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1 – FAZER BATIMENTOS POR IMITAÇÃO

Imitação, motricidade
Motricidade fina, agarrar
Percepção visual
Meta: Aprender a imitar o uso dos materiais
Objectivo: Imitar um modelo de batimentos com uma colher
Materiais: 2 colheres e um pote Procedimento:
Sente-se com o João à mesa e capte a sua atenção, balançando uma colher no seu
campo de visão. Bata na mesa com a colher com um ritmo definido e contínuo, com
a sua outra mão coloque outra colher na mão da criança e reforce sempre que ele
a agarrar. Comece a bater com a colher na mão dele contra a mesa da mesma
maneira que está a bater com outra mão. Progressivamente reduza a sua ajuda
para ver se o João continua a bater. Quando ele já consegue bater na mesa sem
ajuda, deixe de bater na mesa e passe para o pote. Repare se a criança faz o
mesmo e se não o fizer ajude-o. Depois de algum tempo, volte novamente à mesa
e repita o procedimento para que a criança faça o mesmo. Continue a actividade
até que o João aprenda a imitá-la a bater na mesa e no pote sem que necessite de
ajuda.

2 – COMEÇAR A IMITAÇÃO VOCAL


Imitação vocal
Desempenho verbal, vocalização
Meta: Desenvolver a imitação vocal
Objectivo: Imitar o som de séries simples de sílabas
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sempre que o João faça sons de forma espontânea, imite imediatamente o som
que ele acabou de emitir e repare se ele responde fazendo de novo o mesmo som.
Tente manter uma “conversa” imitando os sons que ele emite. De vez em quando
repita os sons que ele já tenha emitido e repare se ele os repete de novo, por
imitação. Se ele repetir os sons, insista nos mesmos algumas vezes para ver se ele
continua a imitá-la de forma interactiva. Quando João começa a mostrar interesse
na imitação dos sons, deixe inicialmente ser ele a propor os sons e imite-os, mas
progressivamente vá-lhe propondo outros e preste atenção à possível imitação dos
mesmos, e logo a seguir reforce-o.
3 – ANTECIPAR SONS EM IMITAÇÃO
Imitação vocal
Desempenho verbal, vocalização
Socialização, interacção individual
Meta: Desenvolver a imitação vocal
Objectivo: Dar uma aproximação vocal de um som associado a uma rotina física
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sente-se numa cadeira com o João nos seus joelhos e faça-o saltar de vez em
quando, dizendo “Bom, bom, bom ,bom.”. A seguir balance-o para trás e para a
frente e diga ao ritmo do movimento “la, la la...”. Depois de repetir este movimento
com o som, repita e aguarde para ver se o João antecipa o som ”la,la,la...”. Deixeo
saber que deve fazer o som fazendo você primeiro o som e depois toque-lhe nos
lábios, para ele emitir o som, Espere alguns segundos e se o João não emitir som
nenhum, toque-lhe de novo nos lábios e emita o som para lhe indicar que ele deve
emitir também. Para crianças mais velhas que não se conseguem manter facilmente
nos joelhos, cante uma cantiga que tenha “Para baixo”, mas atrase o “BAIXO” e
deixe-o tombar para o chão até que ele faça alguma tentativa para vocalizar o som.

4 – IMITAR ACÇÕES PARA PRODUZIR SONS

Imitação vocal
Imitação, motricidade
Desempenho verbal, vocalização
Meta Encorajar a imitação de sons e aumentar a atenção visual para as acções de
outra pessoa
Objectivo: Imitar sons de sílabas singulares através de acções físicas simples.
Materiais: Nenhum Procedimento:
Escolha uma das acções abaixo descritas. Demonstre essa acção e então ajude o
João a imitá-la através do movimento das mãos. Progressivamente reduza a
quantidade de ajuda à medida que ele vai aprendendo a produzir o som por ele
próprio. Repita a demonstração da 1ª acção até verificar que ele está a perceber e
colabora e só depois passe à segunda actividade..
a) Ponha os seus dedos perto dos lábios e diga “SHHHH”
b) Bata suavemente nos seus lábios com a sua mão e emita o som ao estilo
dos índios, dizendo “u u u u u u u u :::”.
c) Estale os seus lábios, como um beijo.
d)Faça um som de estalo, estando os seus dedos perto da face do João
5 – TOCAR PARTES DO CORPO IMITANDO
Imitação, motricidade
Percepção, visual
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aprender a observar uma pessoa e imitar as suas acções
Objectivo: Tocar 3 partes do corpo, imitando
Materiais: Nenhum Procedimento:
Coloque-se na mesa em frente o João e faça o que for necessário para chamar a
sua atenção. Assim que ele olhar para si, diga-lhe: “João, toca no nariz.”. Ponha o
indicador no seu nariz. Se ele não imitar, pegue no indicador dele com a sua outra
mão e toque-lhe no nariz repetindo: “João toca no nariz.”, continuando a tocar o seu
próprio nariz. Reforce-o imediatamente (por exemplo: sorria, elogie-o ou dêlhe uma
recompensa comestível), mesmo que o tenha ajudado. Repita o
procedimento até ele conseguir responder, de forma consistente, sem ajuda.
Assegure-se de que todas as vezes em que repete o procedimento, ele olha para
si enquanto você toca o nariz e diz “João, toca o nariz.”. Recompense-o sempre
que ele emite a resposta apropriada. Após ele ser capaz de tocar o nariz, pelo
menos 90% das vezes, em resposta à sua acção e ao seu comando verbal, adicione
outras partes do corpo (uma de cada vez) pela seguinte ordem: cabelo, boca, Olha,
ouvido. Depois de ensinar uma segunda parte do corpo, espere até ele conseguir
responder apropriadamente a 90% das vezes às duas partes do corpo ensinadas
antes de adicionar uma terceira.

6 – BATER PALMAS, IMITANDO

Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver a imitação dos movimentos do professor
Objectivo: Bater palmas imitando o professor
Materiais: Nenhum Procedimento:
Coloque-se na mesa em frente o João e diga: “Olha, João”, e bata as palmas
lentamente. A seguir agarre as mãos dele e bata as palmas, recompensando-o
imediatamente. Bata as suas mãos novamente e certifique-se que ele está a olhar
para si quando faz isso. Bata novamente as suas mãos e faça-lhe sinal para o fazer
também. Se ele fizer algum sinal para a imitar, ajude-o a completar a acção e
recompense-o imediatamente. Se ele continuar sem entender o que se espera dele,
continue-lhe o guiar as mãos durante o movimento, recompensando-o de cada vez
de forma mais espaçada. Gradualmente tente reduzir a sua assistência para que
ele possa aprender que tem de bater as suas mãos afim de obter outra recompensa.
7 – IMITAR MOVIMENTOS DE BRAÇOS

Imitação, motricidade
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Motricidade global, braços
Meta: Melhorar a imitação motora, a consciência corporal, e entender “em cima”,
“fora” e “em baixo”.
Objectivo: Imitar movimentos simples sem assistência
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sente-se em frente do João e diga: “Olha João.”. Coloque os braços acima da sua
cabeça e diga. “Braços para cima”. Se ele não responde coloque-lhe os braços
acima da cabeça, segure-os um instante e repita: “Braços para cima”. Levante os
seus braços acima da sua cabeça enquanto ele faz o mesmo. Repita: “Braços para
cima.”. Coloque os seus braços para baixo e diga “Braços para baixo”. Se
necessário ajude-o a colocar os braços para baixo. Repita novamente: “Braços para
baixo.” enquanto os dois seguram os braços em baixo. Então coloque os braços na
lateral e diga: “Braços para fora”. Tente fazer com que ele imite sem assistência. à
medida que ele vai executando melhor a tarefa, mova ocasionalmente o braços sem
emitir o comando verbal ou emita o comando verbal sem mover os braços. Verifique
se ele antecipa a acção ou o comando.

8 – IMITAR O USO DE OBJECTOS QUE FAZEM BARULHO

Imitação, motricidade
Motricidade fina, manipulação
Meta: Melhorar a atenção ao uso de materiais
Objectivo: Imitar de forma apropriada o uso de 3 objectos diferentes
Materiais: 2 brinquedos de apertar, 2 campainhas, 2 apitos, uma caixa de tamanho médio
Procedimento:
Sente-se em frente o João do outro lado da mesa com os
brinquedos num lado. Pegue no primeiro lote de brinquedos,
coloque um em frente o João e guarde um para si. (ver figura).
Diga: “Olha João”, certificando-se que ele está a olhar para si e
faça o movimento apropriado com o brinquedo (ex.: aperte-o ou,
no caso do apito, sopre). Continue a usar o brinquedo e,

com a outra mão, ajude-o a fazer o mesmo movimento. Repita


a acção com o seu próprio brinquedo e diga: “Faz tu.”. Se ele tentar imitar a sua
acção recompense-o imediatamente e coloque os brinquedos na caixa. Repita o
procedimento com os outros 2 brinquedos. Se ele os tentar usar de forma
inapropriada (ex.: abanar o brinquedo de apertar), pare a acção e demonstre o seu
uso correcto. Se necessário ajude-o a realizar a acção correcta, mas tente retirar
de forma gradual a sua ajuda, à medida que ele aprende a observar as suas acções
e a imitá-las sozinho.

9 – IMITAR MOVIMENTOS DE LÁBIOS

Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver competências motoras orais necessárias ao desenvolvimento da
linguagem
Objectivo: Desempenhar séries de movimentos dos lábios imitando o professor
Materiais: Espelho (opção) Procedimento:
Sente-se de frente para o João e assegure-se que ele está a olhar para si.
Execute os seguintes movimentos e faça com que ele os imite:
a) Comprima os lábios firmemente e depois abra-os.
b) Franza os lábios, esticando-os o mais possível.
c) Franza os lábios e depois abra-os num sorriso grande.
d) Esfregue o lábio inferior no superior
e) Esfregue o lábio superior no inferior
Como recompensa da imitação apropriada, dê-lhe um pouco da sua
bebida favorita por uma palhinha no sentido de o encorajar a usar melhor
os seus lábios. Se ele tiver dificuldade em olhá-la de frente, sente-se ao
seu lado e faça os exercícios ao espelho.

10 –RABISCAR POR IMITAÇÃO

Imitação, motricidade
Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar a imitação do uso de materiais e desenvolver competências básicas
do uso do lápis
Objectivo: Rabiscar por 2-3 segundos numa folha larga de papel
Materiais: Lápis grossos e papel
Procedimento:
Sente-se à mesa de frente para o João. Coloque um lápis à sua frente e guarde um
para si. Coloque uma folha de papel na mesa de forma a ser facilmente alcançada
pelos dois. Rabisque no papel por 2 ou 3 segundos com o seu lápis. Coloque, em
seguida, o lápis na dele mão e ajude-o a rabiscar durante alguns segundos.
Recompense-o e coloque uma folha nova na mesa. Repita o procedimento, mas
desta vez o objectivo é fazer com que ele rabisque sem ajuda manual. Se ele não
imitar, pegue-lhe na mão e faça com que ele rabisque. Assim que ele começar a
imitar varie os riscos duma forma repetitiva (circular ou horizontal). O objectivo é
fazer com que ele imite os diferentes traços à medida que a professora os executar.

11 – IMITAR MOVIMENTOS VULGARES DE AUTONOMIA

Imitação, motricidade
Autonomia, lavar-se
Meta: Aumentar competências motoras e ensinar competências comuns de auto-
ajuda.
Objectivo: Imitar com sucesso 3 acções comuns de auto-ajuda.
Materiais: Pente, toalha, escova de dentes.
Procedimento:
Sente-se na mesa de frente para o João com o pente, a toalha e a escova de dentes
alinhados para que ele veja quantas acções tem de realizar. Segure o pente e diga:
“Pentear o cabelo.”, passando o pente lentamente pelo cabelo. Coloque o pente na
sua mão e ajude-o a pentear-se. Em seguida coloque o pente à sua frente e faça o
gesto de pentear dizendo “Pentear o cabelo.”. Se ele agarra o pente e faz algum
gesto que indique uma intenção de pentear, recompense-o imediatamente. Se ele
não imita a acção proposta, guie-lhe a mão através do movimento pretendido e
tente fazer com que desempenhe a tarefa de forma independente. Repita este
procedimento até ele imitar a sua acção sem assistência. Repita o procedimento de
forma independente com a toalha de rosto usando como pista verbal a expressão
“Limpar a cara.” e com a escova de dentes usando como pista a expressão verbal
“Lavar os dentes.”. Não se preocupe em fazer com que o João seja capaz de lavar
os dentes ou pentear-se uma vez que se pretende que estas actividades o ajudem,
em primeiro lugar a copiar os movimentos. Devemos, neste nível preocuparmo-nos
em fazer com que ele copie os movimentos.

12 –TIRAR OBJECTOS DE UM SACO EM IMITAÇÃO

Imitação, motricidade
Meta: Aumentar a atenção ao uso de materiais pelo professor
Objectivo: Imitar de forma apropriada o uso de 5 objectos familiares
Materiais: Taça, bacia ou saco, 5 itens ou brinquedos comuns (ex.: esponja, bola, carro
de brincar, chávena, escova do cabelo) Procedimento:
Coloque os 5 itens numa taça, numa bacia ou num saco. Se o João tiver dificuldade
em manter a atenção, use uma bacia ou uma taça para que veja quantas vezes tem
de desempenhar a tarefa antes desta estar completa. Seleccione um item da taça,
assegure-se que a criança está a olhar para si e use o objecto da forma apropriada
(ex. rolar a bola, mover o carrinho, etc.). Em seguida dê-lhe o objecto e faça com
que ele repita a acção. Ajude-o apenas se precisar. Após ter copiado a acção com
sucesso, ponha de lado o objecto e seleccione outro da taça. Repita o procedimento
até o saco ou a taça estar vazio.

13 - IMITAR OS SONS DE OBJECTOS

Imitação, vocal
Imitação, motricidade
Desempenho verbal, vocalização
Meta: Melhorar a articulação e aumentar a atenção aos movimentos dos lábios
Objectivo: Imitar com sucesso os sons associados a 3 brinquedos ou objectos comuns
Materiais: 3 brinquedos comuns ou objectos de casa com sons diferentes (ex.: relógio,
campainha, carro de brincar) Procedimento:
Coloque os 3 objectos num dos lados da mesa onde o João possa ver exactamente
em quantas partes se divide a tarefa. Tire um dos objectos e emita o som
geralmente associado a este objecto. Se este tiver uma acção particular, combine
o som e o movimento. Assegure-se que o João está a olhar para si e repita o som.
Então dê-lhe o objecto e toque-lhe nos lábios para indicar que ele deve reproduzir
esse som. Não se preocupe se ele não reproduz o som de forma exacta. Após ele
ter imitado o som associado ao 1º objecto, coloque o item na outra parte da mesa
e repita o procedimento com outro objecto. Continue a actividade até usar os 3
objectos.
Exemplos de objectos que podem ser associados com sons:
a) relógio- “tic-tac”
b) campainha- “Turim”
c) carrinho- “pó-pó”
d) comboio- “uu-uu”.

14 – DESENHAR LINHAS HORIZONTAIS, POR IMITAÇÃO

Imitação, motricidade
Coordenação óculo-manual
Meta: Imitar o professor, no que respeita o uso de materiais, ganhar prática em
controlar um lápis, desenvolver a compreensão dos passos que envolvem uma
tarefa
Objectivo: Desenhar 3 linhas horizontais imitando
Materiais: 3 lápis, 3 folhas de papel, 2 tabuleiros Procedimento:
Coloque 3 lápis num tabuleiro, próximo de 3 folhas de papel. Coloque o tabuleiro
vazio no outro extremo da mesa. Tire uma folha do tabuleiro e um lápis e mostre o
João como desenhar uma linha horizontal no papel. Dê ênfase à linha através de
um movimento exagerado e com um som qualquer, por exemplo: “Zip Zip”. Em
seguida coloque-lhe o lápis na mão e ajude-o a fazer uma linha horizontal. Enfatize
a rapidez do movimento. Não o deixe rabiscar. Quando ele tiver feito a marca com
o 1º lápis, coloque-o no tabuleiro vazio (correspondente às actividades terminadas)
e tire um outro lápis (ver figura). Repita o procedimento usando uma folha nova.
Retire gradualmente a sua ajuda, à medida que ele for conseguindo realizar a tarefa
sozinho. Quando todos os lápis estiverem no tabuleiro das actividades terminadas,
o exercício está completo.
15 – IMITAR MOVIMENTOS DAS MÃOS

Imitação, motricidade
Motricidade global, braço
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Melhorar a imitação de movimentos simples das mãos
Objectivo: Imitar movimentos simples das mãos tais como bater palmas
Materiais: Contas, fio Procedimento:
Uma vez que sabemos que o João gosta de enfiar contas, vamos usar essa
capacidade para trabalhar outra aptidão. Dê-lhe o fio e a conta e deixe-o enfiar.
Para as contas seguintes, faça com que o João bata as mãos imitando o professor
antes de este lhe dar a conta. No início é provável que tenha de bater as suas mãos
e guiar as mãos dele para que consiga bater as palmas. Quando ele se acostumar
à ideia de bater as mãos imitando o professor para obter outra conta, mude a
actividade de imitação para outra como por exemplo: bater na mesa ou nas mãos
do professor. Usando as contas como factor de motivação, será mais provável que
o João preste atenção ao que lhe é proposto e fazer o que for necessário para
conseguir outra conta.

16 – IMITAR COM MASSINHA

Imitação, motricidade
Motricidade fina,. manipulação
Meta: Aumentar a atenção ao uso de materiais por parte do professor e desenvolver
controle do movimento das mãos
Objectivo: Imitar movimentos simples envolvendo plasticina
Materiais: Plasticina Procedimento:
Divida a plasticina em 4 bocados iguais. Coloque as 4 peças de um lado da mesa,
onde o João possa vê-las. Dê-lhe, em seguida uma peça enquanto fica com uma
peça para si. Assegure-se de que ele está a olhar para si e molde a plasticina em
forma de salsicha. Enquanto está a moldar a plasticina diga-lhe: “ Olha, faz tu.”. Se
ele não a tenta imitar ou se ele não usa um movimento de rolar a plasticina, use a
sua outra mão para fazer com que ele use o movimento adequado. Assim que ele
começar a usar a plasticina sozinho, recompense-o e coloque as duas peças já
usadas no outro lado da mesa. Repita o procedimento com as duas peças restantes
mas desta vez faça com que ele a imite a pressionar a plasticina como se fosse
uma panqueca. Após ele ter imitado essa actividade, coloque as duas peças
achatadas junto das duas primeiras e a actividade termina. Repita a actividade
muitas vezes e, à medida que ele fica com mais perícia, use mais peças de
plasticina e alterne os dois movimentos.

7 – TOCAR DUAS PARTES DO CORPO POR IMITAÇÃO

Imitação, motricidade
Motricidade global,. braços
Motricidade fina, coordenação de duas mãos
Meta: Aumentar a atenção e desenvolver aptidões de imitação mais avançadas
Objectivo: Imitar uma série de 3 acções envolvendo o toque simultâneo de duas partes
diferentes do corpo
Materiais: Nenhum
Procedimento:
Coloque o João, de pé, voltada para si e assegure-se que está a olhar para si.
Toque uma parte diferente do corpo com cada mão, por exemplo: coloque uma mão
em cima da cabeça e a outra na barriga. Exagere o movimento no sentido de se
assegurar que ele está a prestar atenção ao que está a fazer. Indique-lhe que tem
de a imitar. Diga-lhe “Faz tu.” e repita o movimento. Mantenha a posição para que
ele tenha continuamente um modelo para imitar. Se ele não fizer nenhum esforço
para imitar, coloque-lhe as mãos em posição. Se tentar imitar mas tem dificuldade
em realizar as duas acções, repita os dois movimentos e exagerandoos diga
“Cabeça e barriga.”.

18 – IMITAR EXERCÍCIOS COM O QUEIXO

Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver competências orais motoras necessárias ao desenvolvimento da
linguagem
Objectivo: Desenvolver uma série de movimentos do queixo e da língua imitando o
professor
Materiais: Nenhum
Procedimento:
Sente-se de frente para o João e diga “Faz como eu.”. Faça os seguintes
movimentos para que ele os imite:
a) Abra e feche a boca, batendo os dentes.
b) Fixe a cabeça e mova o queixo para a esquerda e depois para a direita.
Provavelmente, necessitará da sua ajuda, por isso esteja preparada
para lhe mover o queixo com a sua mão.
c) Faça um movimento exagerado como se estivesse a mastigar e faça
com que ele o imite.
d) Deite a língua de fora, coloque-o dentro da boca, mova-a para a
esquerda e para a direita.
Como recompensa pela imitação, dê-lhe pedacinhos de comida difíceis de mastigar,
mas que sejam agradáveis (pastilhas, gomas, etc.).

19 – IMITAR O USO DE MATERIAIS

Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver a imitação do uso de materiais.
Objectivo: Imitar de forma apropriada o uso variado de materiais comuns.
Materiais: Colher de madeira, tacho, bola, chave Procedimento:
Sente-se em frente o João com os 4 objectos de um lado da mesa. Tire um objecto
e certifique-se que ele está a olhar e demonstre a utilidade que esse objecto tem. Em
seguida peça-lhe para imitar a sua acção, com a sua ajuda se necessário. Substitua
o objecto e repita o procedimento com o segundo objecto. Use o mesmo objecto de
formas diferentes e assegure-se que ele copia a acção que está a demonstrar neste
momento e não uma outra acção demonstrada com o mesmo objecto. Evite escolher
os objectos de formas previsível. Pode inclusive, usar o mesmo objecto duas vezes
seguidas com diferentes acções mas lembre-se de guardar os objectos com os
outros, mesmo que pretenda demonstrá-lo novamente.
Exemplo de uma rotina:
a) Lançar a bola.
b) Bater no pote com a colher.
c) Rolar a bola.
d) Achatar a chave.
e) Mexer no pote com a colher.
f) Rodar a chave.
g) Atirar a bola ao ar.

20 – IMITAR BRINCADEIRAS COM BONECOS


Imitação, motricidade
Social, interacção individual
Meta: Aprender aptidões de jogo através da imitação
Objectivo: Imitar sérias de acções simples envolvendo bonecas
Materiais: 2 bonecos ou peluches, 2 toalhas pequenas, 2 lenços, 2 colheres pequenas, 2
chávenas pequenas, 2 caixas pequenas Procedimento:
Sente-se com o João numa mesa, numa cama ou noutro sítio confortável. Dê-lhe
cada um dos objectos acima mencionados incluindo uma boneca e guarde um
conjunto para si. A professora coloca a sua boneca à sua frente e pede ao João para
fazer o mesmo. Só o ajude se ele parecer confuso. Coloque a boneca na caixa e
ponha a toalha por cima como se fosse deitá-la. Ajude o João a fazer o mesmo com
a boneca dele. Repita o procedimento com o lenço para limpar o nariz da boneca.
Use as colheres para alimentar a boneca e a chávena para lhe dar de beber.
21 – IMITAR SONS DE ANIMAIS
Imitação, vocal
Desempenho verbal, vocalização
Meta: Melhorar a articulação, atenção e imitação dos movimentos da boca
Objectivo: Imitar os sons de 5 animais
Materiais: Animais de brincar ou desenhos de animais com sons distintos Procedimento:
Faça com que o João se sente do outro lado da mesa com 5 animais ou figuras de
animais de um lado da mesa. Tire um dos animais e mostre-lho. Faça os sons
associado com cada animal assegurando-se que ele está a olhar para a sua boca.
Exagere o som e faça os movimentos da boca de forma clara e distinta. Faça com
que ele toque na sua boca enquanto faz o som. Dê-lhe o animal e encoraje-o a
emitir o som em questão. Recompense-o por tentar imitar e ajude-o com os
movimentos da boca. Animais adequados para trabalhar esta competência incluem
o cão, o gato, o carneiro, a vaca e a abelha.

22 – JOGOS MUSICAIS COM AS MÃOS


Imitação, motricidade
Motricidade fina, movimentos das mãos
Meta: Copiar os movimentos das mãos e posições durante as canções
Objectivo: Abrir e fechar os punhos imitando o adulto. Colocar as mãos no colo, na
cabeça e atrás das costas imitando
Materiais: Nenhum Procedimento:
Escolha uma melodia simples, que possa ser repetida muitas vezes, para cantar à
medida que vai cantando:
“ Abre…fecha….abre…fecha, bate
as palmas, palmas, palmas.
Abre…fecha…abre…fecha.
Põe as mãos no colo, colo, colo”
As variações podem incluir “Pôr atrás das costas.”, e “Pôr na cabeça.”. Este é um
tipo de jogo musical que é frequentemente jogado nas escolas. É necessário que a
professora se sente numa cadeira, de frente para o João e, muito lentamente,
começar a cantar e a demonstrar a primeira linha da canção. Ajude-o a mover as
suas mãos imediatamente após ter feito a acção para que ele entenda que é
necessário fazer a mesma coisa. Somente após ele ter começado a compreender
o que se espera dele é que se deve acelerar o ritmo da canção.

23 – IMITAÇÃO AVANÇADA COM PLASTICINA

Imitação, motricidade
Motricidade fina, manipulação
Percepção, visual
Imitação, vocal
Meta: Aprender a aumentar a atenção aos movimentos do professor e desenvolver
força nos dedos
Objetivo: Imitar a construção de três figuras simples feitas com plasticina
Materiais: Plasticina Procedimento:
Coloque 6 pedaços médios de plasticina na mesa. Coloque 3 em frente ao João e
guarde 3 para si. Com uma peça faça um objecto simples familiar ao João, como
por exemplo: uma taça, (ver figura). Faça com que a criança imite a sua construção.
À medida que vai fazendo a sua taça diga-lhe “Faz como eu.”. É provável que tenha
de lhe dirigir as mãos inicialmente mas, em seguida, continue a moldar a sua taça
para que ele tenha um modelo para imitar. Quando o João tentar imitar a construção
coloque de lado as duas supostas taças e recompense-
o. Siga o mesmo procedimento com os restantes pedaços de plasticina. Diga-lhe o
nome do objecto em questão de forma repetida e encoraje-o a imitar. Se ele
demonstrar dificuldade é bom ter uma terceira pessoa a ajudá-lo para que o
professor continue a moldar o objecto sem interrupções.
24 – IMITAR MOVIMENTOS DE ANIMAIS

Imitação, motricidade
Motricidade global
Meta: Melhorar a imitação motora mais complexa e encorajar a imitação de memória
Objectivo: Imitar os movimentos de 3 animais
Materiais: 3 animais de peluche ou 3 figuras de animais (usar apenas animais com
movimentos distintos tais como um pássaro, um coelho ou um elefante)
Procedimento:
Encontre uma área espaçosa em que não haja a possibilidade do João tropeçar em
móveis. Mostre-lhe um dos animais e deixe os outros num sítio visível para que ele
possa aperceber-se de que a tarefa tem uma sequência. Mostre-lhe, por exemplo,
o pássaro e diga “Olha, o pássaro. O pássaro voa.”. Bata os braços como se
estivesse a voar e diga “Um pássaro voa.”. Tente fazer com que ele a imite por uns
segundos, mas de início é provável que o tenha de ajudar a fazer os movimentos.
Repita a actividade com os outros dois animais. Quando o João tiver feito a
actividade algumas vezes deve começar a conseguir ligar o nome à figura e à
actividade a realizar. Quando ele conseguir imitar estas acções com facilidade,
mostre-lhe um dos animais, mas hesite alguns segundos para ver se ele se antecipa
nos movimentos. Se ele parecer confuso devido ao facto da professora não
antecipar os movimentos, continue a actividade de imitação por mais algumas
sessões. É importante não ir depressa demais uma vez que o João pode não estar
à vontade com a tarefa.

25 – JOGO DA ESTÁTUA

Imitação, motricidade
Motricidade global
Meta: Melhorar a motricidade global
Objectivo: Imitar pessoas ou bonecos em diferentes posições
Materiais: Figuras de pessoas em várias posições Procedimento:
Mostre a imagem de uma pessoa de pé e assuma essa posição, ajudando o João
assumir essa posição. Se possível, uma terceira pessoa ajudará o João a posicionar
os seus braços e pernas de forma a que ele possa estar sempre a olhar para o
modelo. Comece com diferentes posições para que ele não tenha receio de perder
o equilíbrio. Assim que as suas capacidades aumentem, faça com que ele imite
posições mais complicadas (ver figura).
26 – IMITAR ACÇÕES COM DUAS ETAPAS

Imitação, motricidade
Motricidade global
Realização cognitiva, sequencialização
Meta: Melhorar a atenção, imitar as acções de outra pessoa e memorizar uma
sequência
Objectivo: Imitar pessoas ou bonecos em diferentes posições Materiais:
Figuras de pessoas em várias posições.
Procedimento:
Assegure-se que o João está a prestar atenção e desempenhe uma acção com uma
sequência de duas etapas. Assegure-se de que o João consegue desempenhar
cada movimento da rotina. Após lhe ter demonstrado a sequência da acção
acompanhe-o na sua execução e recompense-o. Em seguida, faça com que ele
desempenhe as acções pretendidas sozinho. Se ele desempenhar apenas uma
parte da sequência ou se entender a ordem de forma errada, guie-o através das
actividades novamente e depois recompense-o.
Exemplo de sequências com duas etapas:
a) Tocar a porta e em seguida andar à volta da mesa
b) Fechar a porta e sentar-se numa cadeira específica
c) Bater na mesa e depois bater na porta
d) Sentar-se numa cadeira e depois correr para a porta

27 – IMITAR MUDANÇAS DE SOM (VELOCIDADE E VOLUME)

Imitação, motricidade
Percepção, audição
Motricidade fina, manipulação
Meta: Melhorar a atenção e desenvolver conceitos de imitação de alto/baixo e
devagar/depressa
Objectivo: Imitar mudanças de velocidade e volume de um padrão enquanto bate com
uma colher numa panela Materiais:
2 colheres , duas panelas Procedimento:
Sente-se com o João à mesa, coloque uma panela e uma colher à sua frente e
guarde uma de cada para si. Comece a bater com a colher na panela a um ritmo
regular e moderado. Faça com que ele imite as suas batidas. Ajude-o a começar se
necessário, mas tente ajudar o menos possível. Tente bater na sua panela ao ritmo
dele. Quando os vossos ritmos estiverem quase iguais, comece a bater na sua
panela a um ritmo mais veloz (assegure-se que a mudança de ritmo seja nítida). Se
o João não aumentar o seu ritmo para igualar-se ao seu, use a sua outra mão para
o guiar para o ritmo pretendido. Diga: “Bate mais depressa, João.”. Quando ele
aumentar o ritmo, mesmo que seja com a sua assistência, diminua novamente o
ritmo e veja se ele a imita. Repita a actividade muita vezes até ele conseguir prestar
atenção à velocidade das suas batidas e ao padrão aproximado. Quando o João
conseguir imitar com sucesso a sua velocidade, use a mesma estratégia para lhe
ensinar a prestar atenção ao volume.

PERCEPÇÃO

Muitos dos problemas de aprendizagem e do comportamento manifesto por


crianças com autismo resultam da percepção desordenada ou do processamento
deficitário da informação sensorial. Estas dificuldades podem envolver muitas
modalidades de combinação dos nossos sentidos, como audição, visão, tacto, olfacto
e gosto. Um dos problemas mais comuns nas crianças com autismo é a sua
incapacidade de integrar as diferentes modalidades de informação sensorial de forma
a conseguir uma imagem correcta do seu meio.
Os problemas de percepção de cada criança com autismo variam de caso para caso.
Uma criança pode parecer .não se aperceber de um som emitido perto dela, mas.
responder inadequadamente aos sons distantes do tráfego. Outras podem ter
preferência especial por um tipo de comida que não é usual, ou ficarem preocupadas
com o sabor ou o cheiro dos objectos. Algumas crianças com autismo podem ser
altamente responsivas a uma modalidade sensorial e não responder a outra
modalidade. O funcionamento pobre em qualquer modalidade sensorial pode causar
dificuldades adaptativas e as modalidades auditivas e visuais são, talvez, as mais
importantes por causa da sua associação com as funções cognitivas.
Hoje em dia, há uma grande preocupação com todas as outras áreas da percepção e
para isso os técnicos recorrem a outros técnicos especialistas nessas mesmas áreas.
Mas aqui, como nas outras áreas funcionais, é necessário para os pais e professores
incorporar um treino de percepção no programa individual da criança. As capacidades
de percepção têm de ser pensadas na criança com autismo como outra área qualquer.
Seguidamente damos alguns exemplos de programas especiais de aprendizagem
focando essencialmente a percepção auditiva e visual que nos parecem ser mais úteis
para crianças de diferentes níveis de desenvolvimento.
28 – DESCOBRIR UM OBJECTO ESCONDIDO
Percepção, visual
Motricidade fina, agarrars
Meta: Aumentar a atenção a objectos e manter uma imagem visual na memória da
criança por breves períodos
Objectivo: Observar um objecto a ser coberto e manter o interesse nesse objecto por um
breve período de tempo enquanto está escondido e, em seguida descobri-lo
Materiais: Pedaço de pano pequeno, comida ou brinquedo favoritos Procedimento:
Mostre ao João o brinquedo e deixe-o manipular por um breve período de tempo.
Em seguida tire-lhe o brinquedo e coloque-o no chão mesmo à sua frente. Deixe
cair o pano em cima do brinquedo imediatamente. Diga “Oh-Oh.”, e ajude-o a puxar
o pano com a mão. Fique contente quando o brinquedo for descoberto para o
encorajar a participar na actividade. Dê-lhe cada vez menos ajuda manual à medida
que se habitua ao jogo e começa a descobrir sozinho o objecto.

29 – TRAJECTÓRIA VISUAL
Percepção, visual
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar a atenção visual
Objectivo: Observar a mão de uma pessoa de forma a verificar a colocação de um
objecto.
Materiais: 3 taças pequenas ou tabuleiros, pequenas recompensas alimentares
Procedimento:
Sente-se, na mesa, de frente paro João com os 3 tabuleiros entre vós. Distancie os
tabuleiros 20 cm entre elas. Segure uma pequena recompensa alimentar tal como
um pedaço de chocolate ou um pedaço de bolo e coloque-o no seu campo de visão.
Assim que ele olhar para a recompensa, coloque-o num dos tabuleiros. Se ele não
tirar o pedaço de bolo imediatamente, encoraje-o a fazê-lo e aponte para o tabuleiro
em questão. Se ele não mostrar interesse, guie-lhe a mão até ao pedaço de bolo.
Repita a actividade quantas vezes for necessária até ele começar a prestar atenção
ao movimento da sua mão e começar a tirar o doce sem ajuda.
30 – RECUPERAR OBJECTOS CAÍDOS
Percepção, visual
Motricidade fina, agarrar
Motricidade global, braço
Meta: Estimular a atenção visual para localizar um objecto
Objectivo: Observar um objecto cair, localizar a sua posição e baixar-se para o recuperar
Materiais: Uma taça pequena, 5 blocos coloridos Procedimento:
Alinhe os 5 blocos na ponta da mesa e segure a taça no seu colo. Faça com que o
João se sente perto de si. Diga-lhe “Olha.” e, ao mesmo tempo, empurre um dos
objectos para fora da mesa. Actue como se estivesse surpresa. Aponte e diga-lhe “
Olha, vai buscar.”. Se necessário ajude-o a localizar e a apanhar o bloco. Em
seguida, ajude-o a colocar o bloco dentro da taça que está no seu colo.
Imediatamente faça-lhe uma festa e elogie-o. Repita o procedimento com os 5
blocos. Em seguida diga-lhe “Acabou. Obrigado João” e dê-lhe um abraço e,
eventualmente, um pequeno lanche.

31 – ENCONTRAR UMA RECOMPENSA ESCONDIDA


Percepção, visual
Meta: Aumentar a atenção visual
Objectivo: Virar uma chávena para encontrar uma recompensa alimentar
Materiais: Chávena, pequenas recompensas alimentares (por exemplo rebuçados,
amendoins, uvas) Procedimento:
Sente-se à mesa com o João à sua frente. Segure uma recompensa alimentar e
coloque-o no seu campo de visão. Chame-lhe a atenção: “Olha João.”. Assegurese
que ele está a olhar e coloque a recompensa na mesa à sua frente. Lentamente,
coloque a chávena virada ao contrário em cima da recompensa. Em seguida,
segure-lhe a mão e ajude-o a tirar a chávena, fingindo-se surpresa quando encontra
o doce: “Olha João.”. Repita o procedimento com outra recompensa mas encoraje-
o e tirar a chávena sozinho. Continue a actividade até ele perceber que tem de
remover a chávena sem ajuda.

32 – RECONHECER SONS FAMILIARES


Percepção, audição
Realização cognitiva
Meta: Alertar para sons familiares e reconhecê-los como um meio de comunicação
que precede um acontecimento
Objectivo: Parar uma actividade quando uma campainha toca, olhar na direcção do som
e, de seguida, virar-se para um adulto
Materiais: Campainha Procedimento:
Antes de iniciar as actividades de tomar banho ou andar de carro, toque a
campainha atrás do João e diga: “Banho.” ou “Carro.” à medida que o prepara para
o banho ou para andar de automóvel. Se ele não se vira quando a campainha toca,
coloque-se ao seu lado para que note o movimento visualmente. Não o deixe ver o
movimento da campainha a não ser que esteja certo de que ele não se apercebe
do som. À medida que se habitua com esta rotina, ele notará o som com mais
rapidez. Toque sempre a campainha antes destas duas actividades e não use a
campainha noutras ocasiões. Quando ele se habituar a estas actividades comece
a espaçar o som.

33 – ASSOCIAÇÃO AUDITIVA
Percepção, audição
Social, interacção individual.s
Meta: Aumentar a percepção auditiva
Objectivo: Associar dois sons diferentes , discriminar dois sons e antecipar a acção
associada com cada um dos sons
Materiais: Nenhum Procedimento:
Escolha dois sons engraçados e combine-os com duas actividades engraçadas. Por
exemplo: pode optar por fazer-lhe cócegas e dizer “ti-ti-ti” ou bater palmas e dizem
“buuuum”. Lembre-se sempre de associar o mesmo som com a mesma actividade.
O João eventualmente associará os sons às actividades distintas. Após ter repetido
esta rotina muitas vezes, faça uma actividade sem a outra, isto é, faça-lhe cócegas
sem o som, para ver se ele se antecipa. Por exemplo: hesite uns segundos antes
de lhe fazer cócegas e diga “ti-ti-ti”. Verifique se ele se antecipa. Diga “buum” e
verifique se ele antecipa o gesto de bater as mãos.
34 – RECUPERAR OBJECTOS
Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar.
Realização cognitiva, linguagem receptiva (opcional)
Meta: Aumentar a atenção visual e a capacidade em discriminar objectos.
Objectivo: Pesquisar um espaço procurando um objecto desejado e recuperar esse
objecto sem se distrair com estímulos estranhos.
Materiais: Caixa média, 3 pares de objectos comuns ( por exemplo: sapatos, chávenas,
maçãs).
Procedimento:
Espalhe 3 objectos familiares em sítios visíveis da sala. Sente-se com o João num
local onde se possam ver os 3 objectos. Mostre-lhe um item idêntico a um dos
objectos espalhados. Por exemplo: segure um sapato e diga “Vai buscar o sapato.”.
Se ele tiver dificuldade em localizar o objecto, chame-lhe a atenção para o mesmo
apontando para a área onde ele se encontra. Se ele ainda mostrar dificuldades,
aponte directamente para o sapato. Como último recurso, dirija-lhe a mão, mostre-
lhe o sapato e diga “Vai buscar o sapato.” e encaminhe-o na direcção do sapato.
Coloque os dois sapatos no ponto de partida e, em seguida, na caixa. Recompense-
o assim que o par de objectos estiver na caixa, mesmo que o tenha ajudado na
tarefa.
Repita a actividade até que todos os itens se encontrem dentro da caixa. Se ele tem
desenvolvida capacidades adequadas de linguagem receptiva, use apenas
comandos verbais “Vai buscar o sapato.”, em vez de emparelhar os itens.

35 – JOGO DA CONCHA
Percepção, visual
Social, interacção individual.s
Meta: Aumentar a percepção visual e memória
Objectivo: Associar dois sons diferentes, discriminar dois sons e antecipar a acção
associada com cada um dos sons
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sente-se à mesa e coloque o João à sua frente. Para a primeira parte da actividade
use 3 copos diferentes. Coloque-os ao contrário em cima da mesa e à frente da
criança. Chame-lhe a atenção “Olha João.“ e mostre-lhe uma pequena recompensa
alimentar (algo que ele goste), assegurando-se que esta se encontra dentro do seu
campo de visão. Quando tiver a certeza que ele está a prestar atenção à sua mão,
esconda a recompensa debaixo de um dos copos. Não os mova nem os troque de
posição. Diga-lhe “Tira o bolo.” (bombom, rebuçado, etc.) e aponte para os copos
para que ele entenda que deve procurar a recompensa. Se ele parecer confuso,
guie a sua mão para levantar o copo apropriado. Aja como se estivesse contente
por achar a recompensa, elogie-o e dê-lhe a recompensa. Quando ele conseguir
encontrar a recompensa debaixo de 3 copos diferentes, repita o procedimento
usando 3 copos iguais. Quando conseguir encontrar a recompensa usando 3 copos
iguais, repita o procedimento, usando apenas 2 copos, mas troque a sua posição
após ter colocado a recompensa debaixo de um delas. Lembre-se sempre de
assegurar que o João está a prestar atenção ao movimento da sua mão-

36 – COPIAR PADRÕES COM BLOCOS


Percepção, visual
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar a percepção visual e colocar objectos num local específico
Objectivo: Dispor 4 blocos segundo um padrão pré- estabelecido Materiais: 4
blocos, cartões ou papel branco, marcadores Procedimento:
Faça um número de folhas de trabalho de cartão, cartolina ou papel, executando o
traçado exterior de um quadrado e, dentro desse quadrado, desenhe 4 quadrados
dispostos de formas variadas tal como é mostrado na figura. Coloque uma das
folhas em frente do João e dê-lhe um bloco dizendo-lhe “Põe em cima.” ou. ”Põe na
casinha.”. Dirija a mão do João para colocar o objecto no sítio indicado,
recompense-o imediatamente e repita o procedimento até os 4 blocos estarem nos
devidos sítios. Repita o procedimento com uma segunda cartolina, mas no quarto
bloco diga-lhe “Põe na casinha.” (ou outra expressão que tenha decidido adoptar)
sem apontar o sítio indicado. Verifique se ele procura o quadrado que falta
preencher. Reduza gradualmente a sua ajuda de forma a que, para o final, não
necessite de apontar.

37 – DISCRIMINAR DESENHOS
Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar
Meta: Aumentar competências visuais e de emparelhar
Objectivo: Emparelhar pares idênticos de desenhos simples
Materiais: Papel, marcadores ou lápis Procedimento:
Use marcadores grossos para fazer desenhos simples mas cheios (ver figura).
Coloque apenas um desenho por folha mas faça em duplicado. Coloque um
conjunto de desenhos em frente do João de forma a que ele os veja a todos ao
mesmo tempo. Guarde, no seu colo, os desenhos que combinam com os que estão
expostos. Dê-lhe um dos desenhos que tem no colo e diga-lhe “Procura o desenho
igual.”. Segure-lhe a mão e dirija-a aos desenhos que estão expostos. Se o desenho
não for igual, diga-lhe “Não é igual.” e compare-o com os cartões seguintes. Quando
encontrar o desenho igual, diga-lhe “Este é igual.” e coloque os dois cartões lado a
lado, assegurando-se que o João está a ver enquanto compara os desenhos. Repita
o procedimento até todos os desenhos estarem emparelhados. No início não use
mais que 3 desenhos por conjunto, mas, gradualmente, aumente o número e
complexidade dos desenhos à medida que as suas capacidades aumentam.

