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3 APRESENTAÇÃO
4 UNIDADE 1 - Comunicação e Informática na Educação a Distância (EAD)
11 UNIDADE 2 - Tecnologias de Comunicação e Informática na Educacao a Distância: Desafios
15 UNIDADE 3 - Comunicação, Linguagens, Tecnologias e Informação na Educação
27 UNIDADE 4 - A Educação no Mundo da Comunicação e da Informação
31 UNIDADE 5 - A Melhoria do Processo ee Ensino e Aprendizagem a partir e a Utilização e as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)
40 UNIDADE 6 - Comunicação e Interação Entre Professores/Tutores e Estudantes na Educação a Distância (EAD)
46 UNIDADE 7 - Glossário de Termos-Chave na Perspectiva de Vários Autores
48 REFERÊNCIAS

SUMÁRIO
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APRESENTAÇÃO

Caro aluno, mento, mas as questões básicas que colo-


cam em cheque o sistema educacional, ainda
É início de um novo milênio e, com ele, no-
continuam sendo as mesmas. Por isso, discu-
vos tempos se descortinam. Pensando nisso
tiremos a internalização dessas tecnologias
e na Revolução que se vislumbra no hori-
pela educação, suas novas linguagens e pa-
zonte, buscamos acompanhar esses novos
radigmas.
tempos, atendendo às demandas contem-
porâneas de novos pensamentos e novas Esperamos contribuir para a absorção
tendências educacionais. dessas temáticas, bem como, possibilitar
uma visão crítica das mesmas e suas aplica-
Nessa perspectiva, criou-se a disciplina
ções na Educação brasileira.
“Comunicação e Informática na Educação a
Distância” por se acreditar, ser esta, a moda-
lidade do futuro que se constrói neste mo-
mento.

Para tanto, elegemos alguns temas para


debate e análise, posto que, a humanidade
vive um momento histórico especial onde a
presença dos meios eletrônicos de comuni-
cação e informação é marcante em todos os
âmbitos permitidos pelas novas Tecnologias
de Informação e Comunicação (TIC) e seus
desafios.

Vive-se um processo de informatização


da sociedade, fortemente articulado com
todos os sistemas midiáticos de comunica-
ção, que não se estabelecem como se fos-
sem apenas mais uma atualização dos meios
tradicionais de comunicação, de informação,
de envio de dados, de sons e imagens, mas,
constituem-se nos elementos estruturan-
tes de uma nova forma de ser, pensar e viver.

Tem-se, então, uma nova razão, um mun-


do novo, que às vezes pode ser mais e outras
vezes menos maravilhoso, sendo instituído e
instituindo essas novas tecnologias.

Nesse ínterim, pode-se mapear alguns


elementos característicos deste novo mo-
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UNIDADE 1 - Comunicação e Informática
na Educação a Distância (EAD)
Nota-se que em apenas uma geração, a desses recursos na educação seja uma ga-
humanidade vive transformações equiva- rantia de que se esteja fazendo uma nova
lentes a muitos séculos. educação, uma nova escola para o futu-
ro, muito pelo contrário, vê-se que esta
Ao iniciar este novo milênio, a huma-
incorporação relaciona-se, basicamente,
nidade vive um momento histórico espe-
como ferramentas instrumentais, como
cial, com uma presença generalizada dos
uma pura e simples introdução de novos
meios eletrônicos de comunicação e in-
elementos considerados mais modernos,
formação permitidos pelas novas Tecno-
como computadores portáteis e projeto-
logias de Informação e Comunicação (TIC),
res, porém, continuam-se as velhas práti-
como o surgimento e evolução: da Inter-
cas educativas.
net, da TV Interativa, dos computadores
de última geração (muito mais velozes) e Faz-se mister uma integração mais efe-
do avanço dos celulares como verdadeiros tiva entre a comunicação, seus novos me-
minicomputadores, fazendo do desenvol- canismos e a educação. Percebe-se que
vimento dessas tecnologias algo quase isso só se dará quando esses novos meios
que incontrolável. estiverem presentes como fundamentos
dessa nova educação e não apenas como
Contemporaneamente, novos valores
novas ferramentas de trabalho. Dessa
vão surgindo, colocando a modernidade
forma, os novos valores desta sociedade,
em seu limite histórico. Uma nova ciência
ainda em construção, serão fatores pre-
começa a ser criada, baseada em um outro
sentes e integrantes dessa nova escola,
logos, não mais operativo, mas que tem na
dessa vez, porém, com futuro e para o fu-
globalidade, na interatividade e na inte-
turo.
gridade seus focos e vetores mais funda-
mentais. Sendo assim, a escola estará presen-
te, e sendo participante da construção de
E, é nesse contexto que o sistema edu-
uma nova sociedade que se vislumbra, a
cacional se encontra e tem razão de ser,
partir e através das TIC, não permanecerá
dentro da perspectiva de seus processos
resistindo aos velhos valores em declínio
metodológicos, e se justificativa levando
ou, talvez o pior, como mera espectadora
em conta, em seus processos didático-
dos novos valores em ascensão, sem ao
-pedagógicos, a natureza e as especifi-
menos questioná-los ou tentar internali-
cidades deste mundo de comunicação e
zá-los.
informação. Porém, observa-se os novos
recursos da comunicação e informação Educação e Comunicação devem cami-
– destacado aqui, o vídeo e a TV – sendo nhar juntas, a partir da inclusão da Tecno-
incorporados a partir de uma perspectiva logia Educacional na prática educacional,
instrumental, como apenas mais um re- utilizando-se da Tele-educação, da In-
curso didático-pedagógico. Não se pode formática, do Vídeo Educativo, do CD, do
pensar que a pura e simples incorporação DVD e de todos os multimeios, conforme
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a visão de Nelson De Luca Pretto (2007), ma, dá a dimensão do equívoco das políti-
possíveis e utilizáveis para que a apren- cas públicas e do tamanho do desafio para
dizagem ocorra de forma satisfatória e o governo. Trabalha-se de forma intensa,
agradável. em vigilância permanente, para que essas
políticas sejam modificadas urgentemen-
E assim, advém o computador e sua in-
te. Porém, não resta a menor dúvida: ain-
serção na sala de aula. Este é o tema em
da se investe muito pouco em conexão no
voga no momento: a discussão acerca da
país.
presença de computadores nas escolas e
a situação da Internet no Brasil. Fala-se Para o mesmo autor, citado anterior-
da importância dessas tecnologias e até, mente, começam a surgir os famigerados
legalmente, já existem políticas públicas portais para dar apoio ao trabalho dos
específicas para a introdução das TIC. A professores. Portais com materiais didá-
conexão com a Internet virou a menina ticos elaborados de forma nada democrá-
dos olhos de todos, professores, acadê- tica e centralizada, distribuídos de cima
micos e políticos e, até a Lei Geral das Te- para baixo. Os computadores continuam
lecomunicações, de 1997, criou um fundo a chegar, via políticas públicas ou progra-
especial para viabilizar isso – Fundo de mas televisivos. As escolas passam a ser
Universalização dos Serviços das Teleco- equipadas ou entulhadas de máquinas,
municações (FUST) – que até agora não mas o sistema educacional, em primeira
pode ser usado por conta das questões e última instância, permanece o mesmo:
jurídicas e políticas que estão envolvidas vertical; exageradamente centralizado;
na questão. Discute-se tanto na possibi- hierárquico; burocrático. Uma escola com
lidade de milionários negócios para as in- cara de moderna, porém, continua “uma
dústrias, como um forte impacto nos sis- velha escola velha”, ou quem sabe, pós-
temas escolares. -moderna. E, nota-se que os professores
são e sentem-se culpados, posto que, são
Percebe-se que as conexões e os co-
culpados por este velho fazer.
nectados vêm aumentando seu percen-
tual, porém, apenas 13 milhões de brasi- Os professores são acusados de desâ-
leiros, de um total de quase 168 milhões, nimo e da falta de interesse em usar as
estão conectados e esse crescimento tem TIC, porém, esse discurso é o mesmo dos
se dado nas classes sociais menos favore- anos 80, quando o debate ocorria em tor-
cidas (C, D e E). Também, de acordo com os no do livro didático, os editores diziam que
números médios, temos mais de 35% de faziam livros ruins porque era essa a de-
escolas do ensino médio e 6,7% do ensino manda dos professores. Isso era a descul-
fundamental conectadas. Parece um qua- pa para se ter livros de tão baixa qualida-
dro animador, se não estivéssemos falan- de e aulas muito ruins. Porém, os mesmos
do em médias. livros de baixa qualidade são distribuídos
ainda hoje, haja vista o escândalo ocorrido
Segundo Pretto (2007), na hora em que
com o governo de São Paulo, em março de
se observa o que de fato está acontecen-
2009, quando foram detectados e publi-
do no interior de cada escola, vê-se uma
cados em todos os meios de comunicação,
situação lamentável e que, de certa for-
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os absurdos contidos nos livros de Geo- deve ser considerado. É preciso acabar
grafia, História e Ciências daquele estado com essa nova história de dizer que ele é
e distribuídos para todas as escolas pú- o centro das resistências às transforma-
blicas. Desculpas esfarrapadas para que ções. O professor quer é condições de tra-
não se enfrente o problema: o necessário balho e de formação, básica e continuada,
fortalecimento da escola e do professor; por isso, as políticas não podem prescindir
visto que não ocorrerão mudanças subs- de uma fortíssima articulação com as Uni-
tanciais enquanto o centro das políticas versidades e Faculdades que formam os
públicas não forem a escola e seus pro- professores, sobretudo, as públicas que
fessores. se constituem num arsenal de mão-de-
-obra qualificada para enfrentar coletiva-
Se não forem dadas as condições ade-
mente essa mudança. Sem dúvida, exis-
quadas, os professores não terão como
tem muitos problemas nas Universidades,
enfrentar esse enorme desafio. É neces-
mas, também isso, precisa ser enfrentado
sário políticas públicas que considerem os
e essa pode ser mais uma das formas de
professores diferentes entre si e entre
o fazer. E, novamente aqui, o que se pre-
todos, como sujeitos capazes de liderar
cisa é de projetos diferenciados e não de
todo o processo escolar. Caso isso não seja
projetos gestados em gabinetes e distri-
feito, não adianta distribuir parâmetros,
buídos para serem seguidos Brasil afora.
vídeos, computadores, livros, conexões
virtuais, internet ou parabólicas. Precisa- Sendo assim, está na hora de acabar ou
-se, imediatamente, de professores bem mudar essa história de que é preciso me-
pagos e continuamente formados, como lhorar a autoestima do professor. Precisa-
também de escolas bem equipadas e, -se de mudar a forma como o profissional
principalmente, conectadas para que, em da educação é colocado dentro do proces-
rede, articulando-se uns com os outros, so educacional. Se a escola fosse inserida
possam os professores montar uma ver- na comunidade e atuasse com esta de for-
dadeira cruzada de transformação radical ma integrada, se o professor tivesse bom
da educação em nosso país. Mais ainda, salário e tempo para comer, ler, namorar,
necessita-se de projetos e políticas que conversar com filhos, passear, estudar, se
fortaleçam os locais, as regiões, e não que divertir, entre outros, a autoestima ocor-
sejam elaborados por especialistas ilu- reria naturalmente.
minados e distribuídos em broadcasting
Urge mudar o rumo das coisas, caso
para o conjunto dos brasileiros que estão
contrário, em breve haverá muitas escolas
na escola e fora dela.
conectadas, mas não para promover inte-
Na visão de Pretto (2007) e Arroyo rações, e sim para oferecer, a distância,
(2004), currículo se faz na escola, por cursos de autoajuda e autoestima para
aqueles que fazem o cotidiano escolar e, professores feridos em seus sentimentos
corrobora com esse posicionamento Mary porque foram e estão sendo desrespeita-
Arapiraca, vice-diretora da Faculdade de dos profissionalmente. A Internet na edu-
Educação da UFBA. Ambos afirmam que cação no Brasil está apenas começando,
o professor é um profissional e como tal porém, é preciso mais, muito mais!
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Em dezembro de 1999, o Governo Fe- processo de construção do programa e a


deral lançou o Programa Sociedade da In- preocupação governamental no que tan-
formação cujo objetivo foi o de construir ge à elaboração de uma política de inser-
um documento inicial – conhecido inter- ção, levando em conta as mudanças que
nacionalmente como Livro Verde (Green acontecem no mundo em função da pre-
Book) – que, após a sua publicação, ocor- sença generalizada das TIC.
rida em setembro de 2000, pudesse ser
Pode-se perceber uma enorme dificul-
amplamente discutido pela sociedade
dade no sentido de conceituação das TIC,
brasileira, através de audiências públicas,
em todo o processo de discussão, e tam-
congressos, conferências e discussões
bém de redigir o programa, o que, pode
em associações, sindicatos, federações,
ser facilmente percebido nas publicações
empresas, universidades, escolas, enfim,
contidas no site
em todos os espaços sociais.
Torna-se visível, desde a primeira ver-
Esse lançamento gerou debates em
são do Livro Verde, essas dúvidas de con-
todos os setores da sociedade, porém,
ceitos e fatos, o que se pode perceber,
será abordado aqui, o debate acadêmico
desde a página de abertura, a qual con-
e seus resultados para a educação brasi-
têm a seguinte frase: "assistir televisão,
leira, haja vista, ser esse o objetivo desta
falar ao telefone, movimentar a conta no
disciplina: a comunicação e a informática
terminal bancário e, pela Internet, verifi-
na educação a distância.
car multas de trânsito, comprar discos ou
O Programa Sociedade de Informação o que quiser, trocar mensagens com o ou-
possui um site na Internet e neste, mais tro lado do planeta, pesquisar e estudar
informações poderão ser obtidas. Está são hoje atividades cotidianas, no mundo
disponível em: <http://www.socinfo.org. inteiro e no Brasil, também, como não po-
br/.> Acesso em 1 mar. 2009. deria deixar de ser."(p. 3 Livro Verde - grifo
de Pretto e da autora).
Dentre os debates que surgiram e se
frutificaram sobre o tema, Pretto (2000) Pretto da UFBA e Leonardo Lazarte, da
escreve sobre o que seria essa socieda- UnB, coordenaram o Grupo de Trabalho
de da informação, indagando: “mas (...) sobre Educação e, desde o início, comba-
que sociedade?!” e nesse mesmo artigo, o teram fortemente essa abertura já que
autor argumenta sobre a implementação ela não representa a realidade brasileira
desse projeto dentre centenas de profis- e muito menos serem essas as atividades
sionais, como políticos, administradores cotidianas neste nosso país de tantas di-
públicos, acadêmicos, empresários, lide- ferenças econômicas e sociais. Os autores
ranças comunitárias, entre outros, para também questionaram a necessidade de
produzir um documento inicial que defi- considerar que esse programa deveria es-
nisse as bases para a inserção do país na tar centrado numa lógica diversa daquela
chamada Sociedade da Informação. imposta pela economia e pelo mercado
internacional. Um programa como esse,
Como tantos outros estudiosos que de-
mais do que um projeto específico para a
bateram a questão, Pretto relata todo o
chamada sociedade da informação, tinha
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que ser entendido como sendo um verda- Setor (RITS) e um dos integrantes do GT
deiro projeto de sociedade. Educação.

