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CONTROLE ADAPTATIVO BASEADO EM PASSIVIDADE APLICADO A UM

CONVERSOR BUCK OPERANDO COMO CORRETOR DE FATOR DE


POTÊNCIA
Eduardo A. Oliveira, Lenin M. F. Morais, Seleme I. Seleme Jr., Pedro F. Donoso-Garcia,
Porfírio C. Cortizo, Marcos A. Severo Mendes
Laboratório de Eletrônica de Potência, Departamento de Engenharia Eletrônica, Universidade Federal de Minas Gerais
Av. Presidente Antônio Carlos, 6627. 31270-010. Belo Horizonte, MG, Brasil.
eao@ufmg.br, lenin@cpdee.ufmg.br, seleme@cpdee.ufmg.br, pedro@cpdee.ufmg.br,
porfirio@cpdee.ufmg.br, marcoss@cpdee.ufmg.br

Resumo – Neste artigo é discutido o uso da técnica de baixa carga, motores de baixa potência [1], reatores de
controle baseado em passividade aplicada a conversores lâmpadas de alta intensidade de descarga [2], dentre outros.
estáticos do tipo buck (abaixador de tensão) operando Um baixo fator de potência acarreta o aumento de perdas
como corretores ativos de fator de potência. É proposta nos cabos e linhas de transmissão, flutuações nos sistemas de
uma modelagem do tipo Euler-Lagrange do conversor e, distribuição e sobrecarga nos equipamentos [3]. A legislação
a partir deste modelo, a definição das técnicas de controle brasileira estabelece que o fator de potência, em unidades
por passividade direta (pela tensão no capacitor) e consumidoras supridas por tensões superiores a 2300V, deve
indireta (pela corrente no indutor) com o reconhecimento ser superior a 0,92 capacitivo durante as primeiras 6 horas do
da impedância de uma carga resistiva por um método dia e superior a 0,92 indutivo nas demais horas [4].
adaptativo. Por se tratar de uma técnica de controle não Uma forma possível de tornar o fator de potência próximo
linear, não é necessário realizar a linearização no ponto de unitário é por meio de um circuito de correção de fator de
de operação mais critico, garantindo respostas potência ativo na saída do estágio de retificação. Um
satisfatórias em toda a faixa de funcionamento. conversor do tipo buck pode ser utilizado com esta função.
Para o controle de conversores operando como corretor de
Palavras-Chaves – Controle adaptativo, controle fator de potência (CFP), o que comumente se aplica são
baseado em passividade, correção de fator de potência. técnicas convencionais, baseadas principalmente na
linearização da dinâmica na condição critica de operação e
Abstract – A passivity based control scheme is applied uso de controladores PID ou controle por avanço-atraso.
to a buck converter operating as an active power factor Como muitos conversores são sistemas de fase não mínima,
corrector. The converter is modeled via an Euler- controladores baseados em técnicas lineares são muitas vezes
Lagrange (energy) approach and two control laws are de difícil ajuste para obtenção de uma performance robusta,
derived from this non linear model: a direct control especialmente sob condição de grandes mudanças no setpoint
(using the voltage in the capacitor) and an indirect e distúrbios na operação do circuito que modificam o ponto
control (via the current in the inductance current). The de operação. Uma das maiores vantagens de usar a
resistive load impedance is estimated using an adaptive modelagem Euler-Lagrange é a visualização física da
approach. There is no need to consider the small signal estrutura, possibilitando incluir fenômenos e características
condition as in the case of linearized models. The control não lineares. Desta forma, a incorporação de técnicas não
laws satisfy a wide range of operation of the converter. lineares no projeto do controlador pode ser benéfica. [5]
O controle baseado em passividade se fundamenta nos
Keywords – Adaptive control, passivity-based control, conceitos de energia e consiste em encontrar, para um
power factor correction. sistema dinâmico, uma relação onde a planta armazene
menos energia do que absorve através da sua interconexão
com o controlador [6].
I. INTRODUÇÃO A técnica de passividade aplicada a conversores estáticos
já foi abordada em literatura por diferentes autores: Sanders e
Diversos equipamentos em instalações industriais podem Verghese [7] propuseram a determinação da ação de controle
levar a degradação do fator de potência da tensão da rede, a partir dos conceitos de passividade aplicados a função de
como motores e transformadores operando a vazio ou com energia. Leyva et al [8] acrescentaram ao trabalho de Sanders
dV
≤ uT y (3)
dt
Sabe-se que, se este sistema não é estritamente passivo
com relação a sua saída, pode-se utilizar uma realimentação
para levá-lo a esta condição.
Figura 1: Conversor buck aplicado à correção de fator de potência
III. CONTROLE BASEADO EM PASSIVIDADE
o uso de integração para eliminar erros em regime
permanente, com análise para variações em grandes sinais. Baseado nos trabalhos de Sira-Ramirez [10]-[11] e Ortega
Finalmente, Sira-Ramirez apresentou trabalhos ([9]-[11]) et al [14], pode-se propor a modelagem do conversor e a
onde descreveu os conversores como sistemas Euler- técnica de controle baseado em passividade. O conversor
Lagrange e aplicou conceitos de controle baseado em buck da Figura 1 possui um modelo médio que pode ser
passividade. Escobar e Sira-Ramirez [12] apresentaram representado matricialmente:
resultados teóricos de um boost CFP com controle em modos
deslizantes baseado em passividade. DB z + ( J B + RB )z = µEB
Este artigo analisa o controle baseado em passividade z1 L 0 0 1
aplicado ao controle de conversores chaveados do tipo z= DB = JB =
abaixador de tensão (buck), operando na correção de fator de z2 0 C −1 0 (4)
potência. São discutidas duas formas distintas de inserção da
0 0 E
técnica neste tipo conversor: controle direto da tensão de RB = EB =
saída e controle indireto da tensão via corrente no indutor. 0 G 0
Na Seção II é apresentada uma breve revisão sobre os Onde z1 e z2 são as variáveis de estado do sistema (a
principais conceitos de passividade. Na Seção III, são corrente no indutor e a tensão no capacitor, respectivamente),
descritas as técnicas de controle implementadas para o buck G é o modulo da condutância utilizada como carga (para
CFP. Na Seção IV, é realizada uma comparação entre os cargas resistivas, G=1/R) e µ é a razão cíclica.
resultados de simulação e resultados práticos, com a devida Para que ocorra a correção do fator de potência, é preciso
discussão. Finalmente, na Seção V é apresentada a conclusão que a corrente do indutor possua um comportamento similar
do trabalho. ao da tensão de saída do retificador, que pode ser aproximada
por:
II. PASSIVIDADE ∞

