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Universidade Federal do Pará

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas

Faculdade de Ciências Sociais

LEONARDO BEZERRA BITTENCOURT

BELO MONTE: O REAL INTERESSE DE SUA CONSTRUÇÃO

Belém

2011
LEONARDO BEZERRA BITTENCOURT

BELO MONTE: O REAL INTERESSE DE SUA CONSTRUÇÃO

Monografia apresentada ao Instituto


de Filosofia e Ciências Humanas da
Universidade Federal do Pará,
Faculdade de Ciências Sociais, como
requisito para obtenção do título de
Bacharel e Licenciado Pleno em
Ciências Sociais, sob orientação do
Prof. Dr. Roberto Ribeiro Corrêa.

Belém

2011
LEONARDO BEZERRA BITTENCOURT

BELO MONTE: O REAL INTERESSE DE SUA CONSTRUÇÃO

Monografia defendida e aprovada, em _______, pela banca examinadora:

____________________________________________________
Professor Doutor Roberto Ribeiro Corrêa - Orientador

____________________________________________________
Professora Doutora Andrea Bittencourt Chaves
Diretora da Faculdade de Ciências Sociais

____________________________________________________
Professora Doutora Maria Luzia Miranda Álvares
Professora do curso de Ciências Sociais
À minha mãe (Marta Suely Soares
Bezerra) que sempre esteve ao meu
lado, sempre acreditou no meu
potencial, e sempre me ajudou de
todas as formas, ela é o meu exemplo
de vitória.
À minha avó que me deixa morar na
casa dela, e sempre está me
ajudando de todas as formas.
Ao meu irmão que sempre está
conversando os assuntos que temos
em comum, sempre me ajuda da
melhor forma que pode, enfim é o
meu melhor amigo também.
Ao meu pai que apesar de não viver
comigo, ele sempre esteve ajudando
da melhor forma possível, e a minha
personalidade, meus gostos tem
influência dele. Muito obrigado por
vocês estarem em minha vida.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter alcançado mais está vitória.

A minha família, avós, tios e primos pela força que me dão nessa batalha.

Ao Prof. Dr. Roberto Corrêa que orientou com paciência e competência esse

trabalho.

A todos os professores, pelo qual eu passei no curso de Ciências Sociais.

À equipe da Faculdade de Ciências Sociais por contribuir da melhor forma sempre

que precisei.

À UFPA que é uma universidade muito bonita, que traz dá muita paz e que me

transformou para a vida.

Aos alunos do curso que incentivaram as discussões sociais na sala, no corredor, e

em outros lugares.

Ao Erlyc Ferreira por me dar suporte nos padrões estruturais do trabalho.

Aos meus amigos que me dão tempo e força para superar mais uma etapa na vida.

Agradeço também as pessoas que eu posso ter me esquecido de citar aqui, mas

que contribuíram para a minha formação e para o caminho da minha vida.


A luta pela verdade deve ter
precedência sobre todas as outras.
Albert Einstein

RESUMO

A usina hidrelétrica de Belo Monte situada no rio Xingu está em processo de


construção. De acordo com o governo este é um projeto de infraestrutura energética
para o país nos próximos anos, mas esse empreendimento suscita diversas
polêmicas, críticas e defesas. O objetivo principal do trabalho é buscar as reais
justificativas para a construção de Belo Monte, sua verdadeira intenção sobre o
futuro da energia gerada nesta hidrelétrica. Assim o trabalho proposto, consistiu em
examinar os pontos de vista dos defensores do empreendimento, e dos opositores à
construção da usina, observando as questões socioeconômicas, ambientais,
técnicas e jurídicas, e seus impactos para a região. As perspectivas utilizadas foram:
a) a identificação dos atores envolvidos; b) a análise histórica, em linha do tempo; c)
os argumentos dos representantes, defensores e opositores à construção; d) a
situação jurídica do empreendimento Belo Monte.

Palavras-chave: Belo Monte, polêmicas, reais justificativas, energia, pontos de


vista, impactos.
ABSTRACT

The hydroelectric plant of Belo Monte located in Xingu River is in process of


construction. According to the government this is the energy infrastructure project for
the country in the coming years, but this development raises several polemics, critical
and defenses. The main objective of work is to find the real justification to building
Belo Monte, his true intentions about the future of energy generated in this
hydroelectric. Thus the proposed work was to examine the views of supporters of the
project, and opponents of the plant's construction, noting the socioeconomic issues,
environmental, technical and legal entities, and their impacts for the region. The used
prospects were: a) identification of the actors involved; b) historical analysis, in time
line; c) the arguments of the representatives, defenders and opponents of the
construction; d) and the legal situation of Belo Monte enterprise.

Keywords: Belo Monte, real justification, energy, point of views, impacts.


LISTA DE SIGLAS

AHE - Aproveitamento Hidrelétrico

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

CIMI - Conselho Missionário Indígena

CNPE - Conselho Nacional de Política Energética

CPT - Comissão Pastoral da Terra

CRACOHX - Comissão Regional dos Atingidos pelo Complexo Hidrelétrico do Xingu

EIA - Estudos de Impacto Ambiental

EPE - Empresa de Pesquisa Energética

FASE - Comissão Regional dos Atingidos pelo Complexo Hidrelétrico do Xingu

FVPP - Fundação Viver, Produzir e Preservar

GTA - Grupo de Trabalho Amazônico

LI - Licença de Instalação

LP - Licença Prévia

MBA - Movimento dos Atingidos pelas Barragens

MMME - Ministério das Minas e Energia

MTDX - Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e Xingu

MW - Megawatt

NESA - Norte Engenharia S.A.

P.A.C. - Programa de Aceleração do Crescimento

PIB - Produto Interno Bruto

RIMA – Relatório Impacto Ambiental

TIs - Terras Indígenas

TWh - Terawatt/hora

UHE - Usina Hidrelétrica


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 12

2 ATORES DE BELO MONTE .................................................................................. 14

2.1 ATORES QUE DEFENDEM A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO MONTE ............ 14

2.2 ATORES QUE NÃO APÓIAM A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO MONTE .......... 15

3 HISTÓRICO DE BELO MONTE ............................................................................. 16

4 AS VISÕES A FAVOR E CONTRA A CONSTRUÇÃO DA USINA HIDRELÉTRICA


DE BELO MONTE .................................................................................................... 20

4.1 VISÃO DOS ATORES QUE APOIAM A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO


MONTE ..................................................................................................................... 20

4.2 VISÃO DOS ATORES QUE ESTÃO CONTRA A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO
MONTE ..................................................................................................................... 24

5 SITUAÇÃO JURÍDICA DO PROJETO BELO MONTE .......................................... 38

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 42

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 47
12

1 INTRODUÇÃO

O Xingu é um rio brasileiro que nasce no estado do Mato Grosso e segue


para o estado do Pará desaguando no rio Amazonas. Tem aproximadamente 1870
km de extensão, e é nesse rio que se constrói a UHE Belo Monte, aproveitamento
hídrico descoberto em 1975, após a construção da rodovia Transamazônica. A partir
desse momento o assunto se transformou em polêmica que perdura por mais de
trinta anos. Apesar da licença de instalação (LI) concedida pelo IBAMA para o
consórcio vencedor do leilão, a NESA; o tema ainda é palco de discussão por vários
setores da sociedade travando o desenvolvimento do projeto.
O projeto Belo Monte é, agora, considerada uma obra do P.A.C. (Programa
de Aceleração do Crescimento) do governo federal que visa construir uma usina
hidrelétrica no rio Xingu, mais especificamente na Volta Grande do Xingu,
abrangendo as regiões de Altamira, Brasil Novo e Vitória do Xingu, onde ficará a
área dos reservatórios, e está previsto para a operação em 2015 em um trecho de
100 km (RIMA, 2009). O valor orçado em 19 bilhões torna o empreendimento o
segundo mais custoso do PAC, atrás apenas do trem-bala entre São Paulo e Rio
que está previsto em 34 bilhões (CABRAL, 2010).
De acordo com o modelo, a hidrelétrica será a fio d‟água, ou seja, sua
potência funcionará em função da sazonalidade do rio, planejada para gerar 11.233
MW no pico e 4.571 MW de energia firme. O lago da usina terá 516 km quadrados,
com a barragem principal no sítio Pimental para criar o reservatório, desviando a
água por dois canais para formar o chamado Reservatório dos Canais até chegar a
casa de força principal situada no sítio Belo Monte, que terá uma queda de 90
metros. A obra, se concluída, será considerada a terceira maior hidrelétrica do
mundo, perdendo apenas para a usina Três Gargantas na China e para a binacional
Itaipú, Brasil e Paraguai.
Como já foi mencionado, Belo Monte é alvo de intensa controvérsia devido à
magnitude e à natureza dos seus impactos. Claramente essa discussão envolve dois
lados. Por um lado o governo e a classe empresarial defendendo a necessidade da
construção para obter um equilíbrio energético a um custo competitivo, e devido ao
potencial crescimento econômico do país, bastante mencionado nos relatórios dos
planos de energia elétrica do Ministério das Minas e Energia (MME). E por outro, as
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contestações por parte de moradores locais, especialistas e entidades nacionais e


internacionais sobre a viabilidade econômica da obra, os impactos ambientais e
sociais, vários problemas que podem ocorrer futuramente com as mudanças nos
aspectos da região do Xingu. Outro argumento é sobre a posição que o estado do
Pará tem em relação a outros estados brasileiros no processo de desenvolvimento
do país, esse último argumento foi extraído do seminário Belo Monte:
Desenvolvimento pra quem? - ocorrido na Universidade Federal do Pará (UFPA). A
partir dessas abordagens e controvérsias foi desenvolvida a pergunta para o
trabalho: Qual é o real interesse na construção de Belo Monte? A partir disto será
elaborado uma pesquisa analisando os pontos de vista dos dois lados, os que
apóiam e os que são contra o projeto, com o intuito de obter uma justificativa sobre
os interesses da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
A metodologia utilizada será a análise de conteúdo. Foi feita a coleta do
material por meio de artigos de livros, jornais e da internet. Alguns livros ou artigos
tiveram mais ênfase para o desenvolvimento da pesquisa como o Relatório de
Impacto Ambiental (RIMA) e o Painel de Especialistas. O primeiro é um resumo dos
volumes do EIA – Estudos de impactos ambientais de Belo Monte feito pela
Eletrobrás, e o segundo é o resumo executivo do Painel de Especialistas, que é uma
análise crítica do EIA feita por professores, especialistas em assuntos variados
relacionados aos impactos específicos da obra. O trabalho foi dividido em seis
capítulos, inicialmente com a identificação dos atores sociais envolvidos; no segundo
apresenta o histórico de Belo Monte em linha do tempo, mostrando superficialmente
os acontecimentos mais importantes desde a fase dos estudos de aproveitamento
hídrico até os dias atuais; no terceiro capitulo verificar-se-á os pontos de vista,
argumentos dos que apóiam a UHE Belo Monte e na seqüência os que não apóiam
a construção, observando as análises técnicas, ambientais e sócio-econômicas,
neste último caso são as conseqüências que poderão ocorrer quando o projeto for
concluído. Para o capítulo quatro foi escolhida a situação jurídica do AHE Belo
Monte, a pesquisa engloba as ações judiciais impetradas pelo Ministério Público
Federal do Pará (MPF-PA) que atrasam a construção da hidrelétrica, sendo esse o
maior empecilho para o projeto do governo federal, e por fim as considerações finais
do trabalho onde serão enumerados os reais interesses que motivam a conclusão do
projeto Belo Monte, respondendo a pergunta da pesquisa: Quais são os verdadeiros
interesses na construção da hidrelétrica de Belo Monte?
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2 ATORES DE BELO MONTE

Neste capitulo serão introduzidos os protagonistas da série Belo Monte, que


serão divididos em dois tópicos, onde no primeiro ficarão os atores que defendem a
construção da hidrelétrica e no segundo serão os atores que não apóiam o projeto
Belo Monte. Não se aprofundará este capítulo, os nomes serão apenas citados para
a melhor identificação e compreensão na evolução do trabalho.

