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Jacques Miranda de Oliveira 1a.

Edição
- 2010 Editora LCTE

(c) 2010 Jacques Miranda Dados


Internacionais de Catalogação na
Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do
Livro, SP, Brasil)
_________________________________
Miranda de Oliveira, Jacques;
Os 7 passos para falar bem e viver
melhor /Jacques Miranda – São Paulo:
LCTE Editora, 2010.

ISBN 00.0000.000.0

Bibliografia: 1.Administração 2.
Oratória 3. Auto-ajuda 4. Empresarial 5.
Comunicação
_________________________________
Índices para catálogo sistêmico:
oratória, comunicação, entrevista,
marketing pessoal
Reservados todos os direitos de
publicação à LCTE EDITORA

Projeto Gráfico/Diagramação Neux


Comunicação /ISOEditorial (11)
2464.9103 – 2447.1740

Capa
Jackeline Janchk
Revisão
Izabel Barbosa
1a. Edição
Agradeço:
àquele cujo facho invisível ilumina o os
meus passos;
às minhas companheiras de viagem:
Ana, Cibele e Gabriele e meus pais,
Shirley e José;
aos alunos, em especial, a você que
participou das aulas não somente com
a mente, mas sobretudo com o coração;

por fim, ao meu guru, José Augusto


Pinheiro pelo incentivo no caminho das
letras. Algumas coisas nesta vida não
voltam atrás: o tempo perdido, a flecha
lançada e a palavra proferida.
Provérbio Hindu
SUMÁRIO
Prefácio de José Augusto Pinheiro
Introdução
1. O que é comunicação
2. A Oratória
3. A arte de falar bem
4. Você tem medo de falar em público?
5. Palavras encantadas ou boa oratória
6. Elementos lingüísticos e
paralinguísticos
7. Qualidades de um bom orador
8. Passo número 1 - Controlando o medo
e a timidez

8.1. O melhor computador do mundo


8.2. Inteligência emocional. Questão de
controle
8.3. Lei da atração
8.4. Vencendo o medo
8.5. Gravando um novo registro
9. Passo número 2 - Desenvolver a voz,
teatralização e a musicalidade
9.1. Fonação diafragmática
10. Passo número 3 - Conhecer os
meandros associados à memória e os
motivos que causam o “branco”
11. Passo número 4 - Desenvolvimento
de atributos para aprimoramento da
capacidade postural e gestual
12. Passo número 5 - Livrar-se dos
cacoetes, adaptar e ou ampliar o seu
vocabulário
12.1. Cacoetes de pensamento
12.2 Cacoete de afirmação ou dúvida
12.3 Cacoetes de incerteza
13. Passo número 6 - Compreender o
público, os tipos de discurso e o assunto
13.1. Tipos de pessoas
13.2. Contextualizando o evento ao
público presente
13.3. Uma paranóia necessária
13.4. As quatro fases do discurso
13.4.1. Primeira fase - A saudação
inicial
13.4.1. Por falar em protocolo
13.4.1. Cuidado com as desculpas
13.5. Segunda fase do discurso – A
introdução
13.6. Terceira fase - O desenvolvimento
ou o corpo do discurso 13.4.1.
Gradações ou conjugações
13.4.1. Martirização ou vitimização
13.4.1. Metáforas
13.4.1. Parábolas ou fábulas
13.4.1. Hipérbole
13.4.1. Lítote
13.4.1. Antonomásia
13.7. Quarta fase - O encerramento ou
finalização
14. Passo número sete - autoconhecer-se
como forma de adaptar seu estilo e
controlar seus pontos fracos;
15. Comunique-se e viva melhor
16. Materiais de apoio para todos os
tipos de eventos
17. Tipos de Eventos
17.1. Reunião
17.2. Palestra
17.3. Seminário
17.4. Conferência
17.5. Simpósio
17.6. Brainstorming
17.7. Fórum
17.8. Mesa redonda
17.9. Debate
17.10.Congresso
18. Considerações finais
19. Referências bibliográficas
20. Anexos
Anexo I – Relaxamento
Anexo II – Exercícios de dicção
Anexo III – Fábulas
Anexo IV - Discursos memoráveis
*PREFÁCIO -
OCAMINHO PARA A
FELICIDADE
Para elaborar uma obra que faça
diferença positiva, entre os milhões de
novos títulos disponíveis no mercado
mundial a cada ano novo, exige-se
muitos dos atributos que você irá
encontrar neste “Os Sete Passos para
Falar Bem e Viver Melhor”.
José Augusto Pinheiro

Sete. Esse número sempre me foi muito


expressivo. Para a natureza e a história
da humanidade também. A semana, por
exemplo, tem sete dias. A origem da
expressão vem do latim septimana, que
significava sete manhãs. A semana foi
uma evolução na orientação de espaço
de tempo, cujo início ocorreu pela
relação do homem com a natureza e,
principalmente, com o que mais lhe
chamava atenção e influenciava em sua
vida: os astros lua e sol e os planetas
que podiam visualizar.

Na antiguidade a lua era, aos homens,


muito mais significativa do que o sol,
conceito que hoje não é bem
compreendido. A origem do período de
sete dias está vinculada com a duração
das fases da lua, que acabaram gerando
os primeiros calendários anuais,
conhecidos hoje como calendários
lunares, e que também geraram os
calendários semanais.

Em Portugal, no Brasil e em todos os


países de língua portuguesa existem duas
formas para representação da semana.
Uma forma de representação é derivada
da sequência de dias dos eventos
bíblicos, sendo sábado o sétimo e
último dia da semana - dia de oração e
de descanso.

As expressões segunda-feira, terça-


feira, quarta-feira, quinta-feira e sexta-
feira derivam de secunda feria, tertia
feria, quarta feria, quinta feria e sexta
feria do latim litúrgico, que
representavam o segundo, terceiro,
quarto, quinto e sexto dia seguintes ao
Sabbatum, no qual os judeus fazem no
sábado e os cristãos faziam suas orações
de fé e descanso no domingo da
ressurreição do Senhor. Isto desde o
primeiro século.

Portugal foi o único país do mundo que


adotou os dias da semana derivados
quase ipsis literis do latim litúrgico. Os
outros países e povos acabaram
seguindo uma evolução dos calendários
de origem em astros, deuses e do
relacionamento do homem com a
natureza.
Mú si ca
Sete é o número total de notas musicais.
Os nomes das notas (dó, ré, mi, fá, sol,
lá, si) têm a sua origem na música
medieval. Foi Guido d'Arezzo, um
monge italiano, que criou o sistema
solmização. Seis das sílabas foram
tiradas das primeiras seis frases do texto
de um hino a São João Baptista, em que
cada frase era cantada um grau acima na
escala. As frases iniciais do texto,
escrito por Paolo Diacono, eram:

“Ut queant laxis,


Resonare fibris,
Mira gestorum,
Famuli tuorum,
Solve polluti,
Labii reatum.”

Tradução: "Para que os teus servos


possam cantar as maravilhas dos teus
atos admiráveis, absolve as faltas dos
seus lábios impuros".
Mais tarde ut foi substituído por do,
sugestão feita por Giovanni Battista
Doni, um músico italiano que entendia
ser incômoda a sílaba para o solfejo; e
foi adicionada a sílaba si, como
abreviação de Sante Iohannes ("São
João"). A sílaba sol chegou a ser mais
tarde encurtada para so, para
uniformizar todas as sílabas de modo a
terminarem todas por uma vogal, mas a
mudança logo foi revertida.
Ar c o - ír is
Sete são, também, as cores do arco-íris.
Também chamado arco-celeste, arco-
daaliança, arco-da-chuva, arco-da-
velha, o arco-íris é um fenômeno óptico
e meteorológico que separa a luz do sol
em seu espectro contínuo quando o sol
brilha sobre gotas de chuva. Ele é um
arco multicolorido com o vermelho no
seu exterior e o violeta em seu interior.
A ordem completa é vermelho, laranja,
amarelo, verde, azul, indigo e violeta.

Para ajudar a lembrar a sequência de


cores do arco-íris, usa-se a mnemônica:
“Vermelho lá vai violeta”, em que
l,a,v,a,i representam a sequência laranja,
amarelo, verde, azul, indigo. O efeito do
arco-íris pode ser observado sempre
que existirem gotas de água no ar e a luz
do sol estiver brilhando acima do
observador em uma baixa altitude ou
ângulo. O mais espetacular arco-íris
aparece quando metade do céu ainda
está escuro com nuvens de chuva e o
observador está em um local com céu
claro.
Ci ne m a
O termo sétima arte para designar o
cinema foi utilizado por Ricciotto
Canudo no Manifesto das Sete Artes, em
1911 (mas publicado apenas em 1923).
Essa referência é meramente indicativa;
cada uma das artes é caracterizada pelos
elementos básicos que formatam sua
linguagem. As artes são assim
classificadas:

1ª Arte - Música (som);


2ª Arte - Dança/Coreografia
(movimento);
3ª Arte - Pintura (cor);
4ª Arte - Escultura (volume);
5ª Arte - Teatro (representação);
6ª Arte - Literatura (palavra);
7ª Arte - Cinema (integra os elementos
das artes anteriores).
Ma ra v i l h a s d o mu
ndo
As sete maravilhas do mundo são
majestosas obras artísticas e
arquitetônicas erguidas durante a
Antiguidade Clássica, cuja origem
atribui-se a um pequeno poema do poeta
grego Antípatro de Sídon. Das sete
maravilhas, a única que resiste até hoje
praticamente intacta é a Pirâmide de
Quéops, construída há quase cinco mil
anos. É interessante que na Grécia se
encontrava apenas a estátua de Zeus em
Olímpia, construída em ouro e marfim
com 12 metros de altura. A ideia que se
tem dela vem das moedas de Elis onde
foi cunhada a figura da estátua de Zeus.
As sete maravilhas do mundo antigo são:

1. Pirâmide de Quéops
2. Jardins suspensos da Babilônia
3. Estátua de Zeus em Olímpia
4. Templo de Ártemis em Éfeso
5. Mausoléu de Halicarnasso
6. Colosso de Rodes
7. Farol de Alexandria
Se t e m ar e s
Os sete mares eram um conjunto de
mares referidos durante a Idade Média
na literatura ficcional árabe e europeia.
Integram esse conjunto:

Mar Adriático
Mar Arábico
Mar Cáspio
Mar Mediterrâneo Mar Negro
Golfo Pérsico
Mar Vermelho
Vi rtu d es
As sete virtudes são derivadas do
poema épico Psychomachia, escrito por
Prudêncio, intitulando a batalha das
boas virtudes e dos vícios malignos. A
grande popularidade deste trabalho na
Idade Média ajudou a espalhar o
conceito pela Europa. É alegado que a
prática dessas virtudes protege a pessoa
contra as tentações dos sete pecados
capitais, com cada um tendo sua
respectiva contraparte. Existem duas
variações distintas das virtudes,
reconhecidas por diferentes grupos.

1. Castidade (latim: castitas) — opõe


luxúria.

Autossatisfação, simplicidade. Abraçar


a moral de si próprio e alcançar pureza
de pensamento por meio de educação e
melhorias.
2. Generosidade (latim: liberalitas) —
opõe avareza.
Despreendimento, largueza. Dar sem
esperar receber de volta, uma
notabilidade de pensamentos ou ações.
3. Temperança (latim: temperantia) —
opõe gula.
Autocontrole, moderação, temperança.
Constante demonstração de uma prática
de abstenção.
4. Diligência (latim: diligentia) — opõe
preguiça.
Presteza, ética, decisão, concisão e
objetividade. Ações e trabalhos
integrados com a própria fé.
5. Paciência (latim: patientia) — opõe
ira.
Serenidade, paz. Resistência a
influências externas e vontade.
6. Caridade (latim: humanitas) — opõe
inveja.
Compaixão, amizade e simpatia sem
causar prejuízos.
7. Humildade (latim: humilitas) — opõe
soberba.
Modéstia. Comportamento de total
respeito ao próximo. moderação da
própria
Passos p ara a f el i ci d
ad e
Assim como ocorre comigo, o brilhante
e nobre docente Jacques Miranda de
Oliveira, também é um entusiasta dos
números. Começou sua carreira de
escritor com a obra “Os 12
Mandamentos da Administração do
Tempo”, que tive o prazer de ler, com
grande alegria, em algumas horas de
dois dias consecutivos no ano de 2008.
Agora, Jacques nos brinda com esta
importante contribuição, e a intitula,
didaticamente, “Os Sete Passos para
Falar Bem e Viver Melhor”.
Sucintamente, aqui antecipados:
1º passo - Controlar o medo;
2º passo - Desenvolver a voz;
3º passo - Conhecer a memória;
4º passo – Valorizar os gestos;
5º passo - Ampliar o vocabulário;
6º passo - Compreender o público;
7º passo - Autoconhecer-se.
Jacques Miranda escreve com toda a
propriedade, pois pratica o que diz e
escreve com seu coração. Eu o conheci
em janeiro de 2001. Naquele tempo a
sua empresa, Neux Comunicação, era a
responsável pelas ferramentas que
mantinham vivo o portal de notícias
“Olhão.com”. Contratado para alimentar
o site com informações sobre o
município de Guarulhos, na Grande São
Paulo, eu tive a felicidade de observar
as maneiras cordiais e atenciosas do
‘professor’ Jacques. Desde então, a
nossa amizade só evoluiu. Para elaborar
uma obra que faça diferença positiva,
entre os milhões de novos títulos
disponíveis no mercado mundial a cada
ano novo, exige-se muitos dos atributos
que você irá encontrar neste “Os Sete
Passos para Falar Bem e Viver Melhor”.
Jacques não somente os possui em
profusão, como serve de rico modelo de
sucesso para quem acredita
– ou não! - em fórmulas pré-
estabelecidas para a concretização de
seus sonhos. Outro aspecto muito
importante - entre os inúmeros
conhecimentos, habilidades e atitudes
desenvolvidos por Jacques Miranda
durante seus mais de 30 anos de vida
profissional – é a comunicação eficaz.
Há momentos em que sua mensagem soa
simples, leve e até pragmática. Não se
deve apostar na manutenção dessa
trajetória por muito tempo, pois
subitamente ele muda o tom da conversa,
e a superficialidade cede lugar a
relevantes reflexões sobre a arte de
viver bem, utilizando-se as relações
interpessoais como matéria-prima para a
felicidade.
Parabéns a você, que tem em suas mãos
esta marcante obra sobre o caminho para
comunicar-se mais e melhor. Aprecie-a
sem moderação.
Parabéns a você, amigo-irmão-confrade
da Academia Guarulhense de Letras,
Jacques Miranda, pelo nascimento deste
“filho”, que dá seus primeiros passos
rumo à iluminação dos seus seguidores.
Para concluir, reproduzo aqui, com
singelas alterações, uma breve
mensagem de sabedoria:
Havia uma garota que gostava de
passear pelos jardins. Um certo dia, ela
viu uma borboleta espetada num
espinho. Muito cuidadosamente, a
menina soltou a borboleta, que começou
a voar para longe. Logo depois, porém,
a borboleta volta e diz à menina:
- Por sua bondade, vou conceder-lhe seu
maior desejo.
A garota pensou por um momento e
replicou:
- Quero ser feliz!
A borboleta inclinou-se até ela e
sussurrou algo em seu ouvido. Em
seguida, desapareceu.
A garota crescia, e ninguém na terra era
mais feliz do que ela. Sempre que
alguém lhe perguntava sobre o segredo
de sua felicidade, ela sorria e, ato
contínuo, respondia:
- Soltei a borboleta e ela me fez ser
feliz.
Quando ficou idosa, os vizinhos
começaram a temer que o fabuloso
segredo pudesse morrer com ela.
- Diga-nos, por caridade, o que a fada
lhe transmitiu?
A sempre feliz e amável velhinha
simplesmente sorriu e revelou:
- Ela me disse que todas as pessoas, por
mais seguras que pudessem parecer,
precisavam de mim!

Um forte e fraternal abraço.

José Augusto Pinheiro


Jornalista, mestre de cerimônias e
escritor www.voxaugustus.com.br
INTRODUÇÃO
Programe-se para ter novos
pensamentos, sensações, sentimentos e
você terá uma nova vida. Só depende
de você.
Steve Andreas

Para um bom comunicador, meia palavra


realmente basta?
Quem de nós, quando criança não
brincou de “faz-de-conta”? Aquela
brincadeira em que cada um tem que
falar uma bobagem qualquer para entrar
no jogo. Tem aquele que fala assim:
- Imagine se nós tivéssemos um monte
de elefantes morando com a gente em
nossa casa. Já pensou?
E aquele que fala assim...
- Já pensou se a gente tivesse que dar
comida para o nosso cachorro como se
dá comida para gente grande, ou seja,
colocando na mesa com refrigerante,
talher etc.
Quanta besteira, não é verdade?
Enquanto o assunto é mentirinha,
fazemos questão de dizer que se
imaginássemos no mais profundo
absurdo e “faz-de-conta” um mundo sem
comunicação, este mundo não existiria,
ou seja, não dá para imaginar um mundo
sem que as pessoas transmitam
informação entre si.
Quando falamos em comunicação não é
só dizer de um mundo de surdosmudos
ou de cegos (pois eles se comunicam!),
mas um mundo em que as pessoas não
trocam informação sobre nenhuma
forma.
Este mundo certamente não existe e não
dá sequer para ser imaginado. Mesmo
aquela criança com as mais férteis das
imaginações seria incapaz de brincar
com tamanha sandice.
É de se lembrar que a sociedade tem
tudo a ver com a comunicação. Se não
houvesse comunicação não haveria
sociedade.
Mesmo que se diga na imaginação
existir um mundo em que as pessoas não
se falam, ainda sobram as demais
formas de comunicação, como a escrita
e ainda a postura e o gesto que são
atributos que complementam a
comunicação, conforme veremos em
capítulos adiante.
Desta forma, a comunicação está
presente na sociedade e com isso
devemos pensar que ela é instrumento
para o desenvolvimento da mesma.
Muito mais do que desenvolver a
sociedade é a capacidade de tornar as
pessoas mais felizes.
A comunicação traz o progresso da
mesma forma que a desarmonia. Em
outras palavras, ao mesmo tempo em
que traz a paz, acende a chama triste do
fogo da guerra.
Existe uma lenda árabe que diz que um
determinado dia, um sultão acordou de
um sonho horripilante: sonhou que havia
perdido todos os dentes.
Logo que despertou, ordenou a um de
seus súditos que lhe trouxesse um
adivinho para que este interpretasse seu
sonho.
Ao tomar conhecimento do sonho, o
adivinho logo bradou:
-Que desgraça, senhor! Cada dente
caído representa a perda de um parente
de vossa majestade.
O Sultão não se conformou e retrucou
ferozmente:
-Mas que insolente! Como te atreves a
dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
Chamou os guardas e ordenou que
dessem cem açoitadas no adivinho.
Seguidamente, ordenou ao seu súdito
que lhe trouxesse outro adivinho. Este,
ao ouvir a história com muita atenção,
disse ao sultão:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos
está reservada. Este sonho significa que
haveis de sobreviver a todos os vossos
parentes.
A fisionomia do sultão iluminou-se num
sorriso e ele mandou dar cem moedas de
ouro ao segundo adivinho.
Quando o adivinho estava saindo do
palácio, um dos cortesãos lhe disse
admirado:
- Não é possível nobre senhor! A
interpretação que você fez foi a mesma
que o seu colega havia feito. Não
entendo porque ao primeiro ele castigou
com cem açoitadas e a você com cem
moedas de ouro?
-Lembra-te meu amigo - respondeu o
adivinho - tudo depende da maneira de
dizer. A verdade é uma só!
Assim, um dos grandes desafios da
humanidade está em aprender a arte da
comunicação. A comunicação é
responsável, muitas vezes, pela
felicidade ou pela desgraça, pela paz ou
pela guerra.
A verdade há que ser dita sob qualquer
circunstância, não resta dúvida, a
diferença está na maneira como ela é
dita.
Durante a trajetória profissional de
muitas pessoas, pudemos verificar que a
habilidade em comunicação é um
atributo muito reconhecido. Entretanto,
existem alguns que não consideram este
um atributo importante. Respeitamos.
Por outro lado, ousamos dizer que estas
pessoas na verdade tem uma relação não
muito boa com a comunicação, quer pelo
medo, quer pela falta de técnica.
De qualquer forma, é possível afirmar
que qualquer pessoa,
descomplicadamente, pode evoluir
passo a passo no mundo da comunicação
eficaz.
O argumento não reside somente em
tornar-se uma pessoa “faladora”, mas
entender que comunicar-se bem não é
somente trocar conhecimento. Quando
nos relacionamos utilizando-se
abundantemente da comunicação, o
resultado dessa interatividade vai além
daquilo que se ouve e do que os lados
dizem. Certa vez, ouvi um ditado que
dizia que a todo momento, enquanto nos
comunicamos, estamos trocando
emoções, ou seja, não ficamos somente
nas frias palavras.
Com base nisso, a tal da “meia palavra”
vem a ser “uma meia comunicação”.
Deve-se ter todo o cuidado para que o
recado seja dado por completo porque a
responsabilidade em relação a
mensagem deve ser muito mais do que
“despejar” frases.
Enfim, esta singela obra é fruto de um
trabalho construído ao longo dos anos
em situações reais, num pseudo-
laboratório que envolveu diversas
pessoas que tinham muito a dizer mas
tinham dificuldade de fazê-lo. O título,
Os 7 Passos Para Falar Bem e Viver
Melhor, vem ao encontro do provérbio
chinês que diz: “uma grande caminhada
começa com o primeiro passo”.
Buscou-se técnicas para controlar o
medo e a timidez. Desenvolver a voz,
criando atributos de teatralização e
musicalidade. Conhecimento acerca dos
meandros associados à memória e os
motivos que causam o “branco”, com
técnicas para retenção e sistematização
de informações. A busca de atributos
para aprimoramento da capacidade
postural e gestual. Livrar-se dos
cacoetes, adaptar e ou ampliar o seu
vocabulário. Compreender o público, os
tipos de discurso e o assunto. E, por fim,
autoconhecer-se como forma de adaptar
seu estilo e controlar seus pontos fracos.
Algumas pessoas perguntarão o porquê
do número sete. Para os numerólogos, o
sete é o número perfeito. A perfeição é o
que buscamos em termos de
comunicação e você pode chegar lá,
basta querer!
Bem-vindo a uma nova visão do mundo
da comunicação!
O q u e é co mu n i ca
çã o ?
Se a comunicação é primordial para os
povos, responsável pela paz e pela
guerra, o que dizem os filólogos a
respeito?
Para Aurélio Buarque de Holanda,
comunicação é todo “ato ou efeito de
emitir, transmitir e receber mensagens,
métodos e ou processos falados ou
escritos, sinais, signos ou símbolos,
aparelhamento técnico sonoro ou
visual”.
Como acontece a comunicação do ser
humano?
Grosseiramente falando, há de um lado o
emissor da comunicação. Do outro o
receptor da informação. Entre eles o
ruído e consequentemente a informação
e o feedback.
Segundo estudos avançados na área da
comunicação, o ser humano no momento
em que pensa na mensagem, só consegue
verbalizar 80% daquela idéia. Ao
transmitir a informação, 20% dela se
perde pelo caminho, quer por ruídos,
quer pela fonética utilizada, ou até
mesmo pelo ouvido do receptor. Em
seguida, este receptor concebe a
informação e só raciocina 40% dela.
Assim, nem sempre conseguimos um
bom resultado na comunicação, porque
daquilo que pensamos, menos da metade
chega ao seu destino como
desejaríamos.
Por isso é que existem pessoas que
falam algumas coisas e se esforçam por
mais de uma vez para que a informação
fixe. Os exemplos mais clássicos são as
formas de comunicação utilizadas por
grandes comunicadores, como o Silvio
Santos ou o presidente Luis Inácio Lula
da Silva.
O presidente, neste caso, usa muito a
metáfora uma figura de linguagem. Mais
adiante falaremos sobre algumas das
principais figuras de linguagem capazes
da conferir um determinado brilho em
todo o discurso.
Assim, além do uso das figuras de
linguagem, é importante complementar a
língua falada, pois a palavra
corresponde a apenas 7% da informação
que se pretende enviar. Por exemplo, seu
eu pronunciar apenas e tão somente a
palavra “banana”, você irá imaginar que
eu estou falando da famosa fruta
tropical. Entretanto, se eu der um pouco
de brilho, musicalidade, ênfase e
teatralidade na palavra, apenas com a
voz, o significado ficará muito
mais próximo do que eu quero dizer.
Com isso, acrescentaríamos mais 38%
do significado, chegando, portanto aos
45% da minha informação. Mas, ainda
não está completa a mensagem, pois não
era esta a informação que pretendo
passar. Portanto, eu preciso pronunciar a
palavra “banana” colocando ritmo,
musicalidade, teatralidade, ênfase ao
mesmo tempo que faço um gesto
característico de dobrar o braço direito
até 90 graus, junto com o pulso do braço
esquerdo batendo na parte de dentro do
antebraço. Tudo isso de uma vez
completa o que quero dizer, ou seja,
“dar uma banana”!
Comunicação é isto e mais alguma
coisa, ou seja, união de voz e seus
atributos e mais uma pitada de gesto,
postura...
Veremos mais adiante.
A O r at ór ia
A Oratória é uma disciplina
contemporânea preocupada em
desenvolver técnicas para melhorar a
expressão verbal, notadamente quando
esta acontece diante do público. Esta
disciplina flexibiliza elementos
lingüísticos que envolvem “o que
devemos falar” com elementos
paralinguísticos, “como falar”.

Isso diz respeito à forma e ao conteúdo.


Para exemplificar, imagine a situação
em que uma pessoa que está com sede
pede água para você. Em seguida, você
leva até ela o líquido precioso na sua
mão em formato de concha. A água é
boa, filtrada, limpa, mas a pessoa olha e
a rejeita. Nisso você diz para ela: qual o
problema, não é água que você quer?
Por outro lado, você pega uma taça de
cristal, abre a torneira do jardim, coloca
água e entrega para a pessoa beber.
Como você acha que ela reagiria a isso?
Certamente tomaria com muito gosto,
embora exista uma grande diferença
entre uma água e a outra, bem como uma
diferença entre as embalagens.

