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Universidade Federal do Paraná – Departamento de Comunicação Social

III Encontro de Pesquisa em Comunicação – Curitiba, PR – 22 a 26 de agosto de 2011

Exposição de tintas em pixels. A inserção de obras de arte em uma galeria virtual.1

Patrick DIENER2
Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Curitiba, PR

Resumo

A galeria de arte virtual pode, eventualmente, auxiliar no ensino de diferentes


disciplinas trazendo novas experiências e formas de visualização das obras de arte
dentro da sala de aula ou laboratórios de informática. Mas como estas obras de arte
estão sendo transpostas das galerias tradicionais para suas versões digitalizadas? Este
artigo tem como objetivo apresentar uma galeria de artes virtual, mais especificamente a
galeria disposta no site do artista plástico brasileiro Juarez Machado, e levantar dados
sobre esta forma de exposição de suas pinturas, como por exemplo a quantidade de telas
digitalizadas para apreciação e suas características técnicas. Além da compilação de
dados feita pelo autor e apresentados neste artigo, também há referência para
embasamente em autores que tratam do estudo da imagem como Jacques Aumont e
Walter Benjamin.

Palavras-chave: comunicação; educação; artes; galeria virtual

Introdução
A galeria de arte pode ser tomada como uma construção, ou uma série de locais, onde
obras de arte visuais estão expostas. Neste conceito fala-se precisamente de um espaço
físico para apresentação de obras de arte. Entretanto, a digitalização de obras de arte
(sejam pinturas, esculturas, gravuras entre outras) possibilita a disponibilização online
destas obras, mesmo que, uma vez digitalizadas, não sejam mais as originais. No
entanto, para este trabalho a análise do original, com referência em sua aura no conceito
de Benjamin, não é relevante, uma vez que o desdobramento (que no futuro levará a
uma parte de uma dissertação de mestrado) não necessita da visualização da obra
original para seu embasamento.
Para uma instituição cultural a divulgação do seu patrimônio
arquitectónico e artístico é um aspecto cada vez mais importante da
sua actividade. (...) A divulgação do património arquitectónico e
artístico através da internet pode apresentar várias formas. A
abordagem mais comum consiste em juntar imagens das obras de arte
em páginas HTML. (SEMIÃO, Galeria de Arte Virtual, p.01)

1
Trabalho apresentado para o III Enpecom - Encontro de Pesquisa em Comunicação, DT Comunicação, educação e
formações socioculturais promovido pelo Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná.
2
Mestrando em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Pós Graduado em
Comunicação Audiovisual (PUC PR). Docente PROPPE da Universidade Tuiuti do Paraná. Docente da graduação
em Comunicação Social na Faculdade Internacional de Curitiba. Membro do grupo de pesquisa em Estudos da
Imagem (UTP). E-mail: contato@patrickdiener.com

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Também, especificamente para este artigo, a análise do pintor em si (mesmo havendo


um preâmbulo sobre este mais adiante), assim como de suas obras, estilo e outros é
menos importante uma vez que o estudo debruça-se sobre a veiculação destas obras na
internet e em como estas obras são apresentadas. Para uma breve referência ao leitor, o
artista cujas obras são mencionadas é Juarez Machado, brasileiro original de Joinville,
Santa Catarina, que cursou belas artes em Curitiba e atualmente possui um ateliê e
galeria de arte em Paris. Como recorte para este artigo, utilizo as imagens apresentadas
no site oficial disponibilizadas na página intitulada “seu trabalho”, descartando imagens
de outras áreas, como o blog, por exemplo, por serem imagens terciárias, como a do
pintor executando uma obra, e não da obra sozinha e finalizada.

Na galeria virtual estudada as exposições não são mais vistas como unidades separadas
colocadas em exposição em um espaço físico distinto. Em vez disso, elas são
consideradas elementos integrantes de um ambiente total que envolve os visitantes e os
incentiva a ter uma relação dinâmica com o espaço uma vez que pode-se passar de uma
coleção de um grupo temático de pinturas a outro simplesmente por acessar o link desta
outra compilação, o que não aconteceria em uma galeria de arte tradicional.

