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Universidade Federal de Viçosa – Campus Florestal

Engenharia de Alimentos

EAF 388 – Laboratório de Fenômenos de Transporte

Perda de carga em tubulação

Ana Luiza de Melo Souza Mat. 1390

Ana Paula Hanke de Oliveira Mat. 1357

Pedro Henrique Lopes Marques Mat. 356

Raquel Lucena de Souza Mat. 1379

Saulo Baêta Espindola Mat. 1143

Professor: Fábio Takahashi

Florestal

07/10/2016
1. INTRODUÇÃO

Em escoamentos internos as tubulações sofrem forte influência das paredes,


dissipando energia devido ao atrito. As partículas em contato com a parede adquirem a
velocidade da parede, ou seja, velocidade nula, e passam a influir nas partículas vizinhas
por meio da viscosidade e da turbulência, dissipando energia. Essa dissipação provoca
uma redução da pressão total do fluido ao longo do escoamento que é denominada de
perda de carga, a qual pode ser distribuída ou localizada.

As perdas de carga localizadas ocorrem devido à presença de acessórios na


tubulação tais como válvulas, cotovelos e conexões, além de ampliação ou redução brusca
de diâmetro. As perdas de carga distribuídas ocorrem devido às paredes dos dutos
causarem uma perda de pressão distribuída ao longo do comprimento do tubo, fazendo
com que a pressão diminua gradativamente.

Comparando as perdas de cargas em regime laminar e turbulento, três diferenças


são importantes. A primeira é que a perda de carga é maior em regime turbulento devido
às tensões turbulentas advindas das flutuações aleatória das velocidades. A segunda é que
em fluxos laminares a dependência da perda de carga com a vazão tem característica
linear enquanto para fluxos turbulentos a perda de carga varia com uma potência maior
de vazão. E a terceira é relativa aos efeitos da rugosidade da superfície interna do tubo,
que podem ser muito importantes no escoamento turbulento, enquanto que no escoamento
laminar não tem influência alguma na perda de carga.

A perda de carga em escoamentos turbulentos permanentes e uniformes, através


de tubos de seção cilíndrica, pode ser calculada por diferentes equações. A contribuição
mais importante é expressa pela equação de Darcy-Weisbach (Equação 1)

𝐿 𝑣2
Hf =f × × (1)
𝐷 2

Onde, hf - perda de carga contínua na tubulação(m); L - comprimento do tubo (m); D -


diâmetro interno do tubo (m); V - velocidade média do escoamento, (m/s); g - aceleração
da gravidade (m/s2), e f - fator de atrito, dependente do número de Reynolds (Re) e da
rugosidade. Enquanto a perda de carga localizada é representada pela Equação 2.

𝑣2
Hm = K × 2
(2)
Onde K representa o coeficiente de perda de carga (adimensional).

2. OBJETIVO

Determinar o fator de atrito (F) e a constante K para um joelho de 90º.

3. REVISÃO BIBLIOGRAFICA

A perda de carga total (hlt) pode ser definida como a quantidade de energia
mecânica por peso (J/kg) que um fluido perde durante o escoamento. Ela é dada pela
soma da perda de carga distribuída (hl) e as perdas de cargas localizadas (hlm) (FOX,
2011), como mostrado a equação (3). Ela também pode ser obtida a partir da equação (4),
que permite calcula a perda de energia mecânica entre dois pontos da tubulação

𝐡𝐥𝐭 = 𝐡𝐥 + 𝐡𝐥𝐦 (3)

(𝑝1 − 𝑝2) (𝑉12 − 𝑉22 )


+α + 𝑔 (𝑧1 − 𝑧2) = 𝐡𝐥𝐭 (4)
𝜌𝑔 2𝑔

Onde, p representa a pressão, ρ é a densidade do fluido, g é aceleração da gravidade, V é


a velocidade e z a altura.

A perda de carga distribuída é toda a perda de energia mecânica convertida em


energia térmica por efeitos de atrito em tubos de área constante e comprimento definido
(FOX, 2011), ela pode ser calculada pela equação (5).

𝑳 × 𝑽𝟐
𝐡𝐥 = ʄ (5)
𝑫 × 𝟐𝒈

Onde, ʄ é o fator de atrito, L é o comprimento do tubo, V é a velocidade do tubo, D é


o diâmetro da tubulação e g é a aceleração da gravidade.

