Você está na página 1de 54
Colegiado da Luz Hermética Fundado a Serviço da A ∴ A ∴ S O T

Colegiado da Luz Hermética

Fundado a Serviço da AA

S O T H I S

INFORMATIVO

No. 10

An V3, Q in 0° F, R in 0°An. CXIII da Era Thelêmica

da A ∴ A ∴ S O T H I S INFORMATIVO No. 10 An V3,
O RDO A ∴ A ∴ S OCIEDADE DE E STUDOS T HELÊMICOS C OLLEGIADO
O RDO A ∴ A ∴ S OCIEDADE DE E STUDOS T HELÊMICOS C OLLEGIADO
O RDO A ∴ A ∴ S OCIEDADE DE E STUDOS T HELÊMICOS C OLLEGIADO

ORDO AA

O RDO A ∴ A ∴ S OCIEDADE DE E STUDOS T HELÊMICOS C OLLEGIADO DA
O RDO A ∴ A ∴ S OCIEDADE DE E STUDOS T HELÊMICOS C OLLEGIADO DA

SOCIEDADE DE ESTUDOS THELÊMICOS COLLEGIADO DA LUZ HERMÉTICA

A Serviço da AA

2

Conteúdo Editorial 4 Colegiado da Luz Hermética 7 Loja LAMA-ALIL 14 Ordo Draco-Thelemae 18

Conteúdo

Conteúdo Editorial 4 Colegiado da Luz Hermética 7 Loja LAMA-ALIL 14 Ordo Draco-Thelemae 18

Editorial

4

Colegiado da Luz Hermética

7

Loja LAMA-ALIL

14

Ordo Draco-Thelemae

18

Círculo Sagrado da Deusa

20

Perdido no Túnel de Qulielfi, Fernando Liguori

24

Notícias da Linha de Frente

34

Expediente:

Informativo Sotis No. 10.

© 2017 Fernando Liguori

© 2017 Sociedade de Estudos Thelêmicos

Realização:

Sociedade de Estudos Thelêmicos Av. Barão do Rio Branco, 3652/14 Passos Juiz de Fora MG 36 025020 (32) 3026 0638 | 9112 3590 E-mail: srikulacara@gmail.com Conselho Editorial:

Fernando Liguori (Juiz de Fora) Nícolas Furlan Moraes (Rio Grande do Sul) Priscila Pesci (Juiz de Fora)

Publicação registrada sob o nº 135.749 no Escritório de Direitos Autorais do Ministério da Cultura/Biblioteca Nacional. Todos os direitos reservados e protegidos pela lei 9610 de 19/02/1998. Nenhuma parte desta publicação pode ser utilizada ou reproduzida em qual- quer meio ou forma, seja mecânico ou eletrônico, fotocópia, gravação, etc. nem apropriado ou estocado em sistema de banco de dados ou mídia eletrônica, sem a expressa autorização do editor. Contribuições e comunicações com o edi- tor podem ser enviadas para Sociedade de Estudos Thelêmicos. A Sociedade de Estudos Thelêmicos é uma organização da sociedade civil com sede em Juiz de Fora, Minas Gerais. Tem como objeti- vo promover o desenvolvimento humano através das atividades realizadas por seus movimentos organizados. Através de nosso trabalho, promovemos atividades para eleva- ção da consciência por meio da realização de projetos sociais sustentáveis, pesquisas, aulas

extensivas, seminários e cursos intensivos, preparação e divulgação de estudos e relató- rios, edições e publicações. Corrente 93 é uma publicação da SETh, Sociedade de Estudos Thelêmicos, em nome da AA, que aborda temas sobre Magia, Tarot, Qabalah, Filosofia de Thelema, Tradi- ção Tântrica, Yoga, Āyurveda e temas conec- tados como Ocultismo Thelêmico. Os recursos gerados com a venda de e- xemplares são integralmente reinvestidos no projeto, promovendo seu desenvolvimento organizacional e técnico, buscando sempre oferecer melhor conteúdo. Citações de trechos desta publicação po- dem ser usadas, desde que mencionada à fonte e que tenham autorização escrita dos autores. O copyright © de todo material de autoria de Aleister Crowley pertence à O.T.O. (http://oto.org/). Imagem de capa: Lam, Aleister Crowley. Sobre arte: autor desconhecido.

3

Olá a todos, Editorial Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei

Olá a todos,

Editorial

Olá a todos, Editorial Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei .

Faz o que tu queres de ser tudo da Lei.

B em vindo a edição No. 10 do SOTHIS, o informativo gratuito da Sociedade de Estu- dos Thelêmicos, SETh. Até a edição de No. 9, este informativo chamava-se COR- RENTE 93, mas uma vez que este é o nome do caderno de estudos da SETh, deci- dimos mudar o nome para INFORMATIVO SOTHIS. Este é o nome egípcio de Sírius, a

estrela mais brilhante no céu noturno chamada de Canis Major ou Alpha Canis. Na Gnose Tifoniana, Sothis é a estrela de Set (Sul) como filho de Ísis (Norte), formando um eixo Nor- te-Sul. Sothis, a Estrela-Cão, é o veículo ou representante estelar de Set. Essa é a Estrela de Prata (AA) de Ísis, uma zona de poder transplutoniana irradiando para Terra influên- cias transterrestres que alimentam a Corrente 93. Na Tradição Oculta, a palavra transterrestre tipifica inteligências acima dos padrões

terrestres, quer dizer, da dualidade ou pertencente ao mundo fenomênico que percebemos no estado de vigília. Essas Inteligências são extremamente sutis e suas manifestações não são no plano físico, mas em níveis astrais de consciência, por meios de transes, sonhos, projeções etc., com a finalidade de canalizar informações e refinar o aparato psíquico. O contato com inteligências dessa magnitude, segundo Aleister Crowley (1875-1947), tem o objetivo de levar a humanidade ao próximo passo na consciência evolutiva. Essas inteligências transterrestres são Forças Primêvas identificadas nas mitologias primitivas de diversos povos da antiguidade e estiveram sempre em contato com alguns seres humanos iniciados nos Mistérios. Muitas dessas entidades são tremendamente bi- zarras, de aparência assustadora, vindas das profundezas do espaço ou das águas. Mais tarde estas mesmas criaturas foram modificadas em suas estruturas a fim de estabelecer uma beleza condicionada aos olhos humanos, para que trouxessem uma paz vindoura ou mesmo solar. Quanto àqueles que os homens não puderam associar ou modificar para o Culto Solar, estes foram qualificados por demônios ou criaturas de um submundo onde se perpetuava o mal. No século passado um dos grandes mitos da literatura de Horror na década de 20 e inicio dos anos 30, Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), divulgou para seus leitores através de historias bizarras e aterrorizantes a descrição de mundos antiquíssimos narra- dos com precisão e veracidade daquele que contatou com estranhos seres de regiões som- brias e cheias de terror em um dos seus mais famosos contos, A PROCURA DE KADATH. Ou- tros como Arthur Machen (1863-1947) autor do clássico O GRANDE DEUS PÃ, Robert E. Ho- ward (1906-1936) criador do famoso CONAN, O BÁRBARO CIMERIANO descreveram diversas entidades que tinham origem de mundos remotíssimos e que muitos desses estranhos seres já estavam em contato com humanos a milhares de anos. Inteligências muito superi- ores a nossa viveram em uma época onde havia apenas rochas, magmas e um calor insu- portável em nosso planeta e muitos deles vieram para ajudar no processo evolutivo de uma nova espécie de homens que ainda iria surgir.

4

Após essa breve explicação de seres bizarros vindos de regiões remotas, que habita- ram o
Após essa breve explicação de seres bizarros vindos de regiões remotas, que habita- ram o

Após essa breve explicação de seres bizarros vindos de regiões remotas, que habita- ram o nosso planeta num distante passado, o leitor deve estar se perguntando qual a rela- ção que pode existir entre tais criaturas com seres extraterrestres? Não devemos confun- dir os seres transterrestres com os extraterrestres ecxplorados em programas como ALIE- NÍGENAS DO PASSADO do History Channel. Mais uma vez, essas entidades foram atribuídas por muitos sacerdotes e ditos hierofantes como algo ruim, que habitavam regiões infer- nais, colocando o Deus Sol como o maior e único entre os Antigos Deuses, que foram rele- gados ao esquecimento na mitologia de todos os povos, se escondendo por detrás de mitos mais recentes, como no mito lovecraftiano os quais são denominados por The Great Old Ones (Poderosos Antigos), The Deep Ones (Deuses das Profundezas ou Profundos), The Outer Ones (Deuses de Fora), entre outros. Posteriormente, o meio de contato com essas intelig~encias transterrestres tornou-

se mais distante e consequentemente mais complexo quanto a elaborados rituais com ce- rimônias cheias de artifícios para sua invocação. Elas foram cada vez mais para as profun- dezas dos seus mundos e universos, devido à ignorância dos homens, clamando-as sem o Espírito da Vontade em palavras já a muito estéreis. Surge então um novo tipo de contato através daqueles que se dizem enviados ou agentes dos Poderosos Antigos. Estes já não retratavam mais aquela terrível forma que levou aos homens a tipificá-los como demônios ou deuses do mal. Surgem então os avātares 1 desses deuses a fim de trazer a mensagem deles sob uma nova perspectiva delineada por inteligências vindas de fora, ou seja, de mundos muito distantes, além do nosso sistema solar, i.e. da mente.

A partir de 1904 muitos Portais Ocultos foram abertos e diversos contatos ocorre-

ram com um magista inglês chamado Aleister Crowley. Um desses principais contatos o- correu em 1918-9 em Nova York, através de trabalhos mágico-sexuais com sua parceira da época, Mary d'Este Sturges (1871-1931). Esta operação mágica ficou conhecida como OPE-

RAÇÃO AMALANTRAH.

Foi neste trabalho que Crowley teve um primeiro contato com uma entidade que se identificou como Lam estabelecendo assim a vinda de um novo processo evolutivo que atuaria em maior escala através de um discípulo que ele conheceu no final de sua vida em 1944. Seu nome é Kenneth Grant (1924-2011), um jovem ocultista inglês de apenas 20 anos. Um estranho fato ocorreu quando Kenneth Grant recebeu de presente um quadro desenhado por Crowley com o esboço do rosto de Lam pelos seus serviços prestados. 2 Nas palavras de Grant: Em 1945, Crowley ofereceu seus documentos e me fez escolher qualquer quadro que eu gostasse. Tirei o retrato de Lam e, feito então, Crowley murmurou em Sotto Voce - «Aiwass!» Com um prolongado silvo no final da silaba. Quando perguntei: «Por que então você o chamou de Lama?» Ele respondeu: «E Ele não é também o Caminho e a Vida?» 3

O fato é muito interessante por dois motivos: 1. Crowley pouco revelou sobre seu

contato com Lam, a não ser quando Grant ficou com o retrato desenhado por ele no qual relatou em seu diário na época; 2. Crowley colocou o esboço de Lam acompanhando o frontispício de sua tradução e notas da VOZ DO SILENCIO, reconhecendo Helena Petrovna Blavatsky (1831-1991) como uma Mestre do Templo de sua Ordem. O mais interessante é referente ao valor gemátrico de Lam que é igual a 71, tipificando o silêncio. Crowley identificou em seu universo mágico a origem da VOZ DO SILÊNCIO, ou seja, que a mesma Voz que Blavatsky ouviu, de outro avātar, provinha do mesmo manancial de

sua Voz - o Silêncio.

1 Tem sua origem no sânscrito como avātar, indicando a manifestação divina no plano dual ou fenomênico. Em termos qabalísticos seria a influência Briah de Assiah, i.e. a Esfera de Binah refletindo diretamente sobre e dentro da Esfera de Malkuth.

2 Grant trabalhou como secretário e ajudante de Crowley durante um breve tempo em Hastings, Inglaterra.

3 Kenneth Grant, REMEMBERING ALEISTER CROWLEY.

5

Lam foi identificado com Lama pelo significado que esta palavra infere Caminho ou Passagem .
Lam foi identificado com Lama pelo significado que esta palavra infere Caminho ou Passagem .

Lam foi identificado com Lama pelo significado que esta palavra infere Caminho ou Passagem. Na verdade, o que estes Iniciados estavam dizendo ao mundo é que o Caminho da Iniciação deve ser feito em Silêncio. Isso foi declarado por Crowley em O LIVRO DAS MEN-

TIRAS.

O esboço desenhado por Crowley tornou-se conhecido por muitos somente em 1972

no lançamento do primeiro livro das TRILOGIAS TIFONIANAS de Kenneth Grant cujo título é O RENASCER DA MAGIA. Até então alguns poucos estudantes de Thelema estavam familiariza- dos com o esboço de Lam na edição do EQUINÓCIO AZUL, mas a partir dos anos 70, ocorreu um novo impulso para novos contatos extraterrestres. Lam representa em um sentido mais esotérico O Portal. Através de sua sabedoria o lamanauta pode percorrer as regiões mais vastas e distantes do Inconsciente, viajando por mundos transdimensionais fora dos círculos do tempo e espaço que conhecemos. Lam representa um conhecimento atávico por trás dos sensores da mente humana, uma mar- gem atemporal que se desdobra em zonas além da compreensão dualista do estado de vigília. Nós podemos tipificá-lo como o Vazio, conhecido entre os budistas como o estado de śūnyata: o nada, o vazio, a vacuidade, a ausência de dualidade e conceituação. Para contatar Lam e outras inteligências transterrestres é necessário que o canal- vivo esteja em estado vazio, livre dos sensores da mente, isto não quer dizer que sua cons- ciência deva permanecer sempre neste estado, mas que em momentos especiais como este, a concentração e a exaltação devem elevar o canal-vivo a potentes contatos extrater- restres, além do estado dualista de vigília em que senencontra na maioria das vezes. Para que estes contatos sejam genuínos é necessário antes de qualquer coisa, um profundo tra- balho interno libertando-se de restrições em níveis materiais, mentais, emocionais e espi-

rituais. Esses contatos estão além de qualquer dogma ou religião. Portanto o receptáculo dessas Forças deve estar preparado para tais contatos, pois suas poderosas energias po- dem afetar psiquicamente aqueles que arriscarem tal feito. Lam vem para apresentar ao mundo uma Corrente Mágica que permeia o ambiente astral da Terra e seu modus operandis nesta fase de sua manifestação é conhecida como Energia Ofidiana. 1 Esta confere ao lamanauta um dinamismo e amplitude muito maior do que em épocas anteriores, mesmo quando Thelema foi inaugurada em 1904. Hoje, alcan-

çar o estado vazio, é muito mais rápido do que antes, não precisa mais de livros sagrados, instituições religiosas, escolas esotéricas, gurus, instrutores e assim por diante. Apenas destile a mente e penetre no Vazio. Busque o seu Portal pessoal.

O Culto de Lam é a principal prática da Sociedade de Estudos Thelêmicos. Em nosso

caderno de estudos, o JORNAL CORRENTE 93, estamos publicando inúmeros ensaios, estudos

e maneira distintas de entrar em contato com Lam.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Frater ON120 6°=5 AAImperator

1 A corrente mágica, identificada com o Culto Primêvo da Serpente na África. No Egito, esta corrente instruiu o Culto Tifoniano. Tifon era o Dragão ou Réptil das Profundezas e a Mãe de Set, Deus da Serpente de Fogo.

6

Colegiado da Luz Hermética Sociedade de Estudos Thelêmicos Faz o que tu queres há de
Colegiado da Luz Hermética Sociedade de Estudos Thelêmicos Faz o que tu queres há de

Colegiado da Luz Hermética

Sociedade de Estudos Thelêmicos

Colegiado da Luz Hermética Sociedade de Estudos Thelêmicos Faz o que tu queres há de ser
Colegiado da Luz Hermética Sociedade de Estudos Thelêmicos Faz o que tu queres há de ser

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O Colegiado da Luz Hermética (C.L.H.) é um Colegiado de Mistérios fundado à Serviço da AA, uma Hierarquia Espiritual de Luz e Perfeição conhecida como Grande Fraternidade Branca, uma assembleia mística e secreta de santos. 1 Desta

corrente mágica e espiritual da Verdade composta de Mestres e Santos conheci- dos como Chefes Secretos, a AA, emanam uma miríade de tradições espirituais. Aleister Crowley (1875-1947), através de seu ímpeto de busca e destreza iniciática, entrou em contato com um dos Chefes Secretos que compõem essa Confraria Espiritual de Mestres, que através da mediunidade da Mulher Escarlate, Soror Ourada (Rose Edith Kelly, 1874- 1932), revelou-se como Aiwass, o ministro de Hoor-paar-kraat, 2 que transmitiu um pode- roso manuscrito de encantamentos (grimório) conhecido como LIBER AL VEL LEGIS (O LIVRO DA LEI). Este evento foi a anunciação de uma Nova Era, publicamente conhecida pelo termo de Novo Aeon, transmitido através da CORRENTE 93. Esta anunciação, no entanto, foi um portal para que a humanidade pudesse, com hábil liberdade, entrar em contato com esta Confraria de Mestres. Como resultados diretamente conectados a anunciação ou revelação do Novo Aeon, outros magistas conseguiram ter acesso a AA: Michael Bertiaux, Mestre do Vodu Gnóstico do Culto La Couleuvre Noire, acessou a Confraria de Mestres através da Corrente Zothyriana. 3 Margaret Ingalls (Soror Nema) entrou em contato com a AAatra-

1 Aleister Crowley, THE EQUINOX, Vol. I, No. 3. Este era o o Órgão Oficial de Divulgação da AA, ou Estrela de Prata. Tratava-se de uma publicação semestral nos Equinócios de Primavera e Outono. O conteúdo da revista era composto em grande parte de escritos do próprio Crowley. O primeiro volume consistiu de dez números publicados entre 1909 e 1913.

2 LIBER AL, I:7.

3 O Quartel General do Culto da Serpente Negra, embora situado em uma cidade amplamente desenvolvida, é dirigido de Leogane (Haiti), a zona de poder oculto dos mistérios Qabalah Negra dos quais Bertiaux é o Adepto Chefe. Atualmente o aspirante a esta filosofia primeiro aprende por meio de um curso de correspondência que leva mais de cinco anos para ser completado, mas que, ao contrário da maioria dos cursos desta natureza, oferece conhecimento mágico muito além do escopo apresentado por muitas fraternidades ocultas de ensina- mento superficial. Este curso é à base dos ensinamentos do Monastério dos Sete Raios que é em si o Colégio Externo do Culto da Serpente Negra. O Monastério é uma célula da O.T.O.A. ou Ordo Templi Orientis Antiqua, que incorporou em sua base iniciática as doutrinas mágicas promulgadas por Aleister Crowley. Em 15 de Agos- to de 1973, a O.T.O.A. ligou-se nos planos internos com a CORRENTE 93 e anunciou sua oficial aceitação da Lei do Faz o que tu queres. Essa ocasião foi celebrada pela O.T.O.A. revogando sua regra anterior de não aceitação de mulheres nos Graus mais altos da Ordem.