E, nesse sentido, Pretto (2000) ques- Nele, o autor analisa os dados e relata
tiona a “concepção de sociedade que te- que, “menos de 6% dos municípios bra-
mos e que queremos que deverá presidir sileiros têm provedores de acesso local
qualquer ação nessa área”. Essa discussão à rede Internet e o número de brasileiros
sobre que sociedade se tem no Brasil le- conectados é muito baixo, não chegando
vantou a questão da necessidade de um a 7%”, porém, adverte que, apesar disso,
programa de governo, baseado em uma “a grande maioria pertencente às classes
política pública de inclusão, que buscasse mais abastadas”. Podemos dizer que na-
resolver ou, pelo menos, atenuar as desi- quele momento, esses números nos per-
gualdades existentes e visíveis no país e mitem alicerçar a ideia da “chamada info-
que, ao tratar de questões como o uso das exclusão ou exclusão digital”, contida nos
tecnologias na educação e fora dela, não documentos oficiais, do governo brasilei-
criasse mais uma, que seria a exclusão a ro, ao se dirigir a este tema, e coloca em
elas. pauta o maior problema, neste caso que é,
conforme Afonso, no mesmo texto: “como
Pretto analisa e adverte que esse pro-
aumentar a presença de toda a população
grama esteve preocupado com a moder-
brasileira na Sociedade da Informação?”.
nização do governo em desenvolver pro-
postas para uma administração virtual Pode-se perceber que essa exclusão
através do uso da eletrônica e da informá- poderá aumentar se não houver mudança
tica. na política governamental, permanecen-
do “a lógica excludente, como acontece
Sobre o mesmo programa, Pretto afir-
com todas as demais políticas brasileiras
ma que, também esteve “preocupado com
para a área social”. Nesse sentido, Carlos
o desenvolvimento e a automação das li-
Afonso sugere os Telecentros.
nhas de produção, do sistema bancário,
dos transportes, do comércio”. E julga não Na Faculdade de Educação da UFBA,
ser possível imaginar que haja possibili- foram criados os Ciberparques, ligados ao
dade de “esquivar-se dessas e de tantas sistema público de educação (demais in-
outras questões” mas, clareia, “o que pre- formações podem ser obtidas no endere-
cisa presidir essas iniciativas e políticas é ço: www.ufba.org.br).
a busca da construção de uma sociedade
Além da inclusão, é necessário discutir
menos injusta”.
também, a alfabetização digital, aventada
Ao especificar o uso da Internet, Pretto por Bonilha, no mesmo veículo de infor-
diz que “os dados são assustadores e bem mação.
demonstrados, tanto no próprio Livro
Discute-se, atualmente, a importância
Verde como também no excelente artigo
da inclusão digital e as ferramentas ne-
‘Internet no Brasil: o acesso para todos
cessárias para que ela ocorra. O governo
é possível?’" de Carlos A. Afonso, diretor
trabalha nesse sentido ao criar o projeto
da Rede de Informações para o Terceiro
“um computador por aluno”, já colocado
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em prática em alguns estados da federa- no atual governo, ao incentivar o uso do


ção, tais como Rio de Janeiro, Rio Grande computador nas escolas e o investimen-
do Sul, entre outros. Porém, antes desse to realizado na compra dos mesmos pelos
projeto atual, vários outros foram ten- professores, por um preço mais acessível.
tados, mas não obtiveram os resultados
Esse conceito é melhor explicitado no
esperados e, entre eles, analisaremos o
capítulo que trata da temática da Univer-
Livro Verde, pelo qual investiu-se na al-
salização de Serviços para a Cidadania, no
fabetização digital, como a habilidade ne-
qual está relatado ser imprescindível pro-
cessária para que a população possa fazer
mover a alfabetização digital, de maneira
uso das TIC, mas não precisou muito bem
a proporcionar a aquisição e internaliza-
qual o significado desse termo, pois no
ção de habilidades e técnicas básicas para
capítulo que trata da Educação na Socie-
o uso de computadores e da Internet,
dade da Informação, isso não fica muito
competências que, com certeza, aumen-
claro. Nele é relatado que:
taram as possibilidades desse cidadão no
a alfabetização digital precisa ser mercado de trabalho. Sendo assim, ser
incentivada e fomentada em todos alfabetizado digital é ser usuário de ser-
os níveis de ensino por meio da mu- viços oferecidos pelas TIC, como caixas
dança curricular, fazendo parte da eletrônicos de bancos.
capacitação desejada para atuar no
O Programa tinha como meta que 20%
âmbito do uso dessas ferramentas
dos brasileiros atingissem “um nível de
tecnológicas, sendo que para atuar
alfabetização digital mínimo, até 2003”,
no âmbito da aplicação e geração,
porém, isso não ocorreu até o ano de
outras competências tornam-se ne-
2008, quando foram realizadas as últi-
cessárias. Em um quadro destaque
mas pesquisas a respeito. Mas, “o que é
dá a entender que alfabetização di-
mesmo um nível de alfabetização digital
gital é um processo somente de com-
mínimo?”, pergunta Bonilha, no mesmo
preensão de informações. Apesar do
texto já citado anteriormente. No texto
meramente (termo utilizado literal-
do Livro Verde, há indicação da oferta de
mente no texto), ligar alfabetização
“treinamento básico para que a população
à compreensão.(LIVRO VERDE, p. 43)
pudesse adquirir essa habilidade, nesse
Bonilha adverte, no mesmo texto que “é curto espaço de tempo”.
necessário salientar o destaque correlato
Muitas autoridades no assunto, tais
à condição necessária para que aumente
como Pretto, Bonilha, entre outros, suge-
o grau de penetração das novas tecnolo-
riram o oferecimento de (auto)aprendiza-
gias na sociedade brasileira”, salientando
do de noções básicas de uso de serviços
a necessidade de “aumentar drastica-
de informática, Internet, etc., disponíveis
mente o nível de alfabetização digital do
a custo zero (em vídeo e/ou na rede), cur-
País, de forma que esta sociedade esteja
sos livres, presenciais e a distância, testes
mais bem preparada para as mudanças em
de habilitação reconhecidos pelo merca-
curso”.
do, como formas de promover essa "alfa-
Percebe-se que isso já vem sendo feito betização" a toque de caixa.
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O ser humano tem capacidade de se ex-


pressar, produzir conhecimento e ciência,
ser crítico e criativo na produção e gera-
ção de informação, com ou sem as TIC. No
entanto, as TIC possibilitam a potenciali-
zação dessas capacidades e permitem a
abertura de espaços para o surgimento de
outras, independentemente das pessoas
terem ou não um curso especializado na
área ou afins.

Isso possibilita o trabalho, tendo em


vista a noção de fluência nas TIC em todos
os níveis sociais, permitindo o relaciona-
mento entre essa noção e o conceito de
cidadania, enfatizando o papel da Educa-
ção nesse processo. Sendo que a Educa-
ção prevista é aquela que acontece em
todos os espaços de aprendizagem, for-
mais ou não, tais como: escolas, igrejas,
ruas, clubes, etc., e não apenas em cursos
especializados, técnicos ou de pós-gradu-
ação lato sensu.

O governo e demais instituições, entre


elas as ONGs, devem fazer uma escolha
entre oferecer à população alfabetização
digital ou alfabetização ampla e fluência
nas TIC, estabelecendo uma ligação entre
a cidadania plena e sua aplicação e rela-
cionamento entre os indivíduos através
delas, porém, oferecer estes ou qualquer
outro conhecimento ou habilidade que
esteja relacionado à educação, é apenas
uma decisão política.

Ademais, não existe nenhuma limita-


ção para que o ser humano de toda ordem,
participe e internalize essas habilidades,
seja de natureza pedagógica, sociológica,
psicológica ou econômica, ou seja, não há
nada que impossibilite esse acesso.
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UNIDADE 2 - Tecnologias de
Comunicação e Informática na
Educacao a Distância: Desafios
O surgimento e desenvolvimento das co, pode-se afirmar a vivência contempo-
Tecnologias de Comunicação e Informa- rânea de um processo de informatização
ção, bem como, a informática e seu desen- da sociedade, enormemente articulado
volvimento, trouxeram consigo desafios com todos os sistemas de mídias de co-
de toda ordem para a sua incorporação na municação e informação, que não se for-
Educação presencial ou a distância, além talecem como se fossem, meramente,
da introdução de novos recursos tecno- mais uma atualização e/ou modernização
lógicos na Educação que é vista como dos meios de comunicação tradicionais,
possibilitadora de diversas modificações além dos meios de informação, também
importantes neste momento histórico tradicionais, variadas formas de envio de
contemporâneo que, potencialmente, dados, de sons, vídeos e imagens; mas,
pode permitir uma efetiva transformação constituem-se nos elementos que estru-
de nossa realidade educacional. turam uma nova forma de ser, pensar e vi-
ver da humanidade.
Nesse ínterim, este é um momento his-
tórico especial. Todas as teorias e conhe- Pode-se traçar os caminhos e mape-
cimentos da humanidade, vigentes até ar alguns elementos que caracterizariam
então, estão sendo postas em questão. este novo momento histórico da huma-
Fala-se do fim da História, fim da Ciência, nidade, mas as questões básicas que co-
fim da geografia, do espaço, do tempo. locam em debate constante o sistema
educacional brasileiro, ainda continuam
No decorrer da evolução da humanida-
sendo as mesmas. Como consequência
de, o mundo passou por diversas e com-
desses fatos, é preciso aprofundar a aná-
plexas transformações e revoluções. Des-
lise desse procedimento e de como ocorre
de a metade do século XX, a ciência vem
a aquisição do conhecimento pelos jovens
experimentando um movimento de rear-
e crianças brasileiras, bem como, estudar
ranjo e arrumação, na perspectiva da que-
as possibilidades de integração das TIC no
da de velhos paradigmas e da busca de
dia-a-dia dos alunos, no ambiente esco-
novos, que possibilitem a explicação dos
lar, como elementos estruturantes de um
fenômenos naturais e sociais, até então,
novo processo do conhecer a si mesmo e
tidos como definitivos e comprovadamen-
ao outro, conhecendo o ser humano num
te certos e exatos. Questiona-se mesmo
todo.
a existência desses novos paradigmas e
a possibilidade de quebra dos antigos, ou Contemporaneamente, junto a essa en-
seja, vive-se a Era das Incertezas, em que xurrada de informações e conhecimentos
as verdades absolutas da humanidade, disponibilizados, é permitido a percepção
comprovadamente aceitas por séculos, e sentimento quanto a falta de espaços
tenham sido abaladas em suas raízes, con- de pesquisa na Internet que permitam o
sideradas, até o momento, inabaláveis. acesso, de qualidade e de quantidade, aos
profissionais envolvidos com a educação
A partir de todo esse contexto históri-
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formal e não-formal de informações e co- desenvolveram softwares e hardwares


municação dos conteúdos em língua por- para a elaboração dos mesmos.
tuguesa, língua inglesa ou matemática,
Não obstante, tornou-se necessá-
entre outras disciplinas; de tal forma a es-
rio ampliar e aprofundar o levantamen-
timular e incentivar que cada escola, cada
to sobre os trabalhos científicos relati-
professor e cada criança e jovem possam
vos ao tema, formulando uma relação
ser efetivamente criadores, formuladores
de dissertações, teses, artigos e outras
e produtores de conhecimento, em vez de
publicações que abordariam a temática,
simples consumidores de informações a la
considerando-as em um amplo espaço e
carte ou self service.
tempo. Essa seria a abordagem de uma
Além do projeto do governo federal visão muito moderna acerca da interna-
atual, que objetiva colocar um computa- lização e implantação das TIC na educa-
dor para cada aluno das escolas públicas ção brasileira. Nessa, muitas instituições
brasileiras, até 2010, chamado de “um buscaram atender à crescente demanda
computador por aluno”, outras experiên- sobre o tema e formas possíveis de como
cias de produção e desenvolvimento de alcançá-lo.
projetos de educação envolvendo as TIC,
Nesse ínterim, a Universidade Federal
principalmente computadores com diver-
da Bahia (a título de exemplo), arquitetou
sos softwares educacionais e com acesso
um projeto de implantação e implementa-
à Internet, projetos de cursos a distância,
ção de uma Biblioteca virtual objetivando
como a universidade aberta, entre outros,
ampliar a reflexão teórica que reúne e ar-
sejam eles formais ou não-formais, estão
ticula a relação da educação com a comu-
em andamento no Brasil.
nicação e com os sistemas tecnológicos
A atual Lei de Diretrizes e Bases da de informação e comunicação (ICT - Infor-
Educação Nacional nº 9.394-96, em seu mation Communication Technologies).
octogésimo artigo, prevê a possibilidade
Possibilitando a sua criação, aplicação e
de que a formação se dê a partir de cursos
monitoramento através de pesquisas ge-
oferecidos a distância. A regulamentação
renciadas pelos diversos profissionais que
desse artigo se deu com a edição do decre-
nela atuam, tais como o Professor Nelson
to nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998.
Pretto, permitiu-se o estabelecimento de
Porém, e em função disso, aumentou de
um olhar investigativo diversificado, com
forma assustadora o número de institui-
o objetivo de considerar os diversos as-
ções, públicas ou privadas, a elaborar e
pectos do campo de ligação e interseção
oferecer cursos, nessa modalidade.
da educação com a comunicação, com as
Admite-se então, a necessidade de se TIC, com elementos da produção audiovi-
buscar sua sistematização, além de se sual e da cultura local e mundial.
buscar a sociabilização mais intensa acer-
Dentro desse processo e desde o seu
ca dessas possibilidades. Isso se fará, não
início, trabalhou-se no sentido de definir
só oferecendo uma relação de cursos,
claramente o que seriam essas experiên-
mas também uma relação de outras insti-
cias e/ou projetos, bem como, seus possí-
tuições públicas e empresas privadas que
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veis e esperados significados. Para tanto, nesse contexto, busca-se visualizar este
trabalhou-se com um referencial metodo- mundo das TIC em relação à educação,
lógico mais amplo que pudesse dar conta como parte integrante deste mundo cheio
da multiplicidade de experiências nessa de processos em evolução.
área. A pretensão da aplicação desse mé-
Tudo isso visa a análise e estudos de
todo e do seu estudo era a não aplicação
identificação de projetos e experiências
e consideração do todo sem nenhum tipo
significativas em EAD na rede de compu-
de análise, nem correr o risco do estabe-
tadores e por ela, e deve ser desenvolvida
lecimento de critérios muito severos e in-
a partir de cotidianas navegações na WEB
discutíveis acerca da seleção de qualidade
e de visitas aos sites que tratem das te-
que pudessem separar e afastar o dife-
máticas a serem abordadas acerca da cria-
rente. O que se esperava era o trabalho
ção e implantação de bibliotecas virtuais
com as variadas perspectivas de compre-
e diversas outras ferramentas possibilita-
ensão dessa complexidade, sem a preocu-
das pelas TIC inseridas na educação. Para
pação de torná-la única e inequívoca.
tanto, deve-se buscar utilizar de todos os
O que se vê, conforme Pretto (2005) é possíveis recursos multimídia conhecidos
a evolução da ciência e uma grande mu- e ofertados para a educação, a saber, tais
dança de análise, visão e concepção dela como os possíveis recursos de busca: Al-
e sobre ela, bem como, uma percepção e taVista, Cadê, Yahoo, SMTP, MetaMiner,
concepção de mundo, irregular e descon- ATT, Lycos, EuroFerret, Surf, Virgilio e até
tínuo, surgindo, assim, categorias e pers- mesmo o Google. Sendo que nesses si-
pectivas direta e completamente diferen- tes, deve-se buscar: a leitura dos artigos
tes e até mesmo, opostas. Estudam-se a científicos e de revisão sobre a temática e
falta de ordem, de regularidade, além dos identificação; a participação em listas de
fenômenos ímpares, em vez de tentar o discussões sobre a temática; a participa-
ajuntamento de fenômenos diferentes e ção de congressos e seminários, analisan-
diferenciados pela explicação que resul- do-se os anais dos mesmos.
tou de uma única lei fundamental. Dessa
Nota-se que para pretender um traba-
maneira, como método e lei fundamental,
lho de qualidade, é necessário que esses
a individualidade é reconhecida, ou pelo
levantamentos partam do princípio da
menos, começa a ser, por exemplo, no fato
pesquisa científica, de forma a se esta-
de que os sistemas que estruturam-se de
belecer um recorte no tempo e espaço e
forma idêntica, revelam comportamentos
a partir daí, iniciar a análise de um período
muito diferenciados, provavelmente pro-
histórico específico. Não se deve conside-
vocados por ínfimas diferenças que, até
rar as ferramentas e mídias tradicionais,
então, eram consideradas desinteressa-
uma vez que elas demandam uma seleção
das e não importantes para esse proces-
de ações implementadas, já que para a
so.
sua viabilização é necessário o estabele-
A evolução é algo inevitável e, atual- cimento de uma rotina de trabalho diário,
mente, tem ocorrido em uma velocidade linear e hierárquica, às vezes, muito rígi-
ímpar, jamais vista pela humanidade, e, das, posto que, as mudanças são constan-
14

tes e rápidas, tornando possível a obsole- e Dissertações; Periódicos; Livros e Ma-


tatividade de tais ferramentas. nuais; Legislação; Software e hardware;
Sites da rede; Internet; Suporte Tecnoló-
Todo esse desenvolvimento trouxe
gico; Listas de Discussão e Newsgroups.
consigo o avanço de inúmeras, senão to-
das, as ciências (físicas e biológicas) da Todas essas ferramentas relacionadas
mesma forma que o desenvolvimento da podem auxiliar na busca pela excelência
informática com o aumento na velocidade na Educação nacional, alavancando o de-
de processamento de dados. senvolvimento científico e tecnológico
brasileiro.
Na educação, também, as pesquisas
desse nível de desenvolvimento e sua dis-
persão social só é possível porque já se
tem disponíveis os programas de compu-
tadores que são desenvolvidos, especifi-
camente para tal. Muitas dificuldades são
sentidas no que tange a operacionaliza-
ção dessas ferramentas.

