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LONI | LCN PANE I PANE i as | bs ot | i SA DUNT SS SUN ‘om a publicagdo de © QUVIDO PENSANTE, ‘a Editora Unesp esta certa de oferecer ao le- ‘or balla uma das mais importantes obras con- temportingas sobre educando musical, Trata-se de uma coletanea de ensalos de R. Murray Schafer, ‘compasitor canadense, também artista piéstico, {que com grande entusiasmo tom dedicado boa parte de sua vida aos problemas do ensino da mi- ‘ica, Mas no 6 estritamonte enderecada. @ pro- {essores. Muito a0 contrrio, as suas revolucions- ras proposieSes so do maior interesse para to ‘da a imensa gama de profissionais ou aleciona- dos da milsia, para os artistas pidsticos, pare 0s urbanistas @ principalmente para todos aqueles ‘que buseam uma forma de enriquecer 0 cenario ‘em que viver. No seu fascinanteitinerério, 0 au tor subverte néo apenas 0 universo da misica, mas ‘universo sonoro em geral. Tamando como pres- suposto a nogdo de paisagem sonora, construlda fa partir de ampla @ minuciosa pesquisa — The World Soundscape Project — Murray Schaler nos ‘convida & uma nova postura do ouvir. Na verde ‘de, um desafio para un novo “olhar" sobre © mun- <, que ja capaz de se deter nas minimas eines petadas sonaridades que se aliments tanto dos tuldos estrdentes das metrépates, quanto do si- lsncio dos ermos escondidos, do som da neve, do som das felnas, do badalar dos sinos, dos sons primordia da natureza — do ar, da agua, da ter- do fogo —e tamibém da recuperapao dos sons {que jd nos atravossaram, hoje ja esquecidos. ‘© OUVIDO PENSANTE fol traduzido sob a coor- donagio da Prot? Marisa Trench de O. Fontera- dda, do Departamento de Musica do Instituto de Ar- tes do Planalto, UNESP-SP, que durante 0 traba- tho manteve contatos com 0 préprio autor. FR. Murray Schafer nasceu om 1933, em Sarnia, Ontario, Canada. Na década de 50, entre outras miiipiasatvidades na Europa, trebalhou na pro- ‘dugdo da épara Le Testament, de Ezra Pound. &m 1960, publicou The British Composer interview. O ‘seu trabalho pioneiro na drea de pesquise sonora ‘se desenvolvou dentro do The World Soundscape Project na Simon Fraser University, BC., cyos re sultados epontars novos caminos para a atusgéo ‘sobre o ambiente sonoro. € um dos mais desta ‘cados compositores de seu pals, projetando-se in- temacionalmente pelas suas posigdes de vanguar- dda. Esteve no Brasil, em 1990, tendo ministraco palesres e orientando seminérios na UNESP, € Wwork-shops na Oficina Cultural “Oswald de Andra- da, de $0 Paulo. proposta de Schafer é particularmente possivel para o Brasil. No se trata de uma proposta dirigida a alu- nos especialmente dotados, mas a toda popula¢ao, inde- pendentemente de talento, faixa etaria, ou classe social. Além disso, Schafer preocupa-se em particular com os elementos mais simples, com as observagées mais corri- queiras: de quantos modos diferentes pode-se fazer soar uma folha de papel? Ou as cadeiras de uma sala de au- la? Como sonorizar uma historia de modo a torna-la re- conhecivel apenas pelos seus sons? Como construir uma escultura sonora? ISBN 85-7139-016-9 Ces FUNDAGAOHDITORA DA UNIS? R. MURRAY SCHAFER O OUVIDO PENSANTE ‘Marisa Trench de O.Foterada Magia R.Gomes d Siva Mawel Foal Reviso Tria de Ana Jost Gngalves Ones 186 by Mary Sehr ulead la Arana Eos, Cans “Trad oral om gt: The Thing ar (©1992 da ago hat nap Eire da UNESP (EEL) Pra dé 108, “ee Oe 32427101 (Ol 320.772 eee