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CONTROLE DE VIBRAÇÃO EM EDIFICAÇÕES UTILIZANDO

ABSORVEDOR DINÂMICO DE VIBRAÇÕES

NUNES S. JR., carlos alberto; BAUDOUIN, bernard; QUEIROZ, mailson macedo.


Vibtech Industrial LTDA.; Vibtech Industrial LTDA.; Medabil Sistemas Construtivos.

RESUMO
Neste trabalho uma solução alternativa para o problema de vibração em estruturas civis é analisada. O
sistema utilizado é denominado absorvedor dinâmico de vibrações (TMD – Tuned Mass Damper), no
entanto sua utilização é pouco conhecida e divulgada no Brasil. Para o dimensionamento do sistema
fez-se o levantamento inicial das frequências naturais da estrutura, tanto experimental quanto
numericamente. A partir desses dados definem-se quais são os parâmetros físicos do atenuador a ser
utilizado e qual a posição mais adequada para fixação destes na estrutura principal. Após a conclusão
da instalação foram realizadas novas medições no local para verificar o funcionamento do atenuador e
comparar com os resultados experimentações com os resultados numéricos esperados. O sistema se
mostrou bastante eficiente, sendo economicamente e construtivamente mais vantajoso que o
enrijecimento estrutural do edifício.
Palavras-chave: Absorvedor Dinâmico de Vibrações, Vibrações, Estruturas Civis, Atenuador,
Amortecedor

ABSTRACT
This paper presents an alternative solution for the vibration problem in civil structure. The approach
used here is called Tuned Mass Damper, which is not well known and used in Brazil. The initial
system sizing is made by determining the structure natural frequencies, using experimental and
numerical methods. Based on these data the damper system physical parameters are defined, as well
where it need to be placed on the main structure. After the damper system is installed more
measurements on the site are performed in order to ensure the damper performance and compare the
results with the expected ones. The results obtained showed that the solution is highly efficient, has
economic and faster implementation time than the usual solution that basically consists of making the
building structure stiffener.
Keywords: Tuned Mass Damper, Vibrations, Civil Structures, Damper, Mount.

1. INTRODUÇÃO

Edificações constituídas basicamente de estruturas metálicas, que apresentam baixo


amortecimento e frequência natural podem ser facilmente excitadas por atividades humanas.
A vibração dessas estruturas prejudica o conforto no ambiente de trabalho e está relacionada
com a diminuição do rendimento pessoal, aumento do estresse e até mesmo sérios problemas
de saúde.

Atualmente a solução mais utilizada no Brasil para esse tipo de problema é o enrijecimento da
estrutura civil, entretanto, em determinados casos, essa solução pode apresentar um custo
muito elevado e excessivo tempo de implementação. O caso analisado neste trabalho é um
edifício, constituído basicamente de estrutura metálica – laje em steel deck apoiada sobre
vigas de aço. No entanto, o layout final do segundo andar dessa construção resultou numa
estrutura com um grande vão livre, relativamente flexível, e cuja aceleração devido ao
caminhar humano não atendia à norma ISO 2631-2.

O objetivo deste trabalho é mostrar como a solução alternativa conhecida como absorvedor
dinâmico de vibrações foi utilizada para resolver o problema de vibração excessiva da laje do
edifício.

2. DESENVOLVIMENTO

O projeto do absorvedor dinâmico é composto por 4 estágios: definição dos requisitos de


projeto, estudo preliminar do edifício, medição e definição dimensional do atenuador de
vibração.

2.1 Definição dos Requisitos De Projeto

Para definição do nível máximo de aceleração as construções são classificadas em diferentes


categorias. Para tal, calculam-se as frequências naturais dos primeiros modos de vibração e
utilizando a Figura 1, determina-se qual o pico de aceleração recomendado para o caso
analisado.

