Você está na página 1de 10

ACÓRDÃO

01296.017/96-6 RORA Fl.1

EMENTA: DANO MORAL. RELAÇÃO DE


EMPREGO. COMPETÊNCIA. A competência da Justiça
do Trabalho não se estabelece pela natureza da parcela em
discussão, mas pela natureza da relação jurídica que ampara
a pretensão. Logo, se a relação jurídica informada como
suporte para o pedido de indenização de dano moral é uma
relação jurídica de emprego, é insuscetível de dúvida que a
competência para julgar a demanda é desta justiça
especializada.

VISTOS e relatados estes autos de RECURSO ORDINÁRIO e


RECURSO ADESIVO, interpostos de sentença da MM. 17ª Junta de
Conciliação e Julgamento de Porto Alegre, sendo recorrentes BANCO
MERIDIONAL DO BRASIL S/A e ALESSANDRA BEATRIZ
FERNANDES, e recorridos OS MESMOS.

Inconformados com a decisão de fls., os litigantes interpõem


recursos. A reclamada em Recurso Ordinário, insiste na tese da incompetência
desta justiça especializada para processar e julgar a demanda, no que tange à
indenização por dano moral e, no que respeita às questões de fundo, volta-se
contra a sentença, enquanto entender configurada a justa causa patronal e defere
o pagamento das chamadas parcelas rescisórias e indenização por dano moral,
além de pretender que na apuração das horas extras seja admitida a tolerância de
até dez minutos no início e no final da jornada, aduzindo, ainda, que o intervalo
de quinze minutos para descanso não se computa na jornada, para efeito de horas
extraordinárias. A reclamante em Recurso Adesivo não se conforma com o
indeferimento do adicional de insalubridade por deficiência de iluminamento,
pretendendo, ainda, seja majorada a condenação por dano moral ao equivalente a
cem (100) vezes a maior remuneração percebida.
Com contra-razões, sobem os autos ao Tribunal.
O Ministério Público, no parecer de fls. 323/324, opina pelo não
provimento do recurso da reclamada e pelo provimento parcial do recurso
adesivo.
É o relatório.
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.2

ISTO POSTO:
RECURSO DA RECLAMADA.
1. - DANO MORAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.
Insiste a reclamada na tese da incompetência desta justiça especializada para
processar e julgar a demanda envolvendo dano moral. Invoca, para tanto, o
disposto no artigo 114 da Constituição Federal e no artigo 652 da CLT,
asseverando que a matéria é de natureza civil e, como tal, é de competência da
Justiça Comum do Estado.
Vênia dos fundamentos do recurso, a competência da Justiça do Trabalho não se
estabelece pela natureza da pretensão deduzida em Juízo, mas pela natureza da
relação jurídica que a ampara. Como não se ignora, do contrato de trabalho
surgem direitos e obrigações recíprocas. As principais obrigações compreendem
a prestação de serviços por parte do empregado e o pagamento de salário pelo
empregador. Entre as obrigações complementares a mais relevante é
precisamente a de respeitar "a personalidade moral do empregado na sua
dignidade absoluta de pessoa humana" (Délio Maranhão, in Instituições do
Direito do Trabalho, Ed. 1991, I Vol. pag. 249). Desta sorte, se os fatos e atos
tidos pelo empregado como ensejadores da reparação pelo dano moral
encontram-se estritamente vinculados à relação de emprego, outro não seria o
Juízo competente para julgar a demanda. Por conseqüência, ao contrário do que
pareceu à recorrente, o litígio não é estranho ao que preceitua o artigo 114 da
Constituição Federal. Neste sentido vem se manifestando a doutrina e
jurisprudência há longa data, inclusive do Supremo Tribunal Federal, como
noticia o aresto da lavra do Ministro Sepúlveda Pertence, invocado em artigo
publicado na Revista LTr 55.05, de maio de 1991. Trata-se da matéria publicada
sob o título Reparação do Dano Moral no Direito do Trabalho que, ao enfrentar a
questão relativa à competência consigna: "Questão de grande interesse prático é a
de saber qual a Justiça competente para dirimir os dissídios motivados pelo dano
moral trabalhista. O art. 114 da Constituição Federal atribui competência à
Justiça do Trabalho para conciliar e julgar os dissídios individuais entre
empregados e empregadores, entre os quais, não se pode negar, figuram os
decorrentes de dano extrapatrimonial sofrido pelo empregado em qualquer das
fases; pré-contratual, contratual ou pós-contratual. Mesmo antes da vigência da
atual Constituição já reconhecemos, apoiando-nos em Luigi de Litala e Cristóvão
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.3

