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A HISTÓRIA DO CONHECIMENTO

e o que isso tem a ver com você

Universidade, Saúde e Sociedade – USS


2016.2
Semana 2
Prof. Nílbio Thé
O que isso tudo tem a ver com
SAÚDE?
TODAS essas imagens são fruto do
CONHECIMENTO.
A mente humana está sempre em
busca de significado no mundo

todo pensamento começa com um


problema...
“Conhecer é elaborar um modelo
de realidade”, é “projetar ordem
onde havia caos”
(CYRINO; PENHA, 1992).
Conhecer é quando processamos
uma informação a partir do que
sabemos e aprendemos.
Cada tipo de conhecimento é
gerado a partir de procedimentos
próprios, ou seja, de uma
EPISTEMOLOGIA própria e, às
vezes, exclusiva.
EPISTEMOLOGIA:
epistemee (conhecimento científico/ciência)
logos (estudo)
1. reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites
do conhecimento humano, esp. nas relações que se
estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte,
as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo;
teoria do conhecimento.

2. freq. estudo dos postulados, conclusões e métodos


dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e
práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou
descritas em suas trajetórias evolutivas, seus paradigmas
estruturais ou suas relações com a sociedade e a história;
teoria da ciência.
Alguns tipos de conhecimento:
Saber da Vida
 Conhecimento que cada um
adquire do momento em que
nasce até a morte.
 Saber calcado em vivência
prática, baseado apenas na
vida cotidiana e não é
sistemático, ou seja, é
espontâneo, fundamentado
no aspecto fenomênico das
informações.
 Muitos o chamam de senso
comum, saber empírico ou
vulgar.
 O senso comum é o ponto de
partida para todos os demais
tipos de conhecimento.
Conhecimento Mítico
 Segundo tipo de
conhecimento.
 Explica o mundo através
de histórias simbólicas e
imaginárias vindas,
muitas vezes, da
observação de forças da
natureza, da intuição e
da dicotomia natural x
sobrenatural.
 Os mitos serão
interpretados pela Acima, como os hindus viam o mundo
psicologia e milênios atrás e o mito de Atlas.
antropologia muitos
séculos depois.
Conhecimento Teológico

 Sucede o conhecimento mítico.


 Explica o mundo por meio de histórias.
 Componente FÉ (em um ou mais deuses) mais forte.
 Deus(es) age(m) a partir de dogmas não científicos e inquestionáveis.
 Religiões advêm de mitos (e os mitos são semelhantes), o que explica
racionalmente semelhanças entre religiões. E, em algumas situações,
há semelhanças também com o conhecimento filosófico.
Conhecimento Filosófico

 É extremamente racional, baseado em especulações e


observações em torno do real.
 Em muitos casos, é derivado do conhecimento mítico.
 É sistemático, obedecendo a critérios e a um rigor lógico
profundo, mas não chega a ser experimental.
 Sócrates e Confúcio, importantes filósofos do ocidente e do
oriente.
Conhecimento Científico

 Derivado do
conhecimento
filosófico de onde
herda seu rigor e
sua lógica.
 Sua principal
diferença é a
necessidade do
experimento em
sua epistemologia. Antoine Lavoisier
Conhecimento Técnico

 Saber totalmente prático.


 Se apropria de qualquer
tipo de conhecimento que
possa ter uma aplicação
utilitarista e imediata, mas
sem pensar nos “porquês”.
 Geralmente baseado em
vivência profissional
intensa e tem por objetivo
resolver problemas, não
necessariamente preveni-
los.
Saber das Artes
 Segundo Kant, o saber
das artes, embora se
baseie um pouco no
aspecto numênico
(científico) é,
majoritariamente,
fenomênico, pois o
objetivo da arte é
realmente causar
sensações. Fotograma do filme Viagem à Lua, de
 É intensamente criativo, Georges Méliès, 1902.
podendo promover Muitos avanços técnicos, filosóficos e
científicos surgiram primeiro na mente
reflexões inesperadas e de artistas.
profundas.
Tudo que uma sociedade faz, acredita,
conhece em cada lugar e época é
denominado

ZEITGEIST

que em alemão pode ser definido


como “espírito do tempo” ou “espírito
de uma época”.
Todo conhecimento, portanto, está
impregnado de Zeitgeist.

E também da subjetividade de
cada um.
Quando novas descobertas
científicas ocorrem, novos avanços
técnicos se popularizam, culturas
diferentes se conectam,
questionamentos surgem, o
zeitgeist muda.
E nossas crenças também mudam.
Um antropólogo fazendo uma pesquisa com a etnia
Ashanti em Gana se depara com um garotinho com
o pé machucado.
Como o pé não havia sido lavado corretamente, o
ferimento infeccionou.
Rapaz, seu
ferimento está feio.
Está infeccionado!

Sim, tio, está. Mas


isso tem a ver com
os maus espíritos!
Para o garotinho, acostumado a
andar descalço pela selva sem se
machucar, ele tropeçou porque
estava distraído. Mas distraído por
ação de maus espíritos. Tanto que
ele ainda não havia sarado.
Para uma criança Ashanti que
nunca estudou biologia, era muito
mais fácil e lógico acreditar em
maus espíritos que em bactérias
invisíveis, minúsculas, agindo em
sua corrente sanguínea.
Ou seja: o zeitgeist e a
subjetividade do garoto são
diferentes da do antropólogo.
Assim...
...senso comum e ciência (e outros
tipos de conhecimentos) são
expressões da mesma necessidade
básica, a necessidade de compreender
o mundo, a fim de viver melhor e
sobreviver. (RUBEM ALVES, 2000, p. 21)
Observe a flor...
Portanto, conhecimento é o resultado de uma
relação que se estabelece entre o sujeito que
conhece (cognoscente) e o objeto a ser
conhecido (cognoscível), que forma o objeto
reconstruído.
Timeo hominem unius libre
(Tomáz de Aquino)