Apesar dos diversos problemas en-


frentandos acerca do bom andamento da
criação, aplicação e implementação das
TIC nas escolas e, consequentemente, na
educação, é possível aceitar e considerar
que avanços vem acontecendo e sendo
percebidos por todos, em todos os espa-
ços formais e não-formais na educação do
país, tais como, o crescimento e, também,
o desenvolvimento dessa base de dados
sobre a Educação e as TIC, analisando, a
ampliação da bibliografia básica sobre os
temas, comentada em variados sites, con-
siderando artigos, livros, revistas, peri-
ódicos, produtos tele e audiovisuais e de
informática, em diversas áreas, tais como:
a EAD; a informática educativa; a utiliza-
ção do software educacional; as redes de
comunicação e informação e a Internet; tv
digital, tv tradicional, rádio, internet e ví-
deo educativo e comunitário; materiais di-
dáticos impressos e em CD-Rom; políticas
públicas e inovações tecnológicas, entre
outros. Além desses, podemos relacionar:
Artigos Científicos e outros textos; Teses
15
UNIDADE 3 - Comunicação, Linguagens,
Tecnologias e Informação na Educação
A mudança sempre ocorreu concomi- A primeira análise deve ser feita e po-
tantemente com a evolução da humanida- de-se nela associar a palavra techné, do
de. Porém, contemporaneamente, essas grego, à palavra arte. Esse aspecto pode
mudanças tem ocorrido numa velocidade ser percebido e analisado por diversos au-
estonteante e inesperada, chegando ao tores e outros tantos diversos textos. O
ponto de, se não houver um acompanha- homem e a arte estão interligados e um
mento diário da mesma, corre-se o risco depende do outro. Outrossim, a arte do
de se perder nos trilhos dela. E nestes no- fazer, aliada à capacidade do homem e,
vos tempos, a comunicação se transmuta totalmente, dependente de suas habilida-
através da utilização das Tecnologias de des no ato de fazer, tornam esse processo
Informação e Comunicação (TIC), tornan- dinâmico e perfeito. Ademais, como parte
do-se um elo entre os homens e entre os do desenvolvimento histórico e científico
homens e as máquinas, chamada, confor- da humanidade, analisado a partir e após
me Primo (2005), “interação mediada por o surgimento da ciência moderna, a técni-
computador”. ca é associada ao fazer do homem e não
mais ao como fazer, ou seja, com a razão
É necessário que se faça uma análise
do fazer. Nesse sentido, surge a tecno-
acerca do surgimento de inúmeras e no-
logia, quaisquer que sejam, como ferra-
vas linguagens advindas da aproximação
menta e como extensão dos sentidos do
das TIC com uma enorme e abrangente
homem, possibilitando a ele realizar qua-
miríade de áreas do conhecimento, e exi-
se tudo que se quer e se deseja, através
ge-se firmar uma visão sobre diversos
dos sentidos e com eles. A existência do
elementos do surgimento, crescimento e
fazer do homem está totalmente ligada à
desenvolvimento científico e tecnológi-
ideia e intencionalidade dele, bem como,
co do mundo moderno e contemporâneo.
aos sentidos e significados do que se faz
Nesse ínterim, é preciso buscar alguns
e como se faz.
desses elementos tentando dimensionar
o que vai ser tratado neste texto. A característica básica da relação do
ser humano com as máquinas, até esse
Diversos autores alertam que, a rela-
momento, é o fato desta ser sempre uma
ção do ser humano consigo e com as má-
relação de utilidade e instrumento do fa-
quinas é um dos primeiros aspectos que
zer humano, auxiliando-o. Sozinha, a tec-
necessita de uma análise e reflexão mais
nologia surge e está cimentada a serviço
profunda. Deve-se pensar historicamen-
do homem e para o homem, sendo defini-
te sobre essa relação para que se possa
da socialmente em função da utilização e
compreender melhor algumas das neces-
do uso que será dado a ela, tecnologia, por
sidades e dificuldades que se encontram
ele, o homem. Ela passa, então, a ser qua-
atualmente no uso das TIC na educação e
se autônoma, desconhecida e, ao mesmo
por ela, bem como, em outras áreas do co-
tempo, independente, com um desenvol-
nhecimento.
vimento ilimitado e crescente, livre de
16

qualquer domínio ético, o que vem se tor- tituiu em protesto e nem por ele, incons-
nando um fato na exploração desenfre- ciente da resistência contra as máquinas,
ada e inconteste da natureza, o que traz porém e tão somente, por estar com raiva
consequências nefastas para o planeta. do patrão por ter sido espancado por ele. E,
Uma das consequências desse relaciona- como fato que culmina dessa ação e con-
mento é que, sob essa perspectiva tecno- sequência desse ataque, o grupo liderado
lógica e sob a ótica da tecnologia, a mani- por Ludd movimenta-se contra os patrões
pulação da natureza passa a ser o verbo da época na Inglaterra e o sistema fabril,
da ordem, manipular, colocando em forte destruindo os equipamentos, o que, mais
risco a própria sobrevivência do homem e tarde, foi seguido por diversos outros tra-
da humanidade, num todo. balhadores em diversos lugares do mundo
onde a Revolução Industrial ocorreu num
A falta de humanidade ou, até mesmo
segundo e num terceiro momento.
a desumanização de alguns dos diversos
seres humanos passa a ter como respon- Em pleno século XXI, vive-se um outro
sável a tecnologia. O que não procederia momento dessa relação homem-máquina.
sem as reações dos próprios humanos. Alguns autores falam em tecnolatria, ou-
tros em tecnofobia.
Podemos destacar que como um dos
acontecimentos mais marcantes desse Por tecnolatria entende-se a paixão
relacionamento entre os seres humanos e pelas máquinas e, em tecnofobia, o opos-
as novas ferramentas compostas por má- to, ou seja, o ódio por elas. Homens e má-
quinas ocorreu na metade do século XIX, quinas se aproximam cada vez mais, per-
através de um acontecimento revolucio- mitindo a compreensão e o entendimento
nário que ficou conhecido como “o movi- de que, as máquinas surgem e se desen-
mento ludista”, iniciado em Manchester na volvem a partir do mesmo processo social
Inglaterra, que foi iniciado e constituiu-se que constitui o ser humano social. Dessa
numa manifestação grevista de traba- maneira, não existe, a muito comentada e
lhadores das indústrias têxteis, desem- tradicional distância e separação entre a
pregados, e tornou-se um movimento de técnica, a cultura e a sociedade, que vigo-
contraponto e resistência às tecnologias rava até meados do século XX.
daquela época, as máquinas de fiar, tecer
Ao procurarmos e pesquisarmos por
e descaroçar algodão, com diferentes ver-
outras classificações, encontaremos mui-
sões para o próprio nome do movimento.
tas e diversas, porém, uma dessas pers-
De acordo com Falcão (1995), pode-se pectivas para a relação homem-máquina
observar, em diversos compêndios e livros é aquela colocada por Santaella (1997,
de História e em diversas pesquisas reali- p.34-36), que define esses níveis em " ní-
zadas pela comunidade científica sobre o vel muscular-motor, o nível sensório e o
tema, que o nome desse moviemnto te- nível cerebral". Podemos dizer que o pri-
nha sido referente ao fato de um dos seus meiro dos três níveis está diretamente re-
líderes ter sido Midlands Ned Ludd, que lacionado com a possibilidade de aumento
atacou e quebrou um tear mecânico, com da capacidade física humana, com a pos-
um martelo. Este ato, porém, não se cons- sível ampliação da sua força, a mecaniza-
17

ção da locomoção, permitindo aumentar e


diferenciar o movimento e a ampliação da
O que a autora afirma ser um “novo
sua precisão, garantida hoje em dia pela
ecossistema” pode ser percebido como
utilização do GPS, por exemplo. A exten-
sendo as mudanças que vem acontecen-
são dos sentidos é percebida no segun-
do e que essas são de cunho estrutural e
do nível que a caracterizaria, isso se dá,
ocorrem desde o início do século XX. Mais
basicamente, com relação ao aperfeiço-
tarde, já por volta da metade do século XX,
amento e melhoria de olhos e ouvidos,
com o surgimento e advento da teoria do
possibilitados pelo uso de óculos, lentes e
Caos, da teoria dos Fractais, da teoria da
aparelhos auditivos.
Complexidade e da teoria das estruturas
Sobre o tema abordado, Santaella não lineares, imputaram e colocaram em
(1997, p.37) afirma que "enquanto as má- voga as discussões científicas e tecnoló-
quinas musculares produzem objetos, os gicas em outros patamares de definições
aparelhos produzem e reproduzem sig- e resultados. Assim, o conhecimento e sua
nos: imagens e sons". No nível cerebral, construção passa a indicar para uma outra
isso se torna possível com a presença de ideia e uma nova e diferente perspectiva
computadores e seus suprimentos e da científica, transformando um mundo em
digitalização dos processos, é possível que as leis científicas eram verdades ab-
encontrar mecanismos que passam a criar solutas e estavam centradas na ordem e
esses e outros símbolos acerca do tema. É na previsibilidade, em outro mundo onde
possível, também, que se faça imitações estão, dessa vez, em primeiro plano a mu-
e simulações de processos mentais, pro- dança, o aleatório, a incerteza e o impre-
cesso sociais, como aqueles possibilitados visto nos resultados obtidos e a obter.
pelo second life, incluindo novos elemen-
Enquanto isso, no Japão e em outros
tos nessa relação entre máquina-homem-
países, a miniaturização das diversas fer-
-homem-máquina, isso acarretaria o que a
ramentas tecnológicas é outro importan-
autora denomina de novo tipo de humani-
te elemento por que passa o momento
dade.
contemporâneo. É o que se chama nano-
É justamente esse novo ecossiste- tecnologia. As máquinas normais, ganham
ma sensório-cognitivo que está lan- réplicas em miniaturas e ficam de tama-
çando novas bases para se repensar nhos minúsculos, o que possibilita, entre
a robótica não mais como máquinas tantos fenômenos, uma grandiosa e indi-
que trabalham para o homem, mas zível aceleração e mudança nos meios de
como a emergência de um novo tipo comunicação informação e da circulação
de humanidade. (...) Com isso são os das mesmas informações. Isso possibili-
sentidos e o cérebro que crescem tou e introduziu uma outra dimensão de
para fora do corpo humano, esten- utilização de ferramentas com as TIC, que
dendo seus tentáculos em novas co- não têm mais o mesmo significado verda-
nexões cujas fronteiras estamos lon- deiro de antes.
ge de poder delimitar. (SANTAELLA
Através, e a partir, dessas ferramentas,
1997, p. 41-42)
é possível que se esteja aqui, ali e lá ao
18

mesmo tempo. A distância entre aqueles Contemporaneamente, o desenvol-


que produzem e aqueles que recebem e vimento das comunicações eletrônicas
utilizam essas informações e essas fer- e o seu uso dentro e fora do mercado fi-
ramentas é praticamente zero. E, dessa nanceiro, é uma das questões mais sig-
forma, e mais uma vez, essa modificação nificativas de aceitação e incorporação
de espaço e tempo, introduz uma outra das TIC, criando e introduzindo um novo
perspectiva diante dessa relação do ser modo de criar e operar com os valores do
humano com a técnica. mesmo campo econômico-financeiro e,
até mesmo, o social. A visão clara de todo
Na Inglaterra, partindo do Departa-
esse grande movimento está intrínseca e
mento de Pesquisa da empresa Inglesa
intimamente ligada a uma palavra atual-
Britsh Telecom, uma empresa de telefo-
mente muito em voga, diria, até na moda:
nia daquele país, cujo departamento é
a globalização. No entanto, é possível o
coordenado por Peter Cochrane, divulgou
entendimento da globalização no ímpar e
em meados do ano de 1998, o resultado
no singular – esse entender significa um
de uma pesquisa, pelo qual foi detectado
aumento e alargamento da expansão das
que: cerca de 20% dos órgãos funcionais
fronteiras e barreiras norte-americanas –
do nosso corpo podem e já estão sendo
ou então, entendê-la no diverso e plural
substituídos por próteses artificiais e que,
– num movimento de várias, incontrolá-
naquele mesmo ano, mais de meio milhão
veis e infinitas mãos. Globalizações, se é
de pessoas já viviam com implantes mecâ-
que se pode dizer assim, como possibili-
nicos ou eletrônicos em seus corpos. Em
dades de múltiplas e diferentes relações.
vista disso, os pesquisadores da BT estão
Essa possibilidade de diversas e múltiplas
desenvolvendo um mecanismo protótipo
relações carece e exige o plural pleno e
do BT Wired Man, através de um estudo
absoluto e isso trazerá para si, além de in-
do potencial da comunicação, consideran-
troduzir uma nova dinâmica racional nes-
do o interior e o exterior do corpo humano.
sa relação, pois impõe, e muito, situações
Assim, e em vista disso, seria possível mais complicadas do que simplesmente
a busca de novos contornos e caminhos setores de uma região ou estado, ou con-
para o conhecimento científico e tecno- tinente, presentes em outras, mas a pos-
lógico e, com isso, caracterizar e analisar sibilidade elevada e potencial de todos os
as questões educacionais e institucionais, setores da vida humana e da sociedade
bem como o uso que estamos dando, na como um todo, interagindo entre si.
educação, para as TIC.
Com os demais, e além desses setores,
Porém, antes de adentrar mais profun- bem além do campo econômico-financei-
da e especificamente na educação, vizua- ro, social e político, mas intimamente arti-
lisando-se e ampliando-se o perfil dessa culado com ele, pode-se observar alguns
análise, torna-se imprescindível, investi- traços e contornos especiais e aventados
gar o fato de como se dá o uso dessas tec- como um todo, desse cenário mundial,
nologias em outras áreas, a título de com- planetário e até, quem sabe, no futuro,
paração e, em especial nas artes, na mídia, interplanetário. Um deles, é a possibilida-
no sistema financeiro, entre outros. de, inaugurada e alavancada com o mo-
19