O fator de atrito varia de acordo com o tipo de escoamento, laminar ou turbulento,


com a rugosidade do material, propriedade especifica de cada material que representa
desvios microgeométricos (figuras 1 e 2), e com o tipo de fluido, newtoniano ou não-
newtoniano (MUNSON, 2004). Para escoamento laminar o fator de atrito para fluidos
newtonianos pode ser calculado pela equação (6) e para fluidos não-newtonianos pela
equação (7), já para escoamentos turbulentos são utilizados os diagramas de Moody para
fluidos newtonianos e Dogde-Metzner para fluidos não-newtonianos, como mostrado nas
figuras 3 e 5. Vale lembrar que para calcular a perda de carga escoamento deve
completamente desenvolvido e sob condições conhecidas.
𝟏𝟔 𝟏𝟔
ʄ= (6) 𝒆 ʄ= (7)
𝑹𝒆 𝑹𝒆, 𝒈𝒆𝒏

Figura 1 – Estrutura de uma parede lisa e uma parede rugosa.

Figura 2 - Rugosidade

Figura 3 – Diagrama de Moody


Já a perda de carga localizada ocorre pela passagem do fluido através de uma
variedade de acessórios, curvas ou mudanças de áreas. A transformação da energia
mecânica ocorre como resultado da separação do escoamento (FOX, 2011). Essas perdas
de carga é também chamada de perdas menores e variam de acordo com o dispositivo e
são dadas pelas equações (8) ou (9). Alguns exemplos de dispositivo são: joelhos de 45 e
90°, válvulas de gaveta e diafragma, contração e expansão da tubulação, entre outros.

As perdas em escoamento através de válvulas e acessórios também podem ser


expressas em termos de um comprimento equivalente de tubo reto. Dados que podem ser
observados na Figura 4.

Embora sejam denominadas perdas menores, essas perdas podem representar na


grande parcela da perda total do sistema, notadamente em tubulações curtas. Assim, em
um sistema para o qual as perdas de carga vão ser calculadas, as perdas localizadas devem
ser cuidadosamente identificadas e quantificadas e ter os seus valores bem-estimados. Se
os cálculos forem feitos cuidadosamente, os resultados terão exatidão satisfatória para
cálculos de engenharia.

𝑽𝟐 𝑳𝒆 𝑽𝟐
𝐡𝒍𝒎 = 𝐤 × (8) ou 𝐡𝒍𝒎 = ʄ 𝑥 (9)
𝟐×𝛂 𝑫 𝟐

Onde, k é o coeficiente de perda, geralmente obtido em tabelas para escoamentos


com fluidos newtonianos ou não newtonianos e α indica se o escoamento é laminar ou
turbulento. E Le/D é o Comprimento Equivalente, e pode ser encontrado na Figura 4.

Figura 4 – Comprimento Equivalente


Figura 5 – Diagrama de Dogde-Metzner

4. MATERIAL E MÉTODOS
4.1. MATERIAL

 Três Mangueiras
 Cano PVC
 Régua
 Rotâmetro
 Água

4.2. MÉTODOS

1) Primeiramente, pegou-se as três mangueiras e com auxílio de um suporte de


madeira, fixou-se as mangueiras no suporte, ligou-se as mangueiras em três locais
diferentes da tubulação de pvc.
2) Ligou-se o módulo didático, variou-se e anotou-se as vazões com o rotâmetro em
cada ponto, no qual foi analisado 7 pontos;
3) Com o auxílio de uma régua, mediu-se em cada ponto a diferença de altura (∆h)
para calcular a diferença de pressão (∆p). Anotou-se a diferença de altura no
caderno;
4) Calculou-se em cada ponto, a perda de carga na tubulação com L = 1,5 m e também
a perda nos acessórios;

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para a realização dos cálculos, foram necessários os dados apresentados na tabela


1 a seguir:

Tabela 1: dados apresentados no experimento.

Diâmetro (m) Comprimento (m) Densidade da água a 26ºC (kg/m3) Viscosidade da água a 26ºC (N.s/m2)

0,00278 1,6 996,74 0,0008716

Com os dados acima, realizou-se os cálculos para encontrar o fator de atrito nas
tomadas 1 e 2. Depois realizou-se os cálculos para encontrar a constante K nas tomadas
2 -3.

Para a realização dos cálculos do fator de atrito, foi calculado a velocidade do


escoamento do fluido e o número de Reynolds (NRe) para cada ponto utilizando. Para o
cálculo da velocidade, utilizou-se a equação 1 abaixo:
𝑞
𝑣=𝐴 (1)

Através da formula 2, obteve-se o número de Reynolds para verificar a


classificação do escoamento.

