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Lista 1 de Microeconomia I

Professor: Carlos E.L. da Costa Monitor: Vitor Farinha

Algumas Preliminares Matem·ticas

Nas prÛximas p·ginas apresentam-se alguns conceitos matem·ticos e teoremas que ser„o ˙teis ao curso de Micro I. Como o objetivo aqui È apresentar rapidamente alguns instrumentos que ser„o estudados mais profundamente nos cursos de An·lise, omitem-se as principais provas. Algumas boas referÍncias sobre os assuntos aqui abordados s„o:

1. MWG, ApÍndice Matem·tico.

2. Lima, Elon. An·lise Real, vols. 1 e 2.

3. Simon e Blume. Matem·tica para economistas.

4. http://mathworld.wolfram.com/

5. Sundaram, Rangarajan. A First Course in Optimization Theory.

6. Cysne e Moreira. Matem·tica para economistas.

Norma Euclidiana

Tipicamente estaremos trabalhando no espaÁo euclidiano R n , munido da norma euclidiana usual

DeÖniÁ„o 1 Seja x = (x 1 ; :::; x n ) R n , a norma euclidiana È a funÁ„o k:k : R n ! R dada por

kxk =

n

X

i =1

x

2

i

! 1 = 2

Que deÖne tambÈm a noÁ„o de dist‚ncia (mÈtrica) usual desse espaÁo, sendo a dist‚ncia entre os pontos x e y dada por d (x; y ) = kx y k. Que atende a conhecida "desigualdade triangular" (essa desigualdade È, na verdade, parte da prÛpria deÖniÁ„o de norma),

k x y k + ky z k k x z k :

Bolas Abertas, Conjuntos Abertos e Conjuntos Fechados

DeÖniÁ„o 2 Uma bola aberta com centro no ponto x e raio r È dada por

B (x; r ) = fy 2 R n jd (x; y ) < r g:

Ou seja, B(x,r) È o conjunto de todos os pontos do R n que distam de x em estritamente menos que r. Se substituÌmos a desiguldade estrita(<) pela desigualdade fraca( );ent„o temos a bola fechada B (x,r)

DeÖniÁ„o 3 O conjunto S no R n È dito aberto se, para todo ponto x 2 S; existe r tal que B (x; r ) S: Intuitivamente, todo o ponto de um conjunto aberto est· em seu interior, sendo possÌvel deslocar-se pequenas dist‚ncias em qualquer direÁ„o sem que deixemos o conjunto S.

DeÖniÁ„o 4 O conjunto S no R n È dito fechado se seu complementar È aberto. O teorema abaixo torna possÌvel uma deÖniÁ„o alternativa, possivelmente mais clara, usando a noÁ„o de seq¸Íncias convergentes.

Teorema 1 Um conjunto S R n È fechado se, e somente se, para toda seq¸Íncia {x k g tal que x k 2 S para todo k e x k ! x, tem se que x 2 S:

Ou seja, o limite de qualquer seq¸Íncia convergente formada por pontos em S tambÈm È um ponto de S.

1

Conjuntos limitados e conjuntos compactos

DeÖniÁ„o 5 Um conjunto S R n È dito limitado se existe r>0 tal que S B (0; r ):

DeÖniÁ„o 6 Um conjunto S R n È dito compacto se È limitado e fechado.

CombinaÁıes Convexas e Conjuntos Convexos

Dada qualquer coleÁ„o Önita de pontos x 1 ; x 2 ; :::; x m 2 R n ; um ponto z 2 R n È dito uma combinaÁ„o convexa

dos pontos (x 1 ; :::; x m ) se existe 2 R m satisfazendo (i) i 0; i = 1 ; 2; :::; m e (ii) P m =1 i = 1 ; tal que

z= P m

i

i

=1 i x i :

DeÖniÁ„o 7 Um conjunto S R n È dito convexo se qualquer combinaÁ„o convexa de quaisquer dois pontos de S tambÈm est· em S. Ou seja, se qualquer linha reta que liga dois pontos de S estiver completamente contida nele.

Continuidade

DeÖniÁ„o 8 Tome f : S ! T; em que S R n e T R l :Ent„o, f È dita contÌnua em x2 R n se para todo " > 0; existe > 0 tal que ao tomar-se y 2 S com d (x; y ) < , valer· d (f (x); f (y )) < ": Em termos de seq¸Íncias, f : S ! T È contÌnua em x se para todas as seq¸Íncias f x k g com x k 2 S para todo k e lim k !1 x k = x tem-se lim k !1 f (x k ) = f (x):

Intuitivamente, f È contÌnua em x se, ao nos aproximarmos deste ponto, obtivermos aproximaÁıes suces- sivamente melhores para o valor de f(x). Uma funÁ„o È dita contÌnua se È contÌnua em todos os pontos de seu domÌnio.