vimento histórico Zapatista no México, país, que esse movimento torna-se ana-
acerca do uso dessas novas tecnologias lítico de sucesso como nenhum outro em
de comunicação generalizadas para a cria- termos de organização descentralizada e
ção e organização de movimento sociais, distante, tendo, na liderança, líderes de-
políticos e econômicos. Organizações mu- nominados de "novos anarquistas", carac-
nicipais, estaduais, nacionais e até plane- terizados por esse jornal como cidadãos
tárias, que passam a se juntar, crescer e advindos de respeitadas e conceituadas
articular pela Internet de forma intensa, Universidades, compostas de "classe mé-
clara, dinâmica e objetiva e, com isso, pro- dia, educação, imaginação e on the inter-
mover diversas manifestações concretas net".
e constantes, em lugares físicos e virtuais
Com certa obviedade, esse nível de
onde a lógica do capitalismo selvagem e
organização nasce e viabiliza-se, por um
desenfreado é de forma regular, implan-
lado, pela existência de um grande nú-
tado e implementado.
mero de pessoas conectadas na rede,
Alguns exemplos foram visualizados mas de outro, pela existência de inúme-
durante a conhecida e histórica manifes- ras condições de formação e informação
tação denominada "Carnaval contra o Ca- que lhes possibilite, o fato de que, tendo
pitalismo Global", realizada em junho de acesso aos meios, possa-se fazer uso dos
1999, de forma a coincidir com a reunião mesmos de forma plena e gratificante.
do Grupo G8 em Colônia, na Alemanha, Nesse ínterim, ao usar a tecnologia e suas
no continente europeu, tendo como um possibilidades, passam a modificar o seu
dos seus organizadores o Movimento J18. próprio significado e sua utilização. Isso
Essa manifestação só foi possibilitada por de certa forma, indica claramente, que a
ter sido organizada via Internet, e acon- formação e as específicas condições so-
teceu em lugares físicos distintos e bem ciais se tornam as condições básicas para
definidos, como alvos do processo, tais inserção completa e plena no mundo con-
como, os centros financeiros das grandes temporâneo das TIC.
capitais do planeta. Isso tudo de forma si-
Sozinhos ou juntos, Indivíduos e grupos
multaneamente, com aproximadamente
articulados em várias partes do mundo,
43 países. E, se analisarmos mais recen-
usando ou não intensamente as TIC, pas-
temente, nas reuniões da organização
sam a ter um grande e importante papel
internacional, cujo nome é: Câmara Inter-
na quebra total da presença que mistura
nacional de Comércio, realizada em Seatt-
tudo e todos, tornando-se homogenei-
le, nos Estados Unidos, onde outras ma-
zante dessa mídia moderna e da tradicio-
nifestações dessa natureza e de outras
nal, também, ligada diretamente nela e
diferentes aconteceram, sendo também
centrada ainda na forte concentração de
e tão somente, a Internet o elemento mo-
conhecimento e propriedade dos meios
bilizador e catalizador das mesmas.
tecnológicos e naquilo que passou a ser
Podemos observar, lendo o jornal inglês chamado de sistema broadcasting de co-
The Times, considerado um dos mais tra- municação.
dicionais veículos de informação daquele
Pelo mundo afora, pode-se consta-
20

tar essa mesma visão e tendência acerca de computadores. Porém, isso está mu-
do tema, que começa a ser reproduzida dando e os primeiros sinais da mudança
na rede mundial de computadores, ca- podem ser percebidos com o surgimento
minhando na contra-mão das origens da de algumas redações específicas para a
própria Internet. Como exemplo, podemos rede, dentro de alguns dos mais renoma-
citar as criações de toda ordem pela rede, dos jornais e revistas do país.
como a criação de portais.
Vê-se o começo de uma febre no surgi-
Pierre Lévy adverte que parecem estar mento dos portais, que passam a ocupar
todos presos aos Portais-currais que, as melhores manchetes dos mesmos jor-
nais, trazendo furos imediatos e fazen-
configuram-se como estrutura de
do publicidade nas mesmas TV, daquele
informação (conteúdo) que nos tra-
velho sistema midiático, o que significa,
tam como bois digitais forçados a
empiricamente, um movimento nervoso
passar por suas cercas para serem
e quase alucinado na tentativa de recupe-
aprisionados em seus calabouços
ração do controle das ações e notícias da
interativos. Devemos nos afogar em
Net.
números. (LEMOS, 2000 apud LÉVY,
2006, p. 49). Se fizermos uma análise mais aprofun-
dada, será possível perceber, e até visua-
Sem nos afogar, podemos perceber que
lizar, a montagem de redações especiais e
essa tendência de criação, análise e con-
específicas para esse novo mundo ascen-
vergência de equipamentos e ferramen-
dente da rede mundial, cravado e centra-
tas e também de empresas e pessoas, vê-
do ainda no tradicionalíssimo princípio do
-se que a própria mídia vive um momento
“furo jornalístico”, ou seja, notícia em pri-
de mudança.
meira mão e, na verdade, uma busca de-
Quanto aos jornais e revistas, ainda é senfreada e desorganizada de se buscar a
possível acompanhar uma certa migração organização de tudo isso.
da mídia impressa para a mídia virtual na
De acordo com Lévy (2005), sinteti-
Web. Dessa forma, são os jornais e as re-
zando o tema, busca-se ou pelo menos
vistas ocupando esse espaço e, nesse ín-
tenta-se trazer para si o leitor, o maior
terim, podemos perceber que dentro das
interessado, o cliente, o leitor virtual, o
mesmas redações que produzem o jornal
cibernauta, que, nesse contexto é enten-
impresso é produzido o jornal virtual e,
dido como um ser quase incapaz de andar
dessa maneira, alimentando os sites on-
com suas próprias pernas, estando preso
line, (espaços ou sítios ou lotes) que, no
ao computador e que precisa ser atendi-
fundo, e quase na íntegra, reproduzem
do, porém, guiado na sua navegação no
o mesmo jornal impresso, às vezes e so-
ciberespaço. O que, em outras palavras, é
mente acrescentando uma pitada a mais
exatamente o oposto do que foi entendi-
de atualidade que não é permitida no jor-
do e daquilo que se entende como sendo a
nal impresso, que necessita de prazo para
maior e melhor característica da rede e do
impressão, não podendo ser atualizado,
ciberespaço.
instantaneamente, como na rede mundial
21

O crescimento na utilização da rede, culturas e valores locais e mundiais.


pelos internautas, leva a inúmeras pes-
Numa tentativa de se colocar ordem
quisas na área, porém, essas não são pas-
nesse caos, o movimento nesse sentido
síveis de atualização pelo mesmo motivo:
foi rápido e criou-se uma febre dos por-
a rapidez nas mudanças e no aumento di-
tais, aqueles mesmos portais, já ditos an-
ário do número de usuários a utilizarem
teriormente. Noutrossim, organizar a In-
a rede. Sendo assim, quando em 1998, a
ternet para que o leitor, chamado no meio
organização W3C apresentou o resultado
por receptor, tenha consciência de onde ir
daquele ano, do crescimento do número
e para onde ir, ou em outras palavras, sai-
de usuários da rede e constatou que 50%
ba o que comprar e consumir.
dos cliques na internet, levavam a apenas
2% de visitas aos mesmos sítios e 80% Visando atender a essa questão, foi de-
levavam à apenas 26% dos sítios existen- senvoldida uma biblioteca online em que
tes, deixando de lado a possibilidade qua- já se tem traçados, os caminhos a serem
se infinita de sítios na rede. seguidos em cada curso, por cada aluno.
A partir disso, pode-se perceber o quan- Nessa mesma linha de raciocínio, ten-
to é importante se preocupar com relação de-se a observar o desenvolvimento das
a essa temática, porque a Internet tende TIC em todo o mundo e percebe-se que a
a se tornar a maior biblioteca de todo o tendência em voga é que a comunicação e
conhecimento humano já produzido, em- as informações continuem a se dar em um
bora mantendo aquela mesma maneira de único sentido. Essa visão é muito forte.
concentração na preparação e produção
Como exemplo dessa visão, há tempos,
do conhecimento, bem como, na divulga-
existia uma perspectiva de que na pági-
ção de informações e comunicações dos
na da HTML, em 2002, 75% dos acessos
chamados tradicionais meios de comuni-
à Internet ocorreriam pelos seguintes
cação de massa, TV, rádio, jornal, revista,
meios tecnológicos, conhecidos por non-
entre outros.
-desktop manchines, por exemplo, os ce-
Dentro dessa perspectiva, não se che- lulares. Recentes pesquisas determinam
ga a tal afirmação de que se tem o mesmo que, hoje, esse percentual chega a 95%,
sistema de broadcasting, ou seja, de dis- e desses acessos, a maioria, são realiza-
tribuição de informações e comunicações, dos a partir de equipamentos desprovidos
via meios centralizados, como se vê no de recursos de edição, recortes e forma-
caso dos sistemas de televisão. tação de mensagens, o que significa di-
zer que, mais uma vez, os internautas são
Conquanto, segundo Pretto (2005),
apenas consumidores de informações e
esse é um enorme indicador para que se
comunicação geradas de forma centrali-
permita pensar na pouca variedade e di-
zada por aqueles que fazem a rede, sem a
versidade de sítios a serem localizados e
participação dos usuários. Conforme Pri-
utilizados por essas buscas, indicando a
mo (2004), sem essas possibilidades de
enorme necessidade de se repensar acer-
criação, edição, recorte e formatação das
ca da sistemática de criação e divulgação
mensagens, posto que, essas são capa-
de sítios que transmitam as diferentes
22

cidades indispensáveis à distribuição da riam e deveriam ser introduzidos nos cor-


inteligência e não se tem a possibilidade pos dos seus trabalhadores e parceiros
da escolha de o que, quando, como e em para que a administração da fábrica ou da
que nível de profundidade e abordagem empresa, banco, etc., pudessem localizar
se deseja nessa interação com o sistema facilmente o empregado durante o seu
em questão. turno de trabalho, sabendo, exatamente,
onde ele estaria e o que estaria fazendo.
A palavra controle, portanto, volta à
Além disso, os dados possibilitariam esti-
cena podendo ser vista, em um certo as-
mar a produtividade e a eficiência dos tra-
pecto como mais um elemento para a or-
balhadores. Um absurdo, se analisado sob
ganização desse mundo contemporâneo.
a ótica dos direitos humanos e do direito a
De outro aspecto de observação, pode-se
liberdade.
começar como uma possibilidade do tal
controle absoluto inexistente, lembran- Ainda não se chegou a tanto, mas esta-
do-nos, sem saudades, algumas vezes, do mos bem próximos de algo bem parecido
Grande Irmão de George Orwell, no seu fa- no mundo e, já podemos ver: presidiários
moso romance de 1984, fato que deu ori- com pulseiras e tornozeleiras de controle;
gem aos famigerados programas em que carros com sistema de satélite para busca,
as pessoas ficam expostas à toda a rede ou seja, GPS em todo lugar; controles re-
nacional. motos para quase tudo que se possa ima-
ginar. Tudo isso são demonstrações claras
Em supermercados, farmácias, bancos
de que o controle está nas mãos daqueles
e praças, há a presença constante e insis-
que detêm a tecnologia e suas infindáveis
tente de câmeras de vídeos e avisos de
benesses, em detrimento daqueles que
sua existência, juntamente, com as infor-
não as possuem.
mações pessoais de clientes e consumi-
dores que passam a compor os bancos de Noutra perspectiva, o mundo da novas
dados de imensos cadastros empresariais, tecnologias está intimamente ligado ao
cartões de créditos, contas bancárias, mundo das artes e da subjetividade cria-
bem como, os computadores pessoais tiva humana, e, em sendo, a tecnologia
que estão conectados às redes de diver- não é limpa e asséptica e a exigida com-
sas empresas produtoras de softwares petência técnica, de certa forma, é um en-
que recolhem as configurações, além dos gajamento quase político que controla e
identificadores de chamadas nos telefo- reforça o coletivo social em um imbróglio
nes que hoje inundam casas e celulares, interativo.
sendo, estes, apenas alguns dos inúmeros
Conforme Primo (2004), essa relação
exemplos dessa situação.
máquina-homem passa a ganhar novos
E, para ilustrar a questão, de acordo olhares e contornos, quando é possível ter
com Bevan (1999), dando-lhe aval, o jor- máquinas que buscam encontrar o que de
nal inglês The Sunday Times, em uma mais próximo se possa chegar da imitação
matéria publicada em 09/05/99, noticiou perfeita do modelo de funcionamento da
a experiência de empresas inglesas que mente humana. Pode-se, então, perceber
estavam desenvolvendo chips que pode- e considerar que no começo desse surgi-
23

mento e desenvolvimento tecnológico de pedagogias que ofereçam condições


levam ao início da segunda metade do de trabalhar com a diferença enquanto
século XX, com as máquinas de raciocinar elemento fundante do processo humano.
de Alan Turing, que segundo Holtzman
Mudando de foco e observando o setor
(1994, p. 134), "Máquinas que poderiam
financeiro, pode-se ver como essas trans-
pensar".
formações estão acontecendo. Para Ma-
Porém, a partir dessa segunda metade nuel Castells (1999, p.467), o que muda é
do século XX, o desenvolvimento tecno- a lógica que está presente nesse mundo
lógico segue caminhando e passando por de articulações, para ele, "as redes cons-
profundas modificações e, no entanto, tituem a nova morfologia social de nossas
as pedagogias continuam centradas num sociedades e a difusão da sua lógica mo-
padrão associado à tecnologia mecânica, difica substancialmente a operação e os
própria do modelo da Revolução Indus- resultados nos processos de produção,
trial, do mecanicismo, da repetição e do experiência, poder e cultura".
fazer de novo.
A preparação do ser humano deve ser
Contemporaneamente, surgem outras outra, modificada para atender à deman-
pedagogias, agora centradas no ensina- da contemporânea. Sendo assim, de nada
mento das técnicas de utilização das tec- adianta pensar em preparar para o futuro
nologias e, consequentemente, para o como sendo uma preparação para o mer-
seu domínio e administração. Poder-se-ia cado, se essa preparação continuar cen-
falar da pedagogia nova, das pedagogias trada no ensinamento e no aprendizado
tradicionais, da pedagogia do diálogo, da de técnicas para o simples uso das tec-
pedagogia técnica, progressista ou críti- nologias, entendidas ainda como ligadas
ca. Em todas essas, visualiza-se uma rela- à lógica utilitarista-instrumental a que
ção com as tecnologias, centrada na pers- nos referimos anteriormente. Aprender a
pectiva de dominação das mesmas pelos usar um computador, por exemplo, não é
usuários. garantia de que o seu uso se dará plena-
mente. Ao contrário, o simples domínio da
Com o desenvolvimento da computa-
técnica não possibilita o uso da tecnologia
ção eletrônica, que se dá de forma vertigi-
no seu sentido pleno: como uma máquina
nosa, a partir do surgimento e aperfeiço-
de raciocinar que interage com o ser que a
amento dos transistores, mas, que ganha
opera. Essa ideia requer pensar no desen-
grande impulso nos anos 80 e 90, o que se
volvimento de competências dos sujeitos
vê, são máquinas, cada vez mais, aproxi-
às novas tecnologias da comunicação e da
mando-se daquilo que é a característica
informação.
única dos seres humanos: a capacidade de
operar com as ideias. Nesse sentido, ao se As redes são sinônimo de poder, pelas
pensar nas pedagogias correspondentes quais encontram-se informação, merca-
a esse novo momento, não se pode ima- doria, velocidade e conectividade global.
ginar a possibilidade de uma pedagogia A sua existência representa a busca pela
centrada na lógica da assimilação. Ao con- diminuição das distâncias e pela possi-
trário, precisa-se pensar na possibilidade bilidade da onipresença. O ponto básico
24

