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moradia não é só casa

resultado do 2º ano do curso “participar da gestão da cidade”

Florisbela Pereira Martins Geraldina Souza Viana Santos Jorge Nascimento Manoel Otaviano da Silva

RealizaÁ„o Escola da Cidadania / Instituto PÛlis Educadores:

Paula Pollini Pedro Pontual Tatiana de Amorim Maranh„o Revis„o de Texto: JosÈ CÈsar de Magalh„es Jr. DiagramaÁ„o: Renato Fabriga

Sum·rioSum·rioSum·rioSum·rioSum·rio

ApresentaÁ„o

5

1. Unas ñ Favela de HeliÛpolis

7

Contexto urbano e o lugar da ocupaÁ„o

7

HistÛrico da ocupaÁ„o

7

CaracterÌsticas da ·rea

11

Visita de Campo

12

2. Mutir„o Celeste

18

Contexto Urbano e o lugar da ocupaÁ„o

18

HistÛrico da ocupaÁ„o

18

Visita de campo

21

3. Visita ao conjunto da CDHU Jardim LeÙnidas Moreira

25

Contexto urbano e o lugar da ocupaÁ„o

25

HistÛrico da ocupaÁ„o

25

Visita de campo

27

ConsideraÁıes Finais

33

OsOsOsOsOs autores:autores:autores:autores:autores:

FlorisbelaFlorisbelaFlorisbelaFlorisbelaFlorisbela

Florisbela Pereira Martins nasceu em Minas Gerais, na cidade de Santo AntÙnio do Grama. Veio para S„o Paulo no ano de 1963, quando comeÁou

a freq¸entar as missas do falecido Padre Mauro Batista da ParÛquia Nossa

Senhora de F·tima no bairro Vila das Belezas. Em 1975, mudou-se para o bairro do Campo Limpo, trabalhou como secret·ria da Sociedade Amigos do Bairro Jardim Vale das Virtudes. Hoje, trabalha na ParÛquia Senhor dos Passos na entrega do ìViva Leiteî e na Pastoral dos Vicentinos, ajudando na distribuiÁ„o de alimentos e outros atendimentos ‡ populaÁ„o local. …

Conselheira Tutelar do Campo Limpo desde 2002.

GeraldinaGeraldinaGeraldinaGeraldinaGeraldina

Geraldina Souza Viana Santos nasceu em Minas Gerais, na cidade de Janu·rio. Chegou a S„o Paulo aos seis anos de idade, em 1966. De inÌcio, morou em S„o Bernardo e, logo apÛs, foi viver ìna PaulicÈiaî. Em 1975,

mudou-se para Vila Cristina. L· comeÁou seu trabalho como volunt·ria no Centro Jovem da Igreja Santa Cristina e fez parte do movimento ìPanela Vaziaî. Nesta Època, final dos anos 70, a luta por melhores condiÁıes de moradia comeÁou a se intensificar na regi„o. Participou ali de diversas aÁıes do movimento de moradia. Fez parte do mutir„o Celeste I e II, mas, devido

a problemas de sa˙de, sua atuaÁ„o n„o foi constante e ela n„o conseguiu

sua casa. Hoje, est· no projeto de mutir„o de prÈdios ìresidencialî, locali- zado prÛximo ao Celeste I, com previs„o de ser iniciado em breve.

JorgeJorgeJorgeJorgeJorge

Jorge Nascimento nasceu em Guararapes, Estado de S„o Paulo, e veio para

a cidade de S„o Paulo em 1971, residindo na Vila Bela, sub-distrito da Vila

Prudente. Sempre participou das lutas sociais, atuando no Sindicato dos Rodovi·rios do Grande ABC e no Movimento pela ìDiretas J·î. Engajou-se na luta pela moradia, em 1999, no movimento Santo Conti da Vila Pru- dente e tambÈm no movimento de sa˙de da Zona Sudeste. Em 2001, co-

meÁou a integrar a coordenaÁ„o do FÛrum dos Mutirıes de S„o Paulo. Hoje,

È tambÈm conselheiro gestor da Unidade B·sica de Sa˙de ìDr. Herminio Moreiraî da Vila Alpina.

ManoelManoelManoelManoelManoel

Manoel Otaviano da Silva nasceu na cidade de Alegrete, no PiauÌ e veio para S„o Paulo em 1986, indo morar na favela de HeliÛpolis, onde come- Áou sua milit‚ncia no movimento de moradia, no movimento partid·rio e no movimento de sa˙de. Hoje, È um dos diretores da Unas (Uni„o de N˙- cleos, AssociaÁıes e Sociedade de HeliÛpolis e S„o Jo„o ClÌmaco), tem par- ticipaÁ„o na CMP (Central de Movimentos Populares) e na UMM (Uni„o dos Movimentos de Moradia). … muito atuante na milit‚ncia pela melhoria da qualidade de vida em HeliÛpolis.

ApresentaÁ„oApresentaÁ„oApresentaÁ„oApresentaÁ„oApresentaÁ„o

Este texto È produto do trabalho coletivo dos educandos do 2

ano da Escola da Cidadania do Instituto PÛlis no ano de 2003. O texto segue o ritmo livre e o tom coloquial de um relato de experiÍncias. Tendo participado em 2002 do curso ìParticipar da Gest„o da Cidadeî, este grupo aceitou o desafio de prosseguir, neste ano, em um conjunto de atividades de formaÁ„o promovidas pela escola e que compıem o currÌculo do segundo ano do curso. Dentre as atividades de que tiveram oportunidade de partici- par (semin·rios, oficinas, debates) destaca-se a atividade progra- mada voltada para a sistematizaÁ„o de pr·ticas de organizaÁ„o polÌtica nas quais est„o envolvidos. Considerando a import‚ncia da sistematizaÁ„o como ferramenta que sintetiza um conjunto de habilidades que proporcionam maior autonomia aos educandos na problematizaÁ„o das questıes da pr·- tica social, esta atividade, cujo produto agora est· sendo apresen- tado, constituiu-se na espinha dorsal das atividades destes edu- candos neste ano na Escola da Cidadania.

A partir de um roteiro b·sico sobre metodologias de sistematizaÁ„o,

os(as) educadores(as) discutiram com o grupo de educandos todos os

passos do processo, incluindo o tema, o objeto e as perguntas iniciais.

O tema da moradia foi escolhido pelos educandos(as) como o

foco da experiÍncia a ser sistematizada. O trabalho seria realizado a partir do estudo de trÍs conjuntos habitacionais, com Ínfase nos

seguintes aspectos:

1 ñ A relaÁ„o entre ·rea de moradia e ·reas de lazer, pensando o impacto desta relaÁ„o na qualidade de vida e violÍncia.

2 ñ A relaÁ„o entre local de moradia e escola, pensando o im- pacto desta nas condiÁıes de aprendizagem das crianÁas.

3 ñ A relaÁ„o entre moradia e creche, pensando o impacto desta na condiÁ„o de vida das mulheres e nas possibilidades de trabalho.

A partir de ent„o, desenvolveu-se todo um trabalho conjunto de pesquisa de campo para buscar fontes de informaÁ„o e depoimen- tos de pessoas das trÍs ·reas de moradia escolhidas e que pudessem nos ajudar a responder as perguntas formuladas. O interc‚mbio de conhecimentos, visıes, interpretaÁıes da realidade, proporcionado pelas visitas compartilhadas de educadores e educandos, foi uma experiÍncia muito importante para a formaÁ„o de todos(as) e for- neceu os insumos mais importantes para a produÁ„o final do grupo. Seguiu-se um intenso e fecundo esforÁo de interpretaÁ„o daqui- lo que foi colhido nas visitas e a busca coletiva de traduzir este tra- balho no texto que agora apresentamos e que queremos comparti- lhar com aqueles que, como nÛs, acreditam que ìmoradia n„o È sÛ casaî e que, na verdade, a luta por moradia sÛ adquire potencial emancipador quando ela integra um conjunto de alternativas que possibilitem uma vida mais digna e um habitat melhor para a comu- nidade em todos os aspectos. Esta vis„o est· bem sintetizada na fala dos prÛprios educandos:

A casa n„o È sÛ quatro paredes. As paredes servem como endereÁo e ponto de referÍncia, estrutura familiar, aconchego, mas a luta por moradia envolve outras necessidades como o emprego para manter a casa, educaÁ„o para os nossos filhos, sa˙de, lazer, transporte. Sem isso, sÛ a casa n„o tem sentido.

