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Teste de Avaliação de 12.

º ano

1 Teste de Avaliação 2.º Período

GRUPO I

Lê o texto seguinte. Se necessário, consulta as notas.

Vai César1 sojugando toda França


- Vai César sojugando toda França
- E as armas não lhe impedem a ciência;
- Mas, nüa mão a pena e noutra a lança,
- Igualava de Cícero2 a eloquência.
5 O que de Cipião3 se sabe e alcança
-
É nas comédias grande experiência.
-
Lia Alexandro4 a Homero5 de maneira
-
Que sempre se lhe sabe à cabeceira.
-
Vocabulário Enfim, não houve forte Capitão
10 Que não fosse também douto e ciente,
1 generalromano; 2 grande advogado e - Da Lácia6, Grega ou Bárbara nação,
orador romano; 3 general romano que Senão da Portuguesa tão-somente.
-
escreveu peças de teatro, comédias; Sem vergonha o não digo, que a rezão
4 Alexandre o Grande, o mais famoso
-
general e conquistador da Antiguidade,
De algum não ser por versos excelente
macedónio; 5 autor da Ilíada e da - É não se ver prezado o verso e rima,
Odisseia; 6 romana, latina - Porque quem não sabe arte, não na estima.

Luís de Camões, Os Lusíadas, edição de Emanuel Paulo Ramos,


Canto V, estâncias 96-97, Porto, Porto Editora, 1987, p. 217

Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Esclarece a função da referência a várias personagens históricas da Antiguidade na primeira estância.

2. Explica a crítica que é feita aos portugueses nos primeiros quatro versos da segunda estância.

3. Refere o sentimento expresso pelo Poeta nos últimos quatro versos do texto e justifica-o.

António Vilas-Boas e Manuel Vieira │Entre Palavras 12 1


Teste de Avaliação de 12.º ano

Lê o poema seguinte.

O eterno retorno
-

-
Agora, ao ouvir uma peça de música barroca,
- como se isso servisse para alterar
- a cor do céu, ou a cor dos sentimentos,
5 apercebo-me de que a música é, só,
- o que ficou de ti. O resto – amor,
- corpo, palavras, desejo, um riso – ficou
-
não sei onde, nem exatamente sei
quando: sei, só, que um dia, ao acordar,
-
a noite tudo levou com a sua exata
10
ciência.

- Não me lembro, porém, de que gostasses


- de música barroca mais do que de outra;
-
ou de que esse tivesse sido, entre nós,
um tema de conversa. Teatro, isso é que
15
sim: e talvez ambos, cada um por seu lado
-
representasse uma comédia privada que,
-
sem o sabermos, iria acabar no drama
- comum. Deceção. Tédio. Nada de transcendente...
- Palavras sobre outras
20 palavras, no fim de tudo.

[…]

Nuno Júdice, O movimento do mundo, Lisboa, Quetzal Editores, 1996, p. 24

4. Identifica, justificando, o destinatário das palavras do sujeito poético.

5. Interpreta, justificando, a natureza do «drama / comum» referido nos versos 17 e 18.

António Vilas-Boas e Manuel Vieira │Entre Palavras 12


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Teste de Avaliação 12.º ano │ n.º 1
2.º Período

GRUPO II

Lê o texto. Se necessário, consulta as notas.

E se as abelhas desaparecessem?

-

-
Portugal é dos países menos atingidos, mas de 2004 a 2007 morreram 3,5 mil milhões de
-
abelhas no País. A varroose é a culpada. Os espanhóis já arranjaram solução: fabricar
«superabelhas».
-

