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Os Orixás – Candomblé

O mundo dos Orixás

Nanã

Dia: Terça-feira

Cores: Anil, Branco e Roxo

Símbolo: Bastão de hastes de palmeira (Ibiri)

Elemento: Terra, Água, Lodo

Domínios: Vida e Morte, Saúde e Maternidade

Saudação: Salubá!

Nanã, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando
Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou do “saco da criação” a terra, no ponto de contacto
desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos
de Nana.

Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. O seu nome designa
pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos Jeje, da região do antigo Daomé, significa “mãe”. Nessa
região, onde hoje se encontra a República do Benin, Nana é muitas vezes considerada a divindade
suprema e talvez por essa razão seja frequentemente descrita como um orixá masculino.

Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do nosso povo: é a mãe
antiga (Iyá Agbà) por excelência. É mãe dos orixás Iroko, Obaluaiê e Oxumaré, mas por ser a deusa mais
velha do candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.

A vida está cercada de mistérios que ao longo da História atormentam o ser humano. Porém, quando
ainda na Pré-História, o homem se viu diante do mistério da morte, em seu âmago irrompeu um
sentimento ambíguo. Os mitos aliviavam essa dor e a razão apontava para aquilo que era certo no seu
destino.

A morte faz surgir no homem os primeiros sentimentos religiosos, e nesse momento Nana faz-se
compreender, pois nos primórdios da História os mortos eram enterrados em posição fetal, remetendo a
uma ideia de nascimento ou renascimento. O homem primitivo entendeu que a morte e a vida caminham
juntas, entendeu os mistérios de Nana.

Nana é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte.

Ela é a origem e o poder. Entender Nana é entender o destino, a vida e a trajectória do homem sobre a
terra, pois Nana é a História. Nana é água parada, água da vida e da morte.

Nana é o começo porque Nanã é o barro e o barro é a vida. Nana é a dona do axé por ser o orixá que dá a
vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.

Nana pode ser a lembrança angustiante da morte na vida do ser humano, mas apenas para aqueles que
encaram esse final como algo negativo, como um fardo extremamente pesado que todo o ser carrega
desde o seu nascimento. Na verdade, apenas as pessoas que têm o coração repleto de maldade e dedicam
a vida a prejudicar o próximo se preocupam com isso. Aqueles que praticam boas acções vivem
preocupados com o seu próprio bem, com a sua elevação espiritual e desejam ao próximo o mesmo que
para si, só esperam da vida dias cada vez melhores e têm a morte como algo natural e inevitável. A sua
certeza é a imortalidade da sua essência.

Nana, a mãe maior, é a luz que nos guia, o nosso quotidiano. Conhecer a própria vida e o próprio destino
é conhecer Nana, pois os fundamentos dos orixás e do Candomblé estão ligados à vida. A nossa vida é o
nosso orixá.

É na morte, condição para o renascimento e para a fecundidade, que se encontram os mistérios de Nana.
Respeitada e temida, Nana, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a
morte na essência da vida.

Características dos filhos de Nana Burukú

Os filhos de Nana são pessoas extremamente calmas, tão lentas no cumprimento das suas tarefas que
chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. As pessoas de Nana parecem ter a
eternidade à sua frente para acabar os seus afazeres; gostam de crianças e educam-nas com excesso de
doçura e mansidão, assim como as avós. São pessoas que no modo de agir e até fisicamente aparentam
mais idade.

Podem apresentar precocemente problemas de idade, como tendência a viver no passado, de recordações,
apresentar infecções reumáticas e problemas nas articulações em geral.

As pessoas de Nana podem ser teimosas e “ranzinzas”, daquelas que guardam por longo tempo um rancor
ou adiam uma decisão. Porém agem com segurança e majestade. As suas reacções bem equilibradas e a
pertinência das suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.

Embora se atribua a Nana um carácter implacável, os seus filhos têm grande capacidade de perdoar,
principalmente as pessoas que amam. São pessoas bondosas, decididas, simpáticas, mas principalmente
respeitáveis, um comportamento digno da Grande Deusa do Daomé.
Omolú

DIA: Segunda-feira

CORES: Preto, branco e vermelho.

SÍMBOLOS: Xaxará ou Íleo, lança de madeira, lagidibá.

ELEMENTOS: Terra e fogo do interior da Terra.

DOMÍNIOS: Doenças epidémicas, cura de doenças, saúde, vida e morte.

SAUDAÇÃO: Atotoó!!!

Omolú é a Terra! Essa afirmação resume perfeitamente o perfil deste orixá, o mais
temido entre todos os deuses africanos, o mais terrível orixá da varíola e de todas as
doenças contagiosas, o poderoso “Rei Dono da Terra”.

È preciso esclarecer, no em tanto, que Omolú está ligado ao interior da terra (ninù ilé) e
isso denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento, como comprovam os
vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta.

Toda a reflexão em torno de Omolú ocorreu colocando-o como um orixá ligado à terra,
o que é correcto, mas não deixa de ser um erro desconsiderar a sua relação com o fogo
do interior da terra, com as lavas vulcânicas, como os gases etc. o que pode ser mais
devastador que o fogo? Só as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolú!

Orixá cercado de mistérios, Omolú é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões
da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos
seus. Omolú seria rei dos Tapas, originário da região de Empé. Em território Mahi, no
antigo Daomé, chegou aterrorizando, mas o povo do local consultou um babalaô que
lhes ensinou como acalmar o terrível orixá. Fizeram então oferendas de pipocas, que o
acalmaram e o contentaram. Omolú construiu um palácio em território Mahi, onde
passou a residir e a reinar como soberano, porém não deixou de ser saudado como Rei
de Nupê em pais Empê (Kábíyèsí Olútápà Lempé).

As pipocas, ou melhor, deburu, são as oferendas predilectas do orixá Omolú; um deus


poderoso, guerreiro, caçador, destruidor e implacável, mas que se torna tranquilo
quando recebe sua oferenda preferida.

Em África são muitos os nomes de Omolú, que variam conforme a região. Entre os
Tapas era conhecido Xapanã (Sànpònná); entre os Fon era chamado de Sapata-
Ainon,que significa ‘Dono da Terra’; já os Iorubás o chamam Obaluaiê e Omolú.

Omolú nasceu com o corpo coberto de chagas e foi abandonado pela sua mãe, Nanã
Buruku, na beira da praia. Nesse contratempo, um caranguejo provocou graves
ferimentos na sua pele. Iemanjá encontrou aquela criança e criou-a com todo amor e
carinho; com folhas de bananeira curou as suas feridas e pústulas e transformou-a num
grande guerreiro e hábil caçador, que se cobria com palha-da-costa (ikó) não porque
escondia as marcas de sua doença, como muitos pensam, mas porque se tornou um ser
de brilho tão intenso quanto o próprio sol. Por essa passagem, o caranguejo e a banana-
prata tornaram-se os maiores ewò de Obaluaiê.

O capuz de palha-da-costa-aze (aze) cobre o rosto de Obaluaiê para que os seres


humanos não o olhem de frente (já que olhar directamente para o próprio sol pode
prejudicar a visão). A história de Omolú explica a origem dessa roupa enigmática, que
possui um significado profundo relacionado à vida e à morte.

O aze guarda mistérios terríveis para simples mortais, revela a existência de algo que
deve ficar em segredo, revela a existência de interditos que inspiram cuidado medo,
algo que só os iniciados no mistério podem saber. Desvendar o aze, a temível máscara
de Omolú, seria o mesmo que desvendar os mistérios da morte, pois Omolú venceu a
morte. Debaixo da palha-da-costa, Obaluaiê guarda os segredos da morte e do
renascimento, que só podem ser compartilhados entre o iniciados.

A relação de Omolú com a morte dá-se pelo facto de ele ser a terra, que proporciona os
mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida. O homem nasce, cresce,
desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolú,
que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolú é a terra, que vai consumir o
corpo do homem por ocasião da sua morte.

Obaluaiê andou por todos os cantos de África, muito antes, inclusive, de surgirem
algumas civilizações. Do ponto de vista histórico, Omolú é a idade anterior à Idade dos
Metais, peregrinou por todos os lugares do mundo, conheceu todas as dores do mundo,
superou todas. Por isso Omolú se tornou médico, o médico dos pobres, pois, muito
antes da ciência, salvava a vida dos necessitados; durante a escravidão, só não pôde
superar a crueldade dos senhores, mas de doenças livrou muitos negros e até hoje
muitos pobres só podem recorrer a Omolú que nunca lhes falta.

Características dos filhos de Obaluaiê/Omolú


Os filhos de Omolú são pessoas extremamente pessimistas e teimosas que adoram
exibir os seus sofrimentos, daqueles que procuram o caminho mais longo e difícil para
atingir algum fim.

Deprimidos e depressivos, são capazes de desanimar o mais optimista dos seres; acham
que nada pode dar certo, que nada está bom. Às vezes, são doces, mas geralmente
possuem manias de velho, como a rabugice.

Gostam da ordem, gostam que as coisas saiam da maneira que planearam. Não são do
tipo que levam desaforo para casa e se se sentirem ofendidos respondem no acto, não
importa a quem. Pensam que só eles sofrem, que ninguém os compreende. Não
possuem grandes ambições.

Podem apresentar doenças de pele, marcas no rosto, dores e outros problemas nas
pernas. São pessoas sem muito brilho, sem muita beleza. São perversos e adoram irritar
as pessoas; são lentos, exigentes e reclamam de tudo.