passa a ser, então, a conectividade. No porar essas tecnologias é fundamental,


sistema financeiro isso, hoje, é bastante inclusive, para uma melhor compreensão
evidente. do que elas estão significando no mundo
contemporâneo. Por outro lado, o desafio
Novamente, é preciso recuperar a di-
é pensar em perspectivas pedagógicas
mensão da globalização no plural: globali-
que dêem conta dos desafios do mundo
zações. Em sendo, entende-se que essas
contemporâneo, sendo que, sem dúvida,
conexões possibilitam a conivência entre
numa primeira aproximação, não está re-
o local e o não local, o fortalecimento da
servado à escola a pura e simples função
cultura dos valores locais, mesmo enfren-
de preparação para o mercado.
tando todos os movimento de monopólio
do sistema midiático. Ao mesmo tempo, observa-se como
a meninada está se comunicando atra-
Falando-se em mundo dos negócios,
vés dos chats, dos bate-papos e mesmo
este trabalha, contemporaneamente,
através do correio eletrônico, observa-
centrado na perspectiva de rede. Os tra-
mos uma quantidade significativa desses
balhadores dessa área estão se relacio-
mesmos elementos. A multitarefa sendo
nando, através das redes de computado-
a norma. Os símbolos ditando as regras,
res: as telas assumem as novas interfaces
as comunicações rápidas sendo a norma.
intra-humanos. Cria-se uma nova socia-
A cultura do zapping e do zipping na TV,
bilidade que, de um lado, pode afogar as
da edição rápida e com múltiplas imagens
individualidades e de outro, pode ser uma
simultâneas. Como diz Douglas Rushkoff
potencialização das mesmas.
(1996, p.44), “essa geração não está pro-
É possível perceber essa linguagem curando a mídia para respostas, mas para
dentro do setor financeiro. A questão que questões”. Eles entendem como operar
se coloca aqui não é a de valorar se este com os eventos lineares, quebrando-o
tipo de comunicação instantânea é bené- quadro-a-quadro. Para o mesmo autor,
fico ou não. Busca-se interpretar o que “Perde-se o sentido original – ou pelo me-
está acontecendo e como isso é comple- nos o sentido que tinha sido originalmen-
tamente diferente da maioria dos proces- te pensado. Para essa audiência jovem, a
sos que ocorrem no sistema educacional. descontinuidade da mídia não é a exce-
ção, é a regra”.
A utilização dessas chamadas tecnolo-
gias inteligentes na educação, no entan- É preciso pensar na dimensão social da
to, configura-se, num movimento abso- ciência e da técnica e, com isso, superar
lutamente oposto ao que se viu até aqui a concepção de ser apenas consumido-
em outras áreas do conhecimento. O de- ra dessas tecnologias e sim entendê-las
safio que se impõe é, portanto, duplo e se como fruto de uma produção social. O uso
constitui até de um dilema. Por um lado, que pode ser dado a essas tecnologias vai
não cabe à escola simplesmente aderir às depender do tipo de sociedade que se tem
tecnologias e aos novos paradigmas do e, principalmente, do tipo de sociedade
mundo contemporâneo como se à ela não que se quer ter.
restasse outra opção. Ao contrário, incor-
Portanto, a presença das TIC na escola
25

pode representar um movimento ímpar, sa-se a trabalhar, sob o ponto de vista do


uma vez que ao se pensar na redução das conhecimento, com outra perspectiva, na
distâncias está se pensando na possibili- qual não vale a linearidade.
dade de construir o que Pierre Lévy cha-
Tem-se, portanto, segundo Primo
ma de Inteligente Coletivo. Escolas que
(2006), uma rede não-linear de diferen-
tenham uma maior integração com outras
ças em interação. Cada estudante e cada
escolas e com o mundo contemporâneo;
professor libertar-se-iam do uno como
escolas que tenham dentro de suas pro-
fundante e passariam a ser elementos
postas pedagógicas uma inserção maior
dessa rede de diferenças, onde cada ele-
no mundo da mídi. Aqui também num du-
mento seria também uma rede de dife-
plo sentido: de um lado, com a presença
renças. Nesse sentido, a única referência
de programas, emissões, emissoras e to-
ao uno é o movimento, ou seja, o devir.
das as fontes possíveis de informação; de
outro, como possibilidade de efetivamen- Pode-se perceber que institucional-
te produzir, com a possibilidade de fazer mente tem-se uma quebra entre as tradi-
de cada espaço escolar um espaço de pro- cionais divisões da teoria e da prática; do
dução coletiva e, principalmente, de emis- conhecimento básico e do conhecimento
são de significados. aplicado; do pensamento e da ação; do
trabalho e do lazer; entre outros. O conhe-
Busca-se, então e, a partir desse en-
cimento passa, então, a ser trabalhado
foque, a construção de um novo espaço
como um espaço onde os acontecimentos
educacional e comunicacional que tenha
ocorrem, na singularidade do que acon-
como base essas redes de relações. É, em
tece, com sentido e, ao mesmo tempo, ao
última instância, rede. É comunicação,
nível da linguagem, num outro espaço, o
com o estabelecimento de conexões que
das proposições, numa topologia de vizi-
respeitem os nós interconectados como
nhança das interações humanas. A apren-
elementos fundantes. Elementos de va-
dizagem seria dada pela interpenetração
lor. Assim, o substrato dessa nova escola
desses espaços através da intensidade e
será a diferença e não a identidade.
do sentido.
Para o desenvolvimento de propostas
Nessa perspectiva, tem-se o fortaleci-
e projetos com base numa outra perspec-
mento de cada criança, cada jovem, cada
tiva, precisa-se de uma escola centrada
professor, enfim de cada cidadão envolvi-
numa pedagogia que não seja a da assi-
do com o processo escolar, enquanto pro-
milação. Uma pedagogia que tenha a dife-
dutor de cultura e conhecimento. A escola
rença como sendo o seu pilar, a sua fun-
passa a se constituir num espaço aberto
dação.
de interações não-lineares, e, ao contrá-
Não se estará então buscando uma he- rio da perspectiva dominante, em vez de
gemonia universal, ou seja, uma grande formar para o mercado, trabalhe numa
narrativa legitimadora dessa hegemonia perspectiva de fortalecimento da rebel-
que, consequentemente, terá que ser dia.
ensinada. Uma vez que não existe essa
Da rebeldia institucional e individual.
dimensão do pronto a ser ensinado, pas-
26

Rebeldias que, quando coletivamente ar-


ticuladas, possibilitam a criação de várias
sinfonias e a mudança do que se espera da
educação. Uma educação para todos e por
todos. Uma educação formadora de cida-
dãos plenos e conscientes dessa plenitu-
de. Somente assim, a revolução se fará e
haverá um novo homem e uma nova edu-
cação.
27
UNIDADE 4 - A Educação no Mundo da
Comunicação e da Informação: Desafios
do Mundo Contemporâneo
Quem acredita na educação a distância tuada concepção unitária de história, da
e nas novas tecnologias de informação e história com H maiúsculo, da ciência his-
comunicação, acredita que elas não afas- tórica, está ligado à questão da impossibi-
tam as pessoas, ao contrário, aproximam lidade de se ver o passado como um único
aqueles que jamais se encontrariam sem e imenso conjunto de imagens e fatos.
estas ferramentas de contato. Desses
Essas mudanças, transformações e de-
contatos articulam-se inúmeros projetos
safios estão intimamente relacionadas
em comum, vários deles com a presença
com o desenvolvimento das novas tecno-
física, seja no mesmo bairro, seja em esta-
logias da comunicação e informação que,
dos longínquos ou até mesmo, em outros
mais recentemente, ganham incremento
países.
a partir do movimento de aproximação en-
Coisas do mundo contemporâneo. Um tre as diversas indústrias de equipamen-
mundo em veloz e constante transforma- tos, tais como a eletrônica, a informática,
ção. o telefone, os cabos, os satélites, o en-
tretenimento e a comunicação. Este mo-
A humanidade vive um momento es-
vimento, que é a condição objetiva para o
pecial. O processo histórico do desenvol-
aperfeiçoamento dessas tecnologias, faz
vimento da ciência e da tecnologia apro-
com que, potencialmente, aumentem as
ximou as pessoas, diminuiu as distâncias,
possibilidades de comunicação entre as
resgatou o gosto pela escrita e universa-
pessoas.
lizou o homem contemporâneo, criando
condições objetivas para que ele seja, ao Para Vattimo apud Pretto (2005),
mesmo tempo, universal e não-local, bem "existem imagens do passado propostas
como, tribal e local. de pontos de vistas diversos" e "é ilusório
pensar que exista um ponto de vista su-
Sobre essa questão, Gianni Vattimo
premo, globalizante, capaz de unificar to-
apud Pretto (2005), em seu livro A socie-
dos os outros.
dade Transparente, já dizia que apesar de
todos os esforços de concentração das Esta concentração no caminho, mesmo
grandes corporações multi e transnacio- da constituição de grandes impérios de co-
nais "vivemos o mundo da comunicação municação e divulgação de fatos e propa-
generalizada, da sociedade do mass me- gandas, geram uma centralização na cria-
dia, com uma multiplicação de valores lo- ção e desenvolvimento das imagens, das
cais". Essa multiplicação de valores locais notícias e de toda e qualquer informação.
e mundiais, nos faz pensar de certa forma, É emblemático o caso brasileiro, que vive
de maneira diferenciada e sistêmica sobre em função da existência de uma grande
o conceito de História, uma história uni- concentração dos meios de comunicação
tária, verdadeira, com um sentido absur- de massa por pequena parte da população
damente privilegiado. Porém, e ainda de e que, em sua grande maioria, junta-se o
acordo com Vattimo, o fim dessa concei- fato de que grande parte do Congresso
28

Nacional ser proprietário de emissoras de a questão na ordem do dia da sociedade


Rádio e televisão o que permite por exem- brasileira como um todo, posto, ser este
plo, grande concentração na propriedade um setor de importância fundamental na
das emissoras por poucos e poderosos defesa do país. Isso porque, com um sis-
detentores desse que é conhecido como o tema privatizado, se não houver uma le-
quarto poder: a mídia. gislação bastante forte na defesa dos in-
teresses daqueles que não tem recursos
No entanto, como em todo momento de
para pagar pelo sistema, haverá um incre-
transição, ainda convivem, neste mesmo
mento considerável na parcela dos excluí-
tempo, valores deste mundo em transfor-
dos dessa sociedade de informação, e é o
mação com os valores antigos, vinculados
que se percebe atualmente, com o cres-
aos velhos paradigmas da sociedade con-
cente número de excluídos, bem como, o
temporânea. A concentração do capital
péssimo serviço prestado pelas já citadas
na esfera do sistema mundial de comuni-
empresas, operadoras do sistema de tele-
cações é um desses elementos da moder-
fonia nacional móvel e fixo.
nidade ainda presente no momento con-
temporâneo. Para os atores da educação, essas são
questões fundamentais, haja vista que,
Em uma matéria publicada pelo jor-
por mais que pareça simples a utilização
nal Folha de São Paulo, de 12.06.94, in-
das tecnologias, o que se vê é o crescente
titulada Oito grupos dominam as TVs no
estabelecimento de uma nova razão, um
Brasil, Elvira Lobato mostrava claramen-
nova forma de pensar e viver, que começa
te o quanto essa dominação ocorre e que
a ser produzida e analisada, sendo base-
nem mesmo a legislação em vigor à época
ada em um outro fator, não mais operati-
era respeitada. Isso porque "a legislação
vo e operacional, mas que tem na globali-
proíbe a concentração de mercado, esta-
dade e na integridade dos usuários, seus
belecendo que nenhuma entidade ou pes-
vetores de acesso mais fundamentais e
soa pode ter participação em mais de dez
mais importantes para a nova era que se
emissoras de TV em todo o país, das quais
descortina.
cinco, no máximo, devem ser VHF todas
identificadas pelos canais de televisão As novas redes de repercussão e aten-
do número um ao número 13." As famílias dimento planetárias, de comunicação,
que dominam a mídia brasileira são enor- crescem de forma inesperada e quase
mes e bem conhecidas de todos: Roberto que alucinante e, com isso, coloca-se em
Marinho (Rede Globo), Saad (Band), Abra- cheque e na ordem do dia, todos os valo-
vanel (SBT, grupo Silvio Santos) e Câmara res de um novo sistema educacional ainda
(do grupo Anhanguera, da Região Centro- alicerçado sobre antigos paradigmas que
-Oeste), entre outras. já necessitam de mudanças e quiçá a im-
plementação de novos.
Ao mesmo tempo, o processo de priva-
tização do sistema de telefonia brasileiro, É preciso, portanto, que o velho siste-
alavancado e surrupiado pelas grandes ma educacional brasileiro, assuma, nesse
empresas de telefonia mundiais, multi- momento, uma outra nova postura, haja
nacionais e transnacionais, que colocava vista que, países como o Brasil, com tantos
29

problemas sociais a serem enfrentados, imaginação, a afetividade, e uma nova


depara-se com este novo desafio: cons- razão, esta, não mais operativa, porém, a
truir uma escola que forme o profissional mesma baseada na integridade e na ge-
do novo milênio que viverá neste novo neralização global, encontra-se muitas e
milênio, impregnado de comunicação e in- diferentes resistências.
formações, num mercado de trabalho em
Nessa perspectiva, é difícil admitir que
constante e rápida transformação em to-
esse imaginário e essa afetividade pos-
dos os níveis e em todos os espaços.
sam, de toda ordem, influenciar a escola,
As crianças e os jovens, que já vivem a empresa ou a organização social. Dentro
plenamente este mundo alucinado, uma da mente humana, que detêm esse po-
vez que convivem mais intimamente com der cultural e qualquer expressão advin-
computadores, televisores, mp3, celula- da dessa imaginação ou afetividade, está
res, ipod, videogames, iphones, terminam ligada ao prazer, à arte, à manipulação, à
trazendo para dentro da escola este mes- criação e ao estudo.
mo mundo regado de imaginação impreg-
Dificulta-se, portanto, que a realiza-
nada nele, além de emoção, de raciocínios
ção da articulação entre o mundo da co-
rápidos e velozes, introduzindo esses no-
municação virtual e moderna e o mundo
vos elementos, mais presentes no dia-a-
escolar se dê de forma fluida, contínua e
-dia e mais determinantes do seu univer-
transparente. Não obstante, a escola e
so cultural, para o interior da escola.
também a educação como um todo, não
No entanto, a escola ainda resiste a es- pode permanecer apenas observando e
sas transformações, como se vivesse em contemplando esse movimento de inin-
outro tempo histórico, desconhecendo o terrupto de transformação que ocorrem
universo moderno e virtual das crianças na sociedade mundial como um todo. Ela
e dos jovens que nela chegam. Estabele- própria precisa ser repensada, analisada e
ce-se, então, um verdadeiro embate. Em integrada a este grupo de ações e ao con-
sendo, as dificuldades de uma compreen- junto de transformações.
são mais completa e até mesmo integral,
É impossível continuar pensando que
do significado deste momento histórico e
criar, aceitar, conhecer e incorporar os
que atinge, evidentemente, a sociedade
novos recursos da comunicação e infor-
como um todo e a escola em particular, pe-
mação na educação seja uma enorme ga-
las particularidades que ela traz consigo.
rantia, pura e simples, de que se esteja
Busca-se, então, considerá-la como criando uma nova educação, em uma nova
parte integrante deste movimento pla- escola, para o futuro que se faz presente.
netário de transformações e, para tal, Ao contrário, e diferentemente, observa-
uma nova postura torna-se necessária e -se que esta incorporação ocorre, basica-
urgente. Muitos problemas precisam ser mente, numa perspectiva das ferramen-
pesquisados, levantados e enfrentados tas, ou seja, ela é instrumental, com uma
para uma empreitada desse tamanho. simples introdução de novos elementos
ns mesmas velhas práticas educativas.
Internalizar e incorporar a amizade, a
Nesse caso, não procede a mudança, haja
30

vista que o resultado obtido será o mes-


mo de sempre. Assim, deve-se perguntar:
O que é preciso?

Nota-se que é preciso haver uma in-


tegração mais efetiva e atuante entre
a educação e a comunicação moderna e
até mesmo contemporânea, e isso se fará
quando esses novos meios de comuni-
cação estiverem presentes nas práticas
educacionais das escolas como funda-
mento desta nova educação a ser criada.
Aí sim, esses novos valores, em constru-
ção, serão presentes neste futuro a se
descortinar e integrantes desta nova es-
cola, agora, também com futuro.