As obras apresentadas na galeria virtual tomada como objeto de estudo para este artigo
são digitalizações das originais. Uma das problemáticas está em definir e separar o que
é transposição ou cópia. Um dos conceitos trazidos por Claus Clüver engloba a
intermidialidade como a transposição de uma mídia para outra, o que acontece
exatamente neste caso. A transposição das telas para o meio digital.

Um caso especial, que necessita de esclarecimentos mais precisos é o


da diferenciação entre relações intermidiáticas e textos intermídias. Da
forma como aparece em diversas contribuições no livro de Helbig, o
conceito de “intermidialidade” cobre pelo menos três formas possíveis
de relação: 1. relações entre mídias em geral (relações
intermidiáticas); 2. transposições de uma mídia para outra
(transposições intermidiáticas ou intersemióticas); 3. união (fusão) de
mídias (CLÜVER, 2006, p. 24).

Deste modo o que se apresenta no site a partir das obras pode ser considerado um tipo
de intermidialidade e não somente a cópia da pintura original. Isto também porque o
ambiente deste site analisado é composto por diferentes meios e canais de comunicação.

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Em vez de um espectador passivo diante de exposições estáticas, o visitante é destinado


a se transformar em um participante ativo; podendo, por exemplo, ao passar o cursor por
cima de uma reprodução de um quadro visualizar sua versão em rascunho antes da obra
final.

O que pode acontecer é que a participação afetiva, ou Einfühlung3, como colocado por
Walter Benjamin, seja diferente ao se observar a obra de arte em uma galeria física ou
na galeria de obras digitalizadas. Esta relação do observador e obra, agraciada desta
empatia trazida pelo Einfühlung, poderia sim somente ser alcançada em sua plenitude ao
se observar a pintura, escultura, ou qualquer outra obra, na sua versão original. Mas este
sentimento de compartilhamento para com a obra não necessariamente prejudicaria uma
análise sobre a mesma, realizado por um grupo de estudos que mantém o acesso a tais
obras somente à distância, por exemplo.

O artista
Mesmo que brevemente, é importante situar o leitor quanto ao artista que dispõe suas
obras na galeria analisada. Juarez Machado nasceu em 1941 na cidade de Joinville,
Santa Catarina e conforme sua biografia em seu site oficial mudou-se para Curitiba aos
dezoito anos para entrar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná onde participou
ativamente de diferentes movimentos artísticos. Após concluir seus estudos, já tendo
uma produção constante, muda-se para o Rio de Janeiro em 1966.

Na capital fluminense ampliou suas atividades para além da pintura trabalhando


também com cenografia, escultura, desenho e gravura. Entrou para o quadro de
funcionários da Rede Globo de Televisão trabalhando principalmente como cenógrafo.
No programa dominical Fantástico também estreava um quadro de mímica onde
realizava performances com o rosto pintado de branco e interagia com suas ilustrações
animadas. Concomitantemente Machado assinava uma coluna de humor no Jornal do
Brasil intitulada Nonsense.

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A tradução de Einfühlung para o português é: empatia. Benjamin amplia o sentido original em seu texto
utilizando a palavra em seu original alemão.

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No ano de 1986 fixou residência definitiva em Paris, mais especificamente no bairro de


Montmartre4, onde permanece até hoje e onde também possui um ateliê e galeria.
Corriqueiramente realiza exposições pela Europa, Estados Unidos, além do Brasil, para
onde sempre volta por também possui galerias. As pinturas de Machado são apontadas
como inspiração visual para o cineasta francês Jean-Pierre Jeunet em seus filmes.

A galeria virtual
As redes sociais têm permitido aos artistas partilharem os seus trabalhos através da
internet, sem a utilização de galerias típicas, que necessitem um espaço físico para sua
exposição. Além disso, os espectadores têm acesso mais fácil a visualização das obras
internacionalmente em uma galeria disponibilizada na rede mundial de computadores.
Ao longo dos anos, a internet revolucionou a forma como ilustrações são vistas.
Entende-se por artes plásticas neste artigo, o conceito apresentado por Jacques Aumont
de uma categoria que engloba todas as artes da imagem não fotográfica, "feita à mão".
Devido a natureza deste estudo em específico, a análise debruça-se, neste caso, somente
sobre as obras apresentadas referentes à “tela” no site, isto é, o levantamento de dados
não compilou aqui informações sobre esculturas e outros.

