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14/09/2017

Curso de Raciocínio Lógico Formal


Lógica de Argumentação
Argumento Válido ‘versus’ Argumento Correto

Argumento Válido versus Argumento Correto


Na Lógica Formal há duas formas de se classificar um argumento:
a) Quanto à Validade:
A validade decorre unicamente da estrutura lógica do argumento. Considera-se, neste caso, apenas COMO
foi dito, NUNCA O QUE foi dito. Em outras palavras, a verdade das premissas vem apenas da Tabela-
Verdade do argumento, quando suas premissas são colocadas em linguagem simbólica.
Lembre-se de que: “Para que um argumento seja válido é necessário que sua conclusão seja verdadeira,
sempre que suas premissas forem verdadeiras.”
Quando você estiver buscando a validade de um argumento, a verdade virá unicamente da estrutura lógica
(COMO foi dito), NUNCA do texto (O QUE foi dito).
b) Quanto à Correção:
Um argumento é dito correto quando todas as suas premissas e também sua conclusão têm valor lógico
verdadeiro, porém aqui a verdade decorre do JULGAMENTO das proposições (O QUE foi dito). A verdade
das premissas também poderia estar no COMANDO da questão, por expressões do tipo: “considere
verdadeiras as proposições...”, ou “dadas as proposições verdadeiras a seguir...”

RESUMINDO:
1. Na VALIDAÇÃO, a verdade vem da ESTRUTURA (aqui é proibido julgar as proposições);
2. Na CORREÇÃO, a verdade vem do JULGAMENTO das proposições ou do COMANDO.
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Argumento Válido versus Argumento Correto


Exemplos:
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Premissa 1: Se 7 é menor do que 4, então 7 não é um número primo.
Premissa 2: 7 não é menor do que 4.
Conclusão: 7 é um número primo.
O argumento acima não é válido, nas é correto.
Vamos começar examinando sua VALIDADE:
Sejam as proposições simples:
𝑝: “7 é menor do que 4.” ~𝑝: “7 não é menor do que 4.”
𝑞: “7 é um número primo.” ~𝑞: “7 não é um número primo.”
Argumento em linguagem simbólica:
F (2) ? (3)

𝑃: 𝑝 ⟶ ~𝑞 V
V (1)

𝑃: ~𝑝 V
𝑄: q ?

Argumento Válido versus Argumento Correto


Verifica-se que a conclusão não se torna verdadeira SEMPRE que todas as premissas são verdadeiras, logo,
o argumento não é válido.
Vamos examinar o argumento quanto à sua CORREÇÃO:
Agora, precisamos JULGAR as premissas:
𝑝: “7 é menor do que 4.” (F) ~𝑝: “7 não é menor do que 4.” (V)
𝑞: “7 é um número primo.” (V) ~𝑞: “7 não é um número primo.” (F)
Colocando-se os valores acima (obtidos através do JULGAMENTO das proposições) no argumento:

F (1) F (2)

𝑃: 𝑝 ⟶ ~𝑞 V
V (3)

𝑃: ~𝑝 V
𝑄: q V

Por julgamento, todas as premissas e também a conclusão têm valor lógico verdadeiro. Assim, diz-se que o
argumento é CORRETO.

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Argumento Válido versus Argumento Correto


Exemplos:
2)
Premissa 1: Se 5 é um número primo, então 5 não divide 15.
Premissa 2: 5 divide 15.
Conclusão: 5 não é um número primo.
O argumento acima é válido, nas é não é correto.
Vamos começar examinando sua VALIDADE:
Sejam as proposições simples:
𝑝: “5 é um número primo.” ~𝑝: “5 não é um número primo.”
𝑞: “5 divide 15.” ~𝑞: “5 não divide 15.”
Argumento em linguagem simbólica:
F (3) F (2) Alternativamente, o argumento é
𝑃: 𝑝 ⟶ ~𝑞 V válido pela regra Modus Tollens.

V (1)

𝑃: 𝑞 V
𝑄: ~p V

Argumento Válido versus Argumento Correto


Vamos examinar o argumento quanto à sua CORREÇÃO:
Agora, precisamos JULGAR as premissas:
𝑝: “5 é um número primo.” (V) ~𝑝: “5 não é um número primo.” (F)
𝑞: “5 divide 15.” (V) ~𝑞: “5 não divide 15.” (F)
Colocando-se os valores acima (obtidos através do JULGAMENTO das proposições) no argumento:

V (1) F (2)

𝑃: 𝑝 ⟶ ~𝑞 F
V (3)

𝑃: 𝑞 V
𝑄: ~p F

Por julgamento, vê-se que a premissa 1 e a conclusão são falsas, logo o argumento NÃO É CORRETO.

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