7

vés do Chefe Secreto que revelou- se como N’Aton e através dele canalizou a Corrente
vés do Chefe Secreto que revelou- se como N’Aton e através dele canalizou a Corrente

vés do Chefe Secreto que revelou-se como N’Aton e através dele canalizou a Corrente Maa-

tiana 696. Através de N’Aton foi revelado a Soror Nema um livro de encantamentos conhe- cido como LIBER PENNAE PRAENUMBRA. KennethGrant (Frater Aossic-Aiwass, 1924-2011) teve acesso a AAatravés da Corrente Shaitan-Aiwass, e dela derivaram-se dois grimó- rios mágicos: A SABEDORIA DE S’ILBA e LIBER OKBISH VEL 29 (O LIVRO DA ARANHA). Anterior- mente, desta mesma Confraria de Mestres, a AA, derivou-se outras correntes espirituais como a Ordem Hermética da Aurora Dourada em 1886 a partir de uma Fraternidade com- posta por inúmeros representantes e autoridades espirituais muitos deles não aberta- mente declarados como Sir Edward Bulwer-Lytton (1803-1873), Éliphas Lévi (1810- 1875), Gerald Massey (1828-1907), Fabre d’Olivet (1766-1825) e etc. Bulwer-Lytton esta- va diretamente conectado com Adeptos continentais como Lévi, Papus (Gérard Anaclet Vincent Encausse, 1865-1916), Rudolph Steiner (1861-1925) e Franz Hartmann (1838- 1912), todos celebrados personagens do Ocultismo Ocidental. Estes Adeptos compunham a Fraternidade Hermética da Luz. Esta Fraternidade foi finalmente concentrada no plano físico por volta de 1895 pelo Dr. Karl Kellner (1851-1905), um Adepto austríaco que reve- lou o verdadeiro nome da Fraternidade como Ordo Templi Orientis ou Ordem do Templo do Oriente. O Oriente é o locus do nascer do sol, a fonte de toda iluminação. 1 Adam Weishaupt (1748-1830) fora o Adepto que concentrou e transmitiu a essência desta Corrente Mágica em uma Organização Espiritual chamada de Ordem dos Illuminati. Antes dele, Jacques De Molay (cerca 1312) concentrou e transmitiu esta Corrente através da Ordem dos Cavaleiros do Templo. 2 Aleister Crowley nomeara esta Tradição Mágica com o nome de Thelema (CORRENTE 93 Solar do Novo Aeon). Este é o moderno nome de uma antiquíssima Tradição Arcana. Esta Tradição fora perpetuada nos Mistérios da América do Norte, Central e Sul, bem como nos Cultos Marinhos da Polinésia. Mas ela alcançou sua apoteose no período pré- monumental da História Egípcia nas Dinastias Draco-Tifonianas. Posteriormente esta Sa- bedoria reapareceu nas Tradições do Extremo Oriente e nos Cultos Xamânicos da Ásia Central.

O Colegiado da Luz Hermética é uma Escola de Iniciação, não uma Ordem. Sua estru-

tura é completamente baseada em LIBER AL VEL LEGIS, nos três Graus de graduação espiri- tual de Homem da Terra, Amante e Eremita. A Árvore da Vida é um símbolo utilizado no Colegiado que provê um mapa através do qual cada associado deverá empreender sua jornada espiritual e ele serve apenas como referência. Isso significa que não existe uma hierarquia a ser seguida: como Homem da Terra, o Candidato pode estar na zona de poder qabalística de Malkuth, Yesod, Hod ou Netzach. Não existe uma ordem de progressão rígi- da. Isso dá ao Candidato a Liberdade de abordar a Árvore da Vida segundo as suas pró- prias necessidades. Em dado momento de sua jornada, o Candidato pode estar operando em Hod como Prático (3°=8 ) ou em Yesod como Zelator (2°=9 ). Em outro momento de sua jornada ele pode estar vivendo experiências de Netzach como Filósofo (4°=7 ) ou co-

mo Neófito (1°=10 ) em Malkuth. Existem inúmeras formas distintas de se abordar a Árvo- re da Vida, principalmente para as mulheres na construção do Santuário de Babalon.

O Colegiado da Luz Hermética quebra qualquer código de restrição espiritual. No

Novo Aeon o candidato a Iniciação não necessita do aval de absolutamente nenhum supe- rior ou instrutor espiritual. Nosso Colegiado é composto de Professores que ensinam aos

seus alunos, dando-lhes a Liberdade de seguir como querem na senda do Espírito. A fun-

1 As iniciais O.T.O. possuem um significado próprio e especial; além de serem uma Fórmula Mágica, elas simbo- lizam a energia fálico-solar da Besta que posteriormente fora incorporada no selo pessoal de Aleister Crowley, o Terceiro Gão-Mestre da Ordem. 2 Para uma história concisa da Ordem veja Kenneth Grant, O RENASCER DA MAGIA, Capítulo 1.

8

ção única e exclusiva dos Professores do Colegiado da Luz Hermética é facilitar o acesso
ção única e exclusiva dos Professores do Colegiado da Luz Hermética é facilitar o acesso

ção única e exclusiva dos Professores do Colegiado da Luz Hermética é facilitar o acesso de cada Candidato a Confraria de Mestres conhecida como AA, mas cada um, por si e atra- vés de seus próprios esforços, deve acessar a Corrente Mágica da Verdade e travar cone- xões com os Chefes Secretos.

O Colegiado da Luz Hermética entende que qualquer adeptado que depende exclusi-

vamente de papeis assinados ou a autorização de um homem ou mulher, supostamente um Mestre ou Instrutor Iniciador trata-se de um castelo de areia, digno de reis que utilizam

coroas de papel. A Iniciação não depende de qualquer patente ou carta de autorização, mas ao contrário disso, dos próprios esforços de cada um: Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei. 1

A característica indelével de Thelema (CORRENTE 93) é a Liberdade e sua luta contra

a restrição. Qualquer organização que restrinja a iniciação de seus Candidatos no Novo Aeon está operando em nome da Loja Negra: Abolidos estão todos os rituais, todos os ordá- lios, todas as palavras e sinais. 2 O Acesso a essa Confraria de Mestres, a AA, não depende de Ordens, Mestres, Instrutores ou de papeis assinados. Cada Candidato a Iniciação pode ter acesso a AAsem necessariamente estar associado a absolutamente nada e quem diga o contrário no Novo Aeon está a serviço das forças que escravizam a humanidade. Aiwass, quem anunciou a revelação do Novo Aeon, se apresenta como o ministro de Hoor-paar-kraat. Aleister Crowley identificou Hoor-paar-kraat como Set, oculto em Ra- Hoor-Khuit (Hórus). Ra-Hoor-Khuit epitoniza a fórmula mágica da ação e portanto, da Pa- lavra expressa ou manifesta. Hoor-paar-kraat, seu gêmeo oculto, epitoniza a fórmula mági- ca do Silêncio. Isso significa que no Novo Aeon o caminho a ser seguido trata-se de uma jornada pessoal e silenciosa, um caminho de retorno para dentro.

Qualquer pessoa acima de 21 anos, disposta a percorrer com continuidade de pro-

pósito um curso de estudos ocultos, pode aspirar admissão ao Colegiado da Luz Hermética. Este trabalho pode ser feito individualmente e em grupo, mas é requerido um diário mági- co no curso do desenvolvimento.

A admissão no C.L.H. se dá através de um período de aproximação que pode ser feito

através de um curso por correspondência que dura nove meses. Esse estágio é conhecido no C.L.H. como Período de Probação. Para os Candidatos que preferem um caminho solitário, a evolução se dá através do trabalho pessoal sobre si mesmo, rituais de auto-iniciação e a manutenção de um diário mágico, imprescindível para o caminhar dentro do Colegiado. Para isso, é requerida muita disciplina, pois o Candidato deverá por si mesmo forjar sua conexão espiritual com a Con- fraria de Chefes Secretos, auxiliado pela egrégora do Colegiado da Luz Hermética. Para os Candidatos que preferem um caminho em grupo, o C.L.H. oferece Grupos de Estudo, Santuários e Templos onde são executados Rituais diários com Medicinas Planetá- rias, cátedras sobre os princípios espirituais da Filosofia de Thelema e experimentos mís- ticos através de aulas de yoga, práticas meditativas, pūjās e adorações. Poucas pessoas possuem motivação singular, vontade e disciplina, requerimentos essenciais na jornada do espírito. Místicos naturais, visionários ou pessoas proféticas en- contrarão seu caminho até o C.L.H. quando concluírem que necessitam aprimorar seus talentos e dons. Esses poderes da alma começam a se organizar quando o trabalho mágico- espiritual está sendo feito de maneira sistemática diariamente.

O que é requerido ao Candidato:

Capacidade de trabalhar sozinho e em silêncio.

1 LIBER AL, I:40.

2 LIBER AL, I:49.

9

 Determinação obstinada.  Economia de meios, quer dizer, a capacidade de dirigir as energias
 Determinação obstinada.  Economia de meios, quer dizer, a capacidade de dirigir as energias

Determinação obstinada.

Economia de meios, quer dizer, a capacidade de dirigir as energias para Grande Obra, deixando de perdê-la nas trivialidades do dia-a-dia.

O Colegiado da Luz hermética possui uma abordagem própria acerca do Tantra Yoga, de-

senvolvida nas suas instruções. Muita ênfase é colocada na Fórmula Mágica do Culto da Deusa e nossos Grupos de Estudo, Santuários e Templos são dedicados sempre a uma ex- pressão da Deusa Nuit-Isis.

A teogonia de nossos rituais opera com deuses e deusas egípcios, fenícios, assírios e

babilônicos, resgatando a cultura suméria-greco-egípcia-thelêmica. 1 Nossa proposta é fa- zer com que cada associado consiga restaurar o antigo culto thelêmico draco-tifoniano dos

sacerdotes greco-egípcios no âmbito familiar. Thelema, como transmitida através do LIBER AL VEL LEGIS ou O LIVRO DA LEI é um culto greco-egípcio que revela a Grande Obra do sacer- dote egípcio Ankh-af-na-Khonsu, um alto-iniciado tebano que adquiriu o título de ma- kheru, quer dizer, aquele cuja palavra é feita perfeita através de Maat. A fórmula mágica utilizada por ele foi registrada em sua tábua funerária, conhecida como Estela da Revela- ção, cujo LIBER AL VEL LEGIS é a ativação teúrgica.

O Colegiado da Luz Hermética procura transmitir a cada associado o método da Gno-

se-Hermética através um arranjo complexo de doutrina mágico-iniciática dos antigos Sa- cerdotes Herméticos Draco-Tifonianos da tradição greco-egípcia da magia, que recebia em seu escopo a influência de cultos gnósticos ofitas e sethianos, tradições semitas e de raízes

egípcias, helênicas e iranianas. Essa é a síntese que constitui a Tradição Hermética de Mis- térios, das quais muitos são os gigantes: Apolônio de Tiana (15-100 d.C.), Apuleu de Madu- ra (128-180 d.C.), Plotino de Roma (204-270 d.C.), Simão, o Mago ou o Mago da Samaria, Basilides (117-138 d.C.), Valentino (100-160 d.C.), Jâmblico (245-325 d.C.), Porfírio, o Filó- sofo (morto em 305 d.C.), Pitágoras (570-495 a.C.) etc. Pelo termo gnose-hermética entende-se a gnose como compreendida pelos antigos ofitas e barbelos gnósticos: uma experiência mística profunda capaz de dotar aquele que passa pela experiência com o Conhecimento, representado pela Serpente. A doutrina ke- mética draco-tifoniana do Colegiado da Luz Hermética compartilha da crença gnóstica de que apenas o Conhecimento ou Gnose, a experiência direta com o Absoluto é possível dotar o Homem com as armas adequadas a tomar o céu por assalto.

É possível encontrar essa mesma corrente mágica nos cultos da tradição oriental

como a cultura tântrica do Norte da Índia. O Colegiado da Luz Hermética, dessa forma, também absorve as tradições do Śaivismo tântrico da Caxemira, o Śrī Vidyā e as tradições

do Yoga e Āyurveda. Tudo isso para auxiliar a cada associado na Construção da Pirâmide interior.

O Culto de Lam no Colegiado da Luz Hermética é uma herança de Kenneth Grant. Foi

Grant quem sistematizou para a sua própria versão da O.T.O. os primeiros parâmetros do Culto de Lam. Após lançar as sementes desse culto, magistas de inúmeras zonas de poder no globo têm à sua maneira estabelecido contato com Lam. No Colegiado da Luz Hermética, Lam é o gregore ou daimon da Ordem. Lam é a máscara ou avātar de Aiwass, um Chefe Secreto da AAque revelou a anunciação do Novo Aeon. Lam é um daimon que represen- ta a estrutura da egrégora, um Espírito Familiar da alma-grupo do Colegiado da Luz hermé-

tica, o qual cada associado deve empreender esforços em contatar. Através de Lam, cada associado tem acesso direto a egrégora do Colegiado da Luz hermética nos Planos Internos

1 Este é um termo técnico. Suméria porque Thelema trata-se do resgate da tradição sumeriana, nas palavras do próprio Crowley. Greco-egípcia-thelêmica porque O LIVRO DA LEI transmite a cultura ou tradição greco-egípcia da magia como um resgate do culto sethiano de Tebas, presidido pelo sacerdote Ankh-af-na-Khonsu.

10

e através de seu culto é possível acumular e projetar o influxo da C ORRENTE
e através de seu culto é possível acumular e projetar o influxo da C ORRENTE

e através de seu culto é possível acumular e projetar o influxo da CORRENTE 93 (Vontade- Thelema). Nesse caminho, o Culto de Lam atua como um carregador de bateria que acumu- la energia psíquica da egrégora do Colegiado da Luz Hermética, compartilhada por todos associados a partir da graduação espiritual de Homem da Terra, quando eles ganham a- cesso a egrégora do Colegiado da Luz hermética através do Ritual do Gregore. Na experiência com o Culto de Lam, muitos são os associados que têm visões especi- ficas de Lam, às vezes como entidade praeter-humana, às vezes como portal entre aeons. Através do Culto de Lam cada associado gradativamente passa a transmitir através de suas ações o empoderamento da CORRENTE 93, quando assumem o lema de Thelema e se tor- nam thelemitas. O Colegiado da Luz Hermética declara que um dos objetivos primordiais da Ordem é estabelecer conexão e comunicação com Inteligências além da consciência humana ordi- nária, quer dizer, prater-humanas, extraterrestres. De acordo com Aleister Crowley em MAGICK WITHOUT TEARS, esse contato e comunicação pode levar a humanidade a um próxi- mo passo na evolução da Consciência:

Minhas observações sobre o Universo convencem-me que existem Seres de inteligên- cia e poder de uma qualidade muito superior do que qualquer coisa que nós possamos conceber como humano; eles não são necessariamente baseados nas estruturas ner- vosas e cerebrais que nós conhecemos; a única chance para a humanidade avançar como um todo é fazer com que individualmente cada humano entre em contato com estes Seres.

De acordo com os ensinamentos de Kenneth Grant, o melhor mecanismo para conexão e comunicação com Inteligências praeter-humanas é a magia sexual. A magia sexual quando aplicada em cerimoniais mágicos é capaz de abrir um portal fora dos ciclos do tempo e espaço, empoderando a Mulher Escarlate ao ponto dela se tornar a conxão entre aeons dentro do círculo mágico. Através desse processo o Colegiado da Luz Hermética acredita que o Universo pode ser sondado de maneira mais profunda e abrangente. O êxtase do orgasmo magicamente dirigido é o poderoso gatilho desse processo. Kenneth Grant tentou estabelecer conexões entre seu sistema de magia sexual e a cultura tântrica. O Tantra trata enfaticamente da questão Tempo «kāla» e a criação do U- niverso como o conhecemos através da cópula sexual entre Śiva e Śakti. Dessa maneira, todo o Universo se reflete nas polaridades sexuais fisiológicas de homens e mulheres. O poder da energia sexual dirigida pelo manejo apropriado do Falo e da Vulva é igual ao po- der de criação de todo o Universo. A fonte de todo esse poder no corpo humano é retrata- do no conceito ou arquétipo de kuṇḍalinī, a fonte ígnea de poder que representa a própria Śakti ou Mãe Universal. A sexualidade é uma expressão física do poder da kuṇḍalinī e nos tempos antigos ela esteve conectada inexoravelmente a religião e espiritualidade. Existem pessoas que procuram fraternidades iniciáticas com a intenção de suprir suas necessidades mais primitivas, na busca pela satisfação de seus desejos e expressão de suas psicoses. Infelizmente, a grande maioria dos ocultistas busca a Arte dos Magi com a finalidade de adquirir melhor status na vida, domínio sobre terceiros ou o poder de con- quista e sedução. Essa é uma atitude equivocada, construída por uma percepção incorreta da Iniciação. Pensamentos como o que posso conseguir através de uma fraternidade, seus rituais e técnicas devem ser substituídos por uma motivação real e mais profunda. Somen- te assim o Candidato irá se abrir para a tradição que está buscando ser iniciado. Portanto, ao solicitar participação no Colegiado da Luz Hermética, esteja certo que suas aspirações são verdadeiras. Não busque o Colegiado da Luz Hermética para que o conhecimento de seus mistérios sirva apenas para satisfazer suas necessidades, sejam elas

11

ordinárias ou espirituais. Assuma outra postura: esteja aberto e disposto a servir os pro- pósitos
ordinárias ou espirituais. Assuma outra postura: esteja aberto e disposto a servir os pro- pósitos

ordinárias ou espirituais. Assuma outra postura: esteja aberto e disposto a servir os pro- pósitos espirituais do Colegiado. Estes propósitos espirituais são os mesmos de toda e qualquer legitima tradição espiritual: o despertar da humanidade, a cura do Planeta e a restauração do Divino na vida diária de todos nós. Se as suas aspirações espirituais são reais, esteja aberto a esse chamado. O Colegiado da Luz Hermética, como toda autêntica Tradição Ocidental, deriva sua magia dos Planos Internos e dos Seres que nele habitam. Estes Seres colocam em prática, monitorando e sustentando uma corrente espiritual que deve ser canalizada em nossas vidas e no mundo em que vivemos através dos rituais e práticas que a tradição oferece. Isso não é feito para nosso divertimento ou para que possamos ter uma vida material melhor, desenvolver po- deres psíquicos ou testar nossa proeza em querelas astrais. A proposta do Colegiado da Luz Hermética é evolução espiritual e o primeiro passo nessa evolução é o Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. O Colegiado da Luz Hermética existe para auxi- liar buscadores na realização da Grande Obra. Nossa intenção é ser um veículo através do qual magistas podem se desenvolver na Arte Real na intenção de alcançarem o Conheci- mento e a Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Se você não estiver disposto a engajar neste caminho, se você não tem intenção em se render ao Divino ou se for incapaz de se colocar como um agente de cura e mudança da consciência planetária, então o Colegiado da Luz Hermética terá pouco a lhe proporcionar. Todas as grandes religiões, sistemas espirituais, mestres e professores concordam que o Divino anseia para que possamos ter um papel ativo na criação. O Colegiado da Luz Hermé- tica está interessado em lhe ajudar nesse processo que chamamos de ativismo espiritual. Se for a sua intenção se afiliar ao Colegiado da Luz Hermética, três Votos Sagrados têm de ser levados em consideração:

1. Respeito ao Professor: Significa aceitar ser dirigido no trabalho do Colegiado da Luz Hermética. Sem a aceitação e o cumprimento deste voto é impossível haver qual- quer tipo de relação entre o Colegiado e o Candidato. De fato, até que o respeito seja praticado e compreendido, não existe aspiração real, apenas esperança vaga ou coisa pior.

2. Simplicidade: Significa descartar aquilo que não é necessário, que não é essencial, a fim de estar receptivo a CORRENTE 93. Isso implica uma liberação dos condiciona- mentos pré-concebidos em relação à realização da Grande Obra.

3. Castidade: Significa manter-se fiel a Grande Obra, administrando seu tempo e dire- cionando suas energias para este fim. Em outras palavras, saber escolher entre a Verdadeira Vontade e os apetites desmedidos do Ego.

