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Perfuração Direcional

Prof. Dr. Antonio Rodolfo Paulino Pessoa


Engenharia do Petróleo I
Definição
• Um poço é considerado
vertical quando seu
objetivo está sob a sonda;

• Caso exista intencionalmente


algum afastamento lateral do
objetivo em relação à sonda o
poço é considerado direcional.
Controle da Verticalidade

• Não existe poço rigorosamente vertical, pois


o poço desvia-se naturalmente da vertical;

• Tais desvios devem ser quantificados e, se


ultrapassarem certos limites de inclinação,
ações corretivas deverão ser tomadas;

• Poços verticais que se desviam bastante da


vertical trazem problemas de mapeamento de
subsuperfície e podem atingir a profundidade
final numa posição bastante afastada do
objetivo desejado.
Controle da Verticalidade - Classificação
Classificação de poços quanto a verticalidade:
• Ótima - Se a inclinação é menor que 3º;
• Boa - Se está entre 3º e 5º, desde que não comprometa as
condições mecânicas do poço ou raio de tolerância do objetivo.

Valor limite de inclinação:


• Varia de Companhia para Companhia;
• Define-se como 3º um valor limite para início do controle da
verticalidade, principalmente em poços profundos.

Instrumento utilizado para Medição de Inclinação:


• Inclinômetro, utilizado a cada retirada da broca;
• Intervalos entre 100 e 150 m.
Controle da Verticalidade - Classificação

Inclinômetro Digital Portátil


Controle da Verticalidade
Causas de desvio do poço:
• Inclinação e dureza das formações;

• Grande folga entre os comandos e o poço;

• Características mecânicas da coluna de perfuração:


 Rigidez da coluna;
 Estabilizadores;
 Desgaste das lâminas dos estabilizadores;
 Ferramentas que podem provocar desvios
indesejáveis (sub cesta, shock sub, sub garrafa).

• Parâmetros de perfuração:
 Peso sobre a broca desbalanceada;
 Rotação inadequada.
Controle da Verticalidade
A mudança brusca na trajetória do poço traz sérios
problemas à perfuração, tais como:

• Desgaste dos tubos de perfuração;

• Formação de chavetas (keyseats);

• Dificuldade na descida das colunas


de revestimento.
Controle da Verticalidade - Providências
• Ajuste dos parâmetros mecânicos;

• Alteração da composição de fundo;

• Utilizar instrumentos para registro de inclinação e direção;

• Descer motor de fundo para fazer correção;

• Tamponar e desviar o poço.


Aplicações de poços direcionais
• A perfuração direcional é uma técnica na qual poços
inclinados permitem que objetivos localizados em
coordenadas, diferentes daquelas da cabeça do poço, sejam
atingidos;

• Esse fato é de grande interesse para a indústria do


petróleo, pois permite, por exemplo, que vários poços de
desenvolvimento sejam perfurados de uma única
plataforma;

• A perfuração direcional começou como uma operação


reparadora de alguns problemas especiais, tais como
desvios motivados por um “peixe” deixado no poço, poços
tortuosos etc.
Aplicações de poços direcionais
Aplicações de poços direcionais
Alvos de Difícil Acesso
Algumas vezes barreiras naturais ou artificiais impedem a
instalação da sonda diretamente acima do alvo para se fazer
um poço vertical.

Barreiras:
• Rio;
• Montanha;
• Perfuração terrestre para o mar;
• Cidade;
• Perfuração marítima;
• Perfuração em floresta;
• Área turística;
• Zona de proteção ambiental;
• Litígios.
Aplicações de poços direcionais
Alvos de Difícil Acesso

Terrestre para o mar Cidades Montanhas


Aplicações de poços direcionais
Alvos de Difícil Acesso

Áreas Urbanas e de Proteção Ambiental


Aplicações de poços direcionais
Estruturas Múltiplas

Exploração de um Campo a partir de uma mesma Plataforma


Aplicações de poços direcionais
Exploração de Novas Reservas
Aplicações de poços direcionais
Fatores geológicos
Algumas vezes as formações a serem atravessadas e seus
mergulhos podem tornar um poço direcional mais econômico
do que um poço vertical.

