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Transmissão

de Energia Elétrica
linhas Aéreas
RUBENS DARIO FUCHS 1

LTC I EFEI
r-
I

TRANSMISSÃO
DE ENERGIA ELÉTRICA

Linhas Aéreas

Teoria das Linhas em Regime


Permanente

Volume 1

ENG. RUBENS DARIO FUCHS

M. Sc., L. D., Professor Titular da


Escola Federal de Engenharia de Itajubá

LIVROS TÉCNICOS E CIENTfFICOS EDITORA


ESCOLA FEDERAL DE ENGENHARIA DE ITAJUBÁ
Copyright CD, 1977, Rubens Dario Fuchs

Proibida a reprodução, mesmo


parcial, e por qualquer processo, sem
autorização expressa do
autor e do editor.

CAPAI AG Comunicações visual Itda

(Preparada pelo Centro de Catalogação-na-fonte do


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ)

Fuchs, Rubens Dario.


F966t Transmissão de energia elétrica: linhas aéreas;
teoria das linhas em regime permanente. Rio de Ja-
neiro, Livros Técnicos e Científicos; Itajubá, Escola
Federal de Engenharia, 1977.
p. ilust.

Apêndice: Tabelas
Bibliografia.

1. Distribuição de energia elétrica 2. Energia elé-


trica 3. Linhas elétricas - Aéreas I. Título II. Título:
Teoria das linhas em regime permanente À minha querida esposa e filhas

COD 621.3192
77-0337 CDU 621.315.1 Magda

Cedlia Elizabeth

Celina Dária
Direitos reservados:
LIVROS T~CNICOS E CIENT(FICOS EDITORA S.A. Célia Inês
Avenida Venezuela, 163 - ZC-14
20.000 - Rio de Janeiro, RJ Annelise
1977
Impresso no Brasil Oanielle
Prefácio

Em 1968 foi pUblicada um coleção de Notas de Aula, preparadas do afogadilho, com o


fim único de acompanhamento das preleções da disciplina Transmissão e Distribuição de Ener-
gia Elétrica, que, nessa época, era introduzida no currículo de graduação do curso de EnÇJenheiros
Eletricistas da Escola Federal de Engenharia de Itajubá. Sua repercussão foi imediata, exigindo
sucessivas reimpressões, dada a inesperada procura não somente pelos alunos a quem se desti-
navam, como também, e principalmente, por engenheiros militantes no ramo. Imperfeições e
incorreções por certo as havia, e deviam ser sanadas. Originalidade, nenhuma, exceto, talvez, o
idioma português.

Durante o processo de revisão e complementação, a idéia de transformá-Ias em livro foi


tomando corpo. O estímulo de colegas foi decisivo. A ambição também cresceu: não bastava
um livro-texto para cursos normais de graduação em Engenharia Elétrica. Devia servir também
aos cursos de pós-graduação e aos engenheiros no exercício da profissão. Uma edi.ção experi-
mentai, feita em 1973, em "multilith", também se esgotou rapidamente, comprovando o
interesse pelo assunto.

E, antes de tudo, uma compilação bibliográfica. Porém, em se considerando a escassez


de material bibliográfico à disposição de estudantes e engenheiros em geral, terá, sem dúvida
alguma, sua utilidade. I nformações baseadas na experiência profissional foram incluídas, onde
cabível.

A bibliografia de referência consultada está indicada no final de cada capítulo. E variada


em suas origens, na presunção de que, estando o Brasil procurando sua própria tecnologia, deve-
mos buscar a composição das boas práticas de qualquer origem, para atingir um ótimo nosso. 10
também bastante atualizada.

O tratamento dado aos diversos tópicos é aquele que se poderia chamar de clássico, pro-
curando-se, dentro do possível, a generalização dos processos de enfoque de problemas de
mesma natureza. Processos gráficos de cálculo e análise das condições de operação das linhas
foram empregados por sua natureza fotográfica. A análise qualitativa dos fenômenos merece
especial destaque.
/
II
I)
x PREFÁCIO

Se bem que seria desejável, não foi possível estabelecer linhas divisórias nítidas, visando
a uma limitação na extensão com que os diversos tópicos deveriam ser tratados em cursos de
graduação e quais as partes que deveriam ser conservadas nos cursos de pós-graduação como
base de programa. Nestes, os conhecimentos na profundidade desejada raramente saem dos
livros-texto, e sim de artigos e obras especializadas, de estudo e interpretação obrigatória.

Aparentemente. espaço demais foi dedicado à análise da operação das linhas através da
teoria das ondas, pois para a maioria dos problemas de ordem prática, a análise de seu compor-
tamento pela teoria dos circuitos elétricos é suficiente e leva aos mesmos resultados numéricos.
Mas, em geral, não os explica nem os justifica, o que é inadmissível em Engenharia. E problemas
há em que somente um profundo conhecimento dessa teoria permite alcançar resultados satisfa-
tórios. Este é, por exemplo, o caso do estudo das linhas extra longas que, possivelment~. deverão
ser implantadas para um melhor aproveitamento do potencial energético da bacia am\~Ica.

O estudo das indutâncias e capacitâncias, através dos coeficientes de campo e de potencial, Simbologia e Abreviações
foi adotado por apresentarem maiores recursos e flexibilidade para um tratamento goneralizado,
sendo o conceito das Distâncias Médias Geométricas introduzido no final, para permitir o uso
das clássicas tabelas de reatâncias em cálculos práticos.

No final do texto, em forma de apêndices, foram incluídas tabelas consideradas úteis,


Sfmbolos
destacando-se as tabelas de características físicas, mecânicas e elétricas de condutores padroni-
Significado
zados, todas convertidas ao sistema métrico. Incluíram-se também tabelasde reatâncias indutivas
e capacitivas unitárias, elaboradas no Centro de Processamento de Dados da E FE I, com aux ílio
a
do computador digital, para cabos múltiplos de 2, 3,4 e 6 subcondutores e diversos espaçamen- Operadorei 1200 == -~+ I' .J3
tos padronizados. ai; 2 -
Coe fIClentes
'
de potencial (de M 2 ,) .
aij . . axwe I próprros
Como o estudante de hoje, desde o seu primeiro semestre nas Escolas de Engenharia, já [aJ CoefIcIentes de potencial (de M )"
. axwell mutuos
é treinado para o uso dos computadores, tanto digitais como analógicos, como o era no uso da [A] Matrrz de transformação das co
régua de cálculo, foi omitida a solução de problemas nesses tipos de máquinas ou a apresentação M . mponentes simétricas
A atrrz de coeficientes de potencial (de Maxwell)
de programas, na suposição de que, quando esta matéria lhe for apresentada, já no final de seu Amperes (abr.) ,
Á
curso, esteja em condições de escrever seus próprios programas. No tratamento matemático.
cuidou-se da formulação que facilitasse o uso desses recursos de cálculo. Considerando que os [ÁJ Constante generalizada dos quadripolos
resultados obtidos por processos de cálculo em computadores que hoje tendem a requintes de b Matriz ~a c~nstante Á de uma linha trifásica
sofisticação são apenas tão poss íveis, de confiança quanto os dados de entrada, observações b ii Susceptancla capac't' - '
'. I Iva. pressao barométrica
nesse sentido são feitos onde se faz necessário. Susceptancla capacitiva própria
bij
8 Susceptância capacitiva mútua
No final dos capítulos, em que se julgou conveniente, incluiu-se uma série de exercícios
típicos resolvidos e outros por resolver, usando-se, freqüentemente, caracter ísticas aproximadas
[8J Den~idadede campo magnético ou indução magnética
de linhas reais existentes no Brasil, a fim de familiarizar o estudante com as mesmas. S Matrrz das susceptâncias capacitivas
[SJ Cons.tante generalizada dos quadripolos
Um trabalho como este não poderia ser completado sem a colaboração de muitos. Por C Matrrz da constante ÉJ de uma linha trifásica
certo pecaria por omissão numa tentativa de relacionar tantos que tornaram esta obra viável. Capacitância por unidade de com .
Sou, pois, profundamente grato a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram com seu (abr.) prrmento. COulomb
Cio
trabalho, críticas, sugestões e estímulo para, sua concretização.
Cij Capacitância parcial entre condutor e solo
Ca,Cb,C Capacitância parCial entre condutores
c
Escola Federal de Engenharia de Itajubá CS ~apacitâncias aparentes das fases a. b e c
Julho de 1977 apacitância de serviço
I'C"
Capacitância de seqüência positiva

[
Rubens Dario Fuchs
Capacitância de seqüência negativa
Capacitância de seqüência nula
XIII
XII SIMBOLOGIA E ABREVIAÇÕES SIMBOLOGIA E ABREVIAÇÕES

Intensidade de campo magnético


C'2' C2!, C! o' C O !' C20 , C O2 Capacitância entre circuitos seqüenciais H
Altura de fixação de um condutor genérico
[CJ Matriz das capacitâncias Hj
Henry (abr.)
Matriz das capacitâncias da linha trifásica, sem cabos H
[CeqJ Hertz (abr.)
pára-raios equivalente Hz
Corrente elétrica - valor instantâneo, condutor genérico
Constante generalizada dos quadripolos Corrente elétrica - módulo
Matriz da constante C de uma linha trifásica Fasores das correntes nas fases a, b, c, ...
Diâmetro dos condutores I~, íb , ic' ...
Vetor de correntes
Diâmetro de um condutor cil índrico equivalente a um li]
1m {c}
Parte imaginária de um conplexo é
condutor múltiplO de mesmo gradiente Condutor genérico, ou operador
j
Distância entre condutores; ej
Joule (abr.)
Densidade de fluxo elétrico. Determinante de uma Constantes de proporcionalidade, quilo (abr.)
K
matriz 103 • A
kA
Distância do condutor ; e a imagem do condutor j
km
10 3 • m
Raio médio geométrico dos condutores múltiplos 10 3 • V
kV
Distância média geométrica . 103 • VA
kVA
Distância média geométrica entre fases de um mesmo 10 3 • VAr
kVAr
circuito 10 3 • W
kW
Distância média geométrica entre condutores e ima-
I
Comprimento
gens dos condutores vizinhos
L
Indutância
Distância média geométrica entre condutores de cir-
Coeficiente de superfície dos condutores
cuitos paralelos, de mesma fase m
m
Metro (abr.)
Distância média geométrica entre condutores de cir-
Número de elementos
cuitos paralelos, de fases diferentes m
M Mega - 10 6
Ó Constante generalizada dos quadripolos
MVA 10 6 • VA
[OJ Matriz da constante O de uma linha trifásica
MVAr 10 6 • VAr
e Número-base dos logaritmos naturais = 2,71828 ...
106 • W
E Gradiente de potencial, intensidade de campo elétrico . MW
Número de elementos, potência aparente
Energia n,N
IÍI Potência complexa
E CRV Gradiente crítico visual (de Peek)
p Operador
f Freqüên.cia
P Potência ativa
fi; Coeficientes de campo magnético próprios
Pi
Circuito equivalente de linha
f ij Coeficientes de campo magnético mútuos
pu Por unidade
[FJ Matriz das indutâncias de um sistema de condutores Carga elétrica
q, Q
F farad (abr.)
Q Potência .reativa
g Condutância por unidade de comprimento Raio de um condutor, resistência elétrica por unidade
G~ r
Condutância total de uma li nha de comprimento de um condutor
[G] Matriz das condutâncias de n condutores Raio de um condutor cil fndrico equivalenre a um con-
Gij Co-fator de uma matriz Raio do cfrculo que passa pelo centro dos subcondu-
G 10 9 (GI GA) ,I"~
tores em um .condutor múlt.iplo. Resistência elétrica
IGI Valor em "por unidade" de uma grandeza G
total de um condutor.
'h Altitude, horas
Raio Médio Geométrico
h; Altura média do condutor genérico i sobre o solo
17 m Altura média geométrica dos condutores sobre o solo
Parte real de um complexo é
.XV
XIV SIMBOLOGIA IE ABREVIAÇÕES
SIMBOLOGIA E ABREVIAÇÕES

t Tempo, temperatura em °c Função de propagação


T Período, temperatura em °K Densidade relativa do ar, coeficiente de desuniformida-
Tee Circui:o equi;alente de Ii:hé!~ de
u Valor Instantaneo da tensao "~, Variação incremental
Tensão entre fase e neutro (m6d~lo) Permissividade do meio
12 m
Fasor de tensão Permissividade do vácuo == 8,859 . 10- [A's/V' ]
Tensão entres fases (módulo) Permissividade relativa do meio
Vetor de tensões Ângulo de potência da linha
v 'Velocidade ou celeridade de propagação Vetor de transformação
v Volt (abr.) Constante de permeabilidade magnética
W Watt (abr.) Constante de permeabilidade do vácuo == 41T • 10- 7
x Deslocamento, distância genérica
Reatância 'indutiva por unidade de comprimento r~: ~1
Reatânciacapaeitiva em uma unidade 8e comprimento Constante de permeabilidade relativa

Reatância indutiva em oh m/km para espaçamento de Pi == 3,141 59 ...


Resistividade elétrica
1 m
Ângulo de fato r de potência
Reatância capacitiva em Mohm . km para espaçamento
Fluxo magn'ético, ângulo do fator de potência
de 1 m
Freqüênda angular
Fator de espaçamento indutivo w Associação Brasileira de Normas Técnicas
Fator de espaçamento capacitivo ABNT American Institute of Electrical Engineers
Fator indutivo de acoplamento mútuo entre dois AIEE
EJetricité de France
circuitos EdeF Equipe de projeto Extra High Voltage Research
x"c Fator capacitivo de acoplamento mútuo entre dois EHV Program General Electric - Edison Institute
circuitos
The Institute of Electrical Engineers - Londres
XL ReatânciÇl indutiva total IEE Institute of Electrical and Electronics Engineers
Xc Reatância capacitiva total IEEE
Centrais Elétricas de Minas Gerais S. A.
Reatância indutiva de seqüência nula CEMIG
xLoo Centrais Elétricas de .•São Paulo S. A.
'~.
Reatância indutiva de seqüência positiva CESP
xL" Cia. Hidroelétrica do sãl)":!;:rancisco S. A.
xL 22 Reatância indutiva de seqüência negativa CHESF
Centrais Elétricas de Furnas S. A.
y Admitância por unidade de comprimento FURNAS
Companhia Paulista de Força e Luz S. A.
y Admitância total CPFL
z Impedância por unidade de comprimento
Impedância total
Impedância caracter(stica
Impedância natural 'ou impedância de surtos
Impedância de seqüência nula
I mpedância de seqüência positiva
Impedância de seqüêneia negativa
Função de atenuação, ângulo
Coeficiente de aumento de resistência com a tempera-
tura
(3 Função de fase
{3i Ângulos
Sumário

1- Transporte de Energia e Linhas de Transmissão, 1 .

1.1-
Introdução,
1.2- Sistemas elétricos - Estl .
i'" ra básica, 3
1.3- Evolução histórica e PI.I ectivas futuras, 8
1.3.1 - Geral, 8
1.3.2 - No Brasil, 10
1.4 - Tensões de transmissão - Padronização, 13
1.5 - Bibliografia, 14

2- Caracterfsticas Ffsicas das Linhas Aéreas de Transmissão, 15

2.1 - Introdução,. 15
2.2 - Cabos condutores, 15
2.2.1 - Conautores padronizados, 17
2.2.1.1 - Padronização brasileira, 18
2.3.,- Isoladores e ferramentas, 24
2.3.1 - Tipos de isoladores, 26
2.3.2 - Caracterfsticas dos isoladores de suspensão, 31
2.3.2.1 - Distribuição de potenciais em isoladores e cadeias de
isoladores, 32
2.3.3 - Ferragens e acessórios, 36
2.3.3.1 - Cadeias de suspensão, 37
2.4 - Estruturas das linhas de transmissão, 39
2.4.1 - Disposições dos condutores, 40
XVII' SUMÃRIO SUMÃRIO , XIX

2.4.2 - Dimensões das estruturas, 42 4.3.4 - Constantes generalizadas de associações de quadripolos 137
2.4.3 - Classificação das estruturas das linhas de transmissão, 43 4.3.5 - Linha artificial, 141
2.4.3.1 - Funções das estruturas nas linhas, 43 4.4 - Relações de potência nas linhas de transmissão, 142
2.4.3.2 - Forma de resistir das estruturas, 44 4.4.1- Relações de potências no receptor, 143
2.4.3.3 - Materiais para estruturas, 47 4.4.2- Relações de potências no transmissor, 146
2.5 - Cabos pára-raios, 50 4.4.3- Perdas de potência e rendimento, 147
4.4.4- Emprego de grandezas relativas, 149
2.6 - Bibliografia, 51
4.5 - Modelos matemáticos de /inhas trifásicas, 151
4.6 - Exercícios, 153

3- Teoria da Transmissão da Energia Elétrica, 53 4.7 - Bibliografia, 177

3.1 - Introdução, 53
3.2 - Análise qualitativa, 54 5- Processos Gráficos de Cálculo das Linhas de Transmissão, 179
3.2.1 - O fenômeno da energização da linha 54
3.2.2 - Relações de energia, 59
3.2.3 - Ondas viajantes, 64 5.1 - Introdução, 179
3.3 - Análise matemática, 69 5.2 - Diagrama D'Escanglon das correntes e tensões, 180
3.3.1 - Equações diferenciais das linhas de transmissão, 69
3.3.2 - Solução das equações diferenciais no domínio da freqüência: 5.3 - Diagramas circulares, 185
Linha da corrente alternada em regime permanente, 72 5.3.1 - Diagramas circu lares das potências, 185
3.3.2.1 - Interpretação das equações das linhas, 74 5.3.1.1 - Diagrama do transmissor, 186
3.3.2.2 - Linha em curto-circuito permanente, 86 5.3.1.2 - Diagrama do receptor, 187
3.3.2.3 - Operação das linhas sob-carga, 88 5.3.1.3 - Diagrama completo, 188
5.3.2 - Diagrama universal das potências [9, 10] 194
3.4 - Considerações gerais, 96 5.3.3 - Diagramas circulares das perdas, 200
3.5 - Exercícios, 96 5.3.4 - Outros processos gráficos, 207

3.6 - Bibliografia, 113 5.4 - Exercícios, 207

5.5 - Bibliografia, 220

l 6\-----------------------------------------------------------------------------
",-'I" -4
._ !:~ \, Cálculo Prático das Linhas de Transmissão, 115

6 - Operação das Linhas ou Regime Permanente, 221


4. 1 - Considerações gerais, 114
4.2 - Relações entre tensões e correntes, 115
4.2.1 - Linhas curtas, 118 6.1 - Introdução, 221
4.2.2 - Linhas médias, 120 6.2 - Modo de operação das linhas de transmissão, 221
6.2.1 - Linha entre central geradora e carga passiva, 222
4.3 - Linhas de transmissão como quadripolos, 125
4.3.1 - I nterpretação do significado das constantes das linhas de 6.2.1.1 - Operação com tensão constante no transmissor. 226
129 6.2.2 - Linha de transmissão ligando uma central geradora e um grande
transmissão,
sistema, 228
4.3.2 - Medida direta das constantes das linhas de transmissão, 131
6.2.3 - Linha de interligação de sistemas, 232
4.3.3 - Quadripolos representativos de outros componentes dos sistemas
6.2.4 - Linha de interligação entre dois pontos de um mesmo sistema, 232
de potência, 133
xx SUMÁRIO

6.3 - Meios de controlar tensões e ângulos de uma linha. Compensação das linhas, 233
6.3.1 - Regulação do fator de potência, 233
6.4 - Compensação das linhas de transmissão, 237
6.4.1 - Compensação em derivação, 238
6.4.2 - Compensação-Série. 241
6.5 - Variação artificial do comprimento das linhas, 246
6.5.1 - Linha com compensação tqtal. 247
6.5.2 - Compensarão para transmissão em meia onda. 248 , !

6.6 - Limites térmicos de capacidade de transporte, 252


6.6.1 --' Equilíbrio térmico de um condutor, 253
6.7 - Exercícios, 255 Transporte de Energia Elétrica
e Linhas de Transmissão

1.1 - INTRODUÇÃO

Economistas mod ernos, ao analisarem o grau d e desenvolvimento


de .um país, baseiam-se freqüentemente no consumo per capita de energia
elétrica e· no índice de crescimento desse consumo, dacJa a sua ligação
direta com a produção industrial e o poder a.quisitivo da populaçã,o , que
cresce com o mesmo. Aumentar constantemente as potências dispo-
níveis nos sistemas elétricos tornou-se, pois, uma necessidade. Um re-
gime de deficit energético representa poderoso freio a esse de,senvolvi-
mento. '
As características peculiares de produção e distribuição de energia
elétrica, cujo fornecimento é consirlerado um serviço público e, portanto,
sujeito ao regime de conceSS20 por parte dos poderes públicos, pressu-
põem regimes de exClusividade em cada região - estando, na maioria dos
países, sob severa fiscalização, quando não parcial ou inteiramente nas
mãos dos próprios poderes públicos. O consumo da energia elétrica está
diretamente relacionado com o seu preço de venda; é, pois, de toda con-
veniência mantê-lo ao menor nível possível, mesmo com sacrifício da reIl-
tE',bilidade dos investimentos que, se feitos em outras ativida.des, trariam
maiores lucros. A menor rent2.bilidade, no entanto, é normalmente com-
pensada pelo risco quase inexistente. Tarif2.s realistas asseguram co ber-
tura ao custo de produção, retorno e remuneração razoável ao investi-
mento realizado. Esses fatores fizeram com que a indústria da energia
elétrica, nos ps.íses mais desenvolvidos, se tornasse uma d'as mais efici-
entes no tocante aos custos de produção e despesas CoIh transportes e dis-
tribuição. '
As fontes convencionais de energia primária. para a produção de ener-
gia elétrica em sistemas comerciais são, atualmente:
2 TRANSPORTE DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. l' 1.2 - SISTEMAS ELÉTRICOS - ESTRUTURA BÁSICA ,3

A - energia hidráulica: de consumo, mesmo com limitações de ordem de conservação do meio


ambiental. Combustíveis líquidos e gasosos podem ser tnmsportados
a - rios; com relativa facilidade por oleodutos e gasodutos e o custo do tmnsporte
b- mares; dessa forma de energia é competitivo com o custo do transporte da energia
elétrica. No caso dos combustíveis sólidos, um equacionamento econô-
B - energia térmica convencional: mico pode aconselhar a instalação das centmis junto às jazidas desses
combustíveis - centrais d e boca de mina - tra.nsportando-se a energia
a - combustíveis sólidos; elétrica aí produzida. É o C8.S0 das centrais termoelétricas de Figueirã,
Capivari e Candiota, no Sul do Brasil.
hulha;
As centrais termonucleares não apresentam maiores problemas de
antracita; transporte de energia primária, porém considerações de segurança e, prin-
- turfa; cipalmente, de ordem psicológica, têm aconselhado sua localiza ção em
pontos mais distantes de zonas densamente povoadas, portanto, dos cen-
b combustíveis líquid~s e gasosos; tros de maior consumo.
derivados do petróleo; Os modernos sistemas de energia elétrica dependem, pois, grande-
gás natural; mente das facilidades para o tmnsporte a granel dessa energia, que é feito
através das línhas de transmissão, ou eletrodutos. '
c- energia termonuclear;
D- energia (feotérmica. 1.2 - SISTEMAS ELÉTRICOS - ESTRUTURA BÁSICA
Qualquer que seja: a forma da energia primana, o custo de produção
da Emergia elétrica diminui consideravelmente com o aumento da potência Os modernos sistemas d e energia elétric a possuem uma estrutura
das centrais de geração, principalmente no caso das usinas térmicas, con- baseada em organização vertical e numa organização horizontal, como
vencionais ou nucleares. mostra o diagrama de blocos da Fig. 1.1.
Na organização vertical de um sistema elétrico distinguimos geral..:
. Par à a realiza,ção de um aproveitamento hidroelétrico de forma eco- mente cinco níveis:
nômica, condições locais especiais devem existir. Essas condições ocor-
rem aleatoriamente na natureza, em geral longe dos gmndes centros de
7 consumo. Surge, pois, a necessidade do transporte da energia elétrica, a - rede de distribuição;
'- através de distâncias nem sempre pequenas. Observa-se inclusive que b~ rede de subtransmissão;
à medida que os locais aproveitáveis vão sendo desenvolvidos, novos locais
aproveitáveis vão se tornando cada vez mais remotos, implicando maiores c -red e de transmissão;
problemas com o transporte da energia. d - linhas de interligação, que conectam um número de sistemas
De um modo geral, o custo do transporte aumenta com a distância a ser em um pool;
vencida e diminui com a quantidade de energia a ser transportada. e - geração ou produção.
" Qualquer estudo de viabilide,de econômica de um aproveitamento hi-
droelétrico, deverá equa cionar custo de produção e custo de transporte
da energia produzida. Horizontalmente, cada camada ou nível se divide em um número
d e subsistemas que, a princípio, são isolados eletrica mente (em geral,
O mesmo acontece com rela,ção à energia geotérmica, cuja trans- também geograficamente) dos subsistemas vizinhos de mesmo nível, sendo
formação só é realizável nos locais em que há condições favoráveis à sua ligados entre si apenas atnwés dos sistemas de nível mais elevado. Em
captação, e estes se restringem a algumas áreas de alguns países. estágios mais avançados dos sisteme,s, a fim de aumentar a flexibilidade
O problema da localização das centrais térmicas convencionais se de operação em condições de emergência, poderão ser usadas interligações
apresenta de uma forma bem mais complexa, pois existe a opção entre horizontais.
o transporte da energia primária e o transporte da energia elétrica. Sua Esse.s divisões principais S8,0 gemlmente identificáveis, se bem que,
instalação é menos dependente de condições naturais, e locais adequados em alguns CQsos, as linhas divisóri.a~: não resulta m muito claras, por pecu-
podem, de um modo geral, ser encontrados nas proximidades de centros liaridades locais dos sistemas individuais. .
4 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICACAP. 1 1.2 - SISTEMAS ELÉTRICOS - ESTRUTURA BÁSICA 5

A integração dos sistemas regioM.is e mesmo nacione.is, pela inter-


.........
.... 0 2
ligação dos sistemae isolados, é considerada hoje indispensável, apon-
~ lU tando-se principalmente:
__ . _
'" . - - . - . - . -
r- . _ . - - ' -f - . _ - . _ .

r--
--l I
a - a possibilidade de intercâmbio de energia entre os diversos sis-
temas de acordo com as disponibilidades e necessidades diferenciadas.
I Nesse caso, o excesso de energia. disponível em um dos sistema,s em certas
--I I éPOC2,S do [mo é 2.bsorviclo pelo outro que se encontra tnmsitoriamente
*-- W.~
I O O(f) com eSC2,ssez, que a devolverá em seguida, quando se inverter a situação
.<!
U- «
(f)

:::!E
f----1 I de diSponibilidade hídrica;
I
:J
O
:::!E (f) - b - a possibilidade de se construírem centrais maiores e mais efi-

--
O W z
o::: I- <!
Cf)
I---i I 'r' cientes que seria economicamente viável em cada tslstema, isoladamente;
I o... o:::
Cf) I-
, c - aumento da ~2,pacidade de reserva globaJ das instaJações de ge-
--I I o ração para casos de acidentes em alguma central dos sistemas compo-
r-- '"<:l
<::l
.;S> nentes;
I
--I I ~
L . _ . - ' -r-' _ . -1 - ' - - ' - ' - - ' _._._1 .::ii
.~
d - aumento da confiabilidade de abaStecimento em situações anor-
mais ou el"e emergência;
<::l
O í: e - possibilidade de um despacho de carga único e mais eficiente,
,< .::ii
< <
<>
~
.,
.::l com alto grau de automatização e otimização;
:I:
2 ...J
a: í:
;;:l
f - possibilidade de manutenção de um órgão de planejamento. de
:::i lU
.... {l
alta categoria, em conjunto com rateio de despesas e, conseqüentemente,

r- ._.-'-
~

---- ._---_._._----, <::l


.,
.~
'<::l
..c
~
menor incidência sobre os custos de cada sistema.

o transporte da energia é realizado em todos os níveis, diferenciando-se


I
L-J I ~
pelas tensões e quantidades de energia que cada um de seus :elementos.
r-- . básicos transporta. Os elementos-ba,se, responsáveis pelo transporte que
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-t I ~ poderiam, genericamente, ser chamados eletrodutos, são representados por
*-- W.$i .,O I linhas aéreas ou cabos, subterrâneos ou submarinos. Suas designações
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ii: tensões mais elevadas do sistema" tendo como função principal o tra.ne-
o... ~ o::
r----- Cf)
I- porte da energia entre centros de produção e centros de consumo, como
I ~ I também a interliga,ção de centros de produção e mesmo sistemas indepen-
- dentes. Em geral, são determinadas em subestações aba,ixadoras regio-
! ~ I nais, onde a tensão é reduzida. de nível pa,ra o início da distribuição a granel
··L ._._- -. -·-----------0- ~
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pelas linhas de subtransmissão. Em um, mesmo sistema pode haver, e em
geral há, linhas de transmissão em dois. oU mais níveis de tensão.
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incomum operarem com uma tensão também existente nestes .
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'" linhas de transmissão. Nascem nos barramentos das subestações re-
ii:
....
U) gionais e terminam em subestações abaixadoras locais. Dassubesta-
iS
ções regionais, em geral, saem diversas linhas de subtransmissão tomando
rumos diversos. Em um sistema é possível haver também dois ou mais
6 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. '1 1.2 - SISTEMAS ELÉTRICOS - ESTRUTURA BÁSICA ·7

níveis de tensões de subtra:nsmissão, como ainda um subnível de subtrans- Sej2. no caso do transporte da energLa d2.s centrais aos centros de con-
missão, como mostra a Fig. 1.2. sumo, seja no caso de transporte entre sistem8S, as insta.lações necessárias
para t2.nto assumem importância fundgmenta.l dentro dos sisteni2.S elé-
DISTRIBUiÇÃO PRIMARIA tricos, também em termos econômicos, o que pode ser avr,liado pela par-
celr, considerável (oe 25 2. 30%) dos investimentos da indústria da energia
elétric2.. A Fig. 1.3 mostra [J, distribuiç[í,o relativa dos investimentos

~>---+E--::-: ~: ~:
programados no setor de energia elétrica no Brasil durante o quadriênio
1970/1973 (1)*,

I ---~

TRANSMiSSÃO • SUB-TRANSMISSÃO 169KIJ-IOMW


'4 100·/. DISTRIBUiÇÃO DOS INVESTIMENTOS
, SUB-TRANSMISSÃO EN ENERGIA ELETRICA
Fig. 1.2 - ~istemade energia elétTi~a com dois níveis de subtransmissao.

c - Linhas de distribuição primárias - São linha,s de tensões su- A- TOTAL

ficientemente baixas para ocuparem vias públicas e suficientemente ele- B - GERAÇÃO


C- TRANSMISSÃO
vadas, para assegurarem boa regulação, mesmo para potências razoáveis. D- DISTRI o
Às vezes desempenham o papel de' linhas de subtransmissão em pontes
d e sistemas.
D - Linhas de distribuição secundárias - Opera,m com 2,S tensões
mais brdxas do sistema e em geral seu comprimento não excede 200 a 300 m.
Sua tensão é apropriada para uso direto em máquinas, aparelhos e lâm-
padas. No Brasil est~o em uso os sistemas 220/127 V (entre fases e entre
Fig. 1.3 - Dist?'ibuií;ao relativa de investimentos para energia elétrica no Brasil -
fases e neutro) e o sistema 380/220 V, deriváveis de sistemas trifásicos
197011973(1),
com neutro, e o sistema 220/110 V, derivável de sistemas monofásicos.
Para regiões em que a energia elétrica está sendo introduzida, recomenda-se É evidente que investimentos desse vulto exigem um phmejamento
a tensão 380/220 V. pormenorizado e cuidadoso em seus dois aspectos principais:
Sob o ponto de vista físico e elétrico, as linhas de tra,nsmissão e de A - econ6mico - a fim de gar::mtir que o dinheiro inY8stido real-
subtransmissão se confundem, e os métodos de qálculo são os mesmos. mente comprou o mpjs conveniente, 8,ssegunmdo ao investidor a neces-
No sistema de Sã,o Paulo Light S.A., a.s linhas de 88kV da Usina Ri:. sária rentabilidade e, ao consumidor, tarifD.s baixas;
droelétrica de Itupararanga ou da primeira. etapa da Usina de Cubatão
são linhas típicas de transmissão) o que não' impede que a mesma em- B - técnico - um sistema de energia elétrica moderno deve ofe-
presa tenha desenvolvido seu sistema de subtransmissão nessa mesma recer aos consumidores de energia 8, segurança de um fornecimento de
tensão, empregando, inclusive, estruturas de mesmo tipo daquele usado alta, qualid'ade, exigindo-se em geral:
nas primeiras. " a - serviço contínuo, com um mínimo de interrupções, programadas
Em algumas empresas, as linhas de subtra,nsmissão ficam sujeitas ou não;
aos seus departamentos de distribuição, que as planejam, projetam, cons-
troem e opemm. Em outras empresas elas estÍÍ;.o a cargo dos departa- b - fornecimento de energia em freqüência e tensões uniformes e
mentos encarregados das linhas e subestações. E um problema de orga- constantes, isentas de flutup,ções;
nização administrativa. c - atendimento de quaisquer demand8.s instantâneas exigidas pelas
No presente trabalho n8,0 faremos distinções, empregando o termo instalàções cadastradas dos consumidores;
linhas de transmissão de maneira genérica, independentemente de sua
função no sistema. * Os números qUE' aparecem entre parêntesis referem-se à bibliografia menciona-
da no final de cada capítulo.
8 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. 1 1.3 - EVOLUÇÃO HISTÓRICA E PERSP~CTIVAS FUTURAS. 9

d - capacidade de, a qualquer momento, 9,tender ao aumento c-e nientes e se rer.lizr,l':a,m a.lgumas instp.lações; mesmo porque também os
demc.ndas dos atuais consumidores e de novos pedidor:; dG ligaçã.o. geradores se tornavam mr,is simples. Datam desse período duas rea-
Esses dois aspectos se inter-relacionam intimamente e nãa devem ser lizações notáveis para a época:
divorcic.dos no estudo d e qualquer instalação nova ou ampliação ou re- 1886 - linha monofásica com 29,5 km na Itália, conduzindo
formulaçi'i.o das existentes. 2700 BP para Roma;
0.'3 sistemas de transmissão, apesar de abE'Drverem pa.rcelas tão pon- 1888 - linha de 11 000 V, trifásica, com um comprimento de
deráveis do investimento to üJ.l , são também, pele, sua própria natureza, 180 km, na Alemanha.
as partes dos sister:Ms mais vulneráveis. Verificou-se que cerca de 80%
das interrupções gcidenta.is no fornecimento da energia são originados naE . A invenção, entre ~885 e 1888, dos motores a indução, devida, a Fer-
linhas de transmissão, ou provocados por eI2.s. :t\o entanto, o emprego ral'lS e Tesla, deu novo Impulso aos sistemas de correntes, alterne.da em de-
das soluções me,Ís C2.rilS nem sempre garante o melhor desempenho: uma trimento do~ sistemas de corrente. c?n~ínue" . que foram, pouco a pouco,
linha em estruturas de madeirE', bem projetadas tem condições de desenl- sendo substItuídos, apesar de este ultImo SIstema ter continuado a ter
penhr,r melhor do que uma linha com estruturas de D,ÇO face às descargas ferrenhos defensores: havi8.l. f',plica.ções nas quai,s a corrente contínua não.
atmosféricas, se r,mbr,s usarem o mesmo número de isoladores e o mesmo podia ser substituída pela corrente alternada, como no caso de processos
grau de cobertura pelos cabos pára-raios. E seu custo é consideravel- eletrolíticos, p,plice,ções de motores que exigem velocidade vp,riável,como
mente menor. na tração, elétrica, lamine,ções siderúrgicas etc. As vante,gens de, corrente
alternada., seja na, geração. e no transporte, seje" principalmente na dis-
tribuição e utilização, feiram preponderantes e os sistemas cresce~am con-
tinup,mente,
1.3 ~ EVOLUÇÃO HISTÓRICA E PERSPECTIVAS FUTURAS
IVJ:ais e mais energia elétric2. pa,ssou a. ser utilizadp, crescendo con-
tinuamente a.s .potências das centrais elétricas; os novos 'locr,is que favo-
1.3.1 - Geral reciam aproveitamento hidroelétricos tornavam~se cada vez mais remotos
Somente no terceiro quartil do século passado é que foi possível, exigindo tensões sempre mais elevadas e linhas mais longas avolumando~
graç,p,s aos trabalhos de cientiste,s como Siemens, Gramme e Pacinotti, a se os problemas. Assim é que, por volta de 1903, a ten~ão de 60 kV
produção de energia elétrica em .quantidades razoáveis a partir da energia era atingida; em 1910, 110 kV e, em 1913, 150 kV. Por volta de 1922
mecânica, pois deve-se aos mesmos o desenvolvimento da máquina dina- entrou em operação a primeira linha de 230 kV; em 1936, uma linha de
moelétrica. Somente em 1879-1880, porém, com a invenção da lâmpa- 287 kV .. Esta somente foi suplantada em 1950, com a entrada em serviço
da incandescente por Thomas A. Edison, é que a energia elétrica teve seu de uma lInha de cerca de 1000 km de comprimento e tensão de 400 kV na
grande impulso. A partir de 1882, qmmdo foi inaugurada a, central elétri- Suécia. Por volta de 1955 se construíam as primeiras linhas em 345 kV
?OS Estados Unid.os, onde se iniciaram estudos e experiências, vise,ndo à
C8. de Pearl, pelo mesmo Edison, fornecendo iluminação pública e energia
para motores em parte da cidade de Nova Iorque, começaram a surgir os Implantação de lmhp,s de 500 k V. A primeira linha nessa tensão foi
construída em 1962.
primeiros sistema,s comerciais de eletricidade, em diversos países do mun-
do. Com eles também tivem,m início problemc.s com o transporte e a Entre 1964 e 1967, no Cane,dá, foram projetr,das e construídas, as
distribuição da energia elétricp" então gerada e consumida em corrente primeiras linhas de 735 kV, mais recentemente t2.mbém nos Estados
contínua. A expansão dos sistemas incipientes e o uso da energia hi- Unidos, surgiram a,quelas que, no momento, São' as de tensão mais ele-
dráulica eram tolhidos pelos fenômenos da queda de tensão e das per- vada em corrente alternada existentes no mundo.
dp,s por efeito Joule. Condutores de secções maiores eram exigidos a Essa evolução, evidentemente, é uma conseqüência do crescimento
ponto de se tornar desinteressante qualquer nova extensão, sendo neces- da demanda de energia elétrica e da extensã,o dos sistemas. O aumento
.sário construir novas centrais, relativamente próximas umas das outras crescente do número de centmis. e linhas em um mesmo sistema de cor-
O grande potencia.!' hidroelétrico ficava fora de alca,nce, pois a energia era ren~e alternada co~e~ou, d'esde c~do, a tmzer: probleIlli',s com a sua ope-
consumida na tensã,o em que era produzida, nã,o havendo solução ime- raçao, e logo se Vel'lfICOU que mUltos desses problemas poderiam ser evi-
diata à vista para os sistemas de correntes contínuas. tados pela transmissão em corrente contínua, hoje viável nas tensões ne-
Por volta de 1884/1885 foi inventado o transformador, que permitia cessárias.
elevar e abaixar a tensão, com grande rendimento, desde que a, energia No m.omento, tanto nos Estados Unidos como na Europa e Japão,
fosse em corrente alternada. Nessas condições, OpI'O blema de trans- ao lado dos tre,balhos para a melhoria e desenvolvimento dos sisteme.s
mIssao em tensões mais elevadas, portanto com menos perda de energia, ,de corrente continup., está-se procurando resolver os problema,s relaci-
-estava resolvido. Para fins de iluminação não havia. maiores inconve- onados com a fabricação de equipamento e a operação de sistema, de
10 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. 1
1.3 - EVOLUÇÃO HISTORICA E PERSPECTIVAS FUTURAS-
11
1000/1100 kV vislumbrando-se hoje a possibilidade de sistemas em 1500 kV
de corrente alternada. Os problemas relacionados com linhas D,éreas de A primeira linha de transm4ssão de que se tem registro no Brasil foi
transmissão nessas classes de tensão são, hoje, considerados resolvidos (7). construída por volta de 1883, na cidade de DiD,mantina; Minas Gemis.
Tinha por fim transportar a energia produzida em uma usina hidroelétrica,
constituída por duas rodas d'água e dois dínamos Gramme, a uma dis-
1.3.2 - No Brasil tância de 2 km, aproximadamente. A energia tmnsportada acionava
bombas hidráulicas em uma mina de diamantes. Consta que era a linha
No Brasil, onde a evolução da.s tensões de transmissãn foi relativa- mais longa do mundo, na época (2).
mente mais lenta até o fim da primeira metade do século XX, procura-se Uma rápidB, pesquisa na bibliografia disponível mostrou Ser difÍcil'
hoje acompanhar pan° passu a evolução nos pB.Íses nwjs desenv?lvidos. um leva,ntamento geral das linhas construídas no Brasil, suas datas e cara--
É uma conseqüência do aumento explosivo da demanda, de energIa e do cterísticas, e, no relato que se segue, haverá, por certo, omissões.
tipo de energia primária dispo~í'.'el. O p~rque energético hidráulic~ ~o
Brasil com sua enorme potencIalIdade, estImada em 75 GW de potencIa
média' contínua, dos quais cerca de 40 GW na região Centro-Sul, para o
seu B,proveitamento assim o exige. A Fig. 1.4 mostra a evolução (1) e a
previsão de aumento da potência instalada no Bra.sil, entre 1955 e 2000.

