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08/12/2017 Húbris – Wikipédia, a enciclopédia livre

Húbris
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A húbris ou hybris (em grego ὕϐρις, "hýbris") é um conceito grego
que pode ser traduzido como "tudo que passa da medida;
descomedimento" e que atualmente alude a uma confiança excessiva,
um orgulho exagerado, presunção, arrogância ou insolência
(originalmente contra os deuses), que com frequência termina sendo
punida. Na Antiga Grécia, aludia a um desprezo temerário pelo
espaço pessoal alheio, unido à falta de controlo sobre os próprios
impulsos, sendo um sentimento violento inspirado pelas paixões
exageradas, consideradas doenças pelo seu caráter irracional e
desequilibrado, e concretamente por Até (a fúria ou o orgulho). Opõe-
se à sofrósina, a virtude da prudência, do bom senso e do
comedimento.

“ Aquele a quem os deuses querem destruir,


primeiro deixam-no louco. ”

Índice
O conceito do impossível Das
1 A húbris na antiguidade
1.1 Exemplos de húbris Unmögliche (em latim Imposibile) aqui
nesta gravura de Hans Sebald Beham
2 A húbris atualmente visto em um representação
3 Etimologia personificada, produzido em cobre na
4 Bibliografia região da atual Alemanha em 1549. A
advertência em língua alemã antiga
5 Referências
porém compreensível ainda hoje, reza
6 Ver também para que a pessoa nunca se proponha
6.1 Outros contos mitológicos relacionados fazer aquilo que lhe seja impossível
7 Ligações externas conseguir: Niment under stesich groser
Ding, die im zu thun unmuglich sindt.

A húbris na antiguidade
Aristóteles definiu húbris como uma humilhação para a vítima, não por causa de qualquer coisa que tenha acontecido
ou que ela tenha feito ou pudesse fazer contra você, mas meramente por descaso seu em relação a ela. Húbris não é o
acerto de contas por erros cometidos - isso é vingança. Húbris é o descaso que alguém tem pelos outros, ou pelos
deuses, achando que pode fazer tudo que quiser. [1]

A húbris é relacionada ao conceito de moira, que em grego significa 'destino', 'parte', 'lote' e 'porção' simultaneamente.
O destino é o lote, a parte de felicidade ou desgraça, de fortuna ou desgraça, de vida ou morte, que corresponde a cada
um em função da sua posição social e da sua relação com os deuses e os homens. Contudo, o homem que comete
húbris é culpável de desejar mais daquilo que lhe foi concedido pelo destino. O castigo dos deuses para a húbris é a
nêmesis, que tem como efeito fazer o indivíduo retornar aos limites que transgrediu.

https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAbris 1/3
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“ Podes observar como a divindade fulmina com os seus raios os seres que
sobressaem demais, sem permitir que se jactem da sua condição; por outro lado,
os pequenos não despertam as suas iras. Podes observar também como sempre

lança os seus dardos desde o céu contra os maiores edifícios e as árvores mais
altas, pois a divindade tende a abater todo o que descola em demasia.
A concepção da húbris como infração determina a moral grega como uma moral da mesura, a moderação e a
sobriedade, obedecendo o provérbio pan metron, que significa literalmente 'à medida de todas as coisas', ou melhor
ainda 'nunca demais' ou 'sempre bem'. O homem deve continuar sendo consciente do seu lugar no universo, é dizer, ao
mesmo tempo da sua posição social numa sociedade hierarquizada e da sua mortalidade ante os imortais deuses.

A húbris é um tema comum na mitologia, as tragédias gregas e o pensamento pré-socrático, cujas histórias incluíam
com frequência protagonistas que sofriam de húbris e como consequência da sua transgressão eram castigados pelos
deuses (o qual não necessariamente implica um desfecho trágico). A tragédia ocorre com a ultrapassagem do metron
pelo homem, uma transgressão contra a ordem social e, portanto, contra os deuses imortais: a hybris. Isto origina a
nêmesis, o ciúme divino, provocando que seja lançada contra o herói a Até, a cegueira da razão. Ele virá a ser
subjugado sem apelo pela moira, o destino cego.

Na Teogonia de Hesíodo, as diferentes raças de homens (de bronze, de ferro, et cétera) vão sucedendo-se enquanto as
anteriores são condenadas pela sua húbris. Em certo jeito, a infração de Agamemnon no primeiro livro da Ilíada é
relacionada com a húbris, por ter despojado Aquiles da parte da pilhagem que lhe deveria corresponder por justiça.
Pela sua vez, Heráclito amostra a húbris como o assinalamento de uma infração para o Nous ou deus legal: «O sol não
traspassará as suas medidas, pois se não será descoberto pelas Erínias, assistentes da Dice.» Porém, Heráclito acredita
que enquanto haja discórdia, poderão as partes fundir-se no Um. Portanto aqui a húbris é um fluir de opostos, fazendo
possível a vida.

Havia também uma deusa chamada Hybris, a personificação do anterior conceito: insolência e falta de moderação e
instinto. Hybris passava a maior parte do tempo entre os mortais. Segundo Higino era filha de Érebo e a Noite,
atribuindo outros autores a maternidade de Coros, o daimon do desdém.

No direito grego, a húbris refere-se com maior frequência à violência ébria dos poderosos para os débeis. Na poesia e a
mitologia, o término foi aplicado àqueles indivíduos que se consideram iguais ou superiores aos deuses. A húbris era
com frequência o 'trágico erro' ou hamartia das personagens dos dramas gregos.

Exemplos de húbris
Personagens mitológicas gregas e romanos castigadas pela sua húbris:

Agamemnon
Édipo Jasão Odisseu Quione
Aracne
Efialtes Laio Orestes Salmoneu
Belerofonte
Egisto Mársias Oto Sísifo
Cassandra
Euforbo Minos Paris Tâmiris
Ciniro
Heitor Narciso Penteu Tirésias
Creonte
Herácles Níobe Prometeu Térsites
Eco

O castigo por arrogância também aparece como um tema na Bíblia:

Adão e Eva são tentados a ser como Deus e por isso expulsos do Jardim do Éden.
A Torre de Babel foi erigida para chegar ao céu, mas Deus a destruiu.

A húbris atualmente

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O historiador britânico Arnold J. Toynbee, no seu volumoso Estudo da História, utiliza o conceito de húbris para
explicar uma possível causa do colapso das civilizações, como variante ativa da nêmesis da criatividade.

Etimologia
O termo deriva do grego ὕϐρις hybris, e este por sua vez tem a raiz no indo-europeu *ut + qweri, (peso excessivo, força
exagerada).

O adjectivo "híbrido" vem do grego hybris, através do latim hybrida, pois os gregos consideravam o hibridismo,
consequente da miscigenação, uma violação das leis naturais.

Bibliografia
FISHER, Nick(1992). Hybris: a study in the values of honour and shame in Ancient Greece, Warminster , Reino
Unido: Aris & Phillips.

Referências
1. Rhetoric. 350 B.C.E.. p. 1378b

Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), publicação em domínio público..

Ver também
Sofrósina
Impiedade
Vaidade
Nêmesis

Outros contos mitológicos relacionados


Prometeu
Ícaro
Satanás
Belerofonte
Aracne

Ligações externas
Hybris (http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/H/hybris.htm)

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