Tostes Malta, a competência da Justiça do Trabalho para a ação de perdas e danos


quando uma controvérsia que tenha por objeto o ressarcimento do dano sofrido
por uma das partes contratantes for estritamente derivado dessa mesma relação.
Fortalece este entendimento recente acórdão em que o C. Supremo Tribunal
Federal, conduzido pelo voto do Ministro Sepúlveda Pertence concluiu não
importar à determinação da competência da Justiça do Trabalho dependa a
solução da lide de questão de direito civil mas sim que o fundamento do pedido
assente na relação de emprego, inserindo-se no contrato de trabalho". Pondere-se,
ainda, que as disposições contidas na CLT, artigo 483, alíneas "a" a "c" e "f",
nada mais representam, senão a obrigação legal do empregador de respeitar a
honra e a boa fama de seus empregados. Logo, se a infração do contrato de
trabalho pelo sujeito empregador, invocada nos fundamentos do pedido configura
justa causa patronal e, também dano moral, não haveria outro juízo competente
para processar e julgar a matéria. Assim, não há o que prover.
2.- RESCISÃO INDIRETA. DANO MORAL.
A decisão de fls. entendeu demonstrada a justa causa patronal, hábil a autorizar a
chamada despedida indireta.
Segundo as razões de fls. a recorrida abandonou o emprego e, tanto é assim, que
em seu depoimento admite tenha deixado de comparecer ao trabalho “em 10-06-
96” e a prova documental só veio a “ratificar esta ocorrência”.
Resta pacífico nos autos que a recorrida ajuizou ação denunciando o contrato de
trabalho a contar de 10.6.96, data em que se afastou do emprego. Logo, seu
depoimento não implica confissão de abandono de emprego. Não fora isso, resta
inquestionável que a recorrente jamais despediu a empregada e, menos, ainda,
sob a invocação de falta grave. Ademais, e como é elementar, o abandono de
emprego se inclui entre as faltas graves definidas no artigo 482 da Consolidação
e, como qualquer delas não é auto-operável. Em outras palavras, a despedida se
dá pela declaração do empregador, fundada em infração séria ao contrato de
trabalho.
Na espécie, está em causa a configuração de falta grave patronal traduzida em
violação de correspondência endereçada à autora e extração de extrato de sua
conta corrente.
Segundo a causa de pedir, o Gerente da Agência “Andradas”, onde trabalhava,
freqüentemente sacava extratos de movimentação da sua conta corrente e lhe
tomava satisfações a respeito da movimentação da conta corrente sob o pretexto
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.4

de suposto desfalque na agência. Na versão da inicial tais procedimentos e


atitudes se deram sem a menor discrição, lhe causando humilhação e
constrangimento perante os demais colegas, inclusive gerando boatos de que
tivesse participado no desfalque, bem como o tratamento de indiferença pelos
colegas, implicando fosse relegada ao ostracismo no recinto de trabalho.
Infere-se, ainda, da causa de pedir, que a recorrida tentou a rescisão do ajuste por
acordo, ante a situação insustentável que se criou e não obteve sucesso, optando a
final pela despedida indireta, sem antes se socorrer do Ministério do Trabalho,
onde requereu fosse anotada a saída em sua CTPS.
Como já se destacou, a Junta acolheu a versão da inicial, por entender
demonstrados, de forma convincente, os fatos narrados na inicial.
As razões do apelo sustentam tenha a recorrida confessado em seu depoimento
que o cheque devolvido por insuficiência de fundos foi a ela remetido pela
Agência de São Leopoldo, através de malote endereçado ao gerente, a quem
incumbe abri-lo e esta não logrou demonstrar estivesse “dentro de um envelope
lacrado endereçado à depoente” e, desta sorte, não há falar em violação de
correspondência. Assevera, ainda, que da prova testemunhal, cujas informações
sequer se prestam como meio de prova, ante à contradita oferecida, pois litigam
contra a recorrente, revelam apenas, que o “Gerente Celso tirou extrato das
contas correntes das testemunhas e não da reclamante”.
Não prospera o recurso, enquanto insiste na tese de que são imprestáveis como
meio de prova os depoimentos da testemunhas. O fato de terem demandado
contra a recorrente não as torna impedidas ou supspeitas. A matéria, de resto,
encontra-se vencida pela jurisprudência uniforme dos pretórios trabalhistas
através do Enunciado 357 da Súmula do TST, a qual nos filiamos porque
consentânea com o direito posto. A circunstância de terem confirmado as
alegações da petição inicial, no que tange aos atos atentatórios às mais
elementares regras vedadas no sistema bancário, ao admitirem que o gerente
atentava contra o sigilo bancário só vem a favorecer os fatos narrados na petição
inicial. Por conseqüência, não se pode ignorar as informações trazidas ao
processo pela prova testemunhal. Relevante se mostra para o deslinde da
controvérsia o depoimento da primeira enquanto depõe no sentido de que “o
gerente comentava com os demais funcionários a respeito da conta da
reclamante; que este gerente tirava extratos da conta do depoente; que o
gerente não tinha autorização para tirar extratos da conta dos
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.5

funcionários”, além de acrescentar: “... o gerente passou a investigar a conta


da reclamante, inclusive comentando com os colegas que a reclamante estava
causando um desfalque na agência ...”. No mesmo sentido o depoimento da
segunda testemunha que veio a Juízo a convite da recorrida, ao esclarecer que
“Celso Petinelli não trabalha mais no banco; que esta pessoa tirou extrato da
conta bancária da depoente; (...); que Celso fazia comentários a respeito da
conta corrente da reclamante; que a mesma estaria misturando dinheiro do
banco com o da autora; que alguns funcionários passaram a tratar a
reclamante com certa destreza”.
É verdadeira a assertiva de que a testemunha da recorrente desconhece os fatos
que envolvem o litígio, declarando não ter ouvido comentários a respeito da
conduta da reclamante, bem como não sabe se o gerente Celso Petinelli “tirou
extrato de conta corrente de algum funcionário”. O depoimento questionado,
todavia, não se mostra hábil a infirmar aqueles prestados pelas testemunhas da
recorrida.
A partir da análise da prova, restam demonstradas as infrações contratuais
praticadas pela empregadora traduzida na violação de sua conta bancária pelo
administrativo e pela velada, senão explícita acusação perante os colegas sobre
sua participação em desfalque na agência. Nem se diga que outros prepostos do
estabelecimento e/ou sua própria administração, ante as correspondências de fls.
15/17. O fato de a recorrida tomar iniciativas, por certo equivocadas e por
manifesta falta de assessoramento jurídico, embora sabidamente conte com o
corpo jurídico do sindicato de sua categoria profissional à disposição, não tem a
conseqüência jurídica invocada nas razões do apelo. Não há, pois, falar em
ausência de atualidade da falta grave patronal, máxime, quando a recorrida tentou
resolver, ainda que sem qualquer assessoria profissional o impasse em que se viu
envolvida. Por conseqüência, deve ser mantida a sentença, enquanto entende
configurada a hipótese do artigo 483, letra “e” da Consolidação para deferir o
pagamento das chamadas parcelas rescisórias.
No que tange à indenização por dano moral, as razões do apelo não consagram
fundamentação específica. Ao que se pode inferir a recorrente entende indevida
por ausência de prova da falta grave patronal e pela ausência de previsão legal,
na medida em que se sustenta: Assim, a condenação imposta não possui qualquer
previsão legal, seja porque ângulo se examine a questão”. Por certo, que o
parágrafo supra transcrito deve se referir à indenização por dano moral, na
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.6

medida em que a Consolidação é expressa ao tratar das hipóteses em que se pode


configurar o que se convencionou chamar de despedida indireta.
A Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso X dispõe no sentido de que “são
invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente da
violação”. De longa data, a doutrina vinha se firmando no sentido de distinguir o
dano moral do patrimonial. Já em Orlando Gomes encontramos esta distinção:
"Mas no direito atual desenvolve-se forte tendência para admitir a existência do
dano moral. Entendem muitos que se o atentado ao direito personalíssimo de
alguém não produz qualquer prejuízo de ordem patrimonial, mesmo assim
aquele que sofreu deve ter direito a uma satisfação. As razões de eqüidade que
justificam levam a se admitir a inclusão do dano extrapatrimonial ao lado do
dano patrimonial. (...) Se há conseqüências de ordem patrimonial, ainda que
mediante repercussão, o dano deixa de ser extrapatrimonial. Dano moral é,
portanto, o constrangimento que alguém experimenta em conseqüência da lesão
sofrida em direito personalíssimo, ilicitamente produzida por outrem"
(Obrigações, 2ª Ed. Forense, RJ, 1976, pags. 324/5). A jurisprudência, de resto, é
farta quanto à definição e a indenização do dano moral. Em recente julgado
(apelação cível nº 588021447), o Relator destaca parte dos fundamentos da
decisão de primeiro grau para, a final, confirmá-la. Entre elas, a caracterização do
dano moral como: " ... O vexame, a lesão ao bem maior do indivíduo, na forma
de sua credibilidade social, subtraído, mediante ato de terceiro, merece ser
restaurada e indenizável economicamente (... ). Em resumo, o abalo moral não é
ruptura dos conceitos internalizados pelo indivíduo, e sim o corte destes
conceitos exteriorizados ao nível de grupo, socializados na forma de padrões de
exigência comuns. (... ) As organizações não podem transformar as pessoas
apenas em números digitáveis nos terminais de computadores. É indispensável
manter respeito à pessoa. Reconhecer-lhe dignidade".
Como é elementar, a relação jurídica de emprego deve ser norteada pelo respeito
à dignidade do prestador de serviços, obrigações que decorrem do princípio de
boa-fé. Os atos atentatórios à própria dignidade da recorrida restaram
demonstrados pela prova produzida, bem como sua repercussão perante os
colegas, na medida em que a difamação restou pública. Logo, não merece
censura a sentença ao deferir a indenização questionada.
3. - HORAS EXTRAS. CONTAGEM DOS MINUTOS.
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.7

Inconforma-se a recorrente com a sentença, enquanto determina sejam


considerados todos os minutos, na contagem das horas extras, pretendendo sejam
desprezados no mínimo dez minutos no início e término da jornada.
Vênia das razões do apelo, a perícia tipo contábil indica diferenças de horas
extras não pagas (fl. 210). Além disso, não tem sentido a desconsideração de
minutos, na medida em que o empregado está à disposição do empregador a
partir do registro de entrada e até o registro de saída, lançados nos cartões-ponto,
por força do disposto no artigo 4º da CLT. De notar-se que o legislador pátrio, ao
tratar da redução da hora noturna, considera, inclusive, os segundos para sua
fixação. Logo, no cômputo das diferenças de horas extras devem ser levados em
conta todos os minutos registrados nos cartões-ponto. Não há, pois, o que prover.
4. HORAS EXTRAS. INTERVALOS.
A decisão de fls. deferiu como extraordinárias as horas prestadas após o limite de
6h 15 minutos a partir de 27.7.94. Na versão do apelo, o período destinado ao
intervalo não se computa na duração do trabalho.
O trabalhador bancário, é sabido, tem assegurado por lei a jornada reduzida de
seis horas. Desta sorte, se a Junta acolhe a pretensão, nos moldes supra referidos,
embora teça considerações sobre a ausência de pré-assinalação nos cartões-ponto,
por via indireta, não computou o intervalo de quinze minutos da jornada. Logo,
irrelevante o questionamento sobre o acerto ou desacerto, á luz do direito posto, à
interpretação adotada pela 1ª Turma deste Tribunal, máxime, quando os
fundamentos da invocada decisão sequer são transcritos. Não há, pois, o que
prover.
RECURSO ADESIVO
1. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE.
Não se conforma a recorrente com o indeferimento de adicional de insalubridade
em grau médio decorrente do iluminamento deficiente, enquadramento da
atividade insalubre na NBR 5.413.
A Junta deixou de acolher a pretensão ao fundamento de que a atividade prestada
em ambiente em que a luz for deficiente, não mais está definida pela Ministério
do Trabalho como ensejadora do adicional de insalubridade.
Como não se ignora, O Ministério do Trabalho alterou os critérios para a
verificação da atividade insalubre por iluminamento, através das Portarias nºs
3.435/90, de 19.6.90 e 3.751, de 23.11.90. Contudo, a Portaria nº 3.435 de
19.6.90 (com prazo de noventa dias, a partir da publicação, 20.6.90, para as
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.8

empresas se adaptarem às novas exigências), incluiu o iluminamento na NR-17,


capítulo da Ergonomia. A Portaria nº 3.751, de 23.11.90 (com prazo de noventa
dias, a partir da publicação, 23.11.90, para as empresas se adaptarem às novas
exigências), no item nº 17.5.3.3, deu nova redação à Portaria nº 3.435, enquanto
assim dispõe: "Os níveis de iluminamento a serem observados nos locais de
trabalho são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5.413, norma
brasileira registrada no Inmetro".
Não se endossa a interpretação adotada pela Junta. Inequívoco persista a
deficiência de iluminamento entre os agentes causadores da atividade insalubre,
máxime, quando as Portarias nº 3.435/90 e 3.751/90, estabeleceram os níveis
mínimos de iluminamento por tipo de atividade. Não fora isso, a norma do artigo
175, da Consolidação, determina que em todos os locais de trabalho deverá haver
iluminação adequada e, no parágrafo 2º, atribui ao Ministério do Trabalho o
encargo de estabelecer os níveis mínimos de iluminamento a serem
observados. A bem da verdade, a se entender que a luz deficiente não mais gera
atividade insalubre estar-se-ia admitindo que o Poder Executivo exorbitou sua
função, em face do que dispõe a CLT no dispositivo supra mencionado. O art.
189 da CLT, a seu turno, estabelece que são insalubres as atividades que
exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de
tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de
exposição aos seus efeitos. Entretanto, em face da edição do Enunciado da
Súmula nº 08 deste Tribunal, o iluminamento deficiente deixou de gerar direito
ao adicional de insalubridade, a contar de 24.02.91. Na espécie, o reclamante foi
admitido a 13.8.87 e teve o contrato extinto a 10.6.96. A demanda, a seu turno,
foi ajuizada a 05.11.96, de sorte que se encontram prescritas as parcelas
anteriores a 05.11.91. Logo, não há o que prover, revertendo, todavia, o encargo
dos honorários do perito técnico à reclamada
2. DANO MORAL. QUANTIFICAÇÃO.
Não se conforma a recorrente com o “quantum” arbitrado à indenização por dano
moral. Pretende seja arbitrado no equivalente a cem (100) vezes sua maior
remuneração, por entender inexpressivo o valor estabelecido pela sentença.
Como já se acentuou no julgamento do recurso da ré, o procedimento de
prepostos da recorrida causaram prejuízos, a rigor imensuráveis. Segundo o
magistério de Pinho Pedreira: "A reparação do dano moral trabalhista pode ser
efetuada por dois modos. Através da sanção "in natura" ou da sanção pecuniária.
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.9

A primeira poderá consistir numa retratação, numa contra-publicação..." (...).


"Faz-se a reparação pecuniária mediante o pagamento de indenização,
obviamente em dinheiro. Para Vasquez Vialard tem-se admitido no Direito do
Trabalho a reparação "in natura", mas ela não esgota a reparação do dano
causado, podendo proceder outra, em dinheiro. (...) No Brasil, a compensação
adicional à reparação "in natura", em pecúnia, será sempre exigível, pois a
Constituição da República assegura, em todo e qualquer caso de dano moral, uma
indenização" (op. cit. pag. 554).
Embora se admita que a reparação por dano moral é de difícl reparo, sua
indenização deve ser proporcional à gravidade causada pelo ofensor, de tal
maneira que não mais se encoraje a repetir as mesmas atitudes avassaladoras da
moral alheia, de forma a inibir futuras práticas de atos análogos. Se mantida a
condenação, esta arbitrada em 40 salários mínimos, o que equivale a R$
5.200,00, tal importância para quem deve indenizar mostra-se inexpressiva. O
Ministério Público, no parecer de fls. sugere seja elevada para o equivalente a
cem salários-mínimos, o que “data venia” não parece compatível com a hipótese
dos autos, máxime, se considerarmos o reduzido valor deste limite legal. Embora
não se acolha a proposição da recorrente, mais razoável parece seu arbitramento
ao equivalente a 75 vezes a maior remuneração percebida no curso do contrato de
trabalho.
Ante o exposto,

ACORDAM os Juízes da 3ª Turma do Tribunal Regional do


Trabalho da 4ª Região:
Por unanimidade, EM NEGAR PROVIMENTO AO
RECURSO DA RECLAMADA. Por unanimidade, EM
DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO
ADESIVO para elevar a indenização por dano moral ao
equivalente a 75 vezes a maior remuneração percebida no
curso do contrato de trabalho, bem como para reverter o
encargo dos honorários do perito técnico à reclamada.
Valor da condenação acrescido em R$ 15.000,00, para os
efeitos legais.
Intimem-se.
Porto Alegre, 10 de junho de 1999.
ACÓRDÃO
01296.017/96-6 RORA Fl.10

MÁRIO CHAVES – Juiz no exercício da Presidência

MARIA GUILHERMINA MIRANDA – Juíza Relatora

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO