem-se o tipo e o valor das cargas permanentes (para além do peso próprio)
consideradas.

Quadro 5.3 - Restantes cargas permanentes (RCP) [19].

Tipo de carga permanente Valor

Paredes de fachada 10,00kN/m


Revestimentos 1,50kN/m2
Cobertura 2,00kN/m2

5.4.3 SOBRECARGAS
Por fim, no Quadro 5.4 apresenta-se o tipo e o valor das sobrecargas adotadas no presente exemplo.

Quadro 5.4 - Valores das sobrecargas [19].

Tipo de sobrecarga Valor ÷ø


0,3
Terraço acessível 2,00kN/m2

5.4.4 COMBINAÇÕES DE AÇÕES


No corrente exemplo foram tidas em consideração as combinações referidas no Eurocódigo 0 para os
estados limites últimos e já referidas no capítulo 4.

5.5 MODELAÇÃO ESTRUTURAL


A modelação estrutural do edifício é efetuada a partir da associação em série dos elementos estruturais
idealizando a estrutura como um oscilador de um grau de liberdade com a rigidez igual à soma da
rigidez de cada elemento estrutural e a massa igual ao peso total do edifício a dividir pela aceleração
da gravidade (9,81m/s2).
Na Figura 5.2 encontra-se representado o modelo de cálculo considerado.

79
Figura 5.2 - Sistema de um grau de liberdade (1 g.d.l.).

5.5.1 PILARES
Os pilares são elementos estruturais verticais, sujeitos essencialmente a esforços axiais de compressão
e momentos fletores nas duas direções principais. Nestes elementos, as dimensões da secção
transversal são da mesma ordem de grandeza, sendo o desenvolvimento em altura de uma ordem de
grandeza superior à das dimensões da secção. Os efeitos P-∆, resultantes da excentricidade dos
esforços axiais devido a translações no plano horizontal, não serão tidos em conta neste documento.
As dimensões das secções dos pilares são as indicadas no enunciado do exercício, o mesmo
acontecendo para o seu desenvolvimento em altura.
As vigas não são modeladas neste exemplo uma vez que se está a considerar o piso infinitamente
rígido no seu plano.

5.5.2 PAREDES
As paredes, tal como os pilares, são elementos verticais sujeitos essencialmente a esforços axiais de
compressão e a momentos fletores. São elementos que apresentam secções, com uma dimensão de
uma ordem de grandeza diferente da outra, apresentando, por conseguinte, uma rigidez maior na
direção de maior desenvolvimento. Os efeitos P-∆ também não são considerados nestes elementos. As
dimensões e posicionamento destes elementos deverão ser definidos de forma a otimizar a resposta da
estrutura face às ações sísmicas e, como tal, deve ser refinada até que as prescrições regulamentares
sejam cumpridas.
No caso do presente exercício, a colocação das paredes nos locais indicados foi propositado para
obrigar os formandos a usar a noção de centro de rigidez e centro de massa e obrigá-los a distribuir as
forças devidas à ação sísmica pelos diversos elementos estruturais em função da sua rigidez e da sua
distância ao centro de rigidez. Isto porque para as ações horizontais, as paredes resistentes são
responsáveis por assegurar uma alta resistência da estrutura porticada, pois a sua grande inércia em
torno do eixo perpendicular à sua maior dimensão em planta faz com que sejam absorvidos grande
parte destes mesmos esforços (as ações são distribuídas de forma proporcional à rigidez dos
elementos).

5.5.3 LAJES
As lajes são elementos horizontais caracterizados por um desenvolvimento em planta com dimensões
de ordens de grandeza próximas e com uma terceira dimensão com uma grandeza inferior. No presente
exemplo de cálculo irão ser consideradas como diafragmas rígidos no seu plano, assumindo-se assim
que qualquer deslocamento da estrutura é conhecido, em função dos deslocamentos calculados de
piso.

80
5.5.4 FUNDAÇÕES
Para as fundações dos pilares e das paredes foi admitido um encastramento total destas ao solo, com
exceção dos pilares P2 que foram considerados como simplesmente apoiados.

5.6 DEFINIÇÃO DA AÇÃO SÍSMICA


5.6.1 TIPO DE TERRENO E ZONAMENTO SÍSMICO
No presente exercício foi admitido, em termos de cálculo, que o solo onde a estrutura está fundeada,
era constituído por argilas rijas, com um NSPT = 35. Para este tipo de terreno, a EN 1998 preconiza no
ponto 3.1.2, Tabela 3.1, um terreno de tipo C.
No que diz respeito ao zonamento sísmico, o EC8 atribui à cidade de Lisboa, a Zona Sísmica 2 para a
ação de Tipo 1 (Sismo afastado) e a Zona Sísmica 1 para a ação de Tipo 2 (Sismo próximo).

5.6.2 ESPECTRO DE RESPOSTA ELÁSTICO


Para as grandezas expressas na fórmula do espectro de resposta elástico horizontal, referido no ponto
2.4.2 do presente documento, o regulamento sugere, para o tipo de terreno e zonamento sísmico
considerado, os seguintes valores:

Quadro 5.5 - Valores considerados na definição do espectro de resposta horizontal.

Zonamento sísmico Grandeza Valor


ag 180cm/s2
S 1,15
Afastado TB 0,20s
TC 0,60s
TD 2,00s
ag 150cm/s2
S 1,50
Próximo TB 0,10s
TC 0,25s
TD 2,00s

Aplicando os valores acima definidos às expressões regulamentares adequadas foi possível calcular os
espectros de resposta elásticos horizontais, para os zonamentos e tipo de terreno em análise,
representados na Figura 5.3.

81
Figura 5.3 - Espectros de resposta elásticos (para ξ = 5%)

5.7 ANÁLISE DE RESULTADOS E VERIFICAÇÕES PRELIMINARES


5.7.1 ANÁLISE DINÂMICA
Após se ter realizado a modelação da estrutura, determinou-se a frequência própria e o modo de
vibração da mesma.
Neste ponto é importante recordar que a rigidez de um elemento estrutural para um deslocamento
unitário perpendicular à extremidade da barra é:
*?_

Encastramento nas duas extremidades –
3_

Encastramento numa extremidade e apoio na outra –

Assim sendo, para o sistema de 1 g.d.l. obteve-se o seguinte valor da Frequência e do Período.

Quadro 5.6 - Frequências e períodos relevantes.

Direção Período (s) Frequência (Hz)


Longitudinal 0,185 5,42
Transversal 0,139 7,17

Com a informação da Figura 5.4 do presente documento, verifica-se que a ação sísmica condicionante
para o EC8 será a que corresponde a um Sismo Próximo (Tipo 2), uma vez que, para cada um dos
períodos, é este o tipo de sismo que conduz a maiores valores da aceleração espectral.

82
5.7.2 DETERMINAÇÃO DO CENTRO DE RIGIDEZ
Um método para determinar o centro de rigidez de um edifício consiste em considerar a rigidez
relativa de cada elemento estrutural. Apresenta-se no Quadro 5.7 a rigidez relativa de cada um dos
elementos estruturais, em cada uma das direções.