2.1 ATORES QUE DEFENDEM A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO MONTE

Neste tópico para analisar melhor o assunto dividiremos os atores em dois


grupos: o primeiro é composto pelo governo federal e municipal e o grupo privado.
No primeiro grupo, o governo federal, compõe-se do executivo, no caso, a atual
Presidente da República Dilma Roussef, o Ministério das Minas e Energia (MME), no
comando do Ministro Edson Lobão, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), liderado
pela Ministra Izabella Mônica Vieira Texeira, a Advocacia Geral da União, para a
assessoria jurídica do governo federal, o Advogado Geral Luís Inácio Lucena
Adams. Para o escalão inferior encontram-se as Centrais Elétricas Brasileiras
(ELETROBRÁS), Presidente José da Costa Carvalho Neto; a subsidiária - Centrais
Elétricas do Norte do Brasil (ELETRONORTE) - Diretor-presidente Josias Matos de
Araujo; a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), autarquia vinculada ao
MME, Diretor-Geral José Hübner Moreira; a Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
- Presidente Maurício Tiomno Tolmasquim; o Instituto do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) - vinculada ao MMA, Presidente Curt
Trennepohl.
Os executivos municipais de Altamira, Vitória do Xingu, Brasil Novo, Anapú,
Senador José Porfírio, Placas, Porto de Moz e Uruará também apóiam a construção
da hidrelétrica. Os empresários, fazendeiros e produtores agrícolas, nesse último os
grandes produtores de soja como exemplo, apóiam a construção da hidrelétrica,
pelo menos em sua maioria.
O consórcio vencedor do leilão a Norte Energia S.A., sigla NESA, com
composição acionária liderada pela ELETRONORTE, 19,98%, Chesf – Companhia
Hidrelétrica do São Francisco, 15%, ELETROBRAS, 15%; Entidades de Previdência
15

Complementar – Petros, 10% e Funcef 2,50%, Fundo de Investimento em


Participações: Caixa FIP Cevix, 5%; Sociedade de Propósito Específico: Belo Monte
Participações S.A. (Bolzano Participações), 10%; Autoprodutoras: Sinobras, 1% e
Vale, 9%; Construtoras: Queiroz, 2.51%, OAS, 2.51%, Cetenco, 1,25%, Contern:
1,25%, Galvão, 1,25%, Mendes Junior, 1,25%, J. Malucelli Construtora, 1%; Outras
Sociedades: J. Malucelli Energia, 0,25% (NESA, 2011).

2.2 ATORES QUE NÃO APÓIAM A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO MONTE

Encabeçando os protagonistas vem o Ministério Público Federal do Pará


(MPF-PA) com um dos maiores representantes do movimento que é o Procurador da
República Felício Pontes Junior; os Movimentos Sociais do Xingu e da
Transamazônica, e ONGs como: a Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP);
Movimento Xingu Vivo para Sempre; o Instituto Sócio Ambiental (ISA); Movimento
dos Atingidos pelas Barragens (MAB); Conselho Missionário Indígena (CIMI);
Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e Xingu (MTDX) - antigo líder
Dema; Comissão Regional dos Atingidos pelo Complexo Hidrelétrico do Xingu
(CRACOHX); Fundação Chico Mendes, Federação dos Órgãos Assistenciais e
Educacionais (FASE); Sindicato dos Trabalhadores Rurais; Representantes dos
povos indígenas e ribeirinhos (beiradouros); Comissão Pastoral da Terra (CPT);
Grupo de Trabalho Amazônico; representantes da igreja católica e metodista, entre
outras; Greenpeace, International Rivers Network; WWF Brasil; Bispo da Prelazia do
Xingu; SOS Vida; Associação das famílias indígenas de Altamira; Associação dos
Exportadores de Peixes Ornamentais (Acepoat); Sindicato dos funcionários públicos
federais; Diretório Acadêmico da UFPA; analistas independentes, artistas,
intelectuais. Por fim ainda tem os diversos especialistas vinculados a diversas
instituições de ensino e pesquisa que identificam e analisam o Estudo de Impacto
Ambiental do AHE Belo Monte, formando o Painel de Especialistas.
Existem outros atores envolvidos, mas devido a diversificadas opiniões não foi
possível englobar nas citações acima. Estão nessa faixa o Congresso Nacional, os
moradores na região do Xingu, artistas, o judiciário (STF, STJ, TRF, Justiça
Estadual), a FUNAI, órgão do governo federal que representa os interesses
indígenas. Para resolver esse impasse, seria necessária uma pesquisa quantitativa,
para se ter uma estimativa da opinião sobre o tema desses atores.
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3 HISTÓRICO DE BELO MONTE

Neste tópico observaremos os principais momentos da evolução histórica da


Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O objetivo é ter uma noção dos fatos que
ocorreram nestes mais de trinta anos de controvérsias do projeto Belo Monte,
observar a dificuldade da União em conseguir implementar a obra no Rio Xingu.
Histórico pesquisado no artigo de Denise Luna (LUNA, 2010) e também no Blog
Belo Monte da NESA (NESA, 2011), no tópico “Linha do Tempo”.
Em 1975, no período militar após a construção da transamazônica, inicia os
Estudos de Inventário Hidrelétrico na bacia hidrográfica do Rio Xingu, a recém-
criada ELETRONORTE, subsidiária de ELETROBRÁS na Amazônia Legal contrata a
Camargo Corrêa para mapear os rios e seus afluentes, e a escolha dos pontos para
barragens.
Cinco anos depois, se conclui o relatório sobre o Potencial Energético da
Bacia Hidrográfica do Xingu, totalizando 19 mil MW, com um alagamento de 18 mil
kilômetros e atingindo 12 terras indígenas, segundo a Eletronorte. Prosseguindo
com o projeto, inicia os Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica do chamado
Complexo Hidrelétrico de Altamira que reunia as Usinas de Babaquara (6,6 mil MW)
e Kararaô1 (atual Belo Monte, com 11mil MW).
No ano de 1987, especificamente no mês de dezembro, foi elaborado o Plano
Nacional de Energia Elétrica 1987-2010, um programa de expansão da
produtividade energética que inclui o complexo hidrelétrico do Xingu, e, de acordo
com o governo, visa à melhoria da qualidade do serviço prestado em energia.
Devido ao constante crescimento de consumo resultante da elevação econômica no
país.
No ano seguinte, no dia 2 de agosto precisamente, é aprovado os Estudos de
inventário do Rio Xingu (02/08 – Portaria DNAEE nº43). Em 1989 foi realizado o 1º
Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, no mês de fevereiro, no município de
Altamira (PA), com a presença do músico inglês Sting. Na exposição do então
presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz, sobre a usina de Kararaô, a índia
Tuíra encosta a lâmina de seu facão no rosto do diretor da estatal, num gesto de
advertência, manifestando sua indignação. Cena essa que repercutiu

1
Kararaô: traduzido como um grito de guerra indígena.
17

internacionalmente, tornando-se histórica para o contexto. O governo decide mudar


o nome da usina para Belo Monte para não ofender os povos indígenas.
Em 1994 o projeto foi remodelado para se mostrar mais razoável aos
ambientalistas e investidores estrangeiros. O reservatório da usina, por exemplo, foi
reduzido de 1225 km quadrados para 400 km quadrados evitando, com isso, a
inundação da área indígena Paquiçamba, mas a partir desse momento o projeto foi
arquivado, causando uma grande derrota para a Eletronorte.
O Plano 2000-2003 chamado Avança Brasil, um instrumento de planejamento
para o crescimento econômico em médio prazo apresentado ao congresso, retoma o
projeto de hidrelétricas na Amazônia. Em 2001 foi divulgado um plano de
emergência no valor de US$ 30 bilhões para aumentar a oferta de energia no país,
devido à preocupação do governo em acabar com os possíveis futuros “apagões”, o
que ameaçaria o desenvolvimento do país. A partir disso é proposta a construção de
15 usinas hidrelétricas, entre elas o complexo Belo Monte, com novo modelo,
repaginado. Em setembro do mesmo ano, a Justiça Federal concede liminar à ação
civil pública do MPF Pará que pede a suspensão dos Estudos de Impacto Ambiental
(EIA) de Belo Monte, a primeira ação contra o projeto.
Em 2002 no mês de janeiro a Eletrobrás aprova a contratação de uma
consultoria para definir a modelagem de venda do projeto de Belo monte. Em ano de
eleições presidenciais, o então presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que a
oposição de ambientalistas atrapalha o país, referindo-se às críticas contra a
construção de usinas hidrelétricas. Em novembro o Presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), Ministro Marco Aurélio de Melo nega o pedido da União e mantém
suspensos os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) para Belo Monte.
Passados três anos o Congresso Nacional autoriza a Eletrobrás a completar
os estudos por meio de Decreto Legislativo nº75/2008. Em agosto, a Eletrobrás e as
construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht assinam o
Acordo de Cooperação Técnica para a conclusão dos Estudos de Viabilidade
Técnica, Econômica e Socioambiental do UHE Belo Monte, motivo de outra ação
civil pública do MPF Pará.
No ano de 2006, em janeiro, a Eletrobrás solicita ao IBAMA a abertura de
processo de licenciamento ambiental prévio. Neste momento começa a confeccionar
o Estudo de impacto Ambiental (EIA). No dia 28 de março o processo de
licenciamento é suspenso. A decisão impede que o estudo sobre impactos
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ambientais da hidrelétrica continue antes que os povos indígenas, que são afetados
pelo empreendimento, sejam ouvidos pelo Congresso Nacional.
Em 2007, um ano após a Justiça Federal de Altamira paralisar liminarmente o
licenciamento ambiental da usina, ela mesma volta atrás e julga improcedente o
pedido do Ministério Público Federal (MPF) de anular o licenciamento ambiental feito
pelo IBAMA. Ainda no mesmo ano foi realizado o Encontro Xingu para Sempre.
Durante este encontro, os índios entram em confronto com o responsável pelos
estudos ambientais da Hidrelétrica de Belo Monte e, no meio da confusão, o
funcionário da Eletrobrás e coordenador do Estudo de Inventário da usina, Paulo
Fernando Rezende, fica ferido com um corte no braço. Após o evento, o movimento
divulga a “Carta Xingu Vivo para Sempre”, documento final que calcula as ameaças
ao Rio Xingu e apresenta à sociedade brasileira um projeto de desenvolvimento para
a região e cobra das autoridades públicas sua implantação.
Em 2009 a Justiça Federal suspende o licenciamento de Belo Monte e o
IBAMA volta a analisar o projeto. No mês de fevereiro a Eletrobrás entrega a versão
preliminar dos Estudos dos Impactos Ambientais (EIA) e do Relatório dos impactos
Ambientais (RIMA). Em maio o EIA e o RIMA são entregues ao IBAMA. E em
novembro a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) coloca em audiência
pública a minuta do edital de Belo Monte, e o Ministério das Minas e Energia (MME)
publica a portaria como sistemática do leilão de energia da UHE Belo Monte.
Em 2010, no primeiro mês de fevereiro, o IBAMA concede Licença Prévia
(LP) da UHE Belo Monte, com quarenta condicionantes ambientais. Em março o
MME publica portaria que define a data do leilão para 20 de abril. E neste mês, foi
realizado o leilão para decidir qual grupo de empresas será responsável pela
construção da usina, consolidando a vitória do consórcio Norte Energia (NESA), pelo
preço da energia mais barata, R$ 78 por MWh.
Posteriormente, no dia 26 de janeiro de 2011, foi concedida a Licença parcial
de Instalação para UHE Belo Monte, para o início das atividades. Em 26 de abril o
Consórcio Norte Energia entrou com uma representação ao Conselho Nacional do
Ministério Público contra o Procurador da República Felício Pontes Junior por
publicar artigos na internet sobre os processos judiciais envolvendo a usina,
demonstrando parcialidade, na visão do consórcio. O 1º de junho foi marcado pela
licença de instalação (LI) para início das obras de Belo Monte. Em setembro a
Justiça Federal de Belém concede liminar para paralisação parcial da construção da
19