Sendo assim, esta escola estaria no


futuro, presente, seria participante da
construção desta nova sociedade por
essa nova escola, e não permaneceria
como uma velha resistência a esses valo-
res já em declínio ou, e talvez pior, como
simplesmente uma mera espectadora dos
novos valores em construção e ascensão,
sem a devida e necessária crítica que deve
ser construída e anexada a toda e qual-
quer inovação tecnológica que surge e
penetra à mesma velha-nova escola.
31
UNIDADE 5 - A Melhoria do Processo ee Ensino
e Aprendizagem a partir e a Utilização e as Tecno-
logias de Informação e Comunicação (TIC)
Novos espaços para o conhecimento preciso aprender a pensar, pensar o pen-
surgiram por conta do desenvolvimento sar, repensar e criticar, pensar também o
das tecnologias mais recentes e, portan- novo, reinventar o pensar, enfim, pensar
to, mais modernas. Contemporâneas. sempre e criticamente, dessa forma, mu-
dar o jeito de aprender, sem repetição.
Diversos e diferentes espaços, além
Aprender de fato e de direito.
da escola, tornaram-se educativos, haja
vista, a empresa, a igreja, o clube e, até Além disso, não basta preparar-se para
mesmo, o espaço domiciliar. Cada vez mais o trabalho apenas profissionalmente. É
pessoas estudam em casa, ou mesmo na mister acompanhar a evolução das profis-
empresa, na igreja, na associação de bair- sões nos últimos tempos, e, nesse senti-
ro, podendo buscar serviços que, de certa do, vale mais a competência pessoal, as
forma, respondam às suas necessidades habilidades que tornam a pessoa apta a
de conhecimento nas diversas mídias e enfrentar novas e diferentes situações de
fontes de informações disponíveis na emprego e a trabalhar em equipe, do que
rede mundial de computadores interliga- a pura qualificação profissional. É essen-
dos, a Internet. cial saber trabalhar em equipe e coletiva-
mente, ter iniciativa, gostar de certa dose
Estudos como o realizado por Jacques
de risco, ter criatividade, ter intuição, se-
Delors (1998) apontam como principal
guir o coração, saber comunicar-se, saber
consequência do surgimento e desenvol-
resolver conflitos e ser flexível.
vimento da Sociedade do Conhecimento,
a crescente demanda de uma aprendiza- Atualmente, a tendência é a valoriza-
gem ininterrupta ao longo de toda a sua ção de quem aprende a viver com os ou-
vida, fundamentada em quatro pilares tros, a compreender os outros, a desen-
que são, contemporaneamente, pilares da volver a percepção da interdependência
formação continuada e do conhecimento de uns para com os outros, a administrar
adquirido, a saber: o aprender a conhecer; conflitos internos, grupais, pessoais e
o aprender a fazer; o aprender a viver jun- profissionais, além de participar de proje-
tos e o aprender a ser. tos comuns e a ter prazer no esforço co-
mum.
Esses mesmos pilares são internaliza-
dos e incluídos na base da educação bra- Ademais, é importante desenvolver a
sileira e mundial. sensibilidade, o sentido ético e estético, a
responsabilidade pessoal e profissional, o
Além disso, é necessário tornar praze-
pensamento autônomo e ao mesmo tem-
roso esse conhecer, esse aprender, esse
po crítico, a imaginação, a criatividade, a
compreender, esse descobrir, esse cons-
iniciativa e o desenvolvimento integral
truir e esse reconstruir o conhecimento.
da pessoa em relação à inteligência e sua
É necessário valorizar questões como a
utilização. A aprendizagem precisa ser in-
curiosidade, a autonomia e a atenção. É
tegral sem, no entanto, negligenciar ne-
32

nhuma das habilidades e potencialidades Desenvolvimento da pedagogia da


de cada indivíduo. pergunta;

Com essa perspectiva, a partir dos qua- Relacionamento do tema com a expe-
tro pilares do conhecimento, de Delors, é riência do estudante e de outros persona-
possível prever grandes e esperadas con- gens do contexto social;
sequências na educação. O ensino-apren- Envolvimento do estudante num pro-
dizagem voltado apenas para a absorção cesso que conduz a resultados, conclu-
de conhecimento, que durante muito tem- sões ou compromissos para a prática;
po, tem sido objeto de preocupação cons-
Utilização da relação dialógica com o
tante de quem ensina, deverá dar lugar ao
estudante;
ensinar a pensar, ler analisando a leitura,
fazer sínteses e elaborações teóricas, ser Construção do texto paralelo pelo es-
independente e autônomo, ser feliz, sa- tudante;
ber comunicar-se e comunicar-se bem, ter Processo de auto-aprendizagem; e
raciocínio lógico, saber pesquisar, enfim,
Utilização do jogo pedagógico com o
ser socialmente competente e altamente
princípio de construir o texto. (DELORS,
eficiente.
1998. Trecho adaptado).
Para desenvolver tais competências,
Nas diversas modalidades de ensino
envolvendo habilidades diversificadas,
presentes na educação contemporânea,
quer no ensino presencial quer na educa-
a mediação pedagógica ocupa um lugar
ção a distância (EAD), é necessário dispor
de destaque e privilegiadíssimo em quais-
de uma metodologia que trabalhe a in-
quer desses sistemas de ensino-aprendi-
formação e a comunicação, indicando, ao
zagem. No ensino presencial, por exemplo,
mesmo tempo, como ler com alta compe-
é o docente quem atua como mediador
tência e como construir o próprio texto de
pedagógico entre a informação a oferecer
forma clara e objetiva, além do saber pes-
e a aprendizagem a ser construída pelos
quisar, onde pesquisar e como pesquisar.
estudantes.
Esta metodologia também deve ajudar o
participante do processo de aprendiza- Já nos sistemas de educação a distância
gem, seja ele, aluno ou professor, a perce- (EaD), de acordo com Primo (2007), a me-
ber as diversas e diferenciadas maneiras, diação pedagógica é mediada e interativa
como as pessoas aprendem e apreendem e acontece por meio de textos e outros
nas variadas áreas do conhecimento. materiais postos à disposição do estudan-
te através da TV, do rádio e do computa-
Quando se trata de EAD, a educação,
dor, isso supõe que esses materiais sejam
segundo Primo (2005), fundada nos qua-
pedagogicamente diferentes dos mate-
tro pilares acima citados, se faz através da
riais utilizados na educação presencial. A
Mediação Pedagógica por computador, ou
diferença, no entanto, passa pelo trata-
ainda, a mediação pedagógica que contri-
mento dos conteúdos educacionais que
bui para esse aprendizado, utilizando es-
estão a serviço do ato educativo, estando
tratégias como:
válido num todo, na medida em que con-
33

tribui para desencadear e desenvolver um conteúdo, as estratégias de linguagem e


desses processos educativos. A diferença deixa-se claro os conceitos básicos. Esse
se faz na mediação, posto que, uma infor- processo é realizado no momento da ela-
mação por si só não ajuda e nem poten- boração do material didático.
cializa e, muitas das vezes, nem permite
Na base da aprendizagem, desenvol-
o aprendizado da mesma forma que uma
vem-se procedimentos para a autoapren-
informação mediada pedagogicamente,
dizagem e os convertem num verdadei-
seja pessoalmente ou por ferramentas
ramente ato educativo. Os exercícios
tecnológicas modernas e utilizadas de di-
utilizados referem-se às experiências e
versas formas.
ao contexto do aluno e do tema abordado
Para Gutierrez (1990), a mediação pe- no curso e na disciplina em questão.
dagógica é "o tratamento de conteúdos
Por fim, na base da forma, é possibilita-
e de formas de expressão dos diferentes
do ao aprendiz identificar-se com o produ-
temas, a fim de tornar possível o ato edu-
to pedagógico, fruto desse processo.
cativo dentro do horizonte de uma edu-
cação concebida como participação, cria- A interatividade é buscada em cada
tividade, expressividade e racionalidade". curso para que um aprendizado efetivo e
Nesse sentido, a mediação pedagógica ativo ocorra e, para tanto, os conteúdos
parte de uma concepção quase que total- e as estratégias pedagógicas de ensino e
mente oposta a dos sistemas educacio- aprendizagem, são projetados de modo a
nais de instrução baseados na extrema permitir um alto grau de interação entre
supremacia do ensino como simplesmen- o aluno-aprendiz e seu professor, através
te uma mera transferência de informação. do computador e do telefone.
Para Primo (2007), a interação mediada Neste e em outros cursos, todos os mó-
pessoalmente ou pelo computador, e pe- dulos devem conter diversas atividades,
dagogicamente efetuada pelo professor, como exercícios, simulações, jogos instru-
ocupa um lugar privilegiado em qualquer cionais, quebra-cabeças, estudo de casos,
sistema de ensino-aprendizagem. ente outros, que possibilitem ao aluno
construir seu próprio conhecimento e ser
Os cursos online, em especial, devem
um aprendiz ativo.
ser fruto de cuidadoso projeto de media-
ção e interação pedagógica. Durante a O modelo pedagógico utilizado pela ins-
produção dos cursos, há toda a preocupa- tituição ou escolhido pelo aluno define a
ção com o aprender de fato e a interação opção de ensino/aprendizagem em que os
de professores e alunos através de diver- conteúdos serão acessados pelos apren-
sos e possíveis meios, sob três enfoques dizes, no caso de um ensino totalmente
de igual importância, a saber: a base do mediado por computador, sendo várias
tema; a base da aprendizagem; e a base as possibilidades, tais como: a autoapren-
da forma como isso se dará. dizagem, sem tutoria, individual ou em
grupo de aprendizes; o ensino/aprendiza-
Na base do tema, situa-se a temática,
gem, com tutoria, individual ou em grupo;
define-se, nesse ínterim, o tratamento do
encontros periódicos a cada um, dois ou
34

três meses, com tutoria, individual; auto- zação da internet tiver o curso, melhores
aprendizagem com mediação da TV e DVD, serão os resultados obtidos por alunos e
individual ou em grupo; entre outras. professores no processo ensino-aprendi-
zagem, porém, mais caro e demorado será
São utilizadas diferentes mídias para
o seu desenvolvimento, haja vista, o cus-
diferentes cursos que as buscam e reque-
to do equipamento, das ferramentas e da
rem assim e são escolhidas considerando-
produção do conteúdo. Por isso, o curso
-se o valor da sua aplicação, o número de
deve ser produzido e executado por uma
usuários e a velocidade com que a infor-
preparada equipe de mediação pedagó-
mação e comunicação necessita ser dis-
gica bem capacitada para buscar sempre
tribuída. Caso haja necessidade de se en-
a melhor relação entre o custo-benefício
tregar informação ou fazer comunicação,
para cada aplicação dessas ferramentas
rapidamente, os cursos utilizarão mídias
no ensino e na aprendizagem.
simples, como documentos e apresenta-
ções, mediados pela TV e DVD (teleaula) Equipes multidisciplinares e diversas
ou rádio (audioaula), ou ainda, o computa- formações em design de mediação peda-
dor e a internet. gógica para Web devem ser compostas
por especialistas nos conteúdos aplica-
Por outro lado, mídias modernas e so-
dos, principalmente, em ensino a distância
fisticadas são muito eficientes e eficazes
pela Web e em Web Design, para projeta-
com grandes e diferentes públicos, com
rem esses cursos. Na fase de desenvolvi-
treinamento e propósitos diferentes, a
mento desses conteúdos, são utilizados
partir de exigências críticas de segurança
os serviços de diversos profissionais de
ou que, em outros casos, exijam alto grau
análise de sistemas e programação em
de compreensão e retenção da informa-
Web que transformam o projeto do curso
ção oferecida.
em um site da Web, e este deverá ser de
Devido ao desenvolvimento e elevado fácil utilização e manuseio, sendo facil-
estágio tecnológico das TIC, enfrentados mente acessado pelos alunos através de
pela humanidade, neste início de século Intranets ou da Internet.
XXI, tais como, as principais mídias utili-
No ensino presencial, as Tecnologias da
zadas em cursos Web, serão agora, apre-
Informação e Comunicação (TIC) começam
sentadas em ordem crescente de valor
a se tornar comum nas escolas e universi-
dos custos e de tempo necessários para
dades como recurso para melhoria desse
desenvolver o seu conteúdo, e são as se-
processo de ensino e aprendizagem. Essa
guintes: textos, hipertextos e ilustrações;
incorporação de elementos informacio-
apresentações em slides; documentos e
nais torna cada vez melhor e mais eficien-
hiperlinks; conteúdos da internet; áudio e
tes os documentos digitais, como provas
vídeo; animações; simulações como o the
e aulas com utilização de recursos mul-
sims; comunicação virtual; second life;
timídia, como o Teleduc e o Moodle, bem
entre outros.
como melhora a acessibilidade a esses do-
Para Primo (2007) quanto mais intera- cumentos.
ção mediada pelo computador com a utili-
Nota-se que isso vale para todos os in-
35

divíduos que os utilizam e também àque- cos, buscando conhecer e compreender,


les que possuem alguma deficiência para além de adequar a forma através da qual
acessar o ensino regular. Trata-se de uma as pessoas executam suas tarefas, bus-
tecnologia que oferece múltiplas pers- cando-se relacionar todos esses diversos
pectivas às pessoas, deficientes ou não, aspectos das experiências e interações
facilitando o processo de assimilação e humanas na utilização de ferramentas
internalização de algum conhecimento informacionais e computacionais para o
novo. ensino e a aprendizagem. Nesse sentido,
a junção entre o entendimento minucioso
Pode-se perceber que o conhecimen-
do ser humano, juntamente com a com-
to codificado dessa forma, em documen-
preensão e análise da tecnologia empre-
tos e outros textos, possui, em geral, di-
gada, permite a concepção, projeto e exe-
ferentes e novas representações e, por
cução de novos produtos.
conseguinte, todas essas pessoas têm di-
ferentes capacidades e competências ao Dessa maneira, pode-se perceber que
assimilarem novos conteúdos. as fronteiras da sala de aula estão em pro-
cesso de mutação constante, facilitan-
Nesse ínterim, é possível notar ainda
do cada vez mais o processo de consulta,
que o entendimento e aquisição de novos
busca, ensino, aprendizado e interação
conceitos e de um novo conhecimento de-
colaborativa entre estudantes, professo-
pende, completamente, da maneira que
res e profissionais de várias especialida-
eles são apresentados às pessoas. Dessa
des. Uma pequena parcela de educado-
forma, documentos e textos digitais que
res da EAD, já percebeu a riqueza das TIC
incorporam múltiplos recursos, possuindo
e como elas podem e devem melhorar e
vários recursos de natureza multimídia,
aprimorar o processo de ensino-aprendi-
tornam o aprendizado mais prazeroso e
zagem. Contudo, é preciso aumentar esse
menos cansativo para alunos.
percentual no número deles, de modo a
A partir daí, utilizar tais recursos, per- gerar multiplicadores em toda parte, para
mite que tornemos menos enfadonho e que se consiga atingir uma parcela maior
mais simples o ensino e aprendizado de da sociedade e que, a mesma, possa se
tantos conceitos abstratos, haja vista, a beneficiar, constante e socialmente, des-
apresentação do novo conceito sob dife- ses instrumentos e do conhecimento que
rentes perspectivas. Podemos citar como eles possibilitam a todos de forma demo-
exemplos a utilização de simuladores da crática.
realidade, como o second life, como re-
E, a Internet, essa rede mundial de
cursos para facilitar a aprendizagem de
computadores, cresce em todo o mundo,
novos conceitos e, até mesmo, o the sims,
atingindo, a cada dia que passa, mais e
simples jogo de computador para crianças
mais pessoas, aumentando a parcela da
e adolescentes.
população que tem acesso a ela no mun-
No entanto, pode-se observar que os do inteiro, alterando a maneira com a qual
esforços de pesquisas têm se concentra- formamos comunidades, trabalhamos e
do em estudos, análises e testes empíri- até mesmo aprendemos. Devido às suas
36

características de independência de es- do todo através de e-mail, chats, fóruns,


paço e tempo, associadas à possibilidade listas de discussão, salas de bate-papo,
de edição de documentos, áudio e vídeo, a entre outros. O interesse que move a com-
rede se configura como um meio adequa- putação está na exploração de novas ca-
do para a educação a distância (EAD). Para pacidades de manipular e comunicar todo
permitir e facilitar esse processo edu- o tipo de informação em diversos tipos de
cacional foram desenvolvidos inúmeros mídia de uma forma não imaginada antes
ambientes para autoria e oferecimento do computador. Essa é a chamada intera-
de cursos na Web. Os resultados obtidos, ção mediada por computador, de que tan-
após alguns anos de uso desses sistemas, to fala Alex Primo (2007).
apontam para a necessidade de revisão
A partir dessa nova concepção de uso da
do design dessas ferramentas. Esses es-
rede, pesquisas de educadores e cientis-
paços virtuais de aprendizagem são a in-
tas da computação no mundo todo, resul-
terseção de aspectos sociais e técnicos,
taram na possibilidade de várias pessoas
e o seu design envolve ambas as conside-
acessarem salas de aula virtuais, grupos
rações. No entanto, os ambientes atuais
de trabalho na rede, campus eletrônicos
têm privilegiado mais os aspectos técni-
e bibliotecas online num espaço compar-
cos, esquecendo um pouco do elemento
tilhado. Dessa forma, a Internet passou a
humano que é fundamental e peça-chave
ser amplamente utilizada para fins educa-
no desenvolvimento de qualquer artefa-
cionais. As redes de aprendizagem permi-
to, e o software, não é diferente.
tem aos alunos engajar-se em grupos para
Ao surgir, a pouco tempo, a Internet era participar em projetos com outros alunos
vista como uma ferramenta para compu- de regiões distantes, compartilhando
tação remota, que permitia o uso de um ideias e recursos, acessando informações
computador longe da pessoa que precisa- e interagindo com especialistas. Muitos
va da tarefa. Recentemente, com o desen- professores envolvidos nessas experiên-
volvimento de aplicações para a Web que cias vislumbram novas oportunidades de
transformam a rotina de vida das pessoas, interação com outros professores e alu-
os computadores não são mais ferramen- nos, e atestam o valor desses ambientes
tas cujo propósito principal é a compu- para o aumento das opções de aprendiza-
tação de tarefas. Computadores, junta- gem. A rede introduz um novo mundo na
mente com periféricos e toda a rede, são educação: a oportunidade de interação
dispositivos que proporcionam às pessoas com pares e especialistas sobre um deter-
um novo meio de comunicação entre si e minado assunto e o compartilhamento de
com outros indivíduos. informação.