Quadro 5.7 - Rigidez relativa de cada elemento vertical resistente.

Sismo Direção Par1 Par2 P1 P2 P3


Long 0,0345 0,4812 0,004812 0,003507 0,1559
Sismo próximo
Transv 0,7092 0,011 0,004296 0,0020 0,0891

O centro de rigidez calcula-se considerando a rigidez relativa de cada pórtico como uma força e
determinando-se a posição da resultante dessas forças. Vamos considerar que os dois eixos se
intersetam no canto inferior do pilar P1, Figura 5.4.

Figura 5.4 - Referencial usado.

Direção Longitudinal
0,0345 × 5,1 + 0,4812 × 0,10 + 0,004812 × 2 × 0,1 + 0,003507 × 2 × 5,1 + 0,1559 × 3 ×10,1 = 1,0Yrig

Yrig = 4,98m

Direção Transversal
0,7092× 5,15 + 0,011×10,75 + 0,004296× (0,125 + 5,125) + 0,002 × (0,125 + 11,125) +
0,0891× (0,15 + 5,15 + 11,15) = 1,0 X rig

X rig = 5,28m

83
O Centro de Massa corresponde ao centro de gravidade de um retângulo de 10,25x11,25m2. O que
significa, usando o mesmo referencial que:
YCM = 5,125m
X CM = 5,625m
Na Figura 5.5 apresenta-se a posição do centro de rigidez e do centro de massa.

Figura 5.5 - Centro de rigidez e de massa.

Teremos assim excentricidades segundo o eixo longitudinal e transversal de:


elong = (5,125-4,94) = 0,185m

etransv = (5,625-5,28) = 0,345m

5.7.3 DEFINIÇÃO DA AÇÃO SÍSMICA DE PROJETO

5.7.3.1 Verificação da regularidade em altura


De acordo com as prescrições regulamentares, podemos dizer que as mesmas são respeitadas em
ambas as direções ortogonais Long e Transv. Assim, e sendo a estrutura considerada regular, segundo
as duas direções ortogonais, e não existindo recuados (setback), poder-se-á considerar este um edifício
regular em altura.

84
5.7.3.2 Verificação da regularidade em planta
Para assegurar que um edifício é regular em planta, torna-se necessário que as prescrições referidas na
cláusula 4.2.3.2 da EN1998-1 se cumpram.
Nomeadamente no ponto (6) que refere “A cada nível e para cada direção ortogonal de análise, Long e
Transv, deverão ser satisfeitas as seguintes condições relativas à excentricidade estrutural, e0, e ao raio
de torção, r:
m+g¥• ≤ 0,30 ∙ ng¥•
(5.1)
m+§•2Ó ≤ 0,30 ∙ n§•2Ó

ng¥• / o2
(5.2)
n§•2Ó / o2
com:
• ls – Raio de giração, em planta, da massa do piso. O raio de giração será igual à raiz quadrada
do rácio do momento polar de inércia da massa no plano do piso (relativamente ao centro de
massa do piso) com a massa do piso.
Neste caso ls = 4,29m;
A rigidez global de torção é igual a 6 470 862kN×m e a rigidez segundo a direção longitudinal,

pg¥• 188 339,4

a rigidez segundo a direção transversal, p§•2Ó 329 624,23 xé


Com estes valores é possível calcular o n¦¥• 5,86 † e o n§•2Ó 4,43 †


Neste caso verifica-se as condições expressas pelas equações (5.2).
A equação (5.1) é igualmente satisfeita já que:
0,185† ≤ 0,30 ∙ 4,43 1,33†

0,345† ≤ 0,30 ∙ 5,86 1,76†

Portanto, a estrutura pode ser considerada regular.

5.7.3.3 Determinação do tipo de sistema estrutural


Relativamente ao tipo de sistema estrutural, o regulamento prescreve a necessidade de avaliar qual a
percentagem de resistência ao esforço de corte basal que é assegurada pelas paredes. Para este efeito,
torna-se imperativo definir, no modelo de cálculo, um caso de análise com base no espectro de
resposta elástico correspondente ao sismo próximo do EC8, definido anteriormente neste documento,
para cada uma das duas direções ortogonais Long e Transv. O passo seguinte passou por, calcular o
edifício para cada uma das direções, como se indica nos passos seguintes, retirando-se do cálculo, para
cada uma destas, o valor total do corte basal e o valor da força de corte que corresponde às paredes. Os
resultados obtidos são apresentados no Quadro 5.8, que permite inferir sobre o tipo de sistema
estrutural presente.

85
Quadro 5.8 - Tipo de sistema estrutural por cada direção ortogonal.

Sismo Direção % da força de corte absorvida pelo núcleo Tipo de sistema estrutural
Edifício de sistema porticado
Long 51,6
˂ 65%
Sismo próximo
Edifício de sistema de
Transv 71,8
paredes resistentes ˃ 65%

5.7.3.4 Determinação do coeficiente de comportamento


O valor a adotar para o coeficiente de comportamento, q, é indicado na cláusula 5.2.2.2 da EN1998-1.
Assim sendo, é necessário definir inicialmente o valor do coeficiente de comportamento de referência,
q0, a adotar.
O valor de q será dado, para edifícios em pórtico ou mistos equivalentes a pórtico, da classe de
ductilidade média, pela seguinte expressão:
œ œ¥ ∙ {¶ 3,00 ∙ 1,00 3,00 (5.3)
ϴ 3,00 (5.4)
2
Considerando que as vigas previstas em projeto têm uma seção de 0,20x0,60m e que o sistema
estrutural, numa das direções é de parede resistente, o valor do coeficiente de comportamento deverá
ser menor do que o valor referido na equação (5.3), neste caso em termos de cálculo o valor que se
recomenda é 2,0.

5.7.4 DEFINIÇÃO DA AÇÃO SÍSMICA DE PROJETO


De acordo com as conclusões retiradas no ponto 5.7.1 do presente documento, considerou-se o Sismo
Próximo (Sismo de Tipo II do EC8) como sendo o sismo condicionante para a análise a efetuar de
acordo com os pressupostos do EC8.
Segundo o regulamento, de modo a que seja possível considerar a capacidade de dissipação de energia
da estrutura, o projetista deverá utilizar para o projeto um espectro de resposta modificado, o qual é
definido no ponto 3.2 deste documento e na cláusula 3.2.2.5 do EC8. Nesse mesmo ponto representa-
se a forma do espectro elástico de resposta a utilizar, sendo que as grandezas a adotar já se encontram
indicadas nos Quadro 3.1 e Quadro 3.2 do corrente texto (ação sísmica próxima, terreno de tipo C).
Tendo em conta os cálculos efetuados, determinou-se que o coeficiente de comportamento a utilizar
seria o mesmo em ambas as direções de análise, pelo que o espectro de resposta de projeto elástico a
utilizar para a análise e dimensionamento do edifício em estudo, de acordo com os pressupostos do
EC8, será o que se representa na Figura 5.6.