usina para evitar prejudicar a comunidade ribeirinha que vive da pesca artesanal dos
peixes ornamentais. No fim de outubro, no período de 25 a 27, foi realizado em
Altamira o Encontro mundial contra Belo Monte realizado em Altamira.
20

4 AS VISÕES A FAVOR E CONTRA A CONSTRUÇÃO DA USINA HIDRELÉTRICA


DE BELO MONTE

Neste capítulo serão apresentados vários pontos de vista dos representantes


e atores sociais envolvidos na discussão do projeto Belo Monte. O objetivo é
analisar as argumentações que tem ocorrido ao longo do projeto e obter uma visão
geral sobre o assunto. Na primeira parte vamos observar o pensamento dos
representantes que apóiam a UHE Belo Monte, em continuidade, apresentaremos as
idéias e análises dos representantes que estão contra o empreendimento na região
do Xingu. É importante frisar que as críticas são mais volumosas que as questões
em defesa do projeto, portanto os pontos de vistas apresentados neste capítulo não
serão obrigatoriamente respostas, e sim serão, em sua maioria, pensamentos e
citações, pois o objetivo da pesquisa é buscar as reais justificativas para a
construção de Belo Monte. As pesquisas foram retiradas em sua maioria do
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e do Relatório Executivo do Painel de
Especialistas, relatório que apontam as falhas do RIMA porque são trabalhos de
maior ênfase ao projeto Belo Monte.

4.1 VISÃO DOS ATORES QUE APOIAM A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO MONTE

Neste tópico a pesquisa vai reunir as opiniões dos atores envolvidos que
defendem o projeto Belo Monte. O governo federal e seus representantes,
empresários, fazendeiros, alguns especialistas, principalmente na área econômica,
prefeitos da região, e o Consórcio NESA, são os principais atores comprometidos
com a idéia de que a UHE Belo Monte é necessária para o desenvolvimento do país.
Para estes atores o crescimento econômico, a insegurança energética e a
modicidade tarifária são os principais fatores que contribuirão para a realização da
obra no rio Xingu.
21

Para melhorar esse entendimento, foram observadas as estimativas de


economistas do instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio
Vargas, nas qual argumenta:

Projeta-se um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) por


volta de 5% nos próximos anos, levando o Brasil a atingir um PIB de
5,37 trilhões em 2020 e uma renda per capita ao redor de R$ 26 mil.
Embora as projeções sejam promissoras para que o país caminhe
para ser a quinta economia do mundo num futuro próximo, há vários
gargalos que podem inviabilizar esse crescimento. Entre eles, e um
dos que mais preocupam os empresários, a questão energética. Com
uma matriz energética fortemente ancorada nas hidroelétricas de
onde saem 75% da energia consumida no país, o governo pretende
chegar a uma produção de 656.981 TWh (Tera-Watt hora) até o final
desta década. Para isso tem sinalizado que almeja não apenas
destravar grandes projetos hidráulicos, como incentivar a
diversificação de fontes dentro da matriz, aproveitando todo o
potencial brasileiro para produzir energia limpa (MONTEIRO, 2011)

Em relação ao pensamento citado acima, é importante frisar que a construção


de Belo Monte tem o interesse de atender o crescimento da demanda de consumo
previsto para os próximos anos, prevê emitir energia para 26 milhões de pessoas
com padrão de consumo energético de São Paulo, além de ser transportado a
custos competitivos para as regiões Nordeste e Sudeste (ELETROBRÁS, 1987,
p.25). De todo o potencial hidrelétrico brasileiro, a Amazônia detém 63.3%
(praticamente 2/3). Os rios Tocantins, Araguaia, Xingu e Tapajós são as principais
fontes desse potencial, segundo o governo. Por isso há a necessidade da
implantação de hidrelétricas para suprir a demanda de consumo crescente no país.
O Brasil utiliza mais as hidrelétricas por causa da grande quantidade de rios que
existem em nosso país com as características necessárias para a construção de
barragens e pelo custo mais baixo (MME/ RIMA, 2009).
O projeto foi alterado inúmeras vezes no decorrer dos anos. Para chegar ao
desenho atual, o projeto da usina passou por diferentes modelagens, visando com
isto reduzir os impactos físico sócio-ambientais e atender as reinvidicações locais. A
necessidade da energia vinda da hidroelétrica é a que oferece condições mais
favoráveis para fazer frente ao crescimento sócio-econômico. É um empreendimento
estruturante para a política nacional de expansão da geração de energia elétrica,
ocasionando uma contribuição importante para a sociedade brasileira, para que nos
próximos anos as tarifas e a segurança energética sejam satisfatórias. Esse projeto
22

na região do Xingu é reconhecido pelo governo que a hidrelétrica por ser a fio
d‟água terá diferentes proporções de vazão durante o ano.
É certo do problema das disparidades da vazão de água durante o ano no rio
Xingu. A energia firme de Belo Monte é proporcionalmente menor segundo dados do
governo por conta das características do rio, cuja vazão fica bastante reduzida na
seca. Mas como afirma Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa
Energética (EPE), órgão do governo federal responsável pelo planejamento de
energia, o percentual menor de energia firme é um fator negativo, mesmo assim não
se pode abrir mão do projeto. Por isto “o Brasil tem um sistema interligado, onde
uma usina complementa a outra, „uma hora chove no sul, outra hora no norte‟. Não
pode se observar os números separadamente”. O Relatório de Impacto Ambiental de
Belo Monte diz que quando a hidrelétrica estiver cheia “vai ser possível guardar
água nos reservatórios das usinas em outras em outras regiões do país. Com os
reservatórios cheios, essas usinas vão gerar mais energia quando Belo Monte
estiver gerando pouca energia (na seca)” (MME/EIA-RIMA/2009).
Outro ponto considerado forte para o governo é o preço competitivo que vai
ser produzido em Belo Monte. O consórcio Norte Energia ofereceu o preço em leilão
por R$ 78 por MWh (megawatt-hora) é um deságio de 6,02% em relação ao preço
inicial de R$ 83 estabelecido como teto para o leilão. Para Maurício Tolmasquim,
esse preço representa pouco mais que a metade do preço da energia produzida em
uma usina termoelétrica, com a vantagem de ser renovável isenta de emissões
poluentes e gasosas (CABRAL, 2010).
O governo estima que cerca de R$ 3,7 bilhões dos 19 bilhões totais previstos
para a construção de Belo Monte serão investidos em custos sociais e ambientais na
região da obra. A expectativa de geração de emprego e renda, no pico de obras
deverá criar mais de 18 mil empregos diretos e cerca de 23 mil indiretos. Haverá
investimentos nos serviços de saneamento básico, criação de estrutura para receber
os trabalhadores nas cidades de Altamira e em Vitória do Xingu (MME/RIMA, 2009).
O Ibama afirma também que a região ganhará com implementações de ações em
saúde, educação, saneamento e segurança pública firmados em Termos de
Compromisso entre a NESA, prefeituras envolvidas e o governo do Estado do Pará.
Além disso, impôs o cumprimento das condicionantes ambientais, a fim de conceder
licença ambiental para a instalação inicial da obra.
23

A FUNAI apontou a falta de estudos mais avançados nas terras indígenas


Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu e para a Área indígena Juruna do km
17, o governo garante que as Terras Indígenas (TIs) não serão diretamente afetadas
pela obra, para isso uma das principais condicionantes, que talvez seja a mais
discutida de todas, é que será mantida uma vazão mínima do rio para garantir a
preservação da fauna e da flora, sem afetar o estilo de vida da região. E para o alívio
dos ambientalistas, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) divulgou em
17 de julho de 2008 uma resolução dizendo que não seriam construídas mais
hidrelétricas no rio Xingu.
Complementando a matéria das condicionantes, a diretora de licenciamento
ambiental do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis), Gisela Forattini, afirmou que 25 das 40 condicionantes pedidas pelo
órgão para instalação da usina de Belo Monte foram analisadas e consideradas
cumpridas antes da concessão de Licença de Instalação (LI) do canteiro de obras da
hidrelétrica. Ela explicou que as 40 condicionantes valeriam para toda obra, e que as
24 aprovadas foram consideradas apenas para a instalação do canteiro. Além disso,
a licença concedida prevê 15 novas condicionantes (ROSA, 2011). Isso torna uma
resposta a medida cautelar da OEA (organização dos Estados Americanos) que
solicita a suspensão de licenciamento do complexo hidrelétrico. Segundo Maria do
Rosário, ministra da Secretaria de Direitos humanos (SDH), a resposta a medida se
dá porque o governo entendeu que “há procedimentos internos no Brasil que não
estão encerrados” (LIMA, 2011).
A resposta a falta de estudos da escavação, bastante criticado pelo Relatório
Executivo do Painel de Especialistas, resultou na alteração do modelo do projeto. O
Ibama prevê agora que seja apenas construído um canal de derivação para o
reservatório dos canais, o que reduz o volume da terra que precisará ser escavada
na região, reduzindo o impacto ambiental da obra.
As principais mudanças que o EIA determinou no projeto de engenharia da
AHE Belo Monte para diminuir os efeitos negativos sobre o meio ambiente e as
pessoas foram: A mudança para a cidade de Vitória do Xingu das 2.500 casas para
funcionários das obras que antes seriam feitas próximo ao local da casa de força
principal, em uma vila residencial; a construção de 500 casas também para
funcionários das obras espalhadas pela cidade de Altamira, ao invés de uma vila
fechada, como é na cidade de Tucuruí; a construção de um canal ao lado da
24

barragem principal para passagem de peixes, ao invés de uma escada de peixes;


construção de um mecanismo próximo a barragem principal para fazer com que os
barcos possam passar de um lado para o outro do rio Xingu (MME/RIMA, 2009).
A implementação da obra trará benefícios para a região. Para contratar o
maior número possível de trabalhadores locais, vai ser oferecido treinamento para
formar trabalhadores especializados. Para construção de casas será incentivada a
produção local de tijolos, madeiras aparelhadas, madeiras para cobertura (telhados),
etc. (MME/RIMA/2009). Espera-se que a região tenha um investimento e um
desenvolvimento satisfatório para reduzir os impactos possíveis por causa dessa
mudança no quadro natural do local.