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GW
I
100
I
90
/
80 --- - - ff---
70
I
I
60
I
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I

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I
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I
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I
I
I

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'3 7
B
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7
V
6 / }<'ig. 1.5 - Linha 2ÚJk V São Paulo- Rio.
5 /
-/ Em 1901, com a entrada em serviço da Central Hidroelétrica de San-
4
tana do Parnaíba, a ~J?tjio The San Paulo Tmmway Lirlht anel Pmcer Coo
V Lid. construiu as primeiras linhas de seus sistemas de 40 kV. Em 1914,
1955 60 65 70 75 80 85 90 20 00 com a entrada em serviço !(la Usina Hidroelétrica de Itupararanga, a meSffiit
empresa introduziu o padrão 88 kV, que até hoje mantém e que ádotou
também para subtransmissão. Esse padrão de tensão foi, em seguida,
Fig'. 1.4 - Evolução da potência instalada .e previsão de instalação entre 1955 e 2000 (1).
adotado pela CompD,nhia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro
1.4 - TENSÕES DE TRANSMISSÃO - PADRONIZAÇÃO 13
12 TRANSPORTES DE ENER,GiA EL~TRICA CAP. 1

Soroc8bana e, atr:wés desta, pela USELPA, hoje integrando o sistema 1.4 - TENSÕES DE TRANSMISSÃO - PADRONIZAÇÃO
CESP. Entre 1945 e 1947 foi construída a primeira linha de 230 kV no
Brasil, com um comprimento aproximado de 330 km, de~ti.n~da a inter-
ligar os sistemas Rio light e São Paulo light, operando llllcmlmente em l'vIesmo tendo sido reconhecida muito cedo a convemencia, da padro-
170 kV, pa,ssando, em 1950, a operar com 230 kV (Fig ..1.5). Foi ta~bém nização das tensões nas redes de distribuiçeo, o mesmo não aconteceu com
a primeira jnterligaçil.o de dois sistemas importantes realIzada no Brasll (6). as tensões de transmissão, cujs, escolha, S8 base:wa, normalmente, em cri-
tério estabelecido pela lei de Kelvin, que, a partir de critérios econômicos,
fixava pam cado. caso específico qU2.1 a tensão economica.mente mais con-
veniente. Os fabricantes de equipamentos elétricos, trs,balhando de for-
ma artesan2.1, est:wam em condições de atender aos pedidos de seus cli-
entes, quaisquer que fossem as tensões, abaixo dos limites máximos da
época.
O crescimento dos sistemas e o problema do equipamento de reserva
levaram s. ume, padroniza,ção individual; o a.perfeiços.mento das técnicas
de fe.bricaç,ão e o reconhecimento, pelos fe,bricantes, da conveniência da
seriação levaram a padronização regionaJ, nacional e -mesmo multin8.cio-
nal. Esta última tornou-se incipiente a, partir do fim de. Primeira Guerra
}\Iundial, qus,ndo diversos países da Europa e da América do Norte a.do-
taram a tensão de 220/230 kV como pv.drão. Interesses ns.cionais e,
principalmente, dos grr.ndes fabricantes de equipamentos ainda nil.o per-
mitira.m uma padronização efetiva e internacional. Em alguns países
'da. Europe" dt:.mnte a reconstruçi3.o r.pós Segunda Guerra, foram introdu-
zidos novos ps.drões, originariamente norte-americanos, enquanto se man-
tiveram seus padrões originais nas tensões menores de 230 kV.
A IEC - I nteTndtional ElectTolecnical Comission - vem desen-
yolyendo um esforço no sentido da' pa,dronizaç'Í3.o ds,s tensões na:s linhas de
cle.sse extra-elevadas, recomendando; 330 a.té 345/362 k V: 380 até 400/420
kV; 500/525 kV; 700 até 750/765 (800) kV (tensão nominal/tensão máxima
permissível eni regime de opemção permanente). Para tensões inferio-
res, essa. normalizaçeo terá que continuar de forma regional ou nacional.
O Brasil que desde o início da indústria nB,o desenvolveu sua. própria
teenologig, é t.alvez um dos pe,Íses mlil.is tumultuados no que diz respeito
às tensões de transmissão, principalmente ne, faixa até 100 kV.
As empresas elétrics,s fiO Brr.sil, especialmente das cv.pitais, ou eram
de origem européia ou norte-america,na trazendo neo só know-how como,
principB.Jmente,equipamento de seus países de origem, com os respectivos
pa.drões. Por outro lado, no interior do país surgiam empresas locais,
fundgdas e dirigidas por comerciantes ou fr.zendeiros, ficr.ndo a parte téc-
nica a cargo de entendz:do8, dependendo gre.ndemente dos representantes
estrangeiros das grandes fábricas de material elétrico para assessoramento
Fig. 1.6 ~ Linha 500 k V do Sistema de Fumas. técnico. Estes, evidentemente, vendiam o que lhes fosse mais conveni-
ente. Era o preço que o pioneirismo devia pagar. A unificação de em-
Seguiram-se, a ps,rtir daí, em rápida sucessão, as linhv,s de 230 kV presas locais em regionaif'! em muito pouca coisa modificou o quadro até
o advento das grandes empresas, pgrticulares ou estatais, que r.s absor-
do sistema da Cia. Hidroelétrica de S. Francisco, 161 e 345 kV da CE:\íIG
e FURNAS, 460 kV da CESP, as linhas de 500 kV do sistema de FURNAS vef;sem. A colche, 'de retalhos, no entanto, permaneceu até muito recen-
temente, quanclo se empreendeu um esforço sério de pa,dronização. N es-
e 800 kV do sistema de Itaipu, hoje em fase de projeto.
14 TRANSPORTES DE ENERGIA ELÉTRICA CAP. 1

sa8 condições, no Brasil, as tensões pe,droniz9,das prefereneiais para ten-


sões médias e elevadas são: 33/34,5 [kVJ; 66/69 [kV]; 132/138 [kV]; 220/230
[kV].
Há ainda uma extensa rede de linhas em 88 [kV] pertencente ao sis-
tema de São Paulo Light e à CESP (região do Paranapa.nema), que dada
sua importância, continua sendo expandida.
Estudos recentps realizados, principalmente na Europa (4), mostraram
que a introdução de novos padrões de tensã.o no campo d9,s tensões extra-
-elevadas só se justifica quando a demanda de energia é ta.l que justifique
a sua duplicação. Assim é' que sistemas com linhas de 220}230 [kV]
deveriam passar imediatamente a 380/420 [kV] e mesmo a 500 [kV],
enquanto que sistemas com linhas pm 330/345 [kV] deveriam passar para Características Físicas das Linhas
735/765 [kV]. A sobreposição de um sisteme, .de 500 [kV] ao de 330;345
[kV] existente; de acordo com esses mesmos. estudos, não é aconselhável
ou, pelo menos, discutível. Ncs Estados Unidos, onde grande número Aéreas de Transmissão
de empresas opera sistemas de 500/525 [kV] e algumas operam linhas em
735/765 [k V], há indicações pam a adoção do nível de 1 000;1 100 [k V] em
subreposição ao sistema de 500(525 [kV].
2.1 - INTRODUÇÃO
1.5 - BIBLIOGRAFIA
/" -wFtfOTTIl:"......,.,-""''''m--s·--
/ ~ -' u v GH' o nv -""'d'esen-vo'
.. vlment 0-do--presente--curso"
1·' . (j
o desem-
1 ~ ENG. O CARVALHO, ALOISIO - Síntese das Atividades do Ministério das Minas e I penho elétrico de uma linha aérea de transmissão depende quas~ exclusiva-
Ene1'gia. 1.0 Ciclo de Estudos da ADESG em Itajubá, 1970. Editado pela i rr:en~e de sua geometria, ou seja, de suas características físicas. Estas' não
Coordenação do Ciclo. ,1) \ so dItam o ~eu compor!a~ento em regime normal de operação, definindo
2 _ ENG.o SAVELLI, M.tRIO ~ Do Óleo de Peixe à Lâmpada Incandescente. Diário '.:/ los s~us parametros eletrlCos, como também quando submetidas a sobre-
de Sã? Paulo, 23/8/1960. I Gens.o~s. de qualquer natur.eza; .Daí a conveniência de p.roceder, antes
S _ Usina Henry Borden - Qua1'entà Anos a Serviço do Bmsil. Conferência pro- ~e. mICIarmos o seu estudo eletnco, a um exame de suas caracterÍs6cas
nunciada em São Paulo em 17/12/1966. ISlcas e dos elementos que a compõem. . i

4 - RAHNT, RUDoLF - Technische und Wirtschajtliche Gesichtspunlcte jür die Ener- i,

gicübert1'agung mit Hoehstspannungen. Revista Siemens, Berlim, set. 1966. r


N.o 9. Pág. 651. ( 2.2 - CABOS CONDUTORES
6 _ BIERMANS, J. -....:. Energiüebert1'agung auj grosse Enfletemungen. G. Braun, Kar-
ISl;uhe, 1949.
"

I
\ Co.ns~ltuem
. os elementos ativos propri9mente ditos das linhas de
6 - SÃo PAULO LIGHT S.A. - DEPARTAMENTOS TÉCNICOS - A Interligação São Paulo I '11 transmIssao, devendo, portanto, possuir car9.cterÍsticas especiais. Sua
_ Rio. Revi~ta do Clube de Engenharia. Rio de Janeiro, Jan. 1960. N.o ")1eSCOI~a a~equada represe~te, um I?roblem9, de fundamental importância
281. Págs. 1-7. , no dJmenSI~namento das llllhas, pOIS não só depende dela o bom desem-
7 - BALDERSTON JR., G. et ai. - UHV, AC. 'Transmission Line Design Based on , pe.nho da llllha, como tem importantes implicações de natureza econô-
Project UHV Tes{ Results. Cigré, Paris, 1972. Vol. 2, N.o 31, 24.& Sessão.
\puca.
Condutores ideais pe,ra linhas aéreas de transmissão seriam aqueles
que pud essem apresentar as, seguintes características:
A - alta condutibilidade elétrica - para que e,s perdas por efeito
Jo~le .(]2R) poSS2.~ ser mantidas, economicamente dentro de limites to-
leraveJs, oneram dIretamente o custo do. transporte da energia;
B :- baixo. custo. - o custo dos cabos condutores absorve par.cela
·ponderavel ~o. lllvestImento total de uma linh9" influindo, portanto, de
maneira deCISIva no custo do transporte da energia;
2.2 - CABOS CONDUTORES 17
16 CARACTER(STICAS FISIC.'),.S DAS LINHAS CAP. 2

relação aproximada de preço entre cobre e alumínio da ordem ,de 2, o in-


G - boa resistência mecânica - a fim de 8ssegur:ar integrida.de vestimento com condutores de alumínio será a,proximadamente igual a
mecânica à linha" garantindo continuidgde de serviço e segurança às pro- 25% do investimento necessário com condutores de cobre equivalentes.
priedades e às vidas em suas imediações;
A sua resistência mecânica, cerca de 25% inferior à do cobre, é ampla-
D - baz:xo peso espedfico - as estruturas de suporte são dimen- mente compensada com o eventuD,l uso dos cabos de alumínio-aço, sem
sione,das para absorver os esforços mecânicos tra.nsmitidos pelos con- 'que esse quadro econômico seja substancialmente alterado em virtude
°
dutores, um dos quais é seu próprio peso. Portanto, quanto maior for do menor custo do aço. Essa verificação poderá ser efetuada facilmente,
este, mais robustas e caras serão as estruturas; pelo próprio leitor, através das características mecânicas dos condutores
E - alta resistência à oxidação e à corrosão por agentes químicos po- indicadas nas tabelas do Ap. II.
luentes - a fim de que não venham sofrer redução em sua sec<;,il.o com o
decorrer do tempo, provocando redução na sua resistência mecânica e Alumínio Cobre
eventual ruptura. Ca'l'acterísticas T. Dura. T. Dura
As condições mencionadas, um tanto conflitantes, não são atendidas
simultanea.mente por nenhum ma,terie,l em puticular e, dentre os metais 1. Condutividade a 20°C 61% IACS 97% IACS
que o maior número dessas propriedades possuem, estão ° cobre e o a- 2. Resistividade em microhmJcm a 20°C 2,828 1,7774
lumínio, bem como suas ligas, que hoje são empregados universalmente.
3. Coeficiente térmico "de resistividade, em mi-
Por muito tempo, a partir das primeiras linhe,s de tmnsmiss2,0, o cobre crohmjcm por °C 0,0115 0,00681
dominou o mercado, apesar d e, já em 189.5J terem sido construídas as pri- 4. Coeficiente térmico de expansão linear por °C 0,000023 0,000017
meiras linhas em cabo de alumínio (Califórnia e França,), seguidas de outras 3
5. Densidade a 20°C em grJcm 2,703 8,89
em 1898, 1899, 1902 etc. O principal motivo da limitação era o preço
ainda muito elevado do alumínio comparado ao do cobre, e também sua 6. Carga de ruptura em kgfmm 2 16-21 35-47
menor resistência mecânica. Este último inconveniente foi satisfatoria- 7. Módulo de elasticidade, final kgJmm 2 7 000 12 000
mente resolvido em 1908, com a invenção dos cabos de alumínio com alma
de aço, CCA (Alvminum Gcnduclor Sleel Reinforced - ACSR), que foram lACS - International A.nn.ealed Copper Standard - 100% correspondem"'", candtltividade - padrão inter-
usados com sucesso em 1913 na linha Big Creek, na Ca,lifórnia. Foi a nacional, medida a 20°C, em cobre quimicamente puro.
primeira linha no nível de 150 kV e que, conforme consta, ainda hoje se
encontra em operação, depois de ter sido reisolada, no início da década Como ligas de cobre, eram muito empregados o Bronze I e o Bronze II,
de 1920, para 230 kV (7). com 15 e 30% de zinco, respectivamente, dando maior resistência mecânica
Problemas de custo de produção do alumínio, aliados a um certo grl).U ao cobre. Em região de atmosfera poluída e à beira-mar, pode ser desa-
de conservadorismo, mantiveram acirmda concorrência entre os dois ma- conselhável o emprego de cabos de alumínio, sujeitos à corrosã.o. Nesse
teria.is, e somente com a evolução da, tecnologia do alumínio, por volta caso é recomendável o emprego de uma das ligas ALDREY (AL, Mg,
de 1938-1945, que reduziu o seu custo enormemente, é que o cobre foi Si e Fe), o que aumenta as resistência.s química e meeân~ca, em detri-
definitivamente afastado do cgmpo das linhas de transmissão. Uma mento da resistência elétrica, cujo valor aumenta conslde.ravelínente.
vantagem, desde cedo verificE',da em favor dos cabos de alUmínio, é seu
melhor desempenho em face do efeito Coro na em virtude de seus diâ-
metros maiores; os fa.bricantes de cabos d e cobre respond eram pronta- 2.2.1 ~ Condutores Padronizados
mente, lançando no mercado os cabos ocos, com diâmetros elevados.
A tabela na pág. 17 nos fornece elementos comparativos das caracte- Nas linhas de transmissão, o uso de fios ~"üi virtualmente abandonado
rísticas elétricas e mecânicas de alumínio e do cobre. em favor dos cabos, obtidos por encordoa,mento de fios elementares.
As vantagens do alumínio sobre o cobre, como condutor para li- Sendo inúmems as composições possíveis para a obtenção de uma mes-
nhas de transmissão, podem ser verificad::,s de maneira bastante simples. ma secção útil de condutores, os fabricantes d estes padronizaram sua fa-
Admitamos que desejemos conduzir uma corrente I [A] a uma determi- bricação, ni'í,o só quanto ao número de filamentos como também quanto
119.do. distância,. Para mesmas condições de perdas por efeito Joule, a às suas secções, surgindo diversas tabelas de padronização, nos Estados
secção do condutor de alumínio deverá ser 1,6 vezes muior do que aquela Unidos e na Europa.
do condutor de cobre equivalente. Seu diâmetro será 1,261 vezes maior,
No Brasil, a padronização das secções ~dotadas. pela ABNT - EB-
enquanto que o seu peso unitário será aproximr'"damente igual à metade 293 para cabos de alumínio e alumínio-aço e EB-12 para cabos nus de
do peso eondutor de cobre equivalente. Considerando-se que há uma
18 CARACTERI'STICAS FI'SICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.2 - CABOS CONDUTORES 19

cobre - baseia-se na padronização norte-americana AWG (Americam A EB-12 é complementada pela EB-ll- fios nus de cobre para fins
Wife Ga.uge). Esta se assenta numa unidade de área denominada cir- elétricos.
cular "!lP: que corresponde à área de um círculo cujo diâmetro é igual a
um mlleslmo de polegadas, ou 0,00064516 mm 2 • De acordo com esse sis- No Brasil fabricam-se cabos de cobre nas bitolas que vão desde
tema, os condutores são numerados em ordem de secção decrescente de
n. ° Oa n. o 36 e em secção crescente 00, 000 e 0000, mantendo-se relações cons- 1000 MCM), nas têmperas dúra e semidura. °
13,3 mm 2 (referência comercial n. O 6) até 645,2 mm 2 (referência, comercial
encordoamentb é feito d.e
acordo com as classes A e AA, definidos por norma. Os encordoamentos
tantes entre diâmetros e entre secções. Ca,bos de secções maiores do que
0000 (211 690 CM) são especificados em CM ou MCM (mil CM). classe AA são normalmente empregados em condutores para linhas aéreas.
Os condutores classe A em linhas aéreas são usados quando munidos de
Em transmissão e em distribuiçik>, a prática recomendou e o uso es- capa pro'tetora ou quando se deseja maior fle·xibilidade.
tabeleceu, bito.las mínimas de condutores; para. o cobre, c;rrespo.nde a
de n.O 6, possumdo uma secção de 26 250 CM e, pam, os fios de cabos de As normas EB-ll e EB-12 regulam as características que os fios e
alumínio, ou cabos de alumínio com alma de aço, a bitola n. O 4, à qual cor- cabos nus de cobre devem possuir. Assim:
responde uma secção de 41 740 CM .
.0 encordoament?A normal dos cabos condutores, quando compostos a - qualidade do material, suas características elétricas e físicas;
de fIOS de mesmos dlametros, obedece à seguinte lei de formação: b - acabamento;
c - encordoamento; passo do encordoaniento;
d- emendas;
N. = 3x 2 + 3x + 1, (2.1)
e- variação do peso e da resistência elétrica;
j - dimensões,' construção e formação;
na qual valem: g- tolerâncias no comprimento dos cabos;
N - número total de fios componentes; h - embalagem e marcação desta;
x - número de camadas, ou coroas. i - proprieclad'es mecânicas e elétricas;
j - ensaios de aceita ção;
Teremos assim:
k- responsabilidades .dos fabricantes.
- para 1 camada, 7 fios;
- para 2 camadas, 19 fios; B - Condutores de alumínio e alumínio-aço - Suas características
- para 3 camadas, 37 fios; são especificadas no Brasil pela ABNT através das normas:
- para 4 camadas, 61 fios etc.
- EB-219 - fioS de alumínio para fins elétricos;
2.2.1.1 - Padronização Brasileira - EB-292 - fios de aço zincado para alma do cabo de alumínio;
- EB-193 - cabos de alumínio' CCA) e cabos de alumínio com alma
As normas brasileiras elaboradas pela ABNT especificam as cára- de aço (CAA) para fins elétricos.
cterística,s exigíveis na fabricação e para o recebimento dos condutores
d estinádos a fins elétricos. Sua designação deve ser feita pela área, nominal da secção de alumínio,
, A' - Aplica-se a EB-12- cabos nus de cobre.
Condutores de cobre - expressa em milímetros quadrados, pela formação, pelo tipo (CA ou CAA) ,
D~acordo com essa norma, os cabos deverão ser especificados através pela classe de encordoamento correspondente e, eventualmente, pela re-
da indicação de: ferência comercial.
Está enraizade" na, indústria da, energia elétrica, no Brasil, a designl?,ção
- secção em milímetros quadrados; dos cgbos de eJumínio (CA) e alumínio com alma, de aço (CAA) através
- composição, ou número de filamentos; do código canadense de referências comerciais. De 2cordo com esse có-
- classe de encordoamento. . digo, há, para cad2 tipo de c8,bo, uma família, de nomes através dos quais
ca,da bitola fica completamente definida.. Assim, ps,ra oS cabos CA, as
Para fins comerciais, conservP,-se a designação convencional e con- pl?Javras-código s15,o nomes de floreR, e, para os cabos CAA, aves, em ambos
sagrada pelo uso, da própria escala AW G. os caSos na língua inglesa:
20 CARACTERfsTICAS FfslCAS DAS LINHAS CAP. 2 2.2 - CABOS CONDUTORES 21

Código: TULIP - cabo CA de alumínio, composto de 19 filamentos, com


área total de 336 400 CM;

- diâ.metro dos filamentos: 3 381 mm;


diâmetro do cv,bo (nominal): 16,92 mm;
- peso do cabo (nominal): 467,3 kg/km; 8 ALII Aço
6 ALI I Aço 7 ALI I Aço
ca,rga de ruptura: 2995 kg; 6 AL.I I Aço
ALPAC
resistência elétrica: em CC a 20°C: 0,168 ohm/km.

Código: PENGUIN - cabo CAA, compOSlçao 1 fio de aço e 6 de alumí-


54 ALlI9 Aço
nio com uma secção de 125,1 mm2;

6 AL.l7 Aco 3 AL/4 Aço 12 AL 17 Aço


- bitola A WG nP 0000; 4 AL 13 Aço

diâmetro do fio de aço: 4,77 mm;


diâ.metro do fio de alumínio: 4,77 mm;
diâmetro do cabo (nominal): 14,31 mm;
peso do ca,bo (nominal): 432,5 kg/km;
ca,rga d e ruptura: 3 820 kg;
26 AL/7 Aço 26 AL/19 Aço
resistência elétrica: em CC a 20°C: 0,26719 ohm/km. 8 AL/7 Aço

C - Condutores em ligas de alumínio - O alumínio, em liga metálica


com outros materi:lÍs, aumenta consideravelmente sua resistência me-
cânica, se bem que às expensas d e sua resistência elétrica. Essl.',s ligas
podem também aumentar consideravelmente SUg resistêncig à oxidação
e corrosão em regiões de atmosfera poluída ou à beira~ma,r.
30 AL/7 Aço
Essas lig2s tomam nomes comerciais diversos, de acordo com Suas 21 AL 137 Aço 42 AL/7 Aço
composições. Na Europa o ALDREY é muito usgdol. Dos Estados Uni-
dos e Cgna,dá nos vêm dois tipos de condutores em ligas de alumínio: tipos
AAC (aU aluminvm alloy eable), que são cabos homogêneos compostos de
fios iguais em ligas d e alumínio, de diversas composições, e os tipos ACAR
(aluminvm conduetor aluminum alloy reinfoTeed), que são cabos de cons-
trução idêntica à dos cabos CAA, exceto p.ela :dma, que nesse caso será
composta de fios de liga de alumínio, ao invés de aço. Esses condutores 54 AL/7Aço
115 AL/19 Aço
são fabricados no Brasil. 42 AL/19 Aço

D - Condutores copperweld e alumoweld - Seus filamentos são


obtidos pela extrusão de uma capa de ~obre ou de alumínio sobre um fio
de aço de alta resistência. Seu emprego em linhas de tnmsmissão como
cabos condutores é limitado a situações especiais em que são necessárias
pequenas secções de material, condutor aliadas a elevadas resistências me- 18 ALI 19 Aço
30 AL.l19 Aço 34 AL/19 Aço
cânicas. Têm no entanto, largo emprego como cabos pára-mios e em
Unhas de telecomunicações e mesmo como condutor neutro em sistemas de
distribuição, urbanos e rumis. No Brasil são fabricados sob encomenda
. a partir de buras-fio importadas. Fig. 2.1- Encordoamentos dos cabos de alumínio com alma de <tço (CAA) (Alumínio do
Brasil S.A.).
22 CARACTERISTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.2 - CABOS CONDUTORES 23

E - Condutm·es tubulares e expandidos - -A fim de reduzir os gra- de 1920-1930, tendo sido sempre preteridos em favor dos condutores tu- ,
dientes de potencial nas superfícies dos condutores e com isso aumentar bulares expandidos. Suas re2,is vantagens e possibilidades foram evi-
o valor da tensão crític9, de Corona dos cabos, introduziram-se diversos denciados por estudos re9.lizados na Alemanha, entre 1933 e 1944, para
tipos de condutores designados como expandidos, empregando materiais linhas projetadas em 380 (kVJ, e as conclusões desses estudos foram di-
diversos. A Fig. 2.2 mostra um ca,bo CAA expandido e alguns exemplos vulgadas em 1945, nos Estados Unidos, pela Bonneville Power Adminis-
de condutores de cobre ou bronze tubulares. O condutor CAA expandido tration. O Projeto TIDD 500 [kV1 (2) investigou igU:;,lmente SU2.S pos-
tem um diâmetro externo cerca de 15% maior do que um condutor CAA sibilidades. Na Europa sua aceit2.ção foi mais imediata do que na Amé!.,
de mesmas características elétricas. rica, (8), o que é evidenciado pelo f2.to de que as primeiras linh2.s de 345
[kV], que entraram em serviço em 1956, fomm construídas com conduto-
res simples. O desenvolvimento das nOV2,S técnicas de construção, a me-
lheria das ferragens e ,a confiança adquirida 'na operação das primeiras
linhas fizeram com que o seu uso se generalizasse:
o) b)

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Fig. 2.3 - Configurações de condutores múltiplos atualmente em uso.

Hoje, de um modo geral, todas as linhas em tensões acima de 300 [kV]


são construídas com condutores múltiplos, havendo mesmo um número
razoável de linhas em '138 [kV] e 220 [kV1 que emprege.m condutores
geminados. (No Brasil: linh8 em 138 [kV] ds, U. H. de Itutinga à su-
bestação de L9,vras e a linha em 230 [kV] da U. H. de Jurumirim à su-
I

bestação de Cabreúva., São P:wlo).


~,
Fig. 2.2 - Condutores expandidos: a, b, e c - condutores ocos; d - condutores CAA O húmero de subcondutores por condutor múltiplo, os diâmetros dos
expandidos. subcondutores e o espaçamento entre os mesmos têm sido objeto de cui-
dadosas investigações em todos os centros de pesquis9" uma vez que esses
parumetros têm rela.ção direta com e.' intensidade dos fenômenos provo-
F - Condutores múltiplos - O advento, cm 1950, das primeiras cados pelo efeito Corona. Um número mais. elevado de subcondutores
linha.s em tensões extm-elev9,das, na Suécia (380 [kV]) e, em rápidf', se- por feixe tende a desempenha.r melhor do que um número menor de subcon-
=tüência; em outros países (8), tornou premente o emprego d e meios capa- I
:, dutores, para uma mesma capacids,de térmica de transporte; não obstan-
~es de reduzir os gradientes de potencial nas superfícies dos condutores.
te, há um acréscimo no custo do equipamento e nas d.espesas de instalação,
)s condutores múltiplos ou enfeix?.dos, propostos já em 1909 por Thomas o que favorece um número menor de subcondutores. O espa.çamento
'9,10), vieram de encontro a essa necessids,de. Seu emprego vinh9, sendo entre suh~()ndutores, também um fat.or importante no desempenho das
$tudado d esd e o advento das linhas em 230 [k VJ, no início da década
24 CARACTERISTlCAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS 25

linhas, é igmdmente condicionado por limitações de 112,tureza econÔmica. c - forças horizontais transversais, em sentido ortogonal aos eixos
Pam linh2.s nas cla,sses d8.s tensões extra-elevadas, hoje o problema pode longitudinais das linhas, devidas à ação da pressão do vento sobre os pró-
ser considerado inteiramente solucionado, seja quanto ao número de subcon- prios cabos.
dutores por feixe, seja qU2.nto 8,0 espaçamento entre os mesmos. Nota-se
certa divergência entre a prática européia e 2, norte-americana nesse as- Esses esforços são transmitidos pelos isoladores às estruturas, que
pecto. Enqu2,nto que os primeiros favorecem, para uma mesma classe devem absorvê-los.
de tens2.'J, um número maior de subcondutores por f8,se, com espa,çamen- As solicitações de natureza elétrica a que um isolador deve resistir
tos menores, os demais preferem um menor número de subcondutores e são as tensões mais elevadas que podem ocorrer nas linhas, e que são:
m2jor espaçamento, conforme se verifica na literatura (8).
Para as linhas em tensões extra-elevadas, o número máximo de con- a - tensão normal e sobretensões em freqüêllcia industrial;
dutores é de quatro por feixe p2,f[', linhp,s na classe de 380;420 [kV) em dian- b - surtos de sobretensão de manobra que são de curta du.ração,
te, na, Europa, e 500/525 [kV] em diante nos Estados Unidos (preferen- podendo, no entanto, atingir niveis de 3 a 5 vezes a tensão normal entre
cialmente para 700/765 [k V]). O espaçgmento preferencial na, Europa fase e terra;
é de 400 [mm), enquanto que na, América do Norte é de 458 [mm] (1~
c - sobretensões de origem atmosférica, cujas intensidades podem
polegadas). A relação espaçamento/diâmetro dos subcondutores, conSI- ser muito elevadas e variadas.
derada importante para o desempenho das linha,s, varia grandemente,
desde 13, nas linha,s de 735 [kV] canadenses, a mais de 30 em linh2.s ame- Um isolador eficiente deve ainda ser capaz de fazer o máximo uso
ricanas de 345 [kV]. do poder isolante do arque 'o envolve a fim de assegurar isolamento ade-
Para 8,S linhas em tensões ultm-eleva,da,s, que serão normaliza,das entre que,do. A falha de um isolador pode ocorrer tanto no interior do mate-
1 000 e 2 000 [k V], ao que tudo indica, nos níveis de 1 050 [k V] e 1 300 rial (perfuração) ou pelo ar que o envolve (descarga externa). Seu desenho
[kV], inicialmente (12), desde já consideradgs viáveis, seja do ponto de deve ser de forma a assegurar uma distribuiçã.o balanceada de poten-
vista técnico, seja econômico, o problema da escolha do número de subcon- ciais e, conseqüentemente, dos gradientes no ar, com o objetivo de asse-
dutores e seu espe,çamento é ainda mais crítico. Arranjos de 6 a 10 subcon- gurar tensões de descarga adequadas. Daí suas formas peculiares. Além
dutores (12, 13) por feixe estão sendo considerados. Foi inclusive aven- desses requisitos, deve ainda satisfazer a outro não menos importante,
tada, a hipótese do emprego de subcondutores divididos, isto é, consti- que é o da não produ~ão, mesmo após longos períodos de operação, da in-
tuídos de feixes de condutores menores (14). Esta última hipótese, como desejável radiointerjerência. Esta, em geral, é causada nos isoladores
também a do uso de ordens mais elevadas clenúmero de subcondutores por minúsculos pontos de disrupção elét.rica para. o ar: carona. Os eflú-
(acima de 10), esbarra em dificuldades de ordem prática para sua exe- vios assim produzidos provocam correntes d e altas freqüências, que ir-
cução, o que faz com que, pelo menos no momento, não mais venha me- radiam energia de maneira semelh[mte a um radiotransmissor. Ê um
recendo maior atenção. problema que deve ser eliminado pelo próprio desenho e pelo acabamento
superficial dos isoladores. Exige-se ainda dos isoladores extrema robus-
tez, de modo a poderem resistir ao manuseio, nem sempre de1icado,nos
armazéns e obras. Devem ser duráveis quando em serviço, reduzindo
2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS
a um mínimo o número de reposições no decorrer dos [mos, e resistir bem
aos choquf's térmicos a que estão submetidos pelas condições meteoro-
Os Gabos são suport.ados pelas estruturas através dos isoladores, que, lógicas lo cais.
como seu próprio nome indiciJ" os mantêm isola,dos eletricamente das
mesmas. Devem resistir te,nto às solicitações mecânicas como às elétricas. Suas superfícies devem ter acabamento capaz de resistir bf'm às ex-
Os isolgdores são submetidos a solicitações mecânicas que lhes são posições ao tempo, mesmo em atmosfera, de elevado grau de poluição em
transmitidas pelos cabos condutores. São de três tipos: que haja presença, de óxidos de enxofre e outros reagentes.

a - forças verticais, devidas ao próprio peso dos condutores (nos Para a sua fabricação empregam-se dois tipos de material:
países de clima frio, esse peso é acrescido do peso da cu,pa de gelo que se a - porcelana vitrificada,
pode formar em torno dos mesmos);
b - vidro temperado.
b - forças horizontais axiais, no sentido dos eixos longitudinais das
linhas. necessárias para que os condutores se mantenham :;u:spen:;Oi:> i:>obre Encontram-se em fase de introdução isolamentos pára linhas exe-
o solo; cutados com· resina.s sintéticas. .A. a.ssoeiação de Epoxi com fibras de
I

26 CARACTER(STICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 .1 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS


I:
"i
vidro, além de ter poder isoJante, apresenta excelentes características me-
cânicas. A principal vantagem desse tipo de material consiste em per- . A - Isoladores de pino - São fixados à estrutura através de um
mitir a execução de peças estruturais auto-isolantes e, co'nforme as cla,sses pmo de aço. Para tar:to" em Sua, parte interna possuem um furo ros-
de tensão, eliminar inteiramente os ls"oladores convenciomds, podendo, queado, com ro~ca de fIlete re~ondo, padronizado, no Bmsil, pela ÀBNT
destarte, co'ntriouir para a,redução das dimensões de estruturas (20, 21). (MB-22). Os pmos de aço fOTJaclo possuem, em sua, parte superior uma
No Brasil, cruzetas isolantes já vêm sendo empregadas desde 1969 para cabeça de chu?J-?O filetada, sobre a qual se atarracha. o isolador. Sã~ nor-
linhas de 69 [kV] em ca:ráter experimental. Prevê-se seu emprego para ma.lmente solIcItados à compressão e à flexão. ,
linhas de 138 a 230 [kV], aproximadamente. ~omente são empregad.os em linhas até 69 [kV], e com condutores
a - Porcelana vitrificada - Deve ser d e boa qualidad e, baixa relatIvament~ leves, em VIrtude da pequena resistência do chumbo da
porosidade, isenta de bolhas de ar e impurezas, além de apresentar alta cabeç~ dos. pmos ao esmagamento e também da pequena resistência das
resistência mecânica e ao impacto. Sua ré'sistência dielétrica deve ser da próprIOS pmos a esforços de flexão.
ordem de 6 a ô,5 [kV/mml Sua superfície deve ser vitrifice,da cuida- Devi~o fi. mencion ada dificuldad e d e se obterem peças maiores e ma~is
dosamente a fim de vedar os seus poros, impedindo a absorção da água e espessas, Isolad~res para tensões nomine..is maiores do que 25 [kV] são
evitando a redução de sua resistência dielétrica. A vitrificação deve ser compostos d~ dIversas peças de espessura menores,sobr,eposta.s e cimen-
resistente a temperaturas elevadas, devendo resistir ao calor oriundo de tadas entre SI, como mostram as Figs. 2.4 a e b Soo os isoladores MUL
TICORPOS. . -
eventuais arcos elétricos, sem se danificar. A grande dificuldade da e1e-
trocerâmica consiste na obtenção de peças espessas e de grandes dimen-
sões capazes de satisfazer a essas exigências.
b - Vidro temperado - Possui uma resistência dielétrica da ordem
de 14 [kV/mm] e resistência mecânica equivalente à da porcelana, podendo
inclusive ser fabricadas peças mais espessas. Seu custo é inferior ao da
porcele.na, porém é mais sujeito a de,nos por atos de vandalismo, pois,
devido à sua têmpera, os isoladores não resistem bem a impactos, mesmo
leves, dependendo dó local atingido (por exemplo, saias dos isoladores
de disco, que são inteiramente estraçalhados por pedras atiradas com es- o
tilingues) .
Com o advento de transmissã':l nas tensões extra-elevadas, em CA e
~m CC, condições mais severas de serviço vêm sendo impostas aos isola-
dores, devido, inclusive, à crescente intensidade da poluição atmosférica.;
isso tem levado a grandes projetos de pesquisa em todo o mundo, visando
a aprimorar materiais e desenhos dos isoladores, no sentido de assegurar
uma crescente melhoria em seus desempenhos. Está se adotando vitri-
ficação semicondutora em isoladores antipoluição.
No Brasil há diversos fabricantes de isoladores de porcelana, que' Fig. 2.4 - Isoladores de pinos de porcelana: a - monocorpo para 25 kV; b ~ multi-
corpo para 69 k V.
produzem de acordo com especificações bastante rígidas. Isoladores de
vidro temperado· são produzidos, no momento, por apenas um fabricante,
de capital e know-how estrangeiros. Em vidro temperado é possível obtê-los de' uma só peça (isolador
monocorpo) .
2.3.1 - Tip()s de Isoladores
B - .Isoladores tipo pilar - São menos usados entre nós em linhas
Em linhas de transmissão empregam-se basicamente três tipos de de tr~n~mIssão do que os isoladores de pino, podendo ser construídos de
isoladores: umg ur:IC'[l, peça, t~mbém d e porcelana, par&, tensões mais elevad as. Dad o
o seu sIstema d e fIxação, resistem a esforços mecânicos bem mais elevados
A isoladores de pino; t.anto ele c()mpreS~ão como de flexOO. Nos Estados Unidos construíram-se
B isoladores tipo' pilar; 1mbns com esse tIpO de isolador com tensões até 110 kV (Fig. 2 ..5).
C- isoladores de suspensão. (' . - !solad(}~·es. de suspensão Representam o tipo de isoladores
dl' ImportancIa para as linh8.s de transmissão, pois, trabalhando
I1ltLlOl'
28 CARACTERíSTICAS FíSICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS

a tração, condição muito favorável de solicitação tEmto para o vidro como Largamente utilizados no país de origem, não tiveram ainda aceitaçào fom
para a porcelana, ajustam-se facilmente às condições de serviço impostas do mesmo, provavelmente devido às dificuldades técnicas de fabricação.
'em linhas em tensão extra-elevada e ultra-elevada. São fabricados com comprimento até 1305 mm para tensões até 110 kV
emyma só peça, podendo ser conectada duas ou mais, em série, para tensoes
maIores:
, I

~j

l
18S

~
450 145
145

lo) (c)
Fig. 2.5 - Isolador de porcelana tipo pilar para 69 [kVl.

Fig. 2.6 - Isolador de suspensão monocorpo. (b) (d )

Fig. 2.7 - Isoladol'es de suspensão: a, b e d - engates concha-bola; c - engate garfo-


Empregam-se basic2.mente dois tipos de isoladores de suspensão: -olhal.
a - isoladores monocorpo ou barra longa;
b - Isoladores de disco - São referidos na MB-22, da ABNT
b - isoladores de disco. simplesmente como -isoladores de suspensão, por nã0considerar o tipo an~
a - Isoladores monocorpo - Desenvolvidos e fabricados na Ale- t.erior. São compostos' de um corpo isolante e fermgens de suspensão,
manha, por uma das indústrias mais antigas e tradicionais de porcelana como mostra a Fig. 2.7.' ,Através das ferragens, unidades de isoladores
(Rosenthal), levam o nome de Langstab (barra longa). São constituídos são conectedas entre si, formando longes cadeias de isoladores. Essas
. de uma. única peça de porcelana (Fig. 2.6), cujo comprimento é de acordo ferr.agens .são idealizadas de forma a permitir grande flE'xibilidade, o que
com o nível de isolamento desejado. Para um mesmo nível de isolamento, o brIga os Isoladores a trabalharem sob tmção, com os esforços conoeQtrados
ele é sempre inferior ao d2.s cad eias de isoladores correspondentes, o que em seu eixo. No Brasil, as ferragens de suspensão dos isoladores'são pa-
P9 de resultar em considerável redução nas dimensões da.s estruturas. dronizados pela ABNT (PB-57), permitindo o câmbio por unidades for-
2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS , 31
CARACTERISTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2

necidas por diversos fabricantes. As ferragens constituem-se de uma haste, 2.3.2 - Características dos Isoladores de Suspensão
fixada na parte inferior do isolador, terminada em forma de bola (boleto) As características fundamentais d e isoladores de suspensão que m-
ou de lingueta (olhal), e por uma campânula terminada ou em um garfo ou fluenciam suas aplicações são:
em uma concha. O tipo de engate bola-concha é quase adotado univer- A - Características físicas e mecânicas:
salmente em linhas de transmissão. Para cadeias em v às vezes são pre-
a - resistência eletromecânica;
feridos os engates galja-olhal.
b - carga máxima de trabalho;
As ferragens dos isola,dores d e suspensão devem ser galvanizgdas em c - resistência ao impacto;
banho quente de zinco, sendo a espessum da 4iÍmgda controlada pelos
d - resistência aos choques térmicos.
processos indicados na NB-22. Sua forma dde ser estudada de modo
a nã0 possuir pontos de elevados gradientes de potencial e onde possam B - Característ~'cas elétricas:
ocorrer eflúvios, provocando radiointerferência. a - tensões disruptivas a seco e sob chuva em freqüência industrial;
É evidente que isoladores de disco podem ser fabricados em grande b - tensão disruptiva sob impulso;
variedade de diâmetros e espaçamentos (passo). No entanto, pa,ra maior G - tensão de perfuração;
eficiência elétrica existem limites bem definidos no que diz respeito a essas d - tensão de radiointerferência e Corona.
dimensões, que devem ser considera,dgs em conjunto. Se c espll,çamento
for aumentado, seu diâmetro deverá ser igu2.lmente aumentado, a fim de
que se mantenha a eficiência geral. Por muitos anos a relação de 4 3/ 4 " 1/2
I I I

X 10" (121 X 254 mm) foi ,considerada ideal. Pesquisas posteriores in-
dicaram 5 3/ 4" X 10" (146 X 254 mm) como proporções ideais (dimen- '1600
ONDA
NEGATIVA
1 x 40 !JS
--- --- I-'-- ~
sões-padrão ABNT-145 X 250 mm). Para se chegar a essas dimen-
sões em número de fatores, deve-se considerar: o tamanho da campânula,
I
a distância de arco, a distância de escoamento (Fig. 2.8),
I 1/2
x 40 JJS
li
1400 ONDA 1
POSITIVA -----.
~/
1200
/
>
" V
1000
::E
'" r----t--
/ /
60 Hz EFICAZ
o:(
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j:
A sÊCO "- /
a.
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o: If' ;7
Ir
800 fi)
1-
Õ
o / lL
600
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Z
lU
// / v
.. v
I
l-

/ ./
[(I
V
400

l
1/v/ /
/
/
// "
60 Hz
SOB
EFICAZ
CHUVA

200

~ 'lV
N~ DE UNIDADES NA CADE IA
o
o 8 12 16 20

Fig. 2.8 - Dislânc'ia de arco e distância de escoamento: A - distância de descarga a seco; Fig. 2.9 -: Tensões disruptivas a 60 Hz e de impulso em cadeias de isola dotes (18).
B - distância de descarga sob chuva; C ~ distância de escoamento.
32 CARACTERISTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS 33

Esse.s ca,r8.cterísticas devem ser indica,ds,s pelos fabricantes e ga- buição de potencir.l em unid8.des de isoladores e em uma cadeia de isola-
re.ntidas. A NB-22 e a. MB-22 da ABNT regulamentr.m no Brasil, qU8,is dores. A Fig. 2.10 mostra a distribuição de potenciais em uma unidade
os ensaios e sua, forma de realiz.'1<;,.ão para, verifics,ção das garantias ofere- (16). Como é de se esperar, oS gradientes mais elev9.dos ocorrem próximos
cidas. A Fig. 2.9 mostra, as tensões disruptivas a tensões de freqüência aos pinos e à campânula, enquanto que gradientes menores ocorrem ao
industri!:..l e a ondas de impulso de cadeias de isoladores de suspensão de longo da superfície restante. Se consider8.rmos uma cadeia de isol8.dores
5 3 / 411 X 10. com z elementos) teremos um circuito equivalente, como aquele indicado
na Fig. 2.11. A distribuição de potenciais do longo da cadeia poderá ser
2.3.2.1 - Distribuição de Potenciais em Isoladores e Cadeias calculada pela expressão:
de Isoladores

A fim de se obter um quadro mais exato da maneira de resistir de uma {32 s~~ {3z {~ senh {3n + ~ senh {3 (n - z) + ~ senh {3z} (2.2)
cadeia de isoladores, convém examinar alguns aspectos básicos da distri-

na qual valem:
<C
Cl U n [kV] - tensão a. que estão submetidas n unidades a contar do
'"
~ lado aterrado (estrutura);
..J
a. 100
'"o U q [kV] -

1J
/
tensão a que estão submetidos os zelementos;
/'
,'" /'
z"' 80
/
J
LU /'
.f-

'"
Cl
4~"
1
2 I

~ /'
/'
/'
1/
60 5 6 7 8 9 :-q.r
....
o
-
10 ; I /'
./
C [F] - capacitância entre campânula e pino de um isolador;
10/
./
..J
o // c [F] capacitância de urna unidade ao solo;
"'o 40
/'
'" 3 /4 5 6 7
B 9/ k [F] capacitância de uma unidade ao condutor.
I 2 ~

o
.'""' 20
;:r /'
. Na maioria dos casos práticot:>, pode-se admitir k = O; a Eq. (2.2)
Z
LU
t- 1////'
fica, então, reduzida .1:

O 2 4 6 8 10 12
sen han
U" = U q = ----,-- (2.3)
sen haz
Fig. 2.10 ~ Dist'l'ibuiçao de potenciais ao longo do um único isolador.

-r--.--~#~
C
para
k
II Ic (

E
f2 I
\ f I A Fig. 2.12 mostra a distribuição de potenciais em uma cadeia de
isoladores com z = 8 e c/C c:::::: 0,083.
(
ln I
As expressões indicadas são a.penas aproximadr.s, pois, para permitir
(
I I um equacionamento simples, diversos fatores colaterais, como· correntes
(
± I de escape, efeito Coron2., cap2.citâncias entre os condutores e ferragens etc.

Fig. 2.11 -
Ug (

Ci1'cuito equivalente de uma cadeia de z isoladores.


t z
I foram desprezados. Esses fatores colaterais, em gemI, atuam favo-
ravelmente para uma melhor distribuição dos potenciais. Experiências
realizadas mostraram que o valor de c/C varia, em construções normais.
em torno de 0,2.
34 ~, CARACTERISTICAS. FISICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS 35

....
o Esses anéis distribuidores de potencial (Fig. 2.13) têm como princjpal
()
finalidade aumentar a capacitância entre as peças metálicas dos isoladores
..:::;
Q.
100 e condutores, a qU2J foi desprezada na dedução anterior. Eles não pro-
'..
o
ri>

......Z 80
_ c/C: O•083
'"
/ Vi' .
..
vocam a distribuição uniforme em todos os isoladores da cadeia, porém
reduzem substancialmente o potencial a que fica submetido o isolador
inferior.
..
o 60
K/C = o

""
/'-'
.- i·

Os anéis de,potencial, no entanto, reduzem a distância disruptiva da


cadeia, principalmente quando associados com outros anéis ou chifres
"
/"
o
....
..-..-'" "
o
O na. parte superior, reduzindo, portanto, sua eficiência. Essa associação,
-l ~O
originada na mesmg época, tinha como fimdidade principal evitar que
O
I/)

..
O ..- 1-''' "
/

/
V um eventm.l arco disruptivo, ao longo da cadeia de isoladores, queimasse
20
.- sua superfície.
..
O ~
'
...
I/)
z O
-::;;. / I Com o aprimoramento da técnica de fabricação da porcel21na, a me-
I- o 2 4 5 6 7 8 lhoria de sua resistência dielétrica, bem como o e,perfeiçoamento da quali-
NÚMERO DE ISOLADORES NA CADEIA dade do material para a vitrific2,ção, e principalmente de seus desenhos,
relegaram o problema da perfur2,ção e queima das superfícies pelo arco
Fig. 2.12 - DistribuiçãO de potenciais ao longo de um(l cadeia de 8 elementos (16).
a um plano secundário, aconselhando-se, hoje, o abandono do emprego dos
anéis de potencial e chifres, mesmo nas tensões elevadas e extra-eleva-
o aumento do comprimento dos braços que suportam os isoladpres das (2).
podem fazer diminuir esse valor até 0,10, porém o aumento de peso das es- .
truturas daí decorrente não o justifica. Nas linhas de tensão extra-elevades verifice,m-se no entanto, gnmdes
Esse problema é menor fiOS isoladores tipo monocorpo que são com- concentrações de potenci2.Ís ne,s angulosidades e areste,s inevitáveis das
postos apenas de dois eletrodos e um dielétrico de grande espessura. ferragensd e suspensão, de forma que S2,0 adotados anéis distribuidores."
chamados anéis de guarda (Corona SHIELDS) , colocados lateralmend
O problema de distribuição não uniforme. dos potenciais foi conside- aos grampos de suspensão, como mostra a Fig. 2.14.
derado muito grave quando se iniciou o emprego de cadeias de isoladores,
observando-se perfurações do dielétrico nos primeiros elementos da cadeia,
como também correntes de escape sobre sua superfície. Procuramm-se
então, meios de se evitar esse problema. Primeiramente se sugeriu o
emprego de discos com maiores tensões disruptivas junto aos condutores.
Posteriormente foram' inventados os anéis distribuidores de potencial.

.,
ô
II)
c

c
I, cOI
I

Fig. 2.13 - Efeito da presença aos anéis de potencial nas cadeias de isoladores. Fig. 2.14 - Anéis de Corona para linhas em tensões elevadas e extra-elevadas.
CARACTERISTICAS flSICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.3 - ISOLADORES E FERRAGENS 37

Os anéis de guarda atuam beneficamente na distribuiçr.o dos poten- seu desenho é de extrema' importância, mesmo em detalhes mínimos, pois
CIaIS. As estruturas de madeira e concreto atuam também favoravelmen- podem constituir-se fontes de Corona e importantes fontes de radioin:..
te na distribuição dos potenci2.is ao longo das cadeias, pois as capacidades terferência, mesmo com tensões relativamente baixas (19).
c são desprezíveis face a C (valor de c/C muito baixo).
Faz-se a determinaçã.o do número de isoladores de uma cadeia de 2.3.3.1 - Cadeias de Suspensão
isoladores para, uma determinada classe de tensã.o de linha a partir do
valor das sobretensões previstàs, sejam de origem interna ou externa. As cadeias de isoladores devem suportar os condutores e transmitir
Nas linhas de tensões extra-elevadas ou ultrv,-eleva,das, o critério domi- aos suportes todos os esforços destes. N9, parte superior dev"em possuir
nante se baseia nos surtos de sobretensões interna,s, em geral prod:uzidas uma peça, de ligação à estrutura, em geral um gancho ou uma manilha,
por faltas ou manobras, cujo valor pode ser maior do que o daquelas de e, na parte inferior, terminam em uma pinça (ou grampo de suspensão),
origem atmosférica. A Fig. 2.15 mostra o número de isoladores em fun- que abraça e fixa o cabo condutor.
ção das tensões de linhas empregados atualmente. Para uma mesma A - p~'nça de suspensão - O conjunto de solicit2,ç6es que atm,m
classe de tensão, observa,mos uma varia,çr,o rel2,tivamente grande do sobre os ca,bos, sejam elas verticais ou horizontais, cria no condutor' uma
número de isoladores, que deve ser atribuída às diferentes hipóteses ad- tensão mecânica, que é transmitida aos suportes. Nos pontos de sus-'
mitidas em projeto. pensão, em virtude do peso do condutor e de ma natural rigidez, apare-
cem esforços de flexão bastante elevados. Quando a curv2.tura infe-
rior da calha da pinça não se amolda bem à curvatura natural dos cabos,
estes podem sofrer esmagamento dos filamentos, pois a superfície de apoio
fica bastante reduzida. Pa,ra os cabos de alumíIi~o e alumínio-aço, esse
problema ainda é mais crítico, mesmo quando se usam armaduras antivi-
brantes (armor-l'ods). É necessário que estas se amoldem perfeitamente
ao cabó e também à pinça, pois, de outra forma, o cabo poderá ainda ser
solicitado à compressão, com perigo de esmagamento.
A pinça de suspensão deve também ser multiarticulada, permitindo
sua livre oscilação em sentido longitudinal e transversal, a fim de que o
..., c9.bo não seja solicitado adicionalmente .
'"o
Q 20
C
-'
o
~
III
Q

.,o
... 10
,~
:II:

100 200 300 400 500 SOO 700

TENSÕES NOMINAIS DAS LINHAS

Fig. 2.15 - Número de isoladores em junçr'1o da tensr'1o da linha.

