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AULA 01

CONCEITOS E ENFOQUES
BÁSICOS
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 1 ................................................................................................................................. 3

UNIDADE 1 .......................................................................................................................................................... 4

PROVA E PROVA MATERIAL ........................................................................................................................... 4

UNIDADE 02 ..................................................................................................................................................... 10

CADEIA DE CUSTÓDIA ................................................................................................................................. 10

UNIDADE 03 ..................................................................................................................................................... 15

BUSCA E APREENSÃO .................................................................................................................................... 15

FECHAMENTO DA AULA ............................................................................................................................... 17

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA ................................................................................................... 18


AULA 01 – Conceitos e enfoques básicos
3

APRESENTAÇÃO AULA 1

CONCEITOS E ENFOQUES BÁSICOS

Boas Vindas! Você está na aula 1 “Busca e Apreensão”.

Nesta primeira aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

Unidade 1: Prova Material


Unidade 2: Cadeia de Custódia
Unidade 3: Busca e Apreensão

A seguir conheça os objetivos desta aula?

Objetivos da aula

- Conceituar prova e prova material;


- Descrever a cadeia de custódia;
- Definir busca e apreensão;
- Compreender a finalidade da busca e apreensão;
- Identificar os momentos da busca e da apreensão;

Aproveite bem esta aula. Realize as atividades, interaja com os demais participantes do
curso. Discuta os conceitos com o tutor.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 01 – Conceitos e enfoques básicos
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UNIDADE 1

PROVA E PROVA MATERIAL

Nesta unidade você conhecer o conceito de prova e em especial a prova do tipo material.

Prova
Se você tem uma palavra e quer saber o significado, a primeira fonte de consulta é o
dicionário, certo?
Pois bem, no dicionário Aurélio (versão eletrônica) o significado geral de “prova” nos
diz ser:

“Aquilo que serve para estabelecer uma verdade por verificação ou demonstração”.

Neste estudo interessa a prova em sentido mais direcionado, ou seja, para a


demonstração jurídica de um fato.
Veja a seguir o significado de “prova” no dicionário jurídico.

Então, se você for consultar um dicionário jurídico, encontrará assim:

Do latim proba, de probare (demonstrar, reconhecer, formar juízo de), entende-se,


assim no sentido jurídico, a denominação, que se faz, pelos meios legais, da
existência ou veracidade de um fato material ou de um ato jurídico, em virtude da
qual se conclui por sua existência do fato ou do ato demonstrado.
A prova consiste, pois, na demonstração de existência ou da veracidade daquilo que
se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta. (PLÁCIDO E
SILVA, Vocabulário Jurídico. 2005, p.1125)

Prova
No aspecto criminal você, profissional de segurança pública, deve estar preocupado com
a busca incessante e célere da verdade real, coletando indícios e provas que possam ser
trazidos à investigação policial de forma clara e cristalina.

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~ Atividade

Resolva a atividade no ambiente on-line.

1. Analisando os dois conceitos de prova, no prisma policial/criminal, o que deve se


entender como prova?
Registre sua resposta e dê ok. Em seguida confira se você acertou.

Em poucas palavras, PROVAR é, antes de qualquer coisa, estabelecer a existência da


verdade; e as provas são os meios pelos quais se procura estabelecê-la.

Observe que ao realizar uma busca, seja ela domiciliar ou pessoal, você está procurando
elementos que interessam à investigação criminal, objetivando estabelecer um liame com
o fato investigado, ou seja, você busca, entre outros, verdade por intermédio da PROVA.

Não é objeto de estudo neste tema e por isso não trataremos sobre a PROVA em todos
os seus aspectos. Porém, a busca e apreensão estão diretamente relacionadas à PROVA
MATERIAL. Então veremos mais detalhadamente este tipo de prova.

2. Em termos jurídicos e com base em seus conhecimentos o que você pode dizer sobre
prova material? Pense e registre sua resposta. Ao enviar, compare sua resposta.

Veja, você pode ter respondido com muita segurança ou com dúvidas, ou mesmo pode
ser que sua resposta não faça sentido. De qualquer forma você vai descobrir isso no seu
estudo a seguir.

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Prova Material

É o conjunto de meios probantes idôneos, manifestados na forma de evidências


periciais ou documentais, capazes de afirmar a existência positiva ou negativa de um fato
alegado.

Exemplo:

O instrumento utilizado na prática do crime e os exames periciais realizados nos


vestígios coletados no próprio local de crime.

Resumindo...
Prova material é todo vestígio visível e que ofereça a oportunidade de apossamento ou
constatação, sujeitos ou não a realização de exames periciais, a depender da análise da
cada caso.

Importante

Lembre-se: para chegarmos ao esclarecimento de qualquer fato ocorrido, precisamos


realizar investigações a fim de reunir informações confiáveis para o esclarecimento da
verdade. Isto significa que estamos buscando prova(s)
Esta prova objetiva é a que também
daquele(s) fato(s) delituoso(s), que podem ser objetivas
conhecemos como prova material.
(periciais ou documentais) ou subjetivas (testemunhos,
confissões, etc.).

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Reflita!

Qual a diferente entre a prova pericial e a documental? Ambas, como vimos, estão
dentro do conjunto prova material.

Então, vamos explorar as diferenças:

Prova pericial
Pode ser entendida como os elementos materiais diretamente relacionados à ação
delituosa e que, após processados pericialmente, obtém-se a certeza científica, ou
não, da sua relação com o crime ou seu autor.

Prova Documental
É aquela estruturada em um papel escrito ou registro eletrônico, onde está
demonstrado um fato, onde a sua produção pode não estar vinculada especificamente
à ação criminosa, mas com ela ter algum tipo de relação, servindo para demonstrar
fato alegado na investigação.

Veja, a seguir dois exemplos para que você possa compreender melhor.

Antes de discutirmos a definição geral de prova material, precisamos lhe fazer mais um
questionamento. Vamos lá!

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~ Atividade

Realize esta atividade no ambiente virtual.


Prova documental é prova científica?
Pense e registre sua resposta. Ao enviar, compare sua resposta.

Em sentido mais amplo, entendemos que sim e baseamos nossa afirmativa no próprio
significado vernacular do que seja documento, conforme poderá ver no glossário que
integra este curso.

O artigo 6° e seus incisos, no Código de Processo Penal-CPP permite ao policial


investigador, sob a coordenação da autoridade policial, uma liberdade na procura da
verdade real, essencialmente se observarmos o inciso III onde se diz; “todas as provas
que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias ...”.

Neste tópico, você deve observar que mesmo não havendo restrição na busca da prova,
não se admite a utilização de meios que atentam contra a moralidade e a dignidade da
pessoa humana, em face dos princípios constitucionais.

A título exemplificativo, não se admitem provas obtidas mediante tortura e aquelas por
interceptação telefônica clandestina, dentre outras.

É preciso destacar que nem todo crime deixa prova material, mas se deixar vestígios é
obrigatória a realização de exames periciais, conforme previsão do artigo 158 do CPP.

Imagine um fato criminoso que veio a se consumar apenas com palavras proferidas
pelo autor do crime, com por exemplo, calunia e difamação? Quais os vestígios que
podem ser apossados ou constatados mediante a realização de exames periciais?

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Reflita!

Obviamente que nenhum (desde que não tenha ocorrido gravação da voz). Entretanto,
por se tratar de um fato delituoso, a prova precisa ser buscada e, nestes casos, as
testemunhas presenciais narrarão ‘a autoridade policial o ocorrido.
É o que se denomina de corpo de delito indireto, ou seja, suprido por prova testemunhal
devido a inexistência de vestígios a serem periciados.

Fechamos aqui a unidade sobre provas. Na próxima unidade você vai estudar sobre
cadeia e custória.

Faça aqui suas anotações...

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UNIDADE 02

CADEIA DE CUSTÓDIA

Relembrando...

Na unidade anterior você estudou sobre prova. Nesta unidade veremos a proteção aos
elementos apreendidos.

Considerando o foco do nosso tema, estamos diante do que seria a seqüência de


proteção ou guarda dos elementos encontrados durante a execução de uma busca e
apreensão.

Importante

Então, como você já pode deduzir, a cadeia de custódia é a garantia de total proteção
aos elementos encontrados e que terão um caminho a percorrer, passando por
manuseio de pessoas, análises, estudos, experimentações e demonstração-
apresentação até o ato final do processo criminal.

Finalidade da cadeia de Custódia

Você sabe qual a finalidade da cadeia de custódia? Veja...

A finalidade é assegurar a idoneidade dos objetos e bens apreendidos, a fim de evitar


qualquer tipo de dúvida quanto à sua origem e caminho percorrido durante a
investigação criminal e o respectivo processo judicial.

Se não aconteceu com você, muito provavelmente já ouviu falar de fatos dessa natureza,
onde é levantada a suspeição sobre as condições de determinado objeto apreendido, ou
sobre a própria certeza de ser aquele o material que de fato fora apreendido.

Assim, o valor probatório de um material será válido se não tiver sua origem e
tramitação questionada. Isso acarretará prejuízo para todo o processo como um todo.

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Dica
Tudo isso se resolve com os cuidados minuciosos na guarda e proteção do material
apreendido, mediante o rigoroso controle de rotinas e registros formais da movimentação
sofrida durante todo o processo investigatório e judiciário.

Saiba Mais
ESPINDULA, Alberi. Perícia
Sugerimos como leitura complementar o tópico
Criminal e Cível. 2ª. ed.
idoneidade dos vestígios contido no livro “Perícia Campinas: Millennium Editora,

Criminal e Cível”, onde são discutidos estes aspectos já 2006, 442p.

durante o exame pericial no local do crime.

Seqüência de Proteção

A seqüência de proteção que vamos sugerir envolve desde o momento da realização da


busca até a entrega formal do inquérito policial à justiça. Mas você deve ficar atento para
as situações em que o inquérito volte da justiça para novas diligências. Tenha muita
atenção para conferir detalhadamente as condições de acondicionamento e lacre dos
materiais que o acompanham. E tudo deve ser registrado em documentos.

Os procedimentos que você vai analisar, a seguir, pressupõem a participação de peritos


criminais integrando a equipe. Caso contrário, as tarefas e procedimentos que vamos
listar a seguir deverão ficar sob a responsabilidade da autoridade policial.

Procedimentos de Busca

Procedimento 1
A busca deve ser efetuada num cômodo de cada vez (sem desmembrar a equipe para
atuar simultaneamente em outros ambientes), visando o completo controle dos bens
desde o exato momento em que forem encontrados. Não se preocupe com o tempo. Essa
é uma tarefa que deve ser feita sem pressa e com muito critério.

Procedimento 2
A autoridade policial que estiver coordenando a busca – de acordo com o planejamento
prévio – deverá colocar somente alguns policiais (em número suficiente para tornar a
busca eficiente, mas sem congestionar o ambiente examinado) nessa tarefa. Os demais
ficarão vigiando os outros ambientes.

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Procedimento 3
No momento que algum objeto for encontrado ou que seja evidente a sua descoberta, os
peritos criminais deverão coordenar os registros da busca, utilizando-se dos recursos e
técnicas criminalísticas para o tratamento de vestígios em locais de crime. Alem disso a
autoridade policial devera chamar a atenção das testemunhas para observarem o local
onde o objeto se encontra.

Procedimento 4
Encontrado o objeto, primeiramente analisar as suas condições, visando conhecê-lo
adequadamente, a fim de não comprometer qualquer informação ali contida e que possa
ser alterada com o simples manuseio incorreto. Neste contexto pode haver inclusive
alguma forma de camuflamento do objeto e que seja importante registrar no exame.

Procedimento 5
Fazer o registro do objeto no exato local onde foi encontrado, descrevendo com
fotografias e medições – a chamada amarração – para, só depois, começar a manuseá-
lo.

Procedimento 6
Caso seja imprescindível os peritos criminais devem estar preparados para realizar
alguns exames no próprio local, visando evitar eventuais perdas antes da sua
movimentação e recolhimento. Isso para evitar a possível perda de alguma informação
ao manusear o objeto.

Procedimento 7
Antes do recolhimento do objeto, fazer a sua respectiva identificação, para constar do
laudo pericial e do auto de apreensão.

Procedimento 8
Colocar o objeto em embalagem adequada (malote, caixa, saco plástico, etc.) e lacrar a
sua abertura, apondo a assinatura do perito criminal e/ou da autoridade policial. Quando
tiver lacre próprio, relacionar no laudo e no auto de apreensão o respectivo número do
lacre. Recomendamos ainda que o perito criminal ou o delegado de polícia acrescente um
sinal/marca própria como garantia adicional, constando essa informação no laudo e no
auto.

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Procedimento 9
Quando se tratar de material sensível ao manuseio e transporte, tomar os devidos
cuidados para mantê-lo como foi encontrado.

Procedimento 10
Transportar o objeto para o Instituto de Criminalística se for necessário algum exame
pericial. Do contrário, levar diretamente para a respectiva Delegacia de Polícia onde
estão sendo coordenadas as investigações. Em se tratando de valores ou qualquer outro
material peculiar (p.ex.: substancia entorpecente), a autoridade policial deverá
providenciar a guarda em local seguro ou dar a destinação adequada. P.ex.: sendo
dinheiro, providenciar o seu depósito bancário, sob a custódia do Estado ou colocar em
um cofre seguro.

Procedimento 11
Quando o objeto chegar na Criminalística, o lacre somente poderá ser rompido pelo
perito criminal que vá examinar o referido objeto, ficando sob a sua responsabilidade até
o final dos exames e entrega do laudo pericial. Durante o período do exame, nos
momentos em que não estiver sob a sua guarda visual direta, é preciso que a Instituição
tenha formas operacionais de guarda desse objeto, a fim de manter a sua idoneidade.
Todas essas informações deverão constar no laudo pericial.

Procedimento 12
Se o objeto foi diretamente para a Delegacia ou para lugar pré-determinado em função
das suas peculiaridades, a autoridade policial deverá tomar todas as providências para
mantê-lo lacrado e somente quando necessário poderá ser aberto, o que, para tanto,
deve ser formalmente registrado. Após, voltar a lacrar novamente. Também neste caso,
essas movimentações devem constar de algum documento formal inserido no Inquérito,
inclusive listando o nome de quem abriu e quem manuseou tal objeto até o lacre
seguinte.

Faça aqui suas anotações...

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Procedimento 13
Quando o objeto chegar na Delegacia, procedente do Instituto de Criminalística,
juntamente com o laudo pericial, somente poderá ser aberto na estrita necessidade de
algum exame. Não é preciso abrir para conferir o conteúdo, já que estando lacrado, a
responsabilidade é do perito criminal até o momento que for aberto, mesmo que isso
ocorra já no âmbito da Justiça. É bom lembrar que o rompimento do lacre sem motivo
justificado levanta suspeitas a priori sobre a idoneidade do objeto, além de transferir a
responsabilidade da guarda para quem o abriu.

Procedimento 14
No encaminhamento do Inquérito Policial ao Judiciário, quando relacionar os materiais
apreendidos deverão ser registrados todos os procedimentos adotados para a
manutenção da cadeia de custódia e, ao final, informado que tais lacres só podem ser
abertos por autoridade devidamente habilitada para tal nos autos do processo.

Para finalizar este tópico, gostaríamos de enfatizar a você novamente o quanto é


importante seguir um rigoroso controle dos objetos apreendidos e que toda essa
tramitação deverá ser registrada em documentos, de maneira a ser possível reconstituir
– com absoluta segurança – o caminho e manuseios que sofreu ao longo do período que
esteve em poder da polícia e da perícia.

A seguir realize a atividade proposta e em seguida veja a unidade que tratará sobre
Busca e Apreensão

~ Atividade

Realize esta atividade no ambiente virtual.

1. Você estudou os procedimentos adequados no momento da apreensão de elementos


que podem se constituir em importantes provas. Agora vá ao “fórum” e coloque sua
contribuição respondendo a seguinte questão:
- Conforme suas experiências, quais procedimentos você observa que não são
totalmente levados em consideração no momento da apreensão? Justifique.

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UNIDADE 03

BUSCA E APREENSÃO

Embora inseridos no mesmo capítulo do Código de Processo Penal, os termos são


diferenciados. Clique e veja as diferenças entre busca e apreensão.

BUSCA
É procura, revista ou pesquisa de pessoas, coisas ou mesmo rastros (vestígios) e
significa o movimento desencadeado pelos agentes do Estado para investigação,
descoberta e pesquisa de algo interessante para o processo penal, realizando-se em
pessoas e lugares.

APREENSÃO
Corresponde ao apossamento, à detenção de coisas ou de pessoas, etc., sempre
determinada pela autoridade competente e é medida assecuratória que toma algo de
alguém ou de algum lugar, com a finalidade de produzir prova ou de preservar
direitos, indicando, portanto, o apossamento.

Em suma, podemos afirmar que busca é a diligência destinada a encontrar a pessoa ou a


coisa que se procura; e a apreensão, tecnicamente falando, é a medida constritiva que a
ela se segue.

Por isso é que se afirma que, estando ausente na diligência a autoridade policial, os
policiais devem proceder à busca e à arrecadação (e não apreensão, no sentido técnico)
dos elementos de convicção, apresentando-os, em seguida, ao Delegado para as
formalidades legais.

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Finalidades da busca e apreensão

~ Atividade

Realize esta atividade no ambiente virtual.

Qual a finalidade da busca e apreensão? Registre sua resposta e dê ok. Em seguida


confira se você acertou.

A finalidade da busca é encontrar ou descobrir coisas que interessem à investigação, ou


seja elementos capazes de tornar certos fatos e circunstâncias conhecidos para que,
nesta condição, sirvam de prova. A busca é meio idôneo para proceder à apreensão
(coisas possíveis de serem apossadas) ou à constatação (exemplo: coleta de impressões
digitais).

Momentos para a realização da busca e apreensão

Vários são os momentos para a realização tanto da busca quanto da apreensão. Veja...

- Na fase preparatória de um procedimento policial ou judicial;


- Durante a investigação policial, com ou sem inquérito;
- Durante a instrução do processo judicial e ao longo da execução penal.

Ao receber a notícia de um crime, deve a autoridade policial, antes mesmo da


instauração do inquérito policial, verificar a procedência da informação, objetivando
constatar a sua materialidade, ou seja, a prova da existência do fato criminoso.

Reflita!

Imagine você ao receber a notícia de um homicídio, não ter condições mínimas de


constatar a existência do cadáver. Obviamente, para que se inaugure uma
investigação criminal sob o aspecto formal, mediante inquérito policial,
preliminarmente se faz necessária a constatação do fato criminoso. No caso
mencionado, a busca com conseqüente apreensão, até mesmo das provas materiais,
ocorrem em uma fase preparatória do procedimento policial.

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Chama a atenção à possibilidade da realização da busca ao longo da execução penal, ou


seja, após a sentença penal, entretanto, você, enquanto policial, em algumas
oportunidades a realiza sem a percepção de que aquela diligência se enquadra
perfeitamente nos ditames da busca e apreensão.

Exemplo

No cumprimento de um mandado de prisão decorrente de sentença penal ou no


cumprimento de mandado judicial que determine constatar se determinado condenado
vem cumprindo com as restrições de uma prisão domiciliar.

Você conclui a última unidade da aula 1. A seguir propomos uma atividade.

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.

Você estudou que existem momentos certos para realizar tanto a busca quanto a
apreensão. Você sabe dizer que momentos são esses? Registre sua resposta e dê ok.
Em seguida confira se você acertou.

Faça aqui suas anotações...

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FECHAMENTO DA AULA

Fechamos aqui o conteúdo da aula 1. A seguir, realize a atividade de auto avaliação


desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou sobre Prova e prova material, Cadeia de custódia e busca e
apreensão. Conheceu a finalidade da busca e apreensão e os momentos corretos de
realizá-las.

Dica

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

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ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA

Realize a atividade no ambiente virtual.

1. Relacione corretamente as colunas:

1. Apreensão ( ) Consiste, pois, na demonstração de existência ou da veracidade


daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou
que se contesta.
2. Busca ( ) É o conjunto de meios probantes idôneos, manifestados na
forma de evidências periciais ou documentais, capazes de afirmar
a existência positiva ou negativa de um fato alegado.
3. Prova ( ) Seqüência de proteção ou guarda dos elementos encontrados
durante a execução de uma busca e apreensão.
4. Prova ( ) É a procura, revista ou pesquisa de pessoas, coisas ou mesmo
material rastros (vestígios) e significa o movimento desencadeado pelos
agentes do Estado para investigação, descoberta e pesquisa de algo
interessante para o processo penal, realizando-se em pessoas e
lugares.
5. Cadeia de ( ) Corresponde ao apossamento, à detenção de coisas ou de
custódia pessoas, etc., sempre determinada pela autoridade competente e é
medida assecuratória que toma algo de alguém ou de algum lugar,
com a finalidade de produzir prova ou de preservar direitos,
indicando, portanto, o apossamento.

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AULA 02
LEGISLAÇÃO
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 2................................................................................................................3

UNIDADE 1 .........................................................................................................................................4

ANÁLISE DOS ASPECTOS LEGAIS PERTINENTES À QUESTÃO..............................................4

UNIDADE 2..........................................................................................................................................6

CONSTITUIÇÃO FEDERAL ..............................................................................................................6

UNIDADE 3.........................................................................................................................................13

CÓDIGO DO PROCESSO PENAL.....................................................................................................13

UNIDADE 4........................................................................................................................................ 33

OUTRAS NORMAS LEGAIS ........................................................................................................... 33

FECHAMENTO DA AULA .............................................................................................................. 35

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DE AULA..................................................................................... 36

ANEXO 1 ........................................................................................................................................... 37
AULA 02 – Legislação
3

Legislação

Olá! Você está na aula 2 do curso Busca e Apreensão.

Nesta segunda aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

 Unidade 1: Análise dos aspectos legais pertinentes à questão.


 Unidade 2: Constituição Federal.
 Unidade 3: Código de Processo Penal.
 Unidade 4: Outras normas legais.
A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:
 Identificar e analisar os aspectos legais pertinentes à questão.
 Examinar a Constituição Federal sobre a questão.
 Examinar o Código de Processo Penal sobre a questão.
 Enumerar outras normas legais.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 02 – Legislação
4

Análise dos Aspectos Legais Pertinentes à Questão

Conforme já orientado por seus


Qualquer policial deve ter a consciência da professores nas academias de polícia
Importância de seu papel na busca da verdade real. que freqüentaram quando da
realização de seu curso de formação
profissional.

Nesse contexto, ao realizar uma busca, seja ela


domiciliar ou pessoal você, policial, tem que estar
consciente de que aquela medida restritiva de
direitos, em um primeiro momento, é recebida
com uma certa resistência psicológica, natural em
qualquer ser humano, embora não externada em
condutas, ou seja, em poucas palavras, ninguém
gosta de sofrer uma ação policial.

Nestas circunstâncias, você agirá com equilíbrio,


ponderação e bom senso, não deixando que
aquela irritação momentânea por parte do cidadão
se transforme numa crise ou em outro evento não
desejado.

Aí estão alguns dos atributos essenciais do profissional de segurança pública, aquilo que
o difere do cidadão comum. Nas situações adversas é que se consegue demonstrar o
preparo profissional recebido nas academias de polícia, logicamente aliado à experiência.

Todos nós sabemos, sendo profissionais de segurança pública, que devemos ter uma
precisão cirúrgica na realização da busca com conseqüente apreensão/constatação ou
não das provas.

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AULA 02 – Legislação
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Muitas das vezes, as investigações criminais Ocorre que no desencadeamento da busca, como por
demandam meses e até mesmo anos em exemplo, no cumprimento de um mandado judicial a
busca de elementos de convicção que ser realizado em uma residência, por ansiedade e
afobação acabamos apreendendo/constatando provas
estabeleçam o liame materialidade-autoria.
materiais de forma incorreta, prejudicando, assim, a
verdade real.

IMPORTANTE
Por este motivo temos o dever de evitar aquilo que chamamos de
“questionamentos de ordem jurídica” quando executamos a busca.

Fique atento!

Conscientes de que nossa presença incomoda e de que o cidadão na realidade apenas “nos
tolera”, por mero imperativo legal, não podemos olvidar que, por conseqüência, esse mesmo
cidadão e seus defensores/advogados estarão alerta no sentido de procurarem falhas de
ordem legal, objetivando, desta maneira, desconfigurar o que foi encontrado ou, no mínimo,
colocar em dúvida a diligência da forma como foi realizada.

IMPORTANTE

Paciência, perspicácia, transparência e, principalmente obediência às leis, com


certeza garantirão uma adequada e eficaz diligência policial de busca e
apreensão, sem qualquer transtorno ou questionamento.

Você verá a seguir alguns temas legais de relevância na aplicação da busca e apreensão.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 02 – Legislação
6

Constituição Federal

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você estudou como se faz a análise dos aspectos legais pertinentes à
questão. Nesta unidade falaremos sobre o que orienta a constituição federal referente à
busca e apreensão.

http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Cons
A Constituição Federal é a lei máxima do país tituicao/Constitui%C3%A7ao.htm

que traça linhas gerais a serem aplicadas na


garantia do estado de direito.

O legislador constituinte de 1988 teve muita


preocupação na efetiva aplicabilidade dos
direitos e garantias individuais do cidadão,
muitas vezes esquecidos no passado recente,
daí resultando seu reconhecimento como
“constituição cidadã”.

Neste aspecto, entre outros, a Carta Magna garantiu


Inciso X art. 5° - são invioláveis a
expressamente no inciso X do art. 5º, a intimidade, a vida privada, a honra e a
inviolabilidade da intimidade e da vida privada, imagem das pessoas, assegurado o direito
à indenização pelo dano material ou moral
assegurando, inclusive, o direito à indenização por decorrente de sua violação. (Constituição
dano material ou moral decorrente de sua violação. A Federal, 1988).
intimidade e a vida privada estão diretamente relacionadas com o tema aqui estudado.

Em decorrência da garantia à privacidade, estabeleceu, expressamente, a inviolabilidade


do domicílio, preceituando que ninguém poderá nele entrar sem consentimento do
morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial.

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AULA 02 – Legislação
7

Observa-se que, nos casos de mandado judicial, o dispositivo restringiu o acesso ao


domicílio da pessoa ao período diurno, o que não ocorre nas demais hipóteses, que
podem ser realizados a qualquer hora.

IMPORTANTE

Então, é importante você sempre lembrar, que a intimidade e a vida privada


do cidadão compreendem fatos que somente sejam de seu interesse, não
estando acessíveis a terceiros, salvo nos casos em que os disponibilize
espontaneamente.

Lembre-se: Ainda que a intimidade também


esteja diretamente relacionada ao corpo
humano, na busca pessoal, como você verá
mais adiante, a lei permite ao policial o
toque na pessoa que sofre a busca,
entretanto, existem limites a serem
observados.

REFLEXÃO
Quantas vezes já não lhe veio ao pensamento, no seu cotidiano, principalmente na
execução de buscas domiciliares, o que na realidade significa casa e dia, mencionados
na Constituição Federal?

Casa
É obtido da interpretação dos arts. 150 do CP e 246 do CPP. Sob o nomen juris, de
violação de domicílio, o Código Penal, no art. 150, prevê e comina pena para “quem
entra ou permanece de forma clandestina ou astuciosa ou contra a vontade expressa
ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências”.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 02 – Legislação
8

Dia
O Ministro do Supremo Tribunal Federal, JOSÉ CELSO DE MELLO FILHO, posicionou-se
no sentido de que a expressão “dia” deve ser compreendida entre a aurora e o
crepúsculo. (MORAES, Alexandre de. Direitos e Garantias Individuais, p. 34).

As garantias constitucionais da intimidade e da vida privada estão diretamente


relacionadas ao conceito de casa. A inviolabilidade do domicílio também.

IMPORTANTE
Por este motivo, casa deve ser interpretada como sendo o local em que o
indivíduo se liberta para, muitas das vezes, sair das regras sociais de
comportamento que lhe são impostas imperceptivelmente, sem ter o receio de
ser incomodado ou observado por qualquer outro.
É dentro de casa que o cidadão pode gritar livremente, ficar despido, deitar no
chão, “plantar bananeira” etc., tudo em respeito à sua privacidade. Ou seja, em
síntese, casa é qualquer compartimento habitado, não acessível ao público.

ATIVIDADE DESCRITIVA
Faça neste momento uma análise lógica do que pretendeu o legislador constituinte ao
inserir as palavras “casa” e “dia” no texto constitucional.

Faça aqui suas anotações...

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Você pode compreender o que significa casa e dia, porém, não se pode, dentro das
garantias individuais previstas na Constituição Federal, limitar a interpretação de casa
apenas às referências que já então previstas no Código Penal e de Processo Penal. O
tema é muito mais amplo. Veja...

Art. 150 – Curso de Direito Processual Penal

Convém lembrar a lição de Magalhães Noronha:


Guarde-se também que o referido art. 150 fala em casa alheia ou suas dependências.
Conseqüentemente, domicílio é não apenas a casa onde a pessoa desenvolve sua
atividade, isto é, o edifício propriamente dito, mas também outros lugares, como o
carro do saltimbanco, a cabina de um carro, o quarto do hotel, o escritório etc., e
dependências são lugares acessórios ou complementares, como o jardim, o quintal, a
garagem etc., não franqueadas ao público. (Curso de Direito Processual Penal).

Como muito bem acentuou Magalhães Noronha, as dependências são lugares interligados
à casa, entretanto não franqueadas ao público.

EXEMPLO

O jardim de uma casa localizada em um condomínio fechado, em que não haja muros
ou grades que o separe da via pública, não pode ser considerado dependência da
mesma, pois não há intimidade ou vida privada a ser preservada. Da mesma forma, os
arredores de um imóvel localizado em uma propriedade rural, os estábulos, os
depósitos de suprimentos, também não são dependências da casa-sede ou da casa de
colonos.