4.2 VISÃO DOS ATORES QUE ESTÃO CONTRA A CONSTRUÇÃO DA UHE BELO
MONTE

Nesse tópico serão apresentadas as visões das pessoas que não apóiam a
construção da usina hidrelétrica no Xingu. São várias críticas em várias áreas como
a técnica, a ambiental e a social. Os atores envolvidos estão os ambientalistas,
órgãos públicos, pesquisadores e especialistas na área docente, artistas, indígenas,
ribeirinhos, lideranças de movimentos sociais, pequenos agricultores, entre outros,
para eles a construção causará enormes problemas a sociedade da região do Xingu,
não se tem certeza do retorno econômico em Belo Monte, e também não há crença
sobre desenvolvimento para região, pois já existe um exemplo de hidrelétrica no
Estado do Pará que não atendeu as expectativas prometidas.
As primeiras idéias pesquisadas pelos atores relacionados a Belo Monte é
sobre sua viabilidade técnica, esse é um fator muito criticado, pois se acredita que a
eficiência energética no rio Xingu não é satisfatória e o custo da obra não justifica a
sua construção. Eles afirmam que ainda há falta de análises no EIA, e que não se
pode utilizar um processo acelerado, com o desconhecimento do custo real, diante
de um empreendimento de grande magnitude.
25

Na área técnica não faltam argumentos contra os estudos de impactos


ambientais da obra, ao exemplo do engenheiro elétrico Francisco Hernandez2
comenta:

É uma obra extremamente complexa que simultaneamente alaga e


reduz drasticamente a oferta de água num trecho de 100 km da Volta
Grande do Xingu que banha muitas comunidades e serve duas terras
indígenas. O projeto depende da construção de uma série de
barragens e diques que interromperá o fluxo de águas numa grande
área, alterando a dinâmica sazonal, além de demandar a
movimentação de terra e rocha com volumes semelhantes ao da
construção do canal do Panamá. Hernandez frisou que Belo Monte
deve gerar pouca energia durante o período da seca, ou seja, uma
ociosidade anunciada”. O engenheiro termina sua explanação com
uma pergunta: Este quadro justifica um investimento estimado entre
R$16 a 21 bilhões (EPE) ou mais de R$ 30 bilhões (estimativas de
empresas privadas) e a enorme devastação que o projeto causaria
(PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).

É certo que haja grande desconfiança na alteração na dinâmica do rio, com a


ameaça de modificar para sempre os modos de vida na região, muitas pessoas
ainda não tem certeza do que pode acontecer depois que a grande barragem estiver
instalada no rio Xingu. Célio Bermann também critica a eficiência da hidrelétrica:

A UHE de Belo Monte, com 11.182 MW de potência instalada, só vai


operar com esta potencia durante três meses do ano. Em função do
regime hidrológico, nos demais meses, a água disponível só vai
possibilitar uma energia firme de 4.670 MW, ou seja, um fator de
capacidade de pouco mais de 40%, o que torna esta energia muito
cara para viabilizar o investimento total requerido (BERMANN, 2002).

Os especialistas acreditam que o governo federal irá bancar o prejuízo da


obra, pois Silvio Areco3 entende que o percentual bom para investidores da energia
firme em relação a capacidade instalada é de 55%. Continuando o raciocínio se o
teto de R$ 83 definido pelo leilão, e o consórcio da construtora Andrade Gutierrez,
que foi uma das autoras do EIA, estipulou seu preço em R$ 82,9 por MWh, como é
que um consórcio que entra em última hora na disputa oferece R$ 78, para o

2
Coordenador do painel de especialistas e pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia na
Universidade de São Paulo.
3
É engenheiro da Consultoria Andrade e Canellas, especializada em energia com atuação direta em
hidrelétricas
26

entendimento de Areco, esse valor é considerado bem abaixo que seria necessário
para cobrir os gastos (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).

Pelo fato da obra não ter um potencial satisfatório durante a maior parte do
ano, segundo especialistas, existe a desconfiança de se construir a barragem
Babaquara/Altamira, essa barragem tornaria Belo Monte eficiente na geração de
energia, mas pode se tornar o maior pesadelo aos moradores da região, devido a
mais um seccionamento do rio e um reservatório de mais de 6.000 km quadrados.
Apesar de uma resolução do CNPE, de que não haverá mais barragens no Xingu, o
MME publicou um cronograma previsto no Plano Decenal 1999-2008, na qual inclui
a construção de Babaquara sete anos após a construção de Belo Monte.
O custo inicial foi também destaque para a discussão, como explicita o
Procurador da República, Felício Pontes Jr.:

Desde a primeira ação judicial contra Belo Monte, proposta em 2001,


o governo afirmou que a usina custaria R$ 10,4 bilhões. Ao pedir
empréstimo ao BNDES, em 2011, o consórcio de empresas solicitou
R$ 25 bilhões, o que representaria em torno de 80% dos custos.
Logo, o custo oficial seria de R$ 31,2 bilhões. Nesse custo não estão
previstos o valor do desmatamento que pode atingir 5,3 mil km
quadrados de floresta, segundo o consórcio Norte Energia, os custos
finais de Belo Monte ainda são incertos (PONTES Jr., 2011).

A incerteza do hidrograma da vazão reduzida e o desmatamento no


reservatório dos canais e conseqüentemente as escavações nessa área são as
incógnitas do projeto. Felício Pontes argumenta o aumento dos custos,
provavelmente por se tratar dessas faltas de estudos concretos. Para Wilson Cabral
e Jorge Molina, no Relatório Executivo do Painel de Especialistas, criticam a falta de
cálculos, a inexistência de simulação e avaliação dos níveis de água a jusante da
barragem Pimental, e ineficiência dos estudos de sedimentologia e de analise da
elevação do lençol freático. Para eles se tudo fosse calculado dificilmente a obra
seria viável (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009). Em matéria de vazão hidrológica
Felício Pontes argumenta:

A Eletrobrás propõe que a Volta Grande seja irrigada com apenas 4


mil m³/s. O Ibama diz que deve ser o dobro e, ainda assim, provocará
o desaparecimento de vários peixes. Os peritos do MPF mostraram
que nenhum nem outro têm razão. Analisando o volume de água do
Xingu na série histórica de 1971 a 2006, comprovaram que as
27

turbinas só geram energia se passarem por elas 14 mil m³/s de água.


Somaram esse volume aos 8 mil proposto pelo Ibama. Chegaram a
22 mil m³/s. A conclusão foi que nestes 35 anos observados, em 70%
do tempo o Xingu não foi capaz de atingir esse volume, nem nas
épocas de maior cheia. Portanto, foi demonstrado que não há água
suficiente para gerar energia naquela que, se um dia sair do papel,
será a obra mais cara do Brasil (PONTES Jr., 2010).

Em relação a opinião dos especialistas aos estudos de impacto ambiental de


Belo Monte, é notório um senso comum de que esses estudos não estão
completamente concluídos e também estão equivocados em vários pontos como
ausência metodológica, conclusões confusas e utilização de retórica. A sociedade
hoje cobra mais da utilização consciente do meio ambiente, e essa cobrança é que
torna a obra menos viável economicamente, no ponto de vista do investimento,
como menciona o engenheiro Luiz Pereira Filho: “esse é um preço que vamos ter
que pagar aqui pra frente para fazer usinas na Amazônia, um empreendimento
menos atrativo” (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).
Em relação ao meio ambiente as conseqüências da obra serão incalculáveis,
segundo os especialistas. Eles observam que esses problemas exigem atenção e
cuidados, mas ao que parece não estão sendo considerados. A maior parte dos
questionamentos em matéria de meio ambiente é sobre a TVR, situado na Volta
Grande do Xingu, um trecho de 100 km. A previsão é de pouca energia durante a
maior parte do ano, a vazão hidrológica no seccionamento no sítio Pimental
acarretará prejuízos ao meio ambiente. Segundo estudos do especialista Geraldo
Mendes dos Santos do INPA, o valor máximo da cheia natural do rio Xingu é de
23.000 m³/s, o Ibama autorizou uma vazão máxima de 8.000 m³/s e o mínimo de 700
m³/s no TVR, ele acredita que nessas condições a fauna e a flora não se
desenvolverão da mesma forma. O especialista Antonio Carlos Magalhães afirma
que com essa redução no rio Xingu, provocará um estado de verão permanente,
modificando os trechos navegáveis, perdendo uma importante fauna aquática e
terrestre e escassez de água. As simulações baseadas no EIA do especialista em
hidrologia, Jorge Molina Carpio, argumenta que esse seccionamento, utilizando esse
regime de vazão imposta pelo Ibama, diminuirá os níveis de água em até 5 metros,
no trecho entre a barragem e o rio Bacajá, e conseqüentemente a redução do lençol
freático (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).
28

Prosseguindo na discussão no TVR, um grupo de especialistas em ictiofauna,


Janice Cunha, Flávio C. T. de Lima, Jansen A. S. Zuanon, José Luis O. Birindelli, e
Paulo Andreas Buckup, tiveram como conclusão técnica que Belo Monte é inviável
no ponto de vista da ictiofauna, pois irá destruir uma grande extensão de corredeiras
tanto na TVR como na área do lago. Esse trecho do Xingu é formado por uma série
de canais, corredeiras e habitats únicos que terão a funcionalidade perdida. Isso
provocará a mortandade de peixes, não só no TVR como em grande parte do rio
Xingu. Outra crítica ao EIA é sobre os mamíferos aquáticos, pois o estudo do MME
trata esses animais apenas de forma descritiva, não há nada sobre os impactos que
a hidrelétrica pode acarretar sobre eles, nem sobre o ambiente em que vivem. É
uma desconsideração não estudar esses mamíferos, porque nos 100 km da Volta
Grande habitam pelo menos 273 espécies de peixes (PAINEL DE ESPECIALISTAS,
2009).
Analisando a jusante da barragem é outra preocupação, o alagamento nos
arredores do rio tendo que retirar a população ribeirinha, de parte da cidade de
Altamira, inclusive a orla, para alguns pode chegar até 50% do espaço urbano, a
situação do reservatório dos canais, o alagamento de florestas, de sítios, o aumento
do lençol freático, o aumento do PH ácido na água, ou seja, acontecerá ao contrário
da montante da barragem. Jorge Molina vê o efeito inverso antes à barragem, o
lençol freático se eleva, e na cidade de Altamira os riscos de afloramento de água,
seus estudos revelam a insuficiência nos dados de sedimentologia e de análise na
elevação do lençol freático (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009). A invasão do rio
para o sistema de esgoto da cidade de Altamira é uma grande preocupação, e essa
preocupação se tornou uma das condicionantes impostas pelo IBAMA, de acordo
com a NESA, Altamira será a primeira cidade a ter 100% de esgoto tratado, mas até
então nada foi feito, pode não ser verdade, ou talvez muito cedo para essa crítica.
Outra preocupação é o reservatório dos canais, não se sabe como será a
inundação dessa área, que hoje é floresta e terrenos de produtores rurais, o
especialista em estudo na emissão de gases tóxicos das hidrelétricas, Philip
Fearnside, argumenta:

Há um custo ambiental extra que não foi quantificado; a


decomposição da floresta inundada pelo reservatório de 516 km
quadrados vai liberar, quando a água passar pelas turbinas, enormes
quantidades de metano – gás do efeito estufa vinte e cinco vezes
29

mais poderoso que o gás carbônico (FEARNSIDE, 2009). Não há um


estabelecimento de medidas efetivas para retirada prévia da
cobertura vegetal antes do fechamento das comportas, para evitar a
emissão de gases decorrentes do processo de decomposição do
material orgânico mantido sob as águas, alem do comprometimento
da qualidade das mesmas. Essas visões não foram extraídas da
prática da formação dos reservatórios de Tucuruí (PA), Balbina (AM)
e Samuel (RO), nenhuma empresa se preocupou em retirar a
cobertura vegetal, contribuindo para emissão de quantidades
consideráveis de CO2 e CH4, ambos gases de efeito estufa,
agravando os impactos ambientais desses reservatórios”
(FEARNSIDE, 2009).

Se não houver a extração vegetal nessa área, o governo poderá arcar com os
prejuízos ambientais e mais multa pelas emissões de gases nocivos ao planeta,
conseqüentemente a perda da posição de liderança de países exemplares na
produção de energia renovável. O especialista em ecologia, Doutor Hermes
Medeiros, comenta que:

A bacia hidrográfica do Rio Xingu apresenta uma das maiores


riquezas de espécies de peixes já observada na Terra, com cerca de
quatro vezes o total de espécies encontradas em toda a Europa. Esta
biodiversidade se ampara inclusive na barreira geográfica que são as
corredeiras e pedrais da Volta Grande que isola em duas ecorregiões
os ambientes aquáticos da Bacia do Rio Xingu. Um proposto sistema
de eclusas poderá romper este isolamento e causar extinção de
centenas de espécies, além de impactos sócio-econômicos
imprevisíveis, inclusive para o próprio aproveitamento hidrelétrico,
por processos que uma vez deflagrados não podem ser revertidos ou
controlados. Ele afirma que o EIA apresenta modelagens do
processo de desmatamento do passado, mas não previsões para o
futuro, o que é possível com a aplicação de métodos de simulação
definido espacialmente pela área do reservatório, sendo que o
padrão espacial resultante só poderia ser apontado após estas
análises. Seriam necessárias análises de cenários futuros, com e
sem barramentos, modelando fluxos migratórios. E ainda existe, no
EIA, uma inconsistência entre o que é discutido pelos especialistas
de ecossistemas terrestres, que assumem que a flora inundável será
perdida, e a desconsideração destes efeitos na proposição de
unidades de conservação como medidas compensatórias, assim
como na consideração que as populações locais não são
diretamente atingidas (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).

É importante observar também a migração humana para região, com a vinda


já estimada em 100 mil pessoas, haverá um aumento na utilização de saneamento,
mais fluxo no sistema de esgoto, maior necessidade de alimentos, aumento na caça
de animais e na pesca de peixes, mais imóveis, provocando a derrubada de mais
30

árvores, mais movimentação de barcos, maior vazamento de óleo no rio, entre


outros. Isso já pode se considerar uma significativa degradação ambiental.
Existe a necessidade do Consórcio Norte Energia (NESA) transparecer mais
sobre o tema ambiental, visto que a fonte de alimentação da população local vem do
rio e da caça de animais na floresta, e que o meio de vida daquela população
depende dos meios naturais. Com a construção da barragem veremos o transtorno
para migração dos peixes rio acima, ocasionando a mortandade e até a extinção de
animais aquáticos de extrema importância para o equilíbrio da fauna e para a dieta
alimentar da região do Xingu. Com o aumento da população não apenas nas
cidades, mas também nas residências construídas no terreno da usina,
especificamente no seu entorno, haverá uma descontrolada derrubada da floresta,
um aumento na caça de animais, podendo despoletar um conflito de terras,
principalmente na área indígena que se situa próximo ao canteiro de obras,
aumentando a tensão que já existe na região. É necessária maior presença do
governo nessas áreas, juntamente com o consórcio, para amenizar as tensões
fundiárias e prestar ajuda e serviços essenciais ao público que reside na região do
Xingu. Mas para isso é indispensável tenha o investimento do consórcio, e cumprir
as condicionantes ambientais e indígenas impostos pelo IBAMA.
Para as discussões sociais apresentamos vários aspectos como falta de
informação da população, a exclusão de camadas sociais no impacto da obra,
insuficiência nos conceitos, conseqüências da migração, a desconfiança sobre o
cumprimento das condicionantes e o progresso da região, entre outros. Os
especialistas do Relatório Executivo do Painel de Especialistas serão os principais
atores neste tema.
A falta de informação é um aspecto muito preocupante no desenvolvimento
da obra, é normal a maior parte da população paraense não saber sobre os riscos
que a hidrelétrica poderá causar, mas a preocupação é maior por causa da falta de
informação dos moradores da região. A NESA afirma que fez 12 consultas públicas;
10 oficinas com a comunidade que vive na área do empreendimento; fóruns técnicos
em Belém e no Xingu; visitas a mais de quatro mil famílias; quatro audiências
públicas do Ibama, com mais de 6 mil pessoas; e 30 reuniões da FUNAI em aldeias
com a participação de funcionários da ELETRONORTE (NESA, 2010). Henri
Acselrad afirma que o grande problema detectado com o RIMA, é que este não
colabora com informações úteis sobre conseqüências ambientais e sociais ao
31

público leigo, ele ainda comenta que o significado de sustentabilidade do EIA/RIMA


diz mais respeito à sustentabilidade da obra do que a sustentabilidade dos modos de
vida das pessoas ameaçadas (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).
O número de informações é variado, por exemplo, na cidade de Altamira,
acreditam na geração de emprego em massa, possibilitando esses trabalhadores
entrar no mercado de trabalho. Na periferia, no caso nos locais onde situam as
palafitas, serão alagadas permanentemente, os moradores não sabem como serão
as indenizações nem como será a retirada deles do local onde vivem. Para a
comunidade ribeirinha, isso inclui os indígenas, é temido a seca e a perda de
possibilidade da pesca e também da navegabilidade do rio. Os agricultores da área
onde será alagada temem não receber indenização por não ter o documento da
terra. Em aspectos gerais, a Revista Política Ambiental explana as influências do
impacto da obra na região:
Os empreendedores estima que a usina alagará cerca de 50% da área
urbana de Altamira e mais de 1.000 imóveis rurais dos municípios de Altamira,
Vitória do Xingu e Brasil Novo, que perfazem mais de 100 mil hectares (ha), em sua
maioria sob jurisdição do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(INCRA). Como conseqüência, entre 20 a 40 mil pessoas serão desalojados pela
obra. Onze municípios foram definidos como área de influência de Belo Monte,
totalizando mais de 25 milhões de ha. Cerca de 70% desta área consiste em áreas
protegidas, incluindo unidades de conservação, terras indígenas, terra quilombolas e
áreas militares. Além dos cerca de 20 mil habitantes dos municípios afetados, 350
famílias de ribeirinhos que vivem em Reservas Extrativistas e 21 comunidades
quilombolas da região seriam afetados pela usina alem de pescadores, pequenos
agricultores e garimpeiros (SILVA; SANTOS; PRADO, 2011).
A partir dessa explicação, inicia outro problema observado no EIA/RIMA que é
sobre a insuficiência de conceitos. Sônia Magalhães, Rosa Acevedo e Edna Castro
afirmam que o EIA não reflete as práticas correntes nas ciências sociais de
interpretação da diversidade social, elas argumentam:

O EIA subestima a população rural residente e distorce os dados


mais elementares da caracterização da população economicamente
ativa, profissão e pirâmide etária. A média de 3,14 pessoas por grupo
é um grave equívoco derivado de mais uma confusão metodológica.
A média é pelo que os dados indicam e a bibliografia aponta de 5,5 a
7 pessoas por grupo doméstico. Isto, no mínimo, dobraria a
32

população diretamente afetada. Somente um novo levantamento


pode confirmar (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).

As críticas a ausência de conceitos no EIA/RIMA prosseguem com Henri


Acselrad que comenta sobre a insuficiência de estudos sócio-econômicos concretos
na região:

Outro problema é a falta da análise da produção e dos fluxos


comerciais específicos dos sistemas agroflorestais, que
historicamente sustentam o mercado interno e parte das trocas com
o mercado externo. Não constam elementos da base para avaliar os
impactos sobre essa economia. No caso específico do rio abaixo
seccionado pela barragem principal (Trecho de Vazão Reduzida –
TVR), o EIA/RIMA não analisa sobre a importância social, econômica
e cultural, nem qualquer avaliação sobre a sua perda (PAINEL DE
ESPECIALISTAS, 2009).