2.3.3 - Ferragens e Acessórios Fig. 2.16 - Pinça de suspensr'1o multia'l'ticulada.

A telha de cobertura, de comprimento inferior ao da calha, deve também


São representados pelo conjunto de peças que devem suportar os cabos casar bem com o cabo ou a1'rnor-1'ods, pois, aplicada a pressão, deve .evitar
c ligá-los às ca,deias de isoladores e estas às estruturas. No conjunto, o o seu escorregamento longitudinal, sem, no entanto, produzir esmagamento.
38 CARACTERíSTICAS FíSICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO 39
I
"

As pinças de suspensão são normalmente fabricadas em ferro ma- d - grampos de suspensão armados - são conjuntos especiais de
leável fundido e zincado a quente, e em alumínio ou duraluminio fundido suspensão, constituídos de duas sapatas de alumínio envolvidas exter-
sob pressão. Para os cabos de cobre usam-se exclusivamente as primeiras, namente por uma cinta de aço e possuindo, internamente, um coxim de
pois o alumínio em contato com o cobre, na presença d'água, flofre cor- neoprene que distribui as tensões radiais e evita. o contato metálico no
rosão galvânica. Para cabos de alumínio podem-se usar ambos os tipos; ponto centml entre a sapata e o grampo. Entre o coxim de neoprcne e ~s
no entanto, dada a competitividade económica do alum1nio, preferem-se sapatas de alumínio há um conjunto de varetas pré-formadas, pelas quaIs
hoje as pinças em alumínio. Pinos, grampos e articulações são normalmen- se realiza a fixação propriamente dita (12).
te de aço forjado ou estampado, zincado a quente.
B - Dispositivos antivibrantes - Os cabos esticados de uma linha de 2.3.3.2 - Cadeias de Ancoragem
transmissão, submetidos à ação de ventos de intensidades variáveis, vibram
com freqüências diversas. Em face dessas vibrações, os pontos de sus- Suportam, além dos esforços que devem suportar as cadeias de sus-
pensão representam nós onde se canaliza. razoável energia, que submete pensão, também os esforços devidos ao tracionamento dos cabos. Podem
os filamentos dos cabos a movimentos de flexão alternada, podendo levar ser constit.uídas de umB. simples coluna de isoladores, como também de
à Sua fadiga e conseqüente ruptura; Quanto maior for a taxa de trabalho diversas coluno.s em paralelo, dependendo da força de tração a que estão
nos condutores, tanto mo,Íores serã.o os danos causados pelas vibrações, sujeitas. O elemento de fixação do cabo condutor é o grampo de tensão
o que leva a uma recomendação dos fabricantes de cabos de alumíniÔ e ou grampo de ancoragem, que deve ser dimensione.do para resistir aos eS-
e alumínio-aço a limitar traçã"o de 20% da carga de ruptura dos cabos, forços mecânicos a que ficar sujeito, e ao mesmo reter o cabo, sem pos-
para a temperatura média de maior permanência (20 a 25° C), sem vento. sibilide.de de esc.orregamento. Em alumínio. ou ferro 'maleável, existem
dois tipos básicos:
Os efeitos nocivos das vibrações podem ser reduzidos com o emprego - de passagem - o c.abo é retido por pressão, atravessando o grampo
?e dispositivos redutores, destacando-se: sem secc.ionamento, havendo diversas formas de execução;
a - armaduras ántivibrantes - consistem em uma camada de vare- - de compressão - o ce.bo é secc.ionado no ponto de ancoragem e
tas de alumínio (ou de bronze, par~ cabos de cobre) enroladas em torno o grampo é aplic.ado por compressão do material por meio de prensa hi-
dos cabos condutores nos pontos de suspensão. Seu número e diâmetro dráulica ou alicate-prensa de grande capacidade. Para os cabos CAA
dependem do diâmetro do cabo ao quo.! são aplicadas, de forma a se ajus- pode ser constituído de due.s peço.s, uma interna, que retém o núc.leo de
tarem perfeitamente à sua periferia. Seu comprimento é igualo. aproxi- ar:o e que suporta o esforço mecânico, e uma externa, de alumínio, que
madamente 150 vezes o diâmetro do condutor antes de serem aplicadas, p~ssui sapatas terminais para a ligação elétrica da derivação.
,ficando reduzidas a cerca de 130 vezes após suo, aplicação. Suo.s extre·
midades são fixadas entre si e ao cabo por presilhas de pressão (virolas). 2.4 ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO
Existem dois tipos fundamentais, que se distinguem pelo método de apli-
cação: As estruturas constituem oS elementos de sustentação dOs cabos das
~ ·vergalhões paralelos ou bicônicos para formação durante a apli- . linhas de transmissão. Terão tantos pontos de suspensão quanto forem
cação; ,requerem ferramentas especiais para Sua colocação; os cabos condutores e cabos pára-raios a serem surportados. Suas dimen-
Sões e formas dependem, portanto, de diversos fatores, destacando-se:
- vergalhões espiralados pré-formados, que são aplicados manual-
mente; pela menor mão-de-obra requerida, vêm sendo preferidos (17); - disposições dos condutores;
b - !estões - consistem em alças de cabos que são fixados aos cabos - distância entre condutores;
nos pontos de suspensão. Pe.rte da energü:>. das vibrações é dissipada - dimensões e formas de isolamento;
nas alças pelo atrito com ar e parte é desviada, sendo que apenas um pouco - flechas dos condutores;
chega aos grampos de suspensão. Solução relativamente de baixo custo,
porém bastante eficiente; - altura de segurança;
- função mecânica;
c - amortecedores stokbridge - ·consis~em em massas de ferro ou
chumbo fixas aos condutores através de suportes flexíveis, permitindo-lhes - forma de resistir;
ca.ptar a energia das vibmções dos cabos; tendo uma freqüência ns,tural - materiais estruturais;
diversa, vibram em freqüência diferente, dissipando a energia por atrito - número de circuites etc..
nas alças flexíveis e com o ar; Daí fi. grande variedade de estruturas em uso.
2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO 41
CARACTER'-STICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2

Para linhas a circuito duplos, as disposições triangulares e verticais


2.4.1 Disposições dos Condutores
são as mais usadas. A configuração horizontal, para essas linhas, implica
ou estruturas muito largas ou a sobreposição dos circuitos.
Nas linhas trifásicas empregam-se, fundamentalmente, três dispo-
sições de condutores:
21.34 m
a disposição triangular;

'\ /" I
b- disposição horizontal;
c disposição vertical.
" /

Dt'sposição triangular - ' Os condutores estão dispostos segundo ""'aV: "A"


a
os vértices de um triângulo, que poderá ser eqüilátero ou outro qualquer. -.-.- ..
' •• c /

No primeiro caso, diz-se que a disposição é eletricamente simétrica; no se-


gundo, assimétrica (Fig. 2.17).
II
i-J,-+.:.:15,.!:,2,,--4:.,;m~
EI
..,..,."
I
I
(A) ( s)

A) LT 750 KV - CANADÁ s) LT 500 KV- CANADÁ

o
o
,.;

C S

2,53


I
SIMÉTRICA
ASSIMÉTRICA 69 KV 69 KV

FIG. 2.17 - Disposição triangular.


I
I

b - D~'sposição hori.zontal - Os condutores são fixados em um mesmo


i
plano horizontal, donde o nome, às vezes usado, de lençol horizontal. Pode
'\~~
I
I

.- ~er simétrica ou assimétrica. Sua principal vantagem reside em permi- é


tir estruturas de menor altura para um mesmo condutor e vão do que as ~
demais disposições, porém exige estruturas mais I::Hgas. É a disposição 1
ATE 138 KV
1
preferida para linhas a circuito simples, para tensões elevadas e extra-ele- 'i
vadas (Fig. 2.18). I
J'I Fig. 2.19 - DisposiçãO vertical.
c - Ou em lenç,ol yertical, é a disposição pre-
Disposição vertical - 11
ferida para linhas a circuito duplo e para linhas que acompanham vias
I

públicas. Nestas, os condutores se encontram montados em um plano Ps,ra as linhas a circuito duplo preferem-se as disposições indicadas
vertical (Fig. 2.19). na Fig .. 2.20.
CARACTERISTICAS FIÍ)ICAS DAS LINHAS CAP. 2 '1 2.4 - ESTRUTURAS DAS UNHAS DE TRANSMISSÃO 43
42
',"
1

8.80 8.80 - 2.4.3 - Classificação das Estruturas das Linhas de Tl'ansIllÍssão


Há diversos _critérios pelos quais podemos classificar as estruturas
das linhas de transmissão, sendo os mais usados:
- quanto à sua função na linha;
- quanto à sua forma de resistir;
- quanto ao material empregado em sua fabricação.

~ J.
o
"1.
'"
O
"1.
,( 2.4.3.1 - Funções das Estruturas nas Linhas
A ABNT, através da NB-182 - Projeto de Linhas Aéreas de Trâns-
missão e Subtransmissão de Energia Elétrica - especifica as cargas a-
, '"O tuantes bem como as hipótes,es de carga a serem consideradas nos pro-
• • '" "1.
O jetos e cálculos dos suportes das linhas de transmissão:
• "",.:
O
O ~ N
IIÍ
N A - Cargas verticais
- componentes verticais dos esforços de tração dos cabos (condu-
tores e pára-raios) ;
/
- peso dos acessórios de fixação dos .cabos (ferragens e isoladores);
- peso próprio "do suporte e eventuais cargas verticais, devido ao
B-LT 380 KV CESP
A- LT 138 KV CESP estaiamento;
- sobrecargas de montagem, manutenção e/ou outras eventuais.
Fig. 2.20 - Linhas a circuito duplo.
B - Cargas horizontais transversa1's

- ação do vento sobre os cabos e respectivos acessórios de fixação;


2.4.2 - Dimensões· das Estruturas - ação do vento sobre o suporte, na direção nOImal da linha;
- componentes horizontais transversais dos esforços de traçã,o dos
As dimensões principais das estruturas são determinadas principal- cabos e eventuais esforços horizontais introduzidos pelo estaiamento.
mente pelos seguintes fatores:
C - Cargas horizontm's longitudinais
- tensão de nominal de exerCicio;
- sobretensões previstas. - componentes horizontais longitudinais dos esforços dos cabos e
eventuais esforços introduzidos pelo estaiamento;
- ação do vento sobre o suporte, na direção da linha.
Como fatores secundários intervêm:
Às cargas acima reI2.cionadas, que podem ser consideradas como
- flecha dos condutores; normais, sobrepõem-se ainda cargas anormais, ou excepcionais, às quais,
- forma d'e sustentação dos condutores; sob certas condições, os condutores devem resistir. São elas as cargas
provocadas pelo rompimento de um ou mais cabos.
- diâmetro dos condutores.
As estruturas, além de sua funçã'J geral de suporte dos condutores,
Em função dos elementos acima, a~ilor~as dos diversos países fi- possuem também funções subsidiárias, cuja influência é marcante em seu
xaram a forma de se determinarem as dIstancIas entre condutore~, altura dimensionamento. Essas funções estão relacionadas com o tipo de cargas
dos seus pontos de suspensão e distâncias destes às partes aterradas da que devem suportar.
estrutura. Essas dimensões variam grandemente de país para paí~, a - Estruturas de suspensão - São dimensionadas para suportar
dependendo das normas adotadas. No Brasil, esses elementos S ã9 fI- cargas normais verticais e cargas normais horizontais .transversais devi-
xados em norma pela ABNT (15). das à ação do vento sobre os cabos e as próprias estruturas. No sentido
44 CARACTERISTICAS Fi"SICAS DAS LINHAS CAP. 2 2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO 45

longitudinal resistem à ação da: força do vento. Conforme o tipo de es- sificação das estruturas em dois grandes grupos, quanto ao seu compor-
trutura, resistem também aos esforços excepcionais. Algumas vezes são tamento face a essas ca·rgas:
dimensionadas para resistir a, esforços horizontais transversais, resultan-
tes da composição de componentes longitudinais dos esforços de tração nos A - estruturas auto portantes ,
cabos em pequenos ângulos (em geral iguais oli menores do que 5°). B - estruturas est:J.iadas.
b - Estruturas de ancoragem ~ Devem ser distinguidos dois tipos:
- ancoragem total - também chamadas estruturas de fim de linha,
l A - Estruturas autopoTtantes - São estruturas que transmitem
são dimensionadas para resistir a todas as cargas normais e excepcionais, j todos os esforços diretamente para as suas fundaçôes, comportando-se
unilateralmente. São, portanto, as estruturas mais reforçadas das linhas. I como vigas engastadas verdadeiras, como elevo,dos momentos fletores

,
i
- ancoragem parcial - ou ancoragem intermediária - são empre- junto à linha de solo. As estruturas autoportantes podem ser:
gadas em pontos intermediários das linhas, servindo normalmente como a - rígidas;
pontos de tensionamento. :lVIenos reforçadas do que as primeiras, resis-
t.em, em geral, aos esforços normais de tração unilateral, nas condiçôes b - flexíveis;
dián'as de. operação, além dos esforços transversais e longitudinais normais, I c - mistas ou semi-rígidas.
e às cargas excepcionais. Uma vez obrigatórias em todas as linhas, com
distância,s variáveis de 5 a 10 km entre si, hoje não mais são assim con- . I
I
a - Estruturas rí[lidas - São dimensionadas para resistir aos es-
sideradas, podendo, inclusive, ser omitidas. forços normais e sobrecargas, sem d eformaçôes elástic8,s perceptíveis, e
àsca.rge.s excepcionais, com deformações elásticas de menor importância.
c - Estrutumspara ângulos - São aquelas dimensionadas para Em seu aspecto geral, são simétric:il,s em ambas as direçôes (longitudinais
resistir aos esforços normais, inclusive das forças horizontais devidas à e transverso,is), com dimep.sôes rele,tive,mente gmndl's,e construídas em
presença dos ângulos. Em uma mesma linha há, em geral, diversos tipos estruturas metálicas treliçadas (Figs. 2.18a, 2.20 e 2.21).
de estruturas para ângulos, dependendo dos valores destes. Resistem,
geralmente, às cargas excepcionais. b - Efilruturas flexiveis - Resistem apenas às cargas normais e
sem deformações perceptíveis, resistindo às so brecargas e esforços excep-
d - Estruturas de derivação - Quando, em uma linha, se deve fazer cionais com deformaçôes elásticas consideráveis. São simétricas em am-
uma derivação, sem haver necessidade de interrupção ou seccionamento bas as direçôese se cara.cterizam pelo elevado grau de· esbeltez; os postes
nessE' ponto, a linha é simplesmente derivada de estrutm!as apropriadas singelos são exemplos típicos desse tipo de estrutura, como também o são
para esse fim. os pórticos articulados (Figs. 2.17 e 2.21).
e - Estruturas de transposição ou rotação de fase - Como veremos G - Estrutura.s mistas ou semi-rigidas - São rígide,s em uma dire-
nos Caps. 7 e 8, a fim de assegurar a simetria elétrica de uma linha, é ·usual ção e flexíveis em outra. Assim, S2,0 e.struturas assimétricas, com_ dimen-
o emprego de rotação ou transposição de fase, feita em estruturas espe- sÕes maiores ria direçr,o em que são rígide,s e menores na outra. E o caso
ciais, capazes de permitir essa rotação. dos pórticos contra ventados ou rígidos (Fig. 2.21).
,\,
B - Esírutu.ras est(úadas - São· normalmente estruturas flexíveis
2.4.3.2 - Forma de Resistir das Estruturas ou mistas que são enrijecide,s através de tirantes ou estais. Os tirantes,
conforme se verifica pela Fig. 2.25, absorvem parte dos esforços horizon-
Já vimos que as estruturas das linhas de transmissão sofrem trêssoli- tais, transmitindo-os diretamente ao solo através de âncoras. Outra parte
citações diferentes: dos esforços é transmitida axial mente pela estrutura ..
Os tirantes são, em gemI, construídos com cabos de aço galvanizado
- solicitação axial vertical; a fogo, do tipo RS ou S:.\1, de 7 (sete) tentos, e diâmetros nominais variáveis.
- solicitação horizontal transversal; Os cabos Q.lumowelcl e coppenceld também têm sido ba.stante empregados.
- solicitação horizontal longitudinal.
Uma estrutura pode ser, portanto, considerada como uma viga ver-
tical engastada no solo, com cargas vertica,is e carge,s transversais hori-
zontais, concentrade,s na parte superior da mesma.. As cargas horizon-
1 As estrutums esto,iads,s, até há bem pouco tempo, tinham emprego
limitado às linhe,s com €struturD,S de ma.deira ou concreto e tensões até
cerca de 230 k V. :\Ia,is recentemente foram int,roduzidas estruturas me-
tálicas este,iadas para. tensões até 7150 kV (Fig. 2.18b).
tais, que provocam momentos elevados na linha de engastamento, se,o, Um Caso particular constituem as linhe,s com estruturas semi-rígidas
em geral, preponderantes no seu dimensionamento. Daí decorre a elas- no sentido tmnsverseJ que obtêm sua est::,bilidade longitudinal a.tnwés
46 CAR/.\CTERISTICAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2
2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO 47

4,00 8,00 4,00


dos ca bos pára-raios, ancorados em cada uma d8,s estrutums de suspen-
são e terminados nas estrutums d e amarração. A Fig. 2.22 ilustra diver-
1 I I sos tipos de estruturas estaiadas,
, :
..
I
L o ,
I

I
I o 2.4.3.3 - Materiais Para Estruturas
,
8 Os materiais usuais pari.', a fabricação das estruturas das linhas de
ti
transmissão são a madeira, o concreto e os metais, podendo haver soluções
I mistas. Resinas armadas também têm sido empregadas (Epoxí e fibra
de vidro) (21),
I I ,\
//.~ 7~ ;//~ :7/=/-!,4;;//t7'//=7// Para cada tipo de material há formas construtivas diferentes, ine-
345 KV 'I ,I. 230 KV - . -! , 34~ KV- rentes às sua,s possibilidades, podendo, no entanto, ser projetad8s com
~~ . _ _"c CAVA~UPLr TE)LC~O~~;.B!~_)_~ ~ . _ ~MA~:~~~ graus de segurança equivalentes, desde que as hipóteses de cálculo retra-
tem as condições que são encontradas em serviço.
i I I I I A - Madeira - Nos Estados Unidos as estruturas de madeira
encontraram sua maior aplicação, existindo linha.s de até 345 kV. No
Bra,sil, pais rico em madeiras apropriadas e carente de recursos, inexplica-
velmente a madeira é relegada a um segundo plano para tensões acima de
Fig, 2.21 - Estruturas autoportantes:a -l'ígida; b - elástica; c - semi-rígida. 35 [kVJ, a,pesar de a C.P.F.L. possuir, no Estado de São Paulo, extensa rede
. em 69 [kV] e 138 [kV] operando satisfatoriamente há mais de 20 anos,
comprovando a eficiência desse material.
A madeira a ser empregada em linhas de transmissão deve possuir
característica,s especiais, capazes de satisfazer áS exigências peculiares do
CABOS DE AÇO I serviço, quais sejam: '

A
,I
.1.
\
\
I
.~. c
~~-
'r--:::"""==-'-If , ' I
I
\
a -
b -
elevada resistência mecânica à flexão;
boa resistência às intempéries;
\ \
\
\

I
/ • t • \
\
\
\
c - indeformabilidade com o decorrer do tempo;
\ \ I' I/ I \ d - boa resistência ao ataque de microrganismos que levam à sua
\
\
\ I
I I
I \ destruição.
\ ' I \
\
I \ a - Resistência mecânica à flexão - Os esforços que as estruturas
devem absorver podem a.tingir valores bastante elevados, dependendo
ESTAIS principalmente das bitolas dos cabos e suas condições de trabalho. Assim,

I
/ I\
t \
380 KV

(FINLÂNDIA) \
230 KV
(FRANÇA) /
I'
pgl'a que as peça,s que as cqmpõem não sejam excessivamente volumosas,
procura-se empregar madeiras capazes de resistir a valores superiores a
1000 kg/cm 2 • '
( , \ \ I

--_.~~:~~}~~-~)
\ I
'-,--- )~~c=~~~====~~~1 b - Re~stência às intempéries - As peças estruturais -de madeira,
I \ quando expostas ao tempo, não se <;levem fender ou trincar.
\\ i //
/ \ e - lndeformabilidade com o tempo - Madeiras há que, com o tem-
\V
, po, sofrem deformações, como torções e encurtamentos desiguais em suas
fibras. Essas deformações podem afetar a segurança de todil. estrutura.
d - Resistência ao ataque de microrganismos - O apodr8cimenéo de
Fig. 2.22 - Estruturas estaiadas. madeira é causado por fungos, que a atacam e a destroem. Esses fungos
2.4 - ESTRUTURAS DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO 49
48 CARACTERISTlCAS FISICAS DAS LINHAS CAP. 2

1 - progressos na tecnologia de f8.bricação em série de peças grandes


localizam-se de preferência, em fende.s e junto à linha de afloramento no de concreto, o que permitiu a realização de instalações industriais, melho-
solo, exatamente na região mais solicitada da estrutura. rando e uniformizando sua qu~Jidade, ao mesmo tempo em que seu custo
No Brasil há madeiras capazes de satil:lfazer as condições prescritas. era reduzido;
Destacam-se, em sua forma lavrada, as seguintes madeiras, comprova- 2 - a introdução dos a,ços-carbono de alto ponto de escoamento
ds,mente eficientes para o emprego em linhas: permitiu uma l;edução considerável nas dimensões das peças, obtendo-se
secções pequenas e de alta resistência, o que reduziu ainda mais seu custo;
- aroeira; 3 - maior durabilidade e ausência total de manutenção;
massaranduba; 4 - melhoria das vias e meios de transporte, bem como do equi-
óleo-vermelho. pamento de manejo e montagem;
candeia. 5 - montagem relativamente simples, podendo, em grande par:te,
ser executada com pessoal recrutado e treinado rapidamente no local
da obra, o que reduz grandemente o seu custo.
P~"ra peçe.s estruturais como cruzetas, travessas etc. recomenda-se
o emprego de: ipê, faveiro, ce.breúva etc. Sua principal desvantagem está nas dificuldades de transporte no
As madeiras acima são de crescimento lento e a falta de replantio C8mpo, principalmente em terrenos acidentados e de difícil acesso.
em época oportuna fez com 'que se tornassem cada vez mais escassas em São empregados dois tipos de armaduras para as estruturas de con-
zonas próximas aos locais ne ma.ior consumo. O seu transporte a longa cret.o: armadura para pré-tensionamento, armadura convencional.
distância, dado seu elevado peso específico," :wmenta, excessivamente o A técnica do pré-tensionamento do concreto abriu novos horizontes
seu custo, tornando seu emprE'go difícil.em regiões disümtE's daquelas de na construção civil, sej,a para pontes, seja para edifícios. Não obstante,
sua extração. Esse fat,o, dada a grande procura de postes de madeira, para estruturas da,s linhas de transmissão, os resulte,dos não foram tão
levou à utilização de espécies abundantes e de crescimento rápido, mesmo auspiciosos. O concreto em si, principalmente quando usado com peças
em detrimento de alguns dos requisitos enumerados. de pequena espessura, possui pequena re,sis.tência ao impacto, podendo
A madeim considerada no Brasil como a D;lais apropriada é forne- fraturar com facilidade mediante pequenos choques, difíceis de serem evi-
cida por 8.lgumas espécies de eucalipto, que deixam de satisfazer apenas tadosem trabalhos de campo. A dêstruição de uma pequena porção em
o último dos 'requisitos. Mediante tratamento adequado, como o da im- uma peça pré-tensionada leva, fatalmente, à sua destruição total.
pregnação profunda em autoclaves com sE,is de Wolman ou creosoto, esse As armaduras convencionais, hoje quase que exclusivamente exe-
inconveniente é facilmente removido. Das espécies de euca.lipto mais cutadas com aços-carbono de alta resistência, foram as que melhor apro-
cultivados no Brasil, são as seguintes as mais indicadas: c~'triodora, tere- varam para estruturas de linhas de t.ransmissão e para cuja fabricação
ticornis, arba. são empregados dois processos: centrifugaçã.o e vibração.
O pinheiro do Paraná (araucária) támbém tem sido empregado após Pelo processo de centrifugação em alta velocidade .obtêm-se peças de
usinagem com torneamento, obtendo-se peças tronco-cônice.s retas. Seu i
'I secção circular oca. O movimento rotativo em torno do eixo longitudi-
tratamento em 8utoclave com creosotó empresta-lhe durabilidade. Sua nal provoca a eliminação do excesso de água, reduzindo, portanto, a
resistência mecânica é, no entanto, bem menor - aproximadamente porosidade do concreto. Uma cura a vapor d'água é normalmente as-
700 kg/cm2 - o que limita seu emprego a redes de distribuição. sociada, acelerando a pega e permitindo a desenforma em prazo curto.
As diversas variede.des de pinus introduzidas recentemente no Brasil As peças assim obtidas são de boa qualidade, de elevada resistência
como essência para refloreste.mento, e já de grande divulgação, prometem e bem' delgadas. São, porém, bastante flexíveis, requerendo, portanto,
um material ótimo para estruturas, desde que convenientemente tratadas. cuidados especiais em seu manejo, a fim de se evitar a formação de fendas
capilares, através qas quais a água pode penetrar e atacar a armadura.
B - Concreto armado - As estruturas de concreto armado tiveram
O investimento necessário para uma instalação desse tipo é muito
sua maior divulgação na Europa, onde sempre foramb8stante empregadas. grande e só é compensado com um volume grande de produção.
No Brasil, até por volts, de 1940, seu emprego era limitado às redes urbanas
de distribuiçào. Posteriormente passaram a ser empregadas também A fabricação pelo processo de vibração, também chamada convencio-
para linhas d e transmissão, em escala 'sempre crescente e para tensões cada nal, permite instalações de produção bem mais modest8's, pois o inves-
vez mais elevadas. timento necessário depende da produção desejada. Através desse pro,,:
cesso podem-se obter peças de características excelentes, em geral mais
A evolução no emprego das estruturas de concreto se deve princi-
rígidas e ligeiramente mais espessas para uma mesma resistência que as
palmente a:
50 CARACTERISTICAS FISICAS DAS UNHAS CAP. 2 2.6 - BIBLIOGRAFIA 51

peça.s centrífuga.s ~, O que é importl1nte, de qualquer' secção transversal. Como .cabos pára-raios, cujos diâmetros são, em geral, de 3/'8" a 1/2",
Para esse processo a dosagem da arg9,massa e a qualidade dos agrega- empregam-se com mesmo grau de eficiência:
dos são menos criticas do que no processo anterior. \
As estruturas de concreto, mais dispendiosas que as de madeira, são, cabos de aço RS, H8S ou 5M galvanizados;
no enta.nto, mais bara,tas do que a.s de aço para a ma.ioóadas aplicações, cabos aluminoweld;
mesmo para tensões até 500 kV, e uma excelente eJterna.tiva para as con- cabos copperweld;
dições brasileiras, já reconhecida, aliás, pela CHESF, que opera linhas ca bos CAA d e alta resistência mecânica.
em 220 kV em estruturas de concreto, formando um sistema extenso.
C - Estruturas metálicas - São construídas normalmente de aços- Sua colocação nas estruturas, com relação aos cabos condutores, é
-carbono normais ou de alta resistêncir., em perfila.dos ou tubos, podendo fundamental no grau de proteçãooferecido à linha, e merece ser cuida-
ser obtidas e,s mais ve.riadas formas. e dimensões. Dada a versatilidade dosamente estudada.
do 8,ÇO çomo materiaJ de construção, podem ser fabricadas em grandes
séries. Sendo compostas de peças reb,tivamente pequena,s e leves, podem 21.10
ser transportgdas com bastante facilidade a qualquer ponto, para sua 15.24
montagem no local.
Um grande progresso foi experimentado, ultimamente, em seu di-
mensiongmento, principalmente devido ao melhor entendimento do jogo
das forças envolvidas, obtendo-se grandes reduções de peso, mesmo nas
estruturas autoportantes. o
,...
Est::mdo expostas às intempéries, devem ser protegidas contra a oxi- ~ ,,
,, I /
/
/

dação. A zincagem a quente de todas as peç8.s que as compõem assegura ,v.

ausência de manutenção, por 25 anos ou mais. I I


Dado seu custo quilométrico mais elevado,. pelo menes no Brasil, m ii
devedam ser reservadas para linhas acima de 230 kV ou a locais muito '"
CD N ii
acidentados.
O alumínio e suas ligas ta.mbém têm sido usados como material es-
10
..
lO
'" i I
iii
CY
ii
..,.N
trutural para linha.s de alta tensão. A redução de peso que se obtém, sem ii
sgcrifíciQ da resistência, é deveras notável, porém seu custo, ainda muito' á'>'

elevadQ, Jimita's(:ll! emprego a locais em que o custo do tmnsporte absorve ~


ao
essadifereriça. Sob certas condições, podem ser montada.s em locais !!!- .
de fácil I1cesso e tnmsportada.s 8,0 ponto de implantáção por helicóptero,
completamente montadas. A Alcan (Aluminium Company of Canada·
750KV
Lld.) construiu uma linha em 300 kV com 80 km de extensão entre USA 17,80 17.80
KITIMAT e:.I(EMANO (Canadá), inteiramente de alumínio, mostran- (01'0)
. do assim sua viabilidade. 1100 KV
..
2.5 - CABOS PÁRA-RAIOS Fig. 2.23 - ComparaçãO entre linha atual de 750 [kVl e uma estrutU7a proposta para
1100 [k V] (12). '
Ocupam a parte superior das estruturas e se destina.m a interceptar
desca.rgas de origem atmosférica e descarregá-Ia.s para o solo, evitando 2.6 - BIBLIOGRAFIA
que causem da.nos e interrupções nos ·sistemas. Até há bem pouco tempo,
ôs cabos pám-raios eram sempre rigidamente aterrados através das es- 1 - WEEDY, B. M. - Eleetrie Power Systems. John Wiley and Sons, Londres, 1967.
truturas, quando. surgiu a idéia de utilizá-los' p~ra telecomunicações e 2 - CENTRAL STATION ENGINEERS - Elcctrical Transmission ando Distribution Re-
,telem:edições. Isolaram-se, ent·:;,o, a.s estrutums dos cabos at.ravés de iso- jerenec Book. Westinghouse, East Pittsburg, 1950.
Js,dores de ba.ixa resistência disruptiva, o que nã.o afetou sua eficiência . 3 - LA V ANCHY, Oh. --,.. Etude et Construetion des Lignes Elcetriques Aériennes. J.
A. Bailliere et Fils, Paris, 1952.
.como elemento de proteçã.o, permitindo o emprego de equipamento de
acoplamento para comunicações muito menos' dispendioso. 4- - GIRKMANN, K. e KONlOOHOFER, E. - Die H oehspannllngs P·reileitungen.
Springer Verlag, Viena, 1952. 2.- edição.
52 CARACTERíSTICAS FíSICAS DAS LINHAS CAP. 2

5 ~
BELLASCHI, P. L. ~ Electrical Clearances for Transmission Line Design at Higher
Voltages. Transactions AIEE, Nova Iorque, 1954. Págs. 1192-1200.
6 ~ VARNEY, Theodore - ACSR Graphic Method for Sag-Tension Calculations.
Aluminium Company of Canada, Ltd. Montreal, Canadá, 1950.
7 - ALUMINIUM UNION LIMITED --'- A luminium for Transmission Lines, Londres,
1956.
8 - PREST, B. A. e RISSONE, R. F. ~ Bundle ConductoÍ's on Grid Lines in England
and Wales. Proc. IEE, Londres, dez. 1967. Vol. 114, n? 12. Págs. 1873-1886.
9 - THOMAS, P. H. ~ Output and Regulation in Long Distance Lines . . Transactions
AIEE, Nova Iorque, 1909. Vol. 28, parte I. Págs. 615-640.
la - THOMAS, P. H. - Calculation of one High Tension Lines .. Id. ibid. Págs. 641-686.
11 - PETERSON, E. L. ~ Line Conductors - Tidd 500 [kV] Test Lines. "Tidd
500 [kV] Test Project". AIEE, Nova Iorque, jan. 14,8.
12 - PARIS, L. e outros - A Study of The Design Parameters of Transmission Lines
Above 1 000 kV. Cigré Paris, 1972. Vol. 2; n.O 31-15, 24. a Sessão. .
Teoria da Transmissão
13 ~ BARTHOLD, L. O. - Fronteiras na Tecnologia das Linhas de Transmissão. 2.°
Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica, Belo Ho-
rizonte, 1973. da Energia Elétrica
14 - ANDERSON, J: G. e BARTIj:OLD, L. O. - Design Challenges of Transmission tines
Above 765 k V. IEEE - EHV 'J;'ransmisson Conference, Montreal, Canadá,
1968.
15 - ABNT - NB-182/1972 - Projeto de Linhas Aéreas de Transmissão e Subtrans-
missão de Energia Elétrica. ABNT, Rio de Janeiro, 1972. 3.1 INTRODUÇÃO
lj
16 - PROJECT EHV - EHV Transmisswn Line Reference Book. Edison Electric
Institute, Nova Iorque, 1968.
17 - AMARAL ROSA, ARISTEU ~ O Ponto Fraco das Linhas de Transmissao. O Mundo
Elétrico. Editora Max Gruenwald, São Paulo, 1969. .Ano x, n.O 114.
A distribuição das correntes e diferenças de potencial e a transfe-
18 - SUSPENSION INsuLAToRs - Publicação Comercial da General Electric Co, Nova
Iorque, s/data. rência de energia ao longo de um.a linha de· transmissão podem ser anali-
19 - KAMINSKI JR. e BETHEA JR., M. - EHV Insulator ,Assemblies Can be Coro- sadas por diversos processos, sendo, de se esperar que todos conduzs,m ao
naproor Electric Light and Power Nova Iorque, jan. 1967. mesmo resultado. Essa ::málise, evidentemente, tem por finaJidade per-
20 - SHARBUGH, HARRY A. - Insulation Engineering entc1'S Polymeric Age. Trans- mitir ao opera.dor chegar a expressões matemáticas finais que serão empre-
mission, General Electric Co, Nova Iorque, dez. 1969. gads,s direts,mente na solução de problemas práticos. Se os diversos
21 - Editores - Revista Brasileira de Energia Elétrica. Eletrobrás S. A., Rio de n:tétodos conduzem aos mesmos resultados fina.is, todos deveriam ser acei-
Janeiro, set./dez. 1970. N.o 14. táveis. No entanto, em. problemas de Engenhgria em geral, não é snfi-
ciente procura.r uma fórmula que possa ser aplicada indiscriminadamente
na sol~ção de um pro bleme, particular, sem o conhecimento completo da.s
limitRçoes e simplificações admitid9,s em sua derivação. Talcircuns-
tância, poderig levar ao uso indevido da mesme.. As chama,das soluções
matemática,s dos fenômenos físicos exigem, normalmente, simplificações
e idealizações: a derivação ma,temátics, de uma fórmula a partir de prin-
cípios fundamentais deve, além da fórmula proprramente dita, fornecer
r todas as informações~ referentes às restrições, aproximações e limitações
\
que são impostas. E fundamental que se examine com o maior rigor,
sob o ponto de vista ds, generalidade, a aceitabilidade dos princípios fun-
damentais adotados como ponto de partida para. a sua dedução.
Ê importa,nte ressaltar que, de acordo com a Física, a expressão linha
de transmissão se aplice, a todos os elementos de circuitos que se destinam
ao transporte de energia, independentemente da quantidade de energia
tmnsportad8. - alguns bilhões de kWh-ano ou apenas alguns kWh-ano.
-A x:nesma teoria geral é aplicável, feitas as necessárias ressalvas, inde-
pendentemente do comprimento físico dessas linhas.
54 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELIÉTRICA CAP. 3 3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 55

Antes de tentarmos uma. soluçã.o matemática. e análise quantitativa, _nV]. No insta.nte em que a. ch1we S for li gad?'. (t= O) entre os terminais
é de toda, a conveniência efetuarmos uma análise qualitativa. dos fenômenos 1 e I', aparecerá a mesma diferença de po~enc18.l U [V]. l!~?' vez que
eletromagnéticos de uma linha d-e transmissão. diferenças de potencial somente são possIvels entr.e cargas eletncas, a co-
locaça,o sob tensw dos terminajs 1 e I' dE'. linha fOI pro:r~c~d~ por um des-
locainento de cargas elétricas através de S, cargas ongmanas da fonte.
3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA

No presente tmbalho limitaremos nosso estudo a,penas às linhas de /lxL dxL dxL AxL 2
transmissão clássicr,s, considerando somente aquelas constit.uídas por
ligações físic8,s entre um?, fonte de energia, e um elemento consumidor des-
sa energÍfl,. Os termos fonte e consumidor de energie, devem o,qui ser
entendidos no seu sentido mais lato: tmnsmissor e receptor de energia,
-respect.ivamente. Essa ligação física se dá atmvés de condutores, pelos
quais circulam correntes elétrieas e que são manticlDs sob diferençe$ de
potencial.- Daí a necessidade da existência de um circuito fechado, sendo
que, em numerosos casos, o próprio solo é utilizado como condutor de
retorno. t = At
"~I _~~(K~m)
V
A_X ---J
2

TRANSMISSOR

'm:· j", I RECEPTOR


v

{r-m----m-I~]
4' 2 t =-26t

"'"
I L (Km)
I
I<'ig. 3.1 - Linha bifilar ideal.
1_ 2/1x I -
3.2.1 -- O Fenômeno da Energização da Linha
t= 3dt

" [ [ - - - - ____ m __ ----1J,


Consideremos Um1t linh?, de transmissão ideal constituíd-a por dois
condutores metálicos, retilíneos e completamente isolados, suficientemente
distantes do solo, cu de estruturas, ou de. outras linhas. pa.ra que não seja
I 3/1x I -
influenciada pela SlW presençe" e de compriment.o qualquer. Tratando-se Fig. 3.2 --- C'ircuito equivalente aproximado de uma linha bijilai- ideal.
de linhp_ ider.l, a resistêncif', elétrica dos condutores é considerada nula.,
como também o dielétrico entre os condutores é considerado perfeito,
ele forma que não há perdfl,S de energig a, c;onsider8,1'. Outrossim lembramos Consideremos um elemento de comprimento infinitesim2J ~~ [k~]
ela Físicn que, ep.tre dois eonduiores sepatados por dielétricos, podemos da linh::L Ele contém uma indutância 6.xL [henry] e uma .ca~aCltânCla
cldinil' uma eapacitâneiv. C [farad/km] e uIlla indutância L [henry/km]. StC (farad]. A tensão [' [volt.] só poderá aparecer nos terml?alS da ca-
Consideremosamâ-a-ejüe junt.o ao receptor haja um dissipador de energia, pHcitâneiD. após [', decorrêneia de um tempo ~t [segundos], pOIS a corren-
represent,ável por um?, resi:stência R 2 (Fig. 3.n. Um circuito equivalente te atra\'és dI! ~J:L não pode atingir instanto,neamente o seu v?Jor [o [am-
está representado dE' formf', gros~eira na Fig. 3.2. ph·es). Levurá um outro intervalo de temI?o ~t par~, que o capa.Cltor do
Consideremos um instgnte imediata,mente anterior à lig?,ç?.,Q da ch~t\'e trecho ~:r seguinte atinja o valor U, e aSSIm sucesslvamente.- A corr~n­
8, t < O. Os terminais da fonte estào sob umo, diferen\fl de potrnC'ial te fornecida ppla fonte, uma vez atingido o valor I,) [a.mperes], se mantem
3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 57
56 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3

Essa corrente começa a fluir na linha, um tempo !:lt [s] a,pós o instan-
constante. É a corrente de carga da linha. Decorre, portanto, 11m tempo
te em que a tensão G-aplicada. Sua. intensidade independe do compri-
finiclo entre o instante em que se aphca uma tensão ao ..transmissor de 'Uma li-
mento da linha, se esta for de comprimento infinito, essa, corrente de carga
nha de transmissão e o ~'nstante em que esta tensão pode ser medida em seu
será suprimida p'ela fonte, sem alteraçã,ode valor, enquanto o valor da
receptor. i<-
tensão da fonte se mantiver inalterado, indefinidamente.
Ora, c~rgas elétrica.s em movimento dão origem a ca,mpos magnéti-
Isso nos permite definir uma impedância de entrada da linha. Da
cos, e a SImples presença da,s ca,rgas, aos campos elétricos. Portanto,
ao se energizar uma, linh8, de transmissão, ao longo da mesma se irão es- Eq. (3.3) obtemos:
tabelecendo, progressivame.nte, campos elétricos, e campos magnét~·cos, do 1 \
tr~nsmissor ao receptor. Dizemos que esses campos se propagam do trans- - [ohm]l (:).4)
mIssor ao receptor. C'v
P~demos, pois, d~finir uma vell!-.qfdf!El~ (l_~ PCQPÇL{Lação.911çeleticlade para
uma lmha de compnmento l [km]: Consideremos agora um elemento de comprimento !:lr [km]. !:lI

t
.-
é o período durante o qual, em !:lx, a corrente crescerá de zero para
l lo [AJ. FEM induzida será:
v = T [km/s], (3.1)

sendo T [s] o tempo necessário para que 3. tensão no receptor atinja o FEIU = - !:lx L _dlo lo A
-;\" L.J.xL,
valor U [V]. di L.J.t .
. Con~ideremos um trecho de linha de comprimento unitário 1 [km] de
lmha; seja t1 [s] o tempo necessário para energizar esse trecho unitário !:lx 1'0 .
ou, lembrando que !:lt [s], teremos:
(Fig. 3.3). \
v

v FEM = - ~: . !:lxL = - IoLv [V]; (3.5)

como essa FE:M deve ser neutralizada pela tensão da fonte para que lo
possa fluir, teremos:
u
u= IoLv [V] (3.6)

X - - - t._.
ou
U \
Lv [ohmJ.: (3.7)
L
Fig. 3.3 - Energização de trecho de comprimento unitário de linha.
Vemos que Zo foi definido de dua.s formas diferentes, (3.4) e (3.7).
Teremos: Em ambos os casos é função da celeridade e de uma gmndeza, C ou L, que,
como sahemos, dependem apenas do meio em que a linha se encontra e de
suas dimensões físicas.
1
t1 = - [sJ; Se igualarmos (3.4) e (3.7), encontraremos:
v
1
a carga elétrica acumulada nesse trecho será: v = - - = [km/s], (8.8)
V'LC
q = ue [coulomh]; (::3.2)
q.ue é a expressão da velocidade com a qual os campos elétricos e mngné-
tIcos se propagam ao longo de uma linha.
a corrente através de uma secção do condutor será:
Lemhramos da Física que, para uma linha 11 dois C'onclutores, no ar
ou no vácuo, valem as seguint.es expressões para o cálculo da indlltâll\'ia
lo = q-v = UCv [A]. (:~.3 )
58 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.2 - ANÁLISE .QUALlTATIVA 59

e dI;), capacitância, desprezando o efeito do fluxo magnético interno do Em virtude das Eqs. (3.4) e (3.7), temos para cada linha:
condutor e da presença do solo:

L 2 X 10- Ln 4 ~ [H/km]
lo = ZU = constante. (3.14)
= (3.9) o
r
Logo, a corrente de carga de uma linha, excitada por uma fonte .de
tensão constante, também independe de seu comprimento, o que, aliás,.,

I
é. uma peculiaridade. Não poderia, no entanto, ser diferente: a corrente
1 de carga lo, quando começa a fluir, desconhece o comprimento da linha
D [F/km]. (3.10) e a forma pela qual é terminada.
18 X 106 Ln-.
r
3.2.2 - Relações de Energia
Se int.roduzirmos essas equações em (3.8), encontraremos:
Em cada intervalo de tempo .6.~, necessano para energizar um tre-
1 cho de comprimento ..6.x de linha, a fonte fornece à. mesma uma quantidade
v = -;======= -J 9 X 10 10 = 5
3 X 10 [km/s]. (3.1.1)
{2 X10-' Ln; de energia igual a UI o .6.t. Essa energia, numa linha ideal, não é dissi-
pada na linha, cábendo, portanto, uma indagaçãD sobre o seu destino.
Os ca_~_Roê"el~trieos e os campos magnéticos têm a capacidade de ar-
18 X 10 6 Ln- mazenar (:)nergia. No trecho delinha de comprimento .6.x poderá, então,
r
ser armazenada a energia:
Essa velocidade é a velocidade de propagação da luz no vácuo. Pela
Eq. (3.11) podemos reconhecer que ela depende principalmente do meio a - N (L,9l2.rI1:J!o. ,1!}(1gnético:
em que se encontra a linha - por exemplo, ela é muito mais baixa nos
cabos subterrâneos. Nas linhas reais, em que o fluxo interno dos con- (3.15)
dutores também não é desprezível, ela é um pouco menor. Essas linhas
também possuem perdas, representáveis por uma resistência em série
com a indutância e em paralelo com a capacitância, também reduzindo a b- N 0_çp,mp.!Ldétrico:
velocidade de propagação. 2

Retomemos (3.7), dela extraindo o valor v, que introduzimos em (3.4) .6.Ee = 0 ;.6.x [Ws]. (3.16)
para obter:
Esse armazenamento se dá simultaneamente. Portanto,
Zo = ~ 1ohm]. (3.12)
(3.17)

'I,
Nesta substituímos L e C pelas Eqs. (3.9) e (3.10), obtendo:
A expressão (3.17) nos diz que a energia fornecid!), pela fonte foi aT-
D \ mazenada pelos dois campos, sem, no entanto, nos esclarecer sobre sua
\ Zo = 60 Ln - [ohm]. (3.13)
<. i
divis&o entre os mesmos. Vejamos como esta se faz.
\ r ,
~~ ,
,

Pela Eq. (3.13) verificamos que Zo não depende do comprimento_ da ,! Temos que U = IoZo = lo que introduzimos na Eq. (3.16) pa-
, )
linha, somente do meio em que esta se encontm e de suas dimensões físicas, ra obter:
~
distância D [m] entre condutores e m.io r [m] dos condutores. É, pois,
constrmte pam cada linha e, por isso mesmo, é considerada uma gmndeza
característica denominada impedânâa natural da linha, ou, como veremos
mais adiante, impedância de surtos da tinha.
C.6.:v = /0 2
L.6.:v (3.18)
2 2
60 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.2 - ANALISE QUALITATIVA 61

ou seje., g qmmtide.d e de eIl_ergía'_ªTEJJ!~~nada pelo C2.mpo elétrico é e'xa- Uma vez que na terminaçil,o da linh:?, não há campos m2,gnéticos e
ia_mente IguâTà-quantíâââe de_e.Il~rgia arms,zeÍi2,dapelo campo mã~~­ elétricos a arma,zena,r energia, toda a energia fornecida pela fonte será dis-
tjco~--- Cada -um dos campos armazena, portanto, exatamente a metade sipada na resistência R 2. Logo:
da qmmtidade de energia que é fornecida pela fonte,
Esse processo durará indefinids,mente, se á linha tiver um compri-
UIollt = I; R 2 1lt [Ws] (3.20)
mento infinito. As linhas de transmissão possuem, porém, comprimentos e a corrente lo continuará com a mesma intensidade inicial, como se a
finitos. Neste caso, ocorreril,o fenômenos complexos, que procuraremos linha fosse de comprimento infinito (Fig. 3.4), independentemente do vs.lor
analisar. Esses fenômenos, como veremos, dependem exclusivamente de I [m]. Uma linha assiín terminada é denominada linha de comprimento
da forma com que a linha é termins.da, ou seja da,s condições em sua ex- infinito.
tremidade receptora. Imaginemos que a linha tenha um comprimento
I [m] e que na extremidade receptora coloquemos um dissipador de energ~a
Quando º
valor_.9_t:.....R2 for diferente do valor de Zo, o eauilíbrio esta-
belecido pela ~ (3.19) será alteradopOlsosegund-omembro-'dessa eaua-
R 2 [ohm], com a condição de que: 'f ção poderá ser ms.ior ou menor do que o primeiro, dependendo da c:?,paci-
dade de dissipação de R 2 • Devemos considerar, porümto, dois CI1Sos.
A - Lin ha com resistência terminal maior q'tte Z o
Teremos então:
N este caso, a corrente I~, a tra.vés da resistêncis. R;, será menor que a
corrente lo, e a potência dissipável (1'2)2R'2 será iguaJmente menor do que
ou a potência IzR2' Junto ao terminal da linha haverá um excesso de ener-
U U gia. Um novo estaelo ele eq11ilibrio deverá ocorrer, pois esse excesso de ener-
[=-=_. (3.19) gia não poderá ser elestruído.
o Zo R2
Um2. redução da corrente na, linha, leve, te,mbém B uma redução da
energia a,rmazenada, no ce,mpo ma,gnético. Este, por conseguinte, aJém
de não poder grma,zenar o excesso de energia, devido à redução de 12 , deve
a.ind:?, ceder parte da energia que possui armazenads,. E essa,s dul',s par-
L: - ce12s só podem ter um destino: o campo elétrico. Portanto, a partir do mo-
L -_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ mento em que I; começa a fluir através de R;, o campo elétrico recebe
a energia, excedente, que se manifestH na forma de uma elevação da tensã,o
U 2 e que se irá propa,gar HO longo da linha, acompHnhadB dB redução de lo,
com a mesma velocidade v [km/s], como mostra a Fig. 3.5.

ioolt---''- AUMENTO DE U

u
-I'----------------___--l_ _ _J _ - 1 -<!.1.v ~

'-
L >t>
v
21

__- - REDUÇÃO DE lo

{_l-
Fig. 3.4 -
I --ii>-
Eq1âvalência entre linhas de comprimento infinito e linhas terminadas em
I'2

NO PONTO 3
U' * Zo 12
Rz = ZOo Fig. 3.5 - Variação de tensão e corrente em linha ideal terminada com R 2 > Zoo
62 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ElI~TRICA CAP. 3 3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 63

Va,le a pena examinarmos um caso extremo, ou seja, quando R 2 = 00, B .- Linha com' resistência terminal menor c/o que Z o
isto é, na linha de comprimento finito, aberta junto ao receptár. Neste
caso observamos: A corrente I~, a,través da, resistência, será maior que lo e, conse-
qüentemente, a potência, dissipável em R~, (I~)2R~, será maior do que a
a - a corrente se reduz a zero, progressivamente, do receptor ao potência, Iz2R2' Junto:1,O terminal da linha ocorrerá um deficit de ener-
transmisso r ; gia que· ni10 poderá ser suprimido de imediato pele, fonte que alimenta o
b - o campo elétrico tem que armazenar toda 8, energia, isto é, aquela sistema. O novo estado de equilíbrio somente poderá ser atingido se essa
que chega pela linha e aquela que é cedida pelo campo magnético. deficiência for suprida, pel::>, própria. linha, às expensas da energia umaze- 0/

nada por ela dure.nte o processo de energiza,çi1o.