86
Figura 5.6 - Espectros de resposta de projeto (para q = 2,00).

5.7.5 CÁLCULOS PRELIMINARES


Tendo em conta o referido no parágrafo anterior a expressão que permite o cálculo da ação sísmica é:
?  ?,, ?
0 <  < µ: Q  . . [ + Ö − Ø] (5.5)
3 … ² 3

Se atendermos aos valores constantes do Quadro 5.5 teremos para Sd(T) o valor de:
Direção Longitudinal
Q  3,29 m/& ? (5.6)
Direção Transversal
Q  2,82 m/& ? (5.7)
Com este valor da aceleração pode-se calcular o valor do deslocamento de piso.
8Ã 
ûQ Õ¼&¯
¶(
(5.8)

ou seja:
Direção Longitudinal
3,?–
ûQ Õ¼&¯ o¯® **×*,–= 2,83mm (5.9)

Direção Transversal
?,–?
ûQ Õ¼&¯ ïn®&1 ?+33,3 1,39mm (5.10)

Os deslocamentos finais podem ser obtidos multiplicando os valores dos deslocamentos pelo
coeficiente de comportamento
Direção Longitudinal
ûQ Õ¼&¯ o¯®= 2,83×2 = 5,66mm (5.11)

87
Direção Transversal
ûQ Õ¼&¯ ïn®&1 1,39 × 2 2,78mm (5.12)

Estamos em condições de calcular o corte basal (Ptot), em cada direção, que neste caso será igual a:
Longitudinal 2,83 x 10-3 x 188 339,4 = 533,42kN (5.13)
Transversal 1,38 x 10-3 x 329 624,2 = 457,82kN (5.14)

5.7.6 DISTRIBUIÇÃO DAS FORÇAS HORIZONTAIS


A distribuição das forças horizontais (H) pelos elementos estruturais é efetuada a partir das seguintes
expressões:
Efeito de translação
Ki
Fit = H ⋅ (5.15)
ΣK i
Efeito de rotação
H .e. ⋅ d i ⋅ K i
Fir = (5.16)
ΣK i d i2
Sendo a força final dada pela soma ou subtração, conforme for o mais desfavorável para o elemento
estrutural em causa, das duas Fi = Fit ± Fir em que:

Fi – força horizontal a atuar no elemento estrutural i


H ⋅ – força horizontal global devida ao sismo
e – excentricidade da força H em relação ao centro de rigidez
K i – rigidez relativa do elemento estrutural i
d i – distância do elemento estrutural i ao centro de rigidez
Relativamente à excentricidade e deve-se ter em conta o seguinte:
No caso da ação sísmica à excentricidade entre o centro de massa e o centro de rigidez deve ser
adicionada as excentricidades e1i ou e2i conforme for mais desfavorável para o elemento que se
está a analisar.

Iremos analisar em primeiro lugar a distribuição de forças na direção longitudinal.

88
Quadro 5.9 - Efeito de Translação.

Elemento Estrutural H (kN) Ki (kN/m) Fi (kN)


Par1 533,42 6493,294 18,39
Par2 533,42 90625 256,67
P1 533,42 906,25 2,57
P2 533,42 660,5321 1,87
P3 533,42 29362,5 83,16

Quadro 5.10 - Efeito de Rotação

Elemento H Excentricidade di Ki ΣK i d i2 di ⋅ Ki Fi Fi
Estrutural e1 e2
ΣK i d i
2

Par1 533,42 0,6975 0,3275 0,16 6493,294 4510986 0,00023 0,086 0,04
Par2 533,42 0,6975 0,3275 4,84 90625 4510986 0,09723 36,18 16,98
P1 533,42 0,6975 0,3275 4,84 906,25 4510986 0,00097 0,362 0,17
P2 533,42 0,6975 0,3275 0,16 660,5321 4510986 0,00002 0,0087 0,004
P3 533,42 0,6975 0,3275 5,16 29362,5 4510986 0,03359 12,496 5,867

Quadro 5.11 - Forças finais por cada elemento estrutural

Elemento Fi Fi Fi Fi
Estrutural (rotação) (rotação) (translação) Final
Par1 0,086 0,04 18,39 18,43
Par2 36,18 16,98 256,67 293,68
P1 0,362 0,17 2,57 2,93
P2 0,0087 0,004 1,87 1,87
P3 12,496 5,867 83,16 89,03

89
Forças na direção transversal
Quadro 5.12 - Efeito de Translação

Elemento
H (kN) Ki (kN/m) Fi (kN)
Estrutural
Par1 457,35 233758,6 324,34
Par2 457,35 906253625 5,03
P1 457,35 1416,016 1,96
P2 457,35 660,5321 0,92
P3 457,35 29362,5 40,74

Quadro 5.13 - Efeito de Rotação

Elemento Excentricidade di ⋅ Ki
H di Ki ΣK i d i2 Fi Fi
Estrutural e1 e2 ΣK i d i2
Par1 457,35 0,9075 0,2175 0,155 233758,6 1959876 0,01849 7,67 1,84
Par2 457,35 0,9075 0,2175 5,47 906253625 1959876 0,01012 4,2 1,01
P1 457,35 0,9075 0,2175 5,155 1416,016 1959876 0,00384 1,54 0,37
0,155 0,046 0,01
P2 457,35 0,9075 0,2175 5,155 660,5321 1959876 0,00371 0,72 0,17
5,845 0,82 0,196
P3 457,35 0,9075 0,2175 5,13 29362,5 1959876 0,16637 31,9 7,64
0,155 0,96 0,23
5,82 36,19 8,67

Quadro 5.14 - Forças finais por cada elemento estrutural

Elemento Fi Fi Fi Fi
Estrutural (rotação) (rotação) (translação) Final
Par1 -7,67 -1,84 324,34 322,5
Par2 4,2 -1,01 5,03 9,23
P1 -1,54 0,37 1,96 2,33
-0,046 -0,01 1,95
P2 -0,72 0,17 0,92 1,09
0,82 -0,196 1,74
P3 -31,9 7,64 40,74 48,38
-0,96 -0,23 40,51
36,19 -8,67 76,93

90
5.7.6.1 Verificação dos Efeitos de segunda ordem
Os efeitos de segunda ordem poderão ser ignorados caso se cumpra a expressão indicada na expressão
(3.46) deste texto. Como vimos o deslocamento do piso.
No que diz respeito aos valores de Ptot e Vtot, considerou-se respetivamente, em resultado da
simplificação acima adotada, o valor do esforço axial no nó inferior do pilar que coincide com o piso
em estudo e o valor do esforço transverso do elemento nesse mesmo nó, obtendo-se os valores para o
máximo inter-storey drift que se apresentam também no Quadro 5.8.

Quadro 5.15 - Definição do inter-storey drift.