A comunicação funciona desta forma, ou


seja, a união de forma e conteúdo, isto é
“como falar” e “o que falar”. O ideal é a
junção das duas situações, como deveria
ser beber uma água limpa, cristalina em
uma taça igualmente adorável.
A ar t e de falar be m
A Oratória, além do conceito expresso
no dicionário, é também considerada “a
arte de falar em público”. Quando
falamos em arte, imaginamos logo que
as pessoas deveriam nascer com este
dom assim como nascem grandes
desenhistas, pintores, escritores, enfim,
pessoas das quais nos permitimos dizer
“fulano nasceu para isso”. Por outro
lado, entendemos que raramente as
pessoas nascem com a capacidade de
falar em público e alcançam este
propósito sem ao menos utilizar um
pouco de técnica. Desta forma, é
razoável dizer que as técnicas estão
disponíveis para qualquer pessoa e o
uso delas pode auxiliar tanto aqueles
que já nascem com o dom da
comunicação para aprimorar-se, quanto
aqueles que são pouco eloqüentes para
que possam alcançar seus propósitos e
tornarem-se bons oradores.

É importante deixar sublinhado que a


oratória não é utilizada somente para
fazer grandes discursos, falar em
público para multidões, etc. Serve
também para relacionar-se com outras
pessoas, ter uma visão mais ampla da
comunicação, conhecer melhor o seu
semelhante de maneira que – ao
conhecer o poder da comunicação –
possa utilizá-la em benefício da
sociedade.
Vo cê tem med o d e f a
l a r em p ú b l i co?
Há alguns anos, foi feita uma pesquisa
com o propósito de descobrir o grau de
apreensão que o ato de falar em público
gera perante a população. O projeto foi
levado a efeito, à época, pela igreja
católica em função da baixa adesão de
seminaristas, ou seja, muitos deles até
participavam de todas as tarefas afetas
ao treinamento preparatório, mas no
momento de “rezar a missa”, desistiam.
Neste questionário constava o seguinte:
-Informe qual das situações abaixo
provocam mais medo? ( ) Sofrer um
acidente e ficar defeituoso?
( ) Morte?
( ) Falar em público?
( ) Solidão?
( ) Outros. Especifique
(.................................)

O resultado foi o seguinte:


Falar em público 44%
Sofrer um acidente e ficar defeituoso
18% Morte 11%
Solidão 9%
Outros 18%

Interessante que, em contato com esta


pesquisa, em relação à morte, a maior
parte das pessoas diz não temer a morte,
mas sim a maneira como se chegará até
ela, apontando para um dado
interessante que diz respeito à
característica que todo ser humano tem
de evitar a todo custo a dor. Esta
característica dá um tom exato do quanto
“falar em público” é complicado para
várias pessoas. Esta complicação se dá
em função da possibilidade de expor seu
lado ruim, de sujeitar-se à dor, ao
constrangimento.

Como disse Platão (428-347 AC),


filósofo grego discípulo de Sócrates, só
é possível conhecer alguém
verdadeiramente se este alguém
comunicar-se. A famosa frase “fala para
que eu te conheça” está verdadeiramente
arraigada em nosso subconsciente e nos
faz cuidadosos em função daquilo que
iremos falar, pois, em algum momento,
podemos “escorregar” e provavelmente
ficaremos conhecidos como uns
fracassados.

É exagero falar desta forma? Talvez.


Mas, num mundo em que a aparência diz
muito a seu respeito, investir em você
para que seja possível demonstrar-se
uma pessoa de sucesso, é algo que deve
ser pensado com carinho.

Vamos dizer que “falar”, é algo que


você já faz.
Você precisa mesmo é encantar!
Vamos em frente!
Pal av ras en can tad
as ou boa or at ór ia
Não existe uma piada, frase, uma
epígrafe, um tema por mais moderno,
bem escrito, humorado ou curioso que
seja que não possa ser melhorado por
alguém que tem o “dom da palavra”.
Mas, isso não é tarefa fácil, pois você
deve construir todo o conteúdo dando
determinada vivacidade a ele. Se assim
não fizer, é bem provável que não
empolgue, ao contrário, que o
maravilhoso assunto abordado se torne
um momento desagradável, enfadonho,
impertinente, típico daquelas pessoas
que começam a contar uma piada
dizendo “não sei contar piada”.

Existem alguns políticos no Brasil que


defendem teses que às vezes beiram
absurdos. Muitos discordam dos
argumentos ali apostos, mas todos, sem
exceção, concordam com a habilidade (e
porque não coragem) com que o orador
coloca os tais argumentos. Uma destas
figuras do cenário político nacional é
Paulo Maluf (1931), engenheiro civil,
foi deputado federal, duas vezes prefeito
e uma vez governador do estado de São
Paulo. Envolvido em escândalos por
desvio de verba em sua gestão, tornou-
se folclórico ao afirmar
peremptoriamente que não possuía
dinheiro no exterior, mesmo quando a
justiça comprovou com documentos e
extratos bancários a existência de tais
contas com obscenas quantias em
dólares americanos.

Paulo Maluf, além da excelente


capacidade de comunicação, ainda nutre
uma admirável memória, fruto de
treinamento e uso de técnicas que
envolvem ligações mnemônicas. Era
muito comum ele retornar de uma cidade
que havia visitado há alguns anos e
recordar o nome e algumas
características familiares das pessoas as
quais se relacionou brevemente.

Maluf não é o único nessa lista. Some-se


à qualidade de oratória de Pedro Simon,
Michel Temer, Gabriel Chalita, João
Dória Júnior, dentre outros. Dizem que
um dos maiores oradores do Brasil foi
Joaquim Nabuco, pois utilizava uma
grande variação sonora, tirando
qualquer pessoa do seu lugar comum e
fazendo-a viajar nas palavras. Essa
variação de tom é importante, conforme
veremos adiante.
Ele m e nt o s ling uís t
ic o s e p aral i n gu í
sti cos
Conforme dissemos, os elementos
linguísticos provém de conhecimentos a
respeito do assunto que será tratado. É o
que dissemos sobre o conteúdo; a água
que iremos beber. Em todas as
circunstâncias, é importante preparar-se
para estar diante de um público. Esta
preparação consiste na capacidade de
buscar informações de diversos setores
sobre o tema e assim municiar-se de
argumentos de convencimento,
preparando-se para eventuais objeções.
Se pensar desta forma, isto é, na
importância de conhecer o assunto,
certamente alcançará objetivos mínimos
de comunicação. Por incrível que
pareça, tem muita gente que ousa falar
em público e sequer se prepara para
este momento. Conclusão: acaba sendo
bombardeado e fica à mercê de um
achincalhe público.

Já os elementos paralinguísticos dão


conta das técnicas para melhor falar, tais
como timbre e projeção de voz,
expressão facial, gestual, teatralização,
vestuário e outros. É aquilo que
dissemos a respeito da “forma”, com o
exemplo que passamos sobre o copo de
cristal. Ousamos ir um pouco além e
dizer que muitas pessoas não têm o
conhecimento sobre aquilo que vai falar
mas tem a forma, tem habilidade para
falar e até acabam atingindo
parcialmente o objetivo da
comunicação. Para você que pretende
aprimorar sua capacidade, a melhor
maneira está em desenvolver algumas
técnicas para adequar seu conhecimento
à sua atual forma de se expressar.

Assim, com as ferramentas que iremos


sugerir, será possível moldá-lo para que
você disponha de elementos capazes de
levar com muito estilo a informação
para qualquer público.

Ou seja, um copo belíssimo com uma


água saudável e cristalina. Quem não
beberia?
Qu a l i d a d es d e u m
b o m orador
A oratória encarada como técnica define
algumas das principais qualidades que
um bom orador deve ter, dentre elas,
destaquem-se:
Memória
Capacidade de conceber as
informações, retê-las e utilizá-las no
momento certo.
Habilidade
Falamos de um jogo de cintura, ou seja,
a capacidade de sair-se de situações
difíceis.
Inspiração
Capacidade de automotivar-se sob
qualquer pretexto e tirar de si o melhor
para o público, podendo surpreendê-lo.
Criatividade
Ligada à maneira como você conduz um
tema, adaptando-se à plateia e buscando
exemplos cotidianos.
Entusiasmo
É a capacidade que você tem em
contaminar as pessoas com bons fluidos.
Como diziam os gregos é utilizar-se do
seu “Deus Interior”.
Determinação
É uma característica daqueles que
começam e terminam suas empreitadas,
independente dos atropelos comuns.
Observação
Está diretamente ligado a interpretação
do feedback do público, como maneira
de realimentar seu discurso.
Teatralização
A interpretação daquilo que se está
falando, movimentando membros e
adaptando a fala no sentido de
aproximar o público daquela mensagem.

Independente desses quesitos, depois de


uma série de estudos envolvendo várias
situações de apresentações em público,
reuniões, congressos, fóruns, estudos de
bibliografias, autores, constatou-se a
possibilidade de se alcançar um bom
nível de comunicação com um trabalho
que possa abranger sete estágios ou
passos, conforme abaixo:
1. Controlar o medo e a timidez;
2. Desenvolver a voz, teatralização e
musicalidade;
3. Conhecer os meandros associados à
memória e os motivos que causam o
“branco”, com técnicas para retenção e
sistematização de informações;
4. Desenvolvimento de atributos para
aprimoramento da capacidade postural e
gestual;
5. Livrar-se dos cacoetes, adaptar e ou
ampliar o seu vocabulário;
6. Compreender o público, os tipos de
discurso e o assunto;
7. Autoconhecer-se como forma de
adaptar seu estilo e controlar seus
pontos fracos.
Veja que é possível perceber que cada
um dos passos mencionados já está
presente nas características de qualquer
pessoa, independente da sua atividade
profissional. O importante disso tudo é
aprimorar cada um deles, reconhecendo
e tornando-os ferramentas para uma
comunicação eficaz.
Então vamos a eles!
PASSO NÚMERO1
CONTROLANDO O
MEDO E A TIMIDEZ
Para um único êxito, é necessária uma
constelação de acontecimentos. Rainer
Maria Rilke

O medo é o maior de todos os


problemas associados à comunicação,
por isso começamos por aqui.
O medo é um sentimento de inquietação,
de apreensão em face de um perigo real
ou imaginário. É também um sentido de
apreensão, um receio, um temor que se
reverte em um sofrimento. Quando
deparamos com tal sentimento, sofremos
uma descarga de adrenalina que acaba
por provocar a confusão que todos
conhecemos: as pernas ficam trêmulas e
muitas pessoas, às vezes, precisam se
apoiar para não caírem; as mãos suam
que chegam a pingar tal o descontrole do
organismo. Pior ainda, em relação às
mãos, quase sempre não sabemos o que
iremos fazer com elas: ora no bolso, ora
para trás, ora para frente.
Este sentimento de medo faz mais uma
vítima que é o nosso coração. Neste
momento, ele começa a bater mais forte
e conseqüentemente ocorre o aumento da
sua pulsação sanguínea. A voz tende a
dar uma enroscada na garganta, pois nos
esquecemos de fazer algo que sequer
necessitamos pensar para fazer: respirar.
Isso mesmo, as pessoas esquecem de
respirar em face do nervosismo.
Com o medo, também acontece a falta de
reações químicas cerebrais, ou seja,
seus neurônios deixam de fazer as tais
sinapses, que são as trocas químicas que
representam a comunicação orgânica.
O medo associado à oratória é o modelo
mental de uma reprimenda social, ou
seja, é a possibilidade de expor para
todos verem o quanto você é um
fracassado. Em outras palavras, ninguém
quer colocar numa vitrine a prova de sua
incompetência. O medo é o verdadeiro
ladrão da felicidade. As pessoas se
sentem congeladas diante da
possibilidade do fracasso, da rejeição,
da crítica, de – efetivamente – não estar
à altura das outras pessoas. Todos nós
fugimos da dor. Uma reprimenda social
é uma forma de dor. Tanto não gostamos
de ser agredidos fisicamente, quanto
detestamos quando somos chamados à
atenção.
Quando você repreende uma pessoa,
dependendo da forma como você faz,
mesmo que você tenha razão, pode
despertar no reprimido um sentimento
animal, isto é, ele pode agir como agiria
alguém que estivesse acuado.
Certo dia, um amigo foi mordido por um
cão que morreu alguns minutos depois.
A cena foi muito curiosa, porque ele –
este amigo - é daquelas pessoas que
adoram animais e, por acaso, estava em
uma rodovia quando pode presenciar o
animalzinho sendo atropelado. O
motorista que estava à sua frente, tentou
até desviar, mas o pouco que pegou foi o
suficiente para jogar o cachorro há
alguns metros de distância. Ele parou o
carro imediatamente e pensou em
socorrer o cachorro que estava no
acostamento. Ao chegar perto, verificou
que ele estava tentando se levantar, e
num gesto de solidariedade, colocou
uma mão no dorso do animal e outra na
cabeça para consolá-lo. Neste momento,
o cachorro mordeu-lhe a mão
raivosamente, rosnou, abaixou a cabeça
e desfaleceu. Este meu amigo, deixou o
cachorro no local, já morto e foi
providenciar auxílio médico para seu
ferimento.
Portanto, todos os animais querem fugir
da dor e o ser humano não é diferente.
Quando está acuado, é capaz de ferir
tanto o seu algoz como o seu salvador. O
livro Conversando com Deus, de Neale
Donald Walsch, trava um diálogo sobre
os maiores problemas que afligem a
humanidade, dentre eles, alguns casos de
pessoas que dizem não admitir a
existência do próprio Deus.
Mas porque as pessoas fazem isso?
Segundo o livro, todas as ações humanas
são motivadas em seu nível mais
profundo por uma entre duas emoções:
medo ou amor. Ousamos dizer que as
pessoas aprendem pelo amor ou pela
dor. Todos os pensamentos e atos
humanos se baseiam nesta dualidade. E
eis aqui como o comportamento produz
experiência após experiência; é por isso
que os seres humanos amam, depois
destroem e então amam novamente:
sempre existe a passagem de uma
emoção para outra. O amor abona o
medo, que abona o amor que abona o
medo...
A dor ou o medo tem o seu lado bom. Se
não tivéssemos medo das coisas,
certamente não estaríamos onde
estamos, pois todos os nossos atos não
teriam freio. Os exemplos abundam:
morreríamos de frio, nos queimaríamos,
para não dizer dos exemplos mais
esdrúxulos como a possibilidade de
pular do 22o. andar de um prédio,
afinal, sem medo não há dor.
Toda essa argumentação é suficiente
para passar a você o quanto é importante
o medo e que ele é um elemento
motivador para que alcancemos
objetivos maiores em nossa vida. Com
isso, imaginem alguém que não tenha
receito de falar em público, pode ter um
trabalho de péssima qualidade.
Para superar o medo precisamos pensar
um pouco como funciona o mecanismo
que nos coloca naquela posição de
defensiva em face de determinadas
circunstâncias. É sabido que nosso
cérebro reage a determinados
acontecimentos baseados em várias
situações. Duas das principais vertentes
dizem respeito ao aspecto cultural
destes episódios e a outra pelo lado das
gravações de informações. É a história
de crianças que foram repreendidas na
infância e neste momento tiveram
gravadas em seu subconsciente este
reprimenda social. Ali, portanto, está a
informação negativa em relação àquela
reprimenda que certamente não está
acessível para busca imediata, pois o
subconsciente é o subterrâneo do nosso
conhecimento.
Foi gravado um certo registro negativo e
toda vez que se depara com um
problema igual a este, o seu organismo -
mesmo que inconscientemente - irá
defender-se do que comentamos: da dor.
É muito complicado tirar da mente este
padrão lá construído. A psicoterapia
pode colaborar para que este
determinado padrão seja superado e não
se converta mais em dor, ou seja, que se
busque a superação dele.
Existem muitas pessoas que sofrem
determinados traumas e acabam
superando-o pelo simples fato de
encará-lo de frente. Esta é uma das
linhas da própria psicoterapia, ou seja,
fazê-lo superar aquele trauma.
Com diz o ditado, um gato escaldado
(que caiu numa panela de água quente)
tem medo de água fria. A neurociência
tem uma forma diferente de agir, pois é
baseado na gravação de uma informação
sobre aquela existente e não a
descoberta de uma maneira de ignorá-la.
Veja que são raciocínios diferentes.
Assim, se em algum momento da sua
vida você foi achincalhado por algo que
falou, esta mancha está no seu
subconsciente e vai ficar, a não ser que
você grave outra por cima. Se um carro
passa na poça d’água e te espirra, você
tem uma reação; se alguém te joga um
esguicho de carnaval, a sua reação é
aquela da poça d’água.
As coisas na nossa mente funcionam
como modelos mentais, algo que temos
como padrão, embora não consigamos
acessar facilmente esta informação. Os
tais modelos mentais, são discutidos a
todo momento. Acontece que o nosso
cérebro vai acumulando informações
aqui e ali e montando referidos modelos
mentais. Eles servem como padrões e
toda a vez que buscamos a informação,
ele procura se adequar àquele padrão.
Nós temos o costume de chamar estes
modelos de “pré-conceitos” e “pré-
ocupações”. Veja o exemplo: imagine
você seguindo em frente por uma rua. É
tarde da noite, você ouve passos de
alguém a certa distância. Neste momento
você lembra-se de ter ouvido falar a
respeito de um maníaco que anda
assombrando a região. Você continua
andando, agora certamente menos
relaxado, pois seu corpo neste momento
envia o hormônio conhecido como
adrenalina, fazendo com que seus
músculos fiquem contraídos, sua
respiração ofegante, seus batimentos
cardíacos mais rápidos. Seu corpo
também recebe uma carga de “controle”
de outro hormônio, a noradrenalina,
Tudo isso acontece sem você se dar
conta. Ainda assim, seu organismo,
prevendo que você poderá utilizar seus
músculos, manda outro hormônio, o
cortisol, que é liberado quando o corpo
se encontra em situações de alto estresse
físico e mental e alta temperatura. Esta
reação corpórea advém de uma situação
meramente emocional. Num dado
momento, você sente que alguém tocou
em seu ombro, imediatamente vira-se
para a pessoa e ouve:
- Olá, como vai Fulano! – quem te
cumprimenta era um velho amigo que
estava passando por ali e você, por
algum motivo, criou um modelo mental
desastrado. Essa resposta do emocional
acontece – como já dissemos – baseado
num padrão “lógico” que seu cérebro
criou de acordo com sugestões
existentes nele mesmo e com isso,
passamos a acreditar em algo que não
seja verdade.
Você pode estar pensando que nosso
organismo é burro, mas não é, ao
contrário, ele é super inteligente!
Convido você a acompanhar o seguinte
raciocínio:
Eventualmente você vai até a casa de um
amigo e o ajuda a fazer o almoço. Algo
muito moderno hoje em dia para aquelas
casas ou apartamentos em que se
instalam os tais “cook center”. Durante
esta preparação você é convidado a
providenciar um suco de laranja para
todos os presentes. Naquele momento,
você entra pela cozinha do dono da casa
e sai procurando os apetrechos para
aquele suco. Procura a máquina de
espremer laranjas, abrindo um por um
dos armários até que encontra. A
cozinha é grande e moderna. Passa a
procurar a faca e, depois de revirar
todos os lugares, encontra a gaveta de
talheres, escondida dentro de uma porta
de armário. Sua próxima tarefa é
localizar uma tábua para cortar as
laranjas e esta foi mais fácil, pois estava
bem embaixo da pia. Faltavam, pois, as
laranjas, o principal ingrediente do seu
suco. Assim, ao vasculhar todas as
portas da cozinha, percebeu que a
laranja não estava fácil ali não. Você se
pergunta se não deve haver uma
despensa por ali. Envergonhado por
perguntar para o proprietário da casa,
você passa a procurar sozinho para ver
se consegue encontrar. Abre porta aqui,
ali, até que encontra um saco de
laranjas, muitas laranjas, em sua maioria
com uma aparência de laranjas verdes.
Na dúvida quanto ao quanto a utilidade
daquelas para o suco e temeroso de que
o suco – uma das poucas tarefas que lhe
foram confiadas – viesse a ficar com o
sabor comprometido, você pega uma
única laranja e vai até a tábua para
cortá-la. Primeiro você passa uma água
sobre a laranja, e percebe que a fruta
selecionada é perfeita, ou seja, não tem
nenhum furo, mas realmente está com
uma cor muito esverdeada, parecendo
estar azeda mesmo. Coloca sobre a
tábua e aproxima a faca cortando-a na
metade, deixando cair para os lados.
Naquele momento, você admira sua
polpa ao mesmo tempo em que sente o
cheiro de fruta fresca, sem identificar o
azedume. Com isso, você para tirar a
dúvida de vez, leva a fruta até a boca,
lambendo a polpa e até espremendo o
suco em sua língua. Ora, se você, caro
leitor, acompanhou detalhadamente o
episódio, está com a boca cheia d’agua
em função da laranja que não foi
verdadeiramente espremida em sua
boca, mas o que fizemos, foi criar um
mapa mental; uma sugestão.
No momento em que a laranja foi
espremida e poderia estar azeda, seu
organismo já se defendeu. Ele colocou a
saliva para recepcionar o suco e os
demais órgãos internos já se prepararam
para o ácido que poderia chegar até
eles.
Assim são as nossas reações, que podem
ser explicadas pela neurociência e na
maioria das vezes, reagimos às
situações baseadas na sugestão que
alguém faz ou que o nosso cérebro busca
no armazém das experiências anteriores.
Enfim, nossa vida é toda decidida nos
andares de baixo, nos subterrâneos da
emoção. Não conseguimos acesso fácil e
existem coisas das quais não pedimos
que aconteça. Elas vão acontecer por
programação.
Estas informações que ficam gravadas
neste subsolo, às vezes trazem
consequências graves para o ser
humano, como por exemplo, aquelas
crianças que são humilhadas durante sua
permanência na constrangimento é
chamado de BULYING. Normalmente,
são crianças ou ridicularizadas e, a
exemplo dos instintos animais,
acumulam uma grande fúria, causando –
às vezes - uma grande tragédia.
Em 2007, no Campus Virginia Tech
EUA, o sul-coreano Cho Seung-Hui,
enfurecido, matou 33 pessoas, em sua
maioria alunos da faculdade. A análise
do episódio demonstrou o quanto viver
num ambiente altamente competitivo, no
qual o sucesso não é avaliado apenas
pelo desempenho, mas também pelas
conquistas de caráter social, como por
exemplo, ser popular, dar-se bem nas
atividades esportivas e,
fundamentalmente, não ser tímido, pode
fazer com que aqueles que não tem a
capacidade de atingir tais objetivos,
busquem como alternativa a fuga da
realidade ou a vingança. Felizmente,
nem todas as pessoas são iguais.
Por outro lado, além do medo, temos a
timidez que pode também ser um
elemento de complicada administração.
Um estudo recente, fruto de longas
pesquisas, constatou que ¾ da
população é tímida, isto é, a cada quatro
pessoas, três são tímidas. Ser tímido não
significa necessariamente ser fechado,
mas não ser eloqüente, muito falador,
daqueles que passam falando e
cumprimentando todo mundo, aquilo que
podemos chamar de cara-de-pau;
exímios vendedores. Os tímidos,
portanto, são a regra e a maioria. Ser
extrovertido é que é a exceção!
Segundo Bernardo Carducci (Shyness:
The New Solution, in Psychology Today,
Janeiro de 2000), a timidez não é
doença, mas pode trazer complicações
de ordem social. Timidez em estágio
muito exagerado é um “problema de
comunicação” e assim, é possível até
corrigir a timidez, trabalhando os
detalhes relativos à comunicação.
Este estudo demonstrou também que
grande parte das dificuldades no
relacionamento humano diz respeito a
possíveis falhas de aprendizagem, ou
seja, a pessoa reage com timidez
exagerada porque não aprendeu
corretamente a se relacionar com a
sociedade. Essa “falha” torna a pessoa
vulnerável a preconceitos, que na
verdade são crenças que interferem
diretamente no processo decisório do
indivíduo. Ele começa,

escola. Hoje, este tipo de humilhação ou


pessoas acanhadas e retraídas que são
portanto, optando pela fuga buscando a
ausência, silêncio ou, em estágios
avançados, a submissão.
O que o medo tem a ver com a timidez?
Tudo! Quando modificamos a imagem
do tímido (substituindo um preconceito
por um novo conceito) deixa de ter
sentido. Assim, o preconceito é a
imagem que você acha que as pessoas
tem de você.

É oportuno entender e compreender a


diversidade. Existem pessoas altas,
baixas, gordas, magras, carecas,
faladeiras, cultas, displicentes, com
piercing, sem... Usam terno, usam jeans,
religiosas ou não, observadoras,
extravagantes, tímidas, politizadas,
ignorantes, discretas, indiscretas,
gananciosas, curiosas, habilidosas,
felizes, amarguradas, perdulárias, que
gostam de esportes, que gostam de
música, que gostam de tudo, que não
gostam de nada... Enfim, não existem
duas iguais... Melhor do que isso: todas
são especiais.
O tímido tem sempre uma pergunta: “o
que vão pensar de mim?”. Esta
preocupação com “o que os outros vão
pensar” é muito parecida com a
sensação do medo comum, aquele medo
que as pessoas têm de barata, quarto
escuro, alma penada, etc. É a
preocupação com o perigo, com o mal
que pode acontecer, ou seja, o modelo
mental que comentamos anteriormente.
Desta forma, se você acredita que as
pessoas vão pensar mal de você, isso se
torna uma realidade, pois seu organismo
conspira neste sentido. É, portanto, o
modelo mental negativo que foi criado
baseado em uma repetição.
Como resolver este problema? Parece
simples, mas o que é necessário é a
repetição de uma imagem associada ao
“poder” para que isso acabe sendo
gravado por cima e se torne uma crença.
Mas a comunicação, ou seja, o ato de
falar é uma forma de poder. Entretanto,
comunicar-se não significa
necessariamente ter que falar
constantemente, pois é importante ouvir.
Logo, se você é tímido, exerça sua
capacidade de ouvir as pessoas. Fora
isso, pratique a autosugestão para
“corrigir” a timidez. Pratique
diariamente o exercício de perguntar-se
sobre vários assuntos, colocando
inicialmente a seguinte locução:
- O que eu faria se...
Exemplo: O que eu faria se estivesse
numa entrevista de emprego, numa
reunião importante, numa palestra para
100 pessoas...
Anote aí mais uma dica importante: falar
na frente do espelho. Aproveite e
gesticule, dance, ria, pule..., pois na
hora em que você estiver sentindo
vergonha de si mesmo, ou dar aquele
friozinho na barriga ou, ainda, aquela
sensação de arrepio, você estará
desinibindo-se e perdendo a
“vergonha”. Vale tudo para driblar a
timidez que tanto incomoda você, repito,
só você, pois, conforme dissemos, 75%
das pessoas também são tímidas.
Pratique!
Certo dia, encontrei um amigo que há
muito tempo não tinha contato e percebi
nele uma diferença em sua maneira de
ser, pois era especialmente inibido. Ele
disse ter se tornado um sujeito
extrovertido em função de sua nova
atividade como vendedor. – Não existe
outra maneira de vender senão falar,
falar..., disse. Portanto, está aí o
remédio: falar.
Dentro do contexto paralinguístico, ao
aprender técnicas do “como falar”, você
se livra da timidez para sempre, ou seja,
não precisa se considerar um
“excluído”.
Que tal algumas técnicas?
O mel h o r co mp u ta
d o r d o mu n d o
O nosso cérebro é um computador
magnífico. Certamente você já ouviu
falar por mais de uma vez que o nosso
cérebro é igual a uma máquina, um
computador, ou seja, é possível
programá-lo.