38 – DISCRIMINAR OBJECTOS QUE PRODUZEM SONS


Percepção, audição
Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar a percepção auditiva
Objectivo: Emparelhar os sons de diversos objectos
Materiais: 3 pares de objectos que produzam som (castanholas, sino, campainha, boneco
de apertar, apito, etc.) Procedimento:
Sente-se com o João numa mesa. Coloque 2 objectos diferentes na mesa, à sua
frente, guarde 2 objectos iguais para si e coloque-os à sua frente. Use um deles de
forma apropriada e, de seguida, segure a mão do João e ajude-o a usar o objecto
igual por forma a produzir o mesmo som. Coloque-o no mesmo lugar e repita o
procedimento com o segundo objecto. Coloque-o no seu lugar original (em cima da
mesa). Volte a produzir som com o 1º objecto e encoraje-o usar o seu. Verifique se
ele escolhe o objecto correcto. Se ele não o faz, pare-a e guielhe as mãos para
aquela que está certo. Repita o procedimento, alternando entre os dois objectos.
Quando o João conseguir escolher o objecto produtor de som correctamente e de
forma consistente, comece a variar o padrão de escolha de forma a não alternar
entre os dois (por exemplo: escolha duas vezes o 1º e uma vez o segundo, etc..).
Finalmente coloque os seus objectos numa caixa atrás das costas. Escolha um
deles e produza um som de forma a que o João não consiga ver qual está a usar.
Faça com que ele escolha o objecto correcto e emita o som apropriado. À medida
que vai adquirindo mais competências, aumente o números de objectos de som
mas assegure-se sempre que cada um delas produz um som distinto.

39 – CAIXA DE ENCAIXES
Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar.
Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Meta: Melhorar a procura visual, emparelhar, coordenação óculo-manual
Objectivo: Inserir 3 objectos numa caixa de encaixes simples
Materiais: Caixa de sapatos, 3 itens de vários tamanhos e formas ( por exemplo: uma
conta, 2 blocos diferentes) Procedimento:
Corte o formato de 3 objectos simples na tampa da caixa de sapatos. Assegure-se
que os objectos podem ser introduzidos nesses espaços sem dificuldade.
Demonstre ao João como colocar o objecto no sítio correcto e insira o objecto na
caixa. Dê-lhe um segundo objecto. Se ele parecer confuso, guie a sua mão no
sentido de ele conseguir colocar o objecto correctamente: dirija a sua mão para o
orifício. Se não couber diga “Não.” e mova a mão para o orifício seguinte. Quando
encontrar o sítio correcto diga “Sim.” e ajude-o a inserir o objecto.
Repita o procedimento até o João conseguir colocar todos os objectos
sem assistência. Quando esta caixa se tornar fácil para ele, construa uma
mais difícil com diferentes objectos.

40 – COPIAR PADRÕES COM BLOCOS


Percepção, visual
Imitação, motor
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar a capacidade de perceber diferenças em desenhos e Imitar o uso de
materiais para copiar esses desenhos
Objectivo: Dispor 5 blocos de forma a imitar a disposição dada pelo professor
Materiais: 10 blocos Procedimento:
Sente-se com o João na mesa e coloque à sua frente 5 blocos, guardando 5 para
si. Diga-lhe “Olha João.“ e disponha os seus blocos de uma forma distinta (ver
figura), assegurando-se que ele está a prestar atenção à forma como dispõe os
cubos ou blocos. Aponte para os blocos que ele tem à frente e diga “ Faz tu”. De
início terá de lhe guiar as mãos para que ele consiga colocar os cubos de forma
apropriada. Repita o procedimento com 3 padrões diferentes por sessão. Reduza a
sua assistência assim que ele começar a copiar os desenhos sozinho.
Recompense-o cada vez que conseguir copiar correctamente a disposição dos
cubos da professora.
41 – ESCOLHER FORMAS
Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar
Meta: Aumentar a atenção visual e competências de emparelhar
Objectivo: Escolher 3 formas diferentes
Materiais: Papel grosso colorido Procedimento:
Corte vários triângulos, quadrados e círculos, assegurando-se que cada forma é do
mesmo tamanho e cor. Coloque um exemplar de cada um em frente ao João. Dê-
lhe as outras formas, uma de cada vez, e peça-lhe para as colocar no conjunto
apropriado. Se ele parecer confuso, guie a sua mão para emparelhar as formas de
maneira correcta, dizendo “É esta.” ou “Não é esta.”. Além disso, vá nomeando as
formas à medida que as tenta colocar no sítio correcto. O João poderá não entender
os nomes, de início, mas habituar-se-á a ouvir diferenças nos sons desses nomes.

42 – DISCRIMINAR TAMANHOS E FORMAS


Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar
Meta: Aumentar a atenção visual e as competências de emparelhar
Objectivo: Emparelhar formas ou diferentes tamanhos
Materiais: Papel, cartão cola, tesouras Procedimento:
Corte pares de quadrados, triângulos, círculos e rectângulos de diferentes
tamanhos. Assegure-se que todas as formas são da mesma cor. Cole um dos
conjuntos numa cartolina e guarde as formas correspondentes (ver figura). Coloque
a cartolina em frente do João, dê-lhe uma das formas e faça com que ele procure a
figura correspondente. Se ele parecer confuso, mostre-lhe como colocar a figura no
sítio correcto, comparando-a com as figuras da cartolina, uma a uma.
Repita o procedimento, até todas as formas terem sido colocadas.
43 – PUZZLES – I
Percepção, visual
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar a percepção visual e a percepção da forma
Objectivo: Observar a mão do professor, tirar uma peça do puzzle da sua mão e
emparelhá-la com o local apropriado do puzzle
Materiais: Um puzzle simples de 3 ou 4 peças Procedimento:
Retire todas as peças do puzzle e coloque o encaixe em frente do João. Guarde as
peças no seu colo onde ele não as possa ver. Coloque uma das peças no seu
campo de visão e diga “Olha.”. Assegure-se de que ele está a olhar para a peça,
coloque-o na mão frente do João e ajude-o rodar até que ele a consiga colocar no
encaixe. Repita o procedimento com as outras peças, retirando a assistência
manual de forma gradual, à medida que ele começa a conseguir desempenhar essa
actividade sozinho. Recompense-o de cada vez que ele conseguir colocar
correctamente as peças. Se ele tem dificuldade em colocar a peça no encaixe,
dêlhe toda a assistência possível antes dele se mostrar frustrado. O objectivo da
tarefa é simplesmente encaixar as peças nos locais certos. Assegure-se que lhe
mostra a peça de diferentes locais de cada vez que ele tiver que visualizar a sua
mão.

44 – PUZZLES – 2
Percepção, visual
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar a percepção visual
Objectivo: Observar a mão do professor e colocar as peças no local apropriado do puzzle
Materiais: Um puzzle simples de 3 ou 4 peças Procedimento:
Retire as peças do puzzle e espalhe-as de forma que fiquem ao seu lado. Diga “
Olha João.” e aponte para uma das peças. Quando ele olhar, diga-lhe para a
colocar. Se necessário, guie-lhe as mãos para que segure a peça, para que a
compare com os vários encaixes e para que a coloque no local apropriado. Se ele
tentar colocar outra que não a indicada por si, pare-a e dirija a atenção para a peça
correcta. Repita o procedimento até todas as peças estarem no puzzle. Uma vez
que isto é uma tarefa perceptiva primária, não se preocupe demasiado se ele não
conseguir colocar totalmente a peça no encaixe, mas recompense-o cada vez que
ele descubra o encaixe correcto.
45 – DISCRIMINAR CORES
Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar a atenção visual, a discriminação da cor e a generalização da cor
Objectivo: Escolher um grupo de 8 objectos diferentes pela cor
Materiais: 8 objectos diferentes , 4 de uma tonalidade e 4 de outra (escolha cores
parecidas, o mais semelhante possível), 2 tabuleiros Procedimento:

Coloque os dois tabuleiros em frente do João. Coloque um objecto num tabuleiro e


nomeie a cor; coloque outro objecto, de cor diferente, noutro tabuleiro e nomeie a
cor. Guarde os objectos no seu colo para que o João não se distraia. Dê-lhe os
objectos, um de cada vez, nomeando sempre a cor. Faça com que ele coloque cada
item no tabuleiro de acordo com a cor. Se ele colocar o objecto no tabuleiro correcto,
diga “Sim, é azul.” e recompense-o imediatamente. Continue o procedimento até
todos os objectos estarem colocados nos sítios correctos. Quando ele demonstrar
à vontade nesta tarefa, adicione uma terceira cor. Lembre-se sempre de nomear a
cor sempre que lhe dá uma peça para que se habitue a percepcionar a diferença
dos sons.

46 – COMBINAR CORES
Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar
Meta: Melhorar a discriminação da cor, a atenção visual e as competências de
emparelhar
Objectivo: Combinar blocos coloridos com papel colorido semelhante
materiais: Blocos coloridos, papel a combinar Procedimento:

Coloque 2 quadrados diferentes e coloridos numa folha de papel branco. Guarde


os blocos coloridos no seu colo. Dê ao João um dos blocos diga-lhe para ele
procurar o da mesma cor. Se necessário, guie-lhe a mão. Então, ajude-o a colocar
o segundo bloco no segundo quadrado de papel da mesma cor. Elogie-o
imediatamente. Repita o procedimento com os mesmos materiais mas não lhe guie
a mão. Se ele tentar colocar um bloco em cima de um quadrado de cor diferente
diga “Não.” e guie a mão para o quadrado apropriado. Repita o procedimento até
que ele consiga colocar os blocos nos quadrados correctos, sem assistência. à
medida que a tarefa começa a ficar fácil para ele, introduza blocos e quadrados de
papel de outra cor diferente.
47 – PERCEPÇÃO DE SONS
Percepção, audição
Imitação, motricidade
Motricidade fina, manipulação
Meta: Melhorar a percepção auditiva
Objectivo: Perceber um número de sons diferentes e imitar esse sons
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sente-se à mesa e coloque o João na sua frente. Chame-lhe a atenção dizendo o
seu nome e bata imediatamente com os nós dos dedos na mesa. Faça uma
pequena pausa entre cada batida de forma que os sons sejam distintos. Encorajeo
a fazer o mesmo e guie a sua mão para bater na mesa duas vezes. Elogie-o e
recompense-o imediatamente. Repita o procedimento, mas desta vez bata duas
vezes. Ajude-o novamente a bater três vezes e recompense-o. Finalmente bata
apenas uma vez e ajude-o mais uma vez. À quarta vez, bata novamente duas vezes
mas não o ajude. Se ele tentar bater mais ou menos vezes diga “Não.” e
bata duas vezes. Ajude-o a bater duas vezes. Repita o procedimento até o João
conseguir copiar, de forma consistente, o número de vezes que o professor bateu.
Quando ele se habituar à tarefa, bata no topo da mesa para que ele possa apenas
ouvir as diferentes batidas que deveria realizar. Se ele parecer confuso, aponte para
a sua orelha (da professora) e, de seguida, toque a do João e bata novamente.

48 – JOGO DE DOMINÓ
Percepção, visual
Social, interacção individual
Meta: Jogar dominós com outra pessoa
Objectivo: Emparelhar conjuntos e esperar a sua vez
Materiais: Conjuntos de dominós e conjuntos de cartas pintadas com os padrões dos
dominós.
Procedimento:
Coloque as cartas numa linha, na mesa (ver figura A). Dê ao João, uma carta de
cada vez para colocar na pilha correcta (colocar as cartas com duas pintas juntas,
com quatro pintas, etc..). Não lhe peça para contar as pintas pois o objectivo é fazer
com que ele reconheça visualmente cada conjunto. Quando ele conseguir realizar
essa tarefa sem dificuldade, mostre-lhe que cada carta é como uma das metades
duma peça de dominó. Pratique esse emparelhar com uma carta e com uma
metade duma peça de dominó (ver figura B). Quando o João conseguir realizar esta
actividade com diferentes peças, é altura de iniciar um jogo do mesmo género, em
que joga ele e a professora, um de cada vez. Coloque 6 dominós num tabuleiro. Os
jogadores tiram um dominó do tabuleiro e verificam se combinam com as cartas
que estão dispostas na mesa. Se tal não acontece, os jogadores podem tirar um
dominó extra da pilha. Não se joga por competição ou para contar pontos. Este jogo
serve apenas para combinar conjuntos e para aprender a jogar por turnos.
49 – COPIAR A SEQUÊNCIA DE UM DESENHO
Percepção, visual
Motricidade fina, manipulação
Desempenho verbal, vocabulário
Meta: Reconhecer uma sequência e copiá-la
Objectivo: Copiar uma sequência de cortes de papel, trabalhar da esquerda para a direita
Materiais: Papel colorido cortados em várias formas (rodas pretas de 3 cm, rectângulos e
quadrados, dois de cada tamanho), papel branco com duas linhas desenhadas
(ver figura)
Procedimento:
Mostrar a folha de trabalho ao João apontando para o semáforo desenhado à
esquerda. Dizer-lhe “Olha, vou fazer uma fila com carros parados no semáforo.” (ou
outra expressão mais simples). Junte as rodas e os quadrados e as rodas para
formar uma linha com 3 carros. Peça ao João para repetir “Primeiro o carro
vermelho e grande, depois o carro azul e por fim o verde comprido”. Agora, peçalhe
para, na linha de baixo, fazer uma linha de carros iguais à que fez. Após ele ter
juntados as peças correctamente, peça-lhe para as passar para o papel. No dia
seguinte, use um tema diferente mas ainda com uma sequência de 3 objectos
(exemplo: caixas grandes, médias e pequenas debaixo de uma arvore de Natal,
etc.). Assegure-se que o João trabalha sempre da esquerda para a direita. Quando
verificar que ele entende a sequência, faça com que ele copie sequências de formas
e cores que não são representativas de objectos concretos.
50 – LEITURA GLOBAL
Percepção, visual
Desempenho verbal, vocabulário
Meta: Ler globalmente 5-10 palavras
Objectivo: Emparelhar a palavra escrita com o objecto e dizer a palavra.
Materiais: Cartões, fita cola, palavras escritas Procedimento:
Coloque as palavras nos cartões e faça 5 cópias de cada palavra. Primeiro, ensine
o João a emparelhar as palavras para ter a certeza de que ele sabe que são as
mesmas (ver figura). Agora cole, com fita cola, a palavra ao objecto em questão
(cole a palavra “mesa” no objecto “mesa”, etc. ). Sente o João na cadeira, segure o
cartão e pergunte “O que diz neste cartão?”. Se ele não souber, diga-lhe e peça-lhe
para colocar o cartão no objecto real. Quando ele o fizer, tranquilize-a dizendo “
Sim, isso diz...” (nome do objecto). De seguida, peça-lhe para repetir a palavra.
Continue com este jogo diariamente, dando-lhe ajuda assim que ele hesitar.
Quando vir que ele se lembra das palavras, teste-o, removendo os cartões
previamente colados ao objecto e veja se ele ainda consegue ler os cartões e
apontar ou colocar o rótulo no objecto. Se o João conseguir lembrar-se das palavras
por uma semana, sem ajuda do objecto real, então tente ensinar-lhe mais algumas.
Ensine-lhe palavras que lhe sejam úteis mais tarde quando lhe quiser dar instruções
tais como “Apaga a luz.” ou “Coloca aqui a roupa suja.”.
MOTRICIDADE GLOBAL

O desenvolvimento das competências de motricidade global é uma parte


importante de qualquer programa pedagógico infantil. Apesar destas capacidades nas
crianças com autismo e nas crianças com perturbações de desenvolvimento se
desenvolverem normalmente, na maioria dos casos, é sempre necessário ensinar
novas competências usando as mesmas técnicas. A energia, a força e a agilidade de
uma criança com autismo pode estar mais desenvolvida do que a sua compreensão
verbal ou social. Implementando um programa para a motricidade global,
conjuntamente com o programa geral, podemos usar actividades divertidas que apoiam
a tomada de consciência do seu corpo e da sua relação com o meio. Podemos também
usar essas actividades no estabelecimento de limites comportamentais e sociais
apropriados, e no desenvolvimento de competências em quase todas as áreas de
funcionamento. A hiperactividade demonstrada por algumas crianças com autismo,
pode ser gerida mais eficazmente no contexto de um programa de motricidade global.
Existe um número cada vez maior de sistemas escolares que utilizam terapeutas
em currículos realizados para o desenvolvimento de motricidade global. Pensamos, no
entanto, que é importante que sejam os pais e professores a desenvolver esta área e
que consultem os terapeutas de motricidade apenas quando for necessário.
Professores e pais estão em melhor posição para integrar essas actividades
estruturadas na sala de aula e em casa.
Os problemas mais comuns das crianças com autismo, no que respeita a
motricidade global, são:
1. falta de energia e força muscular
2. fraco controle do equilíbrio
3. falta de jeito para contornar obstáculos
4. fraco controle na força e na velocidade
5. dificuldade em organizar o corpo todo numa acção motora única.

51 – BATER AS PALMAS
Motricidade global, braços
Meta: Aumentar a coordenação bilateral de movimentos
Objectivo: Bater as mãos na linha média
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sente a criança no seu colo, de frente para si. Bata as palmas devagar enquanto
vai cantando uma melodia simples e vai dizendo com ritmo “Palminhas, palminhas,
João.”. Então faça-lhe cócegas devagar de forma a que ele goste. De seguida,
segure-lhe nas mãos e ajude-o a bater palmas enquanto repete a canção. Faça-lhe
cócegas mais uma vez. à medida que ele se habitua ao jogo, reduza gradualmente
a ajuda, segurando-lhe os pulsos, a seguir a parte inferior dos braços e, finalmente,
toque-lhe apenas nas mãos para lhe indicar que deve começar a bater palmas.

52 – SENTAR-SE, SEM AJUDA


Motricidade global, corpo
Meta: Conseguir sentar-se sem ajuda
Objectivo: Voltar-se e usar os braços para impulsionar o movimento
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sempre que for brincar com o João ou movê-lo para outro local da casa, pratique a
rotina de sentá-lo em primeiro lugar em vez de, simplesmente, levantá-lo. Enquanto
ele estiver deitado coloque o braço direito do João ao seu lado. Então, segure o seu
braço esquerdo e empurre-o ligeiramente de forma a que o seu peso fique sobre o
braço direito. Enquanto continua a puxar para a frente, ajude o João a levantar o
cotovelo direito de forma a que a sua mão fique espalmada no chão (servindo assim
de suporte para que se levante). À medida que se vai habituando à rotina, ajude-o
cada vez menos de forma a que, quando a segurar no braço esquerdo, ele se
comece a impulsionar sem ajuda. Se seguir esta rotina cada vez que o levantar, ele
começará a antecipar os movimentos.

53 – PROCURAR UM OBJECTO
Motricidade global, braços
Motricidade fina, agarrar
Meta: Melhorar a capacidade da criança de atender às suas necessidades sem ajuda
Objectivo: Procurar objectos e colocá-los ao nível dos Olhas
Materiais: Animal de peluche ou outro brinquedo Procedimento:
Pendure por um fio um animal de peluche, por exemplo: numa porta e assegurese
que o objecto fica à altura dos olhos do João, de forma a que ele possa chegarlhe
facilmente. Diga-lhe “Mexe no boneco.” e recompense-o cada vez que ele se esticar
para o tocar. Quando ele tiver aprendido a esticar-se para apanhar o brinquedo,
coloque um brinquedo pequeno na ponta da mesa. Assegure-se que o João vê o
brinquedo e diga “Vai buscar o brinquedo.”. Quando ele retirar o objecto, elogie-o e
deixe-o brincar por alguns minutos. Repita o procedimento várias vezes mas
lembre-se que após esta actividade os objectos que estejam em cima ou nas pontas
das mesas não estarão a salvo. Assegure-se que objectos que se possam partir ou
sejam perigosos não sejam colocados nesses locais.

54 – APANHAR
Motricidade global, braços
Socialização, interacção individual
Realização cognitiva, linguagem receptiva (opcional)
Meta: Desenvolver competências motoras dos braços e interacção social apropriada
Objectivo: Jogar à apanhada com outra pessoa
Materiais: Bola tamanho médio Procedimento:
Faça com que o João fique de frente para si, distanciada cerca de 30 cm. Faça com
que ele vire as palmas das mãos para cima e dê-lhe a bola. Então, coloque as suas
mãos da mesma maneira, e diga “Dá-me a bola.”, ou faça um gesto que signifique
dar a bola. Se ele não responder, repita as palavras ou gestos e tire-lhe a bola.
Elogie-o imediatamente, mesmo que tenha tido de lha tirar das mãos. Repita o
procedimento até que o João aprenda a lidar com a bola.
Distancie-se mais 30 cm dele e atire a bola devagar para que ele a apanhe. Não se
preocupe se, de início, ele não a conseguir apanhar. Simplesmente volte à posição
inicial, mas agora é o João que segura a bola. Diga-lhe “Dá a bola.” ou faça um
gesto apropriado para esse efeito. Se ele ficar confuso com a distância adicional,
mime a acção de atirar a bola. Continue a atirar a bola mesmo que ele não a consiga
apanhar, até que aprenda a fazê-lo. Elogie-o por atirar a bola de forma apropriada
mas, se a apanhar seja mais generosa com o elogio no sentido de o deixar saber
que conseguiu realizar algo de excepcional.
55 – PASSAR POR CIMA E FICAR EM CIMA DE OBSTÁCULOS
Motricidade global, braços imitação,
motricidade
Meta: Aumentar a coordenação e a confiança nas capacidades relacionadas com a
motricidade global
Objectivo: Passar por cima ou ficar em cima de diversos obstáculos Materiais:
Caixas de sapatos, banco, livro grande, pacotes do leite Procedimento:
Disponha uma série de caixas de sapatos e pacotes de leite no chão. Mostre à
criança como passar por cima de cada obstáculo usando movimentos exagerados.
Em seguida, ajude-o a passar por cima mesmo que o tenha de levantar
ligeiramente, dizendo ao mesmo tempo “Por cima.”, todas as vezes que passar por
cima de um obstáculo. Quando ele conseguir passar por cima dos pacotes de leite
e das caixas de sapatos, ajude-o a ficar em cima dum banco baixo ou dum livro
largo. Demonstre como fica em cima do livro (1º um pé e depois o outro), dizendo
“Em cima.”. Ajude-o a imitar as suas acções. Repita a actividade tantas vezes
quantas forem necessárias até conseguir realizar a actividade sem assistência. Não
espere que ele responda correctamente apenas aos comandos verbais “Em cima.”
e “Por cima.”. Aponte sempre para o topo do objecto quando quiser que ele fique
em cima de algo.

56 – CORRIDA DE OBSTÁCULOS
Motricidade global, corpo
Percepção, visual
Meta: Melhorar a coordenação e o equilíbrio e desenvolver a capacidade de seguir
um percurso visual
Objectivo: Seguir um percurso envolvendo movimentos “debaixo de, em cima de ou à
volta de” séries de obstáculos simples
Materiais: Mobília, corda Procedimento:
Coloque uma corda colorida, se possível, numa dependência da casa de forma a
contornar vários móveis, debaixo das cadeiras, em cima das mesas, etc. Chame a
atenção do João e coloque uma recompensa no final da corda. Então guie-o pelo
percurso que a corda exige. No final da corda, ele recebe a recompensa. Depois de
ter realizado, com o João o percurso algumas vezes, verifique se ele o consegue
realizar sozinho. Mantenha-se perto dele e, se parecer confuso, dirija a atenção
para a corda. Lembre-se de criar obstáculos simples, de início.
57 – APANHAR BRINQUEDOS DO CHÃO
Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade
Motricidade fina, agarrar
Meta: Melhorar o equilíbrio
Objectivo: Apanhar um objecto do chão sem perder o equilíbrio
Materiais: Animal de peluche, bloco, bola, caixa pequena Procedimento:
Colocar um animal de peluche no meio do chão afastado da mobília e de
perigos potenciais. Ande com o João até ao brinquedo e mostre-lhe que se
dobra para o apanhar. Então coloque o brinquedo novamente no chão e
indique-lhe para o fazer também. Segure-o, se for necessário, enquanto ele
o faz. Recompense-o, deixando-o brincar com o animal alguns minutos.
Repita o procedimento tantas vezes quanto as necessárias, até que o João
seja capaz de se baixar para apanhar o objecto sem perder o equilíbrio.
Quando o João estiver seguro do seu equilíbrio, espalhe um número de
brinquedos um pouco mais pequenos na sala. Comece com 2 ou 3 blocos
ou bolas e coloque-os no chão, num sítio visível enquanto ele estiver a ver.
Leve consigo uma caixa e caminhe com o João até ao sítio onde estão esses
brinquedos. Faça com que ele apanhe os objectos e os coloque na caixa.
Reforce-o quando todos os objectos estiverem na caixa.

58 – BLOCOS GRANDES
Motricidade global, corpo
Meta: Melhorar a capacidade da criança de caminhar enquanto transporta objectos
Objectivo: Apanhar, carregar e empilhar 4 blocos largos
Materiais: 4 caixas de sapatos, papel colorido Procedimento:
Transforme as caixas de papel em blocos, enchendo-as com papel de jornal.
Coloque as respectivas tampas e forre-as com papel colorido. Espalhe os blocos
no chão, assegurando-se que estão visíveis. Dirija a atenção do João para um dos
blocos e diga: “Vai buscar o bloco.”. Faça com que ele apanhe a caixa e a traga de
volta. Ajude-o apenas se ele precisar. Repita o procedimento até o João conseguir
recolher todos os blocos. Mostre-lhe como se empilham os dois primeiros blocos e
faça com que ele empilhe os seguintes. Ajude-o se necessário.
Quando estiverem todos empilhados, deixe-o dar um pontapé e recomeçar.
59 – SUBIR DEGRAUS
Motricidade global, corpo
Meta: Melhorar o equilíbrio, coordenação e a capacidade da criança em mover-se de
forma independente
Objectivo: Subir degraus sem alternar os pés
Materiais: Degraus, fio, lápis Procedimento:

Quando o João conseguir pisar em objectos de forma consistente (ver actividade 55),
comece a trabalhar com os degraus. Faça com que ele fique de pé em frente delas.
Fique ao seu lado e segure-lhe na mão. Diga “Para cima.” ou “Upa.” ou outra
expressão semelhante e coloque o seu pé esquerdo em cima do degrau. Repita “Para
cima.” e dê-lhe um pequeno empurrão até que ele levante o seu pé esquerdo. Ajude-
o se necessário. Elogie-o e repita o procedimento. Quando ele conseguir subir 3
degraus segurando a sua mão mas sem que tenha de lhe mover os pés, repita a
actividade, mas deixe-o segurar apenas um dos seus dedos. À medida que as suas
capacidades e confiança aumentam faça com que ele suba os degraus, mas em vez
de a deixar segurar um dos seus dedos, faça com que ele segure a ponta de lápis
enquanto o adulto segura a outra ponta. Depois, substitua o lápis por um fio.
Finalmente, apenas suba ao seu lado para fazer com ele se sinta segura.

60 – ROLAR UMA BOLA – 1


Motricidade global, braço
Coordenação óculo-manual, controle
Percepção visual
Meta: Seguir um objecto visualmente, controlá-lo manualmente e dirigi-lo para um
alvo.
Objectivo: Apanhar uma bola e fazê-la rolar sem ajuda.
Materiais: Bola grande Procedimento:

Sente-se no chão distanciada da criança sensivelmente 1,5 metros. Diga “Olha, João”
e role a bola devagar na sua direcção. Se ele se mover para a apanhar, gesticule
para que a devolva. De início, é provável que necessite de uma terceira pessoa que
se sente por detrás dele e lhe guie as mãos. Quando ele se aperceber que o que se
pretende dele é que apanhe a bola, comece a rolá-la em diferentes direcções. Por
exemplo pode começar por fazer rolar a bola para o seu lado esquerdo e direito de
forma a que ele tenha de seguir a bola visualmente e posicionar-se para a alcançar.

61 – ROLAR A BOLA – II
Motricidade global, braço
Percepção, visual
Meta: Desenvolvimento do braço e aprender a rolar uma bola
Objectivo: Rolar uma bola contra a parede, apanhá-la consistentemente sem ajuda
Materiais: Bola grande Procedimento:
Sente-se no chão à distância de um metro da parede. Faça com o João se sente ao
seu lado. Pode ser que, de início, tenha de usar as suas pernas para impedir que
ele se vá embora. Coloque a bola no seu campo de visão e role-a, devagar, contra
a parede. Apanhe-a quando ele voltar para si. Então coloque a bola nas mãos do
João e ajude-o a rolar a bola contra a parede. Ajude-o também a apanhar a bola
quando esta voltar. Reduza gradualmente a sua ajuda até que ele consiga rolar a
bola sem ajuda, ver para onde vai a apanhá-la.
62 – CAMINHAR SEM AJUDA
Motricidade global, corpo
Motricidade fina, agarrar
Meta: Melhorar o equilíbrio e desenvolver a confiança nas capacidades motoras Objectivo:
Andar 6 metros sem ajuda
Materiais: Metro articulado, corda
Procedimento:
Delimite uma área para andar, livre de obstáculos. Coloque duas peças de fio no
chão para significar as linhas de chegada e de partida. Distancie as linhas 1 metro
entre si e, gradualmente, aumente a distância entre elas à medida que as aptidões
do João aumentam. Coloque uma recompensa, talvez um pedaço de bolo ou um
boneco, no final do percurso para lhe mostrar exactamente até onde ele vai.
Coloque-se na linha de partida e ajude o João a chegar à outra linha seguinte,
segurando-a pelas mãos. Se ele não tentar mexer os pés levante-a ligeiramente de
forma a que dê alguns passos. Deixe-o parar e descansar se necessário mas
mantenha-o numa posição erecta para fortalecer as pernas. À medida que o João
se tornar mais autónomo, deixe que faça o percurso segurando apenas uma das
suas mãos. Quando ele conseguir andar uma distância de 3 metros, segurando
apenas uma das suas mãos, faça com que ele segure a ponta de um metro
articulado, enquanto o adulto segura a uma pequena distância a mão da criança.
Continue a percorrer o caminho e vá movendo a sua mão para o outro extremo do
metro articulado. Quando ele conseguir andar uma distância de 6 metros segurando
o metro articulado, substitua-o por um pedaço de corda com cerca de 0,5 metro e
repita o procedimento. Quando o João conseguir andar uma distância de 6 metros
segurando a extremidade do fio, enquanto o adulto segura a outra, encoraje-o a
fazê-lo sem segurar nada. De início o adulto terá de se manter perto dele, mas tente,
gradualmente, separar-se dele enquanto está a andar.
63 – CAMINHAR PARA OS LADOS E PARA TRÁS
Motricidade global, corpo
Percepção, visual
Meta: Melhorar o equilíbrio e desenvolver várias formas de andar
Objectivo: Andar para os lados e para trás enquanto mantém o equilíbrio
Materiais: Puxar fio com brinquedo
Procedimento:
Coloque o fio na mão do João e reforce-o quando ele o agarra com a sua própria
mão. Comece a andar de forma que, ao puxar o brinquedo, este fique atrás de si.
Dirija a sua atenção para o brinquedo de modo a que o João tenha de voltar a
cabeça para o ver enquanto ainda anda para trás. Quando ele se sentir bem
andando de lado, faça com que se volte e fique de frente para o brinquedo. Então,
vocês os dois andam para trás enquanto olham para o brinquedo. Se ele mostrar
pouco interesse em andar para trás olhando o boneco, tente com outro, ou então
faça um ruído que combine com o brinquedo (por exemplo: choo - choo, enquanto
puxa um comboio), para o encorajar a prestar atenção. Quando o João se puder
movimentar facilmente, enquanto olha o boneco, faça com que ele puxe o brinquedo
à volta de móveis para que se acostume a prestar atenção ao que está à sua frente
e atrás de si.

64 – EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO: TOQUES NOS DEDOS DOS PÉS


Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar a flexibilidade e a condição física geral
Objectivo: Tocar os dedos 10 vezes
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sente-se perto do João com os seus braços direitos e as palmas das mãos
pousadas no chão. Ajude-o a assumir posição similar. Faça com que ele perceba
que se pretende que ele a imite e, devagar, dobre-se pela cintura até tocar os
joelhos. Em seguida, toque os joelhos. Se o João demonstrar dificuldade na
imitação, pode ser útil ter uma terceira pessoa para ficar atrás dele para o ajudar a
assumir as posições que se pretendem. Gradualmente tente chegar com as mãos
ao chão até que consiga tocar nos pés sem dobrar excessivamente os joelhos.

65 – ABRIR GAVETAS E ARMÁRIOS


Motricidade global, braço
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar a capacidade da criança em satisfazer as suas próprias
necessidades e desenvolver a força das mãos e braços.
Objectivo: Abrir gavetas e armários sem ajuda.
Materiais: Pequenos brinquedos, armários com gavetas e portas.
Procedimento:
Assegure-se que o João está a vê-la esconder o brinquedo favorito ou uma
recompensa num armário. Lentamente abra a porta do armário e mostre-lhe o
brinquedo. Feche novamente a porta. Coloque a mão do João na porta e ajude-o a
abri-la. Mostre-lhe o brinquedo e deixe-o brincar com ele por uns instantes. Repita
o procedimento muitas vezes, reduzindo de forma gradual a sua ajuda até ele
conseguir abrir a porta de forma autónoma. Repita o procedimento para ensinar o
João a abrir gavetas. Assegure-se que os armários onde ele pratica têm gavetas e
portas que abrem facilmente, para que não fique frustrado. Após ter trabalhado
nesta actividade, lembre-se de retirar objectos perigosos do interior de gavetas que
estejam ao seu alcance.
66 – PERMANECER NUM SÓ PÉ
Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade
Meta: Melhorar o equilíbrio
Objectivo: Ficar num só pé 5 segundos sem ajuda e sem perder o equilíbrio
Materiais: 2 cadeiras, metro articulado Procedimento:
Coloque as duas cadeiras juntas numa área livre de outros objectos. Coloque o
João à sua frente e cada um de vós segura-se a uma cadeira. Assegure-se que ele
está a olhar para si e, lentamente, levante um pé do chão. Faça-lhe sinal para que
a imite. Se ele não a imitar, levante-lhe o pé e certifique-se que ele está a segurar-
se à cadeira. Se possível peça a uma terceira pessoa que lhe levante o pé enquanto
você está a modelar. Repita o procedimento até que ele consiga ficar num só pé,
durante 5 segundos, enquanto está seguro à cadeira. Retire a cadeira e segure-lhe
a mão enquanto o João mantém a posição. Quando ele se sentir seguro a agarrar
a sua mão, faça com que ele segure a extremidade de um metro articulado, pondo
a sua mão perto da dele. Lentamente afaste a sua mão para a outra ponta do metro
articulado, sem o largar Finalmente, quando ele conseguir ficar num só pé durante
5 segundos enquanto você segura na ponta do metro articulado, retire-o e faça com
que o João se mantenha num pé sem suporte.

67 – DAR PONTAPÉS NUMA BOLA


Motricidade global, pernas
Socialização, interacção individual
Meta: Melhorar a coordenação olho-pé e aprender a dar um pontapé numa bola
grande
Objectivo: Dar um pontapé numa bola grande na direcção de uma pessoa
Materiais: Duas cadeiras, bola grande Procedimento:
Alinhe duas cadeiras, de frente uma para a outra, junto a uma parede. Delimite o
outro espaço lateral com caixas ou outros materiais, para criar uma espécie de
corredor em que o João e o adulto possam dar um pontapé à bola, sem que esta
role para os lados. Faça com que ele se sente numa cadeira enquanto você se
senta noutra. Devagar empurre na sua direcção a bola e encoraje-o a fazer o
mesmo. Repita a acção se necessário. Se o João tiver dificuldade em entender o
que se pretende, coloque a bola aos seus pés e manipule as suas pernas afim de
dar um pontapé na bola. Recompense-o imediatamente e encoraje-o a pontapear
novamente a bola.

68 – PERMANECER NAS PONTAS DOS PÉS


Motricidade global, pernas
Meta: Melhorar a força das pernas e o equilíbrio
Objectivo: Balançar-se nas pontas dos pés por 10 períodos de 3 segundos cada
Materiais: Nenhum Procedimento:
Fique de frente para o João e chame-lhe a atenção. Lentamente, eleve-se em meias
pontas de pés e volte à posição inicial. Repita o movimento mas, desta vez, chame-
lhe a atenção para os pés (aponte) “Olha, João.”. Segure-lhe os braços e,
lentamente eleve-o um pouco para que ele fique apoiado nos dedos. Repita várias
vezes até que ele se habitue a permanecer em meias pontas, reduzindo
gradualmente a actividade. O objectivo é que ele consiga fazer este exercício 10
vezes seguidas.

69 – EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO: PULAR


Motricidade global, pernas
Imitação, motricidade
Meta: Melhorar a força das pernas, coordenação e a condição física geral.
Objectivo: Saltar e tocar um objecto suspenso 10 vezes.
Materiais: Fio, esponja Procedimento:
Coloque o João à sua frente e mostre-lhe como pular. Peça-lhe para a imitar,
enquanto você continua a pular várias vezes. Se ele não a tentar imitar, segure-o
pelos braços e levante-a ligeiramente enquanto o adulto salta. Quando ele começar
a compreender que se pretende que salte, reduza gradualmente a sua ajuda até
que ele o consiga fazer sozinho. Pendure uma esponja a uma distância o João
consiga chegar, quando salta. Mostre-lhe como saltar e chegar a tocar na esponja.
Recompense-o sempre que ele conseguir tocar o objecto suspenso. Quando o João
conseguir tocar a esponja 10 vezes seguidas, aumente a altura mas certifique-se
que continua dentro do seu alcance.

70 – JOGO DE BOLICHE
Motricidade global, braços.
Socialização, interacção individual
Imitação, motor
Meta: Aumentar a força dos braços e melhorar a precisão dos braços para atingir um
alvo
Objectivo: Rolar uma bola larga com precisão a uma distância de 3 metros
Materiais: Bola grande, pacotes do leite vazios Procedimento:
Coloque 6 pacotes do leite num padrão 3-2-1. Desenhe um linha a
aproximadamente 2 metros dos pacotes. Mostre ao João como se posicionar atrás
da linha e rolar a bola para derrubar os pacotes de leite. Coloque novamente os
pacotes na sua posição original e ajude o João a rolar a bola. Elogie-o por derrubar
qualquer pacote. Anote quantos pacotes é que ele derruba de cada vez que lança
a bola. À medida que o jogo se torna fácil para ele, aumente gradualmente a
distância entre a linha e os pacotes. Além disso, assim que ele começar a habituar-
se ao jogo, pode começar a trabalhar a noção de jogar por turnos. Faça marcas
simples num cartão para que ele veja quantos pacotes derrubou e quantos é que o
adulto derrubou. Encoraje-o a divertir-se com o jogo sem que este se torne
competitivo.
71 – ATIRAR UM PROJÉCTIL
Motricidade grossa, braços
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Desenvolver movimentos de atirar e aprender a dirigir um projéctil a um alvo Objectivo:
Atirar um projéctil para dentro de uma caixa colocada a 1 metro de distância 5
vezes seguida Materiais:
2 projecteis, caixa Procedimento:
Sente-se ao lado do João numa área aberta e demonstre-lhe como atirar o projéctil.
Assegure-se que ele está a olhar quando o demonstrar. Segure o
projéctil numa mão, lentamente puxe o braço atrás e, ao puxá-lo para a frente,
descreva um movimento em forma de arco. Lembre-se de manter os movimentos
lentos. Dê ao João outro projéctil e guie a sua mão para o ajudar a lançá-lo. Repita
a actividade muitas vezes, retirando gradualmente o controle da mão da criança
para o punho e, depois, para o seu braço, para o cotovelo e, finalmente para o
antebraço até retirar por completo a ajuda. Quando ele conseguir atirar o projéctil
sem ajuda, comece a desenvolver o acto de atirar a um alvo específico. Coloque a
caixa no chão à frente do João. Faça com que ele fique em frente à caixa e ajude-
o a deixar cair o projéctil dentro desta. Diga “Caixa.” sempre que deixar cair o
projéctil. Além disso, também deve tocar na caixa para o lembrar do sítio-alvo.
Quando ele conseguir deixar cair de forma consistente o projéctil dentro da caixa,
estando posicionada perto desta, remova gradualmente a caixa até que esta esteja
fique a cerca de um metro de distância. Mantenha um quadro com registos
relativamente ao número de vezes que o João consegue atirar com sucesso o
projéctil dentro da caixa. Esse registo deve incluir todas as distâncias a que
distanciar a caixa. Esse registo das distâncias vai ajudá-lo a saber quando deve
aumentar essa distância.

72 – SUBIR ESCADAS, ALTERNANDO OS PÉS


Motricidade global, corpo
Meta: Aumentar o equilíbrio e a capacidade de se mover de forma independente
Objectivo: Subir uma escada alternando os pés
Materiais: Escada Procedimento:
Quando o João se sentir confortável a subir escadas sem alternar os pés (actividade
59), comece a ensiná-lo a colocar um pé em cada degrau. Se possível, coloque
uma terceira pessoa atrás dele para o segurar e fazê-lo sentirse confiante, enquanto
você demonstra como é que ele deve fazer. Faça com que o João fique de frente
para as escadas. Aponte para o seu pé direito e, de seguida, aponte para o 1º
degrau. Se ele parecer confuso coloque o seu pé direito em cima do degrau e
mantenha o esquerdo no chão. Elogie-o imediatamente mesmo que o tenha
ajudado. Aponte para o seu pé esquerdo e depois para o primeiro degrau. Se ele
tentar colocar o seu pé esquerdo ao lado do direito, aponte novamente para o 1º
degrau e mova-o para o segundo. Elogie-o imediatamente. Repita o procedimento
dando-lhe apenas a ajuda necessária, até ele conseguir subir degraus, alternando
os pés.

73 – PERCURSO COM OBSTÁCULOS


Motricidade global, corpo
Percepção, visual
Meta: Aumentar o controle do corpo e o equilíbrio
Objectivo: Completar um percurso com cinco obstáculos Materiais:
Cadeiras, vassouras, caixas, mobília, corda Procedimento:
Quando o João conseguir completar um percurso simples de obstáculos sem
assistência (actividade 56), construa um percurso mais difícil com 5 obstáculos,
dando ênfase particular ao equilíbrio e ao controle corporal. Coloque uma peça de
corda ao longo do percurso para que o João o possa seguir. Acompanhe-o durante
o percurso várias vezes, demonstrando o que tem que fazer. Permaneça próximo
dele durante as primeiras vezes para o lembrar de seguir a corda. Por exemplo:
a) gatinhar debaixo do uma vassoura suspensa entre duas cadeiras.
b) saltar por cima de outra vassoura suspensa em dois bancos pequenos.
c) atravessar, gatinhando um caixote de cartão cortado dos dois lados.
d) andar por entre duas peças de mobília dispostas de tal forma que a
criança tem de se virar de lado para conseguir passar.
e) saltar de um tapete para o outro.

74 – EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO: SALTO DE SAPO


Motricidade global, pernas
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar a coordenação, a força das pernas e a condição física geral.
Objectivo: Fazer 10 saltos de sapo sem parar ou cair
Materiais: Nenhum Procedimento:
Escolha uma área segura num tapete ou na relva. Mostre ao João como ficar numa
posição de agachada e salte algumas vezes. Assegure-se que ele está a ver
enquanto salta. Ajude-o a assumir a posição de agachado. Deixe-o permanecer
nessa posição durante alguns minutos para que se habitue. Então salte algumas
vezes e indique-lhe para o fazer também. Se possível, coloque uma terceira pessoa
atrás do João para a segurar enquanto ele salta. De início, é provável que ele salte
apenas uma ou duas vezes. Elogie-o pelo esforço e anote num mapa quantas vezes
é que ele consegue saltar antes de perder o equilíbrio.