Outra dor de cabeça para os especialistas é o conceito de população atingida,


para os professores da UFPA, Diana Antonaz e Alexandre Cunha juntamente com
Cecília Mello, da RJBA, a intenção é minimizar da complexidade sócio-cultural da
população atingida, reduzida a pessoas que terão suas terras alagadas ou não. A
não explicitação de uma metodologia na análise inviabiliza a validação das
conclusões apresentadas no EIA. O também especialista Oswaldo Sevá, da
Unicamp, também critica essa metodologia, pois ele acredita que os atingidos pela
“secura” do rio e das águas subterrâneas sejam considerados atingidos tanto quanto
os atingidos pela inundação de suas terras. Ele assinala que se isso fosse
considerado o número oficial de pouco mais de 19 mil pessoas atingidas estaria
claramente abaixo da realidade (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009). Já que as
principais obras ficarão no limite das terras indígenas, sujeitas aos impactos físicos
da obra, além dos impactos sociais e culturais, os especialistas querem que o EIA
modifique a região jusante a barragem de Área de Influência Direta (AID) para Área
Diretamente Afetada (ADA). Esta é uma cobrança do antropólogo Antônio Carlos
Magalhães, pois, afirma que não vai inundar terras indígenas, mas com o desvio de
80% da vazão do rio será diretamente repercutido sobre as populações indígenas.
Ele ainda argumenta:

Os povos indígenas Xipaya, Kuruaya, Juruna, Arara, Kayapó, etc.,


como também a população ribeirinha em geral, que habitam em
localidades diversas (Garimpo do Galo, Ilha da fazenda, Ressaca,
etc.) são consideradas como indiretamente afetadas. O
33

empreendimento vai modificar a vazão do Rio Xingu e de seus


afluentes neste trecho provocando um estado de verão permanente,
o que provocará a perda de recursos naturais, inclusive hídricos, que
incidirão diretamente sobre os padrões da vida social dessas
pessoas (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).

A repercussão sobre a seca do rio prejudicando as terras indígenas é um


argumento importante que, segundo os próprios indígenas e o procurador Felício
Pontes, não foi ouvido no Congresso Nacional. Por isso a ação judicial impetrada na
Justiça Federal, pois o procurador afirma que:

As audiências para o licenciamento ambiental nada tem a ver com o


instituto da oitiva das comunidades indígenas afetadas. Aquelas
decorrem de qualquer processo ambiental de obras potencialmente
poluidoras. Esta decorre do aproveitamento de recursos hídricos em
terras indígenas. Aquelas são realizadas pelo órgão ambiental nos
municípios afetados por uma obra. Esta, oitiva, somente pelo
Congresso Nacional (art. 231 §3°, da constituição), lembrando que o
projeto foi aprovado na Câmara e no Senado em menos de 15 dias,
em tempo recorde, para alguns, conhecido como projeto “The Flash”
(PONTES, 2011).

O argumento do governo dessas ações promovidas pelo MPF, é que não há


necessidade de oitiva, porque nenhuma terra indígena será inundada. A convenção
169 da Organização internacional do Trabalho (OIT) prevê que o governo tenha a
obrigação de conseguir o consentimento prévio, livre e informado dos povos
indígenas, antes de tomar medidas que o afetem, é o que a Subprocuradora Geral
da República, Deborah Duprat, argumenta. Ela afirma que não houve oitiva, pois
objeções não foram levantadas, respondidas e ponderadas, ou seja, o estudo do EIA
foi “malconduzido”, as audiências do governo e do consórcio cumpriram “meras
formalidades” (ECODEBATE, 2011). O especialista Stephen Baines 4 acredita que a
proposta global é:

Subornar os indígenas a programas de mitigação e compensação


derivadas dos impactos da grande obra de Belo Monte em vez de dar
aos indígenas uma voz igual a voz do empreendimento e tratá-los
como povos cujos direitos deveriam ser respeitados, inclusive o
direito de não aceitar grandes obras hidrelétricas em suas terras
(PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).

4
Stephen Baines é antropólogo e professor da UNB.
34

Além da ausência de conceitos e discussões no EIA, há também a ausência


do Estado como poder público na região. Segundo o Conselho Nacional de Direitos
da Pessoa Humana (CDDPH). O Conselho realizou uma visita na região e constatou
que funcionários do consórcio estavam se intitulando como agentes do governo para
coagir moradores a abrirem mão de suas propriedades em nome da construção da
obra. A representante no CDDPH do Conselho Nacional dos Procuradores dos
estados e do Ministério Público Federal, Ivana Farina Navarrete Pena alertou que “o
governo não está fazendo a checagem do cumprimento das condicionantes” (MAB,
2011).
A sociedade na região do Xingu terá um custo muito alto, se não houver o
cumprimento das condicionantes durante o período das obras, a carência de
políticas públicas é o fator principal. Ao exemplo do saneamento básico em Altamira
que é precário, quando houver o alagamento poderá piorar; a diminuição do fluxo de
água do rio na jusante da barragem é o medo dos indígenas, ambientalistas,
ribeirinhos, por ser um fator prejudicial ao modo de vida da região. O cumprimento
das condicionantes é crucial para a minimização dos possíveis impactos sociais que
serão causados ao longo do processo de construção da usina.
Outra matéria importante discutida é em relação ao mercado de trabalho,
apesar de um grande número de empregos proposta pela obra, mas não se sabe até
quando esses empregos serão necessários, talvez apenas durante o período da
construção. O problema parece persistir após a conclusão de Belo Monte, e essa
pergunta não foi respondida pelo consórcio responsável, ou seja, poderá ter um
desequilíbrio na economia, podendo acarretar sérios riscos sociais. A estimativa é
de 43 mil empregos diretos e indiretos, mas quem será apto a conquistar o cargo?
Existe uma expectativa muito grande desses empregos para a população da região,
mas falta investimento na especialização da mão-de-obra regional. A NESA terá que
cumprir essa condicionante para que não haja maiores problemas sociais.
O próprio consórcio afirma no EIA/RIMA que haverá uma migração, na
estimativa de 96 mil pessoas, incluindo os que vão trabalhar na obra, e outra parte
que irá compor a área informal no entorno da obra. Para isso, haverá moradia
próximo aos alojamentos e residências da hidrelétrica, e todos terão necessidade de
serviços públicos básicos como saúde, saneamento e educação, o que poderá
prejudicar o funcionamento dos mesmos (PAINEL DE ESPECIALISTAS, 2009).
Pensando em um cálculo bruto veremos um possível problema que será muito grave
35

para o futuro da região. Com a previsão de chegada de quase 100 mil pessoas em
busca de emprego, e considerando que a população de Altamira é de 94 mil,
havendo um a criação de aproximadamente 19 mil empregos diretos e 23 mil
indiretos. É certo que o número de empregos não será suficiente nem pra a
população migratória, nem para Altamira, serão mais de 70 mil pessoas sem
emprego, o que poderá gerar um caos muito grave para a região.
Ainda na matéria relacionada às políticas públicas, outra parte importante
para o desenvolvimento de Belo Monte é a saúde, pois se sabe que a região do
Xingu carece desses serviços, principalmente na área de especialidades médicas.
Para a professora Vera Gomes, da UFPA, o EIA/RIMA tem insuficiências na atenção
à saúde, ela afirma que não se pode apenas levar em consideração a saúde básica,
é necessário que haja um aumento expressivo na urgência e emergência que dêem
conta das especialidades como neurologista, cardiologista, urologista, pois há
deficiência nos municípios da região do Xingu. (PAINEL DE ESPECIALISTAS,
2009). Os especialistas José Marcos e Rosa Carmina, que é doutora em saúde
pública, declaram que o EIA de Belo Monte não incluiu um diagnóstico situacional da
saúde da população de referência para o empreendimento, eles argumentam que:

Há uma referência a dados secundários, não confiáveis, por não


representarem a realidade: o que poderia ser resolvido se o
diagnóstico tivesse como metodologia o inquérito epidemiológico da
área de influencia com a participação da comunidade. Por isso não
aprofunda as questões sociais e a relação aos impactos ambientais
com a saúde das comunidades e dos trabalhadores (PAINEL DE
ESPECIALISTAS, 2009).

Existe um grande perigo não só na modificação do espaço geográfico da


região podendo promover desequilíbrio ambiental e na saúde da população, esse
perigo se refere a população migratória que não está preparada para o ambiente
úmido da região, e sem anticorpos suficiente para superar o grande número de
mosquitos, conseqüentemente haverá um aumento no número de casos de malária,
dengue, febre amarela, etc.. Para o entomólogo Inocêncio Gorayeb, do museu
Emílio Goeldi, o projeto Belo Monte promoverá drásticas e extensas alterações ao
meio ambiente com conseqüências maiores que as previstas, ele argumenta que:

É imprevisível saber quais as espécies de mosquitos que


responderão com a superpopulação, mas se dentre elas as
36

potenciais vetoras de malária estiverem envolvidas, o problema será


ainda mais grave. O aumento da população humana imigrante (mais
vulnerável) e a migração local intensa de pessoas atuarão como
fonte retroalimentadora de recursos para as superpopulações de
mosquitos e descontrole de doenças (PAINEL DE ESPECIALISTAS,
2009).

Quando houver o alagamento em parte da cidade de Altamira, e caso não


esteja sido cumprida a condicionante do sistema de tratamento de esgoto, poderá se
desenvolver uma série de doenças como a cólera, diarréia, entre outros. Além do
aumento do número de picadas de cobra, maior número de envenenamento, por
vários tipos de plantas e animais, de pessoas na floresta por causa da falta de
informação, maior contato com doenças vinda de imigrantes podendo prejudicar
grande parte dos indígenas, essas são estimativas para o futuro da saúde na região.
Outra crítica que não foi levantada no Painel de Especialistas, mas de grande
importância, é sobre o crescimento econômico do Estado do Pará. Atualmente o que
está sendo discutido sobre as novas hidrelétricas brasileiras é a lembrança de um
passado cheio de controvérsias. O que se vê, são as denuncias até hoje não
resolvidas, como exemplo Tucuruí. A região do Xingu já é historicamente procurada
por imigrantes de várias partes do Brasil, desde a década de 40 e 50 pelo boom
Borracha/Seringa, na década de 70 pela implantação de Transamazônica, na
década de 80 pela mineração/garimpo, e entre a década de 80 e 90 pela exploração
desenfreada do mogno (SILVA, 2005), e agora por último a construção da
hidrelétrica de Belo Monte, apesar de vários momentos de movimentação na
economia a região não se desenvolveu satisfatoriamente. Acredita-se que Belo
Monte é o terceiro ciclo do projeto, o primeiro foi a borracha, o segundo ciclo foi a
Transamazônica, nesses três ciclos se identificam pela promessa de progresso para
a região, o que não houve com as duas primeiras. Tucuruí também veio com a
promessa de progresso, não foi verdade, o que veio foi as conseqüências negativas
para o ambiente e para a sociedade daquela região.
A falsa argumentação de progresso para a região é que faz aumentar a
preocupação da construção da hidrelétrica. O grande problema é a vinda de mais
indústrias para o Estado, se isso é bom para a economia, talvez, mas os números
dizem o contrário, pois o que se percebe é o aumento do lucro e da produção
industrial está inversamente proporcional ao crescimento econômico do Estado do
Pará. Este Estado possui números alarmantes de desenvolvimento social, o que faz
37