Por este motivo você, policial, não pode deixar de correlacionar casa com intimidade.
Faça sempre este raciocínio e não terá dificuldade em definir o que é casa no aspecto
legal constitucional.

E quanto ao significado de dia?

No início da vigência da atual Constituição Federal, muito se discutiu sobre o que deveria
ser entendido como dia. Trata-se de assunto controvertido.

Os juristas não chegaram ainda a um consenso, havendo duas correntes distintas quanto
ao conceito de dia.

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Primeira corrente
A primeira delas entende que dia é o período compreendido entre as 06:00 e às 18:00
horas.
Segunda corrente
Já a segunda corrente defende a idéia de que dia é o período de tempo que medeia entre
o nascer e o pôr-do-sol.

REFLEXÃO

Para você quais das duas correntes estão corretas?

Vamos ver mais sobre isso a seguir.

Homem: A mudança de fusos


Veja, ambas possuem críticos e defensores e, na horários e a decretação do
prática, tanto uma como a outra sofrem injunções chamado “horário de verão”.
ditadas ora pelo homem, ora pela natureza.
Natureza: Os solstícios de
verão e de inverno.

DICA
Importante frisar, que o limite temporal impõe-se apenas para o início da busca. Iniciada
a diligência durante o dia, poderá estender-se pelo tempo necessário à sua conclusão.

A profissão de policial exige, na maioria das vezes, decisões rápidas e imediatas, não
permitindo consultas preliminares capazes de definir seus limites de atuação.

O risco é algo permanente no exercício de seu cargo. Não se trata somente do risco de
vida, inerente à atividade. O risco aqui mencionado é aquele que deve ser colocado à
disposição da sociedade na interpretação da norma jurídica, ou seja, você não pode ter o
receio de agir em nome da sociedade ao executar ações de natureza policial.

Por este motivo vale aqui uma definição lógica e não-doutrinária do conceito de dia.

Basta verificar que se o legislador quisesse estabelecer horário fixo para a entrada na
casa com mandado judicial, assim teria explicitado. Dessa forma, dia e noite se
contrapõem.

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Assim, podemos dizer que o dia, de forma geral, se inicia com a claridade natural e se
encerra com sua ausência.

REFLEXÃO
Mas, e naquelas situações de tempo fechado em que, por exemplo, ao meio-dia, a
claridade não persiste?

Bem, diante de tais situações, podemos dizer que quando o legislador autorizou a
realização de busca domiciliar, mediante ordem judicial, somente durante o dia, quis
também estabelecer que a noite é o período em que normalmente o cidadão reserva para
o seu descanso rotineiro e não merece ser incomodado.

Nesta linha, geralmente o trabalhador brasileiro, mesmo aqueles que labutam nas áreas
agrícolas, na pesca etc., exerce suas atividades entre as 06:00 e às 18:00 horas. Eis a
solução, BOM SENSO, como já dito anteriormente.

Bem, então, mesmo com ausência de claridade, às 16:00 horas você poderá iniciar a
busca.

Para concluirmos esta unidade, para que não pairem dúvidas a respeito do significado de
dia, às vezes você pode ter ouvido de algum outro colega “que o juiz expediu o mandado
e autorizou, inclusive, a entrada no domicílio, mesmo à noite”.

Atenção! Você, sendo policial, somente poderá atender ordens emanadas de autoridades
competentes e que atendam os preceitos legais.

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Neste caso específico, lembre-se de que a ordem judicial, mesmo que documentada, fere
a Constituição Federal, violando princípio fundamental e, portanto, deve ser ignorada,
quanto ao aspecto noite.

Fechamos aqui a segunda unidade da aula 2. A seguir, propomos uma atividade para
sua auto-avaliação.

ATIVIDADE DESCRITIVA
Analise a situação a seguir, em seguida responda:

Você tem um mandado que autoriza em domícilio, porém já são 17h. De acordo com a
Constituição Federal que atitude você tomaria em tal situação? Socialize sua resposta com
os demais alunos e com seu tutor.

Faça aqui suas anotações...

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UNIDADE 3

CÓDIGO DO PROCESSO PENAL

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você estudou o que determina a Constituição Federal sobre busca e
apreensão. Foi destacada principalmente a compreensão dos termos “casa” e “dia”.
Nesta unidade você vai estudar o que orienta o código de processo penal em relação à
busca e apreensão.
O tema deste curso mereceu destaque especial no Código de Processo Penal, em um
capítulo próprio, que disciplina em que situações são permitidas a busca e apreensão e a
forma de suas execuções, objetivando a busca da verdade real.
Veja a seguir o que diz o texto da lei.
O capítulo XI do Código de Processo Penal trata exclusivamente sobre Busca e
Apreensão. A seguir você pode imprimir o que diz o texto de lei.

DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941.

Código de Processo Penal.

CAPÍTULO XI

DA BUSCA E DA APREENSÃO

Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal.


o
§ 1 Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem,
para:

a) prender criminosos;

b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;

c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados


ou contrafeitos;

d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou


destinados a fim delituoso;
e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu;

f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder,


quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação
do fato;

g) apreender pessoas vítimas de crimes;

h) colher qualquer elemento de convicção.


o
§ 2 Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que
alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do
parágrafo anterior.

Art. 241. Quando a própria autoridade policial ou judiciária não a realizar


pessoalmente, a busca domiciliar deverá ser precedida da expedição de mandado.

Art. 242. A busca poderá ser determinada de ofício ou a requerimento de qualquer


das partes.

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Art. 243. O mandado de busca deverá:

I – indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência


e o nome do respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de busca pessoal, o nome
da pessoa que terá de sofrê-la ou os sinais que a identifiquem;

II – mencionar o motivo e os fins da diligência;

III – ser subscrito pelo escrivão e assinado pela autoridade que o fizer expedir.

§ 1º Se houver ordem de prisão, constará do próprio texto do mandado de busca.

§ 2º Não será permitida a apreensão de documento em poder do defensor do


acusado, salvo quando constituir elemento do corpo de delito.

Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando


houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos
ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso
de busca domiciliar.

Art. 245. As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador


consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores
mostrarão e lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em
seguida, a abrir a porta.
o
§ 1 Se a própria autoridade der a busca, declarará previamente sua qualidade e o
objeto da diligência.

§ 2º Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada.

§ 3º Recalcitrando o morador, será permitido o emprego de força contra coisas


existentes no interior da casa, para o descobrimento do que se procura.

§ 4º Observar-se-á o disposto nos §§ 2o e 3o, quando ausentes os moradores,


devendo, neste caso, ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho, se houver e
estiver presente.
o
§ 5 Se é determinada a pessoa ou coisa que se vai procurar, o morador será
intimado a mostrá-la.

§ 6º Descoberta a pessoa ou coisa que se procura, será imediatamente apreendida


e posta sob custódia da autoridade ou de seus agentes.

§ 7º Finda a diligência, os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o


o
com duas testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no § 4 .

Art. 246. Aplicar-se-á também o disposto no artigo anterior, quando se tiver de


proceder a busca em compartimento habitado ou em aposento ocupado de habitação
coletiva ou em compartimento não aberto ao público, onde alguém exercer profissão ou
atividade.

Art. 247. Não sendo encontrada a pessoa ou coisa procurada, os motivos da


diligência serão comunicados a quem tiver sofrido a busca, se o requerer.
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Art. 248. Em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os
moradores mais do que o indispensável para o êxito da diligência.

Art. 249. A busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar
retardamento ou prejuízo da diligência.

Art. 250. A autoridade ou seus agentes poderão penetrar no território de jurisdição


alheia, ainda que de outro Estado, quando, para o fim de apreensão, forem no
seguimento de pessoa ou coisa, devendo apresentar-se à competente autoridade local,
antes da diligência ou após, conforme a urgência desta.
o
§ 1 Entender-se-á que a autoridade ou seus agentes vão em seguimento da
pessoa ou coisa, quando:

a) tendo conhecimento direto de sua remoção ou transporte, a seguirem sem


interrupção, embora depois a percam de vista;

b) ainda que não a tenham avistado, mas sabendo, por informações fidedignas ou
circunstâncias indiciárias, que está sendo removida ou transportada em determinada
direção, forem ao seu encalço.

§ 2º Se as autoridades locais tiverem fundadas razões para duvidar da legitimidade


das pessoas que, nas referidas diligências, entrarem pelos seus distritos, ou da
legalidade dos mandados que apresentarem, poderão exigir as provas dessa
legitimidade, mas de modo que não se frustre a diligência.

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Vamos a seguir tratar do texto de lei, acrescido de comentários com o objetivo de
auxiliá-lo em sua atividade profissional.

Para facilitar seu estudo e não tornar cansativa a sua leitura em tela organiza os artigos e seus
comentários abaixo.

Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal.


o
§ 1 Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para:

a) prender criminosos;
b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;

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c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou


contrafeitos;
d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou
destinados a fim delituoso;
e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu;
f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja
suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato;
g) apreender pessoas vítimas de crimes;
h) colher qualquer elemento de convicção.
o
§ 2 Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém oculte
consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior.

Artigo 240 § 1º - domiciliar


o
§ 1 Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para:...

O CPPB estabeleceu duas espécies ou modalidades de busca. A domiciliar é aquela


realizada na casa/domicílio, cujo conceito e aplicação já foram expostos anteriormente.

Artigo 240 § 1º alínea “h” – objeto da busca


h) colher qualquer elemento de convicção.

Embora já citado, você deve lembrar que a busca domiciliar é perfeitamente cabível para
o possível encontro de “qualquer elemento de convicção”, o que lhe garante
liberdade na diligência.

Artigo 240 § 1º alínea “a”


a) prender criminosos;
c/c art. 243 § 1º – prisão
o
§ 1 Se houver ordem de prisão, constará do próprio texto do mandado de busca.

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Muito discutida no meio policial é a necessidade ou não de haver autorização judicial


específica que autorize a entrada na casa para o cumprimento de um mandado de prisão
em que está expresso o endereço residencial da pessoa contra quem será efetivada a
medida constritiva. O que você acha sobre isso? Vamos conversar a respeito e esclarecer
o assunto?
Pois bem, você se recorda que momentos atrás falamos sobre a necessidade de você,
policial, estar sempre atento a possíveis questionamentos de ordem jurídica sobre a sua
ação? Pois bem, o artigo 240, § 1º, alínea “a” diz que a busca domiciliar será procedida
para “prender criminosos”. Ainda o § 1º do artigo 243 ressalta “Se houver ordem
de prisão, constará do próprio texto do mandado de busca”.
Estando você de posse de uma ordem judicial de medida restritiva de liberdade de
locomoção, diga-se, um mandado de prisão, deverá empreender esforços no sentido de
localizar a pessoa a ser presa e efetivar a medida. Normalmente, nos mandados de
prisão expedidos pela justiça está expresso o endereço da pessoa em que o juiz assim se
pronuncia: “Determino a autoridade policial ou seus agentes que prenda e recolha à
cadeia pública local fulano de tal, residente na rua/av. tal , ou onde for encontrado”.
Alguns policiais, equivocadamente, interpretam que as palavras “onde for encontrado”
lhe garantem acesso a qualquer lugar, independentemente de ordem específica. Da
leitura dos artigos 240,§ 1º, alínea “a” e 243 § 1º, não resta dúvida de que para se
prender alguém, munido de ordem judicial, o policial para entrar em qualquer
casa/domicílio, ainda que o endereço seja mencionado no mandado de prisão, necessita
respeitar a inviolabilidade do domicílio, expresso na Constituição Federal e, portanto,
necessita de uma ordem judicial específica que o autorize entrar naquela residência para
cumprir o mandado de prisão. E ainda assim somente poderá ser realizado durante o dia,
à exceção do morador consentir a entrada durante à noite, em que recomenda-se
documentar a autorização de entrada e, se possível, na presença de testemunhas.
Tratando-se de diligência (cumprimento de mandado de prisão) levada a efeito durante a
noite, inicialmente o morador também será intimado para apresentar quem se busca e,
se a ordem não for atendida, os executores deverão, então, vigiar e guardar todas as
saídas do imóvel, arrombando-se as portas e efetuando-se a prisão ao amanhecer (art.
293, CPP).
Art. 293. Se o executor do mandado verificar, com segurança, que o réu entrou ou se encontra
em alguma casa, o morador será intimado a entregá-lo, à vista da ordem de prisão. Se não for
obedecido imediatamente, o executor convocará duas testemunhas e, sendo dia, entrará à força
na casa, arrombando as portas, se preciso; sendo noite, o executor, depois da intimação ao
morador, se não for atendido, fará guardar todas as saídas, tornando a casa incomunicável, e,
logo que amanheça, arrombará as portas e efetuará a prisão.

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Cabe frisar que os policiais encarregados do caso terão que se certificar de que
efetivamente o procurado entrou, ou se encontra, na casa investigada e devem estar
munidos do Mandado de Busca e Apreensão de pessoa, além obviamente, do Mandado
de Prisão.

Por este motivo, orientam-se as autoridades policiais no sentido de quando efetuarem


representações para a decretação da prisão de qualquer pessoa, também devem solicitar
ao juiz competente fazer constar no próprio Mandado de Prisão as ressalvas que
autorizam a entrada no imóvel do endereço indicado.

Artigo 240 § 1º alínea “f” – correspondências


f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja suspeita
de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato.

Importante também observar que, em relação à apreensão de “cartas, abertas ou não,


destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja suspeita de que o
conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato”, segundo a
redação daquele mesmo artigo, não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de
1988, no entender de alguns autores e, portanto, não se admitiria em hipótese alguma a
violação do sigilo da correspondência. Acreditar que este sigilo é absoluto, não podendo
ser acessado nem mesmo com ordem judicial é, no mínimo, extremar a intimidade em
prejuízo da coletividade. O sigilo deve ser garantido, entretanto deve ser interpretado
com relatividade, em que, fundamentadamente, deve ser afastado para atender os
interesses de ordem criminal.

O tema é polêmico, “havendo quem sustente, com base na relatividade das liberdades
públicas, a aplicação do princípio da proporcionalidade de modo a ser possível, em casos
graves, a violação do sigilo das correspondências”. (CAPEZ, Fernando. Curso de Processo
Penal).

Contudo, a melhor orientação, especialmente para a atividade policial, em caso de


apreensão de correspondências fechadas, quando no cumprimento de mandado de busca
domiciliar, é apreender tais documentos, não procedendo à imediata abertura,
mantendo-os preservados, para que, em seguida, a autoridade requeira ao juízo
competente, autorização para sua abertura, em respeito aos princípios constitucionais
vazados no art. 5º, X e XII, CF.
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Tal orientação é aplicável também na hipótese de apreensão de objetos que sejam


utilizados para a recepção e guarda de arquivos magnéticos, tais como disquetes, CDs,
DVDs, Pen Drive, discos rígidos, etc.

Artigo 240 § 2º
o
§ 2 Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém
oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do
parágrafo anterior.
c/c art. 244 – pessoal
Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando
houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos
ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso
de busca domiciliar.

A busca pessoal ou “revista” consiste na inspeção do corpo ou no âmbito de guarda


aderente ao corpo (vestimenta) de alguém que se suspeita esteja ocultando objetos ou
instrumentos de infração penal. Ela também é limitada por garantias constitucionais,
uma vez que importa restrição à liberdade individual, podendo-se cogitar de eventual
violação à intimidade.

A medida pode ser realizada com ou sem mandado, a teor do art. 240, § 2º c/c o art.
244 do CPPB. Via de regra, na atividade policial, ela é efetuada sem mandado, pelo
seguinte permissivo legal, do próprio CPP:

Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver
fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou
papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de
busca domiciliar.

No entanto, da leitura acurada dos dispositivos acima mencionados, entende-se que é


admitida a busca pessoal com expedição de mandado. A diferença dessa modalidade,
para a busca domiciliar com mandado, reside no fato de que para a busca pessoal, o
mandado (em sendo o caso de busca pessoal com mandado) não precisa ser
necessariamente expedido por autoridade judicial, podendo a autoridade policial expedi-
lo. Tal entendimento decorrente da inteligência do dispositivo constitucional que exigiu
ordem judicial somente para a busca domiciliar recepcionando, por exclusão, as normas
do CPP, em matéria de busca pessoal. Nos dias atuais não se tem utilizado a expedição

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de mandado de busca pessoal, mesmo porque é difícil saber de antemão a identidade da


pessoa a ser revistada.

Importante salientar que a “revista” é fundamental para a preservação da integridade


física dos policiais e do próprio “revistado”. A busca deve ser minuciosa e cautelosa, pois
as cavidades naturais do corpo se prestam para a ocultação de armas e drogas.

A lei processual exige “fundada suspeita” para autorizar a busca pessoal. Assim, em não
havendo ao menos indícios a legitimar a atividade policial, a busca será considerada
arbitrária e, por conseqüência, ilegal.

O legislador, no tocante à busca pessoal realizada em mulher, determina: “será feita por
outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência” (art. 249 do CPP).
Assim, poderá um homem, havendo risco de prejuízo relevante e irreparável à diligência
policial, proceder à busca pessoal em mulher. Entretanto, tal medida deve ser adotada
em casos extremos, uma vez que constrangimentos podem surgir na realização da
referida medida.

Assim, como orientação prática, recomenda-se, sempre que for possível, à equipe que
realizará a diligência (busca domiciliar ou pessoal) deverá ser integrada por, pelo menos,
uma policial.

Art. 241. Quando a própria autoridade policial ou judiciária não a realizar pessoalmente,
a busca domiciliar deverá ser precedida da expedição de mandado.

Artigo 241 – necessidade do mandado

O texto deste artigo não mais se aplica em razão da promulgação da Constituição Federal
de 1988, excluindo-se, portanto, a autoridade policial como detentora de poderes para a
expedição de mandado de busca e apreensão domiciliar.

Conforme já dito anteriormente, somente a autoridade judiciária poderá expedir referido


mandado. Raras as vezes, em que a autoridade judiciária participa de uma diligência
nesse sentido, cabendo salientar que se estiver presente, o juiz tem o dever de se

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identificar ao morador e cumprir todo o rito exigido por lei, e ainda respeitar o horário de
entrada. A sua presença no local dispensa apenas o documento “mandado de busca e
apreensão”.

Art. 242. A busca poderá ser determinada de ofício ou a requerimento de qualquer das
partes.

Artigo 242 – solicitação do mandado

O pedido de autorização judicial para a realização de busca domiciliar no âmbito criminal


é feito mediante representação fundamentada da autoridade policial ou do representante
do ministério público ao juiz competente. Aquele que representar deve expor os motivos
e os fins que ensejam a solicitação da expedição do mandado, não esquecendo de
indicar, o mais precisamente possível, o local em que será realizada a diligência e o
nome do respectivo proprietário ou morador.

Nada impede que o mandado de busca domiciliar seja expedido pela autoridade judiciária
sem a representação da autoridade policial ou do representante do ministério público, ou
seja, de ofício.

Algumas observações são pertinentes neste momento. Um estado de direito somente


será sedimentado em nosso país, quando, dentre outros fatores, houver respeito
recíproco entre as instituições, em que as limitações constitucionais de atuação devem
ser observadas gerando, com isso, conseqüente fortalecimento das mesmas.

Dessa forma, observamos em algumas oportunidades, instituições que operam


diretamente nos ramos do direito penal e processual penal, querendo de alguma forma
açambarcar as atribuições constitucionais de outras.

No que consiste a busca e apreensão, aqui estudadas, dois pontos fundamentais devem
ser lembrados e que são essenciais na atividade policial-criminal. Primeiro, a busca pode
ter caráter preventivo; segundo, a busca pode ter caráter investigativo.

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Quando falamos da busca em seu caráter preventivo, principalmente na busca pessoal,


todos os policiais, de qualquer dos órgãos de segurança pública, previstos na
Constituição Federal, estão autorizados a Requerê-la, independentemente de mandado,
quando houver fundadas suspeitas ou no curso de busca domiciliar. Quando você está
trabalhando em uma barreira/blitz e passa a efetuar buscas nas pessoas e nos veículos,
está realizando-as em seu caráter preventivo, embora em algumas situações resultem
em prisão em flagrante delito.

Por outro lado, quando falamos da busca em seu caráter investigativo, em que se
procuram indícios ou provas da prática de um delito criminal e sua autoria, somente os
integrantes dos quadros das polícias judiciárias (civil ou federal) estão autorizadas
requerê-las, com exceção dos procedimentos de ordem militar, pois a investigação
criminal a elas pertence por força de mandamento constitucional. Obviamente que na
execução da busca investigativa, a autoridade policial poderá contar com o auxílio de
outras forças policiais, entretanto o comando será seu, até mesmo porque a presidência
da investigação está sob sua responsabilidade.

Embora o artigo 242 do CPPB diga que a expedição do mandado poderá ser solicitada a
requerimento de qualquer das partes, torna-se de rara aplicação. Alguns doutrinadores
entendem, por força deste dispositivo, que o investigado, no seu interesse, poderá
requerê-lo. Na prática, quando ainda em fase de investigação, este requerimento é
direcionado a autoridade policial, a qual, sempre em busca da verdade real, analisará a
sua conveniência e, assim entendendo, representará ao juiz competente.

Art. 243. O mandado de busca deverá:


I – indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência
e o nome do respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de busca pessoal, o nome
da pessoa que terá de sofrê-la ou os sinais que a identifiquem;
II – mencionar o motivo e os fins da diligência;
III – ser subscrito pelo escrivão e assinado pela autoridade que o fizer expedir.
§ 1º Se houver ordem de prisão, constará do próprio texto do mandado de busca.
o
§ 2 Não será permitida a apreensão de documento em poder do defensor do
acusado, salvo quando constituir elemento do corpo de delito.

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Artigo 243 – requisitos do mandado de busca


Ao representar pela expedição de um mandado de busca domiciliar, a autoridade policial
deverá expor os motivos e fundamentos que permitam aplicação da medida excepcional
e, ainda, indicar o mais precisamente possível a localização do imóvel, seu proprietário
ou morador, assim como o quer encontrar.

Os motivos serão expostos de acordo com os elementos já investigados e comprovados,


não cabendo a solicitação somente baseada em notícias anônimas. Uma vez recebida, a
notícia anônima deve ser esmiuçada para que possa buscar indicativos de sua
procedência e, em sendo necessária, a depender de cada caso, a solicitação do mandado
será efetivada.

Ao indicar o imóvel, devido às particularidades de cada região do nosso país, a


autoridade policial deverá ser detalhista, ou seja, dirá não somente o logradouro,
numeral, bairro e cidade. Deverá, na medida do possível, descrevê-lo, indicando a cor e
outras características capazes de identificá-lo. Atualmente, algumas organizações
policiais melhores equipadas, têm incluído na representação a localização do imóvel com
coordenadas geográficas constatadas por GPS (Global Position System). E mais, a
identificação do proprietário ou morador traz maior credibilidade à representação,
demonstrando que houve uma investigação preliminar de todas as circunstâncias que
envolvem os fatos investigados. Você já se deparou com uma situação em que o número
da residência constante no mandado não é o mesmo do local em que se pretende realizar
a busca? O que fazer neste caso?

Ora, se no mandado judicial constar, por exemplo, o nome do morador ou responsável


ou da pessoa investigada, torna-se irrelevante a divergência do numeral e a busca deve
ser procedida. Nesse mesmo sentido, estando o imóvel vazio, mas havendo outras
características que permitam identificá-lo como sendo aquele em que se pretende
realizar a busca, a divergência do numeral também se torna insignificante.

Os mais cautelosos, desde que não haja prejuízo para a investigação, observando-se
sempre o princípio da oportunidade, normalmente retornam e solicitam a expedição de
novo mandado, já com os dados corrigidos. Não é a melhor saída, mas se você tiver de
fazer isso, adote as providências para que os indícios e provas não desapareçam. Por
outro lado o equívoco constatado quando da execução da busca demonstra que algo de
errado ocorreu na fase preliminar, a dos levantamentos iniciais, justificando-se apenas

Curso Busca e Apreensão


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22

em situações de extrema dificuldade de acesso ao local, até mesmo com risco aos
policiais.

O mandado expedido deve conter o que se busca, ou seja, o que se pretende apreender,
de forma que a autoridade policial deverá expor ao juiz o que pretende obter com a
diligência. Deverá dizer se irá buscar documentos e quais; entorpecentes; armas; etc.
Normalmente orienta-se as autoridades policiais a inserirem em suas representações “e
outros elementos de convicção” relacionados com o crime investigado. Desta forma,
o universo da busca torna-se mais amplo.

Recepção do mandado judicial

Não seria necessário mencionar, eis que notório entre os policiais, mas o sigilo “é a alma
do negócio”.

Ao solicitar o mandado judicial de busca e apreensão, a autoridade policial deve tomar a


precaução necessária para manter o sigilo da investigação, tomando conhecimento
apenas aqueles que estão diretamente relacionados com os fatos investigados. Se
necessário deverá até mesmo estabelecer o grau de sigilo do documento, atendendo
seus limites.

Ao recebê-lo da justiça, também deverá atuar com discrição. Não se pode admitir que
esta ordem judicial seja recebida por um funcionário não integrante da carreira policial,
sob pena de ter o seu conteúdo veiculado, ainda que inconscientemente. Lembre-se de
que você, policial, tem uma doutrina diferente dos demais servidores e está preparado
para manter o sigilo e a compartimentação necessárias para o deslinde satisfatório da
investigação.

Art. 243 § 2º – Apreensão de documentos em poder do advogado


o
§ 2 Não será permitida a apreensão de documento em poder do defensor do acusado,
salvo quando constituir elemento do corpo de delito.
O elemento de corpo de delito é tudo aquilo que esteja relacionado com o fato criminoso
e que possa, de alguma forma, comprovar sua materialidade, ou seja, a existência do
próprio crime, objetivando a busca da verdade real com o possível esclarecimento de
autoria.

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23

O advogado tem fundamental relevância na efetiva aplicação da justiça, entretanto não


poderia este profissional prevalecer-se de alguma prerrogativa e se tornar insuscetível
das ações policiais, entre elas a de busca e apreensão.

Perceba que não é somente a condição profissional que lhe dá a garantia da não
apreensão do documento em seu poder. O advogado tem que estar na condição de
defensor do investigado/acusado para poder usufruí-la.

Existem situações em que o próprio defensor atua na condição de co-autor ou partícipe


do crime que está sendo investigado. Em outras se torna autor de crimes que decorrem
da ação criminosa de seu cliente, entre eles o de receptação (art. 180 do CPB) do
produto do crime e até mesmo de favorecimento real (art. 349 do CPB) e, nestas
condições não gozará, em nenhuma hipótese, deste preceito legal.

Dúvidas surgirão no momento da execução da busca, para se saber se o documento


encontrado em poder do defensor é ou não resguardado pelo sigilo profissional. A
recomendação, neste caso, é para que se proceda à apreensão de forma a garantir o
sigilo de seu conteúdo, narrando no auto circunstanciado de busca o ocorrido, inclusive
com os protestos do defensor e, aguardar o posicionamento do juiz sobre a possibilidade
do uso do documento apreendido como prova obtida por meios lícitos. Dessa maneira
você, policial, não estará cometendo qualquer abuso ou excesso, ao contrário, estará
sendo zeloso na busca da verdade real, cabendo ao judiciário a decisão final.

Você deve estar se perguntando, é possível a realização de buscas em escritório


de advocacia?

Os ambientes específicos que estão sujeitos à busca e apreensão serão estudados mais
adiante, entretanto neste momento, tenha certeza que sim.

Art.244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando


houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos
ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso
de busca domiciliar.

Artigo 244 – Busca Pessoal

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24

Já falamos sobre a “fundada suspeita”, mas o que na realidade seria isso?


Você aprendeu na Academia de Polícia a analisar diuturnamente os ambientes em que
está presente, independentemente de estar ou não em seu horário de trabalho.

A observação do policial é muito mais aguçada que à do cidadão comum. O policial


observa os fatos de uma maneira mais completa e aliando o seu aprendizado com a
experiência é capaz, de muitas vezes, antever o seu acontecimento, suspeitando que
aquela circunstância é no mínimo estranha.

Quando você percebe que alguém possa, de alguma forma, por suas atitudes e condutas
em um ambiente específico, estar na iminência de cometer algum ilícito, não pense duas
vezes, aja com seriedade e rapidez. Neste caso, a sua perspicácia poderá evitar o
cometimento de algum crime, estando presente, sem sombra de dúvidas, a “fundada
suspeita”.

O termo colocado em questão não encontra uma definição jurídica adequada e por
conseqüência, cabe a você defini-lo ao caso concreto, sempre se utilizando do atributo do
BOM SENSO. Não tenha receios, acredite na sua percepção e, em suspeitando, realize a
busca nos moldes legais.

Tema controvertido diz respeito às buscas em veículos. Mais adiante trataremos do tema,
mas neste momento já tenha ciência de que é possível a sua realização sem mandado
judicial, em casos específicos, sendo interpretada como busca pessoal. Por outro lado,
também há momentos em que o veículo está na condição de compartimento habitado,
em que deve ser respeitada a inviolabilidade do domicílio.

Art.245. As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador consentir que se
realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e lerão o mandado ao
morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a porta.
§ 1º Se a própria autoridade der a busca, declarará previamente sua qualidade e o objeto da
diligência.
§ 2º Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada.
§ 3º Recalcitrando o morador, será permitido o emprego de força contra coisas existentes no
interior da casa, para o descobrimento do que se procura.
§ 4º Observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 3º, quando ausentes os moradores, devendo, neste
caso, ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho, se houver e estiver presente.
§ 5º Se é determinada a pessoa ou coisa que se vai procurar, o morador será intimado a
mostrá-la.

