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Reportagem sobre o novo espaço rural brasileiro

O novo rural brasileiro


Reduziu-se o abismo tradicional entre meios urbanos e rurais

A área rural brasileira não se restringe mais

aquelas atividades relacionadas à agropecuária e agroindústria. Nas últimas décadas, o meio


rural vem ganhando novas funções – agrícolas e não-agrícolas – e oferecendo novas
oportunidades de trabalho e renda para famílias. Agora, a agropecuária moderna e a
agricultura de subsistência dividem espaço com um conjunto de atividades ligadas ao lazer,
prestação de serviços e até à indústria, reduzindo, cada vez mais, os limites entre o rural e o
urbano no País.

Esse é o cenário que está se delineando a partir dos resultados da pesquisa Caracterização do
Novo Rural Brasileiro, 1992/98, batizada de Projeto Rurbano, coordenada pelos professores
José Graziano da Silva e Rodolfo Hoffmann, do Núcleo de Estudos Agrícolas, do Instituto de
Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). O projeto, que inicia sua terceira fase,
conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do
Programa de Núcleos de Excelência – Pronex/CNPq/Finep e da Secretaria de Desenvolvimento
Rural do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (SDR/MAA), e reúne 35 especialistas
com doutorado, 17 pesquisadores, 11 universidades federais e dois núcleos da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“O mundo rural é maior do que o agrícola”, constata Graziano. O novo rural incorporou
atividades até então consideradas como hobbies ou pequenos empreendimentos,
transformando-as em negócios rentáveis: multiplicam-se os “pesque-pague”, os sítios de lazer,
as casas de campo, fruticultura, floricultura, além de uma série de serviços, como restaurantes,
clubes, hotéis-fazenda, etc.

Essas atividades têm se revelado, muitas vezes, mais lucrativas do que a produção agrícola
tradicional. Os mais de mil pesque-pague espalhados por chácaras e sítios em todo o Brasil,
por exemplo, utilizados como lazer pela classe média urbana, já são responsáveis por 90% do
destino dos peixes de água doce criados em cativeiro. “Muitas dessas propriedades trocaram a
agricultura pela pescaria de lazer, que pode gerar alta receita para os proprietários”, afirma
Graziano.