Seja U 2 o valor da tensão que a linha atingirá junto ao receptor. A Uma vez que há um ::mmento no valor da ,corrente que pa,ssa de 12 = lo
energia armazenada em um Ll1: de linha será: para I~, o campo magnético ni10 somentenw pode ceder energia, como
também deve a,rma,zenar maior quantida,de dg, mesma, o que faz às custe,s
(3.21) do ce,mpo elétrico, que a cede. Haverá, porta,nto, ume, reduçào na tensão
U2 junto ao receptor, que caminha progressivamente em direção fi fonte,
como mostra a Fig. 3.7.
A linha possuía, U2CLlõ de energia e a fonte, em,·Llt (s), enviou mais
U2CLlx. Logo, o campo elétrico deverá ârmazenar energia equivalente a:
(3.22)
;'l,'?';0f-0t---+-- REDUCÃO DE
TENSÃO
Igualando (3.20) e (3.21), teremos: u

ou
AUME:NTO NA
U 2 = 2[,' [V]. (3.23) 4--t--- CORRENTE

1'2
Portanto, em uma linha ideal aberta a tensão no receptor cresce ao c/obro
do valor da tensão aplicada (Fig. 3.6). Essa tensão se propaga do receptor lo[ I-----_~
ao transmissor.
NO PONTO 3 U': Za 1'2.

AUMENTO

u U DA Fig. 3.7 - Variação da tensão e COTrente em linha ideal germinada com R 2 < ZOo
TENSÃO

u U
Um outi'o caso extremo deopemçi1o da linha, b8.stante interessante,
é o caso de um8. linha, terminada em curto-circuito, QU seja, com R 2 = o.
Obsáva-se, neste. caso:
i a - a tensi10 junto ao receptor somente pode ser nula, propagando-se
I esse valor do receptor ao transmissor;

----------1i b - há um a.umento no valor da corrente junto ao receptor que se


propD,ga para o tnmsmissor. O v8,br da corrente poderá ser determinado
lo
v _f-----I . REDUCÃO NA com base nas considerações que se seguem.
CORRENTE
Un19. vez que toda. a energia que estava :wmazem,da, no ·campo elétrico
não pode ser retida pelo mesmo, ela é cedida ao campo ma,gnético, que
Fig. 3.6 - Perfil de tensão e' corrente na linha ideal aberta. também deverá receber toda, a energia que a fonte continu2,rá fornecen.do.
64 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENIERGIA ELI~TRICA CAP. 3 3.2 - ANÁLISE QUALITATIVA 65

A energia no campo magnético será agora em .6.x de linha:


u,
-} L (l~) Lix. (3.23)
u

Nos dois C2-mpos da linha havia L102Lix armazenados e a fonte em Lit 3


fornecerá mais Ll02.6.x; logo, o campo magnético terá que armazenar:

(3.24)

quantia essa que deverá ser igual àquela definida por (3.23). Logo,

ou b) Z2 = Zo

ri
I~ = 21 0 ; (3.25)

portanto, numa linha em curto-circuito a corrente crescerá, no receptor, ao


dobro de seu valor.

,rI
3.2.3 - Ondas Viajantes

Os fenômenos descritos possuem certa semelhança com fenômenos


encontn:,dos em hidráulicg, inclusive podem ser descritos matematicamente
por equações diferenciais semelhantes àquelas que os hidráulicos empregam f
no estudo das chamadas "ondas progressivas" ou "ondas viajantes".
TEd semelhança permitiu 8. introdução do conceito de ondas viajantes nas C) Z2 < Zo

linhas, muito útil na análise e entendimento do fenômeno. Dos hidráu-


licos ainda tomamos emprestados a nomencl2-tura empregada.
Dentro desse conceito consideramos qUE', 1],0 energiz8,rmos uma linha, U

partem do transmissor, simultaneamente, duas ondas, uma de tensão de 3

8.mplitude U [V] e uma de corrente, de amplitude lo [AJ, que se deslocam


com velocidade constante v rm/e] em direç.ão [),O receptor, onde chega,m
com o nome de anelas diretasou ondas incidentes. Dependendo dI], forma
de terminaç2.o da linha, podem dar origem a onelas l'ejleticlas,que yjaje,m de
volta, do receptor para o transmissor, com a mesma velocidade dl>." ondas
incidentes. Tanto I],S ondas diretas como as rgfletidas sào polarizadas, isto
é, atribui-se-Ihes um sins,l. Em cada ponto 2-0 longo ae uma linh:., e em
qualquer inste,nte, o valor da tens8,0 ou o valor da corrente será sempre
igual ao valor da soma algébrica das duas ondas:
2
U = Ud ± Ur
e (3.26)
Fig. 3.8 - Definição e únais das onda8 numa linha.
66 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.2 - ANALISE QUALITATIVA 67

Se aplicarmos esse conceito aos casos previamente examinados, ve- obtemos de (3.29), pela introdução das expressões acima:
remos que:
a - linha com R 2 > Zo: Ur = (Z2-Z0) Ua [V], (3.30)
Z2 + Zo
- a onda de tensão refleti da possui o mesmo sinal que a onda de podendo-se igualmente mostrar que:
tensão incidente. A tensão resultante será, então, maior do que a da
onda incidente;
- a onda da corrente refletida possui sinal contrário do da onda [A]. (3.31)
incidente, resultanto em corrente menor do que a incidente;
b - linha com R 2 = Zo: Os termos Que relacionam as ondas diretas com as refletidas recebem
o nome de Goefi~iente .de reflexão:
- tanto a onda refletida da tensão como a da corrente são nulas, não
havendo, portanto, alterações em seus valores; Z2 - Zo
a - das tensões: kru = ; (3.32)
c- linha com R 2 < Zo: Z2 + Zo
-'- a onda da tensão se reflete com sinal oposto ao da incidente, re-
sultando em diminuição da tensão; Zo - Z2
b - das correntes: kri = (3.33)
- a onda da corrente se reflete com o mesmo sinal, o que leva ao Z2 + Zo
seu aumento.
As Eqs. (3.30) e (3.31) podem ser, então, escritas como:
Notamos, outrossim, que, em qualquer caso, as ondas refletidas da cor-
rente e da tensão têm sempre sinais contrários.
(3.30a)
As ondas refletidas têm as mesmas propriedades das incidentes, logo:
e
[A]. (3.31a)
(3.27)

Os coeficientes de reflexão variam de + 1 a - I, conforme se verifica


não obstante, em qualquer ponto de uma linha terminada em R 2 ~ Zo, facilmente na análise d8,s linhas em aberto, em curto-circuito e para
teremos: Z2 = Zo, quando são nulos.
Até aqui examinamos somente o comportamento das ondas da tensão
U e da corrente durante o tempo em !=Jue viajem pela primeira vez do trans-
(3.28)
I missor ao receptor, e o movimento e comportamento das ondas de tensão
e corrente refletidB,s em função das condições existentes no receptor. Essas
Conhecidos a impedância natural de uma linha e o valor da resistên- ondas refletidas, como vimos, se deslocam do receptor para o transmissor
cia terminal, é possível determinar os valores das [l,mplitudes d!1s ondas com a mesma velocidade com que as ondas incidentes viajaram em
refletidas em função das ondas -incidentes. Sfja Z2 a impedância ter- sentido contrário, sobrepondo-se a estas. Num pe.ríodo de tempo
minal da linha. Teremos em sua terminação: t= .iv [s] as ondas refletidas no receptor chegam ao transmissor, agora
na qualidade de ondas incidentes. As condições aí existentes (no caso, uma
(3.29) fonte ideal) fazem com que elas vejam uma impedância dlim'ente de Zo,
dando então origem a um novo par de onda.s refletidas, que se sobrepõem
(:omo, porrm: às ineidentes no transmissor (que são aquelas que partiram do receptor
CuIllu ondas refletidas). Seus sinais e valores dependem do valor relativo
Ur da impedânci[), da fonte. No caso da fonte ideal em que a resistência in-
Ir = c terna é nula, temos os seguintes coeficientes de reflexão:
Zo
68 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENIERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA 69

Vemos o caráter nitidamente transitório do fenômeno com tensões


-1.
e correntes variando em torno de seus valores de regime permanente (U e
1/31 o qual, no CgSO de linha e fontes ideais, só seria atingido teoricamen-
0 ),

A onda refletida da tensão anula inteiramente a onda incidente de mesmo te após um tempo infinito.
valor e sinal oposto, e a tensão no transmissor continuará sendo ri [V]. No caso de linhas reais, como veremos, a energia dissipada na resis-
A linha toda, progressivamente, ficará com esse valor até ocorrer nova tência dos condutores tem o caráter de um amortecimento, reduzindo
reflexão no receptor, onde chega uma onda, agora de sinal negativo e mesma' levemente os módulos das tensões e correntes e acelerando sua entrada em
amplitude da onda que aí foi refletida 2t [s] antes. A nova onda refletida regime permanente.
terá o mesmo sinal que a onda que aí acaba de chegar (negativo), deslo- O estudo que acaba,mos de fa,zer encontra larga aplicação no estudo
cando-se em direçã,o ao transmissor, onde sofrerá nova reflexão, como se dos surtos de sobretensões em sistemas elétricos. Pam facilidade de ra-
pode ver pela Fig. 3.9a, e assÍm sucessivamente: ciocínio, empregamos uma fonte de tensão constante. Se, ao invés desta,
tivéssemos empregado uma fonte de tensão qualquer, o fenômeno não seria
Zo + O essencialmente diferente. Consideremos, por exemplo, que a fonte pro-
b -- das correntes: k" ---
0+ Zo
+1. duza pulsos isolados da forma e(t). Esses pulsos se deslocam ao longo
dg linha, partindo do transmissor em direção ao receptor com a mesma
velocidade v (m/s). Essa onda de tensão é acompanhada por uma onda
A onda refletida da, corrente tem o mesmo valor e amplitude que a onda de corrente de mesma forma e definida por:
que incidiu na fonte, Essa onda refletida se desloca para o receptor,
1
onde chegará no tempo t = 3-- [s], sofrendo nova reflexão, como mostra 1 (t) = e (t) .
v Zo
a Fig. 3.9b.
A Fig. 3.9 mostra a variação no tempo da tensBO e da corrente junto Ao atingir o receptor, dependendo da natureza deste, poderá ou não
ao receptor de uma linha ideal, alimentada por fonte ideal, terminada em haver reflexões, como acabamos de ver.
uma re.sistência tal que os coeficientes de reflexão sejam ± 1/2.
3.3 ~ ANÁLISE MATEMÁTICA

i. Tendo obtido, pela :málise qualitativa, noções físicas sobre o meca-


I
u[v] nismo do aparecimento e o comporta.mento de ondas viajantes nas linhas
:53/32 U de tntnsmissão, procuraremos mostrar como essas ondas podem ser estu-
---- d::"das quantitativa;:uente. Interpretando um pensamento de Lord Kelvin,

i 15/16 U 63/64 U
poder··se-ia afirmar: "Entender '11m fenômeno significa associá-lo a números."
t: ~ [s] É o que nos propomos a fazer em seguida através da análise matemá-
t,. o It 3t st 7t 9t Ilt tica. Esta será feita de forma genérica, ou, mais precisamente, consi-
derando tensões e correntes como funções genéricas do tempo. Racioci-
na.ndo em termos de ondas de impulso, em gemI encaradas pelos autores
de livros-texto de linhas de transmissão de energia elétrica como um fe-
nômeno à parte, estaremos não só aumentando nossa flexibilidade de ra-
ciocínio, como também lança.ndo as bases para o estudo sistemático dos
4!z lo surtos de sobretensão a qual são sujeitas as linhas de transmissão, como
3/ 8 lo
lo
I "/32 10 21/M lo também das linhas 'excitadas por correntes senoidais, em regime perma-
-----t----
~Io I 1/4 lo
5/16 10
t : -t- [s]
nente.

t: o It 3t 5t 7t gt 11 t
3.3.1 -- Equações DiferenéÍais das Linhas de TransnlÍssão

Fig. 3.9 - Variação de tensão e corrente junto ào receptor de uma linha terminada em Deixemos a linha ideal, por ora, e consideremos uma linha real, in-
R2 = 3Zo (k r = ± 1/2). cluindo em seu circuito equivalente elementos representativos das perdas
70 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMATICA

nos condutores r [ohm/km] e das perdas nos dielétricos 9 [siemens(km], co- oprimeiro termo do segundo membro representa $, corrente de des-
mo mostra a Fig. 3.10, na qual representamos um elemento de. compri- loce,mento atr:wés do dielétrico, provoc3,da pele, aplicação di?, tensão u.
mento fu; da linha. O -segundo termo fornece o veJo r da, corrente de desloc8,mento através da
ce,pacitância t:..xG, devida à variação da, tensão.
As Ea.s. (3.35) e (3.36) são expressões de, Lei de Ohm, nas qU3,is u e i
í sã'} variáveis dependentes da distância x de um ponto de, linha a um ponto
j( )(, f) Lfix ,n fi)( i( x+ a)( ,f)
----II
.....
de referência preestabelecido e de t, o instante de tempo considerado.
~
Devemos, pois, procurar funç.ões para 1t(X, t) ei(x, t) capazes de resolver ~
nossos problemas.
Diferenciemos (3.35) com relação a x e (3.36) com relação a t:
ga)( Cfi)( V()(+fi)(,t)
a2u Tai + L a2i (3.37a)
- àx2 ax axat
à 2i au . a2u
Fig. 3.10 - Circuito equivalente de 11m elemento Llx de uma linha reajo
- atax = 9Tt + G at 2 .
(3.37b)

Diferenciemos, em seguida, (3.35) com relaç.ão a te (3.36) com relação


Entre o início e o fim do elemento de linha há. uma diferença de po- a x:
tencial que podemos definir por
(3.38a)
au
ax . t:..x.
A equação diferencial da tensão no elemento será.: (3,38b)

au t:..x
- -a = (t:..x r) l' + (t:..x L)
ai '
-a (3.34) Como, no entanto,
x t

na qual usamos sinais negativos, pois valores positivos de i e fazem ai;at ai


à2i 2
e
o valor de u decrescer.
ãxa! = atax
Dividindo por t:..x, teremos uma indicação de como u 'varia ao longo por substituição direta obtemos:
da linha:

(3.39)
(3.35)

e
:\ equação diferencial das correntes tem fi, forma:
ai 2 ai ai
2

ai t:..x = au ax 2 = rgi + (rG + Lg) Tt + LG7ft2' (3.40)


- -a'
l~1
(t:..x g) u + (t:..x G) -a
t
[.!

As Eqs. (3.35) e (3.40) são as equações diferenciais gemis das linhe,s


(lUP, cli\'idida por !:..x, nos dá: de transmiss8.o. Eque,ções desse tipo são conhecidas na Física como eqlca-
ções elas onelas, cujas soluç.ões representam ondas que podem viajar ao
ai = 9u + G
au .
-at (3.36)
longo de uma linha com velocidade v, 'ou seja, ondas viajantes ou pro-
- -
ax gl'essinLs.
72 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGiA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA 73

Alguns p,utores referem-se a elas como eqnações ela telegrafia, pois (P I x ' • ..

foram prime.immente deduzidgs para o estudo dos fenômenos relacionados dx 2 = rg Ix + (rC + LU) jw Ix + LC (j"J) 2
Ix,
com a transmissã.o de pulsos telegráficos.
Na análise das linhe,s de transmissão de energia elétrica, interessa-nos que facilmente podem ser transforma.das em:
conhecer o seu comporta,mento ümto face a impulsos como fgce às tensões
e correntes senoid2,is. Isso nos leva a procurar soluções tanto no domínio dZUx
do tempo, pa,ra o et:tudo das ondas de impulso, como no domínio da fre- clx 2
(
T + JWL) (g + JW
. . C) .
Ux =
..'
z y Ux (3.45)
qüência, para o estudo das linhas excitad2,s por tensões senoidais. No
presente texto procuraremos sua solução no domínio da freqüência. d2 jx . ..,
dx 2 (7 + .iwL) (g + jwC) Ix = z y Ix. (3.46)
3.3.2 - Solução das Equações Diferenciais no DOIllÍnio da Freqüên-
cia: Linha da Corrente Alternada em Regime PerIllanente Essas eque,ções poderiam ter sido deduzidas diret::,mente de um cir-
cuito eauivalente, como o f2.zem muitos autores. Suas variáveis são
Considemndo a linha de transmissão excitada por corrente 2,lter- Ux , Ix e;, respectivamente. Dada sua forma, podemos esperar para ambas
nada de freq\iência constante, poderemos definir a tensão u e a corrente i uma solução do mesmo tipo.
como funções senoidais do tempo:
Seja:
u = U x sen wt (3.41) . . x..;;; . -x";;;;
Ux=A1e +A2 e [volt] (3.47)
I!
i = Ixsen (wt + cp), (3.42) uma solução admissível para a Eq. (3.44). Se a derivarmos duas vezes
I

com 'relação a :l:, obteremos:


representáveis pelos fgsores Ú e j, respectivamente, ficando sua depen-
dência de x e de t implícita. As eque,ções gerais das linhas podem agora cl2U" ( .!- x..;-;-; . -x..;... )
ser escritas da seguinte forma: clx 2 ' = zy A(~e ZlI + .1.2 e 'Y (3.48)

que confirma o acerto da escolha para a solução.


(3.43) Com o mesmo raciocínio para a equação das correntes poderemos
verificar ,que sua solução' será:

~2 Ix + (rC + L g) dIx + LC ddt Ix 2


= r I' (3.44) I = _1_ (Á eX"; 'ir - Á2 e-x";;y) .
clx 2 g x dt 2 (3.48a)
x v'~/'
z/y 1

Em notação operacional: Ál e Á 2 soo const.antes com dimensão de tensão. Seu valor pode ser
encontrado através das condições de contorno. Para tanto consideremos
a linha junto ao receptor, que elegemos com.o referência para as distâncias
:t, um.a vez que as condições aí existentes é que ditam o comportamento
das linhas. Nessas condições, pam x = O teremos Ux = Ú2 e Ix = 12 ,
Das Eqs. (3.47) e (3.48) obteremos, respectivamente:
rg Ix + (rC + Lg) P Ix + LC p Ix. 2

Lembrando a definição de impedância, p = jw, obteremos por substi-


tuição:

~~.
-Z-2- = rgUx + (TC +
. '* LC (jW)2U. x
Lg)jwUx
c·x l.mja solução simultânea nos dá as seguintes expressões:
74 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ElÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMATICA 75

(3.49)

N essas condições teremos:


(3.50)

As Eqs. (3.47) e (3.49) tornam-se: e±,,~


Zll =e ±.y" =e ±a:z: e±i(3." (3.56)

Portanto, a função senoidal à qual aplicamos a exponencial complexa


como definida acima sofre:
(3.51)
a - um amortecimento provocado por e±"''' que, dependendo do si-
nal do expoente, é positivo ou negativo, ou seja, prOVOC!:1 a diminuição ou
o aumento das amplitudes das ondas senoidais de forma exponencial, à me-
[A]. (3.5~) dida que aumenta a distância x do receptor ao ponto considerado;
b - ocorre, ao mesmo tempo, um avanço de ±(3:r na fase da onda à
Essas. são as equações gerais das linhas de transmissão de correntes qual é aplicado.
alternadas senoidais, em regime permanente. Através delas poderemos É, port!:1nto, o expoente ..y que governa a forma pela qual as tensões
relacion.9,r tensões e correntes em qualquer ponto ao longo das linhas, em e correntes se propa.gam ao longo da linha. Dr,Í o seu nome de função de
f~nção das condições existentes no receptor. São equações exatas, 8er- propagação. Alguns autores preferem !:1 deE'ignaçE,o de constante de pro-
vmdo d~ base para a derivação de processos de cálculo simplificados, usados pagação, pois, nas linhas de tra.nsmissáo de energia elétrica em regime
na prátIca, como veremos no Ca,p. 4. Sua va.lidade pode ser verificada permanente, nas quais a freqüência é constante, ela de fato é uma cons-
através da interpretação do significado dos termos que as compõem. tante.
Sua parte rer.1, a, que é responsável pelo amortecimento ou ~tenuação,
recebe o nome de função de atenuação, tendo como unidade o NEPER por
3.3.2.1 - Interpretação das Equações das Linhas
QUILÓMETRO: Dela, corno vimos, dependem os m6dulos das tensões
ou correntes. Seu valor é diretamente relacionado com e,s perd!:1s de ener-
Num exame d!:1s Eqs. (3.51) e (3.52) verific!:1mos que em ambas Se gia na linha. Comprova-se fazendo r = 9 = O em (3.54), quando então
a também será nula..
d estacam as funções exponenciais complexas e± "v'~ e o radical com plp,-
A função de atenuação numa linha pode ser determinada, se conhece-
xo vi i/Y· mos os valores das ondas diretas ou refletidas das tensões U ld é U Ir em seu
Lembramos dos C,lUS08. de circuito elétricos que funções exponenciais início ou U 2d U 2r no receptor, através 9a expressá') (3.57). Se a linha estiver
aplicadas a fasores (A ~ e A 2 sã') f!:1sores) mudam suas características, ou operando com Z2 = Zo, basta que seguem conhecidos os valores de U 1 e U 2:
seja, modulam as funções senoidais que representam. Vejamos de que
forma isso ocorre nas linhas de transmissão.
U ld
Façamos: a = T1 [
Ln U2d néper/km,
]
(3.57)

vi (r + J'wL) (g + ;'wC) = vi (r + ;'XL) (g + ;'b). (3.53) em que l [km] é o comprimento total da linha.
Uma outra unidade de atenuaçãD, está empregada em telecomuni-
Elevando ambos os membros ao quadrado e separando reais e imaginá- cações, é o DECIBEL, que é obtido em função das potências PI e P 2 no
rios, obteremos: receptor:

PI
DECIBEL/km = T1 10 log p; [Db/km]. (3.58)
76 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA 77

A parte imaginária, {3, obtida de (3.55) em radiano s/km, recebe o Nas Eqs. (3.62) e (3.63) a dupla dependência da tensão e corrente
nome de função de fase, ou constd.nte de fase, pois indica a forma como as do tempo t e da distância x ao longo da linha é clammente visível.
fases da tensão e da corrente variam ao longo da linha. Consideremos 8, onda direta da tensão, que admitimos st)r representada
Admitamos agora que os dois termos dos segundos membros das Eqs. pelo primeiro termo ·do segundo membro da Eq. (3.62):
(3.46) e (3.48) ou, respectivamente, (3.51) e (3.52), representem as ondas
viajantes diretas e refletidas das linhas de transm.issãó. Se isso for ver-
dade, a veracidade das mesmas ficará comprovada. Examinemos o ra-
Ud = '\1'2 Al eoc'" sen [(wt + fJx) + 1ftd (3.63b)

dical:
e admitamos que só elã exista, no momento, numa linha. Consideremo.s
dois pontos A e B ao longo da linha, distando, respectivamente, a e b qUI-
V
~
z/Y =
~-+
r + jwL . [h
--;---C =Zc ]
o m. (3.59) lómetros do receptor da linha, como mostra a Fig.' 3.11.
g .7w

Uma vez que r, L, g e C são grandezas referidas a um quilômetro 'de B A


2
linha, concluímos que estamos}rente a uma grandeza que, como Zo, tam-
bém independe do comprimento das linhas. Sua semelhança, no entanto,
não pára aL,l Como no caso examinado anteriormente, o radical rela- o
ciona ondas diretas de tensão e corrente,'bem como suas ondas refletidas,.
porém não suas somas. Suas características são, pois, as mesmas de Zoo
b
Se em (3.59) fizermos r = g = 0, obteremos exatamente a mesma expres-
são de Zo Eq. (3.12). Nas linhas reais, como r e g são, em geral, relativa-
mente pequenos se comparadas com L e {], respectivamente, seu valor nu- ~
mérico não difere muito do valor de Zo, enquanto que seu argumento é
muito pequeno. Devido a isso, muitos autores não diferenciam essas duas
grandezt?s, designando ambas como impedância de surtos, ou 1'mpedância Fig.3.U - Pontos de observação ao longo da linha.
natural. Preferimos ficar com aquel2.s que as diferenciam, aceitando o
nome de impedância característica e resguardando sua natureza complexa. Apliquemos a Eq. (3.63) aos pontos A e B, para obter:
O símbolo Zc é usado para designá-la.
Isso posto, retornemos às Eqs. (3.46) e (3.48) e coloquemo·-las em No p:mto A Uda = V2 A. 1 eoca sen [(wt + {3a) + l/'d;
forma exponencial. Teremos:
fazendo Ka = v'2 A I eoca e
[V] (3.60)
teremos Uda '= Ka sen (wt + 1>a)' (3.64a)

(3.61) No ponto B

Seus valores instantâneos serão:


para (3.64b)
Uz = '\1'2 Al eaz sen [ (wt + {3x) + 1ftd + V2 Az ~az sen
Poderemos verificar a característica de onda viajante, que a Eq. (3.63)
[V] (3.62) representa, imaginando, em A e B, observadores devidamente instrumen-
tados, que observariam:
.
~'" = '\1'2- Toeoc",
AI [
sen (wt + {3x) + 1ftI - 8] - V2 a - as tensões em A e B variam senoidalmente;
b - medida,s dos valores instantâneos das tensões efetuadas no mes-
~ ~ocz sen [(wt - {3x) - 1ftz + ó] [A]. (3.63a) mo instante mostrariam que a tensão em B seria maior do que a terisão
Zc em A, pois Ka < K b ;
3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA 79
78 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3

Essas três observ8,ções nos convencem de que estamos frente a on-


c- se, em um ponto qualquer de fa.se constante da onda senoidal, das senoidais viajantes e atenu8.das exponencialmente.
fixássemos um sJvo, este seria registmdo primeiramente pelo observador
A e, após pequeno lapso de tempo, pelo observador B. O alvo, portanto, Um_a análise semelhante do segundo termo do segundo membro da
se desloc8.ria ao longo da linha, descrevendo uma trajetória exponencial Eq. (3.62) nos permite chegar a uma conclusão semelhante, observ8ndo,
crescente, à medida que avançasse ao longo da linha. A velocidade me- porém:
dida seria muito próxima à da luz no vácuo. a - o alvo se desloca no sentido do transmissor para o receptor;
Se considerarmos um ponto d e fase constante, teremos: b - o valor da tensão também varia exponencialmente, porém de-
crescendo no sentido do receptor para o transmissor.
(wt + (3x) + tt'l = constante

d (wt + (3x) + tt'l ii


dt
° II
dx w :)
= v [km/s1. (3.65)
dt 73

-to X

...
Fig. 3.12 - Onda senoidal d1:reta.

Para a onda refleti ds, , encontraremos o mesmo resultado, exceto pelo


sina.l, que será positivo, mostrando que ambos os movimentos se dão em
sentidos opostos.
Se, na Eq. (3.57), considerarmos r = 9 = 0, obteremos:

(3 = wVLC. (3.66)

Introduzindo essa expressão em (3.61),

1
v = VLC [km/s1 (Eq.3.8)

Fig. 3.13 - Onda estacionária resultante da soma de duas ondas viajantes.


que, como vimos, nas linhas aéreas, corresponde a 3 X 10 5 [km/s1.
80 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANALISE MATEMÁTICA 81

A coexistência. dessas duas ondas, com características de ondas via- Nas linhas de energie. elétrice. de freqüência industrial, o comprimen-
jantes diretas e refIetidas, nos fa,z aceitar as Eqs. (3.46) e (3.48) como e- to de onda é de 6 000 [km] para linhas em 50 [Hz] e de 5 000 [km] para
quações válidas para linhas de correntes alternadas senoidais em regime as linhas de 60 [Hz]. A relação comprimento de linha para comprimento
permanente. de onda desempenha papel relevante no desempenho das linhas, como
A soma dos valores inste,ntâneos das ondas das tensões e correntes veremos.
diretas e refletidas em um ponto da linha nos dá os veJores das tensões e A operação com carga éa condição normal de operação das linhe,s. A
correntes nesse mesmo ponto. A soma de funções senoidais., de mesma carge. alimentada" que pod emos representar com· razoável precisão por
freqüéncia, resulta. em nova função senoidal. Portanto, como a ve,riação uma impedância junto ao receptor, não é constante, variando continuamen-
dos valores de tensão e correntes das ondas componentes é senoidal em te de acordo com a demanda do sistema. Nessas condições, a esta al-
e.ada um dos pontos· da linha, sua soma também será senoidal. As ten- tura, a análise será feita de forma mais ou menos genérica para a fixação
sões e correntes resultantes não têm, pois, camcterística de ondp,s viajan- de novos conceitos básicos. Duas condições extremas da operação em car-
tes. São ondas este,cionárias, como mostra a Fig. 3.13, pelo que pode- ga, e portanto não normais, representadas pela operação da linha aberta
I
I
I
mos, como o fizemos no início, representá-las pelos fasores Ú", e i"" gran- e da linha em curto-circuito junto a·o receptor, serão igualmente analisadas
dezas variantes no tempo, porém com amplitudes diferentes em cada um em virtude das informações úteis que nos podem fornecer. Por conve-
dos pontos aQ longo da linha. niência, iniciaremos por estas.

3.3.3·- Análise das Linhas em Regime Permanente


Vimos anteriormente que o desempenho de uma linha depende das con- 3.3.3.1 - Linha Aberta Junto ao Receptor
dições terminais existentes junto ao recpptor, em linha excitada por fonte
de tens80 constante. A análise que agora faremos para as linhas exci- É a condição em que a carge, é representável por uma impedância
tadas por tensões senoidais nos mostrará que as condições terminais são de va'!or infinito. Neste caEO, a corrente i2 junto ao receptor será nula,
igualmente importantes em seu desempenho, como também é o seu com- As Eqs. (3.51) e (3:52), para i2 = O, se tornam:
primento físico, tomado em relação ao seu comprimento de onda.
O comprimento de onda de uma linha é definido como a distância entre
. Ú2 ( • , )
dois pontos mais próximos da onda senoidal, na direção de sua propaga- (;"'0 = 2 e1''' + e-1'X [V] (3.69)
ção, cujas fases de oscilação estejam separadas de 21l'. Temos

wt + f3 (x + À) + if;l = wt + f3x + 1/11 - 27r


°1"'0
(;2 ('
= - , - e1'''' -
,
e-1'''') [A] (3.70)
logo, 2Zc

À= [km]. (3.67) ou, lembrando a Eq. (3.56), poderemos colocá-Ias na forma seguinte:
. ~ .
Como U"'o = T [e"'" (cbsfix + J sen f3 xt+ e-"" (cos/h - sen,Bx2] [V] (3.71)
w
v=-
p'
temos
27rf À
i",o = 3c [e"'" (cos f3x. + j sen f3~) '-o e.-"i·(cos {3x - sen f3:r)1 [AJ. (3.72)

v = - Àf=-
f3 T Uma mudança de va,riável será conv~l::iiente a esta altura. Façarll:os
ou ainda a
f3x = f. e -i3 -- k',
À = ~ [km], (3.68)
f logo,
na qual f [Hí] é a freqüência da fonte alimentadora. a = {3k = k..!:-.-
xX
e ax = kf.Â.
82 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3- ANÁLISE MATEMÁTICA 83

Substituindo ax e (3x em (3.71) e (3.72), teremos:

Uz o = ~2 [é!' (COS)1. +j sen g) + e-- k !' (COS)1. - j sen )1.)] [V] (3.73)

UXI
\
\
Nas equações assim expressas, distinguimos no vamen te as expres- \
sões das ondas diretas e das ondas refletidas das tensões e correntes. Em /
ambas, os primeiros termos dos segundos membros são /

e k !' (cos J.I. + j sen)1. )


Fig. 3.14 - Construção dos pontos dos diagramas polares das tensões e correntes.
que, no plano' polar, representp,m fasores unitários que giram com veloci-
dade angular w constante, no sentido anti-horário, sendo simultan,eamente Notamos ainda que a expressão que define a onda refletida da cor-
modulados pela expressão é!'. P8,rv, cada, valor de )1., o fasor gira de um rente vem precedida do sinal negativo, o que indica que, no receptor, a
ângulo k)1., enquanto que seu módulo é alterado pelo fator corrente se reflete sempre com sinaJ oposto ao da onda incidente, quando
a linha opera em vazio. N essas condições, a onda da tensão se reflete
com o mesmo sinal.
Na Fig. 3.15 está representado o diagrama poliw das tensões de uma
o lugar geométrico descrito é uma espiral logarítmica progressiva, pois, linha operando em vazio, de comprimento À [m]. Na mesma figura
além do giro em sentido anti-horário, seus módulos crescem com o aumento também está representada, em plano cartesiano, a variação das tensões
de)1.. Os termos: ao longo da linha.
A Fig. 3.16 representa o diD,grama polar das correntes em uma linha
operando em vazio também de comprimento À [ml, juntamente com o
diagrama cartesiano da variação das correntes ao longo da linha.
por sua vez, representam fasores que giram em sentido horário, também Se exa,minarmos as Fig. 3.15 e 3.16, observaremos que certos pontos
com velocidade constante w e modulados por . ao longo da linha podem ser considerados notáveis, pois nos mesmos irão
ocorrer valores máximos ou mínimos de correntes e tensões ...,Esses pontos,
e-kl' , correspondentes a ~ ,3~ no diagrama das tensões, são denominados
descrevendo o lugar geométrico conhecido por espiral logarítmica regres- À
siva, pois, além de seu sentido de rotação ser horário., seus módulos de-
nós, e oS pontos correspondentes 1), "2 e À são denominados antinós.
crescem com '·ó aumento de )1.. O diagrama das tensões é interpretado como segue: nos nós e nos antinás
Os valores das tensões e correntes para cada valor de J.I. são obtidos estão indicados os valores das tensões que devemos aplicar aos transmis-
·1
pela soma vetorial dos fasores correspondentes a cada ângulo )1. X, como À 3À À
nos mostra a Fig. 3.14. sores de linhas com comprimentos iguais a "4 ' 4 ou 2 e À, para que
Como era de se esperar, notamos que tanto as ondas diretas da tensão
e da corrente quanto as ondas refletidas mantém entre si as mesmas rela- tenhamos no receptor a tensão em vazio U 20 especificada.
ções, pois: Se, nas Eqs. (3.71) e (3.72), substituirmos x por À/4, encontraremos,
lembrando a forma exponencial das funções hiperbólicas:

Zc [ohm]. (3.75) (3.76)


I

.'1 ,,1
1

I :
84 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA EN,ERGIA ELÉTRICA CAP.-3 3.3 - ANALISE MATEMÁTICA 85

. (;2
/xo = J -.- cos h aÀ [Al· (3.77)
Zc 4

À
Da mesma forma, para 2'

• aÀ
u"o U2 cos h 2 [V] (3.78)

jxo
U2
-.-senh -

[A]. (3.79)
Zc 2

lo.

X=).
"2

lO II 12 13 14 15 16 17 18 19 110 141 I f2

>"4 '>"4 >"4 >"4

P TRANSM,ISSOR >. ~
Úo
// + X
2 4

/
"'~
o~ / Fig. 3.16 - Diagrama polar e diagrama de andamento das correntes em linha real, ope-
rando em vazio. .

"~ ./ Conforme se verifica facilmente pelo exame das equações, ou pelos


gráficos apresentados, numa linha que opera em vazio e cujo comprimepto
lo selJ,proxima ao de À!4 haverá um serisível aumento da tensão ao longo da
>"4 ).'4
linha com relação à tensão' gplicada U x, sendo sempre máximo junto ao
).'4 "'4
receptor. À medida que a.umentarmos o seu comprimento além de À/4,
a diferença de tensão entre o tnmsmissor da linha Ux e U2 do transmissor
P TRANSMISSOR
... + x diminuirá progressivamente, tornando-se. llÚnima' pa,ra x = À/2.
Fig. 3.15 - Diagrama polar e diagrama de andamento das tensões ao longo de linha real
A corrente de carga da linha também aumenta ·continuamente até
operando em l'azio. ' x = À/4, quando passa a decrescer até ser llÚnima para. x = Àj2.
86 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
3.3 ~ ANÁLISE MATEMÁTICA , 87

Essa,s considerações mostram que linhas de comprimento equh-a-


lente a À/4 desempenham de forma indesejável quando em vazio ou com conveniente pa,l'2. um melhor entendimento da operação normal das linhas.
pequenas cr,rgas. Neste caso, teremos R2 = O, logo U2 = O e as Eqs, (3.51) e (3.52) nos dão:
O aumento da tensão no receptor com relação à tensão no tr~nsmiesor
recebe o nome de efeito Ferranti, em homenagem ao físico que o descobriu. Í2Zc. .
Ú"'cc = - - (e"!'x - e--"!'x) [V] (3.80)
O efeito Ferranti, desde cedo, mereceu a atenção dos engenheiros de 2
telecomunica,ção, que lidr,m com linhas de freqüências mais elevadas e,
porümto, dA comprimentos de onda pequena,s. Só mais recentemente é i",cc =
12 (é x + e--rx) [A]. (3.81)
que esse efeito começou a preocupar mais serir,mente os engenheiros de 2
projeto e opemção de linhr,s de trtmsporte de energia em freqüências in-
dustrüds, em virtude da necessidade da construção de linhas com compri- Se, nas Eqs. (3.79) e (3.80), efetuarmos as mesmas mudanças de va-
mentos cada vez maiores, sendo de se espemr que linhas com À./4 ou mais riáveis que fizemos em (3.71) e (3.72), encontraremos:
longas ainda venham a ser construídas.
As implicações principais do efeito Ferranti, que diminui de inten- Ú"'cc = j~ic [ekl' (cos jJ. +.i sen jJ.) - e--kl' (cos jJ -.i sen jJ.)] [V] (3.82)
sidade à medida que a potência no receptor aumenta a partir de zero,
podem ser artificialmente controladas (Cap. 7) são elas: ·e

1 - necessidade de aumento do nível de isolamento das linhas e


equipamento terminal em virtude da sobretensão que provoca:
i",cc = ;2 [ekl' (cos fJ + j sen fJ) + e--kl' (cosjJ. - j sen fJ)] [A]. (3.83)

2 - apesar d8,s perdas por dispers&>, represent8.das principalmente


pelo efeito Curona (ver Cap. 11), atur,rem favoravelmente n8, de redução das Cada uma das equações, em seus segundos membros, possui os mesmos
sobretensões, essas perdas crescem em função do quadrgdo da tensão. A termos:
radiointerferência e oS ruídos audíveis que acompanham o efeito Carona
aumentam igua.Imente com o tmmento da tensão. A fim de mantê-las ekl' (cos jJ. +.i sen fJ) e
dentro de limites r8,zoáveis, será necessário um aumento na bitola dos con-
dutores, o que afet8, consideravelmente o custo das linhas. que, como já vimos, aplicados a fasores, fazem com que estes descrevam,
3 - a corrente de carga Ío [A], sendo muito elevada, limita, por efei- como lugares geométricos, espirais log8,rítmicas progressivas e regressivas,
to térmico, 8, capacidade de tmm;porte ds, corrente de energia da linha, respectivamente, do tipo já encontrado no item anterior.
exigindo, para uma mesma potência a ser transmitida, condutores de secções Compamndo essas expressões com as correspondentes à linha em vazio,
consideravelmente maiores, o que encarece sua construção. Esse fato é verificamos que, neste C8.S0, é a onda de tensão que se reflete com sinal
particularmente sério parE', as linhas em cabos subterrâneos ou subma- contrário ao da onda incidente, enquanto que a onda da corrente se reflete
rinos, para as quais o comprimento de onda é muito menor do que nas linhas com mesmo sinal.
aéreas, pois depende essencialmente de v [m/s], que é pequeno nas linhas em Se traçarmos o diE',gmma polar da tensão em curto-circuito da linha,
tais cabos; .
veremos que, resguardadas as escalas, ele será idêntico àquele da Fig. 3.15,
4 - a corrente de CE',rga ia [A] que a linha 8,bsorve das máquinas enquanto que o diagrama das correntes será idêntico ao das tensões em vazio,
que a alimenta,m, quando opera em vazio ou com pouca carga, é capaci- apresentado na Fig. 3.16.
tiva~ Lembramos do estudo das característicE'.s de carga das máquinas Notamos ainda, pelo exame das equações, a esperada validade das
l.
síncronas que, neseas condições, pode ocorrer o fenômeno conhecido por relações:
auto-excitação, dando origem a tensões incontroláveis nessas máquinas,
se estas não tiverem capacidade de absorver essa carga capacitiva.
Zc [ohm]. (3.84)
3.3.2.2 - Linha em Curto-Circuito. Permanente

É uma condição anormal de operação que raramente deverá ocorrer, Também a linha, operando em curto-circuito, possui alguns pontos
mesmo porque os orgãos usuais de proteção provavelmente intervirão notáve.is que merecem algumas considerações.
antes de ser atingido o estado permanente. Seu estudo é, no entanto, Introduzindo em (3.71) e (3.72) o valor d e x = À/4, obteremos para
a linha de um quarto de onda:
88 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENE'RGIA ELÉT'RICA CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMATICA 89

. • • aÀ -Se, na Eq. (3.51), substituirmos Í 2 por Ú2 IZc , que lhe é equivalente,


ÚXcc = J 12Zc cos h 4' (3.85) obteremos:

(3.89)
À
Para x'= (3.86)
2' Em (3.52), substituindo Ú2 por Í2ZeJ encontraremos

. . aÀ (3.90)
teremos: U"'cc = I2Zc sen h 2 (3.87)
que podemos, após a mudança de variável, colocar sob forma polar, a fim
. aÀ de obter:
Ixcc lo cos h - ·
" 2 (3.88)
U", = U2 ekl' (cos jJ. + j sen jJ.) [V] (3.91)
À
Verificamos que, quando a linha de x = opera em curto-circuito e
4
permanente, é necessário um8, tensão de curto-circuito relativamente ele- Í = Í2 ekl' (cos /J. + j sen f.J.) [A], (3.92)
vada no transmissor para fazer circular no receptor a corrente Í2' en-
quanto que, com a linha de x = À/2, uma pequena tensão no transmissor cuja semelhança com os primeiros termos dos segundos membros das Eqs.
é suficiente para a circulação no receptor de corrente relativamente eleva- (3.73) e (3.74) nos indica tratar-se de onds.s diretas da tensão e da corrente,
das. como era de se esperar. Desapareceram os seus segundos termos, repr.e-
sentativos das ondas refletidas, e, com isso, o transitório de energia.
Teremos:
3.3.2.3 - Operação das Linhas Sob Carga

(3.93)
A fim de concluirmos a 8.l'lálise das condições de operação das linhas
em diversos regimes, ana.lisaremos as equações 8,través da v8.riação de sua
impedância terminaJ, representativa da carga, dada a maior simplicidade Esta última expressão mostra uma das propriedades mais importantes
dai decorrente. da linha terminada em impedância igu8.l à sua impedância característica:
Na análise qualitativa realizada, verificamos que o comport[',mento
da linha, sob carga. depende essencialmente da rela,ção existente entre im- em to c/os os pontos ao longo de uma linha homogênea que opera
pedância terminal Z2 da linha e sua impedância característica, destacan- com uma impedância de carga igual à impedância característica,
do três casos: o fator ele potência é constante e o defasamento entre a tensão e a
corrente é sempre igual a:

o= c/>2.
b Z2 > Ze; A linha se comporta então como um 'circuito-série, cuja única impe-
dância é a sua própria resistência ôhmica. Isso significa que a linha não
C - Z2 < Ze. necessita ele energia reativa externa para a manutenção de seus campos elétricos
e magnélicos. A única. energia. absorvida pela linha é energia ativa e des-
.Examinemos esses três casos em separado: tina-se a cobrir as perdas por efeito Joule e dispersão .
Os diagramas polares para as linhas que operam sem onda refletida
a - Linha terminada em Z2 = Ze são, então, simples espirais loga,rítmicas progressivas, tanto da onda da
tensão como da onda da corrente. Os módulos da tensão e da corrente,
Para este caso, consideremos inicialmente as relações das tensões e em qualquer ponto a uma distância :1.' [m] -do receptor, serão, respectiva-
corrE}ntes junto ao receptor. mente:
90 . TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA ~ 91

(3.94) [lVIW). (3.98(;)


(3.95)
A potência P o , como acima definida, é denominada. potência rlatural
A linha poderá ser cortada em qualquer ponto, se aí for colocada uma da linha trifásica. Às vezes é confundida com a sua potência característica,
impedância Z2 = Ze, sem que isso venha a alterar o seu funcionamento. como definida para uma fase pela Eq. (3.97).
A potência complexa fornecida pela linha do receptor será: O conceito de potêrlâa natural (Surge Impedance Loacling - SIL, na
literatura americana) vem recebendo c8,da vez maior importância na técni-
(3.96) ca de transmissão de energia. Sendo uma potência ativa, foi adotada na
como prática como unidade-base de potência, exprimindo-se os demais valores
das potênci9~s transmitidas atmvés de uma linha, em função de sua potên-
cia natural. Tornou-se prepondemnte no dimensionamento de linhas.
temos Conforme ficou demostrado, o valor de Zo depende essecialmente do
'0
logaritmo da relação entre a distância entre condutores e seus raios, re-
U
~-I j6. lação esta que varia pouco nas linhas reais de mesma configumç'ão de
Ze ei6 - 2 e- ) condutores (ver Tab. 3.1). Espaçamentos maiores são usados com tensões
mais elevadas, que, por sua vez, exigem condutores de diâmetros maiores.
Sendo independente de seus comprimentos, a potência natural das linhas
tornou-se fator importante na escolha das tensões de transmissão em pri-
meira aproximação e como orientaçãD inicial dos estudos t€cnicos-econô-
e micos para sua fixação, estudos esses influenciados decisivamente pela
relação potência/distância de transmissão.
(3.97) Da Eq. (3.98) podemos obter:

portanto, Uu ::. = ~ [kV]. (3.99)


I'
(3.98a) I A Tab. 3.1 fornece valores indicativos das impedâncias de onda e de'
potências naturais pare, linhas de tmnsmissão trifásicas, para diversas
configurações de condutores e classe de tensão.
A potência ativa assim defÍnida é denominada potência característ1'ca Ta.bela 3.1 - Valores indicativos de Potências Naturais para Linhas de
da linha. O ângulo Ó é o argumento de Ze. Seu valor, em geral, está Transmissão a Circuitos Simples
entre 1 e 5°, pois é função das perdas na linha. Nessas condições, cos ó ~ 1.
Vimos ta.mbém que Ze ~ Zo, por razões idênticas, de forma que, na prá- Potência Natural em MW
tica, prefere-se definir e usar a potência natural: Configuração Zo
de Fase Ohm
220 kV 345 kV 400 kV 500 kV 750 kV
Po = u.·
2
2
[W). (3.98b)
z o
® 400 120 300 400 - -
Se considerarmos a tensão entre fases U 2 t:. em [kV), encontraremos:
® ® 320 150 370 500 780 --

®® 280 170 425 570 890 1 750


como, porém, e.
@ ®
@ ® 240 200 500 670 1040 2000

Nota: Em linhas a circuitos duplos, duplicar os valores de Po.