Atualmente, ao invés de usar seus re- De acordo com Lévy (2007), apesar da
cursos para a computação remota, como Internet, como qualquer outra tecnologia
na sua proposta original, a maioria das digital, ser constituída de duas verten-
pessoas se conecta à rede mundial de tes – a informativa e a construtiva – há
computadores para desfrutar da facilida- uma predominância do lado informativo
de de se comunicar com pessoas do mun- na concepção das suas aplicações. O pro-
37

cesso educacional também pode ser vis- nas um conjunto de objetos ou atividades,
to como a união equilibrada das mesmas mas um meio pelo qual as pessoas expe-
vertentes: a informativa e a construtiva. rimentam, agem e vivem. Assim, a consci-
Parte do aprendizado ocorre através da ência social da necessidade de se formar
obtenção de informação, que vem da lei- essas comunidades através da rede e de
tura de livros, das aulas expositivas, ou de participar nesse processo é essencial para
pesquisa na Web. A outra parte é conse- assegurar que as redes habilitem as pes-
guida pela construção de “coisas”, fazen- soas a se expressar em novos e melhores
do e experimentando. No entanto, o que meios.
se nota é um desbalanceamento dessas
A ideia tradicional da interação huma-
duas vertentes, onde o lado construtivo
no-computador implica centrar o design
da aprendizagem tem sido pouco privile-
das aplicações em duas entidades: a pes-
giado, em parte pela ausência de tecnolo-
soa e o computador. No entanto, na rede,
gia adequada, e o lado informativo assu-
as pessoas operam num espaço que é
me uma posição dominante.
co-habitado por múltiplos indivíduos, es-
De forma análoga à maioria das apli- tações de trabalho, servidores e outros
cações na Web, os ambientes desenvol- dispositivos, numa rede complexa de inte-
vidos para apoiar cursos a distância na ração. Assim, o design desses novos siste-
rede também têm privilegiado o lado in- mas não pode apenas propiciar novas fer-
formativo. Ao entrar em qualquer um des- ramentas para trabalhar com objetos do
ses ambientes, o aluno ou professor não mundo real, mas possibilitar a criação de
"enxerga" outras pessoas compartilhando novos mundos, nos quais o humano possa
o mesmo espaço, mas vê apenas um con- perceber, agir e responder a experiências.
junto de ferramentas que apresenta e or-
Em meados dos anos 80, o termo inte-
ganiza a informação gerada nos cursos.
ração humano-computador (IHC) passou
Os primeiros design dessas ferramentas
a ser utilizado, e essa interação é afeta-
tinham por objetivo reproduzir na Inter-
da pela tecnologia e por fatores sociais
net as mesmas condições de trabalho dis-
e organizacionais do contexto no qual o
poníveis em uma sala de aula presencial.
usuário está inserido. Vários paradigmas
No entanto, ao longo do tempo, o elemen-
de interação surgiram, do ponto de vista
to humano foi esquecido e o foco principal
tecnológico, ao longo da história da área
do desenvolvimento dessas aplicações se
de IHC e do desenvolvimento de siste-
concentrou na tecnologia para criar, apre-
mas interativos, como as interfaces WIMP
sentar e tornar disponível de uma forma
(windows, icons, menus e pointers), mani-
cada vez melhor a informação, ou seja, o
pulação direta, hipertexto, ente outros. A
conteúdo dos cursos. Ao proporcionar um
literatura de autores como Primo (2007);
espaço na rede voltado para a aprendiza-
Lévy (2007); Castells (2005); Winograd
gem, é preciso ter em mente os conceitos
et al (1999); também apresenta vários
e necessidades que essa tarefa envolve.
princípios para a interação que dependem
Conforme Primo (2008), um espaço vir- muito mais de um entendimento profun-
tual de ensino-aprendizagem não é ape- do do elemento humano do que da tecno-
38

logia. funcionalidade do sistema no desenvolvi-


mento do software.
Dessa forma, o design dos ambientes
de cursos a distância na rede precisa con- O processo de design passou a ter maior
siderar as necessidades e as tarefas dos atenção e preocupação por parte dos de-
seus usuários, tendo em vista o potencial senvolvedores de software considerando
e os recursos dessa nova mídia, a Inter- essa importância do humano nas interfa-
net. Adicionalmente, o enfoque do design ces, que buscaram entender o usuário do
deve estar no aprendiz e não no conteúdo sistema, com suas atitudes, tarefas, per-
dos cursos que são ministrados pela Web. cepção entre outras características. No
Nesses cursos, têm-se por objetivo anali- entanto, sempre que objetos, como por
sar e discutir a problemática envolvida no exemplo o software, são criados para as
design da interface dos ambientes educa- pessoas usarem, decisões são tomadas
cionais baseados na Web desenvolvidos e eles são construídos carregando uma
até o momento. Mais especificamente, é intenção do designer para com o usuário
apresentado o design de ferramentas do final. Muitas técnicas e metodologias têm
ambiente Teleduc (1998) que procuram sido propostas ao longo do tempo para
dar maior visibilidade dos indivíduos que auxiliar o designer no desenvolvimento
compartilham o espaço de aprendizagem de interfaces mais adequadas e adapta-
oferecido pelo ambiente. das aos usuários. Dentre elas, destaca-se
o design de sistemas centrado no usuário,
De uma maneira geral, de acordo com
que o coloca como figura central no pro-
Primo (2007), a interface é entendida
cesso de confecção do artefato, neste
como uma superfície de contato que re-
caso, o software.
flete as propriedades físicas daqueles que
interagem, por exemplo, um puxador de A identificação dos requisitos necessá-
gaveta é a interface entre uma pessoa e rios ao sistema, a observação das tarefas
a gaveta. A interface (puxador) será mais e a sequência de ações executadas pelo
adequada dependendo de quão bem pro- usuário, bem como o próprio design do
jetada for para a pessoa que vai utilizá-la. sistema, podem contar com a participação
Quando o conceito de interface surgiu, há do próprio usuário. Esse método sugere
algumas décadas, ele era entendido como que o designer conheça o usuário e suas
o hardware e o software através do qual necessidades para elaborar um sistema
o homem e o computador podem se co- que o atenda satisfatoriamente. Esse mé-
municar. Esse conceito evoluiu e foram in- todo é conhecido como design participati-
cluídos aspectos cognitivos e emocionais vo. Em ambas as abordagens, a contínua
das experiências do usuário. Assim, a in- avaliação do sistema, junto a especialis-
terface com o usuário, também conhecida tas em IHC e aos usuários, é fundamental
como interface homem-máquina, tornou- para alcançar um produto adequado e co-
-se um conceito geral para projetistas e erente com seu objetivo inicial.
pesquisadores, passando a ser definida
As pesquisas realizadas para melhorar
como algo que se pode mapear, fazer o
a interação humano-computador enfoca
design, projetar, implementar e juntar à
basicamente os traços de comunicação
39

entre o indivíduo e a máquina. Pode-se quisa de artigos e até a participação em


ver claramente isso na Teoria da Ação de fóruns de discussão e grupos. Enquanto a
Norman (1986), na qual as metas da pes- atividade realizada pelo usuário concen-
soa são expressas em termos relativos a tra-se no trabalho individual, temos a pre-
ela – termos psicológicos – e os mecanis- dominância da interação humano-com-
mos do sistema e estados são expressos putador. Quando a tarefa relaciona-se a
em termos relativos a ele – termos físicos. comunicação entre os indivíduos desses
O usuário inicia as atividades através do sistemas, aparece então, a interação hu-
estabelecimento de uma meta e de pos- mano-humano através do computador, e,
se dela, ele deve ser capaz de engajar-se novamente citamos a interação mediada
num processo planejado no qual formula pela máquina, o computador.
uma intenção, especifica a sequência de
O usuário desse sistema é o aprendiz
ações e as executa. Essa é apenas parte
de todo esse processo, ou seja, o aluno.
dos obstáculos envolvidos na interação
Outro fator fundamental é que ao desen-
humano-computador, sendo a outra parte
volver sistemas computacionais para fins
relacionada com a reação do sistema. Ou-
educacionais, notar que eles estão sendo
tra vez, do ponto de vista do usuário, isso
projetados para aprendizes. Nesse caso
envolve uma avaliação do comportamen-
os princípios do design centrado no usuá-
to do sistema em termos da meta original.
rio, não são suficientes.
Primo (2007) adverte que não se inte-
rage com computadores, mas através de-
les, o que enfatiza a importância dos com-
putadores como meio para a comunicação
e a interação dos seres humanos.

São muitas as ferramentas projetadas


para permitir CSCW, porém, entre elas po-
dem-se citar o correio eletrônico, bulletin
boards, videoconferências, entre outras.
Sendo que o correio eletrônico é a mais
popular e a mais usada e sua interface
aprimora-se ao longo do tempo.

De acordo com Primo (2007), muitas


são as tarefas desenvolvidas pelos usuá-
rios, professores e alunos nesses ambien-
tes, sendo que algumas são individuais e
outras mais interativas. O professor pos-
sui tarefas que vão do preparo do mate-
rial a ser disponibilizado para o aluno até o
acompanhamento do desenvolvimento do
mesmo. De outra forma, o aluno executa
tarefas, desde leitura do conteúdo, pes-
40
UNIDADE 6 - Comunicação e Interação
Entre Professores/Tutores e Estudantes
na Educação a Distância (EAD)
A autora desta apostila, durante a ela- municação, embora, de acordo com Po-
boração da pesquisa sobre a educação a listchuk; Trinta (2003), ela não possa ser
distância e o perfil do profissional dessa considerada apenas como mecanismo
modalidade, investigou a comunicação e de transmissão. Conforme Primo (2003),
as prováveis interações entre os intera- esse processo de comunicação acontece
gentes desse processo: professores, tu- quando os sujeitos participam, comparti-
tores e alunos e os meios utilizados para lham e interagem entre si, o que os carac-
isso na EAD. teriza como sujeitos interagentes. Para
Polistchuk e Trinta (2003), a comunicação
Segundo Belloni (1999), na EAD e no
está cimentada na troca de mensagens,
seu processo de ensino-aprendizagem,
e é significativa, produzindo sentidos, o
professores e alunos estão separados no
que diz respeito à interação cotidiana, à
espaço e no tempo, o que faz com que as
interação linguística, bem como às rela-
relações e as comunicações entre ambos
ções de sentido e significado.
nesse percurso ocorram pela utilização de
diferentes meios tecnológicos, tais como Noutra perspectiva, Paulo Freire (1977,
ambientes online, videoconferências, p.69) afirma que “a educação é comuni-
correios, telefone, materiais impressos, cação, é diálogo, na medida em que não é
entre outros. transformação do saber, mas um encon-
tro de sujeitos interlocutores que buscam
É possível identificar diferentes mode-
a significação dos significados”, e nesse
los de EAD, o que implica em diferentes
sentido, a relação dialógica é indispensá-
usos de tecnologias e meios de comuni-
vel ao ato do conhecimento.
cação no processo de ensino-aprendiza-
gem. No modelo didático da educação a O que se percebe é uma variedade de
distância, nas licenciaturas e nas pós-gra- sujeitos, de concepções e de linguagens
duações, são utilizados como tecnologias envolvidas em um processo educativo, o
e meios de comunicação o computador e a que possibilita a construção de diversos
internet, através de chats, fóruns, e-mails, sentidos e significados sobre a prática pe-
msn, biblioteca online, aluno online, aten- dagógica e sua efetiva ocorrência.
dimento feito por tutores pelo telefone e
A linguagem se faz fundamental como
presencialmente, na própria instituição,
instrumento mediador das relações ho-
materiais impressos e em cd-rom, em con-
mem-mundo e ao mesmo tempo de comu-
junto com os encontros presenciais, pelos
nicação, para a formação de consciências,
quais são realizadas as atividades práticas
que ocorre por meio do diálogo e da intera-
presenciais nas unidades de estudo.
ção verbal entre os sujeitos. São os senti-
Segundo Gutiérrez; Prieto (1994), dos atribuídos à linguagem que permitem
esses métodos utilizados permitem a que esses sujeitos signifiquem o mundo e
circulação do saber e a transmissão de se relacionem entre si e, segundo Polist-
informações gerando um processo de co- chuk e Trinta (2003, p.50), a linguagem é
41

um sistema autônomo de expressão, “um alguns disseram que a EAD provoca uma
instrumento ao qual o ser humano recorre mudança de paradigma na educação, na
para conferir existência e imprimir objeti- relação entre professor e estudante no
vidade as suas idéias, desejos, pensamen- processo de ensino-aprendizagem. Afir-
tos e experiências”. mam ainda que o estudante precisa ser
mais autônomo, a relação entre profes-
Nossa instituição de ensino colhe os
sor e os estudantes não deve ter hierar-
frutos de sucesso em EAD por conta de
quias, deve ser clara e direta, sem pontes.
variados fatores dentro dessa modalida-
O professor não pode ser autoritário e
de de ensino, porém, e, após muitas pes-
nem estabelecer relações de poder com
quisas realizadas dentro deste contexto,
os mesmos. A esse respeito, outros pro-
admite-se que esse fato ocorra devido à
fessores ainda pontuam que, a EAD não é
forma de comunicação entre os partici-
ensino para todos, pois a pessoa tem que
pantes neste processo, isto é, quem con-
ter determinado perfil, a saber: um perfil
versa com quem? Através de que meios?
autodidata. Essa definição é muito bem
Como? Quando? Em que lugar? E, para
colocada pela instituição, em seu manu-
quê?, bem como, as ferramentas oferta-
al didático, documento elaborado para a
das para tanto.
perfeita aplicação dessa modalidade.
Conforme Gutierrez; Prieto (1994), não
O aluno dessa modalidade tem que ter
se pode deixar de salientar a importância
responsabilidades, consciência de que
da função do docente dessa modalidade
terá prazos a cumprir, compromisso, mui-
e sua atuação a partir dos conceitos de
ta disciplina, entre outros. Se o aluno se
mediação pedagógica e, segundo Belloni
reconhece nesse perfil ou se adequa a ele,
(1999), de mediatização, que enfatizam
não terá problemas de obter ao final uma
o processo de comunicação e interligação
qualidade excelente de aprendizagem de
nas relações de ensinar e aprender na EAD
todo o conteúdo pretendido.
entre os agentes desse processo.
Sobre o aluno que estuda na modalida-
A maioria dos professores dessa mo-
de EAD, vários professores salientam que
dalidade considera a educação a distância
esse aluno é muito mais autônomo, pois,
uma modalidade inovadora, apesar de, os
caso contrário, ele deixa de ser aluno a
mesmos, terem se formado na educação
distância, simplesmente tranca a matrí-
presencial. Analisam eles, ser a EAD ca-
cula, desiste, entre outros. E, necessaria-
racterizada como um processo pelo qual
mente, ele será um aluno distinto, dife-
existem conflitos, opiniões diversas, mo-
renciado do aluno presencial e assim deve
delos de educação distintos e possibili-
ser tratado.
dades de experimentar. Essa afirmação
se torna possível após as entrevistas re- Verifica-se portanto que, para os pro-
alizadas pela pesquisadora, autora desta fessores, a educação a distância pressu-
apostila, durante a sua pesquisa de mes- põe que o estudante possua autonomia,
trado. que ele aprenda de acordo com a sua orga-
nização, ou amargue a derrota de si sobre
Entre os professores entrevistados,
si. No entanto, um processo de aprendiza-
42

