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UNIP- UNIVERSIDADE PAULISTA

Centro de Psicologia Aplicada

RELATÓRIO PSICOLÓGICO

1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

Área: Psicodiagnóstico Interventivo


Prontuário Nº 3436

1.1 Interessados

Responsável: Mãe S.S Idade: 32 anos

Criança: G.M.S. Idade: 5 anos

1.2. Relatores

Estagiários responsáveis:

Ana Carolina de M. Biazoto RA: C012DH9


Elizangela Pratti RA: C29HIH3
Jonas Olegário RA: T136911
Supervisora responsável:
Cristina Helena Giovanni Meneghello CRP: 06/45385-7

1.3. Assunto

Relatório referente à devolutiva final com a mãe de G., Sra, S.S. realizada no
dia 04-12-2017.

1. DESCRIÇÃO DA DEMANDA

A mãe Sra. S. S. procurou a clínica com encaminhamento da escola EMEI Jânio


Quadros, com a queixa de comportamento agressivo do seu filho, e relatou que a
criança tem dificuldade de obedecer e seguir regras na escola. Ocorre o mesmo
quando está sob os cuidados da cuidadora. Da escola está chegando reclamações
diárias do comportamento da criança, com suspeitas de que ela seja autista, ele
possui uma fala limitada e mecânica.
A criança tem cinco anos, mora em São Paulo com a mãe, não tem nenhum contato
com o pai e não tem irmãos. Ele passou anteriormente com psicólogo.

2. DESCRIÇÃO DO ATENDIMENTO

Sra. S. foi trazida até a sala por uma das estagiárias, pedimos que entrasse na sala
reservada para que fizéssemos a devolutiva final dos atendimentos. Sra. S. se sentou
e em seguida uma das estagiarias informou que o atendimento seria para
compartilhar os procedimentos que foram realizados com ela e com a criança G. no
período em que realizamos os atendimentos.

Já estávamos sentados e a Sra. S. nos disse que precisava pedir algo e nos solicitou
uma cópia do documento de encaminhamento e do neurologista que nos foi
entregue no inicio dos atendimentos e nos disse “Não sei se o G. enrolou ou esta em
alguma pasta”(sic) e complementou que a instituição estava solicitando este
documento, em seguida uma das estagiarias perguntou para Sra. onde ela havia
marcado e Sra. S. explicou que havia entrado em contato com o CAPS de Santana,
falamos para Sra. S. que nossa professora orientadora viria até a sala para esclarecer
os procedimentos e que dependendo do local onde a Sra. S. havia marcado não
seria necessário o encaminhamento.

Continuamos com a conversa e a Sra. S. nos disse que G. perguntou “Mãe eu vou na
Dra. Cris?”(sic) e ela respondeu ”Não, você vai em outro atendimento que a mamãe
esta buscando pra você, hoje só eu que vou falar com a Dra. Cris”(sic). A estagiaria
então voltou a falar sobre a leitura do relatório final, sobre o nosso entendimento
no decorrer dos atendimentos e os procedimentos realizado, dissemos que se ela
tivesse dúvidas no decorrer da leitura ela poderia nos questionar.
Então a estagiaria começou a leitura e informou que identificamos os nomes nos
relatorias apenas pelas iniciais e que S. seria ela e G. o filho. Começou pela descrição
da demanda que foi o motivo pelo qual Sra. S. procurou a clinica para o
atendimento da criança G.

Em seguida começamos a ler sobre a analise, falamos de todos os prontos


importantes neste período, sendo o primeiro ponto a resistência da Sra. S. falar com
G. sobre o pai, neste momento Sra. S. pareceu apreensiva e nos disse que agora está
entrando no jogo de G. e que agora conversa de forma diferente com G. quando ele
começa a questionar qualquer assunto referente ao pai ela diz” Deixa a mãe falar
uma coisa pra você, seu pai e o papai da mamãe mora muito muito longe, quando
eles vier nos quatro vamos fazer uma viagem”(sic) e G. fala” é serio mãe”(sic) e Sra.
Diz que sim e G. então brinca dizendo “vem com papai”(sic). Uma das estagiarias
perguntou para Sra. S. se ele pergunta com frequência e a Sra. S. nos respondeu que
quando ela ouve os amiguinhos falando que os pais deles fazem alguma coisa, G.
fala “minha mãe também faz, minha mãe brinca “(sic). Neste momento falamos
para Sra. S. que ela poderia usar uma forma de meio termo para conversar com G.
falando a verdade sobre o pai.