Este texto pretende, ainda, consolidar idÈias, traÁas metas, bus- car novos olhares sobre a cidade.

Esperamos que esta produÁ„o contribua com outros grupos en- volvidos na mesma luta e aos quais sugerimos tambÈm um esforÁo de sistematizar e socializar suas pr·ticas como possibilidade de for- talecimento de nossa capacidade de intervenÁ„o e proposiÁ„o.

1.1.1.1.1. UnasUnasUnasUnasUnas ñññññ FavelaFavelaFavelaFavelaFavela dedededede HeliÛpolisHeliÛpolisHeliÛpolisHeliÛpolisHeliÛpolis

ContextoContextoContextoContextoContexto urbanourbanourbanourbanourbano eeeee ooooo lugarlugarlugarlugarlugar dadadadada ocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„o

A favela de HeliÛpolis localiza-se na regi„o sudeste da Cidade

de S„o Paulo, na subprefeitura do Ipiranga. O entorno da favela

È composto pelos bairros Sacom„, S„o Jo„o ClÌmaco, Vila Carioca

pelo municÌpio de S„o Caetano do Sul. O acesso ‡ HeliÛpolis se d· pela Avenida Almi- rante Delamare, pela Estrada das L·grimas, pela Avenida Presiden- te Wilson e pela Aveni- da das Juntas ProvisÛ- rias. … a maior favela da cidade de S„o Paulo, com cerca de 1 milh„o de metros quadrados.

e

S„o Paulo, com cerca de 1 milh„o de metros quadrados. e HistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛrico

HistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛrico dadadadada ocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„o

Toda a regi„o de HeliÛpolis fazia parte do ìSÌtio Moinho Velhoî, pertencente ao Conde £lvares Penteado. Em 1942, a ·rea foi com- prada pelo IAPAS (Instituto de Aposentados e Pensıes dos Industri·rios), que construiu, em 1969, o Hospital HeliÛpolis e o Posto de AssistÍncia MÈdica (PAM), atÈ hoje referÍncia de atendi- mento emergencial para a regi„o. Em 1971, a ·rea comeÁou a ser ocupada, com a acomodaÁ„o de 200 famÌlias da Vila Prudente e da Vila Vergueiro levadas pelo poder p˙blico. Na Època, Paulo Maluf era prefeito. No ano seguinte, famÌlias da Vila Arapu· tambÈm foram remanejadas para o mesmo local, mas, desta vez, contavam com o apoio de

setores progressistas da Igreja CatÛlica. Frei Betto, foi uma das figuras importantes que atuaram junto aos moradores de HeliÛpolis.

A partir de 1977, cresceu a aÁ„o de ìgrileirosî no territÛrio. Eles

dividiram a ·rea em lotes, venderam esses lotes para as pessoas que migravam para HeliÛpolis e passaram a fazer ameaÁas ‡s pes-

soas que estavam ocupando espontaneamente o local, criando um clima de violÍncia. Nos anos de 1975 e 1976, n„o existiam creches na regi„o. Pos- teriormente, algumas mulheres se organizaram para cuidar dos fi- lhos de m„es que precisavam trabalhar. Deu-se a esta experiÍncia

o nome de ìm„es crecheirasî. Apenas na gest„o do governador

Orestes QuÈrcia (1987-1990) surgiram as primeiras creches p˙bli- cas em HeliÛpolis. Estas creches existem atÈ hoje.

A ocupaÁ„o de HeliÛpolis se expande cada vez mais, atingindo

o bairro S„o Jo„o ClÌmaco. Em maio de 1979, foi realizado o Con-

gresso de Favelados de Grande S„o Paulo e, em agosto do mesmo ano, foi criado o Movimento Unificado de Favelas de S„o Paulo, com o objetivo de criar uma rede de comunicaÁ„o entre os movi- mentos, para socializar as dificuldades enfrentadas por cada um e pensar uma aÁ„o polÌtica conjunta para cobrar do poder p˙blico as deliberaÁıes tomadas nos encontros.

A partir destes anos, a populaÁ„o comeÁou a se organizar para

lutar pelo lugar de moradia e por infra-estrutura: luz, ·gua e es- goto. Favela era uma quest„o de polÌcia e, de olho na alta valori- zaÁ„o da regi„o, a Prefeitura pretendia destinar a ·rea para cons- truÁ„o de moradia para a classe mÈdia. Os moradores da favela resistiram com passeatas e assemblÈias. Na dÈcada de 80, os moradores estavam mais organizados, lutando pela legalizaÁ„o e urbanizaÁ„o da favela. Em 1981, foi criada a Central dos Moradores de HeliÛpolis e iniciada a cons- truÁ„o de uma sede. Em 1982, foi organizada a associaÁ„o Unas

(Uni„o de N˙cleos, AssociaÁıes e Sociedade de HeliÛpolis e S„o

Jo„o ClÌmaco), embora ela sÛ tenha sido oficializada em 1992.

A partir daÌ, a luta se tornou permanente, com assemblÈias, pas-

seatas, manifesta- Áıes e ocupaÁıes, e se iniciam novas rei- vindicaÁıes por direi-

tos que n„o apenas por moradia. Durante a gest„o municipal de J‚nio

Quadros (1985-1988), os moradores de HeliÛpolis criaram as comissıes de moradia para negociar com o poder p˙blico a regularizaÁ„o dos locais de habitaÁ„o. A partir de um determinado momento, no entanto,

o prefeito deixou de atender as comissıes e os moradores fun-

daram a AssociaÁ„o Central, para se contrapor ao fim das ne- gociaÁıes. Durante a gest„o municipal de Luiza Erundina (1989-1992), os contatos entre as organizaÁıes de HeliÛpolis e o poder p˙- blico foram retomados. Surgiram os primeiros convÍnios fir- mados entre a prefeitura e associaÁıes que compıem a Unas:

AssociaÁ„o Central e AssociaÁ„o de Amigos do HeliÛpolis. Fo- ram assinados trÍs convÍnios para Centros Jovens (atuais Es- paÁo Gente Jovem). Nesta mesma Època, foram assinados ou- tros convÍnios para abrir e pavimentar as primeiras ruas da favela. As obras foram feitas em regime de mutir„o e auto- gest„o pelos prÛprios moradores. As ruas foram pavimenta- das, no entanto, com paralelepÌpedos; material n„o muito ade- quado. Neste momento, os moradores n„o tinham clareza so- bre a qualidade ou facilidade do material, o importante era a retirada da lama.

os moradores n„o tinham clareza so- bre a qualidade ou facilidade do material, o importante era

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Os EGJs substituÌram os antigos Centros Jovem, CJs, mudando apenas de nome. S„o espaÁos que atendem crianÁas de 7 a 14 anos matriculadas na escola, com o acompanhamento da freq¸Íncia des- ses alunos. L·, as crianÁas realizam atividades de auto-desenvolvi- mento como: danÁa, teatro, pintura, m˙sica, e esportes como ca- poeira. O objetivo do projeto È a ocupaÁ„o das crianÁas para que elas n„o fiquem na rua, vulner·veis ‡ violÍncia. Deixando as famÌ- lias mais seguras. Cada EGJ desenvolve um projeto prÛprio. Cada sede tem suas dife- renÁas, sendo algumas de associaÁıes e outras da prefeitura. No caso dos EGJs de HeliÛpolis, todas as sedes s„o das associa- Áıes: duas da UNAS e uma da AssociaÁ„o Central. Nestes locais, s„o oferecidos cursos profissionalizantes como: computaÁ„o, pa- daria e confeitaria, artesanatos, alÈm de aulas para alfabetizaÁ„o de adultos no perÌodo da noite. Os espaÁos funcionam das 7:30 ‡s 16:30 hs e neles s„o oferecidos uma refeiÁ„o e um lanche para cada turma. Os primeiros CJs foram criados durante a gest„o da Prefeita Luiza Erundina com convÍnios que eram renovados a cada ano, dependen- do de avaliaÁ„o. No caso de HeliÛpolis, os quatro convÍnios se man- tÍm atÈ hoje. Estas mesmas associaÁıes tÍm outros convÍnios com o poder p˙- blico: quatro creches com a prefeitura e uma creche e um programa para o cumprimento de medida sÛcio-educativa de liberdade assistida com o governo do Estado. Os convÍnios com a prefeitura podem ser renovados em perÌodos de dois a cinco anos. AlÈm destes, as associa- Áıes tambÈm tÍm convÍnios com a iniciativa privada para o desen- volvimento do projeto ìParceiros da CrianÁaî ñ parceria entre a Unas, a Faculdade S„o Marcos, o Instituto GM e uma ONG, para projetos voltados para o desenvolvimento infantil.

Com o fim da gest„o Erundina, os convÍnios com a prefeitura foram encerrados. A gest„o de Paulo Maluf (1993-1996) n„o tinha como prioridade construir moradias populares em regime de muti- r„o; as construÁıes de sua administraÁ„o foram sempre realizadas por grandes empreiteiras. Maluf desapropriou famÌlias no Sacom„ para a construÁ„o de um anel vi·rio. Estas famÌlias foram deslocadas para uma das ruas que cercam a favela de HeliÛpolis (Avenida Presi- dente Wilson), ali, foram construÌdos prÈdios do Projeto Cingapura com capacidade para alojar 600 famÌlias ñ em uma regi„o que È tida como uma ·rea de risco. A favela foi ainda mais adensada e nenhu- ma creche ou outro equipamento p˙blico foi construÌdo. Um dos in˙meros conflitos que tiveram lugar neste perÌodo foi o da mobilizaÁ„o de cerca de 3 mil pessoas para impedir o despejo de famÌlias da quadra H. Houve conflito direto e muitas lideranÁas foram presas. Ao fim, os mandados de despejo foram suspensos pela aÁ„o de uma juÌza. Diante das tantas mobilizaÁıes de resis- tÍncia, os moradores e a prefeitura chegaram a um acordo judicial que determinava que nenhuma ordem de despejo seria executada atÈ o tÈrmino da gest„o do ent„o prefeito Paulo Maluf. Este acor- do foi mantido durante esta gest„o e toda a gest„o seguinte do Prefeito Celso Pitta. A gest„o Maluf foi o perÌodo de maior ocupa- Á„o na favela, graÁas a retirada do policiamento mantido desde a gest„o Erundina. Foi um momento denominado de ocupaÁ„o es- pont‚nea.

CaracterÌsticasCaracterÌsticasCaracterÌsticasCaracterÌsticasCaracterÌsticas dadadadada ·rea·rea·rea·rea·rea

Segundo dados do Censo 2000 do IBGE, h· cerca 100 mil famÌ- lias na favela de HeliÛpolis. Esta populaÁ„o È, em sua maioria, uma populaÁ„o jovem. Cerca de 50% dos habitantes se encontram na faixa et·ria entre 0 e 21 anos. Dados tambÈm revelam que, como em todo o paÌs, os jovens que hoje residem na favela tÍm avanÁa- do mais nos estudos do que aqueles que chegaram no passado.

VisitaVisitaVisitaVisitaVisita dedededede CampoCampoCampoCampoCampo

De uns trÍs anos para c·, os moradores se conscientizaram de que a luta por moradia envolve outras reivindicaÁıes para a me-

lhoria de vida que n„o sÛ a construÁ„o das quatro paredes. Hoje, na maior favela de S„o Paulo, os equipamentos e ·reas de lazer atendem apenas 2% de sua populaÁ„o. Os equipamentos existen- tes s„o escassos e bastante recentes, datando de dois a trÍs anos; alÈm de estarem localizados ‡ grande dist‚ncia uns dos outros.

A visita de campo do grupo da Escola da Cidadania foi realiza-

da no dia 14 de agosto de 2003. Ela comeÁou com o encontro do grupo na sede da Sociedade Amigos e Moradores de HeliÛpolis. A

sede tem dois convÍnios para atendimentos de crianÁas; um deles com a SAS, que habilita o local para atividades de EGJ com atendi- mento para 130 crianÁas e o outro com o Instituto Esporte Educa- Á„o, que desenvolve o Projeto VÙlei. Uma parceria entre as empre- sas Unilever, Rexona e a Unas com o apoio da ex-jogadora de vÙlei Ana Moser. A capacidade de atendimento deste projeto È de 420 crianÁas com aulas de esporte de uma hora, duas vezes por sema- na. As crianÁas que participam precisam estar matriculadas e fre- q¸entando a escola e desenvolvem um trabalho de equipe. O tra- balho consiste na formaÁ„o de um time de futebol que participa de competiÁıes em outros Estados. Neste mesmo local, professo- res da comunidade desenvolvem aulas de capoeira e danÁa.

A sede da Sociedade Amigos e Moradores de HeliÛpolis È um

dos importantes espaÁos de lazer para os moradores da favela. Ela consiste em um complexo que conta com uma quadra de vÙlei, um sal„o, uma pequena biblioteca e um centro de inform·tica com cinco computadores. Um dos salıes deste espaÁo È utilizado para reuniıes entre os moradores, no qual tambÈm s„o feitas algumas atividades de educaÁ„o, como debates sobre sexualidade e outros temas de interesse. H· tambÈm um plant„o semanal de assistÍncia social, no qual s„o passadas informaÁıes sobre os projetos de ha-

bitaÁ„o da regi„o. Existe um projeto de iniciativa das entidades parceiras para a ampliaÁ„o deste centro no ano de 2004. A inten- Á„o È aumentar a capacidade de atendimento para 1.200 crianÁas (de 6 a 14 anos). AlÈm deste espaÁo, h· outro centro de lazer localizado na sede central da Unas. Este conta com uma quadra de futebol de sal„o, alÈm de um telecentro com 21 computadores. O telecentro atende

a uma demanda de mais de 500 pessoas para o curso b·sico de

computaÁ„o. Nesta sede, tambÈm visitamos a r·dio comunit·ria, com direito a uma entrevista ao vivo. Ainda no mesmo local, h·

outro EspaÁo de Gente Jovem (EGJ). Para observar o atendimento ‡s crianÁas e aos adolescentes,

visitamos um outro EspaÁo Gente Jovem, o ìCidade do Solî, conveniado entre a Unas e a Secretaria da AssistÍncia Social (SAS).

O

espaÁo È pequeno e as condiÁıes de atendimento s„o prec·rias.

O

EGJ localiza-se em um sal„o cedido pela Igreja, que serve, ao

mesmo tempo, como refeitÛrio e como espaÁo para as atividades.

O projeto atende cerca de 70 crianÁas. Semanalmente, elas v„o ao

Balne·rio Princesa Isabel, equipamento da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. L·, as crianÁas tÍm atividades de lazer, incluindo nataÁ„o e jogos de quadra, e recebem um lanche. N„o h· um sem·foro para a travessia das crianÁas e n„o h·

garantia de transporte p˙blico gratuito do local para outras ·reas do bairro. AtravÈs de entrevista com uma das educadoras, consta- tamos falta de recursos para o desenvolvimento de outras ativida- des necess·rias para o atendimento. Este espaÁo existe h· trÍs anos. Em um primeiro momento, fun- cionava atravÈs de um convÍnio com a FundaÁ„o Abrinq, que du- rou um ano. H· um ano e meio, a SAS assinou um novo convÍnio. No perÌodo da noite, o mesmo espaÁo È utilizado para um trabalho volunt·rio de educaÁ„o de adultos. A realidade das creches È similar, conforme constatamos em nossa visita: faltam recursos para o atendimento das crianÁas. A verba

disponibilizada pelo convÍnio com a prefeitura n„o È suficiente para arcar com a manutenÁ„o dos equipamentos usados (brinquedos, es- tantes). As creches fazem bingos, festas, rifas durante os fins de semana para arrecadar recursos a fim de cobrir as necessidades do atendimento. A visita centrou-se em duas creches conveniadas com a Unas: uma com a prefeitura e a outra com o governo do Estado. Ao lado da sede central da Unas, visitamos a creche da Rua da Mina, um convÍnio da Unas com o governo do Estado. Conversa- mos com a assistente da diretora. Segundo ela, a verba destinada pelo convÍnio È razo·vel embora, da mesma forma como observa- mos em outras creches, a comunidade tenha que realizar eventos para ajudar na manutenÁ„o do equipamento. A demanda desta creche È de mais de 600 crianÁas. Devido ‡ alta demanda, surgiu na regi„o um movimento denominado ìmovimento dos sem cre- ches da [quadra] Hî. Constatamos ainda a forte presenÁa de ONGs que desenvolvem atividades nos espaÁos de lazer da comunidade. Grande parte dos moradores da favela ainda vive em barracos de alvenaria ou madeira. No inÌcio da favela, h· alguns prÈdios construÌdos atravÈs de programas do poder p˙blico. O primeiro conjunto visitado foi um Cingapura, prÈdios de cinco andares cons- truÌdos pela prefeitura durante a gest„o Maluf. Na parte tÈrrea destes prÈdios, observamos a existÍncia de comÈrcio, o que n„o acontece nos outros conjuntos. O funcionamento de comÈrcios foi uma demanda da populaÁ„o local. Seguimos ent„o para os prÈdios da Cohab (Prefeitura de S„o Paulo). Cada um deles tem 10 andares. Os apartamentos s„o con- fort·veis e com boa ventilaÁ„o. Nestes prÈdios, h· dois salıes no tÈrreo para reuniıes dos moradores e festas. Nas imediaÁıes, exis- te um projeto para a construÁ„o de uma quadra de futebol de sa-

lo e um playground.