São reprimidos, amargos e vingativos. É difícil relacionar-se com eles. Parece que os
filhos de Omolú são pessoas que possuem muitos defeitos e poucas qualidades, mas eles
têm várias, e uma qualidade pode compensar qualquer defeito: são extremamente
prestáveis e trabalhadores. São amigos de verdade.

O lado positivo da maioria dos filhos de Omolú supera em muito esse lado
autodestrutivo que todos têm uns mais, outros menos, mais tem sim.

São extremamente alegres, perseverantes, pacientes e amorosos, tiram a roupa do corpo


para agradar uma pessoa, tratam o dinheiro pelo lado do prazer, da satisfação.

Extremamente fiéis a uma causa. A justiça para os filhos de Omolú não é a dos homens
e sim a de Deus (Olorun), super limpos e vaidosos, ao contrário de muitos arquétipos,
são na maioria muito bonitos, se não fisicamente, são espiritualmente e ainda tem
grande afinidade pela atração que exercem nas pessoas. Tem uma capacidade mental
atualizada ao seu tempo, raramente adoecem e quando acontece se recuperam mais
rápido ainda.

As pessoas de Omolú têm a tendência da mudança propriamente dita, para qualquer


coisa que desejarem, parecem dançar Opanijé o tempo todo, procurando por tudo.
Trabalhadores incansáveis, filhos de Omolú numa roça fazem de um tudo, apenas não
os magoem nem os tratem com indiferença, ciumentos são capazes de exageros, se
sentem incompreendidos e, muitas vezes não sabemos o que lhes causam repentinas
depressões.

Filhos do Sol e da Terra de Orixá vivo, os filhos de Omolú são maravilhosamente


despretensiosos. Um tanto radicais, podem mudar de opinião de uma hora para outra.
Também, céticos em sua fé, intuitivos, andarilhos e aguçados.
Oxumarê

DIA: Terça-feira

CORES: Amarelo e verde (ou preto) e todas as cores do arco-íris

SÍMBOLOS: Ebiri, serpente, círculo, bradjá.

ELEMENTOS: Céu e terra

DOMÍNIOS: Riqueza, vida longa, ciclos, movimentos constantes.

SAUDAÇÃO: A Run Boboi!!!

Oxumaré (Òsùmàrè) é o orixá de todos os movimentos, de todos os ciclos. Se um dia Oxumaré perder
suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante
movimento. Imaginem só o planeta Terra sem os movimentos de translação e rotação; imaginem uma
estação do ano permanente, uma noite permanente, um dia permanente. É preciso que a Terra não deixe
de se movimentar, que após o dia venha a noite, que as estações do não se alterem, que o vapor das águas
suba aos céus e caia novamente sobre a Terra em forma de chuva. Oxumaré não pode ser esquecido, pois
o fim dos ciclos é o fim do mundo.

Oxumaré mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve
a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo.
Filho de Nanã Buruku, Oxumaré é originário de Mahi, no antigo Daomé, onde é conhecido como Dan. Na
região de Ifé é chamado de Ajé Sàlugá, aquele que proporciona a riqueza aos homens. Teria sido um dos
companheiros de Odudua por ocasião de sua chegada a Ifé.

Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o
ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá
masculino.

Oxumaré é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea. Ele exprime a
união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a
duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). Oxumaré mostra a necessidade do
movimento da transformação.
Omulú é o irmão mais velho de Oxumaré, mas foi abandonado por sua mãe por ter nascido com o corpo
coberto de chagas. Em tempo, não se pode condenar Nanã por esse acto, já que era um costume, quase
uma obrigação ritual da época, que se abandonassem as crianças nascidas com alguma deformidade. O
deus do destino disse a Nanã que ela teria outro filho, belíssimo, tão bonito quanto o arco-íris, mas que
jamais ficaria junto dela. Ele viveria no alto, percorreria o mundo sem parar. Nasceu Oxumaré.

Oxumaré que fica no céu


Controla a chuva que cai sobre a terra.
Chega à floresta e respira como o vento.
Pai venha até nós para que cresçamos e tenhamos longa vida.

Características dos filhos de Oxumaré

São pessoas que tendem à renovação e à mudança. Periodicamente mudam tudo na sua vida (de maneira
radical): mudam de casa, de amigos, de religião, de emprego; vivem rompendo com o passado e buscando
novas alternativas para o futuro, para cumprir seu ciclo de vida: mutável, incerto, de substituições
constantes.

Geralmente são magras. Como as cobras possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar, mas ‘não
enxergam’. São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar suas riquezas; São
orgulhosas, exibicionistas, mas também generosas e desprendidas quando se trata de ajudar alguém.
Extremamente activas e ágeis, estão sempre em movimento e ação, não podem parar.

São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objectivos e não medem sacrifícios para alcançá-los.
A dualidade do orixá também se manifesta nos seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas
que dão nas suas vidas, que chegam a ser de 180 graus, indo de um extremo a outro sem a menor
dificuldade. Mudam de repente da água para o vinho, assim como Oxumaré, o Grande Deus do
Movimento.

Um lindo Itan sobre esse grande Orixá:

“A grande Divindade do Arco-Íris era um reconhecido Babalawo (Pai do Segredo).


Diante de sua sapiência, prestava serviços somente ao Rei da cidade de Ifé, que de certa
maneira o explorava de forma contumaz. Para o Rei de Ifé, o fato de Òsùmàrè ser o seu
Babalawo pessoal já era o grande pagamento pelos serviços que ele lhe prestara, afinal
ele era o Rei e, muitos queriam estar no lugar de Òsùmàrè, razão pela qual dava
pequenas esmolas ao sábio Babalawo, que em nada ajudavam em seu sustento.

Assim, mesmo sendo o Babalawo do Rei, Òsùmàrè estava passando por grandes
dificuldades e já não conseguia sustentar a sua família. Dessa forma, resolveu consultar
Ifá (o oráculo sagrado) para outras pessoas e não somente para o Rei, assim ele
conseguiria novamente poder oferecer uma vida melhor à sua esposa e filhos. Contudo,
o Rei de Ifé não aprovou o que Òsùmàrè estava fazendo e, solicitou que fosse ao seu
palácio. O Rei disse a Òsùmàrè que ele poderia estar feliz consultando Ifá para as outras
pessoas, mas ele o Rei, estava insatisfeito e, por isso, não iria mais lhe “pagar” e não
queria mais que ele fosse o seu Babalawo. Òsùmàrè ficou desesperado, pois ele sabia
que bastava uma ordem do Rei e ninguém iria procurar pelos seus serviços.

No mesmo dia a Divindade da Riqueza e Prosperidade Olokun Seniade, ordenou que


todos os Babalawos da cidade fossem até o seu reino, para saber o que deveria fazer
para ter filhos. Apesar da grande experiência dos Babalawos que lá estavam, nenhum
conseguiu responder à Olokun Seniade aquilo que tanto lhe tirava o sono. No entanto,
alguém lhe disse que Òsùmàrè, o Babalawo pessoal do Rei de Ifé não estava presente,
recomendando-lhe que procurasse a ajuda dele por desencargo de consciência.
Assim Olokun Seniade o fez, ordenou à um mensageiro que fosse buscar Òsùmàrè no
palácio do Rei de Ifé. Chegando lá, o Rei afirmou que havia dispensado os serviços de
Òsùmàrè, pois ele não lhe servia mais. O mensageiro de Olokun Seniade percorreu às
ruas de Ifé, perguntando por Òsùmàrè, até que finalmente ele o encontrou, o levando até
o palácio de Olokun.

Chegando lá, Òsùmàrè consultou Ifá e disse para Olokun que teria filhos bonitos e
fortes, mas que para isso, seria necessário realizar uma determinada oferenda.

Como forma de gratidão e agradecimento, Olokun convidou Òsùmàrè para ser o


Babalawo do seu palácio, que ele seria reconhecido e valorizado pelo seu grande
conhecimento. Olokun presenteou Òsùmàrè com aquilo que tinha de mais precioso, as
sementes do dinheiro (Owo Eyo – Búzios) e com um pano colorido.

Olokun Seniade disse à Òsùmàrè que, sempre que ele usasse aquele pano, as suas cores
refletiriam no céu, nascendo dessa forma, o Arco-Íris.

Essa linda história ilustra algumas importantes lições, seja sobre nossas vidas, seja sobe
as Divindades. Mostra que apesar das dificuldades que parecem insolúveis, sempre
existe a possibilidade de uma reviravolta em nossas vidas. Mostra ainda a razão de o
Arco-Íris representar o nosso Pai Òsùmàrè, bem como, a razão da utilização dos búzios
por ele e seus filhos, um grande presente de Olokun.”
Oxalá

Dia: Sexta-feira

Cor: Branco leitoso.

Simbolo: Opáxoró

Elementos: Atmosfera e Céu

Domínios: Poder procriador masculino, Criação, Vida e Morte

Saudação: Epa Bàbá

OXALÁ é o detentor do poder procriador masculino. Todas as suas representações incluem o branco. É
um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a protoforma e a formação de
todo o tipo de criaturas no AIYE e no ORUN. Ao incorporar-se, assume duas formas: OXAGUIÃ jovem
guerreiro, e OXALUFÃ, velho apoiado num bastão de prata (APAXORÓ). OXALÁ é alheio a toda a
violência, disputas, brigas, gosta de ordem, da limpeza, da pureza. A sua cor é o branco e o seu dia é a
sexta-feira. Os seus filhos devem vestir branco neste dia. Pertencem a OXALÁ os metais e outras
substâncias brancas.

