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Aula nº 7, de 26 -10-2017 Sumário:

Continuação da aula nº 6: contrato para pessoa nomear

Fato juridico, ato juridico, classificação contratos, negócio unilateral, gestão de negocios

Bibliografia: Antunes Varela , Das obrigações em geral Vol I

Sitografia

www.tecnolegis.com

Fato juridco, Diogo CYSNE, acessado em www.infoescola.com

1. Fato jurídico lato sensu (sentido amplo), ou apenas fato jurídico, é todo
acontecimento, natural ou humano, que gera efeitos jurídicos. Encontram-se três
ramificações para ele: fato jurídico stricto sensu (sentido estrito; pertinente às causas
naturais); ato jurídico (à ação humana); e ato-fato jurídico (conta com uma ação
humana involuntária).
1.1. Ato jurídico é quando os efeitos judiciais são provocados por ação humana e é
composto por atos jurídicos stricto sensu e negócios jurídicos.
1.1.1. O ato jurídico stricto sensu, ou de senso estrito, é toda ação humana,
voluntária e consciente que acarreta consequências jurídicas pré-
determinadas por lei. O efeito jurídico, pois, é automático e inevitável, não
podendo o indivíduo evadir-se dele. Por exemplo: se um pai reconhece
legalmente um filho, ele não pode excluir as consequências legais de tal ato,
1.1.1.1. Já o negócio jurídico gera efeitos jurídicos mediante negociação
entre as partes. Tais efeitos são organizados no ato da negociação e
dispostos, de maneira objetiva, presumindo-se sempre a boa fé dos
envolvidos, em um documento com valor legal. Assim, o negócio
jurídico evidencia a liberdade negocial, ou autonomia privada, dos
indivíduos, como se vê na assinatura de acordos, contratos ou
testamentos. Seus elementos essenciais são existência (deve haver
vontade manifesta das partes O conceito de negócio jurídico relaciona-
se com o princípio da autonomia privada, segundo o qual, cada
indivíduo tem a faculdade de estabelecer relações jurídicas com os
demais, de acordo com a sua vontade, na medida dos interesses das
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partes envolvidas. É, portanto, o instrumento jurídico capaz de
expressar a vontade de cada, nos limites de seus respetivos interesses,
gerando direitos e obrigações juridicamente exigíveis e ou exercitáveis.
1.1.1.2. Exemplos de negócios jurídicos são: contrato de compra e venda,
a doação, o testamento, contrato de locação e etc.

CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS

1ª Classificação (Contratos Unilaterais e Bilaterais) Contrato Unilateral – É aquele que


gera obrigações para apenas uma das partes. Exemplo: A Doação é um contrato unilateral.
O doador tem a obrigação de entregar a coisa, já o donatário não tem qualquer obrigação.
Contrato Bilateral - É aquele que gera obrigações para ambas as partes. Exemplo:
Contrato de Compra e Venda, A obrigação do comprador é pagar o preço, ao passo que
o vendedor tem a obrigação de entregar a coisa. Observação –

Não confundir a classificação dos contratos em unilateral e bilateral com a


classificação do negócio jurídico em unilateral e bilateral. Critério utilizado para a
classificação dos contratos (Quantidade de obrigações) - Na classificação dos contratos,
o critério utilizado é o da quantidade de obrigações que surgem em razão do contrato.
Critério utilizado para a classificação dos negócios jurídicos (Quantidade de
manifestações de vontade) :

Negócio jurídico unilateral – É aquele que exige apenas uma manifestação de vontade
para sua constituição. Exemplo: Testamento, Promessa de Recompensa, Confissão de
Dívida.

Negócio jurídico bilateral – É aquele que exige duas manifestações de vontade para se
constituir. Exemplo: A doação é um negócio jurídico bilateral, pois exige a manifestação
de vontade do doador e do donatário para se constituir. A locação é um negócio jurídico
bilateral. Negócio Jurídico Plurilateral – É aquele que exige mais de duas manifestações
de vontade para se constituir. Exemplo: Contrato de sociedade; Contrato de consórcio.

2ª classificação (Contratos gratuitos e onerosos) Contratos Gratuitos –

Contrato Gratuito é aquele que gera vantagens para apenas uma das partes e
desvantagens para outra. Exemplo: Doação é um contrato gratuito. O donatário só aufere
vantagens ao passo que o doador só aufere vantagens.