gem autônoma somente se fará possível adaptada ao método de ensino em ques-


a partir do momento em que o estudante tão, propondo uma análise revisional da
tem a liberdade para gerir seus estudos a metodologia em pauta e sua aplicabilida-
partir de suas próprias regras e necessida- de nesse processo de ensino e aprendiza-
des de aprender, o que exigirá desse mes- gem no contexto da EAD.
mo professor, desse modelo de ensino a
Nesse ínterim, segundo Primo (2005),
distância, o desenvolvimento de ações e
não se pode deixar de lado a importância
metodologias didáticas específicas para
da comunicação, do diálogo, da interação
tal e que orientem tal aprendizagem, por
e da interatividade no processo de ensi-
meio de uma pedagogia de trabalho que a
no-aprendizagem. E, sob o ponto de vis-
promova e que seja, de fato, uma aprendi-
ta dos professores, são dois elementos
zagem completa e criticamente marcante.
fundamentais para a educação, estando
Em suas percepções e discursos, os pro- os mesmos, altamente relacionados, e
fessores manifestam que há um desloca- que seriam esse diálogo, essa disposição
mento do foco no ensino para a aprendi- de trocar informações. Nota-se que isso
zagem autônoma, com a possibilidade do ocorre porque o aluno que está a distân-
uso criativo das diversas mídias que es- cia e opta por essa modalidade de ensino,
tão disponíveis, mas não fica claro se eles precisa de apoio, de esclarecimentos, e de
estão tratando da capacidade de ensinar demais outros dados, visto que precisa de
com as mídias, ou de aprender com elas, o uma série de questões que só se resolvem
que nos leva a crer que ainda é necessário na base da conversa, com muita paciência
avançar a discussão para a construção de e tolerância, atentando para a questão
uma metodologia de ensino que pressu- das particularidades e dificuldades de
ponha a aprendizagem autônoma. cada e de todos.

Ao questionar os professores a respei- Para que essa comunicação e diálo-


to de haver uma metodologia específica go aconteçam a distância, é necessária a
para a atuação na EAD, estes evidencia- ocorrência de dois aspectos fundamen-
ram que a diferença entre o ensino na EAD tais em um processo de EAD: a interação
e no presencial, e, nessa direção, também e a interatividade. Na bibliografia con-
de metodologia didática, é a necessida- sultada de Belloni (1999); Primo (2003);
de de capacitação para trabalhar com as Santaella (2004), identifica-se que as
mídias disponíveis nesse processo, as discussões em termos de interatividade,
novas TIC. Atentam ainda que a metodo- apresentam ao mesmo tempo definições
logia para atuar na EAD existe, mas está diferentes, semelhantes e híbridas, mas
em constante construção, pelas diversas podemos afirmar que um processo de in-
possibilidades criativas que as mídias pos- teratividade tem em sua base a interação.
sibilitam, e devido às inovações que a mo-
Belloni (1999) diz que interativida-
dalidade representa, advindas das TIC.
de e interação são termos sociológicos
Essa pesquisadora tem analisado a uti- com significados diferentes, mas que se
lização da teoria pedagógica do Constru- complementam. Segundo a autora, a in-
tivismo piagetiano e o pós-piagetiano, teração é a ação recíproca entre sujeitos
43

e pode ser mediatizada por diferentes tre dois ou mais sujeitos, a partir de uma
meios. E quanto ao conceito de interati- mediação tecnológica” a saber: o compu-
vidade, a autora pontua a existência de tador. Nesse sentido, para esses profes-
duas formas de entendê-la, pois o concei- sores, a interatividade se relaciona com a
to pode significar a potencialidade técnica apropriação e com o uso das ferramentas
oferecida por algum meio tecnológico, tais disponíveis no ambiente virtual de ensino
como jogos, CDs, e AVA; e, por outro lado, e aprendizagem.
compreender a atividade humana de usar
Gutiérrez e Prieto (1994) afirmam, ao
e agir sobre a máquina, e a modificação
propor um processo de educação a dis-
que a máquina pode permitir ao usuário.
tância alternativa, que são necessárias
Há que se salientar a confusão muito as respostas, o diálogo, a interlocução, de
comum que se faz entre estes termos e maneira direta ou mediada entre os agen-
seus conceitos. Isso é possibilitado pela tes que se comunicam. Quando a comuni-
enorme variedade de bibliografia a res- cação é mediada por meios, ela passa ao
peito dos termos e sua diversidade, na mesmo tempo por um processo de media-
qual, alguns autores os consideram sinô- ção e de mediatização pedagógica.
nimos e outros autores os diferenciam
Os mesmos autores definem a media-
veementemente interação de interativi-
ção pedagógica como um conjunto de
dade, como Primo (2005).
procedimentos realizados na criação de
Porém, deve-se analisar também: o materiais educativos, neste caso, textos
que pensam os professores de EAD em que objetivam uma educação baseada
relação aos conceitos de interação e inte- na comunicação e que por isso, tem como
ratividade? Para todos os professores, o fundamento o diálogo. Mediatizar, no con-
termo interação está fundamentalmente texto da educação a distância, segundo
relacionado ao diálogo e se refere à troca Belloni (2005), significa criar metodolo-
de informações e conhecimentos entre gias de ensino, estabelecer estratégias de
duas ou mais pessoas, onde o diálogo é uso dos materiais de ensinar e aprender,
construído. Alguns afirmam que ela é o di- tais como conteúdos e imaginar metodo-
álogo em ação, ou seja, quando o diálogo logias de ensino e de estudo. Além disso,
acontece, acontece a interação. implica em selecionar os meios mais ade-
quados, e produzir materiais para que o
Essa situação pode criar uma dificul-
processo aconteça.
dade conceitual que aparece na falta de
segurança e dificuldade dos professores O que se faz evidente é a pouca comu-
de tomar “partido” por uma ou outra defi- nicação entre esses interagentes, haja
nição. Esse pacto e compactuamento com vista, a pouca solicitação por parte dos
definições da literatura pode ser percebi- alunos em quaisquer dos meios de intera-
do pelas falas de alguns professores que ção oferecidos.
definiram esses e outros conceitos. Para
De um modo geral, a importância que
eles, interatividade tem a ver com a “inte-
cada professor atribui aos elementos co-
ração entre o sujeito e uma máquina”, ou
municação, diálogo, interação e interati-
até mesmo “a interação que ocorre en-
44

vidade em sua prática, talvez, implique na de comunicação entre os agentes, en-


mediação pedagógica que realiza na EAD. tretanto, acredita-se que ainda é preciso
Esse discurso não implica, necessaria- uma maior interação e diálogo entre pro-
mente, sua aplicação na prática, o que nos fessores, estudantes e tutores, para que
leva a questionar como realmente ocorre a aprendizagem autônoma, base da EAD,
a comunicação nas relações entre profes- aconteça.
sores, tutores e alunos da instituição, por
Não obstante, a mediação e a media-
isso, a necessidade de se pesquisar conti-
tização pedagógica são imprescindíveis
nuamente esse processo e sua realização.
para a relação educação e tecnologia. Ao
Conclui-se que a EAD representa considerar que elas ocorrem por meio de
um cenário de inovações no campo edu- múltiplas linguagens, o estudo de como
cacional, principalmente, no que diz res- essa mediação linguística ocorre, resulta
peito ao uso de novas tecnologias de in- na identificação de estratégias de ensi-
formação e comunicação e que muitas no-aprendizagem por meio e através das
das falhas de comunicação que ocorrem mídias. Os autores estudados indicam
nesse processo, até agora, relacionam-se alguns caminhos para a construção de
ao fato de ser tudo muito novo e em cons- um referencial teórico metodológico que
trução. Nas entrevistas, ficou evidente a possibilite analisar as interações entre os
importância dos termos comunicação, in- agentes e os resultados desse processo.
teração e interatividade na EAD, conside-
Há que se aventar a questão da con-
rando que os professores se aproximam
temporaneidade dos temas abordados e,
de uma concepção dialógica de educação,
portanto, é necessário ressaltar o fato de
na qual esses elementos são fundamen-
que, esses estão sendo construídos em
tais para que o processo de ensino-apren-
meio a uma Revolução que se descortina
dizagem aconteça.
dentro da Educação e, em sendo, não se
No que se refere às mídias utilizadas pode encerrar essa discussão. Ela deve
para a comunicação com os estudantes permanecer e florir dentro do meio aca-
nesse processo, pode-se afirmar ser o di- dêmico e profissional no que tange à Edu-
álogo a melhor ferramenta potencial para cação a Distância.
a interação entre os sujeitos. Acredita-se,
no entanto, que outras ferramentas dis- QUESTÕES PARA
poníveis no poderiam ser mais utilizadas,
já que são espaços de escrita e diálogo co-
REFLEXÃO
laborativo, que têm um grande potencial Agora é com você, caro aluno:
comunicativo de ideias, informações e co-
nhecimentos. 1) Pense em sua experiência na educa-
ção a distância e reflita sobre a importân-
A multiplicidade de agentes envolvidos cia da mediação pedagógica por computa-
na EAD indica a complexidade do estudo dor ou outros mecanismos para a EAD.
da comunicação, mesmo quando esta-
belecemos como amostra a ocorrida na 2) Qual é a sua percepção acerca das
instituição. São muitas as possibilidades diferenças entre o ensino a distância e o
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presencial? Elas seriam suficientes para


que seja necessária uma metodologia es-
pecifica para se ensinar a distância?

3) Considerando a importância da co-


municação e da interação na EAD, de que
maneira as diferentes mídias utilizadas
em um curso auxiliam ou limitam esses
processos?
46
UNIDADE 7 - Glossário de Termos-Chave
na Perspectiva de Vários Autores
COMUNICAÇÃO (POLISTCHUK; TRINTA, INTERAÇÃO e INTERATIVIDADE
2003): É firmada na troca de mensagens (BELLONI, 1999-2008): Interação e inte-
e, por isso, a comunicação é significativa, ratividade, apesar de serem termos “so-
produzindo sentidos, e dizendo respeito à ciológicos com significados diferentes”,
interação (PRIMO, 2005) cotidiana, à lin- eles se complementam, a partir da me-
guística e ao diálogo estabelecido entre diação por computador. A interação é a
vários sujeitos. Além disso, Polistchuk e ação recíproca entre sujeitos e pode ser
Trinta (2003, p.63), afirmam que “comu- mediatizada por diferentes meios (PRI-
nicar é estar em condições de atribuir MO, 2005), enquanto que a interatividade
um sentido – um quase nada que é tudo, pode ser entendida como a potencialidade
desfazendo-se para logo se reconstituir. técnica oferecida por algum meio tecnoló-
O sentido se afigura infinitamente nego- gico, a interação compreende “a atividade
ciável, porque é essa sua razão mesma de humana de usar e agir sobre a máquina, e
ser”. a modificação que a máquina pode permi-
tir ao usuário” (Idem,id).
DIÁLOGO (BAKHTIN, 1997; FREIRE,
1975; MARCHEZAN, 2006): O diálogo é LINGUAGEM (POLISTCHUK; TRINTA,
a alma de uma educação voltada para a 2003): Um sistema de expressão inde-
ação, a reflexão e a prática de liberdade. pendente e autônomo, “um instrumento
Além disso, Bakhtin (1997, p.294) afirma ao qual o ser humano recorre para conferir
que “o diálogo, por sua clareza e simplici- existência e imprimir objetividade as sua
dade, é a forma clássica da comunicação idéias, desejos, pensamentos e experiên-
verbal”, ele está relacionado com tempos, cias”. Noutra perspectiva, a característica
espaços e sujeitos, pois é firmado em toda “semiótica da linguagem” faz com que os
forma de comunicação verbal entre duas discursos produzidos “se relacionem e sig-
ou mais pessoas, neste sentido, se torna nifiquem o mundo” (FIORIN, 2006), pois os
base para todas as ações da educação. seres humanos constroem significados,
ao atribuírem sentidos à linguagem, por
EAD (GARCIA ARETIO, 1994): A educa-
meio do diálogo e relacionam-se entre si
ção a distância é um sistema tecnológico
e com o mundo.
de comunicação bidirecional, diz Garcia
Aretio e, em sendo, pode ser de massa HTTP - Hiper Text Transfer Protocol
e que substitui a interação pessoal, na – “Repositório de informações na forma
sala de aula, de professor e aluno (PRIMO, de páginas de hipertexto” (MICROSOFT).
2005) , como metodologia de ensino mui- Nela é possível incluir mecanismos de in-
to utilizada, pela ação sistemática e con- formações a partir de links, pesquisar por
junta de vários recursos didáticos e pelo meio e através de palavras-chave, "tra-
apoio de uma organização e tutoria que cking" de sites com caminhos percorridos
permitem o ensino-aprendizagem, inde- por professores e pelos alunos, é possível,
pendente dos alunos (FREIRE, 1975). também, controlar o acesso a áreas res-
47

tritas de versão de páginas em Hiper Text online ou armazenadas para referências e


Markup Language (HTML). Ainda serve utilização posteriores.
como “interface” para apresentação dos
CHAT – É uma ferramenta que permite
cursos, sua administração e produção pe-
a comunicação escrita em tempo real en-
los técnicos e produtores de multimídia.
tre alunos e professores. As conversações
SMTP - Simple Mail Transfer Protocol – são agrupadas por tema e armazenadas.
São locais (caixas postais eletrônicas) que
MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA (GUTIÉRREZ;
permitem a participação de funcionários,
PRIETO, 2005): A mediação pedagógica,
alunos e professores das universidades
que pode ser mediada por computador,
virtuais.
consiste em um grupo de ações realiza-
NEWSGROUPS – Esses são grupos de das e utilizadas na criação de materiais
discussão abertos, possíveis de se aces- educativos, com o objetivo de promover
sar ou criar em diversos servidores, como uma educação baseada na comunicação
o yahoo, em que professores, alunos e fundamentada no diálogo. Gutiérrez e
equipe de desenvolvimento de ferramen- Prieto (2005, p.62) afirmam que ela é “o
tas, poderão criar e compartilhar infor- tratamento de conteúdos e das formas
mações, conhecimentos, dúvidas e opi- de expressão dos diferentes temas, a fim
niões durante o andamento dos cursos. de tornar possível o ato educativo dentro
Agrupam-se as mensagens em diferentes do horizonte de uma educação concebida
grupos temáticos. Cada grupo temático como participação, criatividade, expressi-
contém um FAQ – Frequently Asked Ques- vidade e relacionalidade”.
tions, que terá respostas às perguntas
mais frequentes, como um banco de da-
dos.
SERVIDOR DE BANCO DE DADOS –
SQL – Ferramenta para guardar, organizar
e recuperar um conjunto de dados, dentre
os quais, informações administrativas e
acadêmicas, entre outras.

SERVIDOR DE ARQUIVOS – FTP –


Ajuntamento de arquivos (tudo o que se
precisa ser guardado, tais como: aplica-
ções, dados, apresentações e documen-
tos) que poderão ser transferidos pelos
administradores, pelos professores e pe-
los alunos.

AUDIO/VÍDEO – Aparelhos ou serviços


que possibilitam a difusão e publicação de
produções audiovisuais (aulas, palestras,
conferências, reportagens, etc.) ao vivo,
48

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