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PROF. SÁVIO DIOMEDES.


HISTÓRIA DO RIO
GRANDE DO NORTE

Prof. Sávio Diomedes Paiva Diniz


 “Nãoeduques as crianças nas
várias disciplinas recorrendo à
força, mas como se fosse uma
brincadeira, para que também
possas observar melhor qual a
disposição natural de cada
um.”
 Platão
RIO GRANDE - COLÔNIA

O PERÍODO PRÉ – COLONIAL NO RN


(1500-1530):

DUAS EXPEDIÇÕES EXPLORADORAS NO


RIO GRANDE.
Gaspar de Lemos (1501)

 o objetivo desta primeira expedição foi


colocar marcos de posse português e
mapear o ainda desconhecido território do
Brasil, nomeando os acidentes geográficos
da costa com uma toponímica lusitana. O
primeiro marco de posse português no Brasil,
foi colocado próximo ao Cabo de São Roque
em Touros ( Praia dos Marcos). Sendo este o
monumento mais antigo da presença
portuguesa das Américas.
Gonçalo Coelho ( 1503):

 Esta expedição, patrocinada


por comerciantes europeus,
tinha o objetivo de mapear e
localizar áreas de ocorrência
de Pau-Brasil, para futura
exploração.
A PRESENÇA DOS FRANCESES:

 Durante todo período pré-colonial, a


presença francesa no RN se fez
constante. Através de laços de amizade
com os potiguares, através do
escambo, os franceses iam
contrabandeando desde o Pau-Brasil,
penas, animais, peles até conchinhas
de praia que servia como moeda de
troca para obter escravos na África.
Apresença francesa aqui, será
um entrave para posterior
colonização portuguesa. Devido
ao fato dos franceses atiçarem
os potiguares contra os
lusitanos.
O PERÍODO COLONIAL E O RN.

 1ª TENTATIVA DE COLONIZAÇÃO:
 Para colonizar o Brasil sem ônus para a
coroa portuguesa, já que esta estava em
crise, o Rei de Portugal implantará aqui no
Brasil o sistema de Capitanias Hereditárias.
Cabendo a Capitania do Rio Grande ( uma
das maiores) , para o alto funcionário
português João de Barros, famoso escritor
português, autor de décadas.
ORIGENS DO NOME RIO GRANDE

 1° RIO POTENGY

 2° RIO CEARÁ MIRIM

 3°RIO PIRANHAS ASSÚ


 Que aliado ao donatário da
capitania do Maranhão Aires da
Cunha e representado pelos
seus dois filhos – João e
Jerônimo de Barros - monta uma
poderosa esquadra com o objetivo
de colonizar as ditas capitanias.
 No entanto, o que seria a primeira
tentativa de colonização do RN,
acaba em desgraça. Com a reação
violenta dos índios Potiguares, que
impedem o desembarque da
expedição e o naufrágio e morte de
Aires da Cunha.
2ª TENTATIVA DE COLONIZAÇÃO:

 Em 1555 os filhos de João de


Barros, Jerônimo e João de Barros,
novamente tentam colonizar a
Capitania do Rio Grande, mas, são
novamente rechaçados pela
ferocidade dos índios potiguares.
 Após1570, com a morte de
João de Barros, a Capitania
do Rio Grande se converte
em uma capitania real,
passando novamente para as
mãos do rei de Portugal.
3ª TENTATIVA DE COLONIZAÇÃO:

A terceira tentativa de
colonização da Capitania do
Rio Grande está associada à
união das coroas portuguesa
e espanhola, conhecida
como União das Coroas
Ibéricas.
 Dentro deste contexto, Felipe II
encarrega o Governador Geral, D.
Francisco de Souza de construir
um forte e fundar uma cidade na
capitania do Rio Grande, com o
objetivo de expulsar os franceses
que aqui estavam.
 Esta missão é dada pelo Governador geral
do Brasil a Manoel de Mascarenhas Homem
( capitão-mor de Pernambuco) e Feliciano
Coelho ( capitão-mor da Paraíba), que de
pronto organizam uma expedição.
Mascarenhas Homem vai pelo mar, enquanto
Feliciano Coelho por terra, mas, atacado por
uma epidemia de bexiga é obrigado a voltar
para Paraíba.
A CONSTRUÇÃO DO FORTE E A
FUNDAÇÃO DE NATAL:
 Ao chegar as margens do
Potengi, Mascarenhas Homem
ordenou a construção de um
forte, cujo a planta foi feita
pelo padre jesuíta Gaspar de
Samperes.
 Em forma de estrela, como era
costume naquela época, e
seguindo suas tendências
humanísticas. A primeira
construção do forte, foi feito de
taipa e um pouco mais acima.
Ganhando sua forma e localidade
com o passar do tempo.
TEORIAS SOBRE A FUNDAÇÃODE
NATAL:
1ª ( e mais tradicional) é que Natal teria sido
fundada por Jerônimo de Albuquerque. Pois
ficou no comando do forte, após a ida de
Mascarenhas Homem para Paraíba, Onde
negociaria a paz com os indígenas. Teria então,
deslocado a cidade para um ponto mais alto,
para a melhor defesa, segurança e
abastecimento (região da atual praça André de
Albuquerque).
 2ª defende que o fundador da
cidade de Natal foi João Rodrigues
Colaço, já que este foi o primeiro
capitão – mor do Rio Grande e
supostamente era o capitão na
época em que a cidade foi fundada,
tendo recebido a primeira sesmaria.
 A terceira corrente é a mais aceita pelos
historiadores e defende que a fundação da
cidade foi feita por Manoel de Mascarenhas
Homem. Alega-se para isso o princípio da
autoridade ( Jerônimo de Albuquerque e
João Rodrigues Colaço eram seus
subalternos) e o fato dele se encontrar na
cidade na data de sua fundação, tendo ,
inclusive, doado a primeira sesmaria a João
R. Colaço.
A INVASÃO HOLANDESA À
NATAL:
 Causas:
 A pecuária: Natal , naquele tempo, possuía um
grande rebanho bovino. A conquista desta região
representava para a Holanda o abastecimento de
carne para a sede do governo holandês em
Pernambuco.
 O ponto estratégico: Situado na esquina do
continente, rota de passagem para muitos navios
que vinham da África e Europa, Natal consistia-se
em um importante ponto de apoio, vigilância e
proteção.
 Base de apoio: A cidade de Natal seria base de
apoio para a conquista do litoral setentrional do RN,
que vai do RN até o PI.
 Depois de 04 dias de incessantes
conflitos, os soldados do forte rederam-
se, pois, o comandante do forte Pero
Mendes de Gouveia havia sido ferido
por um estilhaço. Encontrando-se
gravemente enfermo. O forte dos Reis
Magos passa a se chamar castelo
Keulen e a cidade de Natal, Nova
Amsterdã.
CONSEQUÊNCIAS:

 Dos 21 anos de ocupação holandesa


na capitania do rio Grande, quase nada
foi feito pelos Flamengos. Sendo
lembrados apenas pelo seu rastro de
destruição e morte, como são exemplos
os massacres de Cunhau, Uruaçu,
Ferrreiro Torto e na casa de João
Lostão Navarro.
 Esses massacres foram comandados por um
Judeu-alemão chamado de Jacob Rabi,
aliado aos índios Janduís. Tudo indica que
esses massacres foi uma ordem direta da
companhia das índias ocidentais, em
retaliação à expulsão dos holandeses do
Brasil ocorrido pela Insurreição
Pernambucana, assim como, medo dos
holandeses de uma retaliação a nível local.
A EXPANSÃO DA PECUÁRIA E A
GUERRA DOS BÁRBAROS:
 Após a expulsão dos
holandeses do Brasil, começa
na Capitania do Rio Grande a
reconstrução de Natal, sob o
governo de Antônio Vaz
Gondin e o desenvolvimento e
interiorização da pecuária.
A GUERRA DOS BÁRBAROS:

 . Esta interiorização da pecuária ,


no entanto, causará sérios conflitos
com as populações indígenas (
Cariris) e os colonos da capitania
do Rio Grande. Este conflito
recebeu o nome de Guerra dos
Bárbaros ou segundo alguns,
confederação dos Cariris.
As causas deste conflito:

 busca de novas terras no interior, para a


expansão da pecuária. Estas terras eram
ocupadas pelos indígenas gerando conflitos
pela posse da terra.
 Escravidão feita pelos colonos aos índios
( a guerra justa), já que estes não tinham
recursos para a compra de escravos
africanos e ao fato dos
 holandeses no interior atiçarem os índios
contra os colonos portugueses.
 Para combater os silvícolas várias
pessoas vieram para o Rio Grande.
Destacando o mais famoso deles,
Domingos Jorge Velho. Responsável
pelo extermínio dos índios norte
riograndenses durante o conflito, assim
como pela destruição do Quilombo dos
Palmares.
 O fim dos conflitos entre colonos e indígenas
só foi resolvido com a nomeação de Bernado
Vieira de Melo para o governo da Capitania.
A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA
DE 1817 NO RN:
 Esta revolução foi executada por um
homem só, André de Albuquerque
Maranhão ( senhor do Engenho de
Cunhaú).Não houve adesão popular,
tampouco das elites. Permaneceu menos
de um mês no governo, retirando do
governo José Inácio Borges, até forças
monarquistas lhe tirarem do governo.
 Não realizou nenhuma reforma nem
transformação no Rio grande, sendo a única
conseqüência a emancipação política do RN,
em relação a Pernambuco.
A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
NO RN.
 O impacto da independência do Brasil no
RN, foi brando. Não houve manifestações
contrárias, nem grupos ou partidos de
oposição. No período , uma junta
administrativa governava o RN, após o
governo de José Inácio Borges. Em maio
de 1824 assumiu o primeiro presidente da
província do RN, Tomás de Araújo Pereira.
O RN NO SÉCULO XIX:

 REVOLTAS POPULARES NO RN:


 CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR: Movimento
republicano que queria separar o nordeste do
Brasil, criando um pais independente. Teve sua
origem em Pernambuco, mas, contou com a adesão
do RN. O movimento foi realizado por militares de
baixa patente.
 SETEMBRADA POTIGUAR: Acontecido em 1831,
foi um movimento anti- lusitano, devido a
reaproximação de D.Pedro I com Portugal.
 O RONCO DA ABELHA: Levante popular em Vila
Flor, devido ao medo popular de que após o censo
geral do império em 1851, os homens livres e
pobres e os recém nascidos viessem a se tornar
escravos.
 O BANDITISMO SOCIAL: Aparecimento de um
dos primeiros cangaceiros no RN, Jesuíno
Brilhante. Tido como cangaceiro romântico, nasceu
em Patu, onde praticava furtos na região. As causas
para o aparecimento deste fenômeno social foram:
a miséria , fome, seca e as injustiças sociais.
 REVOLTA DO QUEBRA QUILO: Revolta popular
contra a adoção de uma nova medida de um
sistema métrico decimal de 1873. Agravado pela
crise resultante da queda nos preços do açúcar e
algodão. Resultou em revoltas e quebra –quebra
nas feiras.
 REVOLTA DA LEI DO RECRUTAMENTO: As
causas foram a remuneração dos encarregados
pelo alistamento e o recrutamento e alistamento
obrigatório com sorteios dos que deviam servir. A
revolta se deu com grupos de mulheres que
promoveram quebra- quebra.
A ECONOMIA NO RN:

 A PECUÁRIA: Uma das principais


atividades econômicas do RN desde os
tempos coloniais. Seu desenvolvimento
deveu-se em parte, ao fraco
desenvolvimento da agricultura canavieira.
Suas características foram: a mobilidade
social, o uso de mão-de-obra livre e a
destinação ao mercado interno. Suas
conseqüências foram a interiorização do
território rio grandense.
 O ALGODÃO: O desenvolvimento da
contonicultura está relacionado a guerra de
Secessão nos E.U.A , quando o sul ficou
impossibilitado de produzir tal matéria –
prima, levando as indústrias têxteis inglesas
(principalmente) a procurarem outras áreas
de produção.
  OBS: No século XX este desenvolvimento
será em função do desenvolvimento da
indústria têxtil nacional, na região sudeste e
também durante a Primeira Guerra mundial (
política de substituição de importações).
O MOVIMENTO ABOLICIONISTA:

 Devido a ausência de uma atividade


econômica que exigisse grandes
quantidades de mão-de-obra escrava,
no RN, a presença de negros foi
inexpressiva. O que refletiu também
em seu fraco movimento abolicionista.
Mais ligado a setores do clero. Entre
este destaca-se a figura do padre
João Maria.
 Importante observar que Mossoró
foi um dos pioneiros no movimento
abolicionista (30.09.1883) , devido
as influências vinda do Ceará e o
fato da cidade viver do comércio.
Além da inexpressiva quantidade
desta mão de obra na cidade.
O MOVIMENTO REPUBLICANO
NO RN:

 Fundação do jornal o JAQUARARI (1851):


Primeiro jornal a divulgar idéias republicanas , foi
fundado por Moreira Brandão.
 ECO MIGUELINHO (1874) : Revista republicana
fundada por Joaquim Fagundes José Teófilo.
 Surgimento efetivo do primeiro movimento
republicano(1857 – 1875). Organizado por
Joaquim Teodoro Cisneiro de
Albuquerque.
 Fundação do núcleo republicano em
Caicó (1886) , liderado por Janúncio da
Nóbrega e Manuel Sabino da Costa.
 Fundação do primeiro partido
republicano do RN (27 – 01 –1889 ).
Que contou com a participação de
Pedro Velho de Albuquerque
maranhão.
 IMPORTANTE: O partido republicano foi
essencialmente elitista, com inexpressiva
participação popular. Contando com a
participação de intelectuais, comerciantes
senhores de engenho e antigos presidentes
de província.
 Aparecimento do “Manifesto republicano
ao povo Seridoense” . Divulgado através do
Jornal O Povo. Pouco tempo depois foi
fundado o Centro Republicano
Seridoense, tendo como Presidente Basílio
Gomes da Silva Dantas.
 Fundação do Jornal A República: Fundado
por Pedro Velho, será um grande divulgador
dos ideais republicanos.
 Proclamação da República
(15 . 09. 1889): Pedro
Velho por ser líder do
partido, ocupa provisória-
mente o governo do RN.
 A REPÚBLICA VELHA NO RN ( 1889 –
1930 ):
 Durante a república velha o RN será
governado por duas oligarquias.
Inicialmente dominou a família Albuquerque
Maranhão, iniciada por Pedro Velho.
Posteriormente, na década de 20, surgiu a
oligarquia Bezerra de Medeiros.
 Essa mudança no sistema político,
reflete uma transformação na
economia. Declina a atividade
canavieira ( litorânea, ligada à
oligarquia Albuquerque Maranhão) e
ascende a contonicultura
(interiorana, ligada à oligarquia
bezerra de Medeiros).
 Substituindo Pedro Velho, é
nomeado pelo governo federal para
governador do RN, o Dr. Adolfo
Gordo. Este não agradou, sendo
substituído por Miguel Castro, eleito
através do pleito indireto. Voltando
no ano seguinte Pedro Velho,
também através do voto indireto.
GOVERNADORES DA REPÚBLICA
VELHA:

JOAQUIM FERREIRA CHAVES (1895–
1900 ):
 Primeiro governador eleito pelo voto direto.
 Seu governo foi marcado pela crise do
encilhamento.
 ALBERTO MARANHÃO(1900 – 1904 )
 Continua a crise financeira devido a política
do encilhamento.
 Morte de augusto Severo ( explosão do balão
dirigível Pax, em Paris)
 Transferiu a sede do governo para a cidade
alta.
 AUGUSTO TAVARES DE LIRA 91904 – 1906) - O
historiador :
 Os problemas econômicos foram agravados pelas
secas de 1904 e 1905.
 Grande pesquisador , escreveu a história do RN.
 Construção de vários prédios públicos ( tribunal de
Justiça, Congresso estadual, Banco de Natal).
 Deixa o governo do RN, para ser ministro da Justiça e
do Interior de Afonso Pena.
 ** Com a renúncia de Tavares de Lira, assume seu
Vice, Manuel Moreira Dias. Que realizou novas
eleições para terminar o mandato, vencendo Antônio
José de Melo e Souza.
 ALBERTO MARANHÃO(1908-1914 ) – 2º mandato: -
O mecenas
 Seu segundo governo foi marcado pelo
desenvolvimento cultural. Daí ter sido chamado de
“Mecenas”.
 Construção de vários edifícios de utilidade pública (
conservatório de música, hospital Juvino Barreto,
Teatro Carlos Gomes, Derby club, Casa de detenção,
asilo de medicinidade, etc.)
 Surgimento de 03 novos bairros: Petrópolis, Tirol e
Alecrim.
 Introduziu a energia elétrica em natal e os bondes
elétricos.
 JOAQUIM FERREIRA
CHAVES (1914 –1918 ) – 2º
mandato :
 Eclosão da 1ª guerra mundial.