Figura 1: Pico de Aceleração Recomendado Para Conforto Humano Devido à Atividades Humanas FONTE:
ISO 2631-2 (1989)
Em seguida é calculado o pico de aceleração na estrutura considerando uma excitação
equivalente ao tipo de atividade humana característico da edificação, dada por(M. M.
MURRAY & UNGAR, 1997):

Fi = Pαi cos(2πifstept) [Eq. 01]

Onde P é peso médio de uma pessoa, tomado como 0.7 kN. αi componente dinâmico da iésima
força harmônica. i múltiplo da frequência de excitação e f step frequência de excitação. Na
Tabela 1 estão descritos os coeficientes dinâmicos e frequências de excitação para o caso
analisado (BACHMANN, et al., 1995):
Tabela 1: Frequências de Excitação Seus Respectivos Coeficientes Dinâmicos

Ativid Frequência Ф1 Ф2 Ф3[rad


a1 a2 a3
ade [Hz] [rad] [rad] ]
Caminh 0.4 0.1 0.1
ar 2.00 0 0 0 0.00 π/2 π/2
Fonte: BACHMANN, et al., 1995.

Por fim esse valor de aceleração encontrado será comparado com o máximo determinado pela
norma para verificar se requisitos de conforto humano são atendidos.

2.2 Estudo Preliminar do Edifício

A segunda fase do desenvolvimento consiste em modelar o edifício e fazer uma simulação


utilizando o método dos elementos finitos para determinação das frequências naturais e
primeiros modos de vibração da estrutura.

Nesta fase do estudo foi utilizado o software STRAP 2014 onde as vigas foram concebidas
como elementos lineares excêntricos aos elementos planos que representavam a laje mista. O
comportamento dinâmico dos materiais e as condições de vinculações seguiram as
recomendações da SCI P354, o qual admite aumentos no módulo de elasticidade do concreto
e vinculações rígidas entre todos os elementos. Já a massa participativa admitida na simulação
envolve os revestimentos, alvenarias, massa total dos elementos estruturais, além de uma
parcela de 20% relativo as massas dos mobiliários e pessoas, com ocupação transitória. A
figura 2 ilustra as dimensões da laje em estudo em mm:

Figura 2: Dimensões da Laje


Com a análise numérica constatou-se que os modos de maior participação na resposta da laje
eram aqueles com frequências menores que 7 Hz (aproximadamente), portanto foram
admitidos no controle de vibração apenas os dois primeiros modos de vibração. A tabela 2
exibe, portanto, os modos levados em consideração

Tabela 2: Frequências Naturais Associadas aos Primeiros Modos de Vibração


Modo de Frequência
Massa Modal [kg]
Vibração Natural [Hz]
1º 4.25 27039.09
2º 5.36 28389.54
As formas modais consideradas este estudo são representadas pelas figuras 3 e 4:

Figura 3: Primeira Forma Modal da Laje

Figura 4: Segunda Forma Modal da Laje

2.3 Medição

2.3.1 Equipamento

Foi utilizado um equipamento para medição de aceleração modelo Movipack 01db Stell
acoplado a um acelerômetro piezoelétrico. O sistema utilizado possui certificado de
calibração emitido a menos de 02 (dois) anos por empresa integrada à Rede Brasileira de
Calibração devidamente creditada pelo INMETRO.
2.3.2 Procedimentos

Acopla-se o acelerômetro piezoelétrico na região da laje onde se deseja fazer medição. Em


seguida a estrutura é excitada por meio de um impacto de uma carga com massa de 30 kg,
altura de queda de 0.5 metro, e utilizando o sistema de aquisição grava-se a aceleração da
vibração livre da laje no domínio do tempo e da frequência.

2.3.3 Ajuste do Modelo Numérico

A partir dos resultados das medições é possível determinar as frequências naturais da estrutura
e comparar como modelo numérico definido previamente. Nesse caso a correlação entre
simulação e medição apresentou uma diferença máxima de apenas 8.2% no primeiro modo de
vibração, nos demais modos esse valor ficou próximo de 2% - Tabela 3.

Tabela 3: Frequências Naturais Obtidas nas Medições

Frequência Natural
Frequência Natural
Modo de vibração - Experimental Diferença [%]
- Numérico [Hz]
[Hz]
1º 4.63 4.25 8.2%
2º 5.50 5.36 2.5%
3º 7.38 7.46 -1.1%
4º 10.00 10.24 -2.4%
Os resultados mostraram que o modelo em elementos finitos resulta em valores coerentes com
aqueles medidos. Dessa forma a simulação também poderá ser utilizada para calcular os
modos de vibração dessa estrutura considerando a utilização do TMD.