5
As abelhas estão a desaparecer. Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo, milhões de
-
colmeias têm sido dizimadas. O cenário é apocalítico1 para os insetos, mas também para a
-
humanidade. Como disse Albert Einstein: «Quando as abelhas desaparecerem da face da Terra,
-
o homem tem apenas quatro anos de vida.» Mas porque estão as abelhas a desaparecer? «A
-
causa é ainda desconhecida, o que os investigadores sabem é que há vários fatores que podem
-
ter causado esta situação», explica o professor universitário e especialista nesta matéria Miguel
10
Vilas Boas.
-
Apesar de as abelhas terem um inimigo sem rosto, há uma doença que os especialistas
-
acreditaram ser responsável por várias mortes: a varroose2. Considerada a «sida das abelhas»,
-
este vírus é provocado por um ácaro3 – a varroa – que «enfraquece as abelhas e torna-as
-
suscetíveis a outras doenças». Só no ano passado em Espanha desapareceram nove mil milhões
15
de abelhas. Para combater este voo para a extinção, uma equipa de universitários de Córdoba
-
decidiu criar aquilo a que chamaram «superabelhas». Neste processo as rainhas são
-
inseminadas e as abelhas nascem fortificadas, resistentes a ácaros. Em Portugal a população de
-
abelhas também tem vindo a diminuir, mas Vilas Boas acredita que «não houve nenhum surto
-
mortífero como nos outros países». Tal é confirmado por João Casaca, da Federação Nacional
20
de Apicultores (FNAP). «Em todo o País, foi-nos comunicada apenas uma situação de um
-
apicultor que viu as suas colmeias completamente dizimadas.»
-
Mas a varroose também preocupa os apicultores nacionais. Tendo em conta o boletim do
-
Ministério da Agricultura, só entre 2004 e 2007 houve uma quebra de 3, 5 mil milhões de
25 abelhas. O número impressiona, mas é amenizado por especialistas que garantem que o número
- de apicultores também reduziu significativamente. Ora, «menos apicultores, menos abelhas».
-
Ainda assim, a varroose está presente em Portugal. E os apicultores têm noção do perigo, pois é
a doença que destrói mais colmeias no país. Aliás, consciente desta situação, o Ministério da
-
Agricultura chegou a distribuir gratuitamente produtos para travar o flagelo. Agora, já não são
30 doados, mas continuam a ser comparticipados. É talvez por isso que o combate à varroose em
- Portugal se centre num único método. «O uso de acaricidas4», esclarece João Casaca, que
-
garante que por cá não se criam «superabelhas» como em Espanha. Tal também não está
previsto num futuro próximo. Isto porque, como explica Vilas Boas, «ninguém está a utilizar a
-
inseminação, o único programa que existe é de seleção das rainhas. Nada mais.» Em Portugal,
35 os números também não são tão catastróficos. «É um processo que tem custos, mas está
- controlado», explica Vilas Boas. Além disso, o País tem a «bênção» de ter uma das poucas
regiões do mundo onde a varroose não existe, como é o caso de algumas ilhas dos Açores.

António Vilas-Boas e Manuel Vieira │Entre Palavras 12 3


Teste de Avaliação de 12.º ano

- O perigo de extinção das abelhas é real. Nos EUA, a segunda potência da apicultura a seguir à
- China, mais de 60% das populações de abelhas desapareceram em 24 estados. A crise é tal que o
- Congresso aprovou um plano de emergência, como faz em tempo de guerra ou de crise económica.
40 Aliás, sob o pretexto económico, a secretária da Agricultura norte-americana lembrou que «sem
- abelhas deixa de existir Coca-Cola». Como quem diz: senhores do capital mexam-se, que a coisa é
- séria. Os números na Europa não são mais animadores. Segundo o diário espanhol El Mundo, em
- Itália, Bélgica e Alemanha metade das abelhas desapareceram. A varroose não será o único
- problema e Vilas Boas acredita mesmo que «quando descobrirem a causa real, ela vai variar de país
45 para país». João Casaca lembra algumas das potenciais causas em diferentes países: «Na Alemanha
- tem a ver com o cultivo de sementes, em França pensa-se que seja a utilização de pesticidas nas
- culturas e em Espanha será a sobreprodução. Há apicultores a mais.»
- Certo é que estes polinizadores5 continuam a desaparecer. E como seria o mundo sem abelhas?
- «Era uma catástrofe», alerta Miguel Vilas Boas. «Todo o ecossistema seria alterado e Einstein,
50 provavelmente, teria razão. Seria uma crise muito pior que a económica porque nós [a humanidade]
- ficaríamos sem comida.» É por este cenário que muitos especialistas chegam a evocar o hino do
- Reino Unido. God Save the Queen. Em português, Deus Salve a Rainha. A rainha das abelhas,
- entenda-se.

João Antunes, in http://www.dn.pt/ciencia/biosfera/interior/e-se-as-abelhas-desaparecessem-1279318.html


(texto adaptado, consultado em 18-01-2017)

Vocabulário

1 cenário de destruição completa; 2 doença parasitária provocada pelo ácaro Varroa destructor; 3 animal de dimensões,
normalmente, microscópicas; 4 produto para destruir ácaros; 5 distribuidores de pólen

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

1. Este artigo de divulgação científica alerta para o desaparecimento progressivo das abelhas



(A) em Portugal e suas causas.

(B) em Portugal e suas consequências.

(C) no mundo e suas consequências.

(D) no mundo e suas causas.

