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Ceticismo em suas bases: uma breve análise do ceticismo acadêmico e pirrônico e

como eles falham em se estabelecer.


Lucas Vargas1

“... aprendem sempre e jamais podem chegar ao


conhecimento da verdade. E, do modo por que Janes e
Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à
verdade. São homens de todo corrompidos na mente,
réprobos quanto à fé; eles, todavia, não irão avante;
porque a sua insensatez será a todos evidente, como
também aconteceu com a daqueles” (2Tm. 3.7-9).

1. Introdução

Vocês que negam que tais questões pertencem à filosofia e que mantêm que nenhuma dessas
coisas pode ser conhecida, provem-me que não as conheço.
Agostinho, Contra os Acadêmicos.

Trata-se de verificar de perto como surgiram as duas escolas céticas no período


helenístico, em que elas se baseiam, quais são suas principais proposições e de que forma, se
de alguma, podem ser contraditas em suas bases. O grande esforço que terei de fazer, e sob o
qual repousa o êxito do trabalho proposto, será o de caracterizar ambos os tipos de ceticismo
da forma mais fiel e forte possível. Após essa correta caracterização, espero, lançarei mão de
críticas que pretendem abalar as linhas de raciocínio empregadas na construção dos
argumentos céticos – se é que é possível para um cético estabelecer qualquer argumento sem
que isso fira seus próprios postulados.

2. Ceticismo Acadêmico

O ceticismo acadêmico surgiu por volta dos séculos 3º e 2º a.C e teve como precursor
Arcesilau (315-240 a.C), filósofo da academia de Platão – e por isso essa corrente de
pensamento é conhecida como Segunda Academia -, e foi fortemente propagado por
Carnéades, no século 2º a.C. Não é de se estranhar que o grupo ao qual os pensadores dessa
escola se opuseram principalmente foi o dos Estoicos, mas o fato de esse tipo de pensamento
ter surgido dos herdeiros de Platão, da Academia, é, no mínimo, curioso, uma vez que “o

1
Mestrando em Filosofia pela UFRRJ.
corpus Platônico contém umas das filosofias mais dogmáticas já inventadas.”2 É um fato bem
estabelecido que, para Platão, os objetos das percepções dos sentidos não são os objetos do
conhecimento verdadeiro, entretanto, é igualmente consenso que Platão estava longe de ser
um cético. Ao contrário, como afirma Copleston em sua magistral History of Philosophy,
todo o objetivo da dialética platônica é a realização de um conhecimento certo do eterno e
permanente.3
Arcesilau é reputado ter dito que não tinha certeza de nada, nem mesmo do fato que
ele não tinha certeza de nada, indo, assim, mais longe que Sócrates, o qual sabia que não sabia
nada. Ele praticou, então, uma suspensão de juízo similar a dos Pirronistas – dos quais
falaremos mais adiante neste trabalho. Para ele, nenhuma representação é dada que não possa
ser falsa: nenhuma das nossas percepções sensoriais ou representações possuem a garantia de
sua própria validade objetiva, porque nós podemos sentir uma igualmente intensa certeza
subjetiva mesmo quando a representação é objetivamente falsa. Não podemos portanto
estarmos certos nunca, conclui.

Terceira Academia

Embora os nomes de Arcesilau e Canéades frequentemente apareçam lado a lado,


alguns historiadores fazem a divisão de segunda para terceira Academia. A segunda
Academia, como vimos, foi fundada por Arcesilau. O fundador da terceira academia foi
Carnéades. No mesmo tom de Arcesilau, Carnéades ensinou que conhecimento é impossível e
que não existe nenhum critério de verdade. Contra os estóicos ele defendeu que não há
nenhuma representação advinda dos sentidos ao lado da qual nós não possamos pôr uma falsa
representação que é indistinguível da verdadeira, apelando para a influência das
representações sobre nós em sonhos, por exemplo. As impressões dos sentidos são, potanto,
não infalíveis, e os estoicos não podem procurar a razão como um remédio, já que eles
mesmos admitem que os conceitos são fundados na experiência.
Em uma palavra, não somos capazes de provar nada, já que qualquer prova repousa
em assunções que devem elas mesmas serem provadas. Mas essas últimas provas irão elas
mesmas reposar em assunções, e assim por diante indefinidamente. Talvez por essa crença,