Em Khalil [13], são apresentadas definições em torno da E= Ei sen(120πt × i + φi )


i =1, 3, 5... (5)
passividade de sistemas, como as que se seguem:
Considere um sistema representado por: E ≈ E1 sen(120πt + φ1 )
x = f ( x, u ) Para um conversor buck ideal operando sem a correção de
(1)
y = h ( x, u ) fator de potência, tem-se a corrente desejada dada por:
z1d = GVd (6)
Onde f : ℜ → ℜ é localmente Lipschitz f(0,0)=0 e h
nn

Onde Vd é a tensão de referência constante desejada na


é continuo h(0,0)=0. Este sistema é denominado passivo se
saída do conversor. Considere as variáveis de erro dadas por:
existe uma função definida positiva simétrica (chamada ~
função de armazenamento), tal que: z1 (t ) = z1 (t ) − z1d (t )
~ (7)
∂V z (t ) = z (t ) − V
u y ≥V =
T
f ( z, u ) (2) 2 2 d
∂z O vetor erro médio dinâmico é então dado por:
Outras definições para sistemas passivos: DB ~
z + ( J B + R B ) ~z =
• O sistema é sem perdas se u y = V . (8)
T
µE B − [DB z d + ( J B + R B ) z d ]
• O sistema é estritamente passivo com relação à entrada se
O projeto de um controle baseado em passividade em
u T y ≥ V + u T φ (u ) para alguma função φ onde circuitos chaveados consiste em modificar a co-energia em
u T φ (u ) > 0 , ∀u ≠ 0 . malha fechada e adicionar um amortecimento, alterando a
estrutura dissipativa [5]. No caso do conversor buck, o
• O sistema é estritamente passivo com relação à saída se controle da tensão de saída pode ser feito diretamente, com a
u T y ≥ V + y T ρ (u ) para alguma função ρ onde injeção do termo dissipativo em paralelo com o capacitor C,
y T p (u ) > 0 , ∀y ≠ 0 . ou indiretamente, com a injeção da resistência em série com
o indutor L.
• O sistema é estritamente passivo com relação ao estado se
u T y ≥ V + ψ ( z ) para alguma função definida positiva A. Controle Direto ou Paralelo
ψ
Para realizar o controle direto da tensão de saída, temos
Considere o mesmo sistema passivo representado por (1) e que inserir o termo dissipativo tal que:
com uma função de armazenamento V tal que:
0 0 baseado em passividade para uma carga G conhecida e ajuste
R2 B = G2 > 0 indireto da tensão de capacitor C pela corrente no indutor L:
0 G2 (9) z1d − Gz 2 d
z 2d = (20)
z = (RB + R2 B )~
RBd ~ z C
G2 é um termo de projeto do controlador onde a restrição é Lz + z − R1 ( z1 − z1d )
que seja estritamente positivo e sua inserção tem o efeito µ = 1d 2 d (21)
similar à de uma resistência em paralelo com o capacitor C. E
Desta forma, tem-se a equação de erro dinâmica dada por:
C. Controle Adaptativo
DB ~
z + ( J B + RB )~
z =
(10)
µE − [D z + ( J + R ) z − R ~z ]
B B d B B d 2B Quando a carga é desconhecida, porém constante, pode-se
O ajuste da energia, juntamente com o amortecimento usar uma estratégia de controle adaptativo baseado em
proporcionado por G2, pode ser obtido se fizermos: passividade conforme apresentado em [10], onde a
[ ]
µE B − DB z d + ( J B + RB ) z d − R2 B ~z = 0 (11)
condutância desconhecida da carga é adaptada como:

Assim, o erro dinâmico pode ser estabilizado e poderá θˆ = −kz 2 d ( z 2 − z 2 d ) k >0 (22)
satisfazer:
Com θ = G sendo a carga desconhecida, e θˆ sendo a
DB ~
z + ( J B + RB )~
z =0 (12)
condutância estimada para a carga.
Pode-se propor uma equação para a energia desejada para Desta forma, a técnica de controle direto passa a ser
o sistema, associada ao vetor de (12): representada por:
1 ~T ~ z1d − θˆz 2 d + G2 ( z 2 − Vd )
Hd = z DB z > 0 ∀z ≠ 0 (13)
z 2d = (23)
2 C
Faz-se (13) como uma função candidata de Lyapunov para
a equação de erro dinâmico (12). A derivada no tempo de Lz1d + z2 d − R1 ( z1 − z1d )
µ= (24)
(13) ao longo de (12) resulta em uma constante E
estritamente positiva, tal que: Ao mesmo modo, a técnica de controle indireto pode ser
H d (t ) = − ~ z ≤ −αH d (t ) < 0
z T R Bd ~ ∀z ≠ 0 (14) representada por:
Com a condição acima satisfeita, podemos garantir que: z1d − θˆz 2 d
z 2d = (25)
µE B = DB z d + ( J B + RB ) z d − R2 B ~z (15) C
Explicitando os parâmetros, temos: Lz + z − R1 ( z1 − z1d )
Lz1d + z 2 d = µE µ = 1d 2 d (26)
(16)
E
Cz 2 d − z1d + Gz 2 d − G2 ( z 2 − Vd ) = 0 A inclusão do termo adaptativo proporciona um novo
parâmetro para ajuste dos controles: k.
A partir de (16), pode-se obter a lei de controle baseado
Nos dois casos, o erro dinâmico do sistema é perturbado
em passividade para uma carga G conhecida e ajuste direto
pelo erro de estimação da condutância da carga, sendo (10)
pela tensão de capacitor C:
reescrita como:
z1d − Gz 2 d + G2 ( z 2 − Vd )
z 2d = (17) DB ~
z + ( J B + RB ) ~
z =Ψ (27)
C O termo de perturbação é dado por:
Lz + z 0
µ = 1d 2 d (18) Ψ= ~ (28)
E z 2d θ
Onde:
B. Controle Indireto ou Série ~
θ = θ − θˆ (29)
A inserção do termo dissipativo para o controle indireto é Respeitadas as seguintes restrições: E > z 2 d (0) > 0 ,
dada por: θ (0) > 0 e Vd > 0 , com os parâmetros de controle R1 > 0 e
ˆ
R1 0 G 2 > 0 , o sistema dinâmico dado por (27) e (28), com as leis
R1B = R1 > 0
0 0 (19) de controle dadas pelas equações (22) a (26), converge
assintoticamente para o ponto de equilíbrio [10]:
z = (RB + R1B )~
RBd ~ z
( )
z1 , z 2 , z 2 d ,θˆ = (GVd ,Vd ,Vd , G ) (30)
R1, assim como G2, é um termo de projeto do controlador
e sua restrição é que seja estritamente positivo. A sua D. Correção de Fator de Potência
inserção tem o efeito similar ao de uma resistência em série
com o indutor L. Seguindo o mesmo procedimento descrito Uma vez que a corrente z1 converge para o valor de z1d,
para o método direto, podemos definir a lei de controle para sincronizar a corrente de entrada e a tensão de entrada,
deve-se alterar a corrente desejada no indutor sem que isso TABELA 1
represente alteração no fluxo de energia do sistema. Sendo: Elementos e especificações do projeto
Vd L = 700µH Indutor do buck
γ = arcsen (31) C = 4700µF Capacitor do buck