aso Inman e Catalog mPa CIP) (Cas Bris do ie SB. Siar Morr ‘Ouro penan Maty Schafer ao Maria Tech 4-0: Fotr Mola Ges a Sh Ma ica Pos Sa andor do UNESE 3 ISBN EE TDB.OI69 ona, cop707 Ines rr eos semen Misia: Ede eenina E0 Monee Pte 80 tes iin: Indice APRESENTAGAO, 9 PREFACIO, 13 (© COMPOSITOR NA SALA DE AULA, 19 Primeiro Contato, 20 © que € Misica?, 25 Misica Descriiva, 36 ‘Texturas de Som, 44 Misica © Conversa, 51 ‘A Miscara do Demnio da Maldade, 59 LIMPEZA DE OUVIDOS, 67 Rudo, 68 Silencio, 70 Som, 73 Timbre, 75 “Amplitude, 77 Melodia, 81 ‘Textura, 85 Ritmo, 87 ‘A Palsagem Sonoro-Musial, 90 “Transrigho I Charles Ives € Perspectiva, 96 ‘ransrio TI: Misca para Papel ¢ Made Quatro possertos, 115 [ANOVA PAISAGEM SONORA, 119 Sim, mas bso ¢ Misica?, 119 O "Ambiente Sénico, 124 1A Rerplto do Silencio, 128 ‘Uma Nova Defnigao de Rudo, 134 Esgto Sonore: Una Colagem, 139 ‘ils Limiares do Audiel ¢ Um do Suportivel, 149 ‘Alem do Audive, 156 ‘A Misia das Esferas, 163, Esquizotonia, 171 0 Objeto Soporo, 177 |A Nova Palsaget Sonora Epiogo, 194 Diario de Sons do Oriente Meio, 195 [QUANDO AS PALAVRAS CANTAM, 207 lnpresso Voes!, 208 Melsma, 209 Concerto da Naterera, 212 Palsra-Trovio, 214 A ‘Blogalla do Alfsbeto, 216 Onomatopsi, 220, owas, 224 ‘A Curva Pricogrifcn da Atma dt Pala Segredos em Planisimo, 252 Poema Sonor, 234 Palarase Misic, 239 Chores, 202 “Textures Coras, 257 Halk, 256 Canto’ Viva, 257, nar, 260 [Aptndice: Tet vem Cometires, 257 (© RINOCERONTE NA SALA DE AULA, 277 Introdugto, 278 Educa Masia: Consideasbes, 284 Educa Musial: Mals Consideragbes, 293 Nota sabre Noto, 306 ‘A Gaia de Musica, 312 ‘reno, 333 Paringo para Novas Direpbes, 329 (Curcum Vite, 338 ALEM DA SALA DE MUSICA, 343, Bricolagem, 344 ‘onas 0 Caro da Comunidade de Maynooth, 353 ‘Cats aos Portugueses, 373, ‘A Orquetra Magica de Edward, 385, ‘Ravi os Sons Roda, 39 Apresentactio _Atguns dos textos aprestntados nest vo j eram co heels pr mim no Into da década de 70 Ese 6m fe ‘bbmeno que osorre algunas vets no Brasil um autor que ‘Bho € pls em portaputs potas sro por ung po restrito que, por aco, tere acess a soa ob. Je hae ‘ialme debrayado, portato, sob alguns desis textos © ‘me admirado com acapacdade de aveasioe compa ‘Shen. orignal do autor. Mas quem era le? Quase naa Se sabia no Bras a seu respeto, apenas que era com posite canadease quest dedicava ambi ao eas, le ‘lonado para clang eadolecnte. Uti, nessa €po- a algumaas de suas propestas em minias aula, eels fo ‘an “cut, aida ela meninada bras ‘Quis vnte anos depos ave pode conker, drat rsa ‘viagem 20 Canad, seu abate, sua obra, sua mic. Fol gue fie! sabendo qu, ale de suas ‘atvdades como —~ a A medida queabaruta se move, 0 som adauire um cor ser mais sido SAXOFONISTA BARITONO: — Profesor, ee gene acres ‘enfase uma buna de nebin? Poss initia mato bea fom meu Inset, SCHAFER: ~ Tudo bem, vamos ows 0 sa-hartono roca wm som grovee lee, ato detiaro crescer ai o fore para fnamente corto com um sito Sorzando. 