Em África, todos os Orixás relacionados com a criação são designados pelo nome
genérico de Orixá Fun Fun. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá
(Òrìsanlà), ou seja, o grande Orixá, que nas terras de Igbó e Ifé é cultuado como
Obatalá, rei do pano branco. Eram cerca de 154 Orixás Fun Fun, mas no Brasil e na
Europa a quantidade reduz-se significativamente, sendo que dois, Orixá Olùfón, rei de
Ifón (Oxalufã) e Orixá Ógìyán, o comedor de inhame e rei de Egigbó (Oxaguiã), se
tornaram as suas expressões mais conhecidas.

A designação de Orixá Fun Fun deve-se ao facto de a cor branca se configurar como a
cor da criação, guardando a essência de todas as demais. O branco representa todas as
possibilidades, a base de qualquer criação. O nome Orisanlá foi contraído e deu origem
à palavra Oxalá, e com esse nome o grande Deus-pai passou a ser conhecido no Brasil e
na Europa. Todos os Orixás Fun Fun foram reunidos em Oxalá e divididos em várias
qualidades das suas duas configurações principais: Òsálufón, Osagiyan, sendo este
último, jovem e guerreiro, filho do primeiro mais velho e paciente.

Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá,
que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumaré e encarregado de criar não só o
universo, como todos os seres, todas as coisas que existiriam no mundo.

A maior interdição de Oxalá é de facto o azeite-de-dendê, que jamais deve macular as


suas roupas, os seus objectos sagrados e muito menos o seu Alá. A única coisa vermelha
que Oxalá permite, é a pena de Ikodidè, prova de sua submissão ao poder genitor
feminino.

O Alá representa a própria criação, está intimamente relacionado com a concepção de


cada ser; é a síntese do poder criador masculino. A sua função primeira já remete ao seu
significado profundo. A acção de cobrir não evoca somente protecção, zelo, denota a
actividade masculina no acto sexual.

No Xirê, Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens. Ele
representa a totalidade, o único Orixá que, como Exú, reside em todos os seres humanos. Todos são seus
filhos, todos são irmãos, já que a humanidade vive sob o mesmo teto, o grande Alá que nos cobre e
protege, o céu.

Características do filho de Oxalufã

O tipo físico de OXALUFÃ é frágil, delicado, friorento, sujeito-a resfriados. Compensa sua debilidade
física com grande força moral, e seu alvo à realizar a condição humana no que tem de mais nobre. É fiel
no amor e na amizade. Oxalufã é o poente.

Características do filho de Oxaguiã

O tipo OXAGUIÃ é um jovem guerreiro combativo. Normalmente tem boa aparência, podem ser altos,
baixos, forte e magros, pois seu arquetipo não o traduz, não é agressivo nem brutal, teimosos,
individualistas e altruístas. Não despreza o sexo e cultiva o amor livre. É alegre, gosta profundamente da
vida, é falador, brincalhão e ao mesmo tempo teem muita seriedade e não perdoam a Injustiça. Ao mesmo
tempo é idealista, defendendo os injustiçados, os fracos e os oprimidos. Orgulhosos, gostam da boa briga
pela boa causa, às vezes, uma espécie de D. Quixote. Os seus pensamentos originais geralmente
antecipam os da sua época. Ele é o nascente e o dono das manhãs.
Exú

DIA: Segunda-feira.

CORES: Preto (ou seja, a fusão das cores primárias) e vermelho.

SÍMBOLOS: Ogó de forma fálica, falo erecto.

ELEMENTOS: Terra e fogo.

DOMÍNIOS Sexo, magia, união, poder e transformação.

SAUDAÇÃO Laroié!

Exu (Èsù) é a figura mais controversa do panteão africano, o mais humano dos orixás, senhor do princípio
e da transformação. Deus da terra e do universo; na verdade, Exu é a ordem, aquele que se multiplica e se
transforma na unidade elementar da existência humana. Exu é o ego de cada ser, o grande companheiro
do homem no seu dia-a-dia.

Muitas são as confusões e equívocos relacionados com Exu, o pior deles associa-o à figura do diabo
cristão; pintam-no como um deus voltado para a maldade, para a perversidade, que se ocuparia em semear
a discórdia entre os seres humanos. Na realidade, Exu contém em si todas as contradições e conflitos
inerentes ao ser humano. Exu não é totalmente bom nem totalmente mau, assim como o homem: um ser
capaz de amar e odiar, unir e separar, promover a paz e a guerra.

O maniqueísmo, próprio das grandes religiões monoteístas, não se aplica ao Candomblé, muito menos a
Exu. A cultura africana desconhece oposições, em especial a oposição entre bem e mal; sabe-se aqui que
o bem de um pode perfeitamente ser o mal de outro, portanto, cada um deve dar o melhor de si para obter
tudo de bom na sua vida, sempre cultuando, agradando e agradecendo a Exu, para que ele seja, no seu
quotidiano, a manifestação do amor, da sorte, da riqueza e da prosperidade.

Exu é o orixá que entende como ninguém o princípio da reciprocidade, e, se agradado como se deve,
saberá retribuir; quando agradecido pela sua retribuição, torna-se amigo e fiel escudeiro. No entanto,
quando esquecido é o pior dos inimigos e volta-se contra o negligente, tirando-lhe a sorte, fechando-lhe
os caminhos e trazendo catástrofes e dissabores.
Exu é a figura mais importante da cultura iorubá. Sem ele o mundo não faria sentido, pois só através de
Exu é que se chega aos demais orixás e ao Deus Supremo Olodumaré. Exu fala toda as línguas e permite
a comunicação entre o orum e o aiê, entre os orixás e os homens.

Exu é o dono do mercado, o seu guardião, por isso todo o comerciante e aqueles que lidam com venda
devem agradar a Exu. As vendedoras de acarajé, por exemplo, oferecem sempre o primeiro bolinho a
Exu, atirando-o à rua, não só para vender bem, mas também par afastar as perturbações, evitar assaltos
etc., ou seja, para que Exu seja de facto um guardião e proteja o seu negócio.

É importante ressaltar que Exu não tem amigos nem inimigos. Exu protege sempre aqueles que o agradam
e sabem retribuir os seus favores.

Exu foi a primeira forma dotada de existência individual. Não se sabe ao certo a sua região de origem em
África, pois em todos os reinos se presta culto a Exu. Sabe-se, no entanto, que chegou a ser rei de Kêtu.
Exu renasceu várias vezes e a sua história revela que é filho de Orunmilá ou de Oxum, dependendo do
momento em que renasce.

Características dos filhos de Exu

Os filhos de Exu são alegres, sorridentes, estão sempre de bem com a vida, são ambiciosos, extrovertidos,
espertos, inteligentes, atentos. Sabem como ninguém ser sociáveis e diplomáticos, pois conhecem o valor
de uma boa amizade, fazem questão de manter o maior número possível de amigos.

Rapidamente, os filhos de Exu se tornam pessoas populares, amadas por uns, odiadas por outros.
Extremamente dinâmicos, os filhos deste orixá não se desanimam nunca, mantêm sempre a certeza de que
as coisas, mais cedo ou mais tarde, acabam por mudar a seu favor.

Pessoas com impressionante facilidade de comunicação, boa lábia, com charme conseguem tudo o que
querem. Irónicas e perigosas, costumam manter uma vida sexual bastante agitada, sem pudores. São
pessoas extremamente rápidas, que não pensam: fazem.

Os filhos de Exu possuem uma facilidade impressionante para entrar e sair de confusões, são do tipo que
arma a bagunça, sai ileso e ainda se diverte com as consequências. Esquecem facilmente as ofensas, não
guardam rancor, mas não perdem a oportunidade de se vingar. Gostam da rua, das festas e das conversas
intermináveis, comportamento próprio de um orixá que é só alegria.
Ogun

DIA: Terça-Feira

CORES: Verde ou Azul-escuro, Vermelho (algumas qualidades)

SÍMBOLOS: Bigorna, Faca, Pá, Enxada e outras ferramentas

ELEMENTOS: Terra (florestas e estradas) e Fogo

DOMÍNIOS: Guerra, Progresso, Conquista e Metalurgia

SAUDAÇÃO: Ògún ieé!!

Ogum (Ògún) é o temível guerreiro, violento e implacável, deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia;
protector do ferreiros, agricultores, caçadores, carpinteiros, escultores, sapateiros, talhantes, metalúrgicos,
marceneiros, maquinistas, mecânicos, motoristas e de todos os profissionais que de alguma forma lidam
com o ferro ou metais afins.

Orixá conquistador, Ogum fez-se respeitar em toda a África negra pelo seu carácter devastador. Foram
muitos os reinos que se curvaram diante do poder militar de Ogum.

Entre os muitos Estados conquistados por Ogun estava a cidade de Iré, da qual se tornou senhor após
libertar a cidade da tirania do rei e substituí-lo pelo seu, próprio filho, regressando glorioso com o título
de Oníìré, ou seja, Rei de Iré.

Não é por acaso, portanto, que nas orações dedicadas a Ogun o medo fica tão evidente e a piedade é um
pedido constante, pois como diz uma das suas cantigas:

Ògún pá lélé pá
Ògún pá ojaré
Ògún pá, lélé pá
Ògún pá ojaré.
Ogum mata/extingui com violência
Ogum mata/extingui com razão
Ogum mata/extingui e destrói completamente.

Ogum é o filho mais velho de Odudua, o herói civilizador que fundou a cidade de Ifé. Quando Odudua
esteve temporariamente cego, Ogum tornou-se seu regente em Ifé.

Ogum é um orixá importantíssimo em África e no Brasil. A sua origem, de acordo com a história, data de
eras remotas. Ogum é o último imolé.