E1 D(1,2,3,4)=GBPC3508W Ponte Retificadora
Temos: D = MUR1560 Diodo do buck
z1d = 0 Sw = G4BC20UD Chave estática (IGBT) do buck
Vrede (t ) < Vd ou (2nπ ≤ ωt + φ < 2nπ + γ ) ∪ Lf = 280µH Indutor do filtro IEM
Cf = 11µH Capacitor do filtro IEM
((2n + 1)π − γ < ωt + φ ≤ (2n + 1)π ) Vrede = 55Vrms@60Hz Tensão de Alimentação
(32) Vd = 25V Tensão desejada na saída do
z1d = I p [ sen(ω1t + φ ) − sen(γ )] buck
Ro = 11Ω Carga de teste
Vrede (t ) ≥ Vd ou fchav_buck = 24kHz Freqüência de chaveamento
2nπ + γ ≤ ωt + φ ≤ (2n + 1)π − γ a corrente drenada da rede é diretamente influenciada pela
corrente no indutor, tal distorção limita o fator de potência do
Onde, para uma carga estimada: conjunto apresentado a um valor máximo de fp=0,978.
V dθˆπ
Ip = (33) A. Resultados de Simulação
2 cos(γ ) + (2γ − π )sen(γ )
Para a situação de carga conhecida, basta substituir o O circuito do conversor buck foi simulado utilizando o
software Matlab® 2007b. Os resultados apresentados para o
termo adaptativo θˆ na equação de Ip, pela condutância
foram obtidos com o parâmetro de controle ajustado em
conhecida G. O produto da função por Ip é necessário para a
R1=20 , no controle em modo indireto, e G2=1,0x10-2S, para
manutenção da corrente média no indutor
o modo direito. Para a constante de integração foi atribuído o
(conseqüentemente, da potência de entrada), quando
valor ki=40.
comparado com a situação sem correção de fator de potência,
As Figuras 2 e 3 mostram os resultados obtidos para o
descrita em (6).
controle em modo indireto. Pode-se observar o
Observa-se que, para a correção de fator de potência, a
comportamento de sincronismo entre a tensão de rede e a
corrente desejada no indutor z1d não é mais constante,
corrente drenada da rede, o que leva a um fator de
conseqüentemente, não se pode falar em ponto de equilíbrio
deslocamento de aproximadamente 0,97.
e sim em trajetória a ser rastreada. Os resultados
A distorção na corrente de entrada não impede que o fator
anteriormente apresentados para a lei de controle se aplicam
de potência fique dentro da especificação da norma, no caso,
desde que seja considerado que a dinâmica da referência z1d é
fp 0,96. Além disso, a corrente no indutor tem um valor
bem mais lenta do que a dinâmica de chaveamento do
médio bem próximo do valor de referência z1d inserido na
conversor.
técnica de controle. A tensão de saída média atingiu o valor
E. Eliminação do erro na tensão de saída desejado Vd=25V, quando utilizado o termo integrativo.
A Figura 4 mostra os resultados obtidos para o controle no
Para eliminar possíveis erros em regime permanente na modo direto. A corrente no indutor não consegue manter o
tensão de saída zz deve-se utilizar um termo integrativo tal mesmo sincronismo obtido pelo controle em modo indireto,
que [11]:
t
I = −ki [z 2 (s ) − Vd ]ds ki > 0 (34)
4
z 1 d (A )