2
Anthony Kenny. Ancient Philosophy: A New History of Western Philosophy. Vol. 1, p. 173.
Tradução: Lucas Vargas.
3
CF. Frederick Copleston, A History of Philosophy (London: Burns, Dates & Washbourne, 1959), vol.
I, p. 414.
Carnéades não tenha deixado nenhum trabalho escrito, confiando seus ensinos puramente a
tradição oral.
Um passo adiante, Carnéades, apela para o conceito de “provável” para explicar
porque os homens agem a despeito das considerações céticas que ele formulara. Trata-se de
uma clara tentativa de encaixar a prática na teoria e não o contrário, ajustar a teoria ao que se
reconhece praticamente – é uma cama de Procusto em favor da teoria. Segundo nosso autor,
uma vez que não existe uma representação abrangente, tudo é acataléptico (incompreensível)
e, portanto, nos restam duas posições a se assumir: i) a epoché, ou seja, suspensão do juízo, ou
ii) o assentimento dado àquilo que é em si objetivamente incompreensível, mas que para nós
pode aparecer como “provável”. Na prática, é a segunda posição que nós nos vemos
obrigados a abraçar para viver a vida ordinária.4 Se, por um lado, com esse movimento,
Carnéades força a realidade à sua teoria, por outro, segundo Sexto Empírico5, chega próximo
do dogmatismo, pois vislumbra a possibilidade da adoção de um critério de “quase-certeza”,
diferenciando três graus de probabilidade: i) provável; ii) provável e testado (periodeumenas);
e iii) provável, testado e irreversível ou indubitável (aperispatous).

2. Ceticismo Pirrônico

Pirro de Eléia (360 - 270 a.C) foi o fundador do ceticismo. Ele cria que a paz (ou
tranquilidade) da alma poderia ser alcançada apenas pela negação do conhecimento, se
contrapondo, assim, aos Estoicos e Epicureus, os quais viam a ciência ou o conhecimento
positivo como o meio para este fim. Pirro (e seus seguidores) acreditava que a razão humana
não pode penetrar à substância das coisas: nós apenas podemos conhecer como as coisas
aparecem para nós. Coisas iguais aparecem diferentemente para diferentes pessoas, e nós não
podemos saber qual é a visão correta: para qualquer asserção nós podemos, de maneira sólida,
opor a asserção contraditória àquela (princípio da equipolência). Não podemos, portanto, estar
certos de qualquer coisa e o homem sábio irá suspender seu julgamento. Ao invés de dizer
"Isto é assim", deveríamos dizer, "Assim isto parece para mim" ou "isto talvez seja assim".
Isso não significa, de maneira alguma, que devemos nos apartar de qualquer tipo de
investigação – o que poderia ser pensado, já que não conseguiremos decidir entre duas
proposições contrárias. Pelo contrário, todo o desenvolvimento do ceticismo pirrônico gira em

4
CF. Giovanni Reale, Dario Antiseri. História da Filosofia: Filosofia Pagã Antiga. São Paulo: Paulus,
2003.
5
CF. Sextus Empiricus. Against the logicians, I, 166.
torno de um princípio segundo o qual devemos comparar e contrapor entre si, de todas as
maneiras, tudo aquilo que for obtido pelos sentidos e pelo intelecto. Havendo feito isso, nos
depararíamos, segundo os céticos, com uma situação de diaphonia6, ou seja, teorias
conflitantes e que pretendem ser verdadeiras, cada uma, ao mesmo tempo. Disso resulta a
afasia do cético – o não se pronunciar a favor de uma ou outra teoria – e também a epoché –
suspensão do juízo.
Interessante notar que o mesmo ceticismo e a consequente suspensão do julgamento é
estendido a esfera prática. Nada é em si mesmo feio ou belo, certo ou errado, ou ao menos nós
não podemos ter certeza disso: todas as coisas externas em nossas vidas são indiferentes e o
homem sábio irá buscar apenas a tranquilidade da alma e se esforçará para manter sua alma
nessa condição. É verdade que mesmo o homem sábio não pode evitar agir e tomar parte na
vida prática, mas ele irá seguir na prática opiniões prováveis, costumes e leis, consciente que
a verdade absoluta é inalcançada.
Embora Pirro não nos tenha legado nenhum ensinamento se não por palavras ditas
(conforme Diógenes Laércio nos diz), suas visões se tornaram mais conhecidas por seus
discípulos, dentre os quais, o mais famoso é Timon (320 - 230 a.C) - que fazia chacota dos
filósofos gregos, exceto Xénofanes e Pirro e, de acordo com o qual, não podemos acreditar
nem na percepção nem na razão. Devemos suspender todos os julgamentos, não permitindo a
nós mesmos sermos pegos em qualquer asserção teórica e então devemos alcançar a ataraxia.
Outro grande cético desta escola foi Sexto Empírico (150 – 220 d.C). Foi talvez o último
grande cético e é também nossa principal fonte de conhecimento sobre o ceticismo antigo.