Há de ser feita uma apresentação da fonte onde as obras do pintor estão sendo expostas
na rede mundial de computadores. O web site oficial do artista apresenta-se em duas
versões quanto a língua: inglês e francês. Já na primeira página do site há uma
visualização de pequenas reproduções de obras em telas, com o claro intuito de
comercialização das mesmas em forma de gravuras. A frase creditada ao próprio Juarez
Machado afirma que as obras ali presentes para venda são as de sua preferência e suas
cópias são de extrema qualidade. O hiperlink destas imagens leva à “boutique” do site
onde o visitante pode adquirir as reproduções. As imagens analisadas para a pesquisa
encontram-se, dentro do site, na página intitulada: “seu trabalho”.

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Bairro parisiense conhecido, entre outras coisas, por possuir um grande número de pintores que ali
residem ou possuem galerias.

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FIGURA 01 – PRIMEIRA PÁGINA DO SITE OFICIAL

FONTE: Site oficial Juarez Machado

Como curiosidade, estas imagens iniciais e pequenas, possuem em sua versão horizontal
150×96 pixels e em sua versão vertical 120×120 pixels, todas no modo JPEG de
compressão. Este tipo de arquivo é utilizado para condensar o tamanho da imagem.
Imagens em JPEGs são costumeiramente usadas online para permitir o acesso a
arquivos de imagem em tela cheia, pois exigem menos espaço de armazenamento e,
portanto, são mais rápidos para download em uma página da web. Entretanto, esta
mesma compressão que cria arquivos mais leves também pode distorcer as cores da
imagem, o que claramente, não é desejável ao se expor obras de arte. Este formato é
utilizado em todas as fotos de quadros que constam no site, independente de seu
tamanho. Certamente o desenvolvedor do site chegou a um denominador onde as
nuances dos quadros poderiam ser vistas sem que a imagem chegasse a ser muito pesada
para o carregamento. Outros pontos como navegação em forma de galeria virtual ou
quanto à escolha da curadoria para as obras apresentadas, não são mencionados ou
justificados, a exemplo de outras galerias e museus virtuais. Como colocado por Steve
Dietz, esta transposição, algumas vezes, não passa da mera digitalização das obras, sem
aproveitar a totalidade que o meio pode oferecer.
At the present time, the museum community is expending a great deal
of effort simply digitizing its resources and making them increasingly
accessible online. Digitizing assets is not dissimilar to the historical
function of the museum to preserve artifacts. As this process becomes
more and more successful, however, there will be an increasing need

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to find ways to "filter" the vast quantities of information that are


available. The emphasis will shift from simply "creating" content to
presenting a context for it; a point of view about it--just as one of the
roles of the curator is to identify, contextualize, and present a point of
view about works of art. (DIETZ, 1998).5

Além das imagens que levam à loja, os demais comandos de navegação são feitos, nesta
primeira página, através de texto, e não imagens. Na versão em inglês, os hiperlinks de
textos em caracteres no formato fonte são: Biography, Exhibitions, Art Publications,
Workshop, Machado Theatre e Contact the Artist. Há ainda os hiperlinks de textos em
formato de imagens raster6: Juarez Machado, His work, Boutique, Français e Blog.
Todos os hiperlinks levam a páginas abertas na mesma janela. Uma vez na página “his
work”, ou “seu trabalho”, em português, as exposições individuais são classificadas por
título, ano e local, técnica utilizada e número de imagens disponíveis no acervo digital,
a ver tabela abaixo. Foram omitidos dados sobre esculturas e outras obras por não serem
parte do objeto de estudo.

TABELA 01 – DADOS DAS EXPOSIÇÕES


Exposition Lieu and date technique images
La fête continue Paris, 1997-98 Painting 34
Atelier d'artiste Paris, 1992-95 Painting 44
O grande circo Paris, 1997 Painting 15
Ilha de Sta. Sta. Catarina, 1997 Painting 33
Catarina
Chateaux Paris, 1998-99 Painting 19
Bordeaux
Copacabana Copacabana, 1992 Painting 36
300 years of - Painting 24
Curitiba
Little exposition - Painting 12
Le libertin Paris, 2002 Painting 45
Mural Joinville Painting 18
Veneza Venezia, 2003 Painting 20
FONTE: Site oficial Juarez Machado, compilação do autor.

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No presente momento, a comunidade dos museus está gastando uma grande quantidade de esforço
simplesmente para digitalizar os seus recursos e torná-los cada vez mais acessível on-line. A digitalização
de seus bens não é incomum para a função histórica do museu quando quer preservar seus artefatos.
Enquanto este processo, no entanto, se torna mais e mais bem sucedido, haverá uma crescente
necessidade de encontrar formas de "filtrar” a vasta quantidade de informações que estão disponíveis. A
ênfase vai mudar simplesmente de "criar” o conteúdo para apresentar um contexto para ele, um ponto de
vista sobre o assunto - como uma das funções do curador é a de identificar, contextualizar e apresentar um
ponto de vista sobre as obras de arte. Tradução do autor.
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Imagens raster são imagens digitais que possuem o pixel, menor unidade da imagem digital, como
formador de sua totalidade.

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Conforme tabela apresentada, o número de obras, em pintura, digitalizadas e disponíveis


para visualização somam trezentas.7 Vale ressaltar que o acervo apresentado no site não
corresponde ao total de obras produzidas por Machado.

As páginas das exposições, onde já se podem ver as miniaturas dos quadros, são
divididas conforme o número de obras por tema. Por exemplo, a exposição intitulada
"La Fête Continue" ou em português: A Festa Continua, possui três páginas com 12
imagens na primeira página, e 11 imagens na segunda 11 imagens na terceira. Todas as
imagens em miniatura de todas as exposições são hiperlinks para uma versão maior da
mesma com informações textuais sobre o quadro específico. As imagens, sem exceção
apresentam-se no formato JPEG tanto em sua versão miniatura (thumbnail), como em
sua versão ampliada, e possuem com 72 dpi (dots per inch, ou pontos por polegada) de
resolução, esta resolução tomada como padrão para a rede. O ponto por polegada é a
medida de um número de pixels por polegada em um gráfico ou imagem, usado para
especificar o tipo ou a resolução da imagem.

FIGURA 02 – EXEMPLO DE PÁGINA COM IMAGENS EM MINIATURA

FONTE: Site oficial Juarez Machado

Claramente, as pinturas dispostas nesta página não têm um sentido como mostruário de
obras detalhadas, mas sim o de simples numerização da obra correlata original, como

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Existem obras, como esculturas, presentes no site que não foram contabilizadas para este estudo.

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explica Priscila Arantes.


Em um primeiro momento as imagens computacionais podem ser a
expressão de processo de digitalização, da conversão de imagens de
vídeo, fotografia, ou outra mídia qualquer para a imagem digital por
processos de numerização. Já no caso das imagens de síntese, isto é,
daquelas imagens criadas exclusivamente no ambiente computacional,
não há ligação nenhuma com o referente. (ARANTES, 2005, p.77)

Individualmente as imagens em miniatura variam quanto à proporção mantendo a média


de 135X185 pixels para as figuras na vertical e 135×105 pixels para as imagens
horizontais. Como medida em centímetros varia conforme a resolução do monitor de
quem as acessa, manterei a unidade em pixels para todas as descrições. Já o pixel é o
ponto único em qualquer imagem raster, então este não sofre alteração em seu número
dentro da figura, conforme a resolução do monitor. Há maiores variações na média das
resoluções das imagens, tanto para as miniaturas, quanto para as ampliadas no caso das
telas em dípticos ou trípticos8 devido à sua despadronização quanto a sua proporção.