Ulong Utrnsv drlong drtransv Ptot.,long Ptot.,transv Vtot.,transv Vtot.,transv


Piso
(m) (m) (m) (m) (kN) (kN) (kN) (kN)
Piso 0 0,000 0,000 533,42 457,82
0,00562 0,00276 1594,7 1594,7
Piso 1 0,00283 0,00139 533,42 457,82

Através dos resultados obtidos foi possível calcular os valores de θx e θy, que se apresentam no Quadro
5.15. Como é possível perceber o valor do coeficiente de sensibilidade da deriva entre pisos para cada
direção (considerando para a distância entre pisos, h, o valor de 3,00m), nunca ultrapassa o valor
definido pela condição θ ≤ 0,10, pelo que que não é necessário ter em consideração na presente análise
os efeitos P-∆.

Quadro 5.16 - Valores de θ para cada direção ortogonal.

Piso Θlong Θtransv


Piso 0 0,0085 0,0048

5.7.6.2 Estado limite de limitação de danos


A condição que exige a limitação dos danos e que está associada a verificações de projeto relacionadas
com os Estados Limites de Serviço, será cumprida desde que as deformações globais da estrutura
(deslocamentos laterais) sejam limitadas a níveis aceitáveis, nomeadamente no que diz respeito à
integridade de todos os elementos estruturais e não estruturais.
Assim, e na falta de informação relativa ao tipo de elementos não estruturais presentes neste edifício,
será necessário verificar as equações (3.48), (3.49) e (3.50), expressas neste documento. Uma vez que
as grandezas dr e h já foram definidas no capítulo anterior ao deste exemplo, e que, para edifícios de
Classe de Importância II, é recomendada a adoção de um valor de 0,5 para o fator de redução, ν: Neste
caso a condição mais desfavorável é a:
Œ§ ∙ « ≤ 0,005 ∙ ℎ

0,005664 ∙ 0,50 ≤ 0,005 ∙ 2,00 → 0,002832 ≤ 0,010 → ¯{! (5.17)

Da análise das equações expressas acima, conclui-se pela verificação do Estado Limite de Limitação
de Danos.

91
5.7.6.3 Estado limite último – Condição de junta sísmica
Através da cláusula 4.4.2.7 da EN1998-1, deverá prever-se uma abertura de junta, ∆, que acautele a
estabilidade do edifício na eventualidade de este colidir com uma estrutura próxima.
Já que não se dispõe de dados que permitam concluir sobre a existência ou não de um edifício
adjacente à estrutura, utilizou-se como máximo deslocamento horizontal, um valor semelhante ao do
edifício em estudo, já que se existir um edifício adjacente, este deverá possuir características
semelhantes. Relativamente ao valor máximo do deslocamento do edifício em análise, verifica-se, da
análise do quadro 4.10 do presente exercício, que este tomará o valor de di,1 = 0,005664m. Deste
modo, o valor da abertura de junta a garantir será:

ª “0,005664? + 0,005664? 0,008 † → 1o¯n Œ µmnïûn Œm þû®ï  n®ï¼n! (5.18)

Pelo exposto nos pontos acima, nos próximos pontos deste documento, toda a análise estrutural
efetuada será realizada em estado não fendilhado.

5.8 DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL


5.8.1 DIMENSIONAMENTO DAS PAREDES
O dimensionamento das paredes foi efetuado, através da análise de cada parede.

5.8.1.1 Constrangimentos geométricos


Segundo o regulamento, a espessura mínima a atribuir às paredes do núcleo, bwo, deverá satisfazer a
referida expressão:
™,++
µ¶+ / †r. {0,15 † ; } → 0,20 † / †r. {0,15 † ; 0,20 † } 0,20† → 1mn¼Ñ¼:! (5.19)
?+

5.8.1.2 Definição de zonas críticas


A altura crítica da parede, considerada a partir do piso térreo, será calculada através da seguinte
expressão:
¤Ò ™
ℎƒ§ †ár. {o¶ ; } → ℎƒ§ †ár. {1,20 ; } → ℎƒ§ 1,20† (5.20)
× ×

É igualmente necessário que o valor de hcr aferido verifique as condições que se apresentam de
seguida:
ℎƒ§ 1,20† ≤ 8,00† 2 ∙ ℎ2 → ¨mn¼Ñ¼:! (5.21)

5.8.1.3 Obtenção dos esforços de cálculo atuantes


Os esforços em cada parede foram obtidos no ponto anterior e resumem-se no Quadro 5.17, tomando
em consideração que o esforço normal foi obtido através da área de influência de cada parede.

92
Quadro 5.17 - Dimensões e definição dos esforços atuantes nas paredes.

Parede Lparede eparede Nsd Msd(Long) Msd(Transv) Vsd(Long) Vsd(Transv)


Par1 1,20 0,20 456 32,26 564,38 18,43 322,5
Par2 1,00 0,20 177 587,36 18,46 293,68 9,23

5.8.1.4 Cálculo da armadura longitudinal


Para calcular a armadura longitudinal das paredes, sujeitas a flexão desviada, adotou-se o
procedimento uniaxial na direção relevante de análise. Assim, empregou-se neste exemplo o método
dos “pilares fictícios”, que se sumariza na continuação deste documento. Deve-se referir que a
dimensão considerada para os pilares fictícios, coincide sensivelmente ao comprimento da parede
dividido por quatro.

Figura 5.7 - Método dos pilares fictícios – Par1.

Figura 5.8 - Método dos pilares fictícios – Par2.

Os resultados da definição dos pilares fictícios apresentam-se de seguida:

Quadro 5.18 - Definição do pilar fictício.

Parede Lparede eparede Lpilar fictício z


Par1 1,20m 0,20m 0,30m 0,90m
Par2 1,00m 0,20m 0,25m 0,75m

Os esforços de compressão e tração, que serão utilizados no dimensionamento, foram calculados


através das equações seguintes:

−| |
éÃ ¾Ã


?
(5.22)

+| |
éÃ ¾Ã
7

?
(5.23)

93
No passo seguinte, e já na posse dos valores de cálculo para o dimensionamento, foi possível calcular
a armadura, As,v (e correspondente percentagem geométrica de armadura, ρv) em cada um dos
elementos, bem como a tensão de compressão a que estes estarão sujeitos. Com esta finalidade
empregaram-se as seguintes equações:

ߪƒ
¾\•éÀ 
g೛k¡ ¢ ೑kÀžíÀkŸ×೛ ¢Ã
(5.24)

¾áaéz 
Y2,Ó,›\¦§ Ë\ƒqíƒ\¥ (5.25)
ËësÃ

êë,Ô,೛k¡ ¢ ೑kÀžíÀkŸ
”Ó,›\¦§ Ë\ƒqíƒ\¥ (5.26)
g೛k¡ ¢ ೑kÀžíÀkŸ×೛ ¢Ã

Um dimensionamento completo exigiria que se calculasse a armadura para a direção de menor inércia
também, procedendo-se como se tratasse de uma verificação uniaxial a um pilar. Contudo, tendo em
conta que não se trata de uma direção condicionante, optou-se por dimensionar esta ação para os
elementos em que esta é preponderante.
Neste exemplo não serão realizadas dispensas em altura à armadura longitudinal, visto tratar-se de um
edifício de um piso.
Deve ser salientado que a juntar às regras de dimensionamento do Eurocódigo 2, o EC8 aconselha a
que, fora das regiões críticas, se limite o valor do esforço normal reduzido. No quadro seguinte
apresenta-se o resultado do dimensionamento efetuado.