Os Igba Imolé eram os duzentos deuses da direita que foram destruídos por Olodumaré após terem agido
mal. A Ogum, o único Igba Imolé que restou, coube conduzir os Irun Imole, os outros quatrocentos
deuses da esquerda.

Foi Ogum quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um molho de sete instrumentos
de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a
natureza.

Em todos os cantos da África negra Ogum é conhecido, pois soube conquistar cada espaço daquele
continente com a sua bravura. Matou muita gente, mas matou a fome de muita gente, por isso antes de ser
temido Ogum é amado.

Espada! Eis o braço de Ogum.

Características dos filhos de Ogum

Fisicamente, os filhos de Ogum são magros, mas com músculos e formas bem definidas. Compartilham
com Exu o gosto pelas festas e conversas que não acabam e gostam de brigas. Se não fizerem a sua
própria briga, compram a dos seus camaradas.

Sexualmente os filhos de Ogum são muito potentes; trocam constantemente de parceiros, pois possuem
dificuldade de se fixar a uma pessoa ou lugar.

São do tipo que dispensa um confortável colchão de molas para dormir no chão; gostam de pisar a terra
com os pés descalços. São pessoas batalhadoras, que não medem esforços para atingir os seus objectivos,
são pessoas que mesmo contrariando a lógica lutam insistentemente e vencem.

Não se prendem à riqueza, ganham hoje, gastam amanhã. Gostam mesmo é do poder, gostam de
comandar, são líderes natos. Essa necessidade de estar sempre à frente pode torná-los pessoas egoístas e
desagradáveis, mas nem sempre.

Geralmente, os filhos de Ogum são pessoas alegres, que falam e riem alto para que todos se divirtam com
suas histórias e que adoram compartilhar a sua felicidade
Oxóssi

DIA: Quinta-feira

COR: Azul-Turquesa

SÍMBOLOS: Ofá (arco), Damatá (flecha), Erukeré

ELEMNTO: Terra (florestas e campos cultiváveis)

DOMÍNIOS: Caça, Agricultura, Alimentação e Fartura

SAUDAÇÃO: Òké Aro!!! Arolé!

Oxóssi (Òsóòsi) é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, orixá da fartura
e da riqueza. Actualmente, o culto a Oxóssi está praticamente esquecido em África, mas é bastante
difundido no Brasil, em cuba e em outras partes da América onde a cultura iorubá prevaleceu. Isso deve-
se ao facto de a cidade de Kêtu, da qual era rei, ter sido destruída quase por completo em meados do
século XVIII, e os seus habitantes, muitos consagrados a Oxossi, terem sido vendidos como escravos no
Brasil e nas Antilhas. Esse facto possibilitou o renascimento de Kêtu, não como estado, mas como
importante nação religiosa do Candomblé.

Oxóssi é o rei de Kêtu, segundo dizem, a origem da dinastia. A Oxóssi são conferidos os títulos de
Alakétu, Rei, Senhor de Kêtu, e Oníìlé, o dono da Terra, pois em África cabia ao caçador descobrir o
local ideal para instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade
sobre os futuros habitantes. É chamado de Olúaiyé ou Oni Aráaiyé, senhor da humanidade, que garante a
fartura para os seus descendentes.

Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador
representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante do homem por
mecanismos que lhe possibilitem se sobressair no espaço da natureza e impor a sua marca no mundo
desconhecido.

A colecta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, são os domínios de Oxóssi, orixá que
representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência. Oxóssi é o orixá
da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai em busca da caça para
alimentar a tribo. Mais do que isso, Oxóssi representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como
utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza.

Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Oxóssi, pois, como revela a sua história, esse caçador
possui uma única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi é o melhor naquilo que
faz, está permanentemente em busca da perfeição.

Em África, os caçadores que geralmente são os únicos na aldeia que possuem as armas, têm a função de
salvar a tribo, são chamados de Oxô, que significa guardião e wúsí que significa popular, ouseja
Osowusí e na expressão populara cabou virando Oxóssi. Oxóssi também foi um Òsó, mas foi um
guardião especial, pois salvou seu povo do terrível pássaro das Iyá-Mi.

Outras histórias relacionadas com Oxóssi apontam-no como irmão de Ogum. Juntos, eles dominaram a
floresta e levaram o homem à evolução. Além de irmão, Oxóssi é grande amigo de Ogum – dizem até que
seria seu filho, e onde está Ogum deve estar Oxóssi, as suas forças completam-se e, unidas, são ainda
mais imbatíveis.

Oxóssi mantém estreita ligação com Ossaim (Òsanyìn), com quem aprendeu o segredo das folhas e os
mistérios da floresta, tornou-se um grande feiticeiro e senhor de todas as folhas, mas teve que se sujeitar
aos encantamentos de Ossaim.

A história mostra Oxóssi como filho de Iemanjá, mas a sua verdadeira mãe, segundo o mais antigos, é
Apaoká a jaqueira, que vem a ser uma das Iyá-Mi, por isso a intimidade de Oxóssi com essa árvore.

A rebeldia de Oxóssi é algo latente na sua história. Foi desobedecendo às interdições que Oxóssi se
tornou orixá.

Tal como Xangô, Oxóssi é um orixá avesso à morte, porque é expressão da vida. A Oxóssi não importa o
quanto se viva, desde que se viva intensamente. O frio de Ikú (a morte) não passa perto de Oxóssi, pois
ele não acredita na morte.

Características dos filhos de Oxóssi

Os filhos de Oxóssi são pessoas de aparência calma, que podem manter a mesma expressão quando
alegres ou aborrecidas, do tipo que não exterioriza as suas emoções, mas não são, de forma alguma,
pessoas insensíveis, só preferem guardar os sentimentos para si.

São pessoas que podem parecer arrogantes e prepotentes, e às vezes são. Na realidade, os filhos de Oxóssi
são desconfiados, cautelosos, inteligentes e atentos, seleccionam muito bem as amizades, pois possuem
grande dificuldade em confiar nas pessoas. Apesar de não confiarem, são pessoas altamente confiáveis,
das quais não se teme deslealdade; são incapazes de trair até um inimigo. Magoam-se com pequenas
coisas e quando terminam uma amizade é para sempre.

São do tipo que ouve conselhos com atenção, respeita a opinião de todos, mas sempre faz o que quer.
Com estratégia, acabam por fazer prevalecer a sua opinião e agradando a todos.

Altos e magros, os filhos de Oxóssi possuem facilidade para se mover, mesmo entre obstáculos. O seu
andar possui leveza e elegância. A sua presença é sempre notada, mesmo que não façam nada para isso
acontecer.

Os filhos de Oxóssi gostam de solidão, isolam-se, ficam à espreita, observam atentamente tudo que se
passa à sua volta. Curiosos, percebem as coisas com rapidez, são introvertidos e discretos, vaidosos,
distraídos e prestativos, comportamento típico de um caçador, provedor do seu povo.
Yemanjá

Dia: Sábado

Cor: Branco, Prateado, Azul e Rosa

Símbolo: Abebé prateado.

Elementos: Águas doces que correm para o mar, Águas do mar

Domínios: Maternidade (educação), Saúde mental e Psicológica

Saudação: Erù-Iyá, Odó-Iyá

Yemonjá, por presidir à formação da individualidade, que como sabemos está na


cabeça, está presente em todos os rituais, especialmente o Bori.

É a rainha de todas as águas do mundo, seja dos rios, seja do mar. O seu nome deriva da expressão YéYé
Omó Ejá, que significa, mãe cujo filhos são peixes. Na África era cultuada pelos egbá, nação Iorubá da
região de Ifé e Ibadan onde se encontra o rio Yemojá. Esse povo transferiu-se para a região de Abeokutá,
levando consigo os objectos sagrados da deusa, e foram depositados no rio Ogum, o qual, diga-se de
passagem, não tem nada a ver com o Orixá Ogum, apesar de no Brasil Yemojá ser cultuada nas águas
salgadas, a sua origem é de um rio que corre para o mar. Inclusive, todas as suas saudações, orikís e
cantigas remetem a essa origem, Odó Iyà por exemplo, significa mãe do rio, já a saudação Erù Iyà faz
alusão às espumas formadas do encontro das águas do rio com as águas do mar, sendo esse um dos locais
de culto a Yemonjá.

Yemonjá é a mãe de todos os filhos, mãe de todo mundo. É ela quem sustenta a
humanidade e, por isso, os órgãos que a relacionam com a maternidade, ou seja, a sua
vulva e seus seios chorosos, são sagrados.

Yemonjá é o espelho do mundo, que reflecte todas as diferenças, pois a mãe é sempre
um espelho para o filho, um exemplo de conduta. Ela é a mãe que orienta, que mostra os
caminhos, que educa, e sabe, sobre tudo, explorar as potencialidades que estão dentro de
cada um, como fez com os guerreiros de Olofin, mostrando o quanto eram bons nos
seus ofícios, mas dizendo, ao mesmo tempo, que a guerra maior é a que travamos contra
nós mesmos.

A energia de Yemanjá juntou-se a Orugan. Dessa interação nasceram diversos omo-


Orixás e dos seus seios rasgados jorraram todos os rios do mundo. Yemonjá é a própria
água, suas lágrimas transformaram transformar num rio que correu em direcção ao
oceano. Portanto, não é por acaso que as lágrimas e o mar tem o mesmo sabor.

Dissimulada, e aridlosa, Yemonjá faz uso da chantagem afectiva para manter os filhos
sempre perto de si. É considerada a mãe da maioría dos Orixás de origem Iorubá. É o
tipo de mãe que quer os filhos sempre por perto, que tem uma palavra de carinho, um
conselho, um alívio psicológico. Quando os perde é capaz de se desequilibrar
completamente.