As imagens ampliadas apresentam, em sua maioria, a proporção de 430X576 pixels para


as verticais e 430X310 pixels para as horizontais. Algumas poucas, junto na página da
imagem ampliada disponibilizam a opção de visualização da imagem do rascunho feito
pelo artista antes do quadro pronto. Outras informações presentes nas páginas das
imagens ampliadas são: nome do quadro, medida em centímetros da obra, ano de
execução, técnica aplicada, e links para a compra da imagem em gravura, e opções de
navegação para imagem próxima ou anterior. Por exemplo, a tela chamada "Réservation
pour deux personnes", Reserva para duas Pessoas, da exibição "La fête continue" possui
as indicações de tamanho: 100x73 cm, ano de produção: 1997, e técnica utilizada: óleo
sobre tela. Além de uma imagem menor com o texto "to see the skretch", que ao passar
o mouse por ela, visualiza-se o rascunho desta mesma obra por cima da peça finalizada.

Para as imagens ampliadas referentes às telas em dípticos, verticais, a proporção é de


430X1.162 pixels. Os trípticos, horizontais, apresentam 430×194 pixels. Todas as obras
apresentadas dentro de “his work” apresentam link para a compra de uma versão
impressa em tamanho ampliado (se comparado ao apresentado no monitor).

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Dípticos são pinturas dispostas em duas telas separadas que formam uma obra conjunta. O mesmo
aplica-se para a definição de tríptico, mas este utiliza-se de três telas.

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FIGURA 03 – EXEMPLO DE PÁGINA COM IMAGEM AMPLIADA

FONTE: Site oficial Juarez Machado

Em relação aos trabalhos de Machado, facilmente encontrados em outros sites na rede,


inclusive de vendas, as obras apresentadas no veículo online oficial do pintor ainda
parecem estar em número bastante pequeno. Todas as imagens analisadas apresentam no
site do pintor tamanho satisfatório para a observação. A disponibilização de imagens em
resolução de 72 dpi não permite a impressão satisfatória das mesmas em tamanho
razoável, mantendo-as assim definidas, quanto aos pixels, em sua visualização pelo
monitor somente. Pode-se afirmar ainda que a imagem, mesmo que reprodução da
original, uma vez digitalizada, somente poderá ser visualizada através de uma
representação luminosa, não física da primeira. Entretanto qualquer análise de obra, a
não ser quando feita no exato momento da observação do original, pode sofrer a mesma
distorção, ainda mais quando se observa o original e tira-se conclusões sobre este
baseando-se no que se mantém na memória desta visualização do original.

Considerações finais
As imagens apresentadas no site do artista aparentam ter como intenção a mera
exposição (sem o sentido de evento em local físico da palavra) das obras de arte para
que o visitante tenha conhecimento das pinturas de Machado, mas também para a
comercialização destas. Não há como, a partir das versões apresentadas no site,
comparar com a visualização de um quadro em sua versão original e material. Além
disso, a observação online possibilita outras formas de apreciação, talvez mais propícias
à análise científica, que a observação de alguns selecionados objetos em uma galeria

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física, onde podem existir fatores desfavoráveis como o tempo da exposição e sua
localização.

A autora Diana Domingues completa sobre exposições de obras de arte na rede em


forma de galerias de arte virtuais:
O próprio museu vai ao museu, torna-se museu ele próprio, sobretudo
se pensarmos na arte nas redes. (...) O conjunto de reflexões deixa
evidente que a arte contemporânea, há cerca de trinta anos, abraçou
uma série de práticas artísticas assentadas na revolução da eletrônica e
nas tecnologias numéricas e que, nestes últimos anos do século,
artistas espalhados pelo mundo adquirem uma consciência cada vez
mais forte de seu papel como agentes de formação na sociedade.
(DOMINGUES, 2003, p.17)

O que existe hoje é uma profusão de artistas contemporâneos que, como Machado,
conscientemente dispõe de suas obras online sejam para apreciação, pesquisa ou até
mesmo comércio, independente do que esta exposição possa trazer para a obra original.
Esta exposição leva suas obras a um público amplo, inclusive podendo ser composto por
professores e alunos, que talvez nunca as conhecessem de outra forma senão pela pelas
galerias virtuais disponibilizadas na internet.