Fomos conhecer ainda outro projeto, o Prover (com a Prefeitu- ra de S„o Paulo, da gest„o Marta Suplicy). Os prÈdios do conjunto,

de cinco andares, s„o semelhantes aos prÈdios do Cingapura, com

o ˙nico diferencial de ter um estacionamento. Continuando nosso percurso, nos deparamos com ìa mais ou- sada obra do Maluf para a ·reaî, um alojamento provisÛrio cons-

truÌdo com Madeirite e telhas Brasilite. … um aglomerado de pes- soas vivendo em condiÁıes subumanas; as caixas de ·gua ficam ao ar livre, o esgoto est· a cÈu aberto, n„o h· venti- laÁ„o nem iluminaÁ„o e o espaÁo fÌsico

È bastante reduzido. Segundo consta-

tamos atravÈs de conversas com os moradores, n„o h· expectativa ou pre- vis„o de melhora. Os moradores deste alojamento fo- ram levados para l· durante a gest„o Maluf. VÌtimas de um incÍndio, a pro- messa era a de que seriam removidos para uma ·rea adequada em seis me- ses. PorÈm, atÈ hoje, eles continuam l·. Dando continuidade a visita, para- mos no espaÁo destinado ‡s equipes do Programa de Sa˙de da FamÌlia (PSF) e constatamos a situaÁ„o pre- c·ria com que trabalham. S„o trÍs equipes que realizam o atendi- mento de uma ·rea muito grande e muito adensada: uma parte de HeliÛpolis e uma parte da Vila Carioca. N„o h· nenhum equipa- mento mÈdico e os enfermeiros realizam o atendimento no Posto de Sa˙de da Vila Carioca, a Unidade B·sica de Sa˙de (UBS) ìDr. Joaquim Rossiniî. Retornamos ‡ sede da Unas, na quadra H, e aguardamos a che- gada de mais uma integrante do grupo. Fomos visitar e almoÁar na creche Padre Pedro Balin. Esta creche, originalmente, se localizava dentro da favela, mas mudou-se em funÁ„o de problemas na estru- tura da casa. O novo endereÁo fica nas imediaÁıes da favela, mas

mas mudou-se em funÁ„o de problemas na estru- tura da casa. O novo endereÁo fica nas

continua atendendo a mesma demanda. O convÍnio, firmado entre a Unas e a Secretaria Municipal de EducaÁ„o (SME), È para 90 crian- Áas, embora sejam atendidas 97. O valor do convÍnio È de 1.500 reais; pouco para o trabalho di·rio, segundo a diretora da creche. Esta situaÁ„o faz com que os respons·veis pela creche sejam obri- gados a recorrer ‡ sua criatividade e realizem bingos, festas, feijoa- das para arrecadar fundos para a manutenÁ„o do equipamento. A situaÁ„o tambÈm È contornada atravÈs do trabalho volunt·rio de algumas m„es em substituiÁ„o ao trabalho de profissionais. Foi observado que o espaÁo È muito grande, excelente, mas È sub- utilizado. No espaÁo, cabem 120 crianÁas e a prefeitura n„o quer ampliar o n˙mero de atendidos. H· 700 cri- anÁas na fila de espera e, por exigÍncia da pre- feitura, as inscriÁıes acontecem mensalmente mesmo n„o havendo condiÁıes de atender toda a demanda. Conforme relato da diretora, existe uma grande preocupaÁ„o com a sa˙de das crianÁas, que quase sempre vÍm doentes de casa. H· acompanhamento odontolÛgico, psicolÛgico e pedi·trico, num total de quatro profissionais cedidos pela UBS, conhecida como ìPosto da Estrada das L·grimasî. Os mantimentos da creche s„o comprados diretamente pela coordenaÁ„o da creche. AlÈm desta aquisiÁ„o, algumas hortaliÁas s„o doadas por moradores da regi„o. Em seguida, visitamos uma das escolas que atendem os jovens de HeliÛpolis, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos Salles. Conversamos com o diretor, Br·s, que est· na escola desde 1995. Segundo ele, a escola n„o È suficiente para atender a de-

com o diretor, Br·s, que est· na escola desde 1995. Segundo ele, a escola n„o È

manda de alunos da favela e de seu entorno. H· mais uma escola dentro da favela, a EMEF Luiz Gonzaga, conhecida como Gonzaguinha.

A violÍncia È um problema grave enfrentado pela escola e pela

comunidade. Em 1999, apÛs a morte de uma estudante, o diretor, juntamente com a populaÁ„o, tomou a iniciativa de realizar a ìCa-

minhada pela Pazî. J· foram feitas quatro caminhadas e, cada vez mais, tem tido ades„o das escolas municipais e estaduais e da sociedade em geral. Todos os equipamentos sociais fecham nos dias das caminhadas para que as pessoas possam acompanhar a mar- cha que circula dentro de toda HeliÛpolis. H· dois pontos princi- pais: o ponto de partida, no ColÈgio Campos Salles, por onde se entra na favela, e o tÈrmino, na Igreja Santa Edwiges.

A escola È um bem p˙blico e pertence ‡ comunidade, portanto,

a histÛria dessa comunidade tem que fazer parte do currÌculo da

escola, assim como dos valores e da formaÁ„o dos professores. Se-

gundo os diretores, muitos dos professores tÍm valores e passam uma vis„o de classe mÈdia, descolada da realidade dos alunos do

n„o basta a escola estar aberta, a cabeÁa tambÈm

entorno: ì(

tem que estar, pois os professores desconhecem a realidade dos alunos ( AlÈm do problema da violÍncia, outra dificuldade enfrentada È

a da falta de professores. O diretor reclama desta situaÁ„o, pois,

desta maneira, os professores s„o substituÌdos pelo assistente de

direÁ„o ou pela coordenadora pedagÛgica e perde-se o fio das dis- cussıes de aula. Ele lamenta n„o poder atender todas as pessoas do entorno, que muitas vezes v„o estudar em outras escolas mais distantes.

1

)

2.2.2.2.2. Mutir„oMutir„oMutir„oMutir„oMutir„o CelesteCelesteCelesteCelesteCeleste

ContextoContextoContextoContextoContexto UrbanoUrbanoUrbanoUrbanoUrbano eeeee ooooo lugarlugarlugarlugarlugar dadadadada ocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„o

O conjunto habitacional Celeste localiza-se no bairro do Jardim

S„o SavÈrio, na regi„o sudeste da Cidade de S„o Paulo. Nas imedia- Áıes do mutir„o, est„o a favela Santa Cristina e o bairro Parque Bristol. Um pouco mais adiante, localiza-se o bairro Jardim Celeste. AlÈm da favela Santa Cristina, os conjuntos habitacionais s„o cercados por um empreendimento habitacional de classe mÈdia. As ruas do conjunto ainda s„o de terra. H· um cÛrrego n„o cana- lizado entre o conjunto e a favela onde h· um grande contingente populacional vivendo em ·rea de risco.

HistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛrico dadadadada ocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„o

Na dÈcada de 70, Padre Jo„o J˙lio, juntamente com Irm„

Fernanda, realizavam trabalhos de parceria e orientaÁ„o da comu- nidade na Igreja de Santa Cristina e dentro da prÛpria favela. Nesta Època, os movimentos organizados estavam comeÁando a se formar e se mobilizar e o padre os auxiliava na organizaÁ„o de reuniıes junto ao poder p˙blico e com trabalhos de formaÁ„o de lideranÁas. Foi neste momento que nasceu o movimento ìPanela Vaziaî.

O movimento cresceu e a favela foi adensada com a chegada

de famÌlias de outras regiıes da cidade e do paÌs. Dava-se inÌcio ao

movimento de luta por moradia e a populaÁ„o organizada come- Áou a pressionar o poder p˙blico para dar inÌcio a um projeto de construÁ„o de moradias.

O plano inicial era de urbanizaÁ„o da favela Santa Cristina.

Como o n˙mero de famÌlias era muito grande e a regi„o atÈ en- t„o ocupada era prec·ria, o padre Jo„o Julionegociou junto a Prefeitura Municipal de S„o Paulo (gest„o J‚nio Quadros) a com-

pra da fazenda no terreno prÛximo ‡ favela. A idÈia era construir casas populares.

A construÁ„o das unidades do conjunto habitacional Celeste se

deu em regime de mutir„o na gest„o Luiza Erundina. A construÁ„o das unidades se deu em trÍs etapas. No primeiro momento, foi ini- ciado o conjunto Celeste I. Durante a gest„o Maluf, houve a inter- rupÁ„o do repasse de verbas para as obras. A populaÁ„o se organi- zou para construir com recursos prÛprios. Na gest„o de Celso Pitta, mesmo com poucos recursos, se iniciou a construÁ„o de um se- gundo conjunto de casas, o conjunto Celeste II, que, hoje, est· sen- do entregue para a fase de acabamento individual de cada mora- dor. Hoje, o terceiro bloco de moradias est· em fase de finalizaÁ„o, o conjunto S„o SavÈrio. Quando as obras foram paralisadas, no final da gest„o Maluf, a AssociaÁ„o dos Movimentos de Moradia da Regi„o Sudeste, res- pons·vel pelo projeto junto ‡ Secretaria Municipal de HabitaÁ„o,

filiou-se ao FÛrum dos Mutirıes para lutar pela continuidade das obras. Apenas na gest„o do Prefeito Celso Pitta (1997-2000), depois de muitas manifestaÁıes, dentre elas invasıes da Cohab, os mora- dores conseguiram a liberaÁ„o de escassas verbas para os muti- rıes. Nesta Època, foi iniciada a construÁ„o do conjunto Celeste II. Com o inÌcio da gest„o da Prefeita Marta Suplicy (2001-2004), os programas de mutir„o foram retomados.

O inÌcio da organizaÁ„o do Movimento de Moradia da Regi„o

Sudeste se deu no final dos anos 70, com a criaÁ„o da Pastoral de Favelas na Regi„o do Ipiranga, sob a orientaÁ„o do bispo do Ipiranga, Dom Celso. A partir dos trabalhos da comunidade eclesial na luta pela melhoria das favelas, os moradores se organizam em Comissıes de Moradores em cada favela. Posteriormente, se uni- ram na eleiÁ„o do Conselho Regional de Favelas do Ipiranga. Esta primeira fase da organizaÁ„o dos moradores das favelas foi marcada pela intensificaÁ„o das relaÁıes com as parÛquias da regi„o. O resultado foi o surgimento dos agentes pastorais.

Em 1980, ocorreu a primeira ocupaÁ„o de terra na regi„o, da qual surgiu a favela Campo de Luta ñ onde os moradores continuam atÈ hoje. Este È o perÌodo tambÈm do surgimento de dois importantes movimen- tos de moradores de favela na cidade de S„o Paulo: o Movimento de Defesa dos Favelados (MDF) e o Movimento Unificado de Favelas (MUF), dos quais faziam parte os moradores das favelas da Regi„o Sudeste. Alguns anos mais tarde, a Pastoral de Favelas torna-se Pastoral da Moradia, impulsionando a articulaÁ„o dos moradores de corti- Áos, de favelas e de aluguel na eleiÁ„o da CoordenaÁ„o dos Movi- mentos de Moradia da Regi„o Sudeste. No mesmo sentido, os mo- radores da favela de HeliÛpolis iniciavam a discuss„o que culmi- naria na fundaÁ„o da Unas - Uni„o de N˙cleos, AssociaÁıes e So- ciedades de HeliÛpolis e S„o Jo„o ClÌmaco. Em 1989, a CoordenaÁ„o tem sua primeira importante vitÛria. A luta dos moradores consegue articular um projeto habitacional para a regi„o, atendendo 1.200 famÌlias com 500 unidades habita- cionais construÌdas em regime de mutir„o ñ o Conjunto Celeste.

HIST”RICOHIST”RICOHIST”RICOHIST”RICOHIST”RICO DODODODODO F”RUMF”RUMF”RUMF”RUMF”RUM DEDEDEDEDE MUTIR’ESMUTIR’ESMUTIR’ESMUTIR’ESMUTIR’ES

O FÛrum de Mutirıes foi criado no final de 1992 pelas 84 AssociaÁıes de ConstruÁ„o Comunit·ria por Mutir„o de Autogest„o que assinaram con- vÍnios de financiamento para construÁ„o de moradias populares durante a gest„o da Prefeita Luiza Erundina (1989-1992). A iniciativa de criaÁ„o do FÛrum foi uma precauÁ„o dos representantes das associaÁıes, apoios e as- sessorias tÈcnicas com o novo governo que viria. As obras foram de fato interrompidas pelo Prefeito Paulo Maluf (1993-1996) sob a alegaÁ„o de que havia irregularidades no repasse de verbas e na utilizaÁ„o de materiais pelas associaÁıes. Nos ˙ltimos anos, o FÛrum se fortaleceu com o envolvi- mento de outras associaÁıes de mutir„o e passou a ser reconhecido como um movimento popular. Hoje, ele tem papel de interlocuÁ„o entre o poder p˙blico e os mutirantes, com reuniıes mensais periÛdicas.

VisitaVisitaVisitaVisitaVisita dedededede campocampocampocampocampo

Fomos recebidos pela simp·tica amiga, j· co- nhecida do Instituto PÛlis, Bete, que com um sorriso hilariante se comprometeu em nos levar e detalhar a visita que farÌamos. J· no inÌcio da visita percebe-se que o trabalho da pastoral È visÌvel pois, ali, se avista a Igreja Santa Cristina. Junto a ela, h· um espaÁo da AssociaÁ„o dos Moradores para a realizaÁ„o de projetos para a comunidade como a distribuiÁ„o de leite (inclusive para a favela Santa Cristina). H· tambÈm um espaÁo dedicado para ativi- dades. Este espaÁo È excelente, com boa ventilaÁ„o e iluminaÁ„o. As mulheres desenvolvem atividades fÌsicas, danÁa, gin·stica e h· tambÈm um trabalho com a terceira idade. Visitamos a creche, ali tambÈm localizada, que mantÈm con- vÍnio com a prefeitura. O espaÁo È pequeno, atende 66 crian- Áas, de 2 a 4 anos e 11 meses. A demanda na fila de espera È por 200 vagas. As crianÁas s„o bem atendidas, mas h· deficiÍncia dos equipamentos ali instalados; faltam estantes, arm·rios, apa- relho de som, vÌdeo e li- vros. Segundo entrevis- ta com uma das funci- on·rias, a prefeitura havia se comprometido a levar uma mesa e um aparelho novo de tele- vis„o, mas, atÈ agora, n„o cumpriu com o prometido.

se comprometido a levar uma mesa e um aparelho novo de tele- vis„o, mas, atÈ agora,
se comprometido a levar uma mesa e um aparelho novo de tele- vis„o, mas, atÈ agora,

AtÈ o ano de 2002, a creche atendia 25 crianÁas e os funcion·- rios trabalhavam voluntariamente. Em seguida, foram feitas re- formas e um convÍnio entre a AssociaÁ„o e a SAS foi assinado. Os recursos do convÍnio s„o insuficientes para a creche. De acordo com a funcion·ria da creche, a merenda tambÈm n„o È suficiente para o n˙mero de crianÁas atendidas. Ao lado desta creche, existe uma quadra que os jovens utilizam para esporte, com revezamento de times entre eles. Essa quadra tambÈm È utilizada para o trabalho com as crian- Áas da creche. SaÌmos para conhe- cer as obras feitas em regime de mutir„o. As unidades s„o sobrados com 72 metros quadra- dos. S„o bem distribuÌ- dos, com arquitetura bem elaborada e foram entregues recentemente, na gest„o atual. As casas foram entre- gues aos moradores mesmo sem toda a infra-estrutura de ·gua e luz instalada e sem os acabamentos internos.