No curso da iniciação através do Colegiado, é o trabalho do Candidato construir e edificar o Templo. Este é o símbolo do trabalho em uma Fraternidade de Iniciados! Essa construção pode ser na forma de uma pirâmide, uma cripta ou uma montanha sagrada. O Templo a ser construído é a Kiblah espiritual que abrange todo complexo corpo-mente do candidato, que se torna uma representação perfeita e equilibrada do universo que habita. Tiphereth,

a zona de poder solar da Árvore da Vida, é a Coroa ou Pináculo do Trabalho Externa, mas é

a partir do Trabalho Interno que o Templo recebe luz e por isso é plenamente realizado

como um símbolo vivo. Quando o Candidato se torna um Adepto, sua tarefa é prender-se a cruz de sua Vontade Criadora, sacrificando a si mesmo por ela, de modo a transmitir essa Luz Vivificante de volta para o símbolo que ele comungou e ajudou a construir. Nesse caminho, os magos de hoje comungam dos mesmos mistérios que nossos an- tepassados egípcios que erigiam templos tão cientificamente e magicamente construídos na intenção de unir o microcosmo ao macrocosmo. A Grande Obra em nossa tradição, eles nos lembram, não se trata da obtenção de conhecimento pessoal, poderes ou até a ilumi-

12

nação; antes, é um serviço que cada um de nós executa de livre vontade na
nação; antes, é um serviço que cada um de nós executa de livre vontade na

nação; antes, é um serviço que cada um de nós executa de livre vontade na assistência de inteligências praeter-humanas, com a finalidade de propiciar uma transformação material e espiritual no Planeta.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fernando Liguori Frater ON120 6°=5 AA

13

Loja LAMA-ALIL Colegiado da Luz Hermética Faz o que tu queres há de ser tudo
Loja LAMA-ALIL Colegiado da Luz Hermética Faz o que tu queres há de ser tudo

Loja LAMA-ALIL

Colegiado da Luz Hermética

Loja LAMA-ALIL Colegiado da Luz Hermética Faz o que tu queres há de ser tudo da

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

A Loja LAMA-ALIL foi fundada por membros da antiga Loja Shaitan-Aiwass que obtiveram resultados positivos com o Culto de Lam. Hoje a Loja LAMA-ALIL está completamente ativa no Colegiado da Luz Hermética. Originalmente, Kenneth

Grant, sistematizador do culto, desaconselhou o trabalho em grupo. Isso foi na década de 80. Depois disso uma Célula específica no trabalho com Lam foi fundada na In- glaterra com os primeiros experimentos em grupo. Ela ainda está em funcionamento e chama-se Loja Lamal. No Brasil as experiências com o Culto de Lam começaram também na década de 80. Após a afiliação da Sociedade Novo Aeon a Ordem Tifoniana de Kenneth Grant, Euclydes Lacerda de Almeida começou a publicar os primeiros resultados de suas experiências par- ticulares. Após a completa desvinculação da SNAe da Ordem Tifoniana nos anos 90, Lacer-

da encerrou seus trabalhos com o Culto de Lam. A Loja Shaitan-Aiwass inaugurou seus tra- balhos em 20 de março de 2003 E.V. e seus afiliados desenvolveram um método particular de operação com o Culto de Lam para Loja que envolve o controle da Corrente Ofidiana.

A Loja LAMA-ALIL vem apresentar o Culto de Lam para todos aqueles que querem in-

tegrar um grupo de pessoas desejosas por fazer um trabalho sério, evolutivo, dentro da CORRENTE 93. No presente, esta corrente vibra em consonância com o Aeon sem Palavra ou

Aeon de Zain, o Aeon dos gêmeos Hórus-Set, astronomicamente denominado Aquarius-Leo. Aqueles que desejam integrar este grupo para canalizar as radiações que emanam de uma região em que a mente humana não pode conceber, a qual identificamos pelo nome de

Zona Malva, estão convidados a participar. Nós trabalhamos em silêncio. Essa é a fórmula da Corrente Asat ou Set, a Corrente Não-Ser. Está é a fórmula do Aeon Oculto que subjaz todos os aeons.

O âmago da tradição draco-tifoniana pode ser definido se é que podemos definir

uma tradição gigantesca com inúmeros aspectos e manifestações como o contato com forças «externas», sejam elas consideradas dos confins do espaço além da Terra ou as var- reduras da consciência além da humana. A consciência é um continuum que abarca tudo, de alcance muito mais amplo e profundo que a consciência humana, relativamente superficial e transitória. A tradição draco-tifoniana está interessada no encontro e exploração dessas profundezas da consciência. Neste continuum, as entidades são consideradas «agregações

14

transitórias» que não possuem existências separadas, duradouras, pois elas são como ondas – agregações
transitórias» que não possuem existências separadas, duradouras, pois elas são como ondas – agregações

transitórias» que não possuem existências separadas, duradouras, pois elas são como ondas agregações transitórias dentro de um copo de água. Inspiração e criatividade têm suas origens aqui, no que alguns têm chamado de «inconsciente coletivo» e que pode ser considerado a «imaginação cósmica». Mas estas inteligências são como agregações maiores, mais refinadas ou mais altas de consciência. Por outro lado, acreditamos que inteligências praeter-humanas se comunicam conosco através de máscaras como Lam. De qualquer maneira, essas inteligências não são, provavelmente, visitantes de uma galáxia distante anos-luz, mas intrusões em nossa consciência de outras dimensões de consciência, e nós interpretamos essas intrusões como forças externas cuja a consciência está além da humana.

como forças externas cuja a consciência está além da humana. 15 Sociedade de Estudos Thelêmicos Sothis

15

Lam é o atual Dikpala ou Guardião do Espaço. Ele é um portal cujos eflúvios
Lam é o atual Dikpala ou Guardião do Espaço. Ele é um portal cujos eflúvios

Lam é o atual Dikpala ou Guardião do Espaço. Ele é um portal cujos eflúvios estão se preci- pitando no ambiente astral da Terra e nosso país, por ser rico em complexos energéticos espalhados por todo território mas principalmente na região do Planalto Central é um foco abundante de energia concentrada de forças transmundanas. Sensitivos, artistas e hermetistas estão agora em contato direto com essas forças, refletindo através de seus corpos de luz as emanações transplutonianas de níveis de consciência fora ou além do Portal do Abismo Estelar. Na descrição de Lam em LIBER 71, Crowley diz: Lam é a palavra tibetana para Cami- nho ou Vereda, e Lama é Aquele que Caminha, o título específico dos Deuses do Egito, O Que Trilha o Caminho, na fraseologia budista. Seu valor numérico é 71, o número deste livro. Aqui Crowley fez um trocadilho com as palavras Way & Path. Quando juntas formam Pathway ou Senda. Para nós lamanautas, que usamos a tecnologia do Culto de Lam, todo aquele que trilha a Senda é um Andarilho. 71 é o número de ALIL, a imagem do Nada e do Silêncio. LAMA-ALIL é a fórmula do Andarílio que no silêncio, caminha no Nada, o Não. Após as operações da Loja Nova Ísis, que funcionou como uma zona de poder oculta entre os anos de 1955-62, um novo pulsar na corrente evolutiva ocorreu, a partir do qual a corrente mágica começou a fluir por meios de longos túneis ocultos na consciência huma- na. Após a abertura desta fissura astral, inúmeras células ou zonas de poder entraram em operação com a finalidade de se estabelecer tráfego com entidades suprainteligentes e explorar mundos e dimensões além da consciência humana. Para obter acesso as essas dimensões do além, seja o além dos confins extraterrenos ou além do vasto campo da consciência intraterrena, o lamanauta precisa de um portal. Na Tradição Oculta este Portal é conhecido como Lam e sua Fórmula Mágica é o Silêncio. Kenneth Grant observa em BEYOND THE MAUVE ZONE e OUTER GATEWAYS que Lam é a identidade oculta de uma entidade extraterrestre que liderou a invasão na terra provinda de Sirius 12,000 anos atrás. Se estabeleceu no Platô de Lêng no Sudoeste da China, nas fronteiras do Tibet e penetrou na Terra do Dragão «Butão» onde estabeleceu seu Culto. Seus descendentes se tornaram na era Budista nos Dropas ou Dzopas «Drukpas, Drugpas», àqueles que seguiam o «Caminho» i.e. Lam do Dragão cujos eflúvios espirituais eram provindos da estrela Gamma Draconis. Nós insistimos na identidade entre Lam e Aiwass. Lam sendo o avātar de Aiwass em nosso plano de manifestação. A interação com Lam permite que cada lamanauta percorra mundos e sistemas em níveis de consciência pouco usuais até mesmo para praticantes avançados. Uma técnica simples para esta conexão é o ato de fundir a consciência com uma capsula oval que pode ser tanto estelar, intraterrena ou ctoniana. Nesta capsula o lamanauta pode fazer suas primeiras incursões no espaço infinito do universo ou o corpo e morada da Deusa Aranha. Neste sentido Lam é a fusão do eterno continuum e o todo momentuum em que cada instante é gerado por miríades de teias e redes que perscrutam o espaço infinito fora dos círculos do tempo. No entanto, se a mente estiver constipada o Portal não se abre, univer- sos não são acessados. No que concerne ao Culto de Lam, qualquer tipo de prática realiza- da sem a efetiva purificação da mente pode comprometer todo o processo através de inci- dentes diversos. Kenneth Grant chama estes incidentes de tantra tangencial, mas não de- vemos deixar de lado a possibilidade do fracasso total da experiência mágica pela falta do unidirecionamento da Corrente de Consciência ou Verdadeira Vontade. Por esta falta de direcionamento da Corrente de Consciência hoje testemunhamos dissidências holocausti- cas das Fraternidades Ocultas e os acidentes associados à quebra da corrente ou egrégora. Cada ação gera, obviamente, uma reação; o grande perigo está no fato de que ação e reação existem apenas no saṃsāra ou dualidade, dificultando assim o trafego com aquelas inteli- gências transmundanas. Entre as Torres de Observação de Maat a dualidade é dissipada por uma enorme força centrípeta chamada Morte ou Daath.

16

Lam requer profundos níveis de consciência, onde a mente não é estabelecida por leis, padrões
Lam requer profundos níveis de consciência, onde a mente não é estabelecida por leis, padrões

Lam requer profundos níveis de consciência, onde a mente não é estabelecida por leis, padrões ou dogmas, mas é absorvida pelas terríveis forças do Caos. A Unidade mesma não é um fim, mas o meio para se chegar ao Zero ou Vazio. As polaridades não são mais sustentadas por Maat e nem a Unidade é representada como Hórus, a Força de Coesão, mas sim Set, o Incognoscível que está além do desconhecido, aquele Vazio primordial que nem mesmo o Zero pode tipificar. O Silêncio primevo daquelas regiões proibidas para mui- tos e tão zelosamente ocultadas pelos poucos, estão escondidas pela magia do Deuses An- tigos por nevoeiros e gelo que se estendem além de Yuggoth 1 e muitos se perdem naqueles pântanos de Yog-Sothoth 2 ou no demente deserto de zumbis chamado Lêng. 3 Para cada incursão é requerida uma capsula que possa proteger o lamanauta de ha- bitantes ou forças antagônicas a sua presença nas distantes regiões do espaço. A capsula deve ser revestida de Silêncio, cujo comando está naquele poder oculto que gera a Verda- deira Vontade. Lam é a Consciência da Percepção Vazia de qualquer elemento contraditório. Ele é a união dos opostos, mas também a não-existência deles, o próprio Tao. Esta é a nova cons- ciência que será alcançada neste grande passo ou estágio evolutivo que a humanidade está presenciando em suas consciências. Não importa o grau de evolução de cada Ser, mas sim a Consciência Estrutural despojada dos elos ou hábitos inúteis da mente. Esta é a Fórmula que O LIVRO DA LEI retrata aos homens: Eu sou único & conquistador. Eu não sou dos escra- vos que sucumbem. Sejam eles amaldiçoados & mortos! Amém. (Isto é dos 4: existe um quinto que é invisível, & no mesmo Eu estou conforme um bebê em um ovo).

Amor é a lei, amor sob vontade.

Frater Allala, 93 X° O.D.T.

1 O planeta Plutão. O último posto avançado do Universo A. Kether na Qabalah, o Ancião dos Dias ou Poderoso Antigo «Grat Old One». Veja HECATES FOUNTAIN, Kenneth Grant. Starfire, 2015.

2 A Era «yug» ou Aeon de Set-Thoth. Em um sentido metafísico, Yog-Sothoth é o símbolo do espírito de Choron- zon, que habita no coração da matéria ou o universo material. Este mistério só pode ser contemplado via o Portal de Daath, i.e. Thoth no Deserto de Set, Set-Thoth ou Sothoth. Veja HECATES FOUNTAIN, Kenneth Grant. Starfire, 2015.

3 O nome do «platô abominável» identificado por alguns autores na região da Ásia Central. Em um sentido mágico, Lêng é idêntico a algumas dimensões da Zona Malva. Lam é o Lama de Lêng. Existem inúmeras refe- rências veladas sobre ele nos escritos de Lovecraft, Chambers e Darleth. Veja HECATES FOUNTAIN, Kenneth Grant. Starfire, 2015.

17

Ordo Draco-Thelemae Loja Shairan-Aiwaz Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei
Ordo Draco-Thelemae Loja Shairan-Aiwaz Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei

Ordo Draco-Thelemae

Loja Shairan-Aiwaz

Ordo Draco-Thelemae Loja Shairan-Aiwaz Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei .

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

D epois que gravei alguns vídeos para o CANAL CORRENTE 93 no You Tube falando sobre algumas experiências com o sistema de magia sexual proposto por Kenneth Grant que pratiquei junto a outros Adeptos no trabalho da Loja Shaitan-Aiwaz, venho recebendo inúmeras indagações sobre «o caminho do dragão», sua valida-

de e aplicação real, assim como indagações se eu sou «contra» este caminho. Bem, uma vez que Thelema não é contra nada, eu também não sou. Minha experiência com Ma- gia Qliphótica na Loja Shaitan-Aiwass incursões no Reino das Qliphoth através de proje- ção astral e magia sexual não me afastou do trabalho com as Qliphoth, muito pelo con-

trário. Respondendo de forma clara estas indagações: o caminho do dragão, a ascensão espiritual por suas escamas, constitui um trabalho mágico necessário na Árvore da Vida. No entanto, minhas ressalvas residem aqui: a ascensão pelo caminho do dragão não pode ser uma aspiração ilusória e tão pouco podemos empreender este trabalho sozinhos, por conta própria, como proposto por magistas modernos, que induzem inúmeros incautos a um caminho de «autoiniciação» nas Qliphoth, como se uma tolice dessa pudesse existir. Ninguém precisa ser iniciado nas Qliphoth, isso é uma ignorância medonha. Todos nós estamos imersos nas Qliphoth quando caminhamos não-iniciados nos Mistérios e Arcanos.

A iniciação, por definição, pretende curar o magista das Qliphoth, no entanto, o processo

de cura ocorre quando luz e sombras são equilibrados. Buscar apenas luz ou sombras alei-

ja a iniciação. Não existe uma secreta fórmula mágica ritual adequada a esse trabalho, quer

dizer, que leve a matéria inerte à vida e ao movimento, a menos que o Adepto de fato seja Hadit, a própria força mágica. Essa é, de verdade, a engenharia que torna o caminho do dragão eficaz. Em O Livro da Lei, Hadit, a Serpente do Conhecimento, diz: «Eu sou o Magis-

ta e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda da revolução, e o cubo no círculo. «Venha para mim»

é uma palavra néscia: por isso sou Eu que vou.» (Liber AL, II:7.) No sistema de iniciação da AAexiste um arcano iniciático conhecido como a «Quadratura no Círculo». Essa é uma fórmula mágica fundamental na AAe se refere ao estabelecimento do equilíbrio requerido em cada um dos Graus da Ordem. Aleister Cro-

18

wley resumiu a «Quadratura no Círculo» em apenas uma frase: «Eu sou o quadrado finito
wley resumiu a «Quadratura no Círculo» em apenas uma frase: «Eu sou o quadrado finito

wley resumiu a «Quadratura no Círculo» em apenas uma frase: «Eu sou o quadrado finito e desejo ser Um com o círculo infinito.» O quadrado finito ( ) é uma referência a «quadratura pessoal» de cada um de nós que Crowley se refere como a «Cruz em extensão», quer dizer, a natureza dos Quatro Ele- mentos e sua influência sobre nossa personalidade, o que envolve o trabalho sombrio com

o Reino das Qliphoth, pois quase tudo o que demonstramos através de nossa personalida-

de trata-se de uma projeção qliphótica interior. Dessa maneira, a «quadratura pessoal» significa um aspecto específico da realidade que cada um dos Irmãos da AAexperimen- ta e precisa controlar no curso dos Graus da Ordem na intenção de se tornar um veículo apropriado para encarnar e executar a Verdadeira Vontade. A «quadratura pessoal» é a «imagem mágica» que cada Irmão da AAapresenta no desdobrar de sua iniciação em cada um dos Graus, sua personalidade, maneira de pensar, de se comportar e o tipo de

conhecimento que ele está envolvido em cada uma das etapas de sua iniciação. É o conhe- cimento e o controle sobre sua própria quadratura a fundação por trás do treinamento mágico-espiritual que todo Adepto deve desenvolver. Existem inúmeras interpretações modernas acerca das Qliphoth e os autores con- temporâneos sobre o assunto insistem que o trabalho espiritual qliphótico, que denomino «Espiritualidade das Sombras», é puramente experimental. Foi neste caminho que seguiu

o trabalho de sete anos da Loja Shaitan-Aiwaz, uma célula da Ordo Draco-Thelemae. Todo

esse trabalho foi completamente reorganizado dentro do Colegiado da Luz Hermética. Em determinada etapa da jornada espiritual no Colegiado, o Irmão ou Irmã é convidado a co- nhecer o trabalho da Espiritualidade das Sombras na Ordo Draco-Thelemae, hoje comple- tamente «dentro» do Colegiado da Luz Hermética. As fórmulas são diversas como, vodu, tantrismo, magia sexual para trabalhos de projeção astral nas Qliphoth etc. Para este tra- balho, é requerido experiência e treinamento adequado, somente dessa maneira a quadra- tura pessoal pode ser efetivamente trabalhada. Acredito que o trabalho com as Qliphoth requer um Adepto e qualquer Neófito que o empreenda está correndo grande perigo. Quando dizemos que a iniciação cura as Qlipho- th, é porque se processo leva a Luz do Sol-Estrela até as profundezas do submundo. Para caminhar com segurança pela escuridão, os Caminhos da Noite (Nuit) ou as «árvores da eternidade», necessitamos ser uma Estrela Reluzente no firmamento, a potência mágica de Hadit encarnada. Até lá o caminho é longo. Antes disso a personalidade (Eu Inferior) ainda não está inundada com os códigos de Luz Solar do Eu Superior. Todo este trabalho é baseado no sistema de iniciação proposto por Kenneth Grant e no Colegiado da Luz Hermética nos referimos a ele como «Opus Draco-Tifonis».

Amor é a lei, amor sob vontade.

Frater Allala, 93 X° O.D.T.

19

O Círculo Sagrado da Deusa Faz o que tu queres há de ser tudo da
O Círculo Sagrado da Deusa Faz o que tu queres há de ser tudo da

O Círculo Sagrado da Deusa

O Círculo Sagrado da Deusa Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O Śrī Kula Śakti, o Círculo Sagrado da Deusa, é uma Zona de Poder Tifoniana de Adoração a Mãe Divina, Adi-Śakti, sob todas as formas. A adoração do Divino como Mãe pode ser traçada desde os tempos mais remotos, anteriores a história

do desenvolvimento humano. O mantra gāyatrī e os primeiros hinos védicos dedicados a Śakti, personificavam-na como Uśa, o amanhecer, o que indica a adoração a Śakti desde os primórdios dos tempos. De todas as imagens de Śakti, a mais impressionan- te talvez seja o amanhecer, o momento exato quando o sol aponta no horizonte, banhando a Terra com prāṇa. Essa significante exibição do esplendor e poder da Śakti foi há muito tempo consagrada nos Vedas. Saraswatī, Lakṣmī e Dūrgā foram muitas vezes exaltadas nos hinos védicos. O Círculo Sagrado da Deusa é um projeto aberto da Sociedade de Estudos Thelêmi- cos e não exige afiliação. Nosso propósito é integrar um grupo (kula) de pessoas interes- sadas na prática tântrica de adoração a Śakti através de um śākta-upāsana (adoração do Princípio Feminino Universal) através de pūja (rituais de adoração), yajña (sacrifício de fogo), mantrā-mārga (entoação de sons mágicos de poder), dhyāna-śakti (meditação na

forma da deusa) e kula-cakra (círculo de mulheres). As deusas são personificações do Divino Feminino. O praticante tântrico (sādhaka) se aproxima delas e procura obter a sua graça através do ritual de adoração e da medita- ção. As deusas representam as energias que conduzem o praticante de forma segura e rá- pida a autorealização. O Círculo Sagrado da Deusa é uma Zona de Poder Tifoniana que ope- ra como um portal mágico a Adi-Śakti entronada no lótus do coração de todos os seres.

20

Na Índia é dito que o ritual é a arte da religião, portanto o Tantra
Na Índia é dito que o ritual é a arte da religião, portanto o Tantra

Na Índia é dito que o ritual é a arte da religião, portanto o Tantra seria a vivencia da religião como arte nas atividades plenas da vida. Como tal, seus adeptos o consideram o caminho mais adequado aos homens da era de Kālī, no qual os instintos acumulados no corpo físico através de milhares de anos de evolução biológica constituem um fator de- terminante na personalidade e no comportamento. Por outro lado, o que caracteriza a cultura tântrica e a diferencia da visão associada à maioria das tradições de origem védica é sua indulgência e abertura a todas as pessoas independentemente de casta e sexo, sem exigência de ascetismo e espírito de renuncia, procurando sempre conciliar o objetivo de autorealização, liberação (moka) e união (yo- ga) com a experiência da vivencia prazerosa da vida comum (bhoga). Este caminho espiri- tual é denominado tantra-sādhanā, que significa uma senda de esforço e autocontrole no desenvolvimento das potencialidades espirituais e humanísticas do Ser. Em sua concep- ção, os rituais tântricos nos fornecem uma conexão que interliga o homem, o Universo e a hierarquia divina. Essa conexão constitui um complexo sistema de símbolos que estabele- cem uma identidade entre o indivíduo e o Todo. Pois, visto em seus fundamentos tudo no Universo é constituído por uma complexa massa de vibrações elementares denominadas vtti-spanda (movimento vibratório). O Tantra pode ser melhor definido, quem sabe, como uma aproximação energética do caminho espiritual, utilizando várias técnicas como mantras, rituais, prāṇāyāmas e me- ditações. Sua inclinação devocional é centrada na Deusa sob suas várias formas e no Se- nhor Śiva. É um caminho de conhecimento que nos dirige a autorealização ou realização do Absoluto. É um sistema integral, embora complexo, para o desenvolvimento da Consci- ência. O despertar da kuṇḍalinī-śakti através destes métodos energéticos constitui um dos temas fundamentais deste trabalho e nossas atividades estão direcionadas a este objetivo. Tantra é uma palavra sânscrita que possui inúmeros significados. Ela pode denotar uma urdidura ou trama de um tecido, a parte principal de um sistema filosófico, a origem de uma tradição, ordem (vidhi), regulação (niyama), escritura (śāstra), doutrina, regra, teoria ou tratado científico. Em princípio, qualquer tratado secular pode ser denominado como um tantra, embora nem sempre seja tântrico na acepção da palavra. Sob o aspecto etimológico e de acordo com a tradição espiritual da Índia, o termo tantra 1 é tradicional- mente derivado da raiz verbal sânscrita √tanot (expansão) com a adição do sufixo de ins- trumentalidade trayat (liberação). 2 O objetivo do Tantra é sucintamente definido pela própria palavra, implicando que o Tantra é o método para se expandir a mente e liberar a energia potencial latente. A fim de se entender o Tantra, primeiro precisamos compreender exatamente o que significa expandir a mente e liberar a energia. O alcance de nossa experiência relacionada ao universo interno e externo é severamente limitado. Nós apenas podemos ver, escutar, sentir, saborear e cheirar através da utilização dos sentidos grosseiros, físicos. Se um de nossos sentidos encontra-se comprometido, a experiência e o conhecimento relacionados aquele sentido são definitivamente restringidos e prejudicados. Portanto, a percepção e a cognição são totalmente e impiedosamente dependentes dos sentidos. Este é um adjunto limitante em nossas vidas porque o conhecimento derivado dos sentidos é restrito pelos limites do tempo, espaço e objeto. Tempo, espaço e objeto existem apenas como categorias da mente individual no estado de vigília. Se não existe mente individual, não existe tempo, espaço ou objeto e vice versa.

1 Ver √tan em Dicionário Monier Williams, p. 435. 2 Conforme Kashika Vtti, citado por Surendranāth Dasgupta. Outra denominação dada ao termo fora expres- sada pelos sábios Vācaspati Miśra, Ānandagiri e Govindānanda, os quais consideraram a raiz verbal √tatri ou tantri como o sentido de origem de conhecimento. Portanto, Tantra é aquilo que expande ou engrandece o co- nhecimento pela vivência do espiritual e pela maestria na arte do ritual e da magia.

21

Estas três categorias da mente são finitas e não podem ser consideradas como ponto de
Estas três categorias da mente são finitas e não podem ser consideradas como ponto de

Estas três categorias da mente são finitas e não podem ser consideradas como ponto de partida para o conhecimento ilimitado, infinito e imperecível. Na medida em que atuamos apenas através do reino dos sentidos e da mente no estado de vigília, não conseguimos ultrapassar essas limitações finitas que nos restringem. Por exemplo, para ver a beleza brilhante de uma flor, é necessário ter uma na frente dos olhos abertos; para sentir o cheiro da fragrância do sândalo ou da lavanda, é necessário tê-los próximo ao nariz; para sentir o gosto adocicado do chocolate ou a pungência de um pimentão, eles precisam ser mastigados. Este tipo de experiência é objetiva, pois depende da existência de um objeto, dos sentidos e da mente em relação a ambas. Contudo, existe uma experiência de alcance muito maior quando se pode ver com os olhos fechados, sentir paladares na ausência de alimentos e escutar sons musicais sem a presença de instrumentos. Isso é o que podemos chamar de experiência puramente subjetiva e ela não está conectada as categorias da mente finita, individual no estado de

vigília. O conhecimento adquirido através da experiência subjetiva é muito mais acurado e preciso que o conhecimento adquirido através da experiência objetiva, pois ele é a consequência de uma mente expandida.

A expansão da mente é o fenômeno que permite o indivíduo experimentar o reino

além dos sentidos, tempo, espaço e matéria no estado de vigília. Neste reino, além do estado de vigília, quer dizer, nos estados de sonho e sono sem sonho, ele não está conectado a distância ou tempo. Pode viajar para o passado ou para o futuro e saber o que acontece em todos os lugares sem a necessidade de estar presente fisicamente. Isso é a expansão da mente para além do estado de vigília, mas é algo irrealizável na medida em

que se encontra sugeito a experiência sensorial. A mente operando através dos sentidos e do Ego categoriza todas as experiências de acordo com raga e dvea, quer dizer, gostos e aversões que são incalculáveis. Esta imposição da mente cria uma distorção no conhecimento adquirido através de qualquer experiência, não permitindo assim o crescimento do conhecimento puro e refinado.

O conhecimento adquirido através de uma mente expandida gradualmente envolve

e finalmente culmina no conhecimento intuitivo, declarado por muitos mestres como

eterno e absoluto, o verdadeiro conhecimento. Mas a expansão da mente não ocorre da noite para o dia. O adepto deve passar por uma variada série de experiências, algumas moderadas, outras intensas, algumas prazerosas, outras desagradáveis. É um crescimento gradual que finalmente culmina no conhecimento absoluto (brahma-jñāna). Uma criança não cresce para adolescência da noite para o dia. A transformação é gradual. A linha de demarcação entre a infância e a adolescência é tão sutil que não se pode definir onde uma acaba e outra começa. O mesmo pode ser dito em relação a

adolescência e a vida adulta. Similarmente, a consciência do homem está evoluindo a cada instante. A mente se expande e cruza novos limites. A transformação ocorre a passos graduais, com uma mudança sutil.

A fim de acelerar a evolução da mente e dirigir sua transformação, você terá de se

integrar com as práticas tântricas e yogīs. Estas práticas são designadas para acelerar a

liberação de energia da matéria e manifestar a pura e inata consciência que é a fonte de todo conhecimento.

Nós iniciaremos o trabalho do Círculo Sagrado da Deusa no diz 7 de outubro em um Círcu-

lo de Mulheres cujo tema será O SAGRADO FEMININO NA PERSPECTIVA DO TANTRA. O Tantra é a

tradição espiritual que preservou o culto tifoniano da Deusa de forma intacta.

22

A partir desta data o Círculo Sagrado da Deusa irá realizar semanalmente poderosas cerimônias de
A partir desta data o Círculo Sagrado da Deusa irá realizar semanalmente poderosas cerimônias de

A partir desta data o Círculo Sagrado da Deusa irá realizar semanalmente poderosas cerimônias de adoração que convocam o Corpo da Deusa através de um śākta-upāsana que entroniza a Deusa no Coração de seus devotos em uma jornada mágica e mística pelo Śrī Yantra.

em uma jornada mágica e mística pelo Śrī Yantra. Śrī Cakra, o yantra que representa o

Śrī Cakra, o yantra que representa o corpo ou a vulva da Deusa.

O Círculo Sagrado da Deusa oferecerá cursos e treinamentos para suvasinis, mulheres que

desejam incorporar a essência, fragrância e o fluir da Deusa. Nós estamos preparando o CURSO DAŚA MAHĀVIDYĀ, uma introdução a adoração de Śakti. Uma das formas mais tradi- cionais de se executar essa adoração, segundo a tradição tântrica, é através do culto das dez deusas da sabedoria (daśa-mahāvidyā). Originalmente, esse culto fazia parte da tradi- ção do Śrī Vidyā, muito conhecida no sul da Índia. Com o desenvolvimento da religiosidade śākta, este culto foi absorvido por tradições tântricas de outras partes do continente pan- indiano, tornando-se mais popular e diversificado em sua forma de execução. Nossa abordagem, neste workshop, será a mais comum desenvolvida pela tradição tântrica, i.e. a adoração das dez deusas da sabedoria através do pūja e yajña e suas princi- pais ferramentas de trabalho, o mantra e o yantra (na fórmula energética da maṇḍala). Esse é o método mais seguro de se operar com estas energias. A prática do culto das dez deusas da sabedoria é um portal de acesso a metafísica tântrica através da disciplina espi- ritual.

Um dos objetivos desse trabalho espiritual é criar uma zona de poder capaz de curar

o Sagrado Feminino e a vivência da Deusa na vida de muitas mulheres. A Orientadora espi-

ritual e Īśvarī Mā deste trabalho é Soror MiaH56 (Priscila Pesci), que trabalha na Cura e Despertar do Sagrado Feminino (kuṇḍalinī-śakti) no Coração de todas as Mulheres.

Amor é a lei, amor sob vontade.

23

F ERNANDO L IGUORI U M H OMEM C HAMADO C ACHORRO P ERDIDO NO
F ERNANDO L IGUORI U M H OMEM C HAMADO C ACHORRO P ERDIDO NO

FERNANDO LIGUORI

UM HOMEM CHAMADO CACHORRO

PERDIDO NO TÚNEL DE QULIELFI

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

U m acontecimento peculiar a magia noturna da Zona Malva ocorreu com um magista que pleiteou iniciação na Loja Shaitan-Aiwaz por volta de 2004. Cid Gabriel Jr. era uma criatura grotesca, um aleijão trazido a Loja por outro magista, Victor Hugo de

Castro Dutra, que rapidamente enlouqueceu após inúmeras incursões astrais no Reino das Qliphoth. Um terceiro magista, amigo de Cid, foi também apresentado a Loja, pleiteando iniciação. Os três, no entanto, pareciam habitantes do lado noturno, deslocados da sociedade que viviam como sombras vampiras, predadores ferozes do ojas de qualquer um que se misturasse com eles. Inúmeros tangenciais ocorreram com estes três magistas, mas no presente, nos interessa somente uma passagem que envolveu o Cão, como ficou conhecida entre os membros da Loja: a história de UM HOMEM CHAMADO CACHORRO. 1 Cid Gabriel Jr. era um daqueles buscadores tamásicos. 2 Psicologicamente frágil e de condições físicas precárias, ele vivia com sua família na periferia de Juiz de Fora. Seus pais

lhe cederam um quarto nos fundos da casa, onde ele estabeleceu um santuário para suas práticas. Ao ser apresentado na Loja Shaitan-Aiwaz, onde participou de inúmeros rituais, ele escolheu o nome mágico Frater Albatroz, mas ele gostava de ser chamado de Sete Pre- zas, uma relação que ele estabelecia com o deus Set, segundo ele pessoalmente me contou, cujo Ka foi assentado em uma estátua que ficava em um altar no quadrante Sul do santuá- rio.

Albatroz soma 130, o número de NKhS, ajoelhar-se ou reclinar-se em medo ou súpli- ca e de MIIA, ruína pessoal. Também é o número de YNA, sofrimento, aflição, pobreza. O nome Sete Prezas soma 802, o número de TTB, cortar ou destruir. Para as condições pútri- das e precárias que este magista se encontrava, a escolha dos nomes por ele utilizados demonstrava a natureza do ordálio em que ele se encontrava. Nós discutimos sobre os efeitos gemátricos destes nomes, mas ele pouco ouviu e seguiu no caminho que previa- mente estabeleceu. Este caminho, no entanto, o levou a uma fossa profunda chamada māyā (ilusão), típica dos vícios encontrados no Túnel de Qulielfi no lado noturno. Na época em que Sete Prezas pleiteou iniciação na Loja Shaitan-Aiwaz, o grupo esta- va envolvido em demasia com o estudo de LIBER OKBISH VEL 29, conhecido como O LIVRO DA ARANHA, uma série de oráculos recebidos pelas sacerdotisas da Loja Nova Ísis no Túnel

1 Veja REVISTA SOTHIS (Vol. I, No. 7), 2005. Órgão Oficial de Divulgação da O.T.O. Draconiana. 2 Tamas, qualidade ignorante de mente. Veja o ensaio OS TRÊS GUAS & A NATUREZA DA MENTE em JORNAL CORRENTE 93 (Vol. I, No. 11). Note que nas tarefas do Probacionistas da AAdescritas em LIBER 185: COLLEGII SANCTI, no compromisso No. 9 (Yesod, Fundamentação) diz: Ele se manterá puro e reverente perante seu corpo, pois este ordálio de iniciação é desprovido de luz. Esse compromisso tem sido desconsideradpo por legiões de thelemitas. Caminhar como Homem da Terra é empreender uma operação de sacrifício dos elementos brutos para lumi- nosidade (L.V.X.) da consciência Solar desperta representada no ordálio de Tiphereth (veja POR DENTRO DA CRIPTA DOS ADEPTOS em JORNAL CORRENTE 93 Vol. II, No. 1). Homens da Terra que desconsideram esta tarefa se mantêm perdidos no Túnel de A’Ano’nin, tateando cegos as escuras no Reino das Qliphoth, escravos do daimon viciado. Veja a imagem e texto de Nicolas Furlan Moraes, MĀYĀ: O DAIMON VICIADO (JORNAL CORRENTE 93 Vol. II, No.

5).

24

de Qulielfi. O estudo de O L IVRO DA A RANHA não ocorria no estado
de Qulielfi. O estudo de O L IVRO DA A RANHA não ocorria no estado

de Qulielfi. O estudo de O LIVRO DA ARANHA não ocorria no estado de vigília, mas no interior do Túnel de Qulielfi. O procedimento que utilizávamos no Túnel de Qulielfi nos rituais da Loja Shaitan-Aiwaz é a magia oceânica do VIII° (-) , que envolve a utilização de máscaras bestiais para operações de feitiçaria e lançamento de ilusões (encantamentos). 1 A arma mágica que tipifica a magia noturna de Qulielfi é o espelho, utilizado nas in- cursões no Túnel de Qulielfi como ensinado por Grant em OUTSIDE THE CIRCLES OF TIME. 2 A Grã-Sacerdotisa da Loja Shaitan-Aiwaz na época era Soror Tanith 3 que, após entrar em seu sono magnético através da feitiçaria lunar do VIII° (-) , proferiu inúmeros oráculos de poder contidos em O LIVRO DOS FEITIÇOS, um grimório recebido também no Túnel de Qulielfi, uma cria da Deusa Aranha através do estudo onírico de LIBER OKBISH.

Aranha através do estudo onírico de L IBER OKBIS H . Victor Hugo de Castro Dutra,

Victor Hugo de Castro Dutra, Frater Tenebras Luciferum, membro da Loja Shaitan-Aiwaz entre 2004 e 2006 e.v. em sua zona de poder. O retrato de Lam atrás foi pintado por ele a lápis.

Após assumir seu Trono entre os espelhos mágicos contendo os sigilos de Qulielfi pintados com sangue menstrual, quando a Alta Sacerdotisa resgava o véu do Abismo em seu sono magnético, três acólitos iniciavam a recitação rítmica dos oráculos de LIBER OKBISH na

1 Veja NIGHTSIDE OF EDEN de Kenneth Grant e AS ÁRVORES DA ETERNIDADE de Fernando Liguori.

2 O capítulo em quertão, A Arte Nuclear & a Nova Gnose, publicado no JORNAL CORRENTE 93 (Vol. II, No. 5).

3 Karen Lima, Grã-Sacerdotisa da Loja Shaitan-Aiwass. A raiz do nome, Than significa Dragão. O Dragão Tifoni- ano das Profundezas, i.e. do Ar ou Espaço (Outer Ones), ou Água ou Plano Astral (Deep Ones). Ela representa a Dupla Corrente, Horus (93) + Maat (696), somando assim 789. Tanith representa a Corrente Tifoniana ou Ofi- diana. Como TNIT, ela equipare-se a 78, o número de Aiwass, o mensageiro ou Anjo de Hoor-paar-Kraat e com Mezla, a influência provinda do além (i.e. além de Kether, Yuggoth). 789 é densamente carregado pela Gnose Tifoniana: IPSOS (696) + ALLALA (93); AIWASS (418) + ShAITAN (371); IPSOS (456) + IXAXAAR (333); IPSOS (456) + ChVRVNZVN (333). Finalmente, 789 = PTN, o monograma mágico da Alta Sacerdotisa da Loja que no passado transmitiu poderosos complexos de energia mágica.

25

Chave de SI, muito semelhante a recitação de sūtras budistas. A partir desse processo, co-
Chave de SI, muito semelhante a recitação de sūtras budistas. A partir desse processo, co-

Chave de SI, muito semelhante a recitação de sūtras budistas. A partir desse processo, co- mo um reflexo do espelho mágico, Soror Tanith oraculava diversos feitiços da magia no- turna de Qulielfi. Todo o templo da Loja Shaitan-Aiwaz na época tornou-se o próprio Túnel de Qulielfi e adentrar as portas do templo era, no curso dessas operações, entrar nos do- mínios de Qulielfi. Qulielfi é o túnel que liga as Qliphoth Aarab Zaraq e Nahemoth. Trata-se de Vênus (Netzach) agindo sobre a Terra (Malkuth) através da influência de Peixes, correspondendo ao Atu XVIII, A Lua no Tarot de Thoth. 1 As paixões profanas de Aarab Zaraq e seu arque-daimon Baal, convulando as pai- xões bestiais terrestres do homem através das influências da esfera lunar. Os poderes as- sociados a este túnel são ilusões de todos os tipos: utilização de energias lunares para con- fundir e manipular as fantasias do homem. Os poderes ctônicos da terra negra animados pelas feitiçarias noturnas de Aub. 2 Qulielfi associa-se à transformação das formas, ao ilusi- onismo e encantamento, ao fluxo. O sapo e outras criaturas anfíbias são totens mágicos de Qulielfi, representando a interação do terrestre (Nahemoth) e do aquático (Peixes, o sinal de decisão de Qulielfi). O sapo é um animal que tradicionalmente tem sido associado à imagem da bruxa ou feiticeira lunar dos Cultos de Hécate como seu familiar. O número de Qulielfi é 266: 66 sendo o número místico do Reino das Qliphoth e 2, o reflexo da interação da luz e das sombras sobre a esfera lunar e a natureza variável de sua influência sobre a Terra, dependendo das suas proporções. Qulielfi é o primeiro ou último túnel associado a uma qlipha zodiacal. Para o lamanauta atravessar este túnel, ele deve entrar em contato com seus atavismos mais profundos na finalidade de transmutar suas forças para seu pro- gresso evolutivo: aproveitar o poder da Besta interior, tornando-se um veículo que impul- siona o lamanauta. O lamanauta também pode utilizar essas energias para realizar atos de interdição e feitiçaria noturna. A qlipha zodiacal associada a este túnel é Nashimiron, as mulheres malignas, as Kundrys viciadas tipificadas pela Lua Negra (falta total de luz). Nas mirações de Qulielfi, trata-se de sereias de uma tonalidade reluzente e aquosa e formas grotescas e horríveis, esquéleticass, unidas a corpos de serpentes. O Túnel de Qulielfi leva até Chorazin, a Tumba de Babalon, localizada abaixo de seu Santuário, 3 no fim da célula qliphótica de Qulielfi. 4 Esta tumba é protegida por entidades protoplasmáticas furtivas e sombrias chamadas de Zugs (ou Zoogs), comedores de ojas que aguardam deitados e inertes até que a presença de uma presa seja sentida. Estas entidades conhecem segredos obscuros dos sonhos e de como eles podem ser reíficados na matéria. O lamanauta pode obter controle sobre essas entidades, que lhe revelam a substância oní- rica da sombra. Os Zugs são entidades que residem no limiar crepuscular entre o estado de vigília e sonho. Eles ludibriam os incautos com miragens de sedutoras mulheres. A quali- dade ou densidade dessas miragens dependem do temperamento da mente de cada so- nhador. Ao lamanauta treinado, este crepúsculo onírico é uma oportunidade de trabalho com estas entidades das sombras.

1 Para um estudo sobre o Caminho de Qoph, A Lua, veja OS RITUAIS DO TAROT e A LANÇA & O GRAAL: O OFÍCIO DA MULHER ESCARLATE, no Capítulo As Fases de Babalon.

2 Aub é descrita como um tipo de energia lunar, associada aos termos obi e obeah e Crowley a descreve como

de um tipo ilusório de bruxaria que é lenta e viciosa, o fogo secreto do obeah. Veja AS ÁRVO-

RES DA ETERNIDADE para uma descrição da utilização de Aub nos ritos ofidianos do Culto de Lam.

3 I.e. Netzach.

4 Eu adentrei o pôr-do-sol com Seu sinal, e dentro da noite cruzei lugares amaldiçoados e desolados e ruínas ci- clópicas, e então cheguei por fim à Cidade de Chorazin. E lá uma grande torre de Basalto Negro estava construí- da, que fazia parte de um castelo cujas mais distantes ameias viravam sobre o golfo das estrelas. E sobre a torre estava um sinal. Jack Parsos em O LIVRO DE BABALON. Sobre as implicações da magia noturna da Zona Malva e os estranhos acontecimentos que ocorreram com Jack Parsons, Veja GNOSE TIFONIANA (Vols. I & III).

sendo a luz astral [

]

26

O Túnel de Qulielfi tipifica o trabalho mágico da sacerdotisa em suas duas fases: a
O Túnel de Qulielfi tipifica o trabalho mágico da sacerdotisa em suas duas fases: a

O Túnel de Qulielfi tipifica o trabalho mágico da sacerdotisa em suas duas fases: a

Feiticeira Vermelha (a Lua Negra na Tumba de Babalon) cujos fantasmas ela dá a vida a- través do sangue da lua na imagem refletida do espelho mágico e a Deusa Azul (a Lua Cheia no Santuário de Babalon) preenchida pela luz do Sol. A Feiticeira Vermelha está próxima da Caverna de Lilith ou Palácio da Perdição (Malkuth) e a Deusa Azul está próxima do San- tuário de Babalon (Netzach), onde recebe toda a luz solar de Tiphereth. Através de sua magia lunar, a Feiticeira Vermelha dá nascimento aos Zugs, uma hoste de entidades vampi-

ras elementais de substância sombria com asas e cauda de serpente. Seus filhos e amantes. As coxas abertas da Feiticeira Vermelha são os pilares que dão acesso a um mangue som- brio e pútrido. Ela é a Kundry Lua Nova, ávida por destilar o suco da lua, seu veneno, em sonhadores incautos. 1 Essa picada venenosa, no entanto, traz a dissolução nos beijos de Nu: a precipitação forçada no Abismo.

A magia oceânica do VIII° (-) envolve a energização e a erupção da Serpente de Fogo

(kuṇḍalinī) em duas zonas de poder, o swādhiṣṭāna-cakra (Yesod) e o viśudhi-cakra (Daa- th), possibilitando que a sacerdotisa rasgue o véu do Abismo e permita que os habitantes oníricos do lado noturno lhe revelem oráculos de poder. Operações com Qulielfi ocorrem no limiar entre o estado de vigília e o estado de so- nho. Dessa maneira, o lama-nidrā é uma tecnologia do Culto de Lam que pode ser utilizada, pois ela leva o lamanauta imediatamente para este estado crepuscular de consciência. Os melhores momentos para executar o lama-nidrā em conexão com o Túnel de Qulielfi são à noite, pouco antes de se deitar para dormir ou pela manha bem cedo, antes do Sol raiar. No entanto, àqueles momentos no dia em que o sono vem e nos coloca torpes de consciência tem sido descritos por muitos lamanautas como o melhor momento para projetar a cons- ciência no Túnel de Qulielfi. Uma vez que o Culto de Lam é alimentado pela energia ofidiana, não existe a neces- sidade de se construir um templo para sua execução. No entanto, existem magistas bem inclinados ao exercício cerimonial de suas práticas mágicas. Para estes, a técnica que ex- ploramos na crônica anterior envolve a execução cerimonial do RITUAL PYRAMIDOS adapta- do para invocações qliphóticas, abertura dos portais do Abismo e projeção da consciência nos Túneis de Set, como praticado na Loja Shaitan-Aiwaz. A estrutura de um templo cons- truído para prática da magia cerimonial, tradicionalmente, deve estar em sincronia perfei- ta com a natureza dos rituais executados ali e que estão em harmonia com a fórmula mági- ca adotada pelo magista. Sem essa comunhão, o magista terá pouca ou quase nenhuma invergadura de resultados promissores. É por isso que a Magia do Caos produz efeitos pífios de taumaturgia duvidosa. Dessa maneira, um templo dedicado a Gnose Tifoniana deveria ser negro, representando o próprio corpo da Deusa Aranha, a totalidade de tudo, Rainha do Espaço Infinito e tecelã da teia do Vazio. Sua teia estende-se através do Vazio em uma complexa simetria que liga todos os planos existenciais com um filete prístino de energia, formando uma grande rede. Ao lamanauta, essa rede se apresenta como uma mi- ríade de túneis e vórtices. Na Gnose Tifoniana, o lamanauta é consumido pela Deusa Ara- nha ou Deusa primordial no limiar entre o lado diurno (estado de vigília) e o lado noturno (estado de sonho e sono profundo) da Árvore Qabalística.

1 Nos Mitos do Santo Graal, os Cavaleiros da Ordem são tentados por lindas mulheres, formozas por fora (ilu- são) e podres por dentro. A perda da Lança Sagrada ocorre no Túnel de Qulielfi.

27

O Templo da Corrente Aracnofidiana por S.S. Adkins. Publicado em H ECATE ’ S F
O Templo da Corrente Aracnofidiana por S.S. Adkins. Publicado em H ECATE ’ S F
O Templo da Corrente Aracnofidiana por S.S. Adkins. Publicado em H ECATE ’ S F

O Templo da Corrente Aracnofidiana por S.S. Adkins. Publicado em HECATES FOUNTAIN, Kenneth Grant.

Os procedimentos rituais na execução da magia noturna da Zona Malva também são dis- tintos dos ritos teúgicos praticados por magistas de ontem e hoje. O lado noturno tem uma qualidade de ambiente distinta do lado diurno, muito similar a um pântano sombrio e pú- trido através do qual é difícil passar, no entanto, submerso, abaixo d’água. Nas operações da Loja Shaitan-Aiwaz os magistas se comportavam como se estivessem submessos, cami- nhando sob águas profundas. Aos lamanautas proficietes, o Túnel de Qulielfi oferece o conhecimento de feitiçaria de todos os tipos, material ou onírica, controle sobre o Corpo de Luz (prāṇas e upa- prāṇas), operações que envolvem cristais, fluxos e torrentes de água, inspiração artística, visão espiritual e sonhos proféticos. Neste túnel o lamanalta acessa as férteis radiações da Deusa Aranha através da Ísis Negra ou Nu-Isis. 1 Este acesso também se estende ou poço dos sonhos, os registros akaśicos da natureza, o depósito da memória racial e genética da humanidade. Qulielfi está associado a letra Qoph que no sistema de marmas da Gnose Ti- foniana 2 fica na parte de trás da cabeça, na região da nuca e do cérebro reptiliano, o cere- belo. Qulielfi é a sentinela que transmite o Zos Kia Cultus, criado por Austin Osman Spare e Kenneth Grant. A meditação no dedo polegar mencionada em A SABEDORIA DE S’LBA se asso- cia a magia noturna de Qulielfi, quando o polegar se torna o reflexo de si mesmo sobre o brilho opalescente da Lua.

1 Este é um termo técnico aqui: Nu representando a Deusa primordial e Ísis a Sacerdotisa ou Mulher Escarlate, seu avātar. Na Gnose Tifoniana, trata-se de uma região no espaço associada ao planeta transplutoniano Ísis.

2 Veja CULTOS DAS SOMBRAS (Kenneth Grant), Capítulo 2. Em JORNAL CORRENTE 93 (Vol. II, No. 4).

28

Falta de imaginação ou sonhos, excesso de superstição, medos diversos e pânicos, pesadelos apavorantes e
Falta de imaginação ou sonhos, excesso de superstição, medos diversos e pânicos, pesadelos apavorantes e

Falta de imaginação ou sonhos, excesso de superstição, medos diversos e pânicos, pesadelos apavorantes e sombrios, podem ser precipitações na consciência de vigília a partir do Túnel de Qulielfi. Um dos grandes perigos associados a este túnel é o vício em práticas ou substâncias que aprisionam a Consciência na Zona Malva, mantendo o magista encantado nos deleites sinistros da Tumba de Babalon. E isso foi exatamente o que acor- reu com o Homem chamado cachorro, Cid Gabriel Jr. Desde o início de sua associação com a Loja Shaitan-Aiwaz e seus membros, Sete Prezas demonstrava muito apego a prazeres de todos os tipos. Todo desejo, quando não saciado, produz um descontentamento proporcional ao tamanho do desejo. Dessa manei- ra, ele se apresentava como uma pessoa profundamente frustrada, principalmente nas questões sexuais e afetivas. Por causa de sua deficiência física, Sete Prezas era uma pessoa horripilante, o que afugentava muitas mulheres. Tamanha era sua carência que logo ele se apaixonou profundamente por uma das suvasinis que auxiliavam o trabalho da Grã- Sacerdotisa. O nome da Kundry que esquentou os desejos de Sete Prezas é Silvana Leal e ela se apresentava nas operações mágicas como Soror Adhana Trinandhara. Interessante notar que Adhana Trinandhara soma 984 que, segundo LIBER 500, é o número de Urbs Quarternionis: o início da sabedoria é o maravilhamento. Ela havia escolhido este nome como uma persona da Grande Deusa Tripura-sundarī, àquela que é Amada ou a Jóia dos três mundos (vigília, sonho e sono sem sonhos) e como tal, proporciona uma visão com- pleta da Realidade. Sete Prezas ao conhecê-la ajoelhou-se em desejos por ela. Como seu cabelo era ruivo, Adhana Trinandhara inspirou os sonhos de Sete Prezas em tê-la como sua Mulher Escarlate, o que consumiu sua razão.

como sua Mulher Escarlate, o que consumiu sua razão. Operação do Soberano Santuário da Gnose, IX°

Operação do Soberano Santuário da Gnose, IX° Loja Shaitan-Aiwaz, 2005 e.v. Na imagem, deitado em Śavāsana, Victor Hugo de Castro Dutra (Frater Tenebras Luciferum). Sobre ele, a sacerdotisa de robe vermelho, Silvana Leal (Soror Adhana Trinandhara). De pé, o sacerdote oficiante de robe azul e branco, Fernando Liguori (Frater ON120) e sobre o altar da arte, Jeanine Medeiros (Soror Ilyarum).

O desejo de Sete Prezas era egoísta. Soror Adhana Trinandhara, como demonstrado na fo- tografia acima, trabalhava como sacerdotisa-auxiliar no templo da Loja Shaitan-Aiwaz e

29

por diversas vezes foi a Alta Sacerdotisa em várias ocasiões em que a M ISSA
por diversas vezes foi a Alta Sacerdotisa em várias ocasiões em que a M ISSA

por diversas vezes foi a Alta Sacerdotisa em várias ocasiões em que a MISSA GNÓSTICA (LI- BER XV) foi executada no santuário da Loja. Diferente da proposta de Sete Prezas ao se a- proximar da Loja, Soror Adhana Trinandhara estava interessada no trabalho mágico e seu único Senhor era o Sagrado nela. Em Thelema a Mulher encarna o Poder. Ela não se ajoe- lha, não se curva ou é subserviente a ninguém que não seja o Sagrado nela. Nenhum ho- mem é mais importante para a Mulher Escarlate que seu verdadeiro Amante Secreto. O máximo que Sete Prezas conseguiu de Soror Adhana Trinandhara foi que ela o acompanha- ce em uma operação mágica do VIII° Grau. 1 Ele anotou em seu diário mágico alguns deta- lhes sobre essa ocasião:

23. set. 23:00: A[dhana] T[rinandhara] chegou e eu já tinha deixado tudo organizado para nossa magia sexual. Arrumei o templo e conforme instrução de meu instrutor [Frater ON120] eu coloqueo o trono da deusa no norte. Iniciamos o ritual invocando

Therion e Babalon sem robe, com máscaras [

Quando me sentei no trono do sul, a

suvasini começou a me excitar e então me entreguei.

Vibrando o rugido da Besta theriônica eu vibrei a Palavra em sua garganta e ela de-

vorou tudo. [

]

]

Eu não sabia a força da magia sexual até hoje. 2

Muito embora Sete Prezas tenha tido uma experiência excitante, para a sacerdotisa que o acompanhou não foi tão enriquecedor:

Ele me procurou e perguntou se eu poderia lhe acompanhar em uma operação na casa dele. A razão dele é que o objetivo não tinha nada a ver com o grupo e ele precisava de uma sacerdotisa para lhe ajudar, mas o que ele queria mesmo é uma foda. Gozou feito porco, sem juízo, razão ou Vontade. Triste perder meu tempo. 3

Depois da decepcionante experiência de Soror Adhana Trinandhara, ela deixou de prestar atenção em qualquer coisa que Sete Prezas dissesse ou fizesse para convencê-la a ajudá-lo novamente. Isso o levou a beira de um colapso de nervos. Em uma ligação ao telefone ele me disse: você tem de convencê-la a ser minha sacerdotisa. E eu até cheguei a tocar no as- sunto com ela, com todo respeito que ela merecia e a situação também. Mas ela estava ir- redutível. Em uma reunião na Loja Shaitan-Aiwaz ela disse veementemente: eu só sirvo a missa de adeptos, não de escravos. A partir deste ponto a Loja Shaitan-Aiwaz tornou-se alvo de inúmeros ataques de Se- te Prezas. Ele chegou a ameaçar a todos nós de morte e passado algum tempo, ficamos sa- bendo que ele começou a conduzir um grupo com as tecnologias que aprendeu no curso de sua associação com a Loja Shaitan-Aiwaz. Mas será que Sete Prezas esteva realmente pre- parado para se apresentar como um Saceredote de Mistérios na condução de uma zona de poder? Os fatos macabros que seguem dizem por si. Após sua expulsão da Loja Shaitan-Aiwaz por suas atitudes desajustadas, Sete Prezas estreitou mais os laços com Frater Tenebras Luciferum. A associação qliphótica entre am- bos era de longa data antes da existência da Loja Shaitan-Aiwaz. Esse termo, associação, é muito utilizado pelos mestres de tradições orientais como um dos princípais responsáveis pela realização da Grande Obra ou o fracasso total nela. Satsanga é um termo sânscrito que significa companhia correta, associação espiritual, aprendizagem em família espiritual, de- leite aos pés do mestre. A convivência com iniciados verdadeiros deveria ser uma prática de todo ocultista, pois o contato íntimo e periódico com pessoas interessadas somente em

1 Via boca para nutrição mágica e revigoramento sexual. Veja AS ÁRVORES DA ETERNIDADE, Capítulo 2.

2 Diário mágico de Cid Gabriel Jr, segundo semestre de 2005 e.v.

3 Carta pessoal me enviada em 3 de janeiro de 2006 e.v.

30

realizar a Grande Obra acende a flama da busca que nos impele ao crescimento espiritual.
realizar a Grande Obra acende a flama da busca que nos impele ao crescimento espiritual.

realizar a Grande Obra acende a flama da busca que nos impele ao crescimento espiritual. Como não existe ascetismo em Thelema? A castidade, quer dizer, a devoção total e irrestri- ta a Grande Obra, é a mais sagrada das práticas ascéticas. Na GHERAṆḌA-SAṂHITĀ apresenta a metáfora do pote de barro (o corpo físico e sua estrutura sutil) que deve ser queimado no fogo do yoga. Nos termos chulos do Conven Nyarlathotep: 1 o fogo no rabo do bode. Asso- ciar-se a devetos sinceramente centrados no objetivo de realizar a Grande Obra é a condu- ta de qualquer buscador sério. Se Sete Prezas mostrou-se perdido no Túnel de Qulielfi, Frater Tenebras Luciferum caminhava tateando no escuro no Túnel de A’no’nin, escravo do daimon pessoal. A associa- ção qliphótica pode levar qualquer Cavaleiro do Santo Graal à queda e uma vez que quem se mistura com porco (paśu) 2 come farelo, qualquer Adepto, por mais astuto, atento e co- rajoso, pode se ver perdido no pântano fétido das Qliphoth. A’no’nin é a sentinela qliphótica que corresponde ao Atu XV no Tarot de Thoth, O Di- abo (o Sol atuando em Mercúrio através da influência de Capricórnio). Ele é tanto o tenta- dor quanto o portador da luz, quer dizer, ele impele o lamanauta ao alto quando iluminado pela luz projetada pelo Atu VII, O Carro, que representa a Regência Solar do Eu Superior. Os signos de Câncer (O Carro) e Capricórnio (O Diabo) estão diametralmente opostos no cinturão zodiacal e representam princípios universais opostos na Árvore da Vida. Assim, para compreendermos um deles, precisamos também compreender o outro. No entanto, rapidamente podemos dizer que o Atu VII, O Carro, ensina o controle sobre as energias representadas pelo Atu XV, O Diabo. Sem este controle, O Diabo desce desimpedido, envol- vendo cegamente tudo em sua lama astral ou māyā, 3 o vício ou cegueira spiritual associado ao Túnel de A’no’nin. Ayin-O é regido por Capricórnio cujo planeta é Saturno que, mitolo- gicamente, devora seus próprios filhos, o que metaforicamente implica-lhes certa restri- ção. O metal associado a Saturno é o chumbo que de todos os metais alquímicos é o mais restritivo. Câncer ensina o caminho para se libertar da restrição saturnina de Capricórnio. 4 O Diabo quando iluminado pelas forças de O Carro, nos impele ao controle da quadratura pessoal. 5 Os daimones associados ao Túnel de A’no’nin são os satiros, os faunos e o séquito demoníaco de Azazel. Satiros, faunos e a própria imagem de O Diabo evocam os desejos e os deleites dos prazeres sexuais, uma fricção irritante e tensa ou estimulante que acende o fogo do espírito. No SEPHER YETZIRAH, o Caminho de Ayin (O Diabo) é a Inteligência Renova- dora, quer dizer, o construto da mente ou Eu Inferior revitalizado pela Consciência Solar priápica. No lado noturno, o Túnel de A’no’nin conecta as Qliphoth Thagiriron e Samael. A sabedoria qabalística diz que Samael é cego e impotente e é interessante notar que o sigilo de A’no’nin seja um falo jambrado. A força solar priápica restaura a visão de Samael, que abre seus olhos, uma metáfora que indica que o véu de māyā foi rasgado e o Adepto enxer- ga o mundo com a lucidez (viveka/LVX) do Eu Seperior, a Consciência Solar. No Mito de Órion, ele perde a visão por se engajar em um ato sexual transgressivo e tem de viajar as terras orientais do amanhecer, quer dizer, da lux-cidez para recuperá-la. Esse simbo- lismo é representado fisiológicamente pela uretra no falo, que se abre para dar passagem

1 Uma zona de poder dedicada a invocação e manifestação dos Poderosos Antigos que opera secretamente, a qual o presente autor é associado.