Quadro 5.19 - Valores calculados segundo o método dos pilares fictícios.

Med,long Med,transv Nc,máx. NT,máx. σC


Parede Envolvente Nsd (kN) υD≤0,40
(kN·m) (kN·m) (kN) (KN) (MPa)
Par1 máx. 32,3 564,38 -456,2 -399 855 -7,98 0,14 verifica!
Par2 máx. 587,36 18,46 -176,56 -695 871 -17,37 0,05 verifica!

Por conseguinte, no que diz respeito às disposições relativas a armaduras, presentes no regulamento
para as regiões não críticas, o Eurocódigo aconselha a que a armadura a colocar pelo projetista, se
mantenha dentro dos limites máximos e mínimos, definidos pela equação seguinte:

Y2,Ó,\•\¥ 0,002 ∙ Yƒ ≤ Y2,Ó,›§Q ≤ 0,04 ∙ Yƒ Y2,Ó,áa\¥ (5.27)

Ainda de acordo com esta cláusula regulamentar, a distância máxima, d, entre dois varões contíguos,
deverá ser a menor dos valores dados pela seguinte equação:

Œ ≤ †í®. 3 ∙ µ¶ ; 400 †† †í®. 3 ∙ 200; 400 400†† (5.28)

Paralelamente, o EC8, recomenda que nas zonas não críticas, se assegure a limitação Adicionalmente
às prescrições da EN 1992-1-1, o EC8 obriga a que, fora das zonas críticas, se garanta uma limitação
ao valor do esforço normal reduzido, e que para a altura crítica se calcule uma percentagem de
armadura longitudinal, superior a 0,5%, isto para a classe de ductilidade média. Dois varões seguidos
de armadura longitudinal, cintados por armadura transversal, não se deverão distanciar mais de
duzentos milímetros.
Os valores calculados encontram-se descritos no quadro seguinte:

94
Quadro 5.20 - Armadura calculada para os pilares fictícios.

Parede Envolvente As,v,pilar fictício As,v,pilar fictício, adotada Mrd Ρv, pilar ficiticio≤0,50%
Par1 máx. 19,66 8φ20 → 25,12 4,19% → ok!
Par2 máx. 20,03 8φ20 → 25,12 5,02% → ok!

Já no que diz respeito à armadura de distribuição adotada, foi dimensionado um valor ligeiramente
acima de As,v min, apresentando-se o referido dimensionamento no quadro seguinte:

Quadro 5.21 - Armadura adotada para a zona da alma das paredes.

Ac,alma parede As,v,mínimo As,v,alma parede


Parede
(m2) (cm2) (cm2)
Par1 0,12 2,4 8φ16 → 16,08
Par2 0,10 2,0 6φ16 → 12,06

Para terminar, confirmou-se que a armadura longitudinal calculada anteriormente, cumpria os limites
referidos na regulamentação.

Quadro 5.22 - Verificação do cumprimento das disposições regulamentares.

Parede Ac (m2) As,v,mínimo (cm2) As,v,máximo (cm2) As,v,total (cm2)


Par1 0,24 4,8 96,0 16,08 + 25,12 + 25,12 = 66,32 → ok!
Par2 0,20 4 80,0 12,06 + 25,12 + 25,12 = 62,30 → ok!

5.8.1.5 Cálculo da armadura transversal


Com o intuito de assegurar a segurança ao esforço transverso, o projetista deverá cumprir os
pressupostos expressos no regulamento, e já descritos neste documento.
Dado que a disposição da armadura transversal é horizontal, o engenheiro deverá escolher o valor
mínimo entre os dados pela resistência à rotura dos estribos e resistência ao esmagamento do betão,
devendo considerar trinta graus (valor adotado neste exercício) para a inclinação das bielas.
Mesmo que alguns elementos constituintes do núcleo dispensem a aplicação do Eurocódigo 8 no
dimensionamento das armaduras, neste exemplo de cálculo optou-se por seguir as prescrições
constantes na norma.
No que respeita às indicações do Eurocódigo 2, o projetista deverá assegurar as seguintes disposições
ao longo de todo o desenvolvimento do elemento, não distinguindo entre zonas críticas e zonas não
críticas:
• Deverá ser considerada uma armadura horizontal mínima para a parede, a dimensionar de
acordo como ponto 9.6.3 do regulamento:
êë,Ԑ¢žkÀ ¡
Y2,¤,\• †ár. { ; 0,001 ∙ Yƒ } (5.29)
™

• O valor a atribuir ao espaçamento da armadura horizontal de confinamento deverá, em toda a


altura do elemento, cumprir o limite dado pela equação seguinte, na qual ϕmín,vertical

95
corresponde ao diâmetro mínimo dos varões de armadura longitudinal na região dos pilares
fictícios e bw é a espessura da parede:

&ƒ¦,q,áa. †¼®. ൛20 ∙ ߶\•,Ó§q\ƒ¦ ; µ¶ ; 400 ††ൟ †¼®. {20 ∙ 16; 200; 400} 200†† (5.30)

Deve ser realçado que nas regiões que se encontrem a uma distância igual à maior dimensão da secção
da parede, até um valor limite de µ¶ 4 × 200 800††, respetivamente acima e abaixo de uma
viga ou laje, bem como em locais de emendas, o espaçamento obtido pela expressão anterior deverá
ser limitado por um fator de 0,6, isto é, nestas regiões o espaçamento máximo será dado por:

&ƒ¦,q,áa. 0,60 ∙ 200 120†† (5.31)

• Quanto ao valor mínimo a adotar para o diâmetro dos varões, deverá se cumprir a seguinte
expressão:

߶\•,Ó§q\ƒ¦ / â6 ††; ∙ ߶áa,Ó§q\ƒ¦ ã â6††; ∙ 20ã 5†† (5.32)


* *
™ ™

No quadro que se segue, apresentam-se os valores obtidos no dimensionamento, bem como os


espaçamentos máximos aplicados.

Quadro 5.23 - Resumo do dimensionamento da armadura de esforço transverso.

Ved As,h,mín. As,h/s As,w/s As,w/s As,w/s Vrd


Parede Envolvente As,w/s
߶12. 075
(KN) (cm2) (Vrd,s) (ramo) (adop.) (adop./ramo) (kN)

߶12. 075
mín. 18,43 12,38 0,75 12,38 12,32 15,07 6812,62
Par1
߶12. 075
máx. 322,5 12,38 0,75 12,38 12,32 15,07 6812,62

߶12. 075
mín. 9,23 24,63 1,08 24,63 12,32 15,07 6812,62
Par2
máx. 293,68 24,63 1,08 24,63 12,32 15,07 6812,62

Deve ser realçado que a armadura a colocar nas paredes foi condicionada pelo valor mínimo fornecido
pelas expressões regulamentares. Mais uma vez, seria necessário dimensionar ao corte todas as
paredes, para a direção de menor inercia. Realizar-se-ia assim uma verificação uniaxial, como se
tratasse de um pilar. Mas, e uma vez que se trata da direção menos condicionante em cada parede,
efetuou-se o dimensionamento desta ação, nos elementos nos quais esta é relevante.

96
5.8.2 DIMENSIONAMENTO DOS PILARES

Neste ponto será feito o dimensionamento dos pilares, P1, P2 e P3 considerando para cada um deles os
esforços mais desfavoráveis.

As características geométricas dos pilares encontram-se explicitadas na tabela seguinte.

Quadro 5.24 - Características geométricas dos pilares da estrutura.

Piso Pilares (hxb)


P1- 0,20x0,25m2
1 P2- 0,25x0,25m2
P3- 0,30x0,30m2

5.8.2.1 Constrangimentos geométricos


De acordo com o regulamento, e uma vez que os efeitos de segunda ordem não terão de ser tidos em
conta no presente dimensionamento, não deveremos ter em conta qualquer tipo de constrangimento
geométrico, para o pilar em causa.

5.8.2.2 Definição de zonas críticas


Segundo o EC8, o comprimento crítico de um pilar, lcr, pode ser entendido como sendo o
desenvolvimento em altura do mesmo, a contar de ambas as secções de extremidade (imediatamente
acima e abaixo de um piso ou acima da fundação), definido por:
¦À¡ ™,++
oƒ§ / †r. {ℎƒ ; ; 0,45 † } †ár. {0,30 ; ; 0,45 † } 0,45 † (5.33)
× ×

5.8.2.3 Definição dos esforços de cálculo atuantes


Os esforços de cálculo utilizados para efetuar o dimensionamento da armadura para os pilares, derivou
da distribuição da força obtida ao nível do piso pelos elementos estruturais e que se relembra no
Quadro 5.25. O esforço normal foi obtido através da área de influência de cada um dos pilares.

Quadro 5.25 - Dimensões e definição dos esforços atuantes nos pilares

B A Nsd(long) Nsd(transv) Msd(long) Msd(transv) Vsd(long) Vsd(transv)


Pilar
[m] [m] [kN] [kN] [kN·m] [kN·m] [kN] [kN]
P1 0,20 0,25 148,9 148,9 4,66 5,86 2,93 2,33
P2 0,25 0,25 247,8 287,4 3,05 3,27 1,87 1,74
P3 0,30 0,30 174 174 76,93 89,03 89,03 76,93

O dimensionamento realizado para o pilar de betão armado considerado seguiu as prescrições


constantes na EN 1992-1-1, sendo certo que foram sempre respeitadas as regras de pormenorização
preconizadas pelo EC8.

97
Neste exemplo não é possível implementar os conceitos de Capacity Design, vincada na ideia de “pilar
forte/viga fraca” já descrito, uma vez que a dimensão da viga é muito superior à dimensão dos pilares.
De referir que, segundo o regulamento, o valor do esforço normal reduzido, deverá manter-se entre os
intervalos preconizados pela seguinte expressão:
éÃ ?–å,™
0,10 ≤ «Q 0,34 ≤ 0,65 → ¯{! (5.34)
…À ∙¤À ∙ËÀà +,?,∙+,?,∙*33++

A armadura nas quatro faces dos pilares tem de respeitar os limites mínimos e máximos, 1% e 4%
respetivamente. O Pilar P1 e P2, devido à reduzida magnitude dos momentos fletores, necessitam
apenas de armadura mínima. Assim em ambos os pilares considerando a armadura mínima e a
imposição de pelo menos 3 varões por face, colocam-se 8φ10 em cada pilar (As = 9.05cm2). Para o
pilar P3 considera-se 6φ25 (As = 29.45cm2) ou 16 φ16. Esta última opção levaria a uma elevada
densidade de armadura prejudicando a qualidade da betonagem.

Assim teremos como solução adotada: O Momento fletor máximo em cada direção é calculado com a
armadura colocada e considerando o esforço axial que maximiza a capacidade resistente do pilar.

Considerando a altura do pilar

B A Armadura Mrd, (transv) Mrd, (long)


Pilar
[m] [m] kN.m
P1 0,20 0,25 8φ10 23 31
P2 0,25 0,25 8φ10 35.5 35.5
P3 0,30 0,30 6φ25 156 156
A verificação do esforço transverso apenas se fará para o pilar P3, dado o reduzido valor de esforço
transverso dos pilares P1 e P3. Assim considerando o vão livre o pilar P3, lcl = 2m e o coeficiente de
sobrerresistência para pilares de estrutura DCM γ0 = 1.1.

2 ∙ 156
¨Q ¨ 1.1 171.6{7
2

De acordo com o EC2, o valor máximo do esforço transverso é menor dos dois valores calculados
pelas expressões seguintes:

20
ك¶ µ¶ îߥ*ËÀà 1 ∙ 300 ∙ 0.9 ∗ 250 ∙ 0.6 Ö1 − Ø! 13.33
¨Q,a 250 248337.97 ≈ 248{7
:¯ï  + ï :¯ï 45° + ï45°

Y2¶ ¨Q,2 171600 1.75††? 17.6:†?



& îÑb¶Q :¯ï 0.9 ∙ 250 ∙ 435 ∙ :¯ï45° †† †

3߶8//0.25

A opção dos 3 ramos foi condicionada pela limitação afastamento de varões travados de 200mm. Nas zonas
críticas é necessário respeitar os limites para os afastamentos:

µ¥ 30
& †¼® ‚ ; 8Œ…g ; 17.5ൠ †¼® ‚ ; 8 ∙ 2.5; 17.5ൠ 15:†
2 2

98
8φ25

125

125 cintas
φ8//0.15

300

Figura 5.9 – Secção transversal do pilar na zona crítica.

Por fim, falta verificar o confinamento na base do pilar.

µƒ
∝ ߱¶Q / 30Íఝ ߥQ Ï2b,Q − 0.035 / 0.08
µ¥
µ\? 8 ∙ 125?
‫ۓ‬ ∝• 1 − ෍ 1− 0.667
ۖ 6µ+ ℎ+ 6 ∙ 250 ∙ 250
∝ ∝• ∝2 & & & & 0.15 0.15
‫∝۔‬2 Æ1 − È Æ1 − È Æ1 − È Æ1 − È Æ1 − È Æ1 − È 0.49
ۖ 2µ+ 2ℎ+ 2µ+ 2ℎ+ 2 ∙ 0.25 2 ∙ 0.25
‫ە‬

∝ ∝• ∝2 0.667 ∙ 0.49 0.327

Cálculo do volume de cintas em cada secção transversal:

¨ƒ\•q2 ÑbQ 250 ∙ 6 ∙ 50 435


߱¶Q / 0.392 / 0.08 ܱp!
¨núcleo de betão уQ 250? ∙ 100 13.33

µƒ 300
Í∅ 4.6; ߥQ 0.34; Ï2b,Q 0.002175; 1.2
µ¥ 250

µƒ
∝ ߱¶Q / 30Í∅ ߥQ Ï2b,Q − 0.035
µ¥

0.327 ∙ 0.392 / 30 ∙ 4.6 ∙ 0.34 ∙ 0.002175 ∙ 1.2 − 0.035

0.128 / 0.087 ܱp!

