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Para conferir o original, acesse o site http://consultasaj.tjam.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 0604185-06.2016.8.04.0092 e código 2F5D621.
ESTADO DO AMAZONAS
PODER JUDICIÁRIO
Comarca de Manaus
Juízo de Direito da 14ª Vara do Juizado Especial Cível
Sentença

Autos n°: 0604185-06.2016.8.04.0092


Ação: Procedimento do Juizado Especial Cível/PROC

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por LUIZ PIRES DE CARVALHO NETO, liberado nos autos em 25/04/2017 às 10:58 .
Requerente:ANTONIO MARCOS DA GAMA ANTUNES
Requerido:Banco BMG S/A

Vistos, etc.

Relatório dispensado na forma do art. 38, caput, da Lei nº


9.099/95.

Cuida-se de ação de obrigação de fazer c/c danos morais e


materiais com pedido de tutela antecipada, sustentada no argumento de descontos
indevidos em folha de pagamento.

Em contestação, o requerido Banco BMG S/A, alegou preliminar


de prescrição devido o empréstimo ter ocorrido em 13/10/2011 e a presente ação
proposta apenas em 18/07/2016. No mérito, defende a legalidade das cobranças,
decorrente da contratação, pela requerente, de cartão de crédito consignado e
empréstimo.

Tudo ponderado. Decido.

Com relação a preliminar de prescrição, sem razão. Isso porque,


os descontos contestados nestes autos ainda continuam sendo efetuados pelo
requerido.

Neste caso, pelos documentos juntados (fls. 115/116, 119/200,


159 e 224), verifica-se que o requerente contratou, de fato, cartão de crédito,

Av. Noel Nutels, S/N, Em frente ao posto do INSS, Cidade Nova 1 - CEP 69095-000,
Fone: 92 2127-7348, Manaus-AM - E-mail: 14je.civel@tjam.jus.br
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constando do referido contrato sua inquestionada assinatura e o expresso valor de
R$1.861,20 (mil, oitocentos e sessenta e um reais e vinte centavos), que lhe foi
repassado.

Num contrato de empréstimo típico são necessariamente

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estabelecidas as condições de concessão e pagamento, a saber: o valor das parcelas,
o número de parcelas, a data de início do pagamento, o termo final de pagamento,
sendo muito importante ressaltar que nenhum desses pontos é apresentado no
contrato firmado entre as partes.

Constata-se de forma inquestionável que ocorreu uma operação


de crédito via cartão de crédito e é cediço que o pagamento mínimo não quita o valor
global da dívida, fazendo-o, na maior parte das vezes, com que aumente.

Dessa forma, constata-se que a obrigação do adimplemento do


débito junto ao requerido é da própria autora, tendo o banco réu agido no exercício
regular do direito de cobrar o cumprimento da obrigação contratada pela requerente.

Neste sentido, em casos assemelhados, colaciono recentes e


idênticos entendimentos externados pelos Tribunais de São Paulo Minas Gerais e Rio
Grande do Sul, com grifos meus, conforme se nota a seguir:

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
RELAÇÃO DE CONSUMO. ADOÇÃO DA TEORIA DO RISCO DO
EMPREENDIMENTO. RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO.
ART. 14, § 1º, I a III, DO CDC. DESCONTOS DE PRESTAÇÕES
MENSAIS EM BENEFICIO PREVIDENCIÁRIO. CONTRATO DE
CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. SAQUE DE QUANTIA
CERTA. REPASSE DO VALOR PARA CONTA BANCÁRIA DE
TITULARIDADE DO TOMADOR DO EMPRÉSTIMO. DESCONTO MENSAL
DE VALOR MÍNIMO PARA ABATIMENTO DE PARTE DA DÍVIDA.
AUTORIZAÇÃO PARA RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL.
DESCONTO DA MENSALIDADE DOS PROVENTOS PAGOS PELO INSS.
VIABILIDADE. PROVA DOCUMENTAL DA CELEBRAÇÃO DA AVENÇA.
EMPRÉSTIMO SOBRE A RMC. LICITUDE DOS DESCONTOS. DEFEITO
DO SERVIÇO INEXISTENTE. Adotada a teoria do risco do
empreendimento pelo Código de Defesa do Consumidor, todo aquele
que exerce atividade lucrativa no mercado de consumo tem o dever
de responder pelos defeitos dos produtos ou serviços fornecidos,
independentemente de culpa. Na responsabilidade civil pelo fato do
serviço, o ônus da prova da inexistência de defeito na prestação da
atividade é do fornecedor, conforme prevê o art. 14 do CDC. Inversão
do ônus da prova "ope legis". A instituição financeira comprovou
a contratação do empréstimo pessoal. Saque de quantia fixa
repassada para conta bancária indicada pelo tomador.

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Remessa através de crédito em conta corrente. Autorização
para reserva de margem consignável e desconto mensal de
importância àquela correspondente dos proventos de
aposentadoria auferidos do INSS pelo tomador do
empréstimo. Licitude dos descontos mensais.
Responsabilidade civil do banco réu elidida ante a

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demonstração da existência do vínculo obrigacional e da
autorização para o desconto, "ut" art. 14, § 3º, I, da Lei nº
8.078/90. Sentença reformada. APELO PROVIDO. (Apelação Cível Nº
70058602574, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Miguel Ângelo da Silva, Julgado em 16/07/2014)

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DECLARATÓRIA DE


NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO - ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA
TUTELA - REQUISITOS DO ART. 273 DO CPC - AUSÊNCIA - RECURSO
DESPROVIDO. - Nos termos do art. 273 do CPC , o juiz poderá
antecipar total ou parcialmente os efeitos da tutela, desde que, diante
de prova inequívoca dos fatos, se convença da verossimilhança das
alegações do agravante, estando presente o fundado receio de dano
grave ou de difícil reparação. - Se as provas acostadas aos autos
evidenciam a solicitação, por parte do agravante, de um
"cartão de crédito consignado", não se reveste de
verossimilhança a alegação de que ele nunca contratou e
jamais utilizou o referido cartão de crédito. Demais disso, a
cópia do seu extrato bancário comprova que foi realizado um
"saque com cartão", em 20/04/2011, no valor de R$6.213,50
(seis mil duzentos e treze reais e cinquenta centavos), ou
seja, poucos dias após a assinatura do contrato entre as
partes. - Recurso a que se nega provimento (TJMG – CvAI
10433130465647001 – Publicado em 17/06/2014)

Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL DANOS MATERIAIS E MORAIS


CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO RESERVA DE MARGEM
CONSIGNÁVEL EXAME DOS FUNDAMENTOS TRAZIDOS PELAS PARTES
E DA PROVA PEDIDO JULGADO PARCIALMENTE PROCEDENTE
DECISÃO ACERTADA Diante da alegação da autora e da ausência de
prova pelo réu, não ficou demonstrado que a autora tenha contratado
o uso de cartão de crédito consignado, regulamentado pelo INSS, em
vez de uso de cartão de crédito comum, o que justifica o acolhimento
do pedido de cancelamento e a restituição dos valores relativos à
reserva de margem consignável, como decidido em Primeiro Grau.
Não foi demonstrado que tenha ocorrido, porém, cobrança de valores
indevidos de despesas regulares de uso do cartão de crédito para
justificar sua restituição Não restaram comprovados, ademais, os
danos de natureza moral, considerando a natureza da questão em
discussão, o objeto do desconto e o tempo decorrido desde o início
dos descontos até o ajuizamento da presente ação Recurso não
provido. (TJSP – APL 00007555320108260655 SP - Data de
publicação: 15/05/2014)

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Fundado nessas argumentações, firmo convicção da não


ocorrência dos fatos conforme narrativa prefacial, sendo certo que não restaram
demonstrados os requisitos necessários para a condenação do réu nos pedidos
formulados pela requerente nestes autos, na medida em que as provas trazidas pela

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mesma não contribuíram para confirmar suas alegações.

Isto posto, julgo improcedente o pedido com resolução do


mérito, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil, rejeitando assim a
pretensão da autora.

Sem custas e honorários.

P. R. I.

Certificado o trânsito em julgado, arquivem-se.

Manaus, 25 de abril de 2017.

Luiz Pires de Carvalho Neto


Juiz de Direito

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