75 – SALTAR
Motricidade global, pernas
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar o equilíbrio e a coordenação
Objectivo: Saltar com os pés juntos, ao longo de 5 metros
Materiais: Nenhum Procedimento:
Chame a atenção do João e faça com que ele salte com dois pés. Então, fique ao
seu lado e faça com que ele salte consigo. Se ele não o fizer, levante-a ligeiramente
enquanto salta. Repita a actividade até que ele salte sem assistência. Quando o
João conseguir saltar de forma independente, desenhe linhas com 5 metros entre
elas. Coloque-se de frente para a linha de partida e salte até à linha seguinte. Faça
com que ele salte as 5 metros sozinho. Quando ele conseguir saltar facilmente com
os dois pés, repita o mesmo procedimento mas com outras formas de saltar:
a) saltar em dois pés com os braços de lado e levantados.
b) saltar só com um pé.
c) saltar com os pés alternados.
d) saltar com os dois pés mas com os braços no ar.

76 – EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO
Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar o equilíbrio, a agilidade e a condição física geral
Objectivo: Manter um bom equilíbrio enquanto desempenha uma série de acções
envolvendo simultaneamente movimentos de braços e pernas
Materiais: Nenhum Procedimento:
Ponha-se de joelhos e mãos no chão e coloque o João ao seu lado. É importante
que os dois estejam na mesma direcção para que não confundam a esquerda com
a direita. Desempenhe as seguintes acções e faça com que ele a imite (se possível,
coloque uma terceira pessoa para o ajudar a assumir as posições enquanto você
as mantêm).
a) levante cada braço
b) levante cada perna
c) levante a perna e o braço direito; repita com a perna e o braço esquerdo
d) levante o braço esquerdo e a perna direita; repita com o braço direito e a
perna esquerda

77 – ROLAR
Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade, 1-2anos
Meta: Melhorar as capacidades físicas em geral
Objectivo: Rolar, de lado, uma distância de dois metros e, em seguida, rolar no sentido
inverso
Materiais: Nenhum Procedimento:
Coloque-se numa área aberta e numa superfície macia como um tapete ou relva.
Assegure-se que o João a está a observar e deite-se com os braços colocados ao
lado do corpo. Mostre-lhe como se rola para a frente e para trás nessa posição.
Ajude-o a assumir uma posição semelhante e faça com que ele role numa direcção.
Não permita que ele role de forma anárquica, mas sim como se pretende. Quando
ele conseguir rolar sozinho, pare-o e mostre-lhe como rolar na direcção oposta.
Marque linhas de partida e chegada com 3 metros de distância.
Faça com que ele role de uma linha para a outra.

78 – ANDAR NUMA FITA


Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade
Meta: Melhorar o equilíbrio e aprender diferentes estilos de caminhar
Objectivo: Andar, sobre ou ao lado de um percurso de 3 metros, delimitado por uma fita
adesiva, usando diferentes estilos de caminhar sem perder o equilíbrio
Materiais: Fita adesiva com cerca de 3 metros de comprimento Procedimento:
Coloque a fita no chão de maneira a formar uma linha recta. Assegure-se que o
João está a olhá-la e mostre-lhe como percorrer a fita, andando normalmente.
Quando percorrer a fita pela segunda vez, faça com que ele a siga. Finalmente,
faça com que ele percorra a fita sozinho. recompense-o cada vez que completar um
percurso. Assim que ele dominar o estilo simples de andar sobre a fita, demonstre
um segundo método e leve-o a imitá-la. Outros métodos de andar na fita incluem:
a) andar para trás com um pé atrás do outro
b) andar de lado, sem cruzar as pernas
c) andar para a frente com um pé no lado direito da fita e outro do lado esquerdo
d) saltar de lado mantendo os dois pés juntos
e) andar de lado, cruzando os pés

79 – ATIRAR UMA BOLA ATRAVÉS DE UM PNEU


Motricidade global, braço
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Atirar a um alvo
Objectivo: Atirar uma bola média através de um pneu
Materiais: Pneu, corda forte, bola média Procedimento:
Pendure um pneu de forma a que fique a cerca de um metro do chão. Faça com
que o João permaneça em frente do pneu e ajude-o a atirar a bola pelo buraco.
Elogie-o imediatamente. Gradualmente, reduza a ajuda à medida que ele vai
começando a perceber o que se espera dele. Quando conseguir atirar a bola pelo
buraco, com facilidade, distancie-o um pouco mais, até que ele consiga atirar a bola
de uma distância de 3 metros. Anote, numa tabela as vezes em que ele obtém
sucesso e a que distância. Assegure-se que ele consegue atirar a bola pelo menos
7 vezes em 10 antes de aumentar a distância entre o João e o pneu. Além disso
assegure-se que este não balanceie quando ele o atira.
80 – DRIBLAR UMA BOLA
Motricidade global, braço
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar o controle braço-mão e desenvolver a coordenação óculo-manual
Objectivo: Driblar 5 vezes uma bola, sem perder o controle
Materiais: Bola grande de praia ou outra qualquer que não seja pesada Procedimento:
Assegure-se que o João olha para si e drible a bola algumas vezes. Então segurelhe
na mão e drible a bola. Recompense-o imediatamente. Reduza, gradualmente, o
controle da sua mão à medida que o João dribla a bola sozinho. De início, é provável
ele não consiga driblar a bola mais que uma ou duas vezes. Continue a encorajá-lo
no sentido de driblar a bola o máximo de vezes que ele conseguir.

81 – CAMBALHOTAS
Motricidade global, braço
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar a coordenação, o equilíbrio e a consciência corporal
Objectivo: Fazer 5 cambalhotas
Materiais: Nenhum Procedimento:
Escolha uma área aberta, num tapete ou na relva. Assegure-se de que o João está
a observá-la. Actue com entusiasmo, dizendo “Ééééia.” (ou qualquer outro som)
enquanto dá uma cambalhota para demonstrar que pode ser divertido. Se possível
faça com que uma terceira pessoa o ajude a executar os movimentos, enquanto
você continua a demonstrar o modelo de actividade proposta. Coloquese de
cócoras com as duas mãos no chão e ajude o João a assumir a mesma posição.
Coloque o queixo o João no peito. Ajude-o a inclinar-se para a frente, lentamente e
empurre-lhe as pernas para que complete a cambalhota. Reforce-o imediatamente.
Repita o procedimento, reduzindo de forma gradual a sua ajuda até que ele consiga
completar a volta sozinho.

82 – PASSOS DE ELEFANTE
Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar o equilíbrio e o movimento
Objectivo: Andar 10 passos como um elefante com o corpo dobrado pela cintura e os
braços a balançarem em frente
Materiais: Nenhum Procedimento:
Demonstre, ao João, como é a forma de andar do elefante; dobre-se pela cintura e
deixe-se cair os braços, balouçando-os. Assegure-se que o João está a prestar
atenção ao que faz. Diga “ Olha, João sou um elefante.”. Então, ajude-o a assumir
a mesma posição mas mantenha-se ao seu lado, demonstrando continuamente o
que ele tem de fazer. Se possível, tenha uma terceira pessoa para o ajudar a
assumir a posição enquanto você executa o movimento proposto. De início, não
espere que ele assuma a posição por muito tempo mas, à medida que o João
executa com mais confiança a actividade delimite uma distância de 3 metros para
que ele ande como um elefante.

83 – CORRIDA DE BATATAS
Motricidade global, corpo
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar o equilíbrio e o controle da mão
Objectivo: Carregar uma batata pequena numa colher por uma distância de 15 metros
sem que esta caia
Materiais: Colher larga, batata pequena Procedimento:
Assegure-se que o João está a prestar atenção enquanto você equilibra uma batata
numa colher durante alguns segundos. De seguida, comece a andar devagar
equilibrando a batata. Após ter demonstrado o que pretende, coloque a colher na
mão do João e verifique se ele a consegue segurar durante alguns segundos.
Quando ele começar a sentir-se mais confiante em equilibrar a batata, reduza a
ajuda prestada e encoraje-o a dar alguns passos. Quando ele começar a
demonstrar um maior à vontade em dominar a tarefa, faça com que ele percorra
cerca de 15 metros com a batata dentro da colher. Quando ele conseguir terminar
o percurso, faça uma corrida com ele e outra pessoa. No entanto, não permita que
as corridas se tornem competitivas.

84 – TRAVE
Motricidade global, corpo
Meta: Aumentar o equilíbrio
Objectivo: Andar numa trave
Materiais: Uma trave de 2 metros de comprimento e 20 cm de largura, 2 tijolos, 2 blocos
de cimento Procedimento:
Encontre um espaço aberto onde não existam desníveis no terreno ou possíveis
perigos. Comece por colocar a tábua no chão e fazer com que o João caminhe em
cima dela por algumas vezes para ele se sentir mais confiante. Assim que ele se
sentir confiante, coloque 2 tijolos no chão e a tábua em cima para construir uma
trave. De início, é provável que tenha de segurar-lhe a mão e andar ao seu lado
enquanto ele caminha em cima da trave. Gradualmente, reduza a ajuda, fazendo
com que o João apenas segure a ponta do seu dedo e, mais tarde, a ponta de um
lápis enquanto você segura a outra, posteriormente, substitua o lápis por um fio.
Finalmente tente fazer com que ele ande sem ajuda. Quando ele o conseguir fazer
com confiança, aumente o grau de dificuldade da tarefa, substituindo os tijolos por
blocos de cimento de forma a que fique distanciado do chão cerca de 1/2 metro.
Repita a actividade várias vezes, ajudando-o sempre que ele precisar.

85 – PERCURSO AVANÇADO DE OBSTÁCULOS


Motricidade global, corpo
Meta: Aumentar o equilíbrio, a coordenação, a força e a condição física geral
Objectivo: Completar um percurso de 7 obstáculos, de dificuldade moderada, sem
assistência
Materiais: Vários Procedimento:
Quando o João conseguir completar um percurso de obstáculos sem problemas
(ver actividade 73), construa um ligeiramente maior e com um grau de dificuldade
também maior. Use os objectos do percurso descrito na actividade 73 (pois já lhe
são familiares) e acrescente outros materiais já descritos na actividade 84 (a trave).
Siga o mesmo procedimento daquela descrito nos percursos de obstáculos simples
ou de dificuldade moderada. Coloque uma corda à volta dos obstáculos para que o
João saiba onde se deve dirigir em primeiro lugar, em segundo, em terceiro, etc.. e
acompanhe-o no percurso para se assegurar que ele sabe o que fazer em cada
obstáculo. Quando o João tiver aprendido o caminho, anote num quadro, o tempo
que demora a percorrê-lo. Recompense-o cada vez que terminar o percurso e dê-
lhe algo especial cada vez que bater o seu próprio recorde de tempo.

86 – ACERTAR NUMA BOLA


Motricidade global, braços
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar a força dos braços e desenvolver a coordenação óculo-manual
Objectivo: Balançar um bastão e bater num objecto que se encontra parado e suspenso à
altura do ombro
Materiais: Bola grande de esponja, fita adesiva, corda bastão leve de plástico ou madeira
Procedimento:

Ate a ponta de uma corda a uma bola grande de esponja. Em seguida, cubra a
esponja e a bola com fita adesiva para impedir que a bola se solte. Suspenda a bola
de forma a que fique ao nível dos ombros do João. Assegure-se que a área que
escolheu está desimpedida o suficiente de forma a poder balançar o bastão sem
partir nada. Ajude-o a movimentar o bastão algumas vezes sem tentar acertar na
bola. Em seguida, ajude-o a movimentar o bastão devagar e a fazer contacto com
a bola. Elogie-o imediatamente. Gradualmente, reduza o controle das suas mãos à
medida que ele aprende o movimento. Assegure-se que a bola retorna a uma
posição estática cada vez que o João lhe tenta bater. Não permita que ele bata na
bola de forma desordenada.

87 – CARRINHO DE MÃO
Motricidade global, braços
Meta: Desenvolver a força dos braços e a coordenação
Objectivo: Andar para a frente apoiada nas duas mãos enquanto alguém lhe segura as
pernas Materiais:
Nenhum Procedimento:

Diga o João que vão brincar de carrinho de mão e faça com que ele se ajoelhe e
coloque as mãos no chão. Coloque-se por detrás dele e levante-lhe as pernas de
forma a que o seu peso fique colocado nas mãos. Inicialmente, não o segure nesta
posição por mais que uns segundos. Assim que lhe colocar as pernas no chão,
elogie-o imediatamente. À medida que os seus braços se fortalecem e a sua
confiança aumenta, aumente o tempo da actividade. Comece, também a levantar
os pés um pouco mais, mas tenha cuidado para não colocar demasiada pressão
nos braços antes da criança estar pronta para isso. Quando ele se sentir confortável
nesta posição fixa, faça com que ele comece a andar para a frente. Coloque, no
chão duas linhas, distanciadas entre si de 5 metros, que representam a linha de
chegada e de partida e faça com que ele percorra essa distância.
Assegure-se que ele sabe exactamente que distância tem de percorrer.
88 – PUXAR UM OBJECTO PESADO
Motricidade global, corpo
Motricidade fina, agarrar
Meta: Melhorar a força das mãos e o desenvolvimento muscular geral
Objectivo: Puxar um peso a uma distância determinada pela condição física geral da
criança
Materiais: Corda de aproximadamente 1 metro de comprimento, caixa larga, materiais
diversos (livros, pedras, etc.) para adicionar peso à caixa Procedimento:
Desenhe uma linha, no chão com fita adesiva. Coloque a corda pelo meio interno
da fita de forma a que a corda ocupe uma posição equidistante em relação à fita.
Ate uma ponta da corda à caixa. Agarre o outro extremo da corda e mostre ao João
como a puxar. Coloque a caixa na sua posição original e ajude o João a puxar a
caixa. Repita a actividade até ele demonstrar alguma autonomia na execução desta
tarefa reduza então, gradualmente, a sua ajuda. Em seguida, adicione mais peso à
caixa. No entanto, tome cuidado para que a caixa não fique demasiado pesada de
forma a que a tarefa não se torne frustrante.

89 – CABO DE GUERRA
Motricidade global, corpo
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar a força das mãos e o desenvolvimento muscular geral
Objectivo: Puxar uma corda que está segura por outra pessoa que exerce uma pressão
ligeira
Materiais: Corda com 1 metro de comprimento Procedimento:
Desenhe uma linha no chão com fita adesiva. Coloque a corda no chão de forma a
que esta passa pelo centro da corda, mas colocada em cima. Segure uma ponta e
o João segura a outra. Faça com que ele a puxe enquanto você também a puxa
com suavidade. Elogie-o imediatamente. Gradualmente, comece a puxar a corda
cada vez com mais força. para que ele também aumente a força com que o faz.
Lembre-se de não tornar a actividade frustrante para ele.
90 – EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO: SALTOS
Motricidade global, corpo
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar a coordenação dos braços e pernas
Objectivo: Saltar 10 vezes, abrindo e fechando a pernas e batendo os braços em cima da
cabeça. Materiais:
Nenhum Procedimento:
Escolha um espaço aberto onde se possam mover sem esbarrar nos objectos.
Fique de pé e coloque o João de frente para si e faça com que ele imite tudo o que
fizer. Eleve os seus braços acima da cabeça até que as palmas das mãos se
encontrem e volte a colocá-los caídos ao lado do corpo. Ajude o João a assumir a
posição se ele não a imitar imediatamente. Repita esta parte do exercício até ele
consiga levantar os braços sem ajuda. Coloque-se frente ao João e tente que ele
imite somente os movimentos das pernas. Salte, afastando as pernas e depois volte
a saltar juntando-as. Ajude o João apenas se ele necessitar. Quando ele conseguir
imitar os movimentos dos braços e das pernas separadamente, peçalhe para que
a imite enquanto você os combina. Salte afastando as pernas e batendo as palmas
acima da cabeça. Hesite com os braços em cima e as pernas afastadas, para que
ele a possa imitar facilmente. Registe quantas vezes o João consegue fazer sem
se cansar.

91 – SALTAR À CORDA
Motricidade global, corpo
Meta: Aumentar a coordenação
Objectivo: Saltar 5 vezes sobre uma corda que se balança
Materiais: Corda de 1,20 metros aproximadamente Procedimento:
Ate a ponta de uma corda a um objecto fixo. Coloque-se, com o João ao meio da
corda e peça a outra pessoa para segurar a outra ponta. Quando a corda se
aproximar, diga “Salta.” e levante o João do chão enquanto você também salta. De
início, tente apenas um salto de cada vez para aumentar a sua confiança.
Gradualmente, reduza a sua ajuda à medida que ele vai saltando sobre a corda,
mesmo que não seja capaz de saltar devidamente. Quando o João começar a saltar
sozinho, afaste-se da corda mas continue a ajudá-lo, dizendo “Salta.”, no tempo
apropriado. Registe quantas vezes ele consegue saltar sobre a corda,
sucessivamente.
92 – MACACA
Motricidade global, corpo
Realização cognitiva, linguagem receptiva (opcional)
Meta: Aumentar a coordenação muscular, o equilíbrio e as competências de
contagem
Objectivo: Jogar correctamente à macaca
Materiais: Fita adesiva forte, pedra Procedimento:
Desenhe os quadrados no chão ou delimite-os com fita adesiva forte, tal com está
apresentado na figura .Assegure-se que os quadrados são grandes e as linhas
visíveis. De início, será mais fácil para o João se não existirem números nos
quadrados para não o confundirem. Mostre-lhe como se salta com um pé nos
quadrados únicos e com dois pés nos quadrados duplos. Assim que ele conseguir
percorrer o caminho de ida e volta, ensine-lhe como se joga à macaca, usando uma
marca ou uma pedra. Quando ele conseguir reconhecer os números e aprender a
contar, numere os quadrados. De seguida, faça com que ele siga os números,
sequencialmente, ou salte para os que indicar.

93 – TRAVE AVANÇADA
Motricidade global, corpo
Motricidade fina, agarrar
Meta: Melhorar o equilíbrio
Objectivo: Andar numa trave com 1,5 metros de comprimento e 20 cm de largura
enquanto carrega uma variedade de objectos
Materiais: Trave (ver actividade 84), duas caixas, 5 objectos pequenos (bola, boneco de
peluche, boneca, copo, esponja, etc.) Procedimento:
Quando o João conseguir andar pela trave sem problemas, ensine-o a carregar
pequenos objectos enquanto realiza o percurso da trave. Coloque uma caixa com
5 objectos num extremo da trave e uma caixa vazia na outra. Faça com que o João
retire um objecto da caixa cheia, percorra a trave e o deposite na caixa vazia. Repita
o procedimento até que os objectos tenham sido transferidos para a caixa vazia.
MOTRICIDADE FINA

As capacidades motoras finas referem-se, particularmente, às actividades que


envolvem o uso das mãos e dedos. Tal como é referido na definição das actividades
que compõem este capítulo, as actividades de motricidade fina, aparecem mescladas
com outras competências, nomeadamente, competências de imitação, percepção,
motricidade global e, em especial, coordenação óculo-manual. As competências
básicas envolvidas na motricidade fina, são:
1. mover as mãos e dedos de uma forma controlada.
2. agarrar um objecto numa mão sem assistência.
3. manipular um objecto no desempenho de uma tarefa.
4. usar as duas mãos coordenadamente.
As competências de motricidade fina são essenciais para a implementação de
um programa de ensino individualizado. Os sucesso de aptidões de autonomia, tais
como desenhar, escrever e o sucesso de competências pré- vocacionais estão todas
dependentes das capacidades de motricidade fina da criança. O controle da mãos e
dos dedos é necessário quando se utiliza a linguagem gestual como uma parte de um
programa de comunicação. À medida que a criança desenvolve um controle maior das
suas mãos e dedos, as sessões de ensino, tornam-se menos frustrantes e mais
agradáveis tanto para a(o) professor(a) como para a criança.
As actividades que se seguem são apenas uma pequena selecção das diferentes
tarefas de diferentes níveis de desenvolvimento que podem ser usadas em casa ou na
sala de aula com o intuito de desenvolver o controle da motricidade fina.

94 – AGARRAR UMA COLHER


Motricidade fina, agarrar
Autonomia, alimentação
Meta: Melhorar as aptidões de agarrar e de alimentação independente.
Objectivo: Agarrar uma colher com uma mão e segurá-la sem ajuda.
Materiais: Colher.
Procedimento:
Segura a colher e coloque-o no campo de visão do João. Quando ele olhar, diga
“Colher.”. Segure-lhe na mão e envolva-lhe os dedos no cabo da colher para que o
João agarre na colher com a sua ajuda física. Use a sua mão para reforçar o agarrar
e para evitar que ele deita fora a colher. Ajude-o a segurar a colher por alguns
segundos, enquanto lhe fala de forma agradável e a encoraja. Gradualmente,
aumente o período de tempo em que ele deve segurar a colher antes de terminar a
actividade. À medida que for verificando que ele exerce um maior controle sobre a
colher, diminua a pressão exercida pela sua mão na da criança. Finalmente, retire
a mão por completo e verifique se ele consegue segurar a mão sozinho por alguns
segundos.
95 – CAIXA ESCURA
Motricidade fina, agarrar
Percepção, táctil
Meta: Melhorar as aptidões de agarrar objectos sem os ver
Objectivo: Tirar 3 objectos de uma caixa fechada
Materiais: Caixa de cartão, 3 objectos médios comuns (por exemplo: cubo, copo de papel,
colher) Procedimento:
Faça um buraco numa caixa de cartão suficientemente grande para que, nela, caiba
a mão do João. Coloque 3 objectos pequenos, de dimensões adequadas para que
consigam passar pelo corte efectuado e feche a caixa. Assegure-se que o João está
a olhar para si, coloque a mão no buraco da caixa e puxe um dos objectos. Finja-
se surpresa ao retirar o item. De seguida, guie a mão de João através do buraco e
ajude-o a localizar um dos objectos e a retirá-lo. Repita o procedimento e
recompense-o cada vez que retirar um objecto. Após ter repetido a actividade várias
vezes, guie a sua mão para o buraco mas deixe que o João chegue ao objecto
sozinho. À medida que ele for aprendendo a tarefa, o número de objectos pode
aumentar ou diminuir e a caixa pode ser maior, de forma a que o
espaço a explorar seja maior.
96 – AGARRAR OBJECTOS
Motricidade fina, agarrar
Percepção, visual
Meta: Melhorar a pinça e o controle motor fino
Objectivo: Apanhar 10 objectos de tamanhos variados e colocá-los numa taça
Materiais: Taça pequena, 10 objectos pequenos (por exemplo: uva, amendoim, botão,
cubo, conta, caneta, chave, bola e moeda) Procedimento:
Faça com que o João se sente à mesa e diga-lhe que é tempo de trabalhar. Espalhe
os objectos na mesa, assegurando-se que estão todos ao seu alcance. Apanhe os
objectos, fazendo pinça com os dois dedos e o polegar. Diga “Põe!” e coloque o
objecto na taça. Segure a mão da criança e guie-lhe os dedos para a posição
pretendida (pinça maior), faça com que ele segure o objecto, dirija-lhe a mão para
a taça e diga “Põe!”. Use a sua outra mão para o ajudar a libertar o objecto na taça.
Elogie-o e recompense-o imediatamente. Repita a actividade as vezes necessárias
até você achar que ele consegue iniciar os movimentos necessários. Note quais os
objectos que ele tem mais dificuldade em segurar e esteja preparada para o ajudar
com esses brinquedos. Lembre-se que ele deve dizer “Põe!”, cada vez que colocar
o objecto na taça.
97 – DESENVOLVER A “PINÇA”
Motricidade fina, agarrar
Meta: Desenvolver uma boa pinça e melhorar o controle motor fino
Objectivo: Separar pequenos pedaços de plasticina e colocá-los numa lata
Materiais: Plasticina, lata Procedimento:
Sente-se, com o João à mesa, e coloque-se à sua frente. Tire a plasticina da lata
mas deixe-o ao seu alcance. Agarre na sua mão e ajude-o formar uma salsicha.
Assegure-se que a criança está a observar e, com um movimento exagerado,
demonstre como tirar um pequeno pedaço de plasticina, fazendo pinça com o
polegar e o indicador. Segure esse pequeno pedaço de plasticina em frente do seu
rosto, diga “Põe!” e coloque-o dentro da lata. Em seguida, ajude-o a executar o
mesmo procedimento. Repita a actividade muitas vezes, reduzindo o controle da
mão à medida que sentir ele que está a usar correctamente os dedos. Faça com
que ele saiba exactamente quantas vezes espera que desempenhe a actividade,
colocando um número determinado de recompensas em sítio visível. Cada vez que
põe um pedaço de plasticina na lata, recebe uma recompensa.
98 – TIRAR AÇÚCAR COM UMA COLHER
Motricidade fina, manipulação
Motricidade fina, agarrar
Autonomia, alimentação
Meta: Aumentar a capacidade de agarrar, a manipulação de objectos e desenvolver
aptidões de alimentação independente
Objectivo: Usar uma colher para transferir açúcar de um recipiente para o outro
Materiais: Colher, açúcar (ou outro material granuloso sólido), duas taças ou outro
recipiente Procedimento:
Quando o João se sentir confortável a segurar a colher por curtos períodos (ver
actividade 94), comece a ensiná-lo a usar a colher. Coloque um açucareiro e uma
taça vazia, na mesa, em frente da criança. Coloque a colher na sua mão e reforce
o acto de agarrar colocando a sua mão sobre a mão da criança. Guie-lhe o
movimento de forma a que introduza a colher no açúcar, fazendo um movimento
exagerado. Repita este movimento muitas vezes antes de transferir o açúcar para
o recipiente vazio. Quando achar que ele já adquiriu a noção do movimento, ajude-
o a tirar uma pequena porção de açúcar e transferi-la para o outro recipiente. De
início as taças devem estar próximas, mas à medida que o João adquirir maior
domínio da actividade, coloque-os afastadas entre si. Comece por fazer com que
ele, inicialmente, transfira apenas duas colheres. No entanto, o objectivo é treinar o
João para que ele transfira todo o açúcar. Reduza, progressivamente, o controle da
sua mão, direccionando-lhe o pulso, depois o braço e, finalmente, solte-lhe o braço.
99 – APANHAR MOEDAS
Motricidade fina, agarrar
Coordenação óculo-manual, controle
Percepção, visual
Meta: Aumentar o controle da motricidade fina e as capacidades de agarrar
Objectivo: Apanhar 10 moedas e colocá-las numas lata
Materiais: Moedas, lata de café com tampa de plástico com ranhura Procedimento:
Corte a tampa da lata de forma a que caiba uma moeda. Comece a actividade,
deixando duas moedas em cima da mesa em frente à criança. Diga “Olha, João” e,
devagar, apanhe uma das moedas fazendo uma pinça exagerada com o indicador
e o polegar. Acene com a moeda à frente do seu rosto no sentido de chamar a sua
atenção e coloque-o na ranhura. Segure na mão do João e guie os seus dedos afim
de repetir o mesmo procedimento com a segunda moeda. Recompense-o
imediatamente e deixe-o sair da mesa por alguns momentos. Repita o
procedimento, adicionando gradualmente mais algumas moedas à medida que o
João se torna mais apta a desempenhar a tarefa. Deixe sempre em cima da mesa
todas as moedas que pretende que ele coloque na lata para que ele saiba
exactamente quando a tarefa termina. Lembre-lhe de colocar as moedas na lata
apontando para a moeda, dizendo “Põe aqui.” e apontando para a ranhura da lata.

100 – ABRIR RECIPIENTES


Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar o controle da motricidade fina, a força das mãos e a cooperação das
duas mãos.
Objectivo: Abrir 4 recipientes diferentes para obter uma recompensa.
Materiais: Caixa de sapatos, lata do café com tampa de plástico, caixa de jóias,
recompensas alimentares.
Procedimento:
Sente-se com o João à mesa, no chão ou em qualquer lugar onde estejam
confortáveis. Segure numa das caixas e chame a tenção da criança: “Olha!”, e
passe a recompensa alimentar no seu campo de visão. Lentamente, mova a
recompensa para a caixa e feche-a. Assegure-se que ele está a observar as suas
mãos e abra a caixa lentamente. Finja-se surpresa e mostre-lhe a recompensa que
foi colocada dentro da lata. Feche novamente a caixa e dê-lha. Gesticule de forma
a que perceba que é para abrir o contentor. Se o João não conseguir abrir a caixa,
ajude-o. Se ele não entender o que se pretende, segure-lhe nas mãos e guie-lhe a
acção. Assim que abrir a caixa, recebe a recompensa e esta é colocada de lado.
Repita o procedimento com os outros recipientes. Note quais os recipientes que
abre com maior facilidade e os que tem mais dificuldade. Se um deles lhe gerar um
maior grau de dificuldade, substitua-o por outro mais simples. A ideia desta
actividade é fazer com que o João pratique a abertura de recipientes vários.

101 – JOGO DE DAR E RECEBER


Motricidade fina, agarrar
Coordenação óculo-manual, controle
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Melhorar o agarrar e largar objectos e desenvolver competências interactivas Objectivo:
Tirar 4 objectos de uma caixa e dá-los a outra pessoa, tirar 4 objectos de uma
pessoa e colocá-los numa caixa
Materiais: 2 caixas de tamanho médio, 4 objectos de diferentes tamanhos e formas ( por
exemplo: bloco, conta, chave, pente) Procedimento:
Sente-se à mesa, em frente do João e coloque uma caixa do seu lado esquerdo e
outra do seu lado direito. Coloque 4 objectos dentro de uma das caixas. De seguida,
tire um deles diga-lhe “Toma.” e verifique se ele o agarra. Se necessário, coloque-
lhe o objecto na mão e feche-a em torno deste. A seguir, aponte para a caixa vazia
e diga “Põe.”. Guie-lhe a mão na direcção da caixa, ajude-o a largar o objecto e
recompense-o imediatamente. Repita o procedimento até todos os objectos terem
sido transferidos de uma caixa para outra.
Assim que ele tiver aprendido a actividade, encoraje-o a agarrar um objecto dentro
da caixa e a dar-lho. Aponte para a caixa e diga “Dá.”. Gesticule com a mão
enquanto diz “Dá.”. Se ele não corresponde, continue a manter esse gesto da mão
e, com a outra dirija a mão da criança afim de desempenhar a actividade que se
pretende. Quando ele lhe der um objecto, coloque-o na caixa e recompense-o.
Repita a actividade até ele lhe ter entregue todos os objectos. Assim que o João
tiver aprendido as duas rotinas, varie as actividade de forma a trabalhar “Dar.” num
dia e “Tirar.” no outro. Desta forma o João vai ter de se habituar a ouvir instruções
para entender o que é suposto fazer.

102 – PRESSIONAR BOTÕES


Motricidade fina, manipulação
Coordenação óculo-manual, controle
Meta: Aumentar o controle da motricidade fina e desenvolver a capacidade de dirigir o
dedo a um alvo.
Objectivo: Pressionar um botão sem ajuda de forma a obter um resultado desejado.
Materiais: Qualquer objecto ou brinquedo em que o facto de pressionar um botão provoca
um resultado interessante (por exemplo: uma caixa de música, uma
campainha) Procedimento:
Sente-se à mesa com o João e coloque o brinquedo à sua frente. Capte a sua
atenção e mostre-lhe como se pressiona o botão de forma a que o brinquedo
funcione. Segure o seu dedo indicador, coloque-o no campo de visão do João e,
lentamente, dirija-o em direcção ao botão (esta lentidão do gesto torna-se
necessária para que ele faça uma associação entre o dedo e o resultado). Quando
pressionar o botão, sorria, bata palmas ou finja-se excitada no sentido de
demonstrar que a actividade é divertida. Prepare-lhe o brinquedo, segure-lhe na
mão e dirija-lhe o dedo para o botão. Ajude-o a pressioná-lo. Repita a actividade
várias vezes mas retire a sua assistência removendo a sua mão para o pulso da
criança, em seguida para o cotovelo e, finalmente, afaste-se do braço dele. Quando
ele conseguir pressionar o botão sem ajuda, mude para um segundo brinquedo
similar ao primeiro (isto é, com um botão visível).

103 – TIRAR MEIAS


Motricidade fina, manipulação
Autonomia, vestir
Meta: Descobrir objectos, tirando o invólucro e desenvolver as competências
necessárias para se vestir e despir de forma independente
Objectivo: Descobrir uma recompensa puxando uma meia que foi colocada de forma
frouxa em cima de um recipiente
Materiais: Meia larga, garrafa de plástico, recompensas alimentares Procedimento:
Chame a atenção do João acenando com uma recompensa alimentar, à frente do
seu campo de visão. A seguir, coloque a recompensa alimentar dentro da garrafa
(não a tape) e ponha a meia na abertura do recipiente de forma a que fique um pouco
solta. Segure na mão da criança e ajude-o a puxar a meia. Depois, ajude-o a obter a
recompensa alimentar. Repita a actividade muitas vezes mas assegure-se que a
criança vê sempre a recompensa a ser colocada dentro do recipiente. Diminua a sua
assistência assim que ele conseguir puxar a meia sem a sua ajuda.
Em seguida repita a actividade, enfiando a meia na garrafa de forma mais profunda.
104 – DOBRAR PAPEL
Motricidade fina, manipulação
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar as capacidades da motricidade fina, aprendendo a dobrar papel
Objectivo: Dobrar uma folha de papel 2 vezes sem ajuda Materiais:
Folha de papel.
Procedimento:

Coloque-se por detrás do João enquanto ele está sentada à mesa e demonstre-lhe
como dobrar uma folha de papel. Faça movimentos lentos e deliberados. Após a sua
demonstração, tire outra folha de papel e guie as mãos da criança afim de a dobrar
ao meio. Repita a actividade até que ele aprenda a dobrar o papel ao meio. Não se
preocupe se o papel não está bem dobrado ou se a tarefa não está terminada.
Coloque cada folha de papel dobrada numa pilha. Reduza, gradualmente, o controle
das mãos até que ele consiga desempenhar a tarefa sozinho. Quando a criança
conseguir dobrar o papel sem ajuda, faça com que ele desempenhe uma segunda
dobra. Sente-se ao lado dele. Cada um de vós fica com uma folha. Dobre a sua folha
e faça com que ele desempenhe a mesma acção mas, em vez de a colocar no pilha
das folhas dobradas, diga-lhe “Olha, João.” e dobra uma segunda vez. Ajude-o
apenas se ele estiver confuso.

105 – COMEÇAR A COLORIR


Motricidade fina, manipulação
Coordenação óculo-manual, desenhar
Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver competências elementares para colorir.
Objectivo: Agarrar um lápis e fazer dois ou três riscos ao acaso numa folha.
Materiais: Dois lápis grossos, papel, caixa pequena.
Procedimento:

Sente-se ao lado do João na sua mesa de trabalho com os lápis, com o papel e com
a caixa à sua frente. Tire uma folha de papel e um lápis e faça dois ou três rabiscos
ao acaso. Use o mesmo lápis e a mesma folha de papel e tente levá-lo a fazer dois
ou três rabiscos. Coloque o lápis na mão, coloque a sua mão em cima da mão da
criança e ajude-o a rabiscar por alguns segundos. A seguir, elogie-o, ponha o papel
na pilha das tarefas acabadas e coloque o lápis na caixa. Repita o procedimento com
o segundo lápis. Reduza, gradualmente a sua ajuda até que ele consiga segurar o
lápis e rabiscar sozinho. Encoraje-o a rabiscar por períodos longos mas dê-lhe
somente alguns lápis para que veja em quantas partes se pode dividir uma tarefa.
106 – BOLAS DE SABÃO
Motricidade fina, manipulação
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar o controle da motricidade fina e as competências de agarrar
Objectivo: Tirar a tampa de um frasco de bolas de sabão e usar o dispositivo de forma a
conseguir fazer bolas
Materiais: Frasco com dispositivo para bolas de sabão Procedimento:
Assegure-se que a tampa do dispositivo está colocada de forma solta e coloque o
dispositivo na mesa em frente do João Chame-lhe a atenção e demonstre-lhe como
tirar a tampa. Então retire o dispositivo que serve para fazer as bolas e sopre.
Coloque-o novamente no frasco de forma solta. Segure a mão da criança e dirija-
lhe os movimentos até ele fazer algumas bolas de sabão. Em seguida volta a
colocar o dispositivo e a tampa no frasco. Coloque-o em frente da criança e incite-
o a abrir o frasco. Finja que o está a fazer, se necessário, e posicione as mãos de
forma apropriada no frasco. Repita a actividade até ele conseguir tirar a tampa sem
ajuda.

107 – DESAPERTAR TAMPAS DE FRASCOS


Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Imitação, motricidade
Meta: Melhorar o controle da motricidade fina, cooperação das duas mãos, força das
mãos e rotação do pulso
Objectivo: Desapertar a tampa de um frasco sem ajuda
Materiais: 3 frascos pequenos com tampas de desapertar, recompensas alimentares
Procedimento:
Coloque os três frascos na mesa em frente ao João. Acene com uma recompensa
de um alimento que ele goste e, quando tiver chamado a sua atenção, tire a tampa
de um dos frascos, coloque a recompensa lá dentro e ponha a tampa no frasco de
forma a ficar solta. Dê-lhe o frasco e gesticule no sentido de ele imitar o que fez.
Coloque as mãos do João no frasco e ajude-o a desempenhar a tarefa para que
obtenha a recompensa que está no interior do frasco. Repita o procedimento com
os três frascos. Reduza progressiva a sua ajuda até o João conseguir abrir os três
frascos sozinho. Lembre-se de verificar sempre se as tampas não estão demasiado
apertadas.

108 – EXERCÍCIOS DE DEDOS


Motricidade fina, manipulação
Imitação, motricidade
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Meta: Aumentar o controle dos dedos
Objectivo: Desempenhar movimentos simples dos dedos sem assistência
Materiais: Nenhum Procedimento:
Demonstrar ao João movimentos simples dos dedos e fazer com que ele os imite
(por exemplo: tocar em sucessão cada um dos dedos da sua mão direita com o seu
polegar esquerdo). Gesticule para que o João imite o que acabou de fazer. Se ele
fizer algum movimento no sentido de a imitar, use as suas mãos para mover os
dedos dele de forma correcta. Elogie-o imediatamente.
Outros movimentos possíveis dos dedos incluem:
Agitar o polegar com o punho fechado
b) Agitar todos os dedos com a palma da mão para cima
c) Agitar cada um dos dedos individualmente com a palma da mão para
baixo. Repita a actividade usando outros movimentos simples dos dedos de
forma a que o João aprenda como mover os dedos conjuntamente e
individualmente.

109 – PUXAR CORDÕES


Motricidade fina, manipulação
Motricidade fina, agarrar
Percepção, audição
Imitação, motricidade
Meta: Aumentar as competências de agarrar e o controle motor fino
Objectivo: Puxar um fio de um boneco para que este fale
Materiais: Boneca ou peluche que fale ou emita sons quando um fio é puxado
Procedimento:
Mostre à criança um brinquedo e diga “Olha, João.”. Assegure-se que ele está a
olhar e mostre-lhe como puxar o fio do brinquedo para que este fale. Quando o
boneco parar de emitir sons, guie a mão do João para que puxe o fio. Recompense-
o imediatamente por puxar o fio apropriadamente. Mostre-lhe onde está o fio e finja
que o vai puxar. Ajude-o apenas se ele parecer confuso. Finalmente, ensine-o a
puxar o fio sem ajuda, usando as duas mãos num esforço cooperativo.

110 – EXERCÍCIOS DE MÃOS


Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar a força das mãos
Objectivo: Apertar uma esponja ou uma bola macia 5 vezes em cada mão
Materiais: Esponja, bola macia de borracha Procedimento:
Sente-se ao lado direito do João e coloque a sua palma da mão direita voltada para
cima. Com a sua mão esquerda coloque-lhe a mão direita na mesma posição.
Feche a mão lentamente e diga “Fecha.”. Em seguida diga “Abre.” e coloque a mão
na posição original. Repita o procedimento usando a sua mão esquerda para o
ajudar a abrir ou fechar a mão. Lembre-se de usar os comandos “Abre.” e “Fecha.”.
Repita o procedimento até ele conseguir abrir e fechar o punho 5 vezes seguidas
baseado em ordens verbais. Quando ele conseguir desempenhar a tarefa
correctamente coloque-se do outro lado do João e trabalhe esse lado. Assim que
os dois lados estiverem trabalhados, coloque uma esponja numa das mão e faça
com que a aperte 5 vezes seguidas. O mesmo acontece para a outra mão.
Finalmente substitua a esponja por uma bola de borracha e continue o treino.
Lembre-se de dizer “Abre.” E “Fecha.” de cada vez e de colocar a sua mão a
desempenhar a mesma tarefa para que elo tenha um modelo a imitar.

111 – MOLAS DE ROUPA


Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar o controle motor fino e a força das mãos
Objectivo: Prender 6 molas de roupa nos bordos de uma caixa de sapatos
Materiais: 6 molas da roupa de plástico, caixa de sapatos Procedimento:
Antes de iniciar a actividade, verifique se as molas não são demasiado rígidas para
que o João as abra facilmente. Segure a mola em frente ao rosto da criança e
demonstre como se abre e fecha. Em seguida diga “Olha.” E prenda a mola no
bordo da caixa. Coloque a mola na mão do João e use a sua mão para o ajudar a
abrir a mola. Guie-lhe as mãos para prender a mola ao bordo da caixa. Elogie-o
sempre que se prenda a mola. Reduza gradualmente a sua assistência até que ele
consiga desempenhar as suas actividades sozinho. Quando ele conseguir realizar
essa actividade sem ajuda, coloque 6 molas à sua frente para que termine a tarefa.
Em seguida faça com que remova as molas e as coloque dentro da caixa.
Recompense-o de cada vez que realizar essa actividade.
112 – SEGUIR COM O DEDO
Motricidade fina, manipulação
Coordenação óculo-manual, controle
Percepção, táctil
Meta: Melhorar o controle das mãos e dos dedos
Objectivo: Traçar com o dedo os contornos de formas Materiais:
Itens comuns de casa (bola, mesa e um livro) Procedimento:
Segure o dedo indicador do João e, lentamente, trace o contorno exterior de uma
série de objectos tais como: um livro, uma mesa, uma bola. Fale com ele de forma
reconfortante enquanto o faz. Reduza, gradualmente, o controle da mão e verifique
se ele vai fazendo o contorno dos objectos sozinho. Elogie-o enquanto traçar,
lentamente, os contornos com os dedos. Se ele começar o traçado de forma
impaciente ou impulsiva, acalme-o verbal ou, se necessário, fisicamente. Á medida
que ele se habituar à sensação táctil desses objectos, introduza outros.

113 –DOBRAR PAPEL


Motricidade fina, manipulação
Percepção, visual
Realização cognitiva, linguagem receptiva (opção)
Meta: Aumentar o controle motor fino, a coordenação das mãos e a discriminação da
cor
Objectivo: Fazer um brinquedo, dobrando papel
Materiais: 2 tiras de papel colorido Procedimento:
Cole as duas extremidades das fitas tal como é demonstrado na figura. Mostre, ao
João como dobrar a tira horizontal sobre a vertical. Se ele for receptivo e nomear
as cores faça com que ele saiba o que vai dobrar, dizendo “Azul.” e faça as dobras
seguintes (figuras C, D e E). Se ele não souber as cores, aponte para as fitas que
ele deve dobrar, dizendo “Dobrar.”. Se ele hesitar, guie-lhe as mãos até que o
trabalho esteja completo.

114 – CORTAR
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar o controle da motricidade fina e aprender a usar tesouras
Objectivo: Cortar ao acaso tiras de papel
Materiais: Tesouras, papel Procedimento:
Antes de iniciar a actividade, faça 3 cortes numa folha de papel com 5 cm de
distância entre elas para que o João seja capaz de completar os cortes. Coloque o
material (folha de papel e tesoura) em frente dele. Chame-lhe a atenção e segure
nas tesouras. Segure-os de forma apropriada e coloque-os no seu campo de visão.
Faça um corte. Segure nas mãos do João e posicione as tesouras apropriadamente.
Use as suas mãos para reforçar o acto de agarrar a tesoura por parte da criança e
para controlar os seus movimentos. Manipule as suas mãos de forma a que abra e
feche a tesoura várias vezes. Diga “Cortar.” de cada vez que as tesouras fecham.
Ajude-o a prolongar os cortes. À medida que achar que as suas mãos evidenciam
mais destreza, reduza a ajuda prestada. Não se preocupe se os cortes não saírem
direitos. Encoraje o João a terminar apenas os cortes já efectuados pois, dessa
forma, a tarefa terá um fim delimitado e ele não se sentirá frustrado.