0 efito ¢ quae reac. ——— SCHAPE: — Vamos incremeaé-o. Todos tocam to sus- ‘ve quanto pore ¢sobresaindo nein, ouvitemon © ‘eseendo da sols busine de nebin, raficament, tetra qu resulta mets ox menos asin SHAFER: — B um som interesante, Ao menos evoe al {0 da dezsdade e do mito da bla, © que wale Po evans tena AMINO: ~~ O que acha de ura Horeta? Souaren — Como? ALUNO: — Nao se extant aso vento soprando nas ‘vers fam smn Scrmaree Vac quer dscrever 0 veto ou Hrestat Scaapan: Voc sabe como deereve o vento? Numero Set sues: gsondos nay cords, rpaassussurantes to plano na harp, lamentooe marines madras Seo ton mr eo de vis ane. ‘ts depended let una isn de pavers oa br Inti dune tempesade mares oreta? Queto ober dt Flore, Nao i agente, Vom ose quo als cisament. Schafer desma uma drvore no quad. Z> Zt Scriaren: — Pronto Podemor deve manent? AALUNO: ~ Voet podeia da presto da atu ds ‘ore, comerando nos graves da orguest,subindo para algo mas alo eno eando outa Yer (oN SCHLAFER: — Assim? Como posto ser ses pentou ‘ma rvorec nfo mma moat? Ou num onda ou mu capiazeee? [ALUNO: ~ Vos! alo pode saber. ScuaPiae —Cheetmor aqua ui inpase, Certamentehi Algumas coisas que podem se dsc em misea com con Serive racist desde que 0 ouvnt teaha alguna im binafdo; mash também algunas coisas impose de se fem desert, Nos poncor momentos que os restam, p> ‘evamosteatar chet as, ‘ primeir grpo incl eventos nator que poseves ‘um nico som; por exemplo, wna queda ddgua, oxo som ‘tara de fog, ou o canto de um cuco. O segundo grape inhi osevenas naturals qe no posse um som pr ‘io defnio,porém ainda sgerem una atmosfra que po- ‘desercriada um tip eseifco de moviments ou talver ‘ua tetra Acaberia nos sie de stare, Tivos tun iia dfinida do movimento ctulr, da wbida ede ‘ida do pissaro durante 0 vo, O mes com a bina ‘uo hava movimento, ma for sngeriéa uma tecura dea € sombia,quepoarosrerodurrmulalmente nm ce fo grupo de instruments Mat temo, eto, todes os objets ettioos ou nani mmades. Nio sugerem movimento ou texto ena fae sos Zc a, Ui pe por er ok poste detsefone on uma evr, Estar endios quit ‘to que fazer. Podemos dar alga in do vento sopra. ‘do por enre as olnas de uma Srvre, ou a drvoreext= ‘ermal dens, poderens ara peso de ura ‘ensidade da orestaaravs Ge cere (extra orgs, porém no poderos destcver a vare com pre sso ‘tuna oi nam ser lt. Albumas vers vores podem Pe Sar que fi consegudo, ts enzo Gur, apts um exam mis ‘ethado, yoots vio decor gue adi da vere fo teida aris des ouviea mii, no tal ou em lea ota deserve do program, "Woot podem experimenta fare om it de coisas que abe sss categorise, part acs que pudezes Set limtadas ou sageriday ndicar a nsrumeatagso cue ache rem mais adequnda, Aq etd uma pequna lista, para co neva, Pens bre cada uma desar cous ea logue bs categoria core ‘Um mar tempestaoio Um profesor zangado Um poedosel (Grane brucando. ‘Uma bisa save ‘Umma bandeir nacional ‘Oveilco “Empire State” As Montanhas Rechosts Um evilo ealopando ‘Uma fundifo de toro (Um cavalo para Um acho murmuraate Uma ftha Um copo #aua (0 vento na fthas ‘Uma cena de trabalho ‘domesticn ‘Um cashoio lindo maga ‘TEXTURAS DE SOM SCHAPER — 14 falamos sobre o modo de war insrumen- tos para suger ou intr virion eventos naturals, ABOTS ‘ten explora guns mates sos leads pl com otor pare ssa deena expats eneion no ou tex Bor eremplo, secu der “rangado" em ave ee ‘he de som masa vo pensain? ‘ttuno: Algo fort Gu tRO ALUNOL — Algo foe e pentane Scuarex: — Quer aber por doce quaades? [ALUNO:—~Porge uma pessoa rang a nua vo for- ScHApmx: Certamente poder ser uma rank, Forte € Denetante ou agudo tm sev extrem pesto cn suave Ereme: Un som save e grave mgs ages eopso SALUNO: — Mencia ‘Sur ALUNG: Amor? Scitaren: — Vouk aa me parese muito certo dso. Por ae voc! die amet? ALUNO: — Porque s pessoas apaxonadas fala mma vom ‘save bist, Risinos das meninas, ScHArER: ~ Sim, acho qu é rzoivel. De qualauerfor- ‘hn, voc ncn elem de sangre ncn fraveeuave ou de amor por mio dem som agudo efor. fe asim, vots podem ver qo ees exremot erent devem pos lgum poder sobre nowasemogdes, meno Ae nfo possamos presser aus emogOs ce evecam, "Agora, como eu an, suave e fort, agvdo © eave sfo poston, Vous podem scharontosvloss no vocab fo musica que seam opontor eae Si? ‘ALUNO" — Longo e eat. otmo ALUNO® = Répid e leno, SCHARF Bowl Tavern sca sft pac Baihae Bear exree no qadro. = quo ‘oxave cuero Toxgo RAMDO. esto SCHLARER: — 0 compositor usa valores bascos como ess ‘azn criar ums compost com ua are eipesfico. O ‘qe ea quero que vores obervem & que es valores tem poder de afwero ouvine de multas ances diferentes, Por exempio, epusm seus intruentosc, a0 ew ssa, {quem ume ota ageda forte qualquer tat serve, ue Imports Ex qualidade do sm. Um som agudo e forte pro cid, arrepiando algun alunos. Agora van ocx 30- ‘ameni, 0 me sna, um som malo grave e save. Une Som suavee grave prodaio, Nao hi besesiade J que {diana voots que care daa scasgoes sons foram 10 diferentes; uns fo agzestna, avpiats, outa Txe tater tse O papel da composr uae ees mates ‘Bra prodsir algo com sgalicado e movimento, At ns, um compositor eclte se erage dessa lores somete; do mesmo edo que cs pores alas ect pinta como queéchamado ma “pale Limiade Titoe! ele propostadamente esol restuagi seu trabalho ‘ora core, Talvezvoots 3 tam visto pinturas de Pics das ass sal” ou “roe orem pnladas aun ‘eal rst de cores, Do mesino modo, se os composio fes devejarem cia uma ext atone, eles poder 1s {ting sou trabalho certs valores ~ por example sua Inia sed “lent edo “pda” ou auaye enna Torte" eessim por dante Paralustar, cero toa ‘oot partes de dar obrs qu empeegam ese io de "Dat Tet limita" em musica. A primeira, de Claude Debussy, italia ard de wm funo, Osprimsras doi ts mimios de gravagso to fcales. ScHIARER: — Vocts podeta vee que foi rnd aga um el ‘a bastante dena A Sauda practi outro ima a= tian por resrngis a valores musicals espectins, fi cha that Noe numa montane deserts, do compost sso Moseste Mousorar. (Os primeira dis ow trés minutos da pec sto tocatos. scuavin: — Alpwém gostarla de eplcar nossa abun dev loves esas das compongdes eos dizer a deena AON: At dass pegs so complements diferentes. A ‘Primera ws valoree muses aves, longos elena © 8 Eegunda, apes fortes, curs‘ rpidos. Gare Sin. Hl fo somplemeie contrasts, no? Talvervoctspossam comeyar «entender o poder qu tees valore tem soo avin, quando ocompostor os ‘encom imaginags. Nesasduas composes temas um ‘visto completa dos valores esrits no quad como! Debussy Mousses Podemor chim esas composes de “as” poraue ten dem a usar valores relacionados com a Enalidade de cine S sustentar um cima, Port seo compositor quer eat ta compose “nde de dove ar nants ‘os valores contastants, com smudaasas abrupt ¢ su presss,Alsuém conbece wn compositor ela mic con. {ena ess egplce de drama? [ALUNO: ~‘Beathoven& sempre cho de sures, ScHARIR: — Beethoven taver aja @ melhor exeplo & ‘menconar. im Beethoven, vos costattetnete spec Ado por novos acontesimentos. Uma passagem save Denttamente inerromplda por uma fore exposdo eto di orqustra ou uma pssagem em ors submente Se orn um pansimo, HA sinda mumersoe shoe des ‘mies ade uma sooo mato lent ¢imoditament ida por una mute rpidaeforiors. Asim, squemos fstudar a misia de Beahoven, aebaremoachand gue todos os etremos da nos Ist esto Junta em Voltas Susaposgbes, como: Debussy Mousorgsty tos = eos ‘Bias qu fez de Beethoven um compositor dramitico, Na desdade, eu smliiqel edo pre torarum pono asco em lao vod. ‘Acora, para sinisloe a apes o to roconal das cir unas dos ste s posanos fc una Deauena espera. Bu gota quecta um com aca ine trumento poss sr a iferents quate sonora: Seestvemosdsctindsepodermes et com conta fot No varios a corde omnes, {te pensar na produyio de tetra de Som, Por: io, oa aie eat ers dmb al trim emia cami de nitoa #sesue senda que tava gue vocds pease na texara oom, Asin, So se peccupem com ar nota; vou indica a oets one ge rade slvrs da nla —se€ grave, mdi ou apuda—pela Dosis deminbar mos no dar 8 voces inal. Agora vou ‘Sara oot alguns sas com mina moc cada dees {nd estabelecer um tipo diferente de textura sonore. Schaforexplice experiment os vrie shuts ques pro- Q mek ~ i Som plano: um movimes: to horizontal com dodo Som forte: um movimento ovizoatal com o punho Zz aN i a ce “S CCrecendo: movimento ho- Dscrescendo: movimento Fizontal dos bragor come horizontal doe brags €o- fando com as posts dos tendo somo punos © Altos eculminando nos, ealminand som ax potas panos dos dedon Sons curt aceatuados (os punhos fechados Inalcam o remo desjado pinvar de dodo Indies o imo {Qua 7? YO Ay A We SM Nv nh NW SY \f\4 ‘Trinado: a posta do dado Todos junto tocar qua nics 9 tempo através da quer colsa to ripldo e fscligto que val do mito tho forte quanto posse, Tento so mule vipido-Movimentes wolentos de Abas as mor na frets fo carpe Schafer experiment ess sini €o alunos responder com scusathmentos, Una delboradestneao# porta na onsrupto de sequen de sina, wlcando a maior qua ‘dade de contrasts posse ito um som cura leve “guido por une longo e forte, e asim por diate SCUIARER: Ago, vamos acretsentarcontrapoato a Sa sci de exturas sonoras que estamos produ. ‘Gowtsia ue um de vost vise te subtitrna rata, ‘arn ra ouea erepecva nose expertaca escotido um regent assistente ea Orquesta € dvi ia. Cada parte ogue on snats don regent. Os reeetes ‘sande fa jlo gue um pode vero euro, etna ear ‘ominctes nas textures sonore de modo gue ca text land por a regent, sje insprade em oposieda 1 outro, vented, hdr ents lads ahaa og 080 orguestra aida e tes papas. Ox regents ‘am em semlcteulopare que poss Yer wns eos owas. Schafer vel oo fund de sola pre ouvir og sone. ScHAFER: — Hsperet um mintol Anes de continuarmos, ‘quero pegusta se gut tem extent faze. ‘ALUN: — Profesor, of sane etfo muito confuos. To dos esto fazeado alguma coisa difereate SCHAPER: ~ Sim, esti muito confuse. B 0 moti € que ‘os tegentes nto esto muito steno tm a0 outro, Cada im ‘sth sendo levado como som do seu proprio papa. Voces ‘fo esto prestando atengo nos outros epee, Baqece ama proports nial, que ea produsr contrasts de tm, Setodes team o tempo todo, eemos algo come um ps tao de som. No drama ag "Beprizaton pens sins io hd ma nteressnt sma parede sda sem Janelas. Pela janes nos atl ‘mos parde eazemos Iu is psoas que esto do ado fd dentro dt constr Colocanos janelas na misica por meio de pausas ~ s nso. Somente quando kms parte ets em seal & ge podemos our mals clarameate o que a8 oulas eto Is ‘endo. Vas experimentar novamente, eeu quero qu 0: feqentes st ougam ese observe uns aos Outen. Na B ‘quem emputbando colss uma en cima da outa, Pener fos sons que seas coleas eto produzindo e, quando ve Fem um contrast aropeado a acrevcentr,fagam-n, Mas sobretudo ougam, ouam, ougam