2
0 0

Onde ki é um ganho que depende do ponto de inserção da 450 455 460 465 470 475 480 485 490 495
Tempo (ms)
integração, que pode ser no tanto no cálculo de z2d quanto na
obtenção da razão cíclica µ. 4
z 1 (A )

IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO 0


450 455 460 465 470 475 480 485 490 495

A planta utilizada para testes possui as especificações e Tempo (ms)


1
elementos apresentados na Tabela 1. O primeiro teste
consiste na comparação entre os modos direito e indireto de 0.5
µ

controle, nos dois casos para a planta controlada pela técnica


0
de carga conhecida (11Ω). Um segundo teste avalia a 450 455 460 465 470 475 480 485 490 495
Tempo (ms)
estimação da carga para o controle indireto.
Para a relação tensão de rede 55Vrms versus tensão de Figura 2: Corrente de referência para o indutor z1d, corrente no
saída 25V, a corrente desejada no indutor z1d proporciona indutor z1 e ciclo de trabalho µ para controle baseado em
uma taxa de distorção harmônica THD=21,3%. Uma vez que passividade no modo indireto.
Irede (A) - Vrede /40 (V)

2
4

z 1d (A)
0 2

0
-2
450 455 460 465 470 475 480 485 490 495 450 455 460 465 470 475 480 485 490 495
Tempo (ms) Tempo (ms)
0.04
4

z 1 (A)
Irede

0.02 2

0
0
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 450 455 460 465 470 475 480 485 490 495
Frequência (Hz)
fd=0,97 fp=0,96
Tempo (ms)
28 1

26
z 2 (V)

0.5

µ
24

22 0
450 455 460 465 470 475 480 485 490 495 450 455 460 465 470 475 480 485 490 495
Tempo (ms) Tempo (ms)