Quando G. trás as atividades da escola ele diz “mãe não consegui”(sic) e Sra. S.
responde “tudo bem G. tem coisa que a mãe também não consegue fazer”(sic). E G.
diz “vamos tentar de novo”(sic) e ela responde “ isso mesmo filho, vamos tentar que
a gente consegue”(sic). Sra. S. informou que G. gosta de pintar igual no consultório,
comprou tinta guache, mas que G. pinta com o dedo e que ela irá providenciar um
pincel pra ele.

Sra. S. nos informou que G. a ajuda nas atividades de lavar o quintal, pede para ela
ler e ela lê, G. pede para ficar só de cueca mas ela evita por achar o quintal sujo,
mas que ela esta tentando ser amiga dele, ela sabe que ele vai crescer mas neste
momento ela quer muito ajuda-lo. E que G. questionou com ela que os amiguinhos
falam “o pai”(sic) e que ela ensinou G. que não é o pai e sim ”meu pai”(sic).
Demos continuidade na leitura do relatório, falamos sobre a intervenção da Sra. S.
em uma das atividades onde ela impediu G. de escolher figuras que remetessem ao
pai. Neste momento nossa professora orientadora estava presente na sala e
orientou a Sra. S. que ela não faz por querer, mas que nós como psicólogo
entendemos e percebemos que temos uma observação diferente de que ela não
quer que o filho sofra, mas que as vezes eles precisam passar por isso, cada um no
seu tempo e que é importante que ela ouça o que G. tem a dizer, sabemos a
dificuldade de G. em nomear e ter propriedade as coisas e que isso precisa
continuar ser trabalhado com ele.

Neste momento Sra. S. nos disse que esta conversando mais com G. e que esta
deixando ele brincar mais, e mencionou um fato onde G. estava brincando e ficou
com o nariz sangrando, ela então disse para ele “filho, pode brincar, se jogar no
chão mais com cuidado, o que aconteceu com seu nariz”(sic) e G. respondeu que o
amiguinho acertou a bola sem querer. Continuamos a leitura e mencionamos sobre
a apreensão que G. demostra sobre a autoridade da mãe. Sra. S. nos disse que
algumas coisas G. passa dos limites, mas que tem conversado com ele que tudo tem
limite, que é preciso ele aprender a brincar e nos disse que G. pediu desculpas à ela
após essa conversa, mas que ela esta sendo mais compreensiva.

Sra. S. nos disse que ela quer corrigir os erros dele agora e que mais pra frente ele
estará na escola e ela quer evitar que ele sofra por conta do nervosismo. G.
demostra nervosismo quando não consegue fazer algo mais que ela esta
conversando com ele e que ele fala “ mãe eu vou conseguir”(sic) e ela responde, vai
sim filho. Uma das estagiarias mencionou a importância de G. saber os limites que
ele pode ir, a postura, e a Sra. S. também saber que é uma fase natural da criança.

Em seguida falamos sobre a devolutiva parcial, e mencionamos pata Sra. S. que em


alguns momentos nos pareceu que ela estava tendo dificuldades em compreender o
que queríamos dizer, e também se as orientados para estimular G. estava sendo
feito por ela. Neste momento novamente nossa professora orientadora, orientou
Sra. S. sobre o estimulo de G. e mencionou sobre o relacionamento de G. com as
outras crianças, e que isso mudou no decorrer do processo, e acrescentou que no
começo Sra. S. ainda ficava um pouco brava com G. mais que nós psicólogos
entendemos que ela fazia para o bem de G. mais que esta sendo muito importante
essa mudança na maneira em que ela fala com G. e aos poucos fomos explicando
sobre as conversas e estímulos que essa falta atrapalha o desenvolvimento global e
até mesmo a forma que a Sra. S. foi criada interfere, por ser uma criação diferente.
E mencionou que se G. estivesse numa tribo indígena talvez as coisas seriam
diferentes, mas que ele está na cidade grande e que faltou algumas informações
para que G. se desenvolvesse melhor, a importante de acompanhar G. na noção
temporal real, mas que Sra. S. esta conseguindo ampliar isso, e deve atentar-se
mais em acompanhar o momento de G. e deixar a correção do comportamento dele
mais de lado e se entregar mais na interação

Em seguida falamos sobre a atividade lúdica realizada com pais e filhos,


mencionamos os pontos observados onde Sra. S. corrige bastante G. interfere na
escola de brincadeira dele, e novamente orientamos que Sra. S. continue
interagindo mais, diversificar as atividades e dar a liberdade de escolha para G.