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Contratos Onerosos – É aquele que gera vantagens e desvantagens para ambas as partes.
Em todos os contratos onerosos, cabe a evicção. Exemplo: Contrato de compra e venda.
Contrato Comutativo (Aplica-se os vícios redibitórios somente aos contratos
comutativos) Contratos Onerosos (Evicção – Aplica-se a todos os onerosos) Contrato
Aleatório Contrato Comutativo – É aquele em que as partes sabem exatamente no
momento da constituir o contrato qual a vantagem ou desvantagem que terão em razão
do contrato. Exemplo: Compra e Venda Simples. Contrato Aleatório – É aquele em que
as partes não sabem exatamente no momento de constituir o contrato qual a vantagem ou
desvantagem que terão em razão do contrato, pois as consequências do contrato
dependem de fato eventual, do acaso, da sorte. Exemplo: Contrato de Seguro, Jogo e
Aposta, Compra de Compra e Venda de Coisa Futura. acordo de vontade, não sendo
necessária a entrega da coisa. Exemplo: Contrato de Compra e Venda

Outras fontes de onde nascem obrigações

Assim, temos duas fontes de obrigações: o fato humano (contrato, declaração unilateral
de vontade e ato ilícito) e a lei, manifestação do poder estatal que regula o comportamento
humano e a manifestação das vontades.

ATOS UNILATERAIS

Os atos unilaterais são formas de declaração unilateral de vontade que, por sua vez, é
uma das fontes obrigacionais.

Segundo a definição de Maria Helena Diniz, “a declaração unilateral de vontade é uma


das fontes das obrigações resultantes da vontade de uma só pessoa, formando-se a partir
do instante em que o agente se manifesta com intenção de se obrigar, independentemente
da existência ou não de uma relação creditória, que poderá surgir posteriormente.”

De fato, a declaração unilateral de vontade por si só possui característica de exigibilidade,


fazendo com que esse tipo de manifestação de vontade produza efeitos
independentemente de existir relação jurídica entre as partes.

Para que o ato unilateral produza efeitos é necessário que o emitente realmente tenha a
intenção de obrigar-se, ou seja, não pode em hipótese alguma haver reserva mental. A
segunda condição é que o receptor da oferta seja pessoa determinada ou determinável e
que a mensagem chegue ao seu conhecimento.
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Negócios Unilaterais – 457º cc

A questão é- os negócios unilaterais geram obrigações, isto, é, a simples declaração


unilateral , sem necessidade de aceitação da outra parte, cria obrigações?

É que o dever de prestação e o poder de exigir, dora dos casos em que a obrigação nasce
da própria lei (como é o caso de gestão de negócios) é necessário o acordo entre o devedor
e o credor- isto é o vinculo obrigacional assente na vontade das partes – é principio do
contrato. No negocio unilateral há apenas a declaração unilateral.

Como regra o negócio unilateral não é fonte das obrigações, salvo as exceções previstas
na lei

E quais são essas exceções?

1. Artº 459 – Promessa pública

Ex: quem descobrir o paradeiro de um autor do crime receberá 1000c.

A Promessa pública é fonte de obrigações porque nasce diretamente da declaração


unilateral do promitente, prescindindo da aceitação do credor.

E isto resulta do nº 2 deste artº ao estabelecer que o promitente fica obrigado mesmo em
relação às pessoas que tenham praticado o fato sem mesmo conhecer a promessa.

A promessa tem um prazo de validade - artº 460 é revogável - artº 461º

Havendo cooperação de várias pessoas no resultado previsto – artº 462

2. Concurso público - art463º

Gestão de negócios - artº 464º

A Gestão de negócio é a intervenção em assunto alheio, não autorizada, feita no interesse


e por conta do respetivo dono

Tratar de assunto alheio e dizemos assunto porque embora a lei refira negócio, mas na
verdade, a atuação do gestor de negócio tanto pode ser através de negócios jurídico
(celebração de contrato de empreitada), como de ato jurídico não negocial (Ex: aceitação
de pagamento) e de ato matérias (reparação e um muro).

Denomina-se “gestor de negócios” aquele que intervém, e “dono do negócio”, o respetivo


titular. O gestor atua como representante, embora sem a investidura de poderes. Gestão

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de negócios é a administração oficiosa de interesses alheios. A conduta do gestor reveste-
se de espontaneidade. Se tal conduta for contra a vontade manifesta ou presumível do
dono, o gestor responderá até mesmo pelas perdas decorrentes de caso fortuito, salvo se
provar que teriam sobrevindo independentemente de sua atividade. É o disposto no art.
862.