Estas transposições das obras de arte poderiam se dar, por exemplo, através da
reprodução das pinturas em um livro que compilaria obras de um determinado artista,
gênero ou movimento. Obviamente estudantes de diferentes áreas também podem
utilizar deste meio de transposição, (como já era realizado antes da existência da
internet) vendo as obras em livros impressos.
Transformações ou transposições de uma mídia a outra são –
exatamente do mesmo modo que as diversas formas da combinação de
mídias – formas de relações intermidiáticas, ao lado de uma série de
outras formas. Parece lógico e prático utilizar “intermidialidade” como
conceito geral para todas as formas de relação dessa natureza e não
limitar o termo a formas específicas (CLÜVER, 2006, p. 31).

Mas esta forma de intermidialidade especificamente pode ser difundida me modo mais
rápido e eficaz do que através de meios impressos e mais ainda que suas versões
originais. A galeria virtual é instalada em um site e este único site pode ser acessado por
diversas pessoas ao mesmo tempo, o que claramente não pode ser feito com um único
exemplar de um livro com as gravuras do artista. Em uma situação hipotética, uma

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classe de alunos pode enquanto estiver tendo o conteúdo da aula acessar o web site e
“passear” pelas obras em cada terminal que dispõe da tecnologia para tal.

Mesmo havendo a perda da aura na observação da obra digitalizada, além de distorções


dispostas por necessidades técnicas (como a da compressão de arquivos e conseqüente
compressão das cores); a apresentação de obras de arte em uma galeria virtual é uma
alternativa para a apreciação desta por grupos, como estudantes, que de outra forma não
teriam acesso a uma variedade tão grande e com tantas informações adjuntas como em
um web site. Os desenvolvimentos tecnológicos das últimas décadas e seus efeitos na
mídia visual podem facilmente dar a impressão de que tudo mudou: as ferramentas de
criação são diferentes, a linguagem visual é diferente e no caso deste estudo, os meios
de apresentação são diferentes. Assim, novas teorias têm sido desenvolvidas em uma
tentativa de compreender a natureza destas novas mídias. A partir dessa perspectiva, as
teorias mais antigas que foram baseadas principalmente no meio da pintura podem
parecer arcaicas. Estas teorias, assim como sua fundamentação para aplicação em sala
de aula, podem coexistir. Substratos relevantes de uma época anterior a da digitalização
das obras de arte podem ser igualmente úteis para um embasamento abonado de teorias
mais recentes.

A importância da mídia digital baseada no ciberespaço para o desenvolvimento de


novas concepções sobre a aquisição do conhecimento artístico e os métodos de
aprendizagem da cultura visual é cada vez maior. O referencial teórico pode apresentar
um dilema para a aprendizagem artística virtual, culturalmente baseada na necessidade
de sua presença física para apoiá-la. No entanto um ponto interessante é que o meio
digital também nos permite trabalhar em uma forma colaborativa para construir
significados compartilhados, não como qualquer ferramenta existente anteriormente,
mas de uma forma não linear, inclusive em sala de aula. A expansão das paredes das
galerias e museus pode transformar as longas distâncias em curtas e a ausência em
presença.

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REFERÊNCIAS

ARANTES, Priscila: Arte e Mídia no Brasil: Perspectivas da Estética Digital. São


Paulo: SENAC, 2005.

AUMONT, Jacques: A imagem. Campinas: Papirus, 1993.

BENJAMIN, Walter: A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica


(1935, publicado em 1936), in Os pensadores – história das grandes idéias do mundo
ocidental, vol. XLVIII. São Paulo: Abril Cultural, 1975.

CLÜVER, Claus: Inter textus/ inter artes/ inter media. Aletria: revista de estudos de
literatura, Belo Horizonte, v. 6, p. 11-42, 2006.

DIETZ, Steve: Curadoria na Web (Curating on the Web), PACC UFRJ, 1998.
Disponível em http://www.pacc.ufrj.br/web-arte/textos/s_dietz/s_dietz.html Acesso em
09/07/2011

DOMINGUES, Diana: Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e criatividade.


São Paulo: Editora UNESP, 2003.

SEMIÃO, Pedro Miguel: Galeria de Arte Virtual. Faculdade de Ciências da


Universidade de Lisboa Disponível em: http://homepages.di.fc.ul.pt/~bc/artigos/
epcg07-psemiao-bc-final_2.pdf Acesso em 09/07/2011

Juarez Machado, web site oficial: http://www.jmachado.com Acesso em 12/07/2011

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