Teorema 2 (Weierstrass) Tome D R n compacto e f : D ! R uma funÁ„o contÌnua em D. Ent„o f atinge um m·ximo e um mÌnimo em D, i.e., exitem pontos z 1 ; z 2 2 D; tais que

f (z 1 ) f (x) f (z 2 )

8x 2 D

Convexidade e Quase-Convexidade

DeÖniÁ„o 9 Seja X R n um conjunto convexo. Uma funÁ„o f : X ! R È convexa se para todo 2 [0; 1] e x,y 2 X tivermos

f ( x + (1 )y ) f (x) + (1 )f (y ):

Analogamente, È dita estritemente convexa se o sinal da desigualdade for estrito (< ao invÈs de ).

DeÖniÁ„o 10 Seja X R n um conjunto convexo. Uma funÁ„o f:X ! R È cÙncava se -f È convexa. Ou seja,f : X ! R È cÙncava se para todo 2 [0; 1] e x,y 2 X tivermos f ( x + (1 )y ) f (x) + (1 )f (y ):Analogamente, È dita estritemente cÙncava se o sinal da desigualdade for estrito.

DeÖniÁ„o 11 Sejam D R n um conjunto convexo e f : D ! R :O conjunto de contorno superior de f em a, denotado por C + ou U f (a); È deÖnido como

a

U f (a) = fx 2 D jf (x) ag :

O conjunto de contorno inferior de f em a, por sua vez, denotado por C ou L f (a);È deÖnido como

a

L f (a) = fx 2 D jf (x) ag :

A funÁ„o f È dita quase-cÙncava se U f (a) È convexo para todo a. Analogamente, È dita quase-convexa se

L f (a) È convexo para todo a.

2

Figure 1: Curvas de nÌvel e conjuntos de contorno de uma funÁ„o quase-cÙncava, porÈm n„o

Figure 1: Curvas de nÌvel e conjuntos de contorno de uma funÁ„o quase-cÙncava, porÈm n„o cÙncava.

de uma funÁ„o quase-cÙncava, porÈm n„o cÙncava. Figure 2: Uma funÁ„o cÙncava, uma apenas quase-cÙncava

Figure 2: Uma funÁ„o cÙncava, uma apenas quase-cÙncava e uma que n„o apresenta globalmente nenhum dos comportamentos citados.

Teorema 3 A funÁ„o f:D! R È quase-cÙncava em D se, e somente se, para todo x,y 2 D e para todo

2 (0; 1); vale

f [ x + (1 )y ] minff (x); f (y )g:

A funÁ„o f È quase-convexa em D se, e somente se, para todo x,y 2 D e para todo 2 (0; 1); vale

f [ x + (1 )y ] maxf f (x); f (y )g:

Os gr·Öcos a seguir, retirados de http://are.berkeley.edu/courses/ARE211/currentYear/lecture_notes/mathGraphical3- 05.pdf, ajudam a melhor compreender os conceitos de concavidade e quase-concavidade.

Homogeneidade e Homoteticidade

DeÖniÁ„o 12 Uma funÁ„o È dita homogÍnea de grau k se: f (tx) = t k f (x) para todo t>0.

Teorema 4 Seja f:D ! R uma funÁ„o C 1 deÖnida em um cone aberto do R n : Se f È homogÍnea de grau k, suas derivadas parciais s„o homogÍneas de grau k-1.

3

Proof. Por hipÛtese temos:

f (tx) = t k f (x):

Diferenciando em relaÁ„o a x obtemos:

r f (tx)t = t k r f (x) ) r f (tx) = t k 1 r f (x) Homogeneidade de grau 1

) = t k 1 r f ( x ) Homogeneidade de grau 1 Teorema 5

Teorema 5 (FÛrmula de Euler) Suponha f(x) homogÍnea de grau k e diferenci·vel. Ent„o, para qualquer x, temos

ou, em notaÁ„o matricial,

X

n

@f (x)

@x n

:x n = kf (x)

r f (x):x = k:f (x)

Proof. De maneira semelhante ‡ prova anterior, agora diferenciamos a deÖniÁ„o, f (tx) = t k f (x) em relaÁ„o a t, obtendo

r f (tx) x = kt k 1 f (x)

Avaliando em t=1, tem-se:

r f (x) x = kf (x)

x ) Avaliando em t=1, tem-se: r f ( x ) x = kf ( x

Se uma funÁ„o f (:) homogÍnea È transformada por uma funÁ„o crescente de uma ˙nica vari·vel L(:), a resultante L(f (x)) È dita homotÈtica. Note que a famÌlia das curvas de nÌvel de L(f (:)) È a mesma que a famÌlia das curvas de nÌvel de f (:).