4. Argumentos céticos, críticas.

A linha geral de argumentação das duas escolas analisadas no presente trabalho já foi
exposta acima. Trata-se agora de rever o mais sistematicamente possível esses argumentos e
tecer críticas às suas assunções (premissas).

4.1 Ceticismo acadêmico

Esse tipo de ceticismo não causará muitos problemas na presente tarefa crítica. Isso
porque as assunções que se faz são tão extravagantes que nem mesmo Sexto Empírico

6
Originalmente o termo é utilizado no campo da música e faz referência a acordes ou intervalos sonoros
que não possuem harmonia.
considerara esse tipo de ceticismo como um ceticismo autêntico. No começo de sua obra
Hipóteses Pirrônicas, Sexto diz:
O resultado natural de qualquer investigação é que aquele que investiga ou bem
encontra aquilo que busca, ou bem nega que seja encontrável e confessa ser isto
inapreensível, ou ainda, persiste em sua busca. O mesmo ocorre com as investigações
filosóficas, e é provavelmente por isso que alguns afirmaram ter descoberto a verdade,
outros que a verdade não pode ser apreendida, enquanto outros continuam buscando.
Aqueles que afirmam ter descoberto a verdade são os "dogmáticos", assim são
chamados especialmente Aristóteles, por exemplo, Epicuro, os estoicos e alguns
outros. Clitômaco, Carnéades e outros acadêmicos consideram a verdade
inapreensível, e os céticos continuam buscando. Portanto, parece razoável manter que
há três tipos de filosofia: a dogmática, a acadêmica e a cética.

Fica claro, portanto, a recusa do referido autor em considerar o que se fazia na Nova
Academia como ceticismo. O que diferencia esse tipo de filosofia da escola cética é o fato de
que os acadêmicos negam a possibilidade de encontrar a verdade, afirmando ser
inapreensível. De fato, skepsis, significa ipsis litteris “investigação”, “indagação”. Podemos
afirmar, com Danilo Marcondes, por conseguinte, que “a afirmação de que a verdade seria
inapreensível já não caracterizaria mais uma posição cética, mas sim uma forma de
dogmatismo negativo”.7 Desse modo, podemos caracterizar a filosofia acadêmica como
sustentando duas coisas: 1) a tese cética: todas as coisas são inapreensíveis e ninguém pode
ter conhecimento algum; 2) em relação a tese cética propriamente dita, podemos afirmar
dogmaticamente que conhecemos que ninguém tem conhecimento algum.8
Se temos uma boa compreensão das coisas, deve ficar claro o porquê de essa posição
ser uma daquelas difíceis de se manter. O motivo é um e cabal: a assunção de 2) é
autorrefutável. Estamos dizendo que conhecemos que ninguém pode conhecer nada. É uma
afirmação que contradiz a si mesma e, portanto, anula-se – pois, se conhecemos que ninguém
pode conhecer nada, algum é conhecido. Neste ponto, alguns tentam salvar a teoria dizendo
que o ponto 1) está mal formulado. Os céticos acadêmicos não afirmaram que não se pode
conhecer nada, mas sim que se pode conhecer apenas uma coisa, a saber, que não se pode
conhecer nada mais. Entretanto, essa tentativa de recuperar a teoria é insatisfatória. Seria
possível conhecer apenas uma coisa? Não parece ser o caso, uma vez que quem afirma ter
esse conhecimento, assume também que ele mesmo existe, que compreende o que a afirmação
conhecida expressa, e que ela é verdadeira e, portanto, existe algo como a verdade – isso tudo
7
MARCONDES, Danilo. Ceticismo Antigo. In: BRANQUINHO, João; MURCHO, Desidério;
GOMES, Nelson Gonçalves (Org.). Enciclopédia de termos lógico-filosóficos. 1. ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2006. p. 135-140
8
MORELAND, J. P.; CRAIG, William Lane. Philosophical Foundations For a Christian
Worldview. USA: InterVarsity Press, 2003. 673 p.
é conhecido também? Além de extremamente dogmática, essa nova asserção também abriria
brechas para a afirmação de conhecimento de outras coisas – qual seria o critério para excluir
todas as demais proposições da esfera do conhecimento?
Um argumento relacionado ao anterior, contra esse tipo de ceticismo, é o argumento
do contraste não vazio9. Em linhas gerais, este argumento diz que, nenhuma asserção que não
exclua algum estado de coisas pode fazer sentido. Caso não haja nenhum estado de coisas
com o qual comparar o estado de coisas que é afirmado na sentença, não há contraste com
base no qual possamos afirmá-la. No nosso caso, para dizer-se que a nada se pode conhecer,
devemos saber o que conhecer. Mas saber o que é conhecer é, em outras palavras, conhecer o
que é conhecer. Uma vez que se conhece o que é conhecer, não podemos afirmar com
propriedade que não se pode conhecer a nada. Por essas e outras razões, essa corrente de
pensamento foi menos profícua do que a do pirronismo.