contraste com a produção de minérios na região. Parte do artigo de Lúcio Flávio


Pinto demonstra esse problema:
Em 2010, o Pará, que hoje é o sétimo maior exportador do Brasil e o quinto
em saldo de divisas, poderá estar gerando US$ 8 bilhões líquidos para as contas
externas nacionais, uma contribuição que apenas duas ou três outras unidades da
federação também poderão dar. Mas enquanto representa quase 80% do valor do
comércio internacional paraense, a produção mineral tem papel pouco expressivo na
formação da riqueza interna. A mineração entra atualmente com 4% da receita
estadual de impostos, graças às isenções e vantagens concedidas pela União aos
exportadores de semi-elaborados. Mesmo com a quintuplicação do valor da
produção na década, o peso da mineração será de 18% da renda tributária em 2010,
segundo estimativa do governo do Estado. O Pará, que é o 16° em IDH (Índice de
Desenvolvimento Humano), o 19° em IDJ (Índice de Desenvolvimento Juvenil),
mesmo tendo o segundo maior território e a 9° população brasileira, não avancará
muito se depender do boom mineral, que provoca crescimento, mas não – ou só
raramente, graças a outras variáveis, desde que elas sejam criadas –
desenvolvimento. Assim, o Pará parece fadado a ocupar o seu lugar no firmamento
mineral sujeito à mesma circunstância dos países que antecederam no pódio: ficar
grande, sem ficar rico (PINTO, 2005).
Com a construção de Belo Monte o que poderá acontecer é a chegada de
mais indústrias para região para extrair as riquezas locais e utilizar de energia barata
ou até subsidiada, ainda com vantagens em relação às isenções de impostos
concedidas pela União. A obra poderá acabar com parte da flora e da fauna na
região, prejudicar o modo de vida da população, aumentar conflitos rurais, prejudicar
as fontes de alimentação, poderá aumentar o desemprego e a violência, e ainda não
repassar a energia para a população, e sim para manter as indústrias funcionando e
aumentando sua produção.
38

5 SITUAÇÃO JURÍDICA DO PROJETO BELO MONTE

Para esse tópico serão observadas as ações judiciais impetradas pelo


Ministério Público Federal – MPF. Essas ações têm a intenção de identificar os erros
cometidos pela atuação do governo e do consórcio NESA na realização do projeto,
com o objetivo de travar o andamento da obra e tomar as atitudes necessárias para
que Belo Monte não seja igualada aos projetos de hidrelétricas anteriores. O porquê
das ações se dá também pelo modo como o empreendimento está sendo imposto à
região, segundo o Procurador da República, Felício Pontes Jr.5, é necessário que as
comunidades afetadas sejam ouvidas antes do início da obra, para ele, as oitivas
declaradas pelo consórcio não foram positivas, seria como uma falta de respeito a
esses moradores da região, por isso a necessidade das doze ações judiciais que
serão explanadas junto ao contexto histórico ao longo do capítulo.
No ano 2000 o governo retoma a idéia de construir a barragem no rio Xingu,
mas a ELETRONORTE não estava trabalhando de acordo com as leis brasileiras,
porque a obra estava sendo licenciada pela SEMA – Secretaria estadual de Meio
Ambiente – o que é irregular pelo fato do rio nascer em outro estado, ou seja, é de
responsabilidade federal, portanto seria o IBAMA o responsável pelo licenciamento.
Outro erro da ELETRONORTE foi contratar a FADESP – Fundação de Amparo e
Desenvolvimento da Pesquisa – para elaboração do EIA/RIMA, sem licitação, ao
preço de R$ 3.835.532,00. Esses foram os motivos da primeira ação civil pública
contra a construção de Belo Monte, assegurar o licenciamento pelo IBAMA e impedir
a contratação da FADESP sem licitação. O resultado já transitado em julgado foi
vitorioso para MPF-PA.
Depois da derrota, o governo federal retoma, em 2005, agora com o pedido
de licenciamento ao IBAMA. O deputado federal Fernando Ferro, do PT de
Pernambuco, apresenta no Congresso uma proposta de decreto legislativo que
autoriza Belo Monte. A proposta foi aprovada na Câmara e no Senado em tempo
recorde, menos de 15 dias úteis. Mas o MPF percebeu a ocultação da
inconstitucionalidade, no caso as oitivas das comunidades afetadas que se encontra
no art. 231, §3°. A partir desse caso, o MPF ajuizou a segunda ação judicial, que

5
Informações retiradas do blog Belo Monte de Violências
39

seria anular o Decreto Legislativo 788 e assegurar oitiva prévia dos povos indígenas.
Apesar da paralisação do empreendimento até 2007, a ministra Ellen Gracie
suspende o entendimento do TRF1 e libera o projeto. No dia 9 de novembro de
2011, o TRF1 derrubou a ação do MPF, o motivo é que a lei não determina o
momento das oitivas, ou seja, não é necessário que a oitiva fosse antes da
autorização da obra pelo congresso Nacional, o MPF recorreu ao STF, e aguarda o
julgamento.
A terceira ação civil pública do MPF-PA foi em relação ao Estudo de Impacto
Ambiental estar sendo realizado sem o Termo de Referência obrigatório. O Termo
de Referência é um documento expedido pelo IBAMA, uma espécie de guia para
elaborar o EIA. O IBAMA declarou que o Termo não tinha sido elaborado em função
de decisão liminar que impediu a realização de vistoria técnica ao local, mas depois
que a decisão favorável ao MPF deixou de valer, o IBAMA rapidamente
confeccionou o Termo de Referência, cerca de 10 dias, o que para o Procurador é
uma evidência de que não houve tempo para realizar qualquer vistoria no local. O
processo ainda tramita na segunda instância no TRF.
Após esse acontecimento o trabalho de confecção do EIA inicia, o MPF-PA
desconfiou do rápido processo de licitação para fazer o estudo e descobriu que a
ELETROBRÁS fez uma parceria com as três maiores empreiteiras do país –
Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez. Essa parceria significava
contratação sem licitação para o Procurador Felício Pontes. Através de um acordo
de cooperação técnica, a justificativa era cumprir o prazo para a conclusão do EIA, e
também porque essas empresas têm comprovada competência em
empreendimentos de grande porte. Além disso, o acordo tinha cláusula de
confidencialidade, ou seja, o resultado do EIA não poderia ser divulgado até a
expedição da Licença Prévia (LP), apesar de ser um acordo público e tratar do meio
ambiente. Então o MPF-PA entra com a quarta Ação Civil Pública, para impedir
convênio com empreiteiras para realizar o EIA e proibir confiabilidade, para não
haver ilegalidade e para as empresas não terem acesso exclusivo às informações,
saindo na vantagem em relação aos concorrentes. Apelação aguardando
julgamento.
Após a conclusão do EIA, descobriu-se que o documento estava incompleto,
pois não tinha finalizado estudos fundamentais como: o espeleológico (das
cavernas); a qualidade de água; e as informações sobre as populações indígenas, e
40

com a conclusão dos analistas do IBAMA de que o documento precisa ser revisado
para evitar os erros encontrados na análise do parecer (n° 36/2009), mesmo assim o
IBAMA aceitou o EIA. Esses foram os motivos do ajuizamento da quinta Ação Civil
Pública – Anular o aceite indevido do EIA/RIMA incompleto pelo IBAMA e também a
Avaliação Ambiental Integrada. O juiz federal Antônio Campelo paralisou o
licenciamento, mas o presidente do TRF em Brasília suspendeu a decisão. A Ação
aguarda julgamento na 1° Instância.
No curso das etapas, chega o momento das audiências públicas. O MPF-PA
pediu para que pelo menos 11 municípios afetados tenham audiências, mas são
marcadas audiências em três municípios atingidos (Altamira, Brasil Novo, Vitória do
Xingu) e na capital, Belém. Na capital houve imprevisto, o IBAMA teve que transferir,
em última hora, o local do evento passando para um teatro pequeno que não
comportaria muitas pessoas, o que causou um tumulto, pois a Força Nacional
impedira de entrar mais pessoas, o que prejudicou a transparência da obra em
questão. O resultado disso foi o recebimento de várias queixas e abaixo-assinados
de quem não conseguiu entrar na audiência. Isso motivou a sexta Ação Civil Pública,
agora com apoio do Ministério Público do Estado do Pará, para obrigar a realização
de audiências em todas as comunidades afetadas. É necessária uma reabertura de
prazo, pois o EIA foi entregue dias antes da primeira audiência pública, o caso
aguarda julgamento.
A sétima Ação, redigida por Cláudio Terre, Bruno Gutschow e Ubiratan
Cazetta, fundamentou-se em irregularidades no licenciamento ambiental, uma delas
se destaca a quantidade de água que será liberada no trecho de 100 km da Volta
Grande do Xingu. De acordo com estudos de peritos do MPF foi constatado que em
35 anos observados o volume de água do rio não foi capaz de atingir a vazão de 14
mil m³/s, que no caso, é o mínimo para as turbinas gerarem energia, por isso os
estudos concluíram que não há água suficiente para gerar energia na UHE Belo
Monte, a não ser que se construam outras barragens para regularizar a vazão do rio
(PONTES, 2011). A Ação aguarda decisão de mérito.
A oitava Ação Civil Pública foi ajuizada devido ao aproveitamento hídrico estar
em terras indígenas o que não está regulamentado em lei, segundo o MPF, só com
esta regulamentação seria possível avaliar o projeto de Belo Monte. A intenção é
suspender licença prévia do leilão até que seja regulamentado o aproveitamento de
recursos hídricos em Terras Indígenas (TI‟s), conforme o artigo 176 da Constituição
41

Federal. Liminar deferida em 14 de abril de 2010, mas suspensa dois dias depois, o
que resultou na liberação do leilão, o caso aguarda julgamento.
O ajuizamento da nona ação civil foi provocado pela emissão da Licença
Parcial (LP) pelo IBAMA, segundo o MPF essa concessão não existe no sistema
legal de licenciamento, não está previsto na legislação ambiental. Apesar da Justiça
Federal do Pará entender que a licença é ilegal por não cumprir as pré-condições
estabelecidas pelo próprio IBAMA, o TRF-1 reverteu a liminar que suspendia o
licenciamento de Belo Monte, a Ação aguarda o julgamento. A décima Ação foi em
virtude do não cumprimento das condicionantes impostas na concessão prévia n°
342/2010 pelo IBAMA, a intenção da ação tem por objeto a declaração de nulidade
da licença de Instalação (LI) n° 795/2011, emitida no dia primeiro de junho. Ainda
aguarda julgamento.
A décima primeira Ação Civil Pública contra a NESA pede a suspensão da
concessão de Licença de Instalação da obra por descumprir as condições prévias
exigidas para preparar a região aos impactos. O parecer do IBAMA demonstrou que
as condicionantes de saúde, educação, saneamento, levantamentos das famílias
atingidas não foram cumpridas pelo empreendedor (ROSAS, 2011). Existe um
problema nessa ação porque o assunto escrito na tabela de acompanhamento
pesquisado no blog “Belo Monte de Violências” difere da imprensa, o motivo da Ação
é para suspender as obras para evitar a remoção dos indígenas, Arara e Juruna, e
para assegurar o respeito ao direito da natureza e das gerações futuras, o processo
ainda não tem decisão judicial.
A décima segunda Ação Civil Pública, onde acusa a NESA e a União, de não
respeitar os agricultores atingidos por Belo Monte. É necessário que sejam
resolvidas as arbitrariedades e ilegalidades cometidas pela Norte Energia contra os
agricultores da região da Transamazônica que perderão suas terras e dará lugar à
usina. A suspensão é para elaborar e cumprir o cadastro sócio-econômico
identificando a população atingida, o que até agora, segundo o MPF, não foi
apresentado. Isso é uma preocupação dos próprios atingidos porque não sabem
quando terão de deixar suas casas, para onde serão removidos, e como receberão
suas indenizações (MONTEIRO, 2011), o processo aguarda julgamento.
42