Matrizes Semi-DeÖnidas e DeÖnidas

DeÖniÁ„o 13 A matriz M nXn È dita negativa semi-deÖnida se z 0Mz 0 ; para todo z 2 R n :Se a de- sigualdade È estrita para todo z 6= 0 , ent„o M È negativa deÖnida(inverterndo as desigualdades, obtemos os conceitos de matriz positiva semi-deÖnida e deÖnida).

Teorema 6 A funÁ„o f : D ! R de classe C 2 È cÙncava se e somente se a hessiana de f(.) (matriz de segundas derivadas) È negativa semi-deÖnida para todo x 2 D . Se a hessiana È negativa deÖnida para todo x 2 D; ent„o a funÁ„o È estritamente cÙncava (observe que a volta n„o vale).

OtimizaÁ„o com restriÁıes de igualdade

Considere o seguinte problema:

max

x2R n

sa g k (x; ) = b k

f (x)

k=1, ,K

No estudo de problemas como este, s„o relevantes dois objetos:

1. O conjunto soluÁ„o

x ( ) = arg

sa restriÁıes f (x; )

max

que d· a(s) soluÁ„o(ıes) para cada par‚metro 2 (se o problema tem m˙ltiplas soluÁıes, ent„o x ( ) È um conjunto com diversos elementos).

2. A funÁ„o valor

V ( ) =

sa restriÁıes f (x; )

max

que d· o valor da funÁ„o para cada par‚metro 2 (V ( ) = f (y; ) para todo y2 x ( )):

4

Teorema 7 (Teorema de Lagrange) Sejam f : R n ! R e g k : R n ! R funÁıes de classe C 1 ; k = 1; :::; K: Suponha que x seja um m·ximo ou mÌnimo local de f no conjunto

D = U \ fxjg k (x) = b k ; k = 1; :::; K g

em que U R n È aberto. Suponha tambÈm que (Dg (x )) = K: Ent„o, existe um vetor = ( ; :::; K ) 2 R K tal que

1

Df (x ) +

K

X

k Dg k (x ) = 0 :

k =1

Teorema 8 (Teorema do Envelope) Considere o problema de maximizaÁ„o proposto no inÌcio desta seÁ„o e

suponha que (i) f(),g 1 (); :::; g K () s„o continuamente diferenci·veis em (x, ) e (ii)x È diferenci·vel em uma

^

vizinhanÁa A de :Ent„o,

1. V(.) È diferenci·vel em A.

2. Para i=1, ,s

^

ciado a x ( ):

^

^

^

@V ( ) = f ( x ( ) ; )

@ i

i

P K

k =1

^

^

g ( x ( ) ; )

k

i

; em que È o multiplicador de Lagrange asso-

SimpliÖcando, este teorema nos diz que n„o È necess·rio observar os efeitos indiretos da variaÁ„o dos par‚metros sobre a variaÁ„o da funÁ„o valor, podendo-se deriv·-la diretamente no Ûtimo.

ExercÌcios da Lista 1

ExercÌcio 1 Responda verdadeiro ou falso, justiÖcando:

a) Toda funÁ„o cÙncava È quase-cÙncava.

b) Toda funÁ„o quase-cÙncava È cÙncava.

c) A soma de duas funÁıes cÙncavas È cÙncava.

d) A uni„o de 2 conjuntos convexos È um conjunto convexo.

e) A interseÁ„o de 2 conjuntos convexos È um conjunto convexo.

f) Seja f : R ! R diferenci·vel e estritamente crescente ; ent„o f 0 (x) > 0 para todo x 2 R :

g) A uni„o de 2 conjuntos abertos È um conjunto aberto.

h)A interseÁ„o de 2 conjuntos abertos È um conjunto aberto. i) O conjunto A f (x; y ) : x 2 + y 2 = 1g È um conjunto convexo. j)O conjunto A f(x; y ) : x 2 + y 2 1gÈ um conjunto convexo.

ExercÌcio 2 Mostre a equivalÍncia das duas deÖniÁıes de quase-concavidade.

ExercÌcio 3 Mostre que a funÁ„o f(x,y)=min{ax,by} È quase-cÙncava se a,b >0

ExercÌcio 4 Seja f : R + n ! R uma funÁ„o cÙncava. Seja g : R ! R estritamente crescente. Mostre que h (x) = g (f (x)) È uma funÁ„o quase-cÙncava.

ExercÌcio 5 Mostre que a inclinaÁ„o das curvas de nÌvel de uma funÁ„o homotÈtica n„o muda ao longo de um raio que parte da origem.

5

ExercÌcio 6 Considere um problema deÖnido por:

V (p; y ) = maxU (x)

sa y = p x

Mostre que @V =@y = ; em que È o multiplicador de Lagrange associado ao problema de maximizaÁ„o.

ExercÌcio 7 Considere as relaÁıes de preferÍncias racional sobre X . Mostre que as relaÁıes bin·rias ~ e s„o transitivas, mas n„o s„o necessariamente completas.

ExercÌcio 8 Mostre que se uma relaÁ„o de preferÍncias satisfaz a propriedade de monotonicidade, ent„o tambÈm satisfaz a propriedade de n„o-saciedade local. Pode-se aÖrmar que n„o saciedade local implica monotonicidade estrita? JustiÖque.

ExercÌcio 9 A ordenaÁ„o lexicogr·Öca para X = R 2 + È deÖnida por: x; y 2 R + 2 ; x y se x 1 > y 1 ou se x 1 = y 1 e x 2 y 2 :

a) Mostre que a relaÁ„o bin·ria acima È uma relaÁ„o de preferÍncias racional.

b)Mostre que as preferÍncias lexicogr·Öcas s„o monÛtonas estritas.

c) Mostre que as preferÍncias lexicogr·Öcas n„o s„o contÌnuas.

d) Por que esta relaÁ„o de preferÍncias n„o È muito interessante do ponto de vista econÙmico?

ExercÌcio 10 Seja a relaÁ„o deÖnida a partir de % por ~ (x y ) , y % x. Ent„o prove que È as- simÈtrica se, e somente se, % È completa.

Obs.: È assimÈtrica se 8x; y 2 X temos que ~ (x y ) ou ~ (y x) :

ExercÌcio 11 Prove que, se % È racional e estritamente convexa, para qualquer cojunto C X convexo, o conjunto C 0 = fx 2 C jx % y; 8y 2 C g È vazio ou unit·rio.

6

Gabarito da Lista 1 de Microeconomia I

Professor: Carlos E.L. da Costa Monitor: Vitor Farinha

ExercÌcio 1 Responda verdadeiro ou falso, justiÖcando:

a) Toda funÁ„o cÙncava È quase-cÙncava.

SoluÁ„o 1 Verdadeiro. Com efeito, seja a 2 < : Sejam x,y tais que f(x) a e f(y) a: Seja t 2 [0; 1] : Da concavidade de f temos f(tx+(1-t)y) tf(x)+(1-t)f(y) t a + (1-t)a = a: Portanto o conjunto C + È convexo.

a

b) Toda funÁ„o quase-cÙncava È cÙncava.

SoluÁ„o 2 Falso. Contra-exemplo: f(x)= x 3 :

c) A soma de duas funÁıes cÙncavas È cÙncava.

SoluÁ„o 3 Verdadeiro. Seja h(x)=f(x)+g(x). Seja t 2 [0; 1] : Da concavidade de f temos:f(tx+(1-t)y) tf(x)+(1-t)f(y). Da concavidade de g temos: g(tx+(1-t)y) tg(x)+(1-t)g(y). Somando-se as duas desigual- dades temos h(tx+(1-t)y) th(x)+(1-t)h(y).

d) A uni„o de 2 conjuntos convexos È um conjunto convexo.

SoluÁ„o 4 Falso. Tome A = [0 ; 1] e B = [4 ; 5], ambos convexos, porÈm 0 ; 5 :0 + 0 ; 5:5 = 2 ; 5 2= A [ B:

e) A interseÁ„o de 2 conjuntos convexos È um conjunto convexo.

SoluÁ„o 5 Verdadeiro. Sejam A e B dois conjuntos convexos. Sejam x,y 2 A \B. Seja t 2 [0; 1] :DaÌ, x,y 2A ) tx +(1-t)y 2A. Do mesmo modo, x,y 2B) tx +(1-t)y 2B. Portanto, tx +(1-t)y 2A \B.

f) Seja f : R ! R diferenci·vel e estritamente crescente ; ent„o f 0 (x) > 0 para todo x 2 R :

SoluÁ„o 6 Falso.Contra-exemplo È a funÁ„o f(x)=x 3 : fí(0)=0.

g) A uni„o de 2 conjuntos abertos È um conjunto aberto.

SoluÁ„o 7 Verdadeiro. Sejam A e B 2 conjuntos abertos em < : Seja x 2 A [B. Sem perda de generalidade, suponha que x 2A. Como A È aberto, existe uma vizinhanÁa (x-" , x+ " ) A. DaÌ,(x-" , x+" ) A [B. Portanto, A [B È aberto.

h)A interseÁ„o de 2 conjuntos abertos È um conjunto aberto.