 Surgimento de 03 grandes
calamidades: a seca de 1915, as
enchentes de 1917 e a seca de
1919.
 ANTÔNIO JOSÉ DE MELO E SOUZA (
1920 – 1924 ):
 Comemoração da independência do Brasil.
 Rocha Pombo escreve a História do RN,
como parte das comemorações.
 Criação da Escola de Farmácia ( 1º curso
superior do estado)
 Percurso dos escoteiros Natal – SP à pé.
 IMPORTANTE: após o Governo de
Melo e Souza assume José
Augusto Bezerra de Medeiros.
Marcando a transição da Oligarquia
Albuquerque Maranhão , para a
oligarquia seridoense dos Bezerra
de Medeiros.
 JOSÉ AUGUSTO BEZERRA DE
MEDEIROS ( 1924 – 1928 ) :
 O RN conheceu neste período suas 2
maiores enchentes.
 Passagem da coluna Prestes pelo RN.
 Ataque de Lampião a Mossoró.
 JUVENAL LAMARTINE DE FARIA ( 1928 – 1930 ):
 Incentivou a participação feminina na política ( é eleita
a primeira prefeita do RN. D. Alzira Teixeira – Lages)
 Construiu obras de infra-estrutura nos estados (
pontes, escolas, campos de pouso no interior, Aero
clube, escola de pilotagem e estádio de futebol) .
 Executou o plano de urbanização de Natal (
Engenheiro Omar O’Gray e o Arquiteto Giácomo
Palumbo).
 A revolução de 30 tirou Juvenal Lamartine do
Governo. Apesar de ser amigo de Vargas, apoiou o
candidato de Washington, Luís Júlio Prestes.
A REVOLUÇÃO DE 30 NO RN:

 O RN não participou
ativamente da revolução de 30.
Sofrendo apenas os reflexos
vindos da Paraíba ( um dos
pontos onde eclodiu o
movimento).
 As causas desta não participação ativa do
RN , deve-se ao fato da revolução de 30 ter
contado com a participação da classe
operária. A precariedade da atividade
econômica no RN, não permitiu a formação
de uma classe proletária forte ,unida e
organizada, que pudesse articular o
movimento e ainda havia o grande
predomínio das oligarquia tradicionais na
política. A participação do RN na revolução,
portanto, foi apenas de adesão.
INTERVENTORES NO RN