O detalhe – se é que é um mero detalhe -


é que não sabemos ao certo qual é a
maneira de programá-lo, ou melhor,
como dizem os especialistas em
informática, não conhecemos
perfeitamente a “linguagem” para
conversar com o nosso magnífico
cérebro.

Parece simples, mas não basta somente


falar com o nosso cérebro pedindo que
ele guarde determinada informação, ou
que reaja a determinados
acontecimentos da maneira que
desejamos. O cérebro é um mecanismo
arredio, um tanto complicado de ser
domado e, às vezes, capaz de nos
enganar. Se não sabemos como
“ensinar” o nosso cérebro, ele reage
espontaneamente, ou seja, por sua
“própria” vontade e é difícil entender
porque isso acontece. De toda forma, dá
até para utilizar isso como aprendizado.
É o mínimo que podemos fazer, ou seja,
de acordo com sua reação a
determinadas situações, podemos então
prever.

Há alguns fatos que acontecem por obra


do nosso indecifrável cérebro que são
muito difíceis de compreender. Por
acaso você já deparou ou conhece
alguém que não tinha namorado e
consequentemente muita dificuldade de
encontrar um parceiro ou parceira mas,
quando enfim encontra e começa um
relacionamento, aparecem vários
pretendentes? E quando você, depois de
muita pesquisa, compra um carro e, ao
sair com o carro da loja, percebe que
tem várias pessoas com o mesmo carro?
Tem mais, e este é bem pior, quando a
pessoa tem dificuldade para engravidar,
faz todo o tipo de tratamento e quando
decide adotar, vai até um orfanato,
acompanha todo o complicado processo
e chega até a levar o novo filho para a
casa, adivinha o que acontece? Isso
mesmo, a mulher engravida!

Enfim, existem aqueles casos


impossíveis de maridos que chegam a
perder até os dentes em função da
gravidez de sua esposa, pois as
mulheres tem uma deficiência de cálcio
e é comum ter problemas dentários nesta
fase. Outros sentem náuseas, um volume
na barriga, inchaço nas pernas, dentre
outros sintomas. Vai entender!

Dizem os especialistas em neurociência


que nosso cérebro precisa ser
civilizado, ou seja, fazer algo para que
ele responda aos seus estímulos, ou
melhor, de acordo com a vontade de seu
dono, e não necessariamente por conta
de um impulso interno ou externo.
Int elig ência
emocional. Qu estã o d
e co n tro l e?
Esta é uma tarefa para a disciplina
denominada Inteligência Emocional,
pois, segundo uma pesquisa feita em
uma das universidades mais
conceituadas do mundo, descobriu-se
que o cidadão de alto QI (quociente de
inteligência) não tem necessariamente o
seu sucesso pessoal ou profissional
garantido.

Quem conduziu esta pesquisa foi um dos


precursores da teoria da Inteligência
Emocional, Daniel Goleman, pois, para
ele, é mais importante a maneira como
você reage aos acontecimentos do que o
próprio acontecimento. Ele argumentou
que o bom resultado de uma empreitada
não diz respeito ao ambiente que a
pessoa está, pelo contrário. Existem
pessoas que moraram em condições sub-
humanas que se tornaram juízes de
direito, grandes empresários. Outros,
nascidos em berços de ouro que se
tornaram droga-dependentes.

Desta forma, quando você pensar que


não tem capacidade para falar bem em
público, deve imaginar uma possível
falta de técnica, de conhecimento que
requer um aprendizado. Você nunca falta
deve atribuir a uma possível falta de
inteligência, pois o mais importante é a
maneira como você reage aos episódios
que acontecem em sua vida e não
necessariamente a sua capacidade de
solucionar problemas.
Le i da at r aç ão
Muito antes do sucesso do best seller
“The Secret” de autoria de Rhonda
Byrne, vários autores já preconizavam a
necessidade de uma autosugestão para a
formação de uma imagem que afaste as
coisas ruins e a atraiam as coisas boas
para você. A tônica central da tal da Lei
da Atração reside no fato da existência
de um imã em nosso cérebro que atrai
para nossa vida o fruto de nosso desejo.

Alguns dos argumentos constantes nesta


importante obra demonstram o quanto é
imprescindível que você escolha sempre
o melhor para você, não deixando de
forma alguma se contaminar com os
problemas das outras pessoas. Muitas
pessoas tem a capacidade de derrubá-lo
de tal forma que você acaba por sentir-
se culpado pela vida delas.

Existem duas frases importantes


gravadas no Evangelho. Uma delas é
“orai e vigiai”, ou seja, faça seus
pedidos, mas mantenha uma vigília
constante em relação às coisas que
acontecem. Outra frase é “ajuda-te que
eu te ajudarei”, dizendo respeito à
capacidade de ter a iniciativa em tudo o
que faz, não ficar esperando que as
coisas aconteçam. Ajudar a si próprio
está diretamente proporcional a “querer
de verdade” e não necessariamente a
apenas desejar.

É fundamentalmente ir à luta e “fazer


acontecer”!
Ven cen d o o med o
É fato.
Todos nó temos medo de falar em
público. Você, eu e até o Presidente da
República. A diferença é a reação que
temos diante da possibilidade de falar
em público. Você não percebe, é pouco
aparente, mas, como dissemos em
algumas linhas atrás, um dos maiores
segredos da vida é a maneira como você
reage àquilo que a vida lhe dá e neste
caso, em especial, naquilo que você faz
para controlar o seu medo de falar em
público.
O medo de falar em público surge da
coexistência de dois oradores dentro da
mesma pessoa: o orador real e o orador
imaginado. Quanto maior a distância
entre eles, maior é o medo e,
consequentemente, problemas de
expressão verbal.
O orador real é a verdadeira imagem do
comunicador, aquela que é composta dos
defeitos naturais que todo ser humano
possui, bem como – obviamente - das
qualidades visíveis ou potencialmente
prontas para serem aproveitadas em
todos os momentos. O orador real é o
orador que aparece aos olhos da platéia,
aquilo que os interlocutores vêem,
mesmo sem qualquer brilho,
empolgação, as pessoas assistem com
um relativo interesse. Você não acredita
que fala bem, embora muitas pessoas
acreditem. Por outro lado, você fala
muito mal e acredita que fala bem. Neste
caso está estabelecido uma distância
problemática.
O orador imaginado é a imagem que o
comunicador pensa que transmite aos
ouvintes, isto é, aquilo que ele acha que
os outros acham dele. Dependendo, você
pode acreditar que esteja “abafando” ou
não.
O que precisamos, é bem verdade, é
manter o equilíbrio, não estabelecendo
sob nenhuma hipótese o pré-conceito.
Para que isso aconteça, precisamos
seguir o caminho da mentalização e
neutralização de fatores ruins que
encontramos em nossa mente.
Independente de utilizar-se de técnicas
de relaxamento, você pode praticar um
exercício que depende de um
determinado ritual, atente:
Escolher um lugar tranqüilo de sua casa,
preferencialmente um do qual você não
ouça conversas de pessoas ou ruídos de
TV ou rádio. Estando neste lugar
tranqüilo, exercite uma faxina mental, ou
seja, limpe sua mente anulando tudo que
está nela. Não é algo fácil, mas você tem
que se esforçar. Se não conseguir no
primeiro dia, tente em outra ocasião.
Procure não pensar em nada. Em
seguida, mentalize o sonho, aquilo que
deseja muito, seja os aplausos da
platéia, o reconhecimento do seu
público, do seu chefe, enfim, o alvo.
Após o sonho mentalizado e preenchido
o seu cérebro, deguste este momento
imaginário, aquele momento que você
mentalizou e procure manter-se o maior
tempo possível neste instante. Em
seguida, é chegada a hora de ancorar-se
mentalmente em um porto seguro, ou
seja, buscar em sua mente um lugar que
você tenha sentido uma grande
satisfação. Vasculhe sua memória para
encontrar uma praia, uma montanha, um
rio, uma casa, enfim um lugar e um
momento bom de recordar. Associe o
este momento mágico, extraordinário,
seu porto seguro, com aquele do qual
você buscou com o sendo o seu alvo. Ao
final, ao alcançar este momento de
plenitude, de segurança, você terá
gravada em sua mente uma imagem tão
forte que todos os obstáculos internos
não serão maiores do que a capacidade
de alcançar o alvo pretendido.
Você pode, inclusive, dentro deste
exercício, encarar uma pessoa que lhe
faz mal, uma pessoa que você considera
seu algoz, seja no aspecto pessoal,
familiar ou social. Enfrente-o
mentalmente naquele instante em que
você estiver em busca do alvo. Verá o
quanto é capaz de superar todos os
obstáculos psicológicos.
Por certo, este exercício não é algo
muito simples e requer muito treino e
determinação, aliás, atributos típicos de
grandes atletas. O exercício foi extraído
do livro A Semente da Vitória, cujo
autor é Nuno Cobra, alguém que já
treinou vários esportistas, a exemplo de
Ayrton Senna, Michael Schumacher
dentre outros. Segundo Cobra, é
possível controlar boa parte de suas
sensações ruins, medos ou dores
psicológicas, utilizando-se de um
artifício que ele denominou de “meu
cantinho”.
No referido livro ele ensina que todas as
pessoas possuem um lugar em seu
cérebro capaz de lhe confortar em
situações difíceis. Esse lugar, se
associado a alguma decisão a ser
tomada, tende a criar uma sinergia que
direciona qualquer atividade ou atitude
ao sucesso. Ele conta a história de
Ayrton Senna que ficava durante quase
dez minutos antes do warm-up (volta de
classificação) e da corrida em si,
mentalizando curva por curva, troca por
troca de marcha, independente se
estivesse chovendo, com retardatário, ou
qualquer obstáculo que aparecesse. Por
alguns minutos, ele utilizava essa técnica
que consistia em procurar este momento
em sua mente, seja uma praia, uma
montanha, um colo de mãe, enfim, um
momento de acalanto e, ancorado neste
momento, começava a traçar o seu
roteiro rumo às voltas vitoriosas.
Daí é possível explicar o quanto o nosso
herói nacional era eficiente em qualquer
situação. Existem muitas imagens em
que ele está no cockpit do seu carro,
dentro do box da equipe, como se
estivesse dormindo sem que ninguém o
interrompesse. Muitos achavam aquela
atitude tão estranha quanto a capacidade
de vencer provas impossíveis. Para se
ter uma ideia, até hoje a equipe Willians
mantém uma espécie de talismã em
todos os carros, bem pequeno, uma
logomarca do nosso herói. Para dar
sorte, se bem que não era bem isso, mas
pura técnica.
Por falar em talismã, é possível
desenvolver uma âncora física, ou seja,
um amuleto físico para utilizar no
momento em que você é exigido e
precisa apresentar-se em público ou em
qualquer outra atividade intelectual.
Consiste em fechar os olhos e apertar as
suas mãos, uma conta a outra,
entrelaçando os dedos na altura do
peito, inspirando e trazendo os ombros
para cima, soltando o ar e pressionando
os ombros para baixo e afrouxando um
pouco as mãos, sempre mantendo um
ritmo lento e olhos fechados. Faça isso
por cinco vezes e depois mais cinco
vezes com os braços esticados para
baixo. Findo este movimento, solte seus
braços paralelos ao corpo, balance-os e
relaxe. Certamente, se sentirá melhor.
Grav ando um nov o
regi stro
Para livrar-se do medo de falar em
público, existe um importante exercício
que está no ANEXO I e que fará com
que você grave uma nova imagem em
sua mente em substituição àquela
imagem que o incomoda, e o faz travá-lo
no momento exato. Esta nova imagem a
ser gravada será sobreposta à imagem
que lhe fazia mal e, portanto, substituirá
a anterior, trazendo-lhe força para
aquele momento. Como um HD (hard
disk ou Winchester, aquilo que os
computadores tem que gravam as
informações), é possível gravar uma
nova informação sobre a anterior, desde
que você apague a atual. Apagar, não
significa fazer com que este registro
suma de vez, pois, no computador
também acontece isso, ou seja, mesmo
deletando os arquivos, é possível
resgatá-lo com uns programas especiais.

Também, é claro, isso não é tarefa fácil,


aliás, quantas vezes nos deparamos com
pessoas que fazem terapia para tentar
esquecer fatos diversos, tais como
traumas ou outros incidentes da
infância? Portanto, não estamos
buscando solução absoluta, mas na
verdade, buscaremos fortalecê-lo. O que
a terapia faz é buscar a superação deste
fato. Superar significa gravar uma
imagem sobre ela capaz de suavizar o
trauma, portanto gravar uma imagem
sobre a outra é a maneira que devemos
utilizar para superarmos o medo de falar
em público, isso de maneira
profissional.

Mesmo de maneira superficial, durante


treinamentos que ministramos em várias
ocasiões para milhares de pessoas, é
muito comum depararmos com situações
curiosíssimas, pois, enfrentamos com
tanto afinco essa busca de traumas no
inconsciente das pessoas,
principalmente ligados à dificuldade de
falar em público que, em algumas
situações, os resultados vão além da
superação deste medo, deste pavor e
acabamos descobrindo fatos incríveis
que estavam gerando alguns bloqueios.

Existem várias linhas na psicoterapia em


busca da superação de traumas.
Algumas, utilizam métodos de regressão
(TVP – Terapia de Vidas Passadas);
outros, utilizam a hipnose como um
caminho para “chegar” até o trauma,
enfim, o exercício que iremos sugerir é
parecido e é muito utilizado nos
treinamentos. Trata-se de um
relaxamento, algo muito útil seja para
quando você está se preparando para um
projeto, uma entrevista de emprego ou
qualquer outra atividade que exija de
você a superação, e o máximo possível
desempenho.
O exercício é possível de ser feito
sozinho, mas é aconselhável que você o
faça com uma pessoa conduzindo, ou
seja, lendo o script. Dependendo da
“profundidade” do exercício, você é
capaz de chegar bem próximo daquele
momento desconfortável, que lhe
incomoda em falar em público e lá
chegando, irá encarar o problema de
frente. Reforçamos que este exercício
não é uma psicoterapia, ao contrário, é
um elemento que irá trazer força para
você superar o medo de falar em
público.

Pratique!
PASSO NÚMERO2
DESENVOLVER A
VOZ,
TEATRALIZAÇÃO E
MUSICALIDADE
Os únicos dias do ano que você não
pode fazer nada são o ontem e o
amanhã. Gandhi

Para atingir objetivos de comunicação


de massa são necessários atributos como
memória, criatividade, entusiasmo,
observação, teatralização, ritmo,
vocabulário, expressão corporal,
naturalidade e conhecimento, dentre
outros. A voz corresponde, por incrível
que pareça, a pouco mais de 1/3 de uma
boa comunicação.

Depois de superado o medo de falar em


público, é importante trabalhar a voz e
tudo aquilo que envolve o brilho na
comunicação, fazendo com o que o
comunicador alcance seus objetivos.
Juntamente com a voz, encontramos a
teatralização e a musicalidade,
elementos que fazem muita diferença no
sucesso que tanto buscamos.

Diferente da comunicação não verbal,


que complementa o sentido daquilo que
vamos comunicar, a voz é aquele
elemento de percepção imediata na
comunicação e, por isso, merece um
cuidado especial. A exemplo do músico,
quem tem o violão, a bateria, o
saxofone, como seus instrumentos de
trabalho, aqueles que trabalham com
comunicação tem a sua própria voz
como seu principal instrumento.
Portanto, desnecessário dizer o quanto é
importante cuidar muito bem dela.

Quando falamos de teatralização e


musicalidade, devemos associar com a
maneira que escrevemos, ou seja, quem
escreve pontua; quem fala entona. O
atributo “entonação” é o que dá cor,
brilho, vida e significado à nossa
comunicação. Existem algumas pessoas
que conversam ou se comunicam sem
qualquer expressão, que causam até
sonolência em seu interlocutor. É a
comunicação a exemplo do “Samba de
Uma Nota Só”, uma música de Tom
Jobim em que ele tentou expressar algo
tão simples, tão simples aos seus olhos,
que era impossível de encantar.

Aliás, quando o assunto é voz, você tem


cuidado da sua voz a exemplo do que
tem cuidado com seus dentes, seu corpo,
sua mente, suas unhas, sua pele?

A voz é produzida pela modulação e


vibração das cordas vocais, elementos
extremamente frágeis da anatomia
humana, mas que raramente nos damos
conta da necessidade de cuidados
especiais. A voz do dia-a-dia, aquela
que utilizamos somente para tarefas
corriqueiras, não sofre stress, ou seja,
não é utilizada ao extremo. Entretanto,
para os profissionais da voz, a exemplo
de professores, palestrantes, padres,
pastores, políticos, cantores,
vendedores, atendentes, operadores de
telemarketing, dentre outros, ela é
altamente exigida. Mesmo assim, é
comum encontrar pessoas disfônicas
(com voz rouca e baixa) ou afônicas
(completamente sem voz), imaginando
que aquilo é algo normal. Ao contrário,
como um atleta que sofre uma torção,
uma lesão qualquer chamado de trauma,
a variação da voz deve ser considerada
para o profissional da voz algo a ser
tratado de maneira especial.

Isso acontece em função das condições


ambientais inadequadas em que eles
trabalham. Algumas destas situações se
encontram em ambientes com ar
condicionado, absurdamente ruidosos,
com poeira, etc. Ainda assim, nestes
ambientes, a fala é exigida por muito
tempo e em forte intensidade.

Professores são um exemplo clássico


das grandes dificuldades que tem com a
sua voz, principalmente por estarem em
situações em que se une o ar
condicionado, que resseca o ambiente, o
pó de giz, como também um ambiente
altamente ruidoso em que há uma disputa
com outras pessoas falando.

Muitos profissionais não fazem


treinamento para falar sob muita
demanda e, o pior, sofre com a falta de
encaminhamento pelos médicos, que
nem sempre detectam uma anomalia nas
cordas vocais, sequer encaminhando a
um profissional especializado, no caso,
um fonoaudiólogo. Este profissional
tende a rever a maneira com a pessoa
fala, ajustando seu timbre à sua
característica pessoal.

Existem pessoas que acham normal uma


voz rouca por vários dias. Aquela voz
grave acompanhada de uma tosse
constante e umas quebras de freqüência
que demonstram a falta de flexibilidade
vocal, pois tudo isso é sintoma de que
algo não está indo bem com a voz e é
importante buscar auxílio.

Independente do que consideramos um


problema médico e deve ser tratado, o
profissional deve fazer um treinamento e
um acompanhamento de sua voz,
passando a entender o mecanismo que
dá o brilho na comunicação. Este é,
portanto, o nosso propósito.

Desta forma, caso o seu problema não


seja patológico, isto é, que merece
auxílio médico, algumas dicas simples o
farão entender melhor como funciona o
principal instrumento do profissional da
voz.

A primeira dica é saber qual a altura


ideal para falar. Neste caso, na
realidade, não existe uma altura ideal,
pois este nível deve ser adaptado em
função de cada ambiente. Por outro lado,
o que se deve prestar muita atenção e
para o nível máximo, pois, uma gritaria
qualquer, fará com que você fique pelo
menos 48 horas sem utilizar sua voz,
sem contar os danos permanentes que
este ato causará. Sabe aquelas pessoas
que vão para o estádio de futebol e
voltam roucos? Muitos nem imaginam,
mas chegam a ter febre em função do
esforço que o organismo tem para se
recuperar do trauma.

O profissional necessita estar atento em


desenvolver uma boa plasticidade
vocal, adaptando-a de acordo com a
necessidade e isso é algo muito pessoal
e que precisa ser estudado mais a fundo.

Por outro lado, durante uma


apresentação, o que deve variar não é a
altura da voz, mas o seu tom, ou seja,
você deve modular a tonalidade de
acordo com o momento do seu discurso
e aí, neste instante, é que entram outros
elementos como a teatralização e a
musicalidade, cuja boa plasticidade
vocal é auxiliada por uma boa postura
corporal. Em pé é a melhor maneira de
falar.

Outras dicas importantes para proteger a


voz ou até mesmo melhorá-la, são as
seguintes:

a) Descansar e dormir bem - Parece um


tanto quanto óbvio, mas existem pessoas
que não se preocupam com isso e
mantém longas noitadas precedendo
momentos importantes de uso da voz;

b) Comer maçã - Esta fruta tem


propriedades adstringentes, limpando o
trato vocal até os pulmões e favorece
uma voz mais saudável. Existem alguns
profissionais, cantores, por exemplo,
que levam consigo uma maçã para antes
de suas apresentações.
Excluímos, por motivos óbvios o uso da
água, até porque, ela não é uma dica, é
elemento indispensável pois nossas
cordas vocais precisam manter-se
hidratadas. A água está para as cordas
vocais como o óleo está para o veículo.
Sem ele o motor funde.

Algumas pessoas insistem em afirmar


que a nossa saliva faz o papel de
hidratante das cordas vocais, o que não
deixa de ser uma verdade, mas isso é
para as pessoas que não tem um esforço
muito exagerado, ou seja, para os
amadores. Para os profissionais, a água
deve ser levada à boca e bebida em
pequenos goles em intervalos de
aproximadamente 10 minutos, como um
gotejamento.

É importante lembrar que água não é só


importante para aqueles que são
profissionais da voz, mas para todo o
ser humano. A OMS - Organização
Mundial da Saúde, aconselha que nós,
seres adultos, devemos beber durante o
dia, no mínimo 2 litros de água, ou seja,
8 a 10 copos de água, desta forma você
estará hidratando seu organismo.

A água que será consumida deve estar


no máximo um pouco abaixo da
temperatura ambiente. Pode parecer
preciosismo, mas o que se pretende
evitar é o consumo de água gelada. Isso
jamais deve acontecer, pois a água
gelada irá chocar-se com as cordas
vocais totalmente aquecidas, fazendo
com elas percam qualidade e sofram um
trauma com a variação brusca de
temperatura.
Fon ação d i af
ragmáti ca
Para a fala, utilizamos a vibração das
pregas vocais e de ressonância, como
também a participação dos órgãos a
exemplo da língua, dentes, bochechas,
lábios, palato (véu palatino), que são
responsáveis pela articulação dos
fonemas durante a fala. Estes fonemas
dependem da vibração das pregas
vocais.

Mas, o que intriga muitas pessoas é a


diferença entre uma fonação pulmonar e
a diafragmática, esta última aconselhada
para o profissional.
A respiração da fala, em regra, é
diafragmática, pois já estamos tratando
com pessoas que já adaptaram sua voz a
diversas situações. Por outro lado, não é
algo incomum encontrar professores do
ciclo básico, no começo de sua carreira
e que ainda não adaptaram sua voz e
elevam o timbre de maneira em que
todos os dias, eles estejam com a voz
traumatizada. Estas pessoas têm a
fonação pulmonar e precisam adaptá-la.
Se você tem muita dúvida em relação ao
tipo de fonação, verifique se você se
cansa muito ao falar. É fácil, tente fazer
a leitura em voz alta de uma página
deste livro. Se você ficar muito cansado,
é importante prestar atenção. Uma
fonação pulmonar é aquela que
utilizamos quando sussurramos. Faça o
teste e veja que ao sussurrarmos nos
cansamos facilmente, sem contar que
causamos traumas em nossas pregas
vocais.
Outra forma de constatar é a seguinte:
assopre fortemente até esvaziar por
completo os seus pulmões. Fazendo
isso, está praticando uma respiração
pulmonar comum. Em seguida, assopre
fortemente novamente, pronunciando
Ahhhhhhhhhhhhhh até esvaziar os
pulmões. Verá que o diafragma (músculo
bem abaixo dos pulmões) age de
maneira a criar um determinado ritmo,
agora mais lento do que o normal,
evitando que o seu pulmão esvazie de
uma vez. É o mesmo que o locutor
esportivo ao gritar gol fica muito mais
tempo soltando o ar, do que teria tempo
para soltá-lo sem usar a voz. Este é o
exemplo clássico.
Para treinar ampliando a sua fonação
diafragmática, deite em uma superfície
plana e coloque um livro sobre o
abdômen. Em seguida, faça uma leitura
qualquer e procure movimentar o livro o
máximo possível. Este é um treinamento
para a fonação diafragmática.
Para uma boa saúde vocal, você deve
evitar:
- Ingestão de bebidas alcoólicas, pois
estas atuam como anestésicos fazendo
com que sua haja um mascaramento do
abuso de sua voz.
- Sprays e pastilhas, que tendem a fazer
o mesmo efeito da bebida, pois irá
aliviar uma dor na garganta, fazendo-o
abusar da voz e uma irreal sensação de
cura.