SoluÁ„o 8 Verdadeiro. Sejam A e B 2 conjuntos abertos. Seja C A \B. Seja x 2 C. DaÌ x 2 A ) 9 " > 0 :(x- " , x+ " ) A. Do mesmo modo, x 2 B) 9 > 0 :(x- , x+ ) B. Seja = min f "; g . Temos (x- , x+ ) A \B. Portanto, A \B È um conjunto aberto.

i) O conjunto A f (x; y ) : x 2 + y 2 = 1g È um conjunto convexo.

SoluÁ„o 9 Falso. Tome z=(0,0)= ( 1; 0) +

2

1

1 (1; 0): Apesar de tanto (-1,0) quanto (1,0) pertencerem ao

2

conjunto, z, uma combinaÁ„o linear convexa com = 1 2 ; n„o pertence.

1

j)O conjunto A f(x; y ) : x 2 + y 2 1gÈ um conjunto convexo.

SoluÁ„o 10 Verdadeiro. Sejam a 1 =(x 1 ; y 1 ), a 2 =(x 2 ; y 2 ) 2 A:T ome a= a 1 + (1 )a 2 = ( x 1 + (1

)x 2 ; y 1 +(1 )y 2 ) = ( x; y ); 2 (0; 1):DaÌ, x 2 + y 2 = 2 (x 2 + y )+(1 ) 2 (x 2 + y )+2 (1 )(x 1 x 2 + y 1 y 2 )

1:

2

1

2

1

1

1

ExercÌcio 2 Mostre a equivalÍncia das duas deÖniÁıes de quase-concavidade.

SoluÁ„o 11 ) Suponha que f È quase-cÙncava, i.e, que U f (a) È convexo para todo a2 R :Tome x; y 2 U f (a)

de maneira que o menor deles, s.p.g. y , seja tal que f(y)=a. Logo pela convexidade de U f (a); x + (1 )y 2

U f (a); o que signiÖca que f[ x + (1 )y ] a = min[f (x); f (y )]:

( Agora, suponha que tenhamos f[ x + (1 )y ] minf f (x); f (y )g para todo x,y 2 D e todo 2 (0; 1):Tome

a 2 R :Se U f (a) È vazio ou contÈm apenas um ponto È trivialmente convexo. Caso contr·rio, tomo x,y2 U f (a):

Vale, ent„o, f(x) a e f(y) a:Portanto, min[f(x),f(y)] a:Temos, por hipÛtese, que f[ x + (1 )y ]

minff (x); f (y )g e conseq¸entemente que x + (1 )y 2 U f (a):Como a era arbitr·rio, temos a prova completa da equivalÍncia.

ExercÌcio 3 Mostre que a funÁ„o f(x,y)=min{ax,by} È quase-cÙncava se a,b >0

SoluÁ„o 12 Tome n 2 R e k 1 =(x 1 ; y 1 ) e k 2 =(x 2 ; y 2 ) tais que min{ax i +by i g n; i = 1; 2:Seja k = ( x; y ) =

minfax 1 ; ax 2 g e, analogamente, b ( y 1 + (1 )y 2 ) minf by 1 ; by 2 g :Logo; f (k ) minf ax 1 ; ax 2 ; by 1 ; by 2 g n; provando a quase-concavidade de f(x,y).

k 1 + (1 )k 2 : Logo, f(k)=min{a( x 1 + (1 )x 2 ); b ( y 1 + (1 )y 2 )): Note que a( x 1 + (1 )x 2 )

ExercÌcio 4 Seja f : R + n ! R uma funÁ„o cÙncava. Seja g : R ! R estritamente crescente. Mostre que

h (x) = g (f (x)) È uma funÁ„o quase-cÙncava.

SoluÁ„o 13 Sejam x; y 2 R 2 e a 2 R tais que h (x) a e h (y ) a. Ent„o h ( x + (1 )y ) = g [f ( x +

(1 )y )] g ( f (x) + (1 )f (y )). Sem perda de generalidade, suponha f (x) f (y ), ent„o g ( f (x) + (1

)f (y )) = g (f (x) + (1 )(f (y ) f (x))) g (f (x)) a (g (:) crescente).

ExercÌcio 5 Mostre que a inclinaÁ„o das curvas de nÌvel de uma funÁ„o homotÈtica n„o muda ao longo de um raio que parte da origem.

SoluÁ„o 14 Seja g:R + n ! R uma funÁ„o homotÈtica, com g(x)=L(f(x)) em que f(x) È homogÍnea de grau k e

L:R ! R crescente. A inclinaÁ„o de uma curva de nÌvel de nÌvel de g(x) È dada por dx dx 2 = -

:

Pela homogeneidade de grau k-1 das derivadas parciais, pode-se perceber que

L 0 ( ) L 0 ( )

@f

@x 2

@f

@x 2

@f

@x 1

1

@f

@x 1

=

dx

dx

2 (tx) = @f ( tx) =@x

1

2

@f ( tx) =@x 1 =

t k 1 :@f ( x) =@x 2 t k 1 :@f ( x) =@x

1 =

dx

dx

2 (x):

1

ExercÌcio 6 Considere um problema deÖnido por:

V (p; y ) = maxU (x)

sa y = p x

Mostre que @V =@y = ; em que È o multiplicador de Lagrange associado ao problema de maximizaÁ„o.