2 Literalmente, boi. Neste caso, besta.

3 Veja a imagem e texto de Nicolas Furlan Moraes, MĀYĀ: O DAIMON VICIADO (JORNAL CORRENTE 93 Vol. II, No. 5).

4 Veja o ensaio O SOLSTÍCIO DO CARRO DE CHETH (JORNAL CORRENTE 93 Vol. II, No. 4) e o livro CORRENTE 93: A CORREN-

TE SOLAR DO NOVO AEON.

5 Sobre o trabalho com a quadratura pessoal, veja o livro CORRENTE 93: A CORRENTE SOLAR DO NOVO AEON e O TRA-

BALHO MÁGICO DO NEÓFITO em JORNAL CORRENTE 93 (Vol. II, No. 3).

31

ao Logos (sêmen) projetado pelo Adepto 1 ou a passagem forçada de A’no’nin. Dessa m
ao Logos (sêmen) projetado pelo Adepto 1 ou a passagem forçada de A’no’nin. Dessa m

ao Logos (sêmen) projetado pelo Adepto 1 ou a passagem forçada de A’no’nin. Dessa ma- neira, Samael recupera sua visão e potência sexual através da cura (iluminação) de Thagi- riron, a esfera qliphótica do Sol. A’no’nin soma 237. Esse é o número de Ain em letras cheias. No simbolismo sexual, isso representa a abertura da uretra (Olho) que projeta a Luz ou kāla projetada pela escu- ridão incriada de Ain, cujo poder é a aniquilação do cosmo criado. O sigilo de A’no’nin, ainda, lembra a Baphomet. A imagem pintada por Éliphas Lévi (1810-1875) e que foi a inspiração para inúmeras representações do Atu XV, O Diabo, é uma representação do daimon viciado no Túnel de A’no’nin. Isso significa que é neste túnel que são celebradas as bodas sexuais do bode de mendes com as bruxas do Sabbath. A na- tureza do Sabbath é ancestralmente ofidiana e seus deleites, ilusões e horrores se encon- tram ou são consumados na região dos sonhos no plano astral. No Sabbath das Bruxas é possível encontrar toda sorte bestas, reflexos de projeções sexuais dos participantes do encontro onírico orgiástico. No sistema tifoniano de magia sexual, este túnel encerra a magia do XI°: operações que ocorrem durante o período de catamênio (o eclipse lunar mensal da Mulher Escarlate) para reificação e materialização. 2 O título de O Diabo é O Se- nhor dos Portões da Matéria: O Descendente das Forças do Tempo, que implica que a corren- te lunar da Mulher Escarlate reifica a matéria, por isso ela é a noiva de Choronzon. Frater Tenebras Liciferum possuía uma personalidade priápica e seus olhos em ope- rações de êxtase brilhavam esbugalhados como tejas crepitante. Por conta dessa caracte- rística essencialmente fálica de sua personalidade, ele estava interessado nas experiências sexuais que a Loja Shaitan-Aiwaz poderia oferecer. Durante sua associação com a Loja ele participou efetivamente das operações de VIII°, IX° e XI° executadas pelos irmãos do San- tuário da Gnose. A doença associada ao Túnel de A’no’nin é o priapismo, indulgência sexu- al.

Ignorantes das proporções que seus atos poderiam os levar, eles se lançaram em muitos experimentos que, assim diziam, eram experiências nos Túneis de Set. A cidade de Juiz de Fora apresenta um submundo de comércio sexual e drogas nas vielas sombrias e escuras da noite. E não se engane, a noite nessas vielas e fossas da cidade revela criaturas qliphóticas de todos os tipos. A experiência que eles empreendiam era essa: no templo que Sete Prezas construiu em sua casa, eles se reuniam e executavam o RITUAL DA ESTRELA DE SANGUE e o RITUAL SAMEKH. Após esse procedimento, utilizavam alguma substância de êxta- se como éter, cocaína, cannabis ou outras. Dali eles partiam navegando na zona malva pe- las vielas da cidade, se misturando com drogatinos de todas as espécies, prostitutas e mui- tas vezes foram vistos nos trilhos de trem que cortam a cidade, onde crimes, estrupos e desaparecimentos são acidentes constantes. Depois dessas experiências, Frater Tennebras Luciferaum foi internado diversas vezes com crises poderosas de esquizofrenia. Hoje ele vive aos cuidados da mãe, entorpecido e lezado pelo uso de medicamentos fortes. Sete Prezas desapareceu. Ele foi reconhecido alguns anos depois em são Paulo para nunca mais ser visto por ninguém. O caso destes dois associados expulsos da Loja Shaitan-Aiwaz demonstra que a não compreensão e a incorreta utilização da magia noturna da Zona Malva pode aprisionar qualquer incauto. As incursões nos Túneis de Set, como mencionei anteriormente, têm uma finalidade: a perda do Ego! O Não-Ego, Vazio ou continuum anterior ao Ego e ao pro- cesso de criação.

Amor é a lei, amor sob vontade.

1 Veja o ensaio A JORNADA DO MAGO (JORNAL CORRENTE 93 Vol. II, No. 4).

2 Sibre a magia do XI° O.T.O., veja AS ÁRVORES DA ETERNIDADE: TEURGIA TIFONIANA PARA O NOVO AEON.

32

Notícias da Linha de Frente Os Rituais do Tarot O livro O S R ITUAIS
Notícias da Linha de Frente Os Rituais do Tarot O livro O S R ITUAIS

Notícias da Linha de Frente

Os Rituais do Tarot

Notícias da Linha de Frente Os Rituais do Tarot O livro O S R ITUAIS DO

O livro OS RITUAIS DO TAROT, constitui a instrução e prática oficial dos Probacionistas do Colegiado da Luz Hermética. Todos os Candidatos interessados a afiliação do Colegiado da Luz Hermética deverão adquirir o livro com as instru- ções após a confirmação de sua afiliação. O livro OS RITUAIS DO TAROT está disponível no site do Clube de Autores. Todo o sistema do Colegiado da Luz Hermética utili- za ostensivamente os Arcanos iniciáticos do Tarot de Tho- th e a projeção do Corpo de Luz. O período de Probacionis- ta no Colegiado da Luz Hermética é uma oportunidade para o Candidato desenvolver capacidades que lhe possi- bilita projetar o Corpo de Luz nos Caminhos da Árvore da Vida, adquirir conhecimento sobre a estrutura ou mapa da consciência e treinar a disciplina para manter uma prática espiritual sistemática, centrada no objetivo último da Grande Obra. O Probacionista recebe mensalmente um caderno de estudo, o JORNAL CORRENTE 93, dedicado a instrução de todos os membros da Ordem.

Robes de qualidade

A Sociedade de Estudos Thelêmicos disponibiliza robes de qualidade para os Irmãos da AA, Or- do Templi Orientis e outras organizações thelê- micas.

Robe do Probacionista R$280.

Robe do Neófito: R$230.

Robe do Zelator: R$230.

Robes com características distintas podem ser encomendados. Entre em contato com o editor do Corrente 93 e faça um orçamento sem com- promisso. Os robes são em alta qualidade, de brim e bordados bem detalhados.

Os robes são em alta qualidade, de brim e bordados bem detalhados. 33 Sociedade de Estudos

33

Corrente 93: A Corrente Solar do Novo Aeon Faz o que tu queres há de
Corrente 93: A Corrente Solar do Novo Aeon Faz o que tu queres há de
Corrente 93: A Corrente Solar do Novo Aeon Faz o que tu queres há de

Corrente 93: A Corrente Solar do Novo Aeon

Corrente 93: A Corrente Solar do Novo Aeon Faz o que tu queres há de ser

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião é o coração de uma cultura espiritual de inclinação filosófica e religiosa conhecida como The- lema, promulgada por Aleister Crowley, conhecido como o maior mago do Séc. XX e pai da magia moderna. Foi Crowley quem explorou enfaticamente este

tema no atual renascimento da magia e o elegeu como objetivo único a ser conquistado por todos os praticantes de Thelema. Este termo, Conhecimento & Conversação com o Sa- grado Anjo Guardião Crowley herdou da tradução e interpretação do LIVRO DA MAGIA SA- GRADA DE ABRAMELIN, O MAGO do francês para o inglês por MacGregor Mathers. Este livro descreve uma operação de magia que ocorre no curso de seis meses para se obter o conta- to com o Anjo Guardião que confere ao magista poderes sobre os espíritos malignos. Na Ordem Hermética da Aurora Dourada, esperava-se que o Adepto Menor obtivesse méritos para estabelecer uma comunhão espiritual com seu Eu Superior ou Gênio Interior e o sis- tema de Abramelin era considerado por Mathers como um comentário, estudo e prática adequada a tarefa do Adepto Menor.

34

No período em que Mathers traduzia O L IVRO DA M AGIA S AGRADA DE
No período em que Mathers traduzia O L IVRO DA M AGIA S AGRADA DE

No período em que Mathers traduzia O LIVRO DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELIN, O MA- GO, muitas lendas nasceram sobre magistas que tentaram executar seu sistema e foram assolados por uma miríade de espíritos malignos os quais não puderam controlar e em virtude disso caíram vítimas obsediados. Essas lendas existem até hoje, competindo com outras que vêm sendo criadas ao redor do livro, conferindo a ele uma aura enigmática ca- paz de atrair a atenção de qualquer magista inclinado a ritualística cerimonial. Parece que este foi o caso de Aleister Crowley. Quando ele foi admitido a Ordem Hermética da Aurora Dourada, Mathers havia acabado de traduzir O LIVRO DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELIN, O MAGO e os rumores de magistas que tentavam e falhavam a operação mágica de Abramelin estavam em alta. Essas lendas e o magnetismo sombrio do livro impressionaram o jovem imaginativo Aleister Crowley que o elegeu como o Pilar que sustentava sua Pirâmide espi- ritual, devotando-se completamente ao sistema que Abramelin propunha no livro. Todo o trabalho de Crowley foi construído ao redor da proposta de Abramelin e ele considerava o Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião como o próximo passo da humanidade em direção a evolução. Já no fim de sua jornada no plano dos discos Crowley disse: Minhas observações sobre o Universo convencem-me que existem Seres de inteligência e poder de uma qualidade muito superior do que qualquer coisa que nós possamos conceber como humano; eles não são necessariamente baseados nas estruturas nervosas e cerebrais que nós conhecemos; a única chance para a humanidade avançar como um todo é fazer com que individualmente cada humano entre em contato com estes Seres. 1 Todo o sistema de iniciação thelêmico tem como objetivo levar o praticante até este momento que se considera ser o objetivo último da Grande Obra. A influência do sistema de magia de Abramelin vai muito além do escopo da cultura thelêmica. Depois de sua tra- dução e popularização através de Mathers e da Ordem Hermética da Aurora Dourada, o tema Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião tem epitomizado toda a Tradição Ocidental de Mistérios e considera-se que todo magista diligente e sério na jor- nada deva ter um exemplar em sua biblioteca. O autor do livro é Abraão, o Judeu que teria recebido, segundo ele mesmo, os ensinamentos secretos da magia de um mago egípcio conhecido como Abramelin. No livro Abraão discorre os métodos para se colocar em práti- ca um sistema de magia poderoso que culmina com o Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Mas para o magista moderno, muito do sistema proposto por Abramelin é simples- mente inviável. Por conta disso, muitos são os Adeptos que têm se esforçado para orientar novos estudantes na adaptação da Magia Sagrada de Abramelin. Aleister Crowley foi uma desses Adeptos. Todo o sistema de iniciação thelêmico é uma adaptação nos termos do Novo Aeon do sistema original proposto por Abraão, o Judeu. Minha intenção nessa obra é facilitar o acesso a prática deste sistema de magia, comparando em Thelema a Magia Sa- grada de Abramelin. Meu contato com o sistema de magia de Abramelin foi em 1996, quando ainda era um Probacionista da AA. Meu primeiro exemplar de O LIVRO DA MAGIA SAGRADA DE ABRA- MELIN, o Mago foi a versão de Mathers para o português. Eu estava iniciando em Thelema e me perguntava como iria conseguir colocar o sistema em prática. Meu Superior na época, Frater S.S., era muito cauteloso em sua instrução, segundo ele mesmo e por sua própria decisão julgou que eu não estava preparado para estudar ou colocar em prática a operação do Sagrado Anjo Guardião. Em 1996, as artes marciais norteavam minha vida. Embora desde os oito anos eu já estivesse imerso no caminho espiritual, como relatei em outra obra, 2 tenho a plena convicção de que foi o treinamento em Tae Kwon Do, Hap Ki Do e

1 Aleister Crowley, MAGICK WHITOUT TEARS.

2 Veja RITUAIS, DOCUMENTOS & A MAGIA SEXUAL DA O.T.O. (Vol. I).

35

Kikcboxing, artes que na época eu treinava e ensinava, me deram a disciplina para me
Kikcboxing, artes que na época eu treinava e ensinava, me deram a disciplina para me

Kikcboxing, artes que na época eu treinava e ensinava, me deram a disciplina para me fir- mar na senda da Grande Obra do Sol. Eu iniciai meu treinamento nas artes marciais aos sete anos e quando eu conheci meu Superior, trazia comigo uma disciplina pessoal muito apurada. Frater S.S. me dizia que embora eu tivesse alguma segurança mental e estabilida- de emocional para iniciar práticas de magia, ele acreditava ser perigoso para mim, como Probacionista, colocar em prática a Magia Sagrada de Abramelin. Mas as coisas começaram a mudar em 1999. Em 1998 minha mãe, Soror Rá, foi admitida na AAcomo Probacionista e em 1999 eu fui admitido ao Grau de Neófito. Este foi um período rico em minha jornada. Eu tinha encontros semanais com Frater S.S. que durava a tarde inteira. Nós começamos a fazer um estudo nos arcanos de LIBER ALEPH e tivemos a oportunidade de trabalhar juntos na formu- lação dos Rituais de Autoiniciação da O.T.O. Tradição Brasileira Aster IX° - Parzival XI°. Todos os Rituais deixados por Crowley para Ordo Templi Orientis, O.T.O. nós organizamos autoiniciações e após o Ritual do III° Grau incluímos modificações para atenderem tam- bém as Irmãs afiliadas. Naquela época, nosso laboratório foi a Loja Templo do Sol que a- brigava as reuniões e Rituais da Ordem dos Cavaleiros de Thelema, O.C.T., instruções pes- soais da AAe onde ensaiávamos os Rituais da O.T.O. brasileira e discutíamos seu siste- ma. No meio de todo esse furacão eu comecei a executar a Magia Sagrada de Abramelin na Loja Templo do Sol. Infelizmente não pude desenvolver o processo e tive de interromper. Essa teria sido minha primeira empreitada no sistema de Abramelin. Mas para que eu não ficasse desapontado, Frater S.S. me passou uma disciplina espi- ritual que consistia da prática diária, durante um ano, de LIBER PYRAMIDOS e LIBER SAMEKH. Segundo Frater S.S., o segredo por trás da experiência conhecida como a Visão do Sagrado Anjo Guardião era uma devoção diária e fervorosa ao Sagrado Anjo Guardião, o que incluía preces, invocações, confissões e o desenvolvimento de uma prática consistente com LIBER NV. Esta instrução, no Currículo da AA, não está disponível ao Grau de Neófito. Eu não tenho como saber o porquê, mas Frater S.S. em uma de nossas tardes de estudo me autori- zou a praticar o LIBER NV. Eu sou eternamente grato por isso, pois LIBER NV é uma das ins- truções mais importantes do misticiamo thelêmico, fundamental na construção da Pirâmi- de Mágica e peça chave para a experiência com a instrução do daimon pessoal, o Ente Guardião que nos acompanha na jornada da encarnação. Minha mãe começou a me ensinar yoga aos dez anos. Na época ela era sacerdotisa da Sociedade Brasileira de Eubiose, S.B.E. e já havia sido, no passado, uma Irma da Fraternitas Rosacruciana Antiqua, F.R.A. Quando Neófito eu já estava familiarizado com práticas medi- tativas e já começava a me aprofundar no Tantra. Este foi um dos períodos em minha car- reira iniciática que mais alimentou minha busca pelo Sagrado Anjo Guardião. É deste perí- odo que eu guardo na memória as valiosas instruções de Frater S.S. e sua maneira madura de ver a Vida através de Thelema. No curso deste livro eu faço várias referências às instru- ções de Frater S.S., sua visão de Thelema e método de ensino. Por volta de 2012 todo o meu mundo começou a ruir. Eu entrei em uma profunda crise existencial. Meu casamento estava em frangalhos, meu corpo doente e debilitado. Desde 2009, com o fechamento oficial dos trabalhos da Loja Shaitan-Aiwaz onde um grupo de iniciados se reunia para prática e estudo do sistema de magia sexual proposto por Ken- neth Grant, eu estava em profunda imersão no pātañjala-yoga e nas tradições śaiva e śākta do tantrismo. Naquele período eu tentava colocar em prática uma gama de rituais tântri- cos de magia e práticas místicas baseadas no Śaivismo da Caxemira. Eu havia elegido a deusa Kālī como minha iṣṭa-devetā (deidade tutelar) e para ela devotava orações, invoca- ções, cadeias mântricas por horas e meditações no seu yantra. Embora difícil, foi um perí- odo rico. Todo esse preparo criou as condições necessárias para que eu pudesse desenvol- ver um genuíno espírito de devoção. E essa era uma grande deficiência minha até 2012

36

que me incomodava como uma dor que embora suportável, nunca vai embora. Eu me sen-
que me incomodava como uma dor que embora suportável, nunca vai embora. Eu me sen-

que me incomodava como uma dor que embora suportável, nunca vai embora. Eu me sen- tia incapaz de desenvolver uma inclinação devocional. Mas com a imersão na cultura tân- trica, uma explosão de amor pelo Sagrado eclodiu de meu interior. Em 2013 meu casamento com a mãe de meu Filho Mágico havia terminado. A transi- ção de 2012 para 2013 foi a mais difícil até então. Como me sentia em dívida com meu filho, saí de casa e deixei tudo para trás. Se não fosse por um amigo Adepto nos Mistérios, Helio Monteiro, não sei o que teria acontecido comigo. Ele me abrigou em seu pequeno apartamento. Como eu não tinha dinheiro para nada, Helinho me vestiu, me calçou, me alimentou e me protegeu. Sou muito grato ao meu amigo por tamanha fidelidade a nossa amizade. No seu apartamento em Niterói Helio montou um pequeno Templo de Magia, o qual pude praticar a Arte dos Magi por alguns meses. No Carnaval de 2013 ele viajou e deixou o apartamento só para mim, quando decidi fazer uma prática que mudaria comple- tamente a minha vida. No Carnaval de 2013 eu decidi empreender uma prática espiritual com o Sagrado Anjo Guardião. Seria a primeira vez desde 2009 a invocá-lo nos termos da Tradição Esoté- rica Ocidental. 1 Eu passei sete dias dentro do Templo, saindo apenas para me alimentar, tomar banho e cuidar da cadelinha que Helio deixou aos meus cuidados. A prática consistia em uma disciplina diária de invocações, preces, meditações e reflexões baseadas em LIBER NV. O ingrediente fundamental nesta prática foi mouna-vrata (voto de silêncio), alimenta- ção e sono regrados. Como me encontrava bem abalado e culpado por deixar meu filho, todo o processo foi carregado com pedidos de perdão para mim, meu filho e a mãe dele. Toda a prática era precedida por rituais de purificação e devoção ao Sagrado. No sexto dia eu fui arrebatado em um estado de êxtase, entre 10:00 e 11:00, que me levou ao contato com uma entidade praeter-humana que se revelou como AHAON. Este foi o início de uma mudança total de minhas perspectivas espirituais e não marcou apenas uma transição cósmica em meu Universo particular, mas o entendimento e compreensão de minha Ver- dadeira Vontade, o meu papel neste mundo. Eu considero este evento em meu processo particular como o dia em que minha vida mudou completamente e o que vem acontecendo desde então é um reflexo dele. Eu só viria a contatar AHAON novamente em fevereiro de 2014, quando assumi o Grau de Adepto Maior na Sagrada Ordem AA. Os trabalhos estão em curso Sobre o Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião, a AAoferece as seguintes instruções:

1. O RITUAL DA INVOCAÇÃO DO AUGOEIDES em A VISÃO & A VOZ, no oitavo aethyr: ZID, além do Abismo. Este ritual é conhecido como LIBER VIII.

