Você está na página 1de 6

UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

MICHELE BASTOS

ANALISE CRITICA

ILHA DAS FLORES

CURITIBA

2015
MICHELE BASTOS

ANALISE CRITICA DO
DOCUMENTARIO ILHA
DAS FLORES

1º- BIEMESTRE DA

DISCIPLINA DIREÇÃO
DE TV E VIDEO I
PROFESSORA:
DIOCSIANNE CORREA
DE MOURA.

CURITIBA

2015
RESUMO

PRODUZIDO EM 1989 POR JORGE FURTADO, O DOCUMENTÁRIO “ILHA DAS FLORES”


EXPRESSA ATRAVÉS DE UMA ARTICULAÇÃO INTELIGENTE E MUNIDA DE DADOS
CIENTÍFICOS , A CONTRADIÇÃO EM QUE SE ENCONTRA A SOCIEDADE DE CONSUMO ,
POIS , EMBORA CONSTITUÍDA DE SERES RACIONAIS , TEM COMO PRODUTO FINAL A
DESIGUALDADE . NO CURTA -METRAGEM É EVIDENCIADA A PENOSA SITUAÇÃO DA
POPULAÇÃO QUE , NA BUSCA POR ALIMENTOS , SÃO POSTOS EM MENOR PRIORIDADE
EM RELAÇÃO AOS PORCOS. CONTUDO, ANTES DE TRAZER À SUPERFÍCIE A
DENUNCIA , O DOCUMENTÁRIO FAZ TODA UMA TRAJETÓRIA QUE VAI DESDE O
CULTIVO DE TOMATES ATÉ A CIRCUNSTÂNCIA EM QUE PARTE DESTES VÃO PARAR NA
ILHA DAS FLORES, POR TEREM SIDO CONSIDERADOS IMPRÓPRIOS AO CONSUMO. AO
DECORRER DO CURTA - METRAGEM, SALIENTA -SE DIVERSAS VEZES O FATO
CIENTÍFICO DE OS SERES HUMANOS SEREM MUNIDOS DE TELENCÉFALO ALTAMENTE
DESENVOLVIDO E POLEGARES OPOSITORES , PARA ABRIR OU FECHAR UMA IDÉIA .
ISTO É DEVIDO AO INTUITO DE MOSTRAR , NO DESFECHO, QUÃO IRÔNICA

A SOCIEDADE DE CONSUMO PODE SER, JÁ QUE, MESMO SENDO


PERTENCENTE A SERES “AVANTAJADOS ” EVOLUTIVAMENTE , PERMITE COM QUE
EXISTA TAL DESCASO .

É PRECISO TER EM MENTE QUE PESSOAS SUBSISTINDO EM TAL NÍVEL DE


CALAMIDADE NÃO É UMA SITUAÇÃO PARTICULAR DA ILHA DAS FLORES . EM TODA
SOCIEDADE DE CONSUMO HÁ, NECESSARIAMENTE , INDIVÍDUOS MARGINALIZADOS ,
VIVENDO EM CONDIÇÕES INFERIORES À DE MUITOS ANIMAIS DE OUTRAS ESPÉCIES .
EIS A SOCIEDADE HEDONISTA CUJA QUAL SE TEM ORGULHO. PODER-SE -IA
USAR, AINDA , ILHA DAS FLORES DE FORMA ALEGÓRICA DE MODO A REPRESENTAR O
LADO DA SOCIEDADE DE CONSUMO QUE IGNORAMOS, MARGINALIZAMOS , MAS QUE ,
TODAVIA , ESTÁ LÁ .
1. ILHA DAS FLORES:

O sistema capitalista tem organização central simples: troca de dinheiro


por coisas. O dinheiro – capital – é, portanto, o cerne do sistema. Mas o que
acontece, então, com quem não possui o capital? As relações existentes no
sistema ocorrem de maneira justa? Todos têm as mesmas possibilidades de
acesso ao capital? O documentário/filme “Ilha das Flores” mostra, camuflado
em simplicidade, a profundidade de tais questões.
O sistema de trocas é como dissemos, a engrenagem básicas das
sociedades capitalistas. Para realizar a maior parte das trocas é necessários
possuir capital. Outras trocas são realizadas para obtenção desse capital:
trabalho por capital; coisas por capital ou mesmo capital por mais capital.
Tudo simples, portanto. Mas o que acontece com quem não tem capital ou
mesmo o que trocar pelo tal capital?
A condição individual de falta de capital ou de poder de troca é conhecida como
pobreza. Como sobreviver sem capital em uma sociedade quase que
totalmente baseada no capital? A falta de resposta para tal pergunta leva seres
humanos a viverem em condições inferiores à de alguns animais, como
demonstrado no documentário. A comparação dos “catadores” com o porco foi
sublime. Aqueles estariam abaixo do animal na escala de preferência pelos
alimentos pelo fato deste, o suíno, possuir um dono, e aqueles nem isso.
A renda é, portanto, o principal fator para definição de uma situação de
pobreza. A total falta de renda, conforme exemplo do documentário, estabelece
uma situação de pobreza absoluta, assim como assevera SANTOS (2012, p.
17):
Assim, aqueles cuja renda se situe abaixo do custo dessas
necessidades são considerados pobres. E, aqueles que têm rendimentos ainda
menores, os quais não permitem a aquisição sequer de uma cesta de
alimentos básica, essencial ao suprimento de necessidades nutricionais
mínimas, são denominados indigentes.