Em seguida falamos sobre a visita escolar que aconteceu para que pudéssemos
observar e identificar conforme a queixa e se existe agressividade por parte de G.
que não identificamos nos atendimentos na clinica. Falamos que foi importante
para nós para que pudéssemos entender como um processo de avaliação e
intervenção, falamos para Sra. S. que na visita escolar percebemos a inquietude e
agressividade de G. e que ele não da sentido as queixas dos professores e para que
ele compreendesse foi preciso que os professores fossem mais diretos.

Falamos sobre o retorno de G. na escola no segundo bimestre, que houve uma


melhora no comportamento e Sra. S. nos disse que quando recebeu a pasta de
atividades de G. ficou bem contente e fez elogios ao filho pela melhoria. E disse que
G. falou “você gostou mãe”(sic) Sra. S respondeu que sim e G. então disse
“obrigado”(sic). Comentamos sobre a visita domiciliar, que foi importante para
percebermos que G. tem um espaço para brincar, falamos sobre a presença de
outra criança na casa, e então Sra. S. mencionou a mudança de casa e que hoje tem
mais espaço, que G. gosta de brincar na parte de baixo e isso esta sendo bom pra
ele.

Finalizamos a devolutiva perguntando para Sra. S. se ficou alguma duvida sobre os


procedimentos e análise que tivemos referente aos atendimentos, Sra. S. falou que
esta bem contente com o progresso de G. e que agora ela irá se empenhar em
conseguir os atendimentos que indicamos, Sra. S. iria viajar mas que não irá por
conta do agendamento de atendimentos para G. que será feito no CAPS.” Eu vou
descansar, ficar 10 dias em casa, ia viajar mais não vou, a prioridade são os
atendimentos do meu filho”(sic).

Nossa professora orientadora perguntou para Sra. S. se ela estava satisfeita com o
atendimento e neste momento Sra. S. se emocionou bastante, nos disse que esta
desesperada por ser só ela pra cuidar de tudo, casa, trabalho, as reclamações que
chegavam de G. Mas que após ter iniciado o atendimento da clinica ela esta aliviada
e só tem o que agradecer e que esta muito feliz. Providenciamos a xerox do
encaminhamento trazido por ela no inicio dos atendimentos e o encaminhamento
para que G. seja atendimento por outra instituição, solicitamos que ela retire na
próxima semana na recepção.

Desejamos boa sorte à ela e para G. desejamos também um ótimo fim de ano, nos
despedimentos e a estagiaria acompanhou Sra. S. até a recepção.

3. PROCEDIMENTO

A devolutiva com a Sra. S. foi realizada pelos estagiários, junto à professora


orientada. Foi feita a leitura do relatório final, este que consta a queixa,
procedimentos realizados com a Sra. S. e seu filho G., analises embasada nas
leituras teóricas e orientações para que o atendimento para a criança G.
continue sendo realizado ainda que por outra instituição e profissionais.

4. ANÁLISE CLÍNICA

Neste atendimento usamos o texto de Marizilda Fleury Donatelli –


Psicodiagnóstico Interventivo fenomenológico.

Demos inicio ao atendimento alinhavando as percepções ocorridas durante o


processo desde a entrevista inicial, estabelecendo todos os pontos que
delinearam o que foi trabalhado aos poucos, produzindo uma Gestalt.

Identificamos os aspectos sadios e adaptativos, assim como os menos sadios e


adaptativos.

Pareceu – nos que Sra. S. conseguiu entender tudo o que estávamos lendo a
ela, foi bastante compreensiva e tolerante. Elaboramos um roteiro flexível com
uma linguagem adequada e não utilizamos termos ambíguos, Sra. S. conseguiu
ter um certo insight a respeito da situação real de G..

Apontamos os aspectos importantes que permitisse Sra. S. e G. a continuar


suas vidas mais fortalecidos, trabalhamos também os encaminhamentos já
solicitados nos atendimentos anteriores e o desligamento do consultório.
5. Conclusão

Percebemos que Sra. S. conseguiu absorver tudo o que dizíamos à ela, e por
mais dificuldade que ela teve no inicio do processo ela compreendeu que
precisa mudar algumas atitudes relacionadas a G. , nos deixando claro que os
significados das palavras não podem ser pressupostos, mas é necessário um
esforço de compreensão para não correr riscos de achar que sabemos o que
ainda não sabemos.
As palavras tem mais de um significado, elas carregam significados culturais
compartilhados e, ao mesmo tempo, carregam significados originais próprios
de cada pessoa.

Estagiário responsável: Ana Carolina de Miranda Biazoto


RA: C012DH9

Estagiário responsável: Elizangela Pratti


RA: C29HIH3

Estagiário responsável: Jonas Olegário


RA: T136911

Supervisora responsável: Cristina Helena Giovanni Meneghello


CRP: 06/45385-7