99
100
6 BIBLIOGRAFIA
Para a realização deste documento, foram consultados os elementos bibliográficos que se enunciam de
seguida:
[1] Saatcioglu, M.; Gardner, N.J.; Ghobarah, A. - The Kocaeli earthquake of August 17, 1999 in Turkey
(http://www.genie.uottawa.ca/profs/murat/KocaeliEQ.html), 1999.
[2] EASY - (http://www.ikpir.fgg.uni-lj.si/easy/tour.htm) - Earthquake engineering slide information system,
1997.
[3] KOERI - Izmit earthquake (Turkey) - Kandilli Observatory & Earthquake Research Institute, Boğaziçi
University, Istanbul - (http://www.eas.slu.edu/Earthquake_Center/TURKEY/), 1999.
[4] Bertero, V.V. (1982) - State-of-the-art in seismic resistant construction of structures - 3rd International
Earthquake Microzonation Conference, University of Washington, Seattle, Washington, Vol. II, pp. 767-
805.
[5] Aschheim, M. - The Izmit (Kocaeli) earthquake of 17th August 1999: Preliminary observations - EERI
Reconnaissance Team - Mid-America Earthquake Center - University of Illinois at Urbana-Champaign,
2001.
[6] FEMA-274 - NHERP Commentary on the guidelines for the seismic rehabilitation of buildings - Federal
Emergency Management Agency, Applied Technology Council, Washington, DC, October 1997.
[7] Moehle, J.P.; Mahin, S.A. - Observations on the behaviour of reinforced concrete buildings during
earthquakes - ACI publication SP-127, Earthquake-Resistant Concrete Structures: Inelastic Response and
Design - Ghosh, S.K. (ed.), 1991.
[8] Paulay, T.; Priestley, M.J.N. - Seismic design of reinforced concrete and masonry buildings - John Wiley &
Sons, Inc., ISBN 0-471-54915-0, 1992.
[9] Pinto, A.V. - “Introduction to the European research projects in support of Eurocode 8”, Proceedings of the
11th European Conference on Earthquake Engineering, Paris, France, Rotterdam A.A. Balkema, 1998.
[10] Rodrigues, H.; Varum, H.; Costa, A. - Numeric model to account for the influence of infill masonry in the
RC Structures Behaviour - Congreso Métodos Numéricos en Ingeniería, Granada, Espanha, 2005.
[11] RSA 2005. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. Decreto
de Lei nº235/83 de 31 de Maio. Porto Editora. Porto.
[12] REBAP
[13] European Standard 1998-1 (2004). Eurocode 8 - Part 1. CEN Bruxelas.
[14] Silva, M. S. Ferreira. – Reabilitação e reforço de estruturas. Aplicação a um caso prático.
Trabalho efetuado no âmbito do PRODEC para a disciplina de Reabilitação e Reforço de
Estruturas, FEUP, 2012.
[15] Sampaio, Joaquim C. Patologia dos Materiais: Conservação e Reabilitação de Edifícios. FEUP.
Porto. 1995.
[16] Azevedo, J.; et al. Análise Sísmica de Estruturas com o Auxilio de Programas de Cálculo
Comerciais. SÍSMICA 2007. FEUP. Porto. 2007
[17] Azevedo, J. Caracterização da acção sísmica. Capítulo 4 do Livro “Sismos e Edifícios”. p.p. 181-
183. Editor Mário Lopes. Edições Orion. 2008.
[18] Romãozinho, Manuel Francisco Bacelar de Ornellas Ruivo. Dimensionamento para a Acção do
EC8: Análise das Prescrições da EN Práctico.1998-1 Aplicadas a Estruturas de Edifícios de Betão
Armado com Recurso a um Exemplo Práctico. Dissertação para obtenção do grau de Mestre em
Engenharia Civil. IST. Lisboa. 2008.
[19] European Standard 1991-1-1 (2002). Eurocode 1, Part 1-1. CEN Bruxelas.
[20] European Standard 1992-1 (2004). Eurocode 2, Part 1-1. CEN Bruxelas.

101
Outras referências recomendadas:
[21] Reis, A.; Farinha, M.; et al. Tabelas Técnicas. Edições Técnicas. Lisboa.
[22] Lima, J. D´Arga e; Monteiro, Vitor; Mun, Mary. Betão Armado: Esforços Normais e de
Flexão (REBAP-83). LNEC. Lisboa. 2004.
[23] Azevedo, J. Caracterização da acção sísmica. Capítulo 4 do Livro “Sismos e Edifícios”. pp.
181-183. Editor Mário Lopes. Edições Orion. 2008.
[24] Alfaiate, Jorge. Reforço e Reparação de Estruturas de Betão Armado com Resinas Epóxy e
Elementos Metálicos. IST. Lisboa. 1986.
[25] Appleton, Júlio. Reparação e Reforço de Estruturas. IST. Lisboa. 1986.
[26] Souza, Regina. Reforço com Encamisamento de Betão Projectado. Curso de Patologia,
Reabilitação e Manutenção de Estruturas e Edifícios. IST. Lisboa. 1986.
[27] Castro, José; Martins, João Guerra. Patologia do Betão, Reparação e Reforço de Estruturas.
Porto. 2006.
[28] Coelho, Florentino Miguel Luz Coelho. Análise e Dimensionamento à Acção Sísmica:
Aplicação a um Caso Práctico. Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Engenharia
Civil. IST. Lisboa. 2010.
[29] Fernandes, Ana Isabel Carvalho. Avaliação da Segurança Sísmica de Edifícios Existentes no
Contexto do Eurocódigo 8. Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do
grau de Mestre em Engenharia Civil – Especialização em Estruturas. FEUP. Porto. 2008.
[30] Dias, Carlos Manuel Martins. Dimensionamento Sísmico de Edifícios de Acordo com o
Eurocódigo 8 e Avaliação do seu Comportamento. Dissertação submetida para satisfação
parcial dos requisitos do grau de Mestre em Engenharia Civil – Especialização em Estruturas.
FEUP. Porto. 2008.
[31] Gomes, José Mário Moreira Andrada. Dimensionamento Sísmico de Edifícios Hospitalares
Segundo o Eurocódigo 8. Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau
de Mestre em Engenharia Civil – Especialização em Estruturas. FEUP. Porto. 2009.
[32] Freitas, Raquel Gabi Oliveira. Estudo Numérico do Impacto da Nova Acção Sísmica Prevista
no Eurocódigo 8 Para o Comportamento de Edifícios na Região Norte de Portugal.
Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de Mestre em Engenharia
Civil – Especialização em Estruturas. FEUP. Porto. 2008.
[33] Reis, A.J. Dimensionamento de Estruturas. IST. Lisboa. 2001.
[34] Carvalho, E. C. Anexo Nacional do Eurocódigo 8 – Consequências para o Dimensionamento
Sísmico em Portugal. SÍSMICA 2007. FEUP. Porto. 2007.
[35] Dias, H. Comparação do RSA com o Eurocódigo 8 – Dimensionamento de Pilares, Vigas e
Paredes de Betão Armado. Dissertação de Mestrado. IST. Lisboa. 2007.