SoluÁ„o 15 Monta-se o Lagrangeano, L = U (x) + [y p x]: Pode-se aplicar diretamente o Teorema do Envelope, com @L = :Assim, podemos perceber que o multiplicador de Lagrange associado ao problema de

@y

maximizaÁ„o pode ser interpretado como o ganho em termos de utilidade indireta que o agente ter· quando relaxarmos marginalmente sua restriÁ„o orÁament·ria.

ExercÌcio 7 Considere as relaÁıes de preferÍncias : Mostre que as relaÁıes bin·rias ~ e s„o transitivas, mas n„o s„o necessariamente completas.

2

SoluÁ„o 16 ~ È transitiva. Sejam x; y; z 2 X tais que x y e y z . Ent„o, por deÖniÁ„o, x y e

y x ; y z e z y . Logo, pela transitividade de , segue que x y z implica em x z . Analogamente,

z y x implica em z x.

Logo, temos que x z e

È transitiva. Sejam

z y . Logo, pela transitividade de , x z mas n„o z x. Segue que x z .

~ e n„o s„o completas necessariamente. Tome X = f A; B g e % È deÖnida por: A % A, B % B , B % A. Ent„o ~ n„o È completa pois ~(A~B ) e ~(B ~A) (desculpem o abuso de notaÁ„o) e n„o È completa pois ~(A~A). (Note que ~ pode ser completa, mas nunca o È).

x; y; z 2 X tais que x y e y z . Ent„o, x y mas n„o y x ; y z mas n„o

z x. Portanto, x z .

ExercÌcio 8 Mostre que se uma relaÁ„o de preferÍncias satisfaz a propriedade de monotonicidade, ent„o tambÈm satisfaz a propriedade de n„o-saciedade local. Pode-se aÖrmar que n„o saciedade local implica monotonicidade estrita? JustiÖque.

SoluÁ„o 17 Seja X = R n e tome x 2 X qualquer e " > 0. Ent„o deÖna x 0 = x + 2 p n e (onde e =

(1; 1; :::; 1)), ent„o como " > 0, x 0 x e logo (monotonicidade) x 0 x, mas k x 0 xk =

=

2 p n k ek = 2 p n p 1 2 + ::: + 1 2 =

"

2 p n e

"

"

" "
"
"

2 p n p n = "

2 < " e assim x 0 2 B (x; e).

ExercÌcio 9 A ordenaÁ„o lexicogr·Öca para X = R 2 + È deÖnida por: x; y 2 R + 2 ; x y se x 1 > y 1 ou se x 1 = y 1 e x 2 y 2 :

a) Mostre que a relaÁ„o bin·ria acima È uma relaÁ„o de preferÍncias racional.

b)Mostre que as preferÍncias lexicogr·Öcas s„o monÛtonas estritas.

c) Mostre que as preferÍncias lexicogr·Öcas n„o s„o contÌnuas.

d) Por que esta relaÁ„o de preferÍncias n„o È muito interessante do ponto de vista econÙmico?

SoluÁ„o 18 a) Para mostrar que a relaÁ„o È completa, suponha que x; y 2 < + 2 e que x y . Segue que

\x 1 y 1 " e \x 1 6= y 1 ou y 2 > x 2 ". Ent„o, temos que \x 1 < y 1 " ou \ x 1 y 1 e y 2 > x 2 ". Logo, y x. Portanto, x y =) y x:

Para mostrar que a relaÁ„o È transitiva, tome x; y; z 2 < + 2 tais que x y e y z . Ent„o, aplicando diretamente a deÖniÁ„o, obtemos x z .

b) Sejam x; y 2 < + 2 tais que x y; x 6= y . Ent„o \x 1 > y 1 e x 2 y 2 " ou \x 1 = y 1 e x 2 > y 2 ". Em ambos

os casos, x y .

c) Tome x n = (1 ; 1) e y n = (1 + n ; 0), ent„o y n % x n 8n , mas lim y n = (1 ; 0) lim x n = (1 ; 1):

d) Esta relaÁ„o de preferÍncias exclui a possibilidade de troca entre x 1 e x 2 (n„o h· quantidade Önita de x 2

que seja preferÌvel a uma quantidade arbitrariamente pequena de x 1 ).

1

ExercÌcio 10 Seja a relaÁ„o deÖnida a partir de % por ~ (x y ) , y % x. Ent„o prove que È as- simÈtrica se, e somente se, % È completa.