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§ 6º Descoberta a pessoa ou coisa que se procura, será imediatamente apreendida e posta


sob custódia da autoridade ou de seus agentes.
§ 7º Finda a diligência, os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o com duas
testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no § 4º.

Art.246. Aplicar-se-á também o disposto no artigo anterior, quando se tiver de


proceder a busca em compartimento habitado ou em aposento ocupado de habitação
coletiva ou em compartimento não aberto ao público, onde alguém exercer profissão ou
atividade.

Art.247. Não sendo encontrada a pessoa ou coisa procurada, os motivos da diligência


serão comunicados a quem tiver sofrido a busca, se o requerer.

Art.248. Em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os moradores
mais do que o indispensável para o êxito da diligência.

Art.249. A busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar retardamento
ou prejuízo da diligência.

Art.250. A autoridade ou seus agentes poderão penetrar no território de jurisdição


alheia, ainda que de outro Estado, quando, para o fim de apreensão, forem no
seguimento de pessoa ou coisa, devendo apresentar-se à competente autoridade local,
antes da diligência ou após, conforme a urgência desta.
§ 1º Entender-se-á que a autoridade ou seus agentes vão em seguimento da
pessoa ou coisa, quando:
a) tendo conhecimento direto de sua remoção ou transporte, a seguirem sem
interrupção, embora depois a percam de vista;
b) ainda que não a tenham avistado, mas sabendo, por informações fidedignas ou
circunstâncias indiciárias, que está sendo removida ou transportada em determinada
direção, forem ao seu encalço.
§ 2º Se as autoridades locais tiverem fundadas razões para duvidar da legitimidade
das pessoas que, nas referidas diligências, entrarem pelos seus distritos, ou da
legalidade dos mandados que apresentarem, poderão exigir as provas dessa
legitimidade, mas de modo que não se frustre a diligência.

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Artigos 245 a 250 – execução da busca

Como deve ser realizada a busca domiciliar? Essa indagação compreende dois
significados, ou seja, quais as formalidades legais que devem ser observadas numa
busca e quais as atitudes operacionais a serem adotadas pelos policiais no curso de uma
diligência dessa natureza. Neste momento será abordado apenas o aspecto legal.

Artigo 245 – buscas domiciliares

Art.245. As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador consentir


que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e
lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir
a porta.

Para a validade da busca devem ser cumpridas as regras do art. 245 do CPP, obrigando a
leitura, a apresentação do mandado e a intimação do ocupante do imóvel para abrir a
porta antes do início da busca. Há, contudo, situações em que este procedimento poderá
importar em frustração da diligência ou excessivo risco aos executores. Nestas situações,
conforme será visto mais adiante, a leitura e a apresentação do mandado serão feitas tão
logo a situação esteja sob o controle dos policiais.

o
Artigo 245 § 2 – busca pessoal

§ 2º Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém


oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do
parágrafo anterior.

A lei autoriza em caso de desobediência à intimação para a abertura da porta, o seu


arrombamento e a entrada forçada (art. 245, § 2º, CPPB). Discute-se se esta conduta
poderia caracterizar o crime de desobediência previsto no artigo 330 do CPB. Não
podemos ter outra interpretação, pois a ordem da abertura da porta está sendo
determinada por um servidor público e amparada por dispositivo legal. Você não pode
neste momento demonstrar insegurança, tem que fazer prevalecer o imperativo legal,
entretanto, mais uma vez o BOM SENSO deve acompanhá-lo.

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Imagine, por exemplo, você chegar para efetuar uma busca domiciliar na cidade de São
Paulo/SP com uma viatura descaracterizada e os policiais não trajados ostensivamente?
É possível, em uma situação destas, que o morador ou o porteiro desconfie se tratar de
um roubo e desta forma recusar-se a abrir a porta. Pergunta-se. Haverá desobediência
no aspecto criminal?

Obviamente que não. Por isso, você deve avaliar cada caso e as suas circunstâncias
específicas.

Por outro lado, nesta mesma situação, você poderá arrombar a porta? Sem dúvida, pois
a não abertura espontânea irá trazer prejuízo à diligência. Uma vez dentro do imóvel e
com a situação sob controle, demonstre ao morador que você realmente é um policial e
prossiga lendo e apresentando a ordem judicial. Em seguida pergunte para que
apresente onde se encontra o objeto da busca descrito no mandado (caso especificado).

Artigo 245, § 5º – determinação

o o o
§ 4 Observar-se-á o disposto nos §§ 2 e 3 , quando ausentes os moradores,
devendo, neste caso, ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho, se houver e
estiver presente.
o
§ 5 Se é determinada a pessoa ou coisa que se vai procurar, o morador será intimado
a mostrá-la.

Sendo determinada a pessoa ou coisa que se procura, os executores deverão intimar o


morador a mostrá-la (art. 245, § 5º, CPP). No caso de entrada forçada, em virtude da
ausência dos moradores, o art. 245, § 4º do CPP, determina que a diligência deverá ser
assistida por qualquer vizinho, se houver e estiver presente. Nessa hipótese, a
autoridade adotará medida para que o imóvel seja fechado e lacrado após a realização da
busca que, recomendando-se que seja assistida por duas testemunhas não policiais.

Perceba que a transparência da diligência é fator primordial para uma boa busca com
conseqüente apreensão. Você já deve ter ouvido falar que, infelizmente, alguns
advogados sempre questionam o trabalho realizado pelos policiais, fazendo inclusive
afirmações de que o que foi encontrado no local da busca é produto da ação tendenciosa
da polícia que quer a qualquer custo incriminar seu cliente. Por estas razões é
recomendável, sempre que possível, que as testemunhas convidadas a acompanhar a
diligência não sejam policiais.
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Na ausência de pessoas no interior do imóvel, não inicie a busca sem a presença de


vizinhos/testemunhas, sob pena de deixar dúvidas quanto ao que realmente foi
encontrado. Paciência é uma das chaves para o sucesso deste tipo de diligência.
Contudo, haverá situações que você não terá possibilidades de encontrar nenhuma
testemunha, como em áreas rurais e/ou isoladas. Nestes casos, faça a busca assim
mesmo, consignando esta circunstância no auto respectivo.

Artigo 248 – em casa habitada

Art. 248. Em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os moradores
mais do que o indispensável para o êxito da diligência.

Os policiais executores da busca deverão, por cautela, adotar providências para


resguardar os bens, valores e numerários existentes no local, e evitar constrangimentos
desnecessários aos moradores (art. 248 do CPP). É aconselhável que o morador ou
pessoa por ele indicada e testemunhas acompanhem os policiais em cada compartimento
da casa onde for realizada a busca, para evitar futuros questionamentos.

Neste particular, você já deve ter participado de alguma busca domiciliar em que o
morador e as testemunhas convidadas permanecem distantes dos policiais, às vezes até
mesmo fora dos limites da residência. Este é um procedimento incorreto, já que devem
acompanhar as buscas passo a passo, para se ter a certeza do local e forma como o
objeto foi encontrado.

Mais uma vez lembre-se: NINGUÉM GOSTA DE SOFRER AS AÇÕES DA POLÍCIA.

No caso de busca com consentimento do morador é de todo conveniente que se colha


essa autorização por escrito, se possível na presença de testemunhas, para evitar futuras
alegações perante o Poder Judiciário, de que a busca não foi espontaneamente
autorizada.

Artigo 245 § 7º – término a diligência

§ 7º Finda a diligência, os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o com


duas testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no § 4º.

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Finalmente, após a realização da busca será lavrado auto circunstanciado, mesmo


quando a diligência resultar negativa (art. 245, § 7º). Esclarecedora é a lição de Galdino
Siqueira:

Finda a diligência farão os executores um auto de tudo quanto tiver sucedido, no qual
também descreverão as coisas, pessoas e lugares onde foram achadas, e assinarão com
duas testemunhas presenciais, que os mesmos oficiais de justiça (agora também a
autoridade policial) devem chamar logo que quiserem principiar a diligência e execução,
dando de tudo cópia às partes, se o pedirem. Se a busca e apreensão forem feitas na
presença do acusado, poderá este rubricar os papéis apreendidos, e se reconhecer os
objetos apreendidos como seus, será declarada no auto essa circunstância. Também
neste auto mencionar-se-ão as respostas que o acusado der quando perguntado sobre a
procedência das coisas apreendidas, a razão da posse, o uso a que se destinava.

Lembra-se da cadeia de custódia?


Então leia o que diz o artigo 245 do CPP em seu § 6º. “Descoberta a pessoa ou coisa que se
procura, será imediatamente apreendida e posta sob custódia da autoridade ou de seus
agentes.”

Com relação às situações de flagrante delito, são pacíficas a doutrina e a jurisprudência


no entendimento de que a busca domiciliar pode ser realizada sem mandado, mormente
nas situações de crime permanente, como é o caso de manter em depósito ou guardar
substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, previsto no
art. 12 da Lei nº 6.368/76.

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AULA 02 – Legislação
30

Lei nº 6.368/76
Art. 12. Importar ou exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender,
expor à venda ou oferecer, fornecer ainda que gratuitamente, ter em depósito, transportar,
trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a consumo
substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, sem autorização
ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar;
Pena - Reclusão, de 3 (três) a 15 (quinze) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 360
(trezentos e sessenta) dias-multa.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem, indevidamente:
I – importa ou exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda ou
oferece, fornece ainda que gratuitamente, tem em depósito, transporta, traz consigo ou
guarda matéria- prima destinada a preparação de substância entorpecente ou que
determine dependência física ou
psíquica;
II – semeia, cultiva ou faz a colheita de plantas destinadas à preparação de entorpecente
ou de
substância que determine dependência física ou psíquica.
§ 2º Nas mesmas penas incorre, ainda, quem:
I – induz, instiga ou auxilia alguém a usar entorpecente ou substância que determine
dependência física ou psíquica;
II – utiliza local de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou
consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, para uso indevido ou tráfico
ilícito de
entorpecente ou de substância que determine dependência física ou psíquica.
III – contribui de qualquer forma para incentivar ou difundir o uso indevido ou o tráfico
ilícito de
substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica.

A esse respeito, assim se manifestou o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Tratando-se de


infração de natureza permanente, como é previsto no art. 12 da Lei nº 6.368/76,
ininvocável é a tutela constitucional da inviolabilidade do lar e falta de mandado para
nela ingressar”. (RT 549/314-5).

Somente nas hipóteses de flagrante delito, desastre, para prestar socorro ou com
mandado judicial (durante o dia) se pode ingressar em casa sem o consentimento do
morador. Mesmo assim, e no caso de crime permanente, é imprescindível ter a certeza
de que o delito está sendo praticado naquele momento, não se justificando o ingresso no
domicílio para a realização de diligências complementares à prisão em flagrante ocorrida
noutro lugar, nem para averiguação de notitia criminis.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 02 – Legislação

E se o mandado judicial tiver que ser cumprido em outra localidade? O que fazer?
Por dispositivo legal, a autoridade judiciária a quem a investigação está distribuída em
razão da competência, teria que expedir uma Carta Precatória a autoridade judiciária do
local da busca solicitando a expedição do mandado para cumprimento. Na prática, em
raras situações isto é realizado, até mesmo para que a diligência não seja frustrada em
razão da burocracia.

Nos dias atuais, o que se constata é o juiz do feito expedir o mandado a ser cumprido em
outro local fora de sua jurisdição. Quando isso ocorre é de boa cautela que os policiais
executores do mandado procurem a autoridade judiciária do local da busca antes de
efetivar a medida, caso isto não traga prejuízo a diligência ou logo após, dependendo da
urgência. De qualquer forma, o juiz do local da busca deve ser comunicado, antes ou
depois da diligência.

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AULA 02 – Legislação
31

Os procedimentos operacionais para a realização de buscas serão estudados adiante, em


outro capítulo.

SAIBA MAIS
Se você quiser acessar o código completo acesse o site a seguir:
Código de Processo Penal
http://www.planalto.gov.br/ccivi
l/Decreto-Lei/Del3689.htm

A seguir, realize as atividades relacionadas com esta unidade.

1) Alguns policiais, equivocadamente, interpretam que as palavras “onde for encontrado”


lhe garantem acesso a qualquer lugar, independentemente de ordem específica. De
acordo com o que você estudou o que tem a dizer sobre isso? Socialize com os demais
alunos da turma sua resposta.

ATIVIDADE DESCRITIVA
2) Você já se deparou com uma situação em que o número da residência constante no
mandado não é o mesmo do local em que se pretende realizar a busca? O que fazer
neste caso?

3) Qual o melhor procedimento a ser feito no caso de apreensão de correspondências


fechadas?

4) No que consiste a busca pessoal? Registre sua resposta

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AULA 02 – Legislação
32

Você concluiu aqui o estudo do capítulo XI do Código de Processo Penal. Na próxima


unidade, veja outras normas legais relacionadas a realização de buscas.

Faça aqui suas anotações...

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Outras Normas Legais

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você estudou o que determina o Código de Processo Penal em
relação à busca e apreensão. Agora, nesta última unidade da aula 2, você conhecerá
mais algumas normas legais que tratam deste assunto.

A maioria das instituições de segurança pública do nosso país estabelece regras internas
para o desenvolvimento operacional de suas atividades legais, logicamente se
coadunando com os dispositivos existentes na legislação pátria.

No tocante à busca e apreensão, à título exemplificativo, devido a repercussões das


recentes operações da Polícia Federal, em que algumas críticas surgiram quanto ao
cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão, o Ministro da Justiça editou
as Portarias 1.287 e 1.288 de 30 de junho de 2005, disciplinando a matéria,
determinando, entre outros, que o Delegado de Polícia Federal comande a execução dos
mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário.
Você pode acessar as portarias na íntegra, no site a seguir:

http://www.trt02.gov.br/geral/tribunal2/Min_Div/MJ_Port1287-05.html

Portaria 1.287 http://www.trt02.gov.br/geral/tribunal2/Min_Div/MJ_Port1288-05.html

Portaria 1.288

O descumprimento desta previsão poderá acarretar sanções de caráter administrativo,


entretanto sob o prisma processual penal não há que se falar em qualquer nulidade do
ato.

É, no entanto, uma medida recomendável a de que a autoridade policial se faça sempre


presente nestas diligências, fato este que também contribui para eliminar um momento
de transição da cadeia de custódia, qual seja, a transferência de responsabilidade entre o
policial e a autoridade policial, sobre a guarda do bem arrecadado.

Outras sugestões vêm sendo encaminhadas à Secretaria Nacional de Segurança Pública


objetivando a tentativa de se disciplinar, em normativos internos das corporações
Curso Busca e Apreensão
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AULA 02 – Legislação
34

policiais estaduais, uma padronização para o cumprimento dos Mandados Judiciais de


Busca e Apreensão.

Este curso é um dos primeiros passos para atingirmos tal objetivo.

Salientamos que aliada às Portarias 1.287 e 1.288, a Polícia Federal dispõe de uma
Instrução Normativa interna (IN 11/2001-DG/DPF) em que em um dos tópicos, estão
disciplinadas as atividades de busca e apreensão.
.

Você concluiu a última unidade da aula 2. A seguir vamos ao fechamento da aula e as


atividades de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 02 – Legislação
35

Fechamento e Atividades de Conclusão da Aula

.
FECHANDO AULA...

Fechamos aqui o conteúdo da aula 2. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação desta


aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você pôde construir conhecimentos sobre as normas legais que regulamentam
as ações de Busca e Apreensão. Certamente agora você terá mais segurança em seus
procedimentos futuros. Conhecer os aspectos legais pertinentes sobre este tema é
fundamental para qualquer pessoa, mas principalmente aos profissionais que exercem tal
função.

Acreditamos que entender as orientações emanadas da Constituição Federal, do Código


de Processo Penal e das outras normas legais será de grande valia para você!

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

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AULA 02 – Legislação
36

Atividade de Fechamento de Aula

Analise a situação-problema a seguir:

Imagine você chegar para efetuar uma busca domiciliar na cidade de São Paulo/SP com
uma viatura descaracterizada e com policiais não trajados ostensivamente. É possível,
em uma situação destas, que o morador ou o porteiro desconfie se tratar de um roubo e
desta forma recusar-se a abrir a porta.

O que você deve fazer como policial nesta situação? Socialize sua resposta com seus colegas.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 03
FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA
DOS LOCAIS DE BUSCA E
APREENSÃO
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 3..................................................................................................................3

UNIDADE 1 ...........................................................................................................................................4

ELEMENTOS BÁSICOS DA ATIVIDADE DE BUSCA E APREENSÃO.........................................4

UNIDADE 2............................................................................................................................................6

PASSOS DA CADEIA DE CUSTÓDIA A PARTIR DA ATIVIDADE DE BUSCA E


APREENSÃO.........................................................................................................................................6

FECHAMENTO DA AULA .................................................................................................................8

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA .......................................................................................9


AULA 03 - Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Olá! Você está na aula 3 do curso Busca e Apreensão.

Nesta aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

 Unidade 1: Elementos básicos da atividade de busca e apreensão.


 Unidade 2: Passos da cadeia de custódia a partir da atividade de busca e apreensão.

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

 Identificar os elementos básicos de busca e apreensão.


 Enumerar os passos da cadeia de custódia a partir da atividade de busca e
apreensão.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 03 - Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Elementos Básicos da Atividade de Busca e Apreensão

Nesta unidade você vai conhecer os elementos básicos para a atividade de busca e
apreensão.

Do ponto de vista pericial, torna-se necessário identificar os elementos básicos da


atividade de busca e apreensão, inseridos no contexto geral da investigação, a saber:

Antecipadamente os peritos criminais


deverão se inteirar completamente das
peculiaridades da busca e apreensão que
será implementada com a participação da
Criminalística. Essa interação se dará pela
participação de reunião com a autoridade
policial responsável e/ou por intermédio de
outras formas de troca de informações.

Checagem rigorosa do endereço, visando à


garantia de que o exame seja feito no local
certo.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 03 - Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Na chegada ao local, descrever em


detalhes toda a área externa e, se for
pertinente e necessário, inclusive as vias
de acesso. Como os peritos criminais já
sabem, a descrição do local será mais ou
menos detalhada em função do contexto
geral do exame e da relevância que isso
representa para o resultado final.
Outra necessidade é a descrição,
também em detalhes no grau da sua
relevância, do ambiente interno onde
está sendo realizada a busca.

Descrição pormenorizada dos locais onde


se encontrarem os objetos que serão
apreendidos.

Para cada situação os peritos criminais


deverão ter em mente que não existem
dois locais iguais e, portanto, a análise
individual de cada um vai lhe conduzir à
identificação de outros elementos que
serão básicos e essenciais no contexto
daquele exame.

Veja, na próxima unidade, os passos da cadeia de custódia a partir da atividade de busca e


apreensão.

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AULA 03 - Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Passos da Cadeia de Custódia a partir da


Atividade de Busca e Apreensão

RELEMBRANDO

Na unidade anterior você estudou os elementos básicos para a atividade de busca e


apreensão. Nesta unidade você estudará os passos da cadeia de custódia a partir da
atividade de busca e apreensão. Vamos lá!

Você perceberá que esta unidade trata-se apenas de enfatizar outros detalhes que são
importantíssimos no conjunto geral da investigação.

 ATIVIDADE DESCRITIVA

Você sabe o que são esses passos da cadeia de custódia? Registre sua resposta .
Em seguida, observe a orientação dada.

Conheça, no fichário a seguir, os passos da cadeia de custódia.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 03 - Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Primeiro Passo

Na cadeia de custódia de qualquer material apreendido em uma busca é a sua própria


identificação correta, e mais: o registro do exato local onde foi encontrado. De nada
adianta assegurar os passos seguintes se estamos com um objeto ou bem em mãos
que pode gerar dúvida quanto à sua verdadeira individualidade e origem.

Segundo Passo

Podemos caracterizar o cuidado que os peritos criminais ou a autoridade policial –


quando não for necessário o exame pericial – devem ter em preparar o
acondicionamento na embalagem correta. Essa preocupação tem dois objetivos:
acondicionar em embalagem que propicie o seu completo isolamento, por intermédio
de lacres que garantam a inviolabilidade de seu conteúdo; e, a guarda com cuidado
técnico, para que não se perca qualquer informação que possa ser extraída daquele
bem ou material apreendido.

Terceiro Passo

Você deve ficar atento para duas situações:


1) Quando não há necessidade de exames periciais e o material apreendido
ficar na delegacia enquanto o inquérito não é concluído. Nesse caso a
preocupação é manter o material devidamente lacrado em sua embalagem
e, simultaneamente, guardado em local apropriado e seguro. Se houver
necessidade de abrir o lacre para qualquer fim, somente a autoridade policial
é que deverá fazê-lo ou autorizar tal procedimento – tudo isso por ato
formal no inquérito – uma vez que ele é quem detém a responsabilidade
pela manutenção da cadeia de custódia.
2) Quando o material estiver sob a responsabilidade do Instituto de
Criminalística, para a realização de exames e que vão demandar manuseio
do material. Além dos controles de tramitação formal existentes no órgão, o
perito responsável deverá mencionar essas fases em seu laudo pericial.

Fechamos aqui a última unidade desta aula. A seguir, vamos ao fechamento da aula e a
atividade de conclusão.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 03 - Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula

FECHANDO AULA...

Fechamos aqui o conteúdo da aula 3. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação


desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou na unidade 1 os Elementos básicos da atividade de busca e


apreensão e na unidade 2 os Passos da cadeia de custódia a partir da atividade de busca
e apreensão.

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 03 - Fundamentação Técnica dos Locais de Busca e Apreensão

Atividades de Fechamento da Aula

1) Quais das afirmativas a seguir estão corretas?

a) Antes de realizar uma busca é necessária a checagem rigorosa do endereço, visando à


garantia de que o exame seja feito no local certo.

b) É necessária a análise individual, de cada local, para a identificação de outros


elementos que serão básicos e essenciais no contexto daquele exame. Os peritos
criminais deverão ter em mente que não existem dois locais iguais.

c) O primeiro passo na cadeia de custódia de qualquer material apreendido em uma


busca é a sua própria identificação correta, e mais: o registro do exato local onde foi
encontrado.

d) Quando não há necessidade de exames periciais e o material apreendido deve ficar na


delegacia enquanto o inquérito não é concluído, deve-se manter o material devidamente
lacrado em sua embalagem e, simultaneamente, guardado em local apropriado e seguro.

Assinale a alternativa correta:


( ) a,b,d
( ) a,b,c

( ) b,c,d
( ) todas estão corretas

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 04
PECULIARIDADES DE ALGUNS
TIPOS DE LOCAIS DE BUSCA E
APREENSÃO, SOB O PONTO DE
VISTA PERICIAL
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 4.................................................................................................................3


PECULIARIDADES DE ALGUNS TIPOS DE LOCAIS DE BUSCA E APREENSÃO, SOB O
PONTO DE VISTA PERICIAL............................................................................................................3
UNIDADE 1 .........................................................................................................................................5
CONSTATAÇÃO.................................................................................................................................5
UNIDADE 2..........................................................................................................................................7
EXAMES COMUNS.............................................................................................................................7
UNIDADE 3.........................................................................................................................................12
CRIMES DE INFORMÁTICA ...........................................................................................................12
UNIDADE 4.........................................................................................................................................15
CRIMES FINANCEIROS....................................................................................................................15
UNIDADE 5.........................................................................................................................................17
CRIMES CONTRA A VIDA ..............................................................................................................17
UNIDADE 6.........................................................................................................................................18
EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO ...........................................................................................18
UNIDADE 7........................................................................................................................................ 20
JOGOS DE AZAR.............................................................................................................................. 20
UNIDADE 8........................................................................................................................................ 22
CONSTATAÇÃO DE DROGAS........................................................................................................ 22
UNIDADE 9........................................................................................................................................ 24
CRIMES CONTRA FÉ PÚBLICA..................................................................................................... 24
UNIDADE 10...................................................................................................................................... 27
ENCAMINHAMENTO DOS OBJETOS APREENDIDOS............................................................... 27
FECHAMENTO DE AULA................................................................................................................ 29
ATIVIDADES DE CONCLUSÃO DA AULA................................................................................... 30
AULA 04 - Peculiaridades de Alguns Tipos de Locais de Busca e Apreensão, Sob o Ponto de Vista Pericial
3

Peculiaridades de Alguns Tipos de Locais de


Busca e Apreensão, sob o Ponto de Vista
Pericial

Olá! Você está na aula 4 do curso Busca e Apreensão.

Nesta quarta aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

 Unidade 1: Constatação.
 Unidade 2: Exames comuns.
 Unidade 3: Crimes de informática.
 Unidade 4: Crimes financeiros (lavagem de dinheiro, casas de câmbio, etc.).
 Unidade 5: Crimes contra a vida.
 Unidade 6: Exercício ilegal da profissão.
 Unidade 7: Jogos de azar.
 Unidade 8: Constatação de drogas.
 Unidade 9: Crimes contra a fé pública.
 Unidade 10: Encaminhamento dos objetivos apreendidos.

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

- Identificar e descrever as peculiaridades de alguns tipos de locais sob o ponto de


vista pericial.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 04 - Peculiaridades de Alguns Tipos de Locais de Busca e Apreensão, Sob o Ponto de Vista Pericial
4
Introdução
Embora os assuntos aqui tratados sejam de interesses de todos os policiais, discutiremos
mais detalhadamente sob o enfoque pericial.

O engajamento da Criminalística nos locais de busca e apreensão pode ser de


fundamental importância para muitas situações, tendo em vista a necessidade de
conhecimentos específicos e especializados dos peritos nos assuntos objetos da
referida investigação.

Caberá a autoridade policial encarregada da investigação


analisar sobre a necessidade ou não do concurso dos
peritos criminais, a fim de garantir o subsídio adequado
ao inquérito e ao processo, por especialistas no assunto,
sobre a constatação, o registro, o recolhimento/apreensão
e a cadeia de custódia dos objetos encontrados nesses
locais.

Sendo identificada uma ou mais dessas necessidades, a autoridade policial deverá


requisitar ao Instituto de Criminalística a participação dos peritos criminais.

Vamos iniciar, a seguir, a primeira unidade desta aula falando sobre constatação.

Faça aqui suas anotações...

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Constatação

Você já está habituado a ver e sabe que a técnica criminalística determina que num exame pericial de
local, os peritos criminais só podem considerar, nos seus estudos e
laudo pericial, aqueles vestígios que
Os motivos técnicos para tal são vários e não cabe aqui
diretamente foram constatados discutir. Estamos levantando isso para mostrar a diferença
(encontrados) pelos próprios peritos. para as situações de busca e apreensão.

Nos casos de busca e apreensão, de


um modo geral com pouquíssimos exceções, a procura e a constatação poderá ser feita
por toda a equipe de policiais e peritos, previamente planejados.

Evidentemente que essa procura e constatação deve obedecer a um planejamento prévio


e técnicas pertinentes, visando a otimização dos esforços de cada um ali presente.

Outro aspecto imprescindível é que esse trabalho se limite até o


momento da constatação. Assim, se o escrivão de polícia constatou O ato de encontrar, ou
ter a quase certeza.
a presença de um pequeno volume de pó branco sobre um armário,
ele deve avisar o perito criminal para que este tome as providências seguintes.

Nos locais que não tenha perito, essa tarefa deve ficar a cargo do coordenador da
operação, que tomará medidas semelhantes.

Outro aspecto de
caráter geral é que as
buscas/constatações
devem ocorrer somente
em um cômodo de cada
vez, a fim de evitar o
tumulto de vários
policiais procurando
desordenadamente por
todo o ambiente.

O coordenador da
operação deve deixar um policial em cada compartimento apenas para vigiar o local e
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6

concentrar os demais em um único cômodo fazendo as buscas. Quando terminar aquele,


passa-se para o outro e, assim, sucessivamente.

Mas o que queremos lhe mostrar nos tópicos a seguir é que, para cada um desses locais,
existem certas sensibilidades e peculiaridades técnicas que você precisa estar atento
para que os peritos que vão compor essa equipe de busca tenham especialização que os
eventuais exames requeiram.

EXEMPLO

Busca em computadores devera ser um especialista em informática.

Faça aqui suas anotações...

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Exames Comuns

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você viu a constatação, ou seja, o ato de encontrar o que se está
buscando. Nesta unidade você estudará os exames mais comuns.

Bem, para qualquer um dos subitens específicos que vamos comentar adiante, existem
certos exames e observações que são comuns a todos. Em uns podem ter maior ou
menor relevância dentro do contexto geral dos exames, mas em todos os peritos devem
assim proceder.

Endereço
Pode parecer corriqueiro, mas você perito sabe que ter a certeza absoluta sobre o
endereço é de fundamental importância.
Descrição da área
A descrição da área aqui mencionada inicia nos limites físicos do local em si e deve se
expandir até onde os peritos criminais entenderem.
Descrição do local
E quando falamos do local, isso envolve desde seus meios de acesso e fachada
externa, até a descrição interna de cada cômodo do ambiente em questão.

Você vai estudar cada um deles mais detalhadamente nos tópicos a seguir.

Endereço

Em muitas situações pode parecer fácil conferir. Todavia, você vai encontrar casos que
somente por intermédio das coordenadas geográficas, marcadas através de um GPS,
serão capazes de estabelecer essa garantia.

As razões dos peritos criminais buscarem esta certeza sobre o endereço parece óbvia e
dispensa maiores comentários.

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Descrição da Área

Descrição de área pode levar até distâncias significativas, especialmente se existam


estradas, rios, matas, e outras topografias que possam ser relevantes para a
investigação.

Dentro dessa área você poderá estar encontrando inúmeras coisas e, é de conhecimento
do perito criminal que o maior ou menor grau de aprofundamento da descrição
dependerá da relevância de cada uma dessas coisas para os objetivos que se busca.

Mas coisas básicas também devem constar do laudo pericial.

EXEMPLO

A topografia do terreno, sobre a existência ou não de iluminação artificial, sobre a


existência de outras construções ou se nada existe de edificação, sobre ruas,
estradas, trilhas ou estações de trem ou metrô, rios, etc.

 ATIVIDADE DESCRITIVA

Qual a necessidade ou importância de mencionar e descrever tudo isso sobre a área? Registre sua
opinião.

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Só para ilustrar o que falamos, vamos a um caso fictício:

EXEMPLO

Tráfico de drogas com morte


Estamos diante de uma investigação de tráfego de drogas com uma morte a
esclarecer. Os policiais descobrem que uma casa na periferia da cidade – já em
ambiente rural – pode estar sendo utilizada como ponto de estoque dessa droga.
Sobre a morte que está sendo investigada, as únicas certezas até o momento é que a
vítima pertencia à mesma quadrilha de traficantes e que foi encontrada na margem
de um rio, junto a materiais orgânicos acumulados pela sua correnteza, em um ponto
distante, aproximadamente, três quilômetros da casa.

Então...

Quando da busca e apreensão no referido imóvel, os peritos criminais, ao descreverem a


área, mencionam todas as características topográficas do local, inclusive uma pequena
estrada de chão que tinha início na zona urbana, passando pela lateral direita da casa e
terminava junto a um rio, o qual tinha o deslocamento do seu curso de água no sentido
de norte – sul.

Ainda na descrição dessa estrada, observam os peritos que havia uma certa quantidade
de marcas recentes de pneumáticos no percurso entre a casa e o rio. No ponto do rio
onde a estrada terminava também constataram várias alterações recentes na encosta,
característico de atracamento de barcos pequenos.

A seguir, veja a análise desta descrição.

Faça aqui suas anotações...

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Análise da descrição da área no caso “tráfico de drogas com morte”:

No caso que você estudou ainda poderíamos mencionar muitas outras possibilidades de
aproveitamento de informações porventura ali existentes.
Mas este é o seu desafio! Pronto?

Atividade

Desafio!

Volte ao caso e olhe-o de maneira mais ampla, relacione com as demais informações
do local em si e veja o quanto de esclarecimento poderia tirar daí. Esta é a maravilha
da investigação pericial, onde tudo deve ser considerado e, somente descartado quando
tivermos absoluta certeza do seu não relacionamento ao fato.

Bem, agora sim vamos começar a tratar do local da busca propriamente dito.

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Também aqui é o mesmo princípio. Os peritos criminais anotam – durante o exame –


todos os dados, a fim de embasarem uma descrição do local no grau de aprofundamento
que cada um dos cômodos merece no contexto geral da investigação.

Partindo do geral ao particular, os peritos criminais


Se edifício, falar primeiro do
deverão descrever as fachadas externas do imóvel prédio e seus acessos, para
depois chegar ao apartamento
e em seguida as suas vias normais de acesso. de interesse.

Internamente, a descrição deve ser independente para cada um dos cômodos, de


maneira sistêmica e ordenada, de acordo com as recomendações técnicas
criminalísticas a esse respeito.

Então agora, podemos passar a falar especificamente de cada caso. Chamaremos a


atenção para aquelas coisas mais prováveis de serem encontradas nesses locais. Mas
como este é um local onde os peritos criminais estarão trabalhando simultaneamente
com outros policiais, é importante que você saiba que em criminalística existem sempre
duas situações em relação ao que se poderá constatar:

Situação 1: Situação 2:
Os chamados vestígios Aqueles de natureza inusitada ou
prováveis de serem improvável (tomando como
encontrados porque existe referência o próprio vestígio ou o
uma forte probabilidade da tipo de ocorrência), em que você
sua existência. nunca terá a mínima possibilidade
de prever a sua existência no
local.

Encontrar os vestígios prováveis é uma questão de esgotar os recursos da procura e


constatação corretamente. Todavia, para encontrar os improváveis é muito mais uma
questão de atitude profissional do que qualquer chance de previsibilidade.

Para isso, você deve estar plenamente consciente de que poderá, a qualquer
momento da procura, constatar um objeto (vestígio) que, mesmo parecendo nada ter
a ver com o fato investigado, após ser analisado, demonstrar que é peça fundamental
para o esclarecimento da investigação.

Na próxima unidade vamos falar de crimes de informática.

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Crimes de Informática

RELEMBRANDO

Na unidade anterior você estudou os exames mais comuns, agora veremos como
proceder em investigações de crimes de informática.

Para os locais que envolvam investigações a respeito de crimes relacionados com


informática, é necessário o concurso de peritos criminais especialistas neste assunto,
tendo em vista a fragilidade das informações e também pela facilidade que o infrator tem
de descaracterizar alguns dados, que podem ser vitais à investigação.
Você sabe o quanto é fácil perdermos um arquivo que estamos manuseando no
computador ao tentarmos acessar comandos inadvertidamente, tamanha é a
complexidade e variedade de opções que nos apresenta.

Quando estamos investigando um crime em que a informática foi a ferramenta de


trabalho do infrator, mais sensível ainda se torna este ambiente. Naturalmente então, a
você e todos os demais membros de uma equipe de busca, acarretará a necessidade de
maior cuidado e zelo no trato e manuseio dessas informações.
Basta que você desligue um computador de forma inadequada, durante uma busca,
para correr grande risco (desnecessário) de estar perdendo informações valiosas para
o esclarecimento do crime.

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IMPORTANTE

O ponto mais importante a ressaltar aqui é sobre esta sensibilidade, fragilidade e


vulnerabilidade das informações e, portanto, somente os peritos criminais é que devem
manuseá-los.

Quando não for possível o concurso de perito criminal diretamente na diligência de busca
e apreensão, a autoridade policial deverá – inclusive com peritos de outras localidades –
colher informações, por ocasião do planejamento, sobre esses riscos, visando coordenar
com eficiência a busca e apreensão e conseqüente preservação da cadeia de custódia das
máquinas apreendidas.

SAIBA MAIS

Os crimes informáticos, nas modalidades que envolvam a transmissão de dados pela


internet, se revestem de características peculiares quanto ao próprio local em si.
Naturalmente o infrator, por saber que está fazendo algo ilícito, tenta se esconder ao
máximo, valendo-se de triangulações nas comunicações.

O infrator evita a transmissão direta dos dados para o destino que ele deseja, mas o
faz passando por vários outros locais (máquinas) em diversos locais diferentes, que
pode ser dentro do país ou fora dele.

Daí nasce uma outra característica desses crimes: são transnacionais e, portanto, a
investigação, para chegar até o ponto de fazer uma busca e apreensão é porque tem
informações de todo esse caminho e parcerias feitos pelo infrator.

Isso decorre uma produção de prova – às vezes – em mais de um estado ou país,


onde os especialistas devem estar atentos quanto ao dia, hora exata e equipamentos
a serem apreendidos.

E quando esta busca e apreensão tiver que ser feita com o suspeito no local? Veja a
seguir o que fazer.

Tudo isso se torna ainda mais sensível se o suspeito encontra-se no local.


Os policiais que farão a entrada de segurança e respectivo
Os infratores – por serem
também especialistas no
domínio do ambiente precisam ficar extremamente vigilantes assunto – previamente
preparam essas “bombas” de
para as pessoas que estiverem próximas de computadores, mascaramento.
pois um simples teclar poderá acarretar na perda de uma

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série de informações que estavam presentes naquele momento e que seriam valiosas
para a investigação.

Assim, nestes locais, os peritos criminais devem ser os profissionais a entrarem


logo a seguir do primeiro grupo de domínio, visando garantir a preservação das
possíveis informações que estejam armazenadas em meios magnéticos.

A seguir, você estudará sobre os procedimentos em crimes financeiros.

Faça aqui suas anotações...

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Crimes Financeiros

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você estudou como proceder em investigações de crimes de
informática. Nesta unidade estudará sobre os procedimentos em crimes financeiros.

Como crimes financeiros entendemos lavagem de dinheiro, casas de câmbio, etc.

Para esses locais o recomendável é que os peritos criminais tenham formação em


ciências contábeis, a fim de facilitar o seu trabalho.

É um tipo de local que demandará muito tempo para procurar por todos os documentos
que venham a caracterizar tais ilícitos. Em princípio, qualquer crime dessa natureza vai
gerar as suas conseqüências (documentos = vestígios), onde a dificuldade maior
normalmente é encontrá-los, já que os infratores vão procurar ocultá-los ao máximo.

Lavagem de Dinheiro

A lavagem de dinheiro pode gerar transações comerciais de fachada, na tentativa de


criar uma origem licita para bens, direitos e valores proveniente de uma atividade
criminosa, podendo este processo se repetir mais de uma vez e ter vinculações com
outros estados ou países.

O que se busca são os documentos dessas transações de fachada, até chegar na primeira
origem do dinheiro e provar a sua ilicitude. Essa procura e conseqüente seleção de
documentos, demanda conhecimento contábil, financeiro e da investigação propriamente
dita, pois é muito provável que você encontre outros documentos que não estão
relacionados aos fatos criminosos. Portanto, não há qualquer necessidade de serem
apreendidos.

Depois de reconhecido e identificado cada um desses documentos, os peritos criminais


devem também relacionar um por um, visando o correto registro no auto de apreensão a
ser feito pela autoridade policial.

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Casas de Câmbio

Em casas de câmbio busca-se normalmente por dinheiro (em moeda nacional e/ou
estrangeira) e documentos de possíveis registros de transações financeiras, tais como
remessa ilegal de dinheiro para o exterior.

Também você vai encontrar dificuldades na busca, pois seus infratores procurarão
esconder esses dinheiros ou documentos.

Os peritos criminais, além da experiência em exames de local, devem conhecer sobre


falsificação de moedas nacional e estrangeiras, especialmente o dólar americano e o
euro. Claro que no local é apenas um exame preliminar e, somente no interior do
Instituto de Criminalística é que os peritos irão examinar de fato tais moedas.

A seguir vejamos os procedimentos da diligência em crimes contra a vida.

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Crimes Contra a Vida

Uma busca com possíveis apreensões em locais de interesse da investigação de um crime


contra a vida é, ao mesmo tempo, mais fácil pelos conhecimentos já bastante difundidos
e também complexos, em razão da multiplicidade de formas que o crime pode ocorrer.

Direcionando especialmente para os casos de homicídios, mesmo nas situações de crime


premeditado/planejado, a ação humana – por ser única – deixa conseqüências reativas.

DICA

O ser humano age instintivamente e não consegue jamais desfazer ou modificar todos
Os vestígios. Ao modificar ou eliminar algum estará – para fazer isso – criando,
automaticamente, outro.

Veja um exemplo disso a seguir.


EXEMPLO

Alguém mata uma pessoa com um tiro de pistola. A cápsula vai ejetar e o agressor,
para não deixar aquele vestígio no local, se desloca até onde está a referida cápsula
para apanhá-la. De fato ele eliminou um vestígio, todavia deixou um outro também
muito importante que é a marca do solado do seu tênis no solo, capaz de identificá-lo
diretamente como presente na cena do crime.

Então, observe que a principal peculiaridade nos locais de crimes contra a vida é a
multiplicidade de possibilidades que os peritos criminais poderão encontrar. Também
aqui o planejamento prévio é fundamental para se buscar com eficiência tudo que possa
ser encontrado naquele local de interesse da investigação.

A seguir temos mais uma importante unidade. Nela você estudará os procedimentos em
crimes de exercício ilegal da profissão.

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Exercício Ilegal da Profissão

Como você sabe, qualquer profissão de nível superior tem atribuições que lhe são de
competência exclusiva.

EXEMPLO

Assim, uma cirurgia só pode ser feita por um médico. O enfermeiro, por mais que
saiba fazê-la, em função do conhecimento prático, está proibido por força de lei. Uma
perícia contábil é atribuição exclusiva do bacharel em ciências contábeis, não
podendo fazê-la o economista. E assim sucessivamente.

Então, este é o fundamento do exercício ilegal da profissão.


Neste caso a investigação é para provar que alguém não habilitado legalmente esteja
exercendo determinada atividade regulamentada em lei.

E como você deve proceder neste tipo de busca?

Quando for efetuar uma busca num local dessa natureza, a principal característica é a
existência de materiais, equipamentos e outros bens que estão diretamente relacionados
ao exercício daquela profissão. Num escritório de contabilidade vão encontrar um livro de
registro de entrada de mercadoria de algum cliente e coisas do gênero; num consultório
dentário uma cadeira própria e diversos outros equipamentos peculiares a tal atividade.

Estes bens, documentos, objetos e equipamentos peculiares àquela profissão que


esteja sendo exercida ilegalmente é que vão interessar para provar o efetivo
exercício ilegal da mesma.

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Então estes são os objetos que deverão interessar aos peritos criminais e ao coordenador
da operação.

E em jogos de azar?
Veja na próxima unidade.

Faça aqui suas anotações...

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Jogos de Azar

RELEMBRANDO

Em unidades anteriores você estudou sobre os procedimentos em crimes financeiros,


em crimes contra vida e quanto ao exercício ilegal da profissão. Nesta unidade veja
como proceder na busca e apreensão em locais de jogos de azar.

Você sabe que jogos de azar, realizados mediante a aposta remunerada, é proibido no
Brasil e, portanto, local onde são realizados interessam à investigação.

ATIVIDADE DESCRITIVA

Qual seria o objetivo central de uma busca e apreensão nesses locais? Registre sua resposta.

Então, a peculiaridade principal desses locais é a facilidade com que seus apostadores
podem modificar a situação e descaracterizar a existência de jogos.

Por isso que a tomada de um local desses é de fundamental relevância, onde deve atuar
uma equipe de policiais em número suficiente para o seu domínio.

Neste caso não tanto pela necessidade de segurança, mas para manter intacto o
ambiente e os meios de apostas sobre as mesas e balcões, visando o imediato exame
pelos peritos criminais.

Isso vai evitar que algum dos apostadores ou os responsáveis pelo local modifiquem ou
misturem as cartas de um jogo.

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Uma vez que é preciso, logo na seqüência, que os peritos criminais analisem cada mesa
de aposta para caracterizar o tipo de jogo que ali se desenvolvia e, segundo, que tipo de
aposta, a partir de dinheiro porventura utilizado diretamente, ou por intermédio de fichas
previamente valoradas.

DICA
Quando for encontrada ficha como meio de pagamento das apostas, naturalmente a
equipe deverá saber que no local existe uma tesouraria e que também precisará ser
periciada, para levantamento de tudo que estiver em seu interior.

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Constatação de Drogas

RELEMBRANDO
Na unidade passada você viu como proceder na busca e apreensão em locais de jogos de
azar. Agora, veja no caso de constatação de drogas como você deve agir.

Este é um local também muito conhecido de todos e você já sabe o que procurar, mas a
atenção maior está voltada para a localização das drogas no ambiente onde se
desenvolve a busca.

Esta é a principal característica: a ocultação das drogas em embalagens camufladas e


que podem dificultar enormemente as buscas.

Este é um local onde todos os integrantes da equipe devem ficar muito atentos para
essas camuflagens, procurando nos locais prováveis e improváveis.

IMPORTANTE

Importante que ao começar a examinar um local improvável, tenha “olhos atentos”


em todas as coisas e, “desconfiando” que possa ter algo, você deve chamar os
peritos criminais para começarem a registrar, por meio de fotos e descrição, todo o
processo de abertura daquele ponto. Isso é muito importante constar do laudo, para
quaisquer dessas situações. Não se esqueça das testemunhas!

DICA
Em muitas academias de polícia existe exposição de embalagens utilizadas para
acondicionar drogas. Se tiver oportunidade, faça uma visita a um desses locais. Será
muito didático para ilustrar o que falamos de locais e embalagens improváveis.
Outro aspecto importante nesses locais é que a perícia faça um rigoroso registro do
exato local onde a droga foi encontrada, a fim de evitar qualquer dúvida sobre a origem
da mesma e possíveis descaracterizações na fase do contraditório do processo criminal.

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23

REFLEXÃO

Como proceder em uma situação de busca e apreensão em um local onde esteja


funcionando algum laboratório de drogas clandestino? Pense... e depois vá em frente
que falaremos sobre isso a seguir.

Laboratório de Drogas

Atenção especial procure dar quando estiver diante de uma situação de busca e
apreensão em um local onde esteja funcionando algum laboratório de drogas clandestino.

Nesses locais, além de drogas já processadas e/ou embaladas para comércio, vários
outros objetos poderão estar presentes, como produtos químicos utilizados no refino. A
própria embalagem desses produtos é elemento de prova e você deve levar em
consideração.

O local, com sistema de bancadas (mesmo que improvisadas) e equipamentos utilizados


no processo de produção da droga também são relevantes.

IMPORTANTE

O exame em um local dessa natureza pode ser muito rico em objetos, instrumentos,
equipamentos e reagentes químicos.
Por isso, torna-se importante a apreensão daquilo que for possível e o que não for,
ficar rigorosamente caracterizado pelo respectivo exame pericial, visando agregar ao
processo o máximo de informações sobre o local.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 04 - Peculiaridades de Alguns Tipos de Locais de Busca e Apreensão, Sob o Ponto de Vista Pericial
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Crimes Contra Fé Pública

RELEMBRANDO
Na unidade passada você estudou como proceder no caso de constatação de
drogas. Nesta unidade trataremos dos procedimentos em crimes contra a fé
pública.

Sobre este assunto existem vários tipos de falsificações e engodos que podem
caracterizar os crimes contra a fé publica como:

 Documentos públicos.
- Contrafação de moeda.

Os policiais têm de conhecer com detalhes o tipo de fraude que costumam ocorrer para
saber o que procurar Claro que deverão estudar a forma e o conteúdo normal desses
documentos, a fim de dominarem com segurança os conhecimentos necessários para
essas avaliações preliminares no próprio local, visando a apreensão somente dos
documentos que interessam à investigação.

Outra peculiaridade comum nos crimes contra a fé pública é que essas fraudes podem
ocorrer no endereço dos infratores como também no órgão público que monopoliza o
controle desses bens.

EXEMPLO

Cartórios, Detrans, etc. Nesses casos a busca deve ser simultânea.

Documentos cartorários sobre propriedade de imóveis

A execução de um mandado de busca e apreensão de documentos dessa natureza, como


falamos anteriormente, podem ocorrer simultaneamente no endereço do infrator e no
cartório. Por isso, pode não ser tarefa fácil, tendo em vista a complexidade das
atividades desenvolvidas dentro de um cartório, uma vez que o mandado deve se
restringir exclusivamente ao que fora determinado pela autoridade judicial.

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Assim, a principal característica desses locais está na complexidade-multiplicidade das


suas atividades relacionadas com a especificidade do mandado.

DICA
Então você ao iniciar uma busca já deve saber o que procurar.
Saber também onde procurar, tendo em vista as várias compartimentações e
arquivos

Outra peculiaridade desse tipo de busca é que investigações de fraudes em cartórios


trazem forte probabilidade de que algum funcionário esteja envolvido.

Portanto, a busca deve identificar quem são os funcionários que trabalham em cada
setor. Para isso, faça entrevistas e peça informações na hora, verifique nos controles
administrativos e também nos documentos assinados ou rubricados em cada setor. Com
o mapa de funcionários ficará mais fácil depois se a investigação vier a descobrir que
existe um suspeito de dentro do cartório.

Os documentos que forem sendo selecionados para a apreensão devem ser


rigorosamente identificados e relacionados em uma folha de controle, visando subsidiar
com informações para a confecção do auto de apreensão.

Lembre-se de fazer a observação – na relação – se o documento é em original ou em


cópia, visando sempre a sua correta identificação e garantia da cadeia de custódia a
partir daquele momento.

Documentos produzidos para registro e controle de veículos

Este é um tipo de crime que ocorre com relativa incidência e, portanto, pode gerar
muitos mandados de busca e apreensão. Vários são os documentos produzidos para
determinar a posse de um veículo e seus controles junto ao sistema de trânsito.

Também aqui a possibilidade é muito grande de que tais fraudes ocorram por quadrilhas
organizadas com funcionários, a fim de fazer os registros fraudulentos dentro do sistema.

Então, a grande peculiaridade dessa busca é a de que possa também ser feita no
endereço do infrator e no órgão de trânsito.

Especialmente quando não se tem nada suspeito dentro do órgão de trânsito, procure
ficar muito atento na busca no endereço do infrator, pois ali poderá estar reunindo
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elementos para obter indícios de que novo mandado deve ser solicitado para
implementar dentro do órgão de trânsito.

DICA
Neste caso, analise o grau de sigilo e da oportunidade e procure conseguir o mandado
ainda enquanto se encontra no endereço do infrator.

Ao executar uma busca no órgão de trânsito tente ser o mais objetivo possível, no
sentido de procurar os documentos que realmente interessam a sua investigação,
tendo em vista que se trata de um local onde ficam armazenadas imensas quantidades de
papéis e documentos.
É importante obter a relação dos funcionários por setor, a fim de que possa
atribuir-lhes eventuais responsabilidades.

Produção de moeda falsa

Busca e apreensão em local de produção de moeda falsa você pressupõe que vai
encontrar moeda falsa! É muito provável que sim, mas também muitos outros objetos
poderão ser encontrados.

EXEMPLO

Moeda idônea, petrechos utilizados, tais como papel, tintas, produtos químicos para
lavagem de outras cédulas autênticas de menor valor ou de circulação inativa,
fotolitos, programas de computador no disco rígido e em CDs/DVDs, impressoras,
assim como documentos que possam indicar compras de materiais correlacionados.

Além de caracterizar todos esses possíveis objetos e equipamentos no local, no exame


dos peritos criminais é importante que procurem caracterizar também a linha de
produção da fabricação da moeda falsa.

Na última unidade, veja os encaminhamentos para os objetos apreendidos.

Faça aqui suas anotações...

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Encaminhamento dos Objetos Apreendidos

RELEMBRANDO
.Na unidade anterior você estudou sobre os procedimentos em crimes contra a fé
pública. Nesta última unidade da aula 4 veja os encaminhamentos dos objetos
apreendidos

Em outro tópico ressaltamos a responsabilidade da autoridade policial e dos peritos


criminais pelo rigor na garantia à cadeia de custódia. Mas aqui vamos lhe apresentar as
rotinas operacionais e administrativas que devem existir nos órgãos da polícia e da
perícia oficial, visando garantir o trânsito dos objetos apreendidos.

Essas garantias se traduzem por normas de procedimentos previamente escritas e


aprovadas pela autoridade administrativa competente, para que qualquer funcionário que
manuseie um objeto oriundo de uma busca e apreensão seja plenamente identificado e
faça os encaminhamentos necessários de acordo com as orientações da autoridade
policial no âmbito das delegacias ou pelos peritos criminais no âmbito da criminalística.

EXEMPLO

O delegado ao apreender um contrato de uma transação comercial, após embalar e


lacrar, despachará no inquérito ou ordem de serviço que o referido contrato seja
entregue em algum outro setor da polícia. Certamente serão outros funcionários que
farão esta tarefa e eles devem ter plena instrução de como fazer isso sem violar ou
deixar qualquer dúvida sobre esse caminho que o documento vai percorrer até chegar
em seu destino.

Da mesma forma, quando os peritos chegam no instituto de criminalística com algum


objeto recolhido em local de busca e apreensão, já devidamente lacrado, darão os
encaminhamentos internos para que outros setores da criminalística façam os exames
especializados.

Esse caminho também será feito por algum funcionário a partir de rotinas que já devem
estar estabelecidas, visando garantir sempre o trânsito desse objeto sem qualquer
dúvida sobre o seu manuseio e/ou origem.
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Em relação aos demais policiais envolvidos no processo de investigação (agentes,


escrivães, papiloscopistas, etc.) as mesmas regras são aplicáveis, de acordo com as suas
respectivas peculiaridades.

Você concluiu aqui a última unidade da aula 4. A seguir vamos ao fechamento da aula e
as atividades de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

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Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula


FECHANDO AULA...
Fechamos aqui o conteúdo da aula 4. A seguir, realize as atividades de auto-avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou importantes conhecimentos sobre as peculiaridades de alguns


tipos de locais de busca e apreensão, sob o ponto de vista pericial. Iniciou estudando
sobre o ato da constatação. Em seguida os exames comuns e na seqüência aprendeu
sobre diferentes tipos de crimes e como proceder em cada caso:

 Crimes de informática
 Crimes financeiros (lavagem de dinheiro, casas de câmbio, etc.)
 Crimes contra a vida
 Crime de exercício ilegal da profissão
 Crime de Jogos de azar
 Crimes de constatação de drogas
 Crimes contra a fé pública

No final, pode ainda, estudar sobre o encaminhamento dos objetos apreendidos.


Certamente, você aproveitará muito do estudo desta aula nas suas ações como policial.

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

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Pericial
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Atividades de Fechamento da Aula

1) Quanto aos exames mais comuns, quais das afirmativas a seguir são verdadeiras?

a) Quando citamos descrição do local, isso envolve desde seus meios de acesso e
fachada externa, até a descrição interna de cada cômodo do ambiente em questão.

b) A descrição da área que você estudou inicia somente nos limites físicos do local em
que irá ocorrer a busca.

c) Em alguns casos encontra-se o local somente por intermédio das coordenadas


geográficas, marcadas através de um GPS.

d) A descrição interna para cada um dos cômodos deve ser independente, de maneira
sistêmica e ordenada, de acordo com as recomendações técnicas criminalísticas a esse
respeito.

Assinale a correta:
( ) a,b,c
( ) a,c,d
( ) b,c,d

2) A seguir lhe propomos um caça-palavras. Encontre as palavras que completam a frase abaixo:

a) Os crimes ...................... nas modalidades que envolvam a transmissão de dados


pela internet, se revestem de características peculiares quanto ao próprio local em si.

b) Para crimes ......................o recomendável é que os peritos criminais tenham


formação em ciências contábeis, a fim de facilitar o seu trabalho.

c) Direcionando especialmente para os casos de................... mesmo nas situações de


crime premeditado/planejado, a ação humana – por ser única – deixa conseqüências
reativas.

d) Se alguém não habilitado legalmente esteja exercendo determinada atividade


regulamentada em lei, isso é um crime de exercício................. da profissão.

e) ............................realizados mediante a aposta remunerada, são proibidos no Brasil.

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f) A ocultação das ....................... em embalagens camufladas e que podem dificultar


enormemente as buscas.

g) Existem vários tipos de falsificações e engodos que podem caracterizar os crimes


contra a......................., sendo os principais deles os documentos públicos e a
contrafação de moeda.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 05
AMBIENTES ESPECÍFICOS
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO AULA 5................................................................................................................3

AMBIENTES ESPECÍFICOS...............................................................................................................3

UNIDADE 1 .........................................................................................................................................4

CARACTERÍSTICAS DE AMBIENTE ..............................................................................................4

FECHAMENTO DA AULA ...............................................................................................................13

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA .....................................................................................14


AULA 05 – Ambientes Específicos.
3

Ambientes Específicos

Olá! Você está na aula 5 do curso Busca e Apreensão.

Nesta aula teremos uma unidade que tratará de:

 Unidade 1: Características dos Ambientes: Casas; Empresas Privadas;


Estabelecimento Comercial; Zona Rural; Veículos; Hotéis e Motéis; Instituições
Financeiras e Casas de Câmbio; Escritórios de advocacia (sigilo).

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

 Reconhecer as características de cada um dos locais em relação a busca e


apreensão.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 05 – Ambientes Específicos.
4

Características de Ambiente

Como falamos na apresentação desta aula, você vai estudar nesta unidade as
características de diferentes ambientes que poderá ter que estar fazendo busca e
apreensão. Vamos iniciar pela casa.

Casa
Você se recorda de que quando falamos sobre o princípio constitucional da inviolabilidade
do domicílio, foi analisando o conceito de casa para aplicação do direito penal e processual
penal. Restou alguma dúvida? Se a resposta for afirmativa, por favor, reveja a unidade 2
da aula 2.

Neste momento, em relação a tudo o que foi dito


anteriormente, queremos apenas esclarecer que domicílio
no aspecto criminal não tem o sentido civilístico, mas o de
residência, ou seja, a casa onde alguém viva ou trabalhe e
exerça a sua atividade a qualquer título.

Domicílio neste aspecto é a habitação particular, o local reservado à vida íntima do


indivíduo ou à sua atividade privada, seja ou não coincidente com o domicílio civil.

A seguir vamos ver as características de ambientes de Empresas Privadas.

Empresas Privadas

Analisaremos empresa privada em seu sentido restrito,


como sendo aquela de produção industrial, pois no seu
sentido amplo, falaremos a seguir no tópico sobre
estabelecimentos comerciais.

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ATIVIDADE DESCRITIVA

Pelo até aqui exposto, o que você entende a respeito? Para se realizar uma busca em
uma empresa privada existe a necessidade de ordem judicial? Registre sua opinião.

A seguir, veja sobre as características de estabelecimentos comerciais.

Estabelecimento Comercial

A necessidade ou não de autorização judicial, para realização de busca em


estabelecimento comercial, também é polêmica.

Veja o que dizem sobre Estabelecimento Comercial:

Mirabete:
“É de se notar, porém, que a necessidade de mandado judicial só se aplica à busca
em casa alheia, que é inviolável, não se inserindo na proibição, as hipóteses de
diligências em estabelecimentos comerciais, industriais, etc.” (Código de Processo
Penal Interpretado).
Fernando Capez (citando Manoel Gonçalves Ferreira Filho):
Capez entende o estabelecimento comercial como domicílio, desde que este não esteja
aberto a qualquer um do povo, como um bar ou restaurante. (Curso de Processo Penal)

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Bem, então perceba que um bar ou restaurante possui


locais de acessibilidade pública e outros compartimentos
destinados ao uso privativo para o gerenciamento do
estabelecimento. Obviamente inexiste a necessidade de
mandado judicial em relação ao primeiro, entretanto, no
tocante ao segundo, entendemos que a ordem judicial é
imprescindível.