2. O RITUAL DE CONGRESSO COM DAEMONE, conhecido como LIBER SAMEKH. Crowley con-

siderou ser esse o seu melhor trabalho. Trata-se de uma cerimônia para invocar o Sagrado Anjo Guardião. Crowley restaurou esse ritual a partir a partir de fontes greco-egípcias. Eu fiz um extenso comentário sobre esse ritual em meu livro EM NOME DA BESTA (Vol. I).

3. LIBER LXV, que trata da relação entre o Candidato e seu Sagrado Anjo Guardião. Es- sa instrução é dada ao Probacionista no ato da assinatura de seu Juramento como um símbolo de sua aspiração, o Conhecimento & a Conversação com o Sagrado An- jo Guardião.

4. A INVOCAÇÃO DO ANEL DA AMETISTA. Este é um poema encontrado em O MUNDO DES- PERTO. Crowley diz em suas confissões que a ametista deve ser, por assim dizer, a lente através da qual o Sagrado Anjo Guardião se manifesta.

1 Para ampliar o estudo, veja meu texto DAIMON & KUṇḍALINĪ no JORNAL CORRENTE 93 (Vol. II, No. 3).

37

5. O M UNDO D ESPERTO , uma alegoria poética das relações de uma Alma
5. O M UNDO D ESPERTO , uma alegoria poética das relações de uma Alma

5. O MUNDO DESPERTO, uma alegoria poética das relações de uma Alma com o Sagrado Anjo Guardião.

6. O Sagrado Anjo Guardião é um Indivíduo Objetivo. Trata-se do Capítulo 43 de MA-

GICK WITHOUT TEARS.

7. A MAGIA SAGRADA DE ABRAMELIN, O MAGO, tradução de S.L. McGregor Mathers.

Algumas dessas instruções da AAestão presentes nos apêndices deste livro e aqui fo- ram incluídas porque são citadas diversas vezes e porque oferecem ao leitor a oportuni- dade para se aprofundar. LIBER NV e LIBER HAD foram traduzidos por Frater Nuit Alegrae, Probacionista da AA. O MUNDO DESPERTO foi traduzido por Frater S.R. e LIBER THISHARB por Frater Pã, ambos Irmãos da AAtambém. Todas essas traduções foram revisadas por mim. LIBER SAMEKH, LIBER VIII e LIBER AL VEL LEGIS são traduções minhas. Eu incluí ainda alguns suplementos que ampliam o entendimento do leitor, comparando o sistema de ini- ciação da AAcom o da O.T.O. Este livro é um esforço para publicar um estudo sobre o Conhecimento & Conversa- ção com o Sagrado Anjo Guardião para leitores brasileiros completamente baseado na magia e no misticismo thelêmico de Alesister Crowley.

Amor é a lei, amor sob vontade.

38

Os Rituais do Tarot Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei
Os Rituais do Tarot Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei
Os Rituais do Tarot Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei

Os Rituais do Tarot

Os Rituais do Tarot Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei .

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O Tarot é um mapa pictórico da Árvore da Vida. Os vinte e dois Arcanos Maiores, Atus ou Chaves são as imagens dos caminhos ou as Inteligências da Árvore. Os trinta e seis Arcanos Menores correspondem as sephiroth de 1 a 10 nos quatro

mundos da Qabalah e as dezesseis cartas de corte restantes correspondem aos quatro Elementos e seus sub-elementos. Uma vez que isso tenha sido compreendido, fica fácil observar as aplicações mágicas e místicas do Tarot no dia-a-dia e que a concepção popular dessa arte está longe de seu real significado iniciático. Quando ouve-se falar em Tarot, o que vem a mente em um primeiro momento para a grande maioria das pessoas é: adivinhação do futuro. Isso acontece porque a palavra adi- vinhação tem sido mal interpretada através dos tempos pelos tecedores de mitos. Ela tem origem no grego divinus, que significa deidade, deus, divino, sagrado e inspirado. Dessa forma, o verdadeiro significado da palavra adivinhação não tem nada a ver com o conceito popular de predição do futuro. Não tem nada a ver também com profecia, palavra cuja raiz grega, prophetes significa divina elocução. O Sagrado não se constringe em condições tem- porais, dessa maneira, está além do tempo. A predição, por outro lado, é uma previsão na linha do tempo ou projeção, seja através de informações coletadas acerca de fatos, obser- vações ou até mesmo a intuição.

39

A prática da Arte da Adivinhação tem sido executada por Iniciados desde a Idade Média
A prática da Arte da Adivinhação tem sido executada por Iniciados desde a Idade Média

A prática da Arte da Adivinhação tem sido executada por Iniciados desde a Idade

Média como um meio eficaz para se familiarizar com as Inteligências da Árvore da Vida,

além de auxiliar na memorização das correspondências qabalísticas utilizadas na constru- ção de rituais e templos de poder. Quando abordada com respeito e amor a Arte dos Magi,

a adivinhação torna-se uma ferramenta mágica que possibilita a abertura de comunicação entre as esferas temporal e eterna.

A função mais importante do Tarot, no entanto, é sua característica iniciática. Opvs

Rota Liber ou o Livro das Operações do Tarot é uma prática mágica de teurgia que envolve os Arcanos Maiores do Tarot. Trata-se de uma operação mágica executada no curso de trinta dias e constitui uma iniciação a Árvore da Vida. Não é necessário, no entanto, um templo constituído e equipado para colocar em prática estes rituais. Como o leitor poderá notar, os Rituais do Tarot aqui propostos podem ser executados utilizando um maço de cartas do Tarot Egípcio de Aleister Crowley, popu- larmente conhecido como Tarot de Thoth, uma ou duas velas, incenso e um altar improvi- sado em um quarto escuro. Mas ao contrário do que o título desse ensaio possa sugerir, este livro não se trata de um estudo sobre o Tarot de Thoth. O que eu aqui proponho é um sistema de rituais diá- rios, acompanhados de uma prática mística que envolve respiração profunda e meditação, também executados diariamente. Aos Candidatos interessados na Sociedade de Estudos Thelêmicos, este livro constitui

a prática oficial de admissão a Ordem, que deve ser empreendida no período de nove me- ses. Ao ser admitido como Probacionista da SETh, o Candidato é requerido a executar as práticas e rituais desse livro, anotando todos os detalhes em um diário mágico. No fim do

período probatório, após nove meses, o candidato deve enviar seu diário a Ordem, reque- rendo de seu Superior direto a aplicação de admissão ao Grau de Neófito, caso seu diário seja examinado e ele tenha sido admitido com louvor a Ordem. Neste caso, o Probacionista deverá trabalhar cada Arcano Maior no período de dez dias, finalizando com três arcanos por mês. A admissão a Ordem ocorre apenas nos Equi- nócios e Solstícios, tempos de poder onde a execução desses rituais pode ser iniciada.

Amor é a lei, amor sob vontade.

40

Safira Estrela: A Magia Sexual de Aleister Crowley Faz o que tu queres há de
Safira Estrela: A Magia Sexual de Aleister Crowley Faz o que tu queres há de
Safira Estrela: A Magia Sexual de Aleister Crowley Faz o que tu queres há de

Safira Estrela: A Magia Sexual de Aleister Crowley

Safira Estrela: A Magia Sexual de Aleister Crowley Faz o que tu queres há de ser

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

M ais curioso do que possa parecer, uma análise acurada do RITUAL SAFIRA ESTRE- LA ou LIBER XXXVI 1 publicado pela primeira vez em 1913 em O LIVRO DAS MEN- TIRAS, também conhecido como LIBER CCCXXXIII ainda não foi produzida. Seu Arcano continua oculto para muitos thelemitas. A publicação dessa instrução

oficial da AAprovocou uma reviravolta na jornada espiritual de Aleister Crowley (1875- 1947): ele foi admitido ao IX° Grau da Ordo Templi Orientis, O.T.O. Este evento iria definir

seu caminho daquele momento em diante. Para um magista isso não se trata de mera coin- cidência. Crowley considerava cada livro seu publicado um talismã mágico de poder e por conta disso ele levava em consideração as melhores conjunções astrológicas para a publi- cação de seus livros. Nós podemos dizer com segurança que O LIVRO DAS MENTIRAS encan- tou Theodor Reuss. Eu discorri bastante sobre esses eventos no primeiro volume das CRÔ- NICAS DA O.T.O. e ao leitor eu recomendo estudo. 2

1 36 = 6 2 = a expressão perfeita do hexagrama. 6 = Tiphereth-Sol, assim, 6x6 significa o Sol multiplicado por si mesmo. O simbolismo do número seis tem uma conexão poética com este ritual.

2 RITUAIS, DOCUMENTOS & A MAGIA SEXUAL DA O.T.O. (Vol. I), Fernando Liguori.

41

Por volta de 2001 a O.T.O. promoveu no Brasil o I° ENOTO, Encontro Nacional da
Por volta de 2001 a O.T.O. promoveu no Brasil o I° ENOTO, Encontro Nacional da

Por volta de 2001 a O.T.O. promoveu no Brasil o I° ENOTO, Encontro Nacional da Or- do Templi Orientis na cidade de Parati, Rio de Janeiro. Na época eu usava o nome mágico de Khaled Khan 777, como I° Grau da Ordem. Na véspera da viagem, eu me encontrava na

sede do Oásis Quetzalcoatl, hoje uma Loja estabelecida da Ordem, conversando com alguns irmãos, todos sentados em cadeiras formando um círculo na frente do altar da MISSA GNÓS- TICA. Nessa ocasião, uma irmã perguntou: O que o Crowley quis dizer com a frase «estando o adepto armado com sua vara mágica e munido com sua rosa mística» no LIBER XXXVI? Um irmão mais antigo prontamente respondeu: Isso está além do seu grau! Me lembro que

Nós continuamos a conversa e eu comecei a discorrer

sobre o simbolismo sexual contido nesse ritual e o significado da fórmula mágica ARARI- TA. Este irmão mais antigo se levantou, andou pela sala, subiu as escadas e quando voltou, cinco minutos depois, ele disse: Meu anjo me disse que vocês não estão nem um pouco pre- parados para falar sobre esse assunto. Bem, desde que a relação do Adepto com seu Anjo só diz respeito a ele mesmo, depois do ocorrido passei a não levar em consideração as pon- derações desse irmão. Desde então eu venho praticando a fórmula mágica do RITUAL SAFIRA ESTRELA. Quem primeiro me instruiu nesse ritual foi Frater S.S., na época um Zelator da AAe meu Supe- rior na Ordem. Durante muitos anos este ritual foi peça chave no meu entendimento das fórmulas mágicas thelêmicas, principalmente o sistema de magia sexual proposto por Crowley. O presente livro é, assim, uma crônica concisa acerca de LIBER XXXVI que nasce desse trabalho de publicação do RITUAIS, DOCUMENTOS & A MAGIA SEXUAL DA O.T.O. Quando procuramos compreender o simbolismo do RITUAL SAFIRA ESTRELA, talvez a pergunta mais óbvia que se levante é: por que safira? A safira é uma pedra preciosa que, como seu irmão, o rubi, é uma espécie de coríndon. A safira é uma pedra consagrada a es- fera de Binah na Árvore da Vida, a Mãe Negra. Binah é identificada como um grande mar negro, um menstruum ou fluído de possibilidades. A safira, dessa maneira, trata-se de uma pedra de água preciosa. 1 Essa é a primeira pista do ritual. Tanto o rubi quanto a safira têm um asterismo em seu corpo que provoca no olho de quem vê um efeito que se parece com uma estrela de seis raios. Por conta disso, existe nesses dois rituais thelêmicos, o RUBI ES- TRELA e SAFIRA ESTRELA, o simbolismo do hexagrama. No RUBI ESTRELA, os pentagramas são invocados para produzir no centro-coração o hexagrama. Mas no SAFIRA ESTRELA é diferen- te.

pensei na hora: E do seu também

A segunda pergunta óbvia acerca desse ritual é: para que serve o SAFIRA ESTRELA? Ele é considerado um ritual do hexagrama. Genericamente, a informação que todos transmi- tem é que Crowley o escreveu para suplantar o Ritual Menor do Hexagrama, da mesma maneira que fez com o RUBI ESTRELA, formulado para suplantar o Ritual Menor do Penta- grama. Dessa forma, considera-se que o SAFIRA ESTRELA esteja para o RUBI ESTRELA como o Ritual Menor do Hexagrama está para o Ritual Menor do Pentagrama. Mas diferente do pentagrama, que é um símbolo utilizado para manipular, unir e encarnar as forças elemen- tais, o hexagrama é um símbolo que une o micro com o macrocosmo. Dessa maneira é se- guro dizer que o ritual do pentagrama atua no eixo horizontal da encruzilhada vibracional e o ritual do hexagrama no eixo vertical: e na coluna flameja o esplendor de seis raios. 2 No RITUAL SAFIRA ESTRELA, dessa maneira, é possível ver a ascensão do magista e a materialização do divino, encerrando o processo da dualidade, quando o Adepto encarna a Luz mais Oculta. Isso pode ser inferido como o trabalho do Sagrado Anjo Guardião operan- do em Tiphereth e este é o simbolismo transmitido pelo hexagrama cujo número é seis

1 LIBER AL, III:66. Considere, nesse contexto, que 66 é um número associado ao reino das Qliphoth, associado ao Abismo. 2 Veja LIBER REGULI, LIBER XXV e o Ritual Menor do Pentagrama.

42

caminhando em direção ao Macroprosopus nas Supernas, onde cessa toda dualidade pro- duzindo a singularidade,
caminhando em direção ao Macroprosopus nas Supernas, onde cessa toda dualidade pro- duzindo a singularidade,

caminhando em direção ao Macroprosopus nas Supernas, onde cessa toda dualidade pro- duzindo a singularidade, velada na fórmula ARARITA. Sobre o hexagrama, Crowley escre- veu: mas o Hexagrama é em sua maior parte um detalhe da Fórmula da Rosa e da Cruz. 1 O RITUAL SAFIRA ESTRELA, em uma primeira análise, consiste do alinhamento entre o micro e o macro ou a reconciliação dos opostos que produz, através do casamento místico, algo novo. Mas para entender a relevância desse processo, nós teremos de dissecar o RITU-

AL SAFIRA ESTRELA.

Amor é a lei, amor sob vontade.

1 Aleister Crowley, LIBER ALEPH, cap. 108.

43

Em Nome da Besta: O Melhor do Jornal Corrente 93 Faz o que tu queres
Em Nome da Besta: O Melhor do Jornal Corrente 93 Faz o que tu queres
Em Nome da Besta: O Melhor do Jornal Corrente 93 Faz o que tu queres

Em Nome da Besta: O Melhor do Jornal Corrente 93

Em Nome da Besta: O Melhor do Jornal Corrente 93 Faz o que tu queres há

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O livro EM NOME DA BESTA (Vol. I) é uma coleção de ensaios publicados no Primei- ro Volume do JORNAL CORRENTE 93, um projeto do Outer College Brasil, linha da AAtransmitida por Frater ON120 e Colegiado da Luz Hermética através da SETh, órgão oficial de divulgação dos trabalhos desses dois Colegiados Thelêmi-

cos.

Este livro contém a essência de um ano de trabalho construindo os onze primeiros números do JORNAL CORRENTE 93. O leitor encontrará nessa obra os temas mais relevantes da cultura thelêmica: Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião, aspec- tos ocultos da iniciação de Adepto Menor e Adepto Maior na AA, as Fórmulas Mágicas de Iniciação de Abrahadabra (418) e Babalon (156), a espiritualidade feminina thelêmica, a função da Mulher Escarlate, Verdadeira Vontade, história da vida de personagens impor- tantes e celebrados, magia sexual thelêmica, Tarot e Qabalah, Alta Magia etc., uma introdu- ção profunda no universo mágico de Aleister Crowley e uma imersão no sistema de inicia-

44

ção da Astrum Argentum (A ∴ A ∴ ) e Ordo Templi Orientis (O.T.O.), organizações
ção da Astrum Argentum (A ∴ A ∴ ) e Ordo Templi Orientis (O.T.O.), organizações

ção da Astrum Argentum (AA) e Ordo Templi Orientis (O.T.O.), organizações espirituais

chefiadas por Crowley, as quais ele utilizava como veículo para difusão da Lei de Thelema. Estes ensaios também contam a história da evolução de minha compressão sobre os Arcanos iniciáticos de Thelema. Até 2014 E.V. eu acreditava veementemente que o Sagra- do Anjo Guardião era uma parte de minha consciência ou a Chispa Divina do Espírito. Mas devido algumas experiências que aconteceram em 2014 e 2015 E.V. eu fui levado a uma conclusão muito distinta: o Sagrado Anjo Guardião não é uma parte de minha consciência,

o Eu Superior, mas uma criatura espiritual objetiva. Essas experiências me conduziram a

uma pesquisa mais profunda na obra de Crowley em busca de respostas e eu as encontrei.

No ocultismo moderno, inúmeros autores têm utilizado o termo Eu Superior em co- nexão com o Sagrado Anjo Guardião, o que dificulta a compreensão de ambos. Àqueles que afirmam que o Sagrado Anjo Guardião é o Eu Superior, reforçam o en-

tendimento equivocado de que o Anjo representa simbolicamente uma parte silente de nós que permanece oculta, esperando o momento ou evento correto para despertar. Quer dizer,

o Anjo representa a Chispa Divina no interior de cada homem e de cada mulher e ter aces- so a essa Chispa Divina através do Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião é uma metáfora para a conquista da consciência cósmica solar. Mas não é nada

disso!