- Tossir ou pigarrear também causam


traumas nas pregas vocais. O ato de
tossir ou pigarrear é um impulso nem
sempre evitável que é uma resposta à
limpeza de eventuais secreções na
garganta ou de acúmulo de outras
partículas. Para tornar esta secreção
menos viscosa e diminuir a vontade de
pigarrear, recomenda-se evitar
derivados do leite (queijo, por exemplo)
e chocolate, este por conta da parafina
que é utilizada na composição, pois cria
uma capa sobre as pregas vocais,
fazendo com que você tenha que se
esforçar mais ainda para alcançar
timbres. Outra importante dica: quando
estiver para pigarrear ou tossir (aquela
tosse de limpeza), beba pequenos goles
d´agua, forçando o engolimento.

- Gritar, sussurrar ou falar durante muito


tempo. Quando se usa o grito, o ar passa
pelas pregas vocais a uma velocidade
de aproximadamente 80 km/h; este ato
poderá lesioná-las, causando um
problema mais sério. Grite somente
quando for muito necessário.

- Intervalo e descanso. Intervalo de 10


minutos para cada hora falada é
importante e, porque não o descanso
vocal, isto é, procurar abster-se de falar
quando tiver um momento que exigirá
demais a sua voz. Lembre-se, também,
de não se expor a mudanças de
temperatura ambiental, pois pode afetar
o trato respiratório, favorecendo assim
as inflamações respiratórias que
impedem a livre função vocal.

- Fumo e derivados, pois a fumaça


quente agride todo o sistema
respiratório e principalmente as pregas
vocais podendo causar irritação,
pigarro, edema, tosse e infecções,
contribuindo também para o câncer de
laringe e pulmão.
- Roupas apertadas, também devem ser
evitadas, principalmente na região do
pescoço (golas, colares, gravatas e
lenços), onde se encontra a laringe com
as pregas vocais, e na cintura (cintos,
cintas elásticas e faixas), onde se
encontra o músculo do diafragma, o qual
é de grande importância para o apoio
respiratório na fonação.

- Descuidar da saúde, jamais, pois


qualquer problema na sua saúde poderá
influenciar na produção da voz.

- Evite muita abertura da boca ao falar,


pois muita entrada de ar pela boca,
prejudica a garganta pois ela não tem o
filtro que temos nas narinas. Reforçamos
sempre, porque existem cursos de teatro
em que as pessoas são obrigadas a fazer
treinos cansativos movimentando e
abrindo demais a boca, visando
melhorar o timbre da voz. Entretanto, ao
palestrante, locutor, etc, existe o apoio
do microfone, coisa que raramente
acontece no teatro.

Enfim, depois destas importantes dicas,


nada é mais oportuno do que alguns
treinos vocais para desenvolver uma
boa plasticidade. Os exercícios são
muito importantes, desde os
articulatórios, trava-línguas, exercícios
de aquecimento vocal, dentre outros. Ao
praticá-los com disciplina, você irá
desenvolver, além de uma melhor
dicção, um pouco de teatralização,
comum no rádio e na TV, ou em locuções
comerciais, a exemplo dos mestres de
cerimônia.

Reservamos o ANEXO II para a prática


destes exercícios.
Não deixe de fazê-los.
PASSO NÚMERO3
CONHECER OS
MEANDROS
ASSOCIADOS À
MEMÓRIA E OS
MOTIVOS QUE
CAUSAM O
“BRANCO”,COM
TÉCNICAS PARA
RETENÇÃO E
SISTEMATIZAÇÃO
DE INFORMAÇÕES
Se eu ouço, eu esqueço. Se eu vejo, eu
me lembro. Se eu faço, eu aprendo.
Confúcio

Para falar bem, é preciso, como visto,


livrar-se do medo e ter uma boa
plasticidade vocal. É importante também
ter uma capacidade de organizar as
idéias e lembrar quando preciso e, para
isso, é necessário conhecer como
funciona a memória e, por que não,
saber porque acontece o famoso e
temível branco.

A memória é a capacidade de
arquivamento e resgate de informações.
Existem algumas pessoas que dizem que
nosso cérebro pode ficar abarrotado e
cheio de informações de maneira que
não caiba mais nada. Isso não é verdade.
É sabido que ele tem uma capacidade
infinita de arquivamento. O maior dos
problemas do nosso cérebro está no
resgate das informações que ali
colocamos.

Segundo neurocientistas, tudo que


acontece em nossa volta é possível de
ser captado pela nossa memória, sejam
ruídos, cenas, enfim, é possível que
qualquer destas informações cheguem à
nossa memória temporária, denominada
de límbico, localizada bem no centro de
nossa cabeça. Simplificando o
movimento das informações que
circulam pelo nosso cérebro, temos três
locais distintos: o sistema límbico,
composto principalmente pelo tálamo e
hipotálamo, o córtex e o cerebelo.

O límbico é localizado no centro da


nossa caixa craniana e é nela que existe
espaço para gravações simples,
temporárias, ou seja, captamos tudo que
existe em nosso redor, tanto as coisas
mais importantes quanto as
insignificantes. Neste local, ocorrem os
descartes e as seleções. Como nos
computadores, ele poderia ser a
memória RAM (Random Acess
Memory) ou seja, uma gravação
temporária; se desligar, ou melhor,
dormirmos, ou até mesmo depois de um
tempo, essa informação desaparece. Por
outro lado, se a informação para nós tem
uma determinada importância, ele é
gravada no córtex cerebral, que é um
sistema que tem a capacidade de
armazenamento comparável ao de 15 mil
computadores modernos.

Além do límbico e do córtex existe


ainda uma pequena parte do cérebro que
é chamada de cerebelo e é nesta parte
que estão guardadas as nossas
lembranças mais profundas, bem como
traumas e afins. É como se fosse
gravado na pedra, um lugar muito difícil
de ser esculpido tanto quanto é difícil de
ser tirado de lá.
Neste local estão gravadas aquelas
informações que tem significado
emocional, certas lembranças bem
associadas.

Desta forma simplificada, já nos é


possível entender como funciona o
nosso cérebro e a necessidade de
promovermos uma boa gravação, ou
seja, precisamos estar atentos à
qualidade da informação que queremos
gravar em nossa memória, fazendo
questão que ela esteja lá quando
precisemos.

É claro que o leitor atento deve estar se


perguntando como faremos para que os
fatos se tornem significativos a ponto de
ocupar um espaço precioso em nosso
córtex cerebral. A resposta está na
utilização de algumas técnicas, dentre
elas a concentração, certamente, pois se
estivermos dispersos, a informação, no
popular, irá entrar por um ouvido e sair
pelo outro.

Existe um trabalho muitíssimo


interessante, desenvolvido pelo
professor Perluigi Piazzi (Professor
Pier), em três volumes da coleção
Neuropedagogia, em que ele trabalha
critérios de desenvolvimento de
inteligência, um de seus livros, o
“Ensinando Inteligência”, ele não só
discorre em detalhes o funcionamento do
cérebro em função da capacidade de
memorização, como também ensina
truques para que as crianças tornem-se
mais inteligentes, e assim possam reter a
maior quantidade possível de
informações.

Desta forma, podemos entender que a


atenção ao tema com muito foco e a
intenção (querer!), podem auxiliar na
boa armazenagem da informação, em
outras palavras, uma imagem em “bom
estado” tem maiores chances de ser
guardada.

O educador Paulo Freire lembrou em um


de seus livros que algumas das maneiras
mais úteis de guardar a mensagem está
em interpretar e entendê-la, algo que é
muito incomum, pois às vezes ouvimos
uma informação e ela é para nós algo
irreal. Dentro deste contexto, existem
aquelas situações em que precisamos
tornar a informação o mais real possível
para poder arquivá-la. É como se nosso
cérebro arquivasse mais facilmente
imagens concretas do que símbolos
abstratos. Esta técnica é chamada de
mnemônica e consiste na associação de
pretendemos memorizar.

A técnica trabalha informação. Às


vezes, a imagem é considerada
esdrúxula e incomum fazendo com que a
gravação seja mais eficiente. Na
memorização de números, por exemplo,
pode ser utilizada a técnica em que se
substitui cada número por um objeto,
digamos, óbvio. O número 1 é
representado por uma árvore, até porque
o tronco de uma árvore aparenta o
número. O 2 é um interruptor, que
normalmente tem duas posições. O três é
uma pirâmide. 4 uma mesa,

imagens conhecidas, vivenciadas,


associando àquilo que
com imagem mental de grande impacto
para fixar a

5, luva (cinco dedos), 6 selo


(semelhança fonética), 7 sepultura, 8
autorama, 9 novena, e assim por diante.
Desta forma, se quiser memorizar um
número como, por exemplo, 2447, pode-
se associar, em sequência um interruptor
sobre duas mesas dentro de uma
sepultura. Veja que esta imagem é mais
fácil de se memorizar por ser esdrúxulo
mas real, do que o número, totalmente
abstrato.

Seja qual for a técnica, é muito


importante o repasse das ideias
memorizadas, pois, segundo
neurocientistas, a memória perde 90%
das informações, caso elas não sejam
resgatadas em até 24 horas do seu
registro. Desta forma, nas primeira oito
horas, é muito comum perder de 40 a
50% de informações. Agora, se fizer um
repasse dentro das primeiras oito horas,
a mente traz a informação e ela acaba
procurando um lugar para guardar.

Entretanto, não é útil vê-la no exato


momento que antecede o seu uso, ou
seja, um pouco antes de começar,
porque, o momento é de relaxamento, de
descontração, de manter a capacidade
de concentração em dia e não forçando a
memória. Costumamos sugerir aos
alunos quando estão prestes a fazer a
prova, do quanto não é muito produtivo
rever toda a matéria em alguns instantes
da prova, até porque, você não está
trazendo à tona os conhecimentos, pois o
que traz estas informações para mais
próximo é o caminho livre, isto é, um
corpo bem relaxado.
Outra forma de guardar um texto, está
em encadear as informações, buscando
por palavras-chaves dentro do mesmo
pois elas são mais reais. Por exemplo, o
texto utilizado na introdução, você se
lembra? Reveja: Sultão – Sonho –
Dentes – Súdito – Sábio – Açoite –
Súdito – Sábio – Ouro – Diferente – Paz
e Guerra.

A criatividade é também um grande


aliado na retenção das informações.
Aconselha-se a usar recursos com sons,
imagens e humor, pois tudo isso permite
que várias áreas do cérebro trabalhem
simultaneamente no resgate de
informações, estimulando a memória.
Por fim, em referência a isso, o escritor
Rubem Alves em uma de suas obras
define que nós, seres humanos somos
dotados de duas caixas, uma de
brinquedos e outra de ferramentas.
Quando uma informação chega até nós,
de acordo como é passada, nosso
cérebro tem a capacidade de discernir
onde vamos encaixar este dado, se
dentro da caixa de ferramentas ou na de
brinquedos. Brinquedos são aquelas
informações que nos dão prazer e que
são lúdicas, seja uma piada, um
momento de deleite, de prazer,
satisfação, etc. Já, a caixa de ferramenta
é aquela que pode ser útil para nossa
vida pessoal, e que nos transforma em
seres produtivos dentro da sociedade.
Quando a informação é considerada uma
ferramenta, ela é guardada nesta caixa
especial e será resgatada a exemplo do
que acontece em uma oficina mecânica
bem organizada: está tudo lá, ao
alcance. Entretanto, se a informação não
cabe em nenhuma destas opções, ela
pode ser facilmente descartada, pois não
servirá de nada.

Este princípio é muito interessante e


leva-nos a crer cada vez mais na
responsabilidade que temos em fazer
bons registros. Mais do que isso, na
condição de comunicadores, devemos
passar a informação de maneira a fazer
com que o público guarde-a e que seja
realmente útil. Este é o princípio da
comunicação assertiva.

Ainda assim, outra dica é usar períodos


de estudo relativamente curtos, com
intervalos para o descanso, mais do que
em longas e infindáveis sessões. Por
isso é que estudos indicam que períodos
de 50 minutos são melhores
aproveitados do que sessões mais
longas. É aquilo que os teóricos chamam
de curva de aprendizado, ou seja, o
aproveitamento vai caindo depois de 50
a 60 minutos ininterruptos até chegar ao
momento em que o rendimento é pífio.

Ainda no contexto dos registros das


informações existem outras técnicas a
serem utilizadas. Uma deles é o uso da
PNL – Programação Neuro Linguística,
que consiste em descobrir em qual dos
dois grandes grupos nos encaixamos, ou
seja, se somos seres visuais (precisamos
escrever, fazer resumos para gravar a
informação) ou auditivos (carecemos
que alguém nos “tome” a matéria ou
falarmos em voz alta). Uma vez
conhecendo em qual dos grupos você se
encaixa, basta que você adapte seus
momentos de estudo dentro da
característica específica. Assim, se você
é um ser “auditivo”, você precisa
- obviamente –muito mais do que apenas
lê-la. Por outro lado, se você é um
cidadão “visual”, deve não só ouvir,
mas também ler, escrever, fazer
desenhos, por exemplo. Verifique: em
qual das duas situações você se
encaixa?

Para os auditivos, portanto, uma


recitação rítmica ou formar músicas
para gravar as informações a exemplo
das maneiras que são usadas em
cursinhos pré-vestibulares auxiliam
bastante. Quando você escreve ou recita
você mantém cada idéia na mente de
cinco a quinze segundos necessários
para consolidar a memória temporária
em direção a uma memória permanente.

Já em relação ao branco, podemos dizer


que é a incapacidade momentânea de
raciocinar ou lembrar-se de algo.
Entretanto, se a incapacidade de
lembrar-se de algo demora mais do que
um dia, o problema pode ser patológico,
ou seja, depende de tratamento médico.

É sabido que as informações circulam


em nosso cérebro por conta de ligações
químicas, as tais sinapses. O ser
humano, em estado saudável, com todos
os seus órgãos funcionando
perfeitamente, bem como com a
temperatura corporal controlada,
pressão arterial, pulsação e afins, tem os
seus hormônios correspondendo
naturalmente a todos os estímulos de
retenção e resgate de informações. Por
outro lado, se você não está
metabolicamente bem, ou seja, está
passando por alguma anomalia,
psicossomática (que começa no cérebro
e se expande para o corpo), certamente
vai ter dificuldade para que o seu
cérebro faça as tais sinapses.

Assim, é possível deduzir que o


momento de nervosismo faz com que o
nosso organismo altere suas
características e, é claro, não existe o
transporte das informações. É como se o
caminhão que busca a informação não
tenha achado combustível para ir
buscála, ou até mesmo está com
problemas no motor. É o tal do branco
de memória, ou seja, um momento em
que não lembramos de nada do que
devemos falar naquele momento.
Estatisticamente, uma das práticas que
mais favorecem o branco da memória é
a famosa decoreba, isto é, tentar gravar
a informação do jeito que ela está
escrita, sem qualquer técnica para
guardá-la. Conclusão: o branco!

Mas, independente da ausência


momentânea do que você iria falar, há
um fator muito interessante nisso, que é
o fato de que o seu público nem
percebeu que “havia algo para ser dito”.
Costumamos reforçar muito isso com os
aprendizes, ou seja, se você esqueceu do
que iria dizer, não tem problema, porque
só você sabe que realmente esqueceu.
Portanto, leve para o túmulo! Ponto
final!
Por outro lado, alguns oradores com
habilidade, tem a capacidade de ironizar
o momento dizendo, por exemplo, que
“tinha algo para falar, mas agora fugiu
ou...” até mesmo o direto e não menos
irônico “esqueci!!!”.

De qualquer forma, a solução para o


branco é a tranqüilidade antes e durante.
Se ocorrer, você pode ganhar tempo
para recordar-se, repetindo as últimas
informações, se possível com palavras
diferentes, como se tivesse fazendo uma
revisão para facilitar a compreensão dos
ouvintes.

Uma outra dica é dar uma pausa para


beber água, caminhando tranquilamente
para o local onde ela está; isso também
irá acalmá-lo. Ainda assim, em algumas
situações de “branco”, você pode abrir
para perguntas, se for o caso. Isso
certamente o acalmará.

Aí estão algumas importantes técnicas


para você aprimorar sua capacidade de
retenção de informações.
PASSO NÚMERO4
DESENVOLVIMENTO
DE ATRIBUTOS
PARA
APRIMORAMENTO
DA CAPACIDADE
POSTURAL E
GESTUAL
Dificuldades são como as montanhas.
Só se aplainam quando avançamos
sobre elas. Émile Zola
Depois de abordarmos a questão
relativa a parte verbal da comunicação,
isto é, aquilo que é ouvido pelo nosso
interlocutor, passamos a dar um enfoque
especial na parte da comunicação não
verbal, ou seja, a postura e o gesto na
comunicação.

Mesmo que você não admita, o seu


corpo tem a capacidade de falar. Para
Weil e Tompakow, autores do livro "O
Corpo Fala”, existe uma linguagem
silenciosa que é expressada pela várias
manifestações físicas dos seres
humanos. Conhecê-las e trabalhá-las dão
um excelente resultado na comunicação.

Desta forma, mesmo em silêncio, ou


seja, sem pronunciar sequer uma
palavra, já estamos nos comunicando.

A linguagem corporal é, portanto, um


conjunto de palavras ouvidas com os
olhos, do qual, pelas expressões e
movimentos corporais têm-se mais
informações sobre a pessoa. Esse tipo
de comunicação auxilia a oralidade e
ajuda a prender a atenção dos ouvintes,
principalmente porque dá mais ênfase às
informações. Os gestos têm, também, a
capacidade de auxiliar a desinibir as
pessoas porque a expressão do corpo
funciona como um todo. Portanto, se o
gesto e a postura são partes integrantes e
indissociáveis da comunicação, é de se
imaginar que os movimentos vão além
dos braços, abrangendo também as
mãos, o pescoço e a expressão facial
(olhar, sorriso, movimentos de
sobrancelhas). A postura, por sua vez, é
um elemento importante em qualquer
situação, inclusive durante uma conversa
formal.

Para uma postura capaz de causar uma


boa impressão e transmitir perfeitamente
a informação, bem como fazer uma
apresentação elegante, é necessário que
você mantenha as plantas dos pés no
chão e o peso do corpo igualmente
distribuído, a cabeça ereta com o queixo
paralelo ao chão e procure, quando
possível, caminhar tranquilamente e
calmamente pelo ambiente, Isso faz com
que a sua retórica chegue até todas as
pessoas.

Por outro lado, existem algumas atitudes


que devem ser evitadas, como por
exemplo:

- Ficar parado no mesmo ponto por


muito tempo ou movimentar-se
nervosamente de um lado ao outro;
- Dar as costas para a audiência
enquanto fala;

- Passar uma imagem arrogante (cabeça


e tórax muito erguidos) ou muito
humilde (cabeça baixa, ombros caídos);
- Balançar para os lados ou para frente,
como se estivesse dançando;
- Ficar encostado com as mãos no bolso;
- Pernas muito abertas ou cruzadas;
- Falar por muito tempo sentado.

Outras posturas abomináveis incluem


mascar chicletes ou chupar balas, bem
como olhar por cima dos óculos.
Determinados autores aconselham o uso
de uma caneta nas mãos como muleta
para o nervosismo, pois muitos se
perguntam o que fazer com as mãos.
Modestamente, não achamos adequado
este procedimento, pois o objeto na mão
do orador desvia a atenção dos
interlocutores. Nossa dica é a de que, no
início da palestra, você coloque as mãos
onde quiser (na frente, atrás...) menos no
bolso, pois passados três minutos no
máximo, você já estará utilizando-as
como parte de sua comunicação, sem
maiores problemas. É automático.
Consideramos, inclusive, isso como um
vício mecânico, pois tais vícios gestuais
incluem a caneta nas mãos, segurar os
botões do paletó, uma folha de papel, fio
do microfone, etc. Que fique claro que
tais atitudes poderão tornar-se um
péssimo vício e, conforme dissemos,
desviará a atenção do auditório.
Agora que você já sabe da importância
da linguagem corporal, as atitudes
básicas passam pela manutenção de uma
postura elegante e prestar sempre a
atenção em seu posicionamento perante
o público, pois todos precisam enxergá-
lo.
Já, no aspecto dos gestos, o efeito causa
grande impacto na comunicação, pois
ele acontece sempre alguns
milissegundos antes da fala e já
transmitem a informação que é
complementada pela fala.
Não existe uma regra de como deve ser
o gestual de cada pessoa. O que deve
acontecer é a adaptação de um estilo.
Por outro lado, existem alguns
comportamentos desaconselhados, como
por exemplo:

- Excesso de gestos (estilo italiano);

- Colocar as mãos nos bolsos, segurando


o pulso, nas costas ou na frente do corpo
(estes são permitidos como exceção no
começo, até que os gestos se tornem
automáticos);

- Gesticular com o dedo em riste ou com


as mãos fechadas;
- Tocar o nariz, o pescoço, a orelha,
várias vezes.
Uma característica muito interessante
para o desenvolvimento do estilo está na
criação de um bordão gestual.

Existem algumas pessoas que usam


sempre o indicador para cima. Outros a
palma da mão virada para cima; alguns
um sinal de positivo, enfim, não importa,
estes sinais, gestos, podem ser
desenvolvidos e adaptados por você e
contemplam a sua comunicação.

Na televisão, além do bordão gestual, há


o bordão linguístico, que é uma forma de
identificação. Alguns deles:
-É uma vergonha! – Boris Casoy
-Barbaridade! – Datena
-Balança... - Geraldo Luis
-Cacete neles - Alborguetti
-Totalmente excelente – Paulo Bomfá
-Gil Gomes lhes diz... –Gil Gomes
-Lente da verdade - Clodovil
-Seja feliz – Salomão Schwartzman
Ainda assim, existem alguns casos de
pessoas que falam de assuntos
interessantes, alegres, com a fisionomia
rígida, fechada, desanimada. O contrário
também acontece e a situação é
extremamente constrangedora. Isso é
conhecido como Dissonância Real, que
é o efeito que foi utilizado em um
desenho animado dos anos 70 chamado
de “Quadrilha de Morte”. Acontece que
um dos integrantes estava sempre rindo
e falava:
- Hahahahahaha, Penélope vai morrer,
Hahahahaha !
E o outro que estava sempre chorando
dizia:
- Buaaaaaaá, Nós salvamos Penélope,
Buaaaaaaá , Snif
Quando falamos em postura e gesto, é
bom lembrar que depois de alguns
segundos da comunicação tudo ficará
automático. É o exemplo do motorista
iniciante, que não sabe se deve
gesticular com o braço direito, com o
esquerdo ou com os dois, se olha para o
auditório, se pensa no que vai falar, ou
se fala sem pensar.
Outra característica a se considerar é a
necessidade de um olhar atento e
respeitoso para o seu público, seja
durante uma palestra, um seminário ou
uma reunião. É imprescindível o contato
visual com a platéia, fazendo um olhar
de varredura no começo e, se for o caso,
estabelecer um parâmetro, ou uma
pessoa que você considera o seu
feedback. É nele que você, de vez em
quando, vai focar como maneira de usar
a sua visão periférica.
Se você for fazer leituras, lembre-se de
olhar 50% para o papel, 50% para os
ouvintes, ou seja, se o parágrafo tem
quatro linhas, leia duas olhando para o
papel e as outras duas memorize
olhando para o público. Há uma
tendência errada de se olhar a maior
parte do tempo para o texto, o que faz
com que a plateia disperse. Um
truquezinho, é colocar o dedo para
marcar o local e escrever com fonte 14
ou 16. Assim, quanto maior a letra,
menores as chances de “perder” o ponto
em que estava, pois, por incrível que
pareça, isso acontece frequentemente.
Um grande auxílio no aprendizado está
em falar um pouco diante do espelho ou
utilizar uma filmadora, como são feitos
nos cursos de oratória. Outra dica é
fazer aulas de dança, teatro ou expressão
corporal para desenvolver sua
capacidade de comunicação gestual ou
postural e a expressividade corporal.
Caminhar ou praticar esportes para
diminuir as tensões do dia-a-dia e fazer
uma respiração adequada são elementos
auxiliares.
Por fim, para aprimorar sua capacidade
postural, você deve pedir para alguém
fazer alguns comentários em relação à
sua postura e seus gestos, visando
corrigir eventuais falhas. Dentre
algumas das perguntas que ele poderia
responder para você estão as seguintes:
-Arregalo ou pisco demais os olhos
quando estou falando?
- Tenho o costume de torcer a boca ou
levantar demais as sobrancelhas?
- Verificou se tenho alguns movimentos
repetitivos?
É importante que você tenha em mente
que o bom resultado dos gestos e
posturas advém da prática. Desta forma,
não deixe este conteúdo somente na
teoria ou na leitura.
Procure praticar.
PASSO NÚMERO5
LIVRAR-SE DOS
CACOETES,ADAPTAR
E OU AMPLIAR O
SEU VOCABULÁRIO
A mente que se abre a uma nova idéia
jamais voltará ao seu tamanho
original. Albert Einstein

Um bom comunicador não precisa ser


um cidadão inteligente, daqueles seres
considerados acima da média, com QI´s
altos. Também não é necessário que seja
alguém excelentemente bem informado,
ou dotado de uma cultura social e
acadêmica incomum.

Na realidade, o bom comunicador é


aquele que tem a capacidade de adaptar
o seu vocabulário de acordo com o
público que ele irá apresentar. Assim,
imagine um advogado fazendo uma
palestra sobre a nova lei do inquilinato
para um grupo de pessoas recém
despejadas de um conjunto residencial.

“No advento da nova carta, extinguiu-


se o fenômeno da justificativa da
denúncia vazia, dando lugar à
possibilidade de uma única purgação
de mora, desde que o contratante não
tenha se beneficiado de tal atributo há
menos de seis meses. Caso contrário,
ser-lhe-á indeferido o pedido in limine
e compelido à desocupar o imóvel.”

Independente do grau de conhecimento


do douto causídico (advogado) ele
utilizou palavras comuns ao seu meio
acadêmico, deixando de “descer” ao
nível do seu público que merecia ouvir
o seguinte:

“A nova lei acabou com a necessidade


do dono do imóvel justificar o porque
ele quer você desocupe a residência.
Colocou, por outro lado, a
possibilidade de depositar o valor da
dívida, desde que não tenha já feito
isso dentro dos seis meses. Se atrasar e
pedir para depositar dentro deste
período, corre o risco de ter que
entregar a casa, sem perdão”.

Você foi capaz de perceber a diferença


entre o vocabulário que ele apresentou e
o que conseguimos decifrar com ajuda
profissional?

Assim, um amplo vocabulário não é só


útil em uma palestra, reunião, enfim, ela
é útil até nos relacionamentos, pois nos
deparamos, em alguns momentos, com
uma dependência tanto de um linguajar
mais simples, quanto um mais
sofisticado.

Pergunto: como é possível ampliar o


vocabulário? A resposta é simples:
leitura. Quanto mais leitura, mais
vocabulário, aliás, a leitura não só
aumenta o seu vocabulário, como
também a sua inteligência e a sua
memória, formando cidadãos críticos e
com efetiva capacidade de influenciar
nos caminhos da sociedade.

Este estudo limita à leitura somente de


livros impressos, pois, a leitura de
livros eletrônicos, seja utilizando o
computador ou até mesmo uma dessas
novas parafernálias que simulam livros,
não tem o mesmo valor.

Segundo especialistas, a leitura feita na


tela do computador consome parte da
capacidade de processamento das
idéias, comprometendo a compreensão e
a criticidade. O fenômeno é baseado no
esforço que o nosso cérebro faz para
decodificar as palavras. Parece simples,
mas ler o texto no papel é diferente, ou
seja, ele apenas decodifica as palavras.
Para exemplificar, quem não se deu
conta de revisar um texto na tela,
consertar os erros e depois de impresso
encontrar outros erros?

Enfim, aconselhamos que você leia.


Experimente, qualquer livro que esteja
na sua casa. Se não gostar, pegue outro.
Não se iluda pelo título, apenas comece
a ler. Se não te agradar, pegue outro e
mais outro, até encontrar o livro que se
identifica com você, seja pelo
personagem, seja pelo texto. Você vai se
apaixonar e longe de ser um hábito, pois
hábito tem a ver com obrigação (tomar
banho, escovar os dentes...), devemos
sentir prazer e buscar este prazer
constantemente.

Dentro do argumento da leitura, também


encontramos a capacidade de ampliar a
memória. Desta forma, existem mais
motivos para ler, do que o contrário.
Que tal?
Outra importante dica em relação ao
vocabulário está em evitar o uso de
gírias, principalmente quando elas
aparecem em quase todas as frases,
como: “tipo assim”, “vamos nessa”...
Infelizmente, elas são um sinal de que
você não tem um vocabulário variado ou
pior, que está desconsiderando a plateia,
dirigindo-se a ela por meio de gírias.
As gírias são diferentes dos maus
hábitos de linguagem, chamados de
cacoetes. Os cacoetes, que são frutos de
situações atitudinais que remontam
muito tempo, podem ser classificados –
não por mero capricho, mas sim para
tornar mais fácil de ser estudado. São
eles:
C acoet es de pens
ament o
São aqueles maus hábitos que nós
utilizamos quando estamos pausando
para pensar. Alguns deles, são:
- Annnnnnn...
- Veja bem...
- Na verdade...
- É...
- Hummmmm...
- Assimmmmmm...
- Tipo assim...
- Olha só...
- Então...

Todos estes verbetes podem ser


substituídos pelo silêncio e não causará
nenhum problema.
Cac oe t e de afir m aç
ão ou dúvida
Existem alguns oradores que tem o
costume de, a cada instante, perguntar
para o público buscando seu
entendimento, ou até mesmo tentando
tornar mais forte o seu argumento,
utilizando um “é verdade, gente”, por
exemplo, como se percebesse que a
platéia está com dúvida em relação ao
que está se falando. Dentre estas
expressões, temos algumas, como:

- Entendeu?
- Isso é fato, gente!
- Pode acreditar!
- Esteja certo disso!
- Sem sombra de dúvida!
- Com certeza!
- Né?
- Tá?
- Compreende?

Também você deve policiar-se e evitar


utilizar estas locuções. Aconselhamos
substituir por silêncio ou, em alguns
casos, o “alguém tem alguma pergunta?”
ou, ainda, “Podemos prosseguir?”
Cac oe t e s de inc e r t
eza
Existem algumas situações em que o
orador tem o costume de utilizar
cacoetes de incerteza. O público acaba
deduzindo que o orador tem pouca
capacidade para lidar com determinados
assuntos e se defende com alguns
argumentos, como “quem sabe", “talvez
seja", “pode ser", “eu acho”, “não sei
exatamente”, “não tenho certeza”, dentre
outros. O interlocutor percebe isso e
acaba criando uma imagem negativa ou
até duvidosa do orador. Isso é bom
evitar.
Em relação ainda ao seu vocabulário, é
importante que preste atenção à
pronúncia das palavras, pois o público
também percebe várias situações e com
isso cria uma imagem a seu respeito
associada a uma possível falta de
cultura.

Uma destas práticas está em suprimir a


pronúncia dos “erres” e dos “esses” no
final das palavras:
- Vamo precisá corre atrás dos obstáculo
- Temo que procurá nos informá mais do
que os outro.
Outra prática abominável está em não
pronunciar corretamente as sílabas
finais das palavras como: entrando –
entrano; conversando – conversano:
- Tem muita gente esperano lá fora!

Outro caso para se evitar é o rotacismo


que, em alguns casos, pode ser
associada a algum problema que precisa
de cuidados profissionais. Trata-se do
hábito de trocar os “l” pelos “r” e vice-
versa: frauta, probrema, arface, armoço,
frexa, dentre outros.

De toda forma, para manter uma boa


dicção aconselhamos não consumir
balas ou chicletes, bem como corrigir
eventuais falhas anatômicas na boca, que
incluem posicionamento dos dentes ou
eventual falta destes.

Portanto, a regra é sempre policiar-se e


não fazer uso destes maus hábitos.
PASSO NÚMERO6
COMPREENDER O
PÚBLICO,OS TIPOS
DE DISCURSO E O
ASSUNTO
Não conheço nenhuma fórmula
infalível para obter o sucesso, mas
conheço uma forma infalível de
fracassar: tentar agradar a todos.
John F. Kennedy

O penúltimo passo para falar bem não é


menos importante do que os demais,
aliás, entendemos que ele é o que
comprova a força da comunicação.
Conhecer e compreender as pessoas
bem como os principais tipos de
discurso é absolutamente necessário
para dar uma direção, seja para
precaver-se de possíveis investidas,
seja para adaptar o vocabulário ou até
mesmo para situações de
convencimento.

Vamos começar com os tipos de público


e, logo de início, é bom que você saiba
que, normalmente, em qualquer situação
de público eles são divididos em três
grupos. O primeiro grupo dos que
concordam com você, o segundo são dos
indiferentes e a terceira é o público
hostil.
O primeiro grupo, ou seja 1/3 dos
presentes que certamente irá concordar
com você, são aquelas pessoas que
fazem parte do seu círculo de
relacionamento ou tem características ou
uma índole que não lhe permite contestar
os seus argumentos. São os tranquilos.

O segundo grupo, ou o outro terço, são


os indiferentes, aqueles que não lhe dão
nenhum retorno com a cabeça. É
composto de pessoas que não tem nada
melhor para fazer e só querem que tudo
acabe o mais rápido possível; não
querem arrumar problemas, pois sabem
que eventualmente, podem sair-se mal
num possível enfrentamento com você,
que está no comando.
O último terço, certamente, são os
hostis, isto é, deixando bem claro, eles
podem até criar problemas. São pessoas
forçadas a assistir (funcionários
“convidados”, alunos, etc.). Estão
sofrendo, ou sem entender bem o que
vieram fazer ali, ou até mesmo, sabem
mas querem ver se você sabe. Gostam
de exibir sua “cultura e sabedoria”
discordando. É um pessoal da pesada e
não se iluda pelas suas características.

Uma vez consciente em relação a estes


grupos que dividem os tipos de público,
a sua tarefa como apresentador – domine
o tema ou não – é conseguir arrebatar os
corações e mentes do público
indiferente, aqueles do segundo terço.
Se fizer um trabalho bem feito,
conseguirá os 2/3, o que corresponde a
66% e isso é a maioria favorável, e
certamente, será capaz de silenciar
aqueles possíveis algozes (sabe-se lá o
porquê), pessoas contrárias a você, ou
melhor, ao o que você diz. Já, se você
trabalhar muito bem e se superar, pode
até conquistar os corações e as mentes
dos contrários, mas é bom que se deixe
bem claro que esse pessoal é muito
difícil, apesar de não ser impossível!

Claro, será necessário um trabalho mais


minucioso e técnicas mais específicas
para lidar com a questão, mesmo que no
final do evento eles digam algo como
“você leva jeito” ou “até que você foi
bem”.
Ti p o s d e p esso a s
Agora que você já sabe o trabalho que
tem que fazer com grupos de pessoas, é
importante um trabalho mais voltado ao
varejo, conhecendo os tipos de pessoas
individualmente e trabalhando
habilidades específicas para enfrentá-
los.
O mel a n ci a
O melancia (isso mesmo, o cidadão
“melancia”) é o ouvinte que faz de tudo
para chamar a atenção e é chamado
desta forma, porque adora fazer
perguntas-teste e falar de si. Ele sempre
quer aparecer, lembra aquele ditado que
dizia “quer aparecer, coloque uma
melancia no pescoço?

Como resolver? Exponha o chato! Faça


com que ele participe, não tente
hostilizálo ou ignorá-lo nem fazer
piadinhas com ele, porque ele pode
surpreender você. Desta forma, chame-o
para participar no palco ou dar
explicação sobre determinado assunto.

Em alguns casos, se você for perguntado


algo que não tem segurança em
responder, pode tranquilamente dizer
que responde depois, algo como “A
resposta não é tão simples assim, então
eu respondo para você depois”. Em
outras situações, alguns perguntam para
você visando testá-lo. Se perceber, peça
que a pessoa dê mais detalhes ou
explique-se melhor, pois na maioria das
vezes ele mesmo responde a pergunta e
você, neste caso, faz um breve elogio à
sabedoria dele. Mas, fique esperto,
porque é capaz que ele pergunte mais
vezes, aí, coloque-se no comando e faça
um gesto para ele, dizendo que depois
você passa a palavra.

Sermos testados é algo muito normal e


diz respeito a famosa Lei de Murphy, ou
seja, “se alguma coisa pode dar errado,
com certeza dará”. Desta forma, é bom
se precaver destes incidentes.
O p a ra rai o
Este tipo de cidadão é aquele que
polariza toda a reunião, trazendo para si
a atenção do apresentador. Fica
parecendo uma conversa privada em
público, porque o ouvinte que
perguntou, fica fazendo réplica e
tréplica etc...

Estes cidadãos são aqueles que dão um


exemplo pessoal e ainda comparam.
Você em seguida responde, faz uma
pergunta e uma resposta direta e vai
assim por diante. Como resolver?
Vamos a um exemplo clássico onde o
aluno pergunta:
- (...) no meu caso, eu participei de uma
dinâmica de grupo, fui muito bem, mas
não fui aprovado para a vaga. O que
você acha que aconteceu? – ele
pergunta.
- É difícil saber, pois as empresas tem
critérios específicos para cada caso –
respondo.

Mas, ele insatisfeito, continua:

- No dia da entrevista tinha um cara que


era gago, o outro que falava “nois vai,
nois fui” e uma menina super tímida, eu
era o que falava melhor mas não
consegui a vaga. Como você falou, a
comunicação abre portas, mas o que
aconteceu comigo?
Veja que ele tem um problema e quer
resolvê-lo e eu seria até grosseiro se
não respondesse, mas não tem outra
forma pois a conversa já foi para o lado
do consultório, logo, a melhor forma,
sendo elegante é perguntar o seu nome,
personalizando e chamá-lo para uma
conversa em particular, assim:

- João, vamos combinar o seguinte, no


final você me procura e me explica
direitinho o que aconteceu. Eu quero
entender para ajudar. Se alguém tiver um
problema parecido, estarei à disposição,
posso dar algumas dicas, OK?

Certamente, ele se tranquilizará.


O S o ci a l
O tipo Social é aquele que costuma ficar
passeando na sala ou chegar atrasado e
cumprimentando todas as pessoas. Para
ajudar, ele ainda fica conversando com
as pessoas que estão à sua volta, chega e
distribui beijinhos, apertos de mão
ensaiados, fazendo com que
praticamente tudo pare em função dele.

Como resolver? Olhe fixamente para ele


ou chame a atenção para um exemplo
naquele grupo. Em alguns casos, você
pode parar a apresentação até que ele se
acomode, mas pode ser que o cidadão
seja alguém muito influente no grupo ou
até mesmo uma autoridade e você, com
isso, pode cair num enfrentamento ou ser
vítima de uma ironia por parte dele.

Não se aborreça com este cidadão, pelo


contrário, mantenha sua postura sempre
elegante e sorria.
Os ra i v o so s
São aqueles seres que vem com
objeções exageradas, do tipo: “você
falou uma coisa que eu não concordo”.

Como resolver? Peça para ele explicar


melhor e espere que ele termine
totalmente o raciocínio. Não cruze os
braços e não o interrompa. Em seguida,
coloque o seu ponto de vista. Caso ele o
interrompa, peça que aguarde você
terminar caprichosamente: “eu esperei
você falar até o final, agora aguarde eu
falar”.

Como você foi o último a falar, diga que


o assunto está encerrado, pois você
ficará por cima. Não se esqueça que o
problema está no argumento e não na
pessoa. Não semeie a discórdia.

Agora, a dica geral ao enfrentar todo


tipo de público está em lembrar-se do
seguinte: entre ter razão e ser feliz,
prefira ser feliz!
Cont e xt ualiz ando o
ev en to ao p ú b l i co
pr e s e nt e
Um dos itens mais interessantes em
conhecer o tipos de público, diz respeito
à necessidade de aprender a pronunciar
corretamente os termos que são usados
no contexto em que você está presente,
quer sejam nomes de pessoas ou
objetos.

Por exemplo, recentemente, estava em


um convenção de profissionais e
entidades do segmento de eventos. O
mestre de cerimônia começou a
pronunciar algumas palavras e, ao falar
o nome de uma entidade chamada São
Paulo Convention e Visitors Bureau,
pronunciou esta última palavra como se
escreve (bureau mesmo!), quando
deveria ser “birô” (e não birrô),
afrancesado. Ninguém ia lá para corrigir
o profissional. Eu que estava como um
ouvinte, saí da minha cadeira e fui até o
púlpito corrigir o mestre que,
infelizmente, deixou de colocar um
ajuste manual na pronúncia, ou seja, o
cuidado de escrever ao lado do nome a
pronúncia.

Outro episódio aconteceu quando fui


participar de um evento de informática
em que um americano estava
transmitindo em inglês algumas
características de um programa de
computador chamado “Flash Director”.
Naquela oportunidade, havia tradução
simultânea e o tradutor, pouco
acostumado com a área de informática,
traduzia tudo o que encontrava pela
frente sem se importar que certas
palavras são próprias e não pode ser
traduzidas. Na oportunidade, ele disse o
seguinte, traduzindo as palavras do
palestrante:

- Depois que iniciar a janela, vá até


menu e dê dois cliques no “feixe de luz
diretor” para começar o seu trabalho.

Alguns riram, outros ficaram sem


entender absolutamente sem sentido.
Aquela tradução foi do (Windows:
janela) e do nome do programa de
computador (Flash Director: feixe de luz
diretor). Significa, em outras palavras,
tentar traduzir o popular programa da
Microsoft usado para editar textos, o
Office em “escritório”. Que tal fazer
uma carta usando o “escritório”? Não
faz sentido!

A dica é, portanto, conversar com as


pessoas para confirmar as pronúncias
exatas de termos que você irá utilizar na
sua apresentação. Mais ainda, em
relação a nomes próprios, pois, imagine
se você tiver que pronunciar o nome do
Sr. Manoel Sola de Sá Pato (existe
mesmo!) e no momento ter que ficar
sério? Melhor se precaver.
pois a fala do sujeito ficou nome do
sistema operacional
Um a par anóia ne c e s
s ár ia
Antes de caminharmos no sentido do
preparo do discurso, é importante
preocupar-se com o material que irá
trabalhar. Seja qual ele for, faça um
check list de tudo aquilo que lhe será
útil, desde os equipamentos de projeção,
até os de apoio.

Seja paranóico, teste várias vezes. Os


materiais de projeção, slides em Power
Point por exemplo, devem ser feitos
cópia; além de levar em CD, ou pen
drive, envie para o seu e-mail. Faça o
teste no local um pouco antes e depois
teste novamente faltando alguns minutos.

Mas, antes mesmo de iniciar sua


apresentação, ou melhor, quando não
você estiver testando os equipamentos,
procure observar o ambiente e se há
obstáculos. Se tiver escada, suba e
desça evitando um acidente capaz de
gerar uma “vídeo cassetada”. Claro,
faça isso se você eventualmente vai
caminhar pelo auditório. Se você vai
usar um microfone “Com Fio”, verifique
até onde ele vai. Idem com o “Sem Fio”,
pois alguns deles tem baixo alcance.
Faça o mesmo com o mouse sem fio
(apresentador).
As quat r o fas e s do
dis c ur s o
Todas as apresentações comportam
fases, desde um pequeno discurso de
improviso, passando por uma festa de
aniversário ou uma palestra
devidamente preparada. Isso vem bem
ao encontro do que sempre reforçamos
em termos de comunicação, ou seja, as
dicas não devem ser utilizadas somente
para palestras, seminários, treinamentos,
mas também nas reuniões e por que não
nos relacionamentos. Esteja certo que
utilizando os conceitos e as técnicas,
você conhecerá o verdadeiro poder da
comunicação.
É possível considerar que são quatro as
principais fases de um discurso: a
saudação inicial, introdução,
desenvolvimento e o encerramento.
Pri mei ra f ase - A sa
u d a çã o i n i ci a l
A primeira fase é a saudação inicial, é o
momento em que você se dirige aos
presentes agradecendo e saudando tanto
ao público quanto aquela pessoa,
empresa ou instituição que lhe concedeu
a oportunidade de falar, ao mesmo
tempo em que faz uma pequena síntese
do que será visto e estipula, quando for
o caso, as regras da convivência,
incluindo o tempo do encontro, o
momento das perguntas, a sugestão para
desligar os celulares, etc. Não é
necessariamente um momento em que
você deve se esforçar para surpreender,
nem ser brilhante, ao contrário, é um
momento apenas instrutivo.

Aqui vai um exemplo de abertura:


Agradeço a direção da Faculdade São
Oliver pela oportunidade, e o faço em
nome da diretora acadêmica aqui
presente, professora Maria de Fátima
Campos.
Agradeço, também, ao público presente
e anseio para que nossa convivência nos
próximos 35 minutos seja altamente
produtiva. Assim espero! Muito
obrigado!

Na fase da saudação inicial, ao ser


chamado ou anunciado, não precisa se
apressar e, enquanto sentado, dê os
últimos retoques na roupa antes de
caminhar como abotoar o paletó,
endireitar a gravata, colocar as abas dos
bolsos para fora, etc, afinal, tem que
ficar bonito na foto.

Às mulheres, peça para uma colega


rever seu batom se está manchando os
dentes, os detalhes do lenço ou arcos no
cabelo se estão de acordo.

Ao caminhar, demonstre pela sua


postura um comportamento seguro e
confiante. Não hesite; mostre respeito e
ao chegar à tribuna, acomode as folhas
com anotações, se tiver levado; acerte a
posição do microfone, se existir. Para
iniciar com silêncio, olhe rapidamente
para todas as pessoas que ouvirão suas
palavras e, se o assunto permitir, esboce
um sorriso sincero e amigo a todos.

Já, se a situação exigir a composição de


uma mesa solene, preste atenção às
seguintes regras:

- Aguarde em pé com as mãos na frente


até que seja solicitado que se sente;
- Antes de sentar-se, aguarde primeiro
pelas mulheres, inclusive auxiliando-as
movimentando a cadeira de quem estiver
próximo, como sinal de cavalheirismo e
gentileza;

- Durante o hino nacional, vire seu


corpo em direção a uma bandeira, caso
não tenha, ao público. Cante o hino em
voz baixa. Caso seja um hino que você
não conhece, não abaixe a cabeça nem
tente balbuciá-lo, irá parecer afrontoso.
As regras de etiqueta reforçam que você
nunca deve aplaudir o hino nacional
brasileiro. Apenas o faça caso o hino
esteja sendo tocado por uma banda ou
que seja totalmente vocalizado.

Quando começar a falar, evite se


apresentar, peça para alguém fazê-lo
antes por você, pois é uma atitude muito
impessoal. Enquanto está sendo
apresentado, olhe para o apresentador
com um olhar sério e sereno. Ao final,
agradeça.

Existem algumas pessoas que tem


dúvida em quando você deve usar a
tribuna ou o púlpito. No nosso modesto
ponto de vista, a tribuna é algo bem
impessoal, pois ela impõe distância,
elevação, torna-se uma barreira entre
você e os ouvintes. Quando você está
bem preparado e quiser maior interação
com a plateia, não dê importância para a
tribuna, mas lembre-se de pedir
“licença” à maior autoridade da mesa
para falar fora daquele local, porque a
atitude é considerada quebra de
protocolo.
Por f al ar em p
rotocol o
Protocolo é um conjunto de regras que
devem ser seguidas em determinados
eventos como formaturas, convenções,
palestras, inaugurações, aulas-magnas,
etc. Uma das regras mais complicadas
nos protocolos está na composição das
mesas solenes, isto é, um espaço único
em que as autoridades ficarão juntas e
poderão fazer uso da palavra, se for o
caso.

Assim, quando o ambiente está repleto


de autoridades e você for um dos que irá
falar, seja como palestrante ou
meramente como alguém que está
compondo a mesa, não se esqueça de
fazer a saudação inicial seguindo a
sequência do maior para o menor,
exemplo:

- Sr. presidente, senhores diretores,


senhoras e senhores muito boa noite.
Ou,

- Digníssimo senhor José Carlos Silva,


presidente da Sociedade Amigos do
Bairro do Jardim São Pedro; Sr. Sérgio
Alencar, diretor administrativo; Amilcar
Oliveira, gerente técnico; distinto
público, senhoras e senhores muito boa
noite.

Quando há várias autoridades


importantes, persiga a seguinte
sequência: Poder Executivo (prefeito,
vice-prefeito, secretários, secretários-
adjuntos, diretores de divisão), Poder
Legislativo (senador, deputado federal,
deputado estadual, vereador), Poder
Judiciário (ministro, desembargador,
juiz), Eclesiástico (bispo, pastor, padre,
diácono, obreiro). Você pode optar, se
for o caso, por cumprimentar o mais
importante e estender os cumprimentos
aos demais, exemplo:

- Cumprimento o excelentíssimo senhor


Sebastião Almeida, prefeito de nossa
cidade, em nome de quem, cumprimento
os demais presentes na mesa.
Cuidado c om as de s c
ulpas
Quando você está se apresentando em
público, é claro que você está nervoso,
portanto, nem precisa dizer. Às vezes as
pessoas que estão assistindo nem se dão
conta disso, a não ser que você diga isso
a eles. Desta forma não diga, nunca! Não
é importante.

Uma coisa que você também não deve


fazer na abertura ou saudação inicial,
(aliás em nenhum momento) é pedir
desculpas por “não estar preparado”. Se
o seu problema for físico e aparente,
como uma voz rouca, por exemplo, até
pode...

Quero pedir desculpas aos presentes em


função da rouquidão de minha voz.
Obrigado.

Agora, se seu problema for uma febre ou


alguma dor, não se manifeste. Caso você
se atrase, também não deve dizer que
chegou atrasado por conta do trânsito ou
problemas com o carro, por exemplo. A
plateia não tem nada a ver com isso e
não irá aliviar a sua barra com um
“coitado, que esforço ele está fazendo”.
Por outro lado, para cada vez mais
sentir firmeza no contato com o público,
é importante que você se imponha.
Impor-se não é ter postura arrogante,
mas iniciar seu discurso, sua
convivência com o público começando
pelo contato visual usando a técnica da
varredura, que consiste em passar os
olhos da esquerda para a direita e de
cima para baixo de maneira que cubra
todo o ambiente, silenciosamente.
Procure neste público, as pessoas que
lhe pareçam mais receptivas. Aqueles
rostos que esbocem uma reação de
serenidade. Seguramente, durante o
evento, estas pessoas serão aquelas
responsáveis por mantê-lo mais focado.
Estas pessoas costumamos chamar de
“nosso feedback”, ou seja eles são
capazes de nos dar um “retorno” se o
que estamos falando é algo importante
ou estamos quebrando a cara.
Outra forma, se você se sentir melhor, é
marcar um ponto para fixar seu olhar
“solitário”, talvez no fundo do ambiente.
Essa atitude descontrai. A saudosa
intérprete da música popular brasileira,
a “pimentinha” Elis Regina raramente
olhava para a platéia durante suas
apresentações. Normalmente, ela olhava
para um ponto fixo no fundo do ambiente
em que estava, e isso lhe trazia
segurança pois ela afirmava ser tímida.
Quando você se expõe ao público, é o
centro das atenções e é comum ser
indagado em certas ocasiões. A maior
preocupação está em relação ao domínio
do assunto. Lembre-se que você não tem
obrigação de saber de tudo. Aliás, se
não conhece, deixa pra lá, ou seja, fale
sobre assuntos que você conhece.
Parece óbvio, mas é sempre bom
reforçar, pois se você não tiver
conhecimento sobre um determinado
assunto jamais fale a respeito; é um
risco desnecessário.
Um certo dia, encontrei-me com um
professor de inglês que me disse que ele
era obrigado a saber de tudo como se
fosse um dicionário.
Aliás, é bem capaz de você já ter
perguntado para o seu professor de
inglês o que significa uma palavra.
Enfim, em qualquer situação, nunca
abaixe a cabeça. O orador deve respeito
ao público; caso erre, seja humilde e
peça desculpas. Se persistir o erro, não
peça mais desculpas para não chamar a
atenção da plateia.
Se gu n d a f a se d o
dis c ur s o – A int r
oduç ão
A segunda fase do discurso é a
introdução e embora possa estar no seu
script (material escrito), você deve
memorizá-la. Ler um texto nesse
momento é pouco recomendado, mesmo
porque, agora é que começa o seu
discurso e todas as estratégias devem
ser utilizadas buscando surpreender a
plateia dando o tom de toda a sua
apresentação. Sugerimos, portanto, que
você se utilize das técnicas de
memorização mencionadas
anteriormente.

Para este momento, você pode usar uma


provocação, como por exemplo, dizer
que vai provar que é possível alcançar
determinado objetivo. Há diversos
métodos e formas, o mais comum é o
desafio, exemplo:

Imaginem vocês, que daqui a 50


minutos, ao cruzarem aquela porta, seus
conceitos a respeito de comunicação
mudarão radicalmente e vocês passarão
a ver o mundo de maneira diferente,
melhor ainda, as pessoas passarão a vê-
lo de maneira diferente. Que tal a ideia?
Vamos em frente...

Dentro desta característica, um outro


método é o chamado de Lincoln, em
alusão à característica da oratória do
grande comunicador Abraham Lincoln,
ex-presidente dos Estados Unidos. Esta
técnica consiste em começar fazendo
algumas perguntas e ao mesmo tempo
respondendo-as. É uma maneira muito
interessante, pois cria um suspense e não
constrange. Vejamos:

- Vocês sabem porquê estão aqui?


(...)
- Estão para adquirir conhecimento na
arte de falar em público.
- Vocês poderiam estar em outro lugar?

(...)
- Sim, poderiam. Poderiam estar
assistindo televisão, trabalhando,
enfim...
O outro método é utilizar uma epígrafe
ou uma citação, pois causa uma
relevante impressão de cultura...

“Como já dizia Voltaire, filósofo suíço,


autodidata e prodígio: ‘O homem nasce
bom. A sociedade que o corrompe’.
Assim emprestando-me desta sábia
frase, vamos falar um pouco sobre
corrupção.

Mas, atenção: use com moderação, pois


se a frase for muito piegas, você acaba
alterando o objetivo do seu trabalho.
Exemplo:

“Uma andorinha só não faz verão” não é


verdade? “Uma coisa é uma coisa. Outra
coisa é outra coisa.” “Para morrer basta
estar vivo”
“Cada um com seus problemas”

Por outro lado, existem alguns métodos


criativos explorados por palestrantes
pelo mundo afora. Alguns são muito
perigosos, pois podem causar um clima
de expectativa que não será cumprida.
Dentre estes métodos existem alguns
palestrantes que colocam uma banda
tocando e chegam ao palco como se
tivessem anunciando um astro.

Outros iniciam contando uma história,


seja ela real ou uma fábula. Tem também
aquele que conta uma piada para iniciar,
enfim, cabe a você utilizar a
criatividade e desenvolver um estilo
para chamar a atenção do público.
Tercei ra f a se - O de s
e nvolvim e nt o ou o
corp o d o d i scu rso
O corpo do discurso é a parte principal
dele, pois é nele que está o recheio de
tudo aquilo que vai ser apresentado.
Nele você deve colocar em prática
todas as suas técnicas para uma boa
postura corporal, gestual, a memória, a
voz, o controle do tempo.

Por falar em tempo, toda a preparação


do corpo do seu discurso deve – quando
possível – seguir uma linha do tempo, ou
seja, deve ter uma cronologia visando a
compreensão dos presentes. É claro que
esta linha do tempo não pode sobrepor a
necessidade de deixar o melhor ficar
para o final, ou como dizem, o “gran
finale” (grande final).

Ao desenvolver o seu discurso, o orador


pode desenvolver a história
normalmente ou valer-se de elementos
de retórica, aquilo que podemos chamar
de “figuras de estilo” ou “figuras de
linguagem”.

Vamos ver alguns bons exemplos a


serem explorados.
Gradações ou con j u
gações
São as locuções que forçam o público a
seguir o raciocínio aos poucos, fazendo
parte dele:
“Eu quero, você quer, nós queremos.”
ou

“Por mais que eu pense diferente. Por


mais que ela pense diferente, ou ele faça
a mesma coisa, ou até mesmo todos
juntos pensemos diferente, o que importa
é que queremos mudar. E mudar agora!”

ou
“Não sou eu somente que penso assim;
ele pensa, ela pensa, o Obama pensa,
todos pensamos desta forma.”
Ma rti ri za çã o o u vit
im iz a ç ã o
A martirização ou vitimização consiste
em colocar um dado emocional (e
porque não apelativo) associado à figura
do apresentador.

“Havia uma pessoa que sempre fazia as


coisas e não dava certo. Essa pessoa era
este que voz fala. Eu sempre fui assim,
tive muitos problemas na vida; ninguém
queria comprar meus produtos, não
parava com uma namorada...”

ou
“Se existe alguém que será o primeiro a
tomar essa atitude esse alguém será eu.
E se ninguém quiser me acompanhar,
esta recusa será a senha para que minha
atitude seja a última como um ser
humano presente nesta terra.”
Metá f o ra s
São analogias com a vida real para
justificar alguns fatos ou
comportamentos. O presidente Luis
Inácio Lula da Silva utiliza muito este
recurso. Em dezembro de 2008 pairava
no Brasil o fantasma de uma crise. O
chefe da nação, ávido utilizador de
metáforas, precisava explicar o seu
otimismo para toda a população
brasileira e disparou sem maiores
cerimônias:

“Se você fosse médico e tivesse que


cuidar de um paciente doente, o que
diria a ele? Que a medicina está bem
avançada, e que você cuidará bem dele,
e que ele (o paciente) iria se recuperar;
ou chamaria ele de lado e diria: amigo,
“você está fu...”?

Não é preciso nem mencionar o furor


que esta declaração causou à época, mas
alcançou o efeito necessário.
As metáforas podem ser usadas de
várias formas, como por exemplo,
tentando colocar no mesmo plano,
sentimentos e sensações...
“Amor é fogo que arde sem se ver; é
ferida que dói e não se sente” — Luís de
Camões, citado na música de Renato
Russo, líder da banda Legião Urbana,
morto em 1996.
Paráb ol as ou f áb u l
as
Um outro recurso muito interessante é o
uso de parábolas ou fábulas. Existem
muitas que descrevem situações
interessantes e aplicáveis no nosso dia-
a-dia.

Algumas das mais conhecidas são a


Cigarra e Formiga, que descreve o
exemplo de diferentes atitudes das
pessoas: uns precavidos, outros
esbanjadores. A Galinha e os Ovos de
Ouro, da necessidade de não gastar os
recursos que podem multiplicar. A
Tartaruga e a Lebre, A Raposa e as
Uvas, A Serpente e a Lima, dentre
outros.

No ANEXO III, selecionamos algumas


fábulas que você pode utilizá-las
inclusive na saudação inicial.
Hi p érb ol e
Usamos quando pretendemos exagerar
nos exemplos:
“Liguei para você um milhão de vezes!”
“A maioria das vezes que nos
encontramos, o trânsito da cidade para
por uma semana.”
“Seus olhos brilham como dois sóis.”
Lít ot e
Consiste numa frase suavizada ou
negativa. É o oposto da hipérbole e tem
um pouco de ironia.

“Tenho uma visão um pouco diferente”


(discordo) “É razoável rever este
conceito” (errado) “Mulher muito
ajeitada” (bonita)
“Homem bem apessoado” (bonito)
“Isso é uma inverdade” (mentira)
“Ele é pouco inteligente” (burro)
"Seu primo não é nada burro“
(inteligente) "Ela não canta mal“ (canta
bem)
Ant onom ás ia
A antonomásia é a substituição de um
nome por uma expressão que lembre
uma qualidade. Exemplos:

O filho de Deus (Jesus Cristo);


A voz (Frank Sinatra);
O Rei (Roberto Carlos);
A Rainha do Pop (Madona);
O Rei do Rock (Elvis Presley);
O Rei do Futebol (Pelé);
A Rainha dos Baixinhos (Xuxa).

Se você deseja conhecer um pouco mais


a respeito de discursos memoráveis,
selecionamos, no ANEXO IV, alguns
atribuídos a Chaplin, Luther King, dentre
outros.
Qu a rta f a se - O en
cerramen to ou finaliz
aç ão
A quarta fase do discurso é o
encerramento, que é o momento de
concluir, fechar o raciocínio e terminar a
sua fala. Jamais termine com expressões
do tipo “É isso que eu tinha para dizer”,
“Já terminou”, “Tá certo”, “Já era” ou
“Acabou”.

Você poderá terminar a sua fala com


uma indagação para os ouvintes,
deixandoos pensar:
“Quando entramos por aquela porta,
imaginamos encontrar pessoas dispostas
a receber as informações apenas com a
mente. Me enganei: percebi que vocês
não somente receberam o conhecimento
transmitido aqui hoje com a mente, mas
também com o coração. Sai daqui com
uma energia boa, renovada e espero que
vocês também sintam isso. Vocês são o
máximo. Nota 10 para vocês. Muito
obrigado!”

Ou...
“Estamos caminhando para o final do
nosso encontro e eu quero agradecer
imensamente a presença de todos as
senhoras e senhores, valendo-me da
seguinte frase atribuída ao maior de
todos os seres na terra:

‘Tudo é possível ao homem que crê’.


Muito obrigado!”

Algo muito interessante a registrar é a


importância do controle do tempo.
Nunca ultrapassar o que foi estipulado.
A dica é pedir para alguém da platéia
para avisá-lo quando faltar 5 minutos.
Peça para sinalizar com a mão aberta.
Na televisão, quem controla o tempo
ainda faz um sinal de “cortar a cabeça”
para aterrorizar o apresentador. Não
precisa tanto!

Sempre as pessoas perguntam qual é o


tamanho ideal de um discurso ou uma
palestra? Um discurso deve ser como
um biquini: não pode ser muito grande,
pois esconde as partes interessantes nem
muito pequeno a ponto de expor uma
possível falta de conteúdo.

Mario Covas, ex-governador do Estado


de São Paulo e um político admirável, já
dizia que existem dois tipos de discurso:
o discurso bom e o discurso longo.
Concordamos plenamente.

Objetivamente, existem estudos que


mostram uma curva de aprendizado
favorável até o qüinquagésimo minuto
de audição, ou seja, o ser humano
comum consegue absorver grande
quantidade de informação até
aproximadamente 50 minutos. Depois
disso, pouca coisa é absorvida. Por isso
que as escolas tem aulas de 45/50
minutos. Por isso que recomenda-se
após este período fazer alguns
exercícios de fixação. Logo, um
discurso bom deve variar de 30 a 90
minutos com todas as fases.

Para finalizar, é muito importante


enfatizar que de nada adianta aprender
todas as técnicas da boa expressão
verbal: voz, vocabulário, postura,
memorização, dicção etc., se continuar
pensando e acreditando que ainda se
expressa mal. O pensamento positivo e a
atitude é tudo.

Repita consigo mesmo: eu posso!


Com base nisso, que tal preparar um
discurso para o mínimo de 5 minutos,
como todas as fases? Desenvolva este
discurso e apresente para alguém de sua
família. Quanto ao tema, escolha algo
que você gosta, pode ser uma coleção,
algo sobre o seu hobby, enfim, mãos à
obra!

Como não poderia deixar de ser, deixo


uma frase de Leon Nikolaievitch Tolstoi,
um novelista, pacifista e pensador
moral, notável por suas idéias de
resistência a não violência, que cabe
certinho neste momento, ou seja, no
momento que você vai apresentar um
mini-discurso para sua família. Atente
para o que ele dizia:
“Para ser universal, basta cantar no seu
quintal”. Vamos em frente!
PASSO NÚMERO7
AUTOCONHECER-
SE COMO FORMA
DE ADAPTAR SEU
ESTILO E
CONTROLAR SEUS
PONTOS FRACOS
Todo mundo alardeia o
aperfeiçoamento da sociedade, mas
ninguém cuida de aperfeiçoar a si
próprio
Ralph Waldo Emerson
Depois de caminhar (isso mesmo, demos
seis passos até aqui) sobre os vários
aspectos da boa comunicação, inclusive
livrando-se de um dos principais
problemas que é o medo (passo número
1), é razoável dizer que falar em público
é plenamente possível. Para todos!

Além do medo, já mencionado, há outros


motivos que estabelecem o receio de
falar em público e um deles é a falta de
conhecimento sobre o assunto,
absolutamente aceitável, pois raramente
temos consciência de saber tudo sobre a
matéria que iremos abordar.

A oratória é composta de elementos


linguísticos (conteúdo) e
paralinguísticos (técnicos), assim só nos
resta afirmar que a ampliação de sua
técnica vai depender necessariamente de
um pouco de treino e, é claro, a
manutenção de sua auto-estima.

Já não se pode deixar de lado que a falta


de autoconhecimento pode ser um
elemento que o torna inseguro diante de
um público, seja pelas suas reações,
seja pela capacidade de adaptar-se a
qualquer situação. O autoconhecimento
está diretamente ligado à capacidade
que você tem de conhecer os seus pontos
fortes e fracos. Os primeiros,
magnificando-os e os segundos – é claro
– jogando pra debaixo do tapete, isto é,
escondendo-os.
A vida nos ensinou que pessoas de
sucesso em comunicação, utilizaram uma
única regra: a regra da simplicidade.
Chacrinha (Abelardo Barboza), que
mantinha um programa de auditório e
utilizava bordões e linguagem simples, é
um dos exemplos. O outro, mais
contemporâneo, é o Silvio Santos, sem
dúvida, o melhor de todos, cujo
vocabulário não ultrapassa 200 palavras
e, porque não, o Faustão, que repete
semanalmente há mais de 20 anos o seu
“ô loco meo”.

Outros comunicadores de multidão como


Fidel Castro, ditador cubano, Che
Guevara, um revolucionário, Gandhi,
pacifista, sempre deixaram marcas
voltadas à simplicidade, nunca em
relação a arrogância. Portanto, é
possível considerar que todo o seu
estilo deve ser baseado na simplicidade,
nunca em algo que seja extremamente
rebuscado, em que as pessoas o
considerem um membro da realeza. Ao
contrário, as pessoas devem terminar o
contato com você com a sensação de que
você é um “ser humano admirável”,
especial, e só.

Não se iluda com a criação de


qualidades inexistentes, pois isto o
levaria a acreditar num comportamento
enganoso e irreal. Como dizem os
americanos “be yourself” (seja você
mesmo!)
Outro ponto importantíssimo a
considerar em suas audiências é o
entusiasmo. Não queira que os outros
gostem de você se você não se gosta. Os
gregos chamavam o entusiasmo de
“Deus Interior”, que é algo que as
pessoas carregam dentro de si e
apresentam aos outros, contagiando-os.
Cada pessoa tem um “Deus” diferente,
mas se Ele é cativante, esse é o Deus
Entusiasmo. Ele é o responsável pelas
grandes façanhas da humanidade. Diz-se
que todas as obras que mudaram o
mundo foram feitas por este Deus
presente nos homens simples. Já aqueles
que apresentam comportamento frio,
insensível, apático, provocam o mesmo
nas outras pessoas, ou seja, o
desinteresse dos ouvintes, porque ele
mesmo parecerá desinteressado por
aquilo que fala.

É preciso apresentar cada mensagem


como se estivéssemos protegendo um
filho. O entusiasmo deve estar presente
em várias situações, como por exemplo
na expressão facial. Imagine uma
conversa com cliente, subordinado,
chefe, em público, relacionamento
pessoal, afetivo com uma expressão
abatida, sem nenhum tipo de propósito,
não ajuda no alcance de metas.

Alguém que fala molenga, sem qualquer


entonação, como se estivesse cumprindo
um ritual qualquer, também não alcança
objetivos, pelo contrário, atrapalha o
desenvolvimento da empresa, seja no
departamento financeiro, administrativo,
recursos humanos. Imagine no
departamento de vendas então?

Portanto, desenvolva para você a


capacidade de não criar conclusões
precipitadas (modelos mentais) de
fracasso em relação ao que vai fazer, ou
apresentar. Enquanto estiver aguardando
sua vez de falar, não imagine cenas
pessimistas, ao contrário, mentalize o
final da palestra e os aplausos, ou seja,
o senso do dever cumprido. Ficar
demasiadamente preocupado com erros
que ainda não aconteceram, torná-lo-á
inseguro e propenso a cometê-los.
Considere-se um vencedor. De nada
adiantará a alguém aprender todas as
técnicas da boa Expressão Verbal se
continuar pensando que ainda se
expressa mal. Se chegou até aqui é
porque pode.

Municie-se de informações básicas


sobre o público, o bairro, a cidade, os
participantes, a empresa, mas use tudo
isso com cuidado, evitando gafes. Um
certo dia, um palestrante desavisado
estava fazendo uma palestra para
funcionários do Hipermercado
Carrefour, e demonstrou como um “case
de insucesso” (experiência que não deu
certo), uma estratégia do Supermercados
Dia%. Infelizmente, ele não sabia que
esta rede fazia parte do grupo e ficou
numa tremenda saia justa,
principalmente porque, de certa
maneira, falou mal da empresa que
estava patrocinando o evento.

Desta forma, autoconhecer-se é


desenvolver o reflexo e isso vai
acontecer com o tempo, se você guiar
suas ações neste sentido. No início,
você não saberá se deve gesticular com
o braço direito, com o esquerdo, com os
dois, se olha para o auditório, se pensa
no que vai falar. Depois, você se sentirá
confiante e natural. É isso que
propomos, ou seja, você prestar atenção
em si próprio, guardando para si o que
tem de melhor, magnificando estes seus
trejeitos.

Comece revendo seus detalhes pessoais.


Parece exagero, mas a maneira como se
apresenta deve ser algo que merece pelo
menos ser admirado pelo público. É
claro que às mulheres, a atenção deve
ser a mesma. Isso tem tudo a ver com o
Marketing Pessoal. Vamos a algumas
dicas em relação a roupas e sapatos:

a) Nunca lance moda numa palestra, bem


como não se vista com um modelo da
década passada;
b) Não use nada que desvie a atenção de
você, como cores muito fortes, a
exemplo do amarelo, laranja, verde
limão... Prefira, quando possível, duas
ou três cores na sua composição;

c) Os especialistas dizem que as


melhores combinações acontecem com
contraste, isto é, divide-se a pessoa ao
meio, preferencialmente claro na parte
de cima e escuro embaixo.

d) Durante sua apresentação, evite o


efeito cebola, aquela mania de tirar
peças de roupa, paletó, colete,
cachecol...

e) Para os homens, boas combinações


acontecem com calça e paletó azul-
marinho ou preto, camisa branca ou
azul-clara, sapatos meias e cintos
pretos; Especialistas recomendam, ainda
o uso de marrom com bege, preto com
cinza e azul. Evitar, quando possível, a
camisa e calça preta com sapato e cinto
marrom.

f) As meias devem combinar com os


sapatos ou com a calça. Existem
algumas pessoas que dizem que a meia
deve combinar com a calça. Ousamos
discordar, por exemplo, neste caso,
como fica a calça branca? Meia branca?
Fica estranho...

g) Você pode optar, também, por


apresentar-se de calça jeans com uma
camisa social e paletó em contraste, ou
seja, com cores preferencialmente
diferentes. Lembre-se de não usar
gravata para estes casos.
h) Algumas normas americanizadas
costumam considerar a sexta-feira o
“Casual Day” e assim a oportunidade de
usar algo como camisa pólo, calça
jeans, tênis ou sapatênis para os homens.
Para as mulheres, camiseta polo, calça
jeans, tênis, são uma opção.

Nos finais de semana, não descuide de


sua aparência, usando um short com uma
camiseta machão, por exemplo, ou
aquela bermuda jeans e a regata
“desbeiçada” ou, para as mulheres, a tal
“roupa de usar em casa”, pois você
pode encontrar com alguém.

Para as mulheres, além de algumas dicas


comuns, como o abuso de cores e o
efeito cebola mencionado acima, atente
para as seguintes:
a) Use tailleur (terno e calça ou terno e
saia femininos) com cores sóbrias. Evite
o rosa choque ou azul celeste.
b) Uma excelente opção são as saias
retas que afunilam nos joelhos, com
comprimento até uns quatro dedos acima
ou abaixo do joelho.
c) Pode-se usar também no lugar da
saia, uma calça comprida de corte
clássico (alfaiataria).
d) No caso de vestido pode ser o
tradicional tubinho e também o pretinho
básico.
e) Prefira os tecidos que não amassem,
embora sejamos fãs do algodão pelo
toque de maciez.
f) Os sapatos devem ser confortáveis
para auditório. Tudo pode acontecer,
principalmente se estiver usando salto.
Muito cuidado.
g) Maquiagem nunca deixar de usar. Sem
exageros. h) Evite os decotes e fendas,
alça de lingerie aparecendo, tomara-
que-caia, frente única, calças de lycra
ou cores muito claras.
i) Um lenço no pescoço dá um toque
especial e ele pode ser sobre tom, ou
seja, destacando-se do conjunto
escolhido, sem que seja uma cor muito
chamativa.

Enfim pergunte à você: quem eu sou?


Como é o meu estilo? Tem uma socialite
que tem o costume de dizer que existem
dois tipos de mulheres: as básicas e as
peruas. Em qual dessas você se
enquadra? Essa é uma pergunta
primordial para todos e todas aquelas
que pretendem tornar-se um ou uma
grande comunicadora e quanto a
indumentária, a dica maior é o
equilíbrio. Lembre-se, por fim, que
quanto mais sóbrio o ambiente, mais
discreta a produção.

Normalmente, as pessoas começam a


criar seu estilo percebendo as principais
características dos diversos
comunicadores. Faça isso e desenvolva
o seu lado crítico, buscando aqui o que
cabe de melhor para você.
O recado final que deixamos é a frase de
Kalil Gibran para quem “A simplicidade
é o último degrau da sabedoria”.
Materiais de apoio para todos os tipos
de eventos
É importante conhecer a maior parte dos
materiais que dão apoio nos eventos de
qualquer natureza. Vamos conhecer
alguns deles:
Mi cro f o n e
O microfone é um equipamento utilizado
para transmitir o som para um sistema
que amplifique a sua voz.
Os microfones podem ser com ou sem
fio (volante), de lapela, ou o também
chamado de labiofone (estilo Madonna).
Os microfones mais sensíveis são os de
mesa, portanto, muito cuidado ao
comentar algo entre os que estão na
mesa, pois eles captam à distância.
Uma importante preocupação em relação
ao microfone é a maneira como você
deve segurá-lo. O que se vê por ai é um
“show de horror” na maneira como
algumas pessoas seguram o microfone. É
claro que muitos casos expressam um
determinado estilo. Roberto Carlos
normalmente ou pega o microfone com
as duas mãos ou usa no pedestal para
movimentá-lo sempre para um lado e
outro. Os rapper´s, que cantam músicas
com influência afro e expressam
protesto com fundo musical baseado em
música instrumental adaptada, pegam o
microfone virado para cima de maneira
a encobrir o seu rosto.
Mas, o uso do microfone requer um
técnica, tanto em relação a sua distância
como na maneira que você tem que
pegá-lo. O ideal é que o microfone fique
paralelo ao seu corpo, a cerca de 2
dedos do seu queixo, ou seja, um pouco
abaixo da sua boca não ficando na frente
do rosto, o máximo que ele vai esconder
é um pouco do seu queixo. Com isso, o
seu braço ficará praticamente apoiado
no seu peito. Pegue o microfone como se
pega um copo escondendo as unhas.
Trabalhe com o microfone de acordo
com os seus movimentos, isto é, ao virar
o seu rosto para um lado ou para o outro
leve o microfone com ele.
Quando o microfone fizer um barulho
agudo, um apito desagradável que
também chamado de “microfonia”, é
sinal de que você está perto de alguma
caixa acústica. Afastese dela. Em
algumas situações, o operador da mesa
de som deve retirar um pouco do agudo.
Para testá-lo não dê tapinhas, diga: teste,
1,2,3, testando... shiiiii, bom dia...
Lous a, quadr o br anc
o ou flip cha r t
São auxiliares para o comunicador,
principalmente quando vai utilizar de
alguma palestra com características
instrucionais, ou seja, precisa elucidar
algum fato, dar uma aula, um treinamento
ou um curso.

A lousa é aquela que se escreve


utilizando o giz. O quadro branco utiliza
canetas coloridas. O flip chart é um
móvel com um tripé que pode ser
facilmente transportado e utiliza papéis.
Datas h ow (projet or
mu l ti mí d i a)
O projetor multimídia é largamente
utilizado na atualidade. Ele tem uma
lâmpada que reflete as informações
passadas pelo computador, seja ele um
PC ou um notebook (também conhecido
como Laptop), normalmente com o
apoio de uma apresentação multimídia
(som e imagem), utilizando um programa
chamado de Power Point. É um
equipamento de alto custo por conta de
sua lâmpada, cujo valor representa 80%
do preço total do equipamento e tem
uma vida útil de cerca de 2500 horas.
Retrop roj etor
Trata-se de um projetor que transmite as
informações constantes em papéis
transparentes. O apresentador vai
trocando as lâminas no momento que vai
evoluindo a sua aula. Com o uso mais
freqüente do Datashow, o retroprojetor,
aos poucos foi caindo em desuso.
Mo u se sem f i o o u
apres ent ador
O comunicador, ao utilizar um projetor
multimídia ou Datashow, a cada
momento que vai pular uma lâmina
projetada (slide), necessita deixar
alguém próximo do computador ou ir até
lá para fazê-lo. A opção, para estes
casos, é o uso de um “mouse sem fio” ou
um “apresentador”. Este pequeno
artefato facilita muito a vida do
comunicador e, hoje em dia, ele está
cada vez mais completo. Alguns, além
de contar com o avanço e o retrocesso
das lâminas, também são capazes de
mudar o programa que está sendo
apresentado e também controlar o
volume do som.

Este equipamento é encontrado no


mercado com valores a partir de R$
50,00.
O so f tw a re Powe r
Point
O Power Point, programa de
computador da Microsoft, facilitou
muito a vida do comunicador. Quanto se
pretende fazer uma apresentação, pode-
se desenvolver anteriormente tudo o que
vai ser dito, seguindo uma linha do
tempo e, com o uso do computador (PC
ou notebook) e o Datashow, faz-se um
excelente trabalho.