A tendência no estado de direito que tentamos sedimentar a cada dia, é de trazer mais
garantias e direitos aos cidadãos. Sob este prisma, não poderíamos querer dar a
interpretação de domicílio como sendo apenas a casa do indivíduo, pois a sua intimidade
e vida privada, resguardados pela Constituição Federal, também estão presentes em seu
ambiente de trabalho, desde que não exposto ao público.

DICA
Lembre-se disto: Você, policial, deve sempre correlacionar casa com intimidade. Muitas
das vezes a dúvida persiste e, nesses casos, não hesite, solicite o mandado judicial!

A seguir, vamos conhecer o que orienta a busca e apreensão na propriedade rural.

Propriedade Rural

Este tipo de ambiente é bastante


discutido, pois, alguns entendem que
todo o perímetro da propriedade rural
está abrangido pelo conceito de
casa/domicílio.

Pelo estudo realizado até agora, sabemos que você já tem segurança para analisar cada
situação e deduzirá, logo, que apenas em relação aos compartimentos habitados por
seres humanos e dentro dos limites da propriedade rural, são aplicáveis a inviolabilidade
do domicílio como, por exemplo, a casa-sede e as casas de colonos.
Logicamente se a propriedade rural for completamente fechada com muros, a
privacidade ali buscada com esta medida tem de ser respeitada, diferentemente daquelas
em que existem apenas cercas para delimitar a área e impedir a saída de animais como
bois, cavalos, etc.

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A seguir, veja como proceder no caso de veículos.

Veículos

O Código de Processo Penal é omisso quanto ao


assunto. A busca efetuada em veículos possui natureza
peculiar, pois pode ser considerada ora pessoal, ora
domiciliar, tendo em vista a utilização do veículo.

Há entendimento de que a busca pessoal consiste não só na “revista” das vestes,


malas e outros objetos que estejam com a pessoa, como também no veículo onde ela
se encontre.

Ocorre, porém, que tal interpretação deve ser restrita aos momentos em que o veículo
esteja sendo usado como meio de transporte.

EXEMPLO

A busca realizada, por exemplo, em trailer utilizado naquele momento como moradia,
deve obedecer a todas as restrições inerentes à busca domiciliar.

Com os caminhoneiros, a regra a ser aplicada não deve ser


diferente. Estando o caminhão estacionado e com as
cortinas fechadas, ao menos se pode deduzir que ali se
encontra um cidadão em seu direito à privacidade e,
portanto, não pode ser incomodado à exceção dos
permissivos legais.

Ainda com os caminhoneiros, muitas das cabines do veículo possuem compartimentos


separados para o repouso. Há de se observar que o caminhoneiro utiliza aquele

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8

compartimento destinado ao seu descanso como sendo sua casa e assim deve ser
respeitado.

Nestes casos, recomenda-se solicitar autorização do caminhoneiro para a realização das


buscas, eis que estes, na grande maioria, exigem uma atuação mais presente dos
policiais, principalmente nas rodovias. Sempre estão dispostos a colaborar com as ações
policiais.

Em qualquer das hipóteses deverá haver, como já foi dito, “fundadas suspeitas” ou
“fundadas razões”.
A seguir, você conhecerá as orientações em relação ao ambiente de hotéis e motéis.

Hotéis e Motéis

Estando os quartos ocupados, com


ou sem a presença dos hóspedes,
é indiscutível que a intimidade e a
vida privada estão presentes e,
portanto, são considerados
casa/domicílio para os efeitos
legais.
Mesmo não estando ocupados, pode ser necessário realizar uma busca no quarto de
hotel/motel. Veja a situação a seguir.

ATIVIDADE DESCRITIVA

Analise a seguinte situação:


Antônio acaba de encerrar a sua conta no Hotel Descanso e deixou definitivamente o local. Você
acredita que a busca possa ser realizada sem a ordem judicial? Registre sua resposta:

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E quanto às instituições financeiras e casas de câmbio? Veja a seguir.

Instituições Financeiras e Casas de Câmbio

Devem ser seguidas as mesmas regras de estabelecimentos


comerciais. Aqui vale destacar que normalmente o que se busca não
está disponível nos locais de acesso ao público em geral.
Em regra, o que se busca está em cofres ou em documentos e
arquivos guardados em compartimentos reservados e às vezes até
mesmo ocultos (fundos e paredes falsas).

Persiste a recomendação da solicitação de ordem judicial.

Vejamos, a seguir, a busca e apreensão em ambientes de escritórios de advocacia.

Escritórios de Advocacia (sigilo)

A inviolabilidade do escritório de advocacia não é absoluta.


Assim, a polícia pode realizar busca e apreensão no escritório
de advogados, porém deve a diligência ser autorizada
judicialmente e acompanhada por representante da Ordem dos
Advogados do Brasil (art. 7º, inciso II da Lei nº 8.906/94).

A eficácia deste dispositivo permaneceu suspenso em virtude de liminar concedida pelo Supremo
Tribunal Federal – STF apreciando a ADIN nº 1.127/8.

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Entretanto, em julgamento realizado no dia 17/05/2006, a decisão final declarou


improcedente a ação direta de inconstitucionalidade promovida pela Associação dos
Magistrados Brasileiros, no tocante a esta previsão legal, ou seja, a diligência deve ser
acompanhada pela presença do advogado.

Mesmo sendo obrigatória a presença de um representante da OAB na execução da


diligência de busca e apreensão em escritório de advocacia, isto não importa em
antecipar ao representante o local em que a busca irá ser realizada e nem mesmo seus
objetivos.

Veja a seguir algumas orientações:

 Por este ângulo você, policial, pode se dirigir até o local, anunciar a busca e
aguardar a presença do representante para dar início à diligência.
 Para que sua diligência não seja prejudicada por possível quebra do sigilo
necessário, dirija-se até o local e mantenha a situação sob controle.
 Simultaneamente, sugere-se que seja designado um policial encarregado de
estabelecer os contatos necessários com o representante da OAB para o
acompanhamento da diligência.
 Este policial poderá utilizar vários métodos para efetuar a comunicação, não se
esquecendo de documentá-la. Não sendo possível fazê-lo pessoalmente,
recomenda-se utilizar o fac-símile para enviar um ofício ao Presidente da OAB
(subseção) comunicando-o da diligência, assim como solicitando a designação de
um representante para acompanhá-la.
 Ainda, deverá procurar manter contato telefônico com gravação da conversa
estabelecida, ou recado deixado na caixa postal, com data e hora registradas.

ATIVIDADE DESCRITIVA

Mas e se você não conseguir manter contato com o representante da OAB? O que
deve ser feito? Cancelar a execução da busca? Registre sua resposta:

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ATIVIDADE DESCRITIVA

E se o advogado não renunciar ao seu direito? Você ainda assim entraria no seu
escritório para realizar a busca? Registre sua resposta:

Parece improvável, mas em algumas circunstâncias poderá a OAB recusar-se a enviar um


representante para o devido acompanhamento. Neste caso, procure estabelecer um
tempo razoável para a chegada do representante.

Não chegando, inicie a busca e, lógico, não deixe de relacionar os fatos como se deram
no auto circunstanciado que será elaborado.
Como você estudou na aula 2, o art. 243, § 2º, do CPP, procurando resguardar
elementos de prova, estabeleceu que“não será permitida a apreensão de documentos
em poder do defensor do acusado, salvo quando constituir elemento do corpo de delito”.

Desse modo, recomenda-se que na realização da busca e apreensão em escritório de


advocacia, sejam observadas essas formalidades.

Finalmente, ressaltamos que a presença do representante da OAB tem o objetivo de


resguardar as garantias da atividade profissional da categoria, como, por exemplo, a
situação mencionada no parágrafo anterior.

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DICA
Lembre-se, ainda, que o advogado é essencial à administração da justiça e trabalha na
defesa das garantias e direitos individuais e coletivos.

E quanto aos organismos diplomáticos? Veja a seguir!

Organismos Diplomáticos

(...) não podem sofrer busca: os funcionários diplomáticos ordinários, ou


extraordinários, em pessoa; a residência particular ou oficial, seu mobiliário, os
arquivos e documentos da Missão, os meios de transporte da Missão; a
correspondência oficial; bem assim a mala diplomática.

Assim, é possível a realização de busca somente com o consentimento do agente


diplomático e, nesta hipótese, aconselha-se que esta autorização seja expressa e feita na
presença de testemunhas.

Bem, você concluiu aqui o estudo da unidade que orientou sobre como proceder em
diferentes ambientes no caso de busca e apreensão. A seguir, vamos ao fechamento da
aula e a atividade de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

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Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula


FECHANDO AULA...
Fechamos aqui o conteúdo da aula 5. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou as características de diferentes ambientes, podendo


compreender como proceder numa ação de busca e apreensão nestes locais.

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e fale com seu tutor. Não vá em frente
se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

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AULA 05 – Ambientes Específicos.
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Atividades de Fechamento da Aula

Para fechar esta aula propomos um jogo de caça-palavras.


Procure as palavras que completam as seguintes frases e clique sobre suas letras.

a) ___________ é a habitação particular, o local reservado à vida íntima do indivíduo ou


à sua atividade privada, seja ou não coincidente com o domicílio civil.

b) Há entendimento de que a busca pessoal consiste não só na “revista” das vestes,


malas e outros objetos que estejam com a pessoa, como também no ___________onde
ela se encontre.

c) No ___________ estando os quartos ocupados, com ou sem a presença dos


hóspedes, é indiscutível que a intimidade e a vida privada estão presentes.

d) O ___________ é essencial à administração da justiça e trabalha na defesa das


garantias e direitos individuais e coletivos.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06
INCIDENTES DECORRENTES
DA EXECUÇÃO DO
MANDADO JUDICIAL
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 6.................................................................................................................3

INCIDENTES DECORRENTES DA EXECUÇÃO DO MANDADO JUDICIAL..............................3

UNIDADE 1 ..........................................................................................................................................4

UNIDADE 2...........................................................................................................................................6

OUTRAS PROVAS NÃO PREVISTAS ...............................................................................................6

UNIDADE 3............................................................................................................................................8

TESTEMUNHAS ...................................................................................................................................8

UNIDADE 4...........................................................................................................................................10

LOCAIS DE DIFÍCIL ACESSO ...........................................................................................................10

UNIDADE 5...........................................................................................................................................11

IMPRENSA E OUTROS PROFISSIONAIS.........................................................................................11

FECHAMENTO DA AULA ................................................................................................................13

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA .....................................................................................14


AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
3

Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial

Olá! Você está na aula 6 do curso Busca e Apreensão.

Nesta sexta aula você vai conhecer os incidentes que podem acontecer em uma execução de
um Mandado Judicial e como lidar com diversas situações.

Você sabe que a execução de um Mandado de Busca e Apreensão requer policiais


preparados e dotados de bom senso que lhes possibilite avaliar cada situação inesperada
e tomar as decisões mais apropriadas.

Por isso esta aula certamente vai ser muito importante para você.

Para facilitar seu estudo, o conteúdo desta aula foi dividido em 5 unidades:

 Unidade 1: Prisão em flagrante na execução da busca.


 Unidade 2: Outras provas não previstas.
 Unidade 3: Testemunhas.
 Unidade 4: Locais de difícil acesso.
 Unidade 5: Imprensa e outros profissionais.

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

 Identificar a prisão em flagrante.


 Listar outras provas não previstas.
 Reconhecer a importância de testemunhas.
 Compreender o papel da imprensa e outros profissionais.

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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
4

Prisão em Flagrante na Execução da Busca

Nesta unidade você vai aprender a lidar com um flagrante em uma execução de busca e
apreensão.

Você já deve ter passado por uma situação de busca e deve saber que a própria
diligência em si já provoca um certo estresse tanto nos policiais que a executam como
nas pessoas a quem ela se dirige. E essas situações podem se transformar em
incidentes, sendo o mais comum deles a resistência ao trabalho policial e o desacato
aos seus agentes.

A fim de evitar que esses incidentes ocorram, o que certamente atrapalhará a sua ação
no local da busca e desviará o foco da diligência, você deverá avaliar cada caso e decidir
que atitude tomar levando-se em conta que essas eventuais crises não podem se tornar
mais importantes, pelo menos naquele momento, que a própria diligência de busca em
si.

Nem sempre o acesso aos locais que sofrerão a Essas resistências podem advir tanto de
criminosos, que por motivos óbvios não
busca será fácil. As pessoas costumam se opor a
querem se submeter à ação policial,
qualquer espécie de “invasão”, mesmo que quanto por pessoas inocentes que tenham
amparada por lei. a sua privacidade invadida.

Os obstáculos criados por tais indivíduos podem tipificar uma ou mais condutas previstas
no Código Penal, principalmente os crimes de resistência,
Artigos 329, 330 e 331
desobediência e desacato os mais comuns nas hipóteses de
respectivamente.
cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão.

Resistência

Art. 329 – Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário
competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos.
1º – Se o ato, em razão da resistência, não se executa:
Pena – reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos.
2º – As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.
Desobediência

Art. 330 – Desobedecer a ordem legal de funcionário público:


Pena – detenção de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, e multa.

Desacato

Art. 331 – Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:


Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

EXEMPLO
Podemos citar as situações em que o indivíduo se nega a dar acesso ao local aos
policiais, impedindo a sua entrada ou mesmo partindo para agressões físicas,
xingamentos, etc.

Quando possível, as medidas pertinentes contra o infrator devem ser tomadas ao final da
execução da busca, a fim de que eventuais problemas na formalização dos

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
5

procedimentos legais não dispersem o foco da diligência nem se transformem numa


situação que exija mais a sua atenção do que a busca propriamente dita.

É importante observar que tais infrações, por se classificarem como crimes de mera
conduta, necessitam de testemunhas para a sua caracterização, podendo ser usadas as
mesmas que acompanharam as buscas.

Todavia, a melhor recomendação é sempre aquela de ordem preventiva.

Procure manter sempre as pessoas impertinentes distantes do local da busca, em um


perímetro secundário, pois o descontrole pode levar até mesmo à destruição do indício
ou da prova que se busca.

Na próxima unidade você vai estudar outras provas não previstas.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
6

Outras Provas Não Previstas

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você viu como lidar com um flagrante em uma execução de busca e
apreensão. Nesta unidade vamos tratar de provas que você pode encontrar no local e
que não estava no seu mandado de busca.

Bem um outro incidente que pode ocorrer está relacionado à constatação de outros
elementos de provas ou indícios que não sejam objeto da sua busca.

EXEMPLO

Encontrar alguma droga ilícita no cumprimento de um Mandado de Busca e


Apreensão de armas e munições (ou vice-versa).

ATIVIDADE DESCRITIVA

O que você faria numa situação como essa? Registre sua resposta.

.
A dúvida surge quando o agente se depara com outras provas ou indícios de crime(s)
que não estejam diretamente relacionados com o objeto da busca.

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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
7

EXEMPLO

Um caso que ilustra bem tal situação é aquele em que você pode se deparar com
documentos relacionados a uma eventual fraude de natureza fiscal em uma execução
de busca relativa a entorpecentes, por exemplo.

Nessas circunstâncias, tais provas só terão validade após nova autorização judicial, o que
não impede sua arrecadação por meio de auto circunstanciado até decisão do
magistrado.

Portanto, a boa cautela orienta no sentido de se solicitar a expedição de um novo


mandado, com o que não se correria o risco de a prova ter sido obtida por meio não
autorizado constitucionalmente, ou seja, por meio ilícito.

A permanência no local sem chamar a atenção para a outra prova encontrada seria a
atitude correta, até que o novo mandado possa ser expedido.

Dependendo das circunstâncias e do relacionamento com o Poder Judiciário local, até


mesmo poder-se-ia solicitar a presença do magistrado no local, conseguindo-se, desta
forma, maior celeridade no desencadeamento.

A seguir, você vai estudar como conseguir testemunhas.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
8

Testemunhas

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você estudou como tratar de provas que você pode encontrar no
local e que não estava no seu mandado de busca. Nesta unidade veja como conseguir
testemunhas.

Como você já deve saber, conseguir testemunhas para acompanhar a busca é uma das
tarefas mais difíceis para os policiais. Veja...

Ninguém quer se envolver nesse tipo de situação,


principalmente por medo de represálias por parte
daqueles que podem ser incriminados em
decorrência daquilo que vier a ser apreendido, ou
pelo tempo que perderá na formalização dos
procedimentos legais que se seguem à diligência,
assim como para a aplicação do direito e da justiça,
fortalecendo o estado democrático.

A solução para problemas dessa natureza depende,


principalmente, da sua capacidade de persuasão,
de convencimento, sempre no sentido de que a
colaboração da testemunha é mais que uma mera
formalidade, é algo imprescindível para a execução
daquele trabalho. Mas nem sempre, por melhor que
você aja, obterá sucesso.

Assim, a fim de evitar uma crise que serviria apenas para atrapalhar a sua diligência, o
mais aconselhável seria tentar a colaboração de outras pessoas. Mas cada caso é um
caso. Cabe a você ponderar a situação e agir conforme o seu bom senso e suas reais
necessidades.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
9

DICA
Quando da elaboração do planejamento operacional, se possível, deve ser destacado um
policial para a execução desta tarefa preliminar, optando-se por aquele que tenha um
pouco mais de sensibilidade e paciência.

A seguir, você vai estudar as características de locais de difícil acesso.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
10

Locais de difícil Acesso

RELEMBRANDO

Na unidade anterior você aprendeu como conseguir testemunhas. Nesta unidade você
estudará como proceder ao se deparar com locais de difícil acesso.

É provável que você venha a se deparar com obstáculos difíceis de serem transpostos
durante a execução de uma busca.

EXEMPLO

Casas com muros extremamente altos, portões sólidos, cercas elétricas, animais
ferozes, alarmes, etc.

Em tais situações, caso você não se sinta seguro, ou não disponha dos equipamentos
necessários para superar tais obstáculos, é aconselhável que:

Recorra a colegas melhores preparados para esses tipos de ações, a exemplo


dos grupos táticos que hoje em dia existem em quase todas as instituições
policiais.

Evita-se, com isso, que a demora na transposição desses obstáculos possibilitem ao


infrator se desfazer de eventuais provas que possam incriminá-lo. Ademais, procura-se
evitar também que o policial despreparado venha a sofrer qualquer lesão.

Em suma, é difícil elencar todos os problemas que podem surgir durante o cumprimento
de um mandado de busca e apreensão.
O que se deve evitar, como já foi dito, é que qualquer nova crise se revele mais grave
que aquela que você já estava pronto a enfrentar.

Os policiais que executam a busca devem estar bem preparados, saber o que estão
procurando e ter o bom senso necessário para lidar com as mais inusitadas situações.

A seguir, veja como lidar com a imprensa e outros indivíduos estranhos à busca.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
11

Imprensa e Outros Profissionais

RELEMBRANDO
Na unidade anterior você estudou como proceder ao se deparar com locais de difícil
acesso. Nesta unidade veja como lidar com a imprensa e outros indivíduos estranhos à
busca.

Bem, dependendo da importância da investigação, é possível que a mídia esteja presente


no palco de operações, sendo que em algumas situações a atuação de repórteres e
jornalistas pode, eventualmente, atrapalhar o desempenho dos policiais.

Para lidar com tais profissionais, deve ser designado um policial ou outro servidor
da sua instituição que saiba quais informações podem ou não ser repassadas,
levando-se sempre em conta que a imprensa tem o direito de exercer o seu papel
de informar, mas que eventuais sigilos da investigação devem ser preservados a
fim de não prejudicar o desenvolvimento dos trabalhos.
Estabeleça perímetros imaginários caso não possua “cordões/fitas de isolamento” e
deixe claro àqueles profissionais até onde podem chegar.

A execução do mandado de busca deve ser executado somente por policiais.

DICA
Lembre-se, então, de que a ordem judicial não lhe dá poderes para autorizar o acesso da
imprensa no imóvel em que a busca está sendo realizada. Uma conduta inadequada
nesse sentido poderá lhe trazer conseqüências nos aspectos jurídicos.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
12

Outros indivíduos estranhos à busca podem surgir no local de sua execução. Às vezes
passam despercebidos e podem se confundir com aqueles que lá já se encontravam.

É importante sempre identificar todas as pessoas antes de dar início ao trabalho,


retirando todas aquelas que nada têm a ver com a diligência.

Assim, evita-se atribuir erroneamente a alguém a responsabilidade pela eventual posse


de determinada prova material, ou, por outro lado, que se deixe impune aquele a quem
deve recair tal responsabilidade.

Vale salientar que se deve levar em consideração a eventualidade da realização de busca


pessoal naqueles que irão deixar o recinto, pois poderão estar levando consigo algo que
interesse à investigação.

Você concluiu aqui o estudo da aula 6. A seguir, vamos ao fechamento da aula e as


atividades de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
13

Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula

FECHANDO AULA
Fechamos aqui o conteúdo da aula 6. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você pôde conhecer os incidentes decorrentes da execução do mandado


judicial como: prisão em flagrante na execução da busca; outras provas não previstas;
testemunhas; locais de difícil acesso; imprensa e outros profissionais.

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 06 – Incidentes Decorrentes da Execução do Mandado Judicial
14

Atividades de Fechamento da Aula

Você estudou nesta aula alguns dos principais tipos de incidentes que podem ocorrer no
momento do mandado de busca.

Agora, busque uma situação vivenciada por você ou por algum de seus amigos policiais
que represente um ou mais desses incidentes. Descreva como foi a ação da diligência e
proceda sua análise do fato de acordo com o que você aprendeu nesta aula, discorrendo
se a diligência agiu corretamente, se agiu corretamente em parte e em que aspectos a
ação de busca poderia ser melhorada.

Disponibilize o resultado para os demais alunos da turma e para seu tutor.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 07
QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 7 ............................................................................................................3

UNIDADE 1 ..................................................................................................................................... 4

QUALIFICAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA SEGURANÇA PÚBLICA ....................................4

FECHAMENTO DA AULA .............................................................................................................9

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA ..................................................................................10


AULA 07 – Qualificação Profissional.
3

Qualificação Profissional

Olá! Você está na aula 7 do curso Busca e Apreensão.

Esta sétima aula vai tratar da qualificação dos profissionais da área da segurança pública.
Como já falamos, todo policial que for utilizado em uma equipe de busca deve estar muito
Bem preparado para os problemas que poderá enfrentar. Além disso, deverá conhecer o
motivo pelo qual a diligência em questão está sendo executada, ou seja, quais provas e
indícios serão importantes para o seu caso. Então precisa, para isso, se qualificar, certo?

Para facilitar seu estudo, o conteúdo foi organizado nas seguintes unidades:

 Unidade 1: Qualificação dos profissionais da segurança pública..


 Unidade 2: Outros agentes públicos.

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

 Identificar a contribuição de cada profissional da área de segurança pública para o


planejamento da busca e apreensão.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 07 – Qualificação Profissional.
4

Qualificação dos Profissionais da Segurança Pública

A aula 7 é composta por apenas uma unidade, que se divide em 5 tópicos. Cada tópico
apresenta a qualificação de uma categoria de profissionais da área de segurança pública
para ações de busca e apreensão.

1. Qualificação dos delegados.


2. Qualificação dos peritos criminais.
3. Qualificação dos Agentes.
4. Qualificação dos Escrivães.
5. Outros agentes públicos.

Você sabia que é muito comum o emprego de policiais que nada sabem da investigação
no momento da busca?

É isso mesmo! E essa deficiência pode afetar o bom resultado da diligência, já que
algumas provas importantes podem ser negligenciadas em virtude da falta de
conhecimento sobre o quê se procura efetivamente.

E quanto aos delegados, que qualificação é exigida? Veja a seguir.

Qualificação dos Delegados

No caso do Delegado de Polícia, sua atuação requer uma qualificação a mais, pois além
de liderar a equipe e zelar pelo cumprimento dos preceitos legais, deverá atuar a
posteriori na formalização dos procedimentos, exercendo o seu papel de autoridade
policial, conforme prescreve o Código de Processo Penal.

Nesse sentido, é essencial conhecer todos os aspectos legais que envolvem a


investigação. Veja a seguir.

O delegado precisa:

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 07 – Qualificação Profissional.
5

 Saber interpretar a extensão da autorização judicial para determinar os limites da


sua atuação no caso concreto.
 Ter, ainda, uma boa dose de experiência e sensatez para tomar decisões muitas
vezes inesperadas.

EXEMPLO

Por exemplo, se poderá apreender determinado documento que, à primeira vista, não
parece diretamente relacionado com o objeto da busca, mas que em uma análise
posterior poderá interessar; ou se um computador deverá ser levado ou apenas ter o
seu disco copiado, etc.

Muitas situações nesse sentido costumam ocorrer, sendo a mais relevante de todas saber
diferenciar a conduta de cada um dos indivíduos presentes no local a fim de atribuir-lhes
a responsabilidade na medida de sua culpabilidade.

A seguir, veja a qualificação necessária para os peritos criminais.

Qualificação dos Peritos Criminais

A qualificação aqui enfocada deve ser dividida em duas partes:

Primeira
Formação e especialização profissional dos peritos criminais que vão ser
escalados para um determinado local de busca e apreensão.
Segunda
Diz respeito à preparação que eles devem receber para a execução da missão
específica.

Os peritos precisam ter formação e especialização profissional. Veja por quê.

Quando chegar ao Instituto de Criminalística uma requisição para local de busca e


apreensão, o Diretor designará os peritos que tenham formação acadêmica relacionada e
especialização compatível com o que está sendo investigado.

Isso vai facilitar, em muito, para os próprios peritos escalados e para a equipe que vai
atuar na busca.

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 07 – Qualificação Profissional.
6

Em alguns casos pode envolver a necessidade de duas especializações, o que será


resolvido facilmente, já que a lei determina que as perícias sejam feitas por dois peritos.

Assim, em um caso que precise de conhecimentos de exame de local e também de


documentos contábeis, basta ter um perito especialista em cada uma dessas duas áreas.

IMPORTANTE

É importante que a autoridade policial, ao requisitar a participação de peritos,


fundamente em detalhes qual a sua necessidade para o local, a fim de que o diretor
do IC possa designar os peritos criminais adequados à missão.

Algumas vezes é necessário um treinamento para uma missão específica.

Assim, a outra parte requerida para a qualificação dos peritos criminais diz respeito
diretamente às instruções e informações que deve receber do caso específico.

Assim, temos duas formas dessa qualificação:

Primeira
Quando do encaminhamento da requisição ao Instituto de Criminalística, em que a
autoridade policial deverá fornecer o máximo de dados sobre a referida busca e
apreensão.
Segunda
Será no momento que a autoridade policial promover a reunião de toda a equipe que
irá atuar no caso. Em não sendo necessária ou possível tal reunião, recomendamos,
pelo menos, que o delegado de polícia faça contato pessoal ou por telefone com os
peritos criminais designados para acertarem os detalhes da missão.

Por último, no dia da execução, todos os integrantes da equipe devem se reunir na


delegacia correspondente, onde haverá a última oportunidade para que quaisquer
dúvidas sejam esclarecidas.

A seguir, veja a qualificação requerida aos agentes.

Qualificação dos Agentes de Polícia

A qualificação dos Agentes deve englobar, além do conhecimento específico de todos os


aspectos que envolvem a investigação que originou a busca, a capacidade de transpor
alguns obstáculos que normalmente surgem na execução da diligência, como dito acima.

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 07 – Qualificação Profissional.
7

Agentes com boa aptidão física são essenciais em determinados casos, já que não
raro o emprego da força para superar os obstáculos. Costumam ser exigidos em
determinadas situações que o agente pule muros, arrombe portas, contenha
eventuais agressores, identifique substâncias entorpecentes, etc.

E quanto à qualificação dos escrivães? Veja sobre isso a seguir.

Qualificação dos Escrivães

O papel dos Escrivães numa busca normalmente não se restringe às tarefas cartorárias.
Em alguns casos, este profissional de polícia é chamado a atuar como todos os demais
policiais, já que nem sempre o número de Agentes na equipe é o satisfatório.

Mas a principal função do Escrivão em diligências dessa natureza requer, além do


conhecimento das regras legais e processuais, que é inerente ao seu cargo, de uma
preparação que o possibilite também a enfrentar algumas situações adversas
relacionadas ao seu papel na equipe.

Muitas vezes a busca se desenvolve em lugares distantes do ambiente policial, o que


pode obrigar que o auto respectivo seja lavrado no próprio local. Para isso, é importante
que o Escrivão preveja quais materiais e equipamentos deverá levar consigo para essas
eventualidades.

Além disso, cabe a ele a responsabilidade pela guarda dos objetos apreendidos até
que outro destino lhes seja dado.

Para finalizar esta aula, veja, a seguir, a qualificação de outros agentes públicos.

Outros Agentes Públicos

Algumas diligências de busca e apreensão requerem a presença de outros Agentes


Públicos, os quais normalmente atuam em auxílio aos policiais na análise e seleção das
provas e indícios que interessem à investigação.

Esse tipo de trabalho em conjunto é uma prática que vem se consolidando nos últimos
anos. Não chega a ser uma força-tarefa propriamente dita, mas sim a união de esforços

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 07 – Qualificação Profissional.
8

entre a polícia e outros órgãos diretamente interessados na apuração de determinado


delito.

É comum a utilização de servidores de órgãos de fiscalização e controle como:

Receita Federal e Estaduais, do Banco Central do Brasil, do Ibama e Secretarias


Estaduais de Meio Ambiente, da Previdência Social, etc.

Tais servidores podem ser utilizados tanto na fase investigatória quanto na execução da
busca, já que detêm conhecimentos técnicos específicos que lhes permitem entender
melhor a dinâmica dos fatos e mostrar aos policiais qual o melhor caminho a tomar.

EXEMPLO

Exemplos dessas uniões de esforços são as investigações que culminam em busca e


apreensão de documentos fiscais e contábeis, nas quais participam auditores e
técnicos do Fisco, da Previdência Social etc.; nas operações de fechamento de rádios-
piratas, com a presença de fiscais da Anatel; nas fiscalizações em áreas de proteção
ambiental, com técnicos do Ibama, etc.

Contudo, em que pese os aspectos positivos que advêm desse tipo de cooperação entre a
Polícia e outras instituições públicas, é necessário que você tenha em mente que nem
sempre esse esforço se mostra viável, já que a compartimentação inerente a certos tipos
de trabalho pode impedir a interferência de colaboradores externos, pelo menos em
determinadas fases da investigação.

Fechamos aqui a unidade 1 da aula 7. A seguir vamos ao fechamento da aula e as


atividades de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 07 – Qualificação Profissional.
9

Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula

FECHANDO AULA...
Fechamos aqui o conteúdo da aula 7. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação desta
aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou as exigências de qualificação dos profissionais da área de


segurança pública nas ações de busca e apreensão. Você, como um desses profissionais,
deve estar neste momento mais seguro do que deve saber para estar qualificado para
estas ações.

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e fale com seu tutor. Não vá em frente
se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 07 – Qualificação Profissional.
10

Atividades de Fechamento da Aula

Você estudou a qualificação necessária aos diferentes profissionais na área de segurança


pública referente às ações de busca e apreensão.

Descreva brevemente a qualificação de cada um e faça uma análise da sua qualificação


hoje. Você se sente mais qualificado? O que você acha que ainda deveria saber em
relação à busca e apreensão?

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão.


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AULA 08
LOGÍSTICA NECESSÁRIA
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 8..............................................................................................................3

UNIDADE 1 ......................................................................................................................................4

LOGÍSTICA NECESSÁRIA..............................................................................................................3

UNIDADE 2........................................................................................................................................6

DEFINIÇÃO DA EQUIPE QUE VAI ATUAR ................................................................................6

UNIDADE 3........................................................................................................................................7

ACOMPANHAMENTO DE PERITOS E OUTROS AGENTES PÚBLICOS .................................7

UNIDADE 4.........................................................................................................................................8

INVESTIGAÇÃO PRÉVIA.................................................................................................................8

FECHAMENTO DA AULA .............................................................................................................10

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA ...................................................................................11


AULA 08 – Logística Necessária
3

Logística Necessária

Olá! Você está na aula 8 do curso Busca e Apreensão.

Nesta oitava aula trataremos da logística necessária nas ações de busca e apreensão.

Para facilitar seu estudo, o conteúdo foi organizado nas seguintes unidades:

 Unidade 1: Análise das necessidades, a partir da solicitação.


 Unidade 2: Definição da equipe que vai atuar.
 Unidade 3: Acompanhamento de Peritos e outros agentes públicos.
 Unidade 4: Investigação Prévia (se for o caso).

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

 Enumerar os elementos da logística;.

 Listar o que deverá ser observado para definição da equipe.

 Enumerar as ações de acompanhamento realizadas por Peritos e outros


agentes públicos;.

 Explicar o que é investigação prévia.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 08 – Logística Necessária
4

Análise das Necessidades, a Partir da Solicitação

Na primeira unidade da aula 8, você vai estudar a necessidade de um planejamento


operacional na realização de uma busca, seja ela domiciliar ou pessoal.

Logicamente que na busca pessoal, este planejamento é realizado apenas


mentalmente, em que você policial irá aplicar todas as técnicas que lhe foram
repassadas por ocasião de sua formação profissional, objetivando em um primeiro
momento, resguardar a integridade física da pessoa que irá sofrer a busca, assim
como, se preocupará consigo e seus pares.

Sempre tenha em mente a seguinte indagação: eu/nós estou (amos) em condições de


executar a busca sem riscos?

Para obter a resposta, basta checar se para sua realização estão presentes todos os itens
de pessoal, material e de segurança necessários. Estando tudo pronto, execute-a, pois o
planejamento é um importante aliado para qualquer diligência policial.

Não estando disponibilizados todos os recursos, analise a situação e verifique sobre a


possibilidade de seu desencadeamento ocorrer em outra oportunidade.

ATIVIDADE DESCRITIVA

Mas o que é necessário para a realização da busca? Registre sua

Curso Busca e Apreensão


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AULA 08 – Logística Necessária
5

Bem, você deve ter observado que para cada busca existe uma necessidade. Avalie o
caso específico. Discuta com seus companheiros de equipe o planejamento, antes de
colocá-lo em prática. Muitos dos policiais envolvidos podem ter experiências anteriores e
poderão auxiliar na solução de problemas, ou até mesmo antevê-los.

Nestas situações, muitas das vezes dizem que o colega é detalhista, o que pode até ser
verdade, entretanto, situações adversas vão ser encontradas e merecem ser previstas.

A seguir, vamos estudar a definição da equipe que vai atuar.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 08 – Logística Necessária
6

Definição da Equipe que Vai Atuar

Toda organização policial está balizada em dois princípios fundamentais que garantem
seu bom desempenho: disciplina e hierarquia.

O chefe da equipe deverá definir com detalhes o que cada policial irá fazer no momento
da execução da busca e após seu término. Isto é fundamental. O chefe/coordenador
deve estar atento à tomada de decisões que podem ser exigidas no decorrer da busca,
não sendo aconselhável que esteja vasculhando o imóvel em busca do que se procura.
Esta pessoa tem que estar acompanhando a diligência e orientando o cumprimento do
convencionado com cada componente da equipe, dentro daquilo que foi anteriormente
planejado.

União, profissionalismo, otimismo, perseverança e solidariedade são algumas das


palavras que devem ser postas em prática no desenrolar da diligência.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 08 – Logística Necessária
7

Acompanhamento de Peritos e Outros Agentes Públicos

Identificada a necessidade da presença de peritos criminais na diligência, nos termos da


legislação processual, a autoridade policial deve emitir a respectiva requisição ao
Instituto de Criminalística para que estes valorosos profissionais estejam presentes, pois
muitos dos indícios e provas buscadas merecem um manuseio adequado, sob pena de se
perder todo o trabalho realizado. E não é só. Veja...

É cediço que a prova pericial é de fundamental relevância no aspecto criminal, pois se


assim não fosse, não haveria determinação legal de sua realização em todos os
crimes em que forem encontrados vestígios.

Em muitas oportunidades, agentes públicos de outros órgãos acompanham as diligências


de busca e apreensão, os quais prestam auxílio essencial no desenvolvimento dos
trabalhos, devido até mesmo a experiência no ramo de atividade que desempenham
rotineiramente.

DICA

Servidores do IBAMA, INSS, RECEITA FEDERAL/ESTADUAL, ANATEL, INMETRO,


ANP, entre outros, estão presentes e devem ser acionados pela autoridade policial.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 08 – Logística Necessária
8

Investigação Prévia

Além do conhecimento que


o policial deve ter sobre os
objetivos de sua busca, ou
seja, do que precisa
apreender/constatar para
instruir a investigação, é
também importante que
antes do início da diligência
todos aspectos do local
onde se desenvolverá a
ação esteja devidamente
levantados.

Uma investigação prévia sobre o local da busca proporciona maior segurança para a
operação. É necessário determinar a exata localização do imóvel (ou veículos) onde a
ação será desenvolvida, devendo englobar os seguintes aspectos:

 Vias de acesso (estradas, ruas e passagens), inclusive em relação a imóveis


vizinhos;
 Tamanho e tipo da construção (número de cômodos, portas, janelas e muros),
que podem ser usados tanto para a entrada dos policiais como para fuga de
eventuais pessoas que lá se encontrem;
 Animais de estimação, que podem denunciar a ação policial e alertar os ocupantes
do imóvel;
 Portarias e guaritas (em caso de condomínios), que podem se comunicar com o
imóvel, etc.

Todas essas informações são essenciais para o sucesso do trabalho, principalmente no


que tange à sua segurança e a de todos os demais participantes da equipe.

Um croqui bem elaborado permite uma ação eficaz e rápida, possibilitando inclusive o
posicionamento seguro de viaturas antes do momento de entrada no local.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 08 – Logística Necessária
9

O levantamento prévio evita ainda enganos sobre o


correto endereço do imóvel que deve constar no
pedido de busca dirigido ao juiz. Não raro o policial
se equivoca no número do imóvel ou no nome da
rua, estrada, etc., e isso pode suscitar
questionamentos por parte de quem sofre a ação,
principalmente quando nada é encontrado no local.

Com a investigação preliminar é também possível determinar o nível de


periculosidade da área onde você atuará.

A simples presença da polícia em determinados locais pode gerar reações


adversas por parte de outros indivíduos que nada tem a ver com o objetivo da
sua diligência. E isso ocorre, geralmente, em áreas dominadas por criminosos,
onde se localizam pontos de venda de drogas, por exemplo.

No caso de reação de indivíduos que nada tem a ver com a diligência, algumas
precauções devem ser adotadas a fim de preservar a segurança dos integrantes da
equipe como:
 Utilização de um número maior de policiais.
 Armamento adequado.
 Utilização de grupo de ação tática.

Enfim, para a determinar a logística a ser utilizada na ação, bem como para tornar a
diligência mais eficaz do ponto de vista da coleta de provas e indícios, é
imprescindível um levantamento prévio bem detalhado.

Você concluiu mais uma aula do curso “Busca e Apreensão”. A seguir, vamos ao
fechamento e a atividade de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 08 – Logística Necessária
10

Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula

FECHANDO AULA...
Fechamos aqui o conteúdo da aula 8. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos

Nesta aula você estudou, na unidade 1, a análise das necessidades, a partir da solicitação
de busca e apreensão. Na unidade 2, você viu a importância da definição da equipe que
vai atuar. Continuando seus estudos na unidade 3, estudou o acompanhamento de peritos
e outros agentes públicos e, na 4, pôde conhecer como se estabelece a investigação
prévia.

DICA
Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e fale com seu tutor. Não vá em frente
se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 08 – Logística Necessária
11

Atividades de Fechamento da Aula

1) Analise as afirmativas para ver quais estão corretas:

a) O planejamento operacional deve ser realizado sempre que houver necessidade


da realização de uma busca, seja ela domiciliar ou pessoal.
b) O chefe da equipe deverá definir com detalhes o que cada policial irá fazer no
momento da execução da busca e após seu término.
c) Não é normal que servidores do IBAMA, INSS, RECEITA FEDERAL/ESTADUAL,
ANATEL, INMETRO, ANP, entre outros, estejam presentes em uma ação de busca.
d) É importante que antes do início da diligência todos aspectos do local onde se
desenvolverá a ação esteja devidamente levantados.
e) Um croqui bem elaborado permite uma ação eficaz e rápida, possibilitando
inclusive o posicionamento seguro de viaturas antes do momento de entrada no
local.
f) A simples presença da polícia em determinados locais pode gerar reações
adversas por parte de outros indivíduos que nada tem a ver com o objetivo da sua
diligência.
Agora assinale a alternativa correta.
( ) a,b,c,d,f
( ) a,b,d,e,f
( ) a,b,c,e,f
( ) a,c,d,e,f

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 09
PLANEJAMENTO DA
EXECUÇÃO
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 9....................................................................................................................3

PLANEJAMENTO DA EXECUÇÃO......................................................................................................3

UNIDADE 1 .............................................................................................................................................4

REUNIÃO COM TODA A EQUIPE QUE VAI ATUAR........................................................................4

UNIDADE 2..............................................................................................................................................5

POSSIBILIDADES DE SUSPEITOS NO LOCAL..................................................................................5

UNIDADE 3..............................................................................................................................................6

DISCUSSÃO SOBRE O QUE SERÁ BUSCADO...................................................................................6

UNIDADE 4..............................................................................................................................................8

TAREFA DE CADA MEMBRO DA EQUIPE........................................................................................8

UNIDADE 5............................................................................................................................................10

ANÁLISE DA NECESSIDADE SIGILO ..............................................................................................10

UNIDADE 6............................................................................................................................................11

EXECUÇÃO SINCRONIZADA EM MAIS DE UM LOCAL .............................................................11

FECHAMENTO DA AULA ..................................................................................................................13

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA .......................................................................................14


AULA 09 - Planejamento da Execução
3

Planejamento da Execução

Olá! Você está na aula 9 do curso Busca e Apreensão.

Nesta nona aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:


Unidade 1: Reunião com toda a equipe que vai atuar
Unidade 2: Possibilidade de suspeitos no local (grau de periculosidade)
Unidade 3: Discussão sobre o que será buscado
Unidade 4: Tarefa de cada membro da equipe
Unidade 5: Análise da necessidade de sigilo
.Unidade 6: Execução sincronizada em mais de um local

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

 Identificar as ações a serem realizadas no planejamento da execução.


 Identificar a tarefa de cada membro da equipe.
 Valorizar o sigilo;.
 Reconhecer a importância de trabalhar de forma sincronizada.

Faça aqui suas anotações...

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4

Reunião com Toda a Equipe que Vai Atuar

Antes de partir para a execução da busca, é necessário que se faça uma


reunião com os todos integrantes da equipe a fim de esclarecer os detalhes da
operação e definir o papel de cada um na diligência.

Quando for necessário preservar o sigilo da operação, é aconselhável que esse encontro
ocorra momentos antes da saída da(s) equipe(s), oportunidade em que todas as dúvidas
devem ser esclarecidas, dentre elas deve ser discutido:

 O que deverá ser buscado e apreendido.


 Os aspectos relativos à segurança dos policiais.
 Possíveis incidentes.
 Pessoas no local.
 Logística, comunicações, emergências médicas, etc.

Dúvidas e esclarecimentos? Você verá melhor adiante

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Possibilidades de Suspeitos no Local (Grau de Periculosidade)

Como já foi dito anteriormente, uma das informações mais relevantes para o sucesso da
busca diz respeito às pessoas que podem ser encontradas no local.

IMPORTANTE

Cada diligência apresenta suas peculiaridades. Umas são tranqüilas e com pouca ou
quase nenhuma possibilidade de reação por parte de quem eventualmente esteja no
local, a exemplo das buscas em escritórios de profissionais liberais e empresas em
geral. Outras, principalmente às relacionadas a crimes de maior potencial ofensivo
(tráfico de drogas, seqüestros, contrabando de armas etc.) requerem uma ação mais
cuidadosa, já que os indivíduos que desenvolvem esses tipos de ilícitos apresentam
um grau de periculosidade imediata bem maior que aqueles de “colarinho branco”,
por exemplo.

Assim, uma das principais preocupações durante o levantamento prévio acima


comentado é aquela que visa determinar a presença de suspeitos no local da ação e o
seu grau de periculosidade.

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Discussão sobre o que será Buscado

Dependendo da natureza da investigação, é possível que as provas e indícios a serem


buscados exijam uma maior atenção dos membros da equipe.

EXEMPLO

Buscas de crimes de natureza fiscal e financeira (evasão de divisas, sonegação


fiscal,lavagem de dinheiro, etc.).

Geralmente é o delegado, ou outro policial encarregado do caso, quem melhor sabe o


que deverá ser apreendido, de forma que nem todos que participam da equipe detêm o
conhecimento necessário daquilo que realmente interessa para instruir a investigação.

Dessa forma, é imprescindível que se discuta previamente o que deve ou não ser
apreendido.

De preferência, o policial encarregado deve preparar uma lista sucinta com a descrição
daquilo que interessa à investigação, principalmente quando
Documentos, contratos,
a busca visa arrecadar provas documentais. títulos, etc.

DICA

Recomendamos, nesses casos, que eventuais provas documentais encontradas (se em


grande quantidade), sejam devidamente rubricadas tanto pelo encarregado da busca
quanto pela pessoa detentora, ou pela testemunha caso esta se recuse.

Procura-se, com essa medida, garantir a idoneidade da prova que eventualmente vier
instruir a investigação.

É preciso também estar atento ao objeto da busca constante no respectivo mandado,


evitando-se assim a apreensão de coisas que posteriormente não terão qualquer validade
para o seu trabalho.

Outra questão importante a ser discutida está relacionada ao impulso natural que
todo policial tem de apreender tudo o que encontra pela frente.

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Para muitos, é bem mais fácil agir assim do que ficar analisando o que de fato interessa
ou não.

Todavia, é preciso ter em mente que tudo aquilo que não interessar deverá ser restituído
aos seus detentores. Apreensões indiscriminadas geram uma grande perda de tempo na
confecção do auto de apreensão e, posteriormente, na devolução através do auto de
restituição. Contudo, é sempre recomendável que o auto de apreensão seja
confeccionado no próprio local da busca.

Faça aqui suas anotações...

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Tarefa de Cada Membro da Equipe

Quanto mais complexa a busca, mais bem definida deve ser a tarefa de cada membro da
equipe. E essa designação de tarefas não se confunde com aquela inerente ao cargo dos
policiais que compõem o grupo, a exemplo das atividades cartorárias que devem sempre
ser desempenhadas pelo Escrivão.

EXEMPLO

Em imóveis de pequenas dimensões e com poucos ocupantes, por exemplo, os


policiais designados poderão desempenhar várias funções ao mesmo tempo,
decidindo o que fazer à medida que a diligência for evoluindo. Ainda assim,
cada um deve saber de antemão qual será a sua principal função.

Contudo, a cada dia que passa as operações policiais têm se revelado cada vez mais
complexas, e essa complexidade se estende à execução de mandado(s) de busca e
apreensão.

Veja, a seguir, como dividir melhor essas tarefas!

Assim, é imprescindível que cada membro da equipe saiba exatamente o que deverá
fazer antes, durante e depois da busca. Essa designação de tarefas deve ser feita por
ocasião da reunião com a equipe que vai atuar e será instruída com as informações
obtidas através do levantamento prévio e daquelas já conhecidas ao longo da
investigação.

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ATIVIDADE DESCRITIVA

Mas...você sabe quais são as principais funções dos membros da equipe? Registre sua resposta.

Enfim, são muitas as situações que podem ocorrer, mas pelo menos aquelas mais
comuns devem ser previamente discutidas e atribuídas aos policiais conforme o perfil de
cada um.

A seguir, você vai saber por que é importante o sigilo sobre a busca e apreensão.

Faça aqui suas anotações...

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Análise da Necessidade Sigilo

Você já sabe que o sigilo é inerente a qualquer investigação policial!

No caso da busca e apreensão, essa necessidade de preservar a informação se revela


ainda mais acentuada, já que se trata de uma medida de cunho cautelar que pode se
tornar completamente inócua caso haja algum “vazamento”.

A imposição do sigilo depende principalmente da natureza da investigação e do tipo de


prova que se buscará. Quanto mais “volátil” essa prova, mais sigilo se impõe, já que a
mesma poderá ser destruída ou removida com maior facilidade.

EXEMPLO
Documentos e pequenos objetos de crime, alguns tipos de drogas, etc.

Em alguns casos, a necessidade de sigilo é tão crucial que os policiais que participam da
diligência só tomam conhecimento da mesma minutos antes do seu início.

O grau do sigilo deve ser decidido pelo encarregado do caso, após discussão com
todos os membros que compõem sua equipe de investigação.

Faça aqui suas anotações...

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Execução Sincronizada em Mais de um Local

O desencadeamento de múltiplas operações de busca e apreensão em uma mesma


investigação deve ser combinado entre as diversas equipes a fim de que a atuação
antecipada de uma não prejudique o resultado das demais.

A atuação sincronizada é uma das modalidades de preservação do sigilo comentado no


item anterior.

As equipes devem estar preparadas e perfeitamente sincronizadas para atuarem ao


mesmo tempo, pegando de surpresas os seus respectivos alvos.
Para manter essa sincronia, o sistema de comunicação entre os grupos de policiais se
revela como uma ferramenta essencial.

Às vezes, devido à distância em que se encontram dos seus respectivos locais de busca e
a alguns imprevistos durante o deslocamento, as equipes podem chegar em horários
distintos. Só a comunicação entre eles poderá corrigir a diferença de tempo e
restabelecer a sincronização necessária para o início da ação.

A marcação do dia depende das necessidades da investigação.

Estabelecimentos Comerciais:
É aconselhável que ocorra durante os dias úteis, quando se tem certeza que haverá
pessoas no local, evitando-se, assim, entrada através do arrombamento deportas.
Residências:
O horário é mais importante do que o dia, já que o melhor é realizar a busca antes
que os seus ocupantes saiam para trabalhar ou para outros compromissos durante
determinado período de tempo.

Outro aspecto a ser considerado, em relação ao dia e horário, é a possibilidade de se


encontrar pessoas que sirvam como testemunhas.

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AULA 09 - Planejamento da Execução
12

EXEMPLO

Em algumas áreas residenciais, por exemplo, durante os fins de semana pode ser
muito mais fácil encontrar essas pessoas do que nos dias úteis. Já em relação aos
estabelecimentos comerciais, costuma ocorrer exatamente ao contrário.

Como você já sabe, a lei não aponta o horário para a execução da busca, estabelecendo
apenas que seja feita durante o dia. A praxe policial entende que a expressão se traduz
no horário que vai das seis da manhã às seis da noite, nada impedindo que se realize
antes ou depois desse horário desde que haja luz do dia.

Bem, concluímos aqui mais uma aula. A seguir, temos o fechamento e a atividade de
conclusão.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 09 - Planejamento da Execução
13

Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula

FECHANDO AULA...
Fechamos aqui o conteúdo da aula 9. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula, para compreender como se faz o planejamento da execução de uma busca e
apreensão, você estudou sobre a reunião com toda a equipe que vai atuar nesta ação; a
possibilidade de suspeitos no local (grau de periculosidade); a discussão sobre o que será
buscado; a tarefa de cada membro da equipe; a análise da necessidade de sigilo e a
importância da execução sincronizada em mais de um local.

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

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AULA 09 - Planejamento da Execução
14
Atividades de Fechamento da Aula

Situação-problema
Você precisa planejar a execução de uma busca e apreensão em uma situação de
bastante risco. O que você deve fazer para que tudo ocorra adequadamente e a operação
seja um sucesso?
Elabore um planejamento e, depois de pronto, socialize com os demais alunos da turma
e com seu tutor.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 10
ATITUDES DA AUTORIDADE
POLICIAL
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 10...............................................................................................................3

ATITUDES DA AUTORIDADE POLICIAL ......................................................................................3

UNIDADE 1 .........................................................................................................................................4

OBSERVAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS....................................................................................4

UNIDADE 2...........................................................................................................................................5

COORDENAÇÃO DE EQUIPE ...........................................................................................................5

UNIDADE 3...........................................................................................................................................6

CONHECIMENTO DE TODAS AS NECESSIDADES.......................................................................6

UNIDADE 4...........................................................................................................................................7

ÉTICA E COMPORTAMENTO POLICIAL .......................................................................................7

FECHAMENTO DA AULA .................................................................................................................8

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA .......................................................................................9


AULA 10 - Atitudes da Autoridade Policial
3

Atitudes da Autoridade Policial

Olá! Você está na aula 10 do curso Busca e Apreensão.

Nesta décima aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

 Unidade 1: Observação das exigências legais.


 Unidade 2: Coordenação da equipe.
 Unidade 3: Conhecimento de todas as necessidades.
 Unidade 4: Ética e comportamento policial.

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

OBJETIVOS
A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

 Enumerar as exigências legais.


 Reconhecer aspectos que favorecem a coordenação da equipe.
 Identificar as necessidades.
 Reconhecer e valorizar a ética e o comportamento policial.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 10 - Atitudes da Autoridade Policial
4

Observação das Exigências Legais

Todo trabalho policial deve ser desenvolvido em perfeita consonância com os ditames das
leis.

O Delegado, por desempenhar as funções de autoridade policial, é o responsável


pelas investigações, cabendo a ele responder junto à justiça por eventuais desvios
de condutas e outras irregularidades que podem ocorrer durante o cumprimento
de um mandado de busca e apreensão. Contudo, a observação das exigências
legais se aplica a todos os policiais, já que cada um responde pelos seus atos.

No caso específico das diligências de busca e apreensão, como você já estudou no


decorrer deste curso, várias formalidades legais devem ser obedecidas, dentre elas:

 A apresentação e leitura do mandado aos seus destinatários.


 O horário para realização da diligência.
 A necessidade de testemunhas do povo.

IMPORTANTE
 A formalização da apreensão através de ato próprio.
O importante é que você tenha em mente que a inobservância de qualquer dessas
exigências legais pode levar à nulidade de todo um trabalho, além, é claro, de fazer com
o que o seu infrator responda tanto no aspecto administrativo-disciplinar como judicial.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 10 - Atitudes da Autoridade Policial
5

Coordenação de Equipe

Todo trabalho em equipe requer uma coordenação a fim de alcançar os resultados


propostos da melhor maneira possível.

De preferência, o coordenador de uma operação de busca e apreensão deve ser


aquele que esteja completamente a par dos detalhes do caso, já que tal
conhecimento será necessário no momento de decidir o que deve ou não ser
apreendido, ou seja, daquilo que realmente interessa para instruir a sua investigação.

Ao coordenador é designada a incumbência de distribuir as tarefas entre os integrantes da


equipe, de acordo com suas necessidades e com a aptidão de cada um, supervisionando
o desempenho tanto em nível grupal como individual, e tomando as decisões que se
fizerem necessárias.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 10 - Atitudes da Autoridade Policial
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Conhecimento de Todas as Necessidades

Antes de designar a equipe que dará cumprimento ao mandado de busca e apreensão, é


preciso que todas as necessidades sejam de amplo conhecimento dos seus integrantes.

Mesmo que o sigilo imponha certas restrições no decorrer das investigações, ele deve
deixar de existir no momento em que a equipe seja designada para executar a busca. E
isso é fundamental para a consecução dos objetivos da diligência e para a segurança dos
policiais que dela participam, dentre outros.
Viaturas, comunicações,
As necessidades estão relacionadas tanto à logística a ser
armamento, etc.
empregada como ao tipo de prova que se busca , de
forma que todas as providências sejam adotadas a fim de evitar o . Natureza
da
maior número de problemas possíveis. investigaçã

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 10 - Atitudes da Autoridade Policial
7

Ética e Comportamento Policial

A autorização judicial de busca e apreensão é uma medida de exceção face à


inviolabilidade constitucional do domicílio. Todavia, a posse de um mandado não dá
poderes ilimitados aos agentes que o executam.

DICA
A ética, a educação e o bom senso são atributos indispensáveis à atividade policial,
principalmente nas diligências de busca, onde há contato direto com inúmeras pessoas.
Sem negligenciar o seu trabalho e a sua autoridade, você deve respeitar a todos,
tratando-as adequadamente.

EXEMPLO

Nos casos de buscas, ao adentrar em uma residência ou estabelecimento comercial,


por exemplo, você deve incomodar os seus ocupantes o mínimo possível; aguardar
que as pessoas se preparem dentro um lapso de tempo que você mesmo considere
razoável, respeitando-lhes a intimidade; procurar as provas com o máximo de
organização que puder; deixar o local, na medida do possível, da mesma forma como
o encontrou; usar da força só quando outra alternativa não restar, etc.

Em relação às testemunhas, é comum, no momento de abordá-las, prometer-lhes uma


série de benefícios a fim de obter sua cooperação. E isso só deve ocorrer quando você
tiver certeza de que poderá cumprir com aquilo que prometeu como:

EXEMPLO
Providenciar transporte para sua casa ou trabalho ao final das formalidades legais,
quando for o caso, ou de fornecer eventual declaração de que esteve na repartição
policial prestando depoimento, dentre outras situações que costumam ocorrer.

Você concluiui aqui, a última unidade da aula 10. A seguir, vamos ao fechamento da aula e
as atividades de conclusão.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 10 - Atitudes da Autoridade Policial
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Fechamento e Atividade de Conclusão da Aula

FECHANDO AULA...
Fechamos aqui o conteúdo da aula 10. A seguir, realize a atividade de auto-avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou sobre as exigências legais, a coordenação da equipe,


o conhecimento de todas as necessidades, bem como a ética e o comportamento policial que deverá ser
observado pela autoridade policial no momento da busca e apreensão.

DICA

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 10 - Atitudes da Autoridade Policial
9

Atividades de Fechamento da Aula

1) A seguir temos algumas das exigências legais em uma diligência de busca e


apreensão. Quais delas são verdadeiras?

a) A apresentação e leitura do mandado aos seus destinatários.


b) O horário para realização da diligência.
c) A necessidade de testemunhas do povo.
d) A formalização da apreensão através de auto próprio.
e) Se estiver com o mandado não importa o horário da diligência de busca e apreensão.
Assinale a correta:

( ) a,c,d,e
( ) a,b,c,d
( ) b,c,d,e

( ) a,b,c,e

2) A seguir lhe propomos um caça-palavras. Neste jogo você encontrará 5 palavras que
resumem o tema da ética e comportamento do policial. Vamos lá!

_______________, ________________, ____________________, _________________ e _____________

O B L O M F R K T N U E B
R R E S P E I T O X Y P Q
G A T I M A I L Z V S G S
A B F B B Y N S S R K A M
N O P O N P Y Y A M M S J
I V R M U L J G P J O B R
Z T Y - P J E P E T I C A
A R F S E D U C A Ç A O M
C W G E H Y C V H N Y T F
A V L N K Y V H G T V P R
O H Z S G W D G W Z B E V
U Z I O R X W Y Y X Y Z W
W X Z X X E R W T H H D R

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 11
ATITUDES DOS PERITOS
CRIMINAIS
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 11 ...............................................................................................................................3

ATITUDES DOS PERITOS CRIMINAIS .....................................................................................................3

UNIDADE 01........................................................................................................................................................5

CONHECIMENTO PRÉVIO DO QUE SE BUSCA ........................................................................................5

UNIDADE 02 .......................................................................................................................................................6

PERSPICÁCIA E PERSEVERANÇA NO EXAME...........................................................................................6

UNIDADE 03 .......................................................................................................................................................8

APLICAÇÃO DAS TÉCNICAS CRIMINALÍSTICAS NO LOCAL DE BUSCA E APREENSÃO..........8

UNIDADE 04 .......................................................................................................................................................9

BUSCA DE COISAS NÃO-PREVISTAS ........................................................................................................9

UNIDADE 05 ......................................................................................................................................................11

ÉTICA E COMPORTAMENTO PERICIAL.....................................................................................................11

FECHAMENTO DA AULA ............................................................................................................................... 15

ATIVIDADE DE FECHAMENTO DA AULA ................................................................................................16


AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
3

APRESENTAÇÃO AULA 11

ATITUDES DOS PERITOS CRIMINAIS

Olá! Você está na aula 11 do curso “Busca e Apreensão”

Nesta aula teremos uma unidade que tratará de:

Unidade 1: Conhecimento prévio do que se busca


Unidade 2: Perspicácia e perseverança no exame
Unidade 3: Aplicação das técnicas criminalísticas no local de busca e apreensão
Unidade 4: Busca de coisas não previstas
Unidade 5: Ética e comportamento pericial

A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

Objetivos da aula

- Identificar as exigências legais;


- Compreender aspectos que favorecem a coordenação da equipe;
- Enumerar as necessidades;
- Reconhecer e valorizar a ética e o comportamento pericial.

Introdução

Nem sempre haverá a participação de peritos criminais na equipe de execução de uma


busca e apreensão. Mas se a autoridade policial entender necessário, certamente dever
ser uma participação efetiva e que venha a contribuir para a especialização das tarefas
que deverão ser executadas.

A participação dos peritos criminais nestas situações segue (quando a infração deixar
o mandamento do Código de Processo Penal, dentro do seu vestígio, será indispensável o

princípio geral do art. 158 , onde a autoridade policial exame de corpo de delito,
direto ou indireto, não podendo
responsável pelas investigações irá requisitar ao Instituto
supri-lo a confissão do
de Criminalística, se tiver elementos de convicção de que no acusado)
local irá necessitar de conhecimentos especializados em
alguma área pericial.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
4

A diferença está em que nos locais de busca e apreensão o trabalho dos peritos
criminais não é o de fazer um exame pericial nos moldes que já conhecemos,
mas, na sua grande maioria, o de garantir as condições do objeto apreendido
para futuros exames periciais, além de executar e orientar os demais membros
da equipe sobre as técnicas da cadeia de custódia.

Faça aqui suas anotações...

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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
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UNIDADE 01

CONHECIMENTO PRÉVIO DO QUE SE BUSCA

O Diretor do Instituto de Criminalística ao receber uma requisição para local de busca e


apreensão já deve checar se na mesma consta alguma orientação da autoridade
requisitante sobre contatos e reuniões preliminares.

Se não tiver, deverá devolver o expediente solicitando tais informações e esclarecendo


que é essencial a instrução preliminar aos peritos que forem designados. Sempre que
possível tais problemas podem ser resolvidos via telefone.

Ao designar os peritos criminais, o Diretor já deve informar sobre a reunião preliminar


com a autoridade policial. Esta reunião pode ocorrer de várias formas e vai depender da
complexidade da missão.

Caso simples
Em muitos casos, basta uma conversa direta entre o delegado e os peritos para
esclarecer o que se busca.
Caso complexo
Em casos mais complexos, a reunião deve ser com todos os que vão atuar na
busca, inclusive aqueles encarregados da segurança do local.

A quantidade de informações e o sigilo sobre o seu repasse serão estabelecidos pela


autoridade policial.

Portanto, a forma e com que grau de complexidade vai ocorrer essa transmissão de
informação aos peritos criminais, é fato de somenos importância, pois o que você já deve
ter percebido é que essas informações devem chegar ao conhecimento aos peritos.

A partir desse embasamento inicial, os peritos criminais terão plenas condições de


executarem uma busca com muito mais eficiência.

Dica

A base para tudo é o princípio: sabendo o que procurar, vai encontrar com menos
dificuldade.

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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
6

UNIDADE 02

PERSPICÁCIA E PERSEVERANÇA NO EXAME

Cabem aos peritos criminais


enxergarem o que os outros apenas
olham!

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.


Será que a afirmativa acima é regra geral? O que você acha?

Resposta:
Num local de busca e apreensão esta máxima não é suficiente. Você, que está compondo
a equipe poderá ter como função a busca no local. E essa busca deve ser executada de
forma coordenada e técnica para que possamos atingir os objetivos.
Quando procuramos alguma coisa num lugar, já o fazemos a partir de informações
prévias, como é o caso em questão. Dificilmente ocorrerá o que chamamos de uma
“busca cega”, ou seja, sem saber o que procurar.

Dica
Saiba que a principal ferramenta para o sucesso da missão é sempre quem a executa.
Por isso que a sua perspicácia, aliada à perseverança, é que lhe dará as principais
condições de alcançar os seus objetivos.

Mas... O que é perspicácia e perseverança, para você, ao efetuar uma missão? Confira a
seguir!

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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
7

Perspicácia
A perspicácia nós a temos em maior ou menor grau. Basta que coloquemos em ação
esta nossa qualidade, que trata de ser astuto, desenvolver associações de idéias
dentro da investigação para auxiliar no seu objetivo, enfim, no linguajar folclórico-
popular é “estar antenado”!
Perseverança
A perseverança tem seu significado quase que explicado na própria palavra. É termos
a capacidade de continuar a busca de determinada coisa até que esgotemos todas,
absolutamente todas, as chances da sua existência naquele local. Jamais deixar
qualquer interferente prejudicar ou fazer interromper nosso trabalho de busca.
Eliminar todas as hipóteses. Isso é perseverar na busca!

Faça aqui suas anotações...

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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
8

UNIDADE 03

APLICAÇÃO DAS TÉCNICAS CRIMINALÍSTICAS NO


LOCAL DE BUSCA E APREENSÃO

Aplicam-se, praticamente, todas as técnicas criminalísticas nos locais de busca e


apreensão, necessitando apenas algumas adaptações ocasionais. Portanto, as regras
gerais sempre se aplicam.

Um exemplo de adaptação pode ser do próprio conceito de vestígio. Veja...

Num local de crime comum, tudo que estiver na área dos exames, em princípio, é do
interesse da perícia e, portanto, um vestígio. Já que antes de um exame preliminar –
no próprio local - não podemos saber se algo que encontramos está ou não
relacionado ao crime.

Exemplo

Nos locais de busca e apreensão essa análise preliminar é feita antes e já vamos sabendo
– mais ou menos – o que nos interessa, descartando de pronto o que não estiver
determinado no mandado judicial.

Preocupe-se também com a técnica de deslocamento dentro do cômodo onde esteja


sendo feita a busca, aplicando o princípio da varredura, a fim de não deixar nada sem ser
examinado (buscado).

Pense que uma busca pode ter um grau de dificuldade tão elevado como o de uma
perícia e, portanto, todos os membros da equipe devem observar regras básicas para
efetivá-la, sob pena de se perder elementos durante a execução.

Nesse sentido, os peritos criminais poderão melhor orientar os demais colegas para esse
trabalho conjunto.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
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UNIDADE 04

BUSCA DE COISAS NÃO-PREVISTAS

Quando falamos anteriormente sobre a aplicação das técnicas criminalísticas, já


identificamos um princípio pericial que toda a equipe deve observar.

O perito criminal deve, durante a sua busca e constatação dos vestígios, ficar atento
para outros elementos que podem estar relacionados àquele fato investigado ou que
denunciem a existência de um outro crime.

Acontecendo uma situação dessas nos casos de busca e apreensão, os peritos criminais
devem imediatamente dar conhecimento à autoridade policial para que ela providencie
garantias legais para o seu recolhimento e competente apreensão, podendo ser o caso
até de um novo mandado judicial, conforme já explicado em outro tópico.

Você sabe que na investigação descobrem-se coisas surpreendentes a cada momento e


que, às vezes, nem fazem parte do contexto daquela investigação. Na busca e apreensão
também vão ocorrer situações dessa natureza.

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.


Ao realizar uma busca num escritório de contabilidade, visando trazer documentos que
corroborem fraude fiscal, você pode encontrar em uma gaveta de algum armário uma
certa quantidade de droga. E agora, o que fazer?

Resposta:
Simples, o material encontrado – neste caso – é fácil saber que é de uso proibido,
portanto é um vestígio (a própria materialidade) de crime. Certamente você não pode
simplesmente recolher os documentos que lhe interessam (e estavam determinados pelo
mandado judicial) e ir embora, deixando ali aquela droga.
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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
10

Mas vamos complicar um pouco!

Em vez da droga, digamos que ao identificar todos os empregados do escritório observou


que a RG de uma funcionária tinha sinais de adulteração. Os peritos criminais olham com
mais detalhe e também concordam que tem suspeita de falsificação na referida
identidade. Veja quantas dúvidas:

- Não há certeza da falsificação;


- Não há certeza da autoria da falsificação – mesmo que a primeira suspeita
seja a própria funcionária detentora do documento;
- Não existe nenhuma – em princípio – ligação daquele documento,
possivelmente adulterado, com os documentos objetos do mandado e da
investigação.

Bem, então neste caso, a discussão está aberta, a resposta fica por sua conta!

Faça aqui suas anotações...

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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
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UNIDADE 05

ÉTICA E COMPORTAMENTO PERICIAL

Se eu, você, ou qualquer outro indivíduo vivemos no meio de outras pessoas, fica muito
claro que estamos interagindo com tudo que nos diz respeito, tanto nas ações de
natureza eminentemente individuais quanto coletivas.

Isso é viver em sociedade. Então, esse conjunto de ações dos


É saber que estamos
indivíduos precisa seguir regras básicas para que tenha por interagindo permanentemente
conseqüência aquilo que é esperado nesse meio social. Não com as demais pessoas,

seguir estas regras é contribuir negativamente para a harmonia mesmo sem nos apercebermos
disso.
social.

Num segundo estágio nós vamos ter os grupos de indivíduos com ações conjuntas ou
semelhantes que vão influenciar e interagir também nesta grande “teia” social.

Grupo, aqui, deve ser visto de forma um pouco mais abrangente.

Grupo 1
Um grupo, igual a dois ou mais indivíduos praticando ações semelhantes.
Grupo 2
Um time de futebol, onde as ações são dos jogadores, mas a mensagem da ação é
“carimbada” em nome do time.
Grupo 3
Um grupo pode ser uma grande instituição chamada “segurança pública”, onde seus
funcionários é que praticam as ações – individuais ou em grupo, mas é a instituição
“policia civil” ou “polícia militar” que vai ser vista se agiu dentro de um
comportamento social pré-definido.

A instituição “perícia oficial” é um desses grupos de forte atuação no meio social


brasileiro. Você sabe o quanto as autoridades, e até o cidadão comum, esperam da
perícia oficial. Claro que essa expectativa é transferida aos seus executores, que são os
peritos criminais e os médicos legistas.

A responsabilidade social e ética do perito criminal e do médico legista se amplia ainda


mais na medida em que o seu próprio trabalho é a busca da verdade.
Curso Busca e Apreensão
SENASP
AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
12

Os peritos criminais têm plena consciência disso e sabem que, nem mesmo suas próprias
entidades de classe, irão lhe dar apoio se provado o dolo em erros periciais.

Assim, somente atuando dentro de um perfil ético, científico e legalista é que vamos
conseguir dar uma resposta satisfatória e dentro da expectativa da sociedade.

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.


E num local de busca e apreensão, qual seria a ética e o comportamento recomendável
aos peritos criminais?

Resposta:
A primeira coisa é ter consciência de que está naquele local não como um indivíduo, mas
sim como perito criminal, que representa uma função importante de Estado e ao mesmo
tempo representando a sua instituição. Portanto, com uma responsabilidade muito maior.

O perito criminal deve, também,


contribuir com iniciativas para o
bom relacionamento da equipe,
sempre dentro de um espírito de
colaboração mútua e tendo como
foco o objetivo maior do sucesso
geral da investigação.
Seguir rigorosamente as regras
estabelecidas para o exercício da
função pericial, tanto as de
natureza científica quanto as de
ordem legal e jamais se desviar
disso.

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
13

Importante
ƒ Ao perito criminal não cabe reagir emocionalmente a qualquer provocação num
ambiente que é de domínio particular de outra(s) pessoa(s), pois ele está ali
profissionalmente executando o seu trabalho.
ƒ O cuidado durante as diligências no local deve pautar o comportamento do perito
criminal, mediante atitudes e ações calmas, estudadas e sistemáticas no exercício
das suas funções.
ƒ O perito criminal deve garantir a discrição sobre o que está sendo investigado,
evitando comentários desnecessários ou falar em voz alta.
ƒ Havendo a necessidade de trocar informações, deve se aproximar dos
interlocutores e estabelecer o diálogo discretamente.

Lembrar que nestes casos de busca e apreensão os peritos criminais estarão trabalhando
em parceria com os demais membros da equipe. Isso deve merecer observações por
ocasião da reunião preliminar de trabalho, visando planejar inclusive a forma desse
comportamento durante a busca e respectivas interações entre seus membros.
Especialmente no caso com a autoridade policial, com quem deve haver uma maior
interação, haja vista a sua responsabilidade pela coordenação dos trabalhos e por ter
maiores informações sobre o caso.

Terminando nossa última unidade da aula 11, conheça o Aprovado pela Associação
Brasileira de Criminalística -
artigo 2º do Código de Ética do Perito Criminal, que trata
ABC em São Paulo, durante o
com propriedade sobre o comportamento do perito
IX Congresso Nacional de
criminal, Criminalística, de 1987.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
14

Artigo 2º
São fundamentais, no desempenho do exercício da profissão de perito criminal, os
princípios deontológicos e ideológicos, segundo os quais o perito deverá se conduzir
em relação aos seguintes aspectos:
I - a formação de uma consciência profissional no ambiente de trabalho e fora dele;
II - a responsabilidade pelos atos praticados na esfera administrativa, assim como na
judicial;
III - o resguardo do sigilo profissional;
IV - a colaboração com as autoridades constituídas, dentro dos limites de suas
atribuições e competência do órgão onde trabalha;
V - o zelo pela dignidade da função, pela defesa dos postulados da criminalística e
pelos objetivos das associações de classe a que pertença ou não;
VI - a liberdade de convicção para formalizar suas conclusões técnico-científicas em
torno da análise do(s) fato(s), objeto das perícias, sem contudo infringir os preceitos
de ordem moral e legal, de modo a ser obrigado a desprezar tais conclusões. (ABC,
1987.)

A seguir, você tem o fechamento da aula e a atividade de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
15

FECHAMENTO DA AULA

Fechamos aqui o conteúdo da aula 11. A seguir, realize a atividade de auto avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você pode construir conhecimentos sobre o conhecimento prévio do que se
busca; sobre a importância da perspicácia e perseverança no exame; também sobre a
aplicação das técnicas criminalísticas no local de busca e apreensão e a busca de coisas
não previstas. No final da aula aprendeu importantes orientações sobre ética e
comportamento pericial.

Acreditamos que estes conhecimentos serão de grande valia para você!

Dica

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 05 – Atitudes dos Peritos Criminais.
16

ATIVIDADE DE FECHAMENTO DA AULA

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.

1. Crie um caso ou conte um caso que você conheça que descreva as principais atitudes
que devem ser tomadas por um perito criminal em uma diligência de busca e apreensão.

Se você já tem um caso, analise-o e faça suas considerações a partir do que aprendeu
nesta aula. Se for criar um caso fictício, descreva-o de acordo com os procedimentos
corretos a serem realizados pela perícia criminal.
Envie seu caso para o tutor.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 12
ATITUDES DOS AGENTES
POLICIAIS
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 14............................................................................................................................... 3

UNIDADE 1 .......................................................................................................................................................... 3

POLICIAMENTO E SEGURANÇA DO LOCAL.............................................................................................. 4

UNIDADE 2.......................................................................................................................................................... 5

POLICIAIS DE APOIO À INVESTIGAÇÃO ................................................................................................ 5

UNIDADE 3.......................................................................................................................................................... 6

CUMPRIMENTO DAS MISSÕES ESPECÍFICAS........................................................................................ 6

FECHAMENTO DA AULA ................................................................................................................................. 8

ATIVIDADES DE FECHAMENTO DA AULA ............................................................................................... 9


AULA 12 – Atitudes dos Agentes Policiais
3

APRESENTAÇÃO AULA 14

DESDOBRAMENTOS APÓS A BUSCA E APRRENSÃO

Boas Vindas! Você está na aula 12 do curso “Busca e Apreensão”.

Nesta aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

Unidade 1: Policiamento e segurança do local


Unidade 2: Policiais de apoio à investigação
Unidade 3: Cumprimento das missões específicas

A seguir, conheça os objetivos desta aula.

Objetivos da aula

- Compreender como se realiza o policiamento e a segurança do local


- Identificar os policiais de apoio à investigação
- Reconhecer o cumprimento das missões específicas

Aproveite bem esta aula. Realize as atividades, interaja com os demais participantes do
curso. Discuta os conceitos com o tutor.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 12 – Atitudes dos Agentes Policiais
4

UNIDADE 1

POLICIAMENTO E SEGURANÇA DO LOCAL

Dependendo da natureza da diligência, de busca e apreensão, em que você tenha que


atuar, pode ser necessário destacar policiais para estabelecerem um perímetro de
isolamento da área e prover a segurança dos demais que atuarão especificamente no
cumprimento da diligência.

Como já mencionado no decorrer deste curso, algumas modalidades de busca costumam


ser bastante tranqüilas, sem qualquer possibilidade de reação ou resistência por parte
das pessoas que ocupam o local. Contudo, em outras é grande a probabilidade de
enfrentamento com os criminosos que porventura estejam no palco da ação policial.

A seguir veja como lidar com este policiamento!

Nesse sentido, o policiamento e a segurança do local são medidas de fundamental


importância, não só para garantir a integridade física dos profissionais que irão atuar na
busca propriamente dita, protegendo-os de eventuais reações, como também para
manter sob controle todas as pessoas que estejam próximas à área onde a equipe esteja
trabalhando, principalmente eventuais criminosos que tentem se evadir do local.

Visa, ainda, tal medida evitar a aglomeração de curiosos que podem correr riscos
desnecessários.

A Polícia Militar em razão de ter um efetivo muito maior do que as demais instituições,
em algumas oportunidades pode ser acionada para prover a segurança do local.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 12 – Atitudes dos Agentes Policiais
5

UNIDADE 2

POLICIAIS DE APOIO À INVESTIGAÇÃO

Além dos policiais que atuarão especificamente no cumprimento do mandado de busca,


outros devem ser designados para as tarefas de apoio que podem surgir durante ou após
o encerramento da diligência.

Dependendo do número de provas arrecadadas e de pessoas presas, pode ser preciso o


emprego de um efetivo maior de delegados, agentes e escrivães para o trabalho de
análise como:

- Seleção e confecção do auto de apreensão e demais peças legais;


- Condução de presos ao Instituto Médico Legal, hospitais e casas de
detenção; transporte de testemunhas;
- Entrega de documentos no Ministério Público e na Justiça.

Peritos criminais extras também podem ser utilizados se a natureza das provas e indícios
coletados assim o exigir.

Esse pessoal de apoio deve estar previamente escalado e pronto para atuar assim que
for convocado.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 12 – Atitudes dos Agentes Policiais
6

UNIDADE 3

CUMPRIMENTO DAS MISSÕES ESPECÍFICAS

Cada policial, por ocasião da reunião preparatória, deverá receber sua missão, esclarecer
eventuais dúvidas e estar preparado para realizá-la da melhor maneira possível.

De uma maneira geral, tanto no cumprimento de mandados de busca e apreensão como


nas demais operações policiais, os profissionais são designados conforme seus
conhecimentos do caso e aptidões para desenvolver certas tarefas.

Além das missões básicas já descritas neste curso, outras, mais específicas, exigem o
emprego de policiais com essa única finalidade.

Veja a seguir!

Veja algumas das missões específicas, para lidar com diversas situações em uma busca:

ƒ Ações táticas, para casos de resistências e obstáculos de difícil superação;


ƒ Controle dos acessos ao local da diligência (porteiros, seguranças, empregados e
curiosos);
ƒ Seleção de testemunhas;
ƒ Guarda das provas e valores arrecadados;
ƒ imobilização e condução de indivíduos hostis, etc.

Como se vê, muitas são as situações que podem surgir durante a execução de uma
busca, algumas até imprevisíveis.

Por essa razão, recomenda-se a utilização de um número suficiente de policiais para lidar
pelo menos com aquelas situações que você, pela sua experiência, já sabe que
normalmente ocorrem.

Um efetivo aquém do ideal para o desenvolvimento da operação impede o cumprimento


de missões específicas, já que todos terão que fazer um pouco de tudo, muitas vezes de
uma forma tão desordenada que poderá comprometer todo o resultado do trabalho.

Curso Busca e Apreensão


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AULA 12 – Atitudes dos Agentes Policiais
7

Terminamos a última unidade da aula 12. A seguir, vamos ao fechamento da aula e a


atividade de conclusão.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 12 – Atitudes dos Agentes Policiais
8

FECHAMENTO DA AULA

Fechamos aqui o conteúdo da aula 12. A seguir, realize a atividade de auto avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou sobre o policiamento e segurança do local; os policiais de apoio
à investigação e o cumprimento das missões específicas.

Dica

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 12 – Atitudes dos Agentes Policiais
9

ATIVIDADES DE FECHAMENTO DA AULA

~ Atividade

Para fechar esta aula, propomos que você responda as perguntas a seguir e disponibilize
suas respostas para seu tutor.

1. Dependendo da natureza da diligência de busca e apreensão em que você tenha que


atuar, pode ser necessário destacar policiais para estabelecerem um perímetro de
isolamento da área e prover a segurança dos demais que atuarão especificamente no
cumprimento da diligência. Explique esta afirmativa.

2. Além dos policiais que atuarão especificamente no cumprimento do mandado de


busca, outros devem ser designados para as tarefas de apoio que podem surgir durante
ou após o encerramento da diligência. Em que situações pode ocorrer a necessidade de
policiais de apoio à investigação?

3. Além das missões básicas já descritas neste curso, outras, mais específicas, exigem o
emprego de policiais com essa única finalidade. Que missões são essas?

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13
TRABALHAR
PROATIVAMENTE
Sumário

APRESENTAÇÃO UNIDADE 13 ...................................................................................................................... 3

TRABALHAR PROATIVAMENTE .................................................................................................................... 3

UNIDADE 1 .......................................................................................................................................................... 4

ASPECTOS SENSÍVEIS DOS LOCAIS DE BUSCA E APREENSÃO ...................................................... 4

UNIDADE 2.......................................................................................................................................................... 5

AÇÃO DE ESTADO............................................................................................................................................. 5

UNIDADE 3.......................................................................................................................................................... 6

DESCRIÇÃO E RESPEITO AOS DIREITOS INDIVIDUAIS .................................................................. 6

UNIDADE 4.......................................................................................................................................................... 8

PROFISSIONALISMO...................................................................................................................................... 8

UNIDADE 05 ....................................................................................................................................................... 9

ACOMPANHAMENTO DA BUSCA POR TERCEIROS................................................................................. 9

UNIDADE 6........................................................................................................................................................ 10

REGISTRO EM MÍDIA.................................................................................................................................... 10
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

APRESENTAÇÃO UNIDADE 13

TRABALHAR PROATIVAMENTE

Olá! Você está na aula 13 do curso “Busca e Apreensão”.

Nesta segunda aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

Unidade 1: Aspectos sensíveis dos locais de busca e apreensão


Unidade 2: Ação do Estado
Unidade 3: Discrição e respeito aos direitos individuais
Unidade 4: Profissionalismo
Unidade 5: Acompanhamento da busca por terceiros (interessado ou testemunha)
Unidade 6: Registro em mídia

A partir dos conhecimentos tratados nesta aula você será capaz de:

Objetivos da aula

- Enumerar os aspectos sensíveis dos locais de busca e apreensão;


- Reconhecer a ação do Estado;
- Compreender a necessidade da discrição e respeito aos direitos individuais;
- Reconhecer e valorizar o profissionalismo do policial.
- Entender o envolvimento de terceiros em uma busca
- Reconhecer a importância do registro na mídia para garantir a veracidade da
ocorrência.

Aproveite bem esta aula. Realize as atividades, interaja com os demais participantes do
curso. Discuta os conceitos com o tutor.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

UNIDADE 1

ASPECTOS SENSÍVEIS DOS LOCAIS DE BUSCA E


APREENSÃO

De uma certa forma, todo trabalho policial envolve alguns aspectos sensíveis que exigem
um pouco mais de cuidado e atenção no seu trato. Com as diligências de busca e
apreensão não é diferente.

Dica

Tendo isso em mente, antes de dar início ao cumprimento do mandado, você deve
avaliar quais são esses pontos sensíveis e, na medida do possível, adotar as providências
necessárias a fim que os mesmos não venham a ocorrer.

Contudo, como são situações inesperadas, inusitadas, nem sempre é possível evitá-las,
daí a importância de que os policiais escalados para a missão tenham condições de lidar
com esses acontecimentos e agir de maneira que não os potencializem, mas, ao
contrário, minimizem os seus efeitos.

Muitos são os problemas que costumam ocorrer durante a execução de um mandado de


busca e apreensão, provocados tanto por quem se encontre no local quanto pela própria
equipe policial. Em relação a isso, podemos destacar:

Por parte de quem se encontra no local:


- Reação armada;
- Tentativa de fuga;
- Destruição de provas;
- Crises emocionais;
- Enfermidades.
Por parte da Polícia:
- Uso excessivo da força em virtude de avaliação equivocada da situação;
- Erro em relação ao local (endereço) onde a busca deveria ser executada
ou à pessoa (investigado);
- Danos materiais em imóveis vizinhos utilizados como via de acesso ao
local da busca.

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

UNIDADE 2

AÇÃO DE ESTADO

A atividade policial é o instrumento pelo qual o Estado exerce o legítimo monopólio da


força, em consonância com os princípios constitucionais e legais.

Sem mencionar os criminosos habituais, é comum nos casos de busca e apreensão


encontrar indivíduos que acreditam realmente não estar obrigados a abrir suas portas,
mesmo após a apresentação do mandado judicial. Ponderam com o policial sobre o
direito que ele tem de “invadir” o seu domicílio, como se ação da Polícia representasse
uma lide privada, passível de discussão, avaliação e negociação.

Nessas situações, é preciso que fique bem claro que se trata de uma ação de Estado, e
que você, policial que a executa, está revestido temporariamente desse poder de
coerção, cumprindo com sua obrigação legal em nome do Estado.

Importante

Uma postura adequada, educação e bom senso são atributos de todo bom
profissional, principalmente do policial que desenvolve ações dessa natureza.
Portanto, se imponha com a firmeza necessária, mas sem arrogância, e dentro dos
limites legais.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


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AULA 13 – Trabalhar Proativamente

UNIDADE 3

DESCRIÇÃO E RESPEITO AOS DIREITOS


INDIVIDUAIS

Os atos dos servidores públicos estão sempre vinculados a dispositivos legais que os
disciplinam, sem margem discricionária para decidir o que pode ou não ser feito. Ele está
adstrito ao que determina a lei, tanto na obrigatoriedade de fazer ou deixar de fazer
alguma coisa, conforme o caso.

No desempenho da atividade policial ocorre o mesmo, mas em razão da sua natureza


existe uma certa discricionariedade que possibilita ao policial tomar certas decisões com
base em seu conhecimento, experiência e bom senso.

Tal poder não pode extrapolar os limites que a lei impõe, cabendo a você agir dentro
dessa margem permitida.

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.


Dê pelo menos um exemplo de como é exercido o poder discricionário?

O poder discricionário pode ser exercido, por exemplo:


- Ao escolher o dia e hora em que a diligência será desencadeada;
- No que deve ou não ser apreendido no local (desde que não seja óbvia a sua
relação com o crime investigado);
- Das pessoas que vão ou não prestar depoimento sobre os fatos.

Mas, atenção, não permitirá que você deixe de apresentar, por exemplo:
- O mandado ao ocupante do imóvel;
- Que não dê ciência a eventuais presos dos seus direitos e garantias
constitucionais;
- Que deixe de formalizar o que for apreendido.

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

3
Enfim, vale repetir:

Tudo tem que ser feito dentro dos limites legais, em estrita obediência aos direitos e
garantias individuais da pessoa. Assim, não confunda discricionariedade com
ilegalidade, mas também não prevarique ou abuse em nome de um suposto poder
discricionário.

Faça o que precisa ser feito, só pesando o seu dever como policial com os direitos da
pessoa, na condição de investigada.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

UNIDADE 4

PROFISSIONALISMO

Muitos dos pontos até aqui abordados tratam de assuntos que, em última análise,
descrevem o perfil do bom profissional de Polícia.

O que é Profissionalismo?

Na definição do dicionário Aurélio, Profissionalismo quer dizer: “maneira de ver ou de agir


dos profissionais”.