115 – PARAFUSOS E PORCAS


Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Coordenação óculo-manual, controle
Percepção, visual
Realização cognitiva, emparelhar
Meta: Aprender a discriminar tamanhos e melhorar as capacidades motoras finas.
Objectivo: Emparelhar 3 parafusos e 3 porcas de 3 tamanhos diferentes sem ajuda
Materiais: 3 parafusos e porcas de tamanho igual, 3 parafusos e porcas de tamanhos
diferentes, 2 tabuleiros.
Procedimento:
Quando o João conseguir completar dois tabuleiros diferentes (actividades 143 e
144), comece a ensiná-lo a emparelhar as peças soltas (sem encaixe de madeira
como suporte), usando as duas mãos de forma cooperativa. Comece com as peças
de tamanho igual. Misture-as em frente do João. Coloque, em seguida, dois
tabuleiros na mesa com um parafuso num deles e uma porca no outro. Demonstre,
em seguida como enroscá-los. Guie as suas mãos para que o João enrosque o
segundo par. Repita o procedimento até que ele consiga completar os 3 pares de
peças sem ajuda. Quando ele não demonstrar dificuldade em associar as 3 peças
semelhantes, repita o procedimento com as 3 peças de tamanhos diferentes até ele
não demonstrar dificuldade na execução desta nova tarefa.

116 – FLOCOS DE NEVE


Motricidade fina, manipulação
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar a precisão das competências de dobrar papel e aumentar a força
muscular para usar tesouras
Objectivo: Dobrar e cortar 4 folhas de papel ao mesmo tempo
Materiais: Folhas, tesouras Procedimento:
Coloque um quadrado de papel à sua frente e outro em frente do João. Chamelhe
a atenção “Olha, João.” e dobre o papel ao meio. Em seguida, segure nas suas
mãos e ajude-o a fazer o mesmo. Diga “Outra vez.” e dobre novamente a folha ao
meio. Leve-o a fazer o mesmo, preferencialmente sem a sua ajuda. Com um lápis,
desenhe os sítios que ele deve cortar (ver figura). Corte. Em seguida abra o papel
e mostre-se entusiasmada com o desenho obtido. Ajude-o a colar o desenho na
janela para mostrar como gostou do trabalho que fez. De início terá de lhe guiar as
mãos para que o João consiga cortar o papel no sítio exacto.

117 – PENDURAR ROUPA


Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar a força muscular e o período de atenção
Objectivo: Pendurar roupas numa corda e apertar com uma mola da roupa
Materiais: Molas da roupa, toalhas, lenços, meias, corda, cesto Procedimento:
Estenda a corda de forma a que fique ao nível dos ombros do João. Coloque a
roupa num cesto, aos seus pés, e as molas numa caixa. Dirija-o, guiando as mãos
em primeiro lugar, e depois por gestos e palavras, da seguinte forma: “Tira a meia.”
(use a mão esquerda da criança), “Tira a mola.” (use a mão direita da criança), “Põe
a meia.” (coloque-o na corda), “Põe a mola.” (ajude-o a apertar a mola, a colocá-la
na corda e a libertá-la). Se verificar que o João tem alguma dificuldade particular,
como por exemplo: em abrir a mola; pratique esta actividade antes de continuar a
implementar toda a sequência (por exemplo: pratique o apertar das molas numa
toalha de mesa).

118 – TACHAS – I
Motricidade fina, manipulação
Imitação, motor
Motricidade fina, agarrar
Meta: Aumentar o controle da motricidade fina e da força dos dedos
Objectivo: Empurrar 12 tachas num quadro de cortiça
Materiais: Tachas, quadro de cortiça Procedimento:
Sente-se à mesa, com o João e coloque o quadro à sua frente. Coloque as tachas
ao lado. Assegure-se que ele está a olhar para si quando apanhar a primeira tacha.
Usando um movimento deliberado de pinça, apanhe a tacha e segure-o em frente
dos Olhas do João para que ele veja o que está a fazer. Diga “Olha, João.” e
empurre a tacha de forma a que fique presa na cortiça. Segure nos dedos do João
e repita o procedimento. Aponte para a segunda tacha e diga “Põe no quadro.” e
aponte para o quadro. Se ele não fizer nenhum movimento, guie-lhe a mão. Repita
o procedimento até ele conseguir colocar as 12 tachas no quadro. De início, escolha
apenas 3 ou 4 tachas da mesa; mas, à medida que aprende a tarefa, aumente o
número.
119 – TECER COM TIRAS
Motricidade fina, manipulação
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Aprender a tecer, usando padrões regulares
Objectivo: Entender as noções “em cima”, “em baixo” e mover o papel de acordo com
essas noções. Trabalhar até a tarefa estar completa
Materiais: Tiras de papel de duas cores Procedimento:
Cortar o papel em tiras de 3cm iguais (azul - 20 cm; vermelho - 30 cm). Coloque
uma folha lisa na mesa para formar a base do. Cole as tiras azuis no cimo da folha
trabalho (ver figura). Segure uma tira vermelha e teça-a nas azuis, da direita para a
esquerda (ver figura). Enquanto faz a demonstração vá dizendo: “Em cima, em
baixo.”, conforme vai movendo a fita. Em seguida, dê ao João outra fita vermelha e
ajude-o a passar por baixo e por cima das fitas azuis. Utilize palavras simples “Olha
João, agora vai para cima e agora, para baixo”. Assim que ele perceber o que se
espera dele, afaste-se e veja se ele parece confuso. Após a fita estar colocada
correctamente, segure-o com um pedaço de fita cola. Quando o padrão ficar
completo, elogie-o e dê-lhe a tesoura para aparar as pontas. Use-o na cozinha ou
noutro ponto da casa, como enfeite para que ele se sinta motivada a fazer outro.

COORDENAÇÃO ÓCULO-MANUAL

A coordenação de capacidades é uma das competências que mais falha nas crianças
com autismo. Assim, é especialmente importante considerar os níveis de
desenvolvimento nas tarefas que envolvem coordenação óculo-manual. Mesmo que a
criança seja boa, em termos de competência de motricidade fina, a sua coordenação
óculo-manual pode ter um nível baixo devido a problemas de percepção. A maioria das
capacidades de motricidade fina descritas pretendem ensinar à criança como agarrar e
manipular objectos. A coordenação óculo-manual envolve a coordenação dessas
competências com as capacidades de percepção. Por exemplo: agarrar um lápis e usá-
lo para riscar espontaneamente, numa tarefa de motricidade fina. Usar o mesmo lápis
para passar por cima (ou desenhar) de um padrão simples. Esta tarefa tanto envolve a
coordenação da motricidade fina como as capacidades de percepção. É isto que é
considerado a coordenação óculo-manual.
As actividades de percepção, motricidade fina e coordenação óculo-manual, aqui
sugeridas, estão intimamente relacionadas, mas o professor não deve entender que os
níveis de desenvolvimento da criança nestas funções vão ser os mesmos. Não é raro
que uma criança com autismo tenha capacidades de motricidade fina num nível de ,
mas tenha capacidades de percepção e de coordenação óculo-manual, apenas num
nível de 2 anos. Uma avaliação cuidada do nível funcional desta criança, em cada uma
das áreas, é extremamente importante para se delinear um programa de educação
individualizado efectivo. As actividades que se seguem são uma amostra de tarefas que
podem ser usadas para melhorar a coordenação óculo-manual e estão agrupadas em
duas categorias: desenho e manipulação de materiais. As actividades que envolvem o
desenvolvimento do controle óculo-manual são especialmente importantes na
programação pré-profissional. As actividades de desenho, a este nível, constituem a
base para uma eventual aprendizagem da escrita. O desenvolvimento e consolidação
das competências de coordenação óculo-manual são um dos aspectos mais
importantes do crescimento e adaptação da criança.

120 – PRÉ- EMPILHAR


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, agarrar
Imitação, motor
Meta: Aumentar o controle em colocar objectos
Objectivo: Empilhar 3 ou 4 caixas
Materiais: Pequenas caixas de cereais (vazias ou cheias), cesto Procedimento:
Coloque as caixas de cereais dentro do cesto e sente-se o João, no chão. Retire
uma caixa do cesto e coloque-o no chão. Então tire outra caixa e coloque-o em cima
da primeira. Repita o procedimento até todas as caixas estarem empilhadas. Em
seguida empurre-as e faça um barulho qualquer divertido. Coloque novamente
todas as caixas no cesto. Em seguida, recomece a actividade mas, ao colocar a
primeira caixa no chão, dê ao João a outra caixa para que seja ele a colocá-la.
Repita o procedimento, retirando progressivamente a sua ajuda até que ele seja
capaz de retirar as caixas do cesto, empilhá-las e deitá-las ao chão sem ajuda.

121 – TRABALHO PRÉ-PUZZLE – I


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, agarrar
Percepção, visual
Meta: Aumentar as competências de agarrar um objecto e de o atirar a um alvo
Objectivo: Colocar um objecto numa lata vazia
Materiais: 4 latas vazias, 4 pares de meias Procedimento:
Coloque 4 latas, em fila na mesa, em frente ao João. Coloque os 4 pares de meias
enroladas numa caixa de sapatos ao seu lado. Agarre num dos pares de meias e
mostre à criança como a deixar cair dentro da lata. Guie-lhe a mão de forma a que
ele apanhe um par de meias, dirija a mão à lata e deixe cair a meia dentro da lata.
Repita a actividade até cada lata ter uma meia dentro. Gradualmente, reduza a sua
assistência à medida que o João for desempenhando a tarefa de forma mais
independente. Observe-o cuidadosamente no sentido de verificar se existe alguma
parte da tarefa que lhe seja particularmente difícil. Se ele mostrar dificuldade com
alguma parte específica, gesticule no sentido da acção desejada. Quando todas as
meias estiverem nas latas, remova os materiais e recompense-o.

122 – TRABALHO PRÉ-PUZZLE – II


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, agarrar
Percepção, visual
Meta: Aumentar a capacidade de agarrar um objecto e lançá-lo num alvo
Objectivo: Colocar uma conta numa caixa dos ovos Materiais:
Caixa dos ovos, 12 contas grandes (ou nozes) Procedimento:
Divida uma embalagem de cartão dos ovos e coloque uma das partes em frente ao
João. Ponha uma das contas à sua frente e aponte para um dos espaços vazios da
caixa de cartão e diga: “Põe.”. Elogie-o e recompense-o imediatamente se ele fizer
alguma tentativa para segurar na conta e depositá-la num dos espaços vazios que
pertencem à caixa de ovos. Se ele parecer que não entende dirija-lhe a mão nessa
actividade. Repita o procedimento até colocar todas as contas na embalagem.
Reduza gradualmente a assistência até que a criança consiga libertar a conta na
embalagem. De início, terá de apontar para a caixa vazia no sentido de lhe dirigir a
sua actividade. Quando estiver familiarizado com a actividade, diga: “Põe.”, mas
não aponte. Verifique se ele consegue localizar visualmente o recipiente vazio e
colocar a conta, lá dentro.

123 – ANÉIS
Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Meta: Melhorar a coordenação óculo-manual e o controle da motricidade fina
Objectivo: Enfiar 4 anéis numa estaca sem ajuda
Materiais: Anéis, estaca Procedimento:
Coloque a estaca à frente do João e mostre-lhe os anéis. Diga “Olha, João”, e
mostre-lhe como atirar o anel na estaca. Tire o anel e repita o procedimento. Dê o
segundo anel ao João e diga-lhe “Põe.”. Guie a sua mão pela actividade pretendida.
Repita o procedimento até que todos os anéis estejam introduzidos na estaca.
Elogie-o sempre que colocar um anel e recompense-o quando todos os 4 anéis
estiverem introduzidos. Assegure-se que ele vê que todos os anéis que lhe serão
dados para que tenha a noção do término da tarefa.

124 – EMPILHAR BLOCOS


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, agarrar
Meta: Melhorar a coordenação óculo-manual e o controle da motricidade fina Objectivo:
Empilhar 4 blocos sem ajuda
Materiais: 4 blocos médios Procedimento:
Coloque 4 blocos na mesa, à frente do João. Assegure-se que lhe despertou a
atenção e demonstre como se empilham os blocos no sentido de formar uma torre.
Desfaça a torre e coloque os blocos na posição original. Coloque um dos blocos
directamente em frente do João. Tire um segundo bloco e diga “Põe em cima.” e
coloque-o em cima do primeiro. Assegure-se que ele está a olhar enquanto empilha
o segundo bloco. Segure a sua mão, ajude-o a apanhar o 3º bloco, diga “Põe em
cima.” e dirija a mão do João. Repita o procedimento com o quarto bloco, mas,
desta vez, aponte e diga “Põe em cima.”. Dê-lhe uma oportunidade de empilhar o
bloco sozinho mas ajude-o se parecer confuso. Quando todos os blocos estiverem
empilhados, a actividade termina. Repita o
procedimento até o João conseguir empilhar os blocos sem ajuda.

125 – CUBOS EM LATA


Coordenação óculo-manual, controle
Percepção, visual
Meta: Aumentar as motricidade fina e atenção
Objectivo: Colocar 4 blocos numa lata
Materiais: Lata de café com um corte na tampa, 4 blocos, 2 tabuleiros Procedimento:
Coloque a lata de café na mesa entre si e o João. Coloque 2 cubos em cada
tabuleiro e coloque um de cada lado da lata (ver figura). Aponte para um cubo e
diga “Põe dentro.”. Se necessário, segure-lhe na mão e guie-o para a actividade
pretendida (segurar um cubo e colocá-lo dentro da lata através do corte da tampa).
Aponte para um bloco no outro tabuleiro e repita o procedimento. Assegure-se que
o João está a olhar para a sua mão enquanto você aponta para os blocos. Alterne
os cubos dos tabuleiros diferentes para que ele seja forçado a mover os seus Olhas
à medida que vai apontando.
126 – ENCAIXES
Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Percepção, visual
Meta: Aumentar a capacidade em direccionar um objecto para um alvo específico.
Objectivo: Inserir 5 cavilhas num quadro sem ajuda.
Materiais: Caixa de sapatos, cavilhas (podem ser feitas do pau da vassoura).
Procedimento:
Coloque o encaixe na mesa em frente ao João. Manipule a mão dele para que tire todas
as cavilhas e as coloque na mesa. Segure o dedo
indicador e ajude-o a localizar o orifício na caixa.
Aponte para uma das cavilhas e aponte para um
dos buracos e diga “Põe dentro.”. Guie-o na
introdução da primeira cavilha mas, gradualmente, reduza a ajuda prestada. Após o ter
ajudado a introduzir a primeira cavilha, ajude-o a retirá-la e a introduzi-la novamente.
Repita o procedimento com todas as cavilhas. Após o João se habituar a esta rotina, diga-
lhe “Põe.”, mas não aponte para uma peça específica ou para um buraco.
Recompense-o quando todas as cavilhas estiverem na caixa.

127 – ESTOJO DE LÁPIS


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Percepção, visual
Meta: Melhorar a manipulação de objectos e controlar a direcção para um alvo
Objectivo: Colocar 4 lápis nos furos de um estojo de lápis sem ajuda
Materiais: Lata (sumo, vegetais, etc.), cartão, 4 lápis procedimento:
Construa um estojo de lápis simples, fazendo furos numa
peça de cartão e colando-a no cimo da lata (ver figura).
Assegure-se que os furos têm a dimensão suficiente para
que os lápis caibam. Coloque os estojo e 4 lápis à frente do
João. Assegure-se que ele está a olhar e ponha um

lápis num dos furos. Dê-lhe um lápis e guie-lhe a mão


para um dos furos, enquanto diz “Põe dentro.”. Elogie-o imediatamente. Dê-lhe um
terceiro lápis, aponte para outro furo e diga: “Põe dentro.”. Ajude-o só se for
necessário. Quando ele estiver habituado a pôr os lápis, pare de apontar para os
furos e veja se ele é capaz de localizar os furos vazios e tenta lá pôr os lápis.
128– COLORIR
Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Meta: Melhorar o controle da mão e desenvolver competências de colorir
Objectivo: Fazer 4 ou 5 marcas com um lápis dentro de um espaço delimitado por uma
linha grossa
Materiais: Lápis, papel, marcadores Procedimento:
Usando um marcador faça dois círculos ou quadrados numa folha de papel (ver
figura). Faça os contornos grossos, escuros e claramente visíveis. Coloque uma
folha de papel e dois lápis na mesa em frente do João. Tire um lápis e faça alguns
rabiscos dentro do espaço delimitado pelo círculo. Dê-lhe um segundo lápis e diga
“Faz tu.”. Ajude-o a agarrar o lápis e a rabiscar por alguns segundos dentro do
círculo. Elogie-o, remova a folha e repita o procedimento com uma segunda folha.
De início o João não entenderá a ideia de colorir dentro de um espaço delimitado.
Continue a fazer as marcas apenas dentro das linhas e use a sua mão para que ele
faça o mesmo. Retire, gradualmente o controle da mão à medida que ele conseguir
colorir de uma forma controlada. Recompense-o sempre que completar um folha de
trabalho.

129- ENFIAR CONTAS – I


Coordenação óculo manual, controle
Motricidade fina e coordenação das duas mãos
Meta: Incrementar a coordenação óculo-manual e o uso cooperativo das duas mãos
Objectivo: Enfiar duas contas num pino enquanto o segura com uma mão
Material: Pino de enfiar e contas Procedimento:
Coloque o pino em cima da mesa e dê ao João uma conta (certifique-se de que
cabe no pino) e guie a sua mão para que a enfie. Pegue numa segunda conta,
mostre-a e diga: “Põe aqui.”, apontando para o pino. Ajude-o apenas se for
necessário. Quando estiverem duas pintas no pino, coloque-o de lado e ponha outro
na mesa. Desta vez tente que ele ponha o pino sem a sua ajuda. Quando ele
conseguir fazê-lo com a base assente na mesa, ajude-o a segurar o pino com uma
mão e a enfiar as contas com a outra. De inicio terá que o ajudar com as suas mãos,
mas vá retirando a assistência à medida que o João vai progredindo.

130 – ENFIAR CONTAS – II


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Meta: Incrementar a coordenação óculo-manual e o uso cooperativo das duas mãos
Objectivo: Colocar duas contas num suporte sem ajuda
Material: Pino de enfiar e contas Procedimento:
Quando o João conseguir colocar as contas num pino (actividade 129) tente que o
faça num objecto mais flexível, mas ainda rígido, como por exemplo um tubo de
plástico. Demonstre como fazê-lo segurando o tubo com uma mão e usando a outra
para apanhar as contas, depois dê-lhe o tubo e ajude-o a segurá-lo com uma mão.
Ajude o João a colocar as contas no tubo e quando ele conseguir recompense-o.
Reduza o seu apoio à medida que ele vai progredindo.

131 – ENFIAR CONTAS – III


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Meta: Incrementar a coordenação óculo-manual e o uso cooperativo das duas mãos Objectivo:
Enfiar 5 contas num atacador de sapato, sem ajuda.
Material: Atacador de sapato e contas.
Procedimento:
Depois do João conseguir enfiar as contas no tudo sem ajuda (actividade130), mude
parta um cordão ou atacador de sapato. Dê um nó numa das extremidades para
que as contas não saiam. Demonstre primeiro como enfiar a conta no fio. Certifique-
se de que o João está a olhar para a sua demonstração. Depois guie-o para que
segure no atacador com uma mão e numa conta com a outra. Ajude-o a enfiar a
primeira conta e a fazê-la deslizar até ao nó do fio. Repita a actividade até enfiar as
5 contas. No principio terá que lhe ensinar o que cada mão terá que fazer, parar
que ele consiga usá-las cooperativamente. Repita a actividade até que ele consiga
colocar as 5 contas sem ajuda.

132 – MOLAS DE ROUPA


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação, emparelhar
Meta: Incrementar competências para emparelhar e força manual
Objectivo: Colocar 6 molas de roupa no lugar assinalado num tubo
Material: 6 molas de roupa de cores diferentes, um tudo Procedimento:
Quando o João conseguir colocar molas de roupa numa caixa sem ajuda (actividade
111) comece a ensinar-lhe a colocar molas em sítios marcados de um tubo.
Desenhe 6 estrelas no lado exterior do tubo e vire-as para cima, para que ele
coloque as molas directamente nas estrelas. Se quiser usar esta tarefa para o
emparelhar das cores, desenhe as estrelas com as cores das molas. Depois dêlhe
uma mola aponte para a estrela e diga: “Põe aqui.”. Se ele a tentar colocar em
qualquer lado do tubo aponte para a estrela e repita: “Põe aqui.”. Se ele lhe parecer
confuso, guie-lhe a mão para a estrela. Quando ele conseguir colocar as 6 molas
sem a sua ajuda, diga ocasionalmente: “Põe aqui.”, sem apontar. Veja se ele
procura as estrelas ainda vazias para colocar a mola.

133 – TRABALHAR O PRÉ-DESENHO


Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Imitação, Motricidade
Meta: Aumentar o controle manual e desenvolver as primeiras competências de
desenho
Objectivo: Traçar três linhas num prato de açúcar ou farinha com um dedo
Materiais: Um prato, açúcar ou farinha Procedimento:
Espalhe o açúcar num prato. Pegue no dedo indicador do João e mostre-lhe como
fazer linhas rectas. Reduza o seu apoio à medida que ele começar a fazer marcas
sozinho. quando ele perceber toda a actividade, faça marcas e tente que ele a imite.
Faça padrões na vertical e horizontal.

134. BRINQUEDOS DE ENCAIXE


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar a coordenação óculo-manual e aprender a usar adequadamente os
brinquedos
Objectivo: Fazer uma construção simples de 3 encaixes
Materiais: Brinquedos de encaixe
Procedimento:
Certifique-se de que o João está a olhar para si e faça as três construções. Ponha
o seu modelo na mesa e dê-lhe peças para ele fazer construções semelhantes.
Ajude-o a copiar o primeiro modelo, controlando as suas mãos. Reforce-o e coloque
a construção ao lado da sua. Dê-lhe as peças para fazer o segundo modelo. Ajude-
o se ele parecer confuso. À medida que ele for controlando melhor a actividade,
retire a sua ajuda e aumente o número de peças da construção.
Recorde que demasiadas peças em frente dele podem desorganizá-lo.

135 – MOLDAR PLASTICINA – I


Coordenação óculo-manual
Motricidade fina, coordenação óculo-manual
Percepção visual
Imitação e motricidade
Meta: Incrementar a coordenação óculo-manual e desenvolver a capacidade de
copiar objectos
Objectivo: Copiar três objectos comuns com a plasticina
Material: Plasticina, 3 objectos comuns com formas simples (por ex.: bola, bolacha, cubo
Procedimento:
Sente o João à mesa. Coloque um dos objectos a serem copiados em frente dele,
assim como dois pedaços de plasticina. Nomeie o objecto a copiar e certifique-se
de que ele está a olhar. Se estiver a fazer uma bola diga “Olha, João, uma bola.”.
Quando ele olhar mostre-lha e coloque-o ao lado do objecto original. Depois aponte
para o segundo objecto e faça o mesmo. Se ele não fizer nenhum movimento com
a plasticina ajude-o a começar, com a sua mão. Se ele não compreender ajude-o,
com as suas mãos, a moldar a bola. Reforce-o imediatamente e repita o
procedimento com os outros objectos. À medida que ele for sendo mais capaz e
independente, retire o seu apoio.

136 – MOLDAR PLASTICINA – II


Coordenação óculo-manual
Motricidade fina, coordenação óculo-manual
Percepção visual
Imitação e motricidade
Meta: Aumentar a coordenação óculo-manual, aprender a usar adequadamente os
jogos e desenvolver a capacidade de reproduzir cópias de representações
bidimensionais
Objectivo: Moldar com plasticina figuras representadas por desenhos
Material: Plasticina, desenho de três objectos comuns e familiares ao João. Devem ser
muito claros para ele, podem ser desenhados ou recortados de uma revista, se
possível devem representar os mesmos objectos trabalhados na actividade 135 Procedimento:
Quando o João conseguir moldar a plasticina para copiar os objectos com estes
presentes, ensine-o a moldar objectos a partir de figuras. Coloque dois bocados de
plasticina em cima da mesa e uma figura a reproduzir. Certifique-se de que ele esta
a olhar para a figura. Diga: ”Olha João, a bola.“ e aponte para a figura. Depois pegue
num bocado de plasticina e faça uma bola. Aponte para o segundo bocado de
plasticina e diga: “ Olha, faz a bola.”. Se ele lhe parecer confuso, ajudeo a começar.
Coloque a segunda bola perto da figura e aponte para o conjunto dizendo: “ Bola”.
Reforce-o imediatamente e repita o procedimento com as outras duas figuras.
137. PARTES DE UM TODO
Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Percepção visual
Meta: Reconhecer a relação entre as partes e o todo e juntar as partes correctamente
para formar um objecto
Objectivo: Juntar, sem ajuda as partes de uma figura dividida em duas
Material: Papel de cor, papel branco, lápis, tesoura e cola Procedimento:
Corte partes de objectos que, quando juntas, formem um objecto que o João
reconheça facilmente. Desenhe uma linha no meio de uma folha branca e num dos
lados da linha coloque o modelo do objecto. Mostre ao João as duas partes do
objecto e como deve colocá-las no outro lado da folha que contém o modelo.
Certifique-se de que ele está a olhar para si enquanto as coloca directamente no
outro lado da folha. Nomeie o objecto e retire as duas partes novamente. Diga-lhe
que junte as duas partes, se ele parecer confuso ajude-o a rodar as partes até que
encaixem adequadamente e depois cole o desenho no papel. Pendure o desenho
na sala de aula para mostrar que tem orgulho no seu trabalho. À medida que ele for
dominando a tarefa divida as figuras em 3 ou 4 partes e repita o procedimento.

138. PINÇAS
Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Percepção visual
Meta: Aumentar a coordenação óculo-manual, o controle da motricidade fina e a
capacidade de movimentar objectos
Objectivo: Pegar em 6 objectos pequenos com pinças e colocá-los em copos ou cartões
dos ovos.
Material: Pinças pequenas e flexíveis, cartão de ovos, pequenos objectos (blocos,
contas etc.) Procedimento:

Coloque 2 ou 3 objectos pequenos em cima da mesa em frente do João e diga


“Olha, João.” e mostre-lhe como se usa a pinça. Certifique-se de que ele está a
olhar para si e use a pinça para pegar num dos objectos e colocá-los num buraco
do cartão de ovos. Liberte o objecto no cartão abrindo a pinça. Tente que o João o
imite no uso da pinça. Ajude-o a pegar-lhe de forma adequada. Com a outra mão
aponte para o objecto que ele deve pegar e diga “Põe este.”. Ajude-o a controlar a
pinça e a pegar no objecto. Depois encaminhe-o para o cartão e ajude-o a libertar
o objecto. Inicialmente terá que apontar para um buraco vazio para que ele saiba
onde deixar o objecto. Treine com vários objectos para que ele adquira o controle
da pinça. Diminua o controle das mãos à medida que sentir que ele vá percebendo
e controlando melhor a tarefa.
139- DESENHO: LINHAS HORIZONTAIS
Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Objectivo: Aumentar o controle manual e desenvolver competências de desenho
Objectivo: Desenhar linhas horizontais unindo pontos
Material: Papel, lápis e marcadores Procedimento:
Usando os marcadores, prepare várias folhar de trabalho desenhando 5 ou 6
conjuntos de pontos bem visíveis com cerca de 1 cm de intervalo. Dê um lápis ao
João e ajude-o a colocar o lápis no ponto da esquerda. Diga: “Por cima.” e guielhe
a mão para que vá passando por cima dos outros pontos até ao último da direita.
Repita esta actividade várias vezes. Reduza a ajuda manual à medida que sentir
que ele começa a mexer o lápis sozinho. Reforce-o por cada folha completa. Pode
ir gradualmente aumentando o grau de dificuldade, aumentando a distância entre
os dois pontos.

140- DESENHAR CÍRCULOS


Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Meta: Desenvolver competências básicas de desenho
Objectivo: Unir uma série de pontos para formar e completar círculos de um desenho
simples
Material: Papel, lápis e marcadores Procedimento:
Desenhe vários desenhos simples, um em cada página, nos quais o circulo forme
uma parte importante do desenho. Use os marcadores para fazer a figura, mas
desenhe o circulo apenas com uma série de pontos bem visíveis. Dê ao João um
lápis e uma das folhas. Nomeie o objecto e aponte para o que falta. Guie a mão
dele para desenhar o circulo que falta, unindo os pontos. Reduza a ajuda à medida
que ele aprende o que se espera dele. Veja se ele consegue descobrir no desenho
onde está o circulo para completar.
141- CORTAR COM TESOURA
Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Meta: Desenvolver o controle da tesoura e a coordenação óculo-manual Objectivo:
Cortar tiras de papel através de uma linha bem demarcada
Material: Papel, tesoura. marcador Procedimento:
Corte uma folha de papel em tiras de cerca de 1 cm cada. Com um marcador
desenhe linhas grossas ao, longo da tira com cerca de 2 cm de intervalo. Dê ao
João as tiras e a tesoura, ajudando-o a segurá-las com as mãos. Aponte para uma
das linhas e diga: “Corta.”. Se ele parecer confuso ou se tentar cortar em qualquer
parte guie as suas mãos para a linha mais próxima. Reforce-o imediatamente. repita
a actividade tantas vezes quanto as necessárias para ele conseguir cortar as linhas
sem ajuda. Quando ele já tiver percebido que deve cortar quando aponta para a
linha, experimente dizer apenas, “Corta.”, sem apontar. Veja se ele encontra a linha
sozinho e se corta adequadamente.

142 – RECORTAR FIGURAS


Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Meta: Cortar adequadamente usando a tesoura para crianças
Objectivo: Cortar figuras simples sem ajuda
Material: Livro de pintar, tesoura, lápis Procedimento:
Quando o João tiver aprendido como cortar uma linha (actividade 141) ensine-lhe a
recortar figuras. Os livros de pintar são excelentes para estes trabalhos. Primeiro
tente que ele recorte figuras apenas com linhas rectas, mas à medida que aumenta
a coordenação das mãos, pode começar a trabalhar figuras com curvas simples.
Se os desenhos estiverem pintados torna-se mais fácil para ele recortar. Quando
ele chegar ao fim de uma linho ajude-o a mudar de direcção.
Quando ele acabar reforce-o imediatamente e cole a pintura no caderno dele.

143 – QUADRO COM PORCAS E PARAFUSOS


Coordenação óculo-manual, controlo
Motricidade fina, manipulação
Meta: Melhorar a coordenação óculo-manual
Objectivo: Juntar 3 porcas e 3 parafuso de tamanhos iguais num quadro de encaixe
Materiais: Quadro de madeira, 3 porcas e 3 parafusos de tamanho igual Procedimento:
Antes de iniciar a actividade, construa um quadro simples, de madeira, tal como
visualiza na figura. Coloque 3 parafusos de tamanho idêntico tal como está na
figura. Diga “Olha, João.”. Quando estiver segura de que ele está a olhar, tire uma
porca e aperte-a de forma a ficar solta, num dos parafusos. Então, segure a mão
do João e ajude-o a agarrar a porca, fazendo pinça. Em seguida, guie a sua mão
para que aperte a porca no parafuso. Finalmente, aponte para a porca restante e
diga “Põe tu.”. Se ele tentar colocar a porca, elogie-o imediatamente e ajude-o a
terminar a tarefa. Repita a actividade muitas vezes, reduzindo a sua ajuda até que
ele seja capaz de completar todas as 3 porcas sem ajuda. Não espere que ele
consiga apertar a porca totalmente. De início, é provável que o João consiga apenas
realizar duas ou 3 voltas.

144 – QUADRO COM PORCAS E PARAFUSOS- II


Coordenação óculo-manual, controlo
Motricidade fina, manipulação.
Percepção, visual.
Meta: Melhorar a coordenação óculo-manual e a discriminação de tamanhos
Objectivo: Juntar 3 porcas e 3 parafuso de tamanhos diferentes num quadro de encaixe
Materiais: Quadro de madeira, 3 porcas e 3 parafusos de tamanho igual (actividade 143)
Procedimento:
Quando o João conseguir executar um quadro simples tal como está descrito na
actividade 143, construa um mais avançado usando 3 peças de tamanhos
diferentes. Coloque o quadro na mesa, em frente do João e espalhe as peças de
diferentes tamanhos. Segure na sua mão e ajude-o a apanhar uma das porcas.
Assegure-se que ele está a olhar e tente colocar a peça em todos os parafusos até
encontrar uma que sirva. Quando encontrar uma que não sirva, sorria, abane a
cabaça e diga “Não.”. Quando encontrar a peça apropriada, acena e diga “Sim.” e
ajude o João a enroscar a peça. Repita o procedimento com as restantes peças.
Após a ter ajudado com a segunda peça, verifique se ele consegue agarrar,
sozinho, a terceira porca e colocar no parafuso vazio. Repita a actividade, dandolhe
a ajuda que necessita até que ele seja capaz de completar o quadro sozinho.

145 – COSER CARTÃO


Coordenação óculo-manual, controlo
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Motricidade fina, agarrar
Realização cognitiva, sequencialização
Meta: Desenvolver competências organizadas de coser
Objectivo: Passar um fio pelos furos de um cartão de forma sequencial
Materiais: Cartão grosso com furos, laço de sapato Procedimento:
Mostre o cartão com furos, ao João e faça com que ele toque em cada furo com o
indicador. De início terá de guiar a sua mão para que toque nos furos no sentido
dos ponteiros do relógio. Lembre-o de tocar em todos os furos. Ajude-o a agarrar a
fio com a mão direita e a passá-lo pelo primeiro furo. Enfatize a direcção com a
ordem: “Para cima.”. Ajude-o a agarrar a ponta do fio com a mão esquerda e diga
“Para baixo.”. Ajude-o a deixar cair o fio. Em seguida, repita o procedimento,
alternando a mão direita para o movimento ascendente e a mão esquerda para o

movimento descendente. A repetição constante das directrizes vai fazer com que o
João organize a tarefa. Á medida que ele começar a iniciar a tarefa sem as
directrizes verbais, retire a sua ajuda por completo. Continue, no entanto a verificar
se ele não se esquece da direcção “Para cima.” e se não salta buracos.

146 – IMPRIMIR LETRAS DE IMPRENSA.


Coordenação óculo-manual, desenhar
Motricidade fina, manipulação
Meta: Desenvolver competências de imprimir e melhorar a coordenação óculo-
manual
Objectivo: Ligar pontos para formar letras maiúsculas
Materiais: Papel, lápis, marcador
Procedimento:
Prepare folhas de trabalho, desenhando letras maiúsculas, formadas por pontos.
Coloque uma pinta de uma cor para indicar o ponto de partida e use setas para
indicar a direcção dos movimentos. As folhas devem conter letras constituídas por
linhas rectas (ver figura). Dê o lápis, ao João e guie-lhe a mão para desenhar as
letras. Dê-lhe directrizes verbais simples à medida que traça as letras. Por exemplo:
com a letra “A” pode dizer “Para baixo, para baixo, para o lado.”, para indicar as
direcções que as linhas deverão tomar. Quando ele estiver familiarizado com as
folhas de trabalho, aumente o espaço entre os pontos e faça-os menos grossos.
Finalmente veja se ele consegue desenhar as letras somente através das suas
directrizes verbais.
147 – DESENHAR (CÍRCULOS E QUADRADOS)
Coordenação óculo-manual, desenhar
Motricidade fina, manipulação
Imitação, motor
Meta: Aumentar as competências de desenho e a coordenação óculo-manual
Objectivo: Ligar pontos para desenhar círculos e quadrados
Materiais: Papel, lápis, marcadores Procedimento:
Prepare várias folhas de trabalho contendo um círculo ou um quadrado cujas linhas
exteriores são constituídas por pontos. Os pontos devem ser claramente visíveis e,
no início, próximos um dos outros. Coloque uma dessas folhas e um lápis em frente
do João. Segure-lhe no indicador e, lentamente, trace a forma das figuras que a
folha de trabalho contém. Á medida que move o seu dedo diga: “Ponto.” todas as
vezes que o dedo do João passar por cima de um destes. Após repetir esta
actividade muitas vezes, dê-lhe o lápis e ajude-o a ligar os pontos. Continue a repetir
“Ponto.” todas as vezes que os ligar. Repita a actividade várias vezes, usando
novas folhas de trabalho. Quando ele começar a ligar os pontos sozinho, reduza o
número de pontos de cada figura e trace pontos cada vez com menos pressão de
forma a que fiquem desenhados com menos tinta logo, mais claros. Quando o
número de pontos tiver sido reduzido a 4 por figura, tire uma folha de papel em
branco e desenhe apenas metade do círculo ou do quadrado.
Verifique se o João completa a outra metade.

148 – DESENHAR CRUZES E DIAGONAIS


Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar as competências de desenho e a coordenação óculo-manual
Objectivo: Ligar pontos para formar cruzes e linhas diagonais
Materiais: Papel, lápis, marcadores Procedimento:
Faça várias folhas de trabalho, desenhando conjuntos de pontos que formam cruzes
ou diagonais. Use uma cor diferente para indicar o ponto de partida (ver figura).
Comece com as folhas de trabalho que contenham apenas as linhas diagonais. Dê
o lápis ao João e guie-lhe as mão para que ligue os pontos. Diga “Ponto, ponto,
ponto.”, enquanto desenhas as linhas. À mediada que ele começa a mover o lápis
sozinho, retire progressivamente o controlo das mãos, mas continue a repetir
“Ponto, ponto, ponto.”. Repita o procedimento usando folhas de trabalho que
contenham cruzes formadas por pontos. Á medida que as suas aptidões aumentam,
use menos pontos por padrão e faça-os mais leves. Quando o João conseguir
conectar somente dois pontos pequenos, desenhe uma linha diagonal ou uma cruz
e veja se ele as consegue copiar sem quaisquer que lhe sirvam de referência.

149 – DESENHAR: DECALQUES


Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Imitação, motor
Meta: Melhorar a coordenação óculo-manual, controlo de um lápis e a capacidade em
desenhar formas
Objectivo: Desenhar figuras geométricas simples, usando inicialmente um decalque e, em
seguida, sem qualquer referência
Materiais: Cartão grosso, lápis, papel Procedimento:
Prepare decalques simples cortando quadrados, círculos e triângulos de peças de
cartão forte. Coloque as 3 peças de um lado da mesa de forma a que o João veja
quantas vezes ele terá de desempenhar a tarefa. Coloque o 1º decalque numa
folha, à frente do João e ajude-o a mover o dedo no interior do decalque. Repita o
procedimento com o lápis na mão do João. Remova o decalque e mostre-lhe o
desenho que acabou de executar. Repita o procedimento com o 2º o e 3º decalque.
Recompense-o após cada decalque. Reduza o controlo da sua mão até que consiga
traçar o decalque sozinho. Á medida que adquire experiência com o decalque, faça
com que trace apenas metade da figura e, na outra metade, execute o desenho
sem modelo. Continue a desenhar a forma com e sem o decalque. Reduza o
controlo da mão até que ele consiga desenhar a forma com e sem o decalque.

150 – DESENHAR: CONVERTER FORMAS EM DESENHOS


Coordenação óculo-manual, desenho
Percepção visual
Meta: Melhorar as competências de desenho e desenvolver a imaginação
Objectivo: Converter figuras simples em desenhos vulgares
Materiais: Papel, lápis Procedimento:
Faça várias folhas de trabalho, cada uma delas contendo um círculo ou um
quadrado. Tire uma dessas folhas e um lápis e mostre ao João como decorá-la de
forma a convertê-la um objecto que lhe é familiar (ver figura). Por exemplo: mostre-
lhe um quadrado e diga “Olha João: quadrado. Desenha casa.”. Dê-lhe um lápis e
guie-lhe a mão para decorar um quadrado, fazendo-o parecido com uma casa.
Segure o seu dedo e contorne o traçado original, dizendo “Quadrado.”. Em seguida
segure a imagem à sua frente e diga “Casa.”. Após o ter ajudado a converter o
quadrado em casa muitas vezes, aligeire o controlo da mão e, quando estiver quase
a terminar o desenho, verifique se ele o consegue terminar sozinho. Gradualmente,
tente fazer com que ele desenhe porções maiores da figura sozinho.

151 – IMPRIMIR O NOME PRÓPRIO


Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Realização cognitiva, emparelhar
Meta: Melhorar a coordenação óculo-manual, imprimir, aptidões em emparelhar
Objectivo: Imprimir as letras do 1º nome da criança com cópia de um modelo
Materiais: Papel colorido, papel branco, lápis Procedimento:
Corte as letras referentes ao nome do João (no caso do exemplo: S-C-O-T-T) em
papel colorido. As letras devem ter cerca de 8 cm tamanho. Trace os contornos
exteriores das mesmas debaixo do modelo. Desenhe as mesmas letras, uma
terceira vez, constituídas por pontos (ver figura). Faça várias folhas de trabalho
iguais. Coloque uma destas folhas em frente ao João. Dê-lhe um conjunto de letras
e faça com que ele as emparelhe com as do modelo. Se ele necessitar de ajuda,
mostre-lhe como emparelhar letra a letra até que ele o consiga fazer.
Em seguida, faça com que pinte as letras da segunda fila. Ajude-o a colorir dentro
das linhas, guiando-lhe a mão. Finalmente, faça com que ligue os pontos da terceira
fila. Ajude-o se necessitar. Diga “Ponto, ponto, ponto.”, enquanto ele vai ligando os
pontos. Repita as letras, nesta sequência. Cada vez que o João combinar, pintar as
letras ou juntar os pontos que as formam, diga o nome da letra. Tente fazer com
que ele repita o nome da letra. Além disso, cada vez que ele completar uma
sequência, repita o nome total e peça-lhe parar fazer o mesmo.
Use apenas uma folha por sessão.
152 – DESENHAR: COMPLETAR FIGURAS SIMPLES
Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Percepção, visual
Meta: Aumentar as competências de desenho e a percepção
Objectivo: Observar uma figura, notar o que falta e completar o desenho
Materiais: Papel, lápis Procedimento:
Desenhe vários objectos simples com os quais o João é familiar mas deixe por
desenhar uma parte óbvia da figura (ver figura). Dê-lhe uma folha e um lápis. Segure
no seu indicador e ajude-o a percorrer o traçado do desenho. Assegure-se que ele
está a olhar para o desenho à medida que move os seus dedos. Quando chegar à
parte do desenho que foi omitida, diga “Oh oh, não está.”. Ajude-o a completar o
desenho. Recompense-o imediatamente e tire uma segunda folha. Repita o
procedimento muitas vezes. Á medida que ele se habituar à tarefa, verifique se ele
consegue localizar a parte que falta sem que tenha de mover o seu dedo pelo
desenho inteiro.

153 – DESENHAR FORMAS E DESENHOS


Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar as competências de desenho
Objectivo: Ligar pontos para realizar formas simples e desenhos
Materiais: Papel, lápis, marcadores Procedimento:
Faça várias folhas de trabalho com pontos de lápis que formam desenhos simples
e formas. Use um ponto colorido afim de indicar o início do desenho e setas para
indicar a direcção pela qual deverá mover o lápis (ver figura). Ajude o João a unir
os pontos para completar os desenhos. Retire a sua ajuda assim que ele começar
a unir os pontos sozinho. Á medida que ele se tornar mais apto a ligar os pontos,
separe mais os pontos e trace-os de forma mais leve.

154 – Tachas – II
Coordenação óculo-manual, controle
Motricidade fina, manipulação
Motricidade fina, agarrar
Percepção, visual
Meta: Aumentar a capacidade de agarrar e direccionar um objecto a um alvo
Objectivo: Colocar 12 tachas num quadro de cortiça num padrão delimitado através de
bocados de papel colorido.
Materiais: Tachas, quadro de cortiça, papel colorido Procedimento:
Coloque uma tacha em frente à criança e guie a sua mão no sentido de o apanhar
com cuidado pela ponta. Em seguida, guie-lhe a mão para espetar a tacha no
quadro de cortiça. Repita o procedimento até que ela consiga colocar as tachas ao
acaso sem ajuda. Coloque 12 pontos de papel colorido autocolante, delimitando
alguns objectos facilmente reconhecíveis tais como uma casa ou uma cara. Espalhe
as tachas, na mesa, em frente ao João. Aponte para uma delas e, em seguida,
aponte para um dos papeis e diga: “Põe.”. Se ela tentar colocar a tacha em qualquer
sítio que não o papel, guie-lhe a mão gentilmente para o local apropriado. Repita o
procedimento com as restantes tachas. Á medida que ele se habituar à tarefa, diga
ocasionalmente “Põe.”, mas não aponte para o papel. Veja se ele pode localizar
visualmente um ponto vazio e colocar a tacha. Se ele lhe parecer confuso, aponte
rapidamente para um dos pontos para que a criança não se sinta frustrada.

155 – ESCREVER NÚMEROS


Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Meta: Desenvolver competências de escrita
Objectivo: Seguir pontos para desenhar algarismos
Materiais: Papel, lápis, marcador procedimento:
Faça números constituídos por pontos de, aproximadamente 10 cm de tamanho.
Assegure-se que os pontos são claramente visíveis e, no início, deverão estar muito
perto uns dos outros. Use um ponto vermelho ou verde para indicar o ponto de
partida e setas para indicar a direcção (ver figura). Coloque uma folha de trabalho
em frente do João e dê-lhe um lápis. Guie-lhe a mão no sentido de ligar todos os
pontos. Diga “Ponto.” todas as vezes que o lápis atingir um deles. Quando terminar
de ligar os pontos, diga o nome do número. Não espere que o João aprenda mas
números. O objectivo da actividade é fazer tão somente que ele se habitue a ouvir
o nome. Quando ele conseguir ligar os ponto sem ajuda, use menos pontos por
número e faça os pontos com menos pressão. Quando atingir o estádio de ter
apenas 3 ou 4 pontos por número, tente fazer com que ele copie o número sem a
sua ajuda manual usando esse mesmo padrão. De início, limite cada sessão a uma
ou duas folhas de trabalho mas, gradualmente, aumente a duração da tarefa à
medida que esta se tornar mais fácil para ele.

156 – LABIRINTOS
Coordenação óculo-manual, desenho
Motricidade fina, manipulação
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Melhorar o controlo do lápis e desenvolver competências de desenho
Objectivo: Completar labirintos simples desenhando uma linha entre duas linhas paralelas
afastadas entre si , 1 cm
Materiais: Papel , lápis, folhas plastificadas (para serem reutilizadas) Procedimento:
Prepare um número de labirintos simples, desenhando duas linhas paralelas
afastadas entre si 3 cm. Faça apenas um labirinto por página e, se possível,
plastifique-as. Comece por trabalhar labirintos simples com cerca de 10 cm de
comprimento (ver figura). Mostre, ao João, como começar do lado esquerdo e
desenhar uma linha intermédia direccionada para o lado direito. Dê-lhe o lápis e
guie-lhe a mão de modo a que não desenhe fora das linhas. Reduza a ajuda à
medida que ele for conseguindo desenhar uma linha entre as do labirinto. Assim
que as suas aptidões aumentarem, faça labirintos mais divertidos, colocando figuras
no início e no final destes.
157 – DESENHAR UMA PESSOA
Coordenação óculo-manual, desenho
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Imitação, motor
Meta: Desenvolver competências de desenho e entender conceitos corporais
Objectivo: Desenhar uma figura humana simples, sem ajuda
Materiais: Papel, lápis Procedimento:
Sente-se, à mesa, ao lado do João. Cada um de vós deverá ter um papel e um lápis
à vossa frente. Chame a atenção do João e diga “Olha João, desenha a cabeça.”.
Desenhe um círculo na sua folha de papel e diga “Cabeça.”. Em seguida, aponte
para a folha de papel do João e diga “ faz tu”. Desenha cabeça”. Ajude-o a começar
se necessitar. Após ter desenhado a cabeça, dirija a sua atenção para os Olhas,
“Desenha Olhas.” e adicione Olhas simples ao seu desenho. Aponte para o papel
do João e diga “Faz tu. Desenha Olhas.”. Ajude-o apenas se parecer extremamente
confuso. Repita o procedimento com as restantes partes corporais. Mantenha o seu
desenho simples de forma de forma a que ele o consiga imitar facilmente. Lembre-
se de nomear cada parte do corpo à medida que for desenhando. De início, use
apenas 3 partes corporais de cada vez. Adicione gradualmente outras partes assim
que ele estiver familiarizado com a tarefa, por exemplo, boca, cabelo, nariz, dentes,
etc.

158 – DESENHAR CATEGORIAS


Coordenação óculo-manual, desenho
Realização cognitiva, categorização
Meta: Aumentar competências de desenho, imaginação e a capacidade de
categorizar objectos e decidir o que desenhar de forma independente
Objectivo: Pensar acerca de e executar um desenho de um objecto da mesma categoria
de um objecto desenhado pelo professor
Materiais: Papel, lápis Procedimento:
Seleccione uma categoria com a qual o João está familiarizado e que contenha um
número de objectos diferentes que ele consiga desenhar. Podem ser frutos,
brinquedos ou coisas móveis (carros, aviões, barcos). Tire uma folha de papel e
diga “Vamos desenhar frutos.”. Numa folha de papel desenhe uma maçã e digalhe
o nome. Diga “Uma maçã é um fruto. Desenha um fruto diferente”. Se o João se
mostrar confuso, diga “Uma banana é um fruto. Desenha uma banana”. Assim que
ele estiver mais apto na tarefa de desenhar diferentes membros das diferentes
categorias, dê-lhe mais escolhas e tente fazer com que o João escolha o que quer
desenhar. Por exemplo, após desenhar uma maçã, diga-lhe “Bananas, pêras e uvas
são frutos.”. Tente evitar que ele desenhe um determinado item sem escolher.
Repita a actividade usando tantas categorias quantas o João conhecer. De início,
terá de o ajudar a desenhar os outros membros da categoria até que aprenda a
associar os desenhos e os objectos.
REALIZAÇÃO COGNITIVA

Nesta secção incluímos 2 áreas:


1) A compreensão receptiva da linguagem, símbolos e unidades
simbólicas da comunicação;
2) As aptidões de realização, tais como emparelhar, categorizar e
sequencializar, são necessárias para organizar e compreender a
informação do ambiente. Estas capacidades de realização são facilitadas
pela linguagem receptiva, mas a linguagem não é um prérequisito para
levar a cabo todas as tarefas de realização cognitiva. Colocámos as
actividades de linguagem receptiva e realização na mesma categoria,
porque muitas crianças com autismo têm muitas dificuldades para adquirir
essas funções.
Algumas crianças podem aprender capacidades cognitivas não verbais muito mais
rapidamente do que a linguagem receptiva, enquanto que outras aprendem mais
facilmente de forma inversa .Porque ambos os tipos de capacidades são essenciais
para a adaptação, nós achamos que é útil descobrir quais os tipos de resposta que a
criança prefere dar e não fazer uma distinção formal entre a linguagem receptiva e a
realização cognitiva
Os exemplos apresentados nesta secção foram seleccionados tendo em conta uma
aplicação geral, mas não estão todos os exemplos incluídos. Entre as ilustrações da
linguagem receptiva estão os procedimentos de ensino das ordens “senta”, “vem”,
“pára” e “vai”. Num nível mais elevado estão os nomes de objectos e os nomes da
família, frases com sujeito e predicado e preposições.
As realizações cognitivas não verbais contêm exercícios de correspondência de pares
de objectos ou de imagens, agrupamento de objectos ou figuras pelas suas funções,
distinguindo substâncias comestíveis de não comestíveis, categorização e
sequencialização de imagens.
Todas as funções cognitivas desta natureza são certamente aprendidas mais
facilmente quando a criança conhece as palavras mais relevantes, mas também as
poderá aprender sem conhecer essas palavras, no entanto, terá mais dificuldade.
Muitas destas capacidades de realização são especialmente importantes para um
futuro percurso de aprendizagem na área da pré-profissionalização.
159 – RECONHECIMENTO DO NOME
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Percepção, auditiva
Meta: Desenvolver o reconhecimento do nome
Objectivo: Olhar para a pessoa que fala quando o seu nome é pronunciado
Materiais: Nenhum Procedimento:
De forma periódica, ao longo do dia, diga o nome do João em voz alta e clara. Se
ele olhar para si recompense-o imediatamente com um abraço ou outra pequena
recompensa que ele aprecie. Se ele não responder, coloque-se no seu campo de
visão e chame-a de novo “João.”. Comece por estar muito perto dele e repita o seu
nome uma vez durante alguns minutos. Recompense-o de cada vez que ele mover
a cabeça para si, mesmo que não faça o contacto visual. Quando ele começar a
responder aumente gradualmente a distância da criança noutras actividades ou
quando está só a brincar com ele.

160 – INDICAR OBJECTOS DESEJADOS


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver a aptidão de indicar necessidades ou desejos de forma não verbal
Objectivo: Apontar para um objecto desejado
Materiais: Recompensas comestíveis ou brinquedos favoritos Procedimento:
Mostre ao João um brinquedo favorito (ou uma recompensa comestível) e coloque-
o na mesa em frente a ele: Não o deixe alcançar a recompensa até que o tenha
ajudado a apontar para o objecto. Deixe o João olhar para a recompensa e aponte
para ele. Depois guie-o para que a aponte antes de lha dar. Repita a actividade
muitas vezes durante o dia. À medida que João adquire a ideia de apontar, mesmo
que o tenha de ajudar, não perca qualquer oportunidade durante o dia de o
encorajar a apontar. Retire a sua ajuda gradualmente, à medida que João
compreende que pode apontar correctamente quando deseja algo. Quando ele
começar a apontar sozinho, dê-lhe 2 objectos e leve-o a apontar espontaneamente
indicando que quer algo. No princípio o João provavelmente irá indicar os seus
desejos apontando à volta. Gradualmente encoraje-o a apontar correctamente com
o dedo, ajudando-o a mantê-lo na posição correcta.

161 – RESPONDER A ORDENS VERBAIS


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver a compreensão de ordens verbais
Objectivo: Vir em resposta a uma ordem verbal
Materiais: Nenhum Procedimento:
Esta actividade requer 2 pessoas. Cada uma deve ter um pequeno grupo de
recompensas. Os 2 adultos (A e B) devem sentar-se frente a frente, a alguns
centímetros de distância, com o João ao lado de B. A pessoa A diz “João, vem cá.”,
empunhando uma recompensa. No princípio, a pessoa B poderá ter de dar ao João
um pequeno toque de encorajamento para que ele caminhe para a recompensa.
Quando o João vai para o pé de A, ele dar-lhe-á uma recompensa. Este processo
deve repetir-se várias vezes e os adultos devem alternar os seus papéis. Repetir 4
ou 5 vezes em cada sessão. À medida que ele vai correspondendo ao pedido vá
retirando progressivamente as recompensas. Se ele tentar movimentar-se antes da
ordem ser dada, segure-o até que a ordem seja dada. Quando o João for capaz de
corresponder a essa ordem, numa actividade controlada, comece a generalizar a
sua compreensão da palavra das seguintes maneiras:
Diga-lhe para vir algumas vezes durante o dia: Assegure-se de que ele está atento
e dê-lhe a instrução verbal.
b) Diga-lhe para vir quando ele está perto mas não está a olhar.
c) Diga-lhe para vir quando você está atrás dele de forma que ele tenha de se
virar para chegar até si.
Faça estes passos um de cada vez. Assegure-se de que ele aprendeu um antes de
passar ao seguinte.

162 – SENTAR-SE QUANDO SE LHE É PEDIDO


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver a compreensão de ordens verbais
Objectivo: Sentar-se em resposta a uma ordem verbal
Materiais: 3 cadeiras, incluindo uma mais pequena Procedimento:
Coloque as 3 cadeiras de maneira a que 2 fiquem de frente a uma cadeira, com uma distância
de alguns pés. Esta actividade requer 2 pessoas Uma pessoa
deve sentar-se na cadeira em frente das outras. O João e um
adulto devem estar, de pé, em frente às suas cadeiras de forma
a que os
Olhas da criança estejam ao nível da pessoa que está
sentada. Esta pessoa diz: “João, senta-te.”, de forma clara e
firme. O adulto que está ao pé da criança senta-se e pode ajudar o João a sentarse.
Quem dá a ordem deve imediatamente recompensá-lo. Repetir a actividade tantas
vezes quantas as necessárias até que a criança comece a antecipar a ordem verbal
e já não necessite da ajuda do adulto.
163 – JOGAR AO “PÁRA E ANDA”
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver a compreensão de ordens verbais
Objectivo: Parar e andar em resposta a uma ordem verbal, enquanto caminha
Materiais: Nenhum Procedimento:
Agarre na mão do João e caminhe com ele à volta da sala algumas vezes.
Ocasionalmente diga “Pára.” E mantenha-o numa posição de paragem. Elogie-o
por parar e insista nessa posição estacionária durante alguns segundos. Depois
diga “Anda.” E comece a andar de novo. Repita o processo muitas vezes. Repare
se ele começa a parar quando ouve a palavra ou se pára porque a mantém nessa
posição. Quando ele começa a antecipar a paragem depois de ouvir a ordem, solte-
lhe a mão enquanto caminham lado a lado.

164 – RECONHECER A SUA PRÓPRIA IMAGEM AO ESPELHO


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Percepção, visual
Meta: Desenvolver a compreensão da auto-imagem e reconhecimento do nome Objectivo:
Apontar para a própria imagem no espelho em resposta à pergunta “Onde está
o João?”
Materiais: Espelho de corpo inteiro
Procedimento:
Quando o João consegue responder ao seu próprio nome (actividade 159), leveo
para um espelho de corpo inteiro e mostre-lhe a sua imagem. Guie-o para tocar o
espelho para que perceba que não é outra criança que está do outro lado. Ajude-o
a movimentar os braços para cima e para baixo para que ele veja que a imagem
faz o mesmo. Então diga: “Onde está o João?”, ajude-o a apontar para si própria e
depois para a sua imagem no espelho. Aponte para o espelho e diga “Olha está ali
o João!”. Repita a actividade algumas vezes durante o dia até que o João comece
a generalizar a sua imagem. Se ficar assustada com o espelho ou se ficar fixado
nele ajude-o a ultrapassar isto de maneira gradual várias vezes por dia. Chame a
atenção para a imagem no espelho enquanto está a passar por lá, mas não o deixe
parar até que ele se sinta confortável com a sua imagem reflectida.

165 – EMPARELHAR OBJECTOS COMUNS


Realização cognitiva, emparelhar
Percepção, visual
Meta: Aumentar as capacidades de emparelhar e atenção visual
Objectivo: Olhar a mão da professora e encontrar um objecto igual, de entre um conjunto
de 4 objectos
Materiais: 4 pares de objectos idênticos (meias, tachas, blocos, colheres, lápis, etc.),
caixa pequena Procedimento:
Coloque um exemplar dos 4 objectos na mesa em frente ao João. Guarde os
objectos iguais a esses 4 no colo para que ele não os veja. Coloque a caixa perto
de si num dos lados da mesa. Segure um dos objectos, que estão no colo, e faça
com que ele encontre o correspondente de entre os objectos que estão dispostos
na mesa. Por exemplo: segure uma meia e diga “João, dá a meia”. Aponte para o
grupo de objectos que está colocado na mesa. Quando ele apanhar, ou indicar o
item correcto, elogie-o e coloque os dois itens na caixa. Repita a actividade até que
todos os objectos estejam dentro da caixa.

166 – EMPARELHAR OBJECTOS CONHECIDOS – II


Realização cognitiva , emparelhar
Percepção visual
Meta: Aumentar as competências de emparelhar e atenção visual
Objectivo: Encontrar o par para cada item a partir de um conjunto de outros itens, sem se
distrair
Material: 4 pares de objectos idênticos e uma caixa grande Procedimento:
Coloque todos os objectos dentro de uma caixa e sente-se no chão com a caixa
entre si e o João. Pegue num dos objectos, mostre-o e diga “Olha João, procura o
outro.”. Depois aponte para a caixa e ajude-o a procurar o entre os restantes
objectos da caixa até ele encontrar o par. Coloque o par de lado e recompense-o.
Repita a actividade até emparelhar todos os objectos que se encontram na caixa.
Não comece a actividade se o João não conseguir emparelhar um objecto mostrado
quando existe um número limitado de distractores (actividade 165)

167 – EMPARELHAR FIGURAS E OBJECTOS


Realização cognitiva , emparelhar
Meta: Desenvolver as competências cognitivas de emparelhar
Objectivo: Emparelhar 5 figuras de objectos simples com os objectos reais
Material: Objectos comuns com figuras correspondentes (as figuras podem ser
desenhadas ou recortadas de um livro de figuras ou de colorir) Procedimento:
Coloque as figuras em cima da mesa em frente do João e mantenha os objectos no
seu colo para que ele não se distraia. Dê-lhe os objectos, um de cada vez, e peça-
lhe que coloque na figura idêntica. De inicio é provável que tenha que começar com
apenas uma figura e um objecto. Por exemplo: sente o João em frente de uma figura
com uma colher. Dê-lhe a colher e diga-lhe o nome do objecto. Incentive-o a colocar
a colher na figura correspondente e reforce-o imediatamente pelo sucesso. Quando
sentir que ele já compreendeu a tarefa, coloque duas figuras em cima da mesa por
forma a que ele tenha que escolher a que corresponde ao seu objecto. Por exemplo
coloque na mesa as figuras da colher e do sapato e dê-lha a colher para ele
emparelhar. Se ele colocar a colher na figura correcta diga: “Sim, é uma colher.” E
recompense-o imediatamente. Se ele tentar colocar a colher na figura errada, repita:
“Colher.” e guie a sua mão para a figura correcta. Repita o procedimento
adicionando mais figuras até que ele consiga fazer as 5 numa sessão.
168 – CLASSIFICAÇÃO SIMPLES
Realização cognitiva , categorização
Percepção, visual
Meta: Aumentar as competências cognitivas de classificar e atenção visual
Objectivo: Classificar dois grupos de objectos, sem ajuda
Material: 2 tabuleiros, 4 lápis, 4 contas Procedimento:
Ponha os tabuleiros em frente ao João e coloque uma conta num delas e um lápis
noutro. Dê-lhe um lápis de cada vez, dizendo: “Põe aqui.” E apontando para o
tabuleiro correcto (ver figura). Guie-lhe a mão se ele tentar pôr o objecto no tabuleiro
errado. Quando ele tiver colocado correctamente todos os lápis, repita o
procedimento com as contas. Tente apontar apenas na primeira conta e depois dar-
lhe o comando verbal. Se ele não conseguir, continue a apontar. Tente retirar,
gradualmente, todas as pistas visuais. Repita a actividade muitas vezes, até que o
João pegue num objecto e o ponha no lugar correcto, sem qualquer tipo de ajuda.
Depois de repetir a actividade muitas vezes, comece a alternar lápis e contas, mas
primeiro certifique-se de que o padrão é claramente reconhecível.

169 – LOCALIZAÇÃO RECEPTIVA DOS OBJECTOS


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Percepção visual
Motricidade fina e controle
Meta: Desenvolver a compreensão receptiva de nomes de objectos comuns e
incrementação das competências de procura visual
Objectivo: Sentar a criança numa cadeira, procurar visualmente objectos na sala e
apontar, sem ajuda, para um objecto especifico em resposta à questão “Onde
está o ________ ?”
Material: Uma mesa , duas cadeiras e 4 objectos comuns que sejam familiares à criança.
Procedimento:
Escolha 4 objectos comuns que o João conheça e compreenda os nomes. Durante
os minutos iniciais da actividade sente o João em frente à mesa e coloque em cima
desta os quatro objectos. Mostre-lhe os objectos, um de cada vez, e diga o nome
correspondente. Depois coloque os objectos em locais bem visíveis dentro da sala.
Estenda os braços por cima da mesa segure as mãos do João e pergunte-lhe:
“Onde está a ______ ?”. Não o deixe levantar-se e ir buscar o objecto e tente que
ele se mantenha sentado, procurando os objectos com o olhar e depois apontar o
objecto. É importante que a criança aprenda a usar gestos, como o apontar. Repita
a actividade com os 4 objectos. Se o João não olhar em busca do objecto pedido,
repita a questão e dirija os Olhas dele para o
objecto, depois pergunte: “A bola está ali?”. Quando, finalmente, ele olhar para o
objecto, pegue numa das suas mãos e ajude-o a apontar. Encoraje-o a repetir o
nome do objecto, se ele tiver alguma linguagem expressiva. Depois do João apontar
os 4 objectos com sucesso diga “ João, vai buscar a _____.” E deixe que ele se
levante e vá buscar a bola.
Certifique-se de que enfatiza a diferença entre “Onde está a bola?” e “Vai buscar a
bola.”. Quando ele conseguir localizar e apontar com sucesso continue a actividade,
mas distribua os objectos antes da criança entrar na sala. Certifique-se que todos
são visíveis da perspectiva do João.

170 – APRENDER OS NOMES DOS MEMBROS DA FAMÍLIA


Realização cognitiva , linguagem receptiva
Meta: Aprender a identificar os membros da família
Objectivo: Dar um objecto ao membro da família escolhido após ordem verbal.
Material: Qualquer tipo de objecto ou brinquedo familiar à criança.
Procedimento:
Quando ensinar os nomes ao João, certifique-se de que lhe ensina apenas um de
cada vez. Sente-o na sua frente, numa cadeira ou no chão. Dê-lhe um objecto
familiar, como por exemplo uma bola e diga: “Dá a bola à mamã.”, estenda a mão
para que ele saiba que lhe deve dar a bola. Repita este procedimento várias vezes.
Quando ele lhe der a bola sem problemas junte outra pessoa. Sente a outra pessoa
ao seu lado, e em frente ao João, e diga: “Dá a bola à mamã.”. Depois devolva a
bola e diga “Dá a bola ao papá.”. A outra pessoa deve estender as mão para segurar
a bola. Se ele lhe tentar dar a bola novamente a si, direccione a sua atenção para
a outra pessoa e repita a ordem, enfatizando o nome . Repita as actividades tantas
vezes quantas as necessárias até o João fazer a distinção dos nomes. Quando a
tarefa já for clara para ele, deixe de estender as mãos e observe se ele consegue
decidir a quem dar a bola, sem qualquer pista visual. Quando ele conseguir
discriminar entre os 2 nomes, adicione um terceiro e repita todo o procedimento.

171 – FRASES VERBAIS E NOMINAIS


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver a compreensão de verbos
Objectivo: Ensinar o significado dos verbos em associação com os adjectivos comuns
Material : Uma bola Procedimento:
Quando o João lhe der a bola face a um pedido (ver actividade 166), comece a
ensinar-lhe nomes para outras actividades a fazer com a bola. Comece por reforçar
a ordem “Dá-me a bola.”, enfatizando o verbo de forma clara, e estenda as suas
mãos para que o João lhe dê a bola. Depois diga “Olha João, atira a bola.”.
Certifique-se de que de que ele a observa quando atira a bola contra a parede. Dê-
lhe a bola e guie as suas mãos para atirar a bola enquanto diz: “Atira a bola.”. Repita
“Atira a bola.”, várias vezes até juntar com a ordem anterior “Dá-me a bola.”. Quando
começar a usar as duas ordens “Dá-me a bola.“ e “Atira a bola.” Faça-o com uma
sequência, até que ele consiga cumprir a ordem dada. Repita o procedimento,
adicionando outras ordens verbais. Acrescente apenas um verbo de cada vez. Uma
vez aprendida uma nova ordem, certifique-se de que está clara a distinção com as
anteriormente aprendidas. Enfatize sempre muito bem os verbos de cada vez que
inicia a ordem, por forma a facilitar a distinção.

172 – EMPARELHAR DE FIGURAS


Realização cognitiva , emparelhar
Realização cognitiva , linguagem receptiva
Meta: Desenvolvimento de competências de emparelhar e compreensão de que um
nome pode representar vários objectos diferentes
Objectivo: Emparelhar figuras de objectos semelhantes, com aspecto diferente
Material: Figuras de vários objectos semelhantes, mas diferentes (por exemplo: vários
sapatos diferentes) Procedimento:
Coloque um grupo de figuras de um tipo de objectos (por exemplo sapatos)
misturadas com outro tipo de figuras. Mostre ao João uma das figuras do sapato e
diga: “Olha, é um sapato.”. Depois diga: “Procura sapatos.” E aponte para as outras
figuras. Peça todas as figuras com sapatos. Se ele lhe der apenas uma figura e
deixar de procurar, foque de novo a sua atenção para as figuras e diga: “Procura
os outros sapatos.”. Tente trabalhar com a maior variedade de figuras de sapatos
possível. É importante que o João se aperceba que a palavra “sapato” pode referir-
se a diferentes objectos com um aspecto totalmente diferente.

173 – DISCRIMINAÇÃO DE COMER E BEBER


Realização cognitiva , categorização
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Auto-ajuda, alimentação
Meta: Desenvolver o reconhecimento dos alimentos e aumentar a capacidade de
categorizar
Objectivo: Escolher figuras de diferentes alimentos na categoria de comer e beber
Materiais: Desenhos de diferentes tipos de alimentos e bebidas recortados de revistas
Procedimento:
Sente-se em frente do João e diga: “Hora das figuras.”. Mantenha as figuras no seu
colo para que ele não se distraia. Mostre-lhe uma figura com um alimento
comestível e diga: “Olha, é para comer.”. Certifique-se de que ele olha para a figura
e coloque-o em frente dele. Depois pegue noutra figura de algo para beber e diga:
“Olha, é para beber.”. Enfatize as palavras “comer” e “beber”. Coloque a figura de
beber ao lado da anterior. Por agora, não diga o nome dos alimentos. Repita o
procedimento com todos os cartões utilizando as palavras “beber” e “comer” e
coloque-os no grupo adequado. Quando terminar diga: “Acabou a hora das figuras.”
E deixe-o brincar. Repita o procedimento, durante 2 ou 3 dias, colocando as figuras
nos grupos correctos. Quando sentir que ele percebeu a tarefa, peça-lhe para
indicar em que grupo deve colocar a figura que lhe mostra. Comece por lhe pedir
que indique onde colocar apenas um ou dois cartões por sessão. E aumente
gradualmente o número, até que ele coloque todas as figuras sozinho nos grupos
correctos, sem ajuda.

174 – COMPREENSÃO DE FRASES DUPLAS


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver a compreensão receptiva de frases complexas Objectivo:
Executar adequadamente ordens duplas
Material: 4 objectos comuns ( colher, carro, copo, brinquedo favorito) Procedimento:
Estabeleça um lugar especifico ao qual o João deve regressar depois de cada
ordem ou sequência. Tenha sempre disponível uma recompensa para lhe dar no
fim da tarefa. Dê ao João uma ordem, como por exemplo: “Dá-me a bola.” e depois
dê-lhe uma segunda ordem: “Depois senta-te.”. Se ele se distrair e não conseguir
completar a tarefa, traga-a de novo para a cadeira e repita as ordens. De início
deixe-o cumprir as ordens separadamente, mas à medida que ele começa a
compreender a tarefa dê-lhe as duas ordens seguidas. Se lhe parecer que ele se
perde, diga: “O que é a seguir?” de forma a lhe reforçar a atenção. Após o João
conseguir executar a frase de duas ordens, onde a segunda ordem é sempre
“Depois senta-te.”, comece a formar frases um pouco mais difíceis. Por exemplo:
pode começar por sentá-lo na cadeira e dizer-lhe: “Vai buscar o copo e coloca-o na
mesa.”. Certifique-se de que ele conhece todos os nomes dos objectos envolvidos
nas tarefas.

175 – COMPREENSÃO RECEPTIVA DAS FUNÇÕES


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Realização cognitiva, categorização
Percepção visual
Desempenho verbal, vocabulário (opcional)
Meta: Aumentar a compreensão receptiva do nome e utilidade de objectos comuns
Objectivo: Apontar, sem ajuda, para um objecto adequado, quando lhe é pedido
Material: Algo de comestível e algum brinquedo Procedimento:
Coloque os materiais em locais visíveis dentro da sala e sente o João à mesa.
Segure os braços dele sobre a mesa e diga: “Onde está qualquer coisa para
comer?” Aguarde que ele observe toda a sala em busca da maçã, leve-o a apontar
e a repetir o nome do objecto, se possível. Não o deixe levantar-se e ir buscar os
objectos. Ele deve aprender a manter-se sentado e a usar os gestos ou linguagem.
Repita o procedimento com os outros objectos, enfatizando sempre a sua função.
Mude de objectos e localização periodicamente para que ele tenha de procurar
activamente na sala. Certifique-se de que os objectos lhe são familiares e que são
claramente visíveis na sua perspectiva. À medida que as competências aumentam
peça-lhe para encontrar um segundo objecto com a mesma função. Se ele se
confundir aponte para alguns dos objectos expostos na sala e pergunte: “Isto é de
comer?” Encoraje-o a abanar a cabeça, ou a responder negativamente de alguma
forma, se o objecto mostrado não estiver associado à categoria que referiu.

176 – EMPARELHAR FIGURAS


Realização cognitiva, encaixe
Percepção visual
Meta: Aprender a reconhecer figuras e incrementar as capacidades de encaixe
Objectivo: Completar um jogo de encaixes, com 4 formas simples
Material: Cartão espesso e marcador preto Procedimento:
Faça um loto em cartão espesso, dividido em quatro partes por um traço grosso e
desenhe quatro formas (quadrado, rectângulo, círculo e triângulo). Copie as formas
e recorte-as. Coloque o cartão em frente ao João e guarde as formas recortadas
(ver figura). Dê-lhe uma forma de cada vez dizendo: “Põe no sítio João.” e, ao
mesmo tempo, nomeie a forma para que ele vá ouvindo os nomes. Se ele lhe
parecer confuso, ajude-o, guiando-lhe a mão de modo a que faça a correspondência
correcta. Repita o procedimento com as outras formas. Continue a actividade até
que ele consiga completar o loto sem ajuda. Como variante desta actividade, depois
do João conseguir completar o loto, dê-lhe o lote das quatro figuras e guarde outro
igual para si. Mostre-lhe uma das formas e diga: “João, dáme o triângulo.”, ajude-o
a encontrar a figura correspondente e a entregá-la a si.
177 – IDENTIFICAÇÃO RECEPTIVA DE ANIMAIS
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver a compreensão receptiva dos nomes dos animais
Objectivo: Dar o animal de peluche correcto, quando pedido
Material: 3 animais de peluche , de borracha ou desenhos (por exemplo: um cão, um gato e um
leão) Procedimento:
Mostre cada um dos animais ao João durante um intervalo de tempo: diga o nome
de cada um delas algumas vezes, enquanto lhe dá o animal. Deixe-o brincar com o
animal durante alguns minutos, enquanto repete o seu nome e depois diga: “João,
dá-me o cão.”. Quando ele lhe der o animal, repita o procedimento com os outros
animais. Quando ele tiver ouvido os nomes dos 3 animais várias vezes deixe-os
todos sobre a mesa e diga: “João, dá-me o cão.” Se ele der o animal errado,
direccione a sua mão para o cão e repita o nome do animal. Repita a tarefa até que
ele lhe dê correctamente os animais, sem ajuda. Gradualmente vá juntando novos
animais, sempre com o mesmo tipo de procedimento. Adicione apenas um animal
de cada vez, e mantenha apenas três animais em cima da mesa de cada vez.

178 – EMPARELHAR BLOCOS


Realização cognitiva, emparelhar
Percepção, visual
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Coordenação óculo-manual, controle
Socialização, interacção individual
Meta: Desenvolver capacidades para emparelhar, atenção visual e capacidades de
interacção
Objectivo: Construir uma torre colocando um bloco igual ao da professora
Materiais: Blocos coloridos Procedimento:
Divida os blocos em 2 grupos idênticos, cada um com o mesmo número e a mesma
cor. Diga: “Vamos construir uma torre.”. Ponha um bloco e a seguir ajude o João a
pôr outro igual por cima. Por exemplo: ponha o bloco vermelho e diga: “Põe um
bloco vermelho.”. Enfatize a cor do bloco. Repita o procedimento com a outra cor,
até os blocos estarem todos numa torre (ver figura). Lembre o nome da cor do bloco
cada vez que o João o sobrepõe. Inicialmente ele não responderá ao nome das
cores, mas poderá começar a usar pelo facto de ter ouvido tão consistentemente.

179 – EMPARELHAR OBJECTOS


Realização cognitiva, categorização
Meta: Categorizar os objectos no contexto em que são usados
Objectivo: Associar pares de objectos que normalmente se encontram associados.
Material. Uma caixa média. Pares de objectos que normalmente se encontram
associados (por ex.: meia e sapato, escova de dentes e pasta de dentes, etc.)
Procedimento:
Sente-se na mesa com o João Coloque 3 objectos na mesa em frente dele: dois
dos objectos devem formar um par. Tente certificar-se de que a criança conhece
estes três objectos, por exemplo: pode colocar um sapato, uma meia e um animal
de peluche em cima da mesa. Aponte para os objectos e diga “João quais é que
ficam juntos?”. Aguarde que ele indique o par correcto e que lho dê. Quando ele
encontrar o par os três objectos devem ir para a caixa. Se ele teve dificuldades em
encontrar o par ajude-o com uma questão simples acerca da função dos dois
objectos a emparelhar. Pode perguntar por exemplo: “Qual é que vai para o pé?”.
Registe quantos objectos ele consegue associar e em que categorias revela mais
dificuldades. À medida que a tarefa progride vá intercalando pares que o João
discrimina facilmente com outros que lhe causam alguma dificuldade.

180 – CATEGORIZAR FIGURAS


Realização cognitiva, categorização
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver a capacidade de escolher uma categoria
Objectivo: Escolher figuras de objectos familiares pelas suas funções comuns Material:
Figuras de objectos familiares, agrupados de forma clara pelas suas funções
Procedimento::
Coloque um conjunto das figuras espalhadas na mesa em frente do João e digalhe
que tipo de figuras quer que ele lhe dê. Por exemplo: coloque a figura de uma maçã,
uma bola, um carro, um prato de sopa, uma toalha, uma colher e um sabonete.
Peça ao João para lhe dar um objecto para ir ao banho, se ele lhe der o sabonete,
mas se esquecer de outros objectos relevantes direccione a sua atenção para as
figuras e pergunte “O que é que é usamos mais para o banho?”. Se ele não
conseguir encontrar, dê-lhe uma pista verbal do tipo “A toalha também é precisa
para o banho?”. Se o João continuar a não lhe dar a figura, direccione a sua atenção
para ele e diga “Toalha, tu precisas dele quando tomas banho?”. Mantenha sempre
as categorias variadas, mas bem definidas. Pode usar brinquedos, alimentos,
animais, ou rapazes e raparigas. Certifique-se de que a ideia básica é familiar ao
João. Quando ele entender a tarefa, introduza novas figuras de itens diferentes com
os quais ele se encontra menos familiarizado.
Desta forma ele aumentará o vocabulário.
181 – ORDENAMENTO POR FUNÇÃO
Realização cognitiva, categorização
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Compreender a relação entre objectos com funções semelhantes e separá-los
de acordo com essa função
Objectivo: Ordenar objectos familiares em grupos, de acordo com a sua função
Material: 2 ou 3 caixas médias, 2 ou 3 grupos de objectos com funções relacionadas (ex.: grupo
1- colher, copo e prato; grupo 2 meia, calças e camisola) Procedimento:
Certifique-se de que o João está a olhar para si e a vê-la colocar um objecto de
cada grupo em caixas separadas. Diga o nome de cada objecto à medida que o
coloca na caixa Depois dê ao João os outros itens, um de cada vez, e peça-lhe
para os colocar na caixa certa. Por exemplo: segure a meia e diga “ Olha João, uma
meia - para usar.” e coloque-o numa das caixas. Depois segure uma colher e diga
“ Olha, João uma colher - para nos ajudar a comer.” e repita o procedimento. Depois
dê-lhe um prato e diga “ Olha, um prato. Onde o vais colocar?” Se ele tentar colocar
o prato na caixa errada guie a sua mão para a caixa correcta: Se ele o colocar na
caixa certa, sem ajuda, reforce-o rapidamente. Gradualmente aumente o número
de itens. Quando estiver familiarizado com a tarefa, adicione uma terceira caixa com
outra categoria diferente.

182 – IDENTIFICAÇÃO RECEPTIVA DE CORES


Realização cognitiva, linguagem receptiva.
Percepção visual
Meta: Incrementar o reconhecimento das cores e desenvolver o conhecimento
receptivo dos nomes das cores primárias
Objectivo: Dar a cor correcta quando pedida
Material: Blocos coloridos, papel, botões Procedimento:
Quando o João conseguir fazer corresponder os blocos de acordo com a sua cor
(actividade 178), inicie o treino de resposta às cores pelo nome. Na actividade
referida ele já esteve exposto aos nomes. Agora terá que se certificar de que ele
associa o nome com a cor do bloco. Seleccione os blocos vermelho, amarelo e o
azul. Dê o ao João e diga várias vezes: “Bloco azul.”, enfatizando bem o nome da
cor. Depois diga: “Dá-me o bloco azul.”. Repita o mesmo procedimento com os
cubos vermelho e amarelo. Se o João pegar no cubo errado, guie a sua mão para
o correcto e diga “ Este é que é o bloco vermelho.”. Continue a actividade até que
ele consiga dar as três cores a pedido. De forma a generalizar esta aprendizagem,
repita o mesmo procedimento usando botões coloridos ou pedaços de papel.
Gradualmente vá introduzindo novas cores, uma de cada vez.

183 – ENCONTRAR OBJECTOS ESCONDIDOS


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Incrementar a compreensão de substantivos e proposições e desenvolver a
capacidade de seguir ordens verbais.
Objectivo: Seguir instruções verbais envolvendo o uso de substantivos e proposições para
encontrar objectos comuns, por exemplo: em cima, por baixo.
Material: Objectos comuns da sala de aula.
Procedimento:
Inicie a tarefa, escondendo 2 ou 3 objectos que sabe que são familiares ao João No
principio todos os objectos devem estar escondidos na mesma sala. Dê ao João
orientações simples envolvendo o objecto que ele deve procurar e a área onde deve
fazê-lo: “João, dá-me o copo que está debaixo da mesa”. Enfatize as três palavras
chave que lhe dizem o que deve e onde deve procurar. Reforce-o sempre que ele
lhe trás os objectos. Lembre-se que deve usar sempre substantivos e proposições
que ele já conhece.. À medida que a actividade progride, esconda mais objectos
pela sala, em locais cada vez mais complicados. A dificuldade da localização
também deve ir aumentando, por exemplo: “ Dá-me a bola que está atrás da porta
e dentro da caixa.”.
184 – O QUE É QUE NÃO PERTENCE?
Realização cognitiva, categorização
Meta: Incrementar o reconhecimento das categorias
Objectivo: Retirar o objecto que não pertence à categoria dos 3 outros objectos, que
formam claramente uma categoria distinta e reconhecível.
Material: 2 caixas médias, grupos de 4 objectos, 3 com funções ou características
semelhantes (ex. banana, maça, laranja, e um carro de brincar) Procedimento:
Sente-se à mesa com o João. Coloque os 4 objectos em frente dele. Demonstre
como encontrar um item que não pertence aquela categoria. Por exemplo: coloque
todos os objectos na sua frente e diga: “Qual é que não pertence?” Certifique-se de
que ele está a olhar para si, aponte cada o objecto individualmente. Diga; “A maça
é para comer.” “ A banana é para comer.” “A laranja é para comer.”, “O carro não é
para comer.”. Se necessário pantomine o acto de comer com um dos frutos, para
lhe mostrar que o carrinho é diferente. Coloque os frutos numa caixa e o carrinho
noutra. Após ter demonstrado a tarefa, repita o procedimento com outros 4 objectos.
Por exemplo: um bolo, uma bolacha, um rebuçado e um livro . Peça-lhe que coloque
numa caixa os que pertencem e não outra o que não pertence. Tente sempre
trabalhar uma categoria de cada vez, indo sempre incluindo categorias novas com
objectos que já lhe são familiares.

185 – ORDENAR SEQUÊNCIAS DE FIGURAS


Realização cognitiva, sequencialização
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Aprender as sequências temporais e incrementar a compreensão das rotinas
diárias
Objectivo: Ordenar 3 figuras que traduzem actividades diárias da forma de como elas se
decorrem ao longo do dia

Material: Figuras (recortadas ou desenhadas) de uma criança executando actividades


quotidianas, como acordar e levantar-se, ir para a escola, comer, e ir para a cama
Procedimento:
Mostre as figuras ao João pela ordem na qual as actividades se devem desenvolver
durante o dia. Diga: “Olha, João, primeiro levantas-te da cama.” e mostre-lhe a
figura correspondente. Depois diga: “De seguida tomas, o pequeno almoço.” e
mostre a figura. Depois diga: “Finalmente vais para a escola.” e mostre-lhe a figura.
Quando tiver a certeza de que ele Olhau para as 3 figuras retire as figuras e
desordene-as na mesa. Diga “João, qual é a primeira?” se ele apontar ou lhe der a
figura correcta diga “Sim, primeiro levantas-te da cama.” Repita o procedimento
com as restantes figuras na ordem correcta. Se ele lhe der uma figura errada, dê-
lhe pistas verbais. Inicie apenas com 3 cartões e aumente o número à medida que
ele for progredindo. Tenha em conta que os desenhos devem ser claros e devem
traduzir rotinas familiares ao João.

186 – MONTAR PARTES DO CORPO


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Controle e Coordenação óculo-manual
Realização verbal, vocabulário (opcional)
Meta: Incrementar a compreensão dos conceitos corporais
Objectivo: Ordenar as partes corporais correctamente Materiais:
Papel colorido, tesouras, cartolina.
Procedimento:
Recorte as várias partes do corpo. De inicio use apenas 3 peças para representar
a cabeça, o tronco e as pernas. Posteriormente à medida que as competências do
João progredirem, adicione os pormenores faciais, as mãos os pés etc.. Chame a
atenção do João e mostre-lhe como se colocam as peças adequadamente, vá
sempre nomeando cada peça que coloca adequadamente. Desmanche a figura e
peça ao João que a coloque correctamente, guie a sua mão para o local correcto,
caso ele tenha dúvidas ou erre. Repita a tarefa até ele conseguir colocar as três
peças no local correcto. Quando ele conseguir completar o puzzle das 3 peças sem
ajuda, vá acrescentando gradualmente mais peças. Lembre-se de nomear cada
peça que ele coloca. Vai demorar algum tempo para que ele os repita, mas assim
vai-se habituando a ouvi-los.
187 – ADJECTIVOS OPOSTOS
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Percepção, sabor
Realização cognitiva, categorização
Realização cognitiva, leitura (opcional)
Meta: Incrementar a compreensão de adjectivos e reconhecer opostos
Objectivo: Agrupar vários alimentos de acordo com “doce” e “amargo”
Material: Vários alimentos doces (rebuçados, bolos, bolachas, sumos) e amargos (limão,
lima), papel, e marcador Procedimento:
Faça um rótulo a dizer “Doce” e outro “Amargo” e coloque-os na mesa. Mostre-os
ao João e repita algumas vezes “Doce.” e “Amargo.”. Mantenha os alimentos no
seu colo para que ele não se distraia. Dê-lhe um alimento de cada vez, depois de
ele provar, pergunte: “É doce ou amargo?”. Diga “É Doce.” e retire um bocado do
alimento e coloque perto do rótulo correspondente. Capte a atenção do João e
repita “Este é Doce”. Repita o procedimento com os restantes itens e coloque-os
nos locais correctos. Depois de todos ordenados pergunte ao João se quer algo
doce ou amargo, não o deixe dirigir-se aos alimentos antes de fazer a escolha, tanto
por gestos como por palavras aproximadas. Gradualmente vá extinguindo a sua
ajuda. Dê-lhe um alimento para comer e peça-lhe que lhe indique onde deve colocá-
lo, repita o procedimento com todos os itens.

188 – ORDENAR SEQUÊNCIAS DE FIGURAS II


Realização cognitiva, sequencialização
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Realização verbal, conversação (opcional)
Meta: Incrementar a compreensão de sequências e o desenvolvimento dos conceitos
de primeiro, seguinte e último
Objectivo: Ordenar 3 figuras após ouvir uma história
Material: Livro de desenhos ou uma sequência de cartões dos quais é possível contar
uma história.
Procedimento:
Escolha três figuras de um livro de histórias que representem claramente as cenas
de uma história . Conte a história ao João e coloque as figuras nas posições
correctas. Certifique-se de que ele olha para a figura antes de continuar com o resto
da história. Enfatize algum detalhe da figura, por forma a melhor lhe captar a
atenção. Quando acabar a história recolha as figuras e desordene-as. Perguntelhe:
“Qual é a primeira?”, “Qual é a seguir?” e “Qual é a última?”. Após cada questão ,
ajude-o a colocar a figura correcta. Quando ele for capaz de fazer a sequência
correctamente, tente que ele lhe reconte partes da história. Não se preocupe se o
João demorar muito tempo para começar ou se ele se perder em detalhes das
figuras.

189 – COMPREENSÃO DE QUESTÕES


Realização cognitiva, linguagem receptiva
Realização cognitiva, categorização
Meta: Responder a uma variedade de questões
Objectivo: Apontar para a figura correcta quando se faz uma questão envolvendo, quem,
o quê ou onde
Material: Figuras de objectos ( bola, carro, cadeira, cama) animais ( cão, cavalo, vaca,
gato) e pessoas ( mãe, pai, bebé, bombeiro) Procedimento:
Escolha uma figura de cada grupo em frente do João. Capte a sua atenção e
certifique-se de que ele está a ouvi-la. Coloque por exemplo uma vaca, um adulto
e uma bola e pergunte-lhe: “Quem guia o carro?” Ajude-o a escolher a figura
correcta. Quando ele já for capaz de proceder correctamente à escolha, face à
pergunta: “Quem?”, passe para a pergunta “O quê?”. Coloque a figura de um carro,
um bebé e um cão e pergunte: “O que é que a mãe guia?”. Quando ele souber
escolher a figura certa para a questão ”O quê?” comece a alternar as questões. Por
exemplo, mostre-lhe figuras de uma bola, um bombeiro, um cão, e uma cama e
pergunte-lhe: “O que é que morde?”, “Quem guia o carro dos bombeiros?” e “Onde
é que tu dormes?” Se ele escolher a figura errada, repita a questão enfatizando as
palavras chave. Apenas o ajude com pistas verbais se for absolutamente
necessário.
190 – PROPOSIÇÕES
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Coordenação óculo-manual, desenho.
Meta: Incrementar a compreensão de conceitos de posição representadas em duas
dimensões.
Objectivo: Desenhar numa área especificada por ordem verbal, envolvendo o uso de
proposições. Material:
Lápis e papel Procedimento:
Ao iniciar a actividade prepare várias folhas de papel com desenhos simples. Numa
das filhas pode desenhar uma árvore, uma menina e uma casa. Noutra pode ser
um quadrado, um circulo e um triângulo. Sente-se ao lado do João e dêlhe as folhas.
Dê-lhe ordens simples envolvendo “dentro”, “debaixo”, à volta”, “ao lado”. Por
exemplo: Dê-lhe a folha com a casa, a menina e a árvore e diga: “Faz um circulo à
volta da menina.”. Pode também pedir-lhe que faça uma linha debaixo da casa ou
fazer um triângulo ao lado da árvore. Certifique-se de que ele sabe os nomes de
todos os objectos que estão na folha e de que ele sabe desenhar tudo aquilo que
lhe pede. À medida que as competências progridem, vá gradualmente aumentando
o grau de dificuldade. Por exemplo pode dar-lhe dois lápis e pedir-lhe que faça um
quadrado azul dentro do circulo.
DESEMPENHO VERBAL

Esta secção contém actividades que foram utilizadas com sucesso de modo a
aumentar a linguagem expressiva da criança com autismo. Seleccionámos um grupo
de actividades para cada nível de desenvolvimento da linguagem de modo a ilustrar
uma variedade de estruturas de ensino tendo em conta os respectivos objectivos na
aprendizagem da linguagem. Porque qualquer programa de linguagem deve ser
individualizado para a criança com défices e capacidades especiais e atendendo aos
seus interesses de comunicação, as actividades propostas nesta área não representam
em exclusivo o seu programa, nem sugerem o seu currículo.
Estas actividades devem ser utilizadas pelos pais e professores em sessões
estruturadas de ensino, à medida que a criança adquire novas capacidades. Nós
sugerimos formas pela quais essas capacidades possam ser generalizadas ao longo
do dia.
Os objectivos das actividades incluem o seguinte: começar a vocalizar, uso de uma
palavra simples, pequenas frases, respostas sociais, descrição de acções e
acontecimentos, fazer perguntas e conversação social.
Cada objectivo da linguagem deve ter em conta o significado para a criança, de modo
a ser útil e adequado ao seu nível de desenvolvimento. Por exemplo: a primeira palavra
simples que deve ser escolhida deve corresponder ao que ele quer. Para uma criança
pode ser “carro”, para outra pode ser “bolo” e para outra “bebé”. O vocabulário é
escolhido porque tem significado e porque é útil para a criança e está de acordo com o
seu nível de desenvolvimento.
Cada técnica deve ir ao encontro do interesse da criança, de forma a tornar as
actividades o mais interessantes possível. Por exemplo: algumas crianças gostam de
cantar, outras de movimentos corporais, outras de figuras e outras de construir puzzles.
A atenção da criança e a sua cooperação na actividade é produtivo quando as
actividades contêm materiais ou acções que ele considera intrinsecamente
interessantes. Nós ilustramos todas estas variações de modo a providenciar o leitor
com uma vasta selecção de actividades de ensino estruturado a escolher.
Estas actividades são relatadas nas secções de Imitação e na de Realização Cognitiva.
A linguagem, normalmente, desenvolve-se através da imitação; a criança ouve uma
palavra e copia-a. A sua linguagem começa a ser uma real comunicação somente
quando ele as ouve e entende o seu significado. A criança pode dizer muitas palavras,
mas não ser capaz de as usar espontaneamente, ainda que as perceba a nível da
linguagem receptiva, o que será uma parte do programa individual de linguagem.
Para as crianças que não falam os sinais manuais são combinados com o discurso no
início das actividades de linguagem. Contudo, as actividades que ensinam códigos não
verbais não faz parte deste conjunto de propostas de actividades, devendo assim ter
um espaço para isso.
191 – COMEÇAR A VOCALIZAR
Desempenho verbal, vocalização
Imitação, vocal
Meta: Encorajar o desenvolvimento de vocalização com significado
Objectivo: Fazer um som perceptível de rebentamento, quando rebenta bolas de sabão
Materiais: Frasco de bolas de sabão Procedimento:
Sente-se à mesa com o João à sua frente. Ponha o frasco de bolas de sabão entre
os dois. Sopre algumas bolas ou deixe o João soprar. Rebente algumas bolas com
o seu dedo e diga ao mesmo tempo “PO”, bem audível, de cada vez que rebenta
uma bola. Repare se o João presta atenção às bolas e ao som. Depois dele estar
bem disposto com as bolas, sopre mais algumas e tome o dedo dele, guiando-a
para rebentar mais bolas. Continue a fazer o mesmo som. Imite os sons que João
faz e regresse ao som “Po”. Se ele não tentar imitar o som, cative a sua atenção
para a sua boca, enquanto lhe mostra como se faz o som e então ajude-o a colocar
a boca de maneira a produzir o som. Sopre mais bolas e repita a actividade até que
ele comece a fazer o som sozinho. Reforce sempre que ele o comece a fazer
espontaneamente.

192 – SONS DE CONSOANTES


Desempenho verbal, vocalizaçãos
Imitação vocal
Meta: Desenvolver a capacidade de repetir os sons de consoantes iniciais simples Objectivo:
Familiarizar-se com consoantes específicas e repeti-las como parte de uma
canção
Materiais: Livro de histórias ou figuras de um cão, vaca e pato Procedimento:
Sente o João na sua frente, num sítio confortável no chão. Cante uma cantiga que
tenha animais. Quando nomear cada um dos animais mostre a respectiva figura e
emita o som que ele faz. Quando está a mostrar a figura verifique se o João está a
olhar para ele e depois direccione a sua atenção para a observação da sua boca a
articular os sons dos animais. Enfatize as consoantes, repetindo-as, use os seus
dedos para posicionar os lábios do João encorajando-o a repetir a consoante.
Repita este procedimento, mas não espere de início que ele faça mais do que sons
iniciais aproximados. Assegure-se de que oreforça de cada vez que ele se aproxima
do som. À medida que o vê mais capaz, encoraje-o a fazer os sons de forma mais
clara e a terminar a palavra. Encoraje-o também a fazer o refrão
“EEEE-I,EEEE-I.OH”
193 – COMBINAÇÃO DE SONS
Desempenho verbal, vocalizaçãos
Imitação vocal
Socialização, interacção individual
Meta: Desenvolver a capacidade de vocalização necessárias para a linguagem
Objectivo: Combinar 2 sons de forma expressiva
Materiais: Nenhum Procedimento:
Sente o João no seu colo e pratique sons das consoantes já conhecidas. Uma vez
que a criança já está familiarizado e a consegue imitar (actividade 192), comece a
combinar as mesmas consoantes com vogais simples. Por exemplo: depois do João
copiar o som “B” várias vezes, hesite alguns segundos e então diga “B-OO”. Se ele
só repetir o som “B”, não o reforce imediatamente, mas repita a combinação,
enfatizando o som da vogal. Reforce-o rapidamente se ele tentar combinar os sons.
Lembre-se que só deve usar sons iniciais que ele já repete com sucesso.

194 – EXCLAMAÇÕES SIMPLES


Desempenho verbal, vocalização
Imitação, vocal
Meta: Desenvolver as aptidões preliminares de vocalização
Objectivo: Repetir e usar exclamações simples de forma apropriada e desenvolver o
conceito de relação entre sons e acções
Materiais: Bola Procedimento:
Quando estiver a jogar com o João, baixe a bola e diga “OH-OH!”. Repita a acção
e faça o som muitas vezes e tente que ele faça o mesmo som espontaneamente.
Ajude-o a emitir o som pondo os lábios em “O” se ele necessitar de ajuda. Logo que
ele comece a fazer o som consigo, baixe a bola e hesita antes de emitir o som para
ver se ele vocaliza bem sozinho. Reforce sempre que ele emita o som apropriado.
Quando o João já consegue emitir o “OH-OH!” sozinho ao ver o a bola a baixar
reforce essa emissão de som e comece a propor-lhe outro som com “OOOOOOH”,
mostrando excitação. Mostre ao João o seu brinquedo favorito ou uma recompensa
comestível e faça o som: Leve-o a fazer o mesmo som antes de lhe dar a
recompensa. Quando o João consegue fazer ambos os sons, comece a criar
situações para ele emita os sons, mas deverá distinguir entre os 2 sons. Se por
exemplo: alguma coisa cair em frente ao João observe se ele emite
espontaneamente os sons treinados. Veja se faz “OH-OH” ou “OOOH” ou se faz
outro som e imite-a.

195 – PRIMEIRAS PALAVRAS


Desempenho verbal, vocalização
Interacção Individual e social
Imitação Vocal
Meta: Desenvolver vocalizações em imitação de palavras significativas
Objectivo: Uso de palavras simples de forma expressiva e apropriada
Materiais: Bola, biscoito e boneca
Procedimento:
As melhores palavras para começar o discurso são normalmente “MAMÔ e “PAPÁ”.
Comece por colocar o João sentado no seu colo e voltada para si . Consiga a sua
atenção, aponte para si e diga “MAMÔ. Agarre-lhe nas mãos e passe-as pela sua
face à medida que vai dizendo “MAMÔ. Recompense-o sempre que ele tente emitir
algum som, demonstrando vontade de dizer a mesma palavra. À medida que o João
vai ficando mais confortável com a actividade, reduza a recompensa dando-lhe só
quando ele diz claramente. Repita o mesmo processo com a palavra “PAPÁ”.
Outras palavras boas para lhe ensinar poderão ser “PÁPA, BOLA, BÈBÈ,….
Contudo, quando ensinar essas palavras é importante que tenha os objectos
nomeados à sua frente para que ele possa concretizar o que está a nomear.
Quando ensinar as primeiras palavras é importante recordar que deve escolher
palavras com um ou duas sílabas.

196 – CUMPRIMENTAR E DESPEDIR-SE


Desempenho verbal, vocalização
Socialização, interacção individual
Imitação, vocalização e motora
Meta: Desenvolver vocabulário social apropriado
Objectivo: Fazer o gesto, ou dizer, “Olá.” e “Adeus.” de forma independente e em
situações apropriadas
Material: Nenhum Procedimento:
Sempre que entrar ou sair de uma sala na qual esteja também o João, aproveite a
oportunidade para trabalhar com ele os cumprimentos e as despedidas. Sempre
que entrar nessa sala, levante a mão sorria e diga: “Olá, João.”. Sempre que estiver
com ele numa sala e entrar outra pessoa, ajude-o a utilizar o gesto para
cumprimentar e reforce-o imediatamente por qualquer tentativa para vocalizar “olá”.
Repita o procedimento com o “adeus”. Sempre que sair da sala diga “Adeus, João.”
e faça o gesto. Assegure-se que ele está a olhar para si antes de sair da sala. Se
não fizer qualquer tentativa para vocalizar ou acenar, hesite alguns momentos à
porta e continue a acenar e a dizer adeus. Se ele continuar a não imitar qualquer
das suas acções, faça com que uma terceira pessoa se sente perto dele para o
ajudar a imitar o acto de acenar, sempre que alguém entra ou sai da sala.
197 – DIZER O PRÓPRIO NOME
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Interacção social e individual
Meta: Desenvolver a linguagem expressiva e o auto-conceito
Objectivo: Referir-se a si próprio pelo nome
Material: Espelho Procedimento:
Após o João compreender o seu nome de forma receptiva, comece a encorajá-lo a
referir-se a si próprio pelo seu nome (actividade 159). Coloque-o em frente ao
espelho e mostre-lhe o reflexo, repita isto várias vezes, e leve-o a apontar para a
imagem, depois diga: “Quem é? É o João.”. Comece por dizer o nome dele, mas
não termine a tarefa enquanto ele não fizer uma tentativa de o dizer. Reforce-o
imediatamente por qualquer tentativa de pronuncia do nome. Gradualmente elimine
a ajuda inicial até a extinguir totalmente. Quando tentar generalizar o uso do nome,
mesmo fora do espelho, é importante dar-lhe diferentes oportunidades durante o
dia para que diga o seu nome. Por exemplo: à mesa de almoço podem todos dizer
o nome apontando para si próprios , quando chegar a vez do João ajude-o se ele
necessitar.

198 – SONS AMBIENTAIS


Desempenho verbal, vocalização
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Imitação vocal
Interacção individual e Socialização
Meta: Incrementar a vocalização independente e desenvolver capacidades de jogo
mais adequadas
Objectivo: Fazer vários barulhos ambientais e sons de animais, espontaneamente
Materiais: Um carro de brincar, um avião, um cão de peluche e um gato Procedimento:
Quando o João conseguir imitar os sons de objectos sem auxilio (actividade 13)
ensine-o a identificar esses sons receptivamente e a usá-los expressivamente.
Coloque o cão e o carrinho em cima da mesa em frente dela e diga: “João, dá-me
aquele que faz zoom.”. Enfatize o som de forma clara. Quando ele lhe der o carrinho
agradeça e diga: “Boa, João.”. Depois pergunte: “O que é que este faz?” ajude-o a
começar a dizer o som, se ele precisar. Repita a actividade com um segundo par
de objectos com sons sempre bem perceptíveis. Certifique-se se o
João já aprendeu claramente a imitar os objectos que lhe vai solicitar.

199 – VERBOS
Desempenho verbal, linguagem receptiva
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver o conhecimento e o uso de verbos e aumentar as competências
de linguagem expressiva
Objectivo: Usar os verbos simples correcta e independentemente
Materiais: Figuras de pessoas a fazer actividades comuns Procedimento:
Sente o João na mesa na sua frente. Mostre-lhe a figura de um homem a fazer uma
acção simples e clara, que ele seja capaz de reconhecer, por exemplo um homem
a correr e diga: “Olha, o homem está a correr”. Enfatize claramente o verbo, para
que ele perceba o foco da lição. Repita a frase “O homem está a correr.” várias
vezes, enfatizando sempre o verbo. Depois peça ao João que lhe diga o que é que
o homem está a fazer e recompense-o por qualquer tentativa de verbalizar o verbo
correr. Os verbos mais indicados para começar são: sentar, comer, dormir, saltar…
Aproveite todas as oportunidades do dia para que ele possa usar os verbos
aprendidos. De inicio trabalhe apenas com 2 ou 3 verbos e gradualmente vá
aumentando até 5. Lembre-se de reforçar todos os verbos que ele foi aprendendo
nas sessões anteriores.

200- NOMEAR ELEMENTOS DA FAMÍLIA


Desempenho verbal, expressão
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Aumentar a linguagem expressiva e as capacidades de comunicação
Objectivo: Nomear cada membro da família sem ajuda
Material: Fotografias de todos os membros da família, incluindo animais de estimação (devem
ser fotografias facilmente reconhecidas) Procedimento:
Comece por mostrar ao João apenas uma fotografia de cada vez. Aponte para a
foto e diga: “Mãe, esta é a mãe”. Depois diga: “João quem é esta? Esta é a
________ .”Tente que seja ele a preencher o que falta. Se ele hesitar capte-lhe a
atenção para a sua boca e repita lentamente a palavra. Depois ajude-o a formar as
palavras . Repita o procedimento até que ele consiga identificar a primeira figura
pelo menos 5 vezes, sem ajuda. Adicione uma segunda foto e repita o mesmo
procedimento. Depois alterne as duas fotos com uma sequência fixa. Quando ele
conseguir identificar as duas fotos pelo menos 5 vezes sem ajuda, aponte para a
pessoa real e repita a questão. Quando tiver aprendido 2 nomes adicione mais
membros da família sempre da mesma forma.
201 – CANTAR
Desempenho verbal, vocalização
Percepção, audição
Imitação vocal
Meta: Incrementar as capacidades de vocalização e desenvolver a capacidade de
compreensão do tom vocal
Objectivo: Mudar de tom e de inflexões quando canta com outra pessoa
Material: Nenhum
Procedimento
Sente-se no chão com o João e comece a cantar uma canção simples para ele
ouvir. Use gestos e mude o seu tom frequentemente durante a canção para que ele
diferencie o cantar do falar normal. Use as suas mãos e expressão facial para lhe
mostrar como é divertido cantar. Quando vir que ele está a prestar atenção à sua
canção, tente envolvê-lo na canção. Por exemplo: tente que ele bata palmas ao
ritmo. Quando ele começar a participar a nível motor, hesite ocasionalmente
durante a canção e toque-lhe na boca para indicar que ele deve cantar também.
Certifique-se de que ele olha para a sua boca e cante mais lentamente para que ele
perceba. Deve reforçar todas as tentativas que ele faça para vocalizar a canção.
Gradualmente comece a exigir-lhe respostas mais especificas e uma participação
mais actividade. Mais tarde encoraje-o a imitar as suas modificações no tom de voz.

202 – CONCEITO DE MAIS


Desempenho verbal, vocabulário
Interacção individual e social
Meta: Desenvolver o conceito de mais e aumentar as competências sociais
Objectivo: Pedir mais, sempre que deseje sem precisar de ajuda
Material: Reforços alimentares para dar sempre que a criança peça mais de qualquer
coisa que pretende
Procedimento
Pegue numa grande quantidade de algo que sabe que o João gosta e coloque-o
em cima da mesa em frente dela. Não deixe que ele tire imediatamente, mas tente
mantê-lo sentado e atento. Quando ele lhe prestar atenção, recompense-o com um
pouco da recompensa e diga: “João, queres mais?” enfatizando a palavra “mais”
claramente e repita-a várias vezes. Depois mostre-lhe outro pedaço da recompensa
e repita a questão novamente. Mostre-lhe o sinal de “mais” e repita a palavra várias
vezes. Se ele tentar obter a recompensa sem dar a resposta adequada, retire o
reforço da sua frente e repita a questão. Não o reforce até ele fazer uma tentativa
de verbalizar a palavra, quando o fizer, reforce-o imediatamente e diga: “ Sim João,
mais.” Repita o procedimento até que as recompensas terminem. Esta actividade
deve ser repetida todos os dias até que ele aprenda a pedir mais sempre que o
pretender. È natural que depois de aprender o conceito, passe a pedir mais de tudo
aquilo que lhe derem, tente agir de forma compreensiva e consistente.

203 – PALAVRA FRASE


Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Imitação vocal
Meta: Aperfeiçoar as competências comunicativas e aumentar o vocabulário
Objectivo: Expressar a necessidade e o desejo usando as palavras
Material: Escadas triciclo e bola Procedimento:
Quando ensinar a linguagem expressiva é importante que tenha em conta todas as
pequenas oportunidades que surgem ao longo do dia. Por exemplo: quando o João
quer descer as escadas para ir brincar, hesite por instantes no cimo da escada e
diga: “O que é que queres fazer?” e depois sussurre-lhe “Descer as escadas.”,
enfatizando bem a palavra “descer”. Repita a palavra chave as vezes que achar
necessárias. Outras actividades possíveis incluem solicitar-lhe que diga “Empurra.”,
quando brinca com um triciclo, ou pedir-lhe que “atire” ou “agarre” quando se brinca
com a bola. Outras palavras importantes para trabalhar são, por exemplo “abraça”,
“beija” “abre” “fecha”. Nesta altura o João já terá capacidades de executar sons e é
importante que aprenda quando usar as palavras e como fazê-lo.. Limitando os
pedidos a frases de uma palavra, vai permitir-lhe aprender o que é que cada palavra
traduz realmente e como pode usá-la para obter o que precisa.

204 – O QUE É QUE QUERES?


Desempenho verbal e vocabulário
Meta: Incrementar as capacidades de linguagem expressiva e vocabulário
Objectivo: Indicar aquilo que pretende pelo nome, tendo que escolher perante 2 objectos
Material: 3 pares de objectos comuns que lhe são familiares (um dos pares deve ser
algo que ele aprecie verdadeiramente) Procedimento:
O João tem que aprender que ele pode usar a linguagem para pedir coisas que
pretende. Uma boa forma de começar a ensinar-lhe essa capacidade é levá-lo a
escolher entre dois objectos, quando um é realmente algo que ele pretende e o
outro é algo que não lhe desperta muita atenção. Sente-o em frente à mesa e
coloque um par de objectos em cima da mesa entre os dois. Por exemplo: pode
usar um carrinho que ele goste e um copo (cuidado para não usar objectos nos
quais ele se possa fixar). Prenda as duas mãos do João nas suas e aponte com
elas cada um dos objectos nomeando-os. Repita os nomes várias vezes, mantendo
sempre o contacto das mãos do João com os objectos. Continue a segurar as mãos
dele e pergunte-lhe: “Qual é que queres?” Se ele disser “carro” ou fizer qualquer
tentativa de dizer a palavra recompense-o por isso e deixe-o brincar com o objecto
escolhido por alguns minutos. Repita o procedimento até que todos os pares de
objectos se esgotem. Os sons mais fáceis de serem trabalhados inicialmente são
os P, B, M, N, D, C e T”.

205- CONCEITO DE POSSE


Desempenho verbal, expressão
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Interacção individual e social
Meta: Incrementar a expressão verbal e ensinar os pronomes possessivos
Objectivo: Identificar os objectos pela pessoa a quem pertencem
Material: Objectos pertencentes a membros da família que são claramente identificáveis
com elas (ex. sapato da mãe, óculos do pai, boneca da irmã) Procedimento:
Sente-se numa mesa com o João e coloque os objectos sobre a mesa. Pegue em
cada um dos objectos individualmente e identifique-os. Diga “Sapato da mãe.” ou
“Óculos do pai.”, enfatizando o nome e a posse. Após a identificação de cada
objecto, peça-lhe que os identifique receptivamente. Diga “João, dá-me o sapato da
mãe.”. Repita o procedimento com todos os objectos . Quando ele conseguir
identificar receptivamente todos os objectos, repita a actividade e pergunte-lhe: “De
quem é o sapato?”, se ele hesitar ajude-o com o som inicial. Reforce-o
imediatamente sempre que o João tentar identificar o pedido, por exemplo “Sapato
da mãe.” é uma resposta aceitável.
206- JOGO SIM –NÃO
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Incrementar o conhecimento do nome dos objectos e desenvolver a capacidade
de ouvir pequenas questões e responder adequadamente sim ou não

Objectivo: Usar adequadamente o sim ou não quando lhe mostramos um objecto e


perguntamos “ Isto é um ____?”

Material: 2 caixas pequenas, 5 a 8 objectos comuns que a criança reconheça facilmente


(ex. sapato, bola, colher, sabonete, copo, pente, carrinho) Procedimento:
Sente-se à mesa em frente do João com as duas caixas entre os dois. Mostre-lhe
cada um dos objectos. Tire um objecto da caixa e segure-o em frente do João.
Certifique-se de que ele está a olhar e pergunte-lhe “Isto é um sapato?” De inicio
vai ter que provavelmente responder à questão e só depois ele estará apto a imitá-
la. Diga: “Não, isto não é um sapato.”. Depois coloque o objecto dentro da outra
caixa para que ele saiba que a tarefa terminou. Faça o mesmo com todos os
objectos. Há medida que a tarefa progride, ele responderá “Sim.” ou “Não.”, ou
então fará sinais com a cabeça. Gradualmente, encoraje o João a dizer a frase mais
completa “Sim, é um copo.”. Inicie com um pequeno número de objectos e
gradualmente aumente o número, à medida que a concentração melhora. Tente
generalizar este tipo de respostas em questões simples durante o desempenho de
outras actividades durante o dia.

207- Nomear animais


Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Incrementar o vocabulário
Objectivo: Nomear 4 animais sem ajuda
Material: Animais de peluche, borracha ou desenhos.
Procedimento:
Enquanto trabalha com o João na identificação receptiva dos animais (actividade
177) verifique se ele parece conseguir expressar o nome do animal. Coloque os 4
animais em cima da mesa em do João. Peça-lhe que lhe dê cada um dos animais “
Dá-me o cão.” repita o nome do animal várias vezes, mesmo após ele lho dar.
Depois de ele lhe dar todos os animais, pergunte “João, o que é isto?”. Se ele
precisar de ajuda, dê-lhe o som inicial e depois hesite, permitindo que ele acabe a
palavra. Reforce-o imediatamente por qualquer tentativa de verbalizar o nome do
animal. Há medida que ele for progredindo na tarefa vá retirando a sua ajuda até
que ele diga sozinho o nome de todos os animais propostos.
208- NOMEAR OBJECTOS
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptivas
Percepção visual
Realização cognitiva, leitura (opcional)
Meta: Aumentar as competências expontâneas para responder a questões e nomes
dos objectos
Objectivo: Nomear um número de itens de uma categoria apenas com pistas visuais
Material: Objectos de uso comum agrupados em categorias (ex. alimentos- maçã,
banana, bolacha, bolo) Procedimento:
Quando o João puder identificar receptivamente os itens de uma categoria
apontando ou seleccionando os objectos correctos (actividade165), comece a
ensiná-lo a identificar os mesmos objectos expressivamente. Distribua os objectos
pela sala de forma clara e visível para ele e pergunte “O que é que é de comer?”.
Enfatize a categoria de forma clara: De inicio o João vai concerteza querer apontar
ou agarrar o objecto correcto, pois foi o que lhe solicitou na actividade anteriormente
referida, mas desta vez impeça-o de se levantar e quando ele apontar diga “Boa, o
que é isso?” Nomeie o objecto várias vezes e tente que o João repita as suas
palavras. Dado que algumas palavras exigem uma articulação cuidada, podem
ocorrer meias palavras ou respostas parciais, mas reforce qualquer esforço ou
tentativa. Se ele não conseguir identificar um objecto ou uma categoria, mude para
outra e continue o procedimento.

209 – COMPREENSÃO DE FRASES


Desempenho verbal, expressão
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Realização cognitiva, leitura (opcional)
Realização cognitiva, sequencialização
Meta: Usar frases de construção simples
Objectivo: Olhar para uma figura e descrevê-la usando frases simples, de 3 ou 4 palavras,
envolvendo o sujeito e o verbo
Material: Uma folha de cartolina, figuras de pessoas envolvidas em acções comuns (por
exemplo correr, andar, dormir) Procedimento:
Divida a cartolina em duas partes, uma com a palavra QUEM e outra com a frase O
QUE FAZ?. Coloque a cartolina em cima da mesa, em frente do João. Comece com
3 cartões com pessoas envolvidas em tarefas simples de identificar, por exemplo 3
figuras de um homem a andar. Se estiver também a trabalhar a leitura, rotule cada
uma das figuras adequadamente. Mostre ao João duas cartas e descreva a acção,
diga “Olha, o homem está a andar.”. Coloque a figura em cima da cartolina depois
de ter a certeza de que ele está a olhar. Depois pegue noutra figura com a mesma
acção (com a personagem sempre do mesmo sexo) e coloque-o debaixo da palavra
QUEM. Capte a atenção do João para a segunda figura e diga “Olha, quem é?”
tente que ele diga ”O homem.” ou algo adequado, do tipo o menino ou o rapaz. Se
ele não responder, direccione a atenção para a segunda figura e repita o mesmo
procedimento. Repita também com a terceira figura. Finalmente tente que ele
coloque as duas ideias numa frase. Repita o procedimento usando outras acções
simples como nadar, andar, saltar etc. Certifique-se de que as acções são claras e
de que o sexo da personagem é claramente distinguível em todas as figuras
210 – TAMANHO
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver o uso adequado de adjectivos para melhorar a familiaridade com
conceitos de tamanho
Objectivo: Dizer ou assinalar “grande”/”pequeno” em resposta à questão “De que tamanho
é?”
Material: 2 objectos idênticos de diferentes tamanhos (ex. cubos ou botões) Procedimento:
Quando o João puder identificar receptivamente objectos de acordo com o tamanho,
comece a pedir-lhe que tente identificar o tamanho expressivamente. Coloque dois
cubos na mesa em frente do João e diga “Dá-me o grande.”, quando ele lhe der o
cubo maior reforce-o,. Depois pegue no cubo e diga “De que tamanho é este cubo?.
Se ele não responder diga “Olha, é grande, agora diz tu.” .Reforce-o imediatamente
se ele tentar dizer. Por forma a evitar confusão, trabalhe estes dois tamanhos
intensamente, mas trabalhe expressivamente apenas um dos conceitos até ele o
assimilar. Só depois deve começar a pedir-lhe que identifique ambos.

211. ELE E ELA


Desempenho verbal , vocabulário
Realização cognitiva, categorização
Meta: Desenvolver o uso de pronomes pessoais e incrementar a discriminação ele/ela

Objectivo: Usar ele e ele adequadamente quando identifica o masculino e o feminino nas
figuras.

Material: Desenhos de revistas com homens e mulheres ou rapazes e raparigas em


actividades que são familiares ao João (certifique-se que o sexo de cada
personagem está facilmente identificável.
Procedimento:
Sente-se próximo do João com um conjunto de figuras na sua frente. Mostre-lhe a
figura com um homem numa actividade que ele conheça e diga “Olha ele está
sentado.”. Enfatize bem o pronome de forma clara e mais alto. Repita o procedimento
com a figura de uma mulher. Coloque as figuras ao lado uma da outra sobre a mesa,
certifique-se de que ele está atento, enquanto repete os pronomes apontando para
as respectivas figuras. Repita o procedimento com todas as figuras. Enfatize sempre
o pronome e coloque as figuras nos respectivos grupos (homens/mulheres). Tente
que o João lhe indique em que grupo deve colocar uma das figuras, se ele não
conseguir, ajude-o com o som inicial. Mantenha sempre frases curtas e simples. Use
apenas actividades que ele conheça.
212.-EM CIMA/EM BAIXO
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Incrementar a capacidade de expressão através do uso de adjectivos e
compreensão de relações temporais.
Objectivo: Usar ou sinalizar “em cima “ e “em baixo” para indicar a localização de uma
recompensa desejada.
Material: 3 copos, e reforços alimentares

Procedimento:
Sente-se à mesa com o João e mostre-lhe os reforços. Esconda uma delas debaixo
de um copo e peça-lhe para o tirar. Repita esta actividades alguns minutos para o
familiarizar. Coloque uma vez o reforço em cima do copo e peçalhe que o retire.
Quando ele estiver familiarizado em procurar o rebuçado dentro e em cima do copo,
continue a actividade, mas usando as expressões. Por exemplo: “Olha João,
debaixo.” e coloque o reforço debaixo do copo. Depois de repetir várias vezes,
coloque o reforço debaixo e pergunte “Onde está?” e responda lentamente
“Debaixo.”. Motive-o a começar a responder. Reforce-o por qualquer tentativa.

213 – RESPONDER A QUESTÕES COM “OU”


Desempenho verbal , expressão
Desempenho verbal, linguagem receptiva
Meta: Incrementar a linguagem expressiva e desenvolver a capacidade de fazer
escolhas de forma independente
Objectivo: Fazer escolhas de forma independente quando lhe dão 2 alternativas concretas
e, expressar essa escolha verbalmente.
Materiais: Objectos da sala que lhe são familiares e que lhe agradam Procedimento:
Dado que o João apresenta dificuldades em se expressar quando se lhe é oferecido
algo a escolher, aproveite todas as oportunidades do dia para usar a palavra “ou”.
Por exemplo, antes da “hora do conto”, seleccione 2 livros e coloque os em frente
dele. Aponte para cada um dos livros, separadamente, e pergunte: “Queres este ou
aquele?”. Quando ele se dirigir para um deles repita a questão e diga “João, diz,
este.”. Encoraje-o a verbalizar o que quer sempre que lhe oferece a escolha. Este
programa pode ser implementado com comer, brinquedos ou qualquer outra coisa
que lhe interesse especialmente. Quando o João já estiver habituado a questões
com “ou” e conseguir responder-lhes verbalmente, comece a introduzir questões
para respostas mais especificas envolvendo nomes de objectos, categorias ou
cores. Por exemplo, agarre num cubo vermelho e pergunte-lhe “João, este cubo é
vermelho ou azul?”. Se ele hesitar, mostre-lhe outro cubo vermelho e nomeie a cor,
depois mostre-lhe outro azul e nomeie-o também. Por fim repita a questão com os
cubos originais.

214.CONVERSA ESTRUTURADA
Desempenho verbal e cognitivo, conversação
Interacção individual e social
Meta: Desenvolver competências de conversação
Objectivo: Responder adequadamente a conversas simples e a questões simples e
incrementar as competências sociais básicas
Material: Figuras de revistas, botões, copo Procedimento:
Nesta altura, o vocabulário do João já melhorou consideravelmente, mas precisa de
aprender a usar as suas palavras numa conversa adequada. Para esse efeito ele
vai precisar de praticar muito em situações estruturadas. Sente-se na mesa em
frente do João. Planeie um tópico para a conversa na qual lhe deverá fazer 3
questões simples, por exemplo:
“João, o que é que podemos comprar no supermercado?”
“ Como é que vamos para o supermercado?”
“O que é que fazemos com o comer que compramos no supermercado?”
Depois de ele lhe dar uma resposta satisfatória, coloque um botão no copo, o que
lhe permitirá ver quantas questões respondeu adequadamente. Se ele não
conseguir responder adequadamente, use figuras auxiliares e dê-lhe pistas. Por
exemplo se ele não responder “carro” para a 2ª questão, mostre-lhe a figura de um
carro e repita a questão. Use sempre temas que lhe despertem interesse. À medida
que ele for aderindo melhor à conversa, comece a extinguir o sistema token e elogie
a sua resposta imediatamente.

215 – TRANSMITIR UMA MENSAGEM SIMPLES Desempenho


verbal, conversação
Interacção social e individual
Meta: Desenvolver competências de comunicação e incrementar competências de
memória e competências sociais
Objectivo: Recordar uma mensagem pequena ( 4 ou 5 palavras) e transmiti-la
verbalmente a outra pessoa
Material: Nenhum Procedimento:
Sente o João numa sala e tenha outra pessoa numa sala próxima. Leve-o à outra
sala para poder ver que está lá outra pessoa. Cada um dos elementos deve ter uma
dose de reforços a dar ao João. Antes de iniciar a actividade ambos devem
combinar a mensagem a transmitir, de forma a poderem saber se ele a transmitiu
bem. Dê ao João uma mensagem pequena e peça-lhe para ir dizê-la à outra pessoa,
coloque-o na direcção correcta e repita a mensagem. Quando ele chegar à outra
pessoa e não disser a mensagem, esta pode começar por ajudar “O que é que a
_____disse?”. Quando ele transmitir a mensagem, reforce-o e dê-lhe uma
mensagem semelhante para ele levar de volta à outra pessoa. Comece apenas com
2 mensagens e 2 viagens e gradualmente vá aumentando o número de viagens e
a complexidade das mensagens. Lembre-se de que o João tem de compreender
bem a mensagem, senão ficará confuso e será incapaz de a recordar
correctamente.

216 – PLURAIS
Desempenho verbal , expressão
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver o uso adequado do plural
Objectivo: Usar os plurais adequadamente quando identifica grupos de objectos familiares
Material: Objectos de uso comum que ele reconheça (ex. bolos, bolas, cubos)
Procedimento:
Sente o João na mesa e coloque os objectos na sua frente. Nomeie os objectos à
medida que pega neles. Por exemplo, pegue num bolo e diga: “Olha João, um
bolo.”, quando ele lhe quiser pegar pergunte “O que é isto?”, quando ele responder
“Bolo.”, coloque vários bolos em cima da mesa e diga: “Olha João, bolos.”. Enfatize
bem o plural. Repita a palavra “bolos” várias vezes. Depois aponte para o bolo e
diga “Bolo.” aponte para o conjunto de vários bolos e diga “Bolos.”. Não se esqueça
de enfatizar bem a diferença entre as duas palavras. A seguir aponte para o bolo e
pergunte “O que é, João?”. Quando ele responder “Bolo.”, repita a questão para o
conjunto de bolos. Se ele não captar o plural, repita o som “S” mais alto após a
palavra “bolo” e peça-lhe que repita.
217.NOMEAR FIGURAS GEOMÈTRICAS
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Percepção visual
Meta: Aumentar a linguagem expressiva e a nomeação
Objectivo: Identificar verbalmente 3 figuras simples (circulo, quadrado e triângulo)
Material: Figuras geométricas recortadas em formas de circulo, triângulo e quadrado
Procedimento:
Quando o João for capaz de lhe dar a figura geométrica apropriada à ordem: “João,
dá-me o (circulo).” (actividade 176) comece a trabalhar para que ele diga o nome
das figuras. Depois de ele lhe dar a figura correcta, sustenha-a à frente dele e diga
pausadamente o nome da figura várias vezes. Depois pergunte “João que figura
é?”. Repita o nome da forma várias vezes, para que ele associe a palavra “figura”
com as palavras “circulo”, “triângulo”, “quadrado”. Depois de fazer este
procedimento várias vezes, encoraje-o a responder sozinho.

218. VERBALIZAR O USO DOS OBJECTO


Desempenho verbal, expressão
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Aumentar as competências de conversação e compreensão do uso dos
objectos
Objectivo: Explicar verbalmente o uso de objectos comuns
Material: 4 objectos de uso comum que lhe sejam familiares (livro, colher, brinquedo,
copo) Procedimento:
Quando o João estiver familiarizado com os objectos e conseguir mimar o seu uso
(actividade 11 e 12) tente que ele verbalize o seu uso. Por exemplo, dê-lhe um livro
e diga: “ Olha João, um livro. O que é que fazes com um livro?”. Como ele sabe
fazer o uso adequado do livro, provavelmente ele começará a lê-lo. Não lho dê até
que ele tente verbalizar o uso do livro. Repita o procedimento com outros objectos.
Lembre-se que deve pronunciar claramente o uso dos objectos para que ele tenha
um modelo correcto para imitar.

219. QUESTÕES TEMPORAIS


Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Aumentar a compreensão e os conceitos temporais, expandir o vocabulário
Objectivo: Responder com uma palavra a questões simples acerca do tempo em que um
determinado evento ocorre
Material: Desenhos de pessoas a fazer acções que lhe são familiares Procedimento:
Mostre ao João uma figura e explique-lhe o que se passa. Por exemplo, mostrelhe
uma figura com um menino a dormir e pergunte “O que está o menino a fazer?”.
Quando ele responder “A dormir.” diga “Certo. O menino está a dormir. O menino
dorme à noite”. Repita a palavra “noite” várias vezes em conjugação com a palavra
“dormir”. Repita este procedimento com as outras figuras mostrando as actividades
e conjugando-as com a localização temporal em que ocorrem. Repita várias vezes
as palavras “manhã”, “tarde”, “noite” para que se tornem bem claras. Depois
pergunte “Quando é que o menino dorme?” se ele hesitar, ajude-o com o som “N”.
À medida que ele evolui tente inverter a questão, “O que é que o menino faz à
noite?” para que ele responda “Dorme.”, sem ver a figura. Encoraje-o a pensar em
coisas que pode fazer durante o dia e a relacioná-las.

220- CONTAGEM
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, associação
Imitação verbal
Meta: Aumentar o vocabulário e o conceito de número
Objectivo: Contar sem ajuda Material:
Blocos de madeira Procedimento:
Certifique se o João é capaz de imitar os sons dos números. Trabalhe com 5 blocos.
Conte os blocos em voz alta e lentamente, movendo os blocos para um grupo
separado após dizer o número. Faça isto várias vezes e hesite antes de dizer o
último número para ver a reacção dele. Depois peça-lhe 3 blocos., quando ele lhe
der o número certo de blocos, conte-os em voz alta, não dizendo o último número
de cada grupo. Repita o procedimento várias vezes, mas de inicio peçalhe que
identifique apenas o primeiro número. Gradualmente, peça-lhe que identifique os 2
últimos e vá aumentando a quantidade de números exigidos à medida que ele
melhora.
221 – NOMEAR CORES
Desempenho verbal, vocabulário
Realização cognitiva, linguagem expressiva
Meta: Desenvolver o uso de adjectivos descritivos e aumentar a compreensão das
cores
Objectivo: Nomear expressivamente as 4 cores primárias Material
Blocos coloridos (vermelho, amarelo, verde e azul) Procedimento:
Sente-se na mesa em frente do João. Coloque os 4 blocos coloridos na mesa em
frente dele. Quando ele lhe responder correctamente 90% das vezes ao seu pedido
“Dá-me o bloco azul.” (actividade 182), comece a trabalhar o conhecimento
expressivo das cores. Enquanto faz a actividade vá repetindo os nomes das cores
frequentemente, falando de forma clara e audível. No decorrer da actividade aponte
para um dos blocos e pergunte “Que cor é esta?”. Ajude-o sussurrando o nome da
cor. Recompense-o imediatamente se ele fizer algum esforço para verbalizar a
palavra. Continue a actividade aumentando as oportunidades dele se exprimir quanto
às cores. Gradualmente vá envolvendo outras cores.