93
92 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA

Apesar de ser a condição mais vantajosa, a operação const8,nte de uma b - Linha terminada em Z2 ~ Zoo
linha com potência n2.tural, na prática, ocorre só em condições especialíssi- Seja Po a potência recebida no receptor por uma linha terminada em
mas, pois, em geral, as potências tnmsmitidas oscila,m de acordo com o dia- sua impedância natural Zoo Teremos Junto ao receptor:
grama de ca rgg do sistema, principalmente quando a transmiss8,o se faz entre
centro de produção de energia e centro de consum.o. Quando as linhas U2 = ZoIc;
são de interligação de grandes sistemas com a finalidade de intercâmbio de
energia, essa condiçã.o é mais facilmente atingível, qualquer que seja o logo,
sentido fluxo de energia, controlado que é pelos despachos de carga. 2
O fato de que as linhas não consomem e nem geram energill, reativa, Po = -U2 = U2 1c [W).
qmmào operam nessas cendições, tem implicações econômic2.s importantes. Zo
A energia reativa;,por elas consumida deverá vir dos sistemas alimentador
. Seja P 2 a potênçia recebida no receptor pOl' ,um,a lin~~, t;-rminada con~
e alimentadó e a energia por elas gemdas deverá ser absorvida pelos mesmos.
a impedância Z2 ~ Zo, porém com fator de potencll:L umtaTlo. Teremos.
Ess2. energia, além de cireular nos sistem2.s e provoca,r perdas de energia
ativa, solicita os .sistemas também quanto à capacidade adicional em seus
equipamentos terminais (Fig. 3.17). U2 = Z2h;
As grandes linhas, dada a facilidade do controle do fator de potência logo,
junto às zonas de consumo, também operam hoje, preferencia.Imente,
com fator de potênci8, unit,ário, por ser, em geral, mais econômico a pro-
dução de energia rea tiva necess:hia in loco do que seu transporte a grandes
distâncias, desde centrais elétricas remotas. Daí resulta a já mencionada
Dividindo P2 por P o,
tendência de exprimir 2S potências ativas transmitidas em função da po-
tência natural da linha. (3.100)
I
donde
(3.10ll
200
que introduzimos nas Eqs. (3.51) e (3.52):

100
(3.102)

INDUTIVO

r 0,5 e
'220 KV P
1
CAPACITIVO
--+-
Pnat (3.103)

-100
Do exame das equações acima, podemos concluir:

1 - ·
quan do Z2 > Z·o, P2 < P o, Iogo, rP < 1• Nessas condições,
\
-200
.- Q ~ _U2 (1 _ r p ) e- fx ~ conserva o sinal, o que'equivale a dizer que a onda
2
Fig. 3.17 - Geração e consumo de energia reativa pelas linhas de transmissão [131.
,
1 da tensão se reflete com o mesmo sinal da onda de tensão in.cidente;
94 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3 ~ 95
3.3 - ANÁLISE MATEMÁTICA

;2 (1 - l/rp) e~x - inverte seu sinal, mostrando que a onda da. Nas linhas sem perdas, a = 0, nessaS condições, 8,S espimis se trans-
formam em circunferências. Os diagramas das tensões e corrent.es, nesse
corrente se reflete com sinal oposto ao da onda de corrente incidente; caso, serão também figuras fechadas.
g - quando Z2 = ZO, P 2 = Po, logo, rp = 1. Nessas condições, os O ângulo de potênci8, O, entre a tensão nfl início de uma linha UI e a
segundos termos dos segundos membros tornam-se nulos, como já vimos. tensão no fim dessa linha, que, como já foi mencionado, é de sumo inte-
Não há ondas refletidas; , resse na manutenção da estabilidade do sistema a que pertence a linha,
pode ser determinado 'como mostra a Fig. 3.19, a partir dos fasores das
3 - quando Z2 < Zo, P 2 > Po, logo, rp > 1. Teremos: ondas diretas e refletidas da tensão.

2U 2 (
1 - rp) e-"YX

- inverte seu sinal, o que' indica que a onda de
tensã'J se reflete com sinal contrário ao da onda de tensão incidente;

212 (1 - 1I':'p) e;--"Y. X


- conserva seu sinal, indicando uma onda de
corrente refletida de mesmo sinal da· onda incidente. o
Ess!:',s mesmas formas de reflexão foram vist.as quando examinamos
a operação das linhas em va,zio e em curto-circuit.o. A operação em carga
é, portanto, uma condição intermediária de operação entre dois extremos:
vazio e curto-circuito.
Os diagramas da Fig. 3.18 ilustram bem esse fáto.
uxi ",-u rxi

Kr
Ir= Id Ur=Ud
~ Udxi
+ 1 -.-::::::.--------- ---- ----------
............

" ""-. 00
Z2-

Fig. 3.19 - Variação do Ilngulo de potência () com a potência at1:va P2.

Do diagrama a, temos:
Fig. 3.18 - Variação da polaridade e valor das ondas refletidas de tensão e corrente nas
linha.s de transmissão. UXi • cos Oi = UdXi COS {3Xi ± U'Xi COS {3Xi
ou
Os diagramas polares das tensões e correntes das ondas diretas e 1'e-
fletidas são igualmente apresentados por dU8,s espirais logarítmicas, uma U dx· ± UrZ' )
progressiva e uma regreseiva, respectivamente. Os diagramas das tensões Oi = arc cos .( • U x' • COS {3Xi. (3.104)
ou das corrent.es resultantes são obtidos pela adição ou subtração dos fa- •
sares que representam os valores das ondas diretas e refletidas, para um Pelo exame dos diagramas da Fig. 3.19, a dependência direta de Ode
determinado valor de x. P2 pode ser facilmente reconhecida.
3.5 - EXERCfclOS 97
96 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTIRICA CAP. 3

Verifica-se que o ângulo de potência 8 da linha cresce com o aumento Solução


da potência ativa transmitida. A - A impedância natural ou impedância de onda ou impedância
de surtos pode ser calculada através da equação:
3.4 - CONSIDERAÇÕES GERAIS
Zo = {§- [ohm] (Eq.3.12)
Até aqui temos raciocin'ado em termos de linhas a dois condutores
metálicos. Estas, mesmo sendo largamente usadas .na prática na forma de logo,
linhas monofásice,s em corrente alternada, o são em níveis de tensão apro-
0,001358 X 10 6 =' 40000 [ohro].
priadas à distribuição. Nos níveis das tensões extra-elevadas, iremos en- 0,008488 '
contrá-Ias como linhas em corrente contínua. No ente,nto, a maior parte
, da energia elétl'ica produzid2 e consumida no mundo é transportada e dis- B - A energia armazenada em cada quilômetro de linha poderá
tribuídg 8,través ds,s linha.s trifásicas de corrente alternada. Esse fato,
ser calculada pelas Eqs. (3.14), (3.15) ou (3.16):
nas freqüências industriais em uso, em nada afeta a teoria desenvolvida,
pois, uma vez que tensões e correntes são mantidas equilibradas nos sis- a _. energia no campo magnético:
temas comerciais, podemos representá-las por circuitos monofásicos equi-
valentes, como aprendemos a fazê-lo nos cursos 'de circuitos. A presença
de outros condutores e' de cabos pára-raios somente afeta as caracterís- Em = Io~L [Wslj (Eq.3.14)
ticas d e propagação d e tensões e correntes de freqüências mais elevadas e
altas freqü(~ncias, como também das ondas decorrentes dos surtos de so- sendo
bretensão.
lo = --º-
Z@
= 800
400
= 2- [A].

3.5 - EXERCÍCIOS teremÇls


Em = (2)2 X ~,001358 = 0,002716 [Ws];
1. Uma linha de transmissão bifilar aérea é suprida por uma fonte de
tensão. constante e igual a 800 [volt]. A indutância dos condutores é de
0,001358 [henry/km] (fluxo interno considerado), sua capacitância é igual b - energia armazenada no campo elétrico:
'a 0,008488 X 10- 6 [farad/km].
Tratando-se de linha sem perdas, deseja-se saber, sendo seu compri- E. = _.-2-
U2C [Ws]
mento igual a. 100 [km]:

A - sua impedância natural; (800)2 X 0,008488 X 10.:. 6


E. = ~::...::..!..--.:-.:....:..;.~-~-- = 0,002716 [Ws]j
B - energia armazenada por quilômetro de linh~ nos campos elé- 2
trico e magnético; ,I
C - velocidade de propagação; c- energia total armazenada:
D - qual o' valor da tensão no receptor no decorrido tempo E = Em + Ee = 0,005432 [Ws].
t = -3l d o mstante
. em que a l'111 h a 1 :'
101 energlza
• d a, para as segum
. t es cond'I-
c- A velocidade de propagação pode ser calculada pela equação:
v
ções terminais no receptor: 1
[km/s] (Eq.3.8)
v = .VUI
a - Z2 = 100 [ohmJ;
b - Z2 = 400 [ohm]; 1
v = --====~==::===:==:
6
VO,001358 X 0,008488 X 10-
"c - Z2 ;= 1 600 [ohm].
98 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENE,RGIA ElÉTRICA CAP. 3 3.5 - EXERC(CIOS ~ 99

v = 294542 [kmjsl. - a onda refletida U~ = kM, partindo do receptor, chegar ao transmis-

Nota: Esse valor é um pouco inferior àquele preconiza.do para a sor em t2 = ~, como onda incidente, e aí sofre reflexão. A tensão no
linha ideal, podendo;se atribuir esse fato à consideração do fluxo mag- v
nético interno dos condutores, que, no caso da linha ideal, foi desprezado. transmissor era U [V]; será agora
D - Cálculo das tensões no receptor - O intervalo de tempo
U~ = U +Uk +Uk ru2 ru2 kru1 [Vl;
t = - 3l sera, su f"IClente- para que Junto
.
ao receptor ocorra a segunda re-
v - a onda refletida no transmissor é U kru2 kru1 e chega ao receptor em-
flexão de onda de tensão. Teremos:'
ta = ~, onde sofre nova reflexão. A tensão no receptor passa agora
a - valor da onda de tensão incidente no receptor em tI = l/v e v
Ui = U = 800 [Vl; a ser:
b- os coeficientes de reflexão no receptor, de acordo com a equação
como, no presente caso, k ru1 = - 1, será:
(Eq. 3~32)

serão: Substituindo os valores dos coeficientes de reflexão, encontraremos:


para Z2 = 100 [ohm], - para Z2 = 100 [ohm],

k _ 100 - 400
T,,2 - 100 + 400
3
5'
U~= 800 [ 1 (- : fJ = 512 [V l;

- para Z2 = 400 [ohmL - para Z2 = 400 rohm], não há reflexão: logo,

400 - 400 U~ = 800 [Vl;


-----= O;
400 + 400
- para Z2 = 1 600 [ohm],
- para Z2 = 1 600 [ohm],

Kr~L
km2=-----
1 600 - 400 1 200 3 U~ = 800 [ 1 - ( : YJ = 512 [V l.
1 600 + 400 2000 = + 5'
Observamos igualmente nas tensões no receptor para os dois casos
c- os coeficiente" de reflexão no transmissor serão, considerando em que houve reflexões, apesar da disparidade dos valores de Z2. Na pri-
fonte ideal, meira reflexão, no entanto, as diferenças são grandes:
- para Z2 = 100 [ohml,

U; = 800 (1 - : ) = 320 [volt],


Em t = O, parte do transmissor uma onda de tensão de valor U [V] que
chega ao receptor em t] = llv [s] na forma de uma onda direta Ud = u.
N esse instante ocorre a primeira reflexão e a tensão no recepto.r passa - para Z2 = 1600 [ohm],
a ser:

U; U~ = 800 ( 1 + ~) 1280 [volt].


100 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENEIiiGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.5 - EXERC(CIOS 101

2. Repetir a parte D do exerci cio anterior, admitindo que a fonte 175720


possua urna impedância interna igual a 10 [ohm]. Neste caso, conside- II =z:V = 221,12 = + 794,6 [A].
rar a_ tensão de 800 [volt] corno sendo a tensão em vazio da fonte.
3. Qual o valor, em ohms, da resistência terminal de uma linha ideal A equação de continuidade das tensões junto ao ponto curto-circui-
de dois condutores de fio de alumínio n.O 6 AWG, separados entre si de tado é:
1m para que não haja reflexão de onda?
Solução
VI = V + V d + Vr .
De acordo com o exposto no Item 3.2, devemos ter R 2 = Zo; logo,
pelo exercício anterior:
°
Neste caso, VI = e V d = O; logo, V r = - v. É, pois, como se uma onda
V d = V se refletisse nesse ponto, com sinal oposto, demandando a extre-
midade aberta com a velocidade
D
R 2 = 60 Ln-· 1 1
r v = .../Lã V 0,007496 X 0,0153303 X 10- 6
= 294991,76 [kmfs].

Da Tab. 11.2 do apêndice, obtemos r = 0,5 X 4,673 = 2,3365 [mm] ou


r = 0,0023365 [m]; logo: Essa onda,de tensão é acompanhada pela onda de corrente de mesmo
valor daquela que escoa para o solo. As ,ondas de tensã,o e corrente, ao
atingirem a ~x::I!re!llidade aberta, ao fim de t = 339,993 [}Js], aí se refletem,
1 com coeficientes de reflexão 1 para a tensão e-I para a corrente, fieando,
R2 = 60 Ln
0,0023365 pelas equações da continuidade: -I:. ~ }, / lr

R 2 = 60 Ln 435 = 364,52 [ohm]. V2 = V + Vd +V r = 175720 - 175720 - 175720


I
V2 = - 175720 [V]
4. Qual o coeficiente de reflexão se a linha acima for terminada em
um resisto r de 200 ohms? Qual o sinal da onda refletida? 12 = I + Id + Ir = O + 794,6 - 794,6 = ° [A].
5. Urna linha unipolar de transmi~são de 100 [km] de comprimen-'
to foi desligada instantaneamente em ambas as extremidades, perma- As ondas refletidas, tanto da tensão como da corrente ao fim de um
necendo nela uma carga acumulada, uniformemente disttibuída ao longo novo tempo t chegam ao ponto d() curto-circuito, onde se refletem com coe-
da mesma, de forma tal que um potencial de 175,72 [kV] pode ser mediçlo. fiCiente de reflexão - 1 e~-Crespectivamente, ficando nessa extremidade:
A indutância da linha é de 0,0007496 [henry] e sua cap2.citância é âe
0,0153303 [,ufara.d]. Determinar a variação do valor da corrente e da
tensão em ambas as extremidades, se uma de suas extremidades for curto-
VI = V +V +V
d r = O- 175 720 + 175 720 = ° [V]

circuitada. II = 1+ Id + Ir = 794,6 - 794,6 - 794,6 = - 794,6 [A].


Solução As ondas refletidas partem para a extremidade aberta, onde voltam
A impedância de onda da linha é: se refletir, e a,ssim sucessivamente, como mostra a Fig. 3.20. Esse mo-
!J,
vimento não cessa, pois, sendo a linha ideal, não há dissipação de energia.
O'transitório é de simples troca de energia entre os campos elétricos e mag-
.fI: ~ 0,0007496 nético e dura indefinidamente.
Zo = 1c = 0,0153303 X 10-6 = 221,12 [ohm]. Numa linha real, na qual existem perdas por efeito Joule e de dis-
persão, há dissipação da energia armazenada. Nesse caso" tensão e cor-
A carga está uniformemente distribuída ao longo da linha que se en- rente decrescem exponencialmente à medida que viajam ao longo da linha.
contra sob um potencial constante de + 175720 [V]. Somente a impe- Esse amortecimento' será tanto mais eficiente quanto maiores forem
dância Zo limita a corrente que escoa para o solo. Portanto, no ins- as perdas. Nas linhas reais R e G, em geral, elas são' pequenas e o tempo,
tant,e do curto-circuito, começa a escoar acorrente necessário para descarregá-las é relativamente grande.
3.5 EXERCfclOS 103
102 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3

8. Admitamos .que, em ambas as extremidades da linha do Exerc. 5,


Linha ideal
UI=~I (j aterramento se faça através de resistência de 20 [ohm]. Qual será a
/ Linha real
---- variação da tensão e da corrente através das resistências? E no meio
ela linha?
r=o t
9
t t t
['0---11---12 9. Qual deve ser a capacidade em [W] de dissipação de energia da
resistência do Exerc. 6?
10. Uma linha de transmissão trifásica possui os seguintes parâ-
metros:
U Linho real

resistência ôhmica r = 0,0715 [Q/km] por fase;


i$
t t t
['O--H---12- I reatância indutiva XL = 0,512 [Q/km] por fase;
condutibilidade de dispersão - g = ° lU/km] por fase;
susceptância capacitiva - b = 3,165 X 10- 6 lU/km] por fase.
Fig. 3.20 - Variação das tensões e correntes' na linha do Exerc. 3.
Sendo f = 60 [Hz] a freqüência do sistema, determinar, consideran-
o fenômeno descrito nos serve de advr.rtência para um~ aplicação do sempre, primeiramente, a linha real e em seguida a linha ideal:
prática: para a efetuação de manutenção em linhas, estas são desconecta-
das dos sistemas por meio de disjuntores. Dada a rapidez e eficiência A - função d e propagação;
destes, cargas são retidas nas linhas e, dependendo do ponto de corte na
onda de tensão, o potencia.! remanescente pode ser de valor substancial B - atenuação;
e mesmo perigoso. Sem nenhuma outra providência, a linha perderá sua C - constante de fase;
carga gradativamente, pela fuga através dos isoladores e no dielétrico.
O tempo, para tanto, é grande. É usual o aterramento dos condutores D - velocidade de fase;
em uma das extremidades ou em ambas. Esse aterramento apressará
a dissipaçoo da energia, pois o solo também possui resistência. Deve-se, E - comprimento da onda;
no entanto, ter a precaução de esperar decorrerem vários minutos antes F - impedância característica;
de ser encetar qualquer trabalho ao longo da linha ou em sua extremidade
nberta, a fim de se assegurar a descarga total da linha. O aterramento G- impedância natural.
do ponto de trabalho, realizado pela equipe de manutenção, representa
precaução adicional e deve ser feito com equipamento para linha viva. Solução

6. Admitindo que a linha do exercício anterior seja aterrada através A - pela Eq. (4.18) temos:
de uma resistência de R = 20 [ohm], fazer os diagramas de variação da ten-
a - linha real
são e da corrente em suas extremidades.

Comentário
.f
-y = a + j(3 = .v;y = V (r + jXL) (g + jb);
como g = 0,
Neste caso, para a aplicação da equação da continuidade no ponto
V
ele. aterram ento , devemos lembrar que VI = IIR e II = continu-
Zo + R
a.ndo válidas as demais considerat;ões.
y = a + j/3 = V (0,0715 + jO,512) (.i3,165 X 10- 6)
7. Se a linha do Exerc. 5 for curto-circuitada em ambas as extre-
mida.des, qual será o diagrama das tensões e das correntes nos pontos decur- y = a + j{3 = 1,279 X 10- 3 ei85 ,02 [l/km];
to-circuito? E no meio da linha?
105
104 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3 3.5 - EXERCrCIOS

b- linha id eal E - Usando a Eq. (4.34), temos:

r = 0, g = Di a - linha real
" = v . T = 4917 [km}
logo,
b - linha ideal
l' = ex + j{3 = V jXL' jb = jw ~
" = v . T = 4935 [km] ..
-y = f(3 = j VO,512 X 3,165 X 10- 6
F - A impedância característica pode ser calculadD. pela Eq. (4.15):
l' = j ,11,62048 X 10- 6
0,0715 + .iO,512
l' = 1,273 . lO-a ei90 • 13,165 X 10- 6
B - Ainda pela Eq. (4.18):
Zc = 403,9 e-ia.98o [ohm].
a - linha real
G- A impedância natural é dada por (3.11):
Re {-y} = ex = 0,0867 X 10-a [néper/km];

'T
':
b - linha id eal . l"fI7. _rXL Ar ,j0,512
Zo = v L/C = = " j3,165 X.1O-6

I
ex = °[néper/km]. Zo = 402 [ohm].
C - As constantes de fase serão:
I H. Admitindo-se que a linha do Exerç .. 10 tenha um comprimento
a - linha real de l = 600 [km] e opere com tensão no receptor 'constante igual a 380 [V],
. entre fases, determinar:.
Im {"Y} = {3 = 1,276 X 10- 3 [md/km];
a - qual deve ser a tensão no transmissor quando a linha opera em
b - linha ideal vazio,s fim de que o valor da tensão no receptor não seja ultrap8.ssado?
b - qual o valor da corrente de carga da linha quando esta opera
(3 = 1,272 X 10- 2 [rad/km].
em vazio?
D - pela Eq. (3.56b): c - quais os valores em módulo e fase, das ondas diretas e refletidas,
ainda operando em va;o;io?
w d - qual o valor da tensão, em módulo e fase, no receptor, quando
v=-'
{3' a linha vazia é ligada a um barramento de tensão entre fases igual a 400000
[V] ?
e - calcular o valor da corrente de carga da linha nas condições do
a - linha real
itemd.
377
v 1,276 X 10-a = 295000 [km/s); Solução

b - linha id eal a - Empregamos a expressão:

377 [V) (Eq.3.69)


v = -1,-27-2=--X-1-0--a = 296000 [kmfs].
106 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
3.5 - EXERCICIOS 107

(Eq. 3.70)

uu
como:
. Úo
110 = ysenh'Yl;
c
= cos yl = cos h (al + j{3l) =
logu,
= cos h al cos {31 +j sen h al sen {3l, 380000
I e+i3.98 . 0,69498 el86.S310
teremos: 10 = v'3 X 403,9
U1 = U2 (cos h al cos {31 +j seJ'al sen {3l.)
ÍlO = 377,5039 eiso . m o [A);
Do exercício anterior obtemos:
c - as componentes da tensão serão de acordo com a Eq. (3.69):
y= },279 . 10- 3 eiS6•02
U
U. ld = Ú'
_ 2 e "fI =: _ 2 eal eif31
para 2 2

1 = 600 [km], yl = 0,7674 eiS6•02 = 0,05326 + jO,76555 [ k~ ] U lr =


Ú2
- e-"f
'l U?
_ - e-aI (;,'f31
2 .
2
como:
Introduzindo os valores numéricos:
cos h -yl = cos h al cos (31 + j sen h al sen {3l
. 380000
sen h 1'l sen h al cos (3l + j codàl sen {3l. U ld = eO,OS326 ei43.863° = 11;j 097,37 ei43.863°
= 2v'3
Portanto:
380000
cos h al = cos h 0,05326 = 1,00142 Ulr = --=c-- (;0.05326 e-j43.S63 = 104006,97 e-43.863°
2v'3
sen h al = sen h 0,05326 = 0,05329
uu
cos (3l = cos 0,76555 = cos 43,863° = 0,721
sen (3l = sen 0,76555 = sen 43°,863° = 0,69294 Ul d = 83417,658 + j80170,915
e Ulr = 74988,894 - :i72070,212.
cos h'Yl = 0,72202 + jO,03693 = 0,72296 ei2.92So Portanto:
sen h 1l = 0,03842 + jO,69392 = 0,69498 ei86.S310
Úl = Údl + iIrl = 158406,55 + j8100,703 = 158613,544 ei2.928°

I
Teremos:
d - as componentes da corrente serão, de acordo com a EC]. (3.70):
U·1 .. h.
U2 cos 'Yl
380 000 6 '2 2So
v'3 - . 0,7229 e,·9 tJz '
J•ld [Jo'l
= =
= e"l
-.~- = - . - eal e-Jf31
'2Zc 2Zc
Ü1 = 158612,44 ei2.92So [V];

b - a corrente de carga da linha será:

~ iJ
108 TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3 3.5 - EXERCICIOS 109

Introduzindo os valores numéricos: (Eq.3.99)

. 380000 o valor de Zo depende da composição dos condutores de fase. Assim:


Ild = 2v3 X 403,9 a - condutores singelos:
= 286,4.51 ei47.843· [A] Zo = 4000hm - U2~ = 775 000 [V];
b - condutores geminados:
380000
_---::=-_---,:-:-_ e}3.98 e-0.5326 e--143.863 =
2V3 X 403,9 Zo = 320 ohm - U2~ = 693000 [V];
c - condutores trigeminados:
= 257,507 e- M883 ° [A);
Zo = 2800hm - U2~ = 648000 [V];
logo,
. . . d - condutores; quadrigeminados:
lJo = Ild + I lr = 192,255 + j212,348 - 197,602 + j377,469
. Zo = 2400hm - U2). = 600· 000 [V].
Íl o = - 5,34665 + j377,469 = 377,507 ei90.811° [A], As tensões normaliza.da,s (IEC) que mais se aproximam dos valores
acima são 500 [kV] e 750 [kVJ, para transmitir em corrente alternada.
Da Eq. (3.69), passando U 1 a referência: Tudo indica que, no caso particular, o emprego de corrente contínua" mere-
ce também um exame económico criterioso.

13. As Eqs. (3.51) e (3.52) permitem calcular as tensões é 'correntes


em qualquer ponto da linha, situados a uma distância x do receptor e conhe-
400000 1. cjdas .as condi(;ões neste. Dete,rmin!1r expressões que permitam calcular
V3 0,72296 e12.928° U 2 e 1 2 , qmmdo são conhecidos UI e I I, no transmissor, sito a uma distância
l [km] do receptor.
U 2 = 319436,91 e- i 2.928 [VJ;
14. Qual o valor da corrente de curto-circuito trifásico permanen-
e - empregando . te quando, no transmissor da linha do Exerc. 10, for aplicada a tensão
400 000 [V]? O curto-circuito é junto ao receptor,
(Eq.3.70) Solução
Da Eq. (3.79), que pode ser posta sob forma hiperbólica, temos:
Í 10 =
319 436,91 e-i2.928 (0,69498 e-186.831)
400 000
U1ee
403,9 e- J3 • 98 I Zee = -:.:-..:=,--:
Ze senh'yl V3 X 403,9 X e-i3 • 98 X 0,69498 ei86.831'

I lo = 551,01 e-i87·883° [A]. operando, encontramos:


12. Pretende-se transportar uma potência de 1 500 [:\IW] a uma dis- Í 2ee .= 822,72 e--i82.81° [A].
tância de 800 [km] através de urna linha aérea de transmissão, com cir-
cuito simples e cabos aluIlÚnio-aço. Qual a tensão normalizada mais re- 15. Qual deverá ser a tensão no transmissor da linha do Exerc. 10
comendada? quando a tensão no barramento receptor for de 380 [kV], estando a linha
fornecendo:
Solução
a - potência ,igual à potência característica;
\
A escolha dessas tensões, bem corno da compOSlçao dos condutores b - potência igual a 0,8 de sua potência ca.racterística;
de fase, deve basear-se em fatores económicos. No entanto, para fins de
ori~n~ação preliminar, podemos lançar mãos da expressão:
G - potência ~gual a 1,2 de sua potência carapterística.
no ii
TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA CAP. 3
3.5 - EXERCíCIOS c ., 11

Solução
Aplicando a Eq. (3.51), teremos:
a - Potência característica da linha;
U] = (;2 + i2ie e'Y! + U2 - Í2 Ze e-'Í'!
2 2

como:

Ze = 403,9 e+f3 ,98 [ohm] (ver Exerc. 10),

temos: Introduzindo os valores de U2 , I 2 Z. al e (31, teremos:

(38~r 219 650 + 544 e+ j3 •98 X 403,9 e- j3 ,98


2
!f2e = 4;{,: (cos3,98 +j sen3,98)

4825 X 101o
l:12e = ' 403,9 (0,9976 +jO,0698) = 119,5 X 10 6 e+j 3.98 [VA] 219 650 elO + 435,2 e+ j3 ,98 X 403,9 e-i 3.98
2
N 2e = 1,195 X 10 8 (0,9976 - jO,0698)

N2e = (1,192 - jO,0834) 108 [VA) Ú2 + i';'z. 219 650 elo + 652,8 e+i 3.98 X 403,9 e-i3098
3
P2e = 119,2 [MW} 2 2
.. = 241 658 eiO •
Q2e = - 8,34 [MVAr].
Igualmente:
Teremos então:
1
_ U2 - i2 Ze
2 = O;
- N' 2e = 119,5 e- j 3.98 [MV A];

2 - N"2 e = 95,6 e- j3 ,98 [MVA];


21,936 ei°j
3 - N"'2 e = 143,4 e- a.98 j
[MVA].

As correntes no receptor serão:


1
• 119 5 X 10 6 e+j3 ,98 .
1 - ['2 = 38
X 10 4/v13 = 544 e+
j3
,98 [A];
Temos também, empregando as tabelas do Ap. I:

2 _ Í"2 = 95,6 X 10 6 e+ j3 ,98


eaZ = e(0.0867·10-3) 600 = eO• 062 = 1,0513
38 X 104/v'3 = 435,2 e+j3 ,98 [A];

3 _ 1'''2 == 143,4 X 10 6 e..i3 ,98 e jP! = ei(I.276 10- 3) 600 = 310.7656 = e+i43,87°
38 X 104/v'3 - = 652,8 et-i3,98 [Aj.
;3.6 - BIBLIOGRAFIA 113
'TEORIA DA TRANSMISSÃO DA ENERGIA EL~TRICA CAP. 3

logo, a - tensão e corrente no transmissor;


b - ondas diretas e ondas refleti das da tensão;
1 Úí = 219650 ei0 • 1.0513 . ei43.87° = 230 918 ei43 • 3S7° [V]; c - potência absorvida no receptor.
2 - Ú'í = 197713 eio . 10513 . ej43.87 + 21,936 eio . 0,95123 ei43.87 20. :\Iostrar que, de uma linha ideal operando com uma carga tal que
o fatal' de reflexão de onda seja 0,5, os diagramas polares das tensões o
D'í = 207 856 el43 •87 + 20 866 e-i43.87 correntes são elipses.
Ú~ = 228730 ei43.9° [V];
3.6 - BIBLIOGRAFIA
3 - Ú'í' = 241658 ,elo. 1 0513 . ej43.87 + 22008 ei18Q • 0,95123 . e-iU.87°
1 - VIDMAR, MILAN - Die Gestalt der Elektrischen Freileitung. Verlag Birkhauser,
Ú'í' = 254055 ei43.87° + 20935 ei136.13o Basiléia, Suíça, 1952.
2 - JOHNSON W. C. - Transmission Lines and Networks. McGraw-HiII Boo1i: Coo
Ú~' = 254 946 ei533° [V]. - Ko~akusha Coo Ltd., Tóquio. International student Edition. Reimpr.essão
da edição original de 1950.
$ - BEWLEY, L V. - Trave/ling Waves on Transmission Systems. Publ. Dover, Nova
16. Qual o valor, em módulo e fase, da corrente no início da linha, Iorque, 1963.
para aS cargas especificadas no Probl. 15.
.4 - GREENWOOD, ALLAN - Eleclrical Transienls in Power Syslems. vViley Inters-
cience, N"ova Iorque, 1971.
17. Calcular a tensão e a corrente no 1ll1ClO da linha do Exerc. 10, 5 - HEDMAN,D. E. - Propagation on Overhead Transmission Lines - L IEEE
quando ela fornece uma carga de 80 + j60 [iVIVA] sob a tensão de 400 Transactions, Nova Iorque, março 1965.
[kV] no receptor.
6 - GUILLE, A. E. e P ATERSON, W. - Eletrical Power Systems. Oliver e Boyd, Edin-
burg, 1969. Vol. 1. .
18. Uma linha de transmissão a circuito simples, 60 [c/s], com um 7 - REZA, F. M. e SEELY, S. - Modem Ne.tworks Analysis. McGraw-HiII Book Co.,
comprimento de 362 km, entrega uma potência de 125 [MW] a um bar~ Nova Iorque, 1959.
ramento em 200 fkV], sob fator de carga de 95% IND. Calcular as ten. B - WADDICOR, H. - The Principies of Electric Power Transmission. Chapman e
sões incidentes e refletidas no receptor e no transmissor. Determinar a Hall. Londres, 1964.
tensão entre fases no transmissor, a partir das tensões incidentes e refle. B - CENTRAL STATION ENGINEERS - Eleclrical Transmission and Distribution ~efe­
tidas. São dados: rence Book. Westinghouse, East Pittsburg, 1950.
10 - NETUSHIL, A. V. e STRAJOV, S. V. - Principios de Electrotecnia. Editorial Cartago,
r = 0,107 [ohm/kmli Buenos Aires 1959, Vol. 2.
11 - HUBERT, F. J. e GENT, M. R. - Hal} Wavelength Power Transmission Lines. IEEE
L = 1,355 [mH/km]; Spectrum, jan. 1965.
12 - DUBOIS, E. W. et a!. - E:clra Long Distance Transmission. AIEE - Transac-
C = 0,00845 [,uF/km). tions Power Apparatus and Systems, Nova Iorque, 1962.
13 - KAHNT, RUDOLF - Technishe und Wirtschaftliche Gesichts Punkle fur die Energie
19. A linha de transmissão descrita no Exerc. 10 deve operar com os Übertragung mit Hochstspannungen. Siemens Zeitschrift, Erlangen, Alemanha,
seguintes regimes de carga, mantendo-se D2 = 380 [kV] no receptor: set. 1966.

a - P2 = 300 000 [kW], cos CP2 = 0,9 IND;

b- P2 = 360 000 [kW], cos CP2 = 1,0;


c - P 2 = 420 000 [kW], cos CP2 = 0,9 IND~
, I

, Determinar, para cada um dos regimes de carga:


4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES 115

Estas, como já foi mencionado, são, nos modernos sistemas de energia


elétrica, suficientemente equilibradas para que, em cálculo de desempenho,
possam ser representadas através de circuitos unipol"ares, constituídos de
fase e neutro, admitindo-se este último como não possuindo parâmetros
elétricos.
De um modo geral,' no cálculo elétrico das linhas de transmissão
objetivamos:
a - conhecidas (ou especificadas) tensões e correntes em um ponto ~
da linha, determinar essas mesmas grandezas em outro ponto da linha;

Cálculo Prático b - conhecidas (ou especificadas) potências ativas e reativas em um


ponto da linha, determinar essas grandezas em outro ponto da linha;
c - a determinação de grandezas de desempenho: regulação, ren-
das Linhas de Transmissão dimentos, ângulos de potência, número de falhas em seu isolamento devi-
das a sobretensões, radio interferência etc.;
d - estudo de compensação para correção de desempenho.
Os métodos de cálculo atualmente empregados podem ser resumidos
4.1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS nos seguintes~
No capítulo anterior foram deduzidas as equações gerais e, portanto, A - métodos analíticos (modelos matemáticos)
exatas das linhas de transmissão. Para tanto, consideramos os parâme-
tros elétricos das linhas como uniformemente distribuídos, o que, como a - manuais;
veremos, mesmo não sendo rigorosamente exato, não invalida as expres- b - por computadores digitais;
sões obtidas. Nos cálculos das linhas de transmissão procura-se, em geral,
obter valores de tensões, correntes, potências etc. com erros inferiores a B - gráficos;
0,5%, cé essa precisão que dita, geralmente, a necessidade de emprego
de processos mais ou menos exatos e, por conseguinte, mais ou menos tra- C - modelos elétricos analógicos.
balhosos. Esses processos, veremos, todos deriváveis do processo ana- A. eüciência de uns e outros baseia-se na nossa habilidade na escolha
lítico rigoroso, apenas admitem hipóteses simplificativas quanto à neces- dos circuitos equivalentes adequados a cada caso.
sidade ou não de se considerarem todos os parâmetros distribuídos ou não.
A relação entre o comprimento real da linha e o seu comprimento de onda
é fundamental na escolha dos processos de cálculo: quanto maior essa re- 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES'
lação, mais rigoroso deverá ser o processo de cálculo.
Linhas de transmissão de energia eléjJ:ica normalmente fazem parte As equações gerais das linhas de transmissão, (3.51) e (3.52), podem
de si.stemas elétricos mais ou menos complexos e, como tal, devem ser re- ser remanejadas e 'postas na forma abaixo. Nos cálculos de desempenho,
presentáveis através de seus circuitos equivalentes ou modelos matemá- normalmente o comprimento das linhas já está especificado entre transmis-
ticos, donde a necessidade de fazê-lo dê forma mais simples e racional, sor e receptor, o que nos permite, igualmente, uma ligeira mudança de no-
compatível com o grau de precisão almejado. tação.
As equações, conforme foram deduzidas no capítulo anterior se apre-
sentam de forma pouco prática para uso em cálculos correntes. Prova (4.1)
disso tivemos através de alguns dos exercícios apresentados. Veremos
agora, através de hipóteses simplificativas devidamente justificadas,
como poderemos representar as linhas através de circuitos elétricos equi-
valentes e os respectivos modelos matemáticos.
A partir de agora, a nã~ser que venha expressamente especificado ) [A]. (4.2)
de modo diferente, trataremos exclusivamente de linhas aéreas trifásicas.
116 CALCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
4.2 - RELAÇOES ENTRE TENSOES E CORRENTES 111

I Nestas valem:

ÚI [V] e ÍI [A] - tensão entre fase e neutro e corrente na fase, repre-


sentadas por seus fasores, junto ao transmissor
As funções hiperbólicas admitem sua expansão em série:

(4.9)
Ú2 [V] e Í 2 [A] - idem,junto ao receptor

1 [km] - comprimento da linha.


(4.10)
Portanto, as Eqs. (4.1) e (4.2) são equações exatas das linhas de trans-
missão, consideradas com parâmetros distribuídos. Conhecidas as tensões
e correntes no receptor, podemos determiná-las no transmissor. Sua so- Essas séries são rapidamente convergentes, conforme mostra um caso
lução simultânea nos dá expressões que permitem calcular as ten§ões e típico ilustrado na Tab. 4.1.
correntes no receptor, quando são estipuladas aquelas no transmissor. Essa observação nos permite, em função do comprimento das linhas,
Lembrando a forma exponencial das funções hiperbólicas, as Eqs. procurar circuitos equivalentes e métodos dec~Jculo simplificados, basea-
(4.1) e (4.2) podem ser postas sob a seguinte forma: dos no número de elementos da expansão em série a considerar nos cál-
culos. É o que faremos a seguir, inicialmente com linhas de pequeno
ÚI = Ú2 cosh i l + j 2ZC senh il [V] (4.3) comprimento.
Convém, a esta altura, antes de prosseguirmos, introduzir o conceito
.. O
II = 1 2 cosh 1'l + z:2 senh i'l [A]. (4.4)
de regulação de linha. Definimos:

Tabela 4.1 - Exemplo de Convergência de Termos das Séries de cosh ii


Sua recíproca será: e senh 71

(4.5) 1 (vzy)2 (VZf)3


[kml
11 = vzy 2! 3!
.• UI
12 =Ilcosh1'l- te senh1'l [A].
50 0,06447034 0,002078212 0,000044610
100 0,12894084 0,008312870 0,000357289
Como 7 = a + J/3, (Eq. 3.56), por definição: 150 0,19341126 0,018703958 0,001205852
200 0,25788136 0,033251398 0,002858305
cosh 1'l = cosh (a + j(3) 1 = cosh al cos{3l + j senh al sen{3l (4.7) 250 0,32235171 0,051955312 0,005558263
300 0,38682205 0,074815650 0,009646781
senh 1'l = senh (a + j(3) l = senh al cos,Sl + j cosh al sen{3l. (4.8)
350 0,45129390 0,101832413 0,015318731
Esta forma das equações exatas é de mais fácil manejo numérico. 400 0,51576224 0,133005600 0,022866440
,.
Devemos lembrar que, ao calcularmos {3l, seu resultado virá em radianos \
ARG 84,1° 168,2° 252,3°
::::endo, pois, necessário cuidado no emprego de (4.7) e (4.8).
ViJ;nos. também que i' = vrz1;, portanto,.yl = vTlYl ou 1'l = yZY,
sendo Z e Y, respectivamente a impedância e a admitância totais da linha. "Regulação de tensão de uma linha, em um determinado regime de car-
Portanto: ga, é a variação porcentual entre os módulos das tensões entre transmis-
sor e receptor, com relação a esta última":
cosh1'l = cosh víZY.

senh.yl = senhVZY. (4.11)


118 CALCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES

Seu valor depende do regime de carga da linha, principalmente da


potência reativa transmitida, como também dos parâmetros elétricos das
linhas. Poderá ser positivo ou negativo, como, por ex-emplo, nas linhas
médias ou longas que operam em vazio, ou com potências reduzidas. Pode
ser controlado atuando-se sobre o fator de potência da carga, ou sobre os
parâmetros das linhas, como veremos. Uma ou outra solução tem impli- ')
cações econômicas importantes, merecendo nossa atenção.

4.2.1 - Linhas Curtas


Fig. 4.1 - Circuito equivalente de uma linha curta.
É o nome genérico dado àquelas linhas cujo comprimento e caracte-
rísticas sejam tais que somente os primeiros termos de cada série tenham Vemos que, além de estarmos representando seus parâmetros de forma
valor significativo. Isso depende principalmpnte do comprimento 7 [km] concentrada, ainda podemos desprezar inteiramente os efeitos da condu-
da linha, como também do valor absoluto de 17, em menor g-rau. Este tibilidade G e da capacitância C.
último aumenta com o aumento da tensão nas linhas. Se, em (4.3) e (4.4), O diagrama vetorial correspondente está indicado na Fig. 4.2.
substituirmos os cosh 1l e scnh 11, respectivamente, pelo primeiro termo
da série (4.9) e (4.10), teremos:

ou

o ~~----~~--------------------------c
(4.12)

. .
II = 12 + z:Ü 2 rr;;;-'
V Zy = 12
.
+ U2"VZ-
rY . V ~
zy

ÍI = Í2 + Ú2 Y [AJ. Fig. 4.2 - Diagrama vetorial da Unha curta em carga.

Como, nos caso~ desse tipo, o produto Ú2 Y é muito pequeno, comparado O ângulo de potência () entre as tensões Ú~e Ü2 é de grande impor-
com o valor de 1 2 , ele pode ser desprezado. Neste caso, a equação das cor- tância em estudos de estabilidade. Seu valor pode ser obtido, para linhas
ren tes será: curtas, diretamente da Eq. (4.15), deduzível da Fig. 4.2:

(4.13) _ _ _I..::.2....:.(X-=-2....:.c.:....os~1/;=-2-:--_R_s....:.e_n~1/;~2~)o---
() = are tg (4.15)
U2 + 12 (-"Y'1 sen 1/;2 + R cos 1/;2)
ou, resolvendo (4.12) e (4.13) simultaneamente,
O estabelecimento de limites de comprimento das linhas ou de tensões
(4.14) para os quais se podem empregar o método de cálculo preconizado acima
é um tanto subj.etivo e depende da sensibilidade e prática do calculista,
como em tantos outros problemas de engenharia. A esse respeito, inclu-
Ao examinarmos as Eqs. (4.12) e (4.13), vemos que representam um sive, há alguma divergência por parte dos vários autores de textos didá-
modelo matemático de um circuito-série. O circuito equivalente de uma ticos sobre linhas. Uma orientação cabe aqui; será, para alguns, um tanto
linha curta é aquele indicado na Fig. 4.1. conservadora, enquanto que outros poderão julgá-la um tanto audaciosa:
120 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS'DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSOES E CORRENTES 121

- para linhas até 150 [kV], comprimentos máximos de 60 a 80 a - Circuito Tee


quilôm etros;
- para linhas com tensões maiores ou iguais a 150 [kVJ, porém me-
nores do que 400 [kV], comprimentos máximos de 40 quilômetros;
- para linhas em tensões iguais ou maiores do que 490 [kV], compri- 2

mentos máximos de 20 quilômetros.

4.2.2 - Linhas Médias

Quando os comprimentos ou as tensões das linhas ultrapassam os


limites acima estabelecidos, tudo jndica que dois ou mais termos das séries ~----------------------~~----------------------~2
b
devam ser USa90S. Quando o segundo termo não for insignificante peran-
te o primeiro termo, mas s@ o terceiro o for, a linha poderá ser classificada
corno linha média, ainda dentro desse critério clássico. As Eqs. (4.3) e Fig. 4.3 - Circuito Tee de uma linha de transmissão.
(4.4), nas quais as funções hiperbólicas foram substituídas pelos dois pri-
meiros termos das séries, se tornam:
Suas equações, cuja dedução deixamos de fazer, uma vez que pode
ser encontrada na maioria dos textos básicos de circuitos elétricos, são
as seguintes:

.
VI =
. ( ZY) +I..Z (1 +-4-
V 2 1 +-2- ZY) [V]
2 (4.18)

. . (1 +-2-
II = 1 2
,ZY) + V..Y[A]. 2 (4.19)
Efetuando as operações indicadas e simplificando, obteremos:
b - r!ircuito Pi

VI = iJ 2 ( 1+ zt) + Í Z (1 + zt) [V]


2 (4.16)

II = 1 2 ZY) + V..Y (1 + -6-,


(1 + -2- 2
ZY) [A], (4.17)
-
4~
i,
________ ~ ______,\
R XL
--- i2
2

B
2" Uz

o circuito equivalente que buscamos para as linhas médias deverá


ser simples, principalmente tendo em vista que deverá representar as linhas
em circuitos bastante complexos dos sistemas de energia elétrica." ~---------4--------------------------------~--------~2
Deparamos com dois circuitos bastante conhecidos dos cursos de cir-
cuit-Os elétricos. lFig. 4.4 - Circuito Pi de 1tma linha de transmissão,
122 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.2 - RELAÇÕES ENTRE TENSÕES E CORRENTES 123

Suas equações são as seguintes: BARRA


BARRA ADICIONAL BARRA j

(4.20)
~~õ~~/o2õJ
. 1. (1 + -2-
II = 2
ZY) + U..Y (1 + 4ZY) [A).
2 (4.21)

Comparando as Eqs. (4.18, (4.19), (4.20) e (4.21) com as Eqs. (4.16)


e (4.17), verificamos serem pequenas as diferellç,as entre as mesmas, prin-
cipalmente se considerarmos que o produto

pica, calculada pelos três sistemas de equações.


ZY
é QastaIJ.te pequeno. A
Tab. 4.2 dá uma idéia de diferenças de valores de U I e I I para linhas tí- I o J CIRCUITO

BARRA
Te.

i B"'RRA

Tabela 4.2.....:... Resultados COIuparativos dos Valores Calculados para uma Linha
Típica Média

Circuito UI ÍI

Eqs. (4.20) e (4.21) 83500 (6,7° 205,145 [-11,402°

Eqs. (4.18) e (4.19) 83472 /6,7° 205,920 [-11,337° bJ CI RCUITO pi

Eqs. (4.16) e (4.17) 83493 /6,692° 205,305 L-11,524° Fig. 4.5 - Diferenças entre circuitos Tee e Pi para efeito de inclusão das linhas em sis-
temas de energia elétrica.

Mesmo que ambos os circuitos sejam aceitáveis, prefere-se hoje o Quanto aos seus limites de emprego, indicamos a título de orientação:
~'Ir
circuito Pi como representativo das linhas médias, pois, ao estabelecer
os modelos matemáticos de grandes sistemas, o circuito Tee obrigaria o para linhas entre 150 [kV] e 400 IkV] e comprtmentos até 200 [kV);
estabelecimento de mais uma ba.rra ou nó por linha de transmissão incluída, para linhas acima de 400 [kV) e comprimentos inferiores a 100 [kV].
o que se traduz em um aumento correspondente do número de equações no
modelo do sistema. A Fig. 4.5 mostra a razão disso.
Tanto os circuitos Tee como Pi podem ser usados em cálculos isola- 4.2.3 - Linhas Longas
dos de desempenho das linhas, porém, visando à facilidade de coleta dos
elementos para a organização dos modelos matemáticos dos sistemas, é São aquelas em cujo cálculo os processos das linhas curtas e médias
conveniente, também nos cálCulos isolados, o emprego dos circuitos Pi. são considerados insuficientemente precisos para os fins desejados.
Em ambos observamos que, mesmo que não tenha sido possível aban- Para estas devemos empregar, nos cálculos isolados, as equações exa-
donar os parâmetros em derivação (admitância), todos os parâmetros tas das linhas, ou em sua forma exponencial - Eqs. (4.1) e (4.2) - ou em
elétricos continuam sendo. representados de forma concentrada, sendo sua forma hiperbólica - Eqs. (4.3) e (4.4).
desnecessário considerar os efeitos de sua distribuição. Na maioria dos Sua representação nos circuitos dos sistemas de energia elétrica e sua
casos práticos, a condutância de dispersão G é suficientemente pequena inclusão nos modelos matemáticos dos mesmos exigem uma representa-
para poder ser desprezada. ção por circuitos equivalentes.
Autores há que não recomendam o emprego dos circuitos Pi em cál- Admitamos que um circuito Pj: possa ser utilizado para esse fim,
culos isolados, sob a alegação de que o trabalho envolvido com seu empre- dr'sde que, em seus parâmetros elétricos, efetuemos as necessárias c.or-
go equivale àquele envolvido com o emprego das Eqs. (4.3) e (4.4), sem, l"I'(,'õr.s para ter em devida conta o. efeito de sua distribvição ao. longo da
no entanto, possuir o mesmo grau de precisão. linha. Sejam, respectivamente, Z' as impedâncias e Y' as admitâncias
124 CALCULO PRATiCO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRiPOLOS 125

totais da linha, corrigidas devidamente, e procuremos o fato r de corre- ou


ção a empregar. A Eq. (4.20) passará a ser escrita da seguinte forma:
i' = z ~e~~ tl [ohm]. (4.27)

I
(4.22)
As Eqs. (4.27) e (4.28) nos permitem concluir que o circuito Pi é ade-
quado para a representaçp.o d~s linhas longas, em regime permanente,
Se compararmos (4.22) com (4.3), veremos que: desde que os valores de Z e Y/2 sejam adequadamente corrigidos, para
1,I retratar a condição de parârpetros çlistribuídos. Os fatores de correção
Z'Y' I
cosh i'l = 1 + -2- (4.23)
ii
que devem ser aplicados a Z e a Yj2 são, respectivamente:

'. ! ti
Zc sen i'l= Z'. tgh-
senh 1'l 2
il e i1
Resolvendo simultaneamente para obter V'/2, encontraremos:
2
cosh i'l - 1 Esses fatores, para valores pequenos de 1l, se tornam unitários.
(4.24)
senhi'1
Os circuitos com parâmetros corrigidos recebem o nome de circuitos
Pi equivalentes, para diferenciá-los dos anteriores, designados como cir-
ou cuitos Pi nominais. De forma análoga será possível est.abelecer, igualmen-
te, circuitos Tee equivalentes.
-
Y' 1
= --.- tgh -
i'1
[siemens]. (4.25) Na prática, em se t.ratando de linhas bem dimensionadas, nas quais
2 Zc 2 o valor da condutânciD, de dispersão 'G é insignificante, também no caso
das linhas longas, esse parâmetro pode ser desprezado.
Por outro lado, temos que:
N a literatura especializada encontramos diversos processos para a
simplificação dos cálculos das linhas longas, mediante uso de curvas pré-cal-
1 1 lV;; li; Y culadas, como, por exemplo, nas referências [3] e [9], no final deste capítulo.
z: = Vi/ii VZiY I Vzy I Vii; = li'
4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS.
que, se introduzida em ~4.26)..l resulta. em:
Como vimos nos itens anteriores, uma linha, de transmissão trifásica
}r' Y i'1 pode ser representada por um circuito consist.indo em dois terminais atra-
2 li' tgh 2 vés dos quais a energia elétrica penetra na linha, que designamos por trans-
missor, e por dois t.erminais através dos quais a enürgia elétrica deixa a
uu linha, designados por receptor. Dadas as suas características próprias,
os circuitos que represohtam as linhas podem ser classificados como cir-
1/ J cuitos a dois portos ou quarltipol(js, que conhecemos da teoria da análise
tgh -
2 de circuitos elétricos. De acordo com essa mesma teoria, um circuito
[siemens]. (4.26)
2 2 i'i desse tipo pode S0r definido por seis pares de equações lineares, todas elas
2 inter-relacionadas entre si:

De (4.25) podemos obter: ÚI = ZI (Í I , Í 2 ) II = iiI (Ú 1 , []2)

[}2 = Z2 (Í I , Í 2 ) 12 i12 (r\, ;)2)


Z' = -7-jy. senh '"VI
v 2m
= zl senh -rl
ly ii; ál (Í'2' j~) bl ( [ \ , ii)
I
ÚI = U2 =
126 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO aUADRIPOLOS 127

. .. . .
12 = b2 (U], 12) ou, adotando a forma matricial,
I] QJ (É J, Í 2 ) U1 = h (U 2 , i l )
J
.. ...... (4.32)
Ú2 = Ih (E], Í 2) 12 = h2 (U 2 , II)

Essas equações possuem, cada qual, duas variáveis independentes Igualmente, se considerarmos UI e lIas vanaveis independentes e
e duas variáveis dependentes relacionadas entre si pelos parâmetros dos U 2 e Í 2 as variáveis dependentes, a solução de (4.30) e (4.31) nos dará:
respectivos circuitos, aos quais as seguintes restrições são impostas:
a - devem possuir apenas uma entrada e uma saída, representadas U=
2 iJu J - Éi] [V] (4.33)
por dois pares de terminais, podendo um deles ser comum a ambos;
b- devem ser passivos, o que exclui a presença de fontes de tensão;
12 = - éu] + ÃÍ] [A] (4.34)

c - devem ser lineares, a fim de que a sua sa~da (resposta) tenha a que correspondem ao par:
mesma forma que o estímulo aplicado fi, entrada, exigindo pois, impedân- .. .....
cias e admitâncias de valores constan tes independentes do valor da cor- U 2 = b] (U], I]) (4.35)
rente e da tensão a elas aplicados. Estão excluídos, portanto, reatores .. .....
de núcleo de ferro, podendo incluir transformadores, desde que sua cor- 12 =b2 (U],I 1) (4.36)
rente de magnetização seja considerada linear, ou mesmo desprezada;
Ou
d - devem ser bilaterais, significando que sua resposta a um esti-
mulo aplicado a um par de terminais é a mesma que a um estímulo apli-
cado ao outro. Essa exigência exclui os retificadores de corrente. [D -:-~] [~1] (4.37)
-C A II
Se Ü2 e Í2. do guadripolo da Fig. 4.6 forem consideradas variáveis sendo necessário lembrar que, em circuitos simétricos, temos sempre:
independentes U 1 e 1 1 serão suas vari.áveis dependentes, .relacionadas com
as primeiras através da impedância Z e a admitância Y do circuito; ele
(4.38)
fica definido pelo par de equações:
Uma outra propriedade dos quadripolos a ser lembrada é que vale sempre:
iI] = á cr)2, j2)
J (4.28)

i1 = â2 (['2, Í 2 ), (4.29) [~ ~] = ÁÍJ - se = 1. (4.39)


ou seja,
As linhas de transmissão satisfazem inteiramente às condições res-
U J = AU 2 + Êj2 (4.30)
tritivas impostas aos quadripolos no início deste estudo. Sua represen-
tação como quadripolos não somente é perfeitamente possível como con-
Íl = éÜ 2 + Dj2' (4.31)
veniente, pois o modelo matemático assim obtido - definido pelas Eqs.
(4.32) e (4.37) - é bastallte .fle?Óvel: As características das linhas são
definidas pelas constantes A, B, C e D, que recebem o nome de constantes
generalizadas das linhas de transmissão. A facilidade com que diversos
4 quadripolos podem ser associados, para sua representação por um modelo
----t- 4 2 ~
matemático único, constitui urna vantagem adicional na análise de pro-

1
J

l' 2'
\1 blemas que envolvem linhas e equipamento terminal ou de compensação,
como um todo.
As constantes generalizadas das linhas serão definidas da seguin-
Ite forma:
A - Linhas curtas - Se compararmos a Eq. (4.30) com a Eq. (4.12),
Fig. 4.6 - Quadripolo típico. encontraremos:
128 CALCULO PRATICO DAS liNHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 129

(4.40) ou
(4.50)
. e, comparando (4.31) com (4.13), teremos:

é=o
e (4.41) ou, se desejarmos representar o cir.cuitÇ> Pi equivalente, as equações serão
(4.45) e (4.46), com os valores de Z e Y /2 corrigidos para representar a dis-
D=l.
tribuição dos parâmetros, como foi visto no Item 4.2.4.
A equação na formá matricial será:

(4.42) 4.3.1 - Interpretação do Significado das Constantes das Linhas de


TransIllissão

B - Linhas médias - Os valores das constantes generalizadas, se


compararmos as Eqs. (4.12) e (4.13) com as equações correspondentes As constantes generalizadas das linhas de transmissão em corrente
aplicáveis aos circuitos Tee nominal e Pi nominal, serão: alternada são geralmente números complexos. Nessas condições, pode-
remos defini-las como:
a - Circuito Tee...lIOminal
Â= a' +j ati = Á ei13 A (4.51a).
Á + Z{ ; É Z(1 + Y
Z4 ) (4.43) . .
= 1 =
B = + j b" = B eif3
b' B (4.51b)

C = Y; ÍJ = 1 + ZY (4.44)
é = o' + j c" = é ei130 (4.51c)
2
D = d' + j d" = a' + ja" = D ei13D = Aeif3 ,i. (4.51d)
b - Circuito Pi nominal

Á = 1 + ZY .
2 '
É= Z (4.45)

C= Y
. . ( 1 +-4-
ZY).
; D = 1
ZY
+ -2- (4.46)

C - Linhas longas - As constantes generalizadas das linhas lon-


gas poderão ser obtidas por comparação das Eqs. (4.12) e (4.13) com as
Eqs. (4.3) e (4.4), obtendo-se:

A = coshi'l'; B = Zc senh-yl (4.47)


C= z:1 senhi'l e D
.
= cosh-Yl. (4.48)

Teremos então:

~ IJ = [COS hi'l Zc Senhi'l.]


[ I I ~c senh.yl cosh.yl
(4.49)
Fig. 4.7 - Diagrama jasorial do quadripolo em carga.
130 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 131

Uma vez que elas definem o comportamento das linhas em operação, Esta pod~ ser obtida de (4.52) quando a linha opera em curto-circuito
devem possuir um significado físico bem definido. Coloquemos, ini- no receptor (U 2 = O). Representa, pois, €L tensão necessária no transmissor
cialmente, as Eqs. (4.30) e (4.31) sob a seguinte forma: para assegurar a circulação da corrente 1 2 através da impedância da linha,
ou seja, é a queda de t~nsão provocada na impedância distribuída da linha,
ÜI = (a' +ja") iJ 2 + (b ' + jb") Í 2 [V] (4.52) quando esta entrega 1 2 no receptor:

ÍI = (c ' + jc") U2 + (a' + ja") Í 2 [A], (4.53) b' Í 2 é a queda de tensão através da resistência distribuída;
b" Í 2 é a queda de tensão através da reatância indutiva distribuída.
que representamos graficamente a~ravés do diaw.ama da Fig. 4.7, no qual
usamos como referência o fasor U2. . Admita~os aiI}da que o diagrama Seu valor varia de Z = R + j XL nas linhas curtas.a valores consider;-
represente a linha operandQ com uma carga N 2 := P 2 + jQ, sendo CP2 o velmente maiorEs nas linhas longas, dependendo de Zc e de -yl.
ângulo de defasamento de 1 2 , com a relação a U2 ; Finalmente, o triângulo OVZ representa a expressão:
O triângulo OPQ representa a expressão:
ÍJ Í 2 = (d' + jd") 1 2 = Á Í2 = (a' + ja") Í 2;
Á Ú2 = (a' + ja") U2 ,
que é obtida da Eq. (4.53), também para U2 = O. Pode ser interpretada
que é obtida de (4.52) para Í 2 = 0, ou seja, quando a linha opera em vazio. COmo sendo o valor da corrente que a linha absorve no transmissor, quando
É, portapto, o valor da tensão Ú I necessária para manter no receptor a em curto-circuito no receptor e excitada pela tensão:
tensão U2 em operação em vazio;
Ulec = É Í2
a', U2 é a sua componente em fase com U2 a' Í 2 é a ~omponente da corrente de curto-circuito que produz a queda
e ôhmica de tensão (OV//QR);

ali 1 2 a sua componente ortogonal. É a parcela necessária à alimen- a" Í 2 é a componente da corrente de curto-circuito que provoca a
tação do campo elétrico da linha. queda de tensão indutiva (VZ//RS).

O valor absoluto da constante .A decresce com o aumento do compri-


mento das linhas a partir de 1, nas linhas curtas, até valores bem próxi-
mos de zero, para 1 = x/4, para em seguida crescer n~vamen'te, tornando-se 4.3.2 .....:.. Medida Direta das Constantes das Linhas de Transnlissão
maior do que a unidade para l = x/2. No caso deA = 1 + jO, os pontos
P e Q se deslocam para a extremidade do fasor Úi, e o diagrama se con- As constantes generalizadas de uma linha de transmissão, como de
fundirá com o diagrama da Fig. 4.2, da linha curta. qualquer quadripolo, podem ser obtidas através de medidas efetuadas
O triângulo OTW representa a expressão: diretamente em seus terminais.
. . . Uma maneira de se conseguir iESO é sugerida pelas Eqs. (4.30 e (4.31),
C U2 = Ce' + jcl!) U2 , o que, no entanto, envolve a realização simultânea de medidas no receptor
e no transmissor quando a linha opera em curto-circuito e em vazio.
obtida da Eq. (4.53), na qua~ ~e substituiu Í 2' p or 0, correspondendo à ope- Porém, em vista do fato de que as constantes são números complexos, as
ração da linha em. vazio. CU 2 representa, portanto, a corrente de carga diferenças entre os ângulos de fase entre as grandezas a serem medidas
da linha. A componente c' (;2 represent~ a componente da Qorrente atra- em ambas as extremidades devem ser determinadas, o que apresenta di-
vés da condutibilidade g, enquanto que a compon.ente cl! U 2 representa ficuldades. Uma solução mais adequada consiste em medir as impedâncias
a corrente, através da susceptância capacitiva b. C representa, portanto, de admissão no transmissor, com a linha em vazio e em curto-circuito no
°
a admitância da linha, considerando-se os parâmetros distribuídos. Seu
valor, de para as linhas curtas, aumenta com o aumento do valor de -yl.
Seu argumento é, em geral, maior do que 90°, daí o sinal negativo de c'o
receptor, no caso de circuito simétrico (linha pura) e no caso de circuito
assimétrico (podendo, além da linha, incluir transformadores, capacitores
e mesmo reatores), c também a impedância de saída, em vazio e curto-cir-
O triângulo ORS representa a expressão: cuito.
Dividindo (4.30) por (4.31) e considerando:
ÉÍ2 = (b ' + jb") i 2• a - com 12 = ° (vazio)
132 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMiSSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 133

i'JO Á
(4.54) No caso de um circuito simétrico Á = b, basta então realizar as me-
j i
ÍlO = C = Zllc didas no transmissor. Neste caso, a Eq. (4.55) se torna:

ó - com [;2 = O (curto-circuito)


. Ê
Zu c = ~
A (4.59)

então:
(4.55)
. . Á B Á2 - sé 1
Zllo - Zllee = C - A = ÁC = ÃC
A fim de se obterem as expressões das impedâncias no receptor, em-
pregamos (4.33) e (4.35) e devemos inverter o sinal dos termos que envol-
vem as correntes, pois, sendo a tensão aplicada no lado do receptor, o sen-
tido da corrente considerado naquelas equações é oposto àquele que ocor-
rerá durante a medição. logo
Teremos então:
(4.60)
a - para II = O (vazio) podendo as demais constantes ser caleuladas a partir das Eqs. (4.54) e (4.59).

[;20
-.-=~;
D (4.56)
120 C 4.3.3 - Quadripolos Representativos de Outros Componentes
dos Sistemas de Potência
b - para Ú 1 = O (curto-circuito)
Muitas vezes, é interessante incluir no estudo de uma linha de trans-
Z 22ee =
Ú2ee
~- =
13
- .. (4.57)
missão também a influência de seu equipamento terminal e mesmo das
12ee A cargas supridas. Nesse caso, dentro das mesmas restrições apresentadas
no Item 4.3, esses mesmos elementos podem ser representados como qua-
dripolos. São os principais:
Dessas relações teremos:
A - impedâncias em série - de acordo com a Fig. 4.1, à semelhança
da linha curta, valem as expressões (4.40) e (4.41), sendo sua matriz:
. . Á É ÁD - Éé
Zn o - = ~ ~
D = C· D
[~ ;l;
Z11
ce C -
[a] = (4.61)
igualmente:
B - admiUincia em paralelo - neste ca.so, temos:

[\ = U2

logo,
Íl = Í 2 = Ú2 Y;
logo, . "
A 1; B = O; C = Y e D = 1, (4.62)
(4.58)
sendo sua matriz:

Conhecido o valor de D, os valores das demais constantes podem ser


calculados a partir das Eqs. (4.56), (4.55) e (4.54). [a] = [~ ~]; (4.63)
134 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS 135

c - transformadores - conforme lembramos do estudo dos trans-


formadores, estes podem ser representados por seus circuitos equivalentes,
sendo especificamente: circuito Tee e circuito gama.
a - Circuito Tee - De acordo com a Fig. 4.8, considera-se a impe-
dância dividida em dois e concentrada em suas extremidades, enquanto
que a admitância está no meio. ,)
U4

I Yt

(a)
).,
',I
( b)
Yt
1",
-
Zt /2 Z t /2
Fig. 4.9 - Conexões gama de transformadores.
r
Para a conexão a as equações governantes são:
Yt

r" r·' Úi = U2 + 12 Z,
Ii
..
V i Y, +
.
12 = Y t (U2
. .
+ 1 2 Z t) + 12
.
(4.65)

Fig. 4.8 - Circuito T de um transformador. 12 Ú2 Y2 + Í 2 (1 + itye); (4.66)

as constantes serão:
As equações do transmissor são então análogas àquelas apresentadas
para o circuito Tee nominal das linhas [Eqs. (4.43) e (4.44)]: Á 1; B = Zt

Á= 1 + ZtYt ;
2
e a matriz correspondente:
É = Zt ( 1 + i t )
t
:
[a] = [1}rt (4.67)

C = Y;
No caso do circuito b, serão:
D= 1 + ZtYt Úi = Úz (1 + ZtYt) + izz, (4.68)
2
ou sua matriz: ii = ÚzY t + Í z; (4.69)

logo,
(1 + ztt) Zt ( 1 + Z!t') A '= 1 + ZtYL; É = Ze

Y, (1 + z,t e
) (4.64)
e a matriz correspondente:
C= Y e; D = 1

b - Na prática, em geral, é mais conveniente, e com suficiente pr e- (4.70)


cisão, sua representação pelos circuitos gama, representados na Fig. 4.9a e b.
136 CÁLCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRiPOLOS 137

A determinação das impedincias e admitincias dos transformadores 4.3.4 - Constantes Generalizadas de Associações de Quadripolos
. a partir de seus dados de placa e dos resultados de ensaios encontra-se nor-
malmen.te nos textos sobre transformadores. Lembramos, no entanto,
as segumtes relações: É de toda a conveniência, ao se analisar o comportamento de uma linha
longa em vazio, incluir o efeito dos transformadores terminais cuja cor-
rente de magnetização esteja em oposição à corrente de carga da linha,
(4.72a) (:) influenciando os resultados. Devem-se considerar tanto a presença dos
transformadores elevadores sozinhos como também a atuação simultânea
dos transformadores elevadores e abaixadores. Essa análise fica faci-
(4.72b) litada com o uso dos quadripolos.
sendo: Há basicamente cinco formas de associação de quadripolos, a saber:
.:j~
a - em cascata;
!
b - em paralelo;
Rt = 6,Pçc
J2
[h
om] (4.72a)
c - em série;
d - em série-paralelo;
(4.72b) e - em paralelo-série.
As características gerais de tais associações podem ser determinada::;,
em cada caso, em função dos termos dos elementos das matrizes indivi-
6'po [
G'U = --r.J2 ohm] (4.72c) dUl:ds de cada quadripolo, desde que certas condições sejam satisfeitl!-s.
N a análise dos sistemas de energia elétrica, o maior interesse está
concentrado nas duas primeiras formas de associação, as quais examina-
1m [Slemens
. ] remos.
U (4. 72d) '.
a - Associação em casçala. - . Co.nsid~reIl}os . do!s quadripolos, de-
finidos pelas suas constantes AI, BI' CI , DI e AI, B2' C2 , D 2 ,respectivamente.
(4.72e) Conforme mostra a Fig. 4.10, a conexão em cascata é obtida pela conexão
dos terminais de saída de um quadripolo com aqueles de entrada do outro.

nas quais valbm:


U [kV] - tensão nominal entre fases; i.
• - I;,
i i2
II!!

N [kVA]
X~ [1]
-
-
potência nominal, trifásica;
reatância indutiva e,m (%) ou (pu) H,ferida a um dos en.
rolamentos;
~ I··
8, c1
i·1 ~ 82 C2 ;,1 ~,
tlPcc [W] - perdas no cobre, com corrente nominal, por fase; Fig. 4.10 - Dois quadripolos em cascata.

tlPo [W] - perdas em vazio, com tensão nominal, por fase;


Temos, de acordo com (4.32):
lo [A] - corrente total em vazio;
I [A] .- corrente nominal; " .
coseR., - fator de potência em vazio .. [Z: b~J [~] e [~]
138 CALCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 139
4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃO COMO QUADRIPOLOS

[~22] =
Teremos:

Vil - [~] - admitância de entrada para curto-circuito em


+ Éi:2) (Á1B2 + Éj)2)
[~22 ];
= [ (ÁIA2 ] - UI U2=O 2;
(4.73)
(C'tA + D/: (C É + iJJJ
2 2) I 2 2J

Yl2 = - admitância de transferência para curto-circuito


conseqüentemente, para o quadripolo resultante:
em 1;
à = ÁIÁ2 + Bé 2 2 (4.74a)
- admitância de transferência para curto-circuito
B = Ád~2 + BJJ2 (4.74b) em 2; .

C= é Ã + Dé l 2 l 2 (4.74c)
admitância de saída para curto-circuito em 1.
D = CJ3 + DJ)~. 2 (4.74d)
Consideremos as Eqs. (4.30) e (4.31) para um curto-circuito no receptor.
b - Na conexão em paralelo, o estímulo
Associa,ção em paralelo - Teremos (}2 = O e as equações se tornam:
UI é ?omum aos dois quadripolos, cuja resposta é também igual, U 2 , como
na FIg. 4. 11. (4.77)

(4.78)

u~
---- ~

Àj ~ c~ Ô4
--- -=--
U
dividindo a Eq. (4.78) pela (4.77) teremos:
. .
~

. II D
Y 11 = -.- = -.- ' (4.79)
~i~ ii t UI B
-
À2 82 1: 2
- (4.80)
°2
Se considerarmos o quadripolo da Fig. 4.6' em curto-circuito nos ter-
Fig. 4.11 - Dois quadripolos em paralelo. minais 1, a Eq. (4.30) nos permitirá escrever:

Á Ü2 = - É j2
No início deste item foi mencionada a possibilidade de se definir o
quadripolo através de seis pares de equações inter-relacionadas. Até o i .ti A
presente lançamos mão de apenas um par; o segundo será:
2 ou . :Y22 = (4.81)
V2 i3
ÍI = YIl VI + 'YI~ iJ 2 (4.75a)
e igualmente da Eq. (4.30):
j2 = Y Ü + Y Ú2
2I 1 22 (4.75b)

que, em forma matricial, é:


da Eq. (4.31):
[ ~:] . (4.76)
r 140 CÁLCULO PRÃTICO DAS ilNHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4

logo,

[1= r;;
1 2

dividindo j1 por .Ü 21 como Á = iJ; encontraremos: ~!


'I
_ _ 1 o II
(4.82) ·1
É i
I
A Eq. (4.76) torna-se então:
, . fi
11 D 1
Í3 É

1 A
B É
ou
(4.83)

Uma vez que [1'] = [Y'] [U] e [I"'J = [Y"] [U], no caso dos quadripo-
los em paralelo nós temos que:

ÍI = j/ + Í 2' e j2 = Í 2' + Ú'


(4.84a)

qu~, desenvolvida, nos dá:

DI + D2)
(Bt (1 + 1 )
B 2
- RJ É2
(4.84b)

( _~
BI
+~)
B 2
_(~Bl + ~B J 2 )
2

Os parâmetros do quadripolo composto serão:


. . .
. Dl D2 D
Yl l = -.- + -.- = -.-
BJ B2 B
ou

Á = Àd~2 + ÉlÁ2 (4.85a)


RJ + Í3 2
rRANSMISSÃO CAP. 4

Tabela 4.3a - Constantes Generalizadas de Associações de Quadripolos

EQUAÇÕES GERAIS DAS CONSTANTES GENERALIZ ADAS


N~ TIPO DE REDE CIRCUITOS
A B C O
I IMPEDÂNCIA EM S~RIE UI ~U2 I Z o 1

(4.82)
z ADMITÃNCIA EM DERIVAÇÃO
o

UI
c 8 u:z \ o Y 1

~
f
3 TRANSFORMADOR- CIRCUITO
~uz
ZT YT
1+---
z ZT Y T
ZT (1 + - 4 - - ) Y
T 1,.
ZT
Z
YT

~
30 TRANSFORMADOR- CIRCUITO la) UI
8 ZT
Uz 1 ZT YT 1+ ZT V T

(4.83)
3b TRANSFORMADOR - CIRCUITO I b) UI
ZT

$ Uz t .. ZT V T ZT YT 1

~aso dos quadripo- 3c RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO


u~Gz t:N-
.l-
N
O O N

- cosh
ZY
ZY
Z 2 yZ
= . !f senil ZY = ! {J;; Senh ZY ~
4 LINHA DE TRANSMiSSÃO HOMOaÊNEA 1+
2 +24 +. y Zy Z Z YZ
V Z ZY Z2 yZ COMO "A"
= y ( j + - .. - - - " ' .
6 120 =(1 1 + + /120 ....
6
ri/] (4.84a) S CASO GERAL (NETWORK)
UI
IA 8 C DI
U2
A 8 C O

6 REDE EM SÉRIE COM IMPEDÃNCIA 4 A \ 8 1 CI 011 ~3. AI BI'" AI Z2 CI DI" CI Z2

7 IMPEDÃNCIA EM SÉRIE COM REDE ~1-----§:-~i5__ ~iJ--·::_2 AI ~ CI Z I BI' DI Z I CI DI


I I -1--
(4.84b) I
REDE EM SÉRIE COM TRANSFORMADORES EM
UI .-----~__=r U2
i BI + AI Z T2 + DI Z TI" I
8 AMBAS AS EXTREMIDADES-IMPEDANCIAS REFE- _~~AIBICI DI -- AI'CIZT! CI DI + CI ZT2
RIDAS AO LADO DA A T.
+CI Z T2 Z TI !
ZT ZT2
-
REDE EM SÉRIE COM TRANSFORMADORES EM --1-I BI+AI Z T2 ,.
---it-O-{5::::~LS::~-{:J-M- ~~
AMBAS AS EXTREMIDADES - TRANSFORMADORES T2 TI TI

I
9 (AI'" C I Z TI J C I T 2 TI 1r;-IDj +CI Z T2)
TENDO RELAÇÕES DE TRANSFORMAÇÃO T E
Tl' REFERIDAS AO LADO DA B.T.
2 ZT
I
ZT
2
I + DIZTI + C1 Z T2 ZTI )

(4.85al
Tabela 4.3b - Constantes Generalizadas de Associações de Quadripolos

EOUACÕES GERAIS DAS CONSTANTES GENERALIZADAS


N° TIPO DE REDE CIRCUITOS
A 8 C O
AI ai C I DI
REDE GERAL E ADMITÃNCIA EM DERIVAÇÃO
10 AI ~ BI Y2 BI C I ~ DI Y2 DI
JUI'ITO AO RECEPTOR. UI 2
t$}U

IAI BI C I DI r--
11
REDE GERAL E ADMITÃNCIA EM DERIVAÇÃO
JUNTO AO TRANSMISSOR.
UI

8 UI AI BI CI+ AI YI O, + B, YI

'2
REDE GERAL E ADMITANGIAS E DERIVAÇÃO
EM AMBAS AS EXTREMIDADES Ulf$}
" " " 0, $"' AI ~ BI Y2 B,
CI ~ AI YI

+ B,Y 2 Y,
~ 01 Y 2 +

0 1 + Bt YI

13 DUAS REDES EM CASCATA. -1A2 B2 C2 D2HAJ BI C I DI~ AIA2 + C, B 2 B, A 2 + DI B 2 AI C 2 + C I O2 BI C 2 -I- DI O 2

14
DUAS REDES. EM SÉRIE COM AOMITÃNCIA
INTERMEDIARIA.
~A2 B2C202f---O-1AIBI CI ol~ A, A 2 + CI B2 ~ t, A2 Z BI A2+ 01 B2" O, A 2 Z A, C 2 + Ci 02 .. C, C2Z Bt C2 + 01 02 + 01 C 2 Z
Z

I-----
DUAS REDES EM SÉRIE COM AOMITÃNCIA
~"."'o~,. C I DI

B, A 2 + O, B 2 + B,B 2 Y AI C2 +c,'02~ A, O2Y BI C 2 .. DI 02 + B, 02 Y


15
INTERMEDIÁRIA. UI Y U2 AIA2+c,B2+AIB2Y

.-c'.
A3 1A I A2+ c ,B 2 )+' A3 ( B I A 2'" O, B 2) -t C31AI A2+C, B2)" C3( BI A 2 + 01 B2 ) ~
16 TRES REDES EM CASCATA. 1A3B3C303HA2B2C202HAIBI C I DI\--
U2 + B3 (AI C2 ~ C, 02) .. B3(BIC2+ O, 02) +03(A I C2+ CI 02) .. D3 (B I C 2 + 01 0 2)
UI

C I + C 2 ..

17 DUAS REDES EM PAR ALE LO.


,',o, AI B 2 .. BI 42 B, B2
I AI - A 2) I O 2 - O I )
BI 02 ~ 01 Íl 2

BI + B2 B, + B2 BI + B2
. A2 B 2 C 2 0 Bt + B2

REFERÊNCIA- TRANSMISSION ANO DISTRIBUTlON REFERENCE BOOK. 42 ED. CAP. X -


I) A CORRENTE OE MAGNE TlZAÇÃO DOS TRANSFORMADORES JUNTO AO RECEPTOR DEVE 5ER SOMADA VETORIALMENTE A CORRENTE DO RECEPTORj
AQUELA DOS TRANSFORMADORES JUNTO AO TRANSMISSOR DEVE SER ADICIONADA A CORRENTE NO TRANSMISSOR.
2) AS CORRENTES A, B, C • O CONSTANTES DAS TABELAS SÃO NÚMEROS COMPLEXOS.
--_.-...._. - ._-----

4.3 - LINHAS DE TRANSMISSÃÓ COMO QUADRIf>OLOS 141


1,
1
É

ou

(4.85b)

" i

ou

(4.850)

Ã
o É
ou
D = ÍJ 1 B2 + D2Bl (4.85d)
lo Bl + É 2

As demais conexões apresentam menor valor prático em sistemas de


energia, de forma que deixaremos de recapitulá-las. Na Tab. (4.3) en-
contram-se expressões para o cálculo de valores das constantes dos qua-
dripolos compostos.
ql
4.3.5 - Linha Artificial

Quando, através de modelos elétricos, se deseja analisar fenômenos


transitórios, os circuitos II ou T equivalentes são inapropriados, pois, neste
caso, o efeito real da distribuição .dos parâmetros ao longo da linha é im-
portante.
Recorre-se então às chamadas linhas artificiais, compostas de um
número relativamente grande de c~.lulas, ligadas em série. Cada célula
poderá representar o circuito Pi nominal de um trecho de comprimento
determinado, como mostra a Fig. 4.12. Sendo:
. y
Ol
e Yi =-,
n

cada célula, neste caso, será calculada para representar de 20 a 25 [km1 de


linha.
142 CALCULO PRATICO DAS UNHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.4 _. RELAÇÕES DE POT~NCIA ,.143
--,
iI Z" zoo ZOO ZOO ZOO ZOO Na prática da indústria da energia elétrica, as cargas são especificadas
em termos de demandas em potências ativas e reativas, ou potências apa.-

ur )u--1
rentes e seus fatores de potência correspondentes. Essas demandas,
4 _ _ _ _ _ _ 2 I 1Z2 evidentemente, variam também com o valor da tensão aplicada, porém,
n " n n n n &.,J
I para efeito de cálculo, são especificadas em correspondência às tensões
I
nominais dos sistemas.
I I LI" I I--~ A partir das equações anteriormente desenvolvidas, poderemos obter
equações que relacionem as potências ativas, reativas ou aparentes, no
a) Circuito equivalente transmissor ou no receptor com as tensões aí existentes.
Empregaremos, para tanto, como definição de potência aparente
aquela em vigor na indústria:

[VA], (4.87)

sendo: /'

ii lVA] - potência complexa por fase em um sistema trifásico;


b) Cascata de quadripotos
P [W] - potência ativa por fase,
Fig. 4.12 - Circuito de linha artificial. Q [VAR] - potência reativa por fase;

o modelo matemático conveniente para linhas artificiais pode ser 9S &2 [V] - fasor da tensão entre fase e neutro;
derivado pela associação em cascata de n quadripolos parciais iguais, cada
qual representando l[n quilômetros de linha. Neste caso, cada quadripolo !2 [A] - conjugado' da corrente.
parcial poderá representar um circuito Pi nominal ou Tee nominal, tam-
bém de 20 a 25 [km] de linha.
4.4.1 - Relações de Potências no Receptor
4.4 - RELAÇÕES DE POTÊNCIA NAS LINHAS DE TRANSMIS-
SÃO Retomemos as equações dos quadripolos:

Ao estabelecer os circuitos equivalentes e modelos matemáticos das Ú1 = ÀÚ 2 + ÉÍ2.' (Eq.4.30)


linhas, através de relações entre tensões e correntes, admitimos as linhas
terminadas em impedâncias. Estas últimas podem ser definidas pelas que dividimos por Ê e de que extraímos o valor de Í 2, ficando:
relação:
(4.88)
(4.86)

que também pode ser posta sob a seguinte forma, se tomarmos U 2 como
As cargas alimentadas pelos sistemas elétricos comerciais servidos fasor de referência:
pelas linhas de transmissão são de tipo muito variado, com.preendendo,
entre outras, de lampâdas motores síncronos e assíncronos, aparelhos do-
mé~ticos c aparelhos comerciais, cujas impedâncias não somente não são
esp(~cificadas, como também variam bastantes com o valor da tensão a quP.
são submetidos. Experiências efetuadas em sistemas reais mostram que
a representação por impedância é apenas aproximada. sendo () o ângulo de potência da linha, já definido anteriormente.
I

J
144 CÁLCULO PRATICO DAS LINH~S DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.4 - RELAÇÕES DE POT~NCIA 145

o conjugado da corrente, será: Neste último caso, sendo fixados valores para VI, P2 e Q2, podemos
.empregar a expressão (4.95) obtida pela eliminação de () entre as Eqs.
(4.91) e (4.92), a fim de obter o valor de V 2 :
(4.89)

De acordo com a definição adotada:

(4.90) (4.95)

ou
Essa equação pode ser posta s6~ a seguinte forma:
V 1 U2
P 2 = - B - cos ({3 B - (J'j - -t- cos ({3
AV 2
B - (3 A) [W] (4.91)

V 1V 2 . (R (J AV~ (4.96)
- B - sen pB - ) -'-B- sen ({3B - (3A) [VAr]; (4.92)

sendo dados P 2 e Q2, poderemos calcular o valor V 2 em função de VI e vice- fazendo-se:


-v:rsa, d:sde que seja ~o~hecido ou fixado.' o ângulo 8. Este, como já
fOI mencIOnado, sofre lImItações por motivos de estabilidade dinâmica,
devendo, nos casos de linhas longas, não exceder 30% de um modo geral.
As Eqs. (4.90), (4.91) e (4.92) contêm termos em que as tensões apa-
recem ou como produtos, ou elevadas ao quadrado. Em equações desse tiRo,
quando as tensões forem especificadas em kV, as potências calculadas c=
automaticamente serão obtidas em MW. Tensões entre fases podem ser
usadas pala se obterem potências trifásicas. . a sua solução geral será:
As expressões (4.91) e (4.92) mostram que as potências ativas máxi-
mas transmissíveis para determinada relação entre VI e V 2 ocorrem para ~- b ± v/b 2 - 4c .
e= {3B: V2 = ± 2 '

P VIV2 AV~
para que o problema tenha solução a-ceitável, é preciso que:
2mâx = -B- - -B- COS ({3B - (3A) [kW], (~;93)r
b2 - 4c ~ O.
à qual corresponde uma potência reativa: Das raízes reais deve ser aceita a maior.
A Fig. 4.13 mostra as curvas de variação das tensões no receptor de uma
. linha em função da variação das potências ativas e reativas no receptor,
(4.94) alimentado no transmissor por um barramento de tensão constante. As
curvas demonstram claramente a possibilidade de existência de duas raízes
para uma· mesma potência ativa transmitida, bem como os limites máxi-
A condição de operação na qual se fixam os valores de VI e V 2 ocorre, mos de transmissão. A raiz menor não possui significado prático, pois
em geral, nas linhas de interligação de sistemas ou partes destes. No a operação com tensões baixas envolveria correntes elevadas e perdas
casp de linhas radiais, geralmente apenas V I é prefixa.do. inadmissíveis {ver Cap. 6).
146 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.4 - RELAÇOES DE POT~NCIA 147

.,
<lO
Ó
I/)

N
N
Verificamos que os valores máximos ocorrem para !3B + () = 180°;
- N ...
'" <D

Uz
U~2 [W] (4.101)
--...;;:
c6s1'~ KV
151,8
1.00 t--. --;::::::... c-6":-- ~(sY'~J
- -~
r-{'o", ~ iI')o ~o?'ro ~& ~
138,0
e
0,9
~ "''0 "\ .'~"11 ; , 124,2
0,8 1;-

\~~~ '" 110,2 ./


I (4.102)
0,7
\ "i, . J' '" '"
'" ., ""
96,2
0,6 ~ , 82,8
0,5 I /
~'
6 9,0 As perdas de potência na transmissão serão, evidentemente, PI - P 2 ·
"""'"
/
"
0,4

0,3
~

", ,.." 'i' - Ub= 138 [KV]


5 5,2 e Ql - Q2, respectivamente,
Quando se trata de exarriinar um número maior de condições de ope-
- .- /~ ..... ..
~ r- 41,4
0,2 - -- N b = 104.2[M V 41 ração de uma linha, variando-se os valores P 2 , Q2, UI ou U2 , os processos
~"".....: ."
<t 2 7,6
0,1 ~ analíticos tornam-se um tanto onerosos, pelo tempo empregado, Auti-
~ "o I 3,8
~ Q. lização de computadores digitais, ou de modelos elétricos, é de grande valia
.1 .2 .3 .4 .5 .6 .7 na solução desses problemas. Processos gráficos represantam uma forma
bastante económica de solução, como veremos.

Fig. 4.13 - Variação da tensão no receptor de uma linha com tensão constante no trans-
missor. 4.4.3 - Perdas de Potência e Rendimento

4.4.2 - Relações de Potências no Transmissor


o rendimento de uma linha é definido como a relação porcentual da
diferença entre a potência ativa PJ [kW], absorvida pela linha 'no trans-
missor, e a potência ativa P 2 [kW], por ela entregue no receptor com re-
Da Eq. (4.33), da qual extraimos o valor de h após dividirmos todos lação à potência PI;
os seus membros por B, obtemos:

(4.103)

ou A diferença tlP = PI - P 2 representa as perdas de potência duran-


te a transmissão, que são fundamentais na apreciação económica da trans-
(4.97) missão. O rendimento poderá também ser definido como:
logo,
1}t = .( 1 - -tlP)
P- 100%.
(4.103a)
1
[VA] (4,98)
As perdas de potência nU,ma linha de transmissão podem ser consi-
e deradas como sendo compostas de:
1 - perdas por efeito Joule nos condutores;
DOi
PJ = - B - cos ({3B - (3D) [W] (4,99) 2 - perdas no dielétrico' entre condutores;
3 - perdas causadas por correntes de F'Üucault, e por histerese mag-
nética, na alma de aço de condutores e em peças metálicas próxÍmas às
(4.100) linhas;
4 - perdas por circulação nos cabos pára-raios.
148 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.4 - RELAÇÕES DE POTÊNCIA 149
I
j

As perdas por efeito Joule estão presentes tanto nas linhas aéreas como As perdas de potência na transmissão serão:
nas linhas em cabos subterrâneos. Nestes, o efeito de proximidade tende
a afetar significantemente seu valor. Elas representam a maior parcela D.P = Re [N) - N 2 ] = Re [N!] - Re [N 2 ] = PI - P2
das perdas nas linhas.
As perdas nos dielétricos entre condutores são encontrados tanto nas ÂQ = 1m [N! - N 2] = 1m [N)] - 1m [N2] = Ql - Q2
linhas aéreas como nas subterrâneas. Nas primeiras, elas se restringem
quase exclusivamente às perdas devidas ao efeito Carona., podendo ser logo.
acrescidas das perdas dielétricas dos isoladores. Nas linhas subterrâneas,
além das perdas por efeito Corona, há ainda as perdas provocadas pelas
correntes dE.- escape ou de absorção do dielétrico.
As perdas do terceiro grupo S8.0 predominantes nos cabos subterrâneos,
porém nas linhas aéreas ocorrem também, principalmente na alma dos 2UIUz
cabos ACSR. cos ({3 B - {3 A) - --B- cosj3 B cosO (4.107)
O cálcu19 das perdas por Coro na e nos isoladores será discutido minu-
ciosamente no Cap. 10. Cabem aqui, no entanto, alguns esclarecimentos
acerca das -perdas por efeito' Joule.
N as linhas em que podemos considerar o valor da corrente constante
ao longo de todo o seu comprimento, as perdas por efeito Joule podem ser
calculadas por: '2UIU2
sen ({3 B - {3 A) - -B-- cosj3 B sen(}. (4.108)
1::..P=3·10- 3 12 rl [kW], (4.104)
D..Q [VAR] representa a energia de que a linha necessita para a manu-
na qual 1 [A] é a corrente que percorre a linha, r [ohmfkm] , a resistência t~nç.ã? de seus camp~s elétr.icos e magnéticos. Pode ser positivo, o que
efetiva dos condutores e l [km], o seu comprimento. (O cálculo r é dis- slgDIf~ca que ~ en~rgIa reatIva .necessária ao seu funcionamento provém
cutido no Cap. 9.) dos SIstemas mterhgados pela lmha. Pode ser também neo-ativo o que
No entanto, conforme vimos, o valor da corrente nas linhas varia de indica que a linha está gerando energia reativa, que fornece'" aos sistem~s.
ponto a ponto. Em linhas longas, essa variação pode comprometer a Somente será nulo em caso _de operação com potência característica.
precisão desejada se a Eq. (4.104) for usada .
.Nesses casos é preferível cfetuar os cálculos partindo-se das Eqs. (4.90)
4.4.4 - Emprego de Grandezas Relativas
e (4.98), e nestas também o efeito- çlas.per~as por disper~ão é implicito nos
valores calculados das constantes A, B e D (através de Zc e f). Separan-
do reais e imaginários nessas equações, teremos: O emprego das grandezas relativas, em particular o sistema Por Uni-
dade, é ba.stante vantajoso nos cálculos de linhas de transmissão em geral,
e em partICular para o emprego das equações das potências desde que as
bases sejam convenientemente escolhidas.
Aconselham-se as seguintes bases:
a - das tensões UB = U2 [V];
+ J. [ -ViD
B - sen (,6B -
{3D) -
UI U sen
-~
2
({3 + 8) ]
(4.105)
b- das impedâncias ZB = B [D].