2. O conector presente em «O cenário é apocalítico para os insetos, mas também para a


humanidade.» (ll. 5-6) é de natureza

(A) aditiva.

(B) causal.

(C) condicional.

(D) contrastiva.

3. Segundo um investigador científico, o motivo do desaparecimento das abelhas



(A) já foi descoberto.

(B) é incerto.

(C) é desconhecido.

(D) já foi combatido.

António Vilas-Boas e Manuel Vieira │Entre Palavras 12


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Teste de Avaliação 12.º ano │ n.º 1
2.º Período

4. A varroose é uma doença responsável



(A) direta do desaparecimento das abelhas.

(B) indireta do desaparecimento das abelhas.
(C) única do desaparecimento das abelhas.
(D) possível do desaparecimento das abelhas.

5. Na frase «O número impressiona, mas é amenizado por especialistas […]» (l. 24), a expressão
destacada, no contexto em que ocorre, só pode ser substituída por
(A) é explicado.
(B) é suavizado.
(C) é realçado.
(D) é diminuído.

6. O conector presente na frase «Ainda assim, a varroose está presente em Portugal.» (l. 26)
assegura
(A) coesão lexical.
(B) coesão referencial.
(C) coesão frásica.
(D) coesão interfrásica.

7. Para João Casaca, as causas do desaparecimento das abelhas em países europeus


(A) estão perfeitamente identificadas e variam segundo os países.
(B) não variam segundo os países e estão perfeitamente identificadas.
(C) estão possivelmente identificadas e não variam de país para país.
(D) variam de país para país e estão talvez identificadas na totalidade.

Responde, de forma correta, aos itens apresentados.

8. Identifica o antecedente do determinante possessivo presente na frase «[…] um apicultor […]


viu as suas colmeias completamente dizimadas.» (ll. 19-20).

9. Indica a função sintática da expressão destacada em «[…] os apicultores têm noção do perigo
[…]» (l. 26).

10. Classifica a oração subordinada presente em «A crise é tal que o Congresso aprovou um plano
de emergência […]» (ll. 38-39).

GRUPO III

Apesar dos alertas desde há muito lançados e apesar das campanhas de sensibilização realizadas, a
Humanidade continua a tratar a Natureza de modo errado, comprometendo assim o seu futuro.

Redige um texto de opinião, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, no qual
comproves esta perspetiva, apresentando, pelo menos, dois argumentos e respetivos exemplos.

O teu texto deve estruturar-se em três partes lógicas: introdução, desenvolvimento e conclusão.

António Vilas-Boas e Manuel Vieira │Entre Palavras 12 5


Soluções

Nota: nas perguntas de resposta fechada, as soluções


são as indicadas; nas de resposta aberta, naturalmente,
outros modos de responder corretamente devem ser
tidos em conta.

TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 1

Grupo I

1. Os vários heróis presentes nesta estância são


apresentados como guerreiros e homens de cultura,
são exemplos para os guerreiros portugueses.

2. Os portugueses, contrariamente aos exemplos


apresentados na estância anterior, que se definiam por
aliar a arte da guerra e o interesse pela cultura,
caracterizam-se pela ignorância e pelo desinteresse
pela cultura (v. 4) da segunda estância: este verso
apresenta os portugueses como exceção.

3. O Poeta confessa ter «vergonha» (v. 13) desta


situação de exceção dos portugueses; inicia a
explicação deste sentimento com a conjunção
subordinativa causal «que» (v. 13): como os
portugueses não se interessam pela cultura em geral e
pela poesia épica em particular (vv. 15-16), não há
quem cante os nossos heróis (v. 13).

4. Por várias vezes, nas duas estrofes, o sujeito poético


se dirige a alguém – «ti» (v. 5), «de que gostasses»
(v. 11), «entre nós» (v. 13), «ambos» (v. 15), «cada
um» (v. 15). Trata-se de alguém com quem o sujeito
poético manteve uma relação de natureza amorosa.

5. Trata-se de um acontecimento corrente, uma


separação entre duas pessoas que tiveram uma relação
amorosa. A palavra «comum» deve ser aqui entendida
de modo duplo: no sentido de que o problema atingiu
ambas as pessoas, por um lado; por outro, no sentido
de que é normal suceder.

Grupo II

1. (C); 2. (A); 3. (C); 4. (B); 5. (B); 6. (D); 7. (D)

8. «apicultor» (l. 19)


9. Complemento do nome
10. Oração subordinada adverbial consecutiva

António Vilas-Boas e Manuel Vieira │Entre Palavras 12


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