Obs.: È assimÈtrica se 8x; y 2 X temos que ~ (x y ) ou ~ (y x) :

SoluÁ„o 19 ()) È assimÈtrica, ent„o tome x; y 2 X quaisquer. Temos que ~ (x y ) ou ~ (y x), logo temos que, pela deÖniÁ„o de , y % x ou x % y , ent„o % È completa.

(() Tome x; y 2 X quaisquer. Pela completeza de %, temos que y % x ou x % y , logo vale imediatamente

~ (x y ) ou ~ (y x) :

ExercÌcio 11 Prove que, se % È racional e estritamente convexa, para qualquer cojunto C X convexo, o conjunto C 0 = fx 2 C jx % y; 8y 2 C g È vazio ou unit·rio.

SoluÁ„o 20 Suponha que 9x; y 2 C 0 com x 6= y (ou seja, conjunto n„o vazio e n„o unit·rio): Ent„o tome 1 2 x + 1 2 y = z 2 C (convexidade de C). Temos que x % x e y % x (pela deÖniÁ„o de C 0 ), logo z x (convexidade estrita de %). Uma contrdiÁ„o pois temos x % z , j· que z 2 C:

3

1.

Uma rela¸c˜ao bin´aria R ´e reflexiva se (x, x) R para toda alternativa x X. Demonstre que toda rela¸c˜ao de preferˆencias ´e reflexiva.

2. Demonstre que ´e transitiva e ´e irreflexiva ((x, x) / para todo x). E demonstre que ´e transitiva.

3. Defina a ordem lexicogr´afica no R n e verifique que ela ´e transitiva completa

e determine as curvas de indiferen¸ca. A ordem lexicogr´afica no R n tem representa¸c˜ao de utilidade?

4. Falso ou verdadeiro? Seja u : R n R cont´ınuamente diferenci´avel e tal que

∂u

∂x

1 (x) ,

∂u

2 (x) ,

∂x

, xn (x)

∂u

0. Ent˜ao u ´e mon´otona.

5. Seja l a ordem lexicogr´afica no R n . Mostre que l ´e fracamente convexa.

6. Seja cont´ınua no R + l . Demonstre que se as seq¨uˆencias (x n ) n e (y n ) n s˜ao tais que x n x, y n y e x n y n podemos concluir que x y.

7. Seja u : X R uma representa¸c˜ao de . Ent˜ao se g : R R ´e estrita- mente crescente, g u tambem representa . Em particular mostre que se u representa podemos supor que u (X) (0, 1).

8. Demosntre que K = {(x, y) R 2 ; y f (x)} ´e convexo se e somente se f (·) for convexa.

9. Suponha que o conjunto de alternativas, X, seja enumer´avel. E que seja uma rela¸c˜ao de preferˆencias em X. Ent˜ao posssui uma representa¸c˜ao de utilidade. Sug.: Seja {x n ; n 1} uma enumera¸c˜ao de X. Defina

u (x) =

1

2

m

m:x x m

e demonstre que u representa .

Professor: Paulo Klinger Monteiro Monitor: Mateus Nunes Rabello

Microeconomia I - 2010 EPGE

Gabarito - Lista 1

Exerc´ıcio 1. Toda rela¸c˜ao de preferˆencia racional ´e reflexiva. De fato, por ser completa, x, y X temos que x y ou y x (ou ambos). Fazendo x = y temos que x x.

Exerc´ıcio 2. Queremos mostrar que ´e transitiva e irreflexivel.

2. Queremos mostrar que ´e transitiva e irreflexivel. • (Transitividade): Seja a rela¸c˜ao em X e

(Transitividade): Seja a rela¸c˜ao em X e x, y, z X tal que x y e y z. Pela defini¸c˜ao de , x y mas y x e y z mas z y. Pela transitividade de temos que x z. Suponha por contraposi¸c˜ao que z x. Como y z, por transitividade teriamos que y x, o que contrapoem a hip´otese de que y x. Logo z x e portanto x y, provando a transitividade de .

(Irreflexividade): Suponha que x x. Temos a contradi¸c˜ao trivial em que x x mas x x. Logo ´e irreflexiva.

em que x x mas x x. Logo ´e irreflexiva. Exerc´ıcio 3. Definimos a ordem lexicogr´afica

Exerc´ıcio 3. Definimos a ordem lexicogr´afica em R n ( l ) da seguinte forma:

l = {(x, y) R n × R n : x 1 > y 1 ou

x j = y j j < i} ou x = y}.

x 1

= y 1

e x i

> y i

onde i

=

max

{i∈{1,

,n}

{i ;

(Completeza): Sejam x, y R n . Trivialmente, se x = y

ao caso em que

x

=

y,

temos que x 1

=

y l x. Finalmente se x 1 = y 1

y 1 .Se =

=

x l y, se x i < y i

>

x

se

x 1 < y 1

x j = y j j < i}. Se x i > y i

cobrimos todas as possibilidades de ordem lexicogr´afica entre x e y.

