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Estupro e gravidez de

adolescentes no Brasil:
Características e implicações na saúde
gestacional, no parto e no nascimento
Maria de Fátima Marinho
Diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e
Promoção da Saúde

DEPARTAMENTO DE
VIGILÂNCIA DE DOENÇAS E AGRAVOS NÃO SECRETARIA DE
TRANSMISSÍVEIS E PROMOÇÃO DA SAÚDE VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Perspectiva Histórica
Convenção para a Eliminação de todas as Formas de
Discriminação contra a Mulher (CEDAW) – 1979

Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a


Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará) - 1994

Implementação de políticas para enfrentamento da violência


contra a mulher
Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003 - notificação Compulsória de violência contra a
mulher

Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 - Lei Maria da Penha

Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (2011)

Decreto nº 8.086, de 30 de agosto de 2013 - Programa Mulher: Viver Sem Violência

III Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (2013 a 2015).

Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015 - Feminicídio como circunstância qualificadora do crime de


homicídio, e o inclui no rol dos crimes hediondos.
Perspectiva Histórica
No âmbito da Saúde Pública:
Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências - 2011

Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes – VIVA - 2006

Nos casos de Violência Sexual:


Decreto nº 7.958, de 13 de março de 2013 - diretrizes para o atendimento às vítimas de violência
sexual pelos(as) profissionais de segurança pública e da rede de atendimento do Sistema Único de
Saúde.

Lei nº 12.845, de 1º de agosto de 2013 – atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação


de violência sexual.

Portaria nº 1.271, de 06 de Junho de 2014 - Inclui Violência Sexual e Tentativa de Suicídio na lista de
notificação imediata (em até 24 horas pelo município).

Portaria MS/GM nº 485, de 1o de abril de 2014 - redefine o funcionamento do Serviço de Atenção às


Pessoas em Situação de Violência Sexual no âmbito do SUS.

Portaria Interministerial SPM/MJ/MS nº 288, de 25 de março de 2015 - estabelece orientações para


a organização e a integração do atendimento às vítimas de violência sexual pelos(as) profissionais
de segurança pública e pelos(as) profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde quanto à huma-
nização do atendimento e ao registro de informações e à coleta de vestígios.
Perspectiva Histórica
No âmbito da legislação penal brasileira:

Estupro é o ato de “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a


ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso” (art. 213 da Lei nº 12.015/2009).

O estupro é considerado um dos crimes mais perversos, por interferir na saúde física,
psíquica e, principalmente, sexual e reprodutiva das vítimas.

A ocorrência de estupro na infância ou adolescência pode estar associada à maior


vulnerabilidade à depressão, ao suicídio, à gravidez, ao menor uso de métodos
anticoncepcionais, maior risco de repetição da agressão e ocorrência de infecções
sexualmente transmissíveis.

Logo, o estupro possui determinantes e consequências específicas que requerem


a formulação de políticas, envolvendo as instituições de Segurança Pública, Saúde,
Educação e Assistência Social.
Mulher adolescente no Brasil

População: 17.164.248 em 2012


entre 10-19 anos

Fonte do dado: MS/SGEP/Datasus.


Causas de mortalidade feminina
5 a 14 anos
(Mortalidade por 100mil)

10 Acidentes de Transportes Terrestres: 2,5

20 Agressões: 1,4

Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade. Ministério da Saúde.


Causas de mortalidade feminina
15 a 19 anos
(Mortalidade por 100mil)

10 Acidentes de Transportes Terrestres: 8,4

20 Agressões: 7,7

Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade. Ministério da Saúde.


Mães adolescentes
10 a 14 anos
Nascidos vivos entre 18,7%
2011 e 2016: 162.853 37,6%
REGIÃO DE

Negras: 67,5%
RESIDÊNCIA

7,7%
Brancas: 19,2
26,3%
Solteiras: 74,7%

Casadas ou em união estável: 23,2% 9,6%


Fonte: Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Ministério da Saúde.
Mães adolescentes
15 a 19 anos
Nascidos vivos entre 2011 e 2016:
14,7%
3.125.746
REGIÃO DE
32,7%
Negras: 63,3% RESIDÊNCIA

7,9%
Brancas: 24%
Solteiras: 61,7% 33,1%

Casadas ou em união estável: 36,8%


11,6%
Fonte: Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Ministério da Saúde.
Adolescentes com notificação de
estupro no Brasil - 10 a 14 anos
Notificações de estupro entre 2011 e 2016: 32.809
Negras: 58,1%
Brancas: 29,6%
Cometidos por familiares e parceiros íntimos: 43%
Ocorreram na residência: 66%
Com histórico de repetição: 45,6%

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Ministério da Saúde.


Adolescentes com notificação de
estupro no Brasil - 15 a 19 anos
Notificações de estupro entre 2011 e 2016: 16.680
Negras: 53,5%
Brancas: 35,9%
Cometidos por desconhecidos: 45,8%
Ocorreram na residência: 41,6%
Com histórico de repetição: 25,7%

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Ministério da Saúde.


Maternidade e notificação de estupro
10 a 14 anos
3.266 notificações de estupro em adolescentes
que foram mães entre 2011 e 2016
Em 68,5% dos casos (2.324) o autor do
estupro foi familiar ou parceiro íntimo
72,8% dos casos (1.875) o estupro tinha
caráter repetitivo

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Ministério da Saúde.


Maternidade e notificação de Estupro
Mães de 15 a 19 anos
6.201 notificações de estupro em adolescentes
que foram mães entre 2011 e 2016

Em 37,7% dos casos (2.418) o autor do


estupro foi familiar ou parceiro íntimo

44,1% dos casos (2.387) o estupro


tinha caráter repetitivo

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Ministério da Saúde.


Maternidade e notificação de estupro
Mães de 10 a 14 anos
3.276 nascidos vivos de mães com notificação de
estupro entre 2011 a 2016

As mães com notificação de estupro tiveram:

• maior percentual de parto prematuro (21,8%);

• início tardio do pré-natal: somente 53,4% iniciaram


o pré-natal no primeiro trimestre de gestação;

• menos consultas pré-natal: 41,2% realizam sete ou


mais consultas de pré-natal;

• maior proporção de bebês com baixo peso ao nascer


(17,4%) e com Apgar de 1º minuto na faixa de 0-3
(3,1%).
Fonte: Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Ministério da Saúde.
Maternidade e notificação de Estupro
Mães de 15 a 19 anos
7.538 nascidos vivos de mães com notificação de
estupro entre 2011 a 2016

As mães com notificação de estupro tiveram:

• maior percentual de parto prematuro (15,4%);

• início tardio do pré-natal: somente 63,3% iniciaram


o pré-natal no primeiro trimestre de gestação;

• menos consultas pré-natal: 48,3% realizam sete ou


mais consultas de pré-natal;

• maior proporção de bebês com baixo peso ao nascer


(12,3%) e com Apgar de 1º minuto na faixa de 0-3
(1,9%).
Fonte: Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Ministério da Saúde.
Estupro de repetição e gravidez
na adolescência: encontro de
vulnerabilidades cruzadas

1.875 casos de estupro em adolescentes de


10 a 14 anos resultaram em gestações e
nascimentos

2.387 casos de estupro em adolescentes de


15 a 19 anos resultaram em gestações e
nascimentos

4.262 casos de estupro em adolescentes de


resultaram em gestações e nascimentos

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Ministério da Saúde.