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Universidade Federal de Sergipe

UFS-SE
Assistente em Administração
Edital nº 020/2017

NB021-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Universidade Federal de Sergipe - UFS-SE

Cargo: Assistente em Administração

(Baseado no Edital nº 020/2017)

• Língua Portuguesa
• Legislação
• Conhecimentos Específicos

Produção Editorial/Revisão
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Camila Lopes
Suelen Domenica Pereira

Capa
Joel Ferreira dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno

Gerente de Projetos
Bruno Fernandes
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

1. Quanto à compreensão de textos: Reconhecimento da intenção comunicativa dominante no texto; avaliação do texto
sob os seguintes aspectos: recuperação da intenção comunicativa, articulações coesivas, adequação da pontuação, au-
sência de contradições e adequação à situação comunicativa e ao público-alvo; reconhecimento das variantes linguísti-
cas e avaliação de sua pertinência à situação de comunicação, ao gênero textual e ao público-alvo; reconhecimento do
tipo textual predominante no texto; estabelecimento de relações entre textos de diferentes gêneros discursivos. ...... 01
2. Quanto ao conhecimento linguístico: Classes de palavras: usos e adequação em textos; tópicos de morfossintaxe;
acentuação das palavras: regras gerais relacionadas à tonicidade; regência e concordância verbal e nominal................ 30
3. Redação Oficial..................................................................................................................................................................................................... 99

Legislação

1. Lei nº 8.112 de 11 de dezembro de 1990 - Regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e
das fundações públicas federais......................................................................................................................................................................... 01
2. Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993 - Normas para Licitações e Contratos da Administração Pública......................... 36
3. Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 – Processo Administrativo Federal................................................................................... 63

Conhecimentos Específicos

1. Gestão Organizacional: Funções administrativas: planejar, organizar, dirigir e controlar; Hierarquia administrativa;
Departamentalização; Estratégia organizacional; ....................................................................................................................................... 01
Processos organizacionais: fluxograma, manuais, formulários e planilhas. ...................................................................................... 08
2. Gestão Pública: Administração direta e indireta; Tipologias da administração pública; Centralização e descentraliza-
ção; Delegação de autoridade; .......................................................................................................................................................................... 10
Princípios da administração Pública. ............................................................................................................................................................... 19
3. Gestão de Pessoas: Os processos de gestão de pessoas; Liderança e tipos de poder; .......................................................... 21
Recrutamento e seleção de pessoas; Avaliação de desempenho; ....................................................................................................... 24
Treinamento e desenvolvimento; ...................................................................................................................................................................... 28
Motivação. .................................................................................................................................................................................................................. 29
4. Gestão Logística: Princípios e missão logística; Tipos de valor em logística; Estocagem; Almoxarifado e movimentação
de materiais; Transportes: classificação e intermodalidade. ................................................................................................................... 33
5. Gestão financeira: Noções de orçamento público.................................................................................................................................. 41
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Quanto à compreensão de textos: Reconhecimento da intenção comunicativa dominante no texto; avaliação do texto
sob os seguintes aspectos: recuperação da intenção comunicativa, articulações coesivas, adequação da pontuação, au-
sência de contradições e adequação à situação comunicativa e ao público-alvo; reconhecimento das variantes linguísti-
cas e avaliação de sua pertinência à situação de comunicação, ao gênero textual e ao público-alvo; reconhecimento do
tipo textual predominante no texto; estabelecimento de relações entre textos de diferentes gêneros discursivos. ...... 01
2. Quanto ao conhecimento linguístico: Classes de palavras: usos e adequação em textos; tópicos de morfossintaxe;
acentuação das palavras: regras gerais relacionadas à tonicidade; regência e concordância verbal e nominal................ 30
3. Redação Oficial..................................................................................................................................................................................................... 99
LÍNGUA PORTUGUESA

- Comparar – é descobrir as relações de semelhança


1. QUANTO À COMPREENSÃO DE TEXTOS: ou de diferenças entre as situações do texto.
RECONHECIMENTO DA INTENÇÃO
COMUNICATIVA DOMINANTE NO TEXTO; - Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado
com uma realidade, opinando a respeito.
AVALIAÇÃO DO TEXTO SOB OS SEGUINTES
ASPECTOS: RECUPERAÇÃO DA INTENÇÃO - Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secun-
COMUNICATIVA, ARTICULAÇÕES COESIVAS, dárias em um só parágrafo.
ADEQUAÇÃO DA PONTUAÇÃO, AUSÊNCIA
DE CONTRADIÇÕES E ADEQUAÇÃO - Parafrasear – é reescrever o texto com outras pala-
À SITUAÇÃO COMUNICATIVA E AO vras.
PÚBLICO-ALVO; RECONHECIMENTO DAS
VARIANTES LINGUÍSTICAS E AVALIAÇÃO Condições básicas para interpretar
DE SUA PERTINÊNCIA À SITUAÇÃO DE
Fazem-se necessários:
COMUNICAÇÃO, AO GÊNERO TEXTUAL E - Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros
AO PÚBLICO-ALVO; RECONHECIMENTO literários, estrutura do texto), leitura e prática;
DO TIPO TEXTUAL PREDOMINANTE NO - Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do
TEXTO; ESTABELECIMENTO DE RELAÇÕES texto) e semântico;
ENTRE TEXTOS DE DIFERENTES GÊNEROS
DISCURSIVOS. Observação – na semântica (significado das palavras)
incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e cono-
tação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de lingua-
gem, entre outros.
É muito comum, entre os candidatos a um cargo públi- - Capacidade de observação e de síntese e
co, a preocupação com a interpretação de textos. Por isso, - Capacidade de raciocínio.
vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento
de responder às questões relacionadas a textos. Interpretar X compreender

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- Interpretar significa


nadas entre si, formando um todo significativo capaz de - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar - Através do texto, infere-se que...
e decodificar ). - É possível deduzir que...
- O autor permite concluir que...
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con- Compreender significa
dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que está escrito.
o relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma - o texto diz que...
frase for retirada de seu contexto original e analisada se- - é sugerido pelo autor que...
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-
inicial. ção...
- o narrador afirma...
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
rências diretas ou indiretas a outros autores através de cita- Erros de interpretação
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma de erros de interpretação. Os mais frequentes são:
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia - Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do con-
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, texto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas
na prova. - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um con-
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: junto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do
entendimento do tema desenvolvido.
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamen-
tais de uma argumentação, de um processo, de uma época - Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias con-
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais trárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivo-
definem o tempo). cadas e, consequentemente, errando a questão.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Observação - Muitos pensam que há a ótica do es- QUESTÕES


critor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa
prova de concurso, o que deve ser levado em consideração 1-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – FCC/2014
é o que o autor diz e nada mais. - ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão, considere
o texto abaixo.
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. A marca da solidão
Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono- Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a
vai dizer e o que já foi dito. testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de
penumbra na tarde quente.
OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den-
-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com
do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando pequenas
verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz
também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a marca
semântico, por isso a necessidade de adequação ao ante- da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta.
cedente. (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Ja-
Os pronomes relativos são muito importantes na in- neiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo
existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, reduzido no qual o menino detém sua atenção é
a saber: (A) fresta.
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden- (B) marca.
te, mas depende das condições da frase. (C) alma.
- qual (neutro) idem ao anterior. (D) solidão.
- quem (pessoa) (E) penumbra.
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído. 2-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
- como (modo) PE/2012)
- onde (lugar) O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a
quando (tempo) totalidade do universo, toda a sociedade, a história, a concep-
quanto (montante) ção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo, que
se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É, de al-
Exemplo: guma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em todos
Falou tudo QUANTO queria (correto) os seus níveis, uma espécie de segunda revelação do mundo.
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o
aparecer o demonstrativo O ). Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações).
Dicas para melhorar a interpretação de textos
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do “O riso”.
assunto; ( ) CERTO ( ) ERRADO
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
a leitura; 3-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2010)
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atin-
pelo menos duas vezes; giu pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge
- Inferir; uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e ge-
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; neralizado de energia no final de 2009.
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétri-
autor; ca (ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa estatal
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900
compreensão; km que separam Itaipu de São Paulo.
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de in-
cada questão; vestimentos e também erros operacionais conspiraram para
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. produzir a mais séria falha do sistema de geração e distri-
buição de energia do país desde o traumático racionamento
Fonte: de 2001.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta-
gues/como-interpretar-textos ções).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...”
do texto acima apresentado, julgue os próximos itens. D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18 E) “... demonstrando coragem e desprendimento, des-
estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo. ceram na mina...”
( ) CERTO ( ) ERRADO
(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO –
4-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às
Um carteiro chega ao portão do hospício e grita: questões de números 6 a 8.
— Carta para o 9.326!!!
Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está Férias na Ilha do Nanja
em
branco, e um outro pergunta: Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as
— Quem te mandou essa carta? malas nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo
— Minha irmã. faz, pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
— Mas por que não está escrito nada?
fissuras* – sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre
— Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando!
as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...
Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de
adaptações).
tanto trabalho; de tanta luta com os motoristas da contra-
O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto mão; enfim, cansados, cansados de serem obrigados a viver
acima decorre numa grande cidade, isto que já está sendo a negação da
A) da identificação numérica atribuída ao louco. própria vida.
B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a E eu vou para a Ilha do Nanja.
carta no hospício. Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as
C) do fato de outro louco querer saber quem enviou férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio
a carta. cresce como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já es-
D) da explicação dada pelo louco para a carta em bran- tou vendo os pescadores com suas barcas de sardinha, e a
co. moça à janela a namorar um moço na outra janela de outra
E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele. ilha.
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende.
5-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR – FGV Adaptado)
PROJETOS/2010)
*fissuras: fendas, rachaduras
Painel do leitor (Carta do leitor)
6-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
Resgate no Chile – VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descrever a
maneira como se preparam para suas férias, a autora mos-
Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de tra que seus amigos estão
salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo (A) serenos.
de uma mina de cobre e ouro no Chile. (B) descuidados.
Um a um os mineiros soterrados foram içados com (C) apreensivos.
sucesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cum- (D) indiferentes.
primentando seus companheiros de trabalho. Não se pode (E) relaxados.
esquecer a ajuda técnica e material que os Estados Unidos,
Canadá e China ofereceram à equipe chilena de salvamen-
7-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
to, num gesto humanitário que só enobrece esses países. E,
– VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar
também, dos dois médicos e dois “socorristas” que, demons-
que, assim como seus amigos, a autora viaja para
trando coragem e desprendimento, desceram na mina para
ajudar no salvamento. (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
(Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – pai- (B) escapar do lugar em que está.
nel do leitor – 17/10/2010) (C) reencontrar familiares queridos.
(D) praticar esportes radicais.
Considerando o tipo textual apresentado, algumas ex- (E) dedicar-se ao trabalho.
pressões demonstram o posicionamento pessoal do leitor
diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais podem 8-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO: – VUNESP/2013) Ao descrever a Ilha do Nanja como um
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” lugar onde, “à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma cresce como um bosque” (último parágrafo), a autora su-
mina de cobre e ouro no Chile.” gere que viajará para um lugar

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LÍNGUA PORTUGUESA

(A) repulsivo e populoso. 3-)


(B) sombrio e desabitado. Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo
(C) comercial e movimentado. menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por
(D) bucólico e sossegado. “o qual”, portanto, trata-se de um pronome relativo (ora-
(E) opressivo e agitado. ção subordinada adjetiva). Quando há presença de vírgula,
temos uma adjetiva explicativa (generaliza a informação
9-) (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013) da oração principal. A construção seria: “do apagão, que
Grandes metrópoles em diversos países já aderiram. E atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados do país”);
o Brasil já está falando sobre isso. O pedágio urbano divide quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe,
opiniões e gera debates acalorados. Mas, afinal, o que é mais delimita a informação – como no caso do exercício).
justo? O que fazer para desafogar a cidade de tantos carros? RESPOSTA: “CERTO’.
Prepare-se para o debate que está apenas começando.
(Adaptado de Superinteressante, dezembro2012, p.34) 4-)
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais
Marque N(não) para os argumentos contra o pedágio aparece no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah,
urbano; marque S(sim) para os argumentos a favor do pe- porque nós brigamos e não estamos nos falando”.
dágio urbano. RESPOSTA: “D”.
( ) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o trans-
porte público e estender as ciclovias.
5-)
( ) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas cida-
Em todas as alternativas há expressões que represen-
des, que não resolveu os problemas do trânsito.
( ) Se pegar no bolso do consumidor, então todo mun- tam a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da
do vai ter que pensar bem antes de comprar um carro. Terra / Não se pode esquecer / gesto humanitário que só
( ) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, estacio- enobrece / demonstrando coragem e desprendimento.
namento, revisão....e agora mais o pedágio? RESPOSTA: “B”.
( ) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é
investido no transporte público. 6-)
( ) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pa- “pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
gue pelo privilégio! fissuras – sem falar em bandidos, milhões de bandidos en-
( ) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio tre as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...” = pensar
urbano melhorou. nessas coisas, certamente, deixa-os apreensivos.
RESPOSTA: “C”.
A ordem obtida é:
a) (S) (N) (N) (S) (S) (S) (N) 7-)
b) (S) (N) (S) (N) (N) (S) (S) Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta
c) (N) (S) (S) (N) (S) (N) (S) da própria autora!
d) (S) (S) (N) (S) (N) (S) (N) RESPOSTA: “B”.
e) (N) (N) (S) (S) (N) (S) (N)
8-)
10-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ – Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.
ADMINISTRADOR - UFPR/2013) Assinale a alternativa que RESPOSTA: “D”.
apresenta um dito popular que parafraseia o conteúdo ex-
presso no excerto: “Se você está em casa, não pode sair. Se 9-)
você está na rua, não pode entrar”. (S) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o trans-
a) “Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come”. porte público e estender as ciclovias.
b) “Quando o gato sai, os ratos fazem a festa”.
(N) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas ci-
c) “Um dia da caça, o outro do caçador”.
dades, que não resolveu os problemas do trânsito.
d) “Manda quem pode, obedece quem precisa”.
(S) Se pegar no bolso do consumidor, então todo mun-
Resolução do vai ter que pensar bem antes de comprar um carro.
(N) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, estacio-
1-) namento, revisão....e agora mais o pedágio?
Com palavras do próprio texto responderemos: o mun- (N) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é
do cabe numa fresta. investido no transporte público.
RESPOSTA: “A”. (S) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pa-
gue pelo privilégio!
2-) (S) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio
Vamos ao texto: O riso é tão universal como a serie- urbano melhorou.
dade; ele abarca a totalidade do universo (...). Os termos S - N - S - N - N - S - S
relacionam-se. O pronome “ele” retoma o sujeito “riso”. RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “CERTO”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

10-) uma argumentação que caracteriza o ponto de vista do au-


Dentre as alternativas apresentadas, a que reafirma a tor sobre o assunto em evidência. Nesse tipo de texto a
ideia do excerto (não há muita saída, não há escolhas) é: expressão das ideias, valores, crenças são claras, evidentes,
“Se você está em casa, não pode sair. Se você está na rua, pois é um tipo de texto que propõe a reflexão, o debate
não pode entrar”. de ideias. A linguagem explorada é a denotativa, embora o
RESPOSTA: “A”. uso da conotação possa marcar um estilo pessoal. A obje-
tividade é um fator importante, pois dá ao texto um valor
TIPOLOGIA TEXTUAL universal, por isso geralmente o enunciador não aparece
porque o mais importante é o assunto em questão e não
Tipo textual é a forma como um texto se apresenta. As quem fala dele. A ausência do emissor é importante para
únicas tipologias existentes são: narração, descrição, dis- que a ideia defendida torne algo partilhado entre muitas
sertação ou exposição, informação e injunção. É impor- pessoas, sendo admitido o emprego da 1ª pessoa do plural
tante que não se confunda tipo textual com gênero textual. - nós, pois esse não descaracteriza o discurso dissertativo.
- expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa;
Texto Narrativo - tipo textual em que se conta fatos - é um tipo de texto argumentativo.
que ocorreram num determinado tempo e lugar, envol- - defesa de um argumento: apresentação de uma tese
vendo personagens e um narrador. Refere-se a objeto do que será defendida; desenvolvimento ou argumentação;
mundo real ou fictício. Possui uma relação de anterioridade fechamento;
e posterioridade. O tempo verbal predominante é o pas- - predomínio da linguagem objetiva;
sado. - prevalece a denotação.
- expõe um fato, relaciona mudanças de situação,
aponta antes, durante e depois dos acontecimentos (ge- Texto Argumentativo - esse texto tem a função de
ralmente); persuadir o leitor, convencendo-o de aceitar uma ideia im-
- é um tipo de texto sequencial; posta pelo texto. É o tipo textual mais presente em ma-
- relato de fatos; nifestos e cartas abertas, e quando também mostra fatos
- presença de narrador, personagens, enredo, cenário, para embasar a argumentação, se torna um texto disserta-
tempo; tivo-argumentativo.
- apresentação de um conflito;
- uso de verbos de ação; Texto Injuntivo/Instrucional - indica como realizar
- geralmente, é mesclada de descrições; uma ação. Também é utilizado para predizer acontecimen-
- o diálogo direto é frequente. tos e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e sim-
ples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo
Texto Descritivo - um texto em que se faz um retrato imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e
por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um o uso do futuro do presente do modo indicativo. Ex: Pre-
objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção visões do tempo, receitas culinárias, manuais, leis, bula de
é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abor- remédio, convenções, regras e eventos.
dagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou
sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterio- Narração
ridade. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da
personagem a que o texto refere. Nessa espécie textual as A Narração é um tipo de texto que relata uma história
coisas acontecem ao mesmo tempo. real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto
- expõe características dos seres ou das coisas, apre- narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo
senta uma visão; e em um espaço, organizados por uma narração feita por
- é um tipo de texto figurativo; um narrador. É uma série de fatos situados em um espa-
- retrato de pessoas, ambientes, objetos; ço e no tempo, tendo mudança de um estado para outro,
- predomínio de atributos; segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não
- uso de verbos de ligação; simultâneos como na descrição. Expressa as relações entre
- frequente emprego de metáforas, comparações e os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre es-
outras figuras de linguagem; ses indivíduos e o mundo, utilizando situações que contêm
- tem como resultado a imagem física ou psicológica. essa vivência.
Todas as vezes que uma história é contada (é narrada),
Texto Dissertativo - a dissertação é um texto que ana- o narrador acaba sempre contando onde, quando, como e
lisa, interpreta, explica e avalia dados da realidade. Esse com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narra-
tipo textual requer reflexão, pois as opiniões sobre os fatos ção predomina a ação: o texto narrativo é um conjunto de
e a postura crítica em relação ao que se discute têm grande ações; assim sendo, a maioria dos verbos que compõem
importância. O texto dissertativo é temático, pois trata de esse tipo de texto são os verbos de ação. O conjunto de
análises e interpretações; o tempo explorado é o presente ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história
no seu valor atemporal; é constituído por uma introdução que é contada nesse tipo de texto recebe o nome de en-
onde o assunto a ser discutido é apresentado, seguido por redo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

As ações contidas no texto narrativo são praticadas Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-
pelas personagens, que são justamente as pessoas en- se de tal forma, que não é possível compreendê-los iso-
volvidas no episódio que está sendo contado. As persona- ladamente, como simples exemplos de uma narração. Há
gens são identificadas (nomeadas) no texto narrativo pelos uma relação de implicação mútua entre eles, para garantir
substantivos próprios. coerência e verossimilhança à história narrada. Quanto aos
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mes- elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente
mo sem querer) ele acaba contando “onde” (em que lugar)  sempre presentes no discurso, exceto as personagens ou o
as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. fato a ser narrado.
O lugar onde ocorre uma ação ou ações  é chamado de
espaço, representado no texto pelos advérbios de lugar. Exemplo:
Além de contar onde, o narrador também pode es-
clarecer “quando” ocorreram as ações da história. Esse Porquinho-da-índia
elemento da narrativa é o tempo, representado no texto
narrativo através dos tempos verbais, mas principalmente Quando eu tinha seis anos
pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações Ganhei um porquinho-da-índía.
no texto narrativo: é ele que indica ao leitor “como” o fato Que dor de coração me dava
narrado aconteceu. Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
A história contada, por isso, passa por uma introdução Levava ele pra sala
(parte inicial da história, também chamada de prólogo), Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
pelo desenvolvimento do enredo (é a história propria- Ele não gostava:
mente dita, o meio, o “miolo” da narrativa, também cha- Queria era estar debaixo do fogão.
mada de trama) e termina com a conclusão da história (é o Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
final ou epílogo). Aquele que conta a história é o narrador,  - O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira na-
que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu...) ou impes- morada.
soal (narra em 3ª pessoa: Ele...).
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por ver- Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4ª ed.
bos de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de Rio de Janeiro, José Olympio, 1973, pág. 110.
lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens,
Observe que, no texto acima, há um conjunto de trans-
que são os agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que
formações de situação: ganhar um porquinho-da-índia é
fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma
passar da situação de não ter o animalzinho para a de tê
rede: a própria história contada.
-lo; levá-lo para a sala ou para outros lugares é passar da
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que
situação de ele estar debaixo do fogão para a de estar em
conta a história. outros lugares; ele não gostava: “queria era estar debaixo
do fogão” implica a volta à situação anterior; “não fazia caso
Elementos Estruturais (I): nenhum das minhas ternurinhas” dá a entender que o me-
nino passava de uma situação de não ser terno com o ani-
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos. malzinho para uma situação de ser; no último verso tem-se
- Personagens: são seres que se movimentam, se re- a passagem da situação de não ter namorada para a de ter.
lacionam e dão lugar à trama que se estabelece na ação. Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande con-
Revelam-se por meio de características físicas ou psicológi- junto de mudanças de situação. É isso que define o que se
cas. Os personagens podem ser lineares (previsíveis), com- chama o componente narrativo do texto, ou seja, narrativa
plexos, tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) é uma mudança de estado pela ação de alguma persona-
ou tipos humanos (o medroso, o tímido, o avarento etc.), gem, é uma transformação de situação. Mesmo que essa
heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas. personagem não apareça no texto, ela está logicamente
- Narrador: é quem conta a história. implícita. Assim, por exemplo, se o menino ganhou um
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico. porquinho-da-índia, é porque alguém lhe deu o animalzi-
- Tempo: época em que se passa a ação. Cronológico: nho. Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele
o tempo convencional (horas, dias, meses); Psicológico: o em que alguém recebe alguma coisa (o menino passou a
tempo interior, subjetivo. ter o porquinho-da índia) e aquele alguém perde alguma
coisa (o porquinho perdia, a cada vez que o menino o le-
Elementos Estruturais (II): vava para outro lugar, o espaço confortável de debaixo do
fogão). Assim, temos dois tipos de narrativas: de aquisição
Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista e de privação.
Acontecimento - O quê? Fato
Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato Existem três tipos de foco narrativo:
Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato
Modo - Como? De que forma ocorreu o fato - Narrador-personagem: é aquele que conta a his-
Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato tória na qual é participante. Nesse caso ele é narrador e
Resultado - previsível ou imprevisível. personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª
Final - Fechado ou Aberto. pessoa.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Narrador-observador: é aquele que conta a história Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a
como alguém que observa tudo que acontece e transmite cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no desmaiado
ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa. da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madru-
gadas...; ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca
enredo e as personagens, revelando seus pensamentos e perdeu atalho, nunca desandou cruzada!...
sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas (...)
vezes, aparece misturada com pensamentos dos persona- Aqui há poucos – coitado! – pousei no arranchamento
gens (discurso indireto livre). dele. Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não no víamos
desde muito tempo. (...)
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório
Estrutura:
na matança dos leitões e no tiramento dos assados com
couro.
- Apresentação: é a parte do texto em que são apre- (J. Simões Lopes Neto – Contrabandista)
sentados alguns personagens e expostas algumas circuns-
tâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação - Em 3ª pessoa:
se desenvolverá.
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia pro- Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira
priamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem, pessoa. Exemplo:
conduzindo ao clímax.
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge “Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fan-
seu momento crítico, tornando o desfecho inevitável. tasiaram de borboleta. Por isso não pôde defender-se. E
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas saiu à rua com ar menos carnavalesco deste mundo, mor-
ações dos personagens. rendo de vergonha da malha de cetim, das asas e das an-
tenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem máscara piedosa
Tipos de Personagens: para disfarçar o sentimento impreciso de ridículo.”
(Ilka Laurito. Sal do Lírico)
Os personagens têm muita importância na constru-
ção de um texto narrativo, são elementos vitais. Podem ser Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história
como sendo vista por uma câmara ou filmadora. Exemplo:
principais ou secundários, conforme o papel que desem-
penham no enredo, podem ser apresentados direta ou in-
Festa
diretamente.
A apresentação direta acontece quando o personagem Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental
aparece de forma clara no texto, retratando suas caracterís- olha o crioulão de roupa limpa e remendada, acompanha-
ticas físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se do de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro
dá quando os personagens aparecem aos poucos e o leitor mais novo, mas ambos com menos de dez anos.
vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas reso-
ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do lutamente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde
modo como vai fazendo. há seis mesas desertas.
O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O
- Em 1ª pessoa: homem pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guara-
nás e dois pãezinhos.
Personagem Principal: há um “eu” participante que __ Duzentos e vinte.
conta a história e é o protagonista. Exemplo: O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
__Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz.
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bam- __ Como?
bas, o coração parecendo querer sair-me pela boca fora. __ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito
mais gostoso.
Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vi-
O homem olha para os meninos.
zinho. Comecei a andar de um lado para outro, estacando
__ O preço é o mesmo – informa o rapaz.
para amparar-me, e andava outra vez e estacava.” __ Está certo.
(Machado de Assis. Dom Casmurro) Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhes-
tra, como se o estivessem fazendo pela primeira vez na
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acre- vida.
ditar, eu estava lá e vi. Exemplo: O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e,
em seguida, num pratinho, os dois pães com meia almôn-
“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre dega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos
teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de olham para dentro dos pães, enquanto o rapaz cúmplice
contrabandista que fez cancha nos banhados do Ibirocaí. se retira.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando as
o copo de cerveja até a boca, depois cada um prova o seu vitrines, os prédios, as coisas. Como fazia nos dias comuns.
guaraná e morde o primeiro bocado do pão. Ia firme e esforçando-se para não pensar em nada, nem
O homem toma a cerveja em pequenos goles, obser- olhar muito para nada.
vando criteriosamente o menino mais velho e o menino mais
novo absorvidos com o sanduíche e a bebida. __ Olho vivo – como dizia Paraná.
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois me- Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das
ninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando em quando, assomava
sentados naquela mesa. um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
(Wander Piroli) Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma
mulher. Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali, à
Tipos de Discurso: noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela
lhe deu, ele seguiu. Ignorava a exatidão de seus cálculos,
Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamente
mas provavelmente faltava mais ou menos uma hora para
para o personagem, sem a sua interferência. Exemplo:
chegar em casa. Os bondes passavam.
(João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço)
Caso de Desquite

__ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na boca). Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala
Veja, doutor, este velho caducando. Bisavô, um neto casado. do personagem e a fala do narrador. É um recurso relati-
Agora com mania de mulher. Todo velho é sem-vergonha. vamente recente. Surgiu com romancistas inovadores do
__ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só século XX. Exemplo:
não me pise, fico uma jararaca.
__ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão. A Morte da Porta-Estandarte
__ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está
bom? Ela não contribuiu com nada, doutor. Só deu de mamar Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus bra-
no primeiro mês. ços. Rosinha está dormindo. Não acordem Rosinha. Não é
__Você desempregado, quem é que fazia roça? preciso segurá-lo, que ele não está bêbado... O céu baixou,
__ Isso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava. Fui se abriu... Esse temporal assim é bom, porque Rosinha não
jogado na estrada, doutor. Desde onze anos estou no mundo sai. Tenham paciência... Largar Rosinha ali, ele não larga
sem ninguém por mim. O céu lá em cima, noite e dia o ho- não... Não! E esses tambores? Ui! Que venham... É guer-
minho aqui na carroça. Sempre o mais sacrificado, está bom? ra... ele vai se espalhar... Por que não está malhando em
__ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende? sua cabeça?... (...) Ele vai tirar Rosinha da cama... Ele está
__ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém morre dormindo, Rosinha... Fugir com ela, para o fundo do País...
só. Sempre tem um cristão que enterra o pobre. Abraçá-la no alto de uma colina...
__ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher... (Aníbal Machado)
__ Eu arranjo.
__ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem Sequência Narrativa:
dois cavalos. A carroça e os dois cavalos, o que há de melhor.
Vai me deixar sem nada? Uma narrativa não tem uma única mudança, mas vá-
__ Você tinha amula e a potranca. A mula vendeu e a po- rias: uma coordena-se a outra, uma implica a outra, uma
tranca, deixou morrer. Tenho culpa? Só quero paz, um prato
subordina-se a outra.
de comida e roupa lavada.
A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
__ Para onde foi a lavadeira?
__ Quem? - uma em que uma personagem passa a ter um que-
__ A mulata. rer ou um dever (um desejo ou uma necessidade de fazer
(...) algo);
(Dalton Trevisan – A guerra Conjugal) - uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma
competência para fazer algo);
Discurso Indireto: o narrador conta o que o personagem - uma em que a personagem executa aquilo que queria
diz, sem lhe passar diretamente a palavra. Exemplo: ou devia fazer (é a mudança principal da narrativa);
- uma em que se constata que uma transformação se
Frio deu e em que se podem atribuir prêmios ou castigos às
personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e
O menino tinha só dez anos. os castigos, para os maus).
Quase meia hora andando. No começo pensou num
bonde. Mas lembrou-se do embrulhinho branco e bem feito Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se
que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo uma pressupõem logicamente. Com efeito, quando se constata
coisa errada. (Nos bondes, àquela hora da noite, poderiam a realização de uma mudança é porque ela se verificou, e
roubá-lo, sem que percebesse; e depois?... Que é que diria ela efetua-se porque quem a realiza pode, sabe, quer ou
a Paraná?) deve fazê-la. Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um

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LÍNGUA PORTUGUESA

apartamento: quando se assina a escritura, realiza-se o ato Caracterização Formal:


de compra; para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e
querer ou dever comprar (respectivamente, querer deixar de Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspec-
pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido des- to narrativo apresenta, até certo ponto, alguma subjetivi-
pejado, por exemplo). dade, porquanto a criação e o colorido do contexto estão
Algumas mudanças são necessárias para que outras se em função da individualidade e do estilo do narrador. De-
deem. Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apanhar pendendo do enfoque do redator, a narração terá diver-
um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um sas abordagens. Assim é de grande importância saber se
carro, é preciso antes conseguir o dinheiro.
o relato é feito em primeira pessoa ou terceira pessoa. No
Narrativa e Narração primeiro caso, há a participação do narrador; segundo, há
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narrativi- uma inferência do último através da onipresença e onis-
dade é um componente narrativo que pode existir em tex- ciência.
tos que não são narrações. A narrativa é a transformação de Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação
situações. Por exemplo, quando se diz “Depois da abolição, dos acontecimentos: esses podem oscilar no tempo, trans-
incentivou-se a imigração de europeus”, temos um texto dis- gredindo o aspecto linear e constituindo o que se deno-
sertativo, que, no entanto, apresenta um componente narrati- mina “flashback”. O narrador que usa essa técnica (carac-
vo, pois contém uma mudança de situação: do não incentivo terística comum no cinema moderno) demonstra maior
ao incentivo da imigração européia. criatividade e originalidade, podendo observar as ações
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de ziguezagueando no tempo e no espaço.
texto, o que é narração?
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três caracte- Exemplo - Personagens
rísticas:
- é um conjunto de transformações de situação (o tex-
to de Manuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”, como vimos, “Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr.
preenche essa condição); Amâncio não viu a mulher chegar.
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e - Não quer que se carpa o quintal, moço?
fatos concretos (o texto “Porquinho-da-índia” preenche tam- Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face
bém esse requisito); escalavrada. Mas os olhos... (sempre guardam alguma coisa
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira do passado, os olhos).”
tal que, entre elas, existe sempre uma relação de anteriorida-
de e posterioridade (no texto “Porquinho-da-índia” o fato de (Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre:
ganhar o animal é anterior ao de ele estar debaixo do fogão, Mercado Aberto, p. 5O)
que por sua vez é anterior ao de o menino levá-lo para a sala,
que por seu turno é anterior ao de o porquinho-da-índia vol- Exemplo - Espaço
tar ao fogão). Considerarei longamente meu pequeno deserto, a re-
dondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco
Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre
de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe
pertinente num texto narrativo, mesmo que a sequência li-
near da temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, a insipidez.”
no romance machadiano Memórias póstumas de Brás Cubas, (Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann.
quando o narrador começa contando sua morte para em se- Porto Alegre: Movimento, 1981, p. 51)
guida relatar sua vida, a sequência temporal foi modificada.
No entanto, o leitor reconstitui, ao longo da leitura, as rela- Exemplo - Tempo
ções de anterioridade e de posterioridade.
Resumindo: na narração, as três características explicadas “Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-
acima (transformação de situações, figuratividade e relações se: a mulher lhe pediu que a chamasse cedo.”
de anterioridade e posterioridade entre os episódios relata- (Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4)
dos) devem estar presentes conjuntamente. Um texto que
tenha só uma ou duas dessas características não é uma nar- Tipologia da Narrativa Ficcional:
ração.
- Romance
Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto
narrativo: - Conto
- Crônica
- Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o que - Fábula
aconteceu, quando e onde. - Lenda
- Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos - Parábola
personagens. - Anedota
- Desenvolvimento: detalhes do fato. - Poema Épico
- Conclusão: consequências do fato.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Tipologia da Narrativa Não-Ficcional: - que todas as frases expõem ocorrências simultâneas


(ao mesmo tempo que gastava duas horas para reter aqui-
- Memorialismo lo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Rai-
- Notícias mundo tinha grande medo ao pai);
- Relatos - por isso, não existe uma ocorrência que possa ser
- História da Civilização considerada cronologicamente anterior a outra do ponto
de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na
Apresentação da Narrativa: escola é cronologicamente anterior a retirar-se dela; no ní-
vel do relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é
- visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em indiferente: o que o escritor quer é explicitar uma caracte-
quadrinhos) e desenhos. rística do menino, e não traçar a cronologia de suas ações);
- auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e - ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-
discos. se), todas elas estão no pretérito imperfeito, que indica
- audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisiona- concomitância em relação a um marco temporal instalado
das. no texto (no caso, o ano de 1840, em que o escritor fre-
quentava a escola da rua da Costa) e, portanto, não denota
Descrição nenhuma transformação de estado;
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não
É a representação com palavras de um objeto, lugar, correríamos o risco de alterar nenhuma relação cronológi-
situação ou coisa, onde procuramos mostrar os traços mais ca - poderíamos mesmo colocar o últímo período em pri-
particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer meiro lugar e ler o texto do fim para o começo: O mestre
elemento que seja apreendido pelos sentidos e transfor- era mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola
mado, com palavras, em imagens. Sempre que se expõe depois do pai e retirava-se antes...
com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a
alguém, está fazendo uso da descrição. Não é necessário Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enun-
que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do obser- ciados pode ser invertida, está-se pensando apenas na
vador varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa ordem cronológica, pois, como veremos adiante, a ordem
forma, o que será importante ser analisado para um, não em que os elementos são descritos produz determinados
será para outro. A vivência de quem descreve também in- efeitos de sentido.
fluencia na hora de transmitir a impressão alcançada sobre Quando alteramos a ordem dos enunciados, preci-
determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emo- samos fazer certas modificações no texto, pois este con-
ção vivida ou sentimento. tém anafóricos (palavras que retomam o que foi dito an-
tes, como ele, os, aquele, etc. ou catafóricos (palavras que
Exemplos: anunciam o que vai ser dito, como este, etc.), que podem
perder sua função e assim não ser compreendidos. Se to-
(I) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redon- marmos uma descrição como As flores manifestavam
da. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho. todo o seu esplendor. O Sol fazia-as brilhar, ao inver-
Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, termos a ordem das frases, precisamos fazer algumas al-
pequenas surpresas entre os cipós. Todo o jardim triturado terações, para que o texto possa ser compreendido: O Sol
pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha fazia as flores brilhar. Elas manifestavam todo o seu
o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zu- esplendor. Como, na versão original, o pronome oblíquo
nido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, as é um anafórico que retoma flores, se alterarmos a or-
grande demais.” dem das frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos
(extraído de “Amor”, Laços de Família, Clarice Lis- mudar a palavra flores para a primeira frase e retomá-la
pector) com o anafórico elas na segunda.
Por todas essas características, diz-se que o fragmento
(II) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, do conto de Machado é descritivo. Descrição é o tipo de
aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas texto em que se expõem características de seres concretos
em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cin- (pessoas, objetos, situações, etc.) consideradas fora da re-
quenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fa- lação de anterioridade e de posterioridade.
zer logo com o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai.
Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava Características:
alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes.
O mestre era mais severo com ele do que conosco. - Ao fazer a descrição enumeramos características,
(Machado de Assis. “Conto de escola”. Contos. 3ed. comparações e inúmeros elementos sensoriais;
São Paulo, Ática, 1974, págs. 31-32.) - As personagens podem ser caracterizadas física e psi-
cologicamente, ou pelas ações;
Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do pro- - A descrição pode ser considerada um dos elementos
fessor da escola que o escritor frequentava. Deve-se notar: constitutivos da dissertação e da argumentação;

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LÍNGUA PORTUGUESA

- É impossível separar narração de descrição; lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos
mas sim a capacidade de observação que deve revelar da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras.
aquele que a realiza. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exem- despegadas do crânio.”
plo: “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; parecia mais ve- (Eça de Queiroz - O Primo Basílio)
lha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda,
sanguínea e fogosa, era um desses exemplares excessivos - Emprego de figuras (metáforas, metonímias, compa-
do sexo que parecem conformados expressamente para es- rações, sinestesias). Exemplo:
posas da multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu)
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo,
“Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não
não existe relação de anterioridade e posterioridade entre
seus enunciados. muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso chinês.
- Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade
que se usem então as formas nominais, o presente e o pre- buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de rapaz e ca-
tério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferência sava perfeitamente com os olhinhos de azougue.”
aos verbos que indiquem estado ou fenômeno. (José de Alencar - Senhora)
- Todavia deve predominar o emprego das compara-
ções, dos adjetivos e dos advérbios, que conferem colorido - Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo:
ao texto.
“Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha,
A característica fundamental de um texto descritivo é e essa casa era assim: na frente, uma grade de ferro; depois
essa inexistência de progressão temporal. Pode-se apresen- você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma esca-
tar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde dinha que devia ter uns cinco degraus; aí você entrava na
que eles sejam sempre simultâneos, não indicando progres-
sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde
são de uma situação anterior para outra posterior. Tanto é
que uma das marcas linguísticas da descrição é o predomí- saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha, de-
nio de verbos no presente ou no pretérito imperfeito do in- pois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ain-
dicativo: o primeiro expressa concomitância em relação ao da tinha um galpão, que era o lugar da bagunça...”
momento da fala; o segundo, em relação a um marco tem- (Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)
poral pretérito instalado no texto.
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria Recursos:
introduzir um enunciado que indicasse a passagem de um
estado anterior para um posterior. No caso do texto II inicial, - Usar impressões cromáticas (cores) e sensações tér-
para transformá-lo em narração, bastaria dizer: Reunia a isso micas. Ex: O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor
grande medo do pai. Mais tarde, Iibertou-se desse medo... alegre do sol.
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exa-
Características Linguísticas: tas, concretas. Ex: As criaturas humanas transpareciam um
céu sereno, uma pureza de cristal.
O enunciado narrativo, por ter a representação de um
acontecimento, fazer-transformador, é marcado pela tempo- - As sensações de movimento e cor embelezam o po-
ralidade, na relação situação inicial e situação final, enquan- der da natureza e a figura do homem. Ex: Era um verde
to que o enunciado descritivo, não tendo transformação, é transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um.
atemporal. - A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático- do texto. Ex: Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O
semânticas encontradas no texto que vão facilitar a com- pessoal, muito crente.
preensão:
- Predominância de verbos de estado, situação ou indi- A descrição pode ser apresentada sob duas formas:
cadores de propriedades, atitudes, qualidades, usados prin-
cipalmente no presente e no imperfeito do indicativo (ser, Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a
estar, haver, situar-se, existir, ficar). passagem são apresentadas como realmente são, concre-
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que tamente. Exemplo:
é descrito;
“Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70kg. Aparência atlética,
Exemplo:
ombros largos, pele bronzeada. Moreno, olhos negros, cabe-
“Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço los negros e lisos”.
entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no quei-
xo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento.
amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma orelha à Exemplo:
outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto

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LÍNGUA PORTUGUESA

“A casa velha era enorme, toda em largura, com por- O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a vi-
ta central que se alcançava por três degraus de pedra e sualizar uma cena. É como traçar com palavras o retrato de
quatro janelas de guilhotina para cada lado. Era feita de um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas característi-
pau-a-pique barreado, dentro de uma estrutura de cantos cas exteriores, facilmente identificáveis (descrição objetiva),
e apoios de madeira-de-lei. Telhado de quatro águas. Pin- ou suas características psicológicas e até emocionais (des-
tada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, crição subjetiva).
provavelmente sede de alguma fazenda que tivesse ficado, Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de ad-
capricho da sorte, na linha de passagem da variante do Ca- jetivos, também denominado adjetivação. Para facilitar o
minho Novo que veio a ser a Rua Principal, depois a Rua aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando,
Direita – sobre a qual ela se punha um pouco de esguelha após escrever seu texto, sublinhe todos os substantivos,
e fugindo ligeiramente do alinhamento (...).” acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma
(Pedro Nava – Baú de Ossos) locução adjetiva.
Descrição Subjetiva: quando há maior participação Descrição de objetos constituídos de uma só parte:
da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a pai-
sagem são transfigurados pela emoção de quem escreve, - Introdução: observações de caráter geral referentes à
podendo opinar ou expressar seus sentimentos. Exemplo: procedência ou localização do objeto descrito.
“Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso
- Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (com-
ao homem. Não só as condecorações gritavam-lhe no peito
paração com figuras geométricas e com objetos semelhan-
como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo
tes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro
era um anúncio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram
de um rei...” etc.)
(“O Ateneu”, Raul Pompéia) - Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso,
cor/brilho, textura.
“(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra - Conclusão: observações de caráter geral referentes a
esperança maior: para ele, Joca Ramiro era único homem, sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o
par-de-frança, capaz de tomar conta deste sertão nosso, objeto como um todo.
mandando por lei, de sobregoverno.” Descrição de objetos constituídos por várias partes:
(Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas) - Introdução: observações de caráter geral referentes à
procedência ou localização do objeto descrito.
Os efeitos de sentido criados pela disposição dos ele- - Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentá-
mentos descritivos: rios das partes que compõem o objeto, associados à expli-
cação de como as partes se agrupam para formar o todo.
Como se disse anteriormente, do ponto de vista da - Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um
progressão temporal, a ordem dos enunciados na descri- todo (externamente) - formato, dimensões, material, peso,
ção é indiferente, uma vez que eles indicam propriedades textura, cor e brilho.
ou características que ocorrem simultaneamente. No en- - Conclusão: observações de caráter geral referentes a
tanto, ela não é indiferente do ponto de vista dos efeitos sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o
de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do objeto em sua totalidade.
detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos
de sentido distintos. Descrição de ambientes:
Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio”, - Introdução: comentário de caráter geral.
de Bocage: - Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura glo-
bal do ambiente: paredes, janelas, portas, chão, teto, lumi-
Magro, de olhos azuis, carão moreno, nosidade e aroma (se houver).
bem servido de pés, meão de altura,
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a
triste de facha, o mesmo de figura,
objetos lá existentes: móveis, eletrodomésticos, quadros,
nariz alto no meio, e não pequeno.
esculturas ou quaisquer outros objetos.
Incapaz de assistir num só terreno, - Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira
mais propenso ao furor do que à ternura; no ambiente.
bebendo em níveas mãos por taça escura
de zelos infernais letal veneno. Descrição de paisagens:
- Introdução: comentário sobre sua localização ou
Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão, 1968, pág. qualquer outra referência de caráter geral.
497. - Desenvolvimento: observação do plano de fundo (ex-
plicação do que se vê ao longe).
O poeta descreve-se das características físicas para as - Desenvolvimento: observação dos elementos mais
características morais. Se fizesse o inverso, o sentido não próximos do observador - explicação detalhada dos ele-
seria o mesmo, pois as características físicas perderiam mentos que compõem a paisagem, de acordo com deter-
qualquer relevo. minada ordem.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Conclusão: comentários de caráter geral, concluin- Textos descritivos literários: Na descrição literária
do acerca da impressão que a paisagem causa em quem predomina o aspecto subjetivo, com ênfase no conjunto
a contempla. de associações conotativas que podem ser exploradas a
partir de descrições de pessoas; cenários, paisagens, espa-
Descrição de pessoas (I): ço; ambientes; situações e coisas. Vale lembrar que textos
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de descritivos também podem ocorrer tanto em prosa como
qualquer aspecto de caráter geral. em verso.
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso,
cor da pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca, voz, roupas). Dissertação
- Desenvolvimento: características psicológicas (perso-
nalidade, temperamento, caráter, preferências, inclinações, A dissertação é uma exposição, discussão ou interpre-
postura, objetivos).
tação de uma determinada ideia. É, sobretudo, analisar al-
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de
gum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica,
caráter geral.
raciocínio, clareza, coerência, objetividade na exposição,
Descrição de pessoas (II): um planejamento de trabalho e uma habilidade de expres-
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de são. É em função da capacidade crítica que se questionam
qualquer aspecto de caráter geral. pontos da realidade social, histórica e psicológica do mun-
- Desenvolvimento: análise das características físicas, do e dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação
associadas às características psicológicas (1ª parte). no seu significado diz respeito a um tipo de texto em que
- Desenvolvimento: análise das características físicas, a exposição de uma ideia, através de argumentos, é feita
associadas às características psicológicas (2ª parte). com a finalidade de desenvolver um conteúdo científico,
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de doutrinário ou artístico. Exemplo:
caráter geral.
Há três métodos pelos quais pode um homem chegar
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. a ser primeiro-ministro. O primeiro é saber, com prudência,
É uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de uma
predominam. Porque toda técnica descritiva implica con- irmã; o segundo, como trair ou solapar os predecessores; e
templação e apreensão de algo objetivo ou subjetivo, o o terceiro, como clamar, com zelo furioso, contra a corrup-
redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de sensi- ção da corte. Mas um príncipe discreto prefere nomear os
bilidade. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou
que se valem do último desses métodos, pois os tais faná-
interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza
ticos sempre se revelam os mais obsequiosos e subservien-
cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
tes à vontade e às paixões do amo. Tendo à sua disposição
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser todos os cargos, conservam-se no poder esses ministros
não-literária ou literária. Na descrição não-literária, há subordinando a maioria do senado, ou grande conselho,
maior preocupação com a exatidão dos detalhes e a pre- e, afinal, por via de um expediente chamado anistia (cuja
cisão vocabular. Por ser objetiva, há predominância da de- natureza lhe expliquei), garantem-se contra futuras pres-
notação. tações de contas e retiram-se da vida pública carregados
com os despojos da nação.
Textos descritivos não-literários: A descrição técnica Jonathan Swift. Viagens de Gulliver.
é um tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto usan- São Paulo, Abril Cultural, 1979, p. 234-235.
do uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é
usado para descrever aparelhos, o seu funcionamento, as Esse texto explica os três métodos pelos quais um ho-
peças que os compõem, para descrever experiências, pro- mem chega a ser primeiro-ministro, aconselha o príncipe
cessos, etc. Exemplo: discreto a escolhê-lo entre os que clamam contra a cor-
rupção na corte e justifica esse conselho. Observe-se que:
Folheto de propaganda de carro - o texto é temático, pois analisa e interpreta a realida-
de com conceitos abstratos e genéricos (não se fala de um
Conforto interno - É impossível falar de conforto sem
homem particular e do que faz para chegar a ser primeiro-
incluir o espaço interno. Os seus interiores são amplos,
ministro, mas do homem em geral e de todos os métodos
acomodando tranquilamente passageiros e bagagens. O
Passat e o Passat Variant possuem direção hidráulica e ar para atingir o poder);
condicionado de elevada capacidade, proporcionando a - existe mudança de situação no texto (por exemplo, a
climatização perfeita do ambiente. mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção da
Porta-malas - O compartimento de bagagens possui corte no momento em que se tornam primeiros-ministros);
capacidade de 465 litros, que pode ser ampliada para até - a progressão temporal dos enunciados não tem im-
1500 litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado. portância, pois o que importa é a relação de implicação
Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em (clamar contra a corrupção da corte implica ser corrupto
plástico reciclável e posicionado entre as rodas traseiras, depois da nomeação para primeiro-ministro).
para evitar a deformação em caso de colisão.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Características: - Citação: opinião de alguém de destaque sobre o as-


sunto do texto. Ex: “A principal característica do déspota
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das
temático; normas e das regras que definem a vida familiar, isto é, o
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de si- espaço privado. Seu poder, escreve Aristóteles, é arbitrário,
tuação; pois decorre exclusivamente de sua vontade, de seu prazer
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de e de suas necessidades.”
anterioridade e de posterioridade dos enunciados não têm
maior importância - o que importa são suas relações ló- - Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos
gicas: analogia, pertinência, causalidade, coexistência, cor- que compõem o texto.
respondência, implicação, etc.
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos - Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se
de redação. Já a estrutura, o conteúdo e a estilística pos- faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse entu-
suem características próprias a cada tipo de texto. siasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?”
 
São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvi- - Suspense: alguma informação que faça aumentar a
mento / Conclusão. curiosidade do leitor.