𝜌.𝑣.𝑑
𝑁𝑅𝑒 = (2)
𝜇

Na tabela 2 abaixo, mostra os resultados dos cálculos realizados para o Re,


velocidades para cada ponto:

Tabela 2: Velocidade e Número de Reynolds.


Pontos Vazão Volumétrica (m3/s) Velocidade (m/s) Reynolds Classificação
1 0,000833333 1,372901188 43646,43154 Turbulento
2 0,000777778 1,281374442 40736,66944 Turbulento
3 0,00075 1,235611069 39281,78839 Turbulento
4 0,000694444 1,144084323 36372,02628 Turbulento
5 0,000666667 1,09832095 34917,14523 Turbulento
6 0,000611111 1,006794204 32007,38313 Turbulento
7 0,000555556 0,915267459 29097,62103 Turbulento

Com estes dados foi possível calcular as perdas de carga e seus respectivos
coeficientes. Entre as tomadas 1-2, utilizou-se a eq.3 para o cálculo do fator de Darcy ƒ.
Para o cálculo do coeficiente k entre as tomadas 2-3, utilizou-se a eq. 5. Os cálculos para
a variação de pressão nas tomadas 1-2 foram realizados utilizando a equação 4 abaixo:

2.𝑔.ℎ.𝑑
𝑓= (3)
𝐿.𝑣²

∆𝑝 = 𝜌𝑔∆ℎ (4)

Tabela 3: Perda de carga entre as tomadas 1 e 2


Pontos Alturas 1 (m) Fator de atrito hL (J/Kg )
1 0,15 0,02712917 1,4715
2 0,13 0,026990756 1,2753
3 0,12 0,026794242 1,1772
4 0,1 0,026044004 0,981
5 0,098 0,027694361 0,96138
6 0,085 0,028586523 0,83385
7 0,065 0,026450941 0,63765

Para o cálculo da perda de carga do joelho de 90º, na tomada 2-3, e encontrar a


constante k (tabela 5), utilizou-se a equação 5.

2.𝑔.ℎ
𝑘= (5)
𝑣2

Tabela 4: Perda de carga entre as tomadas 2 e 3

Pontos ∆H hL (J/Kg) Constante K


1 0,155 1,52055 2,215090224
2 0,145 1,42245 2,220194119
3 0,124 1,21644 1,968969088
4 0,105 1,03005 1,800653989
5 0,089 0,87309 1,589863145
6 0,077 0,75537 1,500544991
7 0,063 0,61803 1,350490492
Media 1,806543721

Segundo GEANKOPLIS (2003), o coeficiente de perda por acessório, k, para


joelhos de 90° é de 0,75 e o kmédio obtido foi de 1,8065. Esta diferença significativa é
devido à perda de carga gerada pela tomada de pressão. Os materiais utilizados para medir
a pressão em cada ponto geram uma perda de carga adicional, aumentando assim o
coeficiente de perda de carga por acessório (k). Assim com os cálculos do fator de atrito
e do Re, foi possível obter o gráfico.

Gráfico de Moody rouse


0.029

0.0285

0.028
fator de atrito

0.0275

0.027

0.0265

0.026

0.0255
0 10000 20000 30000 40000 50000
Número de Reynolds

Figura 1: Gráfico do fator de atrito (f) em função do Número de Reynolds (NRe)

6. CONCLUSÃO

O resultado encontrado se apresenta fora do esperado, uma vez que a curva para
a determinação do fator de atrito é caracterizado por uma parábola incompleta com
concavidade para cima.
O resultado esperado por meio deste experimento visava observar que a perda de
carga seria dependente da vazão, sendo que quanto maior a vazão maior seria a perda de
carga.
Apesar de não se obter valores muito precisos consegue-se observar o
comportamento dos fluidos incompressível em escoamentos dentro de tubulações,
principalmente sua perda de carga provocada pelo atrito das partículas de fluido com a
parede do tubo e dos acessórios.

7. REFERENCIAS
GEANKOPLIS, C.J. Transport Processes And Separation Processes Principles (Includes
Unit Operations). 4ª ed. Prentice Hall PTR, 2003. 1056p.
MUNSON, B. R., Young, D. F., & Okiishi, T. H. 2004. Fundamentos da Mecânica dos
Fluidos. 4a ed. São Paulo: Blucher.

FOX, Robert W.; MCDONALD, Alan T.; PRITCHARD, Philip J.; Introdução a mecânica
dos fluidos. 7ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. Cap. 2, p.312-324.