4.2 Ceticismo pirrônico.

Conforme descrito nas páginas acima, o ceticismo pirrônico pode ser resumido ao
seguinte esquema ordenado: zétesis (busca) -> diaphonia (conflito) -> isosthenia
(equipolência) -> époche (suspensão) -> ataraxia (tranquilidade)10. Aqui temos algumas
cosias a dizer sobre a equipolência que é, como vemos, um conceito fundamental nesse
esquema. Esse princípio diz11 que dado dois argumentos contrários, ambos tem a mesma força
persuasiva, ou, para dizer mais corretamente: o valor de verdade de toda proposição é
igualmente provável e improvável. A objeção mais óbvia e forte a este princípio segue a
mesma linha da critica esboçada ao ceticismo acadêmico, a saber, que é autorrefutável. Ou
seja, a proposição “o valor de verdade de toda proposição é igualmente provável e
improvável” é também incerta. Em outras palavras, se é certo que para toda proposição (teoria
etc) existe uma outra, contrária, tão provável quanto ela, logo, para esta proposição que afirma
tal coisa, há outra proposição que a nega e que é tão provável quanto ela. Portanto, não é
verdade que para toda proposição (teoria etc) é possível haver outra tão provável quanto ela –
algumas são muito mais prováveis que outras.
Há uma passagem curiosa, citada por Aristócles12, que diz:

9
CF. GEISLER, Norman, FEINBERG, Paul D. Introdução à filosofia: uma perspectiva cristã. São
Paulo: Vida Nova, 2009.
10
CF. MARCONDES, Danilo. Op. Cit.
11
CF. Sexto Empírico. Hipóteses Pirrônicas. Cap. IV.
12
CF. Giovanni Reale, Dario Antiseri. Op. Cit.
Pirro de Elida (...) não deixou nada escrito, mas seu discípulo Tímon afirma que
aquele que quer ser feliz deve atentar para estas três coisas: 1) em primeiro
lugar, como são as coisas, por natureza; 2) em segundo lugar, qual deve ser
nossa disposição em relação a elas; 3) finalmente, o que nos ocorrerá, se nos
comportarmos assim. Tímon diz que Pirro mostra que as coisas: 1) são
igualmente sem diferença, sem estabilidade, indiscriminadas; logo, nem nossas
sensações nem nossas opiniões são verdadeiras ou falsas; 2) não é pois
necessário ter fé nelas, mas sim permanecer sem opiniões, sem inclinações, sem
agitação, dizendo a respeito de tudo: ‘é não mais do que não é’, ‘é e não é’, ou
‘nem é, nem não é’; 3) aos que se encontrarem nessa disposição, Tímon diz que
em primeiro lugar virá a apatia, depois a imperturbabilidade.

