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A Artigo Original

Brito AKS et al.

Tempo de jejum e evolução clínica de pacientes


com pancreatite aguda internados em um
hospital universitário
Fasting time and clinical outcome in patients with acute pancreatitis admitted to a university hospital

Ana Karolinne da Silva Brito1


RESUMO
Maria do Perpétuo Socorro Moura Coimbra2 Introdução: A pancreatite aguda (PA) é uma doença inflamatória de aparecimento súbito, que
Carlos Henrique Ferreira3 pode variar desde uma forma leve e autolimitada até uma fulminante e de progressão rápida, com
Vanessa Brito Lira de Carvalho4 elevadas taxas de morbidade e mortalidade. Objetivo: Caracterizar os pacientes com PA internados
Polliana Farias Marinho da Cunha5
Maria do Carmo de Carvalho e Martins6 em um Hospital Universitário de Teresina, PI, segundo aspectos sociodemográficos e clínicos, e
Deise Maria Pereira Cardoso1 avaliar possível relação entre tempo de jejum e evolução clínica da doença. Método: Estudo
Mábille Rayanne Rodrigues Dantas1 transversal, quantitativo e descritivo, com coleta retrospectiva de dados a partir de prontuários de
Brenna Emmanuella de Carvalho7
pacientes adultos com diagnóstico de PA, admitidos no período de setembro de 2014 a agosto de
2015. Para verificar associações entre tempo de jejum e tempo de internação, utilizou-se teste de
correlação de Spearman. Resultados: Foram incluídos no estudo um total de 30 pacientes, com
média de idade de 37,7±12,1 anos, sendo as faixas etárias predominantes as de 19 a 29 anos
e de 30 a 39 anos. Mais de metade (56,8%) era do sexo feminino e casada (51,4%). A duração
média de internação foi de 25,0±19,4 dias, sendo que 32,4% permaneceram internados de 22
a 30 dias; e 97,3% evoluíram com alta médica. Não foi observada associação entre o tempo de
jejum e tempo de internação. Conclusão: Elevada proporção de pacientes era representada por
jovens, do sexo feminino que apresentaram desfechos favoráveis, apesar do elevado tempo de
internação. Não houve relação entre a duração do jejum e o tempo de internação.

ABSTRACT
Introduction: Acute pancreatitis (AP) is an inflammatory disease of sudden appearance which
Unitermos:
Pancreatite. Jejum. Tempo de internação. may vary from a mild, self-limiting manner, to a withering and of rapid progress way, with high
rates of morbidity and mortality. Objective: The objective was to characterize patients with acute
Keywords: pancreatitis admitted to a university hospital of Teresina, PI, according to sociodemographic and
Pancreatitis. Fasting. Length of Stay. clinical aspects, as well as evaluate possible relationship between time of fasting and clinical course
of the disease. Methods: Cross-sectional study, quantitative and descriptive, retrospective data
Endereço para correspondência: collection from medical records of adult patients diagnosed with PA, admitted to the HU-UFPI
Ana Karolinne da Silva Brito from September 2014 to August 2015. The data were presented through descriptive statistics. To
Rua Sotero Vaz da Silveira, 5000 – Teresina, PI, verify associations between fasting time and length of stay Spearman correlation test was used.
Brasil – CEP: 64007-685 Results: We were included in the study a total of 30 patients with a mean age of 37.7±12.1 years,
E-mail: anakarolinnesb@hotmail.com
and the predominant age groups of the 19 to 29 years and 30 to 39 years were admitted. More
Submissão: than half (56.8%) were female and married (51.4%). The average length of stay was 25.0±19.4
1 de dezembro de 2015 days, of which 32.4% remained hospitalized 22 to 30 days; and 97.3% evolved being medically
discharged. No association was observed between the fasting period and length of stay. Conclusion:
Aceito para publicação: A high proportion of patients was represented by young, female who had favorable outcomes,
23 de fevereiro de 2016 despite the high length of stay. There was no association between fasting time and length of stay.

1. Nutricionista; Residente Multiprofissional em Saúde; Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.
2. Nutricionista; Mestre em Ciências e Saúde; Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.
3. Médico; Especialista em Nutrologia; Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.
4. Nutricionista; Mestranda em Alimentos e Nutrição; Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.
5. Estudante de Graduação em Nutrição; Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.
6. Nutricionista; Doutora em Ciências Biológicas; Professora do Programa de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição e do Programa de Pós-
Graduação em Farmacologia da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.
7. Enfermeira; Residente Multiprofissional em Saúde; Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.

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Tempo de jejum e evolução clínica de pacientes com pancreatite aguda

INTRODUÇÃO uso de álcool, tabagismo, tipo de PA segundo etiologia,


A pancreatite aguda (PA) é uma doença inflamatória que presença de doenças crônicas associadas, existência de
pode variar desde uma forma leve a grave e fulminante, em jejum após admissão e sua duração, via de administração
na reintrodução de alimentação; presença de intolerância
que um fator agressor provoca ativação de enzimas digestivas
à alimentação; desfecho clínico e período de internação.
nas células acinares, resultando em dano celular e autodi-
gestão da glândula1. Em 2014, foram registradas no Brasil Os dados foram analisados no programa Statistical
29.897 internações por PA ou outras doenças do pâncreas Package for the Social Sciences (SPSS) versão 15.0. A relação
no Sistema Único de Saúde (SUS), com média de internação entre tempo de jejum e tempo de internação foi avaliada
de 7,2 dias e taxa de mortalidade de 5,69%2. por meio do teste de correlação de Spearman. O nível de
significância foi estabelecido em p<0,05.
Pacientes com PA são submetidos a jejum para limitar a
extensão e a gravidade da inflamação, cuja duração varia
conforme a gravidade da doença. O momento ideal e os RESULTADOS
critérios para reiniciar a alimentação permanecem incertos3.
A média de idade dos pacientes foi de 38,3±12,1
Contudo, o jejum prolongado pode ser prejudicial em
anos, sendo mais da metade do sexo feminino, casadas
decorrência de atrofia da mucosa intestinal e translocação
e provenientes do interior do Piauí. Quanto à escolari-
de micro-organismos e toxinas4; e a realimentação precoce
dade, 40% concluíram ensino médio. Uso de álcool era
tem sido associada com melhora do quadro clínico da PA
realizado por 56,6% dos pacientes e 73,3% não fumavam
grave e/ou redução de complicações5.
(Tabela 1). Em relação às características clínicas (Tabela
Em estudo realizado com pacientes com PA em hospital 2), pancreatite secundária à litíase biliar foi encontrada
do Distrito Federal, a prevalência de risco nutricional ou em 60% dos pacientes. Quase todos os pacientes evolu-
desnutrição foi de 25%, com perda ponderal associada ao íram para alta médica, com tempo médio de internação
tempo de internação6. Considerando que o tempo de jejum de 25,1±21,2 dias e 56,7% permaneceram internados
pode contribuir para maior permanência hospitalar, objetiva- de 15 a 30 dias.
se descrever as características socioeconômicas e aspectos Observou-se que 73,3% tiveram prescrição de dieta
clínicos de pacientes com PA internados em um Hospital zero na admissão e tempo médio de jejum de 3,13±3,36
Universitário e avaliar possível relação entre tempo de jejum dias, nutrição enteral foi introduzida para 36,7% e 70% dos
e evolução clínica da doença. pacientes não apresentaram manifestações de intolerância à
alimentação após o período de jejum (Tabela 3). Não houve
MÉTODO relação estatisticamente significativa entre duração do jejum
e tempo de internação (Tabela 4).
Estudo transversal, quantitativo e descritivo, desenvol-
vido com dados de prontuários de pacientes internados no
período de setembro de 2014 a agosto de 2015 nas clínicas DISCUSSÃO
médica e cirúrgica do Hospital Universitário da Universidade A média de idade dos pacientes foi um pouco inferior
Federal do Piauí (HU-UFPI), em Teresina, PI. A amostra àquela encontrada em outros estudos6,7. Ressalta-se que este
incluiu pacientes com idade entre 18 e 59 anos, de ambos estudo incluiu apenas adultos, enquanto outros trabalhos
os sexos, com diagnóstico de PA confirmado. Foram exclu- também avaliaram idosos. Há evidências de que a incidência
ídos pacientes com pancreatite crônica ou doenças crônicas de PA aumenta com a idade8, acometendo geralmente a faixa
graves associadas (neoplasia, insuficiência cardíaca conges- etária de 30 a 60 anos9. Em pesquisa de âmbito nacional
tiva, angina instável, cirrose e encefalopatia). O trabalho foi realizada nos Estados Unidos, no período de 1993 a 2003, a
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFPI (CAAE incidência de PA esteve associada positivamente com a idade,
47878715.5.0000.5214). com um aumento na quinta década de vida, mantendo-se
Foram identificados 40 pacientes com diagnóstico inicial estável após os 50 anos10.
de PA por meio de buscas em prontuário eletrônico. Após Quanto à etiologia, Culetto et al. 8 destacam que a
investigação em prontuários físicos, foram excluídos três maioria dos casos de PA é relacionada a cálculos biliares e
pacientes com pancreatite crônica, dois com neoplasia de ao consumo crônico de álcool, representando 70-80% dos
pâncreas, um internado para cirurgia após melhora dos casos. De modo concordante, neste trabalho, a pancreatite
sintomas e quatro cujos prontuários não foram encontrados, relacionada à litíase biliar foi mais frequente, seguida daquela
sendo a amostra final composta de 30 pacientes. de etiologia alcoólica. Proporções semelhantes de pancreatite
Foram coletados dados sociodemográficos e clínicos: de origem biliar foram encontradas em estudo realizado em
idade, sexo, procedência, raça, estado civil, escolaridade, hospital de Brasília6 e de Porto Alegre7.
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A PA biliar pode ser causada pela obstrução da ampola Tabela 2 – Características clínicas dos pacientes com pancreatite aguda.
de Vater no duodeno pela formação de cálculos ou infla-
Variável n %
mação decorrente de sua passagem por esse local. Ao
atingir o pâncreas, os ácidos biliares possivelmente apresen- Etiologia da Pancreatite
tariam efeito tóxico pela indução da síntese de mediadores Litíase biliar 18 60,0
pró-inflamatórios11. Alcoólica 9 30,0
Não especificada 3 10,0
Doenças Associadas
Tabela 1 – Distribuição dos pacientes com pancreatite aguda, segundo Nenhuma 24 80,0
características sociodemográficas. Hipertensão arterial 2 6,7
Variável n % Diabetes + Hipertensão arterial 2 6,7
Faixa etária (anos) Outras doenças 2 6,7
18 – 29 7 23,3 Desfecho clínico
30 – 39 8 26,7 Alta médica 29 96,7
40 – 49 8 26,7 Óbito 1 3,3
50 – 59 7 23,3 Tempo de internação (dias)
Sexo 1 - 14 8 26,7
Masculino 14 46,7 15 - 30 17 56,7
Feminino 16 53,3 Mais de 30 5 16,7
Procedência
Teresina 11 36,7
Interior do Piauí 16 53,3
Outros estados 3 10,0 Tabela 3 – Características da evolução dietética dos pacientes com pan-
creatite aguda.
Raça
Variável n %
Branco 1 3,3
Jejum na admissão
Pardo 27 90,0
Sim 22 73,3
Negro 2 6,7
Não 8 26,7
Estado Civil
Tempo de jejum (dias)
Solteiro 11 36,7
Nenhum 8 26,7
Casado 16 53,3
1-3 12 40,0
Separado 1 3,3
4-7 6 20,0
Viúvo 1 3,3
Mais de 7 4 13,3
Outros 1 3,3 Via de administração da dieta reiniciada
Escolaridade Via oral 9 30,0
Nenhuma 3 10,0 Enteral 11 36,7
Ensino fundamental incompleto 7 23,3 Parenteral 2 6,7
Ensino fundamental completo 6 20,0 Não se aplica* 8 26,7
Ensino médio incompleto 1 3,3 Intolerância à dieta
Ensino médio completo 12 40,0 Sim 9 30,0
Ensino superior 1 3,3 Não 21 70,0
Tabagismo * Pacientes que não foram admitidos em jejum.

Sim 4 13,3
Sim, já parou 4 13,3
Não 22 73,3
Tabela 4 – Análise de correlação linear entre tempo de jejum e tempo de
Etilismo internação em pacientes com pancreatite aguda.
Sim 13 43,3 Parâmetros Tempo de jejum
Sim, já parou 4 13,3 R p
Não 13 43,3 Tempo de Internação 0,126 0,508

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Tempo de jejum e evolução clínica de pacientes com pancreatite aguda

Outros fatores que podem ajudar a explicar a elevada o início dos sintomas. Contudo, levando em conta o possível
prevalência de PA biliar: obesidade; alimentação inade- jejum a que foram submetidos em hospitalizações anteriores,
quada; perda rápida de peso; idade avançada; diabetes o período total de jejum pode estar acima do recomen-
tipo 2; dislipidemia; resistência à insulina; história familiar; e dado. Ademais, estudos apontam que o suporte nutricional
sedentarismo8,11. Neste estudo, a maioria dos pacientes não enteral precoce, iniciado dentro das primeiras 24 horas de
apresentava doenças crônicas associadas. internação, parece ter efeito benéfico em termos de taxa de
De modo semelhante ao descrito em outros trabalhos6,7, infecção, mortalidade e controle glicêmico, possivelmente
neste estudo, a frequência de pancreatite foi maior no sexo pela manutenção da barreira intestinal e menor translocação
feminino. Mehdi et al.12 discutem que a PA biliar é mais bacteriana17,18.
frequente em mulheres, enquanto nos homens a pancreatite Neste estudo, a reintrodução da alimentação ocorreu
alcoólica é mais comum, possivelmente pela maior preva- principalmente por suporte enteral, seguida da via oral. De
lência de uso regular de álcool entre homens13. modo diferente, em hospital regional do Distrito Federal6
Na PA por alcoolismo, apesar de estímulos adicionais a via oral foi usada para a realimentação da maioria dos
parecerem necessários para o início da doença, o álcool pacientes (73%) após o período de jejum, seguida pela
exerce efeito tóxico direto no pâncreas, aumentando a nutrição enteral (22%). Ong & Fock17 referem como benefício
síntese de citocinas pró-inflamatórias, que podem contribuir da nutrição enteral o fato de facilitar a motilidade intestinal
para o aparecimento da doença14. Ressalta-se que elevada devido à hiperosmolaridade das fórmulas com nutrientes,
proporção de pacientes consumiam ou já consumiram evitando o aumento da permeabilidade intestinal. Contudo,
bebida alcoólica regularmente, o que pode justificar parcial- o uso da terapia nutricional enteral depende da tolerância
mente a presença de pancreatite secundária ao consumo dos pacientes às formulações oferecidas, uma vez que a
de álcool. presença de dor abdominal e hipomotilidade intestinal podem
comprometer o aporte de nutrientes por essa via.
Apesar de a maioria dos pacientes ser não fumante, mais
de um quinto dos doentes era representado por fumantes A duração média da internação foi de 25,0±19,4 dias,
e ex-fumantes. Esse dado é importante, pois embora o e a maioria dos pacientes teve como desfecho clínico a alta
tabagismo não apresente associação direta com a PA, foi hospitalar. Nos estudos de Gomes & Logrado6 e Rockenbach
demonstrado que indivíduos que fumaram 20 ou mais maços et al.7 também foi referida evolução para alta hospitalar,
de cigarro/ano tiveram risco aumentado de desenvolver a porém com menores tempos de internação. Nesvaderani
doença em comparação a pessoas que nunca fumaram. et al.19 referem que, na pancreatite leve, a permanência
E, entre fumantes que também consomem quantidade de hospitalar é curta e a cura pode ocorrer em aproximada-
álcool maior ou igual a 400 g/mês, o risco de desenvolver mente uma semana. Entretanto, diversos fatores podem
pancreatite aumenta mais de quatro vezes14. influenciar no tempo de internação: estado nutricional
na admissão e durante a internação; idade do paciente;
Neste estudo, quase dois terços dos pacientes passaram
presença de sintomas gastrintestinais que prejudiquem a