=

y 1

y. Atendo-

Se

, n} t.q.

x l y.Desta forma

l

x

i = max{i ∈ {1,

x 1

=

l

y.

=

(Transitividade): Sejam x, y, z R n t.q. (x, y) l e (y, z) l .Queremos provar

= z (Caso em que x = y ou y = z ´e

que (x, z) l .Suponha ainda que

trivial) =

x

= y e y

x 1 y 1 e y 1 z 1

=x 1 z 1 . Teremos dois casos:

(i)

x 1 > z 1 : Neste caso (x, z) l .

(ii)

x 1 = z 1 : Neste caso x 1 = y 1 . Seja i = max{i ∈ {1,

,

n} t.q. x j

= y j j <

i}

z j j < i}

{1,

(x, z) l .Se i = i

=

x i

> y i . Ainda,

=

x j

y i ∗∗

= z j j

y 1

= z 1 . Seja i

= max{i ∈ {1,

=

=

i = max{i

x i ∗∗ y i ∗∗ > z i ∗∗ =(x, z) l .

, n} t.q. y j

> z i ∗∗. Defina i = min{i , i }

< i}. Se i

= i

=

, n} t.q.

=x i ∗∗∗ > y i ∗∗∗ z i ∗∗∗ =

Afirmo que que o conjunto de indiferen¸ca da ordem lexicogr´afica em R n ´e da seguinte

forma 1 : l = {(x, y) R n ×R n : x = y}. De fato, suponha que (x, y) l e x

x 1 > y 1 , pela defini¸c˜ao de l , (y, x) / l . Se x 1 = y 1

=⇒ ∃i = max{i ∈ {1,

t.q. x j = y j j < i} =

(x, y) e do par (y, x) pertencerem a l ´e se x = y.

= y. Se

n}

forma do par

,

x i > y i

=

(y, x) / l . Assim a unica´

1 Por defini¸c˜ao, as curvas de indiferen¸c˜ao s˜ao conjuntos do tipo: {(x, y) R n × R n : (x, y) l ⇐⇒ (y, x) l }

1

Por fim, para mostrar que l n˜ao tem representa¸c˜ao de utilidade, a prova ´e similar ao caso em R 2 .

de utilidade, a prova ´e similar ao caso em R 2 . , n } t.q.

, n}

t.q.

e o argumento de u ´e linear em t temos que f ´e diferenci´avel em (0, 1). Pela regra da cadeia:

j (x) > 0. Defina f : [0, 1] R por f (t) = u((1 t)y + tx). Como u ´e diferenci´avel

Exerc´ıcio 4.

Seja x y.

Neste caso x i y i > 0 i ∈ {1,

, n}. Seja

j ∈ {1,

∂u

∂x

f (t) =

n

i=1

∂u

i ((1 t)y + tx) · (x i y i )

∂x

∂u

j ((1 t)y + tx) · (x j y j ) > 0 , t (0, 1)

∂x

Assim, pelo Teorema do Valor M´edio, ξ (0, 1) tal que

u(x) u(y) = f (1) f (0) = f (ξ) > 0

Ent˜ao u(x) > u(y), portanto u ´e, de fato, mon´otona.

) > u ( y ), portanto u ´e, de fato, mon´otona. Obs.: Note que u

Obs.: Note que u n˜ao ´e, necessariamente, fortemente mon´otona. neutro ´e um exemplo.

Exerc´ıcio 5. Sejam x, y, z R n t.q. (x, z) l e (y, z) l . Defina w λx + (1 λ)y,

w 1

λ [0, 1]. Queremos provar que (w, z) l . Sabe-se que x 1 z 1 e y 1 z 1

O caso do bem

=

λx 1 + (1 λ)y 1 z 1 . O caso em que w = z ´e trivial e portanto vamos nos ater ao caso

em que w

= z (x

= z ou y

= z). Temos dois casos:

(i)

(ii)

Se w 1 > z 1

Se w 1 z j j

i}

i}

=

(w, z) l .

= z 1

<

=x 1 = z 1

=

x i

>

z i

= y 1

=

w 1 . Seja

i

=

max{i

{1,

,

n} t.q. x j

=

e seja i

= max{i

{1,

,

n} t.q. y j

= z j j

<

, n} t.q

=y i ∗∗ > z i ∗∗.

Defina i = min{i , i } =i = max{i ∈ {1,

x j = y j j < i}

=

x i = y i = z i = w i