É importante para aqueles que se


utilizam do Power Point, atentar para
alguns erros comuns que são cometidos
no desenvolvimento de suas lâminas.
Muitos esquecem que ao projetá-las, o
que irá aparecer é ligeiramente diferente
do que aparece na tela, isto é, a
apresentação na tela não tem muito
contraste e fica difícil das pessoas
virem. Desta forma as dicas, em geral,
para desenvolver uma boa apresentação
em Power Point, são as seguintes:

a) Utilize contraste (claro com escuro ou


escuro com claro) entre o fundo e as
palavras; fundo preto escrito em branco
ou fundo branco (recomendável) escrito
em preto ou azul escuro. Qualquer
variação desta pode atrapalhar a leitura;

b) Coloque a menor quantidade possível


de texto, ou seja, apenas as
palavraschave. Se tiver texto a mais,
crie um script para ler. Uma das coisas
mais complicadas que existem é ficar
lendo o texto na tela. Tem aquele
público mal educado que percebe que
você está lendo e ainda diz “não precisa
ler ou sou ‘alfabetizado’!”

c) Pode inserir imagens, aliás,


recomenda-se. Mas, por outro lado,
evite colocar animações, aquelas que
ficam trocando como, gifs animados ou
animações em flash, pois roubam a
atenção.

d) Nunca coloque efeitos de áudio nas


transições, ou seja aqueles barulhinhos
de máquina de escrever, bomba, raio,
etc...
Pú l p i to ou p l en ári
o
Como equipamento de apoio ao
comunicador, existe o púlpito ou
plenário. Tratase de um móvel que pode
ser feito de metal, madeira ou acrílico e
que serve para que sirva de anteparo ou
apoio dos scripts e do microfone do
comunicador. Conforme dissemos
anteriormente é um elemento que inibe
os movimentos do orador, prejudicando
sua performance. Se desejar, peça
licença e saia detrás dele. Você se
sentirá melhor.
Ti p o s d e E v en to s
É muito importante ao comunicador
conhecer um pouco a respeito dos
diversos tipos de eventos existentes para
enfim, poder ambientar-se com cada um
deles. Vejamos:
Reu n i ão
Encontro encaminhamentos, propostos.

Infelizmente, podemos dizer que as


reuniões se tornaram uma verdadeira
praga em várias empresas, pois são
convocadas aos montes. É claro que elas
não deixam de ser um instrumento muito
útil na evolução e no alinhamento dos
colaboradores com as metas da empresa
mas, nem sempre é isso que acontece.
Os motivos são vários, mas
fundamentalmente a falta de atenção a
alguns critérios, conforme abaixo:
formal ou informal para discussão de

isto é, as ações que serão tomadas


visando temas e devidos atingir os
objetivos a) Ausência de pauta e
convocação prévia, bem como o
conhecimento a respeito

das pessoas que irão participar;


b) Sem informação ou respeito ao
horário de início e de término;

c) Falta de um mediador, que é aquele


indivíduo que manterá sempre o foco,
podendo inclusive chamar a atenção dos
presentes quando o assunto estiver
diferente do que foi pactuado;

d) O não desenvolvimento de uma ata,


que deveria ser feita por um secretário
que também escreve os
encaminhamentos, ou seja, o que ficou
resolvido daquele encontro e quem
serão os responsáveis.

Seguindo este raciocínio, uma reunião


será um instrumento eficaz e não uma
enorme perda de tempo.
Pal estra
É uma preleção feita por um orador que
em seguida pode, se desejar, abrir um
espaço para perguntas do auditório. A
palestra dura no máximo 90 minutos e
normalmente não é interrompida, pois
pode fazer o palestrante perder o “fio da
meada”.

A palestra tem etapas, assim como o


discurso, que se seguidas corrretamente,
passam um importante recado para os
participantes.
Se m inár io
É um grupo de estudos cujos
participantes apresentam cada um uma
parte de um todo. Normalmente é um
elemento auxiliar do desenvolvimento
de uma matéria e tende a acelerar o
processo de conhecimento daqueles que
apresentam, principalmente em função
das pesquisas.

Alguns professores utilizam o seminário,


dividindo a sala de aula em grupos e
cada um deles apresenta uma parte da
matéria ou do livro a ser estudado.
Confe r ê nc ia
Uma conferência é um evento que
acontece com a presença de uma ou mais
autoridades formando uma mesa solene
para debate de temas técnicos
específicos. Uma conferência pode
demorar de algumas horas até vários
dias e no final é possível gerar um
termo, uma carta-compromisso das
conclusões que foram tiradas neste
evento, fazendo com que esta material
venha a gerar uma política pública.
Sim pós io
Trata-se de uma reunião em que se
mesclam autoridades que apresentam
suas idéias contrastadas por pessoas que
fazem perguntas passando por um
moderador ou mediador. O simpósio, a
exemplo da conferência, pode também
durar de algumas horas até alguns dias.
Br ains t or m ing
Diferentemente de ser um evento com
auditório, trata-se de uma técnica que
estimula a criatividade em meio a uma
reunião em que participam diversas
pessoas, mesmo aquelas que não são
afetas ao assunto.

Algumas regras devem ser seguidas para


o bom resultado do brainstorming, tais
como a ausência de censura a qualquer
tipo de sugestão, o tempo
predeterminado para a duração e
anotação de tudo o que foi dito. Ao
final, faz-se uma depuração dos assuntos
e do que foi sugerido, excluindo os
exageros e aí tem-se enfim uma resposta
normalmente criativa ao que foi
proposto.
Fóru m
Reunião de experts sobre determinado
tema, sendo que, ao final – a exemplo de
uma conferência - é gerado um
determinado documento a respeito do
encontro. Este documento também
chama-se “carta”. É importante num
fórum a presença de um mediador e um
cuidado especial com o tema, que deve
provocar uma discussão extremamente
intelectualizada.
Mesa red o n d a
É uma reunião em que se juntam grupos
divergentes buscando uma conciliação.
Normalmente, esse tipo de evento
acontece em função de uma determinada
discórdia, como por exemplo, entre
patrões e empregados.
De bat e
É uma discussão entre duas ou mais
pessoas em torno de um assunto ou em
torno de ideias próprias. O debate pode
ter cunho político ou não. O debate mais
conhecido é aquele que envolve
candidatos a cargos eletivos, a exemplo
de presidentes, governadores e
prefeitos.
Cong r e s s o
É o que se pode chamar de um evento de
vários eventos, ou seja, várias sessões
com debates, mesa redonda,
conferências, palestras, etc. Os
congressos mais comuns envolvem áreas
específicas, a exemplo dos congressos
da área de medicina. Estes eventos
tendem a trazer algumas novidades
importantes no dia-a-dia do profissional
da saúde, ampliando o conhecimento a
respeito do assunto, tomando contato
com novas técnicas.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Tudo o que um sonho precisa para ser
realizado é alguém que acredite que ele
possa ser realizado.
Roberto Shinyashiki

Um certo dia, deparei com uma criança


de 12 anos de idade lendo um pequeno
livro que ensinava como ela deveria
falar em público.
Eu perguntei imediatamente o porquê
daquele livro e ela respondeu
prontamente, dizendo que a professora
de sua escola sempre pede que eles
façam a exposição dos seus trabalhos
para a sala de aula e ela sente muita
dificuldade.
Naquele momento, me dei conta de que
este aluno, com tão pouca idade, já esta
se preparando para um mundo em que a
comunicação é primordial, ou seja,
ninguém vive sem a capacidade de
vender suas ideias.
Por certo, é um exagero considerar que
as crianças a partir desta idade
necessitem de ferramentas para falar em
público, mas podemos considerar que
todas as pessoas, de alguma forma,
precisam comunicar-se cada vez melhor.
Espero que este livro faça-o alcançar
seus objetivos de vida, principalmente
utilizando a comunicação a seu favor,
seja qual for a atividade escolhida.
Uma dica final para suas investidas em
comunicação está em seguir o conselho
de Walter Franco na música “Coração
Tranqüilo”, para quem...

“Tudo é uma questão de manter a


mente quieta,
a espinha ereta,
e o coração tranqüilo.”

Os meus mais calorosos desejos de


Sucesso!
COMUNIQUE-SE E
VIVA MELHOR
O mais importante mundo não é tanto
onde estamos, mas em que direção
estamos nos movendo.
O.W. Holmes

Quando o assunto é Oratória, muitas


pessoas ficam questionando se o ato de
“falar bem” pode ser importante na vida.
Não há o que duvidar em relação a isso,
pois saber expressar-se bem abre muitas
portas, quer na vida profissional, quer
na pessoal.

No aspecto profissional, a comunicação


eficaz é símbolo de poder e autoridade.
Cada vez mais em nosso mundo
globalizado, a busca da excelência nas
comunicações é um importante e
imprescindível desafio para quem
pretende atingir um alto nível de
profissionalismo.

Na vida pessoal, um estudo comprovou


que mais de 80% dos conflitos
familiares está centrada na dificuldade
de comunicação. Os psicólogos
aconselham muito diálogo para corrigir
comportamentos das crianças, seja em
sua fase formação ou até mesmo na
adolescência. Não há remédio melhor
do que a comunicação quando o assunto
é educação familiar. Pergunte para quem
sofreu violência física na infância e irá
comprovar o que estamos afirmando.

Nos relacionamentos afetivos nem se


fala, pois o início de um contato passa
necessariamente pela comunicação
verbal. Independente disso, acredito que
você já tenha ouvido a seguinte frase
atribuída para aquela pessoa que sabe
falar bem, ou “tem um bom papo”:
“fulano tem um lábia...”.

Por falar em afetividade, imagine uma


mulher apaixonada por um homem e que
ele ainda não sabe disso. Imagine que o
cidadão pega o telefone e começa a
discar pensando nas palavras que dirá
ao convidá-la para sair. Ele reflete e
fica imaginando que ela pode responder
negativamente, isto é, negando-se. Ele
titubeia e, faltando apenas um número
para terminar efetuar a ligação, a dúvida
aparece: “Mas... e se ela disser ‘não’?”
Ele desliga o telefone e deixa para outro
dia, quando tiver coragem. Esse dia não
acontece e ele fica com aquilo na cabeça
por muito tempo. O tempo passa e ela
perde o interesse de esperar por aquela
iniciativa. Com isso, acaba arrumando
outro amor, alguém que falou o que
sentia. Ele, por sua vez, fica sozinho...
com a sua cruel dúvida: “será que ela
iria aceitar o meu convite?” Tudo isso
por falta da comunicação.

Os otimistas tem a mania de dizer que


precisamos sair em busca do “sim”,
porque o “não” já temos. Este argumento
é muito utilizado em palestras
motivacionais, principalmente aqueles
encontros com forte apelo emocional
cujo objetivo é “pilhar” os
participantes, fazendo-os alcançar suas
metas seja em vendas ou em seus
projetos. A “palavra” ali lançada serve
como um importante estímulo ao
atingimento de resultados. Agora eu
pergunto: tudo isso seria possível sem
comunicação?

Portanto, a comunicação é
imprescindível em tudo. Com a
comunicação é possível dizer que se
consegue sorrisos, afagos, amores,
prazeres, tristezas... Um padre, um
pastor, um líder religioso, auxilia as
pessoas a buscarem o melhor de si
utilizando apenas a comunicação. Estes
profissionais são capazes de buscar
elementos de auto-sugestão nas pessoas,
que induzem à cura.

Por falar em cura, é comprovado que


muitas doenças que temos advém de
problemas psicológicos, incluindo aí
rancores, medos, receios, remorsos,
temores.
Louise Hay em sua obra “Você Pode
Curar Sua Vida”, utiliza elementos de
comunicação visando a auto-sugestão
para curar vários tipos de doença. Ela
enfatiza que a “doença vem do nada e
pode voltar do nada”, pois você deve
trabalhar visando ignorá-la, mandando
energia boa para ela, pois com isso será
capaz de curar-se.
A comunicação pode fazê-lo superar
algumas dores, cativar seus amores, ser
astuto o suficiente para obter ganhos
financeiros, fazer as pessoas
entenderem, ou em algumas vezes
confortá-las daquilo que não é possível
mudar. A comunicação está para a
felicidade tal qual o amor. Sem amor
não tratamos bem a nossa família.
Nossas amizades ficam renegadas,
principalmente aquelas que equivalem
ao nosso convívio em sociedade. E as
nossas paixões então, aquelas que
alimentam nosso ego?
Desta forma, o que há que se fazer em
comunicação no nosso dia-a-dia,
principalmente para utilizá-lo em
benefício do viver bem, é reconhecer
nossos pontos fortes e aperfeiçoá-los,
tratando toda a sua expressividade. Isso
significa dizer estruturar de maneira
mais positiva possível a imagem que
você tem de si próprio. É o famoso
“estar bem consigo mesmo”. Quer
ferramenta melhor para a busca da
felicidade do que estar bem consigo
próprio?
Isso, é claro, é bem pessoal, mas eu vou
confessar: tenho o costume de colocar a
palavra “felicidade” a conflitar com
tudo aquilo que faço. Vivo me
perguntando: será que isso me faz/fará
feliz? Às vezes, deixo de fazer isso ou
aquilo por conta da dúvida. Essa dúvida
acaba ali, até porque, se quero ser feliz
e se este é o atributo maior de todas as
pessoas, é justo que negocie minhas
atitudes a todo instante para saber se
estou no caminho certo. Durante a minha
trajetória, me permito somente saborear
aquilo que me dá prazer, ou seja, aquilo
que me faz feliz. Qualquer coisa fora
disso é peremptoriamente descartado.
Tem gente, da qual eu convivo, que não
entende porque eu, às vezes, jogo fora
algumas coisas que são importantes para
eles. Mas para mim, não me faz feliz:
tchau!
O processo da comunicação conforme já
conhecido em linhas atrás neste livro,
fará com que você comece a ver o
mundo de forma diferente, mas, o mais
importante é acreditar que tem realmente
o poder que o Ser supremo, criador de
todas as coisas do céu e da terra Lhe
concedeu.
Viver bem é, portanto, ter a certeza de
que pode comunicar-se e não ter medo e
ultrapassar pseudobarreiras.
Atente para importantes sugestões para a
sua vida:

1- Capriche na primeira impressão

Você nunca terá uma segunda chance


para causar uma boa primeira
impressão, portanto, capriche no
momento que for apresentado a alguma
pessoa. Nunca se esqueça de, olhando
nos olhos, apertar a mão de maneira bem
firme sem demonstrar força, é claro.

2- Sorria sempre
Dizem que o verdadeiro idioma
universal é o sorriso. Um sorriso faz
milagres!
3- Memorize sempre que possível o
nome da pessoa.
Se organizar um evento, não se esqueça
de colocar um crachá nos participantes.
O nome da pessoa é o melhor som que
ela pode ouvir.
4 - Ouça as pessoas sempre
Reflita se você não é aquela pessoa que
fala muito. Deus já nos ensinou que
devemos ouvir mais do que falar, afinal,
nos deu uma boca e dois ouvidos.
5 - Ouça o corpo das pessoas, eles
falam

Existem várias situações que lhe


permitem “ler” as pessoas. Em alguns
casos, os braços cruzados é um sinal de
defesa. Quando a pessoa está olhando
para a sua própria testa, está pensando
ou duvidando daquilo que está falando.
Se ela está torcendo ou cerrando os
lábios, pode estar concordando ou
preparando resposta. Alguns casos,
quando a pessoa está tamborilando
(movimentando os dedos das mãos),
pode estar sem paciência.

6 - Olhe sempre nos olhos das pessoas


Comunicar-se olhando fixamente nos
olhos das pessoas tende a passar
honestidade e confiança.
7 - Elogie em público - Recrimine em
particular

Uma das coisas mais difíceis no


relacionamento está em saber o
momento certo de elogiar. Na verdade, o
que sempre deve ser feito é procurar
fazê-lo enquanto existam várias pessoas
no ambiente. Isso certamente
potencializará a sua ação. Por outro
lado, ao chamar a atenção, nunca o faça
em público. Chame a pessoa
reservadamente e dê-lhe a reprimenda.
Se fizer o contrário, ou seja, em público,
poderá causar um constrangimento
exagerado, podendo estimular até um
instinto animal no interlocutor, pois
ninguém gosta de ser afrontado, mesmo
que não tenha razão.

8 - Agradeça sempre
Existem pessoas que esquecem da magia
que tem a palavra “obrigado”. Esta
simples palavra faz milagres. Use-a em
abundância.
9 - Seja sempre “nós”

Vivemos em sociedade e isso faz com


que tudo que façamos seja feito em
equipe. Isso é inevitável. Por outro lado,
não podemos desmerecer que existem
lideranças em todos os segmentos, o que
nos faz, às vezes, achar que tudo é feito
por uma única pessoa, o líder. Pode ser
que algo foi feito por você, mas na hora
de falar a respeito, lembre-se de dizer
“nós fizemos”. O egocentrismo não faz
bem para a vida em sociedade.

10 - Comportamento gera
comportamento

Use o seu comportamento para


determinar o comportamento dos outros.
Mesmo que o outro tenha um
comportamento diferente, doe sempre
simpatia, mesmo que receba antipatia.
Significa dizer que, ao ser abordado por
alguém raivoso, alguém que está com
uma atitude exageradamente grosseira,
você deve agir com a maior calma
possível. Repita a operação quantas
vezes o interlocutor for selvagem com
você. Vá em frente, vai perceber o
quanto dá certo.

Não deixe que ele diga como você deve


se comportar. Isso é muito covarde. Seja
sempre o melhor em tudo, fale sempre.
Aprimore-se constantemente. Não tenha
dúvida naquilo que quer ser, nem aquilo
que quer falar. Um único sopro de
dúvida é capaz de derrubar uma
montanha de sucesso. Meio segundo de
dúvida pode causar um transtorno para o
resto da vida.
Você é o máximo, será feliz e viverá
melhor.
Obrigado e até a próxima.
Jacques Miranda
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Um livro aberto é um cérebro que fala.
Fechado, um amigo que espera.
Esquecido, uma alma que perdoa.
Destruido, um coração que chora.
Provérbio hindu

Para chegar a algumas da conclusões


apostas neste livro, foi necessário muita
experimentação e a consulta a algumas
fontes bibliográficas técnicas.
Entretanto, procurei beber
principalmente de fontes ligadas ao que
mais intriga o ser humano: as reações
cerebrais.
Quando o assunto é comunicação, temos
uma ligação muito forte para ser
trabalhada, principalmente porque atua
no íntimo de cada um e isso exige muito
mais do que técnica.

Dentre estas dezenas de obras, ouso


destacar algumas delas, como por
exemplo “O Corpo Fala” do autor Pierre
Weill que auxiliou para ilustrar o
capítulo que diz respeito aos gestos
utilizados pelos comunicadores.

O livro “Conversando com Deus” de


Neale D. Walsh, foi interessante para
trabalhar a questão voltada ao
autoconhecimento. O professor Perluigi
Piazzi, emprestou-nos o “Ensinando
Inteligência”, para ilustrar todos os
momentos em que precisei buscar muito
mais do mero convencimento.

Já, Nuno cobra, ajudou-nos


luxuosamente em vários capítulos, em
especial no que diz respeito ao medo de
falar em público. Sua obra, “Semente da
Vitória”, é algo que não pode faltar em
qualquer biblioteca.

Do educador Rubem Alves, servimo-nos


da maravilhosa obra “Ostra Feliz Não
Faz Pérola”, e buscamos um recheio
para tudo aquilo que diz respeito ao
aprendizado.
O mestre Covey e seus “7 Hábitos das
Pessoas Altamente Eficazes” apoiou-nos
em todos detalhes do livro, inclusive no
número de passos.
Como não poderia deixar de ser, Daniel
Goleman estruturou toda a parte das
reações do ser humano para alcançar
seus objetivos, na sua obra “Inteligência
Emocional”.
Quando o assunto é persuasão, nada
melhor do que o “Como Fazer Amigos e
Influenciar Pessoas” de Dale Carnegie.
Do mesmo mestre, utilizei o “Como
Livrar-se da Preocupações e Começar a
Viver”, afinal, de nada vale ter amigos e
viver preocupado.
Em momentos dos quais precisa valer-se
de argumentos para alcançar propósitos,
por assim dizer, nem tanto ortodoxos,
utilizei dos ensinamento de Sun Tzu, na
obra “Arte da Guerra” e regados ao bom
e velho “O Príncipe”, de Nicolau
Maquiavel.
Duas outras obras ajudaram a
pavimentar o caminho do Viver Melhor.
Dentre elas, destaque-se a obra da
autora Louise Hay em Você pode curar
sua vida e o do brasileiro Roberto
Shiniashiki com o “Sem Medo de
Vencer”.
Evidentemente, outros livros inspiraram,
bem como serviram de referência, mas
valho-me destes destaques.
Por outro lado, não é possível deixar de
considerar como referência
bibliográficas os nossos próprios
alunos, que nos fazem rever
constantemente nossas práticas, pois,
como enciclopédias ambulantes
inspiram-nos cada vez mais.
ANEXOS
Seja para Deus como o pássaro que
sente o galho tremer e continua a
cantar, mesmo sabendo que tem asas.
Dom Bosco
ANEXOI
EXERCÍCIO DE
RELAXAMENTO
O exercício de relaxamento é muito
importante para baixar as tensões do
cotidiano e condicionar o profissional a
viver em períodos de alto stress. O
exercício completo leva em média 20
minutos para ser feito.

Para fazê-lo, aconselha-se que você


tenha uma pessoa para conduzir o
exercício e que tome conhecimento
prévio do roteiro. Aconselha-se,
também, que outras pessoas participem.
A energia no ambiente fica melhor com
várias pessoas.

Para iniciar, procure um ambiente


escuro em sua casa. Para acompanhar,
busque músicas clássicas e bem lentas,
que não progridam durante o exercício.
Você pode também colocar barulhos de
água, de cachoeira, se for o caso.

As pessoas que irão fazer o exercício


devem sentar-se tranquila e
sossegadamente na cadeira. Caso
estejam de gravata, afrouxem. Pode tirar
os sapatos de desejaram e não esquecer
de desligar o telefone.
Desta maneira, o condutor do
relaxamento irá ler o texto abaixo
lentamente e com uma voz calma e com
fundo musical...

•Feche os olhos, não pressione apenas


feche-os, serenamente;
•Concentrem-se na sua respiração,
inspire, solte, inspire, solte. Livre-se de
todas as tensões, elas devem ficar do
lado de fora;
•Deixe de lado de fora todo o ruído que
ouvir, apenas concentre-se na sua
respiração. Esqueça do tempo, esqueça
dos compromissos;
•Limpe seus pensamentos, esvazie por
completo sua mente.
•Nós vamos começar alguns movimentos
corporais com o propósito de desligar
suas terminações nervosas e fazer com
que sua mente fique focada em nosso
propósito. Pode ser que você cochile,
não se preocupe, você ainda estará no
exercício.
•Vamos começar...
•Você vai agora franzir a testa. Volte,
devagar. Novamente...
•Mantenha os olhos fechados e olhe para
sua testa, como se quisesse ler seus
pensamentos. Mantenha por alguns
instantes.
•Volte o seu olhar e olhe para a
esquerda. Agora para a direita, para
baixo, agora para cima. Volte para o
centro.
•Inspire e solte. Novamente, inspire e
solte. Relaxe...
•Movimente seu nariz para a esquerda.
Para a direita. Para cima, para baixo.
Mexa a boca junto. Volte.
•Agora movimente sua boca para a
esquerda, para direita, para cima e para
baixo, volte. Dê um bocejo.
•Concentre-se na sua respiração.
Inspire, solte.
•Canalize a atenção agora para a região
do seu pescoço. Movimente sua cabeça
para a esquerda, direita, para frente e
para trás. Volte.
•Agora na região dos ombros, puxe o ar
trazendo o ombro para cima e solte-o
levando para baixo. Novamente. Mais
uma vez. Relaxe.
•Solte os braços ao lado da cadeira,
dobre, movimente os pulsos de maneira
circular.
•Concentre-se no seu pulmão, leve a
mão até ele inspire e solte. Novamente.
•Agora, leve suas mãos até o ventre.
Inspire e solte. Novamente.
•Concentre-se no seu coração, sinta os
seus próprios batimentos cardíacos e
sinta que você é uma máquina perfeita.
Repita para si: Eu sou perfeito e
iluminado.
•Siga mentalmente as demais partes do
seu corpo. Sinta sua região pélvica,
agora suas coxas, joelho, pernas, pés,
movimente os dedos dentro dos sapatos
•Neste momento, você está
completamente relaxado e livre de suas
tensões. Sinta a sua respiração.
•Com a mente limpa, pense num
momento muito feliz da sua vida, reveja
os detalhes o local, as pessoas a
paisagem, não se preocupe se elas não
estão entre nós agora, apenas pense
neste momento, neste aconchego, nesta
paz de espírito.
•Sua mente está em altíssima frequência
cerebral, você é único, capaz e está
seguro de suas atitudes. Sinta-se seguro
e forte.
•Imagine agora um enorme mar. Se
sentir-se melhor, imagine-se no topo de
uma montanha, enfim, escolha um lugar
que você se sinta bem, que você possa
sentir o seu corpo, que você pode
mandar nos seus pensamentos. Este é o
seu lugar seguro, estando nesse lugar,
nada lhe fará mal.
•Você está completamente seguro. Diga
para si com sua voz interior;
•EU ESTOU SEGURO.
•EU COMANDO A MINHA VIDA
•EU COMANDO AS MINHAS
ATITUDES
•EU ESCOLHI SER FELIZ. SORRIA.
•EU COMANDO AS MINHAS
ATITUDES
•EU SOU FELIZ.
•Quando você voltar, será uma pessoa
diferente, uma pessoa mais forte, uma
pessoa poderosa.
•Você será assim porque escolheu a
felicidade. A felicidade lhe pertence.
•Vamos iniciar uma contagem de 5 até 1
e você irá voltar lentamente. Acompanhe
5, inspire e solte, 4 inspire e solte, 3
inspire e solte, 2 inspire e solte, 1
pronto. Abra os olhos, inspire bem
fundo, solte e SORRIA!
ANEXO II
EXERCÍCIOS DE
DICÇÃO
Os exercícios inseridos neste anexo
visam fazer com que o comunicador
melhore sua postura vocal, incluindo um
pouco de teatralização, dando o brilho,
ênfase e amplie a articulação das
palavras. Os exercícios são úteis para
àqueles que tem a língua presa, que tem
o sotaque nordestino acentuado, também.

Vamos iniciar com alguns dos trava-


línguas:
O RA TO E A ROS A
RI TA
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
O rato roeu a roupa do rei da Rússia.
O rato roeu o rabo do Rodovalho.
O rato roeu a rolha da garrafa da rainha.
O rato a roer roia.
E a rosa Rita Ramalho
Do rato a roer se ria.

PINTOR PORTUGUÊS Paulo Pereira


Pinto Peixoto. Pobre pintor português.
Pinta perfeitamente.
Portas, paredes e pias.
Por parco preço, patrão.
PADRE PEDRO
- Pedreiro da Catedral está aqui o padre
Pedro?
- Qual padre Pedro?
- O padre Pedro Pires Pisco Pascoal.
- Aqui na catedral tem três padres
Pedros Pires Piscos Pas-coais como em
outras

catedrais.

PEDRO
Se o Pedro é preto,
o peito do Pedro é preto e o peito do pé
do Pedro é preto. O padre Pedro pega o
prato,
E papa que papa.
E quando o padre Pedro Papa,
Não para nem pro Papa.
E dizem que praga do padre Pedro pega
e prega. Mas quem pega a praga do
padre Pedro no prego e prega, A praga
não pega.

TATÚ
-Alô, o tatu ta aí?
- Não, o tatu num tá.
- Mas a mulher do tatu tando, é o mesmo
que o tatu tá.

O SAPO NO SACO
Olha o sapo dentro do saco. O saco com
o sapo dentro. O sapo batendo papo.
E o papo soltando vento.

TEMPO
O tempo perguntou pro tempo quanto
tempo o tempo tem.
O tempo respondeu pro tempo que o
tempo tem tanto tempo quanto tempo o

tempo tem.

LILI E LALÁ
Lili e Lalá
Lavam louça
Levam lixo e levam lenha, sempre lado
a lado. E nesse leva-que-leva e nesse
lava-que-lava, Levam a vida e levam
vida pra vila.
DIVERSOS
Menino que muda muito, Muda muito de
repente.
Pois sempre que a gente muda, O mundo
muda com a gente.
O prefeito moço prometeu ovo, Muito
ovo pro povo.
E quando ganhou,
O prefeito novo deu banana pro povo.
Ex e r c íc io s art
iculat órios
Os exercícios articulatórios servem para
melhorar as características de pronúncia
das palavras.

PA TA KA PRA TRA KRA PE TE KE


PRE TRE KRE PI TI KI PRI TRI KRI
PLI TLI KLI PO TO KO PRO TRO
KRO PU TU KU PRU TRU KRU BA
DA GA BRA DRA GRA BE DE GUE
BRE DRE GRE BI DI GUI BRI DRI
GRI BLI DLI GLI BO DO GO BRO
DRO GRO BU DU GU BRU DRU GRU
FA SA XA FRA SRA XRA FE SE XE
FRE SRE XRE FI SI XI FRI SRI XRI
FLI SLI XLI FO SO XO FRO SRO XRO
FLO SLO XLO FU SU XU FRU SRU
XRU FLU SLU XLU PLA TLA KLA
PLE TLE KLE

PLO TLO KLO PLU TLU KLU BLA


DLA GLA BLE DLE GLE

BLO DLO GLO BLU DLU GLU FLA


SLA XLA FLE SLE XLE

Depois de praticar os exercícios,


procure pronunciar as palavras abaixo
esforçando-se para movimentar bem a
boca.
JÁ- CA- RÉ- PA -GUA I- TA –PE- CI -
RI -CA
Continue movimentando pronunciando
todas as palavras... bem a boca, dando
um colorido especial à voz,

Chequei faz pouco tempo Cheguei faz


pouco tempo de uma viagem
Cheguei faz pouco tempo de uma viagem
longa com minha família Cheguei faz
pouco tempo de uma viagem longa com
minha família e estamos

exaustos
Cheguei faz pouco tempo de uma viagem
longa com minha família, estamos
exaustos e não podemos ir à festa
Capriche agora...

Olá meu amigo telespectador. Ontem o


São Paulo Futebol Clube desencantou
contra um time argentino, e você sabe
que o São Paulo é o Brasil na
Libertadores.
Você acompanha os gols deste e de
outros campeonatos pelo mundo afora,
daqui a pouco em nosso Globo Esporte.
Globo e você, tudo a ver!

Este exercício fará com que você


determine algumas palavras que você
deve colocar uma ênfase...
Fiquei esperando um tempão até você
chegar. Perdi quase toda a manhã e você
sequer ligou no meu celular
Fiquei esperando um tempão até você
chegar. Perdi quase toda a manhã e você
sequer ligou no meu celular
Fiquei esperando um tempão até você
chegar. Perdi quase toda a manhã e você
sequer ligou no meu celular
Fiquei esperando um tempão até você
chegar. Perdi quase toda a manhã e você
sequer ligou no meu celular
Fiquei esperando um tempão até você
chegar. Perdi quase toda a manhã e você
sequer ligou no meu celular
Ex e r c íc io s pa r a
aqueciment o e de s
aque c im e nt o voc al.
Às vezes, pela manhã, as pessoas tem
compromissos com a voz e não se
preocupam com a necessidade de
aquecê-la. Isso tende a causar alguns
problemas, principalmente na quebra de
qualidade vocal (voz muito grave ou
aguda) e de problemas associados a
lesões nas cordas. Os exercícios abaixo
foram extraídos de materiais de ensino
de técnicas vocais para profissionais da
música.
Aquecimento:
Para aquecer a voz, você pode vibrar a
língua, fazendo um movimento de
“brrrrrrrrrr...” aumentando e diminuindo,
com a boca fechada. Você irá sentir os
lábios vibrarem.
Em seguida, faça um “hummmmmm”,
também com a boca fechada.
Agora, pronuncie as vogais com a boca
fechada: A, E, I, O, U. Sinta o nariz e os
lábios vibrarem.

Para desaquecer:
Quando terminar a sua apresentação, dê
um bocejo com a boca bem aberta.
Capriche. Em seguida, em vez de
pronunciar as vogais (como fez no
aquecimento), você irá suspirá-las com
a boca fechada, A, E, I, O, U. Em
seguida, faça um
“hummmmmmmmmmmm” diminuindo a
intensidade.

Exercício para treinamento de


articulação.
Um exercício muito interessante para o
treinamento da articulação é aquele em
que se coloca ou se provoca uma
interrupção no movimento da boca
forçando uma pronúncia apenas com as
cordas vocais.
Algumas pessoas chamam este exercício
de “Exercício do Cachorro Louco”,
porque normalmente, que o faz
adequadamente costuma salivar para
fora da boca.
Ele consiste em fazer com que se leia
um texto em voz alta com uma caneta
atravessada na boca. Com isso, ao final,
você irá melhorar em muito a
capacidade de articulação das palavras.
Faça o exercício. Verá a diferença.
ANEXO III
FÁBULAS
As fábulas de Esopo são uma coleção de
fábulas creditadas a Esopo (620—560
a.C.), um escravo e contador de
histórias que viveu na Grécia Antiga. As
fábulas são uma chance popular para
educação moral de todas as pessoas. Há
muitas histórias incluídas nas fábulas de
Esopo.

Selecionamos algumas das fábulas mais


conhecidas e que foram reescritas por
Jean de La Fontaine e que podem ser
úteis para ilustrar um discurso:
A Cig ar r a e a F or m
ig a
Era uma vez uma cigarra que vivia
saltitando e cantando pelo bosque, sem
se preocupar com o futuro. Esbarrando
numa formiguinha, que carregava uma
folha pesada, perguntou:

- Ei, formiguinha, para que todo esse


trabalho? O verão é para gente
aproveitar! O verão é para gente se
divertir!
- Não, não, não! Nós, formigas, não
temos tempo para diversão. É preciso
trabalhar agora para guardar comida
para o inverno.
Durante o verão, a cigarra continuou se
divertindo, passeando e cantando por
todo o bosque. Quando tinha fome, era
só pegar uma folha e comer.
Um belo dia, passou de novo perto da
formiguinha carregando outra pesada
folha e então a aconselhou:
- Deixa esse trabalho para as outras!
Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha,
vamos cantar! Vamos dançar!
A formiguinha gostou da sugestão. Ela
resolveu ver a vida que a cigarra levava
e ficou encantada. Resolveu viver
também como sua amiga.
Mas, no dia seguinte, apareceu a rainha
do formigueiro e, ao vê-la se divertindo,
olhou feio para ela e ordenou que
voltasse ao trabalho. Tinha terminado a
vidinha boa.
A rainha das formigas falou então para a
cigarra:
- Se não mudar de vida, no inverno você
há de se arrepender, cigarra! Vai passar
fome e frio.
A cigarra nem ligou, fez uma reverência
para rainha e comentou:
- Hum!! O inverno ainda está longe,
querida!
Para a cigarra, o que importava era
aproveitar a vida, e aproveitar o hoje,
sem pensar no amanhã. Para que
construir um abrigo? Para que armazenar
alimento? Pura perda de tempo.
Certo dia o inverno chegou, e a cigarra
começou a tiritar de frio. Sentia seu
corpo gelado e não tinha o que comer.
Desesperada, foi bater na casa da
formiga.
Abrindo a porta, a formiga viu na sua
frente a cigarra quase morta de frio.
Puxoua para dentro, agasalhou-a e deu-
lhe uma sopa bem quente e deliciosa.
Naquela hora, apareceu a rainha das
formigas que disse à cigarra: - No
mundo das formigas, todos trabalham e
se você quiser ficar conosco, cumpra o
seu dever: toque e cante para nós.
Para cigarra e para as formigas, aquele
foi o inverno mais feliz das suas vidas.
A R apos a e as Uvas
Uma raposa faminta entrou num terreno
onde havia uma parreira, cheia de uvas
maduras, cujos cachos se penduravam,
muito alto, em cima de sua cabeça.
A raposa não podia resistir à tentação de
chupar aquelas uvas mas, por mais que
pulasse, não conseguia abocanhá-las.
Cansada de pular, olhou mais uma vez
os apetitosos cachos e disse:
- Estão verdes ...
É fácil desdenhar daquilo que não se
alcança.
A Le br e e a T ar t ar
ug a
Há muitos e muitos anos, no reino da
bicharada, vinha uma lebre correndo
pelo campo em disparada.
- Eu corro pra lá eu corro pra cá, eu
corro pra lá eu corro pra cá, ninguém na
floresta me pode vencer, pois igual a
mim ninguém pode correr!
No entanto, nesse momento, andando
bem sossegada, surgiu dona Tartaruga,
caminhando pela estrada.
- Tralalá lá lá lá lá, lá vou eu
devagarinho, carregando a minha casa,
pelas curvas do caminho!
Mas a lebre era matreira, zombava da
tartaruga, cantando dessa maneira:
Lá vem dona tartaruga, vem andando
sossegada, vou sair da frente dela pra
não ser atropelada! Porém dona
Tartaruga, não gostou da cantoria, pôs a
cabeça de fora e berrou com valentia:
- Ora, deixe de ser prosa! Aposto a
minha vida como hei de vencê-la numa
corrida!
- Aceito o desafio. Amanhã bem
cedinho, prometo vir encontrá-la, na
curva do caminho.
E saiu em disparada, pra avisar a
bicharada.
E assim, na manhã seguinte, bem cedo
ao nascer do dia, lá estavam todos os
bichos, a torcer com alegria!
O tigre de guarda-chuva, o macaco de
cartola, a cobra de saia e blusa e o sapo
de camisola. E em meio do entusiasmo e
da alegria geral, rompeu a famosa banda
do maestro pica-pau!
E a bicharada gritava numa incontida
alegria, quando o macaco apitou, dando
início a correria.
A lebre saiu correndo em tamanha
disparada e ao fim de poucos instantes,
sumiu na curva da estrada.
Entretanto a tartaruga, andava tão
devagar, que os bichos em zombaria,
começaram a cantar:
Lá vem dona tartaruga, vem andando
sossegada, vou sair da frente dela pra
não ser atropelada!
E a lebre, onde andará?
Ela que tanto correu, já devia estar de
volta! Que foi que lhe aconteceu!
- Puxa, como estou cansada, porque fui
correr assim. A tartaruga a essa hora,
deve estar longe de mim. Sabem que
mais? - Vou dormir enquanto espero por
ela. Depois de correr um pouco, e
passar a frente dela.
E a lebre adormeceu, tranquilamente a
sonhar. Enquanto isso a tartaruga, foi
passando devagar.
Todavia, horas mais tarde, a pobre lebre
acordou e vendo a noite cair, apavorada
ficou!
- Céus, já está anoitecendo, preciso sair
correndo.
E sem pensar em outra coisa, foi saindo
em disparada, quando ouviu soar ao
longe, o canto da bicharada!
Salve a dona tartaruga, tartaruga
destemida, deixou a lebre para trás e
venceu a corrida!
Dona lebre só vivia a correr o dia
inteiro, porém dona tartaruga, andando
chegou primeiro!

Pesquise outras fábulas a exemplo de


“As Árvores e o Machado”, “O
Cachorro e sua Sombra”.
ANEXO IV
DISCURSOS
MEMORÁVEIS
Grande dit ador –
Chaplin
Em meio a Segunda Grande Guerra
Mundial, judeus estavam sendo
esmagados pelo preconceito alemão.
Chaplin, genialmente, interpreta os dois
protagonistas da história: o ditador
Adenoid Hynkel (em clara referência a
Hitler) e o barbeiro Judeu. Irônico e
atrevido, este filme lhe causou sua
expulsão dos Estados Unidos, mas criou
também uma obra-prima única com uma
das melhores mensagens anti-guerra já
transmitidas ao homem:

"Sinto muito, mas não pretendo ser um


imperador. Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar
quem quer que seja. Gostaria de ajudar
– se possível – judeus, o gentio...
negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos


outros. Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do
próximo – não para o seu infortúnio. Por
que havemos de odiar e desprezar uns
aos outros? Neste mundo há espaço para
todos. A terra, que é boa e rica, pode
prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da


liberdade e da beleza, porém nos
extraviamos. A cobiça envenenou a alma
dos homens... levantou no mundo as
muralhas do ódio... e temnos feito
marchar a passo de ganso para a miséria
e os morticínios. Criamos a época da
velocidade, mas nos sentimos
enclausurados dentro dela. A máquina,
que produz abundância, tem-nos deixado
em penúria. Nossos conhecimentos
fizeram-nos céticos; nossa inteligência,
empedernidos e cruéis. Pensamos em
demasia e sentimos bem pouco. Mais do
que de máquinas, precisamos de
humanidade. Mais do que de
inteligência, precisamos de afeição e
doçura. Sem essas virtudes, a vida será
de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos


muito mais. A própria natureza dessas
coisas é um apelo eloqüente à bondade
do homem... um apelo à fraternidade
universal... à união de todos nós. Neste
mesmo instante a minha voz chega a
milhares de pessoas pelo mundo afora...
milhões de desesperados, homens,
mulheres, criancinhas... vítimas de um
sistema que tortura seres humanos e
encarcera inocentes. Aos que me podem
ouvir eu digo: “Não desespereis! A
desgraça que tem caído sobre nós não é
mais do que o produto da cobiça em
agonia... da amargura de homens que
temem o avanço do progresso humano.
Os homens que odeiam desaparecerão,
os ditadores sucumbem e o poder que do
povo arrebataram há de retornar ao
povo. E assim, enquanto morrem
homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses


brutais... que vos desprezam... que vos
escravizam... que arregimentam as
vossas vidas... que ditam os vossos atos,
as vossas idéias e os vossos
sentimentos! Que vos fazem marchar no
mesmo passo, que vos submetem a uma
alimentação regrada, que vos tratam
como gado humano e que vos utilizam
como bucha de canhão! Não sois
máquina! Homens é que sois! E com o
amor da humanidade em vossas almas!
Não odieis! Só odeiam os que não se
fazem amar... os que não se fazem amar
e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela


escravidão! Lutai pela liberdade! No
décimo sétimo capítulo de São Lucas
está escrito que o Reino de Deus está
dentro do homem – não de um só homem
ou grupo de homens, mas dos homens
todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes
o poder – o poder de criar máquinas. O
poder de criar felicidade! Vós, o povo,
tendes o poder de tornar esta vida livre
e bela... de fazê-la uma aventura
maravilhosa. Portanto – em nome da
democracia – usemos desse poder,
unamo-nos todos nós. Lutemos por um
mundo novo... um mundo bom que a
todos assegure o ensejo de trabalho, que
dê futuro à mocidade e segurança à
velhice.

É pela promessa de tais coisas que


desalmados têm subido ao poder. Mas,
só mistificam! Não cumprem o que
prometem. Jamais o cumprirão! Os
ditadores liberam-se, porém escravizam
o povo. Lutemos agora para libertar o
mundo, abater as fronteiras nacionais,
dar fim à ganância, ao ódio e à
prepotência. Lutemos por um mundo de
razão, um mundo em que a ciência e o
progresso conduzam à ventura de todos
nós. Soldados, em nome da democracia,
unamo-nos! ( segue o estrondoso
aplauso da multidão ).
Eu t e nho um s o nho -
Ma rti n L u th er K i n
g
“Eu Tenho Um Sonho” (título original
em inglês: “I Have a Dream”) é o nome
popular dado ao histórico discurso
público feito pelo ativista político norte
americano. Martin Luther King, Jr., no
qual falava da necessidade de união e
coexistência harmoniosa entre negros e
brancos no futuro. O discurso, realizado
no dia 28 de agosto de 1963 nos degraus
do Lincoln Memorial em Washington,
D.C. como parte da Marcha de
Washington por Empregos e Liberdade,
foi um momento decisivo na história do
Movimento Americano pelos Direitos
Civis. Feito em frente a uma platéia de
mais de duzentas mil pessoas que
apoiavam a causa, o discurso é
considerado um dos maiores na história.

“Eu estou contente em unir-me com


vocês no dia que entrará para a história
como a maior demonstração pela
liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano,


na qual estamos sob sua simbólica
sombra, assinou a Proclamação de
Emancipação. Esse importante decreto
veio como um grande farol de esperança
para milhões de escravos negros que
tinham murchados nas chamas da
injustiça. Ele veio como uma alvorada
para terminar a longa noite de seus
cativeiros.

Mas cem anos depois, o Negro ainda


não é livre.

Cem anos depois, a vida do Negro ainda


é tristemente inválida pelas algemas da
segregação e as cadeias de
discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma
ilha só de pobreza no meio de um vasto
oceano de prosperidade material. Cem
anos depois, o Negro ainda adoece nos
cantos da sociedade americana e se
encontram exilados em sua própria terra.
Assim, nós viemos aqui hoje para
dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de
nossa nação para trocar um cheque.
Quando os arquitetos de nossa república
escreveram as magníficas palavras da
Constituição e a Declaração da
Independência, eles estavam assinando
uma nota promissória para a qual todo
americano seria seu herdeiro. Esta nota
era uma promessa que todos os homens,
sim, os homens negros, como também os
homens brancos, teriam garantidos os
direitos inalienáveis de vida, liberdade
e a busca da felicidade. Hoje é óbvio
que aquela América não apresentou esta
nota promissória. Em vez de honrar esta
obrigação sagrada, a América deu para
o povo negro um cheque sem fundo, um
cheque que voltou marcado com “fundos
insuficientes”.
Mas nós nos recusamos a acreditar que
o banco da justiça é falível. Nós nos
recusamos a acreditar que há capitais
insuficientes de oportunidade nesta
nação. Assim nós viemos trocar este
cheque, um cheque que nos dará o
direito de reclamar as riquezas de
liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à
América dessa cruel urgência. Este não
é o momento para descansar no luxo
refrescante ou tomar o remédio
tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em
realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das
trevas da segregação ao caminho
iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa
nação das areias movediças da injustiça
racial para a pedra sólida da
fraternidade. Agora é o tempo para fazer
da justiça uma realidade para todos os
filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a
urgência desse amamento. Este verão
sufocante do legítimo descontentamento
dos Negros não passará até termos um
renovador outono de liberdade e
igualdade. Este ano de 1963 não é um
fim, mas um começo. Esses que esperam
que o Negro agora estará contente, terão
um violento despertar se a nação votar
aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao
meu povo que se dirige ao portal que
conduz ao palácio da justiça. No
processo de conquistar nosso legítimo
direito, nós não devemos ser culpados
de ações de injustiças. Não vamos
satisfazer nossa sede de liberdade
bebendo da xícara da amargura e do
ódio. Nós sempre temos que conduzir
nossa luta num alto nível de dignidade e
disciplina. Nós não devemos permitir
que nosso criativo protesto se degenere
em violência física. Novamente e
novamente nós temos que subir às
majestosas alturas da reunião da força
física com a força de alma. Nossa nova
e maravilhosa combatividade mostrou à
comunidade negra que não devemos ter
uma desconfiança para com todas as
pessoas brancas, para muitos de nossos
irmãos brancos, como comprovamos
pela presença deles aqui hoje, vieram
entender que o destino deles é amarrado
ao nosso destino. Eles vieram perceber
que a liberdade deles é ligada
indissoluvelmente a nossa liberdade.
Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que
fazer a promessa que nós sempre
marcharemos à frente. Nós não podemos
retroceder. Há esses que estão
perguntando para os devotos dos
direitos civis, “Quando vocês estarão
satisfeitos?”
Nós nunca estaremos satisfeitos
enquanto o Negro for vítima dos
horrores indizíveis da brutalidade
policial. Nós nunca estaremos satisfeitos
enquanto nossos corpos, pesados com a
fadiga da viagem, não poderem ter
hospedagem nos motéis das estradas e
os hotéis das cidades. Nós não
estaremos satisfeitos enquanto um Negro
não puder votar no Mississipi e um
Negro em Nova Iorque acreditar que ele
não tem motivo para votar. Não, não,
nós não estamos satisfeitos e nós não
estaremos satisfeitos até que a justiça e
a retidão rolem abaixo como águas de
uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você
vieram até aqui após grandes testes e
sofrimentos. Alguns de você vieram
recentemente de celas estreitas das
prisões. Alguns de vocês vieram de
áreas onde sua busca pela liberdade lhe
deixaram marcas pelas tempestades das
perseguições e pelos ventos de
brutalidade policial. Você são o
veteranos do sofrimento. Continuem
trabalhando com a fé que sofrimento
imerecido é redentor. Voltem para o
Mississippi, voltem para o Alabama,
voltem para a Carolina do Sul, voltem
para a Geórgia, voltem para Louisiana,
voltem para as ruas sujas e guetos de
nossas cidades do norte, sabendo que de
alguma maneira esta situação pode e
será mudada. Não se deixe caiar no vale
de desespero.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que
embora nós enfrentemos as dificuldades
de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um
sonho. É um sonho profundamente
enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta
nação se levantará e viverá o verdadeiro
significado de sua crença – nós
celebraremos estas verdades e elas
serão claras para todos, que os homens
são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas
colinas vermelhas da Geórgia os filhos
dos descendentes de escravos e os filhos
dos descendentes dos donos de escravos
poderão se sentar junto à mesa da
fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até
mesmo no estado de Mississippi, um
estado que transpira com o calor da
injustiça, que transpira com o calor de
opressão, será transformado em um
oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro
pequenas crianças vão um dia viver em
uma nação onde elas não serão julgadas
pela cor da pele, mas pelo conteúdo de
seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no
Alabama, com seus racistas malignos,
com seu governador que tem os lábios
gotejando palavras de intervenção e
negação; nesse justo dia no Alabama
meninos negros e meninas negras
poderão unir as mãos com meninos
brancos e meninas brancas como irmãs e
irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale
será exaltado, e todas as colinas e
montanhas virão abaixo, os lugares
ásperos serão aplainados e os lugares
tortuosos serão endireitados e a glória
do Senhor será revelada e toda a carne
estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com
que regressarei para o Sul. Com esta fé
nós poderemos cortar da montanha do
desespero uma pedra de esperança. Com
esta fé nós poderemos transformar as
discórdias estridentes de nossa nação
em uma bela sinfonia de fraternidade.
Com esta fé nós poderemos trabalhar
juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir
encarcerar juntos, defender liberdade
juntos, e quem sabe nós seremos um dia
livre. Este será o dia, este será o dia
quando todas as crianças de Deus
poderão cantar com um novo
significado.
Meu país, doce terra de liberdade, eu te
canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do
orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o
sino da liberdade!”
E se a América é uma grande nação, isto
tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no
extraordinário topo da montanha de New
Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas
poderosas montanhas poderosas de
Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos
engrandecidos Alleghenies da
Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas
montanhas cobertas de neve Rockies do
Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras
curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da
liberdade na Montanha de Pedra da
Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na
Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as
colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da
liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós
permitimos o sino da liberdade soar,
quando nós deixarmos ele soar em toda
moradia e todo vilarejo, em todo estado
e em toda cidade, nós poderemos
acelerar aquele dia quando todas as
crianças de Deus, homens pretos e
homens brancos, judeus e gentios,
protestantes e católicos, poderão unir
mãos e cantar nas palavras do velho
espiritual negro:
Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós
somos livres afinal.”
SOBRE O AUTOR
Jacques Miranda, já foi docente de
várias instituições e é professor
universitário das disciplinas de
empreendedorismo e marketing, bem
como coordenador de trabalhos de
conclusão de curso.

É palestrante, consultor, empresário há


mais de 30 anos e atualmente dirige
empresas no segmento de comunicação,
treinamento e uma editora na grande São
Paulo.

Bacharel em Direito, graduado em


Gestão Empresarial, pós-graduado em
Marketing pela Fundação Getúlio Vargas
e Mestrando em Semiótica, Tecnologia
da Informação e Educação, tem centenas
de artigos publicados em revistas,
jornais e portais especializados desde o
ano de 1987.

É autor do livro “Os 12 Mandamentos


da Administração do Tempo”, com
milhares de exemplares vendidos, cuja
palestra sobre o tema já foi apresentada
para mais de 5000 pessoas em
instituições diversas.

O autor foi diretor de várias entidades


de classe tais como ABEOC,
Associação Comercial de Guarulhos e
Guarulhos Convention Bureau. É
membro da Academia Guarulhense de
Letras, ocupante da Cadeira de número
12, cujo patrono é Octávio Augusto
Langaard Filho.

Para acompanhar o trabalho do autor,


acesse www.jacquesmiranda.com.br.

Tantas vezes pensamos ter chegado.


Tantas vezes é preciso ir além Fernando
Pessoa