2.4 Definição Dimensional do Absorvedor Dinâmico de Vibrações

2.4.1 Descrição do Sistema

O absorverdor dinâmico é um tipo de sistema utilizado para reduzir a vibração em


equipamentos mecânicos, civis e até mesmo em linhas de transmissão. No entanto,
independente da aplicação, o sistema pode ser simplificado conforme mostrado na Figura .

Figura 5: Modelo simplificado de 2 Graus de Liberdade da Estrutura Principal com o TMD


Para cada um dos modos de vibração analisado é calculada a massa modal correspondente,
que no esquemático é equivalente à massa da estrutural principal. Além disso, uma vez
conhecida a massa modal e frequência natural associada é possível determinar a rigidez modal
da estrutura principal utilizando a seguinte equação:

ki = mi (2πfi)2 [Eq. 02]

Onde mi e fi são, respectivamente, massa modal e frequência natural associadas ao iésimo


modo de vibração.

O TMD é representado na Figura pela massa conectada com a estrutura principal por uma
mola e um amortecedor, sendo dimensionado de forma a sempre se movimentar em
defasagem com a oscilação da laje, diminuindo assim a resposta da mesma.

2.4.2 Definição das Características do TMD

O dimensionamento inicial do atenuador é feito definindo-se a massa do TMD como 8% da


massa modal associada à frequência da oscilação que apresenta nível de aceleração acima do
recomendado pela norma. Em seguida a rigidez da mola do TMD é ajustada de forma a obter
uma frequência natural do sistema secundário dada por:

f2 = f1/(1+µ) [Eq. 03]

Onde f2 = (k2/ m2)0.5, sendo k2 e m2 a rigidez da mola e a massa do TMD. f1 corresponde à


frequência natural do modo de vibração que se deseja atenuar e µ a razão entre massa do
TMD e massa da estrutural principal.

O amortecimento ótimo do TMD será ajustado com o objetivo minimizar a aceleração


máxima da estrutura principal utilizando a seguinte equação (DEN HARTOG, 1956):

ζ2 = (3µ/(4·(2+µ)·(1+µ)))0.5 [Eq. 04]

Uma vez definidas as características iniciais do TMD modela-se o esquemático da Figura


como um sistema de dois graus de liberdade, obtendo-se a seguinte equação do movimento
(CRAIG & KURDILA, 2006):

�m1 0 ��&
x&
1� � c1 + c2 -c2 ��x& k1 + k2
1� � -k2 ��x1 � �P1 �
�0 m ��& �+ � �� �+ � � �= � � [Eq. 05]
x&
���������
2 2 -c2 c2 x&2 -k 2 k1 � x2 �0
Onde m, c e k representam a massa, constante de amortecimento e rigidez. Sendo que o
subscrito é utilizado para identificar a que corpo a grandeza se refere, 1 para o sistema
principal e 2 para o TMD. Na Eq. 05 é considerada apenas a aplicação de uma força na
estrutura principal.

Integra-se a Eq. 05 no domínio do tempo considerando que a força dada pela Eq. 01 atua na
estrutura principal com frequência de excitação próxima da frequência natural. Uma vez
determinado o deslocamento da laje calcula-se então a aceleração da mesma e o valor máximo
encontrado. A massa do TMD poderá ser ajustada de forma a minimizar a aceleração máxima
do sistema principal. Na Figura mostrada a seguir são comparadas as respostas de dois
sistemas, um com utilização de TMD e outro representando a vibração do sistema principal
sem nenhum tipo de atenuador.

Figura 6: Resposta da Laje Devido a Excitação Harmônica


No presente caso haviam duas frequências naturais que eram facilmente excitadas por
atividades humanas, correspondentes aos dois primeiros modos de vibração. Dessa forma
foram projetados dois TMDs, o primeiro, posicionado no centro da laje, com frequência
natural de 4.63 Hz, e o segundo, posicionado nas laterais, com frequência natural de 5.50 Hz.
Além disso a massa total de um TMD foi dividida e montada em 8 chassis, de tal forma que a
frequência natural e amortecimento dos subsistemas sejam os mesmos do sistema original.

A última etapa do posicionamento é a determinação dos locais de instalação do TMD. Os


mesmos deverão ser posicionados nos pontos máximo deslocamento modal.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O posicionamento final dos TMDs está ilustrado na Figura a seguir. Como já haviam
algumas instalações na parte inferior da laje, como calhas e dutos de ar condicionado, os
atenuadores não foram posicionados exatamente nos pontos de máxima aceleração,
diminuindo assim a eficiência final do sistema. Os quatro conjuntos mostrados nessa figura
representam os TMDs com frequência natural de 4.63 Hz, enquanto que os dois conjuntos de
cada lateral são os responsáveis por atenuar a vibração associada à frequência de 5.50 Hz.
Figura 7: Posicionamento dos TMDs na laje

O modelo em CAD, bem como a instalação final dos sistemas estão mostrados na Figura .

Figura 8: Montagem dos TMDs na laje


Para avaliação da eficiência do sistema repetiu-se o procedimento de medição (item 2.3.2) na
laje com os atenuadores. Utilizando o sistema de aquisição e efetuando a medição de
aceleração no ponto 1 (P1 - Figura ) encontram-se os resultados mostrados na Figura e Figura
a seguir. No gráfico do sinal no díminio da frequência percebe-se uma redução de 0.29% para
0.18% no pico de aceleração associado à frequência de 4.63 Hz; e de 0.57% para 0.22% na
frequência de 5.50 Hz. Além disso, o sistema contribuiu para atenuar a vibração da laje
associada com frequências mais elevadas (acima de 10 Hz). Isso indica que o o TMD é capaz
de adicionar um amortecimento equivalente na estrutura principal, que nesse caso foi
responsável por amortecer a vibração da laje também em altas frequências.
Figura 8: Nível de Aceleração da Laje no Ponto 1 no Domínio da Frequência

Figura 9: Nível de Aceleração da Laje no Ponto 1 no Domínio do Tempo


A vibração livre do sistema mostrada na Figura corrobora os resultados obtidos no domínio
da frequência. Percebe-se novamente a redução do pico de aceleração após o impacto e
também como o sinal é mais amortecedido. No caso da estrutura sem TMD a amplitude de
aceleração tem um valor considerável após 2.7 segundos; enquanto que na estrutura com
TMD a vibração é praticamente nula.

4. CONCLUSÕES

O caso de estudo analisado neste trabalho permitiu mostrar uma solução alternativa ao
enrijecimento estrutural para correção de problemas de vibração em estruturas civis. Um dos
atrativos dessa solução são os aspectos econômicos e construtivos da mesma. No caso
analisado estima-se que a economia foi da ordem de 60% e com tempo de instalação 15 vezes
menor.

Vale salientar que o método de medição utilizado não é suficiente para validação da solução
de acordo com a norma ISO 2631-2. O método experimental mais adequado para essa
verificação seria efetuar uma medição do edifício em uma condição padrão de trabalho sem a
instalação dos atenuadores e comparar com a medição após a instalação dos TMDs. Nesse
caso de estudo a verificação da resposta da estrutura na condição de trabalho foi realizada
apenas utilizando um método numérico.

Por fim a comparação da resposta da laje após a instalação dos TMDs mostrou
quantitativamente a eficiência do atenuador, indicando que o método utilizado poderá ser
empregado posteriormente para validação da solução.

5. REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS

BACHMANN, H., AMMANN, W.J., DEISCHL, F., EISENMANN, J., FLOEGL, I.,
HIRSCH, G.H., KLEIN, G.H., LANDE, G.J., MAHRENHOLTZ, O., NATKE, H.G.,
NUSSBAUMER, H., PRETLOVE, A., RAINER, J.H., SAEMANN, E., AND
STEINBEISSER, L., (1995). Vibration problems in structures. Berlin, 1995.

CRAIG, ROY R. e KURDILA, ANDREW. Fundamentals of Structural Dynamics. New


Jersey, 2006.
DEN HARTOG, J. P. Mechanical Vibrations. New York, 1956.
INTERNATIONAL STANDARDS ORGANIZATION. ISO 2631-2. Evaluation of human
exposure to whole-body vibration. Part 2: Continuous and shock-induced vibration in
buildings (1-80 Hz). 1989.

M. M. MURRAY, D. E. ALLEN, AND E. E. UNGAR. Floor vibration due to human


activity. In 11th Steel Design Guide Series: American Institute of Steel Construction,
Chicago, 1997.

SMITH A. L, HICKS S.J E DEVINE P.J. SCI P354 - Design of floors for vibration: A new
Approach, 2009