A experiencia continu, ¢ quanto mais forge vei mas 0 resultado da texte sonora stoma Ineresante Mai ‘ded acencentado um pequeno gripo-oral uc ene fs ‘one, me a, Ese tx sempre producer enorme con trast no som, una vex ue sss, eri com Boca fecha eah com a Doce arta A ees so aerescen tad indmicasetambm ure indicopto relat de ate ‘pele pascao do gest. A experinca, que agora Inc (quatro grupos (rs orguesres eum sora), sob a direo “equaro regents, continua vvidmnte, embora oe sas teia eric, até 0 sal encerar ale MIISICA CONVERSA ‘Teaho agi cinco instruments de sopro —o quate se sopro stondard, A ttimiade dese grupo fortum lavatio para cxpecéncas mas etiulantes,Fmbora.a ana ‘ogla wade agente conversa, na fala, c improvisast, fm mane, no sea th consusva quanio a ous se {le porn fazer parecer, ela prova ser un meio vido ‘irs traver uma promia respons dos ekeclates dfs deiir se valor real deemaexperins, como aque se segue, est no deseavovimeato do alent fatente pa inprovscto,ousedlasene mecamente come um ex ‘lap de elnamento audio. E pose que este nas ds. Cytamente se sabe que a malora dos alunes nua se fue quando tora es bandas eorquasas onde hvac et ou densi Mauls todo tocando a nas eva ‘ono de es Beatioven owas ou adel: Jacksons. AS Sim, feat os aluoos «oui, com fi neesro aa Pa Feat constiise uma importante "rupture" pa sot ee ScHAPER: — Hoje sostaria que exprimentissemos alguns frerecos de improvisgzo. Como voets bem, nem fod {Unjsiea € ect multo do jzz, por exemlo, no € ‘Também ao passe, houve periodos em que o extcitante trasolctad a improviar(eamente cops) parte da com Posto. Assim faa cadena” do concerto, ea que © Intrprie posta dior de sua vtuoslade edo sea dom ‘ciate. Tambénrnitosconpeitocesconemporineoe e- to comeyando a confer aoe executes parts da tin prague proviaem ou composi. Fst seado felts a. fin uma versadsira onatva de cbr o sentiment de Sepiraso, que tem samen os tos a, ete con ostoes&retes. Depois dessas plas de introdurko, gostaria de pro- por a votés um pequene problema que vamos solionsr pla mis improvisada— sto aqula qu va sendo com Pos na mestna hora em que ests acontecendo.O proble rn voces vlocoaversar entre, por et ig de vo 2s ferdosomente os nstromentos em suas fon. Todo {ue tverem de comunica a eu ealga, tds sfx pea- Simentos,emopbes eis, srt Tet traes dessin ‘rumentos, Quem gostavia de falar algo primeiro? isos nervases Finalmente um a um foram convenci- dos a improviser pequanos sles. Para thes dar nspirapi, ‘expedienteusado fol pedir hes: "alga aleuma cosa do- codigo alo pido", easin por diane No comeso ‘soles fram abrapis,eutoconacentse dsformes, ras ‘empoucor minatonse tamara mals ose, as owes, Se depiaram: ScuLArEn — Agora que cada um ets torpand adepto ‘do mondlog, podemos ney mover dento do campo do dit logo: Desta ver, quero que adam in 9 etro sedis see, asda porta pra sinh a parce ‘nce a partir dalla de seu predecipr es detent, ‘do mento Jel que na conversagfo, quando ua Des ‘onda uma fas, otra pode comcar izndo ct se", ‘ou "concord com voc" antes de coloer sua iin, Vor ‘Mos experiment? Veaksen sempre que se entire bem, spose ter apontad para vote Depo de algunas rodadas, Schafer nfo est satfito coma manelra com que ox exscatontes oman at fre dos ‘irs lees so caprichosareraramene x aaca SHARE: ~ No, reeio que no st so! Voets no es: {Go seouvindo! Vamos teotar apenas algunas pusagens de lgapoe,soznhos. Primo, um de vod toca pee. ro motivo, een eu