A questão é: como pode Pirro afirmar que as coisas são “igualmente sem diferença,
sem estabilidade, indiscriminadas” se, segundo afirma sua própria crença, as coisas em si não
podem ser alcançadas, mas apenas as aparências13?

As últimas críticas que teceremos sobre este tipo de ceticismo é essa: ele contraria o
senso comum. John L. Pollock, em seu trabalho recente, Knowledge and
justification,formaliza o argumento. É importante ter em mente, ao analisar o que se segue,
que o cético aceita as aparências, mas nega que se possa fazer qualquer afirmação assertiva
sobre a coisa em si14. Então se estivermos diante do seguinte argumento:

PREMISSA 1. Sinto água caindo na minha cabeça.


PREMISSA 2. Vejo a chuva cair
PREMISSA 3. Ouço o som da chuva batendo ao chão
PREMISSA 4. O noticiário da TV diz que está chovendo
PREMISSA 5. Meus amigos dizem que está chovendo
CONCLUSÃO: Está chovendo

A posição do cético será sempre a de dizer que as premissas de 1 a 5 são verdadeiras,


mas que o valor de verdade da proposição conclusiva é incerto. Entretanto, parecemos estar
mais racionalmente justificados a crer que a conclusão é verdadeira, do que incerta, dado que
não há invalidadores15 a essa conclusão.

13
CF. Sexto Empírico. Hipóteses Pirrônicas. Cap. X.
14
CF. Sexto Empírico. Op. Cit. Cap X.
15
Por exemplo, não tenho nenhum motivo para crer que estou alucinando, não tenho nada que impeça
minha visão, audição e sensitividade.
G. E. Moore foi, provávelmente, o mais proeminente “filósofo do senso comum”. Em
Four Forms of Scepticism, ele argumenta que todos os argumentos céticos fracassam porque
baseiam-se em pressuposições menos evidentes do que aquelas as quais os próprios céticos
negam. Para ficarmos com o exemplo anterior (da chuva, p.7), as suposições16 do cético
implicam que o valor de verdade da proposição “Está chovendo” é inapreensível. Entretanto,
a verdade da proposição “Está chovendo” é mais evidente do que qualquer uma das
suposições do cético. Uma vez que, se uma proposição A é mais evitendte do que uma
proposição B, então B não pode provar a falsidade de A, portanto, as suposições do cético não
podem provar a falsidade da afirmação “é verdadeiro que está chovendo”, e nem mesmo
provar que essa proposição não pode ser afirmada racionalmente.

5. Conclusão

Meu objetivo era olhar mais de perto as alegações das escolas céticas Acadêmica e
Pirrônica e, depois, tecer críticas a respeito delas. Acredito que ambos os objetivos tenham
sido concluídos com êxito, independente da força argumentativa do presente trabalho. Para
finalmente concluir, deixo claro que as escolas céticas apontadas foram importantíssimas para
o desenvolvimento da Filosofia, sobretudo no ramo da epistemologia. O ceticismo, como
metodologia e desafio ao epistemólogo, presta um serviço incomparável.

6. Referências bibliográficas.

KENNY, Anthony. Ancient Philosophy: A New History of Western Philosophy. Vol.


1, p. 173. Tradução: Lucas Vargas.
COPLESTON Frederick, A History of Philosophy (London: Burns, Dates &
Washbourne, 1959), vol. I
REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Filosofia Pagã Antiga.
São Paulo: Paulus, 2003.
SEXTO EMPÍRICO. Against the logicians
SEXTO EMPÍRICO. Hipóteses Pirrônicas

16
Suposições como a impossibilidade de acessar a coisa em si, mas apenas o aparente; que para toda
proposição haverá sempre outra de igual valor de probabilidade; que a suspensão do juízo é consequência
necessária etc.
MARCONDES, Danilo. Ceticismo Antigo. In: BRANQUINHO, João; MURCHO,
Desidério; GOMES, Nelson Gonçalves (Org.). Enciclopédia de termos lógico-filosóficos. 1.
ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 135-140
MORELAND, J. P.; CRAIG, William Lane. Philosophical Foundations For a
Christian Worldview. USA: InterVarsity Press, 2003. 673 p.
GEISLER, Norman, FEINBERG, Paul D. Introdução à filosofia: uma perspectiva
cristã. São Paulo: Vida Nova, 2009