Figura 3: Corrente (preto) drenada da rede Irede e amostra da tensão Figura 4: Corrente de referência para o indutor z1d, corrente no
(azul) na rede (Vrede/40), FFT de Irede e tensão de saída z2 para indutor z1 e ciclo de trabalho µ para controle baseado em
controle baseado em passividade no modo indireto. passividade modo direto.
causando uma elevada distorção na corrente. Desta forma, sincronismo dos sinais, é facilmente observada a distorção na
apesar do fator de deslocamento entre as fundamentais corrente do indutor e, conseqüentemente, na corrente da rede,
próximo de unitário (fd 0,98), a distorção na corrente de o que impede a correção do fator de potência.
rede impede a obtenção de um fator de potência elevado. Quando da utilização da técnica adaptativa, a resistência
Apesar da não correção do fator de potência, pode-se de carga estimada pelo controlador foi de aproximadamente
observar o controle da tensão de saída do buck com o uso do ~
11 ( θ = 9,1 × 10 −2 ). Além disso, a Figura 9 demonstra que a
termo integrativo, com resposta similar a apresentada para o inserção da técnica adaptativa não influi na correção do fator
método indireto. de potência, que manteve os mesmos índices obtidos para a
Para a avaliação do método de estimação de carga, foram condição de carga conhecida (fd=0,97 e fp=0,95).
atribuídos os seguintes valores aos parâmetros de controle:
R1=20, ki=10 e k=1,0x10-2. O resultado obtido para a V. CONCLUSÕES
estimação de carga pode ser visto na Figura 5, onde é
possível observar um erro de estimação da carga de O artigo apresentou uma discussão sobre duas formas de
aproximadamente 5%. implementação de controle baseado em passividade: método
direto ou paralelo, com controle direto da tensão de saída, e
B. Resultados Experimentais método indireto ou série, com controle indireto da tensão de
saída e ajuste da trajetória desejada na corrente do indutor.
Para a obtenção dos resultados experimentais utilizou-se Para os dois métodos de controle, foi apresentada a
um DSP TMS320F2812, da Texas Instrument. Os algoritmos possibilidade ou não da estimação da carga através de uma
de controle foram implementados em ponto flutuante, o que técnica adaptativa.
possibilitou o uso de equações em tempo contínuo para Com a técnica de controle baseado em passividade
execução das técnicas de controle descritas. apresentada, o ajuste de parâmetros do controlador dispensa
A Figura 6 exibe a tensão da rede e a corrente drenada da a linearização da planta em torno de um ponto de operação
rede para a condição com controle indireto da tensão de critico, o que deprecia a resposta nas demais faixas de
saída. Nesta condição de operação, o fator de deslocamento operação, como ocorre em controladores PID. Além disso, o
obtido foi fd=0,97 e o fator de potência fp=0,94. A Figura 7
exibe os sinais da tensão E na saída do retificador e a
corrente z1 no indutor do buck também para a técnica
indireta. Podemos observar o sincronismo entre os dois
sinais, sendo este o compromisso principal de um corretor de T
fator de potência. T
A Figura 8 exibe os sinais E e z1 descritos anteriormente,
mas agora para o controle em modo direto. Apesar do 12 >
21 >>
11

10.8
1/θ (Ω)

10.6

10.4

10.2

10
0.45 0.46 0.47 0.48 0.49 Figura 6: Controle pelo modo indireto:Tensão (azul) (20V/div) na
Tempo (ms)
rede e corrente (vermelho) (500mA/div) drenada da rede. Escala de
Figura 5: Carga estimada pelo controlador tempo: 10ms/div.
T
T