102
ANEXO I
Tabelas de pormenorização de vigas e Pilares
Quadro: Requisitos de dimensionamento e pormenorização de vigas
REBAP Eurocódigo 8
Ductilidade Normal Ductilidade Melhorada DC L DC M DC H
Aço das classes de
Aço das classes de ductilidade B e C Aço da classe de ductilidade C
Aço ductilidade B e C
(EN 1992-1-1) (EN 1992-1-1)
(EN 1992-1-1)
Betão ≥ C16/20 ≥ C20/25
Esforço transverso obtido por
Esforços de Esforço transverso obtido por equilíbrio de Esforço transverso obtido por equilíbrio de
Análise estrutural equilíbrio de momentos nos extremos Análise estrutural
cálculo momentos nos extremos momentos nos extremos e γrd = 1.20
e γrd = 1.25
Capacidade Igual ao EC2, mas com θ = 45º, quando se
resistente em prevê uma inversão quase total dos esforços
Vcd ≠ 0 Vcd = 0 Igual ao EC2 Igual ao EC2
esforço transversos deverão colocar-se armaduras
transverso inclinadas nas duas direções
bmin = 20cm b ≥ 20cm
bw ≤ min {bc + hw ; 2bc}
Dimensões l/h ≥ 4 bw ≤ min {bc + hw ; 2bc}
b≥¼h b≥¼h
Zona crítica 2d 2d hw hw 1.5·hw
% de armadura ρmin = 0.25 (A235) ρmin = 0.25 (A235) 0.26уq 0.5уq 0.5уq
”2 / 0.13 Y2 Y2
Ñbx Ñbx Ñbx
longitudinal ρmin = 0.15 (A400) ρmin = 0.15 (A400)
mínima ρmin = 0.12 (A500) ρmin = 0.12 (A500)
Armadura Amin,inf = 0.25 Amax,inf Amin,sup = 0.25 Amax,sup
longitudinal Amin,inf = 0.25 Amax,inf Ainf ≥ 0.5 Asup Ainf ≥ 0.5 Asup Ainf ≥ 0.5 Asup
mínima Amin = 2φ12 Amin = 2φ14

ℎ¶
Armaduras dbw≥6mm
”¶,\• 0.16  0.08 % ”¶,\• 0.20  0.10 %
ℎ¶ & †¼® ‚ ; 24Œ…¶ ; 17.5; 6µ…¦ ൠ :†
dbw≥6mm
& †¼® ‚ ; 24Œ…¶ ; 22.5; 8µ…¦ ൠ :†
transversais
¶ ≤ †¼®{0.3ℎ¶  0.9, 20  30 :†} ¶ ≤ †¼®{0.25 ∙ ℎ¶ , 15 :†} 4
dbw≥6mm
4
nas zonas
críticas
7.51 + 0.8ߥQ  уq 6.251 + 0.8ߥQ  уq
≤ ≤
”ᇱ ÑbQ ”ᇱ ÑbQ
Amarração dos
1 + 0.5 1 + 0.75
nós interiores
dbl/hc ”a ”a
уq уq
≤ 7.51 + 0.8ߥQ  ≤ 6.251 + 0.8ߥQ 
Amarração dos
ÑbQ ÑbQ
nós exteriores
dbl/hc
Quadro: Requisitos de dimensionamento e pormenorização de pilares
REBAP Eurocódigo 8
Ductilidade Normal Ductilidade Melhorada DC L DC M DC H
Msd a partir do equilíbrio do Mrd das vigas Msd a partir do equilíbrio do Mrd das vigas
Msd a partir do equilíbrio do Mrd das
do nó. (γrd = 1,30) para estruturas em do nó. (γrd = 1,30) para estruturas em
Esforços de vigas do nó. Vsd a partir do
Análise Estrutural Análise Estrutural pórticos e mistas equivalentes a pórtico Vsd pórticos e mistas equivalentes a pórtico Vsd
cálculo equilíbrio de Mrd nos extremos do
a partir do equilíbrio de Mrd nos extremos a partir do equilíbrio de Mrd nos extremos
pilar
do pilar (γrd = 1,10) do pilar (γrd = 1,20)
b > 0,1*hv se θ = Pd/(Vh) > 0,1
Dimensões bmin = 20cm bmin = 30cm b > 0,1*hv se θ = Pd/(Vh) > 0,1
b > 25cm
oƒ oƒ¦ oƒ¦
oƒ§ †r ‚ℎƒ , ൠ oƒ§ †r ‚ℎƒ ; ; 0,45 ൠ oƒ§ †r ‚1,5ℎƒ ; ; 0,60 ൠ
6 6 6
Zona crítica
Esforço axial
máximo 0,60 - 0,65 0,55
normalizado
+,*éಶÃ
% de armadura
ρmin = 1% ρmin = 1%
ρmin = 0.40% (A235) ρmin = 0.80% (A235) ρmin = ê$ ËsÃ
longitudinal ou 0,2%
mínima
ρmin = 0.30% (A400 e A500) ρmin = 0.60% (A400 e A500)
% de armadura
longitudinal ρmax =8% ρmax =6% ρmax =4% ρmax =4% ρmax =4%
máxima
1 varão intermédio nas faces de 1 varão intermédio nas faces de
Mínimo de 3 varões por face Mínimo de 3 varões por face
Disposições de b>40cm b>40cm
Distância máxima entre varões travados: Distância máxima entre varões travados:
armaduras Distância máxima entre varões Distancia máxima entre varões
20cm 15cm
travados: 30cm travados: 30cm
µƒ
∝ ߱¶Q 30Íఝ ߥQ Ï2b,Q − 0,035 / 0,08
Confinamento
zonas críticas µ¥

µƒ µƒ
Confinamento
∝ ߱¶Q 30Íఝ ߥQ Ï2b,Q − 0,035 / 0,08 ∝ ߱¶Q 30Íఝ ߥQ Ï2b,Q − 0,035 / 0,12
zonas críticas
na base dos µ¥ µ¥
pilares
ÑbQ
Œ…¶ / 6†† [8†† &m Œ…g / 25††]
Œ…¶ / 6†† Œ…¶ / 6†† Œ…¶ / 0,4 ∙ ц¼®, o¯® ∙ ඨ
Armaduras
Œ…¶ / 8†† ] µ¥ Ñb¶Q
&
transversais
& †¼®{12Œ…g ; 30} cm) & †¼®{12Œ…g ; 10} :† & †¼® ‚ ; 8Œ…g ; 17,5ൠ :†
†¼®{µ¥ ; 15Œ…g ; 30} :† 2 µ¥
nas zonas
& †¼® ‚ ; 6Œ…g ; 12,5ൠ :†
3
críticas