X essas condições, a base das potências será:

NB = BU~ [VAlo (4.109)

co,s ({3B + 8) - J. [ -mA


B - SEn ({3B + {3 A) + -UIBU-2 sen ({3B - () ]
) . (4.106)
Se U 2 for especificado em k V, N B ficará definido em MW.
150 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.5 - MODELOS MATEMÁTICOS DE LINHAS TRIFÁSICAS /l51

Dividindo as equações anteriormente deduzidas, teremos, para 4.5 - :\10DELOS MATEMÁTICOS DE LINHAS TRIFÁSICAS
U B = V qualquer:

IP21 = I VIII V2 1 cos ({3B - O) - A I V2 12 cos ({3B - (3A) pu Para a análise de determinados fenômenos relacionados com as linhas
de transmissi3,o, nos quais o desequilíbrio elétrico e magnético existente ao
IQ21 = I VIII U21sen ({3B - O) - A I V2 12 sen (BB - (3~) pu longo das linhas é fator importante, surge a necessidade da representação
das linhas por seus modelos matemáticos trifásicos, ou seja, sua configu-.
IP 2máx l = I U I II'U 2 1 - A I V2 12 COs ({3B - (3A) pu ração trifásica deve ser evidenciada.
Os modelos anteriormente desenvolvidos pressupunham equilíbrio .
IQ2máx I = - A I U 2 2 sen ({3B - (3A)
1 pu
eletromagnético tal que as três fases de um circuito podiam ser represen-'
IP 1 1 = DI VI12COS ({3B - (3D) - I UI II U 2 1cos ({3B + () pu tadas por um circuito unipolar. Os mesmos modelos, desde que conve-
nientemente adaptados, podem ser usados nas representações trifásicas.
IQI I = D I VI 12 sen ({3 B - (3D) - I V I I I U2 I sen ({3 B + () pu Como veremos mais adiante, os parâmetros elétricos e magnéticos
das linhas de um sistema de vários condutores podem ser definidos atra-
IPlmãxl = DI V1 12 COS ({3B - (JD) - I VIII V2 1 pu vés de um par de matrizes de ordem 3 X 3:
IQ1máx I = DI UI12 sen ({3B - BD) pu a - matriz das impedâncias:

I ÂPI = DI V11 2 cos ({3B - (3D) + A I V 2 1 2 cos ({3B - (3A) -


- 2 I VII I V 2 1 COS{3B cose pu h - matriz das admitâncias;
IÂQI = DI V 112 sen ({3B - (3D) + A I V2 12 sen ({3B - (3A) - Lyj = [gj +j [b] e [i'j = [G] +j [Bj.
- 21 VIII V2 1 COS{3B sen() pu.
Nessas condições, poderemos, por exemplo, representar uma linha
Se especificarmos a tensão no receptor como a tensão entre fases V.:l 2 média por seu circuito Pi nominal, como na Fig. 4.14.
e éscolhermos essa tensão como a base das tensões, teremos:

NB= -
(~2r (V.:l2)~
[VAl
ZB 3ZB iii>

ULI

CU .:l2)2 [u~]
3N B [VAlo
ZB

~ base, da potência é, agora, igual a três vezes a base da potência de uma


das fases do sistpma trifásico. Uma grandeza em pu multiplicada por
essa base será, portanto, referida ao sistema trifásico e não somente a uma
1
das fases. Fig. 4.14 - Circuiio simplificado de linha irifásica.
Portanto, empregando o sistema por unidade nas equações das pot§ncias,
podemos escolher como base das tensões o vaZar da tensão entre fases no O modelo matemático correspondente poderá ser deduzido da forma
receptor - U.:l2 , .em volts ou quilovolts. A base das potências serd convencional, apenas usando os recursos da álgebra matricial. Teremos:
uma base em W ou em MW, de potênc~:a8 trifdsicas.
Qu.alquer valor em pu obtido nos cdlculos, multiplicado por essa base de (4.110)
potências, serd potência das três fases do sistema.
I 152 CÁLCULO PRÃTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCI"CIOS 153

[A,] [SI] [AJ [sJ

[c,] [0,1 __ [c,] [0,1 __ [cJ [o,] __ [cJ [o,]

(4.111)

As constantes generalizadas das linhas serão, nesse caso, matrizes de


constantes. O modelo matemático da linha trifásica, em termos de cons-
tantes generalizadas, será:

(4.112)
Fig. 4.15 - Modelo de linha trijásica longa.

(4.113)
:\ matriz do quadripolo trifásico resultante será:
ou

[ re]
[~]
(4.114)

. Ne~sas equações, [A], [Ê], [e] e [D] sào matrizes 3 X 3 e [U l ], [Ú 2 ], 4.6 - EXERCÍCIOS
[I 11 e [I2] são vetores. Para o circuito Pi temos:
1. Uma linha de transmissão trifásica possui os seguintes parâme-
(4.1l5a)
tros elétricos:

I' = 0,107 [ohmjkm]:


[Ê] (4.115b)
L = 1,355 [roR/km];

e = 0,00845 LuFfkm];
[é] (4.1l5c)
f = 60 [Hz].

[n] = [1] +[ t] [Z]' (4.1l5d)


Sendo o seu comprimento de 100 [krri], fazer sua representação através
U8 seus c~rcuitos nominais. Teremos:

Em se tratando de linhas longas, não é prático procurar determinar 1 -~ Impedância total


,. as matrizes para as constantes generalizada.s em virtude das dificuldades
matemáticas que serão encontradas. É preferível usar como modelo a i = 1O~ (0,107 + jl,355 X 10- 3 • 2nj);
linha artificial trifásica, com elementos II de 20 a 25 [Km] de comprimento,
como ,mostra a Fig. 4.15. Z= 10,7 + jEí1,08 = 52,19 ei 78,17o [ohm].
4.6 - EXERCfclOS 155
154 CÁLCULO PRÃTICO DAS LINHAS D~TRANSMISSÃO CAP. 4
;/' são dados:
2 - Admit.ânCla total

ir = jwCl = j 271f . 0,00845 . 10- 6 • 100;

ir = jO,3186 . 10- 3 [siemens).


Teremos:
N 2 = ~ (0,95 + jO,3122) = 15,833 + j5,203 [MVA];
3

N2 = 16,666 e jI8 ,2° [MVA) = 16666 ei18,20 [kVA];


j7a,H
UI,oe. 26,09 e j 78,17 16,666 e- jI8 ,2
2 Í2 = -~--- = 213,826 e-jI8.2° [A].
.I 77 942 elo
I
r, I

·S I I
O, ~186 .10 I IZ
2
Temos, portanto:
I I
~)
I zir = 52,19 ei78 •17 • 0,3186 . 10-3 ei90 = 0,016627 eiI68.17;

t' 2'
Zy = - 0,01675 + jO,OO341;
Fig. 4.16 - Circuito Tee nominal.
ZY
- 0,008375 +jO,00170;
2
52,19. j7S ,17°

r-::~===+---[==Iab=
. . =r--1==.~:-1-2---:L Zy
4
- 0,004188 + jO,00085;

j ia~ jO,IS93X1Õ~ jO,ls9~xIÕ~ !


2
i1
Ü1 lZ2 b U2! logo,
L..,..J
I
I
Ú1 = 77 942 (0,991625 + jO,0017) +
-----'
I' a' b' 2'
+ 213,826 e-i18.2° • 52,19 ei78 ,17° (0,995812 + iO,00085)
Fig. 4.17 - Circuito 1r nominal . U] = 82858,47 + j9 749
,"-:> ~':.
UI
. lI,

= 83430 ei 6•7l o [V].


2. Sendo a t.ensão no barramento receptor igual a 135 [kV), quando
gWa carga no sistema é de 50lV~VA sob cosq:, = 0,95 ~INP), calcular a.ten-
A tensão no barramento no transmissor será:
são no barramento do transmIssor, bem como a potenCla ent.regue à lmha,
empregando os métodos Pi nominal e Tee nominal. Calcular a regula-
u~ = 144505 [VJ entre fases;
ção e o rendimento da transmissão. Comparar os resultados.
a regulação da linha será:
I - Método Tee Nominal
"11',:,·i:
J l(

j>~" (83 430 - 77 942) 100


Teremos, de acordo com a Eq. (4.18): 77942

U] = U 2
. (1 + -2-
ZY) + 1..Z (1 + 4ZY) 2 [V); (Eq. 4.18)
Reg = 7,04%.
156 CÁLCULO PRÁTICO DAS LlNHASD,E TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCICIOS 157

Pela Eq. (4.19), temos: A tensão entre fases no barramento do -transmissor será:

uf = 144587,61 [V];
[A]
a regulação da linha será de:

iI = 77 942 ei° • 0,3186 . 10- 3 ei 90 0 + 213,826 e- jI8 2


• (0,991625 + jO,0017)
II = 201 541 - j41 048
Reg = 100( 83476,98 - 77 942 ) = 7 01
ÍI = 205 679 e- jll 512° [A]. 77 942 ,lO /0'

A potência entregue à linha será: Igualmente:

NI = ÚI [r = 83 430 eiS. 71° . 205 679 e+jl 1.6I9 . ., (1 + 4ZY) + j (1 + -2-


I I = U2 Y ZY) 2 [A] (Eq. 4.21)

N1 = 17 159.8 eiI8 •229 ° [k VA]


II = 77 942 elo . 0,3186 . 10-3 ei90 (0,995812 + jO,00085) +
ou
PI = 16299 [kW]
+ 213,826 e- jI8 2
• (0,99162 + jO,0017)
j1 = 205,68 e- jI 1.540 [A].
QI = 5 365,9 [kVAr].
A potência entregue à linha, por fase, será:
Para as três fases, teremos:

Na = 50400 [kVA];
N 1 = UI II = 83476,98 ei6•735 • 205,68 e+jll•54

Q3 = 16098 [kVAr1;
NI = 17169,54ei18 ,27. [kVA]

PI = 16303,55 [kWj
p3 = 48898 [kW].
Ql = 5383,99 [leVAr]
II - Método Pi Nominal
e as potências trifásicas totais serão:
Aplicamos as expressões do Item 4.2.3:
N~ = 51 508,62 [kVAl;
. U. (1 + -2-
UI =
ZY) + Z..1
2 2 [V]. (Eq. 4.20)
P~ = 48910,65 [kW];

Q~ = 16151,20 [kVAr].
Temos:
Comentdrio
ÚI = 77 942 ei° (0,991865 + jO,0017) + 52,19 ei78•17 o • 213,826 e-j18.2°
Através dos resultados numéricos obtidos, verificamos que ambos
ih= 82901,0 + j9 789,287 [V] os circuitos podem representar a mesma linha, pois são mínimas as dife-
renças entre os valores encontrados. Observamos também que a linha
Ú1 = 83476,98 ei 6•735 [V] necessita de 542,2 [kVAr] do sistema alimentador para o seu funciona-
158 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
4.6 - EXERCICIOS

m('ntí). Está, portanto, operando com carga maior do que a sua potência
natural. ~~sa corrente, a.o atravessar a impedância, provoca a queda de tensão,
ZIab , representada pelo triângulo r.st, que é adici.onada vetorialmente a
irlem~~: Determinar o rendimento da transmissão do exercício anterior. (;2 para que obtenhamos:

UI = 62 + iÍab = 77 942,00 + 52,19 ei78.17 . 210,279 e-jI4.985


UI = 82892,71 + j9 794,37 = 83469,342 ei6.74° [V].
1 - Circuito Tee Nominal
No ponto a, uma c.orrente em derivaçã.o:
_ _ ( _ 48 898 - 47 500 ) .
1] - 100 1 48 898 '
ia = ÚI ; = 83469,342 ei674 . jO,1593 . 10- 3 = 13,364 ei 96•74
1] = 97,14%.

2 - Circuito Pi Nominal
. Ia = 1,568 + j13,272 = 13,364 ei 96 •74 [A]

_100 (1 _ 48910,65
1] -
- 47 500 )
48 910,65
.
atravessa a a dmItanCla
A •
2Y . Essa corrente, somada a Íab; nos dá o
valor da corrente no transmissor:
1] = 97,12%.
iI = Íab + ÚIY2 = 203,129 - j54,369 - 1,586 + j13,272
4. Construir, sem escala, os diagramas veto riais da linha do Exerc. 2.
Solução ÍI = 201,543 - j41,097 = 205,69 e-jIl.53o [A].
Para cada um dos circuitos equivalentes o diagrama vetorial será
A Fig. 4.17 mostra o diagrama veto ria] obtido dessa forma. A. so-
diferente. Desenv.olveremos, a título de exercício, o diagrama do cir-
lução literal do problema, na mesma ordem acima indicada para a obten.
cuito Pi n.ominal, deixando para o estudante o desenvolvimento do dia-
çã.o dos valores VI e I l , nos permitiria chegar às Eqs. (4.20) e (4.21).
grama do circuito Tee nominal:
O fas.or de referência será U 2 = V 2 ei° . . Para a c.onstrução do mesmo,
iniciamos colocando s.obre .o papel U2 e 12 = 12 e-jtp2. Observand.o seu
circuit.o equivalente na Fig. 4.4, desde .o recept.or, -:erificamos que n.o
ponto b temos uma c.orrente através d a a d mltanCla· 2Y A •

Ib = Ú2 ~ = 77 942,00 . jO,1513 . 10-3 = j12,416 [A].

Essa corrente, somada vet.orialmente à c.orrente Í 2 , nos dá a corrente Iab


atrayés da impedância Z:

iab = 2Q3,129 - j54,369 = 210,279 e-i14.985° [A].


Fig. 4.18. -Diagrama vetorial do circuito Pi da linh.a do Exerc. 4.
160 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DETRANSMISSÁO CAP. 4 4.6 - EXERCfclOS 161

Comentário 79670 et°


52,19 ei 78 ,I7
1 526,54 e-j78,17 [A].
Se observarmos os valores relativos das tensões, quedas de tensões
e correntEs verificaremos facilmente a inviabilidade prática do uso de
escalas neste tipo de diagramas, que, portanto, não se prestam a cálculos Comentário
gráficos.
1 - Na linha de 100 [km] de comprimento, o efeito Ferranti é muito
5. Se a linha do Exerc. 2 estiver absorvendo uma potência de 50 000 pequeno, da ordem de 0,84%, apenas.
[kVA] sob coscPJ = 1, qual o valor da tensão no receptor e qual a potência 2 - A corrente de carga também é relativamente baixa com rela-
complexa da carga, quando a tensão no barramento alimentador for m.an- ção à. corrente no transmissor quando a linha transmite 50 MW, com
. tida constante e igual a 138 [kV]? ,Empregar os métodos Tee nommal 144,587 [kV] no transmissor. De fato, corresponde a 12,3% de seu valor.
e Pi nominal. '
3 - A corrente de curto-circuito no receptor é elevada, cerca de
6. Qual o valor da tensão em vazio no receptor e a corrente de carga 7 (sete) vezes. a corrente de operação em carga, com 50 MVA.
da linha do". Exerc. 1, quando a tensão no 'barramento alimentador for 4 - Aconselhamos ao estudante repetir o exercíqio, empregando o
igual a 138 [kV]? Qual a corrente de curto-circuito no receptor, quando circuito Tee nominal e comparar os resultados.
a tensão mantida no transmissor igual a 138 [kV]?
Solução 7. Calcu1ar a linha do Exerc. 1 como lin.ha curta nas condições
Para determinar a tensão no receptor com a Enha em vazio,
1 -
do Exerc. 2. Comparar e comentar os resultados.
na Eq. (4.20) fazemos Í 2 = 0, ficando:
8. Para a linha de transmissão, cujas características estão relacio-
nadas mais abaixo, desejamos conhecer os seguintes elementos:
U
20 = Ú1 (
ZY· 1 .. ) . 1 - tensão no transmissor quando, a linha opera com 50%, 100%1
1+-
2 150% da sua potência natural;

Introduzindo os valores numéricos, obtemos: 2 - rendimento e regulação;


3 - perdas de energia reativa;

U2D
= 79,670 CO,991625 ~ jO,0017)) 4 - tensão em vazio e corrente de carga da linha.

U20 = 80343 e-iO ,098° [V]. Características da linha:


a - tensão no receptor UtJ.2 = 218 [kV]j
2 - Empregamos a Eq. (4.21) na linha em' vazio; temos Í 2 = O.
A Eq. (4.21) se torna: b - comprimento l = 180 [km];
c -parâmetros elétricos: l' =0,107 [n/km];

L = 1,355 . 10- 3 [H/km]; l\L~ 0,:'1

Introduzindo os valores numéricos: C = 0,00845 ' 10- 6 [F/km]; >-. (": ") \ \':)"'1- II-

d - freqüência. f = 60 [Hz];
Í 10 = 79670 ei° . .0,3186 . 10-3 ei° . (0,995812 + jO;00085),
ou seja: Comentar os resultados.
Í 10 = 25,276 ei 90 ,05 [A].
9. Uma linha de transmissão de 138 [kV] radial tem um comprimento
de 50 [km]. E alimentada por um barramento de tensão constante e
, i 3 - Na Eq. (4.20), se fizermos U= 2 0, teremos a corrente de curto- igual a 132 [kV]. Rendo a demanda do sistema receptor igual a 50 MVA
-circuito no receptor: sob COS CP2 = 0,80, qual a tensão no receptor e a corrente na linha?
162 CÃLCULO PRÃTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCfclOS 163

São suas características: que introduzimos na equação acima, para obter:


,. = 0,192 [ohm/km];

.('L = 0,492 [ohm/km],


SoLuçãu Chamando

Z= 50 (0,192 + jO,492) = 9,6 + J24,6 [ohm].


. ,
Não lançaremos mão das f'quaçõf's drduzidas no I trm 4.4.1 (Eq. 4.96)
para resolver este caso, qlH' é ha8tantr simples, por se tratar de linha curta. (R2 + Xi) (~_
COlO CP2
)2= B,
Retomemos o diagrama ,"('torial da linha curta - Fig. 4.2 - e "amos
desenhá-lo da forma indicada na Fig. 4.18, isto é, tomando I como fasor a equação se torna:
de referência.
U~-Am+B=O,
cuja solução será:
c

.:J-_----l B
I que, como vemos, é uma equação biquadrada, como era de se esperar
I
I Numericamente, teremos:
I

( r-
I
I I
I I

~~ ~
o 4!::.._ _ _...L...---.:L-_----!;- __ ~;- ___ _
A. (40 . 0,9 + 30 . 24,6) 5060

Fig. 4.19 - Linha curta operando com carga.


B = [(9,6)2. + (24,6)2J ( 0,8
40 X )3 2 = 0,1937 . 10 6
Do diagrama, obtemos:

U'i COSCPl = U2 COSCP2 + IR U = ± ~5 060 ± VC5 060)~- 4 . 0,1937 .-:10 6


2

U2 ' = 70,862 [kVj


Ele,"ando ambas as rxprpssões ao quadrado r sornando-as, obtrmos:
U2" = 6,211 [kVj.

Devemos aceitar como válida apenas a raiz maior, positiva.


como, por outro lado, A tensão entre fases será:

P Q U Ó2 = 122737 [kV].
1=---'---
U 2 cosCPz
A corrente na linha sprá:

1ngo, ,I,.
C'OS'/-'2 =
P2
lU C
'
sen,l,.2
'/-'
-_ ~
lU
. N
I = - '- =
50 000 e- j36 ,87°
= 235,20 e- j36,87° [A].
2 2 U2 70,862 . 3

11J
164 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCICIOS 165

Para determinar o defasamento entre I e UI, faremos: Comentário


ÚI = U2 + jz = 70862,00 + 235,20 e- i36 ,S7 • 26,41 ei 68 ,58 Uma solução rigorosa para este caso só é possíwl atrayés de processos
iterativos', como, por exemplo, aqueles usados cm técnicas de estudos
UI = 76210,1 ei 2 ,46. de fluxos de carga. Uma forma de solução viável é a seguinte:
a - consjderam-se as cargas concentradas em a acrescidas das per-
o ângulo de potência na linha será = 2,460. e das I2R nos trechos a - b e 'i? - c, calculando-st> rntão a tensão em a; as
o ângulo do fator de potência no transmissor será: perdas são calculadas em função das correntrs nos dois trechos, admitin-
do-se tensão nominal;'
CP1 = CP2 = () = j36,87 + 2,46° = 39,33°. b - repc'te-se o mesmo processo, concentrando as cargas dr b e c
em b, acrescidas das perdas entre b - c, e determina-se o valor da tensão
10. Uma linha radial de 230 [kV] é alimentada através de um bar- em b, usando como C: I a tensão calculada em a;
rament? de tensão co~stante e igual a 223 [kV]. Ela alimenta três cargas,
respectIvamente de 3a, 40 e 42 [:\1W], cujos fatores de potência são 85%, G - com a Í(·nsão calculada em b determina-se a tensão em c;
80% e 90%, c'omo mostra a Fig. 4.20, na qual estão indicadas as distân- d - com as tensões assim calculadas, calculam-se as correntes nos
cias entre subestações. São as seguintes as características da linha: dois trechos de linhas e as perdas corresp?ndentes;
e - havendo divergências entre as perdas calculadas e aquelas ado-
r = 0,107 [D/km];
tadas, repetem-se os itens a, b, c e d, com as perdas calculadas em ri, até
que haja razoável convergência.
L = 1,355 . 10- 3 [H/km];
11. Para aue a tensão no barramento c do Exerc. 10 possa ser man-
C = 0,00845 . 10- 6 [F/km];
tida a 215 [kVf, qual deverá ser a tensão no transmissor'?
f = 60 [Hz].
12. Uma linha de transmissão da, cla.sse de 230 [kV] tem um com-
primento de 362 [km] e ontrega no receptor uma potência de 150 [\IVA]
sob fator de potência de 90% (IND) com a tensão de 200 f,kV].entrc fases.
Freqüência 60 lHz]. Pf'lo processo exato, dderminar C I II, N I , bem
o b c como () rendimento na transmissão. S2,O dados:

28 Km HKm r = 0,107 [ohmfkm]i

t-- L = 1,355 X 10-3 [H/km]j

f = 60 [Hz].

Solução
35 MW 40MW 42MW
Empregaremos as expressões:
Fig. 4.20 - Linha do Exerc. 10.
I I
ÚI = ['2 coslo -ri + Í1Ze senh-rl (Eq. 4.3)
./
Determinar: . '. {12
[I = 1 2 cosh 1'l + Ze senh 1'l. (Eq. 4.4)
a - tensões em cada um dos barramentos alimentados;
b - correntes na linha em cada um dos trechos;
Temos:
c - perdas de energia em cada um dos trechos;
Jl - fator de potência no transmissor. Ze = VZ/i' e 1'l = v'ZY
166 4.6 - EXERCICIOS 167
CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
! ;

z= 0,107 + jw 1,355 X 10-3 = 0,107 + jO,51 [ohmjkm]


Reg =
100 (285 220 - 200 000)
200000
z= 0,522 ei 78 •2 0 [o hmj km)
Reg = 42,6%.
ii = ° + jw X 0,0085 X 10-a = ° + j3,186 X 10- a [siemensjkm) Temos também:
ii = 6
3,186 X 10- ei90 0 [siemens/km]; . 115 200 ei°
II = 433,,$25.8° . 0,899 e+j1 ,38 + 404,774 e-j5 ,9
. 0,451 ei 84 • So

logo,

i'l = 362 VO,522 ei78,2 X 3,185 X 10- 6 ei 90 Í1 = 387,492 e- j24 ,42 + 128,356 ei9OO4°
I~
= 351,931 - j31,845 = 353,37 e-iS •17 [A).
i'l = 0,467 eisu o = 0,0480 + jO,465 ÍI

e A potência absorvida pela linha será:


. ~ r; .. / 0,522 ei78 ,2 N1 = II = 164672 ei2 3.4° 353,37 e+jS•17
Zc = "t =1 3,186 X lO-a ei9O' = 404,774 e- S
,9°.
N I =
UI

58190,14 ei28• 57 = 51104,53


+ j27828,39.
Dos dados do problema:
N as três fases:
. 200. . .
U2 = V3 eJ o = 115,47 ei°o [kV] Nt = 174570 [kVA];

Pr = 153313,59 [kW];
150 000 e-j25,8°
v'3 . 200 = 433 e-i2S,gQ [A] .
Qr = 83485,17 [kVAr],
Temos ainda: o rendimento da transmissão é:

cosh i'l = cos h(0,0481 + jO,465) = 0,8949 + jO,0215 = 0,895 é 1•38 'YJ = 100 (1 _ 153313,59 - 135000)
153313,59
senh i'l = senh(0,0481 + jO,465) = 0,0429 + jO,449 = 0,451 ei8405 ;
'YJ = 88,05%.
logo,
Reativo consumido pela linha:
UI = 115470 ei° X 0,895 ei 1. 38 +
~
ÁQ = QI - Q2 = 83485,17 - 65284,66 = 8342 [kVAr].
+ 433 e-j25•8 X 404,7'M e- 5•9 X 0,451 ei 84 •5° r·

UI = 151 106,50 + j65 450,98 Comentário


Ú1 = 164 672 ei22.42o [V]
A regulação da linha é elevada demais para fins práticos. Para que
UAI = 285 220 [kV]. possa operar, terá que ser feita alguma compensação (ver Cap. (3) para
melhorar a sua' regulação. Seu rendimento, considerando o seu com-
.-\ regulação da linha é de: primento, é aceitável, como é aceitável seu consumo de reativo.
168 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCfclOS 169

13. Considere novamente a linha do Exerc. 4.6.11: Z= 188 964 ei78 ,2


,
°451 84 ,6
ei
• -'---"..,--::-
ei
0,467 84 ,}
o - se o fator ,de potência da linha no receptor for alterado para:
- 100% Z = 182,490 ei78 ,5° = 36,070 + j178,89 [ohm]
- 90% (CAP)
pu Z= 0,6818 + j3,3813 = pu 3,4494 ei78 ,5.
mantendo constante as demais condições;
Temos igualmente:
b - se a tensão no receptor for alterada para 220 [kV], manténdo
constante o fator de potência;
y coshi'l - 1 1 (0,8949 + .70,0215) - 1
,c - alterando o fa tor de potência e a tensão como nos itens a e b, 2 senhi'l 404,774e- j6 ,g 0,451 é 84 ,6
verificar o efeito dessas alterações no funcionamento da linha: tensão no
transmissor, regulação e rendimento. y
- = O 588 . 10-3 ei 90,OO Iohro]
14. Parl'!!.o a linha do exercício anterior: 2 '
a - determinar o circuito Pi equivalente, representando as impe-
dâncias e admitâncias em valores por unidade, usando como bases tri-
fásicas:
pu ..:t
2
= 3i,09 . 10- 3 ei 90 = j31,09 . 10- 3 •

o circuito equivalente é o da Fig. 4.21.


base kVA: 1000000 [kVA];

base V; 230 [kV];


0,7;'21 5,4494
2
'00000'
base I: 1 000000 = 2,510 [A];
0· 230
I.,,:
base z: 0 .
230000
2510 = 52,905 [ohm];

b - admitindo que se deseje realizar um modelo elétrico da refe-


rida linha, calcular os valores das impedâncias e admitâncias que serão
a
f
I a'

usados no modelo, cujas bases são: Fig. 4.21 - Circuito Pi equivalente de uma ~inha.

. base tensão: 100 [V] i b - Para o modelo elétrico temos:


base corrente: 1 [A];
base V = 100 [V]
c -
calcular os valores de L e C necessários ao modelo a ser usado
com fonte de 400 [Hz]. base I = 1 [A]
a - Circuito Pi Equivalente base Z = 100 ln].
Teremos, pela Eg. (4.28):
Os valores por unidade no protótipo e no modelo devem ser os mesmos,
logo os valores reais do modelo serão:
. . senhi'l
Z = Z--=--=-
i'l R' = 0,6818 . 100 = 68,18 [ohm]
170 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4
4.6 - EXERCICIOS 171

Xi. = 3,3813 ',100 = 338,13 [ohm] 17. Qual a corrente em curto-circuito no receptor e no transmissor
da linha do Exerc. 15, quando a tensão no transmissor for de 380 [kV]
Y' 1 (\ntrc fases e qual a potência complexa trifásica absorvida?
- = 31 09 . 10- 3 X - - = 31 09 . 10-5 [siemens].
2' 100'
18. Construir um modelo elétrico da linha acima, para operar em
c - Como o modelo funcionará com 400 (Hz], temos: 400 [Hz], com 100 [V] e 1 [A] como tensões e correntes-base.

19. Uma linha de transmissão trifásica de 345 fkV], de 500 [km] de


XL = 271'jL L =-:-XL = 338,13 = 0,13454 (H] comprimento, operando com a freqüência de 60 [Hz], é alimentada por
2nj 271 . 400 ' um barramento de tensão 340 [kV]. Seus parâmetros são:

Y' r = 0,08 [ohm/km]


Y' C =~ = 31,09' 10-
3
= 0,01237 . 10- 4 [F]. L 1,336 X 10- 3 [H/km]
- = 271jC =
2 2n f 271' . 400
C = 8,6 . 10-3 LuF/km]
Comentário
g = 3,75 . 10-8 [siemensfkm].
Este será um modelo unipolar de uma linha longa do tipo daqueles
que são usados nos analisadores de rede de corrente alternada para estu- Para uma potência entregue no receptor de 300 000 [kW] ecos ep = 1,
dos de linhas em regime permanente. O uso de freqüências mais elevadas determinar:
é necessário para se reduzir o tamanho físico dos componentes L e C. ~ corrente em módulo e argumento no receptor;
15. Uma linha de transmissão de 380/420 [kV] tem um comprimento ~ tensão e corrente, em módulo e argumento, no transmissor;
de 570 [km], operando com dois circuitos em paralelo, com a freqüência
~ ângulo de potência da linha;
de 60 [Hz]. A impedância característica da linha (considerando os dois
circuitos operando em paralelo) é igual a: -- rendimento da linha;
~ queda de tensão.

20. Calcular as constantes generalizadas para a linha do Exerc. 1.


e a sua função de propagação .yl = 0,745 eJ87.e33o. Pelo processo exato, I - Circuito Tee Nominal
determinar:
a - tensão e corrente no transmissor quando a linha opera com
uma potência no receptor igual a 1 200000 [kVA] sob cosep = 0,95 (IND),
Á = 1 + Zy
2 ,
= 1 + 52,19 ei 78 ,17 • 0,3186 . 10-3 eJ90 1
2
sendo a tensão no transmissor de 400 [kV], entre fases;
à = 0,9919625 + jO,00170 = 0,991964 eJ°,0982°
b - qual a tensão, corrente e potência monofásica no receptor,
quando no transmissor vigoram as seguintes condições:
~
. . (1 + 4ZY)
B = Z = 52,19 eP8 ,17 (1 - 0.004188 + jO,00085)
UI = 222 [kV] entre fase e neutro;
B= 52,19 eJ 78 ,16 (0,995812 + jO,00085)
j1 = ,1 700 eJ 12 ,64° [A]. É = 51,9714 ei 78 ,12° [ohm]
16. Qual a tensão em vazio no receptor e qual a potência de carga
quando a linha do Exerc,' 4.6.15 é alimentada de um barramento cuja
é = Y= 0,3186 . 10- 1 ej90 [siemens]
tensão é de; 420 [kV] entre fases? D=Á.
172 CÁLCULO PRÁTICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4 4.6 - EXERCI'CIOS 173

II - Circuito Pi ?\ominal Ela é alimentada através de um transformador trifásico de 50 [MVAJ,


. . Zy 11/132 [kV], cuja reatância de dispersão é de 12%. Junto ao receptor,
A = 1 + -2- = 1 + 52,19 ei78.17 • 0,3186 . 10- 3 ei 90 um transformador de mesma potência e reatância de 10% 132/13,2 [kV]
abaixa a tensão. A tensão no barramento alimentador é mantida cons-
tante e igual a 11,5 [kV].
Á = '0,99]9625 + jO,00170= 0,991964 ei°.0982° a - em caso de possibilidade, determinar o valor de U2 j
É = Z = 52,19 ei78.12° b - verificada a impossibl1idade de transmissão, assinalar -as pro-
váveis causas e sugerir soluções. .
. . (1 + 4ZY)
C = Y = 0,3186 . 10- 3 ei 90 (1 - 0,004182 + jO,00085) Destacar os valores das constantes A,E, Ce ÍJ do sistema assim formado.
é = 0,3173 . 10-4 ei90.049° [siemens] 24. Uma linha de transmissão'de 380/420 [kV] tem um comprimento
total de 570 [km]. A uma distância de 250 [km] do receptor existe uma
subestação de manobras, onde se encontra instalado um reatar indutivo
ÍJ ='Â. trifásico, conectado em estrela, cuja potência é de 100 [MVAr], sob 380[kV]
entre fases.
21. Quais as constantes generalizadas da linha do Exerc. 9?
Sendo
Solução i~ = 118,4 e- j2 •335 [ohm]
e
à = 1; É = Z= 9,6 + j24,6 [ohm] ..yl = 0,745 ei87.6330 [l/km],
C= O; ÍJ = 1. calcular o valor das constantes A, B, C o D do sistema assim formado.

22. Determinar as constantes generalizadas da linha do Exerc. 12. 25. Qual deve ser o valor da tensão U 1 e da potência complexa no
transmissor, quando o sistema acima entrega no receptor 750 [MVA] sob
COScP2 = 0,95 (IND) sob 380 [kV] entre fases?
Solução
26. Uma linha de transmissão de interligação de sistema, da classe
à = coshi'l = 0,895 ei1• 38
de 380/420 [kV], possui as seguintes constantes generalizadas:
É = Ze senh"(l = 404,774 e-i5• 9o . 0,451 ei 84.5 = 182,553 ei78 •6 [ohm]
Á = ÍJ = 0,7363 ei1• 7°

C. = -.-
Ze 35 9
°
1 senh"(l = ' 451 ei 84 •.5 = 1 114 . 10- 3 ei 90•4 [siemens]
404,774e- • '
É = 160,76 ei86.700

é= 0,002861 ei90 .4°.


A tensão entrco fascos no barramento receptor deve ser mantida a
380 [kV], enquanto que aquela do transmissor é mantida constante e
23. Verificar se é possível alimentar uma carga de 40 [MVA] sob igual a 400 [kV]. A fim de que o ângulo de potência não exceda () = 28°,
cos = 0,85 (IND) através de uma linha de transmissão de ]32 [kV], cujas
quais as potências transmissíveis?
características são:
Sulução
 = ÍJ = 0.816 ei4• 35
'Aplicamos as Eqs. (4.90) ou (4.91):
Ê = 227,2 ei72 ,3 [ohm]
(Eq. 4.90)
c= 15,7 . 10-4 ei9.1•40 [siemens1,
174 CALCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃC? CAP. 4
4.6 - EXERC(CIOS

São dados:
{3B = 86,7°

UI
400000
= ---- U2 = 380 000 . e= 280 {3A = 1,7°
V3 V3 '
P2 = 1/3 . 500000 . 0,95 = 158 ~34,0 [kW]
A = 0,7363; B = 160,76, {3B = 86,7°; {3A = 1,7°;
10go, Q2 = 1/3·500000· 0,31225 =,52046,67 [kVAr]

N. 2 = . 380 [ 400 ei58 ,9 __ 0,7363 . 380 ej85o]


vã' Vã· 160,76 Vã' . 160,76 ÜI = 420 = 242,5 [kV1.
V3
N2 = 219,393 [1,41655 ei 58.7 - 1,00485 ei 85 0]
Substituindo os valores na equação acima, teremos:
N2 = 152,824 [MVA] 0,9511 (IND)
ou
ei18.97° COS<P2 =
U~ - 7,97947 . 10 4 m+ 13,242020 . 10 4 = O;

logo,
P'2 = 144,523 [MW] por fase

~h,98 . 10 ± V(7,98)22 . 10
4 8 - 4 . 13.24 . 10 8
Q'2 = 49,680 [MVAr] por fase ~=± .
ou
A solução desta equação fornece quatro raízes, porém uma única
P~ = 433,569 [MW] trifásicos possui valores aceitáveis:
Q~ = 149,040 [MVAr] trifásicos. U~ = 237 183 [V] .
27. O que aconteceria, na linha do exercício anterior, se a tensão U~ = 153,4242 [V]
em 2 (receptor) fosse elevada a 420 [kV] entre fases, pE'rmanecendo em
1 (transmissor) a mesma tensão de 400 [kV]? Demonstrar. ou no barramento,
28. Qual deverá ser a tensão no barramento 2 (receptor) para que a U Á2 = 410 813 [VJ
linha do Exerc. 26 transporte 500 [MVA] sob COSCP2 = 0,95 (IND), man-
tendo-se em'l (transmissor) a tensão de 420 [kV]? U:;'2 = 265 738 fVJ.
Aplicaremos a e.quação:
Comentário

Como era previsto, encontramos duas raízes positivas. Somente a


maior tem significado prático.

(Eq. 4.96)
29. Qual será a potência complexa 'transmissível se a tensão no
barramento do receptor for mantida igual àquela do receptor e igual a
Temos: 400 [kV] entre fases na linha do Exerc. 19?

A = 0,7363
30. Unia linha de transmissão trifásica a circuito duplo opera com
B = 160,76 uma. carga ,de 1000 fMVA] COS <P2 = 0,8 (IND), alimentada por um bar-
ramento de 450 fkV1. Qual o valor da tensão no receptor?
176 4.7 - BIBLIOGRAFIA 117
CÁLCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4

Dados: Seguindo o processo delineado no Item 4.5, foram calculadas as ma-


trizes das constantes generalizadas dos quadripolos representativos de
À = 0,7363 eil •7° 25 [km] de linha (circuitos II nominais) e do quadriplo equivalente em
computador digital; com, estes, através das equações das potências adap-
B= 80,39 ei 86•7° tadas ao sistema trifásico, foram determinados os seguintes valores no
receptor:
ê = 0,00572 ei 9 D,4o
11$"
31. Mostrar que a Eq. (4.96), aplicada a uma linha curta, é equi-
valente à equação deduzida no Exerc. 9, para o mesmo tipo de linha. Grandezas no receptor Fase 1 Fase 2 Fase 3
1----.-
32. Qual o valor da tensão Em vazio no receptor da linha descrita Potências ativas 1074,38 0 1282,80 0 1091,03 0
no Exerc. 30 e qual o valor da corrente de curto-circuito permanente da [:\1\\"J
mesma, para um curto-circuito metálico no barramento do receptor? Potências reat.ivas -188,31 ° -39,68° 123,26 0
[:\IVARj
33. Uma linha de transmissão de 735 [kV] tem um comprimento de
100 [km] e serve de interligação entre dois grandes sistemas que mantêm, Correntes nas fases 2570,39/+9,94 0 3024,40( -118,30° 2587,40(113,55°
[AJ
nos pontos de interligação, tensões constantes equilibradas e iguais a
735 [kV]. Admitindo que a linha esteja operando com 3448 [l\1W] no Corrent.es seqüência 2709,85(1,74° 2709,85( ~ 118,26 0 2709,85(121,74 0
receptor, determinar o vetor das potências no receptor. Determinar igual- positiva [A]
mente o vetor das correntes no receptor e as suas componentes simétricas. Correntes seqüência 369,52L22,63 o 369,52( -117,37 0 369,52(+2,63°
Admitir os cabos pára-raios isolados. Foram dadas (ver Caps. 7 e 8): negativa
a - Matriz das impedâncias (linha trifásica equivalente sem cabos Correntes seqüência 55,07(65,94° 55,07(65,94° 55,07(65,94°
pára-raios) : nula [A]

Zll = 0,0051264 + jO,3069234


ZJ2 0,0045902 + jO,0982764 Observação: Os resultados acima mostram o grau de desequilíbrio
provocado pela ausência de transposições; em 100 km da linha, é bastante
Z13 = 0,0050558 + jO,060331S [ohmjkm]
pequeno, com correntfs de seqüência nula da ordem de 2% da corrente
na linha,
Z22 = 0,0041399 + jO,2944889
Z23 = 0,0045902 + jO,0982764
Z33 = 0,0051264 + jO,3069234 4.7 - BIBLIOGRAFIA

b - Matriz das admitâncias 1 - VIDMAR, M, - Die Gestalt der Elektrischen Freileitung, Verlag Birkhãuser, Ba-
siléia, Suíça, 1952.
YJJ = j4,219 . 10-6 = Y 33 2 - BIERMANS, J. - Energieübertragung auf Grosse Entfernungen. Verlag G. Braun,
Karlsruhe, 1949.
3 - STEVENSON, W. D. - Elemenls of Power System Analysis, McGraw-Hi!l-
Y 12 = -jO,784' 10-6 = Y 21 Kogakusha, Tóquio, 1\162. 2. a edição.

Y 13 = -jO,247 . 10- 6 = Y S1
4- - JOHNSON, W. C. - TransmissiOn Lines and Networks. McGraw-Hill - Koga-
kusha, Tóquio, 1950.
5 - WADDICOR, H. - The Principies of Electric Power TransmÍ8sion. Chapman e
Y 22 = j4,350 . 10- 6 Hall, Londres, 1964. 5.a edição.
6 - GUILE, A. E. e P ATERSON, W. - Electrical Power Systems. Oliver & Boyd, Edin-
Y 23 = -jO,784 . 10- 6 = Y S2 . burg, 1969. Vol. 1.
178 CALCULO PRATICO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO CAP. 4

7 - REZA, F. M. e SEELY, S. - ]t;fodern Network Analysis. McGraw-Hill - Koga-


kusha, Tóquio, 1959.
B - NETUSHIL, A. V. e STRAJOV, S. V. - Principios de Elec/ro/ecnia. Editorial Car-
tago, Buenos Aires, 1959. Vol. 2.
9 - CENTRAL STATION ENGlNEERS - Electrical Transmi{lsion and Dis/ribution Refe-
rence Book. Ed. da \Vestinghouse Electric Corporation, East Pittsburgh,
1950. 4.· edição.
10 - KING, R. W. P. - Transmis8ion Line Theory. Dover Publications, Inc., Nova
Iorque, 1965.

Processos Gráficos de Cálculo


das Linhas de Transmissão

5.1 - INTRODUÇÃO

Os processos gráficos para a solução de problemas relacionados com


linhas de transmissão impuseram-se desde os primórdios da técnica, tanto
por sua relativa simplicidade como t.ambém por proporcionarem o meio
menos trabalhoso para a análise de um grande número de condições de
funcionamento de uma linha, como em geral é desejável. Uma vez prepa-
rado o gráfico para uma linha, este servirá sempre para ela, desde que
suas ca,ract.erísticas não sejam alteradas. Muitos desses processos permi-
tem, inclusive. incluir o efeito de transformadores e reatores, como também
o rápido dimensionamento destes últimos.

Grande parte dos processos gráficos aventados e utIlizados foram


~radativ9mente caindo em desuso à medida que novos e mais práticos
foram aparecendo.
A generalizaçe,o do emprego dos computadores digitais na solução
de problemas técnicos, principalmente quando um programa pode ser
usado em estudos repetitivos, como é o caso nas linhas de transmissão, '
trouxe uma tendência ao abandono também dos métodos gráficos mais 'I

laboriosos. Os diagramas Perrine-Baum [8], largamente empregados, prin- II


cipalmente na Europa, estão entre estes. '

Neste trabalho, limitaremos nossos estudos somente a um processo ,I


gráfico capaz de rEsolver as equações gerais das linhas de transmise,o e "

aos diagramas circulares das potências e perdas, hoje ainda bastante usados
dada sua simplicidade, bem como a uma modificação dos m.esmos, devido
a R.D. Goodrich Jr. [10]. São recomendáveis para a aferição de cálculos
analíticos.
180 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.2 -- DIAGRAMA D'ESCANGLON DAS CORRENTES E TENSÕES 181

5.2 - DIAGRAMA D'ESCANG:LON DAS CORRENTES ou


E TENSÕES

Aplica-se às linhas homogêneas. Permite determinar graficamente a portanto:


variação das knsõps c correntes ao longo das linhas através de elegante
construção gráfica, baseada nas equações fundamentais dessas linhas. (5.3)
Johnson [1] apresenta o mesmo diagTama sob a denominação de Cmnk
Diagram c Vidmar [2], sob o nome de Diagrama de Koselj. Seu interesse b Se por O e M passar&ios a linha, OC de forma que
é primordialmente didático, servindo, no entanto, para resolver também
problemas práticos. OC = Ú2 + ZoÍ2' logo OM = MC = 1/2 CÚ 2 + ZoÍ2) = Á I •
Retomemos as Eqs. (3.51) e (3.52), colocando-as sob a seguinte forma:
c Com centro em AI e raio AM = MB, tracemos o círculo d'Es-
Ú", = Ãt e-t l + Á 2 e-';'" [V] (Eq. 3.51a) canglon.
ic L, = ÁI é x - Á 2e-~x [A], (Eq. 3.52a) d - Tracemos um outro diâmetro A'B' escolhido de forma que o
ângulo AMA' = - 2{3.?;. Será então:
sendo AI e A2' como vimos:
OA' = Ál + Á 2 e-j2 {3x = U x e- j {3x
OE = Ál - Á 2 e- j2 {3:J: = ZoÍ", e- j {3x

[V]. e -- Dando aos fasores OA' e OB um giro + {3x, encontraremos os


pontos A" (\ E", de forma qup:

A - Linha sem perdas em carga Lembramos que a .função de OA" = U'" (5.4)
propagação é um número complexo, de que a parte real, a constante de e
atenuação, representa as perdas de energia .. Numa linha ideal temos OE" = ZoÍx, (5.5)
a = O e i' = j{3. Nessas condiçÇíes, também Zc = ~o, que é um número
real, e o argumento do produto I2Zo é o mesmo de 12 • ficando perfeitamente determinados os valores de cp", e (J.

Nessas condições, as Eqs. (3.51a) e (3.52a) poderão ser escritas:

Úx = Ã I ej {3x + Á 2 e- j {3x [V]


I
ZoIx = Á I ej {3", - Á 2 e-j {3x [A]; I
I
I
dividindo ambas por e{3", , teremos: I
I

Ú", e- j {3x = ÁI + Á 2 e- j2 {3x (5.1)


-- - _o~:::==t::::::j::l!7"':::::"-----;;Y
ZoI:r: e- j {3x = Á I - Á 2 e-j2 {3x (5.2)

A construção gráfica é a seguinte (ver Fig. 5.1):


a - Tracemos os fasores Ú2 (segmento OA) e ZoI2 (segmento OB)
e liguemos os pontos BA, marcando em seu centro o ponto M. Teremos
--
então BM = AM. Examinemos o triângulo OAB:
Ú2 = BA + ZOi2 Fig. 5.1 - Diagrama d' Escanglon da linha ideal.
182 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.2 - DIAGRAMA D'ESCANGLON DAS CORRENTES E TENSÕES .' 183

Se desejarmos traçar o diagrama de andamento das tensões e cor-


rentes em função do comprimento da linha, expresso em frações do com-
primento da onda, procederemos da maneira que segue.
Seja determinar as tensões e corrE'ntesi em n pontos ao longo da
linha, igualmente espaçados de À/n [km] uns dos outros; como À = 27r/{3,
no diagrama teremos:
27r
2{3x = 2{3 . 73 = 47r.

A
Logo, para representar um comprimento de onda À [km] será neces- 0~~----------~~-------+~~--------------~U2
sário fazer A 2 descrever um ângulo igual a 47r = 720°. Uma volta com-
pleta., saindo de A e retornando a A, representa, pois, um comprimento
x = À/2. O ponto B representa, portanto, x = À/4.
Sendo n o número de frações para as quais desejamos conhecer as
tensões ou correntes, À/n será representado por um ângulo

2{3x = 2{3x 27r/{3n = 47r/n.


o valor maXlmo da tensão oCÇ>rre para 2{3x = MÂN', .coincidindo
com o valor mínimo Ada corrente, ZO[2 = ON. O valor mínimo da tensão ÕÃ = 1 pu
será para 2{3x = MAN, isto é, quando A' coincidir com N. A corrente 8 a ~e MVA = 500
será máxima, então. 8coe KV = 380
U2 = 380 [KV)

B - O processo de construção do diagrama


Linha r-eal com carga - N2 = 500 MVA
C01f2 = 0,89
é essencialmente o mesmo. As equações de partida (3.51a) e (3.52a)
devem, porém, considerar a atenuação da linha devida às suas perdas, l =569 [Km]
Zc = 236,76 - j 9,6
e serão escritas: te = 003.125 + j 0744

(5.6)
Fig. 5.2 - Diagrama d'Escanglon para a linha real.
(5.7)

.Neste caso., o produto ZcÍ2 terá argumento próprio, diferente daquele Os. valores de Ü., e Zc1., são obtidos imprimindo-se aos vetores OA'
qe 1 2 .0 .qual deverá ser usado no diagra.ma. Traçamos então os fasores e OB' a rotação +{3x e multiplicando-os simultaneamente por eax •
U2 e 12 Zc , com o ângulo (4)2 ± o) entre ambos, e traçamos o círculo d'Es- O diagrama d'Escanglon se presta também para a análise das linhas
canglon da forma anteriormente descrita (Fig. 5.2). homogêneas operando f'm vazio e em curto-circuito.
Á Para um comprimento de linha x[km] devemos determinar o ângulo
AMA'! de maneira que as perdas sejam incluídas, o que é possível através C - Linha real sem carga - Para operação sem carga, temos:
da expressão: ;ti'

logo, das Eqs. (3.51) e (3.52) obteremos:


A partir de A, medimos f'm sentido. anti-horário o ângulo 2{3x. Como
MAl' representa, em escala, o .fasor A2' a distância M4' representará • • U2
na mesma escal.a, o valor dE' A 2 e2 "",. Portanto, OA' = U",e-""'. Al = A 2 = - - (5.8)
2
Se MB representa -A 2,. MBl representará -Á2 e+{J"', donde con-
cluímos que OB' representa Zcl", e-Y"'. e. as equações (5.3) e (5.4) se tornarão:
184 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 185

(5.11)

.. ..
(5.9) 12Zc
-_
2
+ /zZc
- - (;1'2'
2
"(x = I' 2 Z· e-1.."(z
cc c •
(5.12)

o
centro M estará sobre OA = U20 e o círculo. passará por O e por A. o ponto A coincide com O, portanto;
],
Traçando A'I B'I' fazendo o ângulo -2{3x comU2 , marcaremos:
l
',]! Ú2 e- ax
'1 e = --
] 2
I
e
1

I Dando fi OA I e a OB I um giro +{3x, encontraremos, se multiplicarmos


seus módulos por eax (ver Fig..5.3):

I: e OB" I = Z~l z·

Ioga,
110
8" i10 Ze
8,
5.3 DIAGRAMAS CIRCULARES

É o nome genenco dado a diversos tipos de diagramas que foram


propostos para resolver problemas relacionados com linhas de transmissão
e mesmo com quadribolos em geral.
Destacam-se os Diagramas Circ1dares das Potências, que passaremos a
examinar. São de construção relativamente simples, proporcionando ao
mesmo tempo excelente visão de conjunto para a sua consulta.
Sua construção se baseia nas equações gerais dos quadripolos, podendo
ocorrer sob as condições existentes no receptor, no transmissor e mesmo
Àl mistas, através da interligação dos círculos no receptor e no transmissor .
•' a) Vasio
b) Curto cirCuito

5.3.1 - Diagramas Circulares das Potências


Fig. 5.3 - Diagrama d'Escanglon em vazio e curto-circuito.
No Cap. 4 foram deduzidas as seguintes equações das potências para
D - Linha real ert~ curto-circ.uito - Operando em curto-circuito quadripolos, aplicáveis às linhas de transmissão;
junto ao receptor, será U2 = O, logo (ver Fig. 5.3b);

i2ZC
-- - (5.10)
[VA] (Eq. 4.98)
2

As equações se tornam: [VA],


5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 187
186 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5

que procuraremos representar graficamente. Verificamos que, em ambas


as extremidades da linha, a potência complexa pode ser representada por
duas componentes. Um,a vez que as partes reais desses complexos repre-
sentam as potências' ativas P e suas partes imaginárias as suas potências /
reativas Q, é possível represrntar no plano complexo P + jQ as potências
complexas N1 e N2 , como também as suas duas componentes.
Se considerarmos que freqüentemente as linhas de transmissão são
/
operadas com ambas as tensões VI e V 2 const.antes, a única variável que
resta do lado direito das Eqs. (4.90) e (4.98) é, evidentemente, O, o ângulo
relativo entre as tensões UI e V 2 conhecido como ângulo de potência.
Isso significa que os valores reprc-sentados pelos primeiros termos dos
segundos membros das equações permanecem constantes em módulo e
fase, enquanto que os sogundos termos, mesmo mantendo constantes os
seus módulos, podem variar de fase. Nessas condições, as extremidades
dos vetores representados pelos segundos termos do segundo membro
podem descrever círculos de raios constantes, tendo como centros as
extremidades dos vetores representados pelos primeiros membros.

5.3.1.1 - Diagrama do Transmissor


/
Para a Eq. (4.98) teremos:
U 12D Fig. 5.4 - Diagrama circular das potências no transmissor, para U2 = k.
- B - [cos ({3B - (3D) +j sen ({3B - (3D)],

que, no plano complexo P + jQ, será representado pelas coordenadas . Seu argumento ({3B + O) é variável, estando, pois, livre para girar
(ver Fig. 5.4): em torno de CI(XI, Yl), descrevendo um círculo de raio constante 1'1, re-
presentando as relações VI' V 2 constantes.
(5.13) A Eq. (4.98) ficará satisfeita se completarmos o triângulo ac 1s! atra-
vés do vetor N I • SI pode deslizar sobre o círculo de raio r), que representa
o lugar geométrico das potências N I para VI . V 2 = constantes, sendo
Yl = TV2D sen ({3B - (3D) (5.14) seu argumento cf>1 medido com relação ao eixo +P.
O lugar geométrico dos módulos das potências N I constantes é o
e. pelo m6dulo circulo de centro em a e raio N 1 • Para cada valor de N 1 sobre este círculo
corresponde um valor do produto VI' V 2.
U 12D
(5.15)
B 5.3.1.2 - Diagrama no Receptor

ou seja, pelo veto r CIO, cujo argumento é invariável e cujo módulo depende A Eq. (4.90) poderá ser representada da forma que segue. O primrirn
s6 de VI. termo (v~r Fig. 5.5):
O segundo termo do segundo' membro será representado pelo veto r
de módulo: - V~A [eos ({3B - (3A) +j sen ({3B - (3A)]

(,5.16) define as coordenadas de C2 (extremidade do vetor):


188 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 189

.a - Calculam-se as coordenadas C1(;); 1, Y2) e C2(X2, Y2) pelas· Eqs.


(5.17) (5.13), (5.14), (5.17) e (5.18) e locando-as no plano P . jQ. Em seguida,
ligam-se os pontos CI e C2 com a origem O. Os vetares OC 1 · e OC2
representam, respectivamente:
(5.18)

e o módulo do vetor:

(5.19) e

o segundo t.ermo do segundo membro é representado pelo vetor de


raio:

(5.20) b - Se, pela origem 0, traçarmos um eixo fazendo um ângulo {3B


rz =
com o eixo real +P, veremos que, entre esse eixo e OG 1, haverá um ân-
gulo {3D. Entre esse mesmo eixo e OCz, aparecerá então o ângulo {3A
de argumento variável. Com centro em C2(X2 , Y2) e raio r2, pode-se confirmando os argumentos desses vetores.
traçar o círculo de U 1 . U2 = constantes no receptor. O círculo de
N2 = constante é traçado com centro em O. c - Com os raios T1 = U 1 U2/B e 1'2 = UI U2 /B e com centros em C1
e C2 , respectivamente, traçamos os círculos dos produtos UI' U2 constantes
5.3.1.3 - Diagrama Completo no transmissor e no receptor. Esses circulos representam os lugares geo-

Para a construção dos diagramas completos ou conjugados das po-


+ Q
tências, o procedimento é o seguinte (Figs. 5.4, 5.5 e 5.6):

-p +p

\.'

Fig. 5.5 - Diagrama circu/àr das 'potências no receptor para U2 = k. Fig. 5.6 - Diagrama circular das potências conjugado para U2 = k.
190 PROCESSOS GRÃFICOS DE CÃLCULO CAP. 5
5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES

métricos das potências aparentes N 1 e N 2 para VI e V 2 constantes.


Qualquer um de seus pontos poderá representar um ponto de operação
da linha para essas potências aparentes. Com centro em O, podemos
traçar os círculos para N 1 e N 2 constantes.

d - É preciso que haja, no entanto, correspondência f'ntre os pontos


de operação do círculo do receptor e aqueles do círculo do transmissor.
Se, por exemplo, traçarmos por O um vetor fazendo umcângulo qy2 com
o eixo dos P, encontraremos sobre o círculo C2 o ponto de operação
S2 . . OS2 representa, em escala, o valor de N 2 para o fator de potência
COSQY2 especificado. O vetor C2 S2 representa o termo:

+p

da Eq. (4.90) para QY2, V l e V 2 predeterminados. Se por C2 passarmos EIXOS DE


um. eixo chamado eixo de referência, fazendo,o ângulo (3B com o eixo dos REFERÊNCIA
P, o vetor C2 S2 fará com o mesm.o o ângulo (), como é fácil de se ve-
rificar. Esse eixo, ao cortar o círculo C2 em R2' limita entre R2 e S2 o
arco de círculo correspondente a fJ.
Ora, o ângulo fJ é o elemento variável comum a amba.s as equações
Portanto, se por C 1 também for traçado um eixo de referência, qUf' cortar
-Q
esse círculo em R J , medindo a partir de RI o mesmo arco de círculo cor- I

respondente a fJ encontraremos o ponto SI. O vetor Cl S 1 fará com o I

eixo de referência o ângulo f), representando o termo:

Fig. 5.7 - Diagramas circulares das potências com U2 = variável.

da Eq. (4.98). SI será, pois, o ponto de operação, no círculo do trans- B - Diagrama circular das potências para VI variável e V 2 = k
missor, correspondente a S2 no receptor. OSl representa a potência apa-
rente no transmissor, necessária para entregar no receptor a potência a - No círculo do receptor - Variando VI (; ·mantendo U-~ constante,
aparente N 2 sob COSQY2. .
as Eqs. (5.17) e (5.18) se mantêm inalteradas. O raio, definido pela
Como já· descrevemos, o diagrama circular das potências tem seu Eq. (5.20), sofrerá alterações, apresentando um valor para cada valor de
emprego limitado a valores de VI e V 2 constantes e prefixados. V 2 • Poderá ser então traçada uma família de círculos com centro em
Poderemos, no entanto, completá-,!p, alterando os ·valores de V l e U 2 C2 (ver. Fig. 5.8).
individual ou simultaneamente.
b - No círculo do transmissor - Ao variarmos UI, conforme se ve-
A - Diagrama circular das potências para V 2 variável e U 1 .= k rifica pelas Eqs. (5.13) e (5.14), encontraremos para ca.da valor de VI
um centro C1 diferente, enquantó que, para cada valor de VI, também
a - No cirwlo receplOr - Variando V 2 e mantendo constante UJ, haverá um raio rI diferente.
para cada valor de V 2 haverá um novo centro C2 e um novo valor para
o raio r2 (ver Fig. 5.7), conforme se verifica pelas Eqs. (5.19) e (5.20). c~ Diagrama circular das potências com VI e V 2 variáveis
Será possível traçar uma família de círculos não concêntricos.

b - No circulo do transmissor - Conforme se verifica pelas Eqs. (5.15) a - No círculo do recepior- Os centros C2 terão uma nova posição
e (5.16), somente os raios dos círculos C1 serão alterados. Uma família para cada valor de V 2 , enquanto que os valores dos raios r2 variarão
de círculos concêntricos poderá RPr traçada, uma para cada valor de V2. tanto para a variação de V 2 como também de VI. Para cada um dos
centros C2 poderá, então, haver uma familia de círculos.
I r'
192 PROCESSOS GRÃFICOS DE CÃLCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 193

C'3 ql7a!l~o a base ,U = UB for a tensão entre fases, N B será potência-base


tnfaslCa e o dIagrama representará as potências trifásicas.
, . ~ fim de construir o diagrama em termos de grandezas pOTunidacle,
1 dIvIdImos as Eqs, (4.90) e (4.98) pela base da potência, ficand<J:
li/EIXOS OE REFERÊNCIAS
a - Círculo do transmissor

1 Am m
U1J ~ cos ({3B -"fD) = A U1J cos ({3s - (3D) pu (5.21)
13
Aur m
~ sen (fiB - (3D) = A U1J sen (j3B - (3D) pu (5.22)

- p +p

1 U1 U2
EIXO DE
REfERÊNCIA
I u'1
Ird = U1J
13
B
pu. (5.23)

b - Círculo do receptor

1 Am m cos ({3s-c{3A)
Fig. 5.8 - Diagrama circular das potências com U2 = variável, IX21 = ~ U1J ~ cos ({3B - (3A) -A u1 pu (5.24)
13
b - No círculo do transmissor - Os centros C1 variarão de posição,
para cada valor de UI, enquanto que os valores de TI variam tanto com
UI como também com U2 • Para cada centro CI , poderá, portanto,
IY2 I = - 1 AU~ m
U1J ~ sen ({3B - (3A) = A U1J sen ({3B - (3A) (5.25)
haver uma família de círculos, como valores variáveis. . B
ou
Não é preciso muita imaginação para se percebeI: Que o diagrama
construído para este último caso se torna demasiadamente complicado,
(5.26)
dado o número muito grande de círculos intervenientes.
" A construção dos diagramas circulares das potências é realizável
com valores em grandeza real, porém, também nesse caso, devem-se pre-
,ferir valores por unidade. Uma simplificação. de notação, a esta altura, é bastante conveniente.
Empregamos:
Escolhem-se como grandezas-base:
a - uma tensão-base U B [kV], que tanto poderá ser na fase ou
entre fases, de preferência a tensão nominal do sistema;'
'b - uma impedância-base ZB [ohm] , que é, por conveniência, esco-
lhida igual a B. As bases para as potências sel'ão escolhidas de acordo; -U-
2
- (5.27)

(base U)2 As coordenadas e raios dos centros dos círculos serão então defInidos
c - base N B = NB ; por:
194 ) PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 195
"
a - Círculo do transmissor + puQ

I:1: 1 I = D I v 1I 2 COs ((3 S - (3 D) (5.13a)


IY11 = D I Vd 2 sen ((3s - (3D) (5.14a)
11'11 = IV11 IV2 1 (5.16a)

b - Círculo do receptor

IX21 IU 2 2 cos ((3s -


---'A 1 (3A) (5.17a)
puP
IY21 - A I U21 sen ((3 s - (3 A) (5.18a)
hl = IU 1 IU2 1·
1 (5.20a)

Os diagramas circulares das potências na forma analisada, que po-


deríamos chamar de clássica, pecam por falta de simplicidade quando
se descja a variação simultânea das tensões no início e no fim da linha,
(: deveriam limitar-se à análise de umas poucas situações. Essa desvanta-
gem levou R. D. Goodrich Jr. a idealizar sua modificação, dando-lhe
um caráter de universalidade.

5.3.2 - Diagra:ma Universal das Potências [9,10]


puQ
O di.'l,grama univPrsal é construído com valores por unidade, obede-
cendo em princípio, às mesmas regras gerais, empregando, porém, uma
única família de círculos concêntricos.
Se construírmos um diagrama circular para o receptor de acordo com
as Eqs. (5.13a), (5.14a) e (5.16a) para vários valores de I VII e um valor
fixo I V 2 1, obteremos os círculos concêntricos, como na Fig. 5.9, estando
a origem das coordenadas em O. Se escolhermos um novo valor para
I U2 1, isto é, I V'21 , e escolhermos vários valores de lU 11, porém de forma
que os produtos lU 11 I U'21 sejam os mesmos que aqueles empregados para
obter' a primeira família de círculos, obteremos nova família de circulas
concêntricos, cujo centro estará agora em C'2. A origem das coordena-
das continua, no entanto, em O.
Seja I V 2 o primeiro valor estabclí'!!cido para a tensão no receptor
1

l' IV 111, IV 112 C IU l 1 3 etc. os valores variáveis de 10\1. Teremos o


centro C 2 em (Fig. 5.9a):

X2 = -A I V~I cos ((3s - !3A)


U2 = -A I V 2 ~os ((3s - (3A)
1

p os raios dos círculos SErão: Fig. 5.9 - Construção do diagrama universal das potências no receptor.

T~ = I U2 1 I VI iI; T~ = 1V 2 I U1 12
1

Seja 1V'21 o novo valor escolhido para 1V2 e I V' ri], I V' ri 2, IV' ds
V 21
1
r~ = 1 I V lia etc. os novos valores escolhidos para I Vda, porém de forma que:
197
196 PROCESSOS GRÁFICOS DE CALCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES

os centros de opemção do, transmissor 0 1 , O'] etc., e uma única familia de


I V2 I VII] = I V'2/ I,V'dI =
1 1'~ círculos com origem em Cl • Os centros de operação passaram ao 3.°
IV2//V1/ 2 = IV'2/IV'd2 = d quadrante, como mostram as Figs. 5.lla e 5.llb.
I V 21 / V Ii 3 = / V'2/ I V'l/3 = r1.
..,...
~
As coordenadas do centro C'2 d? círculo serão: lU
Q

;C'2 = -A I V'2/ 2 cos ({3B - (3A)


Y'2 = -A I v'21 2 cos ({3B -fiA).

Com isso obtivemos duas famílias de círculos dê· raios iguais, dois
a dois, porém com centros C2 e C'2 diferentes com uma origem de coor-
denadas O2 co,rmm.
Se fizermos o centro C'2 deslizar sobre o vetar 02C2, até coincidir
, I com C2 (Fig. 5.9b), observaremos o seguinte:
, I

1 - os círculos de mesmos raios I VI/ I V 2 / coincidirão, restando uma


única família de circuitos, com centro em C2 ;
2 - haverá um deslocamento também da origem do sistema de coor··
denadas de O para O' (somente para os círculos que tenham centro em C').
Enquanto que o triângulo das potências para a primeira situação (centro
C2) será traçado a paItir de O2, na segunda (centro C'2) deverá ser desenha-
do a partir de 0'2.
Se fizermos o deslocamento de todos os pontos C2 i para a origem O2
do sistema P e }Q, o eixo 02C2 se deslocará inteiramente para o primeiro
quadrante. Todos os círculos do receptor terão um único centro C2 , Fig. 5.10 - Diagrama universal das pot€ncias no receptor.
coincidente com a origem de P e }Q, e, para cada valor de [U2], teremos
o ponto 02i , chamado centro de operação do receptor, a partir do qual cons-
trujremos ó triângulo das potências no receptor.
Observamos ainda o seguinte na Fig. 5.10:
- o eixo dos centros de operação C2 0 2 faz com o eixo +P um ângulo
({3B -: {3A)o;
- o eixo de reverência, fazendo o ângulo {3B com o eixo +P, faz
,com o eixo que liga C2 com o ponto de operação 8 2 o ângulo de potên-
"cia e.

Com o diagrama assim preparado, podemos resolver problemas varian-


do simultaneamente IV 11 e / V21, empregando apenas uma família de circu-
las no receptor.
,_ , O mesmo tratamento poderá ser dispensado ao circulo no transmissor.
É de toda conveniência, no entanto, que os círculos no transmissor sejam
traçados com mesmos valores dos-produtos IV 2 11U 1 1. OS centros Ch
C' 1, C" 1 etc. poderão ser escolhidos para valores arbitrários de IV] I. Ao
efetu,armos seus deslocamentos ao longo do eixo OC], obteremos então Fig. 5.11 - Construção do diagrama universal das potências 'no transmissor.
198 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 199

Se associa~mos. os diagTamas universais do transmissor e do receptor, Para determinar o triângulo das potências no transmissor, dcvemos
obteremos a FIg. 5.12. Haverá apenas uma família de círculos concên- proceder do seguinte modo:
tricos, cada qual com um raio: a - marcamos o centro de operação 0 1 • A partir do eixo de refe-
rência, marcamos o ângulo de potência e, traçamos o eixo CS 1, estando o
ri= luillUJI. ponto de operação do transmissor na intersecção desse eixo e o círculo de
raio I Ui I I U~ I;
.0 eixo de referência é único, "passando pela origem C, enquanto que
b - ligando 0 1 e SI, teremos em pu o valor de N 1 , cujas projeções
os e1:X0s COI e CO 2 .dos centros de operação, no caso dos quadripolos si-
sobre os eixos P e Q definem PI e QI. O ângulo cPI fica determinado
métncos como as lmhas de transmissão, estão também alinha.dos.
entre 01S1 e o eixo das potências reais.
Finalmente, se rebatermos o 3.° e 4.° quadrantes sobre o l.0 e,o 2.°
quadrantes, os semicírculos se sobreporão, enquanto que os eixos de refe-
rência e dos centros de operação do transmissor irão para o 2.° quadrante,
como na Fig. 5.13.

.1 .2 .3 .4 .5.6 .7 .8 .9 1.0 1,1 1,2 13-P

Fig. 5.13 - Diagrama 1,m:versal das potências.

Os eixos de re'ferência agora são simétricos com relação ao r;ixo Q,


e assim também o S0rão os r.ixos dos cC'ntros de operação quando A = D,
como nas linhas de transmissão.
A fim de se empregar o diagrama assim dC'scrito, cuja vantagem prin-
Fig. 5.12 - Diagrama universal das potências conjugado; cipal reside no fato de que a base do diagrama pode S(,}' eomum a qual-
quer linha ou quadripolo na sua simplicidade e clareza, deve:-se obs(~l'var,
Para uma tensão I U~ f no receptor e I u~ I no transmissor teremos os no entanto, a necessidade de se inverter a convençii,o de sinal da potência
centros de oper:ação O2 f: 0 1, respectivamente. Sendo cP2 o ângulo do reativa (positiva para potência reativa indutiva) para as potências I'eativas
fato r de potêncIa no receptor, a potência no receptor será definida por do transmissor, em virtudf' do rebatimento do 3.° sobrr- o 2.° quadrante'.
O_~S~, estand~ S2 sobr~ o círculo de raio I Uf I I U~ I. Suas projeções sobre O diagrama poderá ser completado com mios a partir de C, de' grau
o~ eI.xos P e JQ nos dao os valores de P2 e Q2. O ângulo de potência será cm grau, para facilitar a loca<;,ão dos eixos de rr.ferência e eixos dos centros
medIdo pelo arco R 2 S 2 = R l S 1 • de opcra<;'8,o, bem como para a leitura dii'eta dos ângulos e. Nos Estados

li'
200 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 201

Unidos, diagramas-base a,ssim preparados podem ser adquiridos prontos,


postos à venda por seu autor'.

5.3.3 - Diagramas Circulares das Perdas resolvendo simultaneamente, teremos:

Para a determinação, das perdas de energia na transmissão em um Uz


6 = O e UI = COS{3B. (5.28)
número grande de condições, este diagrama é bastante útil. Ele é asso- DCOS({3B - {3D)
ciado aos diagramas circulares das soluções gráficas.
A Eq. (4.107) pode também ser representada graficamente, conside-
rando-se UI e U 2 constantes. A única variável será o ângulo de potência O.
Os dois primeiros termos do segundo membro são const~ntes, logo, podem
ser representados por um ponto C no eixo das ordenadas, enquanto Que
o terceiro termo terá, para cada valor de O, um novo valor: -

representado por um segmento cuja extremidade descreve um arco de


circulo com centro C (Fig. 5.14). As perdas de potência serão obtidas
pela projeçii,o dos pontos N do círculo sobre o eixo das ordenadas.

AP
+
~
~ "" <!:!...
I
I II>

o
u
..'"
<!2.. S
"o
u

N:_I CD
N:NI'"
1"

Fig. 5.14 - Diagrama de perdas para UI e U2 constantes.

, A Eq. (4.107) pode também ser representada nos próprios diagramas


circulares das potências, desde que uma das tensões (U 2 , por exemplo)
seja mantida constante.
Sob que condições de operação AP será mínimo?
Se considerarmos U 2 constantE), APmín será função de duas vana-
e
veis: e UI. O valor mínimo será encontrado se as duas condições abaixo
forem satisfeitas:
-Q

o(AP) U 1 U2 (.I
2~ COS/-'B senO = O Fig. 5.15 - Circulas de perdas constantes nos diagramas de potência.
ÓO
PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES 203

Verificamos que as perdas mínimas ocorrem para: a - centros dos círculos de perdas:

1 - e= O;
(5.32a)
2 - quando a relação dos módulos das tensões for tal que:
b - ponto de operação da linha para U2 e !1P2 constantes e valor
~ = DCOS({3B - (3D) = D . determinado de UI:
UI COS{3B .

Podemos calcular as perdas mínimas, introduzindo os termos da


Eq. (5.28) na Eq. (4.107), obtendo:

U~cos2{3B
BDcos({3B - (3D) J
.
(5.29)
I G - raio do círculo das perdas, com centro em C2':
(5.32b) .

(5.32c)

designemos: Os pontos sobre o círculo das perdas são lugares geométricos para
!1P = constante, com U2 = constante. Representam Pz e Q2 para va-
DoP2 =
m (5.30)
lores constantes de U2 e !1P.
BDcos({3B - (3D) Pontos como o ponto r, na intersecção dos círculos R com os círculos
UI Uz/B, fornecem valores para P 2 e Q2 para valores fixos de U 1, U2 e tiP.
Teremos, dividindo a Eq. (5.29) pela Eq. (5.30): Pontos como r' dão a mesma informação quando o fluxo das potências
é invertido.
~;: = AD COS({3B - (3D) COS ({3B - (3A) - cos 2 (3B (5.31a)
Para a construção do diagrama, convém colocar as expressões nas
seguintes formas:

ou R z = !1Pz J !1P _ !1Pc (5.32d)


(5.31b) "" DoPz !1Pz

A Eq. (4.107) também pode ser reprf'sf'nta.da no diagrama circular


das potências. Para tanto, calculemos !1P2(!1P - !1Po) , em que !1P
representa as perdas em determinado regime de operação, usando aS
Eqs. (4.107), (5.29) e (5.31):
I ~;:

!1P 2 =
= AD COS({3B -.{3D)COS(!3B - (3A) - COS 2{3B

U~
(5.31a)

(5.30)
BDcos((3B - (3D)
!1P2(!1P _ DoP o)
.
= [ UªCOS{3B
BDcos({3.w.- (::JD)
]2 + ( UB1U2 )2 (5.32a)

A forma prática de traçar o diagrama circular das perdas no recep-


- 2. [ U 1[h] [ [/~ COS{3B ] tor é a seguinte:
B. BDcos({3B - (3D; cosO,
1 - construímos o diagrama circular das potências clássicas para
que é uma equação do tipo Uz = k e UI = variável, traçando quantos círculos, com centro em C2,
quantos. forem considerados convenientes;
.
2 - empregando a Eq. (5.30), calculamos o valor de !1P2 ;
ou seja, a equação de um círculo cm ronrdr'nadas polarrs. qlH', neste caso, I1.P o
são o rixo de referência e os raios que faz('1ll o ângulo e com o referido 3 - calculamos o valor de '.!1Pz pela Eq. (5.31a);
eixo. Tpmos então:
204 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5
5.3 - DIAGRAMAS CIRCULARES
205

4 - sobre o eixo do referência marcamos C2C'2, calculando essa dis-


tância pela Eq. (5.32a);
5 - admitimos uma série de valores para ilP, dentro do campo
provável de variação das perdas (por exemplo: 0,01 P2; 0,05 P 2; 0,10 P 2
etc.), calculando os valores correspondentes de R 2 pela Eq. (5.32c);
6 ~ com centro em C'2, traçamos os círculos de perdas com raios
calculados no item anterior;
°
7 - a partir de traçamos as linhas de carga para os diversos fatores
de potência considerados;
I

8 - na intersecç8,o de uma linha de carga e um círculo de tensões


(ponto de operaçã.o) passa também em círculo de perdas constantes, o
que determina as perdas naquele ponto de operação - ponto r. lu,!: 1,:55
O. o 2 1n;;;"*H-f-l.._
lu,l: '30
Cabem as o bservações que se seguem.
Por construção, temos:
o ,o 05 __'""""""':----.:::::f-f-l-

0,030
~-~-
0.035
a - Nas linhas longas encontraremos: 0,040

OC2 < C2C'2; 0,045

portanto, o ponto C~ ficará acima do eixo das potências reais, de um Iu,/= 0,95
valor +Q2, como mostra a Fig. 5.15. A linha +Q2 = constante (C~C'n
corta os círculos P em pontos como o ponto s, que, projetado sobre o eixo IU,I: 0,90
das potências, indica a potência ativa máxima (P 2.) que se pode trans- 0,5
lu,l: 0,85
mitir, com um valor determinado de perdas ilP. O raio OS define o I ull= 0,8
valor da potência dessa tr~nsmissã.o (cos cP2B) e 'o círculo 1'28, que passa lu, 1= 0,75
por s, o valor de U1 U2 /B necessário a essa condição, como também mos- 0;6
IU,1 = 0,7
tra a Fig. 5.16.
b - Linhas curtas - Na linha curta  = b = 1 elo, o eixo OC2 0,7

e o eixo C2C~ se confundem. A Eq. (5.30), por sua vez, se transforma em:
0,8
Ub = 1,38 [KV]

U~ N b: 104,2 [MVA]
ilP2 C5.30a)
B cos{3lJ I
~
1
e como:

c2Q ilP2 COs{3B -U~


-,
B
Fig. 5,16 - Diagrama circular de perdas para U2= k de uma linha longa (Exerc. 10).

teremos
Nessas condições, o centro dos círculos de perdas C'2 coincide com
C2C~ = C2O. o centro O do sistema, como na Fig. 5.17:
206 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.4 - EXERCICIOS

ui
(5.33)
BAcos({3B - (3A)
!::..Po
!::..P = AD COS({3B - (3A) COS({3B - (3D) (5.34)
1

RI = !::..P 1 vi !::..P/ílP 1 - !::..Po/!::..Pj (5.35)~.

CIC'! = !::..Pj ~OS{3B. (.5.33)

Os pontos de intersecção entre o círculo do transmissor e os círbulos


de raio U j Ú2/B indicam as potências Pj e Q1 para Uh [;2,. !::..P 1 constan-
IU1/=l,~s tes; sua construção obedece ao mesmo método exposto para o receptor.
lu,/= 1.~0
5.3.4 - Outros Processos Gráficos

Além dos processos já mencionados e descritos, existem ainda outros


que procuram resolver os mesmos problemas. Dentre estes, vale a pena'
mencionar:
3
Diagrama ou carta de Smith [3, 7] - Divulgado em 1944 por H. P.
Smith, recebeu de imediato la~'go emprego por parte dos engenheiros de
4 telecomunicações para a solução de problemas em linhas de transmissão
de telecomunicações, principalmente em virtude de sua universalidade,
pois não é necessário o preparo de um diagrama para cada linha. De
s .. fato, pode ser adquirido pronto. Dai o nome mais apropriado que lhe
foi dado pelo próprio Autor, calculador melhorado de linhas de transmissão.
IU1 1 =0,85
Seu emprego pode, facilmente, estender-se à solução de problemas rela-
6 IU,I= 0,8 cionfidos com linhas de transmissã.o de· energia elétrica, com um grau de
precisão igualou superior ao dos demais processos gráficos.
7

5.4 - EXERCÍCIOS
8 Ub= 138-[KV]
1. Uma linha de transmissão trifásica, operando em 60 [Hz] e 380 [kV]
Nb =1.170 [MW] no receptor, possui as seguintes caracterís ticas:
9
I = 569 [km];

.1
ic = 236,76 -' j9,6 [obm];
.yl = 0,03125 + jO,744,
Através do diagrama d'Escanglon, determinar:
Fig, 5.17 - Diagrama circular de perdas para U2 = k de uma linha curta (Exerc. 11). a - tensão ~ corrente no transmissor para operação com carga,
. sendo: N 2 = 500 [:-IV A]; COSCP2 = 0,8 (IND);

Por um procedimento semelhante, no qual é considerado constante, b - tensão e corrente no transmissor para operação em vazio:
um círculo de perdas !::..P constante no diagrama do transmissor pode ser c - tensão e corrente no transmissor, cm operação em curto-circuito,
obtido. As equações de construção são as seguint~s: c()m corrente de curto-circuito igual a 1 pu;
208 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.4 - EXERCICIOS 209

cl - conferir os resultados com aqueles obtidos analiticamente. portanto,


Solução (ver Figs. 5.2, 5.3a e 5.3b)
Escolhemos como bases: . .
I1Ze = 0,577'
380000
v'3 = 126,8 é 31 ,õo [kV)
Base MVA = 500 [MVA];
S1
Base kV = 380 [kVj. j1 = 126 800 é ,õ = 533 ei 33 ,83. [A]i
236,8 e-i2335
A corrente será: logo,

1 500 000 = 762 [A],' CP1 = 33,835 e COSCPl = 0,831


B = v3' 380
() = 22° 20';
base de imped~ncia:
b - em va.zio
ZB = 380000 = 288 [ hm].
v'3 . 762 o pu U 10 = 0,738 V 10 = 162 [kVJ
UlO = 162 é ° [kVj 2
Para a construção do diagrama usaremos:
pu 1]0 Zc = 0,673
110 Ze = 147800 [V]
e
1 10 = 147800 = 623 [A]
236,8
.
e
236,8
288
'2 33
P u Z = - - - e- J , 5 = °"823' 1 10 = 623 e-;900 [A];

ainda:
c - em curto"'circuito
ax = 0,03125 [néper] e'"'' = 1,03175
380000
e-2ax = 0,93942 pu IIZc = 0.61 I1Ze = 0,61' v'3 = 134000 [V]

(3x = 0,744 rad 2{3x = 1,488 rad = 85,2°;


1 = 134 000 = 576 [A]
1 236,8
efetuando as construções indicadas no Item 5.2, encontraremos:
11 = 576 ei21040'
a - em carga
V Ice = 123000 [V]
pu UI = 1,18; Ú1cc = 123 ei10S ,7; COSCPl = 0,0988 (IND).
logo,
Comentdrio

UI = ~~ . 1,18 = 259 [kV) Os resultados obtidos nos cálculos analíticos são os seguintes:

a - em carga: ÚI = 260ei21 ,8So [kV]


pu IIZe = 0,577; j1 = 550 e i33 ,63° [Al;
210 PROCESSOS GRAFICOS DE CALCULO CAP. 5 5.4 - EXERCICIOS

b - em vazio: Ú IO = 161,5 eil •ó O [kV] a - tensão VI e os ângulos de potência e,


quando a linha opera
com a carga de 1 000 [;'\l[VA], COSCP2 = 0,8 (IND);
b - idem, porém com COSCP2 = 0,9 (IND);
c - idem, porém com COScP2 = 1,0.
c - em curto-circuito: Úl eo = 123 ei106 [kV]
Solução
ÍI cc = 576 ei22° [A] , O diagrama circular das potências correspondentes pode ser cons-"
truído tanto para valores em verdadeira grandeza como para valores por
o que indica um razoável grau de precisão; unidade. Escolhemos valores por unidade.
Seja:
2. Através dos diagramas d'Escanglon, determinar VI, II> V IO , 110 ,
V lce e llcc' cPI, cf>10, cP1cc, e
e 00 para uma linha homogênea com as seguin-
[UB] = 400 [kV];
tes características:

r = 0,109 [ohm/km]

g=o N = (V B )2 = (4· 105)2


B 1990 [MWJ.
B 80,38

l = 480 [km] Teremos:

XL = 0,391 [ohm/km] V2 380


V2 = VB = 400 = 0,95 pu.

b = 2,92 . 10-6 [siemens/km],


As coordenadas do centro de operação no receptor são:

sendo no receptor a tensão de 215 [kV] entre fases e a potência recebida


:1::2 = -A [U2]2 COS({3B - (3A) =
de 40 [MW], sob COSCP2 = 0,85.
= 0,7363 [0,95)2 cos(86,715 - 1,65)
3. Construir um diagrama circular das potências no receptor para
uma linha de transmissão, de circuito duplo, com as seguintes constantes: X2 = - 0,0561

Á = 0,7363 #1.65° Y2 '= - A [U2]2 sen({3B - (3A)


= 0,7363 [0,95)2 sen(86,715 - 1,65)
É = 80,38 ei86 •715 °
Y2 = - 0,662.
6, = 0,0063 ei90.3SSo

Com os dados acima construímos o diagrama circular das potências


(clássico), conforme mostra a Fig. 5.18, marcando o centro C2 dos círculos
D= A; para [UI] [V 2 ]. Traçamos igualmente por C2 o eixo de referência, fazendo
o ângulo 86,715° com o eixo dos P.
sendo a tensão no receptor constante e igual a 380 [kV] entre fases, de-
Com centro em O, traçamos os raios correspondentes aos COSCP2 = 0,8
terminar:
e COSCP2 = 0,9.
PROCESSOS GRÃFICOS DE CÃLCULO CAP. 5 5.4 - EXERCICIOS 213
212

Q [pu] 4. Uma linha de transmissão possui os seguintes parâmetros:

.ti = 0,895 + jO,2 = 0,895 ei1 ,280

.5
B = 35,8 + jl77,8 = 181,37 ei78 ,6°
\U2 1Iu, 1=1.1 1.1 é = 0,001111/90 ,47
0

Sendo de 220 [k V] a tensão no receptor e no transmissor, construir


os diagramas circulares das potências para a mesma.
.3 Empregando esses diagramas/'admitindo uma potência no receptor de
\1.12\ IUl1 =0,9 , 100 [:i\IW] e coscp = 0,9, determinar CPl, 8, PI e Ql' Empregar sistema
por unidades.

5. Quais as potências N l , PJ e Ql, bem como os fatores de potência


no transmissor da linha do problema anterior, calculadas pelo diagrama
circular (clássico) das potências?

.\ Solução

Para sua construção, Empregaremos as mesmas bases de tensão e im-


pedância. Para U2 = k, teremos três centros de operação, Cl ', C/' e C I "',
e três famílias de arcos de círculo de raios diferentes. As coordenadas
dos centros serão (ver Fig. 5.19):

= D [U!']2 COS({3B - (3D) =


= 0,7363 [1,130]2 cos(86,715-1,65) = 0,0814
= D [UI']2 sen({3B - (3D) =
= 0,7363 (1,130]2 sen(86,715-1,65) = 0,935

xl" := D [Ui]2 COS({3B - (3D) =

= 0,7363 [1,078)2 COS(86.,715-1,65) = 0,074

.7 [ y/' = D [UrP sen(j3B - (3D) =


_ = 0,7363 [1,078]2 sen(86,715-1,65) = 0,853
Fig. 5.18 - SoluÇãO do Exerc. 3.

Sobre os eixos dos fatorf's de potência marcamos: -Xl'" = D [Ur)2 COS({3B - (3D) =
= 0,7363 [0,92)2 cos(86,715-1,65) = 0,0538
C/"
Yl'" = D [UJJ2 ~en({3B - (3D) =
= 0,7363 (0,92)2 sen(86,715-1,65) = 0,622
para encontrar os pontos de operação SI, S2 e S3, cujas projeções sobre
os eixos P e jQ nos dEí.o os valores em pu P 2 , P 2' e P 3', bem como Q2', Os pontos de operação das três condições de carga devem estar sobre
Q2" e Q2"' . os círculos:
.'
214 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.4 - EXERCfclOS 215

No diagrama da Fig. 5.19 lemos os seguintes valoreS.

N~ = 0,430 Ni = 0,430 . 1 990 = 855 [MVA]


ri = I U~I I U2 =
1 1,022;

INil = 0,485 Ni = 0,485 . 1 990 == 970 [MVA]

INil = 0,485 Ni =0,548 . 1 990 = 1090 [MVA]


+ Q [pu]

INfl = 0,548 ln = 0,548 . 1990 = 1090 [MVA]

IPi I = 0,423 pi = 0,423 . 1 990 = 842 [MW]

IP~I = 0,477 pi = 0,477 . i 990 = 950 [MW]

IP~I = 0,535 p~ = 0,535 . 1 990 = 1 062 [MW]

cos(M = 0,985 (cap); coscpi = 0,980 (cap) e cosCP1 = 0,975 (cap)

1 Q~ i = 0,08 Qi =0,08 . 1 990 = 159,0 [MVAr]

IQil = 0,09 Qi = 0,09 . 1 990 = 179,0 [MVAr]

1 Q~ 1 == 0,113 Q~ = 0,113 . 1990 = 225,0 [MVAr]

6. Resolver os Probls. 4 e 5 simultaneamente pelo diagrama uni-


versaI das potências. "'=" =
~~~~rp",,,,~,,,,,,,,,

~ LEME ENGEr~Hi\F~IA ~
N CC)I ~
Solução (ver Fig. 5.20)
~ John Danio! 8. Strickl8nd i
........:""<~~.,,~.o:"":'=-~=,<=t):;,=,::!'\...~,::..."!::!7'Z~~.Ji

Traçados os eixos de referência com os ângulos (3B e os eixos dos cen-


tros de operação com os ângulos (3B - (3A, o centro de operação O2 no
círculo do receptor para 1U 21 = k será:

Fig. 5.19 - Solução do Exerc. 5. CO 2 = I U21 2 A = (0,95)2 . 0,7362 = 0,664.


216 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5 5.4 - EXERCICIOS 217

I Uil 0,874 = 092'


0,95 "

logo,

Df = 450 [kVj; U~ = 432 [kV] e uf = 371 [kV].

Os centros de operação no receptor serão locados de acordo com:


:
I

ln CO~ = A / U~12 = 0.736311,1321 2 = 0.945


I
coi = A I Vi 12 = 0,7363 /1,0721 2
= 0,848

COi = A 1Uil 2 = 0,73631°,92/ 2


= 0,624.

Traçamos por C os ângulos fh 82 e 83 , localizando os pontos de ope-


ração no transmissor. SI, Si, st
sobre os círculos que passam respectiva-
mente por S2, S~ e S3. Ligando O~ e si, encontraremos N I ; ligando 01
e stteremos Nr, e ligando Oi e St"encontraremos Nt.

IN~I = 0.430 pu N~ = 0,430 . 1 990 = 855 [:;'\1VA]

1,0 1,1 1,2 P [pu] /Ni 1 = 0,490 pu Ni = 0,490 . 1 990 = 975 [V.IVA]

INi/ = 0,550 pu Nr = 0,550 . 1 990 = 1 092 [:MVA].


Fig. 5.20 - Solução do Exerc. 6. Igualmente:

Traçamos os eixos dos fatores de potência COS'/"21


'1',
,/,.2
COS '1'3 ecos ,/,.3
'1'3 e
j pi I = 0,425 pu Pi = 0,425 . 1 990 = 845 [:.\1W]
sobre estes marcamos, a partir de C: IPi/ = 0,480 pu pi = 0,480 . 1 990 = 955 [::\1W]

uN_ 1000 _ /Pr 1 = 0,538 pu Pi = 0,538 . 1990 = 1070 [:\iW]


P 2 - 1 9HO - 0,51 pu
coscp~ = 0,987

encc:fÍtrando os pontos s~, si e s~, que estão sobre os círculos de raios: coscpr = 0,980
coscpi = 0,977
r~ = 1,08; r~ = 1,030 e r~ = 0,88
1Qi / = 0,08 pu (c~p) Qi = 0,08 . 1 990 = 159 [MVAr]
e
1Qi 1 = 0,09 pu (cap) Qi = 0,09 . 1 990 = 179 [:;'\iVAr]

IDfI
1,075 _
0;95 - 1,132
1 Qr / = 1,10 pu (cap) Qr = 1,10 . 1 990 = 219 [:vrVAr]
81 = 22°

1,020
e= 2 26,3°
!ml 0,95 = 1,072 03 = 37,4° .

. ;.,.
5.4 - EXERC(CIOS 219
218 PROCESSOS GRÁFICOS DE CÁLCULO CAP. 5
I,
i
7. Uma linha de transmissão radical opera com a tensão de 138 [kV] m~ndamos ao estudante que o faça à. guisa de trcinamento, comparando
no barramento do trasmissor, constante. Suas constantes são: os resultados com aqueles que o.bteremos no presente exercício.
O emprego de grandezas por unidades facilita os cálculos e a escolha

',:
das escalas.
Empregando como bases:
e