por jejum a partir da admissão, sendo para a metade, jejum
ingestão alimentar e absorção de nutrientes, entre outros20.
de um a três dias de duração. Independentemente da gravi-
dade da PA, um período de jejum é necessário para possi- Não houve associação entre duração da internação e
bilitar o retorno das enzimas pancreáticas ao valor normal, tempo de jejum nos pacientes do HU-UFPI, indicando que
já que durante o jejum, por ausência de estímulo digestivo, outros fatores podem estar envolvidos. O jejum prolongado
a secreção de enzimas pancreáticas é baixa15. é um dos fatores relacionados à piora do estado nutricional
e maior probabilidade de complicações, contribuindo com
Considerando que pacientes com pancreatite são refe-
aumento no tempo de internação6. Nesse sentido, em
renciados de outros centros de saúde para o HU-UFPI,
estudo no hospital de Brasília, os pacientes apresentaram
esses pacientes podem ter permanecido em jejum antes de
perda ponderal durante a internação que parece ter sido
serem encaminhados para o hospital, representando uma
proporcional ao tempo de internação6. Porém, por se tratar
limitação na determinação do tempo total de jejum a que
de estudo com dados de prontuários, não foi possível acom-
eles foram submetidos. Apesar disso, é importante destacar panhar a evolução ponderal dos pacientes do HU-UFPI, o
que a duração média do jejum dos pacientes deste estudo que se constitui em uma limitação.
foi semelhante a encontrada em hospital do Distrito Federal6,
cujo tempo médio foi de 3,63 dias.
CONCLUSÃO
A duração do jejum dos pacientes durante sua perma-
nência no HU-UFPI esteve dentro do preconizado pela Socie- Neste estudo, os pacientes eram em sua maioria
dade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE)16, mulheres, com pancreatite de etiologia biliar e desfecho
que recomenda jejum pela via oral por até 5 a 7 dias após clínico favorável, apesar do elevado tempo de internação.
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A duração do jejum esteve dentro das recomendações das nos serviços de gastroenterologia clínica e cirurgia geral do
diretrizes brasileiras, e não houve relação entre período Hospital Santa Clara, do Complexo Hospitalar Santa Casa,
Porto Alegre/RS, no período de 2000 a 2004. Arq Catarin Med.
de jejum e tempo de internação. Considerando que esses 2006;35(4):25-35.
pacientes são referenciados de outros centros de saúde para 8. Culetto A, Bournet B, Haennig A, Alric L, Peron JM, Buscail
o HU-UFPI, o tempo de jejum pode ter sido subestimado, o L. Prospective evaluation of the aetiological profile of
acute pancreatitis in young adult patients. Dig Liver Dis.
que pode constituir-se em limitação na análise da associação 2015;47(7):584-9.
proposta no estudo. 9. Santos JS, Elias Júnior J, Scarpelini S, Sankarankutty AK. Pancre-
atite aguda: atualização de conceitos e condutas. Medicina
Ademais, não foi possível determinar o estado nutricional (Ribeirão Preto). 2003;36:266-82.
dos doentes e caracterizar de forma adequada a conduta 10. Fagenholz PJ, Fernández-del Castillo C, Harris NS, Pelletier
nutricional a que foram submetidos. Estudos adicionais são AJ, Camargo CA Jr. National study of United States emergency
department visits for acute pancreatitis, 1993-2003. BMC Emerg
necessários para avaliar o cuidado nutricional em pacientes
Med. 2007;7:1.
com PA, bem como para investigar de forma mais aprofun- 11. Sousa KPQ, Souza PM, Guimarães NG. Fatores antropométricos,
dada a relação entre jejum e tempo de internação. bioquímicos e dietéticos envolvidos na litíase biliar. Com Ciênc
Saúde. 2008;19(3):261-70.
12. Mehdi M, Deutsch JP, Arrivé L, Ayadi K, Ladeb MF, Tubiana
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Local de realização do trabalho: Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI, Brasil.

Conflito de interesse: Os autores declaram não haver.

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