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Toda a pesquisa foi levantada a partir de opiniões diversas dos atores


envolvidos com o assunto: UHE Belo Monte. O trabalho tentou seguir de maneira
imparcial as análises estudadas, mas foi perceptível que os argumentos a favor da
construção estão em menor escala que as críticas, o que parece ser natural para um
empreendimento de grande porte. Enfim, todo o trabalho teve por objetivo identificar
os reais interesses para a construção de Belo Monte, e essa tentativa de extrair as
prováveis intenções acabaram se dividindo em duas partes: os reais motivos da
construção de Belo Monte para os que apóiam o projeto e os motivos para os que
não apóiam o projeto. Esses levantamentos podem nos guiar a compreender os
motivos reais deste empreendimento do P.A.C. que suscita grandes controvérsias
no mundo inteiro.
De acordo com a posição dos tópicos anteriores, primeiramente serão
apresentados os argumentos dos que defendem o AHE Belo Monte, depois os
argumentos do que estão contra o empreendimento.
A posição do governo é afirmar que há necessidade de energia elétrica para
26 milhões de pessoas com perfil de consumo de São Paulo (ELETROBRÁS, 1987).
A NESA afirma em seu “blog” que a energia irá para as distribuidoras reguladas pela
ANEEL, para o produtor, e para o mercado, e que as indústrias não receberão
energia subsidiada. O interesse do governo é estruturar a política nacional de
expansão de energia elétrica e garantir o abastecimento nos próximos anos.
Outra meta a ser cumprida pelo governo federal é a redução da tarifa
energética, com a construção de Belo Monte ao preço de R$ 78 por MWh proposto
pela NESA durante o leilão, confirma-se a meta. O objetivo dessa redução é criar
uma relação de confiança e buscar mais investimentos do setor empresarial,
resultando em preços mais competitivos e o aumento do número de empregos. Para
Maurício Tolmasquim “mesmo com a sazonalidade do rio e da sua baixa eficiência
energética durante a maior parte do ano, a tarifa continua a ser competitiva, por isso
justifica a sua instalação”.
43

O motivo da redução da eficiência energética está nas modificações feitas


para minimizar os impactos ambientais (CABRAL, 2010). Outro ponto importante
para o governo e a meta do país é o crescimento econômico. O Brasil cresce
progressivamente tirando milhões da pobreza, conseqüentemente tendo que arcar
com o aumento do consumo de energia. Para isso é necessário atender o aumento
da demanda deste consumo, pois sem a energia suficiente será inviável esse
crescimento econômico. E a construção da barragem em uma região pobre do Pará
será um suporte para o desenvolvimento sócio-econômico, criando oportunidades e
empregos, melhorando economicamente a vida das pessoas no Xingu.
Apesar da evolução tecnológica de novas fontes de energia limpa, como a
eólica e a solar, a hidrelétrica continua sendo a melhor opção para o governo, devido
a quantidade de rios que existem em nosso país com características necessárias
para a construção de barragens e pelo custo mais baixo (MME/RIMA, 2009). Além
de a hidrelétrica ser considerada energia limpa e renovável, segundo a NESA e o
governo federal. O projeto de energia para o país é um sistema interligado que
proporcionará energia limpa e barata para todas as regiões, resultando em um maior
consumo de bens, mais oportunidades de emprego e trabalho, gerando mais riqueza
para a população, podendo até 2030, de acordo com estimativas da revista
Conjuntura Econômica, tornar o Brasil a quinta economia do mundo.
Para os atores que estão contra o empreendimento, há uma desconfiança
sobre os objetivos citados pelos defensores da barragem. São vários argumentos
que distorcem os discursos propostos pelo governo e pelo consórcio responsável
pela construção. Primeiramente existe muita reclamação sobre a pressa que o
governo tem em progredir com a construção da hidrelétrica de Belo Monte, a
aprovação em 15 dias do projeto sem consultar os povos indígenas, as liberações
de licenças que não existem na legislação Ambiental, afrouxamento das
condicionantes, a falta de vários estudos a ser concluídos, por causa disto foram
ajuizadas doze ações civis públicas contra o governo. Para o Procurador Felício
Pontes Jr. a atuação ilegal do governo na questão da construção da hidrelétrica, é o
fato que aumenta o nível de desconfiança sobre o que acontecerá com a população
após a conclusão da usina, ele deixa uma pergunta: até quando será preciso
lembrar que as leis valem também para o governo? (PONTES, 2011).
Outra desconfiança é em relação aos empreiteiros, o pacote de medidas do
governo para estimular a participação no leilão, e neste pacote abrange o
44

financiamento de 80% do custo da obra a juros baixos, um desconto de 75% no


imposto da usina nos primeiros dez anos de operação. Para Arnaldo Jordy no
seminário Belo Monte: Desenvolvimento pra quem? Ocorrido na Universidade
Federal do Pará afirma que os empreiteiros foram os maiores investidores nas
campanhas presidenciais em 2010, então qual é a intenção? Um compromisso do
governo com os empreiteiros? O custo ainda não definido de 25 bilhões de reais,
saindo dos cofres públicos pode ser o retorno financeiro que os empreiteiros
esperam com a construção de Belo Monte, até porque a única certeza que se tem
sobre esse empreendimento é o lucro das empresas envolvidas, pois já foram
contabilizados.
Outra justificativa dos atores contra Belo Monte tem em comum é a
desconfiança sobre os caminhos que a energia terá quando a hidrelétrica estiver
concluída. O governo e a NESA afirmam que a energia vai para a população, mas
essa população beneficiada estão nas regiões sudeste e nordeste, ou seja, atenderá
outras regiões do Brasil. Segundo André Saraiva de Paula os aproveitamentos
hidrelétricos daquelas regiões já foram quase que totalmente explorados por isso as
previsões de energia só poderão ser atendidas a partir da transferência de energia
de outros lugares do país e do exterior. A política de expansão de energia brasileira
adotou dois métodos: a construção do gasoduto Bolívia-Brasil; e a construção da
interligação Norte-Sul (PAULA, 2005). Mas para o procurador Felício Pontes jr. o
futuro uso da produção da energia de Belo Monte está sendo apresentado de forma
enganosa, porque parece que os planos mudaram e passaram a destinar a maior
parte da energia para usinas de alumina e alumínio no próprio Pará (PONTES,
2011).
As afirmações do procurador parecem combinar mais com as idéias de outros
autores e com a realidade futura do Pará. O Estado do Pará está sendo visado para
a instalação de novos parques industriais, além de uma empresa sino-brasileira que
será instalada em Barcarena, com as negociações feitas pelo ex-presidente Lula em
2004. A instalação de Belo Monte incentivou o interesse da ALCOA em implantar
uma fábrica eletro-intensiva de alumínio, além de uma refinaria de alumina e uma
mina de bauxita, e já se manifestou em ser sócia do mega-projeto de Belo Monte. A
CVRD já ampliou as minas de ferro e manganês e as instalações de concentração e
fundição do cobre e está interessada em ampliar a produção de aços planos. A
única opção que explique a decisão de construir e instalar uma usina de grande
45

porte no Xingu – além do intercâmbio regional – é a eletricidade adicional a ser


despachada por Belo Monte servindo para viabilizar novas ou futuras ampliações
das atividades de mineração e metalurgia na região (SEVÁ, 2005).
Com novos investimentos e criações de parques industriais é certo que irá
precisar de muita energia, e essa energia virá de Belo Monte e dos futuros projetos
de hidrelétricas no Tapajós, isso viabilizaria o funcionamento dessas atividades.
Entretanto se formos pensar apenas em Belo Monte, como as indústrias
funcionariam no período de seca no Xingu. Para Philip Fearnside, a sazonalidade do
rio justificaria a construção de grandes usinas termoelétricas na região de Juruti e
Barcarena, para suprir energia às indústrias do setor de alumínio durante o resto do
ano, contribuindo para altas emissões de gases de efeito estufa, além de consumir
mais dinheiro público (FEARNSIDE, 2009).
Pode-se até mandar energia para outras regiões, mas os custos das linhas de
transmissão são altos e provocarão grandes impactos ambientais. E na maior parte
do ano não funcionariam devido a sazonalidade do rio Xingu, tornando sem função
durante a maior parte do ano e proporcionando também altos custos na sua
manutenção, o que tornaria inviável. Na questão das indústrias é mais conveniente a
utilização da energia de Belo Monte. Entrando na questão de desenvolvimento
regional, isso não é real, porque já temos outra hidrelétrica que até hoje ainda tem
pendências a resolver com a população local, e não trouxe desenvolvimento para
região. A estimativa da migração de 100 mil pessoas para a região do Xingu
preocupa ainda mais os especialistas, porque não tem emprego pra todo mundo, e
depois da construção, os 43 mil empregos ofertados serão reduzidos drasticamente,
e então qual seria o futuro desses desempregados? A vinda de milhares de novos
habitantes poderá piorar a pobreza da região, deixando o ônus para o governo
estadual. O modelo econômico de extrativismo mineral também não traz
desenvolvimento para o Estado, pode-se observar a realidade no Pará e analisar os
índices sociais. Para Antônia Melo, a implantação de grandes barragens, reforça a
velha política energética degradante pensada pelo capital internacional, favorecendo
o lobby de empresas como Albrás, Alunorte, a CVRD e a ALCOA, que se
beneficiaram de energia subsidiada do governo durante 20 anos. Ela afirma que
“essas empresas se apossam das riquezas do Estado, contribuindo, na verdade
para a degradação ambiental, para o aumento da pobreza e da miséria para a
46

maioria da população do Pará, que ainda paga pela energia mais cara do país, tudo
em nome do desenvolvimento e crescimento econômico do Brasil” (MELO, 2005).
Os argumentos são inúmeros, as dúvidas sobre Belo Monte é interminável, os
reais motivos para justificar a construção foram apresentados de acordo com a
análise de conteúdo de informações mais importantes e categóricos do trabalho. A
disputa em Belo Monte ainda perpetuará, pois a obra ainda está no início, muitos
acontecimentos importantes estão por vir. Os discursos postos na pesquisa poderão
ser tornar realidade ou não, é um futuro incerto, mas os estudos apontam suas
conclusões, resta apenas a nós nos posicionarmos no lado mais satisfatório.
47

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