Exemplos:

• Domos salinos;

• Perfuração através de falhas geológicas;

• Zonas fraturadas;

• Direcionais naturais.
Aplicações de poços direcionais
Fatores geológicos

Zonas fraturadas

Domo Salino
Aplicações de poços direcionais
Poços Multilaterais e Horizontais

Poço Multilateral

Poço Horizontal
Definições
a) Afastamento
Um poço é caracterizado como direcional quando a linha
vertical passando pelo objetivo está localizada a uma certa distância
horizontal da cabeça do poço.

b) Trajetória Direcional
É o caminho percorrido pela broca partindo da cabeça do poço
até atingir o objetivo (ou final do poço).

c) Profundidade vertical e Profundidade Medida


Profundidade vertical é a distância medida que vai da mesa
rotativa até um ponto do poço. Profundidade medida é a distância
percorrida pela broca para atingir esta profundidade.

d) Objetivo, Alvo e Raio de Tolerância


Objetivo – é o ponto do espaço que a trajetória deve
atingir(pode ser um ponto em profundidade ou mesmo uma seção
inteira de formação).
Alvo – é a área definida pelo raio de tolerância, ou seja, uma
área ao redor do objetivo onde se considera que será atingido.
Definições

e) Inclinação
A inclinação do poço é definida como sendo o ângulo entre o
vetor local gravitacional e a tangente ao eixo do poço. Por
convenção, 0° é o ângulo para um poço vertical e 90°, para um
horizontal.

f) Direção, base do poço, Azimute e Rumo

A direção do poço é definida como o ângulo formado entre a


projeção horizontal do poço e o norte geográfico verdadeiro. Essa
direção pode ser representada como azimute ou como rumo.

Azimute: varia de 0° a 360° medindo-se no sentido horário a partir


do norte geográfico.

Rumo: varia de 0° a 90° e usa como referência os quadrantes NE,


SE, SW e NW.
Definições
Definições
g) Kick-off point (KOP):
Profundidade onde o poço
começa o ganho ou a perda
de inclinação.

h) seção buildup: Trecho do


poço onde há ganho de
inclinação.

i) Drop off: Trecho do poço


onde há perda de inclinação.

j) Trecho slant: Trecho do


poço onde não há ganho nem
perda de inclinação.
Tipos de trajetória direcional
• Tipo I;

• Tipo II;

• Tipo III;

• Horizontais;

• Longo Alcance (ERW);

• Laterais ou Multilaterais.
Tipos de trajetória direcional

Tipo I KOP
Caracteriza-se por ter
o KOP a pouca
profundidade, depois um
trecho SLANT quando
atinge o alvo.
Slant
Tipos de trajetória direcional

Tipo II
Caracteriza-se por ter
um trecho de BUILD-UP e
um trecho de DROP-OFF. Build
Up
O poço pode atingir o alvo
na vertical ou não.
Drop
Off
Tipos de trajetória direcional

Tipo III
Caracteriza-se por ter o
KOP a grande profundidade,
e um trecho de ganho de
ângulo para atingir o alvo.
É muito utilizado para
aproveitamento de poços já
perfurados.
Tipos de trajetória direcional

Horizontal
Caracteriza-se por
ter inclinação final perto
de noventa graus. Sua
vantagem é ter uma
maior área exposta no
reservatório.
Tipos de trajetória direcional
Poços Multilaterais

Caracterizam-se por
ter um poço principal e
pelo menos um lateral.
Eles são classificados
em 6 tipos a depender do
grau de complexidade da
junção entre o poço
principal e as ramificações.
Tipos de trajetória direcional
Poços Multilaterais
Instrumentos de orientação
a) Single Shot
Instrumento lançado dentro da coluna (k-Monel), registra por
meio de uma única foto, a direção e a inclinação do poço.

b) Multishot
Registra um grade número de fotos devido ao pequeno filme
fotográfico.

c) Giroscópio
Instrumento onde a bússola é substituída por um giroscópio
(dispositivo que consiste de um rotor suspenso por um suporte
formado por dois círculos articulados, com juntas tipo cardan).

d) Steering Tool
Medição contínua com transmissão por cabo elétrico, quando o
motor de fundo ou turbinas são utilizados.

e) Mensurement While Drilling (MWD)


Envia continuamente informações de direção e inclinação
através de um pulso de pressão no fluido de perfuração.
Instrumentos de orientação
Single Shot ou Multishot

A foto é composto basicamente


da sobreposição de um
indicador de direção seja
bússola ou giroscópio, de anéis
graduados para se obter a
inclinação e no caso de uso com
ferramentas defletoras uma
marca da tool face (face da
ferramenta).
Instrumentos de orientação
Steering Tool
Instrumentos de orientação
MWD
Composição da coluna de desvio

Essa combinação é muito usada


para se iniciar o KOP, após o
poço atingir uma determinada
inclinação essa coluna é retirada
e uma coluna é descida para
ganhar ângulo.
Composição da coluna de desvio
K-Monel
É um elemento tubular (comando) especial feito de
material não-magenético (permite fotos magnéticas).
Composição da coluna de desvio
Bent sub
É um sub torto instalado acima do motor de fundo para
desviá-lo da vertical na direção desejada.
Composição da coluna de desvio
Válvula By-pass

Rotor

Motor de fundo
Estator
É um motor de
deslocamento positivo
operado pela circulação Juntas Universais
do fluido de perfuração.

Rolamentos

Sub Rotativo

Broca
FIM!

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