No entorno deste conjunto, moram mais de 500 famÌlias na fave- la Santa Cristina. Esta populaÁ„o utiliza a cre- che e freq¸enta a cape- la. Ela est· cadastrada no Leve Leite, programa do governo do Estado. Continuando nosso percurso, fomos para o

a cape- la. Ela est· cadastrada no Leve Leite, programa do governo do Estado. Continuando nosso
a cape- la. Ela est· cadastrada no Leve Leite, programa do governo do Estado. Continuando nosso

primeiro projeto, o Celeste I. Este j· foi concluÌdo por iniciativa prÛpria dos moradores, em um total de 112 famÌlias. A construÁ„o

e a compra do material foi feita pelos prÛprios moradores. Neste

conjunto, observamos algumas construÁıes irregulares como o ìfa- mosoî puxadinho, utilizado para v·rias finalidades, e algumas ga- ragens. As ruas s„o isoladas umas das outras por meio de grades, configurando-se como condomÌnios fechados, devido a seguran- Áa. Conversamos, neste local, com um dos trÍs jovens que moram ali e estudam medicina em Cuba atravÈs de um projeto destinado

a jovens da periferia da cidade de S„o Paulo. Depois, fomos conhecer os conjuntos de prÈdios localizados ao lado do Celeste I. S„o dois tipos diferentes de prÈdios. Em um dos blocos, h· jardim nos prÈdios. Estes contam com escadas. No mes- mo bloco, h· diferentes formas de organizaÁ„o do jardim. Nota- mos que estes s„o bem cuidados e entrevistamos o sÌndico de um dos prÈdios que È tambÈm seu jardineiro. PrÛximo aos prÈdios, visitamos um outro conjunto de casas construÌdas com recursos prÛprios dos moradores. … uma vila fe- chada e, ali, as casas n„o foram construÌdas atravÈs de programas de governo. O espaÁo È bom; as casas tÍm aproximadamente 63 metros quadrados. Percebe-se no conjunto a criatividade da ini- ciativa privada. Na frente das casas, existe um alojamento onde vivem, em con- diÁıes muito prec·rias, famÌlias vindas de uma remoÁ„o. Neste ìaglomerado humanoî as pessoas vivem sem ventilaÁ„o, sem ilu- minaÁ„o e sem ·rea de serviÁo. Os moradores est„o esperando al- guma soluÁ„o, j· que tiveram promessas por parte do poder p˙bli- co. No entanto, nada se cumpriu atÈ agora. Eles se sentem aban- donados. Os demais equipamentos sociais visitados n„o se localizam den- tro do conjunto, mas tambÈm s„o usados pelos moradores. Visita- mos um EGJ e uma outra creche, ambos localizados no bairro do Jardim S„o SavÈrio.

A creche municipal atende 160 crianÁas, todas as salas tÍm ba- nheiros e pequenos jardins individuais. Visitamos um EGJ vizinho ‡ creche, com convÍnio com a CAIC” (Centro de Iniciativas Comu- nit·rias). Ele atende jovens do entorno com atividades de artesa- nato, pintura, grafite, danÁa, teatro, curso de instrumentos musi- cais, educaÁ„o sexual, prevenÁ„o da natalidade, prevenÁ„o de do- enÁas sexualmente transmissÌveis (DST) e curso de cidadania. As atividades ocorrem em perÌodo integral, dividindo-se em trÍs tur- mas: manh„, tarde e noite. As avaliaÁıes s„o feitas pelos prÛprios jovens que alegam que, no EGJ, resgatam a prÛpria auto-estima e se preparam para a luta di·ria.

3.3.3.3.3. VisitaVisitaVisitaVisitaVisita aoaoaoaoao conjuntoconjuntoconjuntoconjuntoconjunto dadadadada CDHUCDHUCDHUCDHUCDHU JardimJardimJardimJardimJardim LeÙnidasLeÙnidasLeÙnidasLeÙnidasLeÙnidas MoreiraMoreiraMoreiraMoreiraMoreira

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O conjunto da CDHU visitado localiza-se no bairro do Campo

Limpo, zona sul da cidade, na subprefeitura do Cap„o Redondo. Ele È composto por 29 blocos que comportam 580 famÌlias, em um total de cerca de 4 mil pessoas. Os prÈdios foram construÌdos em uma espÈcie de pequeno vale. O conjunto È cercado por morros que foram ocupados por fave- las. No entorno, h· uma outra construÁ„o de moradias que, nes- te caso, È composta por prÈdios privados, erguidos pela constru- tora Tenda. H· tambÈm um conjunto construÌdo pela Caixa Eco- nÙmica Federal que um grupo de pessoas organizadas ocupou. H· uma negociaÁ„o em curso com o banco a fim de regularizar a situaÁ„o. O acesso ao trans- porte p˙blico È razo·- vel. A poucas quadras de dist‚ncia da entra- da do conjunto, h· uma avenida na qual passam Ùnibus que li- gam o bairro ao centro de S„o Paulo.

Ùnibus que li- gam o bairro ao centro de S„o Paulo. HistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛrico

HistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛricoHistÛrico dadadadada ocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„oocupaÁ„o

O conjunto Jardim LeÙnidas Moreira foi ocupado no inÌcio de

1997 por famÌlias de v·rias localidades da cidade logo que a empreiteira paralisou as obras. A obra de construÁ„o do conjunto

se deu entre os anos 1996-1998, durante as gestıes dos Prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta.

A entrada das pessoas foi individual; foi uma ocupaÁ„o espont‚-

nea. Nas duas primeiras tentativas, houve muita violÍncia e a ocupa-

Á„o n„o se sustentou. De acordo com informaÁıes obtidas durante a visita, soubemos que o tr·fico de drogas era muito forte na regi„o.

A terceira ocupaÁ„o foi mais organizada, segundo constatamos

atravÈs de uma entrevista realizada no conjunto. A partir daÌ, al-

guns moradores comeÁaram a se organizar. A Companhia de Desen- volvimento Habitacional e Urbano do Estado de S„o Paulo foi pro- curada por algumas lideranÁas com a intenÁ„o de negociar a per- manÍncia das pessoas nos prÈdios ocupados, no entanto, a empresa colocou empecilhos, alegando que o conjunto era destinado a uma outra demanda. Houve v·rias tentativas de reintegraÁ„o de posse por parte do governo, mas o impasse permanece atÈ hoje. No ano de 2000, seguindo conselhos de polÌticos que visitaram

o conjunto LeÙnidas Moreira, seus moradores fundaram uma as- sociaÁ„o. A intenÁ„o era facilitar as negociaÁıes com o poder p˙- blico. Tendo em vista o grande n˙mero de eleitores em potencial, alguns polÌticos passaram a atuar na ·rea a fim de se beneficiar destes votos. A manutenÁ„o da populaÁ„o em uma situaÁ„o de vul- nerabilidade contribui para a reproduÁ„o de pr·ticas clientelistas na ·rea. Os moradores se uniram para fundar a AssociaÁ„o de Morado- res Jardim LeÙnidas Moreira que, atualmente, est· se filiando ‡ FederaÁ„o dos Anjos do Brasil.

A situaÁ„o atual do conjunto È bastante prec·ria. A ·gua e a luz s„o

clandestinas e apenas as ligaÁıes telefÙnicas foram regularizadas.

Ainda no ano de 2000, houve um assassinato no conjunto. AtÈ aquele momento, segundo entrevista, o Distrito Policial da regi„o se omitia diante dos fatos. A partir deste crime, houve a interfe- rÍncia do Denarc (Departamento de NarcÛticos da PolÌcia Civil) e, depois de muitas prisıes, o problema do tr·fico foi amenizado. Em

funÁ„o destes acontecimentos, muitas famÌlias abandonaram o local. Mesmo assim, outras chegavam.