Yemonjá é a mãe que não faz distinção dos seus filhos, sejam como forem, tenham ou
não saído do seu ventre. Quando humildemente criou, com todo amor e carinho, aquele
menino cheio de chagas, fez irromper um grande guerreiro. Yemonjá criou Omulu, o
filho e senhor, o rei da terra, o próprio Sol.

Características dos filhos de Yemonjá

São imponentes, majestosos e belos, calmos, sensuais, fecundos, cheios de dignidade e dotados de
irresistível fascínio (o canto da sereia). São voluntariosos, fortes, rigorosos, protectores, altivos e, algumas
vezes, impetuosos e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justos mas formais;
põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam,
não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérios. Sem possuírem a vaidade de
Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Eles têm tendência à vida
sumptuosa, mesmo se as possibilidades do quotidiano não lhes permitem um tal fausto.

As filhas de Yemonjá são boas donas de casa, educadoras pródigas e generosas, criando
até os filhos de outros (Omulu). Não perdoam facilmente, quando ofendidas. São
possessivas e muito ciumentas.

São pessoas muito voluntariosas e que tomam os problemas dos outros como se fossem seus. São pessoas
fortes, rigorosas e decididas. Gostam de viver em ambientes confortáveis com certo luxo e requinte. Põe à
prova as suas amizades, que tratam com um carinho maternal, mas são incapazes de guardar um segredo,
por isso não merecem total confiança. Elas costumam exagerar nas suas verdades (para não dizer que
mentem) e fazem uso de chantagens emocionais e afectivas. São pessoas que dão grande importância aos
seus filhos, mantêm com eles os conceitos de respeito e hierarquia sempre muito claros.

Nas grandes famílias há sempre um filho de Yemonjá, pronto a envolver-se com os


problemas de todos, pois gosta tanto disso que pode revelar-se um excelente psicólogo.
Fisicamente, os filhos de Yemonjá tendem à obesidade, ou a uma certa desarmonia no
corpo. As mulheres, por exemplo, acabam por ficar com os seios caídos e as nádegas
contidas e preferem os cabelos compridos. São extrovertidos e sabem sempre de tudo
(mesmo que não saibam).
Iansã

Dia: Quarta-feira
Cores: Marrom, Vermelho e Rosa
Símbolos: Espada e Eruexin
Elementos: Ar em movimento,qualquer tipo de vento, Fogo
Domínios: Tempestades, Ventanias, Raios, Morte
Saudação: Epahei!

O maior e mais importante rio da Nigéria chama-se Níger, é imponente e atravessa todo
o país. Rasgado, espalha-se pelas principais cidades através de seus afluentes por esse
motivo tornou-se conhecido com o nome Odò Oya, já que ya, em iorubá, significa
rasgar, espalhar. Esse rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe
dos nove orum, dos nove filhos, do rio de nove braços, a mãe do nove, Ìyá Mésàn, Iansã
(Yánsàn).

Embora seja saudada como a deusa do rio Níger, está relacionada com o elemento fogo.
Na realidade, indica a união de elementos contraditórios, pois nasce da água e do fogo,
da tempestade, de um raio que corta o céu no meio de uma chuva, é a filha do fogo-
Omo Iná.

A tempestade é o poder manifesto de Iansã, rainha dos raios, das ventanias, do tempo
que se fecha sem chover.

Iansã é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do
dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte
do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que
exterioriza a sua raiva, o seu ódio. Dessa forma, passou a identificar-se muito mais com
todas as actividades relacionadas com o homem, que são desenvolvidas fora do lar;
portanto não aprecia os afazeres domésticos, rejeitando o papel feminino tradicional.
Iansã é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento.
O facto de estar relacionada com funções tipicamente masculinas não afasta Iansã das
características próprias de uma mulher sensual, fogosa, ardente; ela é extremamente
feminina e o seu número de paixões mostra a forte atracção que sente pelo sexo oposto.
Iansã (Oyá) teve muitos homens e verdadeiramente amou todos. Graças aos seus
amores, conquistou grandes poderes e tornou-se orixá.

Assim, Iansã tornou-se mulher de quase todos os orixás. Ela é arrebatadora, sensual e
provocante, mas quando ama um homem só se interessa por ele, portanto é
extremamente fiel e possessiva. Todavia, a fidelidade de Iansã não está necessariamente
relacionada a um homem, mas às suas convicções e aos seus sentimentos.

Algumas passagens da história de Iansã relacionam-na com antigos cultos agrários


africanos ligados à fecundidade, e é por isso que a menção aos chifres de novilho ou
búfalo, símbolos de virilidade, surgem sempre nas suas histórias. Iansã é a única que
pode segurar os chifres de um búfalo, pois essa mulher cheia de encantos foi capaz de
transforma-se em búfalo e tornar-se mulher da guerra e da caça.

Oyá é a mulher que sai em busca do sustento; ela quer um homem para amá-la e não
para sustentá-la. Desperta pronta para a guerra, para a sua lida do dia-a-dia, não tem
medo do batente: luta e vence.

Características dos filhos de Iansã / Oyá

Para os filhos de Oyá, viver é uma grande aventura. Enfrentar os riscos e desafios da
vida são os prazeres dessas pessoas, tudo para elas é festa. Escolhem os seus caminhos
mais por paixão do que por reflexão. Em vez de ficar em casa, vão à luta e conquistam o
que desejam.

São pessoas atiradas, extrovertidas e directas, que jamais escondem os seus sentimentos,
seja de felicidade, seja de tristeza. Entregam-se a súbitas paixões e de repente esquecem,
partem para outra, e o antigo parceiro é como se nunca tivesse existido. Isso não é prova
de promiscuidade, pelo contrário, são extremamente fiéis à pessoa que amam, mas só
enquanto amam.

Estas pessoas tendem a ser autoritárias e possessivas; o seu génio muda repentinamente
sem que ninguém esteja preparado para essas guinadas. Os relacionamentos longos só
acontecem quando controlam os seus impulsos, aí, são capazes de viver para o resto da
vida ao lado da mesma pessoa, que deve permitir que se tornem os senhores da situação.

Os filhos de Oyá, na condição de amigos, revelam-se pessoas confiáveis, mas cuidado,


os mais prudentes, no entanto, não ousariam confiar-lhe um segredo, pois, se mais tarde
acontecer uma desavença, um filho de Oyá não pensará antes de usar tudo que lhe foi
contado como arma.

O seu comportamento pode ser explosivo, como uma tempestade, ou calmo, como uma
brisa de fim de tarde. Só uma coisa o tira do sério: mexer com um filho seu é o mesmo
que comprar uma briga de morte: batem em qualquer um, crescem no corpo e na raiva,
matam se for preciso.

Orikí de Oyá. Eèpàrìpàà! Odò ìyá!


“ORI O! ORI OYA,
MO GBE DE. OYA MESAN, MESAN, MESAN.
OYA ORIRI, O, O, O.
OYA MESAN,
A JI LODA ORISA.
ORI O
ORI OL’ OYA,
MO GBE DE.
ORI MI!
ORI OYA , MO GBE DE.”

“O ORI do iniciado,
O ORI daquele que é iniciado em OYA está aqui.
OYA , que se desdobra em nove partes.
OYA , a grande mulher, charmosa e elegante.
OYA , que se desdobra em nove partes.
ORISA que usa a espada ao acordar.
O ORI do iniciado,
O ORI daquele que é iniciado em OYA está aqui.
Meu ORI.
O ORI daquele que é iniciado em OYA está aqui.”
Oxun

Dia: Sábado

Cores: Amarelo – Ouro

Símbolo: Leque com espelho (Abebé)

Elemento: Água Doce (Rios, Cachoeiras, Nascentes, Lagoas)

Domínios: Amor, Riqueza, Fecundidade, Gestação e Maternidade

Saudação: Òóré Yéyé ó!

Na Nigéria, mais precisamente em Ijesá, Ijebu e Osogbó, corre calmamente o rio Oxum, a morada da
mais bela Iyabá, a rainha de todas as riquezas, a protectora das crianças, a mãe da doçura e da
benevolência.

Generosa e digna, Oxum é a rainha de todos os rios e cachoeiras. Vaidosa, é a mais


importante entre as mulheres da cidade, a Ialodê. É a dona da fecundidade das mulheres,
a dona do grande poder feminino.

Oxum é a deusa mais bela e mais sensual do Candomblé. É a própria vaidade, dengosa e
formosa, paciente e bondosa, mãe que amamenta e ama. Um de seus oriquis, visto com
mais atenção, revela o zelo de Oxum com seus filhos:

O primeiro filho de Oxum chama-se Ide, é uma verdadeira jóia, uma argola de cobre que todos os
iniciados de Oxum devem colocar nos seus braços.

Oxum não vê defeitos nos seus filhos, não vê sujidade. Os seus filhos, para ela, são verdadeiras jóias, e
ela só consegue ver seu brilho.
É por isso que Oxum é a mãe das crianças, seres inocentes e sem maldade, zelando por elas desde o
ventre até que adquiram a sua independência.

Seus filhos, melhor, as suas jóias, são a sua maior riqueza.

Características dos filhos de Oxum

Dão muito valor à opinião pública, fazem qualquer coisa para não chocá-la, preferindo contornar as suas
diferenças com habilidade e diplomacia. São obstinadas na procura dos seus objectivos.

Oxum é o arquétipo daqueles que agem com estratégia, que jamais esquecem as suas
finalidades; atrás da sua imagem doce esconde-se uma forte determinação e um grande
desejo de ascensão social.