O termo Sagrado Anjo Guardião não teria sido conhecido e utilizado na magia mo- derna se não fosse por Aleister Crowley. O material de peso e relativamente significante sobre o tema tem sido produzido por thelemitas que aprenderam diretamente com Cro- wley ou com seus discípulos mais íntimos. Ele decidiu utilizar o termo Sagrado Anjo Guar- dião para se distinguir dos ocultistas de sua época que usavam termos como Eu Superior, Adonai, daimon, augoeides ou Verdadeiro Eu indiscriminadamente e, às vezes, negligente- mente. Crowley deplorava o ocultismo aguado dos teósofos que diziam que quando a hu- manidade alcançasse o Eu Superior ela se tornaria imortal. Ele também acreditava que a filosofia promulgada pela Ordem Hermética da Aurora Dourada, da qual ele fez parte, também falhava nesse mesmo ponto. Quando um Neófito desta Ordem, Crowley estudou o documento intitulado Z1: O ENTRANTE NO UMBRAL. Nessa instrução ele aprendeu que o obje- tivo mais importante da iniciação era levar o Neófito ao Conhecimento de seu Eu Superior. 1 Ele lamentou que essa superstição levava os membros da Ordem a agirem como idiotas na iniciação, fazendo com que muitos deles falhassem completamente em realizar o verdadei- ro objetivo iniciático da Grande Obra. Isso o levou a revolta. Crowley teve a ideia de utilizar toda estrutura da Ordem Hermética da Aurora Dou- rada em seu sistema, no entanto, ele percebeu que teria de gastar muito tempo e energia explicando os erros de seus antecessores. Mas para evitar isso bastaria construir um sis- tema genuinamente original, no entanto, ele não estava em condições para isso. Assim, ele decidiu fazer mudanças na estrutura original da Ordem. Um dos pontos foi este: usar o termo Sagrado Anjo Guardião e seu obscuro conceito ao invés de usar o termo Eu Supe- rior para vestir o ponto de vista que ele defendia. No entanto, ao utilizar o termo Sagrado Anjo Guardião parece que ele não levou suas considerações históricas e culturais que en- volviam o ponto de vista da tradição grega, neoplatônica e cristã-primitiva acerca do dai- mon. O que Crowley fez de verdade foi pegar emprestado o termo Sagrado Anjo Guardião da tradução de Mathers do LIVRO DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELEIN, O MAGO, fazendo tam- bém uma má utilização dele. No entanto, em nenhum lugar do LIVRO DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELEIN, O MAGO e- xiste a expressão Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Essa expres-

1 Israel Regardie, AURORA DOURADA. Madras, 2008.

45

são foi cunhada por Crowley. Isso não significa que o conceito por trás da frase
são foi cunhada por Crowley. Isso não significa que o conceito por trás da frase

são foi cunhada por Crowley. Isso não significa que o conceito por trás da frase não esteja no livro. A ideia de Conhecimento dos Anjos Sagrados está presente no livro, no sentido de conhecimento de que eles existem. O termo conversação também é encontrado no livro e implica em estabelecer um diálogo com os Anjos. O próprio Abramelin relata o seu contato com os Anjos e como gozava de sua companhia. Crowley se inspirou nas palavras de Mc- Gragor Mathers que em sua introdução do LIVRO DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELEIN, O MAGO diz: através dessa arte sagrada é possível obter o conhecimento e a conversação com o Anjo Guardião. Portanto, quando Crowley decidiu usar o termo Sagrado Anjo Guardião, ele o fez pensando em expressar suas ideias e concepções sobre o Eu Superior. Quando ele optou por utilizar esse nome, Crowley não concebia uma entidade objetiva independente da consciência humana. Ele só veio a mudar de ideia sobre isso no fim de sua vida. Contudo, a Magia de Abramelin trata da experiência com uma entidade independente, o Anjo que po- de auxiliar o magista a executar com eficiência sua Verdadeira Vontade ou objetivo por trás da encarnação. Na fraseologia do LIVRO DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELEIN, a obtenção do auxílio de um Anjo para auxiliar o magista a seguir a Vontade de Deus ao invés dos di- tames dos demônios malignos. Portanto, a visão de Crowley sobre o Sagrado Anjo Guardi- ão é completamente distinta da visão da Magia de Abramelin. A visão de Crowley implica um objetivo subjetivo concernente ao Eu Superior enquanto que a visão de Abranelin im- plica no contato com uma entidade objetiva, independente da consciência humana. Assim, infelizmente nós temos de agradecer a Aleister Crowley por ter fomentado essa confusão e ter levado muitos thelemitas e outros praticantes da magia moderna a cair nesse mesmo erro por confundir o Sagrado Anjo Guardião com o Eu Superior. Isso irá dei- xar muitos seguidores de Aleister Crowley que pensam que não existem falhas em seus escritos furiosos. Mas é uma ignorância medonha pensar que Crowley não errava e que todos os seus escritos, desde o dia que começou a escrever até sua morte, são pérolas que refletem todo e qualquer ângulo da verdade absoluta. Como qualquer um de nós, o pensa- mento de Crowley sobre muitos temas evolui, se transformou. Este aqui é um caso notório:

no início ele pensava que o Sagrado Anjo Guardião era o Eu Superior, mas depois mudou de ideia. No entanto, inúmeros thelemitas e comentadores famosos muitas vezes citam Crowley fora do contexto ou mesmo não entendem o que ele queria transmitir. Em 1901 Crowley publicou uma coleção de poemas conhecida como A ALMA DE OSÍ- RIS. Um dos poemas dessa coleção chamava-se O ATANOR e incluía a seguinte linha: O Anjo de meu desejo espiritual. Quando esse poema foi reimpresso em suas OBRAS COMPLETAS alguns anos depois, ele adicionou uma nota a essa linha explicando que o Anjo se refere ao Gênio de Sócrates, o Sagrado Anjo Guardião de Abramelin e o Eu Superior dos teósofos. No início de sua carreira ela reunia termos como Eu Superior, Verdadeiro Eu etc. sobre a al- cunha de Sagrado Anjo Guardião. Mas isso se parece mais como uma abreviação do que com um erro, pois quando ele diz que o Sagrado Anjo Guardião é apenas uma parte de nossa consciência, a Chispa Divina que vem de Eu Sou, ele tentava aproximar o termo ao conceito grego de mikro kosmos que com referência na Árvore da Vida, se encontra dentro de cada um de nós e representa o foco de nossas aspirações mais sinceras. No período da Abadia de Thelema, Crowley ainda acreditava que o sagrado Anjo Guardião era o Eu Superior. Foi nessa época que ele escreveu seu comentário mais popular sobre O LIVRO DA LEI. Em seu livro MAGIA CERIMONIAL, Israel Regardie, que por um tempo foi amigo e secretário de Crowley, disse: Crowley sempre colocava ênfase no significado do termo Sagrado Anjo Guardião. Em seu comentário sobre O LIVRO DA LEI, publicado com o no- me de A LEI É PARA TODOS, não existem equívocos. O Eu Superior é o Sagrado Anjo Guardião, é isso! Não existe ambiguidade ou qualquer outra interpretação. É um fato claro que se apre- senta.

46

Por volta de 1929, quando apareceu sua magna obra , o M AGIA EM T
Por volta de 1929, quando apareceu sua magna obra , o M AGIA EM T

Por volta de 1929, quando apareceu sua magna obra, o MAGIA EM TEORIA & PRÁTICA, sua visão sobre o assunto permanecia a mesma. Nas linhas que abrem o Capítulo 1 ele diz:

Existe uma única definição geral do propósito de qualquer Ritual Mágico: é a união do Mi- crocosmo com o Macrocosmo. O Supremo e Completo Ritual é, portanto, a Invocação do Sa- grado Anjo Guardião; ou na linguagem do misticismo, União com Deus. Embora profundo, quando levamos toda a obra em consideração, Crowley acreditava que o sucesso com o Sagrado Anjo Guardião se tratava de conquistar o contato ou alcançar o Eu Superior, quer dizer, alcançar a Consciência Solar. Nesse mesmo livro, o MAGIA EM TEORIA & PRÁTICA, Cro- wley publicou um ritual poderoso que ele construiu ou restaurou na Abadia de Thele- ma conhecido como LIBER SAMEKH, que ele dizia ser o ritual para se obter o Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. O objetivo deste ritual, portanto, é colocar o Adepto em contato com o Eu Superior e não invocar o Sagrado Anjo Guardião ou daimon como entidade objetiva a parte da consciência humana. No entanto, Crowley deu um salto quântico no fim de sua vida. Não se sabe ao certo quando aconteceu, mas ele percebeu que o Eu Superior não era o Sagrado Anjo Guardião, pois se tratava de duas aspirações espirituais distintas. É possível que Crowley tenha per- cebido isso quando se devotou com mais atenção ao seu próprio Sagrado Anjo Guardião, Aiwass, questionando se ele era o seu Eu Superior ou uma entidade objetiva a parte. Embora ambíguo em muitas passagens sobre essa questão, é possível notar que quando ele escreveu o EQUINÓCIO DOS DEUSES Crowley já acreditava que Aiwass como seu Sagrado Anjo Guardião era uma entidade objetiva e não seu Eu Superior. É nesse livro que ele levanta a questão da autoria de O LIVRO DA LEI com a indagação: quem escreveu essas palavras? Ele responde dizendo: Eu mesmo as escrevi, é claro, com tinta no papel, no sentido material; no entanto não eram minhas palavras, a menos que consideremos Aiwaz como uma parte de meu subconsciente. Neste caso, minha consciência sendo completamente igno- rante da Verdade do Livro e hostil a maior parte da ética e filosofia dele, Aiwaz seria uma parte severamente suprimida de mim. Essa teoria deveria implicar que eu sou, embora in- consciente disso, possuidor de toda sorte de conhecimento e poder sobrenatural. O que Cro- wley não conseguiu perceber é que aceitando a condução e inspiração de seu Sagrado Anjo Guardião, ele lhe dotou com extraordinário poder criativo e discriminação intelectual, o que os romanos da antiguidade chamavam de o despertar do gênio. Como afirmei no Capí- tulo 2 de meu livro CORRENTE 93: A CORRENTE SOLAR DO NOVO AEON, os romanos acreditavam que o contato com esta entidade, o Gênio, dotava o homem com capacidade além da mente humana condicionada. Essa capacidade além da mente humana condicionada nós chama- mos de Verdadeira Vontade. Aiwass como seu Sagrado Anjo Guardião atuou, dessa manei- ra, como um mensageiro intermediário que possibilitou Crowley a alcançar a condição dos deuses, exatamente como os antigos gregos previam. Já em MAGICK WITHOUT TEARS, pouco antes de sua morte, Crowley escreveu: Nós po- demos concluir que o Augoeides, o Gênio de Sócrates e o Sagrado Anjo Guardião de Abranelin são idênticos. Mas não podemos incluir aqui o Eu Superior, pois o Anjo é um indivíduo objeti- vo com seu próprio universo, da mesma maneira que o homem. Ele não é uma mera abstra- ção, seleção ou exaltação das qualidades inerentes em uma pessoa como o Eu Superior pare- ce ser. Ele continua: Ele [o Anjo] é algo mais do que um homem, possivelmente um ser que já passou pelo estágio de humanidade. E sua relação peculiarmente íntima com o seu cliente é o da amizade, da comunidade. De fraternidade, ou paternidade. Ele não é, deixe-me dizer com ênfase, uma mera abstração de si mesmo, e é por isso que tenho insistido antes fortemente que o termo Eu Superior implica uma heresia condenável e uma ilusão perigosa. E se assim não fosse, não haveria nenhum ponto em A MAGIA SAGRADA DE ABRAMELIN, O MAGO.

47

No mesmo livro, M AGICK W ITHOUT T EARS , Crowley diz mais: lembre-se disso,
No mesmo livro, M AGICK W ITHOUT T EARS , Crowley diz mais: lembre-se disso,

No mesmo livro, MAGICK WITHOUT TEARS, Crowley diz mais: lembre-se disso, acima de

qualquer coisa: ele [o Anjo] é objetivo, não subjetivo, ou eu não gastaria boa magia nele. No entanto, mesmo chegando a essa conclusão no fim de sua vida, Crowley não esclareceu o papel do Anjo nas duas Árvores da Vida, a interna e a externa.

E embora ele tenha percebido que o Sagrado Anjo Guardião não era o Eu Superior,

ele ainda não considerou a própria dualidade do Anjo ou a possibilidade de um Anjo subje-

tivo de tipo inferior ou daimon que, neste caso, muito provavelmente era Aiwass.

O importante aqui, chegando no fim de nossa jornada nessa apresentação é conside-

rar o fato de que a mesma pessoa que disse que o Sagrado Anjo Guardião é o Eu Superior

trata-se da mesma pessoa que disse que não: Aleister Crowley.

E os thelemitas se dão conta disso? Não! Eles continuam citando os primeiros escri-

tos de Crowley quando ele fazia confusão entre os termos e conceitos, como se sua obra fosse um evangelho sagrado. Se o próprio Crowley mudou seu ponto de vista, por que não os thelemitas? Preguiça para se esforçarem e compreenderem direito a tradição! Embora nós possamos dizer acertadamente que o Eu Superior não é o Sagrado Anjo Guardião, ainda sim os teósofos e a Ordem Hermética da Aurora Dourada não estavam completamente errados. O Eu Superior é a Chispa Divina presente em cada um de nós e ao entrarmos em contato com ele conquistamos a Consciência Solar. Assim, nasce outra inda- gação: se existem três complexos distintos, o Eu Superior e o Sagrado Anjo Guardião mi- crocósmico e macrocósmico, qual a relação entre eles? A resposta é simples: o Eu Superior é a ponte natural ou conexão entre eles. Karl Germer (1885-1962), o sucessor natural de Crowley tanto na AAquanto na O.T.O., em uma instrução a Jane Wolfe (1875-1958) datada de 17 de janeiro de 1951 E.V.,

disse: Adonai é um estado que somente pode ser conquistado através do Sagrado Anjo Guar-

dião como um intermediário. Aqui Germer se refere a Adonai que ele menciona apenas como «65» como o Eu Superior. Nessa mesma instrução ele diz: O mais importante que você precisa saber sobre o Sagrado Anjo Guardião é (1) ele não é o Eu Superior, mas uma entidade separada e distinta de nós mesmos; (2) é uma entidade que opera em altos planos de existência. Aleister Crowley analisou a questão inúmeras vezes e em uma carta enviada a mim ele disse que sempre sentiu a interferência do Sagrado Anjo Guardião vinda de fora de sua individualidade. Note que essa instrução de Germer a Jane Wolfe é datada de 1951, bem antes da publicação de MAGICK WITHOUT TEARS. Isso significa que Crowley já dissemi- nava essa ideia anteriormente a publicação do livro, o que nos leva a perceber que sua compreensão acerca do Sagrado Anjo Guardião passou por profundas mudanças no curso de sua carreira iniciática. Sobre a evolução na compreensão do Sagrado Anjo Guardião, em uma instrução en- viada a Phyllis Seckler (1917-2004) datada de 7 de julho de 1952 E.V., Germer escreveu:

Na medida em que você progride na datilografia de LIBER 418, descobrirá que a compreensão

Sua visão e conclusões sobre ele hoje não

do Sagrado Anjo Guardião cresce mais e mais. [

serão as mesmas que você terá no futuro. Você acha mesmo que a compreensão de Aleister Crowley sobre o assunto quando ele tinha 50 anos era a mesma compreensão quando ele tinha 70? «Empenhe-se sempre por mais! e se tu és verdadeiramente meu - e não duvides disso, e se tu estás sempre prazeroso! - morte é a coroa de tudo.» 1 E na mesma instrução a Jane Wolfe de 1951 Germer escreveu: Eu resolvi esse problema em minha mente há vinte

anos atrás ou mais. No início eu fazia muitas perguntas a Aleister Crowley sobre o Sagrado Anjo Guardião, mas eu quase nunca compreendia suas respostas. Você deve procurar com-

]

1 Aqui Germer citou LIBER AL, II:72. A referêncoia ao LIBER 418 se tratava da cópia datilografada do manuscrito que Phyllis Seckler estava produzindo e que posteriormente foi publicada por Germer.

48

preender o assunto de dentro para fora; cada um de nós «cresce no bosque dos
preender o assunto de dentro para fora; cada um de nós «cresce no bosque dos

preender o assunto de dentro para fora; cada um de nós «cresce no bosque dos horrores». A solução vem por si mesma no fim das aspirações [ Karl Germer não escreveu nenhum livro, no entanto, suas instruções pessoais na forma de cartas enviada a seus alunos e correspondentes são uma fonte rica de ensina- mentos thelêmicos e demonstram de forma muito clara que ele tinha uma compreensão acerca dos LIVROS SAGRADOS DE THELEMA que poucos possuíam. Sua maior contribuição so- bre o tema Sagrado Anjo Guardião é, quem sabe, seus apontamentos sobre a importância de desde cedo na caminhada thelêmica aprender a escutar o Sagrado Anjo Guardião. Ele cita as vezes que Crowley não escutou seu Sagrado Anjo Guardião quando deveria e fala também de sua própria experiência: embora ele tenha entrado em contato com seu Anjo ainda em 1927, ele só foi escutá-lo por volta de 1946. Em suas explicações sobre o assunto, Germer diz que ele não compreendia as mensagens de seu Anjo pelo fato de não ter de- senvolvido a capacidade de escutá-lo. Dessa maneira, Germer insistia que cada um de nós deve desenvolver as faculdades ideais que nos possibilitam escutar o Anjo, caso contrário continuaremos o ignorando, mesmo sabendo de sua existência. Em suas instruções a Jane Wolfe Germer cita que o Anjo pode utilizar de vários arti- fícios para chamar nossa atenção e que nós devemos estar atentos para os seus sinais nas coisas mais triviais do dia-a-dia. EM NOME DA BESTA chega em um momento muito especial. Estamos entrando no E- quinócio de Áries Outono e um novo ciclo se renova na era thelêmica do Novo Aeon. Nas edições do JORNAL CORRENTE 93 eu venho me empenhando em publicar um outro livro que estou escrevendo, o CORRENTE 93, cujo objetivo é explicar a experiência central da mís- tica thelêmica: o Conhecimento & Converesação com o Sagrado Anjo Guardião. Essa cole- tânea de ensaios nasce no meio desse movimento espiritual e sua intenção é esclarecer muitos pontos obscuros da Filosofia de Thelema, tanto nos Arcanos da O.T.O. quando nos Mistérios da AA.

Amor é a lei, amor sob vontade.

49

A Lança & o Graal A magia sexual de Aleister Crowley opera através de duas
A Lança & o Graal A magia sexual de Aleister Crowley opera através de duas

A Lança & o Graal

A magia sexual de Aleister Crowley opera através de

duas forças conhecidas como Caos e Babalon. Caos é a Força ou Energia Criadora Paterna primordial repre- sentada pelo Falo no homem. Ele é idendificado ao as- tro Sol como o Senhor na Missa Gnóstica. Babalon é a

Força ou Energia Materna geratrix primordial repre- sentada pelos símbolos do Útero, a Vulva, a Mulher e a Terra. No sistema thelêmico de magia sexual, a Mulher

é o veículo que nutre a Palavra do Genitor com seu

Poder Gerador. Através da União de Caos e Babalon,

nasce a Criança Mágica Baphomet.

União de Caos e Babalon, nasce a Criança Mágica Baphomet. Nós estamos entrando no Equinócio de

Nós estamos entrando no Equinócio de Primavera de 2016 e.v. O ano 2012 e.v. foi muito importante para muitos iniciados, pois marcou o início de uma reifica- ção na Terra das forças espirituais do Novo Aeon. No entanto, o resgate espiritual dessas forças dentro de cada um de nós depende da aplicação de certas chaves ou fórmulas mágicas. Uma dessas fórmulas, conhecida como Corrente Ofidiana, tem sido considerada das mais eficazes no estabelecimento das forças do Novo Aeon na consciência humana.

O livro A Lança & o Graal cumpre o objetivo de agregar em uma só publicação os textos

acerca do sistema de magia sexual proposto por Aleister Crowley previamente publicados nas edições do Jornal Corrente 93 da Sociedade de Estudos Thelêmicos.

Curso Cakra Sadhana

Entre os Ocultistas nos últimos cinquenta anos tem havido uma tentativa em estabelecer uma equivalên- cia entre as Sephiroth da Árvore da Vida e os cakras da cultura tântrica. Se a Árvore da Vida contém tudo em nosso Universo, tanto acima quanto abaixo, deve haver algum lugar nela que os represente. Uma vez que tenha se aceitado que existe uma equivalência entre as Sephiroth e os cakras, logo nasce a indagação acerca da relação entre os vinte e dois Caminhos os Atus de Tahuti e as Sephiroth ou zonas de poder. Estes Caminhos, entretanto, foram relacionados às nāḍīs dos ensinamentos tântricos. Nāḍī é um termo sânscrito que significa torrente ou fluxo, quer dizer, aquilo que flui livremente. Este é o nome dado aos canais por onde circula o prāṇa ou energia vital. Eles conectam os cakras e levam energia as diversas par- tes do corpo psíquico e sua contraparte física. Os ca- kras são casas de energia e literalmente a palavra significa roda.

50

são casas de energia e literalmente a palavra significa roda . 50 Sociedade de Estudos Thelêmicos
No entanto, toda a doutrina do Tantra acerca da estrutura psíquica « cakras , nāḍīs
No entanto, toda a doutrina do Tantra acerca da estrutura psíquica « cakras , nāḍīs

No entanto, toda a doutrina do Tantra acerca da estrutura psíquica «cakras, nāḍīs, kuṇḍalinī» e a maneira correta de manipulá-la envolve o conceito de Śakti, a Deusa. Śakti é uma palavra sânscrita que significa poder, mas para todos os efeitos, em estado potencial. Existe uma parábola nos tantras que diz que no Infinito, antes da criação, a Deusa dividiu- se em dois estados conhecidos como Mente e Corpo. A essência da Deusa repousa eterna- mente no ājñā-cakra, de onde ela começa a se projetar para baixo, vibrando «spandana» em direção a terra na busca por seu Corpo. Nesse processo, a Śakti cria diferentes estados de realiz