 Irineu Joffily (12/10/1930 – 28/01/31 ) : Foi


nomeado para apaziguar as disputas entre
Dinarte Mariz e João café Filho e promoveu a
“paraibanização” do RN, o que trouxe o
descontentamento dos setores político,
pressionando-o a deixar o governo.
 Aluízio de Andrade
Moura:(28/01/1931 – 31/07/31 )
:Seu governo foi marcado por
atritos com o chefe de polícia
Ernesto Geisel, o que desgastou
sua imagem, levando-o a pedir
exoneração do cargo.
 Hercolino Carcardo (31/07/1931 –
11/06/1932 ): colocado no poder por
Vargas para prestigiar o grupo político de
José Augusto. Militante da ANL era
considerado um Homem de idéias
progressivas e esquerdistas, sem no
entanto, ser radical. Em sua gestão isentou
o sal do imposto de exportação, criou o
serviço de malária e reorganizou a justiça
do estado.
 Bertino Dutra da Silva (11/06/1932 –
02/08/1933) : Aliou-se ao grupo
político de Café Filho por
recomendação de Vargas. Em seu
governo criou o instituto de música,
cais de atracação das docas e os
departamentos de Agricultura e
Viação e obras públicas.
 Mário Leopoldo Pereira da
Câmara ( 02/08/1933 – 27/ 10/
1935) : Devido a divergências
políticas com o grupo de José
Augusto, seu governo foi
marcado por violências e
perseguições políticas.
A INSURREIÇÃO COMUNISTA DE
1935 NO RN:
 Revoltacomunista ocorrida em
Natal, Recife e Rio de Janeiro.
Causada pelo fechamento da
ANL anulando as possibilidades
dos comunistas chegarem ao
poder pelo pleito direto.
 A campanha de Rafael Fernandes para
governador do RN, havia sido muito
violenta, com agressões e perseguições
a diversos adversários políticos. No
poder Rafael Fernandes promoveu uma
limpeza na guarda civil e polícia militar,
ocasionando demissões em massa.
 Aproveitando deste clima de insatisfação popular,
os comunistas, muitos deles pertencentes ao
exército, revoltara-se, liderados pelo 21º Batalhão
de Caçadores. Tomando o Governo de Natal por 4
dias. Chegando a lançar o jornal “ A Liberdade”.
Após conquistarem a capital, tentaram penetrar no
interior . Mas, foram detidos por homens liderados
por Dinarte Mariz na “Serra do Doutor”( divisa entre
Santa Cruz e Campo Redondo ).
 Com a notícia que tropas federais estavam a
caminho, o movimento se desfez. Tratando
os implicados de se desfazerem de tudo que
os pudesse comprometer. Durante o
Governo Comunista , Natal foi Alvo de
Saques e atos de violência e vandalismo.
 Causas da insurreição: Fechamento da
ANL; penetração dos comunistas dentro
do exército; violências políticas gerados
na campanha de Rafael Fernandes;
perseguições políticas e clima de
insatisfação gerado pelas demissões em
massa.
A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
NO RN:
 Para que os E.U.A. entrasse na 2ª guerra ao lado
dos aliados , era de fundamental importância a
participação do Brasil, principalmente de Natal.
Devido a pequena autonomia dos aviões da época
e o medo dos submarinos alemães, os Estados
Unidos precisava montar uma base de apoio em
um ponto extremamente próximo da África, que
permitisse o ataque pelo sul da Europa e que
detivesse o expansionismo nazista no norte da
África.
 Natal foi um dos pontos escolhidos, devido
ser a região brasileira mais próxima da África
( esquina do continente). A base americana
foi montada em Parnamirim que recebeu o
apelido de “Trampolim da Vitória”. Este
acordo foi firmado entre o presidente Vargas
e o Presidente americano Franklin Delano
Roosevelt no “encontro de Natal”.
 CONSEQUÊNCIAS: Aumento no número de
habitantes, maior fluxo de riquezas,
incorporação de novos hábitos, etc.
O POPULISMO NO RN

 Características:
 Busca do apoio das massas.
 Carisma dos líderes.
 Ligado aos centros urbanos.
 Política econômica desenvolvimentista.
 Nacionalismo.
 Uso de símbolos, músicas, gestos.
 Popularização da política.
Causas do surgimento do populismo
no RN:
 Um dos fatores que contribuíram para o êxito do
populismo no Rio Grande do Norte foi a atuação da
Igreja Católica, com a instalação dos sindicatos rurais e
com o Movimento de Educação de Base.

 As campanhas de educação popular contribuíram


também para acelerar o processo de politização das
camadas mais humildes. Exemplos: a "Campanha de Pé
no Chão Também se Aprende a Ler", em Natal, e ao
Movimento de Cultura Popular" em Recife, ambas em
1960.
A campanha de 1960:

 A campanha política de 1960 se desenrolou


num clima de muita agitação. O governo
Dinarte Mariz deixou um testamento político
que desorganizou, completamente, as
finanças do Estado.
 O povo norte-rio-grandense estava asfixiado,
aspirava por se livrar daquela situação,
recebendo com entusiasmo a mensagem
oposicionistas que prometia reformular os
processos administrativos, dinamizar a
administração pública e criar as condições
básicas para iniciar a industrialização,
começando, dessa maneira, o
desenvolvimento do Estado.
A cruzada da esperança:

 A proposta de governo era defendida por um


jovem e dinâmico político: Aluízio Alves .
assumiu a liderança do seu grupo,
organizando uma coligação partidária: a
"Cruzada da Esperança", formada pelo PSD,
PTB, PCB, PRP, PTN e dissidentes da UDN.
Para vice-governador foi indicado o
monsenhor Walfredo Gurgel,do PSD
seridoense. Para a prefeitura de Natal, dois
representantes da esquerda: Djalma
Maranhão e Luiz Gonzaga.
 A campanha de Aluízio Alves foi diversa da de Djalma
Maranhão . Bem mais sofisticada. Utilizando inclusive
uma empresa publicitária. Empregando os meios de
comunicação de massa (rádio e jornal). Usando slogans,
como "Fome ou Libertação?". "mendicância ou
trabalho?", ou ainda "Miséria ou Industrialização?",
colocava diante do eleitor o caos em que se encontrava
o Estado, sugerindo uma mudança radical através da
vitória da oposição. Esse triunfo marcaria o início de um
processo de desenvolvimento no Estado do Rio Grande
do Norte
 A liderança carismática de Aluízio Alves
empolgou o povo. Ciente de seu magnetismo
pessoal, ele procurava por todos os meios
manter o contato direto e pessoal com os
eleitores. O seus comícios e as suas passeatas
impressionavam pelo número de participantes e
pelo entusiasmo. Velhos, moços, crianças,
mulheres de todas as idades, agitando nas
mãos bandeiras e ramos verdes, cantando as
músicas da campanha e gritando "Aluízio,
Aluízio, Aluízio".
As Prioridades de Djalma Maranhão

 O primeiro problema enfrentando por Djalma


Maranhão foi o déficit orçamentário.
Tomando medidas para solucionar a crise:
Código Tributário do Município.
 Djalma Maranhão promoveu uma série de
iniciativas que marcaram o dinamismo de
sua administração: Galeria de Arte, Palácio
dos Esportes, Estação Rodoviária,
construção de galerias pluvias, etc.
 Mas o que imortalizou o governo de Djalma
Maranhão foi, sem dúvida, a "Campanha de
Pé no Chão Também se Aprende a Ler",
coordenada pelo professor Moacyr de Góes,
secretário de Educação
Governo de Aluísio Alves:

 Criação de entidades, como a Companhia de


Serviços Elétricos do Rio Grande do Norte
(Cosern), Companhia Telefônica do Rio
Grande do Norte (Telern), Serviço
Cooperativo de Educação (Secern)
 o governo elaborou diversos projetos que,
para sua execução, contou com recursos da
Aliança para o Progresso, da Sudene, do
MEC e, ainda, do governo do Estado. Para
administrar os recursos recebidos, foi criado
um órgão estruturado de maneira moderna e
dinâmica, a Secern, cujo diretor executivo
era o secretário de Educação, o jornalista
Calazans Fernandes.
 No turismo, o Rio Grande do Norte não
possuía nenhum hotel de grande porte. O
governo construiu o Hotel Reis Magos, o
primeiro de categoria internacional.
 O poder público estadual criou ainda a
Codern (Companhia de Desenvolvimento do
Rio Grande do Norte) para planejar o
desenvolvimento, orientando os
investimentos que modificaram a estrutura
econômica do Rio Grande do Norte.
O golpe de 64 no RN:

 A causa esquerdista, no Estado era


defendida por Djalma Maranhão e, ainda,
por estudantes e operários. Essas forças
defendiam os ideais do nacionalismo e
lutavam contra a direita.
 Djalma Maranhão, ficou solidário com João
Goulart e transformou o prédio da prefeitura
no " quartel-general da legalidade e da
resistência".
 O governador Aluízio Alves divulgou uma
nota, onde dizia que o governo "pede ao
povo que se conserve calmo, evitando atos
ou manifestações que aprofundem as
divisões desta hora em que todos os
esforços devem ser feitos para a restauração
da paz e preservação da democracia"
 Começou, então, a fase de investigações
com a Comissão Geral de Investigações
instalada pelos militares e mais duas
comissões criadas pelo Ato Institucional nº 2.
 No dia 1º de abril, Djalma Maranhão publicou
uma nota oficial, do governo municipal do
Natal, concluindo com as seguintes palavras:
"a legalidade é Jango!".
 No dia 2 de abril foram presos, o prefeito
Djalma Maranhão e o seu vice. Luís
Gonzaga dos Santos. Foram levados para o
QG da Guarnição Militar de Natal. Depois, foi
comunicado aos vereadores que os dois,
sendo comunistas, não poderiam exercer os
seus mandatos.
 “Não tentes ser bem
sucedido, tenta antes ser
uma pessoa de valor.”

Albert Einstein