Em determinadas profissões, dentre elas a de policia, essa maneira de ver ou de agir não
se restringe simplesmente ao desempenho das tarefas a cargo de cada um. É necessária
uma alta dose de responsabilidade e de capacidade para lidar com os inúmeros aspectos
de ordem legal e processual que disciplinam a atividade policial.

O bom policial é aquele que se destaca pela sua iniciativa, competência e obediência aos
ditames da lei; que tenha zelo pelo seu trabalho, procurando sempre dar o melhor de si.

Dica

Agir apenas por obrigação não é o suficiente para forjar um bom profissional.

Se você vai intimar um indivíduo e não o encontra no endereço indicado, não deve
simplesmente descrever tal fato no relatório e encerrar a missão, mas sim procurar
saber, por outros meios (vizinhos, bancos de dados etc.) o seu atual paradeiro.
Da mesma forma, quando estiver executando uma busca você não deve se
restringir a apenas procurar pelas provas do crime sob investigação, mas ter o
cuidado de manter a sua validade, vinculando-as aos suspeitos, determinando a sua
origem etc.

Exemplo

É esse o diferencial entre um policial regular e outro com um senso profissional mais
aguçado.

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

UNIDADE 05

ACOMPANHAMENTO DA BUSCA POR TERCEIROS

Além dos policiais que compõem as equipes de buscas, outros indivíduos podem
acompanhá-las, desde que seu interesse assim permita.

No que tange às testemunhas, como você já sabe, sua presença é indispensável para a
validade da diligência. Não se trata de uma liberalidade, mas sim de uma obrigação
determinada por lei.

Já em relação a outros indivíduos, tudo vai depender do


interesse que tenham no caso. Às vezes participam da busca Como vocês estudou em
“Outros Agentes Públicos”.
profissionais de outros órgãos, em virtude de certas
peculiaridades do caso, mas é possível que algum advogado se apresente após o início da
diligência e peça para acompanhá-la; eventual vítima também pode ter interesse que
justifique sua presença; oficiais de justiça etc.

Enfim, cabe ao encarregado da equipe decidir quem deve ou não acompanhar a


diligência.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

UNIDADE 6

REGISTRO EM MÍDIA

Sempre que possível, recomenda-se a


utilização de equipamentos fotográficos
e de filmagem a fim de registrar a
dinâmica dos acontecimentos no local
da busca.

Tal providência se justifica pelo fato de que muitos suspeitos costumam alegar depois em
juízo que sofreram maus tratos por parte dos policiais, ou de que determinada prova fora
“plantada” na sua casa, dentre outras alegações de abuso com vistas a invalidar a ação
policial.

Além disso, o registro em mídia serve como elemento didático para a avaliação dos
aspectos positivos e negativos da diligência em si, visando sempre ao aperfeiçoamento
do desempenho dos policiais e dos métodos empregados.

O profissional encarregado de tal tarefa não deve, a princípio, participar da busca


propriamente dita, ficando exclusivamente por conta do registro dos fatos.

Bem, você conclui a última unidade da aula 13. A seguir, veja a o fechamento da aula e
realize as atividades propostas.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

FECHAMENTO DA AULA

Fechamos aqui o conteúdo da aula 13. A seguir, realize a atividade de auto avaliação
desta aula, para que você possa sedimentar seus conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou os aspectos sensíveis dos locais de busca e apreensão, a ação
do Estado; a necessidade da discrição e respeito aos direitos individuais, o
profissionalismo do agente de segurança. Também viu como acontece o
acompanhamento da busca por terceiros (interessado ou testemunha) e a importância de
registrar a ação de busca e apreensão por meio de fotos ou filmagem.

Dica

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
vá em frente se algo não foi compreendido!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 13 – Trabalhar Proativamente

ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DA AULA

Realize a atividade no ambiente virtual.

1. Como você estudou, muitos são os problemas que costumam ocorrer durante a
execução de um mandado de busca e apreensão. Cite alguns que podem ser provocados
por quem se encontre no local e alguns pela própria equipe policial.

2. Entre no ambiente que temos um jogo da memória. Quando você virar as cartas que
se relacionam clique em “sim”. Quando você virar as cartas e elas não se relacionarem
clique em “não”. Vamos lá!

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 14
DESDOBRAMENTOS APÓS A
BUSCA E APRRENSÃO
Sumário

APRESENTAÇÃO AULA 14............................................................................................................................... 3

DESDOBRAMENTOS APÓS A BUSCA E APRRENSÃO............................................................................. 3

UNIDADE 01 ........................................................................................................................................................ 4

RELAÇÃO E TRATAMENTO DOS BENS E MATERIAIS APREENDIDOS ........................................... 4

UNIDADE 2.......................................................................................................................................................... 7

AUTO DE APREENSÃO E DE APRESENTAÇÃO ......................................................................................... 7

UNIDADE 3.......................................................................................................................................................... 9

MANUTENÇÃO DA CADEIA DE CUSTÓDIA .............................................................................................. 9

UNIDADE 4........................................................................................................................................................ 15

EXAMES PERICIAIS ....................................................................................................................................... 16

UNIDADE 5........................................................................................................................................................ 19

INVESTIGAÇÕES POLICIAIS ..................................................................................................................... 19

FECHAMENTO DA AULA ............................................................................................................................... 21

ATIVIDADES DE FECHAMENTO DA AULA ............................................................................................. 22


AULA 14 – Desdobramento após a busca e apreensão
3

APRESENTAÇÃO AULA 14

DESDOBRAMENTOS APÓS A BUSCA E APRRENSÃO

Boas Vindas! Você está na última aula do curso “Busca e Apreensão”.

Nesta aula serão discutidos os conteúdos das seguintes unidades:

Unidade 1: Relação e tratamento dos bens e materiais apreendidos


Unidade 2: Auto de apreensão e de apresentação
Unidade 3: Manutenção da cadeia de custódia
Unidade 4: Exames periciais
Unidade 5: Investigações policiais

A seguir conheça os objetivos desta aula?

Objetivos da aula

- Elaborar relação dos bens materiais;


- Apontar o tratamento ser dado;
- Elaborar registros e auto de apreensão;
- Reconhecer a importância da manutenção da cadeia de custódia, do exame
pericial e das investigações policiais após os resultados da ação.

Aproveite bem esta aula. Realize as atividades, interaja com os demais participantes do
curso. Discuta os conceitos com o tutor.

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 14 – Desdobramento após a busca e apreensão
4

UNIDADE 01

RELAÇÃO E TRATAMENTO DOS BENS E MATERIAIS


APREENDIDOS

Após a busca em todos os cômodos do imóvel, sempre na presença de testemunhas e do


próprio morador/responsável, e uma vez encontrados os indícios e provas que se
procurava, você policial deverá, se as condições permitirem, lavrar no próprio local da
busca um documento que traduza o mais corretamente possível o ocorrido.
Veja a seguir dois tipos de documentos.

Auto de apreensão Auto de arrecadação


Estando presente a autoridade Não estando presente a mencionada
policial que preside as investigações, autoridade, os executores da busca
esta poderá de imediato lavrar um deverão relacionar o encontrado em
auto de apreensão dos objetos, um auto de arrecadação,
bens, documentos, etc. arrecadados, apresentando-o posteriormente a
eis que saberá o que realmente autoridade policial, a qual, por sua vez,
interessa à investigação. verificará o que deverá ser apreendido,
no sentido técnico da palavra.

O material arrecadado e que não interessar à investigação, será prontamente entregue


ao detentor, lavrando-se, para tanto o documento pertinente, no caso um auto de
entrega.

Ao relacionar o material arrecadado/apreendido, você deve ser bastante minucioso,


fazendo constar todas as características que o identifiquem e expressando o seu estado
de conservação (no caso de bens materiais).

Faça aqui suas anotações...

Curso Busca e Apreensão


SENASP
AULA 14 – Desdobramento após a busca e apreensão
5

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.

Vamos pensar um pouco... O que pode ser descrito ao se arrecadar/apreender um


veículo, por exemplo?

Respondeu? A seguir você poderá analisar se seu raciocínio foi correto.

Você poderia descrever da seguinte forma:

Um veículo da marca Volkswagen, modelo Cross Fox 1.6, tendo o preto como cor
predominante, chassi n° 9BW_________________, com placa de identificação
alfanumérica CBJ-_____ - São Paulo/SP, ano de fabricação 2005, ano modelo 2006.

Somente estes dados seriam suficientes para individualizá-lo. Mas em que condições este
veículo foi encontrado? Ao relacionar os itens a seguir, você terá maior segurança em seu
trabalho, evitando alguns questionamentos inoportunos.

O odômetro digital do veículo está marcando 23.456 KM; está equipado com um toca
CDs da marca Sharp, modelo FGD3245; os pneus da marca Firestone, FPS4512,
aparentam estar gastos de acordo com a quilometragem constante no odômetro; o
pneu estepe da mesma marca e modelo mostra-se sem uso; os equipamentos
obrigatórios de segurança se encontram no porta-malas do veículo, sendo eles: um
macaco hidráulico, uma chave de rodas e um triângulo de sinalização; o pára-brisas
está trincado do lado do passageiro; na lateral esquerda traseira existe um
amassamento com riscos; a lanterna traseira direita está quebrada; a bateria do
veículo de 45 ampéres é da marca Bosch; no porta luvas do veículo foi encontrado um
cartão de visitas de uma pessoa de nome Francenildo Minuano e uma nota fiscal do
auto posto Brasil Ltda.; etc. E mais. Se sua unidade tiver os equipamentos
necessários, fotografe e filme o material arrecadado/apreendido.

Você pode estar se questionando: Mas por que tantos detalhes? Veja a resposta a seguir.

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Tantos detalhes devem ser descritos primeiro porque alguns destes itens detalhados
podem interessar à investigação.

Exemplo

O amassamento na lateral pode indicar uma possível fuga com atropelamento. O


cartão de visitas pode nos levar a um co-autor do crime investigado.

Segundo porque infelizmente algumas pessoas têm o hábito de insinuar que policiais
desviam/trocam/subtraem equipamentos de veículos apreendidos.
Você já deve ter ouvido sobre isso.

Na próxima unidade você estudará auto de apreensão e de apresentação.

Faça aqui suas anotações...

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UNIDADE 2

AUTO DE APREENSÃO E DE APRESENTAÇÃO

Primeiro vamos ver sobre o auto circunstanciado.

Conforme já estudado anteriormente e previsto no § 7o Finda a diligência, os

artigo 245 § 7° do CPP, finda a diligência de busca e executores lavrarão auto


circunstanciado, assinando-o com
apreensão, os seus executores deverão lavrar um
duas testemunhas presenciais,
auto circunstanciado, mesmo que o resultado seja sem prejuízo do disposto no § 4o.
negativo.

Neste documento devem ser inseridas todas as circunstâncias que envolveram a


diligência desde o horário de seu início até o seu término. Ainda cabe lembrar que alguns
itens são de extrema relevância, conforme a seguir mencionados.

Itens são de extrema relevância no auto circunstanciado:

1. Nomenclatura (Auto Circunstanciado)


2. Referência à ordem judicial (mandado de Busca e Apreensão n° 223 da 2ª Vara Criminal
de Vitória/ES)
3. Data da execução da busca (início e término, nos casos de ultrapassar de um dia para
outro)
4. Local da busca
5. Componentes da equipe
6. Integrantes de outros órgãos públicos
7. Horário da chegada no local
8. Mencionar se o morador/responsável se encontrava ou não no imóvel
9. Mencionar o cumprimento das normas legais (intimação para abertura da porta;
apresentação e leitura do mandado; intimação para indicação do possível local em que o
objeto da busca se encontra; convocação de testemunhas, etc.)
10. Indicar o mais precisamente possível o local específico do encontro do objeto buscado
11. Mencionar as respostas dadas pelo morador/responsável caso se manifeste em relação
ao que foi encontrado
12. Mencionar qualquer incidente ocorrido durante a diligência ou a sua inocorrência
13. Horário do encerramento da diligência e das condições em que foi deixado o imóvel
(trancado ou não) no caso de estar vazio.
14. Encerramento do auto
15. Assinatura dos executores da busca, das testemunhas e do morador/responsável.

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Auto Apreensão

É um documento elaborado pela autoridade policial que preside as investigações, quando


entender que objetos/bens/documentos/etc. estão direta ou indiretamente relacionados
com a investigação e que devem permanecer sob sua custódia e ao final da justiça.

Neste documento será relacionado o material, o local em que foi encontrado e na posse
de quem, se for o caso.

Auto de Apresentação e Apreensão

Quando alguém leva à presença da autoridade que preside as investigações algum


objeto/documento/bem/etc. e que interesse e deva ser apreendido, esta assim
determinará, entretanto esclarecerá que aquele material lhe foi apresentado por terceira
pessoa que pode ser um policial ou até mesmo o investigado.

Na prática o material ficará apreendido nas mesmas circunstâncias do auto de


apreensão.

Vamos em frente! Na próxima unidade trataremos de manutenção da cadeia de custódia.

Faça aqui suas anotações...

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UNIDADE 3

MANUTENÇÃO DA CADEIA DE CUSTÓDIA

É muito importante, já neste final de curso, enfatizar a você, mais uma vez, os cuidados
e o rigor que devem ser dispensados à cadeia de custódia. Disso dependerá o sucesso da
investigação e seu respectivo aproveitamento para fins de prova no processo criminal.

Talvez você esteja achando que já falamos demais sobre este assunto, mas também já
deve ter percebido que é peça chave para o sucesso da investigação.

Também notou em nossas manifestações que a cadeia de custódia não está circunscrita
às tarefas e preocupações somente dos peritos criminais e sim de todos os policiais.

Bem, desde o momento que encontramos determinado objeto alguns procedimentos devem
ser adotados para que ele percorra toda uma trajetória processual sem qualquer mácula em
relação à sua origem e ao seu manuseio.

No momento que um objeto é encontrado – na execução de uma busca – já começamos


os procedimentos de garantia da cadeia de custódia.

Primeiro passo
O primeiro passo é o registro desse bem no exato local onde foi encontrado. O registro
consistirá na descrição detalhada desse objeto, de maneira a individualizá-lo
totalmente.
Segundo passo
Na seqüência, descrever o local e em que condições se encontra ali, isso tudo seguido
de fotografias.
Terceiro passo
Depois dessas duas primeiras providências é que o objeto poderá ser retirado do local.
Agora, o que você deve fazer é acondicionar este objeto em embalagem própria e
lacrar a sua abertura. Esse procedimento também deverá ser minuciosamente
descrito, para constar no laudo pericial ou no auto de apreensão.

Bem feito isso, o que mais falta? Veja a seguir.

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Bem, estando o objeto devidamente embalado e lacrado e registrados todos esses


procedimentos no respectivo laudo pericial ou no auto de apreensão , ele vai seguir seu
caminho de acordo com o interesse da investigação.

Mas que caminho é esse? Veja...

- Se for necessário algum tipo de exame pericial, será encaminhado (com os


peritos criminais participando da busca, estes mesmos levam o objeto) ao
Instituto de Criminalística.
- Do contrário, seguirá para a Delegacia de Polícia.
- Mas também poderá seguir para um terceiro lugar pré-determinado, caso o
objeto requeira tratamento ou guarda especial. P. ex.: grande soma de
dinheiro - depósito em banco; produto químico - guarda em laboratório
apropriado.

Veja agora mais algumas importantes orientações após o objeto ser adequadamente
guardado.

Ressalte-se que na fase de investigação estes objetos oriundos


1. Somente as autoridades
da busca e apreensão e que se encontram embalados/lacrados,
competentes e por motivos
terão – em síntese - apenas duas autoridades como
justificados dentro do processo responsáveis: O delegado de polícia ou o perito criminal. A razão

de investigação é que poderão é simples. Ou o objeto estará sob o domínio do delegado na


delegacia ou algum outro depósito, ou estará no Instituto de
ter acesso ao mesmo.
Criminalística sob o domínio do perito criminal, para fazer algum
tipo de exame pericial.

2. Para romper o lacre e abrir, tudo deve ser rigorosamente registrado nos documentos
da investigação.

3. Além das autoridades competentes, pode haver necessidade de outros terem acesso
ao objeto guardado. Você sabe que nesta longa caminhada muitos outros quadros
funcionais poderão manusear este objeto. Mas a recomendação central é que, pelo
menos, o lacre somente seja rompido diante de uma dessas autoridades e sempre
acompanhado do competente registro, a fim de constar nos autos do Inquérito.

Bem, essas orientações que você viu deverá se repetir toda vez que ocorrer a
necessidade de abrir a embalagem do objeto, inclusive no âmbito da Justiça.

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É obrigação do magistrado e demais serventuários manter o rigoroso controle da cadeia


de custódia, adotando os mesmos procedimentos de embalagem e lacre quando estiver
tramitando naquela Instituição.

Na eventualidade do processo baixar à Polícia novamente para alguma outra


diligência, o policial que receber o processo deve conferir com todo rigor se tais
procedimentos foram seguidos e registrá-lo detalhadamente.

Veja a seguir o procedimento de guarda do objeto apreendido.

Guarda

Vamos iniciar esta unidade com uma atividade.

~ Atividade

Realize a atividade no ambiente virtual.


Falamos da embalagem, lacre, transporte do objeto. E qual o procedimento da guarda
desse objeto e em que condições?

Hum... Você respondeu com segurança ou teve algumas dúvidas? Na seqüência do


estudo você vai saber se acertou. Vamos lá!

Faça aqui suas anotações...

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Bem, agora vamos ver quais os procedimentos da guarda desse objeto e em que
condições.
Primeiro: o local onde será guardado um objeto desses deve ser de acesso restrito e
controlado. Restrito para somente determinadas pessoas terem acesso e para que estas
tenham acesso e devem fazê-lo sob controle formal.
Segundo: este local deve ser fechado com sistema de trancamento e somente poderá
ser aberto quando uma dessas pessoas autorizadas for entrar. Dependendo do grau de
risco e outros fatores, este sistema de trancamento poderá ser acompanhado de um
sistema de lacre para toda vez que a porta tiver de ser aberta. Tudo isso ficando
registrado no controle próprio.
E, evidentemente você já percebeu que o
Terceiro: Importante também verificar as
local da guarda, com todos esses cuidados,
próprias condições do local quanto a sua destina-se ao armazenamento do material já

adequabilidade para a guarda e conservação embalado e devidamente lacrado, uma vez


que nesse mesmo local poderão estar
dos objetos ou se naquele recinto existem
guardados vários outros objetos oriundos de
outros tipos de objetos ou substâncias outras investigações.
estocadas que possam contaminar ou adulterar
as condições originais do seu material. P.ex.: um documento guardado próximo de algum
produto químico corrosivo.

A seguir, você vai estudar os tipos de embalagem do material apreendido.

Embalagem
Você sabe qual seria a embalagem recomendável para acondicionar um objeto produto
de uma busca e apreensão?

Óbvio que não tem tipo e nem forma previamente definida, por uma série de
condicionantes.

Exemplo

Se você tiver vinte gramas de maconha poderá acondicionar dentro de um envelope


ou saco plástico; mas se tiver uma impressora já terá de ter um outro tipo maior e
mais resistente de embalagem.

Então, o que determina a embalagem?

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Veja o que determina a embalagem que acondicionará o objeto apreendido:

- Primeiramente a embalagem a ser utilizada é o próprio tipo e forma do objeto


apreendido;
- Em seguida deve ser visto o grau de resistência dessa embalagem, pois esta
também terá a função de proteger o objeto;
- E como delimitante, fundamental, está a necessidade de que esta embalagem
de fato guarde o objeto sem permitir o acesso de pessoas não autorizadas.

Dica
Quando você estiver planejando a execução de uma busca e apreensão não esqueça que
este deve ser um dos pontos de preocupação: Levar embalagens compatíveis com o tipo
de objetos que espera encontrar no local.

Atualmente algumas
polícias têm usado
sacos de lona no
formato de malote,
por facilitar o
acondicionamento
de vários tipos de
objeto e já ter em
sua estrutura os
engates para fazer o respectivo lacre.

Grandes sacos plásticos resistentes, também podem ser uma boa opção. Assim, o
importante é que leve para o local já algum tipo de embalagem que possa ser usado com
eficiência e, com isso, garantir o início do processo da cadeia de custódia do objeto
apreendido.

Lacre
Há muita mística sobre o lacre, como se tal coisa fosse algo complexo e difícil de
operacionalizar, quando é o contrário.

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Na verdade, a palavra lacre é originária da resina de


uma árvore que servia para o composto colante que
era utilizado para fechar cartas ou garrafas. Então, à
luz da origem histórica, tiramos que a resina (material
colante) era colocada nas bordas de uma embalagem
(carta e garrafa) para fechá-la adequadamente. E por
ser resina, depois de fechada tornava-se inviolável
precisando, para abrir novamente, de romper (destruir)
este colamento, o que, naturalmente, deixava marcas
(vestígios).

Então, podemos definir lacre como sendo o meio utilizado para fechar alguma
embalagem que contenha algo sob controle, cuja abertura posterior somente poderá
ocorrer pelo rompimento (destruição) deste fechamento.

Bem, mas queremos discutir com você a parte prática da execução dessa simples, mas
importante medida de lacrar uma embalagem que contenha um objeto sob controle.

Já existem no mercado lacres em material plástico,


devidamente numerados, que podem ser facilmente
utilizados. Quando for este, o cuidado é de registrar no
laudo pericial ou auto de apreensão e outros
documentos seguintes o número do lacre. Quando for
rompido, deverá ser conferido se é o mesmo,
registrando-se o respectivo ato.

Dependendo da situação você talvez tenha que criar um lacre, usando da sua imaginação
e criatividade. Nada difícil se você lembrar do conceito que lançamos a pouco. Ou seja,
você terá de fechar adequadamente tal embalagem.

Exemplo

Uma folha de papel assinada pela autoridade policial e colada no fechamento da


embalagem, de maneira que a sua abertura só possa ocorrer se rompida aquela folha
colada, pode servir a tal finalidade.

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Saiba que o importante é que qualquer que seja o lacre utilizado é sempre aconselhável
que nele – ou preso a ele – conste a assinatura do responsável pela medida.

Resumindo: todo ato de abertura ou lacração deve seguir este procedimento

Enfim, o lacre deve ser aposto para externar a certeza de que o objeto não foi aberto por
pessoas desautorizadas, garantindo, assim, a cadeia de custódia.

Na próxima unidade você vai estudar sobre os exames periciais.

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UNIDADE 4

EXAMES PERICIAIS

Como você já percebeu a presença dos peritos criminais na execução de uma busca e
apreensão nem sempre é necessária. Caberá à autoridade policial, de acordo com o seu
julgamento na análise da investigação, requisitar ao Instituto de Criminalística.

Os exames periciais poderão ocorrer em dois momentos independentes, de acordo


com as necessidades e oportunidades:

No próprio local da execução da busca ou no âmbito do Instituto de


Criminalística em perícias específicas sobre determinados objetos que foram
apreendidos.

Veja a seguir, a perícia no momento da execução da busca.

Perícia no momento da execução da busca

Dependendo da situação, os peritos criminais terão que iniciar os exames no próprio


local, em razão, principalmente, das imposições temporais ou das condições do objeto,
uma vez que existe o risco de se perder algum elemento importante simplesmente no ato
de manuseio ou transporte.

Além dessas limitações referidas, sempre que possível e oportuno os exames periciais
devem ser feitos já no próprio local, pois isto vai auxiliar com mais celeridade o processo
de investigação, trazendo as informações mais rápidas para o Inquérito, agregando-as ao
laudo pericial, conforme já discutimos em tópicos anteriores e que também podem ser
importantes dentro da investigação.

A seguir, veja a perícia no âmbito do Instituto de Criminalística.

Perícia no âmbito do Instituto de Criminalística


Após terminada a execução da busca e apreensão, muitos dos objetos arrecadados serão
passíveis de exames periciais. Os peritos criminais já devem levar todo o material que
será submetido à perícia. Caso contrário, a autoridade policial deverá providenciar o
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encaminhamento ao Instituto de Criminalística, acompanhado da respectiva requisição


dos exames que julgar necessários.

As perícias em objetos de busca e apreensão vão obedecer o critério geral da


especialização do exame, onde o Diretor vai designar os peritos que melhor conhecerem
sobre o assunto em pauta.

Exemplo

Para uma perícia em material de informática serão designados dois peritos


especialistas na matéria. E assim para cada tipo especializado de perícia.

Como o perito irá proceder ao receber o material para ser examinado?

Ao receber para exame o objeto, o perito primeiramente deverá conferir a embalagem e


ver se a mesma se encontra devidamente lacrada. Se corretamente ou não, tudo deve
ser descrito no laudo sobre as condições que recebeu o material para exame, além de
citar o documento que o encaminha.

Importante

É importante que a autoridade policial ao requisitar a perícia, também formule alguns


quesitos que possam ser úteis para a investigação. Recomendamos que o delegado
faça contato com o perito encarregado a fim de discutir os pontos importantes a
serem esclarecidos.

Os exames em si serão aqueles recomendados de acordo com o tipo de perícia requerida


e caberá ao perito criminal designado empreender todos os esforços no sentido de trazer
para o laudo pericial todas as informações que foram possíveis de extrair.

E você sabe de quem é a responsabilidade pela guarda do material apreendido enquanto


o objeto estiver em poder do perito criminal para o respectivo exame?

Bem, enquanto o objeto estiver em poder do perito criminal para o respectivo exame, é
dele a responsabilidade pela sua guarda e inviolabilidade. Portanto, deve se preocupar
com a sua guarda até mesmo nos momentos em que não esteja sob seu olhar direto na
feitura da perícia, devendo guardar em local próprio que assegure a garantia da cadeia
de custódia.

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Por último, terminado o exame e o respectivo laudo, o material deve junto retornar ao
requisitante da perícia, sempre com os cuidados já mencionados ao longo deste curso.

A seguir você estudará a última unidade desta aula.

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UNIDADE 5

INVESTIGAÇÕES POLICIAIS

No encerramento da busca, muitos policiais pensam que a investigação que lhe deu
causa também alcançou o seu termo, já que essa é uma diligência que normalmente se
executa por último, quando todas as etapas anteriores já foram superadas, como os
trabalhos de inteligência, vigilância, etc.

De fato, é isso normalmente o que acontece. A busca costuma ser mesmo a etapa final
das maiorias das investigações em razão do sigilo que deve ser preservado até o último
momento possível.

Mas nem sempre é assim. Você sabe por quê?

Hoje em dia, toda operação policial de grande porte visa não só à comprovação da
autoria e materialidade do(s) ilícito(s) que lhe deu causa, mas também de outros crimes
a ele ligados.

Exemplo

Os esquemas financeiros que lhe dão suporte, dentre os quais a lavagem de dinheiro,
a evasão de divisas, etc.

Portanto, quando você estiver atuando no local da busca procure por todos os tipos de
provas ou indícios que possam, mesmo que indiretamente, ter relação com o objeto da
sua investigação. Na fase de análise do material apreendido, não dispense nada até que
tenha plena certeza de que não há qualquer vínculo com a operação que ensejou a
expedição do respectivo mandado.

Assim, se da busca resultar a necessidade de novas investigações, continue o seu


trabalho com a mesma vontade que o levou até esse ponto, nem que seja necessário
iniciar um novo caso se o principal tiver que ser concluído e enviado à justiça. Na medida
do possível, qualquer fato novo merece ser investigado, e os já conhecidos, totalmente
esclarecidos.

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As investigações posteriores à busca podem ser da mesma natureza das anteriores, tais
como intimações para novos depoimentos, levantamentos em bancos de dados,
vigilância, análises (inteligência), até mesmo pedido de novos mandados para outros
locais.

Em suma, o importante é que você tenha a consciência de que o encerramento da busca


não significa o encerramento da investigação.

Não retorne à delegacia com a certeza de que caso esteja terminado, pois fatos novos
podem se revelar até mais importantes do que aqueles que você já conhecia.

Você conclui a última unidade da aula 14. A seguir, vamos ao fechamento da aula e as
atividades de conclusão.

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FECHAMENTO DA AULA

Fechamos aqui o conteúdo da última aula do curso “Busca e Apreensão”. A seguir, realize
a atividade de auto avaliação desta aula, para que você possa sedimentar seus
conhecimentos aqui construídos.

Nesta aula você estudou como se dão a relação e tratamento dos bens e materiais
apreendidos. Aprendeu sobre o registro no auto de apreensão e de apresentação. Viu
todos os passos da manutenção da cadeia de custódia. Pode entender como se
estabelecem os exames periciais e a “finalização” das investigações policiais.
Certamente está última aula trouxe para você importantes conhecimentos de aplicação
direta no seu dia a dia.

Dica

Lembre-se: Qualquer dúvida retome o conteúdo e tire suas dúvidas com seu tutor. Não
conclua seu curso se algo não foi compreendido!

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ATIVIDADES DE FECHAMENTO DA AULA

~ Atividade

Realize as atividades no ambiente virtual.

1. Você estudou nesta aula que ao relacionar o material arrecadado/apreendido,


você deve ser bastante minucioso, fazendo constar todas as características que o
identifiquem e expressar o seu estado de conservação (no caso de bens
materiais). Então, imagine que você fez a apreensão de um carro roubado. Faça
a relação de materiais necessários. Quando estiver pronto disponibilize para seu
tutor.

2. Agora você vai simular o preenchimento do auto Circunstanciado, Lembre-se de


preencher todos os 15 itens de extrema relevância que você estudou.
Disponibilize seu documento aos demais alunos da turma.

3. Explique os tipos de perícia. Envie para seu tutor.

4. A busca costuma ser mesmo a etapa final das maiorias das investigações em
razão do sigilo que deve ser preservado até o último momento possível. Mas nem
sempre é assim. Por quê? Disponibilize sua explicação aos demais alunos da
turma e ao seu tutor.

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