2↓
1↓ 2↓
1↓
2↓ 1↓
1↓
Figura 7: Controle pelo modo indireto: Tensão (azul) (20V/div) E Figura2↓
8: Controle pelo modo direto: Tensão (azul) (20V/div) E
na saída do retificador e corrente (vermelho) (1A/div) z1 no indutor na saída do retificador e corrente (vermelho) (1A/div) z1 no
do buck. Escala de tempo: 10ms/div. indutor do buck. Escala de tempo: 10ms/div.
controle clássico em conversores operando no modo de
condução contínuo demanda o uso de dois controladores, REFERÊNCIAS
devido ao controle da corrente no indutor, e,
conseqüentemente, o ajuste de no mínimo quatro parâmetros. [1] A. E. Fitzgerald et al, Electric Machinery, McGraw Hill, 6th
Edition, New York, USA, 2003.
Em contrapartida, a técnica de passividade necessita do
[2] T. Suzuki et al, “Electronic ballast for fluorescent lamp”, IEEE
ajuste apenas de R1 (ou G2), ki e k, este último somente no International Conference On Industrial Applications
caso da impedância da carga ser desconhecida. INDUSCON, (1), 1999, CDROM.
Os resultados obtidos para o controle indireto estão dentro [3] F. P. Souza, “Correção do Fator de Potência para instalações
dos desejados para esta aplicação, tais como baixo ripple na de baixa potência empregando filtros ativos”, Tese de
tensão de saída e a correção do fator de potência, Doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, 2000.
principalmente com o sincronismo entre as fundamentais da [4] Resolução ANEEL no 456, de 29 de Novembro de 2000.
tensão e da corrente de rede. [5] D. Jeltsema and J. M. A. Scherpen, “Tunning of Passivity-
O uso do controle direto não proporciona uma corrente no Preserving Controllers for Switched-Mode Power Converters”,
IEEE Transactions on Automatic Control, vol 49, no 8, pp.
indutor similar à corrente desejada z1d, impedindo a correção
1333-1344, 2004.
do fator de potência. [6] M. I. A. Orozco, “Control no lineal de convertidores
A estimação da condutância pode possibilitar, sem conmutados CC/CC: Análisis de prestaciones y verificación
maiores ajustes, a aplicação da técnica em diferentes cargas. experimental”, Tesis Doctoral, Programa de Doctorado:
A limitação do ajuste fica por conta da dinâmica da planta Automatización Avanzada Y Robótica – Universidad
(intimamente ligada ao valor de k, visto que este é fator Politécnica da Cataluña, 2006.
determinante na taxa de variação da condutância estimada) e [7] R. Sanders and G. C. Verghese, “Lyapunov-Based Control for
que pode levar a razão cíclica à saturação. Switched Power Converters”, IEEE Transactions on Automatic
Como trabalhos futuros, pretende-se avaliar a técnica de Control, vol 7, no 1, pp. 17-24, 2006.
[8] R. Leyva et al., “Passivity-based integral control of a boost
passividade aplicada a conversores do tipo boost (elevadores
converter for large-signal stability”, IEE Proceedings. Control
de tensão), uma vez que estes respondem pela maioria das Theory and Applications, vol 153, no 2, pp. 139-146, 2006.
aplicações de conversores chaveados na correção de fator de [9] H. Sira-Ramirez et al., “Passivity-Based Controllers for the
potência, e a influência dos parâmetros de ajuste (R1, G2, k e stabilization of DC-to-DC Power Converters”, Automatica, vol
ki) no comportamento do sistema. 33, no 4, pp. 499-513, 1997.
[10] H. Sira-Ramirez, R. Ortega and M. Garcia-Esteban, “Adaptive
Passivity-Based Control of Average DC-to-DC Power
Converters Models”, Internacional Journal of Adaptive Control
and Signal Processing, vol 11, pp. 489-499, 1997.
[11] G. Escobar, R. Ortega, H. Sira-Ramirez, J. P. Vilain and I.
Zein, “An experimental comparison of several non linear
controllers for power converters”, Control Systems Magazine,
IEEE Control Systems Society, 1999.
[12] G. Escobar and H. Sira-Ramirez, “A Passivity Based-Sliding