Não há relação contratual, por faltar o prévio acordo de vontades entre o gestor e o dono
do negócio. Não há negócio jurídico, mas ato jurídico. Apenas atende-se à vontade
presumida do dono.

Assim para que se configure a gestão de negócios, será necessário:

1º) Ausência de qualquer convenção ou obrigação legal entre as partes a respeito do


negócio gerido, por que a gestão de negócios reclama uma intervenção voluntária, isto é,
que o gestor interfira em situação jurídica alheia espontaneamente. Se estiver munido de
procuração, ter-se-á mandato. Imprescindível, portanto, a falta de autorização
representativa e o desconhecimento do dono do negócio, que deve ignorar a gestão.

2º) Inexistência de proibição ou oposição por parte do dono do negócio, ante o fato da
gestão de negócios constituir, o exercício de um ato pelo gestor segundo o interesse e a
vontade real ou presumível de seu dono. Deve haver, em regra, vontade presumida do
dono do negócio – artº 465/a)

3º) Vontade do gestor de gerir negócio alheio, quer se trate de um ou de vários assuntos,
comportando-se como tal com o firme propósito de obrigar o “dominus”, não tendo,
portanto, intenção de fazer pura liberalidade. Se o negócio for de interesse do gestor e não
do dono do negócio, ter-se-á administração de negócio próprio. Pode ocorrer que os
negócios nos quais o gestor interveio não sejam inteiramente alheios, mas conexos aos
seus, de tal sorte que não possam ser geridos separadamente; haver-se-á, então, o gestor
por sócio daquele cujos interesses agenciar de envolta com os seus. Prevalecerão, desta
feita, as normas inerentes ao contrato de sociedade, e, neste caso, aquele em cujo
benefício interveio o gestor só será obrigado na razão das vantagens que lograr .Se houver
dano e nenhum proveito, o gestor suportará os encargos.

4º) Caráter necessário da gestão, pois a legitimação da intervenção de alguém em negócio


alheio exige que ela tenha sido determinada por uma necessidade, e não por uma utilidade.
O gestor deverá exercer uma atividade com intenção de ser útil ao dono do negócio,

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agindo em proveito e no interesse dele, procurando fazer precisamente o que ele faria se
não estivesse ausente.

5º) Licitude e fungibilidade do objeto de negócios, pois além de ser lícito deverá ser
fungível, ou seja, deverá tratar-se de negócio suscetível de ser realizado por terceiro, uma
vez que a gestão de negócios não se coaduna com atos personalíssimos, que só podem ser
praticados pelo dono do negócio.

6º) Ação do gestor limitada a atos de natureza patrimonial, pois os de natureza


extrapatrimonial requerem a outorga de poderes. Os atos do gestor, em regra, são de mera
administração, embora possam, às vezes, ser de disposição. A atividade do gestor
concretizar-se-á, por exemplo, na realização de certos atos jurídicos, como empreitada,
compra e venda, pagamentos, ou de simples atos materiais, como colheita de cereais,
reparação de muro, abertura de vala etc.

A gestão de negócios é diferente de: representação, procuração, mandato, contrato a favor


de terceiros

 Representação - o representante atua em nome do representado e o ato praticado


produz efeitos imediatamente na esfera jurídica do representando (artº 256º)

A representação pode ser:

voluntária através da procuração – acto jurídico pelo qual se atribuem voluntariamente


poderes de representação – artº 262º

legal poderes de representação conferidos por lei – Ex: casos de incapacidade: artº 134
que remete para o 137º.

 Mandato – artº 1154º

O mandato pode ser:

a. Sem representação o mandatário age nome próprio para praticar atos


jurídicos (e não atos materiais) em nome do mandante – 1177º
b. com representação 1175

A gestão de negócios não há autorização- o gestor de negócio não está habilitado a atuar
nem por contrato (mandato),nem por ato unilateral (procuração) e nem por força da lei
(Ex representação legal).

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Contrato a favor de terceiro.

O terceiro não é parte. Ele está fora do contrato mesmo depois da aceitação. Após a
aceitação, o terceiro passa a ser um permanente beneficiário.