Têm uma certa tendência para engordar, a imagem do gordinho risonho e bem-
humorado combina com eles. Gostam de festas, vida social e de outros prazeres que a
vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição,
pois detestam escândalos.

Não se desesperam por paixões impossíveis, por mais que gostem de uma pessoa, o seu
amor-próprio é muito maior. Eles são narcisistas demais para gostar muito de alguém.

Graça, vaidade, elegância, uma certa preguiça, charme e beleza definem os filhos de
Oxum, que gostam de jóias, perfumes, roupas vistosas e de tudo que é bom e caro.

O lado espiritual dos filhos de Oxum é bastante aguçado. Talvez por isso, algumas das
maiores Yalorixás da história do Candomblé, tenham sido ou sejam de Oxum.
Obá

Dia: Quarta-feira
Cores: Marron raiado, Vermelho e Amarelo
Símbolos: Ofange (espada) e Escudo de Cobre, Ofá (arco e flecha)
Elementos: Fogo e Águas Revoltas
Domínios: Amor e Sucesso Profissional
Saudação: Obà Siré!

Obá é um Orixá ligado à água, guerreira e pouco feminina. As suas roupas são
vermelhas e brancas, usa um escudo, uma espada e uma coroa de cobre.
0 tipo psicológico dos filhos de OBA, constitui o estereotipo da mulher de forte
temperamento, terrivelmente possessiva e carente, é mulher de um homem só, fiel e
sofrida. São combativas, impetuosas e vingativas.
Obá é um ORIXÁ que raramente se manifesta e há pouco estudo sobre ela.
Obá é a mulher consciente do seu poder, que luta e reivindica os seus direitos, que
enfrenta qualquer homem – menos aquele que tomar o seu coração. Ela abraça qualquer
causa, mas rende-se a uma paixão. Obá é a mulher que se anula quando ama.

Obá filha de Iemanjá e Oxalá. Em toda a África Obá era cultuada como a grande deusa
protectora do poder feminino, por isso também é saudada como Iyá Agbá, e mantém
estreitas relações com as Iya Mi. Era uma mulher forte, que comandava as demais e
desafiava o poder masculino.

Embora Obá se tenha transformado num rio, é uma deusa relacionada ao fogo.

Obá é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o
corolário inevitável do amor, portanto, Obá é um Orixá do amor, das paixões, com
todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Obá tem ciúme
porque ama.
O lado esquerdo (Osì) sempre esteve relacionado à mulher e, por uma razão muito
elementar, é o lado do coração. Quando Obá é saudada como guardiã da esquerda, isso
quer dizer que é a guardiã de todas as mulheres, aquela que compreende os sentimentos
do coração, pois Obá pensa com o coração, por isso dança sempre com a mãe esquerda
apontando para o lado esquerdo na latura da orelha, poder genitor feminino, rainha em
África da sociedade Elecô, onde homem não entra, as grandes amazonas de Oba. Oba
não conhece a cabeça de homem.
Ligadas a Oxóssi pela caça e grande arqueira, ligada a Xangô através do fogo a luta pela
vida.

Como pode uma deusa ligada a esses sentimentos, dedicar-se à guerra? Toda a energia
das suas paixões frustradas é canalizada por ela para a guerra, tornando-se a guerreira
mais valente, que nenhum homem ousa enfrentar. Obá supera a angústia de viver sem
ser amada.
Obá troca um palácio por uma cabana, troca todas as riquezas do mundo por uma frase:
“Eu te amo”.

Características dos filhos de Obá

Os filhos de Obá não tem muito jeito para se comunicar com as pessoas, chegam a ser
duros e inflexíveis. Têm dificuldade em ser gentis e estabelecer um canal de
comunicação afectiva com os outros; às vezes são brutos e rudes afastando as pessoas.
Isso deve-se ao fato de os filhos de Obá, na maioria das vezes, sofrerem um certo
complexo de inferioridade achando que as pessoas que se aproximam querem tirar
partido de alguma coisa. De facto, isso tende a acontecer com os filhos de Obá.

A sua sinceridade chega a ferir; expressam as suas opiniões, fazem críticas e acabam
por magoar as pessoas, pois não se preocupam em ser agradáveis. Mas essa
agressividade é puramente defensiva.
São bons companheiros e amigos fiéis, são ciumentos e possessivos no amor, por isso
não têm muita sorte. Quando apaixonados, nunca são senhores da relação, cedem em
tudo, abdicam de todas as suas convicções.

Algumas vezes infelizes no amor, investem todas as suas cartas nas suas carreiras e, de
entre as mulheres que se destacam profissionalmente numa sociedade machista, podem-
se encontrar muitas filhas de Obá excelentes juizas, advogadas, comandando quartéis,
etc. Muitas vezes despertam a inveja dos seus inimigos e podem sofrer algumas
emboscadas, por isso devem vencer a tendência que possuem para a ingenuidade.
Ewá

Dia da semana: Sábado

Cores: Vermelho Vivo, Coral e Rosa, amarelo

Símbolos: Lira, arpão, Ofá

Elementos: Florestas, Céu Rosado, Astros e Estrelas, mata virgem

Domínios: Beleza, Vidência (sensibilidade, sexto sentido), Criatividade, possibilidades

Saudação: Ri Ro Ewá!

O Orixá Ewá ou Iyewá, é uma bela virgem que Xangô se apaixonou, porém não
conseguiu conquistá-la, Ewá fugiu de Xangô e foi acolhida por Obaluaiye que lhe deu
refúgio. Ewá mora nas matas inalcançáveis, ligada a Iroko e Oxóssi, e tornou-se uma
guerreira valente e caçadora habilidosa. Ewá é casta, a Senhora das possibilidades.

Euá é representada pelo igbá àdó kalabá (cabaça com tiras de ráfia).

Oferendas: Eja isu – peixe com inhame, salada de milho/feijão/côco

As virgens contam com a proteção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a
sua proteção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou
navegar. A própria Ewá, acreditam alguns, só é iniciada na cabeça de mulheres virgens,
pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem filha dileta de Oxalá e
Oduduwá

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe
concedeu.
Em África, o rio Yewá é a morada desta deusa, mas a sua origem gera polémica. Há
quem diga que, tal como Oxumaré, Nanã, Omulú e Iroko, Ewá era cultuada inicialmente
entre os Mahi, foi assimilada pelos Iorubas e inserida no seu panteão. Havia um Orixá
feminino oriundo das correntes do Daomé chamado Dan. A força desse Orixá estava
concentrada numa cobra que engolia a própria cauda, o que denota um sentido de
perpétua continuidade da vida, pois o círculo nunca termina.

Ewá teria o mesmo significado de Dan ou uma das suas metades – A outra seria
Oxumaré. Existem no entanto, os que defendem que Ewá já pertencia à mitologia Nagô,
sendo originária na cidade de Abeokutá. Estes, certamente, por desconhecer o panteão
Jeje – No qual o Vodun Eowa, seria o correspondente da Ewá dos Nagô -Confundem
Ewá com uma qualidade de Iemanjá, Oyá e Oxun. Ewá é um Orixá independente, mas é
conhecida entre os jejes de Eowá e no povo de língua Yorubá por Ewá.

Características dos filhos de Ewá

Pessoas de beleza exótica, diferenciam-se das demais justamente por isso. Possuem
tendência a duplicidade: Em algumas ocasiões podem ser bastante simpáticas, em outras
são extremamente arrogantes; às vezes aparentam ser bem mais velhas ou parecem
meninas, ingénuas e puras. Apegadas à riqueza, gostam de ostentar, de roupas bonitas e
vistosas, e acompanham sempre a moda, adoram elogios e galanteios.

São pessoas altamente influenciáveis, que agem conforme o ambiente e as pessoas que
as cercam, assim, podem ser contidas damas da alta sociedade quando o ambiente
requisitar ou mulheres populares, falantes e alegres em lugares menos sofisticados. São
vivas e atentas, mas sua atenção está canalizada para determinadas pessoas ou ocasiões,
o que as leva a desligar-se do resto das coisas. Isso aponta uma certa distracção e
dificuldades de concentração, especialmente em actividades escolares.
Xangô

DIA: Quarta-Feira

CORES: Vermelho (ou marrom) e branco

COMIDA: Amalá

SÍMBOLOS: Oxés (machados duplos), Edún-Àrá, xerê

ELEMENTOS: Fogo (grandes chamas, raios), formações rochosas.

DOMÍNOS: Poder estatal, justiça, questões jurídicas.

SAUDAÇÃO: Kawó Kabiesilé!!

Nem seria preciso falar do poder de Xangô (Sòngó), porque o poder é a sua síntese.
Xangô nasce do poder morre em nome do poder. Rei absoluto, forte, imbatível. O prazer
de Xangô é o poder. Xangô manda nos poderosos, manda em seu reino e nos reinos
vizinhos. Xangô é rei entre todos os reis. Não existe uma hierarquia entre os orixás,
nenhum possui mais axé que o outro, apenas Oxalá, que representa o patriarca da
religião e é o orixá mais velho, goza de certa primazia. Contudo, se preciso fosse
escolher um orixá todo-poderoso, quem, senão Xangô para assumir esse papel?

Xangô gosta dos desafios, que não raras vezes aparecem nas saudações que lhe fazem
seus devotos na África. Porém o desafio é feito sempre para ratificar o poder de Xangô.

A maneira como todos devem se referir a Xangô já expressa o seu poder. Procure
imaginar um elefante, mas um Elefante-de-olhos-tão-grandes-quanto-potes-de-boca-
larga: esse é Xangô e, se o corpo do animal segue a proporção dos olhos, Xangô
realmente é o Elefante-que-manda-na-savana, imponente, poderoso.
Percebe-se que a imagem de poder está sempre associada a Xangô. O poder real, por
exemplo, lhe é devido por ter se tornado o quarto alafim de Òyó, que era considerada a
capital política dos iorubas, a cidade mais importante da Nigéria. Xangô destronou o
próprio meio-irmão Dadá-Ajaká com um golpe militar. A personalidade paciente e
tolerante do irmão irritavam Xangô e, certamente, o povo de Òyó, que o apoiou para
que ele se tornasse o seu grande rei, até hoje lembrado.

O trono de Òyó já pertencia a Xangô por direito, pois seu pai, Oranian, foi fundador da
cidade e de sua dinastia. Ele só fez apressar a sua ascensão. Xangô é o rei que não aceita
contestação, todos sabem de seus méritos e reconhecem que seu poder, antes de ser
conquistado pela opressão, pela força, é merecido. Xangô foi o grande alafim de Òyo
porque soube inspirar credibilidade aos seus súbditos, tomou as decisões mais acertadas
e sábias e, sobretudo, demonstrou a sua capacidade para o comando, persuadindo a
todos não só por seu poder repressivo como por seu senso de justiça muito apurado.

Não erram, como se viu, os que dizem que Xangô exerce o poder de uma forma
ditatorial, que faz uso da força e da repressão para manter a autoridade. Sabe-se, no
entanto, que nenhuma ditadura ou regime despótico mantém-se por muito tempo se não
houver respaldo popular. Em outros termos, o déspota reflecte a imagem de seu povo, e
este ama o seu senhor, seja porque nos momentos de tensão responde com eficiência,
seja por assumir a postura de um pai. No caso de Xangô, sua rectidão e honestidade
superam o seu carácter arbitrário; suas medidas, embora impostas, são sempre justas e
por isso ele é, acima de tudo, um rei amado, pois é repressor por seu estilo, não por
maldade.

Fato é que não se pode falar de Xangô sem falar de poder. Ele expressa autoridade dos
grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais
perigoso de todos os elementos da natureza: o fogo. O poder mágico de Xangô reside no
raio, no fogo que corta o céu, que destrói na Terra, mas que transforma, que protege,
que ilumina o caminho. O fogo é a grande arma de Xangô, com a qual castiga aqueles
que não honram seu nome. Por meio do raio ele atinge a casa do próprio malfeitor.
Xangô é bastante cultuado na região de Tapá ou Nupê, que, segundo algumas versões
históricas, seria terra de origem de sua família materna.

Tudo que se relaciona com Xangô lembra realeza, as suas vestes, a sua riqueza, a sua
forma de gerir o poder. A cor vermelha, por exemplo, sempre esteve ligada à nobreza,
só os grandes reis pisavam sobre o tapete vermelho, e Xangô pisa sobre o fogo, o
vermelho original, o seu tapete.

Xangô sempre foi um homem bonito extremamente vaidoso, por isso conquistou todas a
mulheres que quis, e, afinal, o que seria um ‘olhar de fogo’senão um olhar de desejo
ardente? Quem resiste ao olhar de “flirt” de Xangô?

Xangô era um amante irresistível e por isso foi disputado por três mulheres. Iansã foi
sua primeira esposa e a única que o acompanhou em sua saída estratégica da vida. È
com ela que divide o domínio sobre o fogo.
Oxum foi à segunda esposa de Xangô e a mais amada. Apenas por Oxum, Xangô
perdeu a cabeça, só por ela chorou.
A terceira esposa de Xangô foi Oba, que amou e não foi amada. Oba abdicou de sua
vida para viver por Xangô, foi capaz de mutilar o seu corpo por amor o seu rei.

Xangô decide sobre a vida de todos, mas sobre a sua vida (e sua morte) só ele tem o
direito de decidir. Ele é mais poderoso que a morte, razão pela qual passou a ser o seu
anti-símbolo.

Características dos filhos de Xangô

É muito fácil reconhecer um filho de Xangô apenas por sua estrutura física, pois seu
corpo é quase sempre muito forte, com uma quantidade razoável de gordura, apontando
a sua tendência à obesidade; mas a sua boa constituição óssea suporta o seu físico
avantajado. Há também os magros e muito elegantes.

Com forte dose de energia e auto-estima, os filhos de Xangô têm consciência de que são
importantes e respeitáveis, portanto quando emitem sua opinião é para encerrar
definitivamente o assunto. Sua postura é sempre nobre, com a dignidade de um rei.
Sempre andam acompanhados de grandes comitivas; embora nunca estejam sós, a
solidão é um de seus estigmas.

Conscientemente são incapazes de ser injustos com alguém, mas um certo egoísmo faz
parte de seu arquétipo. São extremamente austeros (para não dizer sovinas), portanto
não é por acaso que Xangô dança alujá com a mão fechada. Gostam do poder e do
saber, que são os grandes objectos de sua vaidade.

São amantes vigorosos, em seu lado negativo, pobre das mulheres cujos maridos são de
Xangô. Um filho de Xangô está sempre cercado por amigos, auxiliares, no caso de
governantes, empresários, mas a tendência é que aqueles que decidem ao seu lado sejam
sempre homens.

Os filhos de Xangô são obstinados, agem com estratégia e conseguem o que querem.
Tudo que fazem marca de alguma forma sua presença; fazem questão de viver ao lado
de muita gente e têm pavor de ser esquecido, pois, sempre presentes na memória de
todos, sabem que continuarão vivos após a sua ‘retirada estratégica’.
Logun Edé

DIA: Quinta-feira

CORES: Azul-turquesa e Amarelo-ouro

SÍMBOLOS: Balança, Ofá, Abebè e Cavalo-marinho

ELEMENTOS: Terra (floresta) e Água (de rios e cachoeiras)

DOMÍNIOS: Riqueza, Fartura e Beleza

SAUDAÇÃO: Logun ô akofá!!!

Logun Edé (lógunèdè) é o orixá da riqueza e da fartura, filho de Oxum e Oxóssi, deus da guerra
e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos orixás do Candomblé, já que a beleza é uma das
principais características dos seus pais.

Rei de Ilexá,caçador habilidoso e príncipe soberbo, Logun Edé reúne os domínios de


Oxóssi e Oxum e quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua
paternidade.

Apesar de sua história, é preciso esclarecer que Logun Edé não muda de sexo a cada
seis meses, ele é um orixá do sexo masculino. Sua dualidade se dá em nível
comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como
Oxum e em outras, sério e solitário como Oxóssi. Logun Edé é um orixá de
contradições; nele os opostos se alternam, é o deus da surpresa e do inesperado.

Na Nigéria, a cidade de Logun Edé chama-se Ilexa e é uma das mais ricas e prósperas
da África, anualmente fazem encontros com vários festivais vindo pessoas de toda as
partes da África.
Na África negra, dizem que Logun Edé seria na verdade Ólògún Ode – o guerreiro
caçador – o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles, inclusive de Oxóssi. E se
observarmos a cantiga de Oxóssi, veremos que expressão Omo ode, ou seja, filho do
caçador, é constante, podendo inferir certa lógica nas histórias contadas pelos africanos,
como também sua ligação com Ogun.

Oxum Yéyé Ipondá e Odé Erinlé Ibò, respectivamente, as qualidades de Oxum e Oxóssi
que se consideram os pais de Logun Edé.

A história revela que Oxóssi, feliz pelo filho vindouro, declarou a Oxum o seu amor e pediu a
ela posse do menino:

– Oxum, por amor a você, quero que Logun Edé fique comigo, vou ensiná-lo a caçar.
Comigo ele aprenderá os segredos da floresta.

Mas Oxum também amava Logun Edé e por maior que fosse seu amor por Oxóssi ela
não poderia separar-se de seu filho então declarou:

– Logun Edé viverá seis meses com sua mãe e seis meses com o seu pai, comerá do
peixe e da caça. Ele será Oxóssi e será Oxum, mas sem deixar de ser ele mesmo, Logun
Edé: um príncipe na floresta e um grande caçador!

Características dos filhos de Logun Edé

Os filhos de Logun Edé possuem as características de Oxum, ou seja, narcisismo, vaidade, gosto
pelo luxo, sensualidade, beleza, charme, elegância. Tem também características em comum
com Oxóssi, ou seja, beleza, vaidade, cautela, objectividade e segurança.

No entanto, há características de Logun Edé que não pertencem nem a Oxum nem a
Oxóssi. Na verdade, ele reúne o arquétipo de ambos, mas de forma superficial. A
superficialidade é a marca dos filhos de Logun Edé, porque eles, ao contrário dos filhos
de Oxóssi e de Oxum não têm certeza do que são nem do que querem. As qualidades de
Oxum e de Oxóssi amenizam-se em Logun Edé, mas, em compensação, os defeitos são
exacerbados. Dessa forma, os filhos de Logun Edé são extremamente soberbos
arrogantes e prepotentes.

Mas algo não se pode negar: os filhos de Logun Edé são bonitos e possuem olho-de-
gato, algo que atrai e repele ao mesmo tempo. São mandões, os donos da verdade, os
mais belos, cujo ego não cabe em si. Melhor não lhes fazer elogios em sua presença, a
não ser que queira ver sua imensa cauda de pavão abrindo-se em leque. Quando têm
consciência de que conseguem controlar os seus defeitos, os filhos de Logun Edé
tornam-se pessoas muito agradáveis.

Os filhos de Logun Odé não andam! Pairam sobre o ar!