Introdução: em que se apresenta o assunto; se apre- - Comparação: social e geográfica.


senta a ideia principal, sem, no entanto, antecipar seu de-
senvolvimento. Tipos: - Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à
distância, velocidade, comunicação, linha de montagem,
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem dis- triunfo das massas, Holocausto: através das metáforas e
cutidos. Ex: “Cada criatura humana traz duas almas consi- das realidades que marcaram esses 100 últimos anos, apa-
rece a verdadeira doença do século...”
go: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de
fora para dentro...”
- Narração: narrar um fato.
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona
Desenvolvimento: é a argumentação da ideia inicial,
a um fato presente. Ex: “A crise econômica que teve início
de forma organizada e progressiva. É a parte maior e mais
no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices
importante do texto. Podem ser desenvolvidos de várias
de inflação que a década colecionou, agravou vários dos
formas:
históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência,
principalmente a urbana, cuja escalada tem sido facilmente - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova
identificada pela população brasileira.” com este tipo de abordagem.
- Proposição: o autor explicita seus objetivos. - Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar
a idéia principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a
- Convite: proposta ao leitor para que participe de al- definição.
guma coisa apresentada no texto. Ex: Você quer estar “na
sua”? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não - Comparação: estabelecer analogias, confrontar si-
entre pelo cano! Faça parte desse time de vencedores des- tuações distintas.
de a escolha desse momento!
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta
- Contestação: contestar uma idéia ou uma situação. pontos favoráveis e desfavoráveis.
Ex: “É importante que o cidadão saiba que portar arma de
fogo não é a solução no combate à insegurança.” - Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato
ou descrever uma cena.
- Características: caracterização de espaços ou aspec-
tos. - Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados es-
tatísticos.
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex:
“Em 1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com - Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para
televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque prováveis resultados.
de aparelhos receptores instalados do mundo). Ao todo,
existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar - Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve
programas) e 2.624 repetidoras (que apenas retransmitem apresentar questionamento e reflexão.
sinais recebidos). (...)”
- Refutação: questiona-se praticamente tudo: concei-
- Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato. tos, valores, juízos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Causa e Consequência: estruturar o texto através dos 1º Parágrafo – Introdução


porquês de uma determinada situação.
A. Tema: Desemprego no Brasil.
- Oposição: abordar um assunto de forma dialética. Contextualização: decorrência de um processo histó-
rico problemático.
- Exemplificação: dar exemplos.
2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento
Conclusão: é uma avaliação final do assunto, um fe-
chamento integrado de tudo que se argumentou. Para ela B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que
convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas. remetem a uma análise do tema em questão.
C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro
- Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese. dado da realidade.
D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade
- Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um de quem propõe soluções.
pensamento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição.
de quem lê.
7º Parágrafo: Conclusão
Exemplo: F. Uma possível solução é apresentada.
G. O texto conclui que desigualdade não se casa com
Direito de Trabalho modernidade.
Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um É bom lembrarmos que é praticamente impossível opi-
novo modelo econômico: o capitalismo, que até o século nar sobre o que não se conhece. A leitura de bons textos
XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje pas- é um dos recursos que permite uma segurança maior no
sou a agir por meio da exclusão. (A) momento de dissertar sobre algum assunto. Debater e pes-
A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo
quisar são atitudes que favorecem o senso crítico, essencial
o trabalho automático, devido à evolução tecnológica e a
no desenvolvimento de um texto dissertativo.
necessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca
o desemprego. Outro fator que também leva ao desempre-
Ainda temos:
go de um sem número de trabalhadores é a contenção de
despesas, de gastos. (B)
Tema: compreende o assunto proposto para discus-
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa cri-
são, o assunto que vai ser abordado.
se social que provém dessa automatização e qualificação,
obriga que seja feita uma lei, em que será dada absoluta
garantia aos trabalhadores, de que, mesmo que as empre- Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo
sas sejam automatizadas, não perderão eles seu mercado discutido.
de trabalho. (C)
Não é uma utopia?! Argumentação: é um conjunto de procedimentos lin-
Um exemplo vivo são os bóias-frias que trabalham na guísticos com os quais a pessoa que escreve sustenta suas
colheita da cana de açúcar que devido ao avanço tecnoló- opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É for-
gico e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o necer argumentos, ou seja, razões a favor ou contra uma
meio ambiente, proibindo a queima da cana de açúcar para determinada tese.
a colheita e substituindo-os então pelas máquinas, desem- Estes assuntos serão vistos com mais afinco posterior-
prega milhares deles. (D) mente.
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão
cursos de cabeleleiro, marcenaria, eletricista, para não per- Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são:
derem o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a
classe de trabalhos informais. - toda dissertação é uma demonstração, daí a necessi-
Como ficam então aqueles trabalhadores que passa- dade de pleno domínio do assunto e habilidade de argu-
ram à vida estudando, se especializando, para se diferen- mentação;
ciarem e ainda estão desempregados?, como vimos no úl- - em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao
timo concurso da prefeitura do Rio de Janeiro para “gari”, tema;
havia até advogado na fila de inscrição. (E) - a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos - impõem-se sempre o raciocínio lógico;
têm o direito de trabalho, cabe aos governantes desse país, - a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer
que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na demonstra-
processo de desníveis gritantes e criar soluções eficazes ção do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural,
para combater a crise generalizada (F), pois a uma nação original, nobre, correta gramaticalmente. O discurso deve
doente, miserável e desigual, não compete a tão sonhada ser impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa).
modernidade. (G)

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LÍNGUA PORTUGUESA

O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve apre- - Existem várias razões que levam um homem a enve-
sentar: uma frase contendo a ideia principal (frase nuclear) redar pelos caminhos do crime.
e uma ou mais frases que explicitem tal ideia. - A gravidez na adolescência é um problema seríssimo,
Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealizada porque pode trazer muitas consequências indesejáveis.
(ideia central) porque oculta os problemas sociais realmen- - O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua sobre-
te graves. (ideia secundária)”. vivência no mundo atual e vários são os tipos de lazer.
Vejamos: - O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas em
Ideia central: A poluição atmosférica deve ser comba- várias categorias.
tida urgentemente.
Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver atra-
Desenvolvimento: A poluição atmosférica deve ser vés da comparação, que confronta ideias, fatos, fenômenos e
combatida urgentemente, pois a alta concentração de ele- apresenta-lhes a semelhança ou dessemelhança.
mentos tóxicos põe em risco a vida de milhares de pessoas,
sobretudo daquelas que sofrem de problemas respirató- Exemplo:
rios:
“A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a
- A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem velhice, pelo contrário, é dominada por um vago e persistente
levado muita gente ao vício. sentimento de dor, porque já estamos nos convencendo de
- A televisão é um dos mais eficazes meios de comuni- que a felicidade é uma ilusão, que só o sofrimento é real”.
cação criados pelo homem. (Arthur Schopenhauer)
- A violência tem aumentado assustadoramente nas ci-
dades e hoje parece claro que esse problema não pode ser Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes,
resolvido apenas pela polícia. encontra no seu desenvolvimento um segmento causal (fato
- O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise motivador) e, em outras situações, um segmento indicando
atualmente. consequências (fatos decorrentes).
- O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a Exemplos:
sociedade brasileira.
- O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanidade
O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras: que abriga em si, porque os seus olhos teimam apenas em ver
as coisas imediatistas e lucrativas que o rodeiam.
Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma
série de coisas, uma a uma. Presta-se bem à indicação de - O espírito competitivo foi excessivamente exercido en-
características, funções, processos, situações, sempre ofe- tre nós, de modo que hoje somos obrigados a viver numa
recendo o complemente necessário à afirmação estabele- sociedade fria e inamistosa.
cida na frase nuclear. Pode-se enumerar, seguindo-se os
critérios de importância, preferência, classificação ou alea- Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos marcam
toriamente. temporal e espacialmente a evolução de ideias, processos.
Exemplos:
Exemplo:
Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma
1- O adolescente moderno está se tornando obeso por lenta evolução. Primeiro, o homem aprendeu a grunhir. De-
várias causas: alimentação inadequada, falta de exercícios pois deu um significado a cada grunhido. Muito depois, in-
sistemáticos e demasiada permanência diante de compu- ventou a escrita e só muitos séculos mais tarde é que passou
tadores e aparelhos de Televisão. à comunicação de massa.
Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas úmi-
2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é gran- dos, os solos são profundos. Existe nessas regiões uma forte
de o número de emissoras que dedicam parte da sua pro- decomposição de rochas, isto é, uma forte transformação da
gramação à veiculação de programas religiosos de crenças rocha em terra pela umidade e calor. Nas regiões temperadas
variadas. e ainda nas mais frias, a camada do solo é pouco profunda.
(Melhem Adas)
3-
- A Santa Missa em seu lar. Explicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se con-
- Terço Bizantino. ceituar, exemplificar e aclarar as ideias para torná-las mais
- Despertar da Fé. compreensíveis.
- Palavra de Vida. Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente
- Igreja da Graça no Lar. do coração para irrigar os tecidos. Exceto no cordão umbilical
e na ligação entre os pulmões e o coração, todas as artérias
4- contém sangue vermelho-vivo, recém oxigenado. Na arté-
- Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o ria pulmonar, porém, corre sangue venoso, mais escuro e
governo brasileiro diante de tantos desmatamentos, dese- desoxigenado, que o coração remete para os pulmões para
quilíbrios sociológicos e poluição. receber oxigênio e liberar gás carbônico”.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação, Argumento tem uma origem curiosa: vem do latim Ar-
deve delimitar-se o tema que será desenvolvido e que po- gumentum, que tem o tema ARGU, cujo sentido primeiro é
derá ser enfocado sob diversos aspectos. Se, por exemplo, “fazer brilhar”, “iluminar”, a mesma raiz de “argênteo”, “ar-
o tema é a questão indígena, ela poderá ser desenvolvida a gúcia”, “arguto”. Os argumentos de um texto são facilmente
partir das seguintes ideias: localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta por quê?
Exemplo: o autor é contra a pena de morte (tese). Por que...
- A violência contra os povos indígenas é uma constan- (argumentos).
te na história do Brasil.
- O surgimento de várias entidades de defesa das po- Estratégias argumentativas são todos os recursos
pulações indígenas. (verbais e não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ou-
- A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio vinte, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para
brasileiro. persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc.
- A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena.
A Estrutura de um Texto Argumentativo
Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver,
deve fazer a estruturação do texto. A argumentação Formal

A estrutura do texto dissertativo constitui-se de: A nomenclatura é de Othon Garcia, em sua obra “Co-
municação em Prosa Moderna”. O autor, na mencionada
Introdução: deve conter a ideia principal a ser desen- obra, apresenta o seguinte plano-padrão para o que cha-
volvida (geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura ma de argumentação formal:
do texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar
a atenção para dois itens básicos: os objetivos do texto e o Proposição (tese): afirmativa suficientemente definida
plano do desenvolvimento. Contém a proposição do tema, e limitada; não deve conter em si mesma nenhum argu-
mento.
seus limites, ângulo de análise e a hipótese ou a tese a ser
defendida.
Análise da proposição ou tese: definição do sentido
da proposição ou de alguns de seus termos, a fim de evitar
Desenvolvimento: exposição de elementos que vão
mal-entendidos.
fundamentar a ideia principal que pode vir especificada
através da argumentação, de pormenores, da ilustração,
Formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados
da causa e da consequência, das definições, dos dados es-
estatísticos, testemunhos, etc.
tatísticos, da ordenação cronológica, da interrogação e da
citação. No desenvolvimento são usados tantos parágrafos Conclusão.
quantos forem necessários para a completa exposição da
ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados das cinco Observe o texto a seguir, que contém os elementos re-
maneiras expostas acima. feridos do plano-padrão da argumentação formal.
Conclusão: é a retomada da ideia principal, que ago- Gramática e desempenho Linguístico
ra deve aparecer de forma muito mais convincente, uma
vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento Pretende-se demonstrar no presente artigo que o es-
da dissertação (um parágrafo). Deve, pois, conter de forma tudo intencional da gramática não traz benefícios signifi-
sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação cativos para o desempenho linguístico dos utentes de uma
da hipótese ou da tese, acrescida da argumentação básica língua.
empregada no desenvolvimento. Por “estudo intencional da gramática” entende-se o
estudo de definições, classificações e nomenclatura; a rea-
Texto Argumentativo lização de análises (fonológica, morfológica, sintática); a
memorização de regras (de concordância, regência e colo-
Texto Argumentativo é o texto em que defendemos cação) - para citar algumas áreas. O “desempenho linguís-
uma ideia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procuran- tico”, por outro lado, é expressão técnica definida como
do (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor sendo o processo de atualização da competência na pro-
aceite-a, creia nela. Num texto argumentativo, distinguem- dução e interpretação de enunciados; dito de maneira mais
se três componentes: a tese, os argumentos e as estraté- simples, é o que se fala, é o que se escreve em condições
gias argumentativas. reais de comunicação.
A polêmica pró-gramática x contra gramática é bem
Tese, ou proposição, é a ideia que defendemos, neces- antiga; na verdade, surgiu com os gregos, quando surgi-
sariamente polêmica, pois a argumentação implica diver- ram as primeiras gramáticas. Definida como “arte”, “arte
gência de opinião. de escrever”, percebe-se que subjaz à definição a ideia da
sua importância para a prática da língua. São da mesma

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LÍNGUA PORTUGUESA

época também as primeiras críticas, como se pode ler em Finalmente pode-se invocar mais um argumento, lem-
Apolônio de Rodes, poeta Alexandrino do séc. II a.C.: “Raça brando que são os gramáticos, os linguistas - como es-
de gramáticos, roedores que ratais na musa de outrem, es- pecialistas das línguas - as pessoas que conhecem mais a
túpidas lagartas que sujais as grandes obras, ó flagelo dos fundo a estrutura e o funcionamento dos códigos linguís-
poetas que mergulhais o espírito das crianças na escuridão, ticos. Que se esperaria, de fato, se houvesse significativa
ide para o diabo, percevejos que devorais os versos belos”. influência do conhecimento teórico da língua sobre o de-
Na atualidade, é grande o número de educadores, filó- sempenho? A resposta é óbvia: os gramáticos e os linguis-
logos e linguistas de reconhecido saber que negam a rela- tas seriam sempre os melhores escritores. Como na prática
ção entre o estudo intencional da gramática e a melhora do isso realmente não acontece, fica provada uma vez mais a
desempenho linguístico do usuário. Entre esses especialis- tese que se vem defendendo.
tas, deve-se mencionar o nome do Prof. Celso Pedro Luft Vale também o raciocínio inverso: se a relação fosse
com sus obra “Língua e liberdade: por uma nova concepção significativa, deveriam os melhores escritores conhecer -
de língua materna e seu ensino” (L&PM, 1995). Com efeito, teoricamente - a língua em profundidade. Isso, no entanto,
o velho pesquisar apaixonado pelos problemas da língua, não se confirma na realidade: Monteiro Lobato, quando es-
teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística, tudante, foi reprovado em língua portuguesa (muito prova-
reúne numa mesma obra convincente fundamentação para velmente por desconhecer teoria gramatical); Machado de
seu combate veemente contra o ensino da gramática em Assis, ao folhar uma gramática declarou que nada havia en-
sala de aula. Por oportuno, uma citação apenas: tendido; dificilmente um Luis Fernando Veríssimo saberia o
“Quem sabe, lendo este livro muitos professores talvez que é um morfema; nem é de se crer que todos os nossos
abandonem a superstição da teoria gramatical, desistindo bons escritores seriam aprovados num teste de Português
de querer ensinar a língua por definições, classificações, à maneira tradicional (e, no entanto eles são os senhores
análises inconsistentes e precárias hauridas em gramáticas. da língua!).
Já seria um grande benefício”. Portanto, não há como salvar o ensino da língua, como
Deixando-se de lado a perspectiva teórica do Mestre, recuperar linguisticamente os alunos, como promover um
acima referida suponha-se que se deva recuperar linguisti- melhor desempenho linguístico mediante o ensino-estudo
camente um jovem estudante universitário cujo texto apre- da teoria gramatical. O caminho é seguramente outro.
sente preocupantes problemas de concordância, regência,
colocação, ortografia, pontuação, adequação vocabular, Gilberto Scarton
coesão, coerência, informatividade, entre outros. E, esti-
mando-lhe melhoras, lhe fosse dada uma gramática que
Eis o esquema do texto em seus quatro estágios:
ele passaria a estudar: que é fonética? Que é fonologia?
Que é fonemas? Morfema? Qual é coletivo de borboleta?
Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se
O feminino de cupim? Como se chama quem nasce na
enuncia claramente a tese a ser defendida.
Província de Entre-Douro-e-Minho? Que é oração subor-
dinada adverbial concessiva reduzida de gerúndio? E de-
Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se de-
corasse regras de ortografia, fizesse lista de homônimos,
finem as expressões “estudo intencional da gramática” e
parônimos, de verbos irregulares... e estudasse o plural de
“desempenho lingüístico”, citadas na tese.
compostos, todas regras de concordância, regências... os
casos de próclise, mesóclise e ênclise. E que, ao cabo de
todo esse processo, se voltasse a examinar o desempenho Terceiro Estágio: terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo
do jovem estudante na produção de um texto. A melhora e oitavo parágrafos, em que se apresentam os argumentos.
seria, indubitavelmente, pouco significativa; uma pequena - Terceiro parágrafo: parágrafo introdutório à argu-
melhora, talvez, na gramática da frase, mas o problema de mentação.
coesão, de coerência, de informatividade - quem sabe os - Quarto parágrafo: argumento de autoridade.
mais graves - haveriam de continuar. Quanto mais não seja - Quinto parágrafo: argumento com base em ilustração
porque a gramática tradicional não dá conta dos mecanis- hipotética.
mos que presidem à construção do texto. - Sexto parágrafo: argumento com base em dados es-
Poder-se-á objetar que a ilustração de há pouco é ape- tatísticos.
nas hipotética e que, por isso, um argumento de pouco - Sétimo e oitavo parágrafo: argumento com base em
valor. Contra argumentar-se-ia dizendo que situação como fatos.
essa ocorre de fato na prática. Na verdade, todo o ensino
de 1° e 2° graus é gramaticalista, descritivista, definitório, Quarto Estágio: último parágrafo, em que se apresen-
classificatório, nomenclaturista, prescritivista, teórico. O re- ta a conclusão.
sultado? Aí estão as estatísticas dos vestibulares. Valendo
40 pontos a prova de redação, os escores foram estes no A Argumentação Informal
vestibular 1996/1, na PUC-RS: nota zero: 10% dos candida-
tos, nota 01: 30%; nota 02: 40%; nota 03: 15%; nota 04: 5%. A nomenclatura também é de Othon Garcia, na obra já
Ou seja, apenas 20% dos candidatos escreveram um texto referida. A argumentação informal apresenta os seguintes
que pode ser considerado bom. estágios:

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Citação da tese adversária. A própria independência do parlamento sucumbiria in-


- Argumentos da tese adversária. tegralmente frente à possibilidade de inobservância e des-
- Introdução da tese a ser defendida. consideração de suas deliberações.
- Argumentos da tese a ser defendida. Ou seja, nada restaria, de cunho democrático, em nos-
- Conclusão. sa civilização.
Já o Poder Judiciário, a quem legitimamente compete
Observe o texto exemplar de Luís Alberto Thompson fiscalizar a constitucionalidade e legalidade dos atos dos
Flores Lenz, Promotor de Justiça. demais poderes do Estado, praticamente aniquilaria as
atribuições destes, ditando a eles, a todo momento, como
Considerações sobre justiça e equidade proceder.
Nada mais é preciso dizer para demonstrar o desacerto
Hoje, floresce cada vez mais, no mundo jurídico a aca- dessa concepção.
dêmico nacional, a ideia de que o julgador, ao apreciar os Entretanto, a defesa desse entendimento demonstra,
caos concretos que são apresentados perante os tribunais, sem sombra de dúvidas, o desconhecimento do próprio
deve nortear o seu proceder mais por critérios de justiça e conceito de justiça, incorrendo inclusive numa contradictio
equidade e menos por razões de estrita legalidade, no in- in adjecto.
Isto porque, e como magistralmente o salientou o insu-
tuito de alcançar, sempre, o escopo da real pacificação dos
perável Calamandrei, “a justiça que o juiz administra é, no
conflitos submetidos à sua apreciação.
sistema da legalidade, a justiça em sentido jurídico, isto é,
Semelhante entendimento tem sido sistematicamente
no sentido mais apertado, mas menos incerto, da confor-
reiterado, na atualidade, ao ponto de inúmeros magistra- midade com o direito constituído, independentemente da
dos simplesmente desprezarem ou desconsiderarem de- correspondente com a justiça social”.
terminados preceitos de lei, fulminando ditos dilemas le- Para encerrar, basta salientar que a eleição dos meios
gais sob a pecha de injustiça ou inadequação à realidade concretos de efetivação da Justiça social compete, funda-
nacional. mentalmente, ao Legislativo e ao Executivo, eis que seus
Abstraída qualquer pretensão de crítica ou censura membros são indicados diretamente pelo povo.
pessoal aos insignes juízes que se filiam a esta corrente, Ao Judiciário cabe administrar a justiça da legalidade,
alguns dos quais reconhecidos como dos mais brilhantes adequando o proceder daqueles aos ditames da Constitui-
do país, não nos furtamos, todavia, de tecer breves consi- ção e da Legislação.
derações sobre os perigos da generalização desse enten- Luís Alberto Thompson Flores Lenz
dimento.
Primeiro, porque o mesmo, além de violar os preceitos Eis o esquema do texto em seus cinco estágios;
dos arts. 126 e 127 do CPC, atenta de forma direta e frontal
contra os princípios da legalidade e da separação de pode- Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se cita
res, esteio no qual se assenta toda e qualquer ideia de de- a tese adversária.
mocracia ou limitação de atribuições dos órgãos do Estado.
Isso é o que salientou, e com a costumeira maestria, o Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se cita
insuperável José Alberto dos Reis, o maior processualista um argumento da tese adversária “... fulminando ditos dile-
português, ao afirmar que: “O magistrado não pode so- mas legais sob a pecha de injustiça ou inadequação à rea-
brepor os seus próprios juízos de valor aos que estão en- lidade nacional”.
carnados na lei. Não o pode fazer quando o caso se acha
previsto legalmente, não o pode fazer mesmo quando o Terceiro Estágio: terceiro parágrafo, em que se intro-
caso é omisso”. duz a tese a ser defendida.
Aceitar tal aberração seria o mesmo que ferir de morte
Quarto Estágio: do quarto ao décimo quinto, em que
qualquer espécie de legalidade ou garantia de soberania
se apresentam os argumentos.
popular proveniente dos parlamentos, até porque, na lúci-
da visão desse mesmo processualista, o juiz estaria, nessa
Quinto Estágio: os últimos dois parágrafos, em que
situação, se arvorando, de forma absolutamente espúria, se conclui o texto mediante afirmação que salienta o que
na condição de legislador. ficou dito ao longo da argumentação.
A esta altura, adotando tal entendimento, estaria insti-
tucionalizada a insegurança social, sendo que não haveria Texto Injuntivo/Instrucional
mais qualquer garantia, na medida em que tudo estaria ao
sabor dos humores e amores do juiz de plantão. No texto injuntivo-instrucional, o leitor recebe orien-
De nada adiantariam as eleições, eis que os represen- tações precisas no sentido de efetuar uma transformação.
tantes indicados pelo povo não poderiam se valer de sua É marcado pela presença de tempos e modos verbais que
maior atribuição, ou seja, a prerrogativa de editar as leis. apresentam um valor diretivo. Este tipo de texto distingue-
Desapareceriam também os juízes de conveniência e se de uma sequencia narrativa pela ausência de um sujeito
oportunidade política típicos dessas casas legislativas, na responsável pelas ações a praticar e pelo caráter diretivo
medida em que sempre poderiam ser afastados por uma dos tempos e modos verbais usado e uma sequência des-
esfera revisora excepcional. critiva pela transformação desejada.

19
LÍNGUA PORTUGUESA

Nota: Uma frase injuntiva é uma frase que exprime Texto organizado em itens:
uma ordem, dada ao locutor, para executar (ou não exe-
cutar) tal ou tal ação. As formas verbais específicas destas Para economizar nas compras
frases estão no modo injuntivo e o imperativo é uma das
formas do injuntivo. Quem deseja economizar ao comprar deve:
- estabelecer um valor máximo para gastar;
Textos Injuntivo-Instrucionais: Instruções de monta- - escolher previamente aquilo que deseja comprar an-
gem, receitas, horóscopos, provérbios, slogans... são textos tes de ir à loja ou entrar em sites de compra;
que incitam à ação, impõem regras; textos que fornecem - pesquisar os preços em diferentes lojas e sites, se
instruções. São orientados para um comportamento futuro possível;
do destinatário. - não se deixar levar completamente pelas sugestões
dos vendedores nem pelos apelos das propagandas;
Texto Injuntivo - A necessidade de explicar e orien- - optar pela forma de pagamento mais cômoda, sem
tar por escrito o modo de realizar determinados procedi- se esquecer de que o uso do cartão de crédito exige certa
mentos, manipular instrumentos, desenvolver atividades cautela e planejamento.
lúdicas e desempenhar algumas funções profissionais, por Do mais, é só ir às compras e aproveitar!
exemplo, deu origem aos chamados textos injuntivos, nos
quais prevalece a função apelativa da linguagem, criando- Texto organizado em períodos:
se uma relação direta com o receptor. É comum aos textos
dessa natureza o uso dos verbos no imperativo (Abra o ca- Para economizar nas compras
derno de questões) ou no infinitivo (É preciso abrir o cader-
no de questões, verificar o número de alternativas...). Não Para economizar ao comprar, primeiramente estabe-
apresenta caráter coercitivo, haja vista que apenas induz leça um valor máximo para gastar e então escolha pre-
o interlocutor a proceder desta ou daquela forma. Assim, viamente aquilo que deseja comprar antes de ir à loja ou
torna-se possível substituir um determinado procedimento entrar em sites de compra. Se possível, pesquise os preços
em função de outro, como é o caso do que ocorre com em diferentes lojas e sites; não se deixe levar completa-
os ingredientes de uma receita culinária, por exemplo. São mente pelas sugestões dos vendedores nem pelos apelos
exemplos dessa modalidade: das propagandas e opte pela forma de pagamento mais
- A mensagem revelada pela maioria dos livros de au- cômoda: não se esqueça de que o uso do cartão de crédito
toajuda; exige certa cautela e planejamento.
- O discurso manifestado mediante um manual de ins- Do mais, aproveite as compras!
truções;
- As instruções materializadas por meio de uma receita Observe que, embora ambos os textos tratem do mes-
culinária. mo assunto, o segundo é uma adaptação do primeiro:
tanto o modo verbal quanto a pontuação sofreram alte-
Texto Instrucional - o texto instrucional é um tipo de rações; além disso, algumas palavras foram omitidas e ou-
texto injuntivo, didático, que tem por objetivo justamen- tras acrescentadas. Isso ocorreu para que o aspecto instru-
te apresentar orientações ao receptor para que ele realize cional, conferido pelos itens do primeiro exemplo, não se
determinada atividade. Como as palavras do texto serão perdesse no segundo texto, o qual, sem essas adaptações,
transformadas em ações visando a um objetivo, ou seja, passaria a impressão de ser um mero texto expositivo.
algo deverá ser concretizado, é de suma importância que
nele haja clareza e objetividade. Dependendo do que se
trata, é imprescindível haver explicações ou enumerações GÊNEROS TEXTUAIS
em que estejam elencados os materiais a serem utilizados,
bem como os itens de determinados objetos que serão Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio-
manipulados. Por conta dessas características, é necessário nadas entre si, formando um todo significativo capaz de
um título objetivo. Quanto à pontuação, frequentemente produzir interação comunicativa (capacidade de codificar
empregam-se dois pontos, vírgulas e pontos e vírgulas. É e decodificar).
possível separar as orientações por itens ou de modo coe-
so, por meio de períodos. Alguns textos instrucionais pos- Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
suem subtítulos separando em tópicos as instruções, basta Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz
reparar nas bulas de remédios, manuais de instruções e ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con-
receitas. Pelo fato de o espaço destinado aos textos instru- dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido.
cionais geralmente não ser muito extenso, recomenda-se o A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que
uso de períodos. Leia os exemplos. o relacionamento entre as frases é tão grande, que, se uma
frase for retirada de seu contexto original e analisada se-
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele
inicial.

20
LÍNGUA PORTUGUESA

Intertexto - comumente, os textos apresentam refe- Assim estava Lépida, uma cidade muito alegre que no
rências diretas ou indiretas a outros autores através de ci- passado fora reconhecida pela leveza e agilidade de seus
tações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. habitantes. Todos muito fortes, andavam, corriam e nada-
vam pelos seus limpos canais.
Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma Até que chegou um terrível pirata à procura da riqueza
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia do lugar. Para dominar Lépida, roubou de um mago um
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, elixir paralisante e despejou no principal rio. Após beberem
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, a água, os habitantes ficaram muito lentos, tão lentos que
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas não conseguiram impedir a maldade do terrível pirata. Seu
na prova. povo nunca mais foi o mesmo. Lépida foi roubada em seu
maior tesouro e permaneceu estagnada por muitos anos.
Textos Ficcionais e Não Ficcionais Um dia nasceu um menino, que foi chamado de Zim. O
único entre tantos que ficou livre da maldição que passara
Os textos não ficcionais baseiam-se na realidade, e os de geração em geração. Diferente de todos, era muito ágil
ficcionais inventam um mundo, onde os acontecimentos e, ao crescer, saiu em busca de uma solução. Encontrou
ocorrem coerentemente com o que se passa no enredo da pelo caminho bruxas de olhar feroz, gigantes de três, cinco
história. e sete cabeças, noites escuras, dias de chuva, sol intenso.
Zim tudo enfrentou.
Ficcionais: Conto; Crônica; Romance; Poemas; História E numa noite morna, ao deitar-se em sua cama de fo-
em Quadrinhos. lhas, viu ao seu lado um velho de olhos amarelos e brilhan-
tes. Era o mago que havia sido roubado pelo pirata muitos
Não Ficcionais: anos antes. Zim ficou apreensivo. Mas o velho mago (que
tudo sabia) deu-lhe um frasco. Nele havia um antídoto e
- Jornalísticos: notícia, editorial, artigos, cartas e tex- Zim compreendeu o que deveria fazer. Despejou o líquido
tos de divulgação científica.
no rio de sua cidade.
Lépida despertou diferente naquela manhã. Um copo
- Instrucionais: didáticos, resumos, receitas, catálogos,
de água aqui, um banho ali e eram novamente braços que
índices, listas, verbetes em geral, bulas e notas explicativas
se mexiam, pernas que corriam, saltos e sorrisos. E a dança
de embalagens.
das sapatilhas cor-de-rosa.
(Carla Caruso)
- Epistolares: bilhetes, cartas familiares e cartas for-
mais.
CRÔNICA
- Administrativos: requerimentos, ofícios e etc.
Em jornais e revistas, há textos normalmente assinados
FICCIONAIS por um escritor de ficção ou por uma pessoa especializada
em determinada área (economia, gastronomia, negócios,
CONTO entre outras) que escreve com periodicidade para uma se-
ção (por exemplo, todos os domingos para o Caderno de
É um gênero textual que apresenta um único conflito, Economia). Esses textos, conhecidos como crônicas, são
tomado já próximo do seu desfecho. Encerra uma história curtos e em geral predominantemente narrativos, podendo
com poucas personagens, e também tempo e espaço redu- apresentar alguns trechos dissertativos. Exemplo:
zido. A linguagem pode ser formal ou informal. É uma obra
de ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, A luta e a lição
de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção,
o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vis- Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no
ta e enredo. Classicamente, diz-se que o conto se define Tibete após escalar pela segunda vez o ponto culminante
pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de
romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve um cilindro de oxigênio para suportar a altura. Na segunda
uma história e tem apenas um clímax. Exemplo: (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral,
que era considerado ótimo. As façanhas dele me emocio-
Lépida naram, a bem sucedida e a malograda. Aqui do meu canto,
temendo e tremendo toda a vez que viajo no bondinho do
Tudo lento, parado, paralisado. Pão de Açúcar, fico meditando sobre os motivos que levam
- Maldição! - dizia um homem que tinha sido o melhor alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume
corredor daquele lugar. mais alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a escalada
- Que tristeza a minha - lamentava uma pequena baila- sem a ajuda do oxigênio suplementar. O que leva um ser
rina, olhando para as suas sapatilhas cor-de-rosa. humano bem sucedido a vencer desafios assim?

21
LÍNGUA PORTUGUESA

Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a hu- Soneto do amigo


manidade. Se cada um repetisse meu exemplo, ficando so-
lidamente instalado no chão, sem tentar a aventura, ainda Enfim, depois de tanto erro passado
estaríamos nas cavernas, lascando o fogo com pedras, co- Tantas retaliações, tanto perigo
mendo animais crus e puxando nossas mulheres pelos ca- Eis que ressurge noutro o velho amigo
belos, como os trogloditas - se é que os trogloditas faziam Nunca perdido, sempre reencontrado.
isso. Somos o que somos hoje devido a heróis que trocam
a vida pelo risco. Bem verdade que escalar montanhas, em É bom sentá-lo novamente ao lado
si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que Com olhos que contêm o olhar antigo
prefere ficar na cômoda planície da segurança. Sempre comigo um pouco atribulado
Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura E como sempre singular comigo.
de Vítor Negrete é a aspiração de ir mais longe, de superar Um bicho igual a mim, simples e humano
marcas, de ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até Sabendo se mover e comover
que ponto ele foi temerário ao recusar o oxigênio suple- E a disfarçar com o meu próprio engano.
mentar. Mas seu exemplo - e seu sacrifício - é uma lição de
luta, mesmo sendo uma luta perdida. O amigo: um ser que a vida não explica
(Autor: Carlos Heitor Cony. Que só se vai ao ver outro nascer
Publicado na Folha Online) E o espelho de minha alma multiplica...

Vinicius de Moraes
ROMANCE
HISTÓRIA EM QUADRINHOS
O termo romance pode referir-se a dois gêneros literá-
rios. O primeiro deles é uma composição poética popular, As primeiras manifestações das Histórias em Quadri-
histórica ou lírica, transmitida pela tradição oral, sendo ge- nhos surgiram no começo do século XX, na busca de novos
ralmente de autor anônimo; corresponde aproximadamen- meios de comunicação e expressão gráfica e visual. Entre
te à balada medieval. E como forma literária moderna, o os primeiros autores das histórias em quadrinhos estão o
termo designa uma composição em prosa. Todo Romance suíço Rudolph Töpffer, o alemão Wilhelm Bush, o francês
se organiza a partir de uma trama, ou seja, em torno dos Georges, e o brasileiro Ângelo Agostini. A origem dos ba-
acontecimentos que são organizados em uma sequência lões presentes nas histórias em quadrinhos pode ser atri-
temporal. A linguagem utilizada em um Romance é muito buída a personagens, observadas em ilustrações europeias
variável, vai depender de quem escreve, de uma boa dife- desde o século XIV.
renciação entre linguagem escrita e linguagem oral e prin- As histórias em quadrinhos começaram no Brasil no
cipalmente do tipo de Romance. século XIX, adotando um estilo satírico conhecido como
Quanto ao tipo de abordagem o Romance pode ser: cartuns, charges ou caricaturas e que depois se estabelece-
Urbano, Regionalista, Indianista e Histórico. E quanto à ria com as populares tiras. A publicação de revistas próprias
época ou Escola Literária, o Romance pode ser: Romântico, de histórias em quadrinhos no Brasil começou no início do
Realista, Naturalista e Modernista. século XX também. Atualmente, o estilo cômicos dos super
-heróis americanos é o predominante, mas vem perdendo
POEMA espaço para uma expansão muito rápida dos quadrinhos
japoneses (conhecidos como Mangá).
Um poema é uma obra literária geralmente apresen- A leitura interpretativa de Histórias em Quadrinhos, as-
tada em versos e estrofes (ainda que possa existir prosa sim como de charges, requer uma construção de sentidos
poética, assim designada pelo uso de temas específicos e que, para que ocorra, é necessário mobilizar alguns proces-
de figuras de estilo próprias da poesia). Efetivamente, exis- sos de significação, como a percepção da atualidade, a re-
te uma diferença entre poesia e poema. Segundo vários presentação do mundo, a observação dos detalhes visuais
autores, o poema é um objeto literário com existência ma- e/ou linguísticos, a transformação de linguagem conota-
tiva (sentido mais usual) em denotativa (sentido amplifi-
terial concreta, a poesia tem um carácter imaterial e trans-
cado pelo contexto, pelos aspetos socioculturais etc). Em
cendente. Fortemente relacionado com a música, beleza e
suma, usa-se o conhecimento da realidade e de processos
arte, o poema tem as suas raízes históricas nas letras de
linguísticos para “inverter” ou “subverter” produzindo, as-
acompanhamento de peças musicais. Até a Idade Média,
sim, sentidos alternativos a partir de situações extremas.
os poemas eram cantados. Só depois o texto foi separado Exemplo:
do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo
tem uma grande importância. Um poema também faz par-
te de um sarau (reuniões em casas particulares para expres-
sar artes, canções, poemas, poesias etc). Obra em verso em
que há poesia. Exemplo:

22
LÍNGUA PORTUGUESA

Observe a tirinha em quadrinhos do Calvin: A notícia usa uma linguagem formal, que segue a nor-
ma culta da língua. A ordem direta, a voz ativa, os verbos de
ação e as frases curtas permitem fluir as ideias. É preferível
a linguagem acessível e simples. Evite gírias, termos colo-
quiais e frases intercaladas.
Os fatos, em geral, são apresentados de forma impes-
soal e escritos em 3ª pessoa, com o predomínio da função
referencial, já que esse texto visa à informação.
A falta de tempo do leitor exige a seleção das informa-
ções mais relevantes, vocabulário preciso e termos espe-
cíficos que o ajudem a compreender melhor os fatos. Em
jornais ou revistas impressos ou on-line, e em programas
de rádio ou televisão, a informação transmitida pela notícia
precisa ser verídica, atual e despertar o interesse do leitor.

O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho EDITORIAL


de sua autoria pela exorbitante quantia de 500 dólares. Ele
optou por valorizar o desenho, mostrando todas as habi- Os editoriais são textos de um jornal em que o conteú-
lidades conquistadas para conseguir produzi-lo. O pai, no do expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe
último quadrinho, reconhece o empenho do filho, utilizan- de redação, sem a obrigação de ter alguma imparcialida-
do-se de um conector de concessão (“Ainda assim”), valo- de ou objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam
rizando a importância de tudo aquilo. Contudo, afirma que um espaço predeterminado para os editoriais em duas ou
não pagaria o valor pedido (como se dissesse: “sim, filho, mais colunas logo nas primeiras páginas internas. Os boxes
foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por isso!”). (quadros) dos editoriais são normalmente demarcados com
A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso uma borda ou tipografia diferente para marcar claramente
“maduro” em relação ao seu desenvolvimento cognitivo e que aquele texto é opinativo, e não informativo. Exemplo:
motor nos dois primeiros quadrinhos e, somente depois,
ficar claro para nós, leitores, que toda a força argumenta- Cidade paraibana é exemplo ao País
tiva foi em prol da cobrança pelo desenho que ele mes-
Em tempos em que estudantes escrevem receita de
mo fez. Em outras palavras, o personagem empenha-se
macarrão instantâneo e transcrevem hino de clube de fu-
na construção de um raciocínio em prol de uma finalidade
tebol na redação do Exame Nacional do Ensino Médio e
absurda – o que nos faz sorrir no último quadrinho, já que
ainda obtém nota máxima no teste, uma boa notícia vem
é somente nele que conseguimos “completar” o sentido.
de uma pequena cidade no interior da Paraíba chamada
Claro, se você conhece os quadrinhos do Calvin, sabe que
Paulista, de cerca de 12 mil habitantes. Alunos da Escola
ele tem apenas 6 anos, o que torna tudo ainda mais hilário,
Municipal Cândido de Assis Queiroga obtiveram destaque
mas a falta deste conhecimento não prejudica em nada a nas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática
interpretação textual. das Escolas Públicas.
O segredo é absolutamente simples, e quem explica é
NÃO FICCIONAIS - JORNALÍSTICOS a professora Jonilda Alves Ferreira: a chave é ensinar Ma-
temática através de atividades do cotidiano, como fazer
NOTÍCIA compras na feira ou medir ingredientes para uma receita.
Com essas ações práticas, na edição de 2012 da Olimpíada,
O principal objetivo da notícia é levar informação atual a escola conquistou nada menos do que cinco medalhas de
a um público específico. A notícia conta o que ocorreu, ouro, duas de prata, três de bronze e 12 menções honro-
quando, onde, como e por quê. Para verificar se ela está sas. Orgulhosa, a professora conta que se sentia triste com
bem elaborada, o emissor deve responder às perguntas: a repulsa dos estudantes aos números, e teve a ideia de
O quê? (fato ou fatos); Quando? (tempo); Onde? (local); pô-los para vivenciar a Matemática em suas vidas, aproxi-
Como? (de que forma) e Por quê? (causas). A notícia apre- mando-os da disciplina.
senta três partes: O que parecia ser um grande desafio tornou-se rea-
lidade e, hoje, a cidade inteira orgulha-se de seus filhos
- Manchete (ou título principal) – resume, com obje- campeões olímpicos. Os estudantes paraibanos devem ser
tividade, o assunto da notícia. Essa frase curta e de impac- exemplo para todo o País, que anda precisando, sim, de
to, em geral, aparece em letras grandes e destacadas. modelos a se inspirar. O Programa Internacional de Ava-
- Lide (ou lead) – complementa o título principal, liação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês) – o mais
fornecendo as principais informações da notícia. Como a sério teste internacional para avaliar o desempenho esco-
manchete, sua função é despertar a atenção do leitor para lar e coordenado pela Organização para a Cooperação e
o texto. Desenvolvimento Econômico – continua sendo implacável
- Corpo – contém o desenvolvimento mais amplo e de- com o Brasil. No exame publicado de 2012, o País aparece
talhado dos fatos. na incômoda penúltima posição entre 40 países avaliados.

23
LÍNGUA PORTUGUESA

O teste aponta que o aprendizado de Matemática, Lei- TEXTOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA


tura e Ciências durante o ciclo fundamental é sofrível, e
perdemos para países como Colômbia, Tailândia e México. Sua finalidade discursiva pauta-se pela divulgação de
Já passa da hora de as autoridades melhorarem a gestão conhecimentos acerca do saber científico, assemelhando-
de nossa Educação Pública e seguir o exemplo da pequena se, portanto, com os demais gêneros circundantes no meio
Paulista. educacional como um todo, entre eles, textos didáticos e
Fonte: http://www.oestadoce.com.br/noticia/ verbetes de enciclopédias. Mediante tal pressuposto, já te-
editorial-cidade-paraibana-e-exemplo-ao-pais mos a ideia do caráter condizente à linguagem, uma vez
que esta se perfaz de características marcantes - a obje-
ARTIGOS tividade, isentando-se de traços pessoais por parte do
emissor, como também por obedecer ao padrão formal da
É comum encontrar circulando no rádio, na TV, nas re- língua. Outro aspecto passível de destaque é o fato de que
vistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição no texto científico, às vezes, temos a oportunidade de nos
por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o deparar com determinadas terminologias e conceitos pró-
autor geralmente apresenta seu ponto de vista sobre o tema prios da área científica a que eles se referem.
em questão através do artigo (texto jornalístico). Veiculados por diversos meios de comunicação, seja
Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem em jornais, revistas, livros ou meio eletrônico, comparti-
a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, lham-se com uma gama de interlocutores. Razão esta que
precisa apresentar bons argumentos, que consistem em incide na forma como se estruturam, não seguindo um
verdades e opiniões. O artigo de opinião é fundamentado padrão rígido, uma vez que este se interliga a vários fa-
em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são tores, tais como: assunto, público-alvo, emissor, momento
fáceis de contestar. histórico, dentre outros. Mas, geralmente, no primeiro e
O artigo deve começar com uma breve introdução, que segundo parágrafos, o autor expõe a ideia principal, sendo
descreva sucintamente o tema e refira os pontos mais im- representada por uma ideia ou conceito. Nos parágrafos
portantes. Um leitor deve conseguir formar uma ideia clara que seguem, ocorre o desenvolvimento propriamente dito
da ideia, lembrando que tais argumentos são subsidiados
sobre o assunto e o conteúdo do artigo ao ler apenas a
em fontes verdadeiramente passíveis de comprovação -
introdução. Por favor tenha em mente que embora este-
comparações, dados estatísticos, relações de causa e efeito,
ja familiarizado com o tema sobre o qual está a escrever,
dentre outras.
outros leitores da podem não o estar. Assim, é importante
clarificar cedo o contexto do artigo. Por exemplo, em vez
NÃO FICCIONAIS – INSTRUCIONAIS
de escrever:
Guano é um personagem que faz o papel de mascote DIDÁTICOS
do grupo Lily Mu. Seria mais informativo escrever:
Guano é um personagem da série de desenho anima- Na leitura de um texto didático, é preciso apanhar suas
do Kappa Mikey que faz o papel de mascote do grupo Lily ideias fundamentais. Um texto didático é um texto con-
Mu. ceitual, ou seja, não figurativo. Nele os termos significam
Caracterize o assunto, especialmente se existirem opi- exatamente aquilo que denotam, sendo descabida a atri-
niões diferentes sobre o tema. Seja objetivo. Evite o uso de buição de segundos sentidos ou valores conotativos aos
eufemismos e de calão ou gíria, e explique o jargão. No fi- termos. Num texto didático devem se analisar ainda com
nal do artigo deve listar as referências utilizadas, e ao longo todo o cuidado os elementos de coesão. Deve-se observar
do artigo deve citar a fonte das afirmações feitas, especial- a expectativa de sentido que eles criam, para que possa
mente se estas forem controversas ou suscitarem dúvidas. entender bem o texto.
O entendimento do texto didático de uma determina-
CARTAS da disciplina requer o conhecimento do significado exato
dos termos com que ela opera. Conhecer esses termos sig-
Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção desti- nifica conhecer um conjunto de princípios e de conceitos
nada a cartas do leitor. Ela oferece um espaço para o leitor sobre os quais repousa uma determinada ciência, certa
elogiar ou criticar uma matéria publicada, ou fazer suges- teoria, um campo do saber. O uso da terminologia científi-
tões. Os comentários podem referir-se às ideias de um tex- ca dá maior rigor à exposição, pois evita as conotações e as
to, com as quais o leitor concorda ou não; à maneira como imprecisões dos termos da linguagem cotidiana. Por outro
o assunto foi abordado; ou à qualidade do texto em si. É lado, a definição dos termos depende do nível de público
possível também fazer alusão a outras cartas de leitores, a que se destina.
para concordar ou não com o ponto de vista expresso ne- Um manual de introdução à física, destinado a alunos
las. A linguagem da carta costuma variar conforme o perfil de primeiro grau, expõe um conceito de cada vez e, por
dos leitores da publicação. Pode ser mais descontraída, se conseguinte, vai definindo paulatinamente os termos espe-
o público é jovem, ou ter um aspecto mais formal. Esse cíficos dessa ciência. Num livro de física para universitários
tipo de carta apresenta formato parecido com o das cartas não cabe a definição de termos que os alunos já deveriam
pessoais: data, vocativo (a quem ela é dirigida), corpo do saber, pois senão quem escreve precisaria escrever sobre
texto, despedida e assinatura. tudo o que a ciência em que ele é especialista já estudou.

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LÍNGUA PORTUGUESA

RESUMOS É um texto escrito, de caráter informativo, destinado a


explicar um conceito segundo padrões descritivos sistemá-
Resumo é uma exposição abreviada de um aconteci- ticos, determinados pela obra de referência da qual faz par-
mento. Fazer um resumo significa apresentar o conteúdo te: mais comumente, um dicionário ou uma enciclopédia. O
de forma sintética, destacando as informações essenciais verbete é essencialmente destinado a consulta, o que lhe
do conteúdo de um livro, artigo, argumento de filme, peça impõe uma construção discursiva sucinta e de acesso ime-
teatral, etc. A elaboração de um resumo exige análise e in- diato, embora isso não incorra necessariamente em curta
terpretação do conteúdo para que sejam transmitidas as extensão. Geralmente, os verbetes abordam conceitos bem
ideias mais importantes. estabelecidos em algum paradigma acadêmico-científico,
Escrever um texto em poucas linhas ajuda o aluno a ao invés de entrar em polêmicas referentes a categorias
desenvolver a sua capacidade de síntese, objetividade e teóricas discutíveis.
clareza: três fatores que serão muito importantes ao lon- Por sua pretensão universalista e pela posição respei-
go da vida escolar. Além de ser um ótimo instrumento de tável que ocupa no sistema de valores da cultura raciona-
estudo da matéria para fazer um teste. Resumo é sinônimo lista, espera-se que todo verbete siga as normas padrão de
de “recapitulação”, quando, ao final de cada capítulo de um uso da língua escrita, em um nível elevado de formalidade.
livro é apresentado um breve texto com as ideias chave Por sua natureza sistemática e por ser destinado à consul-
do assunto introduzido. Outros sinônimos de resumo são: ta, espera-se que a linguagem do verbete seja também o
sinopse, sumário, síntese, epítome e compêndio. mais objetiva possível. As consequências gramaticais desse
princípio são: no nível lexical, precisão na escolha dos ter-
RECEITAS mos e ausência de palavras que expressem subjetividade
(opiniões, impressões e sensações); no nível sintático, sim-
A receita tem como objetivo informar a fórmula de um plificação das construções; e no nível estilístico, denotação
produto seja ele industrial ou caseiro, contando detalha- (ausência de ornamentos e figuras de linguagem).
damente sobre seu preparo. É uma sequência de passos É comum a presença de terminologia especializada na
para a preparação de alimentos. As receitas geralmente construção do verbete, embora sua frequência varie confor-
vêm com seus verbos no modo imperativo, para dar ordens me o público consumidor da obra de referência em que se
insere o texto. Elementos de linguagens não verbais (espe-
de como preparar seu prato seja ele qual for. Elas são en-
cialmente pictóricos) são tradicionalmente agregados ao
contradas em diversas fontes como: livros, sites, programas
verbete com função de esclarecimento.
(TV/Rádio), revistas ou até mesmo em jornais e panfletos. A
receita também ajuda a fazer vários tipos de pratos típicos
BULAS
e saudáveis e até sobremesas deliciosas.
Bula pode referir-se a:
CATÁLOGOS
Bula Pontifícia - documento expedido pela Santa Sé.
Catálogo é uma relação ordenada de coisas ou pessoas Refere-se não ao conteúdo e à solenidade de um docu-
com descrições curtas a respeito de cada uma. Espécie de mento pontifício, como tal, mas à apresentação, à forma
livro, guia ou sumário que contém informações sobre lu- externa do documento, a saber, lacrado com pequena bola
gares, pessoas, produtos e outros. Têm o objetivo de dar (em latim, “bulla”) de cera ou metal, em geral, chumbo.
opções para uma melhor escolha. Assim, existem Litterae Apostolicae (carta apostólica) em
forma ou não de bula e também Constituição Apostólica
ÍNDICES em forma de bula. Por exemplo, a carta apostólica “Munifi-
centissimus Deus”, bem como as Constituições Apostólicas
Enumeração detalhada dos assuntos, nomes de pes- de criação de dioceses. A bula mais antiga que se conhece
soas, nomes geográficos, acontecimentos, etc., com a indi- é do Papa Agapito I (535), conservada apenas em desenho.
cação de sua localização no texto. O mais antigo original conservado é do Papa Adeodato I
(615-618).
LISTAS
Bula (medicamento) - folha com informações sobre
Enumeração de elementos selecionados do texto, tais medicamentos. Nome que se dá ao conjunto de informa-
como datas, ilustrações, exemplo, tabelas etc., na ordem de ções sobre um medicamento que obrigatoriamente os la-
sua ocorrência. boratórios farmacêuticos devem acrescentar à embalagem
de seus produtos vendidos no varejo. As informações po-
VERBETES EM GERAL dem ser direcionadas aos usuários dos medicamentos, aos
profissionais de saúde ou a ambos.
O verbete é um tipo de texto predominantemente des-
critivo. A elaboração reflete o conflito seminal que define NOTAS EXPLICATIVAS DE EMBALAGENS
a elegância científica: a negociação constante entre síntese
e exaustividade. Os padrões do gênero valorizam tanto a As notas explicativas servem para que o fabricante do
brevidade e a abordagem direta dos temas quanto o deta- produto esclareça ou explique aspectos da composição,
lhamento e a completude da informação. nutrição, advertências a respeito do produto.

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LÍNGUA PORTUGUESA

NÃO FICCIONAIS – EPISTOLARES NÃO FICCIONAIS – ADMINISTRATIVOS

BILHETES REQUERIMENTOS

O bilhete é uma mensagem curta, trocada entre as pes- É o instrumento por meio do qual o interessado requer
soas, para pedir, agradecer, oferecer, informar, desculpar a uma autoridade administrativa um direito do qual se jul-
ou perguntar. O bilhete é composto normalmente de: data, ga detentor. Estrutura:
nome do destinatário antecedido de um cumprimento, - Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário),
mensagem, despedida e nome do remetente. Exemplo: ou seja, da autoridade competente.
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do re-
Belinha, querente (grafado em letras maiúsculas) e respectiva qua-
Passei na sua casa para contar o que aconteceu comigo lificação: nacionalidade, estado civil, profissão, documen-
ontem à noite. to de identidade, idade (se maior de 60 anos, para fins
Telefone para mim hoje à tarde, que eu vou contar tudi- de preferência na tramitação do processo, segundo a Lei
nho para você! 10.741/03), e domicílio (caso o requerente seja servidor
Um beijinho da amiga Juliana. 14/03/2013 da Câmara dos Deputados, precedendo à qualificação civil
deve ser colocado o número do registro funcional e a lo-
CARTAS FAMILIARES E CARTAS FORMAIS tação); Exposição do pedido, de preferência indicando os
fundamentos legais do requerimento e os elementos pro-
A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações batórios de natureza fática.
diversas. É um dos mais antigos meios de comunicação. - Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”.
Em uma carta formal é preciso ter cuidado na coerência do - Local e data.
tratamento, por exemplo, se começamos a carta no trata- - Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou car-
mento em terceira pessoa devemos ir até o fim em terceira go.
pessoa, seguindo também os pronomes e formas verbais
na terceira pessoa. Há vários tipos de cartas, o formato da OFÍCIOS
carta depende do seu conteúdo:
- Carta Pessoal é a carta que escrevemos para amigos, O Ofício deve conter as seguintes partes:
parentes, namorado(a), o remetente é a própria pessoa que
assina a carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são - Tipo e número do expediente, seguido da sigla do
escritas de uma maneira particular. órgão que o expede. Exemplos:
- Carta Comercial se torna o meio mais efetivo e segu-
ro de comunicação dentro de uma organização. A lingua- Of. 123/2002-MME
gem deve ser clara, simples, correta e objetiva.  Aviso 123/2002-SG
Mem. 123/2002-MF
A carta ao ser escrita deve ser primeiramente bem
analisada em termos de língua portuguesa, ou seja, deve- - Local e data. Devem vir por extenso com alinhamen-
se observar a concordância, a pontuação e a maneira de to à direita. Exemplo:
escrever com início, meio e então o fim, contendo tam-
bém um cabeçalho e se for uma carta formal, deve conter Brasília, 20 de maio de 2013
pronomes de tratamento (Senhor, Senhora, V. Ex.ª etc.) e - Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos:
por fim a finalização da carta que deve conter somente um
cumprimento formal ou não (grato, beijos, abraços, adeus Assunto: Produtividade do órgão em 2012.
etc.). Depois de todos esses itens terem sido colocados na Assunto: Necessidade de aquisição de novos computa-
carta, a mesma deverá ser colocada em um envelope para dores.
ser enviado ao destinatário. Na parte de trás e superior do
envelope deve-se conter alguns dados muito importantes - Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem é
tais como: nome do destinatário, endereço (rua, bairro e dirigida a comunicação. No caso do ofício, deve ser incluí-
cidade) e por fim o CEP. Já o remetente (quem vai enviar a do também o endereço.
carta), também deve inserir na carta os mesmos dados que
o do destinatário, que devem ser escritos na parte da fren- - Texto. Nos casos em que não for de mero encami-
te do envelope. E por fim deve ser colocado no envelope nhamento de documentos, o expediente deve conter a se-
um selo que serve para que a carta seja levada à pessoa guinte estrutura:
mencionada.
Introdução: que se confunde com o parágrafo de
abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a
comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”,
“Tenho o prazer de”, “Cumpreme informar que”, empregue
a forma direta;

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LÍNGUA PORTUGUESA

Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se Coerência


o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas
devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere - assenta-se no plano cognitivo, da inteligibilidade do
maior clareza à exposição; texto;
Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente rea- - situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão
presentada a posição recomendada sobre o assunto. conceitual;
- relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto todo, com o aspecto global do texto;
nos casos em que estes estejam organizados em itens ou - estabelece relações de conteúdo entre palavras e fra-
títulos e subtítulos. ses.

Coesão

Coesão e Coerência - assenta-se no plano gramatical e no nível frasal;


- situa-se na superfície do texto, estabelece conexão
Não basta conhecer o conteúdo das partes de um tra- sequencial;
balho: introdução, desenvolvimento e conclusão. Além de - relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as
saber o que se deve (e o que não se deve) escrever em partes componentes do texto;
cada parte constituinte do texto, é preciso saber escrever - Estabelece relações entre os vocábulos no interior
obedecendo às normas de coerência e coesão. Antes de das frases.
mais nada, é necessário definir os termos: coerência diz res-
peito à articulação do texto, à compatibilidade das ideias, Coerência e coesão são responsáveis pela inteligibili-
à lógica do raciocínio, a seu conteúdo. Coesão refere-se à dade ou compreensão do texto. Um texto bem redigido
expressão linguística, ao nível gramatical, às estruturas fra- tem parágrafos bem estruturados e articulados pelo enca-
sais e ao emprego do vocabulário. deamento das ideias neles contidas. As estruturas frasais
Coerência e coesão relacionam-se com o processo de devem ser coerentes e gramaticalmente corretas, no que
produção e compreensão do texto. A coesão contribui para diz respeito à sintaxe. O vocabulário precisa ser adequado
a coerência, mas nem sempre um texto coerente apresenta e essa adequação só se consegue pelo conhecimento dos
coesão. Pode ocorrer que o texto sem coerência apresente significados possíveis de cada palavra. Talvez os erros mais
coesão, ou que um texto tenha coesão sem coerência. Em comuns de redação sejam devidos à impropriedade do vo-
cabulário e ao mau emprego dos conectivos (conjunções,
outras palavras: um texto pode ser gramaticalmente bem
que têm por função ligar uma frase ou período a outro). Eis
construído, com frases bem estruturadas, vocabulário cor-
alguns exemplos de impropriedade do vocabulário, colhi-
reto, mas apresentar ideias sem nexo, sem uma sequência
dos em redações sobre censura e os meios de comunica-
lógica: há coesão, mas não coerência. Por outro lado, um
ção e outras.
texto pode apresentar ideias coerentes e bem encadeadas,
sem que no plano da expressão as estruturas frasais sejam
“Nosso direito é frisado na Constituição.”
gramaticalmente aceitáveis: há coerência, mas não coesão.
Nosso direito é assegurado pela Constituição. = correta
A coerência textual subjaz ao texto e é responsável pela
hierarquização dos elementos textuais, ou seja, ela tem ori- “Estabelecer os limites as quais a programação deveria
gem nas estruturas profundas, no conhecimento do mundo estar exposta.”
de cada pessoa, aliada à competência linguística. Deduz-se Estabelecer os limites aos quais a programação deveria
que é difícil ensinar coerência textual, intimamente ligada estar sujeita. = correta
à visão de mundo, à origem das ideias no pensamento. A
coesão, porém, refere-se à expressão linguística, aos pro- “A censura deveria punir as notícias sensacionalistas.”
cessos sintáticos e gramaticais do texto. A censura deveria proibir (ou coibir) as notícias sensa-
O seguinte resumo caracteriza coerência e coesão: cionalistas ou punir os meios de comunicação que veiculam
tais notícias. = correta
Coerência: rede de sintonia entre as partes e o todo de
um texto. Conjunto de unidades sistematizadas numa ade- “Retomada das rédeas da programação.”
quada relação semântica, que se manifesta na compatibi- Retomada das rédeas dos meios de comunicação, no
lidade entre as ideias. (Na linguagem popular: “dizer coisa que diz respeito à programação. = correta
com coisa” ou “uma coisa bate com outra”).
O emprego de vocabulário inadequado prejudica mui-
Coesão: conjunto de elementos posicionados ao longo tas vezes a compreensão das ideias. É importante, ao redi-
do texto, numa linha de sequência e com os quais se es- gir, empregar palavras cujo significado seja conhecido pelo
tabelece um vínculo ou conexão sequencial. Se o vínculo enunciador, e cujo emprego faça parte de seus conheci-
coesivo faz-se via gramática, fala-se em coesão gramatical. mentos linguísticos. Muitas vezes, quem redige conhece o
Se se faz por meio do vocabulário, tem-se a coesão lexical. significado de determinada palavra, mas não sabe empre-

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LÍNGUA PORTUGUESA

gá-la adequadamente, isso ocorre frequentemente com o Para evitar a falta de coerência e coesão na articulação
emprego dos conectivos (preposições e conjunções). Não das frases, aconselha-se levar em conta as seguintes suges-
basta saber que as preposições ligam nomes ou sintagmas tões para o emprego correto dos articuladores sintáticos
nominais no interior das frases e que as conjunções ligam (conjunções, preposições, locuções prepositivas e locuções
frases dentro do período; é necessário empregar adequada- conjuntivas).
mente tanto umas como outras. É bem verdade que, na maio- - Para dar ideia de oposição ou contradição, a articu-
ria das vezes, o emprego inadequado dos conectivos remete lação sintática faz-se por meio de conjunções adversativas:
aos problemas de regência verbal e nominal. mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto. Po-
Exemplos: dem também ser empregadas as conjunções concessivas
e locuções prepositivas para introduzir a ideia de oposição
“Estar inteirada com os fatos” significa participação, inte- aliada à concessão: embora, ou muito embora, apesar de,
ração. ainda que, conquanto, posto que, a despeito de, não obs-
“Estar inteirada dos fatos” significa ter conhecimento dos tante.
fatos, estar informada. - A articulação sintática de causa pode ser feita por
meio de conjunções e locuções conjuntivas: pois, porque,
“Ir de encontro” significa divergir, não concordar. como, por isso que, visto que, uma vez que, já que. Também
“Ir ao encontro” quer dizer concordar. podem ser empregadas as preposições e locuções preposi-
tivas: por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a,
“Ameaça de liberdade de expressão e transmissão de em consequência de, por motivo de, por razões de.
ideias” significa a liberdade não é ameaça; - O principal articulador sintático de condição é o “se”:
“Ameaça à liberdade de expressão e transmissão de ideias”, Se o time ganhar esse jogo, será campeão. Pode-se também
isto é, a liberdade fica ameaçada. expressar condição pelo emprego dos conectivos: caso,
contanto que, desde que, a menos que, a não ser que.
Quanto à regência verbal, convém sempre consultar um - O emprego da preposição “para” é a maneira mais
dicionário de verbos, pois muitos deles admitem duas ou três comum de expressar finalidade. “É necessário baixar as ta-
regências diferentes; cada uma, porém, tem um significado xas de juros para que a economia se estabilize” ou para a
específico. Lembre-se, a propósito, de que as dúvidas sobre economia estabilizar-se. “Teresa vai estudar bastante para
o emprego da crase decorrem do fato de considerar-se crase fazer boa prova.” Há outros articuladores que expressam
como sinal de acentuação apenas, quando o problema refere- finalidade: a fim de, com o propósito de, na finalidade de,
se à regência nominal e verbal. com a intenção de, com o objetivo de, com o fito de, com o
Exemplos: intuito de.
- A ideia de conclusão pode ser introduzida por meio
O verbo assistir admite duas regências: dos articuladores: assim, desse modo, então, logo, portanto,
assistir o/a (transitivo direto) significa dar ou prestar assis- pois, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso.
tência (O médico assiste o doente): Para introduzir mais um argumento a favor de determinada
Assistir ao (transitivo indireto): ser espectador (Assisti ao conclusão emprega- -se ainda. Os articuladores aliás,
jogo da seleção). além do mais, além disso, além de tudo, introduzem um ar-
gumento decisivo, cabal, apresentado como um acréscimo,
Pedir o =n(transitivo direto) significa solicitar, pleitear para justificar de forma incontestável o argumento contrá-
(Pedi o jornal do dia). rio.
Pedir que =,contém uma ordem (A professora pediu que - Para introduzir esclarecimentos, retificações ou de-
fizessem silêncio). senvolvimento do que foi dito empregam-se os articu-
Pedir para = pedir permissão (Pediu para sair da classe); ladores: isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. A
significa também pedir em favor de alguém (A Diretora pediu conjunção aditiva “e” anuncia não a repetição, mas o de-
ajuda para os alunos carentes) em favor dos alunos, pedir algo a senvolvimento do discurso, pois acrescenta uma informa-
alguém (para si): (Pediu ao colega para ajudá-lo); pode significar ção nova, um dado novo, e se não acrescentar nada, é pura
ainda exigir, reclamar (Os professores pedem aumento de salário). repetição e deve ser evitada.
- Alguns articuladores servem para estabelecer uma
O mau emprego dos pronomes relativos também pode gradação entre os correspondentes de determinada escala.
levar à falta de coesão gramatical. Frequentemente, empre- No alto dessa escala acham-se: mesmo, até, até mesmo; no
ga-se no qual ou ao qual em lugar do que, com prejuízo da plano mais baixo: ao menos, pelo menos, no mínimo.
clareza do texto; outras vezes, o emprego é desnecessário ou
inadequado.
“Pela manhã o carteiro chegou com um envelope para Correlação Verbal
mim no qual estava sem remetente”. (Chegou com um envelo-
pe que (o qual) estava sem remetente). Damos o nome de correlação verbal à coerência que,
em uma frase ou sequência de frases, deve haver entre as
“Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da formas verbais utilizadas. Ou seja, é preciso que haja articu-
sensibilidade...” lação temporal entre os verbos, que eles se correspondam,
Encontrei belas palavras e não duvido da sensibilidade de maneira a expressar as ideias com lógica. Tempos e mo-
delas (palavras cheias de sensibilidade). dos verbais devem, portanto, combinar entre si.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Vejamos este exemplo: Atividades


Seu eu dormisse durante as aulas, jamais aprenderia a
lição. 1-) (MPE/AM - AGENTE DE APOIO ADMINISTRATIVO
- FCC/2013) “Quando a gente entra nas serrarias, vê deze-
No caso, o verbo dormir está no pretérito imperfeito nas de caminhões parados”, revelou o analista ambiental
do subjuntivo. Sabemos que o subjuntivo expressa dúvi- Geraldo Motta.
da, incerteza, possibilidade, eventualidade. Assim, em que Substituindo-se Quando por Se, os verbos sublinha-
tempo o verbo aprender deve estar, de maneira a garantir dos devem sofrer as seguintes alterações:
que o período tenha lógica? (A) entrar − vira
Na frase, aprender é usado no futuro do pretérito (B) entrava − tinha visto
(aprenderia), um tempo que expressa, dentre outras ideias, (C) entrasse − veria
uma afirmação condicionada (que depende de algo), quan- (D) entraria − veria
do esta se refere a fatos que não se realizaram e que, pro- (E) entrava − teria visto
vavelmente, não se realizarão. O período, portanto, está
correto, já que a ideia transmitida por dormisse é exata- 2-) (UNESP/SP - ASSISTENTE TÉCNICO ADMINISTRA-
mente a de uma dúvida, a de uma possibilidade que não TIVO - VUNESP/2012) A correlação entre as formas verbais
temos certeza se ocorrerá. está correta em:
Para tornar mais clara a questão, vejamos o mesmo (A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o plane-
exemplo, mas sem correlação verbal: ta não resistiu.
Se eu dormisse durante as aulas, jamais aprenderei a (B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto
lição. poder de consumo, o planeta em breve sofrerá um colapso.
(C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebida,
Temos dormir no subjuntivo, novamente. Mas aprender o do jogo, o do sexo e o do consumo não conhecesse dis-
está conjugado no futuro do presente, um tempo verbal torções patológicas, não haverá vícios.
que expressa, dentre outras ideias, fatos certos ou prová-
(D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tornado
veis.
tão eficientes, talvez as coisas não ficaram tão baratas.
Ora, nesse caso não podemos dizer que jamais apren-
(E) Se as pessoas não se propuserem a consumir cons-
deremos a lição, pois o ato de aprender está condiciona-
cientemente, a oferta de produtos supérfluos crescia.
do não a uma certeza, mas apenas à hipótese (transmitida
pelo pretérito imperfeito do subjuntivo) de dormir.
3-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA –
Correlações verbais corretas VUNESP/2010) Assinale a alternativa que preenche ade-
quadamente e de acordo com a norma culta a lacuna da
A seguir, veja alguns casos em que os tempos verbais frase: Quando um candidato trêmulo ______ eu lhe faria a
são concordantes: pergunta mais deliciosa de todas.
presente do indicativo + presente do subjuntivo: Exijo (A) entrasse
que você faça o dever. (B) entraria
(C) entrava
pretérito perfeito do indicativo + pretérito imperfeito (D) entrar
do subjuntivo: Exigi que ele fizesse o dever. (E) entrou

presente do indicativo + pretérito perfeito composto 4-) (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
do subjuntivo: Espero que ele tenha feito o dever. FCC/2010) Se a tendência se mantiver, teremos cada vez
pretérito imperfeito do indicativo + mais-que-perfei- mais...
to composto do subjuntivo: Queria que ele tivesse feito o Ao substituir o segmento grifado acima por “Caso a
dever. tendência”, a continuação que mantém a correção e o sen-
tido da frase original é:
futuro do subjuntivo + futuro do presente do indicati- a) se mantenha, teremos cada vez mais...
vo: Se você fizer o dever, eu ficarei feliz. b) fosse mantida, teríamos cada vez mais...
c) se manter, teremos cada vez mais...
pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito d) for mantida, teremos cada vez mais...
do indicativo: Se você fizesse o dever, eu leria suas respostas. e) seja mantida, teríamos cada vez mais...
pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo +
futuro do pretérito composto do indicativo: Se você tivesse 5-) (PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP -
feito o dever, eu teria lido suas respostas. AGENTE OPERACIONAL – VUNESP/2012 - ADAPTADA)
Assinale a alternativa que apresenta o trecho – ... o dou-
futuro do subjuntivo + futuro do presente do indicati- torando enviou seu estudo para a Sociedade Britânica de
vo: Quando você fizer o dever, dormirei. Psicologia para apreciação e não esperava que houvesse
tanta publicidade. – reescrito de acordo com a norma-pa-
futuro do subjuntivo + futuro do presente composto drão, com indicação de ação a se realizar e correta corre-
do indicativo: Quando você fizer o dever, já terei dormido. lação verbal.

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LÍNGUA PORTUGUESA

(A) ... o doutorando enviaria seu estudo para a Socieda- 4-)


de Britânica de Psicologia para apreciação e não esperava Ao empregarmos o termo “caso a”, conjugaremos o
que haveria tanta publicidade. verbo utilizando o modo hipotético (Subjuntivo). A trans-
(B) ... o doutorando envia seu estudo para a Sociedade formação será: Caso a tendência se mantenha, teremos
Britânica de Psicologia para apreciação e não esperará que cada vez mais...
houvesse tanta publicidade. RESPOSTA: “A”.
(C) ... o doutorando enviara seu estudo para a Socieda-
de Britânica de Psicologia para apreciação e não esperara 5-)
que haverá tanta publicidade. O exercício quer que conjuguemos o verbo no futuro
(D) ... o doutorando enviará seu estudo para a Socieda- do presente (ação a se realizar). Como o enunciado é es-
de Britânica de Psicologia para apreciação e não esperará pecífico (quer determinado tempo verbal), não fiz as cor-
que haja tanta publicidade. reções nas demais alternativas, pois, em um concurso, per-
deríamos tempo consertando os itens que não nos interes-
6-) (METRÔ/SP – ENGENHEIRO JÚNIOR CIVIL – sam. Vamos à construção: o doutorando enviou (enviará)
FCC/2012) Está plenamente adequada a correlação entre seu estudo para a Sociedade Britânica de Psicologia para
tempos e modos verbais na frase: apreciação e não esperava (esperará) que houvesse (haja)
(A) Nem bem saí pela porta automática e subi as esca- tanta publicidade. = enviará / esperará / haja.
das rolantes, logo me encontraria diante da luz do sol e do
RESPOSTA: “D”.
ar fresco da manhã.
(B) Eu havia presumido que aquela viagem de metrô
6-)
satisfizesse plenamente as expectativas que venho alimen-
tando. (A) Nem bem saí pela porta automática e subi as esca-
(C) Se as minhocas dispusessem de olhos, provavel- das rolantes, logo me encontraria (encontrei) diante da luz
mente não terão reclamado por as expormos à luz do dia. do sol e do ar fresco da manhã.
(D) Não fossem as urgências impostas pela vida mo- (B) Eu havia presumido que aquela viagem de metrô
derna, não teria sido necessário acelerar tanto o ritmo de satisfizesse (satisfaria) plenamente as expectativas que ve-
nossas viagens urbanas. nho alimentando.
(E) Como haveremos de comparar as antigas viagens (C) Se as minhocas dispusessem de olhos, provavel-
de trem com estas que realizássemos por meio de túneis mente não terão (teriam) reclamado por as expormos à luz
entre estações subterrâneas? do dia.
(D) Não fossem as urgências impostas pela vida mo-
RESOLUÇÃO derna, não teria sido necessário acelerar tanto o ritmo de
nossas viagens urbanas.
1-) (E) Como haveremos de comparar as antigas viagens
Se a gente entrasse (verbo no singular) na serraria, ve- de trem com estas que realizássemos (realizamos) por
ria = entrasse / veria. meio de túneis entre estações subterrâneas?
RESPOSTA: “C”. RESPOSTA: “D”.

2-)
Fiz as correções necessárias:
(A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o plane- 2. QUANTO AO CONHECIMENTO
ta não resistiu = resistirá LINGUÍSTICO: CLASSES DE PALAVRAS:
(B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto USOS E ADEQUAÇÃO EM TEXTOS; TÓPICOS
poder de consumo, o planeta em breve sofrerá um colapso.
DE MORFOSSINTAXE; ACENTUAÇÃO
(C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebida,
o do jogo, o do sexo e o do consumo não conhecesse dis- DAS PALAVRAS: REGRAS GERAIS
torções patológicas, não haverá = haveria RELACIONADAS À TONICIDADE; REGÊNCIA E
(D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tornado CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL.
tão eficientes, talvez as coisas não ficaram = ficariam (ou
teriam ficado)
(E) Se as pessoas não se propuserem a consumir cons-
cientemente, a oferta de produtos supérfluos crescia = CLASSES DE PALAVRAS
crescerá
RESPOSTA: “B”. Adjetivo

3-) Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou


O verbo “faria” está no futuro do pretérito, ou seja, in- característica do ser e se relaciona com o substantivo.
dica que é uma ação que, para acontecer, depende de ou- Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, per-
tra. Exemplo: Quando um candidato entrasse, eu faria / Se cebemos que, além de expressar uma qualidade, ela pode
ele entrar, eu farei / Caso ele entre, eu faço... ser colocada ao lado de um substantivo: homem bondoso,
RESPOSTA: “A”. moça bondosa, pessoa bondosa.

30
LÍNGUA PORTUGUESA

Já com a palavra bondade, embora expresse uma qua- Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
lidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: ho-
mem bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino
portanto, não é adjetivo, mas substantivo. como para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher
feliz.
Morfossintaxe do Adjetivo Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no
feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função político-social.
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito Número dos Adjetivos
ou do objeto).
Plural dos adjetivos simples
Adjetivo Pátrio (ou gentílico)
Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acor-
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser.
do com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
Observe alguns deles:
substantivos simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e feli-
Estados e cidades brasileiros:
zes, ruim e ruins boa e boas
Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
Amazonas amazonense ou baré função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
Belo Horizonte belo-horizontino que estiver qualificando um elemento for, originalmente,
Brasília brasiliense um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo:
Cabo Frio cabo-friense a palavra cinza é originalmente um substantivo; porém, se
Campinas campineiro ou campinense estiver qualificando um elemento, funcionará como adje-
tivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos
Adjetivo Pátrio Composto cinza.
Veja outros exemplos:
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro Motos vinho (mas: motos verdes)
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru- Paredes musgo (mas: paredes brancas).
dita. Observe alguns exemplos: Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
África afro- / Cultura afro-americana
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto Adjetivo Composto
-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor-
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses malmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas
China sino- / Acordos sino-japoneses o último elemento concorda com o substantivo a que se
Espanha hispano- / Mercado hispano-português refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso
Europa euro- / Negociações euro-americanas um dos elementos que formam o adjetivo composto seja
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italia- um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto fica-
nas rá invariável. Por exemplo: a palavra rosa é originalmente
Grécia greco- / Filmes greco-romanos um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemen-
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
to, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra pala-
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
vra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
Flexão dos adjetivos invariável. Por exemplo:
Camisas rosa-claro.
O adjetivo varia em gênero, número e grau. Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Gênero dos Adjetivos Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.
Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual-
substantivos, classificam-se em: quer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre
Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mas- invariáveis.
culino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa, - Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha
mau e má, judeu e judia. têm os dois elementos flexionados.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
feminino somente o último elemento. Por exemplo: o moço
norte-americano, a moça norte-americana.

31
LÍNGUA PORTUGUESA

Grau do Adjetivo Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de pala-


vras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo:
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a inten- O secretário é muito inteligente.
sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: Sintética: a intensificação se faz por meio do acrésci-
o comparativo e o superlativo. mo de sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.

Comparativo Observe alguns superlativos sintéticos:


benéfico beneficentíssimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri- bom boníssimo ou ótimo
buída a dois ou mais seres ou duas ou mais característi- comum comuníssimo
cas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de cruel crudelíssimo
igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe difícil dificílimo
os exemplos abaixo: doce dulcíssimo
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
fácil facílimo
No comparativo de igualdade, o segundo termo da
fiel fidelíssimo
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou

quão.
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe- um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres.
rioridade Analítico Essa relação pode ser:
No comparativo de superioridade analítico, entre os De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
dois substantivos comparados, um tem qualidade supe- De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
rior. A forma é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do
que” ou “mais...que”. Note bem:
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
rioridade Sintético etc., antepostos ao adjetivo.
2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su- duas formas : uma erudita, de origem latina, outra popular,
perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo
bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior, radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo
grande/maior, baixo/inferior. ou érrimo. Por exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A
Observe que: forma popular é constituída do radical do adjetivo portu-
a) As formas menor e pior são comparativos de supe- guês + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, res- 3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, preca-
pectivamente. riíssimo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual,
b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas as formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o de-
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações fei- sagradável hiato i-í.
tas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-
se usar as formas analíticas mais bom, mais mau,mais gran- Advérbio
de e mais pequeno. Por exemplo:
O advérbio, assim como muitas outras palavras exis-
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
tentes na Língua Portuguesa, advém de outras línguas.
mentos.
Assim sendo, tal qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
ideia de proximidade, contiguidade. Essa proximidade faz
duas qualidades de um mesmo elemento.
referência ao processo verbal, no sentido de caracterizá-lo,
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In- ou seja, indicando as circunstâncias em que esse processo
ferioridade se desenvolve.
Sou menos passivo (do) que tolerante. O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no sen-
tido de caracterizar os processos expressos por ele. Contu-
Superlativo do, ele não é modificador exclusivo desta classe (verbos),
pois também modifica o adjetivo e até outro advérbio. Se-
O superlativo expressa qualidades num grau muito guem alguns exemplos:
elevado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto,
absoluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades: você está até bem informado.
Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de Temos o advérbio “distantemente” que modifica o ad-
um ser é intensificada, sem relação com outros seres. Apre- jetivo alheio, representando uma qualidade, característica.
senta-se nas formas:

32
LÍNGUA PORTUGUESA

O artista canta muito mal. Há locuções adverbiais que possuem advérbios corres-
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifi- pondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu
ca outro advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos apressadamente.
pudemos verificar que se tratava de somente uma palavra Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de
funcionando como advérbio. No entanto, ele pode estar modo são flexionados, sendo que os demais são todos in-
demarcado por mais de uma palavra, que mesmo assim variáveis. A única flexão propriamente dita que existe na
não deixará de ocupar tal função. Temos aí o que chama- categoria dos advérbios é a de grau:
mos de locução adverbial, representada por algumas ex- Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe
pressões, tais como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, de - longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente -
modo algum, entre outras. inconstitucionalissimamente, etc.;
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advér- Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto -
bios, eles se classificam em distintas categorias, uma vez pertinho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho.
expressas por:
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pres-
sas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos Artigo
poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral,
frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior
Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo,
parte dos que terminam em -”mente”: calmamente, triste-
indica se ele está sendo empregado de maneira definida ou
mente, propositadamente, pacientemente, amorosamente,
indefinida. Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o
docemente, escandalosamente, bondosamente, generosa-
mente gênero e o número dos substantivos.
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em
excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, Classificação dos Artigos
quão, tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase,
de todo, de muito, por completo. Artigos Definidos: determinam os substantivos de
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, maneira precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de
doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, en- maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei
fim, afinal, breve, constantemente, entrementes, imediata- um animal.
mente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em Combinação dos Artigos
quando, de quando em quando, a qualquer momento, de É muito presente a combinação dos artigos definidos
tempos em tempos, em breve, hoje em dia e indefinidos com preposições. Veja a forma assumida por
de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, essas combinações:
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí,
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, Preposições Artigos
adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, exter- o, os
namente, a distância, à distancia de, de longe, de perto, em a ao, aos
cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta de do, dos
de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, em no, nos
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum por (per) pelo, pelos
de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavel- a, as um, uns uma, umas
mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe à, às - -
de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efe- da, das dum, duns duma, dumas
tivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubi-
na, nas num, nuns numa, numas
tavelmente (=sem dúvida).
pela, pelas - -
de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
mente, simplesmente, só, unicamente
de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam- - As formas à e às indicam a fusão da preposição a
bém com o artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é
de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente conhecida por crase.
de designação: Eis
de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quan- Constatemos as circunstâncias
do? (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade), em que os artigos se manifestam
para quê? (finalidade) - Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
Locução adverbial numeral “ambos”: Ambos os garotos decidiram participar
das olimpíadas.
É reunião de duas ou mais palavras com valor de ad-
vérbio. Exemplo: - Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso
Carlos saiu às pressas. (indicando modo) do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza,
Maria saiu à tarde. (indicando tempo) A Bahia...

33
LÍNGUA PORTUGUESA

- Quando indicado no singular, o artigo definido pode Conjunção


indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações
- No caso de nomes próprios personativos, denotando ou dois termos semelhantes de uma mesma oração. Por
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso exemplo:
do artigo: O Pedro é o xodó da família. A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as
amiguinhas.
- No caso de os nomes próprios personativos estarem
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
os Incas, Os Astecas... 1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu
as amiguinhas
- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido to-
do(a) para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele Cada informação está estruturada em torno de um ver-
(o artigo), o pronome assume a noção de qualquer. bo: segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três ora-
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) ções:
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa- 1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e
dos. (qualquer classe) mostrou 3ª oração: quando viu as amiguinhas.
A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e
- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é a terceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”.
facultativo: As palavras “e” e “quando” ligam, portanto, orações.
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo. Observe: Gosto de natação e de futebol.
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são
- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma partes ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter “e” está ligando termos de uma mesma oração.
é uns vinte anos.
Morfossintaxe da Conjunção
- O artigo também é usado para substantivar palavras
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
oriundas de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de
cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
tudo isso.
Classificação
- Conjunções Coordenativas
- Nunca deve ser usado artigo depois do pronome re-
- Conjunções Subordinativas
lativo cujo (e flexões).
Este é o homem cujo amigo desapareceu.
Conjunções coordenativas
Este é o autor cuja obra conheço.
Dividem-se em:
- Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no - ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gos-
sentido de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme), to de cantar e de dançar.
a menos que venham especificadas. Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas
Eles estavam em casa. também, não só...como também.
Eles estavam na casa dos amigos.
Os marinheiros permaneceram em terra. - ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de opo-
Os marinheiros permanecem na terra dos anões. sição, de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada.
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contu-
- Não se emprega artigo antes dos pronomes de trata- do, todavia, no entanto, entretanto.
mento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa
excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria. - ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância.
Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
- Não se une com preposição o artigo que faz parte do Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora,
nome de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O quer...quer, já...já.
Estado de S. Paulo. - CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às ora-
Morfossintaxe ções. Ex. Estudei muito, por isso mereço passar.
Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois
Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas (depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
relações com o substantivo. Assim, nas orações da língua
portuguesa, o artigo exerce a função de adjunto adnominal - EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex.
do substantivo a que se refere. Tal função independe da É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá
função exercida pelo substantivo: fora.
A existência é uma poesia. Principais conjunções explicativas: que, porque, pois
Uma existência é a poesia. (antes do verbo), porquanto.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Conjunções subordinativas b) As orações são coordenadas e, por isso, indepen-


dentes uma da outra. Neste caso, há uma pausa entre as
- CAUSAIS orações que vêm marcadas por vírgula.
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que, Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado.
uma vez que, como (= porque). Outra dica é, quando a oração que antecede a OC
Ele não fez o trabalho porque não tem livro. (Oração Coordenada) vier com verbo no modo imperativo,
ela será explicativa.
- COMPARATIVAS Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo im-
Principais conjunções comparativas: que, do que, tão... perativo)
como, mais...do que, menos...do que.
Ela fala mais que um papagaio. 2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra
cidade porque não havia cemitério no local.”
- CONCESSIVAS a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordinada
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que, (parte destacada) mostra a causa da ação expressa pelo
mesmo que, apesar de, se bem que. verbo da oração principal. Outra forma de reconhecê-la é
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, colocá-la no início do período, introduzida pela conjunção
um fato inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”. como - o que não ocorre com a CS Explicativa.
Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar
estar cansada) os mortos em outra cidade.
Apesar de ter chovido fui ao cinema. b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente
dependentes uma da outra.
- CONFORMATIVAS
Principais conjunções conformativas: como, segundo,
conforme, consoante Interjeição
Cada um colhe conforme semeia.
Expressam uma ideia de acordo, concordância, confor- Interjeição é a palavra invariável que exprime emo-
midade. ções, sensações, estados de espírito, ou que procura agir
sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo comporta-
- CONSECUTIVAS mento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de es-
Expressam uma ideia de consequência. truturas linguísticas mais elaboradas. Observe o exemplo:
Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”, Droga! Preste atenção quando eu estou falando!
“tanto”, “tão”, “tamanho”).
Falou tanto que ficou rouco. No exemplo acima, o interlocutor está muito bravo.
Toda sua raiva se traduz numa palavra: Droga! Ele poderia
- FINAIS ter dito: - Estou com muita raiva de você! Mas usou sim-
Expressam ideia de finalidade, objetivo. plesmente uma palavra. Ele empregou a interjeição Droga!
Todos trabalham para que possam sobreviver. As sentenças da língua costumam se organizar de for-
Principais conjunções finais: para que, a fim de que, ma lógica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e
porque (=para que), os distribui em posições adequadas a cada um deles. As in-
terjeições, por outro lado, são uma espécie de “palavra-fra-
- PROPORCIONAIS se”, ou seja, há uma ideia expressa por uma palavra (ou um
Principais conjunções proporcionais: à medida que, conjunto de palavras - locução interjetiva) que poderia ser
quanto mais, ao passo que, à proporção que. colocada em termos de uma sentença. Veja os exemplos:
À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha. Bravo! Bis!
bravo e bis: interjeição = sentença (sugestão): “Foi
- TEMPORAIS muito bom! Repitam!”
Principais conjunções temporais: quando, enquanto, Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... ai: interjeição = senten-
logo que. ça (sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!”
Quando eu sair, vou passar na locadora. A interjeição é um recurso da linguagem afetiva, em
Diferença entre orações causais e explicativas que não há uma ideia organizada de maneira lógica, como
são as sentenças da língua, mas sim a manifestação de um
Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação
(OSA) e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos de- particular, um momento ou um contexto específico. Exem-
paramos com a dúvida de como distinguir uma oração plos:
causal de uma explicativa. Veja os exemplos: Ah, como eu queria voltar a ser criança!
1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
atropelado”: Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificati- hum: expressão de um pensamento súbito = interjei-
va ou uma explicação do fato expresso na oração anterior. ção

35
LÍNGUA PORTUGUESA

O significado das interjeições está vinculado à maneira - Espanto ou Admiração: Oh!, Ah!, Uai!, Puxa!, Céus!,
como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que Quê!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Nossa!, Hem?!, Hein?,
dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contex- Cruz!, Putz!
to de enunciação. Exemplos: - Impaciência ou Contrariedade: Hum!, Hem!, Irra!,
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expres- Raios!, Diabo!, Puxa!, Pô!, Ora!
são na rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te - Pedido de Auxílio: Socorro!, Aqui!, Piedade!
chamando! Ei, espere!” - Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!, Viva!,
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expres- Adeus!, Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Ô, Ó, Psiu!, Socorro!, Valha-
são em um hospital; significado da interjeição (sugestão): me, Deus!
“Por favor, faça silêncio!” - Silêncio: Psiu!, Bico!, Silêncio!
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! - Terror ou Medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh!
puxa: interjeição; tom da fala: euforia
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis, isto
puxa: interjeição; tom da fala: decepção é, não sofrem variação em gênero, número e grau como
os nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto
As interjeições cumprem, normalmente, duas funções: e voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
1) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria, gumas interjeições sofrem variação em grau. Deve-se ter
tristeza, dor, etc. claro, neste caso, que não se trata de um processo natural
Você faz o que no Brasil? dessa classe de palavra, mas tão só uma variação que a
Eu? Eu negocio com madeiras. linguagem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo,
Ah, deve ser muito interessante. até loguinho.

2) Sintetizar uma frase apelativa Locução Interjetiva


Cuidado! Saia da minha frente.
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
As interjeições podem ser formadas por: expressão com sentido de interjeição. Por exemplo : Ora
- simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô. bolas! Quem me dera! Virgem Maria! Meu Deus!
- palavras: Oba!, Olá!, Claro! Ó de casa! Ai de mim! Valha-me Deus! Graças a Deus!
- grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!, Alto lá! Muito bem!
Ora bolas!
Observações:
A ideia expressa pela interjeição depende muitas ve- - As interjeições são como frases resumidas, sintéticas.
zes da entonação com que é pronunciada; por isso, pode Por exemplo: Ué! = Eu não esperava por essa!, Perdão! =
ocorrer que uma interjeição tenha mais de um sentido. Por Peço-lhe que me desculpe.
exemplo:
Oh! Que surpresa desagradável! (ideia de contra- - Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é o
riedade) seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras classes
Oh! Que bom te encontrar. (ideia de alegria) gramaticais podem aparecer como interjeições.
Viva! Basta! (Verbos)
Classificação das Interjeições Fora! Francamente! (Advérbios)

Comumente, as interjeições expressam sentido de: - A interjeição pode ser considerada uma “palavra-fra-
- Advertência: Cuidado!, Devagar!, Calma!, Sentido!, se” porque sozinha pode constituir uma mensagem. Ex.:
Atenção!, Olha!, Alerta! Socorro!, Ajudem-me!, Silêncio!, Fique quieto!
- Afugentamento: Fora!, Passa!, Rua!, Xô!
- Alegria ou Satisfação: Oh!, Ah!,Eh!, Oba!, Viva! - Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imita-
- Alívio: Arre!, Uf!, Ufa! Ah! tivas, que exprimem ruídos e vozes. Ex.: Pum! Miau! Bumba!
- Animação ou Estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc.
Eia!, Ânimo!, Adiante!, Firme!, Toca! - Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com
- Aplauso ou Aprovação: Bravo!, Bis!, Apoiado!, Viva!, a sua homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria,
Boa! tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois do” oh!” exclamativo
- Concordância: Claro!, Sim!, Pois não!, Tá!, Hã-hã! e não a fazemos depois do “ó” vocativo.
- Repulsa ou Desaprovação: Credo!, Irra!, Ih!, Livra!, “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
Safa!, Fora!, Abaixo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora! Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)
- Desejo ou Intenção: Oh!, Pudera!, Tomara!, Oxalá!
- Desculpa: Perdão! - Na linguagem afetiva, certas interjeições, originadas
- Dor ou Tristeza: Ai!, Ui!, Ai de mim!, Que pena!, Ah!, de palavras de outras classes, podem aparecer flexionadas
Oh!, Eh! no diminutivo ou no superlativo: Calminha! Adeusinho!
- Dúvida ou Incredulidade: Qual!, Qual o quê!, Hum!, Obrigadinho!
Epa!, Ora!

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LÍNGUA PORTUGUESA

Interjeições, leitura e produção de textos Leitura dos Numerais


Separando os números em centenas, de trás para fren-
Usadas com muita frequência na língua falada informal, te, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas
quando empregadas na língua escrita, as interjeições cos- e, no início, também de dezenas ou unidades. Entre esses
tumam conferir-lhe certo tom inconfundível de coloquiali- conjuntos usa-se vírgula; as unidades ligam-se pela con-
dade. Além disso, elas podem muitas vezes indicar traços junção “e”.
pessoais do falante - como a escassez de vocabulário, o 1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos
temperamento agressivo ou dócil, até mesmo a origem e vinte e seis.
geográfica. É nos textos narrativos - particularmente nos 45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.
diálogos - que comumente se faz uso das interjeições com
o objetivo de caracterizar personagens e, também, graças à Flexão dos numerais
sua natureza sintética, agilizar as falas. Natureza sintética e Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
conteúdo mais emocional do que racional fazem das inter- uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/du-
jeições presença constante nos textos publicitários. zentas em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatro-
centas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam
Fonte: em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89. são invariáveis.
php Os numerais ordinais variam em gênero e número:
primeiro segundo milésimo
primeira segunda milésima
Numeral primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas
Numeral é a palavra que indica os seres em termos
numéricos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
situa em determinada sequência. atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço
Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco. e conseguiram o triplo de produção.
[quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”] Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses tri-
Eu quero café duplo, e você? plas do medicamento.
...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”] Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor! duas terças partes
...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequên- Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
cia de “fila”] dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de
os números indicam em relação aos seres. Assim, quando sentido. É o que ocorre em frases como:
a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se “Me empresta duzentinho...”
trata de numerais, mas sim de algarismos. É artigo de primeiríssima qualidade!
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala- segunda divisão de futebol)
vras consideradas numerais porque denotam quantidade,
proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década, Emprego dos Numerais
dúzia, par, ambos(as), novena. *Para designar papas, reis, imperadores, séculos e par-
tes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
Classificação dos Numerais décimo e a partir daí os cardinais, desde que o numeral
venha depois do substantivo:
Cardinais: indicam contagem, medida. É o número bá-
sico: um, dois, cem mil, etc. Ordinais Cardinais
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
dada: primeiro, segundo, centésimo, etc. D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
divisão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc. Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)
seres, indicando quantas vezes a quantidade foi aumenta-
da: dobro, triplo, quíntuplo, etc. *Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o or-
dinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

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LÍNGUA PORTUGUESA

*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são lar-
gamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.
Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora participam das atividades
comunitárias de seu bairro.
Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normal-
mente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura
da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

Tipos de Preposição

1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, con-
tra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.

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LÍNGUA PORTUGUESA

2. Preposições acidentais: palavras de outras classes De + outra = doutra(s)


gramaticais que podem atuar como preposições: como, du- Em + este(s) = neste(s)
rante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto. Em + esta(s) = nesta(s)
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va- Em + esse(s) = nesse(s)
lendo como uma preposição, sendo que a última palavra é Em + aquele(s) = naquele(s)
uma delas: abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a res- Em + aquela(s) = naquela(s)
peito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente Em + isto = nisto
a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, Em + isso = nisso
por cima de, por trás de. Em + aquilo = naquilo
A + aquele(s) = àquele(s)
A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto A + aquela(s) = àquela(s)
pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concor- A + aquilo = àquilo
dância em gênero ou em número. Ex: por + o = pelo por
+ a = pela. Dicas sobre preposição
Vale ressaltar que essa concordância não é caracterís- 1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome
tica da preposição, mas das palavras às quais ela se une. pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a”
Esse processo de junção de uma preposição com outra seja um artigo, virá precedendo um substantivo. Ele servirá
palavra pode se dar a partir de dois processos: para determiná-lo como um substantivo singular e femi-
nino.
1. Combinação: A preposição não sofre alteração. A dona da casa não quis nos atender.
preposição a + artigos definidos o, os Como posso fazer a Joana concordar comigo?
a + o = ao
preposição a + advérbio onde - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
a + onde = aonde termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração. Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para pro-
Preposição + Artigos curar um tratamento adequado.
De + o(s) = do(s)
De + a(s) = da(s) - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
De + um = dum lugar e/ou a função de um substantivo.
De + uns = duns Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como
De + uma = duma parte da família
De + umas = dumas Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém.
Em + o(s) = no(s) / Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
Em + a(s) = na(s)
Em + um = num 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio
Em + uma = numa das preposições:
Em + uns = nuns Destino = Irei para casa.
Em + umas = numas Modo = Chegou em casa aos gritos.
A + à(s) = à(s) Lugar = Vou ficar em casa;
Por + o = pelo(s) Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
Por + a = pela(s) Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
Preposição + Pronomes Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tra-
De + ele(s) = dele(s) tamento.
De + ela(s) = dela(s) Instrumento = Escreveu a lápis.
De + este(s) = deste(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + esta(s) = desta(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + esse(s) = desse(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + essa(s) = dessa(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + aquele(s) = daquele(s) Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + aquela(s) = daquela(s) Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + isto = disto Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + isso = disso Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + aquilo = daquilo Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + aqui = daqui
De + aí = daí Fonte:
De + ali = dali http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + outro = doutro(s)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Pronome Pronomes Pessoais

Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou São aqueles que substituem os substantivos, indicando
a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve
de alguma forma. assume os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”,
“vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e
A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus so- “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa ou
nhos! às pessoas de quem fala.
[substituição do nome] Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bo- ou do caso oblíquo.
nita! Pronome Reto
[referência ao nome]
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
Essa moça morava nos meus sonhos! tença, exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito.
Nós lhe ofertamos flores.
[qualificação do nome]
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê-
Grande parte dos pronomes não possuem significados
nero (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a
fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso.
de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên- Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi-
cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos gurado:
pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro-
nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes - 1ª pessoa do singular: eu
têm por função principal apontar para as pessoas do dis- - 2ª pessoa do singular: tu
curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação - 3ª pessoa do singular: ele, ela
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, - 1ª pessoa do plural: nós
os pronomes apresentam uma forma específica para cada - 2ª pessoa do plural: vós
pessoa do discurso. - 3ª pessoa do plural: eles, elas

Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. Atenção: esses pronomes não costumam ser usados
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala] como complementos verbais na língua-padrão. Frases
como “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? eu até aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
fala] mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. me até aqui”.
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem
se fala] Obs.: frequentemente observamos a omissão do pro-
nome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as pró-
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras prias formas verbais marcam, através de suas desinências,
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme- as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
boa viagem. (Nós)
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência
através do pronome seja coerente em termos de gênero
Pronome Oblíquo
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto,
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado. Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
sentença, exerce a função de complemento verbal (objeto
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos- direto ou indireto) ou complemento nominal.
sa escola neste ano. Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
adequada] Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma
[neste: pronome que determina “ano” = concordância variante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação
adequada] indica a função diversa que eles desempenham na oração:
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor- pronome reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo
dância inadequada] marca o complemento da oração.
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
tônicos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Pronome Oblíquo Átono O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim con-
figurado:
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não - 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica - 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
fraca: Ele me deu um presente. - 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela
O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim con- - 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
figurado: - 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
- 1ª pessoa do singular (eu): me - 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas
- 2ª pessoa do singular (tu): te
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe Observe que as únicas formas próprias do pronome tô-
- 1ª pessoa do plural (nós): nos nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
- 2ª pessoa do plural (vós): vos demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes - As preposições essenciais introduzem sempre prono-
Observações: mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
apresenta na forma contraída, ou seja, houve a união en- língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
tre o pronome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por
forma:
acompanhar diretamente uma preposição, o pronome
Não há mais nada entre mim e ti.
“lhe” exerce sempre a função de objeto indireto na oração.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos
diretos como objetos indiretos. Não há nenhuma acusação contra mim.
Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como Não vá sem mim.
objetos diretos.
Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem com- Atenção: Há construções em que a preposição, apesar
binar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a for- de surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir
mas como mo, mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o
lhas; no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
Observe o uso dessas formas nos exemplos que seguem: nome, deverá ser do caso reto.
- Trouxeste o pacote? Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
- Sim, entreguei-to ainda há pouco. Não vá sem eu mandar.
- Não contaram a novidade a vocês?
- Não, no-la contaram. - A combinação da preposição “com” e alguns prono-
mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
No português do Brasil, essas combinações não são conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
usadas; até mesmo na língua literária atual, seu emprego quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
é muito raro. companhia.
Ele carregava o documento consigo.
Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas
especiais depois de certas terminações verbais. Quando o - As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a terminação verbal são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
é suprimida. Por exemplo: todos, ambos ou algum numeral.
fiz + o = fi-lo Você terá de viajar com nós todos.
fazeis + o = fazei-lo Estávamos com vós outros quando chegaram as más
dizer + a = dizê-la
notícias.
Ele disse que iria com nós três.
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as-
sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo:
viram + o: viram-no Pronome Reflexivo
repõe + os = repõe-nos
retém + a: retém-na São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
tem + as = tem-nas nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
Pronome Oblíquo Tônico expressa pelo verbo.
O quadro dos pronomes reflexivos é assim configura-
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos do:
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. - 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função Eu não me vanglorio disso.
de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
forte.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.


Assim tu te prejudicas.
Conhece a ti mesmo.

- 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.


Guilherme já se preparou.
Ela deu a si um presente.
Antônio conversou consigo mesmo.

- 1ª pessoa do plural (nós): nos.


Lavamo-nos no rio.

- 2ª pessoa do plural (vós): vos.


Vós vos beneficiastes com a esta conquista.

- 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.


Eles se conheceram.
Elas deram a si um dia de folga.

A Segunda Pessoa Indireta

A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se quando utilizamos pronomes que, apesar de indicarem nosso inter-
locutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa. É o caso dos chamados pronomes de tratamento,
que podem ser observados no quadro seguinte:

Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no
tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português
do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratar-
mos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado suposta-
mente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.

- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a
3ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar
na 3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou Pronomes Demonstrativos


nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo
do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Os pronomes demonstrativos são utilizados para ex-
Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de plicitar a posição de uma certa palavra em relação a outras
“você”, não poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de
exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa. espaço, no tempo ou discurso.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos No espaço:
teus cabelos. (errado) Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos carro está perto da pessoa que fala.
seus cabelos. (correto) Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da
teus cabelos. (correto) pessoa que fala.
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que
Pronomes Possessivos o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com
quem falo.
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo
(coisa possuída). quanto por meio de correspondência, que é uma moda-
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do lidade escrita de fala), são particularmente importantes o
singular) este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao
emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los
NÚMERO PESSOA PRONOME pode causar ambiguidade.
singular primeira meu(s), minha(s) Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar
singular segunda teu(s), tua(s) informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da univer-
singular terceira seu(s), sua(s) sidade destinatária).
plural primeira nosso(s), nossa(s) Reafirmamos a disposição desta universidade em parti-
plural segunda vosso(s), vossa(s) cipar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universi-
plural terceira seu(s), sua(s) dade que envia a mensagem).
Note que: A forma do possessivo depende da pessoa No tempo:
gramatical a que se refere; o gênero e o número concor- Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se
dam com o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua con- refere ao ano presente.
tribuição naquele momento difícil. Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se
refere a um passado próximo.
Observações: Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resul- está se referindo a um passado distante.
tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado,
seu José. - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
posse. Podem ter outros empregos, como: la(s).
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. Invariáveis: isto, isso, aquilo.

b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
anos. - o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela. Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela
que te indiquei.)
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
o pronome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência - mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas
trouxe sua mensagem? que o procuraram ontem.

4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- - próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram


vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e o problema.
anotações.
- semelhante(s): Não compre semelhante livro.
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais
oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir- - tal, tais: Tal era a solução para o problema.
lhe os passos. (= Vou seguir seus passos.)

43
LÍNGUA PORTUGUESA

Note que: algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos),


- Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
construções redundantes, com finalidade expressiva, para nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer,
salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela, essa quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
é que dera em cheio casando com o José Afonso. Desfrutar tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
das belezas brasileiras, isso é que é sorte! Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco.
- O pronome demonstrativo neutro ou pode represen-
tar um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va-
em que aparece, geralmente, como objeto direto, predi- riáveis e invariáveis. Observe:
cativo ou aposto: O casamento seria um desastre. Todos o Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário,
pressentiam. tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca,
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, ne-
- Para evitar a repetição de um verbo anteriormente nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos,
expresso, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas,
fazer, chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que outras, quantas.
faz as vezes de): Ninguém teve coragem de falar antes que Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
ela o fizesse. algo, cada.
- Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa São locuções pronominais indefinidas: cada qual,
mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que),
primeiro lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (=
amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. [ou então: este certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
solteiro, aquele casado] Cada um escolheu o vinho desejado.
- O pronome demonstrativo tal pode ter conotação Indefinidos Sistemáticos
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Ao observar atentamente os pronomes indefinidos,
- Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
percebemos que existem alguns grupos que criam oposi-
com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta,
ção de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm
disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no
sentido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm
= naquilo)
sentido negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade
Pronomes Indefinidos
afirmativa, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade
São palavras que se referem à terceira pessoa do dis- negativa; alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e
curso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando algo/nada, que se referem à coisa; certo, que particulariza,
quantidade indeterminada. e qualquer, que generaliza.
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém Essas oposições de sentido são muito importantes na
-plantadas. construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- de que fazem parte:
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: prático.
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. pessoas quaisquer.
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin-
guém, outrem, quem, tudo. Pronomes Relativos
Algo o incomoda?
Quem avisa amigo é. São aqueles que representam nomes já mencionados
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser as orações subordinadas adjetivas.
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s). um grupo racial sobre outros.
Cada povo tem seus costumes. (afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou-
Certas pessoas exercem várias profissões. tros = oração subordinada adjetiva).
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
ora pronomes indefinidos adjetivos: “sistema” é antecedente do pronome relativo que.

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LÍNGUA PORTUGUESA

O antecedente do pronome relativo pode ser o prono- - “Onde”, como pronome relativo, sempre possui an-
me demonstrativo o, a, os, as. tecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A
Não sei o que você está querendo dizer. casa onde morava foi assaltada.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso. - Na indicação de tempo, deve-se empregar quando
Quem casa, quer casa. ou em que.
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
Observe: no exterior.
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, - Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa-
quantas. lavras:
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde. - como (= pelo qual): Não me parece correto o modo
como você agiu semana passada.
Note que: - quando (= em que): Bons eram os tempos quando po-
- O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, díamos jogar videogame.
sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs-
tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu - Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
antecedente for um substantivo. numa só frase.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual) O futebol é um esporte.
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a O povo gosta muito deste esporte.
qual) O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
quais) - Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
quais) gente que conversava, (que) ria, (que) fumava.

- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente Pronomes Interrogativos


pronomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
podem ter várias classificações) são pronomes relativos. retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa referem- -se à 3ª pessoa do discurso de modo
por motivo de clareza ou depois de determinadas preposi- impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual
ções: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, (e variações), quanto (e variações).
o qual me deixou encantado. (O uso de “que”, neste caso, Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.
geraria ambiguidade.) Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas preferes.
dúvidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.) Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quan-
- O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e tos passageiros desembarcaram.
se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou Sobre os pronomes
de ser poeta, que era a sua vocação natural.
O pronome pessoal é do caso reto quando tem função
- O pronome “cujo” não concorda com o seu antece- de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
dente, mas com o consequente. Equivale a do qual, da qual, quando desempenha função de complemento. Vamos en-
dos quais, das quais. tender, primeiramente, como o pronome pessoal surge na
Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas. frase e que função exerce. Observe as orações:
(antecedente) (consequente) 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
- “Quanto” é pronome relativo quando tem por antece- lhe ajudar.
dente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
Emprestei tantos quantos foram necessários. Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
(antecedente) exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
Ele fez tudo quanto havia falado. reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe”
(antecedente) exercendo função de complemento, e, consequentemente,
é do caso oblíquo.
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso,
precedido de preposição. o pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
É um professor a quem muito devemos. a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se
(preposição) devia ajudar.... Ajudar quem? Você (lhe).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Importante: Em observação à segunda oração, o em- Ênclise


prego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do ver-
bo intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo pode A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta
estar antes, depois ou entre locução verbal, caso o verbo não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos áto-
principal (no caso “ajudar”) esteja no infinitivo ou gerúndio. nos. A ênclise vai acontecer quando:
Eu desejo lhe perguntar algo. - O verbo estiver no imperativo afirmativo:
Eu estou perguntando-lhe algo. Amem-se uns aos outros.
Sigam-me e não terão derrotas.
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, - O verbo iniciar a oração:
diferentemente dos segundos que são sempre precedidos Diga-lhe que está tudo bem.
de preposição. Chamaram-me para ser sócio.
- Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que
eu estava fazendo. - O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da pre-
- Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim posição “a”:
o que eu estava fazendo. Naquele instante os dois passaram a odiar-se.
Passaram a cumprimentar-se mutuamente.

- O verbo estiver no gerúndio:


Colocação Pronominal
Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreo-
cupada.
A colocação pronominal é a posição que os prono- Despediu-se, beijando-me a face.
mes pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação
ao verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: - Houver vírgula ou pausa antes do verbo:
me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos. Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições mesmo instante.
na oração em relação ao verbo: Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.
1. próclise: pronome antes do verbo
2. ênclise: pronome depois do verbo Mesóclise
3. mesóclise: pronome no meio do verbo
A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado
Próclise no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: se realizará)
- Palavras com sentido negativo: Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma
Nada me faz querer sair dessa cama. proposta a você)
Não se trata de nenhuma novidade.
Questões sobre Pronome
- Advérbios:
Nesta casa se fala alemão. 01. (ESCREVENTE TJ SP – VUNESP/2012).
Naquele dia me falaram que a professora não veio. Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
está claro até onde pode realmente chegar uma política ba-
- Pronomes relativos: seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para
A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje. o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra.
É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram.
e da água faça em si diferença, as companhias não podem
- Pronomes indefinidos:
suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares por
Quem me disse isso?
tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portanto,
Todos se comoveram durante o discurso de despedida. elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim, ninguém
encontrou até agora uma maneira de quantificar adequada-
- Pronomes demonstrativos: mente os insumos básicos. E sem eles a maioria das políticas
Isso me deixa muito feliz! de crescimento verde sempre será a segunda opção.
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! (Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)

- Preposição seguida de gerúndio: Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, re-


Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais ferem- -se, respectivamente, a
indicado à pesquisa escolar. (A) dúvidas e preços.
(B) dúvidas e insumos básicos.
- Conjunção subordinativa: (C) companhias e insumos básicos.
Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram. (D) companhias e preços do carbono e da água.
(E) políticas de crescimento e preços adequados.

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LÍNGUA PORTUGUESA

02. (AGENTE DE APOIO ADMINISTRATIVO – FCC – 07. (AGENTE DE APOIO OPERACIONAL – VUNESP –
2013- adap.). Fazendo-se as alterações necessárias, o tre- 2013).
cho grifado está corretamente substituído por um prono- Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ-
me em: tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo prazo.
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo- Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta
lhes desalentado e respectivamente, considerando a norma culta da língua.
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem A) a que … acaba … à
de conhecê-lo? B) com que … acabam … à
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não C) de que … acabam … a
parecia ser-lhe D) em que … acaba … a
E) incomodaram o general... − incomodaram-no E) dos quais … acaba … à

03.(AGENTE DE DEFENSORIA PÚBLICA – FCC – 2013- 08. (AGENTE DE APOIO SOCIOEDUCATIVO – VUNESP
adap.). A substituição do elemento grifado pelo pronome – 2013-adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e
respectivamente, as lacunas do trecho.
correspondente, com os necessários ajustes, foi realizada
______alguns anos, num programa de televisão, uma jo-
de modo INCORRETO em:
vem fazia referência______ violência______ o brasileiro estava
A) mostrando o rio= mostrando-o.
sujeito de forma cômica.
B) como escolher sítio= como escolhê-lo.
A) Fazem... a ... de que
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes. B) Faz ...a ... que
D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = C) Fazem ...à ... com que
nada lhes acrescentariam. D) Faz ...à ... que
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas. E) Faz ...à ... a que

04. (PAPILOSCOPISTA POLICIAL – VUNESP – 2013). As- 09. (TRF 3ª REGIÃO- TÉCNICO JUDICIÁRIO - /2014)
sinale a alternativa em que o pronome destacado está po- As sereias então devoravam impiedosamente os tripu-
sicionado de acordo com a norma-padrão da língua. lantes.
(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta. ... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a ca-
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família. beça...
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais. ... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha.
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança. Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
grifados acima foram corretamente substituídos por um
05. (ESCREVENTE TJ SP – VUNESP 2011). Assinale a al- pronome, na ordem dada, em:
ternativa cujo emprego do pronome está em conformidade (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
com a norma padrão da língua. (B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos. (C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes
(B) Nos falaram que a diplomacia americana está aba- (D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los
lada. (E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks.
(D) Conformado, se rendeu às punições. 10. (AGENTE DE VIGILÂNCIA E RECEPÇÃo – VUNESP
(E) Todos querem que combata-se a corrupção. – 2013- adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras
06. (PAPILOSCOPISTA POLICIAL - VUNESP - 2013). As- dos estabelecimentos felizmente comprovam os aconteci-
mentos, e testemunhas vão ajudar a polícia na investiga-
sinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal,
ção. – de acordo com a norma-padrão, os pronomes que
de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
substituem, corretamente, os termos em destaque são:
(A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que
A) os comprovam … ajudá-la.
eles sejam sempre trazidos junto ao corpo.
B) os comprovam …ajudar-la.
(B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situa- C) os comprovam … ajudar-lhe.
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
(C) Nos sentimos impotentes quando não consegui- E) lhes comprovam … ajudá-la.
mos restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe GABARITO
que abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma 01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
tendência natural das pessoas em devolvê-los a seus do- 06. A 07. C 08. E 09. A 10. A
nos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO 8-)
Faz alguns anos, num programa de televisão, uma
1-) jovem fazia referência à violência a que o brasileiro
Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, estava sujeito de forma cômica.
não está claro até onde pode realmente chegar uma po- Faz, no sentido de tempo passado = sempre no sin-
lítica baseada em melhorar a eficiência sem preços ade- gular
quados para o carbono, a água e (na maioria dos países
pobres) a terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos 9-)
preços do carbono e da água faça em si diferença, as com- devoravam - verbo terminado em “m” = pronome
panhias não podem suportar ter de pagar, de repente, di- oblíquo no/na (fizeram-na, colocaram-no)
gamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto;
preparação. Portanto, elas começam a usar preços-som- “lhe” é para objeto indireto
bra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma- convencer - verbo transitivo direto = pede objeto dire-
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos. to; “lhe” é para objeto indireto
E sem eles a maioria das políticas de crescimento verde (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
sempre será a segunda opção.
10-)
2-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabelecimen-
tos felizmente comprovam os acontecimentos, e testemu-
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
nhas vão ajudar a polícia na investigação.
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os
felizmente os comprovam ... ajudá-la
desalentado
(advérbio)
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
conhecê-las ?
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não
parecia sê-lo Substantivo
3-) Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Subs-
transpor [...] as matas espessas= transpô-las tantivo é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais
denominam os seres. Além de objetos, pessoas e fenôme-
4-) nos, os substantivos também nomeiam:
(A) Ela não se lembrava do caminho de volta. -lugares: Alemanha, Porto Alegre...
(B) A menina tinha se distanciado muito da família. -sentimentos: raiva, amor...
(C) A garota disse que se perdeu dos pais. -estados: alegria, tristeza...
(E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança -qualidades: honestidade, sinceridade...
-ações: corrida, pescaria...
5-)
(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos. Morfossintaxe do substantivo
(B) Falaram-nos que a diplomacia americana está aba-
lada. Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em
(D) Conformado, rendeu-se às punições. geral exerce funções diretamente relacionadas com o ver-
(E) Todos querem que se combata a corrupção. bo: atua como núcleo do sujeito, dos complementos ver-
bais (objeto direto ou indireto) e do agente da passiva.
6-) Pode ainda funcionar como núcleo do complemento no-
(B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situa- minal ou do aposto, como núcleo do predicativo do sujeito,
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. do objeto ou como núcleo do vocativo. Também encontra-
(C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos mos substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e
de adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
penhadas por grupos de palavras.
(D) O homem indignou-se quando lhe propuseram
que abrisse a bolsa que encontrara.
Classificação dos Substantivos
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma ten-
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos. 1- Substantivos Comuns e Próprios
7-) Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila,
Há pessoas que, mesmo sem condições, compram pro- com muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas
dutos de que não necessitam e acabam tendo de (no Brasil, toda a sede de município é cidade). 2. O centro de
pagar tudo a prazo. uma cidade (em oposição aos bairros).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas e Substantivo coletivo Conjunto de:
edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada cidade. assembleia pessoas reunidas
Isso significa que a palavra cidade é um substantivo comum. alcateia lobos
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de acervo livros
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, ho- antologia trechos literários selecionados
mem, mulher, país, cachorro. arquipélago ilhas
Estamos voando para Barcelona. banda músicos
bando desordeiros ou malfeitores
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da espé- banca examinadores
cie cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Próprio: é batalhão soldados
aquele que designa os seres de uma mesma espécie de forma
cardume peixes
particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
caravana viajantes peregrinos
2 - Substantivos Concretos e Abstratos cacho frutas
LÂMPADA MALA cáfila camelos
cancioneiro canções, poesias líricas
Os substantivos lâmpada e mala designam seres com colmeia abelhas
existência própria, que são independentes de outros seres. chusma gente, pessoas
São substantivos concretos. concílio bispos
congresso parlamentares, cientistas.
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que elenco atores de uma peça ou filme
existe, independentemente de outros seres. esquadra navios de guerra
Obs.: os substantivos concretos designam seres do mun- enxoval roupas
do real e do mundo imaginário. falange soldados, anjos
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, Bra- fauna animais de uma região
sília, etc. feixe lenha, capim
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantasma, etc. flora vegetais de uma região
frota navios mercantes, ônibus
Observe agora: girândola fogos de artifício
Beleza exposta
horda bandidos, invasores
Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual.
junta médicos, bois, credores, examina-
O substantivo beleza designa uma qualidade. dores
júri jurados
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que legião soldados, anjos, demônios
dependem de outros para se manifestar ou existir. leva presos, recrutas
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser malta malfeitores ou desordeiros
observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa ou manada búfalos, bois, elefantes,
coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para se ma- matilha cães de raça
nifestar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo abstrato. molho chaves, verduras
Os substantivos abstratos designam estados, qualidades, multidão pessoas em geral
ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser abstraí- ninhada pintos
dos, e sem os quais não podem existir: vida (estado), rapidez nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos,
(qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento). etc.)
penca bananas, chaves
3 - Substantivos Coletivos pinacoteca pinturas, quadros
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra quadrilha ladrões, bandidos
abelha, mais outra abelha. ramalhete flores
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
rebanho ovelhas
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
récua bestas de carga, cavalgadura
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne-
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, mais repertório peças teatrais, obras musicais
outra abelha... réstia alhos ou cebolas
No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural. romanceiro poesias narrativas
No terceiro caso, empregou-se um substantivo no revoada pássaros
singular (enxame) para designar um conjunto de seres da sínodo párocos
mesma espécie (abelhas). talha lenha
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. tropa muares, soldados
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, turma estudantes, trabalhadores
mesmo estando no singular, designa um conjunto de seres vara porcos
da mesma espécie.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Formação dos Substantivos Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam


uma única forma, que serve tanto para o masculino quanto
Substantivos Simples e Compostos para o feminino. Classificam-se em:
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a
terra. - Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a
O substantivo chuva é formado por um único elemento cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré
ou radical. É um substantivo simples. fêmea.
- Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pes-
Substantivo Simples: é aquele formado por um único soas: a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio,
elemento. o ídolo, o indivíduo.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja - Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pes-
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- soas por meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. doente, o artista e a artista.
Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou
mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo. Saiba que: Substantivos de origem grega terminados
em ema ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o
Substantivos Primitivos e Derivados sistema, o sintoma, o teorema.
Meu limão meu limoeiro, - Existem certos substantivos que, variando de gêne-
meu pé de jacarandá... ro, variam em seu significado: o rádio (aparelho receptor)
e a rádio (estação emissora) o capital (dinheiro) e a capital
O substantivo limão é primitivo, pois não se originou (cidade)
de nenhum outro dentro de língua portuguesa.
Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
nenhuma outra palavra da própria língua portuguesa. O
substantivo limoeiro é derivado, pois se originou a partir - Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
da palavra limão. - aluna.
Substantivo Derivado: é aquele que se origina de ou- - Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao
tra palavra. masculino: freguês - freguesa
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino
Flexão dos substantivos de três formas:
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- - troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por - troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
exemplo, pode sofrer variações para indicar: -troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
Plural: meninos Feminino: menina Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão
Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho - sultana

Flexão de Gênero - Substantivos terminados em -or:


Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar - acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há - troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz
dois gêneros: masculino e feminino. Pertencem ao gênero
masculino os substantivos que podem vir precedidos dos - Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: côn-
artigos o, os, um, uns. Veja estes títulos de filmes: sul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque
O velho e o mar - duquesa / conde - condessa / profeta - profetisa
Um Natal inesquecível
Os reis da praia - Substantivos que formam o feminino trocando o -e
final por -a: elefante - elefanta
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: - Substantivos que têm radicais diferentes no masculi-
A história sem fim no e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
Uma cidade sem passado
As tartarugas ninjas - Substantivos que formam o feminino de maneira es-
pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores:
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes czar – czarina réu - ré
Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar no-
mes de seres vivos, geralmente o gênero da palavra está re- Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes
lacionado ao sexo do ser, havendo, portanto, duas formas,
uma para o masculino e outra para o feminino. Observe: Epicenos:
gato – gata, homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
prefeita

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LÍNGUA PORTUGUESA

Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso - São geralmente masculinos os substantivos de ori-
ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
para indicar o masculino e o feminino. grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o
para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha- eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o traco-
mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver ma, o hematoma.
a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras
macho e fêmea. Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
A cobra macho picou o marinheiro.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. Gênero dos Nomes de Cidades

Sobrecomuns: Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.


Entregue as crianças à natureza. A histórica Ouro Preto.
A dinâmica São Paulo.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo mas- A acolhedora Porto Alegre.
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem Uma Londres imensa e triste.
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:
A criança chorona chamava-se João. Gênero e Significação
A criança chorona chamava-se Maria.
Muitos substantivos têm uma significação no masculi-
Outros substantivos sobrecomuns: no e outra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa à frente da tropa, indica os movimentos que se deve realizar
criatura. em conjunto; o que vai à frente de um bloco carnavalesco,
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de manejando um bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que
Marcela faleceu marca um limite ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe),
a cabeça (parte do corpo), o cisma (separação religiosa, dissi-
dência), a cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor
Comuns de Dois Gêneros:
cinzenta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinhei-
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
ro), a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
(cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma
administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme.
(sacramento da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de
A distinção de gênero pode ser feita através da análise
curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície
do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti- de vegetação), o guia (pessoa que guia outras), a guia (docu-
vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem mento, pena grande das asas das aves), o grama (unidade de
- uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran- peso), a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa
cês - repórter francesa (recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente
- A palavra personagem é usada indistintamente nos (vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade,
dois gêneros. bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
preferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala
os personagens dos contos de carochinha. (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, antepa-
b) Com referência a mulher, deve-se preferir o femini- ro), o rádio (aparelho receptor), a rádio (estação emissora), o
no: O problema está nas mulheres de mais idade, que não voga (remador), a voga (moda, popularidade).
aceitam a personagem.
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo Flexão de Número do Substantivo
fotográfico Ana Belmonte.
Observe o gênero dos substantivos seguintes: Em português, há dois números gramaticais: o singular,
que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica
(pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o do plural é o “s” final.
maracajá, o clã, o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o
soprano, o proclama, o pernoite, o púbis. Plural dos Substantivos Simples

Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a - Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido, “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa). ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon
- cânones.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural - Flexiona-se somente o segundo elemento, quando
em “ns”: homem - homens. formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plu- palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
ral pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. alto- -falantes
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
Atenção: O plural de caráter é caracteres.
- Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam- formados de:
se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; cara- substantivo + preposição clara + substantivo = água-
col – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul de-colônia e águas-de-colônia
e cônsules. substantivo + preposição oculta + substantivo = cava-
lo-vapor e cavalos-vapor
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de substantivo + substantivo que funciona como deter-
minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo
duas maneiras:
do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
-relógio - bombas-relógio, notícia-bomba - notícias-bomba,
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
homem-rã - homens-rã, peixe-espada - peixes-espada.
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas - Permanecem invariáveis, quando formados de:
maneiras: répteis ou reptis (pouco usada). verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os sa-
- Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de ca-rolhas
duas maneiras:
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o - Casos Especiais
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses o louva-a-deus e os louva-a-deus
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam inva- o bem-te-vi e os bem-te-vis
riáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. o bem-me-quer e os bem-me-queres
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural
de três maneiras. Plural das Palavras Substantivadas
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.
- Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: O aluno errou na prova dos noves.
o látex - os látex. Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
Plural dos Substantivos Compostos Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou
“z” não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
-A formação do plural dos substantivos compostos de- tos seis e alguns dez.
pende da forma como são grafados, do tipo de palavras
que formam o composto e da relação que estabelecem en- Plural dos Diminutivos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final
tre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se
e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
como os substantivos simples: aguardente/aguardentes,
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malme-
animai(s) + zinhos = animaizinhos
queres.
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
O plural dos substantivos compostos cujos elementos chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e farói(s) + zinhos = faroizinhos
discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
- Flexionam-se os dois elementos, quando formados flore(s) + zinhas = florezinhas
de: mão(s) + zinhas = mãozinhas
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores papéi(s) + zinhos = papeizinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per- nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
feitos funi(s) + zinhos = funizinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho- túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
mens pai(s) + zinhos = paizinhos
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras pé(s) + zinhos = pezinhos
pé(s) + zitos = pezitos

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LÍNGUA PORTUGUESA

Plural dos Nomes Próprios Personativos Flexão de Grau do Substantivo

Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
sempre que a terminação preste-se à flexão. as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
Os Napoleões também são derrotados. - Grau Normal - Indica um ser de tamanho considera-
As Raquéis e Esteres. do normal. Por exemplo: casa
- Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho
Plural dos Substantivos Estrangeiros do ser. Classifica-se em:
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adje-
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es- tivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz. cador de aumento. Por exemplo: casarão.
- Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acor- do ser. Pode ser:
do com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
os réquiens. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
Observe o exemplo: cador de diminuição. Por exemplo: casinha.
Este jogador faz gols toda vez que joga.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. Verbo

Plural com Mudança de Timbre Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pes-
soa, número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros
Certos substantivos formam o plural com mudança de processos: ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover);
timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato ocorrência (nascer); desejo (querer).
fonético chamado metafonia (plural metafônico). O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não
Singular Plural os seus possíveis significados. Observe que palavras como
corpo (ô) corpos (ó) corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo
esforço esforços ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam,
fogo fogos porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos
forno fornos possuem.
fosso fossos
Estrutura das Formas Verbais
imposto impostos
olho olhos
Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode
osso (ô) ossos (ó)
apresentar os seguintes elementos:
ovo ovos
poço poços - Radical: é a parte invariável, que expressa o significa-
porto portos do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am.
posto postos (radical fal-)
tijolo tijolos - Tema: é o radical seguido da vogal temática que in-
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol- dica a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo:
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc. fala-r
São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (fa-
Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), lar), 2ª - Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática
de molho (ó) = feixe (molho de lenha). - I - (partir).
- Desinência modo-temporal: é o elemento que de-
Particularidades sobre o Número dos Substantivos signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
- Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
norte, o leste, o oeste, a fé, etc. - Desinência número-pessoal: é o elemento que de-
- Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, signa a pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (sin-
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes. gular ou plural):
- Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, falavam (indica a 3ª pessoa do plural.)
bom nome) e honras (homenagem, títulos).
- Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados
com sentido de plural: (compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação,
Aqui morreu muito negro. pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”,
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas apesar de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em
improvisadas. algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Formas Rizotônicas e Arrizotônicas 4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente


de “ser possível”. Por exemplo:
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura Não deu para chegar mais cedo.
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- Dá para me arrumar uns trocados?
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por * Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conju-
exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai gam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do
no radical, mas sim na terminação verbal: opinei, aprende- plural.
rão, nutriríamos. A fruta amadureceu.
As frutas amadureceram.
Classificação dos Verbos
Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como
Classificam-se em: verbos pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadu-
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências receu bastante.
normais de sua conjugação e cuja flexão não provoca alte-
rações no radical: canto cantei cantarei cantava
Entre os unipessoais estão os verbos que significam
cantasse.
vozes de animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodi-
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera-
lo, cacarejar: galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo
ções no radical ou nas desinências: faço fiz farei fi-
zesse.
- Defectivos: são aqueles que não apresentam conju- Os principais verbos unipessoais são:
gação completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais 1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser
e pessoais: (preciso, necessário, etc.):
* Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Nor- Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos
malmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os bastante.)
principais verbos impessoais são: Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali- É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)
zar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam) 2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, segui-
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram) dos da conjunção que.
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão) Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) fumar.)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo
** fazer, ser e estar (quando indicam tempo) Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil. Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.
Era primavera quando a conheci.
Estava frio naquele dia.
** Todos os verbos que indicam fenômenos da natu- * Pessoais: não apresentam algumas flexões por moti-
reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, vos morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:
amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, - verbo falir. Este verbo teria como formas do presente
“Amanheci mal- -humorado”, usa-se o verbo “ama- do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar -
nhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo impessoal, o que provavelmente causaria problemas de interpretação
empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal em certos contextos.
para ser pessoal. - verbo computar. Este verbo teria como formas do pre-
Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu)
sente do indicativo computo, computas, computa - formas
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
de sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvidos
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o uso
efetivo de formas verbais repudiadas por alguns gramáti-
** São impessoais, ainda:
1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando cos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que, com
tempo: Já passa das seis. o desenvolvimento e a popularização da informática, tem
2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.
de, indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blas-
fêmias. - Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma
3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno
bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem re- costuma ocorrer no particípio, em que, além das formas re-
ferência a sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda, gulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas
nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando- formas curtas (particípio irregular). Observe:
se, tais verbos, então, pessoais.

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LÍNGUA PORTUGUESA

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais,
ides, fui, foste, pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal,
quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar as moscas.
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

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LÍNGUA PORTUGUESA

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

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LÍNGUA PORTUGUESA

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:
- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já
está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia refle-
xiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em
geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados,
formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo:
Maria penteou-me.

Observações:
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.

57
LÍNGUA PORTUGUESA

- Há verbos que também são acompanhados de prono- - Particípio: quando não é empregado na formação
mes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente pro- dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o
nominais, são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gê-
pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à nero, número e grau. Por exemplo:
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo: Terminados os exames, os candidatos saíram.
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me
(objeto direto) - 1ª pessoa do singular Quando o particípio exprime somente estado, sem
nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a
Modos Verbais função de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas aluna escolhida para representar a escola.
pelo verbo na expressão de um fato. Em Português, exis-
tem três modos: Tempos Verbais
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu Tomando-se como referência o momento em que se
sempre estudo. fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: tempos. Veja:
Talvez eu estude amanhã.
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda 1. Tempos do Indicativo
agora, menino. - Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste
colégio.
Formas Nominais - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for- num momento anterior ao atual, mas que não foi comple-
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo, tamente terminado: Ele estudava as lições quando foi inter-
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas rompido.
nominais. Observe: - Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do ver- momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado:
Ele estudou as lições ontem à noite.
bo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função
de substantivo. Por exemplo:
- Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato
Viver é lutar. (= vida é luta)
ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha es-
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
tudado as lições quando os amigos chegaram. (forma com-
posta) Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram.
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen-
(forma simples).
te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por
exemplo: - Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve
É preciso ler este livro. ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento
Era preciso ter lido este livro. atual: Ele estudará as lições amanhã.
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três - Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode
pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do im- eu tivesse dinheiro, viajaria nas férias.
pessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira: 2. Tempos do Subjuntivo
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu)
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós) - Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no mo-
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós) mento atual: É conveniente que estudes para o exame.
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles) - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado,
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele ven-
boa colocação. cesse o jogo.

- Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas cons-
ou advérbio. Por exemplo: truções em que se expressa a ideia de condição ou desejo.
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ad- Por exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do cam-
vérbio) peonato.
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de
adjetivo) - Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode
ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em ele vier à loja, levará as encomendas.
curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exem-
plo: Obs.: o futuro do presente é também usado em frases
Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro. que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele
Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro. vier à loja, levará as encomendas.

58
LÍNGUA PORTUGUESA

Presente do Indicativo
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª/2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

59
LÍNGUA PORTUGUESA

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e
pessoa correspondente.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

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LÍNGUA PORTUGUESA

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:

- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (AGENTE POLÍCIA - VUNESP 2013) Considere o trecho a seguir.


É comum que objetos ___________ esquecidos em locais públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as pes-
soas _____________ a atenção voltada para seus pertences, conservando-os junto ao corpo.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
(A) sejam … mantesse
(B) sejam … mantivessem
(C) sejam … mantém
(D) seja … mantivessem
(E) seja … mantêm

02. (MGS - TÉCNICO CONTÁBIL – IBFC/2017-adaptada)


Em “Assim, muitos casais têm quatro, seis, dez filhos”, nota--se que o acento do verbo em destaque deve-se a uma
exigência de concordância. Assinale a alternativa correta em relação ao emprego desse mesmo verbo.
a) No Brasil, a sociedade têm várias questões.
b) O jovem têm um grande desafio pela frente.
c) As pessoas tem muitos planos.
d) A mentira tem perna curta.

03. (ESCREVENTE TJ SP VUNESP 2013-adap.) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas
interações sociais terminam, 99% das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
(A) considerar ao acaso, sem premeditação.
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela.
(C) adotar como referência de qualidade.
(D) julgar de acordo com normas legais.
(E) classificar segundo ideias preconcebidas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

04. (ESCREVENTE TJ SP VUNESP 2013) Assinale a alter- A) Os consumidores são assediados pelo marketing …
nativa contendo a frase do texto na qual a expressão verbal B) … somente eles podem decidir se irão ou não com-
destacada exprime possibilidade. prar.
(A) ... o cientista Theodor Nelson sonhava com um sis- C) É como se abrissem em nós uma “caixa de neces-
tema capaz de disponibilizar um grande número de obras sidades”…
literárias... D) … de onde vem o produto…?
(B) Funcionando como um imenso sistema de informa- E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas…
ção e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme
arquivo virtual. 09. (AGERBA - TÉCNICO EM REGULAÇÃO – IBFC/
(C) Isso acarreta uma textualidade que funciona por 2017-adaptada)
associação, e não mais por sequências fixas previamente A flexão de alguns verbos, sobretudo os irregulares,
estabelecidas. pode causar confusão. O verbo “quis”, presente em “Minha
(D) Desde o surgimento da ideia de hipertexto, esse mãe sempre quis viajar” é um exemplo típico. Nesse sen-
conceito está ligado a uma nova concepção de textuali- tido, assinale a alternativa em que se indica INCORRETA-
dade... MENTE a sua flexão.
(E) Criou, então, o “Xanadu”, um projeto para disponi- a) queres – Presente do Indicativo.
bilizar toda a literatura do mundo... b) queria – Futuro do Pretérito do Indicativo.
c) quisera – Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo.
05.(POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO d) queira – Presente do Subjuntivo.
SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) No trecho: “O e) quisesse – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo.
crescimento econômico, se associado à ampliação do empre- 10. (AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA PENITEN-
go, PODE melhorar o quadro aqui sumariamente descrito.”, CIÁRIA – VUNESP – 2013-adap.). Leia as frases a seguir.
se passarmos o verbo destacado para o futuro do pretérito I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de ma-
do indicativo, teremos a forma: deira no animal.
A) puder. II. Existiam muitos ferimentos no boi.
B) poderia. III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida
C) pôde. movimentada.
Substituindo-se o verbo Haver pelo verbo Existir e este
D) poderá.
pelo verbo Haver, nas frases, têm-se, respectivamente:
E) pudesse.
A) Existia – Haviam – Existiam
B) Existiam – Havia – Existiam
06. (ESCREVENTE TJ SP VUNESP 2013) Assinale a al-
C) Existiam – Haviam – Existiam
ternativa em que todos os verbos estão empregados de
D) Existiam – Havia – Existia
acordo com a norma- -padrão.
E) Existia – Havia – Existia
(A) Enviaram o texto, para que o revíssemos antes da
impressão definitiva.
GABARITO
(B) Não haverá prova do crime se o réu se manter em
silêncio. 01. B 02. D 03. E 04. B 05. B
(C) Vão pagar horas-extras aos que se disporem a tra- 06. A 07. C 08. B 09. B 10. D
balhar no feriado.
(D) Ficarão surpresos quando o verem com a toga... RESOLUÇÃO
(E) Se você quer a promoção, é necessário que a reque-
ra a seu superior. 1-)
É comum que objetos sejam esquecidos em locais
07. (PAPILOSCOPISTA POLICIAL VUNESP 2013-adap.) públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
Assinale a alternativa que substitui, corretamente e sem al- as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus
terar o sentido da frase, a expressão destacada em – Se a pertences, conservando-os junto ao corpo.
criança se perder, quem encontrá-la verá na pulseira ins-
truções para que envie uma mensagem eletrônica ao gru- 2-)
po ou acione o código na internet. Analisemos:
(A) Caso a criança se havia perdido… a) No Brasil, a sociedade têm várias questões. = a so-
(B) Caso a criança perdeu… ciedade tem (verbo no singular)
(C) Caso a criança se perca… b) O jovem têm um grande desafio pela frente. = o
(D) Caso a criança estivera perdida… jovem tem (verbo no singular)
(E) Caso a criança se perda… c) As pessoas tem muitos planos. = as pessoas têm
(verbo no plural)
08. (AGENTE DE APOIO OPERACIONAL – VUNESP – d) A mentira tem perna curta. = correta
2013-adap.). Assinale a alternativa em que o verbo desta- RESPOSTA: D
cado está no tempo futuro.

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LÍNGUA PORTUGUESA

3-) III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida


Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata- movimentada.
se de um ser cujas interações sociais terminam, 99% das Haver – sentido de existir= invariável, impessoal;
vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”. existir = variável. Portanto, temos:
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de I – Existiam onze pessoas...
classificar segundo ideias preconcebidas. II – Havia muitos ferimentos...
III – Existia muita gente...
4-)
(B) Funcionando como um imenso sistema de informa- Vozes do Verbo
ção e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme
arquivo virtual. = verbo no futuro do pretérito Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo
para indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente
5-) da ação. São três as vozes verbais:
Conjugando o verbo “poder” no futuro do pretérito do
Indicativo: eu poderia, tu poderias, ele poderia, nós pode- - Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
ríamos, vós poderíeis, eles poderiam. O sujeito da oração ação expressa pelo verbo. Por exemplo:
é crescimento econômico (singular), portanto, terceira pes- Ele fez o trabalho.
soa do singular (ele) = poderia. sujeito agente ação objeto
(paciente)
6-)
(B) Não haverá prova do crime se o réu se mantiver em
- Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a
silêncio.
ação expressa pelo verbo. Por exemplo:
(C) Vão pagar horas-extras aos que se dispuserem a
O trabalho foi feito por ele.
trabalhar no feriado.
sujeito paciente ação agente da pas-
(D) Ficarão surpresos quando o virem com a toga...
(E) Se você quiser a promoção, é necessário que a re- siva
queira a seu superior.
- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agen-
7-) te e paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo:
Caso a criança se perca…(perda = substantivo: Houve O menino feriu-se.
uma grande perda salarial...)
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com
8-) a noção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao
A) Os consumidores são assediados pelo marketing = outro)
presente
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessi- Formação da Voz Passiva
dades”… = pretérito do Subjuntivo
D) … de onde vem o produto…? = presente A voz passiva pode ser formada por dois processos:
E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… = analítico e sintético.
pretérito perfeito 1- Voz Passiva Analítica
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particí-
9-) pio do verbo principal. Por exemplo:
Vamos aos itens: A escola será pintada.
a) queres – Presente do Indicativo = eu quero, tu que- O trabalho é feito por ele.
res - correta.
b) queria – Futuro do Pretérito do Indicativo = eu que- Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado
reria, tu quererias, ele quereria - incorreta. da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a
c) quisera – Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo = preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de solda-
eu quisera, ele quisera – correta. dos.
d) queira – Presente do Subjuntivo = que eu queira,
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não
que tu queiras, que ele queira - correta
esteja explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
e) quisesse – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo = se eu
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar
quisesse, se tu quisesses, se ele quisesse – correta.
(SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma-
RESPOSTA: B
ção das frases seguintes:
10-) a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indi-
madeira no animal. cativo)
II. Existiam muitos ferimentos no boi.

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LÍNGUA PORTUGUESA

b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) Saiba que:


O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) - Aos verbos que não são ativos nem passivos ou refle-
xivos, são chamados neutros.
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) O vinho é bom.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) Aqui chove muito.

- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume - Há formas passivas com sentido ativo:
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
Observe a transformação da frase seguinte: Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nas-
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) cido.)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio) És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)

Obs.: é menos frequente a construção da voz passi- - Inversamente, usamos formas ativas com sentido
va analítica com outros verbos que podem eventualmente passivo:
funcionar como auxiliares. Por exemplo: A moça ficou mar- Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
cada pela doença. Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)

2- Voz Passiva Sintética - Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido


cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com sujeito é paciente.
o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE. Chamo-me Luís.
Por exemplo: Batizei-me na Igreja do Carmo.
Abriram-se as inscrições para o concurso. Operou-se de hérnia.
Destruiu-se o velho prédio da escola. Vacinaram-se contra a gripe.
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva
sintética. Fonte:
Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz la- http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.
tina de paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacio- php
nam com o significado sofrimento, padecimento. Daí vem o Questões sobre Vozes dos Verbos
significado de voz passiva como sendo a voz que expressa
a ação sofrida pelo sujeito. Na voz passiva temos dois ele-
01. (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI-
mentos que nem sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE e
NISTRAÇÃO – AOCP/2010) Em “Os dados foram divulgados
AGENTE DA PASSIVA.
ontem pelo Instituto Sou da Paz.”, a expressão destacada é
(A) adjunto adnominal.
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
(B) sujeito paciente.
(C) objeto indireto.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
(D) complemento nominal.
tancialmente o sentido da frase.
Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa) (E) agente da passiva.
Sujeito da Ativa objeto Direto
02. (FCC-COPERGÁS – AUXILIAR TÉCNICO ADMINIS-
A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Pas- TRATIVO - 2011) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela
siva) raiz. Transpondo- -se a frase acima para a voz passiva,
Sujeito da Passiva Agente da Passiva a forma verbal resultante será:
(A) era abatido.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o (B) fora abatido.
sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo (C) abatera-se.
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo. (D) foi abatido.
Observe mais exemplos: (E) tinha abatido
- Os mestres têm constantemente aconselhado os alu-
nos. 03. (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos ... valores e princípios que sejam percebidos pela socie-
mestres. dade como tais.
Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo pas-
- Eu o acompanharei. sará a ser, corretamente,
Ele será acompanhado por mim. (A) perceba.
(B) foi percebido.
Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, (C) tenham percebido.
não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: (D) devam perceber.
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado. (E) estava percebendo.

64
LÍNGUA PORTUGUESA

04. (TJ/RJ – TÉCNICO DE ATIVIDADE JUDICIÁRIA SEM (A) veio a ser entendida.
ESPECIALIDADE – FCC/2012) As ruas estavam ocupadas (B) teria entendido.
pela multidão... (C) fora entendida.
A forma verbal resultante da transposição da frase aci- (D) terá sido entendida.
ma para a voz ativa é: (E) tê-la-ia entendido.
(A) ocupava-se.
(B) ocupavam. 10. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL
(C) ocupou. PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011 - ADAP-
(D) ocupa. TADA)
(E) ocupava. ... ele empreende, de maneira quase clandestina, a série
Mulheres.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
05. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
verbal resultante será:
A frase que NÃO admite transposição para a voz passiva (A) foi empreendida.
está em: (B) são empreendidos.
(A) Quando Rodolfo surgiu... (C) foi empreendido.
(B) ... adquiriu as impressoras... (D) é empreendida.
(C) ... e sustentar, às vezes, família numerosa. (E) são empreendidas.
(D) ... acolheu-o como patrono.
(E) ... que montou [...] a primeira grande folhetaria do GABARITO
Recife ...
01. E 02. D 03. A 04. E 05. A
06. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – 06. B 07. C 08. D 09. A 10. D
FCC/2010) O engajamento moral e político não chegou a
constituir um deslocamento da atenção intelectual de Said ... RESOLUÇÃO
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a for-
ma verbal resultante é: 1-)
a) se constituiu. No enunciado temos uma oração com a voz passiva do
verbo. Transformando-a em ativa, teremos: “O Instituto Sou
b) chegou a ser constituído.
da Paz divulgou dados”. Nessa, “Instituto Sou da Paz” fun-
c) teria chegado a constituir.
ciona como sujeito da oração, ou seja, na passiva sua função
d) chega a se constituir. é a de agente da passiva. O sujeito paciente é “os dados”.
e) chegaria a ser constituído.
07. (METRÔ/SP – TÉCNICO SISTEMAS METROVIÁRIOS 2-) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. =
CIVIL – FCC/2014 - ADAPTADA) ...’sertanejo’ indicava indis- Ele foi abatido...
tintamente as músicas produzidas no interior do país...
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a for- 3-)
ma verbal resultante será: ... valores e princípios que sejam percebidos pela so-
(A) vinham indicadas. ciedade como tais = dois verbos na voz passiva, então te-
(B) era indicado. remos um na ativa: que a sociedade perceba os valores e
(C) eram indicadas. princípios...
(D) tinha indicado.
(E) foi indicada. 4-)
As ruas estavam ocupadas pela multidão = dois verbos
08. (GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – na passiva, um verbo na ativa:
PROCON – AGENTE ADMINISTRATIVO – CEPERJ/2012 - A multidão ocupava as ruas.
adaptada) Um exemplo de construção na voz passiva está
5-)
em:
B = as impressoras foram adquiridas...
(A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos”
C = família numerosa é sustentada...
(B) “o consumidor pode solicitar a devolução do di- D – foi acolhido como patrono...
nheiro” E – a primeira grande folhetaria do Recife foi montada...
(C) “enviar o brinquedo por sedex”
(D) “A empresa também é obrigada pelo Código de De- 6-)
fesa do Consumidor” O engajamento moral e político não chegou a consti-
(E) “A empresa fez campanha para recolher” tuir um deslocamento da atenção intelectual de Said = dois
verbos na voz ativa, mas com presença de preposição e, um
09. (METRÔ/SP –SECRETÁRIA PLENO – FCC/2010) deles, no infinitivo, então o verbo auxiliar “ser” ficará no in-
Transpondo-se para a voz passiva a construção Mais tarde finitivo (na voz passiva) e o verbo principal (constituir) ficará
vim a entender a tradução completa, a forma verbal resul- no particípio: Um deslocamento da atenção intelectual de
tante será: Said não chegou a ser constituído pelo engajamento...

65
LÍNGUA PORTUGUESA

7-) Os funcionários FORAM CONVOCADOS pelo diretor.


’sertanejo’ indicava indistintamente as músicas produ- (aux.: SER; princ.: CONVOCAR)
zidas no interior do país.
As músicas produzidas no país eram indicadas pelo Os estudantes ESTÃO RESPONDENDO às questões.
sertanejo, indistintamente. (aux.: ESTAR; princ.: RESPONDER)

8-) Os trabalhadores TÊM ENFRENTADO muitos proble-


(A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos” = voz ativa mas.(aux.: TER; princ.: ENFRENTAR)
(B) “o consumidor pode solicitar a devolução do di-
nheiro” = voz ativa O vereador HAVIA DENUNCIADO seus companheiros.
(C) “enviar o brinquedo por sedex” = voz ativa (aux.: HAVER; princ.: DENUNCIAR)
(D) “A empresa também é obrigada pelo Código de
Defesa do Consumidor” = voz passiva Os alunos DEVEM ESTUDAR todos os dias. (aux.: DE-
(E) “A empresa fez campanha para recolher” = voz ativa VER; princ.: ESTUDAR)

9-) Sujeito
Mais tarde vim a entender a tradução completa...
A tradução completa veio a ser entendida por mim. Para se descobrir qual o sujeito do verbo (ou da locu-
ção verbal), deve-se perguntar a ele (ou a ela) o seguinte:
10-) Que(m) é que ..........? A resposta será o sujeito. Por exemplo,
ele empreende, de maneira quase clandestina, a série analisemos a primeira frase dentre as apresentadas acima:
Mulheres. Os funcionários foram convocados pelo diretor.
A série de mulheres é empreendida por ele, de maneira
quase clandestina. O princípio é o verbo. Procura-se, portanto, o verbo: é
a locução verbal foram convocados. - - Pergunta-se a ela:
Que(m) é que foi convocado?
SINTAXE - Resposta: Os funcionários.
- O sujeito da oração, então, é o seguinte: os funcio-
O princípio é o verbo. nários.
Encontrado o sujeito, parte-se para a análise do verbo:
Essa é a premissa fundamental da Sintaxe, que é a par- Se ele indicar que o sujeito possui uma qualidade, um
te da gramática que estuda as palavras enquanto elementos estado ou um modo de ser, sem praticar ação alguma, será
de uma frase, as suas relações de concordância, de subor- denominado de VERBO DE LIGAÇÃO. Os verbos de ligação
dinação e de ordem. Significa que, ao se realizar a análise mais comuns são os seguintes: ser, estar, parecer, ficar, per-
sintática de uma oração, sempre se inicia pelo verbo. É a manecer e continuar. Não se esqueça, porém, de que só
partir dele que se descobre qual o sujeito da oração, se há a será verbo de ligação o que indicar qualidade, estado ou
indicação de qualidade, estado ou modo de ser do sujeito, modo de ser do sujeito, sem praticar ação alguma. Observe
se ele pratica uma ação ou se a sofre, se há complemento as seguintes frases:
verbal, se há circunstância (adjunto adverbial), etc. O político continuou seu discurso mesmo com todas as
Nem sempre o verbo se apresenta sozinho em uma vaias recebidas.
oração. Em muitos casos, surgem dois ou mais verbos jun- Continuar, nesta frase, não é de ligação já que não in-
tos, para indicar que se pratica ou se sofre uma ação, ou dica qualidade do sujeito, e sim ação.
que o sujeito possui uma qualidade. A essa junção, dá-se A professora estava na sala de aula.
o nome de locução verbal. Toda locução verbal é formada Estar, nesta frase, não é de ligação já que não indica
por um verbo auxiliar (ou mais de um) e um verbo principal qualidade do sujeito, e sim fato.
(somente um).
O verbo auxiliar é o que se relaciona com o sujeito, A garota estava muito alegre.
por isso concorda com este, ou seja, se o sujeito estiver Estar é verbo de ligação porque indica qualidade do
no singular, o verbo auxiliar também ficará no singular; se sujeito.
o sujeito estiver no plural, o verbo auxiliar também ficará
no plural. Na Língua Portuguesa os verbos auxiliares são os Se o verbo indicar que o sujeito pratica uma ação, ou
seguintes: ser, estar, ter, haver, dever, poder, ir, dentre outros. que participa ativamente de um fato, será denominado de
O verbo principal é o que indica se o sujeito possui VERBO INTRANSITIVO ou VERBO TRANSITIVO, de acordo
uma qualidade, se ele pratica uma ação ou se a sofre. É o com o seguinte:
mais importante da locução. Na Língua Portuguesa, o verbo
principal surge sempre no infinitivo (terminado em –ar, -er, - Quem ............ , ................. : Todo verbo que se encaixar
ou –ir), no gerúndio (terminado em –ndo) ou no particípio nessa frase será INTRANSITIVO. Por exemplo, o verbo cor-
(terminado em –ado ou –ido, dentre outras terminações). rer: Quem corre, corre.
Veja alguns exemplos de locuções verbais:

66
LÍNGUA PORTUGUESA

- Quem ............ , ................. algo/alguém: Todo verbo 02.(AGENTE DE DEFENSORIA PÚBLICA – FCC – 2013). Do-
que se encaixar nessa frase será TRANSITIVO DIRETO. Por nos de uma capacidade de orientação nas brenhas selvagens
exemplo, o verbo comer: Quem come, come algo; ou o ver- [...], sabiam os paulistas como...
bo amar: Quem ama, ama alguém. O segmento em destaque na frase acima exerce a mesma
função sintática que o elemento grifado em:
- Quem ............ , ................. + prep. + algo/alguém: Todo A) Nas expedições breves serviam de balizas ou mostra-
verbo que se encaixar nessa frase será TRANSITIVO INDI- dores para a volta.
RETO. Por exemplo, o verbo gostar: Quem gosta, gosta de B) Às estreitas veredas e atalhos [...], nada acrescentariam
algo ou de alguém. As preposições mais comuns são as aqueles de considerável...
seguintes: a, de, em, por, para, sem e com. C) Só a um olhar muito exercitado seria perceptível o sinal.
D) Uma sequência de tais galhos, em qualquer floresta,
- Quem ............ , ................. algo/alguém + prep. + algo/ podia significar uma pista.
alguém: Todo verbo que se encaixar nessa frase será TRAN- E) Alguns mapas e textos do século XVII apresentam-nos
SITIVO DIRETO E INDIRETO - também denominado de BI- a vila de São Paulo como centro...
TRANSITIVO. Por exemplo, o verbo mostrar: Quem mostra,
mostra algo a alguém; ou o verbo informar: Quem informa, 03. Há complemento nominal em:
informa alguém de algo ou Quem informa, informa algo a A)Você devia vir cá fora receber o beijo da madrugada.
alguém. B)... embora fosse quase certa a sua possibilidade de ga-
nhar a vida.
É importante salientar que um verbo só será TRAN- C)Ela estava na janela do edifício.
SITIVO se houver complemento (objeto direto ou objeto D)... sem saber ao certo se gostávamos dele.
indireto). A análise de um verbo depende, portanto, do E)Pouco depois começaram a brincar de bandido e mo-
ambiente sintático em que ele se encontra. Um verbo que cinho de cinema.
aparentemente seja transitivo direto pode ser, na realidade,
intransitivo, caso não haja complemento. Por exemplo, ob- 04. (ESPM-SP) Em “esta lhe deu cem mil contos”, o termo
serve a seguinte frase: destacado é:
O pior cego é aquele que não quer ver. A) pronome possessivo
O verbo “ver” é, aparentemente, transitivo direto, uma B) complemento nominal
vez que se encaixa na frase Quem vê, vê algo. Ocorre, po- C) objeto indireto
rém, que não há o “algo”. O pior cego é aquele que não D) adjunto adnominal
quer ver o quê? Não aparece na oração; não há, portanto, E) objeto direto
o objeto direto. Como não o há, o verbo não pode ser tran-
sitivo direto, e sim intransitivo. 05. Assinale a alternativa correta e identifique o sujeito
Observe, agora, esta frase: Quem dá aos pobres, em- das seguintes orações em relação aos verbos destacados:
presta a Deus. - Amanhã teremos uma palestra sobre qualidade de vida.
Os verbos “dar” e “emprestar” são, aparentemente, - Neste ano, quero prestar serviço voluntário.
transitivos diretos e indiretos, uma vez que se encaixam nas A)Tu – vós
frases Quem dá, dá algo a alguém e Quem empresta, em- B)Nós – eu
presta algo a alguém. Ocorre, porém, que não há o “algo”. C)Vós – nós
Quem dá o que aos pobres empresta o que a Deus? Não D) Ele - tu
aparece na oração; não há, portanto, o objeto direto. Como
não o há, os verbos não podem ser transitivos diretos e 06. Classifique o sujeito das orações destacadas no texto
indiretos, e sim somente transitivos indiretos. seguinte e, a seguir, assinale a sequência correta.
É notável, nos textos épicos, a participação do sobrenatural.
FONTE: É frequente a mistura de assuntos relativos ao nacionalismo
http://www.gramaticaonline.com.br/texto/1231 com o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os deuses tomam
partido e interferem nas aventuras dos heróis, ajudando-os ou
Questões sobre Análise Sintática atrapalhando- -os.
01. (AGENTE DE APOIO ADMINISTRATIVO – FCC – A)simples, composto
2013). Os trabalhadores passaram mais tempo na escola... B)indeterminado, composto
O segmento grifado acima possui a mesma função sin- C)simples, simples
tática que o destacado em: D) oculto, indeterminado
A) ...o que reduz a média de ganho da categoria.
B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa clas- 07. (ESPM-SP) “Surgiram fotógrafos e repórteres”.
se. Identifique a alternativa que classifica corretamente a função
C) O crescimento da escolaridade também foi impul- sintática e a classe morfológica dos termos destacados:
sionado... A) objeto indireto – substantivo
D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino mé- B) objeto direto - substantivo
dio... C) sujeito – adjetivo
E) ...impulsionado pelo aumento do número de uni- D) objeto direto – adjetivo
versidades... E) sujeito - substantivo

67
LÍNGUA PORTUGUESA

GABARITO 7-)
Surgiram fotógrafos e repórteres.
01. C 02. D 03. B 04. C 05. B 06. C 07. E O sujeito está deslocado, colocado na ordem indireta
(final da oração). Portanto: função sintática: sujeito (com-
RESOLUÇÃO posto); classe morfológica (classe de palavras): substanti-
vos.
1-)
Os trabalhadores passaram mais tempo na escola Frase é todo enunciado de sentido completo, podendo
= SUJEITO ser formada por uma só palavra ou por várias, ter verbos ou
A) ...o que reduz a média de ganho da categoria. = ob- não. A frase exprime, através da fala ou da escrita: ideias,
jeto direto emoções, ordens, apelos. Define-se pelo seu propósito co-
B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. municativo, ou seja, pela sua capacidade de, num intercâm-
= objeto direto bio linguístico, transmitir um conteúdo satisfatório para a
C) O crescimento da escolaridade também foi impul- situação em que é utilizada. Exemplos:
sionado... = sujeito paciente O Brasil possui um grande potencial turístico.
D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino mé- Espantoso!
dio... = objeto direto Não vá embora.
E) ...impulsionado pelo aumento do número de univer- Silêncio!
sidades... = agente da passiva O telefone está tocando.

2-) Observação: a frase que não possui verbo denomina-


Donos de uma capacidade de orientação nas brenhas se Frase Nominal.
selvagens [...], sabiam os paulistas como... = SUJEITO Na língua falada, a frase é caracterizada pela entoa-
A) Nas expedições breves = ADJUNTO ADVERBIAL ção, que indica nitidamente seu início e seu fim. A entoação
B) nada acrescentariam aqueles de considerável...= ad- pode vir acompanhada por gestos, expressões do rosto, do
junto adverbial olhar, além de ser complementada pela situação em que o
C) seria perceptível o sinal. = predicativo falante se encontra. Esses fatos contribuem para que fre-
D) Uma sequência de tais galhos = sujeito quentemente surjam frases muito simples, formadas por
E) apresentam-nos a vila de São Paulo como = objeto apenas uma palavra. Observe:
direto
Rua!
Ai!
3-)
A) o beijo da madrugada. = adjunto adnominal
Essas palavras, dotadas de entoação própria, e acom-
B)a sua possibilidade de ganhar a vida. = complemento
panhadas de gestos peculiares, são suficientes para satisfa-
nominal (possibilidade de quê?)
zer suas necessidades expressivas.
C)na janela do edifício. = adjunto adnominal
Na língua escrita, a entoação é representada pelos si-
D)... sem saber ao certo se gostávamos dele. = objeto
nais de pontuação, os quais procuram sugerir a melodia
indireto
E) a brincar de bandido e mocinho de cinema = objeto frasal. Desaparecendo a situação viva, o contexto é forne-
indireto cido pelo próprio texto, o que acaba tornando necessário
4-) que as frases escritas sejam linguisticamente mais comple-
esta lhe deu cem mil contos = o verbo DAR é bitransiti- tas. Essa maior complexidade linguística leva a frase a obe-
vo, ou seja, transitivo direto e indireto, portanto precisa de decer às regras gerais da língua. Portanto, a organização
dois complementos – dois objetos: direto e indireto. e a ordenação dos elementos formadores da frase devem
Deu o quê? = cem mil contos (direto) seguir os padrões da língua. Por isso é que: As meninas
Deu a quem? lhe (=a ele, a ela) = indireto estavam alegres. = constitui uma frase, enquanto: Alegres
meninas estavam as. = não é considerada uma frase da lín-
5-) gua portuguesa.
- Amanhã ( nós ) teremos uma palestra sobre qualida-
de de vida. Tipos de Frases
- Neste ano, ( eu ) quero prestar serviço voluntário.
Muitas vezes, as frases assumem sentidos que só po-
6-) dem ser integralmente captados se atentarmos para o con-
É notável, nos textos épicos, a participação do sobrena- texto em que são empregadas. É o caso, por exemplo, das
tural. É frequente a mistura de assuntos relativos ao nacio- situações em que se explora a ironia. Pense, por exemplo,
nalismo com o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os deu- na frase “Que educação!”, usada quando se vê alguém in-
ses tomam partido e interferem nas aventuras dos heróis, vadindo, com seu carro, a faixa de pedestres. Nesse caso,
ajudando-os ou atrapalhando-os. ela expressa exatamente o contrário do que aparentemen-
Ambos os termos apresentam sujeito simples te diz.

68
LÍNGUA PORTUGUESA

A entoação é um elemento muito importante da frase Estrutura da Frase


falada, pois nos dá uma ampla possibilidade de expressão.
Dependendo de como é dita, uma frase simples como “É As frases que possuem verbo são geralmente estrutu-
ela.” pode indicar constatação, dúvida, surpresa, indigna- radas a partir de dois elementos essenciais: sujeito e pre-
ção, decepção, etc. Na língua escrita, os sinais de pontua- dicado. Isso não significa, no entanto, que tais frases de-
ção podem agir como definidores do sentido das frases. vam ser formadas, no mínimo, por dois vocábulos. Na frase
Existem alguns tipos de frases cuja entoação é mais ou “Saímos”, por exemplo, há um sujeito implícito na termina-
menos previsível, de acordo com o sentido que transmi- ção do verbo: nós.
tem. São elas: O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo
- Frases Interrogativas: ocorrem quando uma per- em número e pessoa. É normalmente o “ser de quem se
gunta é feita pelo emissor da mensagem. São empregadas declara algo”, “o tema do que se vai comunicar”.
quando se deseja obter alguma informação. A interrogação O predicado é a parte da frase que contém “a infor-
pode ser direta ou indireta. mação nova para o ouvinte”. Normalmente, ele se refere
ao sujeito, constituindo a declaração do que se atribui ao
Você aceita um copo de suco? (Interrogação direta)
sujeito. É sempre muito importante analisar qual é o nú-
Desejo saber se você aceita um copo de suco. (Interro-
cleo significativo da declaração: se o núcleo da declaração
gação indireta) estiver no verbo, teremos um predicado verbal (ocorre nas
frases verbais); se o núcleo da declaração estiver em algum
- Frases Imperativas: ocorrem quando o emissor da nome, teremos um predicado nominal (ocorre nas frases
mensagem dá uma ordem, um conselho ou faz um pedido, nominais que possuem verbo de ligação). Observe: O amor
utilizando o verbo no modo imperativo. Podem ser afirma- é eterno.
tivas ou negativas. O tema, o ser de quem se declara algo, o sujeito, é “O
Faça-o entrar no carro! (Afirmativa) amor”. A declaração referente a “o amor”, ou seja, o predi-
Não faça isso. (Negativa) cado, é «é eterno». É um predicado nominal, pois seu nú-
Dê-me uma ajudinha com isso! (Afirmativa) cleo significativo é o nome «eterno». Já na frase: Os rapazes
jogam futebol. O sujeito é “Os rapazes”, que identificamos
- Frases Exclamativas: nesse tipo de frase o emissor por ser o termo que concorda em número e pessoa com o
exterioriza um estado afetivo. Apresentam entoação ligei- verbo “jogam”. O predicado é “jogam futebol”, cujo núcleo
ramente prolongada. Por Exemplo: significativo é o verbo “jogam”. Temos, assim, um predica-
Que prova difícil! do verbal.
É uma delícia esse bolo!
Oração
- Frases Declarativas: ocorrem quando o emissor
constata um fato. Esse tipo de frase informa ou declara al- Uma frase verbal pode ser também uma oração. Para
guma coisa. Podem ser afirmativas ou negativas. isso é necessário:
Obrigaram o rapaz a sair. (Afirmativa) - que o enunciado tenha sentido completo;
Ela não está em casa. (Negativa) - que o enunciado tenha verbo (ou locução verbal).
Por Exemplo: Camila terminou a leitura do livro.
- Frases Optativas: são usadas para exprimir um dese-
jo. Por Exemplo: Obs.: Na oração as palavras estão relacionadas entre si,
como partes de um conjunto harmônico: elas são os ter-
Deus te acompanhe!
mos ou as unidades sintáticas da oração. Assim, cada ter-
Bons ventos o levem!
mo da oração desempenha uma função sintática.
De acordo com a construção, as frases classificam-se Atenção: Nem toda frase é oração. Por Exemplo: Que
em: dia lindo!
Frase Nominal: é a frase construída sem verbos. Exem- Esse enunciado é frase, pois tem sentido. Esse enun-
plos: ciado não é oração, pois não possui verbo. Assim, não pos-
Fogo! suem estrutura sintática, portanto não são orações, frases
Cuidado! como:
Belo serviço o seu! Socorro! - Com Licença! - Que rapaz ignorante!
Trabalho digno desse feirante. A frase pode conter uma ou mais orações. Veja:
Brinquei no parque. (uma oração)
Frase Verbal: é a frase construída com verbo. Por Entrei na casa e sentei-me. (duas orações)
Exemplo: Cheguei, vi, venci. (três orações)
O sol ilumina a cidade e aquece os dias.
Os casais saíram para jantar. Período
A bola rolou escada abaixo.
Período é a frase constituída de uma ou mais orações,
formando um todo, com sentido completo. O período
pode ser simples ou composto.

69
LÍNGUA PORTUGUESA

Período Simples: é aquele constituído por apenas uma Coordenadas Sindéticas


oração, que recebe o nome de oração absoluta. Exemplos:
O amor é eterno. Ao contrário da anterior, são orações coordenadas en-
As plantas necessitam de cuidados especiais. tre si, mas que são ligadas através de uma conjunção coor-
Quero aquelas rosas. denativa. Esse caráter vai trazer para esse tipo de oração
O tempo é o melhor remédio. uma classificação. As orações coordenadas sindéticas são
classificadas em cinco tipos: aditivas, adversativas, alterna-
Período Composto: é aquele constituído por duas ou tivas, conclusivas e explicativas.
mais orações. Exemplos:
Quando você partiu minha vida ficou sem alegrias. Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas prin-
Quero aquelas flores para presentear minha mãe. cipais conjunções são: e, nem, não só... mas também, não
Vou gritar para todos ouvirem que estou sabendo o que só... como, assim... como.
acontece ao anoitecer. - Não só cantei como também dancei.
Cheguei, jantei e fui dormir. - Nem comprei o protetor solar, nem fui à praia.
- Comprei o protetor solar e fui à praia.
Saiba que: Como toda oração está centrada num verbo
ou numa locução verbal, a maneira prática de saber quantas
Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: suas
orações existem num período é contar os verbos ou locu-
ções verbais. principais conjunções são: mas, contudo, todavia, entretan-
to, porém, no entanto, ainda, assim, senão.
Período Composto - Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
- Ainda que a noite acabasse, nós continuaríamos dan-
O período composto caracteriza-se por possuir mais de çando.
uma oração em sua composição. Sendo Assim: - Não comprei o protetor solar, mas mesmo assim fui à
praia.
- Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma ora-
ção) Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas
- Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia. principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer;
(Período Composto =locução verbal, verbo, duas orações) seja...seja.
- Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um pro- - Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
tetor solar. (Período Composto = três verbos, três orações). - Ora sei que carreira seguir, ora penso em várias carrei-
ras diferentes.
Cada verbo ou locução verbal sublinhada acima corres- - Quer eu durma quer eu fique acordado, ficarei no
ponde a uma oração. Isso implica que o primeiro exemplo quarto.
é um período simples, pois tem apenas uma oração, os dois
outros exemplos são períodos compostos, pois têm mais de Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas
uma oração. principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por con-
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer seguinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo)
entre as orações de um período composto: uma relação de - Passei no vestibular, portanto irei comemorar.
coordenação ou uma relação de subordinação. - Conclui o meu projeto, logo posso descansar.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas em - Tomou muito sol, consequentemente ficou adoentada.
um mesmo período (ou seja, em um mesmo bloco de in- - A situação é delicada; devemos, pois, agir
formações, marcado pela pontuação final), mas têm, ambas,
Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas
estruturas individuais, como é o exemplo de:
principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verda-
- Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
de, pois (anteposto ao verbo).
(Período Composto)
Podemos dizer: - Só passei na prova porque me esforcei por muito tem-
1. Estou comprando um protetor solar. po.
2. Irei à praia. - Só fiquei triste por você não ter viajado comigo.
Separando as duas, vemos que elas são independentes. - Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do-
É esse tipo de período que veremos: o Período Compos- mingo.
to por Coordenação.
Quanto à classificação das orações coordenadas, temos Fonte:
dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Sindé- http://www.infoescola.com/portugues/oracoes-coor-
ticas. denadas-assindeticas-e-sindeticas/

Coordenadas Assindéticas

São orações coordenadas entre si e que não são liga-


das através de nenhum conectivo. Estão apenas justapos-
tas.

70
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Orações Coordenadas GABARITO

01. A oração “Não se verificou, todavia, uma transplan- 01. B 02. E 03. D 04. E 05. D
tação integral de gosto e de estilo” tem valor:
A) conclusivo RESOLUÇÃO
B) adversativo
C) concessivo 1-)
D) explicativo “Não se verificou, todavia, uma transplantação integral
E) alternativo de gosto e de estilo” = conjunção adversativa, portanto:
oração coordenada sindética adversativa
02. “Estudamos, logo deveremos passar nos exames”.
A oração em destaque é: 2-)
a) coordenada explicativa Estudamos, logo deveremos passar nos exames = a
b) coordenada adversativa oração em destaque não é introduzida por conjunção, en-
c) coordenada aditiva tão: coordenada assindética
d) coordenada conclusiva
e) coordenada assindética 3-)
Joyce e Mozart são ótimos, mas eles... = conjunção (e
03. (AGENTE EDUCACIONAL – VUNESP – 2013-adap.) ideia) adversativa
Releia o seguinte trecho: A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como
Joyce e Mozart são ótimos, mas eles, como quase toda a quase toda a cultura humanística, têm pouca relevância
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida para nossa vida prática. = conclusiva
prática.
B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como
Sem que haja alteração de sentido, e de acordo com a
quase toda a cultura humanística, têm pouca relevância
norma- -padrão da língua portuguesa, ao se substituir o
para nossa vida prática. = conformativa
termo em destaque, o trecho estará corretamente reescrito
C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como quase
em:
toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nos-
A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como
sa vida prática. = conclusiva
quase toda a cultura humanística, têm pouca relevância
para nossa vida prática. E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase
B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nos-
quase toda a cultura humanística, têm pouca relevância sa vida prática. = explicativa
para nossa vida prática. Dica: conjunção pois como explicativa = dá para eu
C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como quase substituir por porque; como conclusiva: substituo por por-
toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nos- tanto.
sa vida prática.
D) Joyce e Mozart são ótimos, todavia eles, como qua- 4-)
se toda a cultura humanística, têm pouca relevância para fruto não só do novo acesso da população ao auto-
nossa vida prática. móvel mas também da necessidade de maior número de
E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase viagens... estabelecem relação de adição de ideias, de fatos
toda a cultura humanística, têm pouca relevância para nos-
sa vida prática. 5-)
Não se desespere, que estaremos a seu lado sempre.
04. (ANALISTA ADMINISTRATIVO – VUNESP – 2013- = conjunção explicativa (= porque) - coordenada sin-
adap.) Em – ...fruto não só do novo acesso da população dética explicativa
ao automóvel mas também da necessidade de maior nú-
mero de viagens... –, os termos em destaque estabelecem Subordinação
relação de
A) explicação. Observe o exemplo abaixo de Vinícius de Moraes:
B) oposição.
C) alternância. “Eu sinto que em meu gesto existe o teu
D) conclusão. gesto.”
E) adição. Oração Principal Oração Subordinada

05. Analise a oração destacada: Não se desespere, que Observe que na oração subordinada temos o verbo
estaremos a seu lado sempre. “existe”, que está conjugado na terceira pessoa do singu-
Marque a opção correta quanto à sua classificação: lar do presente do indicativo. As orações subordinadas que
A) Coordenada sindética aditiva. apresentam verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos
B) Coordenada sindética alternativa. do modo do indicativo, subjuntivo e imperativo), são cha-
C) Coordenada sindética conclusiva. madas de orações desenvolvidas ou explícitas. Podemos
D) Coordenada sindética explicativa. modificar o período acima. Veja:

71
LÍNGUA PORTUGUESA

Eu sinto existir em meu gesto o teu gesto. Atenção: Observe que a oração subordinada substan-
Oração Principal Oração Subordinada tiva pode ser substituída pelo pronome “ isso”. Assim, te-
mos um período simples:
A análise das orações continua sendo a mesma: “Eu É fundamental isso. ou Isso é fundamental.
sinto” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração
subordinada “existir em meu gesto o teu gesto”. Note que Dessa forma, a oração correspondente a “isso” exerce-
a oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo. rá a função de sujeito
Além disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as duas Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração
orações, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo principal:
surge numa das formas nominais (infinitivo - flexionado ou 1- Verbos de ligação + predicativo, em construções
não -, gerúndio ou particípio) chamamos orações reduzi- do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo
das ou implícitas. - É claro - Está evidente - Está comprovado
Obs.: as orações reduzidas não são introduzidas por É bom que você compareça à minha festa.
conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual-
mente, introduzidas por preposição. 2- Expressões na voz passiva, como: Sabe-se - Soube-
se - Conta-se - Diz-se - Comenta-se - É sabido - Foi anun-
1) ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS ciado - Ficou provado
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
A oração subordinada substantiva tem valor de subs-
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção inte- 3- Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar -
grante (que, se). importar - ocorrer - acontecer
Convém que não se atrase na entrevista.
Suponho que você foi à biblioteca hoje. Obs.: quando a oração subordinada substantiva é sub-
Oração Subordinada Substantiva jetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3ª. pes-
soa do singular.
Você sabe se o presidente já chegou? b) Objetiva Direta
Oração Subordinada Substantiva
A oração subordinada substantiva objetiva direta exer-
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também ce função de objeto direto do verbo da oração principal.
introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde, Todos querem sua aprovação no concurso.
como). Veja os exemplos: Objeto Direto

O garoto perguntou qual era o telefone da moça. Todos querem que você seja aprovado. (= Todos
Oração Subordinada Substantiva querem isso)
Oração Principal oração Subordinada Substantiva
Não sabemos por que a vizinha se mudou. Objetiva Direta
Oração Subordinada Substantiva
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas
desenvolvidas são iniciadas por:

- Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e


“se”:
Classificação das Orações Subordinadas A professora verificou se todos alunos estavam presen-
Substantivas tes.
- Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às
De acordo com a função que exerce no período, a ora- vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
ção subordinada substantiva pode ser: O pessoal queria saber quem era o dono do carro im-
portado.
a) Subjetiva
- Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às
É subjetiva quando exerce a função sintática de sujeito vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
do verbo da oração principal. Observe: Eu não sei por que ela fez isso.
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito c) Objetiva Indireta

É fundamental que você compareça à reunião. A oração subordinada substantiva objetiva indireta
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva atua como objeto indireto do verbo da oração principal.
Subjetiva Vem precedida de preposição.

72
LÍNGUA PORTUGUESA

Meu pai insiste em meu estudo. Fernanda tinha um grande sonho: a chegada do dia de
Objeto Indireto seu casamento.
Aposto
Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai in- (Fernanda tinha um grande sonho: isso.)
siste nisso)
Oração Subordinada Substantiva Fernanda tinha um grande sonho: que o dia do seu ca-
Objetiva Indireta samento chegasse.
Oração Subordinada
Obs.: em alguns casos, a preposição pode estar elíptica Substantiva Apositiva
na oração.
2) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui
Objetiva Indireta valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem
d) Completiva Nominal a função de adjunto adnominal do antecedente. Observe
o exemplo:
A oração subordinada substantiva completiva nominal
completa um nome que pertence à oração principal e tam- Esta foi uma redação bem-sucedida.
bém vem marcada por preposição. Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

Sentimos orgulho de seu comportamento. Note que o substantivo redação foi caracterizado pelo
Complemento Nominal adjetivo bem-sucedida. Nesse caso, é possível formarmos
outra construção, a qual exerce exatamente o mesmo pa-
Sentimos orgulho de que você se comportou. (= pel. Veja:
Sentimos orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva Esta foi uma redação que fez sucesso.
Completiva Nominal Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva
Lembre-se: as orações subordinadas substantivas ob-
Perceba que a conexão entre a oração subordinada ad-
jetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto
jetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
que orações subordinadas substantivas completivas nomi-
pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacio-
nais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma
nar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma
da outra, é necessário levar em conta o termo complemen-
função sintática na oração subordinada: ocupa o papel que
tado. Essa é, aliás, a diferença entre o objeto indireto e o
seria exercido pelo termo que o antecede.
complemento nominal: o primeiro complementa um verbo,
Obs.: para que dois períodos se unam num período
o segundo, um nome.
composto, altera-se o modo verbal da segunda oração.
e) Predicativa
Atenção: Vale lembrar um recurso didático para re-
A oração subordinada substantiva predicativa exerce conhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser
papel de predicativo do sujeito do verbo da oração princi- substituído por: o qual - a qual - os quais - as quais
pal e vem sempre depois do verbo ser. Refiro-me ao aluno que é estudioso.
Nosso desejo era sua desistência. Essa oração é equivalente a:
Predicativo do Sujeito Refiro-me ao aluno o qual estuda.

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso dese- Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
jo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Quando são introduzidas por um pronome relativo e
Predicativa apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvi-
Obs.: em certos casos, usa-se a preposição expletiva das. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas
“de” para realce. Veja o exemplo: A impressão é de que não reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo
fui bem na prova. (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o
verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou
f) Apositiva particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
A oração subordinada substantiva apositiva exerce Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.
função de aposto de algum termo da oração principal.

73
LÍNGUA PORTUGUESA

No primeiro período, há uma oração subordinada ad- Observe que a oração em destaque agrega uma cir-
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome cunstância de tempo. É, portanto, chamada de oração
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito subordinada adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subor- são termos acessórios que indicam uma circunstância re-
dinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome re- ferente, via de regra, a um verbo. A classificação do adjunto
lativo e seu verbo está no infinitivo. adverbial depende da exata compreensão da circunstância
que exprime. Observe os exemplos abaixo:
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas Naquele momento, senti uma das maiores emoções de
minha vida.
Na relação que estabelecem com o termo que caracte- Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de
rizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de minha vida.
duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou
especificam o sentido do termo a que se referem, indivi- No primeiro período, “naquele momento” é um adjun-
dualizando-o. Nessas orações não há marcação de pausa, to adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”.
No segundo período, esse papel é exercido pela oração
sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem
“Quando vi a estátua”, que é, portanto, uma oração su-
também orações que realçam um detalhe ou amplificam
bordinada adverbial temporal. Essa oração é desenvolvida,
dados sobre o antecedente, que já se encontra suficiente-
pois é introduzida por uma conjunção subordinativa (quan-
mente definido, as quais denominam-se subordinadas ad- do) e apresenta uma forma verbal do modo indicativo (“vi”,
jetivas explicativas. do pretérito perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la,
Exemplo 1: obtendo-se:
Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um
homem que passava naquele momento. Ao ver a estátua, senti uma das maiores emoções de
Oração Subordinada Adjetiva minha vida.
Restritiva
A oração em destaque é reduzida, pois apresenta uma
Nesse período, observe que a oração em destaque res- das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é
tringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: trata- introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma
se de um homem específico, único. A oração limita o uni- preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
verso de homens, isto é, não se refere a todos os homens,
mas sim àquele que estava passando naquele momento. Obs.: a classificação das orações subordinadas adver-
Exemplo 2: biais é feita do mesmo modo que a classificação dos ad-
O homem, que se considera racional, muitas vezes juntos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
age animalescamente. oração.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
Circunstâncias Expressas
Nesse período, a oração em destaque não tem sentido pelas Orações Subordinadas Adverbiais
restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade, essa
oração apenas explicita uma ideia que já sabemos estar a) Causa
contida no conceito de “homem”.
Saiba que: A ideia de causa está diretamente ligada àquilo que
A oração subordinada adjetiva explicativa é separada provoca um determinado fato, ao motivo do que se declara
na oração principal. “É aquilo ou aquele que determina um
da oração principal por uma pausa, que, na escrita, é repre-
acontecimento”.
sentada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação
Principal conjunção subordinativa causal: PORQUE
seja indicada como forma de diferenciar as orações expli-
Outras conjunções e locuções causais: como (sempre
cativas das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre introduzido na oração anteposta à oração principal), pois,
isoladas por vírgulas; as restritivas, não. pois que, já que, uma vez que, visto que.
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
3) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve al-
ternativa a não ser cancelá-lo.
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exer- Já que você não vai, eu também não vou.
ce a função de adjunto adverbial do verbo da oração prin-
cipal. Dessa forma, pode exprimir circunstância de tempo, b) Consequência
modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando desen-
volvida, vem introduzida por uma das conjunções subor- As orações subordinadas adverbiais consecutivas ex-
dinativas (com exclusão das integrantes). Classifica-se de primem um fato que é consequência, que é efeito do que
acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que a in- se declara na oração principal. São introduzidas pelas con-
troduz. junções e locuções: que, de forma que, de sorte que, tanto
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. que, etc., e pelas estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...
Oração Subordinada Adverbial que.

74
LÍNGUA PORTUGUESA

Principal conjunção subordinativa consecutiva: QUE Saiba que: É comum a omissão do verbo nas orações
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho) subordinadas adverbiais comparativas. Por exemplo:
É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa Agem como crianças. (agem)
dor.) Oração Subordinada Adverbial Comparativa
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou con- No entanto, quando se comparam ações diferentes,
cretizando-os. isso não ocorre. Por exemplo: Ela fala mais do que faz.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzi- (comparação do verbo falar e do verbo fazer).
da de Infinitivo)
f) Conformidade
c) Condição
As orações subordinadas adverbiais conformativas in-
Condição é aquilo que se impõe como necessário para dicam ideia de conformidade, ou seja, exprimem uma re-
a realização ou não de um fato. As orações subordinadas gra, um modelo adotado para a execução do que se decla-
adverbiais condicionais exprimem o que deve ou não ocor- ra na oração principal.
rer para que se realize ou deixe de se realizar o fato expres- Principal conjunção subordinativa conformativa: CON-
so na oração principal. FORME
Principal conjunção subordinativa condicional: SE Outras conjunções conformativas: como, consoante e
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, segundo (todas com o mesmo valor de conforme).
desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, Fiz o bolo conforme ensina a receita.
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, direitos iguais.
certamente o melhor time será campeão.
Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o g) Finalidade
contrato.
Caso você se case, convide-me para a festa. As orações subordinadas adverbiais finais indicam a
intenção, a finalidade daquilo que se declara na oração
d) Concessão principal.
Principal conjunção subordinativa final: A FIM DE QUE
As orações subordinadas adverbiais concessivas in- Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a
dicam concessão às ações do verbo da oração principal, locução conjuntiva para que.
isto é, admitem uma contradição ou um fato inesperado. A Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos.
ideia de concessão está diretamente ligada ao contraste, à Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada
quebra de expectativa. entrasse.
Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA
Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locu- h) Proporção
ções ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, pos-
to que, apesar de que. As orações subordinadas adverbiais proporcionais ex-
Só irei se ele for. primem ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao
expresso na oração principal.
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” Principal locução conjuntiva subordinativa proporcio-
ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. Com- nal: À PROPORÇÃO QUE
pare agora com: Outras locuções conjuntivas proporcionais: à medida
Irei mesmo que ele não vá. que, ao passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
(maior), quanto maior...(menor), quanto menor...(maior),
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: quanto menor...(menor), quanto mais...(mais), quanto mais...
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A (menos), quanto menos...(mais), quanto menos...(menos).
oração destacada é, portanto, subordinada adverbial con- À proporção que estudávamos, acertávamos mais ques-
cessiva. Observe outros exemplos: tões.
Embora fizesse calor, levei agasalho. Visito meus amigos à medida que eles me convidam.
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos me- Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
tade da população continua à margem do mercado de con-
sumo. i) Tempo
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo) As orações subordinadas adverbiais temporais acres-
centam uma ideia de tempo ao fato expresso na oração
e) Comparação principal, podendo exprimir noções de simultaneidade, an-
As orações subordinadas adverbiais comparativas esta- terioridade ou posterioridade.
belecem uma comparação com a ação indicada pelo verbo Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO
da oração principal. Outras conjunções subordinativas temporais: enquan-
Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO to, mal e locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as
Ele dorme como um urso. vezes que, antes que, depois que, sempre que, desde que, etc.

75
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando você foi embora, chegaram outros convidados. 02. (AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA PENITENCIÁ-
Sempre que ele vem, ocorrem problemas. RIA – VUNESP – 2013). No trecho – Tem surtido um efeito
Mal você saiu, ela chegou. positivo por eles se tornarem uma referência positiva den-
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando termi- tro da unidade, já que cumprem melhor as regras, respei-
nou a festa) (Oração Reduzida de Particípio) tam o próximo e pensam melhor nas suas ações, refletem
antes de tomar uma atitude. – o termo em destaque esta-
Fonte: belece entre as orações uma relação de
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint29. A) condição. B) causa. C) comparação. D) tempo.
php E) concessão.

Questões sobre Orações Subordinadas 03. (UFV-MG) As orações subordinadas substantivas


que aparecem nos períodos abaixo são todas subjetivas,
01. (PAPILOSCOPISTA POLICIAL – VUNESp/2013). exceto:
Mais denso, menos trânsito A) Decidiu-se que o petróleo subiria de preço.
B) É muito bom que o homem, vez por outra, reflita
As grandes cidades brasileiras estão congestionadas e sobre sua vida.
em processo de deterioração agudizado pelo crescimento C) Ignoras quanto custou meu relógio?
econômico da última década. Existem deficiências evidentes D) Perguntou-se ao diretor quando seríamos recebi-
em infraestrutura, mas é importante também considerar o dos.
planejamento urbano. E) Convinha-nos que você estivesse presente à reunião
Muitas grandes cidades adotaram uma abordagem de
desconcentração, incentivando a criação de diversos centros 04. (AGENTE DE VIGILÂNCIA E RECEPÇÃO – VUNESP –
urbanos, na visão de que isso levaria a uma maior facilidade 2013). Considere a tirinha em que se vê Honi conversando
de deslocamento. com seu Namorado Lute.
Mas o efeito tem sido o inverso. A criação de diversos
centros e o aumento das distâncias multiplicam o número de
viagens, dificultando o investimento em transporte coletivo e
aumentando a necessidade do transporte individual.
Se olharmos Los Angeles como a região que levou a
desconcentração ao extremo, ficam claras as consequências.
Numa região rica como a Califórnia, com enorme investi-
mento viário, temos engarrafamentos gigantescos que vira-
ram característica da cidade.
Os modelos urbanos bem-sucedidos são aqueles com
elevado adensamento e predominância do transporte coleti-
vo, como mostram Manhattan e Tóquio.
O centro histórico de São Paulo é a região da cidade
mais bem servida de transporte coletivo, com infraestrutura
de telecomunicação, água, eletricidade etc. Como em outras
grandes cidades, essa deveria ser a região mais adensada da
metrópole. Mas não é o caso. Temos, hoje, um esvaziamento
gradual do centro, com deslocamento das atividades para
diversas regiões da cidade.
A visão de adensamento com uso abundante de trans-
porte coletivo precisa ser recuperada. Desse modo, será pos-
sível reverter esse processo de uso cada vez mais intenso do (Dik Browne, Folha de S. Paulo, 26.01.2013)
transporte individual, fruto não só do novo acesso da popu-
lação ao automóvel, mas também da necessidade de maior É correto afirmar que a expressão contanto que esta-
número de viagens em função da distância cada vez maior belece entre as orações relação de
entre os destinos da população. A) causa, pois Honi quer ter filhos e não deseja traba-
(Henrique Meirelles, Folha de S.Paulo, 13.01.2013. lhar depois de casada.
Adaptado) B) comparação, pois o namorado espera ter sucesso
As expressões mais denso e menos trânsito, no título, como cantor romântico.
estabelecem entre si uma relação de C) tempo, pois ambos ainda são adolescentes, mas já
(A) comparação e adição. pensam em casamento.
(B) causa e consequência. D) condição, pois Lute sabe que exercendo a profissão
(C) conformidade e negação. de músico provavelmente ganhará pouco.
(D) hipótese e concessão. E) finalidade, pois Honi espera que seu futuro marido
(E) alternância e explicação torne-se um artista famoso.

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LÍNGUA PORTUGUESA

05. (ANALISTA ADMINISTRATIVO – VUNESP – 2013). Em GABARITO


– Apesar da desconcentração e do aumento da extensão
urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver 01. B 02. B 03. C 04. D
e adensar ainda mais os diversos centros já existentes... –, 05. A 06. C 07. D 08. E
sem que tenha seu sentido alterado, o trecho em destaque
está corretamente reescrito em: RESOLUÇÃO
A) Mesmo com a desconcentração e o aumento da Ex-
tensão urbana verificados no Brasil, é importante desenvol- 1-)
ver e adensar ainda mais os diversos centros já existentes... mais denso e menos trânsito = mais denso, conse-
B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o au- quentemente, menos trânsito, então: causa e consequência
mento da extensão urbana no Brasil, é importante desen-
volver e adensar ainda mais os diversos centros já existen- 2-)
tes... já que cumprem melhor as regras = estabelece entre
C) Assim como são verificados a desconcentração e o as orações uma relação de causa com a consequência de
aumento da extensão urbana no Brasil, é importante de- “tem um efeito positivo”.
senvolver e adensar ainda mais os diversos centros já exis-
tentes...
3-)
D) Visto que com a desconcentração e o aumento da
Ignoras quanto custou meu relógio? = oração subor-
extensão urbana verificados no Brasil, é importante desen-
volver e adensar ainda mais os diversos centros já existen- dinada substantiva objetiva direta
tes... A oração não atende aos requisitos de tais orações, ou
E) De maneira que, com a desconcentração e o aumen- seja, não se inicia com verbo de ligação, tampouco pelos
to da extensão urbana verificados no Brasil, é importante verbos “convir”, “parecer”, “importar”, “constar” etc., e tam-
desenvolver e adensar ainda mais os diversos centros já bém não inicia com as conjunções integrantes “que” e “se”.
existentes...
4-)
06. (ANALISTA ADMINISTRATIVO – VUNESP – 2013). a expressão contanto que estabelece uma relação de
Em – É fundamental que essa visão de adensamento com condição (condicional)
uso abundante de transporte coletivo seja recuperada para
que possamos reverter esse processo de uso… –, a expres- 5-)
são em destaque estabelece entre as orações relação de Apesar da desconcentração e do aumento da extensão
A) consequência. urbana verificados no Brasil = conjunção concessiva
B) condição. B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o au-
C) finalidade. mento da extensão urbana no Brasil, = causal
D) causa. C) Assim como são verificados a desconcentração e o
E) concessão. aumento da extensão urbana no Brasil = comparativa
D) Visto que com a desconcentração e o aumento da
07. (ANALISTA DE SISTEMAS – VUNESP – 2013 – adap.). extensão urbana verificados no Brasil = causal
Considere o trecho: “Como as músicas eram de protesto, E) De maneira que, com a desconcentração e o aumen-
naquele mesmo ano foi enquadrado na lei de segurança na- to da extensão urbana verificados no Brasil = consecutivas
cional pela ditadura militar e exilado.” O termo Como, em
destaque na primeira parte do enunciado, expressa ideia 6-)
de para que possamos = conjunção final (finalidade)
A) contraste e tem sentido equivalente a porém.
B) concessão e tem sentido equivalente a mesmo que.
7-)
C) conformidade e tem sentido equivalente a confor-
“Como as músicas eram de protesto = expressa ideia
me.
D) causa e tem sentido equivalente a visto que. de causa da consequência “foi enquadrado” = causa e
E) finalidade e tem sentido equivalente a para que. tem sentido equivalente a visto que.

08. (ANALISTA EM PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E 8-)


FINANÇAS PÚBLICAS – VUNESP – 2013-adap.) No trecho – com tanto orgulho que chega a contaminar-me. – a
“Fio, disjuntor, tomada, tudo!”, insiste o motorista, com tanto construção estabelece uma relação de causa e consequên-
orgulho que chega a contaminar-me. –, a construção tanto cia. (a causa da “contaminação” – consequência)
... que estabelece entre as construções [com tanto orgulho]
e [que chega a contaminar-me] uma relação de
A) condição e finalidade.
B) conformidade e proporção.
C) finalidade e concessão.
D) proporção e comparação.
E) causa e consequência.

77
LÍNGUA PORTUGUESA

ORTOGRAFIA *os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
tamorfose.
A ortografia é a parte da língua responsável pela gra- *as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis,
fia correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão quiseste.
culto da língua. *nomes derivados de verbos com radicais terminados
As palavras podem apresentar igualdade total ou par- em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender -
cial no que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo ten- empresa / difundir - difusão
do significados diferentes. Essas palavras são chamadas *os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
de homônimas (canto, do grego, significa ângulo / canto, Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho
do latim, significa música vocal). As palavras homônimas *após ditongos: coisa, pausa, pouso
dividem-se em homógrafas, quando têm a mesma grafia *em verbos derivados de nomes cujo radical termina
(gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar
gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, pa-
lácio ou passo, movimento durante o andar). Escreve-se com Z e não com S:
Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem- *os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje-
se observar as seguintes regras: tivo: macio - maciez / rico - riqueza
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de
O fonema s: origem não termine com s): final - finalizar / concreto - con-
cretizar
Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substan- *como consoante de ligação se o radical não terminar
tivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, com s: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis +
corr e sent: pretender - pretensão / expandir - expansão / inho - lapisinho
ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão
/ submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - im- O fonema j:
pulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer
- recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir Escreve-se com G e não com J:
- consensual *as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
gesso.
Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes deri-
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim.
vados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced,
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
prim ou com verbos terminados por tir ou meter: agredir
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge.
- agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão /
ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
Observação: Exceção: pajem
regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
compromisso / submeter - submissão
*quando o prefixo termina com vogal que se junta com litígio, relógio, refúgio.
a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimé- *os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir.
trico / re + surgir - ressurgir *depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, sur-
*no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem- gir.
plos: ficasse, falasse *depois da letra “a”, desde que não seja radical termi-
nado com j: ágil, agente.
Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos
de origem árabe: cetim, açucena, açúcar Escreve-se com J e não com G:
*os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, *as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
Juçara, caçula, cachaça, cacique *as palavras de origem árabe, africana ou exótica: ji-
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, boia, manjerona.
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço, *as palavras terminada com aje: aje, ultraje.
esperança, carapuça, dentuço
*nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / O fonema ch:
deter - detenção / ater - atenção / reter - retenção
*após ditongos: foice, coice, traição Escreve-se com X e não com CH:
*palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r): *as palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba-
marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção caxi, muxoxo, xucro.
*as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J):
O fonema z: xampu, lagartixa.
*depois de ditongo: frouxo, feixe.
Escreve-se com S e não com Z: *depois de “en”: enxurrada, enxoval.
*os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs-
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês, Observação: Exceção: quando a palavra de origem
freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc. não derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Escreve-se com CH e não com X: 04. Assinale a alternativa que não apresenta erro de
*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, ortografia:
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha. A) Ela interrompeu a reunião derrepente.
B) O governador poderá ter seu mandato caçado.
C) Os espectadores aplaudiram o ministro.
As letras e e i: D) Saiu com descrição da sala.

*os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. Com 05.Em qual das alternativas a frase está corretamente
“i”, só o ditongo interno cãibra. escrita?
*os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são es- A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupan-
critos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os verbos sa.
com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui. B) O mendigo não depositou na caderneta de poupança.
- atenção para as palavras que mudam de sentido quan- C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans-
do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície), sa.
ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emergir D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou-
(vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estância, que anda pansa.
a pé), pião (brinquedo).
06. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portu- LO – ADVOGADO - VUNESP/2013) Analise a propaganda do
gues/ortografia programa 5inco Minutos.

Questões sobre Ortografia

01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013) Assinale a alterna-


tiva que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do
trecho a seguir, de acordo com a norma-padrão.
Além disso, ___certamente ____entre nós ____do fenômeno
da corrupção e das fraudes.
(A) a … concenso … acerca
(B) há … consenso … acerca
(C) a … concenso … a cerca
(D) a … consenso … há cerca
(E) há … consenço … a cerca

02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alternati-


va cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo com a Em norma-padrão da língua portuguesa, a frase da pro-
norma- -padrão. paganda, adaptada, assume a seguinte redação:
(A) Os tabeliãos devem preparar o documento. (A) 5INCO MINUTOS: às vezes, dura mais, mas não ma-
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. tem-na porisso.
(C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local. (B) 5INCO MINUTOS: as vezes, dura mais, mas não ma-
(D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos. tem-na por isso.
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos! (C) 5INCO MINUTOS: às vezes, dura mais, mas não a ma-
tem por isso.
03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). (D) 5INCO MINUTOS: as vezes, dura mais, mas não lhe
Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para informar matem por isso.
os usuários sobre o festival Sounderground. (E) 5INCO MINUTOS: às vezes, dura mais, mas não a ma-
Prezado Usuário tem porisso.
________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me-
trô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30, co- GABARITO
meça o Sounderground, festival internacional que prestigia os
músicos que tocam em estações do metrô. 01. B 02. D 03. C 04. C 05. B 06. C
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen-
tarão e divirta-se! RESOLUÇÃO
Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se
preencher as lacunas, correta e respectivamente, com as ex- 1-) O exercício quer a alternativa que apresenta correção
pressões ortográfica. Na primeira lacuna utilizaremos “há”, já que está
A) A fim ...a partir ... as empregado no sentido de “existir”; na segunda, “consenso”
B) A fim ...à partir ... às com “s”; na terceira, “acerca” significa “a respeito de”, o que
C) A fim ...a partir ... às se encaixa perfeitamente no contexto. “Há cerca” = tem
D) Afim ...a partir ... às cerca (de arame, cerca viva, enfim...); “a cerca” = a cerca
E) Afim ...à partir ... as está destruída (arame, madeira...)

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LÍNGUA PORTUGUESA

2-) Uso do hífen que continua depois da Reforma Or-


(A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = ta- tográfica:
beliães
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. 1. Em palavras compostas por justaposição que formam
= cidadãos uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem
(C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório lo- para formam um novo significado: tio-avô, porto-alegrense,
cal. = certidões luso-brasileiro, tenente-coronel, segunda-feira, conta-gotas,
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = de- guarda-chuva, arco- -íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
graus
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
3-) Prezado Usuário zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora-
A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do menina, erva-doce, feijão-verde.
metrô, a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, co-
meça o Sounderground, festival internacional que prestigia 3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém
os músicos que tocam em estações do metrô. e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-casa-
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen- do, aquém- -fiar, etc.
tarão e divirta-se!
A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; 4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu-
antes de horas: há crase mas exceções continuam por já estarem consagradas pelo
uso: cor- -de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-
4-) de-meia, água-de- -colônia, queima-roupa, deus-dará.
A) Ela interrompeu a reunião derrepente. =de repente
B) O governador poderá ter seu mandato caçado. = 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-
cassado Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações
D) Saiu com descrição da sala. = discrição históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Al-
sácia-Lorena, etc.
5-)
A) O mindingo não depositou na cardeneta de pou- 6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su-
pansa. = mendigo/caderneta/poupança per- quando associados com outro termo que é iniciado
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans- por r: hiper-resistente, inter-racial, super-racional, etc.
sa. = mendigo/caderneta/poupança
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou- 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
pansa. =mendigo/depositou/caderneta/poupança ex- -presidente, vice-governador, vice-prefeito.

6-) A questão envolve colocação pronominal e orto- 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-:
grafia. Comecemos pela mais fácil: ortografia! A palavra pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
“por isso” é escrita separadamente. Assim, já descartamos
duas alternativas (“A” e “E”). Quanto à colocação pronomi- 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra-
nal, temos a presença do advérbio “não”, que sabemos ser ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
um “ímã” para o pronome oblíquo, fazendo-nos aplicar a
regra da próclise (pronome antes do verbo). Então, a for- 10. Nas formações em que o prefixo tem como segun-
ma correta é “mas não A matem” (por que A e não LHE? do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, ele-
Porque quem mata, mata algo ou alguém, objeto direto. tro-higrómetro, geo-história, neo-helênico, extra-humano,
O “lhe” é usado para objeto indireto. Se não tivéssemos a semi-hospitalar, super- -homem.
conjunção “mas” nem o advérbio “não”, a forma “matem-
na” estaria correta, já que, após vírgula, o ideal é que utili- 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo prefixo
zemos ênclise – pronome oblíquo após o verbo). termina na mesma vogal do segundo elemento: micro-on-
das, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc.

HÍFEN Obs: O hífen é suprimido quando para formar outros


termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado
para ligar os elementos de palavras compostas (couve-flor, - Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mu-
ex-presidente) e para unir pronomes átonos a verbos (ofe- dança de linha), caso a última palavra a ser escrita seja for-
receram-me; vê-lo-ei). mada por hífen, repita-o na próxima linha. Exemplo: escre-
Serve igualmente para fazer a translineação de pala- verei anti-inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”. Na
vras, isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em linha debaixo escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas
duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro). as linhas).

80
LÍNGUA PORTUGUESA

Não se emprega o hífen: 04.Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro
(avarento), copo de leite (planta) e pé de moleque (doce) o
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo hífen é obrigatório:
termina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou A) em nenhuma delas.
“s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antir- B) na segunda palavra.
religioso, contrarregra, infrassom, microssistema, minissaia, C) na terceira palavra.
microrradiografia, etc. D) em todas as palavras.
E) na primeira e na segunda palavra.
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-
fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se com 05.Fez um esforço __ para vencer o campeonato __.
vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoes- Qual alternativa completa corretamente as lacunas?
trada, autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoes- A) sobreumano/interregional
cola, infraestrutura, etc. B) sobrehumano-interregional
C) sobre-humano / inter-regional
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos D) sobrehumano/ inter-regional
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o h inicial: desu- E) sobre-humano /interegional
mano, inábil, desabilitar, etc.
GABARITO
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando o
01. B 02. B 03. A 04. E 05. C
segundo elemento começar com “o”: cooperação, coobriga-
ção, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc. RESOLUÇÃO
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção 1-)
de composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedis- A) autocrítica
ta, etc. C) pontapé
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei- D) supermercado
to, benquerer, benquerido, etc. E) infravermelhos

Questões sobre Hífen 2-)B) Nas circunvizinhanças há uma casa mal-assom-


brada.
01.Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o 3-) A) O semianalfabeto desenhou um semicírculo.
novo Acordo, está sendo usado corretamente:
A) Ele fez sua auto-crítica ontem. 4-)
B) Ela é muito mal-educada. a) pão-duro / b) copo-de-leite (planta) / c) pé de mo-
C) Ele tomou um belo ponta-pé. leque (doce)
D) Fui ao super-mercado, mas não entrei. a) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não
E) Os raios infra-vermelhos ajudam em lesões. apresentam elementos de ligação.
b) Usa-se o hífen nos compostos que designam espé-
02.Assinale a alternativa errada quanto ao emprego do cies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos,
hífen: raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação.
A) Pelo interfone ele comunicou bem-humorado que c) Não se usa o hífen em compostos que apresentam
faria uma superalimentação. elementos de ligação.
B) Nas circunvizinhanças há uma casa malassombrada.
C) Depois de comer a sobrecoxa, tomou um antiácido. 5-) Fez um esforço sobre-humano para vencer o cam-
peonato inter-regional.
D) Nossos antepassados realizaram vários anteproje-
- Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
tos.
- Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma
E) O autodidata fez uma autoanálise.
letra com que se inicia a outra palavra
03.Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego
do hífen, respeitando-se o novo Acordo. ACENTUAÇÃO
A) O semi-analfabeto desenhou um semicírculo.
B) O meia-direita fez um gol de sem-pulo na semifinal A acentuação é um dos requisitos que perfazem as re-
do campeonato. gras estabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se com-
C) Era um sem-vergonha, pois andava seminu. põe de algumas particularidades, às quais devemos estar
D) O recém-chegado veio de além-mar. atentos, procurando estabelecer uma relação de familia-
E) O vice-reitor está em estado pós-operatório. ridade e, consequentemente, colocando-as em prática na
linguagem escrita.

81
LÍNGUA PORTUGUESA

À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a Regras fundamentais:


prática de redigir, automaticamente aprimoramos essas
competências, e logo nos adequamos à forma padrão. Palavras oxítonas:
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”,
Regras básicas – Acentuação tônica “o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – ci-
pó(s) – armazém(s)
A acentuação tônica implica na intensidade com que Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. guidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
As demais, como são pronunciadas com menos intensida- Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se-
de, são denominadas de átonas. guidas de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – com-
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifica- pô-lo
das como:
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a Paroxítonas:
última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
- i, is : táxi – lápis – júri
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum
na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato
- l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax –
– passível
fórceps
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica - ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos
está na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tím-
pano – médico – ônibus -- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para
quê? Repare que essa palavra apresenta as terminações das
Como podemos observar, os vocábulos possuem mais paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM =
de uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização!
uma sílaba somente: são os chamados monossílabos que,
quando pronunciados, apresentam certa diferenciação -ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
quanto à intensidade. não de “s”: água – pônei – mágoa – jóquei
Tal diferenciação só é percebida quando os pronun-
ciamos em uma dada sequência de palavras. Assim como Regras especiais:
podemos observar no exemplo a seguir:
“Sei que não vai dar em nada, Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
Seus segredos sei de cor”. abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
Os monossílabos classificam-se como tônicos; os de- palavras paroxítonas.
mais, como átonos (que, em, de).
* Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma
Os acentos palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são
acentuados. Ex.: herói, céu, dói, escarcéu.
acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i»,
«u» e sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras Antes Agora
representam as vogais tônicas de palavras como Amapá, assembléia assembleia
caí, público, parabéns. Sobre as letras “e” e “o” indica, além idéia ideia
da tonicidade, timbre aberto.Ex.: herói – médico – céu (di-
geléia geleia
tongos abertos)
jibóia jiboia
apóia (verbo apoiar) apoia
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”,
“e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.: paranóico paranoico
tâmara – Atlântico – pêssego – supôs
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acom-
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com panhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles – baú – país – Luís

trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi total- Observação importante:


mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: hiato quando vierem depois de ditongo: Ex.:
mülleriano (de Müller) Antes Agora
bocaiúva bocaiuva
til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vo- feiúra feiura
gais nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã Sauípe Sauipe

82
LÍNGUA PORTUGUESA

O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do
abolido. Ex.: pretérito perfeito do modo indicativo) ainda continua sen-
Antes Agora do acentuada para diferenciar-se de pode (terceira pessoa
crêem creem do singular do presente do indicativo). Ex:
lêem leem Ela pode fazer isso agora.
vôo voo Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou...
enjôo enjoo
O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos preposição por.
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais - Quando, na frase, der para substituir o “por” por “co-
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER. locar”, estaremos trabalhando com um verbo, portanto:
“pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex:
Repare: Faço isso por você.
1-) O menino crê em você Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
Os meninos creem em você.
2-) Elza lê bem! Questões sobre Acentuação Gráfica
Todas leem bem!
3-) Espero que ele dê o recado à sala. 01. “Cadáver” é paroxítona, pois:
Esperamos que os garotos deem o recado! A) Tem a última sílaba como tônica.
4-) Rubens vê tudo! B) Tem a penúltima sílaba como tônica.
Eles veem tudo! C) Tem a antepenúltima sílaba como tônica.
D) Não tem sílaba tônica.
* Cuidado! Há o verbo vir:
Ele vem à tarde! 02. Assinale a alternativa correta.
Eles vêm à tarde! A palavra faliu contém um:
A) hiato
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan- B) dígrafo
do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru C) ditongo decrescente
-im, con-tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz D) ditongo crescente

Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti- 03. Em “O resultado da experiência foi, literalmente,
verem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha. aterrador.” a palavra destacada encontra-se acentuada pelo
mesmo motivo que:
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem A) túnel
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba B) voluntário
As formas verbais que possuíam o acento tônico na C) até
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de D) insólito
“e” ou “i” não serão mais acentuadas. Ex.: E) rótulos
Antes Depois
apazigúe (apaziguar) apazigue 04. Assinale a alternativa correta.
averigúe (averiguar) averigue A) “Contrário” e “prévias” são acentuadas por serem
argúi (arguir) argui paroxítonas terminadas em ditongo.
B) Em “interruptor” e “testaria” temos, respectivamente,
Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa encontro consonantal e hiato.
do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo C) Em “erros derivam do mesmo recurso mental” as
vir) palavras grifadas são paroxítonas.
D) Nas palavras “seguida”, “aquele” e “quando” as par-
A regra prevalece também para os verbos conter, obter, tes destacadas são dígrafos.
reter, deter, abster. E) A divisão silábica está correta em “co-gni-ti-va”, “p-
ele contém – eles contêm si-có-lo-ga” e “a-ci-o-na”.
ele obtém – eles obtêm
ele retém – eles retêm 05. Todas as palavras abaixo são hiatos, EXCETO:
ele convém – eles convêm A) saúde
B) cooperar
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que C) ruim
antes eram acentuadas para diferenciá-las de outras seme- D) creem
lhantes (regra do acento diferencial). Apenas em algumas E) pouco
exceções, como:

83
LÍNGUA PORTUGUESA

06. “O episódio aconteceu em plena via pública de a-) Tú –nel: paroxítona terminada em L
Assis. Dez mulheres começaram a cantar músicas pela paz b-) vo – lun - tá – rio : paroxítona terminada em ditongo
mundial. A partir daquele momento outras pessoas que c-) A - té – oxítona
passavam por ali decidiram integrar ao grupo. Rapidamen- d-) in – só – li – to : proparoxítona
te, uma multidão aderiu à ideia. Assim começou a forma- e-) ró – tu los – proparoxítona
ção do maior coral popular de Assis”. O vocábulo subli-
nhado tem sua acentuação gráfica justificada pelo mesmo 4-)
motivo das palavras: a-) correta
A) eminência, ímpio, vácuo, espécie, sério b-) inteRRuptor: não é encontro consonantal, mas sim
DÍGRAFO
B) aluá, cárie, pátio, aéreo, ínvio
c-) todas são, exceto MENTAL, que é oxítona
C) chinês, varíola, rubéola, período, prêmio d-) são dígrafos, exceto QUANDO, que “ouço” o som
D) sábio, sábia, sabiá, curió, sério do U, portanto não é caso de dígrafo
e-) cog – ni - ti – va / psi – có- lo- ga
07. Assinale a opção CORRETA em que todas as pala-
vras estão acentuadas na mesma posição silábica. 5-) sa - ú - de / co - o - pe – rar / ru – im /
A) Nazaré - além - até - está - também. cre - em / pou - co (ditongo)
B) Água - início - além - oásis - religião.
C) Município - início - água - século - oásis 6-) e - pi - só - dio - paroxítona terminada em di-
D) Século - símbolo - água - histórias - missionário tongo
E) Missionário - símbolo - histórias - século – município a-) ok
b-) a – lu –á :oxítona, então descarte esse item
08. Considerando as palavras: também / revólver / lâm- c-) chi – nês : oxítona, idem
d-) sa – bi – á : idem
pada / lápis. Assinale a única alternativa cuja justificativa de
acentuação gráfica não se refere a uma delas:
7-)
A) palavra paroxítona terminada em - is a-) oxítona – TODAS
B) palavra proparoxítona terminada em - em b-) paroxítona – paroxítona – oxítona – paroxítona –
C) palavra paroxítona terminada em - r não acentuada
D) palavra proparoxítona - todas devem ser acentuadas c-) paroxítona – idem – idem – proparoxítona – paro-
xítona
09. Assinale a alternativa incorreta: d-) proparoxítona – idem – paroxítona – idem – idem
A) Os vocábulos sábio, régua e decência são paroxíto- e-) paroxítona – proparoxítona – paroxítona – proparo-
nos terminadas em ditongos crescentes. xítona – paroxítona
B) O vocábulo armazém é acentuado por ser um oxíto-
no terminado em em. 8-) tam – bém: oxítona / re – vól – ver: paroxítona / lâm
C) Os vocábulos baú e cafeína são hiatos. – pa – da: proparoxítona / lá – pis :paroxítona
D) O vocábulo véu é acentuado por ser um oxítono a-) é a regra do LÁPIS
b-) todas as proparoxítonas são acentuadas, indepen-
terminado em u.
dente de sua terminação
c-) regra para REVÓLVER
GABARITO d-) relativa à palavra lâmpada

01. B 02. C 03. B 04. A 05. E 9-) As alternativas A, B e C contêm afirmativas corretas.
06. A 07. A 08. B 09. D Na D, há erro, pois véu é monossílabo acentuado por ter-
minar em ditongo aberto.
RESOLUÇÃO

1-) Separando as sílabas: Ca – dá – ver: a penúltima PONTUAÇÃO


sílaba é a tônica (mais forte; nesse caso, acentuada). Penúl- Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
tima sílaba tônica = paroxítona servem para compor a coesão e a coerência textual, além
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. Ve-
jamos as principais funções dos sinais de pontuação co-
2-) fa - liu - temos aqui duas vogais na mesma sí-
nhecidos pelo uso da língua portuguesa.
laba, portanto: ditongo. É decrescente porque apresenta
uma vogal e uma semivogal. Na classificação, ambas são Ponto
semivogais, mas quando juntas, a que “aparecer” mais na 1- Indica o término do discurso ou de parte dele.
pronúncia será considerada “vogal”. - Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em
que se encontra.
3-) ex – pe - ri – ên - cia : paroxítona terminada em - Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite.
ditongo crescente (semivogal + vogal) - Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava.

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LÍNGUA PORTUGUESA

2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr. 4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
- Deixa, depois, o coração falar...
Ponto e Vírgula ( ; )
1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma Vírgula
importância.
- “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo Não se usa vírgula
pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; *separando termos que, do ponto de vista sintático, li-
os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) gam-se diretamente entre si:
- entre sujeito e predicado.
2- Separa partes de frases que já estão separadas por Todos os alunos da sala foram advertidos.
vírgulas. Sujeito predicado
- Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, monta-
nhas, frio e cobertor. - entre o verbo e seus objetos.
O trabalho custou sacrifício aos realiza-
3- Separa itens de uma enumeração, exposição de mo- dores.
tivos, decreto de lei, etc. V.T.D.I. O.D. O.I.
- Ir ao supermercado;
- Pegar as crianças na escola; Usa-se a vírgula:
- Caminhada na praia; - Para marcar intercalação:
- Reunião com amigos. a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
dância, vem caindo de preço.
Dois pontos b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
1- Antes de uma citação produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto: c) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não
2- Antes de um aposto querem abrir mão dos lucros altos.
- Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à
tarde e calor à noite. - Para marcar inversão:
a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
3- Antes de uma explicação ou esclarecimento Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fe-
- Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, viven- chadas.
do a rotina de sempre. b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
4- Em frases de estilo direto c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
Maria perguntou: maio de 1982.
- Por que você não toma uma decisão?
- Para separar entre si elementos coordenados (dispos-
Ponto de Exclamação tos em enumeração):
1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
susto, súplica, etc. A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
- Sim! Claro que eu quero me casar com você!
2- Depois de interjeições ou vocativos - Para marcar elipse (omissão) do verbo:
- Ai! Que susto! Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco.
- João! Há quanto tempo! - Para isolar:
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasilei-
Ponto de Interrogação ra, possui um trânsito caótico.
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. - o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze-
vedo) Fontes:
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
Reticências http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgu-
1- Indica que palavras foram suprimidas. la.htm
- Comprei lápis, canetas, cadernos...

2- Indica interrupção violenta da frase.


“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”

3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida


- Este mal... pega doutor?

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Pontuação 04.(Escrevente TJ SP – Vunesp 2012). Assinale a alter-


nativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alter- Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência
nativa em que a pontuação está corretamente empregada, nominal e à pontuação.
de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. (A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapida-
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, mente, seu espaço na carreira científica ainda que o avanço
embora, experimentasse, a sensação de violar uma intimi- seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo,
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encon- do que em outros.
trar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. (B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam ra-
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, pidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o
embora experimentasse a sensação, de violar uma intimi- avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encon- exemplo!, do que em outros.
trar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam ra-
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
pidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o
embora experimentasse a sensação de violar uma intimida-
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. exemplo, do que em outros.
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e, (D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapida-
embora experimentasse a sensação de violar uma intimida- mente seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encon- seja mais notável em alguns países – o Brasil é um exemplo
trar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. – do que em outros.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapida-
embora, experimentasse a sensação de violar uma intimi- mente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o avan-
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, en- ço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exem-
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua plo) do que em outros.
dona. 05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.).
02. Assinale a opção em que está corretamente indica- Assinale a alternativa em que a frase mantém-se correta
da a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher após o acréscimo das vírgulas.
as lacunas da frase abaixo: (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na
“Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrô-
devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica nica ao grupo ou acione o código na internet.
que o trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa (B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de
ter. onde o código foi acionado.
A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra-
B) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula; dos, recebem automaticamente, uma mensagem dizendo
C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; que a criança foi encontrada.
D) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega
E) ponto e vírgula, vírgula, vírgula. primeiro às, areias do Guarujá.
(E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o te-
03. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013). Os lefone de quem a encontrou e informar um ponto de re-
sinais de pontuação estão empregados corretamente em:
ferência
A) Duas explicações, do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a cons-
trução de tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar das 06. Assinale a série de sinais cujo emprego correspon-
metas de vendas associadas aos dois temas. de, na mesma ordem, aos parênteses indicados no texto:
B) Duas explicações do treinamento para consultores “Pergunta-se ( ) qual é a ideia principal desse pará-
iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e a cons- grafo ( ) A chegada de reforços ( ) a condecoração ( ) o
trução de tabelas Price; mas, por outro lado, faltou falar das escândalo da opinião pública ou a renúncia do presidente (
metas de vendas associadas aos dois temas. ) Se é a chegada de reforços ( ) que relação há ( ) ou mos-
C) Duas explicações do treinamento para consultores trou seu autor haver ( ) entre esse fato e os restantes ( )”.
iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e a cons- A) vírgula, vírgula, interrogação, interrogação, interro-
trução de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar das gação, vírgula, vírgula, vírgula, ponto final
metas de vendas associadas aos dois temas. B) dois pontos, interrogação, vírgula, vírgula, interroga-
D) Duas explicações do treinamento para consulto- ção, vírgula, travessão, travessão, interrogação
res iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e C) travessão, interrogação, vírgula, vírgula, ponto final,
a construção de tabelas Price, mas, por outro lado, faltou travessão, travessão, ponto final, ponto final
falar das metas de vendas associadas aos dois temas. D) dois pontos, interrogação, vírgula, ponto final, tra-
E) Duas explicações, do treinamento para consulto- vessão, vírgula, vírgula, vírgula, interrogação
res iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e a E) dois pontos, ponto final, vírgula, vírgula, interroga-
construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar ção, vírgula, vírgula, travessão, interrogação
das metas, de vendas associadas aos dois temas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

07. (SRF) Das redações abaixo, assinale a que não está A) Duas explicações , (X) do treinamento para consul-
pontuada corretamente: tores iniciantes receberam destaque , (X) o conceito de
A) Os candidatos, em fila, aguardavam ansiosos o re- PPD e a construção de tabelas Price; mas por outro lado,
sultado do concurso. faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas.
B) Em fila, os candidatos, aguardavam, ansiosos, o re- C) Duas explicações do treinamento para consultores
sultado do concurso. iniciantes receberam destaque ; (X) o conceito de PPD e a
C) Ansiosos, os candidatos aguardavam, em fila, o re- construção de tabelas Price , (X) mas por outro lado, faltou
sultado do concurso. falar das metas de vendas associadas aos dois temas.
D) Os candidatos ansiosos aguardavam o resultado do D) Duas explicações do treinamento para consultores
concurso, em fila. iniciantes , (X) receberam destaque: o conceito de PPD e a
E) Os candidatos aguardavam ansiosos, em fila, o resul- construção de tabelas Price , (X) mas, por outro lado, faltou
tado do concurso. falar das metas de vendas associadas aos dois temas.
E) Duas explicações , (X) do treinamento para consul-
08. A frase em que deveria haver uma vírgula é: tores iniciantes , (X) receberam destaque ; (X) o conceito
A) Comi uma fruta pela manhã e outra à tarde. de PPD e a construção de tabelas Price , (X) mas por outro
B) Eu usei um vestido vermelho na festa e minha irmã lado, faltou falar das metas , (X) de vendas associadas aos
usou um vestido azul. dois temas.
C) Ela tem lábios e nariz vermelhos.
D) Não limparam a sala nem a cozinha. 4-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inade-
quadas
GABARITO (A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam , (X)
rapidamente , (X) seu espaço na carreira científica (, ) ainda
01. C 02. C 03. B 04. D 05. E que o avanço seja mais notável em alguns países, o Brasil é
06. B 07. B 08. B um exemplo, do que em outros.
(B) Não há dúvida de que , (X) as mulheres , (X) am-
RESOLUÇÃO pliam rapidamente seu espaço na carreira científica ; (X)
ainda que o avanço seja mais notável , (X) em alguns paí-
1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas ses, o Brasil é um exemplo ! (X) , do que em outros.
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, (C) Não há dúvida de que as mulheres , (X) ampliam
embora, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma rapidamente seu espaço , (X) na carreira científica , (X) ain-
intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando da que o avanço seja mais notável, em alguns países : (X) o
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a Brasil é um exemplo, do que em outros.
sua dona. (E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapida-
(B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa mente , (X) seu espaço na carreira científica, ainda que , (X)
e, embora experimentasse a sensação , (X) de violar uma o avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um
intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando exemplo) do que em outros.
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a
sua dona. 5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inade-
(D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa quadas
e, embora experimentasse a sensação de violar uma inti- (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá
midade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) na pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a eletrônica ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os
sua dona.
pais de onde o código foi acionado.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra-
embora , (X) experimentasse a sensação de violar uma in-
dos , (X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem
timidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando ,
dizendo que a criança foi encontrada.
(X) encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) che-
a sua dona.
ga primeiro às , (X) areias do Guarujá.
2-) Quando se trata de trabalho científico , duas coisas
6-) Pergunta-se ( : ) qual é a ideia principal desse pa-
devem ser consideradas : uma é a contribuição teórica que
rágrafo
o trabalho oferece ; a outra é o valor prático que possa ter. ( ? ) A chegada de reforços ( , ) a condecoração ( , ) o
escândalo da opinião pública ou a renúncia do presidente
vírgula, dois pontos, ponto e vírgula (? ) Se é a chegada de reforços ( , ) que relação há ( - )
ou mostrou seu autor haver ( - ) entre esse fato e os res-
3-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inade- tantes ( ? )
quadas

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LÍNGUA PORTUGUESA

7-) Em fila, os candidatos , (X) aguardavam, ansiosos, o Observação:


resultado do concurso. - No caso da referida expressão aparecer repetida ou
associada a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo,
8-) Eu usei um vestido vermelho na festa , e minha necessariamente, deverá permanecer no plural:
irmã usou um vestido azul. Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram
Há situações em que é possível usar a vírgula antes do na campanha de doação de alimentos.
“e”. Isso ocorre quando a conjunção aditiva coordena ora- Mais de um formando se abraçaram durante as soleni-
ções de sujeitos diferentes nas quais a leitura fluente pode dades de formatura.
ser prejudicada pela ausência da pontuação.
6) Quando o sujeito for composto da expressão “um
dos que”, o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi
um dos que atuaram na Copa América.
CONCORDÂNCIA
7) Em casos relativos à concordância com locuções
Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos pronominais, representadas por “algum de nós, qual de vós,
nos referindo à relação de dependência estabelecida entre quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário
um termo e outro mediante um contexto oracional. Desta nos atermos a duas questões básicas:
feita, os agentes principais desse processo são representa- - No caso de o primeiro pronome estar expresso no
dos pelo sujeito, que no caso funciona como subordinante; plural, o verbo poderá com ele concordar, como poderá
e o verbo, o qual desempenha a função de subordinado. também concordar com o pronome pessoal: Alguns de nós
Dessa forma, temos que a concordância verbal carac- o receberemos. / Alguns de nós o receberão.
teriza-se pela adaptação do verbo, tendo em vista os que- - Quando o primeiro pronome da locução estiver ex-
sitos “número e pessoa” em relação ao sujeito. Exemplifi- presso no singular, o verbo permanecerá, também, no sin-
cando, temos: O aluno chegou atrasado. Temos que o verbo gular: Algum de nós o receberá.
apresenta-se na terceira pessoa do singular, pois faz refe-
rência a um sujeito, assim também expresso (ele). Como 8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo
poderíamos também dizer: os alunos chegaram atrasados. pronome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa
do singular ou poderá concordar com o antecedente desse
pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para
Casos referentes a sujeito simples
ela. / Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela.
1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com
9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
o núcleo em número e pessoa: O aluno chegou atrasado.
palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que
antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós que toma-
2) Nos casos referentes a sujeito representado por
mos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo.
substantivo coletivo, o verbo permanece na terceira pes-
soa do singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos.
10) No caso de o sujeito aparecer representado por ex-
Observação: pressões que indicam porcentagens, o verbo concordará
- No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa
adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular ou porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão
poderá ir para o plural: da diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão.
Uma multidão de pessoas saiu aos gritos.
Uma multidão de pessoas saíram aos gritos. Observações:
- Caso o verbo apareça anteposto à expressão de por-
3) Quando o sujeito é representado por expressões centagem, esse deverá concordar com o numeral: Aprova-
partitivas, representadas por “a maioria de, a maior parte ram a decisão da diretoria 50% dos funcionários.
de, a metade de, uma porção de” entre outras, o verbo tanto - Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no sin-
pode concordar com o núcleo dessas expressões quanto gular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da dire-
com o substantivo que a segue: A maioria dos alunos resol- toria.
veu ficar. A maioria dos alunos resolveram ficar. - Em casos em que o numeral estiver acompanhado de
determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural:
4) No caso de o sujeito ser representado por expres- Os 50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria.
sões aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”,
o verbo concorda com o substantivo determinado por elas: 11) Nos casos em que o sujeito estiver representado
Cerca de mil candidatos se inscreveram no concurso. por pronomes de tratamento, o verbo deverá ser empre-
gado na terceira pessoa do singular ou do plural: Vossas
5) Em casos em que o sujeito é representado pela ex- Majestades gostaram das homenagens. Vossa Majestade
pressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais agradeceu o convite.
de um candidato se inscreveu no concurso de piadas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

12) Casos relativos a sujeito representado por substan- Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à
tivo próprio no plural se encontram relacionados a alguns regra geral mostrada acima.
aspectos que os determinam: a) Um adjetivo após vários substantivos
- Diante de nomes de obras no plural, seguidos do ver- - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o
bo ser, este permanece no singular, contanto que o predi- plural ou concorda com o substantivo mais próximo.
cativo também esteja no singular: Memórias póstumas de - Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
Brás Cubas é uma criação de Machado de Assis. - Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo tam-
bém permanece no plural: Os Estados Unidos são uma po- - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural
tência mundial. masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que - Ela tem pai e mãe louros.
- Ela tem pai e mãe loura.
ele nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados
Unidos é uma potência mundial.
- Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoria-
mente para o plural.
Casos referentes a sujeito composto - O homem e o menino estavam perdidos.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas
gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, es- b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
tando relacionado a dois pressupostos básicos: - Adjetivo anteposto normalmente concorda com o
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as mais próximo.
demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. Comi delicioso almoço e sobremesa.
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar Provei deliciosa fruta e suco.
na 2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são
- Adjetivo anteposto funcionando como predicativo:
primos. concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
Estavam feridos o pai e os filhos.
2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer an- Estava ferido o pai e os filhos.
teposto ao verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus
dois filhos compareceram ao evento. c) Um substantivo e mais de um adjetivo
- antecede todos os adjetivos com um artigo.
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao ver- Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
bo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo ou
permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai e seus - coloca o substantivo no plural.
dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos. Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.

d) Pronomes de tratamento
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém - sempre concordam com a 3ª pessoa.
com mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no Vossa Santidade esteve no Brasil.
singular: Meu esposo e grande companheiro merece toda a
felicidade do mundo. e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
- Concordam com o substantivo a que se referem.
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinô- As cartas estão anexas.
nimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo A bebida está inclusa.
poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha Precisamos de nomes próprios.
vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de Obrigado, disse o rapaz.
meu esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha pre-
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
miação é fruto de meu esforço. - Após essas expressões o substantivo fica sempre no
singular e o adjetivo no plural.
Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos Renato advogou um e outro caso fáceis.
demais termos da oração para que concordem em gênero Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
e número com o substantivo. Teremos que alterar, portan-
to, o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome. Além disso, g) É bom, é necessário, é proibido
temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira. - Essas expressões não variam se o sujeito não vier pre-
Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o prono- cedido de artigo ou outro determinante.
me concordam em gênero e número com o substantivo. Canja é bom. / A canja é boa.
- A pequena criança é uma gracinha. É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A en-
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.
trada é proibida.

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LÍNGUA PORTUGUESA

h) Muito, pouco, caro Questões sobre Concordância Nominal e Verbal


- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem. 01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A con-
Pouco arroz é suficiente para mim. cordância verbal e nominal está inteiramente correta na
Os sapatos estavam caros. frase:
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e va-
- Como advérbios: são invariáveis. lores que determinam as escolhas dos governantes, para
Comi muito durante a viagem. conferir legitimidade a suas decisões.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha. (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes de-
Comprei caro os sapatos. vem ser embasados na percepção dos valores e princípios
que regem a prática política.
(C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadei-
i) Mesmo, bastante
ro regime democrático, em que se respeita tanto as liber-
- Como advérbios: invariáveis
dades individuais quanto as coletivas.
Preciso mesmo da sua ajuda. (D) As instituições fundamentais de um regime demo-
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego. crático não pode estar subordinado às ordens indiscrimina-
das de um único poder central.
- Como pronomes: seguem a regra geral. (E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados
Seus argumentos foram bastantes para me convencer. para o momento eleitoral, que expõem as diferentes opi-
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou. niões existentes na sociedade.
j) Menos, alerta
- Em todas as ocasiões são invariáveis. 02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de con-
Preciso de menos comida para perder peso. cordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas
Estamos alerta para com suas chamadas. em:
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa
k) Tal Qual leitura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimo-
- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda ramento intelectual, estão na capacidade de criação do au-
com o consequente. tor, mediante palavras, sua matéria-prima.
As garotas são vaidosas tais qual a tia. B) Obras que se considera clássicas na literatura sem-
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos. pre delineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o
leitor ao ultrapassar os limites da época em que vivem seus
autores, gênios no domínio das palavras, sua matéria-pri-
l) Possível
ma.
- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “me- C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas,
lhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as ex- lhe permitem criar todo um mundo de ficção, em que per-
pressões. sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os
A mais possível das alternativas é a que você expôs. leitores, numa verdadeira interação com a realidade.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da em- D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei-
presa. tor somente se realiza plenamente caso haja afinidade de
As piores situações possíveis são encontradas nas fave- ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o
las da cidade. crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura.
E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que
m) Meio constitui leitura obrigatória e se tornam referências por seu
- Como advérbio: invariável. conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época.
Estou meio (um pouco) insegura.
03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para
- Como numeral: segue a regra geral. responder à questão.
Comi meia (metade) laranja pela manhã. _________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro,
não está claro até onde pode realmente chegar uma políti-
ca baseada em melhorar a eficiência sem preços adequados
n) Só
para o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a
- apenas, somente (advérbio): invariável.
terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do
Só consegui comprar uma passagem. carbono e da água em si ___________diferença, as compa-
nhias não podem suportar ter de pagar, de repente, digamos,
- sozinho (adjetivo): variável. 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer prepara-
Estiveram sós durante horas. ção. Portanto, elas começam a usar preços- -sombra.
Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira
Fonte: de quantificar adequadamente os insumos básicos. E sem
http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia- eles a maioria das políticas de crescimento verde sempre
verbal.htm ___________ a segunda opção.
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)

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LÍNGUA PORTUGUESA

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, 07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res- Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas
pectivamente, com: em:
(A) Restam… faça… será (A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel
(B) Resta… faz… será sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir
(C) Restam… faz... serão dessas criações poéticas tão originais.
(D) Restam… façam… serão (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status
(E) Resta… fazem… será atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje
nas melhores universidades do país.
04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alterna- (C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que
tiva em que o trecho a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles
– Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma- mesmos requizessem o respeito que faziam por merecer.
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.– (D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização e
está corretamente reescrito, de acordo com a norma-pa- a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser
drão da língua portuguesa. resultado do puro e simples desconhecimento.
(A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encon-
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os proble-
trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os
mas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de
insumos básicos.
representatividade.
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási-
cos ser quantificados. 08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
(C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou FCC/2010) Observam-se corretamente as regras de con-
até agora uma maneira adequada para que os insumos bá- cordância verbal e nominal em:
sicos sejam quantificado. a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofistica-
trou até agora uma maneira adequada para que os insu- das às mais humildes, são cada vez mais comuns nos dias
mos básicos seja quantificado. de hoje.
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- b) A importância de intelectuais como Edward Said e
trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
os insumos básicos. polêmicas de seu tempo, não estão apenas nos livros que
05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATIVO escreveram.
- VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto: c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre
I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota nega- árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto so-
tiva... frimento, estejam próximos de serem resolvidos ou pelo
II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classi- menos de terem alguma trégua.
ficação do continente americano (2,0)... d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a
Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo
II, a concordância segue as mesmas regras, na ordem dos ponto relativa, costumam encontrar muito mais detratores
exemplos, em: que admiradores.
(A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o e) No final do século XX já não se via muitos intelec-
próximo ano. Será que alguém tem opinião diferente da tuais e escritores como Edward Said, que não apenas era
maioria? notícia pelos livros que publicavam como pelas posições
(B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas. que corajosamente assumiam.
Vêm pessoas de muito longe para brincar de quadrilha.
(C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase
09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
todos quiseram ficar até o nascer do sol na praia.
O verbo que, dadas as alterações entre parênteses propos-
(D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas
também existem umas que não merecem nossa atenção. tas para o segmento grifado, deverá ser colocado no plural,
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam. está em:
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas)
06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) (B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do pla-
Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e locais de neta)
peregrinação. (C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O
O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plu- consumo mundial de barris de petróleo)
ral caso o segmento grifado seja substituído por: (D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se
(A) Há folheteiros que no custo da matéria-prima... (Constantes aumentos)
(B) A maior parte dos folheteiros (E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es-
(C) O folheteiro e sua família forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças
(D) O grosso dos folheteiros climáticas)
(E) Cada um dos folheteiros

91
LÍNGUA PORTUGUESA

10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) Assi- 3-) _Restam___dúvidas


nale a alternativa em que a concordância das formas ver- mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da
bais destacadas está de acordo com a norma-padrão da água em si __faça __diferença
língua. a maioria das políticas de crescimento verde sempre
(A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higie- ____será_____ a segunda opção.
nização subterrânea. Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tan-
(B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os to no plural quanto no singular. Nas alternativas não há
trabalhadores da área de limpeza. “restam/faça/serão”, portanto a A é que apresenta as op-
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos ris- ções adequadas.
cos de se contrair alguma doença.
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
4-)
sete da manhã, eu já estava fazendo meu serviço.
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, (A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
começou a adotar medidas mais rigorosas para a proteção trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os
de seus funcionários. insumos básicos.
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
GABARITO trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási-
cos serem quantificados.
01. A 02. A 03. A 04. E 05. A (C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
mos básicos sejam quantificados.
RESOLUÇÃO (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
1-) Fiz os acertos entre parênteses: mos básicos sejam quantificados.
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores (E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
que determinam as escolhas dos governantes, para conferir trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem
legitimidade a suas decisões. os insumos básicos. = correta
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem
(deve) ser embasados (embasada) na percepção dos valores
5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos
e princípios que regem a prática política.
(C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um ver- aos itens:
dadeiro regime democrático, em que se respeita (respeitam) (A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém
tanto as liberdades individuais quanto as coletivas. tem (singular)
(D) As instituições fundamentais de um regime demo- (B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural)
crático não pode (podem) estar subordinado (subordinadas) (C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quise-
às ordens indiscriminadas de um único poder central. ram (plural)
(E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) vol- (D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem
tados (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex- umas (plural)
põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade. (E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas
as formas estão no plural)
2-)
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa lei- 6-)
tura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimora- A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto
mento intelectual, estão na capacidade de criação do autor, “folheterios”)
mediante palavras, sua matéria-prima. = correta B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional)
B) Obras que se consideram clássicas na literatura sem- C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto)
pre delineiam novos caminhos, pois são capazes de encantar
D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional)
o leitor ao ultrapassarem os limites da época em que vivem
E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular
seus autores, gênios no domínio das palavras, sua matéria
-prima.
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, 7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta:
lhes permite criar todo um mundo de ficção, em que per- (A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a conside-
sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os rar o cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capa-
leitores, numa verdadeira interação com a realidade. zes de fruir dessas criações poéticas tão originais.
D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei- (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status
tor somente se realizam plenamente caso haja afinidade de atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje
ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o cres- nas melhores universidades do país.
cimento intelectual deste último e o prazer da leitura. (C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que
E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles
constituem leitura obrigatória e se tornam referências por mesmos requizessem (requeressem) o respeito que faziam
seu conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época. por merecer.

92
LÍNGUA PORTUGUESA

(D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desva- REGÊNCIA


lorização e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica
só pode (podem) ser resultado do puro e simples desco- Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
nhecimento. que ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus comple-
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que mentos. Ocupa-se em estabelecer relações entre as pala-
os problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados vras, criando frases não ambíguas, que expressem efetiva-
à falta de representatividade. mente o sentido desejado, que sejam corretas e claras.

8-) Fiz as correções entre parênteses: Regência Verbal


a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofis- Termo Regente: VERBO
ticadas às mais humildes, são (é) cada vez mais comuns
(comum) nos dias de hoje. A regência verbal estuda a relação que se estabelece
b) A importância de intelectuais como Edward Said e entre os verbos e os termos que os complementam (obje-
Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões tos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos
polêmicas de seu tempo, não estão (está) apenas nos livros adverbiais).
que escreveram. O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nos-
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio en- sa capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de
tre árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto conhecermos as diversas significações que um verbo pode
sofrimento, estejam (esteja) próximos (próximo) de serem assumir com a simples mudança ou retirada de uma pre-
(ser) resolvidos (resolvido) ou pelo menos de terem (ter) posição. Observe:
alguma trégua. A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar,
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a contentar.
verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar
ponto relativa, costumam encontrar muito mais detratores agrado ou prazer”, satisfazer.
que admiradores. Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos “agradar a alguém”.
intelectuais e escritores como Edward Said, que não apenas
era (eram) notícia pelos livros que publicavam como pelas Saiba que:
posições que corajosamente assumiam. O conhecimento do uso adequado das preposições é
um dos aspectos fundamentais do estudo da regência ver-
9-) bal (e também nominal). As preposições são capazes de
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) = modificar completamente o sentido do que se está sendo
“há” permaneceria no singular dito. Veja os exemplos:
(B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do pla- Cheguei ao metrô.
neta) = “sabe” permaneceria no singular Cheguei no metrô.
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O
consumo mundial de barris de petróleo) = “dá” permane- No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no se-
ceria no singular gundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se oração “Cheguei no metrô”, popularmente usada a fim de
no custo da matéria-prima... Constantes aumentos) = “re- indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão culto da lín-
flete” passaria para “refletem-se” gua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem di-
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es- vergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns
forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças verbos, e a regência culta.
climáticas) = “pressiona” permaneceria no singular Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos
de acordo com sua transitividade. A transitividade, porém,
10-) Fiz as correções: não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de
(A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular) diferentes formas em frases distintas.
(B) Ainda existe muitas pessoas = existem
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos Verbos Intransitivos
riscos
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
sete da manhã = eram importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
começou = começaram
- Chegar, Ir
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver-
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para
indicar destino ou direção são: a, para.

93
LÍNGUA PORTUGUESA

Fui ao teatro. Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:


Adjunto Adverbial de Lugar - Consistir - Tem complemento introduzido pela pre-
posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direi-
Ricardo foi para a Espanha. tos iguais para todos.
Adjunto Adverbial de Lugar
- Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-
- Comparecer mentos introduzidos pela preposição “a”:
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
em ou a. Eles desobedeceram às leis do trânsito.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
último jogo. - Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
Verbos Transitivos Diretos quem” ou “ao que” se responde.
Respondi ao meu patrão.
Os verbos transitivos diretos são complementados por Respondemos às perguntas.
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição Respondeu-lhe à altura.
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre-
gar esses verbos, devemos lembrar que os pronomes oblí- Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto
quos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses prono- quando exprime aquilo a que se responde, admite voz pas-
mes podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas siva analítica. Veja:
verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após O questionário foi respondido corretamente.
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamen-
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos. te.
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abando-
nar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, ad- - Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
mirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, tos introduzidos pela preposição “com”.
Antipatizo com aquela apresentadora.
castigar, condenar, conhecer, conservar,convidar, defender,
Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar,
nam para uma minoria privilegiada.
proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
como o verbo amar:
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa-
Amo aquela moça. / Amo-a.
nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem desta-
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
que, nesse grupo: Agradecer, Perdoar e Pagar. São verbos
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. que apresentam objeto direto relacionado a coisas e obje-
to indireto relacionado a pessoas. Veja os exemplos:
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses ver- Agradeço aos ouvintes a audiência.
bos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos Objeto Indireto Objeto Direto
adnominais).
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) Paguei o débito ao cobrador.
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua car- Objeto Direto Objeto Indireto
reira)
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu- - O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
mor) com particular cuidado. Observe:

Verbos Transitivos Indiretos Agradeci o presente. / Agradeci-o.


Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Os verbos transitivos indiretos são complementados Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
gem uma preposição para o estabelecimento da relação Paguei minhas contas. / Paguei-as.
de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de ter- Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
ceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são
o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam Informar
os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos - Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não re- indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
presentam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos Informe os novos preços aos clientes.
de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos
lhe, lhes. preços)

94
LÍNGUA PORTUGUESA

- Na utilização de pronomes como complementos, veja AGRADAR


as construções: - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. nhos, acariciar.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou so- Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
bre eles) quando o revê.
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. /
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
os seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
- Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
Comparar agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as introduzido pela preposição “a”.
preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento O cantor não agradou aos presentes.
indireto. O cantor não lhes agradou.
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma
criança.
ASPIRAR
- Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspi-
Pedir
rar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na
forma de oração subordinada substantiva) e indireto de pes-
soa. - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
como ambição: Aspirávamos a melhores condições de vida.
Pedi-lhe favores. (Aspirávamos a elas)
Objeto Indireto Objeto Direto
Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. pessoa, mas coisa, não se usam as formas pronominais áto-
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva nas “lhe” e “lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela
Objetiva Direta (s)”. Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Aspiravam a ela)
Saiba que:
- A construção “pedir para”, muito comum na linguagem ASSISTIR
cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. - Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
No entanto, é considerada correta quando a palavra licença tar assistência a, auxiliar. Por exemplo:
estiver subentendida. As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa. As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz
uma oração subordinada adverbial final reduzida de infiniti- - Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
vo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). ciar, estar presente, caber, pertencer. Exemplos:
Assistimos ao documentário.
- A construção “dizer para”, também muito usada popu- Não assisti às últimas sessões.
larmente, é igualmente considerada incorreta. Essa lei assiste ao inquilino.
Preferir Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indi-
intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
reto introduzido pela preposição “a”. Por Exemplo:
lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
conturbada cidade.
Prefiro trem a ônibus.

Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado CHAMAR


sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve- - Chamar é transitivo direto no sentido de convocar,
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo solicitar a atenção ou a presença de.
existente no próprio verbo (pre). Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá cha-
má-la.
Mudança de Transitividade X Mudança de Significa- Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
do
Há verbos que, de acordo com a mudança de transi- - Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
tividade, apresentam mudança de significado. O conheci- apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predi-
mento das diferentes regências desses verbos é um recurso cativo preposicionado ou não.
linguístico muito importante, pois além de permitir a correta A torcida chamou o jogador mercenário.
interpretação de passagens escritas, oferece possibilidades A torcida chamou ao jogador mercenário.
expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais, A torcida chamou o jogador de mercenário.
estão: A torcida chamou ao jogador de mercenário.

95
LÍNGUA PORTUGUESA

CUSTAR - Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,


- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado estimar, amar.
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Quero muito aos meus amigos.
Frutas e verduras não deveriam custar muito. Ele quer bem à linda menina.
Despede-se o filho que muito lhe quer.
- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
ou transitivo indireto. VISAR
Muito custa viver tão longe da família. - Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
Verbo Oração Subordinada Substantiva rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
Subjetiva O homem visou o alvo.
Intransitivo Reduzida de Infinitivo O gerente não quis visar o cheque.
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela - No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
atitude. objetivo, é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
Objeto Oração Subordinada Substantiva
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Subjetiva
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
Indireto Reduzida de Infinitivo
público.
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções
que atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado ESQUECER – LEMBRAR
por pessoa. Observe: - Lembrar algo – esquecer algo
Custei para entender o problema. - Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (prono-
Forma correta: Custou-me entender o problema. minal)

IMPLICAR No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,


- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e
implicavam um firme propósito. exigem complemento com a preposição “de”. São, portan-
b) Ter como consequência, trazer como consequência, to, transitivos indiretos:
acarretar, provocar: Liberdade de escolha implica amadure- - Ele se esqueceu do caderno.
cimento político de um povo. - Eu me esqueci da chave.
- Eles se esqueceram da prova.
- Como transitivo direto e indireto, significa compro- - Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões
econômicas. Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é tran- alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
sitivo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
quem não trabalhasse arduamente. clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de
Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
PROCEDER - Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter - Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
cabimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se,
agir. Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado
O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e
de adjunto adverbial de modo.
indireto (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de al-
As afirmações da testemunha procediam, não havia
como refutá-las. guma coisa).
Você procede muito mal. SIMPATIZAR
Transitivo indireto e exige a preposição “com”: Não
- Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo- simpatizei com os jurados.
sição” de”) e fazer, executar (rege complemento introduzi-
do pela preposição “a”) é transitivo indireto. NAMORAR
O avião procede de Maceió. É transitivo direto, ou seja, não admite preposição: Ma-
Procedeu-se aos exames. ria namora João.
O delegado procederá ao inquérito. Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.

QUERER OBEDECER
- Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com
vontade de, cobiçar. a preposição “a” (obedecer a): Devemos obedecer aos pais.
Querem melhor atendimento. Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode
Queremos um país melhor. ser usado na voz passiva: A fila não foi obedecida.

96
LÍNGUA PORTUGUESA

VER
É transitivo direto, ou seja, não exige preposição: Ele viu o filme.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome.
Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vá-
rios nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa,
nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes:
todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os atenta-
mente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

Questões sobre Regência Nominal e Verbal

01. (Administrador – FCC – 2013-adap.).


... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras ciências ...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está empregado em:
A) ...astros que ficam tão distantes ...
B) ...que a astronomia é uma das ciências ...
C) ...que nos proporcionou um espírito ...
D) ...cuja importância ninguém ignora ...
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ...

97
LÍNGUA PORTUGUESA

02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- (D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapida-
adap.). mente seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço
... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos seja mais notável em alguns países – o Brasil é um exemplo
filhos do sueco. – do que em outros.
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de com- (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapida-
plementos que o grifado acima está empregado em: mente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o avan-
A) ...que existe uma coisa chamada exército... ço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exem-
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? plo) do que em outros.
C) ...compareceu em companhia da mulher à delega-
cia... 06. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assina-
D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro... le a alternativa correta quanto à regência dos termos em
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atre-
destaque.
vimento.
(A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). responsabilidade pelo problema.
... constava simplesmente de uma vareta quebrada em (B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter
partes desiguais... se perdido.
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que (C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho
o grifado acima está empregado em: de um índio na porta do prédio.
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a (D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se
extremos de sutileza. perdido de sua família.
B) ...eram comumente assinalados a golpes de macha- (E) A família toda se organizou para realizar a procura
do nos troncos mais robustos. à garotinha.
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso-
rientam, não raro, quem... 07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013). Assinale
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho a alternativa que completa, correta e respectivamente, as
na serra de Tunuí... lacunas do texto, de acordo com as regras de regência.
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já
gentio, mestre e colaborador... assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.).
A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que a mídia pode exercer sobre os jovens.
o da frase acima se encontra em: A) dos … na
A) A palavra direito, em português, vem de directum, B) nos … entre a
do verbo latino dirigere... C) aos … para a
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das D) sobre os … pela
sociedades... E) pelos … sob a
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado
pela justiça. 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspi- Públicas – VUNESP – 2013). Considerando a norma-padrão
rações da justiça... da língua, assinale a alternativa em que os trechos desta-
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o cados estão corretos quanto à regência, verbal ou nominal.
sentimento de justiça. A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais
de dez mil tomadas.
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2012) Assinale a alter- B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver
nativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de
nominal e à pontuação.
criar logotipos e negociar.
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapida-
D) O taxista levou o autor a indagar no número de
mente, seu espaço na carreira científica ainda que o avanço
seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, tomadas do edifício.
do que em outros. E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor re-
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam ra- parasse a um prédio na marginal.
pidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o
avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um 09. (Assistente de Informática II – VUNESP – 2013). As-
exemplo!, do que em outros. sinale a alternativa que substitui a expressão destacada na
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam ra- frase, conforme as regras de regência da norma-padrão da
pidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o língua e sem alteração de sentido.
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de
exemplo, do que em outros. direitos dos trabalhadores domésticos.

98
LÍNGUA PORTUGUESA

A) da 5-) A correção do item deve respeitar as regras de pon-


B) na tuação também. Assinalei apenas os desvios quanto à re-
C) pela gência (pontuação encontra-se em tópico específico)
D) sob a (A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam,
E) sobre a (B) Não há dúvida de que (erros quanto à pon-
tuação)
GABARITO (C) Não há dúvida de que as mulheres, (erros quanto
à pontuação)
01. D 02. D 03. A 04. A 05. D (E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapi-
06. A 07. C 08. A 09. C damente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o
RESOLUÇÃO avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um
exemplo) do que em outros.
1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das 6-)
outras ciências ... (B) A menina tinha o receio de levar uma bronca por
Facilitar – verbo transitivo direto ter se perdido.
A) ...astros que ficam tão distantes ... = verbo de li- (C) A garota tinha apenas a lembrança do desenho de
gação um índio na porta do prédio.
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... = verbo (D) A menina não tinha orgulho do fato de ter se per-
de ligação dido de sua família.
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo tran- (E) A família toda se organizou para realizar a procura
sitivo direto e indireto pela garotinha.
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro =
verbo transitivo indireto 7-) Os estudos aos quais a pesquisadora se re-
portou já assinalavam uma relação entre os distúrbios da
2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito imagem corporal e a exposição a imagens idealizadas pela
nos filhos do sueco. mídia.
Pedir = verbo transitivo direto e indireto A pesquisa faz um alerta para a influência negativa
A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = tran- que a mídia pode exercer sobre os jovens.
sitivo direto
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? =verbo de 8-)
ligação B) O autor fez conjecturas sobre a possibilidade de ha-
C) ...compareceu em companhia da mulher à delega- ver um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
cia... =verbo intransitivo C) Centenas de trabalhadores estão empenhados em
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevi- criar logotipos e negociar.
mento. =transitivo direto D) O taxista levou o autor a indagar sobre o número de
tomadas do edifício.
3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor re-
em partes desiguais... parasse em um prédio na marginal.
Constar = verbo intransitivo
B) ...eram comumente assinalados a golpes de macha- 9-) Muitas organizações lutaram pela igualdade de
do nos troncos mais robustos. =ligação direitos dos trabalhadores domésticos.
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso-
rientam, não raro, quem... =transitivo direto
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho 3. REDAÇÃO OFICIAL.
na serra de Tunuí... = transitivo direto
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o
gentio, mestre e colaborador...=transitivo direto
Uma boa redação é aquela que permite uma leitura
4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... prazerosa, natural, de fácil compreensão. Para fazer bons
Lidar = transitivo indireto textos é fundamental ter o hábito de leitura, utilizar todas
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das as regras da língua Portuguesa e as técnicas de redação a
sociedades... =transitivo direto seu favor.
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado
pela justiça. =ligação Principais dicas de redação:
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspira-
ções da justiça... =transitivo direto e indireto - Organize seus argumentos sobre o tema proposto e
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o os escreva de forma compreensível. Organize os argumen-
sentimento de justiça. =transitivo direto tos em ordem crescente, ou seja, deixe o argumento mais
forte para o final;

99
LÍNGUA PORTUGUESA

- Nas dissertações em que é necessário defender algo, expõe o ponto de vista, e argumenta de uma forma lógica
não fique “em cima do muro”, coloque claramente sua po- para que o leitor acompanhe seu raciocínio. Nesta parte
sição, pois muitas vezes os corretores estão interessados em do texto faz-se uso de, no mínimo, dois parágrafos. A con-
avaliar sua capacidade de opinar, refletir e argumentar; clusão é o fechamento. Mas é válido lembrar que a intro-
- Escreva com clareza; dução, desenvolvimento e conclusão são ligados e depen-
- Seja objetivo e fiel ao tema; dentes entre si para que a coesão e coerência textual sejam
- Escolha sempre a ordem direta das frases (sujeito + pre- mantidas e o texto faça sentido.
dicado);
- Evite períodos e parágrafos muito longos; Introdução
- Elimine expressões difíceis ou desnecessárias do texto;
- Não use termos chulos, gírias e regionalismos; A introdução (dependendo do número máximo de li-
- Esteja sempre atualizado em tudo que acontece no nhas) deve ter argumentos, dos quais você falará no de-
mundo; senvolvimento. Então, deixe para explicar o assunto da in-
- Leia muito. A leitura enriquece o vocabulário, você olha
trodução depois. Apenas coloque os argumentos de forma
visualmente as palavras e envia para a sua memória a forma
conexa e, o mais importante, apenas os coloque se tiver
correta de escrevê-las;
certeza de que falará sobre eles depois.
- Treine fazer redação com temas que poderão estar rela-
cionados com as provas de concursos públicos, ou então faça
com temas da atualidade e notícias constantes nos meios de Desenvolvimento
comunicação;
- Seja crítico de si mesmo, revise os textos de treino, retire O desenvolvimento (dependendo do número máximo
os excessos, deixe seu texto “enxuto”; de linhas) deve ter, no mínimo, dois parágrafos. Cada pa-
- Cronometre o tempo que é gasto nas suas redações de rágrafo deve ter entre 2 a 4 linhas. O ideal seria três linhas,
treino e tente sempre diminuir o tempo gasto na próxima; pois quanto mais linhas tiver, maiores as chances de você
- Não ultrapasse as margens, nem o limite de linhas esta- escrever algo confuso. Os parágrafos devem tratar dos ar-
belecido na prova; gumentos apresentados na introdução. Cada parágrafo, ao
- Mantenha o mesmo padrão de letra do início ao fim do menos, referente a um deles.
texto. Não inicie com letra legível e arredondada, por exemplo,
e termine com ela ilegível e “apressada”. Isso dará uma pés- Conclusão
sima impressão para o examinador da banca quando for ler;
- Não faça marcas, rabiscos, não suje e nem amasse sua A conclusão não traz nenhum argumento novo. Ela
redação; Tenha o máximo de asseio possível; ressalta o que já foi dito, ou traz uma POSSÍVEL solução.
- Faça as redações de provas anteriores do concurso que
você prestará; Na dissertação NUNCA usamos: eu, nós, temos, deve-
mos, podemos, iremos, sei, sabemos, e palavras conjugadas
- Fique focado no enunciado que a banca está pedindo, da mesma forma. Isto porque ela devem ser escrita na 3ª
não redija um texto lindo, mas que está totalmente fora do pessoa do singular. O certo seria: sabe-se, deve-se, impor-
tema. Nunca fuja do tema proposto; tante se faz, tem-se. “Todo mundo”, “todo o planeta”, “todas
- Use sinônimos, evite repetir as mesmas palavras; as pessoas”, “todos”: tais palavras devem ser evitadas, pois a
- Tenha seus argumentos fundamentados. Seja coeso e dissertação não admite generalização. Logo, devemos usar
coerente; “a maioria”, “grande parte”, “parcela da população”, “um sig-
- Algo comum no mundo dos concurseiros é o grande
nificativo número” etc. “Com certeza”, “obviamente”, defini-
temor pela redação nas provas. Muitas vezes o candidato pre-
tivamente”: são palavras que também devem ser evitadas.
para-se para a prova objetiva e deixa a redação de lado, per-
A dissertação consiste numa argumentação, na qual se é
dendo grandes chances de passar. A única maneira eficaz de
aprender a fazer uma boa redação é treinando. Faça redações exposto um pensamento, o qual poderá ser refutado por
sobre diversos temas, leia e releia quantas vezes precisar, e outro pensamento.
lembre-se: a prática pode levar à perfeição;
- Além dessas dicas é preciso saber, principalmente, as re- Vamos para um exemplo. O texto trata da redução da
gras de acentuação gráfica, pontuação, ortografia e concor- maioridade no Brasil.
dância. A INTRODUÇÃO é a seguinte:

Estrutura da Redação Na sociedade atual, muitos crimes vêm sendo cometi-


dos por infratores menores de dezoito anos. As penas a eles
Um texto é composto de três partes essenciais: introdução, aplicadas são relativamente pequenas e não os inibem de
desenvolvimento e conclusão. O correto é haver um elo entre praticar novos delitos. A maioria destes jovens, contudo, SÃO
as partes, como se formassem a costura do texto. Na intro- de regiões periféricas e não têm o devido acesso á educação.
dução é onde o tema abordado é apresentado, não deve
ser muito extensa, e aconselha-se que tenha apenas um Lembra da regra dos assuntos (pelo menos três) da in-
parágrafo de quatro a seis linhas. O desenvolvimento é o trodução? Então... vamos ver quais serão os assuntos.
“corpo” do texto, a parte mais importante dele. É onde se

100
LÍNGUA PORTUGUESA

Assunto 1: na sociedade atual, muitos crimes vêm sendo 5. Em seguida, procure algum fato que sirva de exem-
cometidos por infratores menores de dezoito anos plo para reforçar a sua posição. Este fato-exemplo pode
Assunto 2: As penas a eles aplicadas são relativamente vir de sua memória visual, das coisas que você ouviu, do
pequenas e não os inibe de praticar novos delitos que você leu. Pode ser um fato da vida política, econômica,
Assunto 3: A maioria destes jovens, contudo, são de re- social. Pode ser um fato histórico. Ele precisa ser bastante
giões periféricas e não têm o devido acesso á educação expressivo e coerente com o seu ponto de vista. O fato
-exemplo geralmente dá força e clareza à argumentação.
Agora, vamos construir o texto, abordando cada assun- Além disso, pessoaliza o nosso texto, diferenciando-o dos
to em um parágrafo do desenvolvimento. demais.
6. A partir desses elementos, você terá o rascunho de
Na sociedade atual, muitos crimes vêm sendo cometi- sua redação.
dos por infratores menores de dezoito anos. As penas a eles
aplicadas são relativamente pequenas e não os inibem de Fontes:
praticar novos delitos. A maioria destes jovens, contudo, É de http://www.okconcursos.com.br/como-passar/dicas
regiões periféricas e não TEM o devido acesso á educação. -para-concurso/330-como-fazer-uma-boa-redacao#.Upo-
É de se notar que o crescente número de infrações reali- qg9Kfsfh
zadas por crianças e adolescentes, aparentemente, só tende http://capaciteredacao.forum-livre.com/t5097-explica-
a aumentar, tal como vem acontecendo. Crimes como roubo cao-como-fazer-uma-redacao
e tráfico se mostram cada vez mais presente nas ações des- http://www.soportugues.com.br/secoes/Redacao/Re-
tes jovens. (assunto 1) dacao2.php
Se, por um lado, o número de crimes praticados por eles
aumenta, por outro, diminui a severidade das medidas. O
grande problema de medidas tão brandas consiste no fato Redação Oficial
de estas não cumprirem um de seus importantes deveres: o
de inibir a ocorrência de novas infrações. (assunto 2) Pronomes de tratamento na redação oficial
A falta de estudo e de condições sociais favoráveis, certa-
mente, é um ponto que fortalece o envolvimento com ações A redação Oficial é a maneira para o poder público re-
infratoras. Dispersos, tratados com descaso e sem perspecti-
digir atos normativos. Para redigi-los, muitas regras fazem-
va, muitos jovens veem no crime a possível solução para seus
se necessárias. Entre elas, escrever de forma clara, concisa,
problemas. (assunto 3)
sem muito comprometimento, bem como um uso adequa-
A necessidade de se diminuir a maioridade penal, nas
do das formas de tratamento. Tais regras, acompanhadas
condições atuais, de fato, se mostra gritante. Contudo, no
de uma boa redação, com um bom uso da linguagem, as-
dia que o país investir em educação e não em formas de
seguram que os atos normativos sejam bem executados.
conter os efeitos gerados pela falta desta, talvez, sequer seja
No Poder Público, a todo momento nós nos depara-
necessária qualquer pena.
mos com situações em que precisamos escrever – ou falar –
Planejando a Dissertação com pessoas com as quais não temos familiaridade. Nesses
casos, os pronomes de tratamento assumem uma condição
Veja a seguir outro tipo de roteiro. Siga os passos: e precisam estar adequados à categoria hierárquica da pes-
1) Interrogue o tema; soa a quem nos dirigimos. E mais, exige-se, em discurso
2) Responda-o de acordo com a sua opinião; falado ou escrito, uma homogeneidade na forma de trata-
3) Apresente um argumento básico; mento, não só nos pronomes como também nos verbos.
4) Apresente argumentos auxiliares; No entanto, as formas de tratamento não são do co-
5) Apresente um fato-exemplo; nhecimento de todos. Para tanto, a partir do Manual da
6) Conclua. Presidência da República, apresentaremos as discrimina-
ções de usos dos pronomes de tratamento:
Vamos supor que o tema de redação proposto seja:
Nenhum homem vive sozinho. Tente seguir o roteiro: São de uso consagrado: Vossa Excelência, para as
1. Transforme o tema em uma pergunta: Nenhum ho- seguintes autoridades:
mem vive sozinho? a) do Poder Executivo
2. Procure responder a essa pergunta de um modo Presidente da República;
simples e claro, concordando ou discordando (ou concor- Vice-Presidente da República;
dando em parte e discordando em parte): essa resposta é o Ministro de Estado;
seu ponto de vista. Secretário-Geral da Presidência da República;
3. Pergunte a você mesmo o porquê de sua resposta, Consultor-Geral da República;
uma causa, um motivo, uma razão para justificar sua posi- Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas;
ção: aí estará o seu argumento principal. Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República;
4. Agora, procure descobrir outros motivos que ajudem Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República;
a defender o seu ponto de vista, a fundamentar sua posi- Secretários da Presidência da República;
ção. Estes serão os argumentos auxiliares. Procurador – Geral da República;

101
LÍNGUA PORTUGUESA

Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito “A administração pública direta, indireta ou fundacional, de


Federal; qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal
Chefes de Estado – Maior das Três Armas; e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, im-
Oficiais Generais das Forças Armadas; pessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Sendo
Embaixadores; a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de
Secretário Executivo e Secretário Nacional de Ministérios; toda administração pública, claro que devem igualmente nor-
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; tear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
Prefeitos Municipais. Não se concebe que um ato normativo de qualquer na-
tureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou im-
b) do Poder Legislativo: possibilite sua compreensão. A transparência do sentido dos
Presidente, Vice–Presidente e Membros da Câmara dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são requisitos
Deputados e do Senado Federal; do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um texto le-
Presidente e Membros do Tribunal de Contas da União; gal não seja entendido pelos cidadãos. A publicidade implica,
Presidente e Membros dos Tribunais de Contas Estaduais; pois, necessariamente, clareza e concisão.
Presidente e Membros das Assembleias Legislativas Esta- Fica claro também que as comunicações oficiais são ne-
duais; cessariamente uniformes, pois há sempre um único comuni-
Presidente das Câmaras Municipais. cador (o Serviço Público) e o receptor dessas comunicações
c) do Poder Judiciário: ou é o próprio Serviço Público (no caso de expedientes dirigi-
Presidente e Membros do Supremo Tribunal Federal; dos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou
Presidente e Membros do Superior Tribunal de Justiça; instituições tratados de forma homogênea (o público).
Presidente e Membros do Superior Tribunal Militar; A redação oficial não é necessariamente árida e infensa à
Presidente e Membros do Tribunal Superior Eleitoral; evolução da língua. É que sua finalidade básica – comunicar
Presidente e Membros do Tribunal Superior do Trabalho; com impessoalidade e máxima clareza – impõe certos parâ-
Presidente e Membros dos Tribunais de Justiça; metros ao uso que se faz da língua, de maneira diversa da-
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Federais; quele da literatura, do texto jornalístico, da correspondência
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Eleitorais; particular, etc.
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais do Trabalho; Apresentadas essas características fundamentais da reda-
Juízes e Desembargadores; ção oficial, passemos à análise pormenorizada de cada uma
Auditores da Justiça Militar.” delas.

O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas A Impessoalidade


aos Chefes do Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do car-
go respectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República; A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional; Ex- pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários: a)
celentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. alguém que comunique, b) algo a ser comunicado, e c) al-
guém que receba essa comunicação. No caso da redação
E mais: As demais autoridades serão tratadas com o vo- oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou
cativo Senhor, seguido do cargo respectivo: Senhor Senador, aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço,
Senhor Juiz, Senhor Ministro, Senhor Governador. Seção); o que se comunica é sempre algum assunto relativo às
O Manual ainda preceitua que a forma de tratamento atribuições do órgão que comunica; o destinatário dessa co-
“Digníssimo” fica abolida para as autoridades descritas acima, municação ou é o público, o conjunto dos cidadãos, ou outro
afinal, a dignidade é condição primordial para que tais cargos órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da União.
públicos sejam ocupados. Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve
Fica ainda dito que doutor não é forma de tratamento, ser dado aos assuntos que constam das comunicações oficiais
mas titulação acadêmica de quem defende tese de douto- decorre:
rado. Portanto, é aconselhável que não se use discriminada- a) da ausência de impressões individuais de quem comu-
mente tal termo. nica: embora se trate, por exemplo, de um expediente assina-
do por Chefe de determinada Seção, é sempre em nome do
AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS Serviço Público que é feita a comunicação. Obtém-se, assim,
uma desejável padronização, que permite que comunicações
1. ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL elaboradas em diferentes setores da Administração guardem
entre si certa uniformidade;
O que é Redação Oficial b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação,
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a ma- com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão,
neira pela qual o Poder Público redige atos normativos sempre concebido como público, ou a outro órgão público.
e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Nos dois casos, temos um destinatário concebido de forma
Poder Executivo. homogênea e impessoal;
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoali- c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se
dade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, o universo temático das comunicações oficiais restringe-
formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atri- se a questões que dizem respeito ao interesse público, é
butos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: natural que não caiba qualquer tom particular ou pessoal.

102
LÍNGUA PORTUGUESA

Desta forma, não há lugar na redação oficial para impres- A linguagem técnica deve ser empregada apenas em si-
sões pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma tuações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indiscrimina-
carta a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou do. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o vocabu-
mesmo de um texto literário. A redação oficial deve ser isenta lário próprio a determinada área, são de difícil entendimento
da interferência da individualidade que a elabora. por quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se ter o
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que cuidado, portanto, de explicitá-los em comunicações encami-
nos valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, nhadas a outros órgãos da administração e em expedientes
ainda, para que seja alcançada a necessária impessoalidade. dirigidos aos cidadãos.

A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais Formalidade e Padronização


A necessidade de empregar determinado nível de linguagem As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto
nos atos e expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio é, obedecem a certas regras de forma: além das já mencio-
caráter público desses atos e comunicações; de outro, de sua fi- nadas exigências de impessoalidade e uso do padrão culto
nalidade. Os atos oficiais, aqui entendidos como atos de caráter de linguagem, é imperativo, ainda, certa formalidade de tra-
normativo, ou estabelecem regras para a conduta dos cidadãos, tamento. Não se trata somente da eterna dúvida quanto ao
ou regulam o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é al- correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento
cançado se em sua elaboração for empregada a linguagem ade- para uma autoridade de certo nível; mais do que isso, a for-
quada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, cuja finalidade malidade diz respeito à polidez, à civilidade no próprio enfo-
precípua é a de informar com clareza e objetividade. que dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
As comunicações que partem dos órgãos públicos fede- A formalidade de tratamento vincula-se, também, à neces-
rais devem ser compreendidas por todo e qualquer cidadão sária uniformidade das comunicações. Ora, se a administração
brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de federal é una, é natural que as comunicações que expede si-
uma linguagem restrita a determinados grupos. Não há dú- gam um mesmo padrão. O estabelecimento desse padrão exi-
vida de que um texto marcado por expressões de circulação ge que se atente para todas as características da redação oficial
restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o jar- e que se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
gão técnico, tem sua compreensão dificultada. A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes para o
Ressalte-se que há necessariamente uma distância entre texto definitivo e a correta diagramação do texto são indis-
a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente dinâmica, pensáveis para a padronização.
reflete de forma imediata qualquer alteração de costumes, e
pode eventualmente contar com outros elementos que au- Concisão e Clareza
xiliem a sua compreensão, como os gestos, a entoação, etc., A concisão é antes uma qualidade do que uma caracte-
para mencionar apenas alguns dos fatores responsáveis por rística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue trans-
essa distância. Já a língua escrita incorpora mais lentamente mitir um máximo de informações com um mínimo de pala-
as transformações, tem maior vocação para a permanência e vras. Para que se redija com essa qualidade, é fundamental
vale-se apenas de si mesma para comunicar. que se tenha, além de conhecimento do assunto sobre o qual
Os textos oficiais, devido ao seu caráter impessoal e sua se escreve, o necessário tempo para revisar o texto depois de
finalidade de informar com o máximo de clareza e concisão, pronto. É nessa releitura que muitas vezes se percebem even-
requerem o uso do padrão culto da língua. Há consenso de tuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias.
que o padrão culto é aquele em que a) se observam as regras O esforço de sermos concisos atende, basicamente, ao
da gramática formal e b) se emprega um vocabulário comum princípio de economia linguística, à mencionada fórmula de
ao conjunto dos usuários do idioma. É importante ressaltar que empregar o mínimo de palavras para informar o máximo. Não
a obrigatoriedade do uso do padrão culto na redação oficial se deve, de forma alguma, entendê-la como economia de
decorre do fato de que ele está acima das diferenças lexicais, pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens subs-
morfológicas ou sintáticas regionais, dos modismos vocabula- tanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-se
res, das idiossincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias, pas-
que se atinja a pretendida compreensão por todos os cidadãos. sagens que nada acrescentem ao que já foi dito.
Lembre-se de que o padrão culto nada tem contra a sim- A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto ofi-
plicidade de expressão, desde que não seja confundida com cial. Pode-se definir como claro aquele texto que possibilita
pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão imediata compreensão pelo leitor. No entanto a clareza não
culto implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente das
contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios demais características da redação oficial. Para ela concorrem:
da língua literária. - a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpre-
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente um tações que poderia decorrer de um tratamento personalista
“padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do padrão dado ao texto;
culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que haverá pre- - o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de
ferência pelo uso de determinadas expressões, ou será obe- entendimento geral e por definição avesso a vocábulos de
decida certa tradição no emprego das formas sintáticas, mas circulação restrita, como a gíria e o jargão;
isso não implica, necessariamente, que se consagre a utili- - a formalidade e a padronização, que possibilitam a
zação de uma forma de linguagem burocrática. O jargão imprescindível uniformidade dos textos;
burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois terá - a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos
sempre sua compreensão limitada. linguísticos que nada lhe acrescentam.

103
LÍNGUA PORTUGUESA

É pela correta observação dessas características que se Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas
redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável relei- a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição pró-
tura de todo texto redigido. A ocorrência, em textos oficiais, prios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do
de trechos obscuros e de erros gramaticais provém principal- Ministério das Relações Exteriores.
mente da falta da releitura que torna possível sua correção.
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa Identificação do Signatário
com que são elaboradas certas comunicações quase sempre Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da
compromete sua clareza. Não se deve proceder à redação de República, todas as demais comunicações oficiais devem tra-
um texto que não seja seguida por sua revisão. “Não há as- zer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo
suntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a máxima. Evite-se, do local de sua assinatura. A forma da identificação deve ser
pois, o atraso, com sua indesejável repercussão no redigir. a seguinte:
(espaço para assinatura)
Pronomes de Tratamento Nome
Concordância com os Pronomes de Tratamento Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indi-
reta) apresentam certas peculiaridades quanto à concordân- (espaço para assinatura)
cia verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segun- Nome
da pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou a quem Ministro de Estado da Justiça
se dirige a comunicação), levam a concordância para a terceira
pessoa. É que o verbo concorda com o substantivo que in- Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assi-
tegra a locução como seu núcleo sintático: “Vossa Senhoria natura em página isolada do expediente. Transfira para essa
nomeará o substituto”; “Vossa Excelência conhece o assunto”. página ao menos a última frase anterior ao fecho.
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pro-
nomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa Forma de diagramação
Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa ... vosso...”). Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à se-
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gê- guinte forma de apresentação:
nero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se - deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de
refere, e não com o substantivo que compõe a locução. Assim, corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas
se nosso interlocutor for homem, o correto é “Vossa Excelên- de rodapé;
cia está atarefado”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se - para símbolos não existentes na fonte Times New Ro-
for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria man poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;
deve estar satisfeita”. - é obrigatório constar a partir da segunda página o nú-
No envelope, o endereçamento das comunicações diri- mero da página;
gidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a se- - os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser
guinte forma: impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as mar-
gens esquerda e direta terão as distâncias invertidas nas pági-
A Sua Excelência o Senhor nas pares (“margem espelho”);
Fulano de Tal - o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no
Ministro de Estado da Justiça mínimo, 3,0 cm de largura;
70.064-900 – Brasília. DF - o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de
A Sua Excelência o Senhor distância da margem esquerda;
Senador Fulano de Tal - o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm;
Senado Federal - deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas
70.165-900 – Brasília. DF e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto
utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;
Senhor Ministro, - não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, subli-
nhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas
Submeto a Vossa Excelência projeto (...) ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegância
e a sobriedade do documento;
Fechos para Comunicações - a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em
O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalida- papel branco. A impressão colorida deve ser usada apenas
de de arrematar o texto, a de saudar o destinatário. Os modelos para gráficos e ilustrações;
para fecho que vinham sendo utilizados foram regulados pela - todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem
Portaria no 1 do Ministério da Justiça, de 1937, que estabelecia ser impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0
quinze padrões. Com o fito de simplificá-los e uniformizá-los, cm;
este Manual estabelece o emprego de somente dois fechos dife- - deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de ar-
rentes para todas as modalidades de comunicação oficial: quivo Rich Text nos documentos de texto;
a) para autoridades superiores, inclusive o Presi- - dentro do possível, todos os documentos elabora-
dente da República: Respeitosamente, dos devem ter o arquivo de texto preservado para consulta
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- posterior ou aproveitamento de trechos para casos análo-
rarquia inferior: Atenciosamente, gos;

104
LÍNGUA PORTUGUESA

- para facilitar a localização, os nomes dos arquivos de- Forma e Estrutura


vem ser formados da seguinte maneira: Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do
tipo do documento + número do documento + palavras- padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário deve
chaves do conteúdo ser mencionado pelo cargo que ocupa. Ex:
Ex.: “Of. 123 - relatório produtividade ano 2002” Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
Aviso e Ofício
Definição e Finalidade Exposição de Motivos
Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial Definição e Finalidade
praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que o Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presidente
aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para da República ou ao Vice-Presidente para: a) informá-lo de de-
autoridades de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é ex- terminado assunto; b) propor alguma medida; ou c) submeter
pedido para e pelas demais autoridades. Ambos têm como fi- a sua consideração projeto de ato normativo.
nalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente
Administração Pública entre si e, no caso do ofício, também da República por um Ministro de Estado.
com particulares. Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um
Ministério, a exposição de motivos deverá ser assinada por to-
Forma e Estrutura dos os Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do de interministerial.
padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca o desti-
natário, seguido de vírgula. Forma e Estrutura
Exemplos: Formalmente, a exposição de motivos tem a apresentação do
Excelentíssimo Senhor Presidente da República padrão ofício. A exposição de motivos, de acordo com sua finali-
Senhora Ministra dade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para aque-
Senhor Chefe de Gabinete la que tenha caráter exclusivamente informativo e outra para a que
proponha alguma medida ou submeta projeto de ato normativo.
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as No primeiro caso, o da exposição de motivos que sim-
seguintes informações do remetente: plesmente leva algum assunto ao conhecimento do Presiden-
– nome do órgão ou setor; te da República, sua estrutura segue o modelo antes referido
– endereço postal; para o padrão ofício.
– telefone e e-mail.
Mensagem
OBS: Estas informações estão ausentes no memorando, Definição e Finalidade
pois trata-se de comunicação interna, destinatário e remeten- É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes
te possuem o mesmo endereço. No caso se o Aviso é de um dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas
Ministério para outro Ministério, também não precisa especi- pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para in-
ficar o endereço. O Ofício é enviado para outras instituições, formar sobre fato da Administração Pública; expor o plano
logo, são necessárias as informações do remetente e o ende- de governo por ocasião da abertura de sessão legislativa;
reço do destinatário para que o ofício possa ser entregue e o submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem
remetente possa receber resposta. de deliberação de suas Casas; apresentar veto; enfim, fazer
e agradecer comunicações de tudo quanto seja de interesse
Memorando dos poderes públicos e da Nação.
Definição e Finalidade Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Mi-
O memorando é a modalidade de comunicação entre uni- nistérios à Presidência da República, a cujas assessorias caberá
dades administrativas de um mesmo órgão, que podem es- a redação final.
tar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente. As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Con-
Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminente- gresso Nacional têm as seguintes finalidades:
mente interna. - encaminhamento de projeto de lei ordinária, comple-
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser em- mentar ou financeira;
pregado para a exposição de projetos, ideias, diretrizes, etc. - encaminhamento de medida provisória;
a serem adotados por determinado setor do serviço público. - indicação de autoridades;
Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do - pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Presi-
memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez dente da República ausentarem-se do País por mais de 15 dias;
e pela simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evi- - encaminhamento de atos de concessão e renovação de
tar desnecessário aumento do número de comunicações, os concessão de emissoras de rádio e TV;
despachos ao memorando devem ser dados no próprio do- - encaminhamento das contas referentes ao exercício an-
cumento e, no caso de falta de espaço, em folha de conti- terior;
nuação. Esse procedimento permite formar uma espécie de - mensagem de abertura da sessão legislativa;
processo simplificado, assegurando maior transparência à - comunicação de sanção (com restituição de autógrafos);
tomada de decisões, e permitindo que se historie o anda- - comunicação de veto;
mento da matéria tratada no memorando. - outras mensagens.

105
LÍNGUA PORTUGUESA

Forma e Estrutura Correio Eletrônico


As mensagens contêm: a) a indicação do tipo de expedien- Definição e finalidade
te e de seu número, horizontalmente, no início da margem es- O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e ce-
querda; b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento leridade, transformou-se na principal forma de comunicação
e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da mar- para transmissão de documentos.
gem esquerda (Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Fe-
deral); c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo; d) o local e a Forma e Estrutura
data, verticalmente a 2 cm do final do texto, e horizontalmente Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico
fazendo coincidir seu final com a margem direita. é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida
A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presi- para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de lingua-
dente da República, não traz identificação de seu signatário. gem incompatível com uma comunicação oficial.
O campo “assunto” do formulário de correio eletrônico
Telegrama mensagem deve ser preenchido de modo a facilitar a orga-
Definição e Finalidade nização documental tanto do destinatário quanto do reme-
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os tente.
procedimentos burocráticos, passa a receber o título de tele- Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utiliza-
grama toda comunicação oficial expedida por meio de tele- do, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem que
grafia, telex, etc. encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas
Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos sobre seu conteúdo.
cofres públicos e tecnologicamente superada, deve restringir- Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de con-
se o uso do telegrama apenas àquelas situações que não seja firmação de leitura. Caso não seja disponível, deve constar da
possível o uso de correio eletrônico ou fax e que a urgência jus- mensagem pedido de confirmação de recebimento.
tifique sua utilização e, também em razão de seu custo elevado,
esta forma de comunicação deve pautar-se pela concisão. Valor documental
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem
Forma e Estrutura de correio eletrônico tenha valor documental, e para que pos-
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a es- sa ser aceito como documento original, é necessário existir
trutura dos formulários disponíveis nas agências dos Correios certificação digital que ateste a identidade do remetente, na
e em seu sítio na Internet. forma estabelecida em lei.

Fax ELEMENTOS DE ORTOGRAFIA E GRAMÁTICA


Definição e Finalidade
O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é uma Problemas de Construção de Frases
forma de comunicação que está sendo menos usada devido ao A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas
desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de principalmente pela construção adequada da frase, “a menor
mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos, unidade autônoma da comunicação”, na definição de Celso
de cujo conhecimento há premência, quando não há condições Pedro Luft.
de envio do documento por meio eletrônico. Quando necessário A função essencial da frase é desempenhada pelo predi-
o original, ele segue posteriormente pela via e na forma de praxe. cado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser entendido
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia como “a enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre que
do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em certos mode- a frase possuir pelo menos um verbo, recebe o nome de pe-
los, deteriora-se rapidamente. ríodo, que terá tantas orações quantos forem os verbos não
auxiliares que o constituem.
Forma e Estrutura Outra função relevante é a do sujeito – mas não indispen-
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a sável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –, de quem
estrutura que lhes são inerentes. se diz algo, cujo núcleo é sempre um substantivo. Sempre que
É conveniente o envio, juntamente com o documento o verbo o exigir, teremos nas orações substantivos (nomes ou
principal, de folha de rosto, e de pequeno formulário com os pronomes) que desempenham a função de complementos
dados de identificação da mensagem a ser enviada, conforme (objetos direto e indireto, predicativo e complemento adver-
exemplo a seguir: bial). Função acessória desempenham os adjuntos adverbiais,
que vêm geralmente ao final da oração, mas que podem ser
[Órgão Expedidor] ou intercalados aos elementos que desempenham as outras
[setor do órgão expedidor] funções, ou deslocados para o início da oração.
[endereço do órgão expedidor] Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos ele-
Destinatário:____________________________________ mentos que compõem uma oração (Observação: os parênte-
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ ses indicam os elementos que podem não ocorrer):
Remetente: ____________________________________ (sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adverbial).
Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____ Podem ser identificados seis padrões básicos para as ora-
No de páginas: ________No do documento:____________ ções pessoais (i. é, com sujeito) na língua portuguesa (a fun-
ção que vem entre parênteses é facultativa e pode ocorrer
Observações:___________________________________ em ordem diversa):

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LÍNGUA PORTUGUESA

1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial) Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...).
O Presidente - regressou - (ontem). Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...).
2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - (ad- Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo,
junto adverbial) (...).
O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo,
manhã de terça-feira). (...).

3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto - Frases Fragmentadas


(adjunto adverbial).
O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os se- A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma
tores). oração subordinada ou uma simples locução como se fosse
uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de uma
4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. direto frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico
- obj. indireto - (adj. Adv.) na literatura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos
Os desempregados - entregaram - suas reivindicações - textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão.
ao Deputado - (no Congresso). Ex.:
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso
5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento ad- Nacional. Depois de ser longamente debatido.
verbial - (adjunto adverbial) Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Buenos Nacional, depois de ser longamente debatido.
Aires - (na próxima semana). Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa
O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira) recebeu a aprovação do Congresso Nacional.
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub-
6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad- metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consul-
verbial)
tadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
O problema - será - resolvido - prontamente.
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente sub-
metido ao Presidente da República, que o aprovou, consulta-
Esses seriam os padrões básicos para as orações, ou
das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
seja, as frases que possuem apenas um verbo conjugado.
Na construção de períodos, as várias funções podem ocor-
Erros de Paralelismo
rer em ordem inversa à mencionada, misturando-se e con-
fundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva de todos
os padrões existentes na língua portuguesa. O que importa Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
é fixar a ordem normal dos elementos nesses seis padrões crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma
básicos. Acrescente-se que períodos mais complexos, com- gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. Assim,
postos por duas ou mais orações, em geral podem ser re- incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a ele-
duzidos aos padrões básicos (de que derivam). mentos paralelos. Vejamos alguns exemplos:
Os problemas mais frequentemente encontrados na Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministé-
construção de frases dizem respeito à má pontuação, à rios economizar energia e que elaborassem planos de redu-
ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos pa- ção de despesas.
ralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em geral,
do desconhecimento da ordem das palavras na frase. In- Nesta frase temos, nas duas orações subordinadas que
dicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais comuns e completam o sentido da principal, duas estruturas diferen-
recorrentes na construção de frases, registrados em docu- tes para ideias equivalentes: a primeira oração (economizar
mentos oficiais. energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que
elaborassem planos de redução de despesas) é uma oração
Sujeito desenvolvida introduzida pela conjunção integrante que.
Há mais de uma possibilidade de escrevê-la com clareza e
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que correção; uma seria a de apresentar as duas orações subor-
executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter comple- dinadas como desenvolvidas, introduzidas pela conjunção
mento, mas não ser complemento. Devem ser evitadas, integrante que:
portanto, construções como: Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. rios que economizassem energia e (que) elaborassem planos
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. para redução de despesas.
Errado: Apesar das relações entre os países estarem cor-
tadas, (...). Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cor- como reduzidas de infinitivo:
tadas, (...). Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. rios economizar energia e elaborar planos para redução de
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim. despesas.

107
LÍNGUA PORTUGUESA

Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o
coordenação de orações subordinadas. salário de um médico.
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o
culta: de um médico.
Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria.
não ser inseguro, inteligência e ter ambição. Novamente, a não repetição dos termos comparados
O problema aqui decorre de coordenar palavras (subs- confunde. Alternativas para correção:
tantivos) com orações (reduzidas de infinitivo). Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da
Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por Portaria.
transformá-la em frase simples, substituindo as orações re- Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria.
duzidas por substantivos: Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas
Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, se- do que os Ministérios do Governo.
gurança, inteligência e ambição. No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou
“demais”) acarretou imprecisão:
Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso pa- Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas
do que os outros Ministérios do Governo.
ralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equivalente)
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas
a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se apresentar,
do que os demais Ministérios do Governo.
de forma paralela, estruturas sintáticas distintas:
Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa. Ambiguidade
Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades
(Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibili- Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em
dade de correção é transformá-la em duas frases simples, mais de um sentido. Como a clareza é requisito básico de
com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar): todo texto oficial, deve-se atentar para as construções que
Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta possam gerar equívocos de compreensão.
última capital, encontrou-se com o Papa. A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de
identificar--se a que palavra se refere um pronome que
Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode
pelo uso inadequado da expressão “e que” num período ocorrer com:
que não contém nenhum “que” anterior. - pronomes pessoais:
Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado que
tem sólida formação acadêmica. ele seria exonerado.
Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu se-
Para corrigir a frase, ou suprimimos o pronome relativo: cretariado.
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sóli- Ou então, caso o entendimento seja outro:
da formação acadêmica. Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo-
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: neração deste.
Errado: Neste momento, não se devem adotar medidas
precipitadas, e que comprometam o andamento de todo o - pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
programa. Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repúbli-
Da mesma forma com que corrigimos o exemplo ante- ca, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Esta-
rior aqui podemos ou suprimir a conjunção: do, mas isso não o surpreendeu.
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exem-
plo acima, as quais tornam virtualmente inapreensível o
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o
sentido da frase.
programa.
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente
da República. No pronunciamento, solicitou a intervenção
Erros de Comparação federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente
da República.
A omissão de certos termos ao fazermos uma compa-
ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada - pronome relativo:
na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu
sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o termo costumava trabalhar.
omitido. A ausência indevida de um termo pode impossi- Não fica claro se o pronome relativo da segunda ora-
bilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma ção refere--se à mesa ou a gabinete. Essa ambiguidade se
frase: deve ao pronome relativo “que”, sem marca de gênero. A
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que solução é recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as
um médico. quais, que marcam gênero e número.
A omissão de termos provocou uma comparação inde- Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costuma-
vida: “o salário de um professor” com “um médico”. va trabalhar.

108
LÍNGUA PORTUGUESA

Se o entendimento é outro, então: 6-) (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS


Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costuma- GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU-
va trabalhar. MARC/2013) Sobre a Redação Oficial, NÃO é correto afir-
Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da dú- mar que
vida sobre a que se refere a oração reduzida: (A) exige emprego do padrão formal de linguagem.
Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o fun- (B) deve permitir uma única interpretação e ser estrita-
cionário. mente impessoal.
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, de- (C) sua finalidade básica é comunicar com impessoali-
ve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida. dade e máxima clareza.
Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este indis- (D) dispensa a formalidade de tratamento, uma vez
ciplinado. que o comunicador e o receptor são o Serviço Público.
Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senhora
chamou o médico. 7-) (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS
Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi cha- GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU-
mado por uma senhora. MARC/2013 - adaptada) “Na revisão de um expediente,
deve-se avaliar, ainda, se ele será de fácil compreensão por
Fontes: seu destinatário. O que nos parece óbvio pode ser des-
http://www.redacaooficial.com.br/redacao_oficial_publi- conhecido por terceiros. O domínio que adquirimos sobre
cacoes_ver.php?id=2 certos assuntos em decorrência de nossa experiência pro-
http://portuguesxconcursos.blogspot.com.br/p/redacao fissional muitas vezes faz com que os tomemos como de
-oficial-para-concursos.html conhecimento geral, o que nem sempre é verdade. Explici-
te, desenvolva, esclareça, precise os termos técnicos, o sig-
ATIVIDADES nificado das siglas e abreviações e os conceitos específicos
que não possam ser dispensados.”
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE – TÉC- (Manual de Redação Oficial da Presidência da Repúbli-
NICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) O correio ele- ca. p. 14).
trônico é uma forma de comunicação célere, na qual deve ser
utilizada linguagem compatível com a comunicação oficial, Sobre a Redação Oficial, pode-se concluir que
embora não seja definida uma forma rígida para sua estrutura. (A) a concisão de um texto está relacionada ao grau de
( ) Certo ( ) Errado especificação dos termos.
(B) a padronização de termos e conceitos viabiliza a
2-) (POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE ALAGOAS – AGENTE uniformidade dos documentos.
DE POLÍCIA – CESPE/2012) O vocativo a ser empregado em (C) a revisão possibilita a substituição de termos, mui-
comunicações dirigidas ao chefe do Poder Executivo da Repú- tas vezes, desconhecidos pelo leitor.
blica Federativa do Brasil é Excelentíssimo Senhor. (D) claro é o texto que exige releituras mais aprofun-
( ) Certo ( ) Errado dadas.

3-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO FO- 8-) (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013) O ex-
RENSE - CESPE/2013) A concisão, uma das qualidades es- pediente adequado para a comunicação entre ministros de
senciais ao texto oficial, para a qual concorrem o domínio do Estado é a mensagem.
assunto tratado e a revisão textual, consiste em se transmitir, ( ) Certo ( ) Errado
no texto escrito, o máximo de informações empregando-se
um mínimo de palavras. 9-) (ANP – CONHECIMENTO BÁSICO PARA TODOS OS
( ) Certo ( ) Errado CARGOS – CESPE/2013) Na redação de uma ata, devem-
se relatar exaustivamente, com o máximo de detalhamento
4-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO FO- possível, incluindo-se os aspectos subjetivos, as discussões,
RENSE - CESPE/2013) Na parte superior do ofício, do aviso e as propostas, as resoluções e as deliberações ocorridas em
do memorando, antes do assunto, devem constar o nome e o reuniões e eventos que exigem registro.
endereço da autoridade a quem é direcionada a comunicação. ( ) Certo ( ) Errado
( ) Certo ( ) Errado
10-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011) Se-
5-) (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E gundo o Manual de Redação da Presidência da República,
COMÉRCIO EXTERIOR – ANALISTA TÉCNICO ADMINISTRATI- NÃO se deve usar Vossa Excelência para
VO – CESPE/2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita (A) embaixadores.
com os resultados das negociações”, o adjetivo estará correta- (B) conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais.
mente empregado se dirigido a ministro de Estado do sexo (C) prefeitos municipais.
masculino, pois o termo “satisfeita” deve concordar com a (D) presidentes das Câmaras de Vereadores.
locução pronominal de tratamento “Vossa Excelência”. (E) vereadores.
( ) Certo ( ) Errado

109
LÍNGUA PORTUGUESA

Resolução correto emprego deste ou daquele pronome de tratamen-


1-) O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo to para uma autoridade de certo nível (...); mais do que isso,
e celeridade, transformou-se na principal forma de comu- a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade no próprio
nicação para transmissão de documentos. enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô- (Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/
nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma manual.htm_)
rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso RESPOSTA: “D”.
de linguagem incompatível com uma comunicação oficial
(v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais). 7-) Através da leitura do excerto e das próprias alter-
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/ nativas, chegamos à conclusão de que um texto, principal-
manual.htm) mente oficial, deve priorizar a revisão.
RESPOSTA: “CERTO”. RESPOSTA: “C”.

2-) (...) O vocativo a ser empregado em comunicações 8-) Mensagem – é o instrumento de comunicação ofi-
dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, se- cial entre os Chefes dos Poderes Públicos, notadamente as
guido do cargo respectivo: mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Po-
Excelentíssimo Senhor Presidente da República (...) der Legislativo para informar sobre fato da Administração
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/ Pública; expor o plano de governo por ocasião da abertura
manual.htm) de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional ma-
RESPOSTA: “CERTO”. térias que dependem de deliberação de suas Casas; apre-
sentar veto; enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo
3-) É a qualidade esperada de um bom texto, assim ele quanto seja de interesse dos poderes públicos e da Nação.
não se torna prolixo: “fala, fala, mas não diz nada!”. Aviso e Ofício - são modalidades de comunicação ofi-
RESPOSTA: “CERTO”. cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é
que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de
4-) O aviso, o ofício e o memorando devem conter as Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo
seguintes partes: que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades.
Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos ofi-
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do
ciais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, no
órgão que o expede:
caso do ofício, também com particulares.
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com
(Fonte: http://www.fontedosaber.com/portugues/re-
alinhamento à direita:
dacao-oficial-dicas-e-macetes.html)
c) assunto: resumo do teor do documento
RESPOSTA: “ERRADO”.
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é
dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser incluído
9-) Ata é um documento administrativo que tem a
também o endereço.
finalidade de registrar de modo sucinto a sequência de
e) texto; eventos de uma reunião ou assembleia de pessoas com um
f) fecho; fim específico. É característica da Ata apresentar um resu-
g) assinatura do autor da comunicação; e mo, cronologicamente disposto, de modo infalível, de todo
h) identificação do signatário o desenrolar da reunião.
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_
(Fonte: http://webcache.googleusercontent.com/ redacao_oficial_ata/)
search?q=cache:omaLJnt2UtQJ:www.planalto.gov.br/cci- RESPOSTA: “ERRADO”.
vil_03/manual/Manual_Rich_RedPR2aEd.rtf+&cd=1&hl=p-
t-BR&ct=clnk&gl=br) 10-) (...) O uso do pronome de tratamento Vossa Se-
RESPOSTA: “ERRADO”. nhoria (abreviado V. Sa.) para vereadores está correto, sim.
Numa Câmara de Vereadores só se usa Vossa Excelência
5-) Se a pessoa, no caso o ministro, for do sexo femi- para o seu presidente, de acordo com o Manual de Reda-
nino (ministra), o adjetivo está correto; mas, se for do sexo ção da Presidência da República (1991).
masculino, o adjetivo sofrerá flexão de gênero: satisfeito. O (Fonte: http://www.linguabrasil.com.br/nao-tropece-
pronome de tratamento é apenas a maneira como tratar a detail.php?id=393)
autoridade, não regendo as demais concordâncias. RESPOSTA: “E”.
RESPOSTA: “ERRADO”.

6-) As comunicações oficiais devem ser sempre for-


mais, isto é, obedecem a certas regras de forma: além das
(...) exigências de impessoalidade e uso do padrão culto de
linguagem, é imperativo, ainda, certa formalidade de trata-
mento. Não se trata somente da eterna dúvida quanto ao

110
LEGISLAÇÃO

1. Lei nº 8.112 de 11 de dezembro de 1990 - Regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e
das fundações públicas federais......................................................................................................................................................................... 01
2. Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993 - Normas para Licitações e Contratos da Administração Pública......................... 36
3. Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 – Processo Administrativo Federal................................................................................... 63
LEGISLAÇÃO

Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição


1. LEI Nº 8.112 DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990 - e Substituição
REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS
CIVIS DA UNIÃO, DAS AUTARQUIAS E DAS Título II
FUNDAÇÕES PÚBLICAS FEDERAIS. Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição
e Substituição

Basicamente, provimento é a ocupação do cargo


REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS por uma pessoa, transformando-a em servidora públi-
CIVIS DA UNIÃO (LEI Nº 8.112/1990 E SUAS ALTERA- ca; enquanto vacância é o que se dá quando um cargo
ÇÕES) fica livre; remoção é o deslocamento do servidor; redis-
tribuição é o deslocamento de um cargo para outro ór-
Das Disposições Preliminares gão; substituição é a mudança de uma pessoa que está
ocupando cargo de chefia ou direção por outra.
Título I Capítulo I
Capítulo Único Do Provimento
Das Disposições Preliminares
Segundo Hely Lopes Meirelles1, provimento “é o
Art. 1o Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servido- ato pelo qual se efetua o preenchimento do cargo pú-
res Públicos Civis da União, das autarquias, inclusive as em blico, com a designação de seu titular”, podendo ser
regime especial, e das fundações públicas federais. originário ou inicial se o agente não possui vinculação
anterior com a Administração Pública; ou derivado, que
Art. 2o Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa le- pressupõe a existência de um vínculo com a Adminis-
galmente investida em cargo público. tração, o qual pode ser horizontal, sem ascensão na car-
reira, ou vertical, com ascensão na carreira.
Art. 3o Cargo público é o conjunto de atribuições e res-
ponsabilidades previstas na estrutura organizacional que
Seção I
devem ser cometidas a um servidor.
Disposições Gerais
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos
Art. 5o São requisitos básicos para investidura em car-
os brasileiros, são criados por lei, com denominação pró-
go público:
pria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provi-
mento em caráter efetivo ou em comissão. I - a nacionalidade brasileira;
Nacional é o que possui vínculo político-jurídico com
Art. 4o É proibida a prestação de serviços gratuitos, um Estado, fazendo parte de seu povo na qualidade de ci-
salvo os casos previstos em lei. dadão.

Por regime jurídico dos servidores deve-se entender o II - o gozo dos direitos políticos;
conjunto de regras referentes a todos os aspectos da re- Direitos políticos são os direitos garantidos ao cidadão
lação entre o servidor público e a Administração. Envolve que envolvem sua participação direta ou indireta nas deci-
tanto questões inerentes à ocupação do cargo quanto di- sões políticas do Estado. No Brasil, se encontram nos arti-
reitos e deveres, entre outras. gos 14 e 15 da Constituição Federal.

Aplica-se na esfera federal, tanto para a Administração III - a quitação com as obrigações militares e eleito-
direta quanto para a indireta. rais;
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do
A lei criará o cargo público, que poderá ser efetivo, cargo;
caso em que o ingresso se dará mediante concurso, ou em Ensino fundamental, ensino médio ou ensino superior,
comissão, quando por uma relação de confiança o superior conforme a complexidade das funções do cargo.
puder nomear seus funcionários enquanto estiver ocupan-
do aquela posição de chefia. V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
Todo serviço público será remunerado pelos cofres pú- § 1o As atribuições do cargo podem justificar a exigência
blicos. de outros requisitos estabelecidos em lei.
P. ex., 3 anos de atividade jurídica para cargos de mem-
bros do Ministério Público ou da Magistratura.

1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo


brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993.

1
LEGISLAÇÃO

§ 2o Às pessoas portadoras de deficiência é assegura- Art. 10. A nomeação para cargo de carreira ou cargo
do o direito de se inscrever em concurso público para provi- isolado de provimento efetivo depende de prévia habilita-
mento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a ção em concurso público de provas ou de provas e títulos,
deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua vali-
reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas dade.
no concurso. Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso
e o desenvolvimento do servidor na carreira, mediante pro-
Cotas para deficientes. moção, serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do
sistema de carreira na Administração Pública Federal e seus
regulamentos.
§ 3o As universidades e instituições de pesquisa científica
e tecnológica federais poderão prover seus cargos com pro- Seção III
fessores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com Do Concurso Público
as normas e os procedimentos desta Lei.
Exceção ao inciso I do art. 5°. Art. 11. O concurso será de provas ou de provas e títu-
los, podendo ser realizado em duas etapas, conforme dispu-
Art. 6o O provimento dos cargos públicos far-se-á me- serem a lei e o regulamento do respectivo plano de carreira,
diante ato da autoridade competente de cada Poder. condicionada a inscrição do candidato ao pagamento do
valor fixado no edital, quando indispensável ao seu custeio,
Art. 7o A investidura em cargo público ocorrerá com a e ressalvadas as hipóteses de isenção nele expressamente
posse. previstas.
Por investidura entende-se a instalação formal em um
cargo público, o que se dará quando a pessoa for empos- Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois)
sada. anos, podendo ser prorrogado uma única vez, por igual
período.
Art. 8o São formas de provimento de cargo público: § 1o O prazo de validade do concurso e as condições de
I - nomeação; sua realização serão fixados em edital, que será publicado
II - promoção; no Diário Oficial da União e em jornal diário de grande cir-
III e IV - (Revogados) culação.
V - readaptação; § 2o Não se abrirá novo concurso enquanto houver can-
VI - reversão; didato aprovado em concurso anterior com prazo de valida-
VII - aproveitamento; de não expirado.
VIII - reintegração; No concurso de provas o candidato é avaliado apenas
IX - recondução. pelo seu desempenho nas provas, ao passo que nos con-
Detalhes adiante. cursos de provas e títulos o seu currículo em toda sua ativi-
dade profissional também é considerado.
Seção II O edital delimita questões como valor da taxa de ins-
Da Nomeação crição, casos de isenção, número de vagas e prazo de va-
lidade.
Art. 9o A nomeação far-se-á:
I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isola- Seção IV
do de provimento efetivo ou de carreira; Da Posse e do Exercício
II - em comissão, inclusive na condição de interino,
para cargos de confiança vagos.  Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo
termo, no qual deverão constar as atribuições, os deveres,
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em co- as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocu-
missão ou de natureza especial poderá ser nomeado para ter pado, que não poderão ser alterados unilateralmente, por
exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício previstos
prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em lei.
em que deverá optar pela remuneração de um deles du- § 1o A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados
rante o período da interinidade. da publicação do ato de provimento.
§ 2o Em se tratando de servidor, que esteja na data de
O cargo em comissão é temporário e não depende de publicação do ato de provimento, em licença prevista nos in-
concurso público. Se o servidor for nomeado para outro cisos I, III e V do art. 81, ou afastado nas hipóteses dos incisos
cargo em comissão poderá exercer ambos de maneira in- I, IV, VI, VIII, alíneas “a”, “b”, “d”, “e” e “f”, IX e X do art. 102, o
terina (temporária), mas somente poderá receber remune- prazo será contado do término do impedimento.
ração por um deles, o que optar. § 3o A posse poderá dar-se mediante procuração espe-
cífica.

2
LEGISLAÇÃO

§ 4o Só haverá posse nos casos de provimento de cargo Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro mu-
por nomeação. nicípio em razão de ter sido removido, redistribuído, re-
§ 5o No ato da posse, o servidor apresentará declaração quisitado, cedido ou posto em exercício provisório terá,
de bens e valores que constituem seu patrimônio e declara- no mínimo, dez e, no máximo, trinta dias de prazo, conta-
ção quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou dos da publicação do ato, para a retomada do efetivo de-
função pública. sempenho das atribuições do cargo, incluído nesse prazo o
§ 6o Será tornado sem efeito o ato de provimento se a tempo necessário para o deslocamento para a nova sede.
posse não ocorrer no prazo previsto no § 1o deste artigo. § 1o Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença
O termo de posse é dotado de conteúdo específico. É ou afastado legalmente, o prazo a que se refere este artigo
possível tomar posse mediante procuração específica. Não será contado a partir do término do impedimento.
há posse nos cargos em comissão. A declaração de bens e § 2o É facultado ao servidor declinar dos prazos esta-
valores visa permitir a verificação da situação financeira do belecidos no caput.
servidor, de forma a perceber se ele enriqueceu despropor- Se o servidor estava em exercício em outro município
cionalmente durante o exercício do cargo. e é convocado por publicação para retomar a posição su-
perior tem um prazo entre 10 e 30 dias, dos quais pode
Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia desistir, se quiser.
inspeção médica oficial.
Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que
Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho
for julgado apto física e mentalmente para o exercício do
fixada em razão das atribuições pertinentes aos respectivos
cargo.
cargos, respeitada a duração máxima do trabalho semanal
de quarenta horas e observados os limites mínimo e má-
Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribui-
ções do cargo público ou da função de confiança. ximo de seis horas e oito horas diárias, respectivamente. 
§ 1o É de quinze dias o prazo para o servidor empossa- § 1o O ocupante de cargo em comissão ou função de
do em cargo público entrar em exercício, contados da data confiança submete-se a regime de integral dedicação ao
da posse.  serviço, observado o disposto no art. 120, podendo ser con-
§ 2o O servidor será exonerado do cargo ou será tor- vocado sempre que houver interesse da Administração.
nado sem efeito o ato de sua designação para função de § 2o O disposto neste artigo não se aplica a duração de
confiança, se não entrar em exercício nos prazos previstos trabalho estabelecida em leis especiais.
neste artigo, observado o disposto no art. 18.
§ 3o À autoridade competente do órgão ou entidade Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para
para onde for nomeado ou designado o servidor compete cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio proba-
dar-lhe exercício.  tório por período de 24 (vinte e quatro) meses, durante o
§ 4o O início do exercício de função de confiança coin- qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação
cidirá com a data de publicação do ato de designação, para o desempenho do cargo, observados os seguinte fato-
salvo quando o servidor estiver em licença ou afastado por res:
qualquer outro motivo legal, hipótese em que recairá no pri- I - assiduidade;
meiro dia útil após o término do impedimento, que não po- II - disciplina;
derá exceder a trinta dias da publicação.  III - capacidade de iniciativa;
Nota-se que para as funções em confiança não há pra- IV - produtividade;
zo de 15 dias da posse, até mesmo porque ela não existe V - responsabilidade.
nestas funções. Então, o prazo para exercício será o do dia § 1o 4 (quatro) meses antes de findo o período do es-
da publicação do ato de designação. tágio probatório, será submetida à homologação da autori-
dade competente a avaliação do desempenho do servidor,
Art. 16. O início, a suspensão, a interrupção e o rei- realizada por comissão constituída para essa finalidade, de
nício do exercício serão registrados no assentamento indi- acordo com o que dispuser a lei ou o regulamento da res-
vidual do servidor.
pectiva carreira ou cargo, sem prejuízo da continuidade de
Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apre-
apuração dos fatores enumerados nos incisos I a V do caput
sentará ao órgão competente os elementos necessários ao
deste artigo.
seu assentamento individual.
§ 2o O servidor não aprovado no estágio probatório será
Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exer- exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo anterior-
cício, que é contado no novo posicionamento na carreira a mente ocupado, observado o disposto no parágrafo único
partir da data de publicação do ato que promover o ser- do art. 29.
vidor. § 3o O servidor em estágio probatório poderá exercer
Na promoção não há nova posse. Então, o servidor não quaisquer cargos de provimento em comissão ou fun-
tem 15 dias para entrar em exercício, o fazendo no dia da ções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou
publicação do ato. entidade de lotação, e somente poderá ser cedido a outro
órgão ou entidade para ocupar cargos de Natureza Espe-

3
LEGISLAÇÃO

cial, cargos de provimento em comissão do Grupo-Direção Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em
e Assessoramento Superiores - DAS, de níveis 6, 5 e 4, ou virtude de sentença judicial transitada em julgado ou
equivalentes.  de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja
§ 4o Ao servidor em estágio probatório somente poderão assegurada ampla defesa.
ser concedidas as licenças e os afastamentos previstos nos
arts. 81, incisos I a IV, 94, 95 e 96, bem assim afastamento Seção VI
para participar de curso de formação decorrente de aprova- Da Transferência
ção em concurso para outro cargo na Administração Pública
Federal. Art. 23. (Execução suspensa)
§ 5o O estágio probatório ficará suspenso durante as
licenças e os afastamentos previstos nos arts. 83, 84, § 1o, Seção VII
86 e 96, bem assim na hipótese de participação em curso Da Readaptação
de formação, e será retomado a partir do término do impe-
dimento.  Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em
cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis
Desde a Emenda Constitucional nº 19 de 1998, a disci- com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade
plina do estágio probatório mudou, notadamente aumen- física ou mental verificada em inspeção médica.
tando o prazo de 2 anos para 3 anos. Tendo em vista que a § 1o Se julgado incapaz para o serviço público, o rea-
norma constitucional prevalece sobre a lei federal, mesmo daptando será aposentado.
que ela não tenha sido atualizada, deve-se seguir o dispos- § 2o A readaptação será efetivada em cargo de atribui-
to no artigo 41 da Constituição Federal: ções afins, respeitada a habilitação exigida, nível de escola-
ridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de ine-
Art. 41, CF. São estáveis após três anos de efetivo exer- xistência de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições
cício os servidores nomeados para cargo de provimento como excedente, até a ocorrência de vaga.
efetivo em virtude de concurso público. Se o funcionário deixa de ter condições físicas ou psi-
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: cológicas para ocupar seu cargo, deverá ser readaptado
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; para cargo semelhante que não exija tais aptidões. Ex: fun-
II - mediante processo administrativo em que lhe seja cionário trabalhava como atendente numa repartição, se
assegurada ampla defesa; movimentando o tempo todo e sofre um acidente, ficando
III - mediante procedimento de avaliação periódica de paraplégico. Sua capacidade mental não ficou prejudicada,
embora seja inconveniente ele ter que fazer tantos mo-
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada
vimentos no exercício das funções. Por isso, pode ser re-
ampla defesa.
conduzido para outro cargo técnico na repartição que seja
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do ser-
mais burocrático e exija menos movimentação física, como
vidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante
o de assistente de um superior.
da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem
direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou pos-
Seção VIII
to em disponibilidade com remuneração proporcional ao
Da Reversão
tempo de serviço.
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade,
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor
o servidor estável ficará em disponibilidade, com remune-
aposentado:
ração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar
aproveitamento em outro cargo. insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou 
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, II - no interesse da administração, desde que:
é obrigatória a avaliação especial de desempenho por co- a) tenha solicitado a reversão;
missão instituída para essa finalidade. b) a aposentadoria tenha sido voluntária;
c) estável quando na atividade;
Seção V d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos an-
Da Estabilidade teriores à solicitação;
e) haja cargo vago.
Art. 21. O servidor habilitado em concurso público e § 1o A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo
empossado em cargo de provimento efetivo adquirirá esta- resultante de sua transformação.
bilidade no serviço público ao completar 2 (dois) anos de § 2o O tempo em que o servidor estiver em exercício será
efetivo exercício.  considerado para concessão da aposentadoria.
ATENÇÃO: Vale o prazo de 3 anos, conforme Constitui- § 3o No caso do inciso I, encontrando-se provido o cargo,
ção Federal (artigo 41 retrocitado). o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a
ocorrência de vaga.

4
LEGISLAÇÃO

§ 4o O servidor que retornar à atividade por interesse Seção XI


da administração perceberá, em substituição aos proventos Da Disponibilidade e do Aproveitamento
da aposentadoria, a remuneração do cargo que voltar a
exercer, inclusive com as vantagens de natureza pessoal Art. 30. O retorno à atividade de servidor em disponibi-
que percebia anteriormente à aposentadoria. lidade far-se-á mediante aproveitamento obrigatório em
§ 5o O servidor de que trata o inciso II somente terá os cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o
proventos calculados com base nas regras atuais se perma- anteriormente ocupado.
necer pelo menos cinco anos no cargo.
§ 6o O Poder Executivo regulamentará o disposto neste Art. 31. O órgão Central do Sistema de Pessoal Civil de-
artigo. terminará o imediato aproveitamento de servidor em dispo-
nibilidade em vaga que vier a ocorrer nos órgãos ou entida-
Art. 26. (Revogado) des da Administração Pública Federal.
Parágrafo único. Na hipótese prevista no § 3o do art. 37,
Art. 27. Não poderá reverter o aposentado que já tiver o servidor posto em disponibilidade poderá ser mantido sob
completado 70 (setenta) anos de idade. responsabilidade do órgão central do Sistema de Pessoal Ci-
Merece destaque a impossibilidade de cumulação da vil da Administração Federal - SIPEC, até o seu adequado
aposentadoria com a remuneração caso o servidor retorne aproveitamento em outro órgão ou entidade.
às funções.
Art. 32. Será tornado sem efeito o aproveitamento e
Seção IX cassada a disponibilidade se o servidor não entrar em
Da Reintegração exercício no prazo legal, salvo doença comprovada por
junta médica oficial.
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor Servidor posto em disponibilidade não é servidor apo-
estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo re- sentado. É apenas um servidor aguardando que surja um
sultante de sua transformação, quando invalidada a sua posto adequado para que ocupe. Quando ele surgir, deverá
demissão por decisão administrativa ou judicial, com entrar em exercício, sob pena de ter revogada a disponibili-
ressarcimento de todas as vantagens. dade, deixando de ser servidor público.
§ 1o Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor
ficará em disponibilidade, observado o disposto nos arts. Capítulo II
30 e 31. Da Vacância
§ 2o Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual
ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:
indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto
I - exoneração;
em disponibilidade.
II - demissão;
Se um servidor for injustamente demitido e a sua de-
III - promoção;
missão for invalidada, será reinvestido no cargo, sendo to-
IV e V - (Revogados)
talmente ressarcido (por exemplo, recebendo os salários
VI - readaptação;
do período em que foi afastado). Caso o cargo esteja ex-
VII - aposentadoria;
tinto, será posto em disponibilidade; caso o cargo exista
VIII - posse em outro cargo inacumulável;
e alguém o estiver ocupando, este será retirado do cargo,
devolvendo-o ao seu legítimo titular. IX - falecimento.

Seção X Art. 34. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido


Da Recondução do servidor, ou de ofício.
Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á:
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao I - quando não satisfeitas as condições do estágio pro-
cargo anteriormente ocupado e decorrerá de: batório;
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar
cargo; em exercício no prazo estabelecido.
II - reintegração do anterior ocupante. Sendo o cargo efetivo, somente será exonerado de ofí-
Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de cio se não for habilitado no estágio probatório e se não
origem, o servidor será aproveitado em outro, observado entrar em exercício no prazo legal.
o disposto no art. 30.
Como visto, quando um servidor é promovido ele se Art. 35. A exoneração de cargo em comissão e a dispen-
sujeita a novo estágio probatório e, caso seja inabilitado, sa de função de confiança dar-se-á:
voltará ao cargo que antes ocupava. Ainda, se alguém esti- I - a juízo da autoridade competente;
ver ocupando o cargo de um servidor que tenha sido injus- II - a pedido do próprio servidor.
tamente demitido, quando este voltar deverá desocupar o Como o cargo em comissão refere-se a uma relação de
cargo. Se a posição antes ocupada não estiver livre, deverá confiança para com a autoridade competente, esta poderá
ser reaproveitado em outro cargo semelhante. exonerar o servidor.

5
LEGISLAÇÃO

Capítulo III § 4º O servidor que não for redistribuído ou colocado


Da Remoção e da Redistribuição em disponibilidade poderá ser mantido sob responsabilida-
de do órgão central do SIPEC, e ter exercício provisório, em
Seção I outro órgão ou entidade, até seu adequado aproveitamento.
Da Remoção
Capítulo IV
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pe- Da Substituição
dido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou
sem mudança de sede. Art. 38. Os servidores investidos em cargo ou função de
Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, en- direção ou chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Es-
tende-se por modalidades de remoção: pecial terão substitutos indicados no regimento interno
I - de ofício, no interesse da Administração; ou, no caso de omissão, previamente designados pelo
II - a pedido, a critério da Administração; dirigente máximo do órgão ou entidade.
III - a pedido, para outra localidade, independentemente § 1º O substituto assumirá automática e cumulativa-
do interesse da Administração: mente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o exercício do car-
a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também go ou função de direção ou chefia e os de Natureza Especial,
servidor público civil ou militar, de qualquer dos Poderes da nos afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que do titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá
foi deslocado no interesse da Administração; optar pela remuneração de um deles durante o respectivo
b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companhei- período.
ro ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu § 2º O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do
assentamento funcional, condicionada à comprovação por cargo ou função de direção ou chefia ou de cargo de Natu-
junta médica oficial; reza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos
c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipóte- legais do titular, superiores a trinta dias consecutivos, paga
se em que o número de interessados for superior ao número na proporção dos dias de efetiva substituição, que excede-
de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo ór- rem o referido período.
gão ou entidade em que aqueles estejam lotados.
Art. 39. O disposto no artigo anterior aplica-se aos titu-
lares de unidades administrativas organizadas em nível de
Seção II
assessoria.
Da Redistribuição
Dos Direitos e Vantagens
Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo
de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do
Título III
quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade
Dos Direitos e Vantagens
do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão cen-
tral do SIPEC, observados os seguintes preceitos: Em sete capítulos, o terceiro título da legislação em
I - interesse da administração; estudo estabelece os direitos e vantagens do servidor
II - equivalência de vencimentos; público, para em seguida trazer seus deveres e proibi-
III - manutenção da essência das atribuições do cargo; ções.
IV - vinculação entre os graus de responsabilidade e Resume Carvalho Filho2: “os direitos sociais consti-
complexidade das atividades; tucionais são objeto da referência do art. 39, §3°, CF, o
V - mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habi- qual determina que dezesseis dos direitos sociais ou-
litação profissional; torgados aos empregados sejam estendidos aos servi-
VI - compatibilidade entre as atribuições do cargo e as dores públicos. Dentre esses direitos estão o do salário
finalidades institucionais do órgão ou entidade. mínimo (art. 7°, IV); o décimo terceiro salário (art. 7°,
§ 1º A redistribuição ocorrerá ex officio para ajusta- VIII); o repouso semanal remunerado (art. 7°, XV); o
mento de lotação e da força de trabalho às necessidades dos salário-família (art. 7°, XII; o de férias anuais (art. 7°,
serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou XVII); o de licença à gestante (art. 7°, XVIII) e outros
criação de órgão ou entidade. mencionados no dispositivo constitucional. [...] Além
§ 2º A redistribuição de cargos efetivos vagos se dará disso, há vários direitos de natureza social relacionados
mediante ato conjunto entre o órgão central do SIPEC e os nos diversos estatutos funcionais das pessoas federati-
órgãos e entidades da Administração Pública Federal en- vas. É nas leis estatutárias que se encontram tais direi-
volvidos. tos, como o direito às licenças, à pensão, aos auxílios
§ 3º Nos casos de reorganização ou extinção de órgão pecuniários, como o auxílio-funeral e o auxílio-reclu-
ou entidade, extinto o cargo ou declarada sua desneces- são, à assistência, à saúde etc.”
sidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não 2 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de
for redistribuído será colocado em disponibilidade, até seu direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen ju-
aproveitamento na forma dos arts. 30 e 31. ris, 2010.

6
LEGISLAÇÃO

Capítulo I do-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito,


Do Vencimento e da Remuneração e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do
Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos
Art. 40. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Le-
exercício de cargo público, com valor fixado em lei. gislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de
Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centé-
Art. 41. Remuneração é o vencimento do cargo efe- simos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Mi-
tivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes es- nistros do Supremo Tri-bunal Federal, no âmbito do Poder
tabelecidas em lei. Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério
§ 1o A remuneração do servidor investido em função ou Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos”.
cargo em comissão será paga na forma prevista no art. 62.
Cargo em comissão é o cargo de confiança, que não Art. 44. O servidor perderá:
exige concurso público. Ver art. 62 adiante. I - a remuneração do dia em que faltar ao serviço, sem
motivo justificado;
§ 2o O servidor investido em cargo em comissão de ór- II - a parcela de remuneração diária, proporcional aos
gão ou entidade diversa da de sua lotação receberá a re- atrasos, ausências justificadas, ressalvadas as concessões de
muneração de acordo com o estabelecido no § 1o do art. 93. que trata o art. 97, e saídas antecipadas, salvo na hipótese
O funcionário é servidor público, mas foi concursado de compensação de horário, até o mês subsequente ao da
para cargo diverso, em outro órgão ou entidade, sendo no- ocorrência, a ser estabelecida pela chefia imediata.
meado para outro cargo, que é de comissão. Parágrafo  único. As faltas justificadas decorrentes de
caso fortuito ou de força maior poderão ser compensadas a
§ 3o O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vanta- critério da chefia imediata, sendo assim consideradas como
gens de caráter permanente, é irredutível. efetivo exercício.
Irredutibilidade de vencimentos: não podem ser dimi- Somente não geram perda de remuneração as faltas
nuídos. justificadas e devidamente compensadas.

Art. 45. Salvo por imposição legal, ou mandado judicial,


§ 4o É assegurada a isonomia de vencimentos para
nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento.
cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo
§ 1º Mediante autorização do servidor, poderá haver
Poder, ou entre servidores dos três Poderes, ressalvadas as
consignação em folha de pagamento em favor de terceiros,
vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou
a critério da administração e com reposição de custos, na
ao local de trabalho.
forma definida em regulamento.
Mesmo cargo ou semelhante = mesmo vencimento.
§ 2º O total de consignações facultativas de que trata
o § 1o não excederá a 35% (trinta e cinco por cento) da re-
§ 5o Nenhum servidor receberá remuneração inferior ao
muneração mensal, sendo 5% (cinco por cento) reservados
salário mínimo. 
exclusivamente para: I - a amortização de despesas contraí-
Direito ao salário mínimo. das por meio de cartão de crédito; ou
II - a utilização com a finalidade de saque por meio do
Art. 42. Nenhum servidor poderá perceber, mensalmen- cartão de crédito.
te, a título de remuneração, importância superior à soma Para descontos em folha, é preciso ordem judicial ou
dos valores percebidos como remuneração, em espécie, a autorização do servidor.
qualquer título, no âmbito dos respectivos Poderes, pelos
Ministros de Estado, por membros do Congresso Nacional e Art. 46. As reposições e indenizações ao erário, atuali-
Ministros do Supremo Tribunal Federal. zadas até 30 de junho de 1994, serão previamente comuni-
Parágrafo único. Excluem-se do teto de remuneração as cadas ao servidor ativo, aposentado ou ao pensionista, para
vantagens previstas nos incisos II a VII do art. 61. pagamento, no prazo máximo de trinta dias, podendo ser
Estabelece o teto de remuneração, ou seja, o máximo parceladas, a pedido do interessado.
que um funcionário pode receber. Neste sentido, o art. 37, § 1o O valor de cada parcela não poderá ser inferior ao
XI, CF: “XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de correspondente a dez por cento da remuneração, provento
cargos, funções e empregos públicos da administração di- ou pensão.
reta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer § 2o Quando o pagamento indevido houver ocorrido no
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e mês anterior ao do processamento da folha, a reposição será
dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos feita imediatamente, em uma única parcela.
demais agentes políticos e os proventos, pensões ou ou- § 3o Na hipótese de valores recebidos em decorrência
tra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou de cumprimento a decisão liminar, a tutela antecipada ou a
não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra sentença que venha a ser revogada ou rescindida, serão eles
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em es- atualizados até a data da reposição.
pécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplican-

7
LEGISLAÇÃO

Art. 47. O servidor em débito com o erário, que for de- Subseção I


mitido, exonerado ou que tiver sua aposentadoria ou dispo- Da Ajuda de Custo
nibilidade cassada, terá o prazo de sessenta dias para quitar
o débito. Art. 53. A ajuda de custo destina-se a compensar as
Parágrafo único. A não quitação do débito no prazo pre- despesas de instalação do servidor que, no interesse do
visto implicará sua inscrição em dívida ativa. serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança
Débito com o erário = dívida com o Estado. de domicílio em caráter permanente, vedado o duplo pa-
gamento de indenização, a qualquer tempo, no caso de o
Art. 48. O vencimento, a remuneração e o provento não cônjuge ou companheiro que detenha também a condição
serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, exceto nos ca- de servidor, vier a ter exercício na mesma sede.
sos de prestação de alimentos resultante de decisão judicial. § 1o Correm por conta da administração as despesas de
transporte do servidor e de sua família, compreendendo pas-
Capítulo II sagem, bagagem e bens pessoais.
Das Vantagens § 2o À família do servidor que falecer na nova sede são
assegurados ajuda de custo e transporte para a localidade
Art. 49. Além do vencimento, poderão ser pagas ao ser- de origem, dentro do prazo de 1 (um) ano, contado do óbito.
vidor as seguintes vantagens: § 3º Não será concedida ajuda de custo nas hipóteses
I - indenizações; de remoção previstas nos incisos II e III do parágrafo único
II - gratificações; do art. 36.
III - adicionais.
§ 1o As indenizações não se incorporam ao vencimento Art. 54. A ajuda de custo é calculada sobre a remune-
ou provento para qualquer efeito. ração do servidor, conforme se dispuser em regulamento,
§ 2o As gratificações e os adicionais incorporam-se ao não podendo exceder a importância correspondente a 3
vencimento ou provento, nos casos e condições indicados em (três) meses.
lei.
Art. 55. Não será concedida ajuda de custo ao servidor
Art. 50. As vantagens pecuniárias não serão computa- que se afastar do cargo, ou reassumi-lo, em virtude de man-
das, nem acumuladas, para efeito de concessão de quaisquer dato eletivo.
outros acréscimos pecuniários ulteriores, sob o mesmo título
ou idêntico fundamento. Art. 56. Será concedida ajuda de custo àquele que, não
De acordo com Hely Lopes Meirelles3, “o que ca- sendo servidor da União, for nomeado para cargo em comis-
racteriza o adicional e o distingue da gratificação é ser são, com mudança de domicílio.
aquele que recompensa ao tempo de serviço do servi- Parágrafo único. No afastamento previsto no inciso I do
dor, ou uma retribuição pelo desempenho de funções art. 93, a ajuda de custo será paga pelo órgão cessionário,
especiais que fogem da rotina burocrática, e esta, uma quando cabível.
compensação por serviços comuns executados em con-
dições anormais para o servidor, ou uma ajuda pessoal Art. 57. O servidor ficará obrigado a restituir a ajuda de
em face de certas situações que agravam o orçamento custo quando, injustificadamente, não se apresentar na nova
do servidor”. sede no prazo de 30 (trinta) dias.

Seção I Subseção II
Das Indenizações Das Diárias

Art. 51. Constituem indenizações ao servidor: Art. 58. O servidor que, a serviço, afastar-se da sede
I - ajuda de custo; em caráter eventual ou transitório para outro ponto do
II - diárias; território nacional ou para o exterior, fará jus a passagens
III - transporte. e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas ex-
IV - auxílio-moradia. traordinária com pousada, alimentação e locomoção urba-
A leitura da legislação seca permite conceituar e dife- na, conforme dispuser em regulamento.
renciar cada modalidade de indenização. § 1o A diária será concedida por dia de afastamento, sen-
do devida pela metade quando o deslocamento não exigir
Art. 52. Os valores das indenizações estabelecidas nos pernoite fora da sede, ou quando a União custear, por meio
incisos I a III do art. 51, assim como as condições para a sua diverso, as despesas extraordinárias cobertas por diárias.
concessão, serão estabelecidos em regulamento. § 2o Nos casos em que o deslocamento da sede constituir
exigência permanente do cargo, o servidor não fará jus a
3 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo diárias.
brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993. ,

8
LEGISLAÇÃO

§ 3o Também não fará jus a diárias o servidor que se VII - o servidor não tenha sido domiciliado ou tenha
deslocar dentro da mesma região metropolitana, aglome- residido no Município, nos últimos doze meses, aonde for
ração urbana ou microrregião, constituídas por municípios exercer o cargo em comissão ou função de confiança, des-
limítrofes e regularmente instituídas, ou em áreas de contro- considerando-se prazo inferior a sessenta dias dentro desse
le integrado mantidas com países limítrofes, cuja jurisdição período; e 
e competência dos órgãos, entidades e servidores brasilei- VIII - o deslocamento não tenha sido por força de altera-
ros considera-se estendida, salvo se houver pernoite fora da ção de lotação ou nomeação para cargo efetivo. 
sede, hipóteses em que as diárias pagas serão sempre as IX - o deslocamento tenha ocorrido após 30 de junho
fixadas para os afastamentos dentro do território nacional. de 2006.
Parágrafo  único. Para fins do inciso VII, não será con-
Art. 59. O servidor que receber diárias e não se afastar siderado o prazo no qual o servidor estava ocupando outro
da sede, por qualquer motivo, fica obrigado a restituí-las in- cargo em comissão relacionado no inciso V. 
tegralmente, no prazo de 5 (cinco) dias.
Parágrafo único. Na hipótese de o servidor retornar à Art. 60-C. (Revogado).
sede em prazo menor do que o previsto para o seu afasta-
mento, restituirá as diárias recebidas em excesso, no prazo Art. 60-D. O valor mensal do auxílio-moradia é limitado
previsto no caput. a 25% (vinte e cinco por cento) do valor do cargo em comis-
são, função comissionada ou cargo de Ministro de Estado
Subseção III ocupado. 
Da Indenização de Transporte § 1o O valor do auxílio-moradia não poderá superar 25%
(vinte e cinco por cento) da remuneração de Ministro de Es-
Art. 60. Conceder-se-á indenização de transporte ao tado.
servidor que realizar despesas com a utilização de meio § 2o Independentemente do valor do cargo em comis-
próprio de locomoção para a execução de serviços exter- são ou função comissionada, fica garantido a todos os que
nos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme se preencherem os requisitos o ressarcimento até o valor de R$
dispuser em regulamento. 1.800,00 (mil e oitocentos reais).

Subseção IV Art. 60-E. No caso de falecimento, exoneração, coloca-


Do Auxílio-Moradia ção de imóvel funcional à disposição do servidor ou aquisi-
ção de imóvel, o auxílio-moradia continuará sendo pago por
Art. 60-A. O auxílio-moradia consiste no ressarcimento um mês. 
das despesas comprovadamente realizadas pelo servi-
dor com aluguel de moradia ou com meio de hospeda- A subseção IV trabalha com o auxílio-moradia, be-
gem administrado por empresa hoteleira, no prazo de um nefício que é concedido a alguns servidores. Ele serve
mês após a comprovação da despesa pelo servidor.  para ajudar o servidor a arcar com despesas de mora-
dia, seja locando um imóvel, seja ficando em hotéis. O
Art. 60-B. Conceder-se-á auxílio-moradia ao servidor se auxílio é pago 1 mês depois que o servidor comprovar a
atendidos os seguintes requisitos:  despesa que teve. No entanto, não é qualquer servidor
I - não exista imóvel funcional disponível para uso pelo e não é em qualquer situação que se tem o auxílio-mo-
servidor;  radia.
II - o cônjuge ou companheiro do servidor não ocupe
imóvel funcional;  Nos termos do artigo 60-B, são colacionadas res-
III - o servidor ou seu cônjuge ou companheiro não seja trições: não haver disponibilidade de imóvel funcional
ou tenha sido proprietário, promitente comprador, cessioná- (algum imóvel do poder público com tal finalidade de
rio ou promitente cessionário de imóvel no Município aonde moradia, dispensando gastos particulares), não se ter
for exercer o cargo, incluída a hipótese de lote edificado sem tentado vender ou vendido um imóvel na cidade (evi-
averbação de construção, nos doze meses que antecederem tando que tente utilizar o auxílio-moradia como um
a sua nomeação; modo de se obter vantagem patrimonial), um cônju-
IV - nenhuma outra pessoa que resida com o servidor ge ou pessoa com quem more não receber auxílio da
receba auxílio-moradia;  mesma natureza (cumulando indevidamente), além do
V - o servidor tenha se mudado do local de residência exercício de cargos de determinada natureza (perceba-
para ocupar cargo em comissão ou função de confiança do se, cargos de relevante direção).
Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, níveis 4,
5 e 6, de Natureza Especial, de Ministro de Estado ou equi- O auxílio-moradia é pago proporcionalmente aos
valentes; vencimentos, não excedendo 25%. Destaca-se que o ar-
VI - o Município no qual assuma o cargo em comissão tigo 60-C está revogado desde 2013.
ou função de confiança não se enquadre nas hipóteses do
art. 58, § 3o, em relação ao local de residência ou domicílio
do servidor; 

9
LEGISLAÇÃO

Seção II Art.  66. A gratificação natalina não será considerada


Das Gratificações e Adicionais para cálculo de qualquer vantagem pecuniária.

Art. 61. Além do vencimento e das vantagens previstas Subseção III


nesta Lei, serão deferidos aos servidores as seguintes retri- Do Adicional por Tempo de Serviço
buições, gratificações e adicionais:
I - retribuição pelo exercício de função de direção, Regulamentação na Medida Provisória nº 2.225-45/01.
chefia e assessoramento;
II - gratificação natalina; Subseção IV
IV - adicional pelo exercício de atividades insalu- Dos Adicionais de Insalubridade, Periculosidade ou
bres, perigosas ou penosas; Atividades Penosas
V - adicional pela prestação de serviço extraordi-
nário; Art. 68. Os servidores que trabalhem com habitualidade
VI - adicional noturno; em locais insalubres ou em contato permanente com subs-
VII - adicional de férias; tâncias tóxicas, radioativas ou com risco de vida, fazem jus a
VIII - outros, relativos ao local ou à natureza do tra- um adicional sobre o vencimento do cargo efetivo.
balho. § 1o O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubri-
IX - gratificação por encargo de curso ou concurso. dade e de periculosidade deverá optar por um deles.
Gratificações e adicionais descritos em detalhes na § 2o O direito ao adicional de insalubridade ou periculo-
própria legislação, conforme se denota abaixo. sidade cessa com a eliminação das condições ou dos riscos
que deram causa a sua concessão.
Subseção I
Da Retribuição pelo Exercício de Função de Dire- Art. 69. Haverá permanente controle da atividade de
ção, Chefia e Assessoramento servidores em operações ou locais considerados penosos, in-
salubres ou perigosos.
Art. 62. Ao servidor ocupante de cargo efetivo investido
Parágrafo único. A servidora gestante ou lactante será
em função de direção, chefia ou assessoramento, cargo de
afastada, enquanto durar a gestação e a lactação, das ope-
provimento em comissão ou de Natureza Especial é devida
rações e locais previstos neste artigo, exercendo suas ativida-
retribuição pelo seu exercício.
des em local salubre e em serviço não penoso e não perigoso.
Parágrafo único. Lei específica estabelecerá a remunera-
ção dos cargos em comissão de que trata o inciso II do art. 9o.
Art. 70. Na concessão dos adicionais de atividades peno-
sas, de insalubridade e de periculosidade, serão observadas
Art. 62-A. Fica transformada em Vantagem Pessoal No-
as situações estabelecidas em legislação específica.
minalmente Identificada - VPNI a incorporação da retribui-
ção pelo exercício de função de direção, chefia ou assesso-
ramento, cargo de provimento em comissão ou de Natureza Art. 71. O adicional de atividade penosa será devido aos
Especial a que se referem os arts. 3º e 10 da Lei no 8.911, de servidores em exercício em zonas de fronteira ou em loca-
11 de julho de 1994, e o art. 3o da Lei no9.624, de 2 de abril lidades cujas condições de vida o justifiquem, nos termos,
de 1998. condições e limites fixados em regulamento.
Parágrafo único. A VPNI de que trata o caput deste arti-
go somente estará sujeita às revisões gerais de remuneração Art. 72. Os locais de trabalho e os servidores que ope-
dos servidores públicos federais. ram com Raios X ou substâncias radioativas serão mantidos
sob controle permanente, de modo que as doses de radiação
Subseção II ionizante não ultrapassem o nível máximo previsto na legis-
Da Gratificação Natalina lação própria.
Parágrafo único. Os servidores a que se refere este artigo
Art. 63. A gratificação natalina corresponde a 1/12 (um serão submetidos a exames médicos a cada 6 (seis) meses.
doze avos) da remuneração a que o servidor fizer jus no mês
de dezembro, por mês de exercício no respectivo ano. Subseção V
Parágrafo único. A fração igual ou superior a 15 (quin- Do Adicional por Serviço Extraordinário
ze) dias será considerada como mês integral.
Art. 73. O serviço extraordinário será remunerado com
Art. 64. A gratificação será paga até o dia 20 (vinte) do acréscimo de 50% (cinquenta por cento) em relação à hora
mês de dezembro de cada ano. normal de trabalho.

Art. 65. O servidor exonerado perceberá sua gratificação Art. 74. Somente será permitido serviço extraordinário
natalina, proporcionalmente aos meses de exercício, calcula- para atender a situações excepcionais e temporárias, respei-
da sobre a remuneração do mês da exoneração. tado o limite máximo de 2 (duas) horas por jornada.

10
LEGISLAÇÃO

Subseção VI a) 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento), em se


Do Adicional Noturno tratando de atividades previstas nos incisos I e II do caput
deste artigo;
Art. 75. O serviço noturno, prestado em horário com- b) 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento), em se
preendido entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) tratando de atividade prevista nos incisos III e IV do caput
horas do dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% deste artigo.
(vinte e cinco por cento), computando-se cada hora como § 2o A Gratificação por Encargo de Curso ou Concur-
cinquenta e dois minutos e trinta segundos. so somente será paga se as atividades referidas nos incisos
Parágrafo único. Em se tratando de serviço extraordi- do caput deste artigo forem exercidas sem prejuízo das atri-
nário, o acréscimo de que trata este artigo incidirá sobre a buições do cargo de que o servidor for titular, devendo ser
remuneração prevista no art. 73. objeto de compensação de carga horária quando desempe-
nhadas durante a jornada de trabalho, na forma do § 4odo
Subseção VII art. 98 desta Lei.
Do Adicional de Férias § 3o A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso
não se incorpora ao vencimento ou salário do servidor para
Art. 76. Independentemente de solicitação, será pago ao qualquer efeito e não poderá ser utilizada como base de cál-
servidor, por ocasião das férias, um adicional correspondente culo para quaisquer outras vantagens, inclusive para fins de
a 1/3 (um terço) da remuneração do período das férias. cálculo dos proventos da aposentadoria e das pensões.
Parágrafo único. No caso de o servidor exercer função de
direção, chefia ou assessoramento, ou ocupar cargo em co- Capítulo III
missão, a respectiva vantagem será considerada no cálculo Das Férias
do adicional de que trata este artigo.
Art. 77. O servidor fará jus a trinta dias de férias, que
Subseção VIII podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos, no
Da Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso caso de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em
que haja legislação específica.
Art. 76-A. A Gratificação por Encargo de Curso ou Con- § 1o Para o primeiro período aquisitivo de férias serão
curso é devida ao servidor que, em caráter eventual: exigidos 12 (doze) meses de exercício.
I - atuar como instrutor em curso de formação, de de- § 2o É vedado levar à conta de férias qualquer falta ao
senvolvimento ou de treinamento regularmente instituído serviço.
no âmbito da administração pública federal; § 3o As férias poderão ser parceladas em até três etapas,
II - participar de banca examinadora ou de comissão desde que assim requeridas pelo servidor, e no interesse da
para exames orais, para análise curricular, para correção de administração pública.
provas discursivas, para elaboração de questões de provas É possível impedir que o servidor tire férias por até 2
ou para julgamento de recursos intentados por candidatos; períodos se o seu serviço for altamente necessário.
III - participar da logística de preparação e de realização
de concurso público envolvendo atividades de planejamento, Art. 78. O pagamento da remuneração das férias será
coordenação, supervisão, execução e avaliação de resultado, efetuado até 2 (dois) dias antes do início do respectivo perío-
quando tais atividades não estiverem incluídas entre as suas do, observando-se o disposto no § 1o deste artigo.
atribuições permanentes; §1° e §2°. Revogados.
IV - participar da aplicação, fiscalizar ou avaliar provas § 3o O servidor exonerado do cargo efetivo, ou em comis-
de exame vestibular ou de concurso público ou supervisionar são, perceberá indenização relativa ao período das férias a
essas atividades. que tiver direito e ao incompleto, na proporção de um doze
§ 1o Os critérios de concessão e os limites da gratificação avos por mês de efetivo exercício, ou fração superior a qua-
de que trata este artigo serão fixados em regulamento, ob- torze dias.
servados os seguintes parâmetros: § 4o A indenização será calculada com base na remune-
I - o valor da gratificação será calculado em horas, ob- ração do mês em que for publicado o ato exoneratório.
servadas a natureza e a complexidade da atividade exercida; § 5o Em caso de parcelamento, o servidor receberá o va-
II - a retribuição não poderá ser superior ao equivalente lor adicional previsto no inciso XVII do art. 7o da Constituição
a 120 (cento e vinte) horas de trabalho anuais, ressalvada Federal quando da utilização do primeiro período.
situação de excepcionalidade, devidamente justificada e pre-
viamente aprovada pela autoridade máxima do órgão ou Art. 79. O servidor que opera direta e permanentemen-
entidade, que poderá autorizar o acréscimo de até 120 (cen- te com Raios X ou substâncias radioativas gozará 20 (vinte)
to e vinte) horas de trabalho anuais; dias consecutivos de férias, por semestre de atividade profis-
III - o valor máximo da hora trabalhada corresponderá sional, proibida em qualquer hipótese a acumulação.
aos seguintes percentuais, incidentes sobre o maior venci- Manutenção da saúde do servidor.
mento básico da administração pública federal:

11
LEGISLAÇÃO

Art. 80. As férias somente poderão ser interrompidas por I - por até 60 (sessenta) dias, consecutivos ou não, man-
motivo de calamidade pública, comoção interna, convoca- tida a remuneração do servidor; e 
ção para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por necessidade II - por até 90 (noventa) dias, consecutivos ou não, sem
do serviço declarada pela autoridade máxima do órgão ou remuneração.
entidade. § 3o O início do interstício de 12 (doze) meses será con-
Parágrafo único. O restante do período interrompido tado a partir da data do deferimento da primeira licença
será gozado de uma só vez, observado o disposto no art. 77. concedida.
O direito individual às férias pode ser mitigado pelo § 4o A soma das licenças remuneradas e das licenças não
direito da coletividade de manutenção da paz e da ordem remuneradas, incluídas as respectivas prorrogações, conce-
social. didas em um mesmo período de 12 (doze) meses, observado
o disposto no § 3o, não poderá ultrapassar os limites estabe-
Capítulo IV lecidos nos incisos I e II do § 2o.
Das Licenças
Seção III
Da Licença por Motivo de Afastamento do Cônjuge
Seção I
Disposições Gerais
Art. 84. Poderá ser concedida licença ao servidor para
acompanhar cônjuge ou companheiro que foi deslocado
Art. 81. Conceder-se-á ao servidor licença: para outro ponto do território nacional, para o exterior ou
I - por motivo de doença em pessoa da família; para o exercício de mandato eletivo dos Poderes Executivo
II - por motivo de afastamento do cônjuge ou com- e Legislativo.
panheiro; § 1o A licença será por prazo indeterminado e sem re-
III - para o serviço militar; muneração.
IV - para atividade política; § 2o No deslocamento de servidor cujo cônjuge ou com-
V - para capacitação; panheiro também seja servidor público, civil ou militar, de
VI - para tratar de interesses particulares; qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Fe-
VII - para desempenho de mandato classista. deral e dos Municípios, poderá haver exercício provisório em
Atenção aos motivos que autorizam licença, detalha- órgão ou entidade da Administração Federal direta, autár-
dos a seguir na legislação. quica ou fundacional, desde que para o exercício de ativida-
§ 1o A licença prevista no inciso I do caput deste artigo de compatível com o seu cargo.
bem como cada uma de suas prorrogações serão precedidas
de exame por perícia médica oficial, observado o disposto no Seção IV
art. 204 desta Lei. Da Licença para o Serviço Militar
§ 3o É vedado o exercício de atividade remunerada du-
Art. 85. Ao servidor convocado para o serviço militar
rante o período da licença prevista no inciso I deste artigo.
será concedida licença, na forma e condições previstas na
legislação específica.
Art. 82. A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias Parágrafo único. Concluído o serviço militar, o servidor
do término de outra da mesma espécie será considerada terá até 30 (trinta) dias sem remuneração para reassumir o
como prorrogação. exercício do cargo.

Seção II Seção V
Da Licença por Motivo de Doença em Pessoa da Da Licença para Atividade Política
Família
Art. 86. O servidor terá direito a licença, sem remune-
Art. 83. Poderá ser concedida licença ao servidor por ração, durante o período que mediar entre a sua escolha
motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos em convenção partidária, como candidato a cargo eletivo,
filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependen- e a véspera do registro de sua candidatura perante a Justiça
te que viva a suas expensas e conste do seu assentamento Eleitoral.
funcional, mediante comprovação por perícia médica oficial. § 1o O servidor candidato a cargo eletivo na localidade
§ 1o A licença somente será deferida se a assistência di- onde desempenha suas funções e que exerça cargo de di-
reta do servidor for indispensável e não puder ser presta- reção, chefia, assessoramento, arrecadação ou fiscalização,
dele será afastado, a partir do dia imediato ao do registro de
da simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante
sua candidatura perante a Justiça Eleitoral, até o décimo dia
compensação de horário, na forma do disposto no inciso II
seguinte ao do pleito.
do art. 44.
§ 2o A partir do registro da candidatura e até o déci-
§ 2o A licença de que trata o caput, incluídas as prorro- mo dia seguinte ao da eleição, o servidor fará jus à licença,
gações, poderá ser concedida a cada período de doze meses assegurados os vencimentos do cargo efetivo, somente pelo
nas seguintes condições: período de três meses.

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LEGISLAÇÃO

Seção VI Capítulo V
Da Licença para Capacitação Dos Afastamentos

Art. 87. Após cada quinquênio de efetivo exercício, o ser- Seção I


vidor poderá, no interesse da Administração, afastar-se do Do Afastamento para Servir a Outro Órgão ou En-
exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, tidade
por até três meses, para participar de curso de capacitação
profissional. Art. 93. O servidor poderá ser cedido para ter exercí-
Parágrafo único. Os períodos de licença de que trata cio em outro órgão ou entidade dos Poderes da União, dos
o caput não são acumuláveis. Estados, do Distrito Federal, dos