VisitaVisitaVisitaVisitaVisita dedededede campocampocampocampocampo

Quando chegamos ao conjunto, nossa primeira impress„o foi de que se tratava de um projeto do Cingapura, dada a semelhanÁa com a estrutura dos prÈdios. Mais tarde, soubemos que era um projeto da CDHU. Fomos apresentados a um morador que nos le- vou para conhecer a ·rea. Ele nos relatou as dificuldades das pes- soas em arrumar empregos e abrir credi·rios no comÈrcio em funÁ„o da falta de regularizaÁ„o da moradia. Na situaÁ„o em que est„o, as pessoas n„o tÍm como comprovar o endereÁo e a conta telefÙnica acaba sendo o ˙nico comprovante de residÍncia; daÌ o ema- ranhado de fios de telefone que vimos acumulado no poste da entrada. Durante a nossa visita, observamos que n„o h· creches nem escolas prÛxi- mas ao conjunto. As crianÁas tÍm que andarpercorrer um longo caminho atÈ estes equipamentos. Quando o conjunto foi ocupado pe- las famÌlias, a obra ainda n„o tinha sido concluÌda. Observamos que os prÈdios permanecem inacabados, visto que a ocupaÁ„o ainda n„o foi regularizada. Em alguns deles, os prÛprios moradores se uniram para terminar algumas instalaÁıes, como pi- sos, janelas, vasos sanit·rios e pias. Houve a iniciativa de montar um quadro de luz para atender todos os moradores do conjunto. Eles entraram com um processo junto ‡ Eletropaulo para requisitar a ligaÁ„o. No entanto, a em-

do conjunto. Eles entraram com um processo junto ‡ Eletropaulo para requisitar a ligaÁ„o. No entanto,

presa se recusou a fazÍ-lo, alegando a irregularidade da habita- Á„o. Observamos, portanto, que os moradores tÍm se utilizado de ligaÁıes clandestinas, inclusive as de ·gua, para permitir o acesso a tais serviÁos. … visÌvel a melhoria em alguns blocos, dentre elas, a colocaÁ„o de interfones e tela protetora para evitar a passagem entre os blo- cos, como medida de seguranÁa. Visitamos um apartamento de um dos blocos. Ele mede 46 metros quadrados, È bem confort·vel e com boa ventilaÁ„o. Segundo entrevista realizada com um morador, a compreens„o dos habitantes do conjunto em relaÁ„o ‡ manutenÁ„o e melhoria dos prÈdios ainda È limitada. AtÈ o momento, n„o h· regulariza- Á„o da situaÁ„o em que se encontram e, a qualquer momento, uma liminar de despejo pode ser concedida. Desta forma, muitos dos moradores n„o se articulam em torno de eventuais melhorias. No entorno do conjunto, h· uma ocupaÁ„o irregular, com 480 famÌlias em ·rea de risco sujeita a desmoronamento. O esgoto per- manece a cÈu aberto e h· risco de incÍndio permanente ñ apÛs a visita, houve um incÍndio que destruiu quatro barracos, deixando as famÌlias sem moradia. Mais adiante, h· um espaÁo no qual, de acordo com o projeto do conjun- to, seria construÌda uma escola. Este lo- cal tambÈm foi ocupado. Em Època de eleiÁ„o, o conjunto È visi- tado por v·rios polÌticos que fazem pro- messas de melhoria. No entanto, nada È feito. N„o h· nenhum trabalho assistenci- al desenvolvido no local. Segundo a entre- vista, os benefÌcios sociais do governo n„o chegam a estes moradores por causa da falta de regularizaÁ„o. No entanto, apÛs nossa visita, pudemos constatar que, de

a estes moradores por causa da falta de regularizaÁ„o. No entanto, apÛs nossa visita, pudemos constatar

fato, o que falta È a organizaÁ„o dos prÛprios moradores para rei- vindicar seus direitos junto ao poder p˙blico. Em outras regiıes vi- sitadas, como no caso da favela de HeliÛpolis, o local tambÈm È irre- gular e h· in˙meros projetos sociais sendo desenvolvidos em parce- ria com a prefeitura e com o governo do Estado. Na regi„o do Campo Limpo, h· o Programa Sa˙de da FamÌlia, embora o atendimento de sa˙de no local seja prec·rio. O Hospital destinado ao atendimento destas pessoas est· distante do con- junto LeÙnidas Moreira. A necessidade de especialistas È dirigida ao Hospital das ClÌnicas ou ‡ Santa Casa da MisericÛrdia, que aten- dem ‡ demanda de todo o paÌs e, inclusive, de outros paÌses da AmÈrica Latina.

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De acordo com o do Estatuto da CrianÁa e do Adolescente, È di- reito da populaÁ„o infanto-juvenil o acesso ‡ educaÁ„o, ‡ cultura, ao esporte e ao lazer e dever do Estado assegurar ensino fundamen- tal, ensino gratuito e atendimento educacional especializado. De acordo com o artigo 53 do ECA, a crianÁa e o adolescente tÍm direi- to a educaÁ„o, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercÌcio da cidadania e qualificaÁ„o para o traba- lho, assegurando-lhes:

I - igualdade de condiÁıes para o acesso e permanÍncia na escola, II - direito de ser respeitado por seus educadores,

III - direito de contestar critÈrios avaliativos, podendo recorrer ‡s

inst‚ncias escolares superiores,

IV - direito de organizaÁ„o e participaÁ„o em entidades estudantis, e

V - acesso ‡ escola p˙blica e gratuita prÛxima de sua residÍncia. Par·grafo ˙nico. … direito dos pais ou respons·veis ter ciÍncia do processo pedagÛgico, bem como participar da definiÁ„o das propos- tas educacionais

E, de acordo com o artigo 54, È direito das crianÁas e dos adolescentes:

III

- o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiÍncia, preferencialmente na rede regular de ensino,

IV

ñ o atendimento em creche e prÈ-escola ‡s crianÁas de zero a seis anos de idade,

VI

ñ e a oferta de ensino noturno regular adequado as condiÁıes do adolescente trabalhador.

 

Dando continuidade ‡ nossa visita, fomos ‡ Escola Municipal

de Ensino Fundamental (EMEF) Levy de Azevedo SodrÈ. Fomos re- cebidos por uma funcion·ria que nos passou algumas informaÁıes.

escola tem 1.800 alunos, divididos em 15 salas, sendo que 3 s„o ìsalas de latinhaî.

A

 

ESCOLASESCOLASESCOLASESCOLASESCOLAS DEDEDEDEDE LATINHALATINHALATINHALATINHALATINHA

As

escolas de latinha surgiram durante a gest„o do Prefeito Paulo

Maluf. A demanda pela construÁ„o de escolas era grande e, para dar resposta, a Prefeitura usou contÍineres como espaÁo provisÛrio para as aulas. Este mÈtodo foi usado em diversos lugares. AtÈ hoje, estas escolas s„o usadas tanto para aulas como para outras atividades, per- manecendo o desafio de substituÌ-las.

Nesta escola, a merenda È terceirizada. Apesar da precariedade da instalaÁ„o, h· um amplo espaÁo fÌsico, com um bom refeitÛrio, teatro e duas quadras para o lazer dos alunos. A demanda por va-

gas È muito grande e a escola n„o consegue atender a todos. A funcion·ria entrevistada acredita que a situaÁ„o ir· melhorar com

a inauguraÁ„o do CEU Cap„o Redondo. H· a doaÁ„o volunt·ria de

uma quantia em dinheiro para a AssociaÁ„o de Pais e Mestres (APM)

que È destinada a aÁıes em benefÌcio da comunidade.

As relaÁıes da escola com a comunidade s„o boas. Houve um incÍndio nos arquivos da

As relaÁıes da escola com a comunidade s„o boas. Houve um incÍndio nos arquivos da escola que, acredita-se, ter sido crimi- noso. Depois deste episÛdio e da abertura da escola para a co- munidade, graÁas ao Programa Municipal Escola Aberta, a popu- laÁ„o passou a ter uma maior preocupaÁ„o com a conservaÁ„o do equipamento. Atualmente, alguns rapazes da comunidade fi- cam com as chaves da escola a fim de se utilizar do espaÁo para pr·ticas de lazer durante os fins de semana. Uma outra atividade de que os moradores participaram na ·rea da escola foi o ìRe- creio nas FÈriasî.