quero que os deal, un ap 03 {20,0 initem no eatanente ata por not, as re Serrano o carder gral da passgern. Tid ben, tts, ‘bot, clatneta, tompa efagoe, nasa orden. Proms? Aindaé patente que os excutontesndo esto se own 46. Uina figura tosade por inctrumento, que podeia fer cinco ow sets nota, ranaformarse numa sella Ie ‘confactel des noas, na fiquropao sepunte preciso Simpliar mats ScHAFEH: — Vamos pepar apenas duas nots. Un mundo todo pode exist na relagao cute duas nots. Pode set ‘Staves ou Totes, agudas ou grees, cts ou long, por ‘queso duas, podem contrastardramaticamente una om ‘Tou, Lembram-se de nosso experimento com extras ontratantes Gostra le omit cada tm de woot osan- ‘do pares de nota coutrasants em sus instrumentos asin acontee. Emprego considerve! de inna. ‘Se consideramas largura = infonsidade; altura = alure ‘comprimento ~ duregdo, alguns dos exemplastocadas _poderam ser representadesgrafleamente ast 1 — 7 — r SHAFER: — Bom! Desta vez, um de voeés toes um grupo {Se dus aia ef outros oiitam em nse — nAone- ‘Senaramente as mecnas nas, war 9 me eebogo de carter. {to bem execwado. Finalmente os execacantes esto Indo ws or O exert epeido com ts no fas, depots com quatro CHAFEE: — Estamos comepando apie rem n0 308, ‘nese! Des ve You pode quero a pea variagao na initages, Com se una pes fe nd observa numa conversa a outa arepetise com fo ‘eis. Vacs podem me daze de que jeto um compostor pode vara pequenor motives de dust nota, como eset {ue vorts tocar? FLAUTISTA: — Ble pode alterar 0 ritmo. ScHAFER: — Por exemplo? FLAUTIsTA:— Seo rit dat duas nota fi longo-cuto, {xe poder mudar para crt tag. Um exemple € rcado scalar: — Bom! B que mais? ‘OnOISTA: — Mulan nas © conservando orto, EAsortsrA: Se uma era forts @ Outs plato, 0 2 ptr poderia inverts. FLavtisza:-~ O composi podria vita debi pa ‘cima, ov foo las dete pars late SCHAFE: — Sim, tdo so sea poste, Dékca-me eno ‘are quad, a ee SCHARER:— Esso algumas das mancias defer va- des sobre uma pequena seqncia de dua ata, como 5 que vecs loca. Quando vous olkam ete quar, ‘otam alguma coisa que poss indir um principio gral lateenica de variagao? suelo. Bem, sn comet, co ‘mo vo saber se qualquer grupo de dus nots do quar uma variagso do par origina? SAGonIsTA”~ Ela no fein nada em comm, SCHAFER: Exatamente, ere & 0 principio, Em todas fas varages, notem que sé um eemeato émudado — una ‘ez rlamo, ava ala, depos a dite, e asim por EE preciso qu alguns aspetos permanesam os mesmas do ‘cgial, ou ett delta dest varias, Vamos exper ‘ment indo de novo! Vllemor to mosivn Se dns noas, ‘eda um de oot al tocar uma rariagda de, Vamouco- ‘mera com a wompa, desta Yer, [No comero soa um poucohestant, eas instruments no se santem sepuras quanto ao que & ou no permis. ‘Mas logo a tenea de vara se torn clara eles come- (ime roar mas aturalnente SCHIARER: — Vostedevem continua faze iso ete vo- (8 meamos de verem quando, par sprender areas pron- {mente sos sons que outros eso proindo. Aro, sos rltar ao nsto ciclo de solos ginal. Ua compat ‘lear, eno cutzo comers, 0 peimekocaimamene exo ice pre: Mas ead ver Que ur ovo exeentante come far, cle precise omar un pequene mova ou uma frase de Seu predecsor ecomentila (sto 4 sepia gu ae), ‘ates de eoetinua, Dest vor os resutados sto muito mats eevee. ‘ts esto fazendo e uma convereacéo. A discussto de voces ‘Seimutaordenada; une pesos fla depois outene cada Se concorda som aaron, ane de dizer altima cet