Mode Control Approach for the Regulation of Power Factor
T Precompesators”, 37thIEEE Conference on Decision &
Control, Florida, USA, pp. 2423-2424, 1998.
[13] H. K. Khalil, Nonlinear Systems, Prentice-Hall, 3rd Edition,
New Jersey, USA, 2006.
[14] R. Ortega, A. Loria, R. Kelly and L. Praly, “On Passivity-
2↓
1↓ T Based Output Feedback Global Stabilization of Euler-
1↓
2↓
Figura 9: Controle pelo modo indireto: Tensão (azul) (20V/div) E Lagrange Systems”, Proc. 33d IEEE Conf. On Decision and
na saída do retificador e corrente (vermelho) (1A/div) z1 no Control, vol Lake Buena Vista, Florida, pp. 381-386, 1994.
indutor do buck. Escala de tempo: 10ms/div.
BIOGRAFIAS Pedro Francisco Donoso-Garcia, nascido em 1955 em Lima, Peru é
engenheiro eletricista op. eletrônica (1981) pela Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, mestre (1986) pela Universidade Federal de Minas
Gerais e doutor em Engenharia Elétrica (1991) pela Universidade Federal de
Eduardo Augusto Oliveira, nascido em 23/11/1981 em Belo Horizonte é Santa Catarina. Atualmente é professor Associado do Departamento de
engenheiro eletricista (2005) pela Universidade Federal de Minas Gerais Engenharia Eletrônica da Universidade Federal de Minas Gerais. Suas áreas
(UFMG) e especialista em instrumentação pela Pontifícia Universidade de pesquisa incluem: Fontes de alimentação com alta eficiência, sistemas de
Católica de Minas Gerais. Atualmente está desenvolvendo seu mestrado na energia ininterrupta, reatores eletrônicos, amplificadores de áudio lineares e
UFMG. Suas áreas de interesse são controle aplicado à eletrônica de chaveados.
potência, conversores para correção de fator de potência e eficiência
energética.
Porfírio Cabaleiro Cortizo, nascido em Belo Horizonte-MG em
26/03/1955. Formado em Engenharia Elétrica em 1978 na UFMG e doutor
Lenin Martins Ferreira Morais, nascido em 04/03/1978 em Pirapora-MG em Engenharia Elétrica em 1984 no Intitut National Polytechnique de
é engenheiro eletricista (2000), mestre (2002) e doutor em Engenharia Toulouse, França. Desde 1984 é professor do DELT da UFMG, no cargo de
Elétrica (2007) pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é Professor Associado. Sua área de atuação é Eletrônica de Potência com
Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Eletrônica da UFMG. interesse em Sistemas de Alimentação Ininterrupta (UPS), fontes chaveadas
Suas áreas de interesse são: eletrônica de potência, reatores eletrônicos para de alta freqüência e técnicas de controle empregando DSP’s.
lâmpadas AID, conversores para correção de fator de potência, sistemas de
controle eletrônico.
Marcos Antônio Severo Mendes, nascido em Patos de Minas-MG em
08/03/1967. Graduou-se em Engenharia Elétrica pela UFMG em 1994. Em
Seleme Isaac Seleme Júnior, nascido em 1955 em Palmas-PR, é 2001 recebeu o título de Doutor em Engenharia Elétrica pelo PPGEE-
engenheiro eletricista (1977) pela Escola Politécnica de São Paulo, mestre UFMG. Atualmente é professor Adjunto do Departamento de Engenharia
(1985) pela Universidade Federal de Santa Catarina, doutor (1994) em Eletrônica da UFMG. Desde 2001 vem desenvolvendo trabalhos de ensino,
controle e automação pelo Institut National Polytechnique de Grenoble pesquisa e orientação de alunos de graduação e pós-graduação na UFMG.
(INPG), Grenoble, França, e pós-doutorado no Power Electronic Group, As principais áreas de interesse são: Eletrônica, Eletrônica de Potência,
University of California, Berkeley em 2002. Atualmente é professor adjunto Métodos de Modulação em Largura de Pulso, Processadores Digitais de
e chefe do DELT da UFMG. Suas áreas de interesse são: eletrônica de Sinais e suas aplicações.
potência, controle aplicado à eletrônica de potência, acionamentos elétricos
e sistemas eletromecânicos.