Regime da Gestão:

Vamos distinguir três tipos de relações

A. Obrigações do gestor do negócio com o dono do negócio


B. Obrigações do dono do negócio para como gestor
C. Relações entre o dono do negócio e as pessoas com quem o gestor celebrou atos
jurídicos, no exercício da gestão

A- Obrigações do gestor do negócio com o dono do negócio:

I. a atividade do gestor é iniciada por sua livre iniciativa dele. Uma vez iniciada, o
gestor já não é livre de interromper a intervenção iniciada. A lei não impõe ao
gestor de modo direto este dever, mas responsabiliza-o pelos danos que
resultarem da injustificada interrupção da atuação - nº 1 do artº 466º . Ex: se o
gestor tiver comprado sementes para utilizar em terreno vizinho (que está doente)
deve fazer a plantação.
II. Dever de fidelidade ao interesse e à vontade (real ou presumida) do dono do
negócio. o gestor de negócio reponde pelos danos que, por culpa sua, causar ao
dono do negócio, no exercício da gestão e a sua atuação é culposa sempre que
agir em desconformidade com o interesse ou a vontade real ou presumível do
dono do negócio . é a concretização do disposto na alínea a) do artº 465º. Em caso
de dúvida, o gestor optará pela solução que melhor sirva os interesses em causa.
III. Deve de entregar tudo o que tenha recebido em terceiros no exercício da gestão
– e) do artº 465º.
IV. Dever de informar ao dono do negócio de que assumiu a gestão para que o dono
possa agir como melhor entender (por ex: fazer cessão a gestão, converter o gestor
em mandatário

B. Obrigações do dono do negócio para como gestor

 Se a gestão for aprovada: artº 469º que remete para o 468º)

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cessa a responsabilidade do gestor e nasce o direito a ser reembolsado das despesas que
fez e de ser indemnizado do prejuízo que sofreu poe causa da gestão. Para garantia dos
seus direitos, o gestor goza do direto de retenção sobre as coisa que tenha em seu poder
para a execução da gestão (artº 754º). É preciso distinguir a aprovação da ratificação.

A aprovação é o juízo de concordância com a atuação em geral do gestor do negócio,


emitido pelo dono do negócio.

A ratificação é a declaração de vontade pela qual o dono do negócio chama a si o ato


jurídico praticado em seu nome, tendo o ato jurídico efeito, desde o início, entre o dono
e o terceiro.

Somente o dono do negócio, ou seu representante legal, ou com poderes especiais, pode
ratificar a gestão. Se o dono é pessoa jurídica, a ratificação deve ser formalizada pelo
órgão que a represente.

 Se a gestão não for aprovada

Se o gestor tiver agido de acordo com o interesse e a vontade do dono do negócio, apesar
de a gestão não ter sido aprovada, ele tem os mesmos direitos que no caso de a gestão ter
sido aprovada.

Se a gestão não corresponder à vontade e interesse do dono de negócio, o gestor responde


pelos danos que casou, uma vez que agiu de forma ilícita e só terá direito a receber aquilo
que o dono de negócio injustamente tiver enriquecido à custa do gestor

Por ex: não se atende ao desfalque que a gestão causou no património do gestor, apenas
se atende ao valor que a gestão acrescentou ao património do outro interessado.

C. Relações entre o dono do negócio e as pessoas com quem o gestor celebrou


atos jurídicos, no exercício da gestão

Qual a posição do dono do negócio em relação aos atos jurídicos praticado pelo gestor?

Se ele tiver realizado qualquer ato jurídico no exercício da gestão (Ex: contrato de
trabalho, de locação) como se repercutem na esfera jurídica do interessado?

Depende se o gestor agiu em nome de outrem ou em nome próprio

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Se o gestor agiu em nome de outrem – tratasse de uma gestão representativa. E neste
caso aplica-se o regime da representação sem poderes - 471º e 268º: o gestor de
negócios concede um para a ratificação do negócio:

O negócio será eficaz se for ratificado pela pessoa em cujo nome foi celebrado

Se dentro do prazo o negócio não for ratificado, considerada recusada a ratificação, sendo
ineficaz em relação ao dono do negócio.

Se o gestor agiu em seu nome próprio - aplica-se o regime de mandato sem


representação - os efeitos do negócio aproveitam imediatamente ao gestor que adquire
os direitos e assume as obrigações decorrentes dos atos que celebra – 1177. No entanto,
transmitir os direitos e obrigações resultantes da gestão se o dono se substituir ao gestor
no exercício dos créditos provenientes desse negócio – artº 1178º .

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