RECREIORECREIORECREIORECREIORECREIO NASNASNASNASNAS F…RIASF…RIASF…RIASF…RIASF…RIAS

O projeto Recreio nas FÈrias È uma iniciativa da Prefeitura de S„o Paulo em parceria com o Sesc/S„o Paulo. O objetivo deste proje- to È oferecer ‡s crianÁas e jovens uma oportunidade de acesso a equipamentos de lazer e cultura como forma de ampliaÁ„o dos co- nhecimentos por meio de atividades recreativas, esportivas e cultu- rais. O projeto acontece nos perÌodos de fÈrias, independentemente das crianÁas e jovens estarem matriculados na rede de ensino. Ele È realizado atravÈs das Secretarias de EducaÁ„o, de Esporte e Lazer, de Cultura e de Abastecimento.

Visitamos, tambÈm, a Escola Municipal de EducaÁ„o Infantil (EMEIS) Luis da C‚mara Cascudo. S„o 420 crianÁas com mais 400 na fila de espera. Observamos a existÍncia de uma boa ·rea de lazer para as crianÁas. As salas tÍm boa ventilaÁ„o e a ·rea de lazer È excelente para recreaÁ„o e educaÁ„o. Na nossa opini„o, de todas as EMEIS visitadas nesta pesquisa, esta È a melhor estruturada. Visitamos, tambÈm, o Centro de EducaÁ„o Infantil (CEI) Paulo e Admar. L·, observamos que o trabalho È realizado com duas faixas de atendimento ñ de 0 ‡ 4 anos e 11 meses e de 5 ‡ 6 anos e 11 meses. O Centro atende 274 crianÁas em 15 classes; 6 em perÌodo de 6 horas e o restante em perÌodo integral. Hoje, a lista de espera est· em torno de 1.800 crianÁas. Na gest„o atual, a relaÁ„o dos Centros de EducaÁ„o Infantil com a prefeitura passou a ser feita com a Secretaria Muni- cipal de EducaÁ„o. Ante- riormente, esta relaÁ„o se dava pela Secretaria Municipal de AssistÍncia Social. … visÌvel a diferenÁa entre as creches conve- niadas e a creche da pre- feitura. Nesta o atendi- mento È feito por funci- on·rios concursados. Observa-se tambÈm que n„o se fala em convocar a populaÁ„o para arrecadar recursos para garantir o funcionamento adequado das creches. Questionamos por que isto acontece em outros lugares, j· que È uma obrigaÁ„o do Estado garantir o direito de todas as crianÁas a educaÁ„o.

em outros lugares, j· que È uma obrigaÁ„o do Estado garantir o direito de todas as

ConsideraÁıesConsideraÁıesConsideraÁıesConsideraÁıesConsideraÁıes FinaisFinaisFinaisFinaisFinais

A observaÁ„o do que vimos È chocante. Ter que opinar sobre a

misÈria humana das pessoas nos entristece. Mas queremos ser marrudos sem nos omitir dos fatos.

LanÁar um olhar crÌtico sobre o descaso È necess·rio e preciso. Pessoas abandonadas ‡ mercÍ da caridade n„o È justo, como tam- bÈm n„o È justo que polÌticos busquem socorro nestes locais para sua ascens„o em cargos p˙blicos.

A crÌtica ‡ violÍncia È um refr„o entoado em coro pelos gover-

nantes, j· que todos sabem que a inf‚ncia desassistida gera vio- lÍncia. Por que, ent„o, n„o pensar em rever as planilhas de recursos para as creches que sobrevivem a duras penas? Que tal pensar num

assentamento mais humano, onde jovens possam dirigir sua aten- Á„o para a pratica de esportes, para o lazer, exercitando sua cria- tividade e assumindo um novo rumo para este paÌs promissor? Cada vez mais, a sociedade civil est· assumindo deveres do Es- tado que se torna mais ausente. Quest„o perceptÌvel atravÈs do grande n˙mero de ONGs que desenvolvem trabalhos na periferia de S„o Paulo. O papel das associaÁıes e da sociedade civil È cobrar as polÌticas sociais do Estado e n„o substituÌ-lo. Com as privatizaÁıes de equipamentos e empresas de infra-estrutura e atendimento social, o povo paga a conta e n„o tem a quem recor- rer. Por exemplo, em relaÁ„o ‡ distribuiÁ„o de energia, n„o h· mais taxa mÌnima para favelas; a soluÁ„o È consumir menos, ou, no caso dos planos de sa˙de, em que empresas privadas substituem os de- veres do Estado em investir no setor. Em todas as visitas, percebe-se a mesma situaÁ„o: os convÍni- os da prefeitura e do governo do Estado criam nuances que difi- cultam o bom funcionamento das creches.

A polÌtica habitacional tem que ser pensada levando em conta

questıes mais humanas, como a quest„o da renda. … importante,

por exemplo, pensar na faixa da populaÁ„o que ganha entre 1 e 3 sal·rios mÌnimos. Moradia È um direito de todos. As dificuldades decorrentes da escassez de ·reas de lazer em ·reas muito adensadas s„o esquecidas e os governos se preocu- pam apenas com construÁ„o de casas. Nestas trÍs visitas, observamos ·reas muito adensadas. Em HeliÛpolis, em funÁ„o da ocupaÁ„o inicial ter sido feita de forma desordenada, n„o houve a preocupaÁ„o com a destinaÁ„o de es- paÁos para o lazer. Os novos projetos de legalizaÁ„o e urbanizaÁ„o da regi„o prevÍem estes espaÁos. Para isso, no entanto, ser· ne-

cess·ria a remoÁ„o de cerca de 3.000 famÌlias. No caso do conjunto Celeste, por ter um projeto de implanta- Á„o inicial, foram reservadas ·reas de lazer. Observamos que estas se mantiveram. Mas em funÁ„o da grande demanda no entorno, ocupado por favelas, os locais de lazer e os equipamentos conti- dos neles n„o s„o suficientes.

A realidade do conjunto LeÙnidas Moreira È bem diferente. N„o

observamos nenhum espaÁo destinado ao lazer. As poucas ·reas livres observadas n„o tÍm nenhum tipo de manutenÁ„o ou cuida- do que as torne utiliz·veis. Em geral, nestes conjuntos, as ·reas livres s„o ·reas imprÛprias para construÁ„o e, mesmo assim, est„o sendo ocupadas por favelas.

A populaÁ„o tem se unido em busca de soluÁıes para muitos pro-

blemas, encontrando entraves que dificultam o trabalho comunit·- rio. Enquanto o povo resolve as pendÍncias, o poder p˙blico se omite.

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EndereÁosEndereÁosEndereÁosEndereÁosEndereÁos dasdasdasdasdas AssociaÁıesAssociaÁıesAssociaÁıesAssociaÁıesAssociaÁıes

UNASUNASUNASUNASUNAS ñ Uni„o de N˙cleos, AssociaÁıes e Sociedade de HeliÛpolis e S„o Jo„o ClÌmaco - Rua da Mina, 38 ñ Ipiranga Tel: 272-0140 ou 272-9968

AssociaÁ„oAssociaÁ„oAssociaÁ„oAssociaÁ„oAssociaÁ„o dedededede HeliÛpolisHeliÛpolisHeliÛpolisHeliÛpolisHeliÛpolis Rua Coronel Silva Castro, 58 ñ Ipiranga Tel: 6161 8213

AssociaÁ„oAssociaÁ„oAssociaÁ„oAssociaÁ„oAssociaÁ„o dosdosdosdosdos MovimentosMovimentosMovimentosMovimentosMovimentos dedededede MoradiaMoradiaMoradiaMoradiaMoradia dadadadada Regi„oRegi„oRegi„oRegi„oRegi„o SudesteSudesteSudesteSudesteSudeste Rua Memorial de Aires, 480 ñ Jardim S„o SavÈrio Tel: 6331-6588 AssociaÁ„o dos Moradores do Jardim LeÙnidas Moreira Rua AtucupÍ, casa s/n. ñ Campo Limpo Tel: 5843 7954

MaterialMaterialMaterialMaterialMaterial consultadoconsultadoconsultadoconsultadoconsultado

1. Jornal FÛrum de Mutirıes, abril de 2002.

2. Material fornecido pela AssociaÁ„o dos Movimentos de Moradia da Regi„o Sudeste

3. Material fornecido pela Unas

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