222 – RECONTAR O CONTO – I


Desempenho verbal, conversação
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Interacção social e individual
Meta: Incrementar as competências de expressão linguistica e memória
Objectivo: Relatar um conto recente, com ajuda mínima
Material: Televisão Procedimento:
Utilize a televisão para verem um conto ou uma série do agrado do João, de
preferência qualquer coisa breve e simples. Depois de ele observar a série, faça-lhe
algumas questões simples acerca do que acabou de ver . Tente que ele lhe conte
toda a história. Por exemplo, se estiver a ver a Rua Sésamo pergunte: “O que é que
aconteceu ao Oscar?”. Depois de ele lhe responder pergunte novamente “E o que é
que aconteceu a seguir?”. Tente que ele fale o máximo acerca daquilo que viu e
aconteceu, isto vai permitir-lhe aprender a falar sobre coisas concretas e que lhe
interessam. Esta é uma actividade que pode ser repetida mesmo durante os tempos
de lazer, sem que ele sinta que está a ser forçado a “ trabalhar”.

223 – RECONTAR O CONTO – II


Desempenho verbal, conversação
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Aumentar as competências de conversação e competências sociais Objectivo:
Descrever 4 ou 5 características de uma figura, sem ajuda
Material: Um livro de contos infantis, simples Procedimento:
Sente-se confortavelmente com o João de forma a que ele veja o livro claramente.
Mostre-lhe uma figura e tente que ele lhe explique o que aconteceu, com todos os
detalhes que ele conseguir. De inicio, provavelmente, terá que lhe direccionar a
atenção para as várias partes componentes da figura e relembrá-lo para continuar
a descrever a figura, mas, gradualmente, ele poderá começar a fazê-lo sozinho.
As questões que poderá fazer devem ser do tipo:
“O que é que o menino tem vestido?”
“ Como é que ele se sente? Está triste ou contente?”
“Há animais no desenho?”
224- CONCEITO DE TEMPO Desempenho
verbal, expressão
Realização cognitiva. Linguagem receptiva
Meta: Aumentar o vocabulário e a compreensão dos conceitos de tempo
Objectivo: Usar adequadamente palavras como “ontem”, “hoje” e “amanhã”
Material: Uma folha de cartolina, marcadores, fotos representando acontecimentos da
rotina do João Procedimento:
Faça uma grelha representando os dias da semana. Use figuras para representar
as actividades que o João faz durante o dia, e explique-lhe o significado da grelha.
Comece por explicar aquilo que ele vai fazer hoje: “Olha, João, hoje vais para a
escola, vais comer esparguete ao jantar e ver televisão.”. Enfatize a palavra “hoje”
e peça-lhe para repetir o que vai fazer hoje. Pode deixar de fora uma outra
actividade e depois perguntar-lhe: “Que mais vais fazer hoje?. Depois de ele já ter
assimilado a noção de “hoje”, pode começar a trabalhar o “ontem“. Ande, na grelha,
para trás um dia e diga “Olha, João, ontem foste para a escola, comeste
hambúrgueres ao jantar e foste brincar para a rua.”. Enfatize bem o “ontem” e repita
várias vezes. Depois pergunte-lhe “Olha, João, o que é que fizeste ontem?”. Se ele
se confundir, remeta-o para a grelha. Quando ele tiver aprendido a usar as duas
expressões, repita o mesmo procedimento para “amanhã”.

225- DIAS DA SEMANA


Desempenho verbal, expressão
Realização cognitiva, linguagem receptiva
Meta: Aumentar a linguagem expressiva e a compreensão dos conceitos de tempo
Objectivo: Nomear os dias da semana Material:
Grelha com os dias da semana Procedimento:
Quando o João já dominar o uso das expressões de “ontem”, “hoje” e amanhã”
adequadamente (actividade 224) comece a ensinar-lhe os nomes dos dias da
semana. Proceda do mesmo modo que fez para lhe ensinar as referidas
expressões, mas comece a incorporar os dias da semana. Por exemplo: “Olha,
João, hoje é segunda-feira e tu vais para a escola.”. Tente que ele repita o que
acabou de dizer. Depois repita o procedimento com a frase “Ontem foi domingo,
fomos ao jardim e jantámos pizza.”. Depois de ter isto bem treinado, faça questões
do tipo. “Ontem foi domingo. O que é que fizemos no domingo?”. Depois desta
actividade nomeie os 7 dias de semana por ordem e tente que ele os repita consigo.
AUTONOMIA

Esta secção contém actividades que podem dinamizar a independência da criança com
autismo em relação ao ambiente. As áreas mais importantes mais importantes a desenvolver
nesta secção são a alimentação ,a utilização da casa de banho, a higiene e o vestuário. muito
do stress sentido pelos Pais e professores anda à volta dos objectivos a longo termo que têm
em conta estas sub-áreas, tão importantes para a independência da criança, que normalmente
tornam-se extremamente dependentes. Estas actividades devem ser incorporadas diariamente
numa rotina em casa e na escola. O número de actividades descritas nesta secção é simbólico
pelo facto de ser uma área que abarca um grande número de actividades, por isso terão de ser
alargadas para outras actividades de acordo com as necessidades de cada um, (ver bibliografia.
Muitas destas actividades foram desenvolvidas através da experiência com crianças com atraso
de desenvolvimento severo, elas podem ser adaptadas a crianças com autismo uma vez que
as suas dificuldades de aprendizagem sejam tomadas em conta.
As características específicas das crianças com autismo são:
1 – Uma forte preferência por certo tipo de comida, o que significa que se deve
aproveitar para ensinar os aspectos de autonomia na alimentação quando está a
ingerir os seus alimentos preferidos
2 – Aptidões pobres da linguagem impedem a professora de usar linguagem para
conduzir a criança. Os gestos claros e as demonstrações devem ser usadas para que
a criança entenda o que se pretende
3 – Uma forte necessidade de igualdade ou gosto por rotinas. Logo que uma rotina
foi ensinada, a criança pode ter dificuldades em generalizar para outras situações ou
contextos diferentes
4 – Utilização inadequada dos sentidos (Hipersensibilidade ou hiposensibilidade
aos estímulo). As respostas da criança a vários sabores ou cheiros, ao estar molhada,
com frio ou zangada ou com medo podem ser extraordinariamente fortes ou
inexistentes
5 – Capacidade de atenção pobre (grande distractibilidade), que necessita de
estrutura e sinais visuais ou auditivos para a manterem atento.

As actividades apresentadas nesta secção foram escolhidas de modo a ilustrar técnicas de


ensino que têm em conta as características apontadas atrás. Também ilustra tarefas concretas
que são necessárias para capacitar a criança a aprender como generalizar de uma situação
para a outra. O nível de desenvolvimento das capacidades de autonomia pode não estar
adequadamente avaliado através do PEP; sendo assim importante verificar melhor quais as
capacidades de resposta da criança nesta área de funcionamento.

226 – COMER COMIDA COM OS DEDOS


Independência, alimentação
Motricidade fina, agarrar
Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver aptidões autónomas na alimentação
Objectivo: Agarrar e comer alimentos que se comem com os dedos
Materiais: Alimentos de comer com os dedos tais como pão, cenouras cozidas, salsichas,
banana Procedimento:
Sente o João numa cadeira alta e coloque alguma comida que sabe que ele gosta
à sua frente. Assegure-se de que ele está a olhar para si e lentamente pegue numa
peça de comida e oriente-a para a sua boca. Faça gestos exagerados de modo a
demonstrar que a comida é muito boa, indicando ao João que ele deve fazer o
mesmo. Se ele não imita ou brinca com a comida, oriente-lhe a mão ao mesmo
tempo que usa a outra para que elo tenha um modelo para imitar. Lembrese de
fazer movimentos deliberados e tente manter a atenção dela focada nas suas mãos.
Elogie-o de cada vez que ele come, mesmo com a sua ajuda. Tente descobrir qual
a comida que ele gosta mais e qual a que ele recusa sempre. A tarefa torna-se mais
simples se houver comida que ele aprecia bastante. à medida que aumentam as
suas capacidades de motricidade fina, vá reduzindo progressivamente o tamanho
das peças da comida.

227 – BEBER POR UM COPO DE ÁGUA


Independência, alimentação
Meta: Beber por um copo
Objectivo: Manter o copo com as duas mãos e levá-lo à boca.
Materiais: Copo de plástico, sumo favorito
Procedimento
João bebe quando você lhe pega no copo, mas não segurará o copo sozinho. ele
detesta qualquer mudança. Por isso temos que fazer essa mudança
progressivamente e só assim ele aceitará a mudança sem ficar perturbado. Use os
seguintes passos, mudando para uma nova etapa sempre que veja que ele aceita
a mudança seguinte.
1 –Sente-se perto do João, segure o copo nas suas mãos e leve-o à sua boca
2 – Perto do João, coloque as mãos dele no copo com as suas por cima e
leve-o a levar o copo à boca
3 – Faça o mesmo que em 2, mas agora segure-lhe nos pulsos firmemente
4 – Agarre-lhe nos pulsos ao de leve, o suficiente para lhe dar confiança, mas
deixando que os músculos do João trabalhem para segurar o copo
5 – Reduza a ajuda a um toque no braço para que o João recorde o que fazer.
228 – COMER COM A COLHER
Independência, alimentação
Motricidade fina, agarrar
Meta: Desenvolver aptidões autónomas na alimentação
Objectivo: Comer usando a colher sem derramar excessivamente
Materiais: Colher Procedimento:
Depois do João ter aprendido como apanhar substâncias e mantê-las na colher
(actividade 98) pode começar a usar a colher para comer de forma independente.
Enquanto ele está a aprender a comer com a colher, use a comida que ele mais
aprecia e que seja fácil de apanhar com a colher e mantê-la fixa na mesma, como
por exemplo: papa de aveia espessa, puré de batata, pudim, geleia, etc. Coloquelhe
a colher na mão mantendo suavemente a sua mão na do João e oriente-o ate à
comida e devagar direccione-a para a boca dela. Elogie-o logo que ele apanhe uma
colherada com comida e progressivamente reduza o seu controle, começando por
aliviar a sua pressão nas mãos dela e depois passe para os pulsos, mais tarde para
os braços e finalmente retire-lhe a ajuda. Repita o procedimento com diferentes
comidas até que ele consiga manobrar a colher e comer sem ajuda.

229 – USO ADEQUADO DA COLHER


Autonomia, alimentação
Motricidade fina, manipulação
Independência social
Meta: Incrementar as competências de autonomia e maneiras à mesa
Objectivo: Comer com uma colher de forma adequada e independente
Material: Uma colher Procedimento:
Tente que a todas as refeições não haja alimentos fáceis de comer com os dedos.
Sente O João em frente da mesa e chame a sua atenção para a colher “Olha, João,
vamos comer com a colher.”. Depois coloque o prato em frente dele, coloque-lhe a
colher na mão e guie com a sua mão as primeiras tentativas e diga “ Estamos a
comer com a colher”. Gradualmente reduza a ajuda até que ele consiga controlar a
colher. Se ele tentar usar os dedos, retire o prato para o centro da mesa e diga
“Não, estamos a comer com a colher.”. Demonstre outra vez e, lentamente, levando
à boca a sua colher. Coloque novamente o prato em frente do João e coloque-lhe
a colher na mão. Se ele voltar a colocar os dedos, retire-lhe o prato . Sempre que
ele tentar colocar os dedos retire o prato da frente por um minuto, e demonstre
novamente o uso da colher, depois coloque-lhe o prato à frente e a colher na mão.
Este procedimento vai ensinar-lhe que se quiser comer, terá que fazê-lo com a
colher. É importante usar comida que ele goste. Para melhores resultados não se
deve permitir que ele petisque entre as refeições. Este programa deve ser aplicado
de forma consistente. Se ele for autorizado a comer uma vez com os dedos e outra
com a colher, poderá ficar frustrado e confus0. Toda a refeição deve assim ser
composta por alimentos que tenham de ser comidos com colher, para que a
aprendizagem seja mais consistente.
230 – BEBER POR UM COPO
Autonomia, alimentação
Motricidade fina, manipulação
Imitação, motricidade
Meta: Desenvolver competências de autonomia e independência Objectivo:
Beber por um copo usando as duas mãos, sem entornar.
Material: Um copo inquebrável Procedimento:
Sente o João numa mesa e sente-se em frente dele. Dê-lhe um copo e deixe-o
brincar com ele alguns segundos, para se habituar a ele. Depois pegue no copo e
mostre-lhe como agarrar com as duas mãos. Coloque-lhe as duas mãos no copo,
adequadamente e elogie-o por agarrar bem. Lentamente leve-lhe o copo à boca e
volte a colocá-lo na mesa. Repita o gesto. Quando o João se sentir confortável a
pegar no copo, coloque-lhe uma pequena porção de liquido. Guie as mãos do João
até ao copo, para o agarrar e guie lentamente o copo à boca. Diga “Bebe.” e incline
lentamente o copo para que beba uma pequena porção de liquido, se for um liquido
que ele goste ele vai abrir os lábios. Depois coloque novamente o copo na mesa.
Leve lentamente o copo aos lábios do João e diga: “Bebe.”. Coloque novamente o
copo na mesa. Gradualmente diminua a ajuda e incite-o a pegar sozinho no copo
para beber. No inicio, provavelmente, ela vai entornar alguns pingos de bebida, não
pare a meio da actividade para limpar, isso poderá perturbar a aprendizagem. O
João necessita de uma ordem contínua por forma a aprender a rotina
adequadamente.

231 – DESCALÇAR MEIAS


Autonomia, vestir
Motricidade fina, manipulação
Meta: Despir-se de forma independente
Objectivo: Descalçar as meias sozinho Material: Uma
meia larga, uma garrafa.
Procedimento:
Comece por usar uma meia de homem, grande e uma garrafa de plástico. certifique-
se de que o João está a olhar para si e coloque dentro da garrafa alguns reforços
(amendoim ou um doce) e coloque a tampa pouco apertada. Coloque a meia
lentamente no topo da garrafa (ver actividade 103) . Pegue na mão do João e ajude-
o a tirar a meia na garrafa. Depois ajude-o a ver a surpresa. Repita o procedimento
até que ele consiga fazê-lo sozinho e sem ajuda. Quando o conseguir coloque a
mesma meia no pé. Certifique-se de que ele está bem sentado e equilibrado. Ajude-
o a retirar a meia. Repita a actividade algumas vezes com a meia grande, quando
ele estiver habituado à actividade tente que o faça com uma meia da sua medida.
Comece por pedir-lhe para colocar a meia na garrafa. Gradualmente coloque a meia
no pé e tente que ele a retire. Ajude-o se precisar e não deixe que ele se sinta
frustrado.

232 – COMER COM UM GARFO


Autonomia, alimentação
Motricidade fina, manipulação
Meta: Incrementar as capacidades de autonomia
Objectivo: Comer com um garfo
Material: Um garfo de plástico Procedimento:
Depois do João ter aprendido a comer com a colher, introduza gradualmente o
garfo. Tente usar um garfo de plástico resistente. Use comida que seja facilmente
comestível com o garfo e que o João goste. Mostre-lhe como deve pegar no garfo
e demonstre como deve levá-lo à boca. Depois coloque-lhe o garfo na mão e cubra-
a com a sua, guie lentamente o garfo à boca e novamente para a mesa. Repita o
procedimento várias vezes, alternando entre a sua boca e a dele. Quando ele
estiver habituado à tarefa coloque pequenos pedaços de comer num prato. Reforce
o facto de ele agarrar no garfo e guie-o até aos pedaços de comer, para picar um.
Vá demonstrando com o seu garfo. Certifique-se de que ele está a olhar para si
quando leva o seu garfo à boca. Reforce o facto dele ter pegado com comer e
depois encaminhe-o para a boca e diga “Come, João.” e deixe lentamente o comer
na boca dele. Reforce-o. Continue o procedimento por mais algum tempo,
reduzindo a ajuda. Use sempre comeres que ele goste.

233 – DISTINGUIR COMESTÍVEL DE NÃO COMESTÍVEL


Autonomia, alimentação
Desempenho cognitivo, categorização
Desempenho cognitivo, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver as capacidades de autonomia
Objectivo: Distinguir substâncias comestíveis de não comestíveis sem ajuda
Materiais: Comida, substâncias não comestíveis (não tóxicas) por exemplo, objectos,
cubos, pedras, contas.
Procedimento:
Sente-se com o João à mesa. Coloque um pedaço de comida em cima da mesa e
um objecto não comestível, em frente dele, por exemplo: uma pedra e um bocado
de chocolate. Diga: “Come.” e faça o gesto para que coma um dos objectos que
estão na mesa. Se ele escolher a pedra, segure-lhe na mão e dirija-lhe a atenção
para a pedra, diga “Não é para comer.”. Depois dirija-lhe a mão para o chocolate e
diga Para comer.”. Reforce-o por comer o correcto. Remova rapidamente a pedra
e substitua por outro par de itens. Repita o procedimento variando os itens, tentando
incorporar os mais variados objectos. Lembre-se de reforçar sempre que ele
escolher os itens correctamente.
234 – VESTIR: CAMISOLA
Autonomia, vestir
Meta: Vestir-se sozinho
Objectivo: Vestir uma camisola ou T-shirt sem ajuda
Material: Camisola ou T- shirt Procedimento:
Repita o seguinte procedimento de cada vez que ajudar o João a vestir uma
camisola. Coloque o braço esquerdo na manga esquerda e coloque a manga direita
sobre o ombro direito. Diga “João, veste camisola.”. Guie-lhe o braço direito pela
manga. Elogie-o imediatamente. Repita este passo simples, muitas vezes,
reduzindo gradualmente a sua ajuda até que ele consiga colocar o braço na manga
correcta estando o outro braço previamente colocado. Somente quando ele
conseguir completar com sucesso este passo sem a sua ajuda, deve tentar o
próximo passo. Mostre-lhe como colocar a camisola aberta e como meter o braço
através da 1ª manga. Assegure-se que lhe mostra como segurar a camisola aberta
da mesma forma de todas as vezes que inicia esta actividade. A seguir, coloque a
manga sobre o ombro e proceda como anteriormente. Quando ele estiver habituado
a desempenhar os dois passos com as duas mangas, hesite antes de colocar a 2ª
manga sobre o ombro, com o intuito de verificar se ele localiza por si a 2ª manga.
Lembre-se de dizer “João, veste camisola.” de todas as vezes que inicia esta
actividade. Reduza gradualmente a sua ajuda até que lhe consiga dizer
simplesmente “João, veste camisola.” e induzi-lo a começar, se necessário. É
provável que demore bastante tempo antes dele conseguir aprender a posicionar a
camisola de forma apropriada antes de começar a vesti-la.
235 – VESTIR: CALÇAS
Autonomia, vestir
Meta: Vestir-se sozinho
Objectivo: Vestir calças sem ajuda
Material: Calças Procedimento:
Quando estiver a vestir o João enfie-lhe as calças até ás ancas e tente que ele as
puxe para cima. Coloque-lhe as mãos no cós das calças, com a sua ajuda e diga:
“Puxa as calças.”. Reforce o esforço que ele fizer. Repita o procedimento até sentir
que ele está a puxar sozinho. Gradualmente vá retirando a sua ajuda até que ele
as puxe sozinho. Quando ele conseguir puxar as calças acima dos joelhos, tente
que as puxe desde os tornozelos. Para executar este passo o João terá que se
dobrar mais. Faça-o lentamente parar que ele perceba como fazer. Certifique-se de
que só avança para outro passo depois de consolidar o anterior . diga de cada vez
“João, puxa as calças.”. Quando ele já conseguir puxar as calças sozinho., comece
a tentar que ele as coloque nós pés correctamente. Comece por lhe ensinar como
deve fazer. Sente-o numa cadeira e coloque-lhe as calças na frente na posição
correcta. Diga “João, veste as calças.”. Guie-lhe as mãos para que enfie os pés nas
calças. Repita o procedimento várias vezes. No inicio vai ter que o ajudar a
encontrar a parte da frente das calças e certifique-se sempre que ele tem um pé em
cada perna antes de as puxar para cima. Reforce-o sempre que execute um passo
e gradualmente vá retirando a sua ajuda. Mostrelhe sempre as calças da mesma
forma para que ele aprenda a ver qual o lado da frente.

236 – CONTROLO DE ESFÍNCTERES


Autonomia, higiene
Meta: Incrementar a higiene pessoal
Objectivo:. Usar a casa de banho de um modo adequado e independente.
Material: Casa de banho Procedimento:
Linhas gerais:
Neste treino o factor mais importante é a manutenção de uma atitude positiva.
Qualquer mostra de desagrado, negativismo ou desaprovação pode ser sentida
pelo João. Ensine esta actividade da mesma forma que tem ensinado outras. Dêlhe
regularmente reforços e use uma linguagem simples, como “xixi”, “molhado”, “seco”.
Reforce-o de uma forma agradável sempre que ele tiver sucesso. Normalmente é
mais eficaz dar um reforço positivo após o sucesso de uma tarefa do que mostrar
reprovação após um incidente. Dispa-lhe a roupa apenas na casa de banho e
sempre que ocorrer um incidente só lhe mude a roupa na casa de banho. Isto
permite-lhe associar os acidentes à casa de banho.
Procedimentos específicos:
Leve o João à casa de banho de hora a hora cerca de 5 minutos de cada vez.
Certifique-se de que ele está calmo e descontraído sem se mostrar descontente.
De início fique com ele. Tenha qualquer coisa à mão na casa de banho, para
reforçar sempre que fizer na sanita (ou bacio). Após passarem os 5 minutos retireo
da sanita, mas se não fez a necessidade não lhe dê o reforço. Escreva a hora de
cada ida à casa de banho e dos acidentes para descobrir o horário natural das
necessidades. Tenha o cuidado especial de o colocar na sanita assim que ele
acorda de manhã, depois das refeições, antes de sair para a rua e antes de ir para
a cama. Registe os resultados sempre que o colocar na sanita. Mostre-lhe os
resultados colocando uma estrela dourada nas situações em que ele teve sucesso,
para que ele compreenda que está satisfeita.

237 – ´PASSAR-SE POR ÁGUA, NO BANHO


Autonomia, lavar-se
Motricidade fina, manipulação
Meta: Lavar-se sozinho
Objectivo: enxaguar-se da espuma de sabonete com uma esponja molhada.
Material: Sabonete e esponja Procedimento:
Quando estiver a dar banho ao João ensaboe bem os braços até fazer muita
espuma. Dirija-lhe a atenção para as bolinhas de espuma, dê-lhe a esponja para a
mão e guie-o para a água. Depois diga, “Enxagua o braço.” (tira a espuma) e ajude-
o a espremer a esponja para o braço. Repita o procedimento para outras partes do
corpo sempre que lhe der banho. Quando sentir que ele já consegue fazer a tarefa
sozinho, vá reduzindo a ajuda. Quando ele terminar de se enxaguar, diga: “Já está.”.
Depois ensine-lhe a espremer a esponja e a deixá-la na saboneteira. Isto é
importante porque não só fortalece as mãos como também permite que ele
compreenda o estabelecimento da rotina e o fim da tarefa.

238 – ABOTOAR – I
Autonomia, vestir
Motricidade fina, coordenação das duas mãos
Meta: Vestir-se sozinho e aumentar a coordenação motora.
Objectivo: Enfiar um botão grande na casa (num quadro de treino de abotoar)
Material: Cartão um botão e tecido Procedimento:
Construa um quadro de abotoar colando um cartão a meio do tecido, pregando o
botão num extremo e fazendo uma casa no outro (ver figura). Coloque-se por detrás
do João com o quadro em cima da mesa diante dele. Pegue-lhe nas mãos e guie-
o para o botão. Direccione a sua atenção para o botão e para a casa. Ajude-o para
que agarre o botão e o coloque na casa. Ajude-o a puxá-lo com o polegar e o dedo
indicador. Diga “Puxa.”. Reforce-o por qualquer esforço que faça. Repita o
procedimento tantas vezes quantas as necessárias para que aprenda e refira
sempre “Puxa”. De inicio ele vai precisar de muita ajuda para compreender como
puxar o botão, guie-lhe as mãos até que compreenda. Quando sentir que ele já é
capaz de o fazer sem ajuda, use um bocado de tecido com mais do que um botão.

239 – ABOTOAR – II
Autonomia, vestir
Motricidade fina, coordenação das duas mão
Motricidade fina, agarrar
Meta: Vestir-se sozinho e incrementar a coordenação motora.
Objectivo: Apertar e desapertar botões de uma camisa ou camisola
Material: Camisa ou camisola de botões grandes Procedimento:
Tente trabalhar com uma camisa de botões grandes, que se apertem e desapertem
facilmente. Quando o João já apertar os botões do quadro de abotoar (actividade
238), mostre-lhe como abotoar numa camisola. Quando ele estiver a usar a
camisola, guie-lhe as mãos para os botões. Tente que ele segure uma parte da
camisola enquanto empurra o botão para a casa. diga “Puxa.” para que ele puxe o
botão com o dedo indicador e o polegar. Reforce-o imediatamente e repita o
procedimento com os outros botões. Depois de repetir várias vezes, tente
gradualmente retirar a ajuda. Será mais fácil de aprender se começar por apertar e
desapertar a partir de baixo.

240 – ENTORNAR
Autonomia, alimentação
Motricidade fina, manipulação
Meta: Aumentar as competências de alimentação e controlo da motricidade fina.
Objectivo: Deitar líquidos de um jarro para depósitos mais pequenos sem ajuda e sem
entornar.
Material: Jarro de plástico pequeno, copos de plástico transparentes, corantes
alimentares.
Procedimento:
Coloque alguma água no jarro e junte-lhe algumas gotas de corante alimentar.
tenha o cuidado de ver se o jarro não está demasiado cheio e se torna difícil de
controlar. Coloque 2 copos de plástico transparente em cima da mesa e faça-lhes
uma marca com marcador para que ele veja até onde deve colocar o liquido. Ajude-
o a pegar no jarro e a direccioná-lo para os copos, depois diga “Deita.” e ajude-o a
deitar o liquido no copo. Quando se aproximar da linha desenhada diga “Pára.” e
puxe-lhe a mão para trás gentilmente. Reforce-o imediatamente. Repita a actividade
as vezes que achar necessárias para que ele consiga colocar liquido nos copos
sem salpicar excessivamente, vá diminuindo a sua ajuda física e verbal para que
aprenda quando deve parar. A partir do momento em que ele conseguir fazer a
tarefa sozinho, permita-lhe que deite os líquidos nos copos em todas as
oportunidades que surgirem , quer para si próprio, quer para o resto da família.

241 – LAVAR OS DENTES


Autonomia, higiene
Motricidade fina,manipulação
Meta: Desenvolver hábitos de higiene pessoal.
Objectivo: Lavar os dentes sozinho
Material: Escova de dentes, paste de dentes.
Procedimento:
Coloque o João em frente do espelho e faça-o olhar para o seu reflexo enquanto
lava os dentes. Depois tente que ele agarre na escova de dentes enquanto lhe põe
a pasta de dentes. Fique atrás dele, olhe para o espelho e guie-lhe a mão com a
escova para a boca, muito devagar. Tente que ele vá movendo a escova muito
lentamente para cima e para baixo contra os dentes. Gradualmente vá retirando a
sua ajuda quando lhe parecer que ele está a fazer os movimentos de cima e baixo
sozinho. De inicio poderá ser boa ideia colocar um pouco de pasta de dentes noa
ponta do dedo e massajar lentamente as gengivas para o sensibilizar do uso da
pasta. Certifique-se de que a escova tem sedas suaves e de que ele não esfrega
os dentes com muita força. De inicio provavelmente ele só vai permitir uma ou duas
escovadelas, mas gradualmente vá tentando aumentar o numero de escovadelas e
a área lavada.

242- VESTIR-SE SOZINHO


Autonomia; vestir-se
Socialização, independência
Meta: Vestir-se rapidamente e sozinho
Objectivo: Acordar com o despertador e vestir-se totalmente e sozinho num determinado
período de tempo.
Material: Despertador

Procedimento:
Comece por ajudar o João a escolher aquilo que ele quer vestir no dia seguinte,
antes dele ir para a cama. Deixe todas as peças de roupa necessárias num
determinado local para que seja fácil de encontrar. Mostre-lhe o relógio despertador.
Ensine-lhe como desligar o despertador. Nas primeiras manhãs ajude-o a levantar-
se da cama e a desligar o despertador, antes de continuar com o resto do programa.
Quando tiver a certeza de que ele já é capaz de desligá-lo sozinho, mostre-lhe o
relógio e diga-lhe que terá que estar completamente vestido quando o ponteiro
chegar ao sinal desenhado para receber uma surpresa(mostrelhe onde assinalou).
Mantenha-se no quarto mas apenas ajude se sentir que ele está confuso ou
frustrado. Elogie sempre o esforço que ele faz e reforce-o com qualquer coisa que
ele goste especialmente sempre que ele terminar de se vestir a tempo.

243 – PREPARAR UM LANCHE


Motricidade fina, manipulação
Socialização, independência
Meta: Incrementar capacidades de se alimentar sozinho
Objectivo: Preparar um pequeno lanche sozinho
Material: Comida para um pequeno lanche e os utensílios de cozinha necessários
Procedimento:
Planeie um lanche simples para que o João o prepare para si próprio a meio da
tarde, quando chega da escola. Por exemplo: pão com manteiga, ou bolachas com
doce, cereais com leite, pudim instantâneo, etc. Use a sua imaginação e os gostos
do João para escolher os lanches. Assegure-se de que ele é capaz de fazer todas
as tarefas que envolvem cada lanche. Se implicarem ingredientes com medidas
diferentes, deixe-os já preparados em caixinhas separadas. Primeiro guie os passos
do João em cada lanche, quando sentir que já o poderá fazer sozinho, dê-lhe
liberdade de escolha para comer o que lhe apetecer e como fazê-lo. Tente variar
os lanches, para que ele aprenda uma série de acções ao mesmo tempo, Por
exemplo: cortar, barrar, tirar açúcar ou farinha com a colher, mexer o leite, deitar
leite num copo ou taça, etc.

244 – TOMAR BANHO SOZINHO


Autonomia, higiene
Desempenho verbal, vocabulário
Meta: Tomar banho ou duche sozinho sem precisar de ajuda
Objectivo: Regular a temperatura da água
Material: Fita vermelha e azul Procedimento:
Antes de deixar o João brincar com as torneiras do duche ensine-lhe como controlar
a temperatura da água usando as torneiras misturadoras. Coloque uma marca
vermelha bem visível na torneira de água quente. Diga-lhe que isso significa quente.
Depois deixe a água correr na mão dele até ficar quente, mas não demasiado. Diga
“Está morna, está boa.” Depois deixe correr até estar demasiado quente para ele
poder usar, passe a mão muito rapidamente pela água (cuidado para não estar
demasiado quente) e diga “Oh! Está tão quente.”. Mostre uma expressão de
desagrado para que ele perceba. Agora ponha a marca azul na torneira da água
fria e ensine-lhe como usar esta torneira. Ensine-lhe a rodar as duas torneiras
lentamente e a experimentar a temperatura da água. Quando ele conseguir regular
a temperatura correctamente peça-lhe apenas que a chame , antes dele tomar
banho, para verificar se está realmente correcta e depois poderá deixá-lo tomar
banho sozinho.
SOCIALIZAÇÃO

O comportamento social pertence à categoria de ensino mais generalizada neste


manual, já que qualquer aumento da linguagem, capacidades e diminuição de
problemas de comportamento têm um efeito positivo no comportamento social da
criança. Em geral, o comportamento social inclui o estabelecimento de comportamentos
sociais positivos e a diminuição das peculiaridades do autismo e dos problemas de
comportamento. Embora as capacidades sociais coincidam com todas as outras áreas
funcionais, elas são tratadas separadamente. Esta secção foca-se no aumento de
capacidades sociais, enquanto que a secção seguinte se focaliza em reduzir os
comportamentos negativos ou disruptivos. Apesar das crianças com autismo
conseguirem memorizar e mecanizar alguns comportamentos sociais de cortesia, a
ênfase desta secção está no iniciar o contacto social e no prazer dos jogos de
interacção social. Porque a consciência social não é compreendida instintivamente, e
no autismo é até uma área deficitária, a interacção social e as capacidades do jogo
social têm de ser ensinadas. Nos níveis mais altos das capacidades sociais incluem-se
actividades de autocontrole necessárias para seguir regras sociais comuns, tal como o
respeitar a sua vez e a propriedade dos outros. Estas actividades ensinam novas
capacidades e conceitos que promovem o comportamento social adequado.

245 – JOGO DIVERTIDO


Socialização, interacção individual
Desempenho verbal, vocalização
Imitação, vocal
Meta: Melhorar a interacção social e a tolerância ao contacto físico
Objectivo: Aumentar o divertimento com interacção física limitada
Material: Nenhum Procedimento:
Tente envolver o João em pequenos períodos de contacto físico, com frequência.
Use muita vocalização para tentar que ele imite os sons que vai fazendo. Utilize
sons simples como “Eia.” ou “Uau.”. Se ele mantém um contacto limitado, continue
a actividade falando lenta e calmamente para ele. À medida que ele estiver mais
relaxado tente levantá-lo muito lentamente, mas com cuidado para ele não se
assustar. Por exemplo pode começar por tentar levantá-lo ou balançá-lo apenas
uma vez em cada sessão, contudo, a sessão pode ser repetida várias vezes no
mesmo dia. Gradualmente aumente o tempo que ele tolera a presença e o contacto
físico. Há medida que o sentir relaxado pode aumentar para duas vezes em cada
sessão. Desta forma irá aumentar a aceitação da interacção física.
246 – CÓCEGAS
Socialização, interacção individual
Meta: Incrementar a interacção social e o divertimento, com contacto físico
Objectivo: Reagir adequada e amigavelmente ao contacto físico
Material: Boneco Procedimento:
Sente-se com o João na cama ou numa manta. Pegue no boneco e diga: “Olha,
João.” Tente chamar-lhe a atenção para o animal, se necessário passando com ele
no seu campo de visão. Use o boneco para tocar no João, muito carinhosamente,
fazendo-lhe cócegas. Certifique-se de que não está a ser demasiado intrusiva.
Quando lhe tocar sorria e sussurre algumas palavras agradáveis. De início faça-o
por pequenos períodos. Há medida que a tolerância do João aumentar, aumente a
quantidade de cócegas. Páre de lhe fazer cócegas para ver se ele faz algum tipo
de movimento que indique que quer continuar.
Continue a actividade enquanto ele mostrar prazer nela.

247 – ESCONDE - ESCONDE


Socialização, interacção individual
Meta: Incrementar a interacção e o contacto visual
Objectivo: Manter o contacto visual pelo menos durante 3 segundos e ter prazer em jogos
de interacção social.
Material: Uma toalha Procedimento:
Sente-se em frente do João com os joelhos dele junto aos seus. Segure a toalha
entre vocês para que ele não a possa ver. Pergunte “Onde está o João?” e levante
lentamente a toalha para que ele veja os seus olhos. Diga ”Cu-cu.” e façalhe
cócegas rapidamente, cuidado para não o assustar. Repita a actividade várias
vezes. Veja se ele olha para ver se os seus olhos aparecem por trás da toalha. Veja
também se ele começa a antecipar a rotina. Ponha a toalha em cima da sua cabeça
e retire-a lentamente. Depois coloque-a na cabeça dele e repita a actividade.
Lembre-se de lhe fazer cócegas quando ele olhar para si. Veja se ele começa a
pedir cócegas, olhando para si. Gradualmente vá aumentando o tempo entre ele
olhar para si e fazer-lhe cócegas, para aumentar o contacto visual, pelo menos para
3 segundos.
248 – CAVALO DE BALOIÇO
Socialização, interacção individual
Motricidade global
Meta: Incrementar a interacção social e aprender a brincar calmamente
Objectivo: Andar no cavalo de baloiço pelo menos 2 a 3 minutos
Material: Um cavalo de baloiço
Procedimento:
Coloque o João no cavalo de baloiço por alguns minutos. Sorria e sussurre-lhe
suavemente, por exemplo, “Tlin-tlão, tlim-tlão.”. Gradualmente reduza a ajuda à
medida que ele baloiçar o cavalo sozinho. Se ele ficar excitado e começar a andar
muito depressa, segure-o e sussurre-lhe novamente. Tente que ele ande no cavalo
com a sua cadência/ritmo. Se ele continuar excitado retire-o do cavalo e continue a
sorrir e a sussurrar para que ele acalme. Depois coloque-o novamente no baloiço e
controle a velocidade.

249 – DAR UM BEIJO


Socialização, interacção individual
Motricidade global
Meta: Dar um beijo quando solicitado
Objectivo: Tocar com a boca na face do adulto
Material: Nenhum Procedimento:
Mesmo que o João não goste muito de ser tocado ou de receber carinho, abraços
ou beijos, ele pode aprender a dar um beijo se for ensinado e recompensado por
isso. Depois de ele ter aprendido a dar-lhe um beijo e apresentar menos medo da
proximidade física, pode pedir-lhe que dê “um beijo” ao pai, à avó, ao irmão, etc. No
fim da tarefa, diga-lhe que terminou (use um sinal). Depois vire-o para si e diga “
Dá-me um beijinho.” e toque-lhe na face com o sua mão. Chegue-lhe a sua cara
para que os lábios dele lhe toquem na face. Depois reforce-o imediatamente e leve-
o para brincar. Faça esta actividade diariamente para que não tenha que o
trazer até si, mas que ele venha ter consigo quando lhe pede o beijo. Uma vez que
a rotina esteja adquirida, tente afastar um pouco a sua face por forma a que ele
tenha que fazer algum esforço para lhe dar o beijo. Depois explique a rotina aos
pais e tente que eles lhe peçam o mesmo. Ajude-o a responder-lhes se necessário.
Certifique-se de que agradece e reforça o esforço realizado por ele.
Deixe-o ir embora se começar a manifestar desagrado.
250 – BRINCAR COM O CAMIÃO
Socialização, interacção individual
Motricidade global, braço
Meta: Estimular a interacção e desenvolver actividades de jogo
Objectivo: Empurrar para a frente e para trás um camião, com ajuda
Material: Camião de brincar e reforços comestíveis Procedimento:
Sente-se com o João no chão, com alguma distância de intervalo entre os dois. Diga
“Olha, João, um camião.” e empurre o camião para ele com um alimento que ele
goste em cima. Certifique-se de que ele está a olhar para si para a ver colocar a
recompensa. Encoraje-o a empurrar o camião outra vez para si, depois de tirar a
recompensa. De inicio poderá ser necessário estar outra pessoa ao lado do João
para o ajudar a retirar a recompensa e a empurrar o camião de volta. Use a palavra
“camião” várias vezes para que ele se vá habituando a ele. Continue a actividade
enquanto ele se mostrar interessado.

251 – AJUDAR OS OUTROS


Socialização, interacção individual
Motricidade global
Meta: Compreender o que a outra pessoa quer
Objectivo: Colocar os restos de comer no lixo, quando lhe é pedido
Material: Guardanapos e pratos com restos de comida Procedimento:
Peça à família do João para a ajudar nesta actividade após as refeições. No fim da
refeição, ajude-o a retirar os restos do prato (certifique-se de é capaz de o fazer
sem causar problemas). Leve-o até aos guardanapos das outras pessoas, um de
cada vez, e peça que cada membro da família pegue nele e diga “João, por favor,
deita fora.” e depois agradeça. Peça à família para demonstrar que gosta da ajuda
que o João está a dar e demonstre que ele está a fazer qualquer coisa para eles.
Encoraje também o João a olhar para as pessoas à medida que pega no
guardanapo. Isto pode ser feito se segurarem o guardanapo até que ele olhe para
eles. Depois diga “Obrigado.”. Quando o João for capaz de realizar esta rotina a
todas as refeições, generalize pedindo-lhe que deite fora coisas, periodicamente
durante o dia. Certifique-se de que as suas orientações são claras e concisas e de
que ele sabe onde está o balde do lixo.

252 – ESCONDIDAS
Socialização, interacção individual
Socialização, independência
Motricidade fina, corpo
Desempenho cognitivo, linguagem receptiva
Meta: Ter consciência de que está escondido dos outros, incrementar o desejo de
procura e de interacção com os outros
Objectivo: Esconder-se de uma pessoa e depois procurar por outra que está escondida
Material: Nenhum Procedimento:
Comece a actividade ensinando o João a esconder-se. Terá que ter outra pessoa
na sala, o pai ou um colega. Pegue na mão do João e diga “Esconde-te do pai.”
Leve-o para trás da porta , de uma cadeira ou para debaixo da mesa. Ensine-lhe
apenas 3 locais diferentes onde se possa esconder Durante a actividade, repita a
ordem: “Esconde-te.”. Depois ajude-o a esconder-se num dos locais anteriormente
ensinados. Peça à outra pessoa para perguntar, “Onde está o João?”. Depois ajude
o João a aparecer e a levantar o braço para dizer onde está . A outra pessoa deve
correr para ele e dar-lhe um grande abraço. Depois dele aprender como se
esconder e mostrar quando é chamado, faça com que a outra pessoa se esconda
num dos 3 locais anteriores e ajude o João a procurá-la quando perguntar “Onde
está a …?”. À medida que ele for entendendo a actividade , encoraje-o a esconder-
se onde quiser e sem ajuda.

253 – BRINCAR COM UMA BONECA


Socialização, interacção individual
Imitação, Motricidade
Meta: Aumentar as capacidades de interacção e desenvolver capacidades de brincar.
Objectivo: Desenvolver uma rotina de 3 ou 4 passos na interacção com uma boneca.
Material: Boneca, escova de cabelo, luva para higiene.
Procedimento:
Tente que o João interaja com a boneca tal como você interage com ele. Estabeleça
rotinas para ele realizar com a boneca, semelhantes às suas próprias rotinas. Por
exemplo, quando vai deitar o João, faça com que ele vá deitar também a boneca.
Após lavar a cara ao João, faça com que ele lave a cara da boneca com a luva.
Depois penteie o cabelo dele e faça com que penteie o da boneca também . Depois
leve-o a colocar a boneca na cama ou numa caixa e a tapá-la com uma toalha. Use
a sua imaginação para enriquecer as rotinas que vão permitir ao João aprender a
interagir com a boneca tal como você interage com ele. Tente que ele se sinta
responsável pelos cuidados a dispensar à boneca, tal como você se sente por ele.
254 – JOGOS COOPERATIVOS COM CUBOS
Socialização, interacção individual
Integração óculo-manual, controlo
Desempenho cognitivo, sequencialização
Meta: Incrementar as sequências interactivas e desenvolver o conceito de torre com a
professora
Objectivo: Alternar a colocação de cubos numa torre, com a professora
Material: Cubos Procedimento:
Sente-se em frente do João numa mesa ou no chão. Coloque 3 cubos em frente de
cada um. Aponte para os cubos e diga “ Põe aqui um.” e aponte para o topo do
cubo que já colocou. Guie a mão do João para colocar o segundo cubo, se
necessário. Após ele colocar o cubo, volte a colocar um dos seus em cima do que
ele colocou. Depois aponte para os que ainda restam ao João e diga “Põe aqui
um.”. Repita o procedimento até colocarem todos os cubos na sequência correcta.
Depois de ele perceber a sequência, abandone as pistas verbais e a ajuda física e
aguarde para ver se ele antecipa a sua vez.

255 – INTERAGIR COM FANTOCHES


Socialização, interacção individual
Desempenho verbal, conversação (opcional)
Meta: Aumentar a interacção social, as capacidades de jogo imaginativo e
habilidades de conversação (opcional)
Objectivo: Usar apropriadamente o seu fantoche para interagir com o fantoche de outra
pessoa Material:
2 fantoches Procedimento:
Coloque um dos fantoches na sua mão e use-o para brincar com o João. Faça-lhe
cócegas com o fantoche e represente uma conversação social simples utilizando
uma voz falsa (característica dos fantoches). Encoraje-o a responder ao boneco de
forma apropriada. Tente que ele olhe para o fantoche e não para a sua cara.
Quando o João apreender a ideia da brincadeira dê-lhe o outro fantoche e mostrelhe
como usá-lo. Tente que ele use o fantoche dele para interagir com o seu.
Experimente fazer cócegas com o seu fantoche no dele para ver se ele reage ao
boneco e não a si. A princípio faça sessões curtas, mas tente aumentar o número
de interacções, à medida que o João se sente mais à vontade com a brincadeira.
256 – BRINCAR AO “FAZ DE CONTA”
Socialização, interacção individual
Imitação, motor
Meta: Desenvolver capacidades de jogo interactivo
Objectivo: “Fazer de conta” num episódio simples, pelo menos 2 minutos
Material: Nenhum Procedimento:
Tente envolver o João numa pequena sequência de “faz de conta”. Inicialmente
estas sequências devem ser curtas e extremamente simples, provavelmente
apenas com uma ou duas frases acompanhadas de acções fáceis e
compreensíveis. No começo terá de fazer a maior parte da representação, mas
tente que o João se interesse pelo que estão a fazer. ele precisará de uma grande
dose de ajuda para que consiga perceber o que se espera dele, por isso seja
especialmente paciente. Envolva-o na actividade da forma que puder. No princípio,
provavelmente, ele só imitará as suas acções sem perceber o conceito de “faz de
conta”. Repita a actividade tantas vezes até que ele participe activamente.
Episódios simples de “faz de conta” podem ser:
a) Faz de conta que ambos são árvores:
Diga: “João, vamos ser árvores.”. Levante os braços como se fossem ramos
e peça-lhe para a imitar. Depois diga: “Aí vem o vento.” E sopre com os lábios
ao mesmo tempo que abana os braços, como se fossem ramos ao vento. Fim
do episódio.
b) Faz de conta que vão dar um passeio de carro:
Sente-se num banco perto de João e finja que está a sentar-se num carro.
Diga: ”Brrumm brrumm.”. Tente que ele imite as suas acções. Levante-se do banco
e finja que está a fechar a porta de um carro. Fim do episódio. Lembre-se de utilizar
uma linguagem simples, mas mostre o mais clara e exactamente possível aquilo
que pretende.

257 – LIMPAR O TAMPO DA MESA


Socialização, interacção individual
Meta: Ensinar organização, atenção e aderência às rotinas
Objectivo: Limpar o tampo da mesa depois de cada sessão de ensino
Material: tabuleiro, esponja, toalha de papel Procedimento:
Mantenha os materiais desta actividade sempre no mesmo lugar. Antes de cada
sessão, certifique-se de que tudo está no lugar e pronto a ser usado. No fim de cada
sessão na mesa, deverá ir com o João até ao tabuleiro e fazer com que ele o leve
até à mesa e o poise numa cadeira. Possivelmente, no início, terá de o ajudar a
transportar o tabuleiro. Se o João conseguir levar uma taça com água sem
derramar, encha-a até meio e coloque-o no tabuleiro. Se ele não conseguir, leve
você a taça com água. Pegue na mão do João e mostre-lhe como limpar a mesa
com a esponja húmida. Faça-o através de passos simples para que ele não fique
confuso. Ensine-lhe a limpar a mesa sempre da mesma maneira, começando de
dentro para fora. Depois coloque a esponja no tabuleiro e repita o procedimento
com a toalha de papel. Finalmente, faça com que ele leve o tabuleiro de volta ao
seu lugar. Quando o tabuleiro estiver no lugar, a sessão acabou e então o João terá
um pouco de tempo para fazer o que lhe apetecer.

258 – JOGO DO “TIRA E DÁ”


Socialização, interacção individual
Desempenho verbal, expressão
Meta: Aumentar a consciência e o prazer de dar e receber
Objectivo: Dar um objecto a uma pessoa, receber um objecto em troca e dizer “Obrigado.”
Materiais: Caixa grande, pequenos brinquedos, recompensas comestíveis Procedimento:
Neste jogo necessitará do auxílio de um amigo de João. Ponha a caixa com os
brinquedos no chão. Sente-se com o João e o amigo à volta da caixa. Peça ao
amigo para tirar um brinquedo da caixa e lho dar. Diga: “Obrigado.”. A seguir peça-
lhe para tirar outro brinquedo da caixa (por exemplo, o brinquedo favorito do João)
e o dar ao João. Ajude o João a receber o brinquedo e a dizer “Obrigado.”. Quando
ele disser: “Obrigado.”, ou qualquer coisa parecida, o amigo deve sorrir e dizer: “De
nada.” e dar-lhe uma pequena recompensa. Depois peça ao João para tirar um
brinquedo e dá-lo ao amigo e este deve responder apropriadamente. Continue esta
actividade de dar e receber entre os três jogadores até a caixa ficar sem brinquedos.
Quando o jogo acabar deixe o João brincar com os brinquedos que tirou da caixa
ou comer as recompensas. A princípio o João poderá necessitar de muita ajuda
nesta actividade e, provavelmente, terá dificuldade em dizer “Obrigado.”. Comece
por aceitar qualquer resposta, mas, gradualmente, exija uma maior aproximação ao
modelo correcto.

259 – PÔR A MESA: TALHERES


Socialização, autonomia
Meta: Aumentar a capacidade de compreender rotinas e desenvolver a capacidade
de ajudar em casa de uma forma útil
Objectivo: Colocar os talheres nos locais correctos da mesa
Material: Pratos e talheres Procedimento:
Comece por mostrar ao João apenas um tipo de talher. Ponha a mesa e coloque
uma colher no local certo. Depois segure uma colher e diga “Olha , João, uma
colher.” Depois dê-lhe o número de colheres correspondente aos pratos da mesa e
diga “Põe as colheres.”. Se ele parecer confuso, ajude-o a colocar as colheres no
local correcto. Repita o procedimento para todas as colheres. Recompense-o por
cada colher colocada no lugar. Quando ele conseguir colocar correctamente as
colheres no local correcto, repita o procedimento usando as facas e os garfos.
Quando o João conseguir colocar todos os talheres no local correcto, tente que ele
coloque por exemplo o garfo e a colher ao mesmo tempo.

260 – PEQUENAS TAREFAS DOMÉSTICAS


Socialização, independência
Desempenho cognitivo, emparelhar
Meta: Aumentar as competências para trabalhar
Objectivo: Executar pequenas tarefas domésticas sem ajuda e sem supervisão
Material: Toalha, talheres, tabuleiro de arrumar talheres Procedimento:
Planeie algumas actividades domésticas nas quais o João possa participar, para
desenvolver o trabalho independente e para que ele seja útil em casa.
Se necessário crie tarefas desdobrando toalhas ou misturando talheres, mas não
deixe que ele a veja, para que sinta que está mesmo ajudá-la. Use a imaginação
para criar tarefas que sejam agradáveis e simples de fazer. No início pode manterse
ocupada por perto para se ele precisar de ajuda. Gradualmente vá-se afastando
para que ele se habitue a trabalhar sozinho. Faça um cartão/plano de trabalho com
as actividades que ele terá que executar e com a recompensa que receberá quando
completar a tarefa (ver figura). Quando começa “a hora de trabalho” leve-o ao plano
de trabalho e aponte para a actividade que ele terá que realizar, tente colocar a
segunda tarefa no plano e veja se ele prossegue com a segunda da mesma forma,
quando acabar a primeira. Recompense-o quando completar cada tarefa com o item
indicado no plano. Lembre-se de usar apenas actividades que ele já aprendeu a
fazer sozinho.

261 – JOGO DE FAZ DE CONTA INTERMÉDIO


Socialização, Interacção individual
Desempenho cognitivo, linguagem receptiva
Meta: Desenvolver o jogo imaginativo e aumentar a interacção social
Objectivo: Participar activamente cerca de 5 minutos num episódio de faz de conta
Material: Animal de peluche Procedimento:
Depois do João se ter começado a interessar pelo jogo de faz de conta (actividade 256) use a
sua imaginação e conhecimento dos interesses dele para elaborar sequências de brincadeira
com cerca de 5 minutos. Por exemplo, um de vocês pode fazer de conta que é “um caçador
de ursos”. Esconda o boneco de peluche em qualquer local da casa e depois vão procurá-lo.
Ande pela casa em bicos de pés sorrateiramente, como se estivesse a tentar apanhar o urso
de surpresa. Leve-o a espreitar debaixo dos objectos para ver se encontra o urso. Quando
finalmente o encontrarem , fujam depressa para se esconderem, como se o urso vos
estivesse a perseguir. Use a sua imaginação para recriar outras histórias a partir daqui.
Certifique-se de que o João participa activamente.

262 – JOGO “O QUE É QUE EU PRECISO?”


Socialização, interacção individual
Meta: Desenvolver a interacção e compreender a função dos objectos.
Objectivo: Compreender as necessidades dos outros e responder com os Objectos
adequados.
Material: Lenços de papel., camisola, pente Procedimento:
Coloque os três objectos em cima da mesa em frente do João. Pantomine uma
acção mostrando que necessita de um dos objectos. Por exemplo, pode abraçarse
a si próprio e estremecer para indicar que está com frio e precisa de uma camisola.
Diga “ Olha, João.”, pantomine a acção e diga “O que é que eu preciso?”. Repita a
acção outra vez e depois aponte para os três objectos. Se ele não responder, repita
a acção outra vez, aponte para a camisola e diga: “João, dáme a camisola.”.
Quando ele lhe der o objecto correcto, use-o adequadamente e diga “Obrigado.”
Por exemplo, você treme, o João dá-lhe a camisola e você vestea. Se estiver
constipada o João dá-lhe um lenço. Se estiver despenteada ele dálhe um pente e
você penteia o cabelo. Repita o procedimento até o João compreender o que está
a representar e a precisar e lhe dê o objecto correcto.

263 – DESENHAR SOZINHO


Socialização, independência
Integração óculo-manual, desenho
Desempenho cognitivo, linguagem receptiva.
Meta: Desenvolver capacidades de trabalho independente e aumentar as
competências de desenho.
Objectivo: Copiar um desenho simples sozinho
Material: Papel, lápis.
Procedimento:
Antes de iniciar a sessão de trabalho, desenhe alguns desenhos de objectos que o
João conheça - um objecto por cada folha de papel. Por exemplo, pode desenhar
uma casa, uma árvore, ou uma pessoa. Dê ao João uma folha de papel, um lápis e
o seu desenho. Aponte para o desenho e diga “casa”. Depois aponte para a folha
dele e diga “Desenha a casa.”. Diga-lhe que quando terminar terá uma recompensa
. Mantenha-se por perto a supervisionar, para manter a sua atenção. Se ele
começar a fazer rascunhos ou parar de desenhar, oriente-lhe novamente a atenção
para o desenho e diga “Desenha a casa.” E lembre-o da recompensa. Dê-lha
sempre que ele tentar copiar o modelo, mas à medida que as competências
aumentarem, dirija-lhe a atenção para partes do desenho que ele não desenhou e
deixe que ele desenhe todo o modelo para lhe dar a recompensa.

264 – DESENHAR SOZINHO A PARTIR DE ORIENTAÇÕES ESCRITAS


Socialização, independência
Integração óculo-manual, desenho
Desempenho cognitivo, leitura
Meta: Desenvolver capacidades de trabalho independente e aumentar a capacidade
para seguir orientações por escrito
Objectivo: Ler ordens escritas simples, e desenhar sozinho de acordo com essas
orientações Material:
Papel e lápis Procedimento:
Escreva orientações simples para algo que quer que o João desenhe. Certifiquese
de que as orientações são compreensíveis para ele. Ele deve conhecer todas as
palavras escritas e ser capaz de desenhar o que se lhe pede. Lembre-se de que o
facto de ele não conseguir ler uma das palavras pode comprometer todo o trabalho.
Depois de lhe escrever a orientações, dê-lhe uma folha de papel, um lápis e um
conjunto de orientações. Ajude-o a ler as instruções e a começar a desenhar.
Mantenha-se atenta ao que ele fizer e oriente-lhe a atenção, se necessário. Quando
ele já estiver mais habituado a este tipo de actividade coloque em frente dele 3
folhas com orientações, 3 lápis e 3 folhas de papel. Digalhe que quando terminar
terá um prémio especial. Repita este procedimento até que ele consiga seguiras
instruções e desenhar de forma independente por 20 a 30 minutos.
265 – “ESTOU A BRINCAR COM OS MEUS BRINQUEDOS”
Socialização, linguagem receptiva
Desempenho verbal, expressão
Meta: Discriminar os pertences pessoais dos pertences dos outros
Objectivo: Saber o que pertence a cada membro da família e inibir o uso de objectos
pertencentes a outros
Material: Um objecto de cada membro da família de fácil identificação, caixas de sapatos
e fotografias de membros da família Procedimento:
Cole uma fotografia de cada membro da família em cada caixa de sapatos. Mostre
cada caixa ao João e diga, “Esta caixa é para as coisas da mamã…, esta é para as
coisas do papá..., esta é para as coisas do Miguel (irmão)”. Pegue numa coisa de
cada vez e diga a quem pertence, por exemplo: “ Isto é da mamã.”. Ajude-o a
colocar na caixa certa, repetindo o nome e indicando a caixa. Se ele tentar brincar
com um dos objectos, chame-o à atenção “É da mamã.” e guie-o para a caixa
correcta. Se ele tentar brincar com um objecto dele diga “Sim, isto é do João.” e
deixe-o brincar por alguns minutos. Quando ele estiver habituado à tarefa, comece
a ensiná-lo a pedir autorização para poder brincar com um objecto de outra pessoa.
Dê-lhe um objecto do Miguel e diga “Isto é do Miguel.”, pegue-o pela mão e dirija-o
ao Miguel. Ajude-o a dizer “João, posso brincar?”. Se o Miguel disser “Sim.” ele
pode brincar com o objecto, se disser “Não.” guie-o para colocar o objecto na caixa
do Miguel, sem brincar com ele. Sempre que ele pegar nalguma coisa que não lhe
pertença, detenha-o e oriente-o para pedir permissão ao dono.
Recompense-o imediatamente sempre que ele pedir permissão correctamente.

266 – ATENDER O TELEFONE Socialização, interacção individual


Desempenho verbal, conversação
Meta: Aumentar a capacidade de interacção
Objectivo: Atender o telefone de forma independente e adequada.
Material: Telefone de brincar, se possível.
Procedimento:
Pratique a actividade antes de usar um telefone real. Primeiro, ensine o João a
pegar no auscultador e dizer “Está?”. Pode ser útil colar desenhos de uma boca e
de um ouvido em cada parte do auscultador, para o orientar. Depois de ele
conseguir dizer isso, ensine-o a dizer ”Só um minuto, por favor.” e chamar o membro
da família a que a chamada se destina. Treine isso realizando chamadas telefónicas
para cada membro da família. Quando ele tiver aprendido a rotina, tente com um
telefone verdadeiro. Tente que outro familiar ou amigo telefone a uma hora que lhe
permita atender, combine com essa pessoa para que diga apenas aquilo que o João
está ensinado a ouvir e responder. Repita o procedimento várias vezes e, à medida
que ele se vai familiarizando com a situação, peça ao seu amigo ou familiar que vá
fazendo diferentes pedidos, para que ele aprenda a reagir a situações diferentes.
Quando ele se sentir à vontade , deixe-o atender o telefone sempre que ele quiser,
mas mantenha-se perto para o caso de ele se confundir.

267 – SEGUIR ORIENTAÇÕES ESCRITAS SOZINHO Socialização,


independência
Desempenho cognitivo, leitura
Meta: Aumentar as capacidades de leitura e de trabalho independente
Objectivo: Ler e seguir orientações escritas simples para uma tarefa e completar a tarefa
de uma forma independente Material:
Caixas de sapatos, papel e lápis Procedimento:
Construa uma série de actividades para o João, separando o material que ele vai
precisar e colocando-o numa caixa de sapatos. Coloque uma actividade por caixa.
Escreva orientações simples e curtas para cada uma das actividades e coloque
dentro da caixa, por cima do material. Coloque todas as caixas num local de fácil
acesso para o João. Diga-lhe ”João, vai buscar a tua caixa de trabalho.”. Ajude-o
da primeira vez a colocar a caixa na mesa, a ler as instruções e a começar a
trabalhar. Depois ajude-o a arrumar os materiais na caixa e a colocá-la no armário.
Recompense-o pelo trabalho realizado. Certifique-se de que as actividades são
fáceis para ele executar sozinho. É muito importante que as orientações sejam
claras e compreensíveis. Por exemplo:
1 - Não fales.
2 - Empilhar quatro cubos.
3 - Põe os cubos na caixa.
4 - Arruma a caixa.
5 - Vem à mãe buscar a bolacha.

COMPORTAMENTO

As 5 áreas de comportamento problema das crianças com autismo são:


1. Auto-agressão, como bater-se com as mãos ou bater com a cabeça;
2. Agressão, como uma bofetada rápida ou uma cuspidela;
3. Disrupção, por exemplo, atirar objectos, gritar ou deixar a mesa;
4. Repetição insistente, incluindo a persistente declamação de objectos
ou questões intermináveis; e
5. Impulsividade, não saber onde começar, evitando o contacto físico,
pouco tempo de atenção, e incapacidade para aceitar a mudança nas
suas rotinas diárias.
Esta secção ilustra como manusear técnicas úteis para ultrapassar estes problemas de
comportamento.
Dois tipos de administração destas técnicas ocorrem num contexto de
ensino/aprendizagem:
1. Aqueles em que o comportamento problema aparece no contexto de
ensino do currículo;
2. E aqueles que perturbam todas as actividades de ensino e são
incompatíveis com a aprendizagem de novas capacidades.
Numa primeira instância, as melhores técnicas serão aquelas que estão integradas
numa estrutura de ensino. O primeiro objectivo, do programa educativo pode ser
mantido com a gestão do comportamento subordinado a aspectos do currículo. Para os
comportamentos mais disruptivos que influenciam a continuação do ensino, esses
comportamentos devem ser evitados antes da criança continuar a participar em
actividades de aprendizagem. Ensinando, nestas situações, deve ser subordinado à
gestão do comportamento particular. Só quando o ensino se torna impossível deve
aparecer a modificação como primeiro objectivo de todo o Programa Educativo.
A nossa experiência tem mostrado que os professores e os pais tornam-se mais
capazes em ensinar as crianças com autismo, manejando melhor os problemas de
comportamento no contexto ensino/aprendizagem. Por esta razão, a distinção entre os
dois tipos de comportamento-problema não é claro. É, contudo, mais útil guardar-se
esta distinção em mente quando planificamos o programa de ensino contendo aspectos
de modificação de comportamento.
No desenvolvimento dum programa é importante não esquecermos:
1. A prioridade do problema assinalada pelos pais e professor;
2. A natureza do contexto educacional em que o comportamento ocorre;
3. As técnicas que foram tentadas para alterar esse comportamento e
tiveram insucesso.
Esta base de estudo faz parte do cabeçalho da Análise.
Essas ilustrações apoiam-se numa série de exemplos de intervenção, incluídas para
dar ao leitor uma variedade de exemplos de técnicas de modificação de
comportamento. Estas ilustrações e exemplos serão mais efectivas se forem
devidamente individualizadas para uma criança específica.
Esta secção não tem como objectivo ser um catálogo completo de todos os problemas
das crianças com autismo e não tem a intenção de dar uma lista completa de
intervenção a nível do comportamento.
C1 – AUTO-AGRESSÃO
Problema: Ferir ou roer as costas da mão

Antecedentes: João, de 8 anos de idade, com um nível de 4 -5 anos, com comunicação


expressiva ao nível dos 2 anos. A sua mão estava marcada já que ele tinha o
hábito de morder sempre que lhe propunham uma actividade nova ou o
mudavam para outra. Foram utilizadas punições, chamadas de atenção,
censura, ou dando uma palmada e nenhuma destas estratégias teve sucesso.

Análise: O comportamento de morder é uma forma do João comunicar o seu stress.


Com este comportamento consegue com bastante sucesso obter o que quer
ou interromper as tarefas que se lhe foram pedidas. A sua dor física não é
suficientemente forte prevenir as feridas na sua mão. Ele precisa de uma
forma alternativa para comunicar o seu stress, e nós devemos apercebernos
disso e tomar uma atitude, fazendo compromissos (por exemplo, dar-lhe mais
ajuda, dividindo-lhe as tarefas em pequenos passos e dar-lhe um substituto
para o que ele quer e não pode ter.

Objectivo: Ensinar ao João alguns comportamentos alternativos de modo a ele poder


comunicar o seu desconforto, mas prevenindo a sua auto-agressão.

Intervenção: Durante as actividades, observe o João cuidadosamente de maneira a que


possa intervir antes ou no momento em que ele começa a morder-se.
Rapidamente estenda a mão, bloqueie o movimento na sua boca, e guie a
sua mão para a mesa, dizendo “Mãos em cima da mesa”. A seguir dirija-o
para que a imite: abane a cabeça e diga “Não - trabalhar não.”, ou “Não -
quero rebuçados.”, dependendo do que o faz estar em stress. Quando ele
tiver imitado essa comunicação, faça um compromisso e diga “Muito bem,
João, eu ajudo-te a acabar.” ou “Muito bem ,João. Mais uma vez e eu dou-te
um rebuçado”.

C2 – AUTO-AGRESSÃO Problema: Dar pancadas com a cabeça

Antecedentes: O João tem uma boa coordenação e é um menino com 4 anos de idade
muito activo. Funciona normalmente com um desenvolvimento médio de, mas
na expressão oral emite cerca de 5 palavras. O João tem conhecimento de
outras e é capaz de predizer as suas respostas no seu comportamento. O seu
estado de espírito é flutuante. Durante um ano tem batido frequentemente
com a cabeça enquanto fica perturbado pela sua má disposição ou porque é
interrompido na actividade que ele escolheu. Este comportamento é
stressante para os sues pais, mas não causa danos físicos nele próprio.
Nenhuma punição nem nenhum afecto especial pareceu mudar esta situação
de modo a ele abandonar esse comportamento.

Análise: Sempre que ele batia com a cabeça tinha atenção dos outros. Ele não parecia
entender essa atenção como zangado e punitivo ou relacionada e afectuosa.
Ele não parecia distinguir, quando essa atenção era punitiva ou afectuosa.
Ele parecia entender que quando se batia, conseguia o que desejava.

Objectivo: Diminuir este comportamento de bater com a cabeça, não lhe dando atenção
ou mudando as suas ordens.

Intervenção: Ao longo das actividades na mesa (ex. Puzzles, pintar com lápis...) coloque
a mesa e a cadeira de modo a estarem afastadas da parede, de modo a ele
não poder chegar com a cabeça à parede. Quando o João começar a bater
com a cabeça na mesa, resguarde o material que ele está a utilizar e voltelhe
o corpo de costas para a mesa, contando até 10 e seguidamente ponhao na
posição inicial e dê-lhe os materiais para ele começar de novo a actividade.
Dê-lhe uma pequena ajuda para ele recomeçar. Dê-lhe um elogio logo que
ele comece. Repita esta estratégia sempre que ele começar de novo, mas
não o deixe abandonar a sua tarefa sem ele colocar a última peça. Continue
isto durante cerca de 2 semanas, tomando nota num quadro cada vez que ele
tem este comportamento. É importante dispor de muita atenção e reforçar
sempre que ele não se auto-agride, elogiando-o.

Data Actividade N.º episódios – bater na cabeça

C3 – AGRESSÃO
Problema: Cuspir nas pessoas

Antecedentes: O João tem 13 anos com uma idade mental de 3 anos. Cospe muitas
vezes para a face do seu irmão mais novo, por vezes para outras crianças e
ocasionalmente para os adultos, mas nunca para os pais. Por mais que se
tenha antecipado este comportamento e se lhe tenha chamado dizendo-lhe
“Não.”, mandando-o para o seu quarto ou deixando o seu irmão atenção, não
tem havido sucesso bater-lhe. O João não é capaz de perceber explicações
verbais e os limites das suas consequências. O cuspir, não é geralmente
provocado
Análise: Não sabemos porque é que o João actua assim com o irmão e os outros, mas
o que sabemos é que ele não faz isso aos adultos da sua família o que
demonstra que ele tem a capacidade de controlar este comportamento
sempre que é necessário. A punição que escolhemos não está directamente
ligada ao acto de cuspir, pois o João não é capaz de associar o cuspir com o
responder

Objectivo: Parar o comportamento de cuspir

Intervenção: Peça ao irmão que chame o João para uma actividade que seja fácil para
ele participar: como colorir um círculo, ou colocar peças dum puzzle. Faça
estas actividades em que as 3 pessoas tenham de tomar a vez. Sente o João
junto do irmão, para que ele tenha a possibilidade de cuspir. Cada vez que
ele cuspir ao irmão ponha-lhe piri-piri na língua. Depois faça-o voltar à
actividade que estavam a desenvolver. Anote na sua tabela (ver figura) cada
vez que este comportamento ocorre e continue pelo menos uma semana.
Quando “o cuspir” estiver controlado durante estas actividades, faça o mesmo
procedimento sempre que o João cuspir nas pessoas. (Normalmente usa-se
vinagre, mas como o João gosta de vinagre, sugerimos piri-piri. Deve
assegurar-se que não usa nada de que o João gosta.)

2ª 3ª 4ª 5ª 6ª
FEIRA FEIRA FEIRA FEIRA FEIRA SÁBADO DOMINGO

C4 – AGRESSÃO
Problema: Bater na cara do adulto

Contexto: O João tem 4 anos de idade e uma idade funcional de 18 meses. Não possui
qualquer sistema de comunicação verbal ou gestual. Começou a bater no
rosto das pessoas. O comportamento ocorre quando se lhe exige atenção,
quando desempenha actividades da rotina diária e durante as sessões de
ensino.
Análise: O comportamento de esbofetear do João é uma forma de comunicar que não
gosta de uma situação, a sua resposta à frustração ou confusão. Uma vez
que a comunicação é o nosso principal objectivo para o João, não queremos
eliminar a expressão dos seus sentimentos mas antes ensinar-lhe uma
melhor forma e transmitir a sua mensagem. Se ele for capaz de transmitir os
seus desejos, a necessidade de esbofetear será eliminada.

Objectivo: Ensinar o João a usar um gesto para indicar que está cansado de trabalhar ou
está confuso e que não quer ser interrompido.

Intervenção: Sempre que a criança tentar bater-lhe durante uma sessão de ensino,
restrinja a sua mão, calmamente, diga-lhe “não bate” e ensine-lhe o gesto
alternativo para dizer “acabou” (coloca-se os dedos debaixo do queixo).
Reforce o sinal com elogio e deixe-o brincar uns momentos com o que ele
quiser na mesa. Em seguida, retome a sessão de trabalho com uma
actividade que ele consiga realizar. Ajude-o com frequência e elogie-o.
Ensine-o a fazer o sinal “acabou” quando ele estiver pronto para esbofeteála.
Concorde sempre em deixar que ele páre de trabalhar uns instantes após ter
feito o sinal para ele ver que o entendeu. Quando ele aprender este sinal
durante as sessões de trabalho, então pode usar a mesma técnica durante as
rotinas diárias.

C5 – DISRUPÇÃO
Problema: Atirar objectos

Contexto: O João é um rapaz de 4 anos de idade, sem linguagem, cujo funcionamento


evidencia um atraso moderado. As sessões de trabalho na escola e em casa tornaram-se
difíceis devido ao seu comportamento que consiste em atirar para o chão os materiais de
trabalho. Este comportamento também se torna disruptivo para a vida familiar, uma vez que
atira objectos de casa. Este comportamento é mais frequente quando se exige que faça tarefas
das quais não gosta ou quando não consegue obter o que quer. Existiram várias intervenções
no passado mas sem qualquer sucesso: reprimendas verbais, ignorar o comportamento, obrigá-
lo a apanhar tudo, mudar a estrutura das sessões de trabalho e bater-lhe firmemente na mão
cada vez que atira objectos. Durante as actividades escolares relacionadas com o trabalho a
nível da motricidade global, os professores concluiram que a criança não gosta de ser
restringida fisicamente.
Análise: Ao atirar objectos, o João controla com sucesso o ambiente. Não se consegue
ensinar aptidões novas e ele consegue interromper a actividade sempre que
o desejar. Este comportamento é potencialmente perigoso para si e para os
outros uma vez que ele não possui a cpacidade de julgar o que se parte, o
que é de valor ou o que pode fazer mal. Ele não consegue inibir o seu
comportamento a não ser que entenda que esse comportamento acarreta
consequências desagradáveis. Para esta criança seria a restrição física.

Objectivo: Eliminar o comportamento de atirar materiais durante as sessões de


trabalho.

Intervenção: Durante as próximas semanas, concentre-se em reduzir o comportamento


de atirar objectos durante a sessão de trabalho. Durante o resto do dia use as
seguintes técnicas: 1) remova objectos de valor de forma a ficarem fora do
seu alcance; 2) vigie-o e dê-lhe atenção antes de ele chegar perto de um
objecto para o atirar; 3) não lhe dê atenção se ele atirar algo. Durante as
sessões de ensino, apresente-lhe tarefas fáceis. Sempre que atire um dos
objectos (bloco, encaixe, etc.), responda imediatamente, dizendo com voz
firme “não atira”. Em seguida, segure-lhe nas mãos de forma a ficarem em
cima da mesa e de forma a que ele não as consiga mexer. Afaste a sua
cabeça e conte silenciosamente até trinta. Em seguida, liberte-lhe as mãos,
volte-se para ele e dê-lhe o objecto seguinte pertencente à sessão de trabalho
que já estava a decorrer. Anote na grelha este acontecimento (ver figura 10.3).
Não se levante para apanhar o objecto que ele atirou fora. Reserve material
extra para que possa completar a tarefa sem se levantar. Repita este
procedimento cada vez que ele se levanta. Se ele não atirar o objecto, elogie-
o e recompense-o com um pedaço de alimento que ele goste, dizendo “bom
trabalho”, sorria e aplauda.

Data Actividade nº de vezes em que Recompensas, por


atirou fora objectos não ter atirado
20 /01/98 encaixes III I I I I I (uvas)

Grelha para registo do comportamento de atirar fora objectos.

C6 – DISRUPÇÃO
Problema: Gritar, chorar, recusas verbais quando se exige que obedeça a
exigências simples.

Contexto: A Cindy é uma rapariga de 6 anos de idade cujo funcionamento é borderline.


Reage a quase todas as interacções com uma resposta negativa, gritando
“não...pára...não quero fazer” ou, então, chora. Este comportamento continua
até que os pais acabam por ceder. Ela recusa sair de casa para fazer compras
com a sua mãe, em seguida chora para que a deixem ir, em seguida recusa-
se entrar no carro, etc. Um pedido simples relativamente às áreas de
autonomia causa o mesmo tipo de resposta. Os pais tentaram usar uma
variedade de recompensas para cada acção cooperativa: elogio, comida,
actividades favoritas ou tempo extra para brincar. Nenhuma destas
abordagens resultou. Sentem-se tristes e frustrados devidos às suas
reacções negativas e aos seus esforços para a ajudar. Além disso, pretendem
fazer com que ela os obedeça sem terem de ser punitivos.

Análise: As recusas não parecem estar ligadas a dificuldades inerentes às


actividades mas sim ao facto de ter de mudar para actividades ou rotinas
novas. A Cindy não tem uma ideia definida do que quer, exceptuando o facto
de manter o controlo da situação. A promessa de ameaças futuras não é
suficiente para vencer a sua forte aversão à mudança da rotina. Os pais não
pretendem ser punitivos.

Objectivo: Diminuir a ocorrência da resposta de gritar ou chorar.

Intervenção: Durante as 2 semanas próximas, mantenha uma grelha (ver figura 10.4) na
qual se regista o comportamento da Cindy de chorar ou gritar para verificar se
as seguintes técnicas podem ser eficazes: 1) Ignorar; 2) Fornecer ajuda
frequente através de indução ou manipulação; 3) coloque uma recompensa
alimentar em sítio visível para lhe ser dada imediatamente a seguir ao término
da tarefa. Duas vezes ao dia sente-se com a criança e dê-lhe uma tarefa
simples e não verbal (emparelhar, colorir, etc.). Coloque a recompensa
alimentar perto dela e diga-lhe que a pode obter assim que terminar a tarefa.
Ignore os protestos e comece a actividade, colocando você a 1ª peça. Em
seguida ajude-a, fisicamente, a colocar a peça seguinte. Não use indutores
verbais mas sorria à medida que ela vai fazendo o que se pretende. Não dê
atenção aos sons ou palavras mas ajude-a com frequência, movendo as suas
mãos se ela parar de trabalhar. Assim que a tarefa tiver terminado, faça-lhe
uma festa, sorria e dê-lhe a recompensa alimentar. Em seguida regista na
grelha a resposta que a criança demonstrou para com esta abordagem.

Data Actividade nº de induções Comportamento de gritar ou chorar


(nenhum, ligeiro, moderado, severo)

20 /01/98 emparelhar IIII I moderado

Figura 10.4. Grelha para registo do comportamento de gritar.

C7 – DISRUPÇÃO
Problema: Saltar da mesa à hora das refeições

Contexto: Jimmy é um rapaz de 41/2 anos de idade, com boa coordenação e


extremamente activo. Consegue entender linguagem simples em frases
curtas mas é demasiado distraído e demasiado activo para ouvir explicações
verbais. As refeições familiares eram constantemente interrompidas pelo
comportamento do Jimmy: tirava comida dos outros pratos, saltava e corria.
Em seguida voltava para tirar mais comida dos pratos. Os pais bateram-lhe,
ralharam-lhe e ataram-o à cadeira. Esta última técnica provocou-lhe birras.
Análise: O comportamento do Jimmy produz tensão contínua à hora das refeições,
quer devido à expectativa da possibilidade de ele se comportar mal, quer
devido ao facto de ter de gerir o seu comportamento disruptivo. Nestes casos
ele é igualmente o foco de atenção e parece igualmente satisfeito com a
atenção positiva ou com a atenção negativa. Para modificar este ciclo, é
necessário dar-lhe atenção apenas quando ele se comporta de forma
apropriada e retirar a comida quando ele não conseguir sentar-se à mesa e
comer do seu prato.

Objectivo: Ensinar o Jimmy a manter-se sentado durante as refeições.

Intervenção: O ponto importante a lembrar é que pretendemos recompensar o bom


comportamento com atenção e elogio e não queremos recompensar o mau
comportamento com qualquer tipo de atenção. Sente-o, à mesa num sítio
onde não consiga chegar a outros pratos além do seu próprio. Quando ele se
levantar ignore-o completamente. Não o chame nem sequer olhe para ele.
Quando ele voltar e se sentar, olhe para ele, sorria e diga “Muito bem. Sentar
para comer”. Se ele tentar tirar comida sem estar sentado, não discuta com
ele, mas coloque o prato no centro da mesa e não lho dê a não ser que ele
se sente na sua cadeira. Quando a família tiver terminado a refeição, remova
toda a comida da mesa. Não lhe permita que tome lanches a seguir à refeição
excepto sumos. A criança tem de esperar até á próxima refeição para que
este procedimento seja eficaz. Faça registos do número de vezes em que ele
se levanta da mesa (ver figura 10.5).

Data refeição nº de vezes em que se Lanches que se deram, em seguida


levanta da mesa

20 /01/98 almoço IIII II maçã

Grelha para registo do comportamento de levantar-se da mesa .


C8 – REPETIÇÃO
Problema: Colocar na boca objectos não comestíveis.

Contexto: Jenny uma criança letárgica de 8 anos de idade, possui um funcionamento


moderadamente atrasado mas tem uma boa memória para rotinas e uma
capacidade para de self-taugh reading acima da sua idade. Apesar da sua
capacidade para ler, a capacidade em entender a mensagem estava
severamente atrasada. Enquanto via T.V., a sua actividade favorita, cortava
e mastigava pequenos pedaços de papel, plástico, fios do sofá, etc. Quando
estava no jardim ou no recreio, colocava paus, pedras, flores ou folhas na
boca. As refeições em família eram pertubadas pelo seu hábito de tirar gelo
do copo para o mastigar. A criança ficava muito perturbada quando as suas
rotinas eram interrompidas. Além disso, os seus hábitos perseverantes eram
difíceis de mudar. O facto de os pais lhe baterem, ralharem, de a isolarem no
quarto e a elogiarem por não colocar objectos na boca, não surtiram efeito. A
Jenny entendia a regra e parava sempre que lhe chamavam a atenção mas
esquecia-se depressa assim que via T.V. ou brincava no pátio.

Análise: A criança tem a capacidade de inibir o acto de levar à boca objectos quando
induzida. Mas sem essa indução, alheia-se do que está a fazer. Este
comportamento é potencialmente perigoso devido ao facto de existirem bagas
venenosas e quimicos no jardim. É necessário que a Jenny tenha um meio
alternativo de ser lembrada da regra “na boca não”, quando a mãe não está
presente. As suas competências de leitura podem ser usadas como um
indutor visual.

Objectivo: Ensinar a criança a inibir o acto de levar objectos à boca sem a indução da
mãe.

Intervenção: Vamos começar por ensinar a criança a ler um cartão com a regra e usá-la
para inibir os seus impulsos. Assim que ela aprender que é necessário que
leia a regra em vez de esperar que o adulto a leia, então podemos usar esta
técnica num número de diferentes situações.

1º passo: Durante as sessões de trabalho, coloque um copo e uma colher


perto dela. Em frente ao copo coloque um cartão dizendo “usar a colher para
tirar gelo”. Assim que ela esquecer e agarrar o gelo com os dedos, não diga
nada mas remova rapidamente o copo e atire o gelo fora. Aponte para o cartão
e peça-lhe para ler. Explique: “esqueceste a regra,vamos tentar mais tarde”.
Tente novamente após uns 5-10 minutos.
2º passo: Durante as sessões de trabalho, coloque algum do material que ela
gosta de colocar na boca, perto dela. Coloque um cartão perto disso com a
inscrição “na boca, não”. Explique que se ela se lembrar da regra durante 10
minutos, pode ser recompensada com pastilha elástica. Mais uma vez não a
lembre verbalmente, mas esteja pronta para remover a pastilha elástica se
ela se esquecer.

3º passo: Debaixo do ecrã da TV, coloque um cartão dizendo “na boca não”.
Não lhe forneça induções verbais. Vigie-a e, sempre que se esquecer e
colocar algo na boca, aproxime-se da TV, silenciosamente, e apague-a
durante alguns minutos. Aponte para o cartão e abane a cabeça. Não lhe
ralhe nem a tente confortar se ela parecer zangada ou aborrecida

C-9 REPETIÇÃO
Problema: Perguntas perseverantes “Que horas são?” independentemente da
resposta ou da situação.

Contexto: Tommy é um rapaz com excesso de peso e letárgico com 10 anos de idade
cujo funcionamento se situa no atraso moderado. Tem um forte interesse e
uma memória excelente para os aniversários das pessoas, números de
telefone, números de matrícula e horas. As questões acerca do tempo são as
mais frequentes e mais perseverantes. Pergunta as horas mesmo quando
está em frente a um relógio que possa ver facilmente. Esforços anteriores
para diminuir este comportamento incluiram responder à questão, ignorar,
irem embora e dizer-lhe para estar quieto.

Análise: As técnicas passadas foram ineficazes porque possivel

C10 – DÉFICE
Problema: Curtos periodos de atenção, fraco controlo dos impulsos.
Contexto: O Dave é um rapaz de 4 anos de idade, extremamente energético cujo
funcionamento se situa nos 2 anos de idade relativamente às competências
não verbais. É impulsivo e distraido, não se senta para as refeições, não fica
quieto para tomar banho, quando está na casa-de-banho ou para o vestirem.
Consegue compreender algumas ordens simples se combinadas com gestos
quando está a prestar atenção. No entanto, tais momentos são raros.
Esforços prévios para o controlar incluiram reprimendas verbais e castigos
físicos. Os pais constataram que ele não entendia que tinha feito mal e
tornava-se mais activo e aborrecido. Os pais gostavam da natureza alegre da
criança e não queriam usar medicação para controlar o seu nível da
actividade.

Análise: Aumentar o período de atenção do Dave, o tempo em que ele permanece em


tarefa, são competências básicas para o progresso na linguagem, na área de
autonomia e para a frequência de um programa pré-escolar. Ele pode iniciar
por melhorar a sua atenção e controlar a sua impulsividade durante sessões
de ensino curtas e estruturadas nas quais ele saiba o que está a fazer, onde
tem de fazer e o que vai acontecer a seguir. Uma organização visível de
trabalho e a seguir brincar vai ensinar-lhe a diferença entre o tempo de fazer
o que ele quer e o tempo de controlar o seu movimento.

Objectivo: Melhorar o comportamento de sentar e a capacidade de atenção de 2-15


segundos.

Intervenção: Delimite a sua área de trabalho de forma a que a criança possa ver onde vai
trabalhar e onde vai brincar (ver figura 10.6). Comece com uma actividade
simples, uma que saiba que o Dave consegue fazer (por exomplo, um puzzle
simples de 4 peças). Coloque o puzzle na mesa e remova uma peça para que
a criança a coloque no local adequado. Chame-o para a mesa, diga-lhe para
se sentar e diga-lhe para completar o puzzle. Elogie-o e dê-lhe uma uva. Em
seguida, dirija-o para a àrea de brincar. Após cerca de 30 segundos, chame-
o para repetir a tarefa. Da segunda vez, remova 2 peças do puzzle.
Novamente, recompense-o com uma uva e um elogio e diga-lhe para ir
brincar. Quando a criança ficar habituada a esta rotina (cerca de 60 ensaios),
aumente a tarefa removendo duas peça. Siga o mesmo procedimento. Desta
forma podemos aumentar a quantidade de trabalho que ele faz antes de se
levantar. Não alongue para uma tarefa maior (3 ou 4 peças) até que o João
consiga terminar a tarefa mais curta sem necessitar de indução da sua parte.
Figura 10.6. Estrutura para aumentar o período de atenção

C11 – DÉFICE
Problema: Falta de iniciativa em mudar actividades durante períodos de
trabalho na escola.

Contexto: O Brian é um rapaz de 14 anos com um nível intelectual cuja capacidade é


treinável. Na sala de aula ele aprendeu a trabalhar de forma independente
numa tarefa estruturada, mas era incapaz de passar à tarefa seguinte sem
que a professora acenasse, apontasse ou sem indução verbal da professora.
O Brian entendeu a estrutura diária e todos os outros alunos da sala
trabalhavam de forma consistente, não necessitando de induções verbais
quando terminavam a tarefa. Sem as induções da professora, o Brian senta-
se, olha para a professora e não inicia movimentos ou contactos com a
professora.

Análise: O Brian tornou-se dependente da indução da professora e é reforçado pela


sua própria falta de iniciativa de cada vez que lhe é fornecida a indução. A
sua capacidade em iniciar uma mudança de uma actividade para outra é
essencial para a sua adaptação para uma situação futura de trabalho
protegido. Os professores podem desenvolver um sistema de recompensaa
com prémios (sistema token) para que o Brian se motive para iniciar o seu
trabalho sem necessitar de atenção individual.

Objectivo: Guardar trabalho terminado e tirar trabalho novo sem directivas individuais
ou atenção da professora.

Intervenção: Coloque em uso um sistema token para o Brian no qual ele receba
inicialmente um prémio por cada ocasião em que, voluntáriamente, guarde o
trabalho terminado e tire trabalho novo sem que seja necessário dirigi-lo
pessoalmente através de um acenar de cabeça, de apontar ou verbalizar.
Inicialmente, pode induzir o Brian dando uma direcriz ao grupo todo sem olhar
para a criança “Lembrem-se têm de guardar o trabalho, sozinhos”. Coloque
uma caixa de prémios na sua secretária e, de cada vez que inicie uma acção
sem indução, dê-lhe atenção positiva, colocando um prémio na caixa e
elogiando-o. De início pode dar-lhe 10 minutos de tempo livre por cada 3
prémios na caixa. Assim que ele iniciar as tarefas por si com maior frequência
pode aumentar o número de prémios que ele necessita de juntar para ganhar
tempo livre.