Logun Edé pertence ao panteão dos caçadores, é único, não tem qualidade ou culto
diferenciado,por isso só pode existir um iniciado numa casa de candomblé.
Ossain

DIA: Quinta-feira.

CORES: Verde e Branco.

SÍMBOLOS: Haste ladeada por sete lanças com um pássaro no topo (árvore estilizada).

ELEMENTOS: Floresta e Plantas selvagens (Terra).

DOMÍNIOS: Medicina e Liturgia através das folhas.

SAUDAÇÃO: Ewé ó!

Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do
Candomblé. Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus
segredos, só ele sabe as palavras (ofó) que despertam o seu poder, a sua força.

Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem a sua
presença, nenhuma cerimónia pode realizar-se, pois ele detém o axé que desperta o poder do
‘sangue’ verde das folhas.

Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode
realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas folhas que está à cura para
todas as doenças, do corpo ou do espírito. Portanto, precisamos lutar por sua preservação,
para que consequências desastrosas não atinjam os seres humanos.
A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como Ogum e Oxóssi, o
seu território por excelência, onde as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a
interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual
nenhum caçador deve penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda,
como alho, fumo ou bebida. Medo de que? Medo dos encantamentos da floresta, medo do
poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas da natureza, que não
permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas penetrar em sua morada. Se nela
entrarem, talvez jamais encontrem o caminho de volta.

Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em pessoas que entram
na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um misterioso anãozinho perneta que fuma
cachimbo (figura bastante próxima ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande
(vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande(ouve com a menor). Muitas
vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma
única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim com o Saci-Pererê, que é um personagem
do folclore brasileiro. Ossaim é orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque
a árvore, base de todas as folha possui um só tronco.

De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e Orunmilá, que reflecte,
na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn – mestres em medicina natural que
dominavam o poder das folhas – e os Babalawó – sacerdotes versados nos profundos mistérios
do cosmo e do destino dos seres, os pais do segredo.

Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima com a fronteira com
o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam, do panteão Jeje assimilado pelos Nagô,
como Nana, Omolú, Oxumaré e Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia Ioruba. Contudo, é
evidente que entre os Jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome, por
isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo Daomé.
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Uma confusão latente refere-se ao sexo de Ossaim; é preciso esclarecer que se trata de um
orixá do sexo masculino. Entretanto, como feiticeiro e estudioso das plantas, não teve tempo
de relacionamentos amorosos. Sabe-se que foi parceiro de Iansã, mas o controvertido
relacionamento com Oxóssi, que ninguém pode afirmar se foi ou não amoroso, é o mais
comentado.

Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são orixás do mesmo
espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros e conhecedores dos segredos da
mata, da Terra.

Características dos filhos de Ossaim

Os filhos de Ossaim são pessoas extremamente equilibradas e cautelosas, que não permitem
que as suas simpatias ou antipatias interfiram nas suas opiniões sobre os outros. Controlam
perfeitamente os seus sentimentos e emoções. Possuem grande capacidade de discernimento
e são frios e racionais nas suas decisões.
São pessoas extremamente reservadas, não se metem em questões que não lhe dizem
respeito. Participam em poucas actividades sociais, preferindo o isolamento. Elas evitam falar
sobre a sua vida, sobre o seu passado, preferem manter certa aura de mistério. Geralmente,
não têm nada de mais a esconder, mas desejam manter reserva.

Pressa e ansiedade não fazem parte das suas características, pois são pessoas dadas aos
detalhes e caprichosas no cumprimento das suas tarefas. Possuem gosto por actividades
artesanais que exigem isolamento e paciência; não gostam de ter chefe nem subalternos, não
se prendem a horários, apreciam a independência para fazer o que gostam na hora que
querem. São pessoas fascinadas com as regras e tradições, adoram questioná-las. Possuem um
gosto exacerbado pela religiosidade.
Ibeji

Dia: Domingo
Cores: Azul, Rosa e Verde
Elemento: Ar
Domínios: Nascimento e Infância
Símbolos: 2 Bonecos Gémeos, 2 Cabacinhas
Saudação: Bejiróó!

Ibeji é o Orixá-Criança, em realidade, duas divindades gémeas infantis, ligadas a todos os orixás
e seres humanos.

Por serem gémeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a
tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar
das plantas, etc.

Ibeji na nação Ketu, ou Vunji nas nações Angola e Congo. É o Orixá Erê, ou seja, o Orixá criança.
É a divindade da brincadeira, da alegria; a sua regência está ligada à infância.

Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exú, se não for bem
cuidado pode atrapalhar os trabalhos com as suas brincadeiras infantis, desvirtuando a
concentração dos membros de uma Casa de Santo. É o Orixá que rege a alegria, a inocência, a
ingenuidade da criança. A sua determinação é tomar conta do bebé até à adolescência,
independentemente do Orixá que a criança carrega.

Ibeji é tudo o que existe de bom, belo e puro; uma criança pode-nos mostrar o seu sorriso, a
sua alegria, a sua felicidade, o seu falar, os seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do
canto dos pássaros, nas evoluções durante o voo das aves, na beleza e perfume das flores.
A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de
um momento feliz, de uma travessura, e você estará a viver ou revivendo uma lenda deste
Orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu na nossa infância, foi regido, gerado e
administrado por Ibeji. Portanto, Ibeji já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós,
seres humanos, vivemos.

A lenda e a história de Ibeji, acontece a cada momento feliz de uma criança. Ao menos para
manter vivo este importante Orixá, procure dar felicidade a uma criança. Faça você mesmo o
encantamento de Ibeji. É fácil: faça gerar dentro de si a felicidade de estar vivo. Transmita esta
felicidade, contagie o seu próximo com ela. Encante Ibeji com a magia do sorriso, com o amor
de uma criança. E seja Ibeji, feliz!

Características dos filhos de Ibeji

Os filhos de Ibeji são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequentes; nunca
deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhões, sorridentes,
irrequietos – tudo, enfim, o que se possa associar ao comportamento típico infantil.

Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem revelar-se


teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, a sua leveza perante a vida revela-
se no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, a sua dificuldade em
permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.

Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e uma certa tendência a simplificar as


coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, às vezes, o comportamento
complexo das pessoas que estão em seu torno a princípios simplistas como “gosta de mim –
não gosta de mim”. Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com alguma
facilidade.

Ao mesmo tempo, as suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem
deixar grandes marcas. Como as crianças, em geral, gostam de estar no meio de muita gente,
das actividades desportivas, sociais e das festas.
Irôko

Dia da Semana: Terça-feira.

Cores: Branco, Verde /castanho

Símbolo: Árvore/tronco

Domínios: Ancestralidade

Saudação: Iroko Issó! Eró!Iroko Kissilé.

Iroko é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os
restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo.
Iroko é o comandante de todas as árvores sagradas, o vanguardeiro, os demais Osa Iggi
devem-lhe obediência porque só ele é Iggi Olórun, a árvore do Senhor do Céu.

Iroko, Iroco ou Roko (do iorubá Íròkò) é um orixá cultuado no candomblé do Brasil
pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na
nação Angola ou Congo.

Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto,
anotando todas as decisões que implicam directamente na sua acção eterna. É um Orixá
pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está
nos seus desígnios.
É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que
acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o
início e o fim de tudo.

Conhecido e respeitado na Mesopotâmia e Babilónia como Enki, o Leão Alado, que


acompanha todos os seres do nascimento ao infinito; cultuado no Egipto como Anúbis,
o deus Chacal que determina a caminhada infinita dos seres desde o nascimento até
atravessar o Vale da Morte. Também venerado como Teotihacan entre os Incas e
Viracocha entre os Maias como o Senhor do Início e do Fim; também presente no
Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do
Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da
Eternidade.

É o Tempo também das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima. Guardião


das florestas centenárias é o colectivo das árvores grandiosas, guardião da
ancestralidade.

Em África, a sua morada é a árvore iroko, Milicia excelsa (antes classificada como
Chlorophora excelsa), chamada “amoreira africana” na África de língua portuguesa. É
uma árvore majestosa, encontrada da Serra Leoa à Tanzânia, que atinge 45 metros de
altura e até 2,7 metros de diâmetro.

No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca,
Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí,
figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma
dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um “ojá” (laço de pano branco) ao
seu redor.

Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc.,


representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.
Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua
dinastia, os seus avós, o seu sangue… Iroko representa a história do Ilê (casa), assim
como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades.

Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma “baixar” nas festas de santo. É
reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele
consagrados são a tartaruga e o papagaio.

Iroko é um Orixá pouco cultuado tanto no Brasil como em Portugal, e os seus filhos
também são muito raros. Os seus filhos, no entanto, são sempre muito protegidos pelo
seu Orixá.

É importante dizer que esta árvore faz parte do culto de Ifá e foi sobre ela que as
feiticeiras pousaram e não tiveram sorte.

Há um grande fundamento dessa árvore ancestral ligada diretamente a Obatalá em um


orikí: “Iroko Olúwére, Ògìyán Èèijù”.

Qualidade: Iroko Olúwére, a energia que mora dentro da árvore Iroko.

Características dos filhos de Iroko

Os filhos de Iroko são tidos como eloquentes, ciumentos, camaradas, inteligentes,


competentes, teimosos, turrões e generosos.

Gostam de diversão: dançar e cozinhar; comer e beber bem.


Apaixonam-se com facilidade e gostam de liderar.

Dotados de senso de justiça, são amigos queridos, mas também podem ser inimigos
terríveis, no entanto, reconciliam-se facilmente.

Um defeito grande, é o facto de não conseguirem guardar segredos.

Iroko Kisselé; Eró Iroko issó, eró!

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