Importante salientar, contudo, que não somente a renda determina a


situação de pobreza de um determinado grupo de indivíduos. Acesso – ou falta
dele – a outras “garantias constitucionais” como educação, saúde, habitação
cultura e outros também são indicativos de fragilidade social. Conforme
exemplo exposto no documentário, os “catadores” ali mostrados não só viviam
em condições de completa falta de potencial financeiro, mas também não
possuíam condições mínimas de qualidade de vida. Seu “invólucro” social é de
escassez, como esperar que seres humanos inseridos nestas tristes realidades
tenham condições, por si só, de mudar de posição?
Essa diferenciação entre “posições sociais” é o que se convencionou
chamar de Desigualdade Social. Em uma sociedade capitalista existem,
invariavelmente, níveis de potencial social e financeiro. Enquanto alguns
possuem muito, outros mal conseguem para sua subsistência. Uma análise
mais apurada do sistema mostra sua completa crueldade.
Filme Ilha das Flores - Resenha O que já possuem “coisas” ou capital
(indústria de perfumes do documentário) tem grande facilidade de trocá-los por
mais capital, possuindo mais coisas, mais capital e trocando por mais coisas e
mais capital, num fluxo sem fim de enriquecimento. Quem possui poucas
coisas e pouco capital (vendedora de perfumes), constrói toda sua vida na
troca do que possui pelo suficiente para sobreviver. Os que nada possuem
(catadores) seguem apenas o instinto natural humano de sobrevivência.
Vale frisar, embora seja bastante claro, que vivemos em sociedade, forma que
as pessoas que compõem a estrutura social deveriam possuir, pelo menos,
condições mínimas de sobrevivência, sem exceção. Fazer ou não,
efetivamente, parte dessa estrutura social, nos leva exclusão e cidadania.
De acordo com SANTOS (2012, p. 21) “(…) exclusão, em sua semântica
original, significa o não pertencimento a determinado grupo ou condição”. Não
pertencer a nenhum grupo, em primeira análise, pode não possuir nada de
negativo. Contudo, quando o foco da problemática são pessoas e sociedade,
trata-se de um grave problema. Os “catadores” do documentário, por exemplo,
faziam parte de um grupo: indigentes. Contudo, estar “incluído” neste grupo,
significa estar “excluído” da sociedade. Conforme exemplo do documentário, o
porco estaria mais “incluído” socialmente que os “catadores”, já que o suíno,
pelo menos, possuía acesso garantido à alimentação.
Sem qualquer tipo de exagero filosófico, podemos afirmar que, no caso
em tela, o porco seria “mais cidadão” que os “catadores”, já que, conforme
SANTOS (2012, p. 22): “Um indivíduo que desfruta da condição de cidadão é
aquele que goza dos direitos consignados pelo Estado, bem como da
possibilidade de acesso a uma renda adequada, que lhe permita desfrutar de
um padrão de vida comum a seus concidadãos”.
Com base nesse conceito, queda evidente que as condições vivenciadas
pelos “catadores” em nada os colocam na condição de cidadãos, pois estes
não têm, nem de longe, o “padrão de vida” de seus concidadãos.
Interessante frisar, neste ponto, que tendo em vista a organização insana do
sistema capitalista, pessoas que vivem nas condições mostradas no
documentário tem pouca, ou nenhuma, chance de alterarem, por si só, suas
condições de vida. Isso nos leva a questionar a idéia de justiça do sistema.
Em termos simples e diretos, justiça, em um estado de direito, é o que está de
acordo com as leis. Contudo, socialmente falando, será que todas as leis são
justas? É correto tratar de maneira igual pessoas que vivem em condições
desiguais?
Acreditamos que não. Contudo, a maior parte das leis e políticas
existentes são postas em prática unicamente para manter o status que, de
forma que não interesse de quem elabora tais políticas que as condições se
alterem muito. Em razão disso, mesmo com o claro avanço econômico que
alguns países passaram nos últimos anos, como o Brasil, por exemplo, não
parece ter alterado muito a condição de miséria de algumas pessoas e a
latente desigualdade social.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SANTOS, Maria Paula Gomes dos. O